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esses planos demonstravam aquilo que os brancos conscientes tinham já começado a compreender: as ideias de igualdade social estavam a propagar-se numa sociedade em que só um terço da população era de brancos e iriam inevitavelmente ser interpretados em termos raciais. (MAXWELL., K. Condicionalismos da Independência do Brasil. In: SILVA, M. N. (Coord.). O Império Luso-Brasileiro, 1750-1822. Lisboa: Estampa, 1986) O temor do radicalismo da luta negra no Haiti e das propostas das lideranças populares da Conjuração Baiana (1798) levaram setores da elite colonial brasileira a novas posturas diante das reivindicações populares. No período da Independência, parte da elite participou ativamente do processo, no intuito de A) instalar um partido nacional, sob sua liderança, garantindo participação controlada dos afro-brasileiros e inibindo no- vas rebeliões de negros. B) atender aos clamores apresentados no movimento baiano, de modo a inviabilizar novas rebeliões, garantindo o con- trole da situação. C) firmar alianças com as lideranças escravas, permitindo a promoção de mudanças exigidas pelo povo sem a profun- didade proposta inicialmente. D) impedir que o povo conferisse ao movimento um teor li- bertário, o que terminaria por prejudicar seus interesses e seu projeto de nação. E) rebelar-se contra as representações metropolitanas, isolan- do politicamente o Príncipe Regente, instalando um gover- no conservador para controlar o povo. Brasil Império 37. (Enem-2017) Sou filho natural de uma negra, africana livre, da Costa da Mina (Nagô de Nação), de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa de estatura, magra, bonita, a cor era de um preto retinto e sem lustro, tinha os dentes alvíssimos como a neve, era muito altiva, geniosa, insofrida. Dava-se ao comércio – era quitandeira, muito laboriosa e, mais de uma vez, na Bahia, foi presa como suspeita de envol- ver-se em planos de insurreição de escravos, que não tiveram efeito. (CHALHOUB, S.; PEREIRA, L. A. M. A história contada: capítulos de história social da literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998. Adaptado.) Nesse trecho de suas memórias, Luiz Gama ressalta a impor- tância dos(as) A) laços de solidariedade familiar. B) estratégias de resistência cultural. C) mecanismos de hierarquização tribal. D) instrumentos de dominação religiosa. E) limites da concessão de alforria. 38. (Enem-2017) (KOUTSOUKOS, S.S.M. Amas mercenárias: o discurso dos doutores em medicina e os retratos de amas – Brasil, segunda metade do século XIX. História, Ciência, Saúde-Manguinhos, 2009. Disponível em: http://dx.doi.org. Acesso em: 8 maio 2013.) A fotografia, datada de 1860, é um indício da cultura escravista no Brasil ao expressar a A) ambiguidade do trabalho doméstico exercido pela ama de leite, desenvolvendo uma relação de proximidade e subor- dinação em relação aos senhores. B) integração dos escravos aos valores das classes médias, cultivando a família como pilar da sociedade imperial. C) melhoria das condições de vida dos escravos observada pela roupa luxuosa, associando o trabalho doméstico a pri- vilégios para os cativos. D) esfera da vida privada, centralizando a figura feminina para afirmar o trabalho da mulher na educação letrada dos infantes. E) distinção étnica entre senhores e escravos, demarcan- do a convivência entre estratos sociais como meio para mestiçagem. 39. (Enem-2017) O movimento abolicionista, que levou à libertação dos escravos pela Lei Áurea em 13 de maio de 1888, foi a primeira campanha de dimensões nacionais com participação popular. Nunca antes tantos brasileiros se haviam mobilizado de forma tão intensa por uma causa comum, nem mesmo durante a Guerra do Paraguai. Envolvendo todas as regiões e classes sociais, carregou multidões a comícios e manifestações públicas e mudou de forma dramática as relações políticas e sociais que até então vigoravam no país. O movimento social citado teve como seu principal veículo de propagação o(a) A) imprensa escrita. B) oficialato militar. C) corte palaciana. D) clero católico. E) câmara de representantes. 40. (Enem-2017) A conclusão tardia e perversa para o meio ambiente é o verdadeiro desastre ecológico e econômico ocasionado pelo plantio de café em ter- renos declivosos. E o mais grave é que tal lavoura continua a ser praticada em moldes não muito diferentes da- queles que arrasaram florestas, solos e águas no século XIX. (SOFIATTI, A. Destruição e proteção da Mata Atlântica no Rio de Janeiro: ensaio bibliográfico acerca da eco-história. História, Ciências, Saúde, n. 2, jul.-out. 1997.) A atividade agrícola mencionada no texto provocou impactos ambientais ao longo do século XIX porque A) reforçava a ocupação extensiva. B) utilizava solo do tipo terra roxa. C) necessitava de recursos hídricos. D) estimulava investimentos estrangeiros. E) empregava mão de obra desqualificada. 41. (Enem-2016) A África Ocidental é conhecida pela dinâmica das suas mulheres comerciantes, caracte- rizadas pela perícia, autonomia e mobilidade. A sua presença, que fora atestada por viajantes e por mis- sionários portugueses que visitaram a costa a partir do século XV, consta também na ampla documentação sobre a região. A literatura é rica em referências às grandes mulheres como as vendedoras ambulantes, cujo jeito para o negócio, bem como a autonomia e mobilidade, é tão típico da região. (HAVIK, P. Dinâmicas e assimetrias afro-atlânticas: a agência feminina e representações em mudança na Guiné (séculos XIX e XX). In: PANTOJA, S. (Org.). Identidades, memórias e histórias em terras africanas. Brasília: LGE; Luanda: Nzila, 2006.) A abordagem realizada pelo autor sobre a vida social da África Ocidental pode ser relacionada a uma característica marcante das cidades no Brasil escravista nos séculos XVIII e XIX, que se observa pela esses planos demonstravam aquilo que os brancos conscientes A fotografia, datada de 1860, é um indício da cultura escravista HistóriaHistória HistóriaHistória 347 PG18EA445SD00_QE_2018_MIOLO.indb 347 26/02/2018 16:47:10