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Unidade 2
Georreferenciamento e suas Aplicações
Cartografia e
Geoprocessamento
Diretor Executivo
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
JOHNY HENRIQUE MAGALHÃES CASADO
AUTORIA
Johny Henrique Magalhães Casado
Olá! Sou formado em Administração, Ciências Contábeis e Comércio
Exterior, com uma experiência técnico-profissional nas áreas comercial
e financeira, estando na Gestão Pública há mais de 15 anos. Passei por
empresas privadas na área de associativismo, também atuei em grandes
organizações do Sistema S brasileiro e, atualmente, me dedico à docência.
Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de
vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Espero que eu
possa transmitir um pouco dos meus conhecimentos a você por meio
deste material. Por isso, fui convidado pela Editora Telesapiens a integrar
seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar
você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez
que:
OBJETIVO:
para o início do
desenvolvimento de
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade
de se apresentar um
novo conceito;
NOTA:
quando forem
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações
escritas tiveram que
ser priorizadas para
você;
EXPLICANDO
MELHOR:
algo precisa ser
melhor explicado ou
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e
indagações lúdicas
sobre o tema em
estudo, se forem
necessárias;
SAIBA MAIS:
textos, referências
bibliográficas e links
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a
atenção sobre algo
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE:
se for preciso aces-
sar um ou mais sites
para fazer download,
assistir vídeos, ler
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso
se fazer um resumo
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES:
quando alguma
atividade de au-
toaprendizagem for
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma
competência for
concluído e questões
forem explicadas;
SUMÁRIO
Conceituando as bases históricas do Georreferenciamento de
Dados ...............................................................................................................10
Conceituando o georreferenciamento de dados .................................................... 10
O que é georreferenciamento de dados ....................................................................... 12
O georreferenciamento no Brasil ........................................................................................ 14
Aspectos do georreferenciamento de dados ............................................................ 15
Conceito de SIG ............................................................................................19
Estrutura de dados em um SIG ............................................................................................. 19
Consulta ao banco de dados .................................................................................................22
Componentes de um SIG ..........................................................................................................24
Conceitos e tipos de análise espacial ............................................... 29
Análise especial em um ambiente SIG ...........................................................................29
Questões que a análise espacial pode estudar ........................................................33
Tipos de dados em análise espacial .................................................................................35
Produção cartográfica, projeções e sensoriamento remoto ... 39
Fundamentos da Cartografia ................................................................................................. 39
Produção cartográfica - projeções .....................................................................................42
Sensoriamento remoto................................................................................................................43
7
UNIDADE
02
Cartografia e Geoprocessamento
8
INTRODUÇÃO
Você sabia que a Cartografia é uma área que tem se destacado
nos últimos tempos? Em especial, a questão do geoprocessamento
e georreferenciamento ganharam foco nos estudos geográficos.
O geoprocessamento é considerado um conjunto de métodos
teóricos, modelos matemáticos, que produzem informações espaciais
(georreferenciadas), oriundas do processamento de dados que foram
coletados. São as informações obtidas por meio do geoprocessamento
que ofertam o destaque principal do capítulo, no caso, o Sistema de
Informações Geográficas (SIG). O SIG utiliza o geoprocessamento, que
constitui uma estrutura de interface entre a Geografia, o Processamento
de Dados e a Comunicação. O destaque está em sua informatização, pois
seu triunfo e maior benefício, a Cartografia Georreferenciada está em sua
enorme capacidade de automatizar os processos de colecionar, editar,
integrar e analisar as informações a respeito da crosta terrestre. Nesse
capítulo, abordaremos as principais características de um SIG, bem como
os componentes que o sistema utiliza. Ainda ao longo deste capítulo
serão tratadas das principais técnicas de coleta de dados via noções de
sensoriamento remoto e integração com o SIG. Por fim, serão expostos
estudos sobre a produção cartográfica. Ao longo desta unidade letiva
você vai mergulhar neste universo!
Bons estudos!
Cartografia e Geoprocessamento
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vinda (o). Nosso propósito é auxiliar você no
desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término
desta etapa de estudos:
1. Conceituar Georreferenciamento de Dados.
2. Visualizar a Estrutura de Dados em um SIG.
3. Entender a Análise Espacial num Ambiente SIG.
4. Compreender as noções de Sensoriamento Remoto e Integração
com o SIG.
“Fazer o que você gosta é liberdade. Gostar do que você faz é
felicidade”,
Frank Tyger, cartunista.
Cartografia e Geoprocessamento
10
Conceituando as bases históricas do
Georreferenciamento de Dados
OBJETIVO:
Ao final deste capítulo, você será capaz de entender
como a cartografia está organizada, bem como quais
estudos, instrumentos e elementos são pertinentes a essa
ramificação da Geografia. Isto será fundamental para que
sejam conceituados os termos de georreferenciamento,
principalmente, no contexto brasileiro. Será possível ainda
adentrarmos na cereja do bolo que são os SIG – Sistema
de Informações Geográfica. E então? Motivado para
desenvolver esta competência? Então, vamos lá!
Conceituando o georreferenciamento de
dados
A caminhada do homem moderno sempre foi muito árdua, pois
assim que ele compreendeu que o mundo ao seu redor era muito maior
que sua mente poderia assimilar, começou a desenhar o que estava ao
seu redor e os locais por onde trafegava.
O homem faz tais registros a mais de 2500 anos a.C., mas com a
modernidade dos computadores, sistemas de posicionamento global
como os GPSs e com a crescente necessidade de se produzir tais mapas,
com cada vez mais informação, surge a Cartografia.
Claro que a produção de mapas e seu aprimoramento estão em um
contexto maior, o da Geografia, que de acordo com Zaidan (2017):
É uma ciência antiga. O Processamento Eletrônico de
Dados, ao contrário é um campo de conhecimento recente.
Neste contexto, os Sistemas de Informações Geográficas,
utilizando o Geoprocessamento, constituem uma estrutura
de interface entre a Geografia, o Processamento de Dados
e a Comunicação (ZAIDAM, 2017, p. 196).
Cartografia e Geoprocessamento
11
Da Cartografia surge seu braço mais tecnológico, o
georreferenciamento que nada mais é do que a utilização de modelos
matemáticos e computaçãoda Cartografia
Produção cartográfica - projeções
Sensoriamento remotopara que sejam construídos conjuntos de
informações espaciais georreferenciados.
O georreferenciamento está em uso há muitos anos e hoje abusa do
que existe de mais moderno na tecnologia com a utilização de processos
automatizados, inteligência artificial e machine learning (aprendizado de
máquina) para processar os dados que coleta de forma a produzir ainda
mais informações úteis.
Na Inglaterra, o uso desta automação permitiu ampliar os estudos
em botânica, e nos Estados Unidos, seu destaque foi com a engenharia
de tráfego, mas como apresenta Zaidan (2017, p. 196) “nos anos 1950, com
o objetivo principal de reduzir os custos de produção e manutenção de
mapas”.
A base da Cartografia, assim como do georreferenciamento são
os modelos de cálculos matemáticos, que com apoio da tecnologia
deixaram de ser limitados em questão de volume de dados. Agora,
com os avanços até mesmo em computação quântica, os cálculos de
georreferenciamento podem englobar volumes cada vez maiores de
dados, com destaque aos dados espaciais.
SAIBA MAIS:
Caso queira se aprofundar no assunto, acesse a
página do IBGE clicando aqui. Embora falemos sobre o
desenvolvimento da Cartografia após os anos 1950, na
Idade Média, ela estagnou e suas representações passaram
a receber uma perspectiva mais simbólica e religiosa.
Mas não é de hoje que profissionais como meteorologistas,
geofísicos. incorporam a tecnologia disponível à Cartografia e ao
georreferenciamento. Isto ocorre desde a década de 1950, mesmo com a
limitada tecnologia da época, tal como complementa Zaidan (2017):
Pode-se afirmar que os primeiros Sistemas de Informação
Geográfica surgiram na década de 60, no Canadá, como
Cartografia e Geoprocessamento
https://atlasescolar.ibge.gov.br/conceitos-gerais/historia-da-cartografia/a-idade-media.html
12
parte de um programa governamental para criar um
inventário de recursos naturais. Em 1962, Tomlinson, do
Canadian Land Inventory, desenvolveu o Sistema de
Informações Geográficas Canadense (Canadian Geographic
Information System - CGIS) (ZAIDAN, 2017, p. 196).
O CGIS representa um enorme avanço no uso das tecnologias
modernas em prol do desenvolvimento da Cartografia, do
georreferenciamento e nos anos 1970 mais recursos foram sendo
desenvolvidos, hardware mais barato foi sendo disponibilizado e com isso,
ao mesmo tempo, surgem os primeiros CAD (Computer Aided Design) que
rapidamente passam a ser utilizados como base dos sistemas cartográficos
automatizados, nascendo a expressão Geographic Information System, ou
seja, Sistema de Informação Geográfica. (ZAIDAN, 2017).
Embora a década de 1970 tenha testemunhado o surgimento de
tecnologias e sistemas muito importantes ao desenvolvimento tecnológico
da Cartografia, apenas na década seguinte que se pode observar uma
aceleração deste desenvolvimento que, mais uma vez, estava dependente
do desenvolvimento e aprimoramento das tecnologias da informática.
Um ponto alto da década de 1980 e que ilustra muito bem esta
aceleração do desenvolvimento tecnológico da Cartografia foi a criação,
nos Estados Unidos, do NCGIA - National Centre for Geographical
Information and Analysis. Neste sentido, e de acordo com Zaidan (2017),
no final da década de 1980 o cenário dos SIGs estava consolidado, dando
fôlego para uma crescente integração entre usuários e ferramentas
na década seguinte, o que facilitou o uso das novas ferramentas de
geoprocessamento.
O que é georreferenciamento de dados
Podemos conceituar georreferenciamento como a ciência que usa
um conjunto de tecnologias para coletar, armazenar, editar, processar,
analisar e disponibilizar dados e informações que contenham referências
espaciais precisas e que façam parte de um ecossistema de hardware,
software e diversos profissionais. De acordo com Zaidan (2017), são
geotecnologias:
Cartografia e Geoprocessamento
13
O geoprocessamento, SIG (GIS, SGI) – Sistemas de Infor-
mações Geográficas, Cartografia Digital ou Automatizada,
Sensoriamento Remoto por Satélites, Sistema de Posicio-
namento Global (ex. GPS), Aerofotogrametria, Geodésia,
Topografia Clássica, entre outros. Entre as geotecnologias
destaca-se o geoprocessamento, principalmente na consti-
tuição de Sistemas de Informações Geográficas – SIGs (ZAI-
DAN, 2017, p. 198).
Portanto, temos no geoprocessamento, um conjunto de métodos
teóricos, modelos matemáticos, que produzem informações espaciais
(georreferenciadas), oriundas do processamento de dados que foram
coletados, seguindo tais modelos, técnicas e teorias. Assim, Zaidan (2017)
enaltece a relevância das informações georreferenciadas que apresentam
como componente principal seu atributo de localização:
Ou seja, estão ligadas a uma posição específica do globo
terrestre por meio de suas coordenadas. A sigla SIG significa
Sistema de Informações Geográficas. Os SIGs podem ser
considerados uma das geotecnologias que se encontram
dentro do ramo de atividades do geoprocessamento
(ZAIDAN, 2017, p. 198).
Não se deve confundir ou tratar o SIG como um simples software,
pois este se constitui do somatório de diversos componentes humanos,
tecnológicos e conceituais.
EXEMPLO:
Existe muita complexidade no que diz respeito aos imóveis rurais,
devido a suas proporções e detalhes como a constituição das
empresas rurais. Para tal, entra em cena o georreferenciamento
como uma forma precisa de se descrever, demarcar as propriedades
rurais.
Georreferenciamento é um instrumento adotado pelo INCRA como
uma forma de padronizar a identificação de imóvel rural. Ele é feito
por meio de um processo de reconhecimento das coordenadas
geográficas do local, a partir da utilização de mapas ou imagens
(MACHADO, 2020).
Cartografia e Geoprocessamento
14
Com o uso do georreferenciamento, o setor imobiliário deixa
de sofrer com a falta de precisão dos registros cartográficos antigos e
antiquados, que continham pouca informação sobre estradas, pontos
referenciais e outros detalhes relevantes à análise imobiliária.
O georreferenciamento no Brasil
Podemos estabelecer que os primórdios do georreferenciamento
brasileiro surgem a partir da década de 1930, com os primeiros estudos
ambientais e análises, que congregavam desde os biótipos até o ambiente
físico e socioeconômico. O grande incremento à atividade ocorre quando
passa a ser relevante no meio acadêmico com o surgimento dos primeiros
cursos de Geografia já em 1934, pela Universidade de São Paulo. Outro
ponto marcante a esta ciência está na criação do IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), que de acordo com Zaidan (2017) passa
convergência com os estudos brasileiros geográficos:
A Geografia, a Estatística e a Cartografia. O pioneirismo
nessa área se deu com a fundação da Sociedade Brasileira
de Geografia – SBG em 1878, inicialmente voltada para as
chamadas explorações geográficas, inclinada a realização
de expedições a regiões pouco conhecidas (ZAIDAN, 2017,
p. 197).
Somado a estes eventos históricos, temos o nascimento da
Sociedade Brasileira de Geografia, em 1883 no Rio de Janeiro, pelo
esforço conjunto da Real Sociedade Portuguesa de Geografia e da Royal
Geografic Society da Inglaterra, mas que, de acordo com Zaidan (2017),
veio a ser melhor divulgada pelos esforços de Jorge Xavier da Silva, um
professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) no começo
da década de 1980.
SAIBA MAIS:
Em 2015, a Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro,
organizou a exposição Historica Cartographica Brasilis, que
apresentou um panorama do processo cartográfico no
Brasil. Acesse aqui para ler o artigo sobre o evento e este
processo histórico.
Cartografia e Geoprocessamento
https://bndigital.bn.gov.br/exposicoes/historica-cartographica-brasilis-in-biblioteca-nacional/introducao-a-historica-cartographica-brasilis/
15
Somado ao empenho do Professor Silva, Zaidan (2017, p. 197)apresenta o Dr. Roger Tomlinson como o responsável pela criação do
primeiro SIG, Canadian Geographical Information System:
Daí despontaram quatro grupos de pesquisa que merecem
destaque: o grupo do Laboratório de Geoprocessamento
do Departamento de Geografia da UFRJ, sob a orientação
do professor Jorge Xavier da Silva, que desenvolveu o
SAGA (Sistema de Análise GeoAmbiental) (ZAIDAN, 2017,
p. 197).
Outro evento histórico de grande importância, no universo da
Cartografia, também ocorreu na década de 1980 com o desenvolvimento
de processos de automação para georreferenciamento pela AeroSul
que veio a ser rebatizada como MaxiDATA, dando origem ao seu sistema
MaxiCAD que tinha por destaque sua capacidade de promover o
mapeamento computadorizado. De acordo com Zaidan (2017):
E em 1984, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais), que estabeleceu um grupo específico para o
desenvolvimento de tecnologia de geoprocessamento e
sensoriamento remoto (a Divisão de Processamento de
Imagens -DPI). De 1984 a 1990 a DPI desenvolveu o SITIM
(Sistema de Tratamento de Imagens) e o SGI (Sistema de
Informações Geográficas), para ambiente PC/DOS, e, a
partir de 1991, o SPRING (Sistema para Processamento de
Informações Geográficas), para ambientes UNIX e MS/
Windows (ZAIDAN, 2017, p. 197).
No ano de 1975, a RADAMBRASIL desenvolveu um projeto pioneiro
que tinha por objetivo racionalizar os processos de coleta, armazenamento,
recuperação e análise de dados e no ano de 1978 cria o SICA, o Sistema
de Informação Geoambiental.
Aspectos do georreferenciamento de dados
De acordo com Zaidan (2017):
Uma definição clássica de SIG seria a de um sistema
automatizado de coleta, armazenamento, manipulação
e saída de dados cartográficos. Portanto, os SIGs são
muito importantes por promoverem todo o tratamento
necessário para que os dados coletados gerem o correto
Cartografia e Geoprocessamento
16
georreferenciamento. É por meio de um SIG que são
automatizadas a coleta, o armazenamento, a manipulação
e a exibição correta dos dados cartográficos (ZAIDAN,
2017, p. 98).
Existe, entretanto, grande complexidade nos SIGs, uma vez que são
construídos e operados por pessoas, instituições, e operacionalizados via
rotinas estabelecidas e equipamentos e softwares e que de acordo com
Zaidan (2017):
Observa-se que a sigla pode variar em virtude dos
nacionalismos que envolve a apropriação do conceito
de SIG, porém a literatura demonstra a mesma utilização:
Geographic Information System (GIS), nos Estados Unidos
da América; Geographical Information System (GIS), na
Europa; Géomatique, no Canadá, e em alguns casos no
Brasil, SGI (ZAIDAN, 2017, p. 198).
As geotecnologias contemplam diversos sistemas e hardware e
comportam também os SIGs que são compostos por diversos softwares.
Esta variedade de sistemas deve-se às diversas vertentes da pesquisa
e da atuação, aprimoradas com o uso constante de novas tecnologias
informáticas, banco de dados e as mais avançadas linguagens de
programação (ZAIDAN, 2017).
A forma correta de se tratar e referenciar tais sistemas é representar
a sigla SGI como sendo Sistemas Geográficos de Informação que pode
ser definido como um ecossistema de tratamento de dados, com base
em computação, de forma a georreferenciar tais dados e com isso os
transformar em informação, geograficamente relevante. De acordo com
Zaidan (2017), estes sistemas seriam compostos por uma estrutura que
fora desenhada especificamente para tratar dados de origens distintas de
forma a se produzir informação espacial.
De acordo com esta conceituação, tais sistemas devem ser
competentes ao exibir a geolocalização, a extensão e as conexões
espaciais e temporais das informações nele representadas e com isso, o
conjunto deve representar a geografia do local analisado e onde deve ser
possível compreender o que constitui a superfície terrestre.
Cartografia e Geoprocessamento
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Fica evidente o quanto a tecnologia vem agregando valor à Cartografia
por meio da informatização e automação do georreferenciamento, de
acordo com Zaidan (2017):
Considera-se que a estrutura de localização geográfica
proporciona o ganho de conhecimento sobre a realidade
territorial analisada. Por isso a nomenclatura SGI. Contudo,
nos dias de hoje o termo geralmente utilizado é Sistemas
de Informações Geográficas (SIG), visto que o adjetivo
Geográficas se remete às Informações, devido ao fato
de nem sempre as informações contidas nos bancos
de dados serem necessariamente de cunho geográfico
(ZAIDAN, 2017, p. 199).
Podemos concluir que de forma geral, quando se define um SIG, o
destaque está em sua informatização, pois seu triunfo e maior benefício
à Cartografia Georreferenciada está em sua enorme capacidade de
automatizar os processos de colecionar, editar, integrar e analisar as
informações a respeito da crosta terrestre.
A evolução tecnológica amplia a cada dia o que o ser humano pode
fazer, o que pode melhorar e isso afeta toda a vida moderna. No que diz
respeito à Cartografia Georreferenciada, as evoluções da tecnologia vão a
cada dia, aprimorando os trabalhos, promovendo novos usos aos dados,
facilitando a vida de profissionais e pesquisadores.
Nesse sentido, o geoprocessamento é utilizado por diversas áreas
como Cartografia, planejamento urbano, análise de recursos naturais etc.
Ele é composto pelas chamadas geotecnologias, que dizem respeito
a topografia, banco de dados geográficos, sistema de informação
geográfica, sensoriamento remoto e outras técnicas de referenciamento
espacial (MARTINS, 2009).
Estas novas tecnologias ampliam o uso do georreferenciamento
e permitem o surgimento de novas profissões e novos usos destas
informações.
Cartografia e Geoprocessamento
18
RESUMINDO:
Bem, espero que tenha gostado do que lhe mostramos,
gostou? Aprendeu mesmo tudo que foi apresentado?
Mesmo que esteja confortável com o que já aprendeu,
só para termos certeza de que você realmente entendeu,
transformou em conhecimento o tema de estudo deste
capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter
aprendido que apesar do georreferenciamento ser uma
ciência antiga, veio a se desenvolver no Brasil apenas após
a década de 1930. Embora o nascimento da Sociedade
Brasileira de Geografia tenha sido, em 1883, no Rio de
Janeiro, começou com a Cartografia tradicional e com
isso o georreferenciamento foi encontrar seu salto em
desenvolvimento, apenas após a década de 1980, com a
criação do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE).
O georreferenciamento moderno passou a contar com o
seu processamento eletrônico de dados, mas um advento
recente, lhe proporcionou novos usos, melhores condições
de pesquisa e o aprimoramento dos sistemas SIG que hoje
usam modernas técnicas de geoprocessamento, interface
amigável e processamento de dados que usa tecnologias
como a Inteligência Artificial e a mineração de dados.
Cartografia e Geoprocessamento
19
Conceito de SIG
OBJETIVO:
Ao final deste capítulo, você será capaz de conceituar o que
é um SIG e quais são e como as bases de dados alimentam
este sistema. Certamente essa competência demonstrará a
complexidade do sistema, bem como sua importância no
monitoramento do território, por exemplo.
Bons estudos! Então, vamos lá!
Estrutura de dados em um SIG
Atualmente, não existe empresa ou ramo de atuação comercial e
científica que não se faça valer de algum sistema de informação, seja na
construção de informações para tomada de decisão ou para a pesquisa
científica. A geografia pela Cartografia faz valer de seu sistema, o SIG, e
vale ressaltar que se trata de um sistema cujas informações tratadas são
de cunho geográfico.
Seu aspecto informatizado é no qual a maioria de suas definições
se debruça, mas para os estudiosos desta temática, a melhor forma de se
definir como um sistema computadorizado que, deacordo com Zaidan
(2017, p. 199), “colecione, edite, integre e analise informações relacionadas
à superfície da Terra”.
Portanto, é preciso enxergar os SIGs como agregados de equipamentos,
pessoas e software e temos incluídos quatro componentes internos.
Figura 1 - Componentes do SIG
Entrada de
dados
Armazenamento
e recuperação
de dados
Manipulação,
edição e análise
de dados
espaciais
Saída
Fonte: Zaidan (2017).
Cartografia e Geoprocessamento
20
De acordo com Zaidan (2017), são diversas as definições de SIG
e podemos citar que um SIG pode ser definido como um conjunto de
técnicas empregadas na integração e análise dos dados que foram
coletados de diversas origens, como imagens de satélites, mapas, cartas
climatológicas, censos e processadas em computadores de forma a
exibir dados geográficos. A seguir podemos compreender melhor quais
são os componentes gerais dos SIG:
Quadro1 - Componentes gerais dos SIG
Fonte: Barros (2018).
Cartografia e Geoprocessamento
21
Portanto, um SIG deve conter como componentes a interface
de usuário, uma forma de entrada, sua integração de dados, seus
mecanismos de consulta, análise espacial e processamento de
imagem, armazenamento e recuperação de dados – banco de dados
geográficos (ASSAD; SANO, 1998). As definições dos SIGs invariavelmente
se misturam com as definições do próprio geoprocessamento:
Pode ser definido como um sistema composto por
softwares e hardwares que estão submetidos a uma
organização de pessoas interligadas para um mesmo fim,
que se utilizam de dados georreferenciados, de forma a
tornar possível a coleta, o armazenamento, a edição, o
processamento, a análise e a disponibilização, visando
a possibilidade de planejar e monitorar questões ligadas
ao espaço físico geográfico através dos produtos gerados
pelo sistema, que são arquivos digitais contendo Mapas,
Gráficos, Tabelas e Relatórios convencionais (ZAIDAN,
2017, p. 200).
A estrutura básica dos SIG pode ser representada por seus
equipamentos, o hardware; seus aplicativos, o software; profissionais
especializados, também nomeados peopleware; e seu banco de dados,
sua dataware. Sua lógica de funcionamento deve permitir a entrada
de dados, seu armazenamento, processamento e por fim, sua saída
geoprocessada.
VOCÊ SABIA?
Na Informática, usamos o termo hardware para definir
os componentes de um computador como o chip do
processador ou a placa- mãe onde ele vai ser conectado,
entre outros. Já o termo software é usado para definir
os componentes lógicos como o sistema operacional
Windows, drivers e outros softwares. Peopleware representa
os usuários deste sistema, ou seja, as pessoas, pois people,
em inglês, significa “pessoas”.
Cartografia e Geoprocessamento
22
Consulta ao banco de dados
Um componente bastante importante, do ponto de vista da
informatização e automação, proporcionada pelos SIG, está em seu
banco de dados. Há algumas décadas, com o surgimento dos primeiros
computadores, empresas e cientistas passaram a enxergar a necessidade
de armazenar uma quantidade de dados que sempre crescia.
Atualmente as tecnologias de armazenamento de dados estão
bastante evoluídas e robustas, cujo problema agora recai na forma com
que os sistemas lidam com um volume de dados que só cresce.
Somado a este dilema, os novos sistemas que contam com
inteligência artificial e que conseguem, com sua linguagem de
programação, aprender e aprimorar seu trabalho, passaram a dar nova
vida ao armazenamento de dados, pois tal inteligência agora permite
novo processamento destes dados revelando informações úteis, como
conceitua a mineração de dados.
No georreferenciamento, a lapidação das informações tem seu
destaque, mas antes é preciso estabelecer a complexidade que os dados
deste ramo do conhecimento apresenta, para a captação e utilização nos
SIGs. Desta forma, Lisboa Filho (2000, p. 10) afirma que esta obtenção de
dados é muito mais complexa que em outros ramos de atividade e sua
complexidade nasce do fato de que a entrada de dados não se limitar a
simples operações de inserção.
Esta dificuldade começa pelo fato de que tratar informações
gráficas é, por si só, algo mais complexo, muito diferente de uma entrada
alfanumérica, por exemplo, e de acordo com Lisboa Filho (2000), também
encontra complexidade na natureza dos dados, utilizados por estas
aplicações, pois estes dados manipulados pelos SIG dizem respeito a
fenômenos geográficos que ocorrem sobre a superfície terrestre e que
podem tanto ser de ocorrência natural ou pela intervenção do homem
como os tipos de solo, vegetação, cidades, propriedades rurais, urbanas,
redes telefônicas, escolas, clima etc.
Cartografia e Geoprocessamento
23
Existe também a complexidade de se trabalhar com
georreferenciamento e geoprocessamento, projetos ainda no papel, como
o projeto de uma barragem, por exemplo, para a construção de uma usina
hidroelétrica. Neste caso, a coleta de dados usa tecnologia fotogramétrica,
sensoriamento remoto e levantamento de campo, componentes usados
também em outras áreas. (LISBOA FILHO, 2000, p. 10).
O resultado do emprego destas tecnologias, desta captação de
dados, representa a fonte de dados com o qual o SIG deve trabalhar. Estes
sistemas têm interface de transferência de dados para dispositivos digitais
de armazenamento, além de ter interface que transfira os dados brutos de
fontes externas, para o meio interno e as represente digitalmente.
Nestes sistemas SIG, são feitas as associações entre os objetos
espaciais representados e seus atributos descritivos, agregando
conhecimento aos dados, transformando-os em informações utilizáveis
pela geografia. Com estas interações, o sistema consegue padronizar os
dados e suas projeções, escalas e coordenadas.
Aqui a captura de dados é muito importante, pois todo o sistema
dependerá da qualidade do que se insere nele, e de acordo com
Lisboa Filho (2000), existem alguns métodos de aquisição de dados
que são comumente utilizados nos SIGs como a digitalização de mesa,
a digitalização automática feita com a varredura ótica com o uso de
scanners. Complementando temos também a entrada de dados via
teclado, os dispositivos de GPS (Global Positioning System) sem deixar de
lado a leitura de dados de outras fontes de armazenamento secundárias
como as fitas magnéticas, discos óticos e o teleprocessamento.
SAIBA MAIS:
Na Cartografia, a digitalização representa um processo
bastante importante, pois promove a transferência de
dados e relatórios para o meio digital. Para saber mais sobre
este processo e o maquinário necessário, acesse este link.
Cartografia e Geoprocessamento
https://institutopristino.org.br/7102-2/
24
Podemos perceber que o SIG se faz valer das mais modernas
ferramentas de captura, registro e transferência de dados que viabilizam
o geoprocessamento.
Componentes de um SIG
De forma geral, os SIGs são construídos contendo formatos e
dispositivos de entrada de dados, dispositivos de armazenamento
e recuperação de dados, estrutura lógica de manipulação e edição
destes dados, análise dos dados espaciais e por fim as saídas deste
processamento. De acordo com Lisboa Filho (2000):
Os SIGs precisam armazenar grandes quantidades de
dados e torná-los disponíveis para operações de consulta
e análise. Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados
(SBGD) são ferramentas fundamentais para os SIG, embora
alguns sistemas comerciais ainda utilizem sistemas de
arquivos para fazer o gerenciamento dos dados (LISBOA
FILHO, 2000, p. 8).
Mas a complexidade da análise de dados com referências
espaciais, ou georreferenciados, força o desenvolvimento dos SIGs a
encontrar soluções e inovações para a manipulação de dados, recaindo
no desenvolvimento de aprimoramentos nos bancos de dados. De acordo
com Lisboa Filho (2000), em uma abordagem mais técnica, os SIGssão
construídos pela dualidade entre um sistema relacional que gerencia
os atributos descritivos, somado a um software que tem o objetivo de
gerenciar os atributos espaciais.
SAIBA MAIS:
Caso queira se aprofundar nos Sistemas de Informações
Geográficas (SIG) e seus exemplos mais comuns, acesse o
artigo e o vídeo do portal Mundo Educação clicando aqui.
De acordo com Lisboa Filho (2000, p. 8), “a tendência atual é que os
novos SIGs estão incorporando características de sistemas orientados a
Cartografia e Geoprocessamento
https://bit.ly/3ny5hOI
25
objetos!”. Com isso, os SIGs devem ser construídos pela congregação de
três aspectos distintos da tecnologia computacional:
1. Sistemas de gerenciamento de banco de dados geográficos
(BDGeo).
2. Procedimentos para obtenção, manipulação, exibição e impressão
de dados com representação gráfica (interface).
3. Algoritmos e técnicas para análise de dados espaciais (ferramentas).
(LISBOA FILHO, 2000, p. 8).
Mas vale ressaltar que na vastidão de aplicações as quais os
SIGs podem entregar, sua constituição também vai ser diversa, devido
às peculiaridades que devem atender em cada modalidade que for
destinado. Neste sentido, de acordo com Lisboa Filho (2000):
Alguns produtos são comercializados em módulos
separados, de acordo com as necessidades específicas
dos clientes, como o sistema MGE da INTERGRAPH e o
sistema Arc-Info da ESRI. Módulos para processamento
de imagens de satélite, para operações com modelos
numéricos de terreno (MNT) ou para gerenciamento de
redes de infraestrutura, podem, ou não, estar disponíveis
no sistema (LISBOA FILHO, 2000, p. 9).
Claro que no rol de sistemas denominados SIGs, existirão
componentes comuns, afinal, tal categoria atende a um escopo de certa
forma fechado, de acordo com Lisboa Filho (2000, p. 9): interface com
usuário; entrada e integração de dados; funções de processamento;
visualização e plotagem; e armazenamento e recuperação de dados. A
imagem a seguir ilustra bem este esqueleto que constituem os SIGs:
Cartografia e Geoprocessamento
26
Figura 2 - Componentes comuns dos SIGs
Entrada e
integração de
dados
Interface
Funções de
processamento
Armazenamento
e Recuperação
BD Geográfico
Visualização e
Plotagem
Fonte: Lisboa Filho (2000).
De acordo com Lisboa Filho (2000, p. 9), “os SIGs são compostos
por sistemas de armazenamento de dados, funções de processamento,
visualização e plotagem, armazenamento e recuperação do banco de
dados geográfico”. Portanto, a arquitetura de um SIG tem três tipos de
interfaces: a linguagem de comandos, os menus hierárquicos e, por fim,
os sistemas de janelas.
Tais interfaces estão sempre melhorando e empregando as
evoluções de interfaces, oriundas de outras plataformas, de outros
sistemas de informação como os gerenciais, nos quais a interface deve
facilitar o processo de entrada, processamento e saída de dados.
ACESSE:
O software SIG mais popular é gratuito! Estamos falando do
QGIS, que além de ser gratuito tem código aberto, o que
significa que profissionais da Cartografia podem usar este
código para desenvolver melhorias e compartilhar com
outras pessoas. Acesse aqui.
Cartografia e Geoprocessamento
https://www.qgis.org/pt_BR/site/about/index.html
27
Em um SI, a entrada e a integração de dados ocorrem de diversas
formas, como a leitura ótica, digitalização dos mapas e até os meios
computacionalmente mais tradicionais como o magnético. Nesse escopo,
de acordo com Lisboa Filho (2000):
O componente responsável pelo armazenamento e
recuperação de dados geográficos provê as estruturas
de dados que possibilitam a compactação de imagens,
armazenamento de relacionamentos espaciais (topologia),
acesso aos dados através de índices espaciais etc. O
conjunto das funções de processamento é o componente
que mais se diferencia de sistema para sistema, porém,
existem muitas funções que são comuns a esses sistemas
(LISBOA FILHO, 2000, p. 9).
De maneira geral, a esmagadora maioria das saídas dos SIGs são
pela exibição de mapas e com isso tais sistemas são programados de
forma a ter funções típicas da cartografia automatizada, com a rotulação,
descrição, legendas e escalas automáticas.
Sobre a aplicação dos bancos de dados em sistema, salienta-se
que todo software SIG abrange um sistema de gerenciamento de banco
de dados capaz de manipular e integrar dois tipos de dados: os dados
espaciais e dados de atributos, permitindo criar informações e facilitar a
análise. Essa é uma vantagem desse sistema em relação a outros tipos de
sistemas informatizados (BARROS, 2018).
Figura 3 - Representação vetorial de dados alfanuméricos
Fonte: Barros (2018)
Cartografia e Geoprocessamento
28
Esses dados espaciais podem ser representados como dados
vetoriais ou matriciais, mas dados de atributos utilizam os dados
alfanuméricos em tabelas.
RESUMINDO:
Que tal? Gostou deste capítulo? Espero que tenha
aprendido tudo que foi apresentado, e só para termos
certeza de que você realmente entendeu o tema deste
capítulo, vamos a um breve resumo? Você deve ter
aprendido que a constituição dos SIGs representa um
agrupamento de sistemas e técnicas que integram a
coleta de dados de diversas origens com imagens de
satélite, mapas etc. e que após serem processados em
computadores ganham novo sentido, novas formas de
utilização. Você viu também neste capítulo que embora
os sistemas SIGs sejam distintos, pois devem se adequar à
necessidade que precisam atender, seus meios de entrada
de dados são leitura ótica, digitalização dos mapas e até
os meios computacionalmente mais tradicionais como as
mídias magnéticas. Embora a maioria das saídas de um
SIG seja feita pela exibição de mapas, sua automatização
de rotulação, descrição, legendas e escalas permitem uma
gama maior de aplicações como estudos na área da saúde
que mostrem a progressão de uma epidemia, por exemplo.
Cartografia e Geoprocessamento
29
Conceitos e tipos de análise espacial
OBJETIVO:
Ao final deste capítulo, você terá entendido a análise
espacial que tem por premissa mensurar propriedade e
relacionamentos, levando em consideração a localização
espacial do fenômeno. Interessante que os estudos sobre
as análises espaciais não são concentrados apenas na
Cartografia, podem ser inseridos em outros contextos como
mapeamento de regiões para estudos epidemiológicos.
Então, vamos lá!
Análise especial em um ambiente SIG
Os Sistemas de informações Geográficas, os SIGs, são constituídos
por diversos componentes como softwares, hardwares e são capazes de
representar informações sobre o espaço geográfico na forma de mapas
temáticos, cartas topográficas, tabelas, gráficos e muito mais. E para que
seja possível compreender melhor seu funcionamento, se faz necessário
passar por alguns conceitos como a análise espacial.
Conceituando esta análise, podemos compreender melhor os
fenômenos espaciais que fazem parte dela como a dependência espacial.
De forma geral a dependência espacial, também conhecida como a
primeira lei da geografia, determina que embora todas as coisas sejam
parecidas, as que estiverem próximas, são ainda mais parecidas.
ACESSE:
Assista agora o vídeo que aborda A importância da análise
espacial- conceitos clicando aqui.
Conforme se distanciam os objetos de estudo, se percebe a
dispersão da dependência espacial, mas que grande parte das ocorrências
Cartografia e Geoprocessamento
https://www.youtube.com/watch?v=XekJ0mI9LIs
30
analisadas pelos SIGs apresenta dependência espacial, sejam ocorrências
naturais ou sociais, e com isso podemos analisar o exemplo a seguir:
Se encontramos poluição num trecho de um lago, é
provável que locais próximos a essa amostra também
estejam poluídos. Ou que se a presença de uma árvore
adulta inibe o desenvolvimento de outras, essa inibição
diminui com a distância e após determinado raio outras
árvores grandes serão encontradas(CÂMARA, 2003, p. 11).
Sobre a autocorrelação espacial, outro componente da análise dos
SIGs, Câmara (2003) afirma que se trata de:
Expressão computacional do conceito de dependência
espacial é a autocorrelação espacial. Esse termo foi derivado
do conceito estatístico de correlação, utilizado para
mensurar o relacionamento entre duas variáveis aleatórias.
A preposição “auto” indica que a medida de correlação é
realizada com a mesma variável aleatória, medida em locais
distintos do espaço (CÂMARA, 2003, p. 11).
Esta autocorrelação pode ser medida com a utilização de diferentes
indicadores, mas que se norteiam da mesma forma e trabalham com a
variação da dependência espacial, e, de acordo com Câmara (2003, p.
11), “por comparação entre os valores de uma amostra e de seus vizinhos.
Os indicadores de autocorrelação espacial são casos particulares de uma
estatística de produtos cruzados do tipo”.
Figura 4 - Fórmula
Fonte: Câmara (2003).
Conforme apresenta Câmara (2003), temos que o índice obtido
pela aplicação da fórmula expressa uma direta relação entre diversas e
aleatórias variáveis, tal como um produto de duas matrizes. A título de
exemplo, se forem informados dados de distância d, a matriz w3 vai
oferecer o valor da medida de contiguidade espacial entre as variáveis
aleatórias. Ainda de acordo com Câmara (2003, p. 12) temos: “a matriz X
fornece uma medida de correlação entre estas variáveis aleatórias, que
Cartografia e Geoprocessamento
31
pode ser o produto destas variáveis, como no caso do índice de Moran
para áreas”.
SAIBA MAIS:
Caso queira se aprofundar no assunto, acesse o artigo
Dependência Espacial, de Carlos Paiva para entender temas
como a estatística espacial e o diagrama de espalhamento
de Morgan.
Portanto, para valores representativos, significativos de índices
de autocorrelação espacial, temos o forte indício de sua dependência
espacial, o que corrobora com o postulado da independência das
amostras, no qual reside a maior inferência estatística e que se apresenta
inválido, com isso temos, que de acordo com Câmara (2003, a inferência
estatística para dados espaciais é uma consequência da dependência
espacial, pois:
As inferências estatísticas nesse tipo de dados não serão
tão eficientes quanto no caso de amostras independentes
do mesmo tamanho. Em outras palavras, a dependência
espacial leva a uma perda de poder explicativo. De
forma geral, isso se reflete em variâncias maiores para as
estimativas, níveis menores de significância em testes de
hipóteses e um ajuste pior para os modelos estimados,
comparados a dados de mesma dimensão que exibam
independência (CÂMARA, 2003, p. 12).
Aqui, o procedimento correto indica tratar os dados espaciais como
um único evento, uma única realização, e não como amostras individuais
e com isso, com esta diferente visão amostral, temos uma forma distinta
da tradicional ,pois usa todas as informações de forma conjunta e com
isso descreve o padrão espacial do objeto de estudos. Neste sentido, de
acordo com Câmara (2003):
A hipótese feita é que, para cada ponto u de uma região A
contínua em Â2, os valores inferidos de um atributo z - z(u)
- são realizações de um processo {Z(u), u e A}. Neste caso,
é preciso fazer hipóteses sobre a estabilidade do processo
estocástico, ao supor, por exemplo, que esse processo
Cartografia e Geoprocessamento
http://www.sinaldetransito.com.br/artigos/espacial.pdf
32
seja estacionário e/ou isotrópico, conceitos discutidos a
seguir (CÂMARA, 2003, p. 12).
Partindo para um componente estatístico neste estudo, temos
que são os efeitos de primeira e segunda ordem que definem a
estrutura espacial aqui analisada e na qual os efeitos de primeira ordem
representam o valor esperado e que, pela segunda ordem, temos a
covariância entre si e sj, e conforme apresenta Câmara (2003, p. 13), “o
processo é considerado estacionário se os efeitos de Ia e 2a ordem são
constantes, em toda a região estudada, ou seja, não há tendência”. O
que torna o processo isotrópico, pois além de estacionário, tem em sua
covariância a dependência exclusiva da distância entre os pontos e não
da direção entre eles.
De acordo com Câmara (2003, p. 13), “um processo estocástico Z é
estacionário de segunda ordem se a esperança de Z(u) é constante em
toda a região de estudo A, ou seja, não depende da sua posição”.
Figura 5 - Fórmula
Temos aqui que a estrutura de covariância espacial vai depender
do vetor relativo entre pontos h = u — u, conforme a expressão a seguir:
Figura 6 - Fórmula
Quando a estrutura de covariância, além de variar com a distância,
varia simultaneamente em função da direção, ela é anisotrópica. No caso
em que a dependência espacial é a mesma em todas as direções, diz-se
que o fenômeno é isotrópico. A modelagem da estrutura de covariância
espacial é mais bem detalhada nos capítulos que se seguem (CÂMARA,
2003, p. 13).
Cartografia e Geoprocessamento
33
Questões que a análise espacial pode estudar
A questão da distribuição espacial é interdisciplinar, sua
compreensão contribui para a compreensão de temas vitais de outras
áreas do conhecimento como a saúde, questões ambientais, agronômicas
etc. De acordo com Câmara (2003, p. 1), “tais estudos vem se tornando cada
vez mais comuns, devido à disponibilidade de sistemas de informação
geográfica (SIG) de baixo custo e com interfaces amigáveis”.
Desta forma, temos que os avanços da informática se encontram
espalhados por todas as áreas do conhecimento e sua dinâmica no
sistemas de informação é de permitir que, uma vez que tal sistema seja
assimilado, outros sistemas possam ser utilizados por apresentarem
interface semelhante ou componentes compartilhados. Assim, Câmara
(2003, p. 1) afirma que “esses sistemas permitem a visualização espacial
de variáveis como população de indivíduos, índices de qualidade de vida
ou vendas de empresa numa região por meio de mapas”.
SAIBA MAIS:
Um dos usos da análise espacial está nas análises feitas
pelo Poder Público na construção de programas e políticas
públicas para a saúde.
Leia o artigo de Borges e Moraes, que aborda os conceitos
para analisar dados da Saúde Pública clicando aqui.
Assim, não somente a interface se apresenta como componente
semelhante, o banco de dados deve ser compartilhado para que seja
possível promover análises distintas de um mesmo conjunto de dados. De
acordo com Câmara (2003, p. 1), “além da percepção visual da distribuição
espacial do problema, é muito útil traduzir os padrões existentes com
considerações objetivas e mensuráveis, como nos seguintes casos”.
• Epidemiologistas coletam dados sobre ocorrência de doenças.
A distribuição dos casos de uma doença forma um padrão no
espaço? Existe associação com alguma fonte de poluição?
Evidência de contágio? Variou no tempo?
Cartografia e Geoprocessamento
http://www.sinaldetransito.com.br/artigos/espacial.pdf
34
• Deseja-se investigar se existe alguma concentração espacial na
distribuição de roubos. Roubos que ocorrem em determinadas
áreas estão correlacionados com características socioeconômicas
dessas áreas?
• Geólogos desejam estimar a extensão de um depósito mineral em
uma região com base em amostras. Pode-se usar essas amostras
para estimar a distribuição do mineral na região?
• Deseja-se analisar uma região para fins de zoneamento agrícola.
Como escolher as variáveis explicativas - solo, vegetação,
geomorfologia – e determinar qual a contribuição de cada uma
delas para definir qual o tipo de cultura mais adequado para cada
local? (CÂMARA, 2003, p. 1)
Tais problemas estão no escopo da análise espacial de dados
geográficos cuja ênfase é de medir as propriedades e as conexões,
de acordo com a localização espacial do fenômeno em estudo. Assim,
conforme defende Câmara (2003, p. 2), “a ideia central é incorporar o
espaço à análise que se deseja fazer.”
Câmara (2003)apresenta o seguinte exemplo que incorpora a
análise espacial:
Um exemplo pioneiro em que, intuitivamente, se incorporou
à categoria espaço às análises realizadas foi realizado no
século XIX por John Snow. Em 1854, ocorria em Londres
uma das várias epidemias de cólera trazidas das índias.
Pouco se sabia então sobre os mecanismos causais da
doença. Duas vertentes científicas procuravam explicá-
la: uma relacionando-a aos miasmas, concentrados nas
regiões baixas e pantanosas da cidade, e outra à ingestão
de água insalubre (CÂMARA, 2003, p. 2).
Estão apresentados no mapa, a localização da residência dos óbitos
pela doença em conjunto com a localização das bombas d’água e com
isso se pode concluir onde estava o epicentro da epidemia. Esta hipótese
analisada fora confirmada com estudos posteriores e que contou com a
localização da fonte de captação da água da cidade em local com grande
incidência de dejetos, inclusive de pacientes com cólera.
Cartografia e Geoprocessamento
35
Com isso, Câmara (2003, p. 2) confirmou que “esta é uma
situação típica em que a relação espacial entre os dados contribuiu
significativamente para o avanço da compreensão do fenômeno, sendo
um dos primeiros exemplos da análise espacial”. No mapa a seguir,
podemos observar os pontos identificados como os óbitos por cólera.
Figura 7 - Mapa de Londres com óbitos, por cólera, identificados por pontos e poços de
água representados por cruzes
Fonte: Câmara (2003)
Tipos de dados em análise espacial
De acordo com Câmara (2003), os problemas de análise espacial
utilizam dados ambientais e socioeconômicos. Em ambos os casos,
a análise espacial é composta por um conjunto de procedimentos,
encadeados cuja finalidade é a escolha de um modelo inferencial que
considere explicitamente os relacionamentos espaciais presentes no
fenômeno.
Em geral, o processo de modelagem é precedido de uma fase de
análise exploratória, associada à apresentação visual dos dados sob forma
de gráficos e mapas e a identificação de padrões de dependência espacial
no fenômeno em estudo (CÂMARA, 2003). Com isto temos os seguintes
tipos de dados, que a taxonomia mais utilizada na caracterização dos
problemas de análise espacial apresenta:
Cartografia e Geoprocessamento
36
• Eventos ou Padrões Pontuais - fenômenos expressos por
ocorrências identificadas como pontos localizados no espaço,
denominados processos pontuais. São exemplos: localização de
crimes, ocorrências de doenças e de espécies vegetais.
• Superfícies Contínuas - estimadas com base em um conjunto
de amostras de campo que podem estar regularmente ou
irregularmente distribuídas. Usualmente, esse tipo de dados
é resultante de levantamento de recursos naturais e inclui
mapas geológicos, topográficos, ecológicos, fitogeográficos e
pedológicos.
• Áreas com Contagens e Taxas Agregadas - tratam-se de dados
associados a levantamentos populacionais, como censos e
estatísticas de saúde e que originalmente referem-se a indivíduos
localizados em pontos específicos do espaço. Por razões de
confidencialidade, esses dados são agregados em unidades
de análise, usualmente delimitadas por polígonos fechados
(setores censitários, zonas de endereçamento postal, municípios)
(CÂMARA, 2003, p. 2).
Veja que com os pontos exibidos no mapa, sua localização espacial
permite o estudo do evento, e com isso, Câmara (2003), voltando ao
exemplo do cólera em Londres, apresenta que:
O objetivo é estudar a distribuição espacial desses pontos,
testando hipóteses sobre o padrão observado: se é
aleatório ou, ao contrário, se contém aglomerados ou está
regularmente distribuído. É também o caso dos estudos
visando a estimar o sob risco de doenças ao redor de
usinas nucleares (CÂMARA, 2003, p. 4).
SAIBA MAIS:
Caso queira se aprofundar no assunto, acesse o artigo
sobre modelagem de dados espaciais, de Eduardo
Camargo, clicando aqui.
Cartografia e Geoprocessamento
http://www.dpi.inpe.br/gilberto/tutoriais/gis_ambiente/5geoest.pdf
37
Em algumas análises, algum fator ambiental pode influenciar os
dados, mesmo que seja desconhecido na amostra, e para se defender desta
ocorrência é preciso estabelecer o relacionamento desta com características
do indivíduo. Neste sentido e conforme defende Câmara (2003):
Para a análise de superfícies, o objetivo é reconstruir a
superfície da qual se retirou e mediu as amostras. Como
exemplo, considere-se a distribuição de perfis e amostras
de solo para o estado de Santa Catarina e áreas próximas,
e o mapa de distribuição espacial da variável saturação por
bases (CÂMARA, 2003, p. 4).
Figura 8 - Distribuição de perfis e amostras de solo em Santa Catarina (esquerda) e
distribuição contínua estimada para a variável saturação por bases (direita)
Fonte: Câmara (2003).
Portanto, o modelo inferencial age como componente quantificador
da dependência espacial entre variáveis e utiliza os conceitos de
geoestatística e estacionariedade e o que importa é o comportamento
homogêneo da correlação espacial existente. Assim, conforme determina
Câmara (2003):
Como dados ambientais são resultantes de fenômenos
naturais de longa e média duração (como os processos
geológicos), a hipótese de estacionariedade é decorrente
da relativa estabilidade desses processos; na prática,
isto implica que a estacionariedade está presente num
grande número de situações. Deve ser observado que
a estacionariedade é uma hipótese de trabalho não
restritiva na abordagem de problemas não-estacionários.
Métodos como krigeagem universal, deriva externa,
krigeagem colocada, e krigeagem disjuntiva destinam-se
ao tratamento de fenômenos não estacionários (CÂMARA,
2003, p. 5).
Cartografia e Geoprocessamento
38
Podemos concluir aqui que existe uma ocorrência frequente
da definição das unidades de levantamento com o uso de critérios
mais operacionais ou políticos, o que remove qualquer garantia de
homogeneidade do evento nestas unidades.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que foi apresentado? Transformou
tudo em conhecimento? Então, só para termos certeza
de que você realmente entendeu o que lhe foi transmitido
neste capítulo, vamos resumir brevemente tudo o que
vimos. Você deve ter aprendido que com a análise espacial
podemos compreender os avanços promovidos com os
SIGs e assim compreendemos também a relevância dos
conceitos como o de dependência espacial que demonstra
muito bem a distribuição no espaço dos fatores que estão
sendo analisados e sua relação com as distâncias medidas.
Dentro dos SIGs, a análise espacial é aprimorada na forma
da autocorrelação espacial, um conceito estatístico que
analisa a relação entre variáveis aleatórias. Existem muitas
aplicações para o georreferenciamento, aplicado com a
análise espacial, principalmente em dados que podem
ser mensuráveis como análises da ocorrência de doenças
para o controle de epidemias, avaliação de estatísticas de
crimes de uma cidade, análise para zoneamento agrícola.
Cartografia e Geoprocessamento
39
Produção cartográfica, projeções e
sensoriamento remoto
OBJETIVO:
Ao final deste capítulo, você terá entendido os
fundamentos da Cartografia, levando em consideração
importantes pontos como a produção cartográfica e
as projeções que são muito utilizadas na criação de
mapas para estudos em que a representação plana
do planeta apresenta distorções. Em seguida, será
exposto sobre o sensoriamento remoto que consiste na
obtenção de informações diversas sobre localizações,
fenômenos, objetos com a utilização de sensores diversos.
Enfim, esta última competência está rica em conhecimento.
Então, vamos lá!
Fundamentos da Cartografia
Podemos conceituar o sensoriamento remoto como a obtenção de
informações de algo que está localizado na Terra, na superfície terrestre,
mas tal processo ocorre sem qualquer contato entre o sensor e o objeto.
Com esta perspectiva da varredura sem contato, podemosconceber que
o processo ocorre com o uso de sensores passivos, que usam radiação
eletromagnética de fonte natural, ou sensores ativos como os radares.
O resultado deste sensoriamento são imagens, geralmente,
captadas por sensores óticos como os que equipam os satélites em
órbita ao redor de nosso planeta azul. Estes satélites captam a energia
eletromagnética que o planeta reflete, gerando imagens usadas em
mapeamento, atualização da Cartografia, dados meteorológicos e até
pesquisa de impacto ambiental.
Portanto compreender a dinâmica do sensoriamento remoto
também ajuda compreender até mesmo alguns conceitos básicos da
Cartografia, por exemplo, o mapa, conceituado por Lisboa Filho (2000, p.
Cartografia e Geoprocessamento
40
5) como “uma representação, em escala e sobre uma superfície plana, de
uma seleção de características sobre ou em relação à superfície da terra.
Tradicionalmente, os mapas têm sido a principal fonte de dados para os
SIGs”.
ACESSE:
Assista ao vídeo sobre o trabalho do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (INPE) e o sensoriamento remoto
clicando aqui.
São diversos os usos de um mapa como para a exibição de dados,
incidência da violência em uma localidade e do armazenamento de
dados nele contidos. Estas informações contidas nos mapas passam a ser
armazenadas e ainda sim são recuperadas visualmente.
De acordo com Lisboa Filho (2000), a confecção de um mapa
demanda:
Entre outras coisas, a seleção das características a serem
incluídas no mapa, a classificação dessas características em
grupos, sua simplificação para representação, a ampliação
de certas características para melhor representá-las no
mapa, e a escolha de símbolos para representar as diferentes
classes de características (LISBOA FILHO, 2000, p. 5).
Como tipos de mapa podemos citar os topográficos, criados com
a necessidade de atender uma gigantesca gama de propósitos e os
mapas temáticos, com propósitos específicos, como o de representar a
vegetação de uma região.
Dizer que os mapas representam, em escala, um local, uma região
no planeta, significa que cada mapa apresenta uma versão em tamanho
menor, costumeiramente em duas dimensões daquele local para que seja,
ao mesmo tempo, possível de se compreender os detalhes necessários
do local representado e também que seja possível manusear o mapa.
Cartografia e Geoprocessamento
https://www.youtube.com/watch?v=NpFuRA7hXSo
41
SAIBA MAIS:
Caso queira se aprofundar no assunto, acesse o artigo
Escala dos mapas clicando aqui.
E lembre-se que para uma expedição a uma região de mata virgem,
saber utilizar a escala do mapa corretamente pode representar a diferença
entre uma expedição bem sucedida ou uma grande tragédia.
O mapa apresenta sua escala, na qual cada centímetro do que ali
está representado significa uma quantidade de metros ou quilômetros
no local real. Se o mapa apresenta a legenda que diz se tratar de uma
representação 1: 10.000 significa que para cada 1 cm no mapa corresponde
a 10.000 cm ou 100 metros de superfície da Terra. Assim, conforme
complementa Lisboa Filho (2000):
Uma escala de 1:10.000 (1cm no mapa corresponde a
100m) é suficiente para representar o traçado de ruas
em uma cidade. Porém, é insuficiente caso a aplicação
necessite manipular informações sobre lotes urbanos.
Por outro lado, numa escala de 1:250.000 (1cm no mapa
corresponde a 2,5 km), somente grandes fenômenos
geográficos podem ser representados, tais como tipos de
vegetação, limites municipais e rodovias (LISBOA FILHO,
2000, p. 5).
Com a dinâmica das escalas, os mapas fazem parte de um
sistema de coordenadas que compreendem o sistema de coordenadas
geográficas terrestres e o sistema de coordenadas planas, ou cartesianas,
que de acordo com Lisboa Filho (2000):
Nos sistemas de coordenadas geográficas, cada ponto
é definido através do par de coordenadas referente
à interseção de um meridiano com um paralelo. Os
meridianos são círculos da esfera terrestre que passam
pelos Polos Norte e Sul, enquanto os paralelos são círculos
da esfera terrestre cujos planos são perpendiculares ao
eixo dos Polos Norte-Sul (LISBOA FILHO, 2000, p. 5).
Cartografia e Geoprocessamento
https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/a-escala-dos-mapas.htm
42
A partir do meridiano de Greenwich, temos as medições de
longitude e com isso são traçadas linhas imaginárias. Tratamos este
meridiano como ponto zero e no qual temos que para o leste +180º, já
para oeste temos -180º. Nosso planeta também é dividido verticalmente
em dois hemisférios, usando o paralelo do Equador como ponto zero e
+90º culmina no polo norte e -90º no polo sul. Com o uso dos hemisférios
e meridianos, temos a estrutura plana de coordenadas, que para Lisboa
Filho (2000):
Os sistemas de coordenadas planas são baseados em
um par de eixos perpendiculares, onde a interseção dos
eixos representa a origem para a localização de qualquer
ponto sobre o plano. Nestes sistemas, as coordenadas
dos pontos são representadas por um par de valores (x,
y) representando a projeção do ponto sobre cada um dos
eixos. Normalmente, o eixo horizontal fica associado à
medida de longitude enquanto o eixo vertical fica associado
à medida de latitude, o que permite conversões entre
os sistemas de coordenadas, a partir de transformações
matemáticas (LISBOA FILHO, 2000, p. 5).
Uma peculiaridade dos mapas está no fato de que representam
um objeto celeste de superfície curva, nosso planeta, e para que tal
representação tenha o máximo de precisão e evite distorções, ao ser
representada em algo plano como o papel, usam-se de métodos
matemáticos nomeados de projeção cartográfica.
Produção cartográfica - projeções
O planeta terra tem uma superfície curva, mas para os casos
nos quais é preciso estudar tal superfície em maior detalhe, utilizamos
os mapas que são representações planas de nosso planeta. Mas como
estamos falando do uso de mapas para estudos e que a representação
plana do planeta apresenta distorções, é preciso que seja utilizado na
construção do mapa uma técnica matemática chamada projeção.
Portanto toda projeção apresenta deformações, pois algumas
características apresentadas no mapa precisam estar distorcidas para
que outras sejam exibidas corretamente. Entre as deformações temos
variações de distâncias, ângulos, áreas e sua localização costuma ser
Cartografia e Geoprocessamento
43
nas regiões polares, equatoriais ou meridianas e cabe ao cartógrafo
determinar o seu local adequado.
Lisboa Filho (2000) coloca que:
Existem diferentes tipos de projeções utilizadas na
confecção de mapas. Estas projeções atendem a objetivos
distintos, podendo preservar a área (projeção equivalente)
dos fenômenos representados, a forma dos fenômenos
(projeção conformal) ou mesmo a distância (projeção
equidistante) entre pontos no mapa [NCG 90]. Algumas
das projeções mais empregadas são: projeção cônica de
Lambert, projeção UTM (“Universal Transverse Mercator”)
e projeção plana. No Brasil existe um mapeamento
sistemático realizado pelo Serviço de Cartografia do
Exército, feito na projeção UTM, nas escalas de 1:250.000,
1:100.000 e 1:50.000 (LISBOA FILHO, 2000, p. 6).
Figura 9 – Exemplo de projeções
Fonte: Lisboa Filho (2000).
Sensoriamento remoto
Existem estudos e análises que não podem ser feitos com algo plano
como um mapa tradicional e com isso temos o sensoriamento remoto
que consiste na obtenção de informações diversas sobre localizações,
fenômenos, objetos com a utilização de sensores diversos, ou seja, sem
contato com o objeto de estudo. Lisboa Filho (2000) complementa com
sua conceituação afirmando que se trata do:
Processo de obtenção de dados através do sensoriamento
remoto utiliza sensores para se obter dados, de forma
remota, que podem ser analisados para gerar informações
sobre as áreas observadas [LIL 87]. Existem diversas
Cartografia eGeoprocessamento
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formas de captura de dados através de sensores remotos
como, por exemplo, através da distribuição de ondas
acústicas. Porém, no contexto de SIG, apenas as técnicas
empregadas pelos sensores de energia eletromagnética
são importantes. Estes sensores são operados a partir
de veículos aeroespaciais (exemplo: satélites em órbita
terrestre) (LISBOA FILHO, 2000, p. 6).
O funcionamento dos sensores, utilizados pelo sensoriamento
remoto depende de uma reação física, da capacidade dos objetos que
estão no solo terrestre de refletirem radiação eletromagnética. Via de
regra, este eletromagnetismo origina-se, naturalmente, de fontes como
o sol ou, artificialmente, como o que se origina de lâmpadas e é captado
pelos sensores.
SAIBA MAIS:
Caso queira se aprofundar no assunto, acesse o artigo
sobre radiação, luz, cor e comprimento de onda e como
são utilizados no sensoriamento remoto clicando aqui.
Os sensores podem ser classificados como passivos, como as
fotografias, cuja atuação é medir a energia eletromagnética do ambiente,
e os sensores ativos, como os radares que emitem sua energia e analisam
os resultados. Sobre os radares, Lisboa Filho (2000, p. 7) afirma que “emite
energia na região de micro-ondas do espectro eletromagnético e capta
a energia refletida pelos materiais que estão sobre a superfície terrestre.
Figura 10 - Espectro eletromagnético
Fonte: Lisboa Filho (2000).
Cartografia e Geoprocessamento
http://www3.inpe.br/unidades/cep/atividadescep/educasere/apostila.htm
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Cabe à estrutura de sensores, portanto, compreender as
características eletromagnéticas do que está mapeando e com isso
oferecer ao final resultados mais precisos, pois cada objeto tem
características únicas que podem influenciar no sensoriamento. Neste
sentido, Lisboa Filho (2000) diz:
Os materiais apresentam comportamentos distintos
ao longo do espectro eletromagnético para diferentes
atributos (ex.: emissividade, reflectância, absortância,
transmissividade, luminescência etc). Desta forma,
sensores operando em diferentes intervalos espectrais
(sensores multi-espectrais) são capazes de discriminar
determinados objetos ou fenômenos sobre/sob a
superfície terrestre (LISBOA FILHO, 2000, p. 7).
Uma deficiência do sensoriamento remoto está no fato de que existe
uma grande amplitude no espectro eletromagnético e no qual o sensor
não é capaz de medir em sua totalidade. Assim, comprimentos de onda,
como verdes e vermelhos, acabam sendo ideais para as medições de
sensoriamento remoto. (LISBOA FILHO 2000). As principais propriedades
dos sensores eletromagnéticos são:
• Resolução espectral - número de bandas do espectro eletromag-
nético que são captadas pelo sensor.
• Resolução espacial - área da superfície terrestre observada pelo
sensor.
• Resolução temporal - intervalo de tempo entre duas tomadas de
imagens (LISBOA FILHO, 2000, p. 7).
Complementando o funcionamento dos sensores nos sistemas
SIG, temos os softwares de sistemas de processamento de imagens que
atuam nas imagens obtidas pelos sensores remotos.
Cartografia e Geoprocessamento
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RESUMINDO:
Que tal? Gostou deste conteúdo? Conseguiu transformar o
que apresentamos em conhecimento? Agora, para garantir
que você compreendeu bem o tema de estudo deste
capítulo, vamos a um breve resumo do que vimos. Você
deve ter aprendido que o sensoriamento remoto contribui
para o georreferenciamento ao promover varreduras do
que estiver localizado na superfície da Terra e sua aplicação
é extremamente vasta. Podemos exemplificar os estudos
da temperatura atmosférica, das precipitações, estudos
topográficos, uso do solo e os tipos de vegetação. Outro
ponto de grande importância que tratamos são as formas
de projeção e escala, pois diz respeito a melhor forma de
se utilizar estes mapas, que afinal, também são frutos do
sensoriamento remoto. Portanto, compreender as escalas,
distorções e correções é de suma importância para a
correta leitura do mapa e correta condução do estudo que
ele permite.
Cartografia e Geoprocessamento
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Conceituando as bases históricas do Georreferenciamento de Dados
Conceituando o georreferenciamento de dados
O que é georreferenciamento de dados
O georreferenciamento no Brasil
Aspectos do georreferenciamento de dados
Conceito de SIG
Estrutura de dados em um SIG
Consulta ao banco de dados
Componentes de um SIG
Conceitos e tipos de análise espacial
Análise especial em um ambiente SIG
Questões que a análise espacial pode estudar
Tipos de dados em análise espacial
Produção cartográfica, projeções e sensoriamento remoto
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