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Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 1 Um aspecto muito cobrado nas provas de concurso é a interpretação de texto. Para uns, a parte mais fácil da prova; para outros, a mais difícil. O candidato que almeja ter uma boa pontua- ção nesta seção precisará ler mais, seja jor- nal ou livro de sua preferência, pois através da leitura, conseguimos melhorar cada vez mais o nosso nível de interpretação. Este segmento da prova nada mais é do que perguntas nas quais a banca faz a respeito do entendimento do texto para o candidato, através do que está ali escrito ou através da inferência (dedução). Na prova, esta interpretação será abrangen- te. Então, vocês poderão interpretar: Texto verbal: é aquele que se faz apenas através da unidade verbal concreta, ou seja, se faz através da escrita. Ex: livros; Texto não verbal: é aquele propõe uma comunicação através da imagem, do desenho, símbolo... Não vai conter palavras na construção dele. Ex: se- máforo, placas de trânsito; Texto literário: é aquele que preza o subjetivismo, a conotação... Ex: poe- ma; Texto não literário: é aquele que preza pela objetividade com a linguagem impessoal e denotativa. Ex: matéria de jornal. Dentro da interpretação textual, temos um aspecto chamado intertextualidade que é como a conversa entre os textos. Isto é, atra- vés da criação de um texto original, serão criados outros que critiquem, citem, expan- dam (...) a ideia deste primeiro. A intertextualidade, nesta prova, divide-se em: Paródia: é a forma crítica, irônica, do texto original. Na maioria das vezes, tem caráter humorístico; Paráfrase: é quando a ideia original é mantida, mas ocorre uma expansão, um “aprimoramento” desta. Nem tudo estará escrito no texto. Então, vo- cê precisará de um mecanismo chamado inferência que nada mais é do que a dedu- ção sobre o que está escrito. Através dos seus conhecimentos de mundo e da sua interpretação, a inferência ocorrerá. Temos a seguinte frase: Garfield bebeu umas e ficou acordado. O que significa, no nosso tempo, tomar umas? Sim, é isto mesmo que você está pensando! É beber algo com álcool ou até, puramente, beber cerveja. Mas isto está es- crito no texto? Não! Através da inferência você conseguiu resolver o enigma Todo texto precisa de coesão que é a ligação entre as partes do texto a fim de “amarrar” as ideias para que elas se completem e façam sentido. Algumas palavras como pronomes, conjun- ções e preposições são usadas para fazerem referência e relação com as partes do texto. E essa relação pode ocorrer em dois movi- mentos: o progressivo (catáfora) e retrospec- tivo (anáfora). 1. A catáfora é uma palavra ou expres- são que antecede o que será dito, fa- zendo movimento progressivo. Ex: Só te desejo isto: paz e amor. O pronome “isto” está antecedendo o desejo desse autor e logo depois é explicado o de- sejo, então temos o fenômeno da coesão chamado catáfora. 2. A anáfora é uma palavra ou expressão que retoma a algo que já foi dito, fa- zendo movimento retrospectivo. Ex: Comprei novos sapatos. Usarei os ama- nhã. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 2 O pronome oblíquo “os” foi utilizado para re- tomar o termo sapato que já foi expresso an- teriormente, então, temos o fenômeno co- nhecido como anáfora. POEMA TRANSITÓRIO Eu que nasci na Era da Fumaça: − trenzinho vagaroso com vagarosas paradas em cada estaçãozinha pobre para comprar pastéis pés-de-moleque sonhos − principalmente sonhos! porque as moças da cidade vinham olhar o trem passar; elas suspirando maravilhosas viagens e a gente com um desejo súbito de ali ficar morando sempre...Nisto, o apito da locomotiva e o trem se afastando e o trem arquejando é preciso partir é preciso chegar é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente! ...no entanto eu gostava era mesmo de partir... e − até hoje − quando acaso embarco para alguma parte acomodo-me no meu lugar fecho os olhos e sonho: viajar, viajar mas para parte nenhuma... viajar indefinidamente... como uma nave espacial perdida entre as estrelas. (QUINTANA, Mário. Baú de Espantos. in: MARÇAL, Iguami Antônio T. Antologia Esco- lar, Vol.1; BIBLIEX; p. 169.) 1-Em função do que é dito nos versos do poema (Texto de Interpretação), observa-se que o “eu lírico”: A) viaja, não só fisicamente, mas também por meio de seus pensamentos. B) é um homem agitado, que leva uma vida de passageiro com luxo e mordomias. C) deseja ser mau e mórbido, por isso faz suas viagens pelas estrelas. D) tem fome e pouco dinheiro, logo não gas- ta com comidas que não alimentam. E) é uma voz que clama por tranquilidade e brada contra a poluição do ar. 2- Levando em conta o contexto do poema (Texto de Interpretação), em qual das alter- nativas há um sentido semelhante ao de “acomodo-me no meu lugar”? A) Ajeito-me no meu canto. B) Entendo-me com minhas ideias. C) Adapto-me ao meio em que vivo. D) Limito-me a ficar pensativo. E) Satisfaço-me com o lugar que me dão. 3- A expressão “viajar indefinidamente”, no Texto de Interpretação, só NÃO significa: A) viajar sem se preocupar com o tempo de chegar. B) aventurar-se pelo mundo sem ter um obje- tivo definido. C) passear de modo errante, a esmo. D) sair por aí sem definir o nome das pesso- as conhecidas. E ) não ter a preocupação de saber o lugar para onde se vai. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 3 4-No cartum apresentado, o significado da palavra escrita é reforçado pelos elementos visuais, próprios da linguagem não verbal. A separação das letras da palavra em balões distintos contribui para expressar principal- mente a seguinte ideia: a) dificuldade de conexão entre as pessoas b) aceleração da vida na contemporaneidade c) desconhecimento das possibilidades de diálogo d) desencontro de pensamentos sobre um assunto 5- Na tira do cartunista argentino Quino, utili- zam-se recursos gráficos que lembram o ci- nema. A associação com a linguagem artísti- ca do cinema, que lida com o movimento e com o instrumento da câmera, é garantida pelo procedimento do cartunista demonstra- do a seguir: a) ressaltar o trabalho com a vassoura para sugerir ação. b) ampliar a imagem da mulher para indicar aproximação. c) destacar a figura da cadeira para indiciar sua importância. d) apresentar a sombra dos personagens para sugerir veracidade. 6- Sobre a tirinha de Garfield, é correto afirmar que: a) A linguagem verbal é o elemento principal para o entendimento da tirinha. b) O uso da linguagem verbal não faz dife- rença para a compreensão da tirinha. c) O uso simultâneo das linguagens verbal e não verbal colabora para o entendimento da tirinha. d) A sequência cronológica dos fatos relata- dos nas imagens não influencia na compre- ensão da tirinha. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 4 7- Nos gráficos, os elementos visuais e os ele- mentos textuais são fundamentais para o entendimento total da mensagem transmiti- da. No gráfico em questão, a linguagem ver- bal e a linguagem não verbal têm como in- tenção mostrar ao leitor que: a) O número de casamentos entre pessoas acima de 60 anos diminuiu em um período de cinco anos. b) O número de pessoas acima de 60 anos que estão inseridas no mercado de trabalho é proporcionalmente inverso à quantidade de pessoas que se casam nessa faixa etária. c) Apresenta dados para o leitor quee vírgula, ponto e vírgula; b) vírgula, vírgula,vírgula; c) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula; Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 32 d) dois pontos, vírgula, ponto e vírgu- la; e) ponto e vírgula, dois pontos, vírgu- la. 6- Assinale a série de sinais cujo empre- go corresponde, na mesma ordem, aos parênteses indicados no texto: “Pergunta-se ( ) qual é a ideia principal desse parágrafo ( ) A chegada de re- forços ( ) a condecoração ( ) o escân- dalo da opinião pública ou a renúncia do presidente ( ) Se é a chegada de reforços ( ) que relação há ( ) ou mos- trou seu autor haver ( ) entre esse fato e os restantes ( )”. a) , , ? ? ? , , , . b) : ? , , ? , ___ ___ ? c) ___ ? , , . ___ ___ ___ . d) : ? , . ___ , , , ? e) : . , , ? , , , . 7-(IBGE) Assinale a seqüência correta dos sinais de pontuação que devem ser usados nas lacunas da frase abaixo. Não cabendo qualquer sinal, O indicará essa inexistência: Aos poucos .... a necessidade de mão-de- obra foi aumentando .... tornando-se neces- sária a abertura dos portos .... para uma ou- tra população de trabalhadores ..... os imi- grantes. a) O - ponto e vírgula - vírgula - vírgula b) O - O - dois pontos - vírgula c) vírgula, vírgula - O - dois pontos d) vírgula - ponto e vírgula - O - dois pontos e) vírgula - dois pontos - vírgula - vírgula 8- (IBGE) Assinale a seqüência correta dos sinais de pontuação que devem preencher as lacunas da frase abaixo. Não havendo si- nal, O indicará essa inexistência. Na época da colonização ..... os negros e os indígenas escravizados pelos brancos ..... reagiram ..... indiscutivelmente ..... de forma diferente. a) O - O - vírgula - vírgula b) O - dois pontos - O - vírgula c) O - dois pontos - vírgula - vírgula d) vírgula - vírgula - O - O e) vírgula - O - vírgula - vírgula 9-(ABC-SP) Assinale a alternativa cuja frase está corretamente pontuada: a) O sol que é uma estrela, é o centro do nosso sistema planetário. b) Ele, modestamente se retirou. c) Você pretende cursar Medicina; ela, Odon- tologia. d) Confessou-lhe tudo; ciúme, ódio, inveja. e) Estas cidades se constituem, na maior parte de imigrantes alemães. 10- (BB) "Os textos são bons e entre outras coisas demonstram que há criatividade". Ca- bem no máximo: a) 3 vírgulas b) 4 vírgulas c) 2 vírgulas d) 1 vírgula e) 5 vírgulas Gabarito: 1- C 2- C 3- C 4- E 5- C 6- B 7- C 8- E 9- C 10- C Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 33 As classes de palavras são divididas em dez de acordo com sua finalidade, sua função. Antes de mostrar a divisão das classes, é importante saber que existe classe variável (aquela que varia em número, gênero ou grau) e classe invariável (aquela que não varia). 1. Substantivo (é variável): É a classe responsável em dar nome, seja em pessoas, seja em objetos... Ex: Lâmpada. Os substantivos se classificam em: Comum: nome dos seres/objetos em geral. Ex: Casa, beijo, rua, menina... Próprio: nome específico/particular de pessoa, estado, empresa... Ex: Julia, Rio de Janeiro, Mcdonalds... Abstrato: é aquele nome na qual a existência depende de um ser. Ex: Beleza (Não conseguimos imaginar o que é beleza sem remeter a alguém ou a algo). Concreto: é aquele nome que existe independente da existência do ser. Ex: Estojo (Não precisamos remeter a ima- gem do estojo a nenhuma pessoa. Conse- guimos imaginar o objeto sem dificuldade alguma.). Primitivo: é o nome que não deriva de nenhum outro. Podemos dizer que ele veio primeiro. Ex: Pedra. Derivado: é o nome que se formou a partir de outro. Ex: Pedreiro. Simples: é o nome que apresenta um núcleo. Ex: Menino. Composto: é o nome que se forma a partir da presença de dois ou mais nú- cleos. Ex: Segunda- Feira. Coletivo: é o nome designado para re- ferir-se a um grupo. Ex: Álbum (junção de fotos). 2. Verbo (é variável): É a classe responsável por designar uma ação num tempo. Ex: Joguei. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 34 O verbo tem modos e esses modos expri- mem situações diferentes. 1) Indicativo: é aquele que indica certeza da ação. Ex: Joguei bola. 2) Subjuntivo: é aquele que indica dúvida em relação à ação. Ex: Se eu soubesse, não teria vindo. 3) Imperativo: indica ordem. Ex: Beba isso! Além dos modos, o verbo tem tempos, isto é, quando foi realizada a ação. Os tempos verbais dividem se em: 1) Presente: ação acontecendo no mo- mento. Ex: Jogo bola. 2) Pretérito: ação aconteceu no passado. Ex: Joguei bola. É importante ressaltar que o pretérito se divide em: Pretérito perfeito: a ação foi concluída. Ex: Dancei muito. Pretérito imperfeito: algo aconteceu e a ação foi interrompida. Ex: Dançava na festa. Pretérito mais que perfeito: a ação foi acabada num passado anterior a outro passado. Ex: Quando cheguei ontem, ele já comera macarrão. 3) Futuro: a ação ainda acontecerá. Ex: Comerei macarrão. É importante ressaltar que o fu- turo se divide em: Futuro do pretérito: a ação poderia ter acontecido numa situação passada. Ex: Eu amaria você o resto da minha vida. Futuro do presente: a ação acontecerá num momento posterior a fala. Ex: Amarei você. Vale ressaltar que no modo subjuntivo só existe o tempo presente, pretérito imperfeito e futuro. Vale ressaltar que o modo im- perativo divide se em imperati- vo afirmativo e imperativo ne- gativo. Para a prova, é importante saber que o verbo se classifica em: 1) Regular: aquele que seu radical segue o mesmo padrão quando ocorre a fle- xão; 2) Irregular: quando o radical do verbo não segue o padrão na flexão; 3) Impessoal: aquele que não tem sujei- to. Existem outras classificações do verbo, mas não são aborda- das no concurso. 3. Adjetivo (é variável): É a classe responsável por caracterizar os nomes. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 35 Ex: Bonita. 4. Pronome (é variável): É a classe que se refere ou substitui o nome. Ex: A garota é estudiosa. Ela tem um futuro promissor. O pronome divide- se em: Pronome pessoal: o pronome pessoal também possui ramificações. 1) Pronome pessoal do caso reto: é aquele que torna- se sujeito na frase. Ex: Eu comprei a roupa 2) Pronome pessoal oblíquo: é aquele que completa o sentido do verbo. Ex: Observei-o na rua. Pronome possessivo: aquele que dá ideia de posse. Ex: Minha saia rasgou. Pronome demonstrativo: é usado para demonstrar algo ou alguém num es- paço. Ex: Aquele menino vai à festa? É importante ressaltar que os pronomes demonstrativos são usados dependendo da posição de quem fala ou dependendo da posição com quem se fala. Este= quando o objeto está próximo de quem fala. Esse=quando o objeto está próximo de com quem se fala. Aquele= quando o objeto está longe de quem fala e de com quem se fala. Pronome de tratamento: é usado em situação formal para referir se a uma pessoa. Ex: Vossa Excelência deseja um café? Usamos o pronome vossa excelência quando nos referimos às altas autoridades. Pronome indefinido: é aquele que in- dica algo vago ou até mesmo indefini- do. Obs: alguns pronomes indefinidos são invari- áveis.Ex: Ninguém compareceu à reunião. Pronome relativo: além de ligar ora- ções, refere-se a algo que já foi dito anteriormente a fim de evitar repeti- ções. Ex: A aldeia onde moro é histórica. Pronome interrogativo: é aquele que tem o objetivo de fazer uma pergunta direta ou indireta. Ex: Quem foi selecionado? 5. Artigo (é variável): É a classe que antecede o nome, definindo-o ou indefinindo- o. Ex: Esse é um estudante. Ex²: Essa é a caneta. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 36 6. Numeral (é variável): É a classe responsável por indicar ordem ou número dos elementos. Ex: Cadê o primeiro da fila? O numeral pode ser dividido em: 1) Ordinal: o responsável para indicar or- dem. Ex: Você é o segundo. 2) Cardinal: indica a quantidade de ele- mentos. Ex: Quero duas coxinhas. 3) Multiplicativo: aquele que provoca a multiplicação. Ex: Quero o dobro de queijo. 4) Fracionário: aquele que indica fração. Ex: Um quarto dos funcionários faltou. 7. Preposição (é invariável): É a classe de palavras que liga termos. Ex: Casaco da mamãe. 8. Conjunção (é invariável): É a classe que liga orações. Ex: Não vou porque está chovendo. 9. Interjeição (é invariável): É a classe responsável por demonstrar sen- timentos, emoções. Ex: Ah! Que bom ver você. 10. Advérbio (é invariável): É a classe que se liga ao verbo, adjetivo ou ao próprio advérbio com a intenção de dar circunstância ou intensidade. Ex: Corri lentamente. As circunstâncias que os advérbios podem exprimir são: 1) Modo 2) Lugar 3) Tempo 4) Negação 5) Afirmação 6) Dúvida 7) Instrumento 8) Meio Existem algumas outras cir- cunstâncias que não são muito cobradas nesta prova. É importante ressaltar que quando temos um artigo na frente de qual- quer classe gramatical, essa pala- vra torna se substantivada. Ex: Almoço cedo. Nesta frase, a palavra grifada é um verbo porque é a ação de almoçar. Ex²: O almoço será servido. Nesta frase, a palavra grifada tornou-se um substantivo por ter um artigo na frente dela, substantivando-a. A palavra, agora, significa refeição. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 37 1- A alternativa que apresenta classes de palavras cujos sentidos podem ser modifica- dos pelo advérbio são: a) adjetivo – advérbio – verbo. b) verbo – interjeição – conjunção. c) conjunção – numeral – adjetivo. d) adjetivo – verbo – interjeição. e) interjeição – advérbio – verbo. 2-Na oração “Ninguém está perdido se der amor…”, a palavra grifada pode ser classifi- cada como: a) advérbio de modo. b) conjunção adversativa. c) advérbio de condição. d) conjunção condicional. e) preposição essencial. 3-Em “Tem bocas que murmuram preces…”, a seqüência morfológica é: a) verbo-substantivo-pronome relativo-verbo- substantivo. b) verbo-substantivo-conjunção integrante- verbo-substantivo. c) verbo-substantivo-conjunção coordenativa- verbo-adjetivo. d) verbo-adjetivo-pronome indefinido-verbo- substantivo. e) verbo-advérbio-pronome relativo-verbo- substantivo. 4- “…os cipós que se emaranhavam…” . A palavra sublinhada é: a) conjunção explicativa. b) conjunção integrante. c) pronome relativo. d) advérbio interrogativo. e) preposição acidental. 5-Em “Escrever é alguma coisa extremamen- te forte, mas que pode me trair e me aban- donar.”, as palavras grifadas podem ser clas- sificadas como, respectivamente: a) pronome adjetivo – conjunção aditiva. b) pronome interrogativo – conjunção aditiva. c) pronome substantivo – conjunção alterna- tiva. d) pronome adjetivo – conjunção adversativa. e) pronome interrogativo – conjunção alterna- tiva. 6- Marque o item em que a análise morfoló- gica da palavra sublinhada não está correta: a) Ele dirige perigosamente – (advérbio). b) Nada foi feito para resolver a questão – (pronome indefinido). c) O cantar dos pássaros alegra as manhãs – (verbo). d) A metade da classe já chegou – (numeral). e) Os jovens gostam de cantar música mo- derna – (verbo) 7-Assinale a frase cujas palavras sublinha- das sejam substantivo e pronome, respecti- vamente: a) A lata de doce é dele. b) A Inglaterra é um país muito bonito. c) Fale sobre tudo o que lhe perguntar. d) As pessoas estão inconformadas. e) Os refugiados não queriam sa- ir do alojamento 8-As expressões sublinhadas correspondem a um adjetivo, exceto em: a) João Fanhoso anda amanhecendo sem entusiasmo. b) Demorava-se de propósito naquele com- plicado banho. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 38 c) Os bichos da terra fugiam em desabalada carreira. d) Noite fechada sobre aqueles ermos perdi- dos da caatinga sem fim. e) E ainda me vem com essa conversa de homem da roça. 9-A palavra 'encarecidamente' pertence à classe dos(as): a) Substantivos b) Verbos c) Adjetivos d) Advérbios e) Artigos 10-Marque a alternativa em que haja um arti- go definido e um artigo indefinido, respecti- vamente: a) Roberta é a melhor aluna dessa classe. b) Gostaria de comprar um celular novo e a sandália daquela loja. c) Uma boa noite de sono é a melhor manei- ra de evitar o estresse. d) A casa que comprei é um pouco antiga. e) Nenhuma das alternativas anteriores. Gabarito 1- a 2- d 3- a 4- c 5- d 6- c 7- a 8- b 9- d 10- d Estrutura das palavras são os elementos mórficos que compõem cada palavra. Radical: é a base que serve de signifi- cado a palavra. Ex: Quadro; Vogal temática: é a vogal que se liga ao radical para formar o tema. Ex: Es- tuda; Afixos: são elementos que se ligam ao radical. Eles podem ser: Prefixos: ligam-se ao início do radical. Ex: infeliz; Sufixos: ligam-se ao final do radical. Ex: felizmente Desinências: são morfemas acresci- dos ao final do radical que indicam fle- xões das palavras. As desinências podem ser nominais ou verbais. Nominais: menina. Este “a” é uma desinência de gênero, pois indica gênero. Obs: a desinência de gênero pode indicar masculino e/ou feminino. -Meninas. Este “s” é uma desinên- cia de número, pois indica plural. Verbais: vimos. Este “mos” é uma desinência número- pessoal, pois indica que o verbo encontra-se no plural e na 1° pessoa. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 39 Já no verbo viajava, este “va” é uma desinência modo-temporal, pois indica que o verbo encontra- se no modo indicativo e no tempo pretérito. Vogal/ consoante de ligação: só ser- vem para facilitar a pronúncia da pala- vra. Ex: Cafeteira/ Gasômetro 1-(Fuvest-SP) Assinalar a alternativa que registra a palavra que tem o sufixo formador de advérbio: a) desesperança b) pessimismo c) empobrecimento d) extremamente e) sociedade 2- (Unirio-RJ) O elemento destacado NÃO é vogal temática em: a) está b) coalhou c) beber d) poupei e) calço 3-Marque a alternativa incorreta com rela- ção à classificação dos elementos mórficos destacados nas palavras: a) Planejam – M – desinência número- pessoal b) Vejo – O – desinência modo-temporal c) Bonita – A – desinência de gênero. d) Embelezar – EM – prefixo. e) Lealdade – DADE – prefixo. 4-Assinalar a alternativa correta. Na palavra “empedramento”. a) o sufixo é ento b) o prefixo é empe c) o tema é pedra d) o radical é emped. 5-Em “.. conhecendo nosso medo...”,o vo- cábulo sublinhado apresenta em sua estru- tura os seguintes elementos mórficos: a) o radical conhece, o prefixo ndo. b) o radical ndo, o tema conhece, a vogal temática e. c) o prefixo com, o radical conhece, a vogal temática e. a desinência ndo. d) o radical conhec, a vogal temática e , o tema conhece , a desinência ndo. Gabarito 1- d 2- d 3- e 4- c 5- d Derivação: é o acréscimo ou retirada de morfemas. Existem diversos pro- cessos de derivações e veremos a seguir: Derivação prefixal: é a colocação de um prefixo na palavra. Ex: infe- liz; Derivação sufixal: é a colocação de um sufixo na palavra. Ex: felizmen- te; Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 40 Derivação prefixal e sufixal: é a co- locação de um prefixo e um sufixo ao mesmo tempo. Caso haja a reti- rada de um, a palavra continuará existindo. Ex: infelizmente; Derivação parassintética: é a colo- cação de um prefixo e um sufixo na palavra ao mesmo tempo. Caso haja a retirada de um, a palavra deixa de existir. Ex: desalmada; Derivação regressiva: é a perda de morfema. Ex: pescar pesca; Derivação imprópria: é a mudança de classe gramatical da palavra. Ex: almoço (verbo)/ almoço (subs- tantivo) Composição: é quando trabalhamos com radical um ao lado do outro. A composição divide-se em: Composição por justaposição: ao colocar um radical ao lado do outro, não existirá nenhum tipo de perda. Ex: segunda- feira; Composição por aglutinação: ao colocar um radical ao lado do outro, existirá perda. Ex: aguardente (água + ardente). Percebe-se que houve a perda da letra “a”. Neologismo: criação de uma palavra. Esta palavra não estará no dicionário e nem todas as outras pessoas serão obrigadas a entender. Ex: Larilândia (meu mundo encantado) Hibridismo: formação de palavras através de idiomas diferentes. Ex: So- ciologia. (sócio – latim; logia- grego) Abreviação: consiste na diminuição da palavra para gerar rapidez na fala e/ou escrita. Ex: fotografia foto; Sigla: é formada por letra de forma e consiste na inicial do conjunto de pa- lavras. Ex: RG (registro geral); Onomatopeia: é a tentativa da repre- sentação dos barulhos do cotidiano na escrita. Ex: poow! ; Reduplicação: é a repetição de vogais ou consoantes. Ex: reco-reco. 1-A palavra boteco é formada por derivação. a) prefixal; b) sufixal; c) regressiva; d) parassintética; e) imprópria. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 41 2- Indique em qual alternativa a palavra não é formada por composição por justaposição. a) quinta-feira; b) paraquedas; c) guarda-sol; d) tique-taque. 3- (IBGE) Assinale a opção em que to- das as palavras se formam pelo mes- mo processo: a) ajoelhar / antebraço / assinatura b) atraso / embarque / pesca c) o jota / o sim / o tropeço d) entrega / estupidez / sobreviver 4- (BB) A palavra "aguardente" formou- se por: a) hibridismo b) aglutinação c) justaposição d) parassíntese d) parassíntese 5-(AMAN) Que item contém somente pala- vras formadas por justaposição? a) desagradável - complemente b) vaga-lume - pé-de-cabra c) encruzilhada - estremeceu d) supersticiosa - valiosas e) desatarraxou - estremeceu 6-(UE-PR) "Sarampo" é: a) forma primitiva b) formado por derivação parassintética c) formado por derivação regressiva d) formado por derivação imprópria e) formado por onomatopeia 7-(EPCAR) Numere as palavras da primeira coluna conforme os processos de formação numerados à direita. Em seguida, marque a alternativa que corresponde à sequência numérica encontrada: ( ) aguardente 1) justaposição ( ) casamento 2) aglutinação ( ) portuário 3) parassíntese ( ) pontapé 4) derivação sufixal ( ) os contras 5) derivação imprópria ( ) submarino 6) derivação prefixal ( ) hipótese a) 1, 4, 3, 2, 5, 6, 1 b) 4, 1, 4, 1, 5, 3, 6 c) 1, 4, 4, 1, 5, 6, 6 d) 2, 3, 4, 1, 5, 3, 6 e) 2, 4, 4, 1, 5, 3, 6 8-(CESGRANRIO) Indique a palavra que fo- ge ao processo de formação de chapechape: a) zunzum b) reco-reco c) toque-toque Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 42 d) tlim-tlim e) vivido 9-(FFCL SANTO ANDRÉ) As palavras cou- ve-flor, planalto e aguardente são formadas por: a) derivação b) onomatopeia c) hibridismo d) composição e) prefixação 10-(LONDRINA-PR) A palavra resgate é formada por derivação: a) prefixal b) sufixal c) regressiva d) parassintética e) imprópria Gabarito 1- C 2- D 3- B 4- B 5- B 6- C (vem de sarampão) 7- E 8- E 9- D 10- C É a contração da preposição “a” com o artigo “a” que forma a crase “à”. A crase não ocorre: Antes de palavra masculina (incluindo nome, pronome...); Antes de verbo; Antes de numeral (exceto horas); Antes da palavra casa quando tem significado da própria casa; Antes da palavra terra quando signifi- ca solo; Antes de expressões com palavras repetidas (gota a gota, dia a dia...); Antes de pronome pessoal, geralmen- te. A crase ocorre: Sua regra geral é quando o verbo ne- cessitada de preposição (verbo transi- tivo indireto) e a palavra posterior é feminina, logo necessitada do artigo feminino. Ex: Fui à praia. Quando existe expressão que marca o tempo ou em algumas locuções. Ex: à noite, à medi- da... Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 43 Antes das horas. Ex: O curso começa às 19h. Obs: Se tiver preposição antes do horário, NÃO usaremos crase. Ex: Es- tou aqui desde as 19h. Quando a palavra moda ou maneira estiver subentendida. Ex: Macarrão à (moda) bolo- nhesa. A crase é facultativa: Antes de pronome possessivo (feminino); Antes de nomes próprios femi- ninos (Na formalidade, não usamos crase e nem antes de nomes de pessoas ilustres); Observação para o uso de crase de acordo com a localidade: “Vou a Bahia.” Como saberemos se este “a” será precedido de crase? Simples!!!! Pensaremos no contrário. “Volto da Bahia.” Se no pensamento contrário aparecer à pre- posição “da”, crase ocorrerá. Logo, a frase acima terá crase. “Vou à Ba- hia.” “Vou a Salvador.” E agora??? Pensaremos no contrário do mesmo jeito. “Volto de Salvador.” Se no pensamento contrário aparecer à pre- posição “de”, crase não ocorrerá. Logo a frase acima não terá crase. “Vou a Salvador.” 1-(ABC - MED.) A alternativa em que o acento indicativo de crase não procede é: a) Tais informações são iguais às que recebi ontem. b) Perdi uma caneta semelhante à sua. c) A construção da casa obedece às especi- ficações da Prefeitura. d) O remédio devia ser ingerido gota à gota, e não de uma só vez. e) Não assistiu a essa operação, mas à de seu irmão. 2-Leia a tirinha de Hagar, o Horrível, para responder à questão: Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 44 Hagar,o Horrível. Tirinha do cartunista ame- ricano Dik Browne Em “eu também não obedecia à minha mãe”, analise a questão que melhor justifique o emprego da crase: a) Antes de pronomes possessivos masculi- nos há o uso obrigatório da crase. b) O uso da crase é opcional, pois geralmen- te o acento indicador da existência de crase é facultativo antes de pronomes possessivos femininos. c) Para saber se há crase antes do pronome possessivo feminino, basta substituí-lo por um pronome possessivo masculino: se no masculino aparecer ao ou aos, então não haverá crase no feminino. d) A crase nunca deverá ser empregada an- tes de pronomes possessivos femininos. 3-Leia a tirinha da Mafalda para responder à questão sobre crase: O uso da crase está condicionado a diversas regras. Aprendê-las é muito importante para o emprego correto do acento grave (`) Quais palavras preenchem adequadamente as lacunas indicadas na tirinha? a) há – às – há b) à – às – a c) a – as – à d) a – as – a 4-IBFC – EBSERH – CRASE – 2017 O emprego do acento grave em “Às vezes, aparecem nos rostos sorrisos de confiança.“ justifica-se pela mesma razão do que ocorre no seguinte exemplo: a) Entregou o documento às meninas. b) Manteve-se sempre fiel às suas convic- ções. c) Saiu, às pressas, mas não reclamou. d) Às experiências, dedicou sua vida. e) Deu um retorno às fãs. 5-IBFC – PREFEITURA DE JANDIRA – CRASE – 2016 Em “E quando estendeu a mão àquela que tanto amara”, há uma ocorrência de crase sobre a qual faz-se o seguinte comentário Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 45 corretamente: a) Trata-se de um caso facultativo em função do pronome demonstrativo. b) Não deveria ocorrer em função da falta da preposição “a” explícita. c) O acento grave deveria ser deslocado pa- ra o “a” que precede o termo “mão”. d) Ocorre devido à regência do verbo esten- der e sua relação com o termo regido. 6-IBFC – EMBASA – CRASE – 2017 Assinale a alternativa em que o sinal indicati- vo da crase está corretamente empregado. a) Eu gosto de estudar à noite. b) Agradeci à todos o apoio. c) O curso é de 2 à 7 de maio. 7-IBFC – EMBASA – CRASE – 2017 Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas. As inscrições acontecerão no período de 10____20 de março das 8h____16h. a) à – as b) a – às c) à – às d) a – as 8-(Banco do Brasil) Opção que preenche cor- retamente as lacunas: O gerente dirigiu-se ___ sua sala e pôs-se ___ falar ___ todas as pessoas convocadas. a) à - à - à b) a - à - à c) à - a - a d) a - a - à e) à - a - à 9- (Banespa) Assinale a alternativa que pre- enche corretamente as lacunas do texto ao lado: "Recorreu ___ irmã e ___ ela se ape- gou como ___ uma tábua de salvação." a) à - à - a b) à - a - à c) a - a - a d) à - à - à e) à - a - a 10-(FEI - 1995) Assinalar a alternativa que preenche corretamente as lacunas das se- guintes orações: I. Precisa falar ___ cerca de três mil operá- rios. II. Daqui ___ alguns anos tudo estará muda- do. III. ___ dias está desaparecido. IV. Vindos de locais distantes, todos chega- ram ___ tempo ___ reunião. a) a - a - há - a - à b) à - a - a - há - a c) a - à - a - a - há d) há - a - à - a - a e) a - há - a - à – a. Gabarito 1- D 2- B 3- C 4- C 5- D 6- A 7- B 8- C 9- E 10- A Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 46 Frase é todo enunciado que contenha sentido. Pode ter ou não a presença de verbo e precisa de uma pontuação para encerrar a mensagem. Ex: Saída. Ex²: Bom dia. Ex³: Vamos passear? Oração é tudo que tem verbo. Ex: Acordei! Ex²: Vamos passear? Obs: Nem toda frase será uma oração já que nem todas terão verbos, mas toda oração que contenha sentido se- rá uma frase. Período: é uma frase organizada por uma ou mais orações. O período divide-se em: 1) Simples: é aquele que apresenta ape- nas UM verbo. Ex: Acorda a Maria, por favor. 2) Composto: é aquele que apresenta DOIS ou MAIS verbos. Ex: Li e reli o livro. 1-Analise as frases seguintes e identifique as que também são orações: a) Parabéns por tudo. b) Que comportamento agressivo! c) Será que ele vem hoje? d) Eu quero! e) Agora, por favor! f) Nem pense nisso. 2-Indique por quantas orações são formados os seguintes períodos: a) Eu li e reli, mas mesmo assim não entendi. b) Na semana passada fomos ver o filme do Batman. c) A professora pediu atenção e os alunos ouviram em silêncio. d) A minha vizinha me emprestou esse livro. e) Desejo que você concretize todos os seus desejos e seja feliz para sempre. 3-De acordo com a quantidade de orações identificadas, classifique os períodos acima em simples ou compostos. 4-Eis os seguintes enunciados linguísticos. Analise-os atentamente e em seguida res- ponda às questões que a eles se referem: Momentos vida de cheia a imprevisíveis é. Férias ordem de palavra nas diversão é a. Ano este de realizações será muitas. a – Em se tratando de discurso, esse apre- senta-se como lógico e coerente com vistas a promover uma efetiva interação entre os interlocutores? Comente sua afirmativa. b – No que se refere à ordem direta dos ele- mentos constituintes de uma oração, os enunciados propostos retratam tal ocorrên- Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 47 cia? Caso não, reescreva-os de modo a atender a este propósito. 5-Atribua o conceito de frase, oração ou pe- ríodo às lacunas a seguir, levando em consi- deração o discurso por elas apresentados: a –Nossa! Que dia belo! ______________________ b –Preciso revelar-lhe um grande segredo. ___________________ c –Participamos da reunião, embora não ti- véssemos sido convocados. ___________ d –“E agora, José? _______________ e –Durante a viagem, visitamos lindos luga- res. ___________________ f - Não me peças para perdoar-lhe, pois ain- da estou magoada. _______________ Gabarito 1- C,D, F 2- a) três orações b) uma oração c) duas orações d) uma oração e) três orações 3- a) período composto b) período simples c) período composto d) período simples e) período composto 4- a – Não, pois os elementos estão dis- postos de forma desordenada, com- prometendo a clareza no que se refere à mensagem. b – Como dito anteriormente, nenhu- ma das frases encontra-se na ordem direta. Transformando-os, obteríamos: A vida é cheia de momentos imprevi- síveis. Nas férias a palavra de ordem é diver- são. Este ano será de muitas realizações. 5- a – frase b – período c – período d – frase e – oração f – período Os termos estão localizados, obviamente, na oração. Por isso, entramos nos ele- mentos sintáticos, ou seja, geralmente, é pedido para se classificar os termos sinta- ticamente. Eles são classificados em essenciais, in- tegrantes e acessórios. OBS: Essa classificação, geralmente, não é cobrada nas provas. As ques- tões contêm termos grifados e vocês precisarão classificar esses termos, independente de serem essenciais, in- tegrantes e/ou acessórios. Termos essenciais da oração: 1. Sujeito: é aquele que flexiona o verbo. O sujeito divide-se em: a) Simples: é aquele que só tem um nú- cleo para flexionar o verbo. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 48 Ex: Maria foi à feira. b) Composto: é aquele que tem dois ou mais núcleos para flexionarem o ver- bo.Ex: Maria e João foram à feira. c) Oculto ou desinencial: está omitido na frase, porém é identificado pela conju- gação verbal. Ex: Gostamos de pizza. (Sujeito oculto nós) d) Indeterminado: como o nome já diz, não conseguirá saber quem faz a ação. Ex: Roubaram a farmácia. (Não foi citado anteriormente quem roubou. Por mais que você pense que foram “eles”, não conseguimos saber quem estava nesse grupo). Ex²: Dorme- se bem (verbo na terceira pessoa do singular+ partícula “se” inde- termina o sujeito). Ex³: Navegar é preciso (verbo no infinitivo impessoal faz com que o sujeito seja in- determinado). e) Oração sem sujeito: o sujeito é inexis- tente. Ex: Ventou muito. (Fenômenos da natu- reza constituem uma oração sem sujeito). Ex²: Há duas crianças na sala. (Verbo ha- ver no sentido de existência torna inexis- tente o sujeito) Ex³: Há um ano me formei. (Verbo com sentido de tempo decorrido ou distância torna inexistente o sujeito) 2. Predicado: é o que encerra o enunciado de uma oração, além de falar acerca do sujeito. O predicado divide-se em: OBS: É importante destacar que clas- sificamos o predicado de acordo com seu núcleo, ou seja, a palavra mais significativa contida nele. a) Verbal: é quando o verbo é o núcleo. Ex: A turma correu muito. b) Nominal: é quando o nome é o núcleo. Ex: Juliana está cansada. c) Verbo-nominal: neste caso, tanto o nome quanto o verbo são importantes e significativos. Ex: A chuva caia fina. (Nesta frase, o ver- bo é importante por indicar a ação que está sendo realizada e o nome também é importante por dar característica à ação). Termos integrantes da oração: 1. Agente da passiva: é quem pratica a ação na voz passi- va. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 49 Ex: A calçada foi construída pela prefeitu- ra. 2. Complemento nominal: completa nome, além disso, recebe a ação. Ex: Tenho medo do escuro. 3. Complemento verbal: como o nome já diz, completa os verbos, porém, divide se em: a. Objeto direto: completa o sentido do verbo sem auxílio de preposição. Ex: Comprei doces. b. Objeto indireto: completa o sentido do verbo com auxílio de preposição. Ex: Gosto de você. Termos acessórios da oração: 1. Adjunto adnominal: modifica, caracte- riza, determina um nome. Além de praticar a ação. Ex: Dois meninos faltaram. 2. Adjunto adverbial: modifica o sentido do verbo, adjetivo e advérbio. Ex: Amanhã, irei ao shopping. 3. Aposto: explica sobre algo ou alguém. O aposto também pode enumerar. Ex: Carlos, aluno da 1001, faltou. 4. Vocativo: é um chamamento. Ex: Julia, não mexa nisso! IMPORTANTE!!!!!! Tanto o adjunto adnominal como o com- plemento nominal modifica/ completa o sentido do nome e você precisará identifi- ca-los na prova. Mas como? Aí vai uma dica O adjunto adnominal pratica a ação em relação ao nome e o complemento nomi- nal recebe a ação em relação ao nome. Ex: A invenção do cientista = adjunto adnominal. Ex²: A invenção da máquina = comple- mento nominal. Vamos lá: quem está fazendo a ação de inventar? O cientista ou a máquina? Isso! O cientista, por isso ele é adjunto adno- minal já que faz a ação. A máquina está recebendo a ação de ser inventada, por isso é complemento nomi- nal. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 50 1-Na oração: “Foram chamados às pres- sas todos os vaqueiros da fazenda vizi- nha”, o núcleo do sujeito é: a) todos b) fazenda c) vaqueiros d) vizinha 2-Assinale a alternativa em que o sujeito está incorretamente classificado: a) Chegaram, de manhã, o mensageiro e o guia. (composto) b) Fala-se muito neste assunto. (indeter- minado) c) Vai fazer frio à noite. (inexistente) d) Não existem flores no vaso. (inexisten- te) 3-Considere a frase: “Ele andava triste porque não encontrava companheira”, os verbos grifados são respectivamente: a) de ligação – transitivo direto; b) de ligação – intransitivo; c) de ligação – transitivo indireto; d) transitivo direto – transitivo indireto; 4-“O toque dos sinos, ao cair da noite, era trazido lá da cidade pelo vento”. O termo grifado é: a) sujeito b) objeto direto c) agente da passiva d) complemento nominal 5-Na oração “Mestre Reginaldo, o impolu- to, é uma sumidade no campo das ciên- cias”. O termo destacado é: a) adjunto adnominal b) vocativo c) predicativo d) aposto 6-Em “a linguagem do amor está nos olhos” _ os termos grifados são respecti- vamente: a) adjunto adnominal e adjunto adverbial; b) adjunto adnominal e predicativo do su- jeito; c) adjunto adnominal e objeto direto; d) complemento nominal e adjunto adver- bial; 7-O predicado é nominal em: I. Você acha Cristina bonita, mamãe? II. O mundo podia ser tranquilo. III. “Zé Mané” não estava embriagado. IV. O guarda noturno permanece atento a todos os perigos. V. Os transeuntes ficaram assustados. a)I – II – III; b)II – III; c)II – IV; d) III – IV – V – II; 8-Dê a função sintática do elemento grifa- do: Mestre Cupijó, ouviu-se há dias a sua grande obra”. a) adjunto adnominal; b) sujeito; c) vocativo; d) aposto. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 51 9-Em: “A terra era povoada de selvagens”, o termo grifado é: a) objeto direto; b) objeto indireto; c) agente da passiva; d) complemento nominal. 10-Indique a função sintática dos termos des- tacados. “A cara parecia uma perna Não vi mais nada”. a) objeto direto e aposto; b) predicativo do sujeito e aposto; c) objeto direto e predicativo do sujeito; d) predicativo do sujeito e objeto direto; Gabarito 1- C 2- D 3- A 4- C 5- D 6- A 7- D 8- C 9- D 10- D Concordância verbal De acordo com a regra básica, o verbo preci- sa concordar com o sujeito como na seguinte frase: As meninas brincam na rua. Todavia, existem regras mais específicas e veremos algumas a seguir. Quando existir uma palavra no coleti- vo e outra no plural ou especificada, o verbo pode estar no singular ou no plural. Ex: A maioria dos alunos faltou/ faltaram a prova. Quando o sujeito for pronome de tra- tamento, o verbo ficará flexionado na 3° pessoa. Ex: Vossa Alteza sempre será bem-vinda. Pronome relativo “quem” ou “que” fará o verbo concordar com seu anteces- sor. Ex: Foi ele que derramou o leite no chão. Pronome interrogativo faz o verbo concordar com o termo posterior. Ex: Quem são eles? Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 52 Verbo irá concordar com o numeral, por mais que ele esteja numa expres- são. Ex: Mais de um aluno faltou. Quando o sujeito for composto e liga- do pela conjunção “e”, o verbo con- cordará com os dois núcleos. Ex: Julia e Marcela andaram na cidade. Vale lembrar que se o sujeito estiver posposto ao verbo, a concordância pode ser com o termo mais próximo ao invés de concordar com os dois. Ex: Comeu hambúrguer a Marcela e a Carina. Verbo com sentido de existência e/ou tempo decorrido (haver / fazer) não vai ao plural por ser impessoal. Ex: Há cinco alunos na sala. Quando o verbo concordar com a pa- lavra dia, só irá ao plural se dia estiver no plural… Mas se concordar com o numeral,só vai ao plural se for acima de um. Ex: Hoje, são 11 de dezembro. Ex²: Hoje é dia 11 de dezembro. Quando existir gradação no sujeito composto, o verbo pode ou não ir ao plural. Ex: Nascer, crescer e morrer são partes da vida. Ex²: Nascer, crescer e morrer é parte da vi- da. Concordância Nominal É a concordância do sujeito com o adjetivo, pronome, artigo (...) em número e gênero. Ex: Os meninos bonitos foram lanchar. Como na concordância verbal, existem re- gras específicas e veremos algumas a se- guir. Quando existir mais de um substanti- vo, o adjetivo deve concordar com o mais próximo ou com todos eles. Ex: Clima e terra desconhecida. (O adjetivo está concordando apenas com o substantivo mais próximo.). Ex²: Clima e terra desconhecidos. ( O adjeti- vo está concordando com todos os substan- tivos, ficando assim no gênero masculino que é conhecido como o gênero neutro da lín- gua). Quando a frase for composta por mais de um adjetivo ou substantivo, colo- camos artigo antes de todo especifi- cadamente, ou antes, da enumeração. Ex: Adoro as comidas japonesas e as comi- das italianas. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 53 Ex²: Adoro as comidas japonesas e italianas. A expressão “é necessário”, “é bom” (...) é invariável a menos que coloque um artigo. Ex: É proibido entrada. Ex²: É proibida a entrada. 1-(CESGRANRIO) Há concordância nominal inadequada em: a) clima e terras desconhecidas; b) clima e terra desconhecidos; c) terras e clima desconhecidas; d) terras e clima desconhecido; e) terras e clima desconhecidos. 2-(CESCEM–SP) Já ___ anos, ___ neste local árvores e flores. Hoje, só ___ ervas da- ninhas. a) fazem, havia, existe b) fazem, havia, existe c) fazem, haviam, existem d) faz, havia, existem e) faz, havia, existe Ver Resposta 3-(Cesgranrio) Tendo em vista as regras de concordância, assinale a opção em que a forma verbal está errada: a) Existem na atualidade diferentes tipos de inseticidas prejudiciais à saúde do homem. b) Podem provocar sérias lesões hepáticas, os defensivos agrícolas à base de DDT. c) Faltam aos países subdesenvolvidos uma legislação mais rigorosa sobre os agrotóxi- cos. d) Persistem por muito tempo no meio ambi- ente os efeitos nocivos dos inseticidas clora- dos. e) Possuem elevado grau de toxidade os de- fensivos do tipo fosforado. 4- (IFSP) Conversar pressupõe um diálogo produtivo entre as pessoas. Significa dizer que conversar é um processo cooperativo entre interlocutores. Leia o texto abaixo, que representa uma conversa. No trecho “a gente pode ter conversas literá- rias”, substituindo-se o sujeito por outro de primeira pessoa do plural, no tempo pretérito perfeito, o resultado é o seguinte: a) podemos ter conversas literárias b) podíamos ter conversas literárias c) poderíamos ter conversas literárias d) pudemos ter conversas literárias e) pudéssemos ter conversas literárias 5- (PUC-RS) Asseguro a V.Sra. que não ___ incomodar ___ com a elaboração dos testes; ___ ficar tranquilo. a) precisa, se, pode b) precisa, se, podes c) precisas, te, podes d) precisais, vos, podeis e) precisa, vos, pode 6-(UFRGS) Leia: “[Eu] Disse que competên- cia não era uma coisa tão relativa assim, que seriam as mesmas, para ele e para mim, as expectativas sobre a competência que deve- ria trazer consigo o cirurgião cardiovascular que...” Se substituíssemos “expectativas” por “ex- pectativa”, quantas outras palavras precisari- Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 54 am obrigatoriamente de ajuste para fins de concordância? a) uma b) duas c) três d) quatro e) cinco 7- (UNEB – BA) Assinale a alternativa em que, pluralizando-se a frase, as palavras des- tacadas permanecem invariáveis: a) Este é o meio mais exato para você resol- ver o problema: estude só. b) Meia palavra, meio tom - índice de sua sensatez. c) Estava só naquela ocasião; acreditei, pois em sua meia promessa. d) Passei muito inverno só. e) Só estudei o elementar, o que me deixa meio apreensivo. 8-Complete os espaços com um dos nomes colocados nos parênteses. a) Será que é __________________ essa confusão toda? (necessário/ necessária) b) Quero que todos fiquem ________________. (alerta/ alertas) c) Houve ____________ razões para eu não voltar lá. (bastante/ bastantes) d) Encontrei ____________ a sala e os quar- tos. (vazia/vazios) e) A dona do imóvel ficou __________ desi- ludida com o inquilino. (meio/ meia) 9-(CESGRANRIO) “Noites pesadas de chei- ros e calores amontoados...” Aponte a opção em que, substituídos os substantivos destacados acima, fica incorreta a concordância de “amontoado”. a) nuvens e brisas amontoadas b) odores e brisas amontoadas c) nuvens e morros amontoados d) morros e nuvens amontoados e) brisas e odores amontoadas. 10-(TJ-SP) Considerando a concordância nominal, assinale a frase correta: a) Ela mesmo confirmou a realização do en- contro. b) Foi muito criticado pelos jornais a reedição da obra. c) Ela ficou meia preocupada com a notícia. d) Muito obrigada, querido, falou-me emocio- nada. e) Anexos, remeto-lhes nossas últimas foto- grafias Gabarito 1- C 2- D 3- C 4- D 5- A 6- D (seria a mesma- a) 7- E 8- a) necessária b) alerta c) bastante d) vazia e) meio 9- E 10- D Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 55 Regência Verbal É a relação do termo regente (verbo) com o termo regido (preposição). Nem todo verbo exigirá preposição. Temos inúmeros verbos na Língua Portuguesa, portanto, não consegui- remos ver todos aqui. É importante ressaltar que o verbo pode mudar de significado de acordo com o contexto, então, um verbo pode ter várias regências. 1- Assistir a) Com o sentido de ver, irá precisar da preposição “a”. Ex: Assisto ao filme. b) Com sentido de ajudar, não irá preci- sar de preposição. Ex: Assisto meu amigo doente. c) Com sentido de residir, irá precisar da preposição “em”. Ex: Assisto em Minas Gerais. 2- Ir Precisa da preposição “a”. Ex: Vou à praia. 3- Namorar Não precisa de preposição. Ex: Cleber namora Julia. 4- Simpatizar Precisa da preposição “com”. Ex: Simpatizo com Karol. 5- Preferir Exige dois complementos, porém um não precisa de preposição e o outro precisa da preposição “a”. Ex: Prefiro chocolate a sorvete. 6- Aspirar a) No sentido de cheirar, não usa preposição. Ex: Aspiro a romã. b) Com sentido de desejar, precisa da preposição “a”. Ex: Aspirei ao cargo de gerente. Regência Nominal É a relação do termo regente (nome) com o termo regido (preposição). Nem todo o nome exigirá preposição. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 56 Temos inúmeros nomes na Língua Portuguesa, portanto, não consegui- remos ver todos aqui. Exemplos: 1- Apto a. Ex: Sou apta à mudança. 2- Capaz de. Ex: Sou capaz de transfor- mar água em vinho. 3- Cruel com. Ex: Você é cruel com ca- chorros. 1-A única frase que NÃO apresenta desvio em relação à regência (nominal e verbal) re- comendada pela norma culta é: a) O governador insistia em afirmar que o assuntoprincipal seria “as grandes questões nacionais”, com o que discordavam líderes pefelistas. b) Enquanto Cuba monopolizava as atenções de um clube, do qual nem sequer pediu para integrar, a situação dos outros países passou despercebida. c) Em busca da realização pessoal, profissi- onais escolhem a dedo aonde trabalhar, prio- rizando à empresas com atuação social. d) Uma família de sem-teto descobriu um sofá deixado por um morador não muito consciente com a limpeza da cidade. e) O roteiro do filme oferece uma versão de como conseguimos um dia preferir a estrada à casa, a paixão e o sonho à regra, a aventu- ra à repetição. 2-(IBGE) Assinale a opção que apresenta a regência verbal incorreta, de acordo com a norma culta da língua: a) Os sertanejos aspiram a uma vida mais confortável. b) Obedeceu rigorosamente ao horário de trabalho do corte de cana. c) O rapaz presenciou o trabalho dos canavi- eiros. d) O fazendeiro agrediu-lhe sem necessida- de. e) Ao assinar o contrato, o usineiro visou, apenas, ao lucro pretendido. 1) 3-(CFN) No texto 1, na frase “ O ale- mão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força(…)” - linhas 36, 37 e 38 - o pronome oblíquo foi utilizado como complemento do verbo em fun- ção da regência verbal. Assinale abai- xo a sentença que apresenta ERRO na regência verbal. (A) Encontrei-os na festa de ontem à noite. (B) Não deixei de explicar-lhes a situação ocorrida. (C) Os militares foram a Brasília. (D) Aspiramos a uma maravilhosa carreira. (E) Os adolescentes assistiram o filme nesta manhã. 2- (CFN)Leia o fragmento retirado do texto: “- Assisti a uma fita de cinema com um artista que representa muito bem.” - linhas 24 e 25. Assinale a opção na qual o verbo “assistir” Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 57 possui significado semelhante ao apresenta- do no trecho acima. (A) O médico assistia os acidentados. (B) Este direito assiste aos brasilei- ros. (C) Assisto em São Paulo há anos. (D) Venha assistir ao espetáculo da noite. (E) Quem no Brasil assiste é Brasi- leiro. 3- (CFN)No trecho: “dos anúncios prescritos (...) - brotam como balões meus sábados azuis.” A regência verbal do trecho acima está corre- ta. O mesmo ocorre em: (A) É um jovem despido de quaisquer pre- conceitos. (B) Suas ideias são inconciliáveis às minhas. (C) A preservação ao meio ambiente (D) A intervenção com os bancos protegeu os correntistas. (E) Ele sempre foi propenso de lutar até o fim. Gabarito 1- E As regências adequadas seriam: em a) discordar de; em b) integrar algo (sem preposição); em c) priorizar algo (sem preposição); em d) consciente de 2- D 3- E 4- D 5- A É a posição do pronome oblíquo átono na frase. Esse posicionamento pode ser de três ma- neiras: Próclise: é o pronome antes do verbo. Ex: Me dá uma bala. Mesóclise: é o pronome no meio do verbo. (Este posicionamento não é mais usado pelos falantes). Ex: Dar-me-ão uma bala. Ênclise: é o pronome usado depois do verbo. Ex: Dá-me uma bala. Existem algumas regras para sabermos qual posicionamento será adequado nas frases e por isso trabalharemos a seguir cada regra específica. Usamos a próclise em: Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 58 Orações que exprimem desejo ou ora- ções exclamativas. Ex: Deus te guar- de! Orações iniciadas por palavras inter- rogativas. Ex: Quem te perguntou? Algumas palavras atraem o pronome para perto delas. São elas: Palavras negativas. Ex: Não o quero aqui. Advérbios. Ex: Agora se esquecem da dívida. Conjunções subordinativas. Ex: É ne- cessário que me entregue o livro. Pronomes relativos. Ex: Eles moram onde me encontro todo dia. Pronome indefinido. Ex: Tudo se aca- ba. Pronome demonstrativo. Ex: Isto me pertence. Usamos a ênclise: No início das frases. Ex: Dá- me uma bala. Quando verbo estiver no imperati- vo afirmativo. Ex: Sente- se agora. Quando o verbo estiver no infinitivo pessoal. Ex: Não queria machucar- te. Quando o verbo estiver no gerún- dio. Ex: Namorando- te, eu vou. Quando houver pausa na frase. Ex: Se quiser, dispenso-me hoje. (ENEM) O uso do pronome átono no início das frases é destacado por um poeta e por um gramáti- co nos textos abaixo. Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro. (ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo: Nova Cultural, 1988.) “Iniciar a frase com pronome átono só é lícito na conversação familiar, despreocupada, ou na língua escrita quando se deseja reprodu- zir a fala dos personagens (...)”. (CEGALLA. Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional, 1980.) Comparando a explicação dada pelos auto- res sobre essa regra, pode-se afirmar que ambos: a) Condenam essa regra gramatical. b) Acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra. c) Criticam a presença de regras na gramáti- ca. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 59 d) Afirmam que não há regras para uso de pronomes. e) Relativizam essa regra gramatical. 2-(UFSM-RS) Uma revista utilizou em sua capa a seguinte frase, típica da linguagem coloquial: “Me aqueça neste inverno”. Nessa frase, a colocação pronominal está em desacordo com a norma culta, que esta- belece: “É proibido iniciar período com pro- nome oblíquo”. Se forem feitas alterações na estrutura da frase, qual delas estará também em desa- cordo com a norma culta? a) Quero que me aqueça neste inverno. b) É preciso que me aqueça neste inverno. c) Quando me aquecerá neste inverno? d) Aquecer-me-á no inverno? e) Não aqueça-me neste inverno. 3-Assinale a alternativa que apresenta um erro de colocação pronominal: a) Alguns alunos fizeram a lição, outros se fizeram de desentendidos. b) Contar-lhe-emos toda a verdade sobre o assunto. c) Me perdi porque anotei seu endereço de maneira errada! d) Por favor, peça-lhe que venha ao meu es- critório. e) Nunca se queixou dos problemas, era re- signado e otimista. 4-Classifique a colocação pronominal das seguintes frases em próclise, ênclise e me- sóclise. a) Meu irmão não me ajudou a arrumar o quarto. b) Viram-nos na rua e atravessaram! Acredita? c) Os meus pais já te deram os para- béns? d) A Mariana chamou-a de chata. e) Tratar-me-ão com mais respeito a partir de hoje. f) Talvez lhe conte a verdade. Ainda não decidi… g) Quem me chama? h) Sentem-se, por favor, e prestem atenção! 5-Assinale as opções em que o uso da pró- clise segue as regras da norma culta. a) Solange me pediu um presente muito ca- ro. b) Solange nunca me pediu um presente muito caro. c) Foi Solange quem me pediu um presente muito caro. d) Sua filha Solange me pediu um presente muito caro. 6- Complete a frase seguinte com a opção correta: Quando _______________ que havia um erro no projeto, ele _______________. a) lhe disseram, se culpou b) disseram-lhe, se culpou c) lhe disseram, culpou-se d) disseram-lhe, culpou-se 7-Identifique nas frases a colocação prono- minal, justificando-as. a) "Vou-me embora pra Pasárgada ..." b) Nunca me deram amor. c) Nem tudo se compra. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias,55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 60 d) Consumir-se-á a vida toda em palavras. e) Recusou a proposta de emprego, fazendo- se de desentendida. Gabarito 1- E 2- E 3- C 4- a) próclise b) ênclise c) próclise d) ênclise e) mesóclise f) próclise g) próclise h) ênclise 5- B/ C 6- C 7- a- R. Ênclise - quando o verbo inicia oração. b) R. Próclise - o advérbio nunca atrai o pronome oblíquo. c)R. Próclise - a palavra negativa nem e o pronome indefinido tudo atraem o pronome se. d) R. Mesóclise - o verbo se encontra no futuro de presente e não é antece- dido de palavra atrativa. e) R. Ênclise - verbo no gerúndio. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 1 CONSTITUIÇÃO. 1.1 CONCEITO, CLASSI- FICAÇÕES, PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS. 1 Conceito de Constituição. A “Constituição” é o conjunto de normas, escritas ou não, que rege um Estado. Através da Constituição é que se busca limitar esse poder absoluto estatal. A Constituição é a lei máxima de um Estado. É a lei que está acima de todas as leis. Representa a identidade de um povo. Toda Constituição deve ser moldada à imagem e semelhança do povo que representa. Nela estão previstas as pilastras sobre as quais o Estado se erguerá, dentre as quais se pode mencionar a organização estatal, os Poderes Públicos, os direitos e garantias fundamentais, a soberania nacional, e a proteção da população. Isto posto, as principais ideias atreladas à Constituição são as ideias de separação dos poderes; de garantia dos direitos fundamentais dos indivíduos; e de princípio do governo limitado (isto é, todo governo constitucional é um governo limitado). 2 Classificações das Constituições. A seguir, se verá tanto a classificação tradicional, como a ontológica de Karl Loewenstein. 2.1 Classificação tradicional. Vejamos: A) Quanto ao conteúdo. Quanto ao conteúdo, uma Constituição pode ser material (conjunto de normas que regulam as matérias tipicamente constitucionais, a saber, a estrutura do Estado, a organização dos Poderes e os direitos e garantias fundamentais) ou formal (a Constituição é o conjunto de normas solenemente reunidas num documento. Não interessa se a matéria é ou não tipicamente constitucional, o que importa é que ela está formalmente prevista na Constituição); B) Quanto à forma. Quanto à forma, uma Constituição pode ser escrita (ou instrumental, em que as normas estão devidamente codificadas) ou não escrita (ou costumeira, quando as normas não estão em texto único, mas sim em costumes, jurisprudência e dispositivos de natureza constitucional esparsos); C) Quanto à origem. Quanto à origem, uma Constituição pode ser democrática (ou promulgada, quando elaborada por representantes legítimos do povo, por meio de um órgão constituinte) ou outorgada (quando fruto do autoritarismo, isto é, sem qualquer participação do povo); 1 D) Quanto à estabilidade. A Constituição pode ser imutável (se não prevê nenhum processo de alteração de suas normas), rígida (quando não pode ser alterada com a mesma simplicidade que se altera uma lei, isto é, demanda procedimento especial para modificação), flexível (quando pode ser alterada pelo mesmo procedimento que se altera as leis), ou semi-flexível (ou semirrígida, quando a Constituição possui uma parte rígida, a qual exige método dificultado de alteração, e outra parte flexível, a qual exige método simplificado de alteração tal como se procede para com as leis); E) Quanto à extensão. Quanto à extensão a Constituição pode ser sintética (ou resumida, ou concisa, quando o texto constitucional regula apenas questões básicas da organização estatal) ou analítica (ou prolixa, quando a Constituição regula minuciosamente várias questões pertinentes à sociedade, como Administração Pública, Finanças Públicas, Tributação e Orçamento, Direitos e Garantias Fundamentais etc.); F) Quanto à finalidade. A Constituição pode ser liberal (ou defensiva, quando visa limitar o poder estatal assegurando aos indivíduos liberdades públicas individuais) ou dirigente (ou social, quando, além de liberdades individuais, se consagra também programas, metas e linhas de direção para o futuro, a serem atingidas pelos Poderes constituídos); G) Quanto ao modo de elaboração. Quanto ao modo de elaboração, a Constituição pode ser dogmática (quando elaborada por um órgão constituinte em determinado momento histórico, o que se reflete numa Constituição necessariamente escrita e sistematizada) ou histórica (quando sua elaboração é lenta, e ocorre de acordo com as transformações sociais, o que se reflete numa Constituição costumeira, e não escrita); H) Quanto a ideologia. A Constituição pode ser ortodoxa (quando resulta da consagração de uma só ideologia, como o socialismo, p. ex.) ou eclética (ou heterodoxa, ou pluralista, quando almeja coadunar diversas ideologias). 2.2 Classificação ontológica de Karl Loewenstein. Para Karl Loewenstein, uma Constituição pode ser normativa (com valor jurídico), nominal (sem valor jurídico), ou semântica (utilizada apenas para justificar o exercício autoritário do poder). 2.3 Classificação da Constituição brasileira de 1988, de acordo com todas as classificações que se acabou de ver. Com efeito, a Constituição pátria é formal (pois todas as normas constitucionais estão formalizadas num documento uno), escrita, democrática (porque elaborada por uma Assembleia Nacional Constituinte), rígida (pois demanda procedimento de alteração qualificado), analítica (pois regula uma ampla gama de matérias), dirigente (por conter uma série de institutos e programas de governo), dogmática (pois elaborada num determinado momento histórico, a saber, a Assembleia Nacional Constituinte, o que resultou na Carta de 1988), eclética (por consagrar diversas ideologias), e normativa (por ter valor jurídico). 3 Princípios fundamentais. A seguir, há se estudar os quatro primeiros artigos da Constituição Federal, que trazem os princípios fundamentais da República Federativa do Brasil. Para tanto, convém a análise de cada dispositivo separadamente, para sua melhor compreensão. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 3.1 Art. 1º, CF. Reproduzamos o dispositivo, para facilitar o entendimento do leitor: Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Os “princípios fundamentais” da República Federativa do Brasil estão posicionados logo no início da Constituição pátria, após o preâmbulo constitucional, e antes dos direitos e garantias fundamentais. Representam as premissas especiais e majoritárias que norteiam todo o ordenamento pátrio, como a dignidade da pessoa humana, o pluralismo político, a prevalência dos direitos humanos, a harmonia entre os três Poderes etc. Há se tomar cuidado, contudo, para eventuais “pegadinhas” de concurso. Se a questão perguntar “quais são os fundamentos da República Federativa do Brasil”, há se responder aqueles previstos no art. 1º, caput, CF. Agora, se a questão perguntar “quais são os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil”, há se responder aqueles previstos no art. 3º. Por fim, se a questão perguntar “quais são os princípios seguidos pelo Brasil nas relações internacionais”, há se responder aqueles previstos no art. 4º, da Lei Fundamental.3.2 Art. 2º, CF. Reproduzamos o dispositivo, para facilitar o entendimento do leitor: Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. São três os Poderes da República, a saber, o Executivo (ou Administrativo), o Legislativo e o Judiciário, todos independentes e harmônicos entre si. Por independência, significa que cada Poder pode realizar seus próprios concursos, pode destinar o orçamento da maneira que lhe convier, pode estruturar seu quadro de cargos e funcionários livremente, pode criar ou suprimir funções, pode gastar ou suprimir despesas de acordo com suas necessidades, dentre inúmeras outras atribuições. Por harmonia, significa que cada Poder deve respeitar a esfera de atribuição dos outros Poderes. Assim, dentro de suas atribuições típicas, ao Judiciário não compete legislar (caso em que estaria invadindo a esfera de atuação típica do Poder Legislativo), ao Executivo não compete julgar, e ao Executivo não compete editar leis (repete-se: em sua esfera de atribuições típica). Essa harmonia, também, pode ser vista no controle que um Poder exerce sobre o outro, na conhecida “Teoria dos Freios e Contrapesos”. 2 É óbvio que cada Poder tem suas funções atípicas (ex.: em alguns casos o Judiciário legisla) (ex. 2: em alguns casos o Legislativo julga). Isso não representa óbice, todavia, que a atuação funcional de cada Poder corra de maneira independente, desde que respeitada a harmonia de cada um para com seus “Poderes-irmãos”, obviamente. 3.3 Art. 3º, CF. Reproduzamos o dispositivo, para facilitar o entendimento do leitor: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Logo no início do estudo dos “princípios fundamentais”, localizados entre os arts. 1º e 4º, da Constituição, foi dito que os “fundamentos da República Federativa do Brasil” não são a mesma coisa que os “objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil”. Melhor explica-se: por “fundamentos” entende-se aquelas situações que já são inerentes ao sistema constitucional pátrio. A dignidade da pessoa humana, p. ex., não é um objetivo a ser alcançado num futuro próximo, mas uma exigência prevista para o presente. Já os “objetivos fundamentais” são as premissas a que o Brasil se compromete a alcançar o quanto antes em prol da consolidação da sua democracia. Graças a este art. 3º, pode-se falar que o Brasil vive à égide de uma Constituição compromissária, dirigente. O art. 3º nos revela que temos um caminho a ser percorrido. O art. 3º é a busca pela concretização dos princípios fundamentais do art. 1º. E, como objetivos fundamentais, se elenca a construção de uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º, I), a garantia do desenvolvimento nacional (art. 3º, II), a erradicação da pobreza e da marginalidade, e a redução das desigualdades sociais e regionais (art. 3º, III), e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, idade, cor, e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, IV). 3.4 Art. 4º, CF. Reproduzamos o dispositivo, para facilitar o entendimento do leitor: Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; III - autodeterminação dos povos; IV - não intervenção; V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da paz; VII - solução pacífica dos conflitos; VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X - concessão de asilo político. Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino- americana de nações. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL O art. 4º é a revelação de que vivemos em um “Estado Constitucional Cooperativo”, expressão esta utilizada por Peter Häberle, defensor de uma concepção culturalista de Constituição. Por “Estado Constitucional Cooperativo” se entende um Estado que se disponibiliza para outros Estados, que se abre para outros Estados, mas que exige algum grau de reciprocidade em troca, a bem do desenvolvimento de um constitucionalismo mundial, ou, ao menos, ocidental. 2 DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMEN- TAIS. 2.1 DIREITOS E DEVERES INDIVI- DUAIS E COLETIVOS, DIREITOS SOCIAIS, NACIONALIDADE, CIDADANIA, DIREITOS POLÍTICOS, A seguir, há se estudar as quatro espécies de direitos fundamentais - direitos e deveres individuais e coletivos, direitos sociais, direitos da nacionalidade e direitos políticos - separadamente, para facilitar sua compreensão. 1 Direitos e deveres individuais e coletivos. Reproduzamos o art. 5º, CF, para facilitar o estudo: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; 3 XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocadapara o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano; XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento; XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas; XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL XXX - é garantido o direito de herança; XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do “de cujus”; XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor; XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 4 b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião; LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; LVIII - o civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei; LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal; LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial; LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança; LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; LXVIIIcom- provam o aumento no número de casamen- tos entre pessoas acima de 60 anos, assim como o aumento da inserção de pessoas acima de 60 anos no mercado de trabalho. d) Apresenta a preocupação com a diminui- ção no número de casamentos entre pesso- as de várias faixas etárias da população bra- sileira, assim como a dificuldade dessas pes- soas para conseguir emprego no mercado de trabalho. Gabarito 1- A 2- A 3- D 4- A 5- B 6- C 7- C A semântica é o estudo do significado e a interpretação de uma palavra, frase ou ex- pressão de um determinado contexto. Esse processo é importante no estudo de portu- guês para concursos porque o significado das palavras é essencial para quem fala e escreve. Algumas palavras podem ter diferentes signi- ficados dependendo do contexto e esses significados estão na área de sentido da Lín- gua Portuguesa. Então, veremos cada relação existe neste módulo. Sinonímia: é quando a palavra ou expressão tem significado semelhante, isto é, são sinôni- mos. Ex: Menino – garoto. Antonímia: é quando a palavra ou expressão tem significado oposto, isto é, são antônimos. Ex: claro- escuro. Hiperonímia: é a palavra que engloba outras mais específi- cas, o todo. Ex: inseto, verdura. Hiponímia: é a palavra de sen- tido mais específico. Ex: mos- quito, abobrinha. Polissemia: é a multiplicidade de sentidos que uma palavra tem. Ex: Banco (pode ser o banco da praça, uma instituição financeira...). Homonímia: são palavras que se assemelham. A homonímia divide se em: Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 5 Homônimas homógrafas: são iguais nas escritas e diferentes nas pronún- cias. Ex: Governo (substantivo)/ governo (verbo). Homônimas homófonas: são iguais nas pronúncias, mas diferentes nas escritas. Ex: ascender (elevar)/ acender (ligar). Homônimos perfeitos: são iguais na escrita e na pronúncia. Ex: cura(verbo)/ cura (substantivo). Paronímia: são palavras pare- cidas, mas com significados di- ferentes. Ex: ratificar (confirmar)/ retificar (corrigir). 1-(ESAF) Indique a opção que preenche cor- retamente todas as lacunas das frases. I – Na última _____ do grêmio, o orador foi bri- lhante. II – Comprei os livros na _____ de brinquedos. III – Solicitamos ao diretor a _____ de duas salas. a. Sessão –seção – cessão. b. Seção – cessão – sessão. c. Cessão – seção – sessão. d. Sessão – cessão – seção. e. Seção – sessão – cessão. 2- (IBFC) Chapeuzinho Vermelho foi seguida pelo lobo ______. O Apocalipse será a bata- lha entre o Bem e o ______. Assinale abaixo a alternativa que preenche corretamente as lacunas. a. Mau/Mau. b. Mau/Mal. c. Mal/Mau. d. Mal/Mal 3- Utilize a palavra adequada em cada uma das frases abaixo: a. (acender/ascender) O secretário __________ na empresa por meio de muito esforço e dedicação. Os funcio- nários __________ as luzes externas do edifício. b. (concerto/conserto) O __________ do prédio ficou a um preço absurdo. O __________ será no Teatro Nacional, às 20h. c. (comprimento/cumprimento) Feito o __________, o senador deu início a seu discurso. O __________ da lei é essencial para que a ordem permane- ça. Analisou o __________ do corre- dor que levava ao gabinete presiden- cial. d. (inflação/infração) Os jornais anunci- am o aumento da __________. A __________ cometida pelo caseiro chocou o Brasil. e. (descrição/discrição) A __________ é uma virtude rara. Ele fez corretamente a __________ dos fatos. f. (senso/censo) Faltou __________ nos funcionários que analisaram a situa- ção. O governo local realizará um no- vo __________ este ano. g. . (ratificar/retificar) A afirmação a res- peito do réu foi __________, pois con- seguiu-se provar sua inocência. A tes- temunha __________ que havia sido agredida, já que as marcas da violên- cia eram evidentes. SORTE: TODO MUNDO MERECE Afinal, existe sorte e azar? No fundo, a diferença entre sorte e azar está no jeito como olhamos para o acaso. Um bom exemplo é o número 13. Nos EUA, a expedição da Apollo 13 foi uma das mais desastrosas de todos os tempos, e o número levou a culpa. Pelo mundo, existem construto- res que fazem prédios que nem têm o Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 6 13º andar, só para fugir do azar. Por outro lado, muita gente acha que o 13 é, na verdade, o número da sorte. Um exemplo famoso disso foi o então au- xiliar técnico do Brasil, Zagallo, que foi para a Copa do Mundo de (19)94 (a soma dá 13) dizendo que o Mundial ia terminar com o Brasil campeão devido a uma série de coincidências envol- vendo o número. No final, o Brasil foi campeão mesmo, e a Apollo 13 retor- nou a salvo para o planeta Terra, ape- sar de problemas gravíssimos. Até ho- je não se sabe quem foi o primeiro sortudo que quis homenagear a sorte com uma palavra só para ela. Os ro- manos criaram o verbo sors, do qual deriva a “sorte” de todos nós que fa- lamos português. Sors designava vá- rios processos do que chamamos hoje de tirar a sorte e originou, entre outras palavras, a inglesa sorcerer, feiticeiro. O azar veio de um pouco mais longe. A palavra vem do idioma árabe e deri- va do nome de um jogo de dados (no qual o criador provavelmente não era muito bom). Na verdade, ele poderia até ser bom, já que azar e sorte são sinônimos da mesma palavra: acaso. Matematicamente, o acaso – a sorte e o azar – é a aleatoriedade. E, pelas leis da probabilidade, no longo prazo, todos teremos as mesmas chances de nos depararmos com a sorte. Segun- do essas leis, se você quer aumentar as suas chances, só existe uma saída: aposte mais no que você quer de ver- dade. Revista Conhecer. São Paulo: Duetto. n. 28, out. 2011, p. 49. Adaptado. 4-(CESGRANRIO) De acordo com o texto, a pergunta feita no subtítulo “Afinal, existe sor- te e azar?” é respondida da seguinte manei- ra: a. Depende das pessoas, umas têm mais sorte. b. A sorte e o azar podem estar, ou não, no número 13. c. Sorte e azar são frutos do acaso ou da aleatoriedade. d. Como são ocorrências prováveis, pode-se ter mais azar. e. A fé de cada um em elementos, como os números, pode dar sorte. 5-(CESGRANRIO) No trecho “Os romanos criaram o verbo sors, do qual deriva a ‘sorte’ de todos nós que falamos português” (l.12- 13), sorte designa a. a) uma ideia. b) uma palavra. c) um conceito. d) o contrário de azar. e) o adjetivo do verbo sortear. 6- (CESGRANRIO) A oração “envolvendo o número” (l. 9) pode ser substituída, sem pre- juízo do sentido original, pela seguinte ora- ção: a. por envolver o número. b. que envolviam o número. c. se envolvessem o número. d. já que envolvem o número. e. quando envolveram o número. Gabarito 1- A 2- B 3- ascendeu/acenderam conserto/ concerto cumprimen- to/cumprimento/comprimento inflação/infração discrição/descrição senso/censo retificada/ratificou 4- c Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 7 5- b 6- b Denotação é o sentido real das palavras. Ex: Os alunos chegaram. Conotação é o sentido imaginá- rio das palavras. Ex: O jardim abraça a rosa. 1- Escreva quais dos textos foram escri- tos em linguagem conotativa (emotiva) e quais foram escritos em linguagem denotativa (informativa). a. “O homem velho deixa vida e morte pa- ra trás Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais, O homem velho é o rei dos animais” (Ca- etano Veloso) b. “Para o mundo, quando era quinhentos anos mais- conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; LXXII - conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença; LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nascimento; b) a certidão de óbito; LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania; LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. §1º. As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. §2º. Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. §3º. Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. §4º. O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. 1.1 Direito à vida. O art. 5º, caput, da Constituição Federal, dispõe que o direito à vida é inviolável. Dividamos em subtópicos: A) Acepções do direito à vida. São duas as acepções deste direito à vida, a saber, o direito de permanecer vivo (ex.: o Brasil veda a pena de morte, salvo em caso de guerra declarada pelo Presidente da República em resposta à agressão estrangeira, conforme o art. 5º, XLVII, “a” c.c. art. 84, XIX, CF), e o direito de viver com dignidade (ex.: conforme o art. 5º, III, CF, ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante) (ex. 2: consoante o art. 5º, XLV, CF, nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano 5 e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos de lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido) (ex. 3: são absolutamente vedadas neste ordenamento constitucional penas de caráter perpétuo, de banimento, cruéis, e de trabalhos forçados) (ex. 4: a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado, conforme o inciso XLVIII, do art. 5º, CF) (ex. 5: pelo art. 5º, XLIX, é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral); B) Algumas questões práticas sobre o direito à vida. Como fica o caso das Testemunhas de Jeová, que não admitem receber transfusão de sangue? Como fica a questão do conflito entre o direito à vida e a liberdade religiosa? O entendimento prevalente é o de que o direito à vida deve prevalecer sobre a liberdade religiosa. E o caso da eutanásia/ortotanásia? São escassas as decisões judiciais admitindo o “direito de morrer”, condicionando isso ao elevado grau de sofrimento de quem pede, bem como a impossibilidade de recuperação deste. Há se lembrar que, tal como o direito de permanecer vivo, o direito à vida também engloba o direito de viver com dignidade, e conviver com o sofrimento físico é um profundo golpe a esta dignidade do agente. E a legalização do aborto? Também há grande celeuma em torno da questão. Quem se põe favoravelmente ao aborto o faz com base no direito à privacidade e à intimidade, de modo que não caberia ao Estado obrigar uma pessoa a ter seu filho. Quem se põe de maneira contrária ao aborto, contudo, o faz com base na vida do feto que se está dando fim com o procedimento abortivo. E a hipótese de fetos anencéfalos? O Supremo Tribunal Federal decidiu pela possibilidade de extirpação do feto anencefálico do ventre materno, sem que isso configure o crime de aborto previsto no Código Penal. Isto posto, em entendendo que o feto anencefálico tem vida, agora são três as hipóteses de aborto: em caso de estupro, em caso de risco à vida da gestante, e em caso de feto anencefálico. Por outro lado, em entendendo que o feto anencefálico não tem vida, não haverá crime de aborto por se tratar de crime impossível, afinal, para que haja o delito é necessário que o feto esteja vivo. De toda maneira, qualquer que seja o entendimento adotado, agora é possível tal hipótese, independentemente de autorização judicial. 1.2 Direito à liberdade. O direito à liberdade, consagrado no caput do art. 5º, CF, é genericamente previsto no segundo inciso do mesmo artigo, quando se afirma que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Tal dispositivo representa a consagração da autonomia privada. Trata-se a liberdade, contudo, de direito amplíssimo, por compreender, dentre outros, a liberdade de opinião, a liberdade de pensamento, a liberdade de locomoção, a liberdade de consciência e crença, a liberdade de reunião, a liberdade de associação, e a liberdade de expressão. Dividamos em subtópicos: A) Liberdade de consciência, de crença e de culto. O art. 5º, VI, da Constituição Federal, prevê que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. Ademais, o inciso VII, do art. 5º, dispõe que é assegurada, nos termos de lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Há se ressaltar, preliminarmente, que a “consciência” é mais algo amplo que “crença”. A “crença” tem aspecto essencialmente religioso, enquanto a “consciência” abrange até mesmo a ausência de uma crença. Isto posto, o “culto” é a forma de exteriorização da crença. O culto se realiza em templos ou em locais públicos (desde que atenda à ordem pública e não desrespeite terceiros). O Brasil não adota qualquer religião oficial, como a República Islâmica do Irã, p. ex. Em outros tempos, o Brasil já foi uma nação oficialmente católica.Com a Lei Fundamental de 1988, o seu art. 19 vedou o estabelecimento de religiões oficiais pelo Estado. O que é a “escusa de consciência”? Está prevista no art. 5º, VIII, da Constituição, segundo o qual ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa fixada em lei. Enfim, a escusa de consciência representa a possibilidade que a pessoa tem de alegar algum imperativo filosófico/religioso/político para se eximir de alguma obrigação, cumprindo, em contrapartida, uma prestação alternativa fixada em lei. A prestação alternativa não tem qualquer cunho sancionatório. É apenas uma forma de se respeitar a convicção de alguém. E se não houver prestação alternativa fixada em lei, fica inviabilizada a escusa de consciência? Não, a possibilidade é ampla. Mesmo se a lei não existir, a pessoa poderá alegar o imperativo de consciência, independentemente de qualquer contraprestação. E se a pessoa se recusa a cumprir, também, a prestação alternativa? Ficará com seus direitos políticos suspensos (há quem diga que seja hipótese de perda dos direitos políticos, na verdade), por força do que prevê o art. 15, IV, da Constituição Federal; B) Liberdade de locomoção. Consoante o inciso XV, do art. 5º, da Lei Fundamental, é livre a locomoção no território nacional em tempos de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos de lei (essa lei é a de nº 6.815 - Estatuto do Estrangeiro), nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens. Isso nada mais representa que a “liberdade de ir e vir”; C) Liberdade da manifestação do pensamento. Conforme o art. 5º, IV, da Constituição pátria, é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. Por outro lado, o inciso subsequente a este assegura o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem. Veja-se, pois, que a Constituição protege a “manifestação” do pensamento, isto é, sua exteriorização, já que o “pensamento em si” já é livre por sua própria natureza de atributo inerente ao homem. Ademais, a vedação ao anonimato existe justamente para permitir a responsabilização quando houver uma manifestação abusiva do pensamento; D) Liberdade de profissão. É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer (art. 5º, XIII, CF). Trata-se de norma constitucional de eficácia contida, seguindo a tradicional classificação de José Afonso da Silva, pois o exercício de qualquer trabalho é livre embora a lei possa estabelecer restrições. É o caso do exercício da advocacia, p. ex., condicionado à prévia composição dos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil por meio de exame de admissão. Tal liberdade representa tanto o exercício de qualquer profissão como a escolha de qualquer profissão; 6 E) Liberdade de expressão. Trata-se de liberdade amplíssima. Conforme o nono inciso, do art. 5º, da Lei Fundamental, é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. Tal dispositivo é a consagração do direito à manifestação do pensamento, ao estabelecer meios que deem efetividade a tal direito, afinal, o rol exemplificativo de meios de expressão previstos no mencionado inciso trata das atividades intelectuais, melhor compreendidas como o direito à elaboração de raciocínios independentes de modelos preexistentes, impostos ou negativamente dogmatizados; das atividades artísticas, que representam o incentivo à cena cultural, sem que músicas, livros, obras de arte e espetáculos teatrais, por exemplo, sejam objeto de censura prévia, como houve no passado recente do país; das atividades científicas, aqui entendidas como o direito à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico; e da comunicação, termo abrangente, se considerada a imprensa, a televisão, o rádio, a telefonia, a internet, a transferência de dados etc.; F) Liberdade de informação. É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional (art. 5º, XIV, CF). Tal liberdade engloba tanto o direito de informar (prerrogativa de transmitir informações pelos meios de comunicação), como o direito de ser informado. Vale lembrar, inclusive, que conforme o art. 5º, XXXIII, da Constituição, todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; G) Liberdade de reunião e de associação. Pelo art. 5º, XVI, CF, todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. Eis a liberdade de reunião. Já pelo art. 5º, XVII, CF, é plena a liberdade de associação para fins lícitos, sendo vedado que associações tenham caráter paramilitar. Eis a liberdade de associação. O que diferencia a “reunião” da “associação”, basicamente, é o espaço temporal em que existem. As reuniões são temporárias, para fins específicos (ex.: protesto contra a legalização das drogas). Já as associações são permanentes, ou, ao menos, duram por mais tempo que as reuniões (ex.: associação dos plantadores de tomate). Ademais, a criação de associações independe de lei, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento (art. 5º, XVIII, CF). As associações poderão ter suas atividades suspensas (para isso não se exige decisão judicial transitada em julgado), ou poderão ser dissolvidas (para isso se exige decisão judicial transitada em julgado) (art. 5º, XIX, CF). Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou manter-se associado, contudo (art. 5º, XX, CF). Também, o art. 5º, XXI, da CF, estabelece a possibilidade de representação processual dos associados pelas entidades associativas. Trata-se de verdadeira representação processual (não é substituição), que depende de autorização expressão dos associados nesse sentido, que pode ser dada em assembleia ou mediante previsão genérica no Estatuto. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 1.3 Direito à igualdade. Um dos mais importantes direitos fundamentais, convém dividi-lo em subtópicos para melhor análise: A) Igualdade formal e material. A igualdade deve ser analisada tanto em seu prisma formal, como em seu enfoque material. Sob enfoque formal, a igualdade consiste em tratar a todos igualmente (ex.: para os maiores de dezesseis anos e menores de dezoito anos, o voto é facultativo. Todos que se situam nesta faixa etária têm o direito ao voto, embora ele seja facultativo). Ademais, neste enfoque formal, a igualdade pode ser na lei (normas jurídicas não podem fazer distinções que não sejam autorizadas pela Constituição), bem como perante a lei (a lei deve ser aplicada igualmente a todos, mesmo que isso crie desigualdade). Já sob enfoque material, a igualdade consiste em tratar de forma desigual os desiguais (ex: o voto é facultativo para os analfabetos. Todavia, os analfabetos não podem ser votados. A alfabetização é uma condição de elegibilidade. Significa que, se o indivíduo souber ler e escrever, poderá ser votado. Se não, há óbice constitucional a que ocupe cargo eletivo); B) Igualdade de gênero. A CF é expressa, em seu art. 5º, I: homens e mulheres são iguais nos termos da Constituição Federal. Isso significa que a CF pode fixar distinções, como o faz quanto aos requisitos para aposentadoria, quanto à licença-gestante, e quanto ao serviço militar obrigatórioapenas para os indivíduos do sexo masculino, p. ex. Quanto à legislação infraconstitucional, é possível fixar distinções, desde que isso seja feito em consonância com a Constituição Federal, isto é, sem excedê-la ou for-lhe insuficiente. 1.4 Direito à segurança. A segurança é tratada tanto no caput do art. 5º, como no caput do art. 6º, ambos da Constituição Federal. No caput do art. 6º, se refere à segurança pública, que será estudada quando da análise dos direitos sociais. A segurança a que se refere o caput do art. 5º é a segurança jurídica, que impõe aos Poderes públicos o respeito à estabilidade das relações jurídicas já constituídas. Engloba-se, pois, o direito adquirido (o direito já se incorporou a seu titular), o ato jurídico perfeito (há se preservar a manifestação de vontade de quem editou algum ato, desde que ele não atente contra a lei, a moral e os bons costumes), e a coisa julgada (é a imutabilidade de uma decisão que impede que a mesma questão seja debatida pela via processual novamente), consagrados todos no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal. 1.5 Direito de propriedade. Conforme o art. 5º, caput e inciso XXII, da Constituição Federal, é assegurado o direito de propriedade. Há limitações, contudo, a tal direito, como a função social da propriedade. Para melhor compreender tal instituto fundamental, pois, há se dividi-lo em temas específicos: A) Função social da propriedade. A função social, consagrada no art. 5º, XXIII, CF, não é apenas um limite ao direito de propriedade, mas, sim, faz parte da própria estrutura deste direito. “Trocando em miúdos”, só há direito de propriedade se atendida sua função social (há, minoritariamente, quem pense o contrário). Aliás, é esta função social da propriedade que assegura que a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento (art. 5º, XXVI, CF); B) Inviolabilidade do domicílio. A Constituição Federal assegura, em seu art. 5º, XI, que a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial. Veja-se que, em caso de flagrante delito, para prestar socorro, ou evitar desastre, na casa se pode entrar a qualquer hora do dia. Se houver necessidade de determinação judicial, a entrada na residência, salvo consentimento do morador, somente pode ser feita durante o dia; C) Requisição da propriedade. A Constituição Federal prevê duas hipóteses de requisição: no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano (art. 5º, XXV, CF); e no caso de vigência de estado de sítio, decretado em caso de comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia da medida tomada durante o estado de defesa, é possível a requisição de bens (art. 139, VII, CF). Na requisição civil não há transferência de propriedade. Há apenas uso ou ocupação temporários da propriedade particular. Trata-se de ocupação emergencial, de modo que só caberá indenização posterior, e, ainda, se houver dano. A requisição militar também é emergencial. Também só haverá indenização posterior, diante de dano; D) Desapropriação da propriedade. Prevista no art. 5º, XXIV, da CF, é cabível em três casos: necessidade pública; utilidade pública; e interesse social. Na desapropriação, dá-se retirada compulsória da propriedade do particular. Se em razão de interesse social, exige-se indenização em dinheiro justa e prévia, como regra geral. E, nos casos de necessidade e utilidade pública, o particular não tem culpa alguma. Trata-se, meramente, de situação de prevalência do interesse público sobre o interesse privado. A indenização, como regra geral, também deve ser prévia, justa, e em dinheiro. Ainda, no caso de desapropriação por interesse social, pode ocorrer a chamada “desapropriação sanção”, pelo desatendimento da função social da propriedade. Nesse caso, diante da “culpa” do proprietário, a indenização será prévia, justa, porém não será em dinheiro, mas sim em títulos públicos. Com efeito, são duas as hipóteses de desapropriação-sanção: desapropriação-sanção de imóvel urbano, prevista no art. 182, §4º, III, CF (o pagamento é feito em títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até dez anos); desapropriação-sanção de imóvel rural, prevista no art. 184, CF (ela é feita para fins de reforma agrária, e o pagamento é feito em títulos da dívida agrária, com prazo de resgate de até vinte anos, contados a partir do segundo ano de sua emissão); E) Confisco da propriedade. O confisco está previsto no art. 243 da CF. Também é hipótese de transferência compulsória da propriedade, como a desapropriação. Mas, dela se distingue porque no confisco não há pagamento de qualquer indenização. Isto posto, são duas as hipóteses de confisco: as propriedades urbanas e rurais de qualquer região do país onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º 7 NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL (art. 243, caput, CF, com redação dada pela Emenda Constitucional nº 81/2014); bem como todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei (art. 243, parágrafo único, CF, também com redação dada pela EC nº 81/2014); F) Usucapião da propriedade (aquelas previstas na Constituição). Há duas previsões constitucionais acerca de usucapião, em que o prazo para aquisição da propriedade é reduzido: usucapião urbano (aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural, conforme o art. 183, caput, da CF); e usucapião rural (aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir- lhe-á a propriedade, consoante o art. 191, caput, da CF). Não custa chamar a atenção, veja-se, que as hipóteses constitucionais também exigem os requisitos tradicionais da usucapião, a saber, a posse mansa e pacífica, a posse ininterrupta, e a posse não precária. Não custa lembrar, por fim, que imóveis públicos não podem ser adquiridos por usucapião; G) Propriedade intelectual. A Constituição protege a propriedade intelectual como direito fundamental. Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar (art. 5º, XXVII, CF). São assegurados, nos termos de lei, a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades esportivas (art. 5º, XXVIII, “a”, CF), bem como direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem (art. 5º, XXVIII, “b”, CF). A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégiotemporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país (art. 5º, XXIX, CF); H) Direito de herança. Tal direito está previsto, de maneira pioneira, no trigésimo inciso, do art. 5º, CF. Nas outras Constituições, ele era apenas deduzido do direito de propriedade. Ademais, a sucessão de bens de estrangeiros situados no país será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do “de cujus” (art. 5º, XXXI, CF). 1.6 Direito à privacidade. Para o estudo do Direito Constitucional, a privacidade é o gênero, do qual são espécies a intimidade, a honra, a vida privada e a imagem. Neste sentido, o inciso X, do art. 5º, da Constituição, prevê que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação: A) Intimidade, vida privada e publicidade (imagem). Pela “Teoria das Esferas”, importada do direito alemão, quanto mais próxima do indivíduo, maior a proteção a ser conferida à esfera (as esferas são representadas pela intimidade, pela vida privada, e pela publicidade). Desta maneira, a intimidade merece maior proteção. São questões de foro personalíssimo de seu detentor, não competindo a terceiros invadir este universo íntimo. Já a vida privada merece proteção intermediária. São questões que apenas dizem respeito a seu detentor, desde que realizadas em ambiente íntimo. Se momentos da vida privada são expostos ao público, pouco pode fazer a proteção legal que não resguardar a honra e a imagem do indivíduo. Por fim, na publicidade a proteção é mínima. Compete à proteção legal apenas resguardar a honra do indivíduo, já que o ato é público; B) Honra. O direito à honra almeja tutelar o conjunto de atributos pertinentes à reputação do cidadão sujeito de direitos. Exatamente por isso o Código Penal prevê os chamados “crimes contra a honra”. 1.7 Direitos de acesso à justiça. São vários os desdobramentos desta garantia: A) Defesa do consumidor. Conforme o inciso XXXII, do art. 5º, da Constituição, o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor. Tal lei existe, e foi editada em 1990. É a Lei nº 8.078 - Código de Defesa do Consumidor; B) Inafastabilidade do Poder Judiciário. A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito (art. 5º, XXXV, CF). Junte-se a isso o fato de que os juízes não podem se furtar de decidir (proibição do “non liquet”). Isso tanto é verdade que, na ausência de lei, ou quando esta for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito (art. 4º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro); C) Direito de petição e direito de certidão. São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas, o direito de petição aos Poderes públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder (art. 5º, XXXIV, “a”, CF), bem como a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal (art. 5º, XXXIV, “b”, CF); D) Direito ao juiz natural. A Constituição veda, em seu art. 5º, XXXVII, a criação de juízos ou tribunais de exceção. Desta maneira, todos devem ser processados e julgados por autoridade judicial previamente estabelecida e constitucionalmente investida em seu ofício. Não é possível a criação de um tribunal de julgamento após a prática do fato tão somente para apreciá-lo. Em mesmo sentido, o art. 5º, LIII, CF prevê que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; E) Direito ao tribunal do júri. Ao tribunal do júri compete o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, salvo se tiver o agente prerrogativa de foro assegurada na Constituição Federal, caso em que esta prerrogativa prevalecerá sobre o júri (é o caso do Prefeito Municipal, p. ex., que será julgado pelo Tribunal de Justiça, pelo Tribunal Regional Federal ou pelo Tribunal Regional Eleitoral a depender da natureza do delito perpetrado). 8 NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Ademais, além da competência para crimes dolosos contra a vida, norteiam o júri a plenitude de defesa (que é mais que a ampla defesa), o sigilo das votações, e a soberania dos veredictos; F) Direito ao devido processo legal. Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (art. 5º, LIV). Em verdade, o termo correto é “devido procedimento legal”, pois todo processo, para ser processo, deve ser legal. O que pode ser legal ou ilegal é o “procedimento”. Ademais, há se lembrar que também na esfera administrativa (e não só na judicial) o direito ao procedimento é devido. Por fim, insere-se na cláusula do devido processo legal o direito ao duplo grau de jurisdição, consistente na possibilidade de que as decisões emanadas sejam revistas por outra autoridade também constitucionalmente investida; G) Direito ao contraditório e à ampla defesa. “Contraditório” e “ampla defesa” não são a mesma coisa, se entendendo pelo primeiro o direito vigente a ambas as partes de serem informadas dos atos processuais praticados, e pelo segundo o direito do acusado de se defender das imputações que lhe são feitas. Assim, enquanto o contraditório vale para ambas as partes, a ampla defesa só vale para o acusado. O contraditório e a ampla defesa vigem tanto para o procedimento judicial como para o administrativo. Neste sentido, o art. 5º, LV, CF prevê que aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; H) Inadmissibilidade de provas ilícitas. São inadmissíveis no processo tanto as provas obtidas ilicitamente (quanto contrárias à Constituição) como as obtidas ilegitimamente (quando contrários aos procedimentos estabelecidos pela lei processual). Prova “ilícita” e “ilegítima” são espécies do gênero “prova ilegal”. O art. 5º, LVI, CF diz “menos do que queria dizer”, por se referir apenas às provas ilícitas; I) Direito à ação penal privada subsidiária da pública. O titular da ação penal pública é o Ministério Público, e a ele compete, pois, manejar esta espécie de ação penal. Se isto não for feito por pura desídia do órgão ministerial, é possível o manejo de ação penal privada subsidiária da pública pela vítima (art. 5º, LIX, CF); J) Direito à publicidade dos atos processuais. Todos os atos processuais serão públicos (art. 5º, LX, CF) e as decisões deverão ser devidamente fundamentadas (art. 93, IX, CF). É possível impor o sigilo processual se o interesse público ou motivo de força maior assim indicar; K) Direito à assistência judiciária. O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos (art. 5º, LXXIV, CF). À Defensoria Pública competirá tal função, nos moldes do art. 134, caput, da Constituição Federal. Ademais, são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei, o registro civil de nascimento (art. 5º, LXXVI, “a”, CF) e a certidão de óbito (art. 5º, LXXVI, “b”, CF); L) Direito à duração razoável do processo. Trata-se de inciso acrescido à Constituição Federal pela Emenda Constitucional nº 45/2004. Objetiva-se fazer cessar as pelejas judiciais infindáveis. Para se aferir a duração razoável do processo, é preciso analisar o grau de complexidade da causa, a disposição das partes no resultado da demanda, e a atividade jurisdicional que caminhe no sentido de prezar ou não por um fim célere (mas com qualidade). 1.8Direitos constitucionais penais. Vejamos: A) Princípio da legalidade. Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal (art. 5º, XXXIX, CF). Ademais, a lei penal somente retroagirá se para beneficiar o acusado (art. 5º, XL, CF); B) Princípio da pessoalidade das penas. Nenhuma pena passará da pessoa do condenado (apenas a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens podem passar da pessoa do condenado, se estendendo aos seus sucessores até o limite do patrimônio transferido). Eis o teor inciso XLV, do art. 5º, da Lei Fundamental pátria; C) Princípio da presunção de inocência (ou presunção de não culpabilidade). Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (art. 5º, LVII, CF). Assim, enquanto for possível algum recurso, a presunção do acusado é de inocência. Isso não represente um óbice à imposição de prisões processuais/medidas cautelares diversas da prisão, todavia; D) Crimes previstos na Constituição. A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei (art. 5º, XLII). A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá- los, se omitirem (art. 5º, XLIII, CF). Por fim, constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 5º, XLIV, CF); E) Direitos relacionados a prisões. Em regra, toda prisão deve ser determinada pela autoridade judicial, mediante ordem escrita e fundamentada, salvo se em caso de flagrante delito (art. 5º, LXI, CF). Ato contínuo, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada (art. 5º, LXII, CF). Nada obstante, o preso será informado de seus direitos, dentre os quais o de permanecer calado (direito a não autoincriminação), sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado (art. 5º, LXIII, CF). O preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial (art. 5º, LXIV, CF), valendo lembrar que toda prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judicial (art. 5º, LXV, CF). Ademais, ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória com ou sem fiança (art. 5, LXVI, CF). Por fim, às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação (art. 5º, L, CF); F) Penas admitidas e vedadas pelo ordenamento pátrio. São admitidas as penas de privação ou restrição de liberdade, perda de bens, multa, prestação social alternativa, bem como suspensão ou interdição de direitos. Por outro lado, não haverá penas de morte (salvo em caso de guerra declarada pelo Presidente da República contra nação estrangeira), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento e cruéis. Eis o teor do inciso XLVII, do art. 5º, da Magna Carta pátria; NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL G) Uso de algemas. Consoante a Súmula Vinculante nº 11, só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado; H) Sigilosidade do inquérito policial para o defensor do acusado. De acordo com o art. 20, do Código de Processo Penal, a autoridade policial assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Mas, esse sigilo não é absoluto, pois, em verdade, tem acesso aos autos do inquérito o juiz, o promotor de justiça, e a autoridade policial, e, ainda, de acordo com o art. 5º, LXIII, CF, com o art. 7º, XIV, da Lei nº 8.906/94 (“Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil”), e com a Súmula Vinculante nº 14, o advogado tem acesso aos atos já documentados nos autos, independentemente de procuração, para assegurar direito de assistência do preso e investigado. Desta forma, veja-se, o acesso do advogado não é amplo e irrestrito. Seu acesso é apenas às informações já introduzidas nos autos, mas não em relação às diligências em andamento. Caso o delegado não permita o acesso do advogado aos atos já documentados, é cabível reclamação ao STF para ter acesso às informações (por desrespeito a teor de Súmula Vinculante), habeas corpus em nome de seu cliente, ou o meio mais rápido que é o mandado de segurança em nome do próprio advogado, já que a prerrogativa violada de ter acesso aos autos é dele. 2 Direitos sociais. Convém reproduzir os dispositivos constitucionais pertinentes ao tema: Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; III - fundo de garantia do tempo de serviço; IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho; VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo; VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável; VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa; XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei; XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva; XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos; XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal; XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias; XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei; XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei; XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei; XXII - reduçãodos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança; XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; XXIV - aposentadoria; XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho; XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei; XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência; XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos; XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso. Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Art. 8º. É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical; II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município; III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas; IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei; V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato; VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho; VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais; VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei. Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer. Art. 9º. É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. §1º. A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. §2º. Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei. Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação. Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. 2.1 Finalidade dos direitos sociais. Os direitos sociais pertencem à segunda geração/dimensão de direitos fundamentais, ligando-se ao valor “igualdade”. Com efeito, o grande objetivo dos direitos sociais é concretizar a igualdade material, através do reconhecimento da existência de diferenças na condição econômico-financeira da população, o que faz necessário uma atuação do Estado na busca deste substrato da igualdade. Disso infere-se, pois, que a principal (mas não única) finalidade dos direitos sociais é proteger os marginalizados e/ou os hipossuficientes. 2.2 Direitos sociais em espécie. São os previstos no art. 6º, da Constituição Federal, em rol não exauriente: A) Direito social à educação. Possui o direito social à educação grande assunção de conteúdo auto obrigacional pelo Estado, nos arts. 205 a 214 da Constituição. Destes, o art. 205 afirma que a educação é “dever do Estado”, o art. 206, I, preceitua que a “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola” é um dos princípios norteadores do tema, o art. 208, I, normatiza que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de “educação básica obrigatória e gratuita dos quatro aos dezessete anos de idade, assegurada sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiverem acesso na idade própria”, e o inciso IV do mesmo dispositivo fala em “educação infantil em creche e pré-escola para crianças de até cinco anos de idade”. Ademais, os parágrafos primeiro e segundo do art. 208 cravam, respectivamente, que o “acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo”, e que o “não oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente”. Por fim, o art. 212 e seus parágrafos tratam da porcentagem de distribuição de tributos pelas pessoas da Administração Pública Direta entre si e na educação propriamente. Interessante notar, em primeira análise, que o Estado se exime da obrigatoriedade no fornecimento de educação superior, no art. 208, V, quando assegura, apenas, o “acesso” aos níveis mais elevados de ensino, pesquisa e criação artística. Fica denotada ausência de comprometimento orçamentário e infraestrutural estatal com um número suficiente de universidades/faculdades públicas aptas a recepcionar o maciço contingente de alunos que saem da camada básica de ensino, sendo, pois, clarividente exemplo de aplicação da reserva do possível dentro da Constituição. Aliás, vale lembrar, foi esse o motivo - o direito à matrícula numa universidade pública - que ensejou o desenvolvimento da “reserva” no direito alemão, com a diferença de que lá se trabalha com extensão territorial, populacional e financeira muito diferente daqui. Enfim, “trocando em miúdos”, tem-se que o Estado apenas assume compromisso no acesso ao ensino superior, via meios de preparo e inclusão para isso, mas não garante, em momento algum, a presença de todos que tiverem este almejo neste nível de capacitação. Noutra consideração ainda sobre o inciso V, é preciso observar que se utiliza a expressão “segundo a capacidade de cada um”, de forma que o critério para admissão em universidades/faculdades públicas é, somente, pelo preparo intelectual do cidadão, a ser testado em avaliações com tal fito, como o vestibular e o exame nacional do ensino médio.Trata-se de método no qual, através de filtragem darwinista social, se define aqueles que prosseguirão em seu aprendizado, formando massa rara de portadores de diploma universitário. Assim, o que se observa é que o Estado assume compromisso educacional com os brasileiros de até dezessete anos de idade, via educação infantil em creche e pré-escola até os cinco anos (art. 208, IV, CF), e via educação básica e obrigatória dos quatro até dezessete anos (art. 208, I). Afora esta faixa etária, somente terão acesso à educação básica aqueles que não a tiveram em seu devido tempo; B) Direito social à saúde. De maneira indúbia, é no direito à saúde que se concentram as principais discussões recentes do Direito Constitucional. 11 NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Esse acirramento de ânimos no que diz respeito à saúde se dá tanto porque, de todos os direitos sociais, este é o que mais perto está do direito fundamental individual à vida, do art. 5º, caput, da Constituição pátria, como porque são visíveis os avanços da medicina/indústria farmacêutica nos últimos tempos - embora não sejam menos cristalinos os preços praticados no setor. É dizer: o direito fundamental à saúde tem custo de individualização exacerbado, se comparado com o anterior direito social à educação. Como se não bastasse, é ululante o caráter híbrido da saúde, em considerando seus enfoques positivo - o direito individual de receber saúde -, e negativo - o dever do Estado de fornecer saúde. Tal direito está disciplinado na Lei Fundamental nos arts. 196 a 200, e, dentre estes, o art. 196 afirma ser a saúde “direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, e o art. 198, parágrafos primeiro a terceiro, tratam da distribuição de recursos para manutenção desta garantia fundamental. Some-se a isso o fato do direito à saúde ser amplíssimo, bastando para essa conclusão a análise superficial do rol de funções do Sistema Único de Saúde contido no art. 200 da Constituição, pelo qual, dentre outras, são atribuições do SUS a execução de ações de vigilância sanitária e epidemiológica (inciso II), a ordenação da formação de recursos humanos na área (inciso III), a participação da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico (inciso IV), a colaboração na proteção do meio ambiente, nele comprometido o do trabalho (inciso VIII) etc. Outrossim, há ainda outra extensa gama de questões circundantes, como a determinação de internação de pacientes em unidades de terapia intensiva, a insuficiência de leitos hospitalares comuns, o fornecimento de medicamentos importados e de alto custo, o envio de pacientes para tratamento no exterior etc.; C) Direito social à alimentação. Há ausência de regulamentação deste direito no Texto Constitucional, tendo em vista sua inclusão apenas em 2010, pela Emenda Constitucional nº 64. Com efeito, o conceito de “alimentação” é amplíssimo, não se restringindo apenas ao estritamente necessário à sobrevivência, abrangendo, também, aquilo que seja fundamental para uma existência digna. Ou seja, não basta sobreviver, é preciso que se viva com dignidade e respeito; D) Direito social ao trabalho. O trabalho é o direito fundamental social que maior guarida encontra na Constituição, haja vista a grande quantidade de mecanismos assecuratórios dos arts. 7º a 11 - que só perdem para o art. 5º -, dentre os quais se podem destacar, no art. 7º, o “seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário” (inciso II), o “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim” (inciso IV), a “remuneração do trabalho noturno superior à do diurno” (inciso IX), o “salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei” (inciso XII), o “gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal” (inciso XVII), a “proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei” (inciso XX), a “redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança” (inciso XXII), a “proteção em face da automação, na forma da lei” (inciso XXVII), dentre outros. 12 Em análise à gama de direitos atrelados ao trabalho, percebe-se que se pode distribuí-los em blocos, de forma que a Constituição enfatiza o direito de trabalhar - isto é, o direito de não ficar desempregado, como quando assegura o mercado de trabalho da mulher (art. 7º, XX), ou quando protege os trabalhadores contra a automação (art. 7º, XXVII) -, o direito de trabalhar com dignidade - isto é, a preconização da necessidade de condições humanas de trabalho, como quando prevê adicional de remuneração para atividades penosas, insalubres ou perigosas (art. 7º, XXIII) ou trata da duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro horas semanais (art. 7º, XIII) -, bem como o direito de perceber rendimentos pelo trabalho - isto é, a remuneração devida pelo labor, como quando trata do salário mínimo (art. 7º, IV) ou do décimo terceiro salário (art. 7º, VIII); E) Direito social à moradia. Tal direito não encontra regulamentação no texto constitucional, tal como o direito social à alimentação, já que a moradia só foi acrescida à Constituição Federal no ano 2000, pela Emenda Constitucional nº 26. A moradia é mais uma promessa feita pelo Estado de conceder um lar a quem não o tenha, bem como de oferecer saneamento básico àqueles que já tenham um lar, embora vivam em condições insalubres. A “tese do patrimônio mínimo”, ou a proteção do bem de família são materializações do direito social à moradia; F) Direito social ao lazer. A Constituição não tem tópico específico destinado a explicar “o quê” é o direito social ao lazer, podendo-se extraí-lo, sem pretensões exaurientes ao tema, da cultura (arts. 215 e 216) e do desporto (art. 217). Ademais, o lazer aparece como componente teleológico do salário mínimo, no art. 7º, IV, da Lei Fundamental; G) Direito social à segurança. O art. 196 da Constituição Federal preceitua que a saúde é “direito de todos e dever do Estado”. Em mesma frequência, o art. 205 diz que a educação é “direito de todos e dever do Estado e da família”. Já o art. 144 prevê que a segurança pública é “dever do Estado, direito e responsabilidade de todos”. Nos casos dos direitos fundamentais sociais à saúde e à educação, toma-se o sentido direito-dever, isto é, primeiro se assegura ao cidadão o direito, depois se cobra do agente estatal o dever. Já na segurança pública essa ordem é invertida, somente se reconhecendo o direito depois de atribuído ao Estado o dever. Essa factualidade, mais que um mero desapercebimento do constituinte, se dá por três motivos: o primeiro é a vedação da justiça por mãos próprias, que impede, como regra, a autotutela, inclusive havendo previsão penal para o exercício arbitrário das próprias razões, tudo em prol da jurisdicionalização dos conflitos particulares; o segundo, pela própria impossibilidade do cidadão se defender proficuamente da violência fruto da marginalização social à sua volta, o que faz com que a segurança pública seja, sim, imprescindível à manutenção de um estado almejado de tranquilidade; e o terceiro, pela natural exigibilidade pelo cidadão em face do Estado, de ordem, caso se sinta ameaçado em seus direitos individuais. É ululante, pois, o conteúdo prestacional da segurança pública como direito social,neste terceiro enfoque. Não menos notória, contudo, é a exígua carga principiológica do art. 144 e parágrafos da Constituição, cujo caput se limita a falar na segurança pública “exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”. Afora isso, o que se tem é uma básica previsão funcional de cada uma das polícias elencadas nos cinco incisos do artigo em evidência; NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL H) Direito social à previdência social. O direito fundamental social à previdência social está mais bem regulamentado nos arts. 201 e 202 da Constituição - sem prejuízo do contido em legislação infraconstitucional, instância na qual abunda a matéria -, sendo destinado à cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada (inciso I), proteção à maternidade, especialmente à gestante (inciso II), proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário (inciso III), salário-família e auxílio- reclusão (inciso IV), e pensão por morte (inciso VI), todos do art. 201 da Lei Fundamental. Com efeito, a previdência decorre de situações justificadas nas quais o labor não se faz possível, de maneira que o indivíduo só não está trabalhando porque já adquiriu este direito ou porque acontecimento superveniente impediu isso. Só que o fato da pessoa não trabalhar não enseja autorizativo para que possa, simplesmente, deixar de receber rendimentos, mesmo porque há quem, além do próprio incapacitado, necessite da renda para subsistência; I) Direito social à proteção à maternidade e à infância. O direito fundamental social à proteção à maternidade e à infância não se encontra concentrado em parte específica da Constituição, numa seção autônoma, como a previdência social e a educação, p. ex., mas espalhado por toda a Lei Fundamental. É o que se pode inferir se analisado o art. 5º, L, que assegura às presidiárias “condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação”, o art. 7º, XVIII, que prevê a licença à gestante, o art. 7º, XXV, que constitucionaliza a “assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até cinco anos em creches e pré-escolas”, o art. 201, II, que protege a maternidade, especialmente a gestante, o art. 203, I, que prevê como objetivo da assistência social à proteção “à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice”, o art. 203, II, que normatiza “o amparo às crianças e adolescentes carentes”, dentre outros; J) Direito social à assistência aos desamparados. O direito fundamental à assistência aos desamparados encerra com maestria o longo rol de direitos sociais constitucionalmente assegurados no art. 6º. Primeiro, por seu cristalino conteúdo prestacional, típico dos direitos sociais de segunda dimensão, e, segundo, por tentar, tal como um revisor de direitos, suprir eventuais lacunas que tenham sido deixadas pelo constituinte ao regulamentar outros direitos sociais. É dizer: a assistência aos desamparados é um típico “direito tampão”. Neste prumo, prevê o art. 203 da Constituição que a assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, tendo por objetivos a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice (inciso I), o amparo às crianças e adolescentes carentes (inciso II), a promoção da integração ao mercado de trabalho (inciso III), a habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária (inciso IV), e a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovarem não possuir meios de provimento da própria manutenção ou de tê-las providas por familiares (inciso V). 2.3 Direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. Eles estão previstos no art. 7º, da Constituição Federal: A) Relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos (inciso I); 13 B) Seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário (inciso II); C) Fundo de garantia do tempo de serviço (inciso III); D) Salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim (inciso IV); E) Piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho (inciso V); F) Irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo (inciso VI); G) Garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável (inciso VII), bem como décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria (inciso VIII); H) Remuneração do trabalho noturno superior à do diurno (inciso IX); I) Proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa (inciso X); J) Participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei (inciso XI); K) Salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei (inciso XII), bem como duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho (inciso XIII); L) Jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva (inciso XIV); M) Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos (inciso XV); N) Remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal (inciso XVI); O) Gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal (inciso XVII), bem como licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias (inciso XVIII); P) Licença-paternidade, nos termos fixados em lei (inciso XIX); Q) Proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei (inciso XX); R) Aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei (inciso XXI). Vale chamar a atenção para este inciso, tendo em vista a edição da Lei nº 12.506/11, que regulamentou tal norma de eficácia até então limitada. Segundo tal comando legislativo, o aviso-prévio respeitará um mínimo de trinta dias para os empregados que contêm até um ano de serviço na mesma empresa, e que serão acrescidos três dias por ano de serviço prestado na mesma empresa até o máximo de sessenta dias, perfazendo, portanto, noventa dias; S) Redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança (inciso XXII), bem como adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei (inciso XXIII); NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL T) Aposentadoria (inciso XXIV), bem como assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até cinco anos de idade em creches e pré-escolas (inciso XXV); U) Reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho (inciso XXVI), bem como proteção em face da automação, na forma da lei (inciso XXVII); V) Seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa (inciso XXVIII), bem como ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limitede dois anos após a extinção do contrato de trabalho (inciso XXIX); X) Proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil (inciso XXX), bem como proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência (inciso XXXI); Z) Proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos (inciso XXXII), bem como proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos (inciso XXXIII); W) Igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso (inciso XXXIV). Y) À categoria dos trabalhadores domésticos, após a alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 72/2013, são assegurados, dentre os direitos previstos no art. 7º, CF, aqueles dispostos nos incisos IV (salário mínimo fixado em lei e nacionalmente unificado, capaz de atender a necessidades vitais básicas), VI (irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo), VII (garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável), VIII (décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria), X (proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa), XIII (duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho), XV (repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos), XVI (remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal), XVII (gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais que o salário normal), XVIII (licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias), XIX (licença-paternidade, nos termos fixados em lei), XXI (aviso prévio proporcional ao tempo de serviço), XXII (redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança), XXIV (aposentadoria), XXVI (reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho), XXX (proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, cor, idade ou estado civil), XXXI (proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência) e XXXIII (proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito anos e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo a partir de catorze anos na condição de aprendiz), todos do art. 7º, e, atendidas as condições estabelecidas 14 em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I (relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos), II (seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário), III (FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), IX (remuneração do trabalho noturno superior à do diurno), XII (salário-família, pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei), XXV (assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até cinco anos de idade em creches e pré-escolas) e XXVIII (seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa), bem como sua integração à previdência social. Com efeito, a Emenda Constitucional nº 72 ampliou os direitos assegurados aos trabalhadores domésticos, já que o antigo parágrafo único, do art. 7º, da Constituição pátria já previa aos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX e XXIV, bem como a sua integração à previdência social. 3 Direitos da nacionalidade. Dispositivos constitucionais pertinentes ao tema: Art. 12. São brasileiros: I - natos: a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país; b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil; c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira; II - naturalizados: a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral; b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira. §1º. Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. §2º. A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição. §3º. São privativos de brasileiro nato os cargos: I - de Presidente e Vice-Presidente da República; II - de Presidente da Câmara dos Deputados; III - de Presidente do Senado Federal; IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; V - da carreira diplomática; VI - de oficial das Forças Armadas; NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL VII - de Ministro de Estado da Defesa. §4º. Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; II - adquirir outra nacionalidade, salvo no casos: a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis. Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. §1º. São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais. §2º. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios. 3.1 Espécies de nacionalidade. São elas: A) Nacionalidade originária (ou primária). É aquela que resulta do nascimento. O Estado atribui-a ao indivíduo num ato unilateral, isto é, independentemente da vontade do indivíduo; B) Nacionalidade secundária (ou adquirida). É aquela que decorre de uma manifestação conjunta de vontades. Ao indivíduo, competirá demonstrar seu interesse em adquirir a nacionalidade de um país; ao Estado, competirá decidir se aceita ou não tal indivíduo como seu nacional. 3.2 Modos de aquisição da nacionalidade. Tratam-se de critérios através dos quais a nacionalidade é fixada em um país. São eles: A) Critério territorial (ou jus solis). A nacionalidade é definida pelo local do nascimento. Países que recebem muitos imigrantes costumam adotar tal critério; B) Critério sanguíneo (ou jus sanguinis). A nacionalidade é definida pelo vínculo de descendência. Países que sofrem uma debandada muito grande de nacionais, em razão de conflitos, doenças, necessidades econômicas, ou oportunidades promissorasem terras estrangeiras, costumam adotar tal critério; C) Critério misto. A nacionalidade pode ser definida tanto em razão do local do nascimento, como pelo vínculo de descendência. Pode-se dizer que a República Federativa do Brasil adota tal critério, pois tanto são brasileiros natos os filhos nascidos no exterior de pais brasileiros desde que qualquer deles esteja a serviço do país (critério sanguíneo), p. ex., como o são os nascidos em território nacional, ainda que de pais estrangeiros, desde que qualquer deles não esteja a serviço de seu país (critério territorial), noutro exemplo. 3.3 Brasileiros natos. São eles: A) Os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país (art. 12, I, “a”, CF); B) Os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil (art. 12, I, “b”, CF); C) Os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira (art. 12, I, “c”, CF). 15 3.4 Brasileiros naturalizados. São eles: A) Os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários dos países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral (art. 12, II, “a”, CF). Trata-se de hipótese conhecida por “naturalização ordinária”; Convém observar que, aqui, há um desdobramento em duas situações, a saber, o caso dos estrangeiros que não são originários de países de língua portuguesa, e o caso dos estrangeiros originários dos países de língua portuguesa. Para os estrangeiros advindos de países de língua portuguesa (Portugal, Timor Leste, Macau, Angola etc.), a própria Constituição fixa os requisitos: residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. Prevalece que há direito público subjetivo de quem se encontra nesta condição, ou seja, não se trata de mera faculdade do Poder Executivo. Já para os estrangeiros advindos de países que não falam a língua portuguesa, as condições estão previstas no Estatuto do Estrangeiro (Lei nº 6.815/80), cujo art. 112 fala, cumulativamente, em capacidade civil segundo a lei brasileira; registro como permanente no Brasil; residência contínua no território nacional pelo prazo mínimo de quatro anos imediatamente anteriores ao pedido de naturalização; saber ler e escrever a língua portuguesa (considerando as condições do naturalizando); ter uma profissão e bens suficientes à manutenção própria e da família; ter boa saúde (não se exige a prova de boa saúde a nenhum estrangeiro que já resida no Brasil há mais de dois anos); ter boa conduta; bem como inexistência de denúncia, pronúncia ou condenação no Brasil ou no exterior por crime doloso a que seja cominada pena mínima de prisão, abstratamente considerada, superior a um ano. Vale lembrar que, neste caso, a concessão da naturalização (que se fará mediante “portaria do Ministro da Justiça”) é uma faculdade do Poder Executivo, ou seja, a existência dos requisitos constantes do art. 112, da Lei nº 6.815/80, não assegura a naturalização; B) Os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira (art. 12, II, “b”, CF). Trata-se de hipótese conhecida por “naturalização extraordinária”, segundo a qual, uma vez presentes os requisitos, prevalece na doutrina o entendimento de que há direito público subjetivo à aquisição da nacionalidade. 3.5 “Quase nacionalidade”. É aquela prevista no art. 12, §1º, da CF. Nesse dispositivo, a Lei Fundamental pátria não atribui nacionalidade aos portugueses, mas cria uma situação de quase nacionalidade desde que exista reciprocidade por parte de Portugal. Mas, o português é equiparado ao brasileiro nato ou ao naturalizado? Analisando o dispositivo constitucional, verifica-se que há ressalva quanto às previsões constitucionais específicas (utiliza-se a expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”). Disso conclui-se que o português (diante de reciprocidade) equipara-se ao brasileiro naturalizado. 3.6 Diferenças entre brasileiros natos e naturalizados. De acordo com o art. 12, §2º, da Constituição Federal, apenas o texto constitucional pode fixar distinções entre brasileiros natos e naturalizados. Lei infraconstitucional não pode fazê-lo, salvo se respeitar ou reforçar o que diz a Lei Fundamental pátria. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Neste diapasão, a Constituição Federal fixa cinco diferenças: A) Cargos públicos privativos de brasileiros natos (art. 12, §3º, CF). Há três cargos que, por questão de segurança nacional, apenas podem ser ocupados por brasileiros natos, a saber, os cargos de diplomata, de oficial das Forças Armadas, e de Ministro de Estado da Defesa; B) Linha sucessória da Presidência da República (art. 12, §3º, CF). O Presidente da República, o Vice-Presidente da República, o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado, e os Ministros do STF, devem ser brasileiros natos. Eis a linha sucessória da Presidência da República, consoante previsto no art. 80, da Constituição; C) Assentos do Conselho da República (art. 89, VII, da Constituição Federal). Integrarão o Conselho da República, nos moldes do art. 89, VII, CF, seis brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal, e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução; D) Propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão (art. 222, caput, da CF). A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no país. Também, conforme o segundo parágrafo do mesmo dispositivo, a responsabilidade editorial e as atividades de seleção e direção da programação veiculada são privativas de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, em qualquer meio de comunicação social; E) Vedação de extradição (art. 5º, LI, da CF). Veda-se, de forma absoluta, a extradição do brasileiro nato. Quanto ao brasileiro naturalizado, a regra é que também não possa ser extraditado, com duas exceções: em caso de crime comum praticado antes da naturalização (exceto crime político ou de opinião), ou em caso de tráfico ilícito de entorpecentes, ainda que praticado após a naturalização. 3.7 Perda da nacionalidade. A Constituição Federal prevê duas hipóteses de perda de nacionalidade, em seu art. 12, §4º: A) Se o brasileiro tiver cancelada sua naturalização por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; B) Se o brasileiro adquirir outra nacionalidade, salvo em caso de reconhecimento da nacionalidade originária pela lei estrangeira, ou em caso de imposição de naturalização pela norma estrangeira ao brasileiro residente em Estado estrangeiro como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis. 4 Cidadania, direitos políticos e partidos políticos. Convém reproduzir os dispositivos constitucionais pertinentes ao tema: Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito; II - referendo; III - iniciativa popular. §1º. O alistamento eleitoral e o voto são: I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; 16 IInovo, os contornos de todas as coisas pareciam mais nitidamente traça- dos do que nos nossos dias. O contraste entre o sofrimento e a alegria, entre a ad- versidade e a felicidade aparecia mais forte.” (Johan Huizinga) c. “A rede de tricô era áspera entre os dedos, não íntima como quando a tricota- ra. A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. E como uma estranha música , o mundo recome- çava ao redor.” (Clarice Lispector) d. “Autoridades culturais italianas estão tentando levantar fundos (com participa- ção internacional) para desenterrar e re- cuperar os tesouros arqueológicos da ci- dade de Herculano, destruída com Pom- péia pelo vulcão Vesúvio (sul de Nápo- les).” (Folha de São Paulo) e. “Os sapatos ficam entre os pés e o chão, no que são como as palavras. As meias entre os pés e os sapatos, como adjetivos. Os verbos, passos, cadarços, laços. Os pés caminham lado a lado, cal- çados. Sapatos são calçados. Porque são e porque são usados. Palavras são peda- ços. Os pés descalços caminham cala- dos.” (Arnaldo Antunes) 2-(IBFC) Uma Canção No Rádio Uma canção no rádio Eu me lembro de nós dois Penso, rio, sofro, choro Deixo a vida pra depois O amor é um filme antigo Co- ração ama e não diz Tive prazer e ternura Mas eu nunca fui feliz Tenho um coração Raso de razão Eu amei o quanto pude Deixei pelo chão rastros de ilusão Meu coração não se ilude Tudo se desfaz, vida leva e traz Fica só o pó da estrada Que o céu me roube a luz Mas me reste a voz (Fagner) Considere as afirmações que seguem. I – Há presença de conotação na letra. II – Nos versos “tenho um coração/raso de razão”, o compositor afirma que não é capaz de sentimentos profundos. Está correto o que se afirma em: a. somente I. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 8 b. somente II. c. I e II. d. nenhuma. 3-Assinale a alternativa que apresenta uma frase de sentido denotativo, isto é, cujo sentido não seja figurado, mas literal. a. A vida deve ser preservada desde a aurora até o seu natural ocaso. b. Saiu para trabalhar logo que raiou a aurora. c. És jovem ainda, estás na auro- ra da vida. d. Depois do apogeu de um império, logo vem o seu ocaso. Para responder às questões seguintes, leia o texto abaixo, de Rubem Braga. O PAVÃO Eu considerei a glória de um pavão osten- tando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pig- mentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade. Consi- derei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico. 4- (IBFC) Considere as afirmações abai- xo. I – O tema do texto é exclusivamente a natureza das cores e do esplendor do pa- vão. II – A partir da observação da beleza do pavão, o narrador tece considerações so- bre a natureza da arte e do amor que sente. Está correto o que se afirma em a. somente I. b. somente II. c. I e II. d. nenhuma. 5- Considere as afirmações abaixo. I – Há a presença de linguagem conotati- va no texto. II – O verbo “suscita” pode ser substituí- do, sem alteração de sentido, por “des- perta”. Está correto o que se afirma em a. somente I. b. somente II. c. I e II. d. nenhuma Gabarito 1- A-conotativa/ B-denotativa/ C- conotativa/ D-denotativa/ E-conotativa. 2- A 3- B 4- B 5- C Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 9 Os tipos textuais são classificados de acordo com suas características e por is- so são agrupados a outros textos que têm características semelhantes. Em outras palavras, tipos textuais são es- truturas textuais peculiares que surgem dos tipos de textos: narrativo, descritivo, dissertativo-argumentativo, expositivo e injuntivo. Texto narrativo: Apresenta ações de personagens num tempo e espaço. Ex: novela. Texto descritivo: Os textos descritivos se ocupam de relatar e expor determinada pessoa, objeto, lugar, acontecimento. Dessa forma, são textos re- pletos de adjetivos, os quais descrevem ou apresentam imagens a partir das percepções sensoriais do locutor (emissor). Ex: Cardápio. Texto dissertativo- argumentati- vo: Os textos dissertativos são aqueles encarre- gados de expor um tema ou assunto por meio de argumentações. São marcados pela defesa de um ponto de vista, ao mesmo tempo em que tentam persuadir o leitor. Ex: Artigo. Texto expositivo: Os textos expositivos possuem a função de expor determinada ideia, por meio de recur- sos como: definição, conceituação, informa- ção, descrição e comparação. Ex: Seminário. Texto injuntivo: O texto injuntivo, também chamado de texto instrucional, é aquele que indica uma ordem, de modo que o locutor (emissor) tem o obje- tivo de orientar e persuadir o interlocutor (re- ceptor). Por isso, apresentam, na maioria dos casos, verbos no imperativo. Ex: Receita. 1-Enem 2013 A diva Vamos ao teatro, Maria José? Quem me dera, desmanchei em rosca quinze kilos de fari- nha, tou podre. Outro dia a gente vamos. Falou meio triste, culpada, e um pouco alegre por recusar com orgulho. TEATRO! Disse no espelho. TEATRO! Mais alto, desgrenhada. TEATRO! E os cacos voaram sem nenhum aplauso. Perfeita. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 10 PRADO, A. Oráculos de maio. São Paulo: Siciliano, 1999. Os diferentes gêneros textuais desempe- nham funções sociais diversas, reconhecidas pelo leitor com base em suas características específicas, bem como na situação comuni- cativa em que ele é produzido. Assim, o tex- to A diva a) narra um fato real vivido por Maria José. b) surpreende o leitor pelo seu efeito poético. c) relata uma experiência teatral profissional. d) descreve uma ação típica de uma mulher sonhadora. e) defende um ponto de vista relativo ao exercício teatral. 2-Enem 2012 Disponível em: www.portaldapropaganda.com.br A publicidade, de uma forma geral, alia ele- mentos verbais e imagéticos na constituição de seus textos. Nessa peça publicitária, cujo tema é a sustentabilidade, o autor procura convencer o leitor a a) assumir uma atitude reflexiva diante dos fenômenos naturais. b) evitar o consumo excessivo de produtos reutilizáveis. c) aderir à onda sustentável, evitando o con- sumo excessivo. d) abraçar a campanha, desenvolvendo pro- jetos sustentáveis. e) consumir produtos de modo responsável e ecológico. 3-Sobre as características dos gêneros tex- tuais, é INCORRETO afirmar que: a) Os gêneros textuais desempenham fun- ções sociais diversas, reconhecidas pelo lei- tor com base em suas características especí- ficas, bem como na situação comunicativa em que ele é produzido. b) Os gêneros textuais são estruturas relati- vamente padronizadas que variam de acordo com as várias situações comunicativas. c) Os gêneros textuais são estruturas bem definidas, limitadas, e podem apresentar-se sob a forma de cinco diferentes tipos de tex- to. d) Os gêneros textuais podem ser represen- tados na linguagem verbal e não verbal, em anúncios publicitários, charges, tirinhas e também em reportagens,- facultativos para: a) os analfabetos; b) os maiores de setenta anos; c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. §2º. Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. §3º. São condições de elegibilidade, na forma da lei: I - a nacionalidade brasileira; II - o pleno exercício dos direitos políticos; III - o alistamento eleitoral; IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; V - a filiação partidária; VI - a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) dezoito anos para Vereador. §4º. São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. §5º. O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente. §6º. Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito. §7º. São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. §8º. O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. §9º. Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. §10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. §11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé. Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; II - incapacidade civil absoluta; III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, §4º. Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos: I - caráter nacional; II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes; III - prestação de contas à Justiça Eleitoral; IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei. §1º. É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. §2º. Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. §3º. Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei. §4º. É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar. 4.1 Cidadão. De acordo com a Constituição Federal, é considerado “cidadão” o nacional que esteja no gozo dos direitos políticos e que participe da vida política do Estado. Veja-se, pois, que o conceito de nacionalidade, visto na espécie anterior de direitos fundamentais, é muito mais amplo que o de cidadão. 4.2 Exercício da soberania nacional. Se faz através de: A) Plebiscito (art. 14, I, CF). Consiste na consulta prévia à população acerca de um ato que se pretende tomar. Consoante o primeiro parágrafo, do art. 2º, da Lei nº 9.709/98, o plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido prometido; B) Referendo (art. 14, II, CF). Consiste na consulta posterior à população acerca de um ato que já foi praticado, mas que ainda não entrou em vigor (e somente entrará caso isso seja da vontade da população). Consoante o segundo parágrafo, do art. 2º, da Lei nº 9.709/98, o referendo é convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição; C) Iniciativa popular (art. 14, III, CF). Consoante o art. 13, da Lei nº 9.709/98, consiste a iniciativa popular na apresentação de projeto de lei à Câmara dos Deputados, subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. Tal projeto deve dizer respeito tão somente a um só assunto, e não poderá ser rejeitado por vício de forma (caso em que caberá à Câmara dos Deputados providenciar a correção de eventuais impropriedades de técnica legislativa ou de redação). 4.3 Espécies (modalidades) de direitos políticos. Os direitos políticos são divididos em duas grandes espécies: A) Direitos políticos positivos. Permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. Tais direitos podem ser ativos (capacidade eleitoral ativa), quando permitem ao indivíduo votar, ou passivos (capacidade eleitoral passiva), quando permitem ao indivíduo ser votado e, se for o caso, eleito; B) Direitos políticos negativos. Consistem em uma privação dos direitos políticos. Deles decorrem as inelegibilidades (absolutas e relativas), a perda, e a suspensão de direitos políticos. 4.4 Alistabilidade. É a capacidade eleitoral ativa, isto é, trata- se do direito de votar. Isto posto, no Brasil são inalistáveis (isto é, que não podem votar), por força do segundo parágrafo, do art. 14, da Constituição Federal: A) Conscritos, durante o serviço militar obrigatório. “Conscrito” é aquele que se alista nas Forças Armadas aos 17/18 anos, prestando o serviço militar obrigatório. O conceito de conscrito abrange também médicos, dentistas, farmacêuticos e veterinários que prestem o serviço militar obrigatório após a conclusão do curso superior; B) Estrangeiros. Exceto os portugueses equiparados (“quase nacionais”); C) Os menores de 16 anos. Conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral, um menor de dezesseis anos pode requerer seu título de eleitor, desde que possua dezesseis anos completos no dia das eleições.4.5 Obrigatoriedade/facultatividade do alistamento e do voto. No Brasil, o alistamento e o voto são obrigatórios para os maiores de dezoito, e menores de setenta anos. Desta maneira, uma pessoa com dezesseis anos completos, e menos de dezoito anos, não está obrigada a se alistar (e, conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral, ainda que possua o título de eleitor, não está obrigada a votar). Também, a pessoa com mais de setenta anos não está obrigada a se alistar ou votar. Por fim, o analfabeto não está obrigado a se alistar e/ou votar. 4.6 Elegibilidade. É a capacidade eleitoral passiva, isto é, trata-se do direito de ser votado. Quando se atinge a plena cidadania no Brasil? No Brasil, a cidadania vai se adquirindo progressivamente e, aos trinta e cinco anos, a pessoa atinge a cidadania plena. Isto porque, é apenas aos trinta e cinco anos que a pessoa passa a poder ser eleita para Presidente da República, Vice-Presidente da República ou Senador da República. 17 NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 4.7 Idades mínimas para exercer um mandato eletivo. São elas: A) 35 anos. Presidente da República, Vice-Presidente da República e Senador da República; B) 30 anos. Governador de Estado e do Distrito Federal, e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; C) 21 anos. Prefeito, Vice-Prefeito, Deputado Federal, Deputado Distrital, Deputado Estadual, e Juiz de Paz; D) 18 anos. Vereador. 4.8 Condições de elegibilidade. Elas estão no art. 14, §3º, da CF: A) Nacionalidade brasileira. Os “quase nacionais” do art. 12, §1º (portugueses com residência permanente no Brasil) podem ser eleitos (exceto para os cargos privativos de brasileiros natos), desde que haja reciprocidade para os brasileiros que estejam em mesma situação em Portugal. Trata-se de exceção à exigência da nacionalidade brasileira; B) Pleno exercício dos direitos políticos. O cidadão não pode incorrer em nenhuma hipótese de perda/suspensão de direitos políticos; C) Alistamento eleitoral. Para ser votado, o indivíduo deve, antes de tudo, poder votar, isto é, ser “eleitor”; D) Domicílio eleitoral na circunscrição. “Domicílio eleitoral” é a sede eleitoral em que o cidadão se encontra alistado. Assim, se “X” tem domicílio eleitoral no Estado de São Paulo, p. ex., e quiser se candidatar a Governador de Estado, só pode fazê-lo pelo Estado de São Paulo, mas não pelo Estado do Rio Grande do Sul. Noutro exemplo, se “Y” tem domicílio eleitoral na cidade de Belo Horizonte, não pode se candidatar à Prefeitura pela cidade de Uberlândia, mas apenas pela capital mineira; E) Filiação partidária. No Brasil, não se admite “candidato sem partido”; F) Idade mínima. Já trabalhado alhures. 4.9 Espécies de inelegibilidade. Na condição de “direitos políticos negativos”, as inelegibilidades podem ser: A) Inelegibilidades absolutas. São situações insuperáveis, em que não será possível a superação do obstáculo. As inelegibilidades absolutas, por serem restrições graves a direitos políticos, apenas podem ser estabelecidas pela Constituição Federal. São duas as hipóteses de inelegibilidade absoluta, constantes do art. 14 §4º, da CF, a saber, os inalistáveis (conscritos, menores de dezesseis anos, e estrangeiros), e os analfabetos; B) Inelegibilidade relativa. Aqui, é possível a desincompatibilização. 4.10 Espécies de inelegibilidade relativa. Vejamos: A) Reeleição para cargos de Chefe do Executivo. Isso foi permitido em 1997, pela Emenda Constitucional nº 16. Conforme o quinto parágrafo, do art. 14, da Constituição Federal, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos, e quem os houver substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente. Isso significa que somente é possível um segundo mandato subsequente, jamais um terceiro. E se os agentes aqui mencionados tencionarem concorrer a outros cargos? Devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito. O objetivo é que a máquina pública administrativa não seja utilizada como instrumento de captação de votos; 18 B) Inelegibilidade em razão do parentesco. Consoante o art. 14, §7º, da Constituição, são inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, do Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo e já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. Assim, suponha-se que “X” é Governadora do Estado do Amapá. “Y”, seu filho, não pode concorrer à Prefeitura de Macapá, capital do Amapá, por ser território de circunscrição de “X”, salvo se “Y” apenas estiver tentando à reeleição. Isso não obsta, todavia, que “Y” concorra a Prefeito por algum Município do Estado do Acre, afinal, isso está fora da circunscrição do Estado do Amapá, da qual “X”, mãe de “Y”, é Governadora. Noutro exemplo, suponha-se que “A” é Prefeito da cidade do Rio de Janeiro. “B”, cônjuge de “A”, não pode se candidatar a Vereador pela cidade do Rio de Janeiro, salvo se candidato à reeleição. Isso não representa óbice a que “A” se candidate a Vereador na cidade de Niterói, pois tal Município está fora da circunscrição da cidade do Rio de Janeiro, da qual “A” é Prefeito; C) Elegibilidade do militar alistável. Se contar com menos de dez anos de serviço, o militar alistável deverá afastar-se da atividade; se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. Eis a essência do oitavo parágrafo, do art. 14, da Lei Fundamental pátria. 4.11 Possibilidade de estabelecer outras inelegibilidades relativas. Outrasinelegibilidadesrelativas poderãoserdeterminadas por lei complementar. Tal lei já existe, e é a Lei Complementar nº 64/90. A “Lei da Ficha Limpa” (Lei Complementar nº 135/2010) promoveu alterações nesta Lei Complementar. 4.12 Suspensão ou perda dos direitos políticos. Nos termos do art. 15, caput, da Constituição Federal, é vedada a cassação de direitos políticos. Só é possível a “perda” (quando se dá de forma definitiva) ou a “suspensão” (quando se dá de forma provisória) dos direitos políticos nos seguintes casos: A) Cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado. Trata-se de hipótese de perda dos direitos políticos; B) Incapacidade civil absoluta. Trata-se de hipótese de suspensão dos direitos políticos, afinal, pode-se recuperar a capacidade; C) Condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos. Trata-se de hipótese de suspensão dos direitos políticos; D) Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII. Aqui há divergência sobre ser perda ou suspensão dos direitos políticos. Prevalece que é hipótese de suspensão dos direitos políticos; E) Improbidade administrativa, nos termos do art. 37, §4º. Trata-se de hipótese de suspensão dos direitos políticos. Ademais, o juiz deve apontar expressamente essa suspensão em sua sentença. 4.13 Partidos políticos. Os partidos políticos estão genericamente tratados em apenas um dispositivo da Constituição Federal, a saber, o art. 17. Sem prejuízo deste dispositivo constitucional, há a Lei nº 9.096/95, que trata especificamente da organização dos partidos políticos. Esta lei é usualmente conhecida como “Lei dos Partidos Políticos”. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Com efeito, a despeito de outros tempos, ditatoriais, em que a pluralidade de partidos era algo inimaginável, com a redemocratização promovida em 1988 tornou-se livre a criação, a fusão, a incorporação, e a extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional,o regime democrático, o pluripartidarismo, e os direitos fundamentais da pessoa humana. Veja-se, pois, que uma vez observadas a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, e os direitos fundamentais, há uma liberdade partidária como nunca se viu na democracia deste país. Desta maneira, um partido nazista (nacional-socialista), p. ex., por não respeitar os direitos fundamentais nem o regime democrático, tem sua criação/atuação vedada. Um partido defensor do desmembramento de parte do Brasil para formar outra nação, p. ex., por atentar contra a segurança nacional, tem sua criação/atuação vedada. Ademais, para se criar um partido político, alguns preceitos necessitam ser observados. Vejamos: A) O caráter nacional. Um partido político deve se propor a agir no país inteiro; B) A proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes. Exige-se que os partidos tenham aspecto nacional. Não pode um partido ser sustentado pelo governo da Venezuela, p. ex., pois teme-se que isso atente contra a soberania pátria; C) A prestação de contas junto à Justiça Eleitoral. A Justiça Eleitoral é fiscal da atuação administrativa/financeira dos partidos políticos; D) O funcionamento parlamentar de acordo com a lei. Um partido político não pode querer ter suas próprias regras de atuação no Congresso Nacional, se isso afrontar ao senso comum e às disposições constitucionais acerca da competência das Casas Legislativas; E) Não pode um partido político se utilizar de organização paramilitar. Eis a essência do previsto no parágrafo quarto, do art. 17, CF. Não pode um partido defender a utilização de armas/ violência para o atingimento de seus objetivos. 3 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. 3.1 DISPOSI-ÇÕES GERAIS, SERVIDORES PÚBLICOS. Dispositivos constitucionais cobrados no presente tópico: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; 19 III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período; IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira; V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento; VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical; VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica; VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão; IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público; X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o §4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo; XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público; XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores; XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, §4º, 150, II, 153, III, e 153, §2º, I; XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL a) a de dois cargos de professor; b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas; XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público; XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação; XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada; XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações; XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento decadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio. §1º. A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. §2º. A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei. §3º. A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente: I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública. §4º. Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. §5º. A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento. 20 §6º. As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. §7º. A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da administração direta e indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas. §8º. A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: I - o prazo de duração do contrato; II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; III - a remuneração do pessoal. §9º. O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral. §10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração. §11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei. §12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores. Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função; II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração; III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior; IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento; V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão determinados como se no exercício estivesse. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas. (* O STF, em cautelar concedida na ADI nº 2.135-4, suspendeu a eficácia deste caput, e por efeito repristinatório tácito voltou a vigorar a redação de antes da EC nº 19/98, a saber: “Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas”) §1º. A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará: I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira; II - os requisitos para a investidura; III - as peculiaridades dos cargos. §2º. A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os entes federados. §3º. Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir. §4º. O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. §5º. Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI. §6º. Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e empregos públicos. §7º. Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplicação de recursos orçamentários provenientes da economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de produtividade. §8º. A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos do §4º. Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário,mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. §1º. Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17: 21 I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei; II - compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição; III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições: a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher; b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição. §2º. Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão exceder a remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão. §3º. Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão consideradas as remunerações utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de previdência de que tratam este artigo e o art. 201, na forma da lei. §4º. É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, os casos de servidores: I - portadores de deficiência; II - que exerçam atividades de risco; III cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §5º. Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto no §1º, III, “a”, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio. §6º. Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do regime de previdência previsto neste artigo. §7º. Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão por morte, que será igual: I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso aposentado à data do óbito; ou II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu o falecimento, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso em atividade na data do óbito. §8º. É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei. §9º. O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de aposentadoria e o tempo de serviço correspondente para efeito de disponibilidade. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL §10. A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contribuição fictício. §11. Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral de previdência social, e ao montante resultante da adição de proventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo. §12. Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social. §13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social. §14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que instituam regime de previdência complementar para os seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de que trata este artigo, o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. §15. O regime de previdência complementar de que trata o §14 será instituído por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo, observado o disposto no art. 202 e seus parágrafos, no que couber, por intermédio de entidades fechadas de previdência complementar, de natureza pública, que oferecerão aos respectivos participantes planos de benefícios somente na modalidade de contribuição definida. §16. Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do correspondente regime de previdência complementar. §17. Todos os valores de remuneração considerados para o cálculo do benefício previsto no §3º serão devidamente atualizados, na forma da lei. §18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo regime de que trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos. §19. O servidor de que trata este artigo que tenha completado as exigências para aposentadoria voluntária estabelecidas no §1º, III, a, e que opte por permanecer em atividade fará jus a um abono de permanência equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária até completar as exigências para aposentadoria compulsória contidas no §1º, II. §20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social para os servidores titulares de cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do respectivo regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 142, §3º, X. §21. A contribuição prevista no §18 deste artigo incidirá apenas sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e de pensão que superem o dobro do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 desta Constituição, quando o beneficiário, na forma da lei, for portador de doença incapacitante. 22 Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. §1º. O servidor público estável só perderá o cargo: I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. §2º. Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitadoem outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. §3º. Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo. §4º. Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade. 1 Disposições gerais. Vejamos: 1.1 Atividade administrativa. A atividade administrativa poderá ser prestada de maneira centralizada, pelos entes políticos componentes da Administração Direta (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), ou de maneira descentralizada, pelos entes componentes da Administração Indireta (Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista) bem como por particulares (através de concessionárias e permissionárias de serviços públicos, p. ex.). 1.2 Administração direta e indireta. Os órgãos da Administração Pública direta são aqueles componentes dos Poderes da República propriamente ditos. Tais órgãos são despersonalizados. Já os órgãos da Administração Pública indireta são as autarquias, fundações, empresas públicas, e sociedades de economia mista. Tais órgãos têm personalidade jurídica própria, ou de direito público (autarquias e fundações públicas de direito público) ou de direito privado (fundações públicas de direito privado, empresas públicas, e sociedades de economia mista). 1.3 Alguns princípios aplicáveis à Administração Pública. São eles: A) Princípio da legalidade. Para o direito privado, legalidade significa poder fazer tudo o que a lei não proíbe (autonomia privada). Já para a Administração Pública, legalidade significa somente poder fazer aquilo previsto em lei; B) Princípio da impessoalidade. Impessoalidade denota ausência de subjetividade. O administrador não pode se utilizar da coisa pública para satisfazer interesses pessoais; C) Princípio da moralidade. Traduz a ideia de honestidade, de ética, de correção de atitudes, de boa-fé. A moralidade administrativa representa mais que a moralidade comum, porque enquanto nesta as relações são interpessoais, na moralidade administrativa envolve-se o trato da coisa pública; NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL D) Princípio da publicidade. Tal princípio significa conhecimento, ciência, divulgação ao titular dos interesses em jogo, a saber, o povo. Disso infere-se que a publicidade acaba sendo condição de eficácia, em regra, do ato administrativo (como ocorre nos procedimentos licitatórios, p. ex.). Neste diapasão, o primeiro parágrafo, do art. 37, da Constituição, preceitua que a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos; E) Princípio da eficiência. Tal princípio não estava previsto no texto originário da Constituição Federal em 1988. Foi ele acrescido pela Emenda Constitucional nº 19/1998, e significa presteza, qualidade no serviço, agilidade, economia, ausência de desperdício; F) Princípio da supremacia do interesse público. Em um eventual conflito entre um interesse particular e outro da coletividade, este último deverá prevalecer, como regra geral. Tal princípio decorre de outro axioma, a saber, o “da Indisponibilidade do Interesse Público”, segundo o qual, sendo a coisa pública pertencente a todos, não pode o agente administrador dela utilizar livremente; G) Princípio da presunção de legitimidade dos atos administrativos. Há uma presunção relativa (isto é, que admite prova em contrário) em torno dos atos administrativos, de que são legítimos, válidos e eficazes. É óbvio que, além destes, há outros princípios vigentes para a Administração Pública, como o da isonomia, o da razoabilidade/ proporcionalidade, o da autotutela etc. Mas, tais matérias não serão aqui explicadas, por serem da alçada do Direito Administrativo propriamente dito. 1.4 Ocupantes de cargos, empregos e funções públicas. Tanto brasileiros (que preencham os requisitos estabelecidos em lei) como os estrangeiros (na forma da lei) podem ocupar cargos, empregos e funções públicas. 1.5 Investidura em cargo ou emprego público. Em regra, a investidura em cargo ou emprego público se dá mediante aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e complexidade do cargo ou emprego. As exceções são os cargos em comissão, de livre nomeação e exoneração. Em situações excepcionais, como urgência ou interesse público de duração temporária, se pode dispensar o concurso público, ou, ao menos, realizar processo seletivo simplificado. Neste diapasão, a Lei nº 8.745/93 disciplina os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, p. ex. 1.6 Prazo de validade do concurso público. O prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez por igual período. Convém lembrar que, durante o prazo improrrogável previsto no edital, aquele aprovado em concurso público será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego. 23 1.7 Contratação pela Administração Publica de obras, serviços, compras e alienações. Ressalvadas as hipóteses de dispensa ou inexigibilidade, a contratação, pela Administração Pública, de obras, serviços, compras ou alienações se dá mediante procedimento licitatório. A lei que dispõe sobre normas gerais de licitação é a de nº 8.666/93. Consoante o art. 37, XXI, da Lei Fundamental pátria, os procedimentos licitatórios devem ser públicos, e devem assegurar igualdade de condições a todos os concorrentes (com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações). 2 Servidores públicos. Utilizando a expressão “servidor público” em sentido genérico, por tais se pode entender os agentes que trabalham em prol do funcionamento e das obrigações assumidas pelo Estado. 2.1 Direito à livre associação sindical do servidor público. O servidor público, tal como na iniciativa privada, tem direito à livre associação sindical, independentemente da existência de lei regulamentadora neste sentido. 2.2 Direito de greve do servidor público. Ao servidor público é assegurado o direito de greve, a ser exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica (art. 37, VII, CF). O problema é que essa lei não foi regulamentada até hoje, razão pela qual o Supremo Tribunal Federal vem mandando aplicar, no que couber, a lei de greve da iniciativa privada (Lei nº 7.783/89) aos servidores públicos. Tais decisões vêm ocorrendo em sede de mandados de injunção. 2.3 Algumas nuanças atinentes à remuneração de pessoal de serviço público. Vejamos: A) É vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoa do serviço público; B) É vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver disponibilidade de horários, na hipótese de dois cargos de professor, ou de um cargo de professor com outro técnico ou químico, ou de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde com profissões regulamentadas; C) Os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo; D) A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquerdos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões de outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 2.4 Fixação dos padrões de vencimento do sistema remuneratório do servidor público. A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará: A) A natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira; B) Os requisitos para a investidura; C) As peculiaridades dos cargos. 2.5 Nuanças em relação aos padrões de vencimento do sistema remuneratório do servidor público. Vejamos: A) O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI, da Constituição Federal; B) Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI, da Constituição; C) Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e empregos públicos; D) A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos do art. 39, §4º, CF. 2.6 Aposentadoria dos servidores públicos. Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata o art. 40, CF, serão aposentados: A) Por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei; B) Compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição; C) Voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições: 1) Sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinquenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher; 2) Sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição. Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto na primeira condição da hipótese “C” acima vista, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio. Ainda, há se lembrar que os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão exceder a remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão. Há se lembrar, por fim, que para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão consideradas as remunerações utilizadas como base para as contribuições do servidor aos regimes de previdência de que tratam os arts. 40 e 201, da Constituição Federal, na forma da lei. 24 2.7 Possibilidade de adoção de critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria, na forma do art. 40, da Constituição Federal. Não é possível a adoção de critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria, ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, os casos de servidores: A) Portadores de deficiência; B) Que exerçam atividades de risco; C) Cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. 2.8 Possibilidade de cumulação de aposentadorias, na forma do art. 40, da Constituição. Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma da Constituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta do regime de previdência previsto no art. 40, CF. 2.9 Estabilidade dos servidores públicos. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. O servidor público estável só perderá o cargo: A) Em virtude de sentença judicial transitada em julgado; B) Mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; C) Mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. Há se lembrar que, invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo. Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade. QUESTÕES DE FIXAÇÃO 1. (TRF/4ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - 2014 - FCC) A dignidade da pessoa humana, no âmbito da Constituição Brasileira de 1988, deve ser entendida como: (A) uma exemplificação do princípio de cooperação entre os povos para o progresso da humanidade reconhecida pela Constituição. (B) um direito individual garantido somente aos brasileiros natos. (C) uma decorrência do princípio constitucional da soberania do Estado Brasileiro. (D) um direito social decorrente de convenção internacional ratificada pelo Estado Brasileiro. (E) um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito da República Federativa do Brasil. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 2. (MS - ANALISTA ADMINISTRATIVO - 2013 - CESPE) Considerando as disposições constitucionais a respeito dos princípios fundamentais, julgue o item a seguir: “Com a promulgação da Emenda Constitucional nº 73/2013, são considerados Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo, o Judiciário e o Tribunal de Contas”. 3. (MS - ENGENHEIRO CIVIL - 2013 - CESPE) Com relação aos direitos e garantias fundamentais, julgue o item que se segue: “O direito de herança no Brasil é garantido pela Constituição Federal de 1988”. 4. (PC/ES - DELEGADO DE POLÍCIA - 2013 - FUNCAB) São direitos sociais preceituados na Constituição de 1988: (A) a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados. (B) a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados. (C) a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança,a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados. (D) o direito de herança, a intimidade, a privacidade, a informação dos órgãos públicos. (E) a livre locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer, ou dele sair com seus bens. 5. (TCE/SP - TÉCNICO DE CONTROLE EXTERNO - 2011 - FCC) Paulo, brasileiro nato, é jogador de futebol e atua em um determinado clube da Itália. Como condição de permanência no País onde atua e manutenção do exercício de sua atividade profissional, a Itália impõe a Paulo a sua naturalização. Nesse caso, Paulo: (A) não terá declarada a perda da nacionalidade brasileira. (B) terá declarada a suspensão da nacionalidade brasileira até o momento em que ele regressar ao Brasil e optar novamente pela nacionalidade brasileira. (C) perderá automaticamente a nacionalidade brasileira, mas poderá solicitar a sua reaquisição ao Ministro da Justiça, quando retornar ao Brasil. (D) terá declarada a perda da nacionalidade brasileira. (E) terá declarada a suspensão da nacionalidade brasileira enquanto não cancelar a naturalização italiana. 6. (AL/PB - ASSESSOR TÉCNICO LEGISLATIVO - 2013 - FCC) Marta, filha de mãe e pai argentinos, nasceu no Brasil quando os mesmos passavam férias na cidade do Rio de Janeiro. Glaide, filha de mãe brasileira e pai americano, nasceu em Orlando, quando a sua mãe, a serviço da República Federativa do Brasil apresentava palestra sobre Direitos Humanos. Hernandes, filho de pai brasileiro e mãe uruguaia, nasceu em Montevidéu quando seu pai, a serviço da República Federativa do Brasil, laborava nos portos do referido local. Nestes casos, segundo a Constituição Federal brasileira: (A) apenas Glaide e Hernandes são brasileiros natos. (B) apenas Marta e Glaide são brasileiras natas. (C) Marta, Glaide e Hernandes são brasileiros natos. (D) apenas Marta e Hernandes são brasileiros natos. (E) apenas Glaide é brasileira nata. 25 7. (TJ/PE - OFICIAL DE JUSTIÇA - 2012 - FCC) Epitácio, na condição de conscrito, durante o serviço militar obrigatório: (A) pode se eleger ao cargo de Governador, se tiver no mínimo trinta e cinco anos de idade. (B) não pode alistar-se como eleitor. (C) se não for analfabeto, pode alistar-se como eleitor. (D) pode candidatar-se para Deputado Federal, se tiver no mínimo vinte e cinco anos de idade. (E) se for filiado à partido político, pode alistar-se como eleitor. 8. (PGE/BA - ANALISTA DE PROCURADORIA - 2013 - FCC) Ao enunciar a liberdade de criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, a Constituição Federal determina expressamente que o exercício desse direito deve resguardar determinados bens ou valores constitucionais. Encontram-se, entre eles: (A) o pluripartidarismo, a soberania nacional e a separação dos poderes. (B) a forma federativa de Estado, os direitos fundamentais da pessoa humana e os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. (C) o pluralismo político, a forma federativa de Estado e a redução das desigualdades regionais e sociais. (D) a soberania nacional, os direitos fundamentais da pessoa humana e a forma federativa de Estado. (E) o pluripartidarismo, a soberania nacional e o regime democrático. 9. (PM/PI - CABO - 2013 - NUCEPE) São princípios de obediência obrigatória pela Administração Pública, previstos expressamente no artigo 37 da nossa Constituição Federal: (A) moralidade, impessoalidade, razoabilidade, motivação e legalidade. (B) eficiência, legalidade, publicidade, impessoalidade e moralidade. (C) publicidade, legalidade, motivação, eficiência e razoabilidade. (D) legalidade, eficiência, razoabilidade, supremacia do interesse público e impessoalidade. (E) impessoalidade, publicidade, supremacia do interesse público, eficiência e motivação. 10. (TRE/PE - TÉCNICO JUDICIÁRIO - 2011 - FCC) Tibério, servidor público estável, foi demitido, cujo cargo de diretor foi ocupado por Pilatos, também servidor público estável, que ocupava cargo de auxiliar na mesma repartição pública. A demissão de Tibério foi invalidada por sentença judicial e, conforme previsto na Constituição Federal, por consequência será: (A) reintegrado ao cargo de diretor e Pilatos será reconduzido ao seu cargo de origem que se encontra vago, sem direito à indenização. (B) diretamente conduzido ao cargo de origem de Pilatos, que se encontra vago. (C) posto em disponibilidade porque seu cargo está ocupado por Pilatos e não pode ser rebaixado de função. (D) promovido de cargo à titulo de compensação por ter sido demitido. (E) avaliado previamente por psicólogo, que emitirá laudo sobre os efeitos da demissão e se tem condições ou não de voltar ao trabalho público. NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL GABARITO 1. RESPOSTA: “E” A dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito, conforme consta no art. 1º, III, da Constituição da República. Deve ser assinalado, portanto, a alternativa “E”. 2. RESPOSTA: “ERRADA” A Emenda Constitucional nº 73/2013 acrescentou o §11, do art. 27 do ato das disposições constitucionais transitórias, que cria os Tribunais Regionais Federais da 6ª, 7ª e 8ª região. Assim, referida emenda não tornou o Tribunal de Contas um dos Poderes da União, pois não alterou o art. 2º, que estabelece que são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Com fundamento na explanação acima, a alternativa deve ser assinalada como errada. 3. RESPOSTA: “CORRETA” A garantia do direito de herança está expressamente previsto no artigo 5º, XXX, da Constituição da República. Com este fundamento, a alternativa deve ser assinalada como correta. 4. RESPOSTA: “A” A alternativa “A” elenca os direitos sociais expressamente previstos no art. 6º, CF, que foi modificado pela Emenda Constitucional nº 64/2010, quais sejam: a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. As alternativas “B”, “C”, “D” e “E”, não representam a literalidade do artigo acima mencionado, por isso estão incorretos. Neste caso deve ser assinalada como certa a alternativa “A”. 5. RESPOSTA: “A” Em regra, adquirir outra nacionalidade importa a perda da brasileira, salvo nos casos de reconhecimento da nacionalidade originária pela lei estrangeira (art. 12, §4º, II, “a”, CF), ou de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em Estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis (art. 12, §4º, II, “b”, CF). O caso de Paulo, jogador de futebol que atua na Itália, se encaixa nesta segunda situação, e, neste caso, Paulo não perderá sua nacionalidade brasileira. Convém assinalar, pois, a alternativa “A”. 6. RESPOSTA: “C” De acordo com a Lei Fundamental, art. 12, inciso I, são brasileiros natos os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país (alínea “a”); os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil (alínea “b”). Diante desse panorama, é possível afirmar que Marta, Glaide e Hernandes são brasileiros natos. 26 Marta nasceu em solo brasileiro e é filha de pais estrangeiros que não estavam a serviço do país estrangeiro. Marta é brasileira nata, portanto, nos termos do art. 12, I, “a”, CF. Glaide nasceu em Orlando, local onde a mãe brasileira estava a serviço do Brasil. Nestes termos Glaide é brasileira nata por força do art. 12, I, “b”, CF. Por fim, Hernandesnasceu em Montevidéu, onde o pai brasileiro estava a serviço do Brasil, o que o torna brasileiro nato, com fundamento no art. 12, I, “b”, CF. A alternativa correta é a letra “C”. 7. RESPOSTA: “B” Os conscritos, durante o período militar obrigatório, não podem alistar-se como eleitor, consoante preceitua o parágrafo segundo, do art. 14, da Constituição da República. Por tal razão, a alternativa correta é a letra “B”. 8. RESPOSTA: “E” Extrai-se o art. 17, caput, da Lei Fundamental, que é livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana, observados os preceitos estabelecidos nos quatro incisos do referido artigo. Diante disso, apenas a alternativa “E” está certa, pois está devidamente amparada pela norma acima transcrita. 9. RESPOSTA: “B” A questão trata dos princípios expressamente elencados no caput, do art. 37, CF: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por esta razão, deve ser assinalada a alternativa “B”. 10. RESPOSTA: “A” Consoante o parágrafo segundo, do art. 41, da Constituição Federal, invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. Isto posto, a alternativa que melhor representa uma das hipóteses neste dispositivo prevista é a letra “A”. REFERÊNCIAS CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de direito constitucional. 6. ed. Salvador: JusPODIUM, 2012. LAZARI, Rafael de; GARCIA, Bruna Pinotti. Manual de di- reitos humanos. Salvador: JusPODIVM, 2014. ______; BERNARDI, Renato. Ensaios escolhidos de direito constitucional. Brasília: Kiron, 2013. MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de direito constitucional. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. VADE MECUM SARAIVA. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 201 NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: CONCEITOS, ELEMENTOS, PODERES E ORGANIZAÇÃO; NATUREZA, FINS E PRINCÍPIOS. “O conceito de Estado varia segundo o ângulo em que é considerado. Do ponto de vista sociológico, é corpora-ção territorial dotada de um poder de mando originário; sob o aspecto político, é comunidade de homens, fixada sobre um território, com potestade superior de ação, de mando e de coerção; sob o prisma constitucional, é pessoa jurídica territorial soberana; na conceituação do nosso Có-digo Civil, é pessoa jurídica de Direito Público Interno (art. 14, I). Como ente personalizado, o Estado tanto pode atuar no campo do Direito Público como no do Direito Priva-do, mantendo sempre sua única personalidade de Direito Público, pois a teoria da dupla personalidade do Estado acha-se definitivamente superada. O Estado é constituído de três elementos originários e indissociáveis: Povo, Terri-tório e Governo soberano. Povo é o componente humano do Estado; Território, a sua base física; Governo sobera-no, o elemento condutor do Estado, que detém e exerce o poder absoluto de autodeterminação e auto-organização emanado do Povo. Não há nem pode haver Estado inde-pendente sem Soberania, isto é, sem esse poder absoluto, indivisível e incontrastável de organizar-se e de conduzir--se segundo a vontade livre de seu Povo e de fazer cum-prir as suas decisões inclusive pela força, se necessário. A vontade estatal apresenta-se e se manifesta através dos denominados Poderes de Estado. Os Poderes de Estado, na clássica tripartição de Montesquieu, até hoje adotada nos Estados de Direito, são o Legislativo, o Executivo e o judiciário, independentes e harmônicos entre si e com suas funções reciprocamente indelegáveis (CF, art. 2º). A orga-nização do Estado é matéria constitucional no que concer-ne à divisão política do território nacional, a estruturação dos Poderes, à forma de Governo, ao modo de investidura dos governantes, aos direitos e garantias dos governados. Após as disposições constitucionais que moldam a orga- nização política do Estado soberano, surgem, através da legislação complementar e ordinária, e organização ad- ministrativa das entidades estatais, de suas autarquias e entidades paraestatais instituídas para a execução descon- centrada e descentralizada de serviços públicos e outras atividades de interesse coletivo, objeto do Direito Admi- nistrativo e das modernas técnicas de administração” . Com efeito, o Estado é uma organização dotada de personalidade jurídica que é composta por povo, territó- rio e soberania. Logo, possui homens situados em deter- minada localização e sobre eles e em nome deles exerce poder. É dotado de personalidade jurídica, isto é, possui a aptidão genérica para adquirir direitos e contrair deveres. Nestes moldes, o Estado tem natureza de pessoa jurídica de direito público. Trata -se de pessoa jurídica, e não física, porque o Esta-do não é uma pessoa natural determinada, mas uma estru-tura organizada e administrada por pessoas que ocupam cargos, empregos e funções em seu quadro. Logo, pode-se dizer que o Estado é uma ficção, eis que não existe em si, mas sim como uma estrutura organizada pelos próprios homens. É de direito público porque administra interesses que pertencem a toda sociedade e a ela respondem por desvios na conduta administrativa, de modo que se sujeita a um regime jurídico próprio, que é objeto de estudo do direito administrativo. Em face da organização do Estado, e pelo fato deste assumir funções primordiais à coletividade, no interesse desta, fez-se necessário criar e aperfeiçoar um sistema ju- rídico que fosse capaz de regrar e viabilizar a execução de tais funções, buscando atingir da melhor maneira possível o interesse público visado. A execução de funções exclusi- vamente administrativas constitui, assim, o objeto do Direi-to Administrativo, ramo do Direito Público. A função admi- nistrativa é toda atividade desenvolvida pela Administração (Estado) representando os interesses de terceiros, ou seja, os interesses da coletividade. Devido à natureza desses interesses, são conferidos à Administração direitos e obrigações que não se estendem aos particulares. Logo, a Administração encontra-se numa posição de superioridade em relação a estes. Se, por um lado, o Estado é uno, até mesmo por se legitimar na soberania popular; por outro lado, é necessá- ria a divisão de funções das atividades estatais de maneira equilibrada, o que se faz pela divisão de Poderes, a qual resta assegurada no artigo 2º da Constituição Federal. A função típica de administrar – gerir a coisa pública e aplicar a lei – é do Poder Executivo; cabendo ao Poder Legislativo a função típica de legislar e ao Poder Judiciário a função típica de julgar. Em situações específicas, será possível que no exercício de funções atípicas o Legislativo e o Judiciário exerçam administração. Destaca-se o artigo 41 do Código Civil: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I - a União; II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III - os Municípios; IV - as autarquias; V - as demais entidades de caráter público criadas por lei. Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pes- soas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estru- tura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. Nestes moldes, o Estado é pessoa jurídica de direito público interno. Mas há características peculiares distintivas que fazem com que afirmá-lo apenas como pessoa jurídicade direito público interno seja correto, mas não suficiente. Pela peculiaridade da função que desempenha, o Estado é verdadeira pessoa administrativa, eis que concentra para si o exercício das atividades de administração pública. 1 NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO A expressão pessoa administrativa também pode ser colocada em sentido estrito, segundo o qual seriam pes-soas administrativas aquelas pessoas jurídicas que inte-gram a administração pública sem dispor de autonomia política (capacidade de auto-organização). Em contraponto, pessoas políticas seriam as pessoas jurídicas de direito pú-blico interno – União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Princípios constitucionais expressos São princípios da administração pública, nesta ordem: Legalidade Impessoalidade Moralidade Publicidade Eficiência Para memorizar: veja que as iniciais das palavras for- mam o vocábulo LIMPE, que remete à limpeza esperada da Administração Pública. É de fundamental importância um olhar atento ao significado de cada um destes princípios, posto que eles estruturam todas as regras éticas prescritas no Código de Ética e na Lei de Improbidade Administrativa, tomando como base os ensinamentos de Carvalho Filho1 e Spitzcovsky2: a) Princípio da legalidade: Para o particular, legalidade significa a permissão de fazer tudo o que a lei não proíbe. Contudo, como a administração pública representa os inte-resses da coletividade, ela se sujeita a uma relação de subor-dinação, pela qual só poderá fazer o que a lei expressamen-te determina (assim, na esfera estatal, é preciso lei anterior editando a matéria para que seja preservado o princípio da legalidade). A origem deste princípio está na criação do Es-tado de Direito, no sentido de que o próprio Estado deve respeitar as leis que dita. b) Princípio da impessoalidade: Por força dos interes- ses que representa, a administração pública está proibida de promover discriminações gratuitas. Discriminar é tratar al- guém de forma diferente dos demais, privilegiando ou pre- judicando. Segundo este princípio, a administração pública deve tratar igualmente todos aqueles que se encontrem na mesma situação jurídica (princípio da isonomia ou igualda- de). Por exemplo, a licitação reflete a impessoalidade no que tange à contratação de serviços. O princípio da impessoali- dade correlaciona-se ao princípio da finalidade, pelo qual o alvo a ser alcançado pela administração pública é somente o interesse público. Com efeito, o interesse particular não pode influenciar no tratamento das pessoas, já que deve-se buscar somente a preservação do interesse coletivo. c) Princípio da moralidade: A posição deste princípio no artigo 37 da CF representa o reconhecimento de uma es- pécie de moralidade administrativa, intimamente relaciona- da ao poder público. A administração pública não atua como um particular, de modo que enquanto o descumprimento dos preceitos morais por parte deste particular não é pu- 1 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010. 2 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011. 2 nido pelo Direito (a priori), o ordenamento jurídico adota tratamento rigoroso do comportamento imoral por parte dos representantes do Estado. O princípio da moralidade deve se fazer presente não só para com os administrados, mas também no âmbito interno. Está indissociavelmente ligado à noção de bom administrador, que não somente deve ser conhecedor da lei, mas também dos princípios éti-cos regentes da função administrativa. TODO ATO IMORAL SERÁ DIRETAMENTE ILEGAL OU AO MENOS IMPESSOAL, daí a intrínseca ligação com os dois princípios anteriores. d) Princípio da publicidade: A administração pública é obrigada a manter transparência em relação a todos seus atos e a todas informações armazenadas nos seus ban-cos de dados. Daí a publicação em órgãos da imprensa e a afixação de portarias. Por exemplo, a própria expressão concurso público (art. 37, II, CF) remonta ao ideário de que todos devem tomar conhecimento do processo seletivo de servidores do Estado. Diante disso, como será visto, se ne-gar indevidamente a fornecer informações ao administrado caracteriza ato de improbidade administrativa. No mais, prevê o §1º do artigo 37, CF, evitando que o princípio da publicidade seja deturpado em propaganda político-eleitoral: Artigo 37, §1º, CF. A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servido- res públicos. Somente pela publicidade os indivíduos controlarão a legalidade e a eficiência dos atos administrativos. Os instrumentos para proteção são o direito de petição e as certidões (art. 5°, XXXIV, CF), além do habeas data e - resi- dualmente - do mandado de segurança. Neste viés, ainda, prevê o artigo 37, CF em seu §3º: Artigo 37, §3º, CF. A lei disciplinará as formas de par- ticipação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente: I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; III - a disciplina da representação contra o exercício ne- gligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na admi- nistração pública. e) Princípio da eficiência: A administração pública deve manter o ampliar a qualidade de seus serviços com controle de gastos. Isso envolve eficiência ao contratar pes-soas (o concurso público seleciona os mais qualificados ao exercício do cargo), ao manter tais pessoas em seus cargos (pois é possível exonerar um servidor público por ineficiên- NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO cia) e ao controlar gastos (limitando o teto de remunera- ção), por exemplo. O núcleo deste princípio é a procura por produtividade e economicidade. Alcança os serviços públicos e os serviços administrativos internos, se referindo diretamente à conduta dos agentes. Outros princípios administrativos Além destes cinco princípios administrativo-constitu- cionais diretamente selecionados pelo constituinte, podem ser apontados como princípios de natureza ética relaciona-dos à função pública a probidade e a motivação: a) Princípio da probidade: um princípio constitu- cional incluído dentro dos princípios específicos da licita- ção, é o dever de todo o administrador público, o dever de honestidade e fidelidade com o Estado, com a popu- lação, no desempenho de suas funções. Possui contornos mais definidos do que a moralidade. Diógenes Gasparini3 alerta que alguns autores tratam veem como distintos os princípios da moralidade e da probidade administrativa, mas não há características que permitam tratar os mesmos como procedimentos distintos, sendo no máximo possível afirmar que a probidade administrativa é um aspecto parti-cular da moralidade administrativa. b) Princípio da motivação: É a obrigação conferida ao administrador de motivar todos os atos que edita, ge- rais ou de efeitos concretos. É considerado, entre os demais princípios, um dos mais importantes, uma vez que sem a motivação não há o devido processo legal, uma vez que a fundamentação surge como meio interpretativo da decisão que levou à prática do ato impugnado, sendo verdadeiro meio de viabilização do controle da legalidade dos atos da Administração. Motivar significa mencionar o dispositivo legal aplicá-vel ao caso concreto e relacionar os fatos que concreta-mente levaram à aplicaçãonotícias, e-mails, etc. e) Os gêneros textuais, por adequarem-se às necessidades linguísticas dos falantes de acordo com as mudanças históricas e soci- http://www.portaldapropaganda.com.br/ Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 11 ais, são incontáveis, diferentemente do que acontece com os tipos textuais. Gabarito 1- B 2- E 3- C Gêneros textuais: São as espécies de textos efetivamente pro- duzidos em nosso cotidiano, cumprindo fun- ções em situações comunicativas e que apresentam características gerais comuns — como forma, estrutura linguística e as- sunto — facilmente identificáveis. Como exemplos de Gêneros textuais, temos: a carta pessoal, a lista de compras, os cartazes, o romance etc. Tipos textuais: São composições linguísticas que têm como característica a predominância de cer- tas estruturas sintáticas, tempos e modos verbais, classes gramaticais, combinações etc., de acordo com sua função e intenciona- lidade no interior do gênero textual. Se os gêneros textuais são inúmeros, a tipologia textual é limitada. São tipos tex- tuais: Narrativo, Descritivo, Argumentati- vo, Expositivo e Injuntivo. Disponível em: https://conhecimentoliteratura.com.br/genero- e-tipologia-textual/ Linguagem verbal é o uso da palavra ou da fala na comuni- cação. Ex: Artigo. Linguagem não verbal é o uso da imagem, símbolo, dança (...) na comunicação. Ex: semáforo. Linguagem mista: é a mistura da linguagem verbal com a lin- guagem não verbal. Ex: Gibi. 1- O artista gráfico polonês Pawla Kuczynskie- go nasceu em 1976 e recebeu diversos prê- mios por suas ilustrações. Nessa obra, ao abordar o trabalho infantil, Kuczynskiego usa sua arte para a) difundir a origem de marcantes diferenças sociais. b) estabelecer uma postura proativa da soci- edade. c) provocar a reflexão sobre essa realidade. https://conhecimentoliteratura.com.br/genero-e-tipologia-textual/ https://conhecimentoliteratura.com.br/genero-e-tipologia-textual/ Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 12 d) propor alternativas para solucionar esse problema. e) retratar como a questão é enfrentada em vários países do mundo. 2- Cartum de Caulos, disponível em www.caulos.com O cartum faz uma crítica social. A figura des- tacada está em oposição às outras e repre- senta a a) opressão das minorias sociais. b) carência de recursos tecnológicos. c) falta de liberdade de expressão. d) defesa da qualificação profissional. e) reação ao controle do pensamento coleti- vo 3- Sobre o cartum de Caulos, assinale a propo- sição correta: I. A linguagem verbal é desnecessária para o entendimento do texto; II. Linguagem verbal e não verbal são neces- sárias para a construção dos sentidos pre- tendidos pelo cartunista; III. O cartunista estabelece uma relação de intertextualidade com o poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade; IV. O cartum é uma crítica ao poema de Car- los Drummond de Andrade, já que o cartunis- ta considera o poeta pouco prático. a) Apenas I está correta. b) II e III estão corretas. http://www.caulos.com/ Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 13 c) I e IV estão corretas. d) II e IV estão corretas 4- Leia o trecho de Quincas Borba, de Ma- chado de Assis: E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição uni- versal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas1, soluços e sarabandas2, acaba por trazer à alma do mundo a varieda- de necessária, e faz-se o equilíbrio da vida. (Quincas Borba, 1992.) 1 polca: tipo de dança. 2 sarabanda: tipo de dança. De acordo com o narrador, a) os erros do passado não afetam o presente. b) a existência é marcada por antago- nismos. c) a sabedoria está em perseguir a fe- licidade. d) cada instante vivido deve ser feste- jado. e) os momentos felizes são mais raros que os tristes. Leia esse texto, mais uma crônica de Millôr Fernandes, e responda: Cão! Cão! Cão! Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou apenas que ele, amigo, viesse acompanhado de um cão. O cão não muito grande mas bastante forte, de raça indefini- da, saltitante e com um ar alegremente agressivo. Abriu a porta e cumprimentou o amigo, com toda efusão. "Quanto tempo!". O cão aproveitou as saudações, se embarafus- tou casa adentro e logo o barulho na cozinha demonstrava que ele tinha quebrado alguma coisa. O dono da casa encompridou um pouco as orelhas, o amigo visitante fez um ar de que a coisa não era com ele. "Ora, veja você, a última vez que nos vimos foi..." "Não, foi de- pois, na..." "E você, casou também?" O cão passou pela sala, o tempo passou pela con- versa, o cão entrou pelo quarto e novo baru- lho de coisa quebrada. Houve um sorriso amarelo por parte do dono da casa, mas per- feita indiferença por parte do visitante. "Quem morreu definitivamente foi o tio... você se lembra dele?" "Lembro, ora, era o que mais... não?" O cão saltou sobre um móvel, derrubou o abajur, logo trepou com as patas sujas no sofá (o tempo passando) e deixou lá as mar- cas digitais de sua animalidade. Os dois amigos, tensos, agora preferiam não tomar conhecimento do dogue. E, por fim, o visitan- te se foi. Se despediu, efusivo como chegara, e se foi. Se foi. Mas ainda ia indo, quando o dono da casa perguntou: "Não vai levar o seu cão?" "Cão? Cão? Cão? Ah, não! Não é meu, não. Quan- do eu entrei, ele entrou naturalmente comigo e eu pensei que fosse seu. Não é seu, não?" Moral: Quando notamos certos defeitos nos amigos, devemos sempre ter uma conversa esclarecedora. 5) Por que o amigo visitante não se manifes- tou ao perceber que o cão tinha partido algo na cozinha? 6- Por que os amigos estavam tensos? 7-O que significa “sorriso amarelo” e por que o dono sorriu dessa forma? 8-Quem é o dono do cão? 9-O que torna a crônica engraçada? Gabarito 1- C 2- E 3- B 4- B Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 14 5- Porque não se sentia à vontade para comentar o estrago feito pelo cão, que julgava ser do dono da casa. 6- Em decorrência dos estragos que o cão estava fazendo. 7- Significa um sorriso sem vontade ou falso. O dono sorriu assim porque não queria brigar com o amigo por causa do cão, mas estava perdendo a paci- ência com a situação. 8- Não sabemos. 9- O fato de os amigos não falarem so- bre o comportamento do cão porque cada um achava que o cão pertencia ao outro amigo e não queriam se de- sentender por conta disso. A variação linguística é um fenômeno natural que ocorre na diversificação dos sistemas de uma língua. Este fenômeno ocorre por vários motivos como região, sexo, idade... Variação não é considerada erro. Os tipos de variação são: Regional: abóbora e jerimum; Fonológica: “framengo” e Flamengo; Morfossintática: “vinte real”. Histórica: “vosmecê” para você; Social: “mano”, “mec”. A variedade linguística pode ser formal (usa- da em situações formais, como palestras), informal (usada em situações informais, co- mo conversas entre amigos). A gíria também é considerada uma variação linguística. 1- "Todas as variedades linguísticas são estruturadas e correspondem a siste- mas e subsistemas adequados às ne- cessidades de seus usuários. Mas o fato de estar a língua fortemente liga- da à estrutura social e aos sistemas de valores da sociedade conduz a uma avaliaçãodaquele dispositivo legal. Todos os atos administrativos devem ser motivados para que o Judiciário possa controlar o mérito do ato administrativo quanto à sua legalidade. Para efetuar esse controle, devem ser observados os motivos dos atos administrativos. Em relação à necessidade de motivação dos atos ad- ministrativos vinculados (aqueles em que a lei aponta um único comportamento possível) e dos atos discricionários (aqueles que a lei, dentro dos limites nela previstos, aponta um ou mais comportamentos possíveis, de acordo com um juízo de conveniência e oportunidade), a doutrina é unís-sona na determinação da obrigatoriedade de motivação com relação aos atos administrativos vinculados; todavia, diverge quanto à referida necessidade quanto aos atos dis-cricionários. Meirelles4 entende que o ato discricionário, editado sob os limites da Lei, confere ao administrador uma margem de liberdade para fazer um juízo de conveniência e oportuni- dade, não sendo necessária a motivação. No entanto, se houver tal fundamentação, o ato deverá condicionar-se a esta, em razão da necessidade de observância da Teoria 3 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004. 4 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1993. dos Motivos Determinantes. O entendimento majoritário da doutrina, porém, é de que, mesmo no ato discricionário, é necessária a motivação para que se saiba qual o caminho adotado pelo administrador. Gasparini5, com respaldo no art. 50 da Lei n. 9.784/98, aponta inclusive a superação de tais discussões doutrinárias, pois o referido artigo exige a motivação para todos os atos nele elencados, compreen-dendo entre estes, tanto os atos discricionários quanto os vinculados. c) Princípio da Continuidade dos Serviços Públicos: O Estado assumiu a prestação de determinados serviços, por considerar que estes são fundamentais à coletividade. Apesar de os prestar de forma descentralizada ou mesmo delegada, deve a Administração, até por uma questão de coerência, oferecê-los de forma contínua e ininterrupta. Pelo princípio da continuidade dos serviços públicos, o Es- tado é obrigado a não interromper a prestação dos ser- viços que disponibiliza. A respeito, tem-se o artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor: Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra for- ma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, con-tínuos. Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou parcial, das obrigações referidas neste artigo, serão as pes-soas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na forma prevista neste código. d) Princípios da Tutela e da Autotutela da Adminis- tração Pública: a Administração possui a faculdade de re-ver os seus atos, de forma a possibilitar a adequação destes à realidade fática em que atua, e declarar nulos os efeitos dos atos eivados de vícios quanto à legalidade. O sistema de controle dos atos da Administração adotado no Brasil é o jurisdicional. Esse sistema possibilita, de forma inexorável, ao Judiciário, a revisão das decisões tomadas no âmbito da Administração, no tocante à sua legalidade. É, portanto, denominado controle finalístico, ou de legalidade. À Administração, por conseguinte, cabe tanto a anu- lação dos atos ilegais como a revogação de atos válidos e eficazes, quando considerados inconvenientes ou ino- portunos aos fins buscados pela Administração. Essa for-ma de controle endógeno da Administração denomina-se princípio da autotutela. Ao Poder Judiciário cabe somente a anulação de atos reputados ilegais. O embasamento de tais condutas é pautado nas Súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal. Súmula 346. A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473. A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adqui- ridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 5 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004. 3 NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO Os atos administrativos podem ser extintos por revo- gação ou anulação. A Administração tem o poder de rever seus próprios atos, não apenas pela via da anulação, mas também pela da revogação. Aliás, não é possível revogar atos vinculados, mas apenas discricionários. A revogação se aplica nas situações de conveniência e oportunidade, quanto que a anulação serve para as situações de vício de legalidade. e) Princípios da Razoabilidade e Proporcionalida- de: Razoabilidade e proporcionalidade são fundamentos de caráter instrumental na solução de conflitos que se estabeleçam entre direitos, notadamente quando não há legislação infraconstitucional específica abordando a te- mática objeto de conflito. Neste sentido, quando o poder público toma determinada decisão administrativa deve se utilizar destes vetores para determinar se o ato é correto ou não, se está atingindo indevidamente uma esfera de direitos ou se é regular. Tanto a razoabilidade quanto a proporcionalidade servem para evitar interpretações es- drúxulas manifestamente contrárias às finalidades do texto declaratório. Razoabilidade e proporcionalidade guardam, assim, a mesma finalidade, mas se distinguem em alguns pontos. Historicamente, a razoabilidade se desenvolveu no direito anglo-saxônico, ao passo que a proporcionalidade se ori- gina do direito germânico (muito mais metódico, objetivo e organizado), muito embora uma tenha buscado inspi- ração na outra certas vezes. Por conta de sua origem, a proporcionalidade tem parâmetros mais claros nos quais pode ser trabalhada, enquanto a razoabilidade permite um processo interpretativo mais livre. Evidencia-se o maior sentido jurídico e o evidente caráter delimitado da pro-porcionalidade pela adoção em doutrina de sua divisão clássica em 3 sentidos: - adequação, pertinência ou idoneidade: significa que o meio escolhido é de fato capaz de atingir o objetivo pre-tendido; - necessidade ou exigibilidade: a adoção da medida restritiva de um direito humano ou fundamental somente é legítima se indispensável na situação em concreto e se não for possível outra solução menos gravosa; - proporcionalidade em sentido estrito: tem o sentido de máxima efetividade e mínima restrição a ser guardado com relação a cada ato jurídico que recaia sobre um direi- to humano ou fundamental, notadamente verificando se há uma proporção adequada entre os meios utilizados e os fins desejados. f) Supremacia do interesse público sobre o priva- do: Na maioria das vezes, a Administração, para buscar de maneira eficaz tais interesses, necessita ainda de se colocar em um patamar de superioridade em relação aos particulares, numa relação de verticalidade, e para isto se utiliza do princípio da supremacia, conjugado ao princípio da indisponibilidade, pois, tecnicamente, tal prerrogativa é irrenunciável, por não haver faculdade de atuação ou não do Poder Público, mas sim “dever” de atuação. 4 Sempre que houver conflito entre um interesse indi- vidual e um interesse público coletivo, deve prevalecer o interesse público. São as prerrogativas conferidas à Admi- nistração Pública, porque esta atua por conta de tal interes-se. Com efeito, o exame do princípio é predominantemente feito no caso concreto, analisando a situação de conflito entre o particular e o interesse público e mensurando qual deve prevalecer. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA UNIÃO; ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA. Centralização, descentralização, concentração e desconcentração Em linhasgerais, descentralização significa transferir a execução de um serviço público para terceiros que não se confundem com a Administração direta; centralização significa situar na Administração direta atividades que, em tese, poderiam ser exercidas por entidades de fora dela; desconcentração significa transferir a execução de um ser- viço público de um órgão para o outro dentro da própria Administração; concentração significa manter a execução central ao chefe do Executivo em vez de atribui-la a outra autoridade da Administração direta. Passemos a esmiuçar estes conceitos: Desconcentração implica no exercício, pelo chefe do Executivo, do poder de delegar certas atribuições que são de sua competência privativa. Neste sentido, o previsto na CF: Artigo 84, parágrafo único, CF. O Presidente da Repúbli-ca poderá delegar as atribuições mencionadas nos inci-sos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações. Neste sentido: Artigo 84, VI, CF. dispor, mediante decreto, sobre: a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; Artigo 84, XII, CF. conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei; Artigo 84, XXV, CF. prover e extinguir os cargos pú- blicos federais, na forma da lei; (apenas o provimento é delegável, não a extinção) Com efeito, o chefe do Poder Executivo federal tem op- ções de delegar parte de suas atribuições privativas para os Ministros de Estado, o Procurador-Geral da República ou o Advogado-Geral da União. O Presidente irá delegar NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO com relação de hierarquia cada uma destas essencialida- des dentro da estrutura organizada do Estado. Reforça-se, desconcentrar significa delegar com hierarquia, pois há uma relação de subordinação dentro de uma estrutura centralizada, isto é, os Ministros de Estado, o Procurador-- Geral da República e o Advogado-Geral da União respon- dem diretamente ao Presidente da República e, por isso, não possuem plena discricionariedade na prática dos atos administrativos que lhe foram delegados. Concentrar, ao inverso, significa exercer atribuições privativas da Administração pública direta no âmbito mais central possível, isto é, diretamente pelo chefe do Poder Executivo, seja porque não são atribuições delegáveis, seja porque se optou por não delegar. Artigo 84, CF. Compete privativamente ao Presidente da República: I - nomear e exonerar os Ministros de Estado; II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a di- reção superior da administração federal; III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição; IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente; VI - dispor, mediante decreto, sobre: a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos; VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos; VIII - celebrar tratados, convenções e atos interna- cionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional; IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio; X - decretar e executar a intervenção federal; XI - remeter mensagem e plano de governo ao Con- gresso Nacional por ocasião da abertura da sessão legislati-va, expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias; XII - conceder indulto e comutar penas, com audiên- cia, se necessário, dos órgãos instituídos em lei; XIII - exercer o comando supremo das Forças Arma- das, nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-- los para os cargos que lhes são privativos; XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procura-dor- Geral da República, o presidente e os diretores do ban-co central e outros servidores, quando determinado em lei; XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Minis- tros do Tribunal de Contas da União; XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral da União; XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII; XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional; XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobi-lização nacional; XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional; XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas; XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente; XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano pluria- nual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as pro-postas de orçamento previstos nesta Constituição; XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior; XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei; XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62; XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição. Descentralizar envolve a delegação de interesses es- tatais para fora da estrutura da Administração direta, o que é possível porque não se refere a essencialidades, ou seja, a atos administrativos que somente possam ser praticados pela Administração direta porque se referem a interesses estatais diversos previstos ou não na CF. Descentralizar é uma delegação sem relação de hierarquia, pois é uma delegação de um ente para outro (não há subordinação nem mesmo quanto ao chefe do Executivo, há apenas uma espécie de tutela ou supervisão por parte dos Ministérios – se trata de vínculo e não de subordinação). Basicamente, se está diante de um conjunto de pessoas jurídicas estatais criadas ou autorizadas por lei para presta- rem serviços de interesse do Estado. Possuem patrimônio próprio e são unidades orçamentárias autônomas. Ainda, exercem em nome próprio direitos e obrigações, respon- dendo pessoalmente por seus atos e danos. Existem duas formas pelas quais o Estado pode efetuar a descentralização administrativa: outorga e delegação. A outorga se dá quando o Estado cria uma entidade e a ela transfere, através de previsão em lei, determinado serviço público e é conferida, em regra, por prazo indeter-minado. Isso é o que acontece quanto às entidades da Ad-ministração Indireta prestadoras de serviços públicos. Nes-te sentido, o Estado descentraliza a prestação dos serviços, outorgando-os a outras entidades criadas para prestá-los, as quais podem tomar a forma de autarquias, empresas pú-blicas, sociedades de economia mista e fundações públicas. A delegação ocorre quando o Estado transfere, por contrato ou ato unilateral, apenas a execução do serviço, para que o ente delegado o preste ao público em seu pró-prio nome e por sua conta e risco, sob fiscalização do Esta-do. A delegação é geralmente efetivada por prazo determi- 5 NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO nado. Ela se dá, por exemplo, nos contratos de concessão ou nos atos de permissão, pelos quais o Estadotransfere aos concessionários e aos permissionários apenas a execu-ção temporária de determinado serviço. Centralizar envolve manter na estrutura da Adminis- tração direta o desempenho de funções administrativas de interesses não essenciais do Estado, que poderiam ser atribuídos a entes de fora da Administração por outorga ou delegação. Administração Pública Direta Administração Pública direta é aquela formada pelos entes integrantes da federação e seus respectivos órgãos. Os entes políticos são a União, os Estados, o Distrito Fe- deral e os Municípios. À exceção da União, que é dotada de soberania, todos os demais são dotados de autonomia. Dispõe o Decreto nº 200/1967: Art. 4° A Administração Federal compreende: I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. A administração direta é formada por um conjunto de núcleos de competências administrativas, os quais já fo- ram tidos como representantes do poder central (teoria da representação) e como mandatários do poder central (teoria do mandato). Hoje, adota-se a teoria do órgão, de Otto Giërke, segundo a qual os órgãos são apenas núcleos administrativos criados e extintos exclusivamente por lei, mas que podem ser organizados por decretos au- tônomos do Executivo (art. 84, VI, CF), sendo desprovidos de personalidade jurídica própria. Assim, os órgãos da Administração direta não pos- suem patrimônio próprio; e não assumem obrigações em nome próprio e nem direitos em nome próprio (não po- dem ser autor nem réu em ações judiciais, exceto para fins de mandado de segurança – tanto como impetrante como quanto impetrado). Já que não possuem personalidade, atuam apenas no cumprimento da lei, não atuando por vontade própria. Logo, órgãos e agentes públicos são im- pessoais quando agem no estrito cumprimento de seus deveres, não respondendo diretamente por seus atos e danos. Esta impossibilidade de se imputar diretamente a res- ponsabilidade a agentes públicos ou órgãos públicos que estejam exercendo atribuições da Administração direta é denominada teoria da imputação objetiva, de Otto Giër- ke, que institui o princípio da impessoalidade. Quanto se faz desconcentração da autoridade central – chefe do Executivo – para os seus órgãos, se depara com diversos níveis de órgãos, que podem ser classificados em simples ou complexos (simples se possuem apenas uma estrutura administrativa, complexos se possuem uma rede de estruturas administrativas) e em unitários ou colegia-dos (unitário se o poder de decisão se concentra em uma pessoa, colegiado se as decisões são tomadas em conjun-to e prevalece a vontade da maioria): 6 a) Órgãos independentes – encabeçam o poder ou es- trutura do Estado, gozando de independência para agir e não se submetendo a outros órgãos. Cabe a eles definir as políticas que serão implementadas. É o caso da Presidên- cia da República, órgão complexo composto pelo gabinete, pela Advocacia-Geral da União, pelo Conselho da Repúbli-ca, pelo Conselho de Defesa, e unitário (pois o Presidente da República é o único que toma as decisões). b) Órgãos autônomos – estão no primeiro escalão do poder, com autonomia funcional, porém subordinados po-liticamente aos independentes. É o caso de todos os minis-térios de Estado. c) Órgãos superiores – são desprovidos de autonomia ou independência, sendo plenamente vinculados aos ór-gãos autônomos. Ex.: Delegacia Regional do Trabalho, vin-culada ao Ministério do Trabalho e Emprego; Departamen-to da Polícia Federal, vinculado ao Ministério da Justiça. d) Órgãos subalternos – são vinculados a todos acima deles com plena subordinação administrativa. Ex.: órgãos que executam trabalho de campo, policiais federais, fiscais do MTE. ATENÇÃO: O Ministério Público, os Tribunais de Contas e as Defensorias Públicas não se encaixam nesta estrutura, sendo órgãos independentes constitucionais. Em verdade, para Canotilho e outros constitucionalistas, estes órgãos não pertencem nem mesmo aos três poderes. Conforme Carvalho Filho6, “a noção de Estado, como visto, não pode abstrair-se da de pessoa jurídica. O Es-tado, na verdade, é considerado um ente personalizado, seja no âmbito internacional, seja internamente. Quando se trata de Federação, vigora o pluripersonalismo, porque além da pessoa jurídica central existem outras internas que compõem o sistema político. Sendo uma pessoa jurídica, o Estado manifesta sua vontade através de seus agentes, ou seja, as pessoas físicas que pertencem a seus quadros. Entre a pessoa jurídica em si e os agentes, compõe o Esta-do um grande número de repartições internas, necessárias à sua organização, tão grande é a extensão que alcança e tamanha as atividades a seu cargo. Tais repartições é que constituem os órgãos públicos”. “Várias teorias surgiram para explicar as relações do Estado, pessoa jurídica, com suas agentes: Pela teoria do mandato, o agente público é mandatário da pessoa jurí-dica; a teoria foi criticada por não explicar como o Estado, que não tem vontade própria, pode outorgar o mandato”7. A origem desta teoria está no direito privado, não tendo como prosperar porque o Estado não pode outorgar man-dato a alguém, afinal, não tem vontade própria. Num momento seguinte, adotou-se a teoria da repre- sentação: “Posteriormente houve a substituição dessa con- cepção pela teoria da representação, pela qual a vontade dos agentes, em virtude de lei, exprimiria a vontade do Es- tado, como ocorre na tutela ou na curatela, figuras jurídicas 6 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen ju-ris, 2010. 7 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Admi- nistrativo. 23. ed. São Paulo: Atlas editora, 2010. NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO que apontam para representantes dos incapazes. Ocorre que essa teoria, além de equiparar o Estado, pessoa jurí-dica, ao incapaz (sendo que o Estado é pessoa jurídica do-tada de capacidade plena), não foi suficiente para alicerçar um regime de responsabilização da pessoa jurídica perante terceiros prejudicados nas circunstâncias em que o agente ultrapassasse os poderes da representação”8. Criticou-se a teoria porque o Estado estaria sendo visto como um su-jeito incapaz, ou seja, uma pessoa que não tem condições plenas de manifestar, de falar, de resolver pendências; bem como porque se o representante estatal exorbitasse seus poderes, o Estado não poderia ser responsabilizado. Finalmente, adota-se a teoria do órgão, de Otto Giër- ke, segundo a qual os órgãos são apenas núcleos adminis- trativos criados e extintos exclusivamente por lei, mas que podem ser organizados por decretos autônomos do Exe- cutivo (art. 84, VI, CF), sendo desprovidos de personalidade jurídica própria. Com efeito, o Estado brasileiro responde pelos atos que seus agentes praticam, mesmo se estes atos extrapolam das atribuições estatais conferidas, sendo-lhe assegurado o intocável e assustador direito de regresso. Apresenta-se a classificação dos órgãos: a) Quanto à pessoa federativa: federais, estaduais, dis- tritais e municipais. b) Quanto à situação estrutural: os diretivos, que são aqueles que detêm condição de comando e de direção, e os subordinados, incumbidos das funções rotineiras de execução. c) Quanto à composição: singulares, quando integra- dos em um só agente, e os coletivos, quando compostos por vários agentes. d) Quanto à esfera de ação: centrais, que exercem atri- buições em todo o território nacional, estadual, distrital e municipal, e os locais, que atuam em parte do território. e) Quanto à posição estatal: são os que representam os poderes do Estado – o Executivo, o Legislativo e o Ju- diciário. f) Quanto à estrutura: simples ou unitários e compos- tos. Os órgãos compostossão constituídos por vários ou- tros órgãos. Administração indireta A Administração Pública indireta pode ser definida como um grupo de pessoas jurídicas de direito público ou privado, criadas ou instituídas a partir de lei específica, que atuam paralelamente à Administração direta na prestação de serviços públicos ou na exploração de atividades eco-nômicas. “Enquanto a Administração Direta é composta de ór- gãos internos do Estado, a Administração Indireta se com- põe de pessoas jurídicas, também denominadas de entida- des”9. Em que pese haver entendimento diverso registrado 8 NOHARA, Irene Patrícia. Direito Administrativo – esquematizado, completo, atualizado, temas polêmicos, conteúdo dos principais concursos públicos. 3. ed. São Paulo: Atlas editora, 2013. 9 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen ju-ris, 2010. em nossa doutrina, integram a Administração indireta do Estado quatro espécies de pessoa jurídica, a saber: as Au- tarquias, as Fundações, as Sociedades de Economia Mista e as Empresas Públicas. Dispõe o Decreto nº 200/1967: Art. 4° A Administração Federal compreende: II - A Administração Indireta, que compreende as se- guintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Ao lado destas, podemos encontrar ainda entes que prestam serviços públicos por delegação, embora não inte-grem os quadros da Administração, quais sejam, os permis-sionários, os concessionários e os autorizados. Essas quatro pessoas integrantes da Administração indireta serão criadas para a prestação de serviços públi- cos ou, ainda, para a exploração de atividades econômicas, como no caso das empresas públicas e sociedades de eco-nomia mista, e atuam com o objetivo de aumentar o grau de especialidade e eficiência da prestação do serviço públi-co ou, quando exploradoras de atividades econômicas, vi-sando atender a relevante interesse coletivo e imperativos da segurança nacional. Com efeito, de acordo com as regras constantes do artigo 173 da Constituição Federal, o Poder Público só po- derá explorar atividade econômica a título de exceção, em duas situações, conforme se colhe do caput do referido ar-tigo, a seguir reproduzido: Artigo 173. Ressalvados os casos previstos nesta Cons- tituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos de segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, con- forme definidos em lei. Cumpre esclarecer que, de acordo com as regras cons-titucionais e em razão dos fins desejados pelo Estado, ao Poder Público não cumpre produzir lucro, tarefa esta de-ferida ao setor privado. Assim, apenas explora atividades econômicas nas situações indicadas no artigo 173 do Texto Constitucional. Quando atuar na economia, concorre em grau de igualdade com os particulares, e sob o regime do artigo 170 da Constituição, inclusive quanto à livre concor-rência, submetendo-se ainda a todas as obrigações cons-tantes do regime jurídico de direito privado, inclusive no tocante às obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tri-butárias. Autarquias Conceitua-se no artigo 5º do Decreto nº 200/1967: I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão admi- nistrativa e financeira descentralizada. 7 NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO As autarquias são pessoas jurídicas de direito público, de natureza administrativa, criadas para a execução de ser-viços tipicamente públicos, antes prestados pelas entida-des estatais que as criam. Por serviços tipicamente públicos entenda-se aqueles sem fins lucrativos criados por lei e co-mum monopólio do Estado. “O termo autarquia significa autogoverno ou governo próprio, mas no direito positivo perdeu essa noção semân- tica para ter o sentido de pessoa jurídica administrativa com relativa capacidade de gestão dos interesses a seu cargo, embora sob controle do Estado, de onde se originou. Na verdade, até mesmo em relação a esse sentido, o termo está ultrapassado e não mais reflete uma noção exata do institu- to. [...] Pode-se conceituar autarquia como a pessoa jurídi-ca de direito público, integrante da Administração Indireta, criada por lei para desempenhar funções que, despidas de caráter econômico, sejam próprias e típicas do Estado”10. Logo, as autarquias são regidas integralmente pelo regime jurídico de direito público, podendo, tão-somente, ser prestadoras de serviços públicos, contando com capi- tal oriundo da Administração direta. O Código Civil, em seu artigo 41, IV, as coloca como pessoas jurídicas de direito público, embora exista controvérsia na doutrina. Carvalho Filho11 classifica quanto ao regime jurídico: “a) autarquias comuns (ou de regime comum); b) autarquias especiais (ou de regime especial). Segundo a própria termi- nologia, é fácil distingui-las: as primeiras estariam sujeitas a uma disciplina jurídica sem qualquer especificidade, ao pas- so que as últimas seriam regidas por disciplina específica, cuja característica seria a de atribuir prerrogativas especiais e diferenciadas a certas autarquias”. São exemplos de au- tarquias especiais aquelas criadas para serviços especiais, como autarquias de ensino (ex.: USP) e autarquias de fisca- lização (ex.: CRM e CREA). A título de exemplo, citamos as seguintes autarquias: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), Conselho Admi- nistrativo de Defesa Econômica (CADE), Departamento na- cional de Registro do Comércio (DNRC), Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ban- co Central do Brasil (Bacen). Ainda sobra as autarquias: Contam com patrimônio próprio, constituído a partir de transferência pela entidade estatal a que se vinculam, por-tanto, capital exclusivamente público. São dotadas, ainda, de autonomia financeira, planejan-do seus gastos e compromissos a cada exercício. A proposta orçamentária é encaminhada anualmente ao chefe do Exe-cutivo, que a inclui no orçamento fiscal da lei orçamentária anual. A própria autarquia presta contas diretamente ao Tribunal de Contas. 10 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen ju-ris, 2010. 11 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen ju-ris, 2010. 8 Podem pagar aos seus credores por meio de precató- rios e requisição de pequeno valor, tal como a Administra- ção direta. Podem emitir sozinhas certidão de dívida ativa de seus devedores. Gozam de imunidade tributária recíproca em relação a todas unidades da federação. A elas se conferem as mesmas prerrogativas proces-suais que à Fazenda Pública, inclusive prazo em dobro para contestar e recorrer, além de reexame necessário da causa em situações de condenação acima de certos valores. Todas autarquias devem ser criadas, organizadas e ex- tintas por lei, que podem ser complementadas por atos do Executivo, notadamente Decretos. As autarquias podem ser federais, estaduais, distritais e municipais, contudo não podem ser interestaduais ou inter-municipais (não é permitida a associação de unidades fede-rativas para a criação de autarquias). Devem executar atividades típicas do direito público e, notadamente, serviços públicos de natureza social e ativida-des administrativas, com a exclusão dos serviços e ativida-des de cunho econômico e mercantil. O patrimônioda autarquia é formado por bens públi- cos, razão pela qual seu patrimônio se sujeita às mesmas regras aplicáveis aos bens públicos em geral, inclusive no que se refere à impenhorabilidade e à impossibilidade de oneração e de usucapião. Os agentes públicos das autarquias são concursados e estatutários, logo, se sujeitam a estatuto próprio e não à CLT. Já os dirigentes não precisam ser concursados e são nomeados e destituídos livremente pelo chefe do Executivo. Agências reguladoras São figuras muito recentes em nosso ordenamento ju-rídico. Possuem natureza jurídica de autarquias de regime especial, são pessoas jurídicas de Direito Público com ca-pacidade administrativa, aplicando-se a elas todas as regras das autarquias. O dirigente é nomeado pelo chefe do Executivo, mas a nomeação se sujeita à aprovação do legislativo, que se baseia nos critérios de conhecimento. Uma vez nomeado, o dirigente passa a gozar de mandato com prazo determi- nado e só pode ser destituído por processo com decisão motivada. Possuem como objetivo regular e fiscalizar a execução de serviços públicos. Elas não executam o serviço propria- mente, elas o fiscalizam. Logo, são entidades com típica função de controle da prestação dos serviços públicos e do exercício de atividades econômicas, evitando a prática de abusos por parte de entidades do setor privado. São titulares da matéria técnica que regulam, de modo que somente elas podem disciplinar as regras e padrões técnicos desta determinada seara. No exercício de seus poderes, compete a elas: fiscalizar o cumprimento de contratos de concessões e o atingimento de metas neles fixadas, fiscalizar e controlar o atendimento a consumidores e usuários (inclusive recebendo e proces- sando denúncias e reclamações, aplicando penas adminis- trativas e multas, bem como rescindindo contratos), definir política tarifária e reajustá-la. NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO Entre as agências reguladoras inseridas no ordena- mento brasileiro, destacam-se: ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, criada pela Lei nº 9.427/1996; a ANA- TEL – Agência Nacional de Telecomunicações, pela Lei nº 9.472/1997; e a ANP – Agência Nacional do Petróleo, pela Lei nº 9.478/1997. Agências executivas Agência executiva é a qualificação conferida a autar- quia, fundação pública ou órgão da administração direta que celebra contrato de gestão com o próprio ente polí- tico com o qual está vinculado. As agências executivas se distinguem das agências reguladoras por não terem como objetivo principal o de exercer controle sobre particulares que prestam serviços públicos, que é o objetivo fundamen-tal das agências reguladoras. Assim, a expressão “agências executivas” corresponde a um título ou qualificação atribuí-da à autarquia ou a fundações públicas cujo objetivo seja exercer atividade estatal. Fundações públicas Conceitua-se no artigo 5º do Decreto nº 200/1967: IV - Fundação Pública - a entidade dotada de persona- lidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvi- mento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de dire-ção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes. As Fundações são pessoas jurídicas compostas por um patrimônio personalizado, destacado pelo seu instituidor para atingir uma finalidade específica, denominadas, em latim, universitas bonorum. Entre estas finalidades, desta-cam-se as de escopo religioso, moral, cultural ou de assis-tência. Essa definição serve para qualquer fundação, inclusive para aquelas que não integram a Administração indireta (não-governamentais). No caso das fundações que inte-gram a Administração indireta (governamentais), quando forem dotadas de personalidade de direito público, serão regidas integralmente por regras de direito público. Quan-do forem dotadas de personalidade de direito privado, se-rão regidas por regras de direito público e direito privado. Quando as fundações são criadas pelo Estado são co- nhecidas como fundações públicas, ou autarquias funda- cionais ou fundações autárquicas. O estatuto da fundação, no caso, terá a forma de lei, cujo escopo será criar e orga- nizar a fundação. As fundações públicas são regulamenta- das por lei complementar. Sendo fundações públicas que adotam regime jurídico de direito público, se equiparam às autarquias e se sujeitam às mesmas regras que elas. Obs.: é possível que a lei autorize (não crie) uma fun- dação pública que adote regime jurídico de direito privado, ou então um regime misto, caso em que seus servidores poderão se sujeitar à CLT, seu patrimônio não será exclu-sivamente oriundo de verbas estatais. A lei autorizadora deve ser expressa neste sentido. Empresas públicas Conceitua-se no artigo 5º do Decreto nº 200/1967: II - Empresa Pública - a entidade dotada de persona- lidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criado por lei para a explora- ção de atividade econômica que o Governo seja levado a exercer por força de contingência ou de conveniência ad- ministrativa podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. Empresas públicas são pessoas jurídicas de Direito Privado, criadas para a prestação de serviços públicos ou para a exploração de atividades econômicas, que contam com capital exclusivamente público, e são constituídas por qualquer modalidade empresarial, após autorização legislativa do ente federativo criador. Sendo a empresa pública uma prestadora de servi-ços públicos, estará submetida a regime jurídico público, ainda que constituída segundo o modelo imposto pelo Direito Privado. Se a empresa pública é exploradora de atividade econômica, estará submetida a regime jurídi-co denominado pela doutrina como semipúblico, ante a necessidade de observância, ao menos em suas relações com os administrados, das regras atinentes ao regime da Administração, a exemplo dos princípios expressos no “caput” do artigo 37 da Constituição Federal. Podemos citar, a título de exemplo, algumas empre- sas públicas, nas mais variadas esferas de governo, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e So- cial (BNDES); a Empresa Municipal de Urbanização de São Paulo (EMURB); a Empresa Brasileira de Correios e Telé- grafos (ECT); a Caixa Econômica Federal (CEF). Estas empresas públicas se caracterizam e se diferen- ciam das sociedades de economia mista por: não possuí- rem fins lucrativos (o capital excedente não se transforma em lucro, é reinvestido na própria empresa), podem ado- tar perfis empresariais diversos (LTDA, comandita, nome coletivo, S/A), o capital social é formado por recursos pú- blicos e só admite sócios públicos (pode ter apenas um sócio – unipessoalidade originária ou inicial). Sociedades de economia mista Conceitua-se no artigo 5º do Decreto nº 200/1967: III - Sociedade de Economia Mista - a entidade do-tada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade da Administração Indireta. As sociedades de economia mista são pessoas jurídi- cas de Direito Privado criadas para a prestação de servi- ços públicos ou para a exploração de atividade econômi- ca, contando com capital misto e constituídas somente sob a forma empresarial de S/A. 9 NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO Por capital misto, entenda-se que não é apenas o Es- tado que participa dela, existem acionistas a ela vincula-dos. Entretanto, o Estado deve ser o acionista controlador do direito a voto, mesmo que não seja o acionista majoritá-rio (se o Estadofor sócio, mas não for controlador, trata-se de empresa comum, não sociedade de economia mista). Alguns exemplos de sociedade mista: - Exploradoras de atividade econômica: Banco do Brasil e Banespa. - Prestadora de serviços públicos: Petrobrás, Sabesp, Metrô e CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habita- cional Urbano). Estas sociedades de economia mista se caracterizam e se diferenciam das empresas públicas por: possuírem fins lucrativos (os lucros são distribuídos entre os acionistas), adotam o perfil de sociedade anônima S/A, o capital social é formado por recursos públicos e privados, os sócios são privados e públicos (Estado). Empresas públicas e sociedades de economia mista: semelhanças Embora a Constituição Federal reserve a atividade eco-nômica à iniciativa privada, resguardando ao Estado os pa-péis de integração (integrar o Brasil na economia global), regulação (definindo regras e limites na exploração da ati-vidade econômica por particulares) e intervenção (fixação de regras e normas para combater o abuso do poder eco-nômico) (conforme artigos 173 e seguintes, CF), autoriza-se excepcionalmente que o Estado explore diretamente atividades econômicas se houver um relevante interesse em matérias (serviços públicos em geral) ou atividades de soberania. Quando está autorizado a fazê-lo, somente atua por meio de sociedades de economia mista e empresas pú- blicas. Tais empresas são regidas por regime jurídico de direito privado, o que evita que o próprio Estado possa abusar do poder econômico. Logo, o Estado não pode dar às suas próprias empresas benefícios previdenciários, tri- butários e trabalhistas. Além disso, em termos processuais, não gozam das prerrogativas que as autarquias gozam. ATENÇÃO: o impedimento de prerrogativas somente se aplica quando o Estado está explorando atividade eco- nômica propriamente dita, não quando está ofertando ser- viços públicos. Afinal, se o serviço é público, então o Estado pode sobre ele exercer monopólio, o que afasta a necessi- dade de regras que impeçam o abuso do poder econômi-co. Por exemplo, os Correios são uma empresa pública e possuem isenção fiscal e impenhorabilidade de bens. Tanto as empresas públicas quanto as sociedades de economia mista são criadas por lei e a existência delas deve ser fundada em contrato ou estatuto. Ambas se sujeitam, ainda, ao regime jurídico de direito privado. Inclusive, seus bens são, a princípio, penhoráveis (exceto se for prestadora de serviço público e não exploradora de atividade econô- mica). No entanto, não se sujeitam à falência ou à recupe- ração judicial (art. 2º, Lei nº 11.101/2005). Contudo, devem obedecer ao núcleo obrigatório mí- nimo: licitar (exceto no que tange à prestação da ativida-de- fim), concursar (os agentes se sujeitam ao regime da CLT, são celetistas e não estatutários, mas são contratados 10 mediante concurso público de provas ou provas e títulos), prestar contas ao Tribunal de Contas e obedecer ao teto de remuneração (exceto no caso de sociedade de economia mista que subsista sem qualquer auxílio do governo, ape-nas com seus lucros). LEI Nº 11.107, DE 6 DE ABRIL DE 2005. Dispõe sobre normas gerais de contratação de consór- cios públicos e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Con- gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Esta Lei dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de interes-se comum e dá outras providências. § 1º O consórcio público constituirá associação pública ou pessoa jurídica de direito privado. § 2º A União somente participará de consórcios pú- blicos em que também façam parte todos os Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorcia- dos. § 3º Os consórcios públicos, na área de saúde, deverão obedecer aos princípios, diretrizes e normas que regulam o Sistema Único de Saúde – SUS. Art. 2º Os objetivos dos consórcios públicos serão de- terminados pelos entes da Federação que se consorciarem, observados os limites constitucionais. § 1º Para o cumprimento de seus objetivos, o consórcio público poderá: I – firmar convênios, contratos, acordos de qualquer na- tureza, receber auxílios, contribuições e subvenções sociais ou econômicas de outras entidades e órgãos do governo; II – nos termos do contrato de consórcio de direito pú- blico, promover desapropriações e instituir servidões nos ter-mos de declaração de utilidade ou necessidade pública, ou interesse social, realizada pelo Poder Público; e III – ser contratado pela administração direta ou indireta dos entes da Federação consorciados, dispensada a licitação. § 2º Os consórcios públicos poderão emitir documen-tos de cobrança e exercer atividades de arrecadação de ta-rifas e outros preços públicos pela prestação de serviços ou pelo uso ou outorga de uso de bens públicos por eles administrados ou, mediante autorização específica, pelo ente da Federação consorciado. § 3º Os consórcios públicos poderão outorgar conces- são, permissão ou autorização de obras ou serviços públi- cos mediante autorização prevista no contrato de consór- cio público, que deverá indicar de forma específica o objeto da concessão, permissão ou autorização e as condições a que deverá atender, observada a legislação de normas ge-rais em vigor. Art. 3º O consórcio público será constituído por contrato cuja celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções. NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO Art. 4º São cláusulas necessárias do protocolo de inten- ções as que estabeleçam: I – a denominação, a finalidade, o prazo de duração e a sede do consórcio; II – a identificação dos entes da Federação consorciados; III – a indicação da área de atuação do consórcio; IV – a previsão de que o consórcio público é associação pú- blica ou pessoa jurídica de direito privado sem fins econômicos; V – os critérios para, em assuntos de interesse comum, autorizar o consórcio público a representar os entes da Fede- ração consorciados perante outras esferas de governo; VI – as normas de convocação e funcionamento da as- sembléia geral, inclusive para a elaboração, aprovação e mo-dificação dos estatutos do consórcio público; VII – a previsão de que a assembléia geral é a instância máxima do consórcio público e o número de votos para as suas deliberações; VIII – a forma de eleição e a duração do mandato do re-presentante legal do consórcio público que, obrigatoriamen-te, deverá ser Chefe do Poder Executivo de ente da Federação consorciado; IX – o número, as formas de provimento e a remuneração dos empregados públicos, bem como os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade tempo-rária de excepcional interesse público; X – as condições para que o consórcio público celebre contrato de gestão ou termo de parceria; XI – a autorização para a gestão associada de serviços públicos, explicitando: a) as competências cujo exercício se transferiu ao con- sórcio público; b) os serviços públicos objeto da gestão associada e a área em que serão prestados; c) a autorização para licitar ou outorgar concessão, per-missão ou autorização da prestação dos serviços; d) as condições a que deve obedecer o contrato de pro- grama, no caso de a gestão associada envolver também a prestação de serviços por órgão ou entidade de um dos entes da Federação consorciados; e) os critérios técnicos para cálculo do valor das tarifas e de outros preços públicos, bem como para seu reajuste ou revisão; e XII – o direito de qualquer dos contratantes, quando adimplente com suas obrigações, de exigir o pleno cumpri- mento das cláusulas do contrato de consórcio público. § 1º Para os fins do inciso III do caput deste artigo, con-sidera-se como área de atuaçãodo consórcio público, inde-pendentemente de figurar a União como consorciada, a que corresponde à soma dos territórios: I – dos Municípios, quando o consórcio público for consti-tuído somente por Municípios ou por um Estado e Municípios com territórios nele contidos; II – dos Estados ou dos Estados e do Distrito Federal, quando o consórcio público for, respectivamente, constituído por mais de 1 (um) Estado ou por 1 (um) ou mais Estados e o Distrito Federal; III – (VETADO) IV – dos Municípios e do Distrito Federal, quando o con- sórcio for constituído pelo Distrito Federal e os Municípios; e V – (VETADO) § 2º O protocolo de intenções deve definir o número de votos que cada ente da Federação consorciado possui na assembleia geral, sendo assegurado 1 (um) voto a cada ente consorciado. § 3º É nula a cláusula do contrato de consórcio que preveja determinadas contribuições financeiras ou econô- micas de ente da Federação ao consórcio público, salvo a doação, destinação ou cessão do uso de bens móveis ou imóveis e as transferências ou cessões de direitos operadas por força de gestão associada de serviços públicos. § 4º Os entes da Federação consorciados, ou os com eles conveniados, poderão ceder-lhe servidores, na forma e condições da legislação de cada um. § 5º O protocolo de intenções deverá ser publicado na imprensa oficial. Art. 5º O contrato de consórcio público será celebrado com a ratificação, mediante lei, do protocolo de intenções. § 1º O contrato de consórcio público, caso assim preve- ja cláusula, pode ser celebrado por apenas 1 (uma) parcela dos entes da Federação que subscreveram o protocolo de intenções. § 2º A ratificação pode ser realizada com reserva que, aceita pelos demais entes subscritores, implicará consor- ciamento parcial ou condicional. § 3º A ratificação realizada após 2 (dois) anos da subs- crição do protocolo de intenções dependerá de homologa-ção da assembleia geral do consórcio público. § 4º É dispensado da ratificação prevista no caput deste artigo o ente da Federação que, antes de subscrever o pro-tocolo de intenções, disciplinar por lei a sua participação no consórcio público. Art. 6º O consórcio público adquirirá personalidade ju- rídica: I – de direito público, no caso de constituir associação pública, mediante a vigência das leis de ratificação do pro- tocolo de intenções; II – de direito privado, mediante o atendimento dos re- quisitos da legislação civil. § 1º O consórcio público com personalidade jurídica de direito público integra a administração indireta de todos os entes da Federação consorciados. § 2º No caso de se revestir de personalidade jurídica de direito privado, o consórcio público observará as nor- mas de direito público no que concerne à realização de licitação, celebração de contratos, prestação de contas e admissão de pessoal, que será regido pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. Art. 7º Os estatutos disporão sobre a organização e o funcionamento de cada um dos órgãos constitutivos do con-sórcio público. Art. 8º Os entes consorciados somente entregarão recur-sos ao consórcio público mediante contrato de rateio. § 1º O contrato de rateio será formalizado em cada exercício financeiro e seu prazo de vigência não será su- perior ao das dotações que o suportam, com exceção dos 11 NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO contratos que tenham por objeto exclusivamente projetos consistentes em programas e ações contemplados em pla-no plurianual ou a gestão associada de serviços públicos custeados por tarifas ou outros preços públicos. § 2º É vedada a aplicação dos recursos entregues por meio de contrato de rateio para o atendimento de des- pesas genéricas, inclusive transferências ou operações de crédito. § 3º Os entes consorciados, isolados ou em conjunto, bem como o consórcio público, são partes legítimas para exigir o cumprimento das obrigações previstas no contrato de rateio. § 4º Com o objetivo de permitir o atendimento dos dispositivos da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, o consórcio público deve fornecer as informações necessárias para que sejam consolidadas, nas contas dos entes consorciados, todas as despesas realizadas com os recursos entregues em virtude de contrato de rateio, de forma que possam ser contabilizadas nas contas de cada ente da Federação na conformidade dos elementos econô-micos e das atividades ou projetos atendidos. § 5º Poderá ser excluído do consórcio público, após prévia suspensão, o ente consorciado que não consignar, em sua lei orçamentária ou em créditos adicionais, as do- tações suficientes para suportar as despesas assumidas por meio de contrato de rateio. Art. 9º A execução das receitas e despesas do consór- cio público deverá obedecer às normas de direito financeiro aplicáveis às entidades públicas. Parágrafo único. O consórcio público está sujeito à fis- calização contábil, operacional e patrimonial pelo Tribunal de Contas competente para apreciar as contas do Chefe do Poder Executivo representante legal do consórcio, inclusive quanto à legalidade, legitimidade e economicidade das des-pesas, atos, contratos e renúncia de receitas, sem prejuízo do controle externo a ser exercido em razão de cada um dos contratos de rateio. Art. 10. (VETADO) Parágrafo único. Os agentes públicos incumbidos da gestão de consórcio não responderão pessoalmente pelas obrigações contraídas pelo consórcio público, mas responde-rão pelos atos praticados em desconformidade com a lei ou com as disposições dos respectivos estatutos. Art. 11. A retirada do ente da Federação do consórcio público dependerá de ato formal de seu representante na assembleia geral, na forma previamente disciplinada por lei. § 1º Os bens destinados ao consórcio público pelo consorciado que se retira somente serão revertidos ou re- trocedidos no caso de expressa previsão no contrato de consórcio público ou no instrumento de transferência ou de alienação. § 2º A retirada ou a extinção do consórcio público não prejudicará as obrigações já constituídas, inclusive os con- tratos de programa, cuja extinção dependerá do prévio pa-gamento das indenizações eventualmente devidas. 12 Art. 12. A alteração ou a extinção de contrato de con- sórcio público dependerá de instrumento aprovado pela as- sembleia geral, ratificado mediante lei por todos os entes consorciados. § 1º Os bens, direitos, encargos e obrigações decorren-tes da gestão associada de serviços públicos custeados por tarifas ou outra espécie de preço público serão atribuídos aos titulares dos respectivos serviços. § 2º Até que haja decisão que indique os responsáveis por cada obrigação, os entes consorciados responderão solidariamente pelas obrigações remanescentes, garantin- do o direito de regresso em face dos entes beneficiados ou dos que deram causa à obrigação. Art. 13. Deverão ser constituídas e reguladas por con- trato de programa, como condição de sua validade, as obri- gações que um ente da Federação constituir para com outro ente da Federação ou para com consórcio público no âmbito de gestão associada em que haja a prestação de serviços públicos ou a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal ou de bens necessários à continuidade dos serviços transferidos. § 1º O contrato de programa deverá: I – atender à legislação de concessões e permissões de serviços públicos e, especialmente no que se refere ao cálculo de tarifas e de outros preços públicos, à de regulação dos serviços a serem prestados; e II – prever procedimentos que garantam a transparência da gestão econômica e financeira de cada serviço em rela-ção a cada um de seus titulares. § 2º No caso de a gestão associada originar a transfe- rência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos,o con-trato de programa, sob pena de nulidade, deverá conter cláusulas que estabeleçam: I – os encargos transferidos e a responsabilidade subsi- diária da entidade que os transferiu; II – as penalidades no caso de inadimplência em relação aos encargos transferidos; III – o momento de transferência dos serviços e os deve- res relativos a sua continuidade; IV – a indicação de quem arcará com o ônus e os passi- vos do pessoal transferido; V – a identificação dos bens que terão apenas a sua ges-tão e administração transferidas e o preço dos que sejam efetivamente alienados ao contratado; VI – o procedimento para o levantamento, cadastro e avaliação dos bens reversíveis que vierem a ser amortizados mediante receitas de tarifas ou outras emergentes da pres-tação dos serviços. § 3º É nula a cláusula de contrato de programa que atribuir ao contratado o exercício dos poderes de plane- jamento, regulação e fiscalização dos serviços por ele pró- prio prestados. § 4º O contrato de programa continuará vigente mes- mo quando extinto o consórcio público ou o convênio de cooperação que autorizou a gestão associada de serviços públicos. NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO § 5º Mediante previsão do contrato de consórcio públi- co, ou de convênio de cooperação, o contrato de programa poderá ser celebrado por entidades de direito público ou privado que integrem a administração indireta de qualquer dos entes da Federação consorciados ou conveniados. § 6º O contrato celebrado na forma prevista no § 5o deste artigo será automaticamente extinto no caso de o contratado não mais integrar a administração indireta do ente da Federação que autorizou a gestão associada de serviços públicos por meio de consórcio público ou de convênio de cooperação. § 7º Excluem-se do previsto no caput deste artigo as obrigações cujo descumprimento não acarrete qualquer ônus, inclusive financeiro, a ente da Federação ou a con- sórcio público. Art. 14. A União poderá celebrar convênios com os con- sórcios públicos, com o objetivo de viabilizar a descentrali- zação e a prestação de políticas públicas em escalas ade- quadas. Art. 15. No que não contrariar esta Lei, a organização e funcionamento dos consórcios públicos serão disciplinados pela legislação que rege as associações civis. Art. 16. O inciso IV do art. 41 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 41. [...] IV – as autarquias, inclusive as associações públicas; [...]” (NR) Art. 17. Os arts. 23, 24, 26 e 112 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 23. [...] § 8º No caso de consórcios públicos, aplicar-se-á o do-bro dos valores mencionados no caput deste artigo quan-do formado por até 3 (três) entes da Federação, e o triplo, quando formado por maior número.» “Art. 24. [...] XXVI – na celebração de contrato de programa com ente da Federação ou com entidade de sua administração indire-ta, para a prestação de serviços públicos de forma associada nos termos do autorizado em contrato de consórcio público ou em convênio de cooperação. Parágrafo único. Os percentuais referidos nos incisos I e II do caput deste artigo serão 20% (vinte por cento) para compras, obras e serviços contratados por consórcios públi- cos, sociedade de economia mista, empresa pública e por autarquia ou fundação qualificadas, na forma da lei, como Agências Executivas.” (NR) “Art. 26. As dispensas previstas nos §§ 2o e 4o do art. 17 e no inciso III e seguintes do art. 24, as situações de inexi- gibilidade referidas no art. 25, necessariamente justificadas, e o retardamento previsto no final do parágrafo único do art. 8o desta Lei deverão ser comunicados, dentro de 3 (três) dias, à autoridade superior, para ratificação e publicação na imprensa oficial, no prazo de 5 (cinco) dias, como condição para a eficácia dos atos” (NR). “Art. 112. [...] § 1º Os consórcios públicos poderão realizar licitação da qual, nos termos do edital, decorram contratos adminis-trativos celebrados por órgãos ou entidades dos entes da Federação consorciados. § 2º É facultado à entidade interessada o acompanha- mento da licitação e da execução do contrato.» (NR) Art. 18. O art. 10 da Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, passa a vigorar acrescido dos seguintes incisos: “Art. 10. [...] XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços públicos por meio da ges-tão associada sem observar as formalidades previstas na lei; XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamentária, ou sem ob- servar as formalidades previstas na lei.” (NR) Art. 19. O disposto nesta Lei não se aplica aos convênios de cooperação, contratos de programa para gestão associa-da de serviços públicos ou instrumentos congêneres, que te-nham sido celebrados anteriormente a sua vigência. Art. 20. O Poder Executivo da União regulamentará o disposto nesta Lei, inclusive as normas gerais de contabili-dade pública que serão observadas pelos consórcios públicos para que sua gestão financeira e orçamentária se realize na conformidade dos pressupostos da responsabilidade fiscal. Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 6 de abril de 2005; 184º da Independência e 117º da República. AGENTES PÚBLICOS: ESPÉCIES E CLASSIFICAÇÃO; PODERES, DEVERES E PRERROGATIVAS; CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO PÚBLICOS; Agente público é expressão que engloba todas as pessoas lotadas na Administração, isto é, trata -se daque- les que servem ao Poder Público. “A expressão agente pú- blico tem sentido amplo, significa o conjunto de pessoas que, a qualquer título, exercem uma função pública como prepostos do Estado. Essa função, é mister que se diga, pode ser remunerada ou gratuita, definitiva ou transitória, política ou jurídica. O que é certo é que, quando atuam no mundo jurídico, tais agentes estão de alguma forma vin- culados ao Poder Público. Como se sabe, o Estado só se faz presente através das pessoas físicas que em seu nome 13 NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO manifestam determinada vontade, e é por isso que essa manifestação volitiva acaba por ser imputada ao próprio Estado. São todas essas pessoas físicas que constituem os agentes públicos”12. Neste sentido, o artigo 2º da Lei nº 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa): Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem re-muneração, por eleição, nomeação, designação, contrata-ção ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencio-nadas no artigo anterior. Quanto às entidades às quais o agente pode estar vin-culado, tem-se o artigo 1º da Lei nº 8.429/92: Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público, servidor ou não, contra a administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinquen-ta por cento do patrimônio ou da receita anual, serão puni-dos na forma desta lei. Parágrafo único. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados contra o patri- mônio de entidade que receba subvenção, benefício ou in- centivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como da- quelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinquenta por cento do patrimô-nio ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. Os agentes públicossubdividem-se em: a) agentes políticos – “são os titulares dos cargos es- truturais à organização política do País [...], Presidente da República, Governadores, Prefeitos e respectivos vices, os auxiliares imediatos dos chefes de Executivo, isto é, Minis- tros e Secretários das diversas pastas, bem como os Sena- dores, Deputados Federais e Estaduais e os Vereadores”13. O agente político é aquele detentor de cargo eletivo, elei-to por mandatos transitórios. b) servidores públicos, que se dividem em funcioná-rio público, empregado público e contratados em caráter temporário. Os servidores públicos formam a grande mas-sa dos agentes do Estado, desenvolvendo variadas funções. O funcionário público é o tipo de servidor público que é titular de um cargo, se sujeitando a regime estatutário 12 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010. 13 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Di- reito Administrativo. 32. ed. São Paulo: Malheiros, 2015. 14 (previsto em estatuto próprio, não na CLT). O empregado público é o tipo de servidor público que é titular de um emprego, sujeitando-se ao regime celetista (CLT). Tanto o funcionário público quanto o empregado público somente se vinculam à Administração mediante concurso público, sendo nomeados em caráter efetivo. Contratados em cará-ter temporário são servidores contratados por um período certo e determinado, por força de uma situação de excep-cional interesse público, não sendo nomeados em caráter efetivo, ocupando uma função pública. c) particulares em colaboração com o Estado – são agentes que, embora sejam particulares, executam funções públicas especiais que podem ser qualificadas como públi- cas. Ex.: mesário, jurado, recrutados para serviço militar. REGIME JURÍDICO: PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO; DIREITOS E VANTAGENS; REGIME DISCIPLINAR; RESPONSABILIDADE CIVIL, CRIMINAL E ADMINISTRATIVA. REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS CI-VIS DA UNIÃO (LEI Nº 8.112/1990 E SUAS ALTERAÇÕES) Das Disposições Preliminares Título I Capítulo Único Das Disposições Preliminares Art. 1o Esta Lei institui o Regime Jurídico dos Servido- res Públicos Civis da União, das autarquias, inclusive as em regime especial, e das fundações públicas federais. Art. 2o Para os efeitos desta Lei, servidor é a pessoa legalmente investida em cargo público. Art. 3o Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor. Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasileiros, são criados por lei, com denominação pró- pria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provi- mento em caráter efetivo ou em comissão. Art. 4o É proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo os casos previstos em lei. Por regime jurídico dos servidores deve-se entender o conjunto de regras referentes a todos os aspectos da re- lação entre o servidor público e a Administração. Envolve tanto questões inerentes à ocupação do cargo quanto di- reitos e deveres, entre outras. Aplica-se na esfera federal, tanto para a Administração direta quanto para a indireta. NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO A lei criará o cargo público, que poderá ser efetivo, caso em que o ingresso se dará mediante concurso, ou em comissão, quando por uma relação de confiança o superior puder nomear seus funcionários enquanto estiver ocupan-do aquela posição de chefia. Todo serviço público será remunerado pelos cofres públicos. Do Provimento, Vacância, Remoção, Redistribuição e Substituição Título II Do Provimento, Vacância, Remoção, Redistribuição e Substituição Basicamente, provimento é a ocupação do cargo por uma pessoa, transformando-a em servidora públi- ca; enquanto vacância é o que se dá quando um cargo fica livre; remoção é o deslocamento do servidor; re- distribuição é o deslocamento de um cargo para outro órgão; substituição é a mudança de uma pessoa que está ocupando cargo de chefia ou direção por outra. Capítulo I Do Provimento Segundo Hely Lopes Meirelles, provimento “é o ato pelo qual se efetua o preenchimento do cargo pú-blico, com a designação de seu titular”, podendo ser originário ou inicial se o agente não possui vinculação anterior com a Administração Pública; ou derivado, que pressupõe a existência de um vínculo com a Admi-nistração, o qual pode ser horizontal, sem ascensão na carreira, ou vertical, com ascensão na carreira. Seção I Disposições Gerais Art. 5o São requisitos básicos para investidura em car- go público: I - a nacionalidade brasileira; Nacional é o que possui vínculo político-jurídico com um Estado, fazendo parte de seu povo na qualidade de cidadão. II - o gozo dos direitos políticos; Direitos políticos são os direitos garantidos ao cida- dão que envolvem sua participação direta ou indireta nas decisões políticas do Estado. No Brasil, se encontram nos artigos 14 e 15 da Constituição Federal. III - a quitação com as obrigações militares e eleito- rais; IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo; Ensino fundamental, ensino médio ou ensino superior, conforme a complexidade das funções do cargo. V - a idade mínima de dezoito anos; VI - aptidão física e mental. § 1o As atribuições do cargo podem justificar a exigên- cia de outros requisitos estabelecidos em lei. P. ex., 3 anos de atividade jurídica para cargos de mem-bros do Ministério Público ou da Magistratura. § 2o Às pessoas portadoras de deficiência é assegu- rado o direito de se inscrever em concurso público para pro-vimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no concurso. Cotas para deficientes. § 3o As universidades e instituições de pesquisa cientí- fica e tecnológica federais poderão prover seus cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com as normas e os procedimentos desta Lei. Exceção ao inciso I do art. 5°. Art. 6o O provimento dos cargos públicos far-se-á me- diante ato da autoridade competente de cada Poder. Art. 7o A investidura em cargo público ocorrerá com a posse. Por investidura entende-se a instalação formal em um cargo público, o que se dará quando a pessoa for empos- sada. Art. 8o São formas de provimento de cargo público: I - nomeação; II - promoção; III e IV - (Revogados) V - readaptação; VI - reversão; VII - aproveitamento; VIII - reintegração; IX - recondução. Detalhes adiante. Seção II Da Nomeação Art. 9o A nomeação far-se-á: I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isola-do de provimento efetivo ou de carreira; II - em comissão, inclusive na condição de interino, para cargos de confiança vagos. Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo em co- missão ou de natureza especial poderá ser nomeado para ter exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições do que atualmente ocupa, hipótese em que deverá optar pela remuneração de um deles du-rante o período da interinidade. O cargo em comissão é temporário e não depende de concurso público. Se o servidor for nomeado para outro cargo em comissão poderá exercer ambos de maneira in- terina (temporária), mas somente poderá receber remune- ração por um deles, o que optar. 15 NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO Art. 10. A nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de provimento efetivo depende de prévia habilita- ção em concurso público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de classificação e o prazo de sua vali- dade. Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso e o desenvolvimento doservidor na carreira, mediante pro- moção, serão estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema de carreira na Administração Pública Federal e seus regulamentos. Seção III Do Concurso Público Art. 11. O concurso será de provas ou de provas e títu- los, podendo ser realizado em duas etapas, conforme dispu- serem a lei e o regulamento do respectivo plano de carreira, condicionada a inscrição do candidato ao pagamento do valor fixado no edital, quando indispensável ao seu custeio, e ressalvadas as hipóteses de isenção nele expressamente previstas. Art. 12. O concurso público terá validade de até 2 (dois) anos, podendo ser prorrogado uma única vez, por igual período. § 1o O prazo de validade do concurso e as condições de sua realização serão fixados em edital, que será publica-do no Diário Oficial da União e em jornal diário de grande circulação. § 2o Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior com prazo de va-lidade não expirado. No concurso de provas o candidato é avaliado apenas pelo seu desempenho nas provas, ao passo que nos con- cursos de provas e títulos o seu currículo em toda sua ativi-dade profissional também é considerado. O edital delimita questões como valor da taxa de ins- crição, casos de isenção, número de vagas e prazo de va- lidade. Seção IV Da Posse e do Exercício Art. 13. A posse dar-se-á pela assinatura do respecti-vo termo, no qual deverão constar as atribuições, os deve-res, as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que não poderão ser alterados unilateralmente, por qualquer das partes, ressalvados os atos de ofício pre- vistos em lei. § 1o A posse ocorrerá no prazo de trinta dias contados da publicação do ato de provimento. § 2o Em se tratando de servidor, que esteja na data de publicação do ato de provimento, em licença prevista nos incisos I, III e V do art. 81, ou afastado nas hipóteses dos incisos I, IV, VI, VIII, alíneas «a», «b», «d», «e» e «f», IX e X do art. 102, o prazo será contado do término do impedimento. § 3o A posse poderá dar-se mediante procuração es- pecífica. 16 § 4o Só haverá posse nos casos de provimento de car- go por nomeação. § 5o No ato da posse, o servidor apresentará decla- ração de bens e valores que constituem seu patrimônio e declaração quanto ao exercício ou não de outro cargo, em-prego ou função pública. § 6o Será tornado sem efeito o ato de provimento se a posse não ocorrer no prazo previsto no § 1o deste artigo. O termo de posse é dotado de conteúdo específico. É possível tomar posse mediante procuração específica. Não há posse nos cargos em comissão. A declaração de bens e valores visa permitir a verificação da situação financeira do servidor, de forma a perceber se ele enriqueceu despropor- cionalmente durante o exercício do cargo. Art. 14. A posse em cargo público dependerá de prévia inspeção médica oficial. Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que for julgado apto física e mentalmente para o exercício do cargo. Art. 15. Exercício é o efetivo desempenho das atribui- ções do cargo público ou da função de confiança. § 1o É de quinze dias o prazo para o servidor empossa- do em cargo público entrar em exercício, contados da data da posse. § 2o O servidor será exonerado do cargo ou será tor- nado sem efeito o ato de sua designação para função de confiança, se não entrar em exercício nos prazos previstos neste artigo, observado o disposto no art. 18. § 3o À autoridade competente do órgão ou entidade para onde for nomeado ou designado o servidor compete dar-lhe exercício. § 4o O início do exercício de função de confiança coin- cidirá com a data de publicação do ato de designação, salvo quando o servidor estiver em licença ou afastado por qualquer outro motivo legal, hipótese em que recairá no pri-meiro dia útil após o término do impedimento, que não po-derá exceder a trinta dias da publicação. Nota-se que para as funções em confiança não há pra-zo de 15 dias da posse, até mesmo porque ela não existe nestas funções. Então, o prazo para exercício será o do dia da publicação do ato de designação. Art. 16. O início, a suspensão, a interrupção e o rei- nício do exercício serão registrados no assentamento indi- vidual do servidor. Parágrafo único. Ao entrar em exercício, o servidor apresentará ao órgão competente os elementos necessários ao seu assentamento individual. Art. 17. A promoção não interrompe o tempo de exer-cício, que é contado no novo posicionamento na carreira a partir da data de publicação do ato que promover o ser-vidor. Na promoção não há nova posse. Então, o servidor não tem 15 dias para entrar em exercício, o fazendo no dia da publicação do ato. NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO Art. 18. O servidor que deva ter exercício em outro município em razão de ter sido removido, redistribuído, requisitado, cedido ou posto em exercício provisório terá, no mínimo, dez e, no máximo, trinta dias de prazo, contados da publicação do ato, para a retomada do efetivo desempenho das atribuições do cargo, incluído nesse prazo o tempo necessário para o deslocamento para a nova sede. § 1o Na hipótese de o servidor encontrar-se em licença ou afastado legalmente, o prazo a que se refere este artigo será contado a partir do término do impedimento. § 2o É facultado ao servidor declinar dos prazos esta- belecidos no caput. Se o servidor estava em exercício em outro município e é convocado por publicação para retomar a posição su- perior tem um prazo entre 10 e 30 dias, dos quais pode desistir, se quiser. Art. 19. Os servidores cumprirão jornada de trabalho fixada em razão das atribuições pertinentes aos respectivos cargos, respeitada a duração máxima do trabalho semanal de quarenta horas e observados os limites mínimo e má- ximo de seis horas e oito horas diárias, respectivamente. § 1o O ocupante de cargo em comissão ou função de confiança submete-se a regime de integral dedicação ao serviço, observado o disposto no art. 120, podendo ser con- vocado sempre que houver interesse da Administração. § 2o O disposto neste artigo não se aplica a duração de trabalho estabelecida em leis especiais. Art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório por período de 24 (vinte e quatro) meses, duran-te o qual a sua aptidão e capacidade serão objeto de ava-liação para o desempenho do cargo, observados os seguinte fatores: I - assiduidade; II - disciplina; III - capacidade de iniciativa; IV - produtividade; V - responsabilidade. § 1o 4 (quatro) meses antes de findo o período do es- tágio probatório, será submetida à homologação da autori- dade competente a avaliação do desempenho do servidor, realizada por comissão constituída para essa finalidade, de acordo com o que dispuser a lei ou o regulamento da res- pectiva carreira ou cargo, sem prejuízo da continuidade de apuração dos fatores enumerados nos incisos I a V do caput deste artigo. § 2o O servidor não aprovado no estágio probatório será exonerado ou, se estável, reconduzido ao cargo an- teriormente ocupado, observado o disposto no parágra- fo único do art. 29. § 3o O servidor em estágio probatório poderá exercer quaisquer cargos de provimento em comissão ou fun- ções de direção, chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de lotação, e somente poderá ser cedido a outro órgão ou entidade para ocupar cargos de Natureza Espe- cial, cargos de provimento em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, de níveis 6, 5 e 4, ou equivalentes. § 4o Ao servidor em estágio probatório somente pode-rão ser concedidas as licenças e os afastamentos previstos nos arts. 81, incisos I a IV, 94, 95 e 96, bem assim afasta-mento para participar de curso de formação decorrente de aprovaçãodistinta das caracterís- ticas das suas diversas modalidades regionais, sociais e estilísticas. A lín- gua padrão, por exemplo, embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais prestigio- sa, porque atua como modelo, como norma, como ideal linguístico de uma comunidade. Do valor normativo de- corre a sua função coercitiva sobre as outras variedades, com o que se torna uma ponderável força contrária à vari- ação." Celso Cunha. Nova gramática do português contemporâneo. Adaptado. A partir da leitura do texto, podemos inferir que uma língua é: a) conjunto de variedades linguísticas, dentre as quais uma alcança maior valor social e passa a ser considerada exemplar. b) sistema que não admite nenhum tipo de variação linguística, sob pena de empobre- cimento do léxico. c) a modalidade oral alcança maior prestígio social, pois é o resultado das adaptações linguísticas produzidas pelos falantes. d) A língua padrão deve ser preservada na modalidade oral e escrita, pois toda modifi- cação é prejudicial a um sistema linguístico. 2- Antigamente Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 15 Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços de Mor- feu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos pena- tes. Não ficava mangando na rua, nem esca- pulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução moral e cívica. O ver- dadeiro smart calçava botina de botões para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, pa- ra evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de mo- lho diante de um treteiro de topete, depois de fintar e engambelar os coiós, e antes que se pusesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco. ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983 (fragmento). Texto II Expressão Significado Cair nos braços de Morfeu Dormir Debicar Zombar, ridicularizar Tunda Surra Mangar Escarnecer, caçoar Tugir Murmurar Liró Bem-vestido Copo d'água Lanche oferecido pelos amigos Convescote Piquenique Treteiro de topete Tratante atrevido Abrir o arco Fugir Bilontra Velhaco FIORIN, J. L. As línguas mudam. In: Revis- ta Língua Portuguesa, n. 24, out. 2007 (adaptado). Na leitura do fragmento do texto Antigamente constata-se, pelo emprego de palavras obso- letas, que itens lexicais outrora produtivos não mais o são no português brasileiro atual. Esse fenômeno revela que a) a língua portuguesa de antigamente care- cia de termos para se referir a fatos e coisas do cotidiano. b) o português brasileiro se constitui evitando a ampliação do léxico proveniente do portu- guês europeu. c) a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade do seu léxico no eixo tem- poral. d) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para ser reconhecido como língua in- dependente. e) o léxico do português representa uma rea- lidade linguística variável e diversificada. 3- Quanto às variantes linguísticas presentes no texto, a norma-padrão da língua portuguesa é rigorosamente obedecida por meio Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 16 a) do emprego do pronome demonstrativo “esse” em “Por que o senhor publicou esse livro?”. b) do emprego do pronome pessoal oblíquo em “Meu filho, um escritor publica um livro para parar de escrevê-lo!”. c) do emprego do vocativo “Meu filho”, que confere à fala distanciamento do interlocutor. d) da necessária repetição do conectivo no último quadrinho. 4-“A variação é inerente às línguas, porque as sociedades são divididas em grupos: há os mais jovens e os mais velhos, os que ha- bitam numa região ou outra, os que têm esta ou aquela profissão, os que são de uma ou outra classe social e assim por diante. O uso de determinada variedade linguística serve para marcar a inclusão num desses grupos, dá uma identidade para os seus membros. Aprendemos a distinguir a variação. Quando alguém começa a falar, sabemos se é de São Paulo, gaúcho, carioca ou português. Sabemos que certas expressões pertencem à fala dos mais jovens, que determinadas formas se usam em situação informal, mas não em ocasiões formais. Saber uma língua é ser “poliglota” em sua própria língua. Saber português não é só aprender regras que só existem numa língua artificial usada pela es- cola. As variações não são fáceis ou bonitas, erradas ou certas, deselegantes ou elegan- tes, são simplesmente diferentes. Como as línguas são variáveis, elas mudam.” (FIORIN, José Luiz. “Os Aldrovandos Can- tagalos e o preconceito linguístico”. In O direito à fala. A questão do preconceito lin- guístico. Florianópolis. Editora Insular, pp. 27, 28, 2002.) Sobre o texto de José Luiz Fiorin, é incorreto afirmar: a) As variações linguísticas são próprias da língua e estão alicerçadas nas diversas in- tenções comunicacionais. b) A variedade linguística é um importante elemento de inclusão, além de instrumento de afirmação da identidade de alguns grupos sociais. c) O aprendizado da língua portuguesa não deve estar restrito ao ensino das regras. d) As variedades linguísticas trazem prejuí- zos à norma-padrão da língua, por isso de- vem ser evitadas. 5-A seguir são apresentados alguns frag- mentos textuais. Sua tarefa consistirá em analisá-los, atribuindo a variação linguística condizente aos mesmos: a – Antigamente “Antigamente, as moças chamavam-se ma- demoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de- alferes, arrastando a asa, mas ficavam lon- gos meses debaixo do balaio." Carlos Drummond de Andrade b - Vício na fala Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Para pior pió Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vão fazendo telhados. Oswald de Andrade c –“ Aqui no Norte do Paraná, as pessoas chamam a correnteza do rio de corredeira. Quando a corredeira está forte é perigoso passar pela pinguela, que é uma ponte muito estreita feita, geralmente, com um tronco de árvore. Se temos muita chuva a pinguela po- de ficar submersa e, portanto, impossibilita a passagem. Mas se ocorre uma manga de Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 17 chuva, uma chuvinha passageira, esse pro- blema deixa de existir.” d – E aí mano? Ta a fim de dá uns rolé hoje? Qual é! Vai topá a parada? Vê se desencana! Morô velho? 6- Os enunciados linguísticos em evi- dência encontram-se grafados na lin- guagem coloquial. Reescreva-os de acordo com o padrão culto da lingua- gem. a – Os livros estão sobre a mesa. Por favor, devolve eles na biblioteca. b – Falar no celular é uma falha grave. A consequência deste ato pode ser cara. c – Me diga se você gostou da surpre- sa, pois levei muito para preparar ela. d – No aviso havia o seguinte comen- tário: Não aproxime-se do alambrado. Perigo constante. e – Durante a reunião houveram re- clamações contra o atraso do paga- mento dos funcionários. Gabarito 1- A 2- E 3- B 4- D 5- a – variação histórica b – variação cultural/ regional c – variação regionalem concurso para outro cargo na Administração Pública Federal. § 5o O estágio probatório ficará suspenso durante as licenças e os afastamentos previstos nos arts. 83, 84, § 1o, 86 e 96, bem assim na hipótese de participação em curso de formação, e será retomado a partir do término do impedi-mento. Desde a Emenda Constitucional nº 19 de 1998, a disci-plina do estágio probatório mudou, notadamente aumen-tando o prazo de 2 anos para 3 anos. Tendo em vista que a norma constitucional prevalece sobre a lei federal, mesmo que ela não tenha sido atualizada, deve- se seguir o dispos-to no artigo 41 da Constituição Federal: Art. 41, CF. São estáveis após três anos de efetivo exer-cício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. § 1º O servidor público estável só perderá o cargo: I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. § 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do ser-vidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou pos-to em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. § 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com remune- ração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo. § 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por co- missão instituída para essa finalidade. Seção V Da Estabilidade Art. 21. O servidor habilitado em concurso público e empossado em cargo de provimento efetivo adquirirá esta- bilidade no serviço público ao completar 2 (dois) anos de efetivo exercício. ATENÇÃO: Vale o prazo de 3 anos, conforme Constitui-ção Federal (artigo 41 retrocitado). Art. 22. O servidor estável só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou de processo administrativo disciplinar no qual lhe seja assegurada ampla defesa. 17 NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO Seção VI Da Transferência Art. 23. (Execução suspensa) Seção VII Da Readaptação Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em inspeção médica. § 1o Se julgado incapaz para o serviço público, o rea- daptando será aposentado. § 2o A readaptação será efetivada em cargo de atribui- ções afins, respeitada a habilitação exigida, nível de escola-ridade e equivalência de vencimentos e, na hipótese de ine-xistência de cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga. Se o funcionário deixa de ter condições físicas ou psi- cológicas para ocupar seu cargo, deverá ser readaptado para cargo semelhante que não exija tais aptidões. Ex: fun-cionário trabalhava como atendente numa repartição, se movimentando o tempo todo e sofre um acidente, ficando paraplégico. Sua capacidade mental não ficou prejudicada, embora seja inconveniente ele ter que fazer tantos mo- vimentos no exercício das funções. Por isso, pode ser re- conduzido para outro cargo técnico na repartição que seja mais burocrático e exija menos movimentação física, como o de assistente de um superior. Seção VIII Da Reversão Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou II - no interesse da administração, desde que: a) tenha solicitado a reversão; b) a aposentadoria tenha sido voluntária; c) estável quando na atividade; d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos ante- riores à solicitação; e) haja cargo vago. § 1o A reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo resultante de sua transformação. § 2o O tempo em que o servidor estiver em exercício será considerado para concessão da aposentadoria. § 3o No caso do inciso I, encontrando-se provido o car-go, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga. § 4o O servidor que retornar à atividade por interesse da administração perceberá, em substituição aos proven- tos da aposentadoria, a remuneração do cargo que voltar a exercer, inclusive com as vantagens de natureza pessoal que percebia anteriormente à aposentadoria. 18 § 5o O servidor de que trata o inciso II somente terá os proventos calculados com base nas regras atuais se perma-necer pelo menos cinco anos no cargo. § 6o O Poder Executivo regulamentará o disposto neste artigo. Art. 26. (Revogado) Art. 27. Não poderá reverter o aposentado que já tiver completado 70 (setenta) anos de idade. Merece destaque a impossibilidade de cumulação da aposentadoria com a remuneração caso o servidor retorne às funções. Seção IX Da Reintegração Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo re- sultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens. § 1o Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor ficará em disponibilidade, observado o disposto nos arts. 30 e 31. § 2o Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade. Se um servidor for injustamente demitido e a sua de- missão for invalidada, será reinvestido no cargo, sendo to- talmente ressarcido (por exemplo, recebendo os salários do período em que foi afastado). Caso o cargo esteja ex- tinto, será posto em disponibilidade; caso o cargo exista e alguém o estiver ocupando, este será retirado do cargo, devolvendo-o ao seu legítimo titular. Seção X Da Recondução Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e decorrerá de: I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo; II - reintegração do anterior ocupante. Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo de origem, o servidor será aproveitado em outro, observado o disposto no art. 30. Como visto, quando um servidor é promovido ele se sujeita a novo estágio probatório e, caso seja inabilitado, voltará ao cargo que antes ocupava. Ainda, se alguém esti- ver ocupando o cargo de um servidor que tenha sido injus- tamente demitido, quando este voltar deverá desocupar o cargo. Se a posição antes ocupada não estiver livre, deverá ser reaproveitado em outro cargo semelhante. NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO Seção XI Da Disponibilidade e do Aproveitamento Art. 30. O retorno à atividade de servidor em disponibi- lidade far-se-á mediante aproveitamento obrigatório em cargo de atribuições e vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado. Art. 31. O órgão Central do Sistema de Pessoal Civil determinará o imediato aproveitamento de servidor em dis- ponibilidade em vaga que vier a ocorrer nos órgãos ou enti-dades da Administração Pública Federal. Parágrafo único. Na hipótese prevista no § 3o do art. 37, o servidor posto em disponibilidade poderá ser man- tido sob responsabilidade do órgão central do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal - SIPEC, até o seu adequado aproveitamento em outro órgão ou entidade. Art. 32. Será tornado sem efeito o aproveitamento e cassada a disponibilidade se o servidor não entrar em exercício no prazo legal, salvo doença comprovada por junta médica oficial. Servidor posto em disponibilidaded – variação social 6- a – devolva-os b – falar ao celular c – diga-me; prepará-la. d – não se aproxime e - houve Os discursos são tipos de comunicação usa- dos nos textos narrativos. Eles dividem-se em: Discurso direto: é aquele que valoriza a fala do personagem, descrevendo identicamente o que o personagem disse. Geralmente é apresentando em 1° pessoa, além de possuir travessão, dois- pontos, aspas... Ex: Mônica disse: - Estou com fome! Discurso indireto: é aquele que a fala do personagem foi passada para as palavras do narrador. Este discurso é feito em 3° pessoa. Obs: A pontuação utilizada no discurso direto não será mais usada no indireto!!!!!! Ex: Mônica disse que está com fome. Discurso indireto livre: aqui as formas direta e indireta se unem, onde o nar- rador insere discretamente a fala dos personagens em sua fala. O narrador, mesmo que não participe da história, entra em seus personagens. Ex: Amanheceu com um clima frio. Bom, vou fazer um chocolate quente! 1-(ITA) Assinale a alternativa que melhor complete o seguinte trecho: Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 18 No plano expressivo, a força da ____________ em _____________ provém essencialmente de sua capacidade de _____________ o episódio, fazendo ______________ da situação a personagem, tornando-a viva para o ouvinte, à maneira de uma cena de teatro __________ o narrador desempenha a mera função de indicador de falas. a) narração - discurso indireto - enfatizar - ressurgir – onde; b) narração - discurso onisciente - vivificar - demonstrar-se – donde; c) narração - discurso direto - atualizar - emergir - em que; d) narração - discurso indireto livre - humani- zar - imergir - na qual; e) dissertação - discurso direto e indireto - dinamizar - protagonizar - em que. 2- (ESAN) "Impossível dar cabo daquela pra- ga. Estirou os olhos pela campina, achou-se isolado. Sozinho num mundo coberto de pe- nas, de aves que iam comê-lo. Pensou na mulher e suspirou. Coitada de Sinhá Vitória, novamente nos descampados, transportando o baú de folha." O narrador desse texto mistura-se de tal for- ma à personagem que dá a impressão de que não há diferença entre eles. A persona- gem fala misturada à narração. Esse discur- so é chamado: a) discurso indireto livre b) discurso direto c) discurso indireto d) discurso implícito e) discurso explícito 3-Sobre o discurso indireto é correto afirmar, EXCETO: a) No discurso indireto, o narrador utiliza su- as próprias palavras para reproduzir a fala de um personagem. b) O narrador é o porta-voz das falas e dos pensamentos das personagens. c) Normalmente é escrito na terceira pessoa. As falas são iniciadas com o sujeito, mais o verbo de elocução seguido da fala da perso- nagem. d) No discurso indireto as personagens são conhecidas através de seu próprio discurso, ou seja, através de suas próprias palavras. 4-Faça a associação entre os tipos de dis- curso e assinale a sequência correta. 1. Reprodução fiel da fala da persona- gem, é demarcado pelo uso de traves- são, aspas ou dois pontos. Nesse tipo de discurso, as falas vêm acompanha- das por um verbo de elocução, respon- sável por indicar a fala da personagem. 2. Ocorre quando o narrador utiliza as próprias palavras para reproduzir a fala de um personagem. 3. Tipo de discurso misto no qual são associadas as características de dois discursos para a produção de outro. Nele a fala da personagem é inserida de maneira discreta no discurso do nar- rador. ( ) discurso indireto ( ) discurso indireto livre ( ) discurso direto a) 3, 2 e 1. b) 2, 3 e 1. c) 1, 2 e 3. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 19 d) 3, 1 e 2. Ver é muito complicado. Isso é estranho por- que os olhos, de todos os órgãos dos senti- dos, são os de mais fácil compreensão cien- tífica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à físi- ca. William Blake* sabia disso e afirmou: “A árvo- re que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito traba- lho para a sua vassoura. Seus olhos não vi- am a beleza. Só viam o lixo. Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou po- ema. (Rubem Alves, “A complicada arte de ver”. Folha de S. Paulo, 26.10.2004) 5-(FGV) No último parágrafo do texto há um exemplo de discurso: a) indireto livre. b) indireto. c) de autoridade. d) direto. e) de injunção. Leia a Entrevista de Adélia Prado, em O co- ração disparado, para responder. Um homem do mundo me perguntou: O que você pensa de sexo? Uma das maravilhas da criação, eu respondi. Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas E esperava que eu dissesse maldição, Só porque antes lhe confiara: o destino do homem é a santidade. 7- (UNIFESP) Em discurso indireto, os dois primeiros versos assumem a seguinte forma: a) Um homem do mundo me perguntou o que eu pensaria de sexo? b) Um homem do mundo me perguntou o que você pensava de sexo. c) Um homem do mundo me perguntou o que eu penso de sexo. d) Um homem do mundo me perguntou o que você pensa de sexo. e) Um homem do mundo me perguntou o que eu pensava de sexo. FUVEST 2010 Leia o seguinte texto: Um músico ambulante toca sua sanfoninha no viaduto do Chá, em São Paulo. Chega o “rapa” e o interrompe: — Você tem licença? — Não, senhor. — Então me acompanhe. — Sim, senhor. E que música o senhor vai cantar? 8- Reescreva o diálogo que compõe o texto, usando o discurso indireto. Comece com: O fiscal do “rapa” perguntou ao músico... Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 20 9- FUVEST 2009 Leia o trecho a seguir, extraído de um conto, e responda ao que se pede. eu estava ali deitado olhando através da vi- draça as roseiras no jardim fustigadas pelo vento que zunia lá fora e nas venezianas de meu quarto e de repente cessava e tudo fi- cava tão quieto tão triste e de repente reco- meçava e as roseiras frágeis e assustadas irrompiam na vidraça e eu estava ali o tempo todo olhando estava em minha cama com minha blusa de lã as mãos enfiadas nos bol- sos os braços colados ao corpo as pernas juntas estava de sapatos Mamãe não gosta- va que eu deitasse de sapatos deixe de pre- guiça menino! mas dessa vez eu estava dei- tado de sapatos e ela viu e não falou nada ela sentou-se na beirada da cama e pousou a mão em meu joelho e falou você não quer mesmo almoçar? Luiz Vilela. Eu estava ali deitado. Cite, do texto, um exemplo de emprego do discurso direto. Gabarito 1- C 2- A 3- D 4- B 5- A 6- D 7- C 8- O fiscal do “rapa” perguntou ao músi- co se ele tinha licença. Ele respondeu que não, tratando-o por senhor. O fis- cal, então, exigiu-lhe que o acompa- nhasse. O músico concordou respei- tosamente e perguntou-lhe que músi- ca iria cantar. 9- “deixe de preguiça menino!” e “você não quer mesmo almoçar?”. As funções da linguagem são usadas depen- dendo da intenção do emissor. São classificadas em: Referencial ou denotativa: tem o obje- tivo de informar algo ao leitor, além de ter seutexto escrito em 3° pessoa e ser trabalhado na objetividade. Ex: textos jornalísticos; Emotiva ou expressiva: tem como ob- jetivo demonstrar suas emoções, seus sentimentos. Texto voltado para subje- tividade. Ex: diários; Poética: neste tipo, a emoção também é priorizada só que agora o emissor tem preocupação com o que está sendo escrito e de que forma está sendo escrito. Texto com figuras de linguagem e escolhas de palavras adequadas. Ex: poemas; Fática: tem como objetivo estabelecer ou encerrar uma comunicação. Ex: conversas de telefone; Conotativa ou apelativa: tem como ob- jetivo convencer o leitor ou o ouvinte. Ex: propagandas; Metalinguística ou metalinguagem: é quando a linguagem se refere a ela mesma. Ela se explica através do pró- prio código. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 21 Ex: dicionários (uma palavra explica se atra- vés de outras palavras que tem seu uso mais corriqueiro). 1-(UEMG-2006) Assinale a alternativa em que o(s) termo(s) em negrito do fragmento citado NÃO contém (êm) traço(s) da função emotiva da linguagem. a) Os poemas (infelizmente!) não estão nos rótulos de embalagens nem junto aos frascos de remédio. b) A leitura ganha contornos de “cobaia de laboratório” quando sai de sua significação e cai no ambiente artificial e na situação in- ventada. c) Outras leituras significativas são o rótulo de um produto que se vai comprar, os preços do bem de consumo, o tíquete do cinema, as placas do ponto de ônibus (...) d) Ler e escrever são condutas da vida em sociedade. Não são ratinhos mor- tos (...) prontinhos para ser desmontados e montados, picadinhos (...) 2- (UFV-2005) Leia as passagens abaixo, extraídas de São Bernardo, de Graciliano Ramos: I. Resolvi estabelecer-me aqui na minha ter- ra, município de Viçosa, Alagoas, e logo pla- neei adquirir a propriedade S. Bernardo, on- de trabalhei, no eito, com salário de cinco tostões. II. Uma semana depois, à tardinha, eu, que ali estava aboletado desde meio-dia, tomava café e conversava, bastante satisfeito. III. João Nogueira queria o romance em lín- gua de Camões, com períodos formados de trás para diante. IV. Já viram como perdemos tempo em pa- decimentos inúteis? Não era melhor que fôs- semos como os bois? Bois com inteligência. Haverá estupidez maior que atormentar-se um vivente por gosto? Será? Não será? Para que isso? Procurar dissabores! Será? Não será? V. Foi assim que sempre se fez. [respondeu Azevedo Gondim] A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar pala- vras com tinta é outra coisa. Se eu fosse es- crever como falo, ninguém me lia. Assinale a alternativa em que ambas as pas- sagens demonstram o exercício de metalin- guagem em São Bernardo: a) III e V. b) I e II. c) I e IV. d) III e IV. e) II e V. 3- (PUC/SP-2001) A Questão é Começar Coçar e comer é só começar. Conversar e escrever também. Na fala, antes de iniciar, mesmo numa livre conversação, é necessá- rio quebrar o gelo. Em nossa civilização apressada, o “bom dia”, o “boa tarde, como vai?” já não funcionam para engatar conver- sa. Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol. No escrever também poderia ser assim, e deveria haver para a escrita algo como conversa vadia, com que se divaga até encontrar assunto para um dis- curso encadeado. Mas, à diferença da con- versa falada, nos ensinaram a escrever e na lamentável forma mecânica que supunha texto prévio, mensagem já elaborada. Escre- via-se o que antes se pensara. Agora enten- do o contrário: escrever para pensar, uma outra forma de conversar. Assim fomos “alfabetizados”, em obediência a certos rituais. Fomos induzidos a, desde o início, escrever bonito e certo. Era preciso ter um começo, um desenvolvimento e um fim predeterminados. Isso estragava, porque bitolava, o começo e todo o resto. Tentare- mos agora (quem? eu e você, leitor) conver- sando entender como necessitamos nos ree- ducar para fazer do escrever um ato inaugu- ral; não apenas transcrição do que tínhamos em mente, do que já foi pensado ou dito, mas inauguração do próprio pensar. “Pare Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 22 aí”, me diz você. “O escrevente escreve an- tes, o leitor lê depois.” “Não!”, lhe respondo, “Não consigo escrever sem pensar em você por perto, espiando o que escrevo. Não me deixe falando sozinho.” Pois é; escrever é isso aí: iniciar uma con- versa com interlocutores invisíveis, imprevi- síveis, virtuais apenas, sequer imaginados de carne e ossos, mas sempre ativamente pre- sentes. Depois é espichar conversas e novos interlocutores surgem, entram na roda, pu- xam assuntos. Termina-se sabe Deus onde. (MARQUES, M.O. Escrever é Preciso, Ijuí, Ed. UNIJUÍ, 1997, p. 13). Observe a seguinte afirmação feita pelo au- tor: “Em nossa civilização apressada, o “bom dia”, o “boa tarde” já não funcionam para en- gatar conversa. Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol.” Ela faz refe- rência à função da linguagem cuja meta é “quebrar o gelo”. Indique a alternativa que explicita essa função. a) Função emotiva b) Função referencial c) Função fática d) Função conativa e) Função poética 4-(Enem-2012) Desabafo Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: esta é uma típica manhã de segunda-feira. A começar pela luz acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para serem respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado. CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento). Nos textos em geral, é comum a manifesta- ção simultânea de várias funções da lingua- gem, com o predomínio, entretanto, de uma sobre as outras. No fragmento da crônica Desabafo, a função da linguagem predomi- nante é a emotiva ou expressiva, pois: a) o discurso do enunciador tem como foco o próprio código. b) a atitude do enunciador se sobrepõe àqui- lo que está sendo dito. c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da mensagem. d) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos demais. e) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da comunicação. 5- Observe, ao lado, esta gravura de Escher: Na linguagem verbal, exemplos de aprovei- tamento de recursos equivalentes aos da gravura de Escher encontram-se, com fre- quência, a) nos jornais, quando o repórter registra uma ocorrência que lhe parece extremamen- Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 23 te intrigante. b) nos textos publicitários, quando se compa- ram dois produtos que têm a mesma utilida- de. c) na prosa científica, quando o autor des- creve com isenção e distanciamento a expe- riência de que trata. d) na literatura, quando o escritor se vale das palavras para expor procedimentos construti- vos do discurso. e) nos manuais de instrução, quando se or- ganiza com clareza uma determinada se- quência de operações. 6-(Enem-2014) O telefone tocou. — Alô? Quem fala? — Como? Com quem deseja falar? — Quero falar com o sr. Samuel Cardoso. — É ele mesmo. Quem fala, por obséquio? — Não se lembra mais da minha voz, seu Samuel? Faça um esforço. — Lamento muito, minha senhora, mas não me lembro. Pode dizer-me de quem se trata? (ANDRADE, C. D. Contos de aprendiz. Rio de Janeiro: José Olym- pio, 1958.) Pela insistência em manter o contato entre o emissor e o receptor, predomina no texto a função a) metalinguística. b) fática. c) referencial. d) emotiva. e) conativa. 7-(Insper-2012) Para fazer um poema dadaísta Pegue num jornal. Pegue numa tesoura. Escolha no jornal um artigo com o compri- mento que pretende dar ao seu poema. Recorte o artigo. Em seguida, recorte cuidadosamente as pa- lavras que compõem o artigo e coloque-as num saco. Agite suavemente. Depois, retire os recortes uns a seguir aos outros. Transcreva-os escrupulosamente pela ordem que eles saíram do saco. O poema parecer-se-á consigo. E você será um escritor infinitamente original, de uma encantadora sensibilidade, ainda que incompreendido pelas pessoas vulgares. (Tristan Tzara) A metalinguagem, presente no poema de Tristan Tzara, também é encontrada de mo- do mais evidente em: a) Receita de Herói Tome-se um homem feito de nada Como nós em tamanho natural Embeba-se-lhe a carne Lentamente De uma certeza aguda, irracional Intensa como o ódio ou como a fome. Depois perto do fim Agite-se um pendão E toque-se um clarim Serve-se morto. FERREIRA, Reinaldo. Receita de Herói. In: GERALDI, João Wan- derley. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991, p.185. b- Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 24 c- d- Gabarito 1- C 2- A 3- C 4- B 5- D 6- B 7- C Obs: Este módulo é baseado na Gramática Crítica do professor Luiz Ricardo Leitão. Regras de acentuação. Todos os vocábulos proparoxítonos serão acentuados. Ex: médico. Acentuam-se os termos paroxítonos que não sejam terminados em a/as, e/es, o/os, am e em/ens. Ex: fácil. Acentuam-se os oxítonos terminados em a/as, e/es, o/os e em/ens e os mo- nossílabos tônicos terminados em a/as, e/es e o/os. Ex: cajá, pé. Devem ser acentuados os ditongos abertos (tônicos) éi, éu, ói, exceto quando estes incidirem em palavras paroxítonas (como assembleia, ideia...). Ex: papéis. Acentuam-se o –i e o –u (tônicos) quando a 2° vogal de hiato, sozinho ou seguido de –s na sílaba, não nasa- lizados. Ex: heroína. _____ Exceção: quando os vocábulos forem paroxítonos com 2° vogal tônica precedida de ditongo. Ex: feiura. Existe o acento diferencial de timbre fazendo com que uma vogal seja mais fechada e a outra mais aberta. Ex: pô- de (pret. perf. do indicativo) e pode (presente do indicativo). Obs: esse acento diferencial pode ser morfo- lógico e de intensidade também. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 25 É importante lembrar que os hi- atos ee e oo perderam o acen- to. Ex: voo. 1- (IBGE) Assinale a opção cuja palavra não deve ser acentuada: a) Todo ensino deveria ser gratuito. b) Não ves que eu não tenho tempo? c) É difícil lidar com pessoas sem carater. d) Saberias dizer o conteudo da carta? e) Veranópolis é uma cidade que não para de crescer. 2-(BB) Opção correta: a) eclípse b) juíz c) agôsto d) saída e) intúito 3- (BB) "Alem do trem, voces tem onibus, taxis e aviões". a) 5 acentos b) 4 acentos c) 3 acentos d) 2 acentos e) 1 acento 4- (EPCAR) Assinale a série em que todos os vocábulos devem receber acento gráfico: a) Troia, item, Venus b) hifen, estrategia, albuns c) apoio (subst.), reune, faisca d) nivel, orgão, tupi e) pode (pret. perf.), obte-las, tabu 5-(BB) Leva acento: a) pêso b) pôde c) êste d) tôda e) cêdo 6- (UF-PR) Assinale a alternativa em que todos os vocábulos são acentuados por se- rem oxítonos: a) paletó, avô, pajé, café, jiló b) parabéns, vêm, hífen, saí, oásis c) você, capilé, Paraná, lápis, régua d) amém, amável, filó, porém, além e) caí, aí, ímã, ipê, abricó 7- (CESCEM) Sob um ..... de nuvens, atra- cou no ..... o navio que trazia o ..... . a) veu, porto, heroi b) veu, pôrto, herói c) véu, pôrto, herói d) véu, porto, heroi e) véu, porto, herói. 8-(CESGRANRIO) Assinale a opção em que os vocábulos obedecem à mesma regra de acentuação gráfica: a) pés, hóspedes b) sulfúrea, distância c) fosforescência, provém d) últimos, terrível e) satânico, porém 9- (MACK) Indique a alternativa em que ne- nhuma palavra é acentuada graficamente: a) lapis, canoa, abacaxi, jovens b) ruim, sozinho, aquele, traiu c) saudade, onix, grau, orquidea d) voo, legua, assim, tenis e) flores, açucar, album, virus 10- (FGV-RJ) Assinale a alternativa em que todas as palavras estão corretamente grafa- das: a) raiz, raízes, sai, apóio, Grajau b) carretéis, funis, índio, hifens, atrás c) buriti, ápto, âmbar, dificil, almoço d) órfão, afável, cândido, caráter, Cristovão e) chapéu, rainha, tatu, fossil, conteúdo Gabarito 1- A 2- D 3- A 4- B 5- B 6- A Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 26 7- E 8- B 9- B 10- B Ortografia é a parte da gramática que se re- fere a escrever bem, isto é, escrever corre- tamente. Para isto é necessário que o estudante crie hábitos de leitura e de escrita para só assim conseguir fixar como escrever de acordo com a norma-padrão já que nosso cérebro atua nessa parte através da memória fotográfica. Mas, irão algumas dicas para vocês não er- rarem mais . 1. Mas x mais x más: Mas: é usado quando estiver na frase uma ideia de oposição, isto é, quando pudermos substituir pelo “porém”. Ex: João é um bom aluno, mas está em re- cuperação. Mais: é usado quando a ideia presente for de soma/quantidade. Ex: Fui ao shopping e comprei mais vestidos. Más: é o feminino plural de maus, isto é, seu sinônimo é relativo a algum ruim. Ex: Elas têm más atitudes. 2. Há x a: Há: é o verbo haver. Usamos para in- dicar tempo decorrido ou existência. Ex: Há dois alunos aqui. Ex²: Há um ano me formei. A: é o nosso famoso artigo ou, depen- dendo dos casos, nossa preposição. Ex: A turma é linda. (Usamos “a” por estar definindo turma e, além disso, é um substan- tivo feminino). 3. Mau x mal: Mau: usamos quando na frase encai- xar seu antônimo “bom”. Ex: Ele é um mau aluno. Mal: usamos quando, na frase, encai- xar seu antônimo “bem”. Ex: Sapato mal costurado. 4. É x e: É: verbo, logo poderá ser flexionado. Ex: Ela é bonita. E: conjunção. Serve para fazer o liga- mento das orações. Ex: Dormi tarde e acordei cedo. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 27 5. Dá x da: Dá: verbo. Ex: Dá esse ursinho para ele. Da: preposição. Serve para ligar ter- mos. Ex: Carinho da mamãe. 6. Uso dos porquês: Porque: usado para respostas. Ex: Não vou à festa porque choveu. Porquê: usado quando vier precedido de artigo. Ex: Não sei o porquê da sua falta. Por quê: usado para o final das per- guntas ou até mesmo das frases. Ex: Chegou atrasado por quê? Por que: além de ser usado para o iní- cio das perguntas, também podemos encontrar ele no meio da frase quando pudermos substituir por “motivo” (por qual motivo? / Pelo qual motivo?...) Ex: Por que você não veio? Ex²: “Sabe por que eu não te deixo?” - Sabe por qual motivo eu não te deixo? 1-Considere a frase: “No hotel seguinte, qua- se tiveram êxito.” – linha 46. Observe que a palavra êxito se grafa com “x”. Assinale a opção cujo vocábulo está com a grafia INCORRETA. (A) Excursão. (B) Extremo. (C) Excelência. (D) Enxaguar. (E) Extorno. 2-"A ___ de uma guerra nuclear provoca uma grande ___ na humanidade e a deixa ___ quanto ao futuro." a-espectativa - tensão - exitante b-espectativa - tenção - hesitante c-expectativa - tensão- hesitante d-espectativa - tenção - exitante 3- Assinale a alternativa que contém o perío- do cujas palavras estão grafadas correta- mente: a) Ele quiz analisar a pesquisa que eu reali- zei. b) Ele quiz analizar a pesquisa que eu reali- zei. c) Ele quis analisar a pesquisa que eu reali- zei. d) Ele quis analizar a pesquiza que eu reali- sei. Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 28 e) Ele quis analisar a pesquiza que eu reali- zei. 4- Assinale a opção que completa as lacunas de forma correta. Eu não fui à reunião __________ estava cansada e não entendo __________ isso está sendo criticado por todos. __________ falam todos sobre isso? __________? a) porque, por quê, porquê, por quê. b) por que, porquê, por que, porquê. c) porque, por que, por que, por quê. 5- Nas frases seguintes, substitua as pala- vras destacadas por: porque, por que, por quê ou porquê. a) Ela chegou atrasada pois apanhou um engarrafamento enorme. b) A diretora disse aquilo por qual motivo? c) Por qual razão existe tanta rivalidade entre vocês? d) Qual o motivo de tanto barulho? e) Essa foi a razão pela qual saímos do Bra- sil. 6- Complete com mas ou mais: a) Ele foi, _________ a filha ficou. b) Sou apaixonado por uma garota, _______ ela não me dá bola. c) Estude ______ e passará no vestibular. d) O ferro é ________ barato que o ouro. 7- Ele chegou _____ tempo de acompanhar o segundo tempo da partida de futebol. _____ várias diferenças entre o verbo “haver” e a preposição “a”. _____ muitos anos não viajava para o exteri- or. _____ dois meses da promoção, pediu de- missão da empresa onde trabalhava. O office-boy entregou _____ funcionária os documentos. A alternativa que preenche corretamente as lacunas das orações acima é: a) há – há – há – à – a b) a – há – há – a – à c) a – há – a – há – à d) à – a – a – a – há 8- ) Preencha as lacunas corretamente: I. Os chefes estavam de _______ humor na- quela segunda-feira. II. Márcia passou _______ e foi levada para casa. III. O motor do carro apresentou _______ desempenho durante os testes na fábrica. IV. ______ chegaram de viagem e já come- çaram a trabalhar. V. Nunca pratique o ______; pratique sempre o bem. a) Mau – mal – mau – mal – mal. b) Mau – mau – mau – mal – mau. c) Mal – mau – mal – mal – mal. d) Mau – mal – mal – mal – mal. e) Mal – mal – mal – mal – mau. 9- Julgue os itens em CERTO ou ERRADO em relação ao uso de ESTA ou ESTÁ. a) ( ) A moto está com defeito Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 29 b) ( ) Está roupa é muito cara c) ( ) O dia está muito agradável d) ( ) O professor esta satisfeito com o resul- tado das avaliações e) ( ) Aquela mochila está cheia de livros 10- Este meu amigo .......... vai ..........-se pa- ra ter direito ao título de eleitor. a) extrangeiro - naturalizar b) estrangeiro - naturalisar c) extranjeiro - naturalizar d) estrangeiro - naturalizar e) estranjeiro - naturalisar Gabarito 1- E 2- C 3- C 4- C 5- a) porque b) por quê c) por que d) porquê e) por que 6- a- mas b-mas c-mais d-mais 7- B 8- A 9- B e D estão erradas 10- D Os sinais de pontuação são usados para demonstrar sentimentos, dar clareza a frase, remover ambiguidade... Ponto final (.): é usado para marcar o encerramento de um período, de uma ideia. Ex: Fui ao cinema. Ponto de interrogação (?): é usado pa- ra indicar perguntas. Ex: Tudo bem? Ponto de exclamação (!): é usado para indicar sentimentos, emoções. Ex: Bom dia! Dois pontos (:): são usados para intro- duzir explicação, enumeração, cita- ção, diálogo... Ex: Só te desejo isto: seja feliz. Travessão (-): é usado para indicar fa- la no discurso direto ou para introduzir oração intercalada/ explicação. Ex: Mônica disse: - Como vai? Ex²: O RJ- cidade maravilhosa- está violento Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 30 Reticências (...): são usadas para dar ideia de continuidade, suspense, in- terrupção na fala... Ex: As horas iam passando... Parênteses ( () ): são usados para in- troduzir uma informação acessória, podendo substituir a vírgula ou o tra- vessão. Ex: Carlos (aluno do curso) está doente. Aspas (“”): são usadas para indicar fa- la de alguém, citação, partes do texto, ou seja, tudo que outra pessoa criou ou falou com as próprias palavras. Ex: “Prepara que agora é a hora do show das poderosas” – Anitta. Ponto e vírgula (;): indica pausa num período que não acabou, itens enu- merados... Ex: Na minha casa tem: -sofá; -geladeira; -cama. Vírgula: é usada para: Isolar o aposto. Ex: Carina, amiga da Julia, vai ao cinema. Isolar o vocativo. Ex: Julia, cui- dado. Separar local da data. Ex: Rio de Janeiro, 20 de abril. Separar os itens na enumera- ção. Ex: Fui à feira e comprei: banana, maçã, uva e melancia. Isolar expressões explicativas. Ex: Acordei cedo, ou seja, não me atrasarei. Marca a omissão de um termo. Ex: Gosto de chocolate, e ela, de abacaxi. Separar o adjunto adnominal. Ex: Rapidamente, fui ao shopping. 1-Assinale a opção em que está corretamen- te indicada a ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as lacunas da frase abaixo: “Quando se trata de trabalho científico ___ duas coisas devem ser consideradas ____ uma é a contribuição teórica que o trabalho oferece ___ a outra é o valor prático que possa ter. a) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgu- la b) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula; c) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula; d) pontos vírgula, dois pontos, ponto e vírgu- Marechal Hermes – AV. Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias, 55 4° andar. Tel.: 4106-3757 DISCIPLINA: Língua Portuguesa PROFESSORA: Larissa Leite pág. 31 la; e) ponto e vírgula, vírgula, vírgula. 2-Assinale as frases em que as vírgulas es- tão incorretas: a) ora ríamos, ora chorávamos; b) amigos sinceros, já não os tinha; c) a parede da casa, era branquinha bran- quinha; d) Paulo, diga-me o que sabe a respeito do caso; e) João, o advogado, comprou, ontem, uma casa. 3-Observe: 1) depois de muito pedir ( ) obteve o que de- sejava; 2) se fosse em outras circunstâncias ( ) teria dado tudo certo; 3) exigiam-me o que eu nunca tivera ( ) uma boa educação; 4) fez primeiramente seus deveres ( ) depois foi brincar; Assinale a alternativa que preencha mais adequadamente os parênteses: a) (;) (,) (:) (;); b) (,) (;) (:) (;); c) (,) (,) (:) (;); d) (?) (,) (,) (:); e) (,) (;) (.) (;). 4- Assinale o item em que as vírgulas es- tão empregadas corretamente: I - Foi ao fundo da farmácia, abriu um vidro, fez um pequeno embrulho e en- tregou ao homem. II - A sua fisionomia estava serena, o seu aspecto tranqüilo. III - E o farmacêutico, sentindo-se ali- viado do seu gesto, sentira-se feliz di- ante de suas lembranças. IV - Quando, vi que não servia, dei às formigas, e nenhuma morreu. a) I - IV; b) II - III; c) II - IV; d) I - II; e) I - III. 5- Assinale a opção em que está corre- tamente indicada a ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as lacunas da frase abaixo: “Como amanhã será o nosso grande dia ___ duas coisas serão importantes ___ uma é a tranqüilidade ___ a outra é a observação minuciosa do que esta sendo solicitado”. a) dois pontos, ponto