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UNIP – UNIVERSIDADE PAULISTA
HOMEM E SOCIEDADE
Autora: Profª Teresinha Minelli Tavares
Revisão: Professor Luigi Consorti
ALUNO (A) _________________________CURSO:____________________
PERÍODO NOTURNO
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PRINCIPAIS VISÕES SOBRE A ORIGEM HUMANA:
O EVOLUCIONISMO
O Evolucionismo é uma teoria fundamentada em achados de
fósseis concretos ou em experiências bio-genéticas realizadas,
embora eventualmente questionadas em suas conclusões:
A teoria evolucionista e a explicação da biologia para a origem e
evolução do ser humano;
A colaboração da teoria antropológica sobre a visão da biologia e do
evolucionismo a antropologia defende que a explicação puramente
biológica é apenas uma parte de nossa complexa evolução o papel do
comportamento cultural também foi determinante para surgimento
de nossa espécie como é hoje.
A antropologia afirma que é falsa a alegação que o ser humano é
determinado pelo clima ou pela herança genética! A resposta é que
tal assertiva é verdadeira, pois as populações se adaptam a
diferentes meio ambientes para sobreviver, mas não é o meio
ambiente que determina nosso comportamento. O mesmo acontece
com a herança genética, cada indivíduo é resultado de uma herança
genética, o que não significa que ele é “escravo” dessa herança.
Voltar às origens da cultura é também voltar à origem da
humanidade. Ter costumes e hábitos aprendidos é um
comportamento relacionado com a nossa sobrevivência e evolução
enquanto espécie. O tema possibilita uma abordagem que ressalta a
importância da compreensão do ser humano como um ser bio-psico-
social, ou seja, somos seres cujo comportamento é determinado ao
mesmo tempo:
BIO - por nossas características orgânicas (o tipo de aparelho físico
que temos e como podemos utilizá-lo);
PSICO - por nossas experiências pessoais racionais e afetivas de
mundo e;
SOCIAL - pelo meio social onde vivemos.
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Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que
nos pertence desde o nascimento) certos comportamentos como
preferir alguns tipos de roupas ou alimentos, e ainda se comunicar
através desta ou daquela língua?
Pois a Antropologia, junto com outras ciências como a Arqueologia, a
Paleontologia e a História, tem explorado profundamente essa
questão sobre a diferença do Homem em relação ao resto do mundo
animal que nos cerca. Até o momento puderam concluir que nosso
comportamento é fruto de um processo histórico no qual BIOLOGIA
e CULTURA modelaram nossos ancestrais.
CULTURA - rede de significados que dão sentido ao mundo que cerca um
indivíduo, ou seja, a sociedade. Essa rede engloba um conjunto de
diversos aspectos, como crenças, valores, costumes, leis, moral, línguas,
etc.
http://www.alunosonline.com.br/filosofia/o-que-e-cultura/
Esse trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a
cultura foi responsável por tamanhas mudanças em nossa espécie,
que hoje achamos um fato “natural” não necessitarmos entrar na
“luta pela sobrevivência” na “lei da selva”.
Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas, ou
saber que alimentos são comestíveis e como devemos prepará-los?
Quem inventou o primeiro tipo de calçado, ou descobriu como
fabricar o vidro? Enfim, como surgiu a cultura? Que importância
decifrar esse fato pode ter para nossa compreensão de ser humano?
Essas questões devem ser respondidas ao longo desse tema.
No séc. XIX Charles Darwin (biólogo), afirmou que todas as espécies
vivas resultam de uma EVOLUÇÃO ao longo do tempo. Isso significa,
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que se retornássemos em nosso planeta há milhões de anos atrás
não encontraríamos as espécies conforme as vemos hoje. Cada ser
vivo, para chegar até hoje, passou por sucessivas e pequenas
transformações que possibilitaram sua sobrevivência; esse processo
de mudanças orgânicas ocorre por necessidade de ADAPTAÇÃO AO
MEIO. Consideremos que as condições do meio como clima,
quantidade na oferta de alimentos e todas as questões relacionadas
às condições ambientais, estão em constante mudança. Pois bem, as
formas de vida existentes precisam acompanhar essas mudanças,
estando sujeitas – segundo Darwin – a dois destinos:
a) podem se adaptar e ao longo de muitas gerações apresentarem
mudanças visíveis;
b) não conseguem se adaptar, entrando em extinção.
Quais são as espécies que conseguem se adaptar?
São as que possuem alguns indivíduos do grupo dotados de
características tais que o permitem sobreviver e gerar uma prole
(conjunto de filhos/as) que dá continuidade a essas características.
Os outros indivíduos de sua mesma espécie que não possuam tais
características, não conseguindo “lutar” pela sobrevivência, têm mais
chances de morrer sem deixarem descendentes. Assim, após muitas
gerações, temos uma espécie que já não se parece com seu primeiro
exemplar.
A possibilidade da geração de uma prole com características que
permitam a adaptação ao meio é, para os evolucionistas, chamada de
“seleção natural” – sobrevivem apenas aqueles indivíduos com
traços que os permitam a sobrevivência. Ao lado da seleção natural,
as mutações aleatórias também são responsáveis pelas modificações
de um organismo ao longo do tempo.
Uma das dificuldades do senso-comum em aceitar as idéias
evolucionistas, está no fato que não podemos “ver” a evolução
acontecendo apesar de ela estar sempre acontecendo, isto é, não
testemunhamos alterações expressivas, pois as mudanças são muito
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sutis e ao longo de períodos de tempo muito longos do ponto de vista
do ser humano.
As alterações podem ser consideradas em intervalos de tempo não
inferiores a cem ou duzentos mil anos. Portanto, muito além de
qualquer evento que possamos acompanhar. Mas podemos
acompanhar sim a luta pela sobrevivência e a mudança de hábitos
em muitas espécies, como os pombos que povoam as cidades, mas
não estão tão concentrados demograficamente nos campos. Essa
espécie encontrou um ambiente ótimo nas cidades construídas pelos
seres humanos, aprendendo rapidamente como obter abrigo e
alimento, com a vantagem de estar livre de predadores como nas
florestas e campos. Faz parte de sua evolução esse novo ambiente.
Assim entendemos que a evolução biológica de todas as espécies
vivas não acontece sem influência de muitos fatores, não acontece de
forma “mágica” e independente do tipo de meio e hábitos que
podemos observar.
Hoje em dia o darwinismo está com uma nova roupagem e temos
teorias como o pós-darwinismo ou neo-darwinismo, que são
conseqüência do desenvolvimento de nossa tecnologia de pesquisa, e
do próprio conhecimento cujas portas foram abertas por Charles
Darwin para seus sucessores.
"O APARECIMENTO DO HOMO SAPIENS
“uma espécie que trabalha"
O homem descende do macaco. Essa foi à afirmação
polêmica de Darwin na segunda metade do séc. XIX e que dividiu
opiniões na sociedade moderna. Essa polêmica permanece até hoje,
pois encontrou como opositor o ponto de vista de uma prática
humana muito mais antiga que a teoria da evolução: a religião. Não
conhecemos nenhuma crença, em nenhuma cultura que coincida e
concorde totalmente com a afirmação de Darwin. Da perspectiva das
crenças, a criação da vida é atribuída a um “ser criador”, a algo
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externo e superior a toda a vida existente. Ao conjunto de teorias e
explicações que partem desse tipo de raciocínio, denominamos
“criacionismo”. Pois bem, para pensar como Darwin e a maior parte
dos cientistas até hoje, esqueça suas crenças. A ciência não
reconhece como possível a existência de seres superiores que tenham
dado origem à vida, e muito menos entende que o ser humano é uma
espécie “privilegiada” ou “superior”, seja pela capacidade de
raciocínio, seja pela capacidade de criar crenças.
Para os evolucionistas, todas as espéciescomo o
mais correto a todos que estão presentes.
B) que devemos deixar de lado nossas regras sempre que estamos
perante o diferente.
C) que quando pessoas de culturas diferentes estão em contato,
necessariamente elas seguem impulsos instintivos, deixando sua
cultura em segundo plano.
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D) que os envolvidos estão praticando o relativismo cultural, por isso
não conseguem chegar a um consenso sobre a atitude correta a ser
tomada na situação.
E) que a cultura condiciona a nossa visão de mundo, ficando claro
nesse tipo de situação que cada um procura agir de acordo com seus
valores próprios, sem perceber os valores dos outros.
05 - Leia o trecho abaixo:
“Antigamente os jovens entravam em conflito sobre valores sociais,
políticos, econômicos, religiosos, estéticos e comportamentais
(brigavam pelo direito de usar os cabelos compridos e vestir uma
calça velha-azul-e-desbotada). (...) As crianças e os jovens do
início do terceiro milênio não vivem um sonho coletivo de mudança
social. Seu sonho é meramente subjetivo, tribal e plural. São mais
propensos à discussão sobre assuntos menores do cotidiano como
os games, amigos, namoro, aparência, do que os ‘grandes temas’
da década de 1970. Os pais mais à esquerda já não conseguem
conversar com os filhos os assuntos que eles, na sua época,
consideravam importantes. Também, não conseguem fazê-los
cumprir as pequenas coisas: regrar a hora de eles voltarem para
casa, o tempo de ficar nos games, ler os jornais e revistas.”
(Raimundo DE LIMA, Revista Espaço Acadêmico, nº 61, Junho
2006, disponível no endereço eletrônico -
http://www.espacoacademico.com.br/061/61lima.htm)
Esse texto está corretamente associado com a seguinte afirmação
A) a cultura tem uma lógica própria, assim quando uma geração é
pressionada procura novas soluções mesmo que desagradem os mais
velhos.
B) a cultura é dinâmica, e as mudanças às vezes podem colocar em
conflito interesses e valores das gerações mais velhas com as novas.
C) a visão de mundo dos mais velhos está incorreta, e os jovens
devem buscar novas formas de comportamento mesmo que a
sociedade esteja em conflito com essa atitude.
D) a lógica de mundo da nova geração está incorreta e os mais
velhos deveriam orientar melhor seus próprios filhos para garantir um
comportamento mais adequado.
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E) a cultura é dinâmica, e esse conflito de gerações vai
necessariamente levar a novas mudanças que acabem com qualquer
comportamento indesejado.
06 - Somos socializados e aprendemos ao longo da vida aquilo que é
mais importante para sermos aceitos e participarmos de uma cultura.
Mas nossa participação é sempre diferente de um indivíduo para o
outro.
Em que critérios se baseiam essas diferenças individuais?
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DIVERSIDADE CULTURAL
ETNOCENTRISMO
RELATIVISMO CULTURAL
DIVERSIDADE CULTURAL
É norma socialmente reconhecida entre nós que devemos cuidar dos
nossos pais e de familiares quando atingem uma idade avançada; os
Esquimós deixam-nos morrer de fome e de frio nessas mesmas
condições. Algumas culturas permitem práticas homossexuais
enquanto outras as condenam (pena de morte na Arábia Saudita).
Em vários países muçulmanos a poligamia é uma prática normal, ao
passo que nas sociedades cristãs ela é vista como imoral e ilegal.
Certas tribos da Nova Guiné consideram que roubar é moralmente
correto; a maior parte das sociedades condenam esse ato. O
infanticídio (morte dada a uma criança) é moralmente repelente para
a maior parte das culturas, mas algumas ainda o praticam. Em certos
países a pena de morte vigora, ao passo que noutras foi abolida;
algumas tribos do deserto consideravam um dever sagrado matar
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após terríveis torturas um membro qualquer da tribo a que
pertenciam os assassinos de um dos seus.
Podemos notar através destes exemplos a diversidade cultural,
existentes .
ETNOCENTRISMO
É a atitude característica de quem só reconhece legitimidade e
validade às normas e valores vigentes na sua cultura ou
sociedade. Tem a sua origem na tendência de julgarmos as
realizações culturais de outros povos a partir dos nossos próprios
padrões culturais, pelo que não é de admirar que consideremos o
nosso modo de vida como preferível e superior a todos os outros. Os
valores da sociedade a que pertencemos são, na atitude etnocêntrica,
declarados como valores universalizáveis, aplicáveis a todos os
homens, ou seja, dada a sua "superioridade" devem ser seguidos por
todas as outras sociedades e culturas. Adaptando esta perspectiva,
não é de estranhar que alguns povos tendam a intitular-se os únicos
legítimos e verdadeiros representantes da espécie humana.
RELATIVISMO CULTURAL
É considerar o mundo DO PONTO DE VISTA DO OUTRO,
entendendo seu sistema simbólico, seus próprios valores de mundo
como beleza, justiça, honra, medo, e assim por diante.
É deixar de tomar a NOSSA própria cultura (visão de mundo) como
medida para julgar os outros.
Se pensarmos que a cada cultura corresponde uma diferente “visão
de mundo”, percebemos que os indivíduos se organizam
mentalmente para estar no mundo de acordo com os valores
introjetados de sua cultura. Tornamos “nosso” aquilo que é cultural.
Exercitando. Vamos pensar sobre os sentimentos humanos.
Obviamente, nossas emoções são universais. Amor, ódio, paixão,
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rivalidade, raiva, afeto, ironia, alegria, euforia e tudo quanto
possamos lembrar agora, fazem parte da humanidade.
Entretanto, as EXPERIÊNCIAS QUE SUSCITAM este ou aquele
sentimento, e a forma como expressamos o que sentimos é uma
questão cultural. Muitas situações que fazem um brasileiro rir podem
não ter o mesmo efeito em pessoas de outros povos. Ou ainda,
situações como o funeral que exigem circunspecção e tristeza em
algumas culturas podem exigir expressões de alegria em outras.
O exercício de relativizar é se colocar na condição do outro.
Pois bem, muitas vezes fazemos julgamento equivocados do
comportamento alheio, simplesmente pelo fato de desconhecer as
motivações que levaram a tal ou qual atitude.
Quando não temos a “chave simbólica” que permite a relativização
dos costumes, tendemos a nos fechar em nosso etnocentrismo.
Tudo bem, precisamos relativizar, não é mesmo?
Sim, é correto que tenhamos reações mais respeitosas e éticas com
os “outros”. Mas tanto o relativismo cultural como o etnocentrismo
podem ser encontrados em diferentes graus, e quando praticados de
forma radical, se tornam destrutivos das relações humanas.
Quer dizer que relativizar demais pode ser perigoso?
Sim! Quando apenas relativizamos tudo, aceitando qualquer atitude
alheia como normal, natural e aceita, podemos correr o risco de não
ter mais referencial ético de mundo.
Em termos práticos, isso significaria, por exemplo, tornar aceito como
normal as mutilações dos órgãos genitais femininos praticados em
algumas sociedades de cultura mulçumana, principalmente em
comunidades africanas. Percebe que deve existir um limite para a
prática do relativismo? Relativizar deve ser algo estimulado
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socialmente, mas dentro de padrões de respeito à integridade física,
psíquica e moral do outro.
O oposto também é verdadeiro. Etnocentrismo é sempre ruim?
Não! Na verdade, todas as culturas praticam etnocentrismo de
alguma forma. Quando reagimos com aversão ao fato da alimentação
em algumas culturas incluir pratos com animais como insetos, cães
ou lesmas (o famoso “escargot” francês), preferindo um bom arroz
com feijão, estamos sendo um pouco etnocêntricos. Isso é
necessariamente ruim?
Bem, na medida emque pode servir para reforçar nossa identidade
cultural e nos trazer bem estar dentro de nosso próprio padrão
cultural, não é uma atitude ruim. Mas quando a aversão ao outro
é tão grande que precisamos excluí-lo, destruir seus costumes
estamos atingindo um grau de etnocentrismo inaceitável.
O relativismo extremo pode levar à ausência de noções éticas. O
etnocentrismo extremo pode levar ao genocídio e às práticas racistas
e/ou preconceituosas.
Relativismo cultural e etnocentrismo supõem a presença da
DIFERENÇA.
Esse “outro” que aparece nas frases acima, pode estar ao nosso lado.
Atualmente o mundo todo reflete de uma forma mais intensa sobre o
convívio entre as diferentes culturas/etnias.
MORAL – ÉTICA
• Moral : Hábitos- Costumes - O que diz respeito à ética
• Estabelece regras de condutas, construção do caráter.
• Algumas passagens nossa:
• Anomia – Sem regras (a etapa das crianças pequenas: com
seu egocentrismo natural da infância, elas querem fazer
somente o que desejam, sem considerar os outros e sem seguir
regras e normas, acham que pode tudo)
• Heteronomia – Faço pelos outros – Ex. Vou chamar seu pai.
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• Autonomia – De dentro para fora (faço porque acho correto)
• ETICA – estudo dos juízos (ato de julgar) de apreciação
referentes à conduta humana do ponto de vista do bem e o
mal. Conjunto de normas e princípios que norteiam a boa
conduta do ser humano.
Exercícios
01 - Em seu texto “O etnocentrismo”, Claude Lévi-Strauss afirma que
é muito antiga a atitude que “consiste em repudiar pura e
simplesmente as formas culturais, morais, religiosas, sociais e
estéticas mais afastadas daquelas com que nos identificamos”.
A) consiste numa visão de mundo em que nosso próprio grupo é
tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e
sentidos através de nossos valores, nossos modelos, e nossas
definições do que é a existência
B) significa a supervalorização da própria cultura em detrimento das
demais.
C) é uma atitude universal, pois todos os indivíduos crêem que a
própria sociedade é o centro da humanidade, ou mesmo a sua única
expressão.
D)as apreciações negativas dos padrões culturais dos povos
diferentes nunca foram utilizadas para justificar a violência praticada
contra “o outro”.
E) a propensão em considerar o nosso modo de vida como o mais
natural e o mais correto pode levar a numerosos conflitos sociais, tais
como a xenofobia, o racismo, as guerras étnicas, o preconceito e os
estigmas, a segregação e a discriminação baseadas na raça, na etnia,
no gênero, na idade ou na classe social.
02 - ‘Buda nasceu estando sua mãe, Mãya, agarrada, reta, a um
ramo da árvore. Ela deu à luz em pé. Boa parte das mulheres na
Índia ainda dão à luz desse modo’. Para nós, a posição normal é a
mãe deitada sobre as costas, e entre os Tupis e outros índios
brasileiros a posição é de cócoras”.
(Roque LARAIA, “A cultura condiciona a visão de mundo do homem”,
citado na bibliografia do conteúdo)
Com essa descrição das técnicas do nascimento e da obstetrícia, o
autor procura demonstrar que:
A) Não existem diferentes maneiras culturais de efetuar ações que
são fisiológicas.
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B) Mesmo em atos que podem ser classificados como naturais, há
diferenças culturais
C)Todos os homens são dotados do mesmo equipamento anatômico e
por isso a utilização do mesmo é determinada geneticamente.
D) o exercício de atividades consideradas como parte da fisiologia
humana não reflete diferenças de cultura.
E) as técnicas de obstetrícia da chamada civilização ocidental são
mais evoluídas e, por isso, deveriam ser imitadas pelos demais
povos.
03 - Diversidade cultural é corretamente definida como:
A) Um modelo ideal da Antropologia, que, no entanto não
corresponde à realidade das culturas humanas.
B) Característica inata do ser humano, que o leva a ter um
comportamento único para cada tipo de situação enfrentada.
C) Observação que comprova que todas as sociedades possuem uma
tendência natural para evoluir.
D) A forma como a Antropologia pratica sua metodologia de
pesquisa, com o objetivo de garantir que nenhum grupo cultural
deixe suas tradições e prefira as mudanças ou inovações.
E) Característica do comportamento humano, que considera as
influências do meio ambiente, da herança cultural e da história do
povo de um local sobre o comportamento correspondente à média
dos indivíduos de um grupo social.
04 – Leia o texto, em seguida responda: O autor esta correto em
suas afirmações? Justifique a resposta.
Existem verdades para descobrir no domínio moral, mas nenhuma
cultura possui o monopólio destas verdades. As diferentes culturas
necessitam de aprender umas com as outras. Para que tomemos
consciência dos erros e dos nossos valores, é necessário conhecer
como procedem as outras culturas, e de que forma reagem ao que
nós fazemos. Aprender com diferentes culturas pode ajudar-nos a
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corrigir os nossos valores e a aproximar-nos da verdade acerca do
modo como devemos viver.
A- Por que existem diferenças culturais?
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B - O etnocentrismo existe ainda hoje no Brasil? Dê exemplos.
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05 - No planeta Terra existe uma enorme diversidade cultural. As
diferentes comunidades humanas desenvolveram diferentes línguas,
costumes, normas, valores, etc. Por isso, existem milhares de
culturas diferentes. Por vezes, as pessoas de uma sociedade não
respeitam as culturas de outras sociedades, consideram-nas
inferiores e “atrasadas”. A essa atitude chama-se
_________________ Este é a atitude característica de quem só
reconhece legitimidade e validade às normas e valores vigentes na
sua própria cultura. As pessoas que pensam desse modo, consideram
frequentemente que, sendo a sua cultura superior, têm o direito de a
impor (pela força se necessário) a outros povos. Existem exemplos de
atitudes etnocêntricas em muitas sociedades. Na Europa foi uma
atitude habitual durante séculos, ostentada não só pelas pessoas do
povo como por intelectuais.
06 - O que vem a ser relativismo cultural ?
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07 – Analise o texto e responda que tipo de conceito foi utilizado pelo
pai, depois responda: _______________________________
a) O pai estava certo? Por quê?
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b) Se você fosse o pai do menino como agiria? Por quê?
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- A temporada de pesca começaria no dia seguinte, mas o menino,
de onze anos, sempre queria ir pescar...Saiu com seu pai no
final da tarde para pegar peixes-lua e percas, cuja pesca era
liberada. Amarrou uma isca e começou a praticar arremessos,
provocando ondulações coloridas na água. Logo as ondulações se
tornaram prateadas por causa do efeito da Lua nascendo sobre o
lago.
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Quando o caniço vergou, soube haver algo enorme do outro lado da
linha. O pai o olhava com admiração enquanto habilmentearrastava
o peixe ao longo do cais. Finalmente, com cuidado, levantou o
peixe.
Era o maior que havia visto. Mas era um peixe cuja pesca só seria
permitida na temporada, que iniciava no dia seguinte, dali a algumas
horas.
Ele e o pai olharam para o peixe, tão bonito, as guelras para trás e
para à frente sob a luz da lua. O pai acendeu um fósforo e olhou o
relógio. Eram dez da noite - faltavam duas horas para a abertura da
temporada. O pai olhou para o peixe, depois para o menino.
- Você tem de devolvê-lo, filho - disse.
- Mas, papaiiii ! – reclamou.
- Vai aparecer outro peixe - disse o pai.
- Não tão grande como este – choramingou...
Observou à volta do lago. À forte luz do luar podia ver que não
havia outros pescadores nem barcos. Mesmo sem ninguém por
perto sabia, pela clareza da voz do pai, que a decisão não era
negociável. Devagar tirou o anzol da boca do enorme peixe e o
devolveu à água escura.
A criatura movimentou rapidamente seu corpo poderoso e
desapareceu.
Desconfiou que jamais veria um peixe tão grande como aquele.
Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje, aquele menino é
um arquiteto de muito sucesso em Nova Iorque. O chalé do pai
ainda está lá, numa ilha em meio do lago, perto o mesmo cais.
Mas há três décadas, ambos estavam certos. O menino estava
certo ao pensar que nunca mais conseguiria pescar um peixe tão
maravilhoso como aquele, mas não houve perda, porque o pai
também estava certo ao exigir da devolução:
08 - Sobre o relativismo cultural, é correto afirmar:
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A) É uma forma de encarar a diversidade cultural rejeitando
qualquer etnocentrismo, ao propor que a cada cultura corresponde
uma lógica própria, e que devemos respeitar o ponto de vista de seus
indivíduos, sem tentar impor rótulos.
B) É uma teoria baseada nos princípios estruturalistas desenvolvidos
por Lévi-Strauss, que defende que não há nenhuma característica
universal que iguale o ser humano.
C) O relativismo defende que todas as culturas tendem a se
assemelhar com o passar do tempo, e que ao difundir nossos hábitos
estamos colaborando com esse processo.
D) Deriva das concepções antropológicas que defendem que existe
uma única cultura que deu origem a todas as outras.
E) É uma teoria profundamente influenciada pelo evolucionismo e
que defende privilégios às culturas mais avançadas.
RELAÇÕES ÉTNICO-CULTURAIS
As relações étnico-culturais são todas as situações nas quais
diferentes culturas/etnias são colocadas em contato, ou precisam
negociar interesses, debater questões em comum.
Que tal pontuar algumas questões e situações do mundo atual nas
quais as relações étnico-culturais estão no centro dos debates e
suscitam a reflexão? São questões que trazem à tona o relativismo
cultural e o etnocentrismo, além de boas doses de ética, justiça e
novos parâmetros para as relações humanas.
Essas questões / situações seriam:
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- Qual é a realidade dos povos indígenas
que convivem com a nossa sociedade
nacional aqui no Brasil? E quais são suas
reivindicações?
- Qual é a importância da eleição de
Barack Hussein Obama como Presidente
dos Estados Unidos da America?
- Quais são os principais argumentos a
favor e contra a política de cotas para
afrodescendentes ingressarem nas
universidades públicas brasileiras?
- Como e por que é exercido o
preconceito contra nordestinos nas
regiões sul e sudeste do
Brasil?
As respostas a essas questões não possuem um consenso, são
polêmicas sociais. Elas dependem em grande parte da posição e da
capacidade de imparcialidade de quem as responde. De qualquer
forma, pode-se caracterizar certas respostas como resultado de
atitudes etnocêntricas ou relativistas.
Dependendo da perspectiva a partir da qual se avalia essas questões,
podemos obter respostas muito desencontradas. Em um mundo
globalizado, onde o contato entre as diferentes culturas e povos é
cada vez mais intenso e necessário, existe uma preocupação geral e
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a tendência a considerar reprováveis as atitudes que resultem em
discriminação, preconceito, exclusão ou práticas
moralmente/fisicamente agressivas.
A garantia dos direitos humanos e as lutas pelo tratamento igualitário
entre os povos têm trazido à tona importantes discussões sobre as
relações étnico-culturais. O que nos leva de volta ao conceito de
CULTURA. Cada cultura desenvolve um sistema simbólico que permite
aos indivíduos se relacionarem dentro de uma mesma linguagem de
mundo.
Ocorre que durante muitos séculos, um relativo isolamento entre os
povos teve como resultado o surgimento de muitas etnias diferentes
ao redor do mundo.
Vamos desenvolver o conceito de ETNIA. Segundo o dicionário
HOUAISS:
Etnia. ANTROPOL coletividade de indivíduos que se diferencia por sua
especificidade sociocultural, refletida principalmente na língua,
religião e maneiras de agir; grupo étnico [Para alguns autores, a
etnia pressupõe uma base biológica, podendo ser definida por uma
raça, uma cultura ou ambas; o termo é evitado por parte da
antropologia atual, por não haver recebido conceituação precisa].
Na história da Antropologia, desde final do século XIX teve início um
movimento de recusa às teorias evolucionistas, que
relacionavam a base biológica das populações humanas com a
cultura.
Quais eram os pressupostos do EVOLUCIONISMO SOCIAL?
Parte da idéia de que haveria uma “escala evolutiva” entre os povos.
De acordo com esse pensamento, poderíamos encontrar
povos/culturas “mais evoluídos” e outros “menos evoluídos”. O
resultado óbvio foi o sentimento de superioridade de algumas
culturas sobre outras, que justificou decisões políticas como invasões,
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extermínios e a prática da discriminação e do racismo. Esse
pensamento partia do pressuposto que a cultura é determinada pela
herança genética de uma população.
Ao recusar essas teorias, a antropologia substituiu o conceito de
RAÇA (de base extremamente biologizante) pelo de ETNIA.
Atualmente é consenso na antropologia, que a cultura não é
determinada pelo padrão de herança genética de uma população.
O conceito de “raça” mostra-se impreciso uma vez que tenta
determinar divisões em uma espécie que é única: o ser humano.
Raça é uma construção social, e não uma realidade biológica.
O conceito de etnia, contrariamente ao de raça, dá ênfase aos
aspectos da herança cultural de um povo como forma de caracterizar
a diferença de comportamento entre as várias populações humanas.
Sempre que o assunto envolve questões de conflito de interesses
entre populações, e este conflito revela questões culturais de
qualquer abrangência, trata-se de questões étnico-raciais.
Esses conflitos podem se revelar com diferentes graus de expressão e
intolerância. Um povo pode expressar seu preconceito, racismo ou
ódio, tanto por questões bastante específicas como a religião, ou os
hábitos de vestuário / alimentação / higiene, ou ainda através de
repúdio total ao outro.
Entretanto não existe intolerância mais aceitável ou menos aceitável,
simplesmente pelo fato dela abranger apenas um aspecto da cultura
alheia, ou por ter se tornado tão profunda que apenas se resolve com
o extermínio desse outro. É necessário perceber que a intolerância
em qualquer dos casos é desnecessária, condenável e pouco efetiva
no sentido de resolver conflitos de interesses entre dois ou mais
povos.60
Um povo pode e deve saber valorizar suas próprias características
sem que seja necessário diminuir, discriminar ou repudiar os que são
diferentes. Percebemos que há um uso político dessas intolerâncias, e
que serve como justificativa para ações que atinjam moral, física e
socialmente muitos povos.
A seguir, um trecho do documento “Diretrizes curriculares nacionais
para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de
história e cultura afro-brasileira e africana”, publicado pela Secretaria
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. MEC, Brasília:
2004 e que pode ser encontrado na íntegra no endereço eletrônico:
http://www.espacoacademico.com.br/040/40pc_diretriz.htm
Esse trecho traz importantes conceitos e revela uma importante
questão das relações étnico-raciais no Brasil atualmente.
Questões introdutórias
O parecer procura oferecer uma resposta, entre outras, na área da
educação, à demanda da população afrodescendente, no sentido de
políticas de ações afirmativas, isto é, de políticas de reparações, e de
reconhecimento e valorização de sua história, cultura, identidade. Trata,
ele, de política curricular, fundada em dimensões históricas, sociais,
antropológicas oriundas da realidade brasileira, e busca combater o
racismo e as discriminações que atingem particularmente os negros.
Nesta perspectiva, propõe à divulgação e produção de
conhecimentos, a formação de atitudes, posturas e valores que
eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial
- descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes de
europeus, de asiáticos – para interagirem na construção de uma
nação democrática, em que todos, igualmente, tenham seus
direitos garantidos e sua identidade valorizada.
É importante salientar que tais políticas têm como meta o direito dos
negros se reconhecerem na cultura nacional, expressarem visões de
61
mundo próprias, manifestarem com autonomia, individual e coletiva,
seus pensamentos. É necessário sublinhar que tais políticas têm,
também, como meta o direito dos negros, assim como de todos cidadãos
brasileiros, cursarem cada um dos níveis de ensino, em escolas
devidamente instaladas e equipadas, orientados por professores
qualificados para o ensino das diferentes áreas de conhecimentos; com
formação para lidar com as tensas relações produzidas pelo racismo e
discriminações, sensíveis e capazes de conduzir a reeducação das
relações entre diferentes grupos étnico-raciais, ou seja, entre
descendentes de africanos, de europeus, de asiáticos, e povos indígenas.
Estas condições materiais das escolas e de formação de professores são
indispensáveis para uma educação de qualidade, para todos, assim como
o é o reconhecimento e valorização da história, cultura e identidade dos
descendentes de africanos.
Políticas de Reparações, de Reconhecimento e Valorização, de
Ações Afirmativas
A demanda por reparações visa a que o Estado e a sociedade
tomem medidas para ressarcir os descendentes de africanos
negros, dos danos psicológicos, materiais, sociais, políticos e
educacionais sofridos sob o regime escravista, bem como em
virtude das políticas explícitas ou tácitas de branqueamento da
população, de manutenção de privilégios exclusivos para grupos
com poder de governar e de influir na formulação de políticas, no
pós-abolição. Visa também a que tais medidas se concretizem em
iniciativas de combate ao racismo e a toda sorte de discriminações.
Cabe ao Estado promover e incentivar políticas de reparações, no que
cumpre ao disposto na Constituição Federal, Art. 205, que assinala o
dever do Estado de garantir indistintamente, por meio da educação,
iguais direitos para o pleno desenvolvimento de todos e de cada um,
enquanto pessoa, cidadão ou profissional. Sem a intervenção do Estado,
os postos à margem, entre eles os afro-brasileiros, dificilmente, e as
62
estatísticas o mostram sem deixar dúvidas, romperão o sistema
meritocrático que agrava desigualdades e gera injustiça, ao reger-se por
critérios de exclusão, fundados em preconceitos e manutenção de
privilégios para os sempre privilegiados.
Políticas de reparações voltadas para a educação dos negros devem
oferecer garantias a essa população de ingresso, permanência e sucesso
na educação escolar, de valorização do patrimônio histórico-cultural afro-
brasileiro, de aquisição das competências e dos conhecimentos tidos
como indispensáveis para continuidade nos estudos, de condições para
alcançar todos os requisitos tendo em vista a conclusão de cada um dos
níveis de ensino, bem como para atuar como cidadãos responsáveis e
participantes, além de desempenharem com qualificação uma profissão.
A demanda da comunidade afro-brasileira por reconhecimento,
valorização e afirmação de direitos, no que diz respeito à educação,
passou a ser particularmente apoiada com a promulgação da Lei
10639/2003, que alterou a Lei 9394/1996, estabelecendo a
obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras e
africanas.
Reconhecimento implica justiça e iguais direitos sociais, civis,
culturais e econômicos, bem como valorização da diversidade
daquilo que distingue os negros dos outros grupos que compõem
a população brasileira. E isto requer mudança nos discursos,
raciocínios, lógicas, gestos, posturas, modo de tratar as pessoas
negras. Requer também que se conheça a sua história e cultura
apresentadas, explicadas, buscando-se especificamente
desconstruir o mito da democracia racial na sociedade brasileira;
mito este que difunde a crença de que, se os negros não atingem
os mesmos patamares que os não negros, é por falta de
competência ou de interesse, desconsiderando as desigualdades
seculares que a estrutura social hierárquica cria com prejuízos
para os negros.
Reconhecimento requer a adoção de políticas educacionais e de
estratégias pedagógicas de valorização da diversidade, a fim de superar
63
a desigualdade étnico-racial presente na educação escolar brasileira, nos
diferentes níveis de ensino.
Reconhecer exige que se questionem relações étnico-raciais baseadas
em preconceitos que desqualificam os negros e salientam estereótipos
depreciativos, palavras e atitudes que, velada ou explicitamente
violentas, expressam sentimentos de superioridade em relação aos
negros, próprios de uma sociedade hierárquica e desigual.
Reconhecer é também valorizar, divulgar e respeitar os processos
históricos de resistência negra desencadeados pelos africanos
escravizados no Brasil e por seus descendentes na contemporaneidade,
desde as formas individuais até as coletivas.
Reconhecer exige a valorização e respeito às pessoas negras, à sua
descendência africana, sua cultura e história. Significa buscar,
compreender seus valores e lutas, ser sensível ao sofrimento causado
por tantas formas de desqualificação: apelidos depreciativos,
brincadeiras, piadas de mau gosto sugerindo incapacidade,
ridicularizando seus traços físicos, a textura de seus cabelos, fazendo
pouco das religiões de raiz africana. Implica criar condições para que os
estudantes negros não sejam rejeitados em virtude da cor da sua pele,
menosprezados em virtude de seus antepassados terem sido explorados
como escravos, não sejam desencorajados de prosseguir estudos, de
estudar questões que dizem respeito à comunidade negra.
Reconhecer exige que os estabelecimentos de ensino, freqüentados em
sua maioria por população negra, contem com instalações e
equipamentos sólidos, atualizados, com professores competentes no
domínio dos conteúdos de ensino, comprometidos com a educação de
negros e brancos, no sentido de que venham a relacionar-se com
respeito, sendo capazes de corrigir posturas, atitudes e palavras que
impliquem desrespeito e discriminação.
Políticas de reparações e de reconhecimento formarão programas
de açõesafirmativas, isto é, conjuntos de ações políticas
dirigidas à correção de desigualdades raciais e sociais, orientadas
para oferta de tratamento diferenciado com vistas a corrigir
64
desvantagens e marginalização criadas e mantidas por estrutura
social excludente e discriminatória. Ações afirmativas atendem ao
determinado pelo Programa Nacional de Direitos Humanos, bem como a
compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, com o objetivo de
combate ao racismo e a discriminações, tais como: a Convenção da
UNESCO de 1960, direcionada ao combate ao racismo em todas as
formas de ensino, bem como a Conferência Mundial de Combate ao
Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Discriminações Correlatas de
2001.
Nos trechos em itálico e sublinhado estão destacados alguns
importantes princípios das políticas de ações afirmativas traçadas
pelo Programa Nacional de Direitos Humanos.
Vamos a algumas questões que estão esclarecidas nos trechos
em destaque:
01 - Quais populações são alvos da preocupação sobre a condição de
exclusão ou tratamento preconceituoso?
_________________________________________________
_________________________________________________
02 - Qual o argumento do documento sobre a ênfase nas políticas de
reparação voltadas à comunidade de afro descendentes pelo Estado
brasileiro?
_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________
________________________________________________
03 - Como o documento define “ações afirmativas”?
_______________________________________________________
_______________________________________________________
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_______________________________________________________
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04 - Para compreender a importância das discussões que envolvem
as relações étnico-culturais atualmente, leia abaixo uma das questões
dissertativas do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de
Estudantes) realizado pelo MEC anualmente.
ENADE 2006 – Prova de FORMAÇÃO GERAL para todos os
cursos (QUESTÃO 9 – DISCURSIVA):
Sobre a implantação de “políticas afirmativas” relacionadas à adoção
de “sistemas de cotas” por meio de Projetos de Lei em tramitação no
Congresso Nacional, leia os dois textos a seguir.
Texto I
“Representantes do Movimento Negro Socialista entregaram ontem
no Congresso um manifesto contra a votação dos projetos que
propõem o estabelecimento de cotas para negros em Universidades
Federais e a criação do Estatuto de Igualdade Racial.
As duas propostas estão prontas para serem votadas na Câmara,
mas o movimento quer que os projetos sejam retirados da pauta.
(...) Entre os integrantes do movimento estava a professora titular de
Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Yvonne
Maggie. ‘É preciso fazer o debate. Por isso ter vindo aqui já foi um
avanço’, disse.”
(Folha de S.Paulo – Cotidiano, 30 jun. 2006, com adaptação.)
Texto II
“Desde a última quinta-feira, quando um grupo de intelectuais
entregou ao Congresso Nacional um manifesto contrário à adoção de
cotas raciais no Brasil, a polêmica foi reacesa. (...) O diretor
executivo da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes
(Educafro), frei David Raimundo dos Santos, acredita que hoje o
quadro do país é injusto com os negros e defende
a adoção do sistema de cotas.”
(Agência Estado-Brasil, 03 jul. 2006.)
66
Ampliando ainda mais o debate sobre todas essas políticas
afirmativas, há também os que adotam a posição de que o critério
para cotas nas Universidades Públicas não deva ser restritivo, mas
que considere também a condição social dos candidatos ao ingresso.
Analisando a polêmica sobre o sistema de cotas “raciais”, identifique,
no atual debate social.
Analisando a polêmica sobre o sistema de cotas “raciais”, e
seu conhecimento de mundo RESPONDA:
a) Por que o manifesto dos negros estão contra a votação dos
projetos que propõem o estabelecimento de cotas para negros em
Universidades Federais e a criação do Estatuto de Igualdade Racial?
(8 a 10 linhas)
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b) Por que o diretor executivo da Educação e Cidadania de
Afrodescendentes e Carentes (Educafro), frei David Raimundo dos
Santos, defende a adoção do sistema de cotas.” (8 a 10 linhas)
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05 - O conceito de etnia veio a substituir o de raça, pois:
A) - era uma necessidade de modernização dos referenciais
conceituais tradicionais das ciências a partir dos movimentos sociais
da década de 1960.
B) - as mudanças políticas do séc. XX que trouxeram a hegemonia
norte-americana impediram a continuidade do uso do conceito de
raça, pois tratava-se de uma teoria européia.
67
C) - não existe base científica que comprove a validade do uso do
conceito de raça, e os abusos ideológicos de povos dominantes que o
utilizaram como justificativa histórica para subjugar e exterminar
povos, trataram de bani-lo.
D) - o conceito de etnia faz parte do senso comum, sendo melhor
interpretado que o conceito de raça.
E) - a identidade racial é um conceito menos abrangente que o de
identidade étnica; apesar do primeiro ser mais explicativo, considera-
se menos útil da perspectiva antropológica, daí a preferência pelo
conceito de etnia.
06 - Os dados científicos de que dispomos atualmente não confirmam
a teoria segundo a qual as diferenças genéticas hereditárias
constituiriam um fator de importância primordial entre as causas das
diferenças que se manifestam entre as culturas e as obras das
civilizações dos diversos povos ou grupos étnicos. Eles nos informam,
pelo contrário, que essas diferenças se explicam antes de tudo pela
história cultural de cada grupo. Os fatores que tiveram um papel
preponderante na evolução do homem são a sua faculdade de
aprender e a sua plasticidade. Esta dupla aptidão é o apanágio de
todos os seres humanos. Ela constitui, de fato, uma das
características específicas do Homo Sapiens”.
(Declaração redigida por vários cientistas em 1950, no pós-nazismo,
no encontro da Unesco em Paris)
“Nada, no estado atual da ciência, permite afirmar a superioridade ou
a inferioridade intelectual de uma raça em relação à outra”.
Claude Lévi-Strauss, “Raça e cultura”
Os dois pensamentos citados acima têm como objetivo:
A) - confirmar as teses que atribuíram características e aptidões
raciais inatas.
B) - afirmar que as diferenças do ambiente físico condicionam a
diversidade cultural.
C) - negar a grande diversidade cultural da espécie humana.
68
D) - negar as teses deterministas biológicas, lutando contra o
preconceito racista e todas as tentativas de discriminação e de
exploração.
E) - legitimar a hierarquia de raças.
07 - Podemos apontar como exemplos de “políticasafirmativas” para
resgatar a condição social de um grupo dentro de uma sociedade que
praticou exploração e preconceito contra uma etnia:
A) - mudanças no currículo educacional que valorizem a experiência
histórica desse grupo; instituição de cotas para acesso ao ensino
público superior; valorização de sua cultura.
B) - obrigatoriedade de freqüência a escolas de uso exclusivo de
indivíduos dessa etnia; proibição de casamentos interraciais para
garantir a integridade étnica de cada grupo.
C) - instituição de modelos de comportamento aceitáveis para que os
indivíduos desse grupo se sintam mais integrados à sociedade; banir
o uso de imagens dos indivíduos desse grupo étnico em publicidade e
livros didáticos; tornar obrigatório o uso de vestimentas étnicas.
D) - utilizar com maior frequência imagens dos indivíduos desse
grupo étnico em publicidade e livros didáticos; legalizar práticas
criminosas de grupos radicais que se supõem defensores de direitos
étnicos.
E) - conscientizar toda a população da necessidade do convívio étnico
baseado na democracia e direitos plenos; atribuir privilégios legais
aos indivíduos das etnias em desvantagem social em todas as
instâncias da vida coletiva.
08 - Os conflitos étnico-culturais podem ser percebidos através de
manifestações como:
A) Pactos de amizade e compreensão entre diferentes povos.
B) Atos de racismo, ódio ou preconceito entre diferentes povos.
69
C) Estudos antropológicos mais aprofundados sobre povos exóticos e
distantes.
D) Políticas que procuram reconhecer o direito de todos.
E) Atos de união entre indivíduos que tem a mesma herança
biológica.
CULTURA NA SOCIEDADE ATUAL - CULTURA POPULAR –
CULTURA ERUDITA – MEIOS DE COMUNICAÇÃO
O PODER DA CULTURA
É muito comum que as pessoas em seu dia-a-dia não se dêem conta
que nossos hábitos, costumes e valores morais ou formas de
julgamento são o resultado de um processo histórico de nosso
grupo social.
Entretanto, facilmente consegue-se relacionar a nossa vida material
como a tecnologia, por exemplo, como resultante de um processo
complexo de desenvolvimento que envolve conhecimento e condições
técnicas-econômicas de implantação.
Isso porque, no primeiro exemplo, estamos falando de um aspecto
imaterial, simbólico, da cultura humana. Em geral, as pessoas
tendem a naturalizar mais essa dimensão humana, dando como certo
que se trata de algo que não procede de escolhas e muito menos de
formas coletivas de vivência.
O fato é que a história de qualquer grupo social interfere o
tempo todo em seu presente, sendo impossível separarmos a
cultura de um povo de sua história. As diferentes histórias de cada
povo podem ser interpretadas antropologicamente, como estratégias
locais de sobrevivência e reprodução, mas não se encontram
desvinculadas da história da espécie humana como um todo.
70
Assim, podemos afirmar que estamos em um mesmo momento da
história de nossa espécie, em âmbitos que envolvem nossa evolução
e nossa relação com o meio ambiente.
Entretanto, cada povo em seu local específico, é o resultado das
relações entre os indivíduos e seu grupo social. Como resultado das
interferências pessoais em um dado conjunto de instituições, regras,
leis e tecnologia que formam uma totalidade social é que podemos
perceber a CARACTERÍSTICA, a ESPECIFICIDADE de uma cultura.
É possível observar um grupo social a partir de sua perspectiva
histórica, e como resultado percebemos que cada grupo é único,
mesmo quando passa por eventos semelhantes e utiliza as mesmas
convenções sociais. Portanto, a cultura nesse caso, é um elemento
agregador que promove a intermediação das relações entre os
indivíduos. Mas quando observamos a passagem do tempo (=
história) em dois grupos diferentes que utilizam o mesmo referencial
cultural, percebemos que não é possível encontrar os mesmos
resultados. Esta é a base do que denominamos CULTURA REGIONAL.
No Brasil, temos a existência de regiões geográficas que definem
regiões culturais diferentes. A experiência histórica em cada uma
delas determinou características particulares dentro da grande
totalidade que chamamos de “cultura brasileira”, ou cultura nacional.
Assim como ocorre com os regionalismos, ocorre também com
relação à sociedade nacional. Portanto as culturas regionais e
nacionais se referem sempre a experiências compartilhadas por uma
população durante um período de tempo suficiente para deixar
marcas nas relações sociais, na visão de mundo desse povo.
Neste âmbito é que reside a questão da relação indivíduo-sociedade.
Ao mesmo tempo em que cada um de nós é marcado pela história de
nosso grupo social, também marcamos essa história, com a
71
possibilidade de reforçar certos comportamentos, repetindo-os e
mantendo-os atuantes, ou recusando-os e enfraquecendo sua
importância.
Somos ao mesmo tempo resultados de uma HERANÇA cultural e
produtores dessa herança para as próximas gerações. Não nos damos
conta disso em nosso cotidiano, e a única forma de consciência disso
se expressa através da necessidade pessoal em defender e preservar
certos traços de comportamento e recusar outros.
Se partirmos dessa compreensão de cultura como resultado da vida
sócio-histórica dos indivíduos que atuam em um grupo, podemos
então detalhar alguns aspectos importantes da vida cultural em nossa
sociedade atualmente.
Nossas condições materiais de existência afetam nossas condições
psíquicas e culturais, e vice-versa. Em nossa sociedade, existe a
questão do pertencimento a classes sociais, ou em outras palavras,
da renda como determinante das posições na hierarquia social.
Assim, notamos certos padrões de comportamento que se associam a
padrões de consumo, e que por sua vez se associam a um conjunto
de valores morais, ou estéticos, ou de gosto, capazes de criar grupos
de pessoas que se identificam e mantêm características e hábitos
próprios. Para facilitar a compreensão desse fenômeno, utilizamos os
conceitos de cultura popular, cultura erudita e cultura de
massa.
José Luiz dos SANTOS explica:
Comecemos por esta última indagação, a qual é bem antiga na
história das preocupações com cultura. É que, a partir de uma idéia
de refinamento pessoal, cultura se transformou na descrição das
formas de conhecimento dominantes nos Estados nacionais que se
formavam na Europa a partir do fim da Idade Média. Esse aspecto
72
das preocupações com a cultura nasce assim voltado para o
conhecimento erudito ao qual só tinham acesso setores das classes
dominantes desses países, esse conhecimento erudito se contrapunha
ao conhecimento havido pela maior parte da população, um
conhecimento que supunha inferior, atrasado, superado, e que aos
poucos passou também a ser entendido como uma forma de cultura,
a cultura popular.
As preocupações com cultura popular são tentativas de classificar as
formas de pensamento e ação das populações mais pobres de uma
sociedade, buscando o que há de específico nelas, procurando
entender a sua lógica interna, sua dinâmica e principalmente, as
implicações políticas que possam ter.
(...) De fato, ao longo da história a cultura dominante desenvolveu
um universo de legitimidade própria, expresso pela filosofia, pela
ciência e pelo saber produzido e controlado em instituições da
sociedade nacional, tais com a universidade, as academias, as ordens
profissionais (de médicos, advogados, engenheiros e outras). Devido
à própria natureza da sociedade de classes em que vivemos, essas
instituições estão fora do controle das classes dominadas. Entende-se
por cultura popular as manifestações culturais dessas classes,
manifestações diferentes da cultura dominante, que estão fora de
suas instituições, que existem independentemente delas, mesmo
sendo suas contemporâneas.
(Santos, J.L. 2006, pp.54-55)A conclusão é que denominamos cultura erudita toda a produção
material e imaterial resultante de conhecimento intelectual e
técnicos especializados, letrados, que dependem de
treinamento constante e dedicação – de tempo e de
investimentos financeiros.
Já a cultura popular é uma produção resultante de
conhecimentos da tradição oral, do convívio e da
informalidade. O treinamento normalmente é proporcionado
73
com baixos investimentos, ou mesmo como estratégia de
sobrevivência. São artistas, artesãos, ou trabalhadores que
dominam sua técnica de forma autodidata e reproduzem
aprendizados que passam de geração a geração.
E quanto à cultura de massa?
Bem, é um fenômeno que depende da existência dos meios de
comunicação de massa como o rádio, a televisão, o cinema, a
imprensa, a Internet e assim por diante.
A cultura de massa resulta do trabalho empresarial sobre produtos e
artistas tanto da cultura erudita quanto da cultura popular. Não há
criadores espontâneos da cultura de massa. Há empresários e
técnicos, atrelados a uma empresa (editoras, gravadoras, produtoras,
grupos de comunicação) que visa lucro com os produtos
culturais.
Eles se apropriam dessa cultura através de contratos e divulgam todo
tipo de produção cultural através do mercado para que as pessoas
adquiram esse material. São classificados como “de massa”, porque o
mesmo conteúdo atinge um imenso número de pessoas ao mesmo
tempo.
A massa é ao mesmo tempo um fenômeno quantitativo, pois são
muitas pessoas, e psicológico. O indivíduo que faz parte da massa
responde de forma imatura ao que recebe. Repete as opiniões
alheias, pois não é capaz de ter opinião própria, e tem uma relação
mais emocional que crítica em relação ao gosto. Gosta porque
todos gostam, porque está na moda, e assim o inclui em um
movimento; gosta porque esse consumo lhe dá status e uma
boa visibilidade social. Na massa, o indivíduo gosta de ser
diferente, mas igual. Quer ter personalidade, mas não quer
chamar a atenção.
74
Portanto podemos falar em uma cultura popular de massas, e uma
cultura erudita de massas? Sim! Para exemplificar, os livros que se
tornam campeões de vendas, normalmente são um exemplo da
cultura erudita de massas. Já a maior parte dos programas
televisivos de auditório, exemplifica a cultura popular de
massa. Esse tipo de programa se baseia na antiga receita do circo,
um palco e uma audiência que espera ser entretida por um
apresentador que lhes proporciona carisma, admiração e que lhes
mostra a vida como um espetáculo.
EXERCÍCIOS
01 - Leia o trecho a seguir e escolha entre as alternativas aquela que
corresponde ao pensamento expresso pelo autor:
“Da mesma forma, como a cultura erudita é desde sempre
associada com as classes dominantes, sua expansão pode ser vista
como uma expansão colonizadora. A ampliação de seus domínios
como, por exemplo, através da expansão da rede de escolas e de
atendimento médico, pode ser entendida como uma forma de
controle social, que mantêm as desigualdades básicas da sociedade
em benefício da minoria da população.” (SANTOS, J.L. O QUE É
CULTURA, pg. 56)
A) para o autor, a divisão entre cultura erudita e popular mostra
uma relação de poder, pois uma minoria tem acesso ao conhecimento
erudito, mas não toda a população.
B) ele demonstra como a compreensão de como dividimos entre
cultura erudita e popular tem interesse apenas para os médicos e
professores que ocupam cargos públicos para atendimento à
população.
C) conclui que as desigualdades da sociedade poderiam ser resolvidas
se a classe dominante providenciasse a expansão das redes de
educação e atendimento à saúde da população.
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D) o autor se posiciona nitidamente a favor da colonização e da
expansão das desigualdades básicas que atingem de forma
inaceitável a minoria da população.
E) a expansão da rede de escolas e de atendimento médico podem
ser exemplos de cultura erudita e cultura popular respectivamente.
02- Em nossa sociedade os meios de comunicação de massa fazem
parte da paisagem social moderna. Esta afirmação pode ser
considerada correta se associada às seguintes observações:
A) Nossa sociedade estabelece uma hierarquia de status através da
imposição de uma mesma cultura para todos os indivíduos. A essa
imposição denominamos cultura de massa.
B) Não podemos saber exatamente que tipo de influência cultural
cada indivíduo recebeu em nossa sociedade, pois as culturas erudita,
popular e de massa são muito semelhantes entre si.
C) A história cultural recente de nossa sociedade revela que os
indivíduos já não se relacionam mais com seu passado como era o
costume nas gerações anteriores. As pessoas não são influenciadas
pela história de sua cultura.
D) Esses meios estão presentes em todas as esferas de nossa vida
social tais como a religião, a profissão, o lazer, a educação ou a
política; eles difundem formas de comportamento e estilos de vida.
E) Apesar da influência da cultura de massa no gosto de grande
parcela da população, os indivíduos que fazem parte da massa não se
deixam influenciar em termos de comportamento pelo gosto alheio.
03 - Podemos afirmar que a massa é um fenômeno ao mesmo tempo
quantitativo e psicológico. Essa colocação está:
A) Errada, pois a massa significa apenas uma grande quantidade de
pessoas, não atingindo a afetividade dos indivíduos.
B) Correta, pois a massa é ao mesmo tempo um fenômeno
demográfico de concentração urbana, e psicológico, uma vez que os
indivíduos são influenciáveis pelos produtos dessa cultura.
C) Correta, pois ao mesmo tempo em que falar em massa significa
falar em um grande número de pessoas, elas são afetadas
psicologicamente, pois resistem às possíveis influências dos meios de
comunicação de massa, o que as torna estressadas.
D) Errada, pois não é possível perceber como o fenômeno associado
à existência de uma massa de pessoas pode afetar psicologicamente
os indivíduos.
76
E) Correta em termos, pois ao mesmo tempo em que podemos
perceber que fazer parte da massa significa que há muitas pessoas
envolvidas em processos semelhantes, não há evidências de que isso
possa afetar psicologicamente os indivíduos.
04 - Quando pensamos a cultura de um grupo social, é possível
ressaltar diferentes aspectos que a caracterizam. É muito comum
associarmos essa cultura a modos de ser e sentir que são
característicos desse grupo, que são seu patrimônio.
Essa ênfase da cultura como patrimônio de um povo está associado
a que tipo de cultura?
A) cultura erudita
B) cultura de classe
C) cultura popular
D) cultura de massa
E) cultura patrimonial
05 - Atualmente é nítida a grande influência dos meios de
comunicação de massa como a televisão, o cinema e a Internet na
vida cultural de todos os povos. Quase todo o conteúdo que circula
nesses meios, como filmes novelas, reality shows, publicidade, é
chamado de “indústria cultural”. Isto porque são produtos feitos de
forma padronizada para atingir um imenso numero de pessoas ao
mesmo tempo, como os bens produzidos em uma indústria.
Esse tipo de cultura que predomina como forma de expressão em
nossa sociedade está associado a que tipo de cultura das listadas
abaixo?
A) cultura erudita.
B) cultura de classe.
C) cultura popular.
D) cultura de massa.
E ) cultura patrimonial.
06 - Questão do ENADE 2006 – Prova de Conhecimentos Gerais
para todos os cursos avaliados, (QUESTÃO 3)
77
Jornal do Brasil, 3 ago. 2005.
Tendo em vista a construção da idéia de nação no Brasil, o
argumento da personagem expressa:
A) a afirmação da identidade regional.
B) a fragilização do multiculturalismo global.
C) o ressurgimento do fundamentalismo local.
D) o esfacelamento da unidade do território nacional.
E) o fortalecimento do separatismo estadual.
07 - O Brasil possui regiões que são delimitadasgeograficamente
como Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Em cada uma
delas existe um tipo característico de comportamento muito
marcante, que diferencia as pessoas que ali vivem. A esse fenômeno
chamamos:
A) Culturas regionais.
B) Evolucionismo social.
C) Etnocentrismo.
D) Cultura globalizada.
E) Conflito étnico-cultural.
08 - De acordo com os versos de uma canção de Chico Buarque,
como reproduzidos abaixo, assinale a alternativa correta:
"O meu pai era paulista/ Meu avô, pernambucano/ O meu bisavô,
mineiro/ Meu tataravô, baiano/ Meu maestro soberano/ Foi Antonio
Brasileiro."
("Paratodos", canção gravada por Chico Buarque em 1993.)
A) Podemos perceber a denúncia preconceituosa que se manifesta
contra a miscigenação de indivíduos originários de diferentes
culturas.
78
B) O autor poetiza o processo histórico de movimentação das
populações no território nacional e a mistura que resulta do encontro
das culturas regionais.
C) Fica nítido o posicionamento do autor a favor das lutas em torno
do direito à diferença.
D) Ele tenta provocar polêmica sobre a questão dos regionalismos
culturais no Brasil, colocando como superior a influência de um
maestro e inferior a influência de baianos, mineiros ou paulistas.
E) É uma forma poética de explicar o processo de globalização
cultural.
09 - Assinale a alternativa correta. O rádio, a televisão, o cinema,
o jornal, as revistas, as publicações em geral, são meios de
comunicação cujos interesses de lucro procuram dar mais espaço
para a divulgação dos produtos:
A) Da cultura popular.
B) Da cultura de elite.
C) Do folclore.
D) Da cultura de massa.
E) Do regionalismo cultural.
10 – Defina: Cultura Erudita – Cultura Popular:
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A SOCIEDADE
IDENTIDADE CULTURAL NA ATUALIDADE
MULTICULTURALISMO – TRIBALISMO URBANO
PESQUISA ANTROPOLOGICA
Segundo Stuart HALL -
MULTICULTURAL: características sociais e problemas de
governabilidade apresentados por sociedades com diferentes
comunidades culturais.
79
MULTICULTURALISMO: estratégias e políticas usadas para
governar ou administrar problemas de diversidade e multiplicidade
em sociedades multiculturais.
É um termo que descreve a existência de muitas culturas
numa localidade, cidade ou país, sem que uma delas
predomine.
Muitos países no mundo de hoje são sociedades multiculturais, e
enfrentam muitos problemas políticos para que todos se sintam
INCLUÍDOS; não apenas com direitos iguais, mas que sejam
igualmente valorizados como parte de uma sociedade múltipla.
Portanto o debate do multiculturalismo nos leva aos conceitos de
IDENTIDADE CULTURAL, e conseqüentemente de DIFERENÇA
CULTURAL.
Quem é igual a quem em uma sociedade multicultural? Ou mais,
quem quer ser igual a quem, quem quer ser diferente e mesmo assim
tratado igualmente?
O conceito de identidade cultural permite compreender os processos
através dos quais os indivíduos passam a tomar como “gosto” ou
“preferência pessoal” um conjunto que expressa sua subjetividade e o
coloca nas relações interpessoais de forma a sentir que pertence a
um coletivo.
A identidade cultural de um grupo se manifesta tanto externamente,
através de práticas coletivas próprias, rituais, vestuário e adornos
corporais, por exemplo; como intersubjetivamente, quando cada
indivíduo entende como próprio de si mesmo um conjunto de hábitos
e formas de sensibilidade que foram coletivamente constituídas.
Para constituir uma identidade, os indivíduos passam pelos
processos de socialização, endoculturação, recebem a visão de
mundo de sua cultura, introjetam os valores. Todos os conceitos
80
trabalhados anteriormente nos outros módulos fazem parte dos
processos de identificação.
A diferença está no seguinte ponto. A cada cultura corresponde um
imenso e vasto repertório de hábitos, saberes, valores, técnicas.
Nenhum indivíduo, de qualquer cultura que seja, pode conhecer,
entrar em contato e experimentar a totalidade desse conjunto. Ao
entrar em contato com diferentes setores e ordens da sociedade,
cada indivíduo entra em um processo de identificação, onde os
elementos de sua subjetividade vão se reorganizando em função de
novas experiências. A cada uma delas o sujeito avalia qual seu grau
de envolvimento e como delas se aproxima. Perguntas como: “Fazer
isso, DESTA forma, me dá prazer?”; “Eu me sinto bem ao pensar
sobre esse assunto DESTA maneira?”; “Eu considero justo que as
pessoas tomem ESTA tal atitude em tal situação?”; “Eu percebo
beleza NESTA forma de aparência social?”
Tais questionamentos fazem parte da capacidade de REFLEXÃO que
cada um de nós possui, e que nas sociedades contemporâneas faz
parte de uma exigência para nossos posicionamentos e atitudes.
Somos o tempo todo “cobrados” a uma “opinião pessoal”, a um
“estilo pessoal”, a uma “atitude pessoal”, a “ter personalidade”
Somos cobrados a “ter identidade” (também uma outra noção do
senso comum bastante confusa, pois entende que podemos “perder”
nossa identidade). Bem, em nossa trajetória pessoal e os contatos
sociais que vão se sucedendo ao longo da vida, temos a oportunidade
de obter informações ou participar de diferentes grupos que
relacionam os elementos culturais de forma original e passam a
construir uma “identidade própria”. Nesse contato, podemos nos
identificar mais, ou menos com cada tipo de comportamento, nos
fazendo mais próximos ou distantes de uma ou outra forma de
identidade coletiva.
81
Essa identidade pode ser compreendida dentro dos seguintes
processos:
� Relacional: é “em relação” ao outro que afirmamos nossa
identidade.
� Processual: faz parte de um sistema complexo (pois inclui a
referência dada pelo grupo, a subjetividade, as relações entre
os vários grupos com diferentes identidades e assim por
diante), e contínuo ao longo da vida de cada indivíduo.
� Contrastiva: para que se destaque de forma única, cada grupo
precisa se fazer contrastar dos demais. A referência da
diferença é o que faz a identidade.
Nas sociedades modernizadas atualmente, podemos encontrar um
amplo espectro (fantasma) de grupos que se identificam de forma
bem distinta, o que faz com que pareça que identidade é sempre uma
questão de escolha, uma opção.
Mas não é exatamente assim que acontece no cotidiano das pessoas.
Para cada grupo social existem identidades que são hegemônicas, ou
seja, dominantes em relação a muitas outras. Estamos falando sobre
a forma como certos grupos exercem PODER sobre outros.
As identidades hegemônicas correspondem a modelos do padrão
moral, que são impostos a todos os indivíduos dessa dada sociedade,
tanto através de mecanismos de socialização, como através da
punição moral e da vigilância através de normas e leis.
Desta forma, há como um “padrão” de comportamento social, e
desde que as atitudes dos indivíduos se enquadrem dentro desse
padrão aceito, a identidade cultural de um ou outro grupo que crie
uma identidade será aceita pela maioria que segue o modelo imposto.
Entretanto, existem processos de constituição de grupos com
identidades que de alguma forma negam ou entram em conflito com
esse padrão hegemônico.
82
Nesse caso, a sociedade tenta reprimir o processo de
desenvolvimento dessas identidades, tratando os indivíduos
participantes através de estratégias que geram exclusão social – o
estereótipo (modelo),o estigma, o preconceito.
Quando há uma severa desaprovação relacionada à certa identidade
social, seus participantes passam a receber um tratamento social
desigual cuja mensagem bastante clara é: “não aceitamos sua
identidade”. Ser estigmatizado em função de características de
comportamento ou crenças é algo que podemos encontrar em
referência a diversas identidades sociais ao longo da história.
O estereótipo se realiza quando a sociedade cria uma imagem mental
(um imaginário) falso com idéias que reduzem a identidade cultural
de um certo grupo a conteúdos que pretendem denegrir, diminuir a
importância desse tipo de comportamento. É como comumente se diz
“rotular alguém”. Os critérios que possibilitam criar essas idéias não
possuem comprovação e não são demonstráveis, mas possuem força
moral sobre a maioria dos indivíduos do grupo.
O preconceito é um julgamento estabelecido previamente a qualquer
conhecimento aceitável. É um conceito sobre pessoas que é pré-
estabelecido. Um pré-conceito de fato, pois se organiza em torno de
associações lógicas questionáveis e sem contato com a realidade
sobre a qual pretende afirmar qualquer coisa. Essas associações
fazem a ligação entre características físicas e conteúdo mental,
psicológico ou moral dos “outros”. “Os negros são inferiores”, “as
louras são burras”, “os pobres são ladrões” são afirmações
carregadas de preconceito.
O termo “minorias sociais” surge a partir da década de 70 do séc. XX.
Ele procurava designar a existência de grupos dentro da sociedade
contemporânea, cujos traços característicos ou comportamento
expresso não correspondiam ao modelo hegemônico.
83
Por que essa referência de dimensões? Minoria e maioria?
Exatamente a o que elas se referem? Apenas ao número de pessoas?
Entendia-se que estatisticamente, a maioria das pessoas
correspondia às expectativas dos padrões morais que regem a
conduta dentro de nossa sociedade. Também correspondia ao termo
maioria, por conseguir impor através da hegemonia (fatores que
influenciam nas decisões) um modelo padrão de identificação.
À minoria corresponderia então grupos estatisticamente inferiores, e
inferiores também em termos de poder ou alcance para fazer valer a
legitimidade de sua identidade coletiva.
Atualmente o conceito de minoria se refere a essa dimensão da posse
do poder de controle sobre a moral da sociedade ou da ausência
desse mesmo poder. À posse do discurso sobre os direitos ou da
ausência do reconhecimento social de direitos iguais. Não existe mais
a noção de maioria ou minoria estatística, mesmo porque essa
questão é muito relativa ao universo social ao qual esse ou aquele
grupo pode estar relacionado. Num certo contexto a minoria é
realmente menor estatisticamente em relação a certo universo de
pessoas, mas em outro contexto essa minoria pode representar até
mesmo uma maioria estatística.
Uma minoria pode ser constituída por traços básicos de uma etnia, ou
de uma forma de orientação da sexualidade, ou de uma crença. Um
determinado grupo social passa a ser reconhecido como “minoria
social” quando vem de alguma forma se expressar, exigindo um
tratamento que não gere exclusão social ou desigualdade de direitos
aos cidadãos.
Um dos traços marcantes da sociedade contemporânea tem sido
exatamente esse. Setores da sociedade que possuem características
marcantes o suficiente para que lhes seja atribuída uma identidade, e
que se organizam em torno de reivindicações de direitos sociais. É
uma nova forma de atuação política, que foge dos padrões
84
tradicionais e se organiza em torno de propostas de ação que gere
impacto positivo, esclarecimento e receptividade da sociedade. São
as chamadas “ações afirmativas”, cuja mobilização procura gerar um
debate na sociedade em termos de direitos de igualdade e reverter
situações de preconceito, estigma ou estereótipos.
Afinal, quando as pessoas tomam contato com a realidade do outro
há uma possibilidade de se abandonar preconceitos.
São chamadas minorias hoje, principalmente grupos étnicos que em
muitos lugares são oprimidos por sua condição de origem; grupos de
orientação sexual não heterossexual (homossexuais, travestis,
bissexuais); grupos de orientação religiosa não católica ou
protestante.
Ao lado das chamadas minorias sociais, podemos encontrar grupos
que se organizam em torno de propostas de lazer, consumo,
atividades lúdicas, arte e que em alguns casos, a atuação política se
faz também presente. São as chamadas “tribos urbanas”.
Em grandes cidades do mundo todo, desde o final da II Guerra
Mundial, podemos testemunhar o fenômeno da formação desse tipo
de constituição de uma coletividade. Com o crescimento do mercado
capitalista de consumo, surgiu uma forma de expressão de
identidades que com ele dialoga às vezes rejeitando os mecanismos
que seduzem os indivíduos a participar dele, às vezes colaborando
para aumentar seu repertório. Esses grupos se constituem em torno
de estilos de vida, construindo uma estética própria, atividades de
sociabilidade, valores e rituais que os diferenciam da sociedade em
geral. Vamos citar alguns: “rappers”, “metaleiros”, “jipeiros”,
“skatistas”, “emos”, “góticos”, “moto bikers”, “modernos primitivos”
(que praticam muitos estilos de modificação corporal como
tatuagens, piercings, implantes, entre outros).
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Os grupos que se organizam em torno de estilos de vida, formando
essas “tribos” são a expressão de novas formas de sensibilidade
social. Normalmente, o senso comum considera “exagero” e reprime
ou procura desmoralizar através do estigma, as pessoas que
participam dessas tribos.
O que esse fenômeno social nos mostra, para além do que o senso
comum consegue compreender, é que atualmente os indivíduos
procuram refletir sobre sua subjetividade e expressá-la de formas
criativas e originais. Através da convivência nesses grupos,
experimentam novas formas de convívio social e colocam em jogo
novos valores. Sem a pretensão de se tornarem hegemônicos, eles
provocam na sociedade uma reflexão sobre nossos padrões de
conduta.
E sobre a pesquisa antropológica?
Qual sua importância para essa temática das identidades
contemporâneas?
A pesquisa de campo reescreveu a história da antropologia.
Ela veio a ser uma alternativa às chamadas “pesquisas de gabinete”,
que se caracteriza por manter o pesquisador distante da vida real dos
indivíduos que pretende conhecer.
A partir do contato direto entre pesquisador e cultura pesquisada, os
pressupostos sobre cultura e comportamento humano sofreram
mudanças importantes.
Nesse tipo de pesquisa, o cientista passa um longo período de tempo
convivendo na cultura que quer conhecer. Ele se torna o que
chamamos de “observador participante”. Ou seja, ele não chega com
questionários prontos e não se preocupa com a quantidade de
respostas obtidas para a mesma questão.
Sua principal preocupação é obter “informantes”, que são pessoas
que lhe facilitam o trânsito, os contatos e debatem com o
86
pesquisador sobre suas dúvidas a respeito do que está sendo
observado.
Ele também não se limita a ser um observador, mas passa a
participar de algumas atividades com seus anfitriões, procurando se
colocar sempre que possível no lugar do outro.
O principal, portanto, é tentar encontrar uma perspectiva de
abordagem desse outro, que seja diferente do olhar imparcial e
distante do observador de laboratório. Ao observar, mas também
participar, o pesquisador tem a oportunidade de utilizar o “olhar
antropológico”.
Ao mudar sua própria subjetividade, o pesquisador promove uma
mudança interna de valores e permite que o outro seja interpretado
dentro de seu próprio conjunto de conceitos, dentro de sua própria
visão de mundo. Após a permanência em campo, o pesquisador se
retira, física e subjetivamente.Esse distanciamento posterior é o
período de reflexão sobre os dados obtidos, quando ele pode garantir
que não estará sendo etnocêntrico, mas também procura evitar o
risco de se transformar no outro.
Como cientista, é necessária uma imparcialidade em seu discurso, e
há a procura de um meio termo, no qual o pesquisador consiga falar
sobre o outro sem ser etnocêntrico, de fora para dentro, ou
etnocêntrico, de dentro para fora. Assim, ele deve procurar a
elaboração de uma interpretação que possa garantir a imparcialidade.
Não está “em defesa” de ninguém, nem de sua própria cultura, nem
da do outro.
Os relatos produzidos pelos antropólogos em campo são chamados
de “etnografias”, que literalmente significa o registro escrito da
experiência étnica. As técnicas de observação de campo da
antropologia passaram a influenciar muitos campos de estudo, que
passaram a produzir pesquisas semelhantes.
O resultado é que temos hoje uma grande produção de textos,
teorias, teses e artigos que abordam ENCONTROS COM O OUTRO.
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EXERCÍCIOS
01 - Uma característica marcante das identidades culturais no mundo
globalizado contemporâneo é a que segue:
A) a imposição de um único modelo referencial para a constituição
das identidades, anulando a possibilidade da diversidade cultural;
B) tem predominado a consciência sobre a necessidade de respeitar
a diversidade cultural, por isso existe uma intensa troca de
experiências culturais para definir todas as identidades atualmente;
C) as identidades nacionais passam a ser mais importantes que as
identidades globalizadas e desenraizadas;
D) deixa de existir um único modelo de referências simbólicas para a
construção das identidades, surgindo um número imenso de
identidades grupais dentro de uma mesma sociedade;
E) existe uma maior flexibilidade para que cada sociedade escolha
qual cultura quer adotar como modelo; esse processo é portanto
unicamente de caráter político, pois pressupõe que uma sociedade se
posicione criticamente em relação ao multiculturalismo presente na
mundialização (globalização) cultural.
02 - A importância da pesquisa de campo na observação
antropológica do outro, pode ser corretamente associada com:
A) pelo fato de terem oportunidade de conviver com o “outro”, os
antropólogos podem compreender melhor e desenvolver planos de
ação mais viáveis para as culturas estudadas, interferindo naquela
realidade.
B) o antropólogo necessita apoio áudio-visual de uma equipe
especializada, pois a permanência em campo exige o registro
imediato de todas as situações vividas.
C) a antropologia aconselha aos pesquisadores que não abram mão
de seus próprios valores, não se deixando influenciar pelo “outro” na
experiência da observação participante.
D) esse tipo de pesquisa exige uma mudança de valores por parte do
pesquisador, para que seja possível compreender o “outro” a partir
de sua própria visão de mundo.
E) o objetivo da pesquisa de observação participante é dar voz ao
“outro”; ao dar oportunidade do outro se posicionar, o antropólogo
pode permanecer imparcial, sem se deixar influenciar pelas opiniões
de seus entrevistados.
03 - Constituem elementos através dos quais podemos perceber a
identidade e a manipulação simbólica que uma “tribo urbana” realiza:
A) a coerência e a previsibilidade de seu comportamento perante os
outros
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B) a presença de traços que permitem aos “outros” reconhecê-los,
podendo estar em sua vestimenta, gírias, crenças entre outros
C) a coerência e a previsibilidade de seus traços específicos como
Forma de distinguir-se dos demais; a coerência e a previsibilidade de
seus traços específicos como forma de distinguir-se dos demais
D) a seleção totalmente arbitrária e incoerente de características que
os tornem irreconhecíveis perante os outros
E) o “estilo” que se resume à sua aparência
04 - Malinowski foi o primeiro antropólogo a desenvolver a
metodologia de pesquisa de campo que caracteriza até hoje a
Antropologia. O tipo de pesquisa por ele criado é chamado de:
A) Estruturalismo
B) Pesquisa de observação participante
C) Metáfora orgânica
D) Pesquisa de modelos culturais e diversidade
E) Antropologia Cultural
05 - Quando as tradições culturais de um grupo constituem o único
modelo de referência para a construção da identidade cultural de
seus indivíduos, podemos caracterizar essa sociedade como:
A) comunidade relacional
B) sociedade tradicional
C) sociedade moderna
D) grupo complementar de identidade
E) modelo de diversidade cultural
06 - Quando as tradições culturais de um grupo deixam de ser o
único modelo de referência para a construção da identidade cultural
de seus indivíduos; além das tradições, os meios de comunicação
podem influenciar os valores coletivos. Então podemos caracterizar
essa sociedade como:
A) comunidade relacional
B) sociedade tradicional
C) sociedade moderna
D) grupo complementar de identidade
E) modelo de diversidade cultural
07 - Leia o trecho do artigo de José Magnani, transcrito abaixo, utilize
os conhecimentos adquiridos sobre o tema, e selecione a alternativa
correta:
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Um primeiro significado, mais geral, de tribo urbana, tem como
referente determinada escala que serve para designar uma tendência
oposta ao gigantismo das instituições e do Estado nas sociedades
modernas: diante da impessoalidade e anonimato destas últimas,
tribo permitiria agrupar os iguais, possibilitando-lhes intensas
vivências comuns, o estabelecimento de laços pessoais e lealdades, a
criação de códigos de comunicação e comportamento particulares.
Em outro contexto, tribo evoca o ‘primitivo’ e designa pequenos
grupos concretos com ênfase não já em seu tamanho, mas nos
elementos que seus integrantes usam para estabelecer diferenças
com o comportamento ‘normal’: os cortes de cabelo e tatuagens de
punks, carecas, a cor da roupa dos darks e assim por diante.
(http://www.aguaforte.com/antropologia/magnani1.html.)
A) as tribos urbanas refletem a tentativa de alguns jovens de fugir da
massificação imposta pelo ritmo das grandes cidades e do
capitalismo.
B) as tribos urbanas refletem o comportamento selvagem de alguns
jovens que não possuem cultura.
C) tribos urbanas são os aglomerados de jovens que não estão
inseridos no mercado de trabalho. Como índio também não está
acostumado a trabalhar, deu-se o nome de “tribo” a estes grupos.
D) o jovem que participa de uma tribo urbana é um arruaceiro, sem
cultura.
E) tribos urbanas é um nome diferenciado para designar um bando de
delinqüentes
08 - O contato com a diferença é necessário para que um povo tome
consciência de sua própria identidade cultural. Essa afirmação:
A) Está correta, pois no encontro com o outro realizamos a
alteridade, abandonando a perspectiva que naturaliza a cultura e as
identidades que ela produz.
B) Pode ser considerada errada, pois cada povo constrói ao longo de
sua história uma identidade de forma consciente e racional, sendo
desnecessário o contato com a diferença para que sua própria
identidade seja valorizada
C) Está errada, pois a identidade cultural faz parte da essência, da
alma de um povo, dispensando qualquer processo de contato
90
D) Pode ser considerada correta, pois não existem exemplos na
história de povos que refletissem conscientemente de sua própria
identidade cultural sem o conflito com a diferença
E) Pode estar correta, quando se trata de traços individuais da
identidade; está errada quando nos referimos a traços que dão
identidade às práticas coletivas de uma cultura
09 - Sobre a metodologia de pesquisa antropológica, é correto
afirmar:
A) A antropologia sempre se distinguiu das outras ciências humanas
pela sua metodologia de pesquisa que inclui a coleta de dados direta
por parte do pesquisador.
B) Houve uma mudança histórica importante na pesquisa
antropológica a partir do momento em que os pesquisadores
deixaram de coletar dadosvivas foram
surgindo das transformações de outras já existentes, dando origem a
novas espécies, enquanto outras se extinguiram. Os primeiros
humanos, chamados cientificamente de hominídeos, surgiram
das transformações de algumas famílias de símios que fazem parte
dos chimpanzés.
Nossa espécie surgiu devido a mudanças biológicas e ao
surgimento da cultura. Que mudanças biológicas são essas que nos
diferenciam dos símios?
� O aumento da caixa craniana que nos dotou de um volume
cerebral muitas vezes maior que o de um macaco.
� A postura ereta, que possibilita utilizarmos apenas os membros
inferiores para nos locomover.
7
� E o surgimento do polegar opositor, que possibilita a nossa
espécie da capacidade do chamado “movimento de pinça”.
São a partir dessas três características básicas que
desenvolvemos inúmeras outras características fascinantes
como a capacidade da fala ou ainda a de fabricar instrumentos
para nossa sobrevivência.
Mas essas características como inteligência, fala e indústria
não teria surgido em nossos ancestrais se não fosse à presença de
um tipo de comportamento que ajudou a modelar o corpo de nossos
ancestrais, que é o comportamento baseado na CULTURA. Ou seja, a
necessidade de comunicação, cooperação e divisão de tarefas facilitou
o desenvolvimento dessas características BIOLÓGICAS.
� Características biológicas: forma, funcionamento e estrutura
do corpo. É a nossa anatomia, características herdadas
biologicamente e que não são resultado da nossa escolha
pessoal.
� Características culturais: todo comportamento que não é
baseado nos instintos, mas nas regras de comportamento em
grupo que nos permite transformar a natureza para a
sobrevivência (trabalho), e nos permite atribuir significados e
sentidos ao mundo através dos símbolos (a cor branco
simboliza a paz, ou o tipo de vestimenta simboliza status).
Durante muito tempo pensou-se que o ser humano já teria surgido
plenamente dotado dessas características em conjunto. Hoje
sabemos que nossa cultura foi determinante para modelar nossas
características biológicas ao longo do tempo, e vice-versa. Nossos
ancestrais foram lentamente se transformando em humanos, e essa
espécie que somos agora, foi aos poucos sofrendo pequenas
transformações que ao longo de milhões de anos nos diferenciaram
totalmente de qualquer ancestral símio.
8
No início da história humana, nossos ancestrais eram muito
semelhantes a um macaco. Tinham mais pelos pelo corpo, o cérebro
era menor e a mandíbula maior. A postura não era totalmente ereta,
e as mãos não tinham muita habilidade, pois o polegar ficava mais
próximo dos outros dedos. O tamanho do cérebro foi aumentando
muito devagar, como também a postura ereta surgiu gradualmente, e
igualmente o polegar opositor não surgiu repentinamente. A cada
geração, mudanças muito sutis transformaram a espécie, e nesse
processo a cultura teve um papel fundamental, pois possibilitou ou
exigiu que nosso ancestral desenvolvesse comportamentos capazes
de mudar nossa estrutura biológica.
Um exemplo: sabemos que o surgimento da fala tem relação com
duas características que são a posição da laringe resultante da
postura ereta e a utilização das mãos para trabalhos de fabricação de
instrumentos. Ao fabricar os chamados instrumentos de “pedra
lascada”, nosso ancestral permitiu operações mais complexas e
passou a utilizar uma área do cérebro, que é a mesma que nos
permite falar.
É importante compreender que nossa espécie não é fruto de coisas
inexplicáveis, mas resulta de um longo e lento processo de
evolução, que significa mudanças ao longo do tempo. Essas
mudanças por sua vez, são fruto de uma dura luta por parte de
nossos ancestrais para sobreviver em condições pouco favoráveis e
convivendo com espécies mais fortes e predadores mais bem
preparados fisicamente para tal. Nossos ancestrais não tinham a
mesma caixa craniana que temos hoje, e não eram tão inteligentes;
não tinham a postura totalmente ereta, e não viviam em cidades.
Eram mais uma espécie entre tantas outras, e o pouco que puderam
fazer então determinou sua sobrevivência, e mais que isso,
determinou COMO somos hoje.
Sobreviveram lascando uma pedra na outra para conseguir objetos
pontiagudos e cortantes que serviam como arma de caça, como
raspador de alimentos ou qualquer utilidade para a vida humana.
Dormiam em cavernas, ao invés de fabricar abrigos. Durante muito
9
tempo o domínio do fogo era um mistério, portanto não comiam
muitos alimentos cozidos. Nessa época não havia escrita, e os únicos
vestígios de comunicação encontrados são as pinturas em cavernas
(arte rupestre) e pequenas estatuetas representando figuras
femininas. Eram organizados em bandos que praticavam caça e
coleta, por isso dependiam de deslocamentos constantes em busca de
alimento. Durante quase quatro milhões de anos sobreviveram dessa
forma, e nesse período de tempo nossa forma física foi se alterando,
até que no chamado período “neolítico”, houve uma revolução.
A “revolução neolítica” foi um período marcante em nossa
evolução, durante o qual o ser humano desenvolveu técnicas
determinantes para a história de nossa espécie:
• A agricultura e a domesticação de animais, que permitiram o
sedentarismo (começamos a construir abrigos e povoados ao
invés de habitar em abrigos naturais). A agricultura e a
domesticação de animais significaram a garantia de
alimentação dos grupos humanos, independente do sucesso na
caça e coleta. Isso permitiu à nossa espécie se fixar por
períodos prolongados em determinados lugares, formando
aldeias e também colaborou para o crescimento demográfico. É
nesse momento que o ser humano começa a TRABALHAR, e
não mais viver da caça/coleta que o tornava dependente dos
recursos nos territórios habitados. A introdução do trabalho
como estratégia de sobrevivência, segue um padrão
estabelecido em nossa evolução para obter resultados:
� A divisão de tarefas;
� A cooperação com o grupo;
� E a especialização.
Essas características são importantes uma vez que possibilita que
cada um de nós realize apenas um tipo de tarefa. Não é possível
produzir sozinho tudo que necessitamos em nossa vida. Se não
10
tivessem desenvolvido a capacidade de trabalho, baseado nos
princípios acima, provavelmente, nossos ancestrais não teriam tido
sucesso em sua evolução, e nenhum de nós estaria aqui hoje,
compartilhando a condição se HUMANOS.
Até hoje utilizamos essas habilidades de trabalho em grupo para
viabilizar nossa existência social. A capacidade de dividir tarefas
cooperar e se especializar permite atingir objetivos com resultados
mais efetivos e também possibilita um conjunto social com melhor
qualidade de vida.
O conjunto de tudo que o grupo social produz torna viável uma
existência cultural, nos libertando da “lei da selva”. O trabalho
humano se fundamenta em características básicas como comunicação
e cooperação. Fixando-se em um lugar, inaugurando o sedentarismo,
o ser humano passa a viver em uma sociedade organizada.
Mais alimentos disponíveis, mais segurança com as casas fabricadas,
maior permanência do grupo, isso tudo levou a uma maior
reprodução da espécie. Tais condições permitiram aos nossos
ancestrais uma organização social mais complexa baseada na
SOCIEDADE, e não mais em bandos. A comunicação também sofre
uma revolução que foi o surgimento da ESCRITA.
A partir da escrita e do surgimento das grandes civilizações da
Antiguidade como Egito, Grécia e China, conhecemos exatamente
como a humanidade se desenvolveu. Mas para chegar até esse ponto,
nossos ancestrais percorreram um longo caminho. Ele é o resultado
de um processo muito longo no tempo, e para os quais foram
determinantes:
� A postura ereta;
� A capacidade craniana;
� O polegarindiretamente e desenvolveram técnicas
de pesquisa de campo.
C) A pesquisa antropológica exige que o pesquisador faça uma
pesquisa de gabinete antes de proceder a coleta direta dos dados em
sua pesquisa de campo.
D) Para a antropologia, é indiferente que o pesquisador colete os
dados diretamente ou não, pois o importante é seu trabalho posterior
de análise conceitual do material.
E) Houve uma mudança histórica importante na pesquisa
antropológica a partir do momento em que os pesquisadores
deixaram de coletar dados diretamente e desenvolveram técnicas de
pesquisa de gabinete.
10- A respeito do conceito de “minorias sociais”, assinale a
alternativa correta:
A) Elas surgem como resultado de uma nova forma de organização
política em nossa sociedade, quando grupos identificados com
questões sociais comuns em relação à desigualdade passam a
reivindicar direitos civis.
B) São minorias os grupos que podemos identificar como pouco
representativos da ordem geral de uma sociedade.
C) Elas surgem como resultado de movimentos políticos oficiais, que
reconhecendo a falta de direitos iguais, incitam parte da sociedade a
se organizar.
D) As minorias são os grupos pouco expressivos quantitativamente,
portanto não têm interesse para a sociedade em geral, sendo apenas
uma forma de identidade cultural.
E) As minorias são sempre o equivalente a “tribos urbanas”.
91
FIM
REFERÊNCIAS
Grande parte deste material foi cedido pela líder de disciplina de
Homem e Sociedade (DP online), extraído das seguintes referências:
E Roque de Barros LARAIA, na pg. 58 do texto “Idéia sobre a origem
da cultura” no livro “CULTURA – UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO”:
“O desenvolvimento do conceito de cultura”, “Teorias modernas
sobre a cultura”, in LARAIA, R.B. CULTURA - Um Conceito
Antropológico, Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR, 17ª ed., 2005. pp 30-
52; 59-64.
“Primeiros movimentos”, “O Passaporte”, in ROCHA, Everardo. O
QUE É ETNOCENTRISMO, São Paulo: Brasiliense, 19ª ed., 2004,
pp. 23-55.
“Os pais fundadores da etnografia – Boas e Malinowski”, in
LAPLANTINE, F. APRENDER ANTROPOLOGIA, SP: Brasiliense,
2007. PP. 75-92
LARAIA, Roque de B. – “A cultura condiciona a visão de mundo do
homem”; “A cultura interfere no plano biológico”; “Os indivíduos
participam diferentemente de sua cultura”, in CULTURA – um
conceito antropológico, Rio de Janeiro: JORGE ZAHAR, 21ª Ed, 2007.
Pp. 67 – 86.
RIBAS, João C. “O olhar”, in GUERRIERO, Silas (org). ANTROPOS E
PSIQUE – o outro e sua subjetividade. SP: Olho d´Água, 2003. Pp
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BOAS, Franz. “Raça e Progresso”, in CASTRO, C. (org.)– Antropologia
Cultural, Jorge Zahar, 2004, PP. 67-86.
92
“Os métodos da etnologia”, in CASTRO, Celso (org.) Franz BOAS -
ANTROPOLOGIA CULTURAL, Jorge Zahar, 2004.
SANTOS, J. L. O QUE É CULTURA, SP: Brasiliense, 2006 “A cultura em
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KEMP, K. “Identidade cultural”, in GUERRIERO, S (Org.). ANTROPOS
E PSIQUE. O outro e sua subjetividade. São Paulo: Ed. Olho D’água,
5ª. Ed., 2004. LAPLANTINE, F. “Os pais fundadores da etnografia –
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MINER, Horace. Ritos Corporais entre os Nacirema, disponível na
Web,
Relações étnico-culturais. “Diretrizes curriculares nacionais para a
educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e
cultura afro-brasileira e africana.” Secretaria Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial. MEC, Brasília: 2004. Texto disponível
eletronicamente no endereço,
acesso
em 20 fev. 2010opositor;
� E a aquisição da fala.
Entretanto, nenhuma dessas características nos valeria muita coisa se
não tivéssemos desenvolvido um tipo de comportamento baseado
11
em regras de convivência social, divisão de grupos em
parentesco, divisão do trabalho e uma mente dotada de raciocínio
lógico e abstrato ligado à criatividade e imaginação. Foram nossas
capacidades de ORGANIZAÇÃO e COMUNICAÇÃO que definiram tal
resultado, afastando nossa espécie do comportamento instintivo e
determinando essa longa e rica viagem chamada HUMANIDADE.
“Clifford GEERTZ – como a Antropologia evidencia a
importância da cultura na evolução da espécie humana.”
Silas GUERRIERO afirma na pg. 24 do texto “A origem do antropos”,
indicado na bibliografia:
CURIOSIDADES DE ALGUMAS ESPÉCIES
Homo habilis conseguia fazer utensílios de pedra, inclusive armas,
com as quais podia caçar animais, o que lhe permitiu incluir a carne
na sua dieta.
Homo erectus, um descendente direto do Homo habilis. Seu corpo e
crânio eram maiores (cerca de 900 centímetros cúbicos). Sabia usar,
também, o fogo, vivia em cavernas e conseguia construir elaborados
instrumentos de pedra.
Finalmente, há cerca de 200 mil anos, surgiu o Homo sapiens, cujo
crânio media 1.500 centímetros cúbicos. Ele é o nosso antepassado
mais próximo, e foi o que melhor soube transformar a natureza em
seu benefício.
12
QUADRO COMPARATIVO
CRIACIONISMO
AULA
01
EVOLUCIONISMO
Deus criou o homem e os
demais seres vivos já na
forma atual há menos de
10 mil anos
X
O homem e os demais seres vivos
são resultado de uma lenta e
gradual transformação que
remonta há milhões de anos
Os fósseis (inclusive de
dinossauros) são animais
que não conseguiram
embarcar na Arca de Noé
a tempo de salvarem-se
do dilúvio
X
Os fósseis e sua datação remota
confirmam que a extinção de
espécies também faz parte do
processo evolutivo
Deus teria criado todos os
seres vivos seguindo um
propósito e uma intenção
X
As transformações evolutivas são
resultado de mutações genéticas
aleatórias expostas à seleção
natural pelo ambiente
O homem foi feito à
imagem e semelhança de
Deus e, portanto, não
descende de primatas
X
O homem não é descendente dos
primatas atuais, mas tem uma
relação de parentesco. Ambos
descendem de um ancestral
comum já extinto (simios)
A origem da vida ainda
não é explicada de modo
satisfatório pelos
evolucionistas
X
Aspectos fundamentais envolvendo
a origem da vida ainda precisam
ser mais bem esclarecidos, mas o
método científico e não-dogmático
é o caminho mais adequado para
atingir esses objetivos
13
EXERCÍCIOS
01 - Sobre a evolução da espécie humana, podemos afirmar que:
I. O desenvolvimento de habilidades físicas e intelectuais na
espécie humana deve-se principalmente ao fato de nossa
hereditariedade garantir aos novos membros da espécie
características vantajosas como a capacidade intelectual e
do uso da razão, bem como habilidades motoras como o
polegar opositor.
II. Nossa evolução deve-se ao mesmo tempo a fatores de três
ordens diferentes - às respostas do nosso organismo às
demandas impostas pelo meio ambiente, às demandas
coletivas desenvolvidas por nossa característica gregária e
às lentas modificações físicas que disso se sucederam.
III. O desenvolvimento de um cérebro maior, da postura ereta e
o surgimento do polegar opositor foram fatores
determinantes para que nossos ancestrais tivessem
sobrevivido. Entretanto, os biólogos não admitem que essas
sejam características que nos atribuam superioridade em
relação aos outros seres vivos.
IV. De acordo com a teoria evolucionista a espécie humana teve
origem ao mesmo tempo em todos os continentes, isso
explica o fato de que em cada lugar encontramos
características biológicas diferenciadas como a cor da pele,
dos olhos, estatura média do grupo e assim por diante.
A) Estão corretas as alternativas I, II e IV
B) Estão corretas as alternativas II, III e IV
C) Estão corretas as alternativas II e IV
D) Estão corretas as alternativas I, II e III
E) Estão corretas as alternativas II e III
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02 - A respeito do evolucionismo, podemos afirmar que:
A) Os evolucionistas e antropólogos encaram a espécie humana como
um exemplo especial da evolução uma vez que as outras espécies
vivas evoluem muito mais lentamente pelo fato de não terem
desenvolvido um cérebro equivalente ao nosso. Isso permitiu que
nossa espécie sofresse modificações que dificilmente serão igualadas
por qualquer outro ser vivo.
B) Segundo o evolucionismo, todas as espécies conseguem evoluir,
portanto não existe possibilidade de mudança na quantidade de
espécies existente, e sim na sua condição biológica que sofre
alteração a cada passo da evolução.
C) Para os evolucionistas, todo organismo EVOLUI. Evolução para
eles significa que todas as espécies que evoluem se tornam
necessariamente melhores, mais complexas e com organismos
superiores aos que tinham há milhares de anos atrás.
D) A busca de restos humanos pré-históricos nos obrigou a
considerar a evolução da espécie humana como um outro animal
qualquer. Além disso, segundo essa teoria todas as espécies vivas
são fruto de uma longa e lenta evolução, não apenas o ser humano.
Devemos então compreender que o processo da vida é evolutivo,
inacabado e sem um objetivo ou plano pré-definido.
E) Segundo o evolucionismo, apenas as espécies superiores evoluem,
enquanto as inferiores acabem sofrendo extinção.
03 - Entre as características que definem e marcam as
especificidades da espécie humana, podemos apontar:
A) É uma espécie que dependeu das características biológicas para
definir a Humanidade. A única diferença entre o Humano e as outras
espécies, pode ser resumida à evolução biológica de um cérebro
capaz de efetuar operações complexas.
B) Organiza agrupamentos de indivíduos que definem formas
coletivas e ordenadas de práticas, pensamento, comportamento,
convivência e sobrevivência. Não podemos compreendê-la sem
considerar como a evolução cultural interferiu na evolução biológica.
C) Define-se coletivamente dentro de grupos que compartilham a
mesma história e que ignoram as diferenças e hierarquizações entre
as diversas sociedades e culturas existentes.
D) Trata-se de uma espécie que tem garantido em sua carga genética
a capacidade de aprendizado e socialização, reproduzindo através da
história sempre as mesmas respostas às mesmas necessidades, que
são únicas para todos os indivíduos da espécie.
E) Pode ser explicada através da capacidade para inovação,
transformação e adaptação das formas de vida socioculturais que, a
cada geração procura garantir inevitavelmente o progresso.
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04 - Segundo a teoria evolucionista:
A) a espécie humana é uma das mais antigas existentes no planeta,
tendo surgido praticamente no momento em que o nosso planeta
resfriou o suficiente para permitir a existência de uma imensa
diversidade biológica.
B) nossa espécie é um exemplo de evolução; nenhuma outra espécie
foi capaz de evoluir tanto quanto a nossa, por isso encontramos
humanos que habitam em todas as partes do planeta, enquanto as
outras espécies se restringem a territórios específicos.
C) cada espécie surgiu em um determinado momento, de acordo com
a maior capacidade de sobreviver naquele ambiente; assim, nossos
antepassados humanos tiveram que conviver com mamíferos como
os dinossauros, pois ambos necessitam do mesmo tipo de condição
climática e ambiental.
D) evoluir é uma medida da superioridade de uma espécie; assim,
todas as espécies que sobreviveram à extinção podem ser
consideradas melhores que seus antepassados. O melhor exemplo
disso é o ser humano.
E) a espécie humana evoluiu de antepassados que foram adquirindo
lentamente capacidadesque os diferenciavam de um ancestral
comum aos macacos, e nessa cadeia evolutiva podemos encontrar as
famílias de Australopitecus, os Homo Habilis e os Homo Erectus.
05 - A explicação evolucionista mais aceita sobre a origem geográfica
do ser humano afirma que:
A) nossa espécie teve origem de algumas famílias de macacos da
África, e só mais tarde surgiram os primeiros hominídeos no Norte
(Europa) e Oriente Médio.
B) o ser humano teria surgido ao mesmo tempo em dois pontos do
globo – África e Europa – tendo se dispersado pelo resto do mundo a
partir das eras glaciais.
C) somos originários da Europa, por isso durante muito tempo ela foi
chamada de o “velho continente”; dali partiram as correntes
migratórias para o resto do globo.
D) nossa espécie teve origem indeterminada geograficamente; as
evidências fósseis são bastante confusas e não possibilita afirmarmos
de onde viemos.
E) o ser humano teve origem de algumas famílias de hominídeos
africanos, que se dispersaram pelo globo em busca de alimento,
adquirindo características locais em conseqüência da adaptação a
diferentes ambientes.
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06 - Assinale a alternativa correta. De acordo com as descobertas da
arqueologia e da paleontologia, o homo sapiens-sapiens se
desenvolveu:
A) A partir da criação de uma espécie dotada de capacidades
especiais, reproduzidas à imagem e semelhança de formas superiores
e sobrenaturais, tendo permanecido estável e imutável através dos
tempos com o destino de povoar e dominar o planeta.
B) A partir de transformações anatômicas sucessivas e formas de
adaptação ao meio e às demais espécies, pertencendo a um grupo de
espécies que desenvolveram uma capacidade simbólica como
instrumento adaptativo e de organização das relações com o
ambiente e com os demais indivíduos da espécie através de regras e
cooperação.
C) Como a forma mais sofisticada de evolução, sendo portanto o
resultado de um processo contínuo de progresso das espécies em
direção a uma forma definitiva e superior de vida biológica, podendo
ser tomada como modelo do projeto evolutivo pelo qual todas as
espécies devem passar.
D) Como resultado de uma evolução prevista, pois nenhuma outra
espécie teria tido capacidade de desenvolver raciocínio, postura ereta
e comportamento modelável pela cultura.
E) A partir da evolução casual de uma família de símios que começou
a gerar uma prole com cérebro avantajado e a postura ereta
07 - As principais vertentes de explicação sobre a origem humana
atualmente, segundo o texto de Silas GUERRIERO “As origens do
antropos” são respectivamente:
A) a evolucionista que defende que viemos dos macacos, a
funcionalista que defende que nossa espécie cumpre a função de
manter a evolução e a criacionista, baseada em um conjunto de
evidências sobre a criação de nossa espécie por um ser superior.
B) a criacionista que defende que somos criados pelos macacos, a
evolucionista que afirma baseada em evidencias que somos fruto de
uma evolução critica, e a estruturalista, responsável pela afirmação
que nossa estrutura biológica foi favorecida por eventos climáticos.
C) a evolucionista, baseada em um conjunto de evidências que
sugerem que somos fruto de uma evolução que partiu dos símios e a
criacionista, baseada em um conjunto de dogmas e crenças que
partem da idéia de um ser superior que criou a vida humana
exatamente como ela é hoje, e procuram na ciência um
embasamento para essa afirmação.
D) a teoria do ponto crítico, que defende que nossos ancestrais sofreram
uma “revolução” evolucionista que o transformou em ser humano; a
evolucionista, que afirma ter sido nossa evolução do macaco ao homem um
longo e lento processo e a metodológica, responsável pela idéia segundo a
qual a natureza tem seu próprio método de evolução, independente de
forças superiores.
E) a científica representada pelo ponto crítico, e as religiosas representadas
pelo evolucionismo teológico.
17
08 - Afinal, o ser humano é fruto de uma evolução?
A) Não. O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus
B) Sim. De acordo com a teoria da evolução somos apenas mais uma
espécie animal
C) Não. A teoria da evolução não está provada
D) Sim. Evoluiu a partir do macaco, que por sua vez não evoluiu
E) Não. As descobertas científicas atuais colocam em dúvida a
evolução e mostram que, desde o início, o ser humano já possuía
essa forma atual
DETERMINAÇÕES BIOLÓGICAS E PROCESSO CULTURAL
Cada indivíduo possui um fenótipo, que corresponde à aparência
física, entretanto somos portadores de genótipos que são genes que
carregamos. FENÓTIPO: (características - pele clara e olhos azuis) e
GENES: (são as informações hereditárias de um organismo)
Teoria Ultrapassada:
� Durante muito tempo acreditava-se que cada raça correspondia
uma cultura. Dessa perspectiva ultrapassada surgiram as teorias
deterministas.
� DETERMINISMO BIOLÓGICO – Defendia que a herança
genética seria responsável pelo comportamento diferenciado do
ser humano dentro de cada cultura.
� DETERMINISMO GEOGRÁFICO – Defendia que o meio
ambiente no qual essa ou aquela população se desenvolveu,
também seria um fator determinante para a cultura ali
desenvolvida. Portanto, populações de lugares com clima
quente, ou muito frio teriam sofrido influências que somadas ao
fator biológico, explicariam costumes, mentalidade, valores e
tradições.
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� Então a geografia desempenhou um importante papel para a
diversidade de tipos humanos? Sem dúvida! Ao longo do
processo evolutivo, mudanças importantes ocorreram para
permitir a sobrevivência de nossa espécie em diferentes meios.
A quantidade de melanina na pele e a dimensão do aparelho
nasal foram sendo modelados para permitir nossa
sobrevivência. Como a grande família humana foi seguindo
rumos diferentes, os grupos migravam para esse ou aquele
lugar, carregavam um conjunto genético que foi se
estabilizando ao longo da história. Isso foi criando fenótipos
próprios a cada população humana que viveram praticamente
isoladas umas das outras durante tempo suficiente para que
fosse surgindo um tipo de “padrão” que chamamos etnia.
� Fato é que não existe uma determinação biológica/geográfica
que sustente a explicação sobre a diversidade cultural. Esses
fatores são importantes na relação do ser humano com o meio,
seja para sobreviver, seja para se relacionarem com os outros,
mas não são determinantes.
Exemplos: Nós não dependemos dos genes para isto ou aquilo,
podemos com esforço chegarmos onde queremos, porém indivíduos
que carregam genes para alguma coisa chega ao mesmo resultado
com mais facilidades.
Para qualquer comportamento humano que seja levantado, a
resposta é que o meio e a genética podem ser elementos que
influenciam os grupos humanos, mas não há como afirmar que
eles definem por si sós a nossa espécie.
Ter tendência a gostar mais de arroz e feijão ou de peixe cru, faz
parte de algo que aprendemos, e não de uma informação genética
que não pode ser manipulada.
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� E claro que carregamos a herança genética, mas não podemos
afirmar, por exemplo, que um filho de alcoólatra possa ser alcoólatra
também. O ser humano é uma espécie moldável e criativa. Em cada
grupo social as respostas às necessidades e a qualidade dos vínculos
sociais resultam de uma história que é única aquele grupo.
Portadores das marcas da história, das experiências coletivamente
vividas, das soluções criadas, cada grupo vai construindo um
conjunto absolutamente único que é sua CULTURA.
EXERCÍCIOS
01 - Durante muito tempo acreditava-se que cada raça
correspondia uma cultura. Dessa perspectiva ultrapassada surgiram
algumas teorias, quais foram? Explique-as.
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02 - AS MENINAS LOBO
Após ler o texto escreva um texto (minimo 15 linhas,
descrevendo as possiveis causas que as meninas lobos não
conseguiram se adaptar a vida humana.
NA Índia, onde os casos de meninos-lobo foram relativamente
numerosos, descobriram-se, em 1920, duas crianças. Amala e
Kamala, vivendo no meio de uma família de lobos. A primeira tinha
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um ano e meio e veio a morrer um ano mais tarde. Kamala, de 8
anos de idade, viveu até 1929. Não tinham nada de humano e seu
comportamento era exatamente semelhante aquele de seus irmãos
lobos.
Elas caminhavam de quatro patas, apoiando-se sobre os joelhos e
cotovelos para os pequenos trajetos e sobre as mãos e os pés para os
trajetos mais longos e rápidos.
Eram incapazes de permanecer de pé. Só se alimentavam de carne
crua ou podre, comiam e bebiam como os animais, lançando a cabeça
para frente e lambendo os líquidos. Na instituição onde foram
recolhidas, passaram o dia acabrunhadas (abatidas) . Eram ativas e
ruidosas durante a noite, procurando fugir e uivando como lobos.
Nunca choraram ou riam.
Kamala viveu durante oito anos na instituição que a acolheu,
humanizando-se lentamente. Ela necessitou de seis anos para
aprender a andar e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário
de cinqüenta palavras. Atitudes afetivas foram aparecendo aos
poucos.
Ela chorou pela primeira vez por ocasião da morte de Amala e se
apegou lentamente às pessoas que cuidaram dela e às outras
crianças com que mais conviveu.
A sua inteligência permitiu-lhe comunicar-se com outros por gestos,
inicialmente, e depois por palavras de um vocabulário rudimentar
(não desenvolvido), aprendendo a executar ordens simples.
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03 - Procure informar-se sobre a história de Tarzan. Com base no
que foi estudado no texto acima sobre as meninas-lobo, explique
por que essa lenda é inverossímil. (mínimo 15 linhas)
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04 - Sabemos que desde a Antiguidade, o Homem procura
explicações para a grande diversidade cultural, que é característica
do conjunto das sociedades humanas. Entre essas explicações,
existem aquelas que atribuem à diversidade cultural a fatores
geográficos e biológicos. Sobre essas afirmações, uma das
alternativas abaixo é correta. Assinale-a:
A - Não é correto que fatores como clima, oferta de alimentos e raça
influencia a cultura, uma vez que a cultura é uma herança social que
não depende de fatores externos à própria sociedade.
B - É correta essa afirmação, uma vez que a cultura é apenas uma
solução para os problemas de sobrevivência da espécie humana, e
dependendo do clima e do espaço onde se desenvolve uma cultura
ela será uma resposta a essas condições; além disso, é sabido que o
fator racial influencia em questões como a capacidade de
desenvolvimento tecnológico e de organização institucional.
C - Geografia e biologia são fatores importantes, mas não
determinantes para o desenvolvimento de uma cultura, pois podemos
encontrar populações que vivem em meio ambientes muito
semelhantes, porém suas culturas são diferentes. A cultura não é
apenas resposta ao meio ou de capacidades inatas, mas um conjunto
de hábitos e costumes, saberes e instituições que se desenvolve de
maneira única em cada sociedade.
D - Não é correta essa afirmação, pois apesar da geografia não ser
determinante para as características de uma cultura, a biologia é que
consiste num aspecto fundamental; podemos perceber isso através
de culturas que se desenvolvem igualmente para cada raça humana,
ou seja, as culturas dos brancos, negros, amarelos e índios.
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E - É correta essa afirmação, pois a geografia influencia uma cultura
através de aspectos como clima, qualidade do solo, distâncias em
relação ao mar; já a biologia influencia em aspectos como a
diversidade biológica à disposição de uma população em seu meio e
que é fundamental como recurso para sua sobrevivência. Utilizando
os recursos adequadamente, uma cultura se desenvolve melhor.
05- Os dados científicos de que dispomos atualmente não confirmam
a teoria segundo a qual as diferenças genéticas hereditárias
constituiriam um fator de importância primordial entre as causas das
diferenças que se manifestam entre as culturas e as obras das
civilizações dos diversos povos ou grupos étnicos. Eles nos informam,
pelo contrário, que essas diferenças se explicam antes de tudo pela
história cultural de cada grupo. Os fatores que tiveram um papel
preponderante na evolução do homem são a sua faculdade de
aprender e a sua plasticidade. Esta dupla aptidão é o apanágio de
todos os seres humanos. Ela constitui, de fato, uma das
características específicas do Homo Sapiens”.
(Declaração redigida por vários cientistas em 1950, no pós-nazismo,
no encontro da Unesco em Paris)
“Nada, no estado atual da ciência, permite afirmar a superioridade ou
a inferioridade intelectual de uma raça em relação à outra”.
(Claude Lévi-Strauss, “Raça e cultura”)
Os dois pensamentos citados acima têm como objetivo:
A) confirmar as teses que atribuíram características e aptidões raciais
inatas.
B) afirmar que as diferenças do ambiente físico condicionam a
diversidade cultural.
C) negar a grande diversidade cultural da espécie humana.
D) negar as teses deterministas biológicas, lutando contra o
preconceito racista e todas as tentativas de discriminação e de
exploração.
E) legitimar a hierarquia de raças.
23
06 - “Folha - A senhora leu as declarações do presidente da
Universidade Harvard, Lawrence Summers, que sugeriu que
diferenças biológicas inatas entre homens e mulheres poderiam
explicar a existência de um número menor de pesquisadoras nas
ciências exatas?
Collin - Ele disse isso?
“Folha - A senhora leu as declarações do presidente da Universidade
Harvard, LawrenceSummers, que sugeriu que diferenças biológicas
inatas entre homens e mulheres poderiam explicar a existência de
um número menor de pesquisadoras nas ciências exatas?
Collin - Ele disse isso?
Folha - Disse.
Collin - É um comentário estúpido. Isso me lembra de um comentário
de um jornalista que disse que o nível das universidades francesas
tinha caído por causa do número grande de mulheres que estavam
estudando.
Ele foi processado e, no processo, várias mulheres levaram livros de
sua autoria para a mesa do juiz. Elas encheram a mesa com livros e
ganharam o processo.
Folha - No entanto, testes oficiais aplicados em estudantes no Brasil e
em outros países do mundo mostram que meninos têm, em média,
melhor desempenho em matemática, enquanto meninas têm notas
melhores em português ou em sua língua materna. Negar essas
diferenças não prejudica o entendimento dessa questão?
Collin - Mesmo se essas estatísticas que você citou forem realmente
corretas, elas têm que ser analisadas a partir do contexto cultural. Se
for realmente verdade, e não estou dizendo que é, isso não permite
dizer que essas diferenças ocorrem por razões naturais. Uma menina
que recebeu menos incentivo da família do que um garoto poderá ter
desempenho pior, mesmo se estudar na mesma classe. Essas
diferenças, caso existam, são muito sensíveis ao contexto cultural.”
(Jornal Folha de São Paulo, Segunda-feira, 2 de maio de 2005,
“ENTREVISTA DA 2ª” com FRANÇOISE COLLIN, por ANTÔNIO GOIS)
24
De acordo com a posição que Françoise Collin assume nesta
entrevista, qual das afirmações abaixo é INCORRETA:
A) as diferentes aptidões de homens e mulheres não se devem a
causas naturais.
B) homens e mulheres agem diferentemente sobretudo por terem
sempre recebido um aprendizado diferenciado.
C) a constituição genética feminina é o que determina o pior
desempenho das mulheres em matemática.
D) uma menina que recebeu menos incentivo de seu grupo cultural
para gostar de matemática tenderá a ter um desempenho mais fraco
do que o de um menino que tenha sido estimulado a gostar das
ciências exatas.
E) é falso que as diferenças de comportamento existentes entre
pessoas de sexo diferentes sejam determinadas geneticamente.
07 - Muita gente ... acredita que os nórdicos são mais inteligentes do
que os negros; que os alemães têm mais habilidade para a mecânica;
que os judeus são avarentos e negociantes; que os norte-americanos
são empreendedores, traiçoeiros e cruéis; que os ciganos são
nômades por instinto, e, finalmente, que os brasileiros herdaram a
preguiça dos negros, a imprevidências dos índios e a luxúria dos
portugueses.” (LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito
antropológico. 17ª ed. RJ: Zahar,2004, p.17).
Escolha a alternativa CONTRÁRIA à forma de pensar apresentada na
citação acima.
A) A cultura do homem é determinada pela quantidade de livros lidos.
B) A cultura do homem é determinada pelos aspectos geográficos.
C) A cultura do homem é determinada pela sua genética.
D ) A cultura do homem é resultado do criacionismo.
E) A cultura do homem não é determinada pelo aspecto biológico.
25
CULTURA
A antropologia propõe que a cultura é à base de nossa forma de
encarar o mundo à nossa volta e dar formas e significados a ele.
Vamos considerar que grande parte das coisas que realizamos em
nosso dia-a-dia, incluindo planos pessoais e organização de regras de
convivência, é resultado de um modelo coletivo de pensar como
devemos ser?
Isto significa que aprendemos a estar no mundo, e não
simplesmente somos “jogados” nele. Desde a língua que falamos
para nos comunicar, até os símbolos que associamos a crenças,
sonhos e mensagens, são criados de acordo com uma mentalidade
coletiva comum. Esse “modelo” para nos comunicar e dar sentido ao
que pensamos, é dado pela nossa cultura. E em cada uma das
culturas humanas, aquilo que nos faz rir, chorar ou sonhar varia
imensamente.
Para Edward Tylor, (antropólogo) cultura é um conjunto complexo
que inclui os conhecimentos, as crenças, a arte, a lei, a moral, os
costumes e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo
homem enquanto membro de uma sociedade. E claro que para outros
autores o conceito é diferente, pois cada um tem uma forma de
analisar a palavra.
CULTURA NA VISÃO DE ALGUNS AUTORES
� Franz Boas– relação entre o individuo e a sociedade, ou seja, as
reações do individuo na medida em que são afetadas pelos
costumes do grupo que vive;
� B.Malinoswski – E a totalidade;
� Goodenough – e uma organização de tudo que a sociedade
conhece e acredita;
� M.Harris – Estilo de vida pessoal;
26
� Anthony Giddens – Conjunto de regras, valores e a produção de
bens materiais;
� Geertz, podemos afirmar que a cultura é produto do humano,
mas o humano é também produto da cultura. Não fosse essa
extraordinária capacidade de articulação e fabricação de
símbolos, provavelmente não teríamos sobrevivido e, se o
tivéssemos conseguido, não teríamos diferenças anatômicas tão
marcantes frente a nossos parentes mais próximos. Em outras
palavras, não estaríamos aqui contando essa história.”
Concluindo, entre todas as definições de cultura que foram
apresentadas, hoje em dia na antropologia, o consenso gira em torno
de nossa capacidade de simbolização.
Para expressar a cultura dependemos da utilização dos símbolos.
Língua, conceitos, valores, idéias, crenças, tudo que faz parte da
cultura humana é baseada em símbolos que precisam de uma
convenção social para serem associados pelos indivíduos a um
mesmo significado, e faz com que seja possível a interpretação dos
conteúdos comunicados.
Cada local tem a sua simbologia, porém alguns símbolos são
mundiais
ENDOCULTURAÇÃO: é o processo permanente de aprendizagem de
uma cultura que se inicia com assimilação de valores e experiências a
partir do nascimento de um indivíduo e que se completa com a
morte. Este processo de aprendizagem é permanente, desde a
infância até à idade adulta de um indivíduo.
A medida que o individuo nasce, cresce, e desenvolve, ele aprende
envolvendo-se cada vez mais a agir da forma que lhe foi ensinado
27
Senso comum
O senso comum ou conhecimento espontâneo é a primeira
compreensão do mundo resultante da herança do grupo a que
pertencemos e das experiências atuais que continuam sendo
efetuadas. Baseia-se em conhecimentos espontâneos e intuitivos,
uma forma de conhecimento que fica no nível das crenças. Este
conhecimento vai do hábito à tradição, muitos deles, aprendemos
com os nossos pais que aprenderam com nossos avôs...
EX.: Peixe
Senso comum fatores
� Fatores como crenças, desejos, tradição, fazem com que haja
um apego ao senso comum. Não são raros os casos em que as
crenças do senso comum produziram comportamentos
preconceituosos, com base numa postura dogmática diante da
compreensão dos fenômenos.
� Durante muito tempo, acreditou-se que uma determinada raça
fosse superior à outra. Não raro, o radicalismo em torno dessas
crenças levou à condenação de pessoas que foram perseguidas
pelo simples fato de criticá-las ou por se enquadrarem como
hereges ou como membros de uma etnia inferior.
28
O conhecimento científico
� É o que é produzido pela investigação científica, através de
seus métodos.
� O pensamento científico é uma forma de o homem tentar
alterar uma realidade através da corroboração (confirmação)
de uma lei.
Ex.: Bom ou ruim? Depende?
Vacinas / Bombas
EXERCÍCIOS
01 “...é o conjunto dos comportamentos, saberes e saber fazer
característicos de um grupo humano ou de uma sociedade dada,
sendo essas atividades adquiridasatravés de um processo de
aprendizagem, e transmitidas ao conjunto de seus membros."
(LAPLANTINE, 1995, p.120).
Escolha a alternativa que corresponda ao conceito acima.
A) Cultura
B) Antropologia
C) Sociologia
D) Sociedade
E) Vida
02 – “Os operários alemães são muito cultos.” ou “Aquela menina não
tem cultura nenhuma.”
As frases acima expressam que tipo de pensamento ou explicação:
A) senso crítico
29
B) senso comum
C) explicação científica
D) explicação crítica
E) bom senso
03 - Podemos identificar uma cultura através de:
1) dinâmica e adaptação
2) repetição e ritualização
3) traços materiais, linguagem, artes etc.
4) maior ou menor quantidade e qualidade de conhecimentos.
A) são corretas as alternativas 1, 2 e 4
B) são corretas apenas as alternativas 1, 2 e 3
C) são corretas apenas as alternativas 1 ,3 e 5
D) todas as alternativas são corretas
E) apenas as alternativas 3 e 4 são corretas
04- “É a parte do ambiente feita pelo homem.” (Herskovits). Tal
afirmação se refere ao conceito de:
A) tecnologia
B) natureza
C) cultura
D) criacionismo
E) relativismo cultural
05 - É correto afirmar que:
1) existem diferentes explicações sobre a origem do homem
2) todos são incultos
3) uma sociedade não existe sem cultura
4) o homem não é um ser cultural
5) uma cultura não existe sem sociedade
A) as alternativas 2, 3 e 4 estão corretas
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B) todas as alternativas estão corretas
C) as alternativas 1, 3, 4 e 5 são corretas
D) as alternativas 2 e 5 estão corretas
E) as alternativas 1 - 3 e 5 estão corretas
06 - Ao adquirir a cultura, podemos dizer que o homem:
A) não perdeu a propriedade animal, geneticamente determinada, de
repetir os atos de seus antepassados
B) desenvolveu a propriedade animal, de repetir os atos de seus
antepassados, com a necessidade de copiá-los e sem se submeter a
um processo de aprendizado.
C) manteve intacto o processo de transmissão de conhecimento
determinado pela genética aos seus descendentes.
D) perdeu a propriedade animal, geneticamente determinada, de
repetir os atos de seus antepassados, sem a necessidade de
simplesmente copiá-los e passou a se submeter a um processo de
aprendizado que é cultural.
E sofreu uma mutação biológica que o possibilitou, alterar
geneticamente a sua mente.
07- A cultura interfere em nosso plano biológico. Essa afirmação pode
ser considerada:
A) Verdadeira, pois em cada cultura nascemos com uma herança
biológica diferente; assim, os traços físicos de um japonês serão
diferentes de um mexicano, e assim por diante.
B) Falsa, pois a cultura faz parte do nosso comportamento, sem ter
qualquer relação com nossas características biológicas.
C) Verdadeira, pois de acordo com cada costume os indivíduos se
relacionam diferentemente com seus corpos, e as doenças
psicossomáticas são um exemplo dos efeitos possíveis de um tipo de
vida sobre nosso organismo.
31
D) Verdadeira, pois em todas as culturas as mulheres praticam
necessariamente rituais que modelam ou alteram a forma física.
E) Falsa, pois a biologia não determina nenhum tipo de cultura.
08 - Fatores. Assim, a cultura que recebemos de nossos pais, não
será a mesma que nossos netos conhecerão. Essas transformações
podem ser explicadas como se segue:
I. A capacidade de aprendizado faz com que a cultura tenha a
característica de ser acumulativa; a cada geração selecionamos,
descartamos ou aperfeiçoamos a herança cultural recebida.
II. O contato com outras culturas agiliza as mudanças; muitas vezes
esse contato pode influenciar algumas características, transformando-
as.
III. As transformações podem ser resultados do impacto de alguns
fatos históricos como guerras e revoluções, por isso culturas
semelhantes em um momento histórico podem ser diferentes um
pouco depois.
IV. As transformações culturais são resultados da capacidade que
cada cultura tem para se adaptar a uma nova situação histórica,
funcionando como uma espécie de “seleção natural”, as mudanças
culturais podem determinar quais sociedades serão dominantes e
quais serão dominadas.
A) Estão corretas II e III.
B) Apenas I está correta.
C) Todas estão corretas.
D) Estão corretas I e IV.
E) Estão corretas I, II e III.
09 - O Professor Pardal é uma personagem de Banda Desenhada que
representa um cientista muito inteligente, criativo e inventivo. Nesta
imagem podemos vê-lo a evitar passar por debaixo de uma escada,
pois isso supostamente dá azar - mas sem reconhecer, sem assumir
32
o receio. Ele sabe que a ciência é incompatível com a superstição. Só
que...
Porque serão as superstições tão resistentes à análise racional e
científica?
_____________________________________________
_____________________________________________
10 - Os textos a seguir apresentados referem vários conhecimentos.
Identifique quais são conhecimentos científicos e quais são
vulgares.
1. Muitos habitantes de Faro sabem onde fica a sede da Câmara
Municipal de Faro. _____________________
2. Em Portugal (nas zonas urbanas, mas, sobretudo nas zonas
rurais) é muito frequente a crença de que alimentos como a
canja de galinha e os citrinos (laranjas, tangerinas, limões,
etc.) ajudam a curar as constipações. _______________
3. «Numa tradução da História Natural, de Plínio, escrita no início
da era cristã, pode ler-se o seguinte parágrafo (...): “A mão da
mulher com a menstruação torna o vinho em vinagre, seca as
33
colheitas, mata as sementes, murcha os jardins, embacia os
espelhos, oxida o ferro e o latão (sobretudo quando a Lua está
na fase de quarto minguante), mata as abelhas, o marfim
perde o seu brilho, os cães enlouquecem se lambem o seu
mênstruo...” (...) Algumas comunidades judaicas da Europa
Oriental acreditam que, se as mulheres se aproximarem das
conservas durante a menstruação, estas estragar-se-ão. Na
Carolina do Norte mantém-se a crença tradicional de que, se a
mulher amassar um bolo durante o período, este não será
comestível.» _________________
4. Plutão leva 247,7 anos a completar uma volta em torno do Sol.
____________________________________________
5. A temperatura média na superfície de Plutão é de 237 graus
negativos. _________________________
6. No planeta Mercúrio, que é o mais próximo do Sol, chegam a
registar-se temperaturas de 430 graus (positivos).
________________________
HERANÇA CULTURAL
Da mesma forma como cada família pode deixar aos seus
descendentes uma herança material (patrimônio familiar), a nossa
sociedade nos deixa uma HERANÇA de valores, modos de agir e
pensar, conhecimentos, e assim por diante. É parte do nosso
PATRIMÔNIO CULTURAL, seja material ou imaterial.
Então, temos que a CULTURA influencia nossas vidas em diversos
níveis, tais como:
� A moral;
� As noções de higiene pessoal;
� Os sentimentos;
� Nossa alimentação;
� Os critérios de beleza;
� As necessidades e o uso da tecnologia;
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� O que entendemos como SAÚDE e também a DOENÇA;
� Nosso gestual e a forma como utilizamos o corpo, entre tantos
outros.
Assim, podemos identificar facilmente indivíduos de diferentes
culturas por características como:
� Modo de agir
� De vestir
� De caminhar
� De comer
� Ou mesmo pela mais simples delas - a língua que cada um
deles fala
Desde que fase de nossas vidas essa influência acontece?
� Desde o parto, somos condicionados pela nossa cultura.
Da esquerda para a direita:
África, Índia, Inglaterra, Nova Zelândia, Brasil.
35
A CULTURA INTERFERE NO PLANO BIOLÓGICO
Ao longo de nossas vidas o nosso corpo físico é intensamente afetado
pelas nossas experiências culturais. Seja para manter tradições,
obedecer a regras e principalmente, para nos sentirmosINCLUÍDOS
(o que dá aquela sensação de confiança e auto estima, quando nos
sentimos parte de um todo, quando “pertencemos” a um lugar
social), nosso corpo físico é submetido freqüentemente a exigências.
Portanto, o que o autor chama de “PLANO BIOLÓGICO” é exatamente
nossa forma física, saúde e aparência corporal.
Pense em quantas situações ao longo de nossas vidas nosso corpo é
atingido em função de experiências culturais.
� Para lembrar alguns exemplos:
� O tipo de parto que cada cultura oferece e considera melhor;
� Perfuração ou alargamento de lóbulos, lábios, pálpebras;
� Técnicas de desenhos ou formação de saliências na pele como
Tatuagens e implantes;
� A dieta cotidiana que pode incluir desde insetos; carnes dos
mais variados tipos e partes de animais (cruas ou cozidas);
ingestão de bebidas alcoólicas ou qualquer outra que altere
igualmente a percepção e reações;
� Alimentos processados industrialmente; vegetais, raízes,
sementes, folhas, frutas e flores; grãos e castanhas.
Neste item você pode ter considerado algumas coisas muito normais
e outras repugnantes. Pense que se você tivesse sido socializado em
outra cultura, suas escolhas poderiam ter sido completamente
invertidas.
Formas de tratamento de doenças que podem incluir uma imensa
lista como a ingestão de fitoterápicos, preparados químicos
conhecidos como remédios; rituais que envolvem ou não a
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participação e presença física do doente que pode ser submetido a
todo tipo de intervenção passiva ou ativa;
� às vezes o doente precisa ingerir, inalar, sugar outras vezes ele
é sugado; cortes, incisões, perfurações, com ou sem
anestesias, e muitos outros tipos;
� a modelagem do corpo com muitas técnicas diferentes como
dietas, cirurgias e implantes, ou treinos especiais (militares,
esportivos, rituais ou de espetáculos);
� Outro exemplo é o uso de vestuário e adornos corporais.
Neste último item você pode se perguntar como nossa indumentária
pode interferir no plano biológico, mas é possível sim. As famosas
“mulheres girafas” da Tailândia (Ásia), que desde os cinco anos
começam a utilizar argolas no pescoço com o objetivo de esticá-los;
as mulheres chinesas que durante séculos enfaixavam os pés para
evitar seu livre crescimento; o processo de treinamento das modelos
ocidentais que para serem vistas com roupas e acessórios à venda
pela indústria da moda se submetem a dietas incríveis de
emagrecimento e treino para o controle do corpo, movimento e
expressões faciais na passarela.
� A participação em festas e ocasiões especiais, que além de
exigir o controle da postura e gestual em função da utilização
de vestimentas especiais, exigem também a submissão (em
alguns casos) de horas em jejum e em seguida horas de
ingestão de uma quantidade incrível de alimentos e bebidas;
� A submissão a rotinas que podem gerar lesões físicas e/ou
desconfortos psicológicos dos mais variados graus;
� O desenvolvimento de doenças psicossomáticas; a reação do
organismo na forma de doença a experiências negativas;
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Você pode fazer o exercício de encontrar outros e tantos inúmeros
exemplos. Não restam dúvidas do quanto submetemos nossos corpos
em função das experiências culturais.
Interpretamos isso como algo “natural”. Entretanto é muito comum a
reação de espanto, indignação ou repúdio ao que os “outros” fazem
com seus corpos. Ter a vida de uma modelo da moda pode parecer
normal entre nós, mas pode ser considerado incompreensível aos
outros, tanto quanto perfurar lábios para o uso de botoques nos
parece.
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Da esquerda para a direita, temos a ilustração de um Kayapó (Xingú,
Brasil); temos a ilustração de uma revista de forma física, foto de
Jean P. DUTILEUX; temos a ilustração de um típico Sumotori e a uma
Tailandesa dos anéis dourados no pescoço.
EXERCÍCIOS
01 - Alfred KROEBER afirma que existe uma diferença muito grande
entre a evolução biológica dos animais e do ser humano. Para
fundamentar sua idéia, ele cita o fato que os ursos polares
desenvolveram ao longo de muitas gerações grossas camadas de
pelos para sobreviver ao clima de seu meio ambiente, enquanto o ser
humano ao invés de desenvolver pelos, utiliza roupas e cobertas.
Ao realizar essa comparação, o autor está:
A) demonstrando a importância da superioridade humana em relação
aos outros animais, uma vez que nossa espécie é capaz de se adaptar
a qualquer meio ambiente.
B) demonstrando a inferioridade da espécie humana, que depende
dos recursos extra-orgânicos (exteriores ao corpo) para sobreviver,
enquanto os outros animais são capazes de desenvolver
características ideais de adaptação.
C) ressaltando as diferenças entre animais e seres humanos,
baseando-se em conceitos exclusivos da biologia; essa ciência é a
única a definir de forma coerente e correta essa diferença.
D) afirmando que apenas com a cultura é possível uma espécie
evoluir; como os animais não utilizam a cultura, eles não evoluem.
E) demonstrando que a evolução biológica do ser humano é diferente,
pois nossa espécie não necessitou de uma adaptação biológica a
diferentes meios. A cultura se mostrou como uma forma de
adaptação ainda melhor e superior ao possibilitar a adaptação a
qualquer ambiente sem necessidade da lenta adaptação genética.
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02 - Sabemos que a cultura interfere no plano biológico dos
indivíduos. A esse respeito é correto afirmar que:
A) Ao evoluir culturalmente uma cultura proporciona a evolução
biológica aos indivíduos, pois ambas não podem ser separadas.
B) Não é possível observarmos claramente essa interferência, uma
vez que é uma teoria antropológica e não da biologia.
C) Em cada cultura o ser humano dispõe de um plano biológico
distinto, assim não podemos comparar o organismo de alguém da
cultura árabe com outros da cultura ocidental, por exemplo.
D) A cultura possibilita conhecermos melhor nosso plano biológico,
através da evolução de conhecimentos que desvendam seu
funcionamento.
E) As doenças psicossomáticas são exemplos visíveis da forma como
os hábitos de uma cultura afetam nossa saúde.
03 - Alguns africanos que foram transportados violentamente como
escravos para um continente desconhecidos passaram a apresentar
uma apatia profunda, que podia provocar a morte. Denominou-se a
essa doença o nome de “banzo”. Esse é um dos fatos que prova que:
A) os africanos não tinham tanta capacidade de se adaptar ao novo
continente e condições de vida diferentes da anterior.
B) a cultura africana não facilitava a motivação para uma nova
situação.
C) a cultura interfere no funcionamento biológico de seus indivíduos.
D) o novo continente não facilitou a adaptação dos africanos, que
sofreram a seleção natural.
E) deveriam ter sido escravizados no próprio continente africano para
evitar essas mortes.
04 - Leia o texto a seguir e responda o que se pede:
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“Anorexia Nervosa é um transtorno do comportamento alimentar
que se desenvolve principalmente em meninas adolescentes e
caracteriza-se por uma grave restrição da ingestão alimentar,
busca pela magreza, distorção da imagem corporal e amenorréia
(suspensão da menstruação).
(...)Acrescentando a todas estas dificuldades* o apelo da moda e o
culto à magreza, dá para entender que ser mulher e adolescente,
no mundo de hoje, é um duplo fator de risco para o
desencadeamento de um transtorno alimentar.” Cybelle Weinberg,
publicado pelo “Portal Psi”, no endereço eletrônico:
http://www.redepsi.com.br
[*] no texto original a autora descreve o quadro psico-social de
transformações muito observadas na puberdade.
É possível perceber através da descrição feita pela autora que:
A) em nossa cultura, todos os adolescentes têm sua forma física e
saúde afetados pelos apelos da moda e o culto à magreza.
B) não há comoevitar o desencadeamento da anorexia nervosa, pois
faz parte da visão de mundo dos adolescentes.
C) ser mulher e adolescente no mundo de hoje é um fator de risco
para a saúde.
D) os apelos da cultura da moda e do culto à magreza são fatores de
risco para o desencadeamento de um transtorno alimentar.
E) o transtorno alimentar entre as adolescentes é comum apenas
quando elas fazem parte do mundo da moda, onde o apelo à magreza
se transformou em culto.
05 – Olhe a foto, após isto responda:
Porque as Tailandesas utilizam este tipo de argola no Pescoço?
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__________________________________
06 – Escreva alguns conceitos brasileiros que possam serem vistos
como não natural na visão de outros paises:
_______________________________________________________
_______________________________________________________
07- Em nossas vidas nosso corpo é atingido em função de
experiências culturais, a qual podemos citar:
I - tipo de parto que cada cultura oferece e considera melhor;
II - Perfuração ou alargamento de lóbulos, lábios, pálpebras;
III - Técnicas de desenhos ou formação de saliências na pele como
Tatuagens, e implantes;
IV - A dieta cotidiana que pode incluir desde insetos; carnes dos mais
variados tipos e partes de animais (cruas ou cozidas); ingestão de
bebidas alcoólicas ou qualquer outra que altere igualmente a
percepção e reações;
Estão corretas as alternativas:
A) Todas
B) I e II
C) III – IV
D) I e III
E) III e IV
08 – Escreva duas atitudes ou hábitos que lhe causam indignação
ou repúdio ao que os “outros” fazem com seus corpos. Explique por
que!
_____________________________________________________
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09– Em que temos a CULTURA influencia nossas vidas:
I - A moral
II - As noções de higiene pessoal
III - Os sentimentos;
IV - Nossa alimentação
V - Os critérios de beleza
Estão corretas as alternativas:
A – Todas
B – I apenas
C – I e II
D – II e III
E – III – IV e V
10- Como podemos identificar indivíduos de diferentes culturas?
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
OS INDIVÍDUOS PARTICIPAM DIFERENTEMENTE DE SUA
CULTURA
É impossível todos os indivíduos de um grupo terem exatamente o
mesmo comportamento, apesar de compartilharem a mesma “visão
mundo”. A individualidade está garantida em primeiro lugar pelo fato
de que nem uma pessoa pode sozinha conhecer e dominar todos os
conhecimentos, a história e o conjunto de valores de seu próprio
povo.
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Somos socializados e aprendemos ao longo da vida aquilo que é mais
importante para sermos aceitos e participarmos de uma cultura. Mas
nossa participação é sempre diferente de um indivíduo para o outro.
Em que critérios se baseiam essas diferenças individuais?
� As diferenciações baseadas no sexo dos indivíduos:
Com exceção de algumas sociedades africanas - nas quais as
mulheres desempenham papéis importantes na vida ritual e
econômica, a maior parte das sociedades humanas permite uma mais
ampla participação na vida cultural aos elementos do sexo masculino.
� As diferenciações baseadas na idade dos indivíduos:
Uma criança não está apta a exercer as funções dos adultos, portanto
os motivos biológicos ficam explícitos nesses casos.
Porém, há impedimentos etários totalmente arbitrários e criados pela
nossa cultura: p.ex., por que podemos ter licença para dirigir e votar
aos 18 anos, e não aos 16, ou 20?
� As diferenciações baseadas na impossibilidade de TODOS os
indivíduos serem socializados da MESMA forma:
Alguns aspectos se sobrepõem a outros, alguns traços são reforçados
e outros não: Einstein era um gênio na física, mas provavelmente um
desastre ao piano, e incapaz de pintar um quadro.
É impossível que todos nós recebamos as MESMAS informações
durante nosso crescimento, portanto existe um espaço na cultura,
onde o grupo não determina totalmente sua vida.
� As diferenciações baseadas nas diferenciações de classe social:
Nas sociedades que diferenciam os indivíduos de acordo com o
pertencimento a determinadas classes sociais, existem tendências e
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limites para a socialização, que impedem que aqueles que estão mais
abaixo na pirâmide social, tenham acesso à grande parte da cultura
produzida pelo seu grupo.
EXERCÍCIOS
01 - A história de um povo pode interferir de muitas formas em sua
cultura. Podemos perceber isso principalmente através do que segue:
A) A história precisa ser conhecida pelos indivíduos de um grupo, do
contrário eles não podem ser influenciados por ela.
B) É através da relação com a história através de uma herança
cultural, que não se dá de forma consciente, que os indivíduos atuam
em uma sociedade.
C) Apesar de percebermos a influência da história em nossa cultura,
não existe qualquer tipo de pesquisa cientifica que comprove isso.
D) Os mesmos fenômenos históricos afetam de forma idêntica
culturas que são diferentes.
E) É principalmente através da cultura material que percebemos a
influência da história em nossa cultura, pois a cultura imaterial não
nos influencia tanto.
02 - Partindo do princípio de que a cultura é uma lente através da
qual o homem vê o mundo, pessoas de culturas diferentes usam
lentes diferentes e, portanto, têm visões distintas das coisas. Escolha
a alternativa correta:
A) A visão de mundo determina as respostas e o comportamento
humano a partir da sociedade em que está inserido.
B) O processo de alimentar-se é característica de todo ser vivo,
portanto, o homem se alimenta de uma mesma maneira em qualquer
que seja a cultura de que faça parte.
C) Não há diferenças entre as visões de mundo, a cultura sempre se
apresenta de uma mesma forma seja qual for a sociedade.
D) Um índio amazonense concebe o mundo e a sua forma de vida da
mesma maneira de um paulistano que sempre viveu na cidade de
São Paulo.
E) Na concepção de mundo, todo ser humano deve se submeter aos
seus instintos e desprezar a cultura em que vive.
03 - Leia a seguinte afirmação:
“Mesmo em um país de maioria católica, encontramos crenças e
práticas de muitas outras religiões.”
Essa afirmativa está corretamente associada ao que segue:
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A) - uma vez que os indivíduos participam diferentemente de sua
cultura, é possível que muitos deles sejam estimulados a participar
de religiões diversas.
B) - todas as culturas devem estimular a diversidade religiosa uma
vez que a visão de mundo impede a existência de uma única crença.
C) - a presença de muitas religiões tem relação com o etnocentrismo
que caracteriza as culturas mais antigas.
D) - as lentes através das quais enxergamos o mundo se tornam
mais precisas quanto mais religiões uma cultura tiver.
E) - a presença de muitas religiões é um sinal de que uma cultura
não possui visão de mundo.
04 - Leia a seguir a parábola de Roger Keesing:
“Uma jovem da Bulgária ofereceu um jantar para os estudantes
americanos, colegas de seu marido, e entre eles foi convidado um
jovem asiático. Após os convidados terem terminado os seus
pratos, a anfitriã perguntou quem gostaria de repetir, pois uma
anfitriã búlgara que deixasse os seus convidados se retirarem
famintos estaria desgraçada. O estudante asiático aceitou um
segundo prato, e um terceiro – enquanto a anfitriã ansiosamente
preparava mais comida na cozinha. Finalmente, no meio de seu
quarto prato o estudante caiu ao solo, convencido de que agiu
melhor do que insultar a anfitrião pela recusa da comida que lhe
era oferecida, conforme o costume de seu país”. (Apud LARAIA,
Cultura – um conceito antropológico, 2005: 72)
O trecho acima descreve corretamente o seguinte:
A) que os envolvidos estão tentando impor seu ponto de vista