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LIVRO DE IMUNOLOGIA UNIDADE 3 DOCENTE RESPONSÁVEL: DRA. ELIANE PATRÍCIA CERVELATTI MENDONÇA UniSALESIANO Apresentação da Unidade Curricular 3 Olá, pessoal!!! Bem-vindos à Unidade 3 da disciplina Imunologia! Já percorremos um bom caminho em nossa jornada rumo a compreensão do funcionamento do sistema imunológico. Conhecemos seus componentes, como é a resposta imune e inata e como ocorre a ativação da resposta imune adaptativa. Mas o que acontece a partir desse momento? Quais células entram em ação? Quando os anticorpos serão produzidos, como eles são e como agem? A resposta a essas e muitas outras perguntas você encontrará ao longo de cada aula. Então fique atento e não perca um só detalhe. Surpreenda-se com a complexidade e perfeição de nosso sistema imune! SUMÁRIO 1. Imunidade mediada por células 2. Imunidade humoral 3. Mecanismos efetores dos anticorpos 4. Resposta imune a agentes infecciosos 1. IMUNIDADE MEDIADA POR CÉLULAS ➢ Objetivos: ✓ Exemplificar como secreção de citocinas age sobre outros componentes do sistema imune ✓ Compreender a ação de células como macrófagos e LTc após sua ativação pelas citocinas secretadas pelo LTa. ➢ Introdução Na análise da elaboração da resposta imune adaptativa, já discutimos como será a ativação do LTa e como essa célula age: ativa outros componentes do sistema imune através da secreção de citocinas. Vamos considerar que a ativação do LTa resultou na sua diferenciação em LTa1 (ou LTh1), que secreta citocinas direcionadas para a coordenação das respostas a infecções bacterianas e virais intracelulares (ativam macrófagos e LTc, por exemplo). Entre outros aspectos, isso resultará na morte de células do hospedeiro infectadas por vírus. Agora, é preciso compreender o que a presença dessas citocinas causa em células como os macrófagos e LTc. ➢ Ativação dos macrófagos. As citocinas secretadas pelo LTa1 podem levar a ativação dos macrófagos, estratégia que se mostra uma via muito importante na resposta imune mediada por células, pois o macrófago apresenta uma ampla distribuição no organismo e tem um papel relevante como célula apresentadora de antígeno, além de apresentar uma duração relativamente longa. No entanto, é importante ressaltar desde já que a ativação do macrófago pelas citocinas secretadas pelo Lta1 fará com que essa célula desempenhe sua função com maior eficácia, aumentará o seu poder microbicida, sua capacidade de fagocitar e apresentar antígenos, mas NÃO a tornará capaz de reconhecer um antígeno (figura 1.1). Figura 1.1: As células Th1 ativam a atividade microbicida dos macrófagos. O IFNγ derivado das células Th1 é importante na ativação dos macrófagos e pode intensificar a atividade microbicida dessas células para destruir bactérias fagocitadas. O IFNγ também pode induzir a secreção de IL-12 e de TNF por macrófagos, como mostra a figura. Fonte: Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux ; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade . - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. ➢ Ativação dos linfócitos T citotóxicos. Como já discutido anteriormente, os linfócitos T citotóxicos são células específicas, portanto precisam reconhecer um antígeno para só então se tornarem ativados (lembre-se que o antígeno será apresentado através de uma molécula MHC-I). Na verdade, o reconhecimento do antígeno é o primeiro sinal necessário para a sua ativação, o segundo sinal pode ser uma citocina presente no ambiente, geralmente secretada pelo LTa1, ou por uma célula dendrítica ‘autorizada pelo LTa1’ (figura 1.2). Figura 1.2: Ativação das células T citotóxicas por células T auxiliares. A ativação das células T auxiliares (Th) CD4+ pela célula dendrítica envolve um sinal coestimulador de CD40-ligante de CD40 (CD154) e o reconhecimento de um peptídio do MHC da classe II apresentado pelo receptor da célula T. A. Se tanto a célula Th quanto o linfócito T citotóxico (Tc) estiverem presentes ao mesmo tempo, a liberação de citocinas pelas células Th ativadas estimula a diferenciação do precursor de CD8+ em uma Tc ativada restrita ao MHC da classe I. Entretanto, conforme ilustrado em (B), a célula Th e a Tc não precisam interagir ao mesmo tempo com a APC. Neste caso, a célula Th “autoriza” a célula dendrítica para uma futura interação com uma célula Tc. Fonte: Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux ; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade . - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. ➢ Modo de ação dos linfócitos T citotóxicos. Uma vez ativados, os LTc eliminarão a célula-alvo (fazendo com que ela entre em apoptose – morte celular programada). No entanto, ele pode induzir esse processo através de duas vias diferentes: a via de Fas/ligante de Fas e a via da perforina/granzima. Ambas as vias de destruição culminam na ativação de uma família de proteases citotóxicas, denominadas caspases, dentro da célula-alvo, que coordenam internamente o processo de destruição celular, a única diferença entre as duas vias é o mecanismo de ativação das caspases (figuras 1.3, 1.4 e 1.5). Ao analisar as imagens, fica evidente a complexidade dos eventos que são desencadeados no interior da célula-alvo. No entanto, o objetivo de apresentar as figuras é mostrar que ao final, o resultado obtido é a ativação das caspases, que por sua vez ativam morte celular programada (apoptose). Figura 1.3: As células T citotóxicas (Tc ou CTL) podem destruir células-alvo por vias dependentes de grânulos ou dependentes de ligante Fas (FasL) para a apoptose. Ambas as vias resultam na ativação de membros da família caspase de proteases na célula-alvo, e essas enzimas destroem o alvo por proteólise de centenas de substratos proteicos. Fonte: Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux ; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade . - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. Figura 1.4: Destruição de células-alvo dependente de grânulos citotóxicos por células T citotóxicas e células NK. Em resposta a um estímulo apropriado, as células Tc e NK liberam o conteúdo de seus grânulos citotóxicos sobre a superfície das células-alvo. Acredita-se que a perforina, a proteína dos grânulos citotóxicos, sofra polimerização dentro da membrana da célula-alvo, formando poros que possibilitam a passagem de outros constituintes dos grânulos, incluindo várias serina proteases (granzimas), na célula-alvo. Após a sua entrada no alvo, a granzima B coordena a apoptose por meio de clivagem e ativação de BID, que é translocado para as mitocôndrias e desencadeia a abertura de um poro ou canal dentro da membrana mitocondrial externa, composto de Bax e/ou Bak; este canal possibilita a liberação do citocromo c do espaço intermembrana da mitocôndria para o citoplasma, onde atua como cofator para a montagem de um complexo ativador de caspase-9 (o apoptossomo). O apoptossomo ativa caspases distais, como a caspase-3 e a caspase-7, e estas últimas proteases coordenam a apoptose por proteólise restrita de centenas de substratos proteicos. A granzima B também pode processar proteoliticamente e ativar diretamente a caspase-3 e a caspase-7, proporcionando uma via mais direta de ativação das caspases. Outra proteína do grânulo, a granzima A, pode clivar uma proteína no complexo SET (um complexo de proteína associado ao retículo endoplasmático). Isso permite a translocação de uma nuclease (NM23-H1) para o compartimento nuclear, que pode catalisar quebras de DNA de fita simples. Os grânulos citotóxicos também contêm outras granzimas, que contribuem para a destruiçãoda célula-alvo, porém ainda não foram identificados os substratos dessas proteases. Fonte: Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux ; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade . - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. Figura 1.5: Via do Fas-ligante de Fas (FasL) para a apoptose. Após o encontro de uma célula que apresenta um ligante de Fas (FasL), as células suscetíveis sofrem apoptose por meio de recrutamento da caspase-8 para a cauda citoplasmática do receptor de Fas, por intermédio da proteína adaptadora FADD. O recrutamento da caspase-8 para o complexo do receptor resulta em ativação dessa protease, que, em seguida, pode amplificar a ativação de caspases distais, seja de modo direto (via tipo I) ou de modo indireto por clivagem de Bid e liberação do citocromo c das mitocôndrias (via tipo II), que ativa o “apoptossomo” Apaf-1/caspase-9. Em seguida, o apoptossomo promove a ativação de caspases efetoras distalmente, que destroem a célula. Fonte: Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux ; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade . - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. Por fim, as células apoptóticas serão fagocitadas pelos macrófagos, como pode ser observado na figura 1.6. Figura 1.6: As células apoptóticas são rapidamente reconhecidas e removidas por fagócitos. As células apoptóticas sofrem múltiplas alterações da membrana, que possibilitam o seu reconhecimento por fagócitos profissionais, bem como não profissionais, resultando em fagocitose dessas células antes da ruptura da membrana e liberação do conteúdo intracelular. No contexto de destruição de uma célula infectada por vírus pela célula T citotóxica (Tc), esse processo também pode impedir a liberação de partículas virais que ocorreria de outro modo se a morte celular ocorresse por necrose (i. e., ruptura da célula). Fonte: Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux ; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade . - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. Para pensar: Vimos nesse capítulo que as citocinas secretadas LTa1 podem ativar os macrófagos ou os LTc, por exemplo. É importante ter em mente que o macrófago será ativado pelas citocinas liberadas pelo LTa1, que por sua vez para ser ativado precisou reconhecer um antígeno. No entanto, o macrófago após sua ativação será capaz de fagocitar qualquer microrganismo que estiver ao seu redor, sua ação não será restrita ao patógeno que foi reconhecido pelo LTa1, pois o macrófago não reconhece antígenos. Portanto, todo esse processo começa de forma específica (reconhecimento do LTa1), mas termina de forma inespecífica (fagocitose dos macrófagos). Por outro lado, quando ocorre a ativação dos LTc, o processo começa e termina de forma específica (primeiro o LTa1 reconhece o antígeno e em seguida o LTc também faz esse reconhecimento). Isso é fundamental pois nesse caso células do próprio organismo serão eliminadas (visto que estão infectadas por um vírus, por exemplo), um processo que deve ser cuidadosamente coordenado. ➢ Bibliografia Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro : GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2 @0.00:0.00 Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2 @0.00:0.00 J. H. L. Playfair, B. M. Chain. Imunologia básica: guia ilustrado de conceitos fundamentais. Tradução Soraya Imon de Oliveira]. ––9. ed. ––Barueri, SP : Manole, 2013. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@10 0:0.00 Richard Coico, Geoffrey Sunshine. Imunologia. Tradução Eiler Fritsch Toros. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341- 1/cfi/0!/4/2@100:0.00 Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux ; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade . - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2 @0:0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341-1/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341-1/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2@0:0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2@0:0 2. IMUNIDADE HUMORAL ➢ Objetivos: ✓ Compreender a estrutura dos anticorpos; ✓ Compreender as diferentes etapas da ativação do linfócito B, evento fundamental para a imunidade humoral. ➢ Introdução A imunidade humoral é aquela mediada por anticorpos (Ac), ou seja, nesse caso, a entrada do antígeno desencadeia a produção dessas imunoglobulinas (obs: vale lembrar que anticorpos também são chamados imunoglobulinas - Ig). Os anticorpos são glicoproteínas, portanto será preciso ativar as células responsáveis pela sua produção, os linfócitos B. Uma vez ativadas, essas células se transformarão em plasmócitos, células capazes de produzir e secretar grandes quantidades de Ac. Assim como os linfócitos T, os linfócitos B também são células capazes de fazer o reconhecimento de antígenos. Portanto, possuem em sua superfície um receptor capaz de se ligar a eles (anticorpos). ➢ Linfócitos B: receptores para reconhecimento de antígenos. A ativação dos linfócitos B tem como etapa inicial o reconhecimento de um antígeno. Para compreender como isso acontece, é preciso primeiro conhecer o receptor para reconhecimento de antígenos presentes na superfície dessas células: um anticorpo. Um anticorpo apresenta em sua estrutura duas cadeias leves (menores) e duas cadeias pesadas (maiores) unidas entre si. Além disso, apresenta duas regiões distintas: I) fragmento Fab, onde ocorre a ligação ao antígeno (região variável) e II) fragmento Fc (região constante), capaz de se ligar a outros componentes do sistema imune. No caso do linfócito B, o fragmento Fc do anticorpo está aderido a membrana da célula (figura 2.1). Figura 2.1: O receptor de antígeno dos linfócitos B (à esquerda) consiste em duas cadeias pesadas (H) idênticas e duas cadeias leves (L) idênticas. Anticorpos circulantes (à direita) são estruturalmente idênticos ao receptor dos linfócitos B primário, exceto por não apresentarem as porções transmembrana e intracitoplasmática. Notar a presença dos fragmentos Fab (fragmento de ligação de antígeno) e Fc (cristalizável). Fonte: David Male ... [et al.]. Imunologia. Tradução Keila Kazue Ida , Douglas Futuro. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro : GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado peloselo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. ; tradução Keila Kazue Ida , Douglas Futuro. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro : GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. No fragmento Fab, onde ocorre a ligação ao antígeno, nota-se uma grande diversidade, garantindo assim a existência de diferentes tipos de anticorpos (figura 2.2). Figura 2.2: Ilustração evidenciando as regiões variáveis e constantes de um anticorpo, bem como a presença de diferentes tipos de anticorpos na superfície dos linfócitos B. Uma vez que os aspectos gerais da estrutura dos anticorpos foram descritos, agora é preciso aprofundar nosso conhecimento com relação a essas moléculas. Existem 5 classes (isotipos) de anticorpos (imunoglobulinas): IgA, IgD, IgE, IgG e IgM. A diferença entre cada uma delas está na estrutura da região constante da cadeia pesada (no fragmento Fc) (figura 2.3). Considerando que essa região do anticorpo é capaz de se ligar a outros componentes do sistema imune, o fato de cada classe apresentar uma estrutura única nessa região, mostra que cada uma delas será capaz de ativar um padrão de resposta específica. É importante ressaltar que existem vários tipos de IgA e das demais classes de anticorpos (lembre-se que existe uma grande variedade no fragmento Fab) (figura 2.4). Fab (região variável) Fc (região constante) Linfócito B Linfócito B Linfócito B Figura 2.3: Ilustração das diferenças observadas na região constante da cadeia pesada entre as cinco classes (isotipos) de anticorpos. Figura 2.4: Ilustração mostrando que existem diferentes tipos de IgG (a diferença entre elas está no fragmento Fab). O mesmo vale para todas demais classes de anticorpos. Na superfície o linfócito B, o anticorpo que atua como receptor para reconhecimento de um antígeno pertence a classe IgM. Somente após o reconhecimento do antígeno haverá um evento muito importante, a troca de classe do anticorpo. Isso porque somente após esse reconhecimento, será possível detectar qual a melhor estratégia para eliminação desse patógeno, e a IgG IgM IgD IgA IgE IgG IgG IgG partir de então escolher qual classe de anticorpo deve ser produzida nesse momento. Além disso, ocorre também a maturação por afinidade, um evento que faz com que o anticorpo ‘se molde’ ao antígeno, de forma que sua especificidade a ele se torna maior. Por isso, os anticorpos produzidos a partir do segundo contanto com o mesmo antígeno apresentarão uma alta afinidade a ele (figura 2.5 ). Figura 2.5: Maturação da afinidade nas respostas dos anticorpos. Comparação entre um anticorpo de baixa afinidade (primeiro contato com o antígeno) e um anticorpo de alta afinidade (a partir do segundo contato com o mesmo antígeno). Fonte: Fonte: Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. ➢ Ativação de um linfócito B O desenvolvimento de um linfócito B começa a partir do reconhecimento de um antígeno específico. Esse processo todo pode ser dividido em 2 categorias: 1) a ativação da produção de anticorpos ocorre devido a presença de um antígeno timo-dependente e 2) esse processo começa devido a presença de um antígeno timo-independente. Vamos discutir cada um deles a partir de agora. ➢ Ativação de um linfócito B por um antígeno timo-dependente Antígeno timo-dependente é aquele que depende da participação dos linfócitos T auxiliares para a ativação dos linfócitos B. Na verdade, a presença das citocinas secretadas pelos linfócitos T auxiliares serão fundamentais nesse processo. Vamos lembrar que, durante a ativação do linfócito T auxiliar, essa célula pode se diferenciar em LTa1 (ativa a resposta imune mediada por células, como visto no capítulo anterior), ou LTa2, que secreta citocinas que ativam os linfócitos B e ativam os eosinófilos. Bem, o que nos interessa agora é como essas citocinas participam da ativação do linfócito B. O linfócito B também atua como uma célula apresentadora de antígeno (CAA). Inicialmente ele reconhece o antígeno, em seguida interioriza o complexo antígeno/anticorpo e o processa, gerando fragmentos menores que são apresentados em sua superfície através de uma molécula MCH-II. Por fim, esse antígeno é reconhecido pelo LTa, que é ativado e secreta citocinas que servem como segundo sinal para ativação do linfócito B (figuras 2.6 e 2.7). Figura 2.6: Linfócito T auxiliar secreta citocinas fundamentais para a ativação do linfócito B. Fonte: Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade. - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. Figura 2.7: Esquema das diferentes etapas da ativação de um linfócito B por um antígeno timo- dependente. Uma vez ativado, esse linfócito B entre em expansão clonal, o que aumenta a quantidade de células, sendo que algumas ficarão ‘armazenadas como células de memória enquanto outras se diferenciam em um plasmócitos, que produzem anticorpos com grande eficiência. Esses processos, assim como a troca de classe de anticorpos (que só acontece após o reconhecimento do antígeno) e a maturação por afinidade são ‘guiados’ pelas citocinas que o LTa secreta. Um resumo geral desses eventos é apresentado na figura 2.8 . Vírus (antígeno) Linfócito B 1. Linfócito B reconhece o antígeno (1º sinal para sua ativação) 2. Linfócito B interioriza o complexo antígeno/anticorpo e o processa 3. Linfócito B apresenta o antígeno usando uma molécula MHC-II 4. Linfócito T auxiliar reconhece o antígeno / é ativado / secreta citocinas que agem como 2º sinal para ativação do linfócito B citocinas 5. Linfócito B ativado Figura 2.8: Fases da resposta imune humoral. Fonte: Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. ➢ Bibliografia Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro : GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2 @0.00:0.00 Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. Para pensar: Além dos antígenos timo-dependentes, há também os antígenos denominados antígenos T-independentes, que podem promover a ativação das células B sem o auxílio das células T. Os anticorpos assim formados normalmente são de baixa afinidade, porém oferecem uma rápida proteção contra determinados microrganismos e ganham tempo para a ocorrência das respostas das células B dependentes das células T. Trata-se, portanto, de uma situação emergencial, o que justifica a produção de anticorpos de baixa afinidade. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2 @0.00:0.00 J. H. L. Playfair, B. M. Chain. Imunologia básica: guia ilustrado deconceitos fundamentais. Tradução Soraya Imon de Oliveira]. ––9. ed. ––Barueri, SP : Manole, 2013. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@10 0:0.00 David Male ... [et al.]. Imunologia. Tradução Keila Kazue Ida , Douglas Futuro. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro : GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. ; tradução Keila Kazue Ida , Douglas Futuro. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro : GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595151451/epubcfi/ 6/8[%3Bvnd.vst.idref%3Da9788535279597_toc]!/4/12/22/2 Richard Coico, Geoffrey Sunshine. Imunologia. Tradução Eiler Fritsch Toros. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341- 1/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595151451/epubcfi/6/8%5b%3Bvnd.vst.idref%3Da9788535279597_toc%5d!/4/12/22/2 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595151451/epubcfi/6/8%5b%3Bvnd.vst.idref%3Da9788535279597_toc%5d!/4/12/22/2 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341-1/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341-1/cfi/0!/4/2@100:0.00 Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux ; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade . - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2 @0:0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2@0:0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2@0:0 3. MECANISMOS EFETORES DOS ANTICORPOS ➢ Objetivos: Compreender os diferentes mecanismos de ação dos anticorpos. ➢ Introdução Compreender os aspectos estruturais dos anticorpos, bem como as etapas envolvidas na ativação do linfócito B para que essa molécula seja produzida, são fatores determinantes para a compreensão da imunidade humoral. No entanto, agora a grande questão é: como essas imunoglobulinas agem em nosso organismo? Como são capazes de eliminar antígenos? Pois é justamente sobre isso que discutiremos nesse capítulo! Na verdade, nossa discussão tem início com a descrição da produção de anticorpos, pois esse evento é diferente no primeiro encontro e nos encontros subsequentes com o mesmo antígeno. ➢ Características da produção de anticorpos nas respostas primárias e secundárias. Os anticorpos são produzidos em resposta a presença de um antígeno. O primeiro contato com um antígeno induz a resposta primária (ou seja, produção de anticorpos devido a primeira exposição a um antígeno). Considere que todos os eventos descritos na ativação do linfócito B devem acontecer, portanto a produção dos anticorpos nesse caso é mais lenta e menos intensa. Por outro lado, nos encontros subsequentes com o mesmo antígeno, na resposta secundária, graças a presença de células de memória a produção de anticorpos é mais rápida. Além disso, devido a troca de classe de anticorpos e maturação por afinidade, esses anticorpos são mais específicos - possuem média / alta afinidade (figura 3.1). Figura 3.1: Características das respostas primárias e secundárias. Fonte: Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. ➢ Mecanismos efetores dos anticorpos. Os anticorpos apresentam diferentes mecanismos de ação. Isso está associado a existência de diferentes classes dessas imunoglobulinas (exemplo: IgA e IgG), cada uma apresentando uma estrutura diferente em seu fragmento Fc (ou seja, na porção efetora da molécula, aquela capaz de se ligar a outros componentes do sistema imune). 1. Opsonização. Assim o sistema complemento, os anticorpos também podem ‘opsonizar’ um microrganismo. Isso é fundamental pois torna a fagocitose desse patógeno mais eficiente, pois em alguns casos, bactérias tentam ‘fugir’ da fagocitose, o que é evitado com a opsonização (figura 3.2). Figura 3.2: Os anticorpos de determinadas subclasses de IgG ligam-se a microrganismos e são, em seguida, reconhecidos pelos receptores de Fc em fagócitos. Os sinais dos receptores de Fc promovem a fagocitose dos microrganismos opsonizados e ativam os fagócitos para destruir esses microrganismos. Fonte: Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. 2. Neutralização de toxinas e microrganismos. Anticorpos também podem agir neutralizando toxinas e microrganismos. Isso ocorre através da ligação da região Fab do anticorpo ao antígeno. Essa associação faz com que o microrganismo perca sua capacidade de infectar o organismo. No caso da toxina, sua ligação a uma imunoglobulina a impede de se ligar ao receptor na superfície da célula-alvo, impedindo assim sua ação (figura 3.3). Figura 3.3: Neutralização de microrganismos e toxinas por anticorpos. A, Anticorpos em superfícies epiteliais, tais como nos tratos gastrointestinal e respiratório, bloqueiam a entrada de microrganismos ingeridos e inalados, respectivamente. B, Anticorpos impedem a ligação de microrganismos às células, bloqueando assim a capacidade dos microrganismos de infectar as células do hospedeiro. C, Os anticorpos bloqueiam a ligação de toxinas às células, inibindo assim os efeitos patológicos das toxinas.Fonte: Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. 3. Citotoxicidade celular dependente de anticorpos. Nesse caso, os anticorpos se ligam a antígenos presentes na superfície de algumas células através da sua região Fab. As células exterminadoras naturais (também chamados ‘linfócitos grandes’ ou células Natural Killer – NK), se ligam a porção Fc desses anticorpos, o que faz com que elas sejam ativadas e eliminem a célula revestida por anticorpos (figura 3.4). Figura 3.4: Citotoxicidade celular dependente de anticorpos (ADCC). Os anticorpos de certas subclasses da imunoglobulina G (IgG), (IgG1 e IgG3) se ligam a células (p. ex., células infectadas), e as suas regiões Fc são reconhecidas por um receptor Fcγ nas células natural killer (NK). As células NK são ativadas e matam as células revestidas com anticorpos.Fonte: Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. 4. Reações mediadas por imunoglobulina e eosinófilos/mastócitos Uma das dificuldades na eliminação de parasitas helmínticos é o seu tamanho, que é muito grande para ser fagocitado. Nesse caso, a solução encontrada é a produção de anticorpos IgE, os quais se ligam ao antígenoatravés do fragmento Fab, enquanto o fragmento Fc se liga a superfície do eosinófilo (essa célula possui grânulos onde se encontram substâncias capazes de eliminar esses parasitas). Além da ligação do anticorpo a superfície do eosinófilo, o linfócito T auxiliar secreta a interleucina 5 (IL-5), fatores que ativam essa célula que então libera o conteúdo dos seus grânulos sobre o parasita, eliminando-o (figura 3.5). Figura 3.5: Morte de helmintos mediada por IgE e eosinófilos. O anticorpo IgE liga-se a helmintos e recruta e ativa os eosinófilos via FcɛRI, levando à desgranulação das células e liberação de mediadores tóxicos. A IL-5 secretada pelas células Th2 aumenta a capacidade dos eosinófilos para matar os parasitas. Fonte: Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. ➢ Bibliografia Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro : GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2 @0.00:0.00 Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. Para pensar: Você sabia que com o avanço das pesquisas na área da saúde, através da biotecnologia é possível produzir anticorpos monoclonais (específicos para uma única região do antígeno) em laboratório? Esta nova tecnologia tornou os anticorpos monoclonais importantes ferramentas de diagnóstico em diversos exames laboratoriais. Mais recentemente, anticorpos monoclonais também tem sido aplicados de forma promissora na terapia de diversas doenças, sendo largamente utilizados para o tratamento de diversos tipos de câncer. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2 @0.00:0.00 J. H. L. Playfair, B. M. Chain. Imunologia básica: guia ilustrado de conceitos fundamentais. Tradução Soraya Imon de Oliveira]. ––9. ed. ––Barueri, SP : Manole, 2013. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@10 0:0.00 Richard Coico, Geoffrey Sunshine. Imunologia. Tradução Eiler Fritsch Toros. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341- 1/cfi/0!/4/2@100:0.00 Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux ; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade . - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2 @0:0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341-1/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341-1/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2@0:0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2@0:0 4. RESPOSTA IMUNE A AGENTES INFECCIOSOS ➢ Objetivos: ✓ Compreender as estratégias de ação do sistema imune diante de diferentes tipos de agentes infecciosos. ➢ Introdução Conforme já discutido em capítulos anteriores, o sistema imune tem um papel central no controle das infecções que podem ser causadas por diferentes tipos de agentes infecciosos. Mas como exatamente será a ação do sistema imune frente a um patógeno? Na verdade, a resposta imune frente a um agente infeccioso pode envolver diferentes mecanismos de defesa, e é justamente isso que será discutido nesse capítulo. . 1. Imunidade aos vírus. Os vírus apresentam precisam infectar uma célula hospedeira para se multiplicar. No entanto, há um momento em seu ciclo de vida em que eles se encontram no meio extracelular. Dessa maneira, o que se nota é uma variedade de elementos do sistema imune agindo diante de uma infecção viral (figura 4.1). Interferons: fazem parte da resposta imune inata, são citocinas que que estimulam as células a produzirem proteínas bloqueadoras da transcrição viral e, assim, protegem a célula contra a infecção. Citotoxicidade celular (linfócitos T citotóxicos e células exterminadoras naturais): no caso das células já infectadas pelos vírus, caso haja apresentação através da molécula MHC-I a mesma será eliminada pelo linfócito T citotóxico. No entanto, caso não haja apresentação pela MHC-I, as células exterminadoras naturais entram em ação e eliminam a célula infectada. Anticorpos: eles serão fundamentais pois se ligam aos vírus que se encontram no meio extracelular, neutralizando-os e impedindo que eles infectem outras células. Figura 4.1: Respostas imunes inata e adaptativa contra vírus. A, Cinética das respostas imunes inata e adaptativa a uma infecção viral. B, Mecanismos pelos quais a imunidade inata e adaptativa previnem e erradicam as infecções virais. A imunidade inata é mediada por IFN do tipo I, que previne a infecção, e células NK, que eliminam células infectadas. A imunidade adaptativa é mediada por anticorpos e CTLs, que bloqueiam a infecção e matam as células infectadas, respectivamente. Fonte: Abul K. Abbas. Imunologia Celular e Molecular . Disponível em: Minha Biblioteca, (9ª edição). Grupo GEN, 2019. 2. Imunidade a bactérias. No caso das bactérias extracelulares, também se observa a participação de elementos da imunidade inata (fagócitos e sistema complemento) e adaptativa (linfócitos T auxiliares e anticorpos) (figura 4.2). Fagócitos: responsáveis pela fagocitose desses microrganismos. Linfócitos T auxiliares: secretam citocinas que ativam os macrófagos, linfócitos B e a inflamação. Anticorpos: opsonizam as bactérias que serão fagocitadas, além de ativarem o sistema complemento. Além disso, os anticorpos também neutralizam as toxinas produzidas pelas bactérias. Figura 4.2: Respostas imunes adaptativas a microrganismos extracelulares. As respostas imunes adaptativas a microrganismos extracelulares, como bactérias e suas toxinas, consistem na produção de anticorpo (A) e na ativação de células T auxiliares CD4+, que atuam via citocinas secretadas (B) e ligante de CD40 (não mostrado). Os anticorpos neutralizam e eliminam microrganismos e toxinas por meio de vários mecanismos. As células T auxiliares produzem citocinas que estimulam inflamação, ativação de macrófagos e respostas de célula B. DC, célula dendrítica. Fonte: Abul K. Abbas. Imunologia Celular e Molecular. Disponível em: Minha Biblioteca, (9ª edição). Grupo GEN, 2019. No caso das bactérias intracelulares, novamente temos a ação da imunidade inata e adaptativa (figura 4.3). Macrófagos: fagocitose desses microrganismos. O problema é que algumas bactérias conseguem sobreviver no interior dos macrófagos, o que pode ser resolvido ativando os macrófagos (que torna o seu meio interno mais hostil), ou através da ação dos linfócitos T citotóxicos. Linfócitos T auxiliares:secretam citocinas que ativam os macrófagos e os linfócitos T citotóxicos. Linfócitos T citotóxicos: eliminam os macrófagos que contém em seu interior uma bactéria que conseguiu ‘sobreviver’ em seu interior. Figura 4.3: Cooperação de células T CD4+ e CD8+ na defesa contra microrganismos intracelulares. Bactérias intracelulares como L. monocytogenes são fagocitadas por macrófagos e podem sobreviver em fagossomos e escapar dentro do citoplasma. As células T CD4+ respondem a antígenos peptídicos associados ao MHC de classe II derivados de bactérias intravesiculares. Essas células T produzem IFN-γ e expressam ligante de CD40, que ativa macrófagos para a destruição dos microrganismos no interior dos fagossomos. As células T CD8+ respondem a peptídeos associados à classe I derivados de antígenos citosólicos, e matam células infectadas. Fonte: Abul K. Abbas. Imunologia Celular e Molecular. Disponível em: Minha Biblioteca, (9ª edição). Grupo GEN, 2019. 3. Imunidade a fungos. A ação da resposta imune inata diante de uma infecção fúngica se deve a ação de neutrófilos e macrófagos. Na imunidade adaptativa, nota-se a participação das respostas celular e humoral. É importante ressaltar que em um indivíduo que apresenta seu sistema imune competente, os fungos serão eliminados pelos fagócitos. Dessa maneira, as infecções fúngicas se disseminam em especial em indivíduos imunodifecientes. 4. Imunidade a parasitas (exemplo: protozoários e helmintos) Parasitas como protozoários e helmintos originam infecções crônicas e persistentes, porque a imunidade inata que os ataca é fraca, e os parasitas desenvolveram múltiplos mecanismos para evadir e resistir à imunidade específica. A diversidade estrutural e antigênica de parasitas patogênicos se reflete na heterogeneidade das respostas imunes adaptativas deflagradas por estes parasitas. Os protozoários que vivem dentro das células hospedeiras são destruídos pela imunidade mediada por células, enquanto os helmintos são eliminados por anticorpos IgE que se ligam a superfície dos eosinófilos (que por fim elimimam esse helminto), bem como por outros leucócitos. Um exemplo muito interessante acontece diante da infecção por Toxoplasma gondii, um parasita intracelular capaz de infectar qualquer tipo de célula, inclusive do macrófago (que é ativado, eliminando esse protozoário). No entanto, como o Toxoplasma é capaz de infectar qualquer tipo de célula, a ativação do macrófago não é suficiente para eliminá-lo. Dessa maneira, os linfócitos T citotóxicos são ativados para exterminar os outros tipos celulares já infectados, o que é preocupante pois resulta na eliminação sucessiva de células do próprio organismo. Portanto, é importante ‘direcionar’ a infecção para os macrófagos (que os eliminam e permanecem ativos), o que é feito graças a participação dos anticorpos, que opsonizam esse protozoário, ‘encaminhando-o’ a fagocitose pelos macrófagos. ➢ Bibliografia Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro : GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2 @0.00:0.00 ➢ Para pensar: A vacinação é uma poderosa estratégia para prevenir infecções. As vacinas mais efetivas são aquelas que estimulam a produção de anticorpos de alta afinidade e células de memória. Muitas abordagens para vacinação estão em uso clínico e estão sendo experimentadas para diversas infecções. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150355/cfi/6/2!/4/2/2@0.00:0.00 Abul K. Abbas, Andrew H. Lichtman, Shiv Pillai. Imunologia básica: funções e distúrbios do sistema imunológico. Tradução Patricia Dias Fernandes]. - 5. ed. - [Reimpr.]. - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2 @0.00:0.00 Abul K. Abbas. Imunologia Celular e Molecular. Disponível em: Minha Biblioteca, (9ª edição). Grupo GEN, 2019. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595150355/epubcfi/ 6/48[%3Bvnd.vst.idref%3DB9788535290745000166]!/4/2/8/14[s0070]/8/2[f0045 ]/2%4054:6 J. H. L. Playfair, B. M. Chain. Imunologia básica: guia ilustrado de conceitos fundamentais. Tradução Soraya Imon de Oliveira]. ––9. ed. ––Barueri, SP : Manole, 2013. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@10 0:0.00 Richard Coico, Geoffrey Sunshine. Imunologia. Tradução Eiler Fritsch Toros. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151369/cfi/6/4!/4/6/2@0.00:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595150355/epubcfi/6/48%5b%3Bvnd.vst.idref%3DB9788535290745000166%5d!/4/2/8/14%5bs0070%5d/8/2%5bf0045%5d/2%4054:6 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595150355/epubcfi/6/48%5b%3Bvnd.vst.idref%3DB9788535290745000166%5d!/4/2/8/14%5bs0070%5d/8/2%5bf0045%5d/2%4054:6 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595150355/epubcfi/6/48%5b%3Bvnd.vst.idref%3DB9788535290745000166%5d!/4/2/8/14%5bs0070%5d/8/2%5bf0045%5d/2%4054:6 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520450154/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341- 1/cfi/0!/4/2@100:0.00 Peter J. Delves ... [et al.]. Roitt fundamentos de imunologia. Tradução Patricia Lydie Voeux ; revisão técnica Arnaldo Feitosa Braga de Andrade . - 13. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2 @0:0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341-1/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2341-1/cfi/0!/4/2@100:0.00 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2@0:0 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733885/cfi/6/2!/4/2/2@0:0