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PROCEDIMENTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL (PARTE I) · OBJEÇÃO AO PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL · JULGAMENTO DAS OPOSIÇÕES · DIREITO DE RETIRADA · OPOSIÇÃO AO PLANO Sendo o pedido de RJ aceito, o juiz, por meio de uma decisão não terminativa (não se trata de sentença que julga e põe fim ao processo, mas sim, uma mera decisão inicial), nomeará um administrador judicial e determinará a suspensão de todas as ações e execuções existentes em face da empresa, pelo prazo de 180 dias. Comment by CLARYCE SOARES BARBOSA AMORIM: Assim como no processo de falência, há uma decisão ao princípio do processo que dará início ao processo de recuperação judicial propriamente dito. Após essa decisão, a empresa deverá, dentro do prazo de 60 dias da publicação da decisão que deferiu o processamento da recuperação judicial, apresentar um plano de recuperação à Assembleia Geral de credores que deverá aprovar ou rejeitar o plano, sob pena de convolação em falência caso não apresente. DEVERÁ CONTER: Comment by CLARYCE SOARES BARBOSA AMORIM: ASSUNTO DO GRUPO ANTERIOR I – discriminação pormenorizada dos meios de recuperação a ser empregados, conforme o art. 50 desta Lei, e seu resumo; II – demonstração de sua viabilidade econômica; e III – laudo econômico-financeiro e de avaliação dos bens e ativos do devedor, subscrito por profissional legalmente habilitado ou empresa especializada. Art. 7º A verificação dos créditos será realizada pelo administrador judicial, com base nos livros contábeis e documentos comerciais e fiscais do devedor e nos documentos que lhe forem apresentados pelos credores, podendo contar com o auxílio de profissionais ou empresas especializadas. Comment by CLARYCE SOARES BARBOSA AMORIM: Credores terão 15 dias para contestar ou habilitar-se. Feito isso, o administrador juducual terá 45 dias para publicar a relação de credores. § 1º Publicado o edital previsto no art. 52, § 1º , ou no parágrafo único do art. 99 desta Lei, os credores terão o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou suas divergências quanto aos créditos relacionados. § 2º O administrador judicial, com base nas informações e documentos colhidos na forma do caput e do § 1º deste artigo, fará publicar edital contendo a relação de credores no prazo de 45 (quarenta e cinco) dias, contado do fim do prazo do § 1º deste artigo, devendo indicar o local, o horário e o prazo comum em que as pessoas indicadas no art. 8º desta Lei terão acesso aos documentos que fundamentaram a elaboração dessa relação. Comment by CLARYCE SOARES BARBOSA AMORIM: Credores terão 15 dias para contestar ou habilitar-se. Feito isso, o administrador juducual terá 45 dias para publicar a relação de credores. Havendo deferimento do processamento da RJ, o juiz ordenará a publicação de edital contendo relação e aviso aos credores sobre o recebimento do plano de recuperação e fixando o prazo para a manifestação de eventuais objeções, observado o art. 55 desta Lei. PRAZO: 30 DIAS A PARTIR DA PUBLICAÇÃO DO EDITAL Os principais interessados na superação da crise econômico-financeira do devedor ou na preservação e otimização da utilidade produtiva dos bens são os credores, de modo que as decisões mais relevantes na condução do procedimento recuperacional ou falimentar foram a eles atribuídas. HIPÓTESE 01 Publicado o plano em edital e nenhum dos credores manifesta objeção. Juiz entende como ACEITAÇÃO DO PLANO, concedendo a RJ HIPÓTESE 02 Existindo a objeção pelos credores quanto ao plano de recuperação judicial apresentado, o juiz não poderá decidir quanto ao acolhimento do plano e à continuidade da recuperação judicial nos termos propostos. O juízo deverá convocar assembleia geral de credores, que deliberará sobre a aprovação, alteração ou rejeição do plano proposto. 1. APROVAR – manter o plano proposto inicialmente à vista das argumentações dos participantes e seus votos. 2. ALTERAR - propor alternativas de recuperação que deverão ser aprovadas pelo devedor e não poderão trazer prejuízos para os credores ausentes. 3. REJEITAR - Os credores poderão rejeitar o plano de recuperação em assembleia, hipótese em que o juiz convolará a recuperação judicial em falência. A assembleia, que será presidida pelo administrador judicial, não poderá ser suspensa ou adiada por qualquer decisão judicial liminar, conforme prescreve expressamente o art. 40 da Lei de Recuperação. · VOTO O voto de cada credor será proporcional ao valor de seu crédito. Tem-se, assim, o sistema e o quorum ordinários de deliberação e o método comum de valoração do peso do voto. Na recuperação judicial, para fins exclusivos de valoração do peso do voto, o crédito em moeda estrangeira será convertido para moeda nacional pelo câmbio da véspera da data de realização da assembleia (parágrafo único do art. 38 da LRF). Sendo o plano aprovado pelos credores, o juiz autoriza o plano de recuperação e determina sua execução. Se, no entanto, o plano não for aprovado, o administrador judicial submeterá à votação da Assembleia Geral de credores a concessão de prazo de 30 dias para que seja apresentado um plano de recuperação judicial por eles. Entretanto, existindo a objeção pelos credores quanto ao plano de recuperação judicial apresentado, o juiz não poderá decidir quanto ao acolhimento do plano e à continuidade da recuperação judicial nos termos propostos. O juízo deverá convocar assembleia geral de credores, que deliberará sobre a aprovação, alteração ou rejeição do plano proposto. Os credores poderão rejeitar o plano de recuperação em assembleia, hipótese em que o juiz convolará a recuperação judicial em falência. Mas a assembleia de credores poderá, ainda, aprovar o plano que fora proposto inicialmente à vista das argumentações dos participantes e seus votos, que também poderão propor alternativas de recuperação que, uma vez aprovadas na assembleia, levarão à aprovação da recuperação judicial pelos credores. Comment by CLARYCE SOARES BARBOSA AMORIM: ZAFFARI, Eduardo; SOUTO, Fernanda R.; BALDINOTI, Bruno; et al. Direito Falimentar: Recuperações Judicial e Extrajudicial. [Digite o Local da Editora]: Grupo A, 2021. E-book. ISBN 9786556901312. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786556901312/. Acesso em: 25 abr. 2024. Para a concessão desse prazo pelo administrador judicial, faz-se necessária a aprovação por credores que representem mais da metade dos créditos presentes à Assembleia Geral de credores; não havendo concordância, a falência da empresa poderá ser decretada. Fala-se em “poderá ser decretada”, haja vista que, o artigo 58, § 1º, da Lei de Recuperação Judicial, prevê que, caso não haja aprovação total do plano apresentado pela empresa, ainda assim poderá haver a homologação do plano de recuperação judicial pelo Juízo competente, desde que: haja o voto favorável de credores que representem mais da metade do valor de todos os créditos presentes à assembleia; haja aprovação de três das classes de credores; e na classe que o houver rejeitado, haja o voto favorável de mais de um terço dos credores. (CRAM DOWN) Comment by CLARYCE SOARES BARBOSA AMORIM: ASSUNTO DO PRÓXIMO GRUPO https://www.clicksign.com/blog/o-querecuperacao-judicial 7ª) Havendo objeção ao plano de recuperação judicial, o juiz convocará a assembleia geral de credores, a qual deliberará pela aprovação ou rejeição do plano. Caso rejeite relativamente (art. 58, §§ 1º e 2º, da Lei n. 11.101/2005), o plano poderá ser considerado aprovado, desde que satisfeitas as condições descritas nos incisos I e II, do § 1º, e, assim, o processo estará pronto para receber decisão concessiva da recuperação judicial, com as ressalvas relativas à apresentação de certidões negativas tributárias, observados os termos do Enunciado 55 do Conselho de Justiça Federal, já transcrito. 8ª) Caso o rejeite absolutamente, “o administrador judicial submeterá, no ato, à votação da assembleia-geral de credores a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para que seja apresentado plano de recuperação judicial peloscredores” (§ 4º, do art. 56, da Lei n. 11.101/2005, acrescentado pela Lei n. 11.112/2020). A concessão de tal prazo deverá ser aprovada por mais da metade dos créditos presentes à assembleia geral. O Plano Alternativo eventualmente proposto pelos credores deverá observar as condições seguintes: “I — não preenchimento dos requisitos previstos no § 1º do art. 58 desta Lei; II — preenchimento dos requisitos previstos nos incisos I, II e III do caput do art. 53 desta Lei; III — apoio por escrito de credores que representem, alternativamente: a) mais de 25% (vinte e cinco por cento) dos créditos totais sujeitos à recuperação judicial; ou b) mais de 35% (trinta e cinco por cento) dos créditos dos credores presentes à assembleia-geral a que se refere o § 4º deste artigo; IV — não imputação de obrigações novas, não previstas em lei ou em contratos anteriormente celebrados, aos sócios do devedor; V — previsão de isenção das garantias pessoais prestadas por pessoas naturais em relação aos créditos a serem novados e que sejam de titularidade dos credores mencionados no inciso III deste parágrafo ou daqueles que votarem favoravelmente ao plano de recuperação judicial apresentado pelos credores, não permitidas ressalvas de voto; e VI — não imposição ao devedor ou aos seus sócios de sacrifício maior do que aquele que decorreria da liquidação na falência” (incisos do § 6º, do art. 56, da Lei n. 11.101/2005, acrescentado pela Lei n. 14.112/2020). 9ª) Se não apresentado ou rejeitado o Plano Alternativo apresentado pelos credores, o juiz convolará a recuperação judicial em falência (§ 8º, do art. 56), sendo que da sentença correlata caberá agravo de instrumento, nos termos do parágrafo único do art. 58-A. 10ª) A decisão que conceder a recuperação judicial desafiará o recurso de agravo (§ 2º, do art. 59) e promoverá a novação das obrigações da recuperanda. O devedor permanecerá 2 anos em recuperação judicial (prazo máximo), mesmo que o plano tenha previsão de parcelamentos que ultrapassem tal período e independentemente de eventual período de carência. Se a recuperanda descumprir alguma das obrigações assumidas, dentro dos 2 anos da recuperação, o juiz convolará a recuperação judicial em falência (art. 73, IV, da Lei n. 11.101/2005). Se descumprir após os 2 anos, o credor é quem decidirá se executará o título ou se pedirá a falência do devedor, agora com base na obrigação novada (art. 94, III, alínea “g”, da Lei n. 11.101/2005). Uma vez deferido o processamento da recuperação judicial: 1) o devedor não poderá mais desistir dela, salvo se a desistência vier a ser aprovada pela assembleia geral de credores e homologada pelo juiz; 2) o devedor empresário em crise é que deverá comunicar aos juízos competentes, nos quais corram ações de interesse da recuperanda, a necessidade de suspensão de todas as ações e execuções, observadas as regras do art. 6º, da Lei n. 11.101/2005; 3) os credores poderão convocar assembleia geral para deliberar sobre a constituição do Comitê de Credores, ou sobre a substituição de seus membros. Essa assembleia pode, ainda, ser convocada para decidir sobre a convolação da recuperação judicial em falência (art. 73, inc. I). OPOSIÇÕES Art. 56-A. Até 5 (cinco) dias antes da data de realização da assembleia-geral de credores convocada para deliberar sobre o plano, o devedor poderá comprovar a aprovação dos credores por meio de termo de adesão, observado o quórum previsto no art. 45 desta Lei, e requerer a sua homologação judicial. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 1º No caso previsto no caput deste artigo, a assembleia-geral será imediatamente dispensada, e o juiz intimará os credores para apresentarem eventuais oposições, no prazo de 10 (dez) dias, o qual substituirá o prazo inicialmente estipulado nos termos do caput do art. 55 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 2º Oferecida oposição prevista no § 1º deste artigo, terá o devedor o prazo de 10 (dez) dias para manifestar-se a respeito, ouvido a seguir o administrador judicial, no prazo de 5 (cinco) dias. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 3º No caso de dispensa da assembleia-geral ou de aprovação do plano de recuperação judicial em assembleia-geral, as oposições apenas poderão versar sobre: (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) I - não preenchimento do quórum legal de aprovação; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) II - descumprimento do procedimento disciplinado nesta Lei; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) III - irregularidades do termo de adesão ao plano de recuperação; ou (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) IV - irregularidades e ilegalidades do plano de recuperação. DIREITO DE RETIRADA https://www.migalhas.com.br/depeso/340091/capitalizacao-de-creditos-em-contexto-de-recuperacao-judicial Direito de Retirada - Por fim, considerando os elementos acima pormenorizados, em especial a frágil affectio que tende a existir entre os sócios ingressantes (antigos credores) em face dos antigos controladores, recomenda-se a clara estipulação do regramento de retirada, a fim de que se evite a perpetuação de conflitos societários deletérios ao negócio propriamente dito. Esse cuidado deve ser tomado principalmente nas sociedades limitadas (e em algumas companhias de pessoalidade mais ressaltada), tendo em vista a possibilidade dilatada dos sócios requererem dissolução parcial. Epa! Vimos que você copiou o texto. Sem problemas, desde que cite o link: https://www.migalhas.com.br/depeso/340091/capitalizacao-de-creditos-em-contexto-de-recuperacao-judicial https://www.migalhas.com.br/depeso/334953/a-reforma-da-lei-11-101-05-e-a-apresentacao-do-plano-de-recuperacao-judicial-pelos-credores Ademais, alteração controversa encontra-se na inclusão do § 7º do art. 56, o qual dispõe que "o plano de recuperação judicial apresentado pelos credores poderá prever a capitalização dos créditos, inclusive com a consequente alteração do controle da sociedade devedora, permitido o exercício do direito de retirada pelo sócio do devedor". Embora a conversão de dívida em capital social constitua meio de recuperação judicial, tipificado pela inserção do inciso XVII ao art. 50 do PL 4.456/20, a previsão legal disposta no art. 56, § 7º, ao facultar que o plano alternativo preveja a capitalização dos créditos, inclusive com a alteração do controle da sociedade devedora, poderá gerar incentivos perversos, favorecer as tentativas de tomada hostil de controle, além de ocasionar litigiosidade e instabilidade na negociação do plano, desequilibrando o ambiente necessário à alocação eficiente de ativos. Além disso, é possível que a medida acentue uma das principais críticas ao fracasso das recuperações judiciais: "a busca tardia do empresário por uma alternativa jurídica a superar a crise econômico-financeira que o acomete"15. Igualmente questionável é a compatibilidade da regra com as normas do direito societário, o que, caso aprovada na forma como proposta, certamente demandará aprofundamentos pela doutrina e jurisprudência. Lei nº 11.101/2005 Art.56 § 7º O plano de recuperação judicial apresentado pelos credores poderá prever a capitalização dos créditos, inclusive com a consequente alteração do controle da sociedade devedora, permitido o exercício do direito de retirada pelo sócio do devedor. Art. 116 II – o exercício do direito de retirada ou de recebimento do valor de suas quotas ou ações, por parte dos sócios da sociedade falida. Código Civil Art. 1.032 - A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o exime, ou a seus herdeiros, da responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos após averbada a resolução da sociedade; nem nos dois primeiros casos, pelas posteriores e em igual prazo, enquanto não se requerer a averbação. CLT Art. 10-A. O sócio retirante responde subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas da sociedade relativas ao períodoem que figurou como sócio, somente em ações ajuizadas até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, observada a seguinte ordem de preferência: I - a empresa devedora; II - os sócios atuais; e III - os sócios retirantes. Parágrafo único. O sócio retirante responderá solidariamente com os demais quando ficar comprovada fraude na alteração societária decorrente da modificação do contrato. A segunda hipótese prevista no art. 116, é no sentido de que fica suspenso o direito de retirada (obviamente do sócio), assim como o direito de recebimento dos haveres do sócio dissociante, relativamente a suas partes ou quotas. O preceito merece reflexões. Cuida-se, é claro, de situação que se apresenta no âmbito de sociedade empresária. Se uma sociedade empresária está falida, seu patrimônio líquido é negativo. Pode um sócio, ou acionista, nesse contexto, ter haveres a receber? Se o direito de retirada foi manifestado após a falência, não é razoável admitir haja haveres a receber. Se o direito de retirada foi manifestado anteriormente à falência, quando o patrimônio líquido (suponha-se) era positivo, o direito aos haveres não se efetivará: houve a falência, e há credores a serem satisfeitos. É preciso lembrar que o sócio ou o acionista é credor da sociedade, quando esta se dissolve por qualquer motivo, inclusive falência, mas seu crédito é subordinado, é o último a ser satisfeito, desde que todos demais credores – inclusive outros credores subordinados – tenham sido pagos. Veja-se o art. 83, VIII, b da nova Lei. Vale lembrar que o capital social – no qual o sócio ou acionista teve contabilizados os aportes (realização de capital subscrito) que fez, e que correspondem a seu crédito – sempre se classificou, historicamente, em termos contábeis, como passivo não exigível. Assim, o preceito parece-nos ocioso, por afirmar uma obviedade. image1.png