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Preparo para prótese fixa
introdução
O sucesso do tratamento com prótese parcial fixa (PPF) é determinado por três critérios: longevidade da prótese, saúde pulpar e gengival dos dentes envolvidos e satisfação do paciente.
princípios gerais do preparo
mecânicos
· retenção - tração
· resistência ou estabilidade - oblíquas
· rigidez estrutural - desgaste
· integridade marginal – adaptação
biológicos
· preservação do órgão pulpar
· preservação da saúde periodontal – cuidados do paciente e margem cervical.
princípios mecânicos
retenção
A retenção de uma prótese é garantida quando as paredes internas da coroa têm contato com as superfícies do dente preparado, o que impede o deslocamento da prótese por forças de tração, se mantendo estável a forças verticais.
 A retenção depende da área preparada, altura, largura e conexidade das paredes do preparo, sendo mais retentivo quanto maior for a área de contato e mais paralelas forem as paredes. No entanto, paredes muito paralelas podem causar desadaptação da prótese.
 Um preparo para coroa total deve seguir a anatomia do dente, com áreas côncavas próximas à margem gengival, planas no terço gengival e convexas no terço oclusal/incisal. As paredes axiais devem ter duas inclinações, evitando ângulos maiores que 10º para garantir uma boa retenção da prótese.
Obs: O ideal ter uma inclinação média de 6° grau.
Dentes com coroas curtas devem ter paredes axiais paralelas e podem ter sulcos para aumentar a retenção da coroa. Para próteses fixas, é importante ter preparos dos dentes pilares paralelos para um correto assentamento. A análise do paralelismo é feita em um modelo de gesso, visualizando os términos dos preparos. Se houver áreas não visíveis, pode indicar áreas retentivas. A marcação dos ângulos axiocervicais auxilia nessa análise.
estabilidade ou resistência
A forma do preparo deve prover resistência e estabilidade para minimizar a ação das forças oblíquas que incidem sobre a prótese e que podem causar sua rotação e deslocamento. A altura e a angulação das paredes axiais do preparo são essenciais para impedir o deslocamento da prótese.
Altura do preparo: deve ter a mesma altura ou mais que a largura. Dentes mais largos que altos são mais propensos a girar a prótese e se deslocar. 
Angulação das paredes: quanto menor a inclinação das paredes axiais, mais estável a prótese. Paredes mais paralelas dificultam o deslocamento, especialmente em dentes com coroas curtas.
No caso de preparos curtos ou com conicidade acentuada, a confecção de canaletas ou sulcos nas paredes axiais - ou de uma caixa oclusal, quando houver cáries ou restaurações nessas áreas - cria uma segunda área de resistência ao deslocamento, o que dificulta a rotação da prótese.
rigidez estrutural
A rigidez estrutural da infraestrutura depende do tipo de material e término utilizados (liga metálica e/ou cerâmica), bem como da quantidade de desgaste dentário. O preparo deve ter desgaste suficiente para acomodar a espessura do material restaurador escolhido. O desgaste precisa ser específico para cada material, pois desgastes reduzidos podem afetar a estética e a durabilidade da prótese, enquanto desgastes acentuados podem prejudicar a saúde pulpar.
integridade marginal
O preparo dental deve permitir uma adaptação adequada da coroa no dente. O término gengival deve ser claro e ter espessura suficiente para acomodar a coroa sem excessos. Quanto melhor a adaptação da coroa, menor será a chance de cárie e falhas em próteses fixas.
LOCALIZAÇÃO DO TÉRMINO CERVICAL
O término cervical pode estar localizado em três níveis em relação à margem gengival:
Supragengival: indicado em áreas não estéticas, localizado cerca de 2 mm acima da margem gengival. Melhora a visualização durante moldagem e adaptação da coroa provisória, controle da higiene, mas pode comprometer retenção se a altura do dente preparado não for maior que a largura.
No nível da gengiva marginal: não é recomendado posicionar o término ao nível gengival, pois essa região acumula mais placa. Isso pode causar recidiva de cárie, inflamação gengival, recessão gengival e exposição da cinta metálica em próteses metalocerâmicas.
Subgengival: o fim deve ser posicionado 0,5mm dentro do sulco gengival para melhor estética, retenção e preservação da área.
princípios estéticos
A preparação de um dente com desgaste adequado é crucial para a estética, pois a redução da estrutura dentária deve permitir a espessura correta dos materiais usados na prótese.
 O desgaste insuficiente afeta a cor, transparência da cerâmica, formato da restauração, resistência e saúde dos tecidos periodontais. Para evitar desgaste excessivo ou insuficiente, uma técnica de preparo padronizada deve ser usada, de acordo com as necessidades estéticas e funcionais de cada região e material utilizado. Matrizes de silicone ou plástico podem ser usadas como guia para avaliar a quantidade de desgaste durante a preparação do dente.
princípios biológicos
Como os procedimentos de preparo dentário são invasivos, o volume de estrutura que será removido deve ser o mínimo necessário para atingir os requisitos mecânicos e estéticos da prótese e com o menor prejuízo biológico ao órgão pulpar. Para isso, as espessuras exigidas pelo material restaurador específico (metal+cerâmica ou somente cerâmica) devem guiar a quantidade necessária para o desgaste.
preservação do órgão pulpar
O desgaste excessivo está diretamente relacionado à retenção e à saúde pulpar, além de diminuir a área preparada, prejudicando a retenção da prótese e a resistência do remanescente dentário, trazendo danos irreversíveis à polpa.
Já o desgaste insuficiente pode gerar sobrecontorno da prótese e consequentes prejuízos estéticos e funcionais.
O potencial de irritação pulpar com esse tipo de preparo depende de vários fatores: calor gerado durante a técnica de preparo, qualidade das pontas diamantadas e da caneta de alta rotação, quantidade de dentina remanescente, permeabilidade dentinária, reação exotérmica dos materiais empregados (principalmente as resinas, quando utilizadas na confecção das coroas provisórias), e grau de infiltração margina.
preservação da saúde periodontal
A localização do término cervical deve ser escolhida de acordo com cada caso - o término cervical é importante para a boa adaptação da prótese.
· Vários são os fatores diretamente relacionados a esse objetivo, tais como higiene oral, forma, contorno e localização da margem cervical do preparo, A melhor localização do término cervical é aquela em que o profissional pode controlar todos os procedimentos clínicos e o paciente tem condições efetivas para higienização;
· termino cervical 0,5 a 1mm subgengival;
tipos de término
Podem ser de diferentes tipos, dependendo do material escolhido para a confecção da coroa.
OMBRO OU DEGRAU ARREDONDADO BROCA 3098 - É um tipo de término em que o ângulo entre as paredes gengival e axial do preparo é de aproximadamente 90°, mantendo arredondada a intersecção entre essas duas paredes para evitar a formação de tensões na cerâmica nessa área(coroas confeccionadas em cerâmica).
· Indicações
Coroas totalmente cerâmicas, em dentes anteriores e posteriores
Arredondamento dos ângulos internos para evitar acúmulo de tensões e evitar fraturas
· Contraindicação
Coroas curtas
Largura vestibulolingual que impeça a realização de desgaste uniforme sem danificar a resistência do próprio dente.
CHANFRADO OU CHANFRO BROCA 4138 - Este é um tipo de término em que a junção entre a parede axial e a gengival é feita por um segmento de círculo, que deverá apresentar espessura suficiente para acomodar o metal e a faceta estética.
· Indicações
Coroas metalocerâmicas de ligas básicas e coroas metaloplásticas
Término ideal - espessura adequada, facilitando adaptação da peça e escoamento do cimento.
CHANFERETE BROCA 3216 - É um tipo de término em que a junção entre a parede axial e a gengival é feita por um segmento de círculo de pequena dimensão (aproximadamente a metade do chanfrado), devendo apresentar espessura suficiente para acomodar o metal.· Indicações 
Coroas metálicas, laminados cerâmicos
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