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FACULDADE IGUAÇU
STEFANE NUNES MALCHER
ANÁLISE TEMPORAL DO ANTIGO DEPÓSITO DE RESÍDUOS E OCUPAÇÃO IRREGULAR NO BAIRRO NOVO ISRAEL - ZONA NORTE DE MANAUS – AM
MANAUS - AM 
2023
FACULDADE IGUAÇU
STEFANE NUNES MALCHER
ANÁLISE TEMPORAL DO ANTIGO DEPÓSITO DE RESÍDUOS E OCUPAÇÃO IRREGULAR NO BAIRRO NOVO ISRAEL - ZONA NORTE DE MANAUS – AM
Artigo Científico apresentado à FACULDADE IGUAÇU, como parte das exigências para a obtenção do título de Pós-graduação em Geoprocessamento.
MANAUS - AM 
2023
ANÁLISE TEMPORAL DO ANTIGO DEPÓSITO DE RESÍDUOS E OCUPAÇÃO IRREGULAR NO BAIRRO NOVO ISRAEL - ZONA NORTE DE MANAUS – AM
Stefane Nunes Malcher
RESUMO
A área de estudo pertence Formação Geológica Alter do Chão, localizada na Zona Norte de Manaus que se limita ao sul com a Colônia de Santo Antônio, ao leste com a Cidade Nova, a oeste com o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e a nordeste com a Rodovia AM-010. Por ser uma área de lixão desativada, em 1986 um decreto municipal transferiu a lixeira para o atual Aterro de Manaus, na Rodovia AM – 010 km 19, devido ao grande aumento populacional, construção do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e indústrias nas proximidades do mesmo, com isso a antiga lixeira foi invadida e deu origem ao bairro Novo Israel. Devido à invasão e ocupação irregular de moradias essa área foi definida para estudo. Este trabalho tem por objetivo fazer análise temporal com uso de geoprocessamento na área de invasão, analisar possíveis contaminações de solo devido aos resíduos e chorume que foram gerados e depositados de forma inadequada no lixão, verificar área de ocupação irregular e impacto ambiental causado pela construção de moradias e indústrias próximas ao bairro. Para a realização deste estudo utilizou-se técnicas de geoprocessamento, aplicativo Google Earth, Software Arcgis e pesquisa bibliográfica.
Palavras-chave: Análise Temporal, Resíduos, Ocupação Irregular, Impacto Ambiental.
1. Introdução
Os resíduos sólidos são gerados desde a origem do homem na terra. A natureza sempre degradou esses resíduos, porém, a partir da Revolução Industrial as quantidades foram se alterando, bem como suas características químicas, físicas e biológicas. Devido ao constante crescimento populacional e incentivo ao consumo, a geração desses detritos se intensificou ainda mais. O problema é que a capacidade de degradação pela natureza permaneceu a mesma. (ALBERTIN et al., 2010).
Na década de 70 foi destinada uma área na periferia de Manaus para deposição de lixo e quinze anos depois o local foi aterrado. Parte da área foi ocupada por famílias de baixa renda que formaram o bairro de Novo Israel e, consequentemente, foram perfuradas cacimbas e poços para o abastecimento de água. Atualmente, a área está urbanizada, contudo restos do antigo lixão estão expostos e o igarapé que corta a área está contaminado por aportes de lixos, esgoto e água servida. Essa situação tem agravado a saúde da população local de modo que os casos de hanseníase, doenças de pele e câncer são mais elevados que nos demais bairros da cidade.
São numerosas as práticas que podem levar à contaminação do solo e das águas. Entre as principais estão as emissões atmosféricas e efluentes de indústrias, resíduos de mineração, fertilizantes e pesticidas na agricultura e atividades domésticos. As atividades domésticas, os resíduos gerados pelo crescimento populacional e a intensa urbanização, acompanhados da produção e consumo dos mais diversos produtos, torna a composição dos resíduos gerados pela população uma característica de seu estágio de desenvolvimento. Contudo, o descarte desses resíduos é um dos graves problemas ambientais enfrentados pelos grandes centros urbanos em todo planeta, que tende a se agravar com aumento do consumo de bens descartáveis. 
Os resíduos gerados pelo crescimento populacional nos grandes centros urbanos são a principal forma de contaminação do solo. A deposição desses resíduos a céu aberto, sem qualquer tipo de controle ou tratamento, é conhecida como lixão. Mantidos em grandes áreas, normalmente afastadas dos centros urbanos, esses lugares são completamente tomados por toda sorte de resíduos vindos dos mais diversos lugares, como residências, indústrias, feiras e hospitais. O resultado é o intenso mau cheiro, a proliferação de vetores de doenças, como moscas, mosquitos, baratas e ratos (ANICETO, 2008, p. 1).
De acordo com a NBR 8419 (ABNT, 1984), um aterro sanitário de resíduos sólidos urbanos consiste na técnica de disposição de resíduos, sem causar danos ou riscos à saúde pública. Antes da colocação do lixo, o solo é impermeabilizado com 50 cm de argila compactada e membranas plásticas, para evitar que o chorume contamine o lençol freático. O lixo é disposto em trincheiras, abertas no solo, sendo coberto diariamente com terra, após compactação com tratores de esteira. Os gases (metano, dióxido de carbono, dioxinas etc.) também gerados na composição da matéria orgânica, são drenados e queimados nos próprios coletores de gases. Esses drenos são formados por tubos de concreto com 20 centímetros de diâmetro, cheios ou não de pedra britada, aos quais vão sobrepondo outros tubos à medida que o aterro cresce. O aterro sanitário ainda é o processo mais utilizado no mundo devido seu baixo custo (ANICETO, 2008, p. 1).
O uso do geoprocessamento na delimitação e avaliação dessas áreas, serve de subsídio para os instrumentos previstos pelas políticas públicas direta ou indiretamente relacionadas ao meio ambiente. O uso dessas técnicas possibilita o mapeamento e análise de recursos naturais e atividades humanas, até poucas décadas atrás indisponíveis. 
Nesse contexto, este trabalho tem por objetivo fazer análise temporal com uso de geoprocessamento na área de invasão, analisar possíveis contaminações de solo devido aos resíduos e chorume que foram gerados e despejados de forma inadequada no lixão, verificar área de ocupação irregular e impacto ambiental causado pela construção de moradias e indústrias próximas ao bairro, utilizando técnicas de geoprocessamento, aplicativo Google Earth, Software Arcgis e pesquisa bibliográfica. 
2. Objetivo: 
Fazer análise temporal com uso de geoprocessamento na área de invasão e ocupação irregular.
Objetivo Específico:
- Fazer análise temporal com uso de geoprocessamento.
- Analisar possíveis contaminações de solo devido aos resíduos e chorume que foram gerados e depositados de forma inadequada no lixão.
- Verificar área de ocupação irregular e impacto ambiental causado pela construção de moradias e indústrias.
3. Metodologia
3.1 Área De Estudo
A área de estudo pertence a Formação Geológica Alter do Chão, localizada na Zona Norte de Manaus que se limita ao sul com a Colônia de Santo Antônio, ao leste com a Cidade Nova, a oeste com o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e a nordeste com a Rodovia AM-010 (figura 1). Por ser uma área de lixão desativada, em 1986 um decreto municipal transferiu a lixeira para o atual Aterro de Manaus, na Rodovia AM – 010, Km 19, que foi desativado por estar próximo de moradias, aeroporto e indústrias, com isso a antiga lixeira foi invadida e deu origem ao bairro Novo Israel. 
Figura 1. Mapa de Localização
Fonte: Dados produzidos pelo autor no software Arcgis, (2023)
3.2 Métodos
A partir de procedimentos metodológicos, na primeira etapa de estudo foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre Aterro Sanitário, Ocupação Irregular e Geoprocessamento, que serviu de subsidio para realizar a análise temporal de imagens de satélite coletadas do Software livre Google Earth e posteriormente o georreferenciamento das imagens no Software Arcgis, que permitiram avaliar em um dado período, registrando a cobertura vegetal em cada momento as mudanças ocorridas na paisagem de uma região e demonstra claramente a alteração da vegetação e ocupação irregular no decorrer dos anos de 1986. Para a realização deste, a metodologia utilizada no trabalho envolve a ordem do fluxograma abaixo (Figura 2). O Segundo procedimento foi processaros dados coletados do Google Earth para georreferenciamento de imagem e depois elaborar mapa de localização.
 
Revisão Bibliográfica
Aterro Sanitário e Lixões
Ocupação Irregular
Geoprocessamento
Análise Temporal de imagens
Técnicas de Geoprocessamento
Google Earth
Arcgis
 
Figura 2. Fluxograma de metodologia utilizada 
Fonte: Dados produzidos pelo autor (2023)
3.3 Aterro Sanitário E Lixões
O aterro sanitário é uma obra de engenharia projetada sob critérios técnicos, cuja finalidade é garantir a disposição dos resíduos sólidos urbanos sem causar danos à saúde pública e ao meio ambiente. É considerado uma das técnicas mais eficientes e seguras de destinação de resíduos sólidos, pois permite um controle eficiente e seguro do processo e quase sempre apresenta a melhor relação custo-benefício. Pode receber e acomodar vários tipos de resíduos, em diferentes quantidades, e é adaptável a qualquer tipo de comunidade, independentemente do tamanho. O aterro sanitário comporta-se como um reator dinâmico porque produzem, através de reações químicas e biológicas, emissões como o biogás de aterro, efluentes líquidos, como os lixiviados, e resíduos mineralizados (húmus) a partir da decomposição da matéria orgânica. Todo projeto de aterro sanitário deve ser elaborado segundo as normas preconizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). No caso dos aterros sanitários Classe II2, a norma a ser seguida é a de número NBR 8419/ NB 843, que descreve as diretrizes técnicas dos elementos essenciais aos projetos de aterros, tais como impermeabilização da base e impermeabilização superior, monitoramento ambiental e geotécnico, sistema de drenagem de lixiviados e de gases, exigência de células especiais para resíduos de serviços de saúde, apresentação do manual de operação do aterro e definição de qual será o uso futuro da área do aterro após o encerramento das atividades. (ABNT, 1984)
3.4 Ocupação Irregular
A ocupação irregular do solo, mais conhecida como “invasão” está na origem, portanto, dos principais problemas urbanos, em áreas tão variadas quanto segurança, saúde, transportes, meio ambiente, defesa civil e provisão de serviços públicos. Esses problemas não afetam apenas a população neles residente, mas estendem-se para toda a população, seja pela ampliação desnecessária dos custos de urbanização, seja pelas externalidades negativas decorrentes de fenômenos como a contaminação e o assoreamento dos recursos hídricos e a disseminação de doenças contagiosas. A ocupação ilegal do solo urbano é uma forma de obtenção de renda utilizada por pessoas de todas as classes sociais. (PINTO, 2003).
Não obstante, sinteticamente, pode-se dizer que o termo uso e ocupação do solo é definido em função das normas relativas à densificação, regime de atividades, dispositivos de controle das edificações e parcelamento do solo, que configuram o regime urbanístico. Desta forma, o que pode ou não ser construído e o tamanho das construções (uso e ocupação) nos terrenos dos municípios são definidos pela relação entre o tamanho do terreno e a quantidade de pessoas; pelas atividades (comércio, moradias, serviços, indústrias), bem como pelo tipo dos prédios e tamanho dos lotes, dentre outros.
O uso e ocupação do solo têm por principais finalidades, organizar o território potencializando as aptidões, as compatibilidades, as contiguidades, as complementariedades, de atividades urbanas e rurais; Controlar a densidade populacional e a ocupação do solo pelas construções. Aperfeiçoar os deslocamentos e melhorar a mobilidade urbana e rural. Evitar as incompatibilidades entre funções urbanas e rurais. Eliminar possibilidades de desastres ambientais. Preservar o meio-ambiente e a qualidade de vida rural e urbana. Para chegar-se a tais escopos, são necessárias ferramentas que permitam e/ou garantam um planejamento urbanístico focado numa mescla de interesses, primeiramente, ambientais e, também, locais. O Plano Diretor é o instrumento básico da política urbana dos municípios, tendo por objetivo promover o apropriado ordenamento territorial, bem como o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e a garantia do bem-estar de seus habitantes, de acordo com o planejamento e controle do uso do parcelamento e da ocupação do solo, em observância às diretrizes do Estatuto das Cidades.
Em miúdos, sua finalidade é orientar a atuação do poder público e da iniciativa privada na construção dos espaços urbano, rural e industrial na oferta dos serviços públicos essenciais, visando assegurar melhores condições de vida para a população. Além disso, deve dispor sobre a delimitação das áreas urbanas, onde poderá ser aplicado o parcelamento, edificação ou utilização compulsória, considerando a existência de infraestrutura e de demanda para utilização (TAKEDA, 2013).
3.5 Geoprocessamento
O uso do geoprocessamento na delimitação e avaliação dessas áreas, serve de subsídio para os instrumentos previstos pelas políticas públicas direta ou indiretamente relacionadas ao meio ambiente. O uso dessas técnicas possibilita o mapeamento e análise de recursos naturais e atividades humanas, até poucas décadas atrás indisponíveis. 
Geoprocessamento é utilizado por diversas áreas como cartografia, planejamento urbano, análise de recursos naturais etc. Ele é composto pelas chamadas geotecnologias, que dizem respeito à topografia, banco de dados geográficos, sistema de informação geográfica, sensoriamento remoto e outras técnicas de referenciamento espacial. O geoprocessamento, juntamente com o SIG, é utilizado em diversos setores da sociedade: desenvolvimento de bases cartográficas, avaliação de sistemas de água, esgoto e saneamento, análise de recursos naturais como florestas, rios e bacias hidrográficas e até planejamentos ambientais urbanos e rurais. Em situações de desmatamento e poluição, por exemplo, o geoprocessamento possibilita uma análise completa sobre o problema, na busca de medidas de proteção ou restauração. Por meio dos softwares, o profissional pode registrar as áreas degradadas com extrema exatidão e reunir todas as informações necessárias para sua recuperação. Além disso, vale ressaltar que o geoprocessamento se torna ferramenta indispensável no controle dos impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente. Por meio dele, projetos e atividades de minimização de impactos ambientais se tornam possíveis e mais fáceis de serem realizadas, proporcionando o desenvolvimento sustentável da sociedade (MARTINS, 2009). 
5. Resultados E Discussões
Após os levantamentos bibliográficos e análise de imagens pelo Google Earth, certificou-se que a área sofreu alterações no meio ambiente devido à ocupação irregular. Para o posterior manuseio e análise dos dados provenientes de sensores remotos, os aplicativos usados serão os de processamento digital de imagens e os denominados Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), estes aplicativos são capazes de armazenar, analisar e localizar espacialmente dados de um fenômeno, e permitem o manuseio e a saída de dados já analisados e tratados.
Estes procedimentos foram utilizados de forma sistemática nas imagens referenciada dos anos de 1986 e 2020, fornecendo mapeamentos associados à perspectiva do uso e ocupação do espaço territorial. Na (Figura 3) retrata certa parte da área verde ainda conservada. No decorrer dos anos, após a desativação do Aterro de Novo Israel começaram a surgir invasões. Para explicar essa questão é preciso voltar à atenção para o modo de vida que predomina na cidade para entender como a degradação ambiental que ocorre de forma intensa. Com isso verificou-se o grande crescimento demográfico da população, que consequentemente acarretou o agravamento da questão urbana, da saúde pública, ambiental e da exclusão social devido também essa área ser um antigo depósito de lixo e ter contaminação do solo e água subterrânea por parte dos resíduos que ali eram depositados. 
Figura 3. Imagem de 1986 demonstrando a área verde conservada.
Fonte: Modificada pelo autor no Google Earth, 2023.Figura 4. Imagem de 2023 demonstra a área de depósito de lixo ocupada por moradias e indústrias.
Fonte: Modificada pelo autor no Google Earth, 2023.
 
Quanto à ocupação, conclui-se que a cidade de Manaus se caracteriza por um processo de exclusão socioespacial de periferização ora orientada, os conjuntos habitacionais, ora espontâneos, as ocupações desordenadas e não planejada do tecido urbano. Como diversos bairros periféricos de Manaus, Novo Israel surgiu de forma desordenada e sem infraestrutura, forçando a população local a perfurar cacimbas e poços para abastecimento de água. Sabe-se, no entanto, que a disposição inadequada de resíduos de origem urbana no solo caracteriza a permanência de contaminantes orgânicos e inorgânicos, a percolação no solo, a dispersão subterrânea de pluma (resultado do transporte de contaminantes dissolvidos em água subterrânea) e a contaminação da água de lençóis freáticos ou mesmo de aquíferos, um processo que pode se estender por décadas.
É indiscutível que a água subterrânea do aquífero Alter do Chão em Novo Israel está modificada física e quimicamente em relação ao restante da região, o que permite atribuir esse fato ao lixo depositado sem nenhum controle. Devido a malha de poços ter sido feita para atender a população, que está concentrada em uma faixa Leste-Oeste a partir do lixão, ela tem má distribuição areal e profundidades muito variáveis para um estudo visando a delimitação da pluma de contaminação.
Segundo (ROCHA & HORBE, 2006, p. 312) mostram que a água subterrânea do bairro de Novo Israel está comprometida para consumo humano em consequência dos elevados teores de Al3+, Fe3+, As, Cd, Pb, Sb e Se, dos compostos nitrogenados e de contaminações pontuais de Mn e Zn. A pluma de contaminação, que tende a se expandir na estiagem, estende-se para leste e sudeste ao longo do canal do igarapé Novo Israel, que age como baixo potenciométrico.
Dessa feita, convivem atualmente na cidade de Manaus milhares de famílias que residem em barrancos e encostas com riscos de desabamento, às margens dos inúmeros igarapés que recortam a cidade, embaixo de fios de transmissão de eletricidade e em locais com focos de malária, contato com roedores e entre outras situações de calamidade, causando assim danos ao meio ambiente, físico e biológico. Mas esses danos causados ao meio ambiente são por total falta de oportunidade econômica, em decorrência do capitalismo crescente, que leva famílias inteiras a se submeterem a habitar locais impróprios para moradia causando riscos à própria vida e ao meio ambiente. Assim, se por um lado ocorre o envelhecimento da população, aumento da expectativa de vida, redução da mortalidade infantil e redução da mortalidade bruta sobre a população, prevalece ainda para Manaus uma situação em que indicadores de morbidade assinalam a persistência de doenças fortemente ligadas a riscos ambientais do âmbito do domicílio e da comunidade, ampliando a carga de doenças, sobretudo se considera grupos de agravos importantes como das causas externas. Também é necessário salientar que na categorização de riscos ambientais, aqueles de ordem global como as consequências das mudanças climáticas, podem representar sérios riscos como de enchentes e inundações, deslizamentos de terra e epidemias, dado as precariedades de moradia e ocupação de áreas irregulares na cidade de Manaus.
O estudo das condições e tendências para questões de sustentabilidade ambiental e de saúde em Manaus permitiu identificar uma intensa dinâmica demográfica e econômica, com forte expressão no modelo de industrialização, agindo na motricidade de rápidas e significativas mudanças ambientais. Essa análise nos faz verificar que o processo econômico predominante nesta cidade globalizada pode ser entendido como um importante atrator, que por sua vez, age na retroalimentação e na auto-organização de um sistema orientado a crescer demograficamente, consumindo espaço e recursos naturais de modo acelerado (urbanização espraiada) e também gerando, mantendo e agravando situações precárias no quadro sanitário local, acarretando em sérias dificuldades para que as políticas públicas possam atender com equidade as crescentes demandas por serviços, infraestrutura, atenção à saúde, etc. Se, de um lado o sistema industrial encontra as condições necessárias para se desenvolver e se perpetuar, o mesmo não acontece com o que diz respeito às dimensões social e ambiental de Manaus.
Na relação do ambiente urbano de Manaus com os sistemas naturais, um processo histórico vem pautando uma constante de problemas e oportunidades, que ressaltamos a partir das dinâmicas com o espaço – uso e ocupação do solo com pouco planejamento, urbanização espraiada, desmatamento, confinamento de vegetação residual pouco aproveitada – e do diálogo do urbano com a rede hídrica – ocupação sistemática de margens de igarapés e poluição dos mesmos, aterramento em chavascais ou o simples fato de a cidade se desenvolver de costas para sua rede hídrica. Outro ponto importante a salientar nesse sentido, é a sobreposição das categorias de riscos ambientais (do domicílio, da comunidade e globais) em áreas onde prevalece a pobreza, sobretudo na periferia distante da cidade, como para malária e leishmaniose, e nas margens dos igarapés, onde riscos associados a inundações inerentes a mudanças ambientais podem acarretar sérios óbices à saúde da população.
Também, o investimento em saneamento básico, de um modo geral, constitui uma importante oportunidade, pois promove a saúde, induz mecanismos de investimento econômico, valorização de áreas urbanas, aumento da autoestima, inclusão social etc. Por outro lado, e de modo complementar, é preciso agir nos processos que mantêm e ampliam a degradação ambiental e as iniquidades em amplitude compatível com as forças motrizes econômicas e sociais que as promovem. E além desse esforço de maior magnitude, podem ser 46 salutares iniciativas que promovam o desenvolvimento local, como em projetos que objetivem enaltecer o capital social, além de promover autonomia e empoderamento. Iniciativas das mais diversas devem assim ser empreendidas identificando potencialidades e recursos locais, ampla participação de atores, articulação com lideranças, instituições e empresas, de modo a fomentar processos endógenos de desenvolvimento que incidam em capacidades de as comunidades buscarem alternativas e soluções para problemas locais. 
De um modo geral, temos a considerar que o desenvolvimento, em um sentido amplo, só pode ser alcançado tendo como pré-requisito a busca pela saúde e qualidade de vida da população. E, em uma cidade como Manaus, que sofre intensas e crescentes pressões acarretando iniquidades e degradação ambiental, elementos da dinâmica socioambiental devem ser compreendidos, como no esforço discorrido neste texto, e tratados enquanto ações em processo de interconexão, evidentemente tendo a saúde como foco do desenvolvimento e da sustentabilidade. 
6. Conclusão
Com base nas análises bibliográficas e temporais, o estudo identificou uma situação crítica de exposição que tende a se perpetuar em decorrência de percepções equivocadas e da falta de mobilização da sociedade. Foi possível identificar além dos impactos ambientais e ocupação irregular do solo, vulnerabilidade e expansão territorial, a falta de comprometimento do poder público com a população de baixa renda, que por falta de moradia própria e sem condições financeiras de manter aluguel, vão dando origem as famosas invasões e consequentemente resultam em uma relação sociedade-natureza numa escala temporal-espacial com relações sociais diferenciadas, dentre os quais são prejudicadas pela gestão política e a fim de reduzir e mitigar os impactos e os transtornos causados por esses fatores é fundamental melhor planejamento.
Considera-se, porém, que a comprovação da relação de causa e efeito para exposições ambientais que possam desencadear manifestações crônicas em seres humanos demanda estudo específico, em pesquisas frequentemente custosas e demoradas. Osefeitos da exposição de humanos a poluentes ambientais se manifestam, geralmente, em longo prazo, sendo mascarados por outras causas. Soma-se a isso o fato de que a probabilidade de sinergia entre elementos nocivos e a potencialização de riscos é geralmente desconhecida, havendo grande dificuldade para comprovações por meio de uma ciência baseada em testes laboratoriais, que não incorpora outros fatores relevantes, como interesses corporativos, industriais, regulatórios ou profissionais que se posicionam contra o reconhecimento dos efeitos. No caso em estudo, até mesmo a necessidade de espaços para moradia em um mercado imobiliário profundamente desigual contribui para a ocupação da área contaminada e, consequentemente, para a exposição humana.
Considera-se ainda que a maioria das substâncias nocivas encontradas no local não pode ser retirada por tratamentos domiciliares, mesmo que devidamente e constantemente aplicados. Nem mesmo os tratamentos convencionais empregados em sistemas públicos de abastecimento seriam eficientes para a purificação dessa água. Isso indica que a única solução para oferta de água de qualidade a essa população encontra-se no fornecimento emergencial de água encanada e tratada, captada de um manancial seguro. No caso de Manaus, o Rio Negro é utilizado para fornecer água para boa parte da Cidade. Porém, mesmo que a população de estudo tenha acesso a esse recurso hídrico via expansão de rede de adutoras, é necessário garantir a adesão dos moradores a um novo sistema de abastecimento, tendo em vista o fato de que esses consideraram a água disponível como boa, majoritariamente. Além disso, por ser a localidade ocupada por famílias de baixa renda, a pouca disponibilidade de recursos financeiros pode prejudicar ainda mais a adesão ao consumo de água de abastecimento público.
Na relação do ambiente urbano de Manaus com os sistemas naturais, um processo histórico vem pautando uma constante de problemas e oportunidades, que ressaltamos a partir das dinâmicas com o espaço – uso e ocupação do solo com pouco planejamento, urbanização espraiada, desmatamento, confinamento de vegetação residual pouco aproveitada – e do diálogo do urbano com a rede hídrica – ocupação sistemática de margens de igarapés e poluição dos mesmos, aterramento em chavascais ou o simples fato de a cidade se desenvolver de costas para sua rede hídrica. Analisando a situação de saúde em Manaus, com base nos indicadores de sustentabilidade ambiental e de saúde, nos foi possível compatibilizar este estudo com fundamentos teóricos de uma transição demográfica e epidemiológica com enfoque na transição de riscos ambientais.
Conclui-se que há uma iminente necessidade de se oferecer água em quantidade e qualidade adequadas para abastecimento da população. Soma-se à gravidade da situação o fato de que a população não estava devidamente informada sobre os riscos e, do mesmo modo, não reconhecia os malefícios à saúde passíveis de ocorrência, o que contribuía para a permanência do próprio processo de exposição.
7. Referências 
ABNT, A. B. (1984). (NBR-8419) APRESENTAÇÃO DE PROJETOS DE ATERROS SANITÁRIOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS – PROCEDIMENTO (NBR-8419). Acesso em 07 de 2023, disponível em https://www.fasul.edu.br/projetos/app/webroot/files/controle_eventos/ce_producao/20161023-115935_arquivo.pdf
ALBERTIN, R.M.; MORAES, E.; ANGELIS NETO, G.; ANGELIS, B.L.D.; CORVELONI, E.; SILVA, F.F. (2010). Acesso em 08 de 2023, disponível em DIAGNÓSTICO DA GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS DO MUNICÍPIO DE FLÓRIDA PARANÁ. Revistaagro@mbiente on-line, V. 4, N. 2, P. 118-125.
ANICETO, K. C. (2008). QUÍMICA E MINERALOGIA DA FRAÇÃO SÓLIDA DO MATERIAL ACUMULADO NOS ANTIGOS LIXÕES DE NOVO ISRAEL E HORTO MUNICIPAL NA ÁREA URBANA DE MANAUS. p. 1.
MARTINS, A. C. (2009). IBRACAM. Acesso em 08 de 2023, disponível em INSTITUTO BRASILEIRO DE CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL: HTTPS://IBRACAM.COM.BR/BLOG/O-QUE-E-GEOPROCESSAMENTO-E-QUAL-SUA-IMPORTANCIA
MUCELIN, C.A.; BELLINI, M. (2008) Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano. Sociedade & Natureza, Uberlândia, v. 20, n. 1, p. 111-124.
PINTO, V. C. (8 de 7 de 2003). CONSULTORIA LEGISLATIVA. Acesso em 07 de 2023, disponível em Consultoria Legislativa: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/137/38.pdf?sequence=4&isAllowed=y
ROCHA, L. C., & HORBE, A. M. (2006). CONTAMINAÇÃO PROVOCADA POR UM DEPÓSITO DE LIXO NO AQÜÍFERO ALTER DO CHÃO EM MANAUS - AM. p. 312.
TAKEDA, T. D. (2013). USO E OCUPAÇÃO DO SOLO URBANO. Acesso em 06 de 2023, disponível em JURISWAY: https://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=12363#:~:text=N%C3%A3o%20obstante%2C%20sinteticamente%2C%20pode%2D,que%20configuram%20o%20regime%20urban%C3%ADstico.
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