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Frente C Focos de Tensão: ÁfricaMódulo 10
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129128 Bernoulli Sistema de EnsinoColeção 6V
Darfur
Darfur é a terra dos Fur, ou fourrás, tribos africanas 
sedentárias que vivem da agricultura de subsistência. 
Além desses povos, existem também, na região, os 
baggara, beduínos nômades, vivendo fundamentalmente 
da pecuária. Três etnias são predominantes na região: 
os fur (que emprestam o nome à região), os masalit e os 
zaghawa, em geral negros muçulmanos ou seguidores de 
outras religiões da África Subsaariana. Darfur tem cerca de 
5,5 milhões de habitantes, numa região com baixo nível 
de desenvolvimento: apenas 15% das crianças do sexo 
masculino e 10% do feminino frequentam a escola. 
O problema em Darfur tem sua origem atrelada a 
motivos étnicos, a disputa por terra, por recursos hídricos, 
por petróleo e por poder, envolve uma pequena parcela de 
árabes nômades criadores de animais e uma maioria de 
agricultores de tribos negras como os Fur, os Massaleet e 
os Zagawa, ou seja, a tensão não é resultado apenas do 
choque étnico entre árabes e tribos africanas.
O conflito em Darfur teve início em fevereiro de 2003, 
quando grupos armados surgidos nas tribos negras da região 
deram início a um movimento separatista. Eles acusavam 
o governo central do Sudão de ser negligente, opressor e 
discriminador da maioria negra em favor da minoria árabe. 
O conflito permaneceu por meses longe dos olhos e dos 
interesses das organizações internacionais. 
Sudão: quadro natural
0 275 km
N
Darfur
Terra seca, arável
Floresta
Savanas
Bosques e prados
Deserto do Saara
Principais campos de petróleo
Egito
Líbia
Chade
República 
Centro-africana
República 
Democrática
do Congo Uganda
Sudão
do Sul
Etiópia
Eritreia
Arábia
Saudita
Quênia
Sudão
Cartum
Deserto 
do Saara
M
ar
Verm
elho
Juba
IBGE.
Observadores internacionais temiam pela aceitação do resultado por parte de Omar Al Bashir, e desconfiavam de sua 
postura que, em alguns momentos, soa como duvidosa em função de seu passado de crimes na região. Sua cooperação 
tem sido interpretada por alguns estudiosos como uma barganha, pois Bashir almeja retirar o Sudão da lista estadunidense 
de países que patrocinam o terrorismo, o que faz com que o Sudão seja alvo de uma série de embargos internacionais, e 
livrando-se da ordem de captura do Tribunal Penal Internacional. Porém, essas são apenas especulações que poderiam ajudar 
a compreender a mudança repentina no comportamento do ditador.
Com a formalização e anúncio oficial da independência do Sudão do Sul, espera-se que os chefes de Estado de diversos 
países e ainda entidades multilaterais como a União Africana e a ONU reconheçam o novo país.
Desafios
O acordo de paz firmado em 2005 também estabelecia que os rendimentos com a exportação de hidrocarbonetos seriam divididos 
de forma igualitária entre as porções setentrional e meridional do território sudanês. Com a divisão em dois novos países será 
necessária uma renegociação desse ponto do acordo, já que os hidrocarbonetos e a logística de escoamento se encontram distribuídos 
de forma desigual no território, a maior parte das reservas de gás e de petróleo se encontram na porção sul e a infraestrutura de 
refino e de transporte na porção setentrional (inclusive o Porto Sudão, tendo em vista que a exportação necessita de acesso ao 
Mar Vermelho). Esse fato, sem dúvida, constitui um ponto de grande fragilidade neste momento e obriga os dois novos 
países a estabelecerem uma cooperação econômica, pois uma guerra para definir essa questão não seria interessante para 
nenhuma das partes.
Divisão do Sudão
LÍBIA
Juba
Cartum
Porto
Sudão
Juba
Cartum
Porto
Sudão
M
ar Verm
elho
0 285 km
N
Er
itr
ei
aChade
Egito
Sudão
Sudão
do Sul
República
Centro
Africana
República
Democrática
do Congo
Etiópia
Uganda
Tanzânia
Quênia
Sudão do Norte
Refinaria
Oleoduto
Campos de
petróleo e gás
Darfur
Sudão do Sul
Abyei
A definição das fronteiras constitui um ponto delicado neste momento. Na área fronteiriça está situado o distrito de 
Abyei, reivindicado pelas duas partes e potencial foco de conflito. Deveria ter ocorrido, simultaneamente à consulta sobre a 
separação ou não das regiões, outro referendo para decidir a qual região a população residente deseja pertencer, mas não 
houve consenso sobre a votação e a questão continua em aberto. Há também outras questões importantes a serem tratadas, 
como a divisão dos recursos hídricos do Nilo e a concessão de cidadania (Omar Al Bashir ameaça anular a cidadania de cerca 
de 1,5 milhão de sudaneses do Sul que se mudaram para o norte durante as guerras civis).
Se são muito diferentes quanto às condições naturais, culturais e humanas, as duas regiões são muito parecidas quanto à 
condição socioeconômica. Apesar de ser rico em petróleo, o Sudão do Sul é uma das regiões menos desenvolvidas do planeta. 
Tal qual a maioria dos países da África Subsaariana, os dois países são marcados por uma pobreza extrema. 
A China e o fator petróleo
Um importante personagem do conflito em Darfur é a China, 
principal parceiro comercial do Sudão e seu maior investidor 
estrangeiro. A amizade sino-sudanesa é, no mínimo, suspeita 
e perigosa. Nos últimos anos, o Conselho de Segurança 
da ONU enviou uma força de paz para atuar com a União 
Africana, mas essa tropa não tem autoridade para desarmar 
as milícias. Essa regalia, concedida ao governo de Cartum, 
foi conseguida graças às pressões da China, que fez do país 
seu principal projeto petrolífero no exterior, comprando cerca 
de 60% da produção de petróleo do Sudão. 
A China usou, por muito tempo, sua posição diferenciada 
na ONU, exercendo seu poder de veto no Conselho de 
Segurança para evitar ações contra o governo sudanês – 
tudo em nome da manutenção do comércio do petróleo – 
e também forneceu, por muito tempo, armas ao país, mesmo 
sabendo que muitas delas acabam nas mãos dos Janjaweeds. 
A mídia internacional tem falado muito sobre a crise 
humanitária que atinge Darfur; entretanto, os conflitos na 
região ainda parecem estar longe de uma solução política real. 
Enquanto não se vê o fim da violência e a retomada da 
estabilidade na região, as agências internacionais têm um 
compromisso impreterível pela frente: aliviar o sofrimento 
da população.
A situação pode piorar, uma vez que o governo sudanês 
não permite a entrada de agências internacionais, seja para 
monitoramento ou para ajuda humanitária, de forma que 
milhares de pessoas podem vir a morrer de fome ou de 
doenças decorrentes da má condição de vida.
Sudão do Sul – O novo país africano
O sul do Sudão se considera muito diferente do norte 
em cultura, religião e etnia, e almejava a separação, pois 
alega ter sofrido anos de discriminação. O sul possui 20% 
do território, 25% da população, é recoberto por estepes, 
savanas e florestas tropicais e é habitado por africanos 
negros não islamizados de diversas etnias e que professam 
o cristianismo e outras religiões africanas tradicionais 
animistas em sua maioria. Já o norte é basicamente 
desértico, com população de africanos negros islâmicos e 
arabizados, embora existam diversas outras etnias na região. 
O Sudão, em outras palavras, representa uma retrato fiel 
do território africano, já que não há país nesse continente 
que não seja multi-étnico ou composto por muitas etnias 
nômades que atravessam fronteiras nacionais. 
Após décadas de conflito entre o norte e o sul, 
um plebiscito realizado em janeiro de 2011 decidiu pela 
divisão do país. A votação já estava prevista no acordo de 
paz que encerrou décadas de guerra civil entre o norte e o 
sul do país, firmado em 2005. 
O resultado final do referendo, aceito pelo presidente 
sudanês, Omar Al-Bashir, mostrou que a maioria dos 
eleitores votaram pela criação de um novo país no sul. 
Em Cartum, capital sudanesa, as autoridades do país 
revelaram que, dos votos válidos, apenas uma minoria foi 
a favor de manter a unidade sudanesa.
Frente C Focos de Tensão:ÁfricaMódulo 10
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131130 Bernoulli Sistema de EnsinoColeção 6V
Observe a tabela a seguir:
Sudão e “Sudão do Sul” – Indicadores sociais
Raio X Norte Sul
Área (km2) 1,7 milhão 600 mil
População 35 milhões 8,5 milhões
Pobreza (pessoas vivendo 
abaixo da linha da pobreza)
50% 90%
Educação 62% 20%
• Crianças com acesso a 
escola primária
30% a 40% 75% a 85%
• Adultos analfabetos 30% a 40% 75% a 85%
Saúde - -
• Crianças menores de cinco 
anos com desnutrição
35% 48%
• População que tem acesso 
a água limpa
58,7% 48,3%
ONU / CIA WORLD FACTBOOK.
RUANDA, O PAÍS 
DAS MIL COLINAS
Ruanda é um pequeno país localizado em uma região 
montanhosa no interior da África e, por possuir um terreno 
muito acidentado, ficou conhecido como o país das mil colinas. 
Faz fronteira com Burundi a sul, com Uganda a norte, com a 
Tanzânia a leste, e com a República Democrática do Congo 
a oeste. 
Ruanda
Pq. Nacional
dos Vulcões
Gisenyi
Gitarama
Butare
Kibungo
Byumba
Kigali
Kybuye
Cyangugu
Ruhengeri
Uganda
Ruanda
Burundi
Tanzânia
Rep. 
Democrática
Do Congo
Vulcão Karisimbi 4 507 m
Lago 
Kivu
30 km0
N
IBGE.
A base econômica de Ruanda é muito frágil, e a 
agropecuária responde por 42% do Produto Interno Bruto, 
de 1,6 bilhão de dólares. Cerca de 90% da população 
desenvolve atividades agrícolas em pequenas propriedades, 
produzindo e exportando chá e café. O país possui poucos 
recursos naturais, e o setor industrial é insignificante, o que 
dificulta seu desenvolvimento. O turismo é outra pequena 
fonte de renda, graças ao Parque Nacional dos Vulcões e 
aos gorilas-da-montanha, que vivem nos vulcões extintos 
do Parque Virunga, que engloba Ruanda, Uganda e Congo.
A situação do país agravou-se em 1994, quando sua 
população foi duramente castigada em um dos episódios de 
limpeza étnica mais brutais da história, que levou à morte 
quase 1 milhão de pessoas, assassinadas em 100 dias. 
Tutsis x hutus
A região dos Grandes Lagos, localizada na parte central 
do continente, era habitada há séculos por pigmeus e 
hutus, povo bantu da Bacia do Rio Congo. No século XV, 
os tutsis, pastores da Etiópia, invadiram o local e impuseram 
seu domínio sobre os hutus, apesar de estes serem 
mais numerosos.
Em 1899, a Alemanha declarou Ruanda um protetorado. 
Mas, com a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, 
os belgas ocuparam o país e, em um primeiro momento, 
transformaram os tutsis na elite, dando-lhes poder político, 
econômico e militar. A partir da década de 1950, por outro 
lado, favoreceram a formação de uma elite hutu. Dessa 
forma, alimentaram a rivalidade entre os povos locais para 
dominá-los.
Em 1962, Ruanda tornou-se independente sob a liderança 
dos hutus. Na região, houve muitos anos de instabilidade. 
O governo, nesse período, tomou várias medidas de 
repressão contra os tutsis, que se exilaram em países 
vizinhos. A partir de 1990, uma série de problemas climáticos 
e econômicos gerou conflitos internos, conduzindo o país 
a uma guerra civil. Os tutsis, exilados, formaram a Frente 
Patriótica Ruandesa (FPR) e lançaram ataques contra 
o governo hutu, a partir de Uganda. Também exigiram 
participação no governo e o direito de retornar ao país. 
A FPR e o governo tentaram acordos sem sucesso, e os tutsis 
passaram a ser perseguidos.
Em 6 de abril de 1994, o então presidente ruandês, 
Juvenal Habyarimana e o presidente do vizinho Burundi, 
Cyprien Ntaryamira, foram assassinados em um atentado 
terrorista, após o avião em que viajavam ter sido atingido por 
um míssil, quando aterrissava em Kigali, capital de Ruanda, 
retornando da Bélgica, onde foram pedir ajuda humanitária. 
Esse episódio foi o estopim de muita violência. Os hutus, 
enfurecidos, aproveitaram-se e, incitados via rádio (a Radio 
Télévision Libre des Mille Collines, dirigida pelas facções 
hutus mais extremas), começaram a matança. O rádio foi 
um meio importante para fomentar o assassinato dos tutsis. 
Em 100 dias, quase 1 milhão de pessoas da etnia tutsi 
foram assassinadas a golpes de facão. Esse foi o maior 
genocídio da década de 1990. Sob o comando do tutsi 
Paul Kagame, a FPR ocupou várias partes do país e, em 
4 de julho, entrou na capital Kigali, enquanto tropas 
francesas de manutenção da paz ocupavam o sudoeste, 
durante a Opération Turquoise. Esse conflito gerou cerca de 
2,3 milhões de refugiados. Ainda se trabalha para julgar 
os culpados pelos massacres de Ruanda. Até 2001, 3 mil 
pessoas já haviam sido julgadas, com 500 delas condenadas 
a penas máximas.
Nas eleições de 2003, Paul Kagame obteve 95% dos votos 
para a presidência, derrotando três adversários hutus. Após 
o pleito, cerca de 2 milhões de hutus refugiaram-se na 
República Democrática do Congo, com medo de retaliação 
por parte dos tutsis. Muitos regressaram posteriormente, 
mas ainda conservam-se ali milícias, envolvidas na guerra 
civil daquele país. 
Ao assumir a Presidência, Kagame, o primeiro tutsi 
a governar Ruanda, fez questão de se definir como 
ruandense, e não como tutsi.
ÁFRICA DO SUL
Quando a África do Sul foi anunciada como sede da Copa 
do Mundo de Futebol, em 15 de maio de 2004, toda a nação 
festejou. Devido ao regime de segregação racial vigente 
no país entre 1948 e 1994, o apartheid, o país sofreu 
várias sanções da ONU e ficou impedido de participar de 
competições esportivas pelo mundo. Após 32 anos excluído 
da participação dos jogos olímpicos em razão do racismo, 
a África do Sul só retornou às competições em 1992, 
nas Olimpíadas de Barcelona.
África
do Sul
Lesoto*
Suazilândia*
Moçambique
Zimbábue
Namíbia
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
0 355 km
Trópico de capricórnio
Botsuana
N
ATLANTE GEOGRÁFICO MÉDICO DE AGOSTINI 
2008-2009. Novara: Instituto Geográfico 
de Agostini, 2008. p. 130.
*O Lesoto e a Suazilândia, embora estejam incrustados em 
território sul-africano, constituem dois países independentes e 
devastados, também, pelo vírus HIV.
Até 1994, a maioria negra do país ainda não possuía 
direitos políticos, em razão da política do apartheid. Esses 
direitos começaram a ser retomados em 1990, com a 
libertação, mediante pressões internacionais, do ativista 
político e ex-presidente sul-africano, Nelson Mandela.
Atualmente, as leis do país garantem igualdade política 
a todos. O país elege seus presidentes, democraticamente, 
desde 1994 e a maioria das autoridades do país é negra, 
como o atual presidente, Jacob Zuma, eleito em 2009. 
Apesar das vitórias políticas, a África do Sul ainda é um país 
marcado por enorme desigualdade social, com altos índices 
de pobreza e com a maior parte da riqueza concentrada nas 
mãos de uma minoria branca.
A África do Sul é uma nação de aproximadamente 
50 milhões de pessoas de diversas origens, culturas, línguas 
e religiões. Há enorme predominância da população negra 
sobre os brancos, que, apesar disso, ocupavam uma área 
de cerca de 87% do território do país.
O apartheid
A política do apartheid (“separação”, em africâner) foi 
instituída em 1948, com a ascensão do Partido Nacional, 
de cunho racista, ao poder. O novo governo decretou uma 
série de proibições aos negros, como o acesso à propriedade 
da terra, a participação política e o casamento entre raças 
diferentes. Além disso, os sujeitaram à utilização de meios de 
transportes e zonas residenciais segregadas, os bantustões, 
de forma a manter os negros fora dos bairros e terras 
brancas, mas suficientemente perto delas para servirem 
de mão de obra barata. Os bantustões (“homelands”) 
constituíam enclaves autogovernados pela população negra 
de acordo com a política do apartheid. 
Placa na praia da cidade de Durban que diz: “Nos termos do 
artigo 37 da Lei de Praia de Durban, esta zona balneária é 
reservada para uso exclusivo dos membros do grupo de raça 
branca” (1989).
As restrições não eram apenas sociais, pois eram 
obrigatórias pela força da lei vigente.
G
ui
nn
og
 /
 C
re
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iv
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C
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