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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Sistemas estruturais IV – Aço e madeira GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD secretariaead@funec.com Página | 11 AULA 02 Chapas e perfis CHAPAS Chapas são produtos planos laminados de aço com largura superior a 500 mm. São classificadas como chapas grossas (espessura superior a 5 mm) e chapas finas (espessura inferior ou igual a 5 mm). As chapas grossas são fabricadas pelas siderúrgicas com espessuras entre 5,00 mm e 150,00 mm, largura-padrão entre 1,00 m a 3,80 m e comprimento- padrão entre 6,00 m a 12,00 m. As dimensões preferenciais, ou seja, as mais econômicas, são: 2,44 m de largura, 12,00 m de comprimento e espessuras, conforme indicadas na tabela 3.1. As chapas grossas são utilizadas geralmente para a fabricação dos perfis soldados, mas também podem ser utilizadas, dependendo da disponibilidade de equipamento adequado para dobramento, em perfis formados a frio. As chapas finas são fabricadas pelas siderúrgicas com espessuras variando entre 0,60 mm e 5,00 mm. As chapas finas apresentam largura-padrão entre 1,00 m e 1,50 m e comprimento-padrão entre 2,00 m e 6,00 m. As dimensões preferências fornecidas pelas siderúrgicas, na forma plana, são: 1,20 m por 2,00 m e 1,20 m por 3,00 m. As chapas finas podem também ser CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Sistemas estruturais IV – Aço e madeira GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD secretariaead@funec.com Página | 12 fornecidas em forma de bobinas, possuindo nesse caso custo unitário menor. As espessuras preferenciais são as fornecidas na tabela 3.2. As siderúrgicas brasileiras que fabricam chapas são a COSIPA – Companhia Siderúrgica Paulista, USIMINAS, CSN – Companhia Siderurgica Nacional e ArcelorMittal Tubarão. PERFIS Entre os vários componentes de uma estrutura metálica, tais como: chapas de ligação, parafusos, chumbadores e perfis, são os últimos, evidentemente, os mais importantes para o projeto, fabricação e montagem. Os perfis de utilização corrente são aqueles cuja seção transversal se assemelha às formas das letras I, H, U e Z, recebendo denominação análoga a essas letras, e à letra L, nesse caso denominados cantoneiras. Os perfis podem ser obtidos ou diretamente por laminação ou a partir de operações de: conformação a frio ou soldagem. São denominados, respectivamente, de perfis: laminados, formados a frio e soldados. Perfis soldados: Perfil soldado é o perfil constituído por chapas de aço estrutural, unidas entre si por soldagem a arco elétrico. Os perfis soldados são largamente empregados na construção de estruturas de aço, em face da grande versatilidade de combinações possíveis de espessuras, alturas e larguras, levando à redução do peso da estrutura, comparativamente aos perfis laminados disponíveis no mercado brasileiro. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Sistemas estruturais IV – Aço e madeira GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD secretariaead@funec.com Página | 13 O custo para a fabricação dos perfis soldados, no entanto, é maior do que para a laminação dos perfis laminados. Os perfis soldados são produzidos pelos fabricantes de estruturas metálicas a partir do corte e soldagem das chapas fabricadas pelas usinas siderúrgicas. O material de solda, seja a soldagem executada por eletrodo revestido, arco submerso ou qualquer outro tipo, deve ser especificado, compatibilizando-o com o tipo de aço a ser soldado, isto é, deve ter características similares de resistência mecânica, resistência à corrosão, etc. A norma ABNT NBR 5884 - "Perfil I estrutural de aço soldado por arco elétrico" apresenta as características geométricas de uma série de perfis I e H soldados e tolerâncias na fabricação. Perfil W e Perfil I Perfis laminados: São aqueles fabricados a quente nas usinas siderúrgicas e são os mais econômicos para utilização em edificações de estruturas metálicas, pois dispensam a fabricação “artesanal” dos perfis soldados ou dos perfis formados a frio. A Siderúrgica Aço Minas Gerais – AÇOMINAS, hoje integrante do grupo Gerdau, foi projetada para suprir o mercado com perfis laminados adequados ao uso na construção civil. Por se tratar de um perfil fabricado diretamente na siderúrgica, há dimensões padronizadas e o projetista fica restrito a essas dimensões. Se houver necessidade de perfis de dimensões diferentes das padronizadas, podem ser CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Sistemas estruturais IV – Aço e madeira GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD secretariaead@funec.com Página | 14 utilizados os perfis formados a frio ou soldados em substituição ao laminado. Os perfis laminados fabricados no Brasil dividem-se em duas séries: W e HP. A designação dos perfis é: a série seguida da altura e da massa por unidade de comprimento. Por exemplo: W 310 x 44,5 ou HP 250 x 62. O aço geralmente utilizado na fabricação desses perfis é o ASTM A 572 Gr 50, com fy = 345 MPa e fu = 450 MPa. Perfis estruturais formados a frio: Nem sempre são encontrados no mercado os perfis laminados com dimensões adequadas às necessidades do projeto de elementos estruturais leves, pouco solicitados, tais como terças, montantes e diagonais de treliças, travamentos, etc., enquanto os perfis estruturais formados a frio podem ser fabricados nas dimensões desejadas. Os perfis estruturais formados a frio, também conhecidos como perfis de chapas dobradas, vêm sendo utilizados de forma crescente na execução de estruturas metálicas leves, pois podem ser projetados para cada aplicação específica. Os perfis formados a frio, sendo compostos por chapas finas, possuem leveza, facilidade de fabricação, de manuseio e de transporte, além de possuírem resistência e ductilidade adequadas ao uso em estruturas civis. No caso de estruturas de maior porte, a utilização de perfis formados a frio duplos, em seção unicelular (tubular-retangular) também conhecidos como seção-caixão, pode resultar, em algumas situações, em estruturas mais econômicas. Isso se deve à boa rigidez à torção (eliminando travamentos), menor área exposta, (reduzindo a área de pintura), menor área de estagnação de líquidos ou detritos (reduzindo a probabilidade de corrosão). Perfis formados a frio são perfis conformados a partir do dobramento a frio de chapas. Esse dobramento pode ser feito de forma contínua ou descontínua. O processo contínuo, adequado à fabricação em série, é realizado a partir do deslocamento longitudinal de uma chapa de aço, sobre os roletes de uma linha de perfilação. Os roletes vão conferindo gradativamente à chapa, a forma definitiva do perfil. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Sistemas estruturais IV – Aço e madeira GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD secretariaead@funec.com Página | 15 Quando o perfil deixa a linha de perfilação, ele é cortado no comprimento indicado no projeto. Perfis compostos: São perfis obtidos pela composição, por meio de soldagem ou aparafusamento, de chapas ou outros perfis, conforme ilustram as figuras abaixo. Vantagens Liberdade no projeto de arquitetura – A tecnologia do aço confere aos arquitetos total liberdade criadora, permitindo a elaboração de projetos arrojados e de expressão arquitetônica marcante. Maior área útil – As seções dos pilares e vigas de aço são substancialmente mais esbeltas do que as equivalentes em concreto, resultando em melhor aproveitamento do espaço interno e aumento da área útil, fator muito importante principalmente em garagens. Flexibilidade – A estrutura metálica mostra-se especialmente indicada nos casos onde há necessidade de adaptações, ampliações, reformase mudança de ocupação de edifícios. Além disso, torna mais fácil a passagem de utilidades como água, ar condicionado, eletricidade, esgoto, telefonia, informática, etc. Compatibilidade com outros materiais – O sistema construtivo em aço é perfeitamente compatível com qualquer tipo de material de fechamento, tanto vertical como horizontal, admitindo desde os mais convencionais (tijolos e blocos, lajes moldadas in loco) até componentes pré-fabricados (lajes e painéis de concreto, painéis “drywall”, etc). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Sistemas estruturais IV – Aço e madeira GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD secretariaead@funec.com Página | 16 Menor prazo de execução – A fabricação da estrutura em paralelo com a execução das fundações, a possibilidade de se trabalhar em diversas frentes de serviços simultaneamente, a diminuição de formas e escoramentos e o fato da montagem da estrutura não ser afetada pela ocorrência de chuvas, pode levar a uma redução de até 40% no tempo de execução quando comparado com os processos convencionais. Racionalização de materiais e mão-de-obra – Numa obra, através de processos convencionais, o desperdício de materiais pode chegar a 25% em peso. A estrutura metálica possibilita a adoção de sistemas industrializados, fazendo com que o desperdício seja sensivelmente reduzido. Alívio de carga nas fundações – Por serem mais leves, as estruturas metálicas podem reduzir em até 30% o custo das fundações. Garantia de qualidade – A fabricação de uma estrutura metálica ocorre dentro de uma indústria e conta com mão-de-obra altamente qualificada, o que dá ao cliente a garantia de uma obra com qualidade superior devido ao rígido controle existente durante todo o processo industrial. Antecipação do ganho – Em função da maior velocidade de execução da obra, haverá um ganho adicional pela ocupação antecipada do imóvel e pela rapidez no retorno do capital investido. Organização do canteiro de obras – Como a estrutura metálica é totalmente pré-fabricada, há uma melhor organização do canteiro devido entre outros à ausência de grandes depósitos de areia, brita, cimento, madeiras e ferragens, reduzindo também o inevitável desperdício desses materiais. O ambiente limpo com menor geração de entulho, oferece ainda melhores condições de segurança ao trabalhador contribuindo para a redução dos acidentes na obra. Reciclabilidade – O aço é 100% reciclável e as estruturas podem ser desmontadas e reaproveitadas. Preservação do meio ambiente – A estrutura metálica é menos agressiva ao meio ambiente pois além de reduzir o consumo de madeira na obra, diminui a emissão de material particulado e poluição sonora geradas pelas serras e outros equipamentos destinados a trabalhar a madeira. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Sistemas estruturais IV – Aço e madeira GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD secretariaead@funec.com Página | 17 Precisão construtiva – Enquanto nas estruturas de concreto a precisão é medida em centímetros, numa estrutura metálica a unidade empregada é o milímetro. Isso garante uma estrutura perfeitamente aprumada e nivelada, facilitando atividades como o assentamento de esquadrias, instalação de elevadores, bem como redução no custo dos materiais de revestimento. Desvantagens - Limitação da fabricação das peças em fábricas; - Limitação do comprimento das peças devido aos meios de transportes; - Necessidade de tratamento anticorrosivo; - Necessidade de mão de obra e equipamentos especializados; - Limitação de dimensões dos perfis estruturais; - Custos mais elevados: As estruturas em concreto armado apresentam um custo global inferior ao do aço; - Estima-se que 15% do custo total da estrutura são gastos com conservação; Recomendações Um valor econômico para vigas em concreto armado é 6m, ou 1/10 do vão. Para estruturas metálicas o vão econômico é de 13m a 25m ou aproximadamente 1/20 do vão. O valor de um projeto de estruturas metálicas é geralmente cobrado 10% do custo do peso da estrutura. Espessura mínima para peças estruturais: A espessura mínima das peças metálicas está ligada à sua proteção contra a corrosão. sem necessidade de proteção contra corrosão: 3mm com necessidade de proteção contra corrosão: 5mm CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Sistemas estruturais IV – Aço e madeira GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD secretariaead@funec.com Página | 18 Aplicações CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Sistemas estruturais IV – Aço e madeira GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD secretariaead@funec.com Página | 19 Referências bibliográficas: Estrutura e arquitetura aço e madeira – Mauro Cézar de Brito e Silva Análise de estruturas metálicas – Jurandir Primo Dimensionamento de estruturas de aço – Valdir Pignata e Silva / Julio Fruchtengarten