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Fisioterapia
uma abordagem contemporânea - Vol. 02 (2022)
CAPÍTULO 23
A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO 
DO FISIOTERAPEUTA NO PÓS-
OPERATÓRIO DE CÂNCER DE MAMA 
EM MULHERES
THE IMPORTANCE OF THE PHYSIOTHERAPIST’S PERFORMANCE IN THE 
POST-OPERATIVE BREAST CANCER IN WOMEN
Ludimila Nascimento Neves1 
1 Fisioterapia, Faculdade Pitágoras, São Luís-MA
285Editora Pascal
Capítulo 23
Resumo
Este artigo tem como tema norteador a importância da atuação do 򟿿sioterapeuta no
pós-operatório de câncer de mama em mulheres. Leva em consideração a impor-
tância da aplicação das técnicas de reabilitação por parte desse pro򟿿ssional durante
a recuperação da paciente e a competência pro򟿿ssional em lidar com aspectos físicos e
psicológicos, igualmente afetados por conta da remoção da mama. Considera ainda o fato 
de que o câncer tem sido uma das principais doenças dos últimos anos, afetando pessoas 
de todas as classes sociais, o que o torna de interesse público. Buscou-se compreender 
a importância da quali򟿿cação e os impactos da 򟿿sioterapia no pós-operatório, com inova-
ções técnicas e apreensão de outras ciências consideradas integrativas. A pesquisa pode
ser caracterizada como bibliográ򟿿ca. Para isso, utilizou-se para a construção do trabalho
obras em sua maioria publicadas entre 2017 e 2022, a exemplo de autores como Lômaco 
(2006), Faria (2010), Ospina (2018), Pereira (2019), assim como outros relevantes. As 
fontes de consulta foram especialmente revistas de cunho cientí򟿿co e de documentos o򟿿-
ciais voltados para a Fisioterapia.
Palavras-chave: Fisioterapia, Fisioterapeuta, Câncer, Pós-operatório, Câncer de 
mama.
Abstract
This paper has as its guiding theme the importance of the role of the physical thera-
pist in the postoperative period of breast cancer in women. It takes into account the 
importance of the application of rehabilitation techniques by this professional during 
the patient’s recovery and the professional competence in dealing with physical and psy-
chological aspects, equally a ected by the removal of the breast. It also considers the fact
that cancer has been one of the main diseases in recent years, a ecting people from all
social classes, which makes it of public interest. We sought to understand the importance 
of quali򟿿cation and the impacts of physiotherapy in the postoperative period, with techni-
cal innovations and apprehension of other sciences considered integrative. The research 
can be characterized as bibliographic. For this, works mostly published between 2017 and 
2022 were used for the construction of the work, such as authors such as Lômaco (2006), 
Faria (2010), Ospina (2018), Pereira (2019), as well as other relevants. The consultation 
sources were especially scienti򟿿c journals and o cial documents focused on Physiothera-
py.
Keywords: Physiotherapy, Physiotherapist, Cancer, Postoperative, Breast cancer.
286Fisioterapia: Uma abordagem contemporânea - Vol. 02
Capítulo 23
1. INTRODUÇÃO
Este artigo tem como tema norteador a importância do 򟿿sioterapeuta no pós-opera-
tório de câncer de mama em mulheres. A abordagem se justi򟿿ca levando em consideração
o fato de que é preciso haver cada vez mais estudos e aperfeiçoamento técnico, de ma-
neira a promover com e򟿿cácia e menor sofrimento os impactos do período pós-operató-
rio, inclusive no aspecto psicológico, pois uma recuperação suave proporciona à paciente 
expectativa altamente positiva.
Dessa forma, texto traz como problema central o seguinte: Como pode ser entendida 
a importância do papel do 򟿿sioterapeuta para os procedimentos do pós-operatório junto a
mulheres acometidas por câncer de mama? Tal problema é assim mostrado, considerando
não somente o papel do pro򟿿ssional, mas também o leque de rede򟿿nições e desa򟿿os que
a 򟿿sioterapia vem tendo, uma vez que integra exatamente o bem estar da pessoa e do
corpo social.
A partir da formulação do problema acima apresentado, o desenvolvimento desta 
pesquisa objetivou, de maneira geral, veri򟿿car o grau de importância que o pro򟿿ssional de
Fisioterapia representa para a recuperação de mulheres acometidas de câncer de mama, 
durante o ciclo pós-operatório. Além disso, foram objetivos da pesquisa o de analisar a
articulação teoria e prática, a 򟿿m de compreender a assimilação de conhecimento teórico
do pro򟿿ssional; compreender os efeitos da atuação do Fisioterapeuta para a recuperação
de mulheres que passaram por cirurgias de câncer de mama e ainda o de veri򟿿car os pro-
cedimentos técnicos que o 򟿿sioterapeuta adota no exercício de sua atividade pro򟿿ssional.
No que diz respeito aos procedimentos metodológicos, a pesquisa está caracterizada 
como bibliográ򟿿ca, levando em consideração que a obtenção das informações ocorreu
através de livros, artigos e revistas especializadas disponibilizadas tanto em bibliotecas
físicas como em plataformas/sites como Scielo e revistas especí򟿿cas, o que proporcionou
a busca de conhecimento sobre o estado atual do tema da pesquisa.
As fontes consultadas foram primordialmente dos anos de 2017 a 2022, com algu-
mas outras mais antigas, considerando a importância do conteúdo apresentado. Dentre 
os principais autores, pode-se destacar Lômaco (2006), Faria (2010), Ospina (2018) e 
Pereira (2019), assim como outros relevantes.
2. FISIOTERAPIA E REABILITAÇÃO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Servimo-nos desta seção para reunir aspectos teóricos e históricos acerca da Fisiote-
rapia enquanto importante fator de facilitação de reabilitação da saúde humana em dife-
rentes contextos, inclusive em casos de pós-operatório. Discorre-se sobre a importância 
da atuação do pro򟿿ssional habilitado em 򟿿sioterapia, quando do atendimento a pacientes
durante o pós-operatório de câncer de mama, tendo em vista ser um problema de saúde 
pública, causando um elevado número de intervenções cirúrgicas realizadas anualmente, 
287Editora Pascal
Capítulo 23
mas também é um grande causador de morbidade e mortalidade em todo o mundo (NO-
GUEIRA, 2005).
Por isso, é salutar compreender que se vive um despertar de possibilidades, reinven-
ções e mudanças de paradigmas, interferindo de forma holística nos aspectos de com-
portamento e pensamentos quanto ao existir socialmente. Sendo assim, é necessário que
se busque cada vez mais a compreensão acerca de estado de bem-estar físico, psíquico 
e social, de maneira a alcançar-se uma boa qualidade de vida. Tal busca perpassa tanto 
pela atuação dos agentes públicos, responsáveis pela garantia da saúde coletiva, assim 
como passa também pelo aprendizado e respectiva atuação de pro򟿿ssionais.
Nesse contexto de mudanças de posturas e visões de mundo, a forma como as pes-
soas passam a lidar com relação à saúde e à doença é alterada de igual maneira, tendo
em vista que há uma maior circulação de informações acerca da importância da saúde do 
corpo como mecanismo de prevenção de doenças, mas, da mesma forma, de quebra de 
preconceitos e barreiras sobre lidar com doenças, principalmente aquelas do sistema lo-
comotor, milenarmente entendidas como doenças terminais, inclusive sendo argumentos 
para eutanásia ou de exclusão social (PEREIRA et al., 2019).
Esses argumentos preliminares são de salutar importância, tendo em vista que nos 
proporciona discorrer acerca da saúde do corpo, da 򟿿sioterapia e da atuação do pro-
򟿿ssional nos diferentes casos, sendo destaque para esta monogra򟿿a a recuperação de
pacientes em pós-operatório de câncer de mama, o que incide na qualidade de vida indi-
vidual e familiar, bem como em todo o tecido social. Assim, os itens seguintes tratam de 
de򟿿nições e conceituações da Fisioterapia como principal ação voltada para a reabilitação
de pacientes. Além disso, ocupamo-nos também de enfatizar a atuação do pro򟿿ssional,
evidenciando a plena importância do pro򟿿ssional.
2.1 Concepções Clássicas
Para efeito de melhor situar a Fisioterapia, parte-se do fato de que, até o século
XVIII, a de򟿿ciência, ou quaisquer defecções no corpo, era vista como produção mítica,
inclusive podendo servirde ameaça para o toda a sociedade. Já no século XIX, de򟿿ciência
passou a ser compreendida como patologia. No entanto, de acordo com o pensamento de 
Rocha (1999), no século XX houve uma mudança de concepção signi򟿿cativa, pois, retira-
va-se de foco de doença o corpo individual e passou-se a entender qualquer de򟿿ciência
como social, tendo em vista que as doenças também emergem de resultantes sociais.
Por isso, é importante considerar que, tão importante como a compreensão de doença
e de򟿿ciência é a de򟿿nição de reabilitação, tendo em vista não ser algo unânime, já que há
uma razoável concordância entre os pro򟿿ssionais de que o termo faz referência ao que é
mnemonicamente representado, sob aspectos cognitivos e que é múltiplo e variável ante
à própria representação de mundo. As discrepâncias ou divergências ocorrem quando se 
procura estabelecer que formas tomam essas representações (LÔMACO et al., 2006).
Ainda assim, é possível considerar alguns pensamentos acerca da 򟿿sioterapia ao lon-
go da história e desenvolvimento. Dentro dessas possibilidades, passa-se a elencar três 
288Fisioterapia: Uma abordagem contemporânea - Vol. 02
Capítulo 23
dos principais conceitos.
a) A Teoria Clássica, que tem como ideia central a suposição de que os “conceitos são 
formados pela abstração de atributos comuns a todos os membros de um conjun-
to de coisas” (LÔMACO et al., 2006, p. 65). Isto signi򟿿ca dizer que por meio do
isolamento dos atributos comuns o sujeito forma uma representação que é o pró-
prio conceito. Ou seja: passa-se a conceber um problema ou seus efeitos muito 
mais pelos aspectos que já foram previamente atrelados a eles.
b) Teoria Prototípica, desenvolvida a partir da década de 70 do século XX. De acordo
com essa teoria, 
Segundo esta teoria, não é a existência de atributos comuns, mas a frequên-
cia com a qual os atributos se repetem entre os membros do que virá a ser 
uma categoria que determina a formação de conceitos. Depois de repetidos 
contatos, o sujeito abstrai aqueles que ocorrem mais frequentemente e, a 
partir destes elementos, forma uma representação mental, denominada pro-
tótipo, que passa então a representar a categoria. A suposição central à visão 
prototípica é a de que os atributos ou características não se distribuem de
forma aleatória no mundo real, mas apresentam-se correlacionados. Assim, 
por exemplo, a presença de bicos e penas em aves é mais comum do que a
de pelos e bocas (LÔMACO et al, 2006, p. 86).
A visão prototípica, de alguma forma, tende a lidar com os exemplos contextualiza-
dos daquilo ora conceituado. Dessa forma passa a considerar a visão clássica não somen-
te a partir de conceitos previamente de򟿿nidos, mas principalmente os correlacionando de
acordo com as características de cada coisa presenciada. 
c) Visão teórica, emergida a partir da detecção de limitações e fragilidade nas con-
cepções elaboradas anteriormente, de maneira a partir da a򟿿rmação de que “o
agrupamento de diferentes membros numa mesma categoria se deve-se, não ao 
fator similaridade, mas a uma teoria comum que os mantém unidos, formando
uma estrutura internamente coerente” (IDEM). Dessa forma, esta visão conside-
rava que as teorias conceituais e prototípicas se tornariam ingênuas, quando da 
consideração das redes nas quais os indivíduos estão ligados.
Essas teorias são básicas para o entendimento de que mais do que um conjunto de 
exercícios práticos ante determinados problemas físicos, a prática 򟿿sioterapêutica é inte-
grada a um conjunto de diversos fatores que devem ser considerados. No caso de mulhe-
res em situação de pós-operatório de câncer de mama, a escolha das metodologias e a 
interação entre pro򟿿ssional e pacientes deve ter papel primaz, considerando tal momento
determinante para que se possa ter uma nova realidade, reabilitada física e psicologica-
mente. Disto, serve-nos de referência o entendimento de Pereira et al. (2019), quando 
estabelecem que:
A Fisioterapia pode ser de򟿿nida como uma ciência aplicada ao estudo, diag-
nóstico, prevenção e tratamento de disfunções cinéticas funcionais (da bio-
mecânica e funcionalidade humana) de órgãos e sistemas decorrentes de 
alterações de órgãos e sistemas humanos. Para a efetivação de seu trabalho 
o pro򟿿ssional 򟿿sioterapeuta necessita do entendimento das estruturas e fun-
ções do corpo humano (PEREIRA, et al, 2019, p. 2).
289Editora Pascal
Capítulo 23
Essa de򟿿nição carece de ser visualizada, com mais a򟿿nco, dada a importância da 򟿿-
sioterapia no atendimento a casos da biomecânica funcional humana, que signi򟿿ca tanto
os aspectos da locomoção como do próprio funcionamento de outros órgãos, com suas 
funções bem de򟿿nidas, a exemplo dos seios nas mulheres. É que a 򟿿sioterapia tem função
não somente restaurativa, mas também a de zelar preventivamente pelo pleno funciona-
mento do corpo humano.
2.2 Fisioterapia e atualidade
Com base nas exposições e visitação à formulação teórica que suporta a reabilitação, 
é possível veri򟿿car que o que está apresentado é uma caracterização que envolve uma
gama de complexidades no aspecto de qualidade e nível de formação, estruturação de 
áreas de desenvolvimento de trabalho, atualização sobre procedimentos, técnicas e pos-
tulados teóricos acerca da área de estudo e formação, dentre outras necessidades. Isto 
ocorre porque as funções são variadas tão quanto às áreas em que os pro򟿿ssionais podem
atuar, uma vez que:
É amplo o campo de atuação da 򟿿sioterapia nas áreas de ortopedia,
neurologia, cardiologia, angiologia, reumatologia, pediatria, ginecologia, 
geriatria, pneumologia e oncologia. Para cada área apresenta seus recursos 
de tratamento. A 򟿿sioterapia se utiliza de métodos e técnicas que atuam tanto
na melhora da sintomatologia quanto na prevenção e qualidade de vida. Os 
recursos terapêuticos incluem a eletroterapia, a mecanoterapia, a fototerapia 
e a cinesioterapia. Atua em diferentes disfunções dos sistemas neurolocomo-
tor, musculoesquelético, cardiorrespiratório (FARIA, 2010, p. 70).
Neste sentido, sustentado pelas possibilidades articuladas teórica e metodologica-
mente na ciência 򟿿sioterapêutica, o pro򟿿ssional passa a ter um vasto campo, adquirindo
importância em áreas que pouco seriam visualizadas como a򟿿ns ou que envolvem proble-
mas oriundos de doenças altamente comprometedoras para o pleno funcionamento do cor-
po. Assim, o Fisioterapeuta exerce acompanhamento que interfere tanto no aspecto físico 
como no psicológico, levando em consideração traumas que acompanham tais problemas.
No caso especí򟿿co do atendimento a casos de oncologia, tal inserção veio sendo
acompanhada pela evolução da 򟿿sioterapia e sua expansão histórica para diferentes áre-
as. Se outrora a 򟿿sioterapia estava diretamente ligada à reabilitação, não havia espaço
para um senso preventivo (REBELATTO; BOTOMÉ, 1999). A evolução foi condicionada 
pela própria evolução da atenção à saúde e às rede򟿿nições acerca dos efeitos que a 򟿿sio-
terapia proporciona nos diferentes casos de prevenção e reabilitação.
Com base nessas percepções, entende-se que, ao ser inserida como objeto de atu-
ação da 򟿿sioterapia, o tratamento e acompanhamento oncológico tende a apresentar
mudanças e novas concepções sobre casos de remoção de membros e órgãos do corpo, 
de maneira que a recuperação possa ser menos sofrida. Na concepção de Faria (2010):
A 򟿿sioterapia em oncologia é uma especialidade recente e tem como metas
preservar e restaurar a integridade cinético-funcional de órgãos e sistemas,
assim como prevenir os distúrbios causados pelo tratamento oncológico. No 
290Fisioterapia: Uma abordagem contemporânea - Vol. 02
Capítulo 23
Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, teve seu início nos 
anos 1980, vinculada ao Serviço de Cirurgia Torácica. A 򟿿sioterapia oncológi-
ca lida com as sequelas próprias do tratamento, atuando de forma preventiva 
para minimizá-las (FARIA, 2010, p. 71).
Dessa forma, considerando que o estágio de remoção é o mais severo, quando de
detecçãoe tratamento de câncer, há uma inegável insegurança, perda de autoestima e 
incerteza cotidiana. É que o câncer de mama é complexo, não podendo ser diagnosticado
unicamente por afetar uma determinada parte do corpo, pois se está lidando com uma 
formação de tumor classi򟿿cado como maligno que surge “da multiplicação exagerada e
desordenada de células anormais; podendo apresentar-se através de inúmeras formas
clínicas e morfológicas, diferentes graus de agressividade tumoral e um importante po-
tencial metastático” (LEONEL et al., 2019, p. 02).
Os órgãos governamentais ocupados na promoção da saúde têm promovido campa-
nhas de conscientização e atenção para que o câncer de mama seja detectado em sua 
fase inicial, a 򟿿m de que o tratamento precoce proporcione êxito e superação com menor
dor e/ou sofrimento para pacientes e familiares ou círculo de amigos. 
Dada essa complexidade e maior zelo para um acompanhamento de casos em que 
ocorreu a intervenção cirúrgica, a presença do 򟿿sioterapeuta passa a ser fundamental, já
que é a partir da atuação deste pro򟿿ssional que os efeitos na recuperação tendem a ser
amenizados. Embora o Fisioterapeuta já tenha sua atuação presente desde a detecção, é
na fase do pós-operatório que sua importância será percebida, uma vez que interfere no 
fortalecimento da disposição para plena recuperação da autoestima e da vontade de viver. 
As pacientes submetidas ao tratamento 򟿿sioterápico diminuem seu tempo
de recuperação e retornam mais rapidamente às suas atividades cotidianas, 
ocupacionais e desportivas, readquirindo amplitude em seus movimentos, 
força, boa postura, coordenação, autoestima e, principalmente, minimizando 
as possíveis complicações pós-operatórias e aumentando a qualidade de vida 
(SILVA et al., 2004, apud JAMMAL et al., 2008, p. 508).
A aplicação da 򟿿sioterapia oncológica é de extrema importância após o procedimento
cirúrgico, especialmente na prevenção e minimização dos efeitos adversos do tratamento. 
Daí, emerge a importância do pro򟿿ssional habilitado para tornar as postulações teóricas
em atividades práticas. É sobre este aspecto, o da relevância da atuação do pro򟿿ssional
que se trata o próximo capítulo. É visualizando a prática que se torna possível compreen-
der os aspectos teóricos que são dispostos a exploração durante a formação pro򟿿ssional.
3. O CÂNCER DE MAMA: ASPECTOS GERAIS
O câncer tem sido considerado por muitas pessoas como o mal do século, tendo em
vista que é fato uma crescente incidência das doenças oncológicas em todo o mundo, o
que tende a ser ocasionado por alguns fatores de risco, inclusive os de difícil controle, 
assim como os que apresentam essa possibilidade. São inúmeras as possibilidades de de-
senvolvimento de câncer nos dias atuais.
291Editora Pascal
Capítulo 23
Dado esse panorama, é compreensível estabelecer a gravidade do câncer de mama,
principalmente enquanto um problema de saúde pública, tendo em vista ser o tipo de 
neoplasia maligna mais recorrente na população feminina. De acordo com informações 
do Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2016), no Brasil há estimativas que demonstram 
incidência de 57.960 casos de câncer de mama nesse ano. Ainda que esse seja o tipo 
de câncer com maior incidência, as taxas de recuperação aumentaram de maneira con-
sistente, certamente por conta da combinação de técnicas cirúrgicas e as de tratamento
convencionais, como radioterapia e quimioterapia (CASSI et al., 2016).
Ainda assim, é de conhecimento público que as técnicas cirúrgicas podem gerar com-
plicações no aspecto físico e funcional no membro superior homolateral, tanto em curto 
como em longo prazo. Tais complicações podem ser: linfedema, dor, diminuição da ampli-
tude de movimento, redução da sensibilidade e da força muscular, uma vez que isto tende 
a proporcionar impactante piora na vida diária e qualidade de vida dessas mulheres, como 
pontuam Gomes et al. (2014).
Somando a tais aspectos, convém considerar que é importante o entendimento de
que a qualidade de vida da paciente passa por um declínio, de maneira que aspectos como 
psicológicos, como depressão, ansiedade, fadiga, questões sobre autoestima, imagem 
corporal e sexualidade, pioram de maneira signi򟿿cativa (MORO-VALDEZATE et al., 2013). 
Tais fatores, conjuntamente às alterações funcionais que vêm a reboque, contribuem para 
um declínio da qualidade de vida ou mesmo conduz a óbito.
De acordo com a realidade brasileira e as medidas voltadas para o tratamento e pre-
venção do câncer de mama, no Brasil, é salutar demarcar que a Portaria nº 874, de 16
de maio de 2013, revogou os termos da Portaria nº 2429 de 8 de dezembro de 2005, o 
que resultou na instituição da “Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer na 
Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único 
de Saúde (SUS)” (BRASIL, 2013).
3.1 Sobre diagnósticos do Câncer de Mama
Para que se possa diagnosticar, primariamente, o câncer de mama, é importante
considerar alguns sinais e sintomas que porventura possam estar associados a caracterís-
ticas de câncer, dentre os quais, o aparecimento de nódulo mamário em estágio endure-
cido, especialmente em mulheres que tenham 50 anos ou mais.
Dentre os sintomas que aparecem no câncer de mama, o mais comum é o 
aparecimento de nódulo, que geralmente é indolor, duro e irregular, entre-
tanto existem tumores que são de consistência branda, globosos e bem de򟿿-
nidos. Edema cutâneo semelhante à casca de laranja, retração cutânea, dor, 
inversão do mamilo, hiperemia, descamação ou ulceração do mamilo, e se-
creção papilar, especialmente quando é unilateral e espontânea também são
sinais que podem estar presentes no câncer de mama (SILVA, 2014, p. 18).
Entretanto, ressalta-se haver uma emblemática diferenciação importante entre o ato 
da detecção do câncer de mama logo no início e a prevenção imediata do mesmo, de ma-
292Fisioterapia: Uma abordagem contemporânea - Vol. 02
Capítulo 23
neira que se possa zelar para não ocorrer doença e evitar exposição a fatores de risco. Ao 
mesmo tempo, embora se saiba que os métodos existentes para a detecção precoce do
câncer de mama não reduzem a incidência, estes são mais do que importantes quanto à 
redução da mortalidade que a doença pode causar.
Apesar da importância e praticidade de realização do toque pessoal, é de igual rele-
vância que, para a busca de diagnóstico, seja realizado devidamente o exame clínico da 
mama, o que vai permitir que haja tratamento desde cedo, nos primeiros sinais de mani-
festação. De acordo com Silva (2014, p.19), a realização do exame clínico segue a partir 
de três procedimentos: a inspeção estática e dinâmica, a palpação das axilas e a palpação 
da mama, sendo que a paciente deve estar em decúbito dorsal.
O diagnóstico oncológico ainda enseja o estigma da gravidade, do sofrimento 
e da letalidade. Entretanto, as taxas de sobrevivência com doença controlada 
ou com a cura da doença são realidades para muitos diagnósticos de câncer 
e em muitas sociedades cuja organização dos serviços de saúde atendem às 
prerrogativas de infraestrutura e tecnologias adequadas, recursos humanos 
capacitados e quali򟿿cados, recursos materiais, equipamentos e insumos su򟿿-
cientes (DOMENICO, 2016, p. 4).
Neste sentido, o diagnóstico de câncer de mama tem característica histopatológica, 
levando em consideração que o câncer é detectado pela presença de células malignas na
biópsia da lesão. A biópsia excisional é a mais nobre, contudo, tem sido mais usual a bióp-
sia com a utilização da agulha grossa, uma vez que ela permite que seja feito um diagnós-
tico prévio à análise imuno-histoquímica em conjunto com o resultado de características
anátomo-patológicas (RAUPP, 2017). Esse conjunto de procedimentos é determinante
para aferir o nível de complexidade do tratamento
3.2 Medidas interventivas 
A partir do momento em que as recomendações e as veri򟿿cações que foram realiza-
das inicialmente proporcionaram a detecção de nódulos classi򟿿cados comomalignos ou
de alto grau de complexidade, é mais do que incondicional que médicos e pacientes es-
tabeleçam o ciclo adequado para que se inicie o tratamento, principalmente em casos de 
intervenção cirúrgica, conforme se discorrerá ao longo das subseções seguintes.
No que diz respeito ao período pré-operatório, quando da detecção factual do cân-
cer, a preparação da paciente deve iniciar com a identi򟿿cação correta da mama ou setor
a ser operado, con򟿿rmado com exame físico, exames de imagem e com as informações
verbalizadas pela paciente.
3.3 Tratamento
O percurso do tratamento é o período que exige muita cautela, objetividade e cum-
plicidade de pro򟿿ssionais envolvidos, paciente e respectivos familiares, tendo em vista
293Editora Pascal
Capítulo 23
que é um processo que terá duração incerta e resultados de igual maneira, munido de
incertezas, mas que ensejará constância quanto ao seu andamento. É a partir disso que 
se torna importante considerar o fato de que
Atualmente existem duas técnicas de tratamento cirúrgico, dentre elas a ci-
rurgia conservadora de mama, ou seja, a quadrantectomia que consiste na 
retirada parcial da mama e a ressecção do tumor, seguida da dissecção dos 
nódulos linfáticos com ou sem a realização da radioterapia no qual causa 
menos impactos na qualidade de vida das mulheres submetidas a essa cirur-
gia. A mastectomia é a outra técnica, que inclui excisão do tecido mamário
e divide-se em subtipos de acordo com a ressecção de nódulos linfáticos e 
músculos, normalmente, é realizada quando o risco de recorrência local é
aumentado pelo tamanho do tumor (KAVIANI et al., 2013 apud ALVES et al., 
2016, p. 3).
O tratamento cirúrgico, associado à radioterapia e quimioterapia, pode aumentar as 
chances de cura em até 90% em determinados casos. Atualmente, as evidências indicam
que a sobrevivência em longo prazo em paciente com câncer de mama em estágio inicial 
não apresenta diferença se tratados com cirurgia conservadora associada à radiação e se 
comparada à mastectomia radical modi򟿿cada.
Ademais, é necessária a busca por novos estudos que representem diferentes po-
pulações, em especial dos países em desenvolvimento, uma vez que os grandes estudos 
disponíveis hoje retratam a realidade de países considerados desenvolvidos, levando em 
consideração a rapidez e facilidade de se ter acesso às tecnologias mais avançadas. Isto, 
de alguma maneira, também pode interferir no andamento e no cumprimento dos proce-
dimentos do período pós-operatório.
3.4 Pós-operatório
Dadas as complexidades do estado de acometimento de pessoas com câncer na 
mama, a preocupação com o cuidado ao paciente sobrevivente é uma realidade A este
respeito, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO)1 recomenda ações a serem 
adotadas para o cuidado quali򟿿cado do sobrevivente de câncer, tais como:
• Manutenção corrente das avaliações quanto a riscos e mesmo alguma necessida-
de psicossocial;
• Prover informações que sejam de relevância para planejamento familiar, no caso 
de pacientes em período possível de reprodução; 
• Prover informações a respeito de efeitos colaterais que surjam imediatamente ou 
que possam surgir a posteriori, tanto por conta do câncer como pelo tratamento;
• Realização programada de rastreamento de possíveis outros cânceres.
En򟿿m, é possível então perceber o grau de complexidade que há no cuidado voltado
ao paciente oncológico, bem como de seus familiares, levando em consideração que o 
1 American Society of Clinical Oncology (ASCO)
294Fisioterapia: Uma abordagem contemporânea - Vol. 02
Capítulo 23
problema deve ser conhecido por todos do círculo de relacionamento da paciente. E mais 
do que isso, deve ser conhecido por toda a sociedade. O Fisioterapeuta, neste sentido, 
passa a exercer papel determinante não somente para a recuperação física da paciente, 
mas essencialmente promover iniciativas que estimulem a autoestima e sua visão de 
mundo, dada sua nova realidade.
4. A ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NO PÓS-OPERATÓRIO: PRINCÍ-
PIOS ÉTICOS E METODOLOGIAS DE INTERVENÇÃO
Para que se possa compreender de maneira mais articulada o papel do 򟿿sioterapeuta
na atenção a casos não somente de pacientes no pós-operatório em oncologia, mas em 
diferentes situações, apresentam-se três aspectos que proporcionam compreender a di-
mensão e as formas de inserção deste na rotina de recuperação de pessoas em diversos 
níveis, conforme conteúdo das subseções seguintes.
4.1 Princípios ético-pro񯿿ssionais do 񯿿sioterapeuta
Embora seja notória a relevância da atuação da 򟿿sioterapia e do seu pro򟿿ssional nos
diversos casos em que se faz necessária à sua intervenção, o 򟿿sioterapeuta, além da sua
formação, precisa seguir alguns princípios éticos, morais e pro򟿿ssionais antes de intervir
para a qualidade de vida de diferentes pessoas. Isto porque a Fisioterapia é uma pro򟿿ssão
que visa restaurar e aperfeiçoar a função, mobilidade e qualidade de vida de indivíduos, 
independentemente da idade.
O Código de Ética do Fisioterapeuta estabelece que o pro򟿿ssional deve não somente
exercer a função, mas zelar para o cumprimento de todas as suas prerrogativas, incluindo 
constantes atualizações técnicas, teóricas e pro򟿿ssionais. Neste sentido, a Resolução 424,
de 08 de julho de 2013 estabelece ainda que é importante ter-se em mente que mais
do que deter técnicas, o Fisioterapeuta tem sua missão assentada no ser humano e suas
respectivas necessidades, uma vez que, ao receber tal formação tem como tarefa central 
o que rege os Artigos 4º e 5º do referido código:
Artigo 4º– O 򟿿sioterapeuta presta assistência ao ser humano, tanto no plano
individual quanto coletivo, participando da promoção da saúde, prevenção de 
agravos, tratamento e recuperação da sua saúde e cuidados paliativos, sem-
pre tendo em vista a qualidade de vida, sem discriminação de qualquer forma 
ou pretexto, segundo os princípios do sistema de saúde vigente no Brasil.
Artigo 5º – O 򟿿sioterapeuta avalia sua capacidade técnica e somente aceita
atribuição ou assume encargo quando capaz de desempenho seguro para o 
cliente/paciente/usuário, em respeito aos direitos humanos (COFFITO, 2013, 
s.p).
No sentido do que estabelece os dispositivos legais, depreende-se que o momento de 
atuação do pro򟿿ssional é sempre alimentado por expectativas e readequação de modos
de vida, uma vez que “as necessidades da reabilitação de pacientes com câncer incluem 
295Editora Pascal
Capítulo 23
recursos que visam amenizar os efeitos do tratamento precocemente e em longo prazo, 
bem como nos Cuidados Paliativos” (OSPINA et al., 2018 apud GOMES, 2019, p. 12).
E por conta dessa condição centrada nesses cuidados paliativos que, o senso de 
humanização da prestação do serviço pro򟿿ssional precisa ser posto em primazia, eviden-
ciando a linha intersticial entre o senso pro򟿿ssional e o popular ombro amigo, tão neces-
sários para contribuir com a reabilitação de cada paciente. Por conta disso, a Resolução 
424/2013 enfatiza a necessidade de constante busca de aperfeiçoamento das técnicas e
metodologias de intervenção, tendo em vista que, segundo o Artigo 8º do Código de Ética 
do Fisioterapeuta:
Artigo 8º – O 򟿿sioterapeuta deve se atualizar e aperfeiçoar seus conheci-
mentos técnicos, cientí򟿿cos e culturais, amparando-se nos princípios da be-
ne򟿿cência e da não male򟿿cência, no desenvolvimento de sua pro򟿿ssão, inse-
rindo-se em programas de educação continuada e de educação permanente 
(COFFITO, 2013, s.p).
Neste sentido, a atualização proporciona ao pro򟿿ssional possibilidade de intervenção
otimizada, de cunho mais objetivo e e򟿿ciente no que diz respeito aos procedimentos res-
taurativos, assim como a própria participação do paciente, tanto em termos afetivos como 
na predisposição para revitalizar membros e movimentos. Isto implica dizer que o pro-
򟿿ssional precisa, dessa forma, estar plenamente ciente dos seus deveres, especialmente
quando se tratando de casos que venham a inspirar cuidados mais cautelosos, a exemplo 
de pós-operatóriode câncer de mama.
Isto pode ser corroborado pelo que rege o Código de Ética Pro򟿿ssional, voltado exa-
tamente para balizar as ações do Fisioterapeuta no exercício da pro򟿿ssão. Neste sentido,
a legislação preconiza que:
Artigo 9º – Constituem-se deveres fundamentais do 򟿿sioterapeuta, segundo
sua área e atribuição especí򟿿ca:
I – assumir responsabilidade por serviço de Fisioterapia, em caráter de ur-
gência, quando designado ou quando for o único pro򟿿ssional do setor, aten-
dendo a Resolução especí򟿿ca;
II – exercer sua atividade com zelo, probidade e decoro e obedecer aos pre-
ceitos da ética pro򟿿ssional, da moral, do civismo e das leis em vigor, preser-
vando a honra, o prestígio e as tradições de sua pro򟿿ssão;
III – utilizar todos os conhecimentos técnico-cientí򟿿cos a seu alcance e apri-
morá-los contínua e permanentemente, para promover a saúde e prevenir 
condições que impliquem em perda da qualidade da vida do ser humano;
IV – manter segredo sobre fato sigiloso de que tenha conhecimento em razão 
de sua atividade pro򟿿ssional e exigir o mesmo comportamento do pessoal
sob sua direção, salvo situações previstas em lei [...] (COFFITO, 2013, s.p).
O ordenamento demonstra que o 򟿿sioterapeuta é um importante integrante da equi-
pe multidisciplinar de saúde, apresentando competências totalmente voltadas para o trato 
com as questões relacionadas à reabilitação. Por isso, de alguma maneira tem sido no-
tória a aquisição de prestígio pro򟿿ssional dos 򟿿sioterapeutas, que vem sendo cada vez
mais reconhecido legítimo partícipe do processo de recuperação no pós-operatório. Neste 
296Fisioterapia: Uma abordagem contemporânea - Vol. 02
Capítulo 23
sentido, dentro dessa conquista de prestígio, é salutar considerar que o lugar do Fisiote-
rapeuta e suas atribuições no que tange à formação de novos pro򟿿ssionais e no despertar
de novas técnicas são igualmente de relevância na atualidade.
4.2 Dispositivos legais para a aplicação de metodologias
Além das disposições legais que norteiam e estabelecem os limites da atuação do
򟿿sioterapeuta, as condições de ampliação do entendimento acerca da saúde proporciona-
ram, de maneira equivalente, entendimentos acerca de acolhimento de terapias e inser-
ções de várias ciências que proporcionem e imprimem novos conhecimentos e metodo-
logias práticas. É sobre isto que se dedica as linhas desta seção, através das subseções
seguintes, englobando a instauração da Política Nacional de Práticas Integrativas e Com-
plementares (PNPIC) e os efeitos da Resolução 380/2010 no desenvolvimento de práticas 
do Fisioterapeuta.
4.2.1 Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares 
(PNPIC)
Os procedimentos e aspectos que devem ser levados em consideração pelo 򟿿siotera-
peuta são dispostos através da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementa-
res (PNPIC), elaborada para garantir completa atenção em diferentes casos de atuação de 
pro򟿿ssionais para reabilitação de pacientes, reconhecendo e considerando novas ciências
e terapias. A adesão a essas novidades ocorreu a partir dos 򟿿ns da década de 70, quando
a OMS criou o Programa de Medicina Tradicional, objetivando a formulação de políticas 
na área (BRASIL, 2006).
Desde então a OMS expressa o seu compromisso em incentivar os Estados-
-membros a formularem e implementarem políticas públicas para uso racio-
nal e integrado da Medicina Terapêutica nos sistemas nacionais de atenção à 
saúde bem como para o desenvolvimento de estudos cientí򟿿cos para melhor
conhecimento de sua segurança, e򟿿cácia e qualidade (BRASIL, 2006, p. 11).
A partir desse entendimento, foi possível formular a PNPIC, marco de dinamismo e 
experimentações racionalizadas para o desenvolvimento de terapias e práticas curativas 
no Brasil. Através dessa política, princípios e práticas da acupuntura, homeopatia, 򟿿tote-
rapia, crenoterapia, dentre outras ciências medicinais de diferentes culturas do mundo.
No caso da 򟿿sioterapia, a utilização das práticas integrativas por parte dos pro򟿿ssio-
nais serve como extensão ao que já se aplica tradicionalmente. Isto se dá especialmente 
pelo fato de que
Desde a implantação e divulgação das PICs, destaca-se a busca da população 
por uma forma de atenção mais humanizada e de cuidado singular, iniciando 
uma nova cultura de saúde, com a ampliação da oferta dessas práticas na 
rede de saúde pública (SMANIOTTO et al., 2019, p. 36).
297Editora Pascal
Capítulo 23
Portanto, entende-se que é indispensável que o Fisioterapeuta detenha conhecimen-
to acerca das PICs, pois a partir da utilização de tais propriedades, certamente vai desen-
volver técnicas de maneira otimizada. Os pro򟿿ssionais devem estar cientes sobre qual é
a prática apropriada para o paciente bem como saber distinguir quais são os benefícios 
esperados com a sua utilização.
4.2.2 Resolução 380/2010 e dinamismo das ações
De maneira extensiva, a Resolução n° 380 de 2010, proporcionou o entendimento
de que o 򟿿sioterapeuta tem condições e competências para utilização das práticas inte-
grativas no desenvolvimento de suas funções. É através dessa resolução que se pode
compreender os atos complementares devem estar assim assentados, quando da adoção 
para a prática pro򟿿ssional:
O Co to – Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional autorizou a
prática pelo Fisioterapeuta dos seguintes atos complementares ao seu exer-
cício pro򟿿ssional:
a) Fitoterapia;
b) Práticas Corporais, Manuais e Meditativas;
c) Terapia Floral;
d) Magnetoterapia;
e) Fisioterapia Antroposó򟿿ca;
f) Termalismo/Crenoterapia/Balneoterapia; e
g) Hipnose.
Ficam excluídos os procedimentos cinesioterapêuticos e hidrocinesioterapêu-
ticos componentes da reserva legal da Fisioterapia regulamentada.
Considera-se também autorizado ao Fisioterapeuta à prática de todos os atos
complementares que estiverem relacionados à saúde do ser humano e que 
vierem a ser regulamentados pelo Ministério da Saúde por meio de portaria
especí򟿿ca (COFFITO, 2010, s.p).
Neste sentido, é importante considerar que o treinamento e a competência em 򟿿-
sioterapia são fundamentais para se alcançar os resultados esperados. O 򟿿sioterapeuta
precisa ter claro o objetivo do tratamento, facilitando a aceitação da paciente ao atendi-
mento. É preciso considerar o caráter preventivo e antecipar possíveis complicações para 
evitar sofrimentos desnecessários por parte do paciente. 
4.3 Pro񯿿ssão na prática: metodologias de intervenção
Como vem sendo possível observar ao longo deste trabalho, é salutar a򟿿rmar que a
򟿿sioterapia expandiu e consolidou sua atuação, especialmente em oncologia, signi򟿿cativa-
mente quando do tratamento do câncer de mama feminino nos diferentes estágios. Com 
298Fisioterapia: Uma abordagem contemporânea - Vol. 02
Capítulo 23
base nisso, entende-se que o procedimento 򟿿sioterapêutico deve ser realizado por um
pro򟿿ssional quali򟿿cado da área, munido de todas as possibilidades atuais de intervenção.
Neste sentido, todo o acompanhamento necessário pode ser feito na própria residên-
cia do paciente ou em uma clínica especializada, durante um período pré-determinado,
preferencialmente sob pleno conhecimento e aceite da paciente, tendo em vista que, ante 
as diversas realidades, é preocupação central entender que:
Reabilitação 򟿿sioterapêutica é um meio de tratamento indispensável para
manter a qualidade de vida da mulher mastectomizada, pois desenvolve es-
tratégias para devolver a funcionalidade diária e integrá-la novamente às
suas atividades cotidianas. Sem o acompanhamento do pro򟿿ssional, a pa-
ciente pode apresentar disfunções que podem ser evitadas com o tratamento 
(DOMINGUES et al., 2021, apud COSTA; ROSA, 2021, p. 3).
Diante disso, é importante considerar que a atuação do 򟿿sioterapeuta deve acontecer
imediatamente após o procedimento cirúrgico, tendo em vista que o início do tratamen-
to 򟿿sioterapêutico tardio leva a alterações funcionais, psicológicas e sociais da paciente,
interferindo até mesmo na sua autoestima, reforçandoa importância do início do trata-
mento o mais precoce possível. Isto tende a proporcionar um diagnóstico e planejamento 
e򟿿caz do tratamento pós-operatório.
Por isso, no pós-operatório é dever sempre o de se tomar cuidado na mobilização
precoce em relação à amplitude de movimento para não ocorrer tração demasiada sobre 
a incisão cirúrgica. Portanto, se recomenda que enquanto estiver com pontos e dreno a 
amplitude de movimento seja de 90 graus de abdução e exão anterior, pois esta propor-
ciona uma recuperação da função articular, assim como ajuda a evitar aderências, retra-
ções ou outros aspectos que di򟿿cultem a recuperação plena da paciente.
De acordo com Voll (2017), pode-se identi򟿿car como procedimentos metodológicos
terapêuticos com base em aspectos como a periodicidade. Neste sentido, recomenda o 
disposto nas alíneas que seguem:
a) A respeito de procedimentos de reabilitação que devem ser realizados até o 15º
dia de pós-operatório, Voll (2017) recomenda que:
• Sejam realizados exercícios de cunho posturais simples, a exemplo de isometria 
de adutores ou mesmo de abdutores de escápulas;
• No que tange ao aspecto respiratório, recomenda-se aplicar exercícios diafragmá-
ticos;
• Posicionamento em prono e supino no antebraço e realização de exão e extensão
do cotovelo;
• Realização de rotações de ombro, o que vai incluir abdução e exão, de maneira
a respeitar as limitações e dimensões do movimento;
• Promover a elevação e relaxamento de ombros tanto simultânea como alternada-
299Editora Pascal
Capítulo 23
mente;
• Cervical baseada em inclinação e rotação;
• Realização de drenagem linfática.
b) Por sua vez, após o 15º pós-operatório, Voll (2017) apresenta recomendações 
compreendidas como:
• A colocação da paciente em decúbito dorsal, posicionando as mãos atrás da nuca, 
de maneira que se busque aproximação com os cotovelos, bem como afastamento 
até que seja possível tocar o chão;
• Com a paciente sentada, coloca-se as mãos sobre a cabeça e de maneira lenta 
buscar que alcancem a dimensão do membro superior;
• Na sequência, inicia-se com base na extensão total do membro superior e depois 
segue baixando alternadamente;
• Em mesma posição, mas com as mãos apoiadas no queixo, pede-se à paciente 
que abra os cotovelos até onde puder e após, que os abaixe até que se toquem;
• Recomenda também que peça à paciente que incline, abduzindo o ombro e dei-
xando as mãos de maneira que 򟿿quem entrelaçadas;
• Além disso, a paciente deve 򟿿car com as mãos atrás da nuca, bem como com os
cotovelos abertos, de maneira que possa realizar exão na parte lateral do tronco;
• Por 򟿿m, recomenda ainda que, com a paciente sentada, esta esteja com as mãos
posicionadas atrás da nuca, abra os cotovelos e os exione abrindo e fechando.
Além dessas possibilidades, enfatiza-se que no pós-operatório o volume de ativida-
des outras deve ser mínimo, controlado ou mesmo que evitado, o que não representa 
uma total anulação das atividades diárias da paciente, mas que estas sejam realizadas 
sob certo controle e cautela. Portanto, a paciente deve ter o esclarecimento de que, se-
guindo as recomendações integralmente, em menor espaço de tempo poderá retomar sua 
rotina diária. 
Ao ser realizada de forma imediata, a 򟿿sioterapia em pacientes em estado pós-ope-
ratório de câncer de mama tende a proporcionar um leque de efeitos positivos para quem 
passa por tais procedimentos. Em termos gerais são diversos os benefícios da plena rea-
lização da 򟿿sioterapia, conforme as diversas literaturas voltadas para o tema.
Por 򟿿m, durante o período pós-cirúrgico, o 򟿿sioterapeuta estará em pleno cumpri-
mento de suas atribuições, tendo em vista que é ele/a quem orienta essa rotina tempo-
rária, visando o retorno às rotinas cotidianas da paciente, mas sob total cuidado quanto 
ao restabelecimento das funções dos membros. Daí a importância tanto do Fisioterapeuta 
como da paciente em acolher possibilidades de terapias sob as diferentes óticas.
300Fisioterapia: Uma abordagem contemporânea - Vol. 02
Capítulo 23
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo tratou da atuação do Fisioterapeuta no pós-operatório de câncer de mama 
em mulheres, tendo em vista que o câncer de mama é um dos tipos mais detectados na
atualidade. Buscou-se evidenciar a atuação do Fisioterapeuta como de singular importân-
cia para a recuperação das mulheres ao longo do pós-operatório, levando em considera-
ção aspectos de natureza física e psicológica.
Discorreu-se ao longo do trabalho a respeito da formação da concepção cientí򟿿ca e
teórico-prática acerca da 򟿿sioterapia, sendo esta ciência e instrumento de práticas pro-
򟿿ssionais com diferentes correntes teóricas e percursos histórico de várias fases e con-
textos, mas ambos sempre levando em consideração a saúde do corpo de cada indivíduo.
Para isso, utilizou-se metodologia assentada em consultas bibliográ򟿿cas com docu-
mentos cientí򟿿cos e mesmo das disposições legais, uma vez que a plenitude da pro򟿿ssão
está tanto na aquisição de conhecimento teórico e metodológico como também sob as
normativas de órgãos como o COFFITO e demais órgãos o򟿿ciais, tendo em vista as reso-
luções voltadas para o trabalho com a saúde.
De acordo com a literatura consultada, tornou-se possível evidenciar que a atuação 
do Fisioterapeuta deve estar em sintonia com o coletivo multidisciplinar que atua no trata-
mento de pessoas acometidas de câncer de mama. E embora a atuação seja ao longo de 
todo o processo, o pós-operatório inspira maiores cuidados, tendo em vista uma necessi-
dade de lidar com o emocional da paciente sem que se perca o foco da recuperação física. 
Entende-se, neste sentido, uma ampla necessidade de compreensão acerca dos atri-
butos da Fisioterapia no âmbito da equipe multidisciplinar, quando de questões votadas 
para o tratamento do câncer de mama. Além disso, é importante que haja, por parte do
pro򟿿ssional, inclinação para constante aquisição de novas técnicas de intervenção, sem-
pre visando o melhor para a recuperação da paciente.
Referências
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