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POLÍTICA AMBIENTAL 
 
 
2 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um 
grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação 
e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer 
serviços educacionais em nível superior. 
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua 
formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, 
técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e 
propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas 
de comunicação. 
Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma 
confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no 
atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das 
instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 
 
 
 
 
3 
SUMÁRIO 
 
NOSSA HISTÓRIA ......................................................................................................... 2 
POLÍTICA AMBIENTAL ............................................................................................... 5 
POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE .......................................................... 5 
FUNDAMENTOS IMPORTANTES ............................................................................... 5 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL E O MEIO AMBIENTE ................................................. 6 
A POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE ...................................................... 8 
OBJETIVOS DA PNMA ................................................................................................. 9 
SISNAMA – SISTEMA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE ................................... 12 
INSTRUMENTOS DA PNMA ...................................................................................... 13 
A POLÍTICA AGRÍCOLA AMBIENTAL .................................................................... 14 
ESPAÇOS TERRITORIAIS PROTEGIDOS ................................................................ 15 
O SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA 
(SNUC) ........................................................................................................................... 16 
RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE 
PROTEÇÃO INTEGRAL .............................................................................................. 26 
RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE 
USO SUSTENTÁVEL (LEI 9.985/2000, ART, 14): ..................................................... 27 
DANO AMBIENTAL .................................................................................................... 33 
Poluição ambiental ......................................................................................................... 33 
COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA E LEGISLATIVA ......................................... 36 
DANO AMBIENTAL .................................................................................................... 38 
PECULIARIDADES DO DANO AMBIENTAL .......................................................... 41 
RECURSOS HÍDRICOS ................................................................................................ 43 
BREVE NOÇÕES SOBRE O CICLO HIDROLÓGICO E A IMPORTÂNCIA DA 
ÁGUA ............................................................................................................................. 44 
JUSTIFICATIVA PARA O DISCIPLINAMENTO DA ÁGUA ................................... 46 
 
 
4 
SÃO INSTRUMENTOS ESSENCIAIS À BOA GESTÃO........................................... 47 
RECURSOS HÍDRICOS E GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA ........................... 48 
FLORESTAS PÚBLICAS ............................................................................................. 49 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 54 
 
 
 
 
5 
POLÍTICA AMBIENTAL 
POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE 
FUNDAMENTOS IMPORTANTES 
 
 
O meio ambiente é 
direito fundamental que 
origina-se da reação do 
homem às ameaças 
fundamentais que o 
circundam. 
Para OSCAR 
VILHENA VIEIRA (2006, p. 
36), direitos fundamentais são 
o conjunto de direitos da 
pessoa humana expressa ou 
implicitamente reconhecidos por uma determinada ordem constitucional. 
Os direitos fundamentais apresentam, segundo ANTONIO F. G. BELTRÃO 
(2011), uma dupla faceta: consistem tanto em direitos subjetivos como também em 
elementos fundamentais da ordem constitucional vigente. 
Como direitos subjetivos, os direitos fundamentais facultam aos seus titulares a 
possibilidade de impor os seus interesses frente aos órgãos obrigados; na condição de 
elemento fundamental de ordem constitucional, os direitos fundamentais representam a 
base da ordem jurídica de um Estado Democrático de Direito (MENDES, 2004, p, 2). 
Assim, veremos ao longo desta apostila que na nova ordem jurídica advinda com 
a Carta Constitucional de 1988, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado 
assegura qualidade de vida, com desenvolvimento econômico-social, para as presentes e 
futuras gerações, consistindo em instrumento essencial para garantir a dignidade da 
pessoa humana. 
Falaremos das referências constitucionais ao meio ambiente, os objetivos e 
instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. 
Tópicos como os espaços territoriais protegidos que ao longo da evolução da 
humanidade vêm sendo incorporados pela legislação devido à importância de sua 
 
 
6 
preservação e equilíbrio para que as gerações atuais e futuras possam viver sem 
comprometimento de sua qualidade de vida, além de conceitos como poluição e dano 
ambiental; recursos hídricos – fonte de vida na Terra – gestão de florestas e florestas 
públicas serão amplamente discutidos ao longo desta apostila. 
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como 
premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco 
às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de 
maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro 
que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que 
consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original. 
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se muitas 
outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir para sanar 
lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL E O MEIO AMBIENTE 
A Constituição consiste na lei suprema do ordenamento jurídico do Estado. De 
acordo com o princípio da supremacia da Constituição, esta se coloca no topo do 
ordenamento jurídico de uma nação; todas as demais normas apenas serão legítimas na 
medida em que se conformarem com as normas constitucionais. 
A Constituição é, pois, a norma de todas as outras normas, o fundamento da 
autoridade de todos os poderes constituídos (CAETANO, 1987, p. 401). 
Consequentemente, não se dá conteúdo à Constituição a partir das leis. A fórmula a 
adotar-se para a explicitação de conceitos opera sempre 'de cima para baixo', o que serve 
para dar segurança em suas definições. 
O postulado da supremacia da Constituição repele todo o tipo de interpretação que 
venha de baixo, seria o mesmo que dizer, repele toda a tentativa de interpretar a 
Constituição a partir da lei. O que cumpre ser feito é sempre o contrário, vale dizer,de qualidade – previstos pelo Poder 
 
 
35 
Público. Em regra, a natureza consegue absorver, até um certo grau, a poluição causada 
pelo ser humano sem que tal implique uma redução de sua qualidade de vida. 
Naturalmente, incumbe ao Poder Público, na busca incessante pela melhoria da 
qualidade da vida humana, impor condições e critérios cada vez mais rigorosos para a 
proteção do meio ambiente. Para atender a tal munus constitucional, os entes públicos 
devem, entre outros, fomentar a criação de novas tecnologias menos poluentes (Vale 
observar que os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou 
absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental, consistem em 
instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (art. 9.°, V, da Lei nº 6.938/1981). 
Logo, a atividade poluente pode ser lícita ou ilícita, a depender se está ou não 
cumprindo no caso concreto com os padrões de qualidade previstos para o recurso 
ambiental específico (ar, água etc.), conforme a legislação de regência. 
Se a atividade poluente é lícita, não há como aplicar a seu agente sanções de 
natureza administrativa e penal. Ressalve-se, entretanto, que a responsabilização na esfera 
civil independe da licitude ou não do ato, uma vez que é objetiva, conforme o art. 14, § 
1.0, da Lei nº 6.938/1981. Logo, se a atividade poluente, ainda que regular, acarreta algum 
dano ao ambiente, o poluidor deverá ser responsabilizado civilmente. 
Dispõe o caput do art. 54 da Lei nº 9.605/1998 (Lei dos Crimes Ambientais), 
verbis: 
Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou 
possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais 
ou a destruição significativa da flora. 
Fundamental observar, portanto, que o ato de poluir, por si só, não consiste em 
crime ambiental. De fato, óbvio que as milhares de indústrias no Brasil, por exemplo, 
liberam no ar, na água e no solo milhares de poluentes, diariamente. 
Como visto, a poluição consiste em toda degradação da qualidade ambiental 
resultante de atividades que direta ou indiretamente: 
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; 
c) afetem desfavoravelmente a biota; 
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; 
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais 
estabelecidos (art. 3º, III, da Lei nº 6.938/1981). 
 
 
36 
Entretanto, apenas será crime ambiental a poluição de tal monta, de tal gravidade, 
que resulte ou possa resultar em: 
a) danos à saúde humana; 
b) mortandade de animais; ou, 
c) destruição significativa da flora. 
Logo, o ato de poluir é juridicamente tolerado, sob a perspectiva da 
responsabilidade penal, se não tiver potencial de causar danos à saúde humana, à fauna 
ou à flora; neste caso, pode-se poluir sem que tal implique a prática de crime ambiental 
algum. 
COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA E LEGISLATIVA 
A Constituição Federal de 1988 estabelece ser competência comum à União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios o combate à poluição em qualquer de suas formas 
(art. 23, VI). Outrossim, prevê que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal 
legislar concorrentemente sobre controle da poluição (art. 24, VI). 
Logo, os entes políticos da federação possuem competência administrativa (ou 
material, ou, ainda, executiva) para tratar acerca de poluição. A União, Estados e Distrito 
Federal possuem também competência legislativa expressa sobre o tema. 
Os Municípios, entretanto, também possuem competência legislativa para tratar 
sobre meio ambiente, e, consequentemente, poluição, dada a atribuição constitucional de 
legislar sobre assuntos de interesse local e de suplementar a legislação federal e estadual 
no que couber (art. 30, I e II, da Constituição Federal). 
A competência legislativa concorrente não autoriza que cada ente federativo 
legisle isoladamente sobre o tema; cabe à União legislar sobre normas gerais, enquanto 
que aos Estados compete legislar suplementarmente. Assim, não caberia à lei estadual 
inovar em matéria já regulada por lei federal3. 
 
3 Supremo Tribunal Federal, ADI 2.396/MS, Tribunal Pleno, ReI. Min. Ellen Gracie,j. 08.05.2003, 
DJ 1.°.08.2003, decisão unânime: "Ação direta de inconstitucionalidade. Lei n. 2.210/01, do 
Estado de Mato Grosso do Sul. Ofensa aos artigos 22, I e XII; 25, § 1º; 170, caput , II e IV; 1º; 
18º e 5.° caput, 11 e LIV, Inexistência. Afronta à competência legislativa concorrente da União 
para editar normas gerais referentes à produção e consumo, à proteção do meio ambiente e 
controle da poluição e à proteção e defesa da saúde. Artigo 24, V, VI e XII e §§ I." e 2.° da 
Constituição Federal. Não cabe a esta Corte dar a última palavra a respeito das propriedades 
técnico-científicas do elemento em questão e dos riscos de sua utilização para a saúde da 
população. Os estudos nesta seara prosseguem e suas conclusões deverão nortear as ações 
das autoridades sanitárias. Competência do Supremo Tribunal Federal circunscrita à verificação 
da ocorrência de contraste inadmissível entre a lei em exame e o parâmetro constitucional. 
Sendo possível a este Supremo Tribunal, pelos fatos narrados na inicial, verificar a ocorrência 
de agressão a outros dispositivos constitucionais que não os indicados na inicial, verifica-se que 
 
 
37 
Vale ressalvar a possibilidade do exercício pelos Estados da competência 
legislativa plena enquanto inexistir lei federal acerca das normas gerais (art. 24, §§ 3.° e 
4.°, da Constituição Federal). 
A poluição, seja hídrica, atmosférica, do solo, por resíduos sólidos, etc., que 
resulte em dano ao ser humano e/ou ao meio ambiente consiste em crime ambiental, e, 
como tal, encontra-se disciplinada pela Lei nº 9.605/1998 (Lei dos Crimes Ambientais), 
em seção específica intitulada “da poluição e outros crimes ambientais” (Lei nº 9605/98).4 
 
ao determinar a proibição de fabricação, ingresso, comercialização e estocagem de amianto ou 
de produtos à base de amianto, destinados à construção civil, o Estado do Mato Grosso do Sul 
excedeu a margem de competência concorrente que lhe é assegurada para legislar sobre 
produção e consumo (art. 24, V); proteção do meio ambiente e controle da poluição (art. 24, VI); 
e proteção e defesa da saúde (art. 24, XII). A Lei n'' 9.055/95 dispôs extensamente sobre todos 
os aspectos que dizem respeito à produção e aproveitamento industrial, transporte e 
comercialização do amianto crisotila. A legislação impugnada foge, e muito, do que corresponde 
à legislação suplementar, da qual se espera que preencha vazios ou lacunas deixados pela 
legislação federal, não que venha a dispor em diametral objeção a esta. Compreensão que o 
Supremo Tribunal tem manifestado quando se defronta com hipóteses de competência legislativa 
concorrente. Precedentes: ADI 903/MG-MC e ADI l.980/PR-MC, ambas de relatoria do eminente 
Ministro Celso de Mello. Ação direta de inconstitucionalidade cujo pedido se julga parcialmente 
procedente para declarar a inconstitucionalidade do artigo 1.0 e de seus §§ 1.0, 2.° e 3.°, do art. 
2.°, do art. 3.° e §§ l .? e 2.° e do parágrafo único do art. 5.°, todos da Lei n° 2.210/01, do Estado 
do Mato Grosso do Sul". (Grifo nosso). Superior Tribunal de Justiça, HC 86. 145/SP, 5." Turma, 
ReI. Min. Felix Fischer, j. 04.10.2007, DJ 19.11.2007, decisão unânime: "Processual penal. 
Habeas corpus substitutivo de recurso ordinário. Arts. 38, 54, § 2.°, inciso V e 60, todos da Lei 
n° 9.605/98. Trancamento da ação penal. Falta de justa causa. Inocorrência. I - A peça acusatória 
deve vir acompanhada com o mínimo embasamento probatório apto a demonstrar, ainda que de 
modo indiciário, a efetiva realização do ilícito penal por parte do denunciado. Se não houver um 
lastro probatório mínimo a respaldar a denúncia, de modo a tomar esta plausível, não haverá 
justa causaa autorizar a instauração da persecutio criminis. (Precedentes). II - O trancamento 
da ação por falta de justa causa, na via estreita do writ, somente é possível se houver 
comprovação, de plano, da atipicidade da conduta, da incidência de causa de extinção da 
punibilidade ou da ausência de indícios de autoria ou de prova sobre a materialidade do delito, o 
que não ocorre na espécie. (Precedentes). III - Na hipótese dos autos, o paciente, segundo 
afirmado na exordial acusatória, na qualidade de sócio-gerente da empresa ..., teria destruído e 
danificado floresta considerada de preservação permanente, utilizando-a com infringência das 
normas de proteção ambiental, a uma, causando poluição de qualquer natureza em níveis tais 
que podem resultar em destruição significativa da flora, por lançamentos de resíduos sólidos, em 
desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos, a duas, construindo e 
fazendo funcionar no local obras potencialmente poluidoras, sem licença ou autorização dos 
órgãos ambientais competentes, contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes, 
tudo isso de acordo com laudo do Instituto de Criminalística e do Departamento Estadual de 
Proteção aos Recursos Naturais. Em suma, narra a denúncia que o paciente teria violado 
gravemente a legislação ambientaI, pois teria causado poluição, construído obra potencialmente 
poluidora, suprimido vegetação, assoreado córrego, etc. Assim, verifica-se que há, ao menos em 
tese, a descrição de condutas criminosas que, em princípio, se adequam perfeitamente aos tipos 
penais previstos nos arts. 38, 54, § 2.°, inciso V e 60, todos da Lei n" 9.605/98, razão pela qual 
se mostra prematuro o pretendido trancamento da ação penal, tendo em vista a existência de 
um lastro probatório mínimo a respaldar a denúncia, de modo a tornar plausível a persecutio 
criminis. (Grifo de Beltrão, 2011). Ordem denegada". 
 
4 Lei 9.605/1998, Capítulo V, Seção III, arts. 54 a 61. 
 
 
38 
 DANO AMBIENTAL 
A Constituição Federal de 1988 elevou ao status de norma constitucional a 
responsabilização do infrator, pessoa física ou jurídica, nas esferas penal, civil (obrigação 
de reparar) e administrativa, por condutas e atividades consideradas lesivas ao meio 
ambiente (art. 225, § 3.°). 
Embora as sanções sejam cominadas de forma independente, na seara 
administrativa, civil e penal, podem ser aplicadas cumulativamente. Neste sentido, o 
Código Civil prevê que a “responsabilidade civil é independente da criminal, não se 
podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, 
quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal” (art. 935). 
A Lei dos Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) estabelece que as pessoas 
jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente quando a infração 
cometida resulte de decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão 
colegiado, no interesse ou benefício de sua entidade, ressalvando-se que a 
 
"Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar 
em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição 
significativa da flora: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
§ 1.° Se o crime é culposo: 
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. 
§ 2.° Se o crime: 
I - tomar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana; 
II - causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes 
das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população; 
III - causar poluição hídrica que tome necessária a interrupção do abastecimento público de água 
de uma comunidade; 
IV - dificultar ou impedir o uso público das praias; 
V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou 
substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos. 
§ 3.° Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando 
assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano 
ambiental grave ou irreversível. 
Art. 55. Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente 
autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida: 
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. 
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem deixa de recuperar a área pesquisada ou 
explorada, nos termos da autorização, permissão, licença, concessão ou determinação do órgão 
competente. 
Art. 56. Produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, 
armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à 
saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou 
nos seus regulamentos: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
§ 1.0 Nas mesmas penas incorre quem: (Redação dada pela Lei n° 12.305, de 2010) 
I - abandona os produtos ou substâncias referidos no caput ou os utiliza em desacordo com as 
normas ambientais ou de segurança; (Incluído pela Lei n" 12.305, de 2010) 
 
 
 
39 
responsabilização da pessoa jurídica não exclui a responsabilidade das pessoas físicas, 
autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato (art. 3.°, caput e parágrafo único). 
A Lei nº 6.938/1981, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, já previa 
em seu art. 4.°, VII, 1ª parte, como um dos seus objetivos, a “imposição, ao poluidor e ao 
predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados (...),” o que 
corresponde ao princípio do poluidor-pagador. 
Outrossim, estabeleceu que a responsabilidade do poluidor pela indenização ou 
reparação dos danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade, 
independe da culpa, consagrando, assim, o princípio da responsabilidade objetiva (art. 14, 
§ 1º). 
Para evitar dúvidas, a Lei nº 6.938/1981 apresenta importantes definições em seu 
art. 3.°” 
 A degradação da qualidade ambiental consiste na “alteração adversa das 
características do meio ambiente” (inciso lI). 
A poluição corresponde à degradação da qualidade ambiental que resulta de 
atividades que direta ou indiretamente: 
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; 
c) afetem desfavoravelmente a biota; 
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; 
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais 
estabelecidos (inciso III). 
SOUZA (2000, p. 16) afirma que, num primeiro momento, os conceitos de 
“degradação da qualidade ambiental” (inciso II) e “poluição” (inciso III) parecem 
confundir-se. No entanto, destaca que a diferença fundamental diz respeito à intervenção 
humana. Assevera que a degradação da qualidade ambiental pode decorrer de fatores 
naturais (exemplo: incêndio em floresta ocasionado pela queda de um raio) ou por força 
de intervenções humanas (exemplo: desmatamentos). 
A degradação da qualidade ambiental decorrente de intervenção humana recebe o 
nome de poluição. Portanto, conclui o doutrinador, “poluição é a degradação da qualidade 
ambiental causada por atividade humana” (SOUZA, 2000). 
A definição de poluidor é bastante abrangente, compreendendo toda pessoa, física 
ou jurídica, de direito público ou privado, que seja responsável, direta ou indiretamente, 
por atividade causadora de degradação ambiental (inciso IV). 
 
 
40 
Logo, o dano ao meio ambiente pode repercutir em responsabilização do infrator 
nas esferas administrativa, civil e penal. Há de ser compreendido como a violação ao 
direito da coletividade ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, tal qual assegurado 
pelo art. 225, caput, da Constituição Federal. 
Assim, a degradação do ambiente decorrente da intervenção humana consiste no 
confisco dodireito de alguém em respirar ar puro, beber água saudável e viver com 
tranquilidade. Por isso, é imperioso que se analisem oportunamente as modalidades de 
reparação do dano ecológico, pois muitas vezes não basta indenizar, mas fazer cessar a 
causa do mal, pois um carrinho de dinheiro não substitui o sono recuperador, a saúde dos 
brônquios, ou a boa formação do feto. (MACHADO, 2004, p. 326). 
O dano ambiental pode ser observado sob duas perspectivas ou modalidades: o 
dano ambiental coletivo em sentido amplo, ou dano ambiental propriamente dito, que 
atinge o meio ambiente como direito transindividual, que pertence a todos, tal qual 
assegurado pelo art. 225, caput, da Constituição Federal; e o dano ambiental individual, 
que repercute no patrimônio ou na moral de cada um dos sujeitos afetados. 
A indenização por dano ambiental coletivo é destinada, via de regra, a um Fundo, 
impessoal, para reconstituição dos recursos ambientais atingidos, conforme prevê o art. 
13 da Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985); já a indenização pelo dano individual 
busca a recomposição direta do prejuízo das vítimas, individualmente consideradas 
(MILARÉ, 2005, p. 736). 
Vale observar que o Superior Tribunal de Justiça, ao menos por enquanto, ainda 
não chancela a tese de dano moral coletivo, decorrente de dano ambiental, por entender 
ser imprescindível a caracterização da dor, de sofrimento psíquico, de caráter individual, 
o que seria incompatível com os direitos difusos, como o do meio ambiente5. 
A regra para fixação da competência para processar e julgar ação que versa sobre 
dano ambiental é a do foro do local do ilícito, ou seja, onde o dano se localiza. Caso figure 
na lide, como autor, réu, assistente ou oponente a União, entidade autárquica ou empresa 
pública federal, excetuando-se as causas de falência, acidentes de trabalho e as sujeitas à 
Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho, conforme prevê o art. 109, I, da Carta Política, 
 
5 Superior Tribunal de Justiça, 1ª Turma, REsp 598.281, ReI. Min. Luiz Fux, ReI. para o acórdão 
Min. Teori Albino Zavascki, j. 02.05.2006, DJ 1°.06.2006. 
 
 
 
41 
será competente a justiça federal; nos demais casos, a jurisdição competirá à justiça 
estadual.6 
 PECULIARIDADES DO DANO AMBIENTAL 
O dano ambiental possui características próprias que o diferem do dano 
historicamente tratado pelo direito, de natureza individual, com vítimas determinadas, em 
um dado espaço geográfico. Compreendê-las é fundamental para tentar superar o enorme 
desafio que o disciplinamento jurídico do dano ambiental impõe, rompendo-se conceitos 
e institutos tradicionais do direito na busca de novas soluções (BLETRÃO, 2011). 
A responsabilização civil, por meio de obrigação de indenização pecuniária, 
consiste em uma das formas jurídicas mais antigas para solução do dano. Entretanto, a 
mera indenização financeira, a posteriori, pelo dano ambiental é absolutamente 
inoperante. Ressalvados alguns casos em que a reparação integral do ambiente é possível, 
razão pela qual se deve também impor ao infrator os seus custos, dificilmente a reparação 
feita pelo homem conseguirá resgatar integralmente a qualidade que o ambiente 
apresentava anteriormente. 
Logo, faz-se fundamental a previsão legal de medidas preventivas, sistematizadas, 
de cunho coletivo, pelo que os princípios da prevenção e da precaução são essenciais no 
direito ambiental. 
Neste sentido, os Estados Unidos da América, país de tradição do common law, 
perceberam em meados do século XX que os institutos tradicionais do nuisance e do 
tresspass eram ineficazes quando da regulação do dano ambiental7. Por tal razão, a partir 
 
6 Superior Tribunal de Justiça, l.a Turma, REsp 81l. 773/SP, ReI. Min. Luiz Fux, j. 03.05.2007, 
DJ 31.05.2007; e l." Turma, REsp 789.513/SP, ReI. Min. Francisco Falcão, j. 06.12.2005, DJ 
06.03.2006. 
 
7 "O common law fundamenta-se largamente na doutrina legal de inconveniência (= 
nuisance) para dirimir controvérsias ambientais, apesar de que condutas que resultem em uma 
invasão física de propriedade poderiam ser tratadas como transgressão (= trespass). 
O tratamento jurídico da inconveniência (= nuisance) objetiva a proteção do direito ao 
uso e gozo da terra, enquanto a transgressão (= trespass) protege contra invasões na posse da 
terra (...) Enquanto o common law é eficiente para tratar de conflitos entre uma fonte única de 
poluição e alguns poucos vizinhos, há um amplo consenso que as ações de inconveniência (= 
nuisance) são totalmente inadequadas para resolver os problemas típicos de poluição 
encontrados pelas sociedades industriais modernas." PERCIVAL, Robert V; SCHROEDER, 
 
 
42 
da década de 1960 foram editadas diversas leis e regulamentos, como se país de civil Law 
fosse, tratando da água, do ar, de resíduos sólidos, espécies ameaçadas de extinção, 
substâncias tóxicas, etc. 
Outra característica do dano ambiental consiste na indeterminação das vítimas, 
dada a sua natureza de direito difuso. Assim, é sempre difícil a tarefa de identificar os 
sujeitos que sofreram os efeitos de determinada degradação ambiental. 
Ainda, caracteriza-se também por ser transfronteiriço, ou seja, não respeita as 
fronteiras geopolíticas erigidas artificialmente pelo homem, o que também gera sérias 
dificuldades para seu disciplinamento jurídico. A título de exemplo, o terrível acidente 
nuclear da central ucraniana de Tchernobil, localizada à época na União Soviética, 
ocorrido em 26.04.1986, cuja nuvem radioativa afetou a Finlândia. Passados vinte e um 
anos da tragédia, peixes e cogumelos de algumas regiões finlandesas ainda apresentam 
sinais de toxicidade por césio 137, substância cancerígena. Bem recentemente os 
terremotos e tsunamis que atingiram o Japão, causando problemas de grau elevado na 
usina nuclear de Fukushima, poderão demorar anos para aparecerem os resultados 
negativos. 
Outra peculiaridade do dano ambiental consiste na dificuldade de sua valoração. 
O ar limpo é gratuito; não se paga nada para respirá-lo. Como então calcular a indenização 
devida para uma determinada comunidade que foi afetada por uma emissão de gases, 
proveniente da indústria X, superior aos limites previstos no respectivo licenciamento 
ambiental? 
Outro exemplo: imaginemos que a madeireira Y devastou ilegalmente milhares 
de hectares de floresta. Como valorar este dano ambiental? Pode-se estimar a indenização 
a partir simplesmente do valor de mercado da madeira retirada. Mas, e quanto ao valor da 
diversidade biológica, das espécies da fauna e da flora que foram atingidas pelo 
desmatamento, e do ecossistema como um todo, nada é devido? Como estimá-lo, então? 
São questões complexas que certamente exigirão cada vez mais atenção do legislador e 
dos aplicadores do direito. 
Por fim, o Superior Tribunal de Justiça já possui entendimento consolidado quanto 
à responsabilização do novo proprietário de imóvel por dano ambiental resultante de 
 
Christopher H.; MILLER, Alan S.; LEAPE, James P. Environmental regulation: law, science and 
policy, p. 62-72. (apud BELTRÃO, 2011, p. 235) 
 
 
43 
desmatamento realizado pelo proprietário anterior, por entender, corretamente, que há 
uma perpetuação da lesão ao meio ambiente (BELTRÃO, 2011). 
Neste sentido, MAZZILLI (2002, p. 132) anota que, 
Em face do caráter objetivo e propter rem da responsabilidade ambiental, o 
sucessor responde pelos danos causados à coisa alienada, até porque, em caso contrário, 
bastaria ao poluir alienar o bem por ele deteriorado, e o dano cível ficaria sem 
possibilidade de restauração direta. 
Logo, para se adquirir uma propriedade faz-se fundamental realizar uma due 
diligence, avaliando-se os passivos ambientais que possa eventualmente apresentar. Por 
exemplo, se o proprietário anterior desmatou as Áreas de Preservação Permanente e/ou 
de Reserva Legal, o novo proprietário assumirá o dever legal de reflorestá-Ias, pelo queabsolutamente necessário o cômputo de tais despesas no valor da compra do imóvel. 
Portanto, toda cautela e diligência são importantes antes de efetivar uma venda 
para que o novo proprietário não incorra na perpetuação do dano ambiental. 
Estes precedentes estão em perfeita harmonia com a tutela constitucional do meio 
ambiente prevista pelo art. 225, que impôs ao Poder Público e à coletividade o dever de 
protegê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. 
RECURSOS HÍDRICOS 
 
A problemática geral dos recursos hídricos indica que a principal questão de 
segurança no mundo seja a da água, a qual está se tornando um teste de campo supremo 
para o desenvolvimento da segurança coletiva. Dentre os usos da água temos a geração 
de energia, o abastecimento doméstico, o abastecimento industrial, a coleta de esgoto, etc. 
PÉRICLES ANTUNES BARREIRAS (2007) relembra algumas notícias sobre 
Conflitos pela Água que valem a pena elencarmos: 
A) Internacionais: 
 
 
44 
1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável no mundo e 2,2 milhões morrem 
anualmente vítimas de doenças causadas pela falta do recurso ou por saneamento básico 
inadequado. 
97,5% das águas do planeta são salgadas, os 2,5% restantes, quase 2/3 estão 
congelados nos polos. Quase 70% da água disponível são aplicadas na agricultura. 
No Egito, a população é maior do que as suas reservas de água. 
Na Bacia do Rio Jordão que engloba a Costa de Israel, Síria, Jordânia e Região da 
palestina, as nascentes estão nas Colinas de Golan (Síria) ocupadas por Israel e existe um 
tratamento diferenciado. Os Palestinos estão sujeitos a cotas e fechamentos intermitentes 
da água disponibilizada, confundindo-se sobrevivência com soberania. 
Índia e Paquistão compartilham bacias hidrográficas assim como na África muitos 
países (Guiné Conacri, Mali, Níger e Nigéria) utilizam a mesma bacia, do Rio Níger. 
EUA X MÉXICO: Barramento de águas pelos EUA, no Colorado, deixou pouca 
água para o México. 
 
B) Nacionais: 
O Brasil é um dos países com mais água potável do mundo, ao lado do Canadá e 
da Rússia, possuindo 12% da água superficial do mundo, sendo o 23º país com mais água 
disponível por pessoa no mundo. 
No entanto, o Nordeste brasileiro detém apenas 3,3% dos recursos hídricos do 
pais, o que leva a inúmeros problemas de saúde pública para a população. 
BREVE NOÇÕES SOBRE O CICLO HIDROLÓGICO E A IMPORTÂNCIA DA 
ÁGUA 
 
A água é mestra da reciclagem, da autoconservação e da autopurificação. 
As águas oceânicas ou continentais passam ao estado gasoso mediante a 
evaporação, graças à energia que recebem do sol. Os níveis de evaporação dependem da 
temperatura e da quantidade de vapor ou umidade que se encontre no ar circundante. 
Também existe uma importante evaporação que provém das plantas, que neste caso se 
denomina transpiração. 
O processo inverso à evaporação é a condensação. O vapor volta a se converter 
em água quando o ar saturado com umidade absorve mais umidade por parte de outras 
substâncias ou quando há uma gota na temperatura do ar saturado com umidade. O vapor 
 
 
45 
se condensa no ar e forma minúsculas gotas de águas; estas por sua vez formam nuvens. 
O ar que contém vapor ou nuvens é transportado pelo vento de um lugar a outro, por este 
motivo, o vento desempenha um papel importante na possibilidade de que chova ou não 
em um lugar. 
Como as minúsculas gotas que constituem as nuvens não têm possibilidade de cair 
na terra por seu pequeno tamanho, é possível que se convertam de novo em vapor. 
Calcula-se que cada milhão dessas minúsculas gotinhas pode formar tão somente uma 
gota de chuva. Estas gotas grandes são as que caem na superfície terrestre em forma de 
precipitação. 
De acordo com as condições climáticas, as gotas se unem, às vezes, como cristais 
de gelo e formam flocos de neve que podem se converter em água à medida que caem na 
terra ou se precipitam em forma de granizo. Quando chove, a água não desliza pela 
superfície unicamente, mas parte dela é absorvida pela terra. 
A possibilidade de que o solo absorva a água depende de diversas circunstâncias, 
entre elas, o grau de porosidade do solo, a vegetação existente e as camadas que resultam 
impenetráveis. Por exemplo, nas cidades, o asfalto não permite que a água seja absorvida 
pelo solo. Em todo este processo existe também a possibilidade de que sejam criadas 
fontes naturais de águas, particularmente quando a chuva é retida nas camadas rochosas. 
A água superficial é aquela que flui sobre a superfície da terra, como os rios, ou 
que se encontra em um lugar concreto, como os lagos ou áreas úmidas. Assim, o ciclo da 
água transcorre em diversas etapas: a evaporação ou transpiração, a condensação, o 
transporte, a precipitação, a infiltração e o movimento de águas superficiais ou 
subterrâneas. Em cada um destes momentos, a água representa um grande valor 
ecológico, uma vez que estabelece as bases para que os diversos ecossistemas, sejam eles 
aquáticos ou terrestres, tenham possibilidades de vida (IGAM, 2004). 
Quando as águas oceânicas evaporam, os vapores resultantes já não têm sal, de 
maneira que nesse momento se realiza uma valiosa transformação da água salgada em 
água doce, a qual é transportada posteriormente para as superfícies continentais. 
Os ecossistemas dependentes de fluxos de energias e de ciclos de nutrientes 
essenciais, são providos pela água graças a sua capacidade de dissolvê-los e transportá-
los. Sem a água não funcionariam os ciclos biológicos, geológicos, nem químicos que 
permitem a vida (IGAM, 2004). 
A presença da água equilibra o calor do nosso planeta ao transportar calor de umas 
a outras latitudes e consegue que as variações térmicas sejam menores. 
 
 
46 
Tudo isto destaca a enorme importância de manter um bom equilíbrio global da 
água, já que todos os processos mencionados têm uma permanente interação e uma 
decisiva influência mútua. Por exemplo, de nada serviria fazer a gestão dos recursos 
hídricos em uma pequena localidade, de maneira isolada, se no seu entorno as atividades 
estão desequilibradas (IGAM, 2004). 
JUSTIFICATIVA PARA O DISCIPLINAMENTO DA ÁGUA 
A água é reconhecidamente um recurso vulnerável, finito e já escasso em 
quantidade e qualidade, por isso, trata-se de um bem econômico. É, portanto, fundamental 
que se disponha de instrumentos legais essenciais ao equilíbrio da oferta e da demanda 
para garantir o desenvolvimento sustentável (BARREIRAS, 2007). 
A base legal para o disciplinamento da água está na Constituição Federal de 1988, 
que tem competência privativa para legislar sobre águas: artigo 20, III, VIII. Art. 21, XII, 
"b"; artigo 22, IV 
Destaca-se as seguintes alterações Constitucionais essenciais: 
A) EXTINÇÃO DO DOMÍNIO PRIVADO DA ÁGUA 
Antes, o Código das Águas, previa o domínio privado da mesma. Assim, todos os 
Corpos d`água, a partir de outubro de 1988, passaram a ser de domínio público. 
B) ESTABELECIMENTO DE APENAS DOIS TIPOS DE DOMÍNIO PARA 
OS CORPOS D`ÁGUA NO BRASIL: 
- Domínio da UNIÃO ( Art. 20, III, C.F./88). 
- Domínio dos ESTADOS ( Art.26, I, C.F./88 ) 
(isto inclui as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes ou em 
depósito, ressalvadas, neste caso, as decorrentes de obras da União) 
A lei tradicional de direito da água no Brasil é o denominado “CÓDIGO DAS 
ÁGUAS” de 10/07/1934 (apesar de mais de 60 anos de existência, ainda é considerado 
pela doutrina jurídica como um dos textos modelares do direito positivo brasileiro) 
A Lei nº 9.433/1997 institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o 
Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do 
art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, 
que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. 
A Lei nº 9.984/2000 dispõe sobre a criação da Agência Nacional de Águas - ANA, 
entidade federal de implementaçãoda Política Nacional de Recursos Hídricos e de 
 
 
47 
coordenação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, e dá outras 
providências. 
As leis citadas acima visam organizar o setor de planejamento e gestão no âmbito 
nacional. Elas têm como destaque: 
1- Gestão integrada dos recursos hídricos; 
2- Princípio da adoção da Bacia hidrográfica como Unidade de Planejamento; 
3- Órgão Executor da Política Nacional dos Recursos Hídricos: MINISTÉRIO DO 
MEIO AMBIENTE pela Secretaria Nacional dos Recursos Hídricos (Portaria nº 253/99 
que trabalha na gestão integrada do uso múltiplo sustentável dos Recursos Hídricos; 
implantação do SINGREH; integração da Gestão dos Recursos Hídricos com a Gestão 
Ambiental; Implementação dos instrumentos de gestão. 
4- Foi criado o SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO DOS RECURSOS 
HÍDRICOS - SIGREH - e tendo como órgão de cúpula o CONSELHO NACIONAL DE 
RECURSOS HÍDRICOS e como órgão de execução federal a AGÊNCIA NACIONAL 
DE ÁGUAS (Lei nº 9.984 de 17/07/2.000) 
5- Princípio dos usos múltiplos da água (todos têm direito de acesso ao uso da 
água). 
6- Princípio do reconhecimento da água como um bem finito e vulnerável. 
7- Princípio do valor econômico da água; 
8- Gestão Desconcentrada e Participativa. Tudo o que puder ser decidido nos 
níveis mais baixos da hierarquia não será resolvido pelos níveis mais altos da hierarquia. 
 
SÃO INSTRUMENTOS ESSENCIAIS À BOA GESTÃO 
1- Instituição do PLANO NACIONAL DOS RECURSOS HÍDRICOS 
(Documento programático do Setor) para União e Estados. 
Vários Estados fizeram seus respectivos planos, possuindo, portanto, lei própria. 
Ex.: GO, SP, CE, MG, RS, SC, BA, RN, PB, PA, PE, etc. 
2- Outorga de Direitos de uso dos Recursos hídricos 
Instrumento pelo qual o usuário recebe uma autorização ou uma concessão ou 
ainda uma permissão, conforme o caso, para fazer o uso da água. 
3- Cobrança pelo uso da água. 
4- O enquadramento dos Corpos d`água em “Classes de uso” faz a ligação entre a 
gestão de qualidade com a gestão de quantidade. 
 
 
48 
RECURSOS HÍDRICOS E GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA 
Ambientalistas e autoridades do mundo inteiro já chamam atenção para o fato de 
que a água será o grande problema ambiental do século XXI, principalmente por conta da 
sua escassez. 
A água, dada a sua importância, é considerado um bem de domínio público. Isso 
quer dizer que é um bem de todos, cabendo ao Poder Público a sua gestão, que 
compreende a fiscalização e autorização para o uso da água pelo particular, sempre 
respeitando as normas de direito ambiental. Por isso, o uso da água não pode ser 
apropriado por uma só pessoa física ou jurídica, com exclusão absoluta dos outros 
usuários em potencial, nem pode significar a poluição, a agressão ou a destruição do 
próprio bem. 
A água pode ser utilizada para diversos fins, tais como: uso humano, irrigação, 
geração de energia elétrica, dessedentação de animais, lançamento de esgotos, etc. 
Considerando que todas essas possibilidades são igualmente importantes é que a Lei 
estabelece como prioridade o uso múltiplo. Vale dizer, a água não pode ser utilizada de 
forma a privilegiar somente uma finalidade em detrimento de outras, mas deve sempre 
buscar de forma racional e, dentro do possível, atender às diversas possibilidades de uso. 
Nas outorgas de uso dos recursos hídricos o Poder Público está obrigado a observar esta 
norma. 
Com efeito, a plataforma continental, bem como as bacias fluviais brasileiras, 
abrigam grande potencial ecológico e enorme biodiversidade. 
Os recursos hídrico-ambientais são utilizados na geração de energia elétrica e têm 
disciplina no Direito Ambiental brasileiro. Assim, os Estados, municípios e o Distrito 
Federal, que tiverem em seus respectivos recursos hídricos utilizados para geração de 
energia elétrica devem ter compensação financeira pela utilização dos mesmos. 
A Constituição Federal em seu art. 20, § 1º diz que 
é assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, 
participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de 
recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros 
recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar 
territorial, zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por 
essa exploração. 
 
A matéria é disciplinada na Lei nº 7990/89 alterada pela Lei nº 9433 de Janeiro de 
1997. 
 
 
49 
FLORESTAS PÚBLICAS 
 
As áreas de reserva legal florestal são definidas como área localizada no interior 
de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária 
ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos 
ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção da fauna e flora 
nativas. 
A título de reserva legal deverá ser mantido no mínimo: 
a) 80% quando as propriedades rurais situadas em áreas de florestas localizadas 
na Amazônia Legal; 
b) 35% na área de Cerrado na Amazônia legal; sendo 20% na mesma propriedade 
e 15% em outra área, localizada na mesma microbacia e averbada em cartório; 
c)20% em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa, localizada nas 
demais regiões do país; 
d) 20% nas áreas de campos gerais localizadas em qualquer região do país; 
Constituem princípios da gestão de florestas públicas (Lei nº 11.284/2006, art. 
2.°): 
a) a proteção dos ecossistemas, do solo, da água, da biodiversidade e valores 
culturais associados, bem como do patrimônio público; 
b) o estabelecimento de atividades que promovam o uso eficiente e racional das 
florestas e que contribuam para o cumprimento das metas do desenvolvimento sustentável 
local, regional e de todo o País; 
 
 
50 
c) o respeito ao direito da população, em especial das comunidades locais, de 
acesso às florestas públicas e aos benefício decorrentes de seu uso e conservação; 
d) a promoção do processamento local e o incentivo ao incremento da agregação 
de valor ao produtos e serviços da floresta, bem como à diversificação industrial, ao 
desenvolvimento tecnológico, à utilização e à capacitação de empreendedores locais e da 
mão-de-obra regional; 
e) o acesso livre de qualquer indivíduo às informações referentes à gestão de 
florestas públicas, nos termos da Lei nº 10.650/2003; 
f) a promoção e difusão da pesquisa florestal, faunística e edáfica, relacionada à 
conservação, à recuperação e ao uso sustentável das florestas; 
g) O fomento ao conhecimento e a promoção da conscientização da população 
sobre a importância da conservação, da recuperação e do manejo sustentável das florestas; 
h) a garantia de condições estáveis e seguras que estimulem investimentos de 
longo prazo no manejo, na conservação e na recuperação das florestas. 
Consideram-se florestas públicas as florestas, naturais ou plantadas, localizadas 
nos diversos biomas brasileiros, em bens sob o domínio da União, dos Estados, dos 
Municípios, do Distrito Federal ou das entidades da administração indireta (Lei nº 
11.284/2006, art. 2.°, I). 
Concessão florestal é a delegação onerosa, feita pelo poder concedente, do direito 
de praticar manejo florestal sustentável para exploração de produtos e serviços numa 
unidade de manejo, mediante licitação, à pessoa jurídica, em consórcio ou não, que atenda 
às exigências do respectivo edital de licitação e demonstre capacidade para seu 
desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado (Lei nº 11.284/2006, art. 3.°, 
VII). 
Considera-se unidade de manejo o perímetro definido a partir de critérios técnicos, 
socioculturais, econômicos e ambientais, localizado em florestas públicas, objeto de um 
Plano de Manejo Florestal Sustentável - PMFS, podendo conter áreas degradadas para 
fins de recuperação por meio de plantios florestais (Lei nº 11.284/2006, art. 3.°, VIII). 
O poder concedente pode ser a União; os Estados;o Distrito Federal ou os 
Municípios (Lei nº 11.284/2006, art. 3.°, XV). 
A gestão de florestas públicas para produção sustentável compreende (Lei nº 
11.284/2006, art. 4.°): 
a) a criação de florestas nacionais, estaduais e municipais, nos termos do art. 17 
da Lei nº 9.985/2000, e sua gestão direta; 
 
 
51 
b) a destinação de florestas públicas às comunidades locais, nos termos do art. 6.° 
da Lei nº 11.284/2006; 
c) a concessão florestal, incluindo florestas naturais ou plantadas e as unidades de 
manejo das florestas nacionais, estaduais e municipais. 
O Poder Público poderá exercer diretamente a gestão de florestas nacionais, 
estaduais e municipais criadas nos termos do art. 17 da Lei 9.985/2000, sendo-lhe 
facultado, para execução de atividades subsidiárias, firmar convênios, termos de parceria, 
contratos ou instrumentos similares com terceiros, observados os procedimentos 
licitatórios e demais exigências legais pertinentes (Lei nº 11.284/2006, art. 5.°). 
Antes da realização das concessões florestais, as florestas públicas ocupadas ou 
utilizadas por comunidades locais serão identificadas para a destinação, pelos órgãos 
competentes, por meio de (Lei nº 11.284/2006, art. 6.°): 
a) criação de reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável, 
observados os requisitos previstos da Lei nº 9.985/2000; 
b) concessão de uso, por meio de projetos de assentamento florestal, de 
desenvolvimento sustentável, agroextrativistas ou outros similares, nos termos do art. 
1898 da CF/1988 e das diretrizes do Programa Nacional de Reforma Agrária; 
c) outras formas previstas em lei. 
O Poder Público poderá, com base em condicionantes socioambientais definidas 
em regulamento, regularizar posses de comunidades locais sobre as áreas por elas 
tradicionalmente ocupadas ou utilizadas, que sejam imprescindíveis à conservação dos 
recursos ambientais essenciais para sua reprodução física e cultural, por meio de 
concessão de direito real de uso ou outra forma admitida em lei, dispensada licitação (Lei 
nº 11.284/2006, art. 6º, § 3º). 
A concessão florestal será autorizada em ato do poder concedente e formalizada 
mediante contrato, que deverá observar os termos da Lei nº 11.284/2006, das normas 
pertinentes e do edital de licitação (Lei 11.284/2006, art. 7.°). 
Os relatórios ambientais preliminares, licenças ambientais, relatórios de impacto 
ambiental, contratos, relatórios de fiscalização e de auditorias e outros documentos 
 
8 Obs.: CF/1988, art. 189 - Os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária 
receberão títulos de domínio ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo de dez anos. 
Parágrafo único. O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à 
mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil, nos termos e condições previstos em 
lei. 
 
 
 
52 
relevantes do processo de concessão florestal, serão disponibilizados por meio da Rede 
Mundial de Computadores, sendo assegurado também, a qualquer pessoa, o acesso aos 
contratos, decisões ou pareceres relativos à licitação ou às próprias concessões (Lei nº 
11.284/2006, arts. 7.°, parágrafo único, e 25). 
A publicação do edital de licitação de cada lote de concessão florestal deverá ser 
precedida de audiência pública, por região, realizada pelo órgão gestor, nos termos do 
regulamento, sem prejuízo de outras formas de consulta pública (Lei nº 11.284/2006, art. 
8º). 
São elegíveis para fins de concessão as unidades de manejo previstas no Plano 
Anual de Outorga Florestal (Lei nº 11.284/2006, art. 9.°). 
O Plano Anual de Outorga Florestal - PAOF, proposto pelo órgão gestor e definido 
pelo poder concedente, conterá a descrição de todas as florestas públicas a serem 
submetidas a processos de concessão no ano em que vigorar (Lei nº 11.284/2006, art. 10). 
O poder concedente publicará, previamente ao edital de licitação, ato justificando 
a conveniência da concessão florestal, caracterizando seu objeto e a unidade de manejo 
(Lei nº 11.284/2006, art. 12). 
As licitações para concessão florestal serão realizadas na modalidade 
concorrência e outorgadas a título oneroso (Lei nº 11.284/2006, art. 13, § 1.°) 
Nas licitações para concessão florestal, é vedada a declaração de inexigibilidade 
prevista no art. 25 da Lei nº 8.666/1993 (Lei nº 11.284/2006, art. 13, § 2.°). 
A concessão florestal terá como objeto a exploração de produtos e serviços 
florestais, contratualmente especificados, em unidade de manejo de floresta pública, com 
perímetro georreferenciado, registrada no respectivo cadastro de florestas públicas e 
incluída no lote de concessão florestal (Lei nº 11.284/2006, art. 14). 
A concessão florestal confere ao concessionário somente os direitos 
expressamente previstos no contrato de concessão (Lei nº 11.284/2006, art. 16). 
É vedada a outorga de qualquer dos seguintes direitos no âmbito da concessão 
florestal (Lei nº 11.284, art. 16, § 1.°): 
a) titularidade imobiliária ou preferência em sua aquisição; 
b) acesso ao patrimônio genético para fins de pesquisa e desenvolvimento, 
bioprospecção ou constituição de coleções; 
c) uso dos recursos hídricos acima do especificado como insignificante, nos 
termos da Lei nº 9.433/1997; 
d) exploração dos recursos minerais; 
 
 
53 
e) exploração de recursos pesqueiros ou da fauna silvestre; 
f) comercialização de créditos decorrentes da emissão evitada de carbono em 
florestas naturais. 
A licença prévia para uso sustentável da unidade de manejo será requerida pelo 
órgão gestor, mediante a apresentação de relatório ambiental preliminar ao órgão 
ambiental competente integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA 
(Lei nº 11.284/2006, art. 18). 
Nos casos potencialmente causadores de significativa degradação do meio 
ambiente, assim considerados, entre outros aspectos, em função da escala e da intensidade 
do manejo florestal e da peculiaridade dos recursos ambientais, será exigido estudo prévio 
de impacto ambiental - EIA para a concessão da licença prévia (Lei nº 11.284/2006, art. 
18, § 1.°). 
Os custos do relatório ambiental preliminar e do EIA serão ressarcidos pelo 
concessionário ganhador da licitação, sendo que o edital indicará os itens e seus 
respectivos valores (Lei nº11.284/2006, arts. 18, § 3.°, e 24). 
O início das atividades florestais na unidade de manejo somente poderá ser 
efetivado com a aprovação do respectivo Plano de Manejo Florestal Sustentável pelo 
órgão competente do SISNAMA e a consequente obtenção da licença de operação pelo 
concessionário (Lei nº 11.284/2006, art. 18, § 5.°). 
O processo de licenciamento ambiental para uso sustentável da unidade de manejo 
compreende a licença prévia e a licença de operação, não se lhe aplicando a exigência de 
licença de instalação (Lei nº 11.284/2006, art. 18, § 6.°). 
Somente poderão ser habilitadas nas licitações para concessão florestal empresas 
ou outras pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede e 
administração no País (Lei nº 11.284/2006, art. 19, § 1.°). 
Extingue-se a concessão florestal por qualquer das seguintes causas (Lei nº 
11.284/2006, art. 44): 
a) esgotamento do prazo contratual; 
b) rescisão; 
c) anulação; 
d) falência ou extinção do concessionário e falecimento ou incapacidade do titular, 
no caso de empresa individual; 
e) desistência e devolução, por opção do concessionário, do objeto da concessão. 
 
 
 
54 
REFERÊNCIAS 
BELTRÃO, Antônio F. G. Direito Ambiental. 3 ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: 
Método, 2011. 
BRASIL. Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do 
Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras 
providências. 
BARREIRAS, Péricles Antunes. Curso de Direito Ambiental. Goiânia, 2007. 
Mimeografado. 
BASTOS, Celso Ribeiro. Hermenêutica e interpretação constitucional. São Paulo: 
Celso Bastos Editor,1999. 
BENJAMIN, Antonio Herman de Vasconcelos. Introdução à Lei do Sistema Nacional 
de Unidades de Conservação (2002). Mimeografado. 
BENJAMIN, Antonio Herman de Vasconcelos. Meio ambiente e Constituição: uma 
primeira abordagem. In: BENJAMIN, Antonio Herrnan (Ed.). 10 anos da Eco 92: o 
direito e o desenvolvimento sustentável (Ten years after Rio 92: sustainable 
development and law). São Paulo: IMESP, 2002. 
BRASIL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL 1988. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm Acesso em: 
21 abr. 2011. 
BRASIL. DECRETO Nº 4.340, DE 22 DE AGOSTO DE 2002. Regulamenta artigos da 
Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades 
de Conservação da Natureza - SNUC, e dá outras providências. 
BRASIL. Lei 11.516 de 28 de agosto de 2007. Dispõe sobre a criação do Instituto Chico 
Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes; altera as Leis nos 
7.735, de 22 de fevereiro de 1989, 11.284, de 2 de março de 2006, 9.985, de 18 de julho 
de 2000, 10.410, de 11 de janeiro de 2002, 11.156, de 29 de julho de 2005, 11.357, de 
19 de outubro de 2006, e 7.957, de 20 de dezembro de 1989; revoga dispositivos da Lei 
no 8.028, de 12 de abril de 1990, e da Medida Provisória no 2.216-37, de 31 de agosto 
de 2001; e dá outras providências. 
BRASIL. Lei n. 10.650 de 16 de abril de 2003. Dispõe sobre o acesso público aos dados 
e informações existentes nos órgãos e entidades integrantes do SISNAMA. 
BRASIL. Lei n. 6.938 de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do 
Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras 
providências. 
BRASIL. Lei n. 8.171 de 17 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política agrícola. 
BRASIL. Lei n. 9605 de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e 
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras 
providências. 
 
 
55 
BRASIL. Lei n. 9985 de 18 de julho de 2000. Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, 
III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de 
Conservação da Natureza e dá outras providências. 
BRASIL. Lei. n. 11.284 de 02 de março de 2006. Dispõe sobre a gestão de florestas 
públicas para a produção sustentável; institui, na estrutura do Ministério do Meio 
Ambiente, o Serviço Florestal Brasileiro - SFB; cria o Fundo Nacional de 
Desenvolvimento Florestal - FNDF; altera as Leis nos 10.683, de 28 de maio de 2003, 
5.868, de 12 de dezembro de 1972, 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, 4.771, de 15 de 
setembro de 1965, 6.938, de 31 de agosto de 1981, e 6.015, de 31 de dezembro de 1973; 
e dá outras providências. 
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. RESOLUÇÃO CONAMA Nº 369, DE 28 DE 
MARÇO DE 2006. Dispõe sobre os casos excepcionais, de utilidade pública, interesse 
social ou baixo impacto ambiental, que possibilitam a intervenção ou supressão de 
vegetação em Área de Preservação Permanente-APP. Disponível em: 
www.mma.gov.br/port/conama/res/res06/res36906.xml Acesso em: 21 mai. 2011. 
CAETANO, Marcelo. Direito constitucional. Rio de Janeiro: Forense, 1987. v. I. 
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 2002. 
FERREIRA Jr, Valter Otaviano da Costa. Direito Ambiental: resumo dos tópicos mais 
importantes para concursos públicos. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Método, 
2011. 
HORTA, Raul Machado. Estudos de direito constitucional. Belo Horizonte: Del Rey, 
1995. 
IGAM. Instituto Mineiro de Gestão das Águas. Conceitos e definições (2004). 
Disponível em: www.igam.mg.gov.br Acesso em: 22 mai. 2011. 
LEITE, José Rubens Morato. Dano ambiental: do individual ao coletivo 
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MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito ambiental brasileiro. São Paulo: Malheiros, 
2004. 
MAZZILLI, Hugo Nigro. A defesa dos interesses difusos em juízo. São Paulo: Saraiva, 
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MENDES, Gilmar Ferreira. Direitos fundamentais e controle de constitucionalidade: 
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MILARÉ, Édis. Direito do ambiente. São Paulo: RT, 2005. 
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SOUZA, Motauri Ciocchetti de. Interesses difusos em espécie. São Paulo: Saraiva, 
2000. 
http://www.igam.mg.gov.br/
 
 
56 
VIEIRA, Oscar Vilhena. Direitos fundamentais: uma leitura da jurisprudência do STF. 
São Paulo: Malheiros, 2006.procede-se à interpretação do ordenamento jurídico a partir da Constituição (BASTOS, 
1999, p. 101). 
Conforme Benjamin (2002, p. 93), “A constitucionalização do ambiente, ou seja, 
a elevação das normas de proteção ambiental ao status constitucional, é considerada uma 
tendência mundial irreversível”, dado o crescente número de nações que passaram a 
incluir em suas respectivas Cartas normas de tal natureza. 
 
 
7 
Neste contexto, a Constituição Federal do Brasil de 1988 é reconhecida 
internacionalmente como merecedora de elogios quanto à preocupação ambiental que 
ostenta. De fato, a Carta de 1988 apresenta uma série de preceitos quanto à tutela 
ambiental, seja de forma fragmentada em diversos Capítulos, seja em um Capítulo 
específico do ambiente. 
As referências constitucionais ao ambiente iniciam-se entre os direitos e deveres 
individuais e coletivos (Título lI, Capítulo I, art. 5.°, LXXIII), ao legitimar qualquer 
cidadão a interpor ação popular para anulação de ato lesivo ao meio ambiente. 
O art. 20, lI, prevê serem bens da União Federal as terras devolutas 
“indispensáveis (...) à preservação ambiental, definidas em lei”. 
No art. 23, VI e VII, a Carta dispõe ser competência comum da União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em 
qualquer de suas formas, bem como a preservação das florestas, da fauna e da flora. 
O art. 24, VI, VII e VIII, estabelece a competência legislativa concorrente da 
União, dos Estados e do Distrito Federal, para, respectivamente, “florestas, caça, pesca, 
fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio 
ambiente e controle da poluição”, (...) “proteção ao patrimônio histórico, cultural, 
artístico, turístico e paisagístico", e "responsabilidade por dano ao meio ambiente (...)”. 
Prevê que o Conselho de Defesa Nacional tem por competência, entre outras, 
“propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do 
território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e 
nas relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer 
tipo”. 
Igualmente, como matéria que pode ser objeto de inquérito civil e de ação civil 
pública pelo Parquet (art. 129, III), como princípio que rege a ordem econômica (art. 170, 
VI), devendo ser considerado por cooperativas de garimpo a serem favorecidas pelo 
Estado (art. 174, § 3.°), e tema a ser compreendido na função social da propriedade (art. 
186, II). 
Ainda, a Carta de 1988 prevê o dever do sistema único de saúde de “colaboração 
na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho” (art. 200, VIII) e a 
caracterização de conjuntos urbanos e sítios de valor ecológico como patrimônio cultural 
brasileiro (art. 216, V). 
Finalmente, o art. 220, § 1.0, II atribui à lei federal a competência para estabelecer 
“os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem (...) 
 
 
8 
da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio 
ambiente”, e o art. 231, § 1.°, que prevê a caracterização como terras tradicionalmente 
ocupadas pelos índios as “imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais 
necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo 
seus usos, costumes e tradições”. 
Além das referências apontadas, que se encontram explícitas no texto 
constitucional, há várias outras que também denotam, ainda que de forma indireta, a tutela 
ambiental, as quais o professor JOSÉ AFONSO DA SILVA (2002, p. 49) denomina de 
referências implícitas. 
Neste sentido, a competência da União para instituir o Sistema Nacional de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos (art. 21, XIX), consiste em importante instrumento 
para a proteção da água e racionalização de seu uso. 
No mesmo sentido, temos a previsão de que compete à União instituir diretrizes 
para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes 
urbanos (art. 21, XX), visto que são temas que apresentam grande potencial de 
degradação ambiental e que, portanto, são merecedores de um planejamento em escala 
nacional (BELTRÃO, 2011). 
Como se vê a Carta assegura a máxima proteção e uso racional dos bens 
ambientais, mas infelizmente, por questões as mais diversas, tais como necessidade, 
ignorância ou ganância, não somente os legisladores como grande parte dos cidadãos 
brasileiros perceberam a necessidade de uma legislação das mais severas para que os 
recursos sejam usados de maneira racional sem comprometer as gerações atuais e futuras. 
A POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE 
A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) foi instituída por meio da Lei nº 
6.938/1981. Apesar de cronologicamente anteriores, o Código de Águas (Decreto-lei 852, 
de 11.11.1938), o Código Florestal (Lei 4.771, de 15.09.1965), o Código da Caça (Lei 
5.197, de 03.01.1967), o Código de Pesca (Decreto-lei 221, de 28.02.1967), o Código de 
Mineração (Decreto-lei 227, de 28.02.1967) e o Código Brasileiro do Ar (Lei 6.833, de 
30.09.1980) não são, em regra, considerados normas propriamente de tutela do meio 
ambiente, uma vez que tratam apenas incidentalmente do tema (HORTA, 1995, p. 304). 
Logo, pode-se afirmar que a Lei nº 6.938/1981 consiste no primeiro diploma legal 
em nosso direito positivo que disciplina de forma sistematizada o meio ambiente, 
 
 
9 
definindo meio ambiente, degradação da qualidade ambiental, poluição, poluidor e 
recursos ambientais. 
Essa lei disciplina o meio ambiente não mais com a visão privatista, limitada ao 
conteúdo econômico, própria da doutrina liberal das leis que a antecederam; o meio 
ambiente passa a ser tutelado em seu conjunto, como bem pertencente a toda a 
coletividade, transindividual, de natureza difusa e titularidade indeterminada. 
É instituída uma Política Ambiental de âmbito nacional, que tem por objetivo a 
proteção do meio ambiente, o planejamento racional na utilização dos recursos naturais, 
a responsabilização civil objetiva do infrator, dentre outros, conforme será abordado no 
item seguinte. Outrossim, cria o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), o 
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), indica os seus instrumentos legais, 
entre outras disposições (BELTRÃO, 2011). 
OBJETIVOS DA PNMA 
A Lei nº 6.938/1981 estabelece em seu art. 4° os objetivos da Política Nacional 
do Meio Ambiente, que passamos a analisar brevemente. 
I - A compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a 
preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; 
A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em 
junho de 1972 em Estocolmo, Suécia, conhecida como a Declaração de Estocolmo, 
consiste em um dos primeiros e mais importantes documentos internacionais sobre o meio 
ambiente. 
Desde então, estabeleceu-se um certo conflito de interesses entre países pobres, 
que não aceitariam restrições de cunho ambiental que dificultassem seu desenvolvimento 
econômico, e países ricos, que, para alcançar o atual estágio de desenvolvimento, 
destruíram, em regra, boa parte de seus recursos naturais. Da oposição da tese "proteção 
ambiental" com a antítese "desenvolvimento econômico" surgiu a síntese 
"desenvolvimento sustentável", de acordo com a forma de Hegel. 
O inciso acima trata exatamente desse aparente conflito. A Política Nacional do 
Meio Ambiente, portanto, não pretende sacrificar o desenvolvimento econômico do país 
em beneficio do meio ambiente. Por outro lado, tal desenvolvimento econômico há de se 
compatibilizar com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio 
ecológico. Um dos principais instrumentos para alcançar esse objetivo consiste na 
utilização de tecnologia. 
 
 
10 
Ressalte-se que a Constituição Federal prevê expressamente no artigo 170, VI que 
"a defesado meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o 
impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação" 
consiste em um dos princípios gerais que regem a atividade econômica no país. 
 
II- A definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à 
qualidade e ao equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, 
do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; 
O Poder Público, por meio do Poder Executivo nas três esferas, federal, estadual 
e municipal, deve editar políticas públicas que tenham por finalidade a preservação da 
qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico. 
A qualidade ambiental corresponde ao conjunto de elementos propiciadores da 
vida no mundo natural, sendo pressuposto da qualidade de vida; o equilíbrio ecológico 
consiste na manutenção das características essenciais de um ecossistema. 
A Carta de 1988 elevou ao status constitucional essa previsão, conforme 
estabelecido em seu art. 225, § 1º, que atribui ao Poder Público o dever de assegurar a 
efetividade do direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, para 
atender aos fins ali indicados. 
 
III- O estabelecimento de critérios e padrões da qualidade ambiental e de 
normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais; 
A Política Nacional do Meio Ambiente deve fixar quais os critérios a serem 
observados para a utilização dos recursos ambientais. Consiste em um dos instrumentos 
da Política Nacional do Meio Ambiente, conforme o art. 9.°, I, da Lei 6.938/1981, que 
será mais adiante analisado. 
 
 IV - O desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas 
para o uso racional de recursos ambientais; o uso de tecnologia é absolutamente 
fundamental para alcançar o desenvolvimento sustentável. 
Neste contexto, o Poder Público tem um papel essencial como fomentador de 
pesquisas e de novas tecnologias, sempre com o objetivo de otimizar o processo 
produtivo, reduzindo o volume final de resíduos a serem lançados no ar, nas correntes de 
água ou absorvidos pelo solo. 
 
 
11 
Também corresponde a um dos instrumentos da Política Nacional do Meio 
Ambiente, conforme o art. 9.°, V, da Lei nº 6.938/1981. 
 
V - A difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à divulgação de 
dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a 
necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico; 
Além da necessidade de criação de novas tecnologias, faz-se fundamental, 
naturalmente, divulgá-Ias para que passem a ser utilizadas por um maior número possível 
de agentes. 
Como já visto, o acesso à informação consiste em um dos princípios basilares do 
direito ambiental, pressuposto para a participação pública, essencial para a evolução e 
fortalecimento da proteção do ambiente. 
A Lei nº 10.650, de 16.04.2003, influenciada pela Convenção de Aarhus de 1998, 
disciplina o "acesso público aos dados e informações existentes nos órgãos e entidades 
integrantes do SISNAMA", impondo a todos os órgãos e entidades da administração 
direta e indireta que o integram, o que abrange União Federal, Estados, Distrito Federal, 
Territórios e Municípios," o dever geral de permitir o acesso público aos documentos, 
expedientes e processos administrativos que tratem de matéria ambiental, assim como de 
fornecer informações ambientais que estejam sob sua guarda. 
A "formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da 
qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico" relaciona-se à educação ambiental, dever 
do Poder Público nos termos do art. 225, § 1.°, VI, da Constituição Federal. 
 
VI - A preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua 
utilização racional e disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção 
do equilíbrio ecológico propício à vida; 
Uma característica comum dos recursos naturais é a escassez. De fato, se os 
recursos naturais fossem infindáveis não haveria necessidade de intervenção 
governamental para regulá-los. Desta escassez decorre o choque de interesses dos 
diversos setores da sociedade acerca de como utilizá-los. Como consequência, o 
planejamento racional por parte das autoridades governamentais é essencial para 
assegurar que as melhores decisões serão tomadas com intuito do interesse da 
coletividade e do meio ambiente. 
 
 
12 
A utilização racional dos recursos naturais tem por finalidade propiciar a sua 
disponibilidade permanente, assegurando, assim, o direito das futuras gerações, conforme 
prevê o art. 225, caput, da Constituição Federal. 
 
VII - A imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou 
indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de 
recursos ambientais com fins econômicos. 
Em sua primeira parte, corresponde ao princípio do poluidor-pagador, que decorre 
da teoria econômica segundo a qual se devem internalizar os custos externos, impondo-
se ao poluidor a responsabilidade pelo custo social da degradação ambiental por ele 
produzida. 
Quanto à contribuição do usuário, esta consiste no princípio do usuário-pagador, 
que impõe a cobrança de um valor econômico pela utilização de um bem ambiental. Sua 
natureza é meramente 
remuneratória, ou seja, não é 
punitiva (BELTRÃO, 2011). 
 
SISNAMA – SISTEMA 
NACIONAL DO MEIO 
AMBIENTE 
 
A Lei nº 6.938/81 criou 
em seu art. 6º, o Sistema 
Nacional do Meio Ambiente 
(SISNAMA), constituído pelos 
órgãos e entes responsáveis pela “proteção e melhoria da qualidade ambiental” da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 
É um sistema de natureza administrativa, composto pelos órgãos ou entes 
ambientais do Poder Executivo, administração direta ou indireta, nas três esferas da 
Federação, que tem por finalidade a gestão do ambiente nacional. 
São órgãos do SISNAMA: 
a) órgão superior – Conselho de Governo; 
b) órgão consultivo e deliberativo – Conselho nacional do meio ambiente - 
CONAMA; 
 
 
13 
c) órgão central – Ministério do Meio Ambiente - MMA; 
d) órgão executor – Instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais 
renováveis - IBAMA; 
e) órgãos seccionais – são os órgãos ou entidades estaduais do meio ambiente; 
f) órgãos locais – são os órgãos ou entidades municipais do meio ambiente. 
 INSTRUMENTOS DA PNMA 
A lei nº 6.938/81, com suas modificações subsequentes, elenca em seu art. 9º, 
treze instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Alguns destes instrumentos 
já se encontram razoavelmente regulados no direito positivo, enquanto outros ainda 
aguardam por um melhor disciplinamento legal. 
São instrumentos da PNMA (Lei 6.938/1981, art. 9.°): 
a) o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental; 
b) o zoneamento ambiental; 
c) a avaliação de impactos ambientais; 
d) o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras; 
e) os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção 
de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental; 
f) a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público 
federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção ambiental, de relevante 
interesse ecológico e reservas extrativistas; 
g) o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente; 
h) o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental; 
i) as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento das 
medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental; 
j) a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado 
anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis 
– IBAMA; 
k) a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, obrigando-
se o Poder Público a produzi-las, quando inexistentes; 
I) o Cadastro Técnico Federal de atividadespotencialmente poluidoras e/ou 
utilizadoras dos recursos ambientais; 
m) instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão ambiental, 
seguro ambiental e outros (FERREIRA JR, 2011). 
 
 
14 
 A POLÍTICA AGRÍCOLA AMBIENTAL 
A racionalidade na utilização dos recursos ambientais é, sem sombra de dúvidas, 
objetivo e princípio de direito ambiental, conforme foi descrito acima. Considerando que 
os bens ambientais são escassos, faz mister um aproveitamento adequado dos mesmos. 
A política agrícola ambiental inclui, além da eletrificação rural (art.137 da CF), as 
atividades agropecuárias, agroindustriais, pesqueiras e florestais. A Lei nº 8171/91 traça 
os objetivos básicos de proteção, recuperação e preservação dos recursos naturais e do 
meio ambiente. 
Ao poder público compete o seguinte: 
❖ disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da água, da fauna e da flora; 
❖ realizar zoneamentos agroecológicos que permitam estabelecer critérios para o 
disciplinamento e o ordenamento da ocupação espacial pelas diversas atividades 
produtivas, bem como para a instalação de novas hidrelétricas; 
❖ Estabelecer as diretrizes da política nacional de irrigação e drenagem, ouvido o 
Conselho Nacional de Política Agrícola – CNPA; 
❖ Coordenar e executar o programa nacional de irrigação; 
❖ Baixar normas objetivando o aproveitamento racional dos recursos hídricos 
destinados à irrigação, promovendo a integração das ações dos órgãos federais, 
estaduais, municipais e entidades públicas, ouvido o Conselho Nacional de 
Políticas Agrícolas – CNPA; 
❖ Apoiar estudos para a execução de obras de infraestrutura e outras referentes ao 
aproveitamento das bacias hidrográficas, com áreas de rios perenizados ou vales 
irrigáveis, com vistas a melhor e mais racional utilização das águas para irrigação; 
❖ Instituir linhas de financiamento ou incentivos prevendo encargos e prazos, bem 
como modalidades de garantia compatíveis com características da agricultura 
irrigada, ouvido o CNPA. 
As bacias hidrográficas constituem unidades básicas de planejamento do uso, da 
conservação e da recuperação dos recursos naturais. As empresas que exploram 
economicamente águas represadas e as concessionárias de energia elétrica serão 
responsáveis pelas alterações ambientais por elas provocadas e obrigadas à recuperação 
do meio ambiente, na área de abrangência de suas respectivas bacias hidrográficas. 
 
 
15 
O Poder Público implementará programas de estímulo às atividades criatórias de 
peixes e outros produtos de vida fluvial, lacustre e marinha de interesse econômico, 
visando ao incremento da oferta de alimentos e a preservação das espécies. 
Serão executadas em todo território nacional, de acordo com a Constituição e com 
a prioridade para áreas de comprovada aptidão para a irrigação, áreas de reforma agrária 
ou de colonização e projetos públicos de irrigação. 
A construção de pequenas centrais hidrelétricas e termoelétricas de 
aproveitamento de resíduos agrícolas, que objetivem a eletrificação rural por cooperativas 
rurais e outras formas associativas deverá ser implementada pelo Poder Público, mediante 
o implemento de uma Política de Eletrificação Rural. 
 ESPAÇOS TERRITORIAIS PROTEGIDOS 
Há muito que o ser humano por razões diversas, de ordem religiosa, moral, 
esportiva, por sua beleza cênica, etc., delimita áreas para preservação de sua fauna e flora. 
Aponta-se como precursor da ideia hodierna de parques a criação do parque nacional de 
Yellowstone, em 1872, nos Estados Unidos da América. No Brasil, o primeiro parque 
nacional foi o de ltatiaia, que data de 1937. 
Não há em nosso direito pátrio um sistema uno a disciplinar harmonicamente 
todos os espaços territoriais especialmente protegidos. De fato, como ressalta o professor 
ANTONIO HERMAN DE VASCONCELOS BENJAMIN (2001, p. 285), verbis: 
 
Observa-se, pois, que a adoção do modelo de áreas protegidas no Brasil, como 
instrumento de tutela da natureza, é anterior ao surgimento do Direito Ambiental, como 
disciplina orgânica e autônoma, estruturada em torno de características, objetivos, 
princípios e instrumentos próprios. Por conta dessa evolução histórica, amiúde sem rumo 
certo, ao sabor de pressões localizadas - ou, por vezes, de facilidades de criação, como o 
caráter remoto do território -, as áreas protegidas nacionais foram casuística e 
assistematicamente determinadas e administradas, reféns, no seu desenho teórico, legal e 
prático, da diversidade de filiação filosófica e paternidade política, daí resultando, de 
forma inevitável, frequente confusão de regimes, sobreposição de unidades e, pior, 
ineficiência na consecução de suas finalidades. 
Como algumas das áreas territoriais especialmente protegidas podem abranger 
propriedades particulares, a sua criação pode impor aos proprietários privados limites 
relevantes na utilização e fruição do seu respectivo domínio. 
 
 
16 
De fato, MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO (2002, p, 126) assevera que 
as limitações administrativas à propriedade originam-se de normas gerais e abstratas, 
destinadas a propriedades indeterminadas, e têm o propósito de atender interesses 
coletivos abstratamente considerados. 
O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado consiste, por excelência, 
em um direito de interesse coletivo lato sensu, visto pertencer a todos, nos termos do 
caput do art. 225 da Constituição Federal. 
Como a natureza é una, não respeitando as fronteiras e limites políticos erigidos 
artificialmente pelo homem, o modelo de criação de espaços especialmente protegidos 
padece em sua origem do grave defeito de pretender disciplinar de forma fragmentada a 
natureza, consistindo, portanto, em um contrassenso. 
Outrossim, tal modelo pode dar a falsa ideia de que fora de tais espaços 
especialmente protegidos inexistiria natureza, ou, ao menos, digna de preservação pela 
legislação ambiental, o que, naturalmente, não corresponde à verdade. Assim, 
perigosamente passa-se a impressão de que a natureza pode ser algo distante, a ser 
preservado em um local longínquo e inacessível, hermeticamente fechado, resultando no 
esquecimento de nossa própria origem e no essencial elo que nos une (BELTRÃO, 2011). 
Os espaços territoriais especialmente protegidos estão previstos expressamente 
pelo art. 225, § 1º, III, da Constituição Federal e são o gênero do qual as unidades de 
conservação, as áreas de preservação permanente e de reserva legal são espécies. 
O SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA 
(SNUC) 
A Lei 9.985, de 18.07.2000, institui o Sistema Nacional de Unidades de 
Conservação da Natureza, disciplinando os critérios 
para sua criação, implantação e gestão. Encontra-se 
regulamentada pelo Decreto nº 4.340, de 22.08.2002. 
Em seu art. 2°, de forma bastante salutar, 
conforme já tradicional técnica legislativa em matéria 
ambiental, a lei apresenta uma série de definições. A 
unidade de conservação consiste no “espaço territorial e 
seus recursos ambientais, incluindo as águas 
jurisdicionais, com características naturais relevantes, 
legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites 
 
 
17 
definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas 
de proteção” (art. 2.°, I, da Lei 9.985/2000). 
Por tratar-se de um sistema de âmbito nacional, os Estados e Municípios também 
podem criar unidades de conservação, as quais estarão inseridas no Sistema Nacional de 
Unidades de Conservação da Natureza (art. 3.°). 
Caso necessário, para atender às peculiaridades regionais ou locais, os Estados e 
Municípios poderão, em caráter excepcional, criar nova categoria de unidade de 
conservação que integrará o SNUC, desde que não se confunda com categoria já existente 
(art. 6.°, parágrafo único, da Lei 9.985/2000). 
O SNUC é gerido a partir de três órgãos: 
I - o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), quetem função 
consultiva e deliberativa; 
II - o Ministério do Meio Ambiente, com o papel de coordenação do sistema; e, 
III - o Instituto Chico Mendes e o IBAMA, em caráter supletivo, e os órgãos 
estaduais e municipais com competência ambiental, na qualidade de executores do 
sistema (art. 6.° da Lei nº 9.985/2000, com a redação dada pela Lei 11.516/2007). 
Logo, a partir da Lei nº 11.516/2007, que deu início ao Instituto Chico Mendes de 
Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes, o qual tem por função, entre 
outras, “executar ações da política nacional de unidades de conservação da natureza, 
referentes às atribuições federais relativas à proposição, implantação, gestão, proteção, 
fiscalização e monitoramento das unidades de conservação instituídas pela União” (art. 
1º, I), a atuação do IBAMA como órgão executor, na esfera federal, do SNUC passou a 
ser meramente supletiva, ou seja, atuará apenas quando o Instituto Chico Mendes for 
omisso, por falta de estrutura, de pessoal, etc. 
Compete aos órgãos executores propor a criação de unidades de conservação, 
devendo, para tanto, elaborar os estudos preliminares e, quando for o caso, realizar 
consulta pública (art. 4.° do Decreto nº 4.340/2002). 
A consulta pública, que é pressuposto obrigatório para a criação de unidade de 
conservação, com exceção da Estação Ecológica e da Reserva Biológica, tem por 
finalidade “subsidiar a definição da localização, da dimensão e dos limites mais 
adequados para a unidade”, ouvindo, para tanto, a população local e outras partes 
interessadas (art. 5.° do Decreto n. 4.340/2002). 
Segundo BELTRÃO (2011), agiu bem o legislador em exigir a consulta pública 
como condição prévia para quase todas as categorias de unidade de conservação, visto 
 
 
18 
que a participação da coletividade nos processos decisórios das autoridades públicas 
relacionados ao ambiente é um dos princípios que regem o direito ambiental (princípio 
da participação). Para melhor subsidiar o público interessado em participar do 
procedimento, o Poder Público tem a obrigação de fornecer informações adequadas e 
inteligíveis (art. 22, § 3.°, da Lei nº 9.985/2000). 
O art. 22 da Lei nº 9.985/2000 prevê que “as unidades de conservação são criadas 
por ato do Poder Público”, não exigindo, portanto, a forma de lei. Da mesma forma, a 
ampliação dos seus limites territoriais. 
Entretanto, a desafetação ou a redução dos limites de uma unidade de conservação 
só poderá ser feita mediante lei, ainda que tenha sido criada por ato diverso como, por 
exemplo, o decreto (BELTRÃO, 2011), sendo que tal previsão decorre diretamente do 
art. 225, § 1º, III, da Constituição Federal que expressamente estabelece que a alteração 
e a supressão de espaço territorial especialmente protegido somente poderão ocorrer 
mediante lei. 
As unidades de conservação podem abranger os respectivos subsolo e espaço 
aéreo caso exerçam alguma influência na estabilidade do ecossistema local. 
Outrossim, todas as unidades de conservação, com exceção da Área de Proteção 
Ambiental (APA) e da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), devem possuir 
uma zona de amortecimento e, quando conveniente, corredores ecológicos (art. 25 da Lei 
nº 9.985/2000). 
A zona de amortecimento consiste no “entorno de uma unidade de conservação, 
onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o 
propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade” (art. 2.°, XVIII, da Lei nº 
9.985/2000). 
Os corredores ecológicos, por sua vez, correspondem a “porções de ecossistemas 
naturais ou seminaturais, ligando unidades de conservação, que possibilitam entre elas o 
fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão de espécies e a 
recolonização de áreas degradadas, bem como a manutenção de populações que 
demandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que aquela das unidades 
individuais” (art. 2.°, XIX, da Lei nº 9.985/2000). 
Quando houver uma justaposição ou sobreposição de unidades de conservação de 
categorias distintas e/ou outras áreas protegidas, públicas ou privadas, deverá haver uma 
gestão de todo o conjunto, de forma integrada e participativa. É o que se denomina de 
 
 
19 
“mosaico” de unidades de conservação, que deve ser reconhecido por ato formal do 
Ministério do Meio Ambiente e gerido por um conselho. 
Questão complexa e que, certamente, ainda ocasionará muitos conflitos entre os 
entes da federação corresponde à justaposição ou sobreposição de unidades de 
conservação de entes distintos, ou seja, uma unidade de conservação federal que abrange 
parte de unidade de conservação estadual, por exemplo (BELTRÃO, 2011). 
Trata-se de tema que a doutrina e a jurisprudência ainda praticamente não 
enfrentaram e que será decidido, em última análise, pelo Supremo Tribunal Federal, com 
fulcro no art. 102, I, f, da Constituição Federal, por se tratar de conflito federativo. 
O Plano de Manejo, documento que define o zoneamento da unidade de 
conservação, assim como o uso da área e o manejo dos seus recursos naturais, conforme 
a definição legal do art. 2.°, XVII, da Lei nº 9.985/2000, deve abranger não apenas a área 
da unidade de conservação, mas também a zona de amortecimento e os corredores 
ecológicos, caso existentes. 
A lei assegura ampla participação da população residente na “elaboração, 
atualização e implementação do Plano de Manejo das Reservas Extrativistas, das 
Reservas de Desenvolvimento Sustentável, das Áreas de Proteção Ambiental e, quando 
couber, das Florestas Nacionais e das Áreas de Relevante Interesse Ecológico” (art. 27, § 
2º, da Lei nº 9.985/2000). 
Outrossim, prevê que o Plano de Manejo deverá ser elaborado no prazo de até 
cinco anos a partir da criação da respectiva unidade de conservação. Entretanto, não há a 
indicação de qual será a consequência legal caso este prazo não seja cumprido. 
O art. 36 da Lei nº 9.985/2000 impõe a obrigação de compensação por 
significativo impacto ambiental, que consiste no dever de o empreendedor de obra ou 
atividade que seja considerada de impacto significativo ao ambiente, pelo órgão 
ambiental competente, apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação do 
grupo de Proteção Integral. 
O montante de recursos a ser destinado pelo empreendedor para essa implantação 
e manutenção de unidade de conservação do grupo de Proteção Integral será fixado pelo 
órgão ambiental licenciador de acordo com o grau de impacto ambiental causado pela 
obra ou atividade licenciada, podendo ser inferior a 0,5% dos custos totais previstos para 
a implantação de seu empreendimento, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal na 
ADI 3.378. 
 
 
20 
Competirá ao órgão ambiental licenciador definir as unidades de conservação a 
serem beneficiadas ou até mesmo criadas com esses recursos. Excepcionalmente, tais 
recursos poderão ser destinados à unidade de conservação do grupo de Uso Sustentável 
quando for a mesma, ou sua zona de amortecimento, afetada pelo respectivo 
empreendimento (art. 36, § 3.°). 
A Resolução CONAMA nº 371/2006 estabelece “diretrizes aos órgãos ambientais 
para o cálculo, cobrança, aplicação, aprovação e controle de gastos” relativos às receitas 
obtidas por meio da compensação ambiental prevista pela Lei nº 9.985/2000. 
Há dois grandes grupos de unidades de conservação: as de Proteção Integral e as 
de Uso Sustentável. O primeiro tem por objetivo “preservar a natureza, sendo admitido 
apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta 
Lei” (art. 7.°, § 1º, da Lei nº 9.985/2000). 
Já as Unidades de Uso Sustentável têm por propósito “compatibilizar a 
conservação da natureza com o uso sustentável de parcela de seus recursos naturais” (art. 
7.°, § 2.°, da Lei nº 9.985/2000). 
No quadro resumo abaixo, temos os dois grupos de unidades de conservação, bem 
como seus objetivos e as categorias que serãodefinidas mais adiante. 
 
 É permitida a introdução de espécies não autóctones nas Áreas de Proteção 
Ambiental, nas Florestas Nacionais, nas Reservas Extrativistas e nas Reservas de 
Desenvolvimento Sustentável, sendo vedada nas demais categorias de unidades de 
conservação (art. 31, § 1.°, da Lei nº 9.985/2000). 
 
 
21 
Com exceção da Área de Proteção Ambiental e da Reserva Particular do 
Patrimônio Natural, toda exploração comercial de produtos, subprodutos ou serviços 
“obtidos ou desenvolvidos a partir dos recursos naturais, biológicos, cênicos ou culturais 
ou da exploração da imagem de unidade de conservação” de unidade de conservação 
dependerá de prévia autorização de sua respectiva administração e de retribuição 
econômica por parte do explorador (art. 33). 
Com o intuito de evitar burocracia e facilitar a entrada de receitas, a Lei 
expressamente autoriza os órgãos que administram as unidades de conservação a 
receberem diretamente recursos ou doações de qualquer natureza, nacionais ou 
estrangeiras, com ou sem encargos, oriundas de organizações públicas ou privadas. 
Por fim, as unidades de conservação do grupo de Uso Sustentável podem ser 
transformadas total ou parcialmente em unidades do grupo de Proteção Integral por meio 
de instrumento normativo do mesmo nível hierárquico do que criou a unidade, desde que 
obedecidos os procedimentos de consulta estabelecidos no § 2.° do art. 22 da Lei nº 9.985, 
de 2000 (art. 22, § 5.°). 
O grupo das Unidades de Proteção Integral compreende cinco categorias de 
unidades de conservação. Cada uma dessas unidades de Proteção Integral será dotada de 
um Conselho Consultivo, presidido pelo órgão responsável por sua administração e 
constituído por representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil, por 
proprietários de terras localizadas em Refúgios de Vida Silvestre ou Monumento Natural, 
quando for o caso, e, na hipótese prevista no § 2.° do art. 42, das populações tradicionais 
residentes, conforme se dispuser em regulamento e no ato de criação da unidade (art. 29). 
As Unidades de Conservação de Proteção Integral têm por objetivo preservar a 
natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais. 
As categorias das Unidades de Conservação de Proteção Integral são as seguintes 
(Lei 9.985/2000, art. 8º): 
a) Estação Ecológica; 
b) Reserva Biológica; 
c) Parque Nacional; 
d) Monumento Natural; e 
e) Refúgio da Vida Silvestre. 
A Estação Ecológica é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas 
particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, e tem como objetivo a 
preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas, as quais dependem de 
 
 
22 
autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade (Lei nº 
9.985/2000, art. 9.0, § 1º). 
Na Estação Ecológica a visitação pública é proibida, exceto quando com objetivo 
educacional, de acordo com o que dispuser o Plano de Manejo da unidade ou regulamento 
específico (Lei nº 9.985/2000, art. 9º, § 2º). 
Na Estação Ecológica só podem ser permitidas alterações dos ecossistemas no 
caso de (Lei nº 9.985/2000, art. 9º, § 4º, I a IV): 
1) Medidas que visem a restauração de ecossistemas modificados; 
2) Manejo de espécies com o fim de preservar a diversidade biológica; 
3) Coleta de componentes dos ecossistemas com finalidades científicas; 
4) Pesquisas científicas cujo impacto sobre o ambiente seja maior do que aquele 
causado pela simples observação ou pela coleta controlada de componentes dos 
ecossistemas em uma área correspondente a no máximo 3% (três por cento) da extensão 
total da unidade e até o limite de 1.500 (mil e quinhentos) hectares. 
A Reserva Biológica é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas 
particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas. A visitação pública é 
proibida, exceto aquela com objetivo educacional (Lei nº 9.985/2000, art. 10, §§ 1.0 e 
2.0). 
Na Reserva Biológica a realização de pesquisa científica depende de autorização 
prévia do órgão responsável pela administração da unidade (Lei nº 9.985/2000, art. 10, § 
3º). 
O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares 
incluídas em seus limites serão desapropriadas. 
A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de 
Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua 
administração e àquelas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 11, §§ 1º e 2º). 
No Parque Nacional, a pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão 
responsável pela administração da unidade, bem como àquelas previstas em regulamento 
(Lei nº 9.985/2000, art. 11, § 3º). 
Os Parques, quando forem criados pelos Estados ou pelos Municípios, serão 
denominados, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal (Lei nº 
9.985/2000, art. 4º). 
O Monumento Natural pode ser constituído por áreas particulares, desde que seja 
possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos 
 
 
23 
naturais do local pelos proprietários. Caso não haja esta compatibilização, a área deve ser 
desapropriada (Lei nº 9.985/2000, art. 12, §§ 1º e 2º). 
No Monumento Natural, a visitação pública está sujeita às condições e restrições 
estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão 
responsável pela administração e àquelas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, 
art. 12, § 3º). 
O Refúgio da Vida Silvestre pode ser constituído por áreas particulares, desde que 
seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos 
recursos naturais do local pelos proprietários. Caso não haja esta compatibilização, a área 
deve ser desapropriada (Lei nº 9.985/2000, art. 13, §§ 1º e 2º). 
No Refúgio da Vida Silvestre, a visitação pública está sujeita às normas e 
restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo 
órgão responsável pela administração e àquelas previstas em regulamento (Lei nº 
9.985/2000, art. 13, § 3º). 
No Refúgio da Vida Silvestre, a pesquisa científica depende de autorização prévia 
do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e 
restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento (Lei nº 
9.985/2000, art. 13, § 4º). 
As Unidades de Conservação de Uso Sustentável têm por objetivo 
compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais, 
sendo admitido o uso direto dos recursos naturais. 
As categorias das Unidades de Conservação de Uso Sustentável são as seguintes 
(Lei nº 9.985/2000, art. 14): 
a) Área de Proteção Ambiental (APA); 
b) Área de Relevante Interesse Ecológico; 
c) Floresta Nacional; 
d) Reserva Extrativista; 
e) Reserva de Fauna; 
f) Reserva de Desenvolvimento Sustentável; 
g) Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). 
A Área de Proteção Ambiental é constituída por terras públicas ou privadas (Lei 
nº 9.985/2000, art. 15, § 1º). 
 
 
24 
Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e 
restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de 
Proteção Ambiental (Lei nº 9.985/2000, art. 15, § 2º). 
Na Área de Proteção Ambiental, as condições para a realização de pesquisa 
científica e visitação pública nas áreas sob domínio público serão estabelecidas pelo órgão 
gestor da unidade e nas áreas sob propriedade privada caberá ao proprietário estabelecê-
las (Lei nº 9.985/2000, art. 15, §§ 3º e 4º). 
A Área de Proteção Ambiental disporá de um Conselho presidido pelo órgão 
responsável por sua administração e constituído por representantes dos órgãos públicos, 
de organizações da sociedade civil e da população residente (Lei nº 9.985/2000, art. 15, 
§ 5º). 
A Área de Relevante Interesse Ecológico é constituída por terras públicas ou 
privadas (Lei9.985/2000, art. 16, § 1º). 
Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e 
restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de 
Relevante Interesse Ecológico (Lei nº 9.985/2000, art. 16, § 2º). 
A Floresta Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares 
incluídas em seus limites devem ser desapropriadas (Lei nº 9.985/2000, art. 17, § 1º). 
Na Floresta Nacional, a visitação pública é permitida, condicionada às normas 
estabelecidas para o manejo da unidade pelo órgão responsável por sua administração 
(Lei n. 9.985/2000, art. 17, § 3º). 
Na Floresta Nacional, a pesquisa científica é permitida e incentivada, sujeitando-
se à prévia autorização do órgão responsável pela administração da unidade, às condições 
e restrições por este estabelecidas e àquelas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, 
art. 17, § 4º). 
A Floresta Nacional disporá de um Conselho Consultivo, presidido pelo órgão 
responsável por sua administração e constituído por representantes de órgãos públicos, 
de organizações da sociedade civil e, quando for o caso, das populações tradicionais 
residentes (Lei nº 9.985/2000, art. 17, § 5.°). 
A Floresta, quando criada pelo Estado ou Município, será denominada, 
respectivamente, Floresta Estadual e Floresta Municipal (Lei nº 9.985/2000, art. 17, § 
6.°). 
 
 
25 
Reserva Extrativista é de domínio público, com uso concedido às populações 
extrativistas, mediante contrato, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites 
devem ser desapropriadas (Lei nº 9.985/2000, art. 18, § 1.°). 
A Reserva Extrativista será gerida por um Conselho Deliberativo, presidido pelo 
órgão responsável por sua administração e constituído por representantes de órgãos 
públicos, de organizações da sociedade civil e das populações tradicionais residentes na 
área, conforme se dispuser em regulamento e no ato de criação da unidade (Lei nº 
9.985/2000, art. 18, § 2.°). 
Na Reserva Extrativista, a visitação pública é permitida, desde que compatível 
com os interesses locais e de acordo com o disposto no Plano de Manejo da área (Lei nº 
9.985/2000, art. 18, § 3.°). 
Na Reserva Extrativista, a pesquisa científica é permitida e incentivada, 
sujeitando-se à prévia autorização do órgão responsável pela administração da unidade, 
às condições e restrições por este estabelecidas e às normas previstas em regulamento 
(Lei nº 9.985/2000, art. 18, § 4.°). 
A Reserva de Fauna é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares 
incluídas em seus limites devem ser desapropriadas (Lei n. 9.985/2000, art. 19, § 1.°). 
Na Reserva de Fauna, a visitação pública pode ser permitida, desde que 
compatível com o manejo da unidade e de acordo com as normas estabelecidas pelo órgão 
responsável por sua administração (Lei nº 9.985/2000, art. 19, § 2.°). 
Na Reserva de Fauna, a pesquisa científica é permitida e a comercialização dos 
produtos e subprodutos resultantes destas pesquisas obedecerá ao disposto nas leis sobre 
fauna e regulamentos (Lei nº 9.985/2000, art. 19, § 4.°). 
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável é de domínio público, sendo que as 
áreas particulares incluídas em seus limites devem ser, quando necessário, desapropriadas 
(Lei nº 9.985/2000, art. 20, § 2.°). 
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável será gerida por um Conselho 
Deliberativo, presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por 
representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e das populações 
tradicionais residentes na área, conforme se dispuser em regulamento e no ato de criação 
da unidade (Lei nº 9.985/2000, art. 20, § 4.°). 
Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável, é permitida e incentivada a visitação 
pública, desde que compatível com os interesses locais e de acordo com o disposto no 
Plano de Manejo da área (Lei nº 9.985/2000, art. 20, § 5.°, I). 
 
 
26 
Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável, é permitida e incentivada a pesquisa 
científica voltada à conservação da natureza, sujeitando-se à prévia autorização do órgão 
responsável pela administração da unidade, às condições e restrições por este 
estabelecidas e às normas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 20, § 5.°, I). 
A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com 
perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica (Lei nº 9.985/2000, 
art. 21). 
O proprietário deverá assinar um termo de compromisso perante o órgão 
ambiental, onde constará o gravame da perpetuidade, e será averbado à margem da 
inscrição no Registro Público de imóveis (Lei nº 9.985/2000, art. 21, § 1º). 
Na Reserva Particular do Patrimônio Natural, poderá ser permitida, conforme se 
dispuser em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 21, § 2.°): 
a) a pesquisa científica; e b) a visitação com objetivos turísticos, recreativos e 
educacionais. 
Todas as Unidades de Conservação, com exceção da Área de Proteção Ambiental 
e da Reserva Particular do Patrimônio Natural, devem possuir uma zona de 
amortecimento e, quando conveniente, corredores ecológicos (Lei nº 9.985/2000, art. 25). 
RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE 
PROTEÇÃO INTEGRAL 
a) Estação Ecológica: 
I) objetiva a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas; 
II) posse e domínio públicos, áreas particulares serão desapropriadas; 
III) visitação pública proibida, exceto com objetivo educacional; 
IV) pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela 
administração da unidade de conservação. 
b) Reserva Biológica: 
I) objetiva a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes 
em seus limites; 
II) posse e domínio públicos, áreas particulares serão desapropriadas; 
III) visitação pública proibida, exceto com objetivo educacional; 
IV) pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela 
administração da unidade de conservação. 
c) Parque Nacional: 
 
 
27 
I) objetiva a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica 
e beleza cênica; 
II) posse e domínio públicos, áreas particulares serão desapropriadas; 
III) visitação pública depende do previsto no Plano de Manejo; 
IV) pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela 
administração da unidade de conservação. 
d) Monumento Natural: 
I) objetiva preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica; 
II) pode ser constituído por áreas particulares, quando houver compatibilização 
com os objetivos da unidade de conservação ou, caso não haja compatibilização, as áreas 
serão desapropriadas; 
III) visitação pública depende do previsto no Plano de Manejo; 
IV) pesquisa científica sem previsão legal. 
e) Refúgio da Vida Silvestre: 
I) objetiva proteger ambientes naturais onde se assegurem condições para a 
existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente 
ou migratória; 
II) pode ser constituído por áreas particulares, quando houver compatibilização 
com os objetivos da unidade de conservação ou, caso não haja compatibilização, as áreas 
serão desapropriadas; 
III) visitação pública depende do previsto no Plano de Manejo; 
IV) pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela 
administração da unidade de conservação. 
RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE 
USO SUSTENTÁVEL (LEI 9.985/2000, ART, 14): 
a) Área de Proteção Ambiental: 
I) objetiva proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e 
assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais; 
II) constituída por terras públicas ou privadas; 
III) pode haver restrições para a utilização de uma propriedade privada nela 
localizada; 
IV) visitação e pesquisa sujeitas a condições. 
 
 
 
28 
b) Área de Relevante Interesse Ecológico: 
I) objetivamanter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e 
regular o uso admissível dessas áreas; 
II) constituída por terras públicas ou privadas; 
III) visitação e pesquisa não prevista em lei. 
c) Floresta Nacional: 
I) objetiva o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais; 
II) posse e domínio públicos, áreas particulares serão desapropriadas; 
III) visitação pública permitida, condicionada ao Plano de Manejo; 
IV) pesquisa científica permitida, sujeitando-se à prévia autorização do órgão 
responsável pela administração da unidade de conservação. 
d) Reserva Extrativista: 
I) objetiva proteger os meios de vida e a cultura das populações extrativistas e 
assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade; 
II) é de domínio público, com uso concedido às populações extrativistas 
tradicionais, mediante contrato de concessão de uso, áreas particulares serão 
desapropriadas; 
III) visitação pública permitida, de acordo com o Plano de Manejo; 
IV) pesquisa científica permitida, sujeitando-se à prévia autorização do órgão 
responsável pela administração da unidade de conservação. 
e) Reserva de Fauna: 
I) posse e domínio públicos, áreas particulares serão desapropriadas; 
II) visitação pública permitida, desde que compatível com o Plano de Manejo; 
III) proibido o exercício da caça amadorística ou profissional. 
f) Reserva de Desenvolvimento Sustentável: 
I) objetiva preservar a natureza e, ao mesmo tempo, assegurar as condições e os 
meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida; 
II) é de domínio público, com uso concedido às populações tradicionais, mediante 
contrato de concessão de uso, áreas particulares serão desapropriadas. 
g) Reserva Particular do Patrimônio Natural: 
I) objetiva conservar a diversidade biológica; 
II) posse e domínio privado; 
III) gravada com perpetuidade, devendo ser averbada à margem da inscrição no 
registro de imóveis. 
 
 
29 
As Unidades de Conservação podem ser criadas por ato do Poder Executivo, por 
Decreto. Todavia, nada impede que possam ser criadas pelo Poder Legislativo, por lei, 
entretanto, antes da criação de uma Unidade de Conservação é necessária a realização de 
consulta pública e de estudos técnicos. 
A consulta pública, no entanto, não será obrigatória para a criação das seguintes 
Unidades de Conservação: 
a) Estação Ecológica; e 
b) Reserva Biológica. 
As Unidades de Conservação de Uso Sustentável podem ser transformadas em 
Unidades de Conservação de Proteção Integral, desde que seja utilizado o mesmo nível 
hierárquico do instrumento normativo do que criou a Unidade, e sejam realizados estudos 
técnicos e consulta pública. Assim, se a Unidade de Conservação de Uso Sustentável foi 
criada por Decreto, somente por Decreto ela poderá ser transformada em uma Unidade 
de Conservação de Proteção Integral. 
Para a ampliação dos limites de uma Unidade de Conservação também será 
utilizado o mesmo nível hierárquico do instrumento normativo do que a criou, igualmente 
precedida de consulta pública. A desafetação ou a redução dos limites de uma Unidade 
de Conservação só poderá ser realizada por lei específica, importando lembrar que toda 
Unidade de Conservação deve ter o seu Plano de Manejo, o qual deverá ser elaborado 
dentro de cinco anos, a contar da data de sua criação. 
Plano de Manejo é o documento técnico mediante o qual, com fundamento nos 
objetivos gerais de uma Unidade de Conservação, se estabelece o seu zoneamento e as 
normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a 
implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade (Lei nº 9.985/2000, art. 
2.°, XVII) (FERREIRA JUNIOR, 2011). 
As Áreas de Preservação Permanente (APP) são áreas protegidas, cobertas ou 
não por vegetação nativa (florestas e demais formas de vegetação natural), com a função 
ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a 
biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar 
das populações humana (Código Florestal, Lei nº 4.771/1965, art. 1º, § 2.°, II).1 
 
1 É preciso lembrar que tramita no Congresso Nacional um novo projeto para o Código Florestal, 
projeto este aprovado com pontos polêmicos, mas ainda continua valendo o código atual. Dentre as 
mudanças que já foram aprovadas temos: 
Além da União, os estados devem criar seus programas de regularização ambiental. 
 
 
30 
As APPs, que podem estar presentes em imóveis urbanos e rurais, são criadas por 
força de lei ou por ato do Poder Público (Lei nº 4.771/1965, arts. 1.° e 2.°). 
Consideram-se de preservação permanente as florestas e demais formas de 
vegetação natural, situadas (Lei nº 4.771/1965, art. 2.°): 
a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em 
faixa marginal cuja largura mínima seja: 
I) de trinta metros para os cursos d água de menos de dez metros de largura; 
II) de cinquenta metros para os cursos d'água que tenham de dez metros a 
cinquenta metros de largura; 
III) de cem metros para os cursos d'água que tenham de cinquenta a duzentos 
metros de largura; 
IV) de duzentos metros para os cursos d'água que tenham de duzentos a seiscentos 
metros de largura; 
V) de quinhentos metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 
seiscentos metros. 
b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais e artificiais; 
c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados olhos d'água, qualquer 
que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; 
d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; 
e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45 graus, equivalente 
a 100% na linha de maior declive; 
f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; 
g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, 
em faixa nunca inferior a cem metros com projeções horizontais; 
h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. 
 
Outro item permite que o agricultor assine um termo de adesão e compromisso. Quem cometeu 
crimes ambientas até julho de 2008 terá as multas suspensas e convertidas em serviços ambientais. 
Uma novidade foi a emenda que mantém nas áreas de preservação permanente as atividades 
agrossilvopastoris, de ecoturismo e turismo rural existentes até julho de 2008. 
Os deputados ambientalistas e parte da base do governo entendem que o projeto aprovado 
representa uma anistia aos desmatadores. 
Aprovado na câmara, o texto agora irá para o Senado, onde deve ser votado em pelo menos três 
comissões e depois no Plenário. A primeira comissão é a de Constituição e Justiça, onde os senadores 
analisarão se o texto está de acordo com a Constituição (PORTAL G1 DE ECONOMIA, 29 de maio de 
2011.) 
 
 
31 
Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por 
ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a (Lei 
nº 4.771/1965, art. 3.°): 
a) atenuar a erosão das terras; 
b) fixar as dunas; 
c) formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; 
d) auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; 
e) proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; 
f) asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; 
g) manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; 
h) assegurar condições de bem-estar público. 
A intervenção ou supressão em APPs somente poderá ocorrer em procedimento 
próprio quando haja (Res. CONAMA nº 369/2006, art. 3.°): 
a) inexistência de alternativa técnica e locacional; 
b) atendimento às condições e padrões aplicáveis aos corpos d'água; 
c) averbação da área de reserva legal; 
d) inexistência de risco de agravamento de processos como enchentes, erosão, etc. 
O órgãoambiental competente somente poderá autorizar a intervenção ou 
supressão de vegetação em APP,devidamente caracterizada e motivada mediante 
procedimento administrativo autônomo e prévio, e atendidos os requisitos previstos na 
Resolução Conama nº 369/2006 e noutras normas federais, estaduais e municipais 
aplicáveis, bem como no Plano Diretor, Zoneamento Ecológico-Econômico e Plano de 
Manejo das Unidades de Conservação, se existentes (Res. CONAMA 369/2006, art. 2.°).2 
 
2 STF, ADI 3.540, DJ 03.02.2006. Supressão de vegetação em área de preservação permanente, 
possibilidade de a administração, cumpridas as exigências legais, autorizar, licenciar ou permitir 
obras e/ou atividades nos espaços territoriais protegidos, desde que respeitada, quanto a estes, 
a integridade dos atributos justificadores do regime de proteção especial. 
Sobre o direito à indenização ou não, há divergência entre o STF e o STJ. 
STF, AI 677.647 AgR/AP, DJ 06.06.2008. Desapropriação. Área sujeita à preservação 
permanente. Indenização devida. A área de cobertura vegetal sujeita à limitação legal e, 
consequentemente à vedação de atividade extrativista não elimina o valor econômico das matas 
protegidas. 
STJ, REsp146.356/SP, DJ 15.12.2009. É firme a jurisprudência do STJ sobre a 
inindenizabilidade, como regra, das Áreas de Preservação Permanente, já que não passíveis de 
exploração econômica direta. Por sua vez, a Reserva Legal, onde se encontra vedado o corte 
raso da vegetação nativa, não pode ser indenizada como se fosse terra de livre exploração 
econômica. Cabe, nesse caso, ao proprietário provar o uso lícito. 
 
 
 
32 
A Lei nº 9.605/1998 preceitua como crime ambiental as seguintes condutas: 
a) Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo que 
em formação, ou utilizá-Ia com infringência das normas de proteção. Pena: 
detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente 
(art. 38); 
b) Destruir ou danificar vegetação primária ou secundária, em estágio avançado ou 
médio de regeneração, do Bioma Mata Atlântica, ou utilizá-Ia com infringência 
das normas de proteção. Pena: detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, ou multa, ou 
ambas as penas cumulativamente (art. 38-A) 
c) Cortar árvores em floresta considerada de preservação permanente, sem 
permissão da autoridade competente. Pena: detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, 
ou multa, ou ambas as penas cumulativamente (art. 39); 
d) Destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas ou vegetação fixadora de 
dunas, protetora de mangues, objeto de especial preservação. Pena: detenção, de 
três meses a um ano, e multa (art. 50); 
e) Desmatar, explorar economicamente ou degradar floresta, plantada ou nativa, em 
terras de domínio público ou devolutas, sem autorização do órgão competente. 
Pena: reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa (art. 50-A). 
De outro lado, o Decreto nº 6.514/2008 preceitua como infração administrativa 
ambiental as seguintes condutas: 
a) Destruir ou danificar florestas ou demais formas de vegetação natural ou utilizá-
Ias com infringência das normas e proteção em área considerada de preservação 
permanente, sem autorização do órgão competente, quando exigível, ou em 
desacordo com a obtida. Sanção: Multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 
50.000,00 (cinquenta mil reais), por hectare ou fração (art. 43); 
b) Cortar árvores em área considerada de preservação permanente ou cuja espécie 
seja especialmente protegida, sem permissão da autoridade competente. Sanção: 
Multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) por hectare 
ou fração, ou R$ 500,00 (quinhentos reais) por árvore, metro cúbico ou fração 
(art. 44); 
c) Extrair de florestas de domínio público ou áreas de preservação permanente, sem 
prévia autorização, pedra, areia, cal ou qualquer espécie de minerais. Sanção: 
Multa simples de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 50.000,00 (cinquenta mil 
reais) por hectare ou fração (art. 45). 
 
 
33 
DANO AMBIENTAL 
 Poluição ambiental 
 
A Lei nº 6.938/1981, que 
instituiu a Política Nacional do Meio 
Ambiente, conceitua degradação da 
qualidade ambiental como a 
alteração adversa das características 
do meio ambiente (art. 3.°, lI). Por 
conseguinte a degradação da 
qualidade ambiental consiste em toda 
modificação adversa ao equilíbrio 
ecológico (LEITE, 2003, p. 101). 
A poluição é conceituada 
como a degradação da qualidade 
ambiental resultante de atividades 
que direta ou indiretamente: 
a) prejudiquem saúde, a 
segurança e o bem-estar da população; 
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; 
c) afetem desfavoravelmente biota; 
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; 
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais 
estabelecidos (art. 3.°, III). 
No entendimento de ANTONIO F. G. BELTRÃO (2001), o conceito legal de 
poluição, portanto, é bastante amplo, apresentando tanto uma concepção antropocêntrica 
quanto biocêntrica. É antropocêntrico quando se refere à saúde, à segurança, ao bem-estar 
da população e às atividades sociais e econômicas; é biocêntrico quando prevê como 
poluição a degradação da qualidade ambiental que afete a biota (= fauna e flora que 
habitam um determinado local); e, ainda, apresenta concepção mista no tocante às 
condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente e ao lançamento de matérias ou 
energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. 
 
 
34 
Tecnicamente, portanto, degradação ambiental é gênero do que poluição é 
espécie. Consequentemente, toda poluição consiste em degradação ambiental; a 
recíproca, entretanto, não é verdadeira, ou seja, nem toda degradação ambiental consiste 
em poluição. 
Poluidor é conceituado como “a pessoa física ou jurídica, de direito público ou 
privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação 
ambiental” (art. 3º, IV). Assim, a poluição decorre exclusivamente da ação humana, ainda 
que involuntária. 
Logo, eventos da natureza, que podem ocasionar grande degradação ambiental, 
como, por exemplo, uma erupção vulcânica, um tsunami, enchentes, incêndios, etc., não 
consistem, tecnicamente, de acordo com a legislação brasileira, em poluição. Por serem 
eventos naturais, não podem, evidentemente, ser controlados pelo Direito. Este limita-se 
a regular as ações humanas, ou seja, aquelas que provocam poluição (BELTRÃO, 2011). 
A Constituição Federal atribui à União, Estados, Distrito Federal e Municípios a 
competência comum de combater à poluição “em qualquer de suas formas” (art. 23, VI); 
estabelece, também, que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar 
concorrentemente sobre controle da poluição (art. 24, VI). Outrossim, prevê a Carta 
Política que compete ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar o 
meio ambiente para as presentes e futuras gerações (art. 225, caput). 
Portanto, toda poluição é ilícita, devendo o seu agente necessariamente sofrer as 
sanções, de ordem civil, penal e administrativa, previstas na legislação? 
Segundo ANTONIO F. G. BELTRÃO (2011, p. 221) não é bem assim e solicita 
que imaginemos o seguinte: 
 
que todos nós ao dirigirmos um veículo, ou ao utilizarmos algum transporte 
público, movido por combustível de origem fóssil, estamos liberando no ar, por meio do 
sistema de escapamento, uma série de poluentes que degradam a atmosfera. Desta forma, 
somos poluentes, diretos (no caso de veículo próprio) ou indiretos (se utilizamos 
transporte público). Contudo, partindo-se da premissa de que o veículo está cumprindo 
com os limites - padrões de qualidade – previstos pela legislação de regência quanto à 
liberação de poluentes, não haveria, juridicamente, dano algum. 
 
Em outras palavras, significa afirmar que a poluição é tolerada pelo ordenamento 
jurídico desde que respeitados os limites – padrões

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