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Autores: Prof. José Luis Fernandes Prof. Sérgio Baldassarre Pettorusso Colaboradores: Profa. Vanessa Santhiago Prof. Mario André Sigoli Futebol: Aspectos Pedagógicos e Aprofundamentos Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Professores conteudistas: José Luis Fernandes / Sérgio Baldassarre Pettorusso © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) F363f Fernandes, José Luis. Futebol: Aspectos Pedagógicos e Aprofundamentos / José Luis Fernandes, Sérgio Baldassare Pettorusso. – São Paulo: Editora Sol, 2017. 112 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIII, n. 2-089/17, ISSN 1517-9230. 1. Futebol. 2. Futsal. 3. Aspectos pedagógicos. I. Pettorusso, Sérgio Baldassare II, Título. CDU 796.332 José Luis Fernandes Graduado em 1972 e mestre em 1981 pela Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP). Professor de Atletismo e Futebol na USP e na Universidade Paulista (UNIP), além de outras faculdades de Educação Física. Possui também ampla vivência como preparador físico e técnico de futebol no Brasil e em diversos países. Como preparador físico e técnico atuou em muitas competições internacionais com as seleções de base do Brasil e as seleções profissionais de Japão, Qatar, Peru, além de equipes profissionais no Brasil, Peru, Qatar e Emirados Árabes Unidos. Disputou o Campeonato Mundial Sub-20 da Fifa, a Copa do Golfo e da Ásia de seleções profissionais, bem como a Copa Libertadores da América, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e alguns Campeonatos Estaduais, tendo conquistado vários títulos em todos os países por onde atuou. Ele é autor de inúmeros artigos em revistas especializadas, palestrante em congressos, seminários e cursos de especialização no Brasil e no exterior. Publicou os seguintes livros: Atletismo – Corridas; Atletismo – Os Saltos; Atletismo – Lançamentos e Arremesso; Futebol: da Escolinha de Futebol ao Futebol Profissional; O Treinamento Desportivo; Futebol: Ciência, Arte ou... Sorte! Sérgio Baldassarre Pettorusso Graduou-se em 1994 em Masc./Fem. e Técnicas Desportivas pelas Faculdades Integradas de Guarulhos (FIG) e fez pós-graduação em 2005 em Metodologia da Aprendizagem e Treinamento do Futebol e Futsal pela Universidade Gama Filho. Possui 27 anos de experiência como professor do Ensino Médio, e atualmente dá aulas no Colégio Objetivo. Com 14 anos de experiência no Ensino Superior, leciona, no presente momento, na UNIP, as matérias Futebol, Futsal e Basquetebol para turmas do curso de Educação Física. Foi atleta de futsal, tendo atuado na categoria principal pelas seguintes equipes: São Paulo F. C., S. E. Palmeiras, S. C. Corinthians Paulista, Bordon, A. Portuguesa de Desportos, G. R. Barueri e Nacional A. C./Banco Nacional. Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Kleber Nascimento Amanda Casale Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Sumário Futebol: Aspectos Pedagógicos e Aprofundamentos APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 BREVE HISTÓRIA DO FUTEBOL ......................................................................................................................9 1.1 Origens do futebol ..................................................................................................................................9 1.2 Evolução do futebol ............................................................................................................................ 12 2 BREVE HISTÓRIA DO FUTSAL ...................................................................................................................... 13 3 PROCESSO PARA ENSINO E DESENVOLVIMENTO DO FUTEBOL E DO FUTSAL......................... 15 3.1 Futebol e futsal como esportes educacionais........................................................................... 15 3.2 Futebol e futsal voltados para a saúde e o lazer ..................................................................... 16 3.3 Futebol e futsal como esportes de rendimento ....................................................................... 17 3.3.1 Objetivos do treinamento .................................................................................................................... 18 3.3.2 Programas de treinamento ................................................................................................................. 18 3.3.3 Métodos de treinamento ..................................................................................................................... 19 4 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO ................................................................................................................. 22 Unidade II 5 PROCESSO PARA ENSINO E DESENVOLVIMENTO ............................................................................... 29 5.1 Componentes do processo para o ensino e desenvolvimento do jogador ................... 30 5.1.1 Condição técnica .................................................................................................................................... 30 5.1.2 Condição física ......................................................................................................................................... 31 5.1.3 Condição tática ........................................................................................................................................ 35 6 ESTÁGIOS PARA ENSINO E DESENVOLVIMENTO DO JOGADOR .................................................... 43 6.1 Estágio de iniciantes ........................................................................................................................... 44 6.2 Estágio de avançados ......................................................................................................................... 48 6.3 Estágio de domínio .............................................................................................................................. 53 Unidade III 7 REGRAS DO FUTEBOL .................................................................................................................................... 63 7.1 O campo ................................................................................................................................................... 64 7.2 A bola ........................................................................................................................................................35 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Essas três capacidades físicas, que acabamos citar, são consideradas as mais importantes para futebol e futsal, que se completam com a mobilidade e a flexibilidade no condicionamento físico dos jogadores. 5.1.3 Condição tática A condição tática está relacionada com a distribuição e a organização dos jogadores dentro do campo ou da quadra, para que no conjunto da equipe se possam conseguir o melhor desempenho, de acordo com o nível de condicionamento adquirido no treinamento. Não basta apenas distribuir os jogadores em campo, também é preciso organizá‑los dentro do espaço que ocupam e conforme a função, que cada um desempenha no jogo. A tática somente é exequível baseada na condição técnica, no condicionamento físico, na capacidade intelectual e psíquica, e seu emprego somente é possível quando se dispõe da técnica necessária para execução das funções e das estratégias preparadas para enfrentar os adversários. Sistemas táticos no futebol Essa organização da equipe no espaço do jogo é conhecida como sistema tático, que foi idealizado e colocado em prática pelos ingleses, logo nos primórdios do futebol moderno, por eles inventado, na década de 1860. O primeiro sistema tático do futebol que se tem referência ficou conhecido como 1.1.8, portanto, visando aos aspectos ofensivos do jogo, ou seja, privilegiando o ataque. Sempre em busca de um melhor equilíbrio entre as linhas que formam uma equipe ou zonas de referência no campo, os sistemas táticos foram se modificando, e a cada nova ideia que surgia era recuado um dos jogadores do ataque para compor os outros setores da equipe, algumas vezes recuando para o meio de campo e outras para a defesa, por exemplo: 1.2.7, 2.2.6, 2.3.5, 4.2.4, 4.4.2. Com esse sistema, começa a realidade de hoje, na qual não existe mais preferência por apenas um, mas por vários conforme as necessidades e as características dos jogadores, que a comissão técnica tem disponível em seu elenco. Para o futebol, é preciso considerar três zonas ou setores nos quais os jogadores são colocados, que correspondem à base de sua atuação. 36 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II 3 1 1 = Zona de defesa3 = Zona de ataque 2 = Zona de meio‑campo 2 Figura 13 – Divisão virtual do campo em seus três setores ou zonas É preciso conhecer o nome das posições de cada um dos 11 jogadores que compõem a equipe e distribuí‑los entre os setores. Lembrete O primeiro passo para se entender o sistema tático é o conhecimento de zonas ou setores que compõem um campo ou uma quadra. Para isso, os nomes dados à posição, que identifica as funções de cada um, são: • goleiro; • laterais: direito e esquerdo; • zagueiros: direito ou esquerdo (zagueiro central e quarto‑zagueiro); • meio‑campistas: volantes e meias; • atacantes: pontas (direita e esquerda) e centroavante. Cada jogador é identificado pelo número que leva em sua camiseta, o que já se tornou tradicional para identificação das posições. Assim, em uma escalação do time, é comum a utilização dos seguintes números: 37 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Tabela 1 – Escalação padrão 1 Goleiro 2 Lateral ou ala direita 3 Zagueiro central 4 Quarto‑zagueiro 5 Volante (meio‑campo) 6 Lateral ou ala esquerda 7 Meia‑direita (meio‑campo) ou ponta‑direita (atacante) 8 Meio‑campista (2º volante/meia de ligação) 9 Centroavante (atacante) 10 Meia‑esquerda ou armador (meio‑campo) 11 Ponta‑esquerda (atacante) Conhecendo as posições dos jogadores, o passo seguinte é distribuí‑los em campo de acordo com o sistema tático a ser utilizado. Na atualidade são utilizados vários sistemas táticos, que são definidos pelo treinador conforme suas convicções, as características individuais dos jogadores que possui em seu elenco e finalmente conforme o adversário que enfrentará. Na sequência são apresentados os sistemas táticos usados atualmente, que são identificados por números que representam a quantidade de jogadores distribuídos em cada setor do campo. A soma dos três números do sistema totalizam dez jogadores, porque o goleiro não é contabilizado uma vez que tem a mesma função em cada diferente sistema. O sistema tático do futebol que apresenta as maiores variantes de formação para uma equipe é o 4.4.2. Tais variações ocorrem no setor de meio‑campo, que pode ser formado por um, dois ou três volantes, conforme figuras a seguir. Figura 14 – Distribuição dos jogadores no sistema 4.4.2 com quadrado no meio‑campo (dois volantes e dois meias) 38 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Figura 15 – Distribuição dos jogadores no sistema 4.4.2 com losango no meio‑campo (com um volante e três meias) Figura 16 – Distribuição dos jogadores no sistema 4.4.2 com duas linhas de defesa O sistema 4.3.3 conta com três jogadores no meio de campo: um volante e dois meias (direita e esquerda); o setor de ataque é formado por três atletas: ponta‑direita (nº 7), centroavante (nº 9) e ponta‑esquerda (nº 11). Figura 17 – Distribuição dos jogadores no sistema 4.3.3 com um volante e dois meias 39 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS O sistema 4.5.1 é composto de cinco jogadores no meio‑campo, para diminuir os espaços do adversário quando ele estiver com a bola, ao mesmo tempo que possibilita uma série de estratégias de movimentação durante a posse da bola. Figura 18 – Distribuição dos jogadores no sistema 4.5.1 com cinco jogadores no setor de meio‑campo O sistema 3.5.2 é bastante aceito pelos treinadores, apesar de ter surgido há pouco tempo; trouxe uma inovação marcante, que é a utilização de três zagueiros, a fim de dar maior liberdade aos laterais para atacar. A partir dela, os laterais, com um novo conceito, passaram a ser denominados de alas, somando‑se aos três meio‑campistas de ofício, totalizando, portanto, cinco jogadores nessa zona. O ataque continuou com dois atacantes, passando o centroavante a atuar mais próximo da área adversária e o outro atleta tendo liberdade para cair pelos lados do campo. Figura 19 – Distribuição dos jogadores no sistema 3.5.2 com três zagueiros O sistema 3.4.3 é uma variação do 3.5.2, apenas com ideias mais ofensivas. Foram mantidos no setor de defesa: três zagueiros (ou dois zagueiros, mais um volante), quatro atletas no meio de campo, incluídos os dois alas, e três jogadores no ataque como no esquema 4.3.3. 40 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Figura 20 – Distribuição dos jogadores no sistema 3.4.3 Por sua vez, o sistema 4.1.4.1 é o mais atual entre os usados. Observamos nele uma distribuição em quatro setores, mas, na realidade, é apenas uma forma de explicar uma estratégia na qual se coloca um volante à frente da defesa e quatro meio‑campistas à frente dele; o que na prática significa uma variação do 4.5.1. Figura 21 – Distribuição dos jogadores no sistema 4.1.4.1 Dentro de cada um dos sistemas táticos, além de os jogadores ocuparem um espaço ou setor do campo, existem as estratégias que definem o que cada atleta deverá fazer e como deverá se movimentar etc. Trata‑se das ações que se constituem no elemento surpresa durante o jogo. Qualquer sistema tático, além da sua definição, precisa ser muito treinado para funcionar como um todo. Sistemas táticos no futsal Como vimos no futebol, as considerações feitas sobre sistemas táticos, com relação aos significados e definições, são válidas também para o futsal, considerando algumas de suas particularidades. 41 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS O futsal é praticado em quadra, com cinco jogadores, e esses são os aspectos característicos para entender os sistemas táticos do esporte. Os atletas são distribuídos e organizados em dois setores da quadra – setor de defesa e setor de ataque – ou seja, ataque e defesa. Antes de tudo, conheceremos os nomes das posições dos jogadores: goleiro, fixo, ala‑direita, ala‑esquerda e pivô. Em seguida, os atletas ocuparão os seus lugares e então teremos o desenho tático, que será identificado por dois números que correspondem à quantidade de jogadores em cada setor, excluindo‑se o goleiro. Os sistemas mais utilizados são: A) B) Figura 22 – Representação esquemática dos sistemas A) 2.2 e B) 1.2.1 O sistema 2.2 é utilizado por iniciantes, porque não existe a preocupação com o nome das posições. São colocados dois atletas na defesa e dois no ataque, para que haja o desenvolvimento da noção tanto de defender e atacar. Em seguida, começarão a ser definidas as posições e a distribuição dos jogadores, conforme a função que cada um cumprirá dentro de um sistema. Partiremos do mais simples, que é o 1.2.1, no qual teremos o fixo pelo centro da defesa, os alas mais adiantados (atacando e defendendo pelos lados da quadra) e o pivô, avançado no ataque. 42 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II A) B) Figura 23 – Representação esquemática dos sistemas A) 3.1 e B) 1.3 Outros exemplos são: o esquema 3.1, com o fixo e os dois alas atuando mais na defesa e o pivô no ataque. O sistema é mais ofensivo quando usa o fixo atuando como defensor por trás dos alas e do pivô, que ficam no setor de ataque, mais concentrados em atacar. O esquema 4.0 é o mais moderno e, por suas exigências técnicas, é utilizado apenas por equipes de alto nível. Sua formação básica é composta de quatro jogadores, posicionados em linha, na parte média da quadra do setor defensivo. O emprego desse sistema requer jogadores mais ecléticos, que se movimentam muito por todos os setores da quadra, atacando e defendendo. Suas ações ofensivas têm início a partir do campo de defesa, evoluem para o ataque com muita movimentação e troca de posições para confundir a marcação adversária. A) B) Figura 24 – Distribuição dos jogadores na quadra, conforme os sistemas táticos A) 4.0 e B) 0.5 (com goleiro na linha) 43 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Com as recentes mudanças na regra do goleiro, surgiu uma inovação tática em que ele é utilizado como atacante. Isso é possível, porque agora ele poderá, após a linha que divide a quadra, jogar normalmente no setor de ataque como se fosse um atacante normal. Com essa nova possibilidade, surgiu o sistema 0.5, em que os cinco jogadores que compõem a equipe atuam no ataque com superioridade numérica. Trata‑se de um sistema que precisa ser muito bem treinado e é utilizado, normalmente, nos minutos finais do jogo, quando a equipe estiver em desvantagem no placar. Lembrete Os números que identificam os sistemas táticos, no futebol e no futsal, correspondem à quantidade de jogadores colocados em cada setor ou zona do campo (três zonas) de futebol ou da quadra de futsal (duas zonas). 6 ESTÁGIOS PARA ENSINO E DESENVOLVIMENTO DO JOGADOR Como visto anteriormente, a prática do jogo de futebol exige uma adequada condição técnica, física e tática que varia de proporção conforme o nível do praticante ou do jogador. O rendimento do atleta está condicionado ao desenvolvimento das capacidades físicas, motoras, cognitivas, psíquicas e sociais. Considerando todas as variáveis que interferem no treinamento das capacidades envolvidas na prática do jogo, torna‑se fundamental conhecer os melhores momentos para explorar cada uma delas. O ser humano, como todos os animais, nasce e inicia o ciclo da vida, que passa por uma série de adaptações em que todas as capacidades vitais se desenvolvem, estabilizam e declinam ao longo da sobrevivência. Essa natureza do ser humano no esporte pode ser usada, pedagogicamente, pelo professor ou treinador e será explorada com a finalidade de se aproveitar os melhores momentos para realizar o ensino e o desenvolvimento do esporte a ser praticado. Todas as capacidades envolvidas na prática do jogo de futebol ou de futsal, passam por diferentes momentos de desenvolvimento ao longo da vida, por fases sensíveis, que são diferentes nas diversas faixas etárias. Tal noção fica bastante clara quando analisamos um estudo feito por Martin apud Fernandes (2003 p. 12), em que é apresentado um quadro comparativo entre todas as fases sensíveis das capacidades físicas e motoras para justificar a divisão do processo de ensino e desenvolvimento, do futebol ou do futsal, em estágios ou etapas. 44 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Capacidades Idades e fases sensíveis Aprendizagem motora Reação frente à estímulos acústicos e visuais Orientação espacial Ritmo Equilíbrio Resistência Força Velocidade Flexibilidade 6 10 148 12 167 11 159 13 17 18 Figura 25 – Manifestação das capacidades físicas e motoras nas diversas faixas etárias Assim, com base no comportamento da manifestação de cada uma das capacidades, o processo é composto dos seguintes estágios: 6.1 Estágio de iniciantes Analisando a proporção de desenvolvimento de cada capacidade, podemos observar que a aprendizagem motora tem o seu momento mais sensível a partir dos 7 anos de idade, atingindo seu melhor nível entre os 11 e 12 anos de idade. Isso indica que o momento mais favorável para se ensinar a jogar (condição técnica) ocorre nessa faixa etária. Outras competências também estão no auge, como a reação frente aos estímulos acústicos e visuais, o ritmo, o equilíbrio, a velocidade e a flexibilidade; todas elas muito importantes para se jogar futebol ou futsal. Portanto, a época mais conveniente para se aprender a jogar ocorre na faixa etária dos 8 aos 12 anos de idade. Os principais objetivos do treinamento técnico são o desenvolvimento de uma imagem global do movimento e a aquisição de experiências motrizes básicas. Esse estágio, por se tratar da iniciação à aprendizagem, é dividido em dois: • nível 1: corresponde à aprendizagem da técnica básica (entre 7 e 10 anos de idade); • nível 2: envolve o treinamento intermediário para fixação da técnica (11 e 12 anos de idade). 45 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Para que esse primeiro passo seja dado em busca de uma aprendizagem eficiente, é preciso definir quais métodos de ensino serão mais adequados para se atingir esses objetivos. Previamente foram mostrados todos os métodos mais utilizados para o ensino das técnicas esportivas. Na escolha de cada um deles, devem ser levados em consideração os pontos positivos e negativos, as vantagens e desvantagens, cabendo ao professor definir quais esquemas precisam ter a preferência de acordo com suas necessidades ou condições de trabalho. Para que, na prática, sejam melhor compreendidos, daremos exemplos dos meios de aplicação de cada método como forma de orientação. Método do jogo Trata‑se do método mais utilizado por ser aplicado em forma de jogos adaptados ao ensino da técnica, em que se aprende jogando e divertindo‑se; o que o torna motivador, portanto bastante eficiente. Divida a turma em grupos iguais e posicione‑os em colunas, lado a lado, atrás de uma linha. Ao sinal dado pelo professor, os primeiros correrão conduzindo a bola com os pés, contornarão um cone colocado 10 m à frente, retornarão ao grupo, deixarão a bola com o companheiro seguinte e se colocarão atrás de sua coluna. Vencerá a equipe que finalizar em primeiro lugar, sem cometer erros. A cada repetição deverá sermudada a posição final do grupo: terminar em pé, sentado, de cócoras etc. O exercício poderá ser com e sem a bola, conforme a figura a seguir. Figura 26 – Exemplo de atividade lúdica usada no método do jogo Divida a turma em grupos de até 12 crianças das quais 4 estarão com bolas. Após um sinal dado pelo professor, todas começarão a correr e as que tiverem a posse das bolas deverão chutá‑las contra o corpo das que estiverem sem a sua posse (apenas da cintura para baixo). Aquelas que forem tocadas pela bola sairão e serão substituídas por um companheiro que estiver do lado externo. Aquelas que estiverem de fora ficarão com várias bolas para serem passadas aos companheiros de dentro que errarem; caso as bolas saiam do campo. 46 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Figura 27 – Exemplo de atividade lúdica usada no método do jogo Divida a turma em grupos de 7 a 10 crianças, dentro do espaço do jogo deixe apenas uma delas sem a bola; ela será o pegador. Ao sinal do professor, todas começarão a correr, conduzindo a bola com os pés. A criança que ficar sem a bola correrá atrás das outras, tentando pegá‑las. Aquelas que forem pegas deixarão a bola e se sentarão nos cantos do espaço até serem substituídas pela próxima que for pega. Para aumentar a movimentação e as dificuldades, os pegadores poderão ser aumentados para dois e três. Figura 28 – Exemplo de atividade lúdica usada no método do jogo Divida as crianças em duas equipes, cada uma delas com uma bola. O jogo começará com todas conduzindo a bola pelo espaço determinado com uma das equipes tentando fugir, para não ser tocada com a mão pelo jogador da equipe adversária. Aquela que for acertada, deverá sair do espaço e esperar para voltar, após outra sair, pelo mesmo motivo. Enquanto espera fora, o jogador deverá praticar o controle da bola, fazendo embaixadinhas. 47 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Figura 29 – Exemplo de atividade lúdica usada no método do jogo Método global Caracteriza‑se pela utilização do jogo normal de futebol ou futsal, para promover o ensino. Na aplicação desse método para a faixa etária, alguns cuidados deverão ser tomados, para que o jogo não saia de forma inadequada, por exemplo, utilizar um campo de medidas oficiais (para adultos). Na Alemanha, concluiu‑se que o uso de um campo com medidas de 20 m x 40 m, onde jogam 7x7, é o mais eficiente entre todos utilizados no método global, pois constatou‑se que os jogadores (crianças, iniciantes) têm mais contato com a bola e participam mais do jogo coletivo; já a forma mais habitual, de 11x11 em campo oficial, promove uma série de desvantagens com a criança correndo muito e jogando pouco. Além disso, o campo oficial poderia ser melhor aproveitado, pois nele cabem quatro campos para o jogo de sete; o que implicaria 56 crianças jogando ao mesmo tempo. Figura 30 – Futebol de 7x7 distribuídos em quatro campos, dentro do campo oficial 48 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Método analítico É muito importante um aprendizado mais correto da técnica, principalmente, por desenvolver a coordenação bilateral, que possibilita a aprendizagem eficiente de execução da técnica com ambos os pés. Como meio para aplicação dos exercícios, são utilizadas as sequências pedagógicas, ou seja, uma série de exercícios para um mesmo fundamento técnico que foi desenvolvida em dificuldade progressiva com a mesma quantidade e intensidade dos dois lados do corpo. Segue exemplo de sequência pedagógica para aprendizagem do passe simples: • Distribua os alunos em duas fileiras com 10 m de distância, sendo uma de frente para a outra, e dê bolas para cada componente em uma delas: — realize a troca de passes simples, curtos e rasteiros com a parte interna do pé direito, durante três minutos. O aluno que receber o passe dominará a bola com o pé esquerdo para depois devolvê‑la com o pé direito ao seu companheiro da outra fileira; — repita o exercício, dominando a bola com o pé direito e passando com esquerdo; — idem, só que agora com apenas um toque. Passe com o pé direito, durante três minutos; — idem, com o pé esquerdo; — realize a sequência anterior alternando o pé que faz o passe; — repita as etapas anteriores dos exercícios, mudando a parte do pé que toca na bola, para fazer o passe. Use a parte externa do pé; — execute toda a sequência anterior, aumentando a distância do passe, para fazer o passe de média distância, acima de 10 m. Daremos sequência pedagógica aos demais fundamentos técnicos para se jogar futebol ou futsal. 6.2 Estágio de avançados A base da aprendizagem técnica, de todos os fundamentos técnicos do jogo, foi realizada anteriormente. A partir daí devem ser desenvolvidas e solidificadas todas as ações técnicas, buscando o aperfeiçoamento e eliminando as possíveis deficiências ocorridas. Conforme citado, observamos que a fase sensível das capacidades exploradas no estágio de iniciantes tem um rápido declínio, enquanto as que estavam em baixo desenvolvimento começam a crescer rapidamente, como capacidade de orientação espacial (importante para a condição tática), 49 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS equilíbrio, força e velocidade. É o momento de explorar as novas capacidades que serão somadas àquelas trabalhadas no estágio anterior. Os alunos aprenderam os fundamentos técnicos do jogo e foi formada a base que começará a ser desenvolvida e aperfeiçoada nesse estágio. Também será explorada a capacidade de orientação espacial, importante para a condição tática a ser desenvolvida e efetivada. Tem‑se início o jogo organizado com a compreensão dos sistemas táticos, além da percepção da utilidade e a importância de uma equipe. Portanto, os objetivos principais desse estágio são voltados ao aperfeiçoamento da imagem dos movimentos técnicos, à eliminação de tensões musculares desnecessárias e às primeiras comprovações em competições. As características didáticas fundamentais do professor, para essa finalidade, são as de um condutor observador e crítico apto a fazer correções individuais. A metodologia predominante nesse estágio deve dar ênfase ao uso do método global, ao método do jogo e ao método dos exercícios complexos. Por exemplo: Método do jogo Os exercícios utilizados nesse método são elaborados utilizando‑se uma variedade de jogos em espaço reduzido, através de atividades envolvendo menor número de jogadores, que podem formar equipes para enfrentamentos de 2x2, 3x3, 4x4 ou equipes com números diferentes de jogadores, como 2x1, 3x1, 4x2 e assim por diante, além dos enfrentamentos de 1x1 que são a base de um jogo. Seguem exemplos de exercícios: Primeiramente em um espaço quadrado, de 12 m x 12 m, ficam quatro jogadores fora do quadrado, contra dois na parte de dentro. Cada jogador de fora poderá atuar apenas do lado em que estiver, enquanto os do lado de dentro não poderão atuar da linha para fora. O jogo consistirá em quatro jogadores que devem trocar passes rasteiros, realizando apenas um toque na bola, enquanto os de dentro tentarão impedi‑los. Quando alguém de fora errar, ou os defensores interceptarem o passe, o jogador que errou será trocado pelo que está dentro. A cada 15 ou 20 passes consecutivos, o que equivale a um gol, os indivíduos de dentro que impedirem o passe deverão passar mais uma rodada dentro do campo. Os objetivos da atividade são: precisão e velocidade nos passes com um toque, triangulações, marcação e desmarcação e posse de bola. 50 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Como segundo modelo, em um campo de 12 m x 20 m, seis jogadores jogam do lado externo do campo, sendo dois por laterale um por linha de fundo. As pessoas de fora devem trocar passes rasteiros, fazendo a bola cruzar por dentro das quatro linhas, enquanto os de dentro tentarão interceptá‑la. Cada série de 25 passes consecutivos equivale a um gol. A cada gol conseguido, os jogadores de dentro deverão pagar mais uma vez. Se conseguirem interceptar o passe antes de tomar o gol, o jogador que errou o passe é trocado por um dos que estavam dentro e assim vão se revezando. Os objetivos do jogo são: posse de bola, precisão e velocidade nos passes, deslocamentos para os espaços vazios e marcação e desmarcação. Figura 31 – Jogo 4x2 e 6x2 Há também um jogo realizado na área penal no qual participam 4x4 e um companheiro de apoio fora da área, na parte da frente. O time que estiver de posse da bola deverá trocar passes, inclusive usando o companheiro fora da área, para marcar um gol após 25 toques consecutivos. Se o adversário tomar a bola, anulará o número de passes que o outro time conseguiu, que voltará ao zero na próxima tentativa. Observe que o time com a posse da bola contará com um jogador adicional, portanto o jogo se torna um 5x4. A duração da partida será de dez minutos. Os objetivos da partida são: manter a posse da bola em um espaço reduzido, para atacar ou defender, sem ter que se livrar dela em situação de pressão do adversário; deslocar‑se com triangulações, movimentar‑se constantemente, marcar e desmarcar‑se e ter precisão nos passes. 51 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Figura 32 – Jogo em espaço reduzido para 4x4 mais dois jogadores adicionais Outro exemplar pode ser executado em um campo de 40 m x 60 m, dividido em três zonas de 20 m, jogam 3x3, um coringa e outro time com três jogadores esperando em uma das zonas. O time que ataca parte da zona central, em direção ao gol, trocando passes e é assistido pelo jogador adicional para tentar entrar na zona de defesa e marcar o gol. O time defensor ganhará a bola quando interceptar o passe, quando o goleiro defender a bola, quando o gol for marcado ou quando a bola sair pela linha de fundo. Após uma dessas situações, o time defensor passará a atacar a equipe que estava esperando na outra zona de defesa e o time que atacava esperará a nova oportunidade. Se a bola sair pelas laterais, será cobrado o arremesso lateral normal. Vencerá a equipe que anotar mais gols. 60 metros 40 m etros Figura 33 – Jogo de 3x3 mais um coringa, com três zonas de jogo 52 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Jogo com pontas Em um campo de 50 m x 40 m, há uma divisão em três partes; a área central mais larga com traves normais nas linhas de fundo. Participam 10 jogadores, dos quais jogam 3x3, na faixa central do campo e podem usar outros dois jogadores colocados nas faixas laterais que servem de apoio (pontas) para o time que estiver com a posse da bola. Os gols poderão ser marcados diretamente da zona central ou completando um cruzamento dos pontas. A duração da partida será de 25 minutos. 50 metros 40 m etros Figura 34 – Jogo com pontas Saiba mais Exemplos de táticas para o futsal podem ser encontrados no livro: MUTTI, D. Futsal: da iniciação ao alto nível. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2003. É importante observar que nos estágios de iniciantes e avançados, a condição técnica tem uma atenção especial sobre as demais capacidades envolvidas no ensino e desenvolvimento do futebolista, o que torna a metodologia fundamental nesse processo. Bauer apud Fernandes (2003, p. 19) faz um resumo importante do significado dos diferentes métodos utilizados no treinamento da técnica; o que nos possibilita uma visão geral significante como base no planejamento das atividades voltadas para esse objetivo. 53 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Quadro 3 – Significado dos diferentes métodos para o treinamento da técnica baseada no nível de desenvolvimento Idades e métodos 6‑10 anos 10‑12 anos 12‑14 anos 14‑16 anos 16‑18 anos Condicionamento geral sem bola O X XX XX XX Jogos de abaixar e levantar XX XX XX X X Exercícios para melhorar a habilidade XXX XX XX X X Exercícios com o companheiro: parado e em movimento XXX XX XX X X Exercícios de 1x1 em competição X XX XX XXX XXX Jogos de estratégias combinando diferentes jogadores X XX XX XX XX Exercícios complexos O X XX XXX XXX Jogos em espaço reduzido XXX XXX XX XX XX Jogo treino (coletivo) XXX XXX XXX XX X Legendas: O = não importante, X = pouco importante, XX = importante, XXX = muito importante Fonte: Fernandes (2003, p. 19). 6.3 Estágio de domínio Ao chegar nesse estágio, o jogador já terá o jogo desenvolvido e aperfeiçoado. Trata‑se do momento que vai definir o rumo da continuidade do processo para cada praticante. Alguns param por aí, outros continuam como amadores e, principalmente, os mais insistentes e talentosos tentam a sorte nos clubes profissionais, mas poucos conseguem. Esse nível de prática corresponde ao estágio de domínio, a partir dos 18 anos de idade. Dividem‑se em duas categorias: a dos juniores, de 18 a 20 anos, que busca o rendimento; e a dos profissionais, a partir dos 20 anos, a qual procura o alto rendimento. A metodologia utilizada para essa finalidade é a do treinamento desportivo que visa à máxima condição em todos os seus componentes e o equilíbrio completo entre condição física, técnica e tática, aplicando‑se os princípios do treinamento esportivo, aos quais já fizemos referência. Os objetivos do treinamento técnico são: estabilização da técnica, criação de técnicas novas ou variantes técnicas e criação da condição física através do treinamento especial. Com relação à metodologia, deve haver atenção para o aumento da intensidade do exercício; inclusive criando situações de estresse e acentuação dos detalhes. São exemplos de exercícios para o treinamento no estágio de domínio: 54 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Exemplo 1: usar metade do campo e distribuir duas equipes com oito jogadores cada. O jogo consistirá na manutenção da posse de bola em situação de defesa ou ataque. A equipe com a bola deverá tentar trocar o maior número de passes seguidos, sendo a sequência de 25 equivalentes a um gol. Se o adversário tomar a bola antes, a contagem precisará ser zerada para começar a nova série. A duração do jogo será de dez minutos. Como variação, existe a possibilidade de colocação de um jogador coringa, o qual atuará para o time que possui a bola, logo, ele contará com um jogador a mais. Figura 35 – Jogo de posse de bola com 8x8 Exemplo 2: usar a metade do campo, dividindo‑a em três zonas. Na primeira, o número de toques na bola é liberado, a fim de possibilitar a posse para criar jogadas ofensivas. Na segunda, são permitidos no máximo dois toques para as jogadas ofensivas pelos lados do campo. Na terceira, pode‑se dar apenas um toque na bola para tentar marcar o gol; trata‑se da zona para as jogadas ofensivas de área. Os gols marcados de cabeça valerão por dois, enquanto com o pé apenas um. Quando os defensores tomarem a bola, eles deverão tentar atravessar a linha central do campo, o que equivalerá a um gol, e isso obrigará a equipe atacante a fazer marcação alta (pressão no ataque), para recuperar a bola o mais rápido possível. 55 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Zona 2 para dois toques Zona 2 para dois toques Zona 1 = toques livres Zona 3 para um toque Figura 36 – Jogo das três zonas de ações ofensivas e defensivas Exemplo 3: jogo de posse de bola com minigols. Usar a metade do campo para jogar 8x8. Os jogadores deverão trocar passes dando apenas um toque na bola. Apósvinte passes consecutivos, dá‑se o direito à equipe de jogar livre para tentar marcar gols nos dois minigols colocados a 1 m de cada linha lateral do campo, enquanto a outra equipe continuará jogando em um toque até conseguir o direito de marcar gols. A equipe que marcar o gol voltará a trocar passes para adquirir nova vantagem. No caso de perda de bola, antes da conclusão dos vinte passes, a contagem retornará a zero para uma nova tentativa. Se a bola sair do campo por qualquer das quatro linhas, a favor da equipe que estava com sua posse, esta cobrará o lateral com o pé, seguindo a contagem do número de passes que tinha no momento da saída. Como variação do jogo, poderá haver um coringa para a equipe com bola, o qual terá liberdade de toques. 56 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Figura 37 – jogo de posse de bola com minigols Exemplo 4: jogo de ataque contra defesa. Usar a metade do campo, com um goleiro e mais dois minigols colocados próximos das linhas laterais no campo de ataque, a 5 m da linha central. A saída é dada pelo treinador, que chutará a bola para o alto, e o jogador que a pegar iniciará o jogo para seu time. A equipe que tiver a posse da bola trocará passes para criar as situações de ataque ou defesa. Os atacantes farão as manobras ofensivas para envolver os defensores e chutar ao gol, enquanto os defensores tentarão impedi‑los de marcar gols e ao mesmo tempo evoluirão para o outro campo, saindo pelas laterais, para fazer a bola passar por um minigol; o que equivalerá a um gol marcado pela equipe dos defensores. Quando os defensores tiverem a bola, deverão usar também o goleiro para a troca de passes. A duração será de acordo com a programação do treinador. Os objetivos são: treinamento de manobras de ataque e defesa, posse de bola, aprimoramento de passes e chutes em situação real de jogo, além de marcação e desmarcação. 57 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Defensores Atacantes Figura 38 – Jogo de ataque contra defesa Exemplo 5: jogada de ataque pelas pontas, usando laterais ou alas. Usar o campo inteiro com uma equipe tendo goleiro, quatro defensores e volante e os atacantes atuando com a equipe completa. Os defensores ficarão postados no campo de defesa e a bola de saída começará com o goleiro da equipe que atacar. O goleiro lançará para um dos zagueiros que passará a um dos laterais. O lateral, por sua vez, tocará a um dos atacantes na parte central da intermediária e este devolverá a bola ao volante, que, com um toque, passará a bola ao lateral avançando para a linha de fundo do campo adversário. Nesse momento os atacantes correrão em direção ao gol, posicionados para receber o cruzamento feito pelo lateral, para tentar concluir a meta. Figura 39 – Jogada ofensiva usando as laterais do campo 58 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Saiba mais Mais exemplos poderão ser encontrados no livro: FERNANDES, J. L. Futebol: da escolinha de futebol ao futebol profissional. São Paulo: EPU, 2003. O profissional, adequado para atuar nesse estágio, deverá possuir grande conhecimento teórico somado a uma vasta experiência prática. É o fim do processo no qual duração ou longevidade do desempenho dependerá da forma pela qual a performance será administrada pelos treinadores e pelos próprios jogadores. O quadro a seguir resume claramente a ideia geral da composição do processo de formação de um jogador. Quadro 4 – Visão geral sobre os estágios e seus componentes metodológicos Estágios Iniciantes Avançados Domínio Idades 7 a 12 anos 13 a 17 anos 18‑20 anos: juniores Acima de 20 anos: profissional Objetivos Aprendizagem da técnica geral e específica Desenvolvimento e aperfeiçoamento da técnica Rendimento Alto rendimento Métodos Método analítico Método do jogo Método global Método global Método do jogo Método dos exercícios complexos Metodologia do treinamento esportivo Meios Sequência pedagógica Jogos adaptados Jogo normal Jogo normal Jogo em espaço reduzido Exercícios individuais, em duplas, trios etc. Preparação técnica Preparação física Preparação tática Observação As considerações feitas para esse assunto, que envolvem os estágios, correspondem à base do conhecimento e ao ponto de partida para um aprofundamento no assunto através de leituras específicas e experiências práticas desenvolvidas com trabalho diário. 59 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Exemplo de aplicação No processo para ensino e desenvolvimento do futebol e do futsal devem ser desenvolvidos os condicionamentos técnico, físico e tático. Todos os condicionamentos são componentes dos estágios nos quais forem desenvolvidos processos de ensino e desenvolvimento dessas modalidades, nas quais, em função das fases sensíveis das capacidades físicas e motoras, um dos condicionamentos tem prioridade sobre outros. Reflita a respeito dessas ideias e de que maneira elas podem orientar e contribuir para elaboração do planejamento de ensino e desenvolvimento do futebol e do futsal. Resumo O planejamento de aulas ou sessões de treinamento demanda reflexões do profissional que atua na área para que sua participação no processo de ensino e desenvolvimento do futebol e do futsal seja de forma consciente e responsável. As considerações se baseiam em quatro palavras: quando, como, onde e por quê. Deve‑se ter sempre uma resposta para elas, independentemente das atividades aplicadas. Os componentes das atividades envolvem as capacidades do rendimento esportivo que são: a condição técnica, a condição física, as capacidades táticas e cognitivas, os fatores constitucionais físicos e relacionados à aptidão, às capacidades psíquicas e à sociabilidade; todas diretamente referentes ao desempenho do aluno ou de um jogador. A condição técnica é composta de um conjunto de ações, que definem de que maneira devem ser realizados todos os movimentos referentes à partida. Tal conjunto que compõe a técnica no futebol e no futsal pode ser executado com ou sem a bola e é denominado de fundamentos técnicos. Tratam‑se dos passes e de suas variedades, chutes e suas diversas formas, condução da bola, domínio, dribles e fintas. A condição física compreende uma série de exigências funcionais e motoras, que influenciam diretamente o desempenho técnico e tático. As principais necessidades físicas para a prática do jogo são: velocidade, força e resistência e suas variantes, completadas com flexibilidade e mobilidade. A capacidade tática está relacionada com a distribuição e a organização dos jogadores dentro do campo, para desempenhar funções individuais e estratégias coletivas em um jogo. Para isso, são escolhidos os sistemas 60 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II táticos mais adequados às características dos jogadores da equipe e o tipo de adversário a ser confrontado. Para o condicionamento ideal, o processo de ensino e desenvolvimento é dividido em estágios nos quais são exploradas as fases sensíveis das capacidades físicas e motoras mais favoráveis a cada faixa etária. Os seus estágios são: iniciante, avançado e domínio. A metodologia utilizada em cada um deles deve ser aquela que melhor atenda às demandas para se atingir os objetivos técnicos, físicos e táticos através da aplicação de exercícios especiais à finalidade. Exercícios Questão 1. (Enade 2013, adaptada) Observe a figura, a legenda e a afirmativa subsequentes a respeito da universalização de gênero da prática do futebol. 1 CHARGE “Jason, eu bem que gostaria de deixá‑lo jogar, mas futebol é jogo de meninas.” (The New York Times Journal, jan. 2001). 61Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS 2 AFIRMATIVA O futebol é um esporte universal praticado e reverenciado em todo o mundo, envolvendo todas as classes culturais, sociais e econômicas, sem distinção de raça ou sexo. A respeito da Charge (1) e da Afirmativa (2) pode‑se afirmar que: I – Apesar da universalização do futebol atingir o mundo todo, existem culturas em que ele é tratado de maneira diferente para meninos e meninas. II – Em qualquer lugar ou cultura, o futebol é visto de forma igual para pessoas de gêneros diferentes, sendo uma atividade isenta de preconceitos. III – Em sociedades machistas, o futebol é tratado como atividade masculina e as mulheres que se engajam nesta modalidade são discriminadas. IV – Em algumas culturas, o futebol é praticado de forma indistinta por meninos e meninas. As divisões por gêneros somente acontecem a partir da adolescência. V – Por ser uma modalidade predominantemente baseada na agilidade, o futebol pode ser disputado por homens e mulheres em competições oficiais. Estão CORRETAS apenas as afirmativas: A) I, II e III. B) I, III e IV. C) I, II e IV. D) I, III e V. E) I, IV e V. Resposta correta: alternativa B. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: em algumas sociedades com culturas conservadoras e machistas, o futebol somente é permitido como prática para meninos. No Brasil, esta proibição vigorou até a década de 1970. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: existe muito preconceito com praticantes de futebol do sexo feminino e com atletas homossexuais. Tais pessoas são muitas vezes tratadas com frases pejorativas e jocosas, hostilizadas e insultadas. 62 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II III – Afirmativa correta. Justificativa: apesar de ser aceito e praticado por mulheres, o futebol feminino é malvisto, tem menos apoio de patrocinadores e as atletas muitas vezes são discriminadas. IV – Afirmativa correta. Justificativa: há, por exemplo, o futebol praticado nos Estados Unidos, o soccer, por crianças de ambos os sexos até a adolescência. V – Afirmativa correta. Justificativa: apesar de exigir grande nível de destreza técnica, o futebol é uma modalidade de contato físico dividido em categorias diferentes por gênero, evitando o uso desproporcional da força. Questão 2. No processo de ensino e aprendizagem do futebol, o método global pode ser empregado como forma de vivenciar o jogo e suas ações. No entanto, algumas adaptações devem ser feitas para garantir o êxito no processo. São adaptações necessárias ao método global no ensino do futebol: I – Diminuição das dimensões do campo (20 x 40 m) e da quantidade de jogadores, aumentando a oportunidade de contato com a bola e as experiências de jogo. II – Adaptação de regras de acordo com faixa etária das crianças, tempo de duração, dimensões das traves. III – Orientação atenta do professor, evitando ações agressivas e desleais durante o jogo. IV – Segmentação das ações de jogo em fundamentos específicos, ocorrendo a aprendizagem gradual e acumulativa de padrões de movimento. V – Criação de sequências pedagógicas visando uniformizar o ensino das ações técnicas. Estão CORRETAS apenas as afirmativas: A) I, II e III. B) I, III e IV. C) I, II e IV. D) I, III e V. E) I, IV e V. Resolução desta questão na plataforma. 63 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Unidade III 7 REGRAS DO FUTEBOL As pesquisas sobre a evolução do futebol mostram que no início era praticado um jogo com diferentes regras e o seu desenvolvimento está relacionado à uniformização delas. Sabendo‑se da importância do conhecimento das regras para todos os envolvidos em sua prática (jogadores, professores, treinadores, espectadores) e com a finalidade de tornar o jogo mais fácil de ser compreendido, foi elaborado o conteúdo a seguir buscando auxiliar em sua aprendizagem. Saiba mais Acesse os sites da Fifa e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para mais informações: . . As modificações nas regras do futebol somente serão permitidas com a aprovação da entidade International Football Association Board (Ifab), que surgiu por iniciativa da Federação Inglesa (FA) após reunião com as federações de futebol de Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte em junho de 1886. A Ifab foi criada com o objetivo de elaborar um conjunto uniforme de regras e continua a preservar, controlar, estudar e aperfeiçoar as regras do futebol. As regras do jogo poderão ser adaptadas e modificadas, desde que sejam respeitados os princípios fundamentais, para partidas disputadas por jogadores com menos de 16 anos, equipes femininas, veteranos (com mais de 35 anos) e jogadores com deficiência física (CBF, 2008, p. 3). Primeiramente devemos identificar o espaço de jogo, com seus nomes, tipo de piso e dimensões, posteriormente iniciaremos um trabalho consciente voltado para o ensinamento de futebol aos nossos futuros alunos. 64 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III 7.1 O campo O campo de jogo deve ser retangular, com a superfície totalmente natural, ou se o regulamento da competição permitir, poderá ser integralmente artificial (na cor verde), ou natural e artificial – sistema híbrido (não podendo haver uma zona com grama natural e outra com grama artificial). As demarcações precisam ser feitas com linhas de 12 cm, sendo que as linhas laterais terão comprimento mínimo de 90 m e máximo de 120 m; e as linhas de meta um mínimo de 45 m e o máximo de 90 m. Em jogos internacionais, as linhas laterais terão no mínimo 100 m e no máximo 120 m; e as linhas de meta o mínimo de 64 m e o máximo de 75 m. A linha média (linha central) divide o campo em duas metades: o centro é marcado pelo ponto central com um círculo central ao seu redor com um raio de 9,15 m. Linha lateral Poste de bandeira (opcional) Poste de bandeira de tiro de canto Ponto central Sem icírculo Ponto penal 6. Área penal 5. Área de m eta Linha de m eta Área de tiro de canto Marcas opcionais Linha central Círculo central 9,15 m Raio 1 m 16,5 m 5,5 m 11 m5,5 m 16,5 m 9,15 m 9,15 m Mín. 90 m / máx. 120 m M ín. 45 m / m áx. 90 m 7,32 m Figura 40 – Campo de jogo e suas dimensões A área do tiro de canto (escanteio) é demarcada por um quarto de círculo com raio de 1 m e um poste de bandeira de canto (obrigatório) com 1,5 m, no mínimo, do chão. 65 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS A área penal, conhecida como grande área, é traçada com duas linhas perpendiculares à linha de meta, a 16,50 m do interior de cada poste de meta. Essas linhas prolongam‑se para dentro de campo por 16,50 m e são unidas por outra, traçada paralelamente à linha de meta. O ponto penal (pênalti) será marcado a 11 m do meio da linha que une os dois postes da meta dentro de cada área penal. Um arco (semicírculo) é traçado no exterior de cada área penal com 9,15 m de raio, tendo a marca do ponto penal como centro. Dentro da área penal, serão traçadas duas linhas perpendiculares à linha de meta, a 5,50 m do interior de cada poste, e prolongam‑se para dentro do campo por 5,50 m além de serem unidas por uma linha paralela à linha de meta, formando a área de meta, também conhecida como pequena área. As metas (gols) são colocadas no centro de cada linha de meta e formadas por dois postes verticais com distância entre eles de 7,32 m e serão unidos por uma barra horizontal (travessão) cuja medida da sua borda inferior até o solo é de 2,44 m. 7.2 A bola A bola utilizada para a prática do futebol tem de ser esférica e devemos nos atentarà faixa etária dos praticantes, pois existem bolas com tamanhos e pesos variados adequados para a característica física pela qual se encontra o indivíduo em crescimento e, assim, não prejudicar o seu desenvolvimento. Como exemplo, a categoria adulta utiliza bolas com peso mínimo de 410 g e máximo de 450 g e tem circunferência de 70 cm no máximo e 68 cm no mínimo, logo, não devem ser utilizadas para as categorias de base. Durante uma partida de futebol, a bola pode ficar defeituosa, e se isso ocorrer na execução de um tiro de meta, tiro de canto, tiro livre, tiro de saída, tiro penal ou arremesso lateral (situações em que a bola está fora de jogo), ela será trocada e o jogo reiniciado conforme a correspondente regra. Caso a bola fique defeituosa depois da execução do tiro livre e do tiro penal e antes de tocar em qualquer jogador, no travessão ou nos postes da meta, a ação será repetida. E se acontecer com bola em jogo, deverá haver interrupção e reinício com a situação de bola ao chão no local em que ocorreu o defeito. Ao redor do campo, são colocadas bolas adicionais para serem utilizadas no decorrer do jogo. O procedimento para a situação de bola ao chão acontece no local onde ela se encontrava no momento em que o árbitro interrompeu a partida, exceto se ocorrer dentro da área de meta (pequena área), que será realizado sobre a linha da área de meta paralela à linha de meta, no ponto mais próximo do local onde a bola se encontrava quando o jogo foi interrompido. O árbitro deixará a bola cair no local e estará em jogo quando tocar no chão. A situação de bola ao chão pode ser disputada por qualquer número de jogadores, inclusive os goleiros, e será repetida caso ocorram as situações a seguir: 66 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III • se um jogador tocar na bola antes de tocar no chão; • se a bola sair do campo de jogo depois de tocar no chão, mas nenhum jogador tocá‑la. • se, na disputa de bola ao chão, um jogador chutá‑la e ela entrar diretamente na meta, o gol não será valido. O árbitro assinalará: • um tiro de meta, se a bola entrar na meta adversária; • um tiro de canto, se a bola entrar na própria meta. Observação O gol, nessa situação, somente será assinalado se tocar em pelo menos dois jogadores. 7.3 Os jogadores Uma partida de futebol terá, no máximo, 11 jogadores em cada equipe, sendo que um será obrigatoriamente o goleiro. Para a CBF (2008), o número mínimo para iniciar‑se um jogo ou continuar uma partida será de sete jogadores, e se uma equipe ficar com um número inferior, porque um ou mais jogadores abandonou o campo, o árbitro aguardará a bola sair do jogo e não poderá continuar a partida sem o número mínimo de jogadores. Ao participar de uma competição de futebol, principalmente nas categorias de base ou recreativas, devemos ler o regulamento para identificar o que foi alterado das regras oficiais e, assim, orientarmos os jogadores, a comissão técnica, enfim, aqueles que estiverem no evento. Como exemplo citamos a importância de relacionar todos os nomes dos jogadores e substitutos antes do início da partida, para que, mesmo chegando atrasados no jogo, possam completar a equipe e participar. Outro padrão é o número de substituições que podem acontecer e o número de substitutos que participam no decorrer da partida. Em competição oficial organizada pela Fifa, devem ser feitas no máximo três substituições, e o número de substitutos será no mínimo 3 e no máximo 12. Os procedimentos para a substituição dos jogadores obedecem algumas condições: • é necessário informar o árbitro antes de qualquer substituição; • o árbitro autoriza o jogador a sair do campo, exceto se já houver saído; 67 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS • o jogador que sair da partida poderá utilizar qualquer lugar mais próximo do qual se encontra para deixar o campo e não deverá retornar e participar do jogo novamente, exceto nos casos que o regulamento permita, como nas categorias de base (que utiliza substituições ilimitadas). O jogador que entrar: • deve aguardar uma paralisação da partida após o indivíduo que for substituído deixar o campo de jogo; • recebe autorização do árbitro; • entra utilizando a linha central (média) do campo. Qualquer jogador pode trocar de posição com o goleiro, desde que o árbitro seja informado e a mudança aconteça durante uma paralisação do jogo. Caso não seja respeitado esse procedimento, os jogadores envolvidos serão advertidos com cartão amarelo; cada equipe terá um capitão. Este jogador não tem qualquer privilégio, mas possuirá um certo grau de responsabilidade pela conduta de sua equipe. Para se jogar o futebol, devem‑se utilizar os seguintes equipamentos obrigatórios: • calçado, embora a regra não especifique o tipo que deva ser utilizado, porém, como a superfície do jogo é grama, o ideal é usar um par de chuteiras, uma vez que são desenvolvidas com material apropriado e, principalmente, por conter travas na sola para auxiliar a pisada dos jogadores nesse tipo de terreno; • meias, normalmente compridas, para cobrir as caneleiras; • caneleiras que são feitas com material apropriado para garantir uma proteção razoável; • calções e, para o goleiro, calças compridas; • camiseta com mangas. Observação Se no decorrer da partida um jogador perder acidentalmente a caneleira ou o calçado, assim que possível, deverá recompor o equipamento, e no mais tardar, na primeira paralisação do jogo; se, antes de o fazer, jogar a bola e/ou marcar um gol, esse será válido. Visando à segurança dos jogadores, não é permitido usar qualquer tipo de joia (anéis, colares, pulseiras, brincos etc.), devendo ser retiradas antes do início da partida. O árbitro e os outros oficiais da arbitragem inspecionam os atletas para evitar que estejam utilizando algum artigo que seja perigoso. 68 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III As equipes devem utilizar uniformes com cores que as diferenciem entre si e também dos oficiais de arbitragem. O goleiro precisa usar cores diferentes dos outros jogadores e dos oficiais de arbitragem. Alguns equipamentos para proteção, não perigosos, como bonés de goleiros, protetores de cabeça, máscaras faciais, óculos desportivos e cotoveleiras de materiais maleáveis, são autorizados. Saiba mais Os detalhes sobre especificações da utilização desses materiais podem ser encontrados nas regras do jogo em: THE INTERNATIONAL FOOTBALL ASSOCIATION BOARD (Ifab). Laws of the game 2016/17. Zurich: Ifab, 2016. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2017. 7.4 Os árbitros As regras do futebol devem ser respeitadas e aplicadas, mas, para que isso aconteça, existe a figura do árbitro, que possui total autoridade e deve tomar medidas adequadas para se cumprir as regras. Terá a colaboração dos demais oficiais da equipe de arbitragem, atuando como cronometrista (controlando a duração da partida), supervisionará e/ou indicará o reinício do jogo, anotando os incidentes ocorridos antes, durante e depois do jogo e enviando‑os através de relatório às autoridades competentes. As decisões tomadas não podem ser alteradas caso a partida já tenha sido reiniciada, ou se já houver saído do campo de jogo, após o encerramento do primeiro tempo, da partida, ou da prorrogação. Enfim, atua visando às medidas disciplinares e com informações dos outros oficiais de arbitragem sobre incidentes que estejam fora do seu campo visual. O árbitro possui alguns equipamentos obrigatórios: apito, relógio, cartões amarelo e vermelho, além de um bloco de notas para registrar as ocorrências do jogo. Em competições oficiais, estão autorizados spray e equipamentos para comunicação entre os oficiaisde arbitragem, como fones auriculares, bandeiras eletrônicas etc. Mesmo utilizando o apito, o árbitro deverá sinalizar tudo o que foi ou estiver sendo marcado: 69 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Tiro livre indireto Pênalti Tiro livre direto Cartão vermelho ou amarelo Vantagem (1) Tiro de canto Vantagem (2) Tiro de meta Figura 41 – Gestos realizados pelo árbitro para indicação das ações a serem realizadas na partida Como mencionado, o árbitro é auxiliado por outros oficiais de arbitragem, que ajudam a inspecionar o campo de jogo, as bolas, o equipamento dos jogadores, além de fazerem registro do tempo de jogo, gols, condutas incorretas etc., que são árbitros assistentes, conhecidos como bandeirinhas; auxiliam o árbitro indicando quando: • um jogador estiver em posição de impedimento; • a bola sair completamente do campo e se o reinício acontecer por meio de tiro de meta ou de canto e qual equipe deve executar o arremesso lateral; • for solicitada uma substituição e devem supervisionar esse procedimento; • o goleiro se mover para frente antes que a bola seja tocada ou se ultrapassou totalmente a linha de gol nas cobranças de pênalti; • estiverem mais próximo do lance, entrarem no campo para controlar a distância dos 9,15 m. O quarto árbitro tem a função de: • informar sobre qualquer conduta incorreta dos integrantes das áreas técnicas; 70 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III • indicar o tempo de jogo adicional mínimo que o árbitro comunica que concederá no fim de cada período de jogo; • supervisionar o procedimento de substituição e o equipamento do jogador; • verificar o retorno do jogador ao campo depois do sinal de autorização do árbitro. Árbitros assistentes adicionais se posicionam ao lado da meta (gol) e atrás da linha de meta (fundo) para indicar: • quando a bola ultrapassar completamente a linha de meta, saindo do campo de jogo, informando se o reinício será através do tiro de meta ou de canto; • se um gol for marcado; • quando, nas cobranças de pênaltis (tiro penal), o goleiro se mover para frente antes que a bola seja tocada. Árbitro assistente reserva deve substituir um árbitro assistente (bandeirinha) ou o quarto árbitro que não possa continuar a desempenhar suas funções. Substituição Falta cometida por defensor Tiro de canto Tiro de meta Impedimento Impedimento próximo ao árbitro assistente Impedimento na zona central do campo Impedimento do lado oposto ao árbitro assistente Falta cometida por atacante Arremeso lateral para o ataque Arremeso lateral para a defesa Figura 42 – Sinais do árbitro assistente 71 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS 7.5 Tempo de jogo Uma partida de futebol terá duração de 90 minutos, divididos em dois períodos iguais de 45 minutos cada, mais a recuperação do tempo perdido, em cada um deles, em razão de substituições, atos indisciplinares, perdas de tempo (como atraso na comemoração de gols ou a cera praticada pelo jogador na cobrança do tiro de meta), avaliação de lesões ou transporte dos jogadores lesionados para fora do campo de jogo, enfim, qualquer atraso significativo para o reinício de jogo será acrescido como tempo adicional, decidido pelo árbitro e indicado pelo quarto árbitro no fim do último minuto de cada período de jogo. Um intervalo entre os dois períodos, normalmente de 15 minutos no máximo, acontece para o descanso dos jogadores e poderá ser modificado com a permissão do árbitro. Observação A duração de cada período de jogo deve ser prolongada para que um tiro penal (pênalti) seja executado ou repetido. Uma partida de futebol começará com o tiro inicial (saída executada no ponto central) em cada período, inclusive se houver prorrogações (também conhecido por tempo extra), e depois que um gol for marcado. O procedimento para o tiro inicial, utilizando uma moeda, será realizado com um sorteio, e a equipe vencedora escolherá a direção para atacar no primeiro período, ficando com a posse de bola a outra equipe que perdeu o sorteio e fará o tiro inicial (saída). Para iniciar o segundo período, as equipes trocam de lado (campo) e atacam na direção contrária ao do primeiro período, sendo que a equipe que venceu o sorteio (escolheu o lado de atacar no início do jogo) realiza o tiro de saída para começar o segundo período. Sempre após a marcação de um gol, o tiro de saída acontece a favor da equipe que o sofreu. No tiro de saída, a bola será colocada no chão sobre o ponto central; todos os jogadores devem permanecer na sua própria metade do campo (lado de defesa); e os adversários da equipe com o direito a executar o tiro de saída necessitam ficar a uma distância de 9,15 m da bola (fora do círculo central), até que ela entre em jogo. 72 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III 9 8 10 11 7 6 2 5 3 4 6 7 8 9 5 4 3 6 11 10 G G Figura 43 – Tiro de saída O árbitro autoriza o tiro de saída dando o sinal, e a bola entra em jogo logo após ser tocada e se mover. Será válido o gol marcado diretamente de um tiro de saída contra a equipe adversária. Observação Será marcado a favor da equipe adversária um tiro livre indireto se o jogador que executar o tiro de saída tocar a bola consecutivamente. Se utilizar as mãos, será marcado um tiro livre direto. No futebol é comum ouvirmos as expressões bola fora de jogo e bola em jogo. Estará fora de jogo, quando o árbitro interromper a partida e ultrapassar completamente as linhas de meta ou as linhas laterais, pelo chão ou pelo alto, para fora do campo de jogo. Estará em jogo se permanecer no campo em todas outras situações, mesmo se tocar em um oficial da equipe de arbitragem (posicionado dentro do campo) e nos postes e travessões da meta, além dos mastros de tiro de canto. 7.6 Determinação do resultado Uma equipe será considerada vencedora quando marcar o maior número de gols; caso ambas marquem o mesmo número de gols ou não marquem nenhum, o jogo terminará empatado. Será considerado gol, quando a bola ultrapassar completamente a linha de meta, entre os postes e por baixo do travessão, desde que nenhuma infração tenha sido cometida pela equipe que o marque. 73 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Figura 44 – É necessário que a bola passe completamente pela linha da meta Dependendo do regulamento da competição na qual a partida está vinculada, e for exigido um vencedor após um jogo, ou uma série de jogos, serão permitidos os seguintes critérios de desempates: • regra de gols marcados fora de casa (quando não é o mandante do jogo); • prorrogação; • tiros livres desde a marca penal. 7.7 Impedimento O impedimento é uma regra do futebol que causa muita polêmica, principalmente quando acaba por interferir no resultado da partida; por exemplo, um gol é anulado devido a essa regra. Com isso, para que o jogador seja considerado em posição de impedimento, é necessário que, no momento do passe: • qualquer parte de sua cabeça, corpo ou pés esteja na metade do campo adversário (excluindo a linha de meio de campo); • qualquer parte de sua cabeça, corpo ou pés esteja mais próxima à linha de meta adversária do que a bola e o penúltimo adversário (CBF, 2008). 74 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III 9 8 7 6 2 5 3 4 7 8 9 11 10 G G Deslocamento da bola Figura 45 – Situação na qual o jogador que recebe o passe está em impedimento 9 8 7 6 2 5 3 4 7 8 9 11 10 G G Deslocamento da bola Figura 46 – Situação na qual o jogador que recebe o passe não está em impedimentoE fique atento, pois um jogador que estiver em posição de impedimento não está infringindo as regras. Ele estará cometendo algo no momento em que a bola for jogada ou tocada por um companheiro de equipe e só deverá ser punido se participar ativamente, interferindo no jogo ao jogar ou ao tocar na bola, que foi passada ou tocada por um companheiro, ou interferir em um adversário de uma das seguintes maneiras: • impedindo o adversário de jogar a bola, obstruindo sua linha de visão; • disputando a bola com o adversário; 75 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS • praticando uma ação clara que apresente um impacto efetivo na possibilidade de o adversário jogar a bola. Também é considerado participar ativamente ao ganhar vantagem da posição de impedimento por jogar a bola ou interferir em um adversário, quando a bola tiver sido: • desviada ou rebatida nos postes ou no travessão da meta ou em um adversário; • jogada por um adversário para fazer uma defesa deliberada (impedir que a bola entre na meta). Observação Uma defesa deliberada acontece quando um atleta, intencionalmente, joga a bola que vai em direção ou que está próxima de sua meta, com qualquer parte do corpo, exceto as mãos, a menos que seja o goleiro em sua própria área de pênalti. O impedimento não acontecerá quando o indivíduo receber a bola diretamente em três situações: • tiro de meta; • arremesso lateral; • tiro de canto. Quando for cometido um impedimento, o árbitro irá conceder a favor da equipe adversária um tiro livre indireto, no local onde ocorreu a infração, inclusive se for na própria meta do campo do jogador. 7.8 Faltas e incorreções 7.8.1 Tiro livre direto Para CBF (2008), o tiro livre direto será consentido à equipe adversária a do jogador que praticar ações julgadas pela arbitragem como imprudentes, temerárias ou com uso excessivo da força. São elas: • fazer carga em um adversário; • saltar sobre um adversário; • dar ou tentar dar um pontapé em um adversário; • empurrar um adversário; 76 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III • golpear ou tentar golpear um adversário, inclusive com a cabeça; • dar uma entrada ou disputar a bola com um adversário; • dar ou tentar um calço ou uma rasteira em um adversário; • tocar intencionalmente a bola com as mãos, com exceção do goleiro dentro de sua área penal; • segurar ou agarrar um adversário; • impedir que o adversário se movimente com um contato físico; • cuspir em um adversário. Se alguma dessas ações envolverem contato, a equipe do jogador que o cometeu será punida com um tiro livre direto ou pênalti. A imprudência de um jogador se relaciona à falta de atenção ou sem preocupação no que se refere a seu adversário, quando participa de uma disputa com ele. Não é necessário qualquer tipo de sanção disciplinar. Uma ação temerária se relaciona ao jogador que não considera os riscos ou as consequências que suas ações possam causar em seu adversário e com isso ele deva ser advertido com um cartão amarelo. O uso da força excessiva significa que o jogador excedeu a força necessária para a realização de determinada ação e, assim, assume o risco de provocar uma lesão em seu adversário. Devido à gravidade, o jogador deverá ser expulso. 7.8.2 Tiro livre indireto O gol, a partir da cobrança, somente será válido se a bola for tocada por outro atleta, independentemente se for ou não da equipe que realizou a cobrança. O tiro livre indireto será concedido à equipe contrária ao jogador que realizou alguma ação, como: • Jogar de maneira perigosa: toda ação de tentar jogar a bola quando houver risco para alguém. As tesouras e as bicicletas são permitidas, desde que não causem perigo para o adversário. • Impedir o movimento de um adversário sem qualquer contato: se colocar no caminho na tentativa de obstruir seu avanço, fazendo diminuir a velocidade ou alterar a direção, quando a bola não estiver em disputa. • Impedir o goleiro de jogar ou tentar jogar a bola com as mãos ou com os pés quando estiver em processo de colocação da bola em disputa. 77 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Observação Todos os jogadores têm o direito de ocupar um espaço no campo, porém estar no caminho de um adversário é diferente de se colocar em seu caminho. Para o goleiro, também existem algumas ações que não podem ser efetuadas ou resultarão em tiro livre indireto. São elas: • manter a bola nas mãos durante mais de 6 segundos, antes de soltá‑la; • tocar a bola com as mãos depois de: — ter colocado em disputa e antes de a bola ser tocada por outro jogador; — receber a bola passada intencionalmente com os pés por um companheiro; — receber a bola diretamente de um arremesso lateral efetuado por um companheiro. É considerado que o goleiro tenha o controle e a posse da bola quando: • mantiver a bola nas mãos ou quando ela se encontrar entre a sua mão e uma superfície, por exemplo: o chão e seu corpo; • estiver tocando na bola com qualquer parte das mãos ou dos braços, exceto se a bola rolar acidentalmente ou mesmo após fazer uma defesa intencional; • tiver a bola na palma da mão aberta; • estiver quicando a bola no chão ou a jogando para o ar. Quando o goleiro possuir a bola em suas mãos sob seu controle ou domínio, nenhum jogador adversário poderá disputar a bola com ele. 7.8.3 Medidas disciplinares O árbitro tem autoridade para aplicar as sanções disciplinares que a regra da modalidade coloca antes, durante ou após o término da partida. As sanções disciplinares são os cartões amarelo e vermelho. O cartão amarelo tem a função de comunicar uma advertência, enquanto o cartão vermelho serve para informar a expulsão do jogo. Tais cartões só podem ser mostrados para jogadores, substitutos e jogadores substituídos. 78 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III Quando o árbitro decidir mostrar um cartão, ele poderá retardar o reinício da partida até aplicá‑lo. Porém em caso de lei da vantagem, após uma falta passível de cartão, a advertência ou a expulsão será aplicável quando a bola estiver fora de jogo ou quando ocorrer uma clara oportunidade de gol. As infrações nas quais o jogador é punível com advertência, ou seja, o cartão amarelo são: • retardar o reinício do jogo; • discordar das decisões da arbitragem com palavras ou ações; • entrar, regressar ou deixar o campo de jogo sem a autorização do árbitro; • não respeitar a distância exigida para o reinício do jogo, como em tiros de canto, tiros livres e arremessos laterais; • infringir por diversas vezes as regras do jogo; • praticar atitude antidesportiva. Saiba mais Para saber quais as atitudes antidesportivas passíveis de advertência, consulte as leis do jogo em: CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF). Regras de futebol 2016/17. Rio de Janeiro: CBF, 2016. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. Na comemoração de gols, são passíveis de punição com cartão amarelo as seguintes ações: • subir nos equipamentos de proteção do campo; • fazer gestos provocativos, debochados ou inflamatórios; • cobrir a cabeça ou o rosto com máscaras ou artigo semelhante; • tirar a camisa ou utilizá‑la para cobrir a cabeça. No retardamento do reinício do jogo, as ações dos jogadores puníveis com cartão amarelo são: • fingir executar um arremesso lateral, mas deixar a bola para o companheiro realizar a cobrança; 79 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS • demorar para sair do campo quando for substituído; • retardar excessivamente o reinício do jogo; • tocar ou carregar a bola para longe do local de reiníciodo jogo; • cobrar o tiro de reinício no local errado para provocar a repetição no local correto. As infrações que um jogador, um substituto ou um jogador substituído devem cometer para ser expulso são: • impedir intencionalmente com a mão um gol ou uma clara oportunidade de gol para a equipe adversária; não se aplicando ao goleiro quando ele estiver em sua própria área penal; • impedir uma clara oportunidade de gol, quando o adversário segue para meta contrária, cometendo uma ação punível com tiro direto; • efetuar jogo brusco grave; • cuspir em um adversário; • usar linguagem ou gestos ofensivos, injuriosos ou grosseiros; • receber uma segunda advertência (cartão amarelo) no mesmo jogo. 7.8.4 Reinício do jogo após faltas e incorreções Se a bola não estiver em jogo e o jogador cometer qualquer infração dentro do campo de jogo contra: • um adversário: tiro livre indireto, tiro livre direto ou pênalti; • um companheiro, um substituto ou um jogador substituto, um oficial de equipe ou um oficial de arbitragem: tiro livre direto ou pênalti; • qualquer outra pessoa: bola ao chão. Quando a bola estiver em jogo e o jogador cometer a infração fora do campo de jogo: • se o jogador se encontrava fora do campo de jogo: o reinício do jogo será dado com uma bola ao chão; • se o jogador sair do campo de jogo para cometer a infração, o jogo será reiniciado com um tiro indireto do local em que a bola se encontrava no momento da interrupção. 80 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III Quando um jogador atirar um objeto contra o seu adversário, será realizado um tiro livre direto no local onde acertar ou tentar acertar o adversário ou tiro penal. O jogo será reiniciado com um tiro livre indireto quando: • um jogador que se encontra dentro do campo lançar um objeto contra qualquer pessoa de fora do campo; • um substituto ou jogador substituído lançar um objeto contra qualquer pessoa de fora do campo. 7.9 Tiro livre e penal Os tiros livres direto e indireto são concedidos a favor da equipe adversária do jogador que cometeu uma infração ou falta. A indicação de qual tipo de tiro é marcado, relaciona‑se ao gesto executado pelo árbitro. Para o árbitro indicar um tiro livre direto, deverá estender o braço na altura do ombro. Para informar um tiro livre indireto, o arbitro irá levantar o braço acima da cabeça. Ele permanecerá nesta posição até que o tiro indireto seja executado. Tiro livre indireto Tiro livre direto Figura 47 – Gesto do árbitro para indicar o tiro livre direto e indireto A principal diferença entre os tiros direto e indireto está relacionada à questão de validação do gol a partir desse tiro. Sendo assim, se a bola entrar na meta adversária em um tiro livre direto, será validado o gol. Porém, se a bola entrar diretamente na meta adversária em um tiro indireto, será marcado tiro de meta. É assinalado um tiro de meta em um tiro livre indireto, devido ao fato da necessidade de um segundo jogador ter que tocar na bola antes de ela entrar na meta adversária, por isso o nome de tiro indireto. 81 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Os procedimentos para a realização dos tiros livres obedecem alguns requisitos, por exemplo, a sua execução sempre se dará no local onde a infração ou a falta ocorreu. A bola deve estar imóvel e o jogador que executa o tiro, ou seja, efetua o primeiro toque, não poderá fazê‑lo novamente antes de outro atleta. Antes de a bola entrar em jogo, os adversários da equipe, que irá executar o tiro, devem estar pelo menos a 9,15 m da bola e fora da área penal quando for cobrado um tiro livre direto na área penal. Um tiro penal ou pênalti será marcado quando um jogador cometer uma infração punível com um tiro livre direto dentro de sua própria área penal. Os procedimentos para execução do tiro livre direto na área penal são: • a bola precisa estar imóvel na marca penal; • o executante do pênalti tem de ser devidamente identificado, para que todos saibam que irá realizar o tiro; • o goleiro deve permanecer sobre a linha da meta, de frente para o executante e entre os postes, ou seja, não poderá se movimentar para frente até a bola ser tocada. Todos os outros jogadores, com exceção do goleiro, deverão estar: • a pelo menos 9,15 m da marca penal; • atrás da marca penal; • dentro do campo de jogo; • fora da área penal. Com isso o árbitro irá autorizar a cobrança do tiro direto, a qual o executante deverá tocar a bola para frente, mesmo que seja de calcanhar. O jogador que realizar o tiro direto não poderá tocar na bola novamente, até que outro atleta o faça. O tiro penal somente será concluído quando a bola parar completamente, sair do jogo ou o árbitro interromper o jogo por qualquer infração às regras do jogo. Existem algumas regras que precisam ser observadas durante a execução do tiro penal que podem resultar em anulação do tiro, em repetição do tiro e em gol. A seguir identificaremos as ações e suas consequências para o tiro penal. 82 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III Quadro 5 – Resultado do tiro penal Gol Não gol Invasão por jogador atacante Repete o pênalti Tiro livre indireto Invasão por jogador defensor Gol Repete o pênalti Infração do goleiro Gol Repete o pênalti e apresenta cartão amarelo para o goleiro Bola tocada para trás Tiro livre indireto Tiro livre indireto Finta ilegal Tiro livre indireto e apresenta cartão amarelo para o executante Tiro livre indireto e apresenta cartão amarelo para o executante Executante não identificado Tiro livre indireto e apresenta cartão amarelo para o executante não identificado Tiro livre indireto e apresenta cartão amarelo para o executante não identificado Fonte: CBF (2016, p. 101). 7.10 Arremesso lateral, tiro de canto e tiro de meta Conforme CBF (2008), o arremesso lateral é uma ação realizada a favor da equipe adversária a do último jogador que tocar na bola antes da sua saída total do campo de jogo pela linha lateral tanto pelo chão como pelo alto. Sendo que não poderá ser marcado gol diretamente do arremesso lateral. Apesar dessa regra, o arremesso lateral é recurso muito utilizado principalmente por equipes que têm jogadores com grande potência em seus membros superiores, para arremessar a bola em longas distâncias, como dentro da área penal adversária, criando diversas situações que possam ser transformadas em gol. Algumas situações precisam ser observadas para a execução correta do arremesso lateral. O jogador que irá executá‑lo deverá: • estar de frente para o campo de jogo; • ter parte de cada pé sobre a linha lateral ou no chão fora do campo de jogo; • lançar a bola com ambas as mãos vindas de trás da cabeça, desde o local por onde a bola saiu do campo de jogo. Todos os adversários deverão estar a pelo menos 2 m de distância do local de arremesso lateral. Já o tiro de canto será marcado quando a bola ultrapassar por completo a linha de meta tanto pelo chão como pelo alto e for tocada por último em um jogador do time adversário. O gol marcado diretamente após o tiro de canto será válido somente se a bola entra na meta do adversário. Se a bola entrar diretamente na própria meta do executante, será marcado novo tiro de canto para a equipe adversária. 83 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS A bola deverá ser colocada na área de canto mais próxima do local por onde ela saiu pela linha de meta. A bola precisará estar imóvel e ser tocada por um jogador da equipe que ataca, entrando, assim, em jogo no momento do toque. Os jogadores da equipe adversária deverão estar a, pelo menos, 9,15 m da área de canto, até a bola entrar em jogo. Para a concessão do tiro de meta, é necessário que a bola ultrapasse65 7.3 Os jogadores ........................................................................................................................................... 66 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 7.4 Os árbitros ............................................................................................................................................... 68 7.5 Tempo de jogo ....................................................................................................................................... 71 7.6 Determinação do resultado .............................................................................................................. 72 7.7 Impedimento .......................................................................................................................................... 73 7.8 Faltas e incorreções ............................................................................................................................. 75 7.8.1 Tiro livre direto ......................................................................................................................................... 75 7.8.2 Tiro livre indireto ..................................................................................................................................... 76 7.8.3 Medidas disciplinares ............................................................................................................................ 77 7.8.4 Reinício do jogo após faltas e incorreções ................................................................................... 79 7.9 Tiro livre e penal .................................................................................................................................... 80 7.10 Arremesso lateral, tiro de canto e tiro de meta ..................................................................... 82 8 REGRAS DO FUTSAL ....................................................................................................................................... 83 8.1 O espaço de jogo .................................................................................................................................. 84 8.2 A bola ........................................................................................................................................................ 86 8.3 Número de jogadores ......................................................................................................................... 87 8.4 Duração da partida .............................................................................................................................. 88 8.5 Início da partida .................................................................................................................................... 89 8.6 Faltas ......................................................................................................................................................... 92 8.7 Tiro penal ................................................................................................................................................. 96 8.8 Ação do goleiro ..................................................................................................................................... 97 8.9 Retorno da bola em jogo ................................................................................................................100 8.10 A lei da vantagem ............................................................................................................................104 7 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 APRESENTAÇÃO A disciplina Futebol tem por objetivo estudar o futebol em todos os componentes que estão relacionados com o labor do professor de Educação Física, envolvendo o conhecimento da história desse esporte, a metodologia de ensino e desenvolvimento, além dos elementos técnicos e táticos e das regras básicas de competição. Após a leitura deste livro-texto, você deverá ser capaz de: • conhecer os principais fatos que deram origem e contribuíram com a evolução do futebol e do futsal; • aplicar o esporte nas suas três principais dimensões, que abrangem educação, saúde, lazer e rendimento; • identificar e escolher os métodos mais adequados ao ensino do futebol e do futsal; • entender os componentes que fazem parte de cada uma das formas de condicionamento para a preparação do jogador em qualquer um dos níveis de atuação; • observar os estágios do processo de ensino e seus componentes, além de aplicar a metodologia mais adequada aos objetivos de cada um; • conhecer e interpretar as regras básicas de jogo tanto do futebol quanto do futsal; • interpretar os diversos tipos de exercícios e suas finalidades; • saber como, quando, onde e por quê de todos os componentes de uma aula ou um treinamento de futebol e futsal; • atuar como pesquisador de futebol e de futsal. INTRODUÇÃO O futebol, eleito o esporte das multidões, movimenta de forma extraordinária a mídia e a economia de todo o mundo. Como paixão de muitas pessoas, é diariamente discutido de forma calorosa pela sociedade, de modo indiscriminado, em que todos se consideram entendidos do assunto. Evidentemente, pela penetração generalizada que o assunto oferece, as pessoas possuem argumentos para suas opiniões, porém, profissionais, de alguma forma envolvidos na questão, necessitam de um conhecimento mais abrangente. Dessa forma, a disciplina Futebol busca proporcionar ao futuro professor de Educação Física um conhecimento mais envolvente e necessário para as obrigações da profissão nas diversas áreas de atuação. 8 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Para isso, os tópicos fundamentais a essa finalidade serão apresentados em três unidades, que irão tratar das bases do conhecimento teórico e da aplicação prática dessa modalidade esportiva, usada como ferramenta educacional nas escolas, recreação e lazer, pela sociedade em geral, e as bases para futura especialização em esporte de rendimento ou alto nível. Para iniciarmos o estudo do futebol e do futsal, partiremos de uma apresentação desses esportes através de uma visão geral resumida da história de ambos, a fim de informar os acontecimentos mais relevantes ocorridos ao longo dos tempos que mostram como eles surgiram e evoluíram, tomando a forma do jogo que conhecemos hoje, ao mesmo tempo que essas informações se revestem de importância para entendermos que, como todas as coisas conhecidas pela humanidade, sempre se transformam e se atualizam na busca incessante da perfeição e, no caso dos esportes, as surpresas que se materializam em vitórias e conquistas de títulos, levando os protagonistas a serem reconhecidos pela própria história. A evolução foi tão marcante, que tornou o futebol um esporte universal e o mais praticado no mundo. De tão envolvente, o jogo deixou de ser privilégio de poucos, dando acesso à participação de praticantes em todos os níveis de domínio, tornando-se ferramenta educacional nas escolas, além de ser executado como forma de lazer e manutenção de estado de saúde e finalmente aquele praticado por indivíduos que conseguiram desenvolver o máximo de suas potencialidades e talento para chegarem a um grupo especial, que envolve o futebol e o futsal profissionais. Como o futebol e o futsal atingem todas essas situações? Além de responder a essa pergunta, será apresentada uma breve história mostrando as caraterísticas envolvidas em cada forma prática desse tipo de jogo, para que o futuro professor possa ser preparado adequadamente ao desempenho da sua função. Em seguida, serão abordados os componentes do processo para o ensino e desenvolvimento do praticante ou de um jogador através do esclarecimento dos significados dos condicionamentos técnico, físico e tático que envolvem a preparaçãotambém a linha de meta tanto pelo chão como pelo alto, depois de ser tocada por um jogador de equipe atacante, sem que seja marcado um gol. Um gol poderá ser marcado a partir de um tiro de meta, desde que a bola entre na meta adversária. Se a bola entrar na meta do executante do tiro de meta, será marcado um tiro de canto a favor da equipe adversária. A bola deverá estar imóvel e ser tocada de qualquer ponto da área de meta por um jogador da equipe defensora. Ela entrará em jogo assim que sair diretamente da área penal. Todos os jogadores da equipe adversária precisarão estar fora da área penal até que a bola entre no jogo. 8 REGRAS DO FUTSAL A prática do futsal sob a orientação do profissional da educação física requer conhecimento sobre os detalhes que compõem cada regra da modalidade para obter um trabalho consciente no processo de ensino e desenvolvimento do futsal. Com a intenção de facilitar a aprendizagem, algumas adaptações devem acontecer nas atividades, buscando a prática do jogo de forma simples e aos poucos serão apresentadas com sua complexidade para que o praticante possa utilizá‑las quando jogar o futsal em qualquer parte do mundo. O futsal surgiu como adaptação do futebol de campo para ser praticado em espaço reduzido, em uma quadra esportiva, com cinco jogadores em cada time. O objetivo, como no futebol, é de marcar gol, e um ponto será adicionado para a equipe que colocar a bola dentro da meta adversária, definida por dois postes verticais unidos por uma trave horizontal. O goleiro é o único jogador que, dentro de sua própria área penal, está autorizado a utilizar todas as estruturas corporais, inclusive as mãos, para evitar o gol. Sendo considerada vitoriosa a equipe que marcar o maior número de gols durante uma partida. Contribuindo para o estudo do futsal, elaboramos um resumo sobre as regras que compõem a modalidade, mas lembramos que é indicado uma leitura minuciosa das regras do jogo com suas infrações, sanções e recomendações. Com relação à demarcação da quadra: dimensões, linhas limítrofes, espessuras, diâmetros, formato da área penal e metas são previstos pelas regras internacionais e encontrados na literatura atual referenciada. 84 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III Para auxiliar na identificação do espaço de jogo, relacionamos as demarcações com algumas medidas para efeito de conhecimento e não a necessidade de decorar, para ser utilizada durante aulas e treinos, além de contribuir na assimilação do conhecimento da modalidade. 8.1 O espaço de jogo A quadra de jogo é um retângulo com o comprimento mínimo de 25 m e máximo de 42 m e sua largura mínima de 16 m e máxima 25 m. Em partidas internacionais, essas medidas têm uma pequena variação. Todas as linhas demarcatórias, com 8 cm de largura, pertencem às zonas que delimitam. Portanto, se a bola estiver em contato com a linha lateral, estará em jogo. Figura 48 – Espaço de jogo do futsal Para CBFS (2015), as linhas limítrofes são denominadas como linhas laterais (de maior comprimento) e linhas de meta, também conhecida como linha de fundo (as de menor comprimento). A linha média é uma divisória na metade da quadra, também conhecida como linha central; é traçada de uma extremidade a outra das linhas laterais, equidistantes às linhas de meta. Ainda, segundo CBFS (2015), o centro da quadra, situado no meio da linha divisória, é demarcado por um pequeno círculo com 10 cm de raio, onde acontece o início e o reinício da partida. O círculo central da quadra, formado com um raio de 3 m, será fixado ao redor do pequeno círculo. A área penal, situada em ambas as extremidades da superfície de jogo, é demarcada a 6 m de distância de cada poste de meta, na parte externa, com um semicírculo perpendicular à linha de meta, que se estenderá ao interior da quadra com um raio de 6 m ligados à linha reta de 3,16 m, paralela à linha de meta, entre os postes. 85 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS 15,16 m 3 m 3,16 m 6 m Figura 49 – Área penal e suas medidas De acordo com CBFS (2015), a penalidade máxima (pênalti) será cobrada do ponto penal, a uma distância de 6 m do ponto central da meta, assinalada por um pequeno círculo de 10 cm de raio. O tiro livre sem barreira, também cobrado no segundo ponto penal, está a uma distância de 10 m do ponto central da meta, marcado por um retângulo de 10 cm por 8 cm. Para o tiro de canto (escanteio), será demarcado, nos quatro cantos da quadra, no encontro das linhas laterais com as linhas de meta, 1/4 de círculo com 25 cm de raio. 5 m 5 m 5 m 5 m 5 m 5 m 3 m10 m 6 m r = 0,25 m Figura 50 – Medidas do espaço de jogo do futsal A zona de substituição está localizada na linha lateral, do lado onde se encontra a mesa de anotações e cronometragem, a uma distância de 5 m da linha divisória do meio da quadra. 86 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III As metas (gols) são colocadas no centro de cada linha de meta e formadas por dois postes verticais separados em 3 m entre eles (medida interior) e ligados por um travessão horizontal cuja medida interior está a 2 m do solo. 0,08 m 0,08 m 0,08 m 2,08 m2 m 3 m 3,16 m Figura 51 – Medidas do gol do futsal 8.2 A bola Muitas vezes encontramos garotos jogando futsal com qualquer tipo de bola, principalmente pela força e influência que o futebol tem sobre a cultura do Brasil, porém é interessante a criança pequena desenvolver o jogo de futsal com uma bola de dimensões oficiais? Se os alunos não tiverem orientação de professores, pais e entendidos da modalidade, jogarão futsal com qualquer tipo de bola. Em alguns lugares o aviso, por escrito, limita a utilização de bolas de futebol de campo e outras, mas o adequado seria os praticantes terem a consciência de utilizar a bola adequada para sua idade. Com relação à bola, nos lembramos de que deve ser esférica e precisamos nos atentar à faixa etária dos praticantes, pois existem bolas com tamanhos e pesos variados adequados para a característica física pela qual se encontra o indivíduo em crescimento e assim não prejudicar o seu desenvolvimento. A bola utilizada para jogar rúgbi e futebol americano é oval, e não esférica. Para a prática do futsal de forma adequada, é correto indicarmos uma bola apropriada conforme as regras do jogo. 87 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Tabela 2 – Dimensões de bolas para as categorias Categoria Sexo Peso Circunferência Adulto Sub‑20/17 e 15 Masc./Fem. 400 g a 440 g 62 cm a 64 cm Sub‑13 Masc./Fem. 350 g a 380 g 55 cm a 59 cm Sub‑11 e 9 Masc./Fem. 300 g a 330 g 50 cm a 55 cm Inferior ao Sub‑9 Masc./Fem. 250 g a 280 g 40 cm a 43 cm Adaptado de: CBFS, 2017. 8.3 Número de jogadores Para CBFS (2015), o número de jogadores para disputar uma partida de futsal é de no máximo cinco jogadores por equipe, sendo que um será obrigatoriamente o goleiro. Atualmente o número de reservas para substituições em competição oficial é de nove jogadores, permitindo‑se um número indeterminado de substituições durante a partida. Ao participar de uma competição, é necessário ficar atento ao regulamento, pois algumas alterações das regras oficiais devem estar claras para não acontecerem equívocos no dia do jogo, por exemplo, jogadores e membros da comissão técnica que não forem relacionados em súmula, antes do início da partida, não poderão participar dela. Outro item importante é que será vedado o início da partida, como também não terá continuação ou prosseguimento, se uma das equipes tiver menos de três jogadores na quadra de jogo. A regra permite ao jogador substituído voltar a participar da partida, exceto durante os pedidos de tempo técnico (sendo necessário aguardarseu término para entrar na partida) e desde que seja respeitado o procedimento de substituição. As alterações são realizadas com a bola em jogo ou fora de jogo e cada equipe tem sua zona de substituição, correspondente ao lado da quadra que está defendendo no período. O jogador que entra na quadra de jogo deverá fazê‑lo pela zona de substituição (entregando seu colete, utilizado nos dias atuais para facilitar a visualização no momento da saída e entrada dos jogadores, nas mãos do jogador substituído) e nunca antes de o jogador que for substituído sair completamente da quadra, pois seria aplicado um cartão amarelo. O jogador que sair também deverá fazê‑lo pela zona de substituição, e somente em caso de contusão grave por ele sofrida e com autorização do árbitro poderá deixar a quadra por outro local, assim, a partida será interrompida para a troca ser efetuada. Neste caso, o jogador que entrar no jogo entregará o colete ao árbitro/anotador. Para a substituição do goleiro, não será necessário avisar aos árbitros e paralisar o jogo. Agora, se a equipe for trocar um jogador de quadra com o goleiro, isso será permitido, mas com a partida paralisada e avisando previamente os árbitros. Não podemos nos esquecer de que o jogador reserva ou de quadra 88 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III que trocar de posição com o goleiro deverá utilizar uma camisa de cor igual a dos goleiros, mas com o mesmo número que está relacionado em súmula. Um jogador reserva substituirá um jogador expulso e entrará na partida depois de transcorridos 2 minutos cronometrados após a expulsão. Ou se for marcado um gol antes dos 2 minutos transcorridos. Algumas situações podem ocorrer durante os dois minutos para o cumprimento da expulsão: • quando uma equipe com cinco jogadores enfrenta outra com quatro atletas e a equipe em superioridade numérica marcar um gol, aquela com inferioridade numérica poderá, nesse instante, ser completada com a entrada de um reserva; • se a equipe em inferioridade numérica marcar um gol, o jogo continuará com o mesmo número de jogadores; • se ambas as equipes jogam com quatro ou três jogadores e for marcado um gol, elas continuam com o mesmo número de atletas. Saiba mais Outras situações que podem acontecer durante o jogo e suas explicações devem ser consultadas no livro de regras em: CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL DE SALÃO (CBFS). Livro nacional de regras 2017. Fortaleza: CBFS, 2017. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. A função de capitão será atribuída a um jogador de cada equipe, identificado através do uso de uma braçadeira colocada em um dos braços. Ele representará sua equipe durante a partida, podendo dirigir‑se aos árbitros, buscando alguma informação ou interpretação, quando necessário, mas sempre com respeito e cortesia. Existe a possibilidade da substituição do jogador expulso por um reserva. 8.4 Duração da partida A duração da partida será de 40 minutos cronometrados, divididos em dois períodos iguais, no masculino e no feminino, para as categorias Adulta, Sub‑20 e Sub‑17, com intervalo de até 15 minutos para descansar. Para a categoria Sub‑15, a partida com 30 minutos de duração será dividida em dois tempos de 15 minutos com intervalo de até 15 minutos. 89 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Para outras categorias menores, é necessário se observar as regras das federações estaduais a respeito da duração da partida e do intervalo, mas sempre tendo como referência a menor resistência dos indivíduos em formação e que não se pode exigir a mesma intensidade e duração do jogo de categorias maiores. Durante a partida, as equipes terão direito a solicitar um tempo técnico, com duração de 1 minuto cada, por período. O capitão poderá solicitá‑lo ao árbitro ou uma plaqueta de pedido de tempo técnico deverá ser apresentada pelo técnico, treinador ou membro da comissão técnica ao anotador ou ao cronometrista, que o concederá quando a bola estiver fora de jogo e a reposição for a favor da equipe solicitante. Atualmente, os jogadores podem permanecer dentro ou fora da quadra de jogo para ouvirem as orientações (caso queiram beber algum líquido para reidratar, deverão sair da quadra) e não será permitido que os reservas e os membros da comissão técnica entrem na quadra. Se a equipe não o solicitar no primeiro período, não poderá usá‑lo no segundo período. Algumas partidas poderão ser decididas no tempo suplementar para que se conheça um vencedor, estipulado pelo regulamento, podendo ser de 3 ou 5 minutos cada. Vale lembrar que as equipes não terão direito à solicitação de tempo técnico durante a prorrogação. Deve‑se ficar atento para não perder o tempo técnico. 8.5 Início da partida Para iniciar uma partida de futsal, o árbitro executará um sorteio com o capitão de cada equipe. É definido que o time perdedor começará com a posse de bola no primeiro período e a equipe vencedora escolherá a meia quadra onde começará defendendo. Após o intervalo, as equipes trocarão de lado e o reinício da partida será efetuado pela equipe contrária àquela que iniciou a partida no primeiro período. O mesmo procedimento, do sorteio, acontecerá se tiver tempo suplementar. 22 33 44 55 G G Figura 52 – Início da partida, no qual cada equipe deverá estar posicionada em sua quadra defensiva 90 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III Para iniciar a partida, cada equipe deverá estar na sua quadra de defesa e após o apito do árbitro, a bola (precisa estar imóvel no pequeno círculo no centro da quadra) será movimentada em direção à quadra de ataque com os pés, por um dos jogadores. Estará em jogo quando ultrapassar completamente a linha média. 22 33 44 55 G G Figura 53 – Início da partida com a bola no centro da quadra 22 33 44 55 G G Deslocamento da bola Figura 54 – O início da partida, com a movimentação da bola em direção à quadra de ataque Sempre que acontecer um gol, a partida recomeçará da mesma forma, com a posse de bola para a equipe que sofreu o gol. No tiro de saída, o gol não será válido se o jogador chutar e a bola entrar diretamente na meta adversária. Será reiniciado o jogo com um arremesso de meta para a equipe adversária. 91 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS 2 2 3 3 4 4 5 5 G G Finalização Figura 55 – Não será validado o gol no tiro de saída, se a bola entrar diretamente no gol Não é permitido ao jogador que executar o tiro de saída ter contato com ela pela segunda vez antes de ser jogada ou tocada por outro jogador da mesma equipe ou do adversário. Caso ocorra, será concedido um tiro livre indireto em favor da equipe adversária, e a bola será colocada no local onde o toque ocorreu. Para qualquer outra incorreção, será repetida a bola de saída, mantendo a posse para a mesma equipe. Se durante uma partida de futsal a bola bater no teto ou em equipamentos de outros desportos, como a tabela de basquetebol colocada nos limites da quadra de jogo, ou atravessar completamente as linhas laterais ou de meta, pelo solo ou pelo alto, ou o árbitro interromper a partida, será considerado bola fora de jogo. Em outras ocasiões, a bola estará em jogo, inclusive se tocar nos árbitros e eles estiverem dentro da quadra, ou se bater no travessão ou nas traves, permanecendo dentro da quadra de jogo. Para que o gol seja válido, a bola deverá ultrapassar completamente a linha de meta entre os postes de meta e sob o travessão. Não é comum acontecer, mas ao cobrar um tiro lateral, tiro de canto ou tiro livre direto ou indireto contra sua própria meta e a bola entrar diretamente, não será válido o gol. Nessassituações, seria válido somente se a bola tocasse em qualquer outro jogador. Observação Se o goleiro arremessa a bola com as mãos, após uma defesa ou na reposição através do arremesso (tiro) de meta, e essa entra diretamente no gol adversário, não será válido. Se na sua trajetória a bola tocar ou for 92 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III tocada por qualquer outro jogador, será marcado gol. Para ser válido o gol na cobrança do tiro livre indireto ou tiro lateral contra o gol adversário, será necessário que na sua trajetória a bola toque, ou seja tocada por qualquer outro atleta. 8.6 Faltas As faltas no futsal são penalizadas com tiro livre direto e tiro livre indireto, mas devem acontecer com bola em jogo e na superfície do jogo. O tiro livre direto é indicado pelo árbitro levantando um dos braços na horizontal, informando a direção que deve ser cobrada. Figura 56 – Indicação do árbitro para marcação de tiro livre direto e tiro penal O tiro livre direto e/ou tiro penal é anotado em súmula como falta acumulativa. Para ser classificada como tiro livre direto, o jogador cometerá uma das seguintes infrações contra o seu adversário, conforme estipulado na regra 12 (CBFS, 2017, p. 51): • dar ou tentar dar pontapé em adversário; • calçar o adversário; • pular ou atirar‑se sobre o adversário; • trancar o adversário por trás ou de maneira violenta e perigosa; • bater, tentar bater ou lançar uma cusparada no adversário; • segurar um adversário com as mãos ou impedi‑lo de ação com qualquer parte do braço; • empurrar o adversário; • trancar o adversário com o ombro; • segurar ou desviar a bola, carregá‑la, batê‑la ou impulsioná‑la com a mão ou o braço, excetuando‑se o goleiro dentro de sua área penal; 93 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS • projetar‑se ao solo, deliberadamente, de maneira deslizante, e com uso dos pés tentar tirar a bola que esteja sendo jogada ou de posse do adversário, levando perigo; • sendo o goleiro, com a bola em jogo, ao arremessá‑la com as mãos, ultrapassar o limite da área penal, com a bola ainda em seu poder; • praticar qualquer jogada, sem visar ao adversário, mas involuntariamente atingi‑lo. As infrações que acontecerem durante a partida, e não forem classificadas na relação mencionada, serão penalizadas com tiro livre indireto. O árbitro indicará esse tipo de falta com um dos braços erguido para o alto. Não será anotado em súmula e será executado no local onde ocorreu a infração, se acontecer fora da área penal da equipe infratora. Figura 57 – Indicação do árbitro para marcação de um tiro livre indireto Se acontecer dentro da área penal da equipe infratora, deverá ser executado sobre a linha da área penal, no ponto mais próximo do local onde ocorreu a infração. Figura 58 – Indicação de onde deverá ser executado o tiro livre indireto, quando for cometido dentro da área penal 94 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III Lembrete As faltas classificadas como tiros livres direto serão registradas em súmula como faltas acumulativas. As cinco primeiras faltas acumulativas (em cada período de jogo) serão anotadas em súmula, e a equipe infratora terá direito à formação de barreira de atletas. A bola será colocada no local onde foi executada a infração, exceto dentro da área penal, que será posicionada sobre a marca do tiro penal. A barreira de atletas (e qualquer jogador da equipe infratora) ficará a uma distância de 5 m da bola. A partir da sexta falta, em cada período de jogo, classificada como tiro livre direto, não haverá mais a formação de barreira e a colocação da bola para a cobrança do tiro livre direto acontecerá de modo diferente: I ‑ da marca do segundo ponto penal se o jogador cometer uma falta na meia quadra adversária ou em sua meia quadra (no espaço que corresponde à linha do meio da quadra e uma linha imaginária, ligando as linhas laterais e passando pelo segundo ponto penal). Figura 59 – Se a equipe sofrer a sexta falta na área destacada, a bola seguirá para o segundo ponto penal 95 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS 2 2 3 3 4 4 5 5G G Figura 60 – Local para cobranças a partir da 6ª falta II ‑ a equipe atacante decidirá se cobra do local onde ocorreu a infração ou na marca do segundo ponto penal se o jogador cometer uma falta na sua meia quadra de jogo, no espaço que corresponde à linha imaginária, ligando as linhas laterais e passando pelo segundo ponto penal até a linha de meta (e fora da área penal). Figura 61 – Se a equipe sofrer a sexta falta na área destacada, o atacante irá decidir se a falta será cobrada onde o jogador da equipe a sofreu ou no segundo ponto penal A bola estará em jogo no momento em que for chutada e entrar em movimento. Na cobrança do tiro livre direto, a partir da sexta falta acumulativa, o jogador deverá chutar com a intenção de marcar o gol; se isso não acontecer, o árbitro paralisa a partida e marca um tiro livre indireto para a equipe adversária no local onde foi cobrado o referido tiro. A bola não poderá ser passada para outro companheiro de 96 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III equipe. Após o chute, nenhum jogador poderá tocar na bola enquanto ela não tocar no goleiro defensor, rebater nos postes ou no travessão ou sair da quadra de jogo. 8.7 Tiro penal Se um jogador dentro de sua própria área penal cometer uma falta classificada como tiro livre direto, será marcado um tiro penal para a equipe adversária, estando a bola em jogo em qualquer parte da quadra. O tiro penal (pênalti) será dado contra a equipe que cometer uma das infrações classificadas como tiro livre direto, dentro de sua própria área penal quando a bola estiver em jogo. Para ser cobrado um tiro penal, será concedido tempo adicional, seja no fim de cada período, seja no fim do tempo suplementar. A bola estará colocada no ponto penal e entrará em jogo no momento em que for chutada e entrar em movimento. Os jogadores adversários devem respeitar a distância de 5 m da bola e posicionarem‑se fora da área penal. O jogador que fará a cobrança do tiro penal deverá ser identificado e chutará a bola para frente. Caso isso não aconteça, o árbitro marcará um tiro livre indireto a favor da equipe adversária, colocando a bola no ponto penal. O goleiro defensor do tiro penal poderá se movimentar lateralmente sobre a linha de meta (entre os postes), de frente para o executor do tiro até que a bola esteja em jogo. Os demais jogadores deverão estar dentro da quadra de jogo, fora da área penal, atrás do ponto penal e a uma distância mínima de 5 m da bola. Após o árbitro autorizar a cobrança do tiro penal e antes que a bola esteja em jogo, não será permitido que um ou mais jogadores da equipe, beneficiada ou infratora, descumpram a regra ao mesmo tempo. O tiro penal será repetido. • Caso o jogador da equipe beneficiada com o tiro penal infrinja a regra, o árbitro permitirá que seja executado: — se a bola entrar na meta, o tiro penal será repetido; — se a bola não entrar na meta, será marcado um tiro livre indireto, com a bola colocada na marca penal, a favor da equipe adversária. • Caso o jogador da equipe infratora descumpra a regra, o árbitro permitirá que o tiro penal seja executado: — se a bola entrar na meta, o gol será válido; — se a bola não entrar na meta, será repetida a cobrança. 97 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS • Depois que foi cobrado o tiro penal, se o jogador que executou a cobrança tocar na bola pela segunda vez consecutiva, antes que tenha tocado em outrojogador, será marcado um tiro livre indireto para a equipe adversária no local onde ocorreu a infração. Essa situação inclui: — se ao cobrar o tiro penal a bola rebate no travessão ou nas traves e o mesmo jogador tocar na bola em seguida. • Se o goleiro se adiantar antes de a bola ser movimentada: — e mesmo assim a bola entrar na meta, o gol será validado; — e não resultar em gol, o tiro será repetido. 8.8 Ação do goleiro A participação do goleiro em uma partida de futsal requer atenção especial, pois está limitada quanto às regras do jogo. É considerado como infração do goleiro e será concedido um tiro livre indireto se: • Ficar de posse de bola em sua meia quadra de jogo por mais de 4 segundos. Lembrando‑se de que ao executar uma defesa ou na cobrança do arremesso de meta, ele controla a bola com as mãos dentro de sua área penal e esta fica na sua meia quadra, valendo também o mesmo tempo de posse. G G Figura 62 – A ação do goleiro é restrita a uma posse de bola de 4 segundos dentro da área penal ou em sua meia quadra de jogo • Tocar na bola, em qualquer parte da quadra, e fazê‑lo novamente em sua meia quadra, jogada intencionalmente por um companheiro de equipe, sem que a bola tenha sido jogada ou tocada por um adversário. 98 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III G G 3 3 (1) (2) Deslocamento da bola Figura 63 – Ação em que o goleiro recebe a bola após ter realizado um toque, resultando em tiro livre indireto Deslocamento da bola G GG 3 33 2 22 (2) (3)(1) Figura 64 – Ação incorreta na qual o goleiro recebe a bola de um companheiro após realizar um toque, resultando em tiro livre indireto • Receber a bola de um companheiro, na meia quadra ofensiva (adversária) e conduzi‑la para sua meia quadra (defensiva); será considerada como segunda devolução. 99 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS G G 1 2 Deslocamento dos jogadores com a bola Figura 65 • Tocar ou controlar a bola com suas mãos, dentro de sua própria área penal, depois que um jogador da sua equipe tenha passado intencionalmente com os pés; ou vinda diretamente de tiro lateral, tiro de canto, tiro livre direto e tiro livre indireto, cobrado por um companheiro de equipe. G G 3 3 1 1 2 ‑ Recepção com as mãos2 ‑ Recepção com as mãos Deslocamento da bola Figura 66 – Ação de recepção com as mãos do goleiro, onde a bola vem de seu companheiro de equipe, resultando em tiro indireto O tiro livre indireto será cobrado no local onde o goleiro tocou ou jogou irregularmente. Caso ocorra dentro de sua própria área penal, a bola será colocada sobre a linha da área penal, no ponto mais próximo da infração. 100 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III Observação Na meia quadra ofensiva (adversária), o goleiro poderá permanecer com posse de bola por tempo indeterminado, trocar passes e receber a bola diretamente de seus companheiros normalmente. Quando um tiro livre direto ou indireto, a favor da equipe defensora, ocorrer dentro da sua própria área penal, a bola somente estará em jogo quando for chutada diretamente para fora (e sair) da área penal. O tiro livre será repetido se algum jogador impedir que tal situação seja cumprida. 8.9 Retorno da bola em jogo Quando a bola sair da quadra de jogo atravessando completamente as linhas laterais, pelo solo, pelo alto ou tocar no teto, será marcado um tiro lateral. No futsal, o retorno da bola ao jogo acontece com a utilização dos pés e a equipe deverá fazê‑lo nos 4 segundos posteriores aos quais a bola esteja à disposição. Um jogador adversário da equipe que tocou a bola por último deverá colocá‑la no local da saída, podendo ser jogada em qualquer direção. A bola precisará estar apoiada no solo, sobre a linha lateral ou no máximo 25 cm para fora da linha, imóvel (ou podendo mover‑se levemente). O indivíduo poderá estar com a parte de um dos pés sobre a linha lateral ou na parte externa da quadra de jogo. Não poderá estar com o pé totalmente dentro da quadra, pois será marcada a reversão, com a posse de bola a favor da equipe adversária. 3 3 Errado Certo Figura 67 – Cobrança correta e incorreta do tiro de lateral 101 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS A bola estará em jogo, seguindo as observações citadas, e depois de movimentada entrará ou tocará a linha lateral da quadra. Se o jogador que executar o tiro lateral tocar na bola pela segunda vez consecutiva, ocorrerá penalização com tiro livre indireto para a equipe adversária no local da infração. Se tocar com a mão, será penalizado com tiro livre direto. Não será valido o gol marcado diretamente, sem tocar ou ser jogada por qualquer outro jogador, na cobrança do tiro lateral. Seja contra a meta adversária, e nessa situação a reposição da bola em jogo será feita através da cobrança do arremesso de meta, em favor da equipe adversária ou contra a própria meta, em que a reposição se dará através do tiro de canto a favor da equipe adversária. Os adversários deverão estar na quadra, exceto quando em uma jogada saírem e a equipe beneficiada executar rapidamente a cobrança, e respeitar a distância mínima de 5 m da bola. Será advertido com cartão amarelo, o jogador que se aproximar da bola tentando impedir ou dificultar a cobrança, retardando o reinício da partida. Se o goleiro cobrar o tiro lateral, não poderá receber a bola em sua meia quadra vinda de um companheiro enquanto ela não tocar em um jogador adversário. Se for um companheiro que executou a cobrança, o goleiro poderá receber uma vez em sua meia quadra, desde que ainda não tenha tocado no ataque; por exemplo na situação em que o jogador realiza a cobrança para o goleiro, que está na quadra de ataque, faz o passe a qualquer atleta da sua equipe e retorna para a quadra de defesa e recebe a bola novamente (em sua quadra de defesa) sem que tenha sido tocada ou jogada por um adversário, será marcado um tiro livre indireto. O goleiro poderá receber a bola, utilizando os pés em qualquer setor da quadra, quando esta se encontra fora de jogo, por exemplo, em tiro de canto, tiro lateral, tiro livre direto e indireto. Quando a bola atravessar completamente a linha de meta (linha de fundo) pelo alto ou pelo solo e passar fora da meta (gol), após ter sido tocada ou jogada por um indivíduo da equipe atacante pela última vez, será marcada uma reposição de bola para a equipe adversária, através do arremesso de meta. Somente o goleiro com o uso das mãos e respeitando o tempo máximo de 4 segundos, de qualquer parte da sua área penal, poderá executar o arremesso de meta. A bola entrará em jogo quando ultrapassar inteiramente a linha demarcatória e sair da área penal. Se o goleiro demorar mais de 4 segundos para a reposição da bola em jogo, um tiro livre indireto a favor da equipe adversária será marcado, e a bola será colocada sobre a linha da área penal e no ponto mais próximo de onde ocorreu a infração. Após a bola entrar em jogo, o goleiro não poderá recebê‑la de um companheiro de equipe, em sua meia quadra (de defesa), sem que a bola tenha antes sido jogada ou tocada por um adversário. Essa situação será punida com tiro livre indireto no local onde ocorreu a infração. Se o contato do goleiro 102 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III ocorreu dentro de sua própria área penal, a bola será colocada sobre a linha da área penal e no ponto mais próximo de onde ocorreu a infração, como já citado. Observação Essa situação deve ser bem explicada aos jogadores, uma vez que eles confundem achando que o goleiro, ao sair da área penal, estará apto a participar do jogo; e isto só poderá acontecer se a bola tocar ou for jogadapor um adversário. Mesmo na execução do arremesso de meta, após a bola sair da área penal, o goleiro não deverá tocar na bola novamente antes que ela seja tocada ou jogada por qualquer outro jogador. Será marcado um tiro livre indireto a favor da equipe adversária no local onde ocorreu a infração e um tiro livre direto se ele tocar com as mãos fora da sua área penal. O goleiro e os demais jogadores devem ser orientados sobre a importância do local da bola quando ele estiver efetuando uma defesa com as mãos ou no momento do arremesso, de meta ou na reposição de bola após a defesa efetuada. Pois, se estiver com o corpo fora, mas com as mãos, segurando a bola, dentro da sua própria área, será permitida a continuação do lance. Porém, deve‑se ficar atento às seguintes situações: • se ao efetuar um arremesso colocando a bola em jogo, o seu corpo estiver dentro, mas com a mão que está a bola, fora da sua própria área penal, será marcado um tiro livre direto a favor da equipe adversária; • se após o arremesso de meta a bola entrar diretamente na meta adversária, não será válido o gol. Será marcado um arremesso de meta para a equipe adversária; • se após o arremesso de meta a bola tocar em qualquer outro jogador, inclusive o goleiro adversário, e entrar na meta, o gol será válido; • no arremesso de meta, os jogadores adversários deverão estar posicionados fora da área penal do goleiro executor. Se algum jogador adversário estiver na área penal, mas não atrapalhar o lançamento, o goleiro poderá fazê‑lo; • se após o arremesso do goleiro a bola não sair da área (não entrou em jogo) e qualquer outro jogador tocá‑la ou jogá‑la, será repetido o arremesso de meta. Um tiro de canto (escanteio) será marcado quando a bola atravessar completamente a linha de meta (linha de fundo) pelo alto ou pelo solo, e passar fora da meta (gol), após ter sido tocada ou jogada pela última vez por um jogador da equipe que está na defensiva e deverá ser executado no canto mais próximo de onde saiu a bola. 103 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Para a execução do tiro de canto, a bola deverá estar apoiada no solo, dentro do quadrante (espaço demarcado onde se unem as linhas laterais e de meta), podendo mover‑se levemente. 3 Figura 68 – Tiro de canto O jogador executante do tiro de canto deverá fazê‑lo em até 4 segundos, utilizando os pés para repor a bola em jogo, não existindo restrição para a colocação do pé de apoio, ou seja, poderá estar com o pé de apoio em cima da linha lateral, da linha de meta e dentro ou fora da quadra. A bola estará em jogo, de acordo com o supracitado, e após ter sido movimentada, não sendo necessário sair do quadrante. Se ao chutar a bola contra sua própria meta, ela entrar diretamente, não será válido o gol. A partida será reiniciada com a cobrança de tiro de canto a favor da equipe adversária. A distância mínima de 5 m da bola deverá ser respeitada pelos jogadores adversários. E se a bola estiver fora do quadrante no momento da execução, o árbitro mandará repetir a cobrança, mas levará em consideração o tempo que já tinha passado após a primeira autorização. Se ultrapassar os 4 segundos para execução do tiro de canto, a equipe perderá a posse de bola e a partida será reiniciada com a cobrança de um arremesso de meta para a equipe adversária. Se o jogador ao executar o tiro de canto tocar na bola pela segunda vez consecutiva, será penalizado com tiro livre indireto para a equipe adversária no local da infração. Lembrete O gol marcado diretamente através do tiro de canto será válido somente contra a equipe adversária. 104 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III 8.10 A lei da vantagem A lei da vantagem no futsal deve ser empregada em todos os momentos da partida, assegurando aos árbitros deixar de assinalar faltas nas quais os infratores se beneficiem e após a conclusão do lance o árbitro pode mandar anotar na súmula uma falta acumulativa, ou aplicará um cartão amarelo ou vermelho ao infrator que tentou impedir, sem êxito, a continuação do lance que resultará na punição maior, a conquista do gol pelo adversário. Se na continuidade da jogada a equipe atacante não aproveitar a vantagem, o árbitro não precisará beneficiá‑la uma segunda vez, marcando a falta. Exemplo de aplicação As regras oficiais do jogo são fundamentais para que uma partida seja realizada, e para o professor de Educação Física é imprescindível que se conheça, no mínimo, as exigências básicas de cada uma das regras para que possa orientar seus alunos sobre o comportamento necessário na sua participação em um jogo. Após o conhecimento delas, em especial as que fazem parte do jogo em si e que envolvem além do conhecimento, também interpretação, assista a alguns jogos para avaliar todo o seu aprendizado e comparar com a maneira pela qual o árbitro se comportou na aplicação das regras. Resumo É do conhecimento de todos aqueles que, de alguma maneira, estão envolvidos com o futebol e o futsal – professores, treinadores, jogadores, imprensa e torcedores – a importância do saber das regras e de sua compreensão. Apresentamos no livro‑texto uma leitura especial de todas as regras dessas modalidades esportivas, de forma resumida e comentada, principalmente no que tange à parte envolvida em interpretações pessoais. No conteúdo, são mostrados apenas seus aspectos básicos necessários para que se entenda como eles interferem em um jogo. As regras podem ser adaptadas e modificadas, desde que respeitados os princípios fundamentais, para partidas disputadas por jogadores com menos de 16 anos, equipes femininas, veteranos (com mais de 35 anos) e jogadores com deficiência física. Primeiramente devemos identificar o espaço de jogo, com seus nomes, tipo de piso, dimensões para, assim, iniciamos um trabalho consciente voltado ao ensinamento do futebol aos nossos futuros alunos. O campo e 105 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS a quadra, com suas formas e medidas externas e internas, com suas linhas demarcatórias nos seus padrões internacionais – mínimos e máximos –, o que as tornam oficiais. As bolas também seguem padrões definidos, em tamanho, peso e circunferência para as diversas categorias que envolvem a prática do jogo. Para cada uma dessas modalidades, é permitida a participação de um número mínimo e máximo no espaço de jogo para que a partida possa começar ou terminar. Os jogadores devem usar equipamentos (uniformes e calçados) definidos. A condução do jogo é realizada por árbitros e auxiliares que possuem direitos e deveres como autoridades para aplicação das regras durante a partida, sempre lembrando que algumas formas de sansões, podem ser aplicadas antes do início ou após o término do jogo. O tempo de jogo no futebol é controlado exclusivamente pelo árbitro principal, enquanto no futsal isso é feito por um cronometrista; uma vez que o cronômetro será paralisado quando a bola estiver fora de jogo e com isso é considerado apenas o tempo de bola em jogo. O jogo se desenvolve com início e reinício, pautado por paralizações e continuidade, o que define quando a bola está em jogo ou fora dele. A partir da regra oito, começam a ser aplicadas as regras do jogo, às quais exigem, além do conhecimento, muita sensibilidade de interpretação e tomadas de decisão rápidas por parte da arbitragem. Essas interpretações estão diretamente relacionadas com os lances capitais e é preciso que todos os envolvidos na partida saibam os significados, os procedimentos e as punições. As regras nessas situações se referem às condições para se considerar gol, impedimento, faltas e incorreções, pênalti, lateral, tiro de meta e escanteio. Exercícios Questão 1. No que diz respeito às regras do futebol, analiseas seguintes situações ocorridas no jogo oficial do Campeonato Estadual da província de Kwata, na República de Mobuta (país fictício da África setentrional), e as afirmativas abaixo. Em rodada válida pelas quartas de final, a equipe dos Gnus Grenás F. C. enfrentava os Guepardos do Vale Sport Club e o mando de campo era dos Gnus, em seu gramado com dimensões de 85 m x 65 m. Devido a uma forte gripe generalizada, a equipe dos Guepardos entrou em campo com apenas nove jogadores, enquanto os Gnus estavam completos. Com o desenrolar do jogo, dois jogadores dos Guepardos e um dos Gnus foram expulsos. Ao fim do jogo, o goleiro dos Guepardos se machucou, teve 106 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade III que deixar o campo e não havia jogadores para substituí‑lo no banco de reservas. A partida prosseguiu com a entrada do zagueiro Mebembe no lugar do goleiro, com a autorização do árbitro. I – O jogo não deveria acontecer no campo dos Gnus, pois a medida para uma partida oficial deve ser de, no mínimo, 90 m de comprimento. II – O jogo não deveria ter sido iniciado com número reduzido de jogadores na equipe dos Guepardos. III – O jogo pode continuar com o mínimo de sete jogadores, portanto deveria ter sido encerrado pelo árbitro quando o goleiro se machucou e deixou o campo sem ter substituto. IV – Um jogador de linha que esteja jogando não pode substituir o goleiro. V – No caso de mando de campo dos Gnus, a equipe pode sugerir adequações nas regras que permitam a continuidade do jogo. Estão CORRETAS apenas as afirmativas: A) I e II. B) I e III. C) I e IV. D) I, III e IV. E) I, III e V. Resposta correta: alternativa B. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: em um jogo oficial, as medidas do campo devem ter comprimento mínimo de 90 m e máximo de 120 m; além de largura de, no mínimo, 45 m e no máximo de 90 m. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: a equipe deve ter o mínimo de sete jogadores para iniciar ou continuar uma partida. III – Afirmativa correta. Justificativa: para continuar a partida uma equipe deve ter sete integrantes. Caso um jogador tenha que deixar o campo por lesão ou expulsão, o árbitro deve encerrar a partida assim que a bola sair de campo. 107 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS IV – Afirmativa incorreta. Justificativa: um jogador qualquer pode substituir o goleiro expulso ou machucado, devendo para isso ter a autorização do árbitro. V – Afirmativa incorreta. Justificativa: as regras de uma competição não podem ser alteradas pelas equipes participantes. Elas somente devem ser adaptadas, em congresso técnico, desde que sejam respeitados os princípios fundamentais, para partidas disputadas por jogadores com menos de 16 anos, equipes femininas, veteranos (com mais de 35 anos) e jogadores com deficiência física. Questão 2. O árbitro tem autoridade para aplicar as sanções disciplinares que a regra da modalidade dispõe, antes, durante ou após o término da partida. As sanções disciplinares são os cartões amarelo e vermelho. O cartão amarelo tem a função de comunicar uma advertência, enquanto o cartão vermelho serve para informar uma expulsão do jogo. Relacione as infrações abaixo relacionadas com as abreviações (A) – cartão Amarelo e (V) – cartão Vermelho: I – Discordar das decisões da arbitragem com palavras ou ações ( ). II –Tirar ou cobrir a cabeça com a camisa na comemoração de gol ( ). III – Impedir intencionalmente com a mão um gol ou uma clara oportunidade de gol para a equipe adversária, exceto para o goleiro ( ). IV – Subir nos equipamentos de proteção do campo ( ). V – Cuspir em um adversário ( ). A sequência CORRETA de associações é: A) I‑A; II‑V; III‑V; IV‑V; V‑V. B) I‑V; II‑A; III‑V; IV‑V; V‑V. C) I‑A; II‑V; III‑V; IV‑A; V‑V. D) I‑A; II‑A; III‑A; IV‑V; V‑V. E) I‑A; II‑A; III‑V; IV‑A; V‑V. Resolução desta questão na plataforma. 108 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FIGURAS E ILUSTRAÇÕES Figura 5 WEINECK, J. Treinamento ideal. Barueri: Manole, 2003. Adaptado. Figura 6 Grupo UNIP‑Objetivo. Figura 7 Grupo UNIP‑Objetivo. Figura 8 Grupo UNIP‑Objetivo. Figura 25 FERNANDES, J. L. Futebol: da escolinha de futebol ao futebol profissional. São Paulo: EPU, 2003. p. 12. Figura 40 CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF). Regras de futebol 2016/17. Rio de Janeiro: CBF, 2016. p. 25. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. Figura 41 CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF). Regras de futebol 2016/17. Rio de Janeiro: CBF, 2016. Adaptado. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. Figura 42 CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF). Regras de futebol 2016/17. Rio de Janeiro: CBF, 2016. Adaptado. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. Figura 44 CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF). Regras de futebol 2016/17. Rio de Janeiro: CBF, 2016. p. 76. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. 109 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Figura 47 CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF). Regras de futebol 2016/17. Rio de Janeiro: CBF, 2016. p. 53. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. Figura 48 FÉDÉRATION INTERNATIONALE DE FOOTBALL ASSOCIATION. Futsal: laws of the game. Zurich: Fifa, 2014. p. 10. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. Figura 49 FÉDÉRATION INTERNATIONALE DE FOOTBALL ASSOCIATION. Futsal: laws of the game. Zurich: Fifa, 2014. p. 11. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. Figura 50 FÉDÉRATION INTERNATIONALE DE FOOTBALL ASSOCIATION. Futsal: laws of the game. Zurich: Fifa, 2014. p. 10. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. Figura 51 FÉDÉRATION INTERNATIONALE DE FOOTBALL ASSOCIATION. Futsal: laws of the game. Zurich: Fifa, 2014. p. 11. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. Figura 56 CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL DE SALÃO (CBFS). Livro de regras 2017. Fortaleza: CBFS, 2017. p. 92. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. Figura 57 CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL DE SALÃO (CBFS). Livro de regras 2017. Fortaleza: CBFS, 2017. p. 96. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. 110 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Figura 58 CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL DE SALÃO (CBFS). Livro de regras 2017. Fortaleza: CBFS, 2017. p. 66. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. REFERÊNCIAS Textuais AS ORIGENS DO PLANETA BOLA. São Paulo: Abril, 1998. (Coleção Placar – História do Futebol, v. 1). CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF). Regras do jogo de futebol 2008/09. Rio de Janeiro: CBF, 2008. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2017. ___. Regras de futebol 2016/17. Rio de Janeiro: CBF, 2016. Disponível em: .Acesso em: 20 mar. 2017. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL DE SALÃO (CBFS). Livro nacional de regras 2015. Fortaleza: CBFS, 2015. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2017. ___. Livro nacional de regras 2017. Fortaleza: CBFS, 2017. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. DE ROSE JUNIOR. Esporte e atividade física na infância e na adolescência: uma abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2002. FERNANDES, J. L. Futebol: da escolinha de futebol ao futebol profissional. São Paulo: EPU, 2003. FÉDÉRATION INTERNATIONALE DE FOOTBALL ASSOCIATION. Futsal: laws of the game. Zurich: Fifa, 2014. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2017. GERMAN FOOTBALL ASSOCIATION. Success in Soccer. Advanced Training. Münster: Philippka‑Sportverlag, 2000. LUXBACHER, J. A. Soccer practice games. USA: Human Kinetics, 1995. MELO, R. S. Futebol 1000 exercícios. 2. ed. Rio de Janeiro: Sprint, 1998. MUTTI, D. Futsal: da iniciação ao alto nível. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2003. 111 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 O SONHO VIRA REALIDADE. São Paulo: Abril, 1998. (Coleção Placar – História do Futebol, v. 2). SANTOS NETO, J. M. Visão do jogo: primórdios do futebol no Brasil. São Paulo: Cosac & Naify, 2002. THE INTERNATIONAL FOOTBALL ASSOCIATION BOARD (Ifab). Laws of the game 2016/17. Zurich: Ifab, 2016. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2017. WEINECK, J. Treinamento ideal. Barueri: Manole, 2003. Sites Exercícios Unidade II – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (Inep). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2013: Educação Física. Questão discursiva 3. Disponível em: . Acesso em: 24 maio 2017. 112 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Informações: www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000para jogar. Também serão apresentados e explicados os estágios que envolvem todo o processo de formação de um jogador, mostrando as fases sensíveis das capacidades físicas e motoras, solicitadas no desenvolvimento da prática dessas modalidades esportivas. Finalmente, será feito um apanhado comentado das regras básicas de competição necessárias a um jogador, para que ele entenda o que pode ou não ser feito durante uma partida. Em resumo, o conteúdo deste livro-texto deverá preparar o profissional para usar o futebol e o futsal de forma consciente, a fim de colocar em prática todos os princípios teóricos fundamentais para alguém da área. 9 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Unidade I 1 BREVE HISTÓRIA DO FUTEBOL 1.1 Origens do futebol Dentre os esportes conhecidos na atualidade, o futebol tem sua origem mais antiga entre todos, uma vez que muitos pesquisadores encontraram evidências e documentos que mostram a prática de muitos jogos com bola, em várias partes do mundo, considerados os ancestrais do esporte moderno. O futebol é o esporte contemporâneo mais praticado no mundo, com quase 300 milhões de adeptos, além de ser considerado o esporte nacional do Brasil. Li Bin Gu, pesquisador da Universidade de Pequim, encontrou alguns manuscritos no interior da China que mostram a existência de três tipos de jogos com bola praticados 5.000 a.C. Um desses jogos era individual, no qual se procurava demonstrar a habilidade pessoal; em uma outra forma, dois times competiam entre si, em um campo com seis gols, um em cada canto. Um terceiro tipo de jogo consistia em cada jogador controlar a bola e ir passando entre todos, sem que ela fosse derrubada ao chão. São considerados tataravós do futebol (AS ORIGENS DO PLANETA BOLA, 1998). A) B) Figura 1 – A) e B) Desenhos de manuscritos da antiga China mostrando um dos jogos com bola praticado na época Também na China, por volta de 2.500 a.C., durante a Dinastia Han, havia um jogo chamado Tsu Chu, mais uma demonstração de habilidade individual, que também era praticado pelo imperador amarelo, que gravou nas pedras de um túmulo encontrado no interior sua imagem e se considerava o primeiro jogador de futebol da história. Outro jogo com bola era praticado pelos nobres japoneses, por volta de 2.000 a.C. Denominado de kemari, até hoje é realizado em algumas festas religiosas japonesas, em especial, na cidade de Quioto. O jogo consiste em reunir um grupo de jogadores com trajes típicos especiais e tem como objetivo 10 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade I controlar a bola feita de bexiga de boi ou fibras de bambu, que, sem deixar cair, vão passando de pé em pé entre todos os participantes. Figura 2 – Cerimônia inicial que antecede o jogo Kemari praticado no Japão há 2.500 a.C. Mais recente que o jogo dos japoneses, a cerca de 800 a.C., na Grécia Antiga, os soldados gregos praticavam um jogo com bola mais organizado, em equipes de 15 jogadores, distribuídos em um campo retangular, usando uma bola de bexiga de boi recheada de areia e ar. Ele era executado também pela população nos quartéis; a sua finalidade principal era o treinamento físico dos militares. Quando os romanos dominaram a Grécia, entraram em contato com a cultura desse povo e assimilaram muitas de suas atividades. Dentre elas, passaram a usar também o Epyskiros dos gregos para treinamento de seus soldados, porém com regras mais rígidas tanto na disputa quanto no posicionamento dos jogadores em campo. No campo, os jogadores eram distribuídos em linha de defesa e ataque e tinham que atravessar as linhas inimigas, usando uma bola de bexiga de boi coberta por uma capa de couro, combinando passes com os pés e as mãos, esse jogo era denominado de Harpastum. Na Bretanha, em 50 a.C., era praticado um jogo chamado choule. Não existe uma prova com documentos, mas os moradores dizem que foi trazido pelo imperador romano Júlio Cesar e consistia em manter a posse de bola nas mãos durante o maior tempo possível. Figura 3 – Desenho de gravuras antigas mostrando a prática de jogo de índios do norte do Canadá 11 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Já na nossa Era, na Inglaterra, em 1175, havia um tipo de jogo praticado em várias cidades inglesas, no qual os moradores chutavam uma bola de couro pelas ruas representando a cabeça de oficiais do exército invasor na Guerra Anglo-saxônica que tinham suas cabeças decepadas e entregues para os soldados vitoriosos chutarem. A popularidade desse jogo cresceu muito e se tornou violenta e desleal, com socos, pontapés e relatos até de pauladas nos adversários, além de desviar a atenção dos jovens da prática do arco e flecha, considerado um esporte mais útil no seu preparo para as guerras. Em função desse lado negativo, o rei Eduardo II proibiu a prática do jogo de forma definitiva. Apenas em 1529, surge na cidade de Florença, na Itália, uma manifestação futebolística mais semelhante ao jogo praticado nos dias de hoje, que foi o calcio fiorentino. A partir de 1580, o jogo chamado giogo del calcio recebeu as primeiras regras normativas, nas quais as equipes deveriam ser formadas por 27 jogadores, distribuídos em linhas de 15 atacantes, 5 defensores avançados, 4 em uma terceira linha e 3 defensores de meta. Figura 4 – Reprodução de uma cena do calcio fiorentino Esse jogo dos italianos é considerado o que evoluiu para se transformar no futebol moderno alterado pelos ingleses. No século XVII, os reis britânicos permitiram a volta da prática dos jogos com bola no país, através do retorno de refugiados ingleses que viviam na Itália e foram contaminados pelo calcio italiano. Em 1681, foi disputado o primeiro jogo entre os servos do rei Carlos II e do conde D’Albemarie. Começava assim o futebol dos tempos modernos. O jogo se popularizou de forma muito rápida em toda a Inglaterra, chegando às escolas públicas, principalmente à Escola Harrow, em 1830, que fez algumas mudanças para evitar a violência, eliminando as corridas com a bola nas mãos e permitindo apenas o uso dos pés. A nova regra começou a confundir os praticantes, que quando entravam nas universidades encontravam a prática do jogo tradicional. Ao chegar na Universidade de Cambridge, aconteceu uma reunião para unificação das regras. 12 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade I Mais tarde, em 1857, é fundado o primeiro clube de futebol fora do ambiente escolar, o tradicional Shefield F.C., e, em 1861, o Wanderers, que praticavam um jogo igual ao da Escola Harrow, dando início à popularização do jogo com os pés. Dois tipos de jogos eram, então, praticados, mas na tentativa de definir o mais popular e torná-lo único foi realizada uma reunião entre todos os dirigentes para determinar o destino desse jogo com bola. O encontro aconteceu em 1862, em uma taberna de Londres, e, como não houve consenso para a escolha, foi feita uma votação entre os participantes; o jogo com os pés da Escola Harrow foi o escolhido, dando origem ao futebol, enquanto o que usava a corrida com a bola nas mãos se tornou o Rugby. 1.2 Evolução do futebol Definido o jogo a ser oficializado, ele passou a ser chamado de futebol para se diferenciar dos demais. Nessa mesma reunião, foram escritas as primeiras regras e fundada a primeira confederação de futebol, a Football Association (FA). Começa assim, a história do esporte das multidões. Na década de 1870, o esporte começou a ser conhecido e jogado em todo o mundo, através de operários e imigrantes ingleses; também ocorreu o primeiro jogo entre seleções de dois países, Inglaterra e Escócia, que terminou em 0 x 0, em 1872. O futebol chegou à América do Sul em 1862, através dos ingleses, que vieram para a construçãoda estrada de ferro de Buenos Aires e jogavam aos finais de semana, logo, eles criaram o primeiro time no colégio inglês dessa cidade, o Alumini. A equipe de futebol Alumini também foi a primeira a fazer um jogo internacional no continente sul-americano e saiu vitoriosa contra um combinado de ingleses da África do Sul, em 1906. Nessa mesma época, o futebol chegou ao Uruguai quando ingleses se estabeleceram na capital, Montevidéu, para a construção da estrada de ferro daquele país. Fundaram o Colégio Britânico, no qual os seus filhos estudariam e aprenderiam a jogar futebol, através do diretor da escola que lhes ensinava o jogo. Foi também fundado o Clube de Críquete, que mais tarde se tornaria o tradicional Penãrol, uma das grandes equipes do futebol sul-americano. Embora no Brasil esse jogo já fosse praticado desde 1874 por marinheiros ingleses quando aportavam no Brasil, oficialmente o esporte apenas chegou em 1894, através de um filho de ingleses aqui residentes, que ao voltar da Inglaterra, onde completou seus estudos, aprendeu a jogar e trouxe bolas de futebol, pensando em ensinar o jogo em alguns clubes paulistas, como Paulistano, Internacional, São Paulo Athletic Club (Spac) e Mackenzie, equipes essas que jogaram o primeiro campeonato de futebol no Brasil, a partir de 1900. Esse jovem, brasileiro, filho de ingleses, se chamava Charles William Miller, que se tornou o patrono do futebol brasileiro. 13 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Existem muitos relatos de outros locais onde se jogava o futebol em nosso País, porém essa breve introdução já é suficiente para dar uma pequena dimensão da chegada do esporte. O futebol já era uma realidade na Europa e na América do Sul e começaram a ser realizados jogos entre seleções nos dois continentes, nos jogos olímpicos, o futebol já era a maior atração. Os sul-americanos se tornaram grandes expressões dos jogos e o Uruguai se tornou o primeiro campeão olímpico ao vencer em duas ocasiões, 1924 e 1928. O sucesso do esporte nos jogos olímpicos originou a ideia através do então presidente da Fédération Internationale de Football Association (Fifa), o francês, Jules Rimet, de se realizar uma Copa do Mundo só com equipes de futebol, que seria disputada em 1930. A sede escolhida foi o Uruguai, e 13 países participaram dessa primeira Copa do Mundo de futebol, na qual aconteceu uma final sul-americana entre Uruguai e Argentina, vencida pelos donos da casa, que se tornaram os primeiros campões mundiais do esporte. Saiba mais Para obter uma complementação importante e detalhada sobre os primórdios do futebol no Brasil, leia: SANTOS NETO, J. M. Visão do jogo: primórdios do futebol no Brasil. São Paulo: Cosac & Naify, 2002. 2 BREVE HISTÓRIA DO FUTSAL A vitória do Uruguai na primeira Copa do Mundo de futebol, em 1930, causou uma motivação ainda maior pela prática do esporte no país. Embarcando nessa realidade vigente do futebol em alta, a Associação Cristã de Moços (ACM) de Montevidéu introduziu um novo jogo derivado do futebol, a ser jogado em quadras de esportes, denominado inicialmente de Indoor Football, com as regras adaptadas e menor número de jogadores, de cinco a sete. Esse novo jogo passou a ser praticado em todas as ACMs espalhadas por outros países. No Brasil, foi introduzido por dois professores secretários e diretores de Educação Física da ACM, e passou a ser chamado de futebol de salão. Apenas em 1933 foram escritas pelo professor Juan Carlos Ceriani, da ACM de Montevidéu, as primeiras regras desse novo jogo com bola, baseadas em futebol, polo aquático, handebol e basquetebol. No início, o número de atletas variava muito, com cinco, seis e sete jogadores por equipe, até ficar definitivamente estabelecido o total de cinco jogadores, como é atualmente. 14 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade I A bola passou por uma série de transformações que, para serem mais pesadas, eram recheadas de serragem, crina vegetal, cortiça granulada para diminuir o tamanho e aumentar o peso, até atingirem o ideal regulamentado usado pelas regras atuais. A partir das ACMs de São Paulo e Rio de Janeiro, o esporte passou a ser mais divulgado e assim chegou aos clubes e às escolas que começaram a massificar a prática do jogo, tornando-o cada vez mais popular. O primeiro torneio aberto da modalidade, para homens entre 10 e 15 anos, se deu no Rio de Janeiro, em 1949, e no ano seguinte, aconteceu em São Paulo o grande campeonato aberto da cidade, que estimulou a formação de várias entidades oficiais e também autônomas para organizar torneios. Em 1954, foi fundada no Rio de Janeiro a Federação Metropolitana de Futebol de Salão e, em 1955, a Federação Paulista de Futebol de Salão que, em conjunto, iniciaram os primeiros intercâmbios de caráter nacional. Em 1958, a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), oficializou o jogo nas entidades filiadas, por todo o Brasil, e passaram a ser realizados, os campeonatos estaduais e nacionais de clubes e seleções. Nas décadas de 1960 e 1970, com a modalidade como desporto organizado e regulamentado começa a se espalhar pelo continente, é fundada a Confederação Sul-americana de Futebol de Salão (CSFS) e tem início os primeiros campeonatos de clubes e seleções. A Federação Internacional de Futebol de Salão (Fifusa) foi fundada no Rio de Janeiro, e com a extinção da então CBD foram criadas várias confederações desportivas, dentre elas, a Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS) com sede no Rio de Janeiro. No ano de 1982, foi disputado o primeiro Campeonato Mundial de Futebol de Salão em São Paulo, no qual o Brasil se sagrou campeão, vencendo o Paraguai na final. Na mesma década de 1980, em uma fusão com o futebol de cinco, que era uma prática já reconhecida pela Fifa, surge o Futsal e com essa nova denominação se torna, oficialmente, um esporte internacional, dando o primeiro passo para transformar-se num esporte olímpico, com a inclusão nos Jogos Olímpicos de Sidney, na Austrália, em 2000, e nos Jogos Pan-americanos de 2007, no Rio de Janeiro. Embora a origem desse esporte tenha sido o Uruguai, a sua evolução ocorreu no Brasil, daí a ser reconhecido como um esporte genuinamente do nosso País. Os fatos históricos são de grande relevância para a evolução de todas as coisas. Da mesma forma, o conhecimento da história do futebol e do futsal contribuíram para dar a forma final ao jogo que conhecemos hoje e são a base para novas descobertas. 15 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS 3 PROCESSO PARA ENSINO E DESENVOLVIMENTO DO FUTEBOL E DO FUTSAL O futebol é um esporte universal praticado e reverenciado em todo o mundo, envolvendo todas as classes culturais, sociais e econômicas, sem distinção de raça ou sexo. Dentre muitos outros fatores, é uma atividade esportiva de fácil acesso, pois qualquer espaço é o suficiente para se ter o primeiro contato com a bola, que também é o primeiro presente que os pais costumam dar aos seus filhos, logo no princípio de suas vidas. Toda a iniciação a esse esporte é feita em locais às vezes inimagináveis, como no interior da própria casa, quintais, ruas com os mais variados tipos de piso, terrenos baldios, recreio escolar, praias etc., e a partir daí se desenvolve em diversos níveis, dentro de um processo em longo prazo. Conforme os objetivos de cada pessoa, o jogo pode ser praticado como esporte escolar, usado como ferramenta educacional, e aí temos uma primeira modalidade desse jogo, identificado como futebol escolar. Outra forma de uso envolve a prática da atividade em busca de uma vida mais saudável, usando-a de modo motivacional, no formato de jogo, com isso, o indivíduo mantém o corpo em atividade física e mental, ao mesmo tempo sustentandoou desenvolvendo a sua vida social, através da convivência em grupo, que se une em torno da prática do esporte. Finalmente, o futebol foi jogado como competição de alto nível; atividade essa voltada para o rendimento de profissionais. 3.1 Futebol e futsal como esportes educacionais Na atual conjuntura da educação como um todo, e da educação física, em especial, o Brasil passa por momentos de interrogações e incertezas sobre a eficiência do sistema educacional, visto que os índices de avaliação da eficiência do nosso ensino não é motivo de entusiasmo para os responsáveis. Muitos são os problemas que estão influenciando negativamente esses resultados, e para os professores de Educação Física a análise da realidade deve ser voltada à eficiência da aplicação da matéria como contribuição no processo educacional em sua totalidade. Diante do problema, muito se tem discutido na área da educação física, em particular, com relação ao uso do esporte como uma ferramenta da educação integral das crianças e jovens em sua formação. Entre os educadores, técnicos, pais e atletas existe unanimidade em afirmar que o esporte é de grande importância dentro do processo educacional e social. Muitas reflexões, debates e pesquisas têm mostrado o quanto o esporte é benéfico para a educação em diversas circunstâncias e de forma incontestável e prazerosa. 16 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade I O futebol como tal, além de entusiasmar as pessoas a praticá-lo, por ser um esporte muito popular e de fácil aplicação, no sentido educacional, é composto de muitas peças indispensáveis à formação das crianças. Evidentemente, existem pontos negativos que podem ser evitados quando a sua aplicação com essa finalidade educativa é feita com critérios e objetivos definidos. Ferraz apud De Rose Junior (2002, p. 25-38), lembra que a competição deve ser considerada sob o ponto de vista da criança e, não, do adulto. Na literatura podem ser encontradas as opiniões de muitos especialistas e estudiosos no assunto. Em resumo, apenas para ilustrar esse assunto, vamos citar algumas das conclusões importantes encontradas em várias publicações, nas quais todos são unânimes em afirmar quais são as mais relevantes contribuições educacionais do esporte, incluídos o futebol e o futsal: • formação do caráter; • desenvolvimento da personalidade; • elaboração de um estilo de vida; • aquisição dos valores do fair play; • evolução pessoal; • socialização; • aceitação de regras; • submissão à hierarquia e as autoridades, como professores, técnicos, árbitros e dirigentes. A inclinação educativa ou não do esporte depende apenas da maneira como ele é conduzido, da forma como é elaborado o projeto pedagógico da escola, de quais objetivos se visam com a sua prática e qual é a sua orientação. Assim, para que o esporte através do futebol possa contribuir no processo educacional, ele deverá ser utilizado como um meio e, não, um fim. 3.2 Futebol e futsal voltados para a saúde e o lazer A consciência da necessidade de se ter uma qualidade de vida, no mínimo boa, tem levado a população a considerar a prática de atividades físicas como elemento fundamental na busca de uma vida saudável, que vêm contribuindo, dentre outros fatores, com o aumento da expectativa de vida, tornando os índices de avaliação dessa conquista cada vez mais altos. Um dos fatores que vêm favorecendo para isso é a prática de atividades físicas não apenas na idade adulta, mas principalmente na terceira idade. 17 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS A execução do futebol e do futsal está entre as atividades mais utilizadas com finalidades de lazer e, ao mesmo tempo, como forma de atividade física voltada para se manter um estado de saúde importante, para enfrentar as dificuldades da vida cotidiana e minimizar os problemas físicos naturais das idades avançadas. Exemplo de aplicação O futebol e o futsal, como esportes universais, são adorados e praticados em todos os níveis da sociedade e fazem parte do currículo escolar, para serem utilizados de ferramenta educacional ou nas atividades físicas da população, em geral, como lazer e saúde, além da prática profissional. Reflita sobre as formas de utilização dessas modalidades esportivas, procurando entender claramente de que maneira podem ser pedagogicamente utilizados para atender aos verdadeiros objetivos de suas diferentes formas de aplicação. 3.3 Futebol e futsal como esportes de rendimento Agora, trataremos do lado mais complexo do esporte, o esporte de rendimento, resultados, cobranças e alta complexidade, aquele para profissionais e atletas de alto-nível. Quando se pensa no futebol ou futsal nesse patamar, tanto o praticante (atleta) quanto o professor (técnico) são indivíduos selecionados para esse fim, que envolve um alto preparo físico, técnico, tático e psicológico da parte do jogador e do professor, um elevado nível de conhecimento específico em metodologia do treinamento esportivo e ciências do esporte, sem se esquecer de que a vivência prática anterior é uma ajuda muito importante. Portanto, o professor precisa estar preparado nesse alto grau de conhecimento, para que possa explorar em seu jogador a capacidade de desempenho esportivo que o conduza no caminho para atingir o desempenho ou rendimento esperado. A capacidade de desempenho esportivo é, devido a sua composição multifatorial, de difícil treinamento. Somente o desenvolvimento harmônico de todos os fatores determinantes do desempenho possibilita que se obtenha um alto desempenho individual (WEINECK, 2003, p. 22). Lembrete A capacidade de desempenho esportivo representa o grau de expressão de uma determinada performance motora e esportiva e, devido à complexidade, é estabelecida por inúmeros fatores específicos. 18 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade I A seguir, serão apresentados todos os componentes da capacidade de desempenho esportivo, nos quais fica claro a complexidade do assunto e também como orientação para o nível de preparação do professor como condutor do treinamento nesse nível de esporte. Capacidade de rendimento esportivo Capacidades táticas e cognitivas Fatores constitucionais, físico e relacionados à aptidão SociabilidadeCapacidades psiquicas Técnica Capacidades coordenativas Aptidão para movimentos Força Velocidade Resistência Flexibilidade Condição Figura 5 – Componentes da capacidade de rendimento ou desempenho esportivo Para Weineck (2003), o planejamento da capacidade de desempenho esportivo envolve uma série de componentes que devem ser constantemente revistos e aperfeiçoados, tais como: objetivos do treinamento, programas de treinamento, meios de treinamento e métodos de treinamento. 3.3.1 Objetivos do treinamento Dentro de um processo em longo prazo, os seguintes objetivos devem ser considerados: • objetivos psicomotores, que compreendem os fatores condicionais do desempenho, como a força, a resistência, a velocidade e suas subcategorias, mais as capacidades coordenativas e aptidões técnicas; • objetivos cognitivos, ligados aos conhecimentos da área técnica e tática; • objetivos afetivos, representados pela força de vontade, autoconfiança e autocontrole, que estão relacionados com os fatores de desempenho físico. 3.3.2 Programas de treinamento Aqui está o âmago do treinamento esportivo, é a parte concreta na qual será colocado em prática tudo o que foi planejado para se atingir o desempenho desejado. O tempo e a velocidade para se conseguir a boa performance estão diretamente ligados com a escolha dos exercícios adequados, ao fim que se persegue, a economia e a eficácia desses exercícios. 19 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOSDependendo da finalidade do treinamento, os exercícios podem ser dirigidos para o condicionamento físico, aprendizagem, desenvolvimento, aperfeiçoamento e melhora da performance técnica e tática, portanto, o condutor do treinamento precisa não apenas conhecer uma gama extensa e variada de exercícios, mas saber a que propósito cada um deles serve, a fim de que realmente atendam às necessidades reais, para que o praticante ou jogador possam usufruir dos seus benefícios. Uma terminologia muito adequada e fácil de ser entendida, identifica esses exercícios de forma diretamente ligada aos propósitos e às utilidades de cada um, assim denominados: • exercícios formativos: visam ao condicionamento físico, podendo ser classificados de acordo com sua abrangência, geral ou especial; • exercícios formativos gerais: utilizados no condicionamento físico geral, dirigidos, por exemplo, para os músculos ou grupos musculares considerados pilares que sustentarão a base geral do condicionamento; • exercícios formativos específicos: responsáveis pelo desenvolvimento da cadeia muscular, especificamente solicitada na prática de futebol ou futsal; • exercícios educativos: dirigidos para movimentos ou ações técnicas solicitadas na prática do jogo. São os movimentos particulares de cada um dos fundamentos técnicos requeridos para se jogar futebol ou futsal. 3.3.3 Métodos de treinamento No treinamento esportivo, os métodos significam os procedimentos didáticos utilizados pelo professor, pelos quais ele utiliza com mais eficiência os exercícios selecionados no desenvolvimento do treinamento para atingir com eficiência os objetivos propostos. Dependendo da finalidade, do nível ou do estágio em que o treinamento vai ser aplicado, existe uma metodologia mais apropriada para se atingir os objetivos. De forma geral, de acordo com o objetivo, a escolha da metodologia se torna opcional entre os muitos métodos existentes, método analítico, método global, método do jogo, método dos exercícios complexos e a metodologia do treinamento esportivo. 3.3.3.1 Método analítico É muito eficiente para o ensino da técnica esportiva, porém adequado quando feito em partes, passo a passo, até que todas as ações sejam aprendidas para se tornarem uma unidade, e, assim, cada fundamento técnico é construído separadamente envolvendo um trabalho em longo prazo. Como virtude, esse processo é o mais eficiente para um aprendizado sem erros, por possibilitar um trabalho conduzido e o desenvolvimento da coordenação bilateral, que proporciona a aprendizagem da técnica executada com pé direito e esquerdo, com a mesma eficiência. 20 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade I Por outro lado, a aprendizagem é mais demorada e, por isso, dependendo da atuação do professor, pode não motivar o aprendiz. Ela também torna a prática muito mecanizada, sem desenvolver a naturalidade e a criatividade do aluno. 3.3.3.2 Método global Ele é caracterizado pela utilização do jogo em si, no qual se aprende jogando futebol ou futsal com as regras normais ou adaptando algumas delas, caso seja necessário, por exemplo, eliminando impedimento ou cobrando lateral com o pé, como no futsal etc. Esse método é aquele que mais motiva os praticantes, principalmente a criança, porque ela quer jogar, porém a partida deve ser conduzida com cuidados, pois se não houver a interferência do professor quando ocorrerem erros, a aprendizagem pode acarretar problemas de execução técnica, que podem prejudicar o desempenho futuro. Além disso, por ser a forma mais natural de aprender a jogar, cada praticante usará o pé que ele tem mais facilidade e, com isso, atrapalhará a aprendizagem completa ou o desenvolvimento bilateral da coordenação motora. Essa deficiência em utilizar ambos os pés para jogar se tornará um problema, praticamente sem possibilidades de correção adequada no futuro. Em contrapartida, é o modo mais adequado para desenvolver a criatividade, em função de que cada jogador precisará encontrar as soluções adequadas para as dificuldades que surgem a todo momento, são as denominadas tomadas de decisões. 3.3.3.3 Método do jogo Não deve ser confundido com o método global. Ele usa formas de jogos adaptados não só para a aprendizagem, mas também para praticantes em estágio avançado; é muito utilizado no estágio de alto nível por jogadores profissionais, visto que é uma tendência no treinamento do futebol moderno. Os jogos utilizados são desenvolvidos em espaços reduzidos adequados ao número de alunos ou jogadores participantes, envolvendo disputas de 1x1, 2x2, 3x3 e, assim por diante, além de equipes em inferioridade numérica, como 2x3, 3x4, 4x5 etc. Apresentaremos um exemplo para que a ideia desse método seja entendida a partir de um jogo adaptado de 1x1, no qual é treinada a base da partida, que é o confronto direto. A partida é disputada em um campo de 15 m x 25 m, com cones separados em 1 m. Próximo aos gols se coloca um jogador, que rapidamente substituirá aquele do lado em que acontecer o gol, e assim vão se revezando. 21 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Figura 6 – Exemplo de um jogo de 1x1 aplicado ao futebol e ao futsal 3.3.3.4 Método dos exercícios complexos Como a própria denominação sugere, esse processo é aplicado através da utilização de exercícios educativos de elevado grau de habilidade técnica, o que os torna de grande complexidade e, por isso, é usado apenas para aperfeiçoamento e domínio dos fundamentos técnicos. Observação Não é adequado para crianças ou iniciantes, uma vez que não se encontram preparados para realizar os exercícios devido às dificuldades mecânicas exigidas na sua execução. Trata-se de um método usado apenas no estágio de avançados e domínio. Através dele, se consegue aperfeiçoar e lapidar as ações técnicas, preparando o jogador para executar, com segurança, todos os fundamentos técnicos que compõem o jogo. Por exemplo, temos: Figura 7 22 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade I No exercício individual, o atleta executa o controle da bola e, ao sinal do professor, o aluno dá um toque alto na bola, para trás, faz um giro e retoma o controle da bola, antes que ela caia no chão e assim prossiga. Figura 8 Em duplas, cada um com uma bola, de frente para o outro, controlando-a. Ao sinal dado pelo professor, eles trocam de bolas, fazendo um passe pelo alto e retomando o controle da bola sem que ela caia no chão. Observação Todos os métodos utilizados para ensino e desenvolvimento da técnica possuem seus pontos positivos e negativos, o que torna de extrema importância a escolha que atenda às necessidades. 4 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO Correspondem a muitos fatores que influenciam um processo de treinamento – biológicos, psicológicos, pedagógicos etc. (WEINECK, 2003). As considerações aqui apresentadas são apenas como fonte de orientação e esclarecimento dos cuidados a serem tomados pelo profissional que pretende atuar no futebol ou no futsal de alto rendimento. São os princípios gerais do treinamento desportivo. Esses princípios servem para todas as modalidades esportivas e funções do treinamento. Eles determinam o programa e o método a ser utilizado, bem como a organização do treinamento, e constituem parâmetros para o treinador e atleta, uma vez que se relacionam com a utilização consciente e complexa de normas e regularidades em um processo de treinamento (WEINECK, 2003, p. 27). 23 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Em resumo, suas características envolvem os seguintes princípios: • Princípio da sobrecarga para a ruptura do efeito de adaptação: — princípio da sobrecarga eficaz; — princípio da sobrecarga individualizada; — princípioda sobrecarga progressiva; — princípio da sequência correta da sobrecarga; — princípio da variação da sobrecarga; — princípio da alternância da sobrecarga; — princípio da relação ideal entre sobrecarga e recuperação. • Princípio dos ciclos para assegurar a adaptação: — princípio da sobrecarga progressiva; — princípio da periodização da sobrecarga. • Princípios da especialização para especificação do treinamento: — princípio de adequação à idade; — princípio do direcionamento da sobrecarga. • Princípio da proporcionalidade: — princípio da relação ideal entre formação geral e específica; — princípios da relação ideal entre desenvolvimento e componentes do desempenho. • Elaboração do treinamento. E finalmente, a parte de escrever seu plano de treinamento, que envolve local, material, sessão de treinamento (parte inicial: aquecimento, parte principal – aplicação do conteúdo programado – e a parte final – recuperação. Todas as considerações feitas até o momento estão direcionadas para a visão geral, necessária como base para entender todo o processo ao ensino e desenvolvimento do futebol e do futsal, conforme o nível de atuação de um profissional da área. 24 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade I Esse aspecto está representado a seguir e sintetiza as preocupações básicas como ponto de partida para a compreensão de todo o processo de atuação dos responsáveis pelo desenvolvimento de um programa com suas diferentes finalidades. Lembrete A sessão de treinamento é composta de aquecimento em sua parte inicial e aplicação do conteúdo programado na parte principal, além de recuperação na parte final. Quadro 1 – Visão geral de objetivos, metodologia e meios para o planejamento das atividades ligadas aos diferentes níveis em que se pratica o jogo Níveis Objetivos Metodologia Meios Futebol/futsal escolar Aprendizagem da técnica ou gesto motor Método do jogo Método global Método analítico Jogos adaptados Jogo normal Sequência pedagógica Futebol/futsal saúde e lazer Desenvolver e aperfeiçoar a técnica Método global Método do jogo Método dos exercícios complexos Jogo normal Jogos adaptados Exercícios educativos: individuais, em duplas, trios etc. Futebol/futsal alto rendimento (profissional) Performance ou alto nível Aplicação dos princípios do treinamento esportivo Preparação física, técnica e tática Saiba mais Para que possa ter informações mais detalhadas sobre os temas abordados, leia: WEINECK, J. Treinamento ideal. Barueri: Manole, 2003. Resumo O futebol é um esporte universal cuja origem remonta há séculos. As referências mais antigas datam de 5.000 a.C., através de documentos e outras evidências arqueológicas encontradas na China, os quais mostram que os chineses praticavam três tipos de jogos com bola, usando os pés para movimentá-la. 25 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Ao longo da história, muitos outros achados comprovam que em todas as partes do mundo ocorriam jogos semelhantes com finalidades diversas, como: cultos religiosos, preparação dos soldados nos quartéis e demonstração individual de habilidades; controlando a bola com os pés; além de diversas outras formas que foram evoluindo para o futebol moderno. Os responsáveis pelo estabelecimento do jogo atual foram os alunos de uma escola pública inglesa que, na década de 1830, definiram uma forma de jogo diferente da que era usada na época; um jogo entre duas equipes, que consistia em correr com a bola nas mãos, além de chutá-la e até agarrar o adversário. Nessa escola, o jogo foi modificado, passando a ser praticado apenas usando os pés para fazer o gol. Essa nova forma ganhou a simpatia de todos até que sua popularidade levou dirigentes da época a adotarem-no oficialmente e chamá-lo de futebol. Escreveram suas regras e fundaram a primeira associação do jogo, a FA, em 1862. O novo jogo passou a ser praticado em vários países da Europa, onde também fundaram associações e ligas. Posteriormente, o esporte chegou à América do Sul, trazido pelos marinheiros e ferroviários ingleses que vieram a trabalho em alguns países desse continente. E, assim, o esporte desembarcou no Brasil. Começaram campeonatos e jogos de seleções entre muitos países e o jogo passou a ser um esporte olímpico já nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em 1896, embora somente como esporte de demonstração, tornando-se universal. Em virtude do seu desempenho nas olimpíadas, os dirigentes de várias partes do mundo discutiram e concluíram pela realização de uma copa mundial de futebol entre todas as seleções do mundo. Assim, aconteceu o primeiro campeonato mundial de futebol que ocorreu no Uruguai em 1930. Devido ao sucesso da realização da copa em seu país, todos queriam jogar futebol; foi quando a ACM de Montevidéu passou a usar suas quadras para jogar futebol com menor número de jogadores. Dessa forma, através dessa entidade, essa adaptação do futebol chegou ao Brasil, onde foi, constantemente, recebendo mudanças e passou a ser chamado de futebol de salão. O sucesso do futebol de salão ganhou o mundo até que a Fifa consolidando-o oficial, mudando o seu nome para futsal, tornando esse 26 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade I jogo praticado em todo o mundo. Hoje, o futebol e o futsal são populares e praticados em todas as faixas etárias, com várias finalidades e usados como ferramentas educacionais nas escolas. Dependendo dos objetivos com que são praticados, envolvem um tipo de preparação diferenciada para atender às suas finalidades. O preparo para a atuação como professor, que irá conduzir o treinamento nesses diversos níveis, envolve conhecimentos teórico e prático diferenciados a fim de suprir as exigências de cada praticante. Para isso, mostramos quais são os primeiros passos na formação do condutor desse processo, que corresponde à base para a compreensão necessária. Exercícios Questão 1. Diversas atividades com bola foram registradas na história antiga, muitas delas jogadas com os pés e com características organizadas de ataque e defesa. No entanto, o futebol contemporâneo organizado como modalidade esportiva regulamentada, institucionalizada, foi desenvolvido na Inglaterra, no século XIX. Qual alternativa explica melhor como ocorreu o processo de formação do futebol moderno? A) O futebol se desenvolveu, a princípio, em fábricas de tecido nas periferias de Londres, quando, nos intervalos de trabalho, os funcionários praticavam um jogo rudimentar com uma bola feita de couro com estopa. Mais tarde, estas fábricas fundaram clubes para a prática e campeonatos para entreter os funcionários. B) Os marinheiros ingleses, influenciados por um jogo com bola denominado choule desenvolvido nas ilhas escocesas, praticavam a modalidade bastante violenta em quaisquer praias e portos que se instalavam, por todo mundo, ajudando a criar unidades de prática e clubes por todo o planeta. C) O futebol se desenvolveu nas escolas aristocráticas inglesas, onde foi regulamentado e sistematizado para ser um jogo menos violento e mais dinâmico, e teve sua origem no cálcio fiorentino; modalidade bastante violenta praticada em Florença. D) O futebol se desenvolveu a partir do rugby, modalidade praticada na Inglaterra há muitos séculos, que consistia em conduzir a bola com passes e chutes até a linha adversária. Esta atividade teve origem em uma prática dos exércitos anglo-saxões do século XI, quando os inimigos vencidos tinham suas cabeças decepadas e lançadas aos soldados para diversão e exemplo. E) O futebol se desenvolveu na China, a partir de uma modalidade muito antiga chamada Tsu Chu, por volta de 2.500 a.C., durante a dinastia Han. O próprio imperador chinês praticava a modalidade que serviu de base para as regras do futebolmoderno. Resposta correta: alternativa C. 27 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: as fábricas instituíram equipes de futebol apenas após a regulamentação da modalidade feita nas escolas aristocratas. B) Alternativa incorreta. Justificativa: os marinheiros jogavam diversas modalidades em suas viagens e passaram a praticar o futebol após sua institucionalização em meados de 1850, mas a origem do desenvolvimento do futebol se deve às escolas inglesas. C) Alternativa correta. Justificativa: nas escolas aristocráticas, diretores e professores promoveram assembleias com os alunos e determinaram regras que deixassem o jogo menos violento, mais dinâmico e mais pedagógico. D) Alternativa incorreta. Justificativa: o futebol e o rugby têm a mesma origem, o jogo popular praticado na Inglaterra; ambas as modalidades foram regulamentadas visando definir os padrões de jogos e evitar a violência. E) Alternativa incorreta. Justificativa: o jogo com bola praticado na China é apenas uma ilustração de como em vários lugares do mundo e em diversas épocas distintas os povos tinham jogos praticados com bolas. No entanto, a modalidade chinesa antiga não tem qualquer relação cronológica com o futebol moderno. Questão 2. “O futebol já era uma modalidade bastante popular na Europa e na América do Sul no início do século XX, quando começam a ser realizados jogos entre equipes e seleções dos dois continentes; nos Jogos Olímpicos, o futebol era uma grande atração. Os selecionados sul-americanos eram referências nos Jogos e o Uruguai se tornou o primeiro bicampeão olímpico, em 1924 e 1928. O sucesso da modalidade, nos Jogos Olímpicos, fez surgir o projeto do então presidente da Fifa, o francês Jules Rimet, de se realizar uma Copa do Mundo só com equipes de futebol, que seria disputada no ano de 1930. O país sede para a primeira Copa do Mundo de Futebol foi o Uruguai e treze países participaram dessa edição, que teve uma final sul-americana entre Uruguai e Argentina, vencida pelo Uruguai, o primeiro campeão mundial de futebol” (Santos Neto, 2002). De acordo com o texto acima pode-se afirmar que: I – O futebol já era uma modalidade mundialmente conhecida no início do século XX. 28 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade I II – O futebol tinha se espalhado por todos os continentes do globo e se tornara um esporte de multidões. III – O futebol já era uma grande atração no início do século XX por ocasião da realização dos Jogos Olímpicos. IV – A seleção da Argentina foi bicampeão olímpica de futebol nos anos de 1924 e 1928. V – A primeira edição da Copa do Mundo de Futebol aconteceu, em 1930, no Uruguai, e na ocasião os anfitriões foram campeões. Estão CORRETAS apenas as afirmativas: A) I, II e III. B) I, III e IV. C) I, II e IV. D) I, III e V. E) I, IV e V. Resolução desta questão na plataforma. 29 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Unidade II 5 PROCESSO PARA ENSINO E DESENVOLVIMENTO Procuramos fazer uma apresentação do futebol e do futsal no sentido de que fossem entendidos como modalidades de grande aceitação, as quais estão envolvidas a participação de um público muito variado que usufrui de sua prática com finalidades distintas dependentes de vários fatores; os quais determinam o rumo a ser tomado por todos os usuários dessas modalidades esportivas. Conforme o nível com que são praticados, professores ou treinadores precisam de um conhecimento muito particular dirigido para cada fim. Em última análise, sempre é necessário visualizar no planejamento das atividades quatro ideias ou palavras que definem os rumos a serem perseguidos: quando, como, onde e porquê. • Quando: ensino e desenvolvimento de futebol ou futsal podem ser realizados em um processo em longo prazo, composto de estágios ou etapas, ou conforme um planejamento em médio prazo em um ciclo que pode ser o período de formação escolar ou em escolinhas de futebol e, finalmente, um trabalho de curto prazo, quando os objetivos devem ser alcançados em alguns meses ou em uma temporada de competições. Portanto, nesse contexto, a aplicação do trabalho está diretamente relacionada com o tempo disponível para se desenvolver um planejamento e atingir os objetivos. Uma outra situação a ser considerada está ligada à faixa etária envolvida e, nesse caso, é preciso perguntar: quando devo aplicar, com maior ou menor intensidade, um trabalho com ênfase na técnica, na velocidade, na resistência? Quando é mais propício o treinamento para os aspectos táticos? Em que idade se torna mais favorável o ensino da técnica? E assim por diante. • Como: aqui, a interrogação gira em torno da segurança do professor na escolha para encontrar a solução mais adequada, a fim de conseguir seus objetivos. Como vou ensinar a jogar futebol ou futsal? Que método devo utilizar para uma aprendizagem mais eficiente? Quais os meios mais adequados para aplicar determinada metodologia? Como avaliar a eficiência do conteúdo utilizado? Enfim, tudo se resume ao conhecimento dos recursos disponíveis pelo profissional, para aplicação adequada dos meios que ele dispõe para cada finalidade. • Onde: tudo que será feito requer condições locais para que possam ser aplicados determinados tipos de aulas ou formas de treinamento. São locais apropriados, espaços adequados etc. • Porque: corresponde às indagações a fim de obter as respostas para justificar todas as escolhas feitas dentro do planejamento. Todas essas considerações se relacionam diretamente entre si, portanto, o professor só estará seguro de sua capacidade quando tiver a resposta para todas essas indagações. 30 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II 5.1 Componentes do processo para o ensino e desenvolvimento do jogador A prática de futebol ou futsal, como qualquer outra modalidade, dependendo do nível em que é desenvolvida, envolve três componentes básicos que são condição técnica, física e tática e, no caso dos profissionais, acrescenta‑se preparação psicológica. 5.1.1 Condição técnica Técnica no futebol ou futsal é definida como sendo a forma ideal de um movimento específico em um esporte, para a solução dos problemas motores que envolvem a sua prática ou maestria com que se executa determinados movimentos para resolver eficazmente uma tarefa motora (FERNANDES, 2003 p. 18). Esse conjunto de ações, que compõem a técnica em futebol e futsal, pode ser realizado com ou sem a bola e são denominados de fundamentos técnicos. Apresentaremos a seguir uma visão de todos os componentes da técnica. Técnica com bola Fundamentos técnicos Formas de locomoção Antecipações • Pelo chão: “carrinho” • Pelo ar a) Domínio: condução, drible e controle b) Receber: abafamentos c) Impulsionar: passe, chute e cabeceio • Correr para frente e para trás • Andar • Saltar Técnicas no futebol Técnica sem bola Figura 9 – Divisão da técnica em futebol e futsal De acordo com a maneira em que são realizados, os fundamentos recebem as seguintes classificações. Quadro 2 – Classificação dos fundamentos técnicos de Futebol/Futsal Fundamento Tipo Execução Trajetória Outras formas Condução da bola Simples Empurrando a bola Puxando a bola Interior do pé Exterior do pé Sola do pé Retilínea Sinuosa Passe Curto Médio Longo Interior do pé Exterior do pé Dorso (peito do pé) Anterior (bico) Rasteiro Meia altura Alto Parabólico Coxa Peito Cabeça Ombro 31 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Finalização (chute) Simples Voleio Bico Bate‑pronto Cobertura Interna do pé Externa do pé Anterior (bico)Dorso (peito do pé) Rasteira Meia altura Alto Cobertura Cabeça Peito Coxa Drible Simples Corpo Parado Deslocamento Reta Sinuosa Recepção (domínio) Rasteira Meia altura Alta Parabólica Interior do pé Exterior do pé Sola do pé Dorso do pé Peito Coxa Cabeça Cabeceio Frontal Lateral Ofensivo Defensivo 5.1.2 Condição física A solidez da base de todas as ações técnicas e táticas realizadas nos jogos, bem como o desempenho nos treinamentos, que envolvem uma temporada completa, estão na dependência direta de um respeitável condicionamento físico. Antes de tudo, para desenvolver a preparação física, é preciso definir quais são as capacidades físicas envolvidas no jogo, as mais solicitadas, que chamamos de predominantes, e aquelas que completam o condicionamento geral. O futebol e o futsal, em especial o futebol, são modalidades que envolvem disputas pela posse de bola e de espaços no campo ou na quadra durante um tempo bastante prolongado, além de ocorrer uma quantidade elevada de jogos disputados durante toda a temporada. Também existe a disputa corpo a corpo, as solicitações ininterruptas de deslocamentos curtos e longos em alta velocidade, além das tomadas de decisões para resolver os desafios constantes da dinâmica de jogo. Na realidade são esportes que solicitam, em maior ou menor grau, todas as capacidades físicas; cada uma delas com um grau de solicitação diferenciado. Não é objetivo da disciplina Futebol: Aspectos Pedagógicos e Aprofundamentos envolver as definições e os conceitos, porém devemos mencionar, para esclarecimentos, quais são as capacidades incluídas no condicionamento. Os componentes físicos dessas modalidades contêm a resistência e suas diferentes formas, a velocidade e seus tipos de manifestações, os tipos de força exigidos, além de flexibilidade, mobilidade e equilíbrio. Portanto, fazem parte do condicionamento físico as capacidades para treinamento do sistema cardiorrespiratório, além do treinamento do sistema articular, muscular e nervoso. Resistência A resistência, com a velocidade e a força, podem ser entendidas como capacidades físicas primárias para a condição física dos jogadores de futebol e futsal. 32 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Ela desempenha um importante papel em, praticamente, quase todas as modalidades esportivas, constituindo‑se como um requisito básico para o aumento do desempenho. Ela se manifesta de diferentes formas e todas são muito importantes na preparação do jogador, pois, segundo Weineck (2003), resulta em: • aumento da capacidade física; • otimização da capacidade de recuperação; • redução de lesões; • aumento de tolerância a cargas de treinamento; • manutenção da alta velocidade de reação; • minimiza os erros técnicos; • prevenção das falhas táticas decorrentes da fadiga; • estabilização da saúde. Evidentemente, todos esses benefícios são de extrema importância para o jogador. Ofereceremos uma visão geral das formas de resistência, presentes na maioria dos esportes, em particular no futebol e no futsal. Resistência Resistência muscular localizada – Resitência de força – Resistência de força rápida – Resistência de sprint – Resistência de velocidade Metabolismo muscular Resistência muscular geral Aeróbia AeróbiaAnaeróbia Anaeróbia Exigências motoras Figura 10 – Tipos de resistências presentes na prática do futebol Observação Não faz parte dos objetivos desse livro‑texto definir ou conceituar todas as variantes da resistência, mas esclarecer a importância da capacidade física para a preparação dos jogadores. 33 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 FUTEBOL: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS Velocidade Velocidade não é somente a capacidade de poder correr rapidamente, mas também de coordenar movimentos cíclicos (em linha reta) e acíclicos (com mudança de direção). Benedek/Palfai apud Weineck, consideram que a velocidade dos jogadores de futebol é uma capacidade múltipla que depende da rápida reação, do manuseio da situação, da rapidez em iniciar o movimento e dar sequência, da aptidão com bola, do drible e também do rápido reconhecimento e utilização das respectivas situações (WEINECK, 2003, p. 378). Em um jogo de futebol, dentre os requisitos de velocidade, convém notar as aptidões secundárias, tais como: velocidade de reação, de movimento, de decisão, de percepção, de antecipação, além de com e sem bola. Portanto, na preparação de um jogador, o treinamento deve contemplar todos esses requisitos, não é apenas correr mais depressa. Velocidade do jogador Velocidade de ação Agir o mais rápido e eficazmente em uma situação dentro das condições técnico‑táticas e das possibilidades de condicionamento Velocidade de ação com bola Ações com a bola em alta velocidade Velocidade de movimentação sem bola Movimentos de natureza cíclica ou acíclica em velocidade máxima Velocidade de decisão Decisão rápida por uma das inúmeras possibilidades Velocidade de reação Rápida reação ao receber uma bola, ao confrontar o parceiro ou o adversário Velocidade de antecipação Capacidade de reconhecimento da situação vivida e de previsão das ações dos parceiros ou dos adversários Velocidade de avaliação Capacidade de avaliação rápida da situação através dos sentidos (visão e audição) Figura 11 – Características parciais da velocidade e seu significado para a capacidade de desempenho de jogadores de futebol Força A definição de força é muito ampla e complexa, uma vez que envolve diversos aspectos, que fogem dos nossos objetivos. Assim, faremos apenas uma classificação dos tipos de força e suas diversas manifestações, consideradas sob os aspectos orientados para a força geral e a força específicas, que guiam o planejamento geral do treinamento. 34 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 7/ 03 /1 7 Unidade II Quando nos referimos à força geral, entendemos que é a força pela qual estão envolvidos todos os grupos musculares, independentemente do esporte praticado, enquanto a força específica é aquela que inclui o uso de certo músculo ou grupo de músculos solicitados na prática de uma determinada modalidade esportiva. Nessa visão geral do significado da força, é importante considerar o que alguns fisiologistas e treinadores identificam como subcategorias de força, que são: a força máxima, a força rápida e a resistência de força. Força máxima Esse tipo de força representa a maior força disponível que o sistema neuromuscular pode mobilizar através de uma contração máxima voluntária e a força absoluta é ainda maior do que a força máxima, que representa a soma da força máxima e da força reserva, mobilizada apenas em condições extremas, como em caso de risco de vida, hipnose etc. (WEINECK, 2003, p. 225). Força rápida Quando se utiliza a capacidade do sistema neuromuscular, para movimentar o corpo ou parte dele (os membros) ou ainda objetos (qualquer objeto usado no esporte), dizemos que está sendo solicitada a força rápida. É a capacidade de realizar movimentos rápidos, processados através do sistema nervoso central. Resistência de força Esse tipo de força está relacionado com a capacidade de resistir à fadiga em condições de desempenho prolongado de força; ela é bastante solicitada no futebol e no futsal, em função do longo tempo de duração de uma partida. Força máxima Dinâmica – Força de tração – Força de pressão Estática – Força de tração – Força de pressão Força rápida – Força de sprint – Força de saltos – Força de chutes – Força de arremessos – Força de tração – Força de impacto Resistência de força – Resistência de força de sprint – Resistência de força de saltos – Resistência de força de chutes – Resistência de força de arremessos – Resistência de força de tração – Resistência de força de impacto FORÇA Figura 12 – Força e suas diferentes formas de manifestação