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Experimento A5: Colisões Hiago Fernando Vagmaker Gonçalves Curso de Engenharia Civil, Departamento de Física, Universidade Federal do Espírito Santo, Caixa Postal 9011, Vitória, Espírito Santo, 29060-970, Brasil e-mail: hiago.goncalves@edu.ufes.br Código da Disciplina: FIS09057 Resumo. Uma colisão é uma interação de duração finita entre dois ou mais objetos, que podem ser classificados como elásticas ou inelásticas. Neste experimento, dois carrinhos se movendo na mesma direção serão utilizados para estudar tais colisões, visando verificar os princípios de conservação do momento linear e conservação de energia no sistema, bem como estudar a particularidade das colisões elásticas e inelásticas. Para tanto, cálculos baseados nos princípios de momento linear e conservação de energia são utilizados como ferramentas analíticas, levando em consideração suas respectivas incertezas. O procedimento experimental consiste em empurrar dois carros para colidir com outro carro parado sobre uma trilho de ar e medir o tempo de passagem de cada carro através dos sensores S0 e S1 que estão conectados a um multicronômetro. Primeiramente, uma colisão elástica foi reproduzida colocando uma mola na extremidade do carrinho que colide com o outro. Em seguida, a colisão inelástica foi reproduzida colocando uma “lança” na extremidade de um carrinho e um suporte de engate com massa na extremidade do outro carrinho. Medindo-se as massas dos carrinhos e descobrindo suas velocidades mediante os tempos registrados no multicronômetro, pôde-se calcular seus respectivos momentos e energias cinéticas. Com isso, verificou-se que houve a conservação do momento linear tanto na colisão elástica. Já no caso da energia cinética, verificou-se que esta é conservada na colisão elástica, mas que não o é na inelástica. Isso ocorre porque a deformação da massinha durante a colisão dissipa parte da energia cinética inicial, o que faz com que a variação entre a energia cinética final e a inicial seja um valor considerável. Palavras chave: colisão elástica, colisão inelástica, carro, energia. Introdução Uma colisão é uma interação entre dois ou mais objetos. Para estudar o problema da colisão de dois corpos, pode-se estabelecer a relação entre os estados do sistema antes e depois da colisão, que é obtida considerando as leis de conservação da física. Este experimento tem como objetivo verificar a conservação do momento linear e da energia cinética para um sistema isolado, composto por dois carrinhos que se colidiram entre si. Uma grandeza física, como a energia por exemplo, será preservada quando, durante uma mudança no sistema, sua variação for zero, ou seja, seu valor no estado inicial for igual ao seu valor no estado final. Pode-se deduzir o princípio da conservação de momento linear usando a Segunda Lei de Newton, sob a condição de não haver forças externas atuando no sistema, tal como é mostrado a seguir. Integrando dos dois lados. Como não existe força externa atuando no sistema, tem-se. desenvolvendo a equação considerando essa premissa, sabe-se que o momento linear se conservará. Quanto a conservação da energia cinética, parte- se do balanço energético do sistema, baseado na lei da termodinâmica. Considerando que o sistema seja fechado e isolado, não havendo transferência de calor nem de trabalho entre o sistema e a vizinhança, então. Caso a variação da energia interna seja nula, não havendo variações de temperatura ou pressão no sistema, então. mailto:hiago.goncalves@edu.ufes.br Em colisões de partículas, pode-se considerar que, imediatamente antes e após a colisão, a variação de energia potencial é desprezível. Portanto, haverá conservação de energia cinética em uma colisão desde que não haja nenhuma perda de energia devido à deformação dos corpos nesse processo. Logo, só haverá conservação de energia cinética se a colisão for perfeitamente elástica. Como visto anteriormente, pela própria definição, conforme a Segunda Lei de Newton, só há variação de momento linear mediante a aplicação de uma força externa. As forças internas não influenciam, pois, o momento linear total de um sistema, uma vez que estão associadas a pares ação-reação que se anulam mutuamente. Considere dois carrinhos de massa m1 e m2, cujas velocidades iniciais são v1i e v2i, respectivamente, e as finais são v1f e v2f. Aplicando o princípio da conservação do momento linear. Como o carrinho de massa m2 está inicialmente em repouso, então. Dado que o movimento dos carrinhos é unidimensional, isto é, as velocidades e os momentos lineares estão na mesma direção, pode-se tratá-los como escalares nos cálculos, ressalvando-se que o sinal destes representa seu sentido segundo o eixo de referência adotado. Se a colisão for totalmente elástica, então, pela conservação de energia cinética, tem-se que. Desta forma, obtém-se que. Substituindo a equação acima na de conservação de momento linear, segue que. E posteriormente. Caso a colisão seja totalmente inelástica, os carrinhos ficam unidos um ao outro após o choque. Logo, v1f = v2f = vf. Aplicando isso à equação da conservação do momento linear e fazendo o seu desenvolvimento, conclui-se que. A energia cinética final do sistema é dada por. Sabendo vf, fica simples e metódico encontrar Kf. Voltando ao balanço de energia citado anteriormente e substituindo a equação encontrada de Kf, constata-se que. Conclui-se que, para o momento linear se conservar, basta que não haja forças externas agindo sobre o sistema. Porém, é possível que entre o início e fim do experimento, haja perdas significativas de energia, como por exemplo a perda de energia cinética no sistema, peculiar da colisão inelástica. Procedimento Experimental Para o ensaio referente a colisão elástica, primeiramente, nivelou-se o trilho de ar para que a gravidade não influenciasse o movimento do carrinho. Mediu-se a massa m1 do carrinho que possui dois parafusos suportes para adição de massa, obtendo o valor de 251,27 ± 0,01 g. Mediu-se também a massa m2 do carrinho que possui seis parafusos suportes para adição de massa juntamente com os pesos adicionais acoplados, obtendo-se o valor de 546,87 ± 0,01 g. Em seguida, montou-se o sistema, posicionando os sensores S0 e S1 de forma que o carrinho 1 seja impulsionado antes do sensor S0 e o carrinho 2 fique entre os dois sensores, para que o tempo pós colisão seja coletado. Depois configurar o multicronômetro na função desejada, foi dado um impulso no carrinho 1, comprimindo sua mola e soltando-a em seguida. É necessário garantir que, ao iniciar o lançamento, o carrinho 2 esteja em repouso. Anotaram-se todos os tempos de passagem pelos sensores fornecidos pelo multicronômetro. Como demonstrado na introdução, há duas equações que descrevem as velocidades finais de cada carrinho após a colisão. Um novo lançamento foi realizado, porém com m1 e m2 tendo valores muito próximos. Observou- se então que, após a colisão, o carrinho 1 perdeu toda a sua velocidade, enquanto o carrinho 2 iniciou o movimento com uma velocidade equivalente à velocidade inicial do carrinho 1. Já para a colisão inelástica substituiu-se a mola do carrinho 1 e o ferrite do carrinho 2 pelo suporte acoplável. Tal suporte fará com que, após a colisão, o carrinho 1 e 2 se mantenham unidos a fim de que suas velocidades finais sejam iguais. Mediu-se a massa m1 do carrinho que possui dois parafusos suportes para adição de massa, obtendo o valor de 237,44± 0,01 g. Mediu-se também a massa m2 do carrinho que possui seis parafusos suportes para adição de massa, obtendo o valor de 531,61 ± 0,01 g. Em seguida, montou-se o sistema com os mesmos cuidados que foram tomados na etapa anterior.Prosseguiu-se então com o impulso no carrinho 1, comprimindo sua mola e soltando-a em seguida. É necessário garantir que, ao iniciar o lançamento, o carrinho 2 esteja em repouso. Anotaram-se todos os tempos de passagem pelos sensores fornecidos pelo multicronômetro. Resultados e Discussão Quanto a colisão elástica, após a colisão, os carrinhos passaram a se movimentar em sentidos opostos no trilho de ar. Os dados obtidos no multicronômetro referentes ao tempo de passagem de cada um dos 10 trechos da régua obstrutora fixada nos carrinhos pelos sensores S0 e S1 são apresentados na tabela a seguir. Vale ressaltar que o sensor S0 capturou os tempos de ida e de volta do carrinho 1, enquanto o sensor S1 capturou os tempos de ida do carrinho 2. Tabela 1. Tempos de passagem dos carrinhos Aplicando os dados da Tabela 1 na fórmula abaixo, pode-se calcular a velocidade dos carrinhos para cada trecho da régua obstrutora, sabendo que tais trechos possuem 18 mm de largura. Tabela 2. Velocidade calculada para os carrinhos antes e depois da colisão Vale ressaltar que o primeiro e o segundo tempo registrados na volta do carrinho 1 foram desconsiderados no cálculo das velocidades dos seus respectivos trechos. O primeiro apenas repete o último valor registrado na ida desse carrinho. Já o segundo corresponde ao tempo decorrido entre o início da contagem e a segunda detecção da volta, sendo que, no intervalo entre o primeiro e o segundo tempo da volta, a distância percorrida não corresponde a 18 mm, mas ao espaço percorrido entre a última detecção da ida e a segunda detecção da volta, cuja distância é desconhecida. Assim, não há como calcular a velocidade para esses trechos e, por isso, os respectivos campos na Tabela 2 estão em branco. O primeiro tempo registrado na ida do carrinho 2 também foi desconsiderado no cálculo da Carrinho 2 Ida Volta Ida 1 0,08840 0,95390 1,82170 2 0,18170 2,22060 2,01695 3 0,27685 2,44625 2,21720 4 0,37140 2,67460 2,41790 5 0,46735 2,90190 2,62005 6 0,56395 3,12780 2,82390 7 0,66085 3,34900 3,02740 8 0,75795 3,56270 3,23200 9 0,85565 3,77410 3,43670 10 0,95390 3,97585 3,51405 Carrinho 1N Tempo de passagem (s) Carrinho 2 Ida Volta Ida 1 0,20362 - - 2 0,19293 - 0,09219 3 0,18917 0,07977 0,08989 4 0,19038 0,07883 0,08969 5 0,18760 0,07919 0,08904 6 0,18634 0,07968 0,08830 7 0,18576 0,08137 0,08845 8 0,18538 0,08423 0,08798 9 0,18424 0,08515 0,08793 10 0,18321 0,08922 0,23271 N Velocidade (m/s) Carrinho 1 velocidade para o trecho respectivo, pois tal tempo é o decorrido entre o início da contagem e a primeira detecção do sensor S1. Calculando as velocidades médias das passagens dos carrinhos pelos sensores S0 e S1. Tabela 3. Velocidades médias e suas respectivas incertezas Usando os valores da Tabela 3 para calcular a variação do momento linear no sistema, obtém-se o seguinte resultado: 𝑚1 × 𝑣1𝑖 = 47,5 ± 1,3 𝑔 ∙ 𝑚/𝑠 𝑚1 × 𝑣1𝑓 = −20,6 ± 0,3 𝑔 ∙ 𝑚/𝑠 𝑚2 × 𝑣2𝑖 = 57,4 ± 1,6 𝑔 ∙ 𝑚/𝑠 Finalmente. ∆𝑃 = 𝑃𝑓 − 𝑃𝑖 = 𝑚1 × 𝑣1𝑓 + 𝑚2 × 𝑣2𝑖 − 𝑚1 × 𝑣1𝑖 = −10,7 ± 3,2 𝑔 ∙ 𝑚/𝑠 A variação do momento linear obtida no cálculo acima não está de acordo com a previsão teórica, já que como o valor não foi zero, não houve a conservação de momento linear. Provavelmente, tal erro deve ter sido causado pelo experimentador. Um erro provável é que no momento da colisão o carrinho 2 não estava em repouso, como pré-definido no início do ensaio. Devido a isso, erroneamente, a colisão não pode ser considerada como elástica. Calculando a variação de energia cinética tem-se. 𝑚1 × 𝑣1𝑖 2 2 = 4,5 ± 0,3 𝑚𝐽 𝑚1 × 𝑣1𝑓 2 2 = 0,85 ± 0,08 𝑚𝐽 𝑚2 × 𝑣2𝑖 2 2 = 3,0 ± 0,1 𝑚𝐽 Finalmente. ∆𝐾 = 𝐾𝑓 − 𝐾𝑖 = −0,65 ± 0,48 𝑚𝐽 A variação da energia cinética obtida no cálculo acima está de acordo com a previsão teórica, já que tal valor é bem próximo de zero. Porém, conforme dito acima, a colisão não é caracterizada como elástica devido a não conservação de momento linear. Para a colisão inelástica, impulsionou-se manualmente o carrinho 1, de massa 237,44 ± 0,01 g, este colidiu com o carrinho 2, de massa 531,61 ± 0,01 g, que estava inicialmente em repouso. Após a colisão, os carrinhos ficaram grudados e passaram a se movimentar juntos no trilho de ar. Os dados obtidos no multicronômetro referentes ao tempo de passagem de cada um dos 10 trechos da régua obstrutora fixada nos carrinhos pelos sensores S0 e S1 são apresentados na tabela a seguir. Vale ressaltar que o sensor S0 capturou os tempos de ida do carrinho 1, enquanto o sensor S1 capturou os tempos de ida do carrinho 2 junto com o carrinho 1. Tabela 4. Tempos de passagem dos carrinhos Pode-se calcular a velocidade dos carrinhos para cada trecho da régua obstrutora, sabendo que tais trechos possuem 18 mm de largura. Tabela 5. Velocidade calculada para os carrinhos antes e depois da colisão Vale ressaltar que o primeiro tempo registrado na ida dos carrinhos juntos foi desconsiderado no cálculo da velocidade para o trecho respectivo, pois Velocidade média (m/s) Incerteza (m/s) Ida 0,189 0,005 Volta 0,082 0,001 2 Ida 0,105 0,003 1 Carrinho Carrinho 1 Carrinho 1 e Carrinho 2 Ida Ida 1 0,06660 1,69695 2 0,13595 1,94980 3 0,20580 2,21120 4 0,27660 2,47585 5 0,34705 2,74490 6 0,41725 3,01915 7 0,48975 3,27560 8 0,56065 3,57715 9 0,63295 3,86225 10 0,70470 3,96830 N Tempo de passagem (s) Carrinho 1 Carrinho 1 e Carrinho 2 Ida Ida 1 0,27027 - 2 0,25955 0,07119 3 0,25770 0,06886 4 0,25424 0,06801 5 0,25550 0,06690 6 0,25641 0,06563 7 0,24828 0,07019 8 0,25388 0,05969 9 0,24896 0,06314 10 0,25087 0,16973 N Velocidades (m/s) tal tempo é o decorrido entre o início da contagem e a primeira detecção do sensor S1. A partir das velocidades da Tabela 5, pode-se calcular a velocidade média do carrinho 1 e dos carrinhos juntos, bem como suas respectivas incertezas. Os resultados são apresentados na tabela a seguir Tabela 6. Velocidades médias e suas respectivas incertezas Usando os valores da Tabela 6 para calcular a variação do momento linear no sistema, obtém-se o seguinte resultado. 𝑚1 × 𝑣1𝑖 = 60,8 ± 0,5 𝑔 ∙ 𝑚 𝑠 (𝑚1 + 𝑚2) × 𝑣𝑓 = 60,0 ± 0,8 𝑔 ∙ 𝑚 𝑠 ∆𝑃 = 𝑃𝑓 − 𝑃𝑖 = 0,8 ± 1,0 𝑔 ∙ 𝑚 𝑠 A variação do momento linear obtida no cálculo acima está de acordo com a previsão teórica, já que tal valor é bem próximo de zero. Pode-se dizer que houve, portanto, conservação do momento linear. Usando os valores da Tabela 6 para calcular a variação da energia cinética no sistema, obtém-se o seguinte resultado. ∆𝐾 = 𝐾𝑓 − 𝐾𝑖 = (𝑚1 + 𝑚2) × 𝑣𝑓 2 2 − 𝑚1 × 𝑣1𝑖 2 2 ∆𝐾 = −5,5 ± 0,3 𝑚𝐽 A variação da energia cinética obtida no cálculo acima está de acordo com a previsão teórica, já que tal valor não é tão próximo de zero, indicando que não houve conservação da energia cinética. A conservação do momento linear e a não conservação da energia cinética caracteriza a colisão como não elástica. Conclusão A partir dos resultados experimentais e das análise desenvolvidas neste relatório, foi possível verificar a validade do princípio da conservação de momento linear e de energia cinética em colisões elásticas. Por outro lado, também pôde-se verificar que, em colisões inelásticas, o princípio da conservação de momento linear é válido, enquanto o princípio da conservação de energia cinética não o é para este caso, pois parte da energia cinética inicial é dissipada devido à deformação permanente da massinha no momento da colisão. Esperava-se que o momento linear se conserva-se em ambos procedimentos realizados (colisão elástica e inelástica), no entanto, verificou-se isso apenas na colisão inelástica. Em relação a energia cinética, era previsto que na colisão elástica elase conserva-se e na inelástica não, o que foi confirmado com a análise dos dados do experimento. Por fim, pode-se concluir que o objetivo principal do experimento foi alcançado Referências [1] HALLIDAY, RESNICK & WALKER, Fundamentos de Física, Vol. 1, 10 a edição, LTC. Velocidade média (m/s) Incerteza (m/s) 1 Ida 0,256 0,002 1 e 2 juntos Ida 0,078 0,001 Carrinho