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2023
Edição
revista
atualizada
ampliada
Curso de DIREITO 
PROCESSUAL
CIVIL
Meios de impugnação às decisões 
judiciais e processo nos tribunais
Fredie Didier Jr.
Leonardo Carneiro da Cunha
20a
C A P Í T U L O 2
Teoria e parte geral 
dos recursos 
Sumário • 1. Conceito de recurso – 2. Meios de impugnação de decisões judi-
ciais – 3. O princípio do duplo grau de jurisdição: 3.1. Constitucionalidade do 
princípio; 3.2. Conteúdo essencial do duplo grau; 3.3. Duplo grau vertical e duplo 
grau horizontal; 3.4. Críticas ao duplo grau de jurisdição; 3.5. Limitações ao duplo 
grau – 4. Classificação dos recursos: 4.1. Quanto à extensão da matéria: recurso 
parcial e recurso total; 4.2. Quanto à fundamentação: fundamentação livre e 
fundamentação vinculada – 5. Atos sujeitos a recurso e recursos em espécie – 
6. Desistência do recurso – 7. Renúncia ao direito de recorrer e aquiescência à
decisão – 8. Juízo de admissibilidade e juízo de mérito do recurso: 8.1. Juízo de
admissibilidade e juízo de mérito: distinção; 8.2. Generalidades sobre o juízo de
admissibilidade; 8.3. Objeto do juízo de admissibilidade; 8.4. Natureza jurídica do
juízo de admissibilidade; 8.5. Juízo de mérito – 9. Trânsito de técnicas processu-
ais entre os procedimentos recursais – 10. Princípio da proibição da reformatio 
in pejus. Vedação ao “benefício comum” do recurso – 11. Efeitos dos recursos;
11.1. Impedimento ao trânsito em julgado; 11.2. Efeito suspensivo; 11.3. Efeito
devolutivo: extensão e profundidade (efeito translativo); 11.4. Efeito regressivo
ou efeito de retratação; 11.5. Efeito expansivo subjetivo (extensão subjetiva
dos efeitos) – 12. Recursos subordinados; 12.1. Generalidades; 12.2. O recurso
adesivo – 13. Sucumbência recursal.
1. CONCEITO DE RECURSO
Etimologicamente, o termo recurso significa refluxo, refazer o curso,
retomar o caminho ou correr para o lugar de onde veio.
Na linguagem jurıd́ica, o termo é usualmente empregado num sentido 
amplo para identificar todo meio empregado por quem pretenda defender 
o seu direito. Nesse sentido, diz-se que a parte deve recorrer às vias ordi-
nárias, deve recorrer às medidas protetivas da posse etc.1
Numa acepção mais técnica e restrita, recurso é o meio ou instrumento 
destinado a provocar o reexame da decisão judicial, no mesmo processo 
em que proferida, com a finalidade de obter-lhe a invalidação, a reforma, 
o esclarecimento ou a integração.
1. THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. 47ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016,
v. 3, n. 716, p. 937.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha124
E preciso fazer algumas anotações a essa definição.
a) O conceito de recurso não pertence à Teoria Geral do Processo. Não
se trata de uma categoria jurıd́ica fundamental, identificável em qualquer 
espaço-tempo. E um conceito que depende do exame de um dado ordena-
mento jurıd́ico. Em um sistema, a apelação, por exemplo, pode ser recurso, 
como no Brasil, e, em outro, ser uma ação autônoma de impugnação.
b) O recurso prolonga o estado de litispendência, não instaura pro-
cesso novo. E por isso que estão fora do conceito de recurso as ações au-
tônomas de impugnação, que dão origem a processo novo para impugnar 
uma decisão judicial (ação rescisória, mandado de segurança contra ato 
judicial, reclamação, embargos de terceiro etc.).
c) O recurso é “simples aspecto, elemento, modalidade ou extensão
do próprio direito de ação exercido no processo”2. O direito de recorrer é 
conteúdo do direito de ação (e também do direito de exceção), e o seu exer-
cıćio revela-se como desenvolvimento do direito de acesso aos tribunais.
d) O direito de recorrer é potestativo3, porque produz a instauração do
procedimento recursal e o respectivo complexo de situações jurıd́icas dele 
decorrentes, como, por exemplo, o direito à tutela jurisdicional recursal 
(direito à resposta do Estado-Juiz, que deve ser qualificado pelos atributos 
do devido processo legal) e o dever de o órgão julgador examinar a deman-
da. O direito à tutela jurisdicional recursal é um direito a uma prestação4.
O direito ao recurso é conteúdo do direito fundamental de ação. A 
semelhança do que ocorre com este, o direito ao recurso possui tam-
bém um conteúdo complexo. Sobre o assunto, ver o v. 1 deste Curso.
O recurso pode também ser visto como um ônus (encargo do próprio 
interesse), pois o não exercıćio desse direito implica situação desfa-
vorável ao seu titular.
Mas é também possıv́el cogitar um dever de recorrer. Esse dever pode 
ter origem legal, como é o caso do dever do curador especial5, ou 
negocial, quando uma parte se compromete a impugnar uma decisão.
2. MOREIRA, José Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil. 11ª ed. cit., p. 236, com inú-
meras referências bibliográficas. Também neste sentido, com ampla fundamentação, Nery Jr., Nelson,
Princípios fundamentais – Teoria geral dos recursos. 5ª ed. São Paulo, RT, 2000, p. 184-206.
3. Assim, também, AMORIM, Aderbal Torres de. Recursos cíveis ordinários. Porto Alegre: Livraria do Ad-
vogado, 2005, p. 19.
4. Há, pois, dois direitos (duas situações jurídicas processuais): o direito ao recurso e o direito à tutela
jurisdicional recursal, que decorre do exercício do primeiro. Com outra visão, considerando o direito
ao recurso como um direito a uma prestação, pois o “Estado tem de prestar para satisfazer o direito
ao recurso – prestar tutela jurisdicional”, OLIVEIRA, Carlos Alberto Alvaro de; MITIDIERO, Daniel. Curso 
de Processo Civil. São Paulo: Atlas, 2012, v. 2, p. 164, nota 2.
5. GOUVEIA FILHO, Roberto Campos. “Sobre a natureza do reexame necessário”. Disponível em: https://
emporiododireito.com.br/leitura/sobre-a-natureza-do-reexame-necessario, consultado em 04.06.2020, 8h.
Cap. 2 • TEORIA E PARTE GERAL DOS RECURSOS 125
e) Normalmente, os recursos caracterizam-se por conter (i) provoca-
ção ao reexame da matéria e (ii) impugnação da decisão recorrida. Pode-se 
dizer que, no Brasil, a definição de recurso também tem esses dois elemen-
tos, mas é possıv́el haver impugnação não voluntária. Numa apelação, por 
exemplo, há provocação e há impugnação, sendo esta última voluntária, 
ou seja, dependente da vontade de alguém. Na remessa necessária, a im-
pugnação é, por sua vez, compulsória, por força de lei, e não voluntária. A 
voluntariedade é só do impulso, realizado pelo juiz de primeira instância. 
Há, na remessa necessária, provocação e impugnação, assim como existe 
em qualquer recurso. O impulso, feito pelo juiz, ocasiona a incidência da 
norma que impõe a impugnação. 
Consequentemente, o recurso pode ser voluntário ou necessário. A 
provocação é sempre voluntária. A impugnação é que pode ser voluntária 
ou compulsória. 
2. MEIOS DE IMPUGNAÇÃO DE DECISÕES JUDICIAIS
O sistema de impugnação da decisão judicial é composto dos seguintes 
instrumentos: a) recursos; b) ações autônomas de impugnação; c) sucedâ-
neos recursais.
Os diversos meios de impugnação integram um sistema de controle 
dos atos judiciais6, sendo possı́vel cogitar a aplicação recıṕroca de regras e 
o livre trânsito de técnicas entre os diversos meios de impugnação – o 
tema será examinado em item próprio mais à frente7.
O recurso é o meio de impugnação da decisão judicial utilizado dentro 
do mesmo processo em que é proferida. Pelo recurso, prolonga-se o curso 
(a litispendência) do processo. 
A ação autônoma de impugnação é o instrumento de impugnação da 
decisão judicial, pelo qual se dá origem a um processo novo, cujo objetivo 
é o de atacar ou interferir em decisão judicial. Distingue-se do recurso 
exatamente porque não é veiculada no mesmo processo em que a decisão 
recorrida fora proferida. São exemplos: a ação rescisória, a querela nulli-
tatis, os embargos de terceiro, o mandado de segurança e o habeas corpus 
contra ato judicial e a reclamação.
6. EID, Elie Pierre. Impugnação das decisões judiciais: reconstrução da relação entre recursos e ações 
autônomas de impugnação. Salvador:que não é de mérito. Para cada uma das hipóteses dedica-se, 
a seguir, um item próprio.
2.2.2. Decisões de inadmissibilidade que impedem a repropositura da 
demanda (art. 966, § 2º, I)
O inciso I do § 2º do art. 966 do CPC cuida das decisões que não são 
de mérito (relacionadas no art. 485, CPC) e que impedem nova proposi-
tura da demanda. Essas decisões são aquelas previstas no § 1º do art. 486 
do CPC. A compreensão do inciso I do § 2º do art. 966 do CPC depende, 
8. MIRANDA, Francisco Cavalcanti Pontes de. Comentários ao Código de Processo Civil. 3.ed. Rio de Janeiro: 
Forense, 1998, t. 6, p. 174; THEODORO JR., Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 39ª ed., v. 1, cit., 
p. 604-605; SOUZA, Bernardo Pimentel. Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. 2ª ed., cit., p. 
501; YARSHELL, Flávio Luiz. Ação rescisória. São Paulo: Malheiros Ed., 2005, p. 163-164; DIDIER Jr., Fredie; 
CUNHA, Leonardo Carneiro da. Curso de Direito Processual Civil. 12ª ed. Salvador: Editora Juspodivm, 
2014, v. 3, p. 357; PEIXOTO, Ravi. “Breves considerações sobre a ressignificação da coisa julgada formal 
e a sua eficácia extraprocessual”. Revista Dialética de Direito Processual. São Paulo: Dialética, 2014, n. 
141, p. 83-95; GONÇALVES, Tiago Figueiredo. “Apontamentos sobre a ação rescisória”. Direito Civil e 
processo: estudos em homenagem ao professor Arruda Alvim. Araken de Assis, Thereza Alvim, Eduardo 
Arruda Alvim, Nelson Nery Jr., Rodrigo Mazzei e Teresa Arruda Alvim Wambier (org.). São Paulo: RT, 
2007, p. 576.
9. STJ, 2ª T., REsp n. 1.217.321/SC, rel. originário Min. Herman Benjamin, rel. para acórdão Min. Mauro 
Campbell Marques, j. em 18.10.2012.
C A P Í T U L O 1 5
Julgamento de 
Casos Repetitivos1
Sumário • 1. A litigiosidade em massa e as questões de direito repetitivas. 
Do processo coletivo da ação coletiva ao processo coletivo do julgamento de 
casos (“questões”) repetitivos – 2. Outros mecanismos para a solução de casos 
repetitivos – 3. O julgamento de casos repetitivos no CPC – 4. Microssistema 
de julgamento de casos repetitivos e sua dupla função – 5. Microssistema de 
julgamento de casos repetitivos e o processo do trabalho – 6. Parte geral que 
regula o julgamento de casos repetitivos: 6.1. Sistema adotado: causa-piloto ou 
causa-modelo?; 6.2. Regras que compõem o núcleo do microssistema de gestão 
e julgamento de casos repetitivos; 6.3. Microssistema de formação concentrada 
de precedentes obrigatórios (art. 927, CPC); 6.4. Outras regras comuns às espécies 
de julgamento de casos repetitivos – 7. O incidente de resolução de demandas 
repetitivas: 7.1. Natureza jurídica; 7.2. Requisitos de admissibilidade; 7.3. Compe-
tência para admitir o IRDR. Irrecorribilidade da decisão que não admite o IRDR 
e possibilidade de repropositura do IRDR não admitido; 7.4. Sustentação oral no 
juízo de admissibilidade do IRDR; 7.5. Confronto entre o incidente de resolução 
de demandas repetitivas e o incidente de assunção de competência; 7.6. Fun-
gibilidade entre incidente de resolução de demandas repetitivas e incidente de 
assunção de competência; 7.7. Uniformização de jurisprudência ainda pendente 
de julgamento após o início da vigência do CPC-2015; 7.8. Competência para o 
julgamento do IRDR. O IRDR, as causas de competência originária e os recursos 
ordinários no tribunal superior; 7.9. Legitimidade para instauração do IRDR; 7.10. 
Casos em que cabe o IRDR e momento de sua instauração; 7.11. Custas (art. 976, 
§ 5º, CPC); 7.12. Suspensão dos processos; 7.13. Procedimento e julgamento do
IRDR; 7.14 A decisão de organização do incidente de resolução de demandas
repetitivas e as suas funções; 7.15. Recursos no IRDR; 7.16. Ação rescisória; 7.17.
IRDR e Juizados Especiais – 8. Recursos especiais ou extraordinários repetitivos:
8.1. Observação introdutória; 8.2. Técnica de gestão dos recursos repetitivos
pelo presidente ou vice-Presidente do tribunal de origem; 8.3. Legitimidade
para provocar a instauração do incidente; 8.4. Questão de direito que pode ser
objeto do incidente; 8.5. Poderes do relator; 8.6. Recursos especiais repetitivos
e seu processamento no STJ: regulamentação em seu regimento interno. 8.7.
Retratação do órgão recorrido em razão do julgamento do recurso extraordinário
ou especial repetitivo.
1. Vários itens do presente capítulo foram extraídos, com atualização, reduções e acréscimos decorrente
da coautoria deste volume do Curso, dos seguintes textos: CUNHA, Leonardo José Carneiro da. “As 
causas repetitivas e a necessidade de um regime que lhes seja próprio”. Revista da Faculdade de Direito 
do Sul de Minas. Pouso Alegre, v. 25, n. 2, jul/dez 2009; CUNHA, Leonardo José Carneiro da. “O regime 
processual das causas repetitivas”. Revista de Processo. São Paulo: RT, 2010, v. 179; CUNHA, Leonardo 
Carneiro da. “Anotações sobre o incidente de resolução de demandas repetitivas previsto no projeto do 
novo Código de Processo Civil”. Revista de Processo. São Paulo: RT, v. 193, março/2011; CUNHA, Leonardo 
Carneiro da. “Recursos repetitivos”. O processo em perspectiva: Jornadas Brasileiras de Direito Processual. 
Aluísio Gonçalves de Castro Mendes; Teresa Arruda Alvim Wambier (org.). São Paulo: RT, 2103.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha768
1. A LITIGIOSIDADE EM MASSA E AS QUESTÕES DE DIREITO REPE-
TITIVAS. DO PROCESSO COLETIVO DA AÇÃO COLETIVA AO PRO-
CESSO COLETIVO DO JULGAMENTO DE CASOS (“QUESTÕES”) RE-
PETITIVOS
O estudo do direito processual desenvolveu-se, tradicionalmente, 
a partir da análise de litı ́gios individuais. De igual modo, a legislação 
processual disciplina, tradicionalmente, o processo individual: as nor-
mas que disciplinam o processo civil foram estruturadas de modo a 
considerar única cada demanda, veiculando um litı ́gio especı ́fico entre 
duas pessoas.
Embora as ações coletivas não sejam uma novidade, havendo registro 
de ação popular no Direito Romano e no perıódo medieval, o desenvolvi-
mento do sistema de produção e distribuição em série de bens acentuou 
a necessidade mais recente de disciplinar o processo para as demandas 
coletivas.
A partir da experiência norte-americana com as class actions, de-
senvolveram-se estudos que revelaram a necessidade de tutelar direitos 
difusos, coletivos e individuais homogêneos. Paralelamente, a produção 
e distribuição em série de bens, a prestação de serviços em massa, a 
identificação de situações jurı ́dicas homogêneas, tudo isso conduziu à 
existência de uma litigância em massa, a merecer a concepção de um 
processo coletivo. 
As ações coletivas submetem-se, portanto, a um subsistema próprio, 
compreendido pelo conjunto das mencionadas leis, a que se agregam as 
regras processuais decorrentes do Código de Defesa do Consumidor.
Significa que existem dois modelos ou regimes de processo: aquele 
que disciplina as causas individuais e o que regula as causas coletivas, estas 
tratadas no v. 4 deste Curso.
Mesmo com a implantação de um regime próprio para os processos 
coletivos, persistem as demandas repetitivas, que se multiplicam a cada dia.
Na sociedade atual, caracterizada pela crescente complexidade das 
relações jurıd́icas, há um enorme agigantamento na quantidade de litıǵios, 
sendo praticamente ilusório tentar conter tal crescimento. Há alguns fato-
res que contribuem para o aumento constante de litıǵios em massa, tais 
como a ampliação dos meios de comunicação social, o aumento da cons-
ciência jurıd́ica dos cidadãos, o desenvolvimento desenfreado de novas 
tecnologias e da oferta de novos produtos, aumentando as necessidades 
do consumo humano, a fúria legislativa, entre outros. 
Cap. 15 • JULGAMENTO DE CASOS REPETITIVOS 769
As ações coletivas não têm conseguido resolver todos esses casos. 
Muitos dos problemas de massa são solucionados individualmente, em 
cada uma das inúmeras demandas propostas a respeito do mesmo tema. 
Com efeito, não é raro que uma determinada situação atinja, a um só 
tempo, uma quantidade exageradade pessoas, que, diante disso, passam 
a ingressar em juıźo na busca do reconhecimento de seu direito. Tais de-
mandas de massa ou causas repetitivas são identificadas por veicularem 
esses casos judiciais, que resultam de atividades reiteradas, realizadas no 
setor público ou na iniciativa privada. 
As ações coletivas não têm o alcance de abranger todas as situações 
repetitivas, por várias razões2.
a) Não há uma quantidade suficiente de associações, de sorte que a 
maioria das ações coletivas tem sido proposta pelo Ministério Público3 
ou pela Defensoria Pública, não conseguindo alcançar todas as situações 
massificadas que se apresentam a cada momento.
b) Há uma inadequada restrição de atuação das associações, como 
a exigência, por exemplo, de autorização expressa do indivıd́uo para se 
beneficiar da ação coletiva proposta pela associação4.
c) As ações coletivas não são admitidas em alguns casos. A Medida 
Provisória n. 2.180-35/2001 acrescentou um parágrafo único ao art. 1º 
da Lei n. 7.347/1985, estabelecendo a vedação de ação civil pública para 
veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, 
FGTS e outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem 
ser individualmente determinados.
d) O regime da coisa julgada coletiva contribui para que as questões 
repetitivas não sejam definitivamente solucionadas nas ações coletivas.
A sentença coletiva faz coisa julgada, atingindo os legitimados coleti-
vos, que não poderão propor a mesma demanda coletiva. Segundo dispõem 
os §§ 1º e 2º do art. 103 do CDC, porém, a extensão da coisa julgada ao 
plano individual apenas poderá beneficiar, jamais prejudicar, os direitos 
2. Há outras razões apontadas pela doutrina que estão bem resumidas por TEMER, Sofia Orberg. Inci-
dente de resolução de demandas repetitivas: tentativa de sistematização. Rio de Janeiro: Dissertação de 
mestrado apresentada e defendida na UERJ, 2015, p. 19-21.
3. Nas palavras de Marcelo Zenkner, “a pífia participação dos demais co-legitimados no ajuizamento 
de ações civis públicas vem acarretando um preocupante assoberbamento do Ministério Público, 
instituição que, não obstante o notório comprometimento público de seus integrantes, encontra 
hoje sérias dificuldades para responder, a contento, aos legítimos reclamos da sociedade.” (Ministério 
Público e efetividade do processo civil. São Paulo: RT, 2006, n. 3.1.1, p. 144).
4. STF, Pleno, RE 573.232, rel. Min. Ricardo Lewandowski, rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, j. 14/5/2014, 
DJe-182 divulg. 18/9/2014, publ. 19/09/2014.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha770
individuais. Eis aı ́a extensão secundum eventum litis da coisa julgada co-
letiva. O que é secundum eventum litis não é a formação da coisa julgada, 
mas sua extensão à esfera individual dos integrantes do grupo. E a extensão 
erga omnes ou ultra partes da coisa julgada que depende do resultado da 
causa, consistindo no que se chama de extensão in utilibus da coisa julgada5. 
Julgado procedente o pedido, ou improcedente após instrução suficiente, 
haverá coisa julgada para os legitimados coletivos, podendo, entretanto, 
ser propostas as demandas individuais em defesa dos respectivos direitos 
individuais. Em caso de improcedência por falta de prova, não haverá coisa 
julgada, podendo qualquer legitimado coletivo repropor a demanda cole-
tiva, sendo igualmente permitido a qualquer sujeito propor sua demanda 
individual6. Quer dizer que as demandas individuais podem ser propostas 
em qualquer caso de improcedência7.
e) A restrição da eficácia subjetiva da coisa julgada em ação coletiva,
estabelecida pelo art. 16 da Lei n. 7.347/19858 e, igualmente, pelo art. 2º-A 
da Lei n. 9.494/19979, que lhe impõem uma limitação territorial, acarreta 
uma indevida fragmentação dos litıǵios, contrariando a essência do pro-
cesso coletivo, que tem por finalidade concentrar toda a discussão numa 
única causa10. Como se percebe, as ações coletivas são insuficientes para 
resolver, com eficiência e de maneira definitiva, as questões de massa, con-
tribuindo para a existência de inúmeras demandas repetitivas, a provocar 
um acúmulo injustificável de causas perante o Judiciário.11 
5. GIDI, Antonio. Coisa Julgada e Litispendência em Ações Coletivas. São Paulo: Saraiva, 1995, passim.
6. GIDI, Antonio. Rumo a um Código de Processo Civil Coletivo. Rio de Janeiro: Forense, 2008, p. 289-290.
7. Nesse sentido: “Ao instituir a coisa julgada erga omnes secundum eventum probationis para os de-
mais legitimados (art. 16 da LACP, art. 103, I e II, do CDC) ou mesmo secundum eventum litis para
os indivíduos substituídos (art. 103, III e § 1.º, do CDC), permitiu o legislador que convivessem com
ações coletivas centenas de milhares de ações individuais tratando de questões comuns a todos os
interessados, em grave prejuízo do funcionamento da máquina judiciária.” (AMARAL, Guilherme Ri-
zzo. “Efetividade, segurança, massificação e a proposta de um ‘incidente de resolução de demandas
repetitivas’.” Revista de Processo. São Paulo: RT, v. 196, jun/2011, p. 254).
8. “Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão
prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que
qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova.”
9. “Art. 2º-A. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na
defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham,
na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator.”
10. A respeito do assunto, com críticas aos dispositivos, aos quais se atribui a pecha de inconstituciona-
lidade, conferir e exame do posicionamento do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto,
DIDIER JR., Fredie; ZANETI JR., Hermes. Curso de direito processual civil: processo coletivo. 9ª ed. Salvador:
Juspodivm, 2014, v. 4, p. 130-137.
11. Para Heitor Sica, a ação coletiva destinada à defesa dos direitos individuais homogêneos não confere
ao jurisdicionado tutela coletiva “completa, adequada e eficiente”, por ser necessária a liquidação e
execução individuais da sentença coletiva genérica, tornando-se “inviável pensar-se em estímulo para
Cap. 15 • JULGAMENTO DE CASOS REPETITIVOS 771
f) Embora seja razoável entender que demanda coletiva interrompa a 
prescrição das pretensões individuais, há polêmica e insegurança quanto a 
isso, por não haver previsão especıf́ica na legislação do processo coletivo. 
Daı ́por que muitas ações individuais repetitivas são propostas, mesmo na 
pendência da ação coletiva, ante o receio dos interessados de terem suas 
pretensões individuais atingidas pela prescrição.
g) O regime jurıd́ico da ação coletiva serve aos direitos individuais 
homogêneos, mas não serve para a tutela jurıd́ica de direitos coletivos 
homogêneos nem de questões processuais repetitivas. 
Neste último caso, pode haver repetição de uma mesma questão pro-
cessual em processos cujo objeto litigioso seja bastante diferente. Basta 
pensar na discussão sobre determinado requisito de admissibilidade da 
apelação (fundamentação analıt́ica da apelação, por exemplo), que é apli-
cável indistintamente a todos os processos, mesmo com objetos litigiosos 
bem diferentes.
Assim, o fenômeno da repetição de submissão de uma mesma questão 
de direito ao Poder Judiciário ocorre: 
1) com a discussão, em diversos processos, de situações jurıd́icas 
individuais homogêneas (aquelas tuteladas por meio da ação civil pública 
relativa a direitos individuais homogêneos);
2) com a discussão, em diversos processos, de situações jurıd́icas co-
letivas homogêneas (direitos coletivos homogêneos: um mesmo fato gera 
direitos a diversos grupos distintos)12;
3) com a discussão, em diversos processos, de questões processuais 
repetitivas, independentementede os respectivos objetos litigiosos serem 
semelhantes13. 
Por causa disso tudo, sentiu-se a necessidade de criação de uma técnica 
processual para a solução, com força de precedente obrigatório, de uma ques-
tão que se repete no foro (“questão repetitiva”), seja ela de direito material 
(individual ou coletivo), seja ela de direito processual. Esta técnica, que se 
chama “julgamento de casos repetitivos”, serve à solução de uma questão re-
petitiva, em qualquer das três situações acima listadas (art. 928, par. ún., CPC).
que o jurisdicionado opte por não manejar o processo individual”. (SICA, Heitor. “Congestionamento 
viário e congestionamento judiciário”. Revista de Processo. São Paulo: RT, v. 236, out/2014, p. 13-26).
12. BASTOS, Antônio Adonias Aguiar. Situações jurídicas homogêneas: um conceito necessário para o 
processamento das demandas de massa. Revista de Processo. São Paulo: RT, ago. 2010, v. 186, passim.
13. Percebeu o ponto TEMER, Sofia Orberg. Incidente de resolução de demandas repetitivas: tentativa de 
sistematização, cit., p. 43-47.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha772
Rigorosamente, portanto, não há necessidade de os “casos” serem 
repetitivos. O que importa é que as questões sejam repetitivas. Isso 
porque pode haver repetição de uma mesma questão processual em 
casos absolutamente heterogêneos14. 
Mas o CPC adotou o termo “casos repetitivos” (art. 928) e “demandas 
repetitivas” (arts. 976 e segs.), razão pela qual, feita a crıt́ica, este 
capıt́ulo – e, de resto, todo o livro – utiliza a terminologia da lei, para 
evitar confusões.
Esta técnica é estruturalmente diferente da ação coletiva, como se vê, pois 
seu objetivo é produzir um precedente obrigatório, e não a coisa julgada sobre 
a questão repetitiva. Mas ambas servem, afinal, para a tutela coletiva – tutela de 
direitos de grupo. O julgamento de casos repetitivos é incidente processual que 
tem natureza de processo coletivo – tutela-se o grupo daqueles interessados 
na solução de uma questão de direito repetitiva. Mas o julgamento de casos 
repetitivos não se confunde com a ação coletiva. Há, então, duas espécies de 
processo coletivo no Direito brasileiro: o processo coletivo das ações coletivas 
e o processo coletivo do julgamento de casos repetitivos15. 
Ação coletiva
Julgamento de 
casos repetitivos
Legitimidade
Art. 5º da Lei n. 7.347/1985: 
entes públicos, associações 
civis, Ministério Público, De-
fensoria Pública etc.
Art. 976, CPC: parte em processo 
em que se discuta a questão 
repetitiva, órgão julgador, 
Ministério Público e Defensoria 
Pública
Objeto
Questões de direito coletivo 
material, ressalvadas aquelas 
previstas no art. 1º, par. ún., 
Lei n. 7.347/1985
Qualquer questão de direito 
coletivo material ou processual, 
sem restrições
Resultado Coisa julgada coletiva
Julgamento de processos pen-
dentes e formação de prece-
dente obrigatório
Este capıt́ulo é dedicado ao julgamento de casos repetitivos.
14. TEMER, Sofia Orberg. Incidente de resolução de demandas repetitivas: tentativa de sistematização, cit., p.
43.
15. DIDIER Jr., Fredie; ZANETI Jr., Hermes. “Ações coletivas e o incidente de julgamento de casos repetitivos
– espécies de processo coletivo no Direito brasileiro: aproximações e distinções”. Revista de Processo.
São Paulo: RT, 2016, n. 256.
Cap. 15 • JULGAMENTO DE CASOS REPETITIVOS 773
2. OUTROS MECANISMOS PARA A SOLUÇÃO DE CASOS REPETITIVOS
Os casos repetitivos podem ser processados e julgados por meio de
técnicas processuais que confiram racionalidade à solução a ser conferi-
da aos inúmeros processos, com observância à isonomia e à segurança 
jurıd́ica.
A edição de súmula vinculante, o recurso especial, o recurso extra-
ordinário e o recurso de revista repetitivos, bem como o incidente de 
resolução de demandas repetitivas constituem mecanismos adequados a 
conferir uma solução mais ágil, econômica, isonômica e segura às questões 
repetitivas16.
Além desses mecanismos, é possıv́el utilizar, para as causas repetiti-
vas, algumas regras com a finalidade de conferir um melhor rendimento 
ao tratamento a ser dado a essas situações de massa:
a) suspensão de segurança para várias liminares em casos repetitivos
(Lei nº 8.437/1992, art. 4º, § 8º; Lei nº 12.016/2009, art. 15, § 5º). De acordo 
com o § 8º do art. 4º da Lei nº 8.437/1992, “as liminares cujo objeto seja 
idêntico poderão ser suspensas em uma única decisão, podendo o presi-
dente do tribunal estender os efeitos da suspensão a liminares superve-
nientes, mediante simples aditamento do pedido original”. Tal dispositivo 
aplica-se, igualmente, aos pedidos de suspensão de liminares ou sentenças 
proferidas no processo de mandado de segurança, mercê do disposto no § 
5º do art. 15 da Lei nº 12.016/2009. A regra está relacionada com as de-
mandas repetitivas, permitindo-se que, numa única decisão, o presidente 
do tribunal suspenda, a um só tempo, várias liminares que tenham objeto 
homogêneo ou semelhante, podendo-se, ainda, estender a suspensão já 
deferida a novas liminares que venham ser concedidas posteriormente.
b) Pedido de uniformização da interpretação da lei federal no âmbito dos
Juizados Especiais Cíveis Federais. As causas propostas nos Juizados Especiais 
Cıv́eis Federais acedem várias outras repetitivas. Quer isso dizer que são 
frequentes, no âmbito dos Juizados Federais, as demandas de massa. Para 
que se atenda ao regime processual das causas repetitivas, permite-se o 
16. Nesse sentido: “O processamento e o julgamento das demandas repetitivas ou de massa exige uma
dogmática própria. Trata-se da necessidade de adaptação do processo civil às especificidades do litígio.
Tais ações reclamam um tratamento processual próprio, um método de solução em bloco, de forma
que escolhida uma ou mais ações como representativa do conflito homogeneizado (o leading case),
uma vez proferida decisão nesta, a tese jurídica adotada deverá ter eficácia vinculativa e haverá de
ser aplicada às demais ações repetitivas, de forma a preservar os princípios da isonomia, da certeza
do direito, da segurança, da previsibilidade e estabilidade da ordem jurídica” (ZANFERDINI, Flávia;
GOMES, Alexandre. “Tratamento coletivo adequado das demandas individuais repetitivas pelo juízo
de primeiro grau”. Revista de Processo. São Paulo: RT, 2014, v. 234, p. 191).Juspodivm, 2022, n. 1.5, p. 78-125.
7. EID, Elie Pierre. Impugnação das decisões judiciais: reconstrução da relação entre recursos e ações autô-
nomas de impugnação. Salvador: Juspodivm, 2022, p. 338-344; DIDIER JR., Fredie; CABRAL, Antonio do 
Passo; CUNHA, Leonardo Carneiro da. Por uma teoría dos procedimentos especiais: dos procedimentos 
às técnicas. 2ª ed. Salvador: Juspodivm, 2021, p. 84-85.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha126
Sucedâneo recursal é todo meio de impugnação de decisão judicial 
que nem é recurso nem é ação autônoma de impugnação. E uma categoria 
residual: o que não for recurso, nem ação autônoma, será um sucedâneo 
recursal. A categoria dos sucedâneos recursais engloba, enfim, todas as 
outras formas de impugnação da decisão. São exemplos: pedido de recon-
sideração, pedido de suspensão da segurança (Lei n. 8.437/1992, art. 4º; 
Lei n. 12.016/2009, art. 15) e a correição parcial.8
A expressão “sucedâneos recursais”, introduzida por Frederico Mar-
ques,9 ora é utilizada para identificar o conjunto de meios não recur-
sais de impugnação (e aı ́estariam incluıd́as as ações autônomas de 
impugnação), ora é utilizada em acepção restrita, para referir apenas 
aos meios de impugnação que nem são recurso nem são ação autô-
noma. A expressão é questionável, mas está consagrada na doutrina 
e na jurisprudência, não sendo conveniente modificá-la.
3. O PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
3.1. Constitucionalidade do princípio
As normas subdividem-se, como se sabe, em regras e princıṕios. Há 
regras constitucionais e regras infraconstitucionais. Há princıṕios consti-
tucionais e princıṕios infraconstitucionais.
O duplo grau de jurisdição é um princı ́pio. Há, porém, grande dis-
cussão se se trata de princı ́pio constitucional ou de princı ́pio infracons-
titucional.
A Constituição de 1824, em seu art. 158, previa expressamente a 
necessidade de tribunais para julgar as causas em segunda e em última 
instâncias, revelando a previsão expressa do princıṕio do duplo grau de 
jurisdição. O ambiente de baixo constitucionalismo da época tolerou, po-
rém, a exigência de alçada na apelação, convivendo com dispositivos de 
diplomas infraconstitucionais que previam a irrecorribilidade de senten-
ças em causas de pequeno valor10.
As Constituições da República não reproduziram dispositivo seme-
lhante, prevendo o princıṕio de modo implıćito.
8. A propósito, ASSIS, Araken de. “Introdução aos sucedâneos recursais”. Aspectos polêmicos e atuais dos 
recursos e de outros meios de impugnação às decisões judiciais. Teresa Wambier e Nelson Nery Jr. (coord.) 
São Paulo: RT, 2002, v. 6, p. 17-19.
9. Instituições de Direito Processual Civil. Rio de Janeiro: Forense, 1960, v. 4, p. 377 e segs.
10. ASSIS, Araken de. Processo civil brasileiro. São Paulo: RT, 2015, v. 1, n. 166, p. 498-499.
Cap. 2 • TEORIA E PARTE GERAL DOS RECURSOS 127
A Convenção Americana de Direitos Humanos – conhecida como Pacto 
de San Jose da Costa Rica – internalizada no sistema brasileiro pelo Decreto 
n. 678/1992, prevê, em seu art. 8º, 2, h, o direito de recorrer da sentença
a juiz ou tribunal superior no processo penal, franqueando a possibilidade
de restrições no âmbito do processo civil.
Na verdade, a organização do Poder Judiciário, tal como definida na 
Constituição Federal, denota uma sistemática hierarquizada, havendo tri-
bunais superiores, que estão superpostos a outros tribunais, os quais, por 
sua vez, estão superpostos a juıźos de primeira instância (arts. 92, 93, III, 
102, II, 105, II, 108, CF).
Ora, os tribunais, na grande maioria dos casos, exercem a função 
de reexaminar as decisões proferidas pelos juıźes inferiores. Em outras 
palavras, a maior parte da atividade dos tribunais é de segundo grau de 
jurisdição, daı ́ resultando a evidência de que a Constituição Federal se 
refere, quando disciplina a estrutura do Poder Judiciário, ao princıṕio do 
duplo grau de jurisdição. 
Há casos, contudo, em que o próprio texto constitucional comete a 
tribunais superiores o exercıćio do primeiro grau de jurisdição, sem con-
ferir a possibilidade de um segundo grau. Nessas situações, ao tribunal 
superior se comete o exercıćio de grau único de jurisdição, revelando-se, 
com isso, que o duplo grau de jurisdição não está referido, na estrutura 
constitucional, em termos absolutos. 
Considerando que o princıṕio não precisa estar expressamente pre-
visto para que esteja embutido no sistema normativo, pode-se concluir 
que a Constituição Federal, ao disciplinar o Poder Judiciário com uma 
organização hierarquizada, prevendo a existência de vários tribunais, tem 
nela inserido o princıṕio do duplo grau de jurisdição. Sendo assim, é pos-
sıv́el haver exceções ao princıṕio, descerrando-se o caminho para que a 
legislação infraconstitucional restrinja ou até elimine recursos em casos 
especıf́icos. Além do mais, sendo o duplo grau um princípio, é certo que 
pode haver princıṕios opostos, que se ponham como contraponto. Em 
outras palavras, sendo o duplo grau um princıṕio, pode ser contraposto 
por outro princıṕio, de molde a que haja limites de aplicação recıṕrocos.
3.2. Conteúdo essencial do duplo grau
O direito ao duplo grau de jurisdição não se confunde com o direito 
de livre acesso à justiça. O direito de acesso à justiça não implica direito 
de acesso aos órgãos judiciários de primeiro grau, embora esta seja a 
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha128
regra geral11. Tanto é assim que há regras que estabelecem competência 
originária de órgãos de hierarquia superior.
O duplo grau assegura à parte ao menos um recurso, qualquer que seja 
a posição hierárquica do órgão jurisdicional no qual teve inıćio o processo. 
O sistema confere à parte vencida o direito de provocar outra avaliação do 
seu alegado direito, em regra perante órgão jurisdicional diferente, com 
outra composição e de hierarquia superior. Há casos, todavia, em que a 
reapreciação ocorre perante o mesmo órgão jurisdicional, alterada ou não 
sua composição originária.
A expressão “duplo grau de jurisdição” revela um problema terminoló-
gico, destacado por Araken de Assis: “A questão terminológica, inserida na 
clássica expressão ‘duplo grau’, merece algum cuidado. Entre nós, a jurisdição 
revela-se imune a graus. O direito brasileiro adotou o princıṕio da unidade 
jurisdicional. A separação baseia-se na hierarquia, e não na qualidade intrıń-
seca do corpo julgador. Neste sentido, a consagrada nomenclatura – duplo 
grau –, induzindo a ideia de pluralidade de jurisdições, revela-se imprópria. 
A semelhança do que sucede em outras situações, não convém substituı-́la 
por outra mais adequada ao regime retratado, pois o apuro terminológico 
em nada auxilia a clareza em áreas impregnadas pela tradição”12.
O princıṕio do duplo grau de jurisdição pressupõe dois órgãos judici-
ários diversos, postos em posição de hierarquia: um inferior, outro supe-
rior. A decisão proferida pelo órgão de grau inferior é revista pela decisão 
proferida pelo órgão de grau hierárquico superior. A segunda decisão não 
é necessariamente melhor que a primeira; é apenas superior, ou seja, é 
apenas proferida por um órgão hierarquicamente superior.
O duplo grau é assegurado com a sujeição da matéria decidida a dois 
julgamentos. Com isso, “procura-se prevenir o abuso de poder do juiz 
que tivesse a possibilidade de decidir sem sujeitar seu pronunciamento à 
revisão de qualquer outro órgão do Poder Judiciário. O princıṕio do duplo 
grau, assim, é um antıd́oto contra a tirania judicial”13.
O duplo grau relaciona-se ao reexame do pronunciamento final que 
julga o mérito. Por isso, é comum a previsão de interlocutórias irrecor-
rıv́eis, tal como sói ocorrer em alguns sistemas jurı ́dicos. No sistema 
brasileiro, só as interlocutórias relacionadas no art. 1.015 do CPC são 
11. ASSIS, Araken de. Processo civil brasileiro. São Paulo: RT, 2015,v. 1, n. 164, p. 498-492.
12. ASSIS, Araken de. Processo civil brasileiro. São Paulo: RT, 2015, v. 1, n. 164, p. 493-494.
13. THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. 47ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016,
v. 3, n. 727, p. 952.
Cap. 2 • TEORIA E PARTE GERAL DOS RECURSOS 129
imediatamente recorrıv́eis; as demais são impugnáveis na apelação (art. 
1.009, § 1º, CPC)14.
O duplo grau confere o direito a um duplo julgamento. Não se trata de 
direito absoluto ou irrestrito, podendo ser limitado. Tanto que há causas 
de competência originária do STF (art. 102, I, CF/1988), em que não há 
duplo grau de jurisdição. Há, porém, recursos garantidos constitucional-
mente, e que não podem ser eliminados por lei infraconstitucional (p. ex.: 
o recurso ordinário para o STF, art. 102, II, e para o STJ, art. 105, II, ambos
da Constituição Federal). Os recursos não previstos constitucionalmente
podem ser limitados pela legislação infraconstitucional.
Normalmente, o duplo grau subordina-se à iniciativa da parte, sendo, 
portanto, uma possibilidade. Há, porém, casos em que a própria lei impõe o 
duplo grau (art. 496, CPC), estabelecendo a remessa necessária ou apelação 
de ofıćio.
3.3. Duplo grau vertical e duplo grau horizontal
Em razão do princıṕio do duplo grau de jurisdição, o ato decisório 
proferido por um órgão pode ser revisto por outro órgão de nıv́el hierár-
quico superior. Nesse caso, tem-se o chamado duplo grau vertical.
E possıv́el, porém, que o ato decisório seja revisto por órgão da mesma 
hierarquia, mas de composição diversa. E o que ocorre, por exemplo, nos 
Juizados Especiais, nos quais o recurso é examinado por uma turma com-
posta por juıźes de primeira instância (art. 98, I, in fine, CF; art. 41, § 1º, 
Lei n. 9.099/1995). Nesse caso, tem-se o chamado duplo grau horizontal.
3.4. Críticas ao duplo grau de jurisdição
O princıṕio do duplo grau de jurisdição vem sofrendo crıt́icas de seg-
mento respeitável da doutrina processual.15
Essa doutrina traz como pontos negativos desse princıṕio: a dificul-
dade de acesso à justiça, o desprestıǵio da primeira instância, a quebra de 
14. Ao julgar os Recursos Especiais 1.696.396 e 1.704.520, sob o regime dos repetitivos, o STJ fixou a tese
segundo a qual “o rol do art. 1.015 do CPC é de taxatividade mitigada, por isso admite a interposição
de agravo de instrumento quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da
questão no recurso de apelação”.
15. LASPRO, Orestes Nestor de Souza. Duplo grau de jurisdição no direito processual civil. São Paulo: RT,
1995, p. 98-117; MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela antecipatória, julgamento antecipado e execução
imediata da sentença. 2ª ed. rev. atual., São Paulo: RT, 1998, p. 208-224; KOEHLER, Frederico Augusto
Leopoldino. A razoável duração do processo. 2ª ed. Salvador: Editora Jus Podivm, 2013, p. 255-268.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha130
unidade do poder jurisdicional, a dificuldade na descoberta da verdade e 
a inutilidade do procedimento oral. Seguem os argumentos pertinentes a 
cada um desses aspectos.
Dificuldade de acesso à justiça. O prolongamento do processo, com a 
consequente elevação dos custos, representa, muita vez, uma denegação de 
justiça, provocando danos econômicos às partes, constituindo um instru-
mento benéfico àquele que demanda sem ter razão, ou, em outros casos, 
fazendo muitas vezes com que a parte que tem razão, venha a renunciar seu 
direito16. E o que diz Luiz Guilherme Marinoni: “O duplo grau, em resumo, 
é uma boa desculpa para o réu que não tem razão retardar o processo”17. 
Desprestígio da primeira instância. Dada a ampla possibilidade de sub-
meter a decisão proferida pela primeira instância à apreciação do órgão 
de segundo grau, a atividade processual daquele viria a reduzir-se apenas 
à presidência da atividade instrutória e “opiniões” quanto a questões de 
mérito, as quais só seriam definitivamente resolvidas em segundo grau18. 
Assim, o primeiro grau seria uma ampla fase de espera, onde o processo 
seria “preparado”, instruıd́o para a fase do julgamento definitivo, em sede 
de apelação, e somente para aquela parte que tem condições econômicas 
para chegar até esta fase.19 
Quebra de unidade do poder jurisdicional – insegurança. O segundo 
grau de jurisdição, na apreciação do recurso, pode adotar um de dois 
posicionamentos: mantém a decisão de primeiro grau, ou a reforma ou 
a invalida. Ambas as condutas, sustenta a doutrina, causam descrédito à 
função jurisdicional. Se mantida a decisão, atesta-se que os atos praticados 
para a submissão da matéria ao segundo grau de jurisdição afiguraram-se 
inúteis, continuando a parte recorrente inconformada com o resultado, vez 
que a movimentação da máquina judiciária, com a consequente elevação 
de custos não lhe trouxe nenhum benefıćio psicológico ou jurıd́ico. Caso 
haja reforma da decisão de primeiro grau, denotar-se-á, assim, que esta 
instância é falha, frágil, não sendo digna de confiança ou prestıǵio, o que 
repercute na imagem de todo o Judiciário20, à medida que o primeiro grau 
é sua “porta de entrada”.
As ponderações de Luiz Guilherme Marinoni, sob a ótica do jurisdi-
cionado, merecem referência: “o leigo, quando se depara com um juiz na 
16. LASPRO, Orestes Nestor de Souza. Duplo grau de jurisdição no direito processual civil, cit., p. 114-115.
17. Tutela antecipatória, julgamento antecipado e execução imediata da sentença, cit., p. 213.
18. LASPRO, Orestes Nestor de Souza. Duplo grau de jurisdição no direito processual civil, cit., p. 115.
19. MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela antecipatória, julgamento antecipado e execução imediata da sentença, 
cit., p. 215-216.
20. LASPRO, Orestes Nestor de Souza. Duplo grau de jurisdição no direito processual civil, cit., p. 116.
Cap. 2 • TEORIA E PARTE GERAL DOS RECURSOS 131
instrução, e depois espera ansiosamente a sentença, imagina que ela terá 
algum efeito na sua vida. Entretanto, com o duplo grau, a decisão do juiz 
não interfere em nada na vida das pessoas; ela é, talvez, um projeto da 
única e verdadeira decisão: a do tribunal”.21
3.5. Limitações ao duplo grau
O princıṕio duplo grau de jurisdição comporta exceções. Como já se 
disse, é possıv́el haver limitações estabelecidas pelo legislador ordinário. 
E possıv́el, por exemplo, proibir apelação em causas de certa alçada, tal 
como o faz o art. 34 da Lei n. 6.830/1980.
As regras que outorgam competência originária para os tribunais 
julgarem certas causas, sem recurso de devolução plena, não importam 
violação ao duplo grau, sendo admitidas.
Também constituem restrições admitidas as técnicas que atribuem 
ao tribunal o julgamento direto do mérito, sem que o órgão inferior 
haja feito (art. 1.013, § 3º, CPC), ou que permitem ao recorrente deduzir 
questões novas no recurso (art. 1.014, CPC).
A admissibilidade de tais restrições acarretou uma mutação no con-
teúdo do duplo grau de jurisdição no sistema processual civil brasileiro.
Há regras que merecem destaque: a) apreciada uma das questões de 
mérito (decadência, por exemplo), o tribunal, rejeitando-a, julga as demais 
que não foram examinadas na sentença (art. 1.013, § 1º, CPC); b) interposta 
apelação contra sentença que não examina o mérito (art. 485, CPC), o tribunal 
pode julgar diretamente o mérito (art. 1.013, § 3º, I, CPC); c) o tribunal percebe 
afronta à regra da congruência (arts. 141 e 492, CPC) e, anulada a decisão, pros-
segue e julga o mérito sem esse vı́cio (art. 1.013, § 3º, II, CPC); d) o juiz omite 
a apreciação de um dos pedidos formulados pelo autor e o tribunal corrige o 
vıćio, julgando-o (art. 1.013, § 3º, III, CPC); e) o juiz, num caso de cumulação 
eventual de pedidos, acolhe o primeiro e deixa de examinar o segundo, mas 
o tribunal rejeita o primeiro e acolhe o segundo, ou vice-versa (art. 1.013, §
3º, III, CPC); f) o tribunal anula a sentença por vıćio de fundamentação (art.
489, § 1º, CPC) e julga a causacom a motivação adequada (art. 1.013, § 3º, IV).
A mutação por que vem passando o princıṕio do duplo grau de jurisdi-
ção no sistema brasileiro permite concluir que o tribunal pode assumir os 
mesmos poderes do órgão a quo, sendo certo que essa competência, para 
21. Tutela antecipatória, julgamento antecipado e execução imediata da sentença, cit., p. 215.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha132
ser exercida, depende da iniciativa do vencido – ou da remessa necessária 
imposta por lei – e da amplitude do efeito devolutivo do recurso.
4. CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS
4.1. Quanto à extensão da matéria: recurso parcial e recurso total
O art. 1.002 do CPC está assim redigido: “A decisão pode ser impug-
nada no todo ou em parte”. 
Recurso parcial é aquele que, em virtude de limitação voluntária, não 
compreende a totalidade do conteúdo impugnável da decisão.22 O recor-
rente decide impugnar apenas uma parcela ou um capıt́ulo da decisão. 
Quando a decisão contém mais de uma resolução ou quando resolve 
mais de uma pretensão, diz-se que cada parte dessa constitui um capítulo 
de sentença. Os capítulos de sentença, que são frequentemente menciona-
dos quando do estudo dos recursos, mercê da forte influência que exercem 
sobre tal matéria, devem ser estudados na teoria da decisão23. 
Os capıt́ulos de sentença podem versar sobre o mérito, ou seja, sobre 
o pedido formulado pela parte, podem versar sobre matéria processual 
ou podem igualmente versar tanto sobre matéria processual como sobre 
o mérito.
Os capıt́ulos de sentença podem, ainda, ser independentes, dependen-
tes ou condicionantes. Os capıt́ulos independentes são aqueles que podem 
logicamente subsistir se o outro tiver sido negado; cada trecho bem poderia 
ter sido objeto de ações autônomas diversas, não dependendo o acolhi-
mento de um do acolhimento do outro. Já os capıt́ulos dependentes estão 
presentes quando há uma relação prejudicialidade ou de subordinação, 
tal como sucede com os juros, que constituem uma obrigação acessória, 
dependendo sempre do acolhimento do principal. Assim, se o juiz rejeita 
o principal, está, automaticamente, rejeitando também os juros, embora 
a eles nada tenha mencionado. A condenação nos ônus da sucumbência 
consiste, igualmente, num capıt́ulo dependente, decorrendo da derrota de 
uma das partes. Assim, caso o recurso seja provido, e não haja qualquer 
referência a custas e honorários, entende-se que estão, automaticamente, 
invertidos os sucumbenciais.
22. MOREIRA, José Carlos Barbosa. O novo processo civil brasileiro. 23ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, 
p. 115.
23. DINAMARCO, Cândido. Capítulos de Sentença. São Paulo: Malheiros, 2002.
Cap. 2 • TEORIA E PARTE GERAL DOS RECURSOS 133
Os capıt́ulos de sentença podem, ainda, ser objeto de uma cisão quan-
titativa, quando o objeto litigioso do processo é composto ou decomponıv́el. 
O objeto composto é decorrente de uma cumulação de pretensões, quando, 
por exemplo, se pleiteiam danos morais e danos materiais, ou rescisão 
contratual e ressarcimento, ou, ainda, quando há cumulação superveniente, 
decorrente da formulação de reconvenção pelo réu, da denunciação à lide, 
ou do ajuizamento de uma oposição ou ação declaratória incidental. Por 
seu turno, o objeto será decomponıv́el quando, embora única a pretensão, 
englobar coisa ou bem suscetıv́el de contagem, medição, pesagem ou to-
das aquelas sujeitas a quantificação24. Assim, postulada a condenação do 
réu ao pagamento de 100, caso o juiz defira apenas 70, estará rejeitando 
30. Nessa hipótese, haverá, além do capıt́ulo processual, dois capıt́ulos de
mérito: um relativo aos 70 e outro concernente aos 30.
Os capıt́ulos acessórios reputam-se incluıd́os no pedido recursal, se o 
recorrente impugnar o capıt́ulo principal, mesmo que haja silêncio a res-
peito deles (p. ex.: se a parte recorre do montante principal, este recurso 
abrange os capıt́ulos relacionados aos juros, à correção monetária e às 
verbas da sucumbência).25
O capıt́ulo não impugnado fica acobertado pela preclusão.
Assim, o tribunal, ao julgar o recurso parcial, não poderá adentrar 
o exame de qualquer aspecto relacionado ao capı ́tulo não impugnado,
nem mesmo para constatar a ausência de um “pressuposto proces-
sual”. Ao recorrente “arrependido” da opção somente restará a ação
rescisória.
O § 1º do art. 1.013 do CPC, embora cuide da apelação, é parâmetro 
interpretativo para todos os recursos: “§ 1º Serão, porém, objeto de apre-
ciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas 
no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas 
ao capítulo impugnado”.26 O par. ún. do art. 1.034 do CPC, que regula efeito 
dos recursos extraordinários, vai no mesmo sentido: “Admitido o recurso 
extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolve-se ao 
tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução 
do capítulo impugnado”.
24. GIANNICO, Maricí e GIANNICO, Maurício. “Efeito suspensivo dos recursos e capítulos das decisões”.
Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis: de acordo com a Lei 10.352/2001. Nelson Nery Jr.; Teresa
Arruda Alvim Wambier (coords.). São Paulo: RT, 2002, v. 5, p. 391-395.
25. MOREIRA, José Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil, 12ª ed. cit., p. 356. No mesmo
sentido, DINAMARCO, Cândido Rangel. Capítulos de sentença. São Paulo: Malheiros, 2002, passim.
26. STJ, 4ª Turma, AgInt no AgInt no REsp 1.121.780/RS, rel. Lázaro Guimarães (Des. Conv. TRF5), j. 17.4.2018,
DJe 23.4.2018.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha134
Barbosa Moreira explica o tema (a referência feita ao art. 475 do 
CPC-1973 deve ser compreendida como se feita ao art. 496 do 
CPC-2015): “Por outro lado, quaisquer questões preliminares, 
embora comuns à parte impugnada e à parte não impugnada da 
decisão, só com referência àquela podem ser apreciadas pelo tri-
bunal do recurso. Suponhamos, v g., que a sentença, repelindo a 
alegação de faltar ao autor legitimatio ad causam, condene o réu 
ao pagamento de x. Apela o vencido unicamente para pleitear a 
redução do quantum a y. Ainda que o órgão ad quem se convença 
da procedência da preliminar – que em princı ́pio, como é óbvio, 
levaria à declaração da carência de ação quanto ao pedido todo 
–, já não lhe será lı ́cito pronunciá-la senão no que respeita a x-y, 
única parcela que, por força do recurso (e ressalvada a eventual 
incidência de regra com a do art. 475, nº I, que torne obrigatória 
a revisão), se submete à cognição do juı ́zo superior. No tocante à 
parcela y, que não é objeto da apelação – nem, por hipótese, se 
devolve necessariamente –, fica vedado ao tribunal exercer ativi-
dade cognitiva: o capı ́tulo correspondente passou em julgado no 
primeiro grau de jurisdição”.27
Recurso total é aquele que abrange todo o conteúdo impugnável da 
decisão recorrida. Se o recorrente não especificar a parte em que impugna 
a decisão, o recurso deve ser interpretado como total28.
Convém apontar o entendimento um pouco diverso de Cândido Di-
namarco, para quem: “recurso integral é o que contém a impugnação 
de toda a decisão, em todos os seus capıt́ulos, e portanto opera a 
devolução de toda matéria decidida; parcial, o que se refere somente 
a um, ou alguns dos capıt́ulos de uma sentença, deixando sem im-
pugnação o outro ou outros”.29
A diferença é sutil, mas significativa: segundo a lição de Barbosa 
Moreira, aqui seguida, o recurso é total quando o recorrente impug-
na toda a matéria impugnável, que pode não corresponder a toda a 
decisão. Se o autor perde em relação a um pedido e ganha em relação 
a outro, eventual recurso que interponha, contra o capıt́ulo em que se 
julgou improcedente um de seus pedidos, será total, pois abrangente 
de todo o conteúdo impugnável, sem que isso signifique que tenha 
impugnado toda a decisão.
27. MOREIRA, José Carlos Barbosa. Comentários ao Códigode Processo Civil, 12ª ed. cit., p. 357. O art. 507,
I, CPC, corresponde art. 475, I, do CPC-1973, referido no texto citado.
28. MOREIRA, José Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil, 12ª ed. cit., p. 353-354.
29. DINAMARCO, Cândido. Capítulos de sentença. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 98.
Cap. 2 • TEORIA E PARTE GERAL DOS RECURSOS 135
4.2. Quanto à fundamentação: fundamentação livre e fundamentação 
vinculada
O recurso pode ser de fundamentação livre ou de fundamentação 
vinculada. 
Recurso de fundamentação livre é aquele em que o recorrente está 
livre para, nas razões do seu recurso, deduzir qualquer tipo de crıt́ica em 
relação à decisão, sem que isso tenha qualquer influência na sua admissi-
bilidade. A causa de pedir recursal não está delimitada pela lei, podendo 
o recorrente impugnar a decisão alegando qualquer vıćio. Ex.: apelação,
agravo de instrumento e recurso ordinário, por exemplo.
Já no recurso de fundamentação vinculada a lei limita o tipo de crıt́ica 
que se possa fazer contra a decisão impugnada. O recurso caracteriza-se 
por ter fundamentação tıṕica. E preciso “encaixar” a fundamentação do 
recurso em um dos tipos legais. O recurso não pode ser utilizado para 
veicular qualquer espécie de crıt́ica à decisão recorrida.
Nos recursos de fundamentação vinculada, o recorrente deve “alegar” 
um dos vıćios tıṕicos para que o seu recurso seja admissıv́el. Essa alegação 
é indispensável para que o recurso preencha o requisito da regularidade 
formal (abaixo examinado). Afirmado pelo recorrente um dos vıćios que 
permitem a sua interposição, o recurso, por esse aspecto, deve ser conheci-
do; a verificação da procedência ou improcedência das alegações é um pro-
blema atinente ao juıźo de mérito recursal. Assim, por exemplo: afirmada 
a omissão, obscuridade, contradição ou erro material na decisão recorrida, 
os embargos de declaração são cabıv́eis; saber se há o vıćio apontado diz 
respeito ao juıźo sobre o acolhimento ou à rejeição desse recurso.
Além dos embargos de declaração, também são exemplos de recursos 
de fundamentação vinculada o recurso especial, o recurso extraordinário 
e os embargos de divergência.
5. ATOS SUJEITOS A RECURSO E RECURSOS EM ESPÉCIE
Somente os atos decisórios podem ser alvo de recurso – com a res-
salva do cabimento dos embargos de declaração contra pronunciamentos 
judiciais não decisórios, examinado no capı́tulo respectivo, neste volume 
do Curso.
Os despachos, atos não decisórios, são irrecorrı́veis (art. 1.001, CPC). 
Também são irrecorrı́veis os atos praticados pelo escrivão ou chefe de 
secretaria por conta de delegação do magistrado (art. 152, VI, e art. 203, 
C A P Í T U L O 6
Agravo Interno
Sumário • 1. Generalidades e cabimento – 2. Prazo – 3. Dispensa de preparo, 
regularidade formal e contrarrazões – 4. Procedimento de julgamento – 5. Agra-
vo interno manifestamente inadmissível ou manifestamente improcedente – 6. 
Agravo interno e a regra de respeito à ordem cronológica de conclusão – 7. 
Agravo interno e embargos de declaração.
1. GENERALIDADES E CABIMENTO
Agravo interno é o recurso cabıv́el contra as decisões unipessoais
proferidas em tribunal, sejam elas proferidas pelo relator, sejam elas pro-
feridas por Presidente ou Vice-Presidente do tribunal.
O agravo interno é cabıv́el igualmente no âmbito dos Juizados Espe-
ciais, mais propriamente de decisão proferida por relator em Turma 
Recursal. Nesse sentido, o enunciado 464 do Fórum Permanente de 
Processualistas Civis: “A decisão unipessoal (monocrática) do relator 
em Turma Recursal é impugnável por agravo interno”. 
Embora o art. 1.021, CPC, apenas se refira à decisão do relator, também 
cabe agravo interno contra decisão proferida por Presidente ou Vice-Presi-
dente do tribunal: a) o art. 39 da Lei n. 8.038/1990 expressamente prevê 
essa possibilidade; b) decisão do Presidente ou Vice-Presidente de tribunal 
que negar seguimento a recurso extraordinário que trate de controvérsia 
a que o Supremo Tribunal Federal tenha negado a repercussão geral (art. 
1.030, I, “a”, e § 2º, CPC); c) decisão do Presidente ou Vice-Presidente de 
tribunal que negar seguimento a recurso extraordinário ou a recurso es-
pecial interposto contra acórdão em conformidade com o precedente de 
repercussão geral ou de recurso especial em questão repetitiva (art. 1.030, 
I, “a” e “b”, e § 2º, CPC)1; d) decisão do Presidente ou Vice-Presidente de 
1. Admite-se a interposição simultânea de agravo interno (art. 1.030, § 2º, CPC) e do agravo em recurso 
especial ou extraordinário (art. 1.042, CPC) contra decisão que, a um só tempo, nega seguimento a uma 
parte da fundamentação por contrariar precedente de repercussão geral ou de recurso repetitivo e 
inadmite a outra parte, o que caracteriza mais umas mitigação à unirrecorribilidade (STJ, 1ª Turma, AgInt 
no AgInt no AgInt no REsp 1.907.400/PR, rel. Min. Regina Helena Costa, DJe 24.8.2022). Nesse mesmo 
sentido, o Enunciado 77 da I Jornada-CJF: “Para impugnar decisão que obsta trânsito a recurso excepcional 
e que contenha simultaneamente fundamento relacionado à sistemática dos recursos repetitivos ou 
da repercussão geral (art. 1.030, I, do CPC) e fundamento relacionado à análise dos
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha376
tribunal que sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter 
repetitivo ainda não decidida por tribunal superior (art. 1.030, III, e § 2º, 
CPC); e) decisão do Presidente ou Vice-Presidente de tribunal que indeferir 
o requerimento a que alude o § 6º do art. 1.035 do CPC (art. 1.035, § 7º,
CPC); f) decisão do Presidente ou Vice-Presidente de tribunal que indeferir
o requerimento a que alude o § 2º do art. 1.036 do CPC (art. 1.036, § 3º,
CPC); g) o art. 1.070 do CPC, que cuida da unificação do prazo do agravo
interno, fala em “outra decisão unipessoal” proferida em tribunal (além
da do relator).
O CPC-2015 avança muito no ponto: a) unifica o regramento do tema, 
antes espalhado por toda a legislação; b) confere ao agravo interno uma 
dignidade normativa até então inexistente: o agravo interno era estudado 
juntamente com o agravo de instrumento, como se fosse espécies de um 
mesmo gênero, embora a semelhança entre eles se restringisse ao prenome; 
c) encerra as polêmicas sobre o cabimento de agravo interno contra essa ou
aquela decisão de relator: ressalvada expressa regra especial, cabe agravo in-
terno contra qualquer decisão de relator ou Presidente ou Vice Presidente do
tribunal2; assim, caberá agravo interno contra decisão do relator em qualquer
causa que tramite no tribunal, seja um recurso, uma remessa necessária ou
uma causa de competência originária (art. 937, § 3º, CPC, para o último caso).
Embora raras, existem decisões de relator irrecorrı́veis. Elas devem 
vir expressamente previstas em lei – em caso de silêncio legislativo, a 
decisão é recorrı́vel. Eis algumas delas: a) decisão sobre a inter-
venção de amicus curiae (art. 138, caput, e art. 950, § 3º, CPC); b) 
decisão do relator que concede gratuidade da justiça – cabe à parte 
adversária pedir a revogação do benefı́cio (art. 100, CPC); c) decisão 
que releva a deserção e concede novo prazo para o recorrente fazer o 
preparo, em razão de justo motivo (art. 1.007, § 6º, CPC); d) decisão 
do relator do recurso especial, que considera o recurso extraordinário 
simultaneamente interposto como prejudicial e, por isso, determina 
o sobrestamento do recurso especial e remete os autos ao STF (art. 
1.031, § 2º); e) decisão do relator do recurso extraordinário, que 
não o considera prejudicial ao recurso especial que foi interposto
pressupostos de admissibilidade recursais (art. 1.030, V, do CPC), a parte sucumbente deve 
inter-por, simultaneamente, agravo interno (art. 1.021 do CPC) caso queira impugnar a parte 
relativa aos recursos repetitivos ou repercussão geral e agravo em recurso especial/
extraordinário (art. 1.042 do CPC) caso queira impugnar a parte relativa aosfundamentos de 
inadmissão por ausência dos pressupostos recursais.”
2. A propósito, o enunciado n. 142 do Fórum Permanente de Processualistas Civis: “Da decisão monocrática 
do relator que concede ou nega o efeito suspensivo ao agravo de instrumento ou que concede, nega,
modifica ou revoga, no todo ou em parte, a tutela jurisdicional nos casos de competência originária
ou recursal, cabe o recurso de agravo interno nos termos do art. 1.021 do CPC”.
Cap. 6 • AGRAVO INTERNO 377
simultaneamente, e, por isso, determina a devolução dos autos ao 
STJ, para julgamento do recurso especial (art. 1.031, § 3º).
Também se considera irrecorrível, a partir de entendimento jurispru-
dencial, a decisão do relator que determina o sobrestamento do re-
curso especial em virtude de repercussão geral de tema reconhecido 
pelo STF, salvo caso de erro ou equı́voco patente3 (determinado o 
sobrestamento, eventual argumentação de distinguishing deve ser 
formulada perante o tribunal de origem4).
O que caracteriza todas essas situações é a ausência de prejuı́zo 
imediato à parte – por isso a proibição de agravo interno é, nesses 
casos, legı́tima.
2. PRAZO
O agravo interno deve ser interposto no prazo de quinze dias. Como
a tradição brasileira, para o caso, era de prazo de cinco dias, o art. 1.070 
do CPC resolveu criar uma regra geral uniformizadora: é de quinze dias 
o prazo para a interposição de qualquer agravo, previsto em lei ou em
regimento interno de tribunal, contra decisão de relator ou outra decisão
unipessoal proferida em tribunal.
Assim, por exemplo, o prazo para o agravo interno no pedido de 
suspensão de segurança, previsto no § 3º do art. 4º da Lei n. 8.437/1992, 
passa a ser de quinze dias, e não mais cinco5. O mesmo acontece com o 
prazo para o agravo contra decisão que concede suspensão de segurança, 
no procedimento do mandado de segurança, que deixa de ser de cinco dias 
e passa para quinze (art. 15 da Lei n. 12.016/2009). A previsão do agravo 
interno, feita no art. 39 da Lei n. 8.038/1990, deve ser lida com o prazo 
ali previsto de quinze dias, e não mais de cinco6.
Os arts. 317 e 335, § 2º, do Regimento Interno do STF, em vez de prazo 
de cinco dias, como mencionado nos dispositivos, deveriam prever prazo 
3. STJ, 1ª Turma, AgInt no AgInt no REsp 1.832.670/SP, rel. Min. Sérgio Kukina, DJe 14.11.2022.
4. STJ, 3ª Turma, AgInt no AREsp 1.942.191/PE, rel. Min. Nancy Andrighi, DJe 27.4.2022.
5. Acolhendo essa interpretação, STJ, Corte Especial, SLS n. 2.572-DF, rel. Min. Og Fernandes, j. em 
15.12.2021.
6. O Plenário do STF uniformizou o entendimento no sentido de que, nos processos criminais, o prazo 
para interposição de agravo regimental ou agravo interno continua a ser de cinco dias, não se apli-
cando o disposto no art. 1.070 do CPC. No processo penal, o prazo para o agravo interno é, de acordo 
com o STF, de cinco dias, e sua contagem é feita em dias corridos, conforme o disposto no artigo 
798 do Código de Processo Penal. Também entendeu o STF que continua a ser de cinco dias o prazo 
para o agravo interno contra decisões proferidas em reclamações que lá tramitem, sem nenhuma 
razão normativa para isso. Aplica-se, enfim, ao STF o prazo de cinco dias previsto no artigo 39 da Lei 
8.038/1990, não revogado expressamente pelo CPC para os processos penais e para as reclamações. 
O entendimento foi manifestado no julgamento conjunto, pelo Plenário, das reclamações 25.638 e 
23.045 e dos AREs 988.549, 992.066 e 999.675.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha378
de quinze dias, como determina o art. 1.070 do CPC. Mesmo não sendo 
alterados por emenda regimental, devem ser lidos com os prazos de quinze 
dias, por força do referido art. 1.070 do CPC.
A Lei n. 13.300/2016, que regulamenta o mandado de injunção e é 
posterior ao CPC-2015, previu o prazo de cinco dias para a interposição 
do agravo interno contra a decisão do relator que não admitir a petição 
inicial do mandado de injunção (art. 6º, par. ún.).
A Fazenda Pública (art. 183, CPC), o Ministério Público (art. 180, CPC) 
e a Defensoria Pública (art. 186, CPC) dispõem de prazo de dobro para 
o agravo interno. Nesse sentido, o enunciado 116 da Súmula do STJ: “A
Fazenda Pública e o Ministério Público têm prazo em dobro para interpor
agravo regimental no Superior Tribunal de Justiça”.
O prazo em dobro previsto para a Fazenda Pública, para o Ministério 
Público e para a Defensoria Pública não se aplica quando a lei estabele-
cer prazo próprio ou especıf́ico para cada um deles. E o caso, segundo 
entende o STF, do agravo interno contra a decisão do presidente do 
tribunal que indefere pedido de suspensão de segurança7. Em tal hi-
pótese, contrariamente ao que entende o STF, aplica-se, na verdade, o 
art. 183 do CPC, havendo prazo em dobro, porque nem sempre será 
o Poder Público o agravante – lembre-se que concessionárias podem
valer-se do pedido de suspensão8.
3. DISPENSA DE PREPARO, REGULARIDADE FORMAL E CONTRARRAZÕES
O agravo interno é recurso que dispensa o preparo. Isso porque o 
“custo” do agravo interno está embutido no custo da causa que tramita 
no tribunal, cujas despesas já foram antecipadas, pelo recorrente ou pelo 
autor da ação de competência originária.
Na petição do agravo interno, o recorrente impugnará especificada-
mente os fundamentos da decisão agravada (art. 1.021, § 1º, CPC). Tra-
ta-se de regra que concretiza o princıṕio da boa-fé e do contraditório: de 
um lado, evita a mera repetição de peças processuais, sem especificar as 
razões pelas quais a decisão não convenceu a parte recorrente; de outro, 
garante o contraditório, pois permite que o recorrido possa elaborar as 
suas contrarrazões, no mesmo prazo de quinze dias (art. 1.021, § 2º, CPC) 
7. Nesse sentido: STF, Pleno, SS n. 2.198 AgR-AgR/PE, rel. Min. Maurício Corrêa, j. em 3.3.2004, DJ de 2.4.2004,
p. 10; STF, Pleno, SS n. 4.262 ED, rel. Min. Cezar Peluso (Presidente), j. em 3.11.2010, DJe de 1º.12.2010;
STF, Pleno, SL n. 172 AgR-ED, rel. Min. Cezar Peluso (Presidente), j. em 9.12.2010, DJe de 9.2.2011.
8. No sentido de o prazo ser em dobro, nesse caso, para o Poder Público: STJ, Corte Especial, SLS n.
2.572-DF, rel. Min. Og Fernandes, j. em 15.12.2021. Os precedentes do STF, firmados em sentido con-
trária, não perceberam a possibilidade de concessionárias poderem valer-se do agravo interno, sendo
emitidos num contexto do CPC-1973.
Cap. 6 • AGRAVO INTERNO 379
– nesse ponto, o CPC-2015 também inova, pois prevê expressamente as
contrarrazões no agravo interno, assunto sobre o qual o CPC-1973 silen-
ciava. Essa regra conecta-se, também, com a regra que impõe o dever de
fundamentação analıt́ica previsto no § 1º do art. 489 do CPC. Não custa
lembrar: o CPC impõe um ônus de argumentação qualificada para as partes
e um dever de fundamentação qualificada para o órgão julgador9.
A exigência de impugnação especıf́ica é reforçada nos casos em que 
o agravo interno for interposto contra a decisão do relator que aplica pre-
cedente (art. 932, IV e V, CPC). Isso porque, em tais casos, não é suficiente
ao agravante apenas reproduzir as razões de seu recurso ou da petição
apresentada. E preciso que demonstre uma distinção ou a impossibilidade
de aplicação do precedente.
Também por força dessa exigência, não é possı́vel apresentar funda-
mento novo no agravo interno, pois isso caracteriza inadmissı́vel inovação 
recursal10.
Nas razões do agravo interno, é possı́vel alegar error in procedendo ou 
error in iudicando para que se peça, respectivamente, ou uma anulação ou 
uma reforma da decisão do relator. A decisão agravada pode ser passı́vel 
de nulidade, por, por exemplo, não ser enquadrar nas hipóteses dos incisos 
III e IV do art. 932 do CPC. Em casos assim, o vı́cio pode ser superado pela 
própria interposição do agravo interno, que devolve a matéria ao órgão 
julgador11. Para que realmente o vı́cio seja superado, e não se anule a de-
cisão agravada, é preciso que se garanta a sustentação oral que poderiaser 
realizada no julgamento originário do recurso ou da ação.
No agravo interno, deve – como já destacado – haver oportunidade 
para contrarrazões da parte contrária.
4. PROCEDIMENTO DE JULGAMENTO
O agravo interno será dirigido ao relator, que poderá retratar-se; antes
de retratar-se, terá o relator de ouvir a parte agravada, que apresentará as 
suas contrarrazões no prazo.
Após oportunizar o contraditório, o relator levará o recurso para ser 
julgado pelo órgão colegiado, com inclusão em pauta (art. 1.021, § 2º, parte 
9. Nesse sentido, CAMARGO, Luiz Henrique Volpe. “Comentários ao art. 1.021”. Breves comentários ao 
novo Código de Processo Civil. Teresa Arruda Alvim Wambier; Fredie Didier Jr.; Eduardo Talamini; 
Bruno Dantas (coords.). São Paulo: RT, 2015, p. 2265.
10. STJ, 3ª Turma, AgInt nos EDcl no REsp 1.949.616/SP, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe 19.9.2022.
11. STJ, 4ª Turma, AgInt nos EDcl no AREsp 1.401.396/SP, rel. Min. Luis Felipe Salomão, DJe 23.5.2019.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha380
final, CPC) – a regra é nova: ao tempo do CPC-1973, o agravo interno era 
levado para julgamento, sem inclusão em pauta. 
O § 2º do art. 1.021 esclarece, também, que o agravo interno não pode 
ser julgado monocraticamente pelo relator: ele será sempre julgado pelo 
órgão colegiado a que pertence o relator. O agravo interno somente deve 
ser julgado pelo relator se este resolver retratar-se. 
Interposto o agravo interno, há dois caminhos possıv́eis: ou o relator 
retrata-se, podendo fazê-lo por decisão isolada, ou o leva a julgamento pelo 
colegiado, no qual poderá ser mantida ou reformada a decisão do relator. 
Quando o relator incluir o agravo interno em pauta, isso não quer 
dizer que seu voto já será contrário ao agravante. Ele pode retratar-se em 
decisão isolada, mas pode levar para julgamento do colegiado um voto 
favorável ao agravante. De todo modo, se for para julgar contrariamente 
ao agravante, não poderá fazê-lo por decisão isolada. Sua decisão isolada 
somente poderá ser proferida no caso de retratar-se.
Cabe sustentação oral no julgamento do agravo interno interposto 
contra decisões de relator que extingam processos de competência ori-
ginária de tribunal, como a ação rescisória, o mandado de segurança e a 
reclamação (art. 937, § 3º, CPC). No caso de agravo interno contra decisão 
de relator proferida em julgamento de recurso (inclusive remessa neces-
sária), não se permite a sustentação oral. Exatamente por não caber, em 
regra, sustentação oral em agravo interno, o STF prevê que o julgamento 
de agravo interno será em ambiente virtual (art. 317, § 3º, RISTF).
O órgão colegiado não pode rejeitar o agravo interno, com fundamen-
tação que se limite a reproduzir os fundamentos da decisão agravada (art. 
1.021, § 3º, CPC)12. O dispositivo ratifica a exigência de um cumprimento 
qualificado, pelo órgão julgador, do seu dever de motivar, tal como pres-
creve o § 1º do art. 489 do CPC. Há uma correlação entre a exigência de 
impugnação especificada e o dever de fundamentação qualificada13. 
12. “Segundo a jurisprudência desta Corte ‘a vedação constante do art. 1.021, § 3º, do CPC/2015 e o disposto 
no art. 489 do CPC/2015 não podem ser interpretados no sentido de se exigir que o julgador tenha 
de refazer o texto da decisão agravada com os mesmos fundamentos, mas com outras expressões, 
mesmo não havendo nenhum fundamento novo trazido pela parte recorrente na peça recursal. O 
que o Código de Processo Civil de 2015 exige é que se adote fundamentação suficiente, que decida 
integralmente a controvérsia, tal como no caso em análise’ (AgInt no REsp 1.808.846/RS, Rel. Ministro 
Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 7/5/2021). Em igual sentido: AgInt no REsp 1.920.641/RS, Rel. 
Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 31/8/2021.” (STJ, 1ª Turma, AgInt no REsp 1.988.443/
SP, rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 5.10.2022).
13. Nesse sentido, CAMARGO, Luiz Henrique Volpe. “Comentários ao art. 1.021”. Breves comentários ao 
novo Código de Processo Civil. Teresa Arruda Alvim Wambier; Fredie Didier Jr.; Eduardo Talamini; 
Bruno Dantas (coords.). São Paulo: RT, 2015, p. 2265.
Cap. 6 • AGRAVO INTERNO 381
5. AGRAVO INTERNO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL OU MANIFES-
TAMENTE IMPROCEDENTE
Se o órgão colegiado considerar, por unanimidade14, o agravo interno 
manifestamente inadmissível ou manifestamente improcedente15-16, con-
denará o agravante ao pagamento de multa entre um e cinco por cento 
do valor da causa (art. 1021, § 4º), condicionando a interposição de novo 
recurso ao respectivo depósito (art. 1021, § 5º). A exigência do depósito 
há de ser feita para a interposição de qualquer recurso, até mesmo de 
embargos de declaração17.
Quando a parte não efetua o preparo, o órgão julgador deve intimá-la 
para fazê-lo em dobro (art. 1.007, § 4º, CPC). No caso da multa prevista 
no § 4º do art. 1.021 do CPC, ela torna-se requisito de admissibilidade do 
próximo recurso (art. 1.021, § 5º, CPC), não havendo previsão de intimação 
posterior à interposição para sua efetivação ou para seu pagamento em 
dobro. Por não haver tal previsão, o STJ entende que não há que se cogitar 
a “necessidade de concessão de prazo para que o vıćio seja sanado, sen-
do o pagamento posterior da penalidade admitido apenas nas hipóteses 
legalmente previstas”18.
14. A decisão há de ser unânime tanto nos casos de manifesta improcedência quanto nos de manifesta 
inadmissibilidade. O texto do § 4º do art. 1.021 é dúbio, podendo levar ao entendimento de a unani-
midade ser exigida apenas para os casos de manifesta improcedência do agravo interno. Assim, nesse 
sentido, o enunciado n. 359 do Fórum Permanente de Processualistas Civis: “A aplicação da multa 
prevista no art. 1.021, § 4º, exige que a manifesta inadmissibilidade seja declarada por unanimidade”.
15. A repetição do advérbio “manifestamente” se justifica, porque o texto do § 4º do art. 1.021 é dúbio, 
podendo levar ao entendimento de que uma simples improcedência do agravo interno seria suficiente 
para a condenação na referida multa. Assim, nesse sentido, o enunciado n. 358 do Fórum Permanente 
de Processualistas Civis: “A aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, exige manifesta inadmis-
sibilidade ou manifesta improcedência”. No mesmo sentido, o enunciado 74 da I Jornada de Direito 
Processual Civil, do Conselho da Justiça Federal: “O termo ‘manifestamente’ previsto no § 4º do art. 
1.021 do CPC se refere tanto à improcedência quanto à inadmissibilidade do agravo”.
16. Não pode ser considerado manifestamente improcedente o agravo que se destina a obter o esgo-
tamento prévio das instâncias ordinárias e, assim, viabilizar a interposição do recurso especial ou 
extraordinário. Nesse sentido, o Tema 434 dos repetitivos do STJ: “O agravo interposto contra decisão 
monocrática do Tribunal de origem, com o objetivo de exaurir a instância recursal ordinária, a fim de 
permitir a interposição de recurso especial e do extraordinário, não é manifestamente inadmissível 
ou infundado, o que torna inaplicável a multa prevista no art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil 
[de 1973]”.
17. Nesse sentido: STJ, 3ª T., EDcl no AgInt no AREsp 1.861.997/SP, rel. Min. Nancy Andrighi, DJe 1.12.2021.
18. STJ, 3ª T., AgInt no AREsp 1.149.021/SE, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. em 15.5.2018, 
DJe 21.5.2018. No mesmo sentido: STJ, 4ª T., AgInt no AREsp 1.250.886/RN, Rel. Min. Lázaro 
Guimarães (Des. Conv. TRF5), j. em 20.9.2018, DJe 27.9.2018; STJ, 2ª T., AgInt no AgInt no RMS 
55.209/SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, j. em 18.5.2020, DJe 26.5.2020; STJ, 4ª T., AgInt no AREsp 
1.658.762/PR, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, j. em 31.8.2020, DJe 8.9.2020.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha382
A multa não é automática; é preciso examinar cada caso, sendo ne-
cessário haver, em decisão fundamentada, por votação unânime, reco-
nhecimentodo caráter manifestamente inadmissıv́el ou manifestamente 
improcedente19.
O beneficiário da gratuidade da justiça e a Fazenda Pública estão, po-
rém, dispensados desse depósito prévio (art. 1.021, § 5º, parte final, CPC).
Há, no CPC, um microssistema de regras aplicáveis aos entes públi-
cos, assim considerados a Fazenda Pública, o Ministério Público e a 
Defensoria Pública. Existe um regime jurıd́ico único aplicável a todos 
eles. A todos eles aplicam-se prazos em dobro e garante-se intimação 
pessoal (arts. 180, 183 e 186, § 1º, CPC), seus membros só respondem 
regressiva e subjetivamente (arts. 181, 184 e 187, CPC). Ademais, as 
despesas dos atos processuais praticados a requerimento da Fazenda 
Pública, do Ministério Público ou da Defensoria Pública serão pagas 
ao final pelo vencido (art. 91, CPC). Esse microssistema uniformiza 
as normas aplicáveis à atuação da Fazenda Pública, do Ministério 
Público e da Defensoria Pública. Dentro desse microssistema, deve-
-se considerar aplicável também ao Ministério Público o disposto
na parte final do § 5º do art. 1.021 do CPC. O beneficiário da justiça
gratuita – esteja ou não representado pela Defensoria Pública –, a
Fazenda Pública e o Ministério Público estão dispensados do depósito
prévio previsto em tal § 5º.
6. AGRAVO INTERNO E A REGRA DE RESPEITO À ORDEM CRONOLÓ-
GICA DE CONCLUSÃO
O julgamento do agravo interno fica fora do âmbito de incidência da 
regra fundamental de observância da ordem cronológica de conclusão (art. 
12, § 2º, VI, CPC).
A exceção é justificável: o caso já foi julgado; o agravo interno leva 
a questão para a revisão do colegiado a que pertence o relator; ademais, 
como se viu, os casos em que se permite a decisão do relator também es-
tão fora da incidência da regra de observância da ordem cronológica, ou 
por não ser decisão final, ou por não tratar do mérito, ou por resultar da 
aplicação do art. 932 do CPC; em todos esses casos, não há observância 
da ordem cronológica (art. 12, caput, § 2º, IV, CPC), natural que o julga-
mento do agravo interno, verdadeiro prolongamento do julgamento feito 
unipessoalmente pelo relator, também estivesse.
19. Nesse sentido: STJ, 2ª Seção, AgInt nos EREsp 1.120.356-RS, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
j. 24.8.2016, DJe 29.8.2016.
Cap. 6 • AGRAVO INTERNO 383
7. AGRAVO INTERNO E EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Do § 3º do art. 1.024 do CPC se extrai uma regra de fungibilidade entre
os embargos de declaração e o agravo interno.
Caso entenda que o recurso cabıv́el é o agravo interno, e não os em-
bargos de declaração, o órgão julgador conhecerá desses como se fossem 
agravo interno, desde que determine previamente a intimação do recor-
rente para, no prazo de cinco dias, complementar as razões recursais, de 
modo a ajustá-las às exigências do art. 1.021, § 1o, que, conforme visto, 
exige impugnação especificada da decisão agravada pelo recorrente. 
A regra concretiza os princıṕios da boa-fé, cooperação e contraditório, 
constituindo mais uma hipótese de vedação à decisão-surpresa.
C A P Í T U L O 1 2
Ação Rescisória
Sumário • 1. Generalidades – 2. Decisão rescindível: 2.1. Decisão interlocutória, 
sentença, decisão de membro de tribunal ou acórdão; 2.2. Decisão de inadmissibi-
lidade (art. 966, § 2º); 2.3. Decisão que aplica sanção processual e decisão sobre as 
verbas da sucumbência; 2.4. Decisões que homologam autocomposição; 2.5. Decisão 
que homologa partilha amigável; 2.6. Decisão que julga a liquidação de sentença; 
2.7. Decisão que extingue a execução; 2.8. Rescisória de rescisória; 2.9. Rescisória 
parcial (art. 966, § 3º, CPC); 2.10. Rescisória de questão prejudicial incidental; 2.11. 
Tutela provisória estabilizada; 2.12. Juizados Especiais; 2.13. Jurisdição voluntária; 
2.14. A decisão citra petita. A OJ 41 da SBDI-2 do TST. Superação do enunciado 
453 da súmula do STJ; 2.15. Incidentes processuais; 2.16. Casos de querela nullitatis; 
2.17. O enunciado n. 514 da súmula do Supremo Tribunal Federal; 2.18. Decisão 
rescindenda e trânsito em julgado superveniente; 2.19. A ação rescisória e a ação 
“anulatória” do § 4º do art. 966 do CPC – 3. Legitimidade: 3.1. Ativa; 3.2. Passiva; 
3.3. Correção das legitimidades ativa e passiva – 4. Competência para processar e 
julgar a ação rescisória: 4.1. Generalidades; 4.2. A competência para julgar rescisória 
contra decisão de juiz federal proferida nas causas internacionais do inciso II do 
art. 109 da Constituição Federal; 4.3. Ação rescisória de capítulo da decisão; 4.4. 
Incompetência, primazia da decisão de mérito e o § 5º do art. 968 do CPC – 5. O 
prazo para ajuizamento da ação rescisória: 5.1. Natureza: prazo de decadência legal; 
5.2. Regra geral; 5.3. Prazo especial: ação rescisória relativa a processos que digam 
respeito a transferência de terras públicas rurais (art. 8º-C, Lei n. 6.739/1979); 5.4. 
Contagem do prazo. A ação rescisória e a coisa julgada parcial; 5.5. Prazo para a ação 
rescisória e juízo de inadmissibilidade do recurso; 5.6. Regras especiais de contagem 
do prazo da ação rescisória – 6. Hipóteses de rescindibilidade: 6.1. Generalidades; 6.2. 
A causa de pedir na ação rescisória; 6.3. Hipóteses – 7. Aspectos do procedimento 
da ação rescisória: 7.1. Petição inicial, improcedência liminar do pedido; 7.2. Depósito 
obrigatório; 7.3. Valor da causa; 7.4. Prazo de resposta do réu; 7.5. Revelia na ação 
rescisória; 7.6. Audiência preliminar de mediação ou conciliação. A autocomposição 
em ação rescisória; 7.7. Reconvenção na ação rescisória; 7.8. Produção de provas na 
ação rescisória; 7.9. Intervenção do Ministério Público; 7.10. Suspensão da execução 
da decisão rescindenda e tutela provisória na ação rescisória; 7.11. Tutela provisória 
de evidência na ação rescisória – 8. Procedimento para o julgamento. O iudicium 
rescindens e o iudicium rescissorium – 9. Eficácia temporal do julgamento rescindente 
– 10. Recursos na ação rescisória – 11. Execução na ação rescisória.
1. GENERALIDADES
A ação rescisória é a ação autônoma de impugnação, que tem por obje-
tivos a desconstituição de decisão judicial transitada em julgado e, eventu-
almente, o rejulgamento da causa. Ela não é recurso, exatamente porque dá 
origem a um novo processo para impugnar a decisão judicial. A ação rescisória 
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha568
pressupõe a coisa julgada, diferentemente do recurso, que impede o trânsito em 
julgado e mantém o estado de litispendência ou de pendência do processo.
O pedido de rescisão é sempre desconstitutivo; o pedido de rejulga-
mento assume a natureza que a causa originária, que se pretende rejulgada, 
tiver: declaratório, constitutivo, condenatório.
Acolhida a ação rescisória, a consequência natural é desfazer a coisa 
julgada. Como ação desconstitutiva, sua eficácia é, em princıṕio, ex nunc1. 
Em determinadas hipóteses, porém, por expressa disposição legal, pode sua 
eficácia ser ex tunc, havendo, então, retroatividade da decisão final2. Há hi-
póteses legais de eficácia retroativa da decisão desconstitutiva, a exemplo do 
que ocorre com a anulabilidade, que tem sua eficácia regida pelo Código Civil.
Da mesma forma que ocorre com a anulabilidade, a ação rescisória 
tem também eficácia retroativa. O art. 7763 do CPC confere ao executado 
o direito de ser ressarcido, caso decisão judicial reconheça a inexistência
da obrigação que foi objeto da execução. Isso pode acontecer com a ação
rescisória: rescindido o tı ́tulo executivo judicial, a obrigação executada
desaparece e, daı ́, surge para o executado o direito de ser indenizado
pelo exequente. A relação entre o art. 776 e a ação rescisória é muito
ı ́ntima.
Aliás, a concessão de efeito suspensivo à ação rescisória, como forma 
de impedir a execução da decisão rescindenda, serve, exatamente, para 
evitar a incidência do art. 776, impedindo que o executado, uma vez vi-
torioso na rescisória, tenha de trilhar o caminho da repetição de indébito 
ou da ação de indenização.
Em item maisà frente, veremos ser possıv́el que, a partir da proteção 
da confiança, que acarreta a incidência do princıṕio da segurança ju-
rıd́ica, o órgão julgador module os efeitos do julgamento rescindente, 
de modo a que produza efeitos apenas ex nunc.
A coisa julgada, no direito brasileiro, pode ser impugnada, basicamen-
te, por três meios: a ação rescisória (que é o meio mais comum e amplo), 
a querela nullitatis (ver capıt́ulo neste volume do Curso) e a impugnação 
de decisão judicial prevista no § 12 do art. 525 e no § 5º do art. 535 do 
CPC (ver capıt́ulo respectivo no v. 5 deste Curso).
A ação rescisória permite o desfazimento da decisão por motivos de 
invalidade (art. 966, II e IV, p. ex.) ou por motivos de injustiça (art. 966, 
1. PARÁ FILHO, Tomás. Estudo sobre a sentença constitutiva. São Paulo, 1973, p. 139.
2 PARÁ FILHO, Tomás. Estudo sobre a sentença constitutiva. São Paulo, 1973, p. 139.
3. “Art. 776. O exequente ressarcirá ao executado os danos que este sofreu, quando a sentença, transitada
em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigação que ensejou a execução”.
Cap. 12 • AÇÃO RESCISÓRIA 569
VI e VIII, p. ex.). E instrumento muito abrangente de controle da coisa 
julgada. Não se deve, portanto, estabelecer uma relação necessária entre 
os defeitos processuais e a ação rescisória, pois esta tem espectro mais 
amplo, servindo também ao controle de injustiças.
Além da observância dos pressupostos processuais gerais de valida-
de (como o interesse, a legitimidade e a competência, por exemplo), para 
que se admita a ação rescisória são necessários: a) uma decisão judicial 
rescindıv́el; b) o enquadramento da situação em uma das hipóteses de 
rescindibilidade, que estão relacionadas no art. 966, no § 15 do art. 525, 
no § 8º do art. 535 ou no art. 658, todos do CPC. 
2. DECISÃO RESCINDÍVEL
2.1. Decisão interlocutória, sentença, decisão de membro de tribunal 
ou acórdão
O caput do art. 966 do CPC prevê a possibilidade de ação rescisória 
contra decisão de mérito transitada em julgado. O art. 485 do CPC-1973 
continha a expressão “sentença de mérito”. A mudança do termo “sentença” 
por “decisão” não foi fortuita. O propósito é evidente: permitir o ajuizamen-
to de ação rescisória contra qualquer tipo decisão de mérito, seja ela decisão 
interlocutória4, sentença, decisão de membro de tribunal ou acórdão. Não 
importa a espécie de decisão: tendo transitado em julgado, é rescindıv́el5.
A mudança está em consonância com o sistema do CPC, que permite a 
prolação de decisões parciais: aquelas que dizem respeito a apenas parcela 
do objeto litigioso.
4. Nesse sentido, enunciado n. 336 do Fórum Permanente de Processualistas Civis: “Cabe ação rescisória
contra decisão interlocutória de mérito”.
5. Encampou-se entendimento doutrinário antigo nesse sentido: DINAMARCO, Cândido. “Ação rescisória
contra decisão interlocutória”. A nova era do processo civil. São Paulo: Malheiros Ed., 2003, p. 280-289;
DIDIER Jr., Fredie; CUNHA, Leonardo Carneiro da. Curso de Direito Processual Civil. 12ª ed. Salvador:
Editora Juspodivm, 2014, v. 3, p. 355; CARVALHO, Fabiano. Ação rescisória: decisões rescindíveis. São
Paulo: Saraiva, 2010, p. 27; BARIONI, Rodrigo. “Ação rescisória”. Breves Comentários ao Código de Processo 
Civil. Teresa Wambier, Fredie Didier Jr., Eduardo Talamini e Bruno Dantas (coord.). São Paulo: RT, 2015,
p. 2.148; NERY Jr., Nelson; NERY, Rosa. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: RT, 2015,
p. 1.911; BUENO, Cassio Scarpinella. Novo Código de Processo Civil anotado. São Paulo: Saraiva, 2015,
p. 605; FARIA, Marcela Kolbach de. “Ação rescisória em matéria de honorários advocatícios à luz do
novo CPC”. Honorários advocatícios. Luiz Henrique Volpe Camargo e Marcus Vinícius Furtado Coêlho
(coord.). Salvador: Editora Juspodivm, 2015, p. 863; MAZZEI, Rodrigo; GONÇALVES, Tiago Figueiredo.
“Primeiras linhas sobre a disciplina da ação rescisória no CPC/15”. Doutrina selecionada – processo nos
tribunais e meios de impugnação às decisões judiciais. Lucas Buril de Macêdo, Ravi Peixoto e Alexandre
Freire (org.). Salvador: Editora Juspodivm, 2015, v. 6, p. 178-179.
CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL • Vol. 3 – Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha570
Há previsão expressa de julgamento antecipado parcial do mérito 
(art. 356, CPC), de homologação de autocomposição parcial e de reconhe-
cimento de decadência ou prescrição de um dos pedidos cumulados (art. 
354, par. ún., CPC).
O CPC também permite a delimitação voluntária do objeto do recurso. 
O recurso pode direcionar-se contra apenas parte da decisão. Admite-se, 
enfim, recurso parcial (art. 1.002, CPC). A parte final do § 1º do art. 1.013 
é bem clara: “§ 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo 
tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que 
não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capıt́ulo impugnado”.
Há, então, a possibilidade de serem proferidas, ao longo do processo, 
várias decisões que possuem aptidão para tornarem-se indiscutıv́eis pela 
coisa julgada. Um mesmo processo poderá produzir tantas coisas julgadas 
quantas tenham sido as decisões proferidas e que possuam essa aptidão. 
Obviamente, cada decisão resolve uma determinada questão – não se trata 
de várias decisões sobre a mesma questão. 
Exemplos: a) julgamento antecipado de um dos pedidos formulados 
em cumulação simples; não houve agravo de instrumento: coisa julgada em 
relação a esse pedido; b) sentença possui dois capıt́ulos; somente um deles 
foi objeto da apelação: coisa julgada em relação ao capıt́ulo não impugnado.
Já se chamou esse fenômeno de coisa julgada progressiva. Não parece 
adequada a designação, pois leva a uma indevida percepção de que uma 
mesma coisa julgada se forma progressivamente, quando, na verdade, o 
que há é a formação de várias coisas julgadas em um mesmo processo, em 
momentos distintos e, muitas vezes, em juıźos distintos – nesse sentido, 
súmula do TST, n. 100, II6.
A sentença arbitral não pode ser objeto da ação rescisória7. A sentença 
arbitral pode ser invalidada, por meio da ação prevista no art. 33 da 
Lei 9.307/1996. 
De igual modo, a sentença proferida em Juizado Especial Cıv́el não 
pode ser objeto de ação rescisória (art. 59 da Lei n. 9.099/1995) – 
sobre tal ponto, ver adiante item especıf́ico deste Capıt́ulo.
Também não cabe ação rescisória de decisão proferida em ação direta 
de inconstitucionalidade, ação declaratória de constitucionalidade 
6. “Havendo recurso parcial no processo principal, o trânsito em julgado dá-se em momentos e em
tribunais diferentes, contando-se o prazo decadencial para a ação rescisória do trânsito em julgado
de cada decisão, salvo se o recurso tratar de preliminar ou prejudicial que possa tornar insubsistente
a decisão recorrida, hipótese em que flui a decadência a partir do trânsito em julgado da decisão
que julgar o recurso parcial.”
7. Nesse sentido, enunciado n. 203 do Fórum Permanente de Processualistas Civis: “Não se admite ação
rescisória de sentença arbitral”.
Cap. 12 • AÇÃO RESCISÓRIA 571
(art. 26 da Lei n. 9.868/1999) e na arguição de descumprimento de 
preceito fundamental (art. 12 da Lei n. 9.882/1999).
Enfim, a ação rescisória é cabıv́el contra qualquer decisão de mérito, 
seja uma interlocutória, uma sentença, um acórdão ou uma decisão uni-
pessoal de membro de tribunal.
2.2. Decisão de inadmissibilidade (art. 966, § 2º)
2.2.1. Generalidades
A ação rescisória é cabıv́el, como se viu, contra decisão de mérito. 
Também pode ser utilizada contra decisão que não tenha examinado o 
mérito. O § 2º do art. 966 do CPC elimina antiga discussão doutrinária, ao 
permitir, expressamente, ação rescisória contra decisão que não é de mérito, 
desde que tenha transitado em julgado. Acolheu-se antigo entendimento 
doutrinário8 e o último entendimento do Superior Tribunal de Justiça, 
ainda sob a vigência do CPC-1973.9
O § 2º do art. 966 possui dois incisos, ambos dizendo respeito à decisão 
rescindenda

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