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Crítica à Monarquia Absoluta: Descontentamento com o Poder Ilimitado dos Reis
1. Introdução ao Tema da Crítica à Monarquia Absoluta no Iluminismo
Durante o Iluminismo, muitos pensadores se opuseram ao conceito de monarquia absoluta, no
qual reis e rainhas detinham poder total sobre o governo e as vidas de seus súditos. Esse
modelo de governo, predominante na Europa durante séculos, era marcado pela concentração
de poder em uma figura central, o monarca, que governava em nome de um suposto “direito
divino”. Na prática, essa concentração de poder resultava em abusos, falta de direitos para a
população e repressão contra qualquer forma de dissidência.
O Iluminismo trouxe uma crítica vigorosa à monarquia absoluta, defendendo a ideia de um
governo baseado em princípios de justiça, liberdade e igualdade. Filósofos iluministas
propunham formas alternativas de governo onde o poder seria limitado, distribuído e sujeito à
participação popular.
2. Princípios Fundamentais da Crítica à Monarquia Absoluta
1. Direito Natural e Direitos Inalienáveis: Os iluministas acreditavam que todos os
indivíduos tinham direitos naturais, que o poder absoluto dos reis frequentemente
desrespeitava. A ideia era que o governo deveria existir para proteger esses direitos, e
não para oprimi-los.
2. Contratualismo: Pensadores como John Locke e Jean-Jacques Rousseau
argumentavam que o governo era um contrato social entre o povo e seus líderes, e que
o poder não deveria ser ilimitado. Um governo legítimo devia ter seu poder limitado e
ser responsável pelo bem-estar de seus cidadãos.
3. Divisão de Poderes: Montesquieu defendeu que, para evitar abusos, o poder deveria
ser dividido entre diferentes ramos – executivo, legislativo e judiciário –, o que inspirou
posteriormente diversas constituições modernas.
4. Soberania Popular: A crítica à monarquia absoluta era reforçada pela ideia de que o
poder político deveria emanar do povo. Assim, o monarca não poderia governar sem
considerar a vontade de seus súditos.
5. Liberdade e Participação Cidadã: Muitos iluministas argumentavam que o governo
deveria permitir uma maior participação dos cidadãos nas decisões políticas, o que era
impossível sob a monarquia absoluta.
3. Principais Críticos da Monarquia Absoluta no Iluminismo
● John Locke (1632-1704): Locke defendia que o poder de um governante deveria ser
limitado e que o governo existia para proteger os direitos de vida, liberdade e
propriedade. Ele acreditava que, se um governo falhasse em proteger esses direitos, o
povo teria o direito de substituí-lo.
● Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): Rousseau criticava o conceito de poder
absoluto e defendia que o governo deveria refletir a “vontade geral” do povo, conforme
expresso em O Contrato Social. Ele considerava o absolutismo monárquico contrário à
liberdade e à igualdade.
● Montesquieu (1689-1755): Montesquieu desenvolveu a teoria da divisão de poderes
em sua obra O Espírito das Leis, argumentando que a separação dos poderes
impediria abusos e protegeria a liberdade dos cidadãos.
● Voltaire (1694-1778): Conhecido por sua crítica feroz à Igreja e à monarquia, Voltaire
defendia a razão e a justiça, e criticava os abusos de poder, a corrupção e a
arbitrariedade dos monarcas absolutos.
● Thomas Paine (1737-1809): Embora mais ligado ao movimento republicano, Paine
criticava a monarquia absoluta como uma instituição arcaica e injusta, defendendo um
governo baseado em princípios democráticos, como expressou em Os Direitos do
Homem.
4. Impacto da Crítica à Monarquia Absoluta nas Revoluções
A crítica ao poder absoluto dos reis foi um dos fatores que impulsionaram revoluções
significativas, como a Revolução Americana e a Revolução Francesa. Nos Estados Unidos, os
colonos resistiram ao controle britânico, inspirados pelos ideais iluministas de liberdade e
autogoverno. A Declaração de Independência dos EUA de 1776 incorporou o princípio de que
todos os homens possuem direitos inalienáveis e que o governo deve servir ao povo.
Na França, o descontentamento com os excessos da monarquia culminou na Revolução
Francesa de 1789. A população, cansada da desigualdade e da opressão, revoltou-se contra a
monarquia, estabelecendo um governo republicano e proclamando a Declaração dos Direitos
do Homem e do Cidadão, que consagrava princípios de liberdade, igualdade e fraternidade.
Essas revoluções influenciaram o mundo todo, levando ao declínio gradual das monarquias
absolutas e ao surgimento de governos constitucionais e democráticos.
5. Crítica à Monarquia Absoluta e a Concepção de Governo Limitado
A ideia de um governo limitado nasceu da crítica à monarquia absoluta. Inspirados pelo
contratualismo e pela teoria da divisão de poderes, os iluministas defendiam que um governo
legítimo deveria ser restringido por leis e regulamentos, garantindo que nenhum líder pudesse
abusar de sua posição. Essa concepção é hoje a base dos governos democráticos e
constitucionais, que seguem o princípio de que “ninguém está acima da lei”.
O governo limitado evita a centralização de poder e protege a liberdade e os direitos dos
cidadãos, proporcionando uma estrutura de controle e de equilíbrio.
6. Questionário de Revisão
1. O conceito de monarquia absoluta refere-se a um governo:
○ (A) Com poder ilimitado nas mãos do monarca
○ (B) Compartilhado entre o povo e o rei
○ (C) Baseado em eleições democráticas
○ (D) Totalmente descentralizado
2. Segundo os iluministas, um governo legítimo deveria:
○ (A) Ter poder absoluto
○ (B) Ser limitado e responsável pelo bem-estar do povo
○ (C) Ser controlado pela Igreja
○ (D) Manter privilégios para a realeza
3. Montesquieu propôs que o governo deveria:
○ (A) Ser concentrado no rei
○ (B) Ter poderes divididos entre ramos distintos
○ (C) Ser baseado em uma monarquia absoluta
○ (D) Seguir o direito divino dos reis
4. Para Rousseau, o governo deveria refletir:
○ (A) A vontade do monarca
○ (B) A vontade geral do povo
○ (C) A vontade dos nobres
○ (D) As leis religiosas
5. John Locke acreditava que o governo deveria:
○ (A) Proteger os direitos naturais dos cidadãos
○ (B) Concentrar poder absoluto
○ (C) Ser hereditário
○ (D) Ser controlado pela Igreja
6. Voltaire foi conhecido por:
○ (A) Defender o poder absoluto dos reis
○ (B) Criticar a Igreja e a monarquia
○ (C) Apoiar a censura e o dogma religioso
○ (D) Ser contra o progresso científico
7. A Revolução Francesa foi inspirada pela:
○ (A) Defesa da monarquia
○ (B) Critica à monarquia absoluta e ao absolutismo
○ (C) Tradição religiosa
○ (D) Manutenção dos privilégios do clero
8. A Declaração de Independência dos EUA defende que:
○ (A) O poder deve ser centralizado no monarca
○ (B) Todos possuem direitos inalienáveis
○ (C) O governo deve ser controlado pela nobreza
○ (D) Apenas a Igreja possui autoridade
9. Thomas Paine defendia um governo baseado em:
○ (A) Princípios democráticos
○ (B) Monarquia absoluta
○ (C) Direito divino dos reis
○ (D) Censura e controle total
10. A crítica à monarquia absoluta resultou em:
○ (A) Fortalecimento das monarquias
○ (B) Queda do poder absoluto e surgimento de governos democráticos
○ (C) Expansão do direito divino dos reis
○ (D) Restauração dos privilégios nobres
7. Gabarito do Questionário
1. A - Com poder ilimitado nas mãos do monarca
2. B - Ser limitado e responsável pelo bem-estar do povo
3. B - Ter poderes divididos entre ramos distintos
4. B - A vontade geral do povo
5. A - Proteger os direitos naturais dos cidadãos
6. B - Criticar a Igreja e a monarquia
7. B - Critica à monarquia absoluta e ao absolutismo
8. B - Todos possuem direitos inalienáveis
9. A - Princípios democráticos
10. B - Queda do poder absoluto e surgimento de governos democráticos

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