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POLÍTICA AMBIENTAL 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de comunicação. Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 3 SUMÁRIO NOSSA HISTÓRIA ......................................................................................................... 2 POLÍTICA AMBIENTAL ............................................................................................... 5 POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE .......................................................... 5 FUNDAMENTOS IMPORTANTES ............................................................................... 5 CONSTITUIÇÃO FEDERAL E O MEIO AMBIENTE ................................................. 6 A POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE ...................................................... 8 OBJETIVOS DA PNMA ................................................................................................. 9 SISNAMA – SISTEMA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE ................................... 12 INSTRUMENTOS DA PNMA ...................................................................................... 13 A POLÍTICA AGRÍCOLA AMBIENTAL .................................................................... 14 ESPAÇOS TERRITORIAIS PROTEGIDOS ................................................................ 15 O SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA (SNUC) ........................................................................................................................... 16 RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE PROTEÇÃO INTEGRAL .............................................................................................. 26 RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE USO SUSTENTÁVEL (LEI 9.985/2000, ART, 14): ..................................................... 27 DANO AMBIENTAL .................................................................................................... 33 Poluição ambiental ......................................................................................................... 33 COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA E LEGISLATIVA ......................................... 36 DANO AMBIENTAL .................................................................................................... 38 PECULIARIDADES DO DANO AMBIENTAL .......................................................... 41 RECURSOS HÍDRICOS ................................................................................................ 43 BREVE NOÇÕES SOBRE O CICLO HIDROLÓGICO E A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA ............................................................................................................................. 44 JUSTIFICATIVA PARA O DISCIPLINAMENTO DA ÁGUA ................................... 46 4 SÃO INSTRUMENTOS ESSENCIAIS À BOA GESTÃO........................................... 47 RECURSOS HÍDRICOS E GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA ........................... 48 FLORESTAS PÚBLICAS ............................................................................................. 49 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 54 5 POLÍTICA AMBIENTAL POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE FUNDAMENTOS IMPORTANTES O meio ambiente é direito fundamental que origina-se da reação do homem às ameaças fundamentais que o circundam. Para OSCAR VILHENA VIEIRA (2006, p. 36), direitos fundamentais são o conjunto de direitos da pessoa humana expressa ou implicitamente reconhecidos por uma determinada ordem constitucional. Os direitos fundamentais apresentam, segundo ANTONIO F. G. BELTRÃO (2011), uma dupla faceta: consistem tanto em direitos subjetivos como também em elementos fundamentais da ordem constitucional vigente. Como direitos subjetivos, os direitos fundamentais facultam aos seus titulares a possibilidade de impor os seus interesses frente aos órgãos obrigados; na condição de elemento fundamental de ordem constitucional, os direitos fundamentais representam a base da ordem jurídica de um Estado Democrático de Direito (MENDES, 2004, p, 2). Assim, veremos ao longo desta apostila que na nova ordem jurídica advinda com a Carta Constitucional de 1988, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado assegura qualidade de vida, com desenvolvimento econômico-social, para as presentes e futuras gerações, consistindo em instrumento essencial para garantir a dignidade da pessoa humana. Falaremos das referências constitucionais ao meio ambiente, os objetivos e instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Tópicos como os espaços territoriais protegidos que ao longo da evolução da humanidade vêm sendo incorporados pela legislação devido à importância de sua 6 preservação e equilíbrio para que as gerações atuais e futuras possam viver sem comprometimento de sua qualidade de vida, além de conceitos como poluição e dano ambiental; recursos hídricos – fonte de vida na Terra – gestão de florestas e florestas públicas serão amplamente discutidos ao longo desta apostila. Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original. Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. CONSTITUIÇÃO FEDERAL E O MEIO AMBIENTE A Constituição consiste na lei suprema do ordenamento jurídico do Estado. De acordo com o princípio da supremacia da Constituição, esta se coloca no topo do ordenamento jurídico de uma nação; todas as demais normas apenas serão legítimas na medida em que se conformarem com as normas constitucionais. A Constituição é, pois, a norma de todas as outras normas, o fundamento da autoridade de todos os poderes constituídos (CAETANO, 1987, p. 401). Consequentemente, não se dá conteúdo à Constituição a partir das leis. A fórmula a adotar-se para a explicitação de conceitos opera sempre 'de cima para baixo', o que serve para dar segurança em suas definições. O postulado da supremacia da Constituição repele todo o tipo de interpretação que venha de baixo, seria o mesmo que dizer, repele toda a tentativa de interpretar a Constituição a partir da lei. O que cumpre ser feito é sempre o contrário, vale dizer,de qualidade – previstos pelo Poder 35 Público. Em regra, a natureza consegue absorver, até um certo grau, a poluição causada pelo ser humano sem que tal implique uma redução de sua qualidade de vida. Naturalmente, incumbe ao Poder Público, na busca incessante pela melhoria da qualidade da vida humana, impor condições e critérios cada vez mais rigorosos para a proteção do meio ambiente. Para atender a tal munus constitucional, os entes públicos devem, entre outros, fomentar a criação de novas tecnologias menos poluentes (Vale observar que os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental, consistem em instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (art. 9.°, V, da Lei nº 6.938/1981). Logo, a atividade poluente pode ser lícita ou ilícita, a depender se está ou não cumprindo no caso concreto com os padrões de qualidade previstos para o recurso ambiental específico (ar, água etc.), conforme a legislação de regência. Se a atividade poluente é lícita, não há como aplicar a seu agente sanções de natureza administrativa e penal. Ressalve-se, entretanto, que a responsabilização na esfera civil independe da licitude ou não do ato, uma vez que é objetiva, conforme o art. 14, § 1.0, da Lei nº 6.938/1981. Logo, se a atividade poluente, ainda que regular, acarreta algum dano ao ambiente, o poluidor deverá ser responsabilizado civilmente. Dispõe o caput do art. 54 da Lei nº 9.605/1998 (Lei dos Crimes Ambientais), verbis: Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora. Fundamental observar, portanto, que o ato de poluir, por si só, não consiste em crime ambiental. De fato, óbvio que as milhares de indústrias no Brasil, por exemplo, liberam no ar, na água e no solo milhares de poluentes, diariamente. Como visto, a poluição consiste em toda degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos (art. 3º, III, da Lei nº 6.938/1981). 36 Entretanto, apenas será crime ambiental a poluição de tal monta, de tal gravidade, que resulte ou possa resultar em: a) danos à saúde humana; b) mortandade de animais; ou, c) destruição significativa da flora. Logo, o ato de poluir é juridicamente tolerado, sob a perspectiva da responsabilidade penal, se não tiver potencial de causar danos à saúde humana, à fauna ou à flora; neste caso, pode-se poluir sem que tal implique a prática de crime ambiental algum. COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA E LEGISLATIVA A Constituição Federal de 1988 estabelece ser competência comum à União, Estados, Distrito Federal e Municípios o combate à poluição em qualquer de suas formas (art. 23, VI). Outrossim, prevê que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre controle da poluição (art. 24, VI). Logo, os entes políticos da federação possuem competência administrativa (ou material, ou, ainda, executiva) para tratar acerca de poluição. A União, Estados e Distrito Federal possuem também competência legislativa expressa sobre o tema. Os Municípios, entretanto, também possuem competência legislativa para tratar sobre meio ambiente, e, consequentemente, poluição, dada a atribuição constitucional de legislar sobre assuntos de interesse local e de suplementar a legislação federal e estadual no que couber (art. 30, I e II, da Constituição Federal). A competência legislativa concorrente não autoriza que cada ente federativo legisle isoladamente sobre o tema; cabe à União legislar sobre normas gerais, enquanto que aos Estados compete legislar suplementarmente. Assim, não caberia à lei estadual inovar em matéria já regulada por lei federal3. 3 Supremo Tribunal Federal, ADI 2.396/MS, Tribunal Pleno, ReI. Min. Ellen Gracie,j. 08.05.2003, DJ 1.°.08.2003, decisão unânime: "Ação direta de inconstitucionalidade. Lei n. 2.210/01, do Estado de Mato Grosso do Sul. Ofensa aos artigos 22, I e XII; 25, § 1º; 170, caput , II e IV; 1º; 18º e 5.° caput, 11 e LIV, Inexistência. Afronta à competência legislativa concorrente da União para editar normas gerais referentes à produção e consumo, à proteção do meio ambiente e controle da poluição e à proteção e defesa da saúde. Artigo 24, V, VI e XII e §§ I." e 2.° da Constituição Federal. Não cabe a esta Corte dar a última palavra a respeito das propriedades técnico-científicas do elemento em questão e dos riscos de sua utilização para a saúde da população. Os estudos nesta seara prosseguem e suas conclusões deverão nortear as ações das autoridades sanitárias. Competência do Supremo Tribunal Federal circunscrita à verificação da ocorrência de contraste inadmissível entre a lei em exame e o parâmetro constitucional. Sendo possível a este Supremo Tribunal, pelos fatos narrados na inicial, verificar a ocorrência de agressão a outros dispositivos constitucionais que não os indicados na inicial, verifica-se que 37 Vale ressalvar a possibilidade do exercício pelos Estados da competência legislativa plena enquanto inexistir lei federal acerca das normas gerais (art. 24, §§ 3.° e 4.°, da Constituição Federal). A poluição, seja hídrica, atmosférica, do solo, por resíduos sólidos, etc., que resulte em dano ao ser humano e/ou ao meio ambiente consiste em crime ambiental, e, como tal, encontra-se disciplinada pela Lei nº 9.605/1998 (Lei dos Crimes Ambientais), em seção específica intitulada “da poluição e outros crimes ambientais” (Lei nº 9605/98).4 ao determinar a proibição de fabricação, ingresso, comercialização e estocagem de amianto ou de produtos à base de amianto, destinados à construção civil, o Estado do Mato Grosso do Sul excedeu a margem de competência concorrente que lhe é assegurada para legislar sobre produção e consumo (art. 24, V); proteção do meio ambiente e controle da poluição (art. 24, VI); e proteção e defesa da saúde (art. 24, XII). A Lei n'' 9.055/95 dispôs extensamente sobre todos os aspectos que dizem respeito à produção e aproveitamento industrial, transporte e comercialização do amianto crisotila. A legislação impugnada foge, e muito, do que corresponde à legislação suplementar, da qual se espera que preencha vazios ou lacunas deixados pela legislação federal, não que venha a dispor em diametral objeção a esta. Compreensão que o Supremo Tribunal tem manifestado quando se defronta com hipóteses de competência legislativa concorrente. Precedentes: ADI 903/MG-MC e ADI l.980/PR-MC, ambas de relatoria do eminente Ministro Celso de Mello. Ação direta de inconstitucionalidade cujo pedido se julga parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade do artigo 1.0 e de seus §§ 1.0, 2.° e 3.°, do art. 2.°, do art. 3.° e §§ l .? e 2.° e do parágrafo único do art. 5.°, todos da Lei n° 2.210/01, do Estado do Mato Grosso do Sul". (Grifo nosso). Superior Tribunal de Justiça, HC 86. 145/SP, 5." Turma, ReI. Min. Felix Fischer, j. 04.10.2007, DJ 19.11.2007, decisão unânime: "Processual penal. Habeas corpus substitutivo de recurso ordinário. Arts. 38, 54, § 2.°, inciso V e 60, todos da Lei n° 9.605/98. Trancamento da ação penal. Falta de justa causa. Inocorrência. I - A peça acusatória deve vir acompanhada com o mínimo embasamento probatório apto a demonstrar, ainda que de modo indiciário, a efetiva realização do ilícito penal por parte do denunciado. Se não houver um lastro probatório mínimo a respaldar a denúncia, de modo a tomar esta plausível, não haverá justa causaa autorizar a instauração da persecutio criminis. (Precedentes). II - O trancamento da ação por falta de justa causa, na via estreita do writ, somente é possível se houver comprovação, de plano, da atipicidade da conduta, da incidência de causa de extinção da punibilidade ou da ausência de indícios de autoria ou de prova sobre a materialidade do delito, o que não ocorre na espécie. (Precedentes). III - Na hipótese dos autos, o paciente, segundo afirmado na exordial acusatória, na qualidade de sócio-gerente da empresa ..., teria destruído e danificado floresta considerada de preservação permanente, utilizando-a com infringência das normas de proteção ambiental, a uma, causando poluição de qualquer natureza em níveis tais que podem resultar em destruição significativa da flora, por lançamentos de resíduos sólidos, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos, a duas, construindo e fazendo funcionar no local obras potencialmente poluidoras, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes, tudo isso de acordo com laudo do Instituto de Criminalística e do Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais. Em suma, narra a denúncia que o paciente teria violado gravemente a legislação ambientaI, pois teria causado poluição, construído obra potencialmente poluidora, suprimido vegetação, assoreado córrego, etc. Assim, verifica-se que há, ao menos em tese, a descrição de condutas criminosas que, em princípio, se adequam perfeitamente aos tipos penais previstos nos arts. 38, 54, § 2.°, inciso V e 60, todos da Lei n" 9.605/98, razão pela qual se mostra prematuro o pretendido trancamento da ação penal, tendo em vista a existência de um lastro probatório mínimo a respaldar a denúncia, de modo a tornar plausível a persecutio criminis. (Grifo de Beltrão, 2011). Ordem denegada". 4 Lei 9.605/1998, Capítulo V, Seção III, arts. 54 a 61. 38 DANO AMBIENTAL A Constituição Federal de 1988 elevou ao status de norma constitucional a responsabilização do infrator, pessoa física ou jurídica, nas esferas penal, civil (obrigação de reparar) e administrativa, por condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente (art. 225, § 3.°). Embora as sanções sejam cominadas de forma independente, na seara administrativa, civil e penal, podem ser aplicadas cumulativamente. Neste sentido, o Código Civil prevê que a “responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal” (art. 935). A Lei dos Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) estabelece que as pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente quando a infração cometida resulte de decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício de sua entidade, ressalvando-se que a "Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1.° Se o crime é culposo: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. § 2.° Se o crime: I - tomar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana; II - causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população; III - causar poluição hídrica que tome necessária a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade; IV - dificultar ou impedir o uso público das praias; V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos: Pena - reclusão, de um a cinco anos. § 3.° Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível. Art. 55. Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem deixa de recuperar a área pesquisada ou explorada, nos termos da autorização, permissão, licença, concessão ou determinação do órgão competente. Art. 56. Produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1.0 Nas mesmas penas incorre quem: (Redação dada pela Lei n° 12.305, de 2010) I - abandona os produtos ou substâncias referidos no caput ou os utiliza em desacordo com as normas ambientais ou de segurança; (Incluído pela Lei n" 12.305, de 2010) 39 responsabilização da pessoa jurídica não exclui a responsabilidade das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato (art. 3.°, caput e parágrafo único). A Lei nº 6.938/1981, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, já previa em seu art. 4.°, VII, 1ª parte, como um dos seus objetivos, a “imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados (...),” o que corresponde ao princípio do poluidor-pagador. Outrossim, estabeleceu que a responsabilidade do poluidor pela indenização ou reparação dos danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade, independe da culpa, consagrando, assim, o princípio da responsabilidade objetiva (art. 14, § 1º). Para evitar dúvidas, a Lei nº 6.938/1981 apresenta importantes definições em seu art. 3.°” A degradação da qualidade ambiental consiste na “alteração adversa das características do meio ambiente” (inciso lI). A poluição corresponde à degradação da qualidade ambiental que resulta de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos (inciso III). SOUZA (2000, p. 16) afirma que, num primeiro momento, os conceitos de “degradação da qualidade ambiental” (inciso II) e “poluição” (inciso III) parecem confundir-se. No entanto, destaca que a diferença fundamental diz respeito à intervenção humana. Assevera que a degradação da qualidade ambiental pode decorrer de fatores naturais (exemplo: incêndio em floresta ocasionado pela queda de um raio) ou por força de intervenções humanas (exemplo: desmatamentos). A degradação da qualidade ambiental decorrente de intervenção humana recebe o nome de poluição. Portanto, conclui o doutrinador, “poluição é a degradação da qualidade ambiental causada por atividade humana” (SOUZA, 2000). A definição de poluidor é bastante abrangente, compreendendo toda pessoa, física ou jurídica, de direito público ou privado, que seja responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental (inciso IV). 40 Logo, o dano ao meio ambiente pode repercutir em responsabilização do infrator nas esferas administrativa, civil e penal. Há de ser compreendido como a violação ao direito da coletividade ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, tal qual assegurado pelo art. 225, caput, da Constituição Federal. Assim, a degradação do ambiente decorrente da intervenção humana consiste no confisco dodireito de alguém em respirar ar puro, beber água saudável e viver com tranquilidade. Por isso, é imperioso que se analisem oportunamente as modalidades de reparação do dano ecológico, pois muitas vezes não basta indenizar, mas fazer cessar a causa do mal, pois um carrinho de dinheiro não substitui o sono recuperador, a saúde dos brônquios, ou a boa formação do feto. (MACHADO, 2004, p. 326). O dano ambiental pode ser observado sob duas perspectivas ou modalidades: o dano ambiental coletivo em sentido amplo, ou dano ambiental propriamente dito, que atinge o meio ambiente como direito transindividual, que pertence a todos, tal qual assegurado pelo art. 225, caput, da Constituição Federal; e o dano ambiental individual, que repercute no patrimônio ou na moral de cada um dos sujeitos afetados. A indenização por dano ambiental coletivo é destinada, via de regra, a um Fundo, impessoal, para reconstituição dos recursos ambientais atingidos, conforme prevê o art. 13 da Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985); já a indenização pelo dano individual busca a recomposição direta do prejuízo das vítimas, individualmente consideradas (MILARÉ, 2005, p. 736). Vale observar que o Superior Tribunal de Justiça, ao menos por enquanto, ainda não chancela a tese de dano moral coletivo, decorrente de dano ambiental, por entender ser imprescindível a caracterização da dor, de sofrimento psíquico, de caráter individual, o que seria incompatível com os direitos difusos, como o do meio ambiente5. A regra para fixação da competência para processar e julgar ação que versa sobre dano ambiental é a do foro do local do ilícito, ou seja, onde o dano se localiza. Caso figure na lide, como autor, réu, assistente ou oponente a União, entidade autárquica ou empresa pública federal, excetuando-se as causas de falência, acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho, conforme prevê o art. 109, I, da Carta Política, 5 Superior Tribunal de Justiça, 1ª Turma, REsp 598.281, ReI. Min. Luiz Fux, ReI. para o acórdão Min. Teori Albino Zavascki, j. 02.05.2006, DJ 1°.06.2006. 41 será competente a justiça federal; nos demais casos, a jurisdição competirá à justiça estadual.6 PECULIARIDADES DO DANO AMBIENTAL O dano ambiental possui características próprias que o diferem do dano historicamente tratado pelo direito, de natureza individual, com vítimas determinadas, em um dado espaço geográfico. Compreendê-las é fundamental para tentar superar o enorme desafio que o disciplinamento jurídico do dano ambiental impõe, rompendo-se conceitos e institutos tradicionais do direito na busca de novas soluções (BLETRÃO, 2011). A responsabilização civil, por meio de obrigação de indenização pecuniária, consiste em uma das formas jurídicas mais antigas para solução do dano. Entretanto, a mera indenização financeira, a posteriori, pelo dano ambiental é absolutamente inoperante. Ressalvados alguns casos em que a reparação integral do ambiente é possível, razão pela qual se deve também impor ao infrator os seus custos, dificilmente a reparação feita pelo homem conseguirá resgatar integralmente a qualidade que o ambiente apresentava anteriormente. Logo, faz-se fundamental a previsão legal de medidas preventivas, sistematizadas, de cunho coletivo, pelo que os princípios da prevenção e da precaução são essenciais no direito ambiental. Neste sentido, os Estados Unidos da América, país de tradição do common law, perceberam em meados do século XX que os institutos tradicionais do nuisance e do tresspass eram ineficazes quando da regulação do dano ambiental7. Por tal razão, a partir 6 Superior Tribunal de Justiça, l.a Turma, REsp 81l. 773/SP, ReI. Min. Luiz Fux, j. 03.05.2007, DJ 31.05.2007; e l." Turma, REsp 789.513/SP, ReI. Min. Francisco Falcão, j. 06.12.2005, DJ 06.03.2006. 7 "O common law fundamenta-se largamente na doutrina legal de inconveniência (= nuisance) para dirimir controvérsias ambientais, apesar de que condutas que resultem em uma invasão física de propriedade poderiam ser tratadas como transgressão (= trespass). O tratamento jurídico da inconveniência (= nuisance) objetiva a proteção do direito ao uso e gozo da terra, enquanto a transgressão (= trespass) protege contra invasões na posse da terra (...) Enquanto o common law é eficiente para tratar de conflitos entre uma fonte única de poluição e alguns poucos vizinhos, há um amplo consenso que as ações de inconveniência (= nuisance) são totalmente inadequadas para resolver os problemas típicos de poluição encontrados pelas sociedades industriais modernas." PERCIVAL, Robert V; SCHROEDER, 42 da década de 1960 foram editadas diversas leis e regulamentos, como se país de civil Law fosse, tratando da água, do ar, de resíduos sólidos, espécies ameaçadas de extinção, substâncias tóxicas, etc. Outra característica do dano ambiental consiste na indeterminação das vítimas, dada a sua natureza de direito difuso. Assim, é sempre difícil a tarefa de identificar os sujeitos que sofreram os efeitos de determinada degradação ambiental. Ainda, caracteriza-se também por ser transfronteiriço, ou seja, não respeita as fronteiras geopolíticas erigidas artificialmente pelo homem, o que também gera sérias dificuldades para seu disciplinamento jurídico. A título de exemplo, o terrível acidente nuclear da central ucraniana de Tchernobil, localizada à época na União Soviética, ocorrido em 26.04.1986, cuja nuvem radioativa afetou a Finlândia. Passados vinte e um anos da tragédia, peixes e cogumelos de algumas regiões finlandesas ainda apresentam sinais de toxicidade por césio 137, substância cancerígena. Bem recentemente os terremotos e tsunamis que atingiram o Japão, causando problemas de grau elevado na usina nuclear de Fukushima, poderão demorar anos para aparecerem os resultados negativos. Outra peculiaridade do dano ambiental consiste na dificuldade de sua valoração. O ar limpo é gratuito; não se paga nada para respirá-lo. Como então calcular a indenização devida para uma determinada comunidade que foi afetada por uma emissão de gases, proveniente da indústria X, superior aos limites previstos no respectivo licenciamento ambiental? Outro exemplo: imaginemos que a madeireira Y devastou ilegalmente milhares de hectares de floresta. Como valorar este dano ambiental? Pode-se estimar a indenização a partir simplesmente do valor de mercado da madeira retirada. Mas, e quanto ao valor da diversidade biológica, das espécies da fauna e da flora que foram atingidas pelo desmatamento, e do ecossistema como um todo, nada é devido? Como estimá-lo, então? São questões complexas que certamente exigirão cada vez mais atenção do legislador e dos aplicadores do direito. Por fim, o Superior Tribunal de Justiça já possui entendimento consolidado quanto à responsabilização do novo proprietário de imóvel por dano ambiental resultante de Christopher H.; MILLER, Alan S.; LEAPE, James P. Environmental regulation: law, science and policy, p. 62-72. (apud BELTRÃO, 2011, p. 235) 43 desmatamento realizado pelo proprietário anterior, por entender, corretamente, que há uma perpetuação da lesão ao meio ambiente (BELTRÃO, 2011). Neste sentido, MAZZILLI (2002, p. 132) anota que, Em face do caráter objetivo e propter rem da responsabilidade ambiental, o sucessor responde pelos danos causados à coisa alienada, até porque, em caso contrário, bastaria ao poluir alienar o bem por ele deteriorado, e o dano cível ficaria sem possibilidade de restauração direta. Logo, para se adquirir uma propriedade faz-se fundamental realizar uma due diligence, avaliando-se os passivos ambientais que possa eventualmente apresentar. Por exemplo, se o proprietário anterior desmatou as Áreas de Preservação Permanente e/ou de Reserva Legal, o novo proprietário assumirá o dever legal de reflorestá-Ias, pelo queabsolutamente necessário o cômputo de tais despesas no valor da compra do imóvel. Portanto, toda cautela e diligência são importantes antes de efetivar uma venda para que o novo proprietário não incorra na perpetuação do dano ambiental. Estes precedentes estão em perfeita harmonia com a tutela constitucional do meio ambiente prevista pelo art. 225, que impôs ao Poder Público e à coletividade o dever de protegê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. RECURSOS HÍDRICOS A problemática geral dos recursos hídricos indica que a principal questão de segurança no mundo seja a da água, a qual está se tornando um teste de campo supremo para o desenvolvimento da segurança coletiva. Dentre os usos da água temos a geração de energia, o abastecimento doméstico, o abastecimento industrial, a coleta de esgoto, etc. PÉRICLES ANTUNES BARREIRAS (2007) relembra algumas notícias sobre Conflitos pela Água que valem a pena elencarmos: A) Internacionais: 44 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável no mundo e 2,2 milhões morrem anualmente vítimas de doenças causadas pela falta do recurso ou por saneamento básico inadequado. 97,5% das águas do planeta são salgadas, os 2,5% restantes, quase 2/3 estão congelados nos polos. Quase 70% da água disponível são aplicadas na agricultura. No Egito, a população é maior do que as suas reservas de água. Na Bacia do Rio Jordão que engloba a Costa de Israel, Síria, Jordânia e Região da palestina, as nascentes estão nas Colinas de Golan (Síria) ocupadas por Israel e existe um tratamento diferenciado. Os Palestinos estão sujeitos a cotas e fechamentos intermitentes da água disponibilizada, confundindo-se sobrevivência com soberania. Índia e Paquistão compartilham bacias hidrográficas assim como na África muitos países (Guiné Conacri, Mali, Níger e Nigéria) utilizam a mesma bacia, do Rio Níger. EUA X MÉXICO: Barramento de águas pelos EUA, no Colorado, deixou pouca água para o México. B) Nacionais: O Brasil é um dos países com mais água potável do mundo, ao lado do Canadá e da Rússia, possuindo 12% da água superficial do mundo, sendo o 23º país com mais água disponível por pessoa no mundo. No entanto, o Nordeste brasileiro detém apenas 3,3% dos recursos hídricos do pais, o que leva a inúmeros problemas de saúde pública para a população. BREVE NOÇÕES SOBRE O CICLO HIDROLÓGICO E A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA A água é mestra da reciclagem, da autoconservação e da autopurificação. As águas oceânicas ou continentais passam ao estado gasoso mediante a evaporação, graças à energia que recebem do sol. Os níveis de evaporação dependem da temperatura e da quantidade de vapor ou umidade que se encontre no ar circundante. Também existe uma importante evaporação que provém das plantas, que neste caso se denomina transpiração. O processo inverso à evaporação é a condensação. O vapor volta a se converter em água quando o ar saturado com umidade absorve mais umidade por parte de outras substâncias ou quando há uma gota na temperatura do ar saturado com umidade. O vapor 45 se condensa no ar e forma minúsculas gotas de águas; estas por sua vez formam nuvens. O ar que contém vapor ou nuvens é transportado pelo vento de um lugar a outro, por este motivo, o vento desempenha um papel importante na possibilidade de que chova ou não em um lugar. Como as minúsculas gotas que constituem as nuvens não têm possibilidade de cair na terra por seu pequeno tamanho, é possível que se convertam de novo em vapor. Calcula-se que cada milhão dessas minúsculas gotinhas pode formar tão somente uma gota de chuva. Estas gotas grandes são as que caem na superfície terrestre em forma de precipitação. De acordo com as condições climáticas, as gotas se unem, às vezes, como cristais de gelo e formam flocos de neve que podem se converter em água à medida que caem na terra ou se precipitam em forma de granizo. Quando chove, a água não desliza pela superfície unicamente, mas parte dela é absorvida pela terra. A possibilidade de que o solo absorva a água depende de diversas circunstâncias, entre elas, o grau de porosidade do solo, a vegetação existente e as camadas que resultam impenetráveis. Por exemplo, nas cidades, o asfalto não permite que a água seja absorvida pelo solo. Em todo este processo existe também a possibilidade de que sejam criadas fontes naturais de águas, particularmente quando a chuva é retida nas camadas rochosas. A água superficial é aquela que flui sobre a superfície da terra, como os rios, ou que se encontra em um lugar concreto, como os lagos ou áreas úmidas. Assim, o ciclo da água transcorre em diversas etapas: a evaporação ou transpiração, a condensação, o transporte, a precipitação, a infiltração e o movimento de águas superficiais ou subterrâneas. Em cada um destes momentos, a água representa um grande valor ecológico, uma vez que estabelece as bases para que os diversos ecossistemas, sejam eles aquáticos ou terrestres, tenham possibilidades de vida (IGAM, 2004). Quando as águas oceânicas evaporam, os vapores resultantes já não têm sal, de maneira que nesse momento se realiza uma valiosa transformação da água salgada em água doce, a qual é transportada posteriormente para as superfícies continentais. Os ecossistemas dependentes de fluxos de energias e de ciclos de nutrientes essenciais, são providos pela água graças a sua capacidade de dissolvê-los e transportá- los. Sem a água não funcionariam os ciclos biológicos, geológicos, nem químicos que permitem a vida (IGAM, 2004). A presença da água equilibra o calor do nosso planeta ao transportar calor de umas a outras latitudes e consegue que as variações térmicas sejam menores. 46 Tudo isto destaca a enorme importância de manter um bom equilíbrio global da água, já que todos os processos mencionados têm uma permanente interação e uma decisiva influência mútua. Por exemplo, de nada serviria fazer a gestão dos recursos hídricos em uma pequena localidade, de maneira isolada, se no seu entorno as atividades estão desequilibradas (IGAM, 2004). JUSTIFICATIVA PARA O DISCIPLINAMENTO DA ÁGUA A água é reconhecidamente um recurso vulnerável, finito e já escasso em quantidade e qualidade, por isso, trata-se de um bem econômico. É, portanto, fundamental que se disponha de instrumentos legais essenciais ao equilíbrio da oferta e da demanda para garantir o desenvolvimento sustentável (BARREIRAS, 2007). A base legal para o disciplinamento da água está na Constituição Federal de 1988, que tem competência privativa para legislar sobre águas: artigo 20, III, VIII. Art. 21, XII, "b"; artigo 22, IV Destaca-se as seguintes alterações Constitucionais essenciais: A) EXTINÇÃO DO DOMÍNIO PRIVADO DA ÁGUA Antes, o Código das Águas, previa o domínio privado da mesma. Assim, todos os Corpos d`água, a partir de outubro de 1988, passaram a ser de domínio público. B) ESTABELECIMENTO DE APENAS DOIS TIPOS DE DOMÍNIO PARA OS CORPOS D`ÁGUA NO BRASIL: - Domínio da UNIÃO ( Art. 20, III, C.F./88). - Domínio dos ESTADOS ( Art.26, I, C.F./88 ) (isto inclui as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes ou em depósito, ressalvadas, neste caso, as decorrentes de obras da União) A lei tradicional de direito da água no Brasil é o denominado “CÓDIGO DAS ÁGUAS” de 10/07/1934 (apesar de mais de 60 anos de existência, ainda é considerado pela doutrina jurídica como um dos textos modelares do direito positivo brasileiro) A Lei nº 9.433/1997 institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. A Lei nº 9.984/2000 dispõe sobre a criação da Agência Nacional de Águas - ANA, entidade federal de implementaçãoda Política Nacional de Recursos Hídricos e de 47 coordenação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, e dá outras providências. As leis citadas acima visam organizar o setor de planejamento e gestão no âmbito nacional. Elas têm como destaque: 1- Gestão integrada dos recursos hídricos; 2- Princípio da adoção da Bacia hidrográfica como Unidade de Planejamento; 3- Órgão Executor da Política Nacional dos Recursos Hídricos: MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE pela Secretaria Nacional dos Recursos Hídricos (Portaria nº 253/99 que trabalha na gestão integrada do uso múltiplo sustentável dos Recursos Hídricos; implantação do SINGREH; integração da Gestão dos Recursos Hídricos com a Gestão Ambiental; Implementação dos instrumentos de gestão. 4- Foi criado o SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS - SIGREH - e tendo como órgão de cúpula o CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS e como órgão de execução federal a AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (Lei nº 9.984 de 17/07/2.000) 5- Princípio dos usos múltiplos da água (todos têm direito de acesso ao uso da água). 6- Princípio do reconhecimento da água como um bem finito e vulnerável. 7- Princípio do valor econômico da água; 8- Gestão Desconcentrada e Participativa. Tudo o que puder ser decidido nos níveis mais baixos da hierarquia não será resolvido pelos níveis mais altos da hierarquia. SÃO INSTRUMENTOS ESSENCIAIS À BOA GESTÃO 1- Instituição do PLANO NACIONAL DOS RECURSOS HÍDRICOS (Documento programático do Setor) para União e Estados. Vários Estados fizeram seus respectivos planos, possuindo, portanto, lei própria. Ex.: GO, SP, CE, MG, RS, SC, BA, RN, PB, PA, PE, etc. 2- Outorga de Direitos de uso dos Recursos hídricos Instrumento pelo qual o usuário recebe uma autorização ou uma concessão ou ainda uma permissão, conforme o caso, para fazer o uso da água. 3- Cobrança pelo uso da água. 4- O enquadramento dos Corpos d`água em “Classes de uso” faz a ligação entre a gestão de qualidade com a gestão de quantidade. 48 RECURSOS HÍDRICOS E GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Ambientalistas e autoridades do mundo inteiro já chamam atenção para o fato de que a água será o grande problema ambiental do século XXI, principalmente por conta da sua escassez. A água, dada a sua importância, é considerado um bem de domínio público. Isso quer dizer que é um bem de todos, cabendo ao Poder Público a sua gestão, que compreende a fiscalização e autorização para o uso da água pelo particular, sempre respeitando as normas de direito ambiental. Por isso, o uso da água não pode ser apropriado por uma só pessoa física ou jurídica, com exclusão absoluta dos outros usuários em potencial, nem pode significar a poluição, a agressão ou a destruição do próprio bem. A água pode ser utilizada para diversos fins, tais como: uso humano, irrigação, geração de energia elétrica, dessedentação de animais, lançamento de esgotos, etc. Considerando que todas essas possibilidades são igualmente importantes é que a Lei estabelece como prioridade o uso múltiplo. Vale dizer, a água não pode ser utilizada de forma a privilegiar somente uma finalidade em detrimento de outras, mas deve sempre buscar de forma racional e, dentro do possível, atender às diversas possibilidades de uso. Nas outorgas de uso dos recursos hídricos o Poder Público está obrigado a observar esta norma. Com efeito, a plataforma continental, bem como as bacias fluviais brasileiras, abrigam grande potencial ecológico e enorme biodiversidade. Os recursos hídrico-ambientais são utilizados na geração de energia elétrica e têm disciplina no Direito Ambiental brasileiro. Assim, os Estados, municípios e o Distrito Federal, que tiverem em seus respectivos recursos hídricos utilizados para geração de energia elétrica devem ter compensação financeira pela utilização dos mesmos. A Constituição Federal em seu art. 20, § 1º diz que é assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial, zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. A matéria é disciplinada na Lei nº 7990/89 alterada pela Lei nº 9433 de Janeiro de 1997. 49 FLORESTAS PÚBLICAS As áreas de reserva legal florestal são definidas como área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção da fauna e flora nativas. A título de reserva legal deverá ser mantido no mínimo: a) 80% quando as propriedades rurais situadas em áreas de florestas localizadas na Amazônia Legal; b) 35% na área de Cerrado na Amazônia legal; sendo 20% na mesma propriedade e 15% em outra área, localizada na mesma microbacia e averbada em cartório; c)20% em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa, localizada nas demais regiões do país; d) 20% nas áreas de campos gerais localizadas em qualquer região do país; Constituem princípios da gestão de florestas públicas (Lei nº 11.284/2006, art. 2.°): a) a proteção dos ecossistemas, do solo, da água, da biodiversidade e valores culturais associados, bem como do patrimônio público; b) o estabelecimento de atividades que promovam o uso eficiente e racional das florestas e que contribuam para o cumprimento das metas do desenvolvimento sustentável local, regional e de todo o País; 50 c) o respeito ao direito da população, em especial das comunidades locais, de acesso às florestas públicas e aos benefício decorrentes de seu uso e conservação; d) a promoção do processamento local e o incentivo ao incremento da agregação de valor ao produtos e serviços da floresta, bem como à diversificação industrial, ao desenvolvimento tecnológico, à utilização e à capacitação de empreendedores locais e da mão-de-obra regional; e) o acesso livre de qualquer indivíduo às informações referentes à gestão de florestas públicas, nos termos da Lei nº 10.650/2003; f) a promoção e difusão da pesquisa florestal, faunística e edáfica, relacionada à conservação, à recuperação e ao uso sustentável das florestas; g) O fomento ao conhecimento e a promoção da conscientização da população sobre a importância da conservação, da recuperação e do manejo sustentável das florestas; h) a garantia de condições estáveis e seguras que estimulem investimentos de longo prazo no manejo, na conservação e na recuperação das florestas. Consideram-se florestas públicas as florestas, naturais ou plantadas, localizadas nos diversos biomas brasileiros, em bens sob o domínio da União, dos Estados, dos Municípios, do Distrito Federal ou das entidades da administração indireta (Lei nº 11.284/2006, art. 2.°, I). Concessão florestal é a delegação onerosa, feita pelo poder concedente, do direito de praticar manejo florestal sustentável para exploração de produtos e serviços numa unidade de manejo, mediante licitação, à pessoa jurídica, em consórcio ou não, que atenda às exigências do respectivo edital de licitação e demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado (Lei nº 11.284/2006, art. 3.°, VII). Considera-se unidade de manejo o perímetro definido a partir de critérios técnicos, socioculturais, econômicos e ambientais, localizado em florestas públicas, objeto de um Plano de Manejo Florestal Sustentável - PMFS, podendo conter áreas degradadas para fins de recuperação por meio de plantios florestais (Lei nº 11.284/2006, art. 3.°, VIII). O poder concedente pode ser a União; os Estados;o Distrito Federal ou os Municípios (Lei nº 11.284/2006, art. 3.°, XV). A gestão de florestas públicas para produção sustentável compreende (Lei nº 11.284/2006, art. 4.°): a) a criação de florestas nacionais, estaduais e municipais, nos termos do art. 17 da Lei nº 9.985/2000, e sua gestão direta; 51 b) a destinação de florestas públicas às comunidades locais, nos termos do art. 6.° da Lei nº 11.284/2006; c) a concessão florestal, incluindo florestas naturais ou plantadas e as unidades de manejo das florestas nacionais, estaduais e municipais. O Poder Público poderá exercer diretamente a gestão de florestas nacionais, estaduais e municipais criadas nos termos do art. 17 da Lei 9.985/2000, sendo-lhe facultado, para execução de atividades subsidiárias, firmar convênios, termos de parceria, contratos ou instrumentos similares com terceiros, observados os procedimentos licitatórios e demais exigências legais pertinentes (Lei nº 11.284/2006, art. 5.°). Antes da realização das concessões florestais, as florestas públicas ocupadas ou utilizadas por comunidades locais serão identificadas para a destinação, pelos órgãos competentes, por meio de (Lei nº 11.284/2006, art. 6.°): a) criação de reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável, observados os requisitos previstos da Lei nº 9.985/2000; b) concessão de uso, por meio de projetos de assentamento florestal, de desenvolvimento sustentável, agroextrativistas ou outros similares, nos termos do art. 1898 da CF/1988 e das diretrizes do Programa Nacional de Reforma Agrária; c) outras formas previstas em lei. O Poder Público poderá, com base em condicionantes socioambientais definidas em regulamento, regularizar posses de comunidades locais sobre as áreas por elas tradicionalmente ocupadas ou utilizadas, que sejam imprescindíveis à conservação dos recursos ambientais essenciais para sua reprodução física e cultural, por meio de concessão de direito real de uso ou outra forma admitida em lei, dispensada licitação (Lei nº 11.284/2006, art. 6º, § 3º). A concessão florestal será autorizada em ato do poder concedente e formalizada mediante contrato, que deverá observar os termos da Lei nº 11.284/2006, das normas pertinentes e do edital de licitação (Lei 11.284/2006, art. 7.°). Os relatórios ambientais preliminares, licenças ambientais, relatórios de impacto ambiental, contratos, relatórios de fiscalização e de auditorias e outros documentos 8 Obs.: CF/1988, art. 189 - Os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária receberão títulos de domínio ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo de dez anos. Parágrafo único. O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil, nos termos e condições previstos em lei. 52 relevantes do processo de concessão florestal, serão disponibilizados por meio da Rede Mundial de Computadores, sendo assegurado também, a qualquer pessoa, o acesso aos contratos, decisões ou pareceres relativos à licitação ou às próprias concessões (Lei nº 11.284/2006, arts. 7.°, parágrafo único, e 25). A publicação do edital de licitação de cada lote de concessão florestal deverá ser precedida de audiência pública, por região, realizada pelo órgão gestor, nos termos do regulamento, sem prejuízo de outras formas de consulta pública (Lei nº 11.284/2006, art. 8º). São elegíveis para fins de concessão as unidades de manejo previstas no Plano Anual de Outorga Florestal (Lei nº 11.284/2006, art. 9.°). O Plano Anual de Outorga Florestal - PAOF, proposto pelo órgão gestor e definido pelo poder concedente, conterá a descrição de todas as florestas públicas a serem submetidas a processos de concessão no ano em que vigorar (Lei nº 11.284/2006, art. 10). O poder concedente publicará, previamente ao edital de licitação, ato justificando a conveniência da concessão florestal, caracterizando seu objeto e a unidade de manejo (Lei nº 11.284/2006, art. 12). As licitações para concessão florestal serão realizadas na modalidade concorrência e outorgadas a título oneroso (Lei nº 11.284/2006, art. 13, § 1.°) Nas licitações para concessão florestal, é vedada a declaração de inexigibilidade prevista no art. 25 da Lei nº 8.666/1993 (Lei nº 11.284/2006, art. 13, § 2.°). A concessão florestal terá como objeto a exploração de produtos e serviços florestais, contratualmente especificados, em unidade de manejo de floresta pública, com perímetro georreferenciado, registrada no respectivo cadastro de florestas públicas e incluída no lote de concessão florestal (Lei nº 11.284/2006, art. 14). A concessão florestal confere ao concessionário somente os direitos expressamente previstos no contrato de concessão (Lei nº 11.284/2006, art. 16). É vedada a outorga de qualquer dos seguintes direitos no âmbito da concessão florestal (Lei nº 11.284, art. 16, § 1.°): a) titularidade imobiliária ou preferência em sua aquisição; b) acesso ao patrimônio genético para fins de pesquisa e desenvolvimento, bioprospecção ou constituição de coleções; c) uso dos recursos hídricos acima do especificado como insignificante, nos termos da Lei nº 9.433/1997; d) exploração dos recursos minerais; 53 e) exploração de recursos pesqueiros ou da fauna silvestre; f) comercialização de créditos decorrentes da emissão evitada de carbono em florestas naturais. A licença prévia para uso sustentável da unidade de manejo será requerida pelo órgão gestor, mediante a apresentação de relatório ambiental preliminar ao órgão ambiental competente integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA (Lei nº 11.284/2006, art. 18). Nos casos potencialmente causadores de significativa degradação do meio ambiente, assim considerados, entre outros aspectos, em função da escala e da intensidade do manejo florestal e da peculiaridade dos recursos ambientais, será exigido estudo prévio de impacto ambiental - EIA para a concessão da licença prévia (Lei nº 11.284/2006, art. 18, § 1.°). Os custos do relatório ambiental preliminar e do EIA serão ressarcidos pelo concessionário ganhador da licitação, sendo que o edital indicará os itens e seus respectivos valores (Lei nº11.284/2006, arts. 18, § 3.°, e 24). O início das atividades florestais na unidade de manejo somente poderá ser efetivado com a aprovação do respectivo Plano de Manejo Florestal Sustentável pelo órgão competente do SISNAMA e a consequente obtenção da licença de operação pelo concessionário (Lei nº 11.284/2006, art. 18, § 5.°). O processo de licenciamento ambiental para uso sustentável da unidade de manejo compreende a licença prévia e a licença de operação, não se lhe aplicando a exigência de licença de instalação (Lei nº 11.284/2006, art. 18, § 6.°). Somente poderão ser habilitadas nas licitações para concessão florestal empresas ou outras pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede e administração no País (Lei nº 11.284/2006, art. 19, § 1.°). Extingue-se a concessão florestal por qualquer das seguintes causas (Lei nº 11.284/2006, art. 44): a) esgotamento do prazo contratual; b) rescisão; c) anulação; d) falência ou extinção do concessionário e falecimento ou incapacidade do titular, no caso de empresa individual; e) desistência e devolução, por opção do concessionário, do objeto da concessão. 54 REFERÊNCIAS BELTRÃO, Antônio F. G. Direito Ambiental. 3 ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2011. BRASIL. Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. BARREIRAS, Péricles Antunes. Curso de Direito Ambiental. Goiânia, 2007. Mimeografado. BASTOS, Celso Ribeiro. Hermenêutica e interpretação constitucional. São Paulo: Celso Bastos Editor,1999. BENJAMIN, Antonio Herman de Vasconcelos. Introdução à Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (2002). Mimeografado. BENJAMIN, Antonio Herman de Vasconcelos. Meio ambiente e Constituição: uma primeira abordagem. In: BENJAMIN, Antonio Herrnan (Ed.). 10 anos da Eco 92: o direito e o desenvolvimento sustentável (Ten years after Rio 92: sustainable development and law). São Paulo: IMESP, 2002. BRASIL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm Acesso em: 21 abr. 2011. BRASIL. DECRETO Nº 4.340, DE 22 DE AGOSTO DE 2002. Regulamenta artigos da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC, e dá outras providências. BRASIL. Lei 11.516 de 28 de agosto de 2007. Dispõe sobre a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes; altera as Leis nos 7.735, de 22 de fevereiro de 1989, 11.284, de 2 de março de 2006, 9.985, de 18 de julho de 2000, 10.410, de 11 de janeiro de 2002, 11.156, de 29 de julho de 2005, 11.357, de 19 de outubro de 2006, e 7.957, de 20 de dezembro de 1989; revoga dispositivos da Lei no 8.028, de 12 de abril de 1990, e da Medida Provisória no 2.216-37, de 31 de agosto de 2001; e dá outras providências. BRASIL. Lei n. 10.650 de 16 de abril de 2003. Dispõe sobre o acesso público aos dados e informações existentes nos órgãos e entidades integrantes do SISNAMA. BRASIL. Lei n. 6.938 de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. BRASIL. Lei n. 8.171 de 17 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política agrícola. BRASIL. Lei n. 9605 de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. 55 BRASIL. Lei n. 9985 de 18 de julho de 2000. Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. BRASIL. Lei. n. 11.284 de 02 de março de 2006. Dispõe sobre a gestão de florestas públicas para a produção sustentável; institui, na estrutura do Ministério do Meio Ambiente, o Serviço Florestal Brasileiro - SFB; cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal - FNDF; altera as Leis nos 10.683, de 28 de maio de 2003, 5.868, de 12 de dezembro de 1972, 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, 4.771, de 15 de setembro de 1965, 6.938, de 31 de agosto de 1981, e 6.015, de 31 de dezembro de 1973; e dá outras providências. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. RESOLUÇÃO CONAMA Nº 369, DE 28 DE MARÇO DE 2006. Dispõe sobre os casos excepcionais, de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em Área de Preservação Permanente-APP. Disponível em: www.mma.gov.br/port/conama/res/res06/res36906.xml Acesso em: 21 mai. 2011. CAETANO, Marcelo. Direito constitucional. Rio de Janeiro: Forense, 1987. v. I. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 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SOUZA, Motauri Ciocchetti de. Interesses difusos em espécie. São Paulo: Saraiva, 2000. http://www.igam.mg.gov.br/ 56 VIEIRA, Oscar Vilhena. Direitos fundamentais: uma leitura da jurisprudência do STF. São Paulo: Malheiros, 2006.procede-se à interpretação do ordenamento jurídico a partir da Constituição (BASTOS, 1999, p. 101). Conforme Benjamin (2002, p. 93), “A constitucionalização do ambiente, ou seja, a elevação das normas de proteção ambiental ao status constitucional, é considerada uma tendência mundial irreversível”, dado o crescente número de nações que passaram a incluir em suas respectivas Cartas normas de tal natureza. 7 Neste contexto, a Constituição Federal do Brasil de 1988 é reconhecida internacionalmente como merecedora de elogios quanto à preocupação ambiental que ostenta. De fato, a Carta de 1988 apresenta uma série de preceitos quanto à tutela ambiental, seja de forma fragmentada em diversos Capítulos, seja em um Capítulo específico do ambiente. As referências constitucionais ao ambiente iniciam-se entre os direitos e deveres individuais e coletivos (Título lI, Capítulo I, art. 5.°, LXXIII), ao legitimar qualquer cidadão a interpor ação popular para anulação de ato lesivo ao meio ambiente. O art. 20, lI, prevê serem bens da União Federal as terras devolutas “indispensáveis (...) à preservação ambiental, definidas em lei”. No art. 23, VI e VII, a Carta dispõe ser competência comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer de suas formas, bem como a preservação das florestas, da fauna e da flora. O art. 24, VI, VII e VIII, estabelece a competência legislativa concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal, para, respectivamente, “florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição”, (...) “proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico", e "responsabilidade por dano ao meio ambiente (...)”. Prevê que o Conselho de Defesa Nacional tem por competência, entre outras, “propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo”. Igualmente, como matéria que pode ser objeto de inquérito civil e de ação civil pública pelo Parquet (art. 129, III), como princípio que rege a ordem econômica (art. 170, VI), devendo ser considerado por cooperativas de garimpo a serem favorecidas pelo Estado (art. 174, § 3.°), e tema a ser compreendido na função social da propriedade (art. 186, II). Ainda, a Carta de 1988 prevê o dever do sistema único de saúde de “colaboração na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho” (art. 200, VIII) e a caracterização de conjuntos urbanos e sítios de valor ecológico como patrimônio cultural brasileiro (art. 216, V). Finalmente, o art. 220, § 1.0, II atribui à lei federal a competência para estabelecer “os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem (...) 8 da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente”, e o art. 231, § 1.°, que prevê a caracterização como terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as “imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições”. Além das referências apontadas, que se encontram explícitas no texto constitucional, há várias outras que também denotam, ainda que de forma indireta, a tutela ambiental, as quais o professor JOSÉ AFONSO DA SILVA (2002, p. 49) denomina de referências implícitas. Neste sentido, a competência da União para instituir o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (art. 21, XIX), consiste em importante instrumento para a proteção da água e racionalização de seu uso. No mesmo sentido, temos a previsão de que compete à União instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos (art. 21, XX), visto que são temas que apresentam grande potencial de degradação ambiental e que, portanto, são merecedores de um planejamento em escala nacional (BELTRÃO, 2011). Como se vê a Carta assegura a máxima proteção e uso racional dos bens ambientais, mas infelizmente, por questões as mais diversas, tais como necessidade, ignorância ou ganância, não somente os legisladores como grande parte dos cidadãos brasileiros perceberam a necessidade de uma legislação das mais severas para que os recursos sejam usados de maneira racional sem comprometer as gerações atuais e futuras. A POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) foi instituída por meio da Lei nº 6.938/1981. Apesar de cronologicamente anteriores, o Código de Águas (Decreto-lei 852, de 11.11.1938), o Código Florestal (Lei 4.771, de 15.09.1965), o Código da Caça (Lei 5.197, de 03.01.1967), o Código de Pesca (Decreto-lei 221, de 28.02.1967), o Código de Mineração (Decreto-lei 227, de 28.02.1967) e o Código Brasileiro do Ar (Lei 6.833, de 30.09.1980) não são, em regra, considerados normas propriamente de tutela do meio ambiente, uma vez que tratam apenas incidentalmente do tema (HORTA, 1995, p. 304). Logo, pode-se afirmar que a Lei nº 6.938/1981 consiste no primeiro diploma legal em nosso direito positivo que disciplina de forma sistematizada o meio ambiente, 9 definindo meio ambiente, degradação da qualidade ambiental, poluição, poluidor e recursos ambientais. Essa lei disciplina o meio ambiente não mais com a visão privatista, limitada ao conteúdo econômico, própria da doutrina liberal das leis que a antecederam; o meio ambiente passa a ser tutelado em seu conjunto, como bem pertencente a toda a coletividade, transindividual, de natureza difusa e titularidade indeterminada. É instituída uma Política Ambiental de âmbito nacional, que tem por objetivo a proteção do meio ambiente, o planejamento racional na utilização dos recursos naturais, a responsabilização civil objetiva do infrator, dentre outros, conforme será abordado no item seguinte. Outrossim, cria o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), indica os seus instrumentos legais, entre outras disposições (BELTRÃO, 2011). OBJETIVOS DA PNMA A Lei nº 6.938/1981 estabelece em seu art. 4° os objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente, que passamos a analisar brevemente. I - A compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em junho de 1972 em Estocolmo, Suécia, conhecida como a Declaração de Estocolmo, consiste em um dos primeiros e mais importantes documentos internacionais sobre o meio ambiente. Desde então, estabeleceu-se um certo conflito de interesses entre países pobres, que não aceitariam restrições de cunho ambiental que dificultassem seu desenvolvimento econômico, e países ricos, que, para alcançar o atual estágio de desenvolvimento, destruíram, em regra, boa parte de seus recursos naturais. Da oposição da tese "proteção ambiental" com a antítese "desenvolvimento econômico" surgiu a síntese "desenvolvimento sustentável", de acordo com a forma de Hegel. O inciso acima trata exatamente desse aparente conflito. A Política Nacional do Meio Ambiente, portanto, não pretende sacrificar o desenvolvimento econômico do país em beneficio do meio ambiente. Por outro lado, tal desenvolvimento econômico há de se compatibilizar com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico. Um dos principais instrumentos para alcançar esse objetivo consiste na utilização de tecnologia. 10 Ressalte-se que a Constituição Federal prevê expressamente no artigo 170, VI que "a defesado meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação" consiste em um dos princípios gerais que regem a atividade econômica no país. II- A definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; O Poder Público, por meio do Poder Executivo nas três esferas, federal, estadual e municipal, deve editar políticas públicas que tenham por finalidade a preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico. A qualidade ambiental corresponde ao conjunto de elementos propiciadores da vida no mundo natural, sendo pressuposto da qualidade de vida; o equilíbrio ecológico consiste na manutenção das características essenciais de um ecossistema. A Carta de 1988 elevou ao status constitucional essa previsão, conforme estabelecido em seu art. 225, § 1º, que atribui ao Poder Público o dever de assegurar a efetividade do direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, para atender aos fins ali indicados. III- O estabelecimento de critérios e padrões da qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais; A Política Nacional do Meio Ambiente deve fixar quais os critérios a serem observados para a utilização dos recursos ambientais. Consiste em um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, conforme o art. 9.°, I, da Lei 6.938/1981, que será mais adiante analisado. IV - O desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso racional de recursos ambientais; o uso de tecnologia é absolutamente fundamental para alcançar o desenvolvimento sustentável. Neste contexto, o Poder Público tem um papel essencial como fomentador de pesquisas e de novas tecnologias, sempre com o objetivo de otimizar o processo produtivo, reduzindo o volume final de resíduos a serem lançados no ar, nas correntes de água ou absorvidos pelo solo. 11 Também corresponde a um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, conforme o art. 9.°, V, da Lei nº 6.938/1981. V - A difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à divulgação de dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico; Além da necessidade de criação de novas tecnologias, faz-se fundamental, naturalmente, divulgá-Ias para que passem a ser utilizadas por um maior número possível de agentes. Como já visto, o acesso à informação consiste em um dos princípios basilares do direito ambiental, pressuposto para a participação pública, essencial para a evolução e fortalecimento da proteção do ambiente. A Lei nº 10.650, de 16.04.2003, influenciada pela Convenção de Aarhus de 1998, disciplina o "acesso público aos dados e informações existentes nos órgãos e entidades integrantes do SISNAMA", impondo a todos os órgãos e entidades da administração direta e indireta que o integram, o que abrange União Federal, Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios," o dever geral de permitir o acesso público aos documentos, expedientes e processos administrativos que tratem de matéria ambiental, assim como de fornecer informações ambientais que estejam sob sua guarda. A "formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico" relaciona-se à educação ambiental, dever do Poder Público nos termos do art. 225, § 1.°, VI, da Constituição Federal. VI - A preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida; Uma característica comum dos recursos naturais é a escassez. De fato, se os recursos naturais fossem infindáveis não haveria necessidade de intervenção governamental para regulá-los. Desta escassez decorre o choque de interesses dos diversos setores da sociedade acerca de como utilizá-los. Como consequência, o planejamento racional por parte das autoridades governamentais é essencial para assegurar que as melhores decisões serão tomadas com intuito do interesse da coletividade e do meio ambiente. 12 A utilização racional dos recursos naturais tem por finalidade propiciar a sua disponibilidade permanente, assegurando, assim, o direito das futuras gerações, conforme prevê o art. 225, caput, da Constituição Federal. VII - A imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. Em sua primeira parte, corresponde ao princípio do poluidor-pagador, que decorre da teoria econômica segundo a qual se devem internalizar os custos externos, impondo- se ao poluidor a responsabilidade pelo custo social da degradação ambiental por ele produzida. Quanto à contribuição do usuário, esta consiste no princípio do usuário-pagador, que impõe a cobrança de um valor econômico pela utilização de um bem ambiental. Sua natureza é meramente remuneratória, ou seja, não é punitiva (BELTRÃO, 2011). SISNAMA – SISTEMA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE A Lei nº 6.938/81 criou em seu art. 6º, o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), constituído pelos órgãos e entes responsáveis pela “proteção e melhoria da qualidade ambiental” da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É um sistema de natureza administrativa, composto pelos órgãos ou entes ambientais do Poder Executivo, administração direta ou indireta, nas três esferas da Federação, que tem por finalidade a gestão do ambiente nacional. São órgãos do SISNAMA: a) órgão superior – Conselho de Governo; b) órgão consultivo e deliberativo – Conselho nacional do meio ambiente - CONAMA; 13 c) órgão central – Ministério do Meio Ambiente - MMA; d) órgão executor – Instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais renováveis - IBAMA; e) órgãos seccionais – são os órgãos ou entidades estaduais do meio ambiente; f) órgãos locais – são os órgãos ou entidades municipais do meio ambiente. INSTRUMENTOS DA PNMA A lei nº 6.938/81, com suas modificações subsequentes, elenca em seu art. 9º, treze instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Alguns destes instrumentos já se encontram razoavelmente regulados no direito positivo, enquanto outros ainda aguardam por um melhor disciplinamento legal. São instrumentos da PNMA (Lei 6.938/1981, art. 9.°): a) o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental; b) o zoneamento ambiental; c) a avaliação de impactos ambientais; d) o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras; e) os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental; f) a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas; g) o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente; h) o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental; i) as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental; j) a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA; k) a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, obrigando- se o Poder Público a produzi-las, quando inexistentes; I) o Cadastro Técnico Federal de atividadespotencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais; m) instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão ambiental, seguro ambiental e outros (FERREIRA JR, 2011). 14 A POLÍTICA AGRÍCOLA AMBIENTAL A racionalidade na utilização dos recursos ambientais é, sem sombra de dúvidas, objetivo e princípio de direito ambiental, conforme foi descrito acima. Considerando que os bens ambientais são escassos, faz mister um aproveitamento adequado dos mesmos. A política agrícola ambiental inclui, além da eletrificação rural (art.137 da CF), as atividades agropecuárias, agroindustriais, pesqueiras e florestais. A Lei nº 8171/91 traça os objetivos básicos de proteção, recuperação e preservação dos recursos naturais e do meio ambiente. Ao poder público compete o seguinte: ❖ disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da água, da fauna e da flora; ❖ realizar zoneamentos agroecológicos que permitam estabelecer critérios para o disciplinamento e o ordenamento da ocupação espacial pelas diversas atividades produtivas, bem como para a instalação de novas hidrelétricas; ❖ Estabelecer as diretrizes da política nacional de irrigação e drenagem, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola – CNPA; ❖ Coordenar e executar o programa nacional de irrigação; ❖ Baixar normas objetivando o aproveitamento racional dos recursos hídricos destinados à irrigação, promovendo a integração das ações dos órgãos federais, estaduais, municipais e entidades públicas, ouvido o Conselho Nacional de Políticas Agrícolas – CNPA; ❖ Apoiar estudos para a execução de obras de infraestrutura e outras referentes ao aproveitamento das bacias hidrográficas, com áreas de rios perenizados ou vales irrigáveis, com vistas a melhor e mais racional utilização das águas para irrigação; ❖ Instituir linhas de financiamento ou incentivos prevendo encargos e prazos, bem como modalidades de garantia compatíveis com características da agricultura irrigada, ouvido o CNPA. As bacias hidrográficas constituem unidades básicas de planejamento do uso, da conservação e da recuperação dos recursos naturais. As empresas que exploram economicamente águas represadas e as concessionárias de energia elétrica serão responsáveis pelas alterações ambientais por elas provocadas e obrigadas à recuperação do meio ambiente, na área de abrangência de suas respectivas bacias hidrográficas. 15 O Poder Público implementará programas de estímulo às atividades criatórias de peixes e outros produtos de vida fluvial, lacustre e marinha de interesse econômico, visando ao incremento da oferta de alimentos e a preservação das espécies. Serão executadas em todo território nacional, de acordo com a Constituição e com a prioridade para áreas de comprovada aptidão para a irrigação, áreas de reforma agrária ou de colonização e projetos públicos de irrigação. A construção de pequenas centrais hidrelétricas e termoelétricas de aproveitamento de resíduos agrícolas, que objetivem a eletrificação rural por cooperativas rurais e outras formas associativas deverá ser implementada pelo Poder Público, mediante o implemento de uma Política de Eletrificação Rural. ESPAÇOS TERRITORIAIS PROTEGIDOS Há muito que o ser humano por razões diversas, de ordem religiosa, moral, esportiva, por sua beleza cênica, etc., delimita áreas para preservação de sua fauna e flora. Aponta-se como precursor da ideia hodierna de parques a criação do parque nacional de Yellowstone, em 1872, nos Estados Unidos da América. No Brasil, o primeiro parque nacional foi o de ltatiaia, que data de 1937. Não há em nosso direito pátrio um sistema uno a disciplinar harmonicamente todos os espaços territoriais especialmente protegidos. De fato, como ressalta o professor ANTONIO HERMAN DE VASCONCELOS BENJAMIN (2001, p. 285), verbis: Observa-se, pois, que a adoção do modelo de áreas protegidas no Brasil, como instrumento de tutela da natureza, é anterior ao surgimento do Direito Ambiental, como disciplina orgânica e autônoma, estruturada em torno de características, objetivos, princípios e instrumentos próprios. Por conta dessa evolução histórica, amiúde sem rumo certo, ao sabor de pressões localizadas - ou, por vezes, de facilidades de criação, como o caráter remoto do território -, as áreas protegidas nacionais foram casuística e assistematicamente determinadas e administradas, reféns, no seu desenho teórico, legal e prático, da diversidade de filiação filosófica e paternidade política, daí resultando, de forma inevitável, frequente confusão de regimes, sobreposição de unidades e, pior, ineficiência na consecução de suas finalidades. Como algumas das áreas territoriais especialmente protegidas podem abranger propriedades particulares, a sua criação pode impor aos proprietários privados limites relevantes na utilização e fruição do seu respectivo domínio. 16 De fato, MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO (2002, p, 126) assevera que as limitações administrativas à propriedade originam-se de normas gerais e abstratas, destinadas a propriedades indeterminadas, e têm o propósito de atender interesses coletivos abstratamente considerados. O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado consiste, por excelência, em um direito de interesse coletivo lato sensu, visto pertencer a todos, nos termos do caput do art. 225 da Constituição Federal. Como a natureza é una, não respeitando as fronteiras e limites políticos erigidos artificialmente pelo homem, o modelo de criação de espaços especialmente protegidos padece em sua origem do grave defeito de pretender disciplinar de forma fragmentada a natureza, consistindo, portanto, em um contrassenso. Outrossim, tal modelo pode dar a falsa ideia de que fora de tais espaços especialmente protegidos inexistiria natureza, ou, ao menos, digna de preservação pela legislação ambiental, o que, naturalmente, não corresponde à verdade. Assim, perigosamente passa-se a impressão de que a natureza pode ser algo distante, a ser preservado em um local longínquo e inacessível, hermeticamente fechado, resultando no esquecimento de nossa própria origem e no essencial elo que nos une (BELTRÃO, 2011). Os espaços territoriais especialmente protegidos estão previstos expressamente pelo art. 225, § 1º, III, da Constituição Federal e são o gênero do qual as unidades de conservação, as áreas de preservação permanente e de reserva legal são espécies. O SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA (SNUC) A Lei 9.985, de 18.07.2000, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, disciplinando os critérios para sua criação, implantação e gestão. Encontra-se regulamentada pelo Decreto nº 4.340, de 22.08.2002. Em seu art. 2°, de forma bastante salutar, conforme já tradicional técnica legislativa em matéria ambiental, a lei apresenta uma série de definições. A unidade de conservação consiste no “espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites 17 definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção” (art. 2.°, I, da Lei 9.985/2000). Por tratar-se de um sistema de âmbito nacional, os Estados e Municípios também podem criar unidades de conservação, as quais estarão inseridas no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (art. 3.°). Caso necessário, para atender às peculiaridades regionais ou locais, os Estados e Municípios poderão, em caráter excepcional, criar nova categoria de unidade de conservação que integrará o SNUC, desde que não se confunda com categoria já existente (art. 6.°, parágrafo único, da Lei 9.985/2000). O SNUC é gerido a partir de três órgãos: I - o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), quetem função consultiva e deliberativa; II - o Ministério do Meio Ambiente, com o papel de coordenação do sistema; e, III - o Instituto Chico Mendes e o IBAMA, em caráter supletivo, e os órgãos estaduais e municipais com competência ambiental, na qualidade de executores do sistema (art. 6.° da Lei nº 9.985/2000, com a redação dada pela Lei 11.516/2007). Logo, a partir da Lei nº 11.516/2007, que deu início ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes, o qual tem por função, entre outras, “executar ações da política nacional de unidades de conservação da natureza, referentes às atribuições federais relativas à proposição, implantação, gestão, proteção, fiscalização e monitoramento das unidades de conservação instituídas pela União” (art. 1º, I), a atuação do IBAMA como órgão executor, na esfera federal, do SNUC passou a ser meramente supletiva, ou seja, atuará apenas quando o Instituto Chico Mendes for omisso, por falta de estrutura, de pessoal, etc. Compete aos órgãos executores propor a criação de unidades de conservação, devendo, para tanto, elaborar os estudos preliminares e, quando for o caso, realizar consulta pública (art. 4.° do Decreto nº 4.340/2002). A consulta pública, que é pressuposto obrigatório para a criação de unidade de conservação, com exceção da Estação Ecológica e da Reserva Biológica, tem por finalidade “subsidiar a definição da localização, da dimensão e dos limites mais adequados para a unidade”, ouvindo, para tanto, a população local e outras partes interessadas (art. 5.° do Decreto n. 4.340/2002). Segundo BELTRÃO (2011), agiu bem o legislador em exigir a consulta pública como condição prévia para quase todas as categorias de unidade de conservação, visto 18 que a participação da coletividade nos processos decisórios das autoridades públicas relacionados ao ambiente é um dos princípios que regem o direito ambiental (princípio da participação). Para melhor subsidiar o público interessado em participar do procedimento, o Poder Público tem a obrigação de fornecer informações adequadas e inteligíveis (art. 22, § 3.°, da Lei nº 9.985/2000). O art. 22 da Lei nº 9.985/2000 prevê que “as unidades de conservação são criadas por ato do Poder Público”, não exigindo, portanto, a forma de lei. Da mesma forma, a ampliação dos seus limites territoriais. Entretanto, a desafetação ou a redução dos limites de uma unidade de conservação só poderá ser feita mediante lei, ainda que tenha sido criada por ato diverso como, por exemplo, o decreto (BELTRÃO, 2011), sendo que tal previsão decorre diretamente do art. 225, § 1º, III, da Constituição Federal que expressamente estabelece que a alteração e a supressão de espaço territorial especialmente protegido somente poderão ocorrer mediante lei. As unidades de conservação podem abranger os respectivos subsolo e espaço aéreo caso exerçam alguma influência na estabilidade do ecossistema local. Outrossim, todas as unidades de conservação, com exceção da Área de Proteção Ambiental (APA) e da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), devem possuir uma zona de amortecimento e, quando conveniente, corredores ecológicos (art. 25 da Lei nº 9.985/2000). A zona de amortecimento consiste no “entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade” (art. 2.°, XVIII, da Lei nº 9.985/2000). Os corredores ecológicos, por sua vez, correspondem a “porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando unidades de conservação, que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas, bem como a manutenção de populações que demandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que aquela das unidades individuais” (art. 2.°, XIX, da Lei nº 9.985/2000). Quando houver uma justaposição ou sobreposição de unidades de conservação de categorias distintas e/ou outras áreas protegidas, públicas ou privadas, deverá haver uma gestão de todo o conjunto, de forma integrada e participativa. É o que se denomina de 19 “mosaico” de unidades de conservação, que deve ser reconhecido por ato formal do Ministério do Meio Ambiente e gerido por um conselho. Questão complexa e que, certamente, ainda ocasionará muitos conflitos entre os entes da federação corresponde à justaposição ou sobreposição de unidades de conservação de entes distintos, ou seja, uma unidade de conservação federal que abrange parte de unidade de conservação estadual, por exemplo (BELTRÃO, 2011). Trata-se de tema que a doutrina e a jurisprudência ainda praticamente não enfrentaram e que será decidido, em última análise, pelo Supremo Tribunal Federal, com fulcro no art. 102, I, f, da Constituição Federal, por se tratar de conflito federativo. O Plano de Manejo, documento que define o zoneamento da unidade de conservação, assim como o uso da área e o manejo dos seus recursos naturais, conforme a definição legal do art. 2.°, XVII, da Lei nº 9.985/2000, deve abranger não apenas a área da unidade de conservação, mas também a zona de amortecimento e os corredores ecológicos, caso existentes. A lei assegura ampla participação da população residente na “elaboração, atualização e implementação do Plano de Manejo das Reservas Extrativistas, das Reservas de Desenvolvimento Sustentável, das Áreas de Proteção Ambiental e, quando couber, das Florestas Nacionais e das Áreas de Relevante Interesse Ecológico” (art. 27, § 2º, da Lei nº 9.985/2000). Outrossim, prevê que o Plano de Manejo deverá ser elaborado no prazo de até cinco anos a partir da criação da respectiva unidade de conservação. Entretanto, não há a indicação de qual será a consequência legal caso este prazo não seja cumprido. O art. 36 da Lei nº 9.985/2000 impõe a obrigação de compensação por significativo impacto ambiental, que consiste no dever de o empreendedor de obra ou atividade que seja considerada de impacto significativo ao ambiente, pelo órgão ambiental competente, apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação do grupo de Proteção Integral. O montante de recursos a ser destinado pelo empreendedor para essa implantação e manutenção de unidade de conservação do grupo de Proteção Integral será fixado pelo órgão ambiental licenciador de acordo com o grau de impacto ambiental causado pela obra ou atividade licenciada, podendo ser inferior a 0,5% dos custos totais previstos para a implantação de seu empreendimento, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal na ADI 3.378. 20 Competirá ao órgão ambiental licenciador definir as unidades de conservação a serem beneficiadas ou até mesmo criadas com esses recursos. Excepcionalmente, tais recursos poderão ser destinados à unidade de conservação do grupo de Uso Sustentável quando for a mesma, ou sua zona de amortecimento, afetada pelo respectivo empreendimento (art. 36, § 3.°). A Resolução CONAMA nº 371/2006 estabelece “diretrizes aos órgãos ambientais para o cálculo, cobrança, aplicação, aprovação e controle de gastos” relativos às receitas obtidas por meio da compensação ambiental prevista pela Lei nº 9.985/2000. Há dois grandes grupos de unidades de conservação: as de Proteção Integral e as de Uso Sustentável. O primeiro tem por objetivo “preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei” (art. 7.°, § 1º, da Lei nº 9.985/2000). Já as Unidades de Uso Sustentável têm por propósito “compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela de seus recursos naturais” (art. 7.°, § 2.°, da Lei nº 9.985/2000). No quadro resumo abaixo, temos os dois grupos de unidades de conservação, bem como seus objetivos e as categorias que serãodefinidas mais adiante. É permitida a introdução de espécies não autóctones nas Áreas de Proteção Ambiental, nas Florestas Nacionais, nas Reservas Extrativistas e nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável, sendo vedada nas demais categorias de unidades de conservação (art. 31, § 1.°, da Lei nº 9.985/2000). 21 Com exceção da Área de Proteção Ambiental e da Reserva Particular do Patrimônio Natural, toda exploração comercial de produtos, subprodutos ou serviços “obtidos ou desenvolvidos a partir dos recursos naturais, biológicos, cênicos ou culturais ou da exploração da imagem de unidade de conservação” de unidade de conservação dependerá de prévia autorização de sua respectiva administração e de retribuição econômica por parte do explorador (art. 33). Com o intuito de evitar burocracia e facilitar a entrada de receitas, a Lei expressamente autoriza os órgãos que administram as unidades de conservação a receberem diretamente recursos ou doações de qualquer natureza, nacionais ou estrangeiras, com ou sem encargos, oriundas de organizações públicas ou privadas. Por fim, as unidades de conservação do grupo de Uso Sustentável podem ser transformadas total ou parcialmente em unidades do grupo de Proteção Integral por meio de instrumento normativo do mesmo nível hierárquico do que criou a unidade, desde que obedecidos os procedimentos de consulta estabelecidos no § 2.° do art. 22 da Lei nº 9.985, de 2000 (art. 22, § 5.°). O grupo das Unidades de Proteção Integral compreende cinco categorias de unidades de conservação. Cada uma dessas unidades de Proteção Integral será dotada de um Conselho Consultivo, presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil, por proprietários de terras localizadas em Refúgios de Vida Silvestre ou Monumento Natural, quando for o caso, e, na hipótese prevista no § 2.° do art. 42, das populações tradicionais residentes, conforme se dispuser em regulamento e no ato de criação da unidade (art. 29). As Unidades de Conservação de Proteção Integral têm por objetivo preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais. As categorias das Unidades de Conservação de Proteção Integral são as seguintes (Lei 9.985/2000, art. 8º): a) Estação Ecológica; b) Reserva Biológica; c) Parque Nacional; d) Monumento Natural; e e) Refúgio da Vida Silvestre. A Estação Ecológica é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, e tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas, as quais dependem de 22 autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade (Lei nº 9.985/2000, art. 9.0, § 1º). Na Estação Ecológica a visitação pública é proibida, exceto quando com objetivo educacional, de acordo com o que dispuser o Plano de Manejo da unidade ou regulamento específico (Lei nº 9.985/2000, art. 9º, § 2º). Na Estação Ecológica só podem ser permitidas alterações dos ecossistemas no caso de (Lei nº 9.985/2000, art. 9º, § 4º, I a IV): 1) Medidas que visem a restauração de ecossistemas modificados; 2) Manejo de espécies com o fim de preservar a diversidade biológica; 3) Coleta de componentes dos ecossistemas com finalidades científicas; 4) Pesquisas científicas cujo impacto sobre o ambiente seja maior do que aquele causado pela simples observação ou pela coleta controlada de componentes dos ecossistemas em uma área correspondente a no máximo 3% (três por cento) da extensão total da unidade e até o limite de 1.500 (mil e quinhentos) hectares. A Reserva Biológica é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas. A visitação pública é proibida, exceto aquela com objetivo educacional (Lei nº 9.985/2000, art. 10, §§ 1.0 e 2.0). Na Reserva Biológica a realização de pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade (Lei nº 9.985/2000, art. 10, § 3º). O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas. A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração e àquelas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 11, §§ 1º e 2º). No Parque Nacional, a pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade, bem como àquelas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 11, § 3º). Os Parques, quando forem criados pelos Estados ou pelos Municípios, serão denominados, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal (Lei nº 9.985/2000, art. 4º). O Monumento Natural pode ser constituído por áreas particulares, desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos 23 naturais do local pelos proprietários. Caso não haja esta compatibilização, a área deve ser desapropriada (Lei nº 9.985/2000, art. 12, §§ 1º e 2º). No Monumento Natural, a visitação pública está sujeita às condições e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável pela administração e àquelas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 12, § 3º). O Refúgio da Vida Silvestre pode ser constituído por áreas particulares, desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários. Caso não haja esta compatibilização, a área deve ser desapropriada (Lei nº 9.985/2000, art. 13, §§ 1º e 2º). No Refúgio da Vida Silvestre, a visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável pela administração e àquelas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 13, § 3º). No Refúgio da Vida Silvestre, a pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 13, § 4º). As Unidades de Conservação de Uso Sustentável têm por objetivo compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais, sendo admitido o uso direto dos recursos naturais. As categorias das Unidades de Conservação de Uso Sustentável são as seguintes (Lei nº 9.985/2000, art. 14): a) Área de Proteção Ambiental (APA); b) Área de Relevante Interesse Ecológico; c) Floresta Nacional; d) Reserva Extrativista; e) Reserva de Fauna; f) Reserva de Desenvolvimento Sustentável; g) Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). A Área de Proteção Ambiental é constituída por terras públicas ou privadas (Lei nº 9.985/2000, art. 15, § 1º). 24 Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de Proteção Ambiental (Lei nº 9.985/2000, art. 15, § 2º). Na Área de Proteção Ambiental, as condições para a realização de pesquisa científica e visitação pública nas áreas sob domínio público serão estabelecidas pelo órgão gestor da unidade e nas áreas sob propriedade privada caberá ao proprietário estabelecê- las (Lei nº 9.985/2000, art. 15, §§ 3º e 4º). A Área de Proteção Ambiental disporá de um Conselho presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes dos órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e da população residente (Lei nº 9.985/2000, art. 15, § 5º). A Área de Relevante Interesse Ecológico é constituída por terras públicas ou privadas (Lei9.985/2000, art. 16, § 1º). Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de Relevante Interesse Ecológico (Lei nº 9.985/2000, art. 16, § 2º). A Floresta Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas (Lei nº 9.985/2000, art. 17, § 1º). Na Floresta Nacional, a visitação pública é permitida, condicionada às normas estabelecidas para o manejo da unidade pelo órgão responsável por sua administração (Lei n. 9.985/2000, art. 17, § 3º). Na Floresta Nacional, a pesquisa científica é permitida e incentivada, sujeitando- se à prévia autorização do órgão responsável pela administração da unidade, às condições e restrições por este estabelecidas e àquelas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 17, § 4º). A Floresta Nacional disporá de um Conselho Consultivo, presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e, quando for o caso, das populações tradicionais residentes (Lei nº 9.985/2000, art. 17, § 5.°). A Floresta, quando criada pelo Estado ou Município, será denominada, respectivamente, Floresta Estadual e Floresta Municipal (Lei nº 9.985/2000, art. 17, § 6.°). 25 Reserva Extrativista é de domínio público, com uso concedido às populações extrativistas, mediante contrato, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas (Lei nº 9.985/2000, art. 18, § 1.°). A Reserva Extrativista será gerida por um Conselho Deliberativo, presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e das populações tradicionais residentes na área, conforme se dispuser em regulamento e no ato de criação da unidade (Lei nº 9.985/2000, art. 18, § 2.°). Na Reserva Extrativista, a visitação pública é permitida, desde que compatível com os interesses locais e de acordo com o disposto no Plano de Manejo da área (Lei nº 9.985/2000, art. 18, § 3.°). Na Reserva Extrativista, a pesquisa científica é permitida e incentivada, sujeitando-se à prévia autorização do órgão responsável pela administração da unidade, às condições e restrições por este estabelecidas e às normas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 18, § 4.°). A Reserva de Fauna é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas (Lei n. 9.985/2000, art. 19, § 1.°). Na Reserva de Fauna, a visitação pública pode ser permitida, desde que compatível com o manejo da unidade e de acordo com as normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração (Lei nº 9.985/2000, art. 19, § 2.°). Na Reserva de Fauna, a pesquisa científica é permitida e a comercialização dos produtos e subprodutos resultantes destas pesquisas obedecerá ao disposto nas leis sobre fauna e regulamentos (Lei nº 9.985/2000, art. 19, § 4.°). A Reserva de Desenvolvimento Sustentável é de domínio público, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser, quando necessário, desapropriadas (Lei nº 9.985/2000, art. 20, § 2.°). A Reserva de Desenvolvimento Sustentável será gerida por um Conselho Deliberativo, presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e das populações tradicionais residentes na área, conforme se dispuser em regulamento e no ato de criação da unidade (Lei nº 9.985/2000, art. 20, § 4.°). Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável, é permitida e incentivada a visitação pública, desde que compatível com os interesses locais e de acordo com o disposto no Plano de Manejo da área (Lei nº 9.985/2000, art. 20, § 5.°, I). 26 Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável, é permitida e incentivada a pesquisa científica voltada à conservação da natureza, sujeitando-se à prévia autorização do órgão responsável pela administração da unidade, às condições e restrições por este estabelecidas e às normas previstas em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 20, § 5.°, I). A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica (Lei nº 9.985/2000, art. 21). O proprietário deverá assinar um termo de compromisso perante o órgão ambiental, onde constará o gravame da perpetuidade, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de imóveis (Lei nº 9.985/2000, art. 21, § 1º). Na Reserva Particular do Patrimônio Natural, poderá ser permitida, conforme se dispuser em regulamento (Lei nº 9.985/2000, art. 21, § 2.°): a) a pesquisa científica; e b) a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais. Todas as Unidades de Conservação, com exceção da Área de Proteção Ambiental e da Reserva Particular do Patrimônio Natural, devem possuir uma zona de amortecimento e, quando conveniente, corredores ecológicos (Lei nº 9.985/2000, art. 25). RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE PROTEÇÃO INTEGRAL a) Estação Ecológica: I) objetiva a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas; II) posse e domínio públicos, áreas particulares serão desapropriadas; III) visitação pública proibida, exceto com objetivo educacional; IV) pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade de conservação. b) Reserva Biológica: I) objetiva a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites; II) posse e domínio públicos, áreas particulares serão desapropriadas; III) visitação pública proibida, exceto com objetivo educacional; IV) pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade de conservação. c) Parque Nacional: 27 I) objetiva a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica; II) posse e domínio públicos, áreas particulares serão desapropriadas; III) visitação pública depende do previsto no Plano de Manejo; IV) pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade de conservação. d) Monumento Natural: I) objetiva preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica; II) pode ser constituído por áreas particulares, quando houver compatibilização com os objetivos da unidade de conservação ou, caso não haja compatibilização, as áreas serão desapropriadas; III) visitação pública depende do previsto no Plano de Manejo; IV) pesquisa científica sem previsão legal. e) Refúgio da Vida Silvestre: I) objetiva proteger ambientes naturais onde se assegurem condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória; II) pode ser constituído por áreas particulares, quando houver compatibilização com os objetivos da unidade de conservação ou, caso não haja compatibilização, as áreas serão desapropriadas; III) visitação pública depende do previsto no Plano de Manejo; IV) pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade de conservação. RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE USO SUSTENTÁVEL (LEI 9.985/2000, ART, 14): a) Área de Proteção Ambiental: I) objetiva proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais; II) constituída por terras públicas ou privadas; III) pode haver restrições para a utilização de uma propriedade privada nela localizada; IV) visitação e pesquisa sujeitas a condições. 28 b) Área de Relevante Interesse Ecológico: I) objetivamanter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas; II) constituída por terras públicas ou privadas; III) visitação e pesquisa não prevista em lei. c) Floresta Nacional: I) objetiva o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais; II) posse e domínio públicos, áreas particulares serão desapropriadas; III) visitação pública permitida, condicionada ao Plano de Manejo; IV) pesquisa científica permitida, sujeitando-se à prévia autorização do órgão responsável pela administração da unidade de conservação. d) Reserva Extrativista: I) objetiva proteger os meios de vida e a cultura das populações extrativistas e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade; II) é de domínio público, com uso concedido às populações extrativistas tradicionais, mediante contrato de concessão de uso, áreas particulares serão desapropriadas; III) visitação pública permitida, de acordo com o Plano de Manejo; IV) pesquisa científica permitida, sujeitando-se à prévia autorização do órgão responsável pela administração da unidade de conservação. e) Reserva de Fauna: I) posse e domínio públicos, áreas particulares serão desapropriadas; II) visitação pública permitida, desde que compatível com o Plano de Manejo; III) proibido o exercício da caça amadorística ou profissional. f) Reserva de Desenvolvimento Sustentável: I) objetiva preservar a natureza e, ao mesmo tempo, assegurar as condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida; II) é de domínio público, com uso concedido às populações tradicionais, mediante contrato de concessão de uso, áreas particulares serão desapropriadas. g) Reserva Particular do Patrimônio Natural: I) objetiva conservar a diversidade biológica; II) posse e domínio privado; III) gravada com perpetuidade, devendo ser averbada à margem da inscrição no registro de imóveis. 29 As Unidades de Conservação podem ser criadas por ato do Poder Executivo, por Decreto. Todavia, nada impede que possam ser criadas pelo Poder Legislativo, por lei, entretanto, antes da criação de uma Unidade de Conservação é necessária a realização de consulta pública e de estudos técnicos. A consulta pública, no entanto, não será obrigatória para a criação das seguintes Unidades de Conservação: a) Estação Ecológica; e b) Reserva Biológica. As Unidades de Conservação de Uso Sustentável podem ser transformadas em Unidades de Conservação de Proteção Integral, desde que seja utilizado o mesmo nível hierárquico do instrumento normativo do que criou a Unidade, e sejam realizados estudos técnicos e consulta pública. Assim, se a Unidade de Conservação de Uso Sustentável foi criada por Decreto, somente por Decreto ela poderá ser transformada em uma Unidade de Conservação de Proteção Integral. Para a ampliação dos limites de uma Unidade de Conservação também será utilizado o mesmo nível hierárquico do instrumento normativo do que a criou, igualmente precedida de consulta pública. A desafetação ou a redução dos limites de uma Unidade de Conservação só poderá ser realizada por lei específica, importando lembrar que toda Unidade de Conservação deve ter o seu Plano de Manejo, o qual deverá ser elaborado dentro de cinco anos, a contar da data de sua criação. Plano de Manejo é o documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais de uma Unidade de Conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade (Lei nº 9.985/2000, art. 2.°, XVII) (FERREIRA JUNIOR, 2011). As Áreas de Preservação Permanente (APP) são áreas protegidas, cobertas ou não por vegetação nativa (florestas e demais formas de vegetação natural), com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humana (Código Florestal, Lei nº 4.771/1965, art. 1º, § 2.°, II).1 1 É preciso lembrar que tramita no Congresso Nacional um novo projeto para o Código Florestal, projeto este aprovado com pontos polêmicos, mas ainda continua valendo o código atual. Dentre as mudanças que já foram aprovadas temos: Além da União, os estados devem criar seus programas de regularização ambiental. 30 As APPs, que podem estar presentes em imóveis urbanos e rurais, são criadas por força de lei ou por ato do Poder Público (Lei nº 4.771/1965, arts. 1.° e 2.°). Consideram-se de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural, situadas (Lei nº 4.771/1965, art. 2.°): a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima seja: I) de trinta metros para os cursos d água de menos de dez metros de largura; II) de cinquenta metros para os cursos d'água que tenham de dez metros a cinquenta metros de largura; III) de cem metros para os cursos d'água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; IV) de duzentos metros para os cursos d'água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; V) de quinhentos metros para os cursos d'água que tenham largura superior a seiscentos metros. b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais e artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados olhos d'água, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45 graus, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros com projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. Outro item permite que o agricultor assine um termo de adesão e compromisso. Quem cometeu crimes ambientas até julho de 2008 terá as multas suspensas e convertidas em serviços ambientais. Uma novidade foi a emenda que mantém nas áreas de preservação permanente as atividades agrossilvopastoris, de ecoturismo e turismo rural existentes até julho de 2008. Os deputados ambientalistas e parte da base do governo entendem que o projeto aprovado representa uma anistia aos desmatadores. Aprovado na câmara, o texto agora irá para o Senado, onde deve ser votado em pelo menos três comissões e depois no Plenário. A primeira comissão é a de Constituição e Justiça, onde os senadores analisarão se o texto está de acordo com a Constituição (PORTAL G1 DE ECONOMIA, 29 de maio de 2011.) 31 Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a (Lei nº 4.771/1965, art. 3.°): a) atenuar a erosão das terras; b) fixar as dunas; c) formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) assegurar condições de bem-estar público. A intervenção ou supressão em APPs somente poderá ocorrer em procedimento próprio quando haja (Res. CONAMA nº 369/2006, art. 3.°): a) inexistência de alternativa técnica e locacional; b) atendimento às condições e padrões aplicáveis aos corpos d'água; c) averbação da área de reserva legal; d) inexistência de risco de agravamento de processos como enchentes, erosão, etc. O órgãoambiental competente somente poderá autorizar a intervenção ou supressão de vegetação em APP,devidamente caracterizada e motivada mediante procedimento administrativo autônomo e prévio, e atendidos os requisitos previstos na Resolução Conama nº 369/2006 e noutras normas federais, estaduais e municipais aplicáveis, bem como no Plano Diretor, Zoneamento Ecológico-Econômico e Plano de Manejo das Unidades de Conservação, se existentes (Res. CONAMA 369/2006, art. 2.°).2 2 STF, ADI 3.540, DJ 03.02.2006. Supressão de vegetação em área de preservação permanente, possibilidade de a administração, cumpridas as exigências legais, autorizar, licenciar ou permitir obras e/ou atividades nos espaços territoriais protegidos, desde que respeitada, quanto a estes, a integridade dos atributos justificadores do regime de proteção especial. Sobre o direito à indenização ou não, há divergência entre o STF e o STJ. STF, AI 677.647 AgR/AP, DJ 06.06.2008. Desapropriação. Área sujeita à preservação permanente. Indenização devida. A área de cobertura vegetal sujeita à limitação legal e, consequentemente à vedação de atividade extrativista não elimina o valor econômico das matas protegidas. STJ, REsp146.356/SP, DJ 15.12.2009. É firme a jurisprudência do STJ sobre a inindenizabilidade, como regra, das Áreas de Preservação Permanente, já que não passíveis de exploração econômica direta. Por sua vez, a Reserva Legal, onde se encontra vedado o corte raso da vegetação nativa, não pode ser indenizada como se fosse terra de livre exploração econômica. Cabe, nesse caso, ao proprietário provar o uso lícito. 32 A Lei nº 9.605/1998 preceitua como crime ambiental as seguintes condutas: a) Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-Ia com infringência das normas de proteção. Pena: detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente (art. 38); b) Destruir ou danificar vegetação primária ou secundária, em estágio avançado ou médio de regeneração, do Bioma Mata Atlântica, ou utilizá-Ia com infringência das normas de proteção. Pena: detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente (art. 38-A) c) Cortar árvores em floresta considerada de preservação permanente, sem permissão da autoridade competente. Pena: detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente (art. 39); d) Destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas ou vegetação fixadora de dunas, protetora de mangues, objeto de especial preservação. Pena: detenção, de três meses a um ano, e multa (art. 50); e) Desmatar, explorar economicamente ou degradar floresta, plantada ou nativa, em terras de domínio público ou devolutas, sem autorização do órgão competente. Pena: reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa (art. 50-A). De outro lado, o Decreto nº 6.514/2008 preceitua como infração administrativa ambiental as seguintes condutas: a) Destruir ou danificar florestas ou demais formas de vegetação natural ou utilizá- Ias com infringência das normas e proteção em área considerada de preservação permanente, sem autorização do órgão competente, quando exigível, ou em desacordo com a obtida. Sanção: Multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), por hectare ou fração (art. 43); b) Cortar árvores em área considerada de preservação permanente ou cuja espécie seja especialmente protegida, sem permissão da autoridade competente. Sanção: Multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) por hectare ou fração, ou R$ 500,00 (quinhentos reais) por árvore, metro cúbico ou fração (art. 44); c) Extrair de florestas de domínio público ou áreas de preservação permanente, sem prévia autorização, pedra, areia, cal ou qualquer espécie de minerais. Sanção: Multa simples de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) por hectare ou fração (art. 45). 33 DANO AMBIENTAL Poluição ambiental A Lei nº 6.938/1981, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente, conceitua degradação da qualidade ambiental como a alteração adversa das características do meio ambiente (art. 3.°, lI). Por conseguinte a degradação da qualidade ambiental consiste em toda modificação adversa ao equilíbrio ecológico (LEITE, 2003, p. 101). A poluição é conceituada como a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos (art. 3.°, III). No entendimento de ANTONIO F. G. BELTRÃO (2001), o conceito legal de poluição, portanto, é bastante amplo, apresentando tanto uma concepção antropocêntrica quanto biocêntrica. É antropocêntrico quando se refere à saúde, à segurança, ao bem-estar da população e às atividades sociais e econômicas; é biocêntrico quando prevê como poluição a degradação da qualidade ambiental que afete a biota (= fauna e flora que habitam um determinado local); e, ainda, apresenta concepção mista no tocante às condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente e ao lançamento de matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. 34 Tecnicamente, portanto, degradação ambiental é gênero do que poluição é espécie. Consequentemente, toda poluição consiste em degradação ambiental; a recíproca, entretanto, não é verdadeira, ou seja, nem toda degradação ambiental consiste em poluição. Poluidor é conceituado como “a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental” (art. 3º, IV). Assim, a poluição decorre exclusivamente da ação humana, ainda que involuntária. Logo, eventos da natureza, que podem ocasionar grande degradação ambiental, como, por exemplo, uma erupção vulcânica, um tsunami, enchentes, incêndios, etc., não consistem, tecnicamente, de acordo com a legislação brasileira, em poluição. Por serem eventos naturais, não podem, evidentemente, ser controlados pelo Direito. Este limita-se a regular as ações humanas, ou seja, aquelas que provocam poluição (BELTRÃO, 2011). A Constituição Federal atribui à União, Estados, Distrito Federal e Municípios a competência comum de combater à poluição “em qualquer de suas formas” (art. 23, VI); estabelece, também, que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre controle da poluição (art. 24, VI). Outrossim, prevê a Carta Política que compete ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações (art. 225, caput). Portanto, toda poluição é ilícita, devendo o seu agente necessariamente sofrer as sanções, de ordem civil, penal e administrativa, previstas na legislação? Segundo ANTONIO F. G. BELTRÃO (2011, p. 221) não é bem assim e solicita que imaginemos o seguinte: que todos nós ao dirigirmos um veículo, ou ao utilizarmos algum transporte público, movido por combustível de origem fóssil, estamos liberando no ar, por meio do sistema de escapamento, uma série de poluentes que degradam a atmosfera. Desta forma, somos poluentes, diretos (no caso de veículo próprio) ou indiretos (se utilizamos transporte público). Contudo, partindo-se da premissa de que o veículo está cumprindo com os limites - padrões de qualidade – previstos pela legislação de regência quanto à liberação de poluentes, não haveria, juridicamente, dano algum. Em outras palavras, significa afirmar que a poluição é tolerada pelo ordenamento jurídico desde que respeitados os limites – padrões