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Introdução 1 A unidade curricular Sistemas e Processos Construtivos tem como objetivo geral desen- volver competências para a supervisão técnica do processo de construção de edificações, aten- dendo aos critérios estabelecidos nas normas. Neste segundo volume do livro, iremos estudar outros tipos de sistemas construtivos, veremos assuntos como: vedações e suas características, instalações elétricas, hidráulicas, alinhadas às normas técnicas, utilização e equipamentos. Ve- remos também alguns serviços vinculados ao acabamento, como: esquadrias, ferragens, reves- timento, cobertura e outros. E para finalizar o volume dois, falaremos da impermeabilização. Durante nosso estudo, abordaremos assuntos que lhe permitirão desenvolver as seguintes capacidades: CAPACIDADES SOCIAIS, ORGANIZATIVAS E METODOLÓGICAS: a) gerenciar equipes de trabalho; b) liderar equipes e ter bom relacionamento interpessoal; c) projetar e analisar resultados; d) aplicar princípios de qualidade, saúde, segurança do trabalho e ambientais. CAPACIDADES TÉCNICAS: a) identificar os órgãos específicos à aprovação de projetos; b) interpretar normas e legislações específicas à aprovação de projetos; c) planejar a aprovação de projetos; d) monitorar possíveis modificações de projeto no decorrer da construção. Prezado (a) aluno (a) 01 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS12 e) selecionar documentos necessários à aprovação de projetos nos órgãos es- pecíficos; f) cumprir as exigências apresentadas pelos órgãos específicos para obtenção de licenças. Lembre-se de que você é o principal responsável por sua formação, e isso in- clui atitude e disciplina quanto a: a) consultar seu professor/tutor sempre que tiver dúvida; b) não deixar as dúvidas para depois; c) estabelecer e realmente cumprir um cronograma de estudo; d) separar um tempo para descansar, principalmente quando o estudo se pro- longue. Aproveite o conteúdo deste livro didático. Sucesso e bons estudos! 02 1 INTRODUÇÃO 13 Anotações: 03 Vedações 2 Neste capítulo, faremos uma abordagem sobre a vedação vertical, suas propriedades, fun- ções e principais normas técnicas aplicáveis. Veremos ainda os tipos de equipamentos e ferra- mentas, seus riscos e medidas preventivas. Dizemos que a Vedação é um subsistema da edificação formado por elementos que dividem e definem o imóvel e os seus espaços interiores, e é constituído pelos seguintes elementos: a) vedo: elemento que assegura a vedação vertical (paredes, divisórias); b) esquadria: permite ou não o acesso aos ambientes; c) revestimento: elemento decorativo e de proteção à vedação. A vedação vertical tem inúmeras funções na edificação, conforme veremos a seguir: a) define verticalmente os ambientes, criando compartimentos internos; b) protege a edificação da ação dos agentes atuantes como calor, frio, chuva, umidade, ru- ídos, intrusos; c) proteção contra a ação do incêndio; d) possibilita condições favoráveis à habitação - conforto, higiene; e) atua como elemento de suporte e proteção para as instalações embutidas (elétrica, hi- dráulica etc.) Este subsistema tem por elementos constituintes, além do vedo, as esquadrias e os revesti- mentos, gerando estes dois últimos consideráveis gastos financeiros, fazendo com que a veda- ção vertical represente de 10% a 20% do custo do edifício. Destacaremos abaixo algumas das propriedades características das vedações: a) controle da passagem de ar; b) resistência mecânica; c) deformabilidade1; d) controle da iluminação; e) durabilidade; f) isolação térmica; g) isolação acústica; 04 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS16 1DEFORMABILIDADE: Alteração da forma. Podemos classificar as vedações verticais de acordo com diferentes aspectos: a) quanto à posição no edifício as vedações dividem-se em: - externas: refere-se à fachada do edifício em que as faces desta estrutura estão em contato com o meio ambiente; - internas: correspondem às divisórias, divididas em compartimentação (divisão interna) e separação, ou seja, divisórias entre unidades, e entre estas e a área comum da edificação. b) quanto à técnica de execução, as vedações dividem-se em: - vedações por conformação: são executadas a partir de moldagem a úmi- do no local, ou seja, utilização de materiais que necessitam de água para obter plasticidade. São chamadas de Wet Constructions ou construção úmida. Figura 1 – Vedação vertical externa Figura 2 – Vedações internas 05 2 VEDAÇÕES 17 Citamos como exemplo a alvenaria de bloco de concreto comum e de blo- cos cerâmicos. - vedações por acoplamento a seco: utiliza a técnica de execução de veda- ções através de materiais sem a utilização de água, também conhecida internacionalmente como Dry Construction ou construção seca, como por exemplo Drywall; - por acoplamento úmido: vedações verticais montadas com pré-molda- dos de concreto, exemplo: os painéis de placa de concreto. c) quanto à estruturação: refere-se às características de sustentação na edi- ficação. - autossuporte: este tipo de vedação não necessita de estruturas comple- mentares para a sua sustentação, são também conhecidas como auto- portantes. Temos como exemplo deste tipo de vedação as alvenarias convencionais; - estruturada: é o tipo de vedação que necessita de uma estrutura auxiliar suporte para lhe dar suporte. Exemplo: divisórias de madeira e paredes de gesso em drywall, composta por placas de gesso acartonado, que ne- cessitam de uma estrutura em aço galvanizado para dar suporte a esse sistema; - pneumáticas: ainda pouco utilizada, este tipo de vedação é sustentada a partir da injeção de ar comprimido. Citamos como exemplo os galpões em lona, conforme ilustra a Figura 3. d) quanto à densidade superficial: nesta classificação considera-se a relação entre sua massa e a área que ocupa, podendo ser: Figura 3 – Vedação pneumática 06 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS18 2AUTOPORTANTE: Diz-se de qualquer estrutura cuja estabilidade é assegurada com o apoio em uma única extremidade. 3PEDRISCOS: Pedra britada, miúda, para construção. - leve: apresentam baixa densidade com limite variando entre 60 kg/m² e 100 kg/m². Não tem função estrutural, como por exemplo, a fachada de esquadrias de vidro; - pesada: vedação que tem densidade superficial acima do limite convencio- nado. Podem ter ou não função estrutural, como, por exemplo, painéis de concreto. FIQUE ALERTA Ao instalar painéis de concretos ou de quaisquer outros materiais pesados, é necessário que seja feito o isolamen- to da área para evitar acidentes no canteiro de obras. e) quanto à mobilidade: esta classificação refere-se à possibilidade de remo- ção e/ou remontagem da vedação vertical do local originalmente construí- da. Está dividida em: - fixas: vedações que não apresentam condições de serem removidas sem destruição, uma vez que o material constituinte dificilmente será recu- perado, como, por exemplo, as alvenarias de bloco de concreto ou alve- narias de blocos cerâmicos; - desmontáveis: vedações que apresentam condições de serem removi- das, gerando alguns danos em seus elementos. Caso aconteça a remon- tagem, será necessário substituir algumas peças, como por exemplo: pa- redes constituídas através das estruturas em aço de Steel Framing, cujas peças em aço podem ser removidas e reutilizadas; Figura 4 – Vedação pesada com painéis de concreto 07 2 VEDAÇÕES 19 - removíveis: são vedações em que a montagem e desmontagem podem ser feitas sem prejuízo da integridade dos seus elementos componentes, também conhecidos como modulares, como, por exemplo, paredes di- visórias retráteis ou ainda paredes divisórias de compensado; - móveis: são divisórias usadas apenas na compartimentação dos ambien- tes (divisórias baixas), conforme ilustrado na Figura 5. f) quanto à continuidade do pano de vedação: leva-se em consideração a re- lação entre a continuidade do pano e a distribuição dos esforços no mesmo. - monolíticas: todo o conjunto da vedação absorve solidariamenteproteger as quinas com cantoneiras de alumínio. Chamamos a atenção que após preparada a argamassa colante, o seu tempo limite de utilização é de duas horas. De acordo com a disposição das juntas, podemos distingui-las em azulejos com: juntas amarradas, juntas a prumo ou alinhadas, juntas dama, juntas escama de peixe, juntas em diagonal. Amarrada Prumo ou alinhada Diagonal Dama Escama de peixe As espessuras das juntas variam de acordo com a dimensão das peças cerâmi- cas: para peças de 15 cm x 15 cm, recomenda-se a espessura da junta de 1,5 mm e para peças de 15 cm x 20 cm ou de 20 cm x 20 cm, é indicada a espessura da junta com 2,0 mm. Figura 52 – Tipos de juntas em assentamento cerâmico 57 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS72 CASOS E RELATOS Pesquisar, comprar e armazenar corretamente. Pedro e Cristina são recém-casados , e após pesquisarem em diversas casas comerciais as peças cerâmicas que pretendiam usar nos revestimentos de paredes dos sanitários e cozinha, finalmente encontraram os azulejos que atendiam às suas exigências quanto à estética, qualidade e preço. Tinham chegado à conclusão que era melhor fazer a opção de compra por um produto que tivesse uma boa relação custo/benefício. Não queriam ter pre- juízos com escolhas mal feitas nem tão pouco com desperdício de materiais. Recomendaram, portanto, à equipe executora da obra que estocassem bem aquele material seguindo as recomendações do fabricante - colocar o material em local plano, nivelado, firme, coberto, para que se protegessem as embalagens que contêm as placas, man- tendo-as intactas. As pilhas de estocagem não poderiam ter mais de 2,0 m². No dia seguinte, fizeram uma visita a sua obra e verificaram que as condi- ções de armazenamento correspondiam às suas expectativas, o que signifi- cava redução de desperdícios. Figura 53 – Revestimento cerâmico 58 5 REVESTIMENTOS 73 A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) fixa orientações e procedi- mentos na execução de revestimentos. Citam-se, a seguir, alguns exemplos. a) Revestimento de paredes externas e fachadas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante - Procedimento NBR13755 - Data 12/1996. b) Revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante - Procedimento NBR13754 - Data 12/1996. c) Execução de piso com revestimento cerâmico NBR 9817 - NB1069 - Data 05/1987. Dicas para melhorar a produtividade Planos grandes de revestimento, sem interferências, favorecem a produtividade. a) uma paginação que leve em conta princípios modulares di- minui o número de peças cortadas; b) uma base regular minimiza a necessidade de acerto geomé- trico pela camada de assentamento; c) é improdutivo ter de voltar para fazer pequenas áreas não inicialmente liberadas ou ter de trabalhar fazendo pequenas quantidades de cada vez; d) os materiais (placas e argamassa colante) devem estar dis- poníveis no local do trabalho, no momento e quantidade corretos; e) devem ser previstos equipamentos adequados para o trans- porte dos materiais; f ) os cortes de placas devem ser feitos com ferramentas ad- equadas e por operário treinado nesse tipo de operação; g) cuidado para não danificar as caixas com placas; h) o treinamento prévio dos operários, incluindo a discussão sobre a paginação adotada, é fundamental para o bom anda- mento do trabalho; i) a verificação, correção e liberação de frentes de trabalho por um encarregado evita a paralisação do serviço ou a necessi- dade de retrabalho em área não adequada; j) em particular, devem-se analisar, com cuidado, as interferên- cias com os sistemas hidráulicos e elétricos e com a impermea- bilização de ambientes internos. 59 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS74 1GRAFIATOS: É um tipo de pintura texturizada acrílica. Revestimento em pastilhas: as pastilhas são comercializadas em mosaicos, coladas a uma folha de papel, para auxiliar na sua aplicação; podem ser de por- celana, de faiança, vidradas. São usadas em revestimentos internos e externos de paredes, sobre emboço sarrafeado. As caixas contendo as pastilhas deverão ser armazenadas em locais cobertos, secos, sobre estrados de madeira. É cada vez mais comum o uso do assentamento das pastilhas utilizando-se a argamassa industrializada através da argamassa adesiva mineral em pó, este ma- terial é produzido com aditivos especiais, fabricado sob controle de qualidade, o que traz inúmeros benefícios em relação à resistência, aderência e acabamento. Depois de preparada a argamassa pré-fabricada, ela só poderá ser usada até o prazo limite de três horas. Revestimento com pedras: revestimento bastante usado pelo seu aspecto estético. Apresentado em placas de várias dimensões, em cores e texturas diver- sas, garante ao ambiente requinte decorativo, alinhando beleza, durabilidade e qualidade, além de economia pelo fato deste revestimento não necessitar de pin- turas, texturas ou grafiatos1. Os revestimentos de pedras naturais mais usados em paredes são os de: areni- to, granito, ardósia, pedra mineira. Figura 54 – Revestimento em pastilha 60 5 REVESTIMENTOS 75 Revestimento em madeira: podem ser feitos com madeira maciça, placa de compensado e aglomerado ou polpa de madeira prensada. Estes revestimentos são usados em ambientes internos e externos, sendo que neste caso a madeira deverá ter um tratamento hidrófugo para protegê-la da umidade. Os revestimen- tos de madeira são muito estéticos e transmitem a sensação de aconchego e de maior contato com a natureza. No entanto, pensando na preservação ecológica, devemos estar sempre atentos para a aquisição de produtos de madeira retira- das de áreas preservadas e autorizadas em áreas reflorestadas. As madeiras mais utilizadas para serem usadas em revestimentos são: cumaru, ipê, freijó e itaúba. Revestimento sintético: revestimento de material plástico ou vinílico apre- senta algumas vantagens que são apreciadas na sua utilização: Figura 55 – Revestimento com pedras naturais Figura 56 – Revestimento em madeira 61 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS76 a) apresenta satisfatório grau de dureza; b) resiste bem à ação dos efeitos provocados pela atmosfera; c) não é facilmente riscável, nem apresenta ocorrências de manchas; d) são encontrados no mercado em variadas opções de modelos; e) tem a sua fixação à sua superfície de forma simplificada através de colagem. Tem como desvantagem a necessidade de se remover uma ou algumas placas quando de um reparo elétrico ou hidráulico. Revestimento de papel: tem larga utilização por ser de baixo custo, de fácil aplicação e bastante decorativo. São fornecidos pelo mercado em rolos de 50 cm de largura x 20 m de comprimento. Sua aplicação é feita fixando-se este material à superfície através de cola. Figura 57 – Revestimento sintético Figura 58 – Revestimento em papel de parede 62 5 REVESTIMENTOS 77 Revestimento em fibras: são revestimentos naturais, bastante decorativos, criam também um ambiente acolhedor. Apresentam uma grande variedade de texturas, cores e padronagens. Deve ser aplicado em locais em que não haja umi- dade. Sua aplicação é bem simples e se dá com auxílio de cola. Funções: Os revestimentos conferem aos elementos estruturais (pilares, vigas, lajes, etc.) ou de vedação proteção contra os efeitos nocivos do intemperismo, provocados pelo sol, chuva, vento, variações de umidade, maresia, além de con- ferir estanqueidade às superfícies onde foram aplicados. Assim como nas demais etapas construtivas, também na execução de revestimen- tosexistem fatores de riscos e perigos que podem levar o trabalhador a se acidentar. Medidas preventivas podem e devem ser tomadas a fim de minimizar estas possibilidades prejudiciais à integridade física do trabalhador. Riscos de Acidentes: projeção de partículas nos olhos, queda de pessoas, ex- posição à energia elétrica, queda de objetos, contato com materiais e ferramentas perfurocortante . Riscos à Saúde: ruído proveniente da esmerilhadeira.Danos gerados pelos riscos de acidentes: lesão ocular, politraumatismos, ferimentos, contusões, choque elétrico, queimaduras, parada cardiorrespiratória, morte, cortes, amputações. Danos gerados pelos riscos à saúde: perda auditiva, problemas respiratórios. Medidas preventivas a serem adotadas no canteiro de obras: utilização de sinalização de segurança, adequada utilização de ferramentas diversas, uso de Figura 59 – Revestimento em fibras 63 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS78 equipamentos de proteção contra quedas, manutenção de ordem e limpeza no canteiro de obras, utilização de profissionais conhecedores das atividades a se- rem desenvolvidas. É importante evitar a presença ou circulação de pessoas não vinculadas ao ser- viço em áreas com muito ruído, realizar manutenção preventiva de máquinas e equipamentos, realizar exames audiométricos, ter cuidado com o asseio corporal e com a limpeza da roupa utilizada no trabalho. Na implantação de medidas preventivas, é sempre válido enfatizar a necessi- dade de levar aos trabalhadores a conscientização dos cuidados que devem to- mar durante as suas atividades laborais, com o emprego de Equipamentos de Proteção coletiva - EPI’s, . É de se esperar que as empresas construtoras esgotem todos os recursos preventivos através do uso sistemático dos Equipamentos de Proteção Coletivos - EPC´S . EPC: guarda-corpo rígido, proteção de aberturas internas, dutos de descarga; EPI: calçado de segurança, capacete, óculos de segurança contra impacto, luva de raspa, protetor auricular. EPC’s e EPI’s (capacete, óculos de proteção, luvas de borracha, botas de couro) Riscos Inerentes ao Serviço e Medidas Preventivas. Na execução das etapas construtivas, alguns procedimentos são recomendá- veis para que se consiga a qualidade desejada. Vamos tomar como exemplo algu- mas indicações para assentamento de revestimentos cerâmicos: a) verificar a limpeza do local de assentamento e a necessidade ou não de re- gularização; b) proceder ao umedecimento da superfície de assentamento antes da aplica- ção da camada de argamassa colante; c) controlar para que a peça cerâmica tenha contato total com a argamassa e a superfície de assentamento; d) para que a peça ao ser assentada tenha um contato perfeito com a argamas- sa colante, é necessário que, através de uma ferramenta semelhante a um martelo de borracha, sejam dados pequenos golpes para garantir a perfeita aderência da peça; e) considerar a espessura da camada de assentamento não superior a 5,0 mm; f) utilizar uma desempenadeira de dentes a fim de criar sulcos na superfície de assentamento. 64 5 REVESTIMENTOS 79 A verificação e aceitação dos serviços acontecem através do acompanhamen- to destes trabalhos, buscando-se identificar não conformidades nos materiais en- volvidos e/ou na execução dos serviços para a sua correção se necessário. Verifi- ca-se se as juntas estão de acordo com o especificado, se as peças cerâmicas estão bem aderentes à superfície de fixação, se as peças formam no seu conjunto uma superfície plana e regular. Uma vez que esta etapa construtiva tenha atendido às diretrizes do projeto específico em consonância com as normas da ABNT, pode-se então dar como concluído e aceito estes serviço. RECAPITULANDO Neste capítulo, tratamos sobre os revestimentos, sua conceituação, funções e classificações. Deu-se ênfase aos revestimentos de fachadas e paredes em construções residenciais, no entanto não deixou de citar a ocorrência de revestimentos específicos em ambientes especiais, como: áreas industriais, comerciais, químicas, hospitalares e navais. Em seguida, abordamos os ti- pos de revestimentos quanto ao material constituinte: argamassa, cerâmi- cos, pedra, madeira, sintéticos, de papel, de fibra. Em seguida, falamos então das suas propriedades, funções, técnicas de aplicação, equipamentos, ferramentas e acessórios utilizados para o assen- tamento, espessura de juntas, dimensões das peças, elementos de fixação, vantagens de utilização. Abordamos ainda aspectos relativos a riscos de acidentes e danos gerados pelos acidentes e as medidas preventivas possíveis de serem implementadas. Figura 60 – Assentamento de revestimento cerâmico 65 Coberturas 6 Desde os tempos mais remotos, ou seja, nos primórdios da civilização, o homem busca se abrigar das intempéries, como: o frio, a chuva, o sol, a neve, o vento, os raios, etc. Para bem atender as suas finalidades, as coberturas têm a função de proteger as edificações e os seus usuários das ações dos agentes agressivos da natureza e, através das suas propriedades isolan- tes, possibilitar o conforto térmico e acústico. A cobertura selecionada para atender aos usuários, deverá apresentar: a) resistência mecânica do seu conjunto; b) impermeabilidade; c) durabilidade; d) praticidade de colocação; e) plasticidade suficiente para suportar as dilatações e contrações; f) secagem rápida; g) facilidade de manutenção; h) bom escoamento. A cobertura de uma obra divide-se em dois aspectos principais: uma constituída de vigas e peças diversas metálicas ou de madeira (tesoura) que chamamos de estrutura, que tem a fun- ção de suportar as cargas da cobertura e de outros esforços que agem sobre ela. O outro aspecto a ser ressaltado é a cobertura, apoiada sobre a estrutura e cujas funções já citamos acima. VOCÊ SABIA? Domos são peças de fiberglass, policarbonato ou acrílicos em forma de abóboda, redonda, quadrada ou retangular, transparentes, têm por função permitir a passagem de luz e ventilação naturais através da cobertura. 66 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS82 Tesoura – esta estrutura é formada por diversas peças formando um conjunto treliçado, com a função de sustentar a cobertura. Estaremos a seguir abordando cada uma destas peças, com a sua função específica dentro do conjunto: a) linha – peça de alinhamento que recebe a transferência de todas as cargas recebidas pelas demais peças da tesoura; b) perna ou empena – peça colocada em diagonal dá a inclinação da estrutura, apoia as terças do telhado; c) pendural – elemento vertical da tesoura, apoia a cumeeira do telhado; d) montante – elemento vertical, apoia as pernas da tesoura; e) diagonal ou escora – elemento em diagonal, também responsável pela dis- tribuição de cargas do telhado. Pendural Empena Apoio Linha Diagonal Figura 61 – Domo Figura 62 – Tesoura de uma cobertura 67 6 COBERTURAS 83 SAIBA MAIS As Sambladuras são os diferentes tipos de ligações ou fi- xações entre as diversas peças de uma tesoura. Saiba mais sobre este assunto pesquisando no livro Técnicas e Práticas Construtivas de Julio Salgado, Editora: Erica. Em um telhado completo de madeira encontraremos diversos elementos que fazem parte deste conjunto e que estaremos tratando individualmente a seguir: a) ripas – elementos de madeira fixados perpendicularmente sobre os caibros e paralelamente às terças, têm a função de apoiar as telhas cerâmicas; b) terças – peças de madeira, posicionadas horizontalmente, se apoiam sobre as pernas da tesoura, ou sobre pontaletes, ou ainda em alvenarias, servindo de apoio para os caibros em coberturas com telhas cerâmicas; c) caibros – peças de madeira acompanham a inclinação do telhado, são fixa- dos nas terças, apoiando as ripas; d) terça de cumeeira – terça fixada no encontro das empenas (pernas) com o pendural central, localizado na parte superior do telhado; e) frechal – viga de madeira que acompanha todo o respaldo das paredes ao longo do telhado, tem a função de distribuir as cargas transferidas pela te- soura ou por outros elementos de sustentação. É também denominado de frechal a terça do extremo inferior do telhado; f) chapuz – peça de madeira usada como calço para dar apoio na fixação da terça; 3.Pendural 6.Chafuz 4.Empena1.Apoio 2.Linha 5.Diagonal 12.Cumeeira 11.Telha 10.Beiral 9.Ripa 8.Caibro 7.Terça g) água – cada uma das superfícies planas e inclinadas que definem a inclina- ção de um telhado.Os telhados podem ser de uma água, duas águas, três águas ou diversas águas; h) mão francesa – peça inclinada com a função de sustentar (travar) uma estru- tura ou parte dela; Figura 63 – Elementos de um telhado 68 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS84 1ACHAS: S.f. Pedaço de madeira tosca para o lume, tora de lenha, cavaca: as achas de uma fogueira. i) cumeeira – linha delimitada pelo encontro entre os dois planos inclinados ou águas, na parte mais alta do telhado; j) beiral – elemento do telhado que ultrapassa o alinhamento das paredes; k) rincão – aresta gerada pelo encontro formado entre duas “águas”, produzin- do um ângulo reentrante, sendo, portanto, um captador de águas; l) espigão – aresta gerada pelo encontro entre duas “águas”, produzindo um ângulo saliente, sendo, portanto, um divisor de águas; m) rufo - peça de madeira, metal, concreto, etc., que protege a área de encon- tro do telhado com a parede evitando infiltração de água; n) fiada – linha de telhas na posição horizontal. Cumeeira Espigão Água Fiada Água Beiral Beiral Rufo Rincão Beiral FIQUE ALERTA Ao se executar uma estrutura de telhado, que servirá de suporte para a cobertura, alguns riscos acompanharão es- tas atividades com possibilidades de causar danos. Como por exemplo, o ruído decorrente da utilização de máqui- nas e equipamentos que pode levar a perda auditiva. Diferentes são os tipos de coberturas usadas nas edificações. Elas podem ser usadas em prédios comerciais, residenciais, industriais, hospitalares etc., e o tipo escolhido fica a critério do construtor. Abaixo, citam-se alguns deles. Figura 64 – Nomenclatura dos planos do telhado 69 6 COBERTURAS 85 Quanto ao Material Empregado Madeira: muito utilizada em regiões ricas de florestas. Pode ser aplicada sob a forma de lâminas e de achas1. Ardósia: apresenta-se, geralmente, em forma de lâminas. Tem a propriedade de ser incombustível, má condutora de calor e bastante durável. Quanto à estéti- ca, o seu conjunto é harmonioso e de rara beleza. Material fibroso: telhas produzidas com cimento e amianto. Apresentam-se sob a forma de chapas onduladas, tem como principais propriedades a durabili- dade, a resistência mecânica, a incombustibilidade, a impermeabilidade. Figura 65 – Coberturas Figura 66 – Cobertura em ardósia 70 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS86 Na sua estrutura de sustentação, não será necessário o ripamento (utilização de ripas), pois as telhas são fixadas em terças (elemento de sustentação do telha- do) nas suas extremidades. São comercializadas apresentando diversas opções em relação às suas dimen- sões, o que lhe permite com relativa facilidade e rapidez a execução de cobertu- ras de diferentes tamanhos. Na execução desta cobertura, alguns cuidados devem ser observados: a) a fixação de telhas de pouca espessura deve ser reforçada. Quando utilizada em áreas maiores como galpões, podem sofrer danos pela ação dos ventos; b) durante a furação das telhas para introdução dos elementos de fixação, es- tes locais podem ser agentes de infiltração de água de chuva, sendo reco- mendável que se faça a calafetagem destes furos; c) verificar periodicamente a integridade da cobertura, que podem ser preju- dicadas pela movimentação da estrutura e pela ação dos ventos. Material metálico: telhas produzidas utilizando o zinco, o aço e, principal- mente, alumínio. Tem a possibilidade devido as grandes dimensões de suas te- lhas vencerem grandes vãos. Apresentam-se sob a forma de chapas onduladas ou trapezoidais, tendo como principais propriedades a leveza, diminuindo o custo da sua estrutura de sustentação e a condução do calor. Cuidados a serem observados na execução de estrutura metálica de uma co- bertura: a) a fim de aumentar a sua durabilidade, aplicar tratamento anticorrosivo e pintura de acabamento; b) fazer tratamento adequado ao primeiro aparecimento de ferrugem na es- trutura; Figura 67 – Cobertura com material fibroso 71 6 COBERTURAS 87 c) as soldas devem estar perfeitas, não apresentando sinais de desgaste. Material cerâmico: telhas produzidas a partir da argila e depois cozidas a altas temperaturas. São encontradas no mercado sob variadas formas e cores, apresen- tam como propriedades resistência aos efeitos da intempérie, impermeabilidade, pouca condução de calor. A sua estrutura de sustentação requer a utilização de ripas, ripões e terças. A cobertura realizada com telhas cerâmicas tem como procedimento de exe- cução a colocação destas peças no telhado, de baixo para cima, a partir do beiral. Na última fiada, na interseção entre dois planos do telhado, é feito o “acabamen- to” deste encontro com uma fiada de telhas (cumeeira), assentada com argamas- sa de cimento, cal, areia. Figura 68 – Cobertura com material metálico Figura 69 – Cobertura com material cerâmico 72 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS88 CASOS E RELATOS Bom senso prevalece. O casal Pedro e Cristina vem acompanhando todas as etapas construtivas da edificação da sua casa. Tem, junto com a equipe executora da obra e com a projetista, participado das discussões e amadurecido decisões que dependam deles. Nesta etapa de cobertura, vem acontecendo um impasse, enquanto Pedro deseja que a cobertura seja executada com telhas cerâmicas apoiadas em estrutura de madeira, Cristina prefere que a cobertura seja feita com telhas de cimento amianto. Como os dois estavam irredutíveis nas suas escolhas, resolveram então através de uma reunião, com exposição individual de motivos, chegarem a um consenso que satisfizesse a ambos. O bom senso prevaleceu e optaram então pela cobertura com telhas cerâmi- cas, em razão de apresentar maior conforto térmico para regiões litorâneas, além de esteticamente valorizarem bastante o aspecto visual do imóvel. Policarbonato: esta cobertura utilizando este tipo de material vem sendo bastante utilizado pela sua praticidade, transparência à luminosidade, leveza – é 80% mais leve que o vidro e cerca de duzentas vezes mais resistente. A sua versatilidade permite que a cobertura seja adequada à estética do am- biente, e dessa maneira podemos ter as coberturas de policarbonato em: a) arco; b) duas águas; c) quatro águas; d) tipo túnel; e) formas retas; f) formas curvas; g) formas semicurvas ; h) tipo pirâmide; i) tipo toldo; j) vidro laminado; 73 6 COBERTURAS 89 As estruturas suportes das placas de policarbonato são confeccionadas uti- lizando-se aço galvanizado a fogo ou alumínio. São inúmeros os locais em que se usam as coberturas de policarbonato. Citaremos a seguir algumas das várias aplicações desta cobertura: a) para jardins de inverno; b) para piscinas; c) tipo túneis para passarelas, condomínios, hotéis; d) tipo semicurva para frente de lojas, corredores; e) para garagem; f) para áreas de serviços; g) para galpões industriais; h) para estacionamentos; i) para entrada de condomínios; j) para churrasqueiras. Figura 70 – Cobertura em policarbonato de duas águas 74 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS90 Concreto: neste tipo de cobertura, as telhas são fabricadas com traço especial de concreto leve, o que possibilita que tenhamos um peso de 50 kg/m² e uma área de cobertura de aproximadamente onze telhas por metro quadrado. Estas peças são fornecidas em várias cores e apresentam alta resistência, acima de 300 kg. Material plástico: as coberturas que utilizam telhas plásticas têm como carac- terística a leveza destas peças de aproximadamente 6 kg/m², o que termina por reduzir o peso e, consequentemente, o custo da sua estrutura de suporte. A sua fixação se dá através de abraçadeiras especiais de nylon, o que evita o seu des- locamento durante ocorrências de vento forte. A inclusão de aditivos antirraios ultravioleta auxilia no combate da radiação solar. Figura 71 – Cobertura em policarbonato em churrasqueira Figura 72 – Cobertura com telha de concreto 75 6 COBERTURAS 91 A Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT fixa regras e diretrizespara controle dos materiais envolvidos na cobertura, bem como na execução dos te- lhados. Citam-se, a seguir, algumas normas voltadas especificamente para o estudo e desenvolvimento desta etapa construtiva: - ABNT NBR 15575:2013 apresentam disposições aplicáveis às edificações resi- denciais de até cinco pavimentos, abrangendo o sistema de coberturas. - ABNT NBR 7581-2:2012, Telha de Fibrocimento – Verificação de Permeabili- dade. - ABNT NBR 5643:2012, Telha de Fibrocimento - Verificação de Resistência à Cargas Uniformemente Distribuídas. - ABNT NBR 13.858-1:2009 – Telhas de Concreto – Parte 1: Projeto e Execução de Telhados. - ABNT NBR 13.858-2:2009 - Telhas de Concreto – Parte 2: Requisitos e métodos de ensaio. NORMAS TÉCNICAS PERTINENTES NORMA CÓDIGO ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO Alumínio e suas ligas - Chapas corrugadas (telhas) NBR14331 06/1999 Coberturas NBR5720 NB344 02/1982 Emprego de chapas estruturais de cimento - amianto NBR5639 NB554 12/1997 Folha de telha ondulada de fibrocimento NBR7196 NB94 06/1983 Membrana acrílica com armadura para impermeabilização NBR13321 03/1995 Figura 73 – Cobertura com telhas plásticas 76 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS92 NORMAS TÉCNICAS PERTINENTES NORMA CÓDIGO ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO Parafusos, ganchos e pinos usados para fixação de telhas de fibro- cimento - Dimensões e tipos NBR8055 PB994 09/1985 Peças complementares para telhas onduladas de fibrocimento - Funções, tipos e dimensões NBR9066 PB1169 09/1985 Projeto de estruturas de madeira NBR7190 NB11 08/1997 Projeto e execução de telhados com telhas cerâmicas tipo francesa NBR8039 NB792 06/1983 Telha cerâmica - Determinação da massa e da absorção de água NBR8947 MB2132 07/1985 Telha cerâmica - Verificação da impermeabilidade NBR8948 MB2133 07/1985 Telha cerâmica de capa e canal NBR9601 EB1701 09/1986 Telha cerâmica de capa e canal tipo colonial - Dimensões NBR9600 PB1247 09/1986 Telha cerâmica de capa e canal tipo paulista - Dimensões NBR9568 PB1245 09/1986 Telha cerâmica de capa e canal tipo plan - Dimensões NBR9599 PB1246 09/1986 Telha cerâmica, tipo francesa NBR7172 EB21 03/1997 Telha cerâmica, tipo francesa - Determinação da carga de ruptura à flexão NBR6462 MB54 03/1997 Telha cerâmica, tipo francesa - Forma e dimensões NBR8038 PB1013 03/1997 Telha cerâmica, tipo romana NBR13582 02/1996 Telha de fibrocimento - Determinação da absorção de água NBR6470 NB236 09/1993 Telha de fibrocimento - Determinação da carga de ruptura à flexão NBR6468 MB234 09/1993 Telha de fibrocimento - Verificação da impermeabilidade NBR5642 MB1089 11/1993 Telha de fibrocimento - Verificação da resistência a cargas unifor- memente distribuídas MBR5643 MB1090 03/1983 Telha de fibrocimento, tipo canal NBR12825 04/1983 Telha de fibrocimento, tipo pequenas ondas NBR12800 01/1993 Telha estrutural de fibrocimento NBR5640 EB305 031995 Telha ondulada de fibrocimento NBR7581 EB93 02/1993 Telhas de concreto - Parte 1: Projeto e execução de telhados NBR13858-1 04/1997 Telhas de concreto - Parte 2: Requisitos e métodos de ensaio NBR13858-2 04/1997 77 6 COBERTURAS 93 Quadro 2 – Normas técnicas pertinentes Fonte: SENAI, 2013. Ferramentas e acessórios utilizados (no assentamento de uma cobertura): a) trenas de aço de 5m e 30m; b) lápis de carpinteiro; c) martelo; d) serrote; e) linha de náilon; f) nível de bolha de 30 cm; g) mangueira de nível ou aparelho nível a laser; h) guincho; i) esquadro metálico de carpinteiro; j) serra elétrica portátil. Como é do nosso conhecimento, um canteiro de obras é um local onde acon- tecem diversos tipos de acidentes pelo fato de existirem inúmeros fatores de ris- cos inerentes aos serviços ali desenvolvidos. Para minimizar estas ocorrências, é necessário que medidas preventivas sejam adotadas. Citamos, a seguir, perigos e fatores de riscos inerentes à etapa cobertura. Riscos Queda de pessoas, queda de objetos, golpes no manuseio e utilização de fer- ramentas. Danos gerados por estes riscos Politraumatismos, ferimentos, contusões e mortes. Medidas preventivas Utilização de sinalização de segurança, adequada utilização de ferramentas diversas, uso de equipamentos de proteção contra quedas, manutenção de or- dem e limpeza no canteiro de obras, utilização de profissionais conhecedores das atividades a serem desenvolvidas. Na implantação de medidas preventivas, é sempre válido enfatizar a neces- sidade de levar aos trabalhadores a conscientização dos cuidados que devem tomar durante as suas atividades laborais. É imprescindível o emprego de Equi- pamentos de Proteção coletiva - EPC’s e o uso de Equipamentos de Proteção In- dividual - EPI’s . EPC: Guarda-corpo rígido, cabo guia trava-quedas, sistema de combate a in- cêndios, barreiras de proteção, duto de descarga. 78 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS94 EPI: calçado de segurança, capacete, cinto de segurança paraquedista, óculos de segurança contra impacto, luva de raspa, protetor auricular. A verificação e aceitação dos serviços acontecem através do acompanhamen- to destes trabalhos buscando-se identificar não conformidades nos materiais en- volvidos e/ou na execução dos serviços para a sua correção, se necessário. Uma vez que esta etapa construtiva tenha atendido às diretrizes do projeto específico em consonância com as normas da ABNT, pode-se então dar como concluído e aceito estes serviços. Figura 74 – Equipamentos de proteção coletivo Figura 75 – Equipamentos de proteção Individual 79 6 COBERTURAS 95 RECAPITULANDO Neste capítulo, abordamos as funções das coberturas, suas propriedades, os critérios determinantes para sua escolha. Tratamos da divisão da cober- tura em sua estrutura de apoio e a parte superior que se apoia na estrutura, chamada de cobertura. Em seguida, falamos sobre a estrutura chamada de tesoura, definindo cada uma das peças que fazem parte da sua composição: linha perna ou empe- na, pendural, montante, diagonal ou escora; falamos do telhado de madei- ra e das suas peças: ripas, terças, caibros, terça de cumeeira, frechal, chapuz ou calço, água, mão francesa, cumeeira, beiral, rincão, espigão, rufo, fiada, definindo cada um destes elementos. Citamos ainda os diversos tipos de cobertura quanto ao material emprega- do: madeira, ardósia, material fibroso, material metálico, material cerâmico, policarbonato, concreto, material plástico. Fizemos referência à várias normas da ABNT que são aplicáveis ao sistema de cobertura, citamos também ferramentas e acessórios utilizados no as- sentamento de uma cobertura e aos riscos e danos gerados pelas ativida- des desempenhadas na execução de uma cobertura, bem como medidas preventivas para minimizar ocorrências de acidentes. 80 Impermeabilização 7 A impermeabilização é um processo que se executa há muito tempo. Os romanos e os incas já empregavam a técnica da impermeabilização em saunas e aquedutos através da aplicação da albumina (clara de ovo, sangue, óleos, etc.). A impermeabilização é o procedimento adotado para se evitar a ação danosa da água na construção, através de infiltrações, utilizando-se para isto da proteção de um sistema de reves- timento que permita a estanqueidade dos elementos fluídicos. Entende-se por estanqueidade a propriedade que confere a impermeabilização, que impe- de a passagem de elementos fluídos. O ideal é que durante a obra seja feita a impermeabilização em locais sabidamente mais atin- gíveis e que já deverão ser alvo de projeto, já com os materiais a serem aplicados especificados. Ao fazer-se a impermeabilização, evita-se as consequências resultantes da infiltração dos efluentes líquidos, como: eflorescências, manchas, bolores, oxidação das armaduras. Podemos dizer que a impermeabilização é aliada da saúde pública, uma vez que ao evitar que ocorra a infiltração mantém os ambientes saudáveis. Eflorescências são deteriorações que surgem quando os sais solúveis existentes nas estru- turas são alcançados pela água infiltrada oriunda dasparedes, fazendo surgir manchas, bolhas, descolamento ou perda da cor da pintura. Nas paredes, têm o aspecto de uma mistura branca, nas estruturas, por diversas vezes, chegam a formar estalactites. VOCÊ SABIA? Você sabia que as primeiras notícias da utilização de materiais imper- meabilizantes foram utilizados em terraços desde 3.000 a.C? Existem algumas situações recorrentes de infiltração de água nas construções e que devem ser tratadas com a impermeabilização adequada ao caso, evitando-se comprometimentos fu- turos, tanto em relação à estética quanto à deterioração dos elementos constituintes das estru- turas edificadas. As ocorrências mais comuns decorrentes da falta de impermeabilização são: 81 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS98 a) concentração de umidade nas estruturas em contato com o terreno; b) umidade nas paredes, nas áreas próximas ao piso; c) penetração de água na laje; d) fuga de água em piscinas; e) fuga de água em caixas d’água; f) presença de umidade em piso. A executante de uma impermeabilização deve estar munida de todas as infor- mações possíveis para auxiliar esta atividade tão importante, garantindo assim que os serviços sigam o que prevê as normas técnicas específicas. Desta forma, deverão fazer parte do acervo informativo: a) desenhos com detalhes relevantes; b) memorial descritivo; c) especificação de materiais empregados; d) descrição dos serviços a realizar. Figura 76 – Umidade na parede 82 7 IMPERMEABILIZAÇÃO 99 Projeto Básico Projeto de Impermeabilização - NBR 9575:2010 Plantas de localização e identi�cação das impermeabilizações Desenhos dos detalhes construtivos do projeto arquitetônico Memorial descritivo de todos os tipos de impermeabilização escolhidos Projeto Executivo Desenhos das soluções adotadas Textos descritivos dos procedimentos de execução e de segurança no trabalho planilhas com descrição dos ensaios dos materiais e de quantitativos de materiais e serviços Na execução da impermeabilização, cuidados preliminares devem ser toma- dos na superfície de aplicação. Alguns cuidados estão descritos abaixo. a) Preenchimento com argamassa de cimento e areia no traço de 1:3, nas de- pressões encontradas na superfície; b) recuperação de trincas e fissuras; c) manter a superfície convenientemente seca; d) arredondar cantos e arestas vivos; e) manter a superfície livre de poeira, óleos ou graxas; f) manter a superfície livre de restos de materiais como pontas de ferro, ma- deiras, etc.; g) assegurar caimento mínimo de 1% das águas a serem escoadas em direção ao ralo; h) proibição de trânsito de pessoas, matérias que nada tenham a ver com os serviços de impermeabilização. Após a execução da impermeabilização é recomendável fazer um teste com lâmina de água durante 72 horas, para verificar-se a estanqueidade das superfí- cies impermeabilizadas. Existem diversos sistemas de impermeabilização, a escolha adequada deverá levar em conta fatores como dimensões da obra, interferências no local, forma da estrutura, vida útil, custo envolvido. Quadro 3 – Projeto de impermeabilização 83 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS100 Listamos, a seguir, alguns dos sistemas impermeabilizantes mais usados, com suas características, propriedades, aplicações: 7.1 SISTEMAS RÍGIDOS São aditivos que são adicionados aos concretos e às argamassas utilizadas para revestimento e assentamento dos elementos constituintes da alvenaria; têm a função de agir no sistema capilar, anulando a percolação de água. O seu con- sumo varia segundo seja misturado ao concreto ou argamassa; nas argamassas, geralmente, utilizam-se 2 litros de aditivo por 50 kg de aglomerantes, misturados em argamassa 1:3 de cimento e areia, em volume. Quando a adição do impermeabilizante é feita no concreto, toma-se por refe- rência 1% de volume de aditivo em relação ao peso do cimento, com a condição do consumo não ser menor que 300 kg/m³. Este tipo de impermeabilização atra- vés do acréscimo de aditivos é geralmente mais usado em argamassas, concretos, revestimentos, vigas baldrames, revestimentos de reservatórios de água e pisci- nas, além de ser usado também na impermeabilização de túneis e subsolos. pintura com Neutral ou similar Lastro impermeabilizado ou argamassa 10 a 15 cm 60 c m Figura 77 – Sistema rígido 84 7 IMPERMEABILIZAÇÃO 101 CASOS E RELATOS A importância da impermeabilização. Seu João é um comerciante, proprietário de dois supermercados de bairro. Depois de muita luta e economias, ele construiu a sua casa própria. Contra- tou os serviços de uma equipe de obras liderados por um mestre de obras. A fundação adotada foi a sapata corrida de concreto armado. Após a sua execução e antes de levantar a alvenaria de blocos, o mestre de obras lhe alertou que o impermeabilizante solicitado para aplicar na estrutura e nos primeiras fiadas da alvenaria não havia chegado. Seu João, alegando já estar com muitos gastos, não admitiu comprar este material, apesar da insistência do mestre de obras. O técnico em edifica- ções consultado por seu João lhe alertou que ele poderia vir a ter sérios problemas de umidade na estrutura e nas paredes. As previsões do mestre de obras e do técnico em edificações se confirma- ram e o seu João teve que fazer uma impermeabilização para combater a infiltração nas paredes. Teve mais gastos e aborrecimentos do que se tives- se feito no momento adequado. Aprendeu que em uma obra a imperme- abilização protege estruturas e alvenarias de infiltrações que são bastante danosas à sua conservação. 7.2 SISTEMAS SEMIFLEXÍVEIS São impermeabilizantes formados por produtos bicomponentes com proprie- dades que lhes conferem flexibilidade e possuem a condição de dilatar-se, per- mitindo, dessa forma, que possam trabalhar com a estrutura, sendo capazes de absorver movimentações de pequena monta e acomodações. Resistem bem às pressões hidrostáticas positivas – pressões atuantes no sentido do interior para o exterior da estrutura,e negativas – pressões atuantes no sentido do exterior para o interior da estrutura. Na aplicação de um sistema de impermeabilização, o executante deverá se- guir o projeto específico desta etapa construtiva e as instruções passo a passo para a realização com qualidade destes serviços. De maneira geral, com poucas variações, listamos, a seguir, procedimentos básicos: 85 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS102 a) cantos e arestas devem ter acabamentos arredondados; b) a superfície de aplicação não deve conter graxa, pó, óleo, nata de cimento ou quaisquer restos de partículas, ou seja, o substrato deve estar limpo, para facilitar o processo de aderência; c) durante a aplicação do produto impermeabilizante em superfícies horizon- tais, devem-se usar vassouras de pelo, e nas verticais recomenda-se a utiliza- ção de brocha ou trincha de náilon; d) a aplicação do produto na primeira demão deve acontecer em superfície úmida. Já em relação à segunda demão e posteriores só devem acontecer quando a superfície estiver seca. Este sistema é mais usualmente aplicado na impermeabilização de fundações, vigas baldrames, pisos e paredes de banheiros, argamassa, pequenas lajes e ter- raços, reservatórios de água potável e piscinas. SAIBA MAIS A vida útil dos sistemas de impermeabilização depende de vários fatores, como local da sua aplicação, do tipo da obra, da presença ou não de proteção mecânica e térmica. Saiba mais sobre este assunto pesquisando no livro A técnica de Edificar, de WalidYazigi, editora: PINI. Sistemas Flexíveis Tem na sua constituição a adição de polímeros e elastômeros, entre outros materiais, conferindo ao produto propriedades elásticas que lhe permitem tra- balhar com a estrutura uma vez que tem a capacidade de absorver significativas movimentações. Fazem parte deste sistema as emulsões e as mantas. Figura 78 – Impermeabilização de piscina 86 7 IMPERMEABILIZAÇÃO 103 As emulsões são constituídas de elastômeros sintéticos e betumes emulsiona- dos ou debase acrílica. Durante a sua aplicação, seja através de processo a quente ou a frio, desenvolvem uma película impermeabilizante, com propriedades elásti- cas, com alto grau de aderência ao substrato. No entanto, este produto tem uma restrição a ser considerada: por apresentar betume na sua constituição, não pode ficar exposto ao tempo pelo fato de ter baixa resistência aos raios ultravioleta. Faz-se necessária uma proteção mecânica através de uma argamassa de cimen- to: areia no traço 1:3, para revestir a emulsão aplicada. Listamos, a seguir, alguns cui- dados e procedimentos básicos na execução de impermeabilização com emulsões: a) acabamentos arredondados para cantos e arestas; b) retirada da superfície de aplicação de graxa, pó, óleo, nata de cimento ou quaisquer restos de partículas. O substrato deve estar limpo para facilitar o processo de aderência; c) utiliza-se na sua aplicação: brocha, trincha, rolo ou vassourão; d) alguns produtos oferecidos pelo mercado já possibilitam o uso imediato, enquanto outros precisam ser aquecidos antes da sua aplicação. As mantas, devido ao seu eficiente desempenho, principalmente no tratamento impermeabilizante de lajes e coberturas, têm sido cada vez mais utilizadas. As mantas asfálticas têm a sua comercialização através de rolos com variáveis espessuras, sele- cionadas de acordo com a finalidade específica. Na atividade impermeabilizante com este produto, é importante considerar-se os seguintes cuidados e procedimentos: Figura 79 – Impermeabilização com emulsões 87 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS104 a) manter regularizada a superfície de aplicação; b) cantos e arestas devem ser arredondados; c) eliminar todo resíduo de graxa, pó, óleo, nata de cimento ou quaisquer res- tos de partículas; d) a superfície que receberá a imprimação ou pintura de aderência deverá es- tar seca; e) cuidados especiais devem ser tomados com a impermeabilização dos locais onde ficam os ralos e passagens de tubulações. Atenção também nas emen- das das mantas, pois estes três agentes costumam gerar problemas na im- permeabilização; f) assim como as emulsões, as mantas têm baixa resistência à ação dos raios ultravioleta, sendo, por isto, necessária uma proteção mecânica através de uma argamassa de cimento: areia no traço 1:3 para revestir a manta aplicada. g) este sistema é mais usualmente aplicado na impermeabilização de banhei- ros, nas lajes e terraços, reservatórios de água potável, piscinas, caixasd’água. Figura 80 – Impermeabilização de laje com manta asfáltica 88 7 IMPERMEABILIZAÇÃO 105 Os projetos, memoriais descritivos e especificações de materiais para a exe- cução de impermeabilização deverão estar de acordo com o que prescrevem as normas técnicas. Citaremos a seguir algumas delas: CÓDIGO TÍTULO DATA STATUS ABNT NBR 9575:2010 Impermeabilização - Seleção e projeto 17/09/2010 Em Vigor ABNT NBR 13121:2009 Asfalto elastomérico para impermeabilização 18/05/2009 Em Vigor ABNT NBR 9574:2008 Execução de impermeabilização - procedimento 01/12/2008 Em Vigor ABNT NBR 9690:2007 Impermeabilização - mantas de cloreto de polivilina (PVC) 10/12/2007 Em Vigor ABNT NBR 9396:2007 Membrana elastomérica de policloropreno e polietileno clorossulfonado em solução para impermeabilização 21/05/2007 Em Vigor ABNT NBR 9952:2007 Manta asfáltica para impermeabilização – requisitos e métodos de ensaio 09/04/2007 Em Vigor ABNT NBR 9686:2006 Solução e emulsão asfálticas empregadas como mate- rial de imprimação na impermeabilização 18/09/2006 Em Vigor ABNT NBR 9910:2002 Asfaltos modificados para impermeabilização sem adição de polímeros - Características de desempenho 30/10/2002 Em Vigor ABNT NBR 11905:1992 Versão Corrigi- da:1995 Sistema de impermeabilização composto por cimento impermeabilizante e polímeros - Especificação 30/04/1992 Em Vigor ABNT NBR 9229:1986 Versão Corrigida:1988 Mantas de butil para impermeabilização - Especificação 30/01/1986 Em Vigor FIQUE ALERTA Durante o processo de execução de impermeabilização, em alguns casos, como, por exemplo, na aplicação de mantas asfálticas, é necessário o emprego de maçaricos (alimentados por botijão de gás) para execução das emen- das ou trespasse entre as mantas, o que gera consideráveis fatores de risco, exigindo que sejam obedecidos todos os procedimentos de segurança. Quadro 4 – Status de algumas normas 89 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS106 Existem, durante a execução dos serviços de impermeabilização, fatores de riscos e perigos que podem provocar acidentes e ameaças à saúde do trabalha- dor. Medidas preventivas podem e devem ser tomadas a fim de minimizar estas ocorrências. Analisemos, por exemplo, os fatores de riscos, perigos e medidas preventivas a serem tomadas utilizando-se mantas asfálticas em lajes expostas. Riscos de Acidentes – queda de pessoas, queda de objetos, golpes no manu- seio com ferramentas manuais, incêndio. Riscos à Saúde – contato com temperatura extrema, manuseio de impermea- bilizantes, posturas inadequadas. Danos gerados pelos riscos de acidentes – politraumatismos, ferimentos, contusões, fraturas, queimaduras, asfixia, morte. Danos gerados pelos riscos à saúde – queimaduras, dermatoses, problemas respiratórios, intoxicações, fadiga, lesões nos membros superiores, lesões da coluna. Medidas preventivas a serem adotadas no canteiro de obras – utilização de sinalização de segurança, adequada utilização de ferramentas diversas, ma- nutenção de ordem e limpeza no canteiro de obras, utilização de profissionais conhecedores das atividades a serem desenvolvidas, treinamento para manuseio de material de acordo com as normas de segurança. Na implantação de medidas preventivas, é sempre válido enfatizar a necessi- dade de levar aos trabalhadores a conscientização dos cuidados que devem to- mar durante as suas atividades laborais, como o emprego de Equipamentos de Proteção coletiva - EPI’s. É de se esperar que as empresas construtoras esgotem todos os recursos preventivos através do uso sistemático dos Equipamentos de Proteção Coletivos - EPC´S . Figura 81 – Utilização de maçarico 90 7 IMPERMEABILIZAÇÃO 107 EPC: cabo guia e sistema de combate a incêndio. EPI: calçado de segurança, capacete, cinto de segurança paraquedista, óculos de ampla visão, trava-quedas, luvas de PVC, máscara semifacial com filtro para vapores orgânicos. A verificação e aceitação dos serviços acontecem através do acompanhamen- to destes trabalhos, buscando-se identificar não conformidades nos materiais en- volvidos e/ou na execução dos serviços para a sua correção, se necessário. Uma vez que esta etapa construtiva tenha atendido às diretrizes do projeto específico em consonância com as normas da ABNT, pode-se então dar como concluído e aceito este serviço. RECAPITULANDO Iniciamos este capítulo definindo impermeabilização e estanqueidade. Referenciamos as ocorrências decorrentes da falta de impermeabilização; chamando a atenção dos elementos que devem fazer parte do acervo in- formativo para quem irá executar uma impermeabilização: plantas, deta- lhes, memorial descritivo, planilhas. Abordamos também os procedimentos preliminares que devem ser adota- dos na superfície de aplicação, dos testes de estanqueidade nos ambientes já impermeabilizados e na escolha dos sistemas de impermeabilização. Descrevemos os principais sistemas impermeabilizantes: sistema rígido, sistema semi-flexíveis, sistema flexível, posteriormente vimos várias nor- mas relacionadas à impermeabilização e, finalmente, tratamos de aspectos relativos à segurança e saúde dos trabalhadores. 91 Pavimentação 8 É toda superfície construída com a função de permitir o trânsito leve ou pesado de pessoas e/ou de veículos. O revestimento de piso será aqui tratado como pavimentação. É a camada superior, a que fica em mais exposição do piso, sendo, portanto, formada pelas camadas de fi- xação (liga a base à camada de acabamento) e a camada de acabamento ou acabamentofinal. Podemos então dizer que o piso é constituído do contrapiso e do seu revestimento. O revestimento de piso recebe os mais diferentes tipos de solicitações, inclusive os gerados pelo contato direto com o usuário.Tem como principais funções garantir o fluxo com seguran- ça do usuário e proteger e valorizar esteticamente o piso. Durante a etapa de projetos, alguns aspectos têm que ser observados e servirão como re- ferência para a escolha do piso a ser adotado: o piso selecionado deve estar compatível com o porte ou padrão da obra; o tipo de revestimento deve ser adequado ao ambiente em que está aplicado, não sendo viável, por exemplo, colocar um piso de madeira em áreas que estão constantemente em contato com água, como uma cozinha. Há de se considerar também o aspecto econômico no que diz respeito à manutenção e resistência; em um ambiente que tenha grande movimentação de pessoas deverá ser adotado um piso de alta resistência para evitar o desgaste deste revestimento. Em todas as etapas de uma construção, deve-se buscar a qualidade para ir ao encontro da satisfação pretendida pelo usuário. Para que isto aconteça, é necessário que a pavimentação atenda às seguintes condições: a) apresentar resistência ao desgaste provocado por trânsito intenso de pessoas; b) utilizar material que favoreça segurança contra escorregões. Peças por demais lisas dimi- nuem o atrito provocando acidentes; c) ser de fácil manutenção, facilitando a sua limpeza e conservação; d) ser agradável esteticamente, compondo decorativamente o local; e) oferecer conforto acústico; f) ter durabilidade. A pavimentação pode ser classificada de acordo com o material constituinte, pelas suas propriedades físicas ou em relação às juntas. 92 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS110 FIQUE ALERTA Devemos ter cuidado ao comprar madeira para os fins de construção civil, a empresa deve apresentar o selo Forest Stewardship Council - FSC-BR , ou Conselho de Manejo Flores- tal, em português. Essas empresas garantem que provêm de florestas reflorestadas conforme critérios rigorosos da FSC. Classificação Segundo o Material Constituinte Madeira – tacos, parquê, assoalho. Tacos – pedaços de madeira de lei, com formato retangular, espessura variável de 10 mm a 20 mm, mais encontrado nas medidas de 100 mm x 400 mm x 20 mm. Para assentamento dos tacos, é necessário que algumas condições prelimina- res sejam atendidas: a) o contrapiso já deve estar pronto há pelo menos vinte e cinco dias; b) já devem estar concluídos os revestimentos de paredes, as soleiras e forros; c) os vidros já devem estar instalados; d) a estanqueidade das instalações hidráulicas já deve ter sido testada. Quanto aos tipos de padronização de assentamentos dos tacos: Figura 82 – Piso revestido com tacos 93 8 PAVIMENTAÇÃO 111 Amarração Diagonal Dama Espinha Escama Amarração Diagonal Dama Espinha Escama Parquê – peças de pequena dimensão e espessura variando entre 0,8 e 1,0 cm, são apresentados em placas ou em taliscas de madeira, formando mosaicos, fixa- dos em papel. São ofertadas no mercado no sistema de encaixe macho – fêmea e na sua aplicação para compor o piso é usado cola PVAc. É muito apreciado pelo seu aspecto decorativo. Assoalho – outro tipo de revestimento de piso, formado por tábuas de madei- ra de lei, com espessura variando de 2,0 cm a 3,0 cm, larguras de 10 cm a 20 cm e comprimento variando de 2,5m a 5,0m, podendo ser de encaixe ou não, largura Figura 83 – Formas de assentamento Figura 84 – Revestimento de piso em parquê 94 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS112 de 100 a 300 mm e comprimento variável. Este tipo de revestimento apresenta conforto térmico, conforto visual e durabilidade. Carpete de madeira – Este é um tipo de revestimento formado por placas de MDF( madeira processada), compensados ou aglomerados, revestido por lamina- dos de madeira natural, bem fina. O carpete de madeira tem a espessura mais fina que os pisos de madeira maciça, variando de cinco a sete milímetros. O carpete de madeira tem a sua aplicação bastante simplificada, colocado so- bre o contrapiso. No seu processo de fixação, não é empregado parafuso ou pino, nem tão pouco cola; ele é colocado sobre uma manta de separação e preso os seus elementos através do sistema de encaixes tipo macho-fêmea. O seu acaba- mento nas laterais se dá através de um rodapé, compatibilizando os encontros do revestimento com a parede. O carpete de madeira apresenta como vantagens a agilidade na execução do assentamento e o preço, e como desvantagens a pouca durabilidade e a baixa resistência à presença da água. Para o assentamento deste tipo de revestimento, são utilizados os seguintes acessórios, materiais e ferramentas: esquadro, lápis, martelo, serrote, metro, calço, pano, cola de PVA, cola de silicone. Figura 85 – Revestimento de piso em assoalho de madeira 95 8 PAVIMENTAÇÃO 113 Pisos Laminados – Este tipo de revestimento de piso tem muitas similarida- des com o carpete de madeira, no que se refere ao processo de aplicação e a sua base; a diferença fundamental está na sua superfície final ou de acabamento, enquanto que no carpete de madeira emprega-se como revestimento de piso lâminas de madeira, nos pisos laminados utilizam-se laminados melamínicos (ou fenólicos) também conhecidos por fórmicas. São encontrados no mercado com diferentes efeitos decorativos, imitando madeira, ou liso em diferentes cores, ou ainda, em diversas estamparias. As vantagens quando se faz a opção por este tipo de revestimento de piso são: a) rapidez de execução do seu assentamento; b) preço; c) eficiência de fixação das peças entre si através de encaixes; d) resultado estético apresentando uma boa aparência; e) antialérgico, não é poroso, nem absorvente; f) durabilidade maior que a do carpete de madeira; g) simples manutenção. Apresenta propriedades antiestáticas, não retendo poeiras, nem interferindo em equipamentos eletrônicos. Como desvantagem, apresentam também questões de ruído, porém inferiores às que acontecem no revestimento citado anteriormente. Figura 86 – Assentamento de carpete 96 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS114 Revestimentos vinílicos: este tipo de revestimento é constituído por fibra vi- nil, uma liga termoplástica que tem na sua composição resina vinílica, fibras de amianto, plastificantes, pigmentos. Encontram-se no mercado em placas ou em rolos, em dimensões variadas e espessuras que vão de 1mm a 3 mm. Tem a sua aplicação consolidada em locais diversos, em residências, em am- bientes esportivos, hospitalares, clínicas, laboratórios, casas de repouso, acade- mias, restaurantes. Oferecem como vantagens na sua utilização: a) simplicidade de instalação; b) facilidade de limpeza e manutenção; c) conforto térmico e acústico; d) antialérgico; e) resistência ao escorregamento; f) decorativos; g) durabilidade. Como desvantagem, alguns tipos deste revestimento têm o preço mais alto se comparados com outros revestimentos. De uma forma resumida, podemos dizer que o seu procedimento de aplicação deverá seguir a diretriz abaixo: a) limpeza do contrapiso. b) massa de regularização ou de preparação com cola PVA e cimento. c) camada de adesivo à base de água. d) colocação do revestimento vinílico. e) soldagem a quente. Figura 87 – Piso Laminado 97 8 PAVIMENTAÇÃO 115 SAIBA MAIS Existem situações que ao invés de se retirar o revestimento antigo para colocação do novo, faz-se a opção de executar o assentamento sobre o já existente, visando dessa forma ob- ter redução de custos e de prazos. Para saber mais sobre esta técnica, pesquise no livro Técnicas e Práticas Construtivas Edificações, de Julio Salgado, editora: Erica. Cerâmico – placa extrudada ou prensada, produzida com material argílico e inorgânico; pode ter a face externa vidrada ou não. Tem variados formatos: retan- gular, quadrado, sextavados, etc. Na execução de uma pavimentação em piso cerâmico, faz-se uso dos se- guintes acessórios,ferramentas e equipamentos: a) colher de pedreiro; b) linha de Náilon; c) lápis de Carpinteiro; d) desempenadeira dentada de aço; e) trena metálica; f) régua de alumínio de 1” x 12” com 2m; g) nível de Mangueira; h) nível de bolha; i) escova de piaçaba; j) vassoura de piaçaba; k) lixa; l) carrinho de mão; Figura 88 – Revestimento vinílico 98 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS116 m) guincho; n) espaçadores plásticos em “+”; o) riscador manual com broca de vídea; p) rodo de borracha; q) martelo de borracha; r) serra elétrica portátil com disco adiamantado. Na execução de uma pavimentação em piso cerâmico, devem-se adotar os seguintes procedimentos: a) preparar a superfície fazendo a limpeza, eliminando-se poeira, graxas, de- tritos; b) marcar os níveis do piso nas paredes com auxílio de mangueira de nível e trena de aço; c) espalhar a argamassa colante com uma espessura de 3 a 4 mm de espessu- ra, fazendo pressão contra a superfície de aplicação, utilizando uma desem- penadeira de aço; d) formar sulcos na argamassa colante com o lado dentado da desempenadei- ra e assentar as peças cerâmicas secas; e) após 72h do assentamento das peças cerâmicas, iniciar o rejuntamento do conjunto; f) depois de aproximadamente 15 minutos, faz-se a limpeza com pano úmido e, decorridos mais 15 minutos, completa-se a limpeza, agora com a utiliza- ção de um pano seco. No assentamento de revestimentos de pisos cerâmicos, são observadas a exe- cução de juntas de assentamento ou rejunte, que são os espaçamentos regulares deixados entre as peças cerâmicas, preenchidas com material flexível, chamadas de argamassa de rejuntamento. As juntas de assentamentos têm por função: a) corrigir a irregularidade nas dimensões das peças cerâmicas, mantendo o alinhamento entre elas; b) possibilitar a substituição de alguma placa cerâmica quando necessária; c) possibilitar a absorção do movimento ou trabalho da base e das placas cerâ- micas sem prejuízo ao piso. 99 8 PAVIMENTAÇÃO 117 Mostramos a seguir uma tabela relacionando a espessura da junta de dilata- ção com as dimensões das peças cerâmicas: PEÇAS CERÂMICAS (cm) ESPESSURA DAS JUNTAS (mm) 7,5 x 15,0 2,0 15,0 x 15,0 2,0 15,0 x 20,0 2,0 15,0 x 30,0 3,0 20,0 x 20,0 2,0 20,0 x 30,0 3,0 a 5,0 30,0 x 30,0 3,0 a 5,0 40,0 x 40,0 5,0 a 10,0 Nos revestimentos de piso, faz-se uso também das juntas de expansão ou con- tração. Estarão distanciadas entre si em um intervalo no piso variando de cinco a dez metros, obedecendo uma espessura de três milímetros com profundidade a alcançar a laje ou o contrapiso. Emprega-se sempre estas juntas nas intercessões com paredes, pisos, pilares; os materiais utilizados nestes espaços são os selantes ou calafetadores. Figura 89 – Junta de assentamento com espaçadores Tabela 1 – Relação de cerâmica e espessuras 100 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS118 CASOS E RELATOS Prevenir a execução do assentamento de piso, mais que importante. João resolveu trocar o piso de sua casa que era de taco de madeira, por um revestimento com placas cerâmicas. Adquiriu o material que queria utilizar e contratou os serviços de um pedreiro que coincidentemente havia co- nhecido na loja de materiais de construção. Lá também estava o filho de um amigo seu, técnico em edificações, que presenciou a sua proposta de execução de serviços da troca do piso. Ele lhe sugeriu que não fizesse este tipo de serviço com qualquer profissio- nal, dando prioridade àqueles que fossem indicados pelo reconhecimento da sua habilidade na realização destas atividades. Adiantou-lhe que para a execução desta atividade seria necessário a re- gularização da base, para depois ser aplicada a argamassa industrializada colante, aplicando-se as peças, sem descuidar-se do nivelamento da super- fície dos alinhamentos das placas das juntas de espaçamento, do encontro com as paredes, da suave pressão nas peças para garantir a sua fixação. João preferiu não arriscar e deu prioridade a fazer o assentamento do novo piso com o pedreiro indicado pelo técnico em edificações. O serviço foi re- alizado e aprovado por João. Figura 90 – Piso com revestimento cerâmico 101 8 PAVIMENTAÇÃO 119 Pedras Naturais: granitos, mármores, arenitos. Devem ser executadas por empresas especializadas. Granito – podem ser polidos ou não; têm o seu processo de assentamento se- melhante ao do mármore, porém apresentam maior resistência à abrasão. Os tipos que não são polidos, são mais empregados em escadas. Têm como componentes na sua constituição quartzo, feldspato, alcalino e mica, o que lhe confere proprieda- des de dureza, resistência, pouca porosidade, não mancha com facilidade. VOCÊ SABIA? O granito tem índices de dureza e abrasão bem maiores que os mármores, porcelanatos e as placas cerâmicas, podendo ser polido repetidas vezes, o que aumenta mais ainda a sua vida prática. Mármore – são empregados neste revestimento placas de mármores em ta- manhos diversos, sendo as mais usadas as de 50,0 cm x 50,0 cm, com espessura de 4,0 cm. Por sofrer a ação de agentes agressivos, deve ser mais utilizado em áreas internas, sendo mais recomendado para revestimento de paredes que o granito por ser mais leve. Figura 91 – Revestimento de piso em granito 102 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS120 Arenitos - compostos por quartzos, pode também ter feldspato, micas e/ou impurezas, são encontrados nas cores vermelha, rosadas, brancas e amareladas. São usados tanto em pisos de áreas internas quanto externas. Artificiais: granilite – também conhecido por marmorite, é produzido com ci- mento, agregado de mármore triturado e areia. Figura 92 – Revestimento de piso em mármore Figura 93 – Revestimento de piso em arenito 103 8 PAVIMENTAÇÃO 121 Ladrilhos hidráulicos - têm dimensões em geral de 20 cm x 20 cm ou 15 x 15 cm com uma espessura mínima de 2 cm. São produzidos com cimento e areia sem presença de cal. São planos, sem umidade, podem ser usados em áreas protegi- das, e, neste caso, empregam-se peças de superfície lisa; ou em áreas externas, utilizando-se, neste caso, placas com superfície áspera ou em relevo. Possuem grande resistência à abrasão; tem como base o concreto regularizado e áspero para facilitar a aderência. Figura 94 – Revestimento de piso em granilite Figura 95 – Revestimento de piso em ladrilho hidráulico 104 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS122 Borracha sintética - são revestimentos de piso produzidos com borracha vul- canizada, com o formato de placas quadradas, com os lados variando de 30 a 50cm e espessura variando de 2 a10 mm. Tem a parte superior de acabamento lisa ou com pequenos gomos, o que lhe confere propriedades antiderrapantes. São características deste piso: a) serem próprios para tráfego intenso; b) permitir conforto ao pisar; c) redução do barulho; d) rapidez e simplicidade na manutenção; e) alta resistência de uso. Apresentamos, a seguir, uma relação de normas técnicas aplicáveis à pavi- mentação – pisos. CÓDIGO TÍTULO DATA STATUS ABNT NBR 15575:2013 Edificações habitacionais - Desempenho Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos 19/02/2013 Em Vigor ABNT NBR 12260:2012 Execução de piso com argamassa de alta resistência mecânica - Procedimento 11/12/2012 Em Vigor ABNT NBR 11801:2012 Argamassa de alta resistência mecânica para pisos - Requisitos 10/12/2012 Em Vigor ABNT NBR 15805:2010 Ed 2 Placa de concreto para piso - Requisitos e métodos de ensaios 16/11/2010 Em Vigor ABNT NBR 15843:2010 Qualificação de pessoas para a construção civil - Perfil profissional do instalador de pisos laminados melamí- nicos de alta resistência 08/06/2010 Em Vigor Figura 96 – Revestimento de piso em borracha 105 8 PAVIMENTAÇÃO 123 CÓDIGO TÍTULO DATA STATUS ABNT NBR 14833-2:2009 Revestimento de pisos laminados melamínicos de alta resistência - Parte 2: Procedimentos para aplicação e manutenção 05/03/2009 Em Vigor ABNT NBR 14833-1:2009 Revestimento de pisos laminados melamínicosde alta resistência - Parte 1: Requisitos, características, classes e métodos de ensaio 27/02/2009 Em Vigor ABNT NBR 13753:1996 Revestimento de piso interno ou externo com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante - Procedimento 30/12/1996 Em Vigor ABNT NBR 10595:1988 Revestimentos têxteis de piso - Determinação do nú- mero de tufos ou bucles por unidade de comprimento - Método de ensaio 30/12/1988 Em Vigor ABNT NBR 9817:1987 Execução de piso com revestimento cerâmico - Proce- dimento 30/05/1987 Em Vigor ABNT NBR 8810:1985 Revestimentos têxteis de piso - Determinação da resistência à abrasão - Método de ensaio 30/03/1985 Em Vigor ABNT NBR 7206:1982 Placas de mármore natural para revestimento de pisos 28/02/1982 Em Vigor ABNT NBR 6137:1980 Pisos para revestimento de pavimentos 30/11/1980 Em Vigor ABNT NBR 14081-3:2012 Argamassa colante industrializada para assentamento de placas cerâmicas - Parte 3: Determinação do tempo em aberto 10/04/2012 Em Vigor ABNT NBR 14081-4:2012 Argamassa colante industrializada para assentamento de placas cerâmicas - Parte 4: Determinação da resis- tência de aderência à tração 10/04/2012 Em Vigor Na execução de uma pavimentação, temos que observar duas situações, que são o solo e as lajes de concreto armado, tomados como bases. Quando o solo é a base, não se pode prescindir da impermeabilização, tam- pouco de compactar-se convenientemente o aterro interno, executando-se, em seguida, o contrapiso em concreto simples, que tem como função a regularização da superfície. Se, no entanto, a base for uma estrutura de concreto armado, não é necessária a execução de contrapiso, lançando-se aí a argamassa colante que terá a função de regularização e de ser o elemento fixador do material de revestimento do piso a esta base. Existem, durante a execução dos serviços de pavimentação, fatores de riscos e perigos específicos a esta atividade que podem provocar acidentes e ameaças à saúde do trabalhador. Medidas preventivas podem e devem ser tomadas a fim de minimizar estas ocorrências. Analisemos, por exemplo, os fatores de riscos, pe- rigos e medidas preventivas a serem tomadas na execução de pisos cerâmicos: Quadro 5 – Normas técnicas aplicáveis à pavimentação 106 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS124 a) Riscos de acidentes: queda de pessoas, projeção de partículas nos olhos, utilização de máquinas e ferramentas, exposição à energia elétrica, queda de objetos. b) Riscos à saúde: poeira, contato com cimento, posturas inadequadas. c) Danos gerados pelos riscos de acidentes: fraturas, ferimentos, contusões, lesão ocular, cortes, lacerações, amputações, choque elétrico, queimaduras, alterações do ritmo do coração, parada cardiorrespiratória, morte. d) Danos gerados pelos riscos à saúde: queimaduras químicas, dermatoses, problemas respiratórios por inalação de poeiras, fadiga, lesões nos membros superiores, lesões da coluna. e) Medidas preventivas a serem adotadas no canteiro de obras: utilização de sinalização de segurança, adequada utilização de ferramentas elétricas e diversas, manutenção de ordem e limpeza no canteiro de obras, utilização de profissionais conhecedores das atividades a serem desenvolvidas, treina- mento para manuseio de material de acordo com as normas de segurança. Na implantação de medidas preventivas, é sempre válido enfatizar a necessi- dade de levar aos trabalhadores a conscientização dos cuidados que devem to- mar durante as suas atividades laborais, com o emprego de Equipamentos de Proteção coletiva - EPI’s . É de se esperar que as empresas construtoras esgotem todos os recursos preventivos através do uso sistemático dos Equipamentos de Proteção Coletivos - EPC´S . EPC: aterramento. EPI: calçado de segurança, capacete, óculos de segurança contra impacto, lu- vas de PVC, máscara contra pó. A verificação e aceitação dos serviços acontecem através do acompanhamen- to destes trabalhos buscando-se identificar não conformidades nos materiais en- volvidos e/ou na execução dos serviços para a sua correção se necessário. Verifi- ca-se se as juntas estão de acordo com o especificado, observa-se também se as peças estão bem aderentes à superfície de fixação e se as peças formam no seu conjunto uma superfície plana e regular. Uma vez que esta etapa construtiva te- nha atendido às diretrizes do projeto específico em consonância com as normas da ABNT, pode-se então dar como concluído e aceito este serviço. 107 8 PAVIMENTAÇÃO 125 RECAPITULANDO Iniciamos este capítulo definindo pavimentação e piso, fazendo uma re- lação entre os dois. Passamos então a citar os componentes do piso, suas funções e dos critérios a serem verificados na escolha de um piso. Abordamos então a classificação do piso de acordo com o material consti- tuinte do seu revestimento: madeira – taco, parquês, assoalhos; carpete de madeira; pisos laminados; revestimentos vinílicos; cerâmicos; pedras; gra- nitos; mármores; ladrilhos hidráulicos; borracha sintética. Falou-se sobre cada um deles e, de forma geral e específica, tratou-se das suas dimensões, propriedades, padrão e processos de assentamentos, características, vantagens de utilização, acessórios, ferramentas e equipa- mentos necessários ao assentamento. Tratou-se ainda de fatores de riscos e perigos presentes no assentamento de um piso, mas, também das medidas preventivas recomendadas. 108 Calafetagem 9 É um sistema de vedação usado para solucionar vazamentos próximos a portas e janelas, utilizando-se panos, estopas e espumas. A calafetagem controla o fluxo de ar e, através da vedação que atua nas frestas, impede a fuga do ar gerado pelo ar- condicionado, reduzindo o consumo de energia elétrica. SAIBA MAIS Consulte a NBR 10.821:2011 para saber mais sobre as necessidades de re- sistência ação do vento e vazamentos próximo à portas e janelas. Existem diversos tipos de calafetagem, e os materiais empregados para este fim podem ser encontrados no mercado e nas lojas de materiais de construção. Veremos, a seguir, diversos tipos de aplicação e onde é mais indicado seu uso. CASOS E RELATOS Importância da calafetagem D. Norma vinha há algum tempo se queixando de bastante calor, não conseguia dormir bem, apesar de ter o seu quarto climatizado. Achou que o problema estivesse com o aparelho de ar- condicionado que estivesse subdimensionado; trocou então o equipa- mento por outro mais potente. A conta de consumo de energia elétrica estava vindo muito alta, acima do que pagavam as pessoas amigas de quem ela buscava informações. Seu vizinho, que é técnico em edificações, sugeriu-lhe que verificasse se não estava ha- vendo fuga de ar no ambiente em que o aparelho se encontrava. Após uma inspeção no local eles verificaram que estava havendo fuga de ar pelas esquadrias; fazia-se, portanto, a necessidade de realizar-se uma calafetagem. 109 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS128 D. Norma providenciou a execução deste serviço de calafetagem, nos locais selecionados, e passou a ter de imediato conforto térmico, e o que foi tam- bém muito bom, a sua conta de consumo de energia diminuiu significati- vamente, reduzindo os seus custos. Espuma sensível à pressão É de fácil aplicação e tem o preço acessível. As espumas adesivas vêm em rolos com variados comprimentos e espessuras. É aplicada em locais livres de pressão, em janelas de madeira, no caixilho inferior e na parte de cima do caixilho superior. Nesta aplicação, serão necessários os seguintes materiais: panos limpos, vase- lina, tesoura e detergente. No processo de execução, adotam-se os seguintes procedimentos: a) limpeza da superfície a ser vedada com água e detergente, eliminando-se todo resíduo de óleo, graxas, etc.; b) eliminar os resíduos através da vaselina; cortar a espuma no tamanho adequado; c) assentar a espuma, colando a parte adesiva na superfície a ser vedada; d) pressionar com cuidado a espuma para garantir que fique esticada e alinhada. FIQUE ALERTAÉ muito importante a limpeza da superfície com água e detergente, pois a presença de resíduos como óleos e gra- xas podem interferir na aderência da espuma, prejudican- do a vedação bem sucedida. Figura 97 – Calafetagem com espuma sensível a pressão 110 9 CALAFETAGEM 129 Calafetagem de metal flexível Usa-se este tipo de calafetagem em trilhos que permitem a locomoção de portas e janelas. Os frisos avançam para fora do caixilho da janela aproximadamente 5 cm. Para instalar esta calafetagem, serão necessários os seguintes materiais: mar- telos, pregos, alinhador de pregos, alicate e chave de fenda. Os procedimentos para a sua instalação são os seguintes: a) colocação dos frisos verticais e horizontais. O friso central é colocado no cai- xilho superior; b) corte dos frisos; c) controle da fixação dos frisos sem impedir o fechamento das janelas. Metal flexível autocolante Semelhantes aos frisos de metal flexível, sendo, porém, mais fáceis de serem instalados. É o tipo de calafetagem mais indicado para estruturas de madeira. VOCÊ SABIA? Que a calafetagem também se faz nas embarcações náuticas, e que desde o século IV se empregava o breu e o alcatrão como matérias- primas para evitar a infiltra- ção de água. Figura 98 – Calafetagem de metal flexível 111 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS130 Feltro Tem a sua apresentação nas cores marrom, verde e preto, em variadas larguras e espessuras. O feltro apresenta baixo custo e é bastante usado nas esquadrias. Metal Dentado Os frisos de metal têm a sua apresentação em rolos e integram a rigidez do metal com a simplicidade de aplicação do feltro. São usados, geralmente, nas es- quadrias. Calafetagem de Metal Encaixado Composta de duas peças separadas uma da outra, mas que se encaixam fazen- do a vedação. Figura 99 – Calafetagem em embarcação Figura 100 – Calafetagem com feltro 112 9 CALAFETAGEM 131 RECAPITULANDO Iniciamos este capítulo abordando as funções e benefícios com o emprego da calafetagem. Em seguida, falamos dos diversos tipos de aplicação: espu- ma sensível a pressão, calafetagem de metal flexível, metal flexível autoco- lante , feltro, metal dentado, calafetagem de metal encaixado. De uma forma geral, fez-se considerações sobre estes tipos de vedações, destacando-se: benefícios de utilização, apresentação comercial do pro- duto, materiais e acessórios necessários para aplicação, procedimentos de execução, locais indicados para aplicação. Figura 101 – Calafetagem de metal encaixado 113 Limpeza para entrega da obra 10 Quando as diversas etapas construtivas são executadas, é chegado o momento de fazer-se a limpeza da edificação para a entrega do imóvel aos seus proprietários. Faz parte desta etapa a eliminação de manchas e outras sujeiras nos revestimentos das pa- redes e dos pisos, das esquadrias, dos vidros, dos forros, das ferragens de cozinha e banheiro, das louças sanitárias. Deve-se fazer uma varrição detalhada afastando detritos, lixos, poeira, complementando-a com a lavagem destes ambientes. Nas áreas externas, devem ser retirados todos os resíduos (restos de madeiras, de cerâmicas, de tubos, de vegetação, etc.) que ainda estejam no canteiro de obras. VOCÊ SABIA? Que a limpeza é muito importante para dar uma impressão de obra bem executada? Desse jeito os proprietários sentem maior segurança com a construtora, pois empreendimento limpo e higienizado é sinal de empreendimento bem cuidado. Listamos, a seguir, procedimentos de execução de limpeza em alguns materiais: Materiais cerâmicos: limpeza dos resíduos de tinta através da extração utilizando palha de aço fina, espátulas, removedor. Faz-se em seguida abundante lavagem com água e sabão nas superfícies revestidas em paredes ou pisos, com o auxílio de vassouras ou escovas de piaçava. Podem-se utilizar outros produtos de limpeza desde que não haja nenhuma restrição dos fa- bricantes dos materiais cerâmicos. FIQUE ALERTA Não devem ser utilizados elementos pontiagudos durante a limpeza de materiais cerâmicos, pois isso pode causar arranhões, fissuras e quebras desnecessárias nos revestimentos. 114 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS134 Mármore, Granito, Marmorite (granilite): os resíduos de tintas são extraídos com o uso de palha de aço fina, para não danificar o revestimento. As superfícies são lavadas, enxutas e enceradas com cera apropriada, são então polidas até al- cançar o brilho desejado. Não são utilizados agentes químicos. SAIBA MAIS O efeito lustrado dos mármores e granitos pode ser atingido com uso de cera virgem. Para saber mais, consulte junto ao site da ABNT a norma NBR 7205:1982 Placas de mármore na- tural para revestimentos superficiais verticais externos. Figura 102 – Limpeza de revestimentos cerâmicos Figura 103 – Polimento de piso de granito 115 10 LIMPEZA PARA ENTREGA DA OBRA 135 Tacos de Madeira, Parquês: raspagem, calafetagem, enceramento. Cimentados: limpeza da superfície com lavagem, empregando-se água e sa- bão. Não é recomendável a utilização de ácido na limpeza destas superfícies. Metais e Ferragens: utilizam-se removedores e/ou polidores para assegurar a limpeza, completando-se com o uso de flanelas. Vidros: utiliza-se na limpeza deste material removedores e palha de aço fina. Figura 104 – Raspagem de tacos de madeira Figura 105 – Limpeza de metais 116 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS136 Aparelhos sanitários: utilizam-se apenas água e sabão. Aparelhos de iluminação: através da utilização de solução fraca de soda cáustica, palha de aço fina e água e sabão. Caixilhos e Ferragens de Esquadrias: deverão ter todas as suas partes limpas, livres de resíduos de tintas, gorduras através de removedores, água, sabão e flanelas. Figura 106 – Limpeza de aparelho sanitário Figura 107 – Limpeza de aparelhos de iluminação 117 10 LIMPEZA PARA ENTREGA DA OBRA 137 CASOS E RELATOS Limpando a Obra Fernando é um servente recém-contratado para trabalhar na empresa Lim- peza Veloz, que oferece serviço terceirizado de limpeza para entrega de obra. Ele ficou responsável por deixar as cerâmicas dos cômodos de ba- nheiro e cozinha impecáveis. Como o empreendimento possui cinco pré- dios de quatro pavimentos, sendo que cada pavimento tem quatro aparta- mentos, Fernando deve ser realmente veloz, já que o prazo da obra é curto. Para limpar os resíduos de tinta impregnados na cerâmica, Fernando levou palhas de aço finas, espátulas e removedor. Ele passava o material no chão e na parede com bastante cuidado, para não danificar as peças cerâmicas. Ao concluir a etapa de extração da tinta, ele lavou o piso e a parede com água e sabão abundantes, sempre evitando desperdício, já que ele fechava bastante as torneiras assim que saía de cada cômodo limpo. Figura 108 – Limpeza em alguns materiais 118 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS138 Quando a sujeira era simples e não estava grudada no chão, Fernando uti- lizava vassouras e escovas de piaçava para retirar ciscos e sujeira leve. No final de cada limpeza dos azulejos nos sanitários, ele fazia questão de jogar aromatizador de ambientes, pois sabia que quando os clientes entrassem no local, sentiriam um cheiro agradável e ficariam contentes com o seu novo empreendimento. RECAPITULANDO Neste capítulo, abordamos a respeito das atividades de limpeza para entre- ga da obra. Citamos as diversas etapas que foram tratadas, recomendando o tipo de tratamento específico para cada caso. Abordamos sobre os cuidados com a limpeza de materiais cerâmicos, már- more, granito, marmorite, tacos de madeira, cimentados. Metais e ferra- gens, vidros, aparelhos sanitários, aparelhos de iluminação, caixilhos e fer- ragens de esquadrias. Em suma, ficamos por dentro dos métodos e ações que deixam os ambien- tes do empreendimento mais limpo e aconchegante. 119 10 LIMPEZA PARA ENTREGA DA OBRA 139 Anotações: 120 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR 5410: Instalações elétricas de baixaos es- forços que lhe são distribuídos, como acontece, por exemplo, com as alvenarias; - modulares: a absorção dos esforços não é distribuída por todo o con- junto, e, sim, individualmente pelos seus componentes, considerando a presença de juntas. Citamos, como exemplo, divisórias leves moduladas. Depois de definirmos vedação vertical e classificá-la em variados aspectos, va- mos agora indicar os principais tipos de vedos verticais, que são: a) paredes: é o tipo mais comum de vedação vertical, pois são autoportantes2, fixas, monolíticas, contínuas, moldadas no local e pesadas. As paredes são classificadas em alvenarias e maciças; - alvenarias: denominamos alvenaria o conjunto construído pela união entre blocos ou tijolos ou pedras e o elemento de fixação entre eles, formando um sistema construtivo monolítico e estável. As paredes de alvenaria são utili- Figura 5 – Divisórias baixas 08 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS20 4FIADA DE BLOCO: Fileira de bloco. 5PRUMO: Alinhamento vertical da peça. 6PLANEZA: Característica de uma superfície plana. zadas em larga escala devido aos seus inúmeros benefícios. Citamos alguns deles: simplicidade de execução, facilidade e baixo custo de produção dos seus componentes, durabilidade, além da melhor relação custo-benefício. Segundo o material componente indicado, a parede de alvenaria pode ser de: - bloco de concreto: são produzidos através da composição de cimento, pedriscos3 e areia e fornecidos no mercado no formato do tipo canaleta para a confecção de vergas e vigas, e em tamanho reduzido (meio blo- co), com o intuito de diminuir os desperdícios destes blocos vazados na operação de corte do bloco inteiro; - bloco cerâmico: produzidos a partir da argila, possuem furos no senti- do longitudinal, que variam de acordo com a sua dimensão, como, por exemplo, o bloco 9cmx19cmx19cm com oito furos. Estes blocos são for- necidos também em formato canaleta para a confecção de vergas de concreto e na versão meio bloco, com a intenção de reduzir desperdício, produzido na hora do corte; Figura 6 – Alvenaria de bloco de concreto vazado 09 2 VEDAÇÕES 21 CASOS E RELATOS A construção de Celeste Celeste, técnica em edificações, está construindo uma casa para a sua mo- radia. Já executou os serviços preliminares, a etapa de infraestrutura e su- perestrutura e atualmente está iniciando os serviços de vedação vertical através da construção de alvenaria de blocos cerâmicos. Celeste fez esta escolha pela rapidez de execução, custo e durabilidade deste subsistema. Deu prioridade de compra dos blocos cerâmicos ao fabricante lhe apresen- tou um produto de qualidade, bem moldado e bem queimado. Sabendo que este material precisa ter um bom armazenamento para evitar quebras e desperdícios, recomendou ao seu mestre de obras, Sr. Cardoso, que estocasse os blocos em área plana, em pilhas de bloco sobrepostas e inferiores a dois metros. Chamou a atenção do mestre para que tivesse todo o cuidado com a loca- ção e assentamento das primeiras fiadas de blocos4 e com todo o assenta- mento da alvenaria para que não levantasse paredes desniveladas, fora de prumo5 e sem planeza6. O mestre de obras seguiu exatamente as recomendações de Celeste, que ao fim do trabalho pôde verificar que a alvenaria construída atendia plena- mente às suas expectativas. Figura 7 – Parede de alvenaria de bloco cerâmico 10 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS22 - bloco sílico-calcário: são produzidos através da composição de cimento, areia e cal, apresentam alta resistência e são bastante usadas em alvenaria estrutural; - bloco de concreto celular: produzido a partir da composição de cimen- to, cal, areia e alumínio em pó. Estes blocos são usados nas alvenarias estruturais não armadas, são fornecidos no mercado nas medidas de 60cmx30cmx10cm (ou ainda 12,5cm e 15cm de espessura). Tem como propriedades principais a leveza, a boa resistência e a facilidade no ma- nejo; - bloco de solo-cimento: este produto é obtido através da composição de cimento, de solo e um pouco de água. É obtido através do processo de prensagem, sem queimar em fornos, gerando um material consistente, resistente, durável, estanque, e de ótimo aspecto. Apresenta facilidade na aquisição dos seus insumos e ainda baixo custo de produção, pois o traço utilizado é de uma parte de cimento para 12 partes de solo, é bas- tante usado em obras residenciais de baixa renda; SAIBA MAIS Para saber mais sobre bloco de solo cimento, Consulte a ABNT NBR 10834:2013, bloco de solo-cimento, sem função estrutural - Requisitos - tijolo comum cerâmico: produzido a partir da argila, inicialmente ex- posto ao sol, e em seguida pelo processo de queima em fornos. São for- necidos em diferentes dimensões, porém as mais usuais são de 5,7cmx- 9cmx19cm. A alvenaria de tijolos tem um efeito estético muito positivo Figura 8 – Alvenaria de bloco de concreto celular 11 2 VEDAÇÕES 23 quando estão à vista, ou seja; quando não o revestimos com outro ma- terial; - pedra: as alvenarias feitas com este material são também chamadas de alvenarias ciclópicas, formadas por pedras de diâmetros variados e fixa- das com o emprego de argamassa, de cimento, cal e areia. b) paredes maciças: se dividem em moldadas no local e pré-moldadas. - as paredes maciças moldadas no local são produzidas por moldes atra- vés das formas. Pode-se utilizar diferentes materiais como componente desta parede maciça, tais como: concreto, solo-cimento, taipa, concreto celular; - as paredes maciças pré-moldadas são constituídas por painéis pré-mol- dados que se acoplam entre si. De acordo com a função que a parede venha a desempenhar na edificação, podemos sub-classificá-las em: a) parede estrutural: é parte integrante do elemento estrutural. Se forem rea- lizados cálculos racionais de suas dimensões. é denominada parede estru- tural. Se não tem as suas dimensões obtidas através de cálculo racional, é chamada de parede resistente; Figura 9 – Alvenaria de tijolo comum cerâmico 12 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS24 7CONTRAVENTAMENTO: Um sistema de proteção de edificações contra a ação do vento. b) parede de contraventamento: tem função estrutural de contraventamento7 de uma estrutura reticulada; aumenta de forma considerável o grau de rigi- dez da estrutura; c) parede de vedação: não tem função estrutural, é dimensionada apenas para suportar o próprio peso e ações atuantes sobre ela; VOCÊ SABIA? A vedação vertical influencia de 10% a 40% o custo do edifício? d) divisórias leves: são elementos utilizados no interior do imóvel, pelo proces- so de acoplamento a seco, através de placas desmontáveis ou removíveis. São estruturadas, têm a função de dividir o ambiente, são leves, descontínu- as, monolítica ou modular. Quanto à fabricação podem ser: - moduladas: são possíveis de serem removidas; compostas de painéis de placas de madeira reconstituída são normalmente utilizadas para exer- cerem a função de vedação de compartimentação; É regida pela NBR 11685:1990 que tem como título: divisórias leves internas moduladas. Figura 10 – Parede estrutural 13 2 VEDAÇÕES 25 - de gesso acartonado: são usualmente empregadas como vedação de compartimentação e de separação, popularmente conhecida como Drywall, pode ser fixa ou removível e em geral é monolítica; - de placas cimentícias: utiliza placas aglomeradas com cimento, fixa ou removível, em geral monolítica, com espessura menor que 2,5cm. e) painéis pesados: são modulares, autossuporte , muito pesadas, são obtidos por acoplamento a seco ou úmido de placas pré-moldadas ou pré-fabrica- das. Os painéis pesados podem ou não ser estruturais. Figura 11 – Divisórias leves moduladas Figura 12 – Divisórias em drywall 14 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS26 f) leves de fachada: são vedações exteriores leves, moduladas, estruturadas, ob- tidas por acoplamento a seco de placas, telhas, painéis sanduíche. Podem ser desmontáveis ou removíveis. São transportadastensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2008. ________. NBR 5643. Telha de fibrocimento - Verificação da resistência a cargas uniformemente distribuídas. Rio de Janeiro: ABNT, 2012. ________. NBR 7205: Placas de mármore natural para revestimentos superficiais verticais externos. Rio de Janeiro: ABNT, 1982. ________. NBR 7581-1: Telha ondulada de fibrocimento: Parte 1: Classificação e requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2012. ________. NBR 95755: Impermeabilização - Seleção e projeto. Rio de Janeiro: ABNT, 2010. ________. NBR 9817 – NB 1069: Execução de piso com revestimento cerâmico – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1987. ________. NBR 10821: Esquadrias externas para edificações, parte 3. Método de ensaio. Rio de Janeiro: ABNT, 2011. ________. NBR 10821-1: Esquadrias externas para edificações, parte 1. Terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 2011 ________. NBR 10821-2: Esquadrias externas para edificações, parte 2. Requisitos e classificação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011 ________. NBR 10821-3: Esquadrias externas para edificações, parte 3. Método de ensaio. Rio de Janeiro: ABNT, 2011 ________. NBR 10834: Bloco de solo-cimento sem função estrutural — Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. ________. NBR 11685: Divisórias leves internas moduladas – Terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 1990. ________. NBR 13754: Revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante. Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. ________. NBR 13755: Revestimento de paredes externas e fachadas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante. Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. ________. NBR 13756: Esquadrias de alumínio, guarnição elastomérica em EPDM para vedação. Especificação. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. ________. NBR 13858-1: Telhas de concreto: Parte 1: Projeto e execução de telhados. Rio de Janeiro: ABNT, 1997. ________. NBR 13858-2: Telhas de concreto: Parte 2: Requisitos e métodos de ensaio Rio de Janeiro: ABNT, 2009. 121 ________. NBR 15575-1: Edificações habitacionais — Desempenho. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. AZEREDO, Hélio Alves de. O Edifício até sua Cobertura. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. AZEREDO, Hélio Alves de. O Edifício e seu Acabamento. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. DREAMSTIME. Cobertura com material cerâmico. Disponível em: http://www.dreamstime.com/ royalty-free-stock-images-ceramic-roofs-image14166459 Acesso 12 abr. 2013. GOOGLE IMAGES. Alvenaria de tijolo comum cerâmico. Disponível em: http://www.google.com. br/imgres?imgurl=http://thumb1.shutterstock.com/thumb_small/275482/275482,1269538490,4/ stock-photo-front-view-of-an-ancient-building-with-stone-mullioned-windows-49530529. jpg&imgrefurl=http://www.shutterstock.com/pic-82966873/stock-photo-a-beautiful-old-french- chateau.html&h=77&w=100&tbnid=tU5x6j_jt69N6M&zoom=1&tbnh=68&tbnw=88&usg=__ SMM5Uq0u6hTLR_ds98GKamaIHPE=. Acesso em: 12 abr. 2013. GOOGLE IMAGES. Divisórias em drywall. 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RECAPITULANDO Neste capítulo, abordamos especificamente as vedações verticais, inician- do pela sua definição e constituição, para em seguida falarmos sobre as suas funções, propriedades e classificações quanto a diferentes aspectos. Citamos também os principais tipos de vedos verticais: paredes, divisórias leves, painéis pesados e leves de fachada. Definimos paredes, e tratamos da sua classificação em alvenarias e pare- des maciças, detalhando os tipos de alvenarias de acordo com o seu mate- rial constituinte, classificamos as paredes maciças em moldadas no local e pré-moldadas. Vimos ainda a definição de divisória, bem como a sua classificação, e, em se- guida, falamos também sobre painéis fechados e vedações leves de fachadas. Figura 13 – Vedação leve de fachada 15 2 VEDAÇÕES 27 Anotações: 16 Instalações 3 As instalações fazem parte das etapas de uma obra através dos seus condutores nas tare- fas de suprimento e coleta. Destacaremos, neste capítulo, as instalações elétricas e hidráulicas (com ênfase para instalações de água fria e esgoto). 3.1 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS A execução de uma instalação elétrica deverá ser orientada por um projeto específico, evi- tando-se, desta forma, prejuízos futuros por fuga de energia ou até pela possibilidade de subdi- mensionamento dos seus componentes, gerando curto- circuitos que podem provocar incêndio. Trataremos aqui das instalações de baixa tensão de luz e força, responsáveis pelo supri- mento de residências, e que tem as suas ações prescritas pela norma NBR 5410:2008, que fixa o a tensão de 1000 volts(v) como sendo o limite adotado para a baixa tensão em corrente al- ternada e de 1500 v para a corrente contínua. As tensões mais usadas no Brasil são 220/127V, 230/115V e 380/220V. Já que falamos em instalações de baixa tensão de luz e força, vamos conceituar o que seja cada um deles. Identificamos como “luz” todo circuito que tenha por função a iluminação ou alimentação de motores monofásicos, como, por exemplo, o de equipamentos eletrodomésti- cos, geladeiras, máquinas de lavar etc. SAIBA MAIS Os projetos de instalações elétricas são apresentados através de plantas (diagramas) com a utilização de símbolos gráficos que irão representar graficamente a instalação parcial ou total. Para aprofundar seus conhecimentos neste assunto, pesquise no livro, O Edifício e Seu Acabamento, escrito por Hélio Alves Azeredo, editora: Edgard Blucher. Por “força”, trataremos de todo circuito relacionado à força motriz, solda e outras finali- dades industriais. Nos imóveis residenciais, a “força” é empregada em equipamentos como elevadores, bombas, piscina, sauna, etc. 17 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS30 O suprimento de energia elétrica se dá através da captação na rede pública (do poste) por um ramal de ligação até o quadro de medição de consumo e, a partir disso, o fluxo de energia, através de condutores, segue até o quadro geral de distribuição na residência, que, através dos circuitos de distribuição, irão fazer a “alimentação” da energia em toda a unidade residencial. CASOS E RELATOS O barato saiu mais caro. Jorge, após alguns anos de economia, conseguiu comprar um terreno e construir uma casa de dois andares para ser a sua residência. Ao chegar à etapa de instalação elétrica foi alertado pelo seu vizinho, Antonio, que é técnico em edificações, que deveria entregar estes serviços a um profissio- nal ou a uma empresa que tivesse habilidade na execução destas ativida- des específicas, pois seria necessário a elaboração de um projeto executivo para esta instalação elétrica residencial. Jorge, no entanto, pensando apenas na redução de custos, contratou os serviços de um profissional de elétrica, de nome Orlando, de quem não ob- teve referências seguras e que lhe garantiu verbalmente que poderia dei- xar tudo com ele. Foram adquiridos os materiais solicitados, e, após a conclusão das obras, Jorge mudou-se imediatamente para a nova residência e em pouco tempo de ocupação viu que a instalação elétrica não estava adequada, gerando curto-circuito, em razão dos condutores estarem subdimensionados em relação à demanda requerida de energia. O proprietário teve retrabalho e gastos maiores do que aqueles que teriam se tivesse utilizado os serviços de um profissional habilitado. De acordo com a quantidade de consumo, a tensão fornecida pela concessio- nária poderá ser: monofásica, bifásica ou trifásica. Veja: a) monofásica: é alimentada por dois condutores, uma fase e um neutro, que liberam uma tensão de 127 V; 18 3 INSTALAÇÕES 31 Potência ativa total for: Até 12000 W Fornecimento monofásico - feito a dois �os: uma fase e um neutro - tensão de 127 V b) bifásico: a instalação é alimentada por três condutores, duas fases e um neutro, que liberam uma tensão de 220 V (ligação envolvendo duas fases) e uma tensão de 127 V (ligação envolvendo uma fase e um neutro). Potência ativa total for: Acima de 12000 W até 25000 W Fornecimento bifásico - feito a três �os: duas fases e um neutro - tensão de 127 V e 220 V c) trifásico: alimentada por quatro condutores, constituída de três fases e um neutro, que liberam uma tensão de 380 V (ligação envolvendo três fases) e uma tensão de 220 V (ligação envolvendo duas fases) e 127 V (ligação envol- vendo uma fase e um neutro). Figura 14 – Fornecimento monofásico Figura 15 – Fornecimento bifásico 19 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS32 Potência ativa total for: Acima de 25000 W até 75000 W Fornecimento trifásico - feito a quatro �os: três fases e um neutro - tensão de 127 V e 220 V Em uma instalação elétrica residencial, encontraremos diversos dispositivos e materiais que constituem o sistema e garantem o seu perfeito funcionamento. 3.1.1 DISPOSITIVOS ELÉTRICOS a) disjuntores: são acessórios indispensáveis, que asseguram a manobra e proteção contra as correntes de sobrecarga e correntes de curto circuito. O-OFF O-OFF O-OFF O-OFF O-OFF O-OFF b) correntes de sobrecarga: atuam no circuito com correntes acima da cor- rente nominal, exigindo dos equipamentos solicitações superiores às suas capacidades nominais e cargas de potência nominal acima dos valores pre- vistos em projetos. c) correntes de curto-circuito: se originam de falhas ou defeitos graves da instalação, através de falha ou rompimento da isolação entre fase e terra, ou Figura 16 – Fornecimento trifásico Figura 17 – Disjuntores 20 3 INSTALAÇÕES 33 entre fase e neutro, ou entre fases distintas. As correntes de curto-circuito podem por estas razões produzirem correntes com variação de 1000% a 10.000% do valor da corrente nominal do circuito. d) interruptores: comandam a operação da lâmpada, liga/desliga podem ser: - interruptores simples: comandam uma lâmpada ou mais, por um único local ou ponto de comando; - interruptores paralelos: comandam uma lâmpada ou mais, por dois pontos diferentes. Possibilita maior controle ao usuário. Geralmente, é utilizado em escadas, através de um interruptor no início e outro no final; - interruptores intermediários: comandam uma lâmpada ou grupo de- las, por três ou mais pontos diferentes. São empregados em escadas com vários andares, corredores que dão acesso a vários compartimen- tos, e salões com variados acessos; - interruptor de minuteria: a luz é acesa pela ação do homem, sendo des- ligada automaticamente depois de um tempo determinado. São usadas em escadas de edifícios, hall social de apartamentos, corredores, etc.; - interruptor horário ou temporizador: programa liga e desliga de forma automática circuitos elétricos em tempos pré- estabelecidos; - eletrônico por presença: tem um sensor infravermelho que capta a pre- sença de pessoas, animais, acionando o acendimento das lâmpadas para apagá-las em seguida, quando não for captadaradiação de calor. São utilizadas nas residências em área externas, hall social, escadas, banhei- ros. e) tomadas: com a criação do Padrão Brasileiro de Tomadas, passa a serem en- contrados em nosso mercado apenas dois modelos de tomadas. As tomadas com três orifícios de quatro mm ou 4,8 mm. As tomadas de 4,0mm são usadas para aparelhos que operam com amperagem de até 10 ampéres e as tomadas de 4,8mm para aparelhos que operam com amperagem entre 10 e 20 ampéres. Figura 18 – Tomadas e interruptores 21 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS34 1VIGOTA: São materiais pré-fabricados de betão pré-esforçado, com armadura constituída por fios de aço aderentes. f) caixa de passagem (2x4 e 4x4, em polegadas) e caixa de passagem octogo- nal (3x3 e 4x4, em polegadas): são utilizados em todos os pontos que sejam necessárias emendas ou derivação dos condutores e em todos os pontos de entrada ou saída dos condutores na tubulação. g) eletrodutos: são tubos que têm a função de proteger os condutores das ações mecânicas e da corrosão, e exerce também a proteção do meio contra a possibilidade de incêndio provocado por superaquecimento dos condu- tores. Quanto aos materiais constituintes, podem ser de metal ou de PVC, podem ainda ser rígidos ou flexíveis. - os eletrodutos de PVC rígidos: são comercializados em barras de 3,0m, com roscas, o que permite a sua emenda através de luvas, ou soldáveis no sistema ponta e bolsa onde a ponta de outro tubo é encaixado na bolsa daquele que se quer executar a emenda. São bons isolantes térmi- cos, não sofrem corrosão, nem são afetados por ácidos. - os eletrodutos de PVC flexíveis ou corrugados: os de coloração amarela são usados em instalações que exigem pouco esforço mecânico, são ins- talados normalmente embutidos em alvenaria. Já os de coloração cinza ou azul tem uma resistência superior, podendo ser usados embutidos em pisos e lajes. h) os condutores ou fios: são os responsáveis pela transmissão de energia elétrica que irão alimentar equipamentos e permitir a iluminação. São apre- sentados em diversas cores com a intenção de facilitar a identificação dos circuitos. Destacaremos os fios nas cores: - preto e vermelho: identifica os condutores fase; - azul: identifica a ligação terra; Figura 19 – Eletroduto de PVC rígido 22 3 INSTALAÇÕES 35 - verde: identifica os condutores. Os cabos são condutores formados por vários fios justapostos isolados ou não entre si. A depender do seu emprego eles podem classificar-se em: a) redondo normal: pode ser de sete fios, dez e nove fios, trinta e sete fios, sessenta e um fios e noventa e um fios. É utilizado em instalações que deter- minem seções acima de 10 mm²; b) redondo compacto: tem a disposição interna semelhante ao do cabo re- dondo normal, porém os fios internamente são mais compactados, mais jus- tapostos, o que termina por diminuir a sua flexibilidade. São empregados em baixas e médias tensões, obedecendo a uma variação em sua seção de 10 a 500mm²; • setorial compactado: empregado em instalações industriais; • flexível e extra flexível: tem o processo de fabricação semelhante ao redon- do, tendo como característica a presença de numerosos fios de pequeno di- âmetro. Muito usado na alimentação de pequenos aparelhos, como eletro- domésticos, é também muito utilizado em iluminação. 3.1.2 TIPOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Faremos uma abordagem sobre algumas situações de instalações elétricas, como, por exemplo, em lajes pré-moldadas, em lajes de concreto armado mol- dadas no local, embutidas em alvenarias, em Drywall, aparentes, ao ar livre, em calha, enterradas e aéreas. a) instalações elétricas em lajes pré-moldadas: o duto passará sobre as vigotas1 e serão recobertas posteriormente pelo concreto ou por um cimentado. Nos Figura 20 – Cabo redondo normal 23 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS36 pontos de iluminação, retira-se um bloco cerâmico que fica entre as vigo- tas, colocando-se um anteparo sob a laje para apoiar a caixa de passagem (octogonal) que será devidamente preenchido este espaço com o concreto utilizado para a laje; b) instalações elétricas em lajes de concreto armado moldadas no local: após a colocação e montagem das formas, são colocadas as caixas de passagem, posicionadas de acordo com as indicações de projeto. Os eletrodutos tam- bém são distribuídos e fixados ás caixas de passagem. Todo o espaço interior das caixas de passagem deverá ser ocupado por papel ou pó de serragem para que não se deforme nem tão pouco seja invadido pelo concreto. A instalação de caixas de passagem e eletrodutos em estruturas que recebe- rão concretos requer todo cuidado para que não sejam danificadas as suas peças e tampouco as suas ligações pela movimentação de equipamentos, de pessoas, do lançamento de concreto e do adensamento deste material. Os eletrodutos rígidos são os mais indicados; Figura 21 – Instalação elétrica em laje pré-moldada Figura 22 – Instalação elétrica em laje de concreto armado 24 3 INSTALAÇÕES 37 c) instalações elétricas embutidas em alvenarias: vamos abordar alguns proce- dimentos a serem seguidos neste tipo de instalação, inicialmente deve ser feita a marcação, definindo as posições de assentamento dos eletrodutos de acordo com o projeto; no local em que serão colocados os eletrodutos deve-se evitar a quebra dos blocos, optando-se por incluir rasgos nos panos, com auxílio da serra de corte manual, tendo-se o cuidado de deixar pelo menos um metro de eletroduto acima do respaldo para a emenda com a tubulação da laje. Em relação às caixas de passagem, faz-se a marcação e colocação na posição estabelecida em projeto. As caixas de passagem, quando embutidas em alvenaria, devem obedecer a alguns procedimentos: as caixas devem es- tar no prumo e ter-se cuidado para que não haja diminuição da sua seção. Importante observar a compatibilização da caixa com o revestimento para que fiquem alinhadas; VOCÊ SABIA? O passafio é uma guia rígida que conduz a fiação dentro dos conduítes ou eletrodutos, permitindo a sua passa- gem de um ponto a outro. d) instalações elétricas embutidas em Drywall: verificam-se os eletrodutos em relação ao seu estado e se estão desobstruídos, fazendo-se a identificação para posteriormente fixá-los à caixa de passagem. São definidos os pontos de marcação das caixas de passagem no Drywall, fazendo-se então os cortes nas placas de gesso acartonado para a fixação das caixas de passagem. Faz-se então a verificação, antes de completar-se a vedação, se os eletrodutos estão bem assentados e interligados às caixas de passagem; Figura 23 – Instalações elétricas em alvenaria 25 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS38 ELETRODUTO DE ELÉTRICA TUBULAÇÃO DE ÁGUA e) instalações elétricas aparentes: são visíveis, diferentemente do que aconte- ce nas instalações embutidas na alvenaria e no concreto. As caixas de passa- gem e eletrodutos são fixados por meio de parafusos, buchas e abraçadeiras; f) instalações elétricas enterradas: alguns procedimentos e cuidados devem ser seguidos neste tipo de instalação: - as caixas de passagem em alvenaria ou de outro material não devem per- mitir a passagem de água; - a profundidade dependerá da intensidade de tráfego no local; - antes de fazer-se o aterro das valas, é conveniente cobrir-se a tubulação com uma camada de areia; - utilizar terra para preenchimento das valas sem a presença de pedras e restos de materiais; Figura 24 – Instalação elétrica embutida em drywall Figura 25 – Instalação elétrica aparente 26 3 INSTALAÇÕES 39 - a compactação deste material de aterro deve ser feito com critério, a fim de não criar danos ao material assentado. Listamos, a seguir, algumas das normas técnicas da ABNT que fixam diretrizes para execução e controle de instalações elétricas: CÓDIGO TÍTULO DATA STATUS ABNT NBR 15465:2008 Sistemas de eletrodutos plásticos para ins- talações elétricas de baixa tensão - Requisi- tos de desempenho 04/08/2008 Em Vigor ABNT NBR 5431:2008 Caixase invólucros para acessórios elétricos para instalações elétricas fixas domésticas e análogas - Dimensões 21/04/2008 Em Vigor ABNT NBR 5410:2004 Errata 1: 2008 - Instalações elétricas de baixa tensão 17/03/2008 Em Vigor ABNT NBR IEC 60670- 1:2005 Caixas e invólucros para acessórios elétricos para instalações elétricas fixas domésticas e análogas - Parte 1: Requisitos gerais 29/04/2005 Em Vigor ABNT NBR 5410:2004 Versão Corrigida: 2008 - Instalações elétricas de baixa tensão 30/09/2004 Em Vigor ABNT NBR 5444:1989 Símbolos gráficos para instalações elétricas prediais 28/02/1989 Em Vigor ABNT NBR IEC 60947-7- 1:2004 Dispositivos de manobra e controle de baixa tensão - Parte 7: Dispositivos auxi- liares - Seção 1: Conectores elétricos para condutores elétricos de cobre 30/11/2004 Em Vigor ABNT NBR NM 60669- 1:2004 Interruptores para instalação elétricas fixas domésticas e análogas - Parte 1: Requisitos gerais (IEC 60669-1:2000, MOD) 29/10/2004 Em Vigor ABNT NBR 13571:1996 Haste de aterramento açocobreada e aces- sórios - Especificação 28/02/1996 Em Vigor ABNT NBR 12483:1992 Chuveiros elétricos - Padronização 30/04/1992 Em Vigor Figura 26 – Instalação elétrica enterrada Quadro 1 – Normas técnicas da ABNT 27 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS40 3.2 INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS Para elaborar um projeto de instalações hidráulicas, é preciso que se tenha uma série de informações necessárias ao seu dimensionamento e, para isto, é im- prescindível conhecer: tipos de pontos de consumo - torneiras; vasos sanitários; lavatórios; chuveiros; tipo, comprimento e diâmetro das tubulações; quantidade e tipos de conexões; registros de comando e cálculo estimativo de consumos di- ário de água em l/d (litros por dia) por pessoa. 3.2.1 INSTALAÇÃO HIDRÁULICA DE ÁGUA FRIA É um sistema formado de tubulações e demais acessórios com a função de captar a água da rede pública, conduzi-la até o interior da residência, fazendo a sua distribuição até os pontos de utilização e de consumo. Máximo 1,50m Limite de propriedade Muro Ramal externo ou predial Distribuidor ( encanador da rede pública ) Ramal interno ou alimentador predial Registro de pressão de passagem de macho ou de gaveta Filtro Passeio União Rua 0,40 Hidrômetro Registro de pressão de passagem ou de gaveta Registro de Derivação Caixa de passeio ou de fecho Registro de fecho ou de passeio Chumbo reforçado PVC Cobre Ferro fundido acima de 2” Os sistemas podem ser: direto, indireto e misto. a) direto: a água é captada, conduzida e distribuída diretamente da rede pú- blica. Este tipo de sistema apresenta algumas desvantagens, como a varia- ção de pressões que acontece na rede pública e que pode vir a danificar a tubulação interna. Além disso, como não há reserva de água, a falta de água na rede causará um desabastecimento; b) indireto: a água vinda da rede pública abastece um reservatório superior, e en- tão é distribuída por toda a residência. Quando não há pressão suficiente para Figura 27 – Captação de água da rede pública 28 3 INSTALAÇÕES 41 a água chegar até aquele reservatório, abastece-se um reservatório inferior e, através de bombeamento, faz-se esta água chegar até o reservatório superior; c) misto: quando acontecem as duas situações descritas nos sistema anterio- res, ou seja, parte da alimentação é distribuída diretamente da rede pública e parte pelo reservatório superior. A distribuição de água do reservatório até o ponto de consumo ou de utiliza- ção se dá através dos seguintes componentes da instalação: a) ramal predial: tubulação condutora da água da rede pública para o imóvel; b) colar ou barrilete: tubulação horizontal interligada ao reservatório que ali- menta as colunas de distribuição; c) colunas de distribuição: tubulação vertical interligada ao barrilete e que alimenta os ramais; d) ramais: tubulação interligada à coluna de distribuição e que alimenta os sub-ramais; e) sub-ramais: tubulação que interliga o ramal à peça de utilização. 25 25 25 25 Vai para quintal Rede Pública Medidor (Cavalete) Caixa d’água Banho Lavabo Cozinha 32 32 50 50 Em uma instalação hidráulica residencial, manuseia-se uma quantidade muito grande de tubos, conexões, registros de gaveta, registros de pressão, torneiras, válvulas de fluxo e torneiras de boia. Nas instalações residenciais, é comum o uso dos produtos em PVC com diâmetros diversos, com pontas e bolsas soldáveis, com adesivos apropriados ou rosqueados. A utilização de tubos PVC tem apresentado vantagens que validam a preferência do seu uso em instalações residenciais: simples instalação, fácil manuseio e transpor- te, resistente à pressão, grande durabilidade, menor perda de carga e baixo custo. As tubulações PVC são facilmente encontradas no mercado e em variados ti- pos. Para as instalações prediais, há duas linhas que se destacam: Figura 28 – Captação e distribuição de água em uma residência 29 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS42 a) linha hidráulica: condutora de água fria, está submetida à pressão, sendo usual o emprego de adesivo específico; nos terminais de consumo, utiliza-se conexão soldável e com rosca interligando os elementos de condução e de consumo; b) linha sanitária: para condução de esgoto, ventilação e captação de água pluvial, está submetida à pressão atmosférica, não sendo obrigatório o uso de adesivos. São utilizadas nas ligações anéis de vedação. 3.3 INSTALAÇÕES SANITÁRIAS - ESGOTOS Sistema formado por tubulações, aparelhos e demais acessórios com a função de captar e conduzir os despejos (águas residuárias) de um imóvel. Figura 29 – Tubos e conexões em PVC para água fria Figura 30 – Tubos, conexões e caixas para esgoto 30 3 INSTALAÇÕES 43 Estes despejos são chamados de água imunda quando, além de água, contém ainda material fecal e urina. São chamados de águas servidas quando são origi- nários de processos de lavagem e limpeza. FIQUE ALERTA Durante as instalações hidrossanitárias, deve-se preservar a segurança do trabalhador. Acidentes, como queda de pessoas ou de objetos, podem provocar fraturas, ferimen- tos, contusões, cortes. O uso de Epi’s, como calçado de segurança, capacete, cinto de segurança - paraquedista e óculos de proteção, minimizarão os riscos de acidentes. Este sistema tem como componentes: a) tubulação primária: tem a presença dos gases vindos da rede pública ou dos dispositivos de tratamento; b) tubulação secundária: tem um desconector que protege dos gases; c) ramal de descarga: tubulação que recebe diretamente os despejos dos apa- relhos sanitários; d) ramal de esgoto: recebe os despejos dos ramais de descarga; e) tubo de queda (TQ): usado em edifícios, tubulação vertical que recebe os despejos dos ramais de esgoto; f) caixa de gordura (CG): caixa receptora de gorduras; g) ralo seco (Rs): caixa dotada de grelha na parte superior, tem a função de captar as águas de lavagem de pisos ou de chuveiros; h) ralo sifonado ou caixa sifonada (cs): tem a função de captar as águas de lavagens de pisos e despejos de aparelhos sanitários, com exceção dos vasos sanitários; i) caixa de passagem (CP) ou caixa de inspeção (CI): possibilita a inspeção e desobstrução de canalizações; j) coluna de ventilação (CV): tubulação com a finalidade de conduzir os gases até a atmosfera, acima da cobertura do imóvel. 31 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS44 TQ tubo de queda RD ramal de descarga RE ramal de esgoto ESGOTO PRIMÁRIO ESGOTO SECUNDÁRIO desconector RV ramal de ventilação CV coluna de ventilação RECAPITULANDO Abordamos neste capítulo as instalações elétricas residenciais e as instala- ções hidráulicas, enfatizando as instalações de água fria e esgoto. Inicialmen- te, tratando das instalações elétricas, chamando a atenção da necessidade de um projeto executivo específico. Fez - se referência à norma NBR 5410:2008 da ABNT, que fixa regras para instalações de baixa tensão de luz e força; em seguida, discorremos de como se processa o suprimentode energia elétrica da rede pública desde a captação no poste até a chegada a residência. Vimos ainda as tensões monofásicas, bifásicas e trifásicas fornecidas pelas concessionárias e dos diversos dispositivos utilizados em uma instalação elétrica. A seguir, falamos sobre as instalações realizadas em lajes pré-mol- dadas e moldadas no local, bem como das instalações embutidas em alve- narias e em vedações do tipo Drywall. Em relação às instalações hidráulicas, iniciamos tratando de instalações de água fria, no que diz respeito à captação de água da rede pública e à sua distribuição até a residência. Abordou-se os tipos de sistema de captação: direto, indireto e misto, tecendo-se comentários sobre cada um deles. Falamos também da distribuição da água do reservatório superior para os pontos de consumo e utilização, através dos seus condutores. Chamamos a atenção sobre a consolidação do uso de tubos PVC e das vantagens com- provadas pelo uso. Para concluir, falamos das instalações sanitárias, seus componentes e funções. Figura 31 – Sistema de esgoto em uma residência 32 3 INSTALAÇÕES 45 Anotações: 33 Esquadrias e ferragens 4 Neste capitulo, vamos conhecer sobre as esquadrias e ferragens, bem como sua aplicabili- dade na Construção Civil. Veremos a classificação das esquadrias e os tipos de esquadria. Gene- ricamente, chamam-se de esquadrias as vedações de vãos através de portas, janelas, persianas e venezianas. Quando estes elementos da esquadria são constituídos de materiais metálicos, recebem o nome específico de caixilhos. Os elementos utilizados para vedação na abertura das alvenarias das edificações chamam-se esquadrias. Nesta fase da obra, acontece a fixação dos batentes (guarnições) de portas, portões, janelas, venezianas, etc. Na fase de projeto, é fundamental o estudo da localização da porta, bem como o sentido de abertura da mesma, buscando oferecer ao imóvel mais segurança, conforto e funcionalidade. Esta etapa construtiva referente às esquadrias é uma das mais importantes por ter a função de comunicação entre o interior e o exterior da residência, tendo um custo significativo nas obras, podendo variar de 9 a 18% do total gasto em uma edificação. As esquadrias classificam-se basicamente em: portas, janelas e persianas. Iniciaremos abordando os componentes de uma porta: a) contrabatente : elemento de madeira que é fixado na alvenaria, tem por função servir de base para a fixação do batente. É formado por uma peça colocada na horizontal, chamada “travessa”, e duas na vertical aonde se apoia a travessa, chamada de “montante”. Na co- locação do contrabatente, deve-se ter atenção para a compatibilização desta peça, para que a mesma fique faceando com o revestimento final; b) batente: elemento de madeira, também formado por uma travessa e dois montantes, porém com uma cavidade ou rebaixo para receber a folha da porta. Tanto no caso do contrabatente , como no batente, devem ser fixados à alvenaria antes de se aplicar o re- vestimento. O batente recebe a designação de marco quando cobre a espessura da parede de ½ tijolo e de caixão quando cobre a espessura da parede de 1 tijolo; 34 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS48 c) aduela: elemento de madeira que serve para dar acabamento a vãos de por- ta sem folhas. Seu processo de fixação é semelhante ao do batente; d) guarnição: elemento de madeira, tem a função de cobrir a abertura que fica entre o batente ou contrabatente e a alvenaria. A sua espessura varia de 1 a 1,5 cm e as suas larguras variam de 5, 7 e 9cm; e) batedeira ou mata-junta: peça de madeira usada em portas de duas folhas, tem a função de cobrir a fresta deixada entre as duas folhas da porta; f) folha da porta: é a parte móvel desta esquadria, tem a função de abrir e fe- char o vão. Tem espessura variando entre 3,5cm e 4,5cm, as larguras padro- nizadas das folhas são de 62cm, 72cm, 82cm, ou ainda 92cm, a altura padrão adotada é de 2,11m. Figura 32 – Fixação do batente 35 4 ESQUADRIAS E FERRAGENS 49 Devem-se verificar estes materiais quanto a possíveis defeitos nas suas dimen- sões ou formato das folhas, no que diz respeito a esquadro e planeza, bem como observar visualmente o seu aspecto para ver se apresenta nós, bolsas de resina, manchas, irregularidades de superfície, entre outros. Divide-se em almofada, compensada ou lisa, maciça e calha. Existem no mercado diversos tipos de esquadrias atendendo aos mais varia- dos gostos estéticos e disponibilidades financeiras. Basicamente dividem-se em dois grandes tipos: as esquadrias prontas e as feitas sob medida de acordo com o projeto. Como exemplo de esquadrias prontas, citaremos o kit porta – pronta: como o nome indica já vem pronta com os acessórios de guarnições, batentes, dobra- diças e fechaduras. No entanto, na sua montagem, alguns cuidados devem ser seguidos: o assentamento deverá ser realizado na fase final da obra com o piso e o teto já acabados e as paredes com pelo menos uma demão de pintura. O vão aonde será fixado o sistema deverá estar com as suas dimensões verificadas para que haja o perfeito acoplamento. Figura 33 – Folha de porta com almofadas 36 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS50 O vão deverá estar então chapiscado, emboçado e limpo. Na fixação da porta, usa-se espuma expansiva de poliuretano, evitando-se movimentação no kit até que a espuma conclua todo o seu trabalho de expansão. O processo de assen- tamento deste kit é simples e prático, utiliza-se como ferramentas e acessórios: prumo, nível, cunhas de madeira, martelo de borracha, lápis de carpinteiro, metro ou trena, esquadro, cola branca. Para a colocação do kit porta pronta, procede-se da seguinte maneira: a) coloca-se a caixa no vão; b) com auxílio das cunhas de madeira e do martelo de borracha, busca-se fixar a porta, tendo-se o cuidado de verificar-se o alinhamento da porta com a parede; c) com o auxílio do prumo de pedreiro verifica-se o alinhamento vertical do batente; d) o pequeno espaço compreendido entre o batente e a parede deverá ter aproximadamente até1,5 cm e será preenchido pela espuma expansiva; e) para aplicação da espuma, colocar o bico aplicador, fazendo com que o produ- to penetre no espaço previamente deixado entre o batente e a parede. Nesta operação, é indispensável que o trabalhador responsável pela aplicação faça uso dos EPI’S adequados para este serviço, como luvas e óculos de proteção; Figura 34 – Kit porta pronta 37 4 ESQUADRIAS E FERRAGENS 51 f) após trinta minutos da aplicação, as cunhas poderão ser retiradas, mas a es- puma só estará completamente seca após seis horas; g) retiram-se os travamentos e com o auxílio de um estilete corta-se todo o excesso de espuma que haja extrapolado; h) finalmente, unta-se com cola as peças de encaixe das guarnições no batente. 4.1 TIPOS DE ESQUADRIAS QUANTO AO MOVIMENTO DE ABERTURA Os tipos de esquadrias são também resultantes do tipo de aberturas adotadas, e dos seus materiais constituintes. Registramos, a seguir, alguns tipos de esquadrias: a) de abrir: portas e janelas abrem-se para dentro ou para fora, com movimen- tos liberados através de dobradiças ou de pivôs; FIQUE ALERTA Ao instalar portas de madeira, esta operação pode pro- vocar danos nos profissionais envolvidos nesta atividade, destacamos aqui fadiga, lesões nos membros superiores, lesões da coluna, provocados por posturas inadequadas e levantamentos de materiais e transporte de carga de for- ma inadequada. b) de correr: as portas e janelas deslizam as suas folhas sobre trilhos, onde se movimentam apoiadas ou penduradas (no chão ou no teto); Figura 35 – Porta de abrir 38 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS52 c) de guilhotina: neste tipo de janela, o movimento ocorre por deslocamento vertical das folhas móveis, podendo escolher-se que uma das folhas perma- neça fixa em cima ou em baixo; d) basculante: apresenta uma ou mais folhas móveis através de rotação em torno de um eixo horizontal, pode ser janela basculanteou portão basculan- te, muito usado em garagens; Figura 36 – Porta de correr Figura 37 – Janela tipo guilhotina 39 4 ESQUADRIAS E FERRAGENS 53 e) maxim-Ar: tem o movimento de abertura semelhante à basculante, no en- tanto, neste caso toda a sua folha se projeta para fora do ambiente e não parcialmente como no caso anterior. É muito comum a sua fabricação utili- zando-se o alumínio; f) camarão: também conhecidas como sanfonadas, apresentam movimento em que as suas folhas vão simultaneamente correndo e dobrando, permitin- do que o vão fique praticamente todo aberto; Figura 38 – Basculantes Figura 39 – Maxim-Ar 40 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS54 g) de tombar: Assemelha-se ao maxim-ar invertido. 4.2 TIPOS DE ESQUADRIAS QUANTO AO MATERIAL EMPREGADO NA FABRICAÇÃO a) alumínio: as esquadrias de alumínio são recomendadas para regiões lito- râneas devido a sua resistência ao salitre marinho. São bastante utilizadas em diversos tipos de edificações. Podem ser encontradas prontas em casas comerciais ou feitas sob encomenda; Figura 40 – Porta camarão em vidro e madeira Figura 41 – Janela de alumínio 41 4 ESQUADRIAS E FERRAGENS 55 b) madeira: as esquadrias de madeira são ainda bastante utilizadas. Alguns cui- dados devem ser tomados na escolha deste material, dando-se preferência às madeiras de lei. As esquadrias de madeira devem ser tratadas com produtos contra fungos e pintadas para aumentar a sua proteção contra as intempéries; c) PVC: Vem ganhando espaço no nosso mercado em razão de ser de simples montagem, duráveis e de fácil limpeza. Dispensam a aplicação de pinturas; Figura 42 – Esquadria de madeira Figura 43 – Porta sanfonada de PVC 42 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS56 d) ferro: as esquadrias que apresentam este material na sua fabricação transmi- tem uma maior tranquilidade em relação à segurança. No entanto, cuidados com a sua manutenção devem ser tomados principalmente em regiões lito- râneas devido à ação agressiva da salinidade, levando à oxidação (ferrugem). As esquadrias de ferro devem ser convenientemente tratadas antes da apli- cação de pintura protetora anticorrosiva; VOCÊ SABIA? O vidro temperado tem este nome porque passa por um processo chamado de têmpera que o torna até cinco vezes mais resistentes que o vidro comum. Ao quebrar, ele se parte em pequenos pedaços evitando a formação de pedaços pontiagudos e cortantes. e) vidro: este tipo de esquadria é bastante utilizado tanto nas edificações re- sidenciais quanto comerciais, pela sua beleza, transparência e por facilitar a passagem da iluminação. Utiliza-se normalmente o vidro “temperado”, que é fabricado atendendo às propriedades que fazem com que, durante uma quebra, este material se fragmente em pequenos pedaços sem apresentar formas pontiagudas que poderiam transformar-se em elementos de alta pe- riculosidade à integridade física das pessoas. Figura 44 – Porta de ferro 43 4 ESQUADRIAS E FERRAGENS 57 CASOS E RELATOS Escolha de esquadrias no casamento. O casal Pedro e Cristina está muito feliz e planeja, como todo casal, construir a sua casa. Após discutirem com o projetista, definiram entre diversos itens o tipo de esquadrias para as diferentes áreas da casa. Para a entrada, foi prio- rizada porta de madeira (de lei) de uma folha com almofadas de abrir e para os vãos internos a escolha foi por portas de uma folha, lisas, também de abrir. Para as janelas, como a casa está situada em local próximo ao mar, optou- -se por janelas de correr, de alumínio com vidro. Para os sanitários, o casal escolheu a esquadria tipo maxim-ar também em alumínio, e, para a pequena dependência que funcionará como um escritório, definiu-se pela colocação de uma porta sanfonada de PVC para melhor aproveitamento do espaço. Figura 45 – Esquadria de vidro 44 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS58 4.3 TIPOS DE ESQUADRIAS QUANTO À FUNÇÃO a) acesso: controla o trânsito de pessoas e veículos. Sendo um elemento de segurança da edificação evitando ou dificultando a entrada de intrusos; b) isolamento: as esquadrias permitem o isolamento tanto térmico, prote- gendo contra as incidências solares, bem como permite o isolamento acús- tico, uma vez que possibilita o controle com efeito de minimizar os ruídos e barulhos externos; c) iluminação: permite a entrada da iluminação natural, tornando o ambiente interno mais salubre, além de reduzir custos e recursos com a redução do uso da iluminação artificial; d) ventilação: permite a passagem e circulação do ar externo, contribuindo para a renovação do ar no ambiente interno da edificação. SAIBA MAIS A porta corta-fogo tem a função de resistir ao fogo, impe- dindo ou buscando dificultar a propagação das chamas e da passagem do calor e dos gases de um ambiente para outro. Saiba mais a respeito desta esquadria, pesquisando no livro “A Técnica de Edificar” de autoria de WalidYazigi. Ed. Pini. Normas Técnicas Aplicáveis - A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) fixa orientações e procedimentos para as coberturas em relação às suas terminolo- gias, requisitos e classificações, especificações, métodos de ensaios, através da: a) ABNT NBR 10821-1:2011, Esquadrias Externas para Edificações, Parte 1- Ter- minologia; b) ABNT NBR 10821-2:2011, Esquadrias Externas para edificações, Parte 2 - Re- quisitos e Classificação; c) ABNT NBR 10821-3:2011. Esquadrias externas para edificações. Parte 3 - Mé- todo de Ensaio; d) ABNT NBR 13756:1996, Esquadrias de alumínio – Guarnição elastomérica em EPDM para vedação - Especificação. 4.4 FERRAGENS As ferragens são os diversos acessórios que compõem as esquadrias para au- xiliar na sua funcionalidade. Exemplo: fechaduras, dobradiças, puxadores, trincos, maçanetas, etc. 45 4 ESQUADRIAS E FERRAGENS 59 4.5 EQUIPAMENTOS, FERRAMENTAS E ACESSÓRIOS UTILIZADOS a) colher de pedreiro de 8”; b) linha de náilon; c) lápis de carpinteiro; d) trenas de aço de 5 e 30m; e) régua de alumínio de 1” x 2” com 2m; f) mangueira de nível; g) nível de bolha com 35cm; h) prumo de face; i) talhadeira de 12”; j) marreta de 1k; k) martelo tipo unha; l) serrote; m) jogo de chave de fenda; n) furadeira elétrica portátil com brocas. Analisaremos, nesta etapa de execução de esquadrias, os fatores de riscos e perigos inerentes a estes serviços. Por outro lado, apontaremos medidas preven- tivas que devem ser adotadas para fazer frente à estas ameaças aos trabalhadores. Figura 46 – Ferragens usadas em esquadrias 46 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS60 a) riscos de acidentes – projeção de partículas nos olhos, queda de pessoas, queda de objetos, golpes no manuseio a ferramentas manuais, prensagem de mãos e dedos; b) riscos à saúde – contato com cola, levantamento e transporte de cargas; c) danos gerados pelos riscos de acidentes– fraturas, ferimentos, contusões; d) danos gerados pelos riscos à saúde– dermatoses, queimaduras químicas, intoxicações, lesões nos membros superiores, lesões de coluna. Medidas preventivas a serem adotadas no canteiro de obras – manter o local de trabalho organizado, circulação livre e desimpedida, utilização de sinalização de segurança, adequada utilização de ferramentas diversas, guarda de ferramen- tas no cinto porta-ferramentas, uso de equipamentos de proteção contra quedas, manutenção de ordem e limpeza no canteiro de obras, utilização de profissionais conhecedores das atividades a serem desenvolvidas. Evitar-se a presença ou circulação de pessoas não vinculadas ao serviço em áreas com muito ruído, realizar manutenção preventiva de máquinas e equipa- mentos, realizar exames audiométricos, ter cuidado com o asseio corporal e com a limpeza da roupa utilizada no trabalho. Após o término da jornada, fazer o as- seio corporal com água em abundância. Na implantação de medidas preventivas, é imprescindível o uso de Equipa- mentos de Proteção individual - EPI’s. EPI: calçado de segurança, capacete, óculos de segurança contra impacto, luva de PVC, máscaradescartável para vapores. A verificação e aceitação dos serviços acontecem através do acompanhamen- to destes trabalhos, buscando-se identificar não conformidades nos materiais envolvidos e/ou na execução dos serviços para a sua correção se necessário. Ob- serva-se a qualidade do assentamento das peças e o seu perfeito funcionamento. Uma vez que esta etapa construtiva tenha atendido às diretrizes do projeto espe- cífico em consonância com as normas da ABNT, pode-se então dar como conclu- ído e aceito estes serviços. 47 4 ESQUADRIAS E FERRAGENS 61 RECAPITULANDO Iniciamos conceituando esquadrias e caixilhos, para em seguida citarmos a classificação básica: porta, janela e persiana. Abordamos diferentes aspec- tos sobre o elemento “porta” no que diz respeito aos seus componentes e da inspeção necessária nas peças, quando da sua aquisição. Falou-se das portas feitas sobre medidas e do kit porta pronta e dos procedimentos ne- cessários ao seu assentamento. Fizemos também referência à classificação de esquadrias, portas e janelas, de acordo com o movimento de abertura de suas peças e também de acor- do com o material empregado na fabricação. Abordamos a função das es- quadrias quanto ao acesso, ao isolamento, a iluminação, a ventilação, para em seguida citarmos algumas normas técnicas aplicáveis às esquadrias. Tratamos de ferragens, da sua conceituação e também de equipamentos, ferramentas e acessórios, utilizados nos assentamentos de esquadrias. Abor- damos, por fim, os fatores de riscos e perigos que envolvem estes serviços, os riscos de acidentes à saúde, os danos gerados pelos riscos de acidentes e pelos riscos à saúde, abordando, por fim, medidas preventivas que devem ser implementadas para oferecer condições de segurança ao trabalhador. 48 Revestimentos 5 Dando seguimento ao nosso processo construtivo de conhecimento aprenderemos sobre os tipos de revestimento, seu processo executivo e armazenamento. Fique atento às infor- mações contidas neste módulo. Revestimentos são formados por camadas que recobrem as vedações e estruturas com o objetivo de exercer proteção contra os agentes agressivos e dos seus efeitos danosos, ao mesmo tempo tendo as funções de valorização estética e econômica no ambiente construído. Os revestimentos têm também por função criar a condição de estanqueidade do ar e da água, bem como de proteção térmica e acústica, no que se refere ao controle da temperatura e do ruído. Existem diversos tipos de revestimentos, alguns bem específicos usados em determinados ambientes que exigem tratamentos e aplicações especiais, como em áreas industriais, comer- ciais, químicas, hospitalares, navais. Vamos, durante as nossas abordagens, nos concentrar mais nos revestimentos utilizados em residências. Quanto ao tipo de elemento de vedação a ser revestido, nós podemos des- tacar: revestimentos de piso - estaremos tratando no capítulo 2.12 -, revestimento de forro, revestimento de fachada e de paredes, que estaremos tratando neste capítulo. VOCÊ SABIA? O gesso, o cimento e a cal são três aglomerantes da construção civil e mesmo depois do início das suas pegas, continuam a endurecer, ga- nhando resistência, em um processo que pode durar semanas. Os revestimentos quanto ao material constituinte podem ser de vários tipos: com argamas- sa, cerâmicos, de pedra, de madeira, sintéticos, de papel, de fibra. No entanto, os tipos de revestimentos mais comuns, os mais utilizados na construção civil, são os que empregam a argamassa, a cerâmica e pedras. Vamos, então, comentar um pouco sobre cada um deles. 49 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS64 SAIBA MAIS Os forros são revestimentos das faces inferiores de lajes ou dos telhados de maneira a formar uma superfície plana, su- perior. Para saber mais sobre o assunto, pesquise em: “A Téc- nica de Edificar”, de WalidYazigi, editora: PINI.’’ a) revestimentos com argamassas: são os revestimentos mais utilizados em obras tanto nas áreas internas quanto externas. Têm a função de regularizar e proteger as paredes, servindo também de respaldo para outros revestimen- tos. Antes de se revestir a parede, deve-se testar a instalação hidráulica para se verificar se há vazamentos, fazendo-se caso necessário as correções devidas. Deve-se também fazer a limpeza da superfície e molhar a área a ser revestida. Os revestimentos com argamassa podem ser empregados em três etapas: - chapisco: aplicado diretamente na alvenaria e em superfícies lisas de concreto, com uma espessura variável de 5 a 7mm, tem a função de criar aderência para receber e reter a próxima camada. Utiliza na sua prepa- ração o cimento e a areia média como componentes no traço de 1:3, ou seja, uma parte de cimento e três partes de areia. É também utilizado como camada impermeabilizante em paredes exter- nas de blocos cerâmicos e de cimento, usado como proteção contra a infiltração de água, evitando- se desta forma o aspecto desagradável de manchas na parede. Tem uso comum em algumas regiões, a sua aplicação como revestimento de acabamento ou final. Neste caso, sua aplicação acontece com o auxílio de uma peneira, conseguindo-se desta forma um bom efeito decorativo. Figura 47 – Revestimento com chapisco peneirado 50 5 REVESTIMENTOS 65 - emboço: aplicação seguinte a do chapisco, com uma espessura variável de 2 a 2,5 cm, tem a função de regularizar a superfície, tornando-a plana. Utiliza na sua preparação o cimento, a cal ou arenoso e a areia. Em geral, usam-se os seguintes traços em volumes: - 1:2:6 (cimento, cal hidratada ou arenoso e areia média) para revesti- mentos externos; - 1:2:8 (cimento, cal hidratada ou arenoso e areia média) para revesti- mentos internos. Abordaremos agora os principais procedimentos para a aplicação do emboço: - na parede já chapiscada, coloca-se taliscas (pedaços de cerâmica) na alvenaria para servir de preparação para as mestras que definirão a es- pessuras estabelecidas do emboço, permitindo o seu perfeito prumo e alinhamento; - com o auxílio de uma brocha, umedece-se o local aonde serão fixadas as taliscas; - aplica-se neste local argamassa para fixar as taliscas; - depois de fixadas as taliscas, procedem-se da mesma forma, colocando-se outras, com distância horizontal não superior a 2,0m; - depois de molhar o trecho onde estarão as mestras, lança-se a argamassa entre as taliscas superiores e inferiores; - espera-se então aproximadamente quinze minutos e com o auxílio de uma régua de alumínio apoiada nas taliscas inferior e superior, faz-se o serviço de sarrafeamento retirando-se o excesso de argamassa, materia- lizando-se a mestra; Figura 48 – Taliscas 51 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS66 - alisa-se a mestra com o auxílio de desempenadeira, com movimentos circulares de baixo para cima; - completa-se com argamassa o espaço entre as mestras comprimindo com a colher de pedreiro a argamassa de encontro a alvenaria; - inicia-se então o sarrafeamento da argamassa aplicada entre as duas mestras, através de uma régua de alumínio que deverá através de movi- mentos de baixo para cima retirar o excesso de argamassa; - se tiver na superfície sarrafeada alguma área necessitando complemen- tação de argamassa, esta operação deverá ser feita, sarrafeando-se no- vamente no trecho desta nova aplicação. c) reboco: última camada deste tipo de revestimento, com uma espessura de até 5mm. Também chamado de revestimento fino, tem a função de dar o acabamento ao emboço preliminarmente executado. Sua aplicação deverá acontecer com pelo menos vinte e quatro horas após decorrida a pega do emboço, e posterior aos serviços de assentamento dos peitoris e marcos. Por ser uma camada de acabamento, todo cuidado deve-se ter para que a sua superfície apresente-se totalmente plana. Utiliza-se cada vez mais nas edificações a argamassa fina industrializada tanto para interiores quanto para exteriores. Para interiores, estes produtos vêm em embalagens de sacos de 20 kg e 50kg; têm como elementosconstituintes cal hidratada e areia classificada, bastando apenas adição de água na quantidade indicada para a sua aplicação. Espera-se que esta argamassa fina industrializada produzida sob controle e ensaios tecnológicos, possa ter: capacidade de absorver deformações, trabalhabilidade, e assim restringir o surgimento de fissuras, ade- rência, resistência mecânica e, por fim, durabilidade. Figura 49 – Sarrafeamento de argamassa entre duas mestras 52 5 REVESTIMENTOS 67 Na sua aplicação, deverão se observar os seguintes procedimentos: - a superfície de aplicação precisa estar limpa, isenta de pó, manchas, gor- duras ou de qualquer elemento que venha a prejudicar a aderência en- tre as camadas (do emboço e do reboco); - antes da aplicação da argamassa fina, deve-se molhar fartamente a su- perfície de aplicação; - aplica-se a argamassa fina com o auxílio de uma desempenadeira de ma- deira, obedecendo-se a espessura indicada; - após a aplicação e ainda com argamassa úmida, utiliza-se para o seu aca- bamento a desempenadeira de espuma de borracha; - o processo de estocagem deste material se dará através de pilhas de até 15 sacos, tendo como base estrados de madeira, este material tem prazo de validade de até um ano a partir da data de fabricação. O local de de- pósito deste material deverá ser fechado e coberto. A argamassa fina industrializada para exteriores vem em embalagens de 50 kg; tem como elementos constituintes cal hidratada, areia classificada, cimento portland e aditivo impermeabilizante, conferindo ao material propriedade imper- meabilizadora (hidrófugas), protegendo as fachadas das edificações contra a in- filtração das águas de chuvas. Deve-se obedecer a um espaço de trinta dias entre a aplicação da argamassa fina e a pintura da superfície com tinta PVA ou acrílica. Quanto às suas propriedades, são as mesmas já citadas para a argamassa fina industrializada para interiores. Para sua aplicação, recomenda-se adotar os se- guintes procedimentos: Figura 50 – Argamassa fina industrializada 53 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS68 - a superfície de aplicação precisa estar limpa, isenta de pó, manchas, gor- duras ou de qualquer elemento que venha a prejudicar a aderência en- tre as camadas (do emboço e do reboco); - antes da aplicação da argamassa fina, deve-se molhar fartamente a su- perfície de aplicação; - aplica-se a argamassa fina com o auxílio de uma desempenadeira de ma- deira, obedecendo-se a espessura indicada (de 3mm a 5mm); - proceder ao acabamento acamurçado, com o auxílio de uma desempe- nadeira de espuma de borracha; - ao fim de uma aplicação parcial, a área seguinte a ser revestida deverá ser alvo dos procedimentos preliminares de limpeza, para se garantir a desejável aderência; - os mesmos cuidados observados para estocagem de argamassas finas industrializadas para interiores, deverão acontecer também para a de exteriores, sendo que, neste caso, a estocagem se dará por até 45 dias a partir da data de fabricação. A argamassa para exteriores do tipo comum não deve ser utilizada como base para massa corrida acrílica. Os revestimentos com argamassa nem sempre se constituem das três etapas. Têm-se utilizado frequentemente a primeira camada através de chapisco, para garantir uma boa aderência do revestimento na alvenaria. Quando o revestimen- to final se dá através de pintura, executa-se a terceira camada que é o reboco; já quando o revestimento final se dá através de, por exemplo, placas cerâmicas, a base é composta de chapisco e, posteriormente, a camada de emboço para, em seguida, vir o revestimento final. É cada vez mais frequente o uso da argamassa industrializada tanto para assentamento como para ser aplicada como revesti- mento. Alguns fatores têm determinado a crescente aceitação deste produto pré- -fabricado, um deles é o controle de qualidade a que é submetido esta argamassa com a inclusão de aditivos na sua composição, conferindo-lhe como vimos ade- rência, redução do aparecimento de fissuras, trabalhabilidade, resistência mecâ- nica e durabilidade. 54 5 REVESTIMENTOS 69 Chapisco Emboço (massa grossa) Reboco (massa �na) A argamassa industrializada pode com apenas uma camada substituir o emboço. Equipamentos e ferramentas e acessórios utilizados em assentamento de ar- gamassa industrializada: a) brocha; b) desempenadeira de madeira; c) desempenadeira dentada; d) lápis de carpinteiro; e) régua de alumínio de1”x 2” com 2m; f) esquadro de alumínio; g) mangueira de nível ou aparelho nível a laser; h) prumo de face de cordel; i) caixote para argamassa; j) vassoura de piaçava; k) escova de aço; l) cavaletes para andaimes; m) carrinho de mão; n) guincho; o) cantoneiras de alumínio para cantos vivos; p) desempenadeiras de canto V de quina; Figura 51 – Chapisco, emboço e reboco 55 SISTEMAS E PROCESSOS CONSTRUTIVOS70 q) padiola; r) argamassadeira ou betoneira; s) silo. FIQUE ALERTA Na execução de revestimentos utilizando argamassa, al- guns fatores de risco tornam-se ameaças para os trabalha- dores e pessoas que estejam nas proximidades, a poeira pode provocar problemas respiratórios por inalação de poeiras, o contato com o cimento pode provocar dermato- ses, queimaduras químicas. Revestimentos com cerâmicas: são usados em ambientes que recebem água, também chamadas comumente de áreas molhadas, como cozinhas, áreas de serviços e banheiros; sendo também utilizados em outros locais, como em fa- chadas, por exemplo. Existe uma variedade muito grande de cerâmicas ofertadas no mercado em vá- rios padrões, cores e dimensões, desde as pastilhas de 2x2 cm até as peças maiores. Revestimento com azulejo: os azulejos são placas cerâmicas fabricadas em diversas cores, em tons brilhantes e acetinadas, apresentando padrões lisos e de- corativos. A face visível é vidrada, enquanto o lado que fica em contato com a argamassa de assentamento é chamado de tardoz. O assentamento destas peças cerâmicas se dá com o auxílio de argamassas produzidas com cimento portland e cal ou com argamassa industrializada colante. Este assentamento requer muita atenção com as juntas entre as placas que funcionam como elementos de absor- ção de movimentações térmicas e estruturais. As argamassas industrializadas colantes são comercializadas em sacos de 5kg, 15kg, 20kg e 30kg. Este produto deve estar armazenado em locais cobertos e fe- chados, dispostos sobre estrados de madeira, em pilhas de até vinte sacos. Veremos a seguir os procedimentos que devem ser observados para assenta- mento de azulejos, usando-se argamassa industrializada colante: a) o emboço deve estar pronto há pelo menos dez dias, com os batentes das portas e contramarcos das janelas já fixados; b) fazer a limpeza da base, removendo-se poeira e qualquer tipo de resíduo que possa interferir negativamente na aderência; c) a fiada mestra deve ser definida a cerca de uma fiada de altura do piso; d) após ser definida a linha da primeira fiada, inicia-se então o assentamento das cerâmicas acima da sua marcação. A fiada abaixo da linha de marcação da primeira fiada só será colocada após a conclusão do revestimento do piso; 56 5 REVESTIMENTOS 71 e) através da marcação de uma linha vertical, define-se a faixa de vertical de peças a serem assentadas e que servirá de referência; f) espalha-se então a argamassa colante com o auxílio de desempenadeira, utilizando-se o seu lado liso em uma área de aproximadamente de 1m²; g) passa-se o lado dentado da desempenadeira formando sulcos para facilitar o assentamento e garantia da aderência; h) fixar os elementos cerâmicos, exercendo pequena pressão contra eles, se- guindo o alinhamento da fiada inferior; i) com o auxílio dos espaçadores “+”, busca-se a uniformidade das espessu- ras das juntas entre as peças cerâmicas; j) com o cabo da colher de pedreiro ou com um martelo de borracha, vai-se fazendo pequenas percussões nas peças a fim de uniformizar a distribuição da argamassa colante em todo o tardoz; k)