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1 DP ADAP – 2º semestre 2024 SAÚDE MENTAL ROTEIRO PARA ESTUDO PARTE I – Reforma Psiquiátrica e Política de Atenção Integral à Saúde Mental o Estudar o Item 2 Reforma Psiquiátrica e os Serviços Substitutivos, início pag. 15. Referência: UNA- SUS/UFMA. Redes de Atenção à Saúde: rede de atenção psicossocial - RAPS. São Luís: EDUFMA; 2018. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/bitstream/ARES/10279/3/Rede%20de%20Aten%C3%A7%C3%A3o%20Psico ssocial%20-%20RAPS.pdf . (EM ANEXO) DESINSTITUCIONALIZAÇÃO: • A Reforma Psiquiátrica brasileira traz da experiência italiana a concepção de desinstitucionalização, que segundo Rotelli, De Leonardis e Mauri (1990), implica, em primeiro lugar, a renunciar a toda forma de reduzir e simplificar a problemática do sofrimento mental a uma fórmula única: problema-solução, causa-efeito ou diagnóstico-tratamento. • Os autores propõem uma mudança de concepção e de prática ao confrontar as estruturas científicas e organizativas, já produzidas neste campo, e a existência concreta das pessoas em seu sofrimento e em suas relações com a vida social. • A primeira forma da desinstitucionalização é uma mudança de objeto (da doença para a existência sofrimento dos pacientes) e uma ruptura de paradigma (do modelo manicomial para a intervenção social). • O objetivo maior no processo de desinstitucionalização não é a cura, mas a produção de vida, de saúde e de sociabilidade. • Outra referência conceitual importante para a Saúde Mental no Brasil é a Reabilitação Psicossocial, como um caminho a seguir para a transformação das práticas. • Para Saraceno (1999) a reabilitação psicossocial “é um conjunto de estratégias orientadas a aumentar as oportunidades de troca de recursos e de afetos.” A reabilitação psicossocial, desta forma, é mais do que a realização de oficinas, grupos ou de outras técnicas para reabilitar o sujeito para a vida social. • Nestes dois conceitos: Desinstitucionalização e Reabilitação Psicossocial estão os pilares para a Reforma Psiquiátrica brasileira que ajudam na condução da política de saúde mental do Brasil em direção do cuidado na comunidade, da produção de cidadania e de laços sociais para todos. REFORMA PSIQUIÁTRICA: Reforma Psiquiátrica – “Por uma sociedade sem manicômios” • Esta requer a transformação do conjunto de práticas e saberes que estão ligados ao tema da loucura, do sofrimento psíquico e do transtorno mental. • A Reforma Psiquiátrica Brasileira é um conjunto de transformações de práticas, saberes, valores culturais e sociais que acontecem no cotidiano da vida das instituições, dos serviços e das relações interpessoais marcado por impasses, tensões, conflitos e desafios. • A criação do primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) no Brasil, em 1987, se deu na cidade de São Paulo, o CAPS Prof. Luiz da Rocha Cerqueira (CAPS Itapeva), em homenagem ao psiquiatra alagoano (Psiquiatria Social). https://ares.unasus.gov.br/acervo/bitstream/ARES/10279/3/Rede%20de%20Aten%C3%A7%C3%A3o%20Psicossocial%20-%20RAPS.pdf https://ares.unasus.gov.br/acervo/bitstream/ARES/10279/3/Rede%20de%20Aten%C3%A7%C3%A3o%20Psicossocial%20-%20RAPS.pdf 2 • O início do processo de intervenção, em 1989, da Prefeitura Municipal de Santos (SP) em um hospital psiquiátrico, a Casa de Saúde Anchieta, em razão das condições precárias e dos maus tratos aos quais os internados eram submetidos. • Com relação aos acontecimentos que compõem esse processo, as pessoas que apresentam algum tipo de sofrimento psíquico e seus familiares passaram a ter outras oportunidades e perspectivas para suas vidas, assim como os profissionais que atuam na área e os gestores da rede de saúde pública. • Mas a mudança proposta, não se trata apenas da criação de tipos diferentes de serviços, mas do enraizamento de novas concepções sobre o sofrimento humano e dos modos de acolher e tratar as pessoas com sofrimento psíquico. • Em 1989, apoiado pelos movimentos sociais que atuavam no campo da Saúde Mental, o Deputado Federal Paulo Delgado (PT/MG) apresenta, no Congresso Nacional o Projeto de Lei 3.657/89. Após 12 anos de tramitação e de um conjunto de substitutivos, a Lei 10.216 foi promulgada em 06 de abril de 2001, conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica. Lei 10.216 – 06/04/2001: • Analisando-se a referida Lei, podemos observar que foram estabelecidos, pela primeira vez na história jurídica do país, o redirecionamento do modelo assistencial em saúde mental e os direitos e a proteção das pessoas com sofrimento psíquico, ressaltando-se, em particular: o Artigo 1º: Os direitos e a proteção das pessoas acometidas de transtorno mental, de que trata esta Lei, são assegurados sem qualquer forma de discriminação quanto à raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção política, nacionalidade, idade, família, recursos econômicos e ao grau de gravidade ou tempo de evolução de seu transtorno ou qualquer outra. • Dentre os direitos das pessoas com transtornos mentais, podemos destacar: o Ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades. o Ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando a alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade. o Ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental. • Novas Ações: o Essas ações foram seguidas de outras, como a implantação de Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) com funcionamento 24 horas, de projetos de inserção no trabalho e, posteriormente, de criação de uma cooperativa de trabalho; de residência para os egressos do hospital; de projetos culturais e centro de convivência; e de associação de usuários e familiares. o A experiência santista demonstrou a possibilidade de construção de uma rede de cuidados capaz de substituir os hospitais psiquiátricos, de afirmação e garantia de direitos de cidadania e a exigência de produção de um novo lugar social para as pessoas com sofrimento psíquico. Declaração de Caracas: • A década de 90 foi também marcada pelo compromisso firmado pelo Brasil na assinatura da Declaração de Caracas. Este documento foi produzido na Conferência Regional para a Reestruturação da Atenção Psiquiátrica dentro dos Sistemas Locais de Saúde realizada na Venezuela, em novembro de 1990, que reuniu organizações, associações, autoridades da saúde, profissionais de saúde mental, legisladores e juristas. • Declaração de Caracas: Documento que marca as reformas na atenção à saúde mental nas américas. • A Declaração de Caracas foi adotada como referência pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a transformação do modelo de assistência à saúde mental e estabeleceu como diretrizes conforme o Ministério da Saúde: 3 o Que a reestruturação da atenção psiquiátrica seja ligada à Atenção Primária de Saúde e nos marcos dos Sistemas Locais de Saúde, permitindo a promoção de modelos alternativos centrados na comunidade e nas suas redes sociais. o A revisão crítica do papel hegemônico e centralizador do hospital psiquiátrico na prestação de serviços. o Que os recursos, cuidado e tratamento devem: salvaguardar invariavelmente a dignidade pessoal e os direitos humanos e civis; estar baseados em critérios racionais e tecnicamente adequados; propiciar a permanência do paciente em seu meio comunitário. o Que as legislações dos países devem ajustar-se de maneira que assegurem o respeito aos direitos humanos e civis dos pacientes mentais e promovam a organização de serviços que garantam seu cumprimento. o Que a capacitação dos recursos humanos em Saúde Mental e Psiquiátrica deve ser realizada apontando para um modelo cujo eixo passe pelo serviço de saúde comunitário e propicie a internação psiquiátrica em hospitais gerais, de acordo com os princípios diretores que fundamentam esta reestruturação. o Que as Organizações,Associações e demais participantes desta Conferência comprometam-se acordada e solidariamente a assegurar e desenvolver nos países programas que promovam a reestruturação, bem como pela promoção e defesa dos direitos humanos dos pacientes mentais de acordo com as legislações nacionais e com os respectivos compromissos internacionais. A mobilização social desses segmentos na luta pelas transformações da assistência à saúde mental torna-se decisiva e dois fatos demonstram sua importância, são eles: o A realização do II Encontro Nacional de Usuários e Familiares, na cidade de Santos, em dezembro de 1993, onde se aprovou a Carta de Direitos dos Usuários do Brasil. o A realização, entre 1993 e 2001, de cinco Encontros Nacionais do Movimento da Luta Antimanicomial, sempre com mais de quinhentos participantes entre usuários, familiares e profissionais de saúde. o Dia Nacional da Luta Antimanicomial - 18 DE MAIO. LEGISLAÇÃO: • Na década de 90, passam a entrar em vigor as primeiras regulamentações federais para a implantação de serviços de atenção diária, fundadas nas experiências dos primeiros CAPS, NAPS e hospitais-dia. Entre elas destacam-se as Portarias 189/MS de 1991 e 224/MS de 1992 do Ministério da Saúde que tratam respectivamente do Financiamento Público para os Dispositivos Comunitários de Atenção em Saúde Mental e da Regulamentação dos CAPS e NAPS como Unidades Fundamentais da Rede Assistencial. • É a partir desse período que se inicia uma progressiva expansão da rede de serviços substitutivos, sendo que, até o ano 2000, já havia cerca de 210 CAPS cadastrados no Ministério da Saúde e em pleno funcionamento. Em 2022, segundo o site do Ministério da Saúde temos 2742 CAPS no Brasil em 1845 municípios. • Por outro lado, destaca-se que, em 2000, é publicada a Portaria MS 106/00 que trata dos Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT’s) como estratégia fundamental para os processos de desinstitucionalização. • Entretanto, a destinação dos recursos financeiros do Ministério para a área de Saúde Mental ainda revelava um dado preocupante: aproximadamente 93% dos recursos eram destinados às internações em hospitais psiquiátricos. • Em 2002, novas portarias são editadas, criando novas modalidades de CAPS (Portaria MS nº 336/02) e instituindo o Programa Nacional de Avaliação do Sistema Hospitalar/Psiquiatria (PNASH/Psiquiatria) responsável pela avaliação da qualidade dos serviços prestados pelos hospitais psiquiátricos. O PNASH/Psiquiatria e o Programa Anual de Reestruturação da Assistência Hospitalar no SUS (PRH), criado em 2004, são apontados como estratégias importantes para a redução gradual dos leitos em hospitais psiquiátricos. • Em julho de 2003 foi promulgada a Lei 10.708 que “institui o auxílio reabilitação psicossocial para pessoas com transtornos mentais, egressos de internação”. Esse auxílio constitui parte integrante do Programa de 4 Volta para Casa (PVC) do Ministério da Saúde, atendendo ao Artigo 5º da Lei nº 10.216 que determina o estabelecimento de política específica, compreendendo alta planejada e reabilitação psicossocial assistida, para as pessoas com história de internação psiquiátrica. • A última mobilização nacional em defesa da Reforma Psiquiátrica aconteceu em setembro de 2009. Intitulada Marcha dos Usuários - Por uma Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, reuniu na capital federal cerca de 2.000 pessoas, entre técnicos, familiares e principalmente usuários dos serviços. O objetivo do movimento foi chamar a atenção do governo e da população brasileira para os rumos que vem tomando a Reforma nos últimos anos. • Com a participação de diversas entidades, como o Conselho Federal de Psicologia, e os movimentos sociais de luta antimanicomial, a Marcha representou um reavivamento da mobilização popular. Além disso, seus objetivos eram: o Garantir a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e a melhoria das condições de atendimento para as pessoas com sofrimento mental. o Exigir o cumprimento da Lei da Reforma Psiquiátrica (10.216/01). o Reivindicar a realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental na perspectiva intersetorial. o Exigir a efetiva implantação do “Programa de Volta para Casa”. Amarante (2007) menciona quatro dimensões fundamentais, que devem estar entrelaçadas para que seja possível avançar neste processo da Reforma Psiquiátrica: • A Dimensão Teórico-Conceitual epistemológica diz respeito à produção de conhecimentos que fundamentam e autorizam o saber/fazer profissional nesse campo. • Na Dimensão Técnico-Assistencial a oferta de serviços deve ser adequada a essa compreensão acerca do sujeito que sofre. Os serviços devem ser dispositivos estratégicos, lugares de acolhimento, de cuidado e de trocas sociais, capazes de sustentar a inserção social. • A Dimensão Jurídico-Política, segundo Amarante (2009), trata da redefinição das relações sociais e civis em termos de cidadania e de direitos humanos. Materializa-se, portanto, pela construção de um arcabouço jurídico e normativo, composto por leis e portarias para garantir sustentabilidade legal às proposições da Reforma Psiquiátrica no Brasil. • A Dimensão Sociocultural, por sua vez, é aquela que se ocupa da mudança em relação às representações sociais sobre a loucura e o louco. Em particular aquelas que dizem respeito aos estigmas de periculosidade, improdutividade e irracionalidade atribuídas aos sujeitos, como se fossem predicados “naturais” da doença mental. PARTE II – Rede de Atenção Psicossocial – RAPS o Estudar o Item 3 - Rede de Atenção Psicossocial, início pag. 22. Referência: UNA-SUS/UFMA. Redes de Atenção à Saúde: rede de atenção psicossocial - RAPS. São Luís: EDUFMA; 2018. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/bitstream/ARES/10279/3/Rede%20de%20Aten%C3%A7%C3%A3o%20Psico ssocial%20-%20RAPS.pdf . (EM ANEXO) A Rede de Atenção Psicossocial é destinada às pessoas em sofrimento psíquico ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas no âmbito do Sistema Único de Saúde. Foi instituída pela Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011, republicada em 21 de maio de 2013 e revogada pela Portaria de Consolidação nº 3, de 28 de setembro de 2017, que trata da consolidação das normas sobre as redes do Sistema Único de Saúde . https://ares.unasus.gov.br/acervo/bitstream/ARES/10279/3/Rede%20de%20Aten%C3%A7%C3%A3o%20Psicossocial%20-%20RAPS.pdf https://ares.unasus.gov.br/acervo/bitstream/ARES/10279/3/Rede%20de%20Aten%C3%A7%C3%A3o%20Psicossocial%20-%20RAPS.pdf 5 A Rede de Atenção Psicossocial foi disposta anteriormente pelo Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011, que regulamenta a Lei nº 8.080 a fim de reorganizar o Sistema Único de Saúde, visto o seu planejamento em saúde, assistência à saúde e à articulação interfederativa. Segundo a Portaria de Consolidação nº 3/2017, são objetivos específicos da RAPS: • Promover cuidados em saúde especialmente para grupos mais vulneráveis (crianças, adolescentes, jovens, pessoas em situação de rua e populações indígenas). • Prevenir o consumo e a dependência de crack, álcool e outras drogas. • Reduzir danos provocados pelo consumo de crack, álcool e outras drogas. • Promover a reabilitação e a reinserção das pessoas com transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas na sociedade, por meio do acesso ao trabalho, renda e moradia solidária. • Promover mecanismos de formação permanente aos profissionais de saúde. • Desenvolver ações intersetoriais de prevenção e redução de danos em parceria com organizações governamentais e da sociedade civil. • Produzir e ofertar informações sobre direitos das pessoas, medidas de prevenção e cuidado e os serviços disponíveis na rede. • Regular e organizar as demandas e os fluxos assistenciais da Rede de Atenção Psicossocial. • Monitorar eavaliar a qualidade dos serviços por meio de indicadores de efetividade e resolutividade da atenção. Diretrizes para o seu funcionamento do RAPS: 6 Componentes do RAPS: PARTE III – Funções Psíquicas Funções Psíquicas: ▪ Percepção ou Sensopercepção; ▪ Pensamento (Conteúdo, Curso e Forma); ▪ Orientação; ▪ Memória; ▪ Linguagem ou Fala; ▪ Psicomotricidade; ▪ Afeto; 7 ▪ Humor; ▪ Inteligência; ▪ Atenção; ▪ Consciência; ▪ Insight / Julgamento. 1. Percepção ou Sensopercepção: Capacidade que desenvolvemos de formar uma síntese de todas as sensações e percepções que temos a cada momento. Para isso fazemos uso de todos os nossos sentidos. Alucinação: quando há percepção clara e definida experimentada na ausência de estímulo sensorial: • Auditiva: ouvir ruídos ou sons na forma de vozes, variam desde uma voz conversando com o cliente, até entre 2 ou + vozes sobre a pessoa; vozes de comando; pensamentos audíveis nos quais comentam o que ele está pensando; • Visual: lampejos de luz, figuras ou cenas elaboradas, pessoas (vivas ou mortas...); • Tátil: experiência de dor ou desconforto, espetadas, choques... • Gustativa: gosto de sangue, metálico! • Olfativa: odores como sangue, urina, fezes, odor de coisas podres... Ilusão: percepção deformada de um estímulo sensorial real, na qual, os estímulos sensoriais são interpretados de maneira equivocada. O paciente geralmente vê pessoas, monstros, animais, entre outras coisas, a partir de estímulos visuais como móveis, roupas, objetos ou figuras penduradas nas paredes. 2. Pensamento: Processo pelo qual associamos e combinamos os conhecimentos que já adquirimos no mundo e chegamos a uma conclusão ou a nova ideia. Classificados de acordo com: • Produção (coerência e lógica) - modo como se reúne ideias e associações, lógico/ilógico. Alterações da produção: o Bloqueio - súbita interrupção no fluxo de pensamentos, antes da ideia ter sido completada. dificuldade de recordar. o Perseveração - dificuldade de mudar de um tema para outro, de se desvincular de uma ideia. o Tangencialidade - dificuldade de responder exatamente ao que foi perguntado. O indivíduo entende a pergunta e responde algo próximo ao tema. o Salada de palavras - mistura de palavras e frases que não apresenta um sentido compreensível ou coerência lógica. Extremo da desorganização. • Conteúdo (substância do pensamento) – refere-se ao que uma pessoa realmente está pensando: ideias, crenças, preocupações, ... O significado é expresso na comunicação. o Delírio - Ideias falsas acreditadas pela pessoa como reais. Desenvolve uma convicção extraordinária, uma certeza subjetiva absoluta sobre essa falsa realidade; não modifica essa convicção mesmo quando confrontada com argumentos objetivos e argumentos lógicos que a contradizem. ▪ Delírio Persecutório – crença de estar sendo perseguido e enganado por inimigos imaginários. Às vezes a pessoa pode identifica-lo entre seu círculo familiar, social ou profissional. ▪ Delírio de Grandeza – crença de que é alguém muito importante, rica, descendente de família nobre, grande inventor... ▪ Delírio de Culpa – crença de ser responsável por atos que geram remorso e culpa. A pessoa se diz responsável por crimes, pecados terríveis, tragédias alheias e calamidades. ▪ Delírio Místico – crença de que o sujeito é favorecido por um ser superior ou de que é um instrumento desse ser com a missão importante de salvar a humanidade. ▪ Delírio Hipocondríaco – crença com a preocupação em grau extrema com a sua saúde, de estar acometida por doenças incuráveis, terríveis , porém sem comprovação orgânica. ▪ Delírio de Ciúmes – crença da infidelidade do companheiro. Mantem vigilância continua, desconfia de qualquer pessoa e pesquisa peças intimas, lençóis... o Pobreza de discurso -quando não há diminuição da quantidade do discurso, mas o material produzido traz pouca informação. 8 o Obsessão - ideia ou impulso persistente e indesejado que não pode ser eliminado pela lógica ou raciocínios normais. • Curso (ritmo e velocidade) - fluxo de pensamento. pode apresentar aceleração ou lentificação. o Fuga de ideias - salto verbal de uma ideia para outra, antes que a ideia precedente tenha sido concluída. Ocorre perda da estrutura lógica do discurso, o indivíduo passa a fazer associações de palavras por semelhança sonora e baseadas em estímulos do meio. Ideias são fragmentadas. o Lentificação do pensamento - suceder lento de ideias, é a diminuição do pensamento. 3. Orientação: • Autopsíquica (preservado/prejudicado) capacidade do indivíduo de estabelecer sua própria identidade pessoal – nome, idade, ocupação e relações de parentesco; • Alopsíquica (preservado/prejudicado) capacidade do indivíduo de estabelecer sua própria posição em relação ao tempo, espaço ou pessoas – reconhecer o ambiente em que se encontra, pessoas do seu relacionamento. 4. Memória: Capacidade, processo ou ato de recordar ou relembrar; capacidade de reproduzir o que foi aprendido ou vivenciado. • Memória imediata registrar e reproduzir informações em poucos segundos. • Memória recente fatos recentes acontecidos nos últimos dias, horas... • Memória remota eventos e fatos importantes de sua história pessoal e de acontecimentos públicos com data. Alterações quantitativas: • Amnésia: incapacidade total ou parcial de recordar experiências passadas. • Hipermnésia: Aumento da capacidade de recordação com riqueza de detalhes Alterações qualitativas: • Déjà vu: sensação de familiaridade diante de uma situação nova como se já houvesse vivenciado anteriormente. • Jamais vu: ausência da sensação de familiaridade diante de uma situação já vivenciada uma ou mais vezes. • Falso reconhecimento: Identificação de uma pessoa por outra, inclusive com troca de nome. 5. Linguagem ou Fala: Modo de comunicação que se caracteriza pelo uso de fonemas em combinação produzindo o conjunto de palavras de uma língua. pensamento reflete-se no discurso do indivíduo, sadio ou doente, e dependendo da adequação deste discurso é que se detectará alguma anormalidade. • Pressão de fala - fala rápida, acelerada e excitada. às vezes, excede a capacidade da musculatura vocal para a articulação, levando a uma fala atrapalhada e indistinta. de difícil interrupção. • Logorréia (taquilalia) - aumento da velocidade da fala. • Bradilalia - diminuição da velocidade da fala. • Mutismo ausência de discurso. 6. Psicomotricidade: Aspectos que incluem impulsos, motivações, desejos, vontades, instintos e anseios expressos pelo comportamento ou atividade motora do indivíduo • Compulsão impulso incontrolável para realizar um ato repetitivamente. • Estereotipia - repetição constante e quase mecânica de qualquer ação, desprovida de finalidade. • Lentificação Psicomotora: retardamento dos movimentos e pensamento. • Agitação Psicomotora: excessiva hiperatividade, geralmente improdutiva e em resposta a tensão interna. 7. Afeto: Expressão externa da resposta emocional, estado emocional vivenciado. Tom emocional visível. Pode ser observado através da expressão facial. Pode ser congruente ou incongruente com o humor. • Afeto adequado: variação na expressão facial, tom de voz e movimentos corporais. • Afeto constrito/restrito: redução na variação e intensidade de expressões. 9 • Afeto embotado: expressão da emoção mais reduzida ainda. • Afeto plano: não se encontra qualquer emoção, voz monótona, rosto imóvel. • Afeto inadequado: desarmonia entre o tom emocional e a ideia que o acompanha. 8. Humor: É definido como uma emoção abrangente e constante, que colore a percepção que a pessoa tem do mundo. Tom emocional persistente, percebido ao longo de uma linha contínua normal de triste a alegre. Relato sobre seu estado emocional preponderante e reflete sua situação de vida. Alterações do humor: • Eutímico: faixa normal. • Disfórico: estado de ânimo desagradável.• Irritável: facilmente provocado até a raiva lábil. • Oscilações entre períodos de euforia e tristeza ou ansiedade. • Deprimido: sentimento patológico de tristeza. • Exaltado: ar de confiança e alegria, mais animado que o normal, mas não necessariamente patológico. • Euforia: intensa relação com sentimentos de grandeza. • Anedonia: perda do interesse e afastamento de todas as atividades regulares e prazerosas. 9. Inteligência: Capacidade para aprender e utilizar apropriadamente o que se aprendeu. Consiste na habilidade para pensar e agir racional e logicamente. Relacionada com o vocabulário, grau de instrução e conhecimentos gerais. 10. Atenção: É o direcionamento da consciência. Divide-se em: • Voluntária - implica a capacidade de dirigir a atenção (sondagem), selecionar o foco (seletividade), mantê-la (tenacidade) e alternar o foco (alternância). • Espontânea - reações aos estímulos externos, independentemente da vontade do indivíduo atraindo-o, pode estar aumentada ou diminuída. 11. Consciência: É a esfera psíquica que promove integração do indivíduo ao meio ambiente. Quando esta função psíquica está preservada, dizemos que a pessoa está lúcida, vigil ou consciente. A consciência pode sofrer alterações quantitativas e qualitativas. • Vígil (desperto, alerta); • Hipervigilância (estímulos ambientais aumentados acompanhados de ansiedade e hiperatividade); • Lúcido; • Obnubilação (sonolência, reação incompleta aos estímulos); • Sonolência ou letargia (encontra-se dormindo, desperta com estímulo, alopsíquica e autopsíquica preservado); • Estupor ou torpor (só desperta com estímulos dolorosos intensos e cessada a estimulação volta ao estado de inconsciência, pode manter os olhos abertos e seguir com movimentos oculares objetos externos e/ou apresenta respostas com sons incompreensíveis); • Delirium ou estado confusional agudo (desencadeada por condições orgânicas – intoxicação, quadros infecciosos, distúrbios circulatórios e do SNC – rebaixamento da consciência do leve ao moderado acompanhado de desorientação, ansiedade, ilusões, alucinações, agitação ou lentificação motora); • Coma; • Estados crepusculares e transe (estreitamento do campo da consciência e dissociação, conservando-se alguma atividade psicomotora que permite atos automáticos). 12. Insight / Juízo crítico Grau de conscientização e compreensão do indivíduo que está doente. • Negação completa da doença. 10 • Ligeira conscientização acerca do adoecimento. Consciência de estar doente, culpabilizando as pessoas ao redor. PARTE IV – Exame Psíquico Exame Psíquico Estudo dos fenômenos psíquicos expressados, comunicáveis e dotados de algum significado. O objeto de estudo são os produtos mentais normais e anormais que ocorrem no indivíduo. Descrição geral: • Aparência: é a impressão geral transmitida ao examinador (estado geral de saúde e nutrição, idade aparente, postura, marcha, modos olhar, dilatação ou constrição das pupilas, expressão facial, vestuário (incluir acessórios e maquiagem), higiene, corte de cabelo, barba, uso de piercings e/ou tatuagens. • Comportamento: adequação ou inadequação ao ambiente, atitudes para com o examinador por exemplo: movimentos corporais excessivos ou reduzidos. • Atitude: postura ativa e colaborativa, respondendo às perguntas adequadamente ou ignorar intencionalmente as questões e solicitações do examinador (negativismo ativo), ou o farão por se encontrarem alheios ao que lhes é pedido ou perguntado (negativismo passivo). • Obs.: o contato com o examinador é sempre uma impressão subjetiva. Cabe ao examinador não julgar os clientes. É importante frisar quanto ao comportamento e a atitude, postura do examinador. Realização do Exame Psíquico: • Técnicas de avaliação: perguntas claras e simples. • Modo coerente e esquematizado, nunca interrogatório. • Ideação suicida e ou homicida abordadas diretamente, sendo necessário questionar tentativas anteriores, verificação de avaliação de planos, disponibilidade de sistemas de suporte. • Iniciar o exame através da observação de comportamento, como descrever a aparência e comportamento, quanto a psicomotricidade verificar o grau de movimentação, se há dificuldades com os movimentos em si, avaliar grau de consciência. • Questionar “onde você está hoje?”, “que dia é hoje?” Para avaliar a orientação. • Durante a interação com o cliente observar tom de voz, velocidade da fala, se há respostas monossilábicas, momentos de silêncio. Através da linguagem conferir se o cliente expressa suas ideias com clareza e a ocorrência de mudança de assuntos, não contestar as crenças delirantes. • Perguntar se o cliente ouve ou vê coisas não compartilhadas por outras pessoas presentes no mesmo ambiente. Manter a atenção aos sinais indiretos de alucinação como solilóquios. • A afetividade (humor e afeto) é avaliada a partir dos sentimentos frente aos relatos. • O cliente mantém-se atento durante a entrevista ou qualquer interferência o atrai e apresenta dificuldade em retornar. • Indagar sobre a recordação dos eventos das últimas 24 horas para avaliar a memória recente. • Constatar o que o cliente pensa sobre a situação atual, por exemplo, a sua compreensão em estar frente a um (a) enfermeiro (a). • Averiguar o estado de ânimo e de energia para a execução das atividades de vida diária. PARTE V – Recursos Terapêuticos na Enfermagem em Saúde Mental Comunicação Terapêutica: ▪ Processo de transmitir e receber mensagens; ▪ Finalidades básicas: entender o mundo, relacionar-se com os outros e transformar a si mesmo e a realidade. ▪ Comunicação verbal: refere-se às palavras expressas por meio da fala ou escrita; ▪ Comunicação não verbal: não está associada às palavras e o corre por meio de gestos, silêncio, expressões faciais, postura corporal, etc... 11 Contexto em que está ocorrendo a interação: o Interlocutores: emissor é receptor e receptor é emissor; o Mensagem: informações ou emoções que queremos passar A comunicação terapêutica: ▪ Escuta é a base de toda a comunicação terapêutica. ▪ Na interação verbal com alguém estamos tentando basicamente nos expressar (transmitir), clarificar um fato (entender um raciocínio, um comportamento que esteja acontecendo naquele momento), e validar a compreensão de algo (verificar se a compreensão está correta e se nós fizemos entender). 1. Expressão: ▪ Ouvir reflexivamente: Precisamos refletir e entender a mensagem do cliente. Vital para interação com o cliente, evitar conclusões prematuras. ▪ Permanecer em silêncio: em determinadas situações; deixar o cliente elaborar suas respostas após refletir sobre as perguntas. Incomoda-nos, mas em determinadas situações devemos permanecer em silêncio para estimular o cliente a falar. ▪ Usa frases incompletas: estimular o cliente a completar o que iniciou; estimulá-lo a terminar a frase. ▪ Fazer perguntas: em termos claros, acessível a compreensão do cliente, aguardar a resposta. Evitar perguntas que dê margens a respostas monossilábicas. ▪ Devolver a pergunta feita: podemos transmitir através da devolução da pergunta que queremos a opinião do cliente, o foco de atenção é o cliente, contar assuntos pessoais pode dificultar a interação. ▪ Verbalizar dúvidas: com muito tato e bom senso. ▪ Dizer “não”: requer habilidade e coerência. 2. Silêncio: ▪ Não é uma atividade fácil de realizar; ▪ Pode transmitir apoio, compreensão e aceitação; ▪ Dá tempo ao cliente de pensar e obter insights. 3. Como verbalizar aceitação: ▪ Chamar pelo nome (engloba respeito); ▪ Aceitá-lo como pessoa; ▪ Aceitar o ser humano doente, não o comportamento que vai contra as normas sociais. 4. Clarificação: ▪ Estimular comparações; ▪ Solicitar que esclareça termos incomuns que às vezes pode ser comum para o linguajar deles, não para o nosso; ▪ Ajuda a esclarecer as informações dadas; ▪ Solicitar que precise o agente da ação; ▪ Descreveros eventos em sequência lógica; 5. Validação: ▪ Ajudar o cliente a estabelecer um significado das mensagens expressas por ele; ▪ Repetir a mensagem do cliente; ▪ Pedir para repetir o que foi dito; ▪ Sumarizar o que foi dito na interação. Recursos Terapêuticos: O enfermeiro conta com sua competência em comunicação humana e terapêutica para ajudar a pessoa que vivencia a situação de doença mental a descrever e esclarecer sua experiência, seus pensamentos e sentimentos para validação e compreensão da descrição realizada. Nessa operação, é preciso valer-se da competência em comunicação humana e em estratégias de comunicação terapêutica e de sua aplicação no processo de enfermagem, procurando maximizar a parte sadia da pessoa, valorizando seu potencial e suas possibilidades. • Estratégias para comunicação: o Manter aparência tranquila; o Baixo tom de voz; 12 o Demonstrar respeito e apoio pelo paciente; o Escute o paciente; o Fale sem críticas; o Minimizar estímulos; o Estabelecimento de limites. • Avaliar os objetos no ambiente terp~eutico o Dispositivos – banheiros e consultórios; o Distância – mesa, porta; o Objetos – pérfuro-cortantes, pontiagudos; o Vidro inquebrável – blindado, duplo; o Pertences pessoais: sacos plásticos, vidros... o Chuveiros – embutidos, curvos; o Ruídos. PARTE VI – Emergências Psiquiátricas Emergências Psiquiátricas: o Cerca de 10% de todos os atendimentos de emergência em um hospital geral ou pronto socorro, são diagnosticados como sendo emergências psiquiátricas. o Mais comuns são: suicídio, comportamento agressivo, episódios maníacos, episódios depressivos, esquizofrenia paranóide, alcoolismo, dependência química. o Situações de Emergência são aquelas que envolvem risco de vida ou risco social grave, necessitando de intervenções imediatas (tempo medido em minutos ou horas). o Situações de Urgência envolvem riscos menores, necessitando de intervenção em curto prazo (tempo medido em dias ou semanas) Situações eletivas são aquelas em que a rapidez da intervenção não é um critério essencialmente importante. Classificação das Situações: o Emergência – 1. Delirium Tremens; 2. Comportamento violento; 3. Toxicidade por drogas; 4. Comportamento suicida; o Urgência - 1. Comportamento bizarro; 2. Agitação; 3. Embriaguez; 4. Avaliação de internações. o Eletivas - 1. Distúrbios situacionais (familiar, trabalho); 2. Ansiedade leve ou moderada; 3.“Somente quero falar”; 4. Questões sobre medicação ou desejo de receitas ou informações acerca de efe itos colaterais; 5. Pacientes conhecidos, necessitando de suporte e contínuo envolvimento em programas de trabalho comunitário. AGRESSIVIDADE: • Comportamento visando ameaçar ou ferir a segurança ou autoestima da vítima. • Significa “ir contra”, “agredir” ou “atacar”. • Resposta que visa infligir dor ou uma lesão a objetos ou pessoas. • Quer os danos sejam causados por palavras, punhos ou armas. • Comunicada de maneira assertiva, pode promover a resolução de conflitos. • Pode ser destrutiva se for descarregada contra um objeto ou indivíduo não relacionados ao verdadeiro alvo da raiva. Observação da Agressividade: o Comportamentos agressivos leves, moderados, graves (ameaças de violência física a outros) ou extremos (atos físicos de violência contra outros). o Sarcasmo. o Ameaças verbais ou físicas. o Comentários de menosprezo. 13 o Mudança no tom de voz (elevada ou oscilante; rápida ou hesitante). o Andar de um lado para o outro. o Jogar para o alto ou golpear objetos ou pessoas. o Ideação homicida. o Aumento da irritabilidade. o Raiva desproporcional a um evento. Observação da raiva: o Franzir o cenho; o Ranger de dentes; o Punhos cerrados; o Face ruborizada; o Andar de um lado para o outro; o Mudança no tom de voz (mais baixa, com palavras ditas entre dentes cerrados ou gritos e alto tom de voz). Comportamentos que são fatores de risco de violência: o Bater portas e em mesas; o Postura tensa; o Dentes e punhos cerrados; o Fazer exigências, discutir; o Falar numa voz rápida e mais alta; o Desafiar e ameaçar a equipe. Estratégias para prevenção de comportamento agressivo: a) COMUNICAÇÃO o Manter aparência tranquila; o Baixo tom de voz; o Demonstrar respeito pelo paciente; o Escute o paciente; o Fale sem críticas; o Minimizar estímulos; o Estabelecimento de limites. Avaliar os objetos no ambiente o Dispositivos – banheiros e consultórios; o Distância – mesa, porta; o Objetos – perfurocortantes, pontiagudos; o Vidro inquebrável – blindado, duplo; o Pertences pessoais: sacos plásticos, vidros... o Chuveiros – embutidos, curvos; o Ruídos. b) CONTENÇÃO Tipos: 1. Contenção verbal/pela comunicação 2. Contenção do espaço 3. Contenção mecânica/física 4. Contenção química 1. Contenção verbal: • Tom de voz baixo e suave, demonstração de compreensão, não olhar fixamente nos olhos; • Canal de comunicação aberto; • Impor limites; 14 • SEMPRE atenção aos próprios sentimentos! 2. Contenção do espaço: • Compromisso com o paciente; • Vínculo; • Contrato; • Atenção as condições do espaço. 3. Contenção mecânica: • Usada como estabelecimento de limites é uma ação terapêutica, na medida em que o profissional com competência e critérios limita às manifestações de comportamento de outra pessoa. Procedimentos: ▪ 5 pessoas da equipe devem se aproximar simultaneamente do cliente, uma para cada membro do corpo e uma para segurar a cabeça e proceder à contenção no leito com faixas e material apropriado. ▪ A equipe deve ser treinada para a contenção, de modo a agir coordenadamente e da maneira mais calma e silenciosa possível. ▪ Apenas 1 pessoa deve falar, explicando o procedimento ao cliente e pedindo sua colaboração, mesmo que esse aparente não estar compreendendo o que ocorre ou não queira colaborar. ▪ Cada membro é preso à maca por faixas especiais; um lençol pode ser usado para restringir o tronco, s/n, como alças de uma mochila (nunca sobre o peito, restringindo os movimentos respiratórios). ▪ Se o cliente cuspir, um lençol sobre parte do rosto deverá ser o suficiente. ▪ O cliente contido deve ser reavaliado pelo médico num intervalo máximo de 1 hora para se determinar a continuidade ou não da contenção. Cuidados de Enfermagem: ▪ Explicar o procedimento ao cliente e familiares. ▪ Monitorar condição da pele nos locais de contenção. ▪ Monitorar cor, temperatura e sensação frequentemente nas extremidades contidas. ▪ Posicionar o cliente para evitar aspiração e ruptura da pele. ▪ Ajudar quanto as necessidades humanas básicas (nutrição, excreção, ...). ▪ Retirar contenções gradualmente. ▪ Documentar no prontuário o motivo da intervenção, a condição física do cliente e os cuidados de enfermagem oferecidos e a razão do término da intervenção. 4. Contenção química: • Procedimento que utiliza medicamentos com o objetivo de diminuir o grau de agitação e de ansiedade de pacientes com sintomas psicóticos; • Uso é extremamente frequente, modalidade aceita socialmente. “sossega-leão”; • O procedimento-padrão consiste em administrar um antipsicótico de alta potência como o haloperidol, na dose de 5 mg a 10 mg por via IM que tem rápida absorção e independe de colaboração do cliente; • O procedimento pode ser repetido a cada 30 a 60 min, até o controle dos sintomas de hiperexcitação, hiperatividade ou agressividade; • A maioria dos clientes responde a uma dose de 10 mg a 20 mg e não se recomenda que se ultrapasse os 50 mg/dia; • Em face dos riscos de eventos adversos (EA) extrapiramidais, deve-se usar a menor dose necessária. Os principais EA como acatisia e distonia aguda devem ser tratados com antiparkinsonianos como biperideno de 2 mg a 5 mg por VO ou IM; • Um regime eficaz e cada vez mais usado no Brasil consiste na associação do neuroléptico a um benzodiazepínico de ação rápida epotente, como por exemplo o midazolan, na dose de 5 mg a 15 mg por via IM, ou 15 mg por VO; • Outra consideração importante é que o diazepam (algumas drogas) tem absorção errática pela via IM, devendo-se dar preferência para a administração VO ou EV. Obs.: Diazepam IM de preferência no deltoide onde a absorção é mais rápida e completa. Músculo mais vascular que o tecido subcutâneo; 15 • Clientes com transtornos psicóticos, podem se beneficiar do acetato de zuclopentixol, um neuroléptico com ação sedante na forma de uma solução oleosa de liberação lenta, cuja ação inicia-se de 2 a 3 horas após o início do tratamento e dura até 3 dias. Utiliza-se uma ampola de 50 mg/1 ml, IM. Questões Ético-Legais ▪ Resolução CFM nº 1.598/00 - Normatiza o atendimento médico a pacientes portadores de transtorno mental. Art. 11 – Um paciente em tratamento em estabelecimento psiquiátrico só deve ser submetido à contenção física por prescrição médica, devendo ser diretamente acompanhado, por um auxiliar do corpo de enfermagem durante todo o tempo que estiver contido. ▪ De acordo com o Código Penal, constitui crimes de maus tratos (art. 135) “expor a perigo a vida ou saúde da pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentos ou de cuidados indispensáveis,...” Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem proíbe “provocar, cooperar ou ser conivente com maus tratos” (art. 52). PARTE VII – Assistência de Enfermagem Relativa ao Uso de Psicofármacos CONSULTA DE ENFERMAGEM Considerar: o Histórico de enfermagem – anamnese e semiologia (exame físico e psíquico, observando o comportamento do cliente, dados fisiológicos básicos, condições gerais e queixas). o Dados relativos às vontades rechaçadas, transtornos convulsivos, doenças prévias (renais, cardíacas, hepáticas), em função das alterações que podem surgir a partir do uso dos medicamentos. o Qualidade do tratamento farmacológico, indicações, contraindicações, efeitos colaterais, interações medicamentosas e tempo de uso dos medicamentos. o Valores e perspectivas do cliente e família em relação à doença e ao tratamento. o Paciente envolvido em sua segurança. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM – ANSIOLÍTICOS Orientar cliente e familiares quanto: • ganho de peso, erupção cutânea, prejuízo na função sexual e irregularidade menstrual são decorrentes do tratamento e são passageiros. • a possibilidade de o cliente apresentar problemas de memória após a ingestão do medicamento. Fato que poderá impossibilitá-lo a não relatar a ocorrência dos efeitos colaterais. • a amnésia dos fatos ocorridos, que desaparece ou diminui após os primeiros dias de tratamento. • a possibilidade de supressão ou ingestão de medicamento em doses maiores. Uma das medidas para evitar que isso aconteça é uso de quadro semanal de medicação. • quanto ao uso de bebidas à base de cafeína, pois podem diminuir o efeito ansiolítico da droga. • a inspeção da integridade física a fim de evitar lesões, contusões e queimaduras, em função da diminuição da sensibilidade. • a não interrupção brusca do tratamento, pois pode resultar em sintomas compatíveis com síndrome da abstinência. • aos sinais e sintomas de tolerância que pode resultar na diminuição das horas de sono e, consequente necessidade de aumento da dose. • a possibilidade de sonolência que pode impossibilitar o manejo seguro de máquinas e veículos. • aos sinais e sintomas de superdosagem do medicamento (cansaço, apatia, retardo motor, distúrbios da articulação verbal e coordenação e diplopia). • aos efeitos teratogênicos de ansiolíticos. • aos sinais e sintomas de abstinência no recém-nascido (dificuldade de sucção e hipotonia). • a potencialização da droga pelo uso de bebidas alcoólicas, aumentando o risco de depressão do Sistema Nervoso Central. • ao intervalo de ingestão de ansiolítico e alimentação. O ideal é respeitar intervalo de 2 horas. 16 • Exemplos: Alprazolam; Diazepam; Bromazepam; Clonazepam; Lorazepam; Midazolam; Nitrazepam entre outros. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM - ANTIPSICÓTICOS Orientar cliente e familiares que: • há possibilidade de ocorrência de fotossensibilidade. À exposição direta ao sol a pele e olhos deverão ser protegidos. • há possibilidade de ocorrência de agranulocitose (mal-estar, hipertermia, lesões na mucosa bucal e trato respiratório superior) pelo uso de Clozapina. Monitorar os resultados de exame de sangue laboratorial semanalmente. • poderá ocorrer manifestações de acatisia (tremor muscular e agitação) e discinesia tardia (estereotipados, involuntários e bizarros da face, orolingual e membros), sendo necessário comunicar a equipe de saúde com urgência. • aos sinais e sintomas de síndrome neuroléptica maligna (intenso parkinsonismo, flutuação da pressão arterial, rigidez muscular, febre alta, alteração da consciência, convulsões), sendo necessário comunicar a equipe de saúde com urgência. • a possibilidade de disfunção gástrica que exige a ingestão durante ou logo após as refeições. • a ocorrência de xerostomia. Higiene oral recomendada várias vezes ao dia. • a possibilidade de constipação intestinal. Recomendar acompanhamento nutricional. • a importância da cessação do tabagismo, pois a nicotina interfere na farmacodinâmica de Clozapina. • a presença de edema de membros em função da retenção urinária. Elevação de membros inferiores e usos de meias de compressão são recomendados. • a ocorrência de hipotensão ortostática. Ao acordar, não se levantar de forma brusca. • aos tremores nas mãos que podem ser agravados com uso de cafeína e tendem a reduzir com o passar do tempo. • Exemplos: asenapina; clozapina; iloperidona; lurasidona; olanzapina; quetiapina; risperidona e ziprasidona. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM - ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS Orientar cliente e familiares quanto: • a adesão ao tratamento, considerando que é prolongado e os efeitos desejados podem surgir após 2 a 3 semanas. • ao risco de suicídio após início do efeito terapêutico. • a possibilidade de ocorrência de fotossensibilidade. À exposição direta ao sol a pele e olhos deverão ser protegidos. • Exemplos: imipramin; desipramina; amitriptilina; nortriptilin; clomipramina. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM - ANTIDEPRESSIVOS ISRS (Inibidores seletivos de recaptação de serotonina) / ISRNS (inibidor seletivo de recaptação de serotonina e noradrenalina) Orientar cliente e familiares quanto: • a possibilidade de disfunção sexual com retardo ejaculatório e diminuição da libido em mulheres. • a importância da adesão ao tratamento, pois a interrupção brusca pois pode causar síndrome de abstinência (tonturas, fraqueza, náusea, cefaleia e ansiedade). • a ocorrência de sangramento, equimoses e petéquias. • as reações indicativas de síndrome serotoninérgica (confusão metal, agitação, diarreia, febre, alterações da pressão arterial, náuseas, vômitos, incoordenação motora e tremores) que podem ocorrer durante trocas e associações de medicamentos antidepressivos. • Exemplos de ISRS: citalopram; escitalopram; fluoxetina; fluvoxamina; paroxetina; sertralina e vilazodona. • Exemplos de ISRNS: desvenlafaxina; duloxetina; levomilnaciprano; venlafaxina e vortioxetina. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM - ANTIDEPRESSIVOS IMAO (inibidores da monoaminoxidase) Orientar cliente e familiares quanto: 17 • ao uso de alimentos (queijos, embutidos, frutas enlatadas, vinho tinto, cerveja) que contém tiramina, pois podem desencadear crises hipertensivas. • possibilidade de hipoglicemia em pessoas com diabetes sob uso de insulina. • a ocorrência de hipotensão ortostática. Ao acordar, não se levantar de forma brusca. • a possibilidade de edema em pés e tornozelos. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM - ESTABILIZADORES DO HUMOR Carbonato de Lítio Orientar cliente e familiares quanto: o aos sinais e sintomas indicativosde toxicidade ao lítio (diarreia, vômitos, náuseas, visão turva, fraqueza). Advém daí a necessidade do controle periódico da dosagem do lítio no sangue. o as comorbidades relacionadas ao uso do lítio. Realizar a coleta de sangue entre 10 a 12 horas da ingestão da última dose de lítio. Certificar-se que nenhuma dose de lítio deixou de ser ministrada nos últimos dias. o aos tremores nas mãos que podem ser agravados com uso de cafeína e tendem a reduzir com o passar do tempo. o a ocorrência de poliúria e polidipsia que são efeitos colaterais esperados. Manter a ingesta hídrica equivalente a 3 litros por dia em adultos. o ganho de peso. Realizar acompanhamento multiprofissional. o ao acompanhamento profissional para prática de exercícios físicos e dieta. o aos efeitos teratogênicos do lítio. Valproato Orientar cliente e familiares quanto: o a ocorrência de anorexia, icterícia, náuseas e diarreia que são efeitos colaterais que indicam possibilidade de hepatotoxicidade. o aos efeitos teratogênicos. Carbamazepina Orientar cliente e familiares quanto: o as comorbidades (agranulocitose, anemia e hepatite) relacionadas ao uso de carbamazepina. Realizar a coleta de sangue para hemograma a cada 2 semanas nos primeiros 2 meses de tratamento. CONSIDERAÇÕES PARA A ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM o O manejo de clientes que usam psicofármacos depende de práticas multiprofissionais, da autonomia do sujeito e de suporte familiar. o Acredita-se na interpretação extensiva sobre Segurança do Paciente, pois uma vez se apropriando dos conhecimentos e compartilhando convicções, cliente promove a (auto)assistência segura, tornando-se independente e resolutivo no seu tratamento. o Neste sentido, a Assistência de Enfermagem pode possibilitar o convencimento do indivíduo das suas potencialidades e de sua autonomia. o Para tanto é necessário compartilhar convicções de teóricos de Enfermagem para abolir os graus de dependência do sujeito em relação à Assistência de Enfermagem. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CONSULTADAS: PARTE I – Reforma Psiquiátrica e Política de Atenção Integral à Saúde Mental o Capítulo 5 - Serviços de atendimento em saúde mental e psiquiatria, início página 77. Acesso pelo AVA, Minha Biblioteca. Referência: FUKUDA, Ilza Marlene K.; STEFANELLI, Maguida C.; ARANTES, Evalda C. Enfermagem psiquiátrica em suas dimensões assistenciais. São Paulo: Editora Manole, 2017. E-book. ISBN 9788520455326. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ . Acesso em: 13 set. 2024. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ 18 PARTE III – Funções Psíquicas o Capítulo 8 - Funções psíquicas – psicopatologia, início página 124. Acesso pelo AVA, Minha Biblioteca. Referência: FUKUDA, Ilza Marlene K.; STEFANELLI, Maguida C.; ARANTES, Evalda C. Enfermagem psiquiátrica em suas dimensões assistenciais. São Paulo: Editora Manole, 2017. E-book. ISBN 9788520455326. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ . Acesso em: 13 set. 2024. PARTE IV – Exame Psíquico o Capítulo 9 - Padrões de assistência de enfermagem e o processo de enfermagem em saúde mental e psiquiátrica, início página 147. Acesso pelo AVA, Minha Biblioteca. Referência: FUKUDA, Ilza Marlene K.; STEFANELLI, Maguida C.; ARANTES, Evalda C. Enfermagem psiquiátrica em suas dimensões assistenciais. São Paulo: Editora Manole, 2017. E-book. ISBN 9788520455326. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ . Acesso em: 13 set. 2024. PARTE V – Recursos Terapêuticos na Enfermagem em Saúde Mental o Capítulo 19 - Estratégias de comunicação terapêutica, início página 346. Acesso pelo AVA, Minha Biblioteca. Referência: FUKUDA, Ilza Marlene K.; STEFANELLI, Maguida C.; ARANTES, Evalda C. Enfermagem psiquiátrica em suas dimensões assistenciais. São Paulo: Editora Manole, 2017. E-book. ISBN 9788520455326. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ . Acesso em: 13 set. 2024. o Capítulo 22 - Recursos terapêuticos na enfermagem em saúde mental e psiquiátrica, início página 401. Acesso pelo AVA, Minha Biblioteca. Referência: FUKUDA, Ilza Marlene K.; STEFANELLI, Maguida C.; ARANTES, Evalda C. Enfermagem psiquiátrica em suas dimensões assistenciais. São Paulo: Editora Manole, 2017. E-book. ISBN 9788520455326. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ . Acesso em: 13 set. 2024. PARTE VI – Emergências Psiquiátricas o Capítulo 35 - O enfermeiro em emergência psiquiátrica: intervenção em crise, início página 609. Acesso pelo AVA , Minha Biblioteca. Referência: FUKUDA, Ilza Marlene K.; STEFANELLI, Maguida C.; ARANTES, Evalda C. Enfermagem psiquiátrica em suas dimensões assistenciais. São Paulo: Editora Manole, 2017. E-book. ISBN 9788520455326. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ . Acesso em: 13 set. 2024. o Estudar o Capítulo 36 - O enfermeiro no serviço de emergência psiquiátrica: situações específicas, início página 622. Acesso pelo AVA , Minha Biblioteca. Referência: FUKUDA, Ilza Marlene K.; STEFANELLI, Maguida C.; ARANTES, Evalda C. Enfermagem psiquiátrica em suas dimensões assistenciais. São Paulo: Editora Manole, 2017. E-book. ISBN 9788520455326. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ . Acesso em: 13 set. 2024. PARTE VII – Assistência de Enfermagem Relativa ao Uso de Psicofármacos o Capítulo 36 - O enfermeiro no serviço de emergência psiquiátrica: situações específicas, início página 622. Acesso pelo AVA, Minha Biblioteca. Referência: FUKUDA, Ilza Marlene K.; STEFANELLI, Maguida C.; ARANTES, Evalda C. Enfermagem psiquiátrica em suas dimensões assistenciais. São Paulo: Editora Manole, 2017. E-book. ISBN 9788520455326. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ . Acesso em: 13 set. 2024. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455326/