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Atuação do Enfermeiro na Braquiterapia do Câncer de Colo de Útero: Revisão de Literatura Agatha Rogerio Duru[footnoteRef:1] [1: Acadêmico(a) do curso de enfermagem da Faculdade Anhanguera.] Nome do Segundo Autor (orientador)[footnoteRef:2] [2: Orientador(a). Docente do curso de enfermagem da Faculdade Anhanguera. ] RESUMO Elemento obrigatório. Consiste em texto condensado do trabalho de forma clara e precisa, enfatizando os pontos mais relevantes como natureza do problema estudado; objetivo geral; metodologia utilizada; principais considerações finais sobre a pesquisa, de forma que o leitor tenha ideia de todo o trabalho. Deverá conter entre 150 e 250 palavras, é escrito em parágrafo único, sem citações, ilustrações ou símbolos, espaçamento simples e sem recuo na primeira linha. Palavras-chave: Enfermeiro; Assistência; braquiterapia; câncer; colo. 1 INTRODUÇÃO O câncer de colo uterino é uma neoplasia maligna comum no Brasil, causando um grande número de mortes. Vários fatores de risco contribuem para essa patologia, sendo o principal deles a infecção pelo papilomavírus humano (HPV). A forma mais eficaz de controlar o câncer do colo do útero é o rastreamento por exame citopatológico (Papanicolau) para que seja tratado precocemente, reduzindo assim a morbimortalidade desse tipo de tumor (BARROCAS, et al. 2019). Até 2024, haverá cerca de 15.590 novos casos de câncer cervical. É o segundo tumor mais comum em mulheres, depois do câncer de mama, e a quarta causa de morte por câncer em mulheres brasileiras. A principal variante que pode levar a esse tipo de câncer é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), alguns subtipos de alto risco estão associados à malignidade. Mulheres diagnosticadas precocemente, com tratamento adequado, têm quase 100% de chance de cura (HAMES, et al. 2022). As mulheres de baixo nível socioeconômico têm taxas mais altas. É mais comum em mulheres que tiveram a primeira relação sexual mais cedo, história de promiscuidade ou nascimentos múltiplos. A maneira mais eficaz de controlar o câncer do colo do útero é o exame de Papanicolau são os grupos de mulheres orientadas por profissionais de saúde sobre a importância da realização regular desse exame para o diagnóstico precoce da doença, pois permite o tratamento em seus estágios iniciais, reduzindo a morbimortalidade por esse tipo de câncer. Quando o câncer não é diagnosticado em seus estágios iniciais (PIKULA, et al. 2021). Nesse momento, o colo do útero e os tecidos adjacentes foram gravemente violados. Além da dispareunia, também podem ocorrer sintomas como sangramento disfuncional ou durante a relação sexual. Os enfermeiros são responsáveis por comunicar as informações clínicas dos pacientes a toda a equipe interdisciplinar (PIKULA, et al. 2021). Além de informar e tranquilizar os pacientes e seus familiares, o atendimento pode minimizar a necessidade de avaliações médicas mais frequentes por meio da pré-triagem (PIKULA, et al. 2021). O tratamento de pacientes com oncologia ginecológica com braquiterapia de alta taxa de dose tornou-se uma realidade. Esse modelo sugere atribuir doses terapêuticas que priorizem os locais de maior atividade tumoral, resultando em maior eficácia com menor probabilidade de complicações actínicas. No entanto, devido à localização do tumor e à consequente direção da irradiação durante o tratamento, alguns dos órgãos pélvicos afetados pela irradiação podem ser defeituosos, resultando em uma resposta sexual inadequada e, portanto, disfunção sexual (ROSA, et al. 2021). Os cânceres cervicais geralmente se originam na junção escamocolunar. A lesão geralmente está associada a displasia grave e carcinoma in situ e evolui com ruptura da membrana basal epitelial e invasão gradual do estroma (NORONHA, et al. 2021). As lesões podem se apresentar como úlceras cervicais externas, tumores exofíticos ou extensa infiltração endocervical. Se não for tratada, a condição pode se espalhar para o fórnice vaginal adjacente ou para o tecido parametrial e eventualmente invadir a bexiga, o reto ou ambos. A extensão intracervical foi distribuída uniformemente em todas as direções, no entanto, a extensão paracervical foi associada ao grau de invasão estromal, tamanho do tumor, invasão linfovascular e presença de metástases linfonodais. Em um estudo de 225 pacientes submetidas a histerectomia radical e linfadenectomia pélvica, o envolvimento nodal foi o seguinte: estágio IB e IIA em 14,2%, estágio IIB em 19,8% e estágio IIIB em 28% (ROSA, et al. 2022). A disseminação hematogênica através do plexo venoso e veias parajugular ocorre com menos frequência, mas é mais comum em estágios avançados. O primeiro sinal de anormalidade geralmente é o sangramento pós-coito, que progride para sangramento uterino (sangramento intermenstrual) ou sangramento menstrual significativo (menorragia) Leucorréia serosa sanguinolenta ou amarelada malcheirosa é observada em casos de lesões mais avançadas e invasivas. Se houver sangramento crônico, os pacientes podem sentir fadiga ou outros sintomas relacionados à anemia. Dor pélvica ou abdominal inferior pode ser causada por necrose tumoral ou doença inflamatória pélvica associada (ROSA, et al. 2022). Em pacientes com dor lombos-sacral, deve-se considerar a possibilidade de envolvimento de linfonodos para-aórticos com extensão para a região lombos-sacral ou hidronefrose. Hematúria e sangramento retal ocorrem em estágios avançados devido à invasão tumoral do reto e da bexiga (DUARTE, et al. 2020). Apesar da importância do tema, a produção científica voltada especificamente para enfermagem em braquiterapia é escassa. Portanto, é preciso enfermeiros pró-ativos, que estejam em constante busca de novos conhecimentos científicos para pautar a prática assistencial e publicar materiais a respeito do tema justificando a importância do estudo. O objetivo geral deste estudo é demonstrar a importância do enfermeiro no serviço de radioterapia, reportando nos fundamentos do tratamento de braquiterapia de alta taxa de dose. E como objetivo especifico as orientações a serem feitas, respeitando a individualidades de cada paciente. 2 DESENVOLVIMENTO O tratamento radioterápico complementado com a braquiterapia intrauterina possibilita a cura de cerca de 60 a 90% dos casos de câncer cervical em estágio inicial. Nas fases média e avançada da doença são utilizadas a radioterapia externa e a braquiterapia que, combinadas com a quimioterapia, possibilitam a cura de aproximadamente 30 a 60% dos casos. A braquiterapia pode ser classificada pela taxa de dose como baixa (baixa taxa de dose), média ou alta (alta taxa de dose HDR) (ROSA, et al. 2022). A braquiterapia pode ser usada com agulhas e cateteres plásticos para tratar desde pequenos seios da face ou órgãos ocos musculares até fissuras com lesão presente ou com risco de recorrência. Todos esses dispositivos de implantes aliados a um sistema de planejamento computadorizado com controle remoto de entrega de cargas tornaram esse método responsável por um grande avanço na braquiterapia (ROSA, et al. 2022). Na braquiterapia com alta taxa de dose, o procedimento é realizado de forma ambulatorial devido ao tamanho dos aplicadores; não é necessária anestesia geral. A aplicação leva cerca de 10 minutos. As vantagens são: menor tempo de tratamento, aplicadores menores, menor exposição da equipe, maior estabilidade de posicionamento. As desvantagens são: desvantagens radiobiológicas mais complicadas - potencial toxicidade tardia relacionada a uma grande dose para publicidade, menor tempo para correção (NORONHA, et al. 2021). A braquiterapia de alta dose foi introduzida em nosso meio em janeiro de 1991. Desde então, houve uma mudança significativa na abordagem das neoplasias malignas em relação às vantagens do novo método, além de solucionar a demanda reprimida de braquiterapia em neoplasias ginecológicas. Nos primeiros 10 anos de funcionamento, o Brasil tratou 26.436 pacientes com braquiterapia em 31 serviços, sendo mais de 50% dos pacientes portadores deneoplasias cervicais. Esse período também foi um momento crítico, pois alguns estudos publicados destacaram os riscos de complicações da braquiterapia de altas doses, dada a curta experiência com essa nova modalidade terapêutica (NORONHA, et al. 2021). É administrado colocando uma fonte radioativa em contato próximo com o tecido a ser tratado. Por estar próximo ao tecido, essa forma de tratamento é capaz de liberar uma alta dose de radiação em seu entorno sem atingir níveis inaceitáveis de radiação em tecidos ou órgãos saudáveis. O objetivo do tratamento é fornecer altas doses de radiação em volumes limitados do corpo para obter melhor controle da doença e menor toxicidade do tratamento aos tecidos normais adjacentes (HAMES, et al. 2022). A braquiterapia de alta dose usa fontes radioativas altamente ativas Iridium-192 para tratar principalmente tumores ginecológicos. Essa modalidade permite a administração de altas doses de radiação em um curto período de tempo em um processo no qual a fonte de radiação passa por aplicadores de metal ou plástico inseridos, por exemplo, na cavidade vaginal e uterina (HAMES, et al. 2022). 2.1 Metodologia Este estudo é uma revisão bibliográfica. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico de artigos de enfermagem, indexados no Centro Especializado da Organização Pan-americana de Saúde (BIREME), que abrange as bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (SCIELO) acerca da temática em questão. Foram consideradas as publicações entre os anos de 2019 a 2022 na língua portuguesa, que abordaram a temática braquiterapia, utilizando-se descritores como: Enfermeiro; Assistência na braquiterapia; câncer de colo. 2.1 Resultados e Discussão O uso de braquiterapia de alta taxa de dose no tratamento do câncer está aumentando. O número de pacientes atendidos é muito alto em relação à quantidade de equipamentos disponíveis no Brasil, com tempo constante e fatores de estresse no procedimento operatório; faltam profissionais dedicados e treinados para desempenhar essa função, e há poucas referências a publicações em o campo da enfermagem poucos (PIMENTEL, et al. 2023). Outro fator relevante é que os enfermeiros responsáveis pelos serviços de radioterapia visam planejar com equipes multidisciplinares sobre segurança, operações, protocolos de atendimento ao paciente, evitar acidentes de enfermagem ou mecânicos e proteger profissionais e pacientes (PIMENTEL, et al. 2023). Embora o equipamento venha com instruções do fabricante, cada serviço deve ter seu próprio manual de procedimentos. Qualquer equipamento pode falhar e, mais importante, diz respeito à vida das pessoas envolvidas nos procedimentos de radiação ionizante. Além disso, qualquer emergência de radiação requer registro junto às autoridades competentes (MARTELLETTI, et al. 2020). Além das atividades administrativas e cotidianas do departamento de braquiterapia, os enfermeiros são responsáveis pelo aconselhamento antes, durante e após a braquiterapia do câncer do colo do útero, atendimento ao paciente, prescrição de cuidados integrais e assistência aos pacientes em sua reabilitação e reabilitação durante o tratamento proposto. No cuidado individualizado ao paciente, o enfermeiro precisa oferecer seu conhecimento como elemento coadjuvante do cuidado prestado (NORONHA, et al. 2021). Como a enfermagem é responsável pelo cuidado direto ao paciente, sua atuação torna-se mais complicada quando se trata de pacientes oncológicos. O enfermeiro tem a responsabilidade de agilizar o processo, prestar cuidados de qualidade e reduzir o impacto dessa situação estressante por meio de orientações terapêuticas autênticas e adequadas (NORONHA, et al. 2021). Os diálogos entre pacientes e equipes de saúde são construídos com atenção, paciência e linguagem clara. Muitos jargões e jargões científicos não apenas incomodam os pacientes, mas também os impedem de fazer perguntas, o que pode levar ao afastamento do tratamento e a sentimentos de abandono. A qualidade da comunicação reflete a adesão e o sucesso do tratamento (PONTES, et al. 2020). Expressões faciais e gestos que demonstrem dúvida, medo ou preocupação podem indicar falta de compreensão do que está sendo dito, e os profissionais devem estar atentos a esses detalhes. Estudos têm mostrado que os profissionais que buscam fornecer instruções mais detalhadas a um paciente são mais sensíveis às perguntas que o paciente faz, entendem melhor seus sentimentos e o motivam a ser mais cooperativo com o tratamento (MARTELLETTI, et al. 2020). O artigo 11, inciso I, alínea “i” da Lei do Exercício Profissional n.º 7.498, de 25 de junho de 1986, e o Decreto 94.406/87 afirmam a consulta de enfermagem como uma atividade privativa do enfermeiro (DUARTE, et al. 2020). Para fornecer cuidados de alta qualidade, abrangentes e humanos aos pacientes, os enfermeiros devem ter certas habilidades de comunicação: ouvir bem, não mentir, evitar a conspiração do silêncio, evitar a falsa felicidade, não desistir de possíveis esperanças e aliviar a dor. Nesse caso, o enfermeiro representa um dos suportes utilizados pelo paciente, por meio do qual ele pode se expressar e realizar alguns de seus desejos (CORPES, et al. 2022). No entanto, observou-se que os enfermeiros carecem de habilidades e conhecimentos para se comunicar com os pacientes. O profissional também deve estar preparado para intervir em uma mulher com câncer de colo uterino devido a questões físicas e psicológicas na comunicação paciente-família (CORPES, et al. 2022). A disfunção sexual é mais comum entre pacientes com câncer cervical tratados com radioterapia usando regimes de braquiterapia de alta taxa de dose. Durante o acompanhamento dessas pacientes, atenção especial deve ser dada à história sexual e ao exame ginecológico. O tratamento de possíveis disfunções sexuais é fundamental para a qualidade de vida do paciente (HAMES, et al. 2022). Muitas vezes, registros médicos com foco sexual e exames físicos mais detalhados não são realizados rotineiramente, o que muitas vezes leva à insatisfação sexual, desconfiança e abandono por parte dos maridos, alegando medo de serem contaminados ou machucá-los, principalmente devido à influência de muitos tabus. Sabe-se que a atividade sexual é um dos indicadores do nível de qualidade de vida e, portanto, pode ser motivo de alegria ou tristeza, incluindo todas as nuances da vida de uma mulher (PIKULA, et al. 2021). Diante da revisão de literatura foi possível identificar ações do enfermeiro frente ao paciente em braquiterapia, como descrito na tabela a seguir: Tabela 1: Intervenções de Enfermagem. Prescrição de enfermagem Explicar como será o tratamento. Explicar sobre os efeitos adversos. Um dia antes da aplicação, deverá se abster de relações sexuais. Evitar o uso de cremes ou pomadas vaginais durante o tratamento. Realizar banho de assento com chá de camomila. Repousar após a realização da braquiterapia. Orientar quanto a sangramento (quantidade moderada é esperada até dois dias após o procedimento). Alertar a respeito da necessidade de comunicar o enfermeiro caso apresente disúria ou hemorragia. Atentar para sinais de mucosite vaginal. Analisando todos os fatos encontrados podemos ressaltar que a enfermeira no serviço de braquiterapia é de primordial importância e fundamental importância para o desenvolvimento do serviço e para a assistência direta ao paciente, ela o traz para a realidade do tratamento, explica e educa por meio de orientações e prescrições antes e após a consulta de enfermagem antes, durante e após a braquiterapia, obtendo sucesso clínico e reduzindo complicações por meio do cuidado direto de enfermagem (PONTES, et al. 2020). 3 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS ROSA, Luciana Martins da et al. Avaliação da dor em mulheres com câncer cérvico-uterino durante a braquiterapia. Cogitare Enfermagem, v. 27, 2022. BARROCAS,Consuelo Silva et al. Tecnologia educacional na consulta de enfermagem à pacientes com tumores ginecológicos no ambulatório de braquiterapia oncológicos submetidos a radioterapia. 2019. HAMES, Maria Eduarda et al. Mulheres diagnosticadas com câncer ginecológico: o significado das vivências e percepções sobre braquiterapia e seus efeitos adversos. 2022. CORPES, Erilaine de Freitas et al. Repercussões da braquiterapia na qualidade de vida e funcionalidade no tratamento do câncer de colo uterino. Cogitare Enfermagem, v. 27, 2022. PIKULA, Debblye et al. Estenose vaginal pós-braquiterapia: ocorrências e repercussões em mulheres com câncer ginecológico. Cogitare Enfermagem, v. 26, 2021. HAMES, Maria Eduarda et al. Mulheres submetidas à braquiterapia pélvica: significados da terapêutica e dos seus efeitos. Research, Society and Development, v. 11, n. 13, p. e341111334963-e341111334963, 2022. DA ROSA NORONHA, Isabela et al. Diagnósticos de enfermagem em pacientes com câncer submetidos à radioterapia: estudo de revisão. Revista Recien-Revista Científica de Enfermagem, v. 11, n. 36, p. 153-163, 2021. ROSA, Luciana Martins da et al. Perfil epidemiológico de mulheres com câncer ginecológico em braquiterapia: estudo transversal. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, 2021. DUARTE, Érica Bernardes et al. Mulheres em braquiterapia pélvica:(des) conhecimento e atenção profissional como significado. Cogitare Enfermagem, v. 25, 2020. PIMENTEL, Natalia Beatriz Lima et al. REPERCUSSÕES PSICOSSOCIAIS DO TRATAMENTO RADIOTERÁPICO PARA O CÂNCER DO COLO UTERINO: UMA ABORDAGEM QUALITATIVA. Cogitare Enfermagem, v. 28, 2023. DUARTE, Érica Bernardes et al. Mulheres em braquiterapia pélvica:(des) conhecimento e atenção profissional como significado. Cogitare Enfermagem, v. 25, 2020. DE JESUS MARTELLETTI, Laura Beatriz Sousa et al. Avaliação da adesão ao autocuidado em mulheres submetidas à braquiterapia ginecológica. Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro, v. 10, 2020. PONTES, Paloma Albuquerque et al. Validação de um manual de orientações para pacientes submetidas à braquiterapia ginecológica. Cogitare Enfermagem, v. 25, 2020.