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Resumo – Técnicas Projetivas – NP2 Metade dos processos éticos nos conselhos de psicologia referem-se à avaliação psicológica. Problemas: Não informar os resultados e não explicar o fundamento da interpretação (quem faz o teste tem direito à informação); Interpretações erradas ou sem fundamentação; Utilização de testes não aprovados; Relatórios mal redigidos ou fora do modelo. Princípios Éticos: Promoção de bem-estar, evitar malefício; Considerar dificuldades da pessoa avaliada, mas também as capacidades; Fazer recomendações para tratar as dificuldades. Responsabilidades: Só avaliar o que conhece e o que é capaz; Manter-se atualizado; Consultar SATEPSI; Escolher o teste adequado; Não tirar xerox do material do teste; Não divulgar o conteúdo dos testes. Teste de Apercepção Temática (TAT) – Avaliação de Adultos A pessoa observa cartões com figuras e cria estórias. As figuras devem ser adequadas ao sexo e idade do testando. Normas Perceptivas: descrição dos elementos nos cartões. Normas Temáticas: temas mais frequentes das estórias. As estórias dependem: Das figuras; Da personalidade do testando (aspecto projetivo). Ex.: Cartão 1 – O menino e o violino. “Tem um menino e um violino. Ele está pensando, gosta de tocar e queria ser músico, mas seu pai não quer deixar, quer que ele seja advogado. Ele não sabe o que fazer, se sente inseguro.” Interpretação segundo Murray Personologia Herói (personagem principal): o testando se projeta no herói. No exemplo, o herói é o menino: pensativo, artístico, inseguro. Necessidades (motivação): necessidade de realização. No exemplo, quer ser músico. Pressões (forças do ambiente): pressão de proibição. No exemplo, o pai não quer deixar o menino ser músico. Desfecho (conclusão da estória): No exemplo, o menino não sabe o que fazer, é inseguro (final não feliz). Tema (relação entre Necessidades e Pressões resultando no desfecho): No exemplo, se quero realizar e há proibição, então não sei o que fazer. Interpretação Psicanalítica Herói (personagem principal): o testando se projeta no herói. Tema: nível descritivo (resumo da estória). No exemplo, se o menino quer ser músico e o pai proíbe, então fica inseguro. Nível interpretativo (segundo a psicanálise): Se desejo e há proibição (complexo de Édipo), então não sei (defesa de recalque) o que fazer, fico inseguro (não há resolução do conflito, ansiedade de castração). Teste de Apercepção Infantil (CAT) – Avaliação de Crianças Para crianças de 5 a 10 anos. 10 cartões com figuras animais em cenas de interação humana. A criança identifica-se com um personagem (principal) e projeta nele suas características. Estrutura as relações entre os personagens na estória de acordo com suas relações de objeto. Rapport: contato inicial, para deixar a criança à vontade e depois fazer o teste. O examinador deve cuidar para que as instruções sejam seguidas, isto é, deve enfatizar a necessidade de a criança fornecer histórias completas: o que está acontecendo, o que estão fazendo, o que aconteceu antes e o que vai acontecer, como a história termina. Se faltarem alguns dados na estória, o examinador deve perguntar à criança. O examinador deve anotar tudo: respostas, perguntas, comportamentos, verbalizações, pausas. Interpretação (Análise da Estória) Tema; Nível descritivo (resumo da estória); Nível interpretativo (Se... Então...); Nível diagnóstico (interpretação psicanalítica); Temática frequente (verificar a proximidade do tema da narrativa à demanda da prancha); Percepção da figura (adequada ou inadequada). Análise Formal As figuras mobilizam conflito/ansiedade. Cada pessoa tem seu modo de lidar com a ansiedade. Está conseguindo lidar? Sim → Percepção adequada, história com sequência, final que resolve o conflito, história expressa simbolicamente o conflito. Não → História desorganizada, pobre, incoerente, defesa rígida. Tema Queremos chegar ao nível diagnóstico, ou seja, uma compreensão dinâmica psicológica subjacente à estória. Duas problemáticas podem ocorrer: Complexo de Édipo (Freud): conflito entre desejo e interdição, transgressão e punição. Perda do Objeto (Klein): agressão e temor de ser retaliado ou perder o objeto. A estória vai mostrar a problemática de modo disfarçado. Ou a ansiedade mobilizada é intensa, as defesas insuficientes, e o resultado é uma história desorganizada, ou as defesas são rígidas, encobrindo a problemática. Exemplo: Nível Descritivo (Resumo): Passarinhos comem toda a comida. Mãe fica sem comida e come os passarinhos. Depois vão brincar. Nível Interpretativo: Se como toda a comida, então sou comido. Nível Diagnóstico: Perda do objeto. Agressão oral e temor de retaliação. Análise Formal: História incoerente. Ansiedade persecutória intensa, defesa de negação (insuficiente). Tipos de Ansiedade Ansiedade Persecutória: temor de ser destruído (esquizo-paranóide); Ansiedade de Perda de Objeto: temor de perder o objeto ou o amor do objeto (posição depressiva); Ansiedade de Castração: punição por desejo proibido, transgressão. Mecanismos de Defesa Recalque (repressão): uma ideia é “pressionada” para baixo, recalcada, operação psíquica que visa fazer desaparecer da consciência um conteúdo indesejável ou intolerável; Racionalização: justifica uma ação; Negação: o impulso aparece junto a um “não”, uma ação visa o cancelamento ou à negação do que foi expresso anteriormente; Formação reativa: age em sentido contrário à pulsão (ex.: excesso de gentileza como defesa frente ao impulso de agressividade); Isolamento: separação entre ideia e afeto ou separação/não relação entre diferentes aspectos da vivência; ausência de emoção e relação; Projeção: atribui a um personagem secundário características ou impulsos que rejeita em si; Regressão: comportamento infantilizado; Falseamento: distorce a interpretação da situação para evitar conteúdo desagradável; Intelectualização: lida com a situação pensando; Evitação de conflito: história pobre; Reparação: age para compensar o dano que causou Atuação: age o conflito; Simbolização: um objeto representa outro objeto. Diretrizes para Interpretação Autoimagem: baseia-se nas características do herói, a figura central da estória e de identificação, na qual o sujeito projeta suas características reais ou ideais; Relações Objetais: investiga-se como a criança percebe as outras figuras e o tipo de relação que estabelece com elas (pais, irmãos, amigos, rivais). As relações podem ser percebidas como de apoio, rivalidade ou outras; Concepção do Ambiente: considera-se como ambiente todo o contexto que envolve o herói, incluindo as demais personagens mencionadas no relato. Geralmente dois ou três termos descritivos são suficientes (ex.: provedor, hostil, ameaçador, indiferente, etc.); Necessidades e Conflitos: a identificação das necessidades se dá a partir dos comportamentos do herói ou de afirmações explícitas do que ele procura, deseja, busca. Os conflitos se referem a desejos incompatíveis e concomitantes, revelados a partir das necessidades do herói, ou a impulsos que se opõem ao superego ou ao ambiente; Ansiedades: as ansiedades referem-se ao que está por trás dos conflitos, aquilo que realmente a criança se defende, seus principais medos. As ansiedades mais importantes são relacionadas a: danos físicos, abandono, castigo e falta/perda de amor. Mecanismos de Defesa: mecanismos de combate às ansiedades. Descrição dos Mecanismos Fóbicos, Imaturos ou Desorganizados: referem-se essencialmente ao fracasso da proteção do ego. Os conteúdos se manifestam acompanhados de afetos intensos e de natureza desagradável. Superego: verifica-se se existe alguma punição pelos comportamentos inadequadosdo herói, e, se houver, se é proporcional à gravidade do deslize cometido (o que indica a presença de um superego atuante), exagerado em relação à gravidade (o que indica a interferência de um superego rígido) ou leve demais/inexistente (o que indica um superego frágil). Nem todos os relatos permitem verificar diretamente o superego; Integração do Ego: indica o nível geral de funcionamento psíquico da criança, basicamente indica se a criança conseguiu ou não resolver o conflito. Uma boa integração do ego é indicada por desenlaces realistas, com soluções adequadas, coerência e boa qualidade de relato. Uma baixa integração do ego é indicada por desenlaces negativos, omitidos ou irrealistas. Elaboração da Síntese No contexto clínico, o objetivo último da análise é chegar a uma compreensão global do funcionamento da criança. Deve destacar: Aspectos intelectuais: considerar a amplitude do vocabulário, a riqueza do discurso, a diversidade dos temas abordados, levando em conta a idade e o nível sociocultural da criança; Autoimagem: abordar como a criança se percebe e o quanto confia em sua própria capacidade de resolver as dificuldades que enfrenta (adequação e participação do herói nos desenlaces, tipo de desenlace); Concepção do ambiente e relações objetais: indicar como a criança percebe o ambiente e as pressões, bem como suas inter-relações. Particular atenção deve ser dada às representações das figuras parentais; Principais necessidades, conflitos e ansiedades: apontar quais são as necessidades e os conflitos mais recorrentes.