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Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2023.2 
Página | 1 
 
PMSUS - Oficina 04 
POLÍTICA DE REDUÇÃO DE DANOS E CONSULTÓRIOS NA 
RUA 
1) DIFERENCIAR O USO, ABUSO E DEPENDÊNCIA 
(DROGAS ILÍCITAS); 
Muitos periódicos médicos usam a nomenclatura 
empírica criada pela American Psychiatric Association 
(APA) em um manual intitulado DSM-IV. 
Nele a dependência de substâncias (adicção) é 
definida como um padrão mal-adaptativo de uso de 
substâncias que leva a prejuízo ou sofrimento clínico 
significativo, evidenciado por três (ou mais) 
características, que incluem tolerância, abstinência e 
abandono ou redução de importantes atividades 
sociais, ocupacionais ou recreativas em razão do uso 
da substância, durante um período de 12 meses. 
O termo abuso aplica-se especificamente a 
substâncias não-prescritas. Assim, o etanol e a cocaína, 
que não costumam ser prescritos, são considerados 
drogas de abuso. 
O uso indevido de drogas costuma referir-se ao uso 
impróprio de substâncias prescritas, ou ao uso dessas 
substâncias para fins não-terapêuticos. O uso de 
morfina ou de um benzodiazepínico para outros fins 
que não sua indicação terapêutica, ou em dose maior 
ou mais freqüente do que a indicada, constitui uso 
indevido da substância. 
Os termos tolerância, dependência e abstinência 
podem ser definidos com base em suas ações 
fisiológicas. Esses vocábulos são igualmente aplicados 
a drogas prescritas por médicos e não-prescritas. 
A tolerância refere-se à diminuição do efeito de uma 
droga com o uso contínuo. 
O efeito oposto, denominado sensibilização (também 
chamado de tolerância inversa), refere-se a um desvio 
da curva de dose-resposta para a esquerda, de modo 
que a administração repetida de uma droga provoca um 
maior efeito de determinada dose ou há necessidade de 
uma dose menor para obter o mesmo efeito. 
A dependência física (ou dependência fisiológica) 
referese aos sinais e sintomas físicos adversos 
provocados pela abstinência de uma droga. 
A dependência psicológica é um fenômeno mais 
complexo que pode ocorrer mesmo com drogas que 
não causam tolerância e dependência física. A 
dependência psicológica ocorre sempre que uma droga 
afeta o sistema de recompensa encefálico. As 
sensações agradáveis produzidas causam o desejo de 
continuar usando a droga. Quando o uso da droga é 
interrompido, as adaptações ocorridas no sistema de 
recompensa encefálico manifestam-se como disforia e 
fissura pela droga. 
A adicção costuma referir-se ao comportamento 
compulsivo de uso (e procura) da droga que interfere 
com as atividades normais e leva o dependente a 
continuar usando a droga apesar das conseqüências 
cada vez piores. 
Referência: 
• SWIFT & LEWIS. Farmacologia da Dependência e 
Abuso de Drogas. Disponível em: 
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3319241/
mod_resource/content/1/Farmacologia%20da%20d
ependencia%20e%20abuso%20%20de%20drogas.p
df 
Um padrão de uso de substância tipo anfetamina, 
cocaína ou outro estimulante levando a 
comprometimento ou sofrimento clinicamente 
significativo, manifestado por pelo menos dois dos 
seguintes critérios, ocorrendo durante um período de 
12 meses: 
1. O estimulante é frequentemente consumido em 
maiores quantidades ou por um período mais longo do 
que o pretendido. 
2. Existe um desejo persistente ou esforços 
malsucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso 
de estimulantes. 
3. Muito tempo é gasto em atividades necessárias para 
a obtenção do estimulante, em utilização, ou na 
recuperação de seus efeitos. 
4. Fissura ou um forte desejo ou necessidade de usar o 
estimulante. 
5. Uso recorrente de estimulantes resultando em 
fracasso em cumprir obrigações importantes no 
trabalho, na escola ou em casa. 
6. Uso continuado de estimulantes apesar de problemas 
sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes 
causados ou exacerbados pelos efeitos do estimulante. 
7. Importantes atividades sociais, profissionais ou 
recreacionais são abandonadas ou reduzidas em virtude 
do uso de estimulantes. 
8. Uso recorrente de estimulantes em situações nas 
quais isso representa perigo para a integridade física. 
9. O uso de estimulantes é mantido apesar da 
consciência de ter um problema físico ou psicológico 
persistente ou recorrente que tende a ser causado ou 
exacerbado pelo estimulante. 
10. Tolerância, definida por qualquer um dos seguintes 
aspectos: 
a. Necessidade de quantidades progressivamente 
maiores do estimulante para atingir a intoxicação ou o 
efeito desejado. 
b. Efeito acentuadamente menor com o uso continuado 
da mesma quantidade do estimulante. 
Nota: Este critério não é considerado em indivíduos 
cujo uso de medicamentos estimulantes se dá 
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3319241/mod_resource/content/1/Farmacologia%20da%20dependencia%20e%20abuso%20%20de%20drogas.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3319241/mod_resource/content/1/Farmacologia%20da%20dependencia%20e%20abuso%20%20de%20drogas.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3319241/mod_resource/content/1/Farmacologia%20da%20dependencia%20e%20abuso%20%20de%20drogas.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3319241/mod_resource/content/1/Farmacologia%20da%20dependencia%20e%20abuso%20%20de%20drogas.pdf
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2023.2 
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unicamente sob supervisão médica adequada, como no 
caso de medicação para transtorno de déficit de 
atenção/hiperatividade ou narcolepsia. 
11. Abstinência, manifestada por qualquer dos 
seguintes aspectos: 
a. Síndrome de abstinência característica para o 
estimulante; 
b. O estimulante (ou uma substância estreitamente 
relacionada) é consumido para aliviar ou evitar os 
sintomas de abstinência. 
Nota: Este critério é desconsiderado em indivíduos 
cujo uso de medicamentos estimulantes se dá 
unicamente sob supervisão médica adequada, como no 
caso de medicação para transtorno de déficit de 
atenção/hiperatividade ou narcolepsia. 
Referência: 
• Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos 
Mentais (DSM-5). 
Classificação do uso: 
Uso na vida: o uso de droga pelo menos uma vez na 
vida 
Uso no ano: o uso de droga pelo menos uma vez nos 
últimos doze meses 
Uso recente ou no mês: o uso de droga pelo menos 
uma vez nos últimos 30 dias 
Uso frequente: uso de droga seis ou mais vezes nos 
últimos 30 dias 
Uso de risco: padrão de uso que implica alto risco de 
dano à saúde física ou mental do usuário, mas que 
ainda não resultou em doença orgânica ou psicológica 
Uso prejudicial: padrão de uso que já está causando 
dano à saúde física ou mental 
Não-usuário: nunca utilizou drogas 
Usuário leve: utilizou drogas no último mês, mas o 
consumo foi menor que uma vez por semana 
Usuário moderado: utilizou drogas semanalmente, 
mas não todos os dias, durante o último mês 
Usuário pesado: utilizou drogas diariamente durante o 
último mês. 
A OMS considera ainda que o abuso de drogas não 
pode ser definido apenas em função da quantidade e 
freqüência de uso. Assim, uma pessoa somente será 
considerada dependente se o seu padrão de uso resultar 
em pelo menos três dos seguintes sintomas ou sinais, 
ao longo dos últimos doze meses: 
• Forte desejo ou compulsão de consumir drogas; 
• Dificuldades em controlar o uso, seja em termos de 
início, término ou nível de consumo; 
• Uso de substâncias psicoativas para atenuar 
sintomas de abstinência, com plena consciência 
dessa prática; 
• Estado fisiológico de abstinência; 
• Evidência de tolerância, quando o indivíduo 
necessita de doses maiores de substância para 
alcançar os efeitos obtidos anteriormente com doses 
menores; 
• Estreitamento do repertório pessoal de consumo, 
quando o indivíduo passa, por exemplo, a consumir 
drogas em ambientes inadequados, a qualquer hora, 
sem nenhum motivo especial; 
• Falta de interesse progressivo de outros prazeres einteresses em favor do uso de drogas; 
• Insistência no uso da substância, apesar de 
manifestações danosas comprovadamente 
decorrentes desse uso; 
• Evidência de que o retorno ao uso da substância, 
após um período de abstinência, leva a uma rápida 
reinstalação do padrão de consumo anterior. 
Referência: 
• UNIFESP. Centro Brasileiro de Informações sobre 
Drogas Psicotrópicas. Disponível em: 
https://www2.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_dro
gas/classific_uso.htm 
2) ESTUDAR A POLÍTICA NACIONAL DE DROGAS, 
ABORDANDO SUA HISTÓRIA, DIRETRIZES E DESAFIOS; 
História 
Partindo-se do pressuposto de que uma política sobre 
drogas constitui o conjunto de esforços do país para 
redução da oferta e da demanda de drogas. O Brasil, 
assim como boa parte das nações, passou a 
implementar uma política sobre drogas na primeira 
metade do século 20 com a transposição das 
disposições e recomendações introduzidas pela 
Convenção Internacional do Ópio (Haia, 1912) para a 
legislação nacional. Assim, a primeira norma legal a 
tratar do assunto foi o Decreto-Lei n. 891/1938, que 
consolidou ações de prevenção, tratamento e repressão 
de drogas no Brasil. 
Em 1976, o referido Decreto-Lei foi alterado pela Lei 
n. 6.368/1976, que dispôs sobre medidas de prevenção 
e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de 
substâncias entorpecentes ou que causem dependência 
física ou psíquica. A aprovação desta lei inaugura uma 
série de esforços para consolidar a política de drogas 
brasileira. 
Já em setembro de 1980, o Decreto n. 85.110, 
instituiu o Sistema Nacional de Prevenção, 
Fiscalização e Repressão de Entorpecentes e 
normatizou o Conselho Federal de Entorpecentes - 
CONFEN. Ambos deram origem aos atuais órgãos 
que atuam na governança da Política Nacional sobre 
Drogas. 
Em 1986, por meio da Lei nº. 7.560, foi criado o 
Fundo de Prevenção, Recuperação e de Combate às 
Drogas de Abuso (FUNCAB) e foram estabelecidas 
regras sobre os bens apreendidos e adquiridos com 
produtos de tráfico ilícito de drogas ou atividades 
correlatas. Este Fundo originou o atual Fundo Nacional 
Antidrogas (FUNAD). 
Em 1993, foi criada, no âmbito do Ministério da 
Justiça, a Secretaria Federal de Entorpecentes, 
órgão de supervisão técnica das atividades de 
https://www2.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/classific_uso.htm
https://www2.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/classific_uso.htm
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prevenção, fiscalização e repressão ao uso indevido de 
produtos e substâncias entorpecentes ou que 
determinem dependência física ou psíquica, buscando 
dar estrutura para a organização do Sistema Nacional 
de Prevenção, Fiscalização e Repressão de 
Entorpecentes. 
Em 1998, o então Conselho Federal de Entorpecentes 
(CONFEN) foi transformado no Conselho Nacional 
Antidrogas (CONAD) e, na mesma oportunidade, foi 
criada a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD). 
Ambos os órgãos deixaram de ser vinculados ao 
Ministério da Justiça e passaram para a Casa Militar da 
Presidência da República. 
Em que pese existirem no período legislações 
bastante abrangentes sobre a temática no que se refere 
à previsão de ações de redução da oferta e da demanda, 
em 2002, foi instituída, pela primeira vez, um 
documento com a síntese da política de drogas, 
denominado de Política Nacional Antidrogas 
(PNAD), por meio do Decreto nº. 4.345/2002. 
Nesse mesmo período, o governo sancionou a Lei n. 
10.409/2002, que fez uma série de modificações na 
antiga Lei n. 6.368/1976, mas manteve partes 
significativas desta legislação no tocante à redução da 
oferta. 
Em 2005, a política instituída em 2002 passou por 
atualizações, sendo aprovado novo decreto com a 
síntese de uma nova Política Nacional sobre Drogas 
(Resolução n. 3/GSIPR/CONAD de 2005), sem, 
contudo, rever o Decreto n. 4.345/2002, que continuou 
vigente. 
Em 2006, foi aprovada a Lei n. 11.343/2006 que 
instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas 
sobre Drogas (SISNAD) e prescreveu medidas para 
prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social 
de usuários e dependentes de drogas, em consonância 
com a política sobre drogas vigente. Esta lei tentou 
reunir os dois instrumentos normativos anteriores: as 
Leis 6.368/1976 e 10.409/2002, revogando-os a partir 
de sua edição, com o reconhecimento de diferenças 
entre as figuras do traficante e a do 
usuário/dependente, os quais passaram a ser tratados 
de modo diferenciado e a ocupar capítulos diferentes 
da lei. 
Já o Decreto n. 5.912/2006 regulamentou as 
competências dos Órgãos do Poder Executivo no que 
se refere à temática. 
Em 2008, foi editada a Lei n. 11.754 por meio da 
qual o Conselho Nacional Antidrogas passou a se 
chamar Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas 
(CONAD). A nova Lei também alterou o nome da 
Secretaria Nacional Antidrogas para Secretaria 
Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD). 
Em janeiro de 2011, a SENAD retornou do Gabinete 
de Segurança Institucional da Presidência da República 
para o Ministério da Justiça, a fim de potencializar a 
articulação das ações da redução de demanda da oferta 
de drogas, que priorizam o enfrentamento ao tráfico de 
ilícitos. 
Mais recentemente, a Portaria Interministerial n. 2, 
de 21 de dezembro de 2017 criou o Comitê Gestor 
Interministerial com o objetivo de coordenar ações de 
prevenção, pesquisa, cuidados, formação e reinserção 
social no âmbito do governo federal, sendo composto, 
originalmente, pelos Ministérios da Justiça, Trabalho, 
Saúde e Desenvolvimento Social e Agrário. 
Em 2019 foi editado o Decreto n. 9.761/2019, que 
regulamenta a Política Nacional sobre Drogas, 
atualmente vigente, promovendo ajustes na 
Governança da Política Nacional de Drogas. 
E em setembro de 2021, o Decreto n. 10.785 alterou 
o nome da SENAD para Secretaria Nacional de 
Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos. 
Referência: 
• Ministério da Justiça e Segurança Pública: A 
Política Nacional Sobre Drogas, 11/11/2021 
(atualizado em 23/02/2023). Disponível em: 
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-
protecao/politicas-sobre-drogas/a-politica-nacional-
sobre-drogas 
LEI Nº 11.343, DE 23 DE AGOSTO DE 2006 
Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas 
sobre Drogas - Sisnad; prescreve medidas para 
prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social 
de usuários e dependentes de drogas; estabelece 
normas para repressão à produção não autorizada e ao 
tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras 
providências. 
Ficam proibidas, em todo o território nacional, as 
drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a 
exploração de vegetais e substratos dos quais possam 
ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a 
hipótese de autorização legal ou regulamentar, bem 
como o que estabelece a Convenção de Viena, das 
Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de 
1971, a respeito de plantas de uso estritamente 
ritualístico-religioso. 
Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a 
colheita dos vegetais referidos no caput deste artigo, 
exclusivamente para fins medicinais ou científicos, em 
local e prazo predeterminados, mediante fiscalização, 
respeitadas as ressalvas supramencionadas. 
O Sisnad tem a finalidade de articular, integrar, 
organizar e coordenar as atividades relacionadas com: 
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-protecao/politicas-sobre-drogas/a-politica-nacional-sobre-drogas
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-protecao/politicas-sobre-drogas/a-politica-nacional-sobre-drogas
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-protecao/politicas-sobre-drogas/a-politica-nacional-sobre-drogas
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I - a prevenção do uso indevido, a atenção e a 
reinserção social de usuários e dependentes de drogas; 
II - a repressão da produção não autorizada e do tráfico 
ilícitode drogas. 
Entende-se por Sisnad o conjunto ordenado de 
princípios, regras, critérios e recursos materiais e 
humanos que envolvem as políticas, planos, 
programas, ações e projetos sobre drogas, incluindo-se 
nele, por adesão, os Sistemas de Políticas Públicas 
sobre Drogas dos Estados, Distrito Federal e 
Municípios. 
A organização do Sisnad assegura a orientação 
central e a execução descentralizada das atividades 
realizadas em seu âmbito, nas esferas federal, distrital, 
estadual e municipal. 
O Sisnad atuará em articulação com o Sistema Único 
de Saúde - SUS, e com o Sistema Único de Assistência 
Social - SUAS. 
São princípios do Sisnad: 
I - o respeito aos direitos fundamentais da pessoa 
humana, especialmente quanto à sua autonomia e à sua 
liberdade; 
II - o respeito à diversidade e às especificidades 
populacionais existentes; 
III - a promoção dos valores éticos, culturais e de 
cidadania do povo brasileiro, reconhecendo-os como 
fatores de proteção para o uso indevido de drogas e 
outros comportamentos correlacionados; 
IV - a promoção de consensos nacionais, de ampla 
participação social, para o estabelecimento dos 
fundamentos e estratégias do Sisnad; 
V - a promoção da responsabilidade compartilhada 
entre Estado e Sociedade, reconhecendo a importância 
da participação social nas atividades do Sisnad; 
VI - o reconhecimento da intersetorialidade dos fatores 
correlacionados com o uso indevido de drogas, com a 
sua produção não autorizada e o seu tráfico ilícito; 
VII - a integração das estratégias nacionais e 
internacionais de prevenção do uso indevido, atenção e 
reinserção social de usuários e dependentes de drogas e 
de repressão à sua produção não autorizada e ao seu 
tráfico ilícito; 
VIII - a articulação com os órgãos do Ministério 
Público e dos Poderes Legislativo e Judiciário visando 
à cooperação mútua nas atividades do Sisnad; 
IX - a adoção de abordagem multidisciplinar que 
reconheça a interdependência e a natureza 
complementar das atividades de prevenção do uso 
indevido, atenção e reinserção social de usuários e 
dependentes de drogas, repressão da produção não 
autorizada e do tráfico ilícito de drogas; 
X - a observância do equilíbrio entre as atividades de 
prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social 
de usuários e dependentes de drogas e de repressão à 
sua produção não autorizada e ao seu tráfico ilícito, 
visando a garantir a estabilidade e o bem-estar social; 
XI - a observância às orientações e normas emanadas 
do Conselho Nacional Antidrogas - Conad. 
O Sisnad tem os seguintes objetivos: 
I - contribuir para a inclusão social do cidadão, 
visando a torná-lo menos vulnerável a assumir 
comportamentos de risco para o uso indevido de 
drogas, seu tráfico ilícito e outros comportamentos 
correlacionados; 
II - promover a construção e a socialização do 
conhecimento sobre drogas no país; 
III - promover a integração entre as políticas de 
prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social 
de usuários e dependentes de drogas e de repressão à 
sua produção não autorizada e ao tráfico ilícito e as 
políticas públicas setoriais dos órgãos do Poder 
Executivo da União, Distrito Federal, Estados e 
Municípios; 
IV - assegurar as condições para a coordenação, a 
integração e a articulação das atividades já citadas. 
Diretrizes das atividades de prevenção: 
Constituem atividades de prevenção do uso indevido 
de drogas, para efeito desta Lei, aquelas direcionadas 
para a redução dos fatores de vulnerabilidade e risco e 
para a promoção e o fortalecimento dos fatores de 
proteção. 
As atividades de prevenção do uso indevido de 
drogas devem observar os seguintes princípios e 
diretrizes: 
I - o reconhecimento do uso indevido de drogas como 
fator de interferência na qualidade de vida do 
indivíduo e na sua relação com a comunidade à qual 
pertence; 
II - a adoção de conceitos objetivos e de 
fundamentação científica como forma de orientar as 
ações dos serviços públicos comunitários e privados e 
de evitar preconceitos e estigmatização das pessoas e 
dos serviços que as atendam; 
III - o fortalecimento da autonomia e da 
responsabilidade individual em relação ao uso 
indevido de drogas; 
IV - o compartilhamento de responsabilidades e a 
colaboração mútua com as instituições do setor 
privado e com os diversos segmentos sociais, incluindo 
usuários e dependentes de drogas e respectivos 
familiares, por meio do estabelecimento de parcerias; 
V - a adoção de estratégias preventivas diferenciadas e 
adequadas às especificidades socioculturais das 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2023.2 
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diversas populações, bem como das diferentes drogas 
utilizadas; 
VI - o reconhecimento do “não-uso”, do “retardamento 
do uso” e da redução de riscos como resultados 
desejáveis das atividades de natureza preventiva, 
quando da definição dos objetivos a serem alcançados; 
VII - o tratamento especial dirigido às parcelas mais 
vulneráveis da população, levando em consideração as 
suas necessidades específicas; 
VIII - a articulação entre os serviços e organizações 
que atuam em atividades de prevenção do uso indevido 
de drogas e a rede de atenção a usuários e dependentes 
de drogas e respectivos familiares; 
IX - o investimento em alternativas esportivas, 
culturais, artísticas, profissionais, entre outras, como 
forma de inclusão social e de melhoria da qualidade de 
vida; 
X - o estabelecimento de políticas de formação 
continuada na área da prevenção do uso indevido de 
drogas para profissionais de educação nos 3 (três) 
níveis de ensino; 
XI - a implantação de projetos pedagógicos de 
prevenção do uso indevido de drogas, nas instituições 
de ensino público e privado, alinhados às Diretrizes 
Curriculares Nacionais e aos conhecimentos 
relacionados a drogas; 
XII - a observância das orientações e normas 
emanadas do Conad; 
XIII - o alinhamento às diretrizes dos órgãos de 
controle social de políticas setoriais específicas. 
As atividades de prevenção do uso indevido de 
drogas dirigidas à criança e ao adolescente deverão 
estar em consonância com as diretrizes emanadas pelo 
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do 
Adolescente - Conanda. 
Constituem atividades de atenção ao usuário e 
dependente de drogas e respectivos familiares, para 
efeito desta Lei, aquelas que visem à melhoria da 
qualidade de vida e à redução dos riscos e dos danos 
associados ao uso de drogas. 
Constituem atividades de reinserção social do usuário 
ou do dependente de drogas e respectivos familiares, 
para efeito desta Lei, aquelas direcionadas para sua 
integração ou reintegração em redes sociais. 
As atividades de atenção e as de reinserção social 
do usuário e do dependente de drogas e respectivos 
familiares devem observar os seguintes princípios e 
diretrizes: 
I - respeito ao usuário e ao dependente de drogas, 
independentemente de quaisquer condições, 
observados os direitos fundamentais da pessoa 
humana, os princípios e diretrizes do Sistema Único de 
Saúde e da Política Nacional de Assistência Social; 
II - a adoção de estratégias diferenciadas de atenção e 
reinserção social do usuário e do dependente de drogas 
e respectivos familiares que considerem as suas 
peculiaridades socioculturais; 
III - definição de projeto terapêutico individualizado, 
orientado para a inclusão social e para a redução de 
riscos e de danos sociais e à saúde; 
IV - atenção ao usuário ou dependente de drogas e aos 
respectivos familiares, sempre que possível, de forma 
multidisciplinar e por equipes multiprofissionais; 
V - observância das orientações e normas emanadas do 
Conad; 
VI - o alinhamento às diretrizes dos órgãos de controle 
social de políticas setoriais específicas. 
VII - estímulo à capacitação técnica e profissional; 
VIII - efetivação de políticas de reinserção social 
voltadas à educaçãocontinuada e ao trabalho; 
IX - observância do plano individual de atendimento; 
X - orientação adequada ao usuário ou dependente de 
drogas quanto às consequências lesivas do uso de 
drogas, ainda que ocasional. 
O tratamento do usuário ou dependente de drogas 
deverá ser ordenado em uma rede de atenção à saúde, 
com prioridade para as modalidades de tratamento 
ambulatorial, incluindo excepcionalmente formas de 
internação em unidades de saúde e hospitais gerais nos 
termos de normas dispostas pela União e articuladas 
com os serviços de assistência social e em etapas que 
permitam: 
I - articular a atenção com ações preventivas que 
atinjam toda a população; 
II - orientar-se por protocolos técnicos predefinidos, 
baseados em evidências científicas, oferecendo 
atendimento individualizado ao usuário ou dependente 
de drogas com abordagem preventiva e, sempre que 
indicado, ambulatorial; 
III - preparar para a reinserção social e econômica, 
respeitando as habilidades e projetos individuais por 
meio de programas que articulem educação, 
capacitação para o trabalho, esporte, cultura e 
acompanhamento individualizado; e 
IV - acompanhar os resultados pelo SUS, Suas e 
Sisnad, de forma articulada. 
Caberá à União dispor sobre os protocolos técnicos 
de tratamento, em âmbito nacional. 
A internação de dependentes de drogas somente será 
realizada em unidades de saúde ou hospitais gerais, 
dotados de equipes multidisciplinares e deverá ser 
obrigatoriamente autorizada por médico devidamente 
registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2023.2 
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do Estado onde se localize o estabelecimento no qual 
se dará a internação. 
Do Plano Individual de Atendimento 
O atendimento ao usuário ou dependente de drogas 
na rede de atenção à saúde dependerá de: 
I - avaliação prévia por equipe técnica multidisciplinar 
e multissetorial; e 
II - elaboração de um Plano Individual de 
Atendimento - PIA. 
A avaliação prévia da equipe técnica subsidiará a 
elaboração e execução do projeto terapêutico 
individual a ser adotado, levantando no mínimo: 
I - o tipo de droga e o padrão de seu uso; e 
II - o risco à saúde física e mental do usuário ou 
dependente de drogas ou das pessoas com as quais 
convive. 
O PIA deverá contemplar a participação dos 
familiares ou responsáveis, os quais têm o dever de 
contribuir com o processo, sendo esses, no caso de 
crianças e adolescentes, passíveis de responsabilização 
civil, administrativa e criminal, nos termos da Lei nº 
8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e 
do Adolescente. 
O PIA será inicialmente elaborado sob a 
responsabilidade da equipe técnica do primeiro projeto 
terapêutico que atender o usuário ou dependente de 
drogas e será atualizado ao longo das diversas fases do 
atendimento. 
Constarão do plano individual, no mínimo: 
I - os resultados da avaliação multidisciplinar; 
II - os objetivos declarados pelo atendido; 
III - a previsão de suas atividades de integração social 
ou capacitação profissional; 
IV - atividades de integração e apoio à família; 
V - formas de participação da família para efetivo 
cumprimento do plano individual; 
VI - designação do projeto terapêutico mais adequado 
para o cumprimento do previsto no plano; e 
VII - as medidas específicas de atenção à saúde do 
atendido. 
O PIA será elaborado no prazo de até 30 (trinta) dias 
da data do ingresso no atendimento. 
As informações produzidas na avaliação e as 
registradas no plano individual de atendimento são 
consideradas sigilosas. 
A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios poderão conceder benefícios às instituições 
privadas que desenvolverem programas de reinserção 
no mercado de trabalho, do usuário e do dependente de 
drogas encaminhados por órgão oficial. 
As instituições da sociedade civil, sem fins 
lucrativos, com atuação nas áreas da atenção à saúde e 
da assistência social, que atendam usuários ou 
dependentes de drogas poderão receber recursos do 
Funad, condicionados à sua disponibilidade 
orçamentária e financeira. 
O usuário e o dependente de drogas que, em razão da 
prática de infração penal, estiverem cumprindo pena 
privativa de liberdade ou submetidos a medida de 
segurança, têm garantidos os serviços de atenção à sua 
saúde, definidos pelo respectivo sistema penitenciário. 
Do Acolhimento em Comunidade Terapêutica 
O acolhimento do usuário ou dependente de drogas 
na comunidade terapêutica acolhedora caracteriza-se 
por: 
I - oferta de projetos terapêuticos ao usuário ou 
dependente de drogas que visam à abstinência; 
II - adesão e permanência voluntária, formalizadas por 
escrito, entendida como uma etapa transitória para a 
reinserção social e econômica do usuário ou 
dependente de drogas; 
III - ambiente residencial, propício à formação de 
vínculos, com a convivência entre os pares, atividades 
práticas de valor educativo e a promoção do 
desenvolvimento pessoal, vocacionada para 
acolhimento ao usuário ou dependente de drogas em 
vulnerabilidade social; 
IV - avaliação médica prévia; 
V - elaboração de plano individual de atendimento; 
VI - vedação de isolamento físico do usuário ou 
dependente de drogas 
Não são elegíveis para o acolhimento as pessoas com 
comprometimentos biológicos e psicológicos de 
natureza grave que mereçam atenção médico-
hospitalar contínua ou de emergência, caso em que 
deverão ser encaminhadas à rede de saúde. 
Referência: 
• Lei Nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. 
Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11343.htm 
3) CONHECER A NOVA POLÍTICA NACIONAL DE DROGAS, 
ESCLARECENDO AS MUDANÇAS E SEU IMPACTO PARA 
OS USUÁRIOS E SERVIÇOS DE SAÚDE (RETROCESSOS OU 
MELHORIAS); 
→ Categoria 2: drogas 
Amplamente mencionada no documento, a segunda 
categoria de análise “Drogas”, se refere ao debate em 
torno das Diretrizes da Política Nacional sobre Drogas 
(PND), que passaria a sofrer alterações com a Nota 
Técnica aqui analisada. As modificações da PND 
envolveriam orientações de tratamento e de reinserção 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2023.2 
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social de pacientes que apresentam dependência 
química. 
Percebe-se como um dos pontos mais fortes da 
discussão em torno da Política de Drogas, a 
“abstinência”, considerada uma solução plausível e 
louvável. Nesse sentido, procura-se afastar a lógica da 
estratégia de Redução de Danos, e centralizar na 
abstinência o método de tratamento para os usuários de 
drogas. O conceito amplo de Redução de Danos 
envolve estratégias de prevenção à saúde 
minimizadoras das consequências negativas vinculadas 
ao uso de drogas, sem necessariamente interferir na 
oferta ou no consumo delas, primando pelo respeito à 
liberdade de escolha e responsabilidade do indivíduo. 
No extremo oposto, o paradigma da abstinência prega 
a descontinuidade imediata do uso pela imposição. 
Esse tipo de tratamento, o qual defende a ruptura do 
uso como a principal estratégia de saúde pública, não 
se baseia em evidencias científicas comprobatórias do 
melhor tipo terapêutico e, assim, se coloca contra os 
avanços da Reforma Psiquiátrica e da Política 
Nacional de Redução de Danos. 
Além disso, conforme estabelecido na Medida 
Provisória n. 870, de 1 de janeiro de 2019, a Política 
Nacional sobre Drogas passa, desde então, a ser de 
competência da nova Secretaria Nacional de Cuidados 
e Prevenção às Drogas, do Ministério da Cidadania. 
Com essa separação entre as duas políticas, PNSMe 
Política de Drogas, fica patente a obstaculização à 
aplicação aos usuários de álcool e outras drogas dos 
princípios que regem a atenção psicossocial, voltada ao 
cuidado em comunidade e à reinserção social do 
indivíduo. 
Referências: 
• Miguel & Medeiros. A volta dos Manicômios: 
Reflexões acerca da Nota Técnica n. 11/2019 -
CGMAD/DAPES/SAS/MSN. 2022. Disponível em: 
https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/do
wnload/80699/51213 
O PLC (Projeto de Lei da Câmara) 37, de 2013 
A Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às 
Drogas do Ministério da Cidadania e a Secretaria 
Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da 
Justiça e Segurança Pública articularão e coordenarão 
a implementação da Pnad, no âmbito de suas 
competências. 
Comunidades terapêuticas 
Uma das questões centrais da PLC 37 é o 
fortalecimento das comunidades terapêuticas. Embora 
atendam a dependentes de drogas em recuperação, elas 
não são consideradas clínicas nem estabelecimentos 
médicos, mas entidades filantrópicas. 
A nova legislação não apenas estebelece o 
atendimento do dependente químico nas comunidades, 
mas prevê a possibilidade de as instituições receberem 
dinheiro público por meio de isenção fiscal. 
Há mais de 1.800 comunidades do tipo no Brasil 
atualmente, segundo o Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada (Ipea). 
O PLC 37 transforma em lei uma política de dar 
prevalência às comunidades terapêuticas que já tinha 
sido adotada pelo Executivo. 
Endurecimento das política antidrogas 
A nova legislação estabelece como meta no 
tratamento de dependência química a abstinência, 
deixando de lado políticas de redução de danos – 
conjunto de práticas de saúde pública adotadas em 
diversos países com o objetivo de diminuir os danos 
causados pelo uso de drogas em pessoas que não 
conseguem ou não querem parar. 
A mudança vai contra o entendimento de parte da 
comunidade médica e acadêmica de que as políticas de 
redução de danos são medidas efetivas e necessárias 
quando em conjunto com tratamentos focados em 
abstinência. 
O PLC 37 também facilita a internação involuntária, 
que poderá ser pedida por familiar ou servidor público 
da saúde ou da assistência social; determina que o 
paciente possa ficar internado contra sua vontade por 
até três meses e estabelece a necessidade de 
autorização médica para que a internação seja 
encerrada. Atualmente, a família pode escolher pela 
liberação do dependente. 
O projeto também trata das penas para o tráfico - a 
pena mínima para quem "atue no comando de 
organização criminosa" passa de 5 para 8 anos de 
prisão. Também há a determinação de que a pena seja 
reduzida se o acusado não for reincidente e não 
integrar organização crimininosa ou se "as 
circunstâncias do fato e a quantidade de droga" 
demonstrarem "menor potencial lesivo da conduta". 
Referência: 
• MORI, Letícia. O que muda com a lei sobre drogas 
que o Senado correu para aprovar? BBC News 
Brasil, 16 mai. 2023. Disponível em: 
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48299757 
4) COMPREENDER A POLÍTICA DE REDUÇÃO DE DANOS 
PARA AS SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADES E O SEU 
FUNCIONAMENTO; 
A redução de danos é um conjunto de estratégias 
que tem por objetivo oferecer alternativas de cuidados 
à saúde que possam ser adotadas sem abandonar a 
prática do uso de drogas. Ou seja, enquanto não for 
possível a adoção da abstinência, outros riscos à saúde 
https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/download/80699/51213
https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/download/80699/51213
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48299757
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podem ser evitados, como por exemplo, as doenças 
infectocontagiosas transmissíveis por via sanguínea, 
como é o caso do HIV/aids, hepatites e sífilis. Essa 
abordagem leva em consideração a complexidade do 
fenômeno, a diversidade dos usos e as particularidades 
culturais dos usuários, possibilitando, desta forma, 
uma melhor compreensão da hierarquia de riscos no 
cotidiano do uso de drogas. 
A redução de danos parte do pressuposto que é 
impossível acabar com as drogas no mundo, 
eliminando totalmente seu consumo. Comporta ações 
voltadas para as drogas lícitas e ilícitas e suas 
intervenções não são controladas exclusivamente pelos 
órgãos governamentais e policiais. Diferencia-se, 
portanto, do modelo preventivo tradicional que, ao 
desconsiderar a complexidade que envolve os 
diferentes usos de drogas, busca um objetivo unívoco: 
a abstinência, meta idealizada e restritiva. A redução 
de danos está fundamentada nos princípios de 
democracia, cidadania, direitos humanos e de saúde. 
Os cinco princípios da redução de danos: 
I. A RD é uma alternativa de saúde pública para 
modelos moral/criminal e de doença do uso e da 
dependência de drogas. 
II. A RD reconhece a abstinência como resultado 
ideal, mas aceita alternativas que reduzam danos. 
III. A RD surgiu principalmente como uma abordagem 
de “baixo para cima”. 
IV. A RD promove acesso a serviços de baixa 
exigência como alternativa para abordagens 
tradicionais de alta exigência. 
V. A RD baseia-se nos princípios do pragmatismo 
empático versus idealismo moralista. 
As estratégias de redução de danos têm sido 
implementadas com mais frequência desde 1984 e, de 
lá para cá, as diversas formas de uso seguro de drogas 
têm sido discutidas com usuários e trabalhadores do 
campo das drogas como forma de aprimorar as ações 
de prevenção e assistência. No início, acreditava-se 
que a RD era um conjunto de estratégias de prevenção; 
depois, com o desenvolvimento das ações e teorização 
dos seus princípios, pode-se perceber que a RD 
comporta ações de assistência. 
Ações no Brasil 
O primeiro PTS (Programa de Trocas de Seringas) 
surge em Amsterdã, em 1984, para prevenir Hepatite 
B. A partir da boa experiência e com o conhecimento 
da transmissão sanguínea do HIV, outros PTS 
começam a surgir no mundo. 
A partir de 1993, começam a surgir vários programas 
de redução de danos no Brasil, alguns deles com troca 
de seringas usadas por novas. Em 1998, tínhamos 
cerca de 200 programas em diversos municípios do 
Brasil. Em 2006, apontava um número menor; outros 
dados são apontados no Brasil por conta de a redução 
de danos entrar como princípio norteador na Política 
Nacional de Saúde Mental, fazendo com que diversos 
serviços de saúde mental fossem implementados sob a 
ótica das estratégias de redução de danos. 
No início do século XXI, com a implantação dos 
programas de redução de danos, o contato com os 
usuários de várias drogas aumentou e foi possível 
acompanhar a entrada de crack nas cenas grupais de 
uso de drogas. De imediato, o crack passa a ser a droga 
de escolha de vários usuários e novas estratégias de 
redução de danos começam a ser pensadas e testadas 
como forma de intervenção para o manejo dos usuários 
de crack. 
A troca de cachimbos foi uma das estratégias 
pensadas, mas na prática se tornou ineficaz; o porte de 
cachimbo, sua especificidade, o material do qual ele é 
feito, tamanho, comprimento, ou seja, as características 
individuais de cada cachimbo tornaram a prática de 
troca descrente. Fez-se, então, as oficinas de 
construção de cachimbos que até o momento parece 
ser uma prática assertiva, na medida em que ajuda o 
usuário a construir seu próprio cachimbo para que não 
haja seu compartilhamento, evitando a transmissão de 
doenças como Tuberculose e Hepatite C. 
Outra ação importante para usuários de crack é a 
distribuição de protetores labiais e piteiras para uso 
individual. Isso quer dizer que, caso haja 
compartilhamento do cachimbo, deve ser adicionada 
uma piteira de uso individual. 
Atualmente, a redução de danos aparece como 
princípio norteador dos serviços de saúde mental e de 
Aids/hepatites virais do Brasil. Há ações de 
assistência, como serviçosde baixa exigência para o 
tratamento ao uso de drogas e ações de prevenção, 
como serviços de distribuição de insumos para o uso 
de drogas. 
Há, ainda, o trabalho de diversas Organizações Não 
Governamentais e coletivos que atuam com práticas de 
prevenção relacionadas ao uso de drogas baseadas na 
redução de danos em festas e espaços de uso de 
drogas, fazendo orientação ao uso e socorro em caso 
de intoxicação. São diferentes estratégias para 
diferentes drogas, como cocaína inalada e drogas 
sintéticas. 
Mas enganam-se as pessoas que acreditam que as 
estratégias de redução de danos estão focadas somente 
nas drogas qualificadas como ilícitas. Boa parte das 
estratégias de redução de danos foram desenvolvidas 
para as drogas qualificadas como lícitas; estratégias 
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2023.2 
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para o consumo do tabaco e do álcool são 
implementadas por diferentes atores de diferentes 
serviços. 
Referência: 
• UNIFESP. Redução de Danos: Conceitos e 
Práticas. Disponível em: 
https://www.tjmt.jus.br/intranet.arq/cms/grupopagin
as/105/988/Redu%C3%A7%C3%A3o_de_danos_-
_conceitos_e_pr%C3%A1ticas.pdf 
No âmbito da prevenção às IST, ao HIV/aids e às 
hepatites virais, as ações de redução de danos estão 
voltadas, principalmente, às pessoas que usam álcool e 
outras drogas, silicone líquido industrial e hormônios e 
têm por objetivo evitar a transmissão, promover a 
melhoria da qualidade de vida e garantir o acesso à 
saúde. 
As ações podem variar desde a oferta de insumos, de 
forma singularizada, para prevenir a transmissão 
sexual ou parenteral, por meio de intervenções 
comportamentais, até intervenções estruturais 
relacionadas à redução do estigma, de inequidades e de 
barreiras de acesso à saúde. 
Referência: 
• Ministério da Saúde. Redução de danos, 17 ago. 
2022. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-
br/assuntos/prevencao-combinada/reducao-de-
danos 
5) ENTENDER O FUNCIONAMENTO DO CONSULTÓRIO 
NA RUA, SEUS COMPONENTES, QUANDO É INDICADA A 
SUA IMPLEMENTAÇÃO E OS ELEMENTOS ESSENCIAIS 
PARA O CUIDADO DA POPULAÇÃO DE RUA. 
Equipes de Atenção Básica para populações em 
situações específicas - Equipe de Consultório na 
Rua: equipe constituída por profissionais que atuam 
de forma itinerante, ofertando ações e cuidados de 
saúde para a população em situação de rua, 
considerando suas diferentes necessidades de saúde, 
sendo responsabilidade dessa equipe, no âmbito da 
Rede de Atenção Psicossocial, ofertar cuidados em 
saúde mental, para (1) pessoas em situação de rua em 
geral; (2) pessoas com transtornos mentais; e 
(3) usuários de crack, álcool e outras drogas, incluindo 
ações de redução de danos, em parceria com equipes 
de outros pontos de atenção da rede de saúde, como 
Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção 
Psicossocial, Prontos-Socorros, entre outros. Quando 
necessário, a Equipe de Consultório na Rua poderá 
utilizar as instalações das UBS do território. 
Consultório de Rua 
O Consultório de Rua é uma experiência que surgiu 
no início de 1999, em Salvador, na Bahia, realizada 
pelo Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas 
– CETAD, instituição criada como extensão da 
Faculdade de Medicina da Universidade Federal da 
Bahia (UFBA). 
Os Consultórios de Rua constituem uma modalidade 
de atendimento extramuros dirigida aos usuários de 
drogas que vivem em condições de maior 
vulnerabilidade social e distanciados da rede de 
serviços de saúde e intersetorial. São dispositivos 
clínico-comunitários que ofertam cuidados em saúde 
aos usuários em seus próprios contextos de vida, 
adaptados para as especificidades de uma população 
complexa. Promovem a acessibilidade a serviços da 
rede institucionalizada, a assistência integral e a 
promoção de laços sociais para os usuários em situação 
de exclusão social, possibilitando um espaço concreto 
do exercício de direitos e cidadania. 
Sua estrutura de funcionamento conta com uma 
equipe volante mínima com formação 
multidisciplinar constituída por profissionais da saúde 
mental, da atenção básica, e de pelo menos um 
profissional da assistência social, sendo estes: médico, 
assistente social, psicólogo, outros profissionais de 
nível superior, redutores de danos, técnicos de 
enfermagem e educadores sociais. Além desses, 
eventualmente, poderá contar com oficineiros que 
possam, estrategicamente, desenvolver atividades de 
arte-expressão. 
Para o desenvolvimento de suas atividades necessita 
de carro tipo perua (“van”), usado para fazer o 
deslocamento da equipe profissional e dos materiais 
necessários à realização das ações. O carro, além de 
transportar a equipe e os insumos, tem a função de se 
constituir como referência para os usuários. Para isso, 
a caracterização do veículo deve conter sua 
identificação institucional, com o nome Consultório de 
Rua - SUS marcando a presença do serviço público de 
saúde. É interessante também que seu “layout” esteja 
de acordo com a linguagem do público que deverá 
acessar - usuários jovens de substâncias psicoativas em 
situação de maior vulnerabilidade. Há veículos de 
Consultórios de Rua que foram grafitados ou que 
portam adesivos de símbolos contendo alguma 
significação para este segmento jovem. A ideia é 
favorecer à clientela traços de identificação com o 
dispositivo e promover a construção de um vínculo 
desde o primeiro momento. O carro é um dos 
elementos que podem contribuir para a aproximação 
inicial e a construção do Consultório de Rua como um 
referencial para os cuidados com a saúde. 
O terceiro aspecto diz respeito a um ponto fixo onde 
os Consultórios de Rua devem se instalar em cada área 
de atuação previamente definida. Considerando o fato 
de que, em muitos locais escolhidos para a 
intervenção, a população alvo é flutuante, é necessário 
https://www.tjmt.jus.br/intranet.arq/cms/grupopaginas/105/988/Redu%C3%A7%C3%A3o_de_danos_-_conceitos_e_pr%C3%A1ticas.pdf
https://www.tjmt.jus.br/intranet.arq/cms/grupopaginas/105/988/Redu%C3%A7%C3%A3o_de_danos_-_conceitos_e_pr%C3%A1ticas.pdf
https://www.tjmt.jus.br/intranet.arq/cms/grupopaginas/105/988/Redu%C3%A7%C3%A3o_de_danos_-_conceitos_e_pr%C3%A1ticas.pdf
https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/prevencao-combinada/reducao-de-danos
https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/prevencao-combinada/reducao-de-danos
https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/prevencao-combinada/reducao-de-danos
Ana Beatriz Figuerêdo Almeida - Medicina 2023.2 
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que se estabeleça um local, dia e hora para os 
encontros, mantendo-se a regularidade da presença da 
equipe de forma constante, de modo a criar uma 
referência e tornar os contatos mais acessíveis para os 
usuários. 
Um aspecto de grande relevância do Consultório de 
Rua é exatamente ser uma proposta de clínica na rua, 
especializada para o atendimento de problemas 
relacionados ao consumo de substâncias psicoativas. A 
perspectiva de uma oferta programada, tal como se 
modela este dispositivo, implica em ofertar onde ainda 
não há uma demanda de ajuda explicitada. Não 
havendo as condições prévias estabelecidas, tudo está 
por se fazer. De modo que o lugar do profissional é 
construído a partir do momento em que se coloca no 
contexto do trabalho, assim como o lugar do 
Consultório de Rua. 
Diferentemente do trabalho dentro de uma 
instituição, quando é o usuário que busca o serviço e 
cujas condições de atendimento já estão dadas, com 
toda a ambiência ajudando a compor o setting 
terapêutico, incluindo o lugar que o profissional ocupa 
na organização do serviço, na rua esses lugares 
precisam ser construídos a partir do trabalho e da 
posição em que os profissionais se colocam para os 
usuários. No seu posicionamento, a equipe deve 
explicitar o propósito da presença do Consultório de 
Rua e quais as características do seu trabalho, 
diferenciando-o de outras ações desenvolvidas na rua,como ações de cunho caritativo. Assim, 
gradativamente, vai-se demarcando o lugar do 
Consultório de Rua enquanto um dispositivo do campo 
da saúde. 
Um dos eixos éticos dos Consultórios de Rua se 
refere ao respeito ao modus vivendi da população 
atendida. Não cabe à equipe nenhuma forma de 
julgamento ou censura moral aos comportamentos dos 
indivíduos, seja com relação ao uso de substâncias 
psicoativas ilícitas, ou a condutas delinquentes ou 
antagônicas à moral e costumes tidos como aceitáveis. 
O papel dos profissionais é exatamente o de acessar 
um segmento que muitas vezes está à margem da rede 
de saúde e social por temer o estigma e a rejeição. A 
aceitação de cada um destes usuários enquanto sujeitos 
e o respeito ao lugar que ocupam na escala social 
confere ao Consultório de Rua a possibilidade de 
construção de um vínculo de confiança, base sobre a 
qual se desenvolverá o trabalho. 
A redução de danos é estratégia prioritária no 
atendimento aos usuários, respeitando seu tempo e 
escolha em relação ao consumo das substâncias 
psicoativas utilizadas, buscando reduzir os danos 
decorrentes sem imposição de condições rígidas para 
seu tratamento. 
Critérios de implantação municipal 
Os municípios que apresentam perfil epidemiológico 
para incluir este dispositivo como um equipamento de 
saúde para usuários de AD excluídos da rede, 
inserindo-os na rede formal de saúde, possibilitando 
seu acesso para cuidados relacionados aos problemas 
decorrentes do consumo de álcool e outras drogas. 
Como um parâmetro geral, os Consultórios de Rua 
são indicados para municípios com população superior 
a 300 mil habitantes, o que deve ser visto como uma 
orientação flexível. 
Referência: 
• Ministério da Saúde. Consultório de Rua do SUS, 
set. 2010. Disponível em: 
https://www5.pucsp.br/ecopolitica/downloads/pesq
uisas/1_B_2010_Consultorio_rua_SUS_conselho_s
aude_mental.pdf 
 
 
https://www5.pucsp.br/ecopolitica/downloads/pesquisas/1_B_2010_Consultorio_rua_SUS_conselho_saude_mental.pdf
https://www5.pucsp.br/ecopolitica/downloads/pesquisas/1_B_2010_Consultorio_rua_SUS_conselho_saude_mental.pdf
https://www5.pucsp.br/ecopolitica/downloads/pesquisas/1_B_2010_Consultorio_rua_SUS_conselho_saude_mental.pdf

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