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PRODUÇÃO INTEGRADA Subsídios para PRODUÇÃO INTEGRADA DE FOLHOSAS, INFLORESCÊNCIAS E CONDIMENTARES Universidade Federal De Viçosa Reitor: Demetrius David da Silva Vice-Reitora: Rejane Nascentes Coordenadoria de Educação Aberta e a Distância Diretor: Francisco de Assis Carvalho Pinto Autores: Augusto G.F. Costa, Dartanha J. Soares, Raul P. Almeida, Tais M.F. Suassuna, Tarcísio M.S. Gondim Editor: Laércio Zambolim Layout: Lucas Kato e Taiane Souza Editoração Eletrônica: Stéfany Peron Edição de conteúdo e CopyDesk: João Ba- tista Mota Viçosa, novembro de 2021 Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. 3 Significado dos ícones da apostila Para facilitar o seu estudo e a compreensão imediata do conteúdo apresenta- do, ao longo de todas as apostilas, você vai encontrar essas pequenas figuras ao lado do texto. Elas têm o objetivo de chamar a sua atenção para determinados trechos do conteúdo, com uma função específica, como apresentamos a seguir. Texto-destaque: são definições, conceitos ou afirmações importantes às quais você deve estar atento. Glossário: Informações pertinentes ao texto, para situá-lo melhor sobre determinado termo, autor, entidade, fato ou época, que você pode desconhecer. SAIBA MAIS! Se você quiser complementar ou aprofundar o conteúdo apresentado na apostila, tem a opção de links na internet, onde pode obter vídeos, sites ou artigos relacionados ao tema. Quando vir este ícone, você deve refletir sobre os aspectos apontados, relacionando-os com a sua prática profissional e cotidiana. Ì a Ñ Õ 4 FORMAÇÃO ACADÊMICA DOS AUTORES DOS CAPÍTULOS CONTEUDISTAS Jorge Anderson Guimarães Biólogo, doutor em Entomologia, pesquisador da Embrapa Hortaliças. jorge. anderson@embrapa.br Maria Thereza Pedroso Engenheiro Agrônomo, doutora em Ciências Sociais, pesquisadora da Embrapa Hortaliças. maria.pedroso@embrapa.br Juscimar da Silva Engenheiro Agrônomo, doutor em Solos e Nutrição de Plantas, Pesquisador da Embrapa Hortaliças. Juscimar.silva@embrapa.br Marcos Brandão Braga Engenheiro agrônomo, doutor em Irrigação e Drenagem, pesquisador da Embrapa Hortaliças. marcos.braga@embrapa.br Alexandre Pinho de Moura Engenheiro agrônomo, doutor em Entomologia, pesquisador da Embrapa Hortaliças. alexandre.moura@embrapa.br Miguel Michereff Filho Engenheiro agrônomo, doutor em Entomologia, pesquisador da Embrapa Hortaliças. Miguel.michereff@embrapa.br Ricardo Borges Pereira Engenheiro agrônomo, doutor em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Hortaliças. Ricardo-borge.pereira@embrapa.br Ítalo M. R. Guedes Engenheiro agrônomo, doutor em Solos e Nutrição de Plantas, pesquisador da Embrapa Hortaliças. italo.guedes@embrapa.br 5 Milza Moreira Lana Engenheiro agrônomo, PhD em Plant Science, pesquisador da Embrapa Hortaliças. Milza.lana@embrapa.br Tiago Felipe Moreira Silva Estudante de Agronomia da UnB, bolsista da Embrapa. Gabriel Junior da Silva Estudante de Agronomia da UnB, bolsista da Embrapa. Allan Livino da Silva Estudante de Agronomia da UnB, bolsista da Embrapa. 6 APRESENTAÇÃO O termo hortaliça é utilizado para designar os vegetais de ciclo rápido que podem ser plantados e colhidos em uma horta. As hortaliças são divididas em 8 grupos, com base na parte comercializável, em: 1. hortaliças do tipo fruto, das quais se consomem os frutos, como tomate e pimentão; 2. folhosas, das quais se consomem as folhas (alface); 3. inflorescências, das quais se consomem a flores e inflorescências (couve-flor, brócolis); 4. raízes, cuja parte comestível é a raiz da planta (beterraba e cenoura); 5. tubérculos (batata e inhame); 6. bulbos (alho e cebola); 7. hastes comestíveis (aipo, aspargo), e 8. condimentares, que constituem um grupo heterogêneo, usadas para condimentar os alimentos (hortelã, cebolinha, salsa) (BORREGO; SORIA, 2017; FILGUEIRA, 2000). As hortaliças folhosas e as inflorescências são também denominadas de verduras e apresentam características próprias quanto à propagação, época de plantio, forma de cultivo, espaçamento e ciclo da cultura (SANTOS ET AL., 2005). Com relação ao grupo das ervas aromáticas e condimentares, elas também são consumidas nas formas de folhas, talos e inflorescências, porém, seu uso principal é para temperar e realçar o sabor dos alimentos (PEREIRA; SANTOS, 2013). De maneira geral, as verduras e as ervas condimentares são produzidas para o abastecimento regional, não permitindo grandes deslocamentos (CAMARGO FILHO; CAMARGO, 2008; BEVILACQUA, 2011). De acordo com FILGUEIRA (2000), a produção e a comercialização dessas hortaliças no Brasil estão localizadas basicamente nas proximidades das grandes e médias cidades, nos chamados cinturões verdes (MARTINS, 2017). O cultivo das hortaliças sofre forte influência das condições climáticas na fase de produção. Por isso, há grande variação na produção e na comercialização, fazendo com que os preços oscilem, conforme a estação do ano. Devido a esse fato, tem-se destacado o cultivo protegido de folhosas, como a alface, que têm como vantagem a viabilidade de produção ao longo de todo o ano, principalmente no verão. Isso porque não sofrem com as chuvas diretas e, assim, são menos atacadas por doenças e têm qualidade superior, em relação às produzidas de modo convencional (CAMARGO FILHO; CAMARGO, 2008). O produtor de hortaliças folhosas, inflorescências e ervas condimentares geralmente carece de informações e treinamentos sobre gestão da propriedade e uso de tecnologias para o manejo da cultura. Esse cenário favorece o uso inadequado de insumos, gera desperdício e prejuízos econômicos e ambientais (MALDONADE ET AL., 2014). Um exemplo disso é o mau uso dos agrotóxicos, feito de maneira empírica ou por calendário, sem base em monitoramentos, o que acaba contaminando as 7 folhas com resíduos químicos tóxicos ao ser humano e causando desequilíbrios ao agroecossistema. Tal fato é corroborado pelos resultados recentes do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que indicaram a presença de resíduos de agrotóxicos em alface e couve comercializadas em supermercados do país (MATTOS ET AL., 2009). Dessa forma, a Produção Integrada pode ser uma boa alternativa, pois atua na cadeia produtiva como um todo, normatizando todas as etapas de sistema de produção, tanto no campo como na pós-colheita, garantindo a padronização dos produtos e processos, e melhorando a gestão da propriedade e a qualidade dos produtos obtidos. Visando dar suporte às normas técnicas específicas da Produção Integrada de Folhosas, Inflorescências e Condimentares (PIFIC), essa apostila reúne as informações básicas de cultivo, colheita e pós-colheita, baseadas nas boas práticas agrícolas para as 32 espécies de hortaliças: acelga, agrião, aipo, alcachofra, alecrim, alface, alho-poró, almeirão, aspargo, brócolis, cebolinha, chicória, coentro, couve, couve chinesa, couve de Bruxelas, couve-flor, erva doce, escarola, espinafre, estévia, estragão, hortelã, louro, manjericão, manjerona, mostarda, orégano, repolho, rúcula, salsa e sálvia. Elas compõem a Instrução normativa n. 1 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de 11 de janeiro de 2021, que trata das normas técnicas específicas da Produção Integrada de folhosas, inflorescências e condimentares. Acreditamos que todas as orientações apresentadas serão de grande utilidade para você, que já atua ou quer se dedicar a essa área de produção. Bons estudos! Jorge Anderson Guimarães Õ 8 SUMÁRIO FORMAÇÃO ACADÊMICA DOS AUTORES DOS CAPÍTULOS 4 APRESENTAÇÃO 6 SITES, LIVROS E ARTIGOS 9 RECOMENDADOS PARA LEITURA 9 AGRONEGÓCIO DAS FOLHOSAS NO BRASIL 10 ANÁLISE DAS CADEIAS PRODUTIVAS DE HORTALIÇAS FOLHOSAS NO BRASIL 12 CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA DAS HORTALIÇAS FOLHOSAS, INFLORESCÊNCIAS E CONDIMENTARES 19 MORFOLOGIA E FISIOLOGIA DAS ESPÉCIES DE FOLHOSAS,vem ganhando terreno a cada ano, principalmente, em cultivos protegidos e, também, em cultivos que se utilizam de mulchings plásticos em cobertura do solo. Em algumas regiões do Cerrado brasileiro, principalmente em cultivos de alface com uso de mulchings plásticos, em períodos do ano de altas temperaturas (T) e baixas umidades relativas do ar (UR) – junho a setembro -, muitos produtores adotam sistema misto, utilizando a aspersão e o gotejamento. O sistema de aspersão é mais usado para baixar a T e a UR, imediatamente próximo ao dossel das plantas; já o gotejamento é utilizado para efetuar a irrigação das plantas. Essa prática permite que as folhas de alface não fiquem muito coriáceas, nem ocasione perdas no valor comercial. Além de auxiliar, de maneira indireta, no controle de alguns insetos pragas. Alguns produtores de folhosas usam o sistema de irrigação por sulcos, principalmente, pequenos produtores com baixo poder aquisitivo, em regiões menos desenvolvidas do Brasil. Esse sistema, no entanto, vem perdendo campo na produção de folhosas, uma vez que demanda mão de obra todo o tempo e solos sistematizados, com baixa velocidade de infiltração de água. Além disso, propicia ambiente adequado para o surgimento de doenças de solo. Apesar de ser sensível a déficits hídricos, a maioria das hortaliças folhosas não tolera excessos de umidade do solo. Regas em excesso podem diminuir a produtividade e a qualidade das folhas comerciais, além de elevar o surgimento de doenças foliares e de solo. 2. MANEJO DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO Deve-se estabelecer quando e quanto irrigar usando indicador quantitativo do estado da água no solo. Método mínimo requerido: tato-aparência ou sensores do tipo Irrigas®. As orientações sobre como utilizar os diversos métodos são facilmente encontradas em publicações disponíveis em livros e/ou em circulares técnicas que podem ser acessadas no portal da Embrapa. É recomendado estabelecer quando e quanto irrigar. Para tanto, podem ser usadas algumas metodologias, como: 1) dados de retenção de água do solo e sensores para medição do estado da água no solo; 2) procedimentos para estimativa diária da evapotranspiração da cultura e dados de retenção de água do solo. 2.1. Capacidade de retenção de água no solo O monitoramento da disponibilidade de água no solo é essencial, pois as folhosas são plantas que não toleram estresses hídricos. Diversos estudos demostraram que a umidade ideal dos solos para o cultivo da maioria das hortaliças folhosas está próxima à capacidade de campo dos solos cultivados. Em sua grande maioria, as tensões de água no solo para manejo das irrigações em hortaliças folhosas variam de 15 a 25 kPa, dependendo do sistema de irrigação utilizado e da espécie cultivada. A Tabela 01 indica algumas tensões limites para manejo das irrigações em hortaliças folhosas (cultivo em solo), que, também, são utilizadas para a prática do manejo com sensores do tipo Irrigas® (kPa). Estes valores médios são os mais adequados para indicar o momento de irrigar para diferentes hortaliças folhosas, conforme o sistema de irrigação usado. 49 TABELA 1. TENSÕES LIMITES (KPA) DE IRRIGAÇÃO PARA HORTALIÇAS FOLHOSAS E USO DE SENSORES IRRIGAS® HORTALIÇAS FOLHOSAS SISTEMA DE IRRIGAÇÃO ASPERSÃO GOTEJAMENTO SULCO Agrião 15 15 25 Alface 15 15 25 Cebolinha 15 15 25 Chicória 15 15 25 Coentro 15 15 25 Couve 25 15 25 Espinafre 15 15 25 Repolho 25 25 40 Rúcula 15 15 25 Salsinha 15 15 25 Obs: Adaptado de Marouelli et al. (2015) e Marouelli et al. (2011). A instalação correta de sensores, que podem definir o momento de irrigar (quando) e/ou possibilita a estimativa da umidade do solo, é primordial para indicar quanto irrigar. De acordo com o sensor, há possibilidade de estimar a quantidade de água a ser reposta a cada irrigação, caso se utilize o manejo da irrigação, via umidade do solo, por meio de curvas de retenção de água no solo (tensiometria), ou utilizar outros sensores que estimam indiretamente a umidade do solo – estes, em sua grande maioria, necessitam ser calibrados para o solo local. 2.2. Estimativa da necessidade de água com base nos dados do solo cultivado Pode-se também estimar a quantidade de água a ser aplicada utilizando-se dados de retenção de água do solo cultivado ou umidade do solo (manejo via solo – usando sensores ou metodologia que determina a umidade do solo - como os tensiômetros, etc.). Para tanto, pode-se aplicar a relação descrita em Bernardo et al. (2019), acrescida da área molhada (Am): Em que: CC - é a capacidade de campo do solo (% massa); • UI - é a umidade de irrigação (% massa), que abaixo da qual a planta começa a sofrer estresses hídricos, provocando perdas de produtividade e qualidade; • Da - é a densidade aparente do solo (g cm-3); • Z - é a profundidade efetiva do sistema radicular (cm), e • Am - é a fração da área molhada (decimal). Caso se irrigue com sistemas que molham toda a superfície do solo, o valor de Am será igual a 1. Para estimar a LRN, faz-se necessária a obtenção da umidade do solo e a densidade aparente, que podem ser facilmente estimados em laboratórios de solos, caso de curvas de retenção de água no solo (uso de sensores que medem 50 tensão de água – força que a água está retida) e/ou determinado por outros sensores. Como exemplo, temos o TDR (Reflectometria no Domínio do Tempo) e o TDR (Reflectometria no Domínio da Frequência). Os valores de Z variam com o desenvolvimento da cultura e podem ser estimados a campo ou obtidos em literatura, sendo a primeira opção a mais adequada. A Am pode ser estimada a partir da relação entre a área potencial de ocupação da planta e a área molhada do solo. Ressalta-se que existem diversas metodologias, na literatura, para a estimativa da Am. Muitos autores utilizam a área coberta (Ac) pela planta, e não área molhada. Sugere-se que quando a Am for maior que a Ac, utiliza-se para efeito de cálculo da lâmina de irrigação a Am, e vice-versa. Não se esqueça de que a Am é em decimal (valor máximo 1), e só é utilizada em caso de irrigação localizada, que não molhe toda a superfície do solo. Caso molhe toda a superfície, o valor de Am será igual a 1. Caso não se tenha dados confiáveis de solo e/ou analisados em laboratório de solos, produtores e técnicos podem estimar a lâmina de água necessária a cada irrigação em função da tensão de água no solo e de suas características (Tabela 2). TABELA 2. SUGESTÃO DE LÂMINA NECESSÁRIA DE ÁGUA A CADA IRRIGAÇÃO (MM CM-1 DE SOLO), CONFORME A TENSÃO DE ÁGUA NO SOLO Tensão (KPa) Textura do solo (1) Grossa Média Fina 10 0,15 0,22 0,25 15 0,20 0,32 0,45 20 0,23 0,42 0,60 25 0,25 0,48 0,70 30 0,28 0,54 0,80 40 0,33 0,66 0,90 50 0,35 0,72 1,00 (1) Textura grossa incluem solos de classe textural: areia, areia franca e franco arenoso; textura média: franco, franco siltoso, franco argiloso-arenoso e silte; e textura fina: franco argilo-siltoso, franco argiloso, argila arenosa, argila siltosa, argila e muito argiloso. Obs.: solos de cerrado de textura fina devem ser considerados, para efeito de retenção de água, como de textura média. Fonte: adaptadode Marouelli et al. (2011) 2.3. Estimativa da lâmina de irrigação utilizando dados climatológicos e de desenvolvimento da planta O manejo de irrigação utilizando estimativas da evapotranspiração das plantas para determinar o volume de água a ser aplicado é hoje o mais utilizado no mundo, devido à facilidade de uso e de ser uma prática já testada com sucesso. Como a determinação da demanda hídrica, via dados climatológicos, utiliza o conceito de evapotranspiração da cultura (ETc), faz-se necessária a definição de coeficientes de cultura (Kc), que variam nos diferentes estádios de desenvolvimento, espécie de planta e variedades, sistema de irrigação e de cultivo, além da condição edafoclimática local. 51 A estimativa da evapotranspiração da cultura (ETc) pode ser dada com base na relação apresentadaem Bernardo et al. (2019), em que ETc = ETo x Kc , sendo que: ETc - é a evapotranspiração da cultura, ETo - é a evapotranspiração de referência, ambas pode ser dadas em mm/dia, Kc - é o coeficiente de cultura (decimal), que é usado para ajustar os valores de ETc às condições de desenvolvimento da cultura. A ETo pode ser estimada por meio de diversas fórmulas e métodos. Os mais usados são a metodologia do Tanque Classe “A” e a equação da FAO Penman- Monteith - esta última é recomendada como padrão. O coeficiente Kc é usado no ajuste da quantidade de água a ser aplicada, dada as condições ambientais e as necessidades fisiológicas intrínsecas de cada espécie e variedade de planta. Assim, em um cultivo irrigado para a mesma condição edafoclimática, a depender do sistema de cultivo e de irrigação, a planta cultivada necessitará de uma diferente, de acordo com o seu estádio de desenvolvimento; ou seja, em um cultivo de alface, quando ele estiver no estádio inicial de desenvolvimento (10 das após transplantio), apresentará menor exigência hídrica do que ao final do desenvolvimento (25 dias após transplantio). Conforme a variedade, tipo de folhosas e as condições de cultivo e, principalmente, da sanidade das plantas, o ciclo de produção pode estender-se por períodos longos (3 meses ou mais – Couves), curtos (alface – 21 a 60 dias; coentro – 30 a 60 dias) e bem curtos (5 a 10 dias - baby leaves) - as últimas são bastante cultivadas em ambientes controlados, como: estufas, túneis altos e baixos e, muitas vezes, em bandejas de produção (baby leaves). TABELA 3. COEFICIENTES DE CULTURA (KC) MÉDIOS PARA ALFACE, CONFORME O SISTEMA DE IRRIGAÇÃO E PRESENÇA DE COBERTURA DO SOLO COM FILME DE POLIETILENO (MULCHING), DURANTE OS DIFERENTES ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO DA CULTURA E SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO UTILIZADOS Estádio (1) Aspersão/ sulco Gotejamento (2) Gotejamento com multching (2) Inicial (I) (0 - 8 dia) 0,70 0,85 0,40 Vegetativo (II) (9 - 15 dias) 0,80 0,90 0,60 Vegetativo (III) (16 - 25 dias) 0,95 1,00 0,80 Produção (IV) (26 até colheita) 1,05 0,95 0,75 (1) Estádio I: transplantio até pleno pegamento de mudas (8 dias após o transplantio); II: pega- mento de mudas até 15 DAT; III: 16 até 25 DAT; IV: 26DAT até colheita. (2)Kc para gotejamento já integram os coeficientes de ajustes para compensar a menor perda de água por evaporação. Fontes: adaptado de Allen et al. (1998); Marouelli et al. (2011). Portanto, para o manejo das irrigações via dados climáticos com uso da ETc, é necessário dispor de dados confiáveis de coeficientes de cultura (Kc), de preferência obtidos nas condições edafoclimáticas da região/local. Entretanto, na Õ 52 maioria das vezes, esse tipo de estudo não é feito, devido aos custos relativamente altos e à demanda de tempo. Porém, caso não existam dados confiáveis de Kc na região, pode-se adotar valores médios obtidos em outros locais em condições de cultivos semelhantes. Feitosa Neto et al. (2011), em ensaio de campo com uma cultivar de alface crespa, em Uberlândia-MG, e utilizando sistema de irrigação por aspersão, encontraram valores de Kc de 0,54 (0 a 8 DAT), 0,84 (9 a 16 DAT); 0,96 (17 a 24 DAT); 1,07 (25 a 33 DAT) e 1,21 (34 a 39 DAT). Muitos trabalhos técnicos recomendam o uso dos coeficientes de cultura do Boletim da FAO 33 (Doorenbos e Kassam,1994) e FAO 56 (Allen et al.,1998). Ressaltamos que, muitas vezes, esses valores subestimam ou superestimam as lâminas de irrigação nas condições de cultivo no Brasil. Devem-se usar as recomendações desses boletins, em última instância, caso não se disponham de valores de coeficientes cofiáveis para a região de cultivo (Tabela 4). TABELA 4. COEFICIENTES DE CULTURA - KC E ALTURAS MÁXIMAS MÉDIAS DAS PLANTAS PARA CULTURAS NÃO ESTRESSADAS E BEM MANEJADAS EM CLIMAS SUB-ÚMIDOS, PARA USO COM O FAO PENMAN-MONTEITH ETO Culturas Kc inicial Kc médio Kc final Alt. Máx (m) Repolho 0,70 (1/4 do ciclo) 1,05 (2/4 do ciclo) 0,95 (1/4 do ciclo) 0,4 Couve de Bruxelas 0,70 (1/4 do ciclo) 1,05 (2/4 do ciclo) 0,9 5(1/4 do ciclo) 0,4 Salsinha 0,70 (1/4 do ciclo) 1,05 (2/4 do ciclo) 1,00 (1/4 do ciclo) 0,6 Alface 0,70 (1/4 do ciclo) 1,00 (2/4 do ciclo) 0,95 (1/4 do ciclo) 0,3 Espinafre 0,70 (1/4 do ciclo) 1,00 (2/4 do ciclo) 0,95 (1/4 do ciclo) 0,3 Cebolinha Verde 0,70 (1/4 do ciclo) 1,00 (2/4 do ciclo) 1,00 (1/4 do ciclo) 0,3 Obs.: Adaptado de Allen et al. (1998) e Doorenbos e Kassam (1994) Em cultivos protegidos (solo), a demanda evaporativa, normalmente, é menor que em campo aberto, na mesma condição edafoclimática. Carrijo e Oliveira (1997) recomendam que os valores de coeficiente de cultura (Kc) sejam diminuídos em 10% para irrigação nesses ambientes. Utilizando tanque classe “A” para estimativa da demanda evaporativa, Braga (2000) observou que, dentro de estufas plásticas posicionadas nas direções norte/sul e leste/oeste e circundadas com tela antiafídica, a evaporação foi em média de 30% a 20% menor que a externa, o que, a princípio, indica menores volumes de água a serem aplicados nesses ambientes de cultivo. Para a estimativa da lâmina de água, via dados climáticos e balanço de água – a LRN poderá ser calculada usando a seguinte equação Em que: LRN é a lâmina real de água necessária (mm) e Pe a precipitação efetiva no período considerado, caso em cultivo aberto. Deve-se considerar que, para efeito de manejo das irrigações, caso se esteja irrigando por gotejamento (molha uma parte da superfície do solo), deve-se considerar nessa equação o fator área molhada (Am), que irá reduzir a lâmina aplicada. 53 É importante destacar que em áreas de cultivo protegido (estufas), com plantio no solo, a salinização vem ocorrendo de forma incontrolada, uma vez que não ocorrem precipitações (chuvas) no interior das estruturas. A salinização também vem sendo intensificada pela ausência de manejo adequado das irrigações e da fertirrigação. Normalmente, adiciona-se uma lâmina de lixiviação à lâmina de irrigação a ser aplicada. Ela pode ser calculada por diversas fórmulas, porém, uma das mais usadas no mundo é: Onde: Fl é a fração de lixiviação (decimal); CEa é a condutividade elétrica da água de irrigação (dS.m-1); CEereq é a condutividade elétrica requerida do extrato de saturação do solo (dS.m-1). Ressalta-se que a grande maioria das folhosas não tolera teores de salinização elevada dos solos de cultivo. Por exemplo, no caso da alface, o nível ideal da condutividade elétrica do extrato de saturação do solo (CEs), para não afetar a produtividade, não deverá passar de 1,3 dS.m-1. Caso a CEs esteja a 2,1 dS.m-1, a produtividade cai 10% e se estiver 3,2 dS.m-1, cai 25%, e assim sucessivamente. Assim, para a alface, pode-se fazer a CEs de 1,3 dS.m-1 igual a CEreq para estimativa da fração de lixiviação (Fl). Isso vale para a água de irrigação: valores de condutividade da água de irrigação (CEa) menores que 0,9 dS.m-1 seriam ideais para o cultivo de folhosas (Ayers e Westcot, 1999). 2.4. Manejo de irrigação de folhosas em sistemas hidropônicos Um dos grandes avanços na produção de hortaliças adveio dos cultivos em sistemas sem solo ou hidropônicos, sejam em plantios com uso de substratos inertes ou não. Nesse contexto, as hortaliças folhosas se destacam, devido à sua adaptabilidade e ciclo relativamente curto, o que permite uma alta rotatividade da produção e recursos financeiros mais rápidos nas mãos dos produtores. Outro ponto a ser observado é o aspecto geral das hortaliças folhosas produzidos nesse sistema. Por sofrerem menos danos físicos comparativamente ao produzido a campo aberto, elas chamam mais a atenção dos consumidores durante a escolha de compra. Não se esqueça de que as folhosas são bem frágeis a danos mecânicos, e que, após a colheita, continuam vivas e respondendo às condições ambientais. A definição da demanda hídrica das folhosas nesse sistema é um desafio que vem sendo travado em diversos locais do mundo e do Brasil, uma vezque, em sua maioria, são cultivados em espaços protegidos, como: estufas plásticas, fazendas verticais, containers etc. A grande variabilidade microclimática nesses ambientes, além das variedades de hortaliças cultivadas, exige estudos apurados, tanto da demanda hídrica como da nutrição. Essas estruturas de cultivos podem ser encontradas, principalmente, em regiões urbanas e periurbanas, em cidades de médio e de grande portes. Normalmente, em estruturas hidropônicas, o fluxo de água de irrigação é acompanhado com nutrientes essenciais ao desenvolvimento da planta (solução nutritiva). Assim, a depender da espécie cultivada, do estádio de desenvolvimento da cultura e da condição climática, os fluxos das irrigações (solução nutritiva) serão mais ou menos frequentes. Comparando-se cultivos hidropônicos usando 54 a mesma espécie/variedade e estrutura, em plantios nas condições das regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil, no período de abril a agosto, pode-se afirmar que os fluxos de irrigação (água) sejam mais espaçados no Sul do que no Centro-Oeste. Normalmente, adotam-se temporizadores de fluxo de irrigação, em cultivos de hortaliças folhosas, em produção, como a alface em sistema hidropônico (NFT – nutriente film technique) fluxos de irrigações e parada: irriga-se 10min e para-se 10min (10-10), 10min-20min; 15min-15min, 15min-30min. Os fluxos de irrigação (frequência), a serem adotados, também dependem da região de cultivo, espécie e estádio de desenvolvimento, além do período do dia. Normalmente, à noite, quando as plantas em condições normais de cultivo diminuem drasticamente o seu metabolismo, o espaçamento entre irrigações pode aumentar muito ou, às vezes, cessar por 2 a 8 horas (período noturno). Cultivos hidropônicos usando suporte de substratos inertes são menos usuais em cultivos de hortaliças folhosas. Nesse sistema, o que se adota são fluxos de irrigações em que se permita que a tensão de água nesse substrato fique entre 2 e 8 kPa, conforme a espécie cultivada. Pode-se adotar juntamente, também, o controlar do volume de solução (água e nutrientes) de drenagem: normalmente, esse volume pode variar de 10% a 30% o de entrada, dependendo da espécie cultivada, sistema de cultivo e da condutividade elétrica da água de drenagem (CEd) em relação à água de irrigação (CEi). A relação CEd/CEi, pode ser usada para ajustes da lâmina de irrigação, sendo o valor referência igual a 1 ou ligeiramente maior (5% a 10%), sempre levando em consideração as exigências nutricionais e os limites de salinização suportados por cada folhosa cultivada. O controle de fluxo das irrigações pode-se aumentar e/ou diminuir, de acordo com a CE e o volume de solução de drenagem. Em relação aos cultivos de hortaliças folhosas em ambiente controlado (fazendas verticais), uma realidade cada vez mais próxima, os fluxos das irrigações podem variar bastante em relação aos cultivos hidropônicos em ambiente não controlado. Isso porque, nesses ambientes, normalmente, pode-se controlar o fotoperíodo, aumentando ou diminuindo o número de horas de luz incidente, além dos fatores climáticos do ambiente (temperatura, umidade relativa). Tais fatores podem aumentar ou diminuir os fluxos das irrigações, pois as demandas hídricas das plantas variam conforme as condições ambientais de cultivo. Nesses ambientes, altamente tecnificados, o controle de fluxos das irrigações pode se dar por diversas maneiras. Uma das formas bastante usadas é a dos sensores de turgescências das folhas, medidores de vazão na entrada e na saída dos compartimentos, entre outros. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como as hortaliças folhosas são plantas tenras e com mais de 95% da sua matéria verde constituída de líquido (água), não se pode deixar faltar água em nenhum estádio de desenvolvimento. Destaca-se, também, que, dependendo do ambiente de cultivos, condição edafoclimática e da espécie cultivada, poderá exigir mais de um fluxo de irrigação por dia. Assim, o produtor tem que ter muita atenção à prática do manejo das irrigações, uma vez que, é uma prática decisiva para a qualidade e produtividade das hortaliças folhosas. Recomenda-se sempre consultar uma orientação técnica efetiva, tanto no manejo das irrigações como do sistema de cultivo adotado. Õ 55 ASPECTOS FITOTÉCNICOS Jorge Anderson Guimarães 1. ACELGA A acelga é uma planta de clima temperado, que se desenvolve melhor em temperaturas que vão de 15º a 25º C. Em locais de clima mais quente, pode ser cultivada em áreas mais altas e, nessas situações, pode se comportar como uma planta perene, devido à ausência de inverno definido nessas regiões (PORTAL SÃO FRANCISCO). Para o seu bom desenvolvimento, necessita de boa luminosidade, com algumas horas de sol ao dia. Requer solos profundos, ricos em matéria orgânica, alcalinos, com um pH ótimo de 7,2, porém, tolerando solos com pH variando de 5,5 a 8. A planta não suporta os solos ácidos (HORTA E FLORES, 2010) O plantio deve ser feito na primavera ou outono, semeando em canteiros bem adubados. O transplante das mudas se dá quando as plantas estiverem com 6 folhas, observando um espaçamento de 40 x 30 cm (HORTA E FLORES, 2010). A colheita pode ser iniciada 60 dias após o transplantio, colhendo-se as folhas mais tenras (PORTAL SÃO FRANCISCO). 2. AGRIÃO É uma planta que se desenvolve melhor em temperaturas amenas (entre 15° e 25°C), sendo plantada geralmente nos períodos de outono e inverno. Em locais em que o verão não é muito quente, pode ser plantada o ano inteiro (CATÁLOGO, 2010). É semeada em bandejas ou em sementeiras, para posterior transplantio para o local definitivo, quando as mudas tiverem de 4 a 6 folhas, com espaçamento de 15 cm entre plantas. Deve ser cultivado em sol pleno, em solo fértil, enriquecido com matéria orgânica, com pH neutro a levemente alcalino, irrigado diariamente. Aprecia água corrente e limpa, além de adubações periódicas. O cultivo por meio de estacas retiradas de culturas adultas também pode ser utilizado (CATÁLOGO, 2010). A colheita ocorre a partir de 50 dias, no verão, e 70 dias, no inverno, suportando até 4 cortes seguidos (PATRO, 2013). 3. AIPO Deve ser cultivado em sol pleno, em solo fértil e enriquecido com matéria orgânica, irrigado a intervalos regulares. Pode ser semeado diretamente no local definitivo ou em sementeiras, para posterior transplante das mudas. Os canteiros definitivos devem ser bem elevados, adubados e bem arejados (PATRO, 2013). O aipo é uma cultura de outono e inverno. Sua colheita inicia-se entre 150 e 180 dias após o plantio. Aprecia o clima ameno e regas frequentes, sem encharcamento (PATRO, 2013). 4. ALCACHOFRA É uma cultura perene, plantada por meio de brotos retirados de plantas selecionadas. As mudas devem ter de 5 a 7 folhas na parte aérea e algumas raízes. É possível obter até 20 botões de cada planta. Deve-se respeitar o espaçamento de 60 cm entre as mudas (CATÁLOGO, 2010). 07 56 Não há época apropriada para semear a Alcachofra. Ela se desenvolve bem em temperaturas médias, que vão de 13°C a 18°C. Exige frio para se desenvolver bem e também os botões florais. Floresce em climas subtropicais e temperados. Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, bem drenável e enriquecido com matéria orgânica (PATRO, 2014). Não se desenvolve bem em solos muitos ácidos. Certifique-se de que o local escolhido tenha boa drenagem, seja profundo, fértil e que tenha matéria orgânica, a fim de satisfazer às necessidades da planta (CPT). Não se recomenda plantá-la juntamente com outras culturas. É importante que se faça a limpeza do local, retirando as plantas invasoras. A colheita ocorre quando as brácteas estão inchadas e ainda fechadas, verdes, pois, assim, se aproveita melhor o sabor (CPT). 5. ALECRIM Deve ser cultivado sempre a sol pleno, em solo drenável, adaptando-se bem aos arenosos. A pungência da planta depende da quantidade de exposição ao sol: assim quanto mais sol a planta recebemais forte será o aroma das suas folhas (PATRO, 2015). Tolerante ao frio do inverno, vento e geadas, assim como à salinidade de regiões litorâneas. As podas, que estimulam o adensamento da planta, devem se iniciar ainda na formação das mudas. Multiplica-se por sementes ou por estaquia (PATRO, 2015). 6. ALFACE O cultivo também é sob sol pleno, com a planta protegida nas horas mais quentes do dia. Multiplica-se por sementes, em bandejas preparadas para a formação das mudas, que serão transplantadas ao local definitivo. O solo para o plantio deve ser solto, de baixa acidez e elevado teor de matéria orgânica (PATRO, 2015). Qualquer que seja a variedade, todas podem ser cultivadas no solo ou em solução nutritiva. A propagação se dá por meio de sementes, que devem ser plantadas em sementeiras ou bandejas de isopor. Quando as mudas estiverem com cinco a sete centímetros de altura, transplante para os canteiros, os quais devem ser elevados com cerca de 15 cm, devidamente calados e adubados. A irrigação deve ser diária, pela manhã ou à tarde. O espaçamento no local definitivo deve ser de 30 cm ou mais entre as plantas (CPT; PATRO, 2015). Evite áreas propensas ao encharcamento, para reduzir doenças nas raízes. Para cultivares comuns, os espaçamentos devem ser de 30 centímetros entre as plantas e entre linhas; para a alface americana, as medidas são de 35 centímetros. Irrigue as hortaliças diariamente de manhã ou no final da tarde, dependendo do clima e do tipo de solo (CPT). A colheita é feita entre 50 e 70 dias após a semeadura, antes do florescimento, o qual torna a planta imprópria para consumo, devido ao sabor amargo que adquire (PATRO, 2015). 7. ALHO-PORÓ É planta típica do frio e deve ser plantada nos períodos de outono e inverno. Embora seja bianual, é cultivada comercialmente como anual. Produz melhor em solos de textura média (entre argiloso e arenoso), solto e leve. (CATÁLOGO, 2010). Deve ser plantado sob sol pleno, em solo leve, fértil, calado e enriquecido com matéria orgânica. A irrigação deve ser feita regularmente. 57 O plantio por mudas é o mais indicado, transplantando-se as mudas quando atingirem cerca de 12 centímetros de altura. Deve-se respeitar um espaçamento de 30 a 50 cm entre as linhas e de 15 a 20 cm entre as plantas. Recomenda-se a tática da amontoa para induzir a produção de hastes brancas mais longas. O plantio em regiões quentes é indicado nos meses de fevereiro a junho. Em locais frios, pode ser cultivado em todas as épocas do ano (CPT; CATALOGO, 2010; PATRO, 2013). Faça a limpeza do local, quando - e se necessário - for retiradas as plantas invasoras. A colheita das hastes ocorre com cerca de 120 dias no verão e 140 no inverno, escolhendo as plantas que apresentarem pseudocaules com 2,5 a 4 cm de diâmetro e arrancando-as por inteiro (CPT; PATRO, 2013). 8. ALMEIRÃO Produz melhor sob temperaturas amenas (entre 15° e 25°C), sendo plantado geralmente nas estações de outono e inverno. Deve ser cultivado em sol pleno, em solo fértil, bem drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Tolera o frio e o calor. Os canteiros devem ter elevação de 15 cm nas variedades “de folha” e 22 cm nas variedades “de raiz” (PATRO, 2013). Já o espaçamento entre linhas é de 10 cm e entre plantas é de 15 cm (CPT). A colheita é feita de 50 a 60 dias após a semeadura e o corte das folhas externas deve ser feito rente ao solo (CPT). 9. ASPARGO O cultivo de aspargos pode ocorrer por meio de três métodos distintos: sementeira direta; transplante de mudas, com 10 a 12 semanas, e por plantio de coroas (conjunto de raízes), com 1 ano de idade (CPT). O solo deve ser fértil, profundo, com boa capacidade de retenção de umidade, sílico-argiloso e friável, para que os turriões não se entortem ao atravessá-lo. A planta é tolerante à acidez do solo, porém, desenvolve-se melhor em pH entre 6.0 e 6.8 (CPT). O local ideal para o plantio é um terreno virgem, no qual nunca se plantou qualquer tipo de vegetal, a fim de evitar a possibilidade de contaminação por fungos no solo. O terreno deve estar limpo de ervas daninhas, pois elas podem sufocar o crescimento dos aspargos (CPT). O solo deve ter sido fertilizado adequadamente com antecedência, com base em análises. Recomenda-se que a terra seja muito rica em matéria orgânica. As covas devem ter cerca de 20 centímetros de profundidade e as coroas, espaçadas entre si a uma distância de 20 a 30 centímetros e 1,5 metro entre linhas. Por último, deve cobrir as coroas com cerca de 5 centímetros de terra (CPT). O aspargo é uma planta que se adapta a uma grande diversidade de climas, mas prefere os temperados e suaves. Necessita de um período de repouso vegetativo de pelo menos 90 dias, que, geralmente, coincide com o Inverno (baixas temperaturas). A colheita deve ser realizada manualmente, entre os meses de agosto e novembro, no terceiro ano de vida da planta. Os turiões devem estar jovens e com pouca fibra, pois, quanto mais tarde for a colheita, maior será o teor em fibras. Dessa forma, mais rapidamente os aspargos lenhificam e endurecem, fazendo com que o seu sabor fique mais amargo (CPT). 58 10. BRÓCOLIS Prefere temperatura mais amena. O clima afeta o desenvolvimento da planta, influenciado no tamanho e na qualidade da inflorescência, produtividade e duração do ciclo. Para a maioria dos tipos cultivados, as temperaturas ótimas estão entre 20°C e 24°C. Deve ser cultivado em local de alta luminosidade, no qual tenha contato com a luz solar direta por, pelo menos, algumas horas por dia. Recomenda-se o cultivo em áreas recém-trabalhadas, com resíduos de restos culturais, madeira ou touceiras de capim em decomposição. O pH ótimo do solo é entre 6,5 e 7,0. O solo deve ser calado e, dependendo do teor de matéria orgânica, receber adubos orgânicos. A produção de mudas para transplantio no local definitivo é uma prática usual. De 30 a 35 dias após a semeadura, as mudas se encontram em estágio ideal para o transplantio, quando atingem de 12 cm a 15 cm de altura e apresentam de quatro a seis folhas definitivas. A irrigação utilizada pode ser por aspersão ou micro aspersão. O espaçamento entre linhas é de 50 cm e 70 cm e entre plantas varia de 50 a 80 cm (CASTRO E MELO, 2015). É uma cultura exigente em termos de adubação de micronutrientes, especialmente boro e molibdênio. A colheita deve ser feita quando os botões florais estiverem bem desenvolvidos, ainda com coloração verde-escuro, mas antes da abertura das flores. 11. CEBOLINH A Produz melhor sob temperaturas amenas a frias (de 25ºC para baixo), sendo plantadas geralmente nas estações de outono e inverno. Deve ser cultivada em sol pleno ou meia sombra, em qualquer tipo de solo, mas preferencialmente drenável, fértil, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Multiplica-se facilmente por divisão das touceiras ou por sementes. A germinação ocorre entre 6 e 14 dias. Após o plantio por sementes, as cebolinhas estarão prontas para a colheita em cerca de quatro meses. É recomendado que o corte das folhas seja feito a 2 cm do solo, a fim de estimular a preservação do bulbo e as novas brotações (PATRO, 2015). 12. CHICÓRIA Produz melhor em temperaturas amenas, entre 15º e 25ºC, sendo semeada normalmente nos períodos de outono e inverno. Em regiões altas de clima ameno, pode ser plantada o ano todo. Multiplicam-se por sementes em bandejas ou diretamente no local definitivo. Devem ser cultivadas em sol pleno, em solos areno-argilosos, férteis, ricos em matéria orgânica, bem drenados e com o pH entre 6 e 6,8, de preferência em canteiros elevados cerca de 20 cm e irrigados regularmente (PATRO, 2015). Apreciam clima ameno, com temperaturas na faixa de 14º a 18ºC. Quando expostas a altas temperaturas, as chicórias tendem a ficar com o sabor mais amargo. Temperaturas acima de 25ºC afetam o desenvolvimento da planta, que fica com folhas mais grossas e menores. A colheitadeve ser realizada aos 80 ou 90 dias após a semeadura, com rendimento aproximado de 25 a 30 toneladas por hectare (CPT). 59 13. COENTRO É uma cultura de clima quente, que não tolera baixas temperaturas. Normalmente, é plantado já no local definitivo, via semente e, posteriormente, é feito o desbaste das plantas. Deve-se manter espaçamento de 8 a 10 cm entre plantas. É pouco exigente em relação ao solo e muito tolerante à acidez (CATÁLOGO, 2010). O ciclo até o início da colheita é de 50 dias no verão, e 70 no inverno. As sementes devem ser colhidas dos frutos bem maduros, já marrons e secos (PATRO, 2014). 14. COUVE A couve é uma cultura de outono e inverno, com tolerância ao calor. Pode ser plantada durante o ano todo, porém, alcança melhores resultados quando plantadas de fevereiro a julho no Sul, Sudeste e Centro-Oeste e de abril a agosto na região Nordeste. No norte do País, a época indicada é entre abril e julho (CATÁLOGO, 2010). Propaga-se por semente ou por plantio do broto lateral. Essa é a forma de propagação mais comum. Colocar 2 a 3 sementes por célula se usar bandeja de semeadura a uma profundidade de plantio é de 0,5 cm. O transplante das mudas ocorre de 5 a 10 dias após o semeio, quando elas possuem 10 cm (CPT; CATALOGO, 2010). O plantio deve ser feito com espaçamento de 100 x 50 cm. A cultura é bastante exigente em boro e molibdênio. Deve ser comercializada e consumida em pouco tempo, pois sua vida útil é curta, quando não congelada (CATÁLOGO, 2010). Cerca de 12-16 semanas depois do plantio das sementes, as couves já poderão ser colhidas. Nunca retire todas as folhas do caule. Procure deixar, pelo menos, alguns brotos (CPT). 15. COUVE CHINESA Prefere temperaturas amenas (entre 15º e 25ºC), mas há cultivares mais tolerantes ao calor. São semeadas em bandejas e depois transplantadas para o local definitivo, ou diretamente no canteiro, sendo necessário selecionar as melhores plantas. 16. COUVE-FLOR É fundamental a escolha da cultivar correta, de acordo com a época de plantio, pois há cultivares adaptadas a temperaturas mais quentes ou mais amenas, entre 15º e 25ºC. As mudas devem ser produzidas em substrato enriquecido com cálcio e fósforo, mas pobre em nitrogênio. É muito exigente em adubação com boro e molibdênio. Deve-se irrigar bem a lavoura de couve-flor, mas sem excesso, para não favorecer o aparecimento de doenças. Algumas folhas devem ser mantidas para a proteção da cabeça durante o transporte que, preferencialmente, deve ser feito sob refrigeração (CATÁLOGO, 2010). 17. ERVA DOCE Uma planta facilmente cultivada e pouco exigente com relação ao tipo de solo, mas que precisa ser plantada sob sol pleno e em local seco. Cresce bem em solos arenosos e é tolerante à seca, uma vez estabelecida. 60 É frequentemente cultivada no jardim de ervas para usos comestíveis e medicinais, mas também comercialmente, como planta medicinal para extração de seu óleo essencial. A planta é tolerante ao calor e as temperaturas frias do inverno. 18. ESCAROLA Igual ao da chicória. 19. ESPINAFRE Produz melhor em temperaturas amenas (entre 15° e 25°C), mas tem boa resistência ao calor. Não tolera frio excessivo. Recomenda-se a semeadura em bandejas para posterior transplante. Também é possível enraizar os seus ramos cortados pela base. Deve ser cultivada em sol pleno ou meia-sombra, em solo fértil, com pH entre 6 e 7,5, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente (CATÁLOG, 2010; PATRO, 2013). O espaçamento indicado é de 50 cm entre linhas e 30 cm entre as plantas. O ciclo do plantio à colheita é de cerca de 70 dias. Suas folhas devem ser colhidas antes que a planta emita o pendão e forme flores. Podem ser feitos cortes sucessivos, os quais estimulam a produção de novas folhas (PATRO, 2013). 20. ESTRAGÃO Deve ser cultivado sob sol pleno, em solo drenável, preferencialmente arenoso, enriquecido com matéria orgânica e irrigado de forma regular. As plantas bem estabelecidas são tolerantes a curtos períodos de estiagem. Resiste ao frio, mas entra em dormência durante o inverno e pode perder as folhas, rebrotando na primavera. Nesta ocasião é importante reduzir as regas. A colheita se dá após 60 a 90 do plantio (PATRO, 2015). 21. HORTELÃ Seu cultivo é fácil, devido à sua rusticidade. O solo deve ser fértil e enriquecido com matéria orgânica para uma boa produção. As regas devem ser regulares, deixando o solo permanentemente úmido, porém, sem encharcamento. Tolera geadas. Multiplica-se facilmente por rizomas, sementes e divisão da planta (PATRO, 2013). 22. MANJERICÃO Recomenda-se seu cultivo em pleno sol, em solo fértil, bem drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Pode ser plantado diretamente em canteiros adubados. A planta não tolera o frio, geadas ou calor excessivo. Não resiste também a muitas colheitas subsequentes, exigindo o replantio. Multiplica-se facilmente por estacas de ponteiro, postas a enraizar na primavera ou por sementes (PATRO, 2015). 23. MOSTARDA Prefere temperaturas mais amenas (entre 15° e 25°C). O plantio pode ser feito por mudas semeadas em bandejas ou diretamente no local definitivo, fazendo o desbaste posteriormente. 61 Prefere solo bem drenado, fértil, com matéria orgânica suficiente ao seu desenvolvimento e com pH acima de 6 (CPT). A colheita das folhas é feita entre 40 e 70 dias do plantio, de acordo com a cultivar e com o sistema de plantio (CPT). 24. ORÉGANO O orégano é resistente a curtos períodos de estiagem. Apesar de sobreviver à meia-sombra, sua folhagem não adquire aroma tão intenso nessas condições. Deve ser cultivado sob sol pleno, em solo fértil, bem drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado a intervalos regulares. Apesar de perene, deve ser replantado a cada 2 ou 3 anos. Multiplica-se por sementes, divisão das touceiras (PATRO, 2014). 25. REPOLHO Desenvolve-se bem sob temperaturas amenas (entre 15° e 25°C) e frias, resistindo bem a geadas. Entretanto, há cultivares adaptadas a temperaturas mais altas. Geralmente, as altas temperaturas causam malformação das cabeças. É uma planta que se desenvolve melhor em local ensolarado (CATÁLOGO, 2010). O plantio é feito por mudas, semeadas em bandejas. É exigente em adubação e irrigação, necessitando de água constantemente para evitar rachaduras. O solo deve ter boa drenagem, boa fertilidade e com nitrogênio disponível. A irrigação deve manter o solo sempre úmido e nunca seco. O plantio é feito por meio de sementes ou diretamente no local definitivo, respeitando um espaçamento de 0,80 a 1,0 m entre linhas e 0,40 a 0,50 m entre mudas (CATÁLOGO, 2010; CPT). A colheita inicia-se a partir de 60 dias, para cultivares precoces, e 80 dias para outros cultivares (CATÁLOGO, 2010; CPT). 26. RÚCULA Deve ser cultivada em sol pleno, em solo fértil, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente. Aprecia o clima ameno e é sensível ao excesso de umidade e ao calor. Multiplica-se por sementes plantadas diretamente no local definitivo, em profundidade de 0,5 cm e com espaçamento de 20 cm entre linhas. Após a germinação, deve ser feito o desbaste, quando as plantas atingirem 10 cm, mantendo espaçamento de 15 cm entre elas. A colheita ocorre entre 40 e 65 dias após, dependendo da variedade e da estação do ano. Pode- se arrancar a planta inteira ou cortá-la próxima ao colo, incentivando o rebrote (PATRO, 2017). 27. SALSA Prefere temperaturas amenas, em torno de 20ºC. Em climas frios, ocorre atraso da germinação de suas sementes. Multiplica-se facilmente por sementes, que podem ser mantidas em água morna, de um dia para outro, para acelerar a germinação. Produz melhor em solos bem drenados, ricos em matéria orgânica, que devem ser mantidos sempre úmidos. Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra. Recomenda-se que seja fertilizada regularmente para um crescimento vigoroso das folhas. É importante colher as folhasmais externas, respeitando um bom intervalo entre as colheitas para a recuperação da planta. (PATRO, 2014). 62 28. SÁLVIA Deve ser cultivada em sol pleno ou a meia sombra, em solo preferencialmente drenável, neutro a levemente alcalino e enriquecido com matéria orgânica. Multiplica-se por estacas ou sementes. A germinação ocorre entre 7 e 14 dias após a semeadura. As mudas são levadas para canteiros bem-preparados, elevados, com esterco curtido, NPK e calcário. A irrigação deve ser feita regularmente nos primeiros meses após o plantio, reduzindo as regas após o estabelecimento das plantas. Resiste ao frio, mas não tolera locais muito frios e úmidos. Apesar de perene, perde o vigor com o tempo, ficando mais suscetível a doenças. Por este motivo, é recomendável seu replantio a cada 3 ou 4 anos (PATRO, 2015). 63 PRINCIPAIS ESPÉCIES DE ARTRÓPODES-PRAGA Jorge Anderson Guimarães Alexandre Pinho de Moura Miguel Michereff Filho ACELGA PRAGA TIPO DE DANO Lagarta rosca (Lepidoptera: Noctuidae) Agrotis ípsilon As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização do replantio de mudas. Pulgões (Myzus persicae) (Brevicoryne brassicae) (Cavariella aegopodii) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Grilo paquinha Gryllotalpa hexadactyla Vivem dentro de túneis no solo. Tanto os adultos como as ninfas causam danos diretos à planta pelo consumo de suas raízes, enquanto o dano indireto ocorre por injúrias mecânicas às raízes, durante as escavações ao redor da planta. Durante o dia, adultos e ninfas permanecem escondidos dentro dos túneis e debaixo do mulching (palhada, casca de arroz, filme plástico preto). Durante noites quentes e úmidas, os insetos saem dos esconderijos e podem atacar caules e folhas próximas ao solo; podem seccionar mudas e plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte. Lagarta militar (Spodoptera frugiperda) As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Vaquinha (Coleoptera: Chrysomelidae) Diabrotica speciosa A larva ataca as raízes da planta, enquanto os adultos se alimentam das folhas. O ataque às folhas pelos adultos resulta em grande número de pequenas perfurações, que reduzem a área fotossintética da planta. Altas infestações de adultos, logo após o transplantio, podem ocasionar a destruição total da parte aérea das mudas, exigindo o replantio AGRIÃO PRAGA TIPO DE DANO Lagarta rosca A. ípsilon As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização do replantio de mudas. 08 64 Pulgões (M.persicae) (B. brassicae) (C. aegopodii) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Lagarta militar (S. frugiperda) As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta Mosca-minadora (Diptera: Agromyzidae) (Liriomyza huidobrensis) As larvas abrem galerias translúcidas ou esbranquiçadas, estreitas e irregulares, em forma de serpentina nas folhas. Alta infestação pode provocar necrose e secamento das folhas, além da desfolha precoce, principalmente em plantas jovens. AIPO PRAGA TIPO DE DANO Pulgão (Aphis spp.) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). ALCACHOFRA PRAGA TIPO DE DANO Pulgão da cenoura (C. aegopodii) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Lesmas Adultos e imaturos alimentam-se raspando as folhas, as quais apresentam perfurações irregulares, porém, quando a infestação é severa e a planta é jovem, podem ficar apenas as nervuras. As plantas infestadas apresentam rastros de muco branco-prateado brilhante e fezes nas folhas, o que ocasiona perdas na qualidade visual e sanitária da hortaliça. Têm hábito noturno e, durante o dia, escondem-se em locais úmidos e escuros, como debaixo do mulching (palhada, casca de arroz, filme plástico preto), de restos culturais, de pedras e no solo. No Planalto Central, estas pragas ocorrem em alface durante a estação chuvosa. 65 Lagarta rosca A. ipsilon Cochonilha branca da raiz As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização do replantio de mudas. Caracóis Adultos e imaturos alimentam-se raspando as folhas, as quais apresentam perfurações irregulares, porém, quando a infestação é severa e a planta é jovem, podem ficar apenas as nervuras. As plantas infestadas apresentam rastros de muco branco-prateado brilhante e fezes nas folhas, o que ocasiona perdas na qualidade visual e sanitária da hortaliça. Têm hábito noturno e, durante o dia, escondem-se em locais úmidos e escuros, como debaixo do mulching (palhada, casca de arroz, filme plástico preto), de restos culturais, de pedras e no solo. No Planalto Central, estas pragas ocorrem em alface durante a estação chuvosa. Tripes (Thysanoptera: Thripidae) (Frankliniella occidentalis e F. schultzei) Transmissão do vírus do gênero Tospovirus, denominada Tomate Spotted Wilt Virus, (TSWV) causadora da doença do vira cabeça do tomateiro. Em infecções precoces, induzem a morte de plantas ou necrose nas folhas e nos frutos, comprometendo a produção. ALECRIM PRAGA TIPO DE DANO Sem registros É uma planta aromática e, por isso, atua como repelente de pragas. ALFACE PRAGA TIPO DE DANO F. schultzei F. occidentalis Thrips palmi T. tabaci Adultos e larvas perfuraram os tecidos vegetais e sugam o conteúdo das células; a região atacada apresenta pequenas manchas irregulares de coloração esbranquiçada ou prateada, com presença de pontuações escuras (gotículas fecais), notadamente nas folhascentrais. Em ataques severos, com elevada infestação de tripes, as plantas de alface adquirem coloração amarelo-esverdeada. O principal dano deve-se à transmissão de vírus causadores da doença “Vira- cabeça” (Tomato spotted wilt virus - TSWV; Groundnut ringspot virus - GRSV e Tomato chlorotic spot virus –TCSV; gênero Orthotospovirus; família Bunyaviridae), por larvas e adultos. Esta doença é de grande importância para a alface, causando grandes prejuízos. Frankliniella schultzei é o principal transmissor. Pulgões (Hemiptera: Aphididae) Urolecon sonchi Nasonovia ribisnigri M. persicae B. brassicae C. aegopodii Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto, como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus; adultos e ninfas transmitem os vírus causadores do mosaico-da-alface (Lettuce mosaic virus – LMV; gênero Potyvirus, família Potyviridae), vírus do mosaico-do-nabo (Turnip mosaic virus – TuMV; gênero Potyvirus, família Potyviridae), vírus do mosaico-do-picão (Bidens mosaic virus – BiMV; gênero Potyvirus, família Potyviridae); vírus do mosqueado-da-alface (Lettuce mottle virus – LeMoV; gênero Sequivirus, família Secoviridae) e o vírus do mosaico-do-pepino (Cucumber mosaic virus – CMV; gênero Cucumovirus, família Bromoviridae). 66 Formigas-cortadeiras (Hymenoptera: Formicidae). Atta sp. Acromyrmex spp. Durante a noite cortam as folhas e transportam o material vegetal para o interior da colônia, que é utilizado como substrato para cultivo de um fungo, que serve de alimento para larvas e adultos. Grilo (Orthoptera: Gryllidae) Gryllus spp. Adultos e ninfas atacam as raízes e a parte aérea das plantas; promovem o corte de mudas e plantas jovens na região do coleto (próximo ao solo), acarretando sua morte Paquinha (Orthoptera: Gryllotalpidae) Neoscapteriscus spp. Neocurtilla spp. Vivem dentro de túneis no solo. Tanto os adultos como as ninfas causam danos diretos à planta pelo consumo de suas raízes, enquanto o dano indireto ocorre por injúrias mecânicas às raízes durante as escavações ao redor da planta. Durante o dia, adultos e ninfas permanecem escondidos dentro dos túneis e debaixo do mulching (palhada, casca de arroz, filme plástico preto). Durante noites quentes e úmidas, os insetos saem dos esconderijos e podem atacar caules e folhas próximas ao solo; podem seccionar mudas e plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte. Lagarta-militar (Lepidoptera: Noctuidae) Spodoptera frugiperda S. eridania S. comioides As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. A infestação inicia-se da base (folhas baixeiras) para o ápice da planta. Lagartas grandes também promovem o corte da planta jovem (total ou parcial) próximo ao solo (como a lagarta-rosca), podendo ocasionar a sua morte. Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização de replantio de mudas. Surtos populacionais de lagarta-militar na região Centro- Oeste podem ocorrer na transição entre as estações chuvosa e seca. Lagarta rosca A. ípsilon As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização do replantio de mudas. Lagartas-falsas- medideiras Chrysodeixis includens e Trichoplusia ni As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. A espécie C. includens é a principal Plusiinae que infesta cultivos de hortaliças na região Centro-Oeste brasileira Moscas-minadoras L. huidobrensis, L. sativa e L. trifolii As larvas abrem galerias translúcidas ou esbranquiçadas, estreitas e irregulares, em forma de serpentina nas folhas. Alta infestação pode provocar necrose e secamento das folhas e desfolha precoce, principalmente em plantas jovens de alface. Vaquinha D. speciosa A larva ataca as raízes da planta, enquanto os adultos se alimentam das folhas. O ataque às folhas pelos adultos resulta em grande número de pequenas perfurações, que reduzem a área fotossintética da planta. Altas infestações de adultos, logo após o transplantio, podem ocasionar a destruição total da parte aérea das mudas, exigindo o replantio. Moscas-brancas (Hemiptera: Aleyrodidae) Bemisia tabaci e Trialeurodes vaporariorum Ataca as plantas no viveiro de mudas ou sementeira e no cultivo após o transplantio, infestando principalmente folhas jovens. Adultos e ninfas sugam a seiva e reduzem o vigor das plantas; na alimentação injetam toxinas que geram anomalias nas plantas; excretam substância açucarada (honeydew), que favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) sobre as folhas, afetando a respiração e fotossíntese. Infestação severa pode ocasionar murcha e morte de mudas e plantas jovens ou nanismo. Em alface, a presença excessiva de fumagina nas folhas também pode depreciar o valor comercial desta hortaliça. 67 Traça-das-crucíferas (Lepidoptera: Plutellidae) Plutella xylostella Desfolha, broqueamento do ponto de crescimento caulinar de pecíolos das folhas e de ramos e consumo das inflorescências. Após a eclosão, as lagartas penetram nas folhas e iniciam sua alimentação no parênquima, formando pequenas minas (galerias) nas folhas; posteriormente, deixam as minas e se alimentam da epiderme da face inferior das folhas, porém não consomem as nervuras e podem não atingir a epiderme da face superior da folha, deixando pequenos orifícios de alimentação de formato irregular, com aspecto de “janelas”; lagartas mais desenvolvidas deixam grandes orifícios entre as nervuras da folha, a qual pode apresentar-se totalmente rendilhada ou apenas com as nervuras Curuquerê-da-couve (Lepidoptera: Pieridae) Ascia monuste orseis As lagartas iniciam o ataque das bordas para o centro da folha, podendo deixar apenas as nervuras, ocasionam desfolha parcial ou total da planta. Lagarta Helicoverpa (Lepidoptera: Noctuidae) Helicoverpa armigera As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento, causando perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Fungus gnats (Diptera: Sciaridae) Bradysia spp. e outros As larvas se alimentam das raízes e radicelas e podem broquear o caule das mudas no viveiro ou na sementeira. Essas lesões facilitam a penetração de fungos fitopatogênicos como Pythium spp. e Rhizoctonia solani. Os adultos podem disseminar estes fungos fitopatogênicos. Os sintomas de infestação incluem: secamento das folhas; murchamento parcial ou da planta inteira; retardo no desenvolvimento e morte de mudas ou de plantas recém transplantadas. Lesmas e caracóis (Mollusca: Gastropoda) várias espécies e famílias Adultos e imaturos alimentam-se raspando as folhas de alface. As folhas atacadas apresentam perfurações irregulares (Figura 49 C), porém, quando a infestação é severa e a planta é jovem, podem ficar apenas as nervuras. As plantas infestadas apresentam rastros de muco branco-prateado brilhante e fezes nas folhas, o que ocasiona perdas na qualidade visual e sanitária da hortaliça. As lesmas e caracóis têm hábito noturno e, durante, o dia escondem-se em locais úmidos e escuros, como debaixo do mulching (palhada, casca de arroz, filme plástico preto), de restos culturais, de pedras e no solo. NoPlanalto Central, estas pragas ocorrem em alface durante a estação chuvosa. ALHO-PORÓ PRAGA TIPO DE DANO Tripes Thrips tabaci Adultos e larvas perfuram os tecidos vegetais e sugam o conteúdo das células; a região atacada apresenta pequenas manchas irregulares de coloração esbranquiçada ou prateada, com presença de pontuações escuras (gotículas fecais), notadamente nas folhas centrais. Em ataques severos, com elevada infestação de tripes, as plantas de alface adquirem coloração amarelo-esverdeada. O principal dano deve-se à transmissão de vírus causadores de doenças. ALMEIRÃO PRAGA TIPO DE DANO Pulgões (M. persicae) (Br. brassicae) (C. aegopodii) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). 68 Lagarta militar (S. frugiperda) As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Mosca minadora (L. huidobrensis) As larvas abrem galerias translúcidas ou esbranquiçadas, estreitas e irregulares, em forma de serpentina nas folhas. Alta infestação pode provocar necrose e secamento das folhas e desfolha precoce, principalmente em plantas jovens Mosca-branca B. tabaci Adultos e ninfas sugam a seiva e reduzem o vigor das plantas; na alimentação, injetam toxinas que geram anomalias nas plantas; excretam substância açucarada (honeydew) que favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) sobre as folhas, afetando a respiração e fotossíntese. É vetor de vírus. ASPARGO PRAGA TIPO DE DANO Mosca-do-Aspargo (Chlorops sp.) A fêmea deposita os ovos no turião. Poucos dias depois aparecem as larvas, que fazem uma galeria por baixo da epiderme do turião, o que impede a circulação da seiva. O turião se dobra para o lado em que se encontra a galeria, onde se observa uma mancha parda. O aparecimento de turiões parece coincidir com o dos insetos adultos, e, portanto, com a postura. Na fase vegetativa, os brotos apresentam um típico formato de caracol, como consequência do ataque. BROCOLIS PRAGA TIPO DE DANO Lagarta rosca A. ípsilon As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização de replantio de mudas. Pulgões (M. persicae) (L. pseudobrassicae) (B. brassicae) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Grilo paquinha Gryllotalpa hexadactyla Vivem dentro de túneis no solo. Tanto os adultos como as ninfas causam danos diretos à planta pelo consumo de suas raízes, enquanto o dano indireto ocorre por injurias mecânicas às raízes durante as escavações ao redor da planta. Durante o dia, adultos e ninfas permanecem escondidos dentro dos túneis e debaixo do “mulching” (palhada, casca de arroz, filme plástico preto). Durante noites quentes e úmidas, os insetos saem dos esconderijos e podem atacar caules e folhas próximas ao solo; podem seccionar mudas e plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte. Lagarta militar (Spodoptera frugiperda) As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta Falsa-medideira (Pseudoplusia includens) As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. 69 Falsa medideira (T. ni) As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Vaquinha (D. speciosa) A larva ataca as raízes da planta, enquanto os adultos se alimentam das folhas. O ataque às folhas pelos adultos resulta em grande número de pequenas perfurações, que reduzem a área fotossintética da planta. Altas infestações de adultos, logo após o transplantio, podem ocasionar a destruição total da parte aérea das mudas, exigindo o replantio Mosca-branca (B. tabaci) Adultos e ninfas sugam a seiva e reduzem o vigor das plantas; na alimentação injetam toxinas que geram anomalias nas plantas; excretam substância açucarada (honeydew) que favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) sobre as folhas, afetando a respiração e fotossíntese. É vetor de vírus. Traça-das-crucíferas P. xylostella Desfolha, broqueamento do ponto de crescimento caulinar de pecíolos das folhas e de ramos e consumo das inflorescências. Após a eclosão, as lagartas penetram nas folhas e iniciam sua alimentação no parênquima, formando pequenas minas (galerias) nas folhas; posteriormente, deixam as minas e se alimentam da epiderme da face inferior das folhas, porém não consomem as nervuras e podem não atingir a epiderme da face superior da folha, deixando pequenos orifícios de alimentação de formato irregular, com aspecto de “janelas”; lagartas mais desenvolvidas deixam grandes orifícios entre as nervuras da folha, a qual pode apresentar-se totalmente rendilhada ou apenas com as nervuras Curuquerê-da-couve (A. monuste orseis) As lagartas iniciam o ataque das bordas para o centro da folha, podendo deixar apenas as nervuras; ocasionam desfolha parcial ou total da planta e podem consumir as inflorescências, principalmente de brócolis. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas, aumentando a incidência, respectivamente, da podridão-negra-das- crucíferas e da podridão-mole. Lagarta H. armigera As lagartas causam desfolha e atacam as inflorescências em diferentes fases de desenvolvimento. Lagartas desenvolvidas deixam grandes orifícios nas folhas e consomem as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas. CEBOLINHA PRAGA TIPO DE DANO Lagarta-rosca A. ipsilon Cigarrinhas As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização de replantio de mudas. Pulgões Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Tripes (Thrips tabaci) Os danos causados pela raspagem das folhas pelos adultos e ninfas dos tripe causam manchas brancas que evoluem para prateadas. Quando o ataque é intenso, as plantas apresentam-se retorcidas, amarelecimento e seca das folhas. 70 Mosca minadora (L. trifolii) As larvas abrem galerias translúcidas ou esbranquiçadas,estreitas e irregulares, em forma de serpentina nas folhas. Alta infestação pode provocar necrose e secamento das folhas e desfolha precoce, principalmente em plantas jovens. CHICÓRIA PRAGA TIPO DE DANO Lagarta rosca A. ípsilon As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização de replantio de mudas. Pulgões (M. persicae) (B. brassicae) (C. aegopodii) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Grilo paquinha G. hexadactyla Vivem dentro de túneis no solo. Tanto os adultos como as ninfas causam danos diretos à planta pelo consumo de suas raízes, enquanto o dano indireto ocorre por injurias mecânicas às raízes durante as escavações ao redor da planta. Durante o dia, adultos e ninfas permanecem escondidos dentro dos túneis e debaixo do “mulching” (palhada, casca de arroz, filme plástico preto). Durante noites quentes e úmidas, os insetos saem dos esconderijos e podem atacar caules e folhas próximas ao solo; podem seccionar mudas e plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte. Lagarta militar (S. frugiperda) As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta Curuquerê da couve (A. monuste orseis) As lagartas iniciam o ataque das bordas para o centro da folha, podendo deixar apenas as nervuras; ocasionam desfolha parcial ou total da planta e podem consumir as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas, aumentando a incidência, respectivamente, da podridão-negra-das-crucíferas e da podridão- mole. Mosca minadora (L. huidobrensis) As larvas abrem galerias translúcidas ou esbranquiçadas, estreitas e irregulares, em forma de serpentina nas folhas. Alta infestação pode provocar necrose e secamento das folhas e desfolha precoce, principalmente em plantas jovens. Mosca-branca B. tabaci Adultos e ninfas sugam a seiva e reduzem o vigor das plantas; na alimentação injetam toxinas que geram anomalias nas plantas; excretam substância açucarada (honeydew) que favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) sobre as folhas, afetando a respiração e fotossíntese. É vetor de vírus. 71 Traça-das-crucíferas P. xylostella Desfolha, broqueamento do ponto de crescimento caulinar de pecíolos das folhas e de ramos e consumo das inflorescências. Após a eclosão, as lagartas penetram nas folhas e iniciam sua alimentação no parênquima, formando pequenas minas (galerias) nas folhas; posteriormente, deixam as minas e se alimentam da epiderme da face inferior das folhas, porém não consomem as nervuras e podem não atingir a epiderme da face superior da folha, deixando pequenos orifícios de alimentação de formato irregular, com aspecto de “janelas”; lagartas mais desenvolvidas deixam grandes orifícios entre as nervuras da folha, a qual pode apresentar-se totalmente rendilhada ou apenas com as nervuras Lagarta H. armigera As lagartas causam desfolha e atacam as inflorescências em diferentes fases de desenvolvimento. Lagartas desenvolvidas deixam grandes orifícios nas folhas e consomem as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas. COENTRO PRAGA TIPO DE DANO Pulgões A. gossypii M. persicae Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Tripes T. tabaci e F. schultzei Adultos e larvas perfuraram os tecidos vegetais e sugam o conteúdo das células; a região atacada apresenta pequenas manchas irregulares de coloração esbranquiçada ou prateada, com presença de pontuações escuras (gotículas fecais) notadamente nas folhas centrais. Em ataques severos, com elevada infestação de tripes, as plantas de alface adquirem coloração amarelo-esverdeada. O principal dano deve-se à transmissão de vírus causadores de doenças. Mosca branca B. tabaci Adultos e ninfas sugam a seiva e reduzem o vigor das plantas; na alimentação injetam toxinas que geram anomalias nas plantas; excretam substância açucarada (honeydew), que favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) sobre as folhas, afetando a respiração e fotossíntese. É vetor de vírus. Lagarta rosca A. ípsilon As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização de replantio de mudas. Lagartas de Spodoptera spp. As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta Lagarta H. armigera As lagartas causam desfolha e atacam as inflorescências em diferentes fases de desenvolvimento. Lagartas desenvolvidas deixam grandes orifícios nas folhas e consomem as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas. 72 COUVE, COUVE CHINESA, COUVE DE BRUXELAS E COUVE-FLOR PRAGA TIPO DE DANO Traça-das-crucíferas (P. xylostella) Desfolha, broqueamento do ponto de crescimento caulinar de pecíolos das folhas e de ramos e consumo das inflorescências. Após a eclosão, as lagartas penetram nas folhas e iniciam sua alimentação no parênquima, formando pequenas minas (galerias) nas folhas; posteriormente, deixam as minas e se alimentam da epiderme da face inferior das folhas, porém não consomem as nervuras e podem não atingir a epiderme da face superior da folha, deixando pequenos orifícios de alimentação de formato irregular, com aspecto de “janelas”; lagartas mais desenvolvidas deixam grandes orifícios entre as nervuras da folha, a qual pode apresentar-se totalmente rendilhada ou apenas com as nervuras Curuquerê-da-couve (A. monuste orseis) As lagartas iniciam o ataque das bordas para o centro da folha, podendo deixar apenas as nervuras; ocasionam desfolha parcial ou total da planta e podem consumir as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas, aumentando a incidência, respectivamente, da podridão-negra-das-crucíferas e da podridão- mole. Lagarta falsa-medideira (T. ni) As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Lagarta-rosca (A. ipsilon) As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização de replantio de mudas. Pulgões (B. brassicae) (M. persicae) (L. erysimi) (L. pseudobrassicae) Adultose ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas) Grilo (G. assimilis) Adultos e ninfas atacam as raízes e a parte aérea das plantas; promovem o corte de mudas e plantas jovens na região do coleto (próximo ao solo), acarretando sua morte Paquinha (N. hexadactyla) Vivem dentro de túneis no solo. Tanto os adultos como as ninfas causam danos diretos à planta pelo consumo de suas raízes, enquanto o dano indireto ocorre por injurias mecânicas às raízes durante as escavações ao redor da planta. Durante o dia, adultos e ninfas permanecem escondidos dentro dos túneis e debaixo do “mulching” (palhada, casca de arroz, filme plástico preto). Durante noites quentes e úmidas, os insetos saem dos esconderijos e podem atacar caules e folhas próximas ao solo; podem seccionar mudas e plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte. Lagarta militar (S. frugiperda) As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta Falsa-medideira (P. includens) As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. 73 Falsa medideira (T. ni) As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Vaquinha (D. speciosa) A larva ataca as raízes da planta, enquanto os adultos se alimentam das folhas. O ataque às folhas pelos adultos resulta em grande número de pequenas perfurações, que reduzem a área fotossintética da planta. Altas infestações de adultos, logo após o transplantio, podem ocasionar a destruição total da parte aérea das mudas, exigindo o replantio. Mosca-branca (B. tabaci) Adultos e ninfas sugam a seiva e reduzem o vigor das plantas; na alimentação injetam toxinas que geram anomalias nas plantas; excretam substância açucarada (honeydew) que favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) sobre as folhas, afetando a respiração e fotossíntese. É vetor de vírus. Lagarta (Helicoverpa armígera) As lagartas causam desfolha e atacam as inflorescências em diferentes fases de desenvolvimento. Lagartas desenvolvidas deixam grandes orifícios nas folhas e consomem as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas. Broca-da-couve (Hellula phidilealis) (Lepidoptera: Crambidae) As lagartas broqueiam o ponto de crescimento caulinar (brotos e meristema apical), os pecíolos e nervuras das folhas e os ramos da porção apical da planta. Após a eclosão, a lagarta raspa a face superior da folha próxima às nervuras, podendo torná-la rendilhada ou com pequenos orifícios irregulares, com depósito de fezes e teia; posteriormente, a lagarta passa a broquear as estruturas vegetais, principalmente o caule. ERVA-DOCE PRAGA TIPO DE DANO Pulgão da cenoura (C. aegopodii) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Pulgão (Hyadaphis foeniculi) ataca a inflorescência da planta, principalmente no período seco, época de aumento da temperatura ambiente, que coincide com a floração ESCAROLA PRAGA TIPO DE DANO As mesmas da Chicória Vide Chicória ESPINAFRE PRAGA TIPO DE DANO Lagarta rosca (A. ipsilon) As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização de replantio de mudas. Pulgões (M. persicae) (B. brassicae) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). 74 Grilo paquinha G. hexadactyla Vivem dentro de túneis no solo. Tanto os adultos como as ninfas causam danos diretos à planta pelo consumo de suas raízes, enquanto o dano indireto ocorre por injurias mecânicas às raízes durante as escavações ao redor da planta. Durante o dia, adultos e ninfas permanecem escondidos dentro dos túneis e debaixo do “mulching” (palhada, casca de arroz, filme plástico preto). Durante noites quentes e úmidas, os insetos saem dos esconderijos e podem atacar caules e folhas próximas ao solo; podem seccionar mudas e plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte. Lagarta militar (S. frugiperda) As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta Falsa medideira (T. ni) As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Mosca minadora (L. huidobrensis) As larvas abrem galerias translúcidas ou esbranquiçadas, estreitas e irregulares, em forma de serpentina nas folhas. Alta infestação pode provocar necrose e secamento das folhas e desfolha precoce, principalmente em plantas jovens. Lagarta H. armigera As lagartas causam desfolha e atacam as inflorescências em diferentes fases de desenvolvimento. Lagartas desenvolvidas deixam grandes orifícios nas folhas e consomem as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas. ESTÉVIA PRAGA TIPO DE DANO Pulgão da couve (B. brassicae) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Lagarta militar (S. frugiperda) As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta ESTRAGÃO PRAGA TIPO DE DANO Não há registros Espécie aromática, normalmente usada para repelir artrópodes-praga. HORTELÃ PRAGA TIPO DE DANO Tripes Dinurothrips hookeri e Caliothrips phaseoli Adultos e larvas perfuraram os tecidos vegetais e sugam o conteúdo das células; a região atacada apresenta pequenas manchas irregulares de coloração esbranquiçada ou prateada, com presença de pontuações escuras (gotículas fecais) notadamente nas folhas centrais. Em ataques severos,INFLORESCÊNCIAS E CONDIMENTARES 21 FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE HORTALIÇAS FOLHOSAS 35 IRRIGAÇÃO 47 ASPECTOS FITOTÉCNICOS 55 PRINCIPAIS ESPÉCIES DE ARTRÓPODES-PRAGA 63 MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS 79 PRINCIPAIS DOENÇAS E NEMATOIDES 84 GRADE DE AGROTÓXICOS REGISTRADOS PARA HORTALIÇAS FOLHOSAS, INFLORESCÊNCIAS E CONDIMENTARES NO BRASIL 131 BOAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS NO CULTIVO HIDROPÔNICO DE FOLHOSAS 152 BOAS PRÁTICAS NA COLHEITA E PÓS-COLHEITA DE HORTALIÇAS FOLHOSAS 157 REFERÊNCIAS 172 9 SITES, LIVROS E ARTIGOS RECOMENDADOS PARA LEITURA https://www.abcsem.com.br/noticias/1554/as-familias-botanicas-das- hortalicas-folhosas- http://en.wikipedia.org/wiki/Asteraceae https://www.agrolink.com.br/problemas/ https://www.conquistesuavida.com.br/noticia/as-hortalicas-folhosas- essenciais-para-a-saude-para-consumir-com-frequencia_a11167/1 https://www.cpt.com.br/cursos-horticultura-agricultura/artigos/horta- vegetais-cultivados-em-pequena-quantidade-para-o-consumo-proprio http://www.freewebs.com/rapinibot/embriofitas/parte9.pdf http://www.nordesterural.com.br/nordesterural/matler.asp?newsId=2086 Almeida, D., Manual de Culturas Hortícolas. Editorial Presença, Lisboa, Portugal (1ª edição), Vol.1, 2006. 356p. Almeida, D., Manual de Culturas Hortícolas. Editorial Presença, Lisboa, Portugal (1ª edição), Vol.2, 2006. 325p. Filgueira, F.A.R. Novo Manual de Olericultura. Editora UFV, Viçosa, MG. 2000. 402p. 10 AGRONEGÓCIO DAS FOLHOSAS NO BRASIL Jorge Anderson Guimarães O agronegócio de folhosas é basicamente de origem familiar, realizado em pequenas propriedades, localizadas nas regiões periurbanas das grandes cidades. Devido ao ciclo curto, é possível cultivar várias safras em um único ano, o que faz dessa cadeia uma grande geradora de emprego e renda. De acordo com VILELA & LUENGO (2017), um hectare de hortaliças folhosas gera, por ano, de três a quatro empregos diretos e o mesmo número de empregos indiretos. É capaz de movimentar grande quantidade de capital de giro, favorecendo o desenvolvimento das regiões onde são cultivadas. Além disso, as folhosas movimentam o setor produtivo como um todo, por meio da grande demanda de produtos e serviços das empresas de produção e comercialização de sementes, das empresas de produção e comercialização de fertilizantes, defensivos químicos, orgânicos, embalagens, incluindo o setor de apoio, com serviços de pesquisa e extensão rural (VILELA & LUENGO, 2017). As hortaliças folhosas são produzidas em todas as regiões brasileiras, porém, as regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte da produção (84%), com destaque para os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, os quais são responsáveis por mais da metade da produção nacional de hortaliças folhosas (VILELA & LUENGO, 2017). A área dedicada ao cultivo de hortaliças folhosas no Brasil é estimada em 174.061 hectares cultivados com alface (49,9%), rúcula (22,8%), repolho (15,3%), couve (6,1%), espinafre (1,0%) e outras (4,9%). No entanto, como a estimativa de área cultivada é baseada na venda de sementes, para as culturas, como a couve manteiga, que têm sua propagação realizada por mudas, esses dados estão certamente subestimados. Portanto, acredita-se que a área de couve seja superior a 23% àquela dedicada ao cultivo de folhosas no país (VILELA & LUENGO, 2017). A produção de folhosas no Brasil é de 1, 317 milhão de toneladas, das quais quase a metade é de alface, com cerca de 575 mil toneladas, representado (43,7%); seguida de repolho com 417 mil ton. (31,7%); couve, com cerca de 120 mil ton. (9,1%); agrião, com 10 mil ton. (7,6%); espinafre, com 4 mil ton. (3,1%); rúcula, com 2.635 ton. (2,0%), e outras (2,1%) (VILELA & LUENGO, 2017). De acordo com dados levantados pela Ceagesp, em São Paulo, houve uma grande evolução no volume comercializado de hortaliças folhosas, entre 1999 e 2009, passando de 84 mil para 136 mil toneladas, o que significou um aumento de 63% (ABCSEM XX). No Ceagesp, as hortaliças mais comercializadas por famílias botânicas foram as Brassicaceae, responsáveis por 52% das vendas, seguidas pelas Asteraceae (38%) e Amaranthaceae, com 10% do volume. Entre as Asteraceae, a alface representou 82% do volume, seguida de escarola (11%), almeirão (3%), catalonha (2%), endívia Õ 01 11 (0,7%), chicória e radicchio (0,5% cada uma). Dentre as Amaranthaceae, acelga responde com 10 mil toneladas e o espinafre com cerca de 3 mil toneladas. Entre as Brassicaceae, as vendas estão distribuídas entre repolho (57 mil toneladas), mostarda (317 toneladas), agrião (2,9 mil toneladas) e rúcula, com 3,4 mil toneladas (ABCSEM). 12 ANÁLISE DAS CADEIAS PRODUTIVAS DE HORTALIÇAS FOLHOSAS NO BRASIL Maria Thereza Pedroso Em termos gerais, a cadeia produtiva de hortaliças conta com as indústrias de adubos químicos, pesticidas, maquinários, etc. Seus produtos são comercializados, na maioria, em revendas de insumos agropecuários. Para o produtor de hortaliças, os principais riscos estão relacionados ao clima, aos problemas fitossanitários e às frequentes oscilações de preços. A elevada suscetibilidade às pragas no cultivo de hortaliças ocorre especialmente em função das características do clima tropical. Por isso, são utilizados muitos agrotóxicos no Brasil. As principais culturas têm custo de produção alto e o peso dos gastos com insumos agrícolas (em especial os agrotóxicos) é significativo. Como a cultura de hortaliças exige um manejo de alguma complexidade, requer mão de obra relativamente qualificada. O que configura um desafio crescente, pois tem havido pouca oferta de mão de obra no campo com a qualificação necessária. Quando há oferta, seu valor é alto, aumentando o custo de produção. No entanto, há outros custos que recaem sobre o preço final das hortaliças que estão situados “da porteira para fora”. Por exemplo, durante o transporte, são verificados custos que influenciam o preço final do produto, tais como os dos pedágios nas rodovias, do diesel, do seguro e até mesmo de escolta armada - necessidade que ocorre para o transporte de algumas hortaliças. As hortaliças são alimentos muito perecíveis - apodrecem facilmente. Esse fato impossibilita a sua armazenagem; ainda que o preço esteja baixo, é necessário vender a produção com rapidez. Por outro lado, é um produto muito manipulado pelo produtor, intermediários e repositores. Além disso, o consumidor brasileiro o manuseia excessivamente para escolhê-lo. Aumenta-se, assim, o risco de contaminação biológica, mas também a chance de inviabilizar o fruto como um todo, acarretando elevado descarte. Outro problema grave é que o Brasil carece da cadeia do frio - são poucos os caminhões refrigerados que transportam as hortaliças, por exemplo. Por isso, a distância entre o estabelecimento agrícola e a zona urbana torna-se um problema. Existem formas distintas de comercialização da produção pelo agricultor: com o intermediário I (aquele que compra as hortaliças nos estabelecimentos agropecuários e as vende para as empresas de atacado); diretamente com a empresa de atacado, ou, então, mais diretamente ainda com as redes de supermercados. Õ 02 13 As empresas de atacado de hortaliças costumam se localizar nas centrais de abastecimento (ceasas) ou em seu entorno. Vendem para supermercados de pequeno e médio porte, restaurantes, quitandas, feirantes, atacados e verdurões. Mas também comercializam para outro agente econômico menos conhecido, o “intermediário II”, que vende para organizações que têm grandes refeitórios, como grandes empresas, indústrias, escolas, redes de restaurantes e hotéis. Verdurões: As redes de supermercado, quando verificam alguma falta de produto em suas centrais de distribuição, recorrem a esse tipo de empresa. Por fim, é importante destacar que a exigência de rastreabilidade é uma tendência mundial e tornou-se norma do Ministério da Agricultura e da Anvisa. Define, portanto, procedimentos para a aplicação da rastreabilidade aocom elevada infestação de tripes, as plantas de alface adquirem coloração amarelo-esverdeada. O principal dano deve-se à transmissão de vírus causadores de doenças. Lagarta falsa-medideira T. ni As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. 75 LOURO PRAGA TIPO DE DANO Psilídeo (Hemiptera: Triozidae) Lauritrioza alacris Os triozídeos imaturos induzem a formação de galhas nas folhas atacadas, fazendo com que as margens das folhas fiquem mais espessadas e se dobram para baixo, formando um rolo alongado em forma de tubo que abriga os imaturos. Todos os estágios de desenvolvimento (ovo, imaturos e adultos) do psilídeo são encontrados nas folhas jovens do louro. Lesmas Adultos e imaturos alimentam-se raspando as folhas, as quais apresentam perfurações irregulares, porém, quando a infestação é severa e a planta é jovem, podem ficar apenas as nervuras. As plantas infestadas apresentam rastros de muco branco-prateado brilhante e fezes nas folhas, o que ocasiona perdas na qualidade visual e sanitária da hortaliça. Têm hábito noturno e durante o dia escondem-se em locais úmidos e escuros, como debaixo do “mulching” (palhada, casca de arroz, filme plástico preto), de restos culturais, de pedras e no solo. Cigarrinha listrada (Hemiptera: Cicadellidae) Sibovia sagata Adultos e ninfas sugam a seiva da planta. MANJERONA PRAGA TIPO DE DANO Não há registros MOSTARDA PRAGA TIPO DE DANO Pulgões (L. erysimi) (B. brassicae) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Lagarta militar (S. frugiperda) As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Curuquerê da couve (A. monuste orseis) As lagartas iniciam o ataque das bordas para o centro da folha, podendo deixar apenas as nervuras; ocasionam desfolha parcial ou total da planta e podem consumir as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas, aumentando a incidência, respectivamente, da podridão-negra-das-crucíferas e da podridão- mole. ORÉGANO PRAGA TIPO DE DANO Pulgão (Macrosiphum solanifoli) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Ácaros (Tetranichus sp.), Sugadores de seiva, reduzindo produção. Causam manchas cloróticas nas folhas reduzindo o valor comercial. Tecem teias nas folhas quando em altas populações. 76 Lagarta-falsa-medideira (Pseudoplusia sp.) As lagartas causam desfolha parcial ou total da planta. REPOLHO PRAGA TIPO DE DANO Lagarta rosca A. ípsilon As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização de replantio de mudas. Pulgões (M. persicae) (B. brassicae) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Grilo paquinha G. hexadactyla Vivem dentro de túneis no solo. Tanto os adultos como as ninfas causam danos diretos à planta pelo consumo de suas raízes, enquanto o dano indireto ocorre por injurias mecânicas às raízes durante as escavações ao redor da planta. Durante o dia, adultos e ninfas permanecem escondidos dentro dos túneis e debaixo do “mulching” (palhada, casca de arroz, filme plástico preto). Durante noites quentes e úmidas, os insetos saem dos esconderijos e podem atacar caules e folhas próximas ao solo; podem seccionar mudas e plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte. Curuquerê da couve (A. monuste orseis) As lagartas iniciam o ataque das bordas para o centro da folha, podendo deixar apenas as nervuras; ocasionam desfolha parcial ou total da planta e podem consumir as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas, aumentando a incidência, respectivamente, da podridão-negra-das-crucíferas e da podridão- mole. Falsa-medideira (P. includens) As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Falsa medideira (T. ni) As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Vaquinha (D. speciosa) A larva ataca as raízes da planta, enquanto os adultos se alimentam das folhas. O ataque às folhas pelos adultos resulta em grande número de pequenas perfurações, que reduzem a área fotossintética da planta. Altas infestações de adultos, logo após o transplantio, podem ocasionar a destruição total da parte aérea das mudas, exigindo o replantio Mosca-branca B. tabaci Adultos e ninfas sugam a seiva e reduzem o vigor das plantas; na alimentação injetam toxinas que geram anomalias nas plantas; excretam substância açucarada (honeydew) que favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) sobre as folhas, afetando a respiração e fotossíntese. É vetor de vírus. Traça-das-crucíferas P. xylostella Desfolha, broqueamento do ponto de crescimento caulinar de pecíolos das folhas e de ramos e consumo das inflorescências. Após a eclosão, as lagartas penetram nas folhas e iniciam sua alimentação no parênquima, formando pequenas minas (galerias) nas folhas; posteriormente, deixam as minas e se alimentam da epiderme da face inferior das folhas, porém não consomem as nervuras e podem não atingir a epiderme da face superior da folha, deixando pequenos orifícios de alimentação de formato irregular, com aspecto de “janelas”; lagartas mais desenvolvidas deixam grandes orifícios entre as nervuras da folha, a qual pode apresentar-se totalmente rendilhada ou apenas com as nervuras 77 Lagarta H. armigera As lagartas causam desfolha e atacam as inflorescências em diferentes fases de desenvolvimento. Já desenvolvidas, elas deixam grandes orifícios nas folhas e consomem as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas. RÚCULA PRAGA TIPO DE DANO Lagarta rosca A. ípsilon As lagartas promovem o corte de plantas jovens na região do coleto, acarretando sua morte (como as espécies de lagarta-militar). Sob infestação severa, em períodos quentes e secos, torna-se necessária a realização de replantio de mudas. Pulgões (M. persicae) (B. brassicae) Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas noviveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). Lagarta militar (S. frugiperda) As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas as lagartas raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta Curuquerê da couve (A. monuste orseis) As lagartas iniciam o ataque das bordas para o centro da folha, podendo deixar apenas as nervuras; ocasionam desfolha parcial ou total da planta e podem consumir as inflorescências. As injúrias ocasionadas pela praga podem ainda favorecer infecções secundárias de bactérias necrotóficas, aumentando a incidência, respectivamente, da podridão-negra-das-crucíferas e da podridão- mole. Falsa medideira (T. ni) As lagartas causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta. Mosca minadora (L. huidobrensis) As larvas abrem galerias translúcidas ou esbranquiçadas, estreitas e irregulares, em forma de serpentina nas folhas. Alta infestação pode provocar necrose e secamento das folhas e desfolha precoce, principalmente em plantas jovens. SALSA PRAGA TIPO DE DANO Lagartas Spodoptera spp. e H. armigera As lagartas atacam as folhas em diferentes fases de desenvolvimento. Quando novas, raspam a face inferior da folha, deixando-a com aspecto rendilhado; lagartas mais desenvolvidas (a partir do terceiro ínstar) causam perfurações nas folhas, podendo evoluir para uma desfolha parcial (grandes orifícios) ou total da planta Vaquinhas D. speciosa A larva ataca as raízes da planta, enquanto os adultos se alimentam das folhas. O ataque às folhas pelos adultos resulta em grande número de pequenas perfurações, que reduzem a área fotossintética da planta. Altas infestações de adultos, logo após o transplantio, podem ocasionar a destruição total da parte aérea das mudas, exigindo o replantio Pulgões A. gossypii M. persicae Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam toxinas nas plantas, provocando definhamento de mudas e de plantas jovens; sua excreção adocicada (honeydew) favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) nas folhas. Infestam plantas no viveiro de mudas e no cultivo após o transplantio. Ocorrem tanto em campo aberto como sob ambiente protegido (estufa). O principal dano dos pulgões resulta da transmissão de vírus (adultos e ninfas). 78 SÁLVIA PRAGA TIPO DE DANO Lesmas Adultos e imaturos alimentam-se raspando as folhas, as quais apresentam perfurações irregulares, porém, quando a infestação é severa e a planta é jovem, podem ficar apenas as nervuras. As plantas infestadas apresentam rastros de muco branco-prateado brilhante e fezes nas folhas, o que ocasiona perdas na qualidade visual e sanitária da hortaliça. Possuem hábito noturno e durante o dia escondem-se em locais úmidos e escuros, como debaixo do “mulching” (palhada, casca de arroz, filme plástico preto), de restos culturais, de pedras e no solo. Mosca branca B. tabaci Adultos e ninfas sugam a seiva e reduzem o vigor das plantas; na alimentação injetam toxinas que geram anomalias nas plantas; excretam substância açucarada (honeydew) que favorece a formação de fumagina (lâmina fina e preta) sobre as folhas, afetando a respiração e fotossíntese. É vetor de vírus. Ácaros Tetranychus spp. Sugadores de seiva, reduzindo produção. Causam manchas cloróticas nas folhas reduzindo o valor comercial. Tecem teias nas folhas quando em altas populações. 79 MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS Jorge Anderson Guimarães Alexandre Pinho de Moura Miguel Michereff Filho A estrutura básica do manejo integrado de pragas pode ser comparada, analogamente, à estrutura de uma casa, onde o alicerce do MIP seria representado pela taxonomia (identificação correta das espécies) e pelas amostragens (níveis de controle). Já as paredes seriam representadas pelos métodos de controle, e o telhado, como sendo o programa integrado (GONZÁLES, 1971; GALLO et al., 2002). Para a implementação de um programa de MIP, devem ser respeitadas, basicamente, as seguintes etapas: • Reconhecimento das pragas-chave (identificação, biologia, comportamento, hospedeiros). • Avaliação dos inimigos naturais (responsáveis pela mortalidade natural nos agroecossistemas). • Avaliação dos fatores de mortalidade abiótica (temperatura, umidade, precipitação). • Determinação dos níveis de equilíbrio, de dano e de controle (baseados na fenologia da planta, prejuízos das pragas, custo do controle e preço da produção). • Avaliações populacionais, obtidas por meio de amostragens, a fim de se estabelecer os métodos de controle mais adequados para incorporação no programa de manejo (GALLO et al., 2002). • A tomada de decisão sobre a necessidade de controle está baseada nos níveis populacionais dos insetos. O nível de equilíbrio (NE) é representado pela densidade média de uma população durante um longo período, em um ambiente que não tenha sofrido mudanças permanentes. Em decorrência de fatores de desequilíbrio, os insetos podem multiplicar-se rapidamente, atingindo o nível de dano econômico- NDE. Nesse caso, o inseto que causa esse dano econômico é considerado “praga” e deve ser controlado, com o uso de medidas de controle adequadas, dentro dos preceitos do MIP (PAPA,2003). Nível de dano econômico (NDE) - menor densidade populacional do inseto capaz de causar perdas econômicas. Geralmente, por meio das amostragens é possível evitar que o inseto atinja o NDE. Por meio da utilização do nível de controle (NC), definido como a densidade populacional do inseto onde medidas de controle devem ser adotadas para evitar que o inseto atinja o nível de dano econômico (GALLO et al., 2002). a 09 80 Segundo KOGAN (1998), as diferentes táticas de controle utilizadas no manejo integrado são: • Uso de cultivares resistentes • Controle biológico • Controle cultural • Defensivos biorracionais • Defensivos seletivos • Defensivos de largo espectro só devem ser utilizados em casos extremos, e nunca no início do cultivo, sob pena de erradicar toda a população de inimigos naturais, causando sérios desequilíbrios no agroecossistema. As normas técnicas da Produção Integrada de Folhosas, Inflorescências e Condimentares (PIFIC) estabeleceram a obrigatoriedade da implantação do MIP, visando à redução do uso de agroquímicos e à adoção de práticas mais sustentáveis, como os métodos biológicos de controle de pragas. Além disso, as normas estabelecem o uso exclusivo de inseticidas registrados (Anexo 1, Capítulo 13), levando em consideração a eficiência, a seletividade, os níveis de resíduos nos produtos e no ambiente, buscando, sempre que possível, alternativas para retardar ou impedir o advento da resistência dos artrópodes aos inseticidas (BRASIL, 2021). Nesse contexto, é necessária a busca de métodos de controle que possam ser utilizados em conjunto, respeitando os preceitos ecológicos, econômicos e sociais, visando à obtenção de um pacote tecnológico e dinâmico, que possa atender às normas técnicas da PIFIC e, ao mesmo tempo, tenha reconhecida eficiência no controle das populações de insetos-praga. Assim, o MIP deve ser baseado em um conjunto de medidas de uso planejado, visando preparar a cultura para o ataque das pragas. Dessa forma, evita-se que atinjam o nível de dano econômico e, consequentemente, reduz a necessidade do uso de medidas de controle curativo (PICANÇO et al., 2003). A seguir, serão discutidas as principais táticas de manejo que devem compor um programa de MIP para as culturas de folhosas, inflorescências e condimentares no Brasil. 1. TÁTICAS DE USO PLANEJADO Constituem-se um conjunto de medidas baseadas no conhecimento da cultura edas pragas, visando à prevenção e à manutenção do nível populacional dos insetos abaixo do NDE. São considerados nessa categoria o controle cultural, a resistência de plantas, o controle legislativo e o controle comportamental. 1.1. Controle cultural Tem como finalidade a manipulação do ambiente agrícola, visando torná- lo inadequado para o desenvolvimento de pragas, promovendo sua dispersão e dificultando sua reprodução e sobrevivência (DENT, 1991). Assim, o controle Õ 81 cultural tem início com a escolha da variedade vegetal a ser cultivada, bem como a época de cultivo, manejo da água, fertilidade, espaçamento, etc. Outros fatores do ambiente, como a temperatura, umidade do ar e do solo, luminosidade, composição e estrutura do solo e plantas associadas, têm influência direta nas populações de insetos-praga (GUEDES, 2000). As principais práticas culturais que podem ser adotadas no manejo integrado de pragas: 1) Eliminação de restos culturais - Impede a reinfestação da cultura pela destruição de ovos e insetos presentes nos restos culturais. 2) Eliminação de plantas daninhas e hospedeiras - Diminui os locais onde os insetos podem se alojar durante os períodos de entressafra e reduz as fontes de infestação para os insetos transmissores de fitopatógenos. 3) Utilização de plantas-iscas ao redor da área cultivada - As plantas-iscas são geralmente mais atrativas às pragas do que o meloeiro. Assim, as iscas atraem esses insetos, possibilitando seu manejo (inseticida) fora dos limites do meloeiro, evitando-se a interferência nas populações de inimigos naturais. 4) Rotação de culturas - Utilização, principalmente, de plantas que não sejam hospedeiras naturais das pragas das folhosas, inflorescências e condimentares. O grau de eficiência dessa tática dependerá do tamanho da área de abrangência da rotação, devendo envolver o controle na comunidade ou microrregião. 5) Pousio - Manutenção da área sem cultivo durante determinado período. Também necessita de planejamento em larga escala; caso contrário, os insetos se dispersarão para áreas vizinhas, comprometendo todo o esquema de controle. 6) Distribuição espacial dos cultivos - Reduz a dispersão dos insetos pelo vento. Sabe-se que a mosca-branca, pulgões e a mosca-minadora se dispersam em longas distâncias com o auxílio dos ventos predominantes. Dessa forma, o planejamento do plantio, deve ser realizado de forma que os novos cultivos sejam feitos no sentido contrário ao dos ventos vindos de áreas infestadas. 7) Cercas vivas - Barreiras vegetais que evitam que os insetos presentes em campos infestados tenham acesso às novas áreas. A mata nativa pode ser manejada para atuar como cerca viva. 8) Manejo nutricional da planta - A deficiência e o excesso de nutrientes, (principalmente o nitrogênio), utilizados na adubação, devem ser manejados deforma a evitar que os insetos utilizem o excesso de nitrogênio como fonte de aminoácidos livres para seu desenvolvimento e reprodução. 9) Manejo adequado da água - A oferta de água determinará o grau de desenvolvimento vegetativo da planta, interferindo na sua atratividade e aceitação pelas pragas. 10) Uso de armadilhas adesivas amarelas - A instalação dessas armadilhas baseia-se no princípio da atração dos adultos da mosca-branca, mosca-minadora e pulgão pela cor amarela, ficando retidos na superfície dos painéis adesivos. Esses painéis devem ser instalados principalmente nas bordaduras da cultura para capturar os insetos migrantes. 11) Uso da cobertura do solo com plástico – Os insetos migrantes, que utilizam estímulos visuais para localizar as plantas, são confundidos pelo uso desse material. Além disso, o uso do plástico (mulching) pode modificar o microclima no entorno das plantas, tornando-o desfavorável ao desenvolvimento dos insetos. 12) Resistência de plantas a insetos - Caracteriza-se como uma das áreas mais importantes do MIP e pode ser utilizada em conjunto com todos os demais métodos de controle de pragas. A busca por variedades que expressem algum 82 tipo de resistência ou tolerância é de fundamental importância para maximizar o manejo de pragas (GALLO et al., 2002). 1.2. Métodos baseados na Densidade Populacional dos Artrópodes-Praga Uma vez instalada a cultura no campo, de acordo com as táticas de uso planejado, é necessário adotar medidas de acompanhamento das populações dos insetos, para determinar a necessidade de utilização de controle. Para isso, deve-se passar por três etapas distintas: 1. Monitoramento; 2. Tomada de Decisão e 3. Táticas de controle curativo. 1. Monitoramento Consiste na realização das amostragens de pragas no campo, a fim de verificar a chegada das pragas e estimar a sua densidade populacional ao longo do tempo. Os dados, que devem ser anotados nos cadernos de campo, indicam se a praga-chave está presente na cultura e em qual densidade populacional ela se encontra naquele momento. 2. Tomada de decisão É feita com base nos resultados das amostragens dos insetos no campo, as quais permitem estabelecer os níveis populacionais dos insetos (Nível de equilíbrio - NE, Nível de Controle NC ou ação e Nível de Dano Econômico NDE). No momento em que o nível de controle NC é alcançado, há a necessidade do uso de medidas de controle curativo, a fim de evitar prejuízos econômicos ao produtor. 3. Táticas de Controle Curativo Essas táticas são utilizadas apenas quando os artrópodes-praga atingem o nível de controle, indicando que as medidas de controle preventivo não foram capazes de manter as pragas em níveis populacionais abaixo do NC. Assim, a PIFIC preconiza, para esses casos, o uso do controle químico, por meio da aplicação de agrotóxicos registrados paras a culturas (Anexo 1, Cap 13) e do controle biológico aplicado. • Controle químico O uso dos agrotóxicos só pode ser realizado sob a supervisão do responsável técnico, devidamente registrado no CREA, com a emissão do receituário agronômico. Este profissional ficará responsável por minimizar os efeitos adversos do uso dos agrotóxicos, buscando utilizar produtos com menor toxicidade ao homem, respeitando o período de carência e tomando todas as precauções para evitar a contaminação do solo, água e meio ambiente com resíduos químicos. De acordo com BLEICHER (2003), a aplicação de agrotóxicos deve ser feita de forma planejada, levando em consideração os fatores relacionados ao produto escolhido, à fenologia da planta e à praga-alvo. Com relação ao agrotóxico a ser utilizado, deve-se conhecer: - Efetividade: a escolha do produto deve ser baseada em compêndios e Agrofit, que apresentam todas as características dos produtos, culturas, pragas controladas, doses, etc. - Seletividade: produtos que causam menores desequilíbrios biológicos, em virtude da seletividade fisiológica (tolerância diferenciada de determinadas 83 espécies ao agrotóxico) e ecológica (diminuição do risco de os organismos benéficos entrarem em contato com o defensivo). São poucos os inseticidas que têm seletividade fisiológica total. Assim, os inseticidas reguladores de crescimento só atuam sobre as fases imaturas dos insetos. A seletividade ecológica pode ser obtida por meio do uso de inseticidas sistêmicos, tratamento de sementes, ou pelo uso de inseticidas que agem apenas quando ingeridos ou aqueles com baixa persistência residual, etc. - Toxicidade: conhecimento das classes de toxicidade dos defensivos. - Efeito residual: tempo em que a molécula permanece biologicamente ativa, controlando a praga. - Período de carência: período compreendido entre a última aplicação e a colheita dos produtos. - Persistência: tempo em que a molécula permanece biologicamente ativa, no ambiente, sem necessariamente estar controlando a praga. - Método de aplicação: definido de acordo com o produto escolhido, a fenologia da planta e a praga-alvo. - Manejo da resistência dos artrópodes aos agrotóxicos. • Controle biológico Os inimigos naturais são os principais agentesde mortalidade biótica no agroecossistema, com papel fundamental na manutenção do nível de equilíbrio das populações de pragas. Todas as culturas abrigam naturalmente uma grande diversidade de inimigos naturais, como os parasitoides, os predadores e os microrganismos entomopatogênicos (BRAUN e SHEPARD, 1997). Os procedimentos básicos para o uso do controle biológico no MIP são: introdução, conservação e multiplicação dos inimigos naturais (GALLO et al., 2002). A conservação se baseia no uso de inseticidas seletivos, visando diminuir a mortalidade dos inimigos naturais no agroecossistema, bem como a preservação de áreas no entorno da cultura, a fim de prover refúgios de alimentação e reprodução para os inimigos naturais, além de permitir a sua manutenção na entressafra. A multiplicação visa aumentar o número desses inimigos, por meio da introdução de novos indivíduos criados em laboratório e liberados em grande quantidade na cultura. Nessa classe, também podem ser utilizados os fungos entomopatogênicos, produzidos no laboratório e aplicados via pulverização no campo (PICANÇO et al., 2003). CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a adoção da PIFIC, cria-se um ambiente favorável ao sucesso do manejo integrado de pragas. Para que isso se torne realidade, no entanto, faz- se necessário o planejamento criterioso da cultura (táticas culturais, mecânicas, etológicas, resistência de plantas, etc.), visando ao uso dos agrotóxicos apenas quando realmente necessários. Dessa forma, permite-se a manutenção dos inimigos naturais e, consequentemente, a sustentabilidade das culturas de hortaliças folhosas, inflorescências e condimentares. 84 PRINCIPAIS DOENÇAS E NEMATOIDES Ricardo Borges Pereira 1. ACELGA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Cercosporiose Cercospora beticola Os sintomas se manifestam inicialmente nas folhas mais velhas na forma de manchas circulares, de cor parda a marrom-clara no centro, rodeadas por um halo marrom- escuro a púrpura-avermelhado. Nos pecíolos, ocorrem sintomas similares, apenas diferenciando-se pelo formato alongado ou elíptico. Com o progresso da doença, as lesões coalescem, ocupando grande área do limbo foliar. Em casos severos, a doença pode causar a morte da planta. Em condições de alta umidade, observam-se a presença de estromas (estruturas reprodutivas do fungo) no centro das lesões. O tecido necrótico pode se destacar, conferindo furos nas folhas. A doença ocorre principalmente em períodos de alta precipitação quando as temperaturas predominam na faixa de 22°C a 30°C. O fungo sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo e em outras hospedeiras quenopodiáceas. Tombamento ou damping- off Rhizoctonia solani Pythium spp. Phytophthora spp. Fusarium spp. A doença ocorre na fase inicial de desenvolvimento das plantas e na forma de pequenas reboleiras. Inicialmente, é observada uma lesão encharcada na base das plântulas, na região do coleto, que posteriormente torna-se necrótica, causando o tombamento e a morte das plantas. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade do solo e temperaturas predominantes na faixa de 15°C a 25°C. Os patógenos sobrevivem em restos culturais entre as estações de cultivo. Na ausência de hospedeiros, podem sobreviver por longo período por meio de estruturas de resistência. Podridão de esclerotínia Sclerotinia sclerotiorum Inicialmente, é observada a redução do crescimento, murcha e amarelecimento das plantas afetadas, que geralmente se apresentam em reboleiras. No caule, próximo à região do coleto, verifica-se uma podridão aquosa seguida por lesões necróticas. Em condições de alta umidade, verifica-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados e a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) escuros, rígidos e de formato e tamanho variável. A ocorrência da doença é favorecida pela predominância de temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 20°C, pela alta umidade relativa do ar e pela alta umidade do solo. O fungo sobrevive em restos culturais. Na ausência de hospedeiros, pode sobreviver por longo período por meio dos escleródios 1.1. Outras doenças Podridão mole (Pectobacterium spp.) Septoriose (Septoria lactucae) 10 85 1.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Usar de substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados com patógenos de solo. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Plantar em canteiros altos para evitar encharcamento do solo. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Eliminar plantas quenopodiáceas próximas a área de cultivo, que possam hospedar patógenos. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo no caso de áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras por pelo menos três anos para a redução da população dos patógenos de solo. Exemplo: gramíneas, ou por um ano no caso de patógenos de parte aérea. • Utilizar fungicidas registrados para a cultura, se necessário. 2. AGRIÃO DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Míldio Hyaloperonospora parasitica A doença ocorre em todas as fases de desenvolvimento da planta. Os sintomas manifestam-se na face inferior das folhas na forma de manchas mais ou menos circulares, inicialmente úmidas e cloróticas. Em condições de alta umidade, observa-se a formação de micélio branco‐acinzentado sobre as lesões. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se irregulares e necróticas. Em mudas, os sintomas podem ser observados nas folhas cotiledonares, que, em seguida, progridem de forma ascendente para toda a parte área da planta. A ocorrência da doença é favorecida por condições de alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e temperaturas baixas a amenas, na faixa de 12°C a 20°C. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. Podridão de esclerotínia Sclerotinia sclerotiorum A doença ocorre em pequenas reboleiras, cujas plantas apresentam redução do crescimento, sintomas de murcha e amarelecimento das folhas. No caule, observa- se uma podridão aquosa seguida de lesões necróticas. Em condições de alta umidade, verifica-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados e a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) escuros, rígidos e de formato e tamanho variável. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 20°C, pela alta umidade relativa e pela alta umidade do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, na forma de escleródios por longo período. Podridão negra Xanthomonas campestris pv. campestris Os sintomas caracterizam-se por lesões amarelecidas em formato de cunha ou “V” nas extremidades das folhas, com o vértice voltado para o centro, visto que a bactéria infecta a planta pelos hidatódios. Entretanto, as lesões podem aparecer em qualquer posição no limbo foliar quando a penetração da bactéria se dá pelos estômatos, por ferimentos mecânicos ou causados por insetos. Neste caso, as lesões apresentam formato irregular. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores e necróticas, levando à queda prematura das folhas. A doença ocorre em períodos de alta precipitação quando as temperaturas predominam na faixa de 25°C. A bactéria sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo e em outras hospedeiras. 86 2.1. Outras doenças • Hérnia das crucíferas (Plasmodiophora brassicae) • Mancha de alternaria(Alternaria brassicae e A. brassicicola) • Mosaico do nabo (Turnip mosaic virus - TuMV) 2.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados com patógenos de solo. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em áreas de baixadas, sujeitas à formação de orvalho. • Plantar em canteiros altos para evitar encharcamento do solo. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas cultivadas com outras brássicas. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Evitar ferimentos nas plantas na ocasião dos tratos culturais. • Manter a limpeza e a sanidade do sistema hidropônico, se for o caso. • Eliminar plantas brássicas aos arredores da área de cultivo ou outras que possam hospedar patógenos. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo no caso de áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a limpeza de maquinário e ferramentas para evitar a contaminação de novas áreas. • Corrigir o pH do solo para 6,5 ou superior, no caso de áreas infestadas por Plasmodiophora brassicae. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras por, pelo menos, três anos para a redução da população dos patógenos de solo. Exemplo: gramíneas, ou por um ano no caso de patógenos de parte aérea. • Utilizar fungicidas e bactericidas registrados para a cultura, se necessário. 3. AIPO OU SALSÃO DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Queima de alternaria Alternaria dauci Os sintomas se manifestam inicialmente nas folhas mais velhas na forma de pequenas manchas castanho-escuras ou pretas, circundadas por halo amarelado. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se necróticas, e as folhas ficam retorcidas. Lesões semelhantes podem aparecer nos pecíolos, porém, apresentam formato mais alongado. O patógeno também pode causar lesões nas umbelas e o escurecimento das sementes, em cultivos de produção de sementes. A ocorrência da doença é favorecida por altas temperaturas, alta umidade relativa e por longos períodos de molhamento foliar. O patógeno sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo ou em outras hospedeiras, bem como em sementes infectadas. Mofo branco Sclerotinia sclerotiorum A doença ocorre em pequenas reboleiras, cujas plantas apresentam sintomas de murcha e amarelecimento das folhas. As raízes apresentam necrose e podridão aquosa radial de fora para dentro. Em condições de alta umidade, verifica-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados e a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) escuros, rígidos e de formato e tamanho variável. A ocorrência da doença é favorecida pela predominância de temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 21°C, pela alta umidade relativa e pela alta umidade do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, pode sobreviver por longo período por meio das estruturas de resistência. 87 3.1. Outras doenças • Tombamento ou damping-off (Rhizoctonia solani) • Cercosporiose (Cercospora sp.) • Septoriose (Septoria sp.) • Nematoide das galhas (Meloidogyne spp.) 3.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Usar de substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados com patógenos de solo. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Plantar em canteiros altos para evitar encharcamento do solo. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Eliminar plantas apiáceas próximas à área de cultivo, que possam hospedar patógenos. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo no caso de áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras por, pelo menos, dois (nematoides) ou três (fungos de solo) anos para a redução da população dos patógenos de solo. Exemplo: gramíneas, ou por um ano no caso de patógenos de parte aérea. • Realizar o alqueive ou pousio por, pelo menos, 45 dias para o caso de solos infestados por nematoides. • Utilizar plantas antagonistas (crotalária, mucunas, cravo-de-defunto) para o controle de nematoides. • Utilizar fungicidas e bactericidas registrados para a cultura, se necessário. 4. ALCACHOFRA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Crestamento bacteriano Xanthomonas campestris pv. campestris Os sintomas se manifestam na forma de manchas oleosas escuras nas folhas e capítulos da planta, com exsudação bacteriana de coloração amarela nos tecidos lesionados, seguida de podridão. Condições de elevada temperatura e alta umidade do solo favorecem a ocorrência da doença. O patógeno sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo. Podridão mole Pectobacterium carotovorum subsp. carotovorum Os sintomas se manifestam na forma de murcha das folhas, seguida do apodrecimento da planta. A podridão é mole e apresenta odor fétido, característico da doença. A ocorrência da doença é favorecida pela elevada umidade do solo e altas temperaturas. O patógeno sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo. Míldio Bremia lactucae Os sintomas são observados inicialmente na face inferior da folha pela presença de micélio pulverulento de cor branca sobre o limbo foliar. Com o progresso da doença, as lesões aumentam de tamanho e podem ser vistas na face superior, na forma de manchas irregulares de cor parda e aspecto seco, geralmente delimitadas pelas nervuras das folhas. A alcachofra é acometida por raças de B. lactucae distintas da alface. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, em torno de 15°C e por longos períodos de molhamento foliar. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. 88 Oídio Leveillula taurica f. sp. cynarae Os sintomas aparecem inicialmente na face superior de folhas jovens, as quais apresentam-se cobertas por micélio pulverulento branco-amareladas. Com o progresso da doença, os sintomas manifestam-se nas folhas velhas e evoluem para pequenas lesões necróticas. As folhas afetadas podem apresentar ligeiro enrolamento em direção ao ápice. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, variando entre 15°C e 20°C, e pela elevada umidade do ar, em torno de 50% ou 70%. Podridão do colo Rhizoctonia solani Sclerotinia sclerotiorum Sclerotium rolfsii Quando os patógenos incidem sobre plantas jovens, causam sintomas de tombamento nas plântulas. Em plantas maiores, os sintomas manifestam-se inicialmente na parte aérea das plantas, na forma de amarelecimento progressivo da extremidade mais externa das folhas, que, em seguida, secam. Com o progresso da doença, as plantas murcham e morrem, devido ao apodrecimento das raízes e da região do colo. A elevada umidade do solo favorece a ocorrência da doença. Temperaturas mais elevadas estimulam a ocorrência de R. solani e S. rolfsii, enquanto temperaturas amenas favorecem S. sclerotiorum. O fungo resiste em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, pode sobreviver por longo período por meio das estruturas de resistência (escleródios e microescleródios). 4.1. Outras doenças • Queima bacteriana (Pseudomonas viridiflava) • Ferrugem (Puccinia carduorum) • Mancha de ramulária (Ramularia cynarae) • Murcha de ascochyta (Ascochyta hortorum) • Murcha de verticílio(Verticillium dahliae) • Vírus latente da alcachofra (Artichoke latente virus – ArLV) • Nematoides (Pratylenchus penetrans) 4.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes, quando disponíveis. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Formar mudas em ambientes fechados, protegidos com telas antiafídeos. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados com patógenos de solo. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas com o cultivo de brássicas. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Plantar em canteiros altos para evitar encharcamento na base das plantas. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Evitar ferimentos nas plantas na ocasião dos tratos culturais. • Eliminar brássicas e plantas hospedeiras de viroses aos arredores das áreas de cultivo. • Realizar o monitoramento e o controle de insetos vetores de viroses, como ArLV. • Eliminar plantas doentes, principalmente com viroses, imediatamente após sua constatação. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras por pelo menos três anos para a redução da população dos patógenos de solo. 89 Exemplo: gramíneas ou, por um a dois anos, no caso de patógenos de parte aérea. • Realizar a solarização do solo no caso de áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. 5. ALFACE DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Mancha bacteriana Pseudomonas cichorii Os sintomas se manifestam na forma de pequenas manchas de aspecto encharcado e, posteriormente, com o centro necrótico, dispersas em todo o limbo e nervura central das folhas. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores, coalescem e secam, exibindo coloração parda a preta. Em infecções severas, a bactéria causa murcha da planta e, consequentemente, as folhas apodrecem pela ação de bactérias oportunistas. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade relativa e temperaturas amenas, em torno de 25°C. O fungo sobrevive em diversas hospedeiras, como solanáceas, cucurbitáceas, aliáceas e fabáceas, e também nos restos culturais entre as estações de cultivo. Podridão mole Dickeya spp. Os sintomas são observados inicialmente na forma de murcha das folhas mais externas, devido ao colapso dos tecidos vasculares, seguido pela morte da planta. Quando arrancada, ela apresenta intensa podridão mole na região da coroa, que pode se estender na forma de necrose por todo o caule da planta, que exibe um odor fétido característico. Plantas próximas à colheita são mais suscetíveis à podridão mole, que também pode ocorrer na pós-colheita. Temperaturas acima de 25°C e alta umidade relativa do ar e do solo favorecem a ocorrência da doença. Esta também é favorecida por adubações nitrogenadas em excesso. Ferimentos mecânicos nas plantas servem de porta de entrada para a bactéria, que sobrevive nos restos culturais entre as estações de cultivo. Míldio Bremia lactucae Os sintomas são visíveis nas folhas mais velhas na forma de manchas cloróticas de tamanho variado. Na face inferior correspondente, observa-se a presença de micélio (estruturas reprodutivas) de coloração branca e aspecto cotonoso sobre o limbo foliar. Com o progresso da doença, as lesões coalescem, tornam-se necróticas e adquirem coloração parda. Condições ambientais de alta umidade e temperaturas amenas, em torno de 15°C, aliadas a longos períodos de molhamento foliar, favorecem a ocorrência da doença. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. Tombamento ou damping-off Rhizoctonia solani Pythium spp. Os sintomas geralmente ocorrem em pequenas reboleiras, na fase inicial de desenvolvimento das plantas. Lesões causadas por R. solani se manifestam na forma de pequeno cancro marrom, com bordas bem definidas, entre o tecido sadio e o doente, na base do caule da planta, entre a raiz e o cotilédone. Já as infecções causadas por Pythium spp. caracterizam-se por um afilamento desta região. Em ambos os casos, as plantas já emergidas tombam e, em seguida, a área lesionada seca e apodrece, causando a morte das plantas. Solos encharcados e irrigações e chuvas excessivas favorecem a ocorrência da doença. Os patógenos podem sobreviver na ausência do hospedeiro, por vários anos, por meio de estruturas de resistência (escleródios e oósporos), bem como em restos culturais remanescentes na lavoura. 90 Mancha de cercóspora Cercospora longíssima Os sintomas se manifestam inicialmente nas folhas mais velhas, na forma de manchas mais ou menos circulares de tamanhos variados, de cor parda, com bordas bem definidas e centro mais claro. Com o progresso da doença, as lesões coalescem, danificando grande parte do limbo foliar. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade do ar, acima de 90%, temperaturas na faixa de 25°C e longos períodos de molhamento foliar. Podridão de esclerotínia ou mofo branco Sclerotinia sclerotiorum Sclerotinia minor O patógeno causa o apodrecimento do caule e da base da planta, principalmente em plantas adultas. Na região do colo da planta, observa-se a necrose generalizada dos tecidos, que degradam de forma rápida, assumindo aspecto de podridão mole. Em condições de alta umidade, verifica-se a presença de micélio branco e de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, bem como de escleródios (estruturas de resistência) rígidos, pretos e de tamanho e formas variados. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 20°C, pela alta umidade relativa e pela alta umidade do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, na forma de escleródios por longo período. Murcha de esclerócio Sclerotium rolfsii Os sintomas são inicialmente observados em reboleiras, geralmente em plantas adultas, na forma de murcha. Na base da planta próxima ao solo, observa-se o apodrecimento do caule. Em condições de alta umidade, verifica-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados e a formação de numerosos microescleródios (estrutura de resistência) de formato esférico, de 1 mm a 2 mm de diâmetro, inicialmente brancos e, posteriormente, marrom-escuros. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas torno de 25°C e pela alta umidade do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, na forma de microescleródios por longo período. Murchadeira ou podridão negra das raízes Thielaviopsis basicola Os sintomas são observados inicialmente na parte aérea das plantas, as quais apresentam redução do crescimento e murcha nas horas mais quentes do dia. Ao arrancar as plantas afetadas observa-se manchas escuras nas raízes. Com o progresso da doença, principalmente as raízes laterais vão se tornando completamente apodrecidas. A severidade da doença geralmente é maior em plantas cultivadas em condições adversas de temperatura. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas elevadas, de 23°C a 26°C, e pela elevada umidade do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, na forma de estruturas de resistência (clamidósporos) por longo período. Queima da saia Rhizoctonia solani Os sintomas são observados em reboleiras, nas folhas baixeiras da planta, próximas ao solo. Inicialmente as lesões limitam-se a pequenos pontos marrom-claros nas nervuras das folhas, que aumentam de tamanho, escurecem e se expandem no limbo foliar. Com o progresso da doença, as folhas murcham e secam. Na parte interna das plantas afetadas, junto à nervura central, na base do limbo, observa-se o crescimento de micéliobranco a pardacento, podendo encontrar também numerosos escleródios (estruturas de resistência) pequenos de coloração branca a pardo-escuros. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, de 15°C a 20°C, e pela elevada umidade do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, na forma de escleródios por longo período. Murcha de fusário Fusarium oxysporum f. sp. Lactucae Os sintomas são observados inicialmente em reboleiras e na parte aérea das plantas, que apresentam redução do crescimento, amarelecimento e murcha. Mediante o corte longitudinal no caule, verifica-se um escurecimento dos vasos do xilema. Altas temperaturas e alta umidade do solo favorecem a ocorrência da doença. O fungo sobrevive em restos culturais e na forma de clamidósporos (estruturas de resistência) por longo período. 91 Septoriose Septoria lactucae A septoriose ocorre principalmente em folhas mais velhas, onde são observadas manchas com contornos irregulares. O tecido afetado inicialmente apresenta aspecto desidratado, torna-se pardacento, com numerosos pontos de cor escura visíveis a olho nu, que são as estruturas do patógeno. As condições favoráveis à ocorrência da doença são a alta umidade relativa e temperaturas na faixa de 10°C a 28°C, com ótimo de 24°C. Mosaico Lettuce mosaic virus – LMV Quando das plantas são afetadas no estádio inicial de desenvolvimento, observa-se drástica redução no seu crescimento. Quando adultas, as plantas apresentam mosaico, amarelecimento foliar, clareamento das nervuras, má-formação e distorção da cabeça. Podem exibir ainda necroses das nervuras e folhas. Sintomas de mosaico e clareamento das nervuras são menos evidentes em alfaces do tipo crespa. O vírus pode ser transmitido por sementes, mas sua dispersão ocorre de forma mais eficiente por meio de afídeos vetores (Myzus persicae, Macrosiphum euphorbiae, Acyrtosiphon scariolae e Aphis gossypii) de forma não persistente. Big-vein ou engrossamento das nervuras Mirafiori lettuce big vein virus - MLBVV Quando as plantas são infectadas na fase de mudas, não se desenvolvem ou morrem. Em plantas mais desenvolvidas, observa-se o engrossamento generalizado das nervuras, acompanhado de amarelecimento das áreas no entorno das nervuras. As plantas apresentam crescimento reduzido, retardo fisiológico e má-formação da cabeça. O vírus é transmitido pelo oomiceto Olpidium brassicae, um habitante de solo, que permanece viável por muitos anos no solo. Temperaturas amenas, por volta de 16°C, e solos encharcados ou mal drenados favorecem a transmissão da doença, uma vez que os vetores produzem zoósporos que se movimentam através da água livre no solo. Mosqueado Lettuce mottle virus – LeMoV Os sintomas são muito similares aos de LMV, porém menos intensos. Plantas infectadas apresentam mosqueado salpicado e ausência de necroses nas folhas. Quando as plantas são infectadas de forma associada, com LeMoV e LMV, os sintomas são atenuados e os danos podem ser mais severos. O vírus é transmitido pelo afídeo Hyperomyzus lactucae, de forma não persistente. Estudos apontam que, diferentemente do LMV, o LeMoV não é transmitido por Myzus persicae, Aphis gossypii ou por sementes. Vira-cabeça Tospovirus Os sintomas se manifestam na forma de manchas necróticas pelo bronzeamento das folhas, que geralmente se concentram em um lado da planta, ocasionando a sua curvatura. No caso de infecções mais severas (infecção sistêmica), também podem ser observados sintomas de amarelecimento, murcha marginal, bronzeamento das folhas internas e da nervura, presença de anéis cloróticos e necróticos e redução de crescimento da planta, podendo causar a sua morte. O Tospovirus é transmitido de forma circulativa propagativa por diferentes espécies de tripes, como Frankliniella ocidentalis, F. fusca, F. schultzei e Thrips tabaci. Altas temperaturas e alta umidade relativa do ar favorecem a movimentação e, consequentemente, a transmissão do vírus pelos vetores. Nematoide das galhas Meloidogyne incognita Meloidogyne javanica Meloidogyne enterolobii O sintoma mais visível devido à infecção por espécies de Meloidogyne é a presença de galhas de formato arredondado e inchaços nas raízes. Raízes infectadas são geralmente mais curtas e com menor número de raízes laterais. Junto às galhas, pode ser observada a presença de massas de ovos, na forma de pontos escuros na superfície das raízes. Plantas afetadas podem apresentar sintomas adicionais na parte aérea, como nanismo, amarelecimento, formação de cabeças menores, mais leves e folhas mais soltas e murchas. A alta umidade do solo, mas sem saturação, e altas temperaturas, em torno de 25° a 30°C são condições ambientais favoráveis a ocorrência da doença. 92 5.1. Outras doenças • Queima Iateral das folhas (Pseudomonas marginalis pv. marginalis) • Mancha bacteriana (Xanthomonas axonopodis pv. vitians) • Tombamento ou damping-off (Pythium spp. e Rhizoctonia solani) • Podridão de raiz e murcha (Pythium spp.) • Podridão de botritis (Botrytis cinerea) • Oídio (Oidium sp.) • Vírus do mosqueado do picão (Bidens mosaic virus – BMV) • Vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus – CMV) • Vírus do mosaico do nabo (Turnip mosaic virus – TuMV) • Nematoide das galhas (Meloidogyne hapla e Meloidogyne arenaria) • Nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis) 5.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados, protegidos com telas antiafídeos. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Plantar em canteiros altos para evitar encharcamento na base. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Plantar em espaçamentos maiores no período quente para permitir maior ventilação entre as plantas. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Evitar ferimentos nas plantas na ocasião dos tratos culturais. • Eliminar plantas voluntárias da mesma família da alface, como serralha e falsa serralha. • Eliminar plantas hospedeiras de viroses aos arredores das áreas de cultivo. • Realizar o monitoramento e o controle de insetos vetores de viroses. • Em cultivos hidropônicos, manter o sistema limpo e utilizar água de boa qualidade. • Eliminar plantas doentes, principalmente com viroses, imediatamente após sua constatação. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo no caso de áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Exemplo: gramíneas (mínimo de um ano para C. longissima, S. lactucae e Meloidogyne spp., dois anos para Dickeya spp. e três para F. oxysporum f. sp. lactucae, S. rolfsii e S. sclerotiorum). • Realizar o alqueive ou pousio por pelo menos 45 dias para caso de solos infestados por nematoides. • Utilizar plantas antagonistas (crotalária, mucunas, cravo-de-defunto) para o controle de nematoides. • Utilizar fungicidas, bactericida e produtos biológicos registrados para a cultura, se necessário. • Utilizar inseticidas registrados para o controle dos insetos vetores de viroses, se necessário. 93 6. ALHO-PORÓ DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Mancha púrpura Alternaria porri Os sintomas podem ser observados inicialmente pela presença de pequenas lesões de formato irregular nas folhas, que se tornam esbranquiçadas e, posteriormente, adquirem coloração púrpura, podendo apresentar halo amarelado e anéis concêntricos característicos, de coloração marrom a cinza escuro. As lesões podemcrescer e coalescer, levando à murcha e à seca das folhas. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas superiores a 21°C e alta umidade relativa. O fungo sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo e em outras aliáceas hospedeiras. Raiz rosada Setophoma terrestris A doença ocorre em reboleiras em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, mas geralmente incide em plantas adultas. Os sintomas são observados inicialmente na parte aérea, cujas plantas exibem sintomas de déficit hídrico, deficiência nutricional e crescimento reduzido. As raízes inicialmente apresentam coloração rosa-claro, mas, com o progresso da doença, apodrecem e adquirem tonalidades mais escuras. As condições ótimas para a ocorrência da doença são temperaturas entre 24°C e 28°C e alta umidade do solo. O fungo sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo e em outras aliáceas hospedeiras. 6.1. Outras doenças • Podridão branca ou murcha de esclerócio (Sclerotium cepivorum) • Oídio (Oidiopsis taurica) 6.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Uso de substrato livre de patógenos para a produção de mudas, se for o caso. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Plantar em canteiros altos para evitar encharcamento na base. • Realizar o manejo adequado da irrigação de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Eliminar plantas aliáceas próximas às áreas de cultivo. • Realizar a incorporação dos restos culturais imediatamente após a colheita, de modo a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo, no caso de áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Exemplo: gramíneas. • Evitar o cultivo sucessivo com outras aliáceas. 94 7. ASPARGO DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Fusariose Fusarium spp. O ataque do patógeno geralmente ocorre em reboleiras. Durante a fase inicial de desenvolvimento das plantas, o fungo causa o amarelecimento da parte, redução do crescimento e a morte das raízes. Novos brotos apresentam-se mal desenvolvidos, murchos e podem apresentar coloração marrom com o progresso da doença. Em condições de alta umidade relativa, observa-se o crescimento de micélio sobre as escamas dos brotos, os quais tornam-se secos e enrugados. Neste estágio, as raízes e a parte basal do caule situados abaixo da superfície do solo apresentam necroses e coloração avermelhada. O rizoma pode apresentar áreas podres e escurecimento vascular. A doença é favorecida por condições de elevada umidade relativa, temperaturas em torno de 24°C e solos ácidos. O fungo sobrevive em restos culturais ou associado a sementes e forma estruturas de resistência (clamidósporos), capazes de manter o patógeno viável no solo por longo período. Cercosporiose Cercospora asparagi Os sintomas manifestam-se nas folhas e hastes da planta na forma de pequenas lesões circulares a elíptico com centro marrom acinzentado, circundadas por halo marrom avermelhado. Com o progresso da doença, as lesões coalescem e podem causar a queda das folhas. Ataques severos causam desfolha significativa da planta. Temperaturas elevadas, entre 25°C e 30°C, alta unidade e longos períodos de molhamento foliar favorecem a ocorrência da doença. O fungo sobrevive em restos culturais e em outras plantas hospedeiras. Ferrugem Puccinia asparagi Os sintomas são observados nas hastes e folhas, na forma de pequenas urédias circulares de coloração alaranjada e aspecto pulverulento. Dependendo da fase de desenvolvimento do patógeno, as urédias apresentam coloração mais escura como castanho-avermelhadas. A ocorrência da doença é favorecida por períodos frios e úmidos. O fungo sobrevive outras plantas hospedeiras entre as estações de cultivo. Mancha foliar Phoma asparagi Os sintomas da doença ocorrem em toda a parte érea das plantas, geralmente nos estágios finais de desenvolvimento da cultura (período de repouso vegetativo). Nas hastes, são observadas lesões elípticas de, aproximadamente, 15 mm de comprimento por 5 mm de largura e de coloração marrom a preto. No centro das lesões, são observadas pequenas pontuações pretas (picnídios). Nas folhas, as lesões são puntiformes e de cor escura. Dependendo da severidade da doença, as hastes da planta secam e morrem. Temperaturas entre 20°C e 30°C, alta umidade relativa do ar e chuvas associadas a ventos fortes favorecem ocorrência da doença. O fungo sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo. 7.1. Outras doenças • Podridão aquosa (Pectobacterium carotovorum) • Mancha púrpura (Stemphylium vesicarium e S. botryosum) 7.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Uso de sementes sadias e certificadas. • Plantar de rizomas sadios. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados com patógenos de solo. • Plantar em solos bem drenados e não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar ferimentos nas plantas, na ocasião dos tratos culturais. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. 95 • Evitar irrigações por aspersão (redução do molhamento foliar). • Realizar a adubação equilibrada. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. • Para o controle de Fusarium spp., realizar a calagem o mais próximo a neutralidade. 8. BRÓCOLIS DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Podridão negra Xanthomonas campestris pv. campestris O patógeno ataca as plantas desde a fase de mudas até a fase adulta. Quando a bactéria incide sobre plantas jovens, pode causar o nanismo ou a sua morte. Em plantas maiores, os sintomas se manifestam na forma de lesões cloróticas, em formato de “V”, localizadas geralmente nas margens da folha, com o vértice voltado para o centro - visto que a infecção ocorre pelos hidatódios. Quando a infecção ocorre pelos estômatos, ferimentos mecânicos ou por insetos, as lesões podem aparecer em qualquer posição na folha e geralmente apresentam formato irregular. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores e com o centro necrótico, podendo causar a queda das folhas. A bactéria pode se tornar sistêmica e atingir os vasos do xilema, obstruindo a passagem de água e nutrientes. Consequentemente, os vasos do xilema perdem a função e ficam pretos, o que denominou a doença de podridão negra. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e altas temperaturas, entre 28°C e 30°C. A bactéria sobrevive em restos culturais por até oito meses em condições naturais ou, ainda, em outras hospedeiras ou em sementes infectadas. Podridão mole Pectobacterium carotovorum subsp. carotovorum Os sintomas se manifestam inicialmente na base da planta na forma de lesões de aspecto encharcado, que progridem rapidamente para uma podridão mole, com a secreção de líquidos de odor fétido, característico da doença. A parte externa do caule pode apresentar-se intacta, porém deprimida, enquanto a parte interna se desintegra. Plantas afetadas também podem apresentar sintomas de murcha. Quando a bactéria afeta a cabeça, observam-se áreas encharcadas em contraste com áreas sadias, podendo aparecer lesões enegrecidas nas áreas afetadas. Os sintomas podem ocorrer em pós-colheita, durante o armazenamento e conservação. A doença é favorecida por condições de alta umidade relativa e altas temperaturas, bem como adubações nitrogenadas em excesso. Ferimentos causados nas plantas servem de porta de entrada para a bactéria. Longos períodos chuvosos favorecem o apodrecimento da cabeça. A bactéria sobrevive principalmente emrestos culturais. Hérnia das crucíferas Plasmodiophora brassicae Os sintomas são observados em reboleiras, na parte aérea das plantas, que apresentam deficiências nutricionais e desenvolvimento reduzido. Elas murcham nas horas mais quentes do dia e retomam a turgidez nas horas mais frescas. Nas raízes, pode ser observada a formação de galhas oriundas da multiplicação rápida e crescimento exagerado das células, induzidas pelo protozoário. As galhas variam de tamanho, podendo medir desde alguns milímetros até mais de 10 cm de comprimento. As galhas diferenciam-se daquelas causadas pelos nematoides por serem mais quebradiças, quando esmagadas com os dedos, e não apresentam massas de ovos. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas entre 18°C e 25°C, solo arenoso e pH ácido. O patógeno sobrevive em restos culturais e em outros hospedeiros. Contudo, na ausência de hospedeiros, produz elevada quantidade de esporos capazes de permanecem viáveis no solo por até 10 anos. 96 Enfezamento ou pratinho Fitoplasma Os sintomas são observados inicialmente nas plantas situadas às margens da área de cultivo. As plantas afetadas apresentam subdesenvolvimento e/ou deformação da inflorescência, avermelhamento das folhas e proliferação de ramos laterais na haste principal. Ao se cortar transversalmente a haste de plantas infectadas, observa-se a formação de anel necrótico de cor escura na região vascular. Quanto mais precoce a infecção, maior a expressão dos sintomas. A infecção pelo patógeno é atribuída à presença de insetos sugadores, principalmente cigarrinhas. A transmissão é do tipo propagativa circulativa; ou seja, uma vez adquirido o fitoplasma, o vetor é capaz de transmiti-lo durante toda sua vida. Míldio Hyaloperonospora parasitica A doença ocorre em todas as fases de desenvolvimento da planta. Os sintomas manifestam-se na face inferior das folhas, na forma de manchas mais ou menos circulares, inicialmente úmidas e cloróticas. Em condições de alta umidade, observa-se a formação de micélio branco‐ acinzentado sobre as lesões. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores, irregulares e necróticas. A ocorrência da doença é favorecida por condições de alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e temperaturas na faixa entre 12°C e 20°C. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. Podridão de esclerotínia Sclerotinia sclerotiorum A doença ocorre em qualquer fase de desenvolvimento das plantas. Os sintomas são observados inicialmente em reboleiras na parte aérea das plantas, que apresentam redução do desenvolvimento. O patógeno causa o apodrecimento da região do coleto das plantas, acima do nível do solo. Em condições de alta umidade, observa-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, com a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) rígidos, de tamanhos variados, de coloração, inicialmente, clara e, posteriormente, pretos. Em alguns casos, é possível observar a formação de escleródios também dentro do caule da planta na região da medula. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 20°C, e pela alta umidade relativa do ar e do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e, na ausência de hospedeiros, pode sobreviver por longo período por meio dos escleródios. Mancha de alternaria Alternaria brassicae Alternaria brassicicola Os sintomas podem ser observados em toda a parte aérea da planta. Na fase inicial de desenvolvimento das plantas, o patógeno pode causar lesões necróticas nos cotilédones e o tombamento das plântulas. Em plantas mais desenvolvidas, os sintomas são observados inicialmente nas folhas mais velhas, na forma de pequenas manchas escuras e circulares, que gradualmente aumentam de tamanho. Elas apresentam anéis concêntricos e halo amarelado. As lesões causadas por A. brassicicola são menores e mais escuras que aquelas provocadas por A. brassicae. No centro delas, formam-se numerosas estruturas reprodutivas do fungo. Temperaturas amenas favorecem a ocorrência de A. brassicae, enquanto temperaturas mais amenas favorecem a ocorrência de A. brassicicola. Os patógenos sobrevivem em restos culturais e podem ser transmitidos por meio de sementes infectadas. Nematoide das galhas Meloidogyne incognita Meloidogyne javanica Os sintomas são, inicialmente, observados pela redução do crescimento das plantas. Nas raízes, observa-se a presença de galhas e inchaços, com formato arredondado. Raízes infectadas são geralmente mais curtas e com menor número de raízes laterais. Com o progresso da doença, pode haver o apodrecimento do sistema radicular, devido à abertura de portas de entrada para patógenos oportunistas (fungos e bactérias de solo). As condições ambientais favoráveis à infecção pelos nematoides são a alta umidade do solo, mas sem saturação, e altas temperaturas, de 25° a 30°C. 97 8.1. Outras doenças • Mancha foliar translúcida (Pseudomonas syringae pv. maculicola) • Ferrugem branca (Albugo candida) • Murcha de fusário (Fusarium oxysporum f. sp. conglutinans) • Mancha circular (Mycosphaerella brassicicola) • Tombamento (Rhizoctonia solani, Pythium spp., Fusarium spp. e S. rolfsii) • Raiz negra (Aphanomyces raphani) 8.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes ou tolerantes, quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e protegidos de insetos vetores. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas com o cultivo de brássicas. • Evitar plantios em áreas de baixas, sujeitos à alta umidade relativa. • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento na base. • Plantar em espaçamentos maiores no período quente, para permitir maior ventilação entre as plantas. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Realizar a adubação equilibrada das plantas. • Evitar ferimentos nas plantas na ocasião dos tratos culturais. • Promover a limpeza de maquinários e ferramentas. • Eliminar plantas voluntárias de brássicas aos arredores da área de cultivo. • Eliminar plantas doentes, principalmente com fitoplasma, imediatamente após sua constatação. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo em áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Por exemplo: gramíneas. • Realizar o alqueive ou pousio por, pelo menos, 45 dias, para caso de solos infestados por nematoides. • Realizar a calagem do solo para pH 6,5 ou superior para o controle da hérnia das crucíferas. • Utilizar plantas antagonistas (crotalária, mucunas, cravo-de-defunto) para o controle de nematoides. • Utilizar a manipueira para o controle de nematoides. • Utilizar fungicidas e bactericida registrados para a cultura, se necessário. • Utilizar inseticidas registrados para o controle dos insetos vetores do fitoplasma, se necessário. 98 9. CEBOLINHA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Míldio Peronospora destructor Os sintomas iniciam-se nas folhas, com a descoloração do tecido afetado, que apresenta tonalidades de verde mais claro que as regiões sadias. Com o progresso da doença, a lesão progride para uma mancha alongada no sentido do comprimento da folha, que, em seguida, torna-se necrótica. Em condições de alta umidade relativa, observa-se a formação de um micélio esbranquiçado sobre as lesões que correspondem à frutificação do patógeno.A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, em torno de 20°C, e alta umidade relativa do ar. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. Ferrugem Puccinia allii Os sintomas caracterizam-se pela presença de numerosas urédias de 1 mm a 3 mm de diâmetro nas folhas, com formato elíptico. Inicialmente, apresentam-se recobertas pela cutícula da folha e, após o rompimento delas, há exposições de uma massa pulverulenta de cor alaranjada, constituída pelos esporos do fungo. Com o progresso da doença, os esporos adquirem coloração castanho escura ou preta. Folhas apresentando elevada severidade da doença podem amarelecer e colapsar prematuramente. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade do ar e temperaturas amenas, em torno de 20°C. O fungo sobrevive em restos culturais e em outras aliáceas entre as estações de cultivo. Mancha púrpura Alternaria porri Os sintomas manifestam-se na forma de pequenas lesões aquosas de aspecto esbranquiçado, que com o progresso da doença tornam-se arredondadas e adquirem coloração rosada a púrpura. Em condições de alta umidade, verifica- se a formação de halos amarelados e anéis concêntricos de coloração escura nas lesões. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas superiores a 21°C e alta umidade do ar. O fungo sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo e em outras aliáceas hospedeiras. Queima das pontas Botrytis squamosa Os sintomas se iniciam com pequenas manchas de 1 mm a 3 mm de diâmetro e de coloração parda nas pontas das folhas. Com o progresso da doença, ocorre a morte progressiva dos ponteiros. Em condições de alta umidad, é observada, sobre e ao redor das lesões, a presença de micélio branco acinzentado. A doença é de difícil diagnóstico, visto que alguns patógenos causam infecções secundárias nas lesões de B. squamosa. A doença é favorecida por longos períodos de molhamento foliar e baixas temperaturas. O fungo sobrevive em outras aliáceas, associado a sementes e em restos culturais na forma de escleródios (estruturas de resistência). Antracnose Colletotrichum gloeosporioides f. sp. cepae Os sintomas da doença geralmente se manifestam em reboleiras, na forma de pequenas lesões brancas deprimidas sobre a lâmina foliar, circundadas por um halo verde- amarelado. Com o progresso da doença, verifica-se intensa esporulação de coloração negra no centro das lesões. As folhas afetadas podem apresentar retorcimento. Altas precipitações e temperaturas entre 24°C e 30°C favorecem a ocorrência da doença. O fungo sobrevive em restos culturais, no solo e em outras hospedeiras aliáceas entre as estações de cultivo. 9.1. Outras doenças • Podridão mole (Pectobacterium carotovorum subsp. carotovorum) • Podridão branca ou murcha de esclerócio (Sclerotium cepivorum) • Raiz rosada (Setophoma terrestris) • Podridão de fusário (Fusarium oxysporum f. sp. cepae) • Nematoide do alho (Ditylenchus dipsaci) 99 9.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento na base. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas, principalmente de aliáceas. • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento na base. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Evitar ferimentos nas plantas na ocasião dos tratos culturais. • Eliminar plantas aliáceas próximas às áreas de cultivo. • Incorporar os restos culturais imediatamente após o término da colheita, para acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo em áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Por exemplo: gramíneas (mínimo de três anos no caso de B. squamosa). • Utilizar produtos biológicos, à base de Bacillus pumilus, para o controle de Alternaria porri. • Usar fungicidas e bactericida registrados para a cultura. 100 10. CHICÓRIA, ALMEIRÃO E ESCAROLA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Cercosporiose Cercospora cichorii Os sintomas se manifestam, inicialmente, nas folhas, na forma de manchas arredondadas a elípticas, de cor marrom-escura, com centro cinza-claro e circundadas por um halo amarelado. Com o progresso da doença, as lesões aumentam de tamanho e coalescem, ocasionando grandes áreas necróticas nas folhas. As condições ideais para a ocorrência da doença são de alta umidade relativa e altas temperaturas. Mancha de alternaria Alternaria cichorii Em chicória e escarola, os sintomas iniciam-se na forma de pequenas lesões escuras de aspecto encharcado nas folhas, as quais tornam-se necróticas e coalescem, estendendo para grande parte da área foliar. Em almeirão, dependendo da cultivar, as lesões podem ser acompanhadas de halo avermelhado e apresentarem formato oblongo, não havendo a coalescência das lesões. A ocorrência da doença é favorecida por longos períodos de molhamento foliar e temperaturas entre 22°C e 25°C. O patógeno sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo e pode ser disseminado por sementes infectadas. Podridão basal Sclerotinia sclerotiorum Os sintomas da doença são observados em reboleiras, e se manifestam na forma de necrose generalizada dos tecidos na região do colo em plantas adultas. Os tecidos afetados degradam de forma rápida, assumindo aspecto de podridão mole. Em condições de elevada umidade, observa-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, com a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) rígidos de tamanhos variados, de coloração, inicialmente, clara e, posteriormente, pretos. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 12°C a 20°C, e pela alta umidade relativa do ar e do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, pode sobreviver por longo período por meio dos escleródios. Septoriose Septoria lactucae Os sintomas da doença caracterizam-se por manchas com contornos irregulares nas folhas mais velhas. O tecido afetado, inicialmente apresenta aspecto desidratado, torna- se pardacento, com numerosos pontos de cor escura visíveis a olho nu, que são as estruturas do patógeno. As condições favoráveis à ocorrência da doença são a alta umidade relativa e temperaturas de 10°C a 28°C, com ótimo de 24°C. Tombamento Rhizoctonia solani Os sintomas geralmente ocorrem em pequenas reboleiras, na fase inicial de desenvolvimento das plantas. Lesões causadas pelo patógeno se manifestam na forma de pequeno cancro marrom, com bordas bem definidas, entre o tecido sadio e o doente, na base do caule da planta, entre a raiz e o cotilédone. Com o progresso da doença, a planta tomba e morre. Solos encharcados e irrigações e chuvas excessivas favorecem a ocorrência da doença. O patógeno sobrevive na ausência do hospedeiro por vários anos, por meio de estruturas de resistência (escleródios), bem como em restos culturais remanescentes na lavoura. Nematoide das galhas Meloidogyne incognita Meloidogyne javanica Plantas atacadas apresentam redução do crescimento, amarelecimento e murcha temporária nos períodos mais quentes do dia. Nas raízes, pode ser observada a formação de galhas isoladas. Junto às galhas, observa-se a presença de massas de ovos, na forma de pontos escuros na superfície das raízes. A alta umidade do solo, mas sem saturação, e altas temperaturas, em torno de 25° a 30°C, são condições ambientais favoráveis à ocorrência da doença. 101 10.1. Outras doençaslongo da cadeia produtiva de produtos vegetais frescos, para fins de monitoramento e controle de resíduos de agrotóxicos, em todo o território nacional (Figura 1). Figura 1. Fluxograma das cadeias produtivas de hortaliças no Brasil a 14 A norma da Produção Integrada de Folhosas, Inflorescências e Condimentares contempla 32 espécies: acelga, agrião, aipo, alcachofra, alecrim, alface, alho-poró, almeirão, aspargo, brócolis, cebolinha, chicória, coentro, couve, couve chinesa, couve de bruxelas, couve-flor, erva doce, escarola, espinafre, estévia, estragão, hortelã, louro, manjericão, manjerona, mostarda, orégano, repolho, rúcula, salsa e sálvia. Mas nem todas constam dos dados do Censo Agropecuário de 2017. Dessa forma, serão apresentados os dados de produção das hortaliças folhosas que estão na base do Censo Agropecuário. O que se verifica é que há uma grande diversidade de hortaliças folhosas cultivadas no país: pelo menos, 24, segundo o Censo Agropecuário (IBGE, 2019). No entanto, há concentração no número de estabelecimentos que afirmam produzir folhosas (Figura 2), mas ela é ainda maior, quando observados os dados de volume de produção (Figura 3). Impressiona também a concentração ao verificar os dados de valor de venda (Figura 4). Nos três casos, tem-se a hortaliça como a mais produzida pelos estabelecimentos agropecuários, com maior volume de produção e maior valor de venda (IBGE, 2019). Õ 15 Figura 2. Número de estabelecimentos agropecuários – Censo Agropecuário de 2017 (IBGE, 2019) 16 Figura 3. Quantidade produzida (toneladas) – Censo Agropecuário de 2017 (IBGE, 2019) 17 Figura 4. Valor de venda (mil Reais) – Censo Agropecuário de 2017 (IBGE, 2019) 18 Ao serem analisados os dados de volume de produção e de número de estabelecimentos agropecuários por unidade da federação, verifica-se que São Paulo é responsável por parte importante do volume de produção de quase todas as hortaliças. Por outro lado, o número de estabelecimentos que plantam folhosas está mais espalhado entre as unidades da federação (Tabela 1). TABELA 1: PARTICIPAÇÃO DAS UNIDADES DA FEDERAÇÃO NO VOLUME DE PRODUÇÃO E NO NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS NO BRASIL PARA CADA HORTALIÇA (CENSO AGROPECUÁRIO 2017) HORTALIÇA FOLHOSA UF COM MAIOR PRODUÇÃO NACIONAL (%) UF COM MAIS PRODUTORES (%) Acelga SP 56% PR 22% Agrião SP 32% MG 22% Aipo SP 50% MG 19% Alcachofra SP 81% SC 21% Alecrim SP 45% SC 17% Alface SP 40% MG 18% Alho-poró SP 67% MG 22% Almeirão SP 44% SP 32% Aspargo DF 20% PR 26% Brócolis SP 20% SC 19% Cebolinha CE 20% MG 18% Chicória SP 38% SP 14% Coentro CE 19% BA 23% Couve SP 40% MG 23% Couve-flor SP 26% SC 28% Erva doce SP 68% SC 19% Espinafre SP 46% MG 21% Hortelã SP 25% BA 21% Manjericão SP 32% BA 16% Mostarda SP 31% RJ 22% Orégano SP 46% SC 41% Repolho SP 32% SC 29% Rúcula SP 46% SP 22% Salsa SP 34 % MG 17% Fonte: Censo Agropecuário de 2017 (IBGE, 2019). 19 CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA DAS HORTALIÇAS FOLHOSAS, INFLORESCÊNCIAS E CONDIMENTARES Jorge Anderson Guimarães As hortaliças folhosas, inflorescências e condimentares estão classificadas no reino Plantae, divisão Magnoliophyta, que abrange duas classes: Magnoliopsida (dicotiledôneas) e Liliopsida (monocotiledôneas) (CRONQUIST, 1981). Dentre as 32 hortaliças que compõem a norma, apenas três delas pertencem à Classe Liliopsida ou monocotiledôneas, que são: alho-poró, aspargos e cebolinha. Todas as outras 29 espécies pertencem à Classe Magnoliopsida ou Dicotiledôneas (Tabela 1). Dentre elas, a família Brassicales é a que tem o maior número de representantes, com nove espécies (agrião, brócolis, couve, couve chinesa, couve-de-bruxelas, couve-flor, mostarda, repolho e rúcula) (Tabela 1). Em seguida, as famílias Asteraceae com sete espécies (alcachofra, alface, almeirão, chicória, escarola, estévia e estragão) e Lamiaceae, com seis (alecrim, hortelã, manjericão, manjerona, orégano e sálvia) são as mais representativas (Tabela 1). Além dessas, há também as famílias Amaranthaceae, representada por duas espécies (acelga e espinafre); Amaryllidaceae (alho-poró e cebolinha); Apiaceae (aipo, coentro, erva-doce e salsa); Asparagaceae (aspargo) e Lauraceae (louro) (Tabela 1). 03 20 TABELA 1. CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA DAS 32 ESPÉCIES DE FOLHOSAS, INFLORESCÊNCIAS E CONDIMENTARES DE IMPORTÂNCIA ECONÔMICA PRESENTES NA INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 1 DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, DE 11 DE JANEIRO DE 2021, QUE ESTABELECE AS NORMAS DA PRODUÇÃO INTEGRADA DE FOLHOSAS, INFLORESCÊNCIAS E CONDIMENTARES NOME VULGAR REINO DIVISÃO CLASSE ORDEM FAMÍLIA GÊNERO ESPÉCIE Acelga Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Caryophyllales Amaranthaceae Beta B. vulgaris Agrião Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Brassicales Brassicaceae Nasturtium N. officinale Aipo Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Apiales Apiaceae Apium A. graveolens Alcachofra Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Asterales Asteraceae Cynara C. cardunculus Alecrim Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Lamiales Lamiaceae Rosmarinus R. officinalis Alface Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Asterales Asteraceae Lactuca L. sativa Alho-poró Plantae Magnoliophyta Liliopsida Asparagales Amaryllidaceae Allium A. porrum Almeirão Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Asterales Asteraceae Cichorium C. intybus intybus Aspargo Plantae Magnoliophyta Liliopsida Asparagales Asparagaceae Asparagus A. officinalis Brócolis Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Brassicales Brassicaceae Brassica B. oleracea var. italica Cebolinha Plantae Magnoliophyta Liliopsida Asparagales Amaryllidaceae Allium A. schoenoprasum Chicória Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Asterales Asteraceae Cichorium C. endivia Coentro Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Apiales Apiaceae Coriandrum C. sativum Couve Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Brassicales Brassicaceae Brassica B. oleracea var. acephala Couve chinesa Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Brassicales Brassicaceae Brassica B. olerace var. alboglabra Couve-de- bruxelas Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Brassicales Brassicaceae Brassica B. oleracea var. gemmifera Couve-flor Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Brassicales Brassicaceae Brassica B. oleracea var. Botrytis Erva-doce Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Apiales Apiaceae Foeniculum F. vulgare Escarola Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Asterales Asteraceae Cichorium C. endívia var. Latifolia Espinafre Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Caryophyllales Amaranthaceae Spinacia S. oleracea Estévia Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Asterales Asteraceae Stevia S. spp. Estragão Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Asterales Asteraceae Artemisia A. dracunculus Hortelã Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Lamiales Lamiaceae Mentha M. spp. Louro Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Laurales Lauraceae Laurus L. nobilis Manjericão Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Lamiales Lamiaceae Ocimum O. basilicum Manjerona Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Lamiales Lamiaceae Origanum O. majorana Mostarda Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Brassicales Brassicaceae Sinapis S. alba Orégano Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Lamiales Lamiaceae Origanum O. vulgare Repolho Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Brassicales Brassicaceae Brassica B. oleracea var. capitata Rúcula Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Brassicales Brassicaceae Eruca E. sativa Salsa Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Apiales Apiaceae Petroselinum P. crispum Sálvia Plantae Magnoliophyta Magnoliopsida Lamiales Lamiaceae Salvia S. officinalis 21 MORFOLOGIA E FISIOLOGIA DAS ESPÉCIES DE FOLHOSAS, INFLORESCÊNCIAS E CONDIMENTARES Jorge Anderson Guimarães 1. ACELGA A acelga Beta vulgaris cicla é uma planta bianual, de pequeno porte (máximo até 0,9 m), lenhosa, cuja raiz não pode ser consumida. Suas partes consumíveis são os talos, que são carnudos e folhosos, e folhas, de coloração verde-escuras e formato ovalado com as bordas encouraçadas.• Vira cabeça (Tospovirus) • Vírus do mosaico da alface (Lettuce mosaic virus – LMV) 10.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados, protegidos com telas antiafídeos. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento na base. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Evitar o molhamento foliar, utilizar gotejamento ou cultivar em ambiente protegido. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Eliminar plantas hospedeiras de viroses aos arredores das áreas de cultivo. • Realizar o monitoramento e o controle de insetos vetores de viroses. • Eliminar plantas doentes, principalmente com viroses, imediatamente após sua constatação. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo, no caso de áreas infestadas, para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, exemplo: gramíneas (mínimo de um ano Meloidogyne spp. e de três anos para S. sclerotiorum e R. solani). • Realizar o alqueive ou pousio por, pelo menos, 45 dias, para caso de solos infestados por nematoides. • Utilizar plantas antagonistas (crotalária, mucunas, cravo-de-defunto) para o controle de nematoides. • Utilizar fungicidas e bactericida registrados para a cultura, se necessário. • Utilizar inseticidas registrados para o controle dos insetos vetores de viroses, se necessário. 102 11. COENTRO DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Tombamento ou damping-off Alternaria dauci Rhizoctonia solani Pythium spp. Os sintomas da doença podem ser observados na fase de germinação das sementes, quando os patógenos causam a podridão dos tecidos recém-formados; ou na fase de plântulas, quando provocam uma lesão de aspecto inicialmente encharcado no caule na base da planta. Com o progresso da doença, a área lesionada apresenta um afilamento e a plântula tomba. Em seguida, a área apresenta-se necrosada seca, causando a podridão das raízes e morte da planta. Dependendo do patógeno envolvido, observa- se a formação de micélio branco no caule e raízes em condições de alta umidade. A doença ocorre com maior frequência em solos encharcados e nas épocas mais quentes do ano. Os patógenos podem sobreviver na ausência do hospedeiro por vários anos por meio de estruturas de resistência (R. solani e S. sclerotiorum – escleródios; Pythium spp. - oósporos), bem como em restos culturais. Queima das folhas ou queima de alternaria Alternaria dauci Em plântulas, os sintomas podem ser observados na forma de lesões inicialmente encharcadas e, posteriormente, afiladas na região do colo, com posterior tombamento e morte. Em plantas já desenvolvidas, o fungo causa pequenas manchas de coloração escura ou preta e formato irregular nas folhas, acompanhadas de halos cloróticos. Com o progresso da doença, as manchas coalescem, causando a queima de grande parte do limbo foliar. A ocorrência da doença é favorecida por altas temperaturas e longos períodos de molhamento foliar. O fungo é transmitido, de maneira eficiente, pela semente e sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo. Mofo branco Sclerotinia sclerotiorum Os sintomas aparecem normalmente em reboleiras nos estádios mais avançado de desenvolvimento das plantas. O patógeno causa o apodrecimento do caule e da base da planta. À medida que a doença progride, o caule seca e adquire coloração palha. Em condições de alta umidade, verifica-se a presença de micélio branco e de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, bem como de escleródios (estruturas de resistência) rígidos, pretos e de tamanho e formas variados. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 21°C, pela alta umidade relativa do ar e pela alta umidade do solo. O fungo sobrevive em restos culturais e, na ausência de hospedeiros, na forma de escleródios por longo período. Nematoide das galhas Meloidogyne incognita Meloidogyne javanica Os sintomas são inicialmente observados na parte aérea das plantas, que apresentam nanismo, amarelecimento e deficiências nutricionais. Nas raízes, pode ser observada a formação de galhas isoladas de formato arredondado. Junto às galhas, pode ser observada a presença de massas de ovos, na forma de pontos escuros na superfície das raízes. A alta umidade do solo, mas sem saturação, e altas temperaturas, entre 25° e 30°C, são condições ambientais favoráveis à ocorrência da doença. 103 11.1. Outras doenças Oídio (Oidiopsis haplophylli) Cercosporiose (Cercospora spp.) Vira cabeça (Groundnut ring spot virus - GRSV) Nematoide (Rotylenchulus reniformis) 11.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e protegidos. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas, com cultivo de apiáceas. • Irrigar preferencialmente por gotejamento, de modo a reduzir o molhamento foliar. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Eliminar plantas hospedeiras de viroses aos arredores das áreas de cultivo. • Realizar o monitoramento e o controle de insetos vetores de viroses. • Eliminar plantas doentes, principalmente com viroses, imediatamente após sua constatação. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a última colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Em cultivos hidropônicos, manter o sistema limpo e utilizar água de boa qualidade. • Realizar a solarização do solo, no caso de áreas infestadas, para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Por exemplo: gramíneas (mínimo de um ano para Meloidogyne spp. e de três anos para os fungos de solo). • Realizar o alqueive ou pousio, por pelo menos, 45 dias, para caso de solos infestados por nematoides. • Utilizar plantas antagonistas (crotalária, mucunas, cravo-de-defunto) para o controle de nematoides. • Utilizar a manipueira para o controle de nematoides. 104 12. COUVE DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Podridão negra Xanthomonas campestris pv. campestris O patógeno ataca as plantas da fase de mudas até a adulta. Quando a bactéria incide sobre plantas jovens, pode causar o nanismo ou a morte. Em plantas maiores, os sintomas se manifestam na forma de lesões cloróticas, em formato de “V”, localizadas geralmente nas margens da folha, com o vértice voltado para o centro, visto que a infecção ocorre pelos hidatódios. Quando a infecção ocorre pelos estômatos, ferimentos mecânicos ou insetos, as lesões podem aparecer em qualquer posição na folha e geralmente apresentam formato irregular. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores e com o centro necrótico, podendo causar a queda das folhas. A bactéria pode se tornar sistêmica e atingir os vasos do xilema, obstruindo a passagem de água e nutrientes. Consequentemente, os vasos do xilema perdem a função e ficam pretos, o que denominou a doença de podridão negra. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e altas temperaturas, em torno de 28°C a 30°C. A bactéria sobrevive em restos culturais, por até oito meses, em condições naturais, ou ainda em outras hospedeiras ou em sementes infectadas. Podridãomole Pectobacterium carotovorum subsp. carotovorum Os sintomas se manifestam inicialmente na base da planta, na forma de lesões de aspecto encharcado, que progridem rapidamente para uma podridão mole, com a secreção de líquidos de odor fétido, característico da doença. A parte externa do caule pode apresentar-se intacta, porém deprimida, enquanto a parte interna se desintegra. Plantas afetadas também podem apresentar sintomas de murcha. É comum as plantas afetadas terem sintomas de rachaduras externas no caule. A doença é favorecida por condições de alta umidade relativa e altas temperaturas, bem como adubações nitrogenadas em excesso. Ferimentos causados nas plantas servem de porta de entrada para a bactéria, que sobrevive principalmente em restos culturais. Hérnia das crucíferas Plasmodiophora brassicae Os sintomas são observados em reboleiras, a parte aérea das plantas, que apresentam deficiências nutricionais e desenvolvimento reduzido. Elas murcham nas horas mais quentes do dia e retomam a turgidez nas horas mais frescas. Nas raízes, pode ser observada a formação de galhas oriundas da multiplicação rápida e crescimento exagerado das células, induzidas pelo protozoário. As galhas variam de tamanho, podendo medir desde alguns milímetros até mais de 10 cm de comprimento. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas entre 18°C e 25°C, solo arenoso e pH ácido. O patógeno sobrevive em restos culturais e em outros hospedeiros. Contudo, na ausência de hospedeiros, produz elevada quantidade de esporos, capazes de permanecem viáveis no solo por até 10 anos. Míldio Peronospora parasitica Os sintomas se manifestam na face inferior das folhas, na forma de manchas mais ou menos circulares, inicialmente úmidas e cloróticas. Em condições de alta umidade, observa-se a formação de micélio branco‐acinzentado sobre as lesões. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores, às vezes, limitadas pelas nervuras, irregulares e necróticas, que escurecem, podendo levar a grandes perdas foliares. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas e elevada umidade relativa do ar (acima de 90%), bem com períodos prolongados de molhamento foliar e orvalho. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. 105 Oídio Erysiphe polygoni Os sintomas se manifestam na face superior das folhas, inicialmente nas mais velhas, onde são observadas manchas constituídas de estruturas pulverulentas de coloração braça ou cinza-esbranquiçado. Com o progresso da doença, as manchas aumentam de tamanho e, na face inferior correspondente, observam-se pequenas pontuações amareladas. Condições de baixa umidade relativa e temperaturas amenas favorecem a ocorrência da doença. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. Mancha de alternaria Alternaria brassicae Alternaria brassicicola Os sintomas podem ser observados em toda da parte aérea da planta. Na fase inicial de desenvolvimento das plantas, o patógeno pode causar lesões necróticas nos cotilédones e o tombamento das plântulas. Em plantas mais desenvolvidas, os sintomas são observados inicialmente nas folhas mais velhas, na forma de pequenas manchas escuras e circulares, que gradualmente aumentam de tamanho. Elas apresentam anéis concêntricos e halo amarelado. As lesões causadas por A. brassicicola são menores e mais escuras que as lesões causadas por A. brassicae. No centro delas, formam-se numerosas estruturas reprodutivas do fungo. Temperaturas amenas favorecem a ocorrência de A. brassicae, enquanto as mais amenas possibilitam A. brassicicola. Os patógenos sobrevivem em restos culturais e podem ser transmitidos por meio de sementes infectadas. Podridão de esclerotínia Sclerotinia sclerotiorum A doença ocorre em qualquer fase de desenvolvimento das plantas. Os sintomas são observados, inicialmente, em reboleiras, na parte aérea das plantas, que apresentam redução do desenvolvimento. O patógeno causa o apodrecimento da região do coleto das plantas, acima do nível do solo. Em condições de alta umidade, observa-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, com a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) rígidos, de tamanhos variados, de coloração, inicialmente, clara e, posteriormente, pretos. Em alguns casos, é possível observar a formação de escleródios também dentro do caule da planta na região da medula. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 20°C, e pela alta umidade relativa e do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, pode sobreviver por longo período por meio dos escleródios. Mosaico do nabo Turnip mosaic virus - TuMV Os sintomas da doença são observados apenas nas folhas mais novas, nas formas de amarelecimento e mosaico, mosaico leve, mosaico e distorções da folha e bolhosidade. Em alguns casos podem ser observados anéis cloróticos. As plantas afetadas ainda jovens apresentam sintomas de enfezamento. Quanto mais precoce a infecção, maior a expressão dos sintomas. O vírus é transmitido por pulgões. de forma não persistente, e pode permanecer aos arredores da área de cultivo em hospedeiras infectadas, como alface e brássicáceas. 12.1. Outras doenças • Ferrugem branca (Albugo candida) • Mosaico latente da couve (Cole latent virus - CoLV) • Tombamento (Rhizoctonia solani, Pythium spp. e Sclerotium rolfsii) 106 12.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes ou tolerantes quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e protegidos de insetos vetores. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas com o cultivo de brássicas. • Evitar plantios em áreas de baixas, sujeitos à alta umidade relativa. • Plantar em canteiros altos para evitar encharcamento na base. • Plantar em espaçamentos maiores no período quente, para permitir maior ventilação entre as plantas. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • No caso da ocorrência do oídio, irrigar preferencialmente por aspersão. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Realizar a adubação equilibrada das plantas. • Evitar ferimentos nas plantas, na ocasião dos tratos culturais. • Promover a limpeza de maquinários e ferramentas. • Eliminar as folhas velhas com a presença de manchas foliares. • Eliminar plantas voluntárias de brássicas aos arredores da área de cultivo. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a última colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo, em áreas infestadas, para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, como as gramíneas. • Realizar a calagem do solo para pH 6,5 ou superior, para o controle da hérnia das crucíferas. • Realizar o monitoramento dos insetos vetores aos arredores e na área de cultivo. • Utilizar fungicidas e bactericida registrados para a cultura, se necessário. • Utilizar inseticidas registrados para o controle dos insetos vetores de viroses (pulgões), se necessário. 107 13. COUVE-CHINESA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Podridão negra Xanthomonas campestris pv. campestris O patógeno ataca as plantas desde a fase de mudas até a fase adulta. Quando a bactéria incide sobre plantas jovens, pode causar o nanismo ou a morte delas. Em plantas maiores, os sintomas se manifestam na forma de lesões cloróticas, em formato de “V”, localizadas geralmente nas margens da folha, com o vértice voltado para o centro, visto que a infecçãoocorre pelos hidatódios. Quando a infecção ocorre pelos estômatos, ferimentos mecânicos ou insetos, as lesões podem aparecer em qualquer posição na folha e geralmente apresentam formato irregular. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores e com o centro necrótico, podendo causar a queda das folhas. A bactéria pode se tornar sistêmica e atingir os vasos do xilema, obstruindo a passagem de água e nutrientes. Consequentemente, os vasos do xilema perdem a função e ficam pretos, o que denominou a doença de podridão negra. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e altas temperaturas, entre 28°C e 30°C. A bactéria sobrevive em restos culturais por até oito meses em condições naturais, ou ainda em outras hospedeiras ou em sementes infectadas. Podridão mole Pectobacterium carotovorum subsp. carotovorum Os sintomas iniciais da doença são observados nas nervuras das folhas próximas ou em contato com o solo, na forma de lesões de aspecto encharcado que progridem rapidamente para uma podridão mole, com a secreção de líquidos de odor fétido e característico. A doença progride rapidamente para o caule principal, resultando no colapso de toda a planta. Os sintomas podem ocorrer em pós-colheita, durante o armazenamento e conservação. A doença é favorecida por condições de alta umidade relativa e altas temperaturas, bem como adubações nitrogenadas em excesso. Ferimentos nas plantas servem de porta de entrada para a bactéria, que sobrevive principalmente em restos culturais. Hérnia das crucíferas Plasmodiophora brassicae Os sintomas são observados em reboleiras, a parte aérea das plantas, que apresentam deficiências nutricionais e desenvolvimento reduzido. Elas murcham nas horas mais quentes do dia e retomam a turgidez nas horas mais frescas. Nas raízes pode ser observado a formação de galhas oriundas da multiplicação rápida e crescimento exagerado das células, induzidas pelo protozoário. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas entre 18°C e 25°C, solo arenoso e pH ácido. O patógeno sobrevive em restos culturais e em outros hospedeiros. Contudo, na ausência de hospedeiros, produz elevada quantidade de esporos capazes de permanecerem viáveis no solo por até 10 anos. 108 Míldio Hyaloperonospora parasitica A doença ocorre em todas as fases de desenvolvimento da planta. Os sintomas manifestam- se na face inferior das folhas, na forma de manchas mais ou menos circulares, inicialmente úmidas e cloróticas. Em condições de alta umidade, observa- se a formação de micélio branco‐acinzentado sobre as lesões. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se irregulares e necróticas. Em mudas, os sintomas podem ser observados nas folhas cotiledonares, que, em seguida, progridem de forma ascendente para toda a parte área da planta. A ocorrência da doença é favorecida por condições de alta umidade relativa do ar, longos períodos de molhamento foliar e temperaturas baixas, na faixa de 12°C a 20°C. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. Ferrugem branca Albugo candida Em mudas, o patógeno pode causar necrose nos cotilédones e o seu tombamento. Em plantas adultas, os sintomas se iniciam com o aparecimento de pequenas manchas amareladas nas folhas e no caule. Na face inferior correspondente das folhas, formam-se urédias de coloração branca e aspecto pulverulento. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores e as folhas apresentam distorções e tornam-se amareladas. A ocorrência da doença é favorecida por baixas temperaturas, na faixa de 10°C a 20°C, longos períodos de molhamento foliar e alta umidade relativa do ar (acima de 90%). Mancha de alternaria Alternaria brassicae Alternaria brassicicola Os sintomas podem ser observados em toda a parte aérea da planta. Na fase inicial de desenvolvimento das plantas, o patógeno pode causar lesões necróticas nos cotilédones e o tombamento das plântulas. Em plantas mais desenvolvidas, os sintomas são observados inicialmente nas folhas mais velhas, na forma de pequenas manchas escuras e circulares, que gradualmente aumentam de tamanho. Elas apresentam anéis concêntricos e halo amarelado. As lesões causadas por A. brassicicola são menores e mais escuras que aquelas provocadas por A. brassicae. No centro delas, formam- se numerosas estruturas reprodutivas do fungo. Com o progresso das doenças, as lesões formadas coalescem, conferindo às folhas externas um aspecto de queima. Temperaturas amenas favorecem a ocorrência de A. brassicae, enquanto as mais amenas contribuem para o surgimento de A. brassicicola. Os patógenos sobrevivem em restos culturais e podem ser transmitidos por meio de sementes infectadas. Podridão de esclerotínia Sclerotinia sclerotiorum A doença ocorre em qualquer fase de desenvolvimento das plantas. Os sintomas são observados inicialmente em reboleiras, na parte aérea das plantas, que apresentam redução do desenvolvimento. O patógeno causa o apodrecimento da região do coleto, acima do nível do solo. Em condições de alta umidade, observa-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, com a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) rígidos, de tamanhos variados, de coloração, inicialmente, clara e, posteriormente, pretos. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 20°C, e pela alta umidade relativa do ar e do solo. O fungo sobrevive em restos culturais e, na ausência de hospedeiros, pode resistir por longo período por meio dos escleródios. 109 13.1. Outras doenças • Cercosporioses (Cercospora brassicicola) • Tombamento (Rhizoctonia solani) 13.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes ou tolerantes, quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e protegidos de insetos vetores. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas com o cultivo de brássicas. • Evitar plantios em áreas de baixas, sujeitos à alta umidade relativa e orvalho. • Plantar em espaçamentos maiores no período quente, para permitir maior ventilação entre as plantas. • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento na base. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Realizar a adubação equilibrada das plantas. • Evitar ferimentos nas plantas, na ocasião dos tratos culturais. • Eliminar as folhas velhas com a presença de manchas foliares. • Eliminar plantas voluntárias de brássicas e outras que possam hospedar patógenos, como A. candida e P. brassicae aos arredores da área de cultivo. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo em áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras,como as gramíneas, por, pelo menos, um ano, para patógenos foliares, e três anos para patógenos de solo. • Realizar a calagem do solo para pH 6,5 ou superior para o controle da hérnia das crucíferas. • Utilizar fungicidas e bactericidas registrados para a cultura, se necessário. 110 14. COUVE-DE-BRUXELAS DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Podridão negra Xanthomonas campestris pv. campestris O patógeno ataca as plantas da fase de mudas à adulta. Quando a bactéria incide sobre plantas jovens, pode causar o nanismo ou a morte. Em plantas maiores, os sintomas se manifestam na forma de lesões cloróticas, em formato de “V”, localizadas geralmentenas margens da folha, com o vértice voltado para o centro, visto que a infecção ocorre pelos hidatódios. Quando a infecção ocorre pelos estômatos, ferimentos mecânicos ou provocada por insetos, as lesões podem aparecer em qualquer posição na folha, geralmente, apresentando formato irregular. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores e com o centro necrótico, podendo causar a queda das folhas. A bactéria pode se tornar sistêmica e atingir os vasos do xilema, obstruindo a passagem de água e nutrientes. Consequentemente, os vasos do xilema perdem a função e ficam pretos, o que denominou a doença de podridão negra. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e altas temperaturas, entre 28°C e 30°C. A bactéria sobrevive em restos culturais por até oito meses, em condições naturais, ou ainda em outras hospedeiras ou em sementes infectadas. Hérnia das crucíferas Plasmodiophora brassicae Os sintomas são observados em reboleiras, a parte aérea das plantas, que apresentam deficiências nutricionais e desenvolvimento reduzido. Elas murcham nas horas mais quentes do dia, e retomam a turgidez nas horas mais frescas. Nas raízes, pode ser observada a formação de galhas oriundas da multiplicação rápida e crescimento exagerado das células, induzidas pelo protozoário. As galhas variam de tamanho, podendo medir desde alguns milímetros até mais de 10 cm de comprimento. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas entre 18°C e 25°C, solo arenoso e pH ácido. O patógeno sobrevive em restos culturais e em outros hospedeiros. Contudo, na ausência de hospedeiros, produz elevada quantidade de esporos, capazes de permanecem viáveis no solo por até 10 anos. Mancha de alternaria Alternaria brassicae Alternaria brassicicola Os sintomas podem ser observados em toda a parte aérea da planta. Na fase inicial de desenvolvimento das plantas, o patógeno pode causar lesões necróticas nos cotilédones e o tombamento das plântulas. Em plantas mais desenvolvidas, os sintomas são observados inicialmente nas folhas mais velhas, na forma de pequenas manchas escuras e circulares, que gradualmente aumentam de tamanho. Elas apresentam anéis concêntricos e halo amarelado. As lesões causadas por A. brassicicola são menores e mais escuras que aquelas provocadas por A. brassicae. No centro delas, formam-se numerosas estruturas reprodutivas do fungo. Temperaturas amenas favorecem a ocorrência de A. brassicae, enquanto temperaturas mais amenas favorecem a ocorrência de A. brassicicola. Os patógenos sobrevivem em restos culturais e podem ser transmitidos por meio de sementes infectadas. Podridão de esclerotínia Sclerotinia sclerotiorum A doença ocorre em qualquer fase de desenvolvimento das plantas. Os sintomas são observados inicialmente em reboleiras, na parte aérea das plantas, que apresentam redução do desenvolvimento. O patógeno causa o apodrecimento da região do coleto, acima do nível do solo. Em condições de alta umidade, observa-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, com a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) rígidos de tamanhos variados, de coloração, inicialmente, clara e, posteriormente, pretos. Em alguns casos, é possível observar a formação de escleródios também dentro do caule da planta na região da medula. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 20°C, e pela alta umidade relativa do ar e do solo. O fungo sobrevive em restos culturais e, na ausência de hospedeiros, pode resistir por longo período por meio dos escleródios. 111 14.1. Outras doenças • Ferrugem branca (Albugo candida) • Míldio (Peronospora parasitica) • Tombamento (Rhizoctonia solani) • Mosaico do nabo (Turnip mosaic virus - TuMV) • Raiz negra (Aphanomyces raphani) 14.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes ou tolerantes, quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e protegidos de insetos vetores. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas com o cultivo de brássicas. • Evitar plantios em áreas de baixas, sujeitos à alta umidade relativa e orvalho. • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento na base. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Realizar a adubação equilibrada das plantas. • Evitar ferimentos nas plantas, na ocasião dos tratos culturais. • Promover a limpeza de maquinários e ferramentas. • Eliminar plantas voluntárias de brássicas e outras que possam hospedar patógenos, como A. candida e P. brassicae e vetores de virose aos arredores da área de cultivo. • Incorporar os restos culturais imediatamente após o término da colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo em áreas infestadas, para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Por exemplo: gramíneas, pelo menos, por um ano para patógenos foliares, e três anos para patógenos de solo. • Realizar a calagem do solo para pH 6,5 ou superior, para o controle da hérnia das crucíferas. • Realizar o monitoramento dos insetos vetores aos arredores e na área de cultivo. • Utilizar bactericida e produtos biológicos registrados para a cultura, se necessário. • Utilizar inseticidas registrados para o controle dos insetos vetores do fitoplasma e de visores, se necessário. 112 15. COUVE-FLOR DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Podridão negra Xanthomonas campestris pv. campestris O patógeno ataca as plantas da fase de mudas à de adulta. Quando a bactéria incide sobre plantas jovens, pode causar o nanismo ou a morte delas. Em plantas maiores, os sintomas se manifestam na forma de lesões cloróticas, em formato de “V”, localizadas geralmente nas margens da folha, com o vértice voltado para o centro, visto que a infecção ocorre pelos hidatódios. Quando ela acontece pelos estômatos, ferimentos mecânicos ou por insetos, as lesões podem aparecer em qualquer posição na folha, geralmente, apresentando formato irregular. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores e com o centro necrótico, podendo causar a queda das folhas. A bactéria pode se tornar sistêmica e atingir os vasos do xilema, obstruindo a passagem de água e nutrientes. Consequentemente, os vasos do xilema perdem a função e ficam pretos, o que denominou a doença de podridão negra. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e altas temperaturas, em torno de 28°C a 30°C. A bactéria sobrevive em restos culturais por até oito meses em condições naturais, ou ainda em outras hospedeiras ou em sementes infectadas. Podridão mole Pectobacterium carotovorum subsp. carotovorum Os sintomas se manifestam inicialmente na base da planta, na forma de lesões de aspecto encharcado, que progridem rapidamente para uma podridão mole, com a secreção de líquidos de odor fétido, característico da doença. A parte externa do caule pode apresentar-se intacta, porém deprimida, enquanto a parte interna se desintegra. Plantas afetadas também podem ter sintomas de murcha. Quando a bactéria afeta a cabeça, observam-se áreas encharcadas em contraste com áreas sadias, podendo aparecer lesões enegrecidas nas áreas afetadas. Os sintomas podem ocorrer em pós-colheita, durante o armazenamento e conservação. A doença é favorecida por condições de alta umidade relativa e altas temperaturas, bem como adubações nitrogenadas em excesso. Ferimentos nas plantasservem de porta de entrada para a bactéria. Longos períodos chuvosos favorecem o apodrecimento das inflorescências. A bactéria sobrevive principalmente em restos culturais. Hérnia das crucíferas Plasmodiophora brassicae Os sintomas são observados em reboleiras, a parte aérea das plantas, que apresentam deficiências nutricionais e desenvolvimento reduzido. Elas murcham nas horas mais quentes do dia e retomam a turgidez nas horas mais frescas. Nas raízes, pode ser observada a formação de galhas oriundas da multiplicação rápida e crescimento exagerado das células, induzidas pelo protozoário. As galhas variam de tamanho, podendo medir desde alguns milímetros até mais de 10 cm de comprimento. Essas galhas diferenciam-se daquelas causadas pelos nematoides, por serem mais quebradiças quando esmagadas com os dedos e não apresentam massas de ovos. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas entre 18°C e 25°C, solo arenoso e pH ácido. O patógeno sobrevive em restos culturais e em outros hospedeiros. Contudo, na ausência de hospedeiros, produz elevada quantidade de esporos, capazes de permanecerem viáveis no solo, por até 10 anos. 113 Enfezamento ou pratinho Fitoplasma São observados inicialmente nas plantas situadas nas margens da área de cultivo. Os principais sintomas são o a redução generalizada do crescimento e a deformação das inflorescências, as quais se tornam assimétricas. Contudo, plantas infectadas podem apresentar leve clorose, avermelhamento foliar e a proliferação de brotos laterais na base. Ao se cortar transversalmente a haste de plantas infectadas, observa-se a formação de anel necrótico de cor escura na região vascular. Quanto mais precoce a infecção, maior a expressão dos sintomas. A infecção pelo patógeno é atribuída à presença de insetos sugadores, principalmente cigarrinhas. A transmissão é do tipo propagativa circulativa, ou seja, uma vez adquirido o fitoplasma, o vetor é capaz de transmiti-lo durante toda a sua vida. Míldio Hyaloperonospora parasitica A doença ocorre em todas as fases de desenvolvimento da planta. Os sintomas manifestam-se na face inferior das folhas, na forma de manchas mais ou menos circulares, inicialmente úmidas e cloróticas. Em condições de alta umidade, observa-se a formação de micélio branco‐acinzentado sobre as lesões. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores, irregulares e necróticas. A ocorrência da doença é favorecida por condições de alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e temperaturas na faixa de 12°C a 20°C. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. Mancha de alternaria Alternaria brassicae Alternaria brassicicola Os sintomas podem ser observados em toda da parte aérea da planta. Na fase inicial de desenvolvimento das plantas, o patógeno pode causar lesões necróticas nos cotilédones e o tombamento das plântulas. Em plantas mais desenvolvidas, os sintomas são observados inicialmente nas folhas mais velhas, na forma de pequenas manchas escuras e circulares, que gradualmente aumentam de tamanho. Elas apresentam anéis concêntricos e halo amarelado. No centro delas, formam-se numerosas estruturas reprodutivas do fungo. Alternaria brassicicola também causa numerosas manchas nas inflorescências da planta. As lesões provocadas por A. brassicicola são menores e mais escuras que aquelas causadas por A. brassicae. Temperaturas amenas favorecem a ocorrência de A. brassicae, enquanto que as mais amenas contribuem para a A. brassicicola. Os patógenos sobrevivem em restos culturais e podem ser transmitidos por meio de sementes infectadas. Podridão de esclerotínia Sclerotinia sclerotiorum A doença ocorre em qualquer fase de desenvolvimento das plantas. Os sintomas são observados inicialmente em reboleiras, na parte aérea das plantas, que apresentam redução do desenvolvimento. O patógeno causa o apodrecimento da região do coleto, acima do nível do solo. Em condições de alta umidade, observa-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, com a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) rígidos de tamanhos variados, de coloração, inicialmente, clara e, posteriormente, pretos. Em alguns casos, é possível observar a formação de escleródios também dentro do caule da planta, na região da medula. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 20°C, e pela alta umidade relativa do ar e do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, pode resistir por longo período, por meio dos escleródios. 114 Tombamento ou damping- off Pythium spp. Rhizoctonia solani Botrytis cinerea Sclerotium rolfsii Os patógenos causam a morte de plantas recém-germinadas ou após a emergência, na fase de plântulas. Pode ocorrer também após o transplantio, principalmente com mudas de raiz nua. O sintoma pode ser observado na região do colo da planta, onde se verificam lesões inicialmente encharcadas. Com o progresso da doença, a área lesionada apresenta um afilamento e a plântula tomba. Em seguida, a área torna-se necrosada seca, causando a morte da planta. Dependendo do patógeno envolvido, observa-se a formação de micélio branco no caule e raízes em condições de alta umidade. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade do solo, excesso de matéria orgânica e por adubações nitrogenadas em excesso. Os patógenos podem sobreviver na ausência do hospedeiro, por vários anos, por meio de estruturas de resistência (escleródios e oósporos), bem como em restos culturais. Nematoide das galhas Meloidogyne incognita Meloidogyne javanica Os sintomas são inicialmente observados em reboleiras, pela redução do crescimento das plantas. Nas raízes, observa-se a presença de galhas e inchaços com formato arredondado. Raízes infectadas são geralmente mais curtas e com menor número de raízes laterais. Junto às galhas pode ser observada a presença de massas de ovos, na forma de pontos escuros na superfície das raízes. Com o progresso da doença, pode haver o apodrecimento do sistema radicular, devido à abertura de portas de entrada para patógenos oportunistas (fungos e bactérias de solo). As condições ambientais favoráveis à infecção pelos nematoides são a alta umidade do solo, mas sem saturação, e altas temperaturas, em torno de 25° a 30°C. Mosaico da couve-flor Cauliflower mosaic virus - CaMV Os sintomas se manifestam nas folhas novas, onde ocorre o clareamento das nervuras, que se estendem da base da folha para todo o limbo. Podem ser observadas distorções foliares, além de pequenas pintas necróticas na face inferior das folhas. Folhas velhas não exibem sintomas. O vírus é transmitido de forma semipersistente por afídeos, e pode permanecer nos arredores da área de cultivo em hospedeiras brássicas infectadas. 15.1. Outras doenças • Mancha foliar translúcida (Pseudomonas syringae pv. maculicola) • Ferrugem branca (Albugo candida) • Oídio (Erysiphe polygoni) 15.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes ou tolerantes, quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e protegidos de insetos vetores. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas com o cultivo de brássicas. • Evitar plantios em áreas de baixas, sujeitos à alta umidade relativa e à formação de orvalho. • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento na base. • Plantar em espaçamentos maiores no período quente, para permitir maior ventilação entre as plantas. • Irrigar preferencialmente por gotejamento, exceto quando as plantas apresentarem altaincidência de oídio. Nesse caso, intercalar. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. 115 • Realizar a adubação equilibrada das plantas. • Evitar ferimentos nas plantas na ocasião dos tratos culturais. • Promover a limpeza de maquinários e ferramentas. • Eliminar plantas voluntárias de brássicas e outras que possam hospedar patógenos, como A. candida e P. brassicae e vetores de virose nos arredores da área de cultivo. • Eliminar as folhas velhas com a presença de manchas foliares. • Eliminar plantas doentes, principalmente com viroses e fitoplasma, imediatamente após sua constatação. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo em áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Exemplo: gramíneas por, pelo menos, um ano para patógenos foliares e nematoides, e três anos para patógenos de solo. • Realizar o alqueive ou pousio por, pelo menos, 45 dias para caso de solos infestados por nematoides. • Realizar a calagem do solo para pH 6,5 ou superior para o controle da hérnia das crucíferas. • Utilizar plantas antagonistas (crotalária, mucunas, cravo-de-defunto) para o controle de nematoides. • Utilizar a manipueira para o controle de nematoides. • Utilizar fungicidas e bactericida registrados para a cultura, se necessário. • Utilizar inseticidas registrados para o controle dos insetos vetores de viroses e do fitoplasma, se necessário. 116 16. ESPINAFRE DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Cercosporiose Cercospora tetragoniae Os sintomas se manifestam na forma de manchas circulares e amarronzadas nas folhas, com o centro deprimido e de coloração acinzentada. As condições ideais para a ocorrência da doença são alta umidade e temperatura. 16.1. Outras doenças • Podridão de raiz ou damping-off (Fusarium oxysporum, Rhizoctonia solani e Pythium sp.) 16.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Usar substrato livre de patógenos. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados com patógenos de solo. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Plantar em canteiros altos para evitar encharcamento do solo. • Irrigar preferencialmente por gotejamento, para evitar o molhamento foliar. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. • Utilizar fungicidas registrados para a cultura, se necessário. 17. ESTÉVIA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Mancha de alternaria Alternaria steviae Os sintomas se manifestam inicialmente nas folhas mais velhas, na base das plantas, na forma de manchas escuras com halos concêntricos. Com o progresso da doença, as lesões aparecem nas folhas superiores da planta, bem como nos ramos, flores e frutos. Nas folhas, as lesões aumentam em número e tamanho e coalescem, apresentando grandes áreas necróticas. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas de 20°C a 25°C, alta umidade relativa e longos períodos de molhamento foliar. Septoriose Septoria steviae Os sintomas manifestam-se na forma de manchas necróticas irregulares, de cor marrom escuro, nas folhas inferiores da planta. Com o progresso da doença, as lesões aparecem de forma generalizada em toda a planta. A ocorrência da doença é favorecida por altas precipitações e temperaturas noturnas mais frias, abaixo de 20°C. Podridão da haste ou raiz Sclerotium rolfsii Os sintomas são observados inicialmente em reboleiras, na parte aérea das plantas. As plantas afetadas exibem sintomas de seca de ramos, amarelecimento e murcha. No sistema radicular, verifica-se a podridão de raízes. Com o tempo, os sintomas progridem em direção às hastes e ramos, onde causa lesões profundas, levando a planta à morte. Em condições de alta umidade, verifica-se a formação de micélio de cor branca e aspecto cotonoso sobre as lesões, onde são formadas as estruturas de resistência do patógeno (microescleródios), de coloração, inicialmente, branca e, posteriormente, marrom-escuro e formato esférico, de 1 mm a 2 mm. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade do solo e altas temperaturas. O patógeno é capaz de sobreviver, por anos, no solo por meio de microescleródios. 17.1. Outras doenças • Tombamento (Rhizoctonia solani) 117 17.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados com patógenos de solo. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Irrigar preferencialmente por gotejamento, para evitar o molhamento foliar. • Incorporar os restos culturais imediatamente após o término da colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo, no caso de áreas infestadas, para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. 18. HORTELÃ OU MENTA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Ferrugem Puccinia menthae Os sintomas são inicialmente observados na face superior das folhas mais velhas e caracterizam-se por manchas circulares, de 4 mm a 5 mm de diâmetro, com bordos de coloração púrpura e centro claro. Na face inferior correspondente, observa-se a presença de urédias de coloração alaranjada e ferruginosa, contendo esporos do fungo. Em condições de alta severidade da doença, pode ocorrer o crestamento e a quedas das folhas infectadas. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, por volta de 20°C, alta umidade relativa e molhamento foliar. Na ausência da hortelã, o patógeno sobrevive em outras espécies hospedeiras, como manjerona e orégano. Bolor branco das raízes Sclerotium rolfsii Os sintomas da doença podem ser observados nas reboleiras, no campo, e se manifestam na forma de murcha da planta nas horas mais quentes do dia, progredindo para a morte. Em condições de alta umidade, verifica-se a formação de micélio de cor branca e aspecto cotonoso sobre as lesões, onde são formadas as estruturas de resistência do patógeno (microescleródios), de cor, inicialmente, branca e, posteriormente, marrom-escuro e formato esférico, de 1 mm a 2 mm. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade do solo e altas temperaturas. O patógeno é capaz de sobreviver, por anos no solo, por meio de microescleródios. Oídio Erysiphe biocellata O sintoma da doença pode ser observado em ambas as faces do limbo foliar, porém com maior intensidade na inferior. Ele se caracteriza pela presença de uma massa de micélio de coloração branca e aspecto pulverulento sobre o limbo foliar, constituída de estruturas do fungo. Com o progresso da doença, as áreas infectadas tornam-se necróticas, causando o crestamento das folhas. As condições favoráveis para a ocorrência da doença são temperaturas amenas e baixa umidade relativa. 18.1. Outras doenças Mancha foliar (Pseudomonas cichorii) Nematoide das galhas (Meloidogyne incognita, M. javanica) 18.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados com patógenos de solo. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. 118 • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento do solo. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Realizar a adubação de forma equilibrada,evitando o excesso de nitrogênio. • Eliminar as plantas que apresentarem sintomas de doenças. • Eliminar plantas hospedeiras próximas à área de cultivo, que possam hospedar patógenos, como manjerona e orégano. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo, no caso de áreas infestadas, para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras por pelo menos um ano. 19. MANJERICÃO DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Míldio Peronospora sp. Os sintomas da doença podem ser observados na face superior das folhas, próximas às nervuras, na forma de manchas amareladas e irregulares, de 3 mm a 7 mm de diâmetro. É comum também a presença de lesões nos pecíolos e novas ramificações. Na face inferior correspondente observa-se a presença de bolor pulverulento esbranquiçado, posteriormente acinzentado. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se escuras e necróticas, causando a desfolha da planta e a morte de ramos novos. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 20°C, e alta umidade relativa do ar. Locais sujeitos a neblina e presença de orvalho favorecem o desenvolvimento da doença. O patógeno sobrevive em outras plantas hospedeiras entre as estações de cultivo. Podridão mole ou mela Rhizoctonia sp. A doença geralmente se manifesta em reboleiras. Quando o patógeno ataca as plântulas, causa lesões encharcadas na haste, levando ao tombamento e à morte prematura das mudas. Em plantas mais desenvolvidas, o fungo pode atacar a haste e as folhas, onde se observam sintomas de mela ou podridão. Sobre os tecidos afetados, em condições de alta umidade, observa-se o crescimento do micélio do fungo, semelhante a teias. Temperaturas amenas, na faixa de 18°C, e alta umidade relativa do ar e do solo favorecem a ocorrência da doença. Oídio Oidium sp. Os sintomas aparecem inicialmente na face superior de folhas jovens, as quais apresentam-se cobertas por micélio pulverulento branco ou levemente acinzentado. Os sintomas também podem ocorrer em ramos, flores e frutos novos. Com o progresso da doença, os sintomas manifestam-se nas folhas velhas e evoluem para pequenas lesões necróticas. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas de 20°C a 25°C e pela baixa umidade relativa. O fungo sobrevive em hospedeiras voluntárias, como ervas daninhas e espécies silvestres e cultivadas. Cercosporiose Pseudocercospora ocimicola Os sintomas se manifestam nas folhas, na forma de manchas pardo-amarronzada de aspecto aveludado e formato variado, causando a seca das folhas e desfolha da planta. O patógeno também provoca lesões nos pecíolos e hastes. Em cultivares muito suscetíveis, o fungo pode acarretar danos severos, levando à morte das plantas. Condições de altas temperatura e alta umidade relativa, bem como longos períodos de molhamento foliar, favorecem a ocorrência da doença. 119 19.1. Outras doenças • Murcha de fusário (Fusarium oxysporum f. sp. basilici) • Podridão em sementes e plântulas (Curvularia lunata, Alternaria alternata, Bipolaris sp. e Phoma sp.) • Nematoides das galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica) 19.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e limpos. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios em áreas de baixas, sujeitos à alta umidade relativa e orvalho. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Irrigar preferencialmente por gotejamento, no caso de alta incidência de cercosporiose, e por aspersão, para alta incidência do oídio. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Incorporar os restos culturais imediatamente após o término da colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo, no caso de áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Exemplo: gramíneas (mínimo de um ano para patógenos de parte aérea e nematoides e três anos para fungos de solo). • Realizar o alqueive ou pousio por, pelo menos 45 dias, para caso de solos infestados por nematoides. • Utilizar plantas antagonistas (crotalária, mucunas, cravo-de-defunto) para o controle de nematoides. • Utilizar a manipueira para o controle de nematoides. 20. MANJERONA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Ferrugem Puccinia menthae Os sintomas manifestam-se na forma de pequenas urédias de coloração alaranjada, na face inferior das folhas, que posteriormente adquirem tonalidade amarronzada. Grandes áreas do tecido foliar podem ser necrosadas, levando à queda das folhas. Brotos novos, quando afetados, apresentam-se retorcidos. Temperaturas amenas, por volta de 20°C, e alta umidade e molhamento foliar favorecem a ocorrência da doença. Na ausência da hortelã, o patógeno sobrevive em outras espécies de hortelã e orégano. Oídio Oidium sp. Os sintomas manifestam-se na forma de manchas pulverulentas, de coloração braço- acinzentada, sobre as folhas e pecíolos. Com o progresso da doença, ocorre a necrose dos tecidos afetados e consequentemente a queda das folhas. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas em torno de 25°C e baixa umidade relativa. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. 20.1. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Irrigar preferencialmente por gotejamento, no caso de alta incidência de ferrugem, e por aspersão, para a alta incidência do oídio. • Realizar a adubação de forma equilibrada. 120 • Eliminar plantas hospedeiras próximas à área de cultivo, que possam hospedar patógenos, como hortelã e orégano. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras por pelo menos um ano. 21.MOSTARDA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Hérnia das crucíferas Plasmodiophora brassicae Os sintomas são observados em reboleiras, a parte aérea das plantas, que apresentam deficiências nutricionais e desenvolvimento reduzido. Elas murcham nas horas mais quentes do dia e retomam a turgidez nas horas mais frescas. Nas raízes, pode ser observada a formação de galhas, oriundas da multiplicação rápida e crescimento exagerado das células, induzidas pelo protozoário. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas entre 18°C e 25°C, solo arenoso e pH ácido. O patógeno sobrevive em restos culturais e em outros hospedeiros. Contudo, na ausência de hospedeiros, produz elevada quantidade de esporos capazes de permanecerem viáveis no solo por até 10 anos. Ferrugem branca Albugo candida Os sintomas se iniciam com o aparecimento de pequenas manchas amareladas nas folhas e no caule, que, com o progresso da doença, tornam- se maiores. Na face inferior correspondente das folhas, formam-se urédias de coloração branca e aspecto pulverulento. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores e as folhas apresentam distorções e tornam-se amareladas. Em mudas, o patógeno pode causar necrose nos cotilédones e o tombamento das plântulas. A ocorrência da doença é favorecida por baixas temperaturas, na faixa de 10°C a 20°C, longos períodos de molhamento foliar e alta umidade relativa do ar (acima de 90%). Podridão de esclerotínia Sclerotinia sclerotiorum A doença ocorre em qualquerfase de desenvolvimento das plantas. Os sintomas são observados inicialmente em reboleiras, na parte aérea das plantas, que apresentam redução do desenvolvimento. O patógeno causa o apodrecimento da região do coleto, acima do nível do solo. Em condições de alta umidade, observa-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, com a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) rígidos de tamanhos variados, de coloração, inicialmente, clara e, posteriormente, pretos. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 20°C, e pela alta umidade relativa do ar e do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, pode resistir por longo período, por meio dos escleródios. Mancha de alternaria Alternaria brassicae Alternaria brassicicola Na fase inicial de desenvolvimento das plantas, o patógeno pode causar lesões necróticas nos cotilédones e o tombamento das plântulas. Em plantas mais desenvolvidas, os sintomas aparecem nas folhas e progridem por toda a planta, causando a senescência precoce dela. Caracterizam-se por pequenas manchas escuras, circundadas por halo amarelado, que gradualmente aumentam de tamanho. Nelas é observada a formação de anéis concêntricos e de estruturas reprodutivas do fungo no centro das lesões. Temperaturas amenas favorecem a ocorrência de A. brassicae, enquanto aquelas mais amenas promovem a A. brassicicola. Os patógenos sobrevivem em restos culturais e podem ser transmitidos por meio de sementes infectadas. 121 21.1. Outras doenças • Cercosporioses (Cercospora brassicicola) • Oídio (Oidium sp.) • Tombamento (Rhizoctonia solani) • Mosaico do nabo (Turnip mosaic virus - TuMV) 21.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes ou tolerantes quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e protegidos de insetos vetores de virose com tela antiafídeos. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas com o cultivo de brássicas. • Evitar plantios em áreas de baixas, sujeitos à alta umidade relativa e à formação de orvalho. • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento na base. • Plantar em espaçamentos maiores no período quente, para permitir maior ventilação entre as plantas. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. Porém, no caso de alta incidência de oídio, irrigar por aspersão. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Realizar a adubação equilibrada das plantas. • Realizar a calagem do solo para pH 6,5 ou superior, para o controle da hérnia das crucíferas. • Promover a limpeza de maquinários e ferramentas. • Eliminar plantas voluntárias de brássicas aos arredores da área de cultivo. • Eliminar plantas doentes, principalmente com virose, como o TuMV, imediatamente após sua constatação. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo em áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, como gramíneas. • Utilizar fungicidas registrados para a cultura, se necessário. • Utilizar inseticidas registrados para o controle dos insetos vetores de virose (pulgões), se necessário. 122 22.ORÉGANO DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Ferrugem Puccinia menthae Os sintomas se manifestam em ambas as faces das folhas. Na face superior, podem ser observadas pequenas manchas circulares, de 2 mm a 5 mm de diâmetro, de coloração amarelada e centro escuro. Na face inferior correspondente, observa-se a presença de abundante esporulação alaranjada escura a amarronzada. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se necróticas. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, por volta de 20°C, alta umidade e molhamento foliar. Na ausência do orégano, o patógeno sobrevive em outras espécies de hortelã e manjerona. 22.1. Manejo integrado das doenças na cultura • Evitar plantios próximos a lavouras velhas. • Irrigar preferencialmente por gotejamento, de forma a evitar o molhamento foliar. • Realizar a adubação de forma equilibrada, evitando o excesso de nitrogênio. • Eliminar plantas hospedeiras próximas à área de cultivo, que possam hospedar patógenos, como manjerona e hortelãs. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras por, pelo menos, um ano. 23.REPOLHO DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Podridão negra Xanthomonas campestris pv. campestris O patógeno ataca as plantas da fase de mudas à de adulta. Quando a bactéria incide sobre plantas jovens, pode causar o nanismo ou a morte delas. Em plantas maiores, os sintomas se manifestam na forma de lesões cloróticas, em formato de “V”, localizadas geralmente nas margens da folha, com o vértice voltado para o centro, visto que a infecção ocorre pelos hidatódios. Quando acontece pelos estômatos, ferimentos mecânicos ou por insetos, as lesões podem aparecer em qualquer posição na folha e geralmente apresentam formato irregular. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores e com o centro necrótico, podendo causar a queda das folhas. A bactéria pode se tornar sistêmica e atingir os vasos do xilema, obstruindo a passagem de água e nutrientes. Consequentemente, os vasos do xilema perdem a função e ficam pretos, o que denominou a doença de podridão negra. A doença é favorecida pela alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e altas temperaturas, entre 28°C e 30°C. A bactéria sobrevive em restos culturais por até oito meses, em condições naturais, ou ainda em outras hospedeiras ou em sementes infectadas. 123 Podridão mole Pectobacterium carotovorum subsp. carotovorum Os sintomas se manifestam inicialmente na base da planta, na forma de lesões de aspecto encharcado, que progridem rapidamente para uma podridão mole, com a secreção de líquidos de odor fétido, característico da doença. A parte externa do caule pode apresentar-se intacta, porém deprimida, enquanto a parte interna se desintegra. Plantas afetadas também podem apresentar sintomas de murcha. Eles podem ocorrer ainda em pós-colheita, durante o armazenamento e conservação. A doença é favorecida por condições de alta umidade relativa e altas temperaturas, bem como adubações nitrogenadas em excesso. Ferimentos nas plantas servem de porta de entrada para a bactéria, que sobrevive principalmente em restos culturais. Hérnia das crucíferas Plasmodiophora brassicae Os sintomas são observados em reboleiras, a parte aérea das plantas, que apresentam deficiências nutricionais e desenvolvimento reduzido. Elas murcham nas horas mais quentes do dia e retomam a turgidez nas horas mais frescas. Nas raízes, pode ser observada a formação de galhas oriundas da multiplicação rápida e crescimento exagerado das células, induzidas pelo protozoário. As galhas variam de tamanho, podendo medir desde alguns milímetros até mais de 10 cm de comprimento. Essas galhas diferenciam-se daquelas provocaas pelos nematoides, por serem mais quebradiças quando esmagadas com os dedos e não apresentarem massas de ovos. A ocorrência é favorecida por temperaturas entre 18°C e 25°C, solo arenoso e pH ácido. O patógeno sobrevive em restos culturais e em outros hospedeiros. Contudo, na ausência de hospedeiros, produz elevada quantidade de esporos, capazes de permanecerem viáveis no solo, por até 10 anos. Enfezamento ou pratinho Fitoplasma São observados inicialmente nasplantas situadas nas margens da área de cultivo. Quando afetadas, apresentam crescimento reduzido, clorose foliar, intenso avermelhamento, que se inicia pelos bordos foliar e a má formação das cabeças, visto que as folhas permanecem abertas. Pode haver a formação de pequenas cabeças na base da haste. Ao se cortar transversalmente a haste de plantas infectadas, observa-se a formação de anel necrótico de cor escura na região vascular. Quanto mais precoce a infecção, maior a expressão dos sintomas. A infecção pelo patógeno é atribuída a presença de insetos sugadores, principalmente cigarrinhas. A transmissão é do tipo propagativa circulativa, ou seja, uma vez adquirido o fitoplasma, o vetor é capaz de transmiti-lo durante toda sua vida. Tombamento ou damping- off Pythium spp. Rhizoctonia solani Botrytis cinerea Sclerotium rolfsii Os patógenos causam a morte de plantas recém-germinadas ou após a emergência, na fase de plântulas. Pode ocorrer também após o transplantio, principalmente com mudas de raiz nua. O sintoma pode ser observado na região do colo da planta, onde se verifica lesões inicialmente encharcadas. Com o progresso da doença, a área lesionada apresenta um afilamento e a plântula tomba. Em seguida, a área apresenta-se necrosada seca, causando a morte da planta. Dependendo do patógeno envolvido, observa-se a formação de micélio branco no caule e raízes em condições de alta umidade. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade do solo, excesso de matéria orgânica, e por adubações nitrogenadas em excesso. Os patógenos podem sobreviver na ausência do hospedeiro por vários anos por meio de estruturas de resistência (escleródios e oósporos), bem como em restos culturais. Míldio Hyaloperonospora parasitica A doença ocorre em todas as fases de desenvolvimento da planta. Os sintomas manifestam-se na face inferior das folhas, na forma de manchas mais ou menos circulares, inicialmente úmidas e cloróticas. Em condições de alta umidade, observa-se a formação de micélio branco‐ acinzentado sobre as lesões. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores, irregulares e necróticas. A ocorrência da doença é favorecida por condições de alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e temperaturas na faixa de 12°C a 20°C. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. 124 Mancha de alternaria Alternaria brassicae Alternaria brassicicola Os sintomas podem ser observados em toda a parte aérea da planta. Na fase inicial de desenvolvimento das plantas, o patógeno pode causar lesões necróticas nos cotilédones e o tombamento das plântulas. Em plantas mais desenvolvidas, os sintomas são observados inicialmente nas folhas mais velhas, na forma de pequenas manchas escuras e circulares, que gradualmente aumentam de tamanho. Elas apresentam anéis concêntricos e halo amarelado. No centro delas, formam-se numerosas estruturas reprodutivas do fungo. Alternaria brassicicola também causa diversas manchas nas inflorescências da planta. As lesões causadas por A. brassicicola são menores e mais escuras que as lesões causadas por A. brassicae. Temperaturas amenas favorecem a ocorrência de A. brassicae, enquanto aquelas mais amenas contribuem para A. brassicicola. Os patógenos sobrevivem em restos culturais e podem ser transmitidos por meio de sementes infectadas. Podridão de esclerotínia Sclerotinia sclerotiorum A doença ocorre em qualquer fase de desenvolvimento das plantas. Os sintomas são observados inicialmente em reboleiras, na parte aérea das plantas, que apresentam redução do desenvolvimento. O patógeno causa o apodrecimento da região do coleto das plantas, acima do nível do solo. Em condições de alta umidade, observa-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, com a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) rígidos, de tamanhos variados, de coloração, inicialmente, clara e, posteriormente, pretos. Em alguns casos, é possível observar a formação de escleródios também dentro do caule da planta, na região da medula. Sintomas podem ser também observados nas folhas próximas ao solo e na cabeça, na forma de áreas encharcadas e de formatos irregulares, que posteriormente também ficam cobertas pelo micélio do fungo. As cabeças, quando afetadas, apodrecem. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, na faixa de 15°C a 20°C, e pela alta umidade relativa e do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, pode sobreviver por longo período por meio dos escleródios. Murcha de fusário Fusarium oxysporum f. sp. conglutinans A doença geralmente ocorre em reboleiras, na área de cultivo. Inicialmente, observa-se o amarelecimento das folhas basais da planta, em direção às folhas mais novas. Em alguns casos, observa-se o amarelecimento somente em um lado da folha. As plantas apresentam crescimento reduzido e podem murchar e morrer. Mediante corte transversal do caule, próximo à base da planta e nos pecíolos, é possível observar o escurecimento do xilema. Temperaturas na faixa de 28°C a 30°C e alta umidade do solo são condições ideiais para a surgimento da doença. O patógeno pode ser transmitido por sementes infectadas e permanecer no solo, na ausência do hospedeiro, por meio de estruturas de resistência (clamidósporos). Nematoide das galhas Meloidogyne incognita Meloidogyne javanica Os sintomas são inicialmente observados pela redução do crescimento das plantas. Nas raízes, observa- se a presença de galhas e inchaços com formato arredondado. Raízes infectadas são geralmente mais curtas e com menor número de raízes laterais. Com o progresso da doença, pode haver o apodrecimento do sistema radicular, devido à abertura de portas de entrada para patógenos oportunistas (fungos e bactérias de solo). As condições ambientais favoráveis à infecção pelos nematoides são a alta umidade do solo, mas sem saturação, e altas temperaturas, de 25° a 30°C. 125 23.1. Outras doenças • Mancha bacteriana (Pseudomonas cichorii) • Ferrugem branca (Albugo candida) • Mancha circular (Mycosphaerella brassicicola) • Cercosporioses (Cercospora brassicicola) • Mosaico do nabo (Turnip mosaic virus - TuMV) • Raiz negra (Aphanomyces raphani) 23.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes ou tolerantes quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e protegidos de insetos vetores com telas antiafídeos. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas com o cultivo de brássicas. • Evitar plantios em áreas de baixas, sujeitos à alta umidade relativa e à formação de orvalho. • Plantar em canteiros altos para evitar encharcamento na base. • Plantar em espaçamentos maiores no período quente, para permitir maior ventilação entre as plantas. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Realizar a adubação equilibrada das plantas. • Realizar a calagem do solo para pH 6,5 ou superior, para o controle da hérnia das crucíferas. • Evitar ferimentos nas plantas na ocasião dos tratos culturais. • Realizar a limpeza de máquinas e ferramentas, para evitar a contaminação de novas áreas. • Eliminar plantas voluntárias de brássicas e outras que possam hospedar patógenos comuns à cultura aos arredores da área de cultivo. • Eliminar plantas doentes, principalmente com sintomas de TuMV e enfezamento (fitoplasma), imediatamente após sua constatação. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição.• Realizar a solarização do solo em áreas infestadas para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Gramíneas: por, pelo menos, um ano para patógenos de parte aérea e nematoides, e três anos para patógenos de solo. • Realizar o alqueive ou pousio por, pelo menos, 45 dias para caso de solos infestados por nematoides. • Utilizar plantas antagonistas (crotalária, mucunas, cravo-de-defunto) para o controle de nematoides. • Utilizar a manipueira para o controle de nematoides. • Utilizar fungicidas e bactericida registrados para a cultura, se necessário. • Utilizar inseticidas registrados para o controle dos insetos vetores de virose (pulgões) e do fitoplasma (cigarrinhas), se necessário. 126 24.RÚCULA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Podridão negra Xanthomonas campestris pv. campestris O patógeno ataca as plantas desde a fase de mudas até a fase adulta. Quando a bactéria incide sobre plantas jovens pode causar o nanismo ou a morte destas. Em plantas maiores, os sintomas se manifestam na forma de lesões cloróticas, em formato de “V”, localizadas geralmente nas margens da folha, com o vértice voltado para o centro, visto que a infecção ocorre pelos hidatódios. Quando a infecção ocorre pelos estômatos,ferimentos mecânicos ou por insetos, as lesões podem aparecer em qualquer posição na folha e geralmente apresentam formato irregular. A ocorrência da doença é favorecida pela alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e altas temperaturas, de 28°C a 30°C. A bactéria sobrevive em restos culturais, por até oito meses, em condições naturais, ou ainda em outras hospedeiras ou sementes infectadas. Míldio Hyaloperonospora parasitica A doença ocorre em todas as fases de desenvolvimento da planta. Os sintomas manifestam-se na face inferior das folhas, na forma de manchas mais ou menos circulares, inicialmente úmidas e cloróticas. Em condições de alta umidade, observa-se a formação de micélio branco‐acinzentado sobre as lesões. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se irregulares e necróticas. Em mudas, os sintomas podem ser observados nas folhas cotiledonares, que, em seguida, progridem de forma ascendente para toda a parte área da planta. A ocorrência da doença é favorecida por condições de alta umidade relativa, longos períodos de molhamento foliar e temperaturas baixas a amenas, de 12°C a 20°C. O patógeno sobrevive em hospedeiras alternativas entre as estações de cultivo. Ferrugem branca Albugo candida Em mudas, o patógeno pode causar necrose nos cotilédones e o tombamento das plantas. Em plantas adultas, os sintomas se iniciam com o aparecimento de pequenas manchas amareladas nas folhas e no caule. Na face inferior correspondente das folhas, formam-se urédias de coloração branca e aspecto pulverulento. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se maiores e as folhas apresentam distorções e tornam-se amareladas. A ocorrência da doença é favorecida por baixas temperaturas, na faixa de 10°C a 20°C, longos períodos de molhamento foliar e alta umidade relativa do ar (acima de 90%). Podridão de esclerotínia Sclerotinia sclerotiorum A doença ocorre em qualquer fase de desenvolvimento das plantas. Os sintomas são observados inicialmente em reboleiras, na parte aérea das plantas, que apresentam redução do crescimento, amarelecimento e murcha. No caule, pode ser observada uma podridão aquosa e lesões necróticas. Em condições de alta umidade, observa-se o crescimento de micélio branco de aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, com a formação de numerosos escleródios (estruturas de resistência) rígidos, de tamanhos variados, de coloração inicialmente clara e posteriormente pretos. O surgimento da doença é favorecido por temperaturas amenas, de 15°C a 20°C, e pela alta umidade relativa e do solo. O fungo sobrevive em restos culturais, e na ausência de hospedeiros, pode resistir por longo período, por meio dos escleródios. Mela Rhizoctonia spp. A doença geralmente se manifesta em reboleiras, em plantas ainda na fase inicial de desenvolvimento, nas quais o patógeno causa tombamento. Em plantas adultas, o patógeno causa o apodrecimento das raízes, murcha e a mela das folhas basais, próximas ao solo. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas em torno de 25°C e pela alta umidade do solo. O patógeno é capaz de sobreviver no solo, na ausência de hospedeiras, por longo período, por meio de estruturas de resistência (escleródios). 127 24.1. Outras doenças • Hérnia das crucíferas (Plasmodiophora brassicae) • Mosaico do nabo (Turnip mosaic virus - TuMV) • Nematoide das galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica) 24.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes ou tolerantes quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e protegidos de insetos vetores com telas antiafídeos. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados, não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas com o cultivo de brássicas. • Evitar plantios em áreas de baixas, sujeitos à alta umidade relativa e à formação de orvalho. • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento na base. • Plantar em espaçamentos maiores, no período quente, para permitir maior ventilação entre as plantas. • Em cultivos realizados em hidroponia, manter o sistema limpo e utilizar água de boa qualidade. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Realizar a adubação equilibrada das plantas. • Realizar a calagem do solo para pH 6,5 ou superior, para o controle da hérnia das crucíferas. • Realizar a limpeza de máquinas e ferramentas para evitar a contaminação de novas áreas. • Eliminar plantas voluntárias de brássicas e outras que possam hospedar patógenos comuns à cultura aos arredores da área de cultivo. • Eliminar plantas com sintomas de TuMV imediatamente após sua constatação. • Incorporar os restos culturais imediatamente após a colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo em áreas infestadas, para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras: gramíneas por, pelo menos, um ano para patógenos de parte aérea e nematoides, e três anos para patógenos de solo. • Realizar o alqueive ou pousio por, pelo menos, 45 dias para o caso de solos infestados por nematoides. • Utilizar plantas antagonistas (crotalária, mucunas, cravo-de-defunto) para o controle de nematoides. • Utilizar fungicidas e bactericida registrados para a cultura, se necessário. • Utilizar inseticidas registrados para o controle dos insetos vetores de virose (pulgões), se necessário. 128 25.SALSA DOENÇAS PATÓGENOS SINTOMAS ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS Septoriose Septoria petroselini Os sintomas se manifestam na forma de pequenas manchas irregulares de cor palha, geralmente circundadas por um halo amarronzado e com centro escuro. Com o progresso da doença, as lesões aumentam em número e tamanho e coalescem. Manchas semelhantes ocorrem nos pecíolos, porém, menores e de formato elíptico. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas amenas, de 20°C a 25°C, pela e alta umidade relativa e por longos períodos de molhamento foliar. O fungo sobrevive em restos culturais entre as estações de cultivo. Oídio Erysiphe heraclei Os sintomas ocorrem inicialmente nas folhas mais velhas. Aparecem na forma de manchas branco- acinzentadas na face superior das folhas, podendo ocorrer também nos pecíolos. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se necrosadas, causando redução da área foliar. CondiçõesAlgumas variedades de acelga têm folhas amarelo-pálidas e outras, vermelho-vivas (Figura 1). A B Figura 1. Acelga (Fotos A: Jorge A. Guimarães; B:Milza Moreira Lana) A espécie é hermafrodita (tem órgãos masculinos e femininos) e, para que ocorra a formação de flores, é necessário que a planta passe por um período de temperaturas baixas. A polinização é feita pelo vento. O fruto contém de três a quatro sementes muito pequenas. É uma planta muito rica em fibras e vitaminas A e C, além de sais minerais, como cálcio e ferro. 2. AGRIÃO Segundo PATRO (2013), o agrião Nasturtium officinale é uma planta herbácea, perene, de rápido crescimento, alcançando até 70 cm de altura. A planta tem caule tenro, verde, glabro e oco, com folhas pequenas e alternas, compostas de 3 – 11 folíolos oblongos e glabros. Apresenta raízes principais e adventícias A planta é hermafrodita, com inflorescências em rácemos terminais, que surgem no verão, formados por inúmeras flores brancas, de quatro pétalas cada. A polinização é feita por insetos, como abelhas e moscas (Figura 2). 04 22 A B Figura 2. Agrião (Fotos: A. Jorge A. Guimarães e B. Milza Moreira Lana) É mais rica em vitamina C do que a laranja. Além disso, é rico em ferro, cálcio, magnésio e vitaminas A, B6 B12. Seus talos são ricos em iodo. 3. AIPO Apium graveolens é uma planta bianual, que cresce até 0,6 m de altura. Tem as folhas pinadas ou bipinadas, compostas por folíolos romboides, e sustentadas por pecíolos (talos) estriados, longos, eretos e espessos, de disposição alternada e coloração que varia entre o branco, o amarelo e o verde (Figura 3). A espécie é hermafrodita, com as inflorescências terminais, sesseis, do tipo umbela com pedúnculo curto, carregadas de numerosas e pequenas flores branco-esverdeadas (PATRO, 2013). A polinização é feita por moscas. Figura 3. Aipo (Foto: Milza Moreira Lana) 4. ALCACHOFRA De acordo com PATRO (2014), Cynara cardunculus é uma planta perene, que pode atingir até 2 m de altura, rebrotando após o inverno. Apresenta folhas dispostas em roseta, longas, com espinhos, profundamente lobadas, de coloração verde-clara na face superior e pubescentes na superfície inferior. Do centro da planta surge uma haste floral alongada, na qual são produzidas as alcachofras, parte comestível da planta, que são inflorescências grandes, do tipo capítulo, reunindo numerosas flores púrpuras e cobertas de grossas brácteas membranáceas. É fonte de vitamina C, ácido fólico, magnésio e potássio. A espécie é hermafrodita (tem órgãos masculinos e femininos) e é polinizada por insetos. 23 5. ALECRIM Rosmarinus officinalis é um arbusto perene, lenhoso, que cresce até 1,5 m de altura. As folhas são filiformes, pequenas e sempre verdes na parte superior e esbranquiçadas no verso, com pelos finos e curtos (Figura 4). As folhas são aromáticas. As flores são axilares e podem ser azuis, brancas, roxas ou róseas. A espécie é hermafrodita e polinizada por abelhas, floresce durante o ano todo (PATRO, 2015). A B Figura 4. Alecrim (Fotos: A. Jorge A. Guimarães e B. Milza Moreira Lana) 6. ALFACE Lactuca sativa é uma planta herbácea anual, que cresce até 0,9 m de altura. Tem folhas macias, grandes, que crescem em roseta, em volta do caule pequeno. As folhas podem ser lisas ou crespas, formando ou não uma cabeça e podem apresentar diversas tonalidades de verde e roxo-bronzeado, de acordo com as variedades (Figura 5). Apresenta sistema radicular delicado, muito ramificado e superficial. A floração ocorre no verão, estimulada pelos dias longos (PATRO, 2015). É uma importante fonte de sais minerais, principalmente de cálcio e de vitaminas, especialmente a vitamina A. Figura 5. Alface (Fotos: Milza Moreira Lana) 24 7. ALHO-PORÓ Allium porrum é uma planta tipo bulbo, que cresce até 0,9 m de altura. Parecida com o alho, porém maior, com as folhas longas, largas, suculentas e verdes, com bainhas compridas que se sobrepõem recobrindo o falso caule, formando o “talo” tenro, branco e comestível, dilatado na base. Suas raízes são fasciculadas e pouco profundas. As inflorescências, grandes e de aspecto esférico, são do tipo umbela e contêm numerosas flores brancas, róseas ou roxas (PATRO, 2013). Após a polinização, formam-se os frutos do tipo cápsula trigona e as sementes pequenas, pretas e achatadas, com superfície enrugada, semelhantes às da cebola (Figura 6). Apresenta consideráveis teores de vitaminas A, B e C. A B C Figura 6. Alho-poró (Fotos: A - Jorge A. Guimarães; B e C - Milza Moreira Lana) 8. ALMEIRÃO Cichorium intybus é uma planta perene, de crescimento rápido, podendo alcançar até 1,5 m de altura. Apresenta folhas alongadas, largas ou estreitas, mais ou menos pubescentes, de coloração verde ou arroxeada, de acordo com a variedade (Figura 7). Sua raiz é tuberosa, pivotante. As inflorescências são em capítulo, de coloração azul ou arroxeada, surgem de uma longa haste ramificada, com folhas reduzidas (PATRO, 2013). Rica em vitaminas A, C e do complexo B, é boa fonte de fósforo e ferro. 25 Figura 7. Almeirão (Foto: Jorge A. Guimarães) 9. ASPARGO Asparagus officinalis é uma planta perene, dioica, que cresce até 1,5 m de altura. Produz ápices caulinares tenros, que podem começar a ser colhidos a partir do segundo ano, após o plantio das mudas ou da semeadura. Suas folhas são muito pequenas, assim como as flores. O fruto é uma baga vermelha. 10. BRÓCOLIS Brassica oleracea italica é uma planta herbácea que apresenta um caule ereto, raiz do tipo pivotante e folhas longas, simples, com nervuras pouco salientes e sem tricomas. Forma inflorescências de coloração verde-escura, chamadas de cabeças, que são a parte comestível principal da planta. Essa inflorescência pode ser do tipo “cabeça”, ou do tipo “ramoso” (Figura 8). São ricas em vitaminas C, A e sais minerais, como cálcio, ferro, fósforo e fibras. Figura 8. Brócolis (Foto: Jorge Anderson Guimarães) 26 11. CEBOLINHA Allium schoenoprasum é uma planta herbácea, bulbosa, condimentar e ornamental. Se parece com a cebola, porém, com um número maior de folhas, que formam uma touceira. Apresenta bulbo alongado, pequeno e branco, e suas folhas são cilíndricas e fistulosas, com cerca de 0,3 m de comprimento e cor verde escura. A floração ocorre na primavera e verão, evidenciando inflorescências do tipo umbela (Figura 9). As flores são hermafroditas e apresentam brácteas papiráceas cor-de-rosa (PATRO, 2015). As folhas são uma boa fonte de cálcio e de vitaminas C e A. A B Figura 9. Cebolinha (Fotos: A - Jorge A. Guimarães; B - Milza Moreira Lana) 12. CHICÓRIA Cichorium endivia é uma planta perene, que cresce rapidamente até 1,5 m de altura. Elas se classificam em duas principais variedades: a Cichorium endivia var. Crispa, que inclui as endívias, e a Cichorium endivia var. Latifolia, que engloba as escarolas. As endívias têm folhas curvas e retorcidas, com bordos denteados; já as escarolas apresentam folhas amplas, eretas e planas. Ambas têm o característico sabor amargo, que é mais forte nas folhas mais verdes. As flores das chicórias são azuis, muito bonitas e delicadas (PATRO, 2015). É rica em fibras, vitaminas e minerais, em especial, o potássio. 13. COENTRO Coriandrum sativum é uma planta herbácea anual, que cresce até 0,5 m de altura. É uma hortaliça condimentar da mesma família da cenoura, da salsa e da mandioquinha- salsa. Apresenta caule com ramos delicados e ramificados e raiz branca e alongada. As folhas são aromáticas, verdes e de formas variadas - as da base são lobadas e as do ápice, divididas em finos segmentos (Figura 10). As flores são pequenas, assimétricas, de cor branca, formando inflorescências do tipo umbela (PATRO, 2014). 27 A B Figura 10. Coentro (Fotos: Milza Moreira Lana) O coentro é rico em vitaminas A, B1, B2 e C. Suas folhas frescas são utilizadas para temperar diferentes tipos de pratos, molhos e saladas. 14. COUVE Brassica oleracea acephala é uma planta herbáceade alta umidade do ar e temperaturas moderadas favorecem a ocorrência da doença. O fungo sobrevive em outras plantas hospedeiras entre as estações de cultivo. Cercosporiose Cercosporidium punctum Os sintomas se manifestam na forma de manchas circulares a elípticas de coloração palha a amarronzada, circundadas por um halo de verde claro a amarelo. No centro das lesões, podem ser observadas várias pontuações escuras (estruturas reprodutivas) do patógeno. Com a produção dos esporos, as lesões adquirem tonalidade esbranquiçada. Com o progresso da doença, as manchas aumentam em número e tamanho, causando a queima das folhas da planta. Sintomas semelhantes podem aparecer nos pecíolos, porém as lesões apresentam formato alongado. A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas em torno de 22°C e alta umidade relativa. O patógeno pode sobreviver em restos culturais, entre as estações de cultivo ou associado a sementes. Queima de alternaria Alternaria dauci Alternaria petroselini Os sintomas se manifestam na margem das folhas velhas, na forma de pequenas manchas castanho-escuras ou pretas, circundadas por halo amarelado. Com o progresso da doença, as lesões tornam-se necróticas, e o tecido foliar apresenta- se completamente distorcido. Nos pecíolos, lesões semelhantes são observadas, porém, alongadas. Os patógenos podem também causar lesões nas umbelas, levando ao escurecimento das sementes. Os patógenos podem sobreviver em restos culturais contaminados entre as estações de cultivo ou em outras hospedeiras, bem como em sementes infectadas. Altas temperaturas, alta umidade relativa e longos períodos de molhamento foliar favorecem a ocorrência da doença. 129 Podridão de raiz Phytophthora nicotianae Pythium spp. Os sintomas manifestam-se inicialmente na parte aérea das plantas, geralmente em reboleiras, na forma de murcha, podridão dos pecíolos e morte das plantas. Quando as plantas conseguem sobreviver, têm o amarelecimento das folhas. As raízes apesentam podridão de cor amarronzada e aspecto esponjoso. A doença também pode ocorrer quando a salsa é cultivada em hidroponia (Pythium). Temperaturas amenas favorecem a ocorrência de P. nicotianae, enquanto temperaturas mais altas favorecem a ocorrência de espécies de Pythium. Os patógenos podem sobreviver, de forma viável, no solo, por longo período, na forma de estruturas de resistência (oósporos). Tombamento ou damping-off Rhizoctonia solani Pythium spp. Phytophthora nicotianae Os sintomas da doença geralmente são observados em reboleiras. Durante a germinação, os patógenos causam a podridão dos tecidos recém-formados. Já na fase de plântulas, observa-se inicialmente o encharcamento na região do colo ou logo acima do solo, com posterior escurecimento da lesão ou crescimento micelial no caule e nas raízes, de acordo com o patógeno envolvido. Com o progresso da doença, a área lesionada apresenta um afilamento e a plântula tomba e morre. No caso de o ataque acontecer com plantas mais desenvolvidas, somente o tecido externo é afetado, no qual observa-se a presença de lesões escurecidas e/ou rachaduras na altura do colo. Os patógenos são favorecidos por solos encharcados e podem sobreviver, na ausência do hospedeiro, por vários anos, por meio de estruturas de resistência, bem como em restos culturais e outras alternativas. Mofo branco Sclerotinia sclerotiorum Os sintomas inicialmente são observados em reboleiras, nas quais as plantas afetadas apresentam murcha e amarelecimento das folhas, seguidos do apodrecimento da coroa e da redução do crescimento. Com o progresso da doença, as plantas podem tombar e morrer. As raízes apresentam necrose e podridão aquosa radial de fora para dentro. Em condições de elevada umidade, pode-se observar o crescimento de micélio branco e aspecto cotonoso sobre os tecidos infectados, bem como a formação de escleródios pretos, rígidos e de tamanho irregular, junto ao micélio e aos tecidos infectados. Condições de temperatura amena, de 15°C a 21°C, e alta umidade do solo favorecem a ocorrência da doença. O fungo pode sobrevier de forma viável no solo, por anos, por meio de estruturas de resistência (escleródios). Nematoide das galhas Meloidogyne incognita Meloidogyne javanica Os sintomas são inicialmente observados em reboleiras, pela redução do crescimento das plantas ou leve amarelecimento. Nas raízes, observa-se a presença de galhas de formato arredondado e deformações. Junto às galhas, pode ser observada a presença de massas de ovos, na forma de pontos escuros na superfície das raízes. As condições ambientais favoráveis à infecção pelos nematoides são a alta umidade do solo, mas sem saturação, e altas temperaturas, entre 25° e 30°C. 25.1. Outras doenças Míldio (Plasmopara nivea) 130 25.2. Manejo integrado das doenças na cultura • Plantar cultivares resistentes ou tolerantes quando disponíveis. • Plantar sementes certificadas e mudas sadias. • Formar mudas em ambientes fechados e limpos. • Usar substrato livre de patógenos para a produção de mudas. • Plantar em solos bem drenados não sujeitos ao acúmulo de água. • Evitar o plantio em solos sabidamente infestados. • Evitar plantios próximos a lavouras velhas com o cultivo de apiáceas, como cenoura. • Plantar em canteiros altos, para evitar encharcamento na base. • Irrigar preferencialmente por gotejamento. Porém, no caso de alta incidência de oídio, irrigar por aspersão. • Realizar o manejo adequado da irrigação, de modo a evitar o excesso de umidade no solo. • Realizar a adubação equilibrada das plantas. • Em cultivos realizados em hidroponia, manter o sistema limpo e utilizar água de boa qualidade. • Eliminar plantas voluntárias de aliáceas aos arredores da área de cultivo. • Incorporar os restos culturais imediatamente após o término da colheita, de forma a acelerar a decomposição. • Realizar a solarização do solo em áreas infestadas, para a redução da população dos patógenos. • Realizar a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. Por exemplo: gramíneas por, pelo menos, um ano para patógenos de parte aérea e nematoides, e três anos para demais patógenos de solo. • Realizar o alqueive ou pousio por, pelo menos, 45 dias ,para o caso de solos infestados por nematoides. • Utilizar plantas antagonistas (crotalária, mucunas, cravo-de-defunto) para o controle de nematoides. • Utilizar a manipueira para o controle de nematoides. 26. CONDIMENTARES SEM GRANDES PROBLEMAS COM DOENÇAS No Brasil, algumas condimentares não apresentam doenças expressivas, capazes de causar prejuízos significativos durante o cultivo. As doenças geralmente ocorrem de forma restrita e em determinadas épocas do ano ou regiões. - Alecrim: podridão de raízes (Rhizoctonia solani), mancha de alternaria (Alternaria sp.), murcha de fusário (Fusarium oxysporum), entre outras. - Erva-doce: não apresenta doenças de importância econômica relatadas. - Estragão: cercosporiose (Cercospora sp.). - Louro: mancha de alga (Cephaleuros sp.) e oídio (Oidium sp.). - Sálvia: ferrugens (Puccinia spp. e Uredo spp.). 131 GRADE DE AGROTÓXICOS REGISTRADOS PARA HORTALIÇAS FOLHOSAS, INFLORESCÊNCIAS E CONDIMENTARES NO BRASIL Jorge Anderson Guimarães De acordo com a Lei Federal nº 7.802, de 11 de julho de 1989, agrotóxicos são os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento dos produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos (BRASIL, 1989). Esta lei dispõe sobre as atividades realizadas com agrotóxicos no território nacional, desde a sua produção ou importação até o destinofinal de seus resíduos e embalagens. As disposições dessa lei foram regulamentadas pelo Decreto nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002. Outros aspectos do uso de agrotóxicos dispostos nas leis incluem: classificação, certificação de prestadores de serviços, transporte, aplicação, segurança para os trabalhadores e destino final dos resíduos e embalagens vazias (BRASIL, 1989). No Brasil, o registro dos agrotóxicos e afins é realizado mediante a avaliação e aprovação por parte dos órgãos federais responsáveis pelos setores de saúde, de meio ambiente e da agricultura, tendo por finalidade principal a verificação da segurança ambiental e para saúde humana, além da avaliação da eficiência do produto para as indicações de uso apresentadas pelo requerente do registro (MAPA, 2012). A determinação da grade de agrotóxicos de cada cultura é de responsabilidade do Mapa, após a realização dos testes de eficiência agronômica desses produtos, Com base nestes resultados, o ministério define a grade de produtos para a cultura e publica os resultados no Agrofit, que é um banco de dados on-line sobre agrotóxicos e afins registrados para controle de insetos, fitopatógenos e plantas daninhas, com opção de acesso por marca comercial, indicação de uso (culturas, pragas), classificação toxicológica, classificação ambiental, entre outros (AGROFIT, 2018). No caso do agrupamento das hortaliças folhosas proposto nesta publicação, deve-se ressaltar que existe uma grade específica para cada espécie e nem sempre os produtos de uma grade estarão disponíveis para uso em outra espécie. Por exemplo, os produtos registrados para alface não podem ser usados em acelga ou espinafre, caso não estejam registrados para estas culturas (Anexo 1). Õ 11 132 Ao todo, existem 64 princípios ativos registrados para uso em 29 espécies de hortaliças folhosas no Brasil (Tabela 1 e Anexo 1). Porém, vale salientar que várias espécies dispõem de um a três princípios ativos registrados, o que torna o uso do controle químico praticamente inviável, pois impossibilita a rotação e o manejo da resistência das pragas a esses produtos, tornando-os ineficientes em pouco tempo. Além disso, existem algumas folhosas, como alcachofra, escarola e louro, que não dispõem de nenhum princípio ativo registrado. Assim, para o manejo fitossanitário destas culturas, é necessário solicitar a extensão de uso de produtos de culturas próximas ou buscar formas alternativas baseados no controle cultural (Anexo 1). 1. CLASSIFICAÇÃO POR FINALIDADE DE USO De acordo com Peres et al. (2003), os agrotóxicos podem ser classificados de várias formas, quanto à finalidade, modo de ação, grupo químico, toxicidade, entre outros. Com relação à finalidade, podem ser inseticidas, nematicidas, fungicidas, etc. Dos 64 princípios ativos que compõem a grade das folhosas, quase a metade deles pertence à classe dos inseticidas (51,56%), seguido pelos fungicidas (16%) e herbicidas (8%). Existem quatro princípios com ação bactericida/fungicida, dois acaricidas e apenas um nematicida (Tabela 1e Anexo 1). TABELA 1. PERCENTAGEM DE PRINCÍPIOS ATIVOS DE AGROTÓXICOS REGISTRADOS QUANTO À FINALIDADE DE USO NO MANEJO FITOSSANITÁRIO DE HORTALIÇAS FOLHOSAS NO BRASIL CLASSE PRINCÍPIO ATIVO (PA) % Acaricida 2 3,13 Bactericida/fungicida 4 6,25 Fungicida 16 25 Herbicida 8 12,5 Inseticida 33 51,56 Nematicida 1 1,56 Total 64 100 Existem 33 produtos (PA) registrados para folhosas, dos quais, boa parte está disponível para o manejo de mariposas, como: Ascia monuste orseis (20), P. xylostela (18), Trichoplusia ni (8), Agrotis ipsilon, Hellula phidilealis e Spodoptera frugiperda (4) (Anexo 1). Este fato se deve ao dano direto causado pelas lagartas dessas mariposas nas folhas das hortaliças, tornando-as imprestáveis para a comercialização. No caso de A. ipsilon, as lagartas atacam as mudas recém- plantadas no campo, fazendo com seja necessária a reposição do estande de mudas (Filgueira, 2002). O outro grupo de artrópodes-praga que se destaca pelo número de PAs disponíveis em folhosas é o dos hemípteros sugadores, como os pulgões Brevicoryne brassicae (15), Myzus persicae (5) e a mosca-branca Bemisia tabaci (4) (Anexo 1). Tais insetos causam danos diretos pela sucção contínua da seiva da planta e por viabilizarem a formação da fumagina, que reduz a fotossíntese e a qualidade externa das folhas, reduzindo ou inviabilizando seu valor comercial. No entanto, a maior importância desses insetos está na veiculação de viroses 133 nas folhosas, que causam danos significativos na produção (GALLO et al., 2002; FILGUEIRA, 2002). Os fungos fitopatogênicos contam com 16 PA registrados, com destaque para Alternaria brassicae (7), causadora da alternariose, seguida de duas espécies causadoras de míldio, Peronospora parasitica (5), Bremia lactucae (4) e Sclerotinia sclerotiorum (4) causadora do mofo branco (Anexo 1). Atualmente, as folhosas vêm sendo cultivadas o ano inteiro no Brasil, inclusive na época das chuvas, fazendo com que sejam atacadas mais intensamente por fitopatógenos, como os fungos que se desenvolvem em condições de alta umidade e temperaturas amenas. Nessas condições, tais organismos se disseminam rapidamente na área cultivada, favorecidos pela ação de ventos e pela água das chuvas e da irrigação, causando perdas significativas em várias hortaliças folhosas (Filgueira, 2002). Entre as plantas daninhas, o caruru Amaranthus hybridus e a galisonga Galinsoga parviflora são as espécies que dispõem do maior número (quatro) de PAs registrados para seu manejo, enquanto para oito espécies de plantas daninhas existem três (Anexo 1). No entanto, para a maioria das espécies de plantas daninhas que ocorrem em cultivos de folhosas, existe apenas um único princípio ativo registrado, o que torna praticamente inviável o manejo químico adequado dessas espécies, fazendo com que seja muito importante o uso de outras táticas de controle cultural. Há apenas um único nematicida de origem biológica (Paecilomyces lilacinus) registrado para controle de Meloidogyne incognita em alface no Brasil (Anexo 1). Tal fato é preocupante, tendo em vista a grande importância que os nematoides representam nas folhosas, causando perdas significativas na produção, e pela dificuldade de manejo deles após seu estabelecimento e infestação da área de cultivo (PINHEIRO, 2017). 134 ANEXO 1. GRADE DE AGROTÓXICOS REGISTRADOS NO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO PARA USO NO CONTROLE DE ARTRÓPODES-PRAGA, FITOPATÓGENOS E PLANTAS DANINHAS DE HORTALIÇAS FOLHOSAS GRUPO QUÍMICO NOME COMUM CLASSE (S) PRAGA ALVO CLASSIFICAÇÃO TOXICOLÓGICA AMBIENTAL ACELGA Antibiótico casumigacina Bactericida e Fungicida Septoria lactucae III III Piretroide beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Tetranortriterpenoide azadiractina Inseticida Myzus persicae III IV Oxadiazina indoxicarbe Inseticida Spodoptera frugiperda III III Anilida boscalida Fungicida Cercospora beticola III III Metaflimizona Semicarbazone Inseticida Agrotis ipsilon I III Benzimidazol tiabendazol Fungicida Fusarium oxysporum III II AGRIÃO Piretroide beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Semicarbazone metaflimizona Inseticida Agrotis ipsilon I IIISpodoptera frugiperda Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Spodoptera frugiperda III III Tetranortriterpenoide azadiractina Inseticida Myzus persicae III IV Antranilamida ciantraniliprole Inseticida Lyriomyza huidobrensis IV III Morfolina dimetomorfe Fungicida Phytium alphanidermatum III III Antibiótico casugamicina Bactericida e Fungicida Septoria lactucae III III AIPO Inorgânico hidróxido de cobre Bactericida/ Fungicida Cercospora apii IV II óxido Cuproso Bactericida/ Fungicida Cercospora apii III III Biológico VPN-HzSNPV Inseticida Helicoverpa armigera III IV ALCACHOFRA NÃO HÁ - - - - - ALECRIM Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III ALFACE Tetranortriterpenoideazadiractina Inseticida Myzus persicae III IV Estrobilurina azoxistrobina Fungicida Septoria lactucae IV III Triazol difenoconazol Fungicida Septoria lactucae III III 135 Ácido ariloxifenoxipropiônico fenoxaprope-P- etílico Herbicida Eleusine indica I IIDigitaria horizontalis Brachiaria plantaginea fluazifope-P- butílico Herbicida Oryza sativa IV II Eleusine indica Digitaria horizontalis Cynodon dactylon Cenchrus echinatus Brachiaria plantaginea Triticum aestivum Zea mays Neonicotinoide tiametoxam Inseticida Myzus persicae III III tiacloprido Inseticida Thrips tabaci III III imidacloprido Inseticida Bemisia tabaci IV III Dactynotus sonchi Piretroide beta-ciflutrina Inseticida Agrotis ipsilon II I Beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Semicarbazone Metaflimizona Inseticida Agrotis ipsilon I IIISpodoptera frugiperda Não Pertinente VPN-HzSNPV Inseticida Helicoverpa armigera III IV Biológico Bacillus thuringiensis Inseticida Ascia monuste orseis IV IV Paecilomyces lilacinus Nematicida Meloidogyne incognita IV IV Trichoderma harzianum Fungicida Sclerotinia sclerotiorum III IV Bacillus pumilus Fungicida Botrytis cinerea III IV Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Spodoptera frugiperda III III Antranilamida ciantraniliprole Inseticida Liriomyza huidobrensis IV III Anilida boscalida Fungicida Sclerotinia sclerotiorum III III Botrytis cinerea III III Éter mandelamida mandipropamid Fungicida Bremia lactucae II IV imidazolinona fenamidona Fungicida Bremia lactucae III II Piridina azometina pimetrozina Inseticida Myzus persicae III IV 136 Metilcarbamato de fenila cloridrato de formetanato Inseticida Frankliniella schultzei II II Homoalanina substituída Glufosinato - sal de amônio Herbicida Stellaria media I III Sonchus oleraceus Polygonum aviculare Galinsoga parviflora Soliva anthemifolia Amaranthus viridis Morfolina dimetomorfe Fungicida Bremia lactucae III III Inorgânico bicarbonato de potássio Fungicida Oidium sp. III IV Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Fenilureia pencicurom Fungicida Rhizoctonia solani II II Dicarboximida procimidona Fungicida Sclerotinia sclerotiorum III II iprodiona Fungicida Sclerotinia sclerotiorum I II imidazol Ciazofamida Fungicida Bremia lactucae III III butenolida flupiradifurona Inseticida Myzus persicae I III benzimidazol tiabendazol Fungicida Fusarium oxysporum III II Terpenos Melaleuca altemifolia Bactericida/ Fungicida Oidium sp. I IV ALHO PORÓ Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III ALMEIRÃO Neonicotinoide imidacloprido Inseticida Bemisia tabaci Biótipo B IV III Piretroide beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Spodoptera frugiperda III III Tetranortriterpenoide azadiractina Inseticida Myzus persicae III IV Antranilamida ciantraniliprole Inseticida Lyriomyza huidobrensis IV III Anilida boscalida Fungicida Alternaria cichorii III III Cercospora spp. Sclerotinia sclerotiorum Alternaria sonchi Morfolina dimetomorfe Fungicida Bremia lactucae III III Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III ASPARGO 137 Triazinona metribuzim Herbicida Ageratum conyzoides II II Spermacoce latifolia Amaranthus hybridus Amaranthus viridis Bidens pilosa Brassica rapa Coronopus didymus Desmodium tortuosum Emilia sonchifolia Galinsoga parviflora Hyptis lophanta Ipomoea aristolochiaefolia Nicandra physaloides Phyllanthus tenellus Polygonum convolvulus Portulaca oleracea Raphanus raphanistrum Richardia brasiliensis Senecio brasiliensis Sida rhombifolia Sonchus oleraceus Spergula arvensis Alternanthera tenella BRÓCOLIS Organofosforado malationa Acaricida/ Inseticida Ascia monuste orseis III III Brevicoryne brassicae Biológico Bacillus thuringiensis Inseticida Trichoplusia ni IV IV Ascia monuste orseis Plutella xylostella Spodoptera frugiperda Helicoverpa armigera NÃO PERTINENTE VPN-HzSNPV Inseticida Helicoverpa armigera III IV Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Plutella xylostella III III 138 Metilcarbamato de oxima metomil Inseticida Ascia monuste orseis I IIBrevicoryne brassicae Plutella xylostella Tetranortriterpenoide azadiractina Inseticida Plutella xylostella III IV Brevicoryne brassicae Ácido ariloxifenoxipropiônico fluazifope-P- butílico Herbicida Brachiaria plantaginea III III Cenchrus echinatus Eleusine indica Digitaria horizontalis Cynodon dactylon Imidazol ciazofamida Fungicida Plasmodiophora brassicae III III Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Diacilhidrazina tebufenozida Inseticida Ascia monuste orseis IV III Terpenos Melaleuca altemifolia Extrato de folhas Bactericida/ Fungicida Alternaria brassicae I IV Espinosinas espinosade Inseticida Plutella xylostella III III Hellula phidilealis Agrotis ipsilon Ascia monuste orseis Trichoplusia ni Piretroide beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Semicarbazone Metaflimizona Inseticida Trichoplusia ni I III Hellula phidilealis Plutella xylostella Ascia monuste orseis Agrotis ipsilon Benzoilureia teflubenzurom Inseticida Trichoplusia ni IV II Antranilamida ciantraniliprole Inseticida Plutella xylostella IV III clorantraniliprole Inseticida Plutella xylostella IV II Trichoplusia ni Neonicotinoide imidacloprido Inseticida Bemisia tabaci raça B III IV Brevicoryne brassicae acetamiprido Inseticida Brevicoryne brassicae III II oxadiazina indoxacarbe Inseticida Plutella xylostella I III 139 Alquilenobis (ditiocarbamato) mancozebe Acaricida/ Fungicida Peronospora parasitica I II Alternaria brassicae Metilcarbamato de oxima metomil Acaricida/ Inseticida Plutella xylostella I IIBrevicoryne brassicae Ascia monuste orseis CEBOLINHA Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Biológico Bacillus pumilus Fungicida Alternaria porri III IV Éter mandelamida mandipropamid Fungicida Peronospora destructor II IV CHICÓRIA Piretroide beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Biológico Bacillus thuringiensis Inseticida Ascia monuste orseis IV IV Plutella xylostella VPN-HzSNPV Inseticida Helicoverpa armigera III IV Anilida boscalida (anilida) Fungicida Alternaria cichorii III III Alternaria sonchi Cercospora spp. Sclerotinia sclerotiorum Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Antranilamida ciantraniliprole Inseticida Lyriomyza huidobrensis IV III Neonicotinoide imidacloprido Inseticida Bemisia tabaci raça B IV III Tetranortriterpenoide azadiractina Inseticida Myzus persicae III IV Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Spodoptera frugiperda III III Semicarbazone metaflimizona Inseticida Spodoptera frugiperda I IIIAgrotis ipsilon Ascia monuste orseis Benzimidazol tiabendazol Fungicida Fusarium oxysporum III II COENTRO Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III 140 ureia linurom Herbicida Acanthospermum australe III IIAmaranthus hybridus Bidens pilosa Galinsoga parviflora COUVE Organofosforado malationa Inseticida Brevicoryne brassicae III III Ascia monuste orseis Não pertinente VPN-HzSNPV Inseticida Helicoverpa armigera III IV Tetranortriterpenóide azadiractina Inseticida Plutella xylostella III IV Brevicoryne brassicae Biológico Bacillus thuringiensis Inseticida Trichoplusia ni III IVPlutella xylostella Ascia monuste orseis Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Antranilamida ciantraniliprole Inseticida Plutella xylostella IV III clorantraniliprole Inseticida Plutella xylostella IV II Trichoplusia ni Éter mandelamida mandipropamid Fungicida Peronospora parasitica II IV Análogo de pirazol clorfenapir Inseticida Ascia monuste orseis III II Tiocarbamato cloridrato de cartape Inseticida Ascia monuste orseis I II Piretroide lambda-cialotrinaInseticida Ascia monuste orseis II II zeta-cipermetrina Inseticida Ascia monuste orseis I I permetrina Inseticida Plutella xylostella I II Ascia monuste orseis Gama-cialotrina Inseticida Ascia monuste orseis III II beta-ciflutrina Inseticida Ascia monuste orseis II I bifentrina Inseticida Ascia monuste orseis III II deltametrina Inseticida Plutella xylostella I I Agrotis ipsilon Diabrotica speciosa Trichoplusia ni Ascia monuste orseis Brevicoryne brassicae 141 Bipiridílio dicloreto de paraquate Herbicida Solanum americanum I II Sonchus oleraceus Senna obtusifolia Richardia brasiliensis Portulaca oleracea Oryza sativa Lolium multiflorum Galinsoga parviflora Euphorbia heterophylla Eleusine indica Echinochloa crusgalli Digitaria sanguinalis Commelina benghalensis Cenchrus echinatus Senna occidentalis Brachiaria plantaginea Bidens pilosa Amaranthus retroflexus Ageratum conyzoides Setaria geniculata Espinosina espinosade Inseticida Agrotis ipsilon III III Hellula phidilealis Trichoplusia ni Ascia monuste orseis Plutella xylostella Butenolida flupiradifurona Inseticida Brevicoryne brassicae I III Bemisia tabaci 142 Neonicotinoide tiacloprido Inseticida Brevicoryne brassicae III III acetamiprido Inseticida Brevicoryne brassicae III II imidacloprido Inseticida Brevicoryne brassicae IV III Bemisia tabaci raça B Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Plutella xylostella III III Alquilenobis (ditiocarbamato) mancozebe Fungicida Peronospora parasitica I IIAlternaria brassicae Peronospora parasitica Éter mandelamida mandipropamid Fungicida Peronospora parasitica II IV Semicarbazone metaflimizona Inseticida Trichoplusia ni I III Agrotis ipsilon Metilcarbamato de oxima metomil Inseticida Plutella xylostella I IIBrevicoryne brassicae Ascia monuste orseis Inorgânico oxicloreto de cobre Fungicida Albugo candida IV IIPeronospora parasitica Alternaria brassicae Piridina azometina pimetrozina Inseticida Brevicoryne brassicae III IV Diacilhidrazina tebufenozida Inseticida Ascia monuste orseis Benzoilureia teflubenzurom Inseticida Hellula phidilealis IV II 143 Dinitroanilina trifluralina Herbicida Amaranthus hybridus I II Spergula arvensis Brachiaria decumbens Brachiaria plantaginea Brachiaria platyphylla Cenchrus echinatus Digitaria ciliaris Digitaria horizontalis Sorghum halepense Silene gallica Portulaca oleracea Pennisetum setosum Panicum maximum Eleusine indica Echinochloa crusgalli Echinochloa colona Digitaria sanguinalis COUVE CHINESA Neonicotinoide acetamiprido Inseticida Brevicoryne brassicae III II Piretroide Beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Biológico Bacillus thuringiensis Inseticida Trichoplusia ni IV IV Tetranortriterpenóide azadiractina Inseticida Plutella xylostella III IV Brevicoryne brassicae Antibiótico casugamicina Bactericida Septoria lactucae III III Antranilamida Ciantraniliprole Inseticida Plutella xylostella IV III clorantraniliprole Inseticida Trichoplusia ni IV II Imidazol Ciazofamida Fungicida Plasmodiophora brassicae III III Plutella xylostella Espinosina espinosade Inseticida Agrotis ipsilon III III Trichoplusia ni Ascia monuste orseis Plutella xylostella Hellula phidilealis 144 Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Plutella xylostella III III Semicarbazone Metaflimizona Inseticida Plutella xylostella I III Hellula phidilealis Agrotis ipsilon Ascia monuste orseis Diacilhidrazina tebufenozida Inseticida Ascia monuste orseis IV III Benzoiluréia teflubenzurom Inseticida Hellula phidilealis IV II COUVE DE BRUXELAS Neonicotinoide acetamiprido Inseticida Brevicoryne brassicae III II Piretroide Beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Biológico Bacillus thuringiensis Inseticida Ascia monuste orseis IV IV Trichoplusia ni Tetranortriterpenoide azadiractina Inseticida Plutella xylostella III IV Brevicoryne brassicae Antibiótico casugamicina Bactericida Septoria lactucae III III Antranilamida ciantraniliprole Inseticida Plutella xylostella IV III clorantraniliprole Inseticida Trichoplusia ni IV II Plutella xylostella Espinosina espinosade Inseticida Agrotis ipsilon III III Trichoplusia ni Ascia monuste orseis Plutella xylostella Hellula phidilealis Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Plutella xylostella III III Semicarbazone metaflimizona Inseticida Plutella xylostella I III Hellula phidilealis Agrotis ipsilon Ascia monuste orseis Benzoilureia teflubenzurom Inseticida Ascia monuste orseis IV II COUVE-FLOR Neonicotinoide acetamiprido Inseticida Brevicoryne brassicae III II imidacloprido Inseticida Brevicoryne brassicae III III 145 Piretroide beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II deltametrina Inseticida Plutella xylostella I I Agrotis ipsilon Diabrotica speciosa Trichoplusia ni Ascia monuste orseis Brevicoryne brassicae permetrina Inseticida Plutella xylostella I II Ascia monuste orseis Estrobilurina azoxistrobina Fungicida Alternaria brassicae IV II Éter mandelamida mandipropamid Fungicida Peronospora parasitica II IV Biológico Bacillus pumilus Inseticida Botrytis cinerea III IV Bacillus thuringiensis Inseticida Trichoplusia ni IV IVPlutella xylostella Ascia monuste orseis Metilcarbamato de naftila Carbaril Inseticida Plutella xylostella III II Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Imidazol ciazofamida Fungicida Plasmodiophora brassicae III III Antranilamida ciantraniliprole Inseticida Plutella xylostella IV III clorantraniliprole Inseticida Plutella xylostella IV II Trichoplusia ni Triazol difenoconazol Fungicida Alternaria brassicae I II Espinosina espinosade Inseticida Agrotis ipsilon III III Hellula phidilealis Trichoplusia ni Ascia monuste orseis Plutella xylostella Ácido ariloxifenoxipropiônico fluazifope-P- butílico Herbicida Brachiaria plantaginea IV II Digitaria horizontalis Cynodon dactylon Cenchrus echinatus Eleusine indica Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Plutella xylostella I III 146 Organofosforado malationa Inseticida Brevicoryne brassicae III III Ascia monuste orseis I IIAlquilenobis (ditiocarbamato) mancozebe Fungicida Peronospora parasitica Alternaria brassicae Semicarbazone metaflimizona Inseticida Plutella xylostella I III Agrotis ipsilon Spodoptera frugiperda Peronospora parasitica Alternaria brassicae Tetranortriterpenoide azadiractina Inseticida Plutella xylostella III IV Brevicoryne brassicae Benzoilureia teflubenzurom Inseticida Ascia monuste orseis IV II Dinitroanilina trifluralina Herbicida Echinochloa crusgalli I II Eleusine indica Panicum maximum Pennisetum setosum Portulaca oleracea Silene gallica Sorghum halepense Spergula arvensis Amaranthus hybridus Amaranthus viridis Brachiaria decumbens Brachiaria plantaginea Brachiaria platyphylla Cenchrus echinatus Digitaria ciliaris Digitaria horizontalis Digitaria sanguinalis Echinochloa colona Não pertinente VPN-HzSNPV Inseticida biológico Helicoverpa armigera III IV ERVA-DOCE Antibiótico Casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III ESCAROLA NÃO HÁ - - - - - 147 ESPINAFRE Piretroide beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Biológico Bacillus thuringiensis Inseticida Trichoplusia ni IV IV Anilida boscalida Fungicida Cercospora spp. III III Triazolona carfentrazona- etílica Herbicida Commelina diffusa I II Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Antranilamida Ciantraniliprole Inseticida Lyriomyza huidobrensis IV III Morfolina dimetomorfe Fungicida phytium spp III III Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Spodoptera frugiperda III III Semicarbazone metaflimizona Inseticida Trichoplusia ni I III Agrotis ipsilon Benzimidazol tiabendazol Fungicida Fusarium oxysporum III II Não pertinente VPN-HzSNPV Inseticida biológico Helicoverpa armigera III IV ESTÉVIA Piretroide beta-Cipermetrina Inseticida Brevicorynebrassicae I II Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Spodoptera frugiperda I III ESTRAGÃO Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III HORTELÃ Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III LOURO NÃO HÁ - - - - - MANJERICÃO Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III MANJERONA Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III MOSTARDA Piretroide beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Biológico Bacillus thuringiensis Inseticida Ascia monuste orseis IV IV Anilida boscalida Fungicida Cercospora brassicicola III III 148 Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Antranilamida Ciantraniliprole Inseticida Lyriomyza huidobrensis Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Spodoptera frugiperda III III Semicarbazone metaflimizona Inseticida Ascia monuste orseis I III OREGANO Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III REPOLHO Organofosforado malationa Inseticida Brevicoryne brassicae I IIAscia monuste orseis Diabrotica speciosa Neonicotinoide tiametoxam Inseticida Brevicoryne brassicae III III Bemisia tabaci raça B tiacloprido Inseticida Brevicoryne brassicae III III imidacloprido Inseticida Brevicoryne brassicae IV III Bemisia tabaci raça B acetamiprido Inseticida Myzus persicae III II Brevicoryne brassicae Piretroide permetrina Inseticida Plutella xylostella I II Ascia monuste orseis fenpropatrina Inseticida Ascia monuste orseis I II deltametrina Inseticida Brevicoryne brassicae I I Agrotis ipsilon Ascia monuste orseis Diabrotica speciosa Plutella xylostella Trichoplusia ni beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Tetranortriterpenoide azadiractina Inseticida Brevicoryne brassicae III IV Biológico Bacillus thuringiensis Inseticida Trichoplusia ni III IVPlutella xylostella Ascia monuste orseis Metilcarbamato de naftila carbaril Inseticida Plutella xylostella III II Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Antranilamida ciantraniliprole Inseticida Plutella xylostella IV III Trichoplusia ni clorantraniliprole Inseticida Plutella xylostella IV II Trichoplusia ni Análogo de pirazol clorfenapir Inseticida Brevicoryne brassicae III II Plutella xylostella 149 Benzoilureia clorfluazurom Inseticida Ascia monuste orseis I II teflubenzurom Inseticida Plutella xylostella IV II lufenurom Inseticida Plutella xylostella II II novalurom Inseticida Plutella xylostella I II Espinosinas espinosade Inseticida Plutella xylostella III III Imidazol ciazofamida Fungicida Plasmodiophora brassicae III III Ácido ariloxifenoxipropiônico fluazifope-P- butílico Herbicida Digitaria horizontalis IV II Cynodon dactylon Eleusine indica Cenchrus echinatus Brachiaria plantaginea Homoalanina substituída glufosinato - sal de amônio Herbicida Galinsoga parviflora I III Stellaria media Coronopus didymus Sonchus oleraceus Polygonum persicaria Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Plutella xylostella I IIIHellula phidilealis Trichoplusia ni Alquilenobis (ditiocarbamato) mancozebe Fungicida Peronospora parasitica I II Alternaria brassicae Semicarbazone metaflimizona Inseticida Plutella xylostella I IIIAgrotis ipsilon Spodoptera frugiperda Acilalaninato metalaxil-M Fungicida Peronospora parasitica I II Metilcarbamato de oxima metomil Inseticida Plutella xylostella I IIBrevicoryne brassicae Ascia monuste orseis Éter piridiloxipropílico piriproxifem Inseticida Bemisia tabaci raça B I II Diacilhidrazina tebufenozida Inseticida Ascia monuste orseis IV III 150 Dinitroanilina trifluralina Herbicida Amaranthus hybridus I II Portulaca oleracea Brachiaria decumbens Brachiaria plantaginea Brachiaria platyphylla Cenchrus echinatus Digitaria ciliaris Digitaria horizontalis Digitaria sanguinalis Echinochloa colona Echinochloa crusgalli Eleusine indica Panicum maximum Pennisetum setosum Silene gallica Sorghum halepense Spergula arvensis Amaranthus viridis Não pertinente VPN-HzSNPV Inseticida biológico Helicoverpa armigera III IV RÚCULA Piretroide Beta-Cipermetrina Inseticida Brevicoryne brassicae I II Biológico Bacillus thuringiensis Inseticida Ascia monuste orseis IV IV Tetranortriterpenoide azadiractina Inseticida Myzus persicae III IV Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Antranilamida Ciantraniliprole Inseticida Lyriomyza huidobrensis IV III Morfolina dimetomorfe Fungicida phytium spp III III Oxadiazina indoxacarbe Inseticida Spodoptera frugiperda III III Semicarbazone metaflimizona Inseticida Trichoplusia ni I IIIAgrotis ipsilon Ascia monuste orseis Benzimidazol tiabendazol Fungicida Fusarium oxysporum III II Não pertinente VPN-HzSNPV Inseticida biológico Helicoverpa armigera III IV SALSA 151 ureia linurom Herbicida Amaranthus hybridus III II Acanthospermum australe Bidens pilosa Galinsoga parviflora Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III SALVIA Antibiótico casugamicina Bactericida/ Fungicida Septoria lactucae III III Fonte: GUIMARAES et al., 2019. 152 BOAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS NO CULTIVO HIDROPÔNICO DE FOLHOSAS Ítalo M. R. Guedes Embora a maior parte do cultivo de hortaliças sob ambiente protegido no Brasil ainda seja feita em solo, é notável o crescimento da adoção de práticas de cultivo sem solo, como a hidroponia. Segundo Jones Jr. (2016), a área de cultivo protegido de hortaliças no mundo seria de pouco mais de 40.000ha, dos quais entre 20.000 e 28.000ha são de cultivos hidropônicos. As razões para esse crescimento são várias, mas sobressaem os problemas causados pelo manejo inadequado do solo. Adubações excessivas e irrigação inadequada têm levado à salinização de solos. Já a ausência de boas práticas culturais, como rotação e sucessão de cultivos, adubação orgânica e manejo integrado de pragas e doenças, tem provocado acúmulo de doenças e pragas de solo, virtualmente inviabilizando os empreendimentos. Uma vez que há inegáveis vantagens na agricultura protegida (altas produtividades, precocidade dos cultivos, proteção física contra intempéries e organismos indesejáveis e maior qualidade do que é colhido), há compreensivelmente um anseio por parte dos agricultores em continuar desfrutando desses benefícios e, ao mesmo tempo, em evitar as desvantagens. A escolha pelo cultivo hidropônico surge como uma excelente alternativa, a agregando ainda mais vantagens do que o cultivo em solo. O cultivo hidropônico oferece as possibilidades de: • grande economia em água e nutrientes, • maior eficiência no uso de insumos, • facilidade na correção de problemas de ordem química, • eliminação da possibilidade de qualquer tipo de contaminação via solo, seja de natureza biótica ou abiótica. A utilização de plásticos e telas nas estufas e outras estruturas de cultivo, associada ao manejo correto de circulação no ambiente protegido, previne a entrada de organismos indesejáveis, diminuindo consideravelmente a utilização de defensivos agrícolas. O uso de filtros no sistema de provisão de água, bem como a utilização de água de boa qualidade nas soluções nutritivas, facilita a prevenção de contaminação por microrganismos e a absorção de elementos químicos indesejáveis. 1. NUTRIENTES E ADUBOS O insucesso na produção hidropônica de hortaliças geralmente é resultado da falta de conhecimento dos princípios básicos da química e do manejo da solução nutritiva. É relativamente comum a noção equivocada de que o cultivo hidropônico seja realizado utilizando-se apenas água. 12 153 Na hidroponia é usada uma solução de água e nutrientes em formas e concentrações adequadas, que podem variar de acordo com a espécie cultivada, com a fase de desenvolvimento da cultura ou com a estação do ano. Ométodo de plantio hidropônico também demanda cuidados para que haja oxigenação suficiente das raízes e estejam adequados os níveis de pH e salinidade. Além de luz, ar e água, as plantas cultivadas necessitam de, pelo menos, 13 nutrientes minerais, elementos químicos essenciais para o desenvolvimento vegetal. A solução nutritiva usada em hidroponia é uma mistura de água e nutrientes. Os nutrientes devem estar em formas químicas e concentrações adequadas às necessidades das culturas. Para garantir isso, periodicamente deve-se medir e, se necessário, corrigir o pH e a condutividade elétrica (CE) da solução. É importante que a solução nutritiva contenha oxigênio dissolvido e esteja a uma temperatura adequada para a ótima absorção de nutrientes pelas plantas. A água utilizada para o preparo da solução nutritiva também deve ter boas características químicas e microbiológicas. Como os nutrientes serão fornecidos às plantas através da água, ela deve ter uma condutividade elétrica de, no máximo, 0,50 mS/cm. Para garantir padrões adequados de qualidade, deve-se realizar análises laboratoriais da água antes de se iniciar a hidroponia. Além de luz, ar e água, as plantas cultivadas necessitam de nutrientes minerais, elementos químicos essenciais para o desenvolvimento vegetal. Todas as espécies vegetais cultivadas precisam de, pelo menos, 16 nutrientes. Três destes nutrientes, hidrogênio (H), oxigênio (O) e carbono (C), são fornecidos pela água ou pelo ar. Os outros 13 nutrientes, conhecidos como minerais, devem ser fornecidos através de adubos ou fertilizantes e estar na forma de íons (cátions ou ânions), no meio radicular para que as plantas possam absorvê-los. Os nutrientes minerais são divididos em macronutrientes e micronutrientes. 1.1. Macronutrientes São elementos químicos cuja concentração na matéria seca vegetal é maior que 0,1%. São considerados macronutrientes os elementos nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S). 1.2. Micronutrientes Elementos nutrientes cuja concentração na matéria seca da planta é menor que 0,1% são chamados de micronutrientes. Atualmente reconhecem-se 7 micronutrientes: ferro (Fe), manganês (Mn), zinco (Zn), cobre (Cu), boro (B), molibdênio (Mo) e cloro (Cl). Para alguns fisiologistas o elemento níquel (Ni) é essencial e classificado como micronutriente. Os micronutrientes são elementos tão essenciais para as plantas quanto os macronutrientes, só que requeridos em quantidades muito pequenas, daí a denominação. Além dos nutrientes essenciais, alguns elementos são considerados benéficos, como silício (Si), sódio (Na), cobalto (Co) e selênio (Se). São elementos não essenciais que estimulam o crescimento vegetal. Também são classificados como benéficos os elementos essenciais para um número limitado de espécies: o Na aparentemente é essencial para algumas Chenopodiaceas (família da beterraba) e o silício para algumas espécies de gramíneas, como o milho-doce. Õ 154 A condutividade elétrica ou CE é uma medida que indica a quantidade total de nutrientes em solução. A condutividade elétrica é o que se chama de medida quantitativa, ou seja, ela indica a quantidade total de sais dissolvidos, mas não informa quais são eles. A condutividade elétrica da solução nutritiva indica basicamente os teores de macronutrientes, uma vez que os micronutrientes contribuem com menos de 0,1% do valor da condutividade elétrica. À medida que a temperatura da solução nutritiva aumenta, aumenta também a sua condutividade elétrica. Estima-se que para cada 5°C de aumento da temperatura, há um incremento de cerca de 11% no valor da condutividade elétrica. Assim, se a 25°C a condutividade elétrica de uma solução é de 1,2 mS/cm, essa mesma solução a 30°C terá uma CE de mais ou menos 1,33 mS/cm. O pH (potencial hidrogeniônico) é uma medida da atividade de íons hidrogênio (H+) na solução e indica o grau de acidez ou alcalinidade da solução nutritiva, podendo variar de 1 a 14. Para a maioria das plantas cultivadas, o pH da solução nutritiva deve ser mantido entre 5,5 e 6,5 - valores fora dessa faixa podem causar toxicidade ou deficiência de nutrientes. É importante conhecer as características químicas da água a ser utilizada para o preparo da solução nutritiva. Em relação ao manejo do pH, recomenda-se conhecer as concentrações de alumínio na água. Caso a concentração de Al seja alta, deve-se evitar valores de pH abaixo de 6,0. A água utilizada para o preparo da solução nutritiva deve ter boas características químicas e microbiológicas. Como os nutrientes serão fornecidos às plantas através da água, ela deve ter uma condutividade elétrica de, no máximo, 0,50 mS/cm. Para garantir padrões adequados de qualidade, deve-se realizar análises laboratoriais da água antes de se iniciar a hidroponia. Deve-se solicitar pelo menos análises químicas e microbiológicas. As principais características químicas a serem analisadas são os teores de nitrogênio amoniacal, nitrogênio nítrico, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, cloro e sódio. 1.3. Adubos Um adubo é um “transportador” de nutrientes. Os adubos utilizados na hidroponia geralmente são sais (compostos formados por um cátion e um ânion) de altas pureza e solubilidade. Um adubo pode conter um ou mais nutrientes e o mesmo nutriente pode estar presente em diferentes adubos. Como já dito, nitrogênio (N) é um nutriente, mas, quando se pretende adicionar o nitrogênio na solução nutritiva, utiliza-se um adubo que contenha o nutriente. Por exemplo, o MAP (monoamônio fosfato ou fosfato monoamônico) purificado, cuja fórmula química é NH4H2PO4. É possível ver na fórmula química do MAP que, além do nitrogênio (N), ele contém fósforo (P). Isso quer dizer que contém, ou transporta, os nutrientes nitrogênio e fósforo. Embora também contenha hidrogênio e oxigênio em sua composição, esses dois elementos que as plantas utilizam são retirados da água e do ar, não dos adubos. Pois bem, entendida a diferença entre nutrientes e adubos, é necessário afinal preparar uma solução nutritiva com adubos que garantam a presença de todos os nutrientes essenciais para as plantas. A seguir, são mostrados dois quadros (Quadro 1 e Quadro 2) que esclarecem a diferença entre nutrientes e adubos e de que forma o conhecimento básico das Õ 155 necessidades de nutrientes pelas plantas se transforma em conhecimento prático de manejo da nutrição mineral em cultivo hidropônico. QUADRO 1. NUTRIENTES E CONCENTRAÇÕES DE UMA SOLUÇÃO NUTRITIVA GENÉRICA Nutriente Concentração mmol/l µmol/l N 17.055067694 P 1358124211 K 8.011077045 Ca 4.022628343 Mg 2.028463398 S 2.038394299 Cu 0.2002402883 Zn 0.7650258022 Mn 8.965634722 B 48.51699712 Mo 0.08266102367 Fe 68.10949828 O Quadro 1 mostra a composição genérica de uma solução nutritiva, tendo, na primeira coluna, os símbolos dos nutrientes essenciais; na segunda, as concentrações dos macronutrientes em milimol por litro (mmol/l), e na terceira, as concentrações de micronutrientes em micromol por litro (µmol/l). O quadro, em termos práticos, não permite se fazer muita coisa - não há como se pesar 17,55 mmol/l de nitrogênio em uma balança. Esses valores indicam a concentração de nutrientes que a solução final deve ter. De posse da informação de que a solução deve ter 1,35 mmol/l de fósforo, é necessário realizar-se a escolha de adubos que contêm fósforo. Feita a escolha, será preciso se informar sobre as porcentagens de fósforo nos adubos escolhidos. Com essas informações, realizam-se os cálculos de quanto do adubo escolhido vai ser necessário diluir na água, para que a solução nutritiva tenha a concentração de fósforo (e dos outros nutrientes) recomendada. Depois disso tudo feito, o produtor deve observar o Quadro 2. 156 QUADRO 2. ADUBOS E QUANTIDADES NECESSÁRIOS PARA A ELABORAÇÃO DA SOLUÇÃO NUTRITIVA FINAL Adubo g/100l Nitrato de Cálcio 950 Nitrato de Potássio 810 Sulfato de Magnésio500 MAP 155 Ácido bórico 3 Sufato de zinco 0.22 Sulfato de manganês 2 Sulfato de cobre 0.05 Molibdato de sódio 0.02 Ferro-EDTA 25 Na primeira coluna do Quadro 2, estão os diferentes adubos que serão utilizados e, na segunda, a quantidade que deve ser pesada em gramas (g) para se diluir em 1000 litros de água. Com essas quantidades de adubos, teremos, na solução nutritiva final, todos os nutrientes essenciais nas concentrações recomendadas no primeiro quadro. A condutividade elétrica (CE) e o pH das soluções nutritivas deverão ser monitorados, pelo menos, uma vez por semana, utilizando-se instrumentos devidamente calibrados. O armazenamento das soluções deverá ser feito em recipientes que permaneçam fechados e protegidos da luz solar direta, em ambiente bem ventilado. Toda vez que as soluções forem trocadas, deve-se fazer uma limpeza - preferencialmente com produto à base de cloro - dos recipientes. 157 BOAS PRÁTICAS NA COLHEITA E PÓS-COLHEITA DE HORTALIÇAS FOLHOSAS Milza Moreira Lana, PhD. 1. INTRODUÇÃO O principal objetivo da produção integrada, por meio da adoção de boas práticas, é a produção de um alimento seguro, sem contaminantes físicos, químicos e biológicos. Na fase de colheita e pós-colheita, as boas práticas também são importantes para manter a qualidade das hortaliças pelo tempo necessário para a sua comercialização e consumo, sem que ocorram perdas significativas nesse período. As perdas podem ser qualitativas ou quantitativas: • Perdas qualitativas: são relacionadas à redução do teor de nutrientes, alteração detrimental da qualidade sensorial ou redução do valor comercial das hortaliças, devido à redução da qualidade. • Perdas quantitativas: são representadas pelo alimento que é descartado antes do consumo, podendo esse descarte ocorrer desde a propriedade rural até a residência do consumidor ou até o serviço de alimentação. Para manter a qualidade pós-colheita das hortaliças, o produtor deve se guiar por três princípios básicos: 1. Manusear as hortaliças com cuidado para manter a sua integridade física e reduzir, tanto quanto possível, o número de vezes que elas são manuseadas. 2. Proteger as hortaliças colhidas de insolação direta, de alta temperatura, de vento e de baixa umidade. 3. Manter as condições de higiene para evitar contaminação, tanto por fitopatógenos como por patógenos transmitidos por alimentos. 2. ASPECTOS BÁSICOS DA FISIOLOGIA PÓS-COLHEITA DE HORTALIÇAS FOLHOSAS À exceção de repolho, que pode ser armazenado por longos períodos, este grupo inclui hortaliças de baixa durabilidade pós-colheita. Os principais processos que resultam em perdas de qualidade das hortaliças folhosas após a colheita são: - a perda de água por transpiração, que leva ao murchamento; - a degradação de clorofila, que resulta em amarelecimento das folhas; - o escurecimento de área danificadas fisicamente (ferimentos), e - a podridão causada por fitopatógenos. A podridão pode ser resultante de infecção durante o cultivo ou após a colheita, ou ser devida à colonização dos ferimentos for fungos e bactérias. 13 158 Em geral, a maturidade hortícola é determinada pelo tamanho e, no caso de hortaliças que formam cabeça, também pela compacidade. A maioria das espécies se origina de regiões de baixas temperaturas e, portanto, não são sujeitas à injúria por frio, podendo ser armazenadas a temperaturas próximas a 0 oC. Entretanto, o alto teor de água dessas hortaliças as torna susceptíveis à injúria por congelamento. Hortaliças folhosas são sensíveis à ação de etileno. A depender da espécie, a exposição à etileno pode induzir um ou mais dos seguintes danos: alterações da aparência, devido a distúrbios fisiológicos (por exemplo: russet spotting em alface); degradação de clorofila; abscisão foliar. 3. PONTOS CRÍTICOS PARA OCORRÊNCIA DE DANOS FÍSICOS Os danos físicos podem ocorrer por cortes, compressão e/ou abrasão dos tecidos da planta. Eles aceleram a transpiração, o amarelecimento e representam porta de entrada para a infecção por microrganismos. Também prejudicam a aparência, pois, quando as células são rompidas, alguns compostos que na célula intacta estão separados em diversas organelas entram em contato, produzindo compostos que causam o escurecimento dos tecidos. Para evitar danos físicos, as seguintes práticas devem ser coibidas durante a colheita e o beneficiamento (Figura 1). 1. Excesso de produto nos contentores de colheita e nas embalagens enviadas para o mercado, causando danos por compressão e cortes em folhas e nervuras. 2. Amontoa da hortaliça em pilhas altas, provocando danos por compressão e cortes em folhas e nervuras. 3. Manuseio da hortaliça em superfícies rugosas e sujas, acarretando danos por abrasão. 4. Amarrio descuidado dos maços, levando a cortes em folhas e nervuras. 5. Empilhamento descuidado das embalagens, causando danos por compressão. 6. Fluxo de trabalho com numerosas etapas, durante as quais a hortaliça é manuseada e transferida de um contentor para outro. Õ 159 Figura 1. Más práticas de manipulação durante a colheita e beneficiamento de hortaliças folhosas Fotos: Milza Moreira Lana 4. PONTOS CRÍTICOS PARA OCORRÊNCIA DE DANOS POR CONDIÇÕES INADEQUADAS DE TEMPERATURA E UMIDADE A condição ideal para a manutenção da qualidade pós-colheita das hortaliças folhosas é a combinação de baixas temperaturas com alta umidade. Baixas temperaturas reduzem a perda de água, a degradação de clorofila, o escurecimento dos tecidos danificados e o crescimento de microrganismos. Hortaliças folhosas devem ser mantidas em condição de alta umidade para inibir a perda de água. Entretanto, o excesso de água livre nas folhas, associado a danos físicos, favorece o apodrecimento microbiano (Figura 2). Figura 2. A alta umidade no interior das embalagens de plásticos reduz a transpiração, mas promove o crescimento microbiano em áreas com danos físicos. As hortaliças foram removidas dos sacos de plástico para visualização dos danos Fotos: Milza Moreira Lana Õ 160 Para evitar danos por alta temperatura e/ou baixa umidade, as seguintes práticas devem ser coibidas durante a colheita e o beneficiamento e transporte: 1. Colheita nas horas mais quentes do dia, sem posterior rápida remoção do calor de campo. 2. Exposição do produto colhido à insolação direta e a ventos. 3. Amontoa de quantidade excessiva de produto em contentores de colheita e embalagens, o que resulta em aceleração da respiração e aquecimento do produto. 4. Transporte em carros abertos e em caminhões baús não refrigerados, durante as horas mais quentes do dia. 5. PONTOS CRÍTICOS PARA CONTAMINAÇÃO BIOLÓGICA As hortaliças podem ser contaminadas durante e após a colheita por dois grupos de microrganismos: fitopatógenos que causam doenças em plantas e patógenos transmitidos por alimentos que causam doenças em humanos. Os pontos críticos para a ocorrência de contaminações biológicas são: 1. Lavagem das hortaliças em água contaminada. 2. Contato das hortaliças com embalagens e superfícies contaminadas ou com mãos contaminadas dos trabalhadores. 3. Danos físicos que facilitam o processo de infecção ou contaminação. 6. FLUXO DE TRABALHO Fluxo de trabalho é a sequência de operações entre a colheita e a expedição. Ele deve ser planejado de modo a reduzir, ao mínimo necessário, o número de operações para evitar danos ao produto e aumentar o rendimento do trabalho. Em um cenário ideal, as plantas seriam colhidas e embaladas durante a colheita, pré-resfriadas e enviadas ao mercado. Porém, em várias situações, isso não pode ser feito, porque a propriedade não tem infraestrutura de pré-resfriamento para a hortaliça já embalada em caixas; o produto precisa ser lavado para remoção de sujidades; são feitas várias classificações e embalagens diferentes a partir do mesmo lote colhido. A seguir são descritos dois sistemas: colheita e beneficiamento na lavoura e colheita seguida de beneficiamento em galpãode embalagem (packing house). 6.1. Colheita e beneficiamento no campo Neste sistema, a colheita e o beneficiamento são feitos no campo e o produto sai da lavoura pronto para ser enviado ao mercado. Ele é típico do cultivo hidropônico, mas também pode ser utilizada no cultivo em solo à céu aberto ou em ambiente protegido. Um dos desafios desse sistema é acelerar o tempo de colheita, que deve ser o mais curto possível, para não aquecer o produto e para aumentar o rendimento do trabalho, sem comprometer o cuidado necessário para selecionar, remover folhas danificadas e embalar. Se a colheita é muito rápida, o colhedor pode danificar as hortaliças e/ou não fazer uma boa seleção e limpeza do produto. Outro desafio desse sistema é a manutenção da limpeza das hortaliças colhidas, em lavouras à céu aberto, no período chuvoso. Após remoção das folhas Õ 161 danificadas, as hortaliças devem ser colocadas diretamente nos contentores ou sobre as folhas remanescentes (por exemplo, em hortaliças, como alface e repolho). Em vários países onde se faz a colheita direta, as hortaliças colhidas são depositadas sobre uma esteira rolante, que as transporta para uma estação de beneficiamento, acoplada ao trator. Figura 3. Exemplo de boas práticas na colheita de alface. A hortaliça é colhida no início da manhã, limpa (remoção de folhas danificadas), embalada em saco de plástico, acondicionada em caixa de plástico limpa e transportada para o Galpão de Embalagem para expedição ao cliente Fotos: Milza Moreira Lana 162 6.2. Colheita e beneficiamento no galpão Nesse sistema, o produto colhido é selecionado, classificado, lavado e embalado em um galpão de beneficiamento, ou packing house. Também nesse sistema é possível planejar as operações, de modo a reduzir o número de etapas do fluxo de trabalho. As Figuras 4 e 5 mostram esse sistema sendo usado, respectivamente, para a colheita de rúcula, com um número reduzido de etapas, o que diminui os danos às hortaliças, e para a colheita de alface, com um número excessivo de etapas que danificam a hortaliça. É preciso ter em mente que, quanto mais trabalho se executa no campo, menos se executa no galpão. Assim, uma boa seleção e remoção de folhas danificadas no campo facilita o trabalho de limpeza e reduz a quantidade de resíduo gerada no galpão. Porém, o trabalho no campo é feito sob condições de sol, vento e umidade que aceleram a perda de água e, por isso, deve ser o mais rápido possível. É importante estabelecer um bom diálogo entre os dois setores, campo e galpão, de modo a aumentar o rendimento do trabalho e evitar retrabalho. Figura 4. Exemplo de boas práticas na colheita de rúcula. A hortaliça é colhida no início da manhã, limpa para remoção das folhas danificadas, agrupada em maços e acondicionada em cai- xas de plástico limpas. No Galpão de Embalagem, os maços são lavados em água corrente, limpos para remoção de folhas danificadas, embalados em sacos de plástico e acondicionados em caixas de plástico Fotos: Milza Moreira Lana Õ 163 Figura 5. Exemplo de más práticas na colheita de alface. A hortaliça é colhida no início da tarde, acondicionada em caixas de plástico sujas, sem prévia remoção das folhas danificadas, e transportada para o Galpão de Embalagem. Em seguida, é aspergida com água, limpa, lavada em duas etapas, empilhada, embalada em sacos de plástico e acondicionada em caixas de plástico para expedição Fotos: Milza Moreira Lana 7. ETAPAS DO FLUXO DE TRABALHO 7.1. Colheita A colheita deve ser feita em contentores limpos, respeitando a capacidade do contentor de modo a preservar a integridade física das hortaliças. Ela deve ser feita nas horas mais frescas do dia para evitar aquecimento das hortaliças. No 164 entanto, pode ser feita nas horas mais quentes, quando a propriedade contar com um bom sistema de pré-resfriamento, que remova rapidamente o calor de campo É importante levar em conta que muitos dos danos físicos causados durante a colheita, como áreas escurecidas e podres horas, só aparecem mais tarde. Assim, um produto com boa aparência na colheita pode apresentar má aparência quando chegar ao mercado, desacreditando o produtor rural e reduzindo o valor comercial de seu produto. 7.2. Transporte para o galpão de beneficiamento É importante manter as hortaliças colhidas protegidas de sol e vento até o seu envio para o galpão. Para isso, podem ser usadas estruturas móveis e de baixo custo instaladas próximas à lavoura (Figura 4). O veículo para transporte deve ser limpo e higienizado periodicamente. É importante, mesmo em distâncias curtas, proteger as hortaliças da incidência direta de sol e vento (Figura 3). 7.3. Lavagem A lavagem deve ser feita com água limpa e cuidado para não danificar as hortaliças. O uso de água fria pode remover parte do calor de campo, de acordo com a temperatura do produto, da água e do tempo de contato. A lavagem por imersão, sem o correto processo de sanitização da água, ou sem trocas frequentes da água, pode ser um ponto crítico para a infecção das hortaliças por patógenos. Produtos à base de cloro são os mais usados para tratamento da água. Porém, é preciso considerar que a eficiência da cloração é altamente dependente do pH e da temperatura da água. A presença de matéria orgânica em solução é outro fator que decresce sobremaneira a eficiência da cloração. A ação germicida do cloro ativo depende de seu contato com o microrganismo que se quer eliminar. Por isso, este sanitizante é eficiente para evitar contaminações cruzadas por microrganismos presentes na água e em superfícies (embalagens, equipamentos, bancadas, etc.), mas é pouco eficiente para eliminar organismos presentes no interior dos tecidos vegetais. A concentração de cloro ativo recomendada varia de 50 a 200 ppm. Após a lavagem, deve-se escorrer o excesso de água, antes de embalar as hortaliças. Quando os produtos são embalados muito molhados, a transpiração é reduzida, porque se forma uma atmosfera com alta umidade no interior da embalagem, o que é benéfico. Porém, se o produto apresenta danos físicos e contaminação por fitopatógenos, a podridão microbiana será acelerada e a durabilidade reduzida. 7.4. Formação dos maços O amarrio descuidado é um ponto crítico para ocorrência de podridões em hortaliças vendidas em maços. Também deve-se ter cuidado para manter a uniformidade no tamanho e apresentação dos maços (Figura 6). Õ 165 Figura 6. Exemplo de más práticas na confecção de maços de mostarda. Da esquerda para a direita e de cima para baixo: maços de tamanho desuniforme; amarrio causando danos físicos às folhas e nervuras; maços com folhas e nervuras com danos físicos extensos e presença de folhas estragadas, que deveriam ter sido descartadas na colheita Fotos: Milza Moreira Lana 7.5. Embalagem individual A embalagem das hortaliças para venda deve protegê-las, aumentar sua durabilidade e ser um cartão de visitas do produtor rural. Além disso, deve atender às normas de rotulagem previstas na legislação, além do selo da produção integrada. Três situações podem fazer com que a embalagem, mais comumente filmes plásticos, não protejam as hortaliças: 1. Uso de embalagens pequenas, que comprimem as hortaliças em seu interior, causando quebra das nervuras e folhas. 2. Uso de filme plástico com baixa permeabilidade a gases em condição de alta temperatura, o que pode resultar em uma atmosfera anaeróbica no interior da embalagem. 3. Embalagem descuidada em bandeja recoberta de filme plástico, causando danos físicos às hortaliças (comum em alface americana). Além das informações obrigatórias de rotulagem, a embalagem pode ser usada para promover o produto, com informações sobre o preparo e armazenamento da hortaliça, bem como de receitas. Para produtores que não têm condições de elaborar esse conteúdo para seus clientes, a Embrapa Hortaliças disponibiliza 166 gratuitamente uma etiqueta com o QR Code do site ‘Hortaliça não é sóSalada’, que pode ser impresso nas próprias embalagens (Figura 7). SAIBA MAIS No site, cujo endereço é https://www.embrapa.br/hortalica-nao- e-so-salada , o consumidor encontrará informações sobre como comprar, consumir e consumir hortaliças, com várias receitas utilizando as hortaliças folhosas mais utilizadas no Brasil. Figura 7. Etiqueta com o QR Code do site ‘Hortaliça não é só Salada’, que pode ser impressa diretamente na embalagem das hortaliças ou em etiquetas adesivas fixadas à embalagem. Nas áreas de vendas, as etiquetas adesivas podem ser usadas para sinalização nas gôndolas. O site traz informações sobre como comprar, conservar e consumir as principais hortaliças folhosas comercia- lizadas no Brasil 7.6. Embalagem para transporte A embalagem para transporte das hortaliças, acondicionadas ou não em unidades individuais, deve ser paletizável, higienizável (plástico) ou descartável (papelão, madeira). As caixas plásticas, mais comuns no mercado brasileiro, devem ser limpas e sanitizadas periodicamente, para evitar a contaminação das hortaliças e a transmissão de doenças. O produtor que investiu em produção integrada e, portanto, tem um produto diferenciado, deve se esforçar para estabelecer uma política de entrega com seu fornecedor que elimine a operação de “virada de caixa” ou “batida de caixa”; qual seja: a transferência das hortaliças da caixa do fornecedor para a do cliente. Nessa operação, além dos danos físicos, podem ocorrer contaminação das hortaliças quando elas são transferidas para caixas sujas do cliente, pondo a perder todo o investimento feito pelo produtor para a obtenção de um alimento seguro. Ì https://www.embrapa.br/hortalica-nao-e-so-salada https://www.embrapa.br/hortalica-nao-e-so-salada 167 gratuitamente uma etiqueta com o QR Code do site ‘Hortaliça não é só Salada’, que pode ser impresso nas próprias embalagens (Figura 7). SAIBA MAIS No site, cujo endereço é https://www.embrapa.br/hortalica-nao- e-so-salada , o consumidor encontrará informações sobre como comprar, consumir e consumir hortaliças, com várias receitas utilizando as hortaliças folhosas mais utilizadas no Brasil. Figura 7. Etiqueta com o QR Code do site ‘Hortaliça não é só Salada’, que pode ser impressa diretamente na embalagem das hortaliças ou em etiquetas adesivas fixadas à embalagem. Nas áreas de vendas, as etiquetas adesivas podem ser usadas para sinalização nas gôndolas. O site traz informações sobre como comprar, conservar e consumir as principais hortaliças folhosas comercia- lizadas no Brasil 7.6. Embalagem para transporte A embalagem para transporte das hortaliças, acondicionadas ou não em unidades individuais, deve ser paletizável, higienizável (plástico) ou descartável (papelão, madeira). As caixas plásticas, mais comuns no mercado brasileiro, devem ser limpas e sanitizadas periodicamente, para evitar a contaminação das hortaliças e a transmissão de doenças. O produtor que investiu em produção integrada e, portanto, tem um produto diferenciado, deve se esforçar para estabelecer uma política de entrega com seu fornecedor que elimine a operação de “virada de caixa” ou “batida de caixa”; qual seja: a transferência das hortaliças da caixa do fornecedor para a do cliente. Nessa operação, além dos danos físicos, podem ocorrer contaminação das hortaliças quando elas são transferidas para caixas sujas do cliente, pondo a perder todo o investimento feito pelo produtor para a obtenção de um alimento seguro. Ì 7.7. Transporte O transporte é uma das etapas mais críticas para a manutenção da qualidade, na qual devem ser observados os mesmos cuidados recomendados para o armazenamento. • Transporte não refrigerado O produto deve ser abrigado da incidência de luz solar direta, tomando- se o cuidado de manter uma ventilação adequada da carga, que evite o seu aquecimento, mas não promova, em contrapartida, a desidratação. Lonas comuns de cor clara ou lonas térmicas promovem uma proteção parcial. O uso de embalagens adequadas e empilhadas corretamente é essencial para evitar danos por compressão e por vibração da carga. A carga e descarga devem ser feitas com cuidado para evitar danos físicos. Os veículos devem ser mantidos limpos para evitar a contaminação das hortaliças por fitopatógenos, patógenos transmitidos por alimentos e compostos químicos. • Transporte refrigerado O produto deve ser esfriado até a temperatura de transporte o mais rapidamente possível. A temperatura recomendada deve ser mantida uniforme durante o trânsito e distribuição. Pequenos desvios da temperatura ideal são tolerados pelos produtos menos perecíveis, mas devem ser os menores possíveis para evitar perda de qualidade. O transporte refrigerado demanda, além da temperatura recomendada, a manutenção de um adequado fluxo de ar para remoção do calor e esfriamento da carga. O uso de embalagens adequadas e paletizadas, com aberturas que permitam o fluxo de ar necessário, também é importante para garantir a refrigeração da carga. Assim como recomendado para o transporte não refrigerado, a embalagem e paletização são essenciais para evitar danos por compressão e por vibração da carga. A carga e descarga devem ser feitas com cuidado, para evitar danos físicos e abuso de temperatura. Os veículos devem ser mantidos limpos para evitar a contaminação das hortaliças por fitopatógenos, por patógenos transmitidos por alimentos e por compostos químicos. Atenção especial deve ser dada à limpeza e à manutenção dos equipamentos de refrigeração. 7.8. Higiene Dois grupos de patógenos podem estar presentes nas hortaliças: 1. Fitopatógenos: organismos que causam danos às plantas durante o cultivo e nos produtos colhidos. Em pós-colheita, a maioria das doenças importantes é causada por fungos e bactérias. Quando a doença está só começando, os danos podem não ser visíveis, mas, à medida que a doença avança, ocorrem alterações não só na aparência, como manchas e podridões, mas também no cheiro e no sabor das hortaliças. Na maioria Õ https://www.embrapa.br/hortalica-nao-e-so-salada https://www.embrapa.br/hortalica-nao-e-so-salada 168 dos casos, os microrganismos não provocam danos à saúde das pessoas. Mas como os danos são visíveis, as hortaliças doentes são comumente descartadas e não consumidas, gerando prejuízos para o produtor rural. 2. Patógenos transmitidos por alimentos: incluem fungos, bactérias, vírus, vermes e protozoários que levam doenças aos humanos. Esses organismos, em geral, não acarretam danos visíveis às hortaliças, mas esses produtos contaminados, quando ingeridos pelas pessoas, causam intoxicação alimentar que pode ser leve ou muito grave. Tais organismos são propagados e contaminam as hortaliças quando elas entram em contato com água e superfície contaminadas. Para evitar a contaminação das hortaliças com esses patógenos, a higiene deve ser mantida em todas as etapas da colheita e pós-colheita. Além da contaminação por patógenos, a higiene também é importante para a remoção de sujidades que prejudicam a aparência e causam danos físicos nas hortaliças mais sensíveis. 7.9. Limpeza e manutenção de ferramentas e contentores Os contentores, instrumentos e equipamentos auxiliares de colheita devem ser limpos periodicamente. A frequência de limpeza deve ser estabelecida em função do estado de sujidade dos equipamentos e do estado sanitário da lavoura. Contentores e ferramentas, usados na colheita de produtos consumidos crus, devem ser limpos com mais frequência. A simples lavagem com água e escova é suficiente para a remoção de restos vegetais e terra e de inóculos de patógenos pós-colheita, assim como nutrientes que permitem o seu crescimento na superfície dos contentores. O uso de detergentes elimina grande parte dos microrganismos que causam podridões, assim como aqueles que causam doenças em humanos. Para remoção de organismos, como Salmonella, Escherichia coli e Staphilococcus aureus, énecessário o uso de desinfetantes. Quando houver necessidade de sanitização, ela deve ser precedida da lavagem com água e detergente – pode ser usado qualquer detergente, desde que apropriado para uso em indústria de alimentos. Quando não estiverem em uso, ferramentas e contentores devem ser mantidos ao abrigo de animais domésticos e silvestres, para evitar a sua contaminação com fezes, urina, pelo e penas dos animais. • Limpeza e manutenção do galpão de beneficiamento A limpeza e manutenção do galpão de beneficiamento deve seguir uma rotina preestabelecida, descrita em fichas de Procedimento Operacional Padrão (POP) disponibilizados para os funcionários. A estrutura simplificada de um galpão de beneficiamento deve conter 4 áreas: recepção, beneficiamento, expedição e escritório. Elas devem ser dispostas de forma a evitar a contaminação cruzada, seguindo a direção do fluxo de trabalho. Toda a unidade deve ter estruturas (portas, janelas, telas, cortinas, ralos) que impeçam a infestação por roedores, pássaros e insetos. Equipamentos de lavagem e classificação devem ser limpos periodicamente Õ 169 com água e sabão e sanitizados com produtos indicados para indústria de alimentos. Especial atenção deve ser dada para evitar vazamentos e danos aos equipamentos que resultem em contaminação do alimento com produtos químicos (óleos, graxas e outros lubrificantes). • Limpeza dos veículos Os mesmos princípios e procedimentos recomendados para contentores, equipamentos e ambiente se aplicam à limpeza dos veículos. • Higiene dos trabalhadores A saúde e as práticas de higiene dos trabalhadores rurais, da colheita à expedição, impactam diretamente a segurança das hortaliças. Mãos contaminadas são a principal via de transmissão de doenças e a importância da correta higienização das mãos não deve ser subestimada. Para manter as práticas recomendadas é importante realizar um programa regular de treinamento e dispor de instalações sanitárias e estações de lavagem e higienização das mãos de fácil acesso. Também é importante a utilização correta dos equipamentos de proteção. 7.10. Comercialização no varejo Apesar de o produtor não ser responsável pela comercialização no varejo, as perdas que ocorrem nesta etapa da cadeia produtiva são, muitas vezes, total ou parcialmente, revertidas para o fornecedor por meio de bônus ou descontos. É muito frustrante para o produtor rural que investe na produção integrada não ter um retorno de seu investimento, seja pelo aumento das vendas, seja pela valorização financeira de seu produto. Quando contar com um promotor de vendas, o produtor rural deve orientá- lo para: 1. Garantir que o varejista e o consumidor final saibam que seu produto é certificado e atende às recomendações de boas práticas agrícolas e conheçam a importância dessa certificação para a segurança e qualidade da hortaliça. 2. Manuseie a hortaliça na loja com cuidado e mantenha as condições de higiene durante a recepção, estocagem e exposição. 3. Faça uma exposição atraente na área de vendas, que valorize o produto e não induza ao manuseio excessivo do produto pelo consumidor final. Isso pode ser conseguido, quando possível, pela exposição de quantidades menores com reposições mais frequentes. 4. Assegurar que o produto esteja na área de vendas nos momentos de maior presença de clientes. 5. Auxilie o varejista no planejamento das compras e estabeleça critérios claros de qualidade, acordados entre fornecedor e loja, para reduzir a devolução de produtos não conforme. O mesmo selo com o QR Code do site Hortaliça não é só Salada, apresentado 170 na seção sobre embalagem individual, pode ser usado na área de venda (nas gôndolas) e em materiais promocionais (revistas, panfletos) para incentivar o consumo de hortaliças. Esse site também disponibiliza cartazes voltados especificamente para a promoção de hortaliças folhosas, com o slogan: ‘Ponha esse verde no seu prato”. O site também conta com dois outros conteúdos que podem auxiliar o produtor a promover o consumo de hortaliças folhosas certificadas: “Hortaliças Folhosas” e “Hortaliças Certificadas”. Ambos os conteúdos estão disponíveis em formato html e PDF, sendo o segundo indicado para impressão no formato de folder de 2 dobras. 171 Figura 8 . Cartazes da campanha de promoção do consumo de hortaliças folhosas com o mote “Ponha esse verde no seu prato”, disponíveis gratuitamente no site ‘Hortaliça não é só Salada’. Os cartazes podem ser impressos ou divulgados em mídias sociais e usados em eventos de promoção do consumo de hortaliças e em sinalizações na área de vendas 172 REFERÊNCIAS ABCSEM - Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas. Segundo levantamento de dados socioeconômicos da cadeia produtiva de hortaliças no Brasil - Ano Base 2012. Holambra. 29 maio 2014. Acelga. In: Portal São Francisco. Disponível em: https://www.portalsaofrancisco. com.br/alimentos/acelga. Acesso em 10 de abril de 2021. AGROFIT. Sistemas de agrotóxicos fitossanitários. Disponível em: . Acesso em 20/09/2018. AGROFIT. Sistemas de agrotóxicos fitossanitários. Disponível em: . Acesso em 20/3/2021. ALLEN, R. G.; PEREIRA, L. S.; RAES, D.; SMITH, M. Crop evapotranspiration: guidelines for computing crop water requirements. Rome: FAO, 1998. 328 p. (Irrigation and Drainage Papers, 56). ALMEIDA, D. Manual de Culturas Hortícolas. Editorial Presença, Lisboa, Portugal (1ª edição), Vol.1, 2006. 356p. ALVAREZ V., V.H.; RIBEIRO, A.C. Calagem. In.: RIBEIRO, A.C.; GUIMARÃES, P.T.G., ALVAREZ V., V.H. Recomendação para uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais – 5a Aproximação. Viçosa, MG. Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, 1999. p.43-60. ALVES-ARAÚJO, A., DUTILH, J. H. A. & ALVES, M. Amaryllidaceae s.s. e Alliaceae s.s. no Nordeste brasileiro. Rodriguésia 60 (2): 311-331. 2009 Aspargo. In: Portal São Francisco. 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Tese Doutorado, UNESP - Botucatu. BRASIL. Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989. Lei dos Agrotóxicos. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, DF. 12/7/1989. Seção 1, p. 11459. BRASIL, Instrução Normativa nº 1 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) de 11 de janeiro de 2021, que aprova as normas técnicas específicas da Produção Integrada de Folhosas Inflorescências e Condimentares. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-mapa- n-1-de-11-de-janeiro-de-2021-298833148. Acesso em 5 de fevereiro de 2021. BRAUN, A. R.; SHEPARD, M. Leafminer fly: Liriomyza huidobrensis. Clemson: The International Potation Center: Clemson University: Palowija IPM Project,1997. 7 p. Technical Bulletin. 173 BRECHT, J. K.; SARGENT; S. A.; BRECHT, P. E.; SAENZ, J.; RODOWICK, L. Protecting Perishablebianual ou perene - nesse caso, seu ciclo pode se prolongar por mais dois anos, crescendo até 0,9 m de altura. O caule é ereto, com as folhas de formato variado, podendo ser oblongas, obovadas, onduladas, denteadas, formando, ou não, uma “cabeça”, de folhas apertadas, antes da floração. As folhas são geralmente verdes, levemente azuladas, grossas, não chegando a ser carnosas, e crescem continuamente ao longo do caule ou talo. As flores são dispostas em racimos terminais eretos, de cor branco-amarelada, com sépalas eretas e corola composta por quatro pétalas obovadas (Figura 11). É muito rica em nutrientes, especialmente, cálcio, ferro e vitaminas A, C, K e B5. Figura 11. Couve (Foto: Jorge A. Guimarães) 28 15. COUVE CHINESA Brassica oleracea alboglabra é uma planta perene, que cresce rapidamente até 0,5 m de altura. Apresenta folhas de cor verde-claro com a parte central branca. É fonte de ácido fólico (importante para a formação do sangue), além de vitaminas A e dos grupos B e C, além de cálcio e potássio. 16. COUVE-DE-BRUXELAS Brassica oleracea gemmifera é uma planta herbácea bianual, que cresce até 1,2 m de altura. A parte comestível são gemas, na forma de pequenos repolhos com diâmetro entre 2,5 cm e 4 cm, que crescem ao longo do talo da planta. Na época da colheita, o talo fica totalmente coberto pelos pequenos repolhos. É fonte de sais minerais, principalmente fósforo e ferro. Contém vitaminas A e C, ambas importantes para os olhos e para a pele. Além disso, é rica em fibras de celulose, sendo recomendada para as pessoas que têm problemas intestinais. 17. COUVE-FLOR Brassica oleracea botrytis é uma planta bianual, que cresce até 0,8 m de altura. Apresenta as folhas alongadas, raízes com 20-30 cm e a parte comestível é a inflorescência imatura. Para a formação da inflorescência, é preciso haver clima frio para florescer. É uma planta típica de outono-inverno, necessitando de melhoramento para cultivo em temperaturas elevadas. É uma hortaliça rica em cálcio e fósforo, além de fonte de folato e vitamina C. 18. ERVA-DOCE Foeniculum vulgare é uma planta herbácea de 30 a 50 cm de altura, com haste ereta, cilíndrica, folhas fendidas, alternas e verde-escuras (Figura 18). As flores são brancas, pequenas e formando umbelas. As sementes, folhas, caules e bolbos podem todos ser consumidos. 19. ESCAROLA Cichorium endivia var. Latifolia é uma planta bianual que cresce até 1 m de altura. As escarolas têm folhas amplas, eretas e planas, com o característico sabor amargo, que é mais forte nas folhas mais verdes (Figura 13). Figura 13. Escarola (Foto: Milza Moreira Lana) 29 20. ESPINAFRE Spinacia oleracea é uma planta herbácea dioica anual, que cresce de forma rápida, até 0,3 m de altura. De acordo com PATRO (2013), o espinafre apresenta folhas simples, basais ou alternas, ovais a triangulares, os maiores estão próximos à base da planta e menores, às extremidades. Suas flores são discretas, amarelo- esverdeadas, sendo que nas plantas masculinas surgem em inflorescências terminais, do tipo espiga, e nas femininas, são sésseis e nascem nas axilas das folhas (Figura 14). O espinafre pode ser consumido cru ou cozido, sendo muito rico em vitamina A, em complexo B e sais minerais, principalmente ferro. Figura 14. Espinafre (Foto: Jorge A. Guimarães) 21. ESTÉVIA Stevia rebaudiana é uma planta aromática de hábito arbustivo que forma, com o tempo, múltiplos brotos e mede de 40 a 80 cm de altura. A raiz é perene, fibrosa e filiforme. Tem sido muito usada como adoçante natural em substituição ao açúcar. 22. ESTRAGÃO Artemisia dracunculus é uma planta herbácea, perene e condimentar. Tem raízes rizomatosas e ramos cilíndricos, muito ramificados, conferindo-lhe o aspecto de pequena “moita”. As folhas são lanceoladas, sésseis, glabras, brilhantes, alternas, carnosas, aromáticas, de cor verde-acinzentada e com margens inteiras. As flores - que podem ser brancas, amarelas ou esverdeadas - se formam em pequenos capítulos terminais (PATRO, 2015). Segundo PATRO (2015), o estragão contém os óleos essenciais estragol, anethol e eugenol, além de flavonoides, minerais e vitaminas. 30 23. HORTELÃ Hortelã é o nome comum utilizado para as espécies do gênero Mentha e seus híbridos. A planta é perene, de porte baixo, chegando até 0,5 m de altura. Tem as folhas com formato lanceolado, de cor verde a arroxeada, pilosas e com forte aroma característico (Figura 15). O aroma se deve à presença do óleo essencial mentol, presente nas suas folhas. As flores são numerosas e roxas e se apresentam em inflorescências terminais do tipo espiga (PATRO, 2013). É utilizada na indústria farmacêutica, cosmética e de alimentos, seja como planta medicinal ou como aromatizante de alimentos (PATRO, 2013). A B Figura 15. Hortelã (Fotos: Jorge A. Guimarães e Milza Moreira Lana) 24. LOURO Laurus nobilis é uma árvore condimentar, perene, que cresce até 12 m em ritmo lento. O loureiro apresenta as folhas com 6–12 cm de comprimento e 2–4 cm de largura, com margem lisa. A flor é verde-amarelo pálida, com cerca de 1 cm de diâmetro (Figura 24). O fruto é uma pequena baga brilhante e preta, como uma drupa, contendo uma semente. A plantas são dioicas e polinizada por abelhas. É uma especiaria usada em uma grande variedade de receitas, particularmente entre as cozinhas mediterrâneas. Mais comumente, as folhas aromáticas são adicionadas inteiras aos pratos, e removidas antes de serem servidos. 25. MANJERICÃO Ocimum basilicum é uma planta aromática e perene, que apresenta caule ereto e ramificado, podendo crescer de 0,5 a 1 metro de altura. Suas folhas são delicadas, ovaladas, pubescentes e de cor verde-brilhante. As inflorescências são do tipo espiga e compostas por flores brancas, lilases ou avermelhadas. Sua polinização é cruzada e os frutos são do tipo aquênio, de coloração preto-azulada (Figura 16). Há mais de 60 variedades de manjericão, com variações na cor, tamanho e forma das folhas, porte da planta e concentração de aroma (PATRO, 2015). 31 A B Figura 16. Manjericão (Fotos: A - Jorge A. Guimarães; B - Milza Moreira Lana) 26. MANJERONA Origanum majorana é uma planta aromática perene, que cresce até 0,5 m de altura. Suas folhas são simples, de cor verde escura. As flores são esbranquiçadas, róseas ou violáceas, dispostas em glomérulos e reunidas em inflorescências paniculadas terminais. A manjerona tem diversos usos, tanto na culinária quanto como erva medicinal, proporcionando benefícios ao nosso organismo. É excelente para temperar saladas e carnes, principalmente as brancas, como frango, peixe e porco. 27. MOSTARDA Sinapis alba é uma planta herbácea anual, que cresce até 1 m de altura. Apresenta caule ereto, folhas longas e estreitas com bordas serrilhadas. As flores são pequenas, amarelas, em forma de inflorescência terminal, seguidas de frutos redondos (Figura 17). Há cultivares para a produção de folhas (saladas) e outras cultivares e espécies para a produção de sementes, as quais são utilizadas para a fabricação de molhos e temperos. As sementes têm de 1 a 2 milímetros de diâmetro. O sabor picante é característico dessa hortaliça, que é muito usada na preparação de molhos. É fonte das vitaminas C e A, de cálcio e tem teores moderados de ferro, sódio, potássio e magnésio. Figura 17. Mostarda (Fotos: Milza Moreira Lana) 32 28. ORÉGANO Origanum vulgare é uma planta semilenhosa, ramificada, perene e de folhas muito aromáticas, que cresce até 0,6 m de altura. As folhas são ovais, pecioladas, opostas, geralmente pubescentes e ricas em óleo essencial (Figura 18). Suas flores são pequenas, tubulares, róseas a arroxeadas e surgem no verão, em inflorescências do tipo racemo (PATRO, 2014). As folhas são muito usadas como condimentares, sendo utilizadas frescas, cruas ou desidratadas. Figura 18. Orégano (Fotos: Jorge Anderson Guimarães) 29. REPOLHO Brassica oleracea capitata é uma planta herbácea, bianual, cuja cabeçaFoods During Transport by Truck and Rail. University of Florida. 2019. Disponível em: https://journals.flvc.org/edis/article/view/113444/117747. Acesso: 02 fev.2021. CANTARUTTI, R.B.; BARROS, N.F.; MARTINEZ, H.E.P.; NOVAIS, R.F. Avalição da fertilidade do solo e recomendação de fertilizantes. In.: NOVAIS, R.F.; ALVAREZ V., V.H.; BARROS, N.F.; FONTES, R.L.F.; CANTARUTTI, R.B.; NEVES, J.C.L. (editores). Fertilidade do Solo. Viçosa, MG, Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007. p.92-132. CARRIJO, O. A.; OLIVEIRA, C. A. S. Irrigação de hortaliças em solos cultivados sob proteção de plástico. Brasília: EMBRAPA-CNPH, 1997. 19p. (Circular Técnica, 10). CASTRO E MELO, R.A. A cultura dos brócolis. Brasília, DF: Embrapa, 2015. 152p. (Coleção Plantar, 74). 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Dentre todas as hortaliças, a rúcula é a fonte mais rica em ferro. Contém ainda cálcio, fósforo, vitaminas A e C. Figura 19. Rúcula (Fotos: Milza Moreira Lana) 31. SALSA Petroselinum crispum é uma planta herbácea, bianual, que cresce até 0,6 m de altura. É uma planta aromática e condimentar, que forma pequenas touceiras, com longos ramos e folhas brilhantes, planas, divididas em folíolos também repartidos (Figura 20). A planta toda é muito aromática, com sabor pungente e, ao mesmo tempo, refrescante. A planta emite inflorescências altas do tipo umbela, com numerosas flores amarelas (PATRO, 2014). Há cultivares de folhas lisas, crespas e muito crespas. Há ainda variedades para consumo das raízes. Rica em sais minerais e vitaminas, principalmente a C. Também é utilizada por seu valor medicinal. A B Figura 20. Salsa (Fotos: A - Jorge A. Guimarães; B - Milza Moreira Lana) 34 32. SÁLVIA Salvia officinalis é um arbusto perene, de folhas aromáticas, que cresce até 0,6 m de altura. Apresenta hastes eretas, quadrangulares, ramificadas e recobertas por tricomas curtos. São inicialmente herbáceas e se tornam lenhosas com o passar do tempo. De acordo com PATRO (2015), suas folhas são elípticas a oblongas, sésseis no ápice dos ramos, e pecioladas na parte inferior, com a superfície rugosa, pilosa e de cor verde acinzentada (Figura 21). De sabor amargo e pungente, é utilizada como condimento de alimento e no preparo de chás, mas também tem propriedades medicinais e ornamental (PATRO, 2015). Figura 21. Sálvia (Foto: Jorge Anderson Guimarães) 35 FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE HORTALIÇAS FOLHOSAS Ítalo Moraes Rocha Guedes Juscimar da Silva Tiago Felipe Moreira Silva Gabriel Junior da Silva Allan Livino da Silva 1. INTRODUÇÃO As hortaliças folhosas são cultivadas em todas as regiões do país, nos mais diferentes tipos de solos. Com exceção das áreas recém-inseridas no sistema produtivo, a grande maioria das áreas tradicionalmente produtoras de hortaliças já apresenta solos com fertilidade construída; ou seja, durante vários anos de cultivo utilizando doses elevadas de adubos, os teores de nutrientes já atingiram valores próximos do nível crítico e, para alguns nutrientes, até excessivo. A qualidade física do solo também deve ser monitorada, em especial a avalição da compactação do solo, que afeta a dinâmica da água, distribuição dos nutrientes e desenvolvimento das raízes. O conhecimento da textura do solo auxilia na recomendação e no parcelamento dos fertilizantes, uma vez que, a depender dos teores de argila, pode ocorrer a perda de nutrientes. A matéria orgânica afeta diretamente a qualidade química, física e biológica do solo e a sua manutenção e restituição são fundamentais. Em muitas áreas produtivas, a matéria orgânica é a única fonte de nutrientes adicionadas ao solo. A restituição dos nutrientes ao solo para atingir altos índices de produtividade comercial deve considerar as práticas de manejo que visem aumentar a eficiência da adubação e a redução de perdas, que podem ocorrer por volatilização ou por lixiviação de nutrientes. 2. MANEJO DO SOLO A elevação de canteiros é prática comum na produção de hortaliças folhosas, pois permite o bom crescimento das raízes e uma boa drenagem. No entanto, o uso continuado de encanteiradores pode acarretar perda da qualidade física do solo nas camadas subsuperficiais. A compactação do solo é a variável física que deve ser avaliada com maior periodicidade, pois afeta a drenagem do solo, favorecendo o acúmulo de água e de nutrientes em subsuperfície. Assim, recomenda-se fazer uma avaliação das condições físicas do solo, antes do início da produção, para verificar se há camadas de solo compactadas, principalmente nas profundidades superiores a 30 cm. Constatando a compactação, deve-se realizar a subsolagem do solo para Õ 05 36 romper este impedimento. Não havendo ferramentas para avaliar a compactação, deve-se fazer a subsolagem “preventiva” pelo menos a cada 2 anos. O cultivo em nível também é importante para evitar perda do solo por escoamento superficial (enxurrada) e permitir uma melhor infiltração da água no solo. 3. CORREÇÃO DO SOLO Esta prática está relacionada tanto à correção do pH, quanto à restituição dos nutrientes do solo. Devido à alta densidade de plantas por hectare, o cultivo de hortaliças folhosas demanda altas doses de nutrientes para se atingir o máximo potencial produtivo. Por isso, a correção ou a fertilização deve ser realizada de maneira equilibrada, com critério técnico para atender à demanda da planta e evitar desperdícios, já que os adubos impactam significativamente o custo de produção (Figura 1). A adição ou a restituição ao solo de nutrientes exportados pela cultura pode se dar por meio de técnicas agrícolas convencionais, como a calagem e a aplicação de fertilizantes no plantio e na cobertura, ou a partir de soluções nutritivas balanceadas, no caso da produção por sistemas sem solo. Para o cultivo direto no solo, a disponibilidade de nutrientes e as condições do pH e da condutividade elétrica da solução são determinados pela análise química do solo. A partir do laudo da análise do solo calcula-se as quantidades de corretivos e nutrientes a serem aplicados, bem como corrige-se os possíveis desequilíbrios nutricionais causados pelo uso excessivo de um ou mais fertilizantes, fato muito comum em áreas de cultivo de hortaliças. Quando se faz a análise química do solo para produção agrícola, está sendo avaliada a fertilidade média da área. Por isso, é muito importante uma boa amostragem, coletando de 20 a 30 amostras simples, em diferentes locais da unidade de amostragem (Figura 2a e 2b). A unidade de amostragem, ou talhão ou a gleba correspondente ao local de plantio e à sua escolha, é realizada considerando que a variabilidade das características do solo ocorre tanto em curtas, quanto em longas distâncias. A unidade de amostragem é agrupada considerando o histórico de cultivo da área, uniformidade em relação à vegetação, à posição topográfica e às características do solo, como a cor e a textura. Não há uma quantidade adequada de unidades de amostragem; o importante é selecionar as áreas com a maior similaridade possível para melhor caracterizar o solo e minimizar os erros de amostragem. Õ 37 Figura 1. Participação do gasto com fertilizante no custo de produção das principais hortaliças (Adaptado de ABCSEM, 2014) Figura 2A. Divisão da propriedade em unidades de amostragem/gleba/talhão. Para cada característica do solo (relevo, textura, cor, etc.) ou tipo de cultivo, deve-se delimitar um local de amostragem 38 Figura 2B. A amostragem dentro da casa de vegetação (estufa) deve seguir os mesmos princí- pios A profundidade de amostragem deve ser entre 0,00 e 20,0 cm. A amostragem do solo em camadas mais profundas (maior que 30 cm) é incentivada, pois permite verificar possíveis impedimentos químicos que podem ser limitantes ao crescimento das raízes. Depois de coletadas, as amostras simples deverão ser homogeneizadas para obter uma amostra composta, por talhão. Essa amostra deverá ser colocada para secar à sombra, depois passada em peneira de 4,0 mm e, em seguida, enviada ao laboratório, devidamente identificada.Devem ser solicitadas uma análise completa do solo: análises de rotina (pH, condutividade elétrica, P, K e Na disponíveis, Al, Ca e Mg trocáveis, acidez potencial – H+Al e MO), micronutrientes e a granulometria (textura). É recomendado sempre optar por laboratórios com selo de qualidade em análises de solo. A partir do laudo técnico, serão calculadas as quantidades de corretivos e de fertilizantes. 3.1. Calagem Consiste na aplicação de corretivos da acidez ao solo, ajustando o seu pH para um intervalo de valores (pH entre 6,0 a 6,5), no qual os nutrientes (presentes na solução do solo) possam estar prontamente disponíveis para a absorção pela planta. Os corretivos da acidez podem ser carbonatos, silicatos, óxidos e hidróxidos. Outros benefícios da calagem são: redução do alumínio trocável (Al3+), que é prejudicial às folhosas, e a adição de cálcio (Ca) e magnésio (Mg). Vale ressaltar que os corretivos são as fontes mais baratas para o suprimento desses nutrientes e de outros, como silício e micronutrientes. A quantidade de corretivos (QC) a ser utilizada na área é determinada a partir da estimativa da necessidade de calagem (NC), que obedece a critérios regionais, e o poder relativo de neutralização total (PRNT) do corretivo. Não obstante a determinação da quantidade de corretivos, para se obter os efeitos desejáveis da calagem, deve-se considerar ainda: a época de aplicação (preferencialmente, no período chuvoso), o tipo (teores de CaO e MgO e PRNT) e a forma de incorporação do calcário (preferencialmente, a lanço). Õ 39 Os métodos mais utilizados para calcular a NC são: o da neutralização do Al3+ e fornecimento de Ca e Mg e o do reajuste da saturação por bases a valores preestabelecidos. Método de neutralização do Al3+ e elevação dos teores de Ca2+ e Mg2+ A NC é calculada a partir de duas equações que se somam e levam em consideração, de um lado, a textura do solo e a presença e a sensibilidade da cultura ao Al3+ e, de outro, as exigências nutricionais em Ca e Mg. NC = Necessidade de calcário, em t ha-1; Y = variável relacionada à capacidade tampão do solo e que pode ser definida de acordo com a textura do solo (Tabela 1); Al3+ = acidez trocável, em cmolc dm-3; mt = saturação máxima por Al tolerada, m = 5%; t = capacidade de troca catiônica efetiva (CTCefetiva), em cmolc dm-3; X = disponibilidade de Ca e Mg requerida pela hortaliça, X = 3; Ca2+ + Mg2+ = teores trocáveis de Ca e Mg, em cmolc dm-3. Na equação, o resultado negativo nos colchetes deve ser substituído por zero para dar continuidade ao cálculo. Essa equação poderá ser simplificada, se for considerado que as hortaliças folhosas são sensíveis à presença do Al3+ e muito exigentes em Ca e Mg. Assim, pode-se adotar o valor mt = 0 e X = 3. A partir do resultado obtido faz-se o cálculo da QC utilizando o valor de PRNT do corretivo, da seguinte maneira: TABELA 1. VALORES DE Y EM FUNÇÃO DA TEXTURA E PORCENTAGEM DE ARGILA DO SOLO TEXTURA DO SOLO TEOR DE ARGILA (%) Y Arenosa 0 – 15 0,0 – 1,0 Média 15 – 35 1,0 – 2,0 Argilosa 35 – 60 2,0 – 3,0 Muito argilosa > 60 3,0 – 4,0 Fonte: Adaptado de Alvarez V. e Ribeiro (1999) 40 • Método do reajuste da saturação por bases Neste método, as cargas negativas do solo, representadas pela capacidade de troca de cátions (CTC pH = 7 ou T), são “ocupadas” por bases para atingir um valor predeterminado de saturação. A saturação por bases é aumentada pela adição de Ca e Mg, contidos no corretivo. Isso é possível graças à relação direta entre a saturação por bases (V) e o pH do solo. No caso das hortaliças folhosas, pode-se adotar o valor de V = 70%. NC = Necessidade de calcário, em t ha-1; T = capacidade de troca catiônica a pH 7,0, estimada pela soma de bases e acidez potencial [SB + (H+Al)], determinadas pela análise do solo, em cmolc dm-3; V2 = porcentagem de saturação por bases recomendada, para as folhosas (70%); V1 = saturação por bases atual do solo, em %, estimado por: V1 = (100 x SB/T); sendo SB = Ca2+ + Mg2+ + K+ + Na+, em cmolc dm-3 De maneira simplificada e corrigindo a NC pela fração do PRNT do corretivo, a quantidade de calcário (QC) é calculada da seguinte maneira: Ressalta-se que o valor obtido na estimativa da NC deve ser incorporado num hectare de solo, ou seja, em 2.000.000 dm-3, para a profundidade de 0 a 20 cm. Se a amostragem do solo ocorrer em volume diferente (0 a 10 cm, por exemplo), a QC deverá ser corrigida, proporcionalmente. Na escolha do calcário, sugere-se optar pelos dolomíticos que contêm maior concentração de óxido de magnésio (MgO), para elevar os teores de Mg2+ acima de 0,9 cmolc dm-3. Em situações favoráveis ao uso do calcário calcítico ou de óxidos – óxido de cálcio (CaO) ou hidróxidos de cálcio [Ca(OH)2] -, o Mg deverá ser adicionado utilizando outras fontes, como sulfatos, carbonatos e óxidos. Para solos com teores de Mg baixo (Mg2+Mg são adicionados durante a calagem, as quantidades dos demais nutrientes devem ser calculadas conforme a classe de fertilidade de cada um. A classe de fertilidade dos nutrientes pode ser muito baixa, baixa, média, alta (boa) ou muito alto (muito boa). Depois de definida a classe de fertilidade, recorre-se às tabelas de recomendação de adubação química de plantio e de 42 cobertura para cada espécie ou grupo de hortaliças. Quanto mais pobre o solo, maior será a dose do fertilizante para se atingir o nível crítico do nutriente no solo. É importante enfatizar que as doses dos nutrientes contidas nos manuais ou boletins informativos foram determinadas obedecendo critérios regionais. Por isso, o uso em outras regiões deve ser feito com cautela. Deve-se estar atento ainda quanto ao método de análise utilizado, uma vez que ele pode alterar sobremaneira a interpretação dos níveis de fertilidade do solo. Por exemplo, na maioria das regiões produtoras, o extrator Mehlich-1 é referência para extração de P e K disponíveis. Já no estado de São Paulo, é utilizado o método da resina catiônica/aniônica (mista). O conhecimento da textura do solo a partir da análise granulométrica auxilia na recomendação e forma de aplicação dos fertilizantes no solo. Nos solos mais arenosos (teor de argila menor que 400 g kg-1) e de baixa CTC, as adubações devem ser parceladas, especialmente com N e K, para evitar perdas por lixiviação. 5.2. Adubação de plantio Recomenda-se aplicar a adubação orgânica no solo e incorporá-la no momento da elevação dos canteiros, para que seja distribuída de maneira uniforme até a profundidade de 20 a 30 cm. A adubação mineral antes do plantio poderá ser feita em toda área do canteiro ou na linha de cultivo. Como estratégia de adubação, recomenda-se aplicar 100% do adubo fosfatado no plantio e apenas de 20% a 30% dos adubos contendo nitrogênio (N) e potássio (K). As menores quantidades de Ne K no plantio se justificam por causa da baixa demanda inicial das folhosas. Além disso, as quantidades dependerão também do histórico da área, da textura e dos teores disponíveis no solo. Especificamente para o K, se o teor disponível estiver acima de 100 mg dm-3 (0,30 cmolc dm-3), recomenda-se parcelar toda a quantidade recomendada na adubação de cobertura. Os solos brasileiros, em especial os do Cerrado, são carentes em micronutrientes, principalmente boro (B) e zinco (Zn) e, por isso, deve-se dar atenção à restituição desses elementos. As quantidades recomendadas de B e Zn giram em torno de 1 a 3 kg ha-1 e de 3 a 5 kg ha-1, respectivamente, e podem ser adicionadas no plantio, na forma de sais solúveis, óxido ou silicatos. As hortaliças folhosas, em especial as brássicas, são muito exigentes em enxofre (S) e, por isso, a restituição desse nutriente é importantíssima para se alcançar altas produtividades. A deficiência de S tem sido percebida frequentemente nas áreas de produção, devido ao uso de formulações mais concentradas em NPK, como 04:30:10 ou 04:30:16. A adubação com S pode ser feita com o uso de outras fontes que contenham o nutriente, como o sulfato de magnésio. Uma alternativa é associar duas formulações na adubação de base. Por exemplo, aplicar uma parte do P como 04:14:08 e a outra como 04:30:10. A primeira formulação utiliza na mistura o sulfato de amônio e o superfosfato simples, ambos contêm S. Outra opção para substituir as formulações mais concentradas em P é usar o termofosfato magnesiano, no sulco de plantio. Essa prática fornece quantidades significativas de Ca, Mg, silício (Si) e micronutrientes. Õ 43 O uso de fontes simples ou individuais de fertilizantes (ureia, cloreto de potássio, superfosfato triplo, dentre outros) é menos usual. Assim, a decisão dessa forma de adubação, bem como a escolha de qualquer fertilizante, deve considerar os custos da aquisição e das operações de aplicações dos insumos. 5.3. Adubação de cobertura As adubações de cobertura visam complementar as quantidades de nutrientes requeridas pela cultura ao longo do seu ciclo vegetativo e que não foram aplicadas no momento do plantio, para evitar perdas ou elevação rápida da condutividade elétrica (CE) do solo. As hortaliças folhosas apresentam ciclo produtivo curto em comparação com outras espécies e, portanto, o parcelamento da adubação deve levar em consideração, quando possível, a curva de absorção de nutrientes da cultura de interesse. Em geral, recomenda-se fazer a aplicação de cobertura em pelo menos três estágios de desenvolvimento: • 30% no início do crescimento; • 50% na fase de crescimento pleno, de maior produção de massa fresca, e • 20% no terço final do cultivo. Em solos arenosos, sugere-se fazer o máximo de parcelamento possível. Sob o ponto de vista prático, são utilizadas as formulações mais concentradas em N e K, como a 20:00:20 ou 20:05:20. Considerando que no período de crescimento pleno da hortaliça aumenta- se a demanda por Ca, caso se observe sintomas de queimadura dos ponteiros, deve-se fazer uma suplementação desse nutriente. Nesse caso, como medida preventiva, parte do N pode ser aplicado como nitrato de cálcio – Ca(NO3)2. Muitas das vezes, o aparecimento da deficiência de Ca não está diretamente associado aos baixos teores no solo, mas sim a problemas no fornecimento de água de irrigação ou por condições climáticas adversas que podem causar redução na evapotranspiração da cultura, como dias seguidos com alta nebulosidade e alta umidade relativa. A fertirrigação é a forma mais eficiente para suprir os nutrientes ao longo do período de cultivo e, para isso, deve-se ser utilizar sais específicos. Além da maior eficiência de uso de água e nutrientes pela planta, essa prática facilita a adição de outros nutrientes em cobertura, como Ca, Mg, S e os micronutrientes. 5.4. Escolha de fertilizantes A eficiência da fertilização está condicionada às características especificas do adubo e às reações do solo. Adicionalmente, a escolha do adubo mais adequado para o cultivo deverá levar em conta principalmente o custo do fertilizante por nutriente adicionado. As tecnologias de produção de fertilizantes têm avançado no sentido de aumentar a eficiência de uso pelas plantas e de minimizar as perdas de nutrientes. Algumas estratégias têm sido utilizadas para minimizar tais perdas, como o revestimento de grãos com polímeros para controlar a sua solubilidade, inibir a ação da enzima uréase, etc. Contudo, a relação entre a eficiência e o custo da adubação deverá ser considerada frente as outras opções. 44 • Fertilizantes solúveis São as principais fontes de adubos utilizadas nos cultivos. A escolha e o manejo dos fertilizantes solúveis devem levar em consideração técnicas de manejo que aumentem a eficiência de uso dos nutrientes pelas plantas. - O N pode ser fornecido na forma de adubos nítricos ou amoniacais e ambos precisam de manejo adequado para evitar a perda, seja por lixiviação ou por volatilização, respectivamente. - A ureia é o fertilizante mais utilizado tanto na adubação de base, quanto de cobertura e o seu manejo requer atenção para minimizar a perda de N, devido à volatilização da amônia (NH3). Recomenda-se que seja feita a incorporação da ureia logo após a sua aplicação e que depois seja mantida a umidade do solo na capacidade de campo. Deve-se evitar a supercalagem, porque a perda da ureia é acelerada em condição de pH do solo acima de 7,0. - As fontes nítricas de N, como Ca(NO3)2 e KNO3 e Mg(NO3), são mais estáveis que a as fontes amoniacais. Porém, em solos arenosos, mais propensos a perdas por lixiviação, deve-se realizar o parcelamento da adubação para minimizar essa forma de perda. - Os adubos fosfatados, sejam na sua forma simples - superfosfato simples (SSP) ou triplo (ST), fosfato monoamônio (MAP) ou como formulações, têm a sua disponibilidade governada pelo poder tampão de P do solo. Quanto maior o teor de argila do solo, maior a propensão do P ficar retidonos coloides do solo. Recomenda-se aplicar o adubo na linha de cultivo do canteiro ou utilizar fontes de eficiência aumentada ou liberação controlado, com destaque para os fertilizantes organominerais. - Os adubos fontes de K comportam-se de maneira similar às fontes nítricas, sob o ponto de vista de perdas por lixiviação. Porém, deve-se ter o cuidado com os riscos de efeito salino dos fertilizantes, os quais, em muitos casos, têm sido responsáveis pela redução da população de plantas, devido ao aumento abrupto da condutividade elétrica (CE) da solução do solo. • Fertilizantes organominerais São fertilizantes produzidos por tecnologia, que combinam fontes orgânicas e minerais no mesmo produto; ou seja, não se trata da aplicação conjunta das fontes orgânica e mineral no plantio. Os fertilizantes organominerais (FOM) estão na categoria daqueles de eficiência aumentada e o uso deles tem crescido anualmente, devido às repostas agronômicas favoráveis, fornecimento de carbono orgânico para os microrganismos do solo e minimização da perda de nutriente, em especial o P. A maioria dos FOM é fonte de P, embora sejam oferecidos também produtos concentrados em outros nutrientes, inclusive com micronutrientes. A fração orgânica no grão e/ou o seu revestimento com substâncias húmicas ou outro material orgânico protege o fertilizante mineral. Sua disponibilização está condicionada inicialmente à oxidação da matéria orgânica contida no grão pelos microrganismos do solo, seguida da sua dissolução. Isso reduz os problemas de adsorção do fosfato, as perdas por lixiviação e minimiza as chances de salinização do solo. • Fertilizantes orgânicos e biofertilizantes O uso desses insumos tem crescido anualmente principalmente na complementação da adubação. 45 • Fertilizantes orgânicos: são obtidos de matérias-primas animal ou vegetal, podendo ou não ser enriquecidos com nutrientes de origem mineral. Nesse grupo, destacam-se os chamados fertilizantes orgânicos compostos: os mais comuns são os compostos orgânicos e vermicomposto (húmus de minhoca), etc. O composto orgânico pode ser aplicado na superfície do canteiro e, em seguida, incorporado. Sugere-se fazer a extração dos nutrientes solúveis contidos nesses insumos para uso como fertirrigação ou aplicação foliar. Para isso, deve- se juntar uma parte de composto ou vermicomposto – separar as minhocas previamente – com dez partes de água, homogeneizar bem e manter a mistura sob aeração por 24 horas. Depois desse período, filtre a solução e aplique o extrato direto no solo, como fertirrigação, ou dilua para concentração final de 5% (5 L de extrato para 100 L de água) e aplique nas folhas. • Biofertilizantes: são insumos líquidos obtidos a partir da fermentação aeróbica ou anaeróbica de resíduos orgânicos na presença de microrganismos eficientes (EM). Geralmente, o produto é rico em fitohormônios ou hormônios vegetais, que são produzidos pelas próprias plantas ou microrganismos. A aplicação pode ser feita na linha de plantio ou foliar, porém, deve-se diluir os biofertilizantes com água na proporção de 20% e até 5%, respectivamente. Alguns biofertilizante apresentam altas concentrações de sais e o seu uso, sem uma diluição prévia, poderá “queimar” as plantas. 5.5. Diagnose à campo As folhas são as principais indicadoras da saúde do cultivo das hortaliças folhosas. Desequilíbrios no estado nutricional (causados pela ausência ou excesso de um ou mais nutrientes ou a modificação da química da solução do solo, etc.) são evidenciados pelas folhas da planta, na forma de sintomas que estão associados diretamente ao nutriente ou a outras variáveis do solo ou da solução nutritiva. Deve-se ressaltar que as hortaliças, em geral, são muito sensíveis à salinidade do solo e a alteração repentina da CE pode levar a perdas significativas (Tabela 2). Portanto, sugere-se fazer o monitoramento periódico do pH e da CE da solução do solo. Como ferramenta para monitoramento da solução, têm sido utilizados os extratores de solução do solo, instalados na linha de cultivo na profundidade de 10 a 20 cm. Antes da aplicação da adubação, principalmente por fertirrigação, deve-se amostrar a solução do solo e medir o pH e CE. Se a condutividade estiver igual ou acima do valor limite (sensibilidade), deve-se apenas irrigar a cultura para reduzir a CE. Se os valores de CE estiverem menores que 0,5 unidade abaixo do valor limite (Tabela 2), deve-se fazer a adubação de cobertura, de preferência por fertirrigação. 46 TABELA 2. SENSIBILIDADE DAS HORTALIÇAS FOLHOSAS À CONDUTIVIDADE ELÉTRICA DO EXTRATO DA SOLUÇÃO DO SOLO E AS PORCENTAGENS DE PERDAS DE PRODUTIVIDADE CASO SE ULTRAPASSE OS VALORES LIMITES HORTALIÇAS LIMITE MÁXIMO DE SENSIBILIDADE PORCENTAGEM PERDA DE PRODUÇÃO (mS cm-1) mS cm-1 10% 25% 50% Funcho 1,1 - - - Alface 1,3 2,1 (1,4)a/ 3,2 (2,1) 5,1 (3,4) Aipo (salsão) 1,8 3,4 (2,3) 5,8 (3,9) 9,9 (6,6) Repolho 1,8 2,8 (1,9) 4,4 (2,9) 7,0 (4,6) Couve 1,8 - - - Espinafre 2,0 3,3 (2,2) 5,3 (3,5) 8,6 (5,7) Couve-Flor 2,5 - - - Brócolos 2,8 3,9 (2,6) 5,5 (3,7) 8,2 (5,5) Aspargo 4,1 9,1 16 29 Beldroega 6,3 - - - a/valores entre parênteses referem-se à condutividade elétrica da água de irrigação para perdas de 10%, 25% e 50% de produtividade de algumas hortaliças Fonte: Adaptado de Shannom e Grieve (1999) e Lorenz & Maynard (1988). Machado e Serra- lheiro (2017) 47 IRRIGAÇÃO Marcos Brandão Braga 1. INTRODUÇÃO A produção de hortaliças folhosas no Brasil está mais concentrada ao redor de centros urbanos. Este fato está mais ligado à facilidade da logística de distribuição, por serem, em sua maioria, produtos com alta perecibilidade. De um modo mais abrangente, entende-se por hortaliças folhosas aquelas cuja parte comercializada é a folha. Entre as principais folhosas cultivadas no Brasil, destaca-se a alface, que praticamente é cultivada em todos os municípios brasileiros. Em qualquer feira livre ou mercado, seja de pequeno ou grande porte, encontram-se disponíveis aos consumidores diversos tipos de hortaliças folhosas. A necessidade hídrica dessas hortaliças pode variar, dependendo das condições de cultivo, da espécie e das variedades em produção. Normalmente, em condições de cultivo em campo, varia de 200mm a 500mm por ciclo. Em cultivo protegido (hidropônicos), a necessidade pode cair para mais da metade (50 a 100mm/ciclo - alface). No Brasil, os cultivos de hortaliças folhosas, em sua maioria, são realizados em campo aberto, especialmente durante a estação seca. Alguns produtores mais tecnificados utilizam-se de cultivo em ambiente protegido (CAP) e/ou hidropônicos. O CAP com cobertura plástica (estufas, túneis altos e baixos, etc.) é bastante usado para a proteção contra as intempéries da natureza (chuva/frio). A irrigação em cultivos de folhosas é uma prática indispensável, tanto para garantir a produtividade, como a qualidade dos produtos. Dentre as principais vantagens do cultivo de folhosas em ambiente protegido, com o uso da fertirrigação por gotejamento, destacam-se: • proteção contra a chuva; • menor incidência de doenças da parte aérea; • prolongamento do período de colheita; • maior produtividade; • melhor qualidade da produção; e • oferta de produto durante todo o ano. Apesar do alto investimento inicial e do elevado custo de produção, o sistema de cultivo em ambiente protegido hidropônico tem se mostrado uma alternativa economicamente viável em várias regiões do Brasil, principalmente, próximo aos médios e grandes centros consumidores. Nessas condições, alguns produtores têm alcançado produtividades acima de 100%, em relação ao cultivo em campo aberto. A irrigação por aspersão é o sistema mais usado em cultivos de folhosas em campo aberto, porém, o molhamento frequente das plantas favorece mais Õ 06 48 a incidência de doenças, sobretudo em condições climáticas com alta a média umidade relativa do ar. A irrigação localizada por gotejamento