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TEORIA E HISTÓRIA DA ARQUITETURA ETEORIA E HISTÓRIA DA ARQUITETURA E
URBANISMO - ANTIGUIDADE AO SÉCULO XVIIIURBANISMO - ANTIGUIDADE AO SÉCULO XVIII
DA PRÉ- HISTÓRIA ÀDA PRÉ- HISTÓRIA À
ANTIGUIDADE CLÁSSICAANTIGUIDADE CLÁSSICA
Autora: Dra. Katia Maria de Souza
Revisor : José Adr iano Pere ira
IN IC IAR
Introdução
A presente unidade aborda os primórdios da arquitetura, que foi formada pelos primeiros povos a
ocupar a terra. Começamos com o homem pré-histórico, ressaltando a importância do
entendimento do caminho por ele trilhado para se constituir os grupos sociais e com os movimentos
provocados por eles em diferentes regiões do planeta. Por meio dos seus vestígios, conseguimos
estabelecer algumas possíveis hipóteses sobre a construção dos primeiros abrigos, os quais ainda
não podemos classi�car como arquitetura.
Isso nos ajuda a entender como que, quase ao mesmo tempo, em diferentes pontos da terra, novos
grupos foram se formando e construindo cidades, as primeiras manifestações do que, agora, sim,
podemos chamar de arquitetura. Para ela existir, precisamos considerar o espaço, e este só existe
quando delimitado por muros ou paredes erguidos pelo homem.
introdução
Existe uma articulação muito grande entre história, teoria e crítica, sendo esta última uma análise
re�exiva que emite um juízo de valor baseado em uma teoria. Todos esses campos do conhecimento
também atuam na arquitetura, e, agora, vamos discriminar cada um deles.
Introdução Geral sobre aIntrodução Geral sobre a
Teoria e a História daTeoria e a História da
Arquitetura e UrbanismoArquitetura e Urbanismo
A História
A história da arquitetura tem início com a própria história do homem e da formação das primeiras
civilizações. Desse modo, a história se constrói a partir de documentos, achados, estudos
arqueológicos e análises antropológicas. Sendo assim, a história da arquitetura con�gura-se como
uma disciplina de caráter multidisciplinar.
A arqueologia é o campo de conhecimento que explora e estuda os vestígios deixados pelo homem,
desde construções até objetos ou fósseis humanos e de animais. O levantamento desse material
ajuda a entender alguns hábitos e costumes das antigas civilizações.
Já a antropologia é o campo do conhecimento que estuda o comportamento dos grupos sociais,
ajudando a entender seus princípios e suas relações.
A história geral relata os fatos, sobre um acontecimento ou sobre um personagem, que
aconteceram em um determinado tempo, deixando certos testemunhos. Podendo usar documentos
como crônicas, jornais, decretos, cartas, dentre outros.
Porém a história da arquitetura, diferente da história geral, tem um objeto físico, um exemplar que
sobreviveu e é testemunho de um momento histórico. Eles são, então, objetos que contarão a
história da arquitetura, que precisa ser sempre vinculada ao seu contexto histórico.
A Teoria
A teoria, por sua vez, trabalha com conceitos a partir da análise dos objetos reais. Segundo Maria
Wasman:
Quanto à teoria, a distinção de sua natureza em relação à história pode ser de�nida do
seguinte modo: teoria é um sistema de pensamento por meio do qual se organiza um
conjunto de proposições lógicas; história é uma descrição crítica da sucessão de fatos
arquitetônicos. Para a seleção e elaboração de sua matéria, o historiador baseia-se em
uma teoria; em todo “relato” histórico podem ser descobertos elementos de uma teoria;
no entanto, permanecem implícitos, inarticulados; porque constituem uma hipótese de
trabalho, não uma �nalidade da exposição. A teoria, de alguma maneira, precede, dirige
a investigação histórica (WAISMAN, 2013, p.30).
Portanto toda teoria provém de um fato constituído pela própria arquitetura, e dos “problemas,
ideias e temas da análise a ela referente (WAISMAN, 2013, p.31)”. Desse modo, teoria e história
autoalimentam-se e completam-se no estudo da arquitetura.
Um exemplo clássico dessa relação são os Dez Livros de Arquitetura de Vitrúvio, que é considerado
o mais antigo tratado de arquitetura e, também, o único da Idade Moderna. O tratado de Vitrúvio
contém informações sobre os princípios e a arquitetura da antiguidade clássica. Escrito,
provavelmente, entre os Séculos II e III a. C., o tratado é dedicado ao Imperador Augusto. Desse
modo, o tratado de Vitrúvio é, ao mesmo tempo, um compêndio histórico e uma teoria que orientou
boa parte da arquitetura dos tempos modernos até o século XVIII, quando o mundo assistiu à
emergência de uma nova abordagem para a arquitetura.
Figura 1.1 - “De Architectura", de Vitrúvio, primeira tradução inglesa 
baseada na tradução francesa de Claude Perrault 
Fonte:  Georges Jansoone / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta a foto da primeira edição inglesa do Tratado de Vitrúvio. Ela tem letras
em estilo gótico e uma estampa que representa prédios ao fundo. Há, também, algumas �guras
masculinas, com vestes em estilo grego, no primeiro plano, segurando instrumentos de desenho e uma
folha grande, como se estivessem debatendo sobre um projeto e sobre as construções.
Isso demonstra a necessidade e a importância da teoria para o desenvolvimento da arquitetura em
cada momento da história, ou seja, não há teoria sem história, nem história que prescinde de teoria;
a primeira expõe o fato, e a segunda re�ete sobre ele, analisando-o e apresentando um conceito
que está na própria origem do objeto, no caso da arquitetura, o projeto.
Sendo assim podemos concluir que, para uma boa prática projetual, é necessária uma abordagem
conceitual que se construa a partir de uma teoria, que, por sua vez, estabelece-se com base na
história da arquitetura de um determinado período, sendo que este tem suas próprias razões, bases
conceituais e teoria; assim o ciclo vai se sucedendo e se alimentando.
Conhecimento
Teste seus Conhecimentos 
(Atividade não pontuada) 
Leia o trecho a seguir:
“História, teoria e crítica são três modos de re�etir sobre a arquitetura, intimamente entrelaçados,
frequentemente confundidos e que se diferenciam por seus métodos e objetivos e, além disso, cumprem
funções distintas para o pensamento e a práxis arquitetônica (WAISMAN, 2013, p. 29).”
WAISMAN, M. O interior da história . São Paulo: Perspectiva, 2013.
Considerando o exposto nesta unidade, assinale a opção que descreve corretamente o que é história, o que
é teoria e como elas se relacionam.
a) História é uma descrição crítica da sucessão de fatos arquitetônicos, e teoria é um sistema de
pensamento por meio do qual se organiza um conjunto de proposições lógicas. Uma independe da
outra para se constituir como campos do conhecimento.
b) A história descreve um acontecimento, e a arquitetura descreve o objeto arquitetônico em seus
detalhes e processos construtivos, sem, necessariamente, estabelecer uma relação com o contexto
histórico. A teoria, por sua vez, produz uma análise do objeto arquitetônico e, nesse caso, estabelece
uma relação com o contexto histórico.
c) A História analisa a arquitetura emitindo uma opinião sobre aquele objeto e apresentando novas
proposições para a sua existência. A teoria descreve os acontecimentos históricos e estabelece as
condições para a sua análise histórica.
d) A História é uma descrição crítica da sucessão de fatos arquitetônicos, e a teoria é um sistema de
pensamento por meio do qual se organiza um conjunto de proposições lógicas. Esses campos se
autoalimentam, uma vez que a teoria se baseia em um fato histórico para se constituir e, também,
pode ser usada pelo historiador para emitir uma descrição crítica.
e) A história faz um relato crítico de um acontecimento emitindo, muitas vezes, juízo de valor. A
teoria reforça a crítica da história por meio de conceitos construídos fora do fato histórico.
O homem está na terra há, aproximadamente, 1,7 milhões de anos. Quando e onde as pessoas
aprenderam a usar abrigos? Como eles eram? A suposição é auxiliada, em certa medida, por
informações que vem de duas linhas de investigação: 
Pré-História: OrigensdaPré-História: Origens da
ArquiteturaArquitetura
Quadro 1.1 - Linhas de investigação sobre as origens da arquitetura 
Fonte: Elaborado pela autora.
#PraCegoVer : o quadro apresenta duas colunas e duas linhas, com informações sobre as linhas de
investigação a respeito das origens da arquitetura. Na primeira linha da primeira coluna, está escrito
“Vestígios pré-históricos pesquisados por arqueólogos”. Na segunda linha da primeira coluna, há uma
imagem que apresenta um arqueólogo agachado explorando um sítio arqueológico. Ele veste calça
comprida, camiseta e colete; na cabeça há um capacete, e, nas mãos, luvas. Ele segura pequenos
instrumentos de escavação. Abaixo da imagem está escrito “Arqueólogos exploraram um extinto cemitério
no terreno da Cúria Metropolitana”. Na primeira linha da segunda coluna, está escrito “Estudos sobre
povos ‘primitivos’ feitos pelos antropólogos.” Na segunda linha da segunda coluna, há uma imagem que
apresenta um antropólogo com representantes dos povos indígenas sul-americanos. O antropólogo está
de cócoras, com uma mão no peito, como se estivesse fazendo uma reverência ao representante dos
O pré-histórico, campo de investigação dos arqueólogos, é formado por objetos, artefatos ou
estruturas de tempos anteriores ao início da história registrada das regiões onde eles existem. Já o
“primitivo” não signi�ca simples, rude ou inferior, mas se refere a pessoas, a culturas ou a
civilizações intocadas pelo mundo tecnológico e moderno, sendo o campo de estudo dos
antropólogos. Cada um desses campos do conhecimento elaboram as suas teorias sobre os
primeiros abrigos do homem na terra.
Os Primeiros Abrigos na Visão da Arqueologia
A arqueologia, como vimos anteriormente, constrói as suas suposições a partir dos vestígios
deixados pela humanidade, algo que acontece quando falamos a respeito das primeiras habitações.
É razoável supor que os primeiros abrigos encontrados possam ser as cavernas ou aqueles feitos
com materiais de fácil manuseio ou ferramentas bem simples. Embora haja algumas evidências do
uso das cavernas, é improvável que elas fossem os primeiros abrigos amplamente usados pelos
homens pré-históricos.
índios, que está de pé. Há outras pessoas em volta, e todos estão em um lugar que parece ser o local de
um assentamento indígena. Abaixo da imagem, está escrito: “Antropólogo social dedica-se a estudar um
povo ou um grupo social, bem como sua cultura, seus costumes e suas tradições”.
As cavernas existem apenas em poucas regiões do planeta e seu número é limitado; além disso, elas
não são particularmente confortáveis ou atrativas para se viver.
Embora as famosas pinturas rupestres em Chauvet, Lascaux e Altamira provém claramente que os
primeiros povos usavam essas cavernas, não há certeza de que eram locais de habitação. Talvez
fossem abrigos de emergência, locais de ritos ou cerimônias especiais ou, até mesmo, como
representação dos animais que pretendia caçar, buscando representá-los em locais onde �cassem
salvos das intempéries.
Figura 1.2 - Caverna de Altamira e a arte paleolítica das cavernas no Norte da Espanha 
Fonte: Eric00000007 / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a fotogra�a mostra pinturas rupestres na parede de uma caverna localizada na Espanha. A
imagem é bem focal, mostrando apenas parte da parede e as pinturas que representam animais
semelhantes a um bisão ou a um touro visto lateralmente. São três animais pintados com um pigmento
preto e dois em vermelho, sendo que um deles só aparece a cabeça; há, também, uma �gura semelhante a
um símbolo em vermelho.
Os abrigos feitos com materiais orgânicos, como peles, couros e gravetos têm vida curta e, por isso,
não se encontram registros. Os objetos feitos em pedra são mais duráveis, porém são difíceis de
serem trabalhados, por isso só encontramos pequenos fragmentos, como as pontas de lança.
Os “objetos” em pedra que sobreviveram são os Dolmens, que são arranjos encontrados na
Bretanha e outros locais da Europa. Eles são cuidadosamente arranjados e datam de tempos pré-
históricos, sendo que alguns desses dolmens eram túmulos ou casas dos mortos.
Já os cromlechs parecem ter sido destinados às práticas religiosas, e supõe-se que, em locais
maiores, como Stonehenge, na Grã-Bretanha, seriam usados para cerimônias ou rituais relacionados
à observação dos movimentos astronômicos.
O conjunto de Stonehenge (2750 - 1500 a. C)., corresponde ao período que chamamos de era da
pedra, devido à tecnologia da época, que envolvia o trabalho em pedra. Esse período teria se
estendido até ao ano 4.000 a. C., quando o trabalho com metal prevaleceu sobre a pedra, embora,
em algumas partes da Europa, o trabalho em pedra tenha predominado até o ano 1.000 a.C.
Figura 1.3 - Stonehenge, em Wiltshire, que pertence e é administrado pelo English Heritage. 
Fonte:  Frédéric Vincent / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta um conjunto de pedras dispostas de forma circular, com, cerca de, 5
metros de altura, também chamadas de megalitos. As pedras estão dispostas em um descampado com
vegetação rasteira, assim como a grama. Ao longe, é possível visualizar uma vegetação mais alta. Não há
vestígios de cidade, e o céu está limpo, em um tom de azul-claro, com nuvens brancas.
Exemplos como esse estão espalhados em algumas regiões da Europa, mas acredita-se, até o
momento, que eles não seriam moradias, uma vez que o homem pré-histórico era, por excelência,
nômade, sendo essa característica uma das razões pela não existência de vestígios da sua primitiva
moradia.
Como o homem ainda não havia desenvolvido o sistema de cultivo da terra, ele vivia do extrativismo
e da caça, precisando mudar a cada nova estação. O fato de não haver vestígios de moradores nesse
período se deve, então, ao �uxo migratório, o que leva a suposição de que seus abrigos eram feitos
de peças leves, como gravetos e folhas, mais do que de pedras.
Os Primeiros Abrigos na Visão da Antropologia
Acredita-se que os mais antigos vestígios de abrigos humanos construídos, encontrados em Terra
Amata, no sul da França, tenham 400.000 anos. Esses vestígios mínimos sugerem uma forma de
cabana feita de galhos e árvores.
Embora a evidência arqueológica seja escassa quanto à natureza das primeiras estruturas
construídas, podemos buscar suas origens ao estudarmos as práticas das sociedades “primitivas”.
Nesse sentido, o estudo de outros campos do conhecimento corrobora no entendimento do
comportamento desses grupos sociais. Conforme Guarinello, a incorporação de objetos, como
documentos, ajudou a ampliar o estudo da história e a atualização teórica desta (GUARINELLO,
2013).
Os povos ditos “primitivos” sobreviveram em muitas regiões geográ�cas inacessíveis e existiram até
um ou dois séculos atrás. Lembrando que o “primitivo” é o que se refere ao que é: originário, inicial,
dos primeiros tempos, primordial, em começo de evolução, simples, áspero, rude. Os povos
primitivos, então, são aqueles em estado natural (em oposição ao civilizado/urbano), ou seja,
nativos, e que podemos, ainda hoje, encontrar na África, na Oceania e nas Américas.
Na América do Norte, o estudo desses povos nos apresenta um tipo de moradia que está
relacionada à vida nômade. A tenda indígena das planícies americanas tinha uma estrutura de
longos postes amarrados no topo. Suas paredes externas eram revestidas de películas, dispostas de
modo a permitir uma porta de aba e uma aba superior, que poderia ser ajustada para controlar a
circulação de ar, permitindo a penetração da luz do dia e, também, atuando como saída de fumaça.
Figura 1.4 - Reprodução de uma antiga tenda indígena norte-americana 
Fonte:  WIGWAMS…(2020, on-line).
#PraCegoVer : a foto apresenta três reproduções atuais de como seria uma tenda indígena norte-
americana, que era feita de gravetos e uma lona em seu torno, fazendo uma espécie de parede, com uma
abertura como se fosse uma porta. As tendas apresentam-se em forma piramidal. As tendas estão
dispostaspróximas umas das outras, sendo uma mais a frente e duas atrás. A foto foi tirada em um nível
mais baixo do terreno, de forma que é possível visualizar um muro de pedra, que cerca o terreno gramado
onde estão as tendas.
Na África, as moradas têm estruturas redondas e portáteis, são construídas por povos migratórios,
e, geralmente, �cam isoladas; cada casa é uma unidade única, geralmente encerrando um único
espaço.
Outras casas mais complexas, com vários cômodos, aparecem em vilas e locais onde o clima, a água
e as fontes de alimentos eram su�cientemente consistentes, tornando desnecessária a realocação
constante.
Em Camarões, existem aldeias de casas com várias salas, em que cada cômodo é, na verdade, uma
cabana redonda, separada com função especial (sala de estar, cozinha, despensa ou estábulo, por
Figura 1.5 - Casa de tribo africana na Etiópia. 
A Construção é feita de barro e de gravetos, tipo pau a pique, e telhado em palha 
Fonte: A. Davey / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a foto apresenta uma casa tribal africana, na Etiópia. A construção é feita de barro e de
gravetos, tipo pau a pique, de forma circular, e com o telhado em palha, em forma de cone. O terreno é um
pouco árido, com alguma vegetação de porte médio e algumas árvores ao fundo. Na porta da casa, há uma
cabra e, em torno da casa, do lado direito, estão dispostos alguns objetos. O céu é de um azul acinzentado.
exemplo), com portas de entrada cobertas entre os quartos relacionados. As paredes são feitas de
barro, com telhados de palha como chapéus nas paredes.
Ou seja, o homem foi moldando seus abrigos em regiões onde encontrava água em abundância e
terra fértil, assim ele foi desenvolvendo seus abrigos.
Conhecimento
Teste seus Conhecimentos 
(Atividade não pontuada) 
Leia o trecho a seguir:
"Todos aqueles que, ainda que fugazmente, re�etiram sobre esse tema, sabem que o caráter essencial da
arquitetura - o que a distingue das outras atividades artísticas - está no fato de agir com um vocabulário
tridimensional que inclui o homem. A pintura atua sobre duas dimensões, a despeito de poder sugerir três
ou quatro delas. A escultura atua sobre três dimensões, mas o homem �ca fora, desligado, olhando do
exterior as três dimensões. Por sua vez, a arquitetura é como uma grande escultura permanente escavada e
construída pelo homem, em cujo interior o homem penetra e caminha (ZEVI, 2009, p. 17).”
ZEVI, B. Saber ver a arquitetura . São Paulo: Martins Fontes, 2009.
Considerando o texto acima, assinale a opção que se ajusta a compreensão do que é arquitetura segundo
Bruno Zevi.
a) A caverna.
b) O Dolmen.
c) O cromlech de Stonehenge
d) A cabana de gravetos e pele de animal.
e) A tenda indígena norte-americana.
As primeiras civilizações que legaram um patrimônio para a humanidade e contribuíram para o seu
desenvolvimento estão muito próximas geogra�camente. As primeiras estiveram na região chamada
de Mesopotâmia, que, atualmente, corresponde a partes do Irã e do Iraque. Mais para o leste e às
margens do rio Nilo, surge a civilização egípcia, com uma diferença pequena em termos temporais.
As primeiras GrandesAs primeiras Grandes
Civilizações:Civilizações:
Mesopotâmia e EgitoMesopotâmia e Egito
Ainda que se necessitem novos estudos que contemplem a importância e as relações entre grupos
contemporâneos “em termos históricos, não é possível negar a in�uência de egípcios e
mesopotâmicos nas transformações que ocorreram no Mediterrâneo desde o século XV a. C.”
(GUARINELLO, 2013, p.44)
Mesopotâmia
Ao considerarmos as características do desenvolvimento dos povos pré-históricos, percebemos que,
ao longo do tempo, eles foram desenvolvendo meios para a formação do que podemos chamar de
civilização. Para isso, é considerada civilização um conjunto de aspectos que inclui a vida intelectual,
artística, moral e material de uma região, de um grupo social em uma determinada época.
Atualmente, a região que é entendida como o berço da civilização era conhecida como
Mesopotâmia, localizada entre os rios Tigre e Eufrate, que corresponde, hoje, à parte do Irã e do
Iraque. 
Figura 1.6 - Mapa da região da antiga Mesopotâmia 
Fonte: Jcwf / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta um mapa que assinala a região da Mesopotâmia, demarcando as
principais cidades da época. O mapa também delimita o contorno geográ�co do Irã, do Iraque, da Síria, da
Jordânia, da Turquia, do Kuwait, da região norte do Oriente Médio, entre o mar Mediterrâneo, de Cáspio e
do Golfo Pérsico.
Surgida no quarto milênio a.C., provavelmente um pouco antes da civilização egípcia, sua população
foi formada por uma sucessão de diversos povos, entre os quais predominavam, em uma primeira
época, os Sumérios, depois os Acadianos, de língua semita, divididos em Assírios, ao norte, e em
Babilônicos, ao sul.
Podemos destacar, no campo da arquitetura, três importantes civilizações da Mesopotâmia.
Os Sumérios - Acadianos.
Os Assírios - Babilônicos.
Os Persas -  mais ao oriente da região.
Na suméria-acadiana (5.000 a 2.000 a.C), que ocupou a região ao sul entre os rios Tigre e Eufrate,
destacam-se centros importantes como Ur, Uruk, Lagash e Eridu. Essas civilizações deram vida a
uma visão do mundo orgânica e completa, que se exprime por meio de obras escritas em caracteres
cuneiformes.
Dentre as construções, destaca-se o zigurate, uma construção religiosa e uma espécie de templo
que fazia parte de um complexo de templos, com prédios administrativos, o�cinas, dentre outros, o
Figura 1.7 - Escrita cuneiforme - Biblioteca de Ashurbanipal / 
The Flood Tablet / The Gilgamesh Tablet - Museu Britânico 
Fonte: Fæ / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta a foto de uma placa de argila, contendo um texto antigo, em escrita
cuneiforme, que consiste em desenhar formas em cunha, criando um vocabulário próprio. A placa é um
fragmento de cor que varia entre o bege e os tons mais escuros de terra. O texto está dividido em dois
trechos verticais, semelhantes às colunas usadas pelos jornais atualmente. A placa tem em torno de 5 a 6
cm de espessura, 40 de largura e 50 de altura.
que tornava aquele local uma área importante da cidade. Cidades como Uruk tinham grandes
construções e nela “foram encontrados vestígios de um templo que tinha mais de dois mil metros
quadrados (exatamente 80m por 33m)” (PINSKY, 2016, p. 69).
Figura 1.8 - Zigurate Branco de Uruk 
Fonte: tobeytravels / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta uma das ruínas do antigo zigurate de Uruk, hoje um grande monte de
terra onde se percebe algumas das antigas plataformas que formavam o zigurate.
O zigurate era o prédio sumeriano mais importante, ocupando um lugar proeminente em cada
cidade. Ele se consiste em um monte arti�cial que se ergue por degraus enormes e é encimado por
um templo.
Devemos ver o Zigurate e o templo como um conjunto: todo o complexo é planejado de
tal forma que o �el, partindo da base da escadaria do lado leste, vê-se forçado a
prosseguir em círculos, acompanhando todos os volteios do caminho até alcançar o
salão principal do templo. (...) Essa abordagem de eixo inclinado é uma característica
fundamental da arquitetura religiosa da Mesopotâmia, em contraste com o eixo
simples, em linha reta, dos templos egípcios (JANSON, 2009, p. 34).
O monte era, sem dúvida, elevado para colocar o templo em uma posição que o permitia ser
observado em diferentes pontos do vale. A carência da pedra na região fez com que a arquitetura
fosse construída em tijolos de barro, o que, de certa forma, prejudicou a sua sobrevivência.
Figura 1.9 - Reconstrução em maquete eletrônica do Zigurate de Uruk 
Fonte: wikiwikiyarou / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta um desenho eletrônico de como seria o zigurate Uruk. O Zigurate é
formado por um tronco de pirâmide com dois patamares alcançado por rampas. Na plataforma mais,
encontra-se o templo.
Os assírios ocuparam uma região um pouco mais acima do vale, ondejá se encontra uma variedade
maior de material, inclusive pedra, o que permitiu que construíssem palácios que cobriam quase
toda área urbana e se assemelham a uma fortaleza.
Em Nínive, uma das grandes cidades dessa civilização, as casas de adobe eram construídas uma ao
lado da outra, de forma a se autossustentarem, servindo também para impedir que o sol escaldante
da região deixasse os interiores muito quentes. Ainda hoje é possível encontrar esse modelo em
algumas regiões do oriente médio.
Figura 1.10 - Reconstrução do palácio de Sargão 
Fonte: SteinsplitterBot / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta um desenho em perspectiva aérea, mostrando como era o palácio de
Sargão. De forma quadrangular, o palácio assemelha-se a uma fortaleza, com muros altos e torres no
entorno. À direita da porta principal, há uma grande rampa elevada, que é acessada por uma escadaria
conduz ao espaço do palácio. É possível ver que existem dois grandes pátios internos e outros menores
distribuídos no espaço, que é delimitado pela forma quadrangular. A imagem também mostra uma
construção semelhante a um zigurate no interior do grande complexo que forma o palácio.
Os assírios inspiraram-se muito nas construções sumerianas e, apesar de usarem o barro, souberam
revestir seus grandes palácios e cidadelas, quase fortalezas, com pedras, que eram mais fáceis de
serem encontradas na região. O Palácio de Sargão II representado acima fazia parte da cidadela
murada e representa o esplendor dessa civilização, que usava as placas em pedra para decorar com
relevos e esculturas a entrada do palácio com �guras antropomór�cas.
A reconstituição desse palácio só foi possível devido à exploração arqueológica empreendida no
século XIX.
A cidade mais famosa da Mesopotâmia é Babilônia, herdeira dos sumérios e acádios. Ela brilhou a
partir do ano 1792 a. C., até sofrer a dominação Assíria; depois, renasceu mais altiva e mais bela em
Figura 1.11 - Porta da cidadela de Sargão II durante as escavações 
Fonte: Janson (2001, p. 115).
#PraCegoVer : a imagem apresenta uma foto antiga em preto e branco, mostrando a posição como foram
encontrados os Lamassus, �guras com cabeças e troncos humanos e pernas de cavalo ou touro, que
�cavam ladeando a porta de acesso ao palácio, em Nínive. A foto é antiga, mas é possível perceber o piso
em pedra e as paredes do antigo palácio.
605 a.C., com o rei Nabucodonosor. Nela, destacam-se as muralhas de 12 metros de largura onde
circulavam carroças que vigiavam a cidade, o zigurate de 100m de altura, com 5 ou 7 patamares em
cores, os jardins suspensos e a via processional com o Templo de Ishtar e seu revestimento de
azulejos com relevos de animais.
Figura 1.12 - Ilustração, provavelmente do século XIX, 
que reproduz o que teria sido a cidade da Babilônia de Nabucodonosor 
Fonte: MarshalN20 / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta um desenho ilustrativo que mostra construções com os terraços
cobertos por plantas e vegetação, margeando um lago, o que seria uma reconstituição da cidade da
Babilônia.
Na Babilônia, observamos uma perfeita organização urbana e soluções construtivas unindo
estrutura, função e decoração. O desenvolvido da técnica de esmaltar tijolos, em sua maioria, azuis,
tingidos com lápis-lazuli, em contraste com o dourado, torna as suas edi�cações ainda mais
encantadoras. Esses tons ainda hoje são encontrados na decoração de palácios e mesquitas
islâmicas.
Figura 1.13 - Maquete da Via Processional, na Babilônia. Museu de Pérgamo, Alemanha. 
Fonte: Gry�ndor / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta a foto de uma maquete da Via Processional, na Babilônia, que mostra
a espessura das muralhas e a entrada do portão de Ishtar, com seus tijolos azuis e �guras zoomór�cas em
tons de dourado. É possível perceber, também, que existiam várias pequenas torres em volta. Essas torres
e os muros são em tijolos vermelhos, o que destaca ainda mais a portada ao centro, que é feita de ttijolos
vitri�cados azuis.
A porta de Ishtar, com seus tijolos vitri�cados em azul, que apresenta mais de 152 animais
dourados, tem uma graça e uma leveza que demonstra o quanto aquela civilização tinha
desenvolvido um senso de organização urbana, administrativa e social, dedicando-se a arte e
criando um dos mais belos momentos do mundo antigo.
A última civilização a ocupar as proximidades orientais da Mesopotâmia foram os persas, com a
queda da Babilônia e a ascensão do Império Persa em 539/330 a.C. A sua arquitetura é em pedra,
Figura 1.14 - Porta de Ishtar.  Museu de Pergamon, em Berlim, na Alemanha 
Fonte: Hahaha / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta uma foto aproximada do portão de Ishtar, com seus tijolos azuis e
com �guras zoomór�cas em tons de dourado.
com enchimentos em tijolos, assim como os assírios. Nos palácios, as salas do trono são hipostilas,
com mais de 100 colunas de 20 metros de altura e capitéis bicéfalos.
Como os persas cultivavam a luz e as trevas, a relação entre o bem e o mal, eles não tinham uma
arquitetura religiosa, pois, muitas vezes, os ritos eram realizados ao ar livre. Seus palácios, porém,
eram edifícios enormes e impactantes. O maior e mais impressionante desses palácios foi começado
por Dario I, em 518 a. C., in�uenciado pelas construções assírias e pelo o palácio de Sargão II. Tudo
era grandioso, criando um estilo próprio, com grandes colunas encimadas por capitéis, que revelam
a mão e o traçado de artistas gregos, demonstrando que os povos já circulavam entre as principais
cidades do mundo naquela época.
Seja como for, reconhecer uma obra da arquitetura mesopotâmica é sempre possível e, muitas
vezes, extremamente simples. Há toda uma série de características mais evidentes que constitui o
esqueleto identi�cador e, ao mesmo tempo, a sua garantia: essas características referem-se à arte
saída ou irradiada da Mesopotâmia, não sendo vistas em outros lugares, nem sequer em qualquer
dos mundos geogra�camente vizinhos. Um templo de planta centrada, com um pátio interior em
Figura 1.15 - Persepolis capital aquemênida 
Fonte:  पाटिलपु� / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta a foto de parte de uma coluna que era comum nas construções da
região da antiga Pérsia. O capitel da coluna é encimado, com a representação de dois touros colocados de
costas um contra o outro.
torno do qual se congregam as várias salas, com o local sagrado assinalado pelo altar no lado mais
estreito e pela mesa das oferendas na parede em frente, é unicamente mesopotâmico.
Há indícios de que, por volta de 5500 a. C., na transição da Idade da Pedra Polida para a Idade do
Cobre, já havia várias tribos estabelecidas na região mais próxima do delta. Elas Praticavam a
agricultura e a pecuária e ali �oresceram os primeiros núcleos urbanos. O estilo de construção das
casas adquiriu um caráter permanente – as paredes agora eram feitas com tijolos de barro.
Eles tinham chegado para �car.
EgitoEgito
A civilização do Egito antigo deixou muito mais evidências para estudo, de modo que, embora
nenhum interior completo tenha sobrevivido intacto, é possível ter uma ideia clara de como esses
espaços deveriam ser.
Várias circunstâncias trabalhavam juntas para preservar o design egípcio. Pedra de boa qualidade
estava disponível no vale do Nilo e os egípcios aprenderam a usá-la para edifícios importantes,
embora a arquitetura cotidiana das casas e, até mesmo, dos palácios continuasse a depender de
tijolos de barro.
Figura 1.16 - Mapa da região do Egito 
Fonte: Renato de Carvalho Ferreira / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta um mapa que assinala o rio Nilo e as principais cidades ao longo do
rio, desde o delta até o sul. A imagem demarca o percurso do rio, assinalando, com manchas de cores que
variam de um verde intenso a um verde mais claro, o território ocupado pela civilização egípcia. O tom de
verde mais escuro ao longo do rio também delimita a sua áreacheia, ou seja, as terras mais férteis que
ajudaram a �xação daquele povo nesse território. No mapa, também estão assinalados o nome das
principais cidades da época.
Tomados em conjunto, os edifícios de pedra, os objetos encontrados em tumbas e os textos escritos
e ilustrados que sobreviveram tornaram possível aos arqueólogos desenvolver uma imagem clara
dos costumes egípcios antigos e colocar esse conhecimento em uma história cronológica precisa.
As plantas dos templos egípcios são versões expandidas e elaboradas das plantas das casas
egípcias, com uma câmara – casa do deus - mais interna cercada por camadas de espaços murados
e alcançados apenas por uma sucessão de paredes externas, de portões e de jardins internos.
O desenho da típica coluna de pedra, com sua sugestão de amarração de cordão na base e abaixo
do capitel, foi derivado das colunas de taipa, reforçadas com juncos das casas e palácios.
O capitel é a parte da coluna que �ca por cima do fuste. Os três tipos de capitéis egípcios inspiram-
se em botões, �ores ou folhas de certas plantas. O primeiro, chamado de capitel fechado ou
Figura 1.17 - a imagem apresenta as Colunas do Templo Amon, em Karnak, com seus capitéis
amarrados na base, que sustentam um lintel (pedra acima das colunas) 
Fonte: Hedwig Storch / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta uma foto que mostra em detalhes um dos modelos de capiteis das
colunas do templo de Amon, em Karnak, no Egito. A imagem mostra parte das colunas circulares em
primeiro plano e a parte superior de duas colunas em segundo plano, das quais se pode ver o capitel,
espécie de cabeça da coluna, sobre o qual se apoiam pedras formando uma grande portada. Todas as
colunas são em tons de marrom claro e tem inscrições tipo hieróglifo.
lotiforme, representa várias �ores fechadas sobre os caules da coluna em feixe. A �or de lótus
aberta inspira o segundo tipo, o capitel campaniforme, que se assemelha a uma campânula
invertida, decorada com pétalas. O terceiro tipo, o capitel palmiforme, é ornado com folhas que se
afastam do fuste e é, geralmente, mais recente. A função estrutural do capitel é fornecer uma
superfície maior que a da seção da coluna para suportar as vigas.
As dimensões e as formas geométricas da arquitetura egípcia conferem-lhe um caráter tão
imponente como austero. Embora certas formas, como a coluna em feixe e o capitel lotiforme,
sejam de inspiração vegetal, elas são, contudo, adaptáveis à pedra. Os templos menores evidenciam,
geralmente, uma grande preocupação com a unidade de organização racional do espaço.
Esses modelos de colunas e capitéis foram desenvolvidos ao longo da civilização egípcia na
construção de templos e palácios.
Os Templos, Casas e Palácios
O templo da es�nge, em Gizé, um dos mais antigos que conhecemos, construído na IV dinastia, está
excepcionalmente bem conservado e comunica-se com a pirâmide de Quéfren por uma área
coberta. Para iluminar o interior, o arquiteto inventou a clarabóia.
Os templos mais célebres são os de Kanark e de Luxor, que de�nem o padrão básico da arquitetura
religiosa do Novo Império até os dias �nais da cultura faraônica.
Assim, energias arquitetônicas sem precedentes foram canalizadas para a construção
de imensos templos de Âmon sob o patrocínio real, tal como o templo de Luxor. Seu
projeto característico do estilo geral dos templos egípcios posteriores (...). Em resultado,
o observador sente-se quase que esmagado por sua grandiosidade. O efeito de
intimidação é certamente impressionante (JASON, 2009, p.28-29).
Isso rea�rma que a arquitetura egípcia, especialmente no Novo Império, foi pensada para exaltar o
poder e a divindade real do faraó.
Das casas e dos palácios, por serem feitas de tijolos e madeira, quase nada foi preservado;
historicamente, o que chama atenção na arquitetura das casas, foram as soluções adotadas, como
ser cercada por cercas, pomares e jardins.
As casas dos mais pobres eram pequenas e tinham dois ou três cômodos – um quarto de dormir,
uma cozinha, uma escada para a “laje” e um pequeno jardim ou pátio.
No telhado, um pequeno quiosque ou tenda protegia crianças e mulheres do sol.
As casas dos ricos eram feitas de tijolos de barro e tinham divisões e cômodos. As colunas e os
telhados eram feitos de madeira e pedra, podendo ser altas, com 4 ou 5 andares; as paredes eram
pintadas de cores fortes. Essas casas eram luxuosamente decoradas e mobiliadas, com camas com
estrado, mesas, cadeiras, bancos e armários.
As Pirâmides
No antigo Império, as pirâmides representavam uns dos monumentos mais notáveis, sendo, ao
mesmo tempo, religiosos e mortuários; a princípio, elas eram de tijolos e, depois, de pedra talhada,
marcados por formas puras, geométricas.
As pirâmides são símbolos importantes da cultura egípcia e da relação profunda entre o povo e a
�gura do faraó, que representa o poder religioso, militar e administrativo(governo). Mesmo que
Figura 1.18 -  As três principais pirâmides de Gizé, no Egito, juntamente com as pirâmides
subsidiárias e os restos de outras estruturas, no complexo da pirâmide de Gizé 
Fonte: Ricardo Liberato / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a imagem apresenta um total de 6 pirâmides, três de menor tamanho, de formato
escalonada, como um zigurate mesopotâmico, a frente das três maiores, destinadas à Quéops, Quéfren e
Miquerinos. Em volta delas, podemos observar um grande deserto de areia e um céu azulado. As cores
predominantes na imagem são, na parte de baixo, o tom de areia das pirâmides e do deserto e, acima, o
azul-claro do céu.
sejam túmulos, são marcos da importância dessa �gura que acaba, por �m, in�uenciando toda a
arte egípcia.
Aspectos Importantes:
1. A civilização egípcia desenvolveu-se em torno da �gura de um rei escolhido pelos deuses
para ser seu herdeiro na terra.
2. O Faraó era: comandante militar + chefe de governo + sacerdote religioso.
3. Política + Religião→→Indivisíveis.
Toda a arte egípcia é devotada a magia e a religião, para, assim, manter-se a ordem na certeza da
vida após a morte. Nesse sentido, as pirâmides cumprem o seu papel de serem o grande
receptáculo que guarda o corpo do morto, com todas as informações que ele precisa para a vida
após a morte. Foi graças a esse sentido da arte egípcia que conseguimos compreender e reconstituir
sua história.
praticar
Vamos Praticar
“A arquitetura egípcia começa por usar adobes de terra, madeira, cana e outros materiais leves, Imhotep
empregou a cantaria - pedras talhadas -, mas o seu repertório de formas arquitetônicas ainda re�ete
con�gurações ou dispositivos concebidos para materiais menos duradouros. Assim, encontramos colunas
de várias espécies” (JANSON, 2001, p. 81).
A partir do exposto acima e do que foi apresentado no tópico anterior, faça uma pesquisa das formas dos
capiteis empregados na arquitetura egípcia e faça um desenho dos modelos mais comuns.
O espírito clássico, que tanto iria in�uenciar a arte e arquitetura nos séculos seguintes, �oresceu de
um grupo social que se formou em torno do mar Egeu, tendo  a Grécia como o seu principal polo
irradiador, mas não o único.
Antiguidade Clássica: Antiguidade Clássica: 
Da Civilização Da Civilização 
Creto-Micênica à GréciaCreto-Micênica à Grécia
Clássica e HelenísticaClássica e Helenística
Para os arqueólogos, “Egeu” não é apenas um termo geográ�co; adotam-no para
designar as civilizações que �oresceram nessa área durante o terceiro e segundo
milênios a.C., antes do desenvolvimento da civilização grega propriamente dita. Existem
três intimamente relacionadas, embora distintas entre si: a de Creta, chamada minóica
devido ao lendário rei cretense Minos; a das pequenas ilhas ao norte de
Creta(cicladense), e a do continente grego (heládica) (JASON, 2009, 40).
Creta, em termos arquitetônicos, foi quem nos deixou o maior legado, e são “estes ‘novos’ palácios
que constituem a nossa principal fonte de informação sobre arquitetura minóica” (JASON, 2009, 42).
São eles, também, quenos ajudam a entender essa civilização.
Creta
Quando descobriram, no início do século XX, os vestígios de Cnossos, tornou-se evidente que a
civilização do Egeu nasceu em Creta, e que a arte micênica do continente era, em parte, re�exo do
período cretense minóico.
A origem da civilização cretense tem suas bases na agricultura e em um certo feudalismo. A
aristocracia cretense lança-se aos mares e domina o comércio internacional; desse modo, o espírito
inquieto, liberal, desejoso de novidades, foi imposto.
A religião não teve uma presença forte, como nas civilizações egípcias e mesopotâmicas, e a
liberdade de culto dava-se por pequenos amuletos e estátuas, daí a inexistência de templos. É na
arquitetura palaciana que a civilização cretense mostra todo seu esplendor.
O palácio cretense desenvolve-se a partir de plantas orgânicas em torno de um grande pátio, mais
ou menos central, permeado por poços para aeração e insolação. Eles são dotados de 3 pavimentos
com variação altimétrica.
Figura 1.19 - Entrada norte do Palácio de Knossos, em Creta, na Grécia 
Fonte: Jebulon / Wikimedia Commons.
#PraCegoVer : a foto apresenta parte das ruínas do palácio de Knossos, com destaque para um trecho que
foi restaurado. Em primeiro plano, há várias pedras soltas, dispostas em terreno em declive, e, em segundo
plano, pode-se ver parte reconstruída do muro de sustentação do palácio em pedras de cor clara como
areia. Acima, há colunas cilíndricas na cor vermelha, e um capitel redondo preto sustenta parte da
cobertura do que seria uma sala com uma pintura colorida na parede do fundo.
Os materiais usados são a pedra e a madeira, um sistema construtivo chamado de enxaimel. As
colunas são extremamente características e apresentam um fuste cônico invertido. Atualmente, por
conta da reconstrução, elas são de concreto, mas, originalmente, eram de madeira.
Os tetos são planos, com cornijas encimadas por chifres de touro, de pedra que chegam a 2 metros
de altura. Os palácios foram construídos em escala humana e dotados de infraestrutura de água e
esgoto.
O que se percebe é que, em Creta, celebra-se a boa vida e o luxo do rei e da aristocracia, que
aparecem nas representações de procissões, de festas, de torneios e de mulheres em pose coquete;
é possível perceber, também, que eles já absorviam muitos dos elementos dos seus vizinhos, os
gregos.
Grécia
Segundo a tradição, os gregos do período histórico invadiram o Peloponeso em 1100 a.C. O país
invadido pelos recém-chegados era muito diferente do Egito ou da Mesopotâmia. A vida não era tão
fácil como no vale do Nilo, mas a luta pela existência estimulou a energia dos gregos, o seu espírito
inventivo, o seu desejo de descoberta e de aventura em terras desconhecidas. As montanhas e os
numerosos braços de mar que dividem o país favoreceram a criação de cidades-estados,
frequentemente em guerra com os vizinhos e muito orgulhosos dos seus feitos. Todavia, nesses
estados minúsculos, cada cidadão podia participar ativamente da vida da cidade, em uma atmosfera
de livre expressão, estimulante para o indivíduo.
A primeira forma artística a aparecer foi a arquitetura. É durante os séculos obscuros que se
sucederam às invasões das quais surgiram o templo grego e as duas principais ordens
arquitetônicas. Uma ordem é uma combinação especí�ca de três elementos arquitetônicos: base,
coluna e entablamento.
A ordem principal é a dórica, que, no seu apogeu, no século V a.C., testemunhava um raro equilíbrio
entre a solidez maciça e o re�namento, graças a uma harmonia entre os diferentes elementos e o
conjunto que nunca foi ultrapassado. De acordo com a sua função, cada parte de uma estrutura
arquitetônica pertencia a uma das três categorias seguintes: os elementos de base, os elementos de
suporte e os elementos superiores. A ordem dórica respeita estas funções em cada uma das
divisões, até nos pormenores.
saiba mais
Saiba mais
“As realizações gregas no campo da arquitetura foram
identi�cadas, desde os tempos da Roma Antiga, com a
criação de três ordens arquitetônicas clássicas; dórica,
Jônica e coríntia. Na realidade, há apenas duas, porque a
coríntia apenas é uma variedade da jônica. A dórica (assim
designada porque foi criada na Grécia peninsular) pode ser
considerada a ordem fundamental, pois é a mais antiga e
mais nitidamente de�nida que a jônica, a qual se
desenvolveu nas ilhas do Egeu e na costa da Ásia Menor.”
Fonte: Jason (2001, p. 168).
Para conhecer mais sobre a gênese do templo dórico grego
consulte.
ACESSAR
https://periodicos.ufes.br/romanitas/article/view/30311
Entender o esquema de uma fachada da ordem dórica é compreender as bases da arquitetura
clássica.
Figura 1.20 - As principais ordens da arquitetura grega 
Fonte: COLUMN…(2020, on-line).
#PraCegoVer : a imagem mostra o esquema básico das ordens da arquitetura grega. A primeira, a partir
da esquerda, é a ordem dórica formada por uma coluna circular, com corpo estriado ou caneluras
terminadas, com capital simples em forma de quadrada, onde se apoia o entablamento formado por
arquitrave, por friso decorado e por cornija. O desenho à direita é da ordem jônico, também com uma
coluna circular e com capital com volutas laterias, arquitrave tripartida, friso mais decorado e cornija
também decorada. O último desenho, mais a direita, representa a ordem coríntia, que é formada por uma
coluna circular, capital com representação de folhas e plantas, entablamento com arquitrave tripartida
mais baixa, friso mais alto e liso e cornija tripartida. O desenho foi feito com linhas pretas, e há linhas de
chamada, indicando o nome de cada elemento citado acima.
A arquitetura do período clássico é composta pelos seguintes fatores: a escala é humana e os
templos são pensados, de forma a fornecer uma visão e compreensão total pelo homem. O espaço é
inexistente, pois espaço não é criado para o homem, e, sim, para o deus ao qual o templo é
devotado. Nas plantas arcaicas, o retângulo da planta realiza-se na proporção de um para três, ou
de um para dois e meio; se a fachada tiver 6 colunas, na lateral haverá 15 ou 18. Nas plantas
clássicas, a proporção é de uma para dois, se a fachada tiver 6 colunas, a lateral terá 12 ou 13.
Nas fachadas arcaicas, a altura do frontão é, aproximadamente, a mesma do entablamento; as
colunas são o dobro. Nas clássicas, a altura das colunas aproxima-se do triplo da altura do frontão.
Tudo é muito bem pensado e proporcional.
reflita
Re�ita
“O templo grego caracteriza-se por uma enorme
lacuna e uma supremacia incontestada através de
toda a história. A lacuna consiste na ignorância do
espaço interior, a glória na escala humana. Se, em
todos os tempos da crítica arquitetônicas,
encontramos frente a frente os exaltadores e os
detratores do templo grego, se ainda hoje vemos
opostos nos seus juízos os dois mais conhecidos
arquitetos modernos e assistimos à admiração que
Le Corbusier lhe manifesta e ao desprezo de
Wrigth, isto depende de uns terem considerado a
negação do espaço e os outros a escala humana.”
Fonte: Zevi (2009, p. 56).
Na arquitetura do período helenístico, a escala deixa de ser humana e torna-se monumental; o
espaço continua inexistente e os temas, agora, passam a variar desde templos e teatros até stoas
(local onde se faziam comércio e reuniões e onde os �lósofos gostam de proferir suas palestras).
As plantas variam de forma, podendo ser em U ou em L, com predomínio das ordens mais elegantes
e decorativas, como a jônica e a coríntia e suas inúmeras variações compósitas e Integração entre
arquitetura e paisagem.
praticar
Vamos Praticar
Considerando a variedade de plantas e ordens desenvolvidas desde a arquitetura cretense até a Grécia
Helenística e suas soluções para o desenvolvimento da arquitetura clássica, faça uma pesquisa sobre os
principais templos gregos e procure pesquisar um exemplo de cada ordem, com plantas diferentes.
Apresente na forma de infográ�co, tomando, como fundo, o mapa da Grécia.Material
Complementar
indicações
FILME
Troia
Ano : 2004
Comentário : O �lme conta a história da guerra de Troia. Essa história é
baseada na Ilíada, de Homero, e mostra a disputa de entre Páris e
Menelau por Helena. No �lme, é possível perceber a cultura e a
arquitetura grega.
Para conhecer mais sobre o �lme, acesse o trailer .
TRA ILER
LIVRO
História da Arquitetura
Patrick Nuttgens
Editora : LTC
ISBN : 978-85-216-2773-9
Comentário : O autor foi professor da Universidade de York e
apresentou diversos programas de televisão sobre arquitetura. Em seu
livro, ele constrói uma história da arquitetura de fácil entendimento,
com uma abordagem mais simples, sem deixar de ser re�exiva.
Conclusão
Nesta unidade, foram tratados os elementos fundamentais para a compreensão de como se deu a
construção e/ou formação dos primeiros exemplares do que podemos considerar arquitetura.
Desde a pré-história, com seus pontos ainda a esclarecer, mas que já nos fornece parâmetros
importantes para levantar algumas hipóteses e possíveis caminhos no entendimento dos primeiros
abrigos, até as construções das primeiras civilizações.
Ao perceber os caminhos trilhados pelos povos primitivos e pré-históricos, podemos então entender
como as primeiras grandes civilizações formaram-se e a importância que tiveram na região
geográ�ca, com a presença de água para o seu desenvolvimento.
conclusão
Referências
Bibliográ�cas
COLUMN: architecture. Britannica , 2020. Disponível em:
https://www.britannica.com/technology/column-architecture. Acesso em: 18 jan. 2020.
DUARTE, C. W. G. A anatomia do templo dórico grego: origem e desenvolvimento. Romanitas,
revista de estudos grecolatinos , Vitória, n. 15, p. 138-156, 2020. Disponível em:
https://periodicos.ufes.br/romanitas/article/view/30311 . Acesso em: 18 jan. 2020.
GUARINELLO, N. L. História Antiga . São Paulo: Editora Contexto, 2013.
JANSON, H. W. História Geral da Arte : mundo antigo e a Idade Média. São Paulo: Martins Fontes,
2001.
JANSON, H. W. Iniciação à História da Arte , São Paulo : Martins Fontes, 2009
NUTTGENS, P. História da Arquitetura . 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2015.
referências
https://periodicos.ufes.br/romanitas/article/view/30311
PINSKY, J. As primeiras civilizações . São Paulo: Editora Contexto, 2016. Disponível na Biblioteca
Virtual Universitária.
TROY (2004) - Trailer. [S. l.: s. n.], 2015. 1 vídeo (2 min). Publicado pelo canal Martin Johansson.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=2D6vLFvZ9KU&ab_channel=MartinJohansson .
Acesso em: 18 jan. 2021.
WAISMAN, M. O interior da história . São Paulo: Perspectiva, 2013.
WIGWAMS at Borewell. Geography , [2020].
ZEVI, B. Saber ver a arquitetura . São Paulo: Martins Fontes, 2009.
https://www.youtube.com/watch?v=2D6vLFvZ9KU&ab_channel=MartinJohansson

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