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Estrutura da Matéria Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Dr. Francisco de Assis Cavallaro Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Luciene Oliveira da Costa Granadeiro Matéria, Partículas e suas Interações • Modelo Padrão de Partículas; • Cronologia das Descobertas das Partículas; • Classificação Geral das Partículas; • Atributos da Matéria; • Forças Fundamentais de Interação e as Partículas Mediadoras da Interação; • Partículas Fundamentais e Famílias. • Permitir ao discente a aquisição de conhecimentos fundamentais sobre a física de partí- culas quânticas, sobretudo acerca da composição elementar da matéria e de suas forças de interação. OBJETIVO DE APRENDIZADO Matéria, Partículas e suas Interações Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Matéria, Partículas e suas Interações Modelo Padrão de Partículas O Modelo Padrão da Física de partículas (que, na realidade, não se trata de um modelo, mas sim de uma teoria) foi desenvolvido na década de 1960 e 1970 e descreve, atualmente, 17 partículas fundamentais, que são regidas por suas intera- ções. É uma teoria que tem como base a teoria quântica de campos e a relatividade restrita de Einstein. É altamente aceito no meio científico que as proposições teóricas das três for- ças fundamentais que regem a interação entre as partículas foram comprovadas em experimentos. O Modelo Padrão, também conhecido como o modelo das interações fundamen- tais da matéria, consegue descrever somente três das quatro forças básicas conhe- cidas, ou seja, a força nuclear fraca, a força nuclear forte e a força eletromagnética, mas não consegue incorporar quanticamente a força gravitacional. Esse modelo pode ser dividido em dois grupos de partículas elementares: os férmions e os bósons. • Férmions: são partículas que constituem a matéria e que possuem o spin semi- -inteiro (por exemplo: 1/2, 3/2, 5/2...) e obedecem ao princípio de exclusão de Pauli, isto é, apenas uma partícula é possível ocupar cada estado; • Bósons: são partículas mediadoras que promovem a interação entre os fér- mions. Possuem o spin inteiro (por exemplo: 0, 1, 2,...) e não obedecem ao princípio de exclusão de Pauli. Logo, uma quantidade enorme de partículas pode ocupar um único estado. Importante! O Modelo Padrão da Física de partículas descreve a interação entre três das quatro for- ças fundamentais: a interação eletromagnética, a interação nuclear fraca e a interação nuclear forte. Em Síntese As 17 partículas elementares compreendidas pelo modelo padrão da física de partículas, e mostradas na Figura 1 a seguir, consistem em: • 06 quarks: (up, down, charm, strange, top e bottom); • 06 léptons: (elétron, múon, tau, neutrino do elétron, neutrino do múon e neutrino do tau); • 04 bósons de calibre: (glúon, fóton, bóson Z0 e bósons ); • 01 bóson escalar: (bóson de Higgs). 8 9 Modelo padrão de partículas elementares Três Gerações de Matéria (férmions) I II III Interações/portadores de força (bósons) massa carga spin Q U A R K S u ≈2.2 MeV/c² ⅔ ½ up d ≈4.7 MeV/c² −⅓ ½ down c ≈1.28 GeV/c² ⅔ ½ charm s ≈96 MeV/c² −⅓ ½ strange t ≈173.1 GeV/c² ⅔ ½ top b ≈4.18 GeV/c² −⅓ ½ bottom LÉ PT O N S e 0.511 MeV/c² −1 ½ elétron νe (constituintes internos de hádrons) foram observados em experimentos no SLAC, constituindo a descoberta do quark up, quark down e quark strange. 1974 Descoberta do méson J/ψ pelo grupo chefiado por Burton Richter e Samuel Ting, demonstrando a existência do quark charm. 1975 Descoberta do tau por um grupo chefiado por Martin Perl. 1977 Descoberta do méson épsilon no Fermilab, demonstrando a existência do quark bottom (proposta por Kobayashi e Maskawa no ano de 1973). 1979 Glúon, observado indiretamente em eventos de jato triplo no DESY. 1983 Descoberta dos bósons W e Z por Carlo Rubbia, Simon van der Meer em uma colaboração do CERN, prevista em detalhes por Sheldon Glashow, Mohammad Abdus Salam e Steven Weinberg. 1995 Descoberta do quark top no Fermilab. 1995 Anti-hidrogênio, produzido e medido pelo experimento LEAR no CERN. 2000 Primeira observação direta do neutrino do tau no Fermilab. 2008 Descoberta do bárion ômega bottom (Ω− b) no Fermilab. 2011 Anti-hélio-4 produzido e medido pelo detector STAR. 2012 Observação de uma partícula que exibe a maioria das características previstas do bóson de Higgs, por pesquisadores do CERN. Fonte: Adaptado de http://bit.ly/31KgJw4 Classificação Geral das Partículas Na natureza, existe um grande número de partículas. Essas partículas podem ser classificadas de duas maneiras: por intermédio do spin e por intermédio da atuação de interações fundamentais. Essa classificação em dois conjuntos é descrita para cada um deles separada- mente a seguir. 10 11 Classificação pelo Spin Pelo método de classificação pelo spin, podemos dividir em dois tipos: férmions e bósons. Os férmions possuem spin semi-inteiro (1/2ℏ, 3/2 ℏ, ...) e os bósons têm spin inteiro (0ℏ, 1ℏ, 2ℏ, ...). A constante de Planck, representada por ħ, é uma das constantes fundamentais da Física. Seu valor é 1,05457266×10–34 J s.Ex pl or Os férmions têm como base teórica a estatística de Fermi-Dirac, obedecendo ao Princípio de Exclusão de Pauli. Os bósons não obedecem ao princípio de exclusão e, portanto, a quantidade de partículas que podem ocupar o mesmo estado quântico é ilimitada. Princípio de Exclusão de Pauli: duas ou mais partículas de spin semi-inteiro idêntico não podem ocu- par o mesmo estado quântico simultaneamente. Classificação pelas Interações Fundamentais Atuantes Outra classificação das partículas baseia-se nas forças de interação entre elas, sendo classificadas como léptons e hádrons. • Léptons: são influenciados pela força nuclear fraca e pela força eletromag- nética. A palavra “lépton” tem origem grega e significa “leve”, isto é, de massa pequena; • Hádrons: são influenciados por todas as forças. São divididos em Bárions (que são férmions) e Mésons (que são bósons). Os bárions possuem massas maiores do que os mésons. A tabela a seguir mostra a classificação através das forças de interação entre as partículas: Tabela 2 Léptons Quarks Hádrons Mésons Bárions Sp in se m i-i nt eir o Fé rm io ns Fraca eletromagnética Nuclear forte Nuclear fraca Eletromagnética Sp in in te iro Bó so ns Nuclear forte Nuclear fraca Eletromagnética 11 UNIDADE Matéria, Partículas e suas Interações Atributos da Matéria Os atributos essenciais da matéria, já muito conhecidos há décadas, são elenca- dos a seguir: • Todas as partículas têm massa; • As partículas eventualmente têm carga elétrica; • As partículas têm um momento angular intrínseco denominado spin. A cada um desses atributos da matéria há uma lei de conservação. Leis de conservação: indicam que as propriedades de uma partícula são invariantes antes e após uma reação (desintegração, espalhamento etc.).Ex pl or No estudo das reações entre partículas, outras grandezas novas que se conser- vam são o número bariônico B, no caso de bárions e o número leptônico L, no caso de léptons. Um novo atributo conservativo da matéria, denominado estranheza S, foi des- coberto nos anos 1950 em partículas aceleradas em energias de 1GeV. Spin Spin é definido como o momento angular intrínseco de uma partícula, não de- vido ao movimento orbital, estando presente em todas as partículas elementares. Na física de partículas, existem dois tipos de momento angular: o momento angular de spin e o momento angular orbital. O momento angular total de uma partícula é a combinação desses dois. O spin é uma propriedade física intrínseca, como a propriedade de carga elé- trica e massa. O teorema estatístico de spin, da mecânica quântica, afirma que o momento angular de spin só pode assumir determinados valores múltiplos inteiros ou semi-inteiros da unidade fundamental do momento angular, ℏ. Para as partículas elementares, o momento angular de qualquer sistema é ex- presso pela seguinte equação: S s s� �� � 1 , em que é a constante de Planck dividida por 2 . O teorema diz que as partículas de spin inteiro são bósons, enquanto partículas de spin semi-inteiro são férmions. 12 13 Importante! Spin é definido como o momento angular (não orbital) intrínseco de uma partícula. Figura 2 – Composição de spins de algumas partículas compostas Fonte: Adaptado de AmazonWs Em Síntese A Figura 2 acima mostra a composição dos spins de algumas partículas com- postas. O spin de partículas compostas, como o próton, é constituído pela soma dos spins das partículas que os compõe (no caso, os quarks de valência), estando sujeitos às mesmas regras de somas de spin das partículas elementares. Número Bariônico O número bariônico B é igual a +1 para os bárions, −1 para os antibárions e 0 para as outras partículas. Conforme a lei de conservação do número bariônico, o valor total de B deve ser o mesmo antes e depois de qualquer decaimento ou reação. Considere a reação de produção do antipróton abaixo: p p p p p p� � � � �� � O número bariônico total antes da reação é: B = + 1 + 1 = + 2; Após a reação, o número bariônico é: B = + 1 + 1 + 1 − 1 = + 2. Note que, além do antipróton, foi produzido um próton para que a lei de con- servação do número bariônico fosse respeitada. Importante! Regra geral: a produção de um antibárion é sempre acompanhada da produção de um bárion. Importante! 13 UNIDADE Matéria, Partículas e suas Interações A lei de conservação do número bariônico exige que o bárion de menor massa, o próton, seja estável, mas ainda há muita discussão sobre este aspecto. De fato, não se conhece nenhuma simetria que justifique esta conservação. Con- tudo, até o momento, a lei de conservação do número bariônico nunca foi infringida. Importante! O número bariônico B tem valor +1 para os bárions, −1 para os antibárions e 0 para as outras partículas. Em Síntese Números Leptônico Segundo o modelo padrão de partículas, os neutrinos não possuem massa de repouso e o spin está orientado antiparalelamente ao momento linear nos neutri- nos, enquanto sua antipartícula, os antineutrinos, apresenta o spin com orientação paralela ao momento linear (Figura 2). S p S � � p Figura 3 – Ilustração da orientação do spin do neutrino (v) e do antineutrino (v) Fonte: Adaptado de TIPLER e LLEWELLYN (2017) No modelo padrão de partículas, a massa de repouso de uma partícula é re- sultado da interação da partícula com o bóson de Higgs. Devido a essa interação transformar a orientação do spin das partículas, tanto o neutrino quanto o fóton indicam que eles não interagem com o bóson de Higgs, ou seja, não possuem massa de repouso, indicando, com isso, que o número leptônico é conserva- do, podendo ser aplicada a lei da conservação separadamente aos três sabores de léptons. Sabor, em física de partículas, refere-se ao conjunto de números quânticos que caracteriza diversos tipos de quarks e léptons, permitindo sua distinção, pois suas demais propriedades são similares. Trata- -se de um tipo de carga, um número quântico de uma partícula fundamental ou comporta, porém, diferente das outras cargas, como, por exemplo, da carga elétrica. 14 15 Considere a tabela a seguir, onde são mostradosos números leptônicos de seus respectivos léptons e antiléptons: Tabela 3 Partícula Símbolo Nº leptônico Le Lμ Lr elétron e– 1 0 0 neutrino do elétron ve 1 0 0 pósitron e+ -1 0 0 antineutrino do elétron ve -1 0 0 múon μ– 0 1 0 neutrino do múon vµ 0 1 0 antimúon µ+ 0 -1 0 antineutrino do múon vµ 0 -1 0 tau τ– 0 0 1 neutrino do tau vτ 0 0 1 antitau τ+ 0 0 -1 antineutrino do tau vr 0 0 -1 Para compreender melhor como é aplicada a lei de conservação do número leptônico, vamos considerar os seguintes decaimentos: p � �� 0+e (1) � � � �� � �e v ve (2) n p ve� � ��e � (3) Na equação (1), há conservação da energia, carga, momento angular e do mo- mento linear, mas é um decaimento ainda não observado. Nesse decaimento, o número bariônico B e o número leptônico Le não são conservados. Na equação (2), o decaimento do μ+, que é observado na prática, produz um pó- sitron (ou um antielétron), um neutrino do elétron e um antineutrino do múon. O μ+ tem L� � �1 e Le = 0 . O valor total desses números leptônicos para os produtos do decaimento tam- bém é L� � �1 (devido ao vμ) e Le = 0 (devido ao e+ e ao ve, cujos números quânti- cos são, respectivamente, −1 e 1). Na equação (3), referente ao decaimento do nêutron, que é observada na práti- ca, tanto B como Le são conservados. De acordo com a lei de conservação do número leptônico, o neutrino emitido no decaimento beta de um nêutron livre é o antineutrino do elétron. 15 UNIDADE Matéria, Partículas e suas Interações Estranheza Considere a reação abaixo: � �� � ��+p +� Carga: � � � �1 1 1+1 (é conservada) Nº bariônico: 0 0 11 → (é conservado) A reação mostrada acima deveria ocorrer, pois obedece às outras leis de conser- vação, como de carga e do número bariônico. Contudo, ela nunca foi observada, pois provavelmente viola alguma outra regra de conservação. Por volta da década de 1940, foi dada a essas partículas ∑+ a propriedade de- nominada estranheza S. Durante os experimentos, foi observada a criação de um grupo de novas partículas: K K K� � � � , , , , , 0 0 0� � � �e . Dentre outras propriedades observadas, essas partículas somente podem ser criadas aos pares, sendo chamadas de partículas estranhas. A esse novo atributo da matéria, foi dado o nome de estranheza S, que se conserva. A estranheza deve ser conservada nas interações nuclear forte e eletromagnéti- ca. Se a estranheza não estiver sendo conservada, é porque deve estar ocorrendo uma reação sob domínio da força de interação nuclear fraca. Os valores de estranheza possíveis são: +3, +2, +1, 0, –1, –2 e –3. Forças Fundamentais de Interação e as Partículas Mediadoras da Interação Todas as forças observadas na natureza, desde a mais simples até as explosões das supernovas, são descritas com base em quatro forças fundamentais de intera- ção, cujas partículas elementares estão sujeitas. Em ordem decrescente de intensi- dade, as forças são: • Força nuclear forte; • Força eletromagnética; • Força nuclear fraca; • Força gravitacional. 16 17 A tabela abaixo mostra as propriedades das forças de interação relacionadas à força eletromagnética de dois quarks up, separados à distância de 10-18 m: Tabela 4 Propriedade Interação Gravitacional Força Nuclear Fraca Força Eletromagnética Força Nuclear Forte Ação por intermédio de Massa-Energia Sabor Carga Elétrica Carga de Cor Partículas de atuação Todas Quarks, Léptons Carregadas eletricamente Quarks, Glúons Partículas mediadoras Gráviton (ainda não observado) W+, W–, Z0 γ (Fótons) Glúons Força a distância de 10–18m 10–41 0,8 1 25 Importante! As quatro interações fundamentais da natureza são: força eletromagnética, força nuclear fraca, força nuclear forte e força gravitacional. Importante! Nota-se que a força gravitacional é a mais fraca dentre as forças de interação, porém, é a de maior alcance, sendo a responsável pela estabilidade dinâmica de todo o Universo. Força Forte A força forte é descrita pela teoria da Cromodinâmica Quântica (ou da sigla inglesa, QCD), conforme o modelo padrão da física de partículas e é dividida em dois tipos: • Força forte fundamental; • Força forte residual. A força forte fundamental é uma força de alcance muito curto (menor que cerca de 0,8 fm, em que cada fermi representa a distância em metros: 1 10 15fm m� � ), que atua diretamente entre os quarks. Essa força mantém os quarks juntos para formar prótons, nêutrons e outras partículas (outros hádrons). Ela age em distâncias muito curtas, da ordem de 10−18 m e tem um tempo de interação de 10–23 s. A partícula mediadora da força forte fundamental é o glúon, que atua entre quarks, antiquarks e outros glúons e está associada à carga de cor. A carga de cor é um número quântico que é análogo à carga eletromagnética, sendo que os quarks carregam três tipos de carga de cor (vermelho, verde, azul) (Figura 4) e os antiquarks carregam três tipos de anticor (antivermelho, antiverde e antiazul). 17 UNIDADE Matéria, Partículas e suas Interações B - B R G B B - R - G - G B G R B - G - R - G - G R - R Figura 4 – Ilustração das cargas de cor de acordo com Cromodinâmica Quântica (QCD) Fonte: Wikimedia Commons A força forte residual, também conhecida como força nuclear, é uma força de curto alcance (cerca de 1 a 3 fm), existindo dentro do espaço de 10–15 m a 10–18 m, atuando para manter nêutrons e prótons juntos nos núcleos. Nos núcleos, essa força atua contrapondo a alta força eletromagnética repulsiva dos prótons. O termo residual está associado ao resíduo da interação fundamental entre os quarks que compõem os prótons e nêutrons. Essa força residual atua in- diretamente através dos mésons π e mésons µ virtuais, que transmitem a força entre os núcleons que mantém o núcleo unido. A força forte é dividida em dois tipos: força forte fundamental, mediada pelos glúons, e a força forte residual, que atua indiretamente através dos mésons π e mésons ρ virtuais.Ex pl or Nem todas as partículas participam da força nuclear forte; por exemplo, elétrons e neutrinos não são afetados por ela. Em geral, todos os léptons não são afetados pela força forte. Força Eletromagnética A força eletromagnética, sendo uma força de alcance infinito, pode atuar mes- mo em distâncias muito grandes, mas tem apenas 1/100 da intensidade da força forte, podendo ser atrativa ou repulsiva (cargas opostas se atraem e cargas seme- lhantes se repelem). É uma força que atua somente nas partículas carregadas eletricamente. O eletromagnetismo inclui a força eletrostática, que atua entre as partículas car- regadas em repouso, e o efeito combinado das forças elétricas e magnéticas que atuam entre as partículas carregadas movendo-se uma em relação à outra. Essas forças elétricas e magnéticas, que ora foram tratadas como forças de natureza 18 19 diferentes, foram reunidas em uma só teoria, isto é, foram unificadas em decor- rência das equações propostas por Maxwell, sendo ela uma força eletromagnética essencial para os modelos de estrutura atômica e ligações moleculares, sendo fun- damental para a formação da vida. O fóton é uma partícula elementar que é atua como mediador da força eletro- magnética. Os fótons são bósons de calibre, sem carga elétrica ou massa de repouso e de spin 1. Comum a todos os fótons é a velocidade da luz, sendo que, no vácuo, o fóton move-se com velocidade c (velocidade da luz (c) = 299 792 458 m/s). Força Nuclear Fraca A força de interação fraca envolve a troca dos bósons vetoriais intermediários, o W e o Z. Devido à grande massa destes bósons (cerca de 80 GeV), de acordo com o princípio da incerteza, o raio de alcance desta força é de cerca de 10-18 m (menor que o diâmetro do próton), equivalendo à, aproximadamente, 10-6 da inten- sidade da força nuclear forte. Importante! A força fraca é manifestada principalmente em decaimentos de partículas e interações de neutrinos. Importante! É uma força responsável por algunsfenômenos nucleares, como o decaimento beta (um nêutron se desintegrando em um próton, um elétron e um antineutrino do elétron), que pode ser entendido em termos da força fraca que opera nos quarks dentro do nêutron. Um dos dois quarks down transforma-se em um quark up emitindo um bóson W– (carrega uma carga elétrica negativa). Esse bóson se decompõe em um elétron (e–) (partícula formadora dos raios beta) e em um antineutrino (v), conforme é mostrado na Figura 5 a seguir. Figura 5 – A força fraca atuando em um processo de decaimento beta Fonte: Adaptado de Nuclear Power 19 UNIDADE Matéria, Partículas e suas Interações Como pode ser visto na Figura 5, ocorre uma mudança de um sabor de um quark para outro, pela interação da força fraca. A força fraca representa a única interação que pode mudar o sabor de um quark para outro quark, ou de um lépton para outro lépton. Força Gravitacional Como a força eletromagnética, a força gravitacional pode agir mesmo a distân- cias infinitamente grandes. Na teoria clássica da gravitação de Newton, a força da gravidade varia com o produto das massas das partículas que interagem e com o inverso do quadrado da distância entre elas. Essa força é uma força atrativa que atua entre todas as partí- culas com massa. Embora as massas dos núcleons (prótons e nêutrons) sejam muito pequenas, o fato de a distância entre os núcleons ser também extremamente pequena torna a força gravitacional mais expressiva. Contudo, ela é 10–38 vezes mais fraca que a força forte; é 10–36 vezes mais fraca que a eletromagnética e é 10–29 vezes mais fraca que a força de interação fraca, sendo, portanto, a força elementar mais fraca de todas. A Teoria Geral da Relatividade é a teoria fundamental que aborda a gravidade, descrevendo-a não como uma força, mas como uma consequência da curvatura do espaço-tempo causada pela distribuição desigual da massa. Na teoria quântica da gravidade, o gráviton é a partícula elementar hipotética que se acredita ser o mediador da força da gravidade. Ondas gravitacionais: o que são, de onde vêm e o que têm de importante? Disponível em: http://bit.ly/2AMjaCqEx pl or Partículas Fundamentais e Famílias Os três tipos de partículas são léptons, quarks e partículas transportadoras. Disponível em: http://bit.ly/2VsG0s8Ex pl or Os quarks, juntamente com os léptons, são partículas elementares e considera- dos os elementos básicos que constituem a matéria. 20 21 Conforme o link acima, as partículas fundamentais, segundo o modelo padrão, podem ser de três tipos: léptons, quarks e partículas mediadoras, sendo dividi- das em três famílias. As únicas partículas estáveis estão localizadas na primeira família, cujos mem- bros também são estáveis. Léptons Os léptons, que são férmions, são um tipo de partícula elementar de massa mui- to pequena que possuem spin semi-inteiro (spin 1 ⁄ 2). Os léptons não participam da força forte, mas participam das forças fraca, eletromagnética e gravitacional. Existem seis léptons na estrutura atual, as partículas de elétrons, múons e tau, seus neutrinos associados e suas antipartículas. Os léptons não participam da força forte, mas participam das forças fraca, eletromagnética e gravitacional. A tabela abaixo mostra algumas propriedades dos 6 léptons conhecidos: Tabela 5 Partícula Símbolo Carga Antipartícula Massa (MeV/c²) elétron e– –e e+ 0,511 neutrino do elétron ve 0 ve ≈ 0 múon μ– –e µ+ 105,7 neutrino do múon vµ 0 vµ ≈ 0 tau τ– –e τ+ 1777 neutrino do tau vτ 0 vr ≈ 0 Por intermédio da força fraca, quando criados, o múon e o tau decaem rapida- mente em partículas mais leves. Quarks Os quarks são um tipo de partículas elementares que constituem a matéria. Em 1963, Gell-Mann e Zweig propuseram que nenhum dos hádrons (portanto, nem o próton e nem nêutron) é puramente fundamental, mas composto de combi- nações de dois (mésons) a três quarks (bárions). Atualmente, a teoria que descreve os quarks é bem aceita, considerando-os como partículas verdadeiramente fundamentais. A Figura 6 a seguir mostra os quarks presentes no próton de um átomo de hidrogênio. 21 UNIDADE Matéria, Partículas e suas Interações Figura 6 – Quarks presentes em um próton Fonte: Adaptado de Nuclear Power Os quarks são organizados em duas famílias de partículas, que compartilham as mesmas propriedades, com exceção da massa: • 1ª: up (u), charm (c) e top (t); • 2ª: down (d), strange (s) e bottom (b). Todos os quarks se unem em grupos de dois a três quarks, chamados hádrons, através da força nuclear forte. Importante! A matéria comum consiste em dois tipos de quarks: o quark up (carga elementar, q = + 2/3) e o quark down (q = −1 / 3). Importante! Quarks mais pesados são instáveis e decaem rapidamente para os mais leves através da força fraca. Os hádrons que consistem em dois quarks são chamados de mésons, e aque- les que consistem em três quarks são chamados de bárions, e são mostrados na tabela abaixo: Tabela 6 Partículas Composição de Quarks Partículas Composição de Quarks Mésons Bárions π+ ud p uud π– ud n udd π0, mixture uu Δ0 udd dd η0, mixture uu Δ+ uud dd K0 d s Δ– ddd K–0 ds Δ++ uuu K+ us Λ0 uds 22 23 Partículas Composição de Quarks Partículas Composição de Quarks Mésons Bárions K– us Σ0 uds J/ψ cc Σ+ uus Υ bb Σ– dds Ξ0 uss Ξ– dss Ω– sss Bárions e Mésons O bárion é qualquer férmion sujeito a interações fortes, como os prótons e nêu- trons, que contêm cada um três quarks. Outros bárions são as partículas lambda, sigma, xi e ômega. Além da carga e do spin (1/2 para os bárions), outros dois números quânticos são atribuídos a essas partículas: número bariônico (B) e estranheza (S). Os bárions possuem um número bariônico B = 1, e suas antipartículas têm o valor B = -1. Por exemplo, um núcleo de deutério que contém um próton (B=1) e um nêutron (B=1) possui um número bariônico total de B=2, conforme a respectiva lei de conservação. Os mésons são um tipo de hádron composto por um quark e por um antiquark de carga de cor oposta. A Figura 7 a seguir mostra um diagrama com a lista dos bárions e mésons conhecidos. Figura 7 – Lista de bárions e mésons, suas massas e meias-vida Fonte: Nuclear Power 23 UNIDADE Matéria, Partículas e suas Interações Bósons Os bósons são partículas mediadoras, ou seja, promovem a interação entre os férmions. Os léptons e quarks interagem uns com os outros enviando e receben- do bósons. • Duas cargas elétricas atraem-se, por exemplo, por meio do bóson fóton. • Quarks interagem entre si por meio dos bósons glúons. • Os bósons W e Z, por sua vez, são mediadores da força fraca, particularmente responsável pelo decaimento beta, ou seja, pela emissão de elétrons ou pósi- trons na desintegração de nêutrons. • Os grávitons são os supostos mediadores da interação entre massas para a força gravitacional. Os bósons são partículas mediadoras, ou seja, promovem a interação entre os férmions. O bóson de Higgs é uma partícula especial que, ao interagir com outras partí- culas, não as dota com força, mas com massa, o que permite explicar o motivo de as partículas terem massa. Em 2012, após uma longa série de coleta e interpretação de dados experimen- tais fornecidas por intermédio de experimentos no acelerador de partículas LHC (Large Hadrons Collider), foi provada a existência do bóson de Higgs, a partícula responsável por atribuir massa a todos os férmions. O que é Bóson de Higgs: https://youtu.be/UPJ4F-bb6_A Ex pl or 24 25 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Saiba mais sobre a Teoria das Cordas https://youtu.be/sYPkIWeEYtk O que é Bóson de Higgs? https://youtu.be/UPJ4F-bb6_A Leitura Artigo sobre a teoria do campo unificado http://bit.ly/35esLzT Ondas gravitacionais: o que são, de onde vêm e o que têm de importante? http://bit.ly/2AMjaCq 25 UNIDADE Matéria, Partículas e suas Interações Referências CHAVES, A. S. Física: sistemas complexos e outras fronteiras. Riode Janeiro: Reichmann & Affonso Editores, 2001. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física: ótica e físi- ca moderna. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. KNIGHT, R. D. Física: uma abordagem estratégica – relatividade e física quântica. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. LOPES, J. L. A estrutura quântica da matéria: do átomo pré-socrático às partí- culas elementares. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2005. TIPLER, Paul A.; LLEWELLYN, Ralph A. Física Moderna. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. TIPLER, P. A.; MOSCA, G. Física para cientistas e engenheiros – Física moder- na: mecânica quântica, relatividade e a estrutura da matéria. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2009. 26