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Guia de estudos – flagelados e amebíase: 
 
Tricomoníase 
 
1) Qual o agente etiológico? 
Trichomonas vaginalis 
 
2) Como ocorre sua transmissão? 
É uma IST, mas pode ser transmitida por compartilhamento de roupas, 
assentos sanitários e duchas contaminadas. 
 
3) Descreva seu ciclo de vida. Ocorre encistamento? 
O ciclo biológico é monoxênico, pois o ser humano é o único hospedeiro. 
No organismo, se aloja no trato urogenital, encontrando condições propícias 
para sobrevivência. Se reproduz por fissão binária e dá origem a colônias. 
Permanece na forma trofozoita nas secreções, sêmen e agua por até 24h. É 
incapaz de formar cistos. 
 
4) Quais os sinais e sintomas presentes 
 A. Na mulher 
 Varia da forma assintomática ao estado agudo. Provoca uma vanigite 
que se caracteriza por um corrimento vaginal fluido abundante de cor amarelo-
esverdeada, bolhoso, de odor fétido, mais frequente no período pós-menstrual. 
O processo infeccioso é acompanhado de prurido ou irritação vulvovaginal de 
intensidade variável e dores no baixo ventre. A mulher apresenta dor e 
dificuldade para relações sexuais, desconforto nos genitais externos, disúria e 
poliúria. As paredes vaginais e a superfície da cérvice podem apresentar 
lesões puntiformes, em tom “vermelho-morango”. 
 
 B. No homem 
 No homem a tricomoníase é comumente assintomática, porém, 
algumas vezes, a uretrite resulta em uma secreção que pode ser passageira, 
espumosa ou purulenta, ou causar disúria e polaciúria, em geral no início da 
manhã. Com frequência, a uretrite é leve e causa apenas irritação uretral 
mínima e umidade ocasional no meato uretral, sob o prepúcio, ou em ambos. 
Epididimite e prostatite são complicações raras. 
 
5) Quais os métodos de coleta de material e diagnósticos em 
homens e em mulheres? 
 Nas mulheres, diagnosticar por exame microscópico das secreções 
vaginais, testes de tira reagente (pH vaginal >4,5), Teste de KOH 10% (whiff 
test positivo– teste de aminas). Nos homens sintomáticos, diagnosticar por 
cultura da urina, swab uretral. Além disso, indivíduos positivos para T. vaginalis 
devem ser informados e testados sobre a possibilidade de ISTs. 
 
6) Qual o tratamento? 
 1ª opção: Metronidazol 2g, VO dose única ou Metronidazol 400-500mg 
12/12hs VO 7 dias; 
 2ª opção: Secnidazol 2g, VO, dose única ou Tinidazol 2g VO dose 
única. 
 Outras opções (gestantes após o 1º trimestre e durante a 
amamentação): Metronidazol 400mg VO 12/12 h por 7 dias; ou Metronidazol 
250mg VO 3 vezes ao dia por 7 dias; ou Metronidazol 2g VO dose única. 
 
7) Por que tratar todos os parceiros sexuais e indicar a realização de 
testes para IST? 
 A tricomoníase é o único tipo de vaginite comprovadamente 
transmitida por relações sexuais e os contatos sexuais da paciente também 
devem ser tratados. Em geral, o parceiro sexual do sexo masculino é 
assintomático. Assim, só nesses casos se justificam as ações complementares 
de controle de IST, que incluem: aconselhar, oferecer testes VDRL, anti-HIV, 
sorologia para Hepatite B e C. Enfatizar adesão ao tratamento, convocar 
parceiro(s), notificar, agendar retorno à consulta. 
 
 
 
 
 
Giardíase 
1) Qual o agente etiológico? Quais suas características 
morfológicas marcantes? 
Giardia intestinalis, Giardia duodenalis ou Giardia lamblia. 
 É um pequeno protozoário, flagelado, que durante seu ciclo vital 
apresenta duas formas: trofozoíta e cisto. 
 Os trofozoítas são piriformes, apresentam simetria bilateral e dois 
núcleos anteriores. Sua porção dorsal é convexa, e a ventral, côncava com um 
grande disco suctorial. 
 Os cistos possuem formato ovalado, elíptico ou mais raramente 
esférico, são refringentes, de parede bem fina, com tamanho variando de 8 a 
14 µm de comprimento por 6 a 10 µm de largura. Apresentam as mesmas 
estruturas intracitoplasmáticas que os trofozoítas – corpos parabasais, núcleos, 
axonemas –, em mesmo número ou, quando o cisto está maduro, duplicadas. 
 
 
2) Normalmente, qual é o habitat dos trofozoítos? Onde encontram-
se os cistos? 
Os trofozoítos e os cistos estão contidos no lúmen do TGI e não 
invadem além dele. Os trofozoítos podem estar presentes nas fezes soltas ou 
aquosas, mas é o cisto resistente que sobrevive fora do corpo e é responsável 
pela transmissão. Os cistos não toleram aquecimento, dessecação ou 
exposição continuada a fezes, mas permanecem viáveis por meses em água 
doce fria. 
 
 
3) Descreva o ciclo da Giardíase destacando as principais formas 
evolutivas. Quais as formas infectiva e diagnóstica do organismo? 
 A infecção ocorre pela ingestão de cistos em água ou alimentos 
contaminados, ou por transmissão fecal-oral. A eclosão do cisto segue-se à 
exposição ao ácido estomacal e às proteases intestinais, liberando os 
trofozoítos que se multiplicam por fissão binária e chegam à luz do intestino, 
onde ficam livres ou aderidos à mucosa intestinal, nos enterócitos, por 
mecanismo de sucção. A formação do cisto ocorre quando o parasita transita o 
cólon, e encontra condições alteradas, formando um cisto morfologicamente 
distinto e neste estágio os cistos são encontrados nas fezes (forma infectante). 
Quando um trofozoíto encontra condições alteradas, ele forma um cisto 
morfologicamente distinto, que é a fase do parasita encontrada nas fezes. Os 
trofozoítos podem estar presentes nas fezes soltas ou aquosas, mas é o cisto 
resistente que sobrevive fora do corpo e é responsável pela transmissão. Os 
cistos não toleram aquecimento, dessecação ou exposição continuada a fezes, 
mas permanecem viáveis por meses em água doce fria. 
 
4) Há reservatórios domésticos do organismo? 
 Cães e gatos são reservatórios domésticos. 
 
5) Como é feito o diagnóstico de giardíase? Aproveite para 
responder: 
 A simples visualização a fresco ou a coloração pelo lugol já são 
suficientes para diagnosticar a presença do trofozoíta. Em fezes moldadas, 
onde há grande número de cistos, os métodos de concentração são os mais 
indicados. 
 Os métodos imunológicos mais empregados são a imunofluorescência 
indireta e o método ELISA. 
 
 a. Qual a forma evolutiva predominante nas fezes diarreicas? 
 Trofozoítas. 
 b. Qual a forma predominante nas fezes semissólidas e sólidas? 
 Cistos. 
 c. Há teste de captura de antígenos nas fezes? Qual? 
 A detecção de antígenos nas fezes (copro-antígenos) empregando a 
técnica de ELISA tem demonstrado resultados satisfatórios. 
 
6) Qual a relação entre giardíase em infantes e dificuldades de 
desenvolvimento? Há a possibilidade de cronificação da infecção? 
 Os sintomas da giardíase crônica, alongando-se por muitos meses ou 
anos, variam também entre manifestações benignas e outras de gravidade, tal 
como na forma subaguda. Em pacientes com deficiência imunológica, pode-se 
encontrar diarreia persistente, má-absorção e perda de peso acentuada. Em 
crianças, a sintomatologia é semelhante, constituindo por vezes uma síndrome 
com diarreia crônica, dor abdominal e abdome distendido, anorexia, perda de 
peso e crescimento retardado. Nos pacientes com giardíase, a má-absorção 
afeta em particular a assimilação de gorduras, de vitaminas A e B12, de ácido 
fólico, glicose, lactose e D-xilose. 
 
7) Em que consiste a patogenia da Giardíase? 
 O espectro clínico da giardíase é extensivo, variando de infecções 
assintomáticas, caracterizadas por meio de portadores sãos, até infecções 
graves, com diarreia crônica e má absorção intestinal. O período de incubação 
é de 1 a 2 semanas antes do aparecimento dos sintomas, podendo variar de 1 
a 45 dias. O principal sintoma é, sem dúvida alguma, o aparecimento de 
diarreia, inicialmente líquida, podendo chegar ao grau de esteatorreia 
acompanhada de náuseas, desconforto abdominal e perda de peso. 
 
8) Qual o tratamento preconizado? Quais as restrições? 
(VERONESI; FOCACCIA, 2015) 
 
 
 
Amebíase 
 
1) Qual o agente etiológico da Amebíase?Entamoeba histolytica 
 
2) De que forma pode ser feita a distinção das espécies de 
Entamoeba? 
 Através de técnicas moleculares. Os estudos com isoenzimas 
(particularmente hexoquinase, enzima málica, fosfoglicomutase e glicose-
fosfato-isomerase) permitiram a separação em grupos, ou zimodemos, das 
várias linhagens de amebas isoladas do homem ou que apresentam morfologia 
semelhante à dos parasitas humanos. Inicialmente, estudos do perfil 
isoenzimático desses protozoários revelaram diferenças entre amebas 
provenientes de indivíduos sintomáticos e assintomáticos; em seguida, 
diferenças imunológicas e genéticas também foram somadas 
 
3) Qual é a única espécie considerada patogênica e capaz de invadir 
tecidos, em humanos? 
 Apenas a E. histolytica é considerada patogênica para o ser humano. 
 
4) Normalmente, qual é o habitat dos trofozoítos? Onde encontram-
se os cistos? 
Os trofozoítas da E. histolytica normalmente vivem na luz no intestino 
grosso podendo, ocasionalmente, penetrar na mucosa e produzir ulcerações 
intestinais ou em outras regiões do organismo, como fígado, pulmão, rim e 
mais raramente, no cérebro. Então, a forma móvel (trofozoíta) de E. histolytica 
habita o cólon humano, onde se multiplica e se diferencia em cistos que são 
liberados no meio ambiente, os quais são responsáveis por transmitir a 
infecção para outro hospedeiro por via fecal-oral. 
 
5) O ciclo dessa doença é monoxênico ou heteroxênico? Por quê? 
 Seu ciclo evolutivo é monoxenico, ou seja, a Entamoeba histolytica 
completa seu ciclo em apenas um hospedeiro, e o modo de infecção é fecal-
oral, ou seja, o homem se infecta ao ingerir cistos presentes na água ou nos 
alimentos contaminados. 
 
6) Descreva o ciclo da Amebíase destacando as principais formas 
evolutivas. Quais as formas infectiva e diagnóstica do organismo? 
 O ciclo se inicia pela ingestão dos cistos maduros, junto de alimentos e 
água contaminados. Passam pelo estômago, resistindo à ação do suco 
gástrico, chegam ao final do intestino delgado ou início do intestino grosso, 
onde ocorre o desencistamento, com a saída do metacisto, através de uma 
pequena fenda na parede cística. Em seguida, o metacisto sofre sucessivas 
divisões nucleares e citoplasmáticas, dando origem a quatro e depois oito 
trofozoítos, chamados trofozoítos metacísticos. Estes trofozoítos migram para o 
intestino grosso onde se colonizam. Em geral, ficam aderidos à mucosa do 
intestino, vivendo como um comensal, alimentando-se de detritos e de 
bactérias. Sob certas circunstâncias, ainda não muito bem conhecidas, podem 
desprender da parede e, na luz do intestino grosso, principalmente no cólon, 
sofrer a ação da desidratação, eliminar substâncias nutritivas presentes no 
citoplasma, transformando-se em pré-cistos; em seguida, secretam uma 
membrana cística e se transformam em cistos, inicialmente mononucleados. 
Através de divisões nucleares sucessivas, se transformam em cistos 
tetranucleados, que são eliminados com as fezes normais ou formadas. 
Geralmente não são encontrados em fezes liquefeitas ou disenténcas. 
 A forma infectiva são os cistos e diagnóstica os trofozoítos. 
 
7) Ao realizar um exame parasitológico de fezes, quais formas do 
parasita você poderá encontrar em: 
a) Fezes formadas 
 Cistos. 
b) Fezes pastosas 
 Cistos e trofozoítos. 
c) Fezes diarreicas 
 Trofozoítos. 
 
8) Quais são as formas de transmissão dessa doença? Observe que 
o trofozoíto não resiste tempo o suficiente no ambiente para transmitir a 
doença. 
 O mecanismo de transmissão ocorre através de ingestão de cistos 
maduros, com alimentos (sólidos ou líquidos). O uso de água sem tratamento, 
contaminada por dejetos humanos, é um modo frequente de contaminação; 
ingestão de alimentos contaminados (verduras cruas - alface, agrião; frutas - 
morango) é importante veículo de cistos. 
 
9) Em que consiste a patogenia da Amebíase? 
Com relação ao parasito, sabe-se que a evolução da patogenia ocorre 
através da invasão dos tecidos pelos trofozoítos invasivos e virulentos. Os 
mecanismos dessa invasão não estão ainda totalmente esclarecidos. Tudo 
indica que a E. histolytica tem um efeito letal direto sobre a célula, 
necessitando, para isso, que haja inicialmente uma forte adesão entre a ameba 
e a célula que será lesada. Esta adesão parece estar mediada por lectinas 
contidas na superfície das amebas, sendo auxiliadas por formações filopódicas 
que ampliam a adesão, logo seguida pela fagocitose. Uma vez vencida a 
barreira epitelial, os movimentos amebóides e a liberação de enzimas 
proteolíticas (hialuronidase, protease e mucopolissacaridases) favorecem a 
progressão e destruição dos tecidos. Parece que a ameba tem certa 
dificuldades em penetrar na mucosa intestinal intacta, havendo fortes 
indicações de que a ameba penetre inicialmente nas regiões intraglandulares, 
Uma vez invadida a mucosa, os trofozoítos se multiplicam e prosseguem 
penetrando nos tecidos sob a forma de microulcerações em direção à 
muscularis mucosae, com escassa reação inflamatória. Na submucosa, as 
amebas podem progredir em todas as direções, determinando inicialmente a 
típica ulceração chamada "botão de camisa" ou "colo de garrafa". As lesões 
amebianas são mais frequentes no ceco e na região retossigmodiana. As 
úlceras variam muito em tamanho e forma e podem estender-se a grandes 
proporções do intestino grosso. Ocasionalmente, os trofozoítos podem induzir 
uma resposta inflamatória proliferativa com formação de uma massa 
granulomatosa, chamada "ameboma". Essa formação não é comum na 
amebíase. As amebas podem penetrar nos vasos sanguíneos e, através da 
circulação porta, atingir primeiramente o fígado, que é o principal órgão com 
acometimento extra intestinal, formando abscessos ou, mais propriamente, 
"necrose coliquativa". Podem também atingir o pulmão e mais raramente o 
cérebro. Atingem ainda, em certas circunstâncias, a pele e as regiões anal ou 
vaginal (períneo). 
 
10) Quais as manifestações clínicas da Amebíase? (Importante 
ressaltar fases intestinal e extraintestinal). 
Amebíase intestinal: diarreia com presença de sangue (disenteria 
amebiana) em decorrência de lesões ulceradas causadas pelos trofozoítas da 
ameba. Pode ocorrer colite não-disentérica, que é a forma mais comumente 
observada. Já a colite disentérica, é a forma não complicada, apresenta 
disenteria, cólicas, tenesmo, febre; muco sangue e trofozoítos vivos. A colite 
necrotizante apresenta fezes mucopiossanguinolentas, devido a ulcerações 
profundas, isquemias e hemorragias do ceco e cólon ascendente. 
 
Doença amebiana extra intestinal: Queixas de dor no hipocôndrio direito, 
exacerbada ao movimento; febre e esplenomegalia; pode levar a ruptura e 
invasão de outros tecidos. A amebíase extraintestinal pode ser fatal e, por 
causa de sua prevalência, é considerada a terceira infecção parasitária por 
protozoário que mais causa óbitos no mundo, colocando-se depois apenas da 
doença de Chagas e da malária. Pode ocorrer abcesso hepático e lesões de 
pele. 
 
11) Como pode ser feito o diagnóstico da Amebíase intestinal? E a 
extraintestinal? 
Na forma intestinal o diagnóstico deve basear-se em exames 
parasitológicos ou, quando isso não é possível, em provas indiretas e outros 
recursos laboratoriais. Como a liberação dos parasitos ocorre de modo 
intermitente, devem-se realizar vários exames (de 3 a 5), em dias diferentes, 
para que se possa obter um resultado mais seguro. Já na forma extraintestinal 
deve ser realizado sorologia. 
 
12) Quais as medidas profiláticas que podem ser tomadas e qual o 
tratamento para a Amebíase? 
 A profilaxia está intimamente ligada à educação sanitária, visto que 
boa parte da contaminação ocorre por cuidados de higiene precários. Assim, 
deve-se lavar muito bem os alimentos antes de ingeri-los, lavar as mãos ao 
usar o banheiro, bem como utilizar vasos sanitários.O foco está em evitar a 
disseminação e ingestão dos cistos viáveis. 
 Para o tratamento, nos casos de disenteria grave, o paciente deve 
permanecer em repouso, com dieta de consistência branda, rica em proteínas 
e vitaminas, mas pobre em resíduos e carboidratos. Deve receber líquidos em 
abundância. 
 Para sintomas GI e amebíase extraintestinal, usa-se um dos 
seguintes: 
- Metronidazol oral, 500 a 750 mg, 3 vezes/dia em adultos (12 a 17 
mg/kg, 3 vezes/dia, em crianças), durante 7 a 10 dias. 
- Tinidazol, 2 g, VO, 1 vez/dia em adultos (50 mg/kg [máximo de 2 g], VO 
1 vez/dia em crianças > 3 anos de idade) por 3 dias para sintomas GI 
moderados, 5 dias para sintomas GI graves, e 3 a 5 dias para abscesso 
hepático amebiano.

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