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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO 
LABORATÓRIO DE MATERIAIS AVANÇADOS 
ENGENHARIA METALÚRGICA - ÊNFASE EM MATERIAIS 
 
 
 
 
 
 
LUIZA DE OLIVEIRA CARVALHO 
 
 
 
 
 
 
A INDÚSTRIA DA ECONOMIA CIRCULAR E SEU IMPACTO FRENTE A 
DIFERENTES TIPOS DE MATERIAIS 
CAMPOS DOS GOYTACAZES - RJ 
 FEVEREIRO - 2023 
 
 
 
LUIZA DE OLIVEIRA CARVALHO 
 
 
 
 
 
A INDÚSTRIA DA ECONOMIA CIRCULAR E SEU IMPACTO FRENTE A 
DIFERENTES TIPOS DE MATERIAIS 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao 
Centro de Ciência e Tecnologia, da Universidade 
Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, como 
parte das exigências para a obtenção do título de 
Bacharel em Engenharia Metalúrgica e de 
Materiais. 
 
 
 
 
 
Orientador: Prof.º Dr. Ronaldo Pinheiros da Rocha Paranhos 
 
CAMPOS DOS GOYTACAZES – RJ 
 FEVEREIRO - 2023 
 
 
 
LUIZA DE OLIVEIRA CARVALHO 
 
 
 
A INDÚSTRIA DA ECONOMIA CIRCULAR E SEU IMPACTO FRENTE A 
DIFERENTES TIPOS DE MATERIAIS 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao 
Centro de Ciência e Tecnologia, da Universidade 
Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, como 
parte das exigências para a obtenção do título de 
Bacharel em Engenharia Metalúrgica e de 
Materiais. 
 
 
 
 
Campos dos Goytacazes, 15 de fevereiro de 2023 
BANCA EXAMINADORA 
__________________________________ 
Prof. Dr. Ronaldo Pinheiro da Rocha Paranhos 
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro 
__________________________________ 
Prof. Drª. Marcia Giardinieri de Azevedo 
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro 
__________________________________ 
DSc. Júlia Audrem Gomes de Oliveira. 
Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro 
 
 
 
 
Dedico este trabalho as mulheres da minha vida, 
minha avó materna Rita, minha mãe Vanusa e minha 
irmã Valentina que sempre estão comigo em corpo e 
alma. 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
Durante esses longos anos de graduação muitas foram as pessoas que me deram 
suporte e me ajudaram nessa jornada. Porém, primeiro agradeço à Deus por ter-me 
dado força e saúde durante todos os dias e noites nas quais precisei para aguentar 
tantos desafios. Portanto, peço a Ele que me dê sabedoria para honrar tudo que 
aprendi com ética e responsabilidade. 
 Aos meus familiares, agradeço à minha mãe Vanusa que sempre foi minha base 
e exemplo de vida, incentivando e apoiando os meus estudos em todos os momentos, 
principalmente nos de desânimo e cansaço mental. Também, em especial, ao meu 
pai Luiz Carlos, meus tios Erivelto, Eduardo e Silvano, as tias Juliana, Andréia, Príscila 
e Vanilda e aos primos Renata, Maildo Júnior e Oswaldo Neto que sempre estiveram 
junto a mim ajudando e dando forças quando mais precisei. Agradeço também, aos 
meus pequenos, minha irmã Valentina, prima Gabrielly e aos afilhados Hugo e Laura 
que eu possa ser exemplo na vida deles e ensiná-los como a educação abre portas 
para sermos seres humanos melhores. 
 Aos meus amigos, primeiro agradeço a minha amiga/irmã Nayara Sampaio que 
dividiu anos de vida ao meu lado e fez-se presente nos melhores e piores momentos. 
Meu muito obrigada também, pelos conselhos e amparos a Ana Caroline Assis, Ana 
Laura Lopes, Júlia Audrem, Maria Caroline Telles, Mariane Oliveira, Príscila Pinheiro, 
Rafael Rangel, Vinícius Rodrigues e Vívian Melo. Pois, sem vocês não teria chegado 
à metade de tudo que conquistei na trajetória da graduação. 
 Aos meus colegas de faculdade, Ana Luiza Vaz, Lilian Beatriz, Gustavo Gomes 
e Mariah Monteiro, minha gratidão por todas as histórias e por fazerem parte da minha 
formação. 
 As minhas companheiras, Gabrielle Siqueira, Nathalia Leal e Thuany Nogueira 
que me deram suporte quando precisei mudar para São Paulo, seguindo novos 
caminhos. 
 A UENF e a Fundação de Amparo e pesquisa do Estado do Rio de Janeiro -
FAPERJ pela oportunidade de realizar o curso e projetos de extensão universitária 
nas quais participei. 
 
 
 
 Ao corpo docente do Laboratório de Materiais Avançados - LAMAV e demais 
funcionários. 
 Ao meu mestre Dr. Ronaldo Paranhos que foi muito mais que um professor e 
orientador durante minha jornada e sim um amigo. Pela orientação diante desse 
trabalho e da graduação. Gostaria que soubesse que não deixarei passar nem um dia 
sem reconhecer que hoje eu não seria o mesmo ser humano e profissional se não 
fosse por você. 
 Por fim, agradeço ao Time Enactus UENF organização que me deu todo suporte 
para crescer e me desenvolver em todos os aspectos, meu grande obrigado a todos 
que passaram pelo time e fizeram parte da nossa história. 
 
 
 
 
"Sua tarefa é descobrir o seu trabalho e, então, com 
todo o coração, dedicar-se a ele." (Buda) 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 21 
CAPÍTULO 1: ECONOMIA CIRCULAR .............................................................................. 23 
1.1 A ORIGEM DA ECONOMIA CIRCULAR ....................................................................... 23 
1.2 SUSTENTABILIDADE E A ECONOMIA CIRCULAR ..................................................... 24 
1.2.1 TRIPÉ DA SUSTENTABILIDADE ......................................................................................... 25 
1.2.1.1 PILAR ECONÔMICO ...................................................................................................... 26 
1.2.1.2 PILAR AMBIENTAL ....................................................................................................... 26 
1.2.1.3 PILAR SOCIAL ............................................................................................................. 26 
1.2.2 ESG'S .......................................................................................................................... 26 
1.2.3 POLÍTICA DOS 3R'S ....................................................................................................... 27 
1.3 OS CICLOS E PRINCÍPIOS DA ECONOMIA CIRCULAR ............................................ 28 
1.3.1 CICLOS TÉCNICOS ......................................................................................................... 28 
1.3.2 CICLOS BIOLÓGICOS ...................................................................................................... 29 
1.3.4 PRIMEIRO PRINCÍPIO ...................................................................................................... 29 
1.3.5 SEGUNDO PRINCÍPIO ...................................................................................................... 29 
1.3.6 TERCEIRO PRINCÍPIO ...................................................................................................... 30 
1.4 ETAPAS DA ECONOMIA CIRCULAR ........................................................................... 30 
1.4.1 A RECICLAGEM ............................................................................................................. 31 
1.4.1.1 PROCESSOS DE RECICLAGEM E TIPOS DE RESÍDUOS ..................................................... 31 
1.4.1.1.1 RESÍDUOS COMUNS ................................................................................................. 31 
1.4.1.1.2 RESÍDUOS RECICLÁVEIS ........................................................................................... 32 
1.4.1.1.3 RESÍDUOS ESPECIAIS ............................................................................................... 32 
1.4.2 O DESIGN ...................................................................................................................... 32 
1.4.2.1 RESÍDUOS COMO NUTRIENTES ..................................................................................... 33 
1.4.2.2 USO DAS FONTES RENOVÁVEIS ....................................................................................como algo vantajoso e negócios de desenvolvimentos, não somente ao meio 
ambiente, mas também financeiramente, é uma solução para os desafios econômicos 
da reciclagem no país. 
Por meio da adoção de planos de desenvolvimentos e criação de mais negócios 
como os que serão apresentados nesse trabalho, permite maiores oportunidades 
estratégicas ao mercado brasileiro, tais como a volatilidade no preço das matérias-
primas e limitação dos riscos de fornecimento, efetividade na competitividade 
da economia e a contribuição para a conservação do capital natural e atividades 
sustentáveis que geram ganhos de valor para a empresa. 
Além disso, aliado a tecnologias, o modelo circular permite controlar os 
estoques finitos e equilibrar os recursos renováveis das empresas, propiciando 
sistemas industriais integrados, restaurativos e regenerativos. 
Em pesquisa a partir de 2019, somente no Brasil, 76% das empresas já 
desenvolvem alguma iniciativa de economia circular. Práticas como reuso de água, 
reciclagem de materiais e logística reversa são as principais implementações no país. 
37 
 
 
A mesma pesquisa revela que mais de 88% dos empresários avaliam a 
economia circular como muito importante para a indústria brasileira, conforme o 
presidente da Confederação Nacional da Industria, CNI, Robson Braga de Andrade 
esse é somente o começo da circularidade no mercado. 
É o início para a inserção do Brasil na economia de baixo carbono, para isso, 
é imprescindível a ação articulada entre iniciativa privada, governo, academia 
e sociedade no sentido de criar novas formas de produzir e consumir. 
(BRAGA, 2019) 
O sucesso de tal que tal modelo se efetivar cada vez mais nos próximos anos, 
depende de engajar a sociedade e entender que a economia circular pode avançar 
em três etapas: 
a. O engajamento econômico; 
b. A normatização em leis; 
c. A consciência ambiental da sociedade. 
As empresas devem liderar este movimento devido ao potencial de ganho 
econômico a longo prazo e os Estados nacionais realizar acordos internacionais, além 
disso, o consumidor precisa se conscientizar dentro desse processo. 
Conforme as recomendações dos estudiosos, conclui-se que a implementação 
em conjunto de estratégias fundamentais, fortalecerá os aspectos da economia 
circular. Essas estratégias são: 
1.5.1 Reforçar políticas 
Reforçar as políticas de energia renovável, design ecológico e comércio de 
emissões. 
1.5.2 Estabelecer metas 
Estabelecer metas específicas de eficiência de recursos para materiais. 
 
1.5.3 Centralizar a reciclagem e reutilização 
Reforçar as metas de reciclagem e reutilização para ajudar a reduzir e 
processar resíduos e resíduos e colocar limites à incineração de resíduos. 
 
 
38 
 
 
1.5.4 Envolver o setor público 
Utilizar os contratos públicos como incentivo para novos modelos de negócios. 
1.5.5 Rever os tributos 
Repensar a tributação reduzindo os impostos sobre o trabalho e sobre materiais 
reciclados, aumentar os impostos sobre o consumo de recursos não renováveis. 
1.5.6 Investir 
Investir em tecnologias, conhecimento, mercado consumidor relevante, mão de 
obra capacitada, lançando programas de investimentos em economia circular em 
níveis nacionais e internacionais. 
 
No geral o modelo econômico circular integra níveis diferenciados de atuação, 
tanto no que tange a concepção dos produtos, como em seus processos e sistemas. 
Proporciona ao mercado a execução de um modelo restaurativo e regenerativo por 
princípio. 
Entende-se que nossa economia atualmente está limitada a um sistema no qual 
tudo, da economia produtiva e dos contratos até a regulação e o comportamento das 
pessoas, favorece o modelo linear de produção e consumo. Contudo, essas condições 
estão enfraquecendo diante da pressão de diversas tendências disruptivas que vêm 
se mostrando fortes. 
Ressalta-se que os objetivos desse novo modelo têm um efeito positivo nos 
diferentes ecossistemas do planeta, podendo combater a exploração excessiva dos 
recursos naturais, possibilitando reduzir o consumo acelerado das matérias primas, e 
as emissões de gases do efeito estufa (OLIVEIRA, 2019). 
Existem riscos a serem considerados em uma transição sistêmica de modelos, 
conforme abordadas. Visto que setores que já estão estabelecidos precisarão adaptar 
seus modelos de negócio, o que pode surtir efeitos redistributivos na economia. Além 
de ser crucial equilibrar os efeitos das mudanças que a introdução da economia 
circular poderá produzir para consumidores, empresas e países (FUNDAÇÃO ELLEN 
MACARTHUR, 2015). 
39 
 
 
A EC na prática há de precisar de uma mudança profunda nas estruturas 
básicas dos sistemas industriais. Em termos energéticos, redesenhar a indústria e 
sociedade no mesmo nível desse sistema, o que significa adquirir uma melhoria de 
eficiência econômica e energética (FUNDAÇÃO ELLEN MACARTHUR, 2015). 
O objetivo final é proporcionar maior escalabilidade ao espaço que a 
circularidade começou a ganha e superar o antigo modelo. 
40 
 
 
CAPÍTULO 2: MINERAÇÃO URBANA 
2.1 INTRODUÇÃO 
Com a constante exploração dos recursos naturais, nas últimas décadas, 
debates, políticas e estratégias que priorizem a gestão e proteção de tais riquezas, 
tornaram-se cada vez mais essenciais para uma construção harmônica de cidades 
sustentáveis, tanto em escala internacional quanto nacional. Isso significa que 
atualmente a sociedade está começando a recuperar os atrasos referentes a gestão 
dos resíduos e recursos. Porém, muito antes do século XXI já era possível observar a 
preocupação com a conservação, bem como o papel dos sistemas políticos frente aos 
recursos esgotáveis e renováveis, conforme apresentado em publicação da revista do 
serviço público de 1957 (DE BARROS, 1957, p. 41). 
Para uma gestão adequada dos resíduos sólidos e criação de centros urbanos 
sustentáveis é inadiável a mudança do modelo de mineração, uma vez que 
historicamente muitas cidades tiveram seu crescimento econômico através desse 
ramo da ciência, tecnologia e indústria. (AGUIA, 2016). 
O crescimento econômico a partir da mineração pode contribuir de forma 
eficaz para o desenvolvimento das regiões em que atuam, mas para isso, é 
necessário que se introduza uma nova lógica de coordenação, a fim de 
enfrentar os desafios a curto, médio e longo prazo (SALLES, 2016). 
2.1.1 Mineração tradicional 
Definindo de forma simples, a mineração tradicional consiste no processo de 
extração da substância mineral1 ,a partir da lavra de uma jazida mineral, o tratamento 
e beneficiamento dos minérios. Os minérios caracterizam-se como toda rocha 
constituída de um mineral ou agregado de minerais contendo um ou mais minerais 
valiosos, os minerais-minérios, que podem ser aproveitados economicamente (DA 
LUZ; SAMPAIO; FRANÇA, 2010). 
A figura 7 a seguir representa o processo típico de como ocorre a mineração 
tradicional. 
 
1Mineral consiste em todo corpo inorgânico composição química e de propriedades físicas definidas, 
encontrado na crosta terrestre. 
41 
 
 
 
Figura 7 Processo da mineração tradicional. 
 Fonte: Adaptado de Da Luz, Sampaio e França (2010). 
 
2.1.2 Mineração urbana 
Denomina-se como a mineração urbana o processo de transformação de 
produtos pós-consumo em matéria-prima secundária, com o objetivo principal de 
recuperar os materiais existentes presentes nas minas urbanas, evitando assim a 
necessidade da extração de recursos naturais. 
Para que a mineração urbana ocorra de maneira eficaz uma série de políticas 
estabelecidas são necessárias. Essas políticas estão descritas na figura 8 que 
representa como o processo de mineração urbana estabelece uma abordagem 
inclusiva, desde a mineração de aterros, mineração urbana, reciclagem de materiais, 
recuperação de resíduos, minimização e economia circular. 
42 
 
 
 
Figura 8 Políticas necessárias para a mineração urbana. 
Fonte: Adaptado deOliveira (2019). 
2.1.2.1 Mineração de aterros 
A política de mineração de aterros é a primeira a ser respeitada e desenvolvida 
no processo de mineração urbana. A mesma representa um conjunto de atividades 
envolvidas na extração e gestão de resíduos, previamente estocados em depósitos 
particulares e públicos que permitem a manutenção do bem-estar e do padrão de 
qualidade de vida da população, como por exemplo: aterros municipais e rejeitos 
(BAPTISTI; DE JORGE; SOARES, 2004). 
2.1.2.2 Mineração urbana 
A segunda política a ser seguida é da mineração urbana que estende a 
mineração de aterros, ao processo de recuperação de compostos e substâncias de 
qualquer tipo de atividades. Sejam em materiais de edifícios, infraestruturas, indústrias 
e produtos. Essas atividades são as causados pela ação do homem em contraposição 
atividades naturais no planeta (GREEN ELETRON, 2019). 
 
 
 
43 
 
 
2.1.2.3 Reciclagem de materiais 
A terceira política refere-se a reciclagem dos materiais, após o processo de 
mineração. Nesta etapa ocorre as transformações dos estados físicos, químicos ou 
biológicos dos resíduos sólidos que seriam descartados, e agora podem ser 
reutilizados como matéria-prima secundária ou produto. São exemplos de resíduos 
comumente considerados dentro das estratégias de reciclagem de materiais: as 
embalagens de plásticos, papeis, latas e vidros, esgotos, óleos usados, pneus de 
sucata entre outros (ECYCLE, 2022). 
2.1.2.4 Recuperação de recursos 
A quarta política inclui a recuperação dos recursos gerados pelo tratamento e 
gerenciamento dos resíduos, tal como a reciclagem de materiais. A política está 
alinhada aos negócios que estimulam a transição do sistema linear de produção para 
um modelo circular e incorpora valor aos negócios através da extensão do uso e 
redução da carga de impactos gerados ao meio ambiente e à sociedade (KUZMA et 
al., 2022). 
2.1.2.5 Minimização do descarte 
Partindo da recuperação dos resíduos, por meio de estratégias que visam 
prevenir desperdícios de matéria primas introduz-se a quinta política. Em carácter 
produtivo, o foco dessas estratégias está na redução da toxidade dos resíduos e 
otimização do uso de recursos e energia. No consumo o foco está na responsabilidade 
do consumidor e educação ambiental (OLIVEIRA, 2019). 
2.1.2.6 Economia circular 
A sexta e última política para o processo da mineração urbana ocorrer, diz 
respeito ao conceito da economia circular, apresentado no capítulo anterior. A 
abordagem dessa política consiste em manter os produtos em uso por maior tempo 
possível, reutilizando e minimizando a geração dos resíduos. Além disso, por meio da 
utilização de matéria-prima secundária possibilita o crescimento e geração de novos 
empregos e oportunidades para a sociedade (OLIVEIRA, 2019). 
 
44 
 
 
 
 
2.2 MINAS URBANAS PELO MUNDO 
As minas urbanas, compostas de materiais secundários, são denominadas 
como os locais nos quais estão estocados metais diversificados que podem estar 
contidos em edifícios, aterros e até domicílios, em forma de depósitos antrópicos, ou 
seja, uma alta proporção de materiais produzidos pelo homem. 
Mesmo com as crescentes pesquisas e avanços da mineração urbana, o setor 
ainda tem muito a ser explorado pelo mundo. Devido aos diferentes depósitos e 
disponibilidade de metais distribuídos por nossos continentes, as minas urbanas se 
modificam de tempo em tempo e apresentam diferentes características de país para 
país (DEUTSCHE WELLE, 2018). 
O valor do investimento nesse setor corresponde a medidas tão favoráveis que 
a Alemanha encerrou no ano de 2018 suas atividades nas minas de carvão, em 
decorrência do custo elevado de preservação e impacto ambiental. Segundo um 
estudo desse mesmo período realizado pela Agência Alemã de Meio Ambiente (UBA), 
caso toda a infraestrutura industrial, todos os edifícios e resíduos fossem 
considerados montantes de materiais valiosos, representariam um total de 338 
toneladas em sua totalidade. O valor dos metais espalhados pelas cidades da 
Alemanha estava estimado em 650 bilhões de euros (DEUTSCHE WELLE, 2018). 
 O Gráfico 1 mostra uma projeção de quanto o país acumulou de estoque por 
tipos de materiais em 2018 e 2022, considerando crescimento anual por pessoa em 
média 10 toneladas, e o crescimento da população de 82,91 milhões em 2018 para 
84,00 milhões em 2022. 
45 
 
 
 
 Gráfico 1 Comparativo de depósito de materiais Alemanha. 
 Fonte: Adaptado de Deutsche Welle (2018). 
 
A Alemanha possui um dos setores mundialmente mais importantes de 
reciclagem e de tecnologia ambiental. E a cota de reaproveitamento de matérias 
plásticas, metais e minerais de construção já atingiu um nível elevado. 
Ações como essa somente reforçam as oportunidades e benefícios na 
exploração dessas minas. Visto que países com um vasto depósito de materiais 
secundário como Alemanha, Japão, Áustria e Suíça, que foram pioneiros do 
desenvolvimento da mineração urbana, utilizam do processo para reduzir suas 
dependências à importação, por exemplo (DEUTSCHE WELLE, 2018). 
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A mineração urbana é fundamental, para a sustentabilidade ambiental, por 
preservar as reservas naturais e reduzir as consequências negativas da destinação 
inadequada de resíduos e para a diminuição da pobreza. Ao mesmo tempo que 
minimiza significativamente os impactos causados pela mineração tradicional, traz 
benefícios, como geração de renda e empregos formais. Cabe considerar ainda as 
oportunidades, em termos de transdisciplinar da mineração urbana, em que cabem 
estudos sobre saúde humana, gestão de pessoas, gestão ambiental, contaminação 
ambiental, economia, geopolítica, segurança do trabalho, engenharia, entre outros. 
 
46 
 
 
CAPÍTULO 3: GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS 
3.1 INTRODUÇÃO 
A temática de gestão de resíduos ocupa um setor essencial em diversas 
organizações, independentemente do porte, seja em startups, cooperativas ou 
indústrias, a utilização e o descarte de recursos dos produtos e materiais são pontos 
críticos para que exista, verdadeiramente, um passo rumo à sustentabilidade dos 
processos por meio de ações coerentes. 
Conceitualmente o gerenciamento de resíduos pode ser entendido como uma 
série de ações que envolvem as etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento, 
destinação e disposição final de empresas e residências, afim que essas ações sejam 
menos impactantes para o meio ambiente (VIEIRA, 2021). 
A constante preocupação com a preservação ambiental e destino adequado 
dos resíduos gerados pelo homem, tem sido cada vez mais o foco em debates e 
conferências globais, como exemplo a 27ª Conferência das Partes (COP 27) ocorrida 
em novembro de 2022. (FOLHA DE VITÓRIA, 2022). 
Realizada anualmente por representantes de vários países a COP têm como 
objetivo debater as mudanças climáticas, encontrar soluções para os problemas 
ambientais que afetam o planeta e negociar acordos. Pela primeira vez na história da 
COP, a gestão de resíduos sólidos foi encarada como uma oportunidade significativa 
para contribuir com os esforços de mitigação e adaptação às mudanças climáticas em 
nível global. A constatação está registrada no relatório Global Waste Initiative, que 
tem como objetivo reciclar 50% de todo o resíduo sólido produzido no mundo até 2050, 
começando por países africanos, visto que as comunidades africanas são líderes em 
projetos de desperdício zero (FOLHA DE VITÓRIA, 2022). 
A figura 9 representa o cartaz da fashionomics uma competição que ocorrerá 
no ano de 2023 com objetivo de incentivar projetos e iniciativas de moda sustentável. 
47 
 
 
 
 Figura 9 Cartaz de divulgação da competição Fashionomics 2023. 
 Fonte: Ellen Macarthur Foundation (2023). 
3.2 CLASSIFICAÇÃO 
A classificação de resíduos inclui a identificação do processo ou atividadeque 
levou à sua formação e seus componentes e características, listando resíduos e 
substâncias que afetam a saúde e meio ambiente, conforme citado na NBR 10004/04 
da ABNT que dispõe sobre a classificação dos resíduos quanto aos seus riscos 
potenciais ao meio ambiente e natureza dos mesmos (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA 
DE NORMAS TÉCNICAS NBR 10004, 2004). 
3.2.1 Classificação quanto aos riscos 
3.2.1.1. Classe I: Perigosos 
São resíduos inflamáveis, corrosivos, reativos ou tóxicos. 
Alguns exemplos são observados na tabela 1. 
 
Tabela 1 Exemplos de resíduos perigosos. 
Fonte 
geradora 
Código de 
identificação 
Resíduo perigoso Constituintes 
perigosos 
Periculosidade 
Fabricação 
de tintas 
K078 Limpeza com 
solventes 
empregadas em 
Cromo, chumbo, 
solvente 
Inflamável 
48 
 
 
processos de 
produção de tintas. 
Ferro e aço K062 Banho de 
decapagem exaurido 
proveniente das 
operações de 
acabamento do aço. 
Cromo hexavalente, 
chumbo 
Corrosivo 
Explosivos K045 Carvão usado 
proveniente do 
tratamento de 
efluentes líquidos que 
contenham explosivos 
Não aplicável Reativo 
Preservação 
de madeira 
K001 Lodos provenientes 
do fundo de tanques 
de tratamento de 
efluentes líquidos 
originados nos 
processos de 
preservação de 
madeira que utilizam 
creosoto 
e/ou pentaclorofenol 
Triclorofenóis, 
tetraclorofenóis, 
pentaclorofenol, fenol, 
2- clorofenol, p-cloro-
m-cresol, 2,4-
dimetilfenol, 2,4- 
dinitrofenol, creosoto, 
criseno, naftaleno, 
fluoranteno, 
benzo(b)fluoranteno, 
benzo(a)pireno, 
indeno(1,2,3- 
c,d)pireno, 
benzo(a)antraceno, 
dibenzo(a)antraceno, 
acenaftaleno 
Tóxico 
Fonte: O autor (2023) Associação brasileira de normas técnicas NBR 10004 (2004). 
3.2.1.2 Classe II: Não perigosos 
Os resíduos de classe II não perigosos podem ser divididos em tipo A não 
inertes e tipo B inertes. Alguns exemplos são apresentados na tabela 2. 
49 
 
 
 
 
Tabela 2 Tipos de resíduos e classificação. 
 Tipo de resíduos Classificação 
 Resto de alimento Não inerte 
 Resto de madeira Não inerte 
 Materiais têxtil Não inerte 
 Fibra de vidro Não inerte 
 Sucata de ferro e aço Inerte 
 Areia Inerte 
 Pedras Inerte 
 Entulho de demolição 
 
Inerte 
Fonte: O autor (2023) Terra Ambiental (2021). 
3.2.1.2.1 Não-inertes 
São resíduos tipo A ainda que apresente baixa periculosidade ainda oferecem 
capacidade de reação química, pois apresentam combustibilidade, 
biodegradabilidade ou solubilidade (TERRA AMBIENTAL, 2021). 
3.2.1.2.2 Inertes 
Os resíduos do tipo B são quaisquer que submetidos a um contato dinâmico e 
estático com água destilada ou desionizada, à 25ºC, não terão nenhum de seus 
constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade 
de água, seja por cor, turbidez, dureza e sabor (TERRA AMBIENTAL, 2021). 
3.2.2 Classificação quanto a natureza 
A classificação dos resíduos quanto sua origem, ou seja, natureza pode ser 
subdivididos em sete diferentes tipos. 
 Nas figuras a seguir são mostrados exemplos dos diferentes tipos de resíduos. 
50 
 
 
 
 Figura 10 Exemplos de resíduos residenciais e comerciais. 
 Fonte: Adaptado de Cleanipedia (2022). 
 
 Figura 11 Exemplos de resíduos público e resíduos domiciliar especial. 
 Fonte: Mercado bom sucesso (2022). 
 
Figura 12 Exemplos de resíduos de fontes especiais e agrícolas. 
Fonte: Bio resíduos (2022). 
51 
 
 
 
 
Figura 13 Exemplos de resíduos de serviços hospitalares. 
Fonte: On Med (2022). 
3.2.2.1 Doméstico ou Residencial 
São resíduos gerados nas casas, apartamentos e condomínios. 
3.2.2.2 Comercial 
São resíduos gerados em estabelecimentos comerciais. 
3.2.2.3 Público 
São resíduos presentes em logradouros públicos como: folhas, poeira, terra, 
galhos, entre outros. 
3.2.2.4 Domiciliar especial 
Entulho de obras, pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes e pneus. 
3.2.2.5 Fontes especiais 
Resíduos com origem industrial, radioativa, de portos, aeroportos e terminais 
rodoferroviários. 
3.2.2.6 Agrícolas 
Resíduos gerados a partir de restos de embalagens impregnados com 
pesticidas e fertilizantes químicos. 
52 
 
 
3.2.2.7 Serviços de saúde 
Todos os resíduos gerados nas instituições que lidam com a saúde da 
população como: farmácias, hospitais, clínicas, laboratórios etc. 
3.3 A GESTÃO DE RESÍDUOS E INDÚSTRIA 4.0 
O setor da gestão de resíduo faz parte da indústria 4.0, indústria que engloba 
um amplo sistema de tecnologias avançadas, como inteligência artificial, robótica, 
internet das coisas e computação que estão modificando as formas de produção, 
gestão e os modelos de negócios no Brasil e no mundo. Percebe-se que a cada 
década os avanços tecnológicos estão mudando a indústria de resíduos. 
Para que tal mudança ocorra a gestão de resíduos necessita passar por 
diferentes estágios, indicados na figura 14. 
 
Figura 14 Rota da gestão de resíduos segundo a Indústria 4.0. 
Fonte: Associação Internacional de Resíduos Sólidos ISWA (2022). 
 
 
 
 
 
53 
 
 
3.4 GESTÃO DE RESÍDUOS NO BRASIL 
No Brasil, a gestão de resíduos sólidos divide-se entre o poder público, as 
empresas e a população, onde cada gerador deve se responsabilizar pelo resíduo que 
produz, seja em casa ou nas instituições. 
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 
compõem o Brasil, 68,4% municípios de pequeno porte de até 20 mil habitantes, no 
qual concentram 15,4% da população do país. Contudo, aproximadamente 57% da 
população brasileira vive em apenas 5,7% dos municípios, ou seja, nos 317 
municípios, que são os com mais de 100 mil habitantes. Se for feito um corte para 
municípios com mais de 500 mil habitantes, chega-se a apenas 46 municípios onde 
se concentram 31,2% da população brasileira (SILVA; CAPANEMA, 2019). 
Importante entender tais dados, porquê o tamanho da cidade e quantidade a 
de resíduo gerado têm impacto determinante sobre o financiamento do tratamento do 
resíduo, o que impacta diretamente na forma como os gestores irão gerir 
adequadamente seus resíduos. O aterro sanitário, por exemplo, só tem viabilidade 
econômica para municípios com população acima de 200 mil habitantes 
(SILVA; CAPANEMA, 2019, p. 188). 
Apesar das dificuldades em políticas adequadas e incentivos, nos últimos anos 
o Brasil demonstra grandes avanços e oportunidades para criação de 
empreendimentos com foco na minimização dos resíduos no país. Um levantamento 
feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos 
Especiais (ABRAPEL), traz um panorama dos resíduos sólidos no Brasil 2022, 
considerando o cenário de retomada das atividades pós pandemia do COVID-19, 
indicando que o país está em curso de novas dinâmicas sociais (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS, 
2022). 
O panorama trouxe alguns dados, conforme figura 15 e figura 16, sobre a 
gestão de resíduos no país, uma comparação com anos anteriores e as perspectivas 
para o futuro. Informou que o Brasil durante o ano de 2022, tendo alcançou 81,8 
milhões de toneladas, o que corresponde a 224 mil toneladas diárias, sendo assim, 
cada brasileiro produziu, em média, 1,043 kg de resíduos por dia. 
54 
 
 
 
Figura 15 Resíduos gerados pelos brasileiros em 2022. 
 Fonte: Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (2022). 
 
 
 Figura 16 Comparativo de resíduos 2021 vs 2022. 
 Fonte: Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (2022). 
 A partir dos dados registrados em 2022, conforme observa-se que o montante 
de resíduos gerados no país apresentou uma curva regressiva em relação a 2021. As 
possíveis razões podem estar relacionadas às novas dinâmicas sociais, com a 
retomada da geração de resíduos nas empresas, escolas e escritórios, com a menor 
utilização dos serviços de delivery em comparaçãoao período de maior isolamento 
social e por conta da variação no poder de compra de parte da 
população (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E 
RESÍDUOS ESPECIAIS, 2022). 
Os hábitos modificados pela pandemia tiveram influência direta nos processos 
de consumo, descarte e geração de resíduos do brasileiro. Portanto foi necessário o 
55 
 
 
controle do setor público e privado, visto que foi preciso manejo adequado do volume 
crescente de material gerado, o que destacou a urgência de novos investimentos que 
façam frente a essa demanda. 
Portanto, uma alternativa a ser estimulada para a gestão de resíduos sólidos é 
a concessão dos serviços de manejo a prestadores privados. As concessões e 
parcerias público-privadas (PPP) são apontadas como a alternativa para 
modernização da gestão pública de resíduos, dando protagonismo em questões 
públicas à iniciativa privada, como por exemplo, em situações nas quais o poder 
público não tem condições técnicas e financeiras de realizá-las. Nesse modelo, cria-
se oportunidade para estimular o mercado privado para atuar mais no setor, 
alavancando investimentos com a regulação do poder público. 
56 
 
 
CAPÍTULO 4: DIPOSIÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS 
4.1 INTRODUÇÃO 
Conforme foi abordado no capítulo anterior, o estágio final da gestão de 
resíduos é sua destinação. Após ser tratado os resíduos devem ter uma destinação 
final adequada (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 10004, 
2004). 
Os diferentes processos de destinação de resíduos, como: a coleta seletiva, 
lixão ou vazadouro, aterros sanitários, usinas de compostagem, incineração e 
metanização. Nos tópicos a seguir serão abordados os conceitos, as etapas dos 
processos e a relevância de cada. 
4.2 COLETA SELETIVA 
A coleta seletiva é o método de recolha dos resíduos orgânicos, inorgânicos, 
secos, úmidos, recicláveis e não recicláveis, após classificação, conforme sua origem, 
que são depositados em contentores indicados pela lista padronizada de códigos das 
cores, baseadas na resolução nº 295/2001 do Conselho Nacional de Meio Ambiente 
(CONAMA) (VGR, 2020). 
Segundo as informações mais recentes e de acordo com padrões 
internacionalmente aceitos, as cores são: 
a. Amarelo - Metal; 
b. Azul - Papel/papelão; 
c. Branco - Resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde; 
d. Cinza - Resíduos não recicláveis ou não passíveis de separação; 
e. Laranja - Resíduos perigosos ou contaminados; 
f. Marrom - Resíduos orgânicos; 
g. Preto - Madeira; 
h. Roxo - Resíduos radioativos; 
i. Verde - Vidro; 
j. Vermelho - Plástico/isopor; 
 
57 
 
 
Após serem destinados corretamente, esses materiais são beneficiados e 
vendidos na indústria de reciclagem, cooperativas ou aos sucateiros. 
 
Apesar de ser um processo simples, aplicar a coleta seletiva não é tarefa fácil 
de realizar, exige dedicação e empenho por parte dos envolvidos. Por isso é 
necessário a elaboração de um programa de coleta seletiva, conforme o sugerido pelo 
projeto de extensão, denominado Coleta Seletiva, da Universidade Estadual Paulista 
(UNESP) em parceria com o a Secretaria de Meio Ambiente do estado. O projeto 
elaborou e divulgou uma cartilha que aborda sobre como deve ser englobada as três 
etapas do programa de coleta seletiva; as etapas constituem o planejamento, a 
implementação e a manutenção (COELHO, 2013). 
4.2.1 Etapa de planejamento 
Essa etapa consiste em: 
a. Conhecer os indicadores dos resíduos gerados, como por exemplo: número 
de envolvidos no programa, quantidade diária de resíduos gerados e o 
percentual de cada tipo de resíduos; 
b. Entender as características do local, como por exemplo: locais para 
armazenagem, recursos existentes e o trajeto que o caminhão realiza, desde a 
geração até os pontos de coletas; 
c. Conhecer sobre o mercado dos recicláveis, as doações, cooperativas e 
vendas; 
d. Elaborar a parte operacional do projeto, priorizando pontos como: quem 
realizará a coleta, onde será estocado o material; para quem será doado e/ou 
vendido o material entre outras; 
e. Educar ambientalmente todos envolvidos na elaboração do programa. 
4.2.2 Etapa de Implementação 
Essa etapa consiste em: 
a. Controlar processos que contribuem para estratégias de sucesso do 
programa, como por exemplo: elaboração de folhetos informativos, compras 
necessárias e instalação de equipamentos; 
b. Realizar reuniões de alinhamento para a etapa de inauguração; 
58 
 
 
c. Inaugurar o programa para que as principais informações sobre a coleta 
seletiva sejam transmitidas. 
4.2.3 Etapa de Manutenção 
Essa etapa consiste em: 
a. Acompanhar e gerenciar o armazenamento da coleta, as vendas e/ou 
doações de materiais; 
b. Realizar levantamento das quantidades coletadas e receita gerada; 
c. Reforçar os objetivos e metas do programa; 
d. Divulgar balanço de andamento e resultados do programa. 
 
Uma coleta seletiva bem realizada proporciona uma série de vantagens para 
sociedade, visto que: reduz o desperdício, a exploração de recursos naturais, os 
custos de produção industrial, gastos com limpeza urbana, o consumo de energia e 
poluição do solo, da água e do ar; prolonga a vida útil dos aterros sanitários; cria 
oportunidades de fortalecimento de organizações comunitária e gera emprego e rena 
na comercialização dos recicláveis. 
4.3 VAZADOURO 
Os vazadouros, popularmente conhecidos como lixões, são áreas a céu aberto 
com objetivo de receber descargas de resíduos sólidos vindos dos mais diversos 
locais como: residências, comércio, fábricas, hospitais, entre outros, conforme 
observado na figura 17. 
 
59 
 
 
 
Figura 17 Exemplo de vazadouro. 
Fonte: Terra Ambiental (2021). 
 
Esse tipo de disposição final de resíduos é uma opção e prática inadequada e 
proibida. Segundo a Lei 12.305/2010 denominada Política Nacional de Resíduos 
Sólidos (PNRS), que previu para agosto de 2014 o fim dos vazadouros, definindo que 
capitais e regiões metropolitanas têm até 2 de agosto de 2021 para acabar com os 
mesmos, enquanto cidades com mais de 100 mil habitantes têm até agosto de 2022 
como prazo final. No entanto os municípios que têm entre 50 e 100 mil habitantes 
terão até 2023 para eliminar o problema e as cidades com menos de 50 mil habitantes 
até 2024 (TERRA AMBIENTAL, 2021). 
 Sem qualquer planejamento ou medidas de proteção ao meio ambiente ou à 
saúde pública, nos vazadouros não existe controle ou monitoramento dos resíduos 
depositados, deixando que resíduos domiciliares e comerciais de baixa 
periculosidade, sejam descartados juntamente com os industriais e hospitalares, de 
alta contaminação e teor poluidor. Como não há impermeabilização, o chorume2 não 
é coletado e pode penetrar na terra e contaminar o solo e lençol freático. Além disso, 
os vazadouros atraem vetores que causam riscos à saúde e princípios de incêndios 
gerados pelos gases provenientes da decomposição descontrolada dos resíduos 
(TERRA AMBIENTAL, 2021). 
 
 
2Líquido gerado pela decomposição da matéria orgânica. 
60 
 
 
4.4 ATERROS SANITÁRIOS 
Segundo a definição da ABNT na NBR 8.419 (1984), o aterro sanitário de 
resíduos sólidos denomina-se uma técnica de disposição no solo que não causa 
danos à saúde pública e à segurança, minimiza os impactos ambientais, e que utiliza 
princípios de engenharia para reter os resíduos sólidos à menor área possível, 
reduzindo ao menor volume permissível. Tais resíduos são cobertos com terra a cada 
ciclo. Essa técnica é considerada uma das mais eficientes e seguras de destinação 
de resíduos sólidos em geral, uma vez que permite o controle e monitoramento 
eficiente do processo, além de quase sempre apresentar o melhor custo-benefício 
(SPILLMANN, 2011). 
O aterro sanitário contém três setores que serão descritos a seguir e pode ser 
observado na figura 18. 
 
 Figura 18 Demonstração dos setores do aterro sanitário. 
 Fonte: Portal Resíduos(2018). 
 
 
 
61 
 
 
4.4.1 Setor de preparação 
Para o setor de preparação é designado uma área específica e assim têm-se 
início o procedimento de impermeabilização e nivelamento do terreno, posteriormente 
executam-se as obras de drenagem para captação do chorume e as vias de 
circulação. Ao final restringe-se a área do local com uma cerca viva para evitar 
possíveis maus odores e apurar a estética local. 
4.4.2 Setor de execução 
 No setor de execução, o material residual é separado conforme suas 
características e classificações, logo após é pesado com o propósito de avaliar se seu 
peso está dentro da capacidade suportada pelo aterro. 
4.4.3 Setor concluído 
O setor de conclusão, último setor, ocorre o armazenamento. 
 
Diferentemente dos vazadouros, os aterros sanitários são obras de engenharia, 
funcionando com uma base para drenar o chorume. Esse método apresenta 
vantagens e desvantagens que são (RECICLAGEM, 2019): 
Vantagens: 
a. Reduz o impacto ambiental de materiais não recicláveis; 
b. Diminui a liberação de gases poluentes na atmosfera; 
c. Pode gerar energia renovável. 
Desvantagens: 
a. As obras exigem muitos recursos e grandes extensões de terra; 
b. Se houver vazamentos, o impacto no ambiente pode ser pesado; 
c. Atrai animais como ratos e moscas, o que pode facilitar a proliferação de 
doenças nos arredores. 
4.5 USINA DE COMPOSTAGEM 
62 
 
 
A usina de compostagem consiste em um processo biológico de valorização e 
transformação de resíduos de matéria orgânica em húmus3, com qualidade para ser 
utilizada na agricultura rural, urbana e projetos paisagísticos, como fertilizante 
orgânico composto ou condicionador de solos (TERRA AMBIENTAL, 2021). 
Atualmente existem dois processos básicos de compostagem, a compostagem 
por revolvimento e a compostagem por aeração. Em ambos os processos as etapas 
são bastantes semelhantes e são descritas a seguir. 
4.5.1 Compostagem por revolvimento 
As etapas consistem em: 
a. Coleta do material; 
b. Disposição do material coletado em fileiras estáticas; 
c. Aeração natural estimulada por revolvimento do material; 
d. Desprendimento de calor das reações químicas; 
e. Peneiramento do material; 
f. Ensacamento ou disponibilização para o consumidor final. 
 
4.5.2 Compostagem por aeração 
As etapas consistem em: 
a. Coleta do material; 
b. Disposição do material coletado em fileiras estáticas; 
c. Aeração forçada por sopradores mecânicos; 
d. Desprendimento de calor das reações químicas; 
e. Peneiramento do material; 
f. Ensacamento ou disponibilização para o consumidor final. 
 
Conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a 
matéria orgânica corresponde a mais da metade do volume total de resíduos 
produzidos no Brasil, e tudo isso vai parar em aterros sanitários, onde são depositados 
com os demais tipos de resíduos, sem receber tratamento específico. Tomando isso 
 
3Adubo orgânico formado a partir da transformação biológica de resíduos orgânicos. 
63 
 
 
como base, pode-se destacar que a compostagem gera muitas vantagens para o meio 
ambiente e para a saúde pública, seja sendo aplicada no meio urbano ou rural. Como 
por exemplo, durante o processo de decomposição, na qual ocorre a formação de 
água, chorume não tóxico (ECYCLE, 2013). 
Em alguns casos, a compostagem pode ser realizada in loco, na própria 
empresa ou através do tratamento offsite, na qual é compartilhando a 
responsabilidade sob os materiais orgânicos com empresas de soluções ambientais 
especializadas para realizar o tratamento em unidades terceirizadas (TERRA 
AMBIENTAL, 2021). 
A figura 19 representa o funcionamento de uma usina de compostagem em 
Porto Alegre - SC. 
 
Figura 19 Esquema de triagem e compostagem de resíduos sólidos. 
 Fonte: Coelho (2016). 
4.6 INCINERAÇÃO 
Denomina-se como incineração a queima dos resíduos em fornos 
desenvolvidos especificamente para essa finalidade. A destruição térmica do resíduo 
por oxidação ocorre em temperaturas que vão de 900° e pode chegar a 1250°C. O 
tempo de manutenção em que o material será incinerado é controlado para permitir a 
64 
 
 
quebra orgânica do resíduo, de modo a reduzir o volume e diminuir o risco de 
toxicidade do material (VGR, 2020). 
Esse tipo de tratamento de resíduos permite através da combustão a geração 
de energia térmica, que posteriormente pode ser transformada em energia elétrica. 
Além disso, no processo de decomposição térmica há redução de peso, do volume e 
das partículas de periculosidade dos resíduos, com a consequente eliminação da 
matéria orgânica e características de patogenicidade4, por meio da combustão 
controlada. A redução que ocorre geralmente é superior a 90% em volume e 75% em 
peso (VGR, 2020). 
O processo de incineração ocorre em 5 etapas que são: 
a. Etapa de preparação do resíduo a ser incinerado; 
b. Etapa de combustão em altas temperaturas; 
c. Etapa de controle de poluentes; 
d. Etapa de controle dos efluentes; 
e. Etapa de manuseio e destinação das cinzas para aterro específico. 
 
A figura 20 representa o esquema de um incinerador. 
 
Figura 20 Esquema de funcionamento de um incinerador. 
 Fonte: Costa e Abreu (2018). 
Importante ressaltar que o processo de incineração não é aceito por 
ambientalistas. Isso ocorre, pois o processo envolve combustíveis fósseis o que 
aumenta a geração de gases tóxicos, como CO2, que causam poluição atmosférica e 
geram graves impactos ambientais. Para que esses gases não sejam liberados é 
 
4É a capacidade de transmissão de doenças. 
65 
 
 
preciso investir em um sistema de lavagem e de purificação de gases. Esses sistemas 
têm um alto valor e custo de manutenção (VGR, 2020). 
 
4.7 METANIZAÇÃO 
Determina-se como metanização ou biogasificação o processo biológico 
baseado na degradação por bactérias ou micro-organismos da matéria orgânica. Tal 
relação produz primordialmente o biogás, uma mistura gasosa saturada em água com 
grande poder energético. 
A figura 21 a seguir representa o processo metanização realizado pela 
Methanum, empresa em Jacarepagua - RJ que presta serviços de geração de energia 
para municípios de médio e grande porte (METHANUM, 2013). 
 
Figura 21 Funcionamento do processo de metanização. 
 Fonte: Methanum (2013). 
Segundo o artigo da Paiva & Baldin (2019), editora fundada em 1997 que 
produz conteúdos com foco no agronegócio e sustentabilidade, quando é discutido o 
processo de metanização, alguns pontos são importantes, para o entendimento geral 
do assunto. 
66 
 
 
a. Em tal processo, entre 60% e 70% da matéria orgânica se transforma em 
metano (CH4), principal componente do biogás e o restante é composto por 
CO2 e água; 
b. A reação de metanização será otimizada em ambiente com taxa de oxigênio 
zero, temperatura de 37°C e pH neutro; 
c. Todo efluente ou resíduo potencialmente biodegradável pode ser colocado 
em um metanizador para produzir biogás. Tecnologia especialmente utilizada 
no setor agrícola. Porém são quatro os setores que utilizam essa técnica para 
os efluentes: o agrícola, o industrial, de resíduos domésticos e de resíduos 
produzidos por estações de tratamento de água; 
d. A energia é local e renovável. Portanto pode ser utilizada para a produção 
de eletricidade, por meio de um motor de cogeração e para a produção de calor 
(por meio de caldeiras exclusivamente). Permite também a produção de 
combustível para veículos ou para injeção na rede de gás natural, após um 
processo de depuração avançado. 
67 
 
 
CAPÍTULO 5: LEGISLAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS 
5.1 INTRODUÇÃO 
Todas as organizações, empresas e instituições, sejam do segmento público 
ou privado são responsáveis pelos resíduos que produzem e a destinação desses 
resíduos. Porém para que ocorra uma gestão adequada dos resíduos, há uma série 
de leis e normas especificas no Brasil quesão necessárias ser cumpridas para uma 
legislação adequada de reciclagem. Contudo a principal lei que promove a reciclagem 
no país denomina-se Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) e de nº 
12.305/2010 e existe há 12 anos, pois todas as demais legislações auxiliares se esta 
lei, mesmo que boa parte das normas tenham sido criada antes da publicação da 
PNRS (FERRARI, 2019). 
 
5.2 POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS 
Instituída no ano de 2010, a Lei nº 12.305/10 além de promover questões 
ambientais, move-se por questões políticas, sociais e de saúde pública. A lei prever a 
maneira que a sociedade lida com os seus resíduos, promovendo a redução na 
geração de resíduos, valorizando e aplicando na prática hábitos mais sustentáveis, 
estabelecendo meios para aumentar a reciclagem e reutilização de resíduos sólidos, 
cumprindo primordialmente a prática da logística reversa (FERRARI, 2019). 
 
Segundo o artigo 6º da lei os princípios e objetivos da PNRS são: 
a. A prevenção e a precaução; 
b. O poluidor-pagador e o protetor-recebedor; 
c. A visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que considere as 
variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública; 
d. O desenvolvimento sustentável; 
e. A ecoeficiência, mediante a compatibilização entre o fornecimento, a preços 
competitivos, de bens e serviços qualificados que satisfaçam as necessidades 
humanas e tragam qualidade de vida e a redução do impacto ambiental e do 
68 
 
 
consumo de recursos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade 
de sustentação estimada do planeta; 
f. A cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o setor 
empresarial e demais segmentos da sociedade; 
g. A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; 
h. O reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem 
econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de 
cidadania; 
i. O respeito às diversidades locais e regionais; 
j. O direito da sociedade à informação e ao controle social; 
k. A razoabilidade e a proporcionalidade. 
 
Segundo o artigo 9º e 10º da PNRS estabelece que a gestão dos resíduos 
sólidos deve priorizar a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e 
disposição ambientalmente adequados dos rejeitos. Fica sobre responsabilidade das 
instituições públicas e privadas as seguintes (BRASIL, 2010): 
a. Ao setor empresarial fica a responsabilidade de gerir os resíduos de forma 
ambientalmente correta e reincorporá-los na cadeia produtiva. 
b. Os governos federal, estadual e municipal são responsáveis pela elaboração 
e implementação dos planos de gestão de resíduos sólidos. 
5.3 PNRS E A LOGÍSTICA REVERSA 
Com aproximadamente 214 milhões de habitantes e diversas empresas 
fabricantes de produtos que após o consumo se tornam resíduos, criar no Brasil tal lei 
foi um modo de organizar e controlar os materiais que são descartados no país, além 
de cuidar dos aterros sanitários. Segundo a Silvia Rolim, assessora técnica da 
Plastivida, a meta da PNRS até 2031 é reduzir em 45% a quantidade de recicláveis 
que seguem para os aterros sanitários desnecessariamente. E para que esse objetivo 
seja alcançado é necessário que todos os setores da sociedade realizem logística 
reversa (RECICLA SAMPA, 2020). 
Define-se como a logística reversa um conjunto de ações com o objetivo de 
determinar a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, ou seja, 
para o sucesso da logística reversa é preciso um esforço em conjunto das 
69 
 
 
organizações com os consumidores. As empresas devem lidar com os resíduos de 
forma a reinseri-los na cadeia produtiva e garantir a destinação final ambientalmente 
adequada, transformando o ciclo em um instrumento de desenvolvimento econômico 
e social. A figura 22 retrata de forma geral como que a logística reversa pode e deve 
ser aplicada em diversos setores (ATENTO LOGÍSTICS GROUP, 2021). 
 
Figura 22 Diferentes setores e a logística reversa. 
Fonte: Atento logístics group (2021). 
Para garantir o sucesso do fluxo reverso é fundamental que as instituições 
realizem um planejamento logístico bem estruturado. Portanto, pode-se separar a 
logística reversa em três etapas que são: de devolução, entrega ao produtor e reuso 
ou descarte. 
5.3.1 Etapa de devolução 
O processo inicia-se com a devolução dos resíduos, produtos inutilizáveis ou 
embalagens pelo consumidor. Por isso, é preciso de espaço para o recolhimento, 
armazenamento e separação dos materiais (ATENTO LOGÍSTICS GROUP, 2021). 
 
 
 
70 
 
 
5.3.2 Etapa de entrega ao produtor 
Após devolução parte-se para etapa de entrega, que consiste no recolhimento 
dos resíduos em grandes volumes. O distribuidor, nessa etapa, encarrega-se de fazer 
esse retorno para quem fabrica os produtos. Otimizando a etapa com caminhão de 
entrega vazio para coleta (ATENTO LOGÍSTICS GROUP,2021). 
5.3.3 Etapa de reuso ou descarte 
 Essa etapa consiste na realização de uma triagem, afim de saber quais 
resíduos serão descartados e quais serão destinados ao reuso para assim finalizar o 
ciclo (ATENTO LOGÍSTICS GROUP, 2021). 
 
Entende-se que logística reversa faz retornar ao setor empresarial os resíduos 
de seus negócios e empreendimentos, para reaproveitamento ou destinação final 
adequada. Medida que otimiza os esforços de reaproveitar, reusar e reduzir resíduos, 
pois os fabricantes certamente detêm mais do que ninguém o conhecimento do 
produto e de seu processo produtivo e saberão desenvolver estratégias para seu 
desmonte e reaproveitamento. 
5.4 PGRS 
 A lei impõe que as empresas elaborem seus próprios Planos de 
Gerenciamento de Resíduos Sólidos, o PGRS. Instituído pela Política Nacional de 
Resíduos (Lei nº 12.305/ 2010) trata-se de um documento jurídico que contempla uma 
série de instruções e ações referentes aos resíduos sólidos gerado na empresa e 
como efetuar a gestão ambiental adequada do mesmo. As ações contempladas no 
documento estão relacionadas aos resíduos em geral, de forma direta ou indireta, 
abordam a coleta, o transporte, o transbordo, o tratamento, assim como a correta 
destinação e a disposição final dos mesmos (PROJETA SUSTENTÁVEL, 2023). 
Os principais objetivos do PGRS são: 
a. Minimizar a geração de resíduos; 
b. Proporcionar aos resíduos gerados um encaminhamento seguro e correto; 
c. Proteger os trabalhadores, a saúde pública, os recursos naturais e o meio 
ambiente. 
71 
 
 
 
O conteúdo mínimo do PGRS deve conter: 
a. Descrição do empreendimento/atividade; 
b. Diagnóstico dos resíduos sólidos abrangendo a caracterização do material, 
a origem, o volume e os passivos ambientais vinculados; 
c. Definição dos responsáveis pelas etapas do gerenciamento e dos 
procedimentos vinculados a essas etapas; 
d. Identificação das soluções consorciadas ou compartilhadas com os demais 
geradores de resíduos; 
e. Listagem de ações a serem executadas mediante a ocorrência de acidentes 
ou ao gerenciamento inadequado; 
f. Proposição de metas relacionadas à minimização da geração segundo as 
normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, à 
reutilização e reciclagem; 
g. Inclusão de ações vinculadas ao compartilhamento da responsabilidade pelo 
ciclo de vida dos produtos – quando for aplicável; 
h. Periodicidade para a revisão do estudo. 
 
A elaboração e execução adequada de um bom PGRS tende a manter o meio 
ambiente mais saudável, limpo e organizado para as gerações futuras. Atualmente a 
elaboração do PGRS deixou de ser apenas uma exigência legal, portanto 
diversas empresas optam pela elaboração do documento por questões 
estratégicas afim de manter a melhoria da gestão de resíduos da mesma. 
5.4.1 Responsáveis pelo PGRS 
Segundo a Lei nº 12.305/ 2010 a preparação e a execução do PGRS são 
obrigatórias aos geradores de resíduos sólidos. A lei institui que estãosujeitos a PGRS 
os serviços públicos de saneamento básico, estabelecimentos comerciais e de 
prestação de serviços que gerem resíduos perigosos e não perigosos, desde que não 
enquadrados como resíduos domiciliares, empresas de construção civil e geradores 
de resíduos, tais como: Industriais gerados tanto nos processos produtivos, quanto 
nas instalações; serviços de saúde; agrossilvopastoril; de mineração oriundos de 
pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios; de portos, aeroportos, terminais 
72 
 
 
alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira (PROJETA 
SUSTENTÁVEL, 2023). 
 5.4.2 Tipos de PGRS 
Os tipos de PGRS existentes são os o PGRSE, o PGRSS, o PGRCC e o 
PGRSU. O que distingue cada um está nas características do resíduo a ser 
gerenciado e isso está vinculada à atividade desenvolvida pelo empreendimento ou 
indústria (PROJETA SUSTENTÁVEL, 2023). 
5.4.2.1 PGRSE - Resíduos Sólidos Especiais 
Requerido quando há geração de resíduos que demandem procedimentos 
especiais o manejo e destinação, em função do grau de periculosidade, 
degradabilidade, ou por outras especificidades. 
5.4.2.2 PGRSS - Resíduos de Serviço de Saúde 
O gerenciamento dos Resíduos de Serviço de Saúde (RSS) é instituído pela 
RDC Nº 222, de 28 de março de 2018. Gerados por laboratórios de análises clínicas 
e de anatomia patológica, necrotérios, drogarias e farmácias, clínicas em geral e 
serviços de tatuagem. 
5.4.2.3 PGRCC - Resíduos de Construção Civil 
O gerenciamento dos Resíduos da Construção Civil (RCC) é disposto na 
Resolução Nº 307, de 5 de julho de 2002. Dentre os locais de geração estão 
construtoras e fábricas vinculadas a construção civil. 
5.4.2.4 PGRSU - Resíduos Sólidos Urbanos 
Os resíduos sólidos urbanos (RSU) compreendem tanto os resíduos 
domiciliares (RDO), quanto os Resíduos Sólidos Públicos (RPU). Tal programa deve 
ser realizado primordialmente pelas instituições públicas. 
 
 
5.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
73 
 
 
Os novos tipos de regulamentos e políticas estão se tornando mais evidentes 
à medida que economias emergentes, como países do BRIC, tentam dissociar o 
crescimento econômico de degradação ambiental. O Brasil não está sozinho nesse 
esforço e compreende por meio das políticas adequadas a importância do 
desenvolvimento e apoio ao crescimento verde. Esses esforços regulatórios do Brasil 
estão alinhados com os da China e da Índia (JOSEPH et al. 2012). 
Esses regulamentos brasileiros abrangentes sobre resíduos sólidos podem 
resultar em negócios e oportunidades sociais e demandas. Como em qualquer nova 
política regulatória, as oportunidades de inovação social e econômica existem e os 
requisitos de desenvolvimento podem ser identificados. Essas oportunidades e 
requisitos incluem (INSTITUTO ETHOS, 2012). 
a. Investir e desenvolver P&D em tecnologias mais limpas; 
b. Redirecionar o foco estratégico das empresas para atender às necessidades 
de compra públicas por meio de ecodesign, análise do ciclo de vida, rotulagem 
ecológica, logística reversa e práticas de gerenciamento da cadeia de 
suprimentos ecológica; 
c. A necessidade de aquisição e transferência de reconhecimento para os 
planos municipais e estaduais de gerenciamento de resíduos sólidos; 
d. Cumprir alguns dos oito objetivos de desenvolvimento do milênio das nações 
unidas, começando com a integração dos coletores de materiais recicláveis na 
cadeia de reciclagem; 
e. Educacionalmente, melhore e redesenhe o currículo em engenharia, 
gerenciamento de negócios e química para preparar profissionais qualificados 
com relação ao gerenciamento de resíduos sólidos e logística reversa 
 
Para alguns professores e ambientalistas, em todo esse período da criação da 
PNRS como política pouco efeito foi gerado. Os mesmos destacam que foram 
estabelecidos itens como: instituição certificadas por crédito em reciclagem, por meio 
do recicla mais; programas como a coleta seletiva cidadã e o cadastro nacional de 
operadores de resíduos perigosos que tem como objetivo aproveitar os resíduos 
inflamáveis para produção de energia, são ações que não foram implementadas ou 
tiveram pouco avanço. Ainda assim, reforçam que o pouco avanço dessas políticas e 
74 
 
 
os principais desafios observados, sem dúvidas, foram devido a falta de incentivo 
financeiro tanto para as cooperativas, quanto os trabalhadores (MACIEL, 2023). 
Para Adir Cembranela, professor de engenharia ambiental na UTFPR, alguns 
pontos sobre as políticas públicas que faltam investimento financeiro estão na: 
Falta de organização do planejamento orçamentário dos municípios, visto que 
os mesmos sofrem bastante ao manter sua estrutura para a implementação das metas 
e objetivos presentes na legislação; 
a. Falta de investimento em aterros sanitários controlados; 
b. Pouca injeção de recursos nas ações de coleta seletiva; 
c. Pouco incentivo a educação ambiental; 
d. Falta de incentivo na criação de cooperativas e desvalorização das 
existentes; 
e. Pouco incentivo para os trabalhadores do setor. 
Portanto, observa-se que existem muitas oportunidades ainda no setor, por 
meio de diretrizes dos planos a nível nacional, estadual e regional. Essas diretrizes 
estão inclusas no NPSW National Policy on Solid Waste, que estabelece esses planos 
devem: 
a. Incentivar e promover uma hierarquia de gerenciamento de resíduos para 
reduzir, reutilizar, reciclar e tratar resíduos sólidos, enquanto o descarte de 
resíduos sólidos deve ser concluído de maneira ecológica e ambientalmente 
responsável; 
b. Adotar, desenvolver e melhorar tecnologias limpas como forma de minimizar 
o impacto ambiental; 
c. Incentivar a indústria de reciclagem a ajudar a promover o uso de matéria 
prima reciclada; 
d. Priorizar as compras governamentais ecológicas, incluindo a compra de 
produtos e bens reciclados, serviços e obras que considerem critérios 
compatíveis com o consumo social e ambientalmente sustentável; 
e. Integrar coletores de materiais recicláveis em ações que envolvam 
responsabilidade conjunta por ciclos de vida do produto. 
Para que esses objetivos sejam atingidos, os fabricantes, distrib­uidores e 
comerciantes, organizados em todos os setores da indústria, necessitam estimular e 
desenvolver a reciclagem para a coleta e processamento de embalagens de plástico, 
75 
 
 
papel, papelão, vidro e metal. As tendências da cadeia de suprimentos fechada para 
a devolução incluem o desenvolvimento de sistemas de processamento e variedade 
de materiais. Esses materiais adicionais baseados no consumidor incluem 
embalagens de alimentos, baterias, pneus, lubrificantes, lâmpadas e demais 
equipamentos descartados pelos consumidores. Esse esforço requer o 
desenvolvimento de sistemas de logística reversa, que devem incluir capacidades de 
retorno desses resíduos sólidos de volta à cadeia de suprimentos de produção original 
(OLIVEIRA, 2019). 
76 
 
 
CAPÍTULO 6: RECICLAGEM DA PRATA DE FILMES DE RAIO X 
6.1 INTRODUÇÃO 
Sendo a prata um metal pesado e altamente poluidor, a sua liberação no 
ambiente é proibida por normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (Anvisa) e pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). As 
Resoluções da Diretoria Colegiada (RDC) 306/04, da Anvisa, e Resolução nº 358/05, 
do Conama, dispõem sobre o gerenciamento dos resíduos (CONAMA, 2005). 
A prata, um dos mais conhecidos metais preciosos, e por conta da dificuldade 
de encontrar esse tipo de minério é considerado um metal raro. Segundo o site da 
USGS, serviço geológico americano, das 1.740.000 toneladas de prata que foram 
descobertas, 55% se concentra em apenas quatro países (GEOSAN, 2021). 
A prata está em diversas aplicações tais como, cunhagem de moedas, sais de 
prata usados em fotografia, materiais para odontologia, ligas para solda, em baterias 
de alta capacidade do tipo prata zinco e prata-cádmio, na fabricação de espelhos,na 
fabricação de circuitos impressos, entre outros. 
Uma aplicação típica e tão comum da prata está nas radiografias de raio-x, 
porém o descarte incorreto dessas pode causar contaminação por conta da presença 
abundante desse metal, podendo ser tóxica para o meio ambiente e pessoas. Por 
esse motivo os filmes de raio-x não podem ser descartados em resíduos comuns. 
6.2 A PRATA 
Do grupo dos metais nobres não-ferrosos a prata (Ag) juntamente com o ouro 
(Au) é um dos mais conhecidos e mais importantes devido abundância e uso 
diversificado. 
 A palavra prata deriva do latim argentum, e sua utilização teve início por volta 
de 3000 a.C, sendo entre os anos 1780 a 1580 a.C um período na qual seu valor 
financeiro ultrapassou o do ouro. 
Com o número atômico 47, possui coloração branco-prateado, metal de 
transição, pode ter três origens: a natural, encontrada na natureza, a industrial e a 
sintética, produzida em laboratório: 
77 
 
 
a. Natural: a Prata pode ser encontrada em sua forma pura ou associada a 
outros materiais. Na natureza, existem mais de 60 minérios diferentes que 
apresentam prata em sua composição; 
b. Industrial: é obtida a partir do processamento de materiais como chumbo, 
cobre e zinco; 
c. Sintética: é obtida a partir de reações químicas com sais que apresentam 
prata em sua constituição, como o nitrato de prata, que, ao reagir com o cobre, 
origina um sal e prata metálica pura. 
 
6.2.1 Minérios de prata 
Os minérios mais comuns para extração da prata são: 
a. Argentita (Ag2S) sulfeto de prata; 
b. Cloarginita (AgCl) cloreto de prata. 
Abaixo uma representação de minério de prata com cobre 
 
 Figura 23 Minério de prata com cobre 
 Fonte: Geosan (2021). 
Além disso, a maior parte é obtida como subproduto do refino eletrolítico de 
metais comuns (Cu, Pb e Zn). Recentemente, uma quantidade considerável do metal 
tem sido obtida através da reciclagem, principalmente pela indústria fotográfica. 
Entre a distribuição de produtores de minério de prata pelos países temos a 
maior quantidade dividida por 3 países, são eles o México, Peru e China. 
78 
 
 
A figura 24 abaixo apresenta uma classificação da distribuição de minério prata 
pelo mundo o ano de 2019. 
 
Figura 24 Classificação de minério de prata em diferentes países 
 Fonte: Geosan (2021). 
6.3 PROPRIEDADES DA PRATA 
Maleável, dúctil e apresenta ótima condutividade elétrica. Pouco reativa e 
bastante resistente à corrosão. Quando combinada com os outros elementos do 
quadro periódico, a prata exibe essencialmente o estado de oxidação +1(AgCl), 
exceto em AgF2, cujo estado de oxidação é +2. 
79 
 
 
Todos os sais de Ag(I) são insolúveis, com exceção do AgNO3, AgF e AgClO4. 
O estado de oxidação +2 é mais comum em complexos5, como [Ag(piridina)4]2+ e 
[Ag(orto-fenantrolina)2]2+ que formam sais solúveis com ânions não redutores, como 
nitrato e perclorato. 
A prata apresenta potencial de redução padrão positivo e por isso, não é 
suscetível à oxidação pelos íons H+ sob condições padrão. Esse caráter nobre justifica 
sua aplicação em joias e ornamentos. Porém, devido a formação de sulfeto de prata 
(Ag 2S) devido presença de compostos sulfurados no ar atmosférico, objetos de prata 
quando expostos ao ar, perdem lentamente o seu aspecto brilhoso. 
A tabela 3 a seguir apresenta-se algumas informações sobre o elemento 
químico a prata. 
 
Tabela 3 Propriedades do elemento químico prata. 
Propriedade Valores 
 Massa atômica 108 u.m.a 
 Eletronegatividade 1,93 
 Ponto de fusão 960,5ºC 
 Ponto de ebulição 2.180ºC 
 Densidade 10,49 g/cm3 
 Configuração eletrônica [Kr]5s14d10 
 Condutibilidade térmica 0,440 W/cmK 
 Módulo de elasticidade 80 x 103 MPA 
Fonte: Adaptado de Matlakhova (2016). 
6.4 FILMES DE RAIO-X 
Os filmes de raio x são usados para conter a imagem radiográfica que após 
exposta a radiação é processada nas soluções adequadas. Porém tal processo 
produz muitos resíduos, tal que a geração de resíduos sólidos em questão é uma 
grande preocupação a sociedade e ao meio ambiente (SANAR SAÚDE, 2021). 
 
 
5São compostos complexos ou de coordenação 
80 
 
 
6.4.1 Componentes dos filmes 
Alguns componentes básicos dos filmes de raio-x são: 
6.4.1.1 Capa protetora 
 Tem a finalidade de proteger a emulsão do contato com as forças mecânicas 
durante a manipulação do filme, e são constituídas de uma fina camada de gelatina 
apenas (SANAR SAÚDE, 2021). 
 
6.4.1.2 Emulsão 
Colocada em ambos os lados da base do filme, proporciona alta sensibilidade 
aos mesmos e que o processamento e secagem sejam nos menores tempos 
possíveis. Com isso, a gelatina que forma a emulsão é impregnada de diminutos 
cristais de sais halogenados, brometo ou iodeto de prata (SANAR SAÚDE, 2021). 
A gelatina é uma substância colóide gomosa, obtida de ossos e peles de 
animais, que não se dissolve em água fria, mas intumesce e absorve água, deixando 
penetrar em seu interior, os produtos químicos que modificam os cristais de prata 
expostos aos raios X (SANAR SAÚDE, 2021). 
A figura 25 retrata basicamente como o filme é estruturado. 
 
 Figura 25 Estrutura básica dos filmes 
 Fonte: Carvalho (2012). 
6.4.1.3 Base 
Constituída por um material rígido, para que possa ser manipulada pelo 
operador. Atualmente é de plástico, mas já foi de nitrato e acetato de celulose. A base 
deve ser fina, transparente, plana e azulada (SANAR SAÚDE, 2021). 
81 
 
 
 
 
6.4.1.4 Embalagem 
Papel preto- opaco à luz, envolve o filme, na parte de trás do filme tem uma 
lâmina de chumbo protege de radiação secundária, e a capa plástica externa- deve 
ser a prova d’agua (SANAR SAÚDE, 2021). 
 
6.4.2 Processamento dos filmes de raio-x 
A câmara escura, local à prova de luz com o máximo de higiene onde 
procedemos a revelação dos filmes radiográficos e fotográficos. A mesma pode ser 
classificada em tais tipos (SANAR SAÚDE, 2021): 
a. Portátil; 
b. Quarto; 
c. Labirinto; 
d. Processadoras automáticas. 
Alguns equipamentos necessários para o funcionamento da câmara escura: 
a. Suportes ou colgaduras; 
b. Filtro de segurança; 
c. Termômetro; 
d. Bastões agitadores; 
e. Relógio alarme; 
f. Tanques. 
 
6.5 FORMAÇÃO DOS FILMES 
A revelação do filme radiográfico em um sistema convencional é uma reação 
química, onde as três etapas básicas a constituem: formação da imagem latente, 
revelação da imagem e a fixação da imagem. 
 
 
 
82 
 
 
6.5.1 Formação da imagem latente 
Ao ser exposto à luz, a emulsão constituída de haletos de prata libera elétrons 
que se combinam com íons brometo carregados negativamente. Os elétrons liberados 
combinam-se com íons de prata carregados positivamente, na rede cristalina 
transformando-os em átomos de prata. A agregação de um pequeno núcleo de prata 
torna o cristal de brometo de prata sensível à revelação. Embora esta pequena 
mudança não possa ser detectada visualmente, já existe um precursor da imagem 
formada, chamada imagem latente (SAFETY, 2018). 
6.5.2 Revelação da imagem 
 A imagem latente se converte em imagem visível por ação química do líquido 
revelador contido na processadora de filmes, reação chamada de oxirredução. Os 
átomos de prata agem como catalizadores na reação, fazendo com que os cristais 
expostos à luz sofram redução rapidamente. A temperatura e a concentração dos 
químicos do revelador influenciam neste processo (SAFETY, 2018). 
Tal etapa tem como função estabelecer a diferença entre as áreas do filme que 
foram expostas à luz e as quais são formam. 
Alguns ingredientes básicos de um revelador de raios-x, são: 
a. Solventes - O solvente básico em um revelador é a água que dissolve e 
ioniza as substâncias químicas do revelador; 
b. Agentes reveladores – São componentes químicos capazes de converter os 
grãos expostosde haletos de prata em prata metálica; 
c. Aceleradores ou ativadores ex: carbonato de potássio ou sódio; 
d. Preservativos – Retarda a oxidação, mantém a proporção de revelação e 
ajuda a evitar mancha na camada de emulsão do filme; 
e. Retardadores – Os íons que são usados como retardadores, protegem os 
grãos não expostos contra a ação de revelador. 
 
Após o processo de exposição à luz, o filme precisa ser revelado, pois a 
imagem ainda não é visível. Os reveladores mais comuns são o metol e a 
hidroquinona (SAFETY, 2018). 
6.5.3 Fixação da imagem 
83 
 
 
O líquido fixador retira os cristais de haleto de prata que não reagiram com o 
liquido revelador, neutralizando e clareando o filme radiográfico. Após o liquido 
revelador ter agido no filme, o mesmo encaminha-se para a lavagem, que consiste em 
eliminar os cristais de prata que não foi sensibilizada pela ação da imagem 
revelada. Depois de lavado, o filme passa pela etapa de secagem, ao final desta 
etapa ele estará preparado para o manuseio e visualização (SAFETY, 2018). 
 A etapa de fixação é importante para manter a qualidade de uma radiografia. 
Os ingredientes básicos para um banho de fixação são: 
a. Solvente: dissolve outros ingredientes difundindo na emulsão; 
b. Agente fixador: Um agente clarificante ou fixador, o fixador mais utilizado é 
o tiossulfato de sódio; 
c. Conservador: Evita a decomposição do agente clarificante ou fixador; 
d. Endurecedor: Em geral, é um sal de alumínio que evita que a gelatina da 
emulsão se dilate excessivamente; 
e. Acidificante: Neutraliza todo o revelador alcalino que possa ser trazido pelo 
filme; 
f. Amortecedor: podem ser adicionados à solução para manter a desejada 
acidez, ajudando a reação a obter melhores resultados. 
Para finalizar o processamento radiográfico, realiza-se a secagem de modo 
rápido que depende do adequado condicionamento do filme. A temperatura do 
secador dever ser a mais baixa possível, e não deve exceder o nível de temperatura 
recomendado (SAFETY, 2018). 
 
6.6 MODELOS DE NEGÓCIOS DA PRATA 
O processo de reciclagem de radiografias tem importante papel na proteção do 
meio ambiente e consequentemente da saúde humana. Há processos que permitem 
reaproveitar tanto a prata quanto as folhas de acetato presentes nas radiografias. A 
prata pode ser comercializada e transformada em joias, e o acetato em embalagens 
para presentes e material escolar. Além desses benefícios, a reciclagem de 
radiografias contribui para geração de empregos e recursos para parceiros nesse 
ramo de atividade (PASSOS; CASTRO, 2012). 
84 
 
 
A placa de plástico limpa pode ser destinada a reciclagem comum ou na 
confecção de embalagens. O ato de reciclar um material que poderia ir para locais 
impróprios significa muito mais do que apenas gerar outro material, consiste em 
colaborar para manter a perfeita sintonia entre o homem e o meio ambiente. 
 
6.6.1 DPC Brasil 
 Com sede na região metropolitana de São Paulo, a empresa DPC Brasil 
referência no ramo reciclagem de resíduos, com parcerias em diversos 
estabelecimentos como hospitais, clínicas, unidades básicas de saúde entre outros. A 
empresa conta com mais de 200 pontos de coleta em diversos locais no país, que 
encaminham em torno de 1000 kg de radiografias por mês. 
 Após serem descartadas nos diversos pontos de coleta, as radiografias são 
retiradas por equipe especializada e transportadas até a empresa de reciclagem. Com 
a chegada do material inicia-se a separação das radiografias por tamanho. 
 
6.6.1.1 Etapa de lavagem 
Na primeira etapa, a de lavagem, as radiografias são colocadas em uma cuba, 
imersas em solução de hidróxido de sódio por até 24 horas. Nesta etapa ocorre o 
desprendimento da prata e de outros elementos químicos das folhas de acetato, 
conforme a figura 26 (PASSOS; CASTRO, 2012). 
85 
 
 
 
 Figura 26 Etapa de lavagem das radiografias. 
 Fonte: Passos e Castro (2012). 
 
 
6.6.1.2 Etapa de reciclagem 
Após desprendimento há uma divisão no processo de reciclagem devido ao 
reaproveitamento de diferentes elementos, do acetato e a prata. O acetato sai 
transparente do tanque de lavagem para um processo de secagem numa estufa e o 
resíduo de prata segue para decantação (PASSOS; CASTRO, 2012). 
6.6.1.3 Etapa de decantação 
Toda prata desprendida das folhas de acetato no processo de lavagem é 
encaminhada para tanques de decantação. Forma-se uma massa escura que contém 
diversos elementos, entre eles a prata (PASSOS; CASTRO, 2012). 
 A prata que recobre a película de acetato é precipitada em óxido de prata, 
segundo a reação. 
(1) 2 Ag+ + 2 OH- -> Ag2 O + H2O 
Tal processo, processo é visto na figura 27. 
86 
 
 
 
 Figura 27 Processo de decantação da prata. 
 Fonte: DPC Brasil (2023). 
6.6.1.4 Etapa de fundição e resfriamento 
 O óxido de prata retido durante a decantação é coloca em um cadinho. O 
cadinho é colocado na mufla para assim atingir o ponto de fusão da prata 962 °C, até 
total separação dos demais elementos. Após resfriada e granulada a prata é 
comercializada como matéria prima (PASSOS; CASTRO, 2012). 
As figuras a seguir representam essas etapas finais. 
 
 Figura 28 — Processo de fundição da prata. 
 Fonte: DPC Brasil (2023). 
87 
 
 
 
 Figura 29 Prata granulada após resfriamento. 
 Fonte: DPC Brasil (2023). 
 
A DPC BRASIL possui os principais certificados obrigatórios para execução do 
trabalho de coleta e descartes de resíduos químicos, garantindo assim ao não 
agressão ao meio ambiente, contribuindo para um mundo melhor com muito mais 
sustentabilidade (DPC BRASIL, 2023). 
6.6.2 Projeto CEFET Nilópolis 
Além das empresas, a recuperação da prata através de radiografias há 
décadas seguem sendo oportunidades de projetos de pesquisa, como o realizado pela 
unidade CEFET Nilópolis - RJ. Seguindo a linha de suprir a demanda por informações 
no campo da reciclagem e reaproveitamento dos mais diversos materiais, na utilização 
racional dos recursos naturais e na divulgação de técnicas inovadoras 
(RECICLOTECA, 2019). 
Com o objetivo de se extrair a prata da radiografia por um processo mais 
econômico, sem a geração de resíduos químicos, a equipe do CEFET desenvolveu o 
processo que consiste nas seguintes etapas: 
6.6.2.1 Etapa de tratamento radiográfico 
Primeiro realiza-se o tratamento da radiografia com uma solução de hipoclorito 
de sódio 2,0% água sanitária sendo gerado um resíduo sólido que contém a prata sob 
a forma de vários compostos químicos epelículas radiográficas limpas 
(RECICLOTECA, 2019). 
88 
 
 
6.6.2.2 Etapa de tratamento com hidróxido 
Em seguida o resíduo sólido é tratado com hidróxido de sódio sólido em água 
por aquecimento durante 15 minutos. Nesta fase obtém-se o óxido de prata misturado 
a impurezas (RECICLOTECA, 2019). 
6.6.2.3 Etapa de aquecimento do óxido de prata 
Realiza-se o aquecimento do óxido de prata com solução de sacarose por 60 
minutos, obtendo-se a prata impura sólida que ainda não apresenta brilho 
(RECICLOTECA, 2019). 
6.6.2.4 Etapa de aquecimento da prata 
Na última etapa finalmente a prata é aquecida a 1.000ºC por 60 minutos num 
forno mufla e obtém-se a prata pura e com brilho (RECICLOTECA, 2019). 
O projeto, realizado com a coordenação da professora Andréa de Morais Silva, 
ressalta que para recuperação ocorrer de forma adequada, devem ser considerados 
os seguintes aspectos: 
a. simplicidade na execução 
b. menor quantidade de reagentes 
c. baixo custo dos reagentes 
d. geração de menor quantidade de resíduos 
e. geração de resíduos menos tóxicos 
f. bom rendimento 
g. potencialidade na recuperação/tratamento dos resíduos 
 
6.7 TÉCNICAS DE RECICLAGEM 
6.7.1 Hidrometalurgia 
O método hidrometalúrgico apresenta vantagens em relação àextração 
convencional, como a redução do gasto energético, sem a utilização de altas 
temperaturas por um extenso tempo, e a diminuição de custo no processo, além de 
89 
 
 
não haver a emissão de gases poluentes e não produção de SO2 e o exofre pode ser 
recuperado em sua forma elementar. (VIERA; DE JESUS; MONNERAT, 2021). 
Portanto a aplicação da hidrometalurgia como recurso na recuperação de 
metais, a partir de materiais que seriam primariamente descartados sem qualquer 
preocupação quanto ao manejo correto para tal ação, como as chapas radiográficas, 
caracterizando-se como uma proposta sustentável. 
O processo hidrometalúrgico se baseia nas seguintes etapas, de forma 
sequencial: 
 
6.7.1.1 Etapa de preparação 
Na preparação, ocorre o ajuste das propriedades físico-químicas do minério 
sólido, tais como a composição, porosidade, natureza química e granulometria 
(VIERA; DE JESUS; MONNERAT, 2021). 
 
6.7.1.2 Etapa de lixiviação 
A lixiviação é a etapa mais importante, a qual se baseia na dissolução do 
mineral que contém o metal desejado, por intermédio do contato com uma solução 
aquosa (VIERA; DE JESUS; MONNERAT, 2021). 
6.7.1.3 Etapa de separação 
A etapa de separação da fase aquosa contendo o metal de interesse, produzido 
na lixiviação através da separação de elementos provenientes da dissolução da 
ganga. A eficiência desta etapa é determinante para a minimização das perdas de 
metal solúvel na polpa, que constituirá o rejeito, e de consumo de água nova no 
processo (VIERA; DE JESUS; MONNERAT, 2021). 
6.7.1.4 Etapa de tratamento 
A etapa de tratamento do licor produzido na lixiviação visa à purificação da 
solução e à concentração da solução contendo o metal dissolvido até os níveis 
adequados à etapa seguinte de recuperação (DE SOUZA, 2013). 
O tratamento da fase aquosa envolve processos tais como: 
90 
 
 
a. Precipitação; 
b. Adsorção em carvão ativado; 
c. Adsorção em resinas poliméricas de troca iônica; 
d. Extração por solventes. 
 
6.7.1.5 Etapa de recuperação 
A última etapa tem como objetivo a recuperação do metal. Este pode ser obtido 
na forma de sal ou hidróxido metálico, através de processos de precipitação e 
cristalização ou na forma metálica (DE SOUZA, 2013). 
O processo de eletro recuperação envolve a aplicação de uma diferença de 
potencial entre cátodos-ânodos imersos em solução aquosa e é usado na obtenção 
de cobre, zinco, níquel, ouro, dentre outros (DE SOUZA, 2013). 
Para metais de potencial redox muito negativo, como o alumínio, este processo 
é realizado em banho de sais fundidos (DE SOUZA, 2013). 
91 
 
 
CAPÍTULO 7: RECICLAGEM DE PNEUS 
7.1 INTRODUÇÃO 
Mesmo com inúmeros estudos ainda não existe uma data nem tampouco por 
qual povo exatamente a roda foi inventada, contudo evidências arqueológicas indicam 
que o uso da mesma como sustentação de meios de transportes iniciou-se na Eurásia 
e Oriente médio por volta de 3.500 a.C, na antiga Mesopotânia, região onde hoje está 
situado o Iraque. Uma vez que segundo o antropólogo David Antony, esse período foi 
o qual grande revolução aconteceu, pois foi quando o conceito de eixo foi estabelecido 
(BRITISH BROADCASTING CORPORATION BRASIL, 2017). 
 
Figura 30 A roda entre desenhos rupestres. 
Fonte: BBC (2017). 
Mesmo com os avanços que os povos antigos realizavam a cada descoberta 
sobre a importância dos meios transportes e seus componentes, apenas no século 
XIX que se deu origem a um componente compósito imprescindível, o pneumático ou 
mais popularmente pneu, patenteado para automóveis em 1845 pelos irmãos 
Michelin (PINHEIRO, 2020) 
92 
 
 
Segundo dados, o Brasil descarta anualmente pelo menos 450 mil toneladas 
de pneus, o que equivale a cerca de 90 milhões de unidades. Quando feito 
indevidamente, em vazadouros, depósitos, quintas de casa e outros locais 
inapropriados, como beiras de rios e matas, os pneus se tornam grave problema 
ambiental visto que demora a se decompor na natureza, visto que esses pneus 
demoram em média 600 anos para se decompor (MORENO, 2022). 
Na figura 31, observa-se os impactos em diferentes biomas atingidos pelo 
descarte incorreto dos pneus. 
 
Figura 31 Diferentes biomas destruídos pelo descarte incorreto de pneus. 
Fonte: Borges (2017). 
A seguir são apresentados alguns exemplos de como o descarte inapropriado 
de pneus podem causar impactos na natureza. 
a. Quando jogados em terrenos baldios, acumulam, por causa de seu formato, 
água da chuva no seu interior, servindo de local para os mosquitos 
93 
 
 
transmissores de doenças, como a dengue e a febre amarela, colocarem seus 
ovos; 
b. Quando colocados em vazadouros, misturam-se com o resto dos resíduos, 
absorvendo os gases liberados pela decomposição, inchando e estourando. 
Acabam sendo separados e abandonados em grandes pilhas em locais 
abertos, junto a esses vazadouros; 
c. São fonte para queimadas, podem causar incêndios, pois cada pneu é capaz 
de ficar em combustão por mais de um mês, liberando mais de dez litros de 
óleo no solo, contaminando a água do subsolo e aumentando a poluição do ar. 
 
7.2 O PNEU 
O pneu consiste em um tubo de borracha cheio de ar que, ajustado ao aro de 
uma roda, permite a locomoção do veículo absorvendo os impactos com o solo. Os 
pneumáticos são encontrados em diversos veículos, porém são vistos com mais 
frequência nos automóveis, ônibus, motocicletas, bicicletas e caminhões. Contudo 
também, podem ser encontrados em aviões, tratores agrícolas, equipamentos de 
construção e movimentação de materiais. 
 O pneumático de um veículo automotor serve para suportar carga, assegurar 
a transmissão da potência automotriz, garantir dirigibilidade e respostas eficientes nas 
freadas e acelerações e contribuir, junto com as suspensões, para o conforto dos 
ocupantes. 
As principais partes do pneu e suas funções são descritos a seguir e 
representados na figura 32. 
 
 Figura 32 Ilustração das principais peças de pneu radial. 
 Fonte: Recapagem pneus (2017). 
94 
 
 
7.2.1 Carcaça 
Parte interna do pneu, responsável por reter a pressão causada pelo ar e 
sustentar o peso do veículo. Possui lonas de poliéster, aço ou nylon, dispostas no 
sentido diagonal uma das outras, nos chamados pneus convencionais ou diagonais, 
ou na forma radial, nos pneus ditos radiais (SILVA, 2011). 
7.2.2 Cintas estabilizadoras 
Os pneus radiais contam com uma estrutura adicional de lonas, chamadas de 
cintas, que estabilizam a carcaça radial. Essas lonas são constituídas de aço 
(RECAPAGEM PNEUS, 2017). 
7.2.3 Talão 
Localizados nas duas extremidades, os talões são fios de aço cobertos por 
cobre, e possuem como função a fixação do pneu na roda, acoplando o pneu ao aro 
(SILVA, 2011). 
7.2.4 Flancos 
Parte lateral do pneu e tem a função de proteger a carcaça. É constituída de 
borracha com alto grau de elasticidade. Além disso, é responsável pelo conforto. 
Quanto mais fino for o pneu, menos confortável ele será para o motorista. A lateral é 
flexionada cerca de 800 vezes por segundo enquanto o carro roda (SILVA, 2011). 
7.2.5 Banda de rolagem 
Denomina-se como a parte que entra em contato com o solo. Os desenhos 
formados nessa parte são chamados de esculturas. Possuem partes cheias e partes 
vazias e servem para otimizar a aderência com a superfície. A banda de rolagem é 
feita com compostos de borracha altamente resistentes ao desgaste (SILVA, 2011). 
7.2.6 Estanque 
Estanque ou revestimento interno bruto, denomina-se a capa de borracha 
sintética muito estanque ao ar. Esta capa encontra-se no interior do pneu e funciona 
como câmara-de-ar (SILVA, 2011). 
95 
 
 
7.2.7 Ombro 
Os ombros permitem estabilidade ao veículo que trabalham principalmente nas 
curvas (RECAPAGEM PNEUS, 2017). 
 
7.3 MATERIAIS DOS PNEUS 
Segundo Andrietta (2002), a borracha é o principal material do pneu,33 
1.4.2.3 PROMOÇÃO DA DIVERSIDADE ....................................................................................... 33 
1.4.3 O USO ........................................................................................................................... 34 
1.4.3.1 FASE DA INTRODUÇÃO ................................................................................................ 34 
1.4.3.2 FASE DO CRESCIMENTO .............................................................................................. 34 
1.4.3.4 FASE DA MATURIDADE ................................................................................................. 35 
1.4.3.4 FASE DO DECLÍNIO ...................................................................................................... 35 
1.4.4 A MANUTENÇÃO E REPAROS .......................................................................................... 35 
1.4.5 A REDISTRIBUIÇÃO ........................................................................................................ 35 
1.4.6 A REMANUFATURA ......................................................................................................... 36 
1.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 36 
1.5.1 REFORÇAR POLÍTICAS ................................................................................................... 37 
 
 
 
1.5.2 ESTABELECER METAS .................................................................................................... 37 
1.5.3 CENTRALIZAR A RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO ............................................................... 37 
1.5.4 ENVOLVER O SETOR PÚBLICO ......................................................................................... 38 
1.5.5 REVER OS TRIBUTOS...................................................................................................... 38 
1.5.6 INVESTIR ....................................................................................................................... 38 
CAPÍTULO 2: MINERAÇÃO URBANA ............................................................................... 40 
2.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 40 
2.1.1 MINERAÇÃO TRADICIONAL ............................................................................................. 40 
2.1.2 MINERAÇÃO URBANA ..................................................................................................... 41 
2.1.2.1 MINERAÇÃO DE ATERROS ............................................................................................ 42 
2.1.2.2 MINERAÇÃO URBANA ................................................................................................... 42 
2.1.2.3 RECICLAGEM DE MATERIAIS ......................................................................................... 43 
2.1.2.4 RECUPERAÇÃO DE RECURSOS ..................................................................................... 43 
2.1.2.5 MINIMIZAÇÃO DO DESCARTE ........................................................................................ 43 
2.1.2.6 ECONOMIA CIRCULAR .................................................................................................. 43 
2.2 MINAS URBANAS PELO MUNDO ................................................................................ 44 
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 45 
CAPÍTULO 3: GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS ........................................................... 46 
3.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 46 
3.2 CLASSIFICAÇÃO .......................................................................................................... 47 
3.2.1 CLASSIFICAÇÃO QUANTO AOS RISCOS ............................................................................ 47 
3.2.1.1. CLASSE I: PERIGOSOS ............................................................................................... 47 
3.2.1.2 CLASSE II: NÃO PERIGOSOS ....................................................................................... 48 
3.2.1.2.1 NÃO-INERTES .......................................................................................................... 49 
3.2.1.2.2 INERTES .................................................................................................................. 49 
3.2.2 CLASSIFICAÇÃO QUANTO A NATUREZA ........................................................................... 49 
3.2.2.1 DOMÉSTICO OU RESIDENCIAL ...................................................................................... 51 
3.2.2.2 COMERCIAL ................................................................................................................ 51 
3.2.2.3 PÚBLICO .................................................................................................................... 51 
3.2.2.4 DOMICILIAR ESPECIAL ................................................................................................. 51 
3.2.2.5 FONTES ESPECIAIS ..................................................................................................... 51 
3.2.2.6 AGRÍCOLAS ................................................................................................................ 51 
3.2.2.7 SERVIÇOS DE SAÚDE ................................................................................................... 52 
3.3 A GESTÃO DE RESÍDUOS E INDÚSTRIA 4.0 ............................................................. 52 
3.4 GESTÃO DE RESÍDUOS NO BRASIL .......................................................................... 53 
CAPÍTULO 4: DIPOSIÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ........................................ 56 
4.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 56 
4.2 COLETA SELETIVA ....................................................................................................... 56 
4.2.1 ETAPA DE PLANEJAMENTO ............................................................................................. 57 
 
 
 
4.2.2 ETAPA DE IMPLEMENTAÇÃO ........................................................................................... 57 
4.2.3 ETAPA DE MANUTENÇÃO ............................................................................................... 58 
4.3 VAZADOURO................................................................................................................. 58 
4.4 ATERROS SANITÁRIOS ............................................................................................... 60 
4.4.1 SETOR DE PREPARAÇÃO ................................................................................................ 61 
4.4.2 SETOR DE EXECUÇÃO .................................................................................................... 61 
4.4.3 SETOR CONCLUÍDO ........................................................................................................ 61 
4.5 USINA DE COMPOSTAGEM ........................................................................................ 61 
4.5.1 COMPOSTAGEM POR REVOLVIMENTO .............................................................................. 62 
4.5.2 COMPOSTAGEM POR AERAÇÃO ...................................................................................... 62 
4.6 INCINERAÇÃO .............................................................................................................. 63 
4.7 METANIZAÇÃO ............................................................................................................. 65 
CAPÍTULO 5: LEGISLAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS ................................................... 67 
5.1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................................representando cerca de 40% do seu peso. 
Essa borracha pode ser dividida em dois tipos que são: 
7.3.1 Borracha natural 
 Sua principal extração vem de uma derivada da seringueira - hevea 
brasiliensis. A produção de pneus representa um terço do consumo mundial de 
borracha (CROPLIFE, 2020). 
 
7.3.2 Borracha sintética 
Tipo de elastômeros, polímeros com propriedades físicas parecidas com a da 
borracha natural. É derivada do petróleo ou do gás natural e seu consumo para a 
fabricação de pneus representa 2/3 do total de borracha sintética no mundo. Algumas 
borrachas sintéticas usadas na fabricação de pneus são: borracha de Estireno 
Butadieno (SBR); borracha de Poli Butadieno (BR) e borracha de Poli Isopreno 
(FOGAÇA, 2023). 
 
7.3.3 Composição 
Além da borracha, existem, como matéria prima do pneu, o negro de carbono 
ou negro de fumo, as fibras orgânicas - nylon e poliéster, os arames de aço, derivados 
do petróleo e outros produtos químicos (ANDRIETTA, 2010). 
Essencial na construção do pneumático, a adição de negro de fumo deixa a 
borracha mais resistente e aumenta seu desempenho. Através de um método 
chamado vulcanização, a borracha é misturada ao negro de fumo num molde 
96 
 
 
aquecido entre 120ºC e 170ºC e aos moldes são adicionados enxofre, compostos de 
zinco e outros aceleradores de processo. Considerado difícil de reciclar, o negro de 
fumo vem sendo substituído pela sílica na construção dos chamados pneus 
ecológicos (ANDRIETTA, 2010). 
 Tabelas 4 e 5 apresentam respectivamente a composição química média dos 
pneus e comparativo de materiais existentes no pneu automotivo e de caminhão. 
Tabela 4 Composição química média dos pneus. 
 Elemento/Composto % 
 Carbono 70,0 
 Hidrogênio 7,0 
 Óxido de Zinco 1,2 
 Enxofre 1,3 
 Ferro 15,0 
 Outros 5,5 
Fonte: Criscuolo (2017). 
Tabela 5 Quantidade de materiais do pneu de automóvel e de caminhão. 
 Automóvel Caminhão 
 Material % % 
 Borracha / Elastômeros 48 45 
 Negro de fumo 22 22 
 Aço 15 25 
 Tecido de nylon 5 - 
 Óxido de Zinco 1 2 
 Enxofre 1 1 
 Aditivos 8 5 
Fonte: Criscuolo (2017). 
7.4 PROPRIEDADES DOS PNEUS 
Ao analisar um pneu como um todo e verificar suas propriedades, entende-se 
que cada componente possui uma função específica (BRIDGESTONE, 2018). 
 A Bridgestone, empresa do setor, explica que as propriedades de cada 
componente são as seguintes: 
a. Borracha natural: As propriedades da borracha natural incluem 
durabilidade e resistência ao desgaste; 
97 
 
 
b. Borracha sintética: A borracha sintética é um produto à base de petróleo 
que possui propriedades resistentes ao calor; 
c. Negro de Fumo: O negro de fumo serve para aumentar a força da borracha; 
d. Sílica: O pó branco de dióxido de silício proporciona melhor eficiência de 
combustível e aderência em piso molhado; 
e. Óleo: O óleo amacia a borracha; 
f. Antioxidante: Antioxidante inibe a oxidação da borracha; 
g. Enxofre: O enxofre dá maior elasticidade à borracha; 
h. Acelerador de vulcanização: O acelerador de vulcanização ajuda a 
construir ligações cruzadas entre borracha e enxofre. 
i. Poliéster: Poliéster é usado como um material de lona do corpo em pneus 
de passageiros; 
j. Raiom: Raiom é usado como um material de camada de corpo em pneus 
de passageiros; 
k. Aço: O aço é usado como material de grânulos e correias de aço em pneus 
de passageiros. 
 
7.5 FABRICAÇÃO DOS PNEUS 
O pneu é construído, de dentro para fora e sua fabricação é complexa, a mesma 
ocorre da seguinte forma: 
7.5.1 Etapa de mistura 
A mistura de borracha do pneu é formada por aproximadamente 30 tipos 
diferentes de borracha e outros ingredientes, que são misturados para criar um 
composto negro (INGOPNEUS, 2015). 
7.5.2 Etapa de corte 
Quando a borracha esfria, é transformada em placas, para seguirem ao corte. 
As máquinas de corte deixam a borracha em tiras, que serão usadas nos flancos e 
nos pisos dos pneus (INGOPNEUS, 2015). 
7.5.3 Etapa de obtenção do pneu verde 
98 
 
 
Após os elementos têxteis, as cintas de aço, os talões, as lonas, os pisos e os 
restantes dos componentes serem colocados numa máquina de construção de pneus 
que assegura que cada peça é colocada no lugar certo. Obtém-se o pneu verde, 
relativamente semelhante ao produto (ACHEI PNEUS, 2021). 
7.5.4 Etapa de vulcanização 
Em seguida o pneu verde é vulcanizado com moldes quentes em numa 
máquina denominada máquina de cura, na qual comprime todas as partes do pneu 
e molda o pneu na forma final, incluindo o padrão do piso e as marcas do flanco do 
fabricante. Esse processo permite os materiais do pneu passar do estado plástico ao 
estado elástico (ACHEI PNEUS, 2021). 
7.5.5 Etapa de inspeção 
A última etapa é a de inspeção do pneu. Para que um pneu seja considerado 
como pronto para ser enviado para venda, tem de ser submetido a uma inspeção 
cuidadosa realizada visualmente por inspetores treinados e utilizando máquinas 
concebidas para detectar a menor mácula ou imperfeição. O seu interior é 
inspecionado com raio-x (INGOPNEUS, 2015). 
 
7.6 RECICLAGEM TRADICIONAL 
Para recuperação e regeneração dos pneus é necessário a separação da 
borracha vulcanizada de outros componentes, como metais e tecidos, por exemplo. 
Portanto, os pneus são cortados em lascas e purificados por um sistema de peneiras. 
Em seguida, as lascas são moídas e depois submetidas à digestão em vapor d’água 
e produtos químicos, como álcalis e óleos minerais, para desvulcanizá-las. Por fim, o 
produto obtido pode ser então refinado em moinhos até a obtenção de uma manta 
uniforme ou extrudado para obtenção de grânulos de borracha (MAZOLA 
AMBIENTAL, 2018). 
A borracha regenerada apresenta duas diferenças básicas do composto 
original: possui características físicas inferiores, pois nenhum processo consegue 
desvulcanizar a borracha totalmente, e tem uma composição indefinida, já que é uma 
mistura dos componentes presentes. No entanto, este material tem várias utilidades 
99 
 
 
tais como alguns negócios que serão apresentados ainda nesse capítulo (MAZOLA 
AMBIENTAL, 2018). 
7.6.1 Benefícios da reciclagem de pneus 
Conforme várias matérias, desde que a reciclagem se tornou uma alternativa 
essencial para a indústria de pneus, a reciclagem de pneus trouxe uma série de 
benefícios (RECICLA SAMPA, 2018). Alguns exemplos são descritos a seguir. 
 
a. A reciclagem e reaproveitamento dos pneus no Brasil corresponde a cerca 
de 30 mil toneladas; 
b. Os pneus podem ser aproveitados também para a proteção de construções 
à beira mar e de barragens e contenção de encostas. 
c. O processo de recauchutagem, na qual são adicionadas novas camadas de 
borracha nos pneus carecas6 ou sem friso, aumenta a vida útil do pneu em 40% 
e economiza 80% de energia e matéria-prima em relação à produção de pneus 
novos. 
d. Os pneus possuem reaproveitamento energético em fornos de cimento e 
usinas termoelétricas. A cada quilograma o pneu libera entre 8,3 e 8,5 
quilowatts por hora de energia. Esta energia é até 30% maior do que a contida 
em 1 quilo de madeira ou carvão; 
e. Reciclar economiza energia. Isso ocorre porque para cada meio quilo de 
borracha feita de materiais reciclados, são economizados cerca de 75% a 80% 
da energia necessária para produzir a mesma quantidade de borracha nova; 
Além de economizar petróleo e reduzir o custo final da borracha em mais de 
50%. 
 
7.7 MODELOS DE NEGÓCIOS DE PNEUS 
Os avanços tecnológicos possibilitaram que diferentes negócios surgissem 
para a reciclagem de pneus, soluções simples, mas eficientes, podem mudar 
 
6 Pneu careca significa que ele perdeu suas características originais e já não garante o atrito da 
borracha com o solo. 
100 
 
 
completamente essa realidade e fomentar o mercado. Alguns desses negócios podem 
ser vistos a seguir. 
7.7.1 Usina de reciclagem de pneus Reciclanip 
A Reciclanip, entidade que reúneos maiores fabricantes de pneumáticos do 
Brasil, realiza por meio da logística reversa, a transformação de pneus inservíveis, ou 
seja, pneus em estado no quais não podem ser mais reformados, em asfaltos 
ecológicos, conforme observados na figura 33 (BORGES, 2017) 
 
 Figura 33 Homem verificando a aplicação de asfalto ecológico. 
 Fonte: Borges (2017). 
 
O processo de transformação ocorre da seguinte maneira: 
a. A Reciclanip realiza através da logística reversa, o recolhimento de pneus 
inservíveis; 
b. Após coleta os pneus inservíveis são levados a empresas de reciclagem; 
c. Seleciona-se o material nobre do pneu para a produção do asfalto; 
d. Os pneus são colocados em trituradores que produzem a borracha moída; 
e. A borracha é misturada em um reator industrial; 
f. Logo após é armazenada em um processo de agitação do ligante asfáltico; 
g. Mistura-se agregados e ligante; 
h. Realiza-se a descarga e transporte da mistura asfáltica. 
 
101 
 
 
A figura 34 representa o processo descrito acima. 
 
 Figura 34 Processo de transformação do pneu em asfalto. 
 Fonte: Borges (2017). 
 
Importante ressaltar que para a produção de cada quilômetro do asfalto 
ecológico são necessários 600 pneus, com um custo 30% maior, porém esse 
investimento compensa-se diante dos benefícios gerados. Alguns desses benefícios 
são: melhores propriedades que de um asfalto comum; aumento da durabilidade do 
pavimento em até 40%; aumento da resistência, diminuição nos custos de 
manutenção, aumento da aderência devido adição da borracha e o que ajuda a evitar 
derrapagens e reduz o spray causado pelos pneus em dias de chuva, proporcionando 
pistas mais seguras (BORGES, 2017). 
Usinas de reciclagem de pneus como as representadas pela Reciclanip são 
excelentes negócios para fomentar o setor. Pois, além de serem destinados para 
asfaltos ecológicos, os pneus podem ser utilizados em: criação de tapetes, estrutura 
de campos de futebol e de grama sintética, fabricação de tiras usadas em móveis 
estofados, pisos de quadras poliesportivas e em forrações termo acústicas. 
Colaborando com o mercado dos seus clientes que são os fabricantes de variados 
produtos que tenham a borracha como matéria-prima (GONÇALVES, 2021). 
102 
 
 
 As figuras 35 e 36 mostram dois exemplos, conforme citados. 
 
 Figura 35 Sofá com estrutura e estofamento de pneus. 
 Fonte: Barbosa (2022). 
 
 Figura 36 Granulado de borracha de pneu para campo society. 
 Fonte: UTEP (2023). 
 
 
 
103 
 
 
 
7.7.2 Moda por pneus 
A reciclagem de pneus é tão versátil que um outro setor que os mesmos podem 
ser reaproveitados é na indústria têxtil. Em negócios lucrativos como a 
marca brasileira Revoada. Uma marca totalmente sustentável que produz acessórios 
e roupas com materiais que seriam descartados, usando como matéria prima os 
pneus (REVOADA,2023). 
Fundada em 2013 por Adriana Tubino e Itiana Pasetti, a loja nasceu com o 
objetivo de diminuir o impacto da indústria têxtil. As bolsas e acessórios que 
tradicionalmente usariam couro em sua confecção são produzidos com câmaras de 
pneu de caminhão (RECICLA SAMPA, 2019). 
O processo de confecção dos produtos ocorre da seguinte maneira: 
a. Através de borracharias parceiras e unidades de resíduos secos, fazem o 
recolhimento da matéria-prima; 
b. Após a coleta, os itens são encaminhados para lavagem industrial; 
c. Por último são entregues a ateliês de costura e cooperativas de costureiras. 
Na figura 31 são observados alguns produtos do catálogo da marca. 
 
 Figura 37 Modelos com bolsas da coleção Revoada. 
 Fonte: Revoada (2023). 
104 
 
 
Há uma década no mercado a Revoada já reutilizou mais de 8 toneladas de 
câmara de pneus e indiretamente, beneficia cerca de 350 famílias de borracheiros, 
catadores e costureiras promovendo o desenvolvimento social. 
 
7.8 TÉCNICAS DE RECICLAGEM URBANA 
As técnicas de reciclagem urbana e maneira de reciclagem urbana dependem 
de cada empresa. A seguir são apresentados quatro exemplos. 
7.8.1 Reciclagem mecânico-químico 
Esse método é a combinação do processo químico e da moagem, que 
consegue desvulcanizar os resíduos de um pneu. A partir dos pneus reciclados, 
diversos produtos podem ser produzidos, como já citado anteriormente, incluindo 
solas de sapatos, asfalto e tapetes de automóveis (RECICLA SAMPA, 2018). 
 
7.8.2 Reciclagem de micro-ondas 
A reciclagem por micro-ondas consiste em converter o pneu usado em suas 
matérias originais, incluindo gasolina diesel, metal e carvão preto. Algumas das 
vantagens deste processo são seu baixo custo e a possibilidade de criar pneus 
utilizando aqueles descartados (RECICLA SAMPA, 2018). 
7.8.3 Reciclagem por ultrassom 
O método de reciclagem por ultrassom ocorre quando o equipamento é 
aplicado na borracha enquanto ela é extrudida7. Com isto, a borracha após ser 
extrudida fica macia e se transforma em um novo material, que pode ser moldado para 
a produção de novos produtos de borracha (RECICLA SAMPA, 2018). 
 
 
 
 
7Técnica na qual a borracha é submetida a um processo mecânico de produção de componentes de 
forma contínua e forçada através da matriz para adquirir sua forma pré-determinada. 
105 
 
 
7.8.4 Pyrolysis 
No método de reciclagem por pyrolysis, o pneu usado é aquecido em um forno 
fechado, sem oxigênio. Ambiente que derrete o pneu até o mesmo retornar a 
transformar-se em sua matéria original (RECICLA SAMPA, 2018). 
 Existem diversas maneiras de derreter o pneu e dependendo do modo que 
ocorre o aquecimento, diferentes subprodutos podem ser gerados. A técnica 
eletromagnética produz objetos de metal, gás e óleo artificial, por exemplo (RECICLA 
SAMPA, 2018). 
106 
 
 
CAPÍTULO 8: RECICLAGEM DE LÍTIO DE BATERIA AUTOMOTIVA 
8.1 INTRODUÇÃO 
Com os avanços, crescente produção e inovação, novas tecnologias são 
inseridas no mercado em alta velocidade, desde que a variedade de novos produtos 
se tornou possível. A tecnologia está em tudo, da indústria de equipamentos 
eletrônicos, em computadores, câmeras digitais, até a indústria automotiva, em 
componentes dos carros, acessórios e suas baterias. Porém, o desenvolvimento de 
novas tecnologias acompanha, de maneira acentuada, o crescente aumento de 
sucata de tais materiais. 
Essas sucatas muitas vezes são descartadas pela população de maneira 
indevida ou permanecem armazenadas nas residências, causando sérios riscos a 
saúde. As justificativas para tal, são diversas desde falta de orientação até pontos de 
coleta inadequados ou inexistentes. O exemplo mais comum sobre essas justificativas 
é referente ao descarte das baterias de lítio (Li) presentes nos carros elétricos e 
equipamentos eletrônicos (INTERPLAS, 2022). 
Em pesquisa de 2019 realizada pela empresa de bateria Moura, feita a 
população indicou que 60% descartam as baterias junto com resíduos domésticos, 
28% armazenam em suas residências, 8% descartam no meio ambiente e apenas 4% 
devolvem no estabelecimento de compra (MOURA, 2019). 
O perigo potencial ao manusear as baterias de Li pode se tornar um grande 
risco para as pessoas, empresas e meio ambiente, visto que podem causar incidentes 
e acidentes como: descargas profundas, surtos de incêndio, reações alérgicas, 
principalmente em crianças e animais por envenenamento acidental, e até uma 
explosão (INTERPLAS, 2022). 
A figura 38 retrata um acidente com baterias de Li, uma explosão de baterias 
Li em 2021 que sucedeu um incêndio, em uma fábrica de papel no estado norte-
americano de Illinois. O acidente causou a evacuação de pelo menos 1.000 casas aos 
redores (GOOUTSIDE, 2021). 
107 
 
 
 
 Figura 38 Explosão por bateria de Lítio no estado de Illinois. 
 Fonte: Gooutside (2021). 
8.2 O LÍTIOO elemento lítio foi descoberto em 1817 pelo químico sueco Arfwedson, ao 
estudar o mineral filossilicato petalita de lítio e alumínio, cuja fórmula é LiAlSi4O10. 
Arfwedson não conseguiu isolar o metal, fato que só ocorreu em 1855 pelos cientistas 
Bunsen e Matthiessen usando a técnica de eletrólise do cloreto de lítio fundido. O lítio 
deriva da palavra grega pedra (lithos), pois, no período que foi descoberto acreditava-
se que naquele tempo, o lítio só ocorria nas pedras (BRAGA; SAMPAIO, 2008). 
Com o número atômico 3, símbolo Li e pertencendo a série química do grupo 1 
da família de metais alcalinos, o lítio possui coloraração branco-acinzentada e é 
encontrado nas rochas magmáticas. Dentre os metais, apresenta a menor densidade 
e a maior eletropositividade, além de ser extremamente reativo. Encontra-se 
distribuído na crosta terrestre, com percentual de ordem 0,004%, apesar disso é 
importante ressaltar que está longe de ser abundante e não ocorre livre na 
natureza. Os compostos de Li são obtidos nos seguintes minerais aluminossilicatos: 
espodumênio, lepidolita, ambligonita, petalita, zinnwaldita, montebrasita e eucryptita 
(BRAGA; SAMPAIO, 2008). 
As principais fontes de lítio são os evaporitos, ou seja, em salmouras e fontes 
de água mineral com alto teor de lítio. É um metal amplamente utilizado na fabricação 
das baterias de íon-lítio, bateria presente em diversos eletrônicos atuais e em carros 
108 
 
 
elétricos. Contudo, possui outros usos, como em espaçonaves, líquido refrigerante de 
usinas nucleares e até no tratamento do transtorno de bipolaridade e depressão. 
Ressalta-se que o lítio, como os demais metais alcalinos, reage de forma exotérmica 
com a água e o ar e, por isso, deve ser manuseado com cuidado (BRAGA; SAMPAIO, 
2008). 
O primeiro país a produzir industrialmente os minerais de lítio foi a Alemanha 
que usou minérios provenientes da Bohemia e Saxonia. Em seguida, países como 
França e Estados Unidos também passaram a adentrar no mercado mundial de 
minérios e compostos de lítio. Quase no final do século XX foi iniciado um processo 
de deslocamento da produção de lítio para o Chile e Argentina, utilizando-se como 
matéria-prima das salmouras concentradas encontradas no deserto do Atacama no 
Chile e do Salar del Hombre Muerto na Argentina. Tal processo, culminou no 
fechamento das unidades produtoras de carbonato e hidróxido de lítio, das empresas 
norte americanas Cyprus Foote Mineral Co na Carolina do Norte, visto que esse 
deslocamento foi realizado pelas mesmas. O fechamento aconteceu visto que os 
custos de processamento eram bem superiores ao carbonato produzido por 
evaporitos (BRAGA; SAMPAIO, 2008). 
8.2.1 Reservas de lítio 
Seguindo pesquisas estima-se que o lítio esteja presente mais o menos 145 
minerais, porém em baixas concentrações. Porém, por razões econômicas e 
geográficas, apenas algumas reservas são comercialmente exploráveis. As principais 
reservas de lítio são o Salar de Uyuni, na Bolívia, e o Salar de Atacama, no Chile. 
Além disso, grandes reservas de lítio são encontradas na Austrália, que se tornou 
recentemente a maior produtora, na República Democrática do Congo, República 
Democrática do Congo, (Manono-Kitotolo), na China, no Canadá, nos Estados Unidos, 
no Afeganistão e na Áustria (COSTA, 2010). 
A tabela 6 a seguir são expressas as reservas aproximadas de lítio pelo mundo. 
Tabela 6 Reservas de lítio de planície salgadas. 
Reserva Qtde x 1000 ton 
 Salar de Uyuni, Bolívia 5000 
 Salar de Atacama, Chile 4300-4600 
 Mar Morto, Israel-Jordânia 2000 
109 
 
 
 Lago Qinghai, China 1000 
 Mar de Salton, EUA 1000 
 Lago Zabuye, China 1000 
 Lago Searles, EUA 1000 
Fonte: Costa (2010). 
No Brasil, existem pequenas reservas de lítio localizadas nos municípios de 
Araçuai e Itinga, em Minas Gerais, e nos municípios de Solonópole e 
Quixeramobim, no Ceará. 
 
8.3 PROPRIEDADES DO LÍTIO 
Branco-prateado, pouco mais duro que o sódio, porém mais macio que o 
chumbo, as propriedades do Li são as mais variadas. É o mais leve de todos os 
metais, da tabela periódica com peso específico de 0,534 g/cm3, ou seja, a metade da 
água, além disso, também é o mais eletropositivo com um potencial padrão de 
redução de -3,04 V. E como todo metal alcalino, o lítio, quando em uma substância 
composta, apresenta número de oxidação (NOx) fixo, com valor igual a +1. 
Na tabela 7 pode-se observar algumas das propriedades físicas e mecânicas 
do Li. 
Tabela 7 Propriedades do Lítio. 
Propriedade Valores 
Massa atômica 6,938 u.m.a 
Eletronegatividade 0,98 
Ponto de fusão 180,5 ºC 
Ponto de ebulição 1342 ºC 
Densidade 0,535 g/cm3 
Configuração eletrônica 1s12s1 
Condutibilidade térmica 0,847 W/cmK 
Módulo de elasticidade 10 x 10³ MPa 
Fonte: Adaptado de Massabni (2006). 
 
 
 
110 
 
 
8.3.1 Os minerais de Li 
A forma como os minerais de lítio ocorre na natureza é em pegmatitos 
graníticos, em rochas ígneas de granulometria grossa compostas por quartzo, 
feldspato e mica. O espodumênio e demais minerais de lítio ocorrem, como um 
mineral acessório nos pegmatitos. Mesmo ocorrendo em diferentes minerais, somente 
o espodumênio, a lepidolita, a petalita, a ambligonita e a montebrasita são utilizados 
como fontes comerciais de lítio (BRAGA; SAMPAIO, 2008). 
Na tabela 8 estão apresentados os principais minerais de lítio, teor do óxido de 
lítio (%Li2O), a densidade (D1) e dureza Morh (D2) de cada mineral. 
 
Tabela 8 Minerais de lítio com de teor de óxido e características físicas. 
 Minerais Fórmula D1 D2 % Teórico %Típico 
 Ambligonita LiAl(P04)(F,OH) 3,0 5,5-6,0 11,9 5,0 
 Eucryptita LiAl(SiO4) 2,65 6,5 11,9 5,0 
 Lepidolita K(Li,Al3) (Si,Al)4O10(F,OH)2 2,8-3,3 2,5 – 3,0 3,3 – 7,8 3,0 – 4,0 
 Montebrasita LiAlP04F 3,0 5,2 - 6,0 7,0 
 Petalita LiAl(Si4O10) 2,3-2,5 6,0 – 6,5 4,9 3,0 – 4,5 
 Espodumênio LiAl(Si2O6) 3,0 -3,2 6,5 – 7,5 8,0 1,5 – 7,0 
 Zinnwaldita K(Li,Al,Fe)3(Al,Si)4O10(F,OH)2 2,9-3,3 2,5 - 4,0 5,6 2,0 – 5,0 
Fonte: Braga e Sampaio (2008). 
8.3.2 Reações químicas 
Assim como sódio e potássio, deve ser acondicionado em solvente orgânico, 
isolado do ar atmosférico, por conta de suas reações exotérmicas, tanto com o ar por 
conta do gás oxigênio, quanto com a água presente na umidade. Contudo, as reações 
do lítio com essas substâncias não são tão vigorosas quanto sódio e potássio. 
As reações exotérmicas de dissociação (1) e hidrólise (2) são observadas 
abaixo: 
(1) 2 Li + ½ O2 → Li2O 
(2) 2 Li + 2 H2O → 2 LiOH + H2 
 
111 
 
 
Outra característica reacional que o lítio possui em comum com os metais 
alcalinos, é a reação com halogênios, grupo 17 da tabela periódica e gás hidrogênio 
quando aquecido: 
(3) 2 Li + X2 → 2 LiX (X = halogênio) 
(4) 2 Li + H2 → 2 LiH 
 
Porém, de todos os metais alcalinos, apenas o lítio consegue reagir com o gás 
nitrogênio para a formação do nitreto de lítio, Li3N, em temperatura ambiente. 
(5) 6 Li + N2 → 2 Li3N 
 
Os compostos de lítio podem ser identificados em testes de chama, pois o 
lítio, quando queimado, apresenta uma cor rubra, contudo, se a combustão for muito 
vigorosa, tal cor não pode ser percebida, dando lugar a uma chama branca e 
brilhante. 
8.4 AS BATERIAS DE LÍTIO 
As baterias de lítio têm aumentado sua importância na vida de todos. Hoje 
dependemos cada vez mais da utilização de equipamentos portáteis alimentados por 
baterias (MICHELINI, 2020). 
No mercado existem dois tipos de baterias de lítio: 
a. Primárias: São baterias não recarregáveis, mais conhecidas como pilhas. 
b. Secundárias: São baterias recarregáveis 
No geral todas as baterias, independentes do tipo, são dispositivos que 
convertem a energia química contida em seus materiais ativos,diretamente em 
energia elétrica, por meio da reação eletroquímica de oxidação e redução. 
O processo que envolve a transferência de elétrons dos materiais que se 
perdem elétrons, oxidam, para os materiais que ganham elétrons, reduzem, através 
de um circuito elétrico. No caso de um sistema recarregável, a bateria é recarregada 
por uma inversão desse processo (MICHELINI, 2020). 
8.4.1 Componentes das baterias de Li 
A bateria de lítio tem quatro partes internas principais que são: 
112 
 
 
a. Anodo: composto por grafite, no qual a carga positiva flui, ou seja, recebe 
elétrons. 
b. Catodo: composto por óxido de cobalto, que seria a parte negativa, a qual 
cede elétrons. 
c. Separador: sua função é separar o óxido de cobalto do lítio. Geralmente ele 
é composto por um material semipermeável, o qual deixa passar apenas um 
tipo de elemento nesse caso, os íons lítio. O separador é encharcado com 
solvente, geralmente éter. 
d. Camada de íons de lítio: fica separada do óxido de cobalto. 
A figura 39 a seguir representa a composição da estrutura interna da bateria de 
íon de lítio. 
 
 Figura 39 Composição interna da bateria de íon lítio. 
 Fonte: Rontek (2020). 
8.4.2 Tipos de baterias de Li 
Existem diferentes tipos de baterias de composição principal de lítio cada qual 
com sua especificação. Algumas características de cada tipo são descritas a seguir. 
8.4.2.1 Bateria de íons de lítio 
Esses modelos de baterias são as mais tradicionais no mercado, podem ser 
consideradas como bateria padrão de notebooks. Possui como características 
principais seu custo de produção adequado, que reflete em seu valor de mercado, 
113 
 
 
além de razoável autonomia e tempo de vida útil dentro das expectativas do 
componente (BENTO, 2022). 
 
8.4.2.2 Bateria de polímero de lítio 
As baterias de polímero lítio caracteriza-se por apresentar uma autonomia 
maior do que as demais baterias, pela presença de mais células em sua estrutura. 
Em termos de tecnologia básica, a bateria de polímero de lítio difere de outras 
formas de bateria de íon de lítio em termos do eletrólito que utiliza, neste caso é uma 
forma de polímero. Os eletrólitos de polímero de lítio modernos usam um gel e isso 
permite uma boa condutividade à temperatura ambiente. Além disso, a maioria dessas 
baterias usa um separador micro poroso. O separador micro poroso é necessário com 
a bateria de polímero de lítio em vez do separador poroso mais comum usado com 
tipos padrão (RAISA, 2020). 
8.4.2.3 Bateria de lítio ferrofosfato LiFePO4 
Em 1996, pesquisadores da Universidade do Texas descobriram o fosfato 
como material catódico para baterias recarregáveis. Nas pesquisas, os cientistas 
constataram que o elemento conjunto Li-fosfato ofereceu um bom desempenho 
eletroquímico com baixa resistência. Tal característica é possível por conta do material 
catódico de fosfato em escala nanométrica. Os principais benefícios dessas ligações 
são a alta classificação de corrente e o longo ciclo de vida, além de boa estabilidade 
térmica e maior segurança no modelo (BENTO, 2022). 
8.4.2.4 Bateria de lítio óxido cobalto LiCoO2 
Com alta densidade específica de energia, a bateria de lítio óxido 
cobalto são utilizadas na fabricação de smartphones, notebooks e câmeras digitais. A 
composição principal da bateria consiste em de um cátodo de óxido de cobalto e um 
ânodo de carbono de grafite (BENTO, 2022). 
A desvantagem apresentada pelo modelo de Li-cobalto é um tempo de vida 
relativamente curto comparada a outras baterias de lítio, além de baixa estabilidade 
térmica e capacidade de carga limitada potência específica (BENTO, 2022). 
 
114 
 
 
8.4.2.5 Bateria de lítio óxido manganês LiMn2O4 
A arquitetura dessa bateria forma uma estrutura de espinélio tridimensional que 
melhora o fluxo de íons no elétrodo, o que resulta em menor resistência interna e 
melhor manuseio de corrente. Essa baixa resistência proporciona uma energia 
específica mais moderada, um terço menor do que a bateria íon lítio, o que permite o 
carregamento rápido e alta descarga (ROMÃO; CARVALHO; JÚNIOR, 2019). 
Uma vantagem desta bateria é a elevada estabilidade térmica e maior 
segurança, mas com ciclo de vida limitados (ROMÃO; CARVALHO; JÚNIOR, 2019). 
8.4.2.6 Bateria de lítio óxido Ni-MG-Co LiNiMnCoO2-NMC 
Um dos sistemas de baterias de íons de lítio mais bem-sucedidos é a 
combinação catódica de níquel manganês cobalto (NMC). Semelhante ao Li-
manganês, esses sistemas podem ser adaptados para servir como células de energia, 
que tem como característica alta capacidade e longa duração. O níquel, conhecido 
por sua alta energia específica, mas baixa estabilidade, e o manganês apresenta-se 
como o aposto, possuindo a vantagem de formar uma estrutura de espinélio, para 
alcançar baixa resistência interna, mas oferece uma baixa energia específica 
(BENTO, 2022). 
As baterias NMC são utilizadas em ferramentas, bicicletas e motores elétricos. 
A combinação de cátodo é feita com um terço de níquel, um terço de manganês e um 
terço de cobalto. A combinação entre os três elementos níquel, manganês e cobalto, 
conhecida como 1-1-1, representa uma mistura única que, por sua vez, também reduz 
o custo da matéria-prima devido ao reduzido teor de cobalto, um material que possui 
alto custo no processo de fabricação para uma bateria de lítio 
(ROMÃO; CARVALHO; JÚNIOR, 2019). 
8.4.2.7 Bateria de lítio níquel cobalto óxido de alumínio LiNiCoAlO2 
A bateria de lítio níquel cobalto óxido de alumínio, ou NCA, existe desde 1999 
e é mais comumente utilizada em aplicações especiais. A mesma tem características 
principais semelhantes com a tecnologia NCM, com alta energia específica, boa 
capacidade e longo tempo de vida útil do componente (BENTO, 2022). 
 
115 
 
 
8.5 FABRICAÇÃO DAS BATERIAS DE LÍTIO 
Após receber o lítio, as empresas especializadas transformam o material em 
baterias. O processo ocorre da seguinte maneira: 
8.5.1 Etapa de mistura 
O lítio é misturado a uma espécie de tinta que lhe dá o aspecto de uma folha 
de papel alumínio (KARASISNKI, 2013). 
8.5.2 Etapa de conformação 
Nessa etapa o metal é conformado, sendo prensado e passando por diversos 
rolos compressores de alta potência. O que transforma o em uma lâmina metálica 
superfina, com menos de 0,2 ml de espessura (KARASISNKI, 2013). 
O processo é visto na figura 37 
 
 Figura 40 Transformação do lítio em folhas metálicas. 
 Fonte: Karasisnki (2013). 
O metal então é enrolado no formato de bobinas conforme figura 38 
 
 
 
 
 
 
 Figura 41 Bobinas de lítio. 
 Fonte: Karasisnki (2013). 
116 
 
 
 
8.5.3 Etapa associação 
Visto que o lítio é um material pegajoso e mole, o mesmo precisa ser associado 
com um rolo de filme de propileno, garantindo que não grude e se misture. Pois, se 
uma lâmina aderir à outra, o metal perde as suas qualidades e a bateria acaba 
inutilizada (KARASISNKI, 2013). 
8.5.4 Etapa de rebobinagem 
Os rolos, já com proteção do filme de propileno, voltam às máquinas de 
bobinagem. Porém, dessa vez, o número de voltas necessário segue de acordo com 
o tipo da bateria. Uma bateria de 3,56 V, por exemplo, precisa de 26 rotações até que 
a célula de bateria seja criada (KARASISNKI, 2013). 
8.5.5 Etapa de forno 
Após a bateria ser enrolada, ela passa por um forno conforme figura 42, que 
realiza a fixação das camadas, comprimindo os componentes a vácuo e permitindo 
que tudo fique firme e sólido (KARASISNKI, 2013). 
 
 Figura 42 Fixação da bateria em camadas sólidas. 
 Fonte: Karasisnki (2013). 
 
 
 
117 
 
 
8.6 MODELO DE NEGÓCIO DO LÍTIO 
Quando manuseada e reaproveitada corretamente por profissionais e 
empresasqualificadas, as baterias de Li tornam-se negócios lucrativos, que serão 
apresentados a seguir: 
8.6.1 Modelo de negócio da Energy Source 
Os veículos elétricos há anos apresentava ser uma tecnologia distante, mas 
com o passar dos anos e avanço do setor automobilístico, a tendência é que os 
mesmos dominem as ruas nos próximos anos, colocando fim aos automóveis a 
combustão e mudando de vez o foco das fabricantes de automóveis na próxima 
década. Pensando nisso e em como aproveitar a capacidade restante das baterias de 
lítio para outros fins, startup8 brasileira Energy Source, criou métodos próprios de 
como reciclar a baterias de Li, contribuindo com o a transição de matriz energética no 
mundo todo (SÉRVIO, 2022). 
A figura 43 representa um carro elétrico com bateria de Li. 
 
Figura 43 Desenho de carro elétrico. 
 Fonte: Reis (2019). 
 
8Startup é uma empresa nova com um modelo de negócios escalável, repetível e uma ideia inovadora 
que provoca impacto na sociedade. 
118 
 
 
Para dar início ao negócio, a Energy Source desenvolveu uma ferramenta que 
pode identificar até qual o fim uma célula usada pode servir, além de uma forma 
patenteada de separar metais (SÉRVIO, 2022). 
As etapas de reciclagem usadas pela startup dividem-se em três etapas 
principais que são: 
a. Na primeira etapa realiza-se o processamento das baterias, que resulta em 
um produto batizado de Black Mass (ENERGY SOURE, 2022). 
b. A segunda etapa é o processamento deste material via solução hidro 
metalúrgica, método químico empregado para a obtenção de Cobalto, Lítio, 
Níquel e Manganês (ENERGY SOURE, 2022). 
c. Após o processo hidro metalúrgico toda matéria-prima é reinserida na cadeia 
produtiva, o que fecha o ciclo da reciclagem com êxito (ENERGY SOURE, 
2022). 
Por meio da exploração de estratégias emergentes e utilizando tecnologias 
promissoras, a Energy Source se destaca na gestão da reciclagem das baterias de 
íon de lítio, em favor da sustentabilidade da economia circular, oferecendo uma 
solução completa, com alto valor agregado. Durante esse período de atuação, a 
empresa já alcançou resultados socioambientais significativos, visto que usa 
processos mecânicos e hidro metalúrgicos, com zero emissão de CO2 e o seu 
processo de reciclagem tem eficiência média de 85% (ENERGY SOURE, 2022). 
A empresa tem parcerias importantes, uma das mais significativas é com o 
grupo multinacional francês Renault, que repassa desde 2017 baterias usadas dos 
carros para a Energy Source. Através de parcerias como essa, a empresa consegue 
transformar os passivos das parceiras em ativos, sem custos e com possível 
monetização para cada Kg de bateria de Li descartada (ENERGY SOURE, 2022). 
 
8.6.2 Projeto Tupy Tech 
O mercado de reciclagem de baterias de Li não apenas tem sido explorado por 
startups, multinacionais visando a sustentabilidade dos seus negócios, também estão 
desenvolvendo inciativas e projetos, como é o caso da metalúrgica brasileira Tupy. 
Dentro da frente Tupy Tech com parceria com a BMW GroupBrasil e o Senai Paraná, 
colocaram em prática um projeto que visa o desenvolvimento de processo de 
119 
 
 
reciclagem de células de baterias de íon-lítio dos veículos da BMW. O projeto prevê 
investimentos de R$ 3,4 milhões (PRESSCLUB BRASIL, 2022). 
O projeto tem objetivo em reaproveitar o material ativo do catodo e reutiliza-lo 
na fabricação de novas baterias. Na parceria a BMW fornecerá conhecimento técnico 
sobre as baterias do elétrico BMW i3, para o desenvolvimento do processo de 
reciclagem, já o Senai Paraná será responsável pela pesquisa e pelas atividades e 
respectivas entregas dos resultados do projeto, pois a pesquisa será realizada no 
Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica (PRESSCLUB BRASIL, 2022). 
 O CEO da Tupy, Fernando Cestari de Rizzo, explica as oportunidades e 
reforça as soluções que o projeto trará dentro dos 24 meses de execução. 
Os compostos químicos são raros na natureza e sua reutilização representa 
um grande desafio científico e tecnológico para toda sociedade. Essa aliança 
da Tupy com o BMW Group Brasil e o Senai está alinhada a inúmeras 
iniciativas mundiais relacionadas à cadeia de valor dos veículos elétricos e, 
principalmente, à jornada de descarbonização, à qual temos dedicado 
diversas frentes de pesquisa (Rizzo, 2022). 
 
Uma ilustração do modelo de carro da BMW na qual as baterias serão 
recicladas é mostrado a seguir na figura 44. 
 
Figura 44 Modelo BMW i3. 
 Fonte: Motor Show (2018). 
120 
 
 
8.7 TÉCNICAS DE RECICLAGEM DO LÍTIO 
Os compostos das baterias de íons de lítio são menos tóxicos do que o de 
outras baterias, fator que facilita a reciclagem. Conforme o professor de química da 
universidade de São Paulo, Roberto Torresi, a elevada demanda para processo de 
reciclagem de baterias de lítio, requer o acompanhamento de políticas de reciclagem 
adequadas, desde o consumo de água até a produção. 
O fluxo marco de recuperação e reciclagem das baterias de lítio podem ser 
observados na figura 45 
 
Figura 45 Fluxo de reciclagem das baterias de lítio. 
Fonte: Brada (2022). 
8.7.1 Processo mecânico de reciclagem 
Na reciclagem das baterias de lítio segue em um processo mecânico 
especializado com temperatura ambiente, a qual os componentes da bateria são 
separados em três produtos, que são: 
a. Concentrado de sal de cobalto e lítio 
b. Aço inoxidável 
c. Cobre, alumínio e plástico. 
Todos esses produtos são colocados de volta no mercado para serem 
reutilizados em novos produtos. 
121 
 
 
O processo de reciclagem mecânico ocorre conforme as seguintes etapas. 
8.7.1.1 Etapa de trituração 
O conteúdo das baterias colocado no triturador ou martelo de alta velocidade, 
dependendo do tamanho da bateria, e assim triturado (SEC POWER, 2019). 
8.7.1.2 Etapa de neutralização 
O conteúdo triturado é então submerso em água cáustica básica e não ácida. 
Esta solução cáustica neutraliza os eletrólitos e os metais ferrosos e não ferrosos são 
recuperados (SEC POWER, 2019). 
8.7.1.3 Etapa de recuperação 
Após recuperação dos metais, a sucata limpa é vendida para recicladores de 
metal para compensar o custo de reciclagem destas baterias. Já a solução 
permanecente é filtrada e o carbono é recuperado e pressionado em folhas úmidas 
de bolo de carbono (SEC POWER, 2019). 
 
8.7.2 Processo Toxco de reciclagem 
O processo industrial Toxco utiliza uma combinação de processos físicos e 
hidro metalúrgicos. No mesmo as baterias de íons de lítio são moídas em um 
shredder9 e o pó metálico é mergulhado em água, que reage com o lítio. Este, então, 
precipita na forma de hidróxido, podendo ser recuperado por uma filtração simples 
(COSTA, 2010). 
 
8.7.3 Processo Sony 
Outro processo industrial para reciclagem é o Sony, esse processo utiliza de 
uma combinação entre rotas pirometalúrgicas e hidrometalúrgicas para a recuperação 
da fração metálica, e a parte orgânica é incinerada (COSTA, 2010). 
 
9Denomina-se como um tipo de fragmentadora 
122 
 
 
CAPÍTULO 9: RECICLAGEM DO CHUMBO DE BATERIA AUTOMOTIVA 
9.1 INTRODUÇÃO 
O chumbo amplamente usado em diversas áreas, pode-se dividir suas 
aplicações atuais em duas grandes categorias. Aplicações tecnológicas, na 
construção civil, baterias de ácido e proteção contra raios-x, por exemplo. E em seus 
compostos, tal como cromato de chumbo PbCrO4, usado em tintas industriais, fluoreto 
de chumbo PbF2, usado na fabricação de óculos especiais e Telureto de chumbo 
PbTe, usado na fabricação semicondutores (CLUBE DA QUÍMICA, 2022). 
As figuras a seguir trazem exemplos de aplicações tecnológicas e de 
compostos de chumbo. 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: Fast Epis (2023). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: Clube da química (2022). 
Por conta da vasta possibilidadeem aplicações, o chumbo requer cuidado ao 
ser manuseado, pois por ser um metal pesado, provoca no organismo humano 
Figura 46 Avental de chumbo para proteção de raio-x. 
Figura 47 Cromato de chumbo para tintas. 
123 
 
 
contaminação crônica. Uma vez que o chumbo entra em contato com o organismo, o 
mesmo não sofre metabolização, sendo complexado por macromoléculas, 
diretamente absorvido, distribuído e excretado. Essa característica denomina-se por 
esse metal ser bioacumulado, podendo ficar retido nos organismos vivos por longos 
períodos ou até mesmo permanentemente. Além disso, esse elemento também passa 
pelo processo de biomagnificação, indicando a capacidade de se acumular ao longo 
da cadeia alimentar, podendo ser transferido entre espécies por meio da alimentação. 
Esses dois mecanismos explicam a alta toxicidade do chumbo que causa danos 
neurológicos graves (MUNDO EDUCAÇÃO, 2012). 
9.2 O CHUMBO 
O elemento chumbo é conhecido desde a antiguidade, pois foi um dos primeiros 
metais utilizados pela humanidade. Há registros de 3.000 a.C de que os chineses 
extraíam e produziam o metal e que os povos fenícios10 exploravam seus depósitos 
minerais na região da Espanha desde 2.000 a.C. O chumbo tem seu nome derivado 
da palavra plumbum do Latim (PRADA; OLIVEIRA, 2010). 
Conforme a companhia de desenvolvimento de minas gerais - CODEMGE, o 
chumbo possui número atômico 82, símbolo Pb e pertencendo a série química do 
grupo 14 da família de metais pesados, o chumbo possui coloração cinza azulada. O 
principal mineral encontra-se na natureza é a galena, apresentada na um sulfeto (PbS) 
do sistema cúbico, denso, que apresenta brilho metálico. Minérios de chumbo os 
minérios de chumbo, que normalmente tem teores entre 3 e 8%, são geralmente ricos 
em galena, e apresentam teores de prata e antimônio (CODEMGE, 2018). 
Os minerais secundários de alteração superficial com quantidades elevadas de 
Pb, que formam agregados microcristalinos terrosos predominantes mais comuns são 
(CODEMGE, 2018): 
a. Clorofosfato piromorfita (Pb5(PO4)3Cl) 
b. Sulfato anglesita (PbSO4) 
c. Carbonato cerussita (PbCO3) 
Classifica-se como um metal tóxico, de elevada densidade, superior à maioria 
dos elementos químicos, pesado, dúctil, maleável, pobre condutor de eletricidade e 
 
10Civilização da antiguidade das atuais regiões da Síria, Líbano e norte de Israel 
124 
 
 
baixo ponto de fusão. Apresenta o número atômico mais elevado dentre os elementos 
estáveis (RUSSELL, 1994). 
Ao ser cortado apresenta coloração acinzentada ao ser exposto a atmosfera, e 
aspecto opaco em razão da formação do monóxido de chumbo (PbO). Essa imediata 
formação do PbO é o processo conhecido como passivação, responsável pela alta 
resistência à corrosão desse metal (MUNDO EDUCAÇÃO, 2012). 
Embora as aplicações industriais do chumbo sejam das mais diversificadas, 
cerca de 80% do chumbo metálico no mundo é utilizado em baterias de automóveis. 
9.2.1 Reserva de chumbo 
A nível nacional as reservas no Brasil variam entre 450.000 e 500.000 t de 
Chumbo, possuindo um total de 52 milhões de toneladas de minério, com um teor 
médio de 1,89% de Pb, incluindo reservas de medidas mais inferidas, com um total 
de 985.000t do metal contido (NASCIMENTO et al., 2021). 
Apenas em 2017 a produção mundial representava 2,4 Mt. No Brasil, o chumbo 
apresentava cerca de 74.000t, 0,1% da reserva global, as exportações brasileiras do 
chumbo chegaram a 18,7 kt, rendendo cerca de US$ 14,3 milhões, com destinos 
para Japão (26%) e China (74%). Os manufaturados representam 120t e 
rendimento de US$ 810 mil, destinados a países como Argentina 25%, Canadá 24%, 
Paraguai 18%, Uruguai 10 % e Chile 5 % (NASCIMENTO et al., 2021). 
 
9.3 PROPRIEDADES DO CHUMBO 
Apesar de ser um elemento metálico, as propriedades do Pb são discretas, 
quando comparada com os demais metais, como já apresentado ressalta-se a sua má 
condutibilidade elétrica, baixa dureza. ponto de fusão relativamente baixo. No entanto, 
possui boa maleabilidade e ductilidade, podendo facilmente ser transformado em 
folhas ou chapas (MATLAKHOVA, 2016). 
A tabela 9 traz algumas propriedades físicas e químicas do Pb. 
Tabela 9 Propriedades do elemento Chumbo. 
 Símbolo Pb 
Número atômico 82 
Massa atômica 207,2 u.a 
125 
 
 
Eletronegatividade 2,33 
Ponto de fusão 327,2 ºC 
Ponto de ebulição 1745 ºC 
Densidade 11,34 g/cm3 
Configuração eletrônica [Xe] 6s24f145d106p2 
Condutibilidade térmica 0,353 W/cmK 
Módulo de elasticidade 20 x 10³ Mpa 
Fonte: Adaptado de Matlakhova (2016). 
 
9.4 AS BATERIAS DE CHUMBO 
Segundo a Norma Brasileira NBR 7039/87, as baterias de chumbo são 
conjuntas de acumuladores elétricos recarregáveis, interligados convenientemente, 
construídos e utilizados para receber, armazenar e liberar energia elétrica por meio 
de reações químicas envolvendo chumbo e ácido sulfúrico (ABNT, 1987). 
9.4.1 Componentes da bateria de Pb 
Os componentes necessários para execução da bateria ácido-chumbo e os 
materiais que são feitos são representados na imagem e descritos em seguida. 
9.4.1.1 Grades 
As funções da grade incluem segurar o material ativo e conduzir eletricidade 
entre o material ativo e os terminais celulares. Pela fragilidade dos eletrodos, esses 
precisam de um suporte mecânico proporcionados pela grade, feita de uma liga de 
chumbo ou materiais não metálicos, desde que sejam eletricamente condutivos 
(CARNEIRO et al., 2017). 
9.4.1.2 Placa negativa 
São placas negativas as grades de chumbo empastadas com massa ativa 
composta por água, solução de ácido sulfúrico, óxido de chumbo, fibras acrílicas e 
uma mistura de ligninosulfonato de chumbo o que produz um aumento da área 
superficial da massa ativa. Além disso, encontra-se em tal placa o sulfato de bário e 
126 
 
 
negro de fumo que aumenta a condutividade elétrica da massa ativa no final da 
descarga (CARNEIRO et al., 2017). 
 Na constituição das placas negativas são aplicados elementos expansores tais 
como sulfato de bário, negro de fumo e lignina, para prevenir o seu retraimento durante 
uso. 
9.4.1.3 Separador 
As placas precisam ficar o mais próximo possível umas das outras, para que 
seja possível reduzir a resistência interna. Contudo devido à diferença de polaridade 
das placas, não pode haver contato entre tais e por isso são usados separadores 
(CARNEIRO et al., 2017). 
O separador consiste em um isolante colocado entre as placas positivas e 
negativas. Servindo para evitar que as placas positivas toquem nas negativas 
causando um curto circuito, além de manter a quantidade reserva de eletrólito no 
espaço entre as placas, facilitando assim a condutância eletrolítica (CARNEIRO et al., 
2017). 
O separador deve ser micro poroso com orifícios pequenos que permitem que 
os íons fluam por meio do separador de uma placa para outra. Normalmente é feito 
polietileno, PVC ou papel fibroso (MAHAN, 2002). 
9.4.1.4 Placa positiva 
São placas positivas grades de chumbo recobertas sob pressão por uma pasta 
composta de água, óxido de chumbo, solução de ácido sulfúrico e fibras resistentes 
ao contato com a solução (CARNEIRO et al., 2017). 
9.4.1.5 Célula 
A união das placas positivas com as negativas intercaladas pelos separadores 
recebe o nome de pilha. Quando essas pilhas são colocadas em contato com o 
eletrólito em um recipiente, esse recebe o nome de célula e cada célula possuem 
voltagem de aproximadamente 2V (CARNEIRO et al., 2017). 
Em uma bateria convencional de chumbo-ácido são apresentadas seis células 
de 2V, ligadas em série, o que resulta em uma tensão de 12 V por bateria. 
 
127 
 
 
9.4.1.6 Conectores 
Os conectores são dispositivos que possuem como função ligar elementos da 
bateria em série, e dependendo da tensão aplicada necessária esses dispositivos são 
produzidos de diversas ligas de Pb (CARNEIRO et al., 2017). 
9.4.1.7 Polos 
São condutoresmetálicos em ligas de chumbo-estanho com a função de ligar 
as placas de das células ao terminal externo (CARNEIRO et al., 2017). 
9.4.1.8 Terminal 
Peça metálica em liga de chumbo antimônio, que oferece maior resistência 
mecânica e ligação elétrica externa da bateria (CARNEIRO et al., 2017). 
9.4.1.9 Caixa 
Tanto a caixa quanto a tampa das baterias são feitas de polipropileno, material 
polimérico leve e forte que resiste a diferentes temperaturas e não tornando-se frágil 
quando exposto ao frio, por exemplo. O que faz com que resista a choques durante o 
manuseio. Outra característica importante é que não reage quando expostos aos 
ácidos, podendo suportar os fluidos gasolina, fluido de freio e diesel normalmente 
encontrados em um veículo (MAHAN, 2002). 
9.4.1.10 Tampa 
Responsável por isolar os elementos e o eletrólito da bateria do meio externo, 
impedindo a entrada de contaminantes. Uma vez que as baterias podem ter acesso 
ou não ao eletrólito. As tampas são divididas em convencionais de rolha com orifícios 
para saída dos gases gerados nas baterias que possuem acesso ao eletrólito 
(CARNEIRO et al., 2017). 
9.4.1.11. Eletrólito 
Composto por ácido sulfúrico diluído em água, funciona como um condutor que 
transporta os íons elétricos entre as placas positivas e negativas quando a bateria 
está sendo carregada ou descarregada (MAHAN, 2002). 
128 
 
 
 
9.4.1.12 Válvula 
Fabricado de borracha, a válvula é responsável em regular a pressão interna 
permitindo o escape de gases gerados quando a pressão interna atinge um valor 
predeterminado, assim, impedindo a entrada de ar externo (CARNEIRO et al., 2017). 
9.4.1.13 Supressor de chamas e gases 
Dispositivo de segurança para liberação dos gases e inibição quanto ao acesso 
de faíscas e chamas para o interior da bateria (CARNEIRO et al., 2017). 
9.4.1.14 Sobre tampa 
Possui um desenho semelhante da tampa e é um componente selado que 
auxilia no direcionamento dos gases gerados (MAHAN, 2002). 
A figura representa os cada componente básico das baterias. 
 
 Figura 48 Componentes básicos das baterias de chumbo. 
 Fonte: Carneiro et al. (2017). 
129 
 
 
9.4.2 Funcionamento da bateria de chumbo ácido 
 Conforme artigo da revista virtual de química RVq, que introduz os princípios 
e funcionamento das baterias de chumbo, esse processo caracteriza-se da seguinte 
forma (CARNEIRO et al., 2017): 
a. O processo inicia após as células são formados por eletrodos que são 
mergulhados em solução diluída de ácido sulfúrico com densidade aproximada 
de 1,28g/ml; 
b. Visto que os eletrodos de chumbo metálico possuem um formato de grades 
empastadas, com uma mistura de PbO, Pb, água e ácido sulfúrico, o material 
ativo. O chumbo presente nessas grades pode conter vários elementos, como 
por exemplo, antimônio, arsênio, cádmio, cobre, cálcio e estanho; 
c. Após o preparado das placas positivas e negativas, as mesmas são secas, 
curadas, formadas e montadas em células. As placas positivas e negativas são 
denominadas cátodo e anodo respectivamente; 
d. Tais placas são isoladas pelos separadores de placas, evitando que ocorra 
curto circuito e permitindo que a corrente elétrica flua através dos poros; 
e. Ligadas em paralelo todas as placas de igual sinal, obtém-se uma alta 
superfície de matéria ativa além de uma elevada capacidade; 
f. Após fechamento o circuito externo, os terminais são conectados 
eletricamente, a bateria entra em funcionamento realizando a descarga, no qual 
ocorre a semirreação de oxidação no chumbo e a de redução no dióxido de 
chumbo; 
g. Quando o ácido sulfúrico é diluído em água, as moléculas do ácido se 
dividem em íons de hidrogênio carregados positivamente (H+) e em íons 
carregados negativamente (SO4)2-. Essa divisão é necessária para tornar o 
eletrólito capaz de transportar íons que possibilita a reação química durante o 
processo de carga e descarga. Ressalta-se que o eletrodo negativo contém 
pequenas quantidades de aditivos para dar à bateria um bom desempenho de 
descarga em baixas temperaturas e melhorar a partida. 
 
 
 
130 
 
 
9.4.3 Principais reações químicas 
As reações químicas que acontecem durante a descarga são: 
(5) Anódica: Pb(s) + H2SO4(aq) → PbSO4(s) + 2H+(aq) + 2e− 
(6) Cátodica: PbO2(s) + H2SO4(aq) + 2H+(aq) + 2e− → PbSO4(s) + 2H2O(l) 
(7) Reação Total: Pb(s) + PbO2(s) + 2H2SO4(aq) → 2PbSO4(s) + 2H2O(l) 
 
A reação do cátodo e do ânodo produzem sulfato de chumbo (PbSO4), 
insolúvel que adere aos eletrodos. Quando um acumulador está se descarregando, 
ocorre um consumo de ácido sulfúrico, isso diminui a densidade da solução 
eletrolítica de água e ácido sulfúrico. Por fim, mede-se a densidade da solução 
eletrolítica para descobrir qual a magnitude da carga ou descarga do acumulador, 
uma vez que a densidade se relaciona com a quantidade de ácido sulfúrico presente 
na mistura (MAHAN, 2002). 
 A figura 49 representa o processo de descarga citado. 
 
 Figura 49 Processo de descarga na bateria chumbo-ácido. 
 Fonte: Cultura Livre (2018). 
9.6 FABRICAÇÃO DAS BATERIAIS DE CHUMBO 
A bateria é responsável por acumular energia para o funcionamento do veículo 
e com duração de cerca de dois anos, ela é passível de troca em algumas situações. 
Na composição básica da bateria é essencialmente formada por chumbo, ácido 
sulfúrico e materiais plásticos. O chumbo presente na forma de chumbo metálico, ligas 
de chumbo, dióxido de chumbo e sulfato. O ácido sulfúrico se encontra na forma de 
131 
 
 
solução aquosa com concentrações variando de 27% a 37% em volume e densidade 
de aproximadamente 1,26 g/cm³ (AGARWAL, 2016). 
A fabricação da bateria de chumbo passa por um processo em cinco etapas 
fundamentais que são denominadas operações unitárias, essas etapas são descritas 
a seguir. 
9.6.1 Etapa de teste 
Para garantir a qualidade da liga, na primeira etapa realiza-se testes de 
metalografia, ou seja, análise estrutural microscópica e macroscópica do material 
(CELESC, 2015). 
9.6.2 Etapa de produção pó de Pb 
A produção do pó de chumbo se dá pelo processo de oxidação do chumbo, 
onde a composição básica do pó é PbO e Pb livre. Existem dois processos de 
produção, o processo de Barton no qual o chumbo fundido é agitado na presença de 
oxigênio, e o processo de moagem, em que pedaços de chumbo são atritados em 
moinhos de atrito na presença de oxigênio. Na etapa de produção da pasta há adição 
do pó de partida com concentrações de chumbo livre e óxido de chumbo, PbO., 
9.6.3 Etapa de empaste 
A pasta é forçada ou pressionada contra os interstícios da grade por uma 
máquina ou manualmente, em seguida, são transformadas em placas denominadas 
“não curada”. Nessa etapa o controle se dá pela eficiência da compressão 
(AGARWAL, 2016). 
9.6.4 Etapa soaking 
O soaking, é uma etapa que nem sempre é utilizada nos procedimentos em 
fábrica, mas é importante para produzir porosidade no material ativo a ser produzido 
na próxima etapa o qual é primordial para o produto atender o dimensionamento 
planejado (DEVICES TECNOLOGIA, 2022) 
 
 
. 
132 
 
 
9.6.5 Etapa de formação 
Na etapa de formação, se forma os denominados materiais ativos, sendo o 
PbO2 na placa positiva e Pb na negativa, ambos por processos eletroquímicos. 
O processo de formação inicia-se com a introdução de uma solução de ácido 
sulfúrico 1,25g/cm3 em um tanque contendo as placas positivas e negativas. Logo em 
seguida, as placas permanecem no eletrólito por um período de até 2 horas, na qual 
as reações do ácido sulfúrico com os óxidos básicos de chumbo resultam em uma 
camada de sulfato de chumbo (PbSO4) na superfície e superfície interna dos poros da 
placa (ZANCONATO et al., 2016). 
 
9.7 MODELOS DE NEGÓCIOS DO CHUMBO 
9.7.1 Toti distribuidora 
Toli distribuidora sediada na cidade de Serafina Corrêa, Rio Grande do Sul, 
realizaforte desenvolvimento no ramo da reciclagem de baterias de chumbo ácido. 
Brasil. Sua preocupação em ser uma empresa referência no mercado, aos clientes, 
os fornecedores, os colaboradores, e governo (TOTI DISTRIBUIDORA, 2022). 
A figura 50 representa a sede da Toti distribuidora. 
 
 Figura 50 Sede da Toti distribuidora. 
 Fonte: Toti distribuidora (2022). 
Para que o processo de reciclagem corra conforme o planejado, é preciso 
contar com materiais confiáveis e acessíveis. No processo de reciclagem a produção 
divide-se na recuperação de várias partes fundamentais. 
 
133 
 
 
9.7.1.1 Reciclagem do plástico 
O plástico das caixas e capas é moído, e posteriormente paletizado, estando 
pronto para nova fusão e criação de novas caixas e capas. As peças são lavadas, 
secas e enviadas para uma recicladora de plástico, onde as peças são derretidas para 
um estado quase líquido. O plástico derretido é colocado em uma extrusora que 
produz pequenas peças paletizadas uniformemente. Esses paletes são vendidos ao 
fabricante da bateria e o processo reinicia (LUZZI, 2022). 
9.7.1.2 Reciclagem do chumbo 
As grades de chumbo, óxido de chumbo e outras partes limpas e derretidas são 
fundidas. Então, com o chumbo líquido, o mesmo é despejado em moldes para 
transformarem-se em lingotes de chumbo. A escória que flutua no líquido ainda quente 
é retirada e os lingotes são deixados para resfriar e solidificarem. 
Depois de frios, são removidos das formas e enviados aos fabricantes de 
baterias, onde são derretidos novamente para formarem placas de chumbo e outras 
partes de uma nova bateria (LUZZI, 2022). 
9.7.1.3 Reciclagem do ácido sulfúrico 
O ácido usado nas baterias também pode ser tratado e gerenciado de duas 
formas. Na primeira forma o ácido é neutralizado com composto industrial, o que o 
transforma em água que após tratamento e análises é liberada na rede de esgoto. A 
segunda forma é a conversão em sulfato de sódio, um pó branco inodoro utilizado 
como sabão líquido para roupas, vidro e manufatura de tecidos (LUZZI, 2022). 
 
9.7.2 Projeto Novo Pb 
Tendo em vista as oportunidades para a reciclagem nas baterias de chumbo e 
os impactos positivos de tal prática. O polo de inovação de vitória desenvolveu um 
projeto de reciclagem da pasta de baterias de chumbo- ácido, visando implantar um 
processo mais limpo para reciclagem desse tipo de bateria. 
O projeto foi desenvolvido em 2018 por meio do convênio firmado entre o Polo 
de Inovação Vitória do Ifes, credenciado como Polo Embrapii em Metalurgia e 
134 
 
 
Materiais, as empresas brasileiras Antares Reciclagem e Tudor M. G. de Baterias, um 
grupo de pesquisa da Universidade de Cambridge, na Inglaterra e a empresa inglesa 
de reciclagem Aurelius (IFES, 2018). 
No ano de 2019 o projeto realizou as primeiras entregas provenientes de suas 
atividades. Os resultados da pesquisa foram considerados promissores pelas 
empresas e se firmou continuidade da próxima etapa, que consistia na implantação 
do processo em planta em Tudor de Governador Valadares (IFES, 2019). 
A figura 51 demonstra uma das apresentações de resultados pela equipe do 
projeto. 
 
 Figura 51 Apresentação dos resultados do projeto novo Pb. 
 Fonte: IFES (2019). 
 Anualmente, o projeto abre inscrições para empresas interessadas tornarem -
se parceiras do mesmo, podendo desenvolver o processo de reciclagem que 
possibilita a obtenção direta de matéria prima para a reutilização em novas baterias, 
com substâncias mais seguras e em baixas temperaturas. 
 
9.8 TÉCNICA DE RECICLAGEM DO CHUMBO 
Todos os componentes de uma bateria de chumbo ácido possuem potencial 
para reciclagem, sendo recicladas em até 99%. Com uma representatividade de 80% 
na fabricação de baterias automobilísticas, de acordo com dados do Instituto de 
135 
 
 
Metais Não Ferrosos, o chumbo é um metal que pode ser reciclado indefinidas vezes, 
sem perder sua estrutura físico-química. Sua reciclagem no Brasil é a principal fonte 
de matéria-prima, representando 53%. De acordo com André Saraiva, Presidente e 
CEO do Programa de Responsabilidade Ambiental Compartilhada (PRAC), essas 
características fazem com que o produto seja alvo de muita procura no final da sua 
vida útil (RECICLA SAMPA, 2020). 
A figura 52 representa os diferentes subprodutos que podem ser reciclados das 
baterias de chumbo. 
 
 Figura 52 Ciclo de reciclagem da bateria de chumbo. 
 Fonte: Schneider (2019). 
Por ser composta de plástico, chumbo e solução ácida, o processo se inicia 
com a separação desses materiais por tipo. Após passar pelo processo de trituração 
divide-se a sucata da bateria e o plástico do chumbo por meio de um sistema de 
gravidade, que leva em consideração o peso do plástico (RECICLA SAMPA, 2020). 
Já separados, o plástico passa por um processo de trituração, é moído e 
transformado em uma massa homogênea que servirá posteriormente para a produção 
de caixas e tampas para novas baterias. Contudo o chumbo, segue para o processo 
de fundição, onde o metal é transformado em líquido e ganha um novo formato 
(RECICLA SAMPA, 2020). 
Basicamente o processo de reciclagem consiste nas etapas de dessulfurização 
e lixiviação. 
136 
 
 
9.8.1 Etapa de dessulfurização 
A primeira etapa consiste na dessulfurização da pasta residual, obtendo-se o 
carbonato de chumbo (PbCO3) e o sulfato de sódio (Na2SO4). Isso ocorre, pois o 
principal constituinte da pasta residual de baterias automotivas é o sulfato de chumbo, 
e é tratada em duas etapas (SATO; ARAÚJO; TRINDADE, 2018). 
 
9.8.2 Etapa de lixiviação 
Numa segunda etapa, o carbonato de chumbo é lixiviado com ácido nítrico 
(HNO3) gerando o nitrato de chumbo solúvel (Pb(NO3)2), a partir do qual pode ser 
obtido o chumbo metálico, via eletrólise (SATO; ARAÚJO; TRINDADE, 2018). 
Existem dois agentes dessulfurizantes para o processo de lixiviação, o 
carbonato de sódio (Na2CO3) e o carbonato de amônia ((NH4)2CO3), reações a seguir. 
(8) PbSO4 + Na2CO3 → PbCO3 + Na2SO4 
(9) PbSO4 + (NH4)2CO3 → PbCO3 + (NH4)2SO4 
 
A velocidade da reação 8 em meio aquoso é conhecida por ser rápida, sendo 
a difusão dos íons de carbonato no meio reacional que controla a taxa de dissolução 
de sulfato. 
Altas concentrações de carbonato de sódio, altas temperaturas e tempos 
elevados geram produtos que poderão vir a contaminar a solução final com compostos 
de sódio. 
Aumentando-se progressivamente o pH da solução, grandes quantidades de 
produtos como, Pb10O(CO3)6(OH)6 e Pb4O3(SO4) (H2O), são gerados. Pode-se 
observar isso através das reações apresentadas a seguir. 
 
(10)10PbSO4+6 Na2CO3+8OH- → Pb10O(CO3)6(OH)6+12Na++10SO4
2-+ H2O 
(11)4PbSO4 + 6OH- → Pb4O3(SO4) (H2O) + 3SO4
2- + 2H2O 
 
A figura 53 representa o processo de reciclagem de chumbo de baterias 
automotivas. 
137 
 
 
 
 Figura 53 Fluxograma de reciclagem de baterias de chumbo. 
 Fonte: Sato, Araújo e Trindade (2018). 
O único rejeito gerado durante o processo de reciclagem e que, portanto, não 
pode ser reaproveitado, é a escória, um material arenoso resultado do processo de 
fundição do chumbo. Estima-se, porém, que, em breve, ele também poderá ser 
reutilizado. 
 
138 
 
 
CAPÍTULO 10: COMPARAÇÃO ENTRE MODELOS 
Após apresentação e análise de negócios que visam a circularidade de seus 
produtos e serviços, é indispensável realizar um comparativo entre os dois modelos 
econômicos. 
O modelo econômico linear retrata impactos negativos, além da degradação 
ambiental, causada também pela destinação incorreta de resíduos, esse modelo 
aumenta a competição por commodities, elevando o preço e a instabilidade do 
mercado. Além disso, essa economia expõe os países e as empresas a riscos 
relacionados à volatilidade de preços e disponibilidade de recursos, como também 
na interrupção do fornecimento porescassez (GONÇALVES; FONSECA, 2019). 
 Portanto reforça-se que a economia circular proporciona uma série de 
benefícios para sociedade quando comparada com a linear. A base dessa economia 
focada na sustentabilidade e na manutenção de produtos proporciona oportunidades 
estratégicas como: 
a. Novos modelos de negócios, com foco na reutilização, reciclagem, redução 
e recuperação de produtos; 
b. Maior volatilidade no preço das matérias-primas e limitação dos riscos de 
fornecimento; 
c. Novas relações com o cliente, programas de retoma, novos modelos de 
negócio; 
d. Melhorar a competitividade da economia; 
e. Contribuir para a conservação do capital natural, redução das emissões 
e resíduos e combate às alterações climáticas. 
Além dessas oportunidades, diversos são os setores que se beneficiam com 
introdução de novos negócios circulares, tais como fabricantes, importadores, 
recicladores, distribuidores, varejistas, consumidores e órgãos ambientais. 
A figura 54 descreve alguns pontos de benefícios de cada setor citados. 
139 
 
 
 
 Figura 54 Benefícios da execução de novos negócios por setor. 
 Fonte: Fundação Ellen Macarthur (2015). 
 
140 
 
 
CAPÍTULO 11: CONCLUSÃO 
Após a revisão bibliográfica sobre os conceitos de economia circular, 
mineração urbana, gestão e disposição de resíduos, legislação brasileira de tais 
resíduos e avaliação de quatro segmentos de reciclagem no Brasil, pode se concluir 
que: 
Diante dos conceitos de economia circular a introdução desse modelo é mais 
adequado e sustentável, pois permite dissociar o crescimento econômico de novos 
recursos e incentivar a inovação. Além disso, a economia circular estimula a criação 
de design de produtos circulares, o desenvolvimento de novos modelos de negócios 
e plataformas colaborativas, ou seja, proporciona uma nova estrutura econômica. 
No que se refere a mineração urbana, a mesma apresenta-se como uma 
excelente ferramenta para prevenir o desmatamento, visando a transformação de 
produtos pós- consumo em matérias primas e substituindo minas não sustentáveis, 
tal como as minas de carvão. Com investimento da indústria, comércio, governo e 
sociedade, a mineração urbana traz um grande retorno econômico e ambiental. 
A legislação brasileira e programas de reciclagem existentes são adequados 
para na implementação das mesmas. Porém é importante que tais leis sejam seguidas 
corretamente e aplicadas corretamente pelo poder público, privado e a sociedade. 
A reciclagem da prata torna-se importante uma vez que reduz custos da 
extração, proporcionando que o reaproveitamento desse metal como produto, e 
abaixando os custos de produção que podem ser repassados ao consumidor como 
vantagem. Além disso, a reciclagem de materiais como filmes de raio-x, evita que 
componentes tóxicos contaminem o meio ambiente por meio do descarte incorreto. 
O reaproveitamento dos pneus e seus componentes evita a degradação do 
meio ambiente e meios de proliferação de doenças. E a reforma de tais pneus cumpre 
valor ecológico, visando evitar o descarte prematuro das carcaças, proporcionando 
uma economia de energia e matéria prima. 
A reciclagem do lítio proporciona o reaproveitamento e obtenção desse metal, 
aumentando sua lucratividade nos materiais que estão presentes, como nas baterias 
automotivas. Entende-se que as baterias de lítio permitem redução de gás carbono e 
demais poluentes, além de minimizar processos produtivos e de extração do mesmo. 
141 
 
 
Os processos de reciclagem do chumbo permitem o desenvolvimento e 
aproveitamento desse metal por meio de processos sustentáveis não convencionais, 
como o hidrometalúrgico, diminuindo a possibilidade de contaminação do meio 
ambiente e das pessoas quando esse metal é descartado incorretamente. A 
reciclagem de baterias automotivas de chumbo é um método que faz com que esse 
processo seja minimizado. 
Por fim, constatou-se que as oportunidades de criação de negócios inovadores 
e sustentáveis dentro das temáticas apresentadas são viáveis, tecnológicas, criam 
novos empregos, movimentam a economia e permitem a circularidade de seus 
produtos no mercado nacional e internacional. 
 
142 
 
 
CAPÍTULO 12: REFERÊNCIAS 
ACHEI PNEUS. Como é feito um pneu? : Conheça o processo de fabricação.. Blog 
achei pneus. Brasil, 2021. 3 p. Disponível em: 
https://www.blog.acheipneus.com.br/post/como-e-feito-um-pneu-conheca-o-
processo-de-fabricacao. Acesso em: 15 mai. 2022. 
AGARWAL, T. Battery Manufacturing and Assembling Process in 
Industries.. Edgefx.in. 2016. Disponível em:São Paulo, v. 17, n. 5. 34.37 p, 10 Out. 
2018. Sustentabilidade. Disponível em: 
https://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/gvexecutivo/issue/view/4237. Acesso em: 
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5.2 POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS ........................................................ 67 
5.3 PNRS E A LOGÍSTICA REVERSA ................................................................................ 68 
5.3.1 ETAPA DE DEVOLUÇÃO .................................................................................................. 69 
5.3.2 ETAPA DE ENTREGA AO PRODUTOR ................................................................................ 70 
5.3.3 ETAPA DE REUSO OU DESCARTE .................................................................................... 70 
5.4 PGRS ............................................................................................................................. 70 
5.4.1 RESPONSÁVEIS PELO PGRS ......................................................................................... 71 
5.4.2 TIPOS DE PGRS ............................................................................................................ 72 
5.4.2.1 PGRSE - RESÍDUOS SÓLIDOS ESPECIAIS .................................................................... 72 
5.4.2.2 PGRSS - RESÍDUOS DE SERVIÇO DE SAÚDE ............................................................... 72 
5.4.2.3 PGRCC - RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL ............................................................... 72 
5.4.2.4 PGRSU - RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS .................................................................... 72 
5.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 72 
CAPÍTULO 6: RECICLAGEM DA PRATA DE FILMES DE RAIO X .................................. 76 
6.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 76 
6.2 A PRATA ........................................................................................................................ 76 
6.2.1 MINÉRIOS DE PRATA ...................................................................................................... 77 
6.3 PROPRIEDADES DA PRATA ........................................................................................ 78 
6.4 FILMES DE RAIO-X ....................................................................................................... 79 
6.4.1 COMPONENTES DOS FILMES ........................................................................................... 80 
6.4.1.1 CAPA PROTETORA ...................................................................................................... 80 
6.4.1.2 EMULSÃO ................................................................................................................... 80 
6.4.1.3 BASE ......................................................................................................................... 80 
6.4.1.4 EMBALAGEM ............................................................................................................... 81 
6.4.2 PROCESSAMENTO DOS FILMES DE RAIO-X ....................................................................... 81 
 
 
 
6.5 FORMAÇÃO DOS FILMES ............................................................................................ 81 
6.5.1 FORMAÇÃO DA IMAGEM LATENTE ................................................................................... 82 
6.5.2 REVELAÇÃO DA IMAGEM ................................................................................................ 82 
6.5.3 FIXAÇÃO DA IMAGEM ..................................................................................................... 82 
6.6 MODELOS DE NEGÓCIOS DA PRATA ........................................................................ 83 
6.6.1 DPC BRASIL ................................................................................................................. 84 
6.6.1.1 ETAPA DE LAVAGEM .................................................................................................... 84 
6.6.1.2 ETAPA DE RECICLAGEM ............................................................................................... 85 
6.6.1.3 ETAPA DE DECANTAÇÃO .............................................................................................. 85 
6.6.1.4 ETAPA DE FUNDIÇÃO E RESFRIAMENTO ........................................................................ 86 
6.6.2 PROJETO CEFET NILÓPOLIS ......................................................................................... 87 
6.6.2.1 ETAPA DE TRATAMENTO RADIOGRÁFICO ....................................................................... 87 
6.6.2.2 ETAPA DE TRATAMENTO COM HIDRÓXIDO ..................................................................... 88 
6.6.2.3 ETAPA DE AQUECIMENTO DO ÓXIDO DE PRATA .............................................................. 88 
6.6.2.4 ETAPA DE AQUECIMENTO DA PRATA ............................................................................. 88 
6.7 TÉCNICAS DE RECICLAGEM ...................................................................................... 88 
6.7.1 HIDROMETALURGIA ....................................................................................................... 88 
6.7.1.1 ETAPA DE PREPARAÇÃO .............................................................................................. 89 
6.7.1.2 ETAPA DE LIXIVIAÇÃO .................................................................................................. 89 
6.7.1.3 ETAPA DE SEPARAÇÃO ................................................................................................ 89 
6.7.1.4 ETAPA DE TRATAMENTO .............................................................................................. 89 
6.7.1.5 ETAPA DE RECUPERAÇÃO ............................................................................................ 90 
CAPÍTULO 7: RECICLAGEM DE PNEUS .......................................................................... 91 
7.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 91 
7.2 O PNEU .......................................................................................................................... 93 
7.2.1 CARCAÇA ..................................................................................................................... 94 
7.2.2 CINTAS ESTABILIZADORAS ............................................................................................. 94 
7.2.3 TALÃO .......................................................................................................................... 94 
7.2.4 FLANCOS ...................................................................................................................... 94 
7.2.5 BANDA DE ROLAGEM ..................................................................................................... 94 
7.2.6 ESTANQUE .................................................................................................................... 94 
7.2.7 OMBRO ......................................................................................................................... 95 
7.3 MATERIAIS DOS PNEUS .............................................................................................. 95 
7.3.1 BORRACHA NATURAL .................................................................................................... 95 
7.3.2 BORRACHA SINTÉTICA ................................................................................................... 95 
7.3.3 COMPOSIÇÃO ................................................................................................................ 95 
7.4 PROPRIEDADES DOS PNEUS .................................................................................... 96 
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7.5.2 ETAPA DE CORTE ........................................................................................................... 97 
7.5.3 ETAPA DE OBTENÇÃO DO PNEU VERDE ........................................................................... 97 
7.5.4 ETAPA DE VULCANIZAÇÃO.............................................................................................. 98 
7.5.5 ETAPA DE INSPEÇÃO ...................................................................................................... 98 
7.6 RECICLAGEM TRADICIONAL ...................................................................................... 98 
7.6.1 BENEFÍCIOS DA RECICLAGEM DE PNEUS.......................................................................... 99 
7.7 MODELOS DE NEGÓCIOS DE PNEUS ....................................................................... 99 
7.7.1 USINA DE RECICLAGEM DE PNEUS RECICLANIP ............................................................. 100 
7.7.2 MODA POR PNEUS ....................................................................................................... 103 
7.8 TÉCNICAS DE RECICLAGEM .................................................................................... 104 
7.8.1 RECICLAGEM MECÂNICO-QUÍMICO ................................................................................ 104 
7.8.2 RECICLAGEM DE MICRO-ONDAS .................................................................................... 104 
7.8.3 RECICLAGEM POR ULTRASSOM .................................................................................... 104 
7.8.4 PYROLYSIS .................................................................................................................. 105 
CAPÍTULO 8: RECICLAGEM DE LÍTIO DE BATERIA AUTOMOTIVA ........................... 106 
8.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 106 
8.2 O LÍTIO ......................................................................................................................... 107 
8.2.1 RESERVAS DE LÍTIO ..................................................................................................... 108 
8.3 PROPRIEDADES DO LÍTIO ........................................................................................ 109 
8.3.1 OS MINERAIS DE LI ...................................................................................................... 110 
8.3.2 REAÇÕES QUÍMICAS .................................................................................................... 110 
8.4 AS BATERIAS DE LÍTIO .............................................................................................. 111 
8.4.1 COMPONENTES DAS BATERIAS DE LI ............................................................................ 111 
8.4.2 TIPOS DE BATERIAS DE LI ............................................................................................ 112 
8.4.2.1 BATERIA DE ÍONS DE LÍTIO ......................................................................................... 112 
8.4.2.2 BATERIA DE POLÍMERO DE LÍTIO ................................................................................. 113 
8.4.2.3 BATERIA DE LÍTIO FERROFOSFATO LIFEPO4 .............................................................. 113 
8.4.2.4 BATERIA DE LÍTIO ÓXIDO COBALTO LICOO2 ................................................................ 113 
8.4.2.5 BATERIA DE LÍTIO ÓXIDO MANGANÊS LIMN2O4 ............................................................ 114 
8.4.2.6 BATERIA DE LÍTIO ÓXIDO NI-MG-CO LINIMNCOO2-NMC ........................................... 114 
8.4.2.7 BATERIA DE LÍTIO NÍQUEL COBALTO ÓXIDO DE ALUMÍNIO LINICOALO2.......................... 114 
8.5 FABRICAÇÃO DAS BATERIAS DE LÍTIO .................................................................. 115 
8.5.1 ETAPA DE MISTURA...................................................................................................... 115 
8.5.2 ETAPA DE CONFORMAÇÃO ........................................................................................... 115 
8.5.3 ETAPA ASSOCIAÇÃO .................................................................................................... 116 
8.5.4 ETAPA DE REBOBINAGEM ............................................................................................. 116 
8.5.5 ETAPA DE FORNO ........................................................................................................ 116 
8.6 MODELO DE NEGÓCIO DO LÍTIO ............................................................................. 117 
8.6.1 MODELO DE NEGÓCIO DA ENERGY SOURCE .................................................................. 117 
 
 
 
8.6.2 PROJETO TUPY TECH .................................................................................................. 118 
8.7 TÉCNICAS DE RECICLAGEM DO LÍTIO .................................................................... 120 
8.7.1 PROCESSO MECÂNICO DE RECICLAGEM ........................................................................ 120 
8.7.1.1 ETAPA DE TRITURAÇÃO ............................................................................................. 121 
8.7.1.2 ETAPA DE NEUTRALIZAÇÃO ........................................................................................ 121 
8.7.1.3 ETAPA DE RECUPERAÇÃO .......................................................................................... 121 
8.7.2 PROCESSO TOXCO DE RECICLAGEM ............................................................................. 121 
8.7.3 PROCESSO SONY ........................................................................................................ 121 
CAPÍTULO 9: RECICLAGEM DO CHUMBO DE BATERIA AUTOMOTIVA ................... 122 
9.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 122 
9.2 O CHUMBO .................................................................................................................. 123 
9.2.1 RESERVA DE CHUMBO ................................................................................................. 124 
9.3 PROPRIEDADES DO CHUMBO ................................................................................. 124 
9.4 AS BATERIAS DE CHUMBO ....................................................................................... 125 
9.4.1 COMPONENTES DA BATERIA DE PB ............................................................................... 125 
9.4.1.1 GRADES ................................................................................................................... 125 
9.4.1.2 PLACA NEGATIVA ...................................................................................................... 125 
9.4.1.3 SEPARADOR ............................................................................................................. 126 
9.4.1.4 PLACA POSITIVA ....................................................................................................... 126 
9.4.1.5 CÉLULA .................................................................................................................... 126 
9.4.1.6 CONECTORES ........................................................................................................... 127 
9.4.1.7 POLOS ..................................................................................................................... 127 
9.4.1.8 TERMINAL................................................................................................................. 127 
9.4.1.9 CAIXA ...................................................................................................................... 127 
9.4.1.10 TAMPA ................................................................................................................... 127 
9.4.1.11. ELETRÓLITO ..........................................................................................................127 
9.4.1.12 VÁLVULA ................................................................................................................ 128 
9.4.1.13 SUPRESSOR DE CHAMAS E GASES ........................................................................... 128 
9.4.1.14 SOBRE TAMPA ........................................................................................................ 128 
9.4.2 FUNCIONAMENTO DA BATERIA DE CHUMBO ÁCIDO ......................................................... 129 
9.4.3 PRINCIPAIS REAÇÕES QUÍMICAS ................................................................................... 130 
9.6 FABRICAÇÃO DAS BATERIAIS DE CHUMBO .......................................................... 130 
9.6.1 ETAPA DE TESTE ......................................................................................................... 131 
9.6.2 ETAPA DE PRODUÇÃO PÓ DE PB ................................................................................... 131 
9.6.3 ETAPA DE EMPASTE ..................................................................................................... 131 
9.6.4 ETAPA SOAKING .......................................................................................................... 131 
9.6.5 ETAPA DE FORMAÇÃO .................................................................................................. 132 
9.7 MODELOS DE NEGÓCIOS DO CHUMBO ................................................................. 132 
9.7.1 TOTI DISTRIBUIDORA .................................................................................................... 132 
 
 
 
9.7.1.1 RECICLAGEM DO PLÁSTICO ........................................................................................ 133 
9.7.1.2 RECICLAGEM DO CHUMBO ......................................................................................... 133 
9.7.1.3 RECICLAGEM DO ÁCIDO SULFÚRICO ........................................................................... 133 
9.7.2 PROJETO NOVO PB ..................................................................................................... 133 
9.8 TÉCNICA DE RECICLAGEM DO CHUMBO ............................................................... 134 
9.8.1 ETAPA DE DESSULFURIZAÇÃO ...................................................................................... 136 
9.8.2 ETAPA DE LIXIVIAÇÃO .................................................................................................. 136 
CAPÍTULO 10: COMPARAÇÃO ENTRE MODELOS ...................................................... 138 
CAPÍTULO 11: CONCLUSÃO .......................................................................................... 140 
CAPÍTULO 12: REFERÊNCIAS ........................................................................................ 142 
 
 
 
 
 
ÍNDICE DE FIGURAS 
FIGURA 1 PROJEÇÃO DE CRESCIMENTO MUNDIAL SEGUNDO A ONU ........................................................... 23 
FIGURA 2 CONCEITO DO TRIPÉ DA SUSTENTABILIDADE ............................................................................... 25 
FIGURA 3 CICLO DAS ESG'S .................................................................................................................... 27 
FIGURA 4 FUNDAMENTOS DA ECONOMIA CIRCULAR. ................................................................................... 30 
FIGURA 5 CICLO DE UM PRODUTO SEGUNDO A ECONOMIA CIRCULAR. ......................................................... 31 
FIGURA 6 CICLO DE VIDA DO PRODUTO. .................................................................................................... 34 
FIGURA 7 PROCESSO DA MINERAÇÃO TRADICIONAL. .................................................................................. 41 
FIGURA 8 POLÍTICAS NECESSÁRIAS PARA A MINERAÇÃO URBANA. ............................................................... 42 
FIGURA 9 CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DA COMPETIÇÃO FASHIONOMICS 2023. ................................................ 47 
FIGURA 10 EXEMPLOS DE RESÍDUOS RESIDENCIAIS E COMERCIAIS. ............................................................ 50 
FIGURA 11 EXEMPLOS DE RESÍDUOS PÚBLICO E RESÍDUOS DOMICILIAR ESPECIAL........................................ 50 
FIGURA 12 EXEMPLOS DE RESÍDUOS DE FONTES ESPECIAIS E AGRÍCOLAS. ................................................. 50 
FIGURA 13 EXEMPLOS DE RESÍDUOS DE SERVIÇOS HOSPITALARES. ............................................................ 51 
FIGURA 14 ROTA DA GESTÃO DE RESÍDUOS SEGUNDO A INDÚSTRIA 4.0. ..................................................... 52 
FIGURA 15 RESÍDUOS GERADOS PELOS BRASILEIROS EM 2022. ................................................................ 54 
FIGURA 16 COMPARATIVO DE RESÍDUOS 2021 VS 2022............................................................................. 54 
FIGURA 17 EXEMPLO DE VAZADOURO. ...................................................................................................... 59 
FIGURA 18 DEMONSTRAÇÃO DOS SETORES DO ATERRO SANITÁRIO. ........................................................... 60 
FIGURA 19 ESQUEMA DE TRIAGEM E COMPOSTAGEM DE RESÍDUOS SÓLIDOS. .............................................. 63 
FIGURA 20 ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DE UM INCINERADOR. ............................................................... 64 
FIGURA 21 FUNCIONAMENTO DO PROCESSO DE METANIZAÇÃO. .................................................................. 65 
FIGURA 22 DIFERENTES SETORES E A LOGÍSTICA REVERSA. ....................................................................... 69 
FIGURA 23 MINÉRIO DE PRATA COM COBRE ............................................................................................... 77 
FIGURA 24 CLASSIFICAÇÃO DE MINÉRIO DE PRATA EM DIFERENTES PAÍSES ................................................. 78 
FIGURA 25 ESTRUTURA BÁSICA DOS FILMES .............................................................................................. 80 
FIGURA 26 ETAPA DE LAVAGEM DAS RADIOGRAFIAS................................................................................... 85 
FIGURA 27 PROCESSO DE DECANTAÇÃO DA PRATA. ................................................................................... 86 
FIGURA 28 — PROCESSO DE FUNDIÇÃO DA PRATA. ................................................................................... 86 
FIGURA 29 PRATA GRANULADA APÓS RESFRIAMENTO. ............................................................................... 87 
FIGURA 30 A RODA ENTRE DESENHOS RUPESTRES. ................................................................................... 91 
FIGURA 31 DIFERENTES BIOMAS DESTRUÍDOS PELO DESCARTE INCORRETO DE PNEUS. ............................... 92 
FIGURA 32 ILUSTRAÇÃO DAS PRINCIPAIS PEÇAS DE PNEU RADIAL. .............................................................. 93 
FIGURA 33 HOMEM VERIFICANDO A APLICAÇÃO DE ASFALTO ECOLÓGICO. ................................................. 100 
FIGURA 34 PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DO PNEU EM ASFALTO. ........................................................ 101 
FIGURA 35 SOFÁ COM ESTRUTURA E ESTOFAMENTO DE PNEUS. ............................................................... 102 
FIGURA 36 GRANULADO DE BORRACHA DE PNEU PARA CAMPO SOCIETY. .................................................. 102 
FIGURA 37 MODELOS COM BOLSAS DA COLEÇÃO REVOADA. .................................................................... 103 
 
 
 
FIGURA 38 EXPLOSÃO POR BATERIA DE LÍTIO NO ESTADO DE ILLINOIS. ..................................................... 107 
FIGURA 39 COMPOSIÇÃO INTERNA DA BATERIA DE ÍON LÍTIO. .................................................................... 112 
FIGURA 40 TRANSFORMAÇÃO DO LÍTIO EM FOLHAS METÁLICAS. ................................................................ 115 
FIGURA 41 BOBINAS DE LÍTIO. ................................................................................................................115 
FIGURA 42 FIXAÇÃO DA BATERIA EM CAMADAS SÓLIDAS. .......................................................................... 116 
FIGURA 43 DESENHO DE CARRO ELÉTRICO. ............................................................................................ 117 
FIGURA 44 MODELO BMW I3. ................................................................................................................ 119 
FIGURA 45 FLUXO DE RECICLAGEM DAS BATERIAS DE LÍTIO. ..................................................................... 120 
FIGURA 46 AVENTAL DE CHUMBO PARA PROTEÇÃO DE RAIO-X. ................................................................. 122 
FIGURA 47 CROMATO DE CHUMBO PARA TINTAS. ..................................................................................... 122 
FIGURA 48 COMPONENTES BÁSICOS DAS BATERIAS DE CHUMBO. ............................................................. 128 
FIGURA 49 PROCESSO DE DESCARGA NA BATERIA CHUMBO-ÁCIDO. .......................................................... 130 
FIGURA 50 SEDE DA TOTI DISTRIBUIDORA. .............................................................................................. 132 
FIGURA 51 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DO PROJETO NOVO PB. ..................................................... 134 
FIGURA 52 CICLO DE RECICLAGEM DA BATERIA DE CHUMBO. .................................................................... 135 
FIGURA 53 FLUXOGRAMA DE RECICLAGEM DE BATERIAS DE CHUMBO. ....................................................... 137 
FIGURA 54 BENEFÍCIOS DA EXECUÇÃO DE NOVOS NEGÓCIOS POR SETOR. ................................................ 139 
 
 
file:///C:/Users/User/Desktop/Revisões%20TCC/TCC%20Final-LuizaCarvalho.docx%23_Toc126840990
file:///C:/Users/User/Desktop/Revisões%20TCC/TCC%20Final-LuizaCarvalho.docx%23_Toc126840991
 
 
 
LISTA DE GRÁFICOS 
GRÁFICO 1 COMPARATIVO DE DEPÓSITO DE MATERIAIS ALEMANHA. ........................................................... 45 
 
 
 
 
ÍNDICE DE TABELAS 
TABELA 1 EXEMPLOS DE RESÍDUOS PERIGOSOS. ....................................................................................... 47 
TABELA 2 TIPOS DE RESÍDUOS E CLASSIFICAÇÃO. ...................................................................................... 49 
TABELA 3 PROPRIEDADES DO ELEMENTO QUÍMICO PRATA. ......................................................................... 79 
TABELA 4 COMPOSIÇÃO QUÍMICA MÉDIA DOS PNEUS. ................................................................................. 96 
TABELA 5 QUANTIDADE DE MATERIAIS DO PNEU DE AUTOMÓVEL E DE CAMINHÃO. ........................................ 96 
TABELA 6 RESERVAS DE LÍTIO DE PLANÍCIE SALGADAS. ............................................................................ 108 
TABELA 7 PROPRIEDADES DO LÍTIO. ....................................................................................................... 109 
TABELA 8 MINERAIS DE LÍTIO COM DE TEOR DE ÓXIDO E CARACTERÍSTICAS FÍSICAS. .................................. 110 
TABELA 9 PROPRIEDADES DO ELEMENTO CHUMBO. ................................................................................. 124 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas 
Ag Prata 
BR Borracha de poli butadieno 
BRIC Conjunto econômico de países emergentes 
C2C Cradle to Cradle 
CNI Confederação Nacional da Indústria 
CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente 
COP Conferência das Partes 
EC Economia Circular 
ESG Environmental, social and corporate 
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e estatística 
IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 
Li Lítio 
NBR Norma Técnica Brasileira 
NPSW Nacional Policy on Solid Wast 
ONU Organização das Nações Unidas 
Pb Chumbo 
PGRCC Plano de gerenciamento de resíduos de construção civil 
PGRS Plano de gerenciamento de resíduos sólidos 
PGRSE Plano de gerenciamento de resíduos sólidos especiais 
PGRSS Plano de gerenciamento de resíduos de serviço de saúde 
PGRSU Plano de gerenciamento de resíduos urbanos 
PNRS Política Nacional de Resíduos Sólidos 
RDC Resoluções da diretoria colegiada 
SBR Borracha de estereno butadieno 
TBL Triple Bottom Line 
UNESP Universidade Estadual Paulista 
UTFPR Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
 
 
 
RESUMO 
A globalização e inserção de novos produtos em nosso cotidiano, proporciona 
formas de consumo cada vez maiores e consequentemente o aumento da geração de 
resíduos dos diferentes tipos de materiais. Apesar do desenvolvimento tecnológico 
observado essas práticas fortalecem atividades de um modelo econômico linear, 
modelo antigo introduzido com a Revolução Industrial. Porém, tal modelo não 
proporciona uma circularidade aos seus produtos e serviços, por isso um novo modelo 
econômico com propostas inovadoras cresceu e vem tomando parte do mercado, o 
modelo econômico circular. Portanto, o objetivo desse trabalho é realizar uma revisão 
bibliográfica nos temas de economia circular, mineração urbana, gestão, disposição e 
políticas de resíduos sólidos, reciclagem de filmes de raio-x, pneus e baterias 
automotivas e apresentar modelos de negócios sobre os mesmos. Para tanto, a 
metodologia aplicada foi a apresentação exploratória, utilizando-se estudos empíricos, 
pesquisas, artigos científicos e obras pertinentes que englobem as diferentes áreas 
de estudo. Concluindo-se que o trabalho se tornou significativo e relevante conforme 
permitiu a discussão sobre os temas focados na reciclagem dos materiais, 
compreendimento sobre conceitos de economia circular e a mineração urbana, a 
importância das legislações brasileiras de reciclagem existentes, disseminação do 
paradigma da circularidade dos produtos em quatro temáticas diferentes e 
apresentação e desenvolvimento de negócios inovadores, visando não só a 
otimização do processo produtivo, mas também benefícios sociais, econômicos e 
ambientais. 
 
Palavras-chave: Economia Circular. Economia Linear. Empreendedorismo. 
Inovação. Mineração Urbana. 
 
 
 
ABSTRACT 
Globalization and the insertion of new products in our daily lives provide ever-
increasing forms of consumption and, consequently, an increase in the generation of 
waste from different types of materials. Despite the technological development 
observed, these practices strengthen activities of a linear economic model, an old 
model introduced with the Industrial Revolution. However, such a model does not 
provide circularity to its products and services, so a new economic model with 
innovative proposals has grown and has been taking part of the market, the circular 
economic model. Therefore, the objective of this work is to carry out a bibliographical 
review on the themes of circular economy, urban mining, management, disposal and 
solid waste policies, recycling of x-ray films, tires and automotive batteries and to 
present business models about them. Therefore, the applied methodology was the 
exploratory presentation, using empirical studies, surveys, scientific articles and 
relevant works that encompass the different areas of study. Concluding that the work 
became significant and relevant as it allowed the discussion on the topics focused on 
the recycling of materials, understanding of concepts of circular economy and urban 
mining, the importance of existing Brazilian recycling legislation, dissemination of the 
paradigm of circularity of products in four different themes and the presentation and 
development of innovative businesses, aiming not only at optimizing the production 
process, but also at social, economic and environmental benefits. 
Keywords: Circular Economy. Linear Economy. Entrepreneurship. Innovation. Urban 
Mining. 
21 
 
 
INTRODUÇÃO 
Extrair, produzir e descartar, há anos essas são as práticas do modelo 
econômico predominante no mundo, o linear. O atual modelo econômico linear 
introduzido na revolução Industrial. Porém, desde essa épocao sistema natural de 
autor regeneração se corrompeu, pois para produzir e consumir, estamos extraindo 
recursos muito mais rápido do que a natureza consegue repor (ECO GREEN, 2020). 
O salto na produção de bens de consumo, cominou também em um salto na 
poluição e no descarte. A população mundial produz mais de 2 bilhões de toneladas 
de resíduos por ano, e é impossível jogar fora ou se livrar disso tudo, pois não existe 
“fora” do nosso planeta. O resíduo está espalhado pelos oceanos, nas florestas, nos 
países mais pobres, nos aterros e vazadouros. Porém, muitas pessoas não veem que 
devido a esses impactos esse modelo econômico está chegando ao seu limite, isso 
porque a geração de valor linear não leva em consideração que recursos materiais e 
energéticos são finitos (ECO GREEN, 2020). 
Portanto, as indústrias globais estão cada vez mais em busca de reverter os 
impactos gerados por tal modelo econômico, buscando por inovação e praticidade 
para novos produtos do mercado. Para que isso ocorra se faz necessário novas 
formas de negócios, que catalisem toda cadeia de valor a fim de minimizar consumos 
de materiais e demais perdas. A mudança precisa ocorrer em todos os ramos da 
indústria, de todas as classes dos materiais sejam metálicos, poliméricos, cerâmicos 
ou compósitos. 
Esses novos modelos de negócios, que prezam pelo equilíbrio entre economia 
e meio ambiente, eficientes e eficazes, necessitam de uma economia regenerativa e 
projetada para se manter ao longo do ciclo, reutilizando a matéria prima e 
transformando-a constantemente, através da reciclagem e do 
reaproveitamento. Nesse momento é que surge a economia circular, um modelo que 
muda radicalmente a forma de produzir, da escolha das matérias primas, do desenho 
dos produtos e o aproveitamento dos subprodutos industriais (FIA, 2022). 
Portanto, o objetivo principal deste trabalho consiste em realizar uma revisão 
bibliográfica analisando e apresentando um estudo sobre quatro diferentes tipos de 
materiais e a circularidade de modelo de negócios dos mesmos focados na 
reciclagem. 
22 
 
 
Os objetivos específicos são: 
1. Introduzir os conceitos da economia circular e sua importância; 
2. Compreender os conceitos de mineração urbana; 
3. Analisar sobre a gestão de resíduos sólidos e sua disposição final; 
4. Apresentar a importância da legislação de reciclagem e Política Nacional de 
Resíduos Sólidos; 
5. Apresentar um estudo sobre a extração tradicional da prata, borracha, lítio e 
chumbo e seu impactos; 
6. Discutir diferentes modelos de negócios com foco na reciclagem de filmes 
de raio-x, pneus e baterias; 
7. Comparar e discutir sobre os dois modelos econômicos. 
O estudo surgiu com a necessidade da identificação e organização dos 
avanços e pesquisas na área, bem como as principais temáticas abordadas durante 
o trabalho, que levem o leitor a repensar, de forma crítica, a mudança do modelo 
linear. 
23 
 
 
CAPÍTULO 1: ECONOMIA CIRCULAR 
1.1 A ORIGEM DA ECONOMIA CIRCULAR 
O crescimento acelerado da humanidade gera a cada nova descoberta a 
necessidade de um modelo econômico disruptivo, abrangente e não dependente 
majoritariamente dos recursos finitos da natureza. Segundo o World Population 
Prospects 2022, relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), a população 
mundial chegará 8,5 bilhões de pessoas até o ano de 2030 e na marca de 9,7 bilhões 
até 2050, estimativas essas observadas na figura 1, em que mesmo com a diminuição 
na taxa de crescimento populacional, ainda serão quase 2 bilhões a mais de pessoas 
consumindo uma variedades de serviços, produtos e recursos naturais no 
mundo (DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E NEGÓCIOS SOCIAIS , 2022). 
 
 Figura 1 Projeção de crescimento mundial segundo a ONU 
 Fonte: Departamento de economia e negócios sociais (2022). 
Devido a constante oferta de recursos naturais e ilimitada poluição e o modelo 
econômico linear de produção alcançando seus limites. Nos últimos trinta e três anos, 
pesquisadores buscam alternativas para a introdução de critérios socioambientais nos 
modelos de negócio das organizações a partir do conceito da economia circular (EC) 
(OMETTO et al., 2018, p. 17). 
24 
 
 
A expressão tornou-se conhecida pelo trabalho de Pearce e Turner em 1989, 
baseado na ideia introduzida em 1966 pelo economista e ativista britânico Kenneth E. 
Boulding. Kenneth admite a economia circular como sendo uma economia advinda da 
espaçonave Terra, no qual a Terra seria uma espaçonave única com recursos e os 
seres humanos os seus tripulantes. Ou seja, associa a Terra aos limites que a nave 
estaria imersa, tanto na extração de recursos como na absorção de rejeitos e poluição 
(OMETTO et al., 2018, p. 20-21). 
 Compreende-se como economia circular uma proposta de modelo econômico 
que relaciona diversas escolas e linhas de pensamentos, tais como: ecologia 
industrial, engenharia do ciclo de vida, gestão do ciclo de vida, economia de 
performance entre outros (OMETTO et al., 2018, p. 20-21). 
A ecologia industrial, princípio introduzido em 2001 por Reid Lifset e Thomas 
Graedel estuda dois grandes eixos que se integram entre si, um que busca soluções 
com base em modelos ecológicos, semelhante a área da biomimética articulada por 
Janine Benyus a partir de 2003. E outro que busca o equilíbrio entre sistemas naturais 
e o construído pelo ser humano. 
A engenharia do ciclo de vida estuda as perspectivas por meio de métodos, 
ferramentas, técnicas e procedimentos afim de identificar os impactos do ciclo de vida 
do produto. 
Em conjunto com a engenharia do ciclo de vida, a escola da gestão do ciclo de 
vida preocupa-se em gerar soluções e reduzir os impactos negativos do ciclo do 
produto, desde o desenvolvimento até o fim da vida do mesmo. 
A economia de performance baseia-se em uma economia de função na qual 
destaca a oferta de serviços ao invés apenas da venda do produto físico. Princípio 
introduzido por Walter Stahel. 
 
1.2 SUSTENTABILIDADE E A ECONOMIA CIRCULAR 
O termo sustentabilidade significa a habilidade de algo se manter, ou seja, 
prezar pela conservação e sustentação dos recursos finitos. Já a sustentabilidade 
econômica financeira denomina-se como o uso e gerenciamento dos recursos 
naturais na fabricação de algum produto, tendo em vista não apenas o lucro individual, 
25 
 
 
mas também a eficiência econômica no meio ambiente em uma perspectiva 
macrossocial (NAIUD, 2021). 
A economia precisa do meio ambiente para ser sustentável por isso 
compreende-se que sem um não existiria o outro. Uma vez que o meio ambiente se 
enquadra sendo tudo o que o compõe tais como plantas, animais, recursos naturais e 
pessoas (ANA, 2021). 
Partindo do conceito de sustentabilidade e entendendo o cenário 
socioeconômico que a sociedade se encontra nas últimas décadas, principalmente 
após período de pandemia do COVID-19 iniciada em março de 2020. Faz-se 
necessário implementação de programas de sustentabilidade que vão de encontro 
tanto ao crescimento econômico como a responsabilidade social e ambiental 
(MACIEL, 2020). 
 
1.2.1 Tripé da sustentabilidade 
Alinhado a visão estratégica das empresas surgiu o conceito triple bottom line 
(TBL) o tripé da sustentabilidade observado na figura 2, uma abordagem que as 
direciona de modo responsável em função de 3 pilares, o ambiental, o econômico e o 
social (INDIGO AGRICULTURA, 2023) 
 
 Figura 2 Conceito do tripé da sustentabilidade 
 Fonte: O autor (2023). 
 
26 
 
 
1.2.1.1 Pilar econômico 
Refere-se de como as empresas garantem que o negócio se mantenha e 
permaneça rentável ao longo de suas operações. Seguindo exemplos: Respeitando o 
fluxo de caixa, possuindo cuidado para não se endividarem, prezando pela saúde 
financeira, obtendo uma boa lucratividade e realizando pagamento de fornecedores 
dentrodo prazo. 
1.2.1.2 Pilar Ambiental 
Trata-se da forma como as empresas pretendem diminuir o impacto do ser 
humano sobre o meio ambiente, preservando-o para as gerações futuras, com ações 
que combatam o aquecimento global. Seguindo exemplos: Reduzindo as emissões 
de gás carbônico e preocupando-se com o desperdício de água e perdas industriais. 
1.2.1.3 Pilar social 
O pilar social representa a forma como as empresas focam no desenvolvimento 
de seus colaboradores, clientes e sociedade. São exemplos: a geração de empregos 
em regiões carentes com perspectiva de multiplicação, investimento em infraestrutura 
nas comunidades entorno, arrecadação de impostos ao município e Estado e inserção 
social de grupos minoritários 
 
1.2.2 ESG's 
O TBL aprimorou-se e incorporou-se em um termo mais recente denominado 
ESG (environment,social,governance), incluindo a responsabilidade governança 
coorporativa , antes não explícita conforme demonstra a figura 3. 
27 
 
 
 
 Figura 3 Ciclo das ESG's 
 Fonte: Ávila (2021 p. 4). 
As ESG's representam um conjunto de práticas e padrões corporativos que 
indicam se as empresas possuem consciência social, são sustentáveis e 
adequadamente gerenciadas. O mesmo foi desenhado como um modelo responsável 
em indicar se tais empresas são capazes de sustentar tais conjuntos perante ao 
mercado (GRUPO NEW SPACE, 2021). 
As avaliações feitas nas empresas por meio das ESG's vão muito além dos 
produtos e/ou serviços oferecidos, pois consideram quem são seus fornecedores, 
como realizam os descartes de seus resíduos, as causas e pessoas que apoiam e até 
mesmo quem as governam (GRUPO NEW SPACE, 2021). 
 
1.2.3 Política dos 3R's 
No ciclo de vida básico da natureza todos os materiais tais como plantas, água 
e alimentos são totalmente reaproveitáveis pelo planeta. Esses materiais crescem, 
desenvolvem-se e retornam para o meio ambiente em forma de energia. Na teoria o 
ciclo funciona naturalmente, apesar que na prática o mesmo não ocorre visto que o 
ser humano causa desequilíbrio na balança, dificulta e não respeita o tempo de 
recuperação dos ecossistemas (NAIUD, 2021). 
28 
 
 
Para que o ciclo funcione de modo adequado faz-se necessário a compreensão 
e aplicação da política dos três erres: reduzir, reutilizar e reciclar. A redução, por 
meio da população e organizações, no desperdício de matérias-primas e resíduos, a 
reutilização dos materiais aptos, mesmo que o processo seja dificultado e o 
encaminhamento dos resíduos para outras indústrias e/ou empresas em que os usa 
como fonte de matéria-prima, através da reciclagem (RODRIGUES et al., 2017). 
 Com a política dos três erres faz-se possível a aplicação do conceito da 
economia circular de modo além das ações de gestão, resíduos e de reciclagem, pois 
a mesma reúne um modelo tecnológico e sustentável do mundo atual, um mundo 
volátil, incerto, complexo e ambíguo, caracterizado como mundo VUCA, ou seja, em 
constante mudança e sem a possibilidade de previsão de cenários futuros, mas 
interligados por meio de causa e efeito (NAIUD, 2021). 
 
1.3 OS CICLOS E PRINCÍPIOS DA ECONOMIA CIRCULAR 
 Nos últimos cento e cinquenta anos a extração de recursos por meio de um 
modelo econômico linear não apresenta como sustentável a longo prazo. Conforme 
descrito pela ex- velejadora e fundadora da Ellen Macarthur Fundation, instituição 
criada em 2010, cuja tem como missão é acelerar a transição para uma economia 
circular (THE SURPRISING..., 2015). 
Me ocorreu que o sistema em si, a estrutura em que nós vivemos, é 
fundamentalmente falho, e por fim eu percebi que nosso sistema operacional, 
a maneira como nossa economia funciona, como nossa economia foi 
construída é um sistema por si mesmo (MACARTHUR,2015). 
 
Macarthur defende que no modelo linear ocorre o aperfeiçoamento de um 
sistema sem design, ou seja, não planejado. Em sequência explica que a economia 
circular corresponde a um modelo restaurativo e regenerativo se distinguindo por meio 
de ciclos técnicos e ciclos biológicos (THE SURPRISING..., 2015). 
1.3.1 Ciclos técnicos 
Os ciclos técnicos são responsáveis em recuperar e restaurar os produtos 
acabados e semiacabados, os componentes e matérias-primas por estratégias como 
29 
 
 
reuso, reparos, remanufatura e/ou reciclagem que devem retornar ao usuário 
(OLIVEIRA, 2019). 
 
1.3.2 Ciclos biológicos 
Os ciclos biológicos referem-se aos materiais derivados de recursos de 
biomassa, como por exemplo: alimentos, madeira, algodão que projetados para 
retornar ao meio ambiente e consumidor por meio de processos como digestão 
anaeróbica e compostagem. O consumo só existe nesse ciclo (OLIVEIRA, 2019). 
Incluso a tais ciclos e entendendo que a EC tem como objetivo manter os 
produtos, componentes e matérias-primas nos mais altos níveis de utilidade e valor. 
Ou seja, desagregar o desenvolvimento econômico do consumo de recursos finitos e 
extinguir externalidades negativas da economia. Garantindo que as empresas 
exerçam autonomia por meio de uma gestão completa dos ciclos, pelos três princípios 
a seguir (ELLEN MACARTHUR FOUNDATION, 2015). 
1.3.4 Primeiro princípio 
Denomina-se o mais importante e possui como objetivo central controlar os 
estoques de matérias primas, equilibrar os recursos naturais, preservar e aprimorar 
constantemente o capital natural. Em tal princípio inclui a reciclagem e a remanufatura 
dos materiais reciclados, no qual tudo que permite ser reutilizado equivale a extrair e 
separar dos resíduos descartados. 
 
1.3.5 Segundo princípio 
Consiste em melhorar e otimizar o rendimento de recursos, tanto no ciclo 
técnico como no biológico, estimulando a circulação de produtos, componentes e 
materiais pelo maior tempo de uso possível. Neste ponto entram mais dois ciclos: a 
redistribuição e a manutenção da vida útil dos bens de consumo. 
 
 
 
 
30 
 
 
1.3.6 Terceiro princípio 
Resume-se em melhorar a efetividade do sistema através da identificação e 
entendimento das externalidades negativas e conscientização dos consumidores. 
Os princípios e ciclos técnicos são fundamentos da EC que podem ser 
observados na figura 4 a seguir. 
 
 
Figura 4 Fundamentos da economia circular. 
 Fonte: Adaptado da Fundação Ellen MacArthur (2015). 
 
1.4 ETAPAS DA ECONOMIA CIRCULAR 
A EC tem início no fim da cadeia da economia linear conforme a figura 5 que 
representa o ciclo de vida de um produto como serviço na EC, no qual são inseridas 
etapas capazes de formar um ciclo harmônico que obedece a uma forma 
de loop. Esse ciclo consiste na produção do produto, no uso e na transformação 
desse produto em outro. Desse modo são encontradas aplicações para os resíduos e 
subprodutos criados durante o processo de produção (OLIVEIRA, 2019, p. 21-23). 
31 
 
 
 
Figura 5 Ciclo de um produto segundo a economia circular. 
 Fonte: Adaptado de Oliveira (2019). 
 
A seguir é abordado o que significa cada etapa e sua função dentro do ciclo. 
1.4.1 A Reciclagem 
Descreve-se como reciclagem o processo de conversão do desperdício em 
materiais ou produtos que possuem potenciais de utilização. Essa etapa permite 
reduzir o consumo de matérias-primas, utilizar recursos como energia e água afim de 
minimizar os efeitos da poluição gerados pela emissão de gases do efeito estufa 
e reduzir a necessidade de tratamento convencional de resíduos. Considera-se como 
uma das alternativas mais importantes da economia circular, pois pode ser de onde a 
mesma parte (RECICLA SAMPA, 2020). 
1.4.1.1 Processos de reciclagem e tipos de resíduos 
Os resíduos gerados nas casas e empresas recebem, conforme classificação, 
destinação diferente e adequada antes de passar pelo processo de reciclagem. A 
classificação dá-se pela natureza dos resíduos. 
1.4.1.1.1 Resíduos comuns 
 São exemplos deresíduos comuns: embalagens plásticas metalizadas; 
esponjas de limpeza; algodões, tecidos, papel toalha usados; fraldas, absorventes, 
32 
 
 
fitas adesivas; papéis: vegetais, celofane e papeis sujos; fotografias (RECICLA 
SAMPA, 2020). 
Os resíduos comuns são: coletados em um caminhão compactador pelos 
profissionais nos pontos de coleta, encaminhados para o transbordo e colocados no 
caminhão que seguirá para o aterro sanitário (RECICLASAMPA, 2020). 
1.4.1.1.2 Resíduos recicláveis 
 São exemplos de resíduos recicláveis: polímeros: como garrafas PET, 
canudos e sacolas; cerâmicos como: copos de vidros, vidros de automóveis e frascos 
de perfumes; metais: como latas de óleo, de refrigerante, de sardinha e baterias 
automotivas; compósitos como pneus; e papéis: como matchê, vegetal 
e sulfite (RECICLA SAMPA, 2020). 
1.4.1.1.3 Resíduos especiais 
 São exemplos de resíduos especiais: materiais hospitalares são considerados 
resíduos de saúde, os perigosos que são todos aqueles que podem colocar a saúde 
das pessoas em risco e os radioativos. Todos requerem um descarte especial 
(RECICLA SAMPA, 2020). 
 
1.4.2 O design 
Caracteriza-se como design circular a forma de pensar em produtos que sejam 
ambientalmente responsáveis em todos os estágios de concepção. Partindo da 
abordagem berço a berço ou do inglês cradle to cradle (C2C), apresentada por William 
McDonough e Michael Braungart, essa etapa defende a criação de processos e 
produtos saudáveis e circulares, ou seja, ecologicamente sustentáveis, nos quais os 
resíduos são reintroduzidos como nutrientes, por meio do projeto e sistemas no início 
da concepção do produto (GEJER; TENNENBAUM, 2018). 
O design de produtos e processos dos mesmos requerem habilidades, conjunto 
de informações e métodos de trabalho avançados. Portanto, são baseados em três 
princípios fundamentais descritos a seguir: 
 
 
33 
 
 
1.4.2.1 Resíduos como nutrientes 
Os materiais devem ser saudáveis para os seres humanos e a biosfera, ou seja, 
ao realizar o design dos produtos as empresas são responsáveis por deter o 
conhecimento e verificar, com seus fornecedores, as propriedades presentes nos 
materiais. Deve-se primeiro realizar o inventário indicando quais são os tipos de 
materiais e selecionar quais podem estar em contato com pessoas e sistemas 
naturais. Em seguida, precisa-se substituir os materiais que não condizem e/ou são 
desconhecidos diante do que foi projetado (GEJER; TENNENBAUM, 2018, p. 5-6). 
Os materiais devem mimetizar a lógica cíclica da natureza nos processos 
seletivos, ou seja, as empresas precisam permitir a circularidade desses materiais por 
meio dos ciclos técnicos e biológicos. Nos ciclos técnicos os materiais devem ser 
mantidos em circulação na indústria por meio de múltiplos períodos de uso. Já nos 
ciclos biológicos esses materiais devem ser projetados para um retorno seguro à 
biosfera (GEJER; TENNENBAUM, 2018, p. 8-9). 
Tanto nos ciclos técnicos ou biológicos são necessários a recuperação dos 
materiais a cada ciclo de uso (GEJER; TENNENBAUM, 2018, p. 5). 
 
1.4.2.2 Uso das fontes renováveis 
O sistema C2C incentiva o uso, em máximo de potencial de tecnologias 
provenientes de fontes de energias renováveis existentes e promissoras, sejam 
eólicas, geotérmicas ou hidráulicas. Visto que ao realizar o design dos produtos, os 
fabricantes são incentivados a minimizar o consumo, reduzir os impactos e se 
comprometerem com o uso de energias renováveis durante os processos de 
fabricação. Essas medidas possibilitam as indústrias tornarem-se autossuficientes, ou 
seja, produzir em sua totalidade a energia consumida. (GEJER; TENNENBAUM, 
2018, p. 11). 
1.4.2.3 Promoção da diversidade 
O terceiro princípio estabelece o fortalecimento da diversidade de sistemas 
biológicos e industriais condecorando materiais, processos e soluções a cada novo 
desafio. Para que a promoção da diversidade se torne possível é primordial observar 
34 
 
 
os contextos e as necessidades dos usuários e sempre contestar se os projetos são 
acessíveis (GEJER; TENNENBAUM, 2018, p. 13-14). 
1.4.3 O uso 
 Tem como objetivo a redução da frequência de substituição dos produtos para 
consumo e otimização dos seus padrões, em relação a sua vida útil, garantindo a 
minimização dos possíveis impactos ambientais (OLIVEIRA, 2019, p. 22). 
Conforme apresentado pela teoria de Vernon apresentada em 1966, o ciclo de 
vida dos produtos considerando o mercado é composto de quatro fases representadas 
na figura 6 e descritas a seguir (RIBEIRO; SILVA, 2019, p. 3-6). 
 
Figura 6 Ciclo de vida do produto. 
 Fonte: Oliveira (2019, p. 2). 
 
1.4.3.1 Fase da introdução 
Na introdução de um produto inédito ou produzido por poucas empresas, 
encontra-se um alto nível de diferenciação dos seus concorrentes, pois as empresas 
possuem distintos processos de inovação. 
1.4.3.2 Fase do crescimento 
Na fase de crescimento o produto já se encontra conhecido, portanto, realiza-
se estratégias afim de conseguir maior participação de mercado. Entre essas 
estratégias estão: o aumento da produção, a redução dos custos de produção, uma 
vez que essa fase ainda requer elevado investimento, a abertura na expansão do 
35 
 
 
mercado e exportações para mercados com renda. Para que assim o produto possua 
a disponibilidade de seguir para fase seguinte. 
1.4.3.4 Fase da maturidade 
Nesta fase a taxa de volume de vendas do produto fica constante no mercado 
nacional, o que caracteriza como a fase mais crítica, pois encontra-se pretextos 
significativos, como por exemplo: a modificação de empresas nacionais em empresas 
multinacionais através de uma política de investimentos diretos em diversos países 
estrangeiros. 
1.4.3.4 Fase do declínio 
Quando o produto atinge um máximo de sua padronização e ritmo de menores 
custos de produção, denomina-se como a fase de declínio. Neste momento ocorre o 
desaparecimento e/ou substituição do produto, portanto entende-se como uma fase 
crucial na circularidade do produto, pois é necessário a redução da frequência de 
substituições de designs não circulares. 
 
1.4.4 A manutenção e reparos 
A etapa de manutenção é uma atividade crítica realizada na fase de uso do 
ciclo de vida do produto para prolongar sua disponibilidade no sistema. Essa etapa é 
a maneira mais eficiente de manter ou restaurar o equipamento ao nível desejado de 
desempenho. De forma adequada, a manutenção tem a responsabilidade de proteger 
o equipamento de danos adicionais, segurança pessoal e prevenção de poluição 
(ELLEN MACARTHUR FOUNDATION, 2015). 
 
1.4.5 A redistribuição 
A redistribuição de um componente ou produto deve ser considerada face ao 
consumo de energia ao longo da sua vida útil. Visto que os produtos que serão 
reutilizados podem ser produtos completos ou podem ser componentes do produto 
que são vendidos (ELLEN MACARTHUR FOUNDATION, 2015). 
 
36 
 
 
1.4.6 A remanufatura 
O processo de remanufatura significa que as peças ou componentes 
danificadas dos produtos, necessitaram ser substituídas por novas ou recuperadas 
dentro dos padrões de qualidade exigidos no projeto. Esse processo de remanufaturar 
é realizado dentro das instalações do fabricante original, ou por alguma empresa 
autorizada (GREEN ELETRON, 2021). 
 
1.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Não somente para a indústria, mas para a sociedade como um todo, o grande 
desafio da implementação da economia circular é que atualmente sejam 
desenvolvidos novos modelos de negócios que agreguem valor ao produto/serviço em 
todos os aspectos industriais. A nível de Brasil, um dos grandes desafios é ter um 
processo de reciclagem dos materiais mais eficiente e de menor custo, uma vez que 
todo o processo de reciclagem acaba gerando novas tributações, atingindo um valor 
final mais caro do que um produto novo. 
A criação de novas ações com o intuito de evoluir e propagar a reciclagem

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