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ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS Alcy Cotias da Anunciação Alcy Cotias da Anunciação Atos e Fatos Administrativos Jequié 2023 Sumário Fato Administrativo Ato Administrativo Classificação dos Atos Administrativos Espécies de Atos Administrativos Perfeição, Eficácia e Validade dos Atos Administrativos Pressupostos de Existência Atos Administrativo Requisitos ou Elementos (Pressupostos de validade) Teoria do Desvio de Poder Silêncio Administrativo Atributos dos Atos Administrativos Sumário Processo e Procedimento Administrativo Coisa Julgada Administrativa Invalidade do Ato Administrativo Nulidade Ato Nulo, Ato Anulável e Ato Inexistente Anulação e Revogação Referências Apresentação Esta obra é resultado do estudo sobre Atos e Fatos Administrativos. Em torno do tema são debatidos assuntos que compõem o tema, como Atos Administrativo; Fato Administrativo; Espécies de Atos Administrativos; Perfeição, Eficácia e Validade dos Atos Administrativos; Pressupostos de Existência. Estas aulas foram ministradas para o curso de Direito da Faculdade Anhanguera/Pitágoras, no polo Jequié/Ba. Faculdade Anhanguera Jequié Atos e Fatos Administrativos Professor: Alcy Cotias da Anunciação 2023 Fato Administrativo Fato Jurídico: aquilo que gera aquisição, modificação ou extinção de direitos e deveres. É o fato real, o acontecimento da vida, associado a sua relação com o homem e a sua relevância para o Direito. Fato administrativo: qualquer fato ocorrido dentro da administração pública, independentemente da vontade humana, que gere efeitos jurídicos. Ato da administração: qualquer coisa, obrigatoriamente, ligada à vontade humana, que ocorre dentro da administração pública, igualmente, produzindo efeitos jurídicos. (Sejam eles atos administrativos ou não) Atos Administrativos Atos administrativos: são os atos praticados no exercício da função administrativa, no exercício do direito público, e ensejando a manifestação de vontade do Estado. Classificam-se quanto a liberdade de atuação do agente público em: Vinculado: lei estabelece todos os elementos objetivamente. Não há qualquer margem de escolha para o agente público. Discricionário: também previsto em lei, mas se confere ao agente público uma margem de escolha (ou por determinações expressas ou por conceitos indeterminados). O agente pode complementar o ato de acordo com seu juízo de conveniência e oportunidade. Atos Administrativos Classificam-se quanto ao alcance do ato administrativo em: Gerais: quando se descreve uma situação fática e todos aqueles que se adequem à situação fática devem obedecer a esse ato. Individuais: é aquele que individualiza as pessoas atingidas por ele. Classificam-se quanto a formação do ato administrativo em: Simples: é perfeito e acabado com a simples manifestação de vontade de um único agente. Ex.: portaria de nomeação de um analista do TRT. Complexos: ato administrativo que só se aperfeiçoa por soma de vontades absolutamente independentes. Ex.: nomeação de um Procurador da Fazenda Nacional (depende de ato do ministério da fazenda e da AGU). Composto: também depende de mais de uma manifestação de vontade, mas se tem uma vontade principal e uma acessória. Atos Administrativos Classificam-se quanto à destinação do ato administrativo em: Internos: voltados para a própria administração. Externos: orientados aos cidadãos em geral. Classificam-se quanto ao objeto em: Atos de império: são atos praticados de oficio pelos agentes públicos e impostos coercitivamente aos administrados. Ex: desapropriação de um bem privado. Atos de gestão: a Administração Pública atua como se fosse uma pessoa privada, não se valendo da citada supremacia. Ex: aluguel de bem imóvel de autarquia a um particular; Atos de expediente: são atos internos da administração pública, relacionados às rotinas de andamento dos variados serviços executados por seus órgãos e entidades administrativos. Não têm conteúdo decisório. Atos Administrativos Classificam-se quanto ao número de partes do ato administrativo em: Unilateral: formação da vontade pelo órgão emitente. Bilateral: formação da vontade entre dois interesses distintos. Plurilateral: conjugação de uma pluralidade de interesses. Classificam-se quanto à modificação da esfera jurídica dos afetados pelo ato administrativo em: Ampliativos: concedem direitos e garantias aos usuários/cidadãos. Restritivos: restringem direitos e garantias aos usuários/cidadãos. Atos Administrativos Espécies de atos administrativos: NORMATIVOS: São atos praticados pelo Estado para os quais se estabelecem normas gerais e abstratas dentro dos limites da Lei. Regulamentos (decretos) – ato privativo do chefe do executivo. Avisos (ministeriais) – são os atos normativos dos ministérios, órgãos imediatamente inferiores ao do chefe do executivo. Instruções normativas – atos expedidos por outras autoridades públicas. São atos administrativos normativos por qualquer outra autoridade. Deliberações / Resoluções – são atos normativos dos órgãos colegiados, sejam eles integrantes da administração direta ou da indireta com poder normativo (Ex.: agências reguladoras). Atos Administrativos Espécies de atos administrativos: ORDINATÓRIOS: São atos praticados para ordenação interna da atividade pública e não atingem terceiros. Portaria – ato interno individual. É praticada por chefes de órgãos públicos e atinge indivíduos específicos, normalmente seus subalternos, determinando que eles realizem certos atos. Circular – normas internas uniformes (que não extrapolam a administração pública). São ordens escritas voltadas a determinados agentes. Ex.: definição de horário de funcionamento da repartição. Ordem de serviço – delegação de ordens e divisão de tarefas. Distribuição de atividade interna do órgão. Memorandos – ato de comunicação interna. Comunicação entre agentes do mesmo órgão. Ofícios – ato de comunicação externa. Comunicações oficiais realizadas pela Administração a terceiros, podendo ser entre agentes de órgãos diversos, entre autoridades diferentes ou entre autoridade pública e particular. Ato Administrativo Espécies de atos administrativos: NEGOCIAIS: São atos de consentimento. O estado concede ao particular algo que este pleiteia. Todos os atos negociais são expedidos por meio de alvará. Licença – ato vinculado por meio do qual a administração permite ao particular a realização de uma atividade fiscalizada. Autorização – ato administrativo discricionário e precário. Precário, pois pode ser desfeito a qualquer tempo, independente de indenização. Autorização de uso de bem público: se a utilização é especial, precisa de autorização (Ex.: casar-se na praia). Neste caso, é necessária autorização de uso. Autorização de polícia: para atividade material fiscalizada pelo poder público – Ex.: portar arma, abrir escola etc. Atos Administrativo Espécies de Atos Administrativos Permissão –Trata-se da permissão de USO de bem público (e não de serviço!). Aqui, permite-se ao particular usar o bem público de forma especial. Ex.: fazer feirinha na praça. É Ato administrativo, que, apesar de ter natureza de ato, depende de licitação para que seja regular. Admissão – ato por meio do qual se permite que particular usufrua de serviço público prestado pelo Estado. Ex.: matrícula na escola pública. ENUNCIATIVOS: São atos por meio dos quais a administração pública atesta fato ou emite opinião. Parecer – ato enunciativo opinativo. Emite opinião do poder público sobre determinada situação. O parecer não produz efeito direto no mundo jurídico. (não vinculante) PUNITIVOS: É ato sancionatório. Devem ser analisados com base em 2 princípios: (i) proporcionalidade; e (ii) devido processo legal. Atos Administrativos Pressupostos de existência: Perfeição,Eficácia e Validade “[...] é perfeito quando esgotadas todas as fases necessárias à sua produção. Portanto, ato perfeito é o que completou o ciclo necessário à sua formação.” “[...] é válido quando foi expedido em absoluta conformidade com as exigências do sistema normativo. Vale dizer, quando se encontra adequado aos requisitos estabelecidos pela ordem jurídica.” “[...] é eficaz quando está disponível para a produção de seus efeitos próprios; ou seja, quando o desencadear de seus efeitos típicos não se encontra dependente de qualquer evento posterior, como uma condição suspensiva, termo inicial ou ato controlador a cargo de outra autoridade.“ Celso Antônio Bandeira de Mello Atos Administrativos a) perfeito, válido e eficaz - quando, concluído o seu ciclo de formação, encontra-se plenamente ajustado as exigências legais e está disponível para deflagração dos efeitos que lhe são típicos; b) perfeito, inválido e eficaz - quando, concluído o seu ciclo de formação e apesar de não se achar conformado as exigências normativas, encontra-se produzindo os efeitos que lhe seriam inerentes; c) perfeito, válido e ineficaz - quando, concluído o seu ciclo de formação e estando adequado aos requisitos de legitimidade, ainda não se encontra disponível para a eclosão de seus efeitos típicos, por depender de um termo inicial ou de uma condição suspensiva, ou autorização, aprovação ou homologação, a serem manifestados por uma autoridade controladora; d) perfeito, inválido e ineficaz - quando, esgotado seu ciclo de formação, sobre encontrar-se em desconformidade com a ordem jurídica, seus efeitos ainda não podem fluir, por se encontrarem na dependência de algum acontecimento previsto como necessário para a produção dos efeitos (condição suspensiva ou termo inicial, ou aprovação ou homologação dependentes de outro órgão). Atos Administrativos Requisitos ou Elementos (Pressupostos de validade) Competência – depende de previsão na lei ou na CF/88, é de exercício obrigatório, irrenunciável, imodificável, não admite transação e é improrrogável. Forma – somente a prevista em lei, sendo em regra por escrito, admitindo-se de outra maneira quando a lei assim autorizar. Motivação – é a correlação lógica entre os elementos do ato, em regra obrigatória e deve ser realizada antes ou durante a prática do ato). Motivo – razões de fato e de direito que justificam a edição do ato. Objeto ou conteúdo – o resultado prático do ato. Exige-se que esse seja lícito (previsto em lei), possível e determinado. Finalidade – só pode ser uma razão de interesse público que será definido por lei. O desrespeito ao interesse público compromete o ato com o vício de desvio de finalidade (é vício ideológico, vício subjetivo). Atos Administrativos Atributos dos Atos Administrativos Presunção de legitimidade, veracidade: o ato é válido, legal e verdadeiro, até que se prove o contrário (presunção relativa). Está presente em todos os atos. Auto-executoriedade: executado pela própria administração, sem necessidade de intervenção do judiciário. Não está presente em todos os atos. Tipicidade: consiste em uma garantia do administrado de que a administração não pratica atos totalmente discricionários. Existe em todo ato. Imperatividade: é a qualidade pela qual os atos administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua concordância. Não existe em todos os atos. Atos Administrativos Teoria do Desvio de Poder: “Desvio de poder é, pois, o desvio do poder discricionário. É o afastamento da finalidade do ato”. “A autoridade disfarça os motivos verdadeiros do ato praticado e apresenta, para encobri-los, pretexto legal para justificar a prática do ato.” (CRETELLA JÚNIOR, 1978, p. 185 e 186). Silêncio Administrativo: é a ausência de manifestação de vontade da Administração Pública. Não é ato administrativo, pois há ausência da manifestação de vontade. Sendo então fato administrativo. Entretanto, a lei pode determinar, em casos específicos, que o silêncio pode se qualificar como ato, sendo denominado silêncio qualificado (depende de disciplina jurídica) quando expressar uma vontade da administração. Atos Administrativos Processo e Procedimento Administrativo Procedimento administrativo: trata-se da sequência de atos praticados no âmbito da Administração Pública, sem exercício de jurisdição. Processo administrativo: seria a sequência de atos praticados junto ao tribunal administrativo, ou no exercício do poder jurisdicional. Coisa Julgada Administrativa A coisa julgada equivale à decisão que se tornou irretratável pela própria Administração. Não significa que se tornou definitiva para as partes, porque é sempre passível de alteração pelo Poder Judiciário. Atos Administrativos Nulidade: é a incapacidade de o ato produzir efeitos jurídicos. Ato nulo: nasce com um vício insanável, resultante da ausência de um de seus elementos constitutivos ou defeito substancial em algum deles. O ato nulo não pode ser convalidado e não pode produzir efeito entre as partes. Por exemplo, o ato com motivo inexistente, com objeto não previsto em lei ou com desvio de finalidade. Há a possibilidade de atribuição de efeitos jurídicos a atos nulos com base em princípios de boa-fé, da proteção da confiança, da proporcionalidade ou outros princípios constitucionais Ato inexistente: possui apenas aparência de manifestação de vontade da administração, mas, não se origina de um agente público ou os seus objetos são juridicamente impossíveis. Não produz nenhum efeito e os efeitos já produzidos serão desconstituídos. Por exemplo, um ato que ordene a prática de um crime Ato anulável: apresenta defeito sanável, passível de convalidação pela própria administração que o praticou, desde que ele não seja lesivo ao interesse público, nem cause prejuízo a terceiros. Atos Administrativos Anulação: é o desfazimento de ato ilegal. Revogação: é a extinção de ato válido, mas que deixou de ser conveniente e oportuno. Pode a revogação ser total (ab-rogação), ou parcial (derrogação). Súmula 473 do STF: “A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.” Atos Administrativos Invalidação do Ato Administrativo: É a declaração de invalidade de um ato administrativo ilegítimo ou ilegal, feita pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário. Baseia-se, portanto, em razões de ilegitimidade ou ilegalidade. Vício de Competência: invasão de competência ou excesso de poder. Vício de Forma: Desrespeito à forma prevista em lei. Vício de finalidade: Desvio de finalidade. Exemplo: usar do ato administrativo para efeito pessoal ao invés de servir sua principal finalidade, que é o interesse público e o bem da coletividade. Vício de Motivo: inexistência ou falseamento do fato; inexistência do direito. Vício do Objeto: Conteúdo ilícito, impossível ou indeterminável. Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 06 mai. 2023. CRETELLA JÚNIOR,. José. Anulação do ato administrativo por desvio de poder: Rio de Janeiro, Forense, 1978. DI PIETRO., Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo: 36ª edição: Rio de Janeiro, Forense, 2023. MELLO., Celso Antônio Bandeira de. Curso De Direito Administrativo: 35ª edição: Salvador, JusPODIVM, São Paulo, Malheiros, 2021. Slide 1: ATOS E FATOS ADMINISTRATIVOS Slide 2 Slide 3: Sumário Slide 4: Sumário Slide 5: Apresentação Slide 6 Slide 7: Fato Administrativo Slide 8: Atos Administrativos Slide 9: Atos Administrativos Slide10: Atos Administrativos Slide 11: Atos Administrativos Slide 12: Atos Administrativos Slide 13: Atos Administrativos Slide 14: Ato Administrativo Slide 15: Atos Administrativo Slide 16: Atos Administrativos Slide 17: Atos Administrativos Slide 18: Atos Administrativos Slide 19: Atos Administrativos Slide 20: Atos Administrativos Slide 21: Atos Administrativos Slide 22: Atos Administrativos Slide 23: Atos Administrativos Slide 24: Atos Administrativos Slide 25: Referências