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Sérgio Conforto & Mônica Spranger ESTIMATIVAS DE CUSTOS DE INVESTIMENTOS PARA EMPREENDIMENTOS INDUSTRIAIS Edição - Revisada, Atualizada e Ampliada CULTURALaos q ue de iais, ou fins de les, ento da das a a de ara de vos ESTIMATIVAS DE INVESTIMENTOS PAR da INDUST com de a a ra etos de ou res, ara de S ara araConforto & Spranger ESTIMATIVAS DE CUSTOS DE INVESTIMENTOS PARA EMPREENDIMENTOS INDUSTRIAIS Edição Revisada, Atualizada e Ampliada TABA CULTURAL Rio de Janeiro 2008Copyright © 2008 by Sérgio Conforto e Mônica Spranger Editor José Maria Rodrigues Revisora Mônica Spranger Capa Marilio Gomes Fonseca Foto capa retirada do site: "http://upload.wikimedia.org Foto capa retirada do site: "http://upload.wikimedia.org /wikipedia/commons/c/cc/Colonne_distillazione.jpg" Editoração Eletrônica Durval R. Filho CATALOGAÇÃO NA FONTE DO DEPARTAMENTO NACIONAL DOLIVRO C748e PREFÁCIO Conforto, Sérgio Estimativa de custos de investimentos para empreendimentoss industriais / Sérgio Conforto, Mônica Spranger. - Rio de Janeiro: Taba Cultural, 2002 332p. 23cm ISBN: 978-85-7864-006-4 1. Engenharia - Estimativas. I. Spranger, II. Título CDD: TABA CULTURAL EDITORA Rua Joaquim Silva, 56 Gr. 701 - Centro CEP: 20241-110 - Rio de Janeiro-RJ Telefax: (021) 3852-0956 / 2507.9253 www.tabacultural.com.br E-mails: taba@tabacultural.com.br / tabacultural@yahoo.com.br Não é permitida a reprodução total ou parcial dessa obra, por quaisquer meios, sem a prévia autorização da editoraA boa acolhida da primeira edição desta publicação, que se esgotou, obrigou a uma reedição corrigida e ampliada. Por si só esta providência recompensa o pioneirismo dos autores, um economista e uma engenheira, que se acertam nas diferenças. E agradeço convite para um novo prefácio. Embora este texto seja direcionado fortemente para os Empreendimentos Industriais, ele valoriza qualquer modelo a ser apropriado pelas outras mo- dalidades da Engenharia de Custos, pelas teorias e práticas dos fundamentos dos cálculos de custeio. Solidifica-se uma exigência que este é na verdade um cálculo multidisciplinar, que envolve um conjunto de avanços questionáveis nas teorias científicas e nas práticas aplicadas neste tipo de trabalho. Daí ser válido tanto na enge- nharia propriamente dita, como nas demais disciplinas afins, da economia, da administração pública e privada e da contabilidade. Custos se resolvem pelo "Cálculo das Estimativas", como um pré-requisito confiável. O estimar potencializa não os eventos e sim as relações. E dois tipos de ordenamentos se estabelecem, um da ordem descritiva e outra da ordem implicativa, constitutiva. E ambas jogam a cada momento uma proveitosa discussão, que propicia ao Cálculo das Estimativas uma criativida- de que força inovações nos procedimentos, quer pelos controles que permite, e mais pela exigência de novos comportamentos. Seus resultados são parâme- tros para questionar os orçamentários e, ao mesmo tempo, formar sistemas com novos objetivos, recursos e processos. E é aqui que as Estimati- vas podem avaliar a importância que decorre da Criatividade e das Inova- ções, que levam a otimização e melhoria da relação custo/benefício. As inovações que surgem "a priori" das Estimativas podem estar desde "partido" assumido, à arquitetura projetada, às estruturas lançadas, formas e modelos escolhidos, diferenciais entre custos e preços e ainda a existência de "limiares" (no sentido de limitações) ao desempenho dos profissionais envol- vidos. A figura deste profissional exige que ele além de ser apto e aberto a novas soluções para as problemáticas cristalizadas deve ter perfil próprio para estes desempenhos, onde os indicadores pré-selecionados são discutíveis na permanente dúvida dos resultados, e então se exigem a criação de novos con- ceitos para novos valores, principalmente pela adição de novos paradigmas, que atendam a complexidade crescente do engenhar.Sobressai que este profissional além de uma vocação natural para trabalhar zações, ou adiante uma multidisciplinaridade quando além de uma simples com inusitado, tem que acumular experimentos seus e/ou de terceiros, que comunicação de idéias e integração dos conceitos-chave, ter-se-á uma inte- o induza a analogias criativas e resolutivas. A crescente velocidade das mu- gração mútua da terminologia, das metodologias, dos processamentos e da danças, nos requerimentos da modernização, quer do observador, quer do organização da pesquisa básica. observado, quer do enquadramento utilizado e quer ainda do ponto de vista da observação, cria facilidades para os que entendam as dificuldades para os Assim as pesquisas multidisciplinares, que consistem na justaposição de disci- demais. E no resultado final é que se transformam vantagens comparativas, plinas diversas, às vezes sem relação aparente entre elas, abrem caminho para em outras que por serem antecipadas, são competitivas na análise/síntese dos uma compreensão "em profundidade" em bases mais sólidas que aquelas de projetos. bases empíricas. Facilitam permutas e combinações através de visões sintéti- cas, permitindo o surgimento da identificação do "efeito borboleta" (reco- E o acima dito vale para todas as etapas e fases de um trabalho de viabilidade nhecer um dado que nos parecia descartável, mas que a partir de seus efeitos ou outro similar. Só para exemplificar vamos desde as opções contratuais, a multiplicadores e exponenciais, são determinantes para novas considerações). instabilidade mercadológica, as forças locacionais espaciais onde as delimita- ções se modificam com a criatividade de alterações na logística das transfe- Deve ficar claro que enquanto os orçamentos têm definições definidas e defi- rências, sejam de transporte e de comunicações, as de escala, as de custo/ nitivas, as estimativas são sempre corretas, pois trabalham com "conceitos" benefício incluindo, hoje, obrigatoriamente o ecológico, as variáveis das exi- que são justificáveis a cada caso. Pois cada caso é um caso e variam conforma- gências das fontes dos financiamentos e ainda a elasticidade dos investimen- dos por suas escolhas opcionais determinantes. tos pelos incentivos conjunturais regionalizados. Prof. Marilio Santos Fonseca Também aqui é importante ter presente que "Conhecimento" como hoje Eng. Civil e Eletricista entendemos, reside em uma acumulação crescente de informações de um mun- Pres. Conselho Consultivo do IBEC do de observações, que tem entropias próprias que desorganizam as mensa- Instituto Brasileiro de Engenbaria de Custos gens que as conduzem. Desde a necessária isenção das suas fontes emissoras até sua representatividade e confiabilidade. Cada observação permite uma discussão sobre seus reflexos que induz uma nova ordem implicativa. "Cálculo das Estimativas" embora não sendo recente, inova em uma abor- dagem global da utilização de "índices" construídos pelo próprio estimador, que em lugar de considerá-los uma descrição precisa e completa, ele adota ao organizar no duplo conceito de ordem, as observações dos eventos em diferentes níveis fractais específicos. Isto permite uma inteligência ativa, con- testadora para cada fase e na variedade das estruturas, montando um estado atemporal e sempre recente. Confirma um "Banco de Da- dos" particular a cada estimador incorporando todos os atos cognitivos de todas as experiências possíveis como seu "particular conhecimento". Por isso, dois estimadores distintos podem chegar a diferentes resultados, mas ambos apresentam a "tendência" do distanciamento entre estimativas e custos orça- dos. Qualquer que seja a disciplina fundamental para a montagem do indicador, haverá uma interdisciplinaridade na interação entre duas ou mais especiali-APRESENTAÇÃOEste livro o único sobre o assunto, editado no Brasil - é especialmente destinado a quem elabora estimativas de custos de implantação ou ampliação de empreendimentos em geral, sejam eles plantas industriais, obras de infra- estrutura para prestação de serviços públicos ou estabelecimentos com fins comerciais. Isto é, destina-se a quem se ocupa com os aspectos financeiros da execução de qualquer projeto que envolva serviços de engenharia, aquisição de equipamentos e materiais de interligação, construção civil e montagem eletromecânica. Naturalmente, a ampliação ou a construção de plantas industriais, infra- estrutura de serviços públicos ou estabelecimentos comerciais só acontecem quando a economia do país vai bem e as perspectivas, tanto para médio, como para longo prazo, na visão dos empresários, são igualmente boas. Por esta razão, na introdução que fizemos à primeira edição, em 2002, foi mencionado que o Brasil estava vivendo uma nova fase do seu desenvolvi- mento econômico que, diferentemente de outros períodos no passado, apre- sentava indicações claras de se tratar de um ciclo longo de crescimento sus- tentável, mercê da melhora que se observava nos chamados fundamentos econômicos do país. E isto justificava o lançamento do livro. De fato, o Brasil já vinha vivendo por oito anos, desde julho de 1994, data da implementação do Plano Real, uma situação de estabilidade monetária que, havia muitos anos, não era observada no país. Esta estabilidade, tão penosa- mente conquistada, permitia, então, descortinar-se um cenário promissor de crescimento econômico e, por via de de investimentos em ex- pansão do parque industrial brasileiro. Esta era nossa visão, seis anos atrás. E nesses últimos seis anos, a percepção que tínhamos de que algo de positivo estava ocorrendo na economia brasileira não mudou. Ao contrário, confir- mou-se, uma vez que os fundamentos macroeconômicos, neste período, tor- naram-se ainda melhores. Realmente: no lado externo, a dívida externa caiu; as exportações avoluma- ram-se; e o conceito internacional do país melhorou significativamente. A classificação do risco-Brasil foi alterada para melhor e fato inédito empre- sas brasileiras hoje podem captar recursos no exterior para investimentos no país, simplesmente emitindo títulos em moeda nacional, e não obrigatoria- mente em dólares, como sempre tinha sido.Do lado interno, as melhoras não foram menores: a inflação manteve-se sob Agradecemos, aos alunos que nos enviaram textos, trabalhos e sugestões que controle; a dívida interna não apenas melhorou seu perfil como, também, aqui estão registradas. tornou-se menor como percentual do PIB; o desemprego diminuiu, crescen- do o emprego formal e a renda. E outro fato inédito o IBGE captou sinais Os autores indiscutíveis de melhora na distribuição de renda, fator importante para de- terminar a expansão do mercado interno e, por isto mesmo, também a expan- Julho de 2008 são dos investimentos produtivos. Nota: nesta edição foram consideradas as disposições da Legislação Tributária Ademais, país conquistou posições de absoluto destaque nas exportações vigentes em julho de 2008. agropecuárias; a auto-suficiência em petróleo foi conquistada; setor de bio- combustíveis, com etanol e biodiesel, abre perspectivas altamente promis- soras; empresas industriais, nacionais ou estrangeiras, dos mais diferentes segmentos investem para transformar o Brasil em plataforma de exportação de seus produtos; a indústria de construção naval renasce; e os setores side- rúrgico e petroquímico anunciam significativos investimentos. Enfim, todas as indicações de que, em 2002, o país estava vivendo uma nova fase de desenvolvimento econômico, foram efetivamente confirmadas. E isto justifica o lançamento desta edição. Ao longo dos últimos seis anos, por meio de aulas por nós ministradas sobre tema deste livro, em cursos in company, ministrados para profissionais da área de gerenciamento de projetos de grandes empresas atuantes no mercado brasileiro, ou, ainda, em inúmeras turmas de cursos de pós-graduação em Engenharia de Custos e de Petróleo e Gás, promovidos em diversos Estados do país, através do convênio firmado entre a UFF Universidade Federal Fluminense, o IBEC Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos e orga- nizações locais, temos tido contato direto com os numerosos alunos, muitos deles trabalhando em diferentes especialidades, tais como auditorias, supri- mento, contratação de serviços, marketing, negócios estratégicos, instituições financeiras, além de, naturalmente, gerenciamento de projetos. A troca de experiência que com eles tivemos, levou-nos a identificar alguns pontos do texto que poderiam ser aperfeiçoados, assim como algumas informações adi- cionais a serem introduzidas, de modo a atender satisfatoriamente as necessi- dades dos profissionais que, no desempenho de suas atividades, tenham qual- quer envolvimento com uma estimativa de custos. E isto foi feito nesta nova edição.SUMÁRIO Prefácio 5 Apresentação 11 I - INTRODUÇÃO 19 Funções da Engenharia de Custos 21 Conceitos Básicos: Estimativas de Custos Orçamentos 24 Classificação das Estimativas de Custos 28 Determinação do Grau de Precisão 37 Atribuições do Setor de Estimativas de Custos de Projeto 41 Interfaces 43 II - APRESENTAÇÃO DE UMA ESTIMATIVA 47 III - FASE PREPARATÓRIA 55 Centro de Custos e Plano de Contas IV - MÉTODOS DE EXECUÇÃO DE ESTIMATIVAS 63 Métodos Rápidos para Empreendimentos Industriais Completos 65 Transposição Temporal de Investimento 79 Transposição Geográfica de Investimento 82 V - DETALHAMENTO DAS ESTIMATIVAS 85 Serviços de Engenharia 89 Equipamentos 123 Materiais 145 Construção Civil 173 Montagem Eletromecânica 217 Canteiro de Obras 251 Despesas de Pré-Operação e Partida 267 Contingências 277AO ESTIMADOR 285 BIBLIOGRAFIA 290 ANEXOS delo de Apresentação de uma Estimativa 293 ercício Completo de uma Estimativa Preliminar de Custos 303 onograma para elaboração de Estimativa Preliminar de Custos Projeto 331 CAPÍTULO I INTRODUÇÃOSergio Conforto & Mônica Spranger Funções da Engenharia de Custos A Engenharia de Custos é o ramo da Engenharia que estuda os métodos de avaliação do montante de capital necessário para a realização de empreendi- mentos. Inclui-se, também, no escopo da Engenharia de Custos, emprego de meto- dologias próprias para monitoração (acompanhamento e controle) dos cus- tos de execução dos investimentos e elaboração de estimativas de custos ope- racionais de unidades produtivas. Lidando, ao mesmo tempo, com elementos técnicos das diversas especializa- ções da Engenharia (química, civil, mecânica, tubulação, elétrica, instrumen- tação, controle e automação), assim como com conceitos e técnicas próprias da Economia (moeda, câmbio, índices, projeções e análises financeiras), o exer- cício da Engenharia de Custos requer certa familiaridade com esses dois ra- mos de conhecimento humano. A Engenharia de Custos, voltada para o gerenciamento de projetos, funda- mentalmente executa as seguintes atividades: Estimativa de Custo Orçamento Contabilidade de Custos Controle Financeiro de Compromissos Controle Orçamentário Programação Financeira Formulação de Normas e Procedimentos de Custos Regras específicas regulam a execução de cada uma das atividades acima. A elaboração de Estimativas de Custos consiste no emprego de metodologias de avaliação que permitem prever o valor e a composição do custo total a ser incorrido na realização de determinado empreendimento, ainda que a partir de dados de Engenharia apenas preliminares ou pouco detalhados sobre o projeto. preparo de um Orçamento, diferentemente da elaboração de uma Estima- tiva, toma por base projetos detalhados de Engenharia, com desenhos, plan- tas e especificações técnicas bem definidas, das quais são extraídos os respecti- 21Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger vos levantamentos quantitativos. A partir desses levantamentos e utilizando- Verifica-se, portanto, que a Engenharia de Custos, apesar de não ser matéria se os preços vigentes no mercado, os quais são supridos por fornecedores tratada ao nível de formação acadêmica, é assunto de fundamental valia, não tradicionais, ou são extraídos de publicações técnicas especializadas, é feita a apenas como instrumento para a tomada de decisões sobre a realização de avaliação do custo total do empreendimento. investimentos, como também é ferramenta de grande utilidade na fase de implantação de empreendimentos. A Contabilidade de Custos é registro sistemático das despesas, na medida em que elas vão sendo efetivadas, ao longo do prazo em que empreendimen- Entretanto, apesar de sua importância, é ainda incipiente a prática da Enge- to vai sendo implantado. A técnica consiste no uso de códigos de custos, nharia de Custos no nosso país, o que ainda não permitiu a geração de uma formados a partir da Lista de Centros de Custos e de um Plano de Contas. adequada literatura capaz de informar a experiência brasileira neste campo. O Controle Financeiro de Compromissos consiste na monitoração do estrito Esta é a razão pela qual profissional de estimativas se vê forçado, muitas cumprimento dos compromissos financeiros de um contrato ou ordem de vezes, a recorrer a informações colhidas em publicações provenientes do exte- compra, na forma estabelecida em suas disposições contratuais. Envolve, por- rior, onde as condições de mercado, tecnologia e métodos construtivos são, tanto, a verificação, a liberação para pagamento ou a glosa de faturas ou diferentes dos praticados no país. notas fiscais, assim como registro dos desembolsos efetuados e a programa- ção de pagamentos futuros. E é sabido, pelos profissionais experientes do ramo, que a formação de custos ou preços, em um determinado país, depende diretamente de algumas condi- O Controle Orçamentário é processado através da comparação sistemática cionantes locais, entre elas a natureza e valor da alíquota de tributos, custo entre os custos efetivamente incorridos e os previstos, indicando as eventuais e produtividade de mão de obra, taxa de câmbio etc., que torna perigosas variações observadas, as quais são apresentadas e comentadas em relatórios algumas generalizações, ainda comuns entre nós, como a de estabelecer que periódicos de custos. custo de um projeto, uma vez que este seja avaliado em dólares, será mesmo em qualquer parte do mundo. O objetivo da Programação Financeira, tanto a de curto prazo, como a de longo prazo, é informar os montantes a serem desembolsados e as datas em Contudo, apesar da falta de uma experiência mais ampla, já se pode reunir que serão realizados esses pagamentos, no período previsto de implantação resultados de experiências nacionais, isoladas, vividas em diversos casos reais, do empreendimento. de modo a se ter uma fonte à qual possa recorrer quem esteja envolvido na elaboração de estimativas de investimento. A formulação de normas e procedimentos para os trabalhos relacionados com a execução de estimativas e com o controle de custos também é atribui- objetivo deste trabalho é descrever modo como se praticam as Estimati- ção da Engenharia de Custos. Tais normas e procedimentos podem ser de vas de Custos e as atividades ligadas a este ramo da Engenharia de Custos, aplicação específica em determinados projetos, como as que regulam a circu- no âmbito de uma empresa de Engenharia com intuito de homogeneizar lação de informações entre a equipe de controle de custos e os demais órgãos procedimentos, fixar diretrizes e fornecer aos profissionais do ramo um guia envolvidos na implantação do empreendimento, ou podem ter aplicação mais prático para desempenho de suas funções, com informações necessárias abrangente, como as que definem diretrizes para serem aplicadas em estima- bre filosofia, métodos, dados e outros subsídios úteis à elaboração de estima- tivas, como por exemplo: tivas, atividade fundamental da Engenharia de Custos. estabelecer critérios para cálculos de contingências; compor preços de venda de mão de obra para prestadores de serviços de engenharia, construção civil e montagem eletromecânica; estabelecer metodologias para atualização de custos ou para conversão de valores constantes em valores correntes. 22 23Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Conceitos Básicos: Estimativas de Custos X Orçamentos Percentual de custos de serviços técnicos em relação ao custo total da planta; Percentual de custos dos serviços de campo civil e montagem em relação É comum fazer-se confusão entre a Estimativa de Custos de um empreendi- ao custo total da planta; e mento e o seu Orçamento. Entretanto, existe uma diferença fundamental Outras relações, que podem ser extraídas da contabilidade de custos de entre eles, tanto nos métodos e nos custos de elaboração, como nos objetivos empreendimentos, na medida em que estes são desenvolvidos. pretendidos por quem os elabora. Um Orçamento é uma etapa mais avançada de uma Esti- Uma estimativa incorpora experiências vividas em outros mativa. Sua elaboração se dá quando o projeto já se encon- empreendimentos, por meio de analogias entre informações tra praticamente definido, e boa parte da prestação de ser- atuais e passadas, extraídas de projetos anteriores. viços ou do fornecimento de equipamentos e materiais já está contratada, ou já se dispõe de cotação para tais forne- É com base nas estimativas de custos de investimentos e de cimentos. operação que se determina a viabilidade econômica dos em- preendimentos e a sua rentabilidade, que são os elementos Orçamento é baseado em dados mais fidedignos, obtidos fundamentais para a análise de alternativas de investimen- a partir de levantamentos mais firmes de quantidades e de to. preços. As estimativas normalmente são elaboradas bem antes de Os procedimentos adotados na elaboração do orçamento diferem considera- projeto estar plenamente definido. Desde a decisão básica velmente dos que se adotam na estimativa. O orçamentista lança mão de consultas a fornecedores, solicitando-lhes cotação para equipamentos, mate- de se realizar ou não um empreendimento, ou de se execu- tar ou não uma obra, as Estimativas de Custos exercem riais e serviços já perfeitamente definidos. Esta prática é possibilitada pela função imprescindível nas diversas fases de um projeto, cons- existência de especificações de equipamentos e desenhos de construção deta- tituindo-se no elemento fundamental da estrutura de todo lhados. o sistema financeiro de um empreendimento. Posteriormen- te, ela é mantida atualizada para servir de base ao controle As diferenças entre Estimativa e Orçamento dizem respeito a: de custos do projeto, na medida em que este vai sendo reali- zado. Objetivo pretendido por quem executa trabalho e/ou por quem o solicita; Estágio de desenvolvimento do projeto em que são realizados; Os instrumentos de trabalho de um profissional de estimativas são, na sua Métodos de realização. maior parte, resultado de um trabalho permanente de coleta e processa- mento de dados, trabalho esse que deve ser desenvolvido pelo próprio estima- Os exemplos dados a seguir mostram algumas situações em que não cabe a dor. Assim, com esses dados, ele pode ter boas condições para obtenção e execução de um orçamento, e sim de uma estimativa de custos, que é sempre manuseio de diversos índices úteis ao seu trabalho, tais como: muito mais rápida e, principalmente, de menor custo para ser feita. Custo de uma unidade industrial em função da sua capacidade de produção; 1 Um empresário, antes de realizar um projeto, necessita saber se seu em- Composição percentual do custo das unidades de utilidades, em relação ao preendimento será viável ou não e de quanto será sua rentabilidade. Para custo da unidade de processo; obter esta informação, ele terá de saber quanto vai precisar investir e, assim, Composição percentual do custo de equipamentos e materiais em relação comparar este custo de investimento com as receitas que receberá quando ao custo total da planta; seu negócio estiver funcionando comercialmente. Para saber quanto vai ter Percentual de custos de materiais em relação ao custo dos equipamentos; que investir, ele não vai querer contratar a execução dos serviços de engenha- 24 25Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger ria para detalhar seu projeto, para que, então, um orçamentista possa fazer Principais diferenças entre as denominações este cálculo. Não fará isto, com certeza, sem antes saber se seu projeto é viável ou não. Nesta fase inicial do empreendimento, bastará contratar a exe- OBJETIVO cução do projeto básico, a partir do qual um estimador, com experiência, poderá fazer o cálculo dos custos do investimento de que empresário neces- ESTIMATIVAS ORÇAMENTOS sita para dar suporte a sua decisão de realizar ou não o empreendimento. Elaborar estudos de viabilidade Participar de licitações Auxiliar o investidor na tomada de decisão Controlar custos de projetos 2 Um banco de fomento necessita analisar a carta-consulta de um cliente, de um novo empreendimento para aprovar ou não pedido de financiamento para a implantação de deter- Analisar alternativas de projetos Elaborar cronogramas de desembolso minado empreendimento. Ele não precisará fazer um orçamento completo Analisar alternativas de métodos construtivos Elaborar programação financeira para verificar se valor solicitado do empréstimo está correto. Bastará apli- Examinar oportunidades de novos negócios car determinadas técnicas de estimativa para realizar esta verificação, com Programar a captação de recursos financeiros suficiente grau de confiabilidade. O mesmo poderá fazer um auditor, interes- Preparar programas de expansão da empresa sado em examinar as contas de um determinado projeto. Analisar propostas comerciais 3 Uma empresa para dar parecer comercial em uma concorrência de Auditar contas de projetos serviços de campo (construção civil e/ou de montagem eletromecânica), pode ESTÁGIO DO PROJETO equalizar as propostas recebidas, para obter o melhor preço através de uma estimativa, não precisando elaborar um orçamento detalhado para isto, como ESTIMATIVAS ORÇAMENTOS tiveram de fazer as empreiteiras concorrentes. Fase Preliminar Fase mais avançada Projeto básico em definição Projeto básico definido 4 responsável por um projeto precisa decidir, em prazo não muito longo, Dados gerais sobre o projeto Dados definidos do projeto tipo de especificação que conduza ao menor custo de construção de um galpão industrial, qual poderá ser em estrutura convencional de concreto, Lay-out e plantas gerais do projeto Fluxogramas, Unifilares e Especificações ou em pré-moldado ou, ainda, em estrutura metálica. Ele poderá tomar a sua MÉTODOS decisão com apoio de uma estimativa de custos, sem a necessidade de reali- zar um orçamento detalhado. ESTIMATIVAS ORÇAMENTOS Emprego de Índices e Correlações Consultas a fornecedores 5 Um profissional que precisa avaliar os custos de implantação, no Brasil, Consultas a arquivos de custos Consultas eventuais a arquivos de custos de uma determinada unidade industrial, conhecendo montante gasto em Consultas a literatura especializada Consultas a publicações especializadas uma planta semelhante no exterior, poderá utilizar técnicas de transposição geográfica de investimentos que ajudarão a ter este valor no nosso país. 26 27Estimativas de Custos de Investimentos Industriais Classificação das Estimativas de Custo Estimativa de Sergio Ordem Conforto & Estimativa de Grandeza Spranger de Estimativa Preliminar Estudo Estimativa Definitiva As Estimativas de como The Custos Association costumam for ser mente denominada the Advancement classificadas, também, A.A.C.E. tanto of Cost por instituições, trabalhos Propósito da por literatura empresas técnica, internacionais em American de Association projeto ou, of Engineering, ainda, Cost Engineers, anterior- como Tempo requerido ou finalidade da estimativa função dos seguintes elementos por diferentes básicos: Tipo para sua Grau Métodos de e qualidade precisão de das informações elaboração disponíveis Segundo A.A.C.E., Cost nharia. quadradas Classificações em 5 classes, semelhantes por dependendo exemplo, as do Estimativas grau de de Custos podem ser en- Outros I.C.E.C. - International em 1989, e por J.R.Heizelman, foram propostas por K.T.Yeo, projeto em de Enge- "The autores Cost e Engineering no Council, encontro anual can classificação como o "Journal realizado do Society of Professional limitada of Petroleum em a Estimators apenas 4 classes. Tendo A.S.P.E. uma - este classificação Ameri- em dos 6 nas classes de classificação bem diferentes de mais Grandeza, de Estimativa Custos, simplificada, empreendimentos, va Definitiva de ou Estudo, quais sejam, considerando a Estimativa Estimativa ape- a Preliminar de Ordem e quadro a a Estimati- adotadas neste as classes correspondentes, características de das com de outras Estimativas clas- 28 29Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger As técnicas modernas de gerenciamento da implantação de empreendimen- em uso, sobretudo nos Estados Unidos, através da consultoria IPA - tos, Independent Project Analysis, Inc., são baseadas no desenvolvimento dos trabalhos segundo etapas bem definidas, denominadas FEL (front end loa- ding). Os trabalhos realizados e concluídos ao longo da primeira etapa (FEL 1), são, então, submetidos à avaliação de instância administrativa superior, que forma um GATE A instância superior deverá avaliar todo o trabalho executado e concluir pela conveniência ou não de se dar continuida- de ao projeto. Se for aprovada esta continuidade, o empreendimento entrará na fase seguinte (FEL 2) e, uma vez concluída esta segunda etapa, mais uma vez é submetido à avaliação de instância superior (GATE), a qual novamente 3 decidirá pela continuidade ou pelo encerramento do projeto. do As características próprias de cada uma dessas etapas (FEL) são definidas pelas empresas e podem variar de uma empresa para outra, dependendo do tipo de atividade de cada uma, ou podem mesmo variar, dentro da mesma empresa, de projeto para projeto, segundo as características e prazo de im- plantação de cada um. de Pode-se admitir que, por exemplo, uma empresa de mineração que esteja de- senvolvendo um projeto de implantação de uma nova mina, em função do grau de incerteza que envolve o empreendimento, agravado ainda pelo volu- do me de investimento necessário, certamente terá muito mais precaução em suas decisões quanto ao projeto, ou seja, provavelmente serão estabelecidas mais etapas (FEL), do que em um projeto de implantação de, por exemplo, uma planta industrial, em que o grau de incerteza é muitíssimo menor. de mesmo se pode dizer, com relação ao grau de incerteza, sobre um plano de 5 prospecção e exploração comercial de uma área que tenha alguma probabili- do dade de conter jazidas de petróleo. Um exemplo de aplicação desta técnica de gerenciamento é mostrado a se- guir. of de 30 31Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger De um modo bastante geral, pode-se dizer que uma Estimativa de Ordem de Grandeza seria uma das atividades a serem desenvolvidas na etapa inicial do empreendimento, para compor Plano de Negócio e ser utilizada no primei- ro Estudo de Viabilidade Técnico Econômica (EVTE). e de Uma Estimativa de Estudo, realizada na etapa FEL 1, já exige um maior de avanço no projeto, embora ainda bastante incipiente, para que alguns pontos sejam mais definidos e se faça uma revisão no EVTE. A Estimativa Preliminar seria um dos trabalhos incluídos no FEL 2, para servir de base para a elaboração do EVTE definitivo. A Estimativa Definitiva, que é uma evolução natural da Estimativa Prelimi- de nar, a partir da Contabilidade de Custos e da evolução do projeto de detalha- mento, é um produto obtido na fase de execução do empreendimento, após o FEL 3. um Estimativa de Ordem de Grandeza de do de Trata-se de uma estimativa aproximada, preparada sem dados detalhados de engenharia, baseada em custos de investimento por unidade de capacidade de produção, em coeficientes de ajustes de custos por capacidade, por índices típicos e correlações de dados históricos de valores apropriados em projetos anteriores e/ou extraídos de literatura especializada. de As Estimativas de Ordem de Grandeza são utilizadas na fase conceitual do de de projeto, naquela etapa em que estão ainda sendo realizados os estudos de de de mercado e de localização; estudos e relatórios de impacto ambiental; estão sendo analisadas as fontes de financiamento e, eventualmente, a formação de parcerias. Essas estimativas entram nas análises de viabilidade econômica de empreendimentos, quando o custo total do investimento é apenas uma parte do estudo. Ela serve de base e referencial para a etapa seguinte, a Estimativa de de Estudo. de de de de de DO 32 33Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Estimativas de Estudo Estimativa Definitiva ou Orçamento: Essas estimativas são normalmente feitas quando projeto de engenharia A expressão "definitiva", que é usada para classificar esta estimativa detalha- está ainda em etapa muito elementar, registrando avanço de, no máximo, da, não significa que os valores encontrados estarão "congelados", não sendo 5%. Entretanto, para elaborar tais estimativas, O estimador terá necessidade mais sujeitos a revisões, até o término do empreendimento. Significa que de algumas informações indispensáveis, mesmo que sejam apenas prelimina- custo total reflete mais provável custo final do empreendimento, tratando- res. Tais informações deverão ser, ao menos, quanto à capacidade da planta e se, portanto, de quase um orçamento. sua localização, e também, a planta geral de situação, fluxograma de proces- SO com a lista de equipamentos principais, diagrama de tubulação e instru- As classificações citadas anteriormente devem ser consideradas como tipos mentação (P&ID), a capacidade das utilidades requeridas e, ainda, crono- teóricos de estimativa. Na prática, que se faz é uma forma mista de estima- grama físico do empreendimento. tiva, envolvendo elementos de mais de um tipo, conforme os dados disponí- veis e próprio estimador avaliando grau de precisão esperado. Estimativa Preliminar A experiência mostra que as estimativas elaboradas para um determinado projeto vão sendo sempre mais apuradas, através do controle de custos, du- rante a etapa de realização do empreendimento. Isto significa dizer que os Uma vez definida a viabilidade econômica do projeto e decidida a sua im- tipos de estimativas citados não são compartimentos estanques entre si. Na plantação, inicia-se a execução dos projetos de Engenharia e faz-se a Estima- verdade, elaborada a Estimativa Preliminar, por intermédio do controle de tiva Preliminar. Trata-se, então, de outra estimativa de custos, realizada a custos vão sendo incorporados dados mais precisos, que servirão de base para partir de um número muito maior de informações disponíveis, comparativa- a elaboração da Estimativa Definitiva. E mesmo esta última, na medida em mente ao que existia quando da realização da Estimativa de Estudo. Esta que projeto avança, vai sendo aprimorada, a partir de dados mais acura- estimativa destina-se ao controle de custos e à programação financeira de desembolsos do empreendimento. Por esta razão, é interessante que a equipe que tenha elaborado as estimativas Normalmente é elaborada uma Estimativa Preliminar quando já se dispõe de de um empreendimento seja a mesma que venha a exercer controle de cus- projeto básico definido e se inicia projeto de detalhamento, ou seja, quando tos durante a sua implantação. o avanço do projeto já se encontra entre 10% e 15%. Os dados mínimos disponíveis para se fazer a Estimativa Preliminar, ainda que sejam apenas O quadro abaixo resume as principais características das três classes de esti- preliminares, são os fluxogramas de processo e de utilidades, os diagramas de mativas adotadas como referência neste livro. tubulação e de instrumentação, a planta geral de situação, arranjos da unida- de de processo e das utilidades com a lista de equipamentos e suas especifica- ções. Esta estimativa é posteriormente revisada, com base nos registros da Contabilidade de Custos, e quando projeto de engenharia já se encontra entre 40% e 60% de avanço, chegando-se, então, à Estimativa Definitiva. 34 35Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Documentação do Projeto Classificação das Estimativas Determinação do Grau de Precisão Dados Gerais Estudo Preliminar Definitiva Capacidade de produção da planta Definida Definida Definida Uma estimativa é uma previsão do custo mais provável de um projeto, dado Localização da planta Definida Definida Definida um determinado escopo. Capacidade das unidades de utilidades Preliminar Definida Definida Lista de Centros de Custos Preliminar Definida Definida Sua elaboração envolve suposições e incertezas que podem acarretar alguns Plano de Contas do empreendimento Preliminar Definido Definido desvios ou variações nos custos calculados. Portanto, uma estimativa não Descrição do escopo do projeto Conceitual Preliminar Definida pode considerar um valor pontual. Ela reflete uma variação de resultados Cronograma físico do empreendimento potenciais, associados a probabilidades. Conceitual Preliminar Definido Dados do solo e hidrológicos Indisponível Preliminar Definido Deste modo, a acuracidade de uma estimativa é uma avaliação probabilística, Plano de contratação Indisponível Preliminar Definido que indica grau em que custo final (real) de um determinado projeto variará em relação ao custo estimado. Documentação da Engenharia Planta geral de situação Lay out Preliminar Completa Completa A faixa de precisão de uma estimativa é afetada por: Fluxograma em diagrama de blocos Preliminar Completo Completo Fluxograma de processo Preliminar Definições do projeto Completo Completo "uma estimativa não pode ser de melhor qualidade do que as Arranjo geral das unidades de definições processo e utilidades Preliminar Preliminar Completo Disponibilidade de dados corretos e em tempo hábil Fluxograma de utilidades Conceitual Preliminar Completo Disponibilidade e conhecimento da tecnologia Diagrama de tubulação e Tempo disponível para elaboração do trabalho instrumentação (P&ID) Conceitual Preliminar Completo Técnicas, metodologias e procedimentos empregados Diagrama elétrico unifilar Conceitual Preliminar Completo Finalidade da estimativa Balanço térmico e de materiais Conceitual Preliminar Completo Experiência do estimador Lista de equipamentos de processo Preliminar Preliminar Completa O grau efetivo de precisão de uma estimativa só pode ser medido a posteriori, Lista de equipamentos de utilidades Preliminar Preliminar Completa isto é, depois que o projeto tiver sido todo feito. Por causa da imprecisão, a Lista de Instrumentos Preliminar Preliminar Completa literatura técnica classifica as estimativas em diferentes categorias, como já Especificação de equipamentos Conceitual Preliminar Completa visto anteriormente, com base na documentação disponível sobre o projeto, Especificação de Instrumentos Conceitual Preliminar Completa atribuindo a cada uma, determinado grau de acuidade, tradicionalmente Lista de sobressalentes Indisponível Incompleta Completa expresso em + -, ou seja, faixas (ou ranges) de variação sobre o valor estima- Projeto de detalhamento mecânico Indisponível Incompleto Completo do para cada categoria. Projeto de detalhamento elétrico Indisponível Incompleto Preliminar Projeto de detalhamento Apesar da literatura técnica definir essas faixas para grau de precisão por tipo de estimativa, na prática, grau de acerto atribuível a uma dada estimativa de instrumentação e controle Indisponível Incompleto Preliminar será sempre função exclusiva dos fatores mencionados acima, envolvendo com- Projeto de tubulação Indisponível Incompleto Preliminar ponentes subjetivos, tais como a experiência do estimador e a qualidade e Projeto de detalhamento civil Indisponível Incompleto Preliminar detalhamento da documentação que serviu de base para a elaboração da esti- Lista de Materiais Indisponível Incompleta Preliminar mativa de custos. Deste modo pode-se ter uma pequena variação percentual 36 37Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger para uma estimativa do tipo "de Estudo" de um projeto conhecido, assim Considerando valor médio de cada uma das faixas admissíveis de desvio e como, uma grande variação percentual para uma estimativa do tipo "Prelimi- ponderando esses valores em função da probabilidade de ocorrência de cada nar" de um projeto de tecnologia nova. um, tem-se a seguinte média ponderada: É possível, apesar de difícil, determinar efeito que a falta de dados provoca (1 + (1-0,05)*(0,05) = 1,105 na precisão das estimativas. Mas, se esta precisão for apontada claramente, tomar decisões, sabendo os riscos que se está correndo. Conclusão: admite-se que valor final esperado possa vir a ser, ao final, 10,5% maior que o valor calculado na Estimativa, tendo-se um grau de Algumas formas práticas de cálculo que podem ajudar a estabelecer um Grau precisão da ordem de 10,5%, com pequena probabilidade de vir a ser menor de Precisão para a estimativa são apresentadas a seguir: ou maior do que isto. Isto é: Valor esperado = valor calculado média ponderada dos desvios O primeiro desses métodos que podem ser utilizados para se estimar vel desvio entre valor previsto e O valor final, efetivo, de um determinado Logo, no exemplo dado, tem-se: empreendimento é o que se chamada "Método do Valor Esperado". Valor esperado = Este método utiliza probabilidades de variação do valor total da Estimativa, Valor esperado = e procura estabelecer um limite provável da variação entre a Estimativa e valor efetivo final. Com base no exemplo acima, pode-se concluir que o valor da Estimativa é e é com este valor que se vai trabalhar. Mas é interessan- Para exemplificar, suponha-se que valor total de um determinado projeto te que os responsáveis pelo fluxo de recursos financeiros para empreendi- seja de R$ 26.500.000,00. Deseja-se, agora incluir uma reserva para cobrir mento tenham alguma reserva estratégica suficiente para cobrir os desvios desvios que seguramente ocorrerão até a conclusão do empreendimento. que deverão ser registrados. O método consiste em se atribuir probabilidades de ocorrência de desvios no Sobre exemplo visto acima, pode-se dizer que O valor efetivo final, dos valor total calculado da planta, e essas probabilidades serão determinadas custos do empreendimento, deverá se situar em uma Faixa de Acuidade que por quem as estima, em função da sua experiência, do conhecimento que tem vai de -10% a +30% do valor estimado, que é S 26.500.000,00, havendo, sobre outros projetos semelhantes, da qualidade ou riqueza de dados que teve entretanto, mais probabilidade de que desvio seja da ordem de 10,5% em em mãos ou de que dispõe em seu banco de dados, das suas expectativas relação ao mesmo valor, e este seria Grau de Precisão da estimativa. quanto ao futuro, isto é, quanto ao período em que empreendimento será realizado, para fazer a estimativa de desvios prováveis. Existe, ainda, um segundo método, O qual consiste em se definir qual seria valor final mais provável, assim como valor mais otimista e o mais pessimis- Suponha-se que se admitam os desvios prováveis, que estão dispostos em fai- ta para a estimativa do empreendimento. xas de variação, conforme quadro a seguir, e que as probabilidades de que esses desvios ocorram sejam as mesmas que são vistas no mesmo quadro. Para isto, definem-se as faixas de probabilidades de ocorrência de desvios, do mesmo modo visto no método anterior. Faixas Admissíveis de Desvio de Estimativa Probabilidade de Ocorrência (%) 10 Adotando-se as mesmas faixas de variação e as mesmas probabilidades de 40 ocorrência vistas acima, tem-se que valor mais provável, que tem 45% de 45 probabilidade de ocorrer, estaria situado na faixa de 0 a + 10%, isto é, seria, 05 na média, 5% maior que valor calculado. 00 38 39Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger O valor mais otimista seria uma estimativa de 0% a -10% menor que o valor Atribuições do Setor de Estimativas de Custos de Projeto calculado, isto é, seria um valor em média 5% menor que o valor calculado. E o valor mais pessimista estaria na faixa de 20% a 30% acima do valor calcula- do, isto é, seria um valor, em média, 25% maior. Dentro da área de Engenharia de Custos de uma empresa, cabe ao Setor de Estimativas e Controle de Custos: Isto é: Preparar a estrutura para registros dos centros de custos do projeto; Valor mais provável: R$ 26.500.000,00 1,05 = R$ 27.825.000,00 Elaborar e manter atualizado o Plano de Contas do projeto; Valor mais otimista: R$ 26.500.000,00 0,95 = R$ 25.175.000,00 Elaborar as Estimativas de Custo do empreendimento; Valor mais pessimista: R$ 26.500.000,00 1,25 = R$ 33.125.000,00 Equalizar ou homogeneizar as propostas comerciais recebidas; Registrar modificações de escopo (alterações e inclusões); Pode-se estimar o valor esperado, utilizando-se a seguinte fórmula prática: Compilar e manipular dados; Controlar os custos de implantação do empreendimento; e Valor esperado = [Valor mais otimista + 6 Valor mais provável + Valor mais Programar os desembolsos do empreendimento no curto prazo e no longo pessimista] : 8 prazo. Logo: Como suporte para a execução desses serviços, este Setor dispõe de toda uma sistemática de consulta rápida a fornecedores, visando à obtenção de cotação, Valor esperado = [25.175.000,00 + 27.825.000,00 + 33.125.000,00] 8 = assim como de um arquivo de custos (Banco de Dados), onde são armazena- Valor esperado = R$ 28.156.250,00 das informações úteis ao estimador. Comparando-se valor calculado, de R$ 26.500.000,00, com o valor espe- Os trabalhos de estimativas de investimentos consistem, basicamente, na ma- rado, de 28.156.250,00, observa-se que, por este método, a Faixa de nipulação de dados e informações provenientes de diferentes fontes, que po- Acuidade seria de -5% a + 25%, Grau de Precisão a ser adotado seria da dem ser classificadas segundo a origem, em: ordem de 6,25%, um percentual bem distinto do que foi encontrado pela metodologia anterior. Fontes internas Os projetos já realizados são importantes fontes de informação e subsídios para elaboração de estimativas. Fontes externas Fornecedores e literatura técnica. Os pedidos de cotação de preços de equipamentos, materiais ou serviços, quan- do solicitados a mais de um fornecedor, precisam ser equalizados ou homoge- neizados, pois as propostas recebidas geralmente são diferentes umas das ou- tras, ou seja, umas incluem os impostos, outras só indicam a alíquota; umas incluem o frete ou embalagem, outras não, e assim por diante. A compilação de dados tem como finalidade armazenar o maior número possível de informações a serem manipuladas para que delas possam ser ex- traídos índices e correlações em maior número e com maior precisão. Através 40 41Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger da manipulação traçam-se curvas, montam-se tabelas, determinam-se coefi- Interfaces cientes e expoentes que constituirão as ferramentas de trabalho do estimador. Na elaboração da estimativa de custos, Setor de Estimativas funciona tam- No desempenho de suas atividades, o estimador, profissional responsável pela bém como órgão coordenador, colhendo informações e premissas básicas junto elaboração das estimativas de custos, normalmente alocado no Setor de En- aos diferentes setores envolvidos no gerenciamento do projeto. genharia de Custos de uma determinada empresa, conta com apoio de outros setores do gerenciamento de projetos que, direta ou indiretamente, envolvem-se com a Engenharia de Custos, na cadeia de informações "Clien- te" / "Fornecedor", entre eles destacando-se: Gerência de Projeto / Coordenação de Projetos; Engenharia Básica, de Equipamentos e de Detalhamento; Suprimentos e Contratos; Planejamento Físico-Financeiro; Gerência de Obras. Como "Clientes / Fornecedores" têm-se: A Gerência e Coordenação de Projetos, as quais têm a responsabilidade de definir as estratégias do projeto e de manter informado o estimador de todos os dados gerados no decorrer do projeto, proporcionando, desta maneira, eficientes revisões de estimativa, até seu custo final. Com base nas informações técnicas recebidas, o estimador recorre ao Banco de Dados e a cotações de fornecedores, para obter preço de cada equipa- mento, material ou serviço; Esta cotação deverá sempre ser incluída no Banco de Dados, não só para se ter o registro de preços do projeto em questão de cálculo), como também, para servir de base para futuros projetos. Como "Fornecedores" de informações têm-se: A Engenharia Básica ou de Processo, a de Equipamentos e a de Detalha- mento (civil, elétrica, mecânica, de instrumentação, automação, de tubula- ção, de segurança), que são responsáveis pelo fornecimento de especificações, desenhos, lista de equipamentos e de materiais; A equipe de Suprimentos e Contratos, à qual competirá compor a lista de fornecedores e de empreiteiros, definindo as importações e a programação de compras e contratações; 42 43Sergio Conforto & Mônica Spranger Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais A equipe de Planejamento Físico-Financeiro, que fornece o cronograma do empreendimento, detalhando planejamento e a programação de projetos, de obras civis, montagem, engenharia, suprimento, pré-operação e partida, e, também, as previsões de uso de mão-de-obra (HH); A Gerência de Obras, que elabora o Plano de Contratações e fornece dados sobre a implantação do canteiro de obras e sobre os serviços de construção, montagem, pré-operação e partida; de Como "Clientes" das informações geradas, têm-se: A Administração de Contratos e o Controle de Custos do projeto que iniciam seus controles e suas programações com base no custo estimado e acompanham desenvolvimento do projeto, do ponto de vista econômico e financeiro, com a finalidade de programar a captação e a alocação de recursos financeiros. do e de e de de 45 44II APRESENTAÇÃO DE UMA ESTIMATIVAEstimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Na definição da forma de apresentação das Estimativas, devem ser levados É imprescindível que todos os valores incluídos na estimativa se refiram à em consideração os seguintes fatos: mesma data. A Estimativa será o único elemento de referência para a execução do controle Moeda e taxa de conversão: de custos e esses custos serão apropriados segundo WBS ou Estrutura Ana- Uma vez definida a moeda, é preciso também definir a taxa de conversão de lítica do Projeto, que é a conjugação da Lista de Centro de Custos, isto é, a valores, caso estejam incluídos na Estimativa custo de itens importados. lista de unidades que compõem a planta industrial, com Plano de Contas Esta definição está, naturalmente, relacionada com a definição da data de do Empreendimento, ou seja, uma lista de despesas, classificadas segundo a referência mencionada acima. sua natureza, definidas previamente. É interessante mencionar que dólar americano foi, durante muitos anos, um referencial confiável para efeito de conversão de moedas. A política cam- Tanto a Estimativa Preliminar como a Estimativa Definitiva são elaboradas e bial adotada por décadas no Brasil fazia com que a moeda americana acom- emitidas na forma de volumes completos, com adequado grau de detalha- panhasse com boa margem de precisão a evolução dos custos internos no mento dos valores que a compõem, além da explanação sobre a metodologia e país. Porém a partir da adoção do câmbio flutuante, no início de 1999, a as bases de cálculo adotadas. variação da taxa cambial perdeu qualquer vínculo com comportamento dos preços no mercado brasileiro. A apresentação da estimativa de custos segue, geralmente, um modelo usual, composto das seguintes partes: Por esta razão é preciso cuidado ao se utilizar dólar como moeda referenci- al, tal como se fazia antes, já que os desembolsos serão efetivados, de fato, em 1 Introdução moeda nacional. Nesta parte é mencionado objetivo do trabalho, ou seja, faz-se uma referên- Valores correntes X valores constantes: cia ao projeto citando-se a designação (nome do projeto), sua localização Tanto no caso de estimativas expressas em reais, como em moeda estrangeira, física, tipo de planta, capacidade de produção, as unidades de processo, de é importante definir se serão consideradas, ou não, as variações futuras de utilidades e de apoio. preço, decorrentes tanto da inflação interna, como da variação da paridade entre as moedas. Deve-se informar, ainda, se que será apresentado é uma estimativa para estudo, preliminar ou definitiva. Normalmente, O que se faz é estimar em valores constantes (da data de refe- rência) e, em seguida, estimar as variações decorrentes da inflação e / ou da 2 Critérios Adotados taxa de câmbio, para cada uma das contas que entraram na estimativa, incor- porando estas variações ao valor constante, tendo-se, assim, a estimativa em Os critérios que nortearam trabalho, tais como a data de referência dos valores projetados ou correntes. preços, moeda, taxas cambiais adotadas, prazo previsto de execução do proje- to, técnicas aplicadas e fontes de informação são apresentadas, conforme in- Prazo de Execução do Empreendimento: dicado a seguir: Mencionar que os custos foram estimados considerando, estritamente, pra- previsto para a execução do empreendimento, conforme cronograma Data de referência: integrante do Planejamento Físico. Não estão considerados eventuais aumentos É preciso fixar uma data (mês e ano) para se tomar como referência os custos de custos, decorrentes de atrasos. estimados. A fixação desta data é importante, tendo em vista que eventuais reajustes (atualizações) de valores e conversões em moeda estrangeira pode- Métodos construtivos: rão ser necessários. Informar sumariamente os métodos construtivos adotados, tipo de estrutu- ra e acabamentos das unidades. 48 49Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Fontes de informações: 4 Metodologia de Cálculo É importante estabelecer, a priori, as fontes de informações para a elaboração da estimativa: Assim, como a definição do escopo do trabalho, torna-se necessário, igual- Preços de equipamentos e materiais baseados em Banco de Dados (arqui- mente, definir com Cliente quais os procedimentos e as estratégias que vos de custo), ou cotação, ou atualização; nortearam o cálculo do valor estimativo de cada conta, conforme seguinte Preços de construção civil, pesquisados no mercado local ou extraídos de exemplo: publicações especializadas existentes; Serviços de Engenharia: 3 Abrangência da Estimativa Definição da base de cálculo dos custos de engenharia, estimados a partir do levantamento de horas previstas por setor envolvido, ou seja, engenharia bá- Discriminar, sumariamente, as contas incluídas e os principais itens excluí- sica, de equipamentos e de detalhamento, planejamento e controle, supri- dos. mento, supervisão de obras. Deverão ser consideradas, ainda, as despesas re- embolsáveis. Alguns elementos de custo são de controle exclusivo da empresa proprietária do empreendimento (Cliente), não tendo estimador, de as infor- Equipamentos: mações necessárias e suficientes para poder estimar seus valores. Descrição do método adotado para avaliação dos custos dos equipamentos nacionais e importados, estimativa de sobressalentes, embalagens e fator FSI Como exemplo de elementos como esses, pode-se citar: (frete, seguro e impostos); Despesas de pessoal do Cliente que ficará encarregado de acompanhar ou Materiais: fiscalizar o projeto; Definição da base de cálculo dos custos de cada uma das espécies de materiais Despesas administrativas referentes a este pessoal; (tubulação, estrutura metálica, instrumentação, materiais elétricos, revesti- Despesas financeiras decorrentes de um eventual financiamento concedido mentos, isolamento térmico), adicionando-se, ainda, os custos de embalagem ao Cliente para implantar empreendimento; e e o fator FSI; Despesas já incorridas pelo Cliente e que se referem ao empreendimento, para eventual inclusão no valor da estimativa, tais como a elaboração de RIMA Benfeitorias no terreno: ou EIA. Descrição das bases de cálculo, abrangência dos serviços e documentação uti- lizada para levantamento de quantidades; Alguns clientes, no decorrer do projeto, decidem incluir novos serviços não definidos na concepção original da estimativa, alterando assim o objeto do Construção Civil: trabalho e, como o custo inicialmente previsto. Descrição das bases de cálculo da construção civil, citando os documentos utilizados e a abrangência dos serviços; Identificado o escopo dos serviços que compõem a estimativa, devem ser fixa- dos os itens ou contas principais, agrupadas segundo a natureza das despesas, Montagem Eletromecânica: que serão movimentadas. É conveniente que o desdobramento da estimativa, Apresentação do método utilizado na estimativa de custos de montagem, em contas ou rubricas, seja coerente com Plano de Contas do Empreendi- incluindo os custos de colocação de revestimentos, isolamento e pintura; mento, tendo em vista que, na etapa de implantação do projeto, os custos, à medida que venham a ser apropriados, sirvam como subsídios ("feedback") Canteiro de obras: para as posteriores revisões da estimativa, como também para outros seg- Descrição das bases de cálculo e abrangência dos serviços; mentos da empresa, como Departamento de Patrimônio e de Seguros, por exemplo. 50 51Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Despesas de pré-operação e partida: Descrição das bases de cálculo, abrangência dos serviços, documentos utiliza- Distribuição dos Custos de Investimento dos; 35.0% Contingências: Apresentação do método adotado no cálculo dos eventuais, informando 25.0% valor percentual adotado. 20.0% 5 Documentação de Apoio 15.0% 10.0% Deverão ser citados todos os documentos (desenhos, folhas de especificação 5.0% etc.) que tenham sido utilizados na elaboração da estimativa. 0.0% 6 Tabelas de Custo No mínimo deverão ser apresentadas as seguintes tabelas: 6.1 - Sumário Geral de Custos 6.2 Detalhamento dos custos O Sumário Geral deverá incluir todas as contas principais, conforme o des- dobramento do trabalho, e as contingências, totalizando custo estimado Deverá ser apresentado, para cada uma das contas principais acima, um qua- para o empreendimento. dro em que são detalhados os custos que a compõem, inclusive o cálculo das contingências. Exemplo: Este desdobramento das contas principais será visto adiante. Sumário Geral de Custos de Investimento Projeto MS 7 Anexos Conta Discriminação Valor % R$1.000,00 Podem ser apresentadas, em anexo, as memórias de cálculo, contendo levan- 1000 Serviços Técnicos 3.450 12,0 tamento de quantidades, desenhos, lista de materiais, cotações, que serviram 2000 Equipamentos 9.230 32,0 de base para a elaboração da estimativa. 3000 Materiais 4.780 16,6 4000 Benfeitorias 1.150 4,0 Todas as informações recebidas, os documentos e as premissas adotadas, que 5000 Construção Civil 2.820 9,8 tiveram participação na elaboração da Estimativa Preliminar, deverão ser ob- jeto de registro detalhado em memórias de cálculo. 6000 Montagem Eletromecânica 5.050 17,5 7000 Canteiro de Obras 790 2,7 Essas memórias são de grande importância quando da atualização da Esti- 8000 Pré-operação e Partida 300 1,0 mativa Preliminar e também na execução da Estimativa Definitiva. Servem 9000 Contingências 1.280 4,4 como referência a eventuais consultas a respeito do trabalho e como base para TOTAL 28.850 100,0 outras estimativas. 52 53Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Juntamente com as memórias de calculo deverão ser arquivadas as cotações recebidas de fornecedores e/ ou prestadores de serviços. Um modelo de apresentação de estimativa é mostrado no ANEXO I e um exercício completo com suas premissas, tabelas de custos e as planilhas de cálculo no ANEXO II. CAPÍTULO III FASE PREPARATÓRIA 54Sergio Conforto & Mônica Spranger As Estimativas de Custos, em geral, além da função natural de servirem para informar ao Cliente quanto deverá ser despendido na implantação de um empreendimento, são também importantes instrumentos usados na Progra- mação Financeira e no Controle de Custos. Para atender a esse tríplice objetivo, elas são elaboradas obedecendo a um desdobramento padrão, em determinados itens ou contas, comuns à progra- mação e ao controle. Esse desdobramento inclui a distribuição dos custos em Centros de Custos e em contas do Plano de Contas. Elaboração da Lista de Centro de Custos Os custos são apurados, ao longo da implantação do empreendimento, to- mando em consideração a "área física" da planta a que eles se referem. Estas áreas são denominadas Centros de Custos e correspondem às diferentes uni- dades que compõem conjunto industrial, compreendendo as unidades de processo, as unidades auxiliares e as de apoio. Exemplo: Unidades Áreas Unidade 000 - Geral Unidade 100 - Unidades de Processo Unidade 110 Unidade de Ácido Sulfúrico Unidade 120 Unidade de Ácido Fosfórico Unidade 190 - Interconexões Unidade 200 Utilidades Unidade 210 Sistema de Refrigeração Unidade 220 - Estação de Tratamento Unidade 230 - Estocagem de Matéria Prima Unidade 240 - Subestação Elétrica Unidade 400 Edificações de apoio Unidade 410 Prédio da Administração Unidade 420 Oficina de Manutenção Elaboração do Plano de Contas de Investimentos O Plano de Contas é documento indispensável ao controle de custos do em- preendimento, servindo para integrar todos os setores envolvidos no projeto, 57Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger como Engenharia, Suprimento, Contratos, Planejamento e Custos e, tam- em geral, desde que possam ser identificados como pertencentes a bém, outros setores da empresa como Patrimônio, Contabilidade e Seguros. outros grupos, como por exemplo: custos referentes a bases de concreto, estruturas metálicas, revestimentos executados por ter- No Plano de Contas são relacionadas ordenadamente todas as diferentes es- ceiros, jateamento, pintura, isolamento térmico e montagem. pécies de despesas (as contas), que se supõe serão incorridas durante a im- Inclui os sobressalentes e a embalagem dos equipamentos. plantação do empreendimento, permitindo seu acompanhamento físico e con- tábil. 3000 Materiais Nacionais e Importados O Plano de Contas deverá ser bem definido e estar a um nível de detalha- Este grupo destina-se ao registro dos custos de aquisição (inclu- mento que seja compatível com as informações do projeto em questão. As indo impostos) de materiais, reunidos de acordo com suas finali- contas são dispostas em grupos, formando conjuntos caracterizados por pos- suírem um mesmo atributo comum, de modo que possam ser sumarizadas. Os custos referentes à montagem e aos serviços de colocação de revestimentos, de jateamento e pintura, executados por terceiros, O desdobramento em contas é determinado pelo maior ou menor grau de não estão incluídos nesta conta. detalhamento atingido pelo estimador. Grau este que é função de dados e Estão, também, excluídos desta conta os custos relativos a insta- informações disponíveis quanto ao projeto, quando da elaboração da estima- lações hidráulicas prediais, executadas pelos empreiteiros de Cons- tiva. O grau de detalhe permite a geração de relatórios de custos em diferen- trução Civil. tes níveis, visando à obtenção de informações úteis para posteriores cálculos Esta conta inclui os sobressalentes e a embalagem de materiais. de amortizações e depreciações. 4000 Benfeitorias no Terreno A forma usual de agrupamento das despesas em contas principais obedece ao desdobramento que é apresentado abaixo, estando, no entanto, sempre sujei- São registrados nesta conta os custos de execução dos serviços to a adaptações às peculiaridades de cada empreendimento a que for aplica- correspondentes às benfeitorias no terreno de caráter permanen- do: te, assim como de toda a infra-estrutura Códigos Grupos 5000 Construção Civil 1000 Serviços de Engenharia Nacional e Estrangeira Neste grupo são apropriados os dispêndios relativos à execução das obras civis definitivas, incluindo-se a compra de materiais de Este grupo destina-se ao registro dos custos de serviços técnicos construção e serviços prestados por empreiteiros (materiais e mão- relacionados com desenvolvimento do projeto. de-obra, administração, lucro, etc). Inclui honorários de funcionários da empresa ou de pessoal sub- contratado, encargos sociais, encargos complementares, despesas Esta conta pode incluir a anterior, Benfeitorias no Terreno. reembolsáveis e a remuneração contratual. 6000 Montagem Eletromecânica 2000 Equipamentos Nacionais e Importados Este grupo é destinado ao registro das despesas de montagem Este grupo destina-se ao registro dos custos de aquisição (inclu- dos equipamentos e materiais das unidades de processo, utilida- indo impostos) de equipamentos permanentes, reunidos de acor- des e de apoio, incluindo todos os custos diretos e indiretos, ma- do com suas funções específicas. teriais de consumo, despesas de instalação e aluguel de equipa- Não estão incluídos neste grupo os itens referentes a materiais mentos. 58 59Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Inclui também os custos de administração e lucro da empreiteira ção de equipamentos, de sistemas integrados e da planta comple- montadora. ta, com vistas ao início da operação comercial. Pode acontecer de Cliente preferir incluir esses custos nos cus- 7000 Canteiro de obras tos operacionais da planta industrial e, neste caso, esta conta não faria parte da estimativa de custos de investimento. Este grupo destina-se ao registro de despesas amortizáveis, incor- ridas com obras de caráter provisório, não traduzindo benfeitori- 9000 Contingências as diretas sobre terreno. Esta conta não se destina a receber registros de custos incorridos. Trata-se do canteiro de obras do Cliente, proprietário do projeto, Ela funciona apenas como uma reserva para absorver eventuais portanto não deve ser confundido com canteiro de obras das diferenças de estimativa de responsabilidade do estimador. Com empreiteiras de construção civil e de montagem eletromecânica, esta finalidade, pode ser reduzida para absorver desvios, quando cujos custos já estão incluídos nas respectivas contas. valor efetivo for maior do que estimado, ou, ao contrário, aumentada para incorporar mais reservas, quando valor efetivo São custos referentes à execução de contratos e serviços prelimi- for menor que nares para a implantação e manutenção de um canteiro de obras Ao longo do desenvolvimento do projeto, esta conta poderá ter O destinado à alocação e acomodação das empresas envolvidas no seu valor revisado, na medida em que aumenta a certeza sobre os gerenciamento, fiscalização e desenvolvimento de projetos na pró- custos a serem ainda incorridos até final do empreendimento. pria obra, e ainda, custos dos serviços técnicos de apoio, presta- dos por firmas especializadas e/ou pessoas físicas não pertencentes Exemplos de registro de itens do projeto: à empresa, contratadas especificamente para a execução de servi- como vigilância, limpeza, ambulatório, alimentação, transporte, 1 Registro de uma Bomba de ácido sulfúrico: testes etc. Compreende, também, os custos de aquisição ou aluguel e manu- Unidade 100 Processo tenção de equipamentos, materiais, veículos, utensílios, EPI (equi- Unidade 110 Unidade de Ácido Sulfúrico pamentos de proteção individual) e instrumentos diversos para uso na obra. Conta 2000 Equipamentos A conta abrange, ainda, os custos de construção de redes provi- Conta 2100 Movimentação de Produtos sórias, destinadas ao abastecimento de energia, água e comunica- Conta 2110 Bombas centrífugas horizontais ção, assim como as redes provisórias de drenagem, saneamento e urbanização. Registro da bomba de ácido sulfúrico = 110.2110.01 cronológico Esta conta torna-se mais expressiva nos casos em que a obra se localiza no mesmo município da sede da empresa responsável por 2 Registro de um Transformador principal: seu gerenciamento e fiscalização, quando, em geral, os funcioná- rios envolvidos no empreendimento são deslocados para traba- Unidade 200 Utilidades lhar diretamente no canteiro de obras. Unidade 240 Subestação elétrica Despesas de pré-operação e partida Conta 2000 8000 Equipamentos Conta 2150 Equipamentos Elétricos Estão incluídos neste grupo os custos com mão de obra de pré- Conta 2151 Transformadores operação e insumos necessários à realização dos testes de opera- 60 61Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Registro do transformador principal = 240.2151.01 cronológico 3 - Registro de um Prédio de Administração: Unidade 400 - Edificações de Apoio Unidade 410 - Prédio de Administração Conta 5000 - Construção civil Conta 5100 - Edificações Conta 5110 - Prédio de Administração Registro do Prédio de Administração = 410.5110.00 cronológico Os Grupos ou Contas descritas acima serão tratados nos capítulos seguintes sob ponto de vista da abrangência e dos métodos de avaliação. CAPÍTULO IV MÉTODOS RÁPIDOS DE EXECUÇÃO DE ESTIMATIVA 62Sergio Conforto & Mônica Spranger Métodos Rápidos para Empreendimentos Industriais Completos Normalmente, as Estimativas de Custo (sobretudo as de ordem de grandeza ou de estudo, feitas no início da implantação do empreendimento) têm de ser elaboradas antes de se ter projeto completo, quando nem sempre as infor- mações necessárias à sua elaboração estão disponíveis. Nesses casos, é possível fazer estimativas com razoável grau de precisão, utili- zando-se preços unitários publicados em publicações especializadas e valen- do-se de métodos menos rigorosos para a avaliação de quantidades. Costuma-se classificar as técnicas de elaboração de estimativas em métodos rápidos ou detalhados. Os métodos rápidos são utilizáveis na elaboração das estimativas de ordem de grandeza e de estudo, assim como, na verificação da consistência das estima- tivas preliminares. método detalhado, que será visto nos próximos capítulos, é utilizado no preparo das estimativas preliminar e definitiva. Métodos Rápidos são processos expeditos de avaliação de custos de investimentos, usados quando o prazo para elaboração ou as informações disponíveis a respeito do projeto são demasiadamen- te exíguos para permitir um processo mais apurado de avaliação ou, ainda, quando objetivo é apenas o de se obter uma ordem de grandeza do investimento a ser realizado. Esses métodos serão mostrados a seguir: 1 - Métodos Rápidos para Empreendimentos Industriais Completos Os mais usuais são: 1.1 - Investimento por capacidade unitária de produção; 1.2 - Método comparativo ou fator-potência; 1.3 - Método de avaliação por meio de índices; 65Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger 1.1 Investimento por Capacidade Unitária de Produção Solução: Este método consiste na avaliação do custo global de uma deter- minada unidade industrial, conhecendo-se o valor monetário que = 43.000.000,00 se necessita investir para se ter cada unidade de produção deseja- C0 = 160.000 ton/ano da. = 700 t/dia Assim, se para cada tonelada-ano (por exemplo) a ser produzida C1 = 700 t/d 264 dias úteis = 184.800 t/a é necessário investir "X" Reais, então, para se implantar uma uni- dade de processo com capacidade anual de "Y" toneladas, in- R$ 43.000.000 X 184.800 t/a = R$ 49.665.000 vestimento "I" requerido será: C0 160.000 t/a I=X*Y Resposta: Custará R$ 49.665.000,00 Este método é o mais simples de todos e serve apenas para dar uma idéia da 1.2 Método Comparativo ou Fator - Potência ordem de grandeza dos custos de implantação. Consiste na avaliação dos custos globais de implantação de uma Exemplo 1: unidade industrial a partir dos custos já conhecidos de outra uni- dade industrial similar. Sabendo-se que o custo de implantação de uma usina termelétrica a gás na- tural é da ordem de US$ 550,00 por kW de potência instalada em uma Esse método se baseia no fato de que os custos de uma unidade determinada data, qual seria, em ordem de grandeza, o custo de implantação de processo não variam linearmente, isto é, na mesma proporção, de uma usina com capacidade para gerar 120 MW, nesta mesma data? com relação à capacidade de produção. Solução: A estimativa é feita por meio do emprego da seguinte fórmula: Pela fórmula apresentada anteriormente e lembrando que 1 MW = 1.000 k KW, vem: I = US$ 550.000,00/MW * 120 MW = US$ 66.000.000,00 Sendo: Exemplo 2: P1 = Custo que se deseja avaliar da nova unidade de processo; PO = Custo conhecido da unidade de referência; Os custos de implantação de uma unidade de produção de óleo de girassol, C1 = Capacidade de produção da nova unidade; com capacidade para processar 160.000 toneladas/ano, totalizaram R$ = Capacidade de produção da unidade de referência; 43.000.000,00. Estimar em ordem de grandeza o custo de implantação de K = Fator potência para ajuste dos custos em função da capaci- uma unidade semelhante, com capacidade para processar 700 toneladas/dia, dade. admitindo que os preços sejam da mesma data de referência. [Considerar ano com 264 dias úteis]. A literatura técnica registra os seguintes valores de K em função da natureza do produto: 66 67Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger 0,54 Unidade de Valor de K P1 = US$ 30.000.000 [25 t/d] = US$ Amônia 0,74 [15 t/d] Nitrato de Amônia 0,54 Resposta: Custará cerca de Benzeno 0,61 Butadieno 0,59 Exemplo 4: Etanol 0,60 Calcular pelo método Fator Potência o exemplo 2 (produção de óleo de girassol). Etileno 0,58 Formaldeído 0,55 Solução: Metanol 0,83 Acido Nítrico 0,56 PO = 43.000.000,00 Oxigênio 0,64 CO = 160.000 ton/ano Acido Fosfórico 0,58 C1 = 700 t/dia = 184.800 t/ano Estireno 0,68 K=0,60 Acido Sulfúrico 0,62 Uréia 0,59 0,60 Sulfato de Alumínio 0,71 P1 = $ 43.000.000 = R$ 46.870.000,00 [160.000 Na falta de um valor específico de K, é usual adotar-se 0,60. Resposta: Custará Os expoentes apresentados acima não devem ser usados quando se tratar de plantas em que a variação entre as capacidades de Comparação entre os resultados do uso dos dois métodos aplicados ao exem- produção seja superior a 10 vezes. plo da produção de óleo de girassol: Outra observação importante é que o custo da planta de referên- Comparação entre os Métodos PO P1 cia deve sempre estar referido à mesma data do custo que se dese- Exemplo 2 Método Capacidade ja estimar. Unitária de Produção R$ 43.000.000,00 R$ 49.665.000,00 Exemplo 4 Método Fator Potência R$ 43.000.000,00 R$ 46.870.000,00 Exemplo 3: Observe-se que, pelo método Fator Potência, este investimento tem um custo Sabendo que foram gastos US$ 30.000.000,00, em moeda de hoje, na im- 6,7% menor do que calculado pelo método Investimento por Capacidade plantação de uma unidade de nitrato de amônia com capacidade para produ- Unitária de Produção. Esta variação, porém, é perfeitamente aceitável para zir 15 toneladas/dia, estimar custo de implantação de outra unidade deste este tipo de estimativa, ou seja, Estimativa de Ordem de Grandeza. mesmo produto, com capacidade para 25 toneladas/dia. O método de avaliação de custos por meio do Fator Potência, empregado Solução: para unidades de processo completas pode ser aplicado, também, para a esti- mativa de custos de um equipamento isolado. Neste caso, parte-se de outro P1 = ? equipamento semelhante, porém de dimensões ou capacidades diferentes. PO = 30.000.000,00 C0 = 15 ton/dia A seguir são apresentados alguns valores para o fator potência, extraídos da C1 = 25 ton/dia literatura técnica e de comprovações práticas, aplicáveis a alguns tipos de K = 0,54 69 68Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger equipamentos: Exemplo 5: Equipamentos Valor de K Sabendo-se que um motor elétrico de 50 HP foi cotado em setembro de Trocadores de calor 2005 por R$ 5.400,00 qual valor de um motor de 80 HP nesta mesma Superfície de troca de 0 a 300 m2 0,62 data? de 300 a 400 m2 0,95 de 400 a 500 m2 0,70 Solução: Condensadores 0,54 Bombas PO = 5.400,00 Horizontais 0,67 C0 = 50 HP Verticais 0,98 C1 = 80 HP Sopradores centrífugos acionados a motor elétrico K= 0,62 0,62 até 10 HP 0,27 * [80] = R$ 7.226,83 de 15 até 500 HP 0,75 [50] Compressores de ar com motor até 500 HP 0,87 Resposta: Custará cerca de R$ 7.250,00 com motor de 500 até 5000 HP 0,73 O estimador tendo um bom banco de dados pode calcular fator K dos Compressores rotativos equipamentos e das unidades industriais mais usuais de acordo com seu tra- com motor até 500 HP 0,65 balho. Desta maneira O profissional pode analisar cotações recebidas, dar pa- Agitadores recer em concorrências e ter mais segurança do seu valor estimado, quando a em aço carbono, motor até 25 HP 0,50 cotação solicitada ao fornecedor não chegar a tempo para a emissão do seu trabalho. em aço inox, motor até 25 HP 0,53 Tanques 1.3 Método de Avaliação por Meio de Índices Teto cônico 0,70 Teto flutuante 0,73 Este método consiste em se avaliar o custo global ou a composi- Esférico (baixa pressão até 15 psi) 0,63 ção do custo global de uma planta industrial, a partir dos custos dos equipamentos principais. Esférico (alta 0,56 Torres de aço carbono A seguir serão apresentados os métodos de avaliação por meio de índices Diâmetro constante 0,70 propostos por Lang, Baumann e índices extraídos de literatura técnica brasi- Altura constante leira. 1,00 Motores elétricos 1.3.1 Índices de LANG: de 1 até 10 HP 0,32 de 10 a 100 HP 0,62 Os índices de Lang são, na verdade, fatores, pelos quais são mul- Fonte: Revista Chemical Engineering tiplicados os custos dos equipamentos principais de uma dada unidade de processo, para se ter o custo global da planta. 70 71Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Os índices ou fatores apresentados por LANG variam conforme Resposta: A planta de 250 ton/dia terá seu custo em torno de US$ o processamento seja de sólidos, de fluidos ou 77.000.000,00 e a planta de 100 ton/dia custará cerca de US$ 44.000.000,00 O quadro a seguir mostra esses índices, válidos para as condições norte-ame- Exemplo 7: ricanas: Calcular, usando o método de Lang, o exemplo n° 2 (produção de óleo de Índices de LANG (Limite de Bateria) girassol), visto na aplicação do método de Investimento por Capacidade Uni- tária de Produção e, também, o exemplo n° 4, do método Fator Potência, Processamento de sabendo-se que custo total dos equipamentos principais de uma planta de 170.000 t/ano foi de R$ 12.500.000,00. Sólido 3,10 Sólido-fluido 3,63 Solução: Fluido 4,74 P1 = ? PO = ? No Brasil, foram registrados os seguintes índices: E0 = 12.500.000,00 = 170.000 ton/ano Projeto Índice = 700 t/dia = 184.800 t/ano Fábrica de Fertilizantes Granulados ILM 3,25 Sólidos e fluidos = 3,63 Complexo Industrial de Imbituba ICC 3,17 K = 0,60 Complexo de Fertilizantes de Uberaba 3,60 PO = Equipamentos principais * 3,63 = R$ 12.500.000,00 * 3,63 Exemplo 6: PO = R$ 45.375.000,00 Uma unidade de ácido sulfúrico processa, basicamente, enxofre na forma de grãos e água. Se custo dos equipamentos principais de uma unidade como 0,60 essa, capaz de produzir 100 toneladas/dia, está avaliado em US$ P1 = R$ 45.375.000 * [184.800 t/a] = R$ 47.705.500,00 12.000.000,00 qual seria, em ordem de grandeza, O custo total dessa unida- [170.000 de? E de outra unidade, capaz de produzir 250 toneladas/dia? Resposta: A unidade de 184.800 ton / ano custará cerca de US$ Solução: 47.705.500,00 Índice = 3,63 K = 0,62 Comparação entre os resultados do uso dos três métodos apresentados an- E0 = US$ 12.000.000,00 teriormente, aplicados ao exemplo da produção de óleo de girassol: = 100 ton/dia Comparação entre os Métodos PO P1 = 250 ton/dia Exemplo n° 2 Método Capacidade P1 = ? Unitária de Produção R$ 43.000.000,00 R$ 49.665.000,00 US$ * 3,63 = US$ 43.560.000,00 Exemplo n° 4 Método Fator Potência R$ 43.000.000,00 R$ 46.870.000,00 0,62 = US$ 43.560.000 * [250 t/d] = US$ 76.879.522,00 Exemplo n° 7 Índice de Lang R$ 45.375.000,00 R$ 47.705.500,00 [100 t/d] 72 73Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Esta comparação mostra ao estimador que a unidade de capacidade igual a Quadro Composição Percentual do Custo Total por Item 184.800 ton / ano apresenta uma ordem de grandeza entre R$ 46.000.000 e R$ 50.000.000, ou seja, uma planta industrial para a capacidade requerida Discriminação Variação Média não deverá, muito provavelmente, custar R$ 40.000.000,00 (ou menos), % % nem R$ 60.000.000,00 (ou mais). 1.0 Equipamentos de Processo 1.3.2 Índice de Baumann: 1.1 Equipamentos 25,00 a 40,00 34,50 1.2 Bases de concreto 1,00 a 4,00 2,50 Os índices de Baumann, extraídos de "Fundamentals of Cost En- 1.3 Montagem de equipamentos 1,50 a 6,50 4,00 gineering in the Chemical Industry", apresentam uma composi- ção típica de custos de implantação de uma unidade de processo 2.0 Materiais de Processo na indústria química: 2.1 Bases de concreto 1,00 a 4,00 2,50 Composição do Percentual Médio do Custo Total 2.2 Tubulação e dutos 2,30 a 10,30 6,30 2.3 Materiais elétricos 1,00 a 3,00 Discriminação Percentual Médio 2,00 2.4 Isolamento térmico 0,50 a 1,00 0,75 Equipamentos de processo 34,50 2.5 Estruturas metálicas 2,00 a 6,00 4,00 Materiais 16,20 2.6 Instrumentação 1,00 a 5,00 Montagem de equipamentos de processo 4,00 3,00 2.7 Material de pintura 0,10 a 0,20 14,55 0,15 Montagem de materiais Obras civis 8,25 3.0 Montagem de Materiais Despesas de engenharia 12,50 3.1 Bases de concreto 6,70 1,50 a 5,00 3,25 Despesas de canteiro de obras 3.2 Tubulação e dutos 1,30 1,50 a 7,00 4,25 Despesas de pré-operação e partida 3.3 Montagem elétrica Despesas diversas 2,00 1,50 a 6,00 3,75 100,00 3.4 Isolamento térmico TOTAL 1,00 a 3,00 2,00 3.5 Estruturas metálicas 1,00 a 4,00 2,50 3.6 Instrumentação 0,50 a 2,00 Composição do percentual médio do Custo Total 1,25 em Plantas químicas e petroquímicas 3.7 Pintura 0,20 a 1,40 0,80 Outros 8.7% Partida 4.0 Despesas de Engenharia 13% Equipamentos Serviços de Engenharia 4.1 Engenharia básica 1,50 a 3,00 34.5% 2,25 12.5% 4.2 Engenharia de detalhamento 2,00 a 8,00 5,00 Construção Civil 8.3% 4.3 Suprimento 1,10 a 3,10 2,10 4.4 Engenharia de custos e planejamento 0,15 a 1,00 0,58 Montagem 18.6% 4.5 Fiscalização de campo 0,15 a 5,00 2,57 74 75Sergio Conforto & Mônica Spranger Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Composição Típica de Custos (Indústria Petroquímica do Brasil) 5.0 Despesas de Canteiro 5.1 Instalações provisórias 1,50 a 3,00 2,30 Componentes de Custo Indice 5.2 Ferramental e aluguéis 2,00 a 6,00 1,10 % 5.3 Pessoal de campo 0,50 a 5,00 2,80 Equipamentos e Materiais 100 5.4 Despesas diversas de canteiro 0,25 a 0,75 0,50 Montagem eletromecânica 15 a 25 Construção civil 15 a 25 6.0 Despesas de Pré-operação e Partida 0,50 a 2,00 1,30 Engenharia e licença 40 a 60 Administração e pré-operação 15 a 20 7.0 Despesas diversas Capital fixo 185 a 225 7.1 Viagens e ajudas de custo 0,20 a 1,40 0,80 Capital de giro 20 a 30 7.2 Reproduções e comunicações 0,10 a 0,50 0,30 Investimento Total 205 a 255 7.3 Taxas e seguros 0,40 a 1,40 0,90 Observação: Exemplo 8: Considerando que custo da unidade de ácido sulfúrico com capacidade O índice referente à Engenharia (40 a 60 %) corresponde às engenharias para 250 toneladas / dia é de US$ 77.000.000,00, faça um desdobramento estrangeira e nacional, sendo adotados os seguintes percentuais em relação ao custo da unidade de processo: desse custo total, usando os índices de Baumann. Licença de tecnologia 2,0 a 4,0% do custo da unidade de processo Solução: Eng. básica estrangeira 3,0 a 5,0% P1 = US$ 77.000.000,00 Procura 3,0 a 5,0% Eng. de detalhamento nacional 11,3 a 12,6% Equipamentos de processo 34,50% do custo total = US$ 26.565.000,00 Materiais 16,20% do custo total = US$ 12.474.000,00 O mesmo curso fornece ainda os seguintes índices, em função dos custos dos Montagem eletromecânica 18,55% do custo total = US$ 14.283.500,00 Obras civis 08,25% do custo total = US$ 6.352.500,00 equipamentos: Despesas de engenharia 12,50% do custo total = US$ 9.625.000,00 Despesas de Canteiro obras 08,70% do custo total = US$ 6.699.000,00 1 Custos de instalações de equipamentos, como percentual dos custos dos Despesas de Pré-operação equipamentos: e partida 01,30% do custo total = US$ 1.001.000,00 TOTAL GERAL US$ 77.000.000,00 Bases e fundações 07% Plataformas e escadas 11% 1.3.3 - Índices Extraídos da Literatura Técnica Brasileira: Montagem 25% Custo da instalação 43% Da coleção de apostilas do Curso de Análise de Investimentos na Indústria Petroquímica, promovido pelo Instituto Brasileiro do 2 - Custos de material de tubulação, como percentual dos custos dos equipa- Petróleo, foram retirados os índices apresentados no quadro abai- mentos: XO: 77 76Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Processamento de sólidos 08% Transposição Temporal de Investimento Processamento de sólidos e fluidos 21% Processamento de fluidos 49% Os índices de Baumann podem ser utilizados, também, para atualização de custos estimados ou realizados de plantas industriais completas, isto é, quan- 3 Custos de Instrumentação, como percentual dos custos dos equipamen- do somente se conhece custo global da planta e a data de referência deste tos: custo. Poucos controles 04% Utilizando-se Baumann, é possível "abrir" o custo global conhecido em seus Alguns controles 12% componentes e, então, aplicar os índices de reajuste pertinentes a cada conta Muitos controles 24% específica, obtendo-se, assim, com maior segurança, um valor mais próximo do real do que que seria obtido, caso fosse feito cálculo simplesmente 4 - Custos de equipamentos básicos : reajustando valor global do investimento por um único índice. O exemplo a seguir explica como pode ser feita esta atualização. Forno 25% Trocadores de calor 22% Exemplo: Compressores 11% (inclui acionadores) Sabendo-se que uma planta industrial de polipropileno, com capacidade de Colunas e internos 11% 400.000 ton/ano, teve seu custo estimado, nas condições brasileiras, em de- Tanques armazenamento 11% (criogênicos e esféricos) zembro de 2002, em US$ 170.000.000,00, qual seria seu custo em abril de Vasos e reatores 08% 2006? Bombas 06% São dadas as taxas de câmbio médias: Equipamentos especiais 06% (filtros, silenciadores, US$ 1,00 = R$ 3,6306, em dezembro de 2002 e torre de refrigeração) US$ 1,00 = R$ 2,1293, em abril de 2006. Total de equipamentos 100% 5 - Composição dos custos de materiais: Tubulação 47% Instrumentação 18% Eletricidade 18% Estruturas metálicas 09% (exclui montagem) Isolamento térmico 07% (somente material = 2/3 do valor instalado) Pintura 01% (somente material = 1/2 do valor da pintura) Total de Materiais 100% 78 79Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger O cálculo no quadro anterior foi feito obedecendo à seguinte 1. Seleção dos índices de reajuste mais adequados para cada uma das contas; 2. Distribuição percentual do valor total da planta, em dólares de dezembro de 2002, utilizando-se percentuais extraídos de Baumann; 3. Conversão dos valores em Dólares em dezembro de 2002; em Reais, utili- zando a taxa média de câmbio: US$ 1,00 = R$ 3,6306; 4. Seleção dos índices de reajuste mais adequados para cada uma das contas; 5. Obtenção dos índices selecionados na revista Conjuntura Econômica, pu- blicada pela Fundação Getúlio Vargas, considerando a defasagem de dois de meses sempre existente entre os índices correspondentes às datas reais desejadas e os índices publicados na revista; 6. Cálculo do fator de atualização, através da divisão do índice da data mais recente pelo índice da data mais antiga; 7. Atualização do valor de cada conta em Reais, através da multiplicação de seu valor em dezembro de 2002 pelo fator de atualização correspondente; e 8. Conversão dos valores atualizados em Reais para Dólares, dividindo-se pela taxa de câmbio média de abril de 2006. Base Nota-se que o valor de um determinado bem, no Brasil, expresso em Dólares, não é constante ao longo do tempo, como muitos profissionais ainda conside- ram. Realmente, depois de Janeiro de 1999, quando foi adotado, no Brasil, o regime de câmbio flutuante, a taxa de câmbio deixou de acompanhar a infla- ção brasileira, como sempre fez antes da citada data. % 80 81Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Transposição Geográfica de Investimento O valor encontrado, então, para a planta de estireno, ainda nos Estados Uni- dos, em abril de 2006 é de US$ 93.100.000,00. A este valor, deve-se-se Não é raro acontecer que, na etapa mais preliminar de um empreendimento, acrescentar um percentual de contingência da ordem de 5%, para cobrir even- para efeito de estudo de viabilidade econômica, sejam utilizados, como refe- tuais divergências entre os custos reajustados e os custos efetivamente prati- rência de custos de investimentos, alguns dados relacionados com projetos cados no mercado. Ou seja, pode-se dizer que o custo da planta de estireno, semelhantes, porém realizados no exterior. Os custos de construção de uma nas condições americanas e em abril de 2006 seria algo da ordem de US$ planta industrial no Brasil serão sempre diferentes dos custos no exterior, 97,8 milhões. mesmo que eles sejam referidos em moeda forte. Por isso haverá necessidade de se fazer a transposição para as condições locais. Uma vez feita a transposição temporal nas condições americanas, é necessário agora transpor os custos dos Estados Unidos para Brasil. A técnica de reavaliar os custos de implantação de um empreendimento no Brasil, conhecendo-se os custos de realização de outro projeto similar fora do Normalmente, o trabalho de transposição geográfica se inicia pela conta Equi- país é que se denomina transposição geográfica de investimento. pamentos, separando-se os equipamentos que serão importados daqueles que serão de fornecimento nacional. No caso de empreendimentos ligados à in- A título de ilustração, considere-se os custos de implantação de uma unidade dústria química ou petroquímica, se não se dispuser de informação mais de- industrial de estireno, construída nos Estados Unidos, iguais a US$ talhada, pode-se admitir que cerca de 20% desses equipamentos serão impor- 90.000.000,00, sendo esses custos referidos ao nível de preços de dezembro tados, ou seja, de um total de US$ 34,2 milhões (que são os custos dos equi- de 2004, nas condições vigentes, naquela data, na Costa do Golfo do México. pamentos acrescidos da contingência de 5%), cerca de US$ 6,8 milhões serão Deseja-se saber quanto custaria, nas condições brasileiras, a mesma planta de importados e US$ 27,4 milhões serão de fabricação nacional. estireno, porém sendo ela instalada em no Estado do Rio de Janei- ro, em abril de 2006. Sobre os equipamentos importados incidirão os custos de transporte terres- tre no país de origem, transporte marítimo incluindo o seguro, além dos O primeiro cuidado a ser tomado seria proceder-se à transposição temporal, custos de embarque e desembarque, e mais os impostos e despesas de desem- nas condições americanas, corrigindo-se os custos por meio de índices de baraço alfandegário. Ao todo, esses custos podem ser estimados como repre- preços nos Estados Unidos, entre dezembro de 2004 e abril de 2006. sentando um acréscimo de 80% dos custos dos equipamentos. Logo, os equi- pamentos importados deverão custar US$ 12,2 milhões, no Brasil. Adotando-se a mesma abertura, segundo Baumann, vista anteriormente e utilizando-se os indicadores de variação de custos mais recomendáveis, pode- Quanto aos equipamentos nacionais, pode-se considerar que, embora os cus- se formar seguinte quadro, com valores em US$ milhões: tos de fabricação no Brasil sejam mais baixos do que nos Estados Unidos, a incidência de impostos faz com que os custos praticamente se igualem, de Conta Índice Valor Índice Índice Fator Valor modo que se pode manter mesmo valor de US$ 27,4 milhões. US$ de US$ Milhão Milhão Com isto, tem-se que os Equipamentos, no Brasil, custarão, em ordem de Dez.04 Dez.04 Abr.06 Reajuste Abr.06 grandeza, algo em torno de US$ 39,6 milhões. Serv Técnicos IPC USA 10,8 197,70 200,80 1,0157 11,0 Equipamentos M&S Equip. 31,5 1.260,90 1.306,30 1,0360 32,6 É possível estimar os custos dos materiais considerando-se como sendo apro- Materiais CE Plant 18,0 464,40 499,60 1,0758 19,4 ximadamente a metade dos custos dos equipamentos, ou seja, US$ 19,8 mi- Constr.Civil Constr.Cost 9,0 7.647,00 7.692,00 1,0059 9,1 E, ainda, custo da Montagem Eletromecânica, como equivalente a Montagem IPC USA 18,0 197,70 200,80 1,0157 18,3 aproximadamente 40% da soma de Equipamentos e Materiais, isto é, US$ Pré-operação IPC USA 2,7 197,70 200,80 1,0157 2,7 23,8 milhões. Total 90,0 93,1 82 83Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Tendo em vista que os Serviços Técnicos de Engenharia representam aproxi- madamente 15% do custo total do empreendimento; que os custos relativos à Construção Civil equivalem a 8,5% desses mesmos custos; e que os custos de Pré-operação e Partida estão, em geral, em torno de 3%, tem-se que os custos de Equipamentos, Materiais e Montagem Eletromecânica represen- tam 73,5% do custo total de implantação da unidade de estireno. Pode-se, então, por simples regra de três, fazer uma aproximação do que deverá ser custo total do empreendimento nas condições brasileiras, admitindo-se que este valor esteja na ordem de grandeza de US$ 113,2. O quadro a seguir resume a transposição temporal e a transposição geográfi- ca do empreendimento estudado. Os valores em Reais foram obtidos com base na taxa de câmbio média de abril de 2006, que foi de R$ 2,1293 por Dólar e percentual adotado para cobrir desvios de estimativa, no processo de transposição geográfica, através da conta Contingências, foi de 20%. Custo nos Estados Unidos Custo no Brasil CAPÍTULO V Conta Dez. 2004 Abr. 2006 Abr. 2006 Abr. 2006 US$ milhões US$ milhões US$ milhões R$ milhões Serviços Técnicos 10,8 11,0 17,0 36,2 DETALHAMENTO Equipamentos 31,5 32,6 39,6 84,3 Materiais 18,0 19,4 19,8 42,2 DAS ESTIMATIVAS Construção Civil 9,0 9,1 9,6 20,4 Montagem 18,0 18,3 23,8 50,7 Pré-oper. & Partida 2,7 2,7 3,4 7,2 Sub-total 90,0 93,1 113,2 241,0 Contingências - 4,7 22,6 48,2 Total 90,0 97,8 135,8 289,2 Os dados do quadro anterior indicam que o fator de transposição geográfica do empreendimento tomado como exemplo, dos Estados Unidos para o Bra- sil, é da ordem de 1,39, ou seja, o custo, em Dólares, no Brasil, é aproxima- damente 39% maior que os custos da mesma planta nos Estados Unidos. É importante, entretanto, observar que este fator de transposição geográfica não é um número fixo, invariável. Ao contrário, ele depende das característi- cas do projeto, do tipo de planta, sua tecnologia e seus itens importados. 84Sergio Conforto & Mônica Spranger Neste capítulo serão comentados os procedimentos e a metodologia para a estimativa de custos referente a cada uma das contas principais de uma Esti- mativa Preliminar ou Definitiva. Essas contas são as seguintes: Serviços de Engenharia Equipamentos Materiais Construção Civil Montagem Eletromecânica Canteiro de Obras Despesas de Pré-operação e Partida Contingências 87SERVIÇOS DE ENGENHARIASergio Conforto & Mônica Spranger Em geral, quando da elaboração da Estimativa Preliminar, já foi assinado contrato entre a empresa proprietária do empreendimento, isto é, Cliente, e a empresa de engenharia que deverá gerenciar projeto, assim como já deve ter sido também assinado contrato entre o Cliente e a empresa que vai elaborar os projetos de engenharia, a qual poderá ser (ou não) a mesma em- presa gerenciadora. Deste modo, Setor de Estimativas normalmente dispõe das informações necessárias para avaliar os custos dos serviços de engenharia ou serviços técnicos. ENGENHARIA ESTRANGEIRA Em determinados casos, pode haver a necessidade de se contratar, no exteri- or, serviços ligados ao gerenciamento do empreendimento ou ao desenvolvi- mento do projeto de engenharia. Estes serviços contratados fora do país são, usualmente, os seguintes: Licença de tecnologia Engenharia básica Supervisão técnica de equipamentos Supervisão técnica de detalhamento Supervisão técnica de construção e montagem Procura no exterior Via de regra, na época da elaboração de uma estimativa preliminar, estes itens já estão suficientemente bem definidos em contratos e devem ser consi- derados os respectivos valores contratuais. Na eventualidade, porém, de se ter de avaliar esses custos, podem ser admitidos os seguintes dados: A licença de tecnologia corresponde a um percentual entre 2 a 4% do custo da unidade de processo (limites de bateria) e a En- genharia Básica da projetista estrangeira situa-se numa faixa en- tre 3 a 5% dos mesmos custos. Os serviços de supervisão técnica de detalhamento, assim como a de construção e montagem, são cobrados por dia de trabalho de cada técnico enviado ao exterior pela empresa estrangeira que fornecerá a supervisão. Os custos-dia desses técnicos obedecem a um valor coerente com o mercado internacional e inclui somente valor dos honorários do profissional. Deve-se adicionar a este valor, custo da passagem internacional e da doméstica, a hospe- dagem e as diárias para alimentação e locomoção. 91Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Caberá ao estimador considerar a composição da equipe de técni- Coordenação e Fiscalização de Obras cos estrangeiros e tempo de permanência no país, dependendo da quantidade de equipamentos importados a serem instalados Despesas Reembolsáveis na unidade. As equipes de engenharia que especificam esses equi- pamentos que serão importados deverão informar ao estimador Enquanto ainda não se fechou o contrato entre a empresa gerenciadora / sobre a necessidade da assistência de técnicos estrangeiros, na oca- projetista e Cliente, o estimador deverá: sião da montagem e/ou comissionamento e partida. 1. Fazer a previsão de gastos de HH, por intermédio de consultas aos diver- SOS setores envolvidos no projeto; Os serviços de procura no exterior, caso estejam previstos, po- 2. Avaliar os custos dos serviços, com base na quantidade de HH estimada e dem ser estimados considerando-se um percentual de 3 a 5% so- no custo médio do HH de cada um desses setores; bre custo dos equipamentos que serão importados. 3. Estimar as despesas a serem reembolsadas pelo Cliente, envolvendo os se- guintes itens: ENGENHARIA NACIONAL Viagens e estadas no país e no exterior; Cópias e reproduções; Este item compreende, em geral, os custos dos seguintes serviços: Ligações telefônicas interurbanas; Deslocamento de pessoal do escritório para a obra; Gerência ou Administração do Projeto Impressos especiais; Coordenação Transporte de documentos; Estimativas de Custos Planejamento e Controle Físico Financeiro Os custos dessas despesas reembolsáveis podem ser calculados considerando: Engenharia Básica 1. Estimativa de número de viagens aéreas, vezes o custo dessas viagens; Processo 2. Estimativa de permanência fora da sede por técnico, vezes o custo de diári- Segurança as para cobrir a hospedagem e despesas de alimentação e locomoção pagas Segurança, Saúde e Meio Ambiente (SSMA) pela empresa; 3. Número estimado de cópias por tamanho da folha, vezes o custo de cada Engenharia de Equipamentos cópia; Mecânica 4. Custos de deslocamento de pessoal conforme o número de técnicos desta- Elétrica cados para a obra. Instrumentação Automação Engenharia de Detalhamento Tubulação Elétrica Instrumentação Automação Civil Engenharia de Suprimento 92 93Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger METODOLOGIA DA CONTA "SERVIÇOS DE ENGENHARIA" Elaborar Organograma Geral para a Implantação do Projeto e definir as responsabilidades dos envolvidos; Gerenciamento do Projeto Coordenar a elaboração do Plano Geral de Implantação do Projeto, no Fiscalização de Obras qual são definidos o escopo, as metodologias e sistemas a serem adotados Suprimento no planejamento, na programação financeira e no controle de custos, e Engenharia Básica definindo, ainda, os métodos construtivos da construção civil e monta- Engenheira de Equipamentos gem; Engenharia de Detalhamento Elaborar Plano de Qualidade; Acompanhar e controlar custo, prazo, qualidade e a segurança do projeto; Fixar prioridades para as atividades dos demais setores envolvidos no pro- Procedimentos para se estimar valor da Conta "Serviços Técnicos": jeto, como engenharia, suprimentos e obra; Fazer a Análise de Risco do Projeto; Para se efetuar a estimativa de custos dos serviços de engenharia, é importan- Fazer a interface com Cliente e a empresa gerenciadora. te que se tenha uma idéia de como se organiza, normalmente, uma empresa de gerenciamento de projetos e de engenharia, e como elas trabalham. Obser- Em geral, a equipe de gerenciamento, sobretudo em grandes projetos, é com- ve-se que essas duas atividades podem ser desenvolvidas por uma mesma em- posta de um gerente do empreendimento, que é assessorado por um coorde- presa. nador de projeto e por um coordenador de planejamento e controle. São mencionadas, a seguir, as principais atribuições dos departamentos (ou Compete ao coordenador de projeto assessorar gerente do empreendimen- gerências ou divisões) de uma empresa de gerenciamento e de engenharia de to nos assuntos de engenharia de equipamentos e de detalhamento, coorde- projetos. nando as ações das equipes especializadas de engenharia e cuidando da inter- face com a equipe de obra. Gerenciamento do Projeto (Coordenação, Planejamento e Controle) O coordenador de planejamento e controle fica encarregado da elaboração A coordenação, planejamento e controle físico-financeiro são as três ativi- dos cronogramas e das redes de planejamento físico, da sua atualização perió- dades que constituem que se denomina gerenciamento de um projeto. dica e da elaboração dos relatórios de avanço físico. Cabe a ele, também, exercer controle financeiro do projeto, apropriando custos, verificando fa- É do grupo de gerenciamento a responsabilidade pela definição do escopo e turas de empreiteiros e fornecedores, participando de licitações, analisando das estratégias para a implantação do empreendimento, de acordo com a os aspectos financeiros de propostas de fornecimento ou prestação de servi- estimativa de custos e cronograma, que são pré-estabelecidos. Deverá se valer da estimativa de custos do projeto para emitir pareceres sobre essas propostas, assim como para comparar custo comprometido com O gerenciamento é atividade essencial para sucesso do empreendimento. estimado, deixando claros os motivos dos desvios, que poderão ocorrer quan- Cabe ao gerente a responsabilidade pelo desenvolvimento harmônico de todo do da comparação desses um complexo de atividades que constituem a implantação de um projeto in- dustrial. A ele compete coordenar as ações das diversas especialidades de en- Cabe ao coordenador de planejamento e controle, de comum acordo com genharia, exercendo liderança sobre as equipes envolvidas, administrando os engenheiro responsável pela estimativa, elaborar Plano de Contas do em- conflitos que possam surgir entre essas equipes, assim como entre elas e a preendimento e a lista de Centro de Custos, definindo as atividades de proje- equipe de campo. Ao gerente cabe, ainda: to de acordo com este plano e com os centros de apuração de custos adota- dos. 94 95Estimativas de Custos de Investimentos para Empreendimentos Industriais Sergio Conforto & Mônica Spranger Caberá ao coordenador de planejamento e controle a emissão dos seguintes Administrar os serviços extracontratuais, documentos: Controlar os serviços quanto aos aspectos de qualidade e de segurança; Administrar suprimento de materiais, almoxarifado e manutenção do Estrutura analítica do projeto; canteiro, registrando os eventos no Diário de Obras, o qual serve de base Cronogramas de avanço físico do projeto por disciplina; para Relatório Mensal de Execução de Obras. Cronograma físico-financeiro totalizador por conta principal do projeto; Programação e controle das atividades; Engenharia de Suprimento Programação e controle do HH envolvido; Critérios de medição de progresso; É a área encarregada de executar as compras de equipamentos e materiais, e Relatório de progresso do empreendimento; de contratar os serviços para a implantação do projeto. A Engenharia de Programação financeira de curto prazo e de longo prazo; Suprimentos recebe as especificações e as quantidades das diversas áreas de Relatório de custos do projeto. engenharia e providencia as licitações. Procede à análise e equalização das propostas e emite parecer comercial, indicando a firma vencedora. Participa Para canteiro de obras é costume ser enviada uma pequena parte da equipe, do processo de negociação e elabora contrato de compra. É responsável, que se encarregará do planejamento das obras e serviços, obtendo informa- também, pela entrega dos equipamentos e materiais no canteiro de obras no ções, tanto relativas ao andamento físico das obras, como relativas às despe- prazo pré-estabelecido no cronograma do projeto. Cabe, ainda, à área de sas efetuadas, através do Boletim de Medição. suprimento, executar as seguintes tarefas: As atribuições do setor de estimativas de custos, que também é parte do ge- Pré-qualificar fornecedores de equipamentos e materiais; renciamento do empreendimento, já foram detalhadas no Capítulo I deste Pré-qualificar prestadores de serviços (de engenharia terceirizada e em- livro. preiteiros de serviços de campo); Elaborar Plano de Compras e O Plano de Contratações; Fiscalização de Obras Preparar a documentação para licitações; Receber, analisar e equalizar as propostas de fornecedores; Uma parte da equipe de coordenação do projeto permanece na sede da em- Formalizar as ordens de compra e os contratos de serviços; presa gerenciadora, com a atribuição de dar apoio à parte da equipe que se Diligenciar os fornecimentos através do diligenciador, que tem por atri- desloca para canteiro de obras. As comunicações e as trocas de documentos buição monitorar estrito cumprimento, pelo fornecedor, dos prazos esti- entre a sede e campo, devem ser feitas através dessas duas partes da equipe. pulados nos contratos para fabricação e entrega de equipamentos e mate- riais; No campo, a fiscalização acompanha a execução dos serviços técnicos e tam- Inspecionar os equipamentos em fase de fabricação: o inspetor faz a fiscali- bém faz monitoramento da sua qualidade em todas as disciplinas que en- zação do ponto de vista técnico, visitando estabelecimento do fornece- volvem projeto. Esses serviços, que se constituem, basicamente, da realiza- dor, para verificar se este está executando fornecimento rigorosamente ção das obras civis, da montagem eletromecânica e, também, do comissiona- de acordo com que foi especificado. É inspetor de suprimento qué mento e partida, são, geralmente, executados por outras empresas. Compete aprova e faz recebimento em fábrica dos equipamentos; à equipe de fiscalização: Coordenar transporte e providenciar seguro: a emissão e controle das ordens de transporte são tarefas do coordenador de transporte, auxiliado Fazer a interface entre projeto e sua execução no campo; pelo fiscal de transporte, encarregado de acompanhar embarque dos Acompanhar o cronograma das atividades a serem executadas; equipamentos e materiais no estabelecimento dos fornecedores; Elaborar e coordenar Plano de Mobilização e Desmobilização de todas Providenciar as ações necessárias para a importação de equipamentos e as empreiteiras instaladas no canteiro de obras; materiais. Verificar e aprovar os boletins de medição dos serviços realizados; 96 97