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<p>Edição 2024.1</p><p>Revisada</p><p>Atualizada</p><p>Ampliada</p><p>Direitos Humanos</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>DIREITOS HUMANOS</p><p>APRESENTAÇÃO................................................................................................................................ 8</p><p>TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS.................................................................................... 9</p><p>1. CONCEITO ................................................................................................................................... 9</p><p>2. TERMINOLOGIA .......................................................................................................................... 9</p><p>2.1. DIREITOS FUNDAMENTAIS ................................................................................................ 9</p><p>2.2. DIREITOS DO HOMEM ...................................................................................................... 10</p><p>2.3. LIBERDADES PÚBLICAS E LIBERDADES FUNDAMENTAIS ......................................... 10</p><p>2.4. DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS .......................................................................... 10</p><p>3. FUNDAMENTOS DOS DIREITOS HUMANOS ......................................................................... 10</p><p>3.1. NEGACIONISTA ................................................................................................................. 11</p><p>3.2. JUSNATURALISTA ............................................................................................................. 11</p><p>3.3. POSITIVISTA ...................................................................................................................... 11</p><p>4. FONTES ..................................................................................................................................... 11</p><p>4.1. CONVENÇÕES INTERNACIONAIS ................................................................................... 12</p><p>4.2. COSTUME INTERNACIONAL ............................................................................................ 13</p><p>4.3. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO................................................................................... 13</p><p>4.4. DECISÕES JUDICIAIS E DOUTRINA ................................................................................ 14</p><p>4.5. OUTRAS FONTES .............................................................................................................. 14</p><p>5. CLASSIFICAÇÃO ....................................................................................................................... 14</p><p>5.1. CLASSIFICAÇÃO CLÁSSICA – GERAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS ....................... 14</p><p>5.1.1. 1ª Geração/Dimensão .................................................................................................. 14</p><p>5.1.2. 2ª Geração/Dimensão .................................................................................................. 15</p><p>5.1.3. 3ª Geração/Dimensão .................................................................................................. 15</p><p>5.1.4. 4ª Geração/Dimensão .................................................................................................. 15</p><p>5.1.5. 5ª Geração/Dimensão .................................................................................................. 15</p><p>5.2. CLASSIFICAÇÃO CONFORME O DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS</p><p>HUMANOS ..................................................................................................................................... 16</p><p>5.2.1. Direitos Civis ................................................................................................................ 16</p><p>5.2.2. Direitos Políticos .......................................................................................................... 20</p><p>5.2.3. Direitos Econômicos .................................................................................................... 21</p><p>5.2.4. Direitos sociais ............................................................................................................. 22</p><p>5.2.5. Direitos Culturais .......................................................................................................... 23</p><p>5.3. DIREITOS HUMANOS GLOBAIS ....................................................................................... 24</p><p>6. PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO ......................................................................................... 24</p><p>6.1. PRINCÍPIO PRO HOMINE OU PRO PERSONA ............................................................... 25</p><p>6.2. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA DIRETA OU DA AUTOEXECUTORIEDADE .......................... 25</p><p>6.3. PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO AUTÔNOMA .............................................................. 26</p><p>6.4. PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO EVOLUTIVA OU DINÂMICA ..................................... 26</p><p>6.5. TEORIA DA MARGEM DE APRECIAÇÃO......................................................................... 26</p><p>7. CARACTERÍSTICAS .................................................................................................................. 27</p><p>7.1. INERÊNCIA ......................................................................................................................... 27</p><p>7.2. UNIVERSALIDADE ............................................................................................................. 27</p><p>7.3. INDIVISIBILIDADE E INTERDEPENDÊNCIA .................................................................... 29</p><p>7.4. TRANSNACIONALIDADE ................................................................................................... 30</p><p>7.5. PROIBIÇÃO DO REGRESSO OU VEDAÇÃO DO RETROCESSO .................................. 30</p><p>7.6. IMPRESCRITIBILIDADE ..................................................................................................... 30</p><p>7.7. INALIENABILIDADE ............................................................................................................ 31</p><p>7.8. IRRENUNCIABILIDADE ..................................................................................................... 31</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 1</p><p>7.9. EFETIVIDADE ..................................................................................................................... 31</p><p>7.10. HISTORICIDADE ................................................................................................................ 31</p><p>7.11. LIMITABILIDADE/ RELATIVIDADE .................................................................................... 31</p><p>7.12. ABERTURA, NÃO TIPICIDADE OU INEXAURIBILIDADE ................................................ 31</p><p>8. EVOLUÇÃO HISTÓRICA ........................................................................................................... 32</p><p>8.1. FASE PRÉ-ESTADO CONSTITUCIONAL ......................................................................... 32</p><p>8.1.1. A Antiguidade Oriental e o esboço da construção de direitos .................................... 33</p><p>8.1.2. A visão grega e a democracia ateniense .................................................................... 33</p><p>8.1.3. A República Romana ................................................................................................... 33</p><p>8.1.4. O Antigo e o Novo Testamento e as influências do cristianismo e da Idade Média .. 33</p><p>8.1.5. Resumo da ideia dos direitos humanos na Antiguidade: a liberdade dos antigos e a</p><p>liberdade dos modernos ............................................................................................................. 33</p><p>8.2. CRISE DA IDADE MÉDIA, INÍCIO DA IDADE MODERNA E PRIMEIROS DIPLOMAS DE</p><p>DIREITOS HUMANOS ................................................................................................................... 33</p><p>8.3. DEBATE DAS IDEIAS DE HOBBES, GRÓCIO, LOCKE, ROUSSEAU E OS</p><p>ILUMINISTAS .................................................................................................................................</p><p>da reputação das demais pessoas;</p><p>b) proteger a segurança nacional, a ordem, a saúde ou a moral pública.</p><p>Art. 20</p><p>1. Será proibida por lei qualquer propaganda em favor de guerra.</p><p>2. Será proibida por lei qualquer apologia do ódio nacional, radical, racial ou</p><p>religioso que constitua incitamento à discriminação, à hostilidade ou à</p><p>violência.</p><p>l) Direito à associação (art. 22);</p><p>Art. 22</p><p>1. Toda pessoa terá o direito de associar-se livremente a outras, inclusive o</p><p>direito de construir sindicatos e de a eles filiar-se, para a proteção de seus</p><p>interesses.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 20</p><p>2. O exercício desse direito estará sujeito apenas às restrições previstas em</p><p>lei e que se façam necessárias, em uma sociedade democrática, no interesse</p><p>da segurança nacional, da segurança e da ordem públicas, ou para proteger</p><p>a saúde ou a moral pública ou os direitos a liberdades das demais pessoas.</p><p>O presente artigo não impedirá que se submeta a restrições legais o exercício</p><p>desse direito por membros das forças armadas e da polícia.</p><p>3. Nenhuma das disposições do presente artigo permitirá que Estados Partes</p><p>da Convenção de 1948 da Organização do Trabalho, relativa à liberdade</p><p>sindical e à proteção do direito sindical, venham a adotar medidas legislativas</p><p>que restrinjam - ou aplicar a lei de maneira a restringir - as garantias previstas</p><p>na referida Convenção.</p><p>m) Direito a constituir família (art. 23);</p><p>Art. 23</p><p>1. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e terá o direito</p><p>de ser protegida pela sociedade e pelo Estado.</p><p>2. Será reconhecido o direito do homem e da mulher de, em idade núbil,</p><p>contrair casamento e construir família.</p><p>3. Casamento algum será sem o consentimento livre e pleno dos futuros</p><p>esposos.</p><p>4. Os Estados Partes do presente Pacto deverão adotar as medidas</p><p>apropriadas para assegurar a igualdade de direitos e responsabilidades dos</p><p>esposos quanto ao casamento, durante o mesmo e o por ocasião de sua</p><p>dissolução. Em caso de dissolução, deverão adotar-se disposições que</p><p>assegurem a proteção necessária para os filhos.</p><p>n) Direito da criança a medidas de proteção por parte da sociedade e do Estado (art. 24).</p><p>Art. 24</p><p>1. Toda criança, terá direito, sem discriminação alguma por motivo de cor,</p><p>sexo, religião, origem nacional ou social, situação econômica ou nascimento,</p><p>às medidas de proteção que a sua condição de menor requerer por parte de</p><p>sua família, da sociedade e do Estado.</p><p>2. Toda criança deverá ser registrada imediatamente após seu nascimento e</p><p>deverá receber um nome.</p><p>3. Toda criança terá o direito de adquirir uma nacionalidade.</p><p>5.2.2. Direitos Políticos</p><p>São direitos de participação, ativa ou passiva, na elaboração das decisões políticas e na</p><p>gestão da coisa pública. Liberdade-participação.</p><p>Estão previstos no art. 25 do PIDCP, garantem o direito de participar na condução dos</p><p>assuntos públicos, bem como de votar e ser votado.</p><p>Art. 25</p><p>Todo cidadão terá o direito e a possibilidade, sem qualquer das formas de</p><p>discriminação mencionadas no artigo 2° e sem restrições infundadas:</p><p>a) de participar da condução dos assuntos públicos, diretamente ou por meio</p><p>de representantes livremente escolhidos;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 21</p><p>b) de votar e de ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por</p><p>sufrágio universal e igualitário e por voto secreto, que garantam a</p><p>manifestação da vontade dos eleitores;</p><p>c) de ter acesso em condições gerais de igualdade, às funções públicas de</p><p>seu país.</p><p>5.2.3. Direitos Econômicos</p><p>Possuem uma dimensão institucional, baseada no poder estatal de regulamentar o mercado,</p><p>em vista do interesse público.</p><p>Estão previstos expressamente no Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e</p><p>Culturais (PIDESC), são eles:</p><p>• Direito à associação sindical (art. 8º);</p><p>Art. 8º</p><p>1. Os Estados Partes do presente pacto comprometem-se a garantir:</p><p>a) o direito de toda pessoa de fundar com outros sindicatos e de filiar-se ao</p><p>sindicato de sua escolha, sujeitando-se unicamente a organização</p><p>interessada, com o objetivo de promover e de proteger seus interesses</p><p>econômicos e sociais. O exercício desse direito só poderá ser objeto das</p><p>restrições previstas em lei e que sejam necessárias, em uma sociedade</p><p>democrática, no interesse da segurança nacional ou da ordem pública, ou</p><p>para proteger os direitos e as liberdades alheias;</p><p>b) o direito dos sindicatos de formar federações ou confederações nacionais</p><p>e o direito desta de formar organizações sindicais internacionais ou de filiar-</p><p>se às mesmas;</p><p>c) o direito dos sindicatos de exercer livremente suas atividades, sem</p><p>quaisquer limitações além daquelas previstas em lei e que sejam</p><p>necessárias, em uma sociedade democrática, no interesse da segurança</p><p>nacional ou da ordem pública, ou para proteger os direitos e as liberdades</p><p>das demais pessoas;</p><p>d) o direito de greve, exercido de conformidade com as leis de cada país.</p><p>2. O presente artigo não impedirá que se submeta a restrições legais o</p><p>exercício desses direitos pelos membros das forças armadas, da política ou</p><p>da administração pública.</p><p>3. Nenhuma das disposições do presente artigo permitirá que os Estados</p><p>Partes da Convenção de 1948 da Organização Internacional do Trabalho,</p><p>relativa à liberdade sindical e à proteção do direito sindical, venha a adotar</p><p>medidas legislativas que restrinjam - ou a aplicar a lei de maneira a restringir</p><p>- as garantias previstas na referida Convenção.</p><p>• Direito a gozar de condições justas e dignas de trabalho (art. 7º)</p><p>Art. 7º</p><p>Os Estados Partes do presente pacto o reconhecem o direito de toda pessoa</p><p>de gozar de condições de trabalho justas e favoráveis, que assegurem</p><p>especialmente:</p><p>a) uma remuneração que proporcione, no mínimo, a todos os trabalhadores:</p><p>i) um salário equitativo e uma remuneração igual por um trabalho de igual</p><p>valor, sem qualquer distinção; em particular, as mulheres deverão ter a</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 22</p><p>garantia de condições de trabalho não inferiores às dos homens e receber a</p><p>mesma remuneração que ele por trabalho igual;</p><p>ii) uma existência decente para eles e suas famílias, em conformidade com</p><p>as disposições do presente Pacto.</p><p>b) a segurança e a higiene no trabalho;</p><p>c) igual oportunidade para todos de serem promovidos, em seu trabalho, a</p><p>categoria superior que lhes corresponda, sem outras considerações que as</p><p>de tempo de trabalho e capacidade;</p><p>d) o descanso, o lazer, a limitação razoável das horas de trabalho e férias</p><p>periódicas remuneradas.</p><p>5.2.4. Direitos sociais</p><p>São prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, que</p><p>possibilitam melhores condições de vida dos mais fracos, direitos que tendem a realizar a</p><p>igualização de situações sociais desiguais.</p><p>De acordo com o PIDESC, compreendem:</p><p>• Direito à vida digna (art. 11)</p><p>Art. 11</p><p>1. Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa</p><p>a um nível vida adequado para si próprio e sua família, inclusive à</p><p>alimentação, vestimenta e moradia adequadas, assim como a uma melhoria</p><p>contínua de suas condições de vida. Os Estados Partes tomarão medidas</p><p>apropriadas para assegurar a consecução desse direito, reconhecendo,</p><p>nesse sentido, a importância essencial da cooperação internacional fundada</p><p>no livre consentimento.</p><p>2. Os Estados Partes do presente pacto, reconhecendo o direito fundamental</p><p>de toda pessoa de estar protegida contra a fome, adotarão, individualmente</p><p>e mediante cooperação internacional, as medidas, inclusive programas</p><p>concretos, que se façam necessárias para:</p><p>a) melhorar os métodos de produção, conservação e distribuição de gêneros</p><p>alimentícios pela plena utilização dos conhecimentos técnicos e científicos,</p><p>pela</p><p>difusão de princípios de educação nutricional e pelo aperfeiçoamento ou</p><p>reforma dos regimes agrários, de maneira que se assegurem a exploração e</p><p>a utilização mais eficazes dos recursos naturais;</p><p>b) assegurar uma repartição equitativa dos recursos alimentícios mundiais</p><p>em relação às necessidades, levando-se em conta os problemas tanto dos</p><p>países importadores quanto dos exportadores de gêneros alimentícios.</p><p>• Direito à saúde (art. 12)</p><p>Art. 12</p><p>1. Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa</p><p>desfrutar o mais elevado nível possível de saúde física e mental.</p><p>2. As medidas que os Estados partes do presente Pacto deverão adotar com</p><p>o fim de assegurar o pleno exercício desse direito incluirão as medidas que</p><p>se façam necessárias para assegurar:</p><p>a) a diminuição da mortalidade infantil, bem como o desenvolvimento das</p><p>crianças;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 23</p><p>b) a melhoria de todos os aspectos de higiene do trabalho e do meio</p><p>ambiente;</p><p>c) a prevenção e tratamento das doenças epidêmicas, endêmicas,</p><p>profissionais e outras, bem como a luta contra essas doenças;</p><p>d) a criação de condições que assegurem a todos assistência médica e</p><p>serviços médicos em caso de enfermidade.</p><p>• Direito à educação (art. 13)</p><p>Art. 13</p><p>1. Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa</p><p>à educação. Concordam em que a educação deverá visar o pleno</p><p>desenvolvimento da personalidade humana e do sentido de sua dignidade e</p><p>fortalecer o respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais.</p><p>Concordam ainda em que a educação deverá capacitar todas as pessoas a</p><p>participar efetivamente de uma sociedade livre, favorecer a compreensão, a</p><p>tolerância e a amizade entre todas as nações e entre todos os grupos raciais,</p><p>étnicos ou religiosos e promover as atividades das Nações Unidas em prol da</p><p>manutenção da paz.</p><p>2. Os Estados partes do Presente Pacto reconhecem que, com o objetivo de</p><p>assegurar o pleno exercício desse direito:</p><p>a) a educação primária deverá ser obrigatória e acessível gratuitamente a</p><p>todos;</p><p>b) a educação secundária em suas diferentes formas, inclusive a educação</p><p>secundária técnica e profissional, deverá ser generalizada e tornar-se</p><p>acessível a todos, por todos os meios apropriados e, principalmente, pela</p><p>implementação progressiva do ensino gratuito;</p><p>c) a educação de nível superior deverá igualmente tronar-se acessível a</p><p>todos, com base na capacidade de cada um, por todos os meios apropriados</p><p>e, principalmente, pela implementação progressiva do ensino gratuito;</p><p>d) dever-se-á fomentar e intensificar, na medida do possível, a educação de</p><p>base para aquelas que não receberam educação primária ou não concluíram</p><p>o ciclo completo de educação primária;</p><p>e) será preciso prosseguir ativamente o desenvolvimento de uma rede</p><p>escolar em todos os níveis de ensino, implementar-se um sistema de bolsas</p><p>estudo e melhorar continuamente as condições materiais do corpo docente.</p><p>2. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a respeitar a</p><p>liberdade dos pais - e, quando for o caso, dos tutores legais - de escolher</p><p>para seus filhos escolas distintas daquelas criadas pelas autoridades</p><p>públicas, sempre que atendam aos padrões mínimos de ensino prescritos ou</p><p>aprovados pelo Estado, e de fazer com que seus filhos venham a receber</p><p>educação religiosa ou moral que seja de acordo com suas próprias</p><p>convicções.</p><p>3. Nenhuma das disposições do presente artigo poderá ser interpretada no</p><p>sentido de restringir a liberdade de indivíduos e de entidades de criar e dirigir</p><p>instituições de ensino, desde que respeitados os princípios enunciados no §</p><p>1° do presente artigo e que essas instituições observem os padrões mínimos</p><p>prescritos pelo Estado.</p><p>5.2.5. Direitos Culturais</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 24</p><p>Relacionados à participação do indivíduo na vida cultural de uma comunidade, bem como a</p><p>manutenção do patrimônio histórico-cultural, que concretiza sua identidade e a memória.</p><p>Segundo o art. 15 do PIDESC, são os direitos de participar da vida cultural e de conhecer</p><p>os avanços científicos.</p><p>Art. 15</p><p>1. Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem a cada indivíduo o</p><p>direito de:</p><p>a) Participar da vida cultural;</p><p>b) desfrutar o progresso científico e suas aplicações;</p><p>c) beneficiar-se da proteção dos interesses morais e materiais decorrentes</p><p>de toda a produção científica, literária ou artística de que seja autor.</p><p>2. As medidas que os Estados Partes do presente Pacto deverão adotar com</p><p>a finalidade de assegurar o pleno exercício desse direito aquelas necessárias</p><p>à conservação, ao desenvolvimento e à difusão da ciência e da cultura.</p><p>3. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a respeitar a</p><p>liberdade indispensável à pesquisa científica e à atividade criadora.</p><p>4. Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem os benefícios que</p><p>derivam do fomento e do desenvolvimento da cooperação e das ralações</p><p>internacionais no domínio da ciência e da cultura.</p><p>5.3. DIREITOS HUMANOS GLOBAIS</p><p>Tais direitos adquirem sua especificidade, em relação aos demais, diante da titularidade</p><p>coletiva ou difusa, pertencendo aos grupos sociais determinados, a um povo, ou mesmo, à</p><p>Humanidade inteira. Esta titularidade decorre do fato de que esses direitos objetivam proteger os</p><p>interesses que transcendem a órbita individual, o que os torna distintos dos civis, políticos,</p><p>econômicos, sociais e culturais, que, direta ou indiretamente, visam estabelecer e garantir a</p><p>liberdade individual.</p><p>Destes novos direitos, os que merecem maior destaque são o direito ao desenvolvimento e</p><p>o direito ao meio ambiente sadio.</p><p>Por ser o mais recente ramo surgindo no direito internacional dos direitos humanos, ele ainda</p><p>se encontra nos estágios iniciais de evolução, encontrando problemas quanto à precisão de seu</p><p>conteúdo. Em primeiro lugar, a noção de “povo” ainda é extremamente vaga, sendo apenas certo</p><p>que o critério quantitativo não é suficiente. Isso é fundamental ao se cuidar do direito à</p><p>autodeterminação, que curiosamente é previsto pelos pactos internacionais de 1966, embora não</p><p>se possa classificá-los como direitos civis e políticos, nem como econômicos, culturais e sociais.</p><p>6. PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO</p><p>Há na Convenção de Viena uma regra geral (art. 31) e meios suplementares (art. 32) de</p><p>interpretação dos tratados. Observe:</p><p>Art. 31, 1. Um tratado deve ser interpretado de boa-fé segundo o sentido</p><p>comum atribuível aos termos (interpretação gramatical ou semântica) do</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 25</p><p>tratado em seu contexto (interpretação sistemática) e à luz de seu objetivo</p><p>e finalidade (interpretação teleológica).</p><p>Art. 32 Pode-se recorrer a meios suplementares de interpretação, inclusive</p><p>aos trabalhos preparatórios do tratado e às circunstâncias de sua conclusão,</p><p>a fim de confirmar o sentido resultante da aplicação do artigo 31 ou de</p><p>determinar o sentido quando a interpretação, de conformidade com o artigo</p><p>31:</p><p>a) deixa o sentido ambíguo ou obscuro; ou</p><p>b) conduz a um resultado que é manifestamente absurdo ou desarrazoado.</p><p>A seguir iremos analisar os princípios de interpretação desenvolvidos pela doutrina e pela</p><p>jurisprudência, com base na regra geral.</p><p>6.1. PRINCÍPIO PRO HOMINE OU PRO PERSONA</p><p>Salienta-se que, inicialmente, tal princípio era chamado de pro homine. Contudo, após</p><p>inúmeras críticas, passou a ser chamado de pro persona, tendo em vista que é direcionado à</p><p>pessoa, independentemente de gênero.</p><p>Significa que todo tratado internacional de direitos humanos deve ser interpretado de forma</p><p>mais favorável à vítima. Perceba que é consequência do regime objetivo dos tratados internacionais</p><p>de direitos humanos, uma vez que a interpretação não deve beneficiar os</p><p>Estados, os violadores</p><p>de direitos humanos, mas sim aqueles que têm seus direitos violados (vítimas).</p><p>Do princípio pro persona decorrerem dois subprincípios, quais sejam:</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>Delegado PC/MG (2021) A exegese do Direito Internacional dos Direitos</p><p>Humanos, consagrada pela jurisprudência internacional, tem como epicentro</p><p>o princípio da interpretação pro homine, que impõe a necessidade de que a</p><p>interpretação normativa seja feita sempre em prol da proteção dada aos</p><p>indivíduos. Correta!</p><p>6.2. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA DIRETA OU DA AUTOEXECUTORIEDADE</p><p>Primazia da norma</p><p>mais favorável</p><p>Diante do confronto entre uma norma</p><p>de direitos humanos e uma norma de</p><p>direitos fundamentais, prevista na</p><p>Constituição interna dos Estados, deve</p><p>prevalecer a que for mais favorável à</p><p>proteção dos direitos da pessoa.</p><p>Máxima efetividade</p><p>(effet utile)</p><p>Diante de duas ou mais interpretações</p><p>de uma norma de direitos humanos, o</p><p>interprete deve utilizar a que mais</p><p>proteja e efetive os direitos humanos.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 26</p><p>Os Estados não podem alegar ausência de regulamentação interna para descumprirem uma</p><p>norma de direito internacional dos direitos humanos.</p><p>Cita-se, como exemplo, a audiência de custódia. No início das discussões acerca do tema</p><p>(início de 2013), parte da doutrina sustentava que o art. 7.5 da CADH não podia ser diretamente</p><p>aplicado no Brasil, pois dependeria de uma normatização interna. Tal entendimento, claramente,</p><p>violava o princípio da eficácia direta.</p><p>6.3. PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO AUTÔNOMA</p><p>Quando um tratado é redigido, seja no foro regional ou da ONU, deve considerar as diversas</p><p>experiências jurídicas nacionais, por isso algumas expressões adquirem significado autônomo</p><p>(sentido próprio). Logo, o Estado não pode interpretar a partir de sua experiência interna, mas sim</p><p>com base naquele sentido próprio conferido pelo direito internacional dos direitos humanos.</p><p>Por exemplo, a expressão “comprovação legal da culpa” não pode ser interpretada como</p><p>trânsito em julgado.</p><p>6.4. PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO EVOLUTIVA OU DINÂMICA</p><p>O tratado internacional de direitos humanos um tratado deve ser interpretado não de acordo</p><p>com a época na qual foi redigido, mas de acordo com o momento da sua aplicação. Expressão</p><p>importante e já tratada em jurisprudência internacional, são que os tratados internacionais de</p><p>direitos humanos são instrumentos vivos, ou seja, são interpretados de forma dinâmica e</p><p>evolutiva.</p><p>Como exemplo, cita-se o caso discutido na Corte Interamericana de Direitos Humanos</p><p>(Artavia, Murillo e outros versus Costa Rica) que envolvia discussão acerca da fecundação in vitro.</p><p>Havia na Costa Rica lei proibindo a fecundação in vitro, na Corte entendeu-se que a partir do</p><p>momento em que a CADH protege a vida desde o momento da concepção a prática da fecundação</p><p>in vitro, na interpretação original, o descarte de embriões excedentes violaria o direito à vida. No</p><p>entanto, a Corte invocou o princípio da interpretação evolutiva e afirmou que quando o dispositivo</p><p>foi redigido não se aplicava ou se discutia técnicas de fecundação, mas, agora, deveria ser</p><p>interpretado como um dispositivo que evoluiu.</p><p>6.5. TEORIA DA MARGEM DE APRECIAÇÃO</p><p>A Teoria da Margem de Apreciação potencializa e prestigia o caráter subsidiário do sistema</p><p>internacional de proteção dos direitos humanos, o que torna excepcional a interferência do sistema</p><p>internacional de proteção na ordem jurídica interna.</p><p>Sustenta que questões polêmicas, relacionadas com as restrições estatais a direitos</p><p>protegidos devem ser discutidas e dirimidas pelas comunidades nacionais, não podendo o juiz</p><p>internacional apreciá-las.</p><p>É aplicada recorrentemente pela Corte Europeia de Direitos Humanos, mas de forma</p><p>excepcional pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Opinião Consultiva 27/2017 - sobre</p><p>questões de gênero e alterações de nome).</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 27</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>TJM (2022) O STJ, no julgamento do HC 379269 e do HC 141949, em sede</p><p>de controle de convencionalidade, perfilhou o entendimento de que o crime</p><p>de desacato não estaria em conflito com o Pacto de São José da Costa Rica,</p><p>inexistindo ofensa à liberdade de expressão e do pensamento, mostrando-se</p><p>a conduta tipificada compatível com o Estado Democrático de Direito. Dentre</p><p>os argumentos trazidos, o da teoria da margem de apreciação tem como</p><p>característica a criação de uma margem de discricionariedade para</p><p>temperamento de algumas decisões proferidas internacionalmente, quando</p><p>de seu cumprimento no âmbito interno. Correta!</p><p>7. CARACTERÍSTICAS</p><p>7.1. INERÊNCIA</p><p>Decorre do fundamento jusnaturalista, traz a noção de que os direitos humanos são</p><p>inerentes a cada pessoa, pelo simples fato de existir como ser humano.</p><p>O reconhecimento da inerência é premissa racional para a construção da noção de direitos</p><p>humanos, porque a existência do ser humano livre, anterior à criação do Estado, permite a limitação</p><p>da ação deste ou seu direcionamento para a criação de condições favoráveis à vida em sociedade.</p><p>Além disso, exerce a função de propiciar a constante alteração do sistema normativo dos</p><p>direitos humanos, sempre que se renovar ou ampliar o entendimento do que seja dignidade inerente</p><p>a todos os membros da família humana. É dizer que neste campo do Direito talvez mais que em</p><p>qualquer outro, a elaboração de suas normas tem em mente consolidar a noção atualizada da</p><p>dignidade fundamental do ser humano, fonte de seus direitos positivados, estabelecendo, desta</p><p>forma, um equilíbrio dinâmico entre direito natural e direito positivo.</p><p>Outra consequência fundamental é o caráter não taxativo dos direitos humanos até agora</p><p>reconhecidos, eis que, sendo inerentes aos seres humanos, em grupo ou individualmente, se</p><p>apresentam em constante mutação, acompanhando e interferindo na evolução social, regional e</p><p>global.</p><p>7.2. UNIVERSALIDADE</p><p>A concepção universal dos direitos humanos decorre da ideia de inerência. Significa que</p><p>estes direitos pertencem a todos os membros da espécie humana, sem qualquer distinção fundada</p><p>em atributos inerentes aos seres humanos ou na posição social que ocupem.</p><p>Tal concepção, embora consagrada nos documentos internacionais, é constantemente</p><p>questionada pelos adeptos do chamado “Relativismo Cultural”, corrente de pensamento</p><p>minoritário que vê os direitos humanos como fruto da evolução e cristalização dos valores da</p><p>“civilização ocidental”. Entendem que conferir ao direito internacional dos direitos humanos caráter</p><p>cogente implicaria uma tentativa de impor aos demais povos uma determinada “cultura”,</p><p>prevalecente apenas diante da conjuntura geopolítica. Em última instância, os direitos humanos</p><p>universais fariam parte de projetos imperialistas das potências ocidentais.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 28</p><p>Porém, a desconsideração da dignidade fundamental de cada ser humano não tem fronteiras</p><p>e não tem lugar na cultura humana.</p><p>De acordo com Carlos Weiss, citando José Augusto Alves, as afirmações de que a</p><p>Declaração Universal é um documento de interesse apenas ocidental, irrelevante e inaplicável em</p><p>sociedades com valores histórico-culturais distintos, são falsas e perniciosas. Falsa porque todas</p><p>as Constituições nacionais redigidas após a adoção da Declaração pela Assembleia Geral da ONU</p><p>nela se inspiraram ao tratar dos direitos e liberdades fundamentais, pondo em evidência, assim, o</p><p>caráter hoje universal de seus valores. Perniciosas porque abrem possibilidades à invocação do</p><p>relativismo cultural como justificativa para violações concretas dos direitos já internacionalmente</p><p>reconhecidos.</p><p>A universalidade dos direitos sociais pode ser entendida no contexto mais amplo da</p><p>dignidade humana, a que toda pessoa tem direito.</p><p>Não há como pensar em respeito aos direitos</p><p>humanos sem que o Estado tome providências que lhe competem visando a assegurar a elevação</p><p>das condições de vida ao que se convencionou chamar de padrão mínimo de dignidade humana.</p><p>Segundo Caio Paiva, há duas propostas filosóficas para superar o suposto embate entre o</p><p>universalismo e o relativismo. Vejamos:</p><p>• 1ª Proposta (Boaventura de Souza Santos) – defende uma hermenêutica diatópica</p><p>(aquilo que varia conforme a geografia), partindo da ideia de multiculturalismo a fim de</p><p>que os valores de cada região sejam respeitados. A hermenêutica diatópica afasta o</p><p>relativismo cultural. Relativismo cultural é uma concepção baseada na "relativização" ou</p><p>restrição de uma determinada cultura a fim de se implantar outra cultura mais forte ou</p><p>dominante, dando ensejo ao imperialismo cultural. A hermenêutica diatópica busca o</p><p>diálogo intercultural, ou seja, o diálogo e a cooperação de culturas para que possam se</p><p>desenvolver em conjunto.</p><p>• 2ª Proposta (Herrera Flores) – defende o universalismo de chegada ou de confluência.</p><p>Sustenta que o universalismo não pode ser “de partida”, ou seja, as discussões de</p><p>direitos humanos não podem partir do universalismo, devem percorrer um caminho e</p><p>assim chegar a tal ponto universal.</p><p>Resumidamente, temos podemos definir2:</p><p>• UNIVERSALISMO DE PARTIDA</p><p>É a concepção tradicional do universalismo e os defensores dessa concepção partem de um</p><p>conjunto de direitos preestabelecidos, normalmente pela cultura ocidental, desconsiderando, muitas</p><p>vezes, características culturais importantes e marcantes de determinado povo.</p><p>• UNIVERSALISMO DE LINHAS PARALELAS</p><p>Segundo Herrera Flores, o localismo também, e a seu modo, constrói um universalismo –</p><p>chamado por ele de “universalismo de retas paralelas” – , quando se fecha em si mesmo e impede</p><p>o indivíduo de compreender que há outras formas de visão de mundo. Também denominada</p><p>universalismo localista</p><p>2 https://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/45298/breve-aspecto-sobre-os-direitos-fundamentais-e-seus-principios</p><p>https://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/45298/breve-aspecto-sobre-os-direitos-fundamentais-e-seus-principios</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 29</p><p>• UNIVERSALISMO DE CHEGADA OU DE CONFLUÊNCIA</p><p>Em relação à questão do chamado “universalismo de chegada”, Joaquin Herrera Flores</p><p>defende que o universalismo abstrato dos direitos humanos (universalismo de ponto de partida)</p><p>exige uma racionalidade jurídica/formal, assim como o universalismo localista, que exige uma</p><p>racionalidade material/cultural (universalismo de retas paralelas), são produtos de visões</p><p>reducionistas da realidade e acabam por dogmatizar seus pontos de vista, pois funcionam como um</p><p>padrão de medidas e de exclusão.</p><p>Em razão disso, o autor propõe uma prática intercultural (universalismo de chegada, de</p><p>confluência ou de entrecruzamentos), que exige uma racionalidade de resistência, a partir de uma</p><p>visão complexa dos direitos, cujo conteúdo advém da incorporação dos diferentes contextos físicos</p><p>e simbólicos na experiência do mundo.</p><p>Ou seja, o universalismo de chegada sintetiza as garantias universais aptas a sustentar uma</p><p>teoria dos direitos humanos intercultural.</p><p>Corresponde a uma concepção discursiva, fruto do entrecruzamento dos diversos</p><p>particularismos e o universal, em uma ampla gama de relações que envolvem o local–global e o</p><p>global–local. propõe um diálogo entre as diferentes culturas, de forma que os indivíduos tentem</p><p>chegar a uma concepção universalista de direitos humanos através da convivência entre os povos,</p><p>respeitando as diferenças, sem intuito de excluir nenhum ser humano na luta por seus valores. É a</p><p>partir dessa concepção que se propõe a hermenêutica diatópica, configurando o entrelaçamento</p><p>das culturas, sem a imposição de determinados direitos. Assim, para se caracterizar determinado</p><p>direito como irrenunciável e indisponível, o diálogo é imprescindível, pois é através dele que há o</p><p>reconhecimento da incompletude mútua das culturas. Trata-se do universalismo que respeita as</p><p>diferentes culturas existentes, sem imposição de valores predominantes na cultura ocidental.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>DPE/TO (2022) O universalismo de chegada corresponde a uma concepção</p><p>discursiva, fruto do entrecruzamento dos diversos particularismos e o</p><p>universal, em uma ampla gama de relações que envolvem o local–global e o</p><p>global–local.</p><p>PGE/RO (2022) Boaventura de Sousa Santos propõe uma superação do</p><p>debate sobre universalismo e relativismo a partir de uma concepção</p><p>multicultural dos direitos humanos. Correta!</p><p>MPE/RR (2021) A hermenêutica diatópica está diretamente vinculada à ideia</p><p>de consagração do relativismo cultural. Errada!</p><p>DPE/RR (2021) Joaquín Herrera Flores concebe os direitos humanos como</p><p>uma convenção cultural que utilizamos para introduzir uma tensão entre os</p><p>direitos reconhecidos e as práticas sociais que buscam tanto seu</p><p>reconhecimento positivado, como outra forma de reconhecimento ou</p><p>procedimento que garanta algo que é, ao mesmo tempo, exterior e interior a</p><p>tais normas. O conceito apresentado e seu autor estão relacionados a uma</p><p>das vertentes da teoria crítica dos direitos humanos. Correta!</p><p>7.3. INDIVISIBILIDADE E INTERDEPENDÊNCIA</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 30</p><p>Conferência Internacional de Teerã 13 – “Como os direitos humanos e as</p><p>liberdades fundamentais são indivisíveis, a realização dos direitos civis e</p><p>políticos sem o gozo dos direitos econômicos, sociais e culturais torna-se</p><p>impossível”.</p><p>Viena 1993 “Todos os direitos humanos são universais, indivisíveis,</p><p>interdependentes e inter-relacionados”</p><p>A indivisibilidade está ligada ao objetivo maior do sistema internacional de direitos humanos,</p><p>a promoção e garantia da dignidade humana. Não existe meio-termo: só há vida verdadeiramente</p><p>digna se todos os direitos previstos no direito internacional dos direitos humanos estiverem sendo</p><p>respeitados, sejam civis e políticos, sejam econômicos, sociais e culturais. Trata-se de uma</p><p>característica do conjunto de normas e não de cada direito individualmente considerado.</p><p>A interdependência diz respeito aos direitos humanos considerados em espécie, ao se</p><p>entender que certo direito não alcança a eficácia plena sem a realização simultânea de alguns ou</p><p>de todos os outros direitos humanos. E essa característica não distingue direitos civis e políticos</p><p>ou econômicos, sociais ou culturais, pois a realização de um direito específico pode depender (como</p><p>geralmente ocorre) do respeito e promoção de diversos outros, independentemente de sua</p><p>classificação.</p><p>7.4. TRANSNACIONALIDADE</p><p>Carlos Weiss afirma que esta característica é bem resumida por Dalmo de Abreu Dallari,</p><p>para quem: “os direitos fundamentais da pessoa humana são reconhecidos e protegidos por todos</p><p>os Estados, embora existam variações quanto à enumeração desses direitos, bem como quanto à</p><p>forma de protegê-los. Esses direitos não dependem da nacionalidade ou cidadania, sendo</p><p>assegurados a qualquer pessoa”.</p><p>Também tem como finalidade a proteção do ser humano quando lhe recusam uma</p><p>nacionalidade e a proteção estatal dela decorrente. Se à pessoa não forem garantido os direitos</p><p>fundamentais, tem a ordem internacional o dever de intervir, em face do caráter transcendental dos</p><p>direitos humanos.</p><p>7.5. PROIBIÇÃO DO REGRESSO OU VEDAÇÃO DO RETROCESSO</p><p>Uma vez concedido o Estado não poderá retroceder, diminuir a sua proteção aos direitos</p><p>humanos em relação ao estágio em que esta tutela se encontra.</p><p>7.6. IMPRESCRITIBILIDADE</p><p>Os direitos humanos não podem ser atingidos pelo lapso temporal. Salienta-se que a</p><p>reparação do dano pode estar sujeita à prescrição.</p><p>Em 2002, o Brasil incorporou o Estatuto de Roma (Decreto 4.388/2002), que elenca como</p><p>crimes imprescritíveis os crimes contra a humanidade,</p><p>crimes de guerra, genocídio e agressão.</p><p>Desta forma, o rol constitucional de imprescritibilidades é EXEMPLIFICATIVO, pois cuida de</p><p>direito fundamental que estabelece uma proteção mínima aos direitos humanos, podendo ser</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 31</p><p>ampliada. Assim, outros crimes imprescritíveis podem ser incluídos no rol do art. 5º da CF, desde</p><p>que o objetivo seja a proteção dos direitos humanos.</p><p>7.7. INALIENABILIDADE</p><p>Os direitos humanos não podem ser alienados, transferidos, ainda que com anuência de seu</p><p>titular, e qualquer manifestação de vontade nesse sentido é nula de pleno direito.</p><p>7.8. IRRENUNCIABILIDADE</p><p>Os direitos humanos são irrenunciáveis, não podem ser abdicados, abjurados, e qualquer</p><p>manifestação de vontade nesse sentido é nula de pleno direito.</p><p>7.9. EFETIVIDADE</p><p>Não basta o singelo reconhecimento pelo Estado dos direitos humanos; ele deve empregar</p><p>medidas efetivas para a sua aplicação.</p><p>7.10. HISTORICIDADE</p><p>Os direitos humanos são históricos, pois são construídos pela convivência coletiva, que teve</p><p>origem nos direitos civis e políticos – 1ª geração – se desenvolveram como direitos econômicos,</p><p>sociais e culturais – 2ª geração – e chegaram ao seu ápice na institucionalização das garantias</p><p>coletivas – 3ª geração.</p><p>7.11. LIMITABILIDADE/ RELATIVIDADE</p><p>Ao contrário do que se imagina, a maioria dos direitos humanos podem ser relativizados, a</p><p>exemplo da liberdade de expressão, da liberdade de locomoção, dos direitos humanos. Há,</p><p>obviamente, alguns direitos humanos absolutos como, por exemplo, o direito de não ser torturado,</p><p>de não ser escravizado.</p><p>7.12. ABERTURA, NÃO TIPICIDADE OU INEXAURIBILIDADE</p><p>Sempre há possibilidade de novos direitos humanos surgirem, portanto, não existe um rol</p><p>taxativo de direitos humanos.</p><p>Nesse sentido, a CADH e a Constituição Federal:</p><p>CADH – Art. 29. C – Nenhuma disposição desta Convenção pode ser</p><p>interpretada no sentido de excluir outros direitos e garantas que são inerentes</p><p>ao ser humano ou que decorrem da forma democrática representativa de</p><p>governo</p><p>CF – Art. 5º, § 2º Os direitos e garantas expressos nesta Constituição não</p><p>excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 32</p><p>dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja</p><p>parte.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>PGE/PA (2022) Os direitos humanos possuem uma dimensão ética, e a</p><p>análise das suas diferentes etapas de afirmação pauta-se na compreensão</p><p>histórica desses direitos. Correta!</p><p>Delegado PC/BA (2022) Os Direitos Humanos são fruto do desenvolvimento</p><p>histórico e social dos povos. São direitos considerados universais, tendo em</p><p>vista não ser possível eleger categorias de indivíduos a serem merecedores</p><p>da tutela desses direitos. Eles são, pois, inerentes à condição de pessoa</p><p>humana. Correta!</p><p>Delegado PC/BA (2022) Os Direitos Humanos são unos e indivisíveis. Não</p><p>há que falar em hierarquia entre os direitos, todos conjuntamente compõem</p><p>um conjunto de direitos essenciais à efetividade da dignidade da pessoa</p><p>humana. Correta!</p><p>Delegado PC/BA (2022) A universalidade dos Direitos Humanos exclui a</p><p>possibilidade de existência de direitos especiais, destinados a pessoas</p><p>específicas e que os substituam, como por exemplo, direitos específicos</p><p>destinados às pessoas portadoras de deficiência. Errada!</p><p>Delegado PC/BA (2022) Os Direitos Humanos são irrenunciáveis,</p><p>inalienáveis e imprescritíveis, o que quer dizer que esses direitos não podem</p><p>ser objeto de comércio; que as pessoas não podem dispor sobre a proteção</p><p>da dignidade humana; e, que os direitos humanos não podem ser atingidos</p><p>pelo decurso do tempo, respectivamente. Errada!</p><p>Delegado PC/MS (2021) Os Direitos Humanos são essenciais por natureza,</p><p>tendo por conteúdo os valores supremos do ser humano e a prevalência da</p><p>dignidade humana (conteúdo material), relevando-se essenciais, também,</p><p>pela sua especial posição normativa (conteúdo formal), permitindo-se a</p><p>revelação de outros direitos fundamentais fora do rol de direitos expresso nos</p><p>textos constitucionais. Correta!</p><p>DPE/BA (2021) Com base no Direito Internacional dos Direitos Humanos, os</p><p>direitos humanos são regidos pela proibição do retrocesso (“efeito cliquet”)</p><p>porque é vedado que se diminua ou amesquinhe a proteção que já</p><p>alcançaram. Correta!</p><p>8. EVOLUÇÃO HISTÓRICA</p><p>O estudo da evolução histórica dos direitos humanos é complexo e extenso. Iremos analisar</p><p>aqui a evolução apresentada por André de Carvalho Ramos.</p><p>Obs.: É cobrado pouco, ficar atento ao edital.</p><p>8.1. FASE PRÉ-ESTADO CONSTITUCIONAL</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 33</p><p>8.1.1. A Antiguidade Oriental e o esboço da construção de direitos</p><p>Possuíam códigos de comportamento baseados no amor e respeito ao outro. Ex.: o Código</p><p>de Hamurabi é considerado o primeiro código de condutas (anteriormente no Antigo Egito o Código</p><p>de Menes reconheceu alguns), preceituando esboços de direitos individuais, como a vida, a</p><p>propriedade; o budismo prega o bem comum e uma sociedade pacífica.</p><p>8.1.2. A visão grega e a democracia ateniense</p><p>Sua herança para os direitos humanos é expressiva. Ex.: direitos políticos na democracia</p><p>ateniense; ideais de igualdade e justiça em Platão e Aristóteles; reflexão sobre a superioridade de</p><p>determinadas normas.</p><p>8.1.3. A República Romana</p><p>A Lei das Doze Tábuas, ao estipular a lexscripta sedimentou o princípio da legalidade.</p><p>Ademais foram consagrados direitos como o de propriedade, liberdade, personalidade jurídica.</p><p>Ainda, a aceitação do jus gentium, direito aplicado a todos, foi um passo para a igualdade.</p><p>8.1.4. O Antigo e o Novo Testamento e as influências do cristianismo e da Idade</p><p>Média</p><p>A Torah apregoa a solidariedade e a preocupação com o bem-estar de todos. No Antigo</p><p>Testamento está clara a necessidade de respeito a todos, especialmente os vulneráveis. O Novo</p><p>Testamento apregoa a igualdade e solidariedade. Dentre os filósofos católicos destaca-se São</p><p>Tomás de Aquino que defendeu a igualdade dos seres humanos e a aplicação justa da lei.</p><p>8.1.5. Resumo da ideia dos direitos humanos na Antiguidade: a liberdade dos</p><p>antigos e a liberdade dos modernos</p><p>As normas do Estado pré-constitucional não asseguravam ao indivíduo direitos de</p><p>contenção ao poder estatal, inclusive por isso parte da doutrina afirma que não há regras de direitos</p><p>humanos nessa época, contudo se observa que há costumes e instituições sociais que enfatizam o</p><p>respeito a valores que estão contidos em normas atuais de direitos humanos.</p><p>8.2. CRISE DA IDADE MÉDIA, INÍCIO DA IDADE MODERNA E PRIMEIROS DIPLOMAS</p><p>DE DIREITOS HUMANOS</p><p>O poder dos governantes era ilimitado, por ser fundado na vontade dívida, contudo surgem</p><p>os primeiros movimentos de reivindicação de liberdades a determinados estamentos, surgindo</p><p>limitações aos poderes do rei, por exemplo: Magna Carta, Habeas Corpus Act, Bill of Rights.</p><p>8.3. DEBATE DAS IDEIAS DE HOBBES, GRÓCIO, LOCKE, ROUSSEAU E OS</p><p>ILUMINISTAS</p><p>Em Leviatã, Hobbes trata do direito de ser humano, pelo qual no estado da natureza o</p><p>homem é livre de quaisquer restrições e não se submete a qualquer poder, contudo para sobreviver</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 34</p><p>(já que todos estão em confronto pelo homem ser lobo do próprio homem) o homem abdica dessa</p><p>liberdade e se submete ao poder estatal.</p><p>Hugo Grócio traz a ideia de reconhecimento de normas inerentes à condição humana.</p><p>Locke, em seguida, defende que o Estado exista para preservar os direitos dos homens e</p><p>para isso não precisa ser autocrático, como era para Hobbes. Locke foi um expoente do liberalismo</p><p>emergente.</p><p>Rousseau, na obra “Do contrato social”, defendeu uma vida em sociedade baseada em um</p><p>contrato (o pacto social) entre homens livres</p><p>e iguais. Assim, o autor defendia um governo que</p><p>representasse a vontade da maioria e a inalienabilidade dos direitos humanos encontra eco em</p><p>seus textos, que, inclusive, combatem a escravidão. Seus ideais estão inseridos no Iluminismo,</p><p>junto com outros como Voltaire, Diderot e D’Alembert, que defendiam o uso da razão para dirigir a</p><p>sociedade em todos os aspectos, questionando o absolutismo e o viés religioso do poder.</p><p>Kant defendeu a existência da dignidade intrínseca a todo ser racional, de modo que o</p><p>homem é um fim em si mesmo.</p><p>8.4. FASE DO CONSTITUCIONALISMO LIBERAL E DAS DECLARAÇÕES DE DIREITOS</p><p>As revoluções liberais (inglesa, americana e francesa) e suas declarações de direitos (Bill of</p><p>Rights,1689; só com a aprovação de 10 emendas em 1791 é que foram incluídos direitos na</p><p>Constituição Americana de 1787; Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão de</p><p>1789) marcaram a primeira clara afirmação histórica dos direitos humanos. A Declaração francesa</p><p>destacou-se por sua vocação universal, sendo o grande alicerce da afirmação dos direitos humanos</p><p>no século XX.</p><p>8.5. FASE DO SOCIALISMO E DO CONSTITUCIONALISMO SOCIAL</p><p>Os movimentos socialistas surgem no século XIX na Europa. No plano do constitucionalismo</p><p>os direitos sociais são introduzidos em diversas constituições, inicialmente no México em 1917,</p><p>depois na Alemanha em 1919 e no Brasil foi em 1934. Internacionalmente foi criada em 1919,</p><p>através do Tratado de Versailles, a primeira organização internacional voltada à melhoria das</p><p>condições de trabalho, a OIT.</p><p>8.6. INTERNACIONALIZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS</p><p>Antes da Segunda Guerra Mundial, os tratados internacionais eram focados na questão</p><p>trabalhista e no combate à escravidão. Em 1945, após a 2ªGM, na Conferência de São Francisco a</p><p>ONU foi criada, porém não foram listados os direitos considerados essenciais, de modo que em</p><p>1948 foi elaborada a Declaração Universal de Direitos Humanos – doutrinariamente se discute se</p><p>ela possui caráter vinculante por ser uma interpretação do que é direitos humanos, previsto na Carta</p><p>da ONU, que tem caráter vinculante, ou se possui caráter vinculante por representar o costume</p><p>internacional sobre a matéria (opinião do autor); ou ainda há quem defenda que é apenas uma soft</p><p>law (orientam os Estados).</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 35</p><p>9. PRECEDENTES HISTÓRICOS DO DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS</p><p>HUMANOS</p><p>Há, basicamente, dois fatores que proporcionaram a internacionalização dos direitos</p><p>humanos, quais sejam:</p><p>• Superação do conceito tradicional e ilimitado de soberania estatal</p><p>• Redefinição do status do indivíduo como sujeito de direito internacional</p><p>9.1. DIREITO HUMANITÁRIO</p><p>De acordo com Caio Paiva, trata-se de “conjunto de princípios e regras que limitam o recurso</p><p>à violência em período de conflito armado, possuindo os seguintes objetivos: a) proteger as pessoas</p><p>que não participam diretamente das hostilidades ou que já deixaram de participar, como os</p><p>combatentes feridos, os náufragos, os prisioneiros de guerra e os civis; e b) limitar os efeitos da</p><p>violência nos combates destinados a atingir os objetivos do conflito “. Afirma, ainda, que a doutrina</p><p>também o conceitua como sendo “o elemento de direitos humanos do Direito da guerra”,</p><p>consistindo, portanto, no ramo do DIDH aplicável a conflitos armados internacionais e, em alguns</p><p>casos, a conflitos armados internos”.</p><p>Salientando que “o Direito Humanitário possui como fontes o “Direito de Genebra”, que</p><p>compreende as Convenções e Protocolos internacionais elaborados sob a supervisão do Comitê</p><p>Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e que diz essencialmente à respeito à proteção das vítimas</p><p>de conflitos; o “Direito da Haia”, que diz respeito às convenções adotadas durante as Conferências</p><p>de Paz realizadas em Haia (Holanda), tendo como preocupação os meios e métodos de guerra</p><p>autorizados; e o “Direito de Nova Iorque”, que compreende a atuação da ONU com vista a assegurar</p><p>o respeito pelos direitos humanos em caso de conflito armado e a limitar o recurso a certas armas”.</p><p>9.2. LIGA DAS NAÇÕES</p><p>Criada após o fim da 1ªGM, possuía como objetivo promover a paz, a cooperação e a</p><p>segurança internacional.</p><p>A doutrina considera que a Liga das Nações serviu como uma espécie de “laboratório” para</p><p>a constituição da Organização das Nações Unidas (ONU).</p><p>Entre os motivos para o seu insucesso, estão:</p><p>a) a ausência da nova potência mundial (EUA) entre os seus Estados membros;</p><p>b) a falta de vontade política entre os países membros;</p><p>c) o colonialismo ainda existente em várias partes do mundo;</p><p>d) a mudança na política alemã, com a ascensão de Hitler e de sua política de violação de</p><p>direitos humanos em 1933.</p><p>9.3. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 36</p><p>Projeta o ser humano como sujeito de direito internacional, estabelece parâmetros mínimos</p><p>para a proteção do trabalhador, disciplinando a sua condição no plano internacional por meio de</p><p>diversas convenções.</p><p>10. EIXOS DE PROTEÇÃO</p><p>10.1. DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS</p><p>Proteção do ser humano em todos os aspectos, englobando direitos civis e políticos e</p><p>direitos sociais, econômicos e culturais.</p><p>10.2. DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO</p><p>Foca na proteção do ser humano na situação específica dos conflitos armados</p><p>(internacionais e não internacionais)</p><p>10.3. DIREITO INTERNACIONAL DOS REFUGIADOS</p><p>Age na proteção do refugiado, desde a saída do seu local de residência, concessão do</p><p>refúgio e seu eventual término.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>DPE/TO (2022) O direito internacional humanitário aplica-se tanto nos</p><p>conflitos internos, como em uma guerra civil, quanto em conflitos</p><p>internacionais ou internacionalizados, sem, contudo, afastar a aplicação do</p><p>direito internacional dos direitos humanos em sentido estrito e do direito</p><p>internacional dos refugiados. Correta!</p><p>DPE/DF (2019) Os direitos humanos visam garantir que todas as pessoas</p><p>sejam sujeitos de direitos em qualquer lugar onde estiverem, o que, todavia,</p><p>não significa a existência de uma cidadania global no mundo contemporâneo.</p><p>Correta!</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 37</p><p>TEORIA GERAL DOS SISTEMAS INTERNACIONAIS DE</p><p>PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS</p><p>O estudo dos sistemas internacionais de proteção dos direitos humanos é um dos mais</p><p>cobrados em concursos públicos, por isso merece sua atenção.</p><p>1. ELEMENTOS CARACTERIZADORES</p><p>Há, pelo menos, três elementos que caracterizam os sistemas de proteção: normas, órgãos</p><p>e mecanismos.</p><p>1.1. NORMAS</p><p>Um sistema internacional de direitos humanos deve possuir uma codificação de direitos</p><p>humanos por meio de tratados, convenções, declarações, bem como uma organização internacional</p><p>que o constituía.</p><p>Por exemplo, no Sistema Global há a Organização das Nações Unidas que abriga todos os</p><p>órgãos e normas de proteção.</p><p>Segundo Aline Albuquerque e Aléssia Barroso (citadas por Caio Paiva), “as normas são o</p><p>conjunto de tratados, declarações, princípios e outras normativas de direitos humanos que integram</p><p>os Sistemas Internacionais de DH.”</p><p>1.2. ÓRGÃOS</p><p>Igualmente, não há sistema internacional de direitos humanos quando não existe órgãos que</p><p>monitorem tais direitos. No caso da ONU, por exemplo, há órgãos convencionais e extra</p><p>convencionais.</p><p>De acordo com Aline Albuquerque e Aléssia Barroso (citadas por Caio Paiva), “um órgão se</p><p>caracteriza como político quando não recebe comunicação ou petição individual e, em</p><p>consequência, não profere decisão acerca de casos específicos cujo conteúdo versa sobre a</p><p>responsabilidade do Estado por violação de direitos humanos. Um órgão é quase judicial quando</p><p>processa petições e comunicações individuais e desse processamento resulta uma decisão que</p><p>consubstancia em recomendações, as</p><p>quais pressupõem a responsabilização internacional do</p><p>Estado. E, por fim, os órgãos judiciais detêm o poder jurisdicional, logo, proferem sentenças”</p><p>1.3. MECANISMOS DE PROTEÇÃO</p><p>São meios de monitoramento para a observância e a aplicação dos direitos humanos, poderá</p><p>ser convencional ou extra convencional.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 38</p><p>2. ESPÉCIES DE SISTEMA INTERNACIONAL</p><p>Atualmente, existem quatro sistemas de proteção internacional dos direitos humanos: um de</p><p>abrangência GLOBAL (sistema ONU) e três de abrangência REGIONAL (Interamericano, Europeu,</p><p>Africano).</p><p>Ainda não há sistemas de proteção nos países da Ásia e Árabes.</p><p>Em momento oportuno, analisaremos cada um deles.</p><p>3. PRINCÍPIOS</p><p>3.1. PRINCÍPIO DA COEXISTÊNCIA</p><p>O sistema global coexiste com os sistemas regionais, ou seja, devem conviver em harmonia,</p><p>tendo em vista que são complementares.</p><p>Conforme Flávia Piovesan (citada por Caio Paiva), “os sistemas global e regional não são</p><p>dicotômicos, mas complementares. Inspirados pelos valores e princípios da Declaração Universal,</p><p>compõem o universo instrumental de proteção dos direitos humanos no plano internacional. Nessa</p><p>ótica, os diversos sistemas de proteção de direitos humanos interagem em benefício dos indivíduos</p><p>protegidos. Ao adotar o valor da primazia da pessoa humana, tais sistemas se complementam,</p><p>somando-se ao sistema nacional de proteção, a fim de proporcionar a maior efetividade possível na</p><p>tutela e promoção de direitos fundamentais. Essa é, aliás, a lógica e a principiologia próprias do</p><p>Direito dos Direitos Humanos”.</p><p>3.2. PRINCÍPIO DA LIVRE ESCOLHA</p><p>A vítima de uma violação de direitos humanos possui a opção de demandar contra o Estado</p><p>no sistema global ou no sistema regional, desde que o país tenha aceitado a competência</p><p>contenciosa dos mecanismos de proteção.</p><p>3.3. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE OU DA COMPLEMENTARIEDADE</p><p>Os sistemas internacionais de proteção aos direitos humanos atuam apenas quando não</p><p>houver proteção efetiva no direito interno ou quando a proteção houver falhado. Por isso, é</p><p>caracterizado pela subsidiariedade já que para se acessar um tribunal internacional de direitos</p><p>humanos a vítima deve comprovar que esgotou os recursos internos.</p><p>Obs.: Deve-se esgotar todos os recursos, inclusive os extraordinários</p><p>- embora a Comissão Interamericana já tenha admitido uma petição</p><p>contra o Brasil na pendência do julgamento de um RE, diante da</p><p>demora injustificada.</p><p>• FÓRMULA DA QUARTA INSTÂNCIA – a Corte Interamericana não pode funcionar</p><p>como um Tribunal de revisão das decisões dos tribunais internos, ou seja, discutir sobre</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 39</p><p>a justiça ou injustiça de uma decisão. Apenas analisa se houve ou não violação de</p><p>direitos humanos.</p><p>3.4. PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO</p><p>Os Estados devem cooperar com os sistemas internacionais dos direitos humanos para uma</p><p>melhor solução do deslinde. Destaca-se que o Estado pode defender-se, a fim de buscar sua</p><p>absolvição perante os mecanismos de proteção.</p><p>No entender de Aline Albuquerque e Aléssia Barroso (citadas por Caio Paiva), “cabe ao</p><p>Estado envidar o máximo de esforços no sentido de cumprir seus compromissos internacionais e,</p><p>pois, à luz da Convenção de Viena sobre os Direitos dos Tratados, todo tratado em vigor obriga as</p><p>partes e deve ser cumprido por elas de boa-fé, o que implica conferir efeito razoável e útil à norma</p><p>internacional ao qual se vinculou voluntariamente. Desse modo, tendo em conta a adesão de um</p><p>Estado a determinado Sistema Internacional de DH, ele detém a obrigação internacional de respeito</p><p>aos direitos humanos reconhecidos no tratado, convenção ou em qualquer ato normativo ao qual</p><p>se vinculou. Nessa linha, o princípio da cooperação e do diálogo aponta para a atuação do Estado</p><p>e dos órgãos de direitos humanos, ou seja, ambos devem atuar de modo harmônico e amigável em</p><p>prol da efetivação dos direitos humanos, conseguintemente, posturas beligerantes e contenciosas</p><p>não são bem recepcionadas na esfera dos Sistemas Internacionais de DH”.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 40</p><p>SISTEMA GLOBAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS</p><p>1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA</p><p>1.1. CARTA DE SÃO FRANCISCO</p><p>Em 1945, com o fim da 2ª Guerra Mundial, a comunidade política e jurídica internacional, a</p><p>fim de evitar que novamente os flagelos da guerra atingissem pela terceira vez os direitos humanos,</p><p>criaram o Sistema Global ou Universal dos Direitos Humanos.</p><p>Tal Sistema nasceu com a constituição da ONU (Organização das Nações Unidas), em junho</p><p>de 1945, com a edição da Carta das Nações Unidas (também chamada de Carta de São Francisco</p><p>ou Carta da ONU).</p><p>Obs.: A Carta da ONU é um Tratado, foi aderido pelo Brasil por meio</p><p>de promulgação do Decreto 19.841/1945.</p><p>Salienta-se que a expressão “direitos humanos” é pouco citada ao longo da Carta de São</p><p>Francisco, não há um catálogo de direitos humanos, a sua intenção principal foi a constituição da</p><p>ONU.</p><p>1.2. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DE DIREITOS HUMANOS</p><p>A DUDH faz parte da Carta Internacional de Direitos Humanos, possuindo um catálogo de</p><p>direitos humanos protegidos pela Organização das Nações Unidas e seus mecanismos de proteção.</p><p>Em momento oportuno, iremos analisar a Declaração detalhadamente.</p><p>1.3. PACTOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS</p><p>Os pactos internacionais constituem o mais abrangente catálogo de direitos humanos hoje</p><p>existentes, de aplicação universal, complementando e aprofundando muitos dispositivos da</p><p>Declaração Universal de 1948.</p><p>Para a elaboração de pactos distintos foram utilizados os seguintes argumentos:</p><p>1º Direitos civis e políticos têm natureza distinta dos direitos econômicos, culturais e sociais,</p><p>especialmente porque os primeiros seriam de aplicação imediata (passíveis de cobrança), enquanto</p><p>os demais seriam realizáveis progressivamente, sem que se pudesse exigir do Estado a sua</p><p>concretização.</p><p>2º Diz respeito aos mecanismos de supervisão. Os direitos civis e políticos deveriam ser</p><p>implementados imediatamente (referem-se às liberdades individuais), sua violação poderia ser</p><p>denunciada a um órgão fiscalizador (posteriormente denominado de Comitê de Direitos Humanos).</p><p>Por outro lado, os econômicos, sociais e culturais se realizariam apenas diante da cooperação</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 41</p><p>internacional e dos esforços de cada Estado, não sendo possível a aplicação do sistema de</p><p>denúncias.</p><p>Contudo, tentativa de partir os direitos humanos em duas categorias com importância</p><p>desigual foi posta por terra menos de dois anos após a adoção dos pactos internacionais, na</p><p>Conferência Mundial realizada em Teerã em 1968, em que se afirmou peremptoriamente a</p><p>indivisibilidade dos direitos humanos: “13 – Como os direitos humanos e as liberdades fundamentais</p><p>são indivisíveis, a realização dos direitos civis e políticos sem o gozo dos direitos econômicos,</p><p>sociais e culturais torna-se impossível”.</p><p>Da análise comparada dos pactos percebem-se a semelhança dos preâmbulos, enfatizando</p><p>a inerência dos direitos humanos aos seres humanos e a inalienabilidade da liberdade e da</p><p>igualdade humana, e a perfeita identidade dos arts. 1º, introduzindo o direito à autodeterminação</p><p>dos povos, ausente no texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas decorrente do</p><p>propósito da ONU de desenvolver relações amistosas entre as nações.</p><p>ARTIGO 1º</p><p>1. Todos os povos têm direito à autodeterminação. Em virtude desse direito,</p><p>determinam livremente seu estatuto político e asseguram livremente seu</p><p>desenvolvimento econômico, social e cultural.</p><p>2. Para a consecução de seus objetivos, todos os povos podem dispor</p><p>livremente de suas riquezas e de seus recursos naturais, sem prejuízo das</p><p>obrigações decorrentes</p><p>da cooperação econômica internacional, baseada no</p><p>princípio do proveito mútuo, e do Direito internacional. Em caso algum,</p><p>poderá um povo ser privado de seus meios de subsistência.</p><p>3. Os Estados partes do presente pacto, inclusive aqueles que tenham a</p><p>responsabilidade de administrar territórios não-autônomos e territórios sob</p><p>tutela, deverão promover o exercício do direito à autodeterminação e</p><p>respeitar esse direito, em conformidade com as disposições da Carta das</p><p>nações unidas.</p><p>De outro lado, a diferença fundamental entre os pactos é justamente aquela que originou a</p><p>edição de dois documentos distintos, estampada nos respectivos arts. 2º. Enquanto o PIDCP cria a</p><p>obrigação estatal de “tomar as providências necessárias”, inclusive de natureza legislativa, para</p><p>“garantir a todos os indivíduos que se encontrem no território e que estejam sujeitos à sua jurisdição</p><p>os direitos reconhecidos no presente Pacto”, o tratado referente aos direitos econômicos, sociais e</p><p>culturais, também no art. 2º, prevê a adoção de medidas, tanto por esforço próprio como pela</p><p>cooperação e assistência internacionais, “que visem a segurar, progressivamente, por todos os</p><p>meios apropriados, o pleno exercício dos direitos reconhecidos no presente Pacto”.</p><p>PIDCP - ARTIGO 2º</p><p>1. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a respeitar e a</p><p>garantir a todos os indivíduos que se achem em seu território e que estejam</p><p>sujeito a sua jurisdição os direitos reconhecidos no presente Pacto, sem</p><p>discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, religião, opinião política</p><p>ou outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica,</p><p>nascimento ou qualquer outra condição.</p><p>2. Na ausência de medidas legislativas ou de outra natureza destinadas a</p><p>tornar efetivos os direitos reconhecidos no presente Pacto, os Estados do</p><p>presente Pacto comprometem-se a tomar as providências necessárias com</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 42</p><p>vistas a adota-las, levando em consideração seus respectivos procedimentos</p><p>constitucionais e as disposições do presente Pacto.</p><p>3. Os Estados Partes do presente pacto comprometem-se a:</p><p>a) garantir que toda pessoa, cujos direitos e liberdades reconhecidos no</p><p>presente pacto tenham sido violados, possa dispor de um recurso efetivo,</p><p>mesmo que a violência tenha sido perpetrada por pessoa que agiam no</p><p>exercício de funções oficiais;</p><p>b) garantir que toda pessoa que interpuser tal recurso terá seu direito</p><p>determinado pela competente autoridade judicial, administrativa ou legislativa</p><p>ou por qualquer outra autoridade competente prevista no ordenamento</p><p>jurídico do Estado em questão; e a desenvolver as possibilidades de recurso</p><p>judicial;</p><p>c) garantir o cumprimento, pelas autoridades competentes, de qualquer</p><p>decisão que julgar procedente tal recurso.</p><p>PIDESC - ARTIGO 2º</p><p>1. Cada Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a adotar</p><p>medidas, tanto por esforço próprio como pela assistência e cooperação</p><p>internacionais, principalmente nos planos econômico e técnico, até o máximo</p><p>de seus recursos disponíveis, que visem assegura, progressivamente, por</p><p>todos os meios apropriados, o, pleno exercício e dos direitos reconhecidos</p><p>no presente Pacto, incluindo, em particular, a adoção de medidas legislativa.</p><p>2. Os Estados Partes do presente pacto comprometem-se a garantir que os</p><p>direitos nele enunciados se exercerão sem discriminação alguma por motivo</p><p>de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza,</p><p>origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra</p><p>situação.</p><p>3. Os países em desenvolvimento, levando devidamente em consideração os</p><p>direitos humanos e a situação econômica nacional, poderão determinar em</p><p>que medida garantirão os direitos econômicos reconhecidos no presente</p><p>Pacto àqueles que não sejam seus nacionais</p><p>Porém, ainda que se entenda que tais direitos não possam ser inaugurados imediatamente,</p><p>por demandarem uma série de medidas estatais relacionadas com uma política pública, não se</p><p>pode daí inferir que não surja para os cidadãos de um dado Estado-Parte no Pacto Internacional</p><p>dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais o direito subjetivo de exigir a sua implementação,</p><p>especialmente tendo em vista a melhoria de uma situação específica que viole a dignidade</p><p>fundamental dos seres humanos, ao se mostrar contrária aos patamares mínimos estatuídos pelo</p><p>Pacto ou por outros de natureza semelhante.</p><p>1.4. MECANISMOS DE PROTEÇÃO</p><p>Assim como a Carta de São Francisco (para corrente minoritária), a Declaração Universal</p><p>dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional</p><p>de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, os mecanismos de proteção integram a Carta de</p><p>Proteção dos Direitos Humanos.</p><p>Em 1966, editou-se o Protocolo Facultativo ao PIDCP e em 2008, foi editado o Protocolo</p><p>Alternativo ao PIDESC, atribuindo aos respectivos Comitês competências de monitoramento dos</p><p>direitos humanos.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 43</p><p>2. ARQUITETURA NORMATIVA DO SISTEMA GLOBAL</p><p>O Sistema Global não se esgota na Carta Internacional de Direitos Humanos (DUDH,</p><p>Pactos Internacionais e mecanismos de proteção), possui tratados temáticos específicos (mulher,</p><p>tortura, refugiados, etc.). Além disso, incluem-se os documentos soft law, a exemplo de declarações,</p><p>princípios básicos, regras mínimas e diretrizes.</p><p>3. ESTRUTURA DA ONU</p><p>A ONU foi criada em 1945, pela Carta das Nações Unidas. Possui natureza jurídica de</p><p>organização internacional e personalidade jurídica de direito internacional público.</p><p>De acordo com o Decreto 19.841/1945, os propósitos da ONU são:</p><p>• Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim: tomar, coletivamente,</p><p>medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra</p><p>qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os</p><p>princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias</p><p>ou situações que possam levar a uma perturbação da paz;</p><p>• Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao princípio de</p><p>igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas</p><p>apropriadas ao fortalecimento da paz universal;</p><p>• Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de</p><p>caráter econômico, social, cultural ou humanitário, e para promover e estimular o respeito</p><p>aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça,</p><p>sexo, língua ou religião; e</p><p>• Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução desses</p><p>objetivos comuns.</p><p>A Organização e seus Membros (Estados que tenham assinado e ratificado a Carta de São</p><p>Francisco), para a realização dos propósitos mencionados, agirão de acordo com os seguintes</p><p>Princípios:</p><p>• A Organização é baseada no princípio da igualdade de todos os seus Membros.</p><p>• Todos os Membros, a fim de assegurarem para todos em geral os direitos e vantagens</p><p>resultantes de sua qualidade de Membros, deverão cumprir de boa-fé as obrigações por</p><p>eles assumidas de acordo com a presente Carta.</p><p>• Todos os Membros deverão resolver suas controvérsias internacionais por meios</p><p>pacíficos, de modo que não sejam ameaçadas a paz, a segurança e a justiça</p><p>internacionais.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 44</p><p>• Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso</p><p>da força contra a integridade territorial ou a dependência política de qualquer Estado, ou</p><p>qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas.</p><p>• Todos os Membros darão às Nações toda assistência em qualquer ação a que elas</p><p>recorrerem de acordo com a presente Carta e se absterão de dar auxílio a qual Estado</p><p>contra</p><p>o qual as Nações Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo.</p><p>• A Organização fará com que os Estados que não são Membros das Nações Unidas ajam</p><p>de acordo com esses Princípios em tudo quanto for necessário à manutenção da paz e</p><p>da segurança internacionais.</p><p>• Nenhum dispositivo da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervirem em</p><p>assuntos que dependam essencialmente da jurisdição de qualquer Estado ou obrigará</p><p>os Membros a submeterem tais assuntos a uma solução.</p><p>Por fim, salienta-se que são órgãos principais da ONU a Assembleia Geral, o Conselho de</p><p>Segurança, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Tutela (não está mais em</p><p>funcionamento), a Corte Internacional de Justiça e o Secretariado. Nada impede que outros órgãos,</p><p>de natureza subsidiária, sejam criados, como exemplo cita-se: o Alto Comissariado das Nações</p><p>Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e o Programa das Nações Unidas para o Meio</p><p>Ambiente (PNUMA).</p><p>4. MECANISMOS DE PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS</p><p>4.1. CONCEITO</p><p>Há mecanismos de proteção convencionais e mecanismos de proteção extraconvencionais.</p><p>Observe o conceito de cada um deles:</p><p>Mecanismos convencionais encontram sua base normativa, sua estrutura orgânica e seu</p><p>modo de funcionamento em tratados ou convenções internacionais de direitos humanos, a exemplo</p><p>dos mecanismos de relatórios periódicos, de petições individuais previstos no PIDCP, monitorados</p><p>pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU.</p><p>Por outro lado, os mecanismos extraconvencionais são aqueles em que a base normativa,</p><p>a estrutura orgânica e seu modo de funcionamento não decorrem diretamente de tratados e</p><p>convenções internacionais de direitos humanos, mas sim de uma resolução ou de um ato normativo</p><p>de Órgãos Políticos das Nações Unidas, a exemplo do mecanismo de revisão periódica universal,</p><p>monitorado pelo Conselho de Direitos Humanos.</p><p>4.2. MECANISMOS CONVENCIONAIS x MECANISMOS EXTRACONVENCIONAIS</p><p>Antes da análise pormenorizada de cada mecanismo, observe o quadro elaborado pelo</p><p>Professor Caio Paiva com as diferenças entre cada mecanismo.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 45</p><p>MECANISMOS CONVENCIONAIS MECANISMOS EXTRACONVENCIONAIS</p><p>São criados por tratados internacionais</p><p>específicos.</p><p>São criados a partir de resoluções de órgãos</p><p>políticos da ONU.</p><p>A apresentação de petições individuais perante</p><p>os comitês internacionais depende da</p><p>ratificação do tratado respectivo pelo Estado</p><p>denunciado.</p><p>A apresentação de denúncias por indivíduos ou</p><p>grupos de indivíduos não depende da</p><p>ratificação de convenções específicas</p><p>Usualmente, a apresentação de petições</p><p>depende, ainda, de uma declaração de</p><p>reconhecimento da vigência de uma cláusula</p><p>facultativa do tratado ou da ratificação de um</p><p>protocolo adicional.</p><p>Não depende, tampouco, de declaração</p><p>relativa a cláusulas facultativas ou de</p><p>ratificação de protocolo adicional.</p><p>As petições individuais podem versar apenas</p><p>sobre os direitos previstos no tratado específico</p><p>A apresentação de denúncias pode versar</p><p>sobre quaisquer direitos humanos</p><p>4.3. MECANISMOS CONVENCIONAIS</p><p>No caso de mecanismos convencionais, os órgãos de monitoramento são os Comitês</p><p>vinculados aos tratados que os criaram, composto por especialistas independentes e não por</p><p>representantes dos Estados, com reconhecida competência na matéria de direitos humanos, eleitos</p><p>por voto secreto dos Estados Partes das respectivas convenções e têm em comum quatro funções:</p><p>• Receber, examinar e emitir pareceres sobre os relatórios dos Estados-Partes acerca dos</p><p>mecanismos implementados em seus territórios para aplicação dos tratados</p><p>internacionais.</p><p>• Elaborar Comentários Gerais para auxiliar os Estados-Partes a aplicar os tratados</p><p>internacionais, determinando suas obrigações.</p><p>• Decidir acerca de denúncias de descumprimento dos tratados internacionais</p><p>apresentadas por um Estado-Parte contra outro;</p><p>• Emitir decisões sobre as denúncias de descumprimento dos tratados internacionais</p><p>constantes das petições ou comunicações individuais a eles apresentadas.</p><p>De acordo com Caio Paiva, atualmente, existem 10 Comitês no Sistema Global. Observe o</p><p>quadro abaixo:</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 46</p><p>TRATADO INTERNACIONAL</p><p>DE DIREITOS HUMANOS</p><p>ÓRGÃO DE</p><p>MONITORAMENTO</p><p>ÓRGÃO DE</p><p>MONITORAMENTO</p><p>Pacto Internacional de Direitos</p><p>Civis e Políticos e seus</p><p>protocolos facultativos</p><p>Comitê de Direitos Humanos</p><p>Relatórios, petição individual e</p><p>petição interestatal</p><p>Pacto Internacional de Direitos</p><p>Econômicos, Sociais e</p><p>Culturais</p><p>Comitê de Direitos</p><p>Econômicos, Sociais e</p><p>Culturais</p><p>Relatórios, inquérito, petição</p><p>individual e petição</p><p>interestatal.</p><p>Convenção Internacional</p><p>sobre a eliminação de todas as</p><p>formas de discriminação racial</p><p>Comitê para a Eliminação da</p><p>Discriminação Racial</p><p>Relatórios, petição individual e</p><p>petição interestatal</p><p>Convenção sobre a eliminação</p><p>de todas as formas de</p><p>discriminação contra a mulher</p><p>e seu protocolo facultativo</p><p>Comitê para a Eliminação da</p><p>Discriminação contra a Mulher</p><p>Relatórios, inquérito e petição</p><p>individual.</p><p>Convenção contra a tortura e</p><p>outros tratamentos ou penas</p><p>cruéis, desumanos ou</p><p>degradantes</p><p>Comitê contra a Tortura</p><p>Relatórios, inquérito, petição</p><p>individual e petição</p><p>interestatal.</p><p>Convenção sobre os direitos</p><p>da criança e seus protocolos</p><p>facultativos</p><p>Comitê dos Direitos da Criança</p><p>Relatórios, inquérito, petição</p><p>individual e petição</p><p>interestatal.</p><p>Convenção internacional</p><p>sobre a proteção dos direitos</p><p>de todos os trabalhadores</p><p>migrantes e de suas famílias</p><p>Comitê para a Proteção dos</p><p>Direitos de todos os</p><p>Trabalhadores Migrantes e</p><p>seus Familiares</p><p>Relatórios, petição individual e</p><p>petição interestatal.</p><p>Convenção internacional</p><p>sobre os direitos das pessoas</p><p>com deficiência</p><p>Comitê dos Direitos das</p><p>Pessoas com Deficiência</p><p>Relatórios, inquérito e petição</p><p>individual.</p><p>Convenção internacional para</p><p>a proteção de todas as</p><p>pessoas contra os</p><p>desaparecimentos forçados</p><p>Comitê contra os</p><p>Desaparecimentos Forçados</p><p>Relatórios, inquérito, ações</p><p>urgentes, petição individual e</p><p>petição interestatal.</p><p>Protocolo Facultativo da</p><p>Convenção contra a Tortura</p><p>Subcomitê para a Prevenção</p><p>da Tortura ou outros</p><p>Tratamentos ou Penas Cruéis,</p><p>Desumanos ou Degradantes</p><p>Visitas e recomendações; e</p><p>aconselhamentos,</p><p>recomendações e cooperação</p><p>em relação aos Mecanismos</p><p>Preventivos Nacionais.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 47</p><p>4.3.1. Mecanismos convencionais não contenciosos</p><p>O principal mecanismo convencional não contencioso é o relatório periódico, não possui</p><p>natureza coercitiva.</p><p>Os Estados, ao ratificarem os tratados internacionais de direitos humanos produzidos no</p><p>âmbito da ONU, obrigam-se a enviar relatórios aos Comitês, periodicamente (nos prazos informados</p><p>em cada tratado), informando medidas – legislativas, judiciais, administrativas ou de outra natureza</p><p>– realizadas para respeitar e garantir os direitos protegidos Direitos Humanos previstos nos tratados.</p><p>É inserido como uma cláusula obrigatória, não se admite que o Estado faça reservas.</p><p>A finalidade é preventiva.</p><p>4.3.2. Mecanismos convencionais quase-contenciosos</p><p>As petições interestaduais e individuais são os principais mecanismos convencionais quase-</p><p>contenciosos.</p><p>Por meio das petições interestatais, um Estado pode apresentar contra outro Estado uma</p><p>denúncia perante os comitês, acusando-o da violação de direitos humanos. O procedimento</p><p>desenvolve-se no âmbito de uma Comissão Especial criada para buscar a conciliação entre os</p><p>Estados Partes denunciante e denunciado. A Comissão, ao final do procedimento, apresenta um</p><p>relatório final com recomendações sobre a solução do litígio, sem que possa “impor” uma solução</p><p>concreta aos Estados.</p><p>Por meio das petições</p><p>individuais, a vítima assume a condição de sujeito de direito perante</p><p>o Direito Internacional dos Direitos Humanos e pode apresentar uma denúncia contra o Estado</p><p>Parte junto aos comitês dos tratados. Trata-se de um mecanismo facultativo para os Estados Partes,</p><p>que podem aceitá-lo, a depender do tratado, mediante declaração especial ou ratificando o</p><p>protocolo facultativo.</p><p>Em regra, para que uma petição individual seja processada pelo comitê, são exigidos os</p><p>seguintes requisitos:</p><p>• Ausência de litispendência internacional (somente entre órgãos convencionais);</p><p>• Esgotamento dos recursos internos;</p><p>• Nexo causal - a denúncia deve ter como objeto uma violação de direito humanos</p><p>protegido pelo tratado que criou o respectivo comitê);</p><p>• O fato deve ter ocorrido posteriormente ao reconhecimento da competência do comitê.</p><p>O procedimento de análise da petição individual possui contraditório e tem três fases:</p><p>admissibilidade, mérito e se procedente a denúncia haverá decisão.</p><p>O Brasil já foi responsabilizado uma vez no mecanismo convencional quase-contencioso das</p><p>petições individuais (Caso Alyne Pimentel, Comitê sobre a Eliminação de Todas as Formas de</p><p>Discriminação contra a Mulher) e responde, atualmente, a uma denúncia formulada pelo ex-</p><p>presidente Lula junto ao Comitê de Direitos Humanos da ONU.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 48</p><p>4.3.3. Mecanismos convencional contencioso</p><p>Não é muito relevante, destaca-se apenas que o principal mecanismo convencional</p><p>contencioso é o processo judicial de apuração de responsabilidade do Estado perante a Corte</p><p>Internacional de Justiça.</p><p>4.4. MECANISMOS EXTRACONVENCIONAIS</p><p>Como vimos, não decorrerem diretamente de um tratado ou convenção internacional, mas</p><p>sim de resoluções de órgãos políticos da ONU ou deles derivados. Surgiram no contexto de</p><p>ineficácia dos mecanismos convencionais, tendo em vista que estavam sujeitos a diversas</p><p>condicionantes.</p><p>A Comissão de Direitos Humanos, criada em 1947 pelo Conselho Econômico e Social, a</p><p>partir de sua fase intervencionista por meio de dois procedimentos, criados por resolução para</p><p>estabelecer um sistema de controle das violações de direitos humanos praticadas por Estados</p><p>membros da ONU, dá início aos mecanismos extraconvencionais:</p><p>• Resolução nº 1235, de 1967 - autorizou a Comissão de Direitos Humanos a debater</p><p>publicamente, a partir de diversas fontes, inclusive de comunicações individuais, casos</p><p>de violações notórias e sistemáticas de direitos humanos. Também conhecido como</p><p>procedimento público ou especial, se desenvolve com a indicação de grupos especiais</p><p>(natureza coletiva) ou de relatores especiais (natureza unipessoal) para determinados</p><p>temas (natureza temática) ou área geográfica (natureza geográfica). Esses órgãos</p><p>recebem a incumbência de investigar as notícias de violações de direitos humanos, com</p><p>a posterior elaboração de relatórios finais contendo as recomendações para os Estados</p><p>• Resolução nº 1503, de 1970 - autorizou a Comissão de Direitos Humanos a receber e</p><p>processar petições ou queixas individuais. O objetivo desse procedimento, de natureza</p><p>confidencial, era identificar as comunicações que indiquem a existência de um quadro</p><p>persistente de violações manifestas de direitos humanos e das liberdades fundamentais.</p><p>A violação manifesta consiste em uma situação que afete muitas pessoas por um período</p><p>dilatado.</p><p>Em 2006, a Comissão de Direitos Humanos foi extinta, tendo sido criado o Conselho de</p><p>Direitos Humanos. Segundo Caio Paiva, o motivo principal de sua extinção foi a sua grande</p><p>politização.</p><p>4.4.1. Procedimentos especiais</p><p>O Conselho de Direitos Humanos manteve os procedimentos especiais ou públicos</p><p>conforme foram previstos inicialmente na Resolução nº 1235, tendo havido apenas alterações na</p><p>forma de trabalhar.</p><p>4.4.2. Procedimento de queixa</p><p>O Conselho de Direitos Humanos manteve o procedimento de queixa, mas alterou a forma</p><p>de trabalho como estava prevista na Resolução nº 1503, visando assegurar que o processamento</p><p>da denúncia seja imparcial, objetivo e eficiente.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 49</p><p>O Conselho aponta como vantagens do uso do seu procedimento de queixa:</p><p>• Pode-se apresentar uma denúncia contra qualquer país membro da ONU,</p><p>independentemente de que este tenha ratificado algum tratado;</p><p>• A denúncia pode ser examinada no nível mais alto do mecanismo de direitos humanos</p><p>das Nações Unidas;</p><p>• O fato de o procedimento ser confidencial potencializa a cooperação dos Estados</p><p>Ressalta-se que há dois grupos de trabalho, são eles:</p><p>• Grupo de Trabalho sobre Comunicações, que realiza uma triagem no recebimento das</p><p>queixas, examinando o preenchimento dos requisitos de admissibilidade;</p><p>• Grupo de Trabalho sobre Situações, que analisa as queixas e as respostas dos Estados,</p><p>bem como eventuais recomendações do Grupo de Comunicações, apresentando ao final</p><p>um relatório ao Conselho de Direitos Humanos, que irá deliberar sobre a queixa.</p><p>4.4.3. Revisão periódica universal</p><p>A Revisão Periódica Universal (RPU) foi criada através da Resolução 60/251 da Assembleia-</p><p>Geral das Nações Unidas, que estabeleceu o Conselho de Direitos Humanos.</p><p>Consiste em um mecanismo extraconvencional de proteção dos direitos humanos que se</p><p>baseia no conceito de “revisão pelos pares”, ou seja, os Estados se autoavaliam mutuamente</p><p>quanto a situação dos direitos humanos em seus respectivos territórios, gerando, ao final, um</p><p>conjunto de recomendações. Perceba que a RPU não tem como objetivo assentar a</p><p>responsabilidade internacional dos Estados, mas apenas gerar recomendações mediante um</p><p>“diálogo construtivo”, ressaltando daí a sua natureza essencialmente política.</p><p>Importante consignar que o procedimento da RPU obedece a seguinte ordem:</p><p>1) O Estado examinado apresenta relatório nacional sobre a situação dos direitos humanos</p><p>em seu território;</p><p>2) É juntado ao procedimento uma compilação de todas as informações referentes ao Estado</p><p>examinado constante dos procedimentos extraconvencionais;</p><p>3) ONGs e outros atores interessados também podem apresentar seus informes e outros</p><p>documentos relevantes;</p><p>4) É realizada uma sessão de “diálogo construtivo” entre o Estado e os demais Estados</p><p>membros da ONU (membros ou não do Conselho);</p><p>5) São nomeados pelo Conselho três Estados (escolhidos entre os diversos grupos</p><p>regionais, por sorteio), conhecido como “troika”, que atuam como verdadeiros relatores da RPU do</p><p>Estado examinado;</p><p>6) A “troika” resume as discussões e elabora o Relatório de Resultado ou Relatório Final,</p><p>compilando toda a discussão, observações e sugestões aos Estados, bem como as respostas;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 50</p><p>7) O relatório é aprovado pelo CDH.</p><p>Por sim, destaca Caio Paiva: “a vantagem da RPU é a sua abrangência, que se estende a</p><p>todos os países membros da ONU, no que se diferencia dos procedimentos anteriormente adotados</p><p>pela Comissão de Direitos Humanos, aos quais se atribuía a característica da seletividade, fazendo</p><p>com que países reconhecidamente violadores de direitos humanos ficassem de fora do</p><p>monitoramento. Como desvantagem da RPU, aponta-se o seu caráter essencialmente político, e</p><p>isso porque esse procedimento extraconvencional aposta em algo que contradiz a história da</p><p>evolução dos sistemas internacionais de proteção dos direitos humanos, que diz respeito ao</p><p>julgamento dos Estados por eles mesmos, e não por órgãos ou tribunais compostos por</p><p>especialistas independentes”.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>Procurador da República (2022) O mecanismo da Revisão Periódica</p><p>Universal (RPU) destina-se ao monitoramento da situação dos direitos</p><p>humanos em todos os países membros da ONU, em ciclos de revisão que</p><p>duram 4,5 anos. Correta!</p><p>Procurador da República (2022) As petições perante o Conselho</p><p>33</p><p>8.4. FASE DO CONSTITUCIONALISMO LIBERAL E DAS DECLARAÇÕES DE DIREITOS . 34</p><p>8.5. FASE DO SOCIALISMO E DO CONSTITUCIONALISMO SOCIAL .................................. 34</p><p>8.6. INTERNACIONALIZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS................................................... 34</p><p>9. PRECEDENTES HISTÓRICOS DO DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS</p><p>35</p><p>9.1. DIREITO HUMANITÁRIO ................................................................................................... 35</p><p>9.2. LIGA DAS NAÇÕES ............................................................................................................ 35</p><p>9.3. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO ........................................................ 35</p><p>10. EIXOS DE PROTEÇÃO ............................................................................................................. 36</p><p>10.1. DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS ................................................ 36</p><p>10.2. DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO ..................................................................... 36</p><p>10.3. DIREITO INTERNACIONAL DOS REFUGIADOS ............................................................. 36</p><p>TEORIA GERAL DOS SISTEMAS INTERNACIONAIS DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS</p><p>HUMANOS ......................................................................................................................................... 37</p><p>1. ELEMENTOS CARACTERIZADORES ...................................................................................... 37</p><p>1.1. NORMAS ............................................................................................................................. 37</p><p>1.2. ÓRGÃOS ............................................................................................................................. 37</p><p>1.3. MECANISMOS DE PROTEÇÃO ........................................................................................ 37</p><p>2. ESPÉCIES DE SISTEMA INTERNACIONAL ............................................................................ 38</p><p>3. PRINCÍPIOS ............................................................................................................................... 38</p><p>3.1. PRINCÍPIO DA COEXISTÊNCIA ........................................................................................ 38</p><p>3.2. PRINCÍPIO DA LIVRE ESCOLHA ...................................................................................... 38</p><p>3.3. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE OU DA COMPLEMENTARIEDADE ....................... 38</p><p>3.4. PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO ......................................................................................... 39</p><p>SISTEMA GLOBAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS ................................................. 40</p><p>1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA ........................................................................................................... 40</p><p>1.1. CARTA DE SÃO FRANCISCO ........................................................................................... 40</p><p>1.2. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DE DIREITOS HUMANOS .................................................. 40</p><p>1.3. PACTOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS.................................................. 40</p><p>1.4. MECANISMOS DE PROTEÇÃO ........................................................................................ 42</p><p>2. ARQUITETURA NORMATIVA DO SISTEMA GLOBAL ............................................................ 43</p><p>3. ESTRUTURA DA ONU ............................................................................................................... 43</p><p>4. MECANISMOS DE PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS ................................................. 44</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 2</p><p>4.1. CONCEITO .......................................................................................................................... 44</p><p>4.2. MECANISMOS CONVENCIONAIS x MECANISMOS EXTRACONVENCIONAIS ........... 44</p><p>4.3. MECANISMOS CONVENCIONAIS .................................................................................... 45</p><p>4.3.1. Mecanismos convencionais não contenciosos ........................................................... 47</p><p>4.3.2. Mecanismos convencionais quase-contenciosos ....................................................... 47</p><p>4.3.3. Mecanismos convencional contencioso ...................................................................... 48</p><p>4.4. MECANISMOS EXTRACONVENCIONAIS ........................................................................ 48</p><p>4.4.1. Procedimentos especiais ............................................................................................. 48</p><p>4.4.2. Procedimento de queixa .............................................................................................. 48</p><p>4.4.3. Revisão periódica universal ......................................................................................... 49</p><p>5. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS (DUDH) ........................................ 50</p><p>6. PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS ...................................... 53</p><p>6.1. PROTOCOLOS FACULTATIVOS ...................................................................................... 60</p><p>6.2. MECANISMO DE PROTEÇÃO: COMITÊ DE DIREITOS HUMANOS .............................. 61</p><p>6.3. CASO LULA ........................................................................................................................ 64</p><p>7. PACTO INTERNACIONAL DE DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS</p><p>(PIDESC) ............................................................................................................................................ 65</p><p>7.1. MECANISMO DE PROTEÇÃO: COMITÊ DE DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E</p><p>CULTURAIS ................................................................................................................................... 69</p><p>7.1.1. Comunicações individuais (queixas ou petições) ....................................................... 69</p><p>7.1.2. Comunicações interestatais ......................................................................................... 70</p><p>7.1.3. Procedimento de investigação..................................................................................... 70</p><p>8. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE</p><p>DISCRIMINAÇÃO RACIAL ................................................................................................................ 70</p><p>8.1. COMITÊ PARA A ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL ...................................... 72</p><p>9. CONVENÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO</p><p>CONTRA A MULHER ........................................................................................................................ 74</p><p>9.1. PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS</p><p>FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO CONTRA A MULHER ............................................................... 75</p><p>9.2. COMITÊ SOBRE A ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO CONTRA A MULHER ............. 75</p><p>10. CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS,</p><p>DESUMANOS OU DEGRADANTES ................................................................................................. 78</p><p>10.1. PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS</p><p>TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES ............................ 82</p><p>10.2. COMITÊ ............................................................................................................................... 83</p><p>10.3. SUBCOMITÊ PARA PREVENÇÃO DA TORTURA ........................................................... 87</p><p>11. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA ................................ 87</p><p>11.1. PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS</p><p>DIREITOS DAS CRIANÇAS, RELATIVO À VENDA DE CRIANÇAS, PROSTITUIÇÃO INFANTIL</p><p>E PORNOGRAFIA INFANTIL ........................................................................................................</p><p>de Direitos</p><p>Humanos da ONU podem ser subscritas por indivíduos, grupos de indivíduos</p><p>ou por organizações não-governamentais. Correta!</p><p>5. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS (DUDH)</p><p>A DUDH foi aprovada em 10 de dezembro de 1948, não foi subscrita por todos os Países-</p><p>membros das Nações Unidas quando de sua proclamação, sendo notável o silêncio dos Países</p><p>aliados à União Soviética, provocando oito abstenções dentre os 58 Países então membros.</p><p>No preâmbulo da Declaração Universal, de 1948, encontra-se a motivação para a</p><p>elaboração de um documento universal sobre os direitos humanos, sendo a mesma motivação que</p><p>levou a criação da ONU.</p><p>Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os</p><p>membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o</p><p>fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,</p><p>Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos</p><p>resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e</p><p>que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de</p><p>palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da</p><p>necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,</p><p>Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo</p><p>Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último</p><p>recurso, à rebelião contra tirania e a opressão,</p><p>Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas</p><p>entre as nações,</p><p>Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua</p><p>fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa</p><p>humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 51</p><p>decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma</p><p>liberdade mais ampla,</p><p>Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver,</p><p>em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos</p><p>humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e</p><p>liberdades,</p><p>Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é</p><p>da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,</p><p>A Assembleia Geral proclama</p><p>A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum</p><p>a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que</p><p>cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta</p><p>Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o</p><p>respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas</p><p>progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu</p><p>reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os</p><p>povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios</p><p>sob sua jurisdição.</p><p>Aliado a isso, havia a necessidade de dar concretude aos direitos humanos e liberdades</p><p>fundamentais referidos na Carta da ONU3 (art. 1ª, 3).</p><p>Artigo 1. Os propósitos das Nações unidas são:</p><p>1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim: tomar,</p><p>coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos</p><p>de agressão ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos</p><p>e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a</p><p>um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma</p><p>perturbação da paz;</p><p>2. Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao</p><p>princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar</p><p>outras medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal;</p><p>3. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas</p><p>internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, e para</p><p>promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades</p><p>fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; e</p><p>4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a</p><p>consecução desses objetivos comuns.</p><p>Afirma-se que o significado da DUDH decorre dos próprios objetivos da criação das Nações</p><p>Unidas, relacionados com a reconstrução da ordem mundial fundada em novos conceitos de direito</p><p>internacional, contrários à doutrina da soberania nacional absoluta e à exacerbação do positivismo</p><p>jurídico.</p><p>Pretendia-se formular um rol atualizado dos direitos humanos, com a criação de obrigações</p><p>para os Estados em decorrência da normativa internacional.</p><p>3 Também chamada de Carta de São Francisco, é de 1945. É um tratado internacional - fala em DH, mas não define seu</p><p>conteúdo.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 52</p><p>Carlos Weis, citando Dalmo Abreu Dallari, afirma que o exame dos artigos da Declaração</p><p>revela que ela consagrou três objetivos fundamentais:</p><p>• A certeza dos direitos, exigindo que haja uma fixação prévia e clara dos direitos e</p><p>deveres, para que os indivíduos possam gozar dos direitos ou sofrer imposições;</p><p>• A segurança dos direitos, impondo uma série de normas tendentes a garantir que, em</p><p>qualquer circunstância, os direitos fundamentais serão respeitados;</p><p>• A possibilidade dos direitos, exigindo que se procure assegurar a todos os indivíduos</p><p>os meios necessários à fruição dos direitos, não se permanecendo no formalismo cínico</p><p>e mentiroso da afirmação de igualdade de direitos aonde grande parte do povo vive em</p><p>condições subumanas.</p><p>Prevalece que a DUDH possui natureza jurídica de recomendação da Assembleia-Geral,</p><p>com caráter especial, diante de sua universalidade e solenidade.</p><p>Foi o primeiro documento internacional a tratar dos direitos humanos, tanto civis e políticos</p><p>quanto econômicos, sociais e culturais, de maneira indivisível, ainda que tenha reconhecido sua</p><p>distinta natureza jurídica.</p><p>Apresentou como novidade: a proibição à escravidão e à tortura; o reconhecimento da</p><p>personalidade jurídica; o direito ao asilo e à nacionalidade. Além disso, fez menção ao direito de</p><p>propriedade, seja com titularidade individual, seja coletiva.</p><p>Artigo IV - Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão</p><p>e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.</p><p>Artigo V - Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo</p><p>cruel, desumano ou degradante.</p><p>Artigo VI - Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares,</p><p>reconhecida como pessoa perante a lei.</p><p>Artigo XIV - 1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar</p><p>e de gozar asilo em outros países. 2. Este direito não pode ser invocado em</p><p>caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou</p><p>por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.</p><p>Artigo XV - 1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. 2. Ninguém será</p><p>arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de</p><p>nacionalidade.</p><p>Artigo XVII - 1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade</p><p>com outros. 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.</p><p>Conforme se percebe, a DUDH não faz qualquer distinção entre as categorias dos direitos</p><p>humanos, no que diz respeito ao seu reconhecimento e gozo, ainda que o regime de implementação</p><p>das liberdades e dos demais direitos humanos possam ser diferenciados.</p><p>Há na DUDH uma completa ausência de mecanismos de implementação dos direitos</p><p>humanos – o que é explicado pelo contexto político em que se vivia, tendo-se chegado à solução</p><p>pela criação da Carta Internacional dos Direitos Humanos, com a edição dos pactos de 1966.</p><p>A DUDH reflete o conteúdo da dignidade humana auferido no pós-guerra, o qual vem</p><p>sofrendo a ação da História – o que confere aos direitos humanos contemporâneos a característica</p><p>da historicidade.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 53</p><p>Apesar de inúmeros preceitos estarem ultrapassados</p><p>(ex: casamento entre homem e mulher</p><p>apenas), não retiram o caráter simbólico da Declaração Universal, e sua quase total atualidade</p><p>demonstra a inconveniência política de se alterar seu consagrado texto, até porque a atualização</p><p>do catálogo dos direitos humanos tem se realizado constantemente, por meio de novos tratados,</p><p>declarações e programas de ação, de que fazem exemplo os do Rio de Janeiro sobre o Meio</p><p>Ambiente (1992), de Viena sobre Direitos Humanos (1993), do Cairo sobre População e</p><p>Desenvolvimento (1994) e de Pequim sobre Direitos da Mulher (1995). A vitalidade do Sistema</p><p>Universal dos Direitos Humanos, portanto, mantém em constante afinidade com os valores que</p><p>traduzem a dignidade fundamental do ser humano.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>DPE/RO (2023) De acordo com a Declaração Universal de Direitos Humanos,</p><p>todo ser humano vítima de perseguição tem o direito de procurar e de gozar</p><p>asilo em outros países, salvo em caso de perseguição legitimamente</p><p>motivada por crimes de direito comum. Correta!</p><p>Delegado PC/AM (2023) A DUDH é conceitualmente distinta do jus cogens,</p><p>não influindo no seu surgimento e não sendo por ele afetada. Errada!</p><p>• PONTOS IMPORTANTES</p><p>• Ano: 1948</p><p>• Primeiro documento que tratou das duas gerações de Direitos Humanos (1ª</p><p>e 2ª)</p><p>• Universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos civis,</p><p>políticos, econômicos e sociais.</p><p>• Direito de propriedade: reconhecido tanto em caráter individual quanto</p><p>coletivo;</p><p>• Implementação progressiva, de acordo com as possibilidades, dos direitos</p><p>econômicos, sociais e culturais;</p><p>• Família é o núcleo natural e fundamental da sociedade</p><p>Novidades</p><p>• Proibição à escravidão e à tortura</p><p>• Reconhecimento da personalidade jurídica</p><p>• Direito ao asilo</p><p>• Direito à nacionalidade</p><p>6. PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS</p><p>O PIDCP cuida dos direitos humanos relacionados à liberdade individual, à proteção da</p><p>pessoa contra a ingerência estatal em sua órbita privada, bem como à participação popular na</p><p>gestão da sociedade, foi adotado pela Assembleia das Nações Unidas em 16/12/1966, entrou em</p><p>vigor em 1976 com o depósito do 35º instrumento de ratificação.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 54</p><p>Da análise de suas normas substantivas, vale registrar as alterações feitas pelo PIDCP em</p><p>relação ao texto da Declaração Universal (arts. III a XXI), como: direito à vida (art. 6º); a não ser</p><p>submetido à tortura ou tratamentos cruéis desumanos ou degradantes (art. 7º); de não ser</p><p>escravizado ou submetido à servidão (art. 8º); à liberdade e segurança pessoal – incluindo não ser</p><p>sujeito à prisão ou detenção arbitrária (art. 9º); à igualdade perante a lei (art. 3º); a um julgamento</p><p>justo (art. 14); às liberdades de locomoção (art. 12), consciência, manifestação do pensamento,</p><p>religião (art. 18), associação (inclusive de fundar sindicatos e a eles aderir – art. 22), reunião pacífica</p><p>(art. 21); a casar e constituir família (art. 23); a ter nacionalidade (art. 24); e de votar, tomar parte</p><p>do governo – diretamente ou por meio de representantes – e ter acesso às funções públicas de seu</p><p>País (art. 25).</p><p>ARTIGO 3º Os Estados partes do presente pacto comprometem-se a</p><p>assegurar a homens e mulheres igualdade no gozo de todos os direitos civis</p><p>e políticos enunciados no presente pacto.</p><p>ARTIGO 6º</p><p>1. O direito à vida é inerente à pessoa humana. Este direito deverá ser</p><p>protegido pela lei. Ninguém poderá ser arbitrariamente privado de sua vida.</p><p>2. Nos Países em que a pena de morte não tenha sido abolida, esta poderá</p><p>ser imposta apenas nos casos de crimes mais graves, em conformidade com</p><p>legislação vigente na época em que o crime foi cometido e que não esteja em</p><p>conflito com as disposições do presente pacto, nem com a Convenção sobre</p><p>a Prevenção e a Punição do Crime de Genocídio. Poder-se-á aplicar essa</p><p>pena apenas em decorrência de uma sentença transitada em julgado e</p><p>proferida por tribunal competente.</p><p>3. Quando a privação da vida constituir um crime de genocídio, entende-se</p><p>que nenhuma disposição do presente artigo autorizará qualquer Estado Parte</p><p>do presente pacto a eximir-se, de modo algum, do cumprimento de quaisquer</p><p>das obrigações que tenham assumido em virtude das disposições da</p><p>Convenção sobre a Prevenção e a Punição do Crime de Genocídio.</p><p>4. Qualquer condenado à morte terá o direito de pedir indulto ou comutação</p><p>da pena. A anistia, o indulto ou a comutação de pena poderão ser concedidos</p><p>em todos os casos.</p><p>5. A pena de morte não deverá ser imposta em casos de crimes cometidos</p><p>por pessoas menores de 18 anos, nem aplicada a mulheres em estado de</p><p>gravidez.</p><p>6. Não se poderá invocar disposição alguma do presente artigo para retardar</p><p>ou impedir a abolição da pena de morte por um Estado Parte do presente</p><p>pacto.</p><p>ARTIGO 7º ninguém poderá ser submetido à tortura, nem a penas ou</p><p>tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Será proibido, sobretudo,</p><p>submeter uma pessoa, sem seu livre consentimento, a experiências médicas</p><p>ou científicas.</p><p>ARTIGO 8º</p><p>1. Ninguém poderá ser submetido à escravidão; a escravidão e o tráfico de</p><p>escravos, em todos as suas formas, ficam proibidos.</p><p>2. Ninguém poderá ser submetido à servidão.</p><p>3. a) Ninguém poderá ser obrigado a executar trabalhos forçados ou</p><p>obrigatórios;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 55</p><p>b) A alínea "a" do presente parágrafo não poderá ser interpretada no sentido</p><p>de proibir, nos países em que certos crimes sejam punidos com prisão e</p><p>trabalhos forçados, o cumprimento de uma pena de trabalhos forçados,</p><p>imposta por um tribunal competente;</p><p>c) Para os efeitos do presente parágrafo, não serão considerados "trabalhos</p><p>forçados ou obrigatórios":</p><p>i) qualquer trabalho ou serviço, não previsto na alínea "b", normalmente</p><p>exigido de um indivíduo que tenha sido encerrado em cumprimento de</p><p>decisão judicial ou que, tendo sido objeto de tal decisão, ache-se em</p><p>liberdade condicional;</p><p>ii) qualquer serviço de caráter militar e, nos países em que se admite a</p><p>isenção por motivo de consciência, qualquer serviço nacional que a lei venha</p><p>a exigir daqueles que se oponha ao serviço militar por motivo de consciência;</p><p>iii) qualquer serviço exigido em casos de emergência ou de calamidade que</p><p>ameacem o bem-estar da comunidade;</p><p>iv) qualquer trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas</p><p>normais.</p><p>ARTIGO 9°</p><p>1. Toda pessoa tem à liberdade e a segurança pessoais.</p><p>Ninguém poderá ser preso ou encarcerado arbitrariamente. Ninguém poderá</p><p>ser privado de sua liberdade, salvo pelos motivos previstos em lei e em</p><p>conformidade com os procedimentos.</p><p>2. Qualquer pessoa, ao ser presa, deverá ser informada das razões da prisão</p><p>e notificada, sem demora, das acusações formuladas contra ela.</p><p>3. Qualquer pessoa presa ou encerrada em virtude de infração penal deverá</p><p>ser conduzida, sem demora, à presença do juiz ou de outra autoridade</p><p>habilitada por lei a exercer funções e terá o direito de ser julgada em prazo</p><p>razoável ou de ser posta em liberdade. A prisão preventiva de pessoas que</p><p>aguardam julgamento não deverá constituir a regra geral, mas a soltura</p><p>poderá estar condicionada a garantias que assegurem o comparecimento da</p><p>pessoa em questão à audiência, a todos os atos do processo e, se necessário</p><p>for, para a execução da sentença.</p><p>4. Qualquer pessoa que seja privada de sua liberdade por prisão ou</p><p>encarceramento terá de recorrer a um tribunal para que este decida sobre a</p><p>legalidade de seu encarceramento e ordene sua soltura, caso a prisão tenha</p><p>sido ilegal.</p><p>5. Qualquer pessoa vítima de prisão ou encarceramento ilegais terá direito à</p><p>reparação.</p><p>ARTIGO 12</p><p>1. Toda pessoa que se ache legalmente no território de um Estado terá o</p><p>direito de nele livremente circular e escolher sua residência.</p><p>2. Toda pessoa terá o direito de sair livremente de qualquer país, inclusive</p><p>de seu próprio país.</p><p>3. Os direitos supracitados não poderão constituir objeto de restrição, a</p><p>menos que estejam previstas em lei e no intuito de proteger a segurança</p><p>nacional e a ordem, a saúde ou a moral pública, bem como os direitos e</p><p>liberdades das demais pessoas, e que sejam compatíveis com os outros</p><p>direitos reconhecidos no presente pacto.</p><p>4. Ninguém poderá ser privado do direito de entrar em seu próprio país.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 56</p><p>ARTIGO 14</p><p>1. Todas as pessoas são iguais perante os tribunais e as cortes de justiça.</p><p>Toda pessoa terá o direito de ser ouvida publicamente e com as devidas</p><p>garantias por um tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido</p><p>por lei, na apuração de qualquer acusação de caráter penal formulada contra</p><p>ela ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil. A</p><p>imprensa e o público poderão ser excluídos de parte ou da totalidade de um</p><p>julgamento, que por motivo de moral pública, de ordem pública ou de</p><p>segurança nacional em uma sociedade democrática, quer quando o interesse</p><p>da vida privada das partes o exija, quer na medida em que isso seja</p><p>estritamente necessário na opinião da justiça, em circunstâncias específicas,</p><p>nas quais a publicidade venha a prejudicar os interesses da justiça;</p><p>entretanto, qualquer sentença proferida em matéria penal ou civil deverá</p><p>tornar-se pública, a menos que o interesse de menores exija procedimento</p><p>oposto, ou o processo diga respeito à controvérsia matrimonial ou a tutela de</p><p>menores.</p><p>2. Toda pessoa acusada de um delito terá direito a que se presuma sua</p><p>inocência enquanto não for legalmente comprovada sua culpa.</p><p>3. Toda pessoa acusada de um delito terá direito, em plena igualdade, a, pelo</p><p>menos, as seguintes garantias:</p><p>a) de ser informado, sem demora, numa língua que compreenda e de forma</p><p>minuciosa, da natureza e dos motivos da acusação contra ela formulada;</p><p>b) de dispor do tempo e dos meios necessários à preparação de sua defesa</p><p>e a comunicar-se com defensor de sua escolha;</p><p>c) de ser julgado sem dilações indevidas;</p><p>d) de estar presente no julgamento e de defender-se pessoalmente ou por</p><p>intermédio de defender de sua escolha; de ser informado, caso não tenha</p><p>defensor, do direito que lhe assiste de tê-lo e, sempre que o interesse da</p><p>justiça assim exija, de ter um defensor designado "ex offício" gratuitamente,</p><p>se não tiver meios para remunerá-lo;</p><p>e) de interrogar ou fazer interrogar as testemunhas da acusação e de obter o</p><p>comparecimento e o interrogatório das testemunhas de defesa nas mesmas</p><p>condições de que dispõe as de acusação;</p><p>f) de ser assistida gratuitamente por um intérprete, caso não compreenda ou</p><p>não fale a língua empregada durante o julgamento;</p><p>g) de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada.</p><p>4. O processo aplicável a jovens que não sejam maiores nos termos da</p><p>legislação penal levará em conta a idade dos menores e a importância de</p><p>promover sua reintegração social.</p><p>5. Toda pessoa declarada culpada por um delito terá o direito de recorrer da</p><p>sentença condenatória e da pena a uma instância, em conformidade com a</p><p>lei.</p><p>6. Se uma sentença condenatória passada em julgado for posteriormente</p><p>anulada ou se indulto for concedido, pela ocorrência ou descoberta de fatos</p><p>novos que provem cabalmente a existência de erro judicial, a pessoa que</p><p>sofreu a pena decorrente dessa condenação deverá ser indenizada, de</p><p>acordo com a lei, a menos que fique provado que se lhe pode imputar, total</p><p>ou parcialmente, não-revelação dos fatos desconhecidos em tempo útil.</p><p>7. Ninguém poderá ser processado ou punido por um delito pelo qual já foi</p><p>absolvido ou condenado por sentença passada em julgado, em conformidade</p><p>com a lei e os procedimentos penais de cada país.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 57</p><p>ARTIGO 18</p><p>1. Toda pessoa terá direito à liberdade de pensamento, de consciência e de</p><p>religião. Esse direito implicará a liberdade de ter ou adotar uma religião ou</p><p>uma crença de sua escolha e a liberdade de professar sua religião ou crença,</p><p>individual ou coletivamente, tanto pública como privadamente, por meio do</p><p>culto, da celebração de ritos, de práticas e do ensino.</p><p>2. Ninguém poderá ser submetido a medidas coercitivas que possam</p><p>restringir sua liberdade de ter ou de adotar uma religião ou crença de sua</p><p>escolha.</p><p>3. A liberdade de manifestar a própria religião ou crença estará sujeita</p><p>apenas a limitações previstas em lei e que se façam necessárias para</p><p>proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral públicas ou os direitos e</p><p>as liberdades das demais pessoas.</p><p>4. Os Estados partes do presente Pacto comprometem-se a respeitar a</p><p>liberdade dos pais - e, quando for o caso, dos tutores legais - de assegurar a</p><p>educação religiosa e moral dos filhos que esteja de acordo com suas próprias</p><p>convicções.</p><p>ARTIGO 21 - direito de reunião pacífica será reconhecido. O exercício desse</p><p>direito estará sujeito apenas às restrições previstas em lei e que se façam</p><p>necessárias, em uma sociedade democrática, no interesse da segurança</p><p>nacional, da segurança ou da ordem públicas, ou para proteger à saúde</p><p>pública ou os direitos e as liberdades das pessoas.</p><p>ARTIGO 22</p><p>1. Toda pessoa terá o direito de associar-se livremente a outras, inclusive o</p><p>direito de construir sindicatos e de a eles filiar-se, para a proteção de seus</p><p>interesses.</p><p>2. O exercício desse direito estará sujeito apenas às restrições previstas em</p><p>lei e que se façam necessárias, em uma sociedade democrática, no interesse</p><p>da segurança nacional, da segurança e da ordem públicas, ou para proteger</p><p>a saúde ou a moral pública ou os direitos a liberdades das demais pessoas.</p><p>O presente artigo não impedirá que se submeta a restrições legais o exercício</p><p>desse direito por membros das forças armadas e da polícia.</p><p>3. Nenhuma das disposições do presente artigo permitirá que Estados Partes</p><p>da Convenção de 1948 da Organização do Trabalho, relativa à liberdade</p><p>sindical e à proteção do direito sindical, venham a adotar medidas legislativas</p><p>que restrinjam - ou aplicar a lei de maneira a restringir - as garantias previstas</p><p>na referida Convenção.</p><p>ARTIGO 23</p><p>1. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e terá o direito</p><p>de ser protegida pela sociedade e pelo Estado.</p><p>2. Será reconhecido o direito do homem e da mulher de, em idade núbil,</p><p>contrair casamento e construir família.</p><p>3. Casamento algum será sem o consentimento livre e pleno dos futuros</p><p>esposos.</p><p>4. Os Estados Partes do presente Pacto deverão adota as medidas</p><p>apropriadas para assegurar a igualdade de direitos e responsabilidades dos</p><p>esposos quanto ao casamento, durante o mesmo e o por ocasião de sua</p><p>dissolução. Em caso de dissolução, deverão adotar-se disposições que</p><p>assegurem a proteção necessária para os filhos.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 58</p><p>ARTIGO 24</p><p>1. Toda criança, terá direito, sem discriminação alguma por motivo de cor,</p><p>sexo, religião, origem nacional ou social, situação econômica ou nascimento,</p><p>às medidas de proteção que a sua condição de menor requerer por parte de</p><p>sua família, da sociedade e do Estado.</p><p>2. Toda criança deverá ser registrada imediatamente após seu nascimento e</p><p>deverá receber um nome.</p><p>3. Toda criança terá o direito de adquirir uma nacionalidade.</p><p>ARTIGO 25</p><p>Todo cidadão terá o direito e a possibilidade, sem qualquer das formas de</p><p>discriminação mencionadas no artigo 2° e sem restrições infundadas:</p><p>a) de participar da condução dos assuntos públicos, diretamente ou por meio</p><p>de representantes livremente escolhidos;</p><p>b) de votar e de ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por</p><p>sufrágio universal e igualitário e por voto secreto, que garantam a</p><p>manifestação da vontade dos eleitores;</p><p>c) de ter acesso em condições gerais de igualdade, às funções públicas de</p><p>seu país.</p><p>Em relação à privação de liberdade (art. 10), o PIDCP, além do respeito à dignidade e</p><p>humanidade, estabelece que o regime penitenciário deve-se fundar em um tratamento, visando à</p><p>reforma e a reabilitação moral dos prisioneiros. Assim, cria para o Estado uma obrigação</p><p>relacionada a um direito de natureza social, no sentido de que deve desenvolver um programa</p><p>voltado ao tratamento do condenado.</p><p>ARTIGO 10</p><p>1. Toda pessoa privada de sua liberdade deverá ser tratada com humanidade</p><p>e respeito à dignidade inerente à pessoa humana.</p><p>2. a) as pessoas processadas deverão ser separadas, salvo em circunstância</p><p>excepcionais, das pessoas condenadas e receber tratamento distinto,</p><p>condizente com sua condição de pessoa não-condenada.</p><p>b) as pessoas processadas, jovens, deverão ser separadas das adultas e</p><p>julgadas o mais rápido possível.</p><p>3. O regime penitenciário num tratamento cujo objetivo principal seja a</p><p>reforma e a reabilitação moral dos prisioneiros. Os delinquentes juvenis</p><p>deverão ser separados dos adultos e receber tratamento condizente com sua</p><p>idade e condição jurídica.</p><p>O Pacto aceita a pena de trabalhos forçados apenas como exceção (art. 8º, 3 – colacionado</p><p>acima), admite como regra a realização de “serviços” ou trabalhos no cárcere como parte das</p><p>atividades regulares deste.</p><p>Não há no PIDCP qualquer dispositivo referente ao direito de propriedade. Além disso, não</p><p>reproduz a referência ao direito de procurar ou gozar de asilo político em outros Países quando a</p><p>pessoa for perseguida.</p><p>O art. 4º do PIDCP trata do chamado “direito de crise”, ao prever quais direitos não podem</p><p>ser derrogados em hipótese alguma (chamado de núcleo inderrogável dos direitos humanos), e</p><p>quais as situações especiais que permitem a suspensão dos demais.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 59</p><p>ARTIGO 4º</p><p>1. Quando situações excepcionais ameacem a existência da nação e sejam</p><p>proclamadas oficialmente, os Estados partes do presente Pacto podem</p><p>adotar, na estrita medida exigida pela situação, medidas que suspendam as</p><p>obrigações decorrentes do presente Pacto, desde que tais medidas não</p><p>sejam incompatíveis com as demais obrigações que lhes sejam impostas pelo</p><p>Direito Internacional e não acarretem discriminação alguma apenas por</p><p>motivo de raça, cor, sexo, língua, religião ou origem social.</p><p>2. A disposição precedente não autoriza qualquer suspensão dos artigos 6°,</p><p>7°, 8° (§§1° e 2°), 11, 15, 16 e 18.</p><p>3. Os Estados Partes do presente pacto que fizerem uso do direito de</p><p>suspensão devem comunicar imediatamente aos outros Estados Partes do</p><p>Presente Pacto, por intermédio do Secretário-Geral das Nações Unidas, as</p><p>disposições que tenham suspenso, bem como os motivos de tal suspensão.</p><p>Os Estados Partes deverão fazer uma nova comunicação, igualmente por</p><p>intermédio do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, na data</p><p>em que terminar tal suspensão.</p><p>Deste modo, mesmo que situações excepcionais ameacem a existência da Nação, não são</p><p>passíveis de derrogação:</p><p>• Direito à vida (art. 6º - acima);</p><p>• A proibição contra a tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes (art. 7º</p><p>- acima);</p><p>• A vedação à escravidão ou servidão (art. 8º - acima);</p><p>• A proibição de prisão por descumprimento de obrigação contratual (art. 11);</p><p>ARTIGO 11 - Ninguém poderá ser preso apenas por não poder cumprir com</p><p>uma obrigação contratual.</p><p>• As garantias penais de tipicidade, anterioridade, legalidade quanto ao tipo e à pena, assim</p><p>como seu abrandamento se norma posterior assim dispuser (art. 15);</p><p>ARTIGO 15</p><p>1. Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que não constituam</p><p>delito de acordo com direito nacional ou internacional, no momento em que</p><p>foram cometidos. Tampouco poder-se-á impor pena mais grave do que a</p><p>aplicável no momento da ocorrência do delito. Se, depois de perpetrado o</p><p>delito, a lei estipular a imposição de pena mais leve, o delinquente deverá</p><p>beneficiar-se.</p><p>2. nenhuma disposição do presente Pacto impedirá o julgamento ou a</p><p>condenação de qualquer indivíduo por atos ou omissões que, no momento</p><p>em que foram cometidos, eram considerados delituosos de acordo com os</p><p>princípios gerais de direito reconhecidos pela comunidade das nações.</p><p>• O direito ao reconhecimento da personalidade jurídica (art. 16);</p><p>ARTIGO 16 - Toda pessoa terá direito, em qualquer lugar, ao reconhecimento</p><p>de sua personalidade jurídica.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 60</p><p>• As liberdades de pensamento, consciência e de religião (art. 18 – acima).</p><p>O PIDCP autoriza a derrogação:</p><p>• Dos direitos à informação sobre os motivos da prisão (art. 9º - acima);</p><p>• A imediata condução a um juiz (art. 9º - acima);</p><p>• Ao imediato acesso a um tribunal para evitar uma prisão ilegal (art. 9º - acima);</p><p>• Ao tratamento do preso com humanidade (art. 10 - acima);</p><p>• Ao duplo grau de jurisdição (art. 14 – acima).</p><p>O Tratado entrou em vigor em 23.3.1976, foi ratificado pelo Brasil em 24.1.1992, sem</p><p>qualquer reserva ou objeção. Contudo, o País ainda não fez a declaração expressa, a que se refere</p><p>o art. 41 do Tratado, no sentido de que reconhece a competência do Comitê para receber e</p><p>examinar as comunicações em que um Estado-Parte alegue que outro Estado-Parte não vem</p><p>cumprindo as obrigações que lhe impõe o presente Pacto. Desta forma, o Brasil não pode</p><p>apresentar denúncia, perante o Comitê de Direitos Humanos, ao tempo em que não se vê na</p><p>possibilidade de ser ali questionado por outro Estado signatário do Pacto.</p><p>ARTIGO 41</p><p>1. Com base no presente Artigo, todo Estado parte do presente pacto poderá</p><p>declarar, a qualquer momento, que reconhece a competência do Comitê para</p><p>receber e examinar as comunicações em que um Estado parte alegue que</p><p>outro Estado Parte não vem cumprindo as obrigações que lhe impõe a Pacto.</p><p>As referidas comunicações só serão recebidas e examinadas nos termos do</p><p>presente Artigo no caso de serem apresentadas por um Estado Parte que</p><p>houver feito uma declaração em que reconheça, com relação a si próprio, a</p><p>competência do Comitê. O Comitê não receberá comunicação alguma</p><p>relativa a um Estado Parte que não houver feito uma declaração dessa</p><p>natureza.</p><p>6.1. PROTOCOLOS FACULTATIVOS</p><p>O PIDCP possui dois protocolos facultativos.</p><p>Primeiro Protocolo Facultativo: refere-se à possibilidade de um Estado-membro reconhecer</p><p>a competência do Comitê de Direitos Humanos para receber e analisar comunicações, advindas de</p><p>indivíduos sob a soberania daquele que aleguem serem vítimas de violação de algum direito</p><p>previsto no Pacto, desde que esgotados os remédios de jurisdição interna – salvo os casos de</p><p>demora injustificada para a solução interna da demanda. Não se admite denúncia anônima, deve</p><p>ser feita por escrito. Por fim, só será admitido se não houver litispendência em outro foro</p><p>internacional. Brasil reconheceu em 25 de setembro de 2009.</p><p>Segundo Protocolo Facultativo: Refere-se à abolição da pena de morte. No art. 2º, ao mesmo</p><p>tempo em que o protocolo veda a realizações de reservas, abre a possibilidade de o Estado Parte,</p><p>apenas no momento da ratificação, excepcionar a regra, para admitir a pena de morte somente em</p><p>tempo de guerra, decorrente de condenação por crime de natureza militar cometido em tempo de</p><p>guerra. Brasil ratificou em 25 de setembro de 2009, com a referida reserva.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 61</p><p>ARTIGO 2.º</p><p>1. Não é admitida qualquer reserva ao presente Protocolo, exceto a reserva</p><p>formulada no momento da ratificação ou adesão prevendo a aplicação da</p><p>pena de morte em tempo de guerra em virtude de condenação por infracção</p><p>penal de natureza militar de gravidade extrema cometida em tempo de</p><p>guerra.</p><p>6.2. MECANISMO DE PROTEÇÃO: COMITÊ DE DIREITOS HUMANOS</p><p>É um mecanismo convencional de proteção, tendo em vista que se encontrada previsto</p><p>expressamente no PIDCP (art. 28), bem como só é aplicado aos Estados que aderirem.</p><p>ARTIGO 28</p><p>1. Constituir-se-á um comitê de Direitos Humanos (doravante denominado o</p><p>"Comitê" no presente pacto). O Comitê será composto de dezoito membros e</p><p>desempenhará as funções descritas adiante.</p><p>2. O Comitê será integrado por nacionais dos Estados partes do presente</p><p>Pacto, os quais deverão ser pessoas de elevada reputação moral e</p><p>reconhecida competência em matéria de direitos humanos, levando-se em</p><p>consideração a utilidade da participação de algumas pessoas com</p><p>experiência jurídica.</p><p>3. Os membros do Comitê serão eleitos e exercerão suas funções a título</p><p>pessoal.</p><p>É um corpo independente de especialistas, que opera tanto pelo sistema de relatórios dos</p><p>Estados-Partes (devem encaminhar sempre que solicitados – art. 40), quanto pelo recebimento de</p><p>comunicações formuladas pelos países (art. 41), observando o esgotamento dos remédios internos,</p><p>e desde que não se prolonguem indefinidamente. Sua competência para receber comunicações</p><p>depende de aceitação expressa do Estado denunciado (art. 41). Da mesma forma, um estado que</p><p>não se submeta ao sistema não está autorizado a formular denúncias, obedecendo ao critério da</p><p>reciprocidade, vigente no direito internacional. O Brasil até hoje não declarou a sua aceitação,</p><p>estando, portanto, fora desse sistema.</p><p>ARTIGO 40</p><p>1. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a submeter</p><p>relatórios sobre as medidas por eles adotadas para tornar efetivos os direitos</p><p>reconhecidos no presente Pacto e sobre o progresso alcançado no gozo</p><p>desses direitos:</p><p>a) dentro do prazo de um ano, a contar do início da vigência do presente</p><p>Pacto nos Estados Partes interessados;</p><p>b) a partir de então, sempre que o Comitê vier a solicitar.</p><p>2. Todos os relatórios serão submetidos ao Secretário-Geral da Organização</p><p>das nações Unidas, que os encaminhará. Para exame, ao Comitê. Os</p><p>relatórios deverão sublinhar, caso existam, os fatores e as dificuldades que</p><p>prejudiquem a implementação do presente pacto.</p><p>3. O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas poderá, após</p><p>consulta ao Comitê, encaminhar às agências especializadas cópias das</p><p>partes dos relatórios que digam respeito à sua esfera de competência.</p><p>4. O Comitê estudará os relatórios apresentados pelos Estados partes do</p><p>presente pacto e transmitirá aos Estados Partes seu próprio relatório, bem</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 62</p><p>como os comentários gerais que julgar oportunos. O Comitê poderá</p><p>igualmente transmitir ao Conselho Econômico e social os referidos</p><p>comentários, bem como cópias dos relatórios que houver recebido dos</p><p>Estados partes do Presente pacto.</p><p>5. Os Estados Partes no presente pacto poderão submeter ao Comitê as</p><p>observações que desejarem formular relativamente aos comentários feitos</p><p>nos termos do § 4° do presente artigo.</p><p>ARTIGO 41</p><p>1. Com base no presente Artigo, todo Estado parte do presente pacto poderá</p><p>declarar, a qualquer momento, que reconhece a competência do Comitê para</p><p>receber e examinar as comunicações em que um Estado parte alegue que</p><p>outro Estado Parte não vem cumprindo as obrigações que lhe impõe a Pacto.</p><p>As referidas comunicações só serão recebidas e examinadas nos termos do</p><p>presente Artigo no caso de serem apresentadas por um Estado Parte que</p><p>houver feito uma declaração em que reconheça, com relação a si próprio, a</p><p>competência do Comitê. O Comitê não receberá comunicação alguma</p><p>relativa a um Estado Parte que não houver feito uma declaração dessa</p><p>natureza. As comunicações recebidas em virtude do presente Artigo estarão</p><p>sujeitas ao procedimento que se segue:</p><p>a) se um Estado Parte do presente Pacto considerar que outro Estado Parte</p><p>não vem cumprindo as disposições da presente Convenção poderá, mediante</p><p>comunicação escrita, levar a questão ao conhecimento deste Estado Parte.</p><p>Dentro de um prazo de três meses, a contar da data do recebimento da</p><p>comunicação, o Estado destinatário fornecerá ao Estado que enviou a</p><p>comunicação explicações ou quaisquer outras declarações por escrito que</p><p>esclareçam a questão, as quais deverão fazer referência, até onde seja</p><p>possível e pertinente, aos procedimentos, nacionais e aos recursos jurídicos</p><p>adotados, em trâmite ou disponíveis sobre a questão;</p><p>b) se, dentro de um prazo de seis meses, a contar da data do recebimento da</p><p>comunicação original pelo Estado destinatário, a questão não estiver dirimida</p><p>satisfatoriamente para ambos os Estados Partes interessados, tanto um</p><p>como o outro terão o direito de submetê-lo ao comitê, mediante notificação</p><p>endereçada ao Comitê ou outro Estado interessado;</p><p>c) o comitê tratará de todas as questões que se lhe submetam em virtude do</p><p>presente Artigo somente após ter-se assegurado de que todos os recursos</p><p>jurídicos internos disponíveis tenham sido utilizados e esgotados, em</p><p>consonância com os princípios do Direito internacional geralmente</p><p>reconhecido. Não se aplicará esta regra quando a aplicação dos</p><p>mencionados recursos se prolongar injustificadamente.</p><p>d) o comitê realizará reuniões confidenciais quando estiver examinando as</p><p>comunicações previstas no presente Artigo;</p><p>e) sem prejuízo das disposições da alínea "c’, o Comitê colocará seus bons</p><p>ofícios à disposição dos Estados Partes interessados no intuito de se</p><p>alcançar uma solução amistosa para a questão, baseada no respeito aos</p><p>direitos humanos e a liberdades fundamentais reconhecidos no presente</p><p>Pacto.</p><p>f) em todas as questões que se lhe submetem em virtude do presente artigo,</p><p>o Comitê poderá solicitar aos Estados Partes interessados, a que se faz</p><p>referência na alínea b), que lhe forneçam quaisquer informação pertinentes;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 63</p><p>g) os estados Partes interessados, a que se faz referência na alínea "b", terão</p><p>o direito de fazer-se representar quando as questões forem examinadas no</p><p>Comitê e de apresentar suas observações verbalmente e/ou por escrito;</p><p>h) o Comitê, dentro dos doze meses seguintes à data de recebimento da</p><p>notificação mencionada na b), apresentará relatório em que:</p><p>i) se houver sido alcançada uma solução nos termos da alínea e), o comitê</p><p>restringir-se-á, em seu relatório, a uma breve exposição dos fatos e da</p><p>solução alcançada;</p><p>ii) se não houver sido alcançada solução alguma nos termos alínea "e", o</p><p>comitê restringir-se-á, em seu relatório, a uma breve exposição dos fatos;</p><p>serão anexados ao relatório o texto das observações escritas e as atas das</p><p>observações orais apresentadas pelos Estados Partes interessados.</p><p>Para cada questão, o relatório será encaminhado aos Estados partes</p><p>interessados.</p><p>1. As disposições do presente Artigo entrarão em vigor a partir do momento</p><p>em que dez Estados Partes do presente Pacto houverem feito as declarações</p><p>mencionadas no parágrafo §1º deste Artigo. As referidas declarações serão</p><p>depositadas pelos Estados partes junto ao Secretário-Geral da Organização</p><p>Nações Unidas, que enviará cópia das mesmas aos demais Estados Partes.</p><p>Toda declaração poderá ser retirada, a qualquer momento, mediante</p><p>notificação endereçada ao Secretário-Geral. Far-se-á essa retirada sem</p><p>prejuízo do exame de quaisquer questões que constituam objeto de uma</p><p>comunicação já transmitida nos termos deste artigo; em virtude do presente</p><p>artigo, não se receberá qualquer nova comunicação de um Estado Parte uma</p><p>vez que o Secretário-Geral tenha recebido a notificação sobre a retirada da</p><p>declaração, a menos que o Estado parte interessado haja feito uma nova</p><p>declaração.</p><p>Igualmente, o Comitê pode receber denúncias individuais ou de terceiras</p><p>pessoas e de</p><p>ONGs, sobre a violação dos direitos estabelecidos no pacto (art. 1º do Protocolo Facultativo ao</p><p>PIDCP). Brasil aderiu em 2009.</p><p>Artigo 1º - Os Estados Partes no Pacto que se tornarem Parte no presente</p><p>Protocolo reconhecerão que o Comitê tem competência para receber e</p><p>examinar comunicações provenientes de indivíduos particulares sujeitos à</p><p>sua jurisdição que aleguem ter sido vítimas de uma violação, por esses</p><p>Estados Partes, de quaisquer dos direitos enunciados no Pacto. O Comitê</p><p>não receberá comunicação alguma relativa a um Estado Parte no Pacto que</p><p>não seja parte no presente Protocolo.</p><p>O procedimento das denúncias individuais perante o Comitê de DH possui quatro fases:</p><p>admissibilidade, instrução probatória, deliberação sobre o mérito, publicação e execução, a seguir</p><p>analisadas.</p><p>A primeira fase, de admissibilidade, exige a comprovação de certos requisitos de forma</p><p>(forma escrita, não anônima, da própria vítima ou representante) e também requer que a</p><p>comunicação não esteja sendo processada simultaneamente em outras instâncias internacionais.</p><p>Artigo 2º</p><p>Ressalvado o disposto no artigo 1º, o indivíduo que se considerar vítima de</p><p>violação de qualquer dos direitos enunciados no Pacto e que tenha esgotado</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 64</p><p>todos os recursos internos disponíveis, poderá apresentar uma comunicação</p><p>escrita ao Comitê para que este a examine.</p><p>Artigo 3º</p><p>O Comitê declarará inadmissíveis as comunicações recebidas em</p><p>conformidade com o presente Protocolo que sejam anônimas, ou que, a seu</p><p>juízo, constituam abuso de direito ou sejam incompatíveis com as disposições</p><p>do Pacto.</p><p>Na segunda fase, de instrução probatória, o Estado requerido dispõe de seis meses para</p><p>responder as questões de mérito alegadas na petição do particular. O Estado pode também</p><p>novamente atacar a admissibilidade do caso, que se for considerado inadmissível, enseja o</p><p>encerramento do procedimento.</p><p>Na terceira fase, o Comitê adota uma deliberação sobre o mérito, que consiste na</p><p>indicação de violação ou não de direitos humanos protegidos e na reparação a ser efetuada pelo</p><p>Estado. O Comitê pode decidir ainda publicar o texto com suas decisões e opiniões no informe</p><p>anual à Assembleia Geral da ONU.</p><p>A execução, quarta fase, pode ser realizada através da indicação de um Relator Especial,</p><p>apontado para acompanhar a execução dos ditames do comitê. O Comitê informará à Assembleia</p><p>Geral da Organização das Nações Unidas sobre as atividades deste Relator.</p><p>Salienta-se que o Comitê de Direitos Humanos é um organismo de aplicação de um acordo.</p><p>Ele é responsável por fazer com que as obrigações do pacto sejam implementadas pelas partes.</p><p>Para garantir isso, ele necessita de uma interpretação. Isso é feito, por um lado, por meio da</p><p>utilização da disposição do pacto em casos individuais no âmbito do procedimento segundo o</p><p>protocolo facultativo. Por outro lado, a comissão também aprovou “Comentários Gerais”, com os</p><p>quais interpreta as disposições do Pacto.</p><p>Resumidamente, temos o seguinte procedimento:</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>DPE/CE (2022) O Comitê de Direitos Humanos foi criado pelo Pacto</p><p>Internacional de Direitos Civis e Políticos. Correta!</p><p>6.3. CASO LULA</p><p>O Comitê de Direitos Humanos acolheu um pedido de medida provisória da defesa do ex-</p><p>presidente Lula para que ele pudesse registrar a sua candidatura, mesmo estando preso. Contudo,</p><p>o TSE não acolheu a decisão do Comitê, observe:</p><p>Admissibilidade</p><p>Instrução</p><p>Probatória</p><p>Deliberação</p><p>sobre o mérito</p><p>Execução</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 65</p><p>7. (...) Em atenção aos compromissos assumidos pelo Brasil na ordem</p><p>internacional, a manifestação do Comitê merece ser levada em conta, com o</p><p>devido respeito e consideração. Não tem ela, todavia, caráter vinculante e,</p><p>no presente caso, não pode prevalecer, por diversos fundamentos formais e</p><p>materiais. 7.1. Do ponto de vista formal, (i) o Comitê de Direitos Humanos</p><p>é órgão administrativo, sem competência jurisdicional, de modo que</p><p>suas recomendações não têm caráter vinculante; (ii) o Primeiro</p><p>Protocolo Facultativo ao PIDCP, que legitimaria a atuação do Comitê,</p><p>não está em vigor na ordem interna brasileira” (TSE, Registro de</p><p>candidatura nº 0600903-50.2018.6.00.0000, rel. Min. Roberto Barroso, j.</p><p>01.09.2018).</p><p>Acerca da vinculação das decisões do Comitê na ordem nacional, não há consenso na</p><p>doutrina, pode-se identificar duas correntes:</p><p>• 1ªC – as decisões dos Comitês relacionados aos tratados da ONU são meras</p><p>recomendações, não possuem força vinculante. Sustentam que quando os Estados-</p><p>Partes aderem a um tratado possuem ciência que aceitam a competência de um órgão sem</p><p>natureza jurisdicional, que espede apenas recomendações.</p><p>• 2ªC – as decisões dos Comitês possuem força vinculante, isto porque os tratados devem</p><p>ser interpretados de boa-fé. Assim, ao aderir o PIDCP e o seu protocolo facultativo o Estado-</p><p>Parte não poderá descumprir as decisões do Comitê, já que anuiu. Ressalta-se que o Comitê</p><p>entende que suas decisões são vinculantes.</p><p>Por fim, quanto ao argumento de que o Primeiro Protocolo Facultativo ao PIDCP ainda não</p><p>está em vigor na ordem interna brasileira, segundo Caio Paiva deve ser feito um distinguishing.</p><p>Assim:</p><p>TRATADOS QUE CRIAM OBRIGAÇÕES DE</p><p>RESPEITAR E PROTEGER DIREITOS</p><p>HUMANOS</p><p>TRATADOS QUE APENAS ESTABELECEM</p><p>MECANISMOS DE PROTEÇÃO SEM CRIAR</p><p>NOVAS OBRIGAÇÕES DE RESPEITAR E</p><p>PROTEGER DIREITOS HUMANOS</p><p>Para entrarem em vigor na ordem jurídica</p><p>nacional, precisam passar também pela fase do</p><p>decreto de promulgação</p><p>Entram em vigor, internacional e</p><p>nacionalmente, com a sua ratificação, sendo</p><p>desnecessário o decreto de promulgação</p><p>7. PACTO INTERNACIONAL DE DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS</p><p>(PIDESC)</p><p>O Pacto Social foi elaborado paralelamente ao Pacto Civil, concomitantemente com a</p><p>Assembleia Geral aprovada em 1966, e entrou em vigor em 1976. Visa estabelecer, sob a forma de</p><p>direitos, as condições sociais, econômicas e culturais para a vida digna.</p><p>Em contraposição à noção de que a realização progressiva dos direitos econômicos, sociais</p><p>e culturais afasta a sua exigibilidade, a interpretação do Pacto é no sentido de que a primeira</p><p>obrigação estatal é adotar medidas, isto é, planejar apropriadamente as políticas públicas,</p><p>tendentes à realização destes direitos. E, ainda, da progressividade decorre a chamada cláusula de</p><p>proibição do retrocesso social, na medida em que é vedado aos Estados retroceder no campo da</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 66</p><p>implementação desses direitos. Assim, a progressividade dos direitos econômicos, sociais e</p><p>culturais proíbe o retrocesso ou a redução de políticas públicas voltadas à garantia de tais direitos.</p><p>Houve a fixação de um conteúdo mínimo de direitos, por parte do Comitê de Direitos</p><p>Econômicos, Sociais e Culturais, que dever ser imediatamente implementados, judicialmente,</p><p>inclusive, quais sejam:</p><p>• Tratamento isonômico ante a lei (art. 3º);</p><p>ARTIGO 3º - Os Estados partes do presente pacto comprometem-se a</p><p>assegurar a homens e mulheres igualdade no gozo de todos os direitos</p><p>econômicos, sociais e culturais enunciados no presente pacto.</p><p>• Remuneração igual por trabalho igual, com especial proteção à mulher (art. 7º);</p><p>ARTIGO 7 - Os Estados Partes do presente pacto reconhecem o direito de</p><p>toda pessoa de gozar de condições de trabalho justas e favoráveis, que</p><p>assegurem especialmente:</p><p>a) uma remuneração que proporcione, no mínimo, a todos os trabalhadores:</p><p>i) um salário equitativo e uma remuneração igual por um trabalho de igual</p><p>valor, sem qualquer distinção; em particular, as mulheres deverão ter a</p><p>garantia de condições de trabalho não inferiores às dos homens e receber a</p><p>mesma remuneração que ele por trabalho igual;</p><p>ii) uma existência</p><p>decente para eles e suas famílias, em conformidade com</p><p>as disposições do presente Pacto.</p><p>b) a segurança e a higiene no trabalho;</p><p>c) igual oportunidade para todos de serem promovidos, em seu trabalho, á</p><p>categoria superior que lhes corresponda, sem outras considerações que as</p><p>de tempo de trabalho e capacidade;</p><p>d) o descanso, o lazer, a limitação razoável das horas de trabalho e férias</p><p>periódicas remuneradas, assim.</p><p>• Liberdade sindical e de greve (art. 8º);</p><p>ARTIGO 8º</p><p>1. Os Estados Partes do presente pacto comprometem-se a garantir:</p><p>a) o direito de toda pessoa de fundar com outras sindicatos e de filiar-se ao</p><p>sindicato de sua escolha, sujeitando-se unicamente aos organização</p><p>interessada, com o objetivo de promover e de proteger seus interesses</p><p>econômicos e sociais. O exercício desse direito só poderá ser objeto das</p><p>restrições previstas em lei e que sejam necessárias, em uma sociedade</p><p>democrática, no interesse da segurança nacional ou da ordem pública, ou</p><p>para proteger os direitos e as liberdades alheias;</p><p>b) o direito dos sindicatos de formar federações ou confederações nacionais</p><p>e o direito desta de formar organizações sindicais internacionais ou de filiar-</p><p>se às mesmas;</p><p>c) o direito dos sindicatos de exercer livremente suas atividades, sem</p><p>quaisquer limitações além daquelas previstas em lei e que sejam</p><p>necessárias, em uma sociedade democrática, no interesse da segurança</p><p>nacional ou da ordem pública, ou para proteger os direitos e as liberdades</p><p>das demais pessoas;</p><p>d) o direito de greve, exercido de conformidade com as leis de cada país.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 67</p><p>2. O presente artigo não impedirá que se submeta a restrições legais o</p><p>exercício desses direitos pelos membros das forças armadas, da política ou</p><p>da administração pública.</p><p>3. nenhuma das disposições do presente artigo permitirá que os Estados</p><p>Partes da Convenção de 1948 da Organização Internacional do Trabalho,</p><p>relativa à liberdade sindical e à proteção do direito sindical, venha a adotar</p><p>medidas legislativas que restrinjam - ou a aplicar a lei de maneira a restringir</p><p>- as garantias previstas na referida Convenção.</p><p>• Proteção e assistência em prol de todas as crianças e adolescentes, sem distinção alguma</p><p>por motivo de filiação ou qualquer outra condição contra a exploração econômica e social</p><p>(art. 10);</p><p>ARTIGO 10 Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem que:</p><p>1. Deve-se conceder à família, que é o elemento natural e fundamental da</p><p>sociedade, as mais amplas proteção e assistência possíveis, especialmente</p><p>para a sua constituição e enquanto ela for responsável pela criação e</p><p>educação dos filhos. O matrimônio deve ser contraído com livre</p><p>consentimento dos futuros cônjuges.</p><p>2. Deve-se conceder proteção às mães por um período de tempo razoável</p><p>antes e depois do parto. Durante esse período, deve-se conceder às mães</p><p>que trabalhem licença remunerada ou licença acompanhada de benefícios</p><p>previdenciários adequados.</p><p>3. Devem-se adotar medidas especiais de proteção e de assistência em prol</p><p>de todas as crianças e adolescentes, sem distinção por motivo de filiação ou</p><p>qualquer outra condição. Devem-se proteger as crianças e adolescentes</p><p>contra a exploração econômica e social. O emprego de crianças e</p><p>adolescentes em trabalhos que lhes sejam nocivos à saúde ou que lhes</p><p>façam correr perigo de vida, ou ainda que lhes venham a prejudicar o</p><p>desenvolvimento normal, será punido por lei.</p><p>Os Estados devem também estabelecer limites de idade sob os quais fique</p><p>proibido e punido por lei o emprego assalariado da mão-de-obra infantil.</p><p>• Obrigatoriedade e gratuidade da educação primária;</p><p>ARTIGO 13</p><p>1. Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa</p><p>à educação. Concordam em que a educação deverá visar o pleno</p><p>desenvolvimento da personalidade humana e do sentido de sua dignidade e</p><p>fortalecer o respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais.</p><p>Concordam ainda em que a educação deverá capacitar todas as pessoas a</p><p>participar efetivamente de uma sociedade livre, favorecer a compreensão, a</p><p>tolerância e a amizade entre todas as nações e entre todos os grupos raciais,</p><p>étnicos ou religiosos e promover as atividades das Nações Unidas em prol da</p><p>manutenção da paz.</p><p>2. Os Estados partes do Presente Pacto reconhecem que, com o objetivo de</p><p>assegurar o pleno exercício desse direito:</p><p>a) a educação primária deverá ser obrigatória e acessível gratuitamente a</p><p>todos;</p><p>b) a educação secundária em suas diferentes formas, inclusive a educação</p><p>secundária técnica e profissional, deverá ser generalizada e tornar-se</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 68</p><p>acessível a todos, por todos os meios apropriados e, principalmente, pela</p><p>implementação progressiva do ensino gratuito;</p><p>c) a educação de nível superior deverá igualmente tronar-se acessível a</p><p>todos, com base na capacidade de cada um, por todos os meios apropriados</p><p>e, principalmente, pela implementação progressiva do ensino gratuito;</p><p>d) dever-se-á fomentar e intensificar, na medida do possível, a educação de</p><p>base para aquelas que não receberam educação primária ou não concluíram</p><p>o ciclo completo de educação primária;</p><p>e) será preciso prosseguir ativamente o desenvolvimento de uma rede</p><p>escolar em todos os níveis de ensino, implementar-se um sistema de bolsas</p><p>estudo e melhorar continuamente as condições materiais do corpo docente.</p><p>1. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a respeitar a</p><p>liberdade dos pais - e, quando for o caso, dos tutores legais - de escolher</p><p>para seus filhos escolas distintas daquelas criadas pelas autoridades</p><p>públicas, sempre que atendam aos padrões mínimos de ensino prescritos ou</p><p>aprovados pelo Estado, e de fazer com que seus filhos venham a receber</p><p>educação religiosa ou moral que seja de acordo com suas próprias</p><p>convicções.</p><p>2. Nenhuma das disposições do presente artigo poderá ser interpretada no</p><p>sentido de restringir a liberdade de indivíduos e de entidades de criar e dirigir</p><p>instituições de ensino, desde que respeitados os princípios enunciados no §</p><p>1° do presente artigo e que essas instituições observem os padrões mínimos</p><p>prescritos pelo Estado.</p><p>• Liberdade de os pais decidirem quanto aos estudos dos filhos (art. 10);</p><p>• Liberdade de as escolas fixarem sua orientação pedagógica (art. 10);</p><p>Liberdade à pesquisa científica e à atividade criadora;</p><p>ARTIGO 15</p><p>1. Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem a cada indivíduo o</p><p>direito de:</p><p>a) Participar da vida cultural;</p><p>b) desfrutar o progresso científico e suas aplicações;</p><p>c) beneficiar-se da proteção dos interesses morais e materiais decorrentes</p><p>de toda a produção científica, literária ou artística de que seja autor.</p><p>2. As medidas que os Estados Partes do presente Pacto deverão adotar com</p><p>a finalidade de assegurar o pleno exercício desse direito aquelas necessárias</p><p>à conservação, ao desenvolvimento e à difusão da ciência e da cultura.</p><p>3. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a respeitar a</p><p>liberdade indispensável à pesquisa científica e à atividade criadora.</p><p>4. Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem os benefícios que</p><p>derivam do fomento e do desenvolvimento da cooperação e das ralações</p><p>internacionais no domínio da ciência e da cultura.</p><p>O Brasil ratificou o Pacto em 24.1.1992, sem qualquer ressalva.</p><p>Em 2008, a Assembleia Geral da ONU, adotou o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional</p><p>de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, o qual instaura a competência do Comitê de Direitos</p><p>Econômicos, Sociais e Culturais para receber e analisar comunicações feitas por ou em benefícios</p><p>de indivíduos ou grupo de pessoas, sob jurisdição de um Estado Parte, alegando serem vítimas de</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS</p><p>2024.1 69</p><p>violação de quaisquer dos direitos previstos no Pacto, bem como comunicações interestaduais e</p><p>procedimento de investigação das violações graves ou sistemáticas dos DESC.</p><p>O PF-PIDESC foi colocado para assinatura em 2009. Entrou em vigor em 05 de maio de</p><p>2013, com a ratificação do Uruguai (10º país) - se juntando a Argentina, Bolívia, Bósnia-</p><p>Herzegovina, Equador, El Salvador, Mongólia, Portugal, Eslováquia e Espanha.</p><p>7.1. MECANISMO DE PROTEÇÃO: COMITÊ DE DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E</p><p>CULTURAIS</p><p>Órgão de Tratado das Nações Unidas, criado pelo Conselho Econômico e Social, que</p><p>supervisiona a aplicação do PIDESC pelos Estados-Parte, composto por 18 especialistas</p><p>independentes, nomeados e escolhidos pelos Estados Parte, por um período fixo e renovável por</p><p>quatro anos.</p><p>Tem o mandato de examinar os relatórios apresentados periodicamente (dois anos e depois</p><p>a cada cinco anos) pelos Estados-Parte sobre as medidas adotadas para a aplicação das</p><p>disposições do PIDESC.</p><p>Além disso, expressa suas preocupações e recomendações aos Estados-Parte como</p><p>“observações finais”.</p><p>Para facilitar a avaliação, o Comitê adotou orientações sobre a forma e o conteúdo dos</p><p>relatórios. Adota também “observações gerais” para guiar a interpretação e aplicação dos artigos</p><p>do PIDESC.</p><p>A partir da entrada em vigor do PF-PIDESC (05 de maio de 2013), o Comitê terá a faculdade</p><p>de examinar comunicações individuais e interestatais, e investigar supostas violações ao</p><p>PIDESC.</p><p>7.1.1. Comunicações individuais (queixas ou petições)</p><p>Permite às vítimas de violações de direitos econômicos, sociais e culturais, apresentarem</p><p>reclamações perante o Comitê DESC. Todo Estado-Parte do PIDESC que ratificar o Protocolo</p><p>Facultativo reconhece as atribuições do Comitê para receber e examinar comunicações conforme</p><p>as disposições do Protocolo. Assim o Comitê poderá, por meio de casos específicos, melhorar a</p><p>compreensão dos direitos econômicos, sociais e culturais e requerer aos Estados as reparações.</p><p>Os autores da comunicação devem: esgotar os recursos internos, ou seja, que antes de</p><p>apresentar a comunicação individual devem ter utilizado todos os recursos disponíveis na jurisdição</p><p>interna e a resolução do caso não deve estar pendente, salvo se os recursos internos não forem</p><p>efetivos, não estiverem à disposição do autor ou se forem objeto de “dilações indevidas”; apresentar</p><p>a comunicação dentro de um ano desde o esgotamento dos recursos internos; e ter certeza de que</p><p>o mesmo caso não foi apresentado perante um mecanismo internacional semelhante.</p><p>O procedimento comporta a possibilidade de pedir medidas provisionais e, como</p><p>características inovadoras, o Protocolo Facultativo inclui também a possibilidade de uma “solução</p><p>amistosa”, estabelece um padrão de revisão particular e dá ao Comitê a faculdade de consultar</p><p>documentação pertinente elaborada por outros órgãos, organismos especializados, fundos,</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 70</p><p>programas e mecanismos das Nações Unidas e de outras organizações internacionais, incluindo os</p><p>sistemas regionais ACNUDH - Escritório Regional para América do Sul.</p><p>7.1.2. Comunicações interestatais</p><p>Permite aos Estados-Parte apresentar comunicações perante o Comitê DESC, denunciando</p><p>outro Estado que não cumpriu suas obrigações segundo o Pacto Internacional de Direitos</p><p>Econômicos, Sociais e Culturais, desde que ambos os Estados tenham feito uma declaração de</p><p>aceitação desse mecanismo.</p><p>7.1.3. Procedimento de investigação</p><p>Permite ao Comitê DESC começar uma investigação quando receber informação fidedigna</p><p>indicando a existência de violações graves ou sistemáticas dos direitos estabelecidos no Pacto</p><p>Internacional, sempre que o Estado analisado tenha feito uma declaração de aceitação da</p><p>competência do Comitê para tais pesquisas.</p><p>8. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE</p><p>DISCRIMINAÇÃO RACIAL</p><p>O art. 1º da Convenção define discriminação racial, de forma bastante abrangente.</p><p>ARTIGO I</p><p>1. Nesta Convenção, a expressão "discriminação racial" significará qualquer</p><p>distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor,</p><p>descendência ou origem nacional ou étnica que tem por objetivo ou efeito</p><p>anula ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo plano,</p><p>(em igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades fundamentais</p><p>no domínio político econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio</p><p>de sua vida.</p><p>2. Esta Convenção não se aplicará às distinções, exclusões, restrições e</p><p>preferências feitas por um Estado Parte nesta Convenção entre cidadãos.</p><p>3. Nada nesta Convenção poderá ser interpretado como afetando as</p><p>disposições legais dos Estados Partes, relativa à nacionalidade, cidadania e</p><p>naturalização, desde que tais disposições não discriminem contra qualquer</p><p>nacionalidade particular.</p><p>4. Não serão consideradas discriminações racial as medidas especiais</p><p>tomadas como o único objetivo de assegurar progresso adequado de certos</p><p>grupos raciais ou étnicos ou indivíduos que necessitem da proteção que</p><p>possa ser necessária para proporcionar a tais grupos ou indivíduos igual gozo</p><p>ou exercício de direitos humanos e liberdades fundamentais, contanto que,</p><p>tais medidas não conduzam, em consequência , á manutenção de direitos</p><p>separados para diferentes grupos raciais e não prossigam após terem sidos</p><p>alcançados os seus objetivos.</p><p>Este artigo é complementado pelo art. 4º, “a”, no sentido de que os Estados devem editar</p><p>normas penais para punir atos discriminatórios e racistas, incluindo qualquer difusão de ideias</p><p>baseadas na superioridade ou ódio racial.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 71</p><p>ARTIGO IV - Os Estados partes condenam toda propaganda e toda as</p><p>organizações que se inspirem em ideias ou teorias baseadas na</p><p>superioridade de uma raça ou de um grupo de pessoas de uma certa cor ou</p><p>de uma certa origem étnica ou que pretendem justificar ou encorajar qualquer</p><p>forma de ódio e de discriminação raciais e comprometem-se a adotar</p><p>imediatamente medidas positivas destinadas a eliminar qualquer incitação a</p><p>uma tal discriminação, ou quaisquer atos de discriminação com este objetivo,</p><p>tendo em vista os princípios formulados na Declaração universal dos direitos</p><p>do homem e os direitos expressamente enunciados no artigo 5 da presente</p><p>convenção, eles se comprometem principalmente:</p><p>a) a declarar delitos puníveis por lei, qualquer difusão de ideias baseadas na</p><p>superioridade ou ódio raciais, qualquer incitamento à discriminação racial,</p><p>assim como quaisquer atos de violência ou provocação a tais atos, dirigidos</p><p>contra qualquer raça ou qualquer grupo de pessoas de outra cor ou de outra</p><p>origem étnica, como também qualquer assistência prestada a atividades</p><p>racistas, inclusive seu financiamento;</p><p>b) a declarar ilegais e a proibir as organizações assim como as atividades de</p><p>propaganda organizada e qualquer outro tipo de atividades de propaganda</p><p>que incitar à discriminação e que a encorajar e a declara delito punível por lei</p><p>a participação nestas organizações ou nestas atividades.</p><p>c) a não permissão às autoridades públicas nem às instituições públicas,</p><p>nacionais ou locais, o incitamento ou encorajamento à discriminação racial.</p><p>Outro aspecto interessante da Convenção diz respeito à possibilidade de edição de medidas</p><p>especiais para assegurar o “progresso adequado” de grupos étnicos ou raciais, a fim de criar as</p><p>condições para o pleno exercício, em condições de igualdade, dos direitos humanos – com a</p><p>ressalva de que tais medidas devem ser suspensas após o alcance dos fins pretendidos, evitando</p><p>que conduzam à criação de direitos desiguais e distintos para os diferentes grupos raciais (arts. 1º,</p><p>4, e 2º, 2). É o que se convencionou chamar de discriminação positiva.</p><p>Art. I, 4. Não serão consideradas discriminações</p><p>racial as medidas especiais</p><p>tomadas como o único objetivo de assegurar progresso adequado de certos</p><p>grupos raciais ou étnicos ou indivíduos que necessitem da proteção que</p><p>possa ser necessária para proporcionar a tais grupos ou indivíduos igual gozo</p><p>ou exercício de direitos humanos e liberdades fundamentais, contanto que,</p><p>tais medidas não conduzam, em consequência , a manutenção de direitos</p><p>separados para diferentes grupos raciais e não prossigam após terem sidos</p><p>alcançados os seus objetivos.</p><p>Art. II, 2. Os Estados Parte tomarão, se as circunstâncias o exigirem, nos</p><p>campos social, econômico, cultural e outros, as medidas especiais e</p><p>concretos para assegurar como convier o desenvolvimento ou a proteção de</p><p>certos grupos raciais de indivíduos pertencentes a estes grupos com o</p><p>objetivo de garantir-lhes, em condições de igualdade, o pleno exercício dos</p><p>direitos do homem e das liberdades fundamentais. Essas medidas não</p><p>deverão, em caso algum, ter a finalidade de manter direitos desiguais ou</p><p>distintos para os diversos grupos raciais, depois de alcançados os objetivos</p><p>em razão dos quais foram tomadas.</p><p>Foi ratificado pelo Brasil em 27.3.1968, sem qualquer reserva.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 72</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>MPE/RR (2023) Nos termos da Convenção Interamericana contra o Racismo,</p><p>a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, promulgada pelo</p><p>Decreto nº 10.932, de 10 de janeiro de 2022, o Estado brasileiro tem o dever</p><p>de prevenir, eliminar, proibir e punir, de acordo com suas normas</p><p>constitucionais e com as disposições dessa Convenção, todos os atos e</p><p>manifestações de racismo, discriminação racial e formas correlatas de</p><p>intolerância, inclusive qualquer restrição ou limitação do uso de idioma,</p><p>tradições, costumes e cultura das pessoas em atividades públicas ou</p><p>privadas. Correta!</p><p>MPE/AM (2023) Em 2019, o quadro Orixás, da pintora brasileira Djanira da</p><p>Motta e Silva, até então a principal obra de decoração do Salão Nobre do</p><p>Palácio do Planalto, foi injustificadamente retirado do local e enviado para o</p><p>arquivo do Planalto, deixando de ser exibido ao público. O MP pode averiguar</p><p>se há fundamento jurídico para a abertura de investigação das circunstâncias</p><p>que motivaram a retirada dessa obra do Salão Nobre do Palácio do Planalto,</p><p>o que pode ser objeto de eventual inquérito civil público relativo a suspeita de</p><p>racismo religioso contra as religiões de matriz africana no Brasil. Correta!</p><p>DPE/PR (2022) Referente à Convenção Internacional sobre a Eliminação de</p><p>Todas as Formas de Discriminação Racial, adotada em dezembro de 1965</p><p>pela Resolução n.º 2106 da Assembleia Geral da ONU e promulgada pelo</p><p>Decreto n.º 65.810/69, é correto afirmar que define como “discriminação</p><p>racial” qualquer distinção, exclusão restrição ou preferência baseadas em</p><p>raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tem por objetivo ou</p><p>efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo</p><p>plano,(em igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades</p><p>fundamentais no domínio político econômico, social, cultural ou em qualquer</p><p>outro domínio de vida pública. Correta!</p><p>8.1. COMITÊ PARA A ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL</p><p>O Comitê (corpo de 18 especialistas independentes) para a Eliminação da Discriminação</p><p>Racial foi criado em virtude do art.º 8.º da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas</p><p>as Formas de Discriminação Racial com o objetivo de controlar a aplicação, pelos Estados Partes,</p><p>das disposições desta Convenção.</p><p>Cada Estado-Parte deve enviar relatórios periódicos, inicialmente no primeiro ano após a</p><p>ratificação da Convenção, e desde então bienalmente.</p><p>Além do sistema de relatórios, a Convenção estabelece três outros mecanismos através dos</p><p>quais o Comitê realiza o monitoramento, a saber: o exame das reclamações interestatais; o</p><p>daquelas decorrentes dos indivíduos; o procedimento Alerta Rápido, voltado ao envio de</p><p>recomendações urgentes quanto aos procedimentos a serem tomados pelos Estados-Partes para</p><p>prevenir ou limitar a ocorrência de violações à Convenção, em face de situações de conflitos.</p><p>Inovou ao prever o sistema de denúncias individuais, ainda que mediante a concordância</p><p>expressa do Estado Parte, o que não lhe retirou a importância para o desenvolvimento do sistema.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 73</p><p>Em 17.6.2002, o Brasil reconheceu a competência do Comitê sobre a Eliminação da</p><p>Discriminação racial para receber e processar reclamações de violações de direitos humanos, como</p><p>previsto no art. 14 da Convenção.</p><p>ARTIGO XIV</p><p>1. Todo Estado Parte poderá declarar a qualquer momento que reconhece a</p><p>competência do Comitê para receber e examinar comunicações de indivíduos</p><p>ou grupos de indivíduos sob sua jurisdição que se consideram vítimas de uma</p><p>violação pelo referido Estado Parte, de qualquer um dos direitos enunciados</p><p>na presente Convenção. O Comitê não receberá qualquer comunicação de</p><p>um Estado Parte que não houver feito tal declaração</p><p>2. Qualquer Estado Parte que fizer uma declaração de conformidade com o</p><p>parágrafo do presente artigo, poderá criar ou designar um órgão dentro da</p><p>sua ordem jurídica nacional, que terá competência para receber e examinar</p><p>as petições de pessoas ou grupos de pessoas sob sua jurisdição que</p><p>alegarem ser vítimas de uma violação de qualquer um dos direitos</p><p>enunciados na presente Convenção e que esgotaram os outros recursos</p><p>locais disponíveis.</p><p>3. A declaração feita de conformidade com o 1.° do presente artigo e o nome</p><p>de qualquer órgão criado ou designado pelo Estado Parte interessado</p><p>consoante o 2.° do presente artigo será depositado pelo Estado Parte</p><p>interessado junto ao Secretário geral das Nações Unidas que remeterá cópias</p><p>aos outros Estados Partes. A declaração poderá ser retirada a qualquer</p><p>momento mediante notificação ao Secretário Geral, mas esta retirada não</p><p>prejudicará as comunicações que já estiverem sendo estudadas pelo Comitê.</p><p>4. O órgão criado ou designado de conformidade com o 2.° do presente</p><p>artigo, deverá manter um registro de petições e cópias autenticadas do</p><p>registro serão depositadas anualmente por canais apropriados junto ao</p><p>Secretário Geral das Nações Unidas, no entendimento que o conteúdo</p><p>dessas cópias não será divulgado ao público.</p><p>5. Se não obtiver reparação satisfatória do órgão criado ou designado de</p><p>conformidade com o 2.° do presente artigo, o peticionário terá o direito de</p><p>levar a questão ao Comitê dentro de seis meses.</p><p>6. a) O Comitê, a título confidencial, qualquer comunicação que lhe tenha</p><p>sido endereçada, ao conhecimento do Estado Parte que, pretensamente</p><p>houver violado qualquer das disposições desta Convenção, mas a identidade</p><p>das pessoas ou dos grupos de pessoas não poderá ser revelada sem o</p><p>consentimento expresso da referida pessoa ou grupos de pessoas. O Comitê</p><p>não receberá comunicações anônimas.</p><p>b) Nos três meses seguintes, o referido Estado submeterá, por escrito ao</p><p>Comitê, as explicações ou recomendações que esclareçam a questão e</p><p>indicará as medidas corretivas que por acaso houver adotado</p><p>7. a) O Comitê examinará as comunicações , à luz az informações que lhe</p><p>forem submetidas pelo Estado Parte interessado e pelo peticionário. O</p><p>Comitê só examinará uma comunicação de um peticionário após ter-se</p><p>assegurado que este esgotou todos os recursos internos disponíveis.</p><p>Entretanto, esta regra não se aplicará se os processos de recurso excederem</p><p>prazos razoáveis.</p><p>b) O Comitê remeterá suas sugestões e recomendações eventuais, ao</p><p>Estado Parte interessado e ao peticionário.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 74</p><p>8. O Comitê incluirá em seu relatório anual um resumo destas comunicações,</p><p>se for necessário, um resumo das explicações e declarações</p><p>dos Estados</p><p>Partes interessados assim como suas próprias sugestões e recomendações.</p><p>9. O Comitê somente terá competência para exercer as funções previstas</p><p>neste artigo se pelo menos dez Estados Partes nesta Convenção estiverem</p><p>obrigados por declaração feitas de conformidade com o parágrafo deste</p><p>artigo.</p><p>9. CONVENÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO</p><p>CONTRA A MULHER</p><p>No art. 1º da Convenção encontra-se o conceito de “discriminação contra a mulher”.</p><p>Artigo 1º - Para fins da presente Convenção, a expressão "discriminação</p><p>contra a mulher" significará toda distinção, exclusão ou restrição baseada no</p><p>sexo e que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o</p><p>reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher, independentemente de seu</p><p>estado civil, com base na igualdade do homem e da mulher, dos direitos</p><p>humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social,</p><p>cultural e civil ou em qualquer outro campo.</p><p>O Comitê entendeu, na Recomendação Geral nº 19/92, que a violência contra as mulheres</p><p>(violência dirigida contra uma mulher devido ao fato de ser mulher), encontra-se na definição de</p><p>discriminação contra as mulheres, embora a Convenção não refira expressamente esta questão.</p><p>O art. 2º prevê uma série de obrigações assumidas pelos Estados Partes, com o fim de</p><p>eliminar as descriminações, em virtude da ratificação ou da adesão à Convenção.</p><p>Artigo 2º - Os Estados-partes condenam a discriminação contra a mulher em</p><p>todas as suas formas, concordam em seguir, por todos os meios apropriados</p><p>e sem dilações, uma política destinada a eliminar a discriminação contra a</p><p>mulher, e com tal objetivo se comprometem a:</p><p>a) consagrar, se ainda não o tiverem feito, em suas Constituições nacionais</p><p>ou em outra legislação apropriada, o princípio da igualdade do homem e da</p><p>mulher e assegurar por lei outros meios apropriados à realização prática</p><p>desse princípio;</p><p>b) adotar medidas adequadas, legislativas e de outro caráter, com as sanções</p><p>cabíveis e que proíbam toda discriminação contra a mulher;</p><p>c) estabelecer a proteção jurídica dos direitos da mulher em uma base de</p><p>igualdade com os do homem e garantir, por meio dos tribunais nacionais</p><p>competentes e de outras instituições públicas, a proteção efetiva da mulher</p><p>contra todo ato de discriminação;</p><p>d) abster-se de incorrer em todo ato ou prática de discriminação contra a</p><p>mulher e zelar para que as autoridades e instituições públicas atuem em</p><p>conformidade com esta obrigação;</p><p>e) tomar as medidas apropriadas para eliminar a discriminação contra a</p><p>mulher praticada por qualquer pessoa, organização ou empresa;</p><p>f) adotar todas as medidas adequadas, inclusive de caráter legislativo, para</p><p>modificar ou derrogar leis, regulamentos, usos e práticas que constituam</p><p>discriminação contra a mulher;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 75</p><p>g) derrogar todas as disposições penais nacionais que constituam</p><p>discriminação contra a mulher.</p><p>A Convenção determina que os Estados Partes assegurem o pleno desenvolvimento e</p><p>progresso das mulheres (art. 3º), bem como os obriga a modificar os esquemas e modelos de</p><p>comportamento sociocultural dos homens e das mulheres, baseados na ideia de superioridade ou</p><p>inferioridade de um dos sexos ou em estereótipos de gênero (art. 5º), assim como a assegurar uma</p><p>educação familiar que entenda a maternidade como função social e reconheça a responsabilidade</p><p>comum no cuidado dos filhos. Nos termos do artigo 6.º, deverão ser suprimidos o tráfico de mulheres</p><p>e a exploração da prostituição de mulheres.</p><p>No art. 4º a Convenção prevê a possibilidade de adoção de políticas públicas baseadas na</p><p>discriminação positiva, a fim de que seus fins sejam alcançados.</p><p>Artigo 4º - 1. A adoção pelos Estados-partes de medidas especiais de caráter</p><p>temporário, destinadas a acelerar a igualdade de fato entre o homem e a</p><p>mulher não se considerará discriminação na forma definida nesta Convenção,</p><p>mas de nenhuma maneira implicará, como consequência, a manutenção de</p><p>normas desiguais ou separadas; essas medidas cessarão quando os</p><p>objetivos de igualdade de oportunidade e tratamento houverem sido</p><p>alcançados.</p><p>2. A adoção pelos Estados-partes de medidas especiais, inclusive as contidas</p><p>na presente Convenção, destinadas a proteger a maternidade, não se</p><p>considerará discriminatória.</p><p>O Brasil ratificou a Convenção da Mulher em 1984, formulou reserva aos artigos 15,</p><p>parágrafo 4º, e artigo 16, parágrafo 1º, alíneas (a), (c), (g) e (h), e artigo 29. As reservas aos artigos</p><p>15 e 16, retiradas em 1994, foram feitas devido à incompatibilidade entre a legislação brasileira,</p><p>então pautada pela assimetria entre os direitos do homem e da mulher. A reserva ao artigo 29, que</p><p>não se refere a direitos substantivos, é relativa a disputas entre Estados partes quanto à</p><p>interpretação da Convenção e continua vigorando.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>DPE/RO (2023) Ato que, acarretando encargos ao patrimônio nacional, possa</p><p>resultar em revisão da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas</p><p>de Discriminação contra a Mulher será submetido à aprovação do Congresso</p><p>Nacional.</p><p>9.1. PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS</p><p>AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO CONTRA A MULHER</p><p>Entrou em vigor no ano de 2000. O Brasil ratificou em 2002, sem qualquer reserva.</p><p>Conferiu ao Comitê duas competências adicionais: exame de comunicações apresentadas</p><p>por pessoas ou grupo de pessoas que aleguem serem vítimas de violação dos direitos enunciados</p><p>na Convenção; e instauração de inquéritos confidenciais em caso de suspeitas de violações graves</p><p>ou sistemáticas da Convenção.</p><p>9.2. COMITÊ SOBRE A ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO CONTRA A MULHER</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 76</p><p>É um corpo de 23 especialistas, independentes, de grande prestígio moral e competência</p><p>na área abarcada pela Convenção, eleitos pelos Estados Partes para exercerem o mandato por um</p><p>período de 04 anos. Desempenham sua função a título pessoal e não como delegados ou</p><p>representantes de seu país de origem.</p><p>Possui como função:</p><p>a) Examinar os relatórios periódicos apresentados pelos Estados Partes (art. 18 da</p><p>Convenção)</p><p>Artigo 18 - Os Estados-partes comprometem-se a submeter ao Secretário</p><p>Geral das Nações Unidas, para exame do Comitê, um relatório sobre as</p><p>medidas legislativas, judiciárias, administrativas ou outras que adotarem para</p><p>tornarem efetivas as disposições desta Convenção e dos progressos</p><p>alcançados a respeito:</p><p>a) no prazo de um ano, a partir da entrada em vigor da Convenção para o</p><p>Estado interessado; e</p><p>b) posteriormente, pelo menos a cada quatro anos e toda vez que o Comitê</p><p>vier a solicitar.</p><p>2. Os relatórios poderão indicar fatores e dificuldades que influam no grau de</p><p>cumprimento das obrigações estabelecidas por esta Convenção.</p><p>De acordo com o artigo 18 da Convenção, os Estados Partes devem apresentar relatórios</p><p>periódicos sobre as medidas legislativas, judiciárias, administrativas ou outras que adotarem para</p><p>tornarem efetivas as disposições desta Convenção e dos progressos alcançados a respeito. O</p><p>primeiro relatório deve ser apresentado um ano após a ratificação da Convenção, os demais a cada</p><p>quatro anos e toda vez que o Comitê vier a solicitar. O Comitê adotou algumas recomendações</p><p>(“guidelines”) para os Estados elaborarem seus relatórios.</p><p>Após receber o relatório do Estado Parte, um grupo de trabalho do Comitê, composto por</p><p>cinco Partes reúne-se, antes da sessão, para preparar uma lista de questões e perguntas, as quais</p><p>serão enviadas aos Estados antes da apresentação do relatório. Durante o período de sessão, oito</p><p>dos Estados Partes apresentam oralmente seus relatórios. Após a apresentação, o Comitê faz</p><p>observações e comentários gerais, faz perguntas sobre artigos específicos da Convenção, que são</p><p>posteriormente</p><p>91</p><p>11.2. PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS</p><p>DIREITOS DA CRIANÇA, RELATIVO À PARTICIPAÇÃO DE CRIANÇAS EM CONFLITOS</p><p>ARMADOS ..................................................................................................................................... 91</p><p>11.3. COMITÊ SOBRE OS DIREITOS DAS CRIANÇAS ............................................................ 91</p><p>12. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM</p><p>DEFICIÊNCIA .................................................................................................................................... 93</p><p>12.1. PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA PESSOA</p><p>COM DEFICIÊNCIA ....................................................................................................................... 97</p><p>12.2. COMITÊ DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS .................................... 97</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 3</p><p>13. CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E PUNIÇÃO AO CRIME DE GENOCÍDIO .................. 98</p><p>14. CONVENÇÃO INTERNACIONAL PARA A PROTEÇÃO DE TODAS AS PESSOAS CONTRA</p><p>OS DESAPARECIMENTOS FORÇADOS ........................................................................................ 98</p><p>14.1. COMITÊ CONTRA DESAPARECIMENTOS FORÇADOS .............................................. 100</p><p>15. CONVENÇÃO PARA A PROTEÇÃO DOS DIREITOS DE TODOS OS TRABALHADORES</p><p>MIGRANTES E MEMBROS DAS SUAS FAMÍLIAS ....................................................................... 102</p><p>15.1. COMITÊ ............................................................................................................................. 102</p><p>SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS............................. 103</p><p>1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA ......................................................................................................... 103</p><p>1.1. 1ª ETAPA: ANTECEDENTES DA CRIAÇÃO ................................................................... 103</p><p>1.2. 2ª ETAPA: INAUGURAÇÃO E FORMAÇÃO DO SISTEMA ............................................ 104</p><p>1.3. 3ª ETAPA: INÍCIO DO PERÍODO DE MONITORAMENTO ............................................. 107</p><p>1.4. 4ª ETAPA: INSTITUCIONALIZAÇÃO CONVENCIONAL DO SISTEMA ......................... 107</p><p>1.5. 5ª ETAPA: CONSOLIDAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DO SISTEMA .......................... 107</p><p>2. DIVISÃO DO SISTEMA INTERAMERICANO .......................................................................... 107</p><p>3. COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS ................................................. 108</p><p>3.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 108</p><p>3.2. ORIGEM ............................................................................................................................ 108</p><p>3.3. REGIME JURÍDICO .......................................................................................................... 109</p><p>3.4. FUNÇÕES ......................................................................................................................... 109</p><p>3.5. COMPOSIÇÃO .................................................................................................................. 112</p><p>3.5.1. Membros .................................................................................................................... 112</p><p>3.5.2. Processo de escolha dos membros .......................................................................... 113</p><p>3.5.3. Mandato ..................................................................................................................... 114</p><p>3.5.4. Regime de incompatibilidades ................................................................................... 114</p><p>3.5.5. Impedimentos ............................................................................................................. 115</p><p>3.6. FUNCIONAMENTO ........................................................................................................... 116</p><p>3.6.1. Organização interna ................................................................................................... 116</p><p>3.6.2. Período de sessões ................................................................................................... 117</p><p>3.6.3. Relatorias e grupos de trabalho................................................................................. 118</p><p>3.6.4. Quórum de votação ................................................................................................... 119</p><p>3.7. IDIOMAS DE TRABALHO ................................................................................................. 120</p><p>3.8. PROVOCAÇÃO PARA ATUAÇÃO ................................................................................... 120</p><p>4. CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS ....................................................... 120</p><p>4.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 120</p><p>4.2. ORIGEM ............................................................................................................................ 122</p><p>4.3. REGIME JURÍDICO .......................................................................................................... 122</p><p>4.4. COMPOSIÇÃO .................................................................................................................. 122</p><p>4.4.1. Membros .................................................................................................................... 122</p><p>4.4.2. Requisitos para o cargo ............................................................................................. 122</p><p>4.4.3. Eleição ........................................................................................................................ 123</p><p>4.4.4. Mandato ..................................................................................................................... 125</p><p>4.4.5. Juiz ad hoc ................................................................................................................. 125</p><p>4.5. JURISDIÇÃO CONSULTIVA DA CORTE ........................................................................ 126</p><p>4.5.1. Previsão normativa .................................................................................................... 126</p><p>4.5.2. Finalidade ................................................................................................................... 126</p><p>4.5.3. Alcance ....................................................................................................................... 126</p><p>4.5.4. Características do procedimento consultivo.............................................................. 127</p><p>4.5.5. Objeto da consulta ..................................................................................................... 127</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 4</p><p>4.5.6. Procedimento de emissão de opinião consultiva ...................................................... 129</p><p>4.5.7. Efeitos jurídicos das opiniões consultivas ................................................................. 129</p><p>4.5.8. Opiniões consultivas emitidas pela Corte ................................................................. 130</p><p>4.6. JURISDIÇÃO CONTENCIOSA DA CORTE INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS</p><p>162</p><p>4.6.1. Conceito ..................................................................................................................... 162</p><p>4.6.2. (Im) possibilidade de “retirar” a aceitação da competência contenciosa.................. 163</p><p>4.6.3. Competência em razão da pessoa (ratione personae) ............................................. 163</p><p>4.6.1. Competência em razão da matéria (ratione materiae) ............................................. 163</p><p>4.6.2. Competência ratione temporis</p><p>respondidas pelo Estado. Por fim, o Comitê elabora comentários finais sobre os</p><p>relatórios apresentados, que serão incluídos em seu relatório final à Assembleia Geral.</p><p>b) Formular sugestões e recomendações gerais (art. 21 da Convenção);</p><p>Artigo 21 - O Comitê, através do Conselho Econômico e Social das Nações</p><p>Unidas, informará anualmente a Assembleia Geral das Nações Unidas de</p><p>suas atividades e poderá apresentar sugestões e recomendações de caráter</p><p>geral, baseadas no exame dos relatórios e em informações recebidas dos</p><p>Estados-partes. Essas sugestões e recomendações de caráter geral serão</p><p>incluídas no relatório do Comitê juntamente com as observações que os</p><p>Estados-partes tenham porventura formulado.</p><p>2. O Secretário Geral das Nações Unidas transmitirá, para informação, os</p><p>relatórios do Comitê à Comissão sobre a Condição da Mulher.</p><p>É facultado ao Comitê elaborar sugestões e recomendações gerais, baseadas no exame</p><p>dos relatórios e de informações recebidas dos Estados Partes. Em geral, as sugestões são</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 77</p><p>direcionadas a entidades das Nações Unidas, enquanto as recomendações gerais aos Estados</p><p>Partes.</p><p>As recomendações gerais adotadas tratam de temas abordados pela Convenção e oferecem</p><p>orientações aos Estados Partes sobre suas obrigações, bem como os passos necessários a seu</p><p>cumprimento. Atualmente, a elaboração do conteúdo das recomendações gerais conta com a</p><p>participação não apenas de membros do Comitê, mas de organizações da sociedade civil e de</p><p>agências e órgãos das Nações Unidas, entre outros.</p><p>c) Instaurar inquéritos confidenciais (artigos 8º e 9º do Protocolo Facultativo);</p><p>Artigo 8º</p><p>1. Caso o Comitê receba informação fidedigna indicando graves ou</p><p>sistemáticas violações por um Estado Parte dos direitos estabelecidos na</p><p>Convenção, o Comitê convidará o Estado Parte a cooperar no exame da</p><p>informação e, para esse fim, a apresentar observações quanto à informação</p><p>em questão.</p><p>2.Levando em conta quaisquer observações que possam ter sido</p><p>apresentadas pelo Estado Parte em questão, bem como outras informações</p><p>fidedignas das quais disponha, o Comitê poderá designar um ou mais de seus</p><p>membros para conduzir uma investigação e apresentar relatório</p><p>urgentemente ao Comitê. Sempre que justificado, e com o consentimento do</p><p>Estado Parte, a investigação poderá incluir visita ao território deste último.</p><p>3. Após examinar os resultados da investigação, o Comitê os transmitirá ao</p><p>Estado Parte em questão juntamente com quaisquer comentários e</p><p>recomendações.</p><p>4. O Estado Parte em questão deverá, dentro de seis meses do recebimento</p><p>dos resultados, comentários e recomendações do Comitê, apresentar suas</p><p>observações ao Comitê.</p><p>5. Tal investigação será conduzida em caráter confidencial e a cooperação</p><p>do Estado Parte será buscada em todos os estágios dos procedimentos.</p><p>Artigo 9º</p><p>1. O Comitê poderá convidar o Estado Parte em questão a incluir em seu</p><p>relatório, segundo o Artigo 18 da Convenção, pormenores de qualquer</p><p>medida tomada em resposta à investigação conduzida segundo o Artigo 18</p><p>deste Protocolo.</p><p>2. O Comitê poderá, caso necessário, após o término do período de seis</p><p>meses mencionado no Artigo 8.4 deste Protocolo, convidar o Estado Parte a</p><p>informá-lo das medidas tomadas em resposta à mencionada investigação.</p><p>O Comitê, ao receber informação viável indicando violações graves ou sistemáticas de</p><p>direitos estabelecidos na Convenção pelos Estados Partes, convidará o Estado a apreciar a</p><p>informação, em conjunto com ele e a apresentar suas observações sobre essa questão. Além disso,</p><p>poderá encarregar alguns membros a efetuar um inquérito e a comunicar com urgência os</p><p>resultados. Caso seja justificável e haja aquiescência do Estado Parte, este inquérito poderá incluir</p><p>visitas ao território deste Estado.</p><p>Após analisar as conclusões do inquérito, o Comitê as comunica ao Estado em questão, que</p><p>disporá de um prazo de seis meses para apresentar suas observações. O procedimento de inquérito</p><p>tem caráter confidencial e a cooperação do Estado Parte poderá ser solicitada em qualquer fase do</p><p>processo.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 78</p><p>d) Examinar comunicações apresentadas por indivíduos ou grupo de indivíduos vítimas de</p><p>violação dos direitos dispostos na Convenção (art. de 2º a 7º do Protocolo Facultativo)</p><p>A partir da adoção do Protocolo Adicional à Convenção, foi facultado ao Comitê examinar</p><p>comunicações apresentadas por indivíduos ou grupos de indivíduos, sob a jurisdição do Estado</p><p>Parte, que afirmem ser vítimas de violação de qualquer um dos direitos abordados pela Convenção.</p><p>Para tanto, o Comitê verifica apenas as comunicações as quais seja verificado o esgotamento dos</p><p>recursos internos, ou seja, que todos os meios processuais na ordem interna tenham sido</p><p>esgotados, a não ser que o meio processual previsto tenha ultrapassado os prazos razoáveis ou</p><p>que seja improvável que conduza a uma reparação efetiva do requerente.</p><p>Caso a comunicação seja admitida, o Comitê comunicará o Estado, que terá seis meses</p><p>para apresentar suas observações. O Comitê escutará os requerentes em sessões fechadas e</p><p>transmitirá suas considerações e recomendações às partes interessadas. O Estado terá mais seis</p><p>meses para apresentar documento escrito dispondo sobre as medidas adotadas.</p><p>10. CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS,</p><p>DESUMANOS OU DEGRADANTES</p><p>Trata de um tema específico e não de um grupo social de pessoas vulneráveis.</p><p>A Convenção foi adotada pela Assembleia Geral da ONU em 1984, entrou em vigor em</p><p>1987, sendo ratificada pelo Brasil em 1989.</p><p>Está dividia em três partes: a primeira diz respeito aos sujeitos ativos e passivos da tortura,</p><p>sua definição e as medidas a serem tomadas pelos Estados que a ela aderirem; a segunda trata do</p><p>Comitê e sua atuação: membros, duração do mandato, relatórios, posicionamentos sobre casos</p><p>apresentados; a terceira cuida da adesão dos Estados-partes à Convenção, bem como emendas</p><p>que possam vir a sugerir.</p><p>No art. 1º encontra-se a definição de tortura:</p><p>ARTIGO 1º</p><p>1. Para os fins da presente Convenção, o termo "tortura" designa qualquer</p><p>ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos</p><p>intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de uma terceira</p><p>pessoa, informações ou confissões; de castigá-la por ato cometido; de</p><p>intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo</p><p>baseado em discriminação de qualquer natureza; quando tais dores ou</p><p>sofrimento são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no</p><p>exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu</p><p>consentimento ou aquiescência. Não se considerará como tortura as dores</p><p>ou sofrimentos consequência unicamente de sanções legítimas, ou que</p><p>sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram.</p><p>2. O presente Artigo não será interpretado de maneira a restringir qualquer</p><p>instrumento internacional ou legislação nacional que contenha ou possa</p><p>conter dispositivos de alcance mais amplo.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 79</p><p>A Convenção determina aos Estados-Partes que editem legislação tipificando criminalmente</p><p>a tortura, o que foi atendido pelo Brasil ante a edição da Lei Federal 9.455/97.</p><p>Comparando-se as definições contidas na lei e na Convenção, percebe-se grande</p><p>semelhança, ainda que a lei brasileira amplie o sujeito ativo do delito para qualquer pessoa,</p><p>enquanto a Convenção tem como agente apenas o funcionário público ou outra pessoa no exercício</p><p>de funções públicas ou por sua instigação. Outra diferença diz respeito à motivação baseada em</p><p>preconceito: a lei prevê apenas discriminação racial ou religiosa, enquanto a Convenção fala em</p><p>discriminação de qualquer natureza, certamente mais condizente com o objetivo</p><p>de proteger a</p><p>integridade física e psíquica do ser humano, sem as quais não sobrevive sua dignidade. Assim,</p><p>tendo em vista a regra interpretativa própria dos direitos humanos, no sentido de buscar sempre a</p><p>aplicação do instrumento jurídico que garanta maior proteção à pessoa, é possível entender como</p><p>tortura o sofrimento agudo baseado em preconceito de qualquer natureza.</p><p>O art. 2º determina que em nenhum caso, nem mesmo em situações excepcionais, será</p><p>permitida a derrogação a regra de proibição da tortura.</p><p>ARTIGO 2°</p><p>1. Cada Estado Parte tomará medidas eficazes de caráter legislativo,</p><p>administrativo, judicial ou de outra natureza, a fim de impedir a prática de atos</p><p>de tortura em qualquer território sob sua jurisdição.</p><p>2. Em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais tais</p><p>como ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer</p><p>outra emergência como justificação para tortura.</p><p>3. A ordem de um funcionário superior ou de uma autoridade pública não</p><p>poderá ser invocada como justificação para a tortura.</p><p>Estabelece a Convenção importantes deveres, a que os Estados (que ratificaram)</p><p>encontram-se obrigados, com vista à eliminação da prática da tortura no âmbito das respectivas</p><p>áreas de jurisdição:</p><p>a) Adoção de medidas legislativas, administrativas, judiciais ou outras que se revelem</p><p>adequadas a cumprir este objetivo (art. 2º, nº 1);</p><p>ARTIGO 2°</p><p>1. Cada Estado Parte tomará medidas eficazes de caráter legislativo,</p><p>administrativo, judicial ou de outra natureza, a fim de impedir a prática de atos</p><p>de tortura em qualquer território sob sua jurisdição.</p><p>b) Proibição de expulsão, de entrega ou de extradição para Estado onde existem motivos</p><p>sérios para crer que a pessoa possa ser sujeita à prática de tortura (art. 3º nº 1);</p><p>ARTIGO 3º</p><p>1. Nenhum Estado parte procederá à expulsão, devolução ou extradição de</p><p>uma pessoa para outro Estado quando houver razões substanciais para crer</p><p>que a mesma corre perigo de ali ser submetida a tortura.</p><p>2. A fim de determinar a existência de tais razões, as autoridades</p><p>competentes levarão em conta todas as considerações pertinentes, inclusive,</p><p>quando for o caso, a existência, no Estado em questão, de um quadro de</p><p>violência sistemáticas, graves e maciças de direitos humanos.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 80</p><p>c) Tortura deverá ser considera crime, no âmbito das respectivas legislações internas (art.</p><p>4º nº 1);</p><p>ARTIGO 4°</p><p>1. Cada Estado Parte assegurará que todos os atos de tortura sejam</p><p>considerados crimes segundo a sua legislação penal. O mesmo aplicar-se-á</p><p>à tentativa de tortura e a todo ato de qualquer pessoa que constitua</p><p>cumplicidade ou participação na tortura.</p><p>2. Cada Estado Parte punirá estes crimes com penas adequadas que levem</p><p>conta a sua gravidade.</p><p>d) Competência internacional de cada Estado, sempre que houver a prática de atos</p><p>qualificados como tortura (art. 5º);</p><p>ARTIGO 5º</p><p>1. Cada Estado Parte tomará as medidas necessárias para estabelecer sua</p><p>jurisdição sobre os crimes previstos no Artigo 4° nos seguintes casos:</p><p>a) quando os crimes tenham sido cometidos em qualquer território sob sua</p><p>jurisdição ou a bordo de navio ou aeronave registrada no Estado em questão;</p><p>b) quando o suposto autor for nacional do Estado em questão;</p><p>c) quando a vítima for nacional do Estado em questão e este considerar</p><p>apropriado.</p><p>2. Cada Estado Parte tomará também as medidas necessárias para</p><p>estabelecer sua jurisdição sobre tais crimes nos casos em que o suposto</p><p>autor se encontre em qualquer território sob sua jurisdição e o Estado não</p><p>extradite de acordo com o Artigo 8° para qualquer dos Estados mencionados</p><p>no parágrafo 1 do presente Artigo.</p><p>3. Esta Convenção não exclui qualquer jurisdição criminal exercida de acordo</p><p>com o direito interno.</p><p>e) Os Estados deverão incluir normas aplicáveis a crimes de tortura em qualquer tratado de</p><p>extradição, para que esta seja concedida (art. 8º);</p><p>ARTIGO 8º</p><p>1. Os crimes a que se refere o artigo 4º serão considerados como</p><p>extraditáveis em qualquer tratado de extradição existente entre os Estados</p><p>Partes. Os Estados Partes obrigar-se-ão a incluir tais crimes como</p><p>extraditáveis em todo tratado de extradição que vierem a concluir entre si.</p><p>2. Se um Estado Parte que condiciona a extradição à existência de tratado</p><p>receber um pedido de extradição por parte de outro Estado Parte com o qual</p><p>mantém tratado de extradição, poderá considerar a presente Convenção com</p><p>base legal para a extradição com respeito a tais crimes. A extradição sujeitar-</p><p>se-á às outras condições estabelecidas pela lei do Estado que receber a</p><p>solicitação.</p><p>3. Os Estados partes que não condicionam a extradição à existência de um</p><p>tratado reconhecerão, entre si, tais crimes como extraditáveis, dentro das</p><p>condições estabelecidas pela lei do Estado que receber a solicitação.</p><p>4. O crime será considerado, para o fim de extradição entre os Estados</p><p>partes, como se tivesse ocorrido não apenas no lugar em que ocorreu, mas</p><p>também nos territórios dos Estados chamados a estabelecerem sua</p><p>jurisdição, de acordo com o parágrafo 1 do Artigo 5°.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 81</p><p>f) Colaboração judiciária internacional no âmbito da instrução de processos criminais,</p><p>decorrentes da prática de atos de tortura (art. 9º);</p><p>ARTIGO 9°</p><p>1. Os Estados Partes prestarão entre si a maior assistência possível em</p><p>relação aos procedimentos criminais instaurados relativamente a qualquer</p><p>dos delitos mencionados no Artigo 4°, inclusive no que diz respeito ao</p><p>fornecimento de todos os elementos de prova necessários para o processo</p><p>que estejam em seu poder.</p><p>2. Os Estados Partes cumprirão as obrigações decorrentes do parágrafo 1</p><p>do presente Artigo conforme quaisquer tratados de assistência judiciária</p><p>recíproca existente entre si.</p><p>g) Adequada formação e informação de quaisquer agentes sobre a proibição de atos de</p><p>tortura (art. 10º);</p><p>ARTIGO 10</p><p>1. Cada Estado assegurará que o ensino e a informação sobre a proibição</p><p>de tortura sejam plenamente incorporados no treinamento do pessoal civil ou</p><p>militar encarregado da aplicação da lei, do pessoal médico, dos funcionários</p><p>públicos e de quaisquer outras pessoas que possam participar da custódia,</p><p>interrogatório ou tratamento de qualquer pessoa submetida a qualquer forma</p><p>de prisão, detenção ou reclusão.</p><p>2. Cada Estados Parte incluirá a referida proibição nas normas ou instruções</p><p>relativas aos deveres e funções de tais pessoas.</p><p>h) Instauração de um inquérito sempre que existam motivos para crer que um ato de tortura</p><p>foi praticado (art. 12º);</p><p>ARTIGO 12</p><p>Cada Estado Parte assegurará que suas autoridades competentes</p><p>procederão imediatamente a uma investigação imparcial sempre que houver</p><p>motivos razoáveis para crer que um ato de tortura tenha sido cometido em</p><p>qualquer território sob sua jurisdição.</p><p>i) Garantia do direito de apresentar queixa por parte de qualquer pessoa que alegue haver</p><p>sido submetida à tortura e exame rigoroso do seu caso (art. 13º);</p><p>ARTIGO 13</p><p>Cada Estado assegurará a qualquer pessoa que alegue ter sido submetido à</p><p>tortura em qualquer território sob sua jurisdição o direito de apresentar queixa</p><p>perante as autoridades competentes do referido Estado, que procederão</p><p>imediatamente e com imparcialidade ao exame de seu caso. Serão tomadas</p><p>medidas para assegurar a proteção do queixoso e das testemunhas contra</p><p>qualquer mau tratamento ou intimidação em consequência da queixa</p><p>apresentada ou depoimento prestado.</p><p>j) Direito da vítima de tortura a obter indenização (art. 14º);</p><p>ARTIGO 14</p><p>1. Cada Estado Parte assegurará, em seu sistema jurídico, à vítima de um</p><p>ato de tortura, o direito à reparação e a uma indenização justa e adequada,</p><p>incluídos os meios necessários para a mais completa reabilitação</p><p>possível.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 82</p><p>Em caso de morte da vítima como resultado de um ato de tortura, seus</p><p>dependentes terão direito a indenização.</p><p>2. O disposto no presente Artigo não afetará direito a indenização que a</p><p>vítima ou outra pessoa tem em decorrência das leis nacionais.</p><p>l) Proibição da utilização de declarações obtidas mediante tortura, como elemento de prova</p><p>num processo (art. 15º).</p><p>ARTIGO 15</p><p>Cada Estado Parte assegurará que nenhuma declaração que se demonstre</p><p>ter sido prestada como resultado de tortura possa ser invocada como prova</p><p>em processo, salvo contra uma pessoa acusada de tortura como prova de</p><p>que a declaração foi prestada.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>Delegado Polícia PC/GO (2022) Todos os atos de tortura devem ser</p><p>considerados crimes segundo a sua legislação penal, cabendo a cada um</p><p>dos Estados Partes assegurar o cumprimento dessa medida. O mesmo</p><p>aplicar-se-á à tentativa de tortura e a todo ato de qualquer pessoa que</p><p>constitua cumplicidade ou participação na tortura. Correta!</p><p>Delegado PC/AM (2022) Determinado agente público, ao interpretar a</p><p>Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis,</p><p>Desumanos ou Degradantes, afirmou que a sua organicidade interna impedia</p><p>a sua interpretação fragmentada, permeada por normas do direito interno. A</p><p>partir dessa premissa, concluiu que a legislação nacional, quando veicula</p><p>comandos de contornos mais amplos, deve ser preterida, já que a</p><p>combinatória de normas, ainda que mais favorável à pessoa humana,</p><p>romperia com o equilíbrio do sistema e conduziria a resultados absurdos. É</p><p>correto afirmar que a conclusão do agente público está incorreta, sendo</p><p>expressamente rechaçada pela Convenção. Correta!</p><p>10.1. PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS</p><p>TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES</p><p>Foi adotado pela Assembleia Geral da ONU em 2002, entrou em vigor em 2006. O Brasil</p><p>ratificou, sem reservas, em 2007.</p><p>Seu objetivo é estabelecer um sistema regular de visitas, realizadas por órgãos nacionais e</p><p>internacionais aos locais de custódia de pessoas, a fim de prevenir a ocorrência de tortura e outros</p><p>tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.</p><p>Artigo 1</p><p>O objetivo do presente Protocolo é estabelecer um sistema de visitas</p><p>regulares efetuadas por órgãos nacionais e internacionais independentes a</p><p>lugares onde pessoas são privadas de sua liberdade, com a intenção de</p><p>prevenir a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou</p><p>degradantes.</p><p>Artigo 3</p><p>Cada Estado-Parte deverá designar ou manter em nível doméstico um ou</p><p>mais órgãos de visita encarregados da prevenção da tortura e outros</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 83</p><p>tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes (doravante</p><p>denominados mecanismos preventivos nacionais).</p><p>Artigo 4</p><p>1. Cada Estado-Parte deverá permitir visitas, de acordo com o presente</p><p>Protocolo, dos mecanismos referidos nos Artigos 2 e 3 a qualquer lugar sob</p><p>sua jurisdição e controle onde pessoas são ou podem ser privadas de sua</p><p>liberdade, quer por força de ordem dada por autoridade pública quer sob seu</p><p>incitamento ou com sua permissão ou concordância (doravante denominados</p><p>centros de detenção). Essas visitas devem ser empreendidas com vistas ao</p><p>fortalecimento, se necessário, da proteção dessas pessoas contra a tortura e</p><p>outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes.</p><p>2. Para os fins do presente Protocolo, privação da liberdade significa qualquer</p><p>forma de detenção ou aprisionamento ou colocação de uma pessoa em</p><p>estabelecimento público ou privado de vigilância, de onde, por força de ordem</p><p>judicial, administrativa ou de outra autoridade, ela não tem permissão para</p><p>ausentar-se por sua própria vontade.</p><p>10.2. COMITÊ</p><p>É um corpo de dez especialistas independentes, de elevada reputação moral e reconhecida</p><p>competência em matéria de direitos humanos.</p><p>Possui como função:</p><p>a) Exame dos relatórios apresentados pelos Estados partes (art. 19);</p><p>ARTIGO 19</p><p>1. Os Estados Partes submeterão ao Comitê, por intermédio do Secretário-</p><p>Geral das Nações Unidas, relatórios sobre as medidas por eles adotadas no</p><p>cumprimento das obrigações assumidas em virtude da presente Convenção,</p><p>dentro do prazo de um ano, a contar do início da vigência da presente</p><p>Convenção no Estado Parte interessado, a partir de então, os Estados Partes</p><p>deverão apresentar relatórios suplementares a cada quatro anos sobre todas</p><p>as novas disposições que houverem adotado, bem como outros relatórios que</p><p>o Comitê vier a solicitar.</p><p>2. O Secretário-Geral das Nações Unidas transmitirá os relatórios a todos os</p><p>Estados Partes.</p><p>3. Cada relatório será examinado pelo Comitê, que poderá fazer os</p><p>comentários gerais que julgar oportunos e os transmitirá ao Estado Parte</p><p>interessado. Este poderá, em resposta ao Comitê, comunicar-lhe todas as</p><p>observações que deseje formular.</p><p>4. O Comitê poderá, a seu critério, tomar a decisão de incluir qualquer</p><p>comentário que houver feito de acordo com o que estipular o parágrafo 3 do</p><p>presente Artigo, junto com as observações conexas recebidas do Estado</p><p>Parte interessado, em seu relatório anual que apresentará em conformidade</p><p>com o Artigo 24. Se assim o solicitar o Estado Parte interessado, o Comitê</p><p>poderá também incluir cópia do relatório apresentado em virtude do parágrafo</p><p>1 do presente Artigo.</p><p>b) Instauração de inquéritos confidenciais (art. 20);</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 84</p><p>ARTIGO 20</p><p>1. O Comitê, no caso de vir a receber informações fidedignas que lhe</p><p>pareçam indicar, de forma fundamentada, que a tortura é praticada</p><p>sistematicamente no território de um Estado Parte, convidará o Estado Parte</p><p>em Questão a cooperar no exame das informações e, nesse sentido, a</p><p>transmitir as observações que julgar pertinentes.</p><p>2. Levando em consideração todas as observações que houver apresentado</p><p>o Estado parte interessado, bem como quaisquer outras informações</p><p>pertinentes de que dispuser, o Comitê poderá, se lhe parecer justificável,</p><p>designar um ou vários de seus membros para que procedam a uma</p><p>investigação confidencial e informem urgentemente o Comitê.</p><p>3. No caso de realizar-se uma investigação nos termos do parágrafo 2 do</p><p>presente Artigo, o Comitê procurará obter a colaboração do Estado Parte</p><p>interessado. Com a concordância do Estado parte em questão, a investigação</p><p>poderá incluir uma visita a seu território.</p><p>4. Depois de haver examinado as conclusões apresentadas por um ou vários</p><p>de seus membros, nos termos do parágrafo 2 do presente Artigo, o Comitê</p><p>as transmitirá ao Estado Parte interessado, junto com as observações ou</p><p>sugestões que considerar pertinentes em vista da situação.</p><p>5. Todos os trabalhos do Comitê a que se faz referência nos parágrafos 1 ao</p><p>4 do presente Artigo serão confidenciais e, em todas as etapas dos referidos</p><p>trabalhos, procurar-se-á obter a cooperação do Estado Parte. Quando</p><p>estiverem concluídos os trabalhos relacionados com uma investigação</p><p>realizada de acordo com o parágrafo 2, o Comitê poderá, após celebrar</p><p>consultas com o Estado Parte interessado, tomar a decisão de incluir um</p><p>resumo dos resultados da investigação em seu relatório anual, que</p><p>apresentará em conformidade com o Artigo 24.</p><p>c) Apreciação de comunicações apresentadas contra Estados partes, por outros Estados</p><p>partes (art. 21)</p><p>ARTIGO 21</p><p>1. Com base no presente Artigo, todo Estado Parte da presente Convenção</p><p>poderá declarar, a qualquer momento, que reconhece a competência do</p><p>Comitê para receber e examinar as comunicações em que um Estado Parte</p><p>alegue que outro Estado Parte não vem cumprindo as obrigações que lhe</p><p>impõe a Convenção. As referidas comunicações só serão recebidas e</p><p>examinadas nos termos do</p><p>presente Artigo no caso de serem apresentadas</p><p>por um Estado Parte que houver feito uma declaração em que reconheça,</p><p>com relação a si próprio, a competência do Comitê. O Comitê não receberá</p><p>comunicação alguma relativa a um Estado Parte que não houver feito uma</p><p>declaração dessa natureza. As comunicações recebidas em virtude do</p><p>presente Artigo estarão sujeitas ao procedimento que se segue:</p><p>a) se um Estado Parte considerar que outro Estado Parte não vem cumprindo</p><p>as disposições da presente Convenção poderá, mediante comunicação</p><p>escrita, levar a questão ao conhecimento deste Estado Parte. Dentro de um</p><p>prazo de três meses, a contar da data do recebimento da comunicação, o</p><p>Estado destinatário fornecerá ao Estado que enviou a comunicação</p><p>explicações ou quaisquer outras declarações por escrito que esclareçam a</p><p>questão, as quais deverão fazer referência, até onde seja possível e</p><p>pertinente, aos procedimentos, nacionais e aos recursos jurídicos adotados,</p><p>em trâmite ou disponíveis sobre a questão;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 85</p><p>b) se, dentro de um prazo de seis meses, a contar da data do recebimento da</p><p>comunicação original pelo Estado destinatário, a questão não estiver dirimida</p><p>satisfatoriamente para ambos os Estados Partes interessados, tanto um</p><p>como o outro terão o direito de submetê-lo ao comitê, mediante notificação</p><p>endereçada ao Comitê ou outro Estado interessado;</p><p>c) o comitê tratará de todas as questões que se lhe submetam em virtude do</p><p>presente Artigo somente após ter-se assegurado de que todos os recursos</p><p>jurídicos internos disponíveis tenham sido utilizados e esgotados, em</p><p>consonância com os princípios do Direito internacional geralmente</p><p>reconhecido. Não se aplicará esta regra quando a aplicação dos</p><p>mencionados recursos se prolongar injustificadamente ou quando não for</p><p>provável que a aplicação de tais recursos venham a melhorar realmente a</p><p>situação da pessoa que seja vítima de violação da presente convenção;</p><p>d) o comitê realizará reuniões confidenciais quando estiver examinando as</p><p>comunicações previstas no presente Artigo;</p><p>e) sem prejuízo das disposições da alínea (c), o Comitê colocará seus bons</p><p>ofícios à disposição dos Estados Partes interessados no intuito de se alcançar</p><p>uma solução amistosa para a questão, baseada no respeito às obrigações</p><p>estabelecidas na presente Convenção. Com vistas a atingir esse objetivo, o</p><p>comitê poderá constituir, se julgar conveniente, uma comissão de conciliação</p><p>ad hoc;</p><p>f) em todas as questões que se lhe submetem em virtude do presente Artigo,</p><p>o Comitê poderá solicitar aos Estados Partes interessados, a que se</p><p>referência na alínea (b), que lhe forneçam quaisquer informação pertinentes;</p><p>g) os estados Partes interessados, a que se faz referência na alínea (b), terão</p><p>o direito de fazer-se representar quando as questões forem examinadas no</p><p>Comitê e de apresentar suas observações verbalmente e/ou por escrito;</p><p>h) o Comitê, dentro dos doze meses seguintes à data de recebimento da</p><p>notificação mencionada na (b), apresentará relatório em que:</p><p>i) se houver sido alcançada uma solução nos termos da alínea (e), o comitê</p><p>restringir-se-á, em seu relatório, a uma breve exposição dos fatos e da</p><p>solução alcançada;</p><p>ii) se não houver sido alcançada solução alguma nos termos alínea (e), o</p><p>comitê restringir-se-á, em seu relatório, a uma breve exposição dos fatos;</p><p>serão anexados ao relatório o texto das observações escritas e as atas das</p><p>observações orais apresentadas pelos Estados Partes interessados.</p><p>Para cada questão, o relatório será encaminhado aos Estados partes</p><p>interessados.</p><p>2. As disposições do presente Artigo entrarão em vigor a partir do momento</p><p>em que cinco Estados Partes da presente convenção houverem feito as</p><p>declarações mencionadas no parágrafo 1 deste Artigo. As referidas</p><p>declarações serão depositadas pelos Estados partes junto ao Secretário</p><p>Geral das Nações Unidas, que enviará cópia das mesmas aos demais</p><p>Estados Partes. Toda declaração poderá ser retirada, a qualquer momento,</p><p>mediante notificação endereçada ao Secretário-Geral. Far-se-á essa retirada</p><p>sem prejuízo do exame de quaisquer questões que constituam objeto de uma</p><p>comunicação já transmitida nos termos deste Artigo; em virtude do presente</p><p>Artigo, não se receberá qualquer nova comunicação de um Estado Parte uma</p><p>vez que o Secretário-Geral haja recebido a notificação sobre a retirada da</p><p>declaração, a menos que o Estado parte interessado haja feito uma nova</p><p>declaração</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 86</p><p>d) Apreciação de comunicações apresentadas contra Estados partes, por particulares (art.</p><p>22).</p><p>ARTIGO 22</p><p>1. Todo Estado Parte da presente Convenção poderá, em virtude do presente</p><p>Artigo, declarar, a qualquer momento, que reconhece a competência do</p><p>Comitê para receber e examinar as comunicações enviadas por pessoas sob</p><p>sua jurisdição, ou em nome delas, que aleguem ser vítimas de violação, por</p><p>um Estado Parte, das disposições da Convenção. O Comitê não receberá</p><p>comunicação alguma relativa a um Estado parte que não houver feito</p><p>declaração dessa natureza.</p><p>2. O Comitê considerará inadmissível qualquer comunicação recebida em</p><p>conformidade com o presente Artigo que seja anônima, ou seu juízo,</p><p>constitua abuso de direito de apresentar as referidas comunicações, ou que</p><p>seja incompatível com as disposições da presente Convenção.</p><p>3. Sem prejuízo do disposto no parágrafo 2, o Comitê levará todas as</p><p>comunicações apresentadas em conformidade com este Artigo ao</p><p>conhecimento do Estado Parte da presente Convenção que houver feito uma</p><p>declaração nos termos do parágrafo 1 e sobre o qual ter violado qualquer</p><p>disposição da Convenção. Dentro dos seis meses seguintes, o Estado</p><p>destinatário submeterá ao Comitê as explicações ou declarações por escrito</p><p>que elucidem a questão e, se for o caso, indiquem o recurso jurídico adotado</p><p>pelo Estado em questão.</p><p>4. O Comitê examinará as comunicações recebidas em conformidade com o</p><p>presente Artigo à luz de todas as informações a ele submetidas pela pessoa</p><p>interessada, ou em nome dela, e pelo Estado parte interessado.</p><p>5. O Comitê não examinará comunicação alguma de uma pessoa, nos</p><p>termos do presente Artigo, sem que se haja assegurado de que:</p><p>a) a mesma questão não foi, nem está sendo examinada perante outra</p><p>instância internacional de investigação ou solução;</p><p>b) a pessoa em questão esgotou todos os recursos jurídicos internos</p><p>disponíveis; não se aplicará esta regra quando a aplicação dos mencionados</p><p>recursos se prolongar injustificadamente ou quando não for provável que a</p><p>aplicação de tais recursos venha a melhorar realmente a situação da pessoa</p><p>que seja vítima de violação da presente Convenção.</p><p>6. O Comitê realizará reuniões confidenciais quando estiver examinando as</p><p>comunicações previstas no presente Artigo.</p><p>7. O Comitê comunicará seu parecer ao Estado Parte e à pessoa em</p><p>questão.</p><p>8. As disposições do presente Artigo entrarão em vigor a partir do momento</p><p>em que cinco Estado Partes da presente Convenção houverem feito as</p><p>declarações mencionadas no parágrafo 1 deste Artigo. As referidas</p><p>declarações serão depositadas pelos Estados Partes junto ao Secretário-</p><p>Geral das Nações Unidas, que enviará cópia das mesmas aos demais</p><p>Estados Partes. Toda declaração poderá ser retirada, a qualquer momento,</p><p>mediante notificação endereçada ao Secretário-Geral. Far-se-á essa retirada</p><p>sem prejuízo do exame de quaisquer questões que constituam objeto de uma</p><p>comunicação já transmitida nos termos deste Artigo; em virtude do presente</p><p>Artigo, não se receberá nova comunicação de uma pessoa, ou em nome dela,</p><p>uma vez que o Secretário-Geral haja recebido a notificação sobre retirada da</p><p>declaração, a menos que o Estado parte interessado haja feito uma nova</p><p>declaração.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 87</p><p>10.3. SUBCOMITÊ PARA PREVENÇÃO DA TORTURA</p><p>Foi criado pelo artigo 2.º do Protocolo Facultativo, iniciou suas funções em 2007. É composto</p><p>por dez especialistas independentes, eleitos pelos Estados Partes para mandatos de quatro anos,</p><p>podendo ser reeleitos.</p><p>O Subcomitê visita, não apenas prisões e delegacias de polícia, mas qualquer local de onde</p><p>a pessoa não possa sair por sua livre vontade (como instituições de saúde mental e centros de</p><p>acolhimento para jovens, imigrantes ilegais e requerentes de asilo). Durante as visitas, os membros</p><p>do Subcomitê examinam as condições de vida nos locais de detenção e reúnem-se em privado com</p><p>qualquer preso, funcionário ou outra pessoa que possa fornecer informação relevante.</p><p>Artigo 2.º</p><p>1. Deverá ser criado um Subcomitê para a Prevenção da Tortura e de Outras</p><p>Penas ou Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes do Comitê contra</p><p>a Tortura (doravante denominado o Subcomitê para a Prevenção), que</p><p>deverá desempenhar as funções previstas no presente Protocolo.</p><p>2 - O Subcomitê para a Prevenção deverá realizar o seu trabalho no quadro</p><p>da Carta das Nações Unidas e orientar-se pelos objetivos e princípios da</p><p>mesma, bem como pelas normas das Nações Unidas relativas ao tratamento</p><p>de pessoas privadas de liberdade.</p><p>3 - O Subcomitê para a Prevenção deverá também orientar-se pelos</p><p>princípios da confidencialidade, imparcialidade, não seletividade,</p><p>universalidade e objetividade.</p><p>4 - O Subcomitê para a Prevenção e os Estados Partes deverão cooperar na</p><p>aplicação do presente Protocolo.</p><p>11. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA</p><p>A Convenção foi adotada em 1989, pela Assembleia Geral da ONU. Em 1990, o Brasil</p><p>ratificou-a, sem qualquer reserva.</p><p>É composta por um preâmbulo e 54 artigos.</p><p>O Preâmbulo lembra os princípios fundamentais das Nações Unidas e as disposições de</p><p>vários tratados de direitos humanos. Reafirma o fato de as crianças, devido à sua vulnerabilidade,</p><p>necessitarem de proteção e de atenção especiais. Destaca, ainda, a necessidade de proteção</p><p>jurídica e não jurídica da criança antes e após o nascimento; a importância do respeito pelos valores</p><p>culturais da comunidade da criança, e o papel vital da cooperação internacional para que os direitos</p><p>da criança sejam uma realidade.</p><p>A criança é definida como todo o ser humano com menos de dezoito anos, exceto se a lei</p><p>nacional confere a maioridade mais cedo.</p><p>Artigo 1</p><p>Para efeitos da presente Convenção considera-se como criança todo ser</p><p>humano com menos de dezoito anos de idade, a não ser que, em</p><p>conformidade com a lei aplicável à criança, a maioridade seja alcançada</p><p>antes.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 88</p><p>Todos os direitos aplicam-se a todas as crianças, sem exceção. O Estado</p><p>tem obrigação de proteger a criança contra todas as formas de discriminação</p><p>e de tomar medidas positivas para promover os seus direitos.</p><p>Artigo 2</p><p>1. Os Estados Partes respeitarão os direitos enunciados na presente</p><p>Convenção e assegurarão sua aplicação a cada criança sujeita à sua</p><p>jurisdição, sem distinção alguma, independentemente de raça, cor, sexo,</p><p>idioma, crença, opinião política ou de outra índole, origem nacional, étnica ou</p><p>social, posição econômica, deficiências físicas, nascimento ou qualquer outra</p><p>condição da criança, de seus pais ou de seus representantes legais.</p><p>2. Os Estados Partes tomarão todas as medidas apropriadas para assegurar</p><p>a proteção da criança contra toda forma de discriminação ou castigo por</p><p>causa da condição, das atividades, das opiniões manifestadas ou das</p><p>crenças de seus pais, representantes legais ou familiares.</p><p>Todas as decisões que digam respeito à criança devem ter plenamente em conta o seu</p><p>interesse superior. O Estado deve garantir à criança cuidados adequados quando os pais, ou outras</p><p>pessoas responsáveis por ela, não tenham capacidade para isso.</p><p>Artigo 3</p><p>1. Todas as ações relativas às crianças, levadas a efeito por instituições</p><p>públicas ou privadas de bem-estar social, tribunais, autoridades</p><p>administrativas ou órgãos legislativos, devem considerar, primordialmente, o</p><p>interesse maior da criança.</p><p>2. Os Estados Partes se comprometem a assegurar à criança a proteção e o</p><p>cuidado que sejam necessários para seu bem-estar, levando em</p><p>consideração os direitos e deveres de seus pais, tutores ou outras pessoas</p><p>responsáveis por ela perante a lei e, com essa finalidade, tomarão todas as</p><p>medidas legislativas e administrativas adequadas.</p><p>3. Os Estados Partes se certificarão de que as instituições, os serviços e os</p><p>estabelecimentos encarregados do cuidado ou da proteção das crianças</p><p>cumpram com os padrões estabelecidos pelas autoridades competentes,</p><p>especialmente no que diz respeito à segurança e à saúde das crianças, ao</p><p>número e à competência de seu pessoal e à existência de supervisão</p><p>adequada.</p><p>Todas as crianças têm o direito inerente à vida, e o Estado tem obrigação de assegurar a</p><p>sobrevivência e desenvolvimento da criança.</p><p>Artigo 6</p><p>1. Os Estados Partes reconhecem que toda criança tem o direito inerente à</p><p>vida.</p><p>2. Os Estados Partes assegurarão ao máximo a sobrevivência e o</p><p>desenvolvimento da criança.</p><p>A criança tem direito a um nome desde o nascimento, também tem o direito de adquirir uma</p><p>nacionalidade e, na medida do possível, de conhecer os seus pais e de ser criada por eles.</p><p>Artigo 7</p><p>1. A criança será registrada imediatamente após seu nascimento e terá</p><p>direito, desde o momento em que nasce, a um nome, a uma nacionalidade e,</p><p>na medida do possível, a conhecer seus pais e a ser cuidada por eles.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 89</p><p>2. Os Estados Partes zelarão pela aplicação desses direitos de acordo com</p><p>sua legislação nacional e com as obrigações que tenham assumido em</p><p>virtude dos instrumentos internacionais pertinentes, sobretudo se, de outro</p><p>modo, a criança se tornaria apátrida.</p><p>A criança tem o direito de exprimir livremente a sua opinião sobre questões que lhe digam</p><p>respeito e de ver essa opinião tomada em consideração, tanto na esfera administrativa quanto</p><p>judicial.</p><p>Artigo 12</p><p>1. Os Estados Partes assegurarão à criança que estiver capacitada a formular</p><p>seus próprios juízos o direito de expressar suas opiniões livremente sobre</p><p>todos os assuntos relacionados com a criança, levando-se devidamente em</p><p>consideração essas opiniões, em função da idade e maturidade da criança.</p><p>2. Com tal propósito, se proporcionará à criança, em particular, a</p><p>oportunidade de ser ouvida em todo processo judicial ou administrativo que</p><p>afete a mesma, quer diretamente quer por intermédio de um representante</p><p>ou órgão apropriado, em conformidade com as regras processuais da</p><p>legislação nacional.</p><p>Além disso, a Convenção consagra a liberdade de pensamento, consciência e religião;</p><p>liberdade de reunião e de associação.</p><p>Artigo 14</p><p>1. Os Estados Partes respeitarão o direito da criança à liberdade de</p><p>pensamento, de consciência e de crença.</p><p>2. Os Estados Partes respeitarão os direitos e deveres dos pais e, se for o</p><p>caso, dos representantes legais, de orientar a criança com relação ao</p><p>exercício de seus direitos de maneira acorde com a evolução de sua</p><p>capacidade.</p><p>3. A liberdade de professar a própria religião ou as próprias crenças estará</p><p>sujeita, unicamente, às limitações prescritas pela lei e necessárias para</p><p>proteger a segurança, a ordem, a moral, a saúde pública ou os direitos e</p><p>liberdades fundamentais dos demais.</p><p>Artigo 15</p><p>1 Os Estados Partes reconhecem os direitos da criança à liberdade de</p><p>associação e à liberdade de realizar reuniões pacíficas.</p><p>2. Não serão impostas restrições ao exercício desses direitos, a não ser as</p><p>estabelecidas em conformidade com a lei e que sejam necessárias numa</p><p>sociedade democrática, no interesse da segurança nacional ou pública, da</p><p>ordem pública, da proteção à saúde e à moral públicas ou da proteção aos</p><p>direitos e liberdades dos demais.</p><p>Por fim, a criança suspeita, acusada ou reconhecida como culpada de ter cometido um delito</p><p>tem direito a um tratamento que favoreça a sua dignidade e seu valor pessoal, que leve em conta a</p><p>sua idade e que vise a sua reintegração na sociedade. A criança tem direito a garantias</p><p>fundamentais, bem como a uma assistência jurídica ou outra forma adequada à sua defesa. Os</p><p>procedimentos judiciais e a colocação em instituições devem ser evitados sempre que possível.</p><p>Artigo 40</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 90</p><p>1. Os Estados Partes reconhecem o direito de toda criança a quem se alegue</p><p>ter infringido as leis penais ou a quem se acuse ou declare culpada de ter</p><p>infringido as leis penais de ser tratada de modo a promover e estimular seu</p><p>sentido de dignidade e de valor e a fortalecer o respeito da criança pelos</p><p>direitos humanos e pelas liberdades fundamentais de terceiros, levando em</p><p>consideração a idade da criança e a importância de se estimular sua</p><p>reintegração e seu desempenho construtivo na sociedade.</p><p>2. Nesse sentido, e de acordo com as disposições pertinentes dos</p><p>instrumentos internacionais, os Estados Partes assegurarão, em particular:</p><p>a) que não se alegue que nenhuma criança tenha infringido as leis penais,</p><p>nem se acuse ou declare culpada nenhuma criança de ter infringido essas</p><p>leis, por atos ou omissões que não eram proibidos pela legislação nacional</p><p>ou pelo direito internacional no momento em que foram cometidos;</p><p>b) que toda criança de quem se alegue ter infringido as leis penais ou a quem</p><p>se acuse de ter infringido essas leis goze, pelo menos, das seguintes</p><p>garantias:</p><p>I) ser considerada inocente enquanto não for comprovada sua culpabilidade</p><p>conforme a lei;</p><p>II) ser informada sem demora e diretamente ou, quando for o caso, por</p><p>intermédio de seus pais ou de seus representantes legais, das acusações</p><p>que pesam contra ela, e dispor de assistência jurídica ou outro tipo de</p><p>assistência apropriada para a preparação e apresentação de sua defesa;</p><p>III) ter a causa decidida sem demora por autoridade ou órgão judicial</p><p>competente, independente e imparcial, em audiência justa conforme a lei,</p><p>com assistência jurídica ou outra assistência e, a não ser que seja</p><p>considerado contrário aos melhores interesses da criança, levando em</p><p>consideração especialmente sua idade ou situação e a de seus pais ou</p><p>representantes legais;</p><p>IV) não ser obrigada a testemunhar ou a se declarar culpada, e poder</p><p>interrogar ou fazer com que sejam interrogadas as testemunhas de acusação</p><p>bem como poder obter a participação e o interrogatório de testemunhas em</p><p>sua defesa, em igualdade de condições;</p><p>V) se for decidido que infringiu as leis penais, ter essa decisão e qualquer</p><p>medida imposta em decorrência da mesma submetidas a revisão por</p><p>autoridade ou órgão judicial superior competente, independente e imparcial,</p><p>de acordo com a lei;</p><p>VI) contar com a assistência gratuita de um intérprete caso a criança não</p><p>compreenda ou fale o idioma utilizado;</p><p>VII) ter plenamente respeitada sua vida privada durante todas as fases do</p><p>processo.</p><p>3. Os Estados Partes buscarão promover o estabelecimento de leis,</p><p>procedimentos, autoridades e instituições específicas para as crianças de</p><p>quem se alegue ter infringido as leis penais ou que sejam acusadas ou</p><p>declaradas culpadas de tê-las infringido, e em particular:</p><p>a) o estabelecimento de uma idade mínima antes da qual se presumirá que a</p><p>criança não tem capacidade para infringir as leis penais;</p><p>b) a adoção sempre que conveniente e desejável, de medidas para tratar</p><p>dessas crianças sem recorrer a procedimentos judiciais, contando que sejam</p><p>respeitados plenamente os direitos humanos e as garantias legais.</p><p>4. Diversas medidas, tais como ordens de guarda, orientação e supervisão,</p><p>aconselhamento, liberdade vigiada, colocação em lares de adoção,</p><p>programas de educação e formação profissional, bem como outras</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 91</p><p>alternativas à internação em instituições, deverão estar disponíveis para</p><p>garantir que as crianças sejam tratadas de modo apropriado ao seu bem-</p><p>estar e de forma proporcional às circunstâncias e ao tipo do delito.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>MPE/SC (2023) Diversamente da Declaração Universal dos Direitos da</p><p>Criança, que apresenta princípios de natureza moral, sem nenhuma</p><p>obrigação, representando sugestões que os Estados podem ou não utilizar,</p><p>a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança tem natureza</p><p>coercitiva e exige de cada Estado-parte determinado posicionamento, como</p><p>um conjunto de deveres e obrigações aos que a ela formalmente aderirem.</p><p>Correta!</p><p>11.1. PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS</p><p>DIREITOS DAS CRIANÇAS, RELATIVO À VENDA DE CRIANÇAS, PROSTITUIÇÃO</p><p>INFANTIL E PORNOGRAFIA INFANTIL</p><p>Entrou em vigor em 18.1.2002.</p><p>Cuida da proibição de venda de crianças, prostituição e pornografia infantil.</p><p>Os Estados-Partes deverão prestar apoio integral às vítimas, inclusive em caso de processo</p><p>criminal. Devem tomar medidas para o confisco de bens de pessoas envolvidas nas práticas objeto</p><p>do Protocolo, bem como do material que dela decorrer, e para o fechamento de locais em que as</p><p>práticas tenham sido cometidas.</p><p>Além disso, devem elaborar legislação sobre o tema e implementar políticas públicas para</p><p>prevenir a ocorrência dos atos previstos no Protocolo.</p><p>Foi ratificado pelo Brasil em 27.1.2004, sem qualquer reserva ou declaração.</p><p>Por conta disso, os crimes de pedofilia praticados na internet, quando há divulgação na rede</p><p>(e não troca de e-mails), são de competência da Justiça Federal.</p><p>11.2. PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS</p><p>DIREITOS DA CRIANÇA, RELATIVO À PARTICIPAÇÃO DE CRIANÇAS EM</p><p>CONFLITOS ARMADOS</p><p>Entrou em vigor em 12.2.2002.</p><p>Cuida do envolvimento de crianças em conflitos armados.</p><p>Estabeleceu que pessoas, menores de 18 anos, não podem tomar parte em conflitos</p><p>armados nem ser recrutadas compulsoriamente, embora, de acordo com a legislação interna de</p><p>cada País, possam integrar as Forças armadas, de maneira voluntária.</p><p>Foi ratificado pelo Brasil em 27.1.2004, sem qualquer reserva ou declaração.</p><p>11.3. COMITÊ SOBRE OS DIREITOS DAS CRIANÇAS</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 92</p><p>Nos termos do art. 43, 2, é um órgão composto de 18 "peritos de alta autoridade moral e de</p><p>reconhecida competência no domínio abrangido pela presente Convenção".</p><p>Possui como função:</p><p>a) Examinar os relatórios dos Estados Partes</p><p>O primeiro relatório deve ser enviado após 02 anos da ratificação da Convenção. Os demais</p><p>a cada cinco anos.</p><p>Ao acabar de examinar os relatórios, o Comitê emite suas observações finais que realçam</p><p>os aspectos positivos, os fatores e dificuldades que impedem a aplicação da Convenção e os</p><p>principais motivos de preocupação do Comitê, bem como um conjunto de sugestões e</p><p>recomendações dirigidas ao Estado Parte.</p><p>b) Formulação de comentários gerais</p><p>Poderá preparar comentários gerais baseados nos artigos e disposições da Convenção, com</p><p>o intuito de promover a sua melhor aplicação e de auxiliar os Estados Partes no cumprimento das</p><p>suas obrigações.</p><p>c) Organização de debates temáticos</p><p>d) Pedidos de estudos</p><p>O Comitê pode recomendar à Assembleia Geral que solicite ao Secretário-Geral, a</p><p>elaboração de estudos sobre matérias específicas relativas aos direitos da criança.</p><p>e) Fazer recomendações gerais</p><p>O Comitê pode fazer recomendações de ordem geral com base nas informações recebidas</p><p>dos relatórios estaduais, da autoria de órgãos das Nações Unidas ou outros organismos</p><p>competentes.</p><p>Até dezembro de 2011, o Comitê dos Direitos da Criança era o único dos comitês dos</p><p>tratados de direitos</p><p>humanos das Nações Unidas que não dispunha de competência para examinar</p><p>queixas de particulares (já foi, inclusive, questão de prova). Em dezembro de 2011, a Assembleia</p><p>Geral da ONU aprovou o terceiro Protocolo Facultativo, que permite a apresentação de queixas por</p><p>particulares que se sintam vítimas de violação de qualquer dos direitos previstos na Convenção ou</p><p>seus Protocolos Facultativos (sobre venda de crianças, prostituição infantil e pornografia infantil e</p><p>sobre a participação de crianças em conflitos armados).</p><p>Entre os direitos, cuja alegada violação poderá dar lugar a queixa, encontram-se os direitos</p><p>da criança à vida, sobrevivência e desenvolvimento, a ser ouvida nos processos judiciais e</p><p>administrativos que lhe digam respeito, à saúde e assistência médica, à educação, à segurança</p><p>social, a um nível de vida suficiente e à proteção contra todas as formas de violência e maus tratos,</p><p>exploração econômica e trabalhos perigosos, consumo ilícito de drogas e todas as formas de</p><p>exploração e violência sexuais.</p><p>As queixas serão dirigidas ao Comitê sobre os Direitos da Criança. Com a entrada em vigor</p><p>do terceiro Protocolo Facultativo, o Comitê fica também dotado de competência para instaurar</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 93</p><p>inquéritos em caso de violação grave ou sistemática da Convenção e, para os Estados Partes que</p><p>o reconheçam, de competência para examinar queixas apresentadas por outros Estados Partes.</p><p>O Brasil ratificou em 29 de dezembro de 2017, sem qualquer reserva.</p><p>12. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM</p><p>DEFICIÊNCIA</p><p>A Convenção reafirma os princípios universais (dignidade, integralidade, igualdade e não</p><p>discriminação – art. 3º) em que se baseia, define as obrigações gerais dos Estados Partes, relativas</p><p>à integração das várias dimensões da deficiência nas suas políticas, bem como as obrigações</p><p>específicas relativas à sensibilização da sociedade para a deficiência, ao combate aos estereótipos</p><p>e à valorização das pessoas com deficiência.</p><p>Art. 3º - Os princípios da presente Convenção são:</p><p>a) O respeito pela dignidade inerente, a autonomia individual, inclusive a</p><p>liberdade de fazer as próprias escolhas, e a independência das pessoas;</p><p>b) A não-discriminação;</p><p>c) A plena e efetiva participação e inclusão na sociedade;</p><p>d) O respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência</p><p>como parte da diversidade humana e da humanidade;</p><p>e) A igualdade de oportunidades;</p><p>f) A acessibilidade;</p><p>g) A igualdade entre o homem e a mulher;</p><p>h) O respeito pelo desenvolvimento das capacidades das crianças com</p><p>deficiência e pelo direito das crianças com deficiência de preservar sua</p><p>identidade.</p><p>A Convenção trata dos direitos das pessoas com deficiência de maneira integral, seus</p><p>artigos não distinguem as medidas a serem adotadas conforme sejam das chamadas primeira,</p><p>segunda ou terceira dimensões dos direitos humanos, mas estabelecem aquelas que devem ser</p><p>adotadas imediatamente e outras que vão do simples reconhecimento da situação à elaboração de</p><p>programas voltados à superação de preconceitos e à integração de tais pessoas.</p><p>No art. 1º, encontra-se a definição de pessoa com deficiência e o propósito da Convenção.</p><p>Art. 1º O propósito da presente Convenção é promover, proteger e assegurar</p><p>o exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades</p><p>fundamentais por todas as pessoas com deficiência e promover o respeito</p><p>pela sua dignidade inerente.</p><p>Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza</p><p>física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem</p><p>obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais</p><p>pessoas.</p><p>O art. 4º traz um rol de obrigações assumidas pelos Estados, ao ratificar a Convenção.</p><p>Artigo 4</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 94</p><p>1. Os Estados Partes se comprometem a assegurar e promover o pleno</p><p>exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas</p><p>as pessoas com deficiência, sem qualquer tipo de discriminação por causa</p><p>de sua deficiência. Para tanto, os Estados Partes se comprometem a:</p><p>a) Adotar todas as medidas legislativas, administrativas e de qualquer outra</p><p>natureza, necessárias para a realização dos direitos reconhecidos na</p><p>presente Convenção;</p><p>b) Adotar todas as medidas necessárias, inclusive legislativas, para modificar</p><p>ou revogar leis, regulamentos, costumes e práticas vigentes, que constituírem</p><p>discriminação contra pessoas com deficiência;</p><p>c) Levar em conta, em todos os programas e políticas, a proteção e a</p><p>promoção dos direitos humanos das pessoas com deficiência;</p><p>d) Abster-se de participar em qualquer ato ou prática incompatível com a</p><p>presente Convenção e assegurar que as autoridades públicas e instituições</p><p>atuem em conformidade com a presente Convenção;</p><p>e) Tomar todas as medidas apropriadas para eliminar a discriminação</p><p>baseada em deficiência, por parte de qualquer pessoa, organização ou</p><p>empresa privada;</p><p>f) Realizar ou promover a pesquisa e o desenvolvimento de produtos,</p><p>serviços, equipamentos e instalações com desenho universal, conforme</p><p>definidos no Artigo 2 da presente Convenção, que exijam o mínimo possível</p><p>de adaptação e cujo custo seja o mínimo possível, destinados a atender às</p><p>necessidades específicas de pessoas com deficiência, a promover sua</p><p>disponibilidade e seu uso e a promover o desenho universal quando da</p><p>elaboração de normas e diretrizes;</p><p>g) Realizar ou promover a pesquisa e o desenvolvimento, bem como a</p><p>disponibilidade e o emprego de novas tecnologias, inclusive as tecnologias</p><p>da informação e comunicação, ajudas técnicas para locomoção, dispositivos</p><p>e tecnologias assistivas, adequados a pessoas com deficiência, dando</p><p>prioridade a tecnologias de custo acessível;</p><p>h) Propiciar informação acessível para as pessoas com deficiência a respeito</p><p>de ajudas técnicas para locomoção, dispositivos e tecnologias assistivas,</p><p>incluindo novas tecnologias bem como outras formas de assistência, serviços</p><p>de apoio e instalações;</p><p>i) Promover a capacitação em relação aos direitos reconhecidos pela</p><p>presente Convenção dos profissionais e equipes que trabalham com pessoas</p><p>com deficiência, de forma a melhorar a prestação de assistência e serviços</p><p>garantidos por esses direitos.</p><p>2. Em relação aos direitos econômicos, sociais e culturais, cada Estado Parte</p><p>se compromete a tomar medidas, tanto quanto permitirem os recursos</p><p>disponíveis e, quando necessário, no âmbito da cooperação internacional, a</p><p>fim de assegurar progressivamente o pleno exercício desses direitos, sem</p><p>prejuízo das obrigações contidas na presente Convenção que forem</p><p>imediatamente aplicáveis de acordo com o direito internacional.</p><p>3. Na elaboração e implementação de legislação e políticas para aplicar a</p><p>presente Convenção e em outros processos de tomada de decisão relativos</p><p>às pessoas com deficiência, os Estados Partes realizarão consultas estreitas</p><p>e envolverão ativamente pessoas com deficiência, inclusive crianças com</p><p>deficiência, por intermédio de suas organizações representativas.</p><p>4. Nenhum dispositivo da presente Convenção afetará quaisquer disposições</p><p>mais propícias à realização dos direitos das pessoas com deficiência, as</p><p>quais possam estar contidas na legislação do Estado Parte ou no direito</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 95</p><p>internacional em vigor para esse Estado. Não haverá nenhuma restrição ou</p><p>derrogação de qualquer dos direitos humanos e liberdades fundamentais</p><p>reconhecidos ou vigentes em qualquer Estado Parte da presente Convenção,</p><p>em conformidade com leis, convenções, regulamentos ou costumes, sob a</p><p>alegação de que a presente Convenção não reconhece tais direitos e</p><p>liberdades ou que os reconhece</p><p>em menor grau.</p><p>5. As disposições da presente Convenção se aplicam, sem limitação ou</p><p>exceção, a todas as unidades constitutivas dos Estados federativos.</p><p>Há, ainda, uma proteção especial às mulheres e às crianças com deficiência.</p><p>Trata, igualmente, da participação na vida política dos Estados partes.</p><p>Art. 29 - Os Estados Partes garantirão às pessoas com deficiência direitos</p><p>políticos e oportunidade de exercê-los em condições de igualdade com as</p><p>demais pessoas, e deverão:</p><p>a) Assegurar que as pessoas com deficiência possam participar efetiva e</p><p>plenamente na vida política e pública, em igualdade de oportunidades com</p><p>as demais pessoas, diretamente ou por meio de representantes livremente</p><p>escolhidos, incluindo o direito e a oportunidade de votarem e serem votadas,</p><p>mediante, entre outros:</p><p>i) Garantia de que os procedimentos, instalações e materiais e equipamentos</p><p>para votação serão apropriados, acessíveis e de fácil compreensão e uso;</p><p>ii) Proteção do direito das pessoas com deficiência ao voto secreto em</p><p>eleições e plebiscitos, sem intimidação, e a candidatar-se nas eleições,</p><p>efetivamente ocupar cargos eletivos e desempenhar quaisquer funções</p><p>públicas em todos os níveis de governo, usando novas tecnologias assistivas,</p><p>quando apropriado;</p><p>iii) Garantia da livre expressão de vontade das pessoas com deficiência como</p><p>eleitores e, para tanto, sempre que necessário e a seu pedido, permissão</p><p>para que elas sejam auxiliadas na votação por uma pessoa de sua escolha;</p><p>b) Promover ativamente um ambiente em que as pessoas com deficiência</p><p>possam participar efetiva e plenamente na condução das questões públicas,</p><p>sem discriminação e em igualdade de oportunidades com as demais pessoas,</p><p>e encorajar sua participação nas questões públicas, mediante:</p><p>i) Participação em organizações não-governamentais relacionadas com a</p><p>vida pública e política do país, bem como em atividades e administração de</p><p>partidos políticos;</p><p>ii) Formação de organizações para representar pessoas com deficiência em</p><p>níveis internacional, regional, nacional e local, bem como a filiação de</p><p>pessoas com deficiência a tais organizações.</p><p>Não são admitidas reservas à Convenção (art. 46).</p><p>Artigo 46</p><p>1. Não serão permitidas reservas incompatíveis com o objeto e o propósito</p><p>da presente Convenção.</p><p>2. As reservas poderão ser retiradas a qualquer momento.</p><p>O Brasil ratificou a Convenção em 2008, incorporando-a ao ordenamento interno nos ternos</p><p>do art. 5º, §3º da CF. Portanto, possui natureza de emenda constitucional.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 96</p><p>Em 2018, o Brasil aprovou e promulgou o Tratado de Marraqueche, nos termos do art. 5º,</p><p>§3º, da CF, que havia sido assinado em 2013. Possui como objetivo permitir que pessoas cegas,</p><p>pessoas com deficiência visual e pessoas com outras dificuldades para ter acesso ao texto impresso</p><p>possam ter acesso às obras publicadas (livros, apostilas, etc.).</p><p>Atualmente, temos os seguintes tratados aprovados com fulcro no rito do §3º, do art. 5º, da</p><p>CF, com status de emenda constitucional:</p><p>CONVENÇÃO DE NOVA</p><p>YORK</p><p>(E SEU PROTOCOLO</p><p>FACULTATIVO)</p><p>TRATADO DE</p><p>MARRAQUECHE</p><p>CONVENÇÃO</p><p>INTERAMERICANA</p><p>CONTRA O RACISMO</p><p>Convenção Internacional sobre</p><p>os Direitos das Pessoas com</p><p>Deficiência e seu Protocolo</p><p>Facultativo.</p><p>Tratado firmado com o objetivo</p><p>de facilitar o acesso a obras</p><p>publicadas às pessoas cegas,</p><p>com deficiência visual ou com</p><p>outras dificuldades para ter</p><p>acesso ao texto impresso.</p><p>Promulga a Convenção</p><p>Interamericana contra o</p><p>Racismo, a Discriminação</p><p>Racial e Formas</p><p>Correlatas de Intolerância,</p><p>firmado pela República</p><p>Federativa do Brasil.</p><p>Assinados em Nova York, em</p><p>30 de março de 2007.</p><p>Assinado em Marraqueche, em</p><p>27 de junho de 2013.</p><p>Assinado na Guatemala,</p><p>em 5 de junho de 2013.</p><p>Aprovado pelo Congresso</p><p>Nacional por meio do Decreto</p><p>legislativo nº 186/2008</p><p>Aprovado pelo Congresso</p><p>Nacional por meio do Decreto</p><p>Legislativo nº 261/2015.</p><p>Aprovado pelo Congresso</p><p>Nacional, por meio do</p><p>Decreto Legislativo nº 1,</p><p>de 18 de fevereiro de</p><p>2021.</p><p>Promulgado pelo Presidente da</p><p>República por meio do Decreto</p><p>nº 6.949/2009.</p><p>Promulgado pelo Presidente da</p><p>República por meio do Decreto</p><p>nº 9.522/2018.</p><p>Promulgado pelo</p><p>Presidente da República</p><p>por meio do Decreto nº</p><p>10.932.</p><p>Resumidamente, lembremos o rito de incorporação dos tratados internacionais ao</p><p>ordenamento jurídico pátrio:</p><p>Por fim, lembremos ainda que caso os tratados se refiram a direitos humanos, há o que se</p><p>denomina Teoria do Duplo Estatuto4, que será tratada com minúcias em tópico próprio mais à frente.</p><p>4 https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/53932/a-internalizao-dos-tratados-internacionais-de-direitos-humanos</p><p>1ª Etapa:</p><p>negociaçoes iniciais</p><p>ou preliminares</p><p>2ª Etapa:</p><p>assinatura pelo</p><p>Executivo</p><p>3ª Etapa:</p><p>aprovação pelo</p><p>Congresso Naional</p><p>(art. 49, I, CF), por</p><p>meio de decreto</p><p>legislativo</p><p>4ª Etapa:</p><p>Promulgação por</p><p>meio de Decreto</p><p>do Presidente da</p><p>República,</p><p>•publicado no</p><p>Diário Oficial da</p><p>União</p><p>https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/53932/a-internalizao-dos-tratados-internacionais-de-direitos-humanos</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 97</p><p>12.1. PROTOCOLO FACULTATIVO À CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA PESSOA</p><p>COM DEFICIÊNCIA</p><p>Criou um sistema de denúncias pessoais de violação das disposições da Convenção,</p><p>dirigidas ao Comitê sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.</p><p>As denúncias, como nos demais casos, não poderão ser anônimas, não sendo ainda</p><p>recebidas se houver litispendência internacional, não tiverem esgotados os remédios jurídicos</p><p>internos, forem manifestadamente contrárias aos objetivos da Convenção, forem mal</p><p>fundamentadas ou estiverem desprovidas de substância ou referirem-se a fatos anteriores à entrada</p><p>em vigor do protocolo, salvo se persistirem desde então.</p><p>Foi ratificado pelo Brasil em 2008, sem qualquer reserva ou declaração. Incorporado ao</p><p>ordenamento interno nos ternos do art. 5º, §3º da CF.</p><p>12.2. COMITÊ DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS</p><p>Foi instituído pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (artigo 34.º) a</p><p>fim de controlar a aplicação, pelos respectivos Estados Partes, das disposições da Convenção.</p><p>O Comitê é formado por 18 especialistas independentes, eleitos pelos Estados Partes na</p><p>Convenção.</p><p>Possui como funções (vale o que já foi dito acima):</p><p>a) Examinar relatórios elaborados pelos Estados Partes (art. 35);</p><p>Artigo 35</p><p>1. Cada Estado Parte, por intermédio do Secretário-Geral das Nações</p><p>Unidas, submeterá relatório abrangente sobre as medidas adotadas em</p><p>cumprimento de suas obrigações estabelecidas pela presente Convenção e</p><p>sobre o progresso alcançado nesse aspecto, dentro do período de dois anos</p><p>após a entrada em vigor da presente Convenção para o Estado Parte</p><p>concernente.</p><p>2. Depois disso, os Estados Partes submeterão relatórios subsequentes, ao</p><p>menos a cada quatro anos, ou quando o Comitê o solicitar.</p><p>3. O Comitê determinará as diretrizes aplicáveis ao teor dos relatórios.</p><p>4. Um Estado Parte que tiver submetido ao Comitê um relatório inicial</p><p>abrangente não precisará, em relatórios subsequentes, repetir informações</p><p>já apresentadas. Ao elaborar os relatórios ao Comitê, os Estados Partes são</p><p>instados a fazê-lo de maneira franca e transparente e a levar em</p><p>consideração o disposto no Artigo 4.3 da presente Convenção.</p><p>5. Os relatórios poderão apontar os fatores e as dificuldades que tiverem</p><p>afetado o cumprimento das obrigações decorrentes da presente Convenção</p><p>.</p><p>b) Organizar debates temáticos</p><p>c) Adotar comentários gerais relacionados aos temas da Convenção</p><p>d) Examinar comunicações de particulares</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 98</p><p>e) Instaurar inquéritos em caso de suspeitas de violações graves</p><p>ou sistemáticas da</p><p>Convenção</p><p>13. CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E PUNIÇÃO AO CRIME DE GENOCÍDIO</p><p>É o primeiro tratado internacional específico do sistema das Nações Unidas, adotado um dia</p><p>antes da própria Declaração Universal dos Direitos Humanos.</p><p>O genocídio é reconhecido como crime internacional pelos Estados-Partes, havidos quer em</p><p>tempo de paz, quem em de guerra, envolvendo, a conspiração para a prática de genocídio; o</p><p>incitamento público e direito a tanto; a tentativa e a cumplicidade em praticá-lo.</p><p>Para os Estados-Partes surge a obrigação de criar uma legislação interna e garantir a</p><p>extradição dos criminosos, sendo que o genocídio não deve ser considerado crime político para</p><p>fins de extradição, de modo a impedi-la.</p><p>Segundo o art. 6º da Convenção, “as pessoas acusadas de genocídio serão julgadas pelos</p><p>tribunais competentes do Estado em cujo território foi o ato cometido ou pela corte penal</p><p>internacional competente com relação às Partes Contratantes que lhe tiverem reconhecido a</p><p>jurisdição”. Todos esses eventos convergiram esforços internacionais para a criação de um</p><p>organismo intergovernamental permanente, o Tribunal Penal Internacional (TPI), competente para</p><p>examinar quatro tipos de ilícitos, desde que sejam de maior gravidade e que afetem a comunidade</p><p>internacional em seu conjunto: crimes de guerra, crimes contra a humanidade, crimes de agressão</p><p>e genocídio.</p><p>Foi ratificado pelo Brasil em 1952, sem qualquer reserva.</p><p>14. CONVENÇÃO INTERNACIONAL PARA A PROTEÇÃO DE TODAS AS PESSOAS</p><p>CONTRA OS DESAPARECIMENTOS FORÇADOS</p><p>A definição de desaparecimento forçado encontra-se no art. 2º da Convenção:</p><p>Artigo 2º Para os efeitos desta Convenção, entende-se por “desaparecimento</p><p>forçado” a prisão, a detenção, o sequestro ou qualquer outra forma de</p><p>privação de liberdade que seja perpetrada por agentes do Estado ou por</p><p>pessoas ou grupos de pessoas agindo com a autorização, apoio ou</p><p>aquiescência do Estado, e a subsequente recusa em admitir a privação de</p><p>liberdade ou a ocultação do destino ou do paradeiro da pessoa desaparecida,</p><p>privando-a assim da proteção da lei.</p><p>A Convenção, em seu art. 1º, 2 consagra o direito absoluto de não ser vítima de</p><p>desaparecimento forçado.</p><p>Artigo 1</p><p>1. Nenhuma pessoa será submetida a desaparecimento forçado.</p><p>2. Nenhuma circunstância excepcional, seja estado de guerra ou ameaça de</p><p>guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública,</p><p>poderá ser invocada como justificativa para o desaparecimento forçado.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 99</p><p>Apesar de estar previsto um mandado internacional de criminalização, no art. 4º da</p><p>Convenção, o Brasil ainda não tipificou o crime de desaparecimento forçado, embora já exista</p><p>projeto de lei com este objeto pendente de conclusão nº 6240/2013- aprovado em 2013 pelo Senado</p><p>e parado há quatro anos na Câmara dos Deputados5.</p><p>Artigo 4 - Cada Estado Parte tomará as medidas necessárias para assegurar</p><p>que o desaparecimento forçado constitua crime em conformidade com o seu</p><p>direito penal.</p><p>Nos termos do art. 5º da Convenção, os Estados que praticarem sistematicamente a prática</p><p>de desaparecimento forçado cometem crime contra a humanidade, de acordo com o direito penal</p><p>internacional aplicável – Estatuto de Roma. Deverão ser responsabilizados.</p><p>Artigo 5º - A prática generalizada ou sistemática de desaparecimento forçado</p><p>constitui crime contra a humanidade, tal como define o direito internacional</p><p>aplicável, e estará sujeito às consequências previstas no direito internacional</p><p>aplicável.</p><p>De acordo com o art. 24, são consideradas vítimas tanto as pessoas desaparecidas, quanto</p><p>as pessoas atingidas indiretamente pelo ato, como familiares. Além disso, este artigo traz as</p><p>responsabilidades do Estado perante as vítimas.</p><p>Artigo 24</p><p>1. Para os fins da presente Convenção, o termo “vítima” se refere à pessoa</p><p>desaparecida e a todo indivíduo que tiver sofrido dano como resultado direto</p><p>de um desaparecimento forçado.</p><p>2. A vítima tem o direito de saber a verdade sobre as circunstâncias do</p><p>desaparecimento forçado, o andamento e os resultados da investigação e o</p><p>destino da pessoa desaparecida. O Estado Parte tomará medidas</p><p>apropriadas a esse respeito.</p><p>3. Cada Estado Parte tomará todas as medidas cabíveis para procurar,</p><p>localizar e libertar pessoas desaparecidas e, no caso de morte, localizar,</p><p>respeitar e devolver seus restos mortais.</p><p>4. Cada Estado Parte assegurará que sua legislação garanta às vítimas de</p><p>desaparecimento forçado o direito de obter reparação e indenização rápida,</p><p>justa e adequada.</p><p>5. O direito a obter reparação, a que se refere o parágrafo 4º deste artigo,</p><p>abrange danos materiais e morais e, se couber, outras formas de reparação,</p><p>tais como:</p><p>a) Restituição;</p><p>b) Reabilitação;</p><p>c) Satisfação, inclusive o restabelecimento da dignidade e da reputação; e</p><p>d) Garantias de não repetição.</p><p>6. Sem prejuízo da obrigação de prosseguir a investigação até que o destino</p><p>da pessoa desaparecida seja estabelecido, cada Estado Parte adotará as</p><p>providências cabíveis em relação à situação jurídica das pessoas</p><p>desaparecidas cujo destino não tiver sido esclarecido, bem como à situação</p><p>de seus familiares, no que respeita à proteção social, a questões financeiras,</p><p>ao direito de família e aos direitos de propriedade.</p><p>5 Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/05/15/entenda-projeto-de-lei-sobre-desaparecimento-forcado-</p><p>parado-ha-4-anos.htm?cmpid=copiaecola.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 100</p><p>7. Cada Estado Parte garantirá o direito de fundar e participar livremente de</p><p>organizações e associações que tenham por objeto estabelecer as</p><p>circunstâncias de desaparecimentos forçados e o destino das pessoas</p><p>desaparecidas, bem como assistir as vítimas de desaparecimentos forçados.</p><p>Em nenhuma hipótese, nem mesmo quanto se tratar de circunstâncias excepcionais, será</p><p>admita a prática do desaparecimento forçado (art. 1º).</p><p>Artigo 1º</p><p>1. Nenhuma pessoa será submetida a desaparecimento forçado.</p><p>2. Nenhuma circunstância excepcional, seja estado de guerra ou ameaça de</p><p>guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública,</p><p>poderá ser invocada como justificativa para o desaparecimento forçado.</p><p>Entrou em vigor em 23 de dezembro de 2010. O Brasil ratificou em 29 de novembro de 2010,</p><p>sem qualquer reserva, sendo promulgada pelo Decreto 8.767/2016.</p><p>Obs.; De acordo com a doutrina e com a jurisprudência internacional</p><p>de direitos humanos, o crime de desaparecimento forçado atinge três</p><p>níveis: vítima propriamente dita (1º nível), familiares da vítima (2º nível)</p><p>e direito da sociedade de conhecer a verdade sobre os fatos (3º nível).</p><p>14.1. COMITÊ CONTRA DESAPARECIMENTOS FORÇADOS</p><p>A terceira parte da Convenção trata do Comitê, o qual será formado por 10 especialistas</p><p>independentes.</p><p>Suas funções são:</p><p>a) Receber relatórios periódicos dos Estados-Parte sobre medidas tomadas para cumprir</p><p>suas obrigações, além de fazer comentários, observações e recomendações (art. 29).</p><p>Artigo 29</p><p>1. Cada Estado Parte submeterá ao Comitê, por intermédio do Secretário-</p><p>Geral das Nações Unidas, um relatório sobre as medidas tomadas em</p><p>cumprimento das obrigações assumidas ao amparo da presente Convenção,</p><p>dentro de dois anos contados a partir da data de entrada em vigor da presente</p><p>Convenção para o Estado Parte interessado.</p><p>2. O Secretário-Geral das Nações Unidas disponibilizará o referido relatório a</p><p>todos os Estados Partes.</p><p>3. O relatório será examinado pelo Comitê, que emitirá os comentários,</p><p>observações e recomendações que julgar apropriados. Esses comentários,</p><p>observações e recomendações serão comunicados ao Estado Parte</p><p>interessado, que poderá responder de iniciativa própria ou por solicitação do</p><p>Comitê.</p><p>4. O Comitê poderá</p><p>também solicitar informações adicionais aos Estados</p><p>Partes a respeito da implementação da presente Convenção.</p><p>b) Receber e atender aos pedidos em casos individuais de desaparecimento forçado, e</p><p>comunicar suas observações e recomendações ao Estado para localizar e proteger a pessoa</p><p>desaparecida (art. 31 e 32).</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 101</p><p>Artigo 31</p><p>1. Um Estado Parte poderá declarar, quando da ratificação da presente</p><p>Convenção ou em qualquer momento posterior, que reconhece a</p><p>competência do Comitê para receber e considerar comunicações</p><p>apresentadas por indivíduos ou em nome de indivíduos sujeitos à sua</p><p>jurisdição, que alegam serem vítimas de violação pelo Estado Parte de</p><p>disposições da presente Convenção. O Comitê não aceitará comunicações a</p><p>respeito de um Estado Parte que não tiver feito tal declaração.</p><p>2. O Comitê considerará uma comunicação inadmissível quando:</p><p>a) For anônima;</p><p>b) Constituir abuso do direito de apresentar essas comunicações ou for</p><p>inconsistente com as disposições da presente Convenção;</p><p>c) A mesma questão estiver sendo examinada em outra instância</p><p>internacional de exame ou de solução de mesma natureza; ou</p><p>d) Todos os recursos efetivos disponíveis internamente não tiverem sido</p><p>esgotados. Essa regra não se aplicará se os procedimentos de recurso</p><p>excederem prazos razoáveis.</p><p>3. Se julgar que a comunicação satisfaz os requisitos estipulados no</p><p>parágrafo 2º deste artigo, o Comitê transmitirá a comunicação ao Estado</p><p>Parte interessado, solicitando-lhe que envie suas observações e comentários</p><p>dentro de um prazo fixado pelo Comitê.</p><p>4. A qualquer momento, depois de receber uma comunicação e antes de</p><p>chegar a uma conclusão sobre seu mérito, o Comitê poderá dirigir ao Estado</p><p>Parte interessado um pedido urgente para que tome as medidas cautelares</p><p>necessárias para evitar eventuais danos irreparáveis às vítimas da violação</p><p>alegada. O exercício dessa faculdade pelo Comitê não implica conclusão</p><p>sobre a admissibilidade ou o mérito da comunicação.</p><p>5. O Comitê examinará em sessões fechadas as comunicações previstas</p><p>nesse artigo. O Comitê informará o autor da comunicação das respostas</p><p>apresentadas pelo Estado Parte em consideração. Quando decidir concluir o</p><p>procedimento, o Comitê comunicará seu parecer ao Estado Parte e ao autor</p><p>da comunicação.</p><p>Artigo 32</p><p>Um Estado Parte da presente Convenção poderá a qualquer momento</p><p>declarar que reconhece a competência do Comitê para receber e considerar</p><p>comunicações em que um Estado Parte alega que outro Estado Parte não</p><p>cumpre as obrigações decorrentes da presente Convenção. O Comitê não</p><p>receberá comunicações relativas a um Estado Parte que não tenha feito tal</p><p>declaração, nem tampouco comunicações apresentadas por um Estado Parte</p><p>que não tenha feito tal declaração.</p><p>Obs.: Brasil, ainda, não reconheceu a competência do Comitê para</p><p>isso.</p><p>c) Receber e analisar os pedidos apresentados por um Estado-Parte relativos à violação de</p><p>outro Estado das suas obrigações segundo a Convenção (art. 31 e 32).</p><p>Obs.: Brasil, ainda, não reconheceu a competência do Comitê para</p><p>isso.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 102</p><p>d) Visitar os Estados, seja a pedido dos mesmos, ou com base em informação fidedigna</p><p>indicando graves violações da Convenção em seu território, e, logo após, apresentar suas</p><p>observações e recomendações (art. 33).</p><p>Artigo 33</p><p>1. Caso receba informação confiável de que um Estado Parte está incorrendo</p><p>em grave violação do disposto na presente Convenção, o Comitê poderá,</p><p>após consulta com o Estado Parte em questão, encarregar um ou vários de</p><p>seus membros a empreender uma visita a esse Estado e a informá-lo a</p><p>respeito o mais prontamente possível.</p><p>e) Por fim, caso o Comitê receba informações de uma prática sistemática de</p><p>desaparecimento forçado, ele poderá apresentar o caso com urgência perante a Assembleia Geral</p><p>das Nações Unidas (art. 34).</p><p>Artigo 34</p><p>Caso receba informação que pareça conter indicações bem fundamentadas</p><p>de que desaparecimentos forçados estão sendo praticados de forma</p><p>generalizada ou sistemática em território sob a jurisdição de um Estado Parte,</p><p>o Comitê poderá, após solicitar ao Estado Parte todas as informações</p><p>relevantes sobre a situação, levar urgentemente o assunto à atenção da</p><p>Assembleia Geral das Nações Unidas, por intermédio do Secretário-Geral</p><p>das Nações Unidas.</p><p>15. CONVENÇÃO PARA A PROTEÇÃO DOS DIREITOS DE TODOS OS TRABALHADORES</p><p>MIGRANTES E MEMBROS DAS SUAS FAMÍLIAS</p><p>Foi aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 1990, entrou em vigor em 2003.</p><p>De acordo com a Convenção, migrantes regularizados pelo acordo gozam dos mesmos</p><p>direitos e estão sujeitos às mesmas obrigações de natureza laboral em vigor para os trabalhadores</p><p>nacionais do Estado receptor e da mesma proteção no que se refere à aplicação das leis relativas</p><p>à higiene e à segurança do trabalho.</p><p>De todos os tratados do Sistema Global, é o que menos possui adesão.</p><p>O Brasil não assinou a Convenção.</p><p>15.1. COMITÊ</p><p>Possui competência para:</p><p>a) Examinar relatórios apresentados pelos Estados Partes sobre as medidas adotadas para</p><p>dar cumprimento às obrigações impostas pela Convenção;</p><p>b) Organizar debates e adotar comentários gerais sobre matérias relacionadas à</p><p>Convenção.</p><p>c) Apreciar comunicações apresentadas por outros Estados e por particulares (mas não está</p><p>em vigor, por não se ter atingido o número mínimo de aceitações – dez).</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 103</p><p>SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS</p><p>HUMANOS</p><p>1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA</p><p>Conforme leciona Caio Paiva, “a história do sistema interamericano se desenvolve, no início,</p><p>de forma paralela ao princípio da solidariedade panamericana, remontando ao Congresso do</p><p>Panamá, realizado em 1826, que, por sua vez, teve raízes na Carta da Jamaica (1815), que</p><p>apresentava a ideia original de Simón Bolívar, e na Doutrina Monroe, anunciada pelo então</p><p>presidente dos Estados Unidos, James Monroe, em 1823. Tanto Bolívar quanto Monroe, cada um</p><p>a seu modo, o primeiro pelo sul, e o segundo pelo norte, lutaram pela Independência dos Estados</p><p>americanos contra a ameaça de recolonização por parte de potências europeias, em especial as</p><p>que integravam a Santa Aliança, uma coligação das monarquias do Império Russo, do Império</p><p>Austríaco e do Reino da Prússia”.</p><p>A seguir analisar-se-á as cinco etapas da evolução histórica do Sistema Interamericano.</p><p>1.1. 1ª ETAPA: ANTECEDENTES DA CRIAÇÃO</p><p>Inicia-se em 1826 e vai até 1948, divide-se em três fases, são elas:</p><p>1ª FASE - Congresso do Panamá, em 1826. Trata-se do primeiro de uma série de encontros</p><p>regionais em que se discutiu formas de cooperação entre os Estados americanos, ocasião em que</p><p>se aprovou o Tratado de União Perpétua, Liga e Confederação, que uniu a Grande Colômbia</p><p>(Colômbia, Equador, Panamá e Venezuela), México, América Central e Peru.</p><p>Os principais pontos do Tratado foram:</p><p>o Criação de uma confederação dos Estados americanos para a consolidação da paz</p><p>e da defesa solidária dos direitos desses países;</p><p>o Defesa da independência política e integridade territorial dos Estados americanos;</p><p>o Princípio da democracia representativa como condição sine qua non para pertencer</p><p>à União;</p><p>o Codificação do direito internacional, o princípio da cidadania continental que</p><p>estabelecia a igualdade jurídica entre os nacionais e os estrangeiros de um Estado;</p><p>e</p><p>o Compromisso das altas partes contratantes de cooperarem na abolição da</p><p>escravatura.</p><p>Caio Paiva destaca que, embora o tratado não tenha entrado em vigor (foi ratificado somente</p><p>pela Grande Colômbia), é apontado como o grande antecedente do sistema interamericano de</p><p>proteção dos direitos humanos.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 104</p><p>2ª FASE -</p><p>................................................................................... 164</p><p>4.6.3. Competência ratione loci ........................................................................................... 164</p><p>4.6.4. Casos julgados pela Corte ......................................................................................... 164</p><p>5. APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DO ESTADO ............................ 164</p><p>5.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 164</p><p>5.2. PROCEDIMENTO PERANTE A COMISSÃO................................................................... 165</p><p>5.2.1. Tramitação inicial ....................................................................................................... 165</p><p>5.2.2. Procedimento de admissibilidade .............................................................................. 165</p><p>5.2.3. Procedimento sobre o mérito ..................................................................................... 168</p><p>5.2.4. Relatório preliminar .................................................................................................... 168</p><p>5.2.5. Relatório definitivo...................................................................................................... 169</p><p>5.2.6. Acompanhamento ...................................................................................................... 169</p><p>5.3. PROCEDIMENTO PERANTE A CORTE ......................................................................... 169</p><p>5.3.1. Submissão do caso pela CIDH e exame preliminar pela Presidência ..................... 169</p><p>5.3.2. Notificação do caso .................................................................................................... 170</p><p>5.3.3. Apresentação por escrito de petições ....................................................................... 170</p><p>5.3.4. Contestação do Estado.............................................................................................. 171</p><p>5.3.5. Outros atos e procedimentos por escrito .................................................................. 171</p><p>5.3.6. Apresentação de amicus curiae ................................................................................ 171</p><p>5.3.7. Procedimento oral ...................................................................................................... 172</p><p>5.3.8. Procedimento final escrito ......................................................................................... 172</p><p>5.3.9. Espaços de desistência e consenso ......................................................................... 172</p><p>5.3.10. Sentença .................................................................................................................... 172</p><p>6. MEDIDAS DE URGÊNCIA NO SISTEMA INTERAMERICANO ............................................. 173</p><p>6.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................ 173</p><p>6.2. MEDIDAS CAUTELARES DA COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS</p><p>HUMANOS ................................................................................................................................... 174</p><p>6.3. MEDIDAS PROVISÓRIAS DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITO HUMANOS 175</p><p>7. SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS ..................... 176</p><p>7.1. DIREITOS HUMANOS E ACESSO À JUSTIÇA .............................................................. 176</p><p>7.2. 100 REGRAS DE BRASÍLIA ............................................................................................. 177</p><p>7.2.1. Finalidade ................................................................................................................... 177</p><p>7.2.2. Natureza jurídica ........................................................................................................ 177</p><p>7.2.3. Conceitos relevantes ................................................................................................. 177</p><p>7.3. A DEFENSORIA PÚBLICA E A OEA ............................................................................... 178</p><p>7.4. DEFENSORIA PÚBLICA INTERAMERICANA ................................................................. 178</p><p>7.4.1. Considerações iniciais ............................................................................................... 178</p><p>7.4.2. Conceito ..................................................................................................................... 178</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 5</p><p>7.4.3. Modelos de oferecimento de assistência jurídica gratuita no âmbito de tribunais</p><p>internacionais ............................................................................................................................ 179</p><p>SISTEMA EUROPEU DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS ............................................ 180</p><p>1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................... 180</p><p>2. CONSELHO DA EUROPA ....................................................................................................... 180</p><p>2.1. ESTRUTURA ..................................................................................................................... 180</p><p>2.1.1. Secretário-geral .......................................................................................................... 180</p><p>2.1.2. Comitê de Ministros ................................................................................................... 180</p><p>2.1.3. Assembleia Parlamentar ............................................................................................ 180</p><p>2.1.4. Congresso dos Poderes Locais e Regionais ............................................................ 180</p><p>2.1.5. Tribunal Europeu de Direitos Humanos .................................................................... 180</p><p>2.1.6. Comissário para os Direitos Humanos ...................................................................... 181</p><p>2.1.7. Conferência de ONGIs ............................................................................................... 181</p><p>2.1.8. Comitê Europeu para a Prevenção da Tortura e Outros Tratamentos ou Penas</p><p>Cruéis 181</p><p>2.1.9. Comitê Europeu dos Direitos Sociais ........................................................................ 181</p><p>3. CONVENÇÃO EUROPEIA DE DIREITOS HUMANOS (CEDH) ............................................. 181</p><p>4. ÓRGÃOS DE MONITORAMENTO .......................................................................................... 182</p><p>5. TRIBUNAL EUROPEU DE DIREITOS HUMANOS (TEDH) ................................................... 182</p><p>SISTEMA AFRICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS ........................................... 184</p><p>1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................... 184</p><p>2. COMISSÃO AFRICANA DE DIREITOS HUMANOS E DOS POVOS .................................... 184</p><p>3. CORTE AFRICANA DE DH E DOS POVOS ........................................................................... 184</p><p>TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL ............................................................................................ 185</p><p>1. DIREITO INTERNACIONAL PENAL ........................................................................................ 185</p><p>2. ANTECEDENTES HISTÓRICOS DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL ....................... 185</p><p>2.1. 1º ANTECEDENTE – TRATADO DE VERSAILLES, 1919 .............................................. 185</p><p>2.2. 2º ANTECEDENTE – TRIBUNAL INTERNACIONAL MILITAR DE NUREMBERG, 1945</p><p>186</p><p>2.3. 3º ANTECEDENTE – TRIBUNAL MILITAR INTERNACIONAL PARA O EXTREMO-</p><p>ORIENTE (Tribunal de Tóquio), 1946 ......................................................................................... 186</p><p>2.4. 4º ANTECEDENTE – PRINCÍPIOS DE NUREMBERG, 1946 .........................................</p><p>caracterizada por um ciclo de conferências internacionais americanas realizadas</p><p>a cada quatro anos (até 1938), em diferentes capitais do continente. De forma gradual, as</p><p>conferências foram construindo o que viria a ser o sistema interamericano de proteção dos direitos</p><p>humanos.</p><p>Em virtude da Segunda Guerra Mundial (de 1939 a 1945), os Estados americanos reuniram-</p><p>se em seis ocasiões durante o período de 1936 a 1947 para examinar problemas sobre guerra, paz</p><p>e segurança.</p><p>3ª FASE – inicia-se com a Conferência Interamericana de Chapultepec, realizada após a</p><p>Segunda GM (1945), no México, para discutir os “Problemas da Guerra e da Paz”, em que se</p><p>aprovou diversas resoluções, algumas sobre proteção internacional dos direitos humanos, como a</p><p>que tratava da reorganização, consolidação e fortalecimento do sistema interamericano,</p><p>fornecendo, portanto, as bases concretas para que fosse criada uma organização de Estados</p><p>americanos.</p><p>1.2. 2ª ETAPA: INAUGURAÇÃO E FORMAÇÃO DO SISTEMA</p><p>Período compreendido entre 1948 e 1959.</p><p>Em 1948, na 9ª Conferência Internacional Americana, realizada em Bogotá, é inaugurado o</p><p>sistema interamericano de proteção dos direitos humanos propriamente dito, com a aprovação de</p><p>diversos documentos, mas principalmente da Carta da Organização dos Estados Americanos (Carta</p><p>da OEA) e da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (DADDH).</p><p>A Carta da OEA foi editada em 1948, sofreu reformas em 1967, 1985, 1994 e 1995. Traz,</p><p>em seu art. 2º, os objetivos da OEA.</p><p>Artigo 2º</p><p>Para realizar os princípios em que se baseia e para cumprir com suas</p><p>obrigações regionais, de acordo com a Carta das Nações Unidas, a</p><p>Organização dos Estados Americanos estabelece como propósitos</p><p>essenciais os seguintes:</p><p>a) Garantir a paz e a segurança continentais;</p><p>b) Promover e consolidar a democracia representativa, respeitado o princípio</p><p>da não-intervenção;</p><p>c) Prevenir as possíveis causas de dificuldades e assegurar a solução</p><p>pacífica das controvérsias que surjam entre seus membros;</p><p>d) Organizar a ação solidária destes em caso de agressão;</p><p>e) Procurar a solução dos problemas políticos, jurídicos e econômicos que</p><p>surgirem entre os Estados membros;</p><p>f) Promover, por meio da ação cooperativa, seu desenvolvimento econômico,</p><p>social e cultural;</p><p>g) Erradicar a pobreza crítica, que constitui um obstáculo ao pleno</p><p>desenvolvimento democrático dos povos do Hemisfério; e</p><p>h) Alcançar uma efetiva limitação de armamentos convencionais que permita</p><p>dedicar a maior soma de recursos ao desenvolvimento econômico-social dos</p><p>Estados membros.</p><p>Ao longo de seus artigos, incluindo o preâmbulo, é possível observar diversas menções</p><p>genéricas aos direitos humanos fundamentais.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 105</p><p>Preâmbulo - Certos de que o verdadeiro sentido da solidariedade americana</p><p>e da boa vizinhança não pode ser outro senão o de consolidar neste</p><p>Continente, dentro do quadro das instituições democráticas, um regime de</p><p>liberdade individual e de justiça social, fundado no respeito dos direitos</p><p>essenciais do Homem;</p><p>Artigo 3º – Os Estados americanos reafirmam os seguintes princípios:</p><p>l) Os Estados americanos proclamam os direitos fundamentais da pessoa</p><p>humana, sem fazer distinção de raça, nacionalidade, credo ou sexo.</p><p>Artigo 17 Cada Estado tem o direito de desenvolver, livre e</p><p>espontaneamente, a sua vida cultural, política e econômica. No seu livre</p><p>desenvolvimento, o Estado respeitará os direitos da pessoa humana e os</p><p>princípios da moral universal.</p><p>Artigo 33 O desenvolvimento é responsabilidade primordial de cada país e</p><p>deve constituir um processo integral e continuado para a criação de uma</p><p>ordem econômica e social justa que permita a plena realização da pessoa</p><p>humana e para isso contribua.</p><p>Artigo 45 Os Estados membros, convencidos de que o Homem somente</p><p>pode alcançar a plena realização de suas aspirações dentro de uma ordem</p><p>social justa, acompanhada de desenvolvimento econômico e de verdadeira</p><p>paz, convêm em envidar os seus maiores esforços na aplicação dos</p><p>seguintes princípios e mecanismos.</p><p>Igualmente, a Carta trata de direitos sociais, tais como: direito ao bem-estar material, o direito</p><p>ao trabalho, direito à livre-associação, direito à greve e à negociação coletiva, direito à previdência</p><p>social e à assistência jurídica para fazer valer seus direitos, direito à educação.</p><p>A Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem foi adota em 1948, na mesma</p><p>Conferência em que se editou a Carta da OEA. É anterior à Declaração Universal de Direitos</p><p>Humanos. É formada por um preâmbulo, consagra os objetivos e deveres, e por 38 artigos, os quais</p><p>tratam de direitos e deveres.</p><p>Preâmbulo</p><p>Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos e, como são</p><p>dotados pela natureza de razão e consciência, devem proceder</p><p>fraternalmente uns para com os outros.</p><p>O cumprimento do dever de cada um é exigência do direito de todos. Direitos</p><p>e deveres integram-se correlativamente em toda a atividade social e política</p><p>do homem. Se os direitos exaltam a liberdade individual, os deveres</p><p>exprimem a dignidade dessa liberdade.</p><p>Os deveres de ordem jurídica dependem da existência anterior de outros de</p><p>ordem moral, que apoiam os primeiros conceitualmente e os fundamentam.</p><p>É dever do homem servir o espírito com todas as suas faculdades e todos os</p><p>seus recursos, porque o espírito é a finalidade suprema da existência humana</p><p>e a sua máxima categoria.</p><p>É dever do homem exercer, manter e estimular a cultura por todos os meios</p><p>ao seu alcance, porque a cultura é a mais elevada expressão social e histórica</p><p>do espírito.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 106</p><p>E, visto que a moral e as boas maneiras constituem a mais nobre</p><p>manifestação da cultura, é dever de todo homem acatar-lhes os princípios.</p><p>Trata tanto de direitos civis e políticos quanto dos direitos econômicos, sociais e culturais,</p><p>os quais devem ser implementados progressivamente.</p><p>Destaca-se que ao contrário da DUDH, a DADDH não proíbe a pena de morte, a tortura, a</p><p>escravidão e a servidão, bem como consagra o caráter individual da propriedade.</p><p>Além disso, seu valor jurídico difere do valor conferido à DUDH, na medida em que ao</p><p>documento regional foi indiretamente conferida força obrigatória, especialmente após a reforma da</p><p>Carta da OEA, fazendo com que a Declaração, juntamente com a Convenção Americana, forme um</p><p>conjunto normativo.</p><p>A Corte Interamericana já afirmou que a Declaração deve ser considerada interpretação</p><p>autêntica dos dispositivos genéricos de proteção dos direitos humanos da Carta da OEA.</p><p>São direitos consagrados na Declaração:</p><p>• Direito à vida, à liberdade, à segurança e integridade da pessoa.</p><p>• Direito de igualdade perante a lei.</p><p>• Direito de liberdade religiosa e de culto.</p><p>• Direito de liberdade de investigação, opinião, expressão e difusão.</p><p>• Direito à proteção da honra, da reputação pessoal e da vida particular e familiar.</p><p>• Direito à constituição e proteção da família.</p><p>• Direito de proteção à maternidade e à infância.</p><p>• Direito de residência e trânsito.</p><p>• Direito à inviolabilidade do domicílio.</p><p>• Direito à preservação da saúde e ao bem-estar.</p><p>• Direito à educação.</p><p>• Direito aos benefícios da cultura.</p><p>• Direito ao trabalho e a uma justa retribuição.</p><p>• Direito ao descanso e ao seu aproveitamento.</p><p>• Direito à previdência social.</p><p>• Direito de reconhecimento da personalidade jurídica e dos direitos civis.</p><p>• Direito à justiça.</p><p>• Direito à nacionalidade.</p><p>• Direito de sufrágio e de participação no governo.</p><p>• Direito de reunião.</p><p>• Direito de associação.</p><p>• Direito de propriedade.</p><p>• Direito de petição.</p><p>• Direito de proteção contra prisão arbitrária.</p><p>• Direito a processo regular.</p><p>• Alcance dos direitos do homem.</p><p>A declaração enumera os seguintes deveres:</p><p>• Deveres perante a sociedade.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 107</p><p>• Deveres para com os filhos e os pais.</p><p>• Deveres de instrução.</p><p>• Dever do sufrágio.</p><p>• Dever de obediência à Lei.</p><p>• Dever de servir a coletividade e a nação.</p><p>• Deveres de assistência e previdência sociais.</p><p>• Dever de pagar impostos.</p><p>• Dever do trabalho.</p><p>• Dever de se abster de atividades políticas em países estrangeiros.</p><p>1.3. 3ª ETAPA: INÍCIO DO PERÍODO DE MONITORAMENTO</p><p>Período compreendido entre 1959 e 1969.</p><p>Em 1959, cria-se a Comissão Interamericana de Direitos Humanos que nasce sem base</p><p>convencional e com poderes limitados à “promoção dos direitos humanos”, o que compreendia,</p><p>segundo a interpretação da própria comissão, a formulação de recomendações gerais para os</p><p>estados membros da OEA, a preparação de relatórios geográficos e até mesmo, com a anuência</p><p>do respectivo governo, as visitas in loco.</p><p>1.4. 4ª ETAPA: INSTITUCIONALIZAÇÃO CONVENCIONAL DO SISTEMA</p><p>Período compreendido entre 1969 e 1978.</p><p>Em 1969, realizou a Conferência Especializada Interamericana sobre Direitos Humanos, em</p><p>San José da Costa Rica, ocasião em que foi editada a Convenção Interamericana sobre Direitos</p><p>Humanos (CIDH) também chamada de Pacto de San José da Costa Rica.</p><p>Trata-se de um instrumento normativo de caráter vinculante que estabeleceu um catálogo</p><p>de direitos humanos e os meios de proteção para tais direitos.</p><p>De acordo com Caio Paiva, a 4ª Etapa teve fim em 1978, quando a CADH entrou em vigor,</p><p>após o depósito do 11º instrumento de ratificação na Secretaria-Geral da OEA.</p><p>1.5. 5ª ETAPA: CONSOLIDAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DO SISTEMA</p><p>Inicia-se em 1978 e vai até os dias atuais.</p><p>A consolidação e o aperfeiçoamento do sistema foram marcados pelo início da construção</p><p>jurisprudencial contenciosa e consultiva da Corte IDH, pela ampliação do corpus normativo do</p><p>sistema interamericano e pela proposta ou implementação de medidas para aperfeiçoar o sistema.</p><p>2. DIVISÃO DO SISTEMA INTERAMERICANO</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 108</p><p>O Sistema Interamericano divide-se em dois subsistemas: SUBSISTEMA GERAL e</p><p>SUBSISTEMA EXIGENTE. Observe as diferenças:</p><p>SUBSISTEMA GERAL SUBSISTEMA EXIGENTE</p><p>Nomenclatura Subsistema da OEA</p><p>Subsistema da Convenção</p><p>Interamericana sobre Direitos</p><p>Humanos</p><p>Base normativa</p><p>Carta da OEA, Declaração</p><p>Americana dos Direitos e Deveres do</p><p>Homem e Estatuto da Comissão</p><p>Interamericana de Direitos Humanos</p><p>Convenção Americana de Direitos</p><p>Humanos</p><p>Órgão de proteção</p><p>Comissão Interamericana de Direitos</p><p>Humanos</p><p>Comissão Interamericana de Direitos</p><p>Humanos e Corte Interamericana de</p><p>Direitos Humanos</p><p>Aplicação</p><p>TODOS os Estados membros da</p><p>OEA</p><p>APENAS aos Estados que tenham</p><p>ratificado a CIDH</p><p>Perceba que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos participa dos dois</p><p>subsistemas, possuindo um papel dúplice.</p><p>3. COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS</p><p>3.1. CONCEITO</p><p>Trata-se de um órgão de monitoramento, proteção e promoção dos direitos humanos no</p><p>continente americano. A Comissão possui um papel dúplice, isto porque integra a OEA e a CADH</p><p>(dupla integração orgânica).</p><p>Está sediada em Washington (EUA), podendo também se reunir em qualquer Estado</p><p>americano quando o decidir por maioria absoluta de votos e com a anuência ou a convite do</p><p>respectivo Governo.</p><p>Obs.: A Corte Interamericana de Direitos Humanos também é um</p><p>órgão de monitoramento, proteção e promoção dos direitos humanos,</p><p>mas integra apenas a CADH.</p><p>3.2. ORIGEM</p><p>A CIDH foi criada em agosto de 1959 (dez anos antes da adoção da Convenção Americana),</p><p>em Santiago, no Chile. Era considerada uma unidade autônoma da OEA, tendo em vista que não</p><p>possuía base convencional, ou seja, não estava prevista em um tratado.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 109</p><p>Em 1960, após a aprovação do primeiro estatuto, ocorreu o primeiro período de sessões,</p><p>com a eleição dos primeiros membros. A partir de 1961, a Comissão deu início à prática das visitas</p><p>in loco para observar a situação geral dos direitos humanos num país ou para investigar um caso</p><p>em particular, publicando posteriormente informes especiais com suas observações.</p><p>Em 1965, os seus poderes foram ampliados, passou a ter competência para receber</p><p>petições ou comunicações individuais sobre violações de direitos humanos. Já em 1967, foi</p><p>aprovado um Protocolo de Reformas à Carta da OEA (Protocolo de Buenos Aires), incluindo a CIDH</p><p>entre os órgãos permanentes da Organização dos Estados Americanos, conferindo-lhe, portanto, a</p><p>base convencional.</p><p>De acordo com Caio Paiva, o processo de institucionalização da CIDH se completa com a</p><p>adoção da CADH em 1969 e com a sua entrada em vigor em 1978, que a previu como órgão</p><p>competente – junto com a Corte – para conhecer de assuntos relacionados com o cumprimento dos</p><p>compromissos assumidos pelos Estados-partes da Convenção, estabelecendo sua organização,</p><p>suas funções, sua competência e também diretrizes procedimentais para processar uma petição ou</p><p>comunicação na qual se alegue uma violação de direitos humanos consagrados na CADH.</p><p>3.3. REGIME JURÍDICO</p><p>A CIDH está inserida na Carta da OEA como um órgão da Organização (art. 106), é também</p><p>regida juridicamente pela CADH (artigos 34 a 50), e pelo seu Estatuto, elaborado pela própria</p><p>Comissão e aprovado pela Assembleia Geral da OEA em 1979.</p><p>Art. 39 da CADH: A Comissão elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à</p><p>aprovação da Assembleia Geral e expedirá seu próprio Regulamento.</p><p>3.4. FUNÇÕES</p><p>Em um primeiro momento, a função da Comissão Interamericana se limitava à uma atividade</p><p>de promoção dos direitos humanos por meio da preparação de estudos, de relatórios e de</p><p>recomendações aos Estados. Com o passar dos tempos, a Comissão foi alcançando mais poderes,</p><p>tornando-se, um órgão do sistema interamericano competente para receber e processar as petições</p><p>individuais sobre violação de direitos humanos.</p><p>Destaca-se que as funções da CIDH estão previstas no art. 41 da CADH e nos artigos 18,</p><p>19 e 20 do seu Estatuto (divididas segundo o papel dúplice desempenhado pela Comissão).</p><p>Na prática o papel dúplice ou a dualidade de regime jurídico da CIDH traz a possibilidade de</p><p>a Comissão atuar tanto em face de estados que tenham aderido à CADH (utiliza o seu texto), quanto</p><p>em face de Estados membros da OEA que não tenham aderido à Convenção, contra os quais</p><p>utilizará o texto da Carta da OEA e da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem.</p><p>Artigo 51. Recebimento da petição - A Comissão receberá e examinará a</p><p>petição que contenha denúncia sobre presumidas violações dos direitos</p><p>humanos consagrados na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do</p><p>Homem com relação aos Estados membros da Organização que não sejam</p><p>partes da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 110</p><p>O papel dúplice da CIDH também determinará a consequência processual nos casos em</p><p>que a apreciação de mérito for no sentido do estabelecimento da violação de direitos humanos pelo</p><p>Estado demandado:</p><p>ESTADO ADERIU À CADH E ACEITOU A</p><p>JURISDIÇÃO CONTENCIOSA DA CORTE</p><p>ESTADO NÃO ADERIU À CADH OU ADERIU</p><p>E NÃO ACEITOU A JURISDIÇÃO</p><p>CONTENCIOSA DA CORTE</p><p>Comissão poderá ajuizar uma ação de</p><p>responsabilidade internacional contra o</p><p>respectivo Estado na Corte Interamericana.</p><p>A CIDH funciona como uma espécie de</p><p>“Ministério Público” no âmbito internacional</p><p>Comissão poderá apenas aplicar ao Estado</p><p>uma medida de caráter não decisória que traz</p><p>consigo apenas um constrangimento político</p><p>internacional, consistente na publicação de</p><p>relatório e na inclusão deste no Relatório Anual</p><p>à Assembleia-Geral da OEA ou em qualquer</p><p>meio que considerar adequado.</p><p>É possível identificar três categorias de funções da</p><p>CIDH, são elas:</p><p>1ªCategoria: consideração de petições individuais denunciando a violação de algum dos</p><p>direitos protegidos;</p><p>2ªCategoria: preparação e publicação de informes sobre a situação dos direitos humanos</p><p>num determinado país;</p><p>3ªCategoria: outras atividades orientadas à promoção dos direitos humanos, tais como os</p><p>trabalhos de assessoria que pode oferecer aos Estados ou a preparação de projetos de tratados</p><p>que permitam oferecer uma maior proteção aos direitos humanos.</p><p>De acordo com o Estatuto da CIDH (arts. 18 e 20), em relação aos Estados membros da</p><p>OEA que não aderiram à CADH, a Comissão tem as seguintes atribuições:</p><p>• Estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América;</p><p>• Formular recomendações aos Governos dos Estados no sentido de que adotem medidas</p><p>progressivas em prol dos direitos humanos, no âmbito de sua legislação, de seus</p><p>preceitos constitucionais e de seus compromissos internacionais, bem como disposições</p><p>apropriadas para promover o respeito a esses direitos;</p><p>• Preparar os estudos ou relatórios que considerar convenientes para o desempenho de</p><p>suas funções;</p><p>• Solicitar aos Governos dos Estados que lhe proporcionem informações sobre as medidas</p><p>que adotarem em matéria de direitos humanos;</p><p>• Atender às consultas que, por meio da Secretaria- Geral da Organização, lhe formularem</p><p>os Estados membros sobre questões relacionadas com os direitos humanos e, dentro</p><p>de suas possibilidades, prestar assessoramento que eles lhe solicitarem;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 111</p><p>• Apresentar um relatório anual à Assembleia Geral da Organização no qual se levará na</p><p>devida conta o regime jurídico aplicável aos Estados Partes da Convenção Americana</p><p>sobre Direitos Humanos e aos Estados que não o são;</p><p>• Fazer observações in loco em um Estado, com a anuência ou a convite do Governo</p><p>respectivo;</p><p>• Apresentar ao Secretário-Geral o orçamento-programa da Comissão, para que o</p><p>submeta à Assembleia Geral;</p><p>• Dispensar especial atenção à tarefa da observância dos direitos humanos mencionados</p><p>nos artigos I, II, III, IV, XVIII, XXV e XXVI da Declaração Americana dos Direitos e</p><p>Deveres do Homem;</p><p>• Examinar as comunicações que lhe forem dirigidas e qualquer informação disponível;</p><p>dirigir-se ao Governo de qualquer dos Estados membros não Partes da Convenção a fim</p><p>de obter as informações que considerar pertinentes; e formular-lhes recomendações,</p><p>quando julgar apropriado, a fim de tornar mais efetiva a observância dos direitos</p><p>humanos fundamentais; e</p><p>• Verificar, como medida prévia ao exercício da atribuição indicada no item anterior,</p><p>anterior, se os processos e recursos internos de cada Estado membro não Parte da</p><p>Convenção foram devidamente aplicados e esgotados.</p><p>Em relação aos Estados que aderiram à CADH, nos termos do art. 19 do Estatuto da CIDH,</p><p>a Comissão ainda terá as seguintes:</p><p>• Atuar com respeito às petições e outras comunicações de conformidade com os artigos</p><p>44 a 51 da Convenção;</p><p>• Comparecer perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos nos casos previstos</p><p>na Convenção;</p><p>• Solicitar à Corte Interamericana de Direitos Humanos que tome as medidas provisórias</p><p>que considerar pertinente sobre assuntos graves e urgentes que ainda não tenham sido</p><p>submetidos a seu conhecimento, quando se tornar necessário a fim de evitar danos</p><p>irreparáveis às pessoas;</p><p>• Consultar a Corte a respeito da interpretação da Convenção Americana sobre Direitos</p><p>Humanos ou de outros tratados concernentes à proteção dos direitos humanos dos</p><p>Estados americanos;</p><p>• Submeter à Assembleia Geral projetos de protocolos adicionais à Convenção Americana</p><p>sobre Direitos Humanos, com a finalidade de incluir progressivamente no regime de</p><p>proteção da referida Convenção outros direitos e liberdades; e</p><p>• Submeter à Assembleia Geral para o que considerar conveniente, por intermédio do</p><p>Secretário-Geral, propostas de emenda à Convenção Americana sobre Direitos</p><p>Humanos.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 112</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>DPE/RO (2023) Conforme a Carta da Organização dos Estados Americanos,</p><p>promover a observância e a defesa dos direitos humanos nas Américas é a</p><p>função principal da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Correta!</p><p>3.5. COMPOSIÇÃO</p><p>3.5.1. Membros</p><p>A comissão é composta por sete membros, chamados de Comissários ou de</p><p>Comissionados, os quais devem ter autoridade moral e reconhecido saber em matéria de direitos</p><p>humanos, nos termos do art. 34 da CADH, art. 2.1 do Estatuto da CIDH e do art. 1.3 do Regulamento</p><p>da CIDH.</p><p>CADH - Artigo 34 A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compor-</p><p>se-á de sete membros, que deverão ser pessoas de alta autoridade moral e</p><p>de reconhecido saber em matéria de direitos humanos.</p><p>Estatuto - Artigo 2</p><p>1. A Comissão compõe-se de sete membros, que devem ser pessoas de alta</p><p>autoridade moral e de reconhecido saber em matéria de direitos humanos.</p><p>2. A Comissão representa todos os Estados membros da Organização.</p><p>Regulamento Artigo 1. Natureza e composição</p><p>1. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é um órgão autônomo</p><p>da Organização dos Estados Americanos que tem como função principal</p><p>promover a observância e a defesa dos direitos humanos e servir como órgão</p><p>consultivo da Organização em tal matéria.</p><p>2.A Comissão representa todos os Estados membros que compõem a</p><p>Organização.</p><p>3.A Comissão compõe-se de sete membros, eleitos a título pessoal pela</p><p>Assembleia Geral da Organização, que deverão ser pessoas de alta</p><p>autoridade moral e de reconhecido saber em matéria de direitos humanos.</p><p>Os membros da Comissão não precisam ter formação jurídica, diferente do que se exige</p><p>de um juiz da Corte Interamericana. De acordo com Caio Paiva, a dispensa está em conformidade</p><p>com a dimensão política de atuação da CIDH.</p><p>Por fim, os membros da Comissão devem ser de países diversos, a fim de que ocorra uma</p><p>maior representatividade geográfica.</p><p>CADH – Art. 37, 2. Não pode fazer parte da Comissão mais de um nacional</p><p>de um mesmo Estado.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>Delegado PC/BA (2022) A Comissão Interamericana de Direitos Humanos</p><p>compor-se-á de sete membros, que deverão ser pessoas de alta autoridade</p><p>moral e de reconhecido saber em matéria de direitos humanos. Correta!</p><p>Delegado PC/BA (2022) A Comissão Interamericana de Direitos Humanos</p><p>poderá ter mais de um nacional de um mesmo Estado-membro. Errada!</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 113</p><p>3.5.2. Processo de escolha dos membros</p><p>Está disciplinado no art. 36 da CADH e nos arts. 3º a 5º do Estatuto da Comissão,</p><p>basicamente:</p><p>• Seis meses antes da realização do período ordinário de sessões da Assembleia Geral</p><p>da OEA, antes da expiração do mandato para o qual houverem sido eleitos os membros</p><p>da Comissão, o Secretário-Geral da OEA pedirá, por escrito, a cada Estado membro da</p><p>Organização que apresente, dentro do prazo de 90 dias, seus candidatos (art. 4.1 do</p><p>Estatuto);</p><p>• Cada Estado-membro da OEA pode propor até 3 candidatos, nacionais do Estado que</p><p>os propuser ou de qualquer Estado-membro da OEA, sendo que quando for proposta</p><p>uma lista de 3 candidatos, pelo menos 1 deles deverá ser nacional de Estado diferente</p><p>do proponente (art. 36 da CADH e art. 3.2 do Estatuto).</p><p>Note que, ao contrário da exigência feita ao Estado que pretenda se qualificar para propor</p><p>candidato ao cargo de juiz da Corte IDH, para indicar candidato ao cargo de membro da CIDH, o</p><p>Estado não precisa ter aderido aos termos da Convenção Americana.</p><p>• O Secretário Geral preparará uma lista em ordem alfabética dos candidatos que forem</p><p>apresentados e a encaminhará aos Estados membros da Organização, pelo menos 30</p><p>dias antes da Assembleia Geral seguinte (art. 4.2 do Estatuto);</p><p>• A eleição dos membros da Comissão será feita</p><p>dentre os candidatos que figurem na</p><p>lista, pela Assembleia Geral, em votação secreta, e serão declarados eleitos os</p><p>candidatos que obtiverem maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos</p><p>Estados membros. Se, para eleger todos os membros da Comissão for necessário</p><p>efetuar vários escrutínios, serão eliminados sucessivamente, na forma que a Assembleia</p><p>Geral determinar, os candidatos que receberam menor número de votos (art. 5º do</p><p>estatuto).</p><p>Salienta-se que diferentemente do que ocorre na eleição dos juízes da Corte IDH, em que</p><p>somente Estados-partes da CADH podem votar, todos os Estados-membros da OEA possuem</p><p>direito de voto na escolha dos membros da CIDH.</p><p>De acordo com Caio Paiva, a diferença no processo eleitoral dos membros da Corte IDH e</p><p>da CIDH se justifica porque a Comissão é um órgão da OEA e também da CADH, daí decorrendo</p><p>sua competência dúplice; ao passo que a Corte é uma instituição judicial autônoma vinculada à</p><p>Convenção.</p><p>Salienta-se que ocorrendo vaga na CIDH que não seja decorrente de expiração normal do</p><p>mandato, a exemplo da renúncia ou da morte de um comissário, o processo de eleição para o</p><p>preenchimento deve obedecer ao previsto na CADH (art. 38) e no Estatuto da Comissão (art. 11),</p><p>Eleição de membro para ocupar vaga não decorrente de expiração normal do mandato.</p><p>Artigo 38 - As vagas que ocorrerem na Comissão, que não se devam à</p><p>expiração normal do mandato, serão preenchidas pelo Conselho Permanente</p><p>da Organização, de acordo com o que dispuser o Estatuto da Comissão.</p><p>Artigo 11</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 114</p><p>1. Ao verificar-se uma vaga que não se deva à expiração normal de</p><p>mandato, o Presidente da Comissão notificará imediatamente ao Secretário-</p><p>Geral da Organização, que, por sua vez, levará a ocorrência ao conhecimento</p><p>dos Estados membros da Organização.</p><p>2. Para preencher as vagas, cada Governo poderá apresentar um</p><p>candidato, dentro do prazo de 30 dias, a contar da data de recebimento da</p><p>comunicação do Secretário-Geral na qual informe da ocorrência de vaga.</p><p>3. O Secretário-Geral preparará uma lista, em ordem alfabética, dos</p><p>candidatos e a encaminhará ao Conselho Permanente da Organização, o qual</p><p>preencherá a vaga.</p><p>4. Quando o mandato expirar dentro dos seis meses seguintes à data em</p><p>que ocorrer uma vaga, esta não será preenchida.</p><p>3.5.3. Mandato</p><p>O mandato será de quatro anos – contato a partir de 01/01 do ano seguinte ao da eleição,</p><p>sendo possível apenas uma reeleição.</p><p>CADH - Artigo 37, 1. Os membros da Comissão serão eleitos por quatro</p><p>anos e só poderão ser reeleitos uma vez, porém o mandato de três dos</p><p>membros designados na primeira eleição expirará ao cabo de dois anos.</p><p>Logo depois da referida eleição, serão determinados por sorteio, na</p><p>Assembleia Geral, os nomes desses três membros.</p><p>Estatuto - Artigo 6: Os membros da Comissão serão eleitos por quatro anos</p><p>e só poderão ser reeleitos uma vez. Os mandatos serão contados a partir de</p><p>1º de janeiro do ano seguinte ao da eleição.</p><p>Regulamento - Artigo 2. Duração do mandato</p><p>1. Os membros da Comissão serão eleitos por quatro anos e só poderão</p><p>ser reeleitos uma vez.</p><p>2. No caso de não haverem sido eleitos os novos membros da Comissão</p><p>para substituir os membros cujos mandatos expiram, estes últimos</p><p>continuarão no exercício de suas funções até que se efetue a eleição dos</p><p>novos membros.</p><p>A previsão do art. 37.1 da CADH visa evitar riscos à continuidade dos trabalhos, caso</p><p>ocorresse uma substituição total da composição da CIDH a cada eleição. Por isso, adotou o</p><p>mecanismo da renovação parcial, estabelecendo que o mandato de três dos comissários eleitos</p><p>para a primeira composição expiraria após 2 anos, garantindo assim, sucessivamente, que novos</p><p>membros sempre trabalhem por um período com membros escolhidos na eleição anterior.</p><p>3.5.4. Regime de incompatibilidades</p><p>A condição de membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos é incompatível</p><p>com o exercício de atividades que possam afetar sua independência e sua imparcialidade, ou a</p><p>dignidade ou o prestígio do cargo na Comissão (art. 8.1 do Estatuto da CIDH). No momento de</p><p>assumir suas funções os membros se comprometerão a não representar a vítima ou seus familiares</p><p>nem Estados em medidas cautelares, petições e casos individuais perante a CIDH, por um prazo</p><p>de dois anos, contados a partir da expiração de seu mandato como membros da Comissão (art. 4.1</p><p>do Regulamento da CIDH).</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 115</p><p>O procedimento para verificação da incompatibilidade está previsto no Regulamento (art. 4º)</p><p>e no Estatuto (art. 8.2) da CIDH. Basicamente:</p><p>• A Comissão, com o voto afirmativo de pelo menos 5 de seus membros, determinará se</p><p>existe uma situação de incompatibilidade (art. 4.2 do Regulamento);</p><p>• A Comissão, antes de tomar uma decisão, ouvirá o membro ao qual se atribui a</p><p>incompatibilidade (art. 4.3 do Regulamento);</p><p>• A decisão sobre incompatibilidade, com todos os seus antecedentes, será enviada por</p><p>intermédio do Secretário-Geral à Assembleia-Geral da Organização, que decidirá a</p><p>respeito (art. 4.4 do Regulamento);</p><p>• A declaração de incompatibilidade pela Assembleia-Geral será adotada pela maioria de</p><p>2/3 dos Estados membros da Organização e resultará na imediata separação do cargo</p><p>de membro da Comissão sem invalidar, porém, as atuações de que este membro houver</p><p>participado (art. 8.3 do Estatuto).</p><p>De acordo com Caio Paiva, embora não conste no regime jurídico da CIDH quais cargos ou</p><p>atividades são incompatíveis com o exercício do mandato de comissário, implicitamente o</p><p>Regulamento da Comissão admite a compatibilidade das funções de diplomata com o cargo de</p><p>membro da CIDH quando proíbe o comissário de participar na discussão, investigação, deliberação</p><p>ou decisão de assunto submetido à Comissão relacionado ao Estado no qual está acreditado ou</p><p>cumprindo missão especial como diplomata (art. 17.2.a).</p><p>Por fim, conforme prevê o art. 4.1 do Regulamento da CIDH, no momento de assumir suas</p><p>funções os membros se comprometerão a não representar a vítima ou seus familiares nem Estados</p><p>em medidas cautelares, petições e casos individuais perante a CIDH, por um prazo de 2 anos,</p><p>contados a partir da expiração de seu mandato como membros da Comissão.</p><p>3.5.5. Impedimentos</p><p>Os membros da Comissão não poderão participar na discussão, investigação, deliberação</p><p>ou decisão de assunto submetido à consideração da Comissão, nos seguintes casos:</p><p>• se forem cidadãos do Estado objeto da consideração geral ou específica da Comissão,</p><p>ou se estiverem credenciados ou cumprindo missão especial como diplomatas perante</p><p>esse Estado;</p><p>• se houverem participado previamente, a qualquer título, de alguma decisão sobre os</p><p>mesmos fatos em que se fundamenta o assunto ou se houveram atuado como</p><p>conselheiros ou representantes de uma das partes interessadas na decisão;</p><p>Além disso, o membro da Comissão que for nacional ou que residir no território do Estado</p><p>em que se deva realizar uma observação in loco estará impedido de nela participar. Caio Paiva</p><p>considera que tal previsão é incompatível com a CADH.</p><p>Segundo Ledesma, citado por Caio Paiva, “no que concerne às disposições antes referidas,</p><p>que excluem os comissários de participarem nos assuntos de seus próprios países, há que observar</p><p>que elas não correspondem nem ao espírito nem à letra da Convenção, que ressalta que os</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 116</p><p>comissários são eleitos a título pessoal e não representando a um Estado; ademais de não serem</p><p>sinceras, elas são totalmente inúteis, pois não impedem que essa pessoa possa dialogar com seus</p><p>colegas e trocar impressões sobre o caso. Por conseguinte, resultaria mais saudável o abandono</p><p>dessas regras, o que estaria</p><p>em sintonia com o art. 55 da Convenção, aplicável aos juízes da Corte,</p><p>que não impede o juiz da nacionalidade de algum dos Estados partes no caso de seguir conhecendo</p><p>do mesmo. Obviamente, isso supõe um mecanismo de seleção que assegure plenamente a</p><p>independência dos membros da Comissão”.</p><p>Por fim, a Comissão pode decidir sobre o impedimento a partir de comunicação voluntária</p><p>do comissário que se considera impedido, bem como por pedido fundamentado por outro membro.</p><p>3.6. FUNCIONAMENTO</p><p>Os aspectos gerais do funcionamento da Comissão estão previstos na CADH, já os aspectos</p><p>específicos encontram-se no seu Estatuto e no seu Regulamento.</p><p>3.6.1. Organização interna</p><p>A Comissão é composta por:</p><p>a) DIRETORIA</p><p>É formada por um Presidente, um Primeiro Vice-Presidente e um Segundo Vice-Presidente,</p><p>para um mandato de 1 ano, podendo ser reeleitos para seus respectivos cargos apenas uma vez</p><p>em cada 4 anos.</p><p>São atribuições do Presidente:</p><p>• representar a Comissão perante os outros órgãos da Organização e outras instituições;</p><p>• convocar sessões da Comissão, de conformidade com o Estatuto e o presente</p><p>Regulamento;</p><p>• presidir as sessões da Comissão e submeter à sua consideração as matérias que</p><p>figurem na ordem do dia do programa de trabalho aprovado para o período de sessões</p><p>respectivo; decidir as questões de ordem levantadas nas discussões da Comissão; e</p><p>submeter assuntos a votação, de acordo com as disposições pertinentes deste</p><p>Regulamento;</p><p>• dar a palavra aos membros, na ordem em que a tenham pedido;</p><p>• promover os trabalhos da Comissão e velar pelo cumprimento do seu orçamento-</p><p>programa;</p><p>• apresentar relatório escrito à Comissão, ao iniciar esta seus períodos de sessões, sobre</p><p>as atividades desenvolvidas nos períodos de recesso em cumprimento às funções que</p><p>lhe são conferidas pelo Estatuto e pelo presente Regulamento;</p><p>• velar pelo cumprimento das decisões da Comissão;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 117</p><p>• assistir às reuniões da Assembleia Geral da Organização e participar nas atividades que</p><p>se relacionem com a promoção e a proteção dos direitos humanos;</p><p>• trasladar-se à sede da Comissão e nela permanecer durante o tempo que considerar</p><p>necessário para o cumprimento de suas funções;</p><p>• designar comissões especiais, comissões ad hoc e subcomissões, constituídas por</p><p>vários membros, para cumprir qualquer mandato relacionado com sua competência; e</p><p>• exercer quaisquer outras atribuições que lhe sejam conferidas neste Regulamento;</p><p>b) SECRETARIA EXECUTIVA</p><p>A Secretaria Executiva preparará os projetos de relatórios, resoluções, estudos e outros</p><p>trabalhos de que seja encarregada pela Comissão ou o Presidente. Ademais, receberá e fará</p><p>tramitar a correspondência e as petições e comunicações dirigidas à Comissão. A Secretaria</p><p>Executiva também poderá solicitar às partes interessadas a informação que considere pertinente,</p><p>de acordo com o disposto no presente Regulamento.</p><p>É formada por um Secretário Executivo (uma pessoa com independência e alta autoridade</p><p>moral, com experiência e trajetória reconhecida na área de direitos humanos), por pelo menos um</p><p>Secretário Executivo Adjunto e pelo pessoal profissional, técnico e administrativo necessário para</p><p>o desempenho de suas atividades.</p><p>O processo de escolha do Secretário Executivo está disciplinado no art. 11.3 do</p><p>Regulamento. Basicamente:</p><p>• A CIDH abre um concurso público para preenchimento da vaga e publica os critérios e</p><p>as qualificações para o cargo, bem como a descrição das tarefas a serem</p><p>desempenhadas;</p><p>• A CIDH examina as inscrições recebidas e seleciona de 3 a 5 finalistas, os quais são</p><p>entrevistados para o cargo;</p><p>• Os currículos dos finalistas são publicados, inclusive no endereço eletrônico da</p><p>Comissão, um mês antes da seleção final, para que sejam recebidos comentários sobre</p><p>os candidatos;</p><p>• A CIDH determina o candidato mais qualificado, levando em conta os comentários, por</p><p>maioria absoluta dos seus membros;</p><p>• Após, o Secretário-Geral da OEA procede com a nomeação do Secretário Executivo da</p><p>CIDH, que exerce um mandato de 4 anos, podendo ser renovado uma vez.</p><p>Importante consignar que, antes de assumir o cargo e durante o mandato, o Secretário</p><p>Executivo e o Secretário Executivo Adjunto devem revelar à CIDH todo interesse que possa estar</p><p>em conflito com o exercício de suas funções.</p><p>3.6.2. Período de sessões</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 118</p><p>A Comissão realizará pelo menos dois períodos ordinários de sessões por ano, no lapso que</p><p>haja determinado previamente, bem como tantas sessões extraordinárias quantas considerem</p><p>necessárias. Antes do término do período de sessões, a Comissão determinará a data e o lugar do</p><p>período de sessões seguinte.</p><p>As sessões da Comissão serão realizadas em sua sede. Entretanto, a Comissão, pelo voto</p><p>da maioria absoluta dos seus membros, poderá decidir reunir-se em outro lugar, com a anuência</p><p>ou a convite do respectivo Estado.</p><p>O membro que, por doença ou por qualquer motivo grave, se vir impedido de assistir, no</p><p>todo ou em parte, a qualquer período de sessões ou reunião da Comissão, ou de desempenhar</p><p>qualquer outra função, deverá notificá-lo, com a brevidade possível, ao Secretário Executivo, que</p><p>informará o Presidente e fará constar essa notificação em ata.</p><p>3.6.3. Relatorias e grupos de trabalho</p><p>De acordo com Caio Paiva, com o intuito de acompanhar o processo natural do direito</p><p>internacional dos direitos humanos, reconhecendo as suas especificidades, seus desafios e as</p><p>demandas de cada grupo de vulneráveis, a Comissão Interamericana passou a criar, a partir de</p><p>1990, relatorias temáticas para fortalecer, impulsionar e sistematizar o seu próprio trabalho.</p><p>O art. 15 do Regulamento da Comissão disciplina a forma de criação. Vejamos:</p><p>Artigo 15. Relatorias e grupos de trabalho</p><p>1. A Comissão poderá atribuir tarefas ou mandatos específicos a um dos</p><p>seus membros, ou grupo de membros, para a preparação dos seus períodos</p><p>de sessões ou para a execução de programas, estudos ou projetos especiais.</p><p>2. A Comissão poderá designar um dos seus membros como</p><p>responsável pelas relatorias de país e, neste caso, assegurará que cada</p><p>Estado membro da OEA conte com um relator ou relatora. Na primeira sessão</p><p>do ano ou quando seja necessário, a CIDH considerará o funcionamento e</p><p>trabalho das relatorias de país e decidirá sobre sua designação. Ademais, os</p><p>relatores ou relatoras de país exercerão suas responsabilidades de</p><p>acompanhamento que a Comissão lhes incumba e, ao menos uma vez ao</p><p>ano, informarão ao plenário sobre as atividades realizadas.</p><p>3. A Comissão poderá criar relatorias com mandatos relacionados ao</p><p>cumprimento das suas funções de promoção e proteção dos direitos</p><p>humanos em relação às áreas temáticas de especial interesse para este fim.</p><p>Os fundamentos da decisão serão consignados em uma resolução adotada</p><p>por maioria absoluta de votos dos membros da Comissão, na qual constará:</p><p>a. a definição do mandato conferido, incluindo suas funções e alcances; e</p><p>b. a descrição das atividades a serem desenvolvidas e os métodos de</p><p>financiamento projetados para tal fim.</p><p>Os mandatos serão avaliados periodicamente e serão sujeitos a revisão,</p><p>renovação ou término pelo menos a cada três anos.</p><p>4. As relatorias indicadas no inciso anterior poderão funcionar tanto</p><p>como relatorias temáticas, sob a responsabilidade de um membro da</p><p>Comissão, ou como relatorias especiais, incumbidas a outras pessoas</p><p>escolhidas pela Comissão. As relatoras ou relatores temáticos serão</p><p>designados pela Comissão em sua primeira sessão do ano ou em qualquer</p><p>outro momento que seja necessário. As pessoas a cargo das relatorias</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 119</p><p>especiais serão designadas pela Comissão conforme os seguintes</p><p>parâmetros:</p><p>a. chamado a concurso aberto para a ocupação de cargo, com</p><p>publicidade dos critérios a serem utilizados na seleção dos postulantes, dos</p><p>seus antecedentes de idoneidade para o cargo, e da resolução da CIDH</p><p>aplicável ao processo de seleção;</p><p>b. eleição por voto favorável da maioria absoluta dos membros da CIDH</p><p>e publicidade dos fundamentos da decisão.</p><p>Antes do processo de designação e durante o exercício do seu cargo, os</p><p>relatores e relatoras especiais devem revelar à Comissão qualquer interesse</p><p>que possa conflitar com o mandato da relatoria. Os relatores e relatoras</p><p>especiais exercerão seu cargo por um período de três anos renováveis por</p><p>um período adicional, salvo que o mandato da relatoria conclua antes de</p><p>cumprir este período. A Comissão, por decisão da maioria absoluta dos seus</p><p>membros, poderá decidir substituir um relator ou relatora especial por motivo</p><p>razoável.</p><p>5. As pessoas a cargo das relatorias especiais exercerão suas funções</p><p>em coordenação com a Secretaria Executiva, a qual poderá delegar-lhes a</p><p>preparação de informes sobre petições e casos.</p><p>6. As pessoas a cargo das relatorias temáticas e especiais exercerão</p><p>suas atividades em coordenação com aquelas a cargo das relatorias de país.</p><p>Os relatores e relatoras apresentarão seus planos de trabalho ao plenário da</p><p>Comissão para aprovação. Entregarão um relatório escrito à Comissão sobre</p><p>os trabalhos realizados, ao menos uma vez ao ano.</p><p>7. O exercício das atividades e funções previstas nos mandatos das</p><p>relatorias ajustar-se-ão às normas do presente Regulamento e às diretivas,</p><p>códigos de conduta e manuais que a Comissão possa adotar.</p><p>8. Os relatores e relatoras deverão informar ao plenário da Comissão</p><p>questões que, ao chegar a seu conhecimento, possam ser consideradas</p><p>como matéria de controvérsia, grave preocupação ou especial interesse da</p><p>Comissão.</p><p>3.6.4. Quórum de votação</p><p>Para constituir quórum será necessária a presença da maioria absoluta dos membros da</p><p>Comissão, ou seja, quatro comissários.</p><p>Igualmente, a Comissão, pelo voto da maioria absoluta dos seus membros, decidirá a</p><p>respeito dos seguintes assuntos:</p><p>• Eleição dos membros da Diretoria da Comissão;</p><p>• Interpretação do presente Regulamento;</p><p>• Aprovação de relatório sobre a situação dos direitos humanos em determinado Estado;</p><p>e</p><p>• Quando essa maioria estiver prevista na Convenção Americana, no Estatuto ou no</p><p>presente Regulamento.</p><p>Em relação a outros assuntos, será suficiente o voto da maioria dos membros presentes.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 120</p><p>3.7. IDIOMAS DE TRABALHO</p><p>Os idiomas oficiais da Comissão serão o espanhol, o francês, o inglês e o português. Os</p><p>idiomas de trabalho serão os que a Comissão determinar, conforme os idiomas falados por seus</p><p>membros (art. 22.1 Regulamento).</p><p>3.8. PROVOCAÇÃO PARA ATUAÇÃO</p><p>A Comissão IDH pode ser provocada por demandas individuais, conforme Art. 44 da</p><p>Convenção Americana:</p><p>Art. 22 Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não</p><p>governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados-Membros da</p><p>Organização, pode apresentar à Comissão petições que contenham</p><p>denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado-Parte.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>Procurador da República (2022) A comissão interamericana de direitos</p><p>humanos não pode ser provocada a partir de demandas individuais. Errada!</p><p>4. CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS</p><p>4.1. CONCEITO</p><p>Trata-se de uma instituição judicial autônoma do Sistema Interamericano cujo objetivo é</p><p>aplicar e interpretar a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, podendo também, no</p><p>exercício da sua competência consultiva, expandir a atividade interpretativa para outros tratados</p><p>concernentes à proteção dos direitos humanos nos estados americanos (art. 1º do Estatuto da Corte</p><p>IDH).</p><p>Artigo 1. Natureza e regime jurídico</p><p>A Corte Interamericana de Direitos humanos é uma instituição judiciária</p><p>autônoma cujo objetivo é a aplicação e a interpretação da Convenção</p><p>Americana sobre Direitos Humanos. A Corte exerce suas funções em</p><p>conformidade com as disposições da citada Convenção e deste Estatuto.</p><p>Conforme já mencionado, a Corte integra apenas a CADH não integra a OEA. Contudo, a</p><p>OEA participa nos seguintes trabalhos da Corte:</p><p>• Escolha dos juízes da Corte por meio de sua Assembleia-Geral (art. 53.1 da CADH);</p><p>Artigo 53, 1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta e pelo voto</p><p>da maioria absoluta dos Estados Partes na Convenção, na Assembleia Geral</p><p>da Organização, de uma lista de candidatos propostos pelos mesmos</p><p>Estados.</p><p>• Determina o lugar da sede da Corte por meio da sua Assembleia-Geral (art. 58.1 da</p><p>CADH);</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 121</p><p>Artigo 58, 1. A Corte terá sua sede no lugar que for determinado, na</p><p>Assembleia Geral da Organização, pelos Estados Partes na Convenção, mas</p><p>poderá realizar reuniões no território de qualquer Estado membro da</p><p>Organização dos Estados Americanos em que o considerar conveniente pela</p><p>maioria dos seus membros e mediante prévia aquiescência do Estado</p><p>respectivo. Os Estados Partes na Convenção podem, na Assembleia Geral,</p><p>por dois terços dos seus votos, mudar a sede da Corte.</p><p>• Dirige – no que não for incompatível com a independência da Corte – a Secretaria da</p><p>Corte por meio do seu Secretário-Geral (art. 59 da CADH);</p><p>Artigo 59 - A Secretaria da Corte será por esta estabelecida e funcionará sob</p><p>a direção do Secretário da Corte, de acordo com as normas administrativas</p><p>da Secretaria-Geral da Organização em tudo o que não for incompatível com</p><p>a independência da Corte. Seus funcionários serão nomeados pelo</p><p>Secretário-Geral da Organização, em consulta com o Secretário da Corte.</p><p>• Aprova o Estatuto da Corte por meio da sua Assembleia-Geral (art. 60 da CADH);</p><p>Artigo 60 - A Corte elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à aprovação da</p><p>Assembleia Geral e expedirá seu regimento.</p><p>• Auxilia na supervisão do cumprimento das decisões da Corte, devendo esta submeter à</p><p>Assembleia-Geral, em cada período ordinário de sessões, um relatório sobre as suas</p><p>atividades do ano anterior (art. 65 da CADH);</p><p>Artigo 65 - A Corte submeterá à consideração da Assembleia Geral da</p><p>Organização, em cada período ordinário de sessões, um relatório sobre suas</p><p>atividades no ano anterior. De maneira especial, e com as recomendações</p><p>pertinentes, indicará os casos em que um Estado não tenha dado</p><p>cumprimento a suas sentenças.</p><p>• Aprova o orçamento da Corte por meio da sua Assembleia-Geral (art. 72 da CADH);</p><p>Artigo 72 - Os juízes da Corte e os membros da Comissão perceberão</p><p>honorários e despesas de viagem na forma e nas condições que</p><p>determinarem os seus estatutos, levando em conta a importância e</p><p>independência de suas funções. Tais honorários e despesas de viagem</p><p>serão fixados no orçamento-programa da Organização dos Estados</p><p>Americanos, no qual devem ser incluídas, além disso, as despesas da Corte</p><p>e da sua Secretaria. Para tais efeitos, a Corte elaborará o seu próprio projeto</p><p>de orçamento e submetê-lo-á à aprovação da Assembleia Geral, por</p><p>intermédio da Secretaria-Geral. Esta última não poderá nele introduzir</p><p>modificações.</p><p>• Exerce poder disciplinar e sancionatório sobre os juízes da Corte por meio da sua</p><p>Assembleia-Geral (art. 73 da CADH).</p><p>Artigo 73 - Somente por solicitação da Comissão ou da Corte, conforme o caso,</p><p>cabe à Assembleia Geral da Organização resolver sobre as sanções aplicáveis</p><p>aos membros da Comissão ou aos juízes da Corte que incorrerem nos casos</p><p>previstos nos respectivos estatutos. Para expedir uma resolução, será</p><p>necessária maioria de dois terços dos votos dos Estados Membros da</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 122</p><p>Organização,</p><p>no caso dos membros da Comissão; e, além disso, de dois terços</p><p>dos votos dos Estados Partes na Convenção, se se tratar dos juízes da Corte.</p><p>4.2. ORIGEM</p><p>A origem da Corte é convencional, tendo em vista que foi criada pela Convenção Americana</p><p>de Direitos Humanos.</p><p>Conforme os ensinamentos de Caio Paiva, a Corte demorou para exercer a sua função</p><p>contenciosa, vindo a proferir a primeira sentença de mérito somente em julho de 1988, quando</p><p>julgou o Caso Velásquez Rodríguez vs. Honduras. Isso deve-se à inércia da Comissão</p><p>Interamericana para submeter casos à Corte e ao lento processo de aceitação da competência</p><p>contenciosa da Corte pelos Estados.</p><p>Salienta-se, portanto, que os primeiros anos da Corte IDH foram marcados pelo exercício</p><p>exclusivo da competência consultiva, tendo emitido nove delas até o ano em que proferiu a primeira</p><p>sentença de mérito.</p><p>4.3. REGIME JURÍDICO</p><p>A Corte Interamericana é regida juridicamente pela CADH (artigos 52 a 69), pelo seu</p><p>Estatuto (disposições essencialmente orgânica, que desenvolvem e complementam a Convenção</p><p>Americana), elaborado por ela e aprovado pela Assembleia-Geral da OEA em 1979, e pelo seu</p><p>Regulamento (trata predominantemente de questões processuais), expedido por ela própria.</p><p>4.4. COMPOSIÇÃO</p><p>4.4.1. Membros</p><p>A Corte é composta por sete juízes.</p><p>Artigo 52</p><p>1. A Corte compor-se-á de sete juízes, nacionais dos Estados membros</p><p>da Organização, eleitos a título pessoal dentre juristas da mais alta autoridade</p><p>moral, de reconhecida competência em matéria de direitos humanos, que</p><p>reúnam as condições requeridas para o exercício das mais elevadas funções</p><p>judiciais, de acordo com a lei do Estado do qual sejam nacionais, ou do</p><p>Estado que os propuser como candidatos.</p><p>2. Não deve haver dois juízes da mesma nacionalidade.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>Procurador da República (2022) A corte interamericana de direitos</p><p>humanos é formada por juízes representantes de cada um dos países</p><p>membros da organização dos estados americanos (OEA). Errada!</p><p>4.4.2. Requisitos para o cargo</p><p>Os juízes integrantes da Corte devem:</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 123</p><p>• Ter independência</p><p>Ao estabelecer que os juízes da Corte IDH são eleitos a título pessoal, a CADH quis ressaltar</p><p>que os juízes não representam os Estados do qual são nacionais ou os Estados que os propuseram</p><p>como candidatos.</p><p>• Ser nacional de algum dos Estados-membros da OEA.</p><p>Não se exige que o Estado do qual o candidato é nacional tenha ratificado a CADH e</p><p>aceitado sua jurisdição contenciosa.</p><p>• Ter a mais alta autoridade moral.</p><p>Trata-se de um requisito muito genérico e de difícil definição. Segundo Caio Paiva, a</p><p>Convenção parece exigir uma autoridade moral dos juízes da Corte IDH ainda mais elevada do que</p><p>aquela requerida dos membros da CIDH, tanto que a reforça com a expressão “mais”.</p><p>Além disso, segundo Caio Paiva, a dificuldade de se conceituar mais alta autoridade moral</p><p>não impede que se estabeleçam condições essenciais para que alguém dispute a vaga de juiz da</p><p>Corte Interamericana, entre as quais:</p><p>a. ter reconhecimento público pela atuação pessoal e profissional na defesa dos</p><p>direitos humanos;</p><p>b. apoiar uma agenda progressista no campo da proteção de grupos vulneráveis; e</p><p>c. não ter participado de violações de direitos humanos nem ter assumido posições</p><p>ideológicas incompatíveis com a dignidade humana e com a proteção dos direitos</p><p>humanos.</p><p>• Ser jurista</p><p>Deve reunir as condições requeridas para o exercício das mais elevadas funções judiciais,</p><p>de acordo com a lei do Estado do qual sejam nacionais, ou do Estado que os propuser como</p><p>candidatos.</p><p>Perceba que se exige a formação jurídica para integrar a Corte IDH, diferentemente da</p><p>exigência que se faz para integrar a CIDH.</p><p>• Ter reconhecida competência em matéria de direitos humanos</p><p>Não basta ser jurista para integrar a Corte Interamericana. Exige-se um conhecimento</p><p>especializado na matéria de direitos humanos.</p><p>É importante ressaltar que essa competência não está necessariamente ligada à formação</p><p>acadêmica ou à produção doutrinária, podendo decorrer também da atuação profissional da pessoa.</p><p>4.4.3. Eleição</p><p>O processo de escolha dos juízes da Corte Interamericana está previsto no art. 53 da CADH</p><p>e nos artigos 6º a 9º do seu Estatuto.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 124</p><p>Observe:</p><p>Artigo 53</p><p>1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta e pelo voto da</p><p>maioria absoluta dos Estados Partes na Convenção, na Assembleia Geral da</p><p>Organização, de uma lista de candidatos propostos pelos mesmos Estados.</p><p>2. Cada um dos Estados Partes pode propor até três candidatos,</p><p>nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado membro</p><p>da Organização dos Estados Americanos. Quando se propuser uma lista de</p><p>três candidatos, pelo menos um deles deverá ser nacional de Estado</p><p>diferente do proponente.</p><p>Artigo 6. Data de eleição dos juízes</p><p>1. A eleição dos juízes far-se-á, se possível, no decorrer do período de</p><p>sessões da Assembleia Geral da OEA, imediatamente anterior à expiração do</p><p>mandato dos juízes cessantes.</p><p>2. As vagas da Corte decorrentes de morte, incapacidade permanente,</p><p>renúncia ou remoção dos juízes serão preenchidas, se possível, no próximo</p><p>período de sessões da Assembleia Geral da OEA. Entretanto, a eleição não</p><p>será necessária quando a vaga ocorrer nos últimos seis meses do mandato do</p><p>juiz que lhe der origem.</p><p>3. Se for necessário, para preservar o quórum da Corte, os Estados Partes</p><p>da Convenção, em sessão do Conselho Permanente da OEA, por solicitação do</p><p>Presidente da Corte, nomearão um ou mais juízes interinos, que servirão até</p><p>que sejam substituídos pelos juízes eleitos.</p><p>Artigo 7. Candidatos</p><p>1. Os juízes são eleitos pelos Estados Partes da Convenção, na</p><p>Assembleia Geral da OEA, de uma lista de candidatos propostos pelos mesmos</p><p>Estados.</p><p>2. Cada Estado Parte pode propor até três candidatos, nacionais do Estado</p><p>que os propõe ou de qualquer outro Estado membro da OEA.</p><p>3. Quando for proposta uma lista tríplice, pelo menos um dos candidatos</p><p>deve ser nacional de um Estado diferente do proponente.</p><p>Artigo 8. Eleição: Procedimento prévio</p><p>1. Seis meses antes da realização do período ordinário de sessões da</p><p>Assembleia Geral da OEA, antes da expiração do mandato para o qual</p><p>houverem sido eleitos os juízes da Corte, o Secretário-Geral da OEA solicitará,</p><p>por escrito, a cada Estado Parte da Convenção, que apresente seus candidatos</p><p>dentro do prazo de noventa dias.</p><p>2. O Secretário-Geral da OEA preparará uma lista em ordem alfabética dos</p><p>candidatos apresentados e a levará ao conhecimento dos Estados Partes, se</p><p>for possível, pelo menos trinta dias antes do próximo período de sessões da</p><p>Assembleia Geral da OEA.</p><p>3. Quando se tratar de vagas da Corte, bem como nos casos de morte ou</p><p>de incapacidade permanente de um candidato, os prazos anteriores serão</p><p>reduzidos de maneira razoável a juízo do Secretário-Geral da OEA.</p><p>Artigo 9. Votação</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 125</p><p>1. A eleição dos juízes é feita por votação secreta e pela maioria absoluta</p><p>dos Estados Partes da Convenção, dentre os candidatos a que se refere o artigo</p><p>7 deste Estatuto.</p><p>2. Entre os candidatos que obtiverem a citada maioria absoluta, serão</p><p>considerados eleitos os que receberem o maior número de votos. Se forem</p><p>necessárias várias votações, serão eliminados sucessivamente os candidatos</p><p>que receberem menor número de votos, segundo o determinem os Estados</p><p>Partes.</p><p>4.4.4. Mandato</p><p>Os juízes da Corte serão eleitos para um mandato de seis anos e só poderão ser reeleitos</p><p>uma vez. O juiz eleito para substituir outro cujo mandato não haja expirado,</p><p>completará o mandato</p><p>deste.</p><p>Os mandatos dos juízes serão contados a partir de 1º de janeiro do ano seguinte ao de sua</p><p>eleição e estender-se-ão até 31 de dezembro do ano de sua conclusão.</p><p>O mandato de três dos juízes designados na primeira eleição expirará ao cabo de três anos.</p><p>Imediatamente depois da referida eleição, determinar-se-ão por sorteio, na Assembleia Geral, os</p><p>nomes desses três juízes, visa evitar o risco à continuidade dos trabalhos.</p><p>De acordo com Caio Paiva, o princípio ou a garantia do juiz natural recebe um tratamento</p><p>mais amplo na normativa dos tratados que dispõe sobre o funcionamento de tribunais</p><p>internacionais, projetando um vínculo do julgador com o caso que pode superar o término do</p><p>mandato. Nesse sentido:</p><p>Art. 54, 3. Os juízes permanecerão em funções até o término dos seus</p><p>mandatos. Entretanto, continuarão funcionando nos casos de que já</p><p>houverem tomado conhecimento e que se encontrem em fase de sentença e,</p><p>para tais efeitos, não serão substituídos pelos novos juízes eleitos.</p><p>4.4.5. Juiz ad hoc</p><p>Está disciplinado no art. 55 da CADH. Vejamos:</p><p>Artigo 55</p><p>1. O juiz que for nacional de algum dos Estados Partes no caso</p><p>submetido à Corte, conservará o seu direito de conhecer do mesmo.</p><p>2. Se um dos juízes chamados a conhecer do caso for de nacionalidade</p><p>de um dos Estados Partes, outro Estado Parte no caso poderá designar uma</p><p>pessoa de sua escolha para fazer parte da Corte na qualidade de juiz ad hoc.</p><p>3. Se, dentre os juízes chamados a conhecer do caso, nenhum for da</p><p>nacionalidade dos Estados Partes, cada um destes poderá designar um</p><p>juiz ad hoc.</p><p>4. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos indicados no artigo 52.</p><p>5. Se vários Estados Partes na Convenção tiverem o mesmo interesse</p><p>no caso, serão considerados como uma só Parte, para os fins das</p><p>disposições anteriores. Em caso de dúvida, a Corte decidirá.</p><p>Importante consignar que a Corte IDH, na Opinião Consultiva 20/2009, entendeu que a figura</p><p>do juiz ad hoc somente deve ser admitida nas demandas originadas por comunicações interestatais;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 126</p><p>logo, nas demandas iniciadas pela Comissão Interamericana, o Estado demandado não possui o</p><p>direito de indicar juiz nacional ad hoc. Por fim, na mesma OP, a Corte IDH restringiu a possibilidade</p><p>de o juiz que possuir a mesma nacionalidade do Estado réu atuar no caso, somente a admitindo</p><p>nas demandas interestatais.</p><p>4.5. JURISDIÇÃO CONSULTIVA DA CORTE</p><p>4.5.1. Previsão normativa</p><p>Está disciplinada nos arts. 64 e 65 da CADH e nos arts. 70 a 75 do Regulamento da Corte.</p><p>Vejamos:</p><p>Artigo 64</p><p>1. Os Estados membros da Organização poderão consultar a Corte</p><p>sobre a interpretação desta Convenção ou de outros tratados concernentes</p><p>à proteção dos direitos humanos nos Estados americanos. Também poderão</p><p>consultá-la, no que lhes compete, os órgãos enumerados no capítulo X da</p><p>Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de</p><p>Buenos Aires.</p><p>2. A Corte, a pedido de um Estado membro da Organização, poderá</p><p>emitir pareceres sobre a compatibilidade entre qualquer de suas leis internas</p><p>e os mencionados instrumentos internacionais.</p><p>Artigo 65 - A Corte submeterá à consideração da Assembleia Geral da</p><p>Organização, em cada período ordinário de sessões, um relatório sobre suas</p><p>atividades no ano anterior. De maneira especial, e com as recomendações</p><p>pertinentes, indicará os casos em que um Estado não tenha dado</p><p>cumprimento a suas sentenças.</p><p>4.5.2. Finalidade</p><p>A finalidade da função consultiva da Corte IDH é obter uma interpretação judicial sobre uma</p><p>ou várias disposições da CADH ou de outros tratados concernentes à proteção dos direitos</p><p>humanos nos estados americanos.</p><p>4.5.3. Alcance</p><p>Salienta Caio Paiva que a amplitude da competência consultiva da Corte IDH não se</p><p>confunde com uma ausência de limites.</p><p>De acordo com a Corte o pedido de opinião consultiva:</p><p>• não pode ter como objetivo determinar o alcance dos compromissos internacionais</p><p>assumidos por Estados que não sejam membros do sistema interamericano;</p><p>• não pode buscar a interpretação das normas que regulam a estrutura ou o</p><p>funcionamento de órgãos ou organismos internacionais alheios ao sistema</p><p>interamericano;</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 127</p><p>• não deve disfarçar um caso contencioso ou pretender de forma prematura um</p><p>pronunciamento sobre um tema ou assunto que poderá eventualmente ser submetido à</p><p>Corte através de um caso contencioso;</p><p>• não deve ser utilizada como um mecanismo para obter um pronunciamento indireto</p><p>sobre um assunto em litígio ou em controvérsia a nível interno;</p><p>• não deve ser utilizada como um instrumento de um debate político interno;</p><p>• não deve abranger, exclusivamente, temas sobre os quais a Corte já tenha se</p><p>pronunciado em sua jurisprudência;</p><p>• não deve procurar a resolução de questões de fato, mas sim buscar o sentido, o</p><p>propósito e a razão das normas internacionais sobre direitos humanos e, sobretudo,</p><p>coadjuvar os Estados membros e os órgãos da OEA para que cumpram de maneira</p><p>efetiva suas obrigações internacionais; e</p><p>• não deve partir de especulações abstratas, sem uma previsível aplicação a situações</p><p>concretas que justifiquem o interesse de que seja emitida uma opinião consultiva. Sobre</p><p>essa questão, a Corte IDH já esclareceu, porém, que o mero fato de que existam casos</p><p>contenciosos relacionados com o tema da consulta ou petições ante a CIDH não basta</p><p>para que se inviabilize o pedido de opinião consultiva.</p><p>4.5.4. Características do procedimento consultivo</p><p>No procedimento consultivo há ausência de partes (demandante e demandado), de</p><p>sentença, de sanções e reparações. Existe apenas a emissão de uma opinião consultiva, com</p><p>caráter multilateral e não litigioso.</p><p>Além disso, trata-se de uma competência obrigatória, ativada automaticamente com a</p><p>ratificação pelo Estado.</p><p>4.5.5. Objeto da consulta</p><p>Está disciplinado no art. 64 da CADH.</p><p>Artigo 64</p><p>1. Os Estados membros da Organização poderão consultar a Corte</p><p>sobre a interpretação desta Convenção ou de outros tratados concernentes</p><p>à proteção dos direitos humanos nos Estados americanos. Também poderão</p><p>consultá-la, no que lhes compete, os órgãos enumerados no capítulo X da</p><p>Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de</p><p>Buenos Aires.</p><p>2. A Corte, a pedido de um Estado membro da Organização, poderá</p><p>emitir pareceres sobre a compatibilidade entre qualquer de suas leis internas</p><p>e os mencionados instrumentos internacionais.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 128</p><p>OPINIÃO CONSULTIVA DE</p><p>INTERPRETAÇÃO (art. 64.1 da CADH)</p><p>OPINIÃO CONSULTIVA DE</p><p>COMPATIBILIDADE (art. 64.2 da CADH)</p><p>Visa a interpretação da Convenção Americana</p><p>ou de outros tratados concernentes à proteção</p><p>dos direitos humanos nos Estados americanos.</p><p>Obs.: a Corte IDH também já reconheceu a sua</p><p>competência para interpretar a Declaração</p><p>Americana dos Direitos e Deveres do Homem,</p><p>que, mesmo não tendo a natureza jurídica de</p><p>um tratado, contém e define direitos humanos</p><p>referidos na Carta da OEA, podendo a</p><p>Declaração, portanto, ser objeto de opinião</p><p>quando isso seja necessário para que a Corte</p><p>interprete disposições da CADH ou da Carta da</p><p>OEA.</p><p>Visa examinar a compatibilidade entre qualquer</p><p>lei interna e os mencionados instrumentos</p><p>internacionais</p><p>Obs.: abrange toda legislação nacional e todas</p><p>as normas jurídicas de qualquer natureza,</p><p>incluindo disposições constitucionais. Além</p><p>disso, a Corte IDH entende que pode ser</p><p>consultada também sobre a compatibilidade de</p><p>projetos de lei ou de emenda constitucional,</p><p>sob pena de obrigar os Estados a primeiro</p><p>aprovarem uma lei possivelmente contrária a</p><p>tratados internacionais concernentes</p><p>à</p><p>proteção dos direitos humanos nos Estados</p><p>americanos para, somente depois, solicitarem</p><p>a opinião consultiva.</p><p>São legitimados para solicitar uma opinião</p><p>consultiva de interpretação os estados</p><p>membros da OEA (independentemente de</p><p>terem ratificado a CADH) e os órgãos previstos</p><p>no art. 53 da Carta da OEA, que são os</p><p>seguintes: a Assembleia-Geral; a Reunião de</p><p>Consulta dos Ministros das Relações</p><p>Exteriores; os Conselhos; a Comissão Jurídica</p><p>Interamericana; a Comissão Interamericana de</p><p>Direitos Humanos; a Secretaria-Geral; as</p><p>Conferências Especializadas; e os Organismos</p><p>Especializados.</p><p>Somente os estados membros da OEA podem</p><p>solicitar uma opinião consultiva de</p><p>compatibilidade.</p><p>Requisitos (art. 70 do Regulamento):</p><p>a) formular com precisão as perguntas;</p><p>b) especificar as disposições que devem ser</p><p>interpretadas;</p><p>c) indicar as considerações que a originaram; e</p><p>d) informar o nome e endereço do Agente ou</p><p>dos Delegados que comparecerão no</p><p>procedimento perante a Corte.</p><p>Requisitos (art. 72 do Regulamento):</p><p>a) Instruir o pedido de cópia das disposições</p><p>internas a que se refere a consulta;</p><p>b) indicar as disposições de direito interno, bem</p><p>como as da Convenção ou de outros tratados</p><p>concernentes à proteção dos direitos humanos</p><p>que são objeto da consulta;</p><p>c) indicar as perguntas específicas sobre as</p><p>quais se pretende obter o parecer da Corte; e</p><p>d) indicar o nome e endereço do Agente do</p><p>solicitante.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 129</p><p>4.5.6. Procedimento de emissão de opinião consultiva</p><p>Previsto no art. 73 do Regulamento da Corte, observe:</p><p>Artigo 73. Procedimento</p><p>1. Uma vez recebido um pedido de parecer consultivo, o Secretário enviará</p><p>cópia deste a todos os Estados membros, à Comissão, ao Conselho</p><p>Permanente por intermédio da sua Presidência, ao Secretário Geral e aos</p><p>órgãos da OEA a cuja esfera de competência se refira o tema da consulta, se</p><p>for pertinente.</p><p>2. A Presidência fixará um prazo para que os interessados enviem suas</p><p>observações por escrito.</p><p>3. A Presidência poderá convidar ou autorizar qualquer pessoa interessada</p><p>para que apresente sua opinião por escrito sobre os itens submetidos a</p><p>consulta. Se o pedido se referir ao disposto no artigo 64.2 da Convenção,</p><p>poderá fazê-lo mediante consulta prévia com o Agente.</p><p>4. Uma vez concluído o procedimento escrito, a Corte decidirá quanto à</p><p>conveniência ou não de realizar o procedimento oral e fixará a audiência, a</p><p>menos que delegue essa última tarefa à Presidência. No caso do previsto no</p><p>artigo 64.2 da Convenção, será realizada uma consulta prévia ao Agente.</p><p>Perceba que há cinco fases no procedimento de emissão de opinião consultiva, são elas:</p><p>1ªFase – Admissibilidade;</p><p>2ªFase – Notificação da consulta;</p><p>3ªFase – Observações escritas;</p><p>4ªFase – Audiência pública;</p><p>5ªFase – Pronunciamento da Corte.</p><p>Importante salientar que se o solicitante da opinião consultiva decide retirá-la, a Corte IDH</p><p>não fica impedida de exercer a sua competência consultiva, isto porque o solicitante da opinião</p><p>consultiva não é o único titular de um interesse legítimo no resultado do procedimento. Portanto, a</p><p>desistência ou retirada manifestada pelo solicitante não impede que a Corte exerça a sua</p><p>competência consultiva.</p><p>4.5.7. Efeitos jurídicos das opiniões consultivas</p><p>Há divergência acerca do tema:</p><p>• 1ª Posição (entendimento da própria Corte e da doutrina majoritária.) - As opiniões</p><p>consultivas não possuem efeito vinculante, mas sim “efeitos jurídicos inegáveis”. A força</p><p>das opiniões consultivas decorre, segundo o entendimento da doutrina, da autoridade</p><p>científica e moral da Corte.</p><p>• 2ª Posição (Caio Paiva) – A Corte é soberana e a última intérprete da Convenção, e</p><p>como instituição judicial a quem também foi incumbida a função de interpretar os tratados</p><p>concernentes à proteção dos direitos humanos nos Estados americanos, emite opiniões</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 130</p><p>consultivas com efeito vinculante para os Estados-partes da Convenção,</p><p>independentemente de estes terem solicitado ou participado do procedimento consultivo.</p><p>Por fim, o caráter vinculante das opiniões consultivas não as torna executáveis, tendo em</p><p>vista que no procedimento consultivo não há partes nem litígio.</p><p>4.5.8. Opiniões consultivas emitidas pela Corte</p><p>Até o momento a Corte emitiu 29 Opiniões Consultivas6. A seguir fizemos um pequeno</p><p>resumo de cada uma delas.</p><p>OPINIÃO CONSULTIVA 1/82</p><p>Foi solicitada pelo Peru.</p><p>Indagou-se a função consultiva da Corte, definida no art. 64 da CADH, eis que o referido</p><p>artigo, ao contrário do que ocorre na Convenção Europeia, coloca de forma ampla e vaga a</p><p>competência consultiva da Corte.</p><p>Artigo 64 - 1. Os Estados-membros da Organização poderão consultar a</p><p>Corte sobre a interpretação desta Convenção ou de outros tratados</p><p>concernentes à proteção dos direitos humanos nos Estados americanos.</p><p>Também poderão consultá-la, no que lhes compete, os órgãos enumerados</p><p>no capítulo X da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada</p><p>pelo Protocolo de Buenos Aires.</p><p>2. A Corte, a pedido de um Estado-membro da Organização, poderá emitir</p><p>pareceres sobre a compatibilidade entre qualquer de suas leis internas e os</p><p>mencionados instrumentos internacionais.</p><p>Ressalta-se que a função consultiva da Corte não é ilimitada. Os limites para sua atuação</p><p>são definidos tanto pelo objeto e pela finalidade da CADH quanto pelo traço geral do art. 64.</p><p>Foi feito um profundo estudo acerca do âmbito da função consultiva da Corte, atribuída pela</p><p>CADH, para isso se discutiu sobre: tratados bilaterais e multilaterais; tratados subscritos e não</p><p>subscritos pelos Estados Partes; normas usadas na interpretação da Convenção; a integração do</p><p>sistema regional com o sistema global (universal).</p><p>A Corte concluiu que:</p><p>a) Em regra, a competência consultiva pode ser exercida sobre toda disposição concernente</p><p>à proteção de Direitos humanos;</p><p>b) Será exercida sobre qualquer tratado internacional aplicável aos Estados Americanos,</p><p>independentemente de ser bilateral ou multilateral;</p><p>c) Frente a um caso concreto, desde que motivadamente, a Corte pode abster-se de</p><p>manifestar-se, caso entenda que a questão excede os limites de sua função consultiva.</p><p>6 https://www.corteidh.or.cr/opiniones_consultivas.cfm?lang=pt</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 131</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>DPE/AP (2022) A função consultiva da Corte Interamericana de Direitos</p><p>Humanos (Corte IDH), conforme previsão da normativa internacional na</p><p>interpretação que lhe dá a própria Corte IDH, pode ser demandada, pela</p><p>Comissão Interamericana de Direitos Humanos, entre outros legitimados,</p><p>podendo versar sobre todos os tratados internacionais de proteção dos</p><p>direitos humanos, mesmo aqueles concluídos fora do contexto da</p><p>Organização dos Estados Americanos, desde que eles sejam aplicáveis em</p><p>pelo menos um dos Estados-membros da Organização. Correta!</p><p>OPINIÃO CONSULTIVA 2/82</p><p>Solicitada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.</p><p>Indagou-se em qual momento, efetivamente, um Estado passa a fazer parte da Convenção</p><p>e qual momento da ratificação deve ser considerado. Requereu-se, assim, a interpretação dos</p><p>artigos 74 e 75 da CADH.</p><p>Artigo 74 - 1. Esta Convenção está aberta à assinatura e à ratificação de todos</p><p>os Estados-membros da Organização dos Estados Americanos.</p><p>2. A ratificação desta Convenção ou a adesão a ela efetuar-se-á mediante</p><p>depósito de um instrumento de ratificação ou adesão na Secretaria Geral da</p><p>Organização dos Estados Americanos. Esta Convenção entrará em vigor logo</p><p>que onze Estados houverem depositado os seus respectivos instrumentos de</p><p>ratificação ou de adesão. Com referência a qualquer outro Estado que a</p><p>ratificar ou que a ela aderir ulteriormente,</p><p>a Convenção entrará em vigor na</p><p>data do depósito do seu instrumento de ratificação ou adesão.</p><p>3. O Secretário Geral comunicará todos os Estados-membros da</p><p>Organização sobre a entrada em vigor da Convenção.</p><p>Artigo 75 - Esta Convenção só pode ser objeto de reservas em conformidade</p><p>com as disposições da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados,</p><p>assinada em 23 de maio de 1969.</p><p>Analisou-se o procedimento de ratificação e depósito de um tratado, bem como a</p><p>possibilidade de serem feitas reservas à CADH, nos termos dos artigos 19 e 20 da Convenção de</p><p>Viena.</p><p>Artigo 19 - Formulação de Reservas Um Estado pode, ao assinar, ratificar,</p><p>aceitar ou aprovar um tratado, ou a ele aderir, formular uma reserva, a não</p><p>ser que:</p><p>a) A reserva seja proibida pelo tratado;</p><p>b) O tratado disponha que só possam ser formuladas determinadas reservas,</p><p>entre as quais não figure a reserva em questão; ou</p><p>c) Nos casos não previstos nas alíneas a e b, a reserva seja incompatível</p><p>com o objeto e a finalidade do tratado.</p><p>Artigo 20 - Aceitação de Reservas e Objeções às Reservas</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 132</p><p>1. Uma reserva expressamente autorizada por um tratado não requer</p><p>qualquer aceitação posterior pelos outros Estados contratantes, a não ser que</p><p>o tratado assim disponha.</p><p>2. Quando se infere do número limitado dos Estados negociadores, assim</p><p>como do objeto e da finalidade do tratado, que a aplicação do tratado na</p><p>íntegra entre todas as partes é condição essencial para o consentimento de</p><p>cada uma delas em obrigar-se pelo tratado, uma reserva requer a aceitação</p><p>de todas as partes.</p><p>3. Quando o tratado é um ato constitutivo de uma organização internacional,</p><p>a reserva exige a aceitação do órgão competente da organização, a não ser</p><p>que o tratado disponha diversamente.</p><p>4. Nos casos não previstos nos parágrafos precedentes e a menos que o</p><p>tratado disponha de outra forma:</p><p>a) a aceitação de uma reserva por outro Estado contratante torna o Estado</p><p>autor da reserva parte no tratado em relação àquele outro Estado, se o tratado</p><p>está em vigor ou quando entrar em vigor para esses Estados;</p><p>b) a objeção feita a uma reserva por outro Estado contratante não impede</p><p>que o tratado entre em vigor entre o Estado que formulou a objeção e o</p><p>Estado autor da reserva, a não ser que uma intenção contrária tenha sido</p><p>expressamente manifestada pelo Estado que formulou a objeção;</p><p>c) um ato que manifestar o consentimento de um Estado em obrigar-se por</p><p>um tratado e que contiver uma reserva produzirá efeito logo que pelo menos</p><p>outro Estado contratante aceitar a reserva.</p><p>5. Para os fins dos parágrafos 2 e 4, e a não ser que o tratado disponha</p><p>diversamente, uma reserva é tida como aceita por um Estado se este não</p><p>formulou objeção à reserva quer no decurso do prazo de doze meses que se</p><p>seguir à data em que recebeu a notificação, quer na data em que manifestou</p><p>o seu consentimento em obrigar-se pelo tratado, se esta for posterior.</p><p>A Corte, unanimemente, concluiu que:</p><p>a) A CADH entra em vigor para um Estado que a ratificou, com ou sem reservas, na data do</p><p>depósito de seu instrumento de ratificação ou adesão.</p><p>OPINIÃO CONSULTIVA 3/83</p><p>Solicitada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.</p><p>Indagou-se sobre a possibilidade de imposição de pena de morte, bem como para quais</p><p>crimes será admitida.</p><p>Foi feita uma análise minuciosa do art. 4º da CADH, trazendo diversas linhas de</p><p>interpretação, quais sejam: caso de países que aboliram a pena de morte no momento da ratificação</p><p>da CADH; países que, após abolirem a pena de morte, pretendem reintroduzi-la; tipos de crimes</p><p>que admitem a pena de morte.</p><p>Artigo 4º - Direito à vida</p><p>1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve</p><p>ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém</p><p>pode ser privado da vida arbitrariamente.</p><p>2. Nos países que não houverem abolido a pena de morte, esta só poderá</p><p>ser imposta pelos delitos mais graves, em cumprimento de sentença final de</p><p>tribunal competente e em conformidade com a lei que estabeleça tal pena,</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 133</p><p>promulgada antes de haver o delito sido cometido. Tampouco se estenderá</p><p>sua aplicação a delitos aos quais não se aplique atualmente.</p><p>3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam</p><p>abolido.</p><p>4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada a delitos políticos,</p><p>nem a delitos comuns conexos com delitos políticos.</p><p>5. Não se deve impor a pena de morte à pessoa que, no momento da</p><p>perpetração do delito, for menor de dezoito anos, ou maior de setenta (no</p><p>PIDCP não consta esta proibição), nem aplicá-la a mulher em estado de</p><p>gravidez.</p><p>6. Toda pessoa condenada à morte tem direito a solicitar anistia, indulto ou</p><p>comutação da pena, os quais podem ser concedidos em todos os casos. Não</p><p>se pode executar a pena de morte enquanto o pedido estiver pendente de</p><p>decisão ante a autoridade competente.</p><p>A Corte concluiu que:</p><p>a) Não pode um país aplicar a pena de morte para os delitos que não estivesse,</p><p>expressamente, prevista em sua legislação interna;</p><p>b) O Estado não pode, após a entrada em vigor da CADH, legislar com o intuito de impor a</p><p>pena de morte aos delitos não previstos, no momento da ratificação. Por exemplo, o Estado admite</p><p>a pena de morte para o delito de homicídio. Após a adesão a CADH quer aplicar ao latrocínio (antes</p><p>não prevista).</p><p>c) A possibilidade de reservas não permite a imposição da pena de morte para outros delitos</p><p>que não estiverem previstos no momento da ratificação da CADH;</p><p>d) Estado que aboliu a pena de morte não pode reintroduzi-la.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>Delegado PC/RO (2022) Estado que tenha abolido a pena de morte pode,</p><p>posteriormente, restabelecê-la. Errada!</p><p>OPINIÃO CONSULTIVA 4/84</p><p>Feita pela Costa Rica.</p><p>Indagou-se a compatibilidade da proposta de alteração legislativa sobre nacionalidade com</p><p>as normas que tratam sobre o tema (art. 20) na CADH.</p><p>Artigo 20 - Direito à nacionalidade</p><p>1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.</p><p>2. Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território</p><p>houver nascido, se não tiver direito a outra.</p><p>3. A ninguém se deve privar arbitrariamente de sua nacionalidade, nem do</p><p>direito de mudá-la.</p><p>A Corte concluiu que:</p><p>a) Não contraria a CADH o estabelecimento de critérios diferentes de naturalização para</p><p>pessoas nascidas em países diferentes.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 134</p><p>b) O fato de a Costa Rica ter estabelecido um critério de naturalização para centro</p><p>americanos, um para ibero-americanos e outros para espanhóis, não ofende à CADH.</p><p>OPINIÃO CONSULTIVA 5/85</p><p>Feita pela Costa Rica.</p><p>Indagou-se sobre a obrigatoriedade da formação de jornalista e sobre a compatibilidade de</p><p>tal exigência (ou não) com as leis internas dos Estados. Requereu-se, para tanto, uma interpretação</p><p>dos artigos 13 e 29 da CADH.</p><p>Artigo 13 - Liberdade de pensamento e de expressão</p><p>1. Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de expressão.</p><p>Esse direito inclui a liberdade de procurar, receber e difundir informações e</p><p>ideias de qualquer natureza, sem considerações de fronteiras, verbalmente</p><p>ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de</p><p>sua escolha.</p><p>2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito</p><p>à censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser</p><p>expressamente previstas em lei e que se façam necessárias para assegurar:</p><p>a) o respeito dos direitos e da reputação das demais pessoas;</p><p>b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da</p><p>moral públicas.</p><p>3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias e meios indiretos,</p><p>tais como o abuso de controles oficiais ou</p><p>186</p><p>2.5. 5º ANTECEDENTE – CONVENÇÃO PARA A PREVENÇÃO E A PUNIÇÃO DO CRIME</p><p>DE GENOCÍDIO, 1948 ................................................................................................................. 186</p><p>2.6. 6º ANTECEDENTE – RESOLUÇÕES Nº 827/1993 E 955/1994 DO CONSELHO DE</p><p>SEGURANÇA DA ONU ............................................................................................................... 186</p><p>2.7. 7º ANTECEDENTE – ADOÇÃO DO ESTATUTO DO TP, 1998 ..................................... 187</p><p>3. GERAÇÕES DE TRIBUNAIS PENAIS INTERNACIONAIS .................................................... 187</p><p>4. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO TPI .......................................................................... 187</p><p>5. COMPOSIÇÃO, CANDIDATURA E ELEIÇÃO DOS JUÍZES .................................................. 188</p><p>6. CRIMES DE COMPETÊNCIA DO TPI ..................................................................................... 189</p><p>7. CONDIÇÕES PARA O EXERCÍCIO DA COMPETÊNCIA PELO TPI .................................... 196</p><p>8. DISPOSIÇÕES PENAIS APLICÁVEIS AO JULGAMENTO PELO TPI .................................. 197</p><p>8.1. NULLUM CRIMEN SINE LEGE ........................................................................................ 197</p><p>8.2. NULLA POENA SINE LEGE ............................................................................................. 197</p><p>8.3. NÃO RETROATIVIDADE .................................................................................................. 198</p><p>8.4. RESPONSABILIDADE CRIMINAL INDIVIDUAL .............................................................. 198</p><p>8.5. EXCLUSÃO DA JURISDIÇÃO RELATIVAMENTE A MENORES DE 18 ANOS ............ 199</p><p>8.6. IRRELEVÂNCIA DA QUALIDADE OFICIAL..................................................................... 199</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 6</p><p>8.7. RESPONSABILIDADE DOS CHEFES MILITARES E OUTROS SUPERIORES</p><p>HIERÁRQUICOS .......................................................................................................................... 199</p><p>8.8. IMPRESCRITIBILIDADE ................................................................................................... 200</p><p>8.9. ELEMENTOS PSICOLÓGICOS ....................................................................................... 200</p><p>8.10. CAUSAS DE EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE CRIMINAL .................................. 200</p><p>8.11. ERRO DE FATO OU ERRO DE DIREITO ....................................................................... 201</p><p>8.12. DECISÃO HIERÁRQUICA E DISPOSIÇÕES LEGAIS .................................................... 201</p><p>9. PENAS APLICADAS ................................................................................................................ 202</p><p>10. PROCEDIMENTO DE INVESTIGAÇÃO, INSTRUÇÃO, JULGAMENTO E EXECUÇÃO DA</p><p>PENA ................................................................................................................................................ 202</p><p>11. A RELAÇÃO DO BRASIL COM O TPI ..................................................................................... 203</p><p>12. DECISÕES DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL .......................................................... 204</p><p>12.1. CASO THOMAS LUBANGA DYILO ................................................................................. 204</p><p>12.2. CASO MATHIEU NGUDJOLO CHUI ................................................................................ 204</p><p>12.3. CASO GERMAIN KATANGA ............................................................................................ 204</p><p>12.4. CASO JEAN PIERRE BEMBA .......................................................................................... 204</p><p>12.5. CASO AHAMAD AL-FAQI AL-MAHDI .............................................................................. 204</p><p>12.6. CASO OMAR AL BASHIR “CASO DARFUR” .................................................................. 204</p><p>CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE ...................................................................................... 206</p><p>1. CONCEITO ............................................................................................................................... 206</p><p>2. CLASSIFICAÇÃO ..................................................................................................................... 206</p><p>3. OBJETIVOS .............................................................................................................................. 207</p><p>4. DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO E DO ALCANCE DO CONTROLE DE</p><p>CONVENCIONALIDADE ................................................................................................................. 208</p><p>4.1. PRIMEIRA ETAPA ............................................................................................................ 208</p><p>4.2. SEGUNDA ETAPA ............................................................................................................ 208</p><p>4.3. TERCEIRA ETAPA ........................................................................................................... 208</p><p>5. ELEMENTOS OU CARACTERÍSTICAS DO CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE</p><p>CONFORME A JURISPRUDÊNCIA DA CORTE IDH .................................................................... 208</p><p>5.1. DEVE SER EXERCIDO DE OFÍCIO E NO MARCO DE COMPETÊNCIAS E</p><p>REGULAÇÕES PROCESSUAIS CORRESPONDENTES ......................................................... 208</p><p>5.2. O CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE É UMA OBRIGAÇÃO DE TODA</p><p>AUTORIDADE PÚBLICA ............................................................................................................. 209</p><p>5.3. PARÂMETRO DO CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE ........................................ 209</p><p>5.4. OBJETO DO CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE ................................................. 210</p><p>5.5. PRINCÍPIO DA ATIPICIDADE DOS MEIOS DO CONTROLE DE</p><p>CONVENCIONALIDADE ............................................................................................................. 210</p><p>6. JURISPRUDÊNCIA .................................................................................................................. 211</p><p>SISTEMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS .......................................................................... 213</p><p>1. INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA ....................................................... 213</p><p>1.1. PREVISÃO E CONSIDERAÇÕES .................................................................................... 213</p><p>1.2. REQUISITOS .................................................................................................................... 213</p><p>1.3. LEGITIMIDADE ................................................................................................................. 213</p><p>1.4. COMPETÊNCIA ................................................................................................................ 213</p><p>1.5. JULGAMENTOS ............................................................................................................... 214</p><p>2. PROCESSO DE INCORPORAÇÃO DOS TRATADOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS</p><p>HUMANOS ....................................................................................................................................... 216</p><p>2.1. PODERES ENVOLVIDOS NO PROCESSO DE INCORPORAÇÃO DO TRATADO NA</p><p>ORDEM JURÍDICA INTERNA ..................................................................................................... 216</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 7</p><p>2.2. FASES DO PROCESSO DE INCORPORAÇÃO DOS TRATADOS INTERNACIONAIS DE</p><p>DIREITOS HUMANOS ................................................................................................................. 217</p><p>2.2.1. Fase de assinatura .................................................................................................... 217</p><p>2.2.2. Fase de apreciação legislativa ou fase congressual.................................................</p><p>particulares de papel de imprensa,</p><p>de frequências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na</p><p>difusão de informação, nem por quaisquer outros meios destinados a obstar</p><p>a comunicação e a circulação de ideias e opiniões.</p><p>4. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia, com o</p><p>objetivo exclusivo de regular o acesso a eles, para proteção moral da infância</p><p>e da adolescência, sem prejuízo do disposto no inciso 2.</p><p>5. A lei deve proibir toda propaganda a favor da guerra, bem como toda</p><p>apologia ao ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitamento à</p><p>discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência.</p><p>Artigo 29 - Normas de interpretação</p><p>Nenhuma disposição da presente Convenção pode ser interpretada no</p><p>sentido de:</p><p>a) permitir a qualquer dos Estados-partes, grupo ou indivíduo, suprimir o gozo</p><p>e o exercício dos direitos e liberdades reconhecidos na Convenção ou limitá-</p><p>los em maior medida do que a nela prevista;</p><p>b) limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou liberdade que possam ser</p><p>reconhecidos em virtude de leis de qualquer dos Estados-partes ou em</p><p>virtude de Convenções em que seja parte um dos referidos Estados;</p><p>c) excluir outros direitos e garantias que são inerentes ao ser humano ou que</p><p>decorrem da forma democrática representativa de governo;</p><p>d) excluir ou limitar o efeito que possam produzir a Declaração Americana</p><p>dos Direitos e Deveres do Homem e outros atos internacionais da mesma</p><p>natureza.</p><p>Analisou-se a liberdade de expressão e pensamento, fazendo-se, inclusive, uma</p><p>comparação com as previsões da Comissão Europeia.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 135</p><p>A Corte concluiu que:</p><p>a) São incompatíveis com o art. 13 da CADH, a exigência de formação obrigatória de</p><p>jornalistas e sua inscrição em ordem profissional, pois isso impede o uso pleno dos meios de</p><p>comunicação, consequentemente, impedem a liberdade de expressão e de transmissão de</p><p>opiniões.</p><p>OPINIÃO CONSULTIVA 6/86</p><p>Solicitada pelo Uruguai.</p><p>Indagou-se a possibilidade de restrições ao uso e ao gozo dos direitos e liberdades</p><p>reconhecidos na Convenção Americana.</p><p>Fez-se um estudo detalhado sobre o conceito “leis”, consagrado no art. 30 da CADH. Para</p><p>isso, ponderou-se que alguns Estados se inserem no sistema common law e outros seguem a</p><p>tradição romanista.</p><p>Artigo 30 - Alcance das restrições</p><p>As restrições permitidas, de acordo com esta Convenção, ao gozo e exercício</p><p>dos direitos e liberdades nela reconhecidos, não podem ser aplicadas senão</p><p>de acordo com leis que forem promulgadas por motivo de interesse geral e</p><p>com o propósito para o qual houverem sido estabelecidas.</p><p>O debate central da OC nº 6 deu-se em relação ao sistema de crises, ou seja, situações</p><p>extremas e excepcionais em que se admite a restrição de direitos humanos, bem como que tipo de</p><p>“lei” (qualquer norma jurídica) pode autorizar as restrições.</p><p>A Corte concluiu que:</p><p>a) A expressão “lei”, prevista no art. 30 da CADH, significa norma jurídica de caráter geral,</p><p>emanada de órgãos legislativos constitucionalmente previstos e democraticamente eleitos,</p><p>elaboradas segundo procedimento previamente estabelecido nas Constituições dos Estados.</p><p>b) Além disso, a Corte interpretou o significado de termos vagos, como: “bem comum” e</p><p>“ordem pública”, fazendo um paralelo com o Estado Democrático de Direito e suas finalidades.</p><p>OPINIÃO CONSULTIVA 7/86</p><p>Feita pela Costa Rica.</p><p>Solicitou-se uma interpretação e a delimitação do alcance do art. 14.1 da CADH, em relação</p><p>ao art. 11, 1 e 2 da CADH. Além disso, indagou-se a compatibilidade da lei interna do Estado com</p><p>a CADH quando estabelecer outras formas de exercer o direito de resposta e retificação, previstos</p><p>na CADH.</p><p>Artigo 14 - Direito de retificação ou resposta</p><p>1. Toda pessoa, atingida por informações inexatas ou ofensivas emitidas em</p><p>seu prejuízo por meios de difusão legalmente regulamentados e que se</p><p>dirijam ao público em geral, tem direito a fazer, pelo mesmo órgão de difusão,</p><p>sua retificação ou resposta, nas condições que estabeleça a lei.</p><p>2. Em nenhum caso a retificação ou a resposta eximirão das outras</p><p>responsabilidades legais em que se houver incorrido.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 136</p><p>3. Para a efetiva proteção da honra e da reputação, toda publicação ou</p><p>empresa jornalística, cinematográfica, de rádio ou televisão, deve ter uma</p><p>pessoa responsável, que não seja protegida por imunidades, nem goze de</p><p>foro especial.</p><p>Artigo 11 - Proteção da honra e da dignidade</p><p>1. Toda pessoa tem direito ao respeito da sua honra e ao reconhecimento de</p><p>sua dignidade.</p><p>2. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em sua</p><p>vida privada, em sua família, em seu domicílio ou em sua correspondência,</p><p>nem de ofensas ilegais à sua honra ou reputação.</p><p>3. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais ingerências ou tais</p><p>ofensas.</p><p>Obs.: Antes de expor a conclusão da Corte, é importante destacar que</p><p>a admissibilidade da OC nº 7 não foi unanime (4x3). A minoria</p><p>entendeu que a pergunta não foi formulada em relação à</p><p>compatibilidade ou incompatibilidade, bem como que tal questão</p><p>estava fora das funções consultivas da Corte, pois visa definir se tais</p><p>direitos (respostas e retificação) estão ou não garantidos pela ordem</p><p>interna do Estado.</p><p>Concluiu a Corte que:</p><p>a) Os direitos estabelecidos no art. 14 da CADH devem ser observados e respeitados,</p><p>obrigatoriamente pelos Estados.</p><p>b) A obrigatoriedade ocorre mesmo que tais direitos não se encontrem positivados no</p><p>ordenamento interno.</p><p>OPINIÃO CONSULTIVA 8/87</p><p>Solicitada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.</p><p>Tratou-se da prisão realizada em período de exceção (estado de sítio ou defesa) e sobre a</p><p>possiblidade de suspensão do habeas corpus em tais caos. Por fim, sobre a admissibilidade de</p><p>incomunicabilidade do preso.</p><p>Analisou-se de forma detalhada o art. 25 e do art. 7º, 6, da CADH.</p><p>Artigo 25 - Proteção judicial</p><p>1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido (moldes do habeas</p><p>corpus) ou a qualquer outro recurso efetivo, perante os juízes ou tribunais</p><p>competentes, que a proteja contra atos que violem seus direitos fundamentais</p><p>reconhecidos pela Constituição, pela lei ou pela presente Convenção, mesmo</p><p>quando tal violação seja cometida por pessoas que estejam atuando no</p><p>exercício de suas funções oficiais.</p><p>2. Os Estados-partes comprometem-se:</p><p>a) a assegurar que a autoridade competente prevista pelo sistema legal do</p><p>Estado decida sobre os direitos de toda pessoa que interpuser tal recurso;</p><p>b) a desenvolver as possibilidades de recurso judicial; e</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 137</p><p>c) a assegurar o cumprimento, pelas autoridades competentes, de toda</p><p>decisão em que se tenha considerado procedente o recurso.</p><p>Artigo 7º - Direito à liberdade pessoal</p><p>1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais.</p><p>2. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física, salvo pelas causas e</p><p>nas condições previamente fixadas pelas Constituições políticas dos</p><p>Estados-partes ou pelas leis de acordo com elas promulgadas.</p><p>3. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarceramento arbitrários.</p><p>4. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões da detenção</p><p>e notificada, sem demora, da acusação ou das acusações formuladas contra</p><p>ela.</p><p>5. Toda pessoa presa, detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à</p><p>presença de um juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções</p><p>judiciais e tem o direito de ser julgada em prazo razoável ou de ser posta em</p><p>liberdade, sem prejuízo de que prossiga o processo. Sua liberdade pode ser</p><p>condicionada a garantias que assegurem o seu comparecimento em juízo.</p><p>6. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou</p><p>tribunal competente,</p><p>217</p><p>2.2.3. Fase de ratificação ..................................................................................................... 217</p><p>2.2.4. Fase de promulgação ................................................................................................ 217</p><p>3. HIERARQUIA DOS TRATADOS .............................................................................................. 218</p><p>DIREITOS HUMANOS DOS GRUPOS VULNERÁVEIS ................................................................ 220</p><p>1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................... 220</p><p>2. MULHERES .............................................................................................................................. 220</p><p>3. PESSOAS NEGRAS ................................................................................................................ 221</p><p>4. CRIANÇA E ADOLESCENTE .................................................................................................. 222</p><p>5. PESSOAS IDOSAS .................................................................................................................. 225</p><p>6. PESSOAS COM DEFICIÊNCIA ............................................................................................... 225</p><p>7. PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA ........................................................................................ 226</p><p>8. POVOS INDÍGENAS ................................................................................................................ 227</p><p>9. LGBTQI+ ................................................................................................................................... 227</p><p>10. QUILOMBOLAS ........................................................................................................................ 228</p><p>11. REFUGIADOS .......................................................................................................................... 228</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 8</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Olá!</p><p>Inicialmente, gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja</p><p>útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de</p><p>estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria.</p><p>O Caderno Sistematizado de Direitos Humanos possui como base as aulas da Prof. Valério</p><p>Mazzuoli e do Prof. Caio Paiva. Além disso, utilizamos as seguintes obras: Curso de Direitos</p><p>Humanos, André de Carvalho Ramos; Curso de Direitos Humanos, Valério Mazzuoli; Jurisprudência</p><p>Internacional de Direitos Humanos, Caio Paiva e Thimotie Heemann.</p><p>Ademais, no Caderno constam os principais artigos dos tratados, mas, ressaltamos, que é</p><p>necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, pois muitas questões são retiradas da legislação.</p><p>Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina</p><p>+ informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você</p><p>faça uma boa prova.</p><p>Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito</p><p>importante!! As bancas costumam repetir certos temas.</p><p>Vamos juntos!! Bons estudos!!</p><p>Equipe Cadernos Sistematizados.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 9</p><p>TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS</p><p>1. CONCEITO</p><p>Inicialmente, destaca-se que, a partir do estudo da Teoria Geral dos Direitos Humanos, há</p><p>duas maneiras/técnicas de conceituar Direitos Humanos, quais sejam: generalista e específica.</p><p>a) Generalista</p><p>Não há diferença entre direitos humanos e direitos fundamentais. Portanto, direitos humanos</p><p>seriam um conjunto de direito essenciais para a consecução de uma vida digna para todos os seres</p><p>humanos, independentemente de previsão na Constituição ou em tratados internacionais.</p><p>b) Específica</p><p>É preciso diferenciar direitos fundamentais de direitos humanos, seja porque os mecanismos</p><p>de proteção são distintos seja porque o Direito Internacional dos Direitos Humanos é ramo</p><p>autônomo quando comparado ao Direito Constitucional.</p><p>Assim, entendem que Direitos Humanos são aqueles necessários para a consecução de</p><p>uma vida digna, previstos em instrumentos internacionais de proteção.</p><p>Observe o conceito adotado por Caio Paiva, seguindo a técnica específica: “direitos</p><p>humanos são o conjunto de direitos previstos em instrumentos internacionais1 que proporcionam a</p><p>todos os seres, independentemente de qualquer condição2, a base essencial3 para que tenham uma</p><p>vida digna e para que se protejam contra violações praticadas ou toleradas pelo Estado4”</p><p>1) Os direitos humanos estão previstos apenas nos instrumentos internacionais.</p><p>Obviamente, que alguns também estarão previstos nas Constituições;</p><p>2) Não dependem de raça, etnia, gênero. Todos possuem direito a ter direitos;</p><p>3) Nem todo direito que é essencial para a pessoa é um direito humano, mas apenas a sua</p><p>base essencial (mínimo);</p><p>4) As violações de direitos humanos são praticadas pelo Estado ou toleradas por ele. Por</p><p>exemplo, quando “A” mata “B” não há uma violação de direitos humanos, mas quando</p><p>um Policial mata um civil o direito estará violado. O mesmo ocorre quando o Estado não</p><p>investiga o crime praticado por “A”.</p><p>2. TERMINOLOGIA</p><p>Importante, ainda, diferenciar as diversas terminologias que, algumas vezes, são</p><p>confundidas com direitos humanos.</p><p>2.1. DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 10</p><p>A expressão “direitos fundamentais” surgiu no contexto da proteção nacional dos direitos</p><p>humanos (proteção internacional).</p><p>2.2. DIREITOS DO HOMEM</p><p>Tal expressão é utilizada na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (França,</p><p>1789), na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (Bogotá, 1948) e na Convenção</p><p>Europeia dos Direitos do Homem (Roma, 1950).</p><p>Contudo, após a Declaração Universal de Direitos Humanos passou a ser evitada, uma vez</p><p>que possui caráter sexista, excluindo as mulheres.</p><p>2.3. LIBERDADES PÚBLICAS E LIBERDADES FUNDAMENTAIS</p><p>Maior incidência na doutrina francesa, prioriza os direitos de primeira geração.</p><p>2.4. DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS</p><p>Segue a técnica generalista, não fazendo distinção entre direitos fundamentais e direitos</p><p>humanos.</p><p>➔ QUESTÃO: (prova oral): Qual a proteção mais ampla a dos direitos humanos ou a dos</p><p>direitos fundamentais1?</p><p>Pela via territorial, a proteção dos direitos humanos é mais ampla que a dos direitos fundamentais,</p><p>tendo em vista que a proteção extravasa as fronteiras dos países. Contudo, sob o aspecto material,</p><p>a proteção dos direitos fundamentais é mais ampla, especialmente no Brasil em que há uma</p><p>Constituição Prolixa, em que se protege o FGTS, o 13º salário que não estão previstos em tratados</p><p>internacionais.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>MPE/SC (2021) Os direitos humanos são todos os direitos previstas em</p><p>legislação nacional ou acordos e tratados internacionais que dizem respeito</p><p>à proteção da pessoa, ao passo que os direitos fundamentais são aqueles</p><p>que têm como fundamento a dignidade da pessoa humana, estejam ou não</p><p>positivados.</p><p>MPE/CE (2020) De acordo com a sua finalidade, os direitos humanos são</p><p>classificados como direitos propriamente ditos. Correta!</p><p>MPE/SP (2019) Em relação aos direitos humanos é correto afirmar: são</p><p>aqueles protegidos pela ordem internacional. Correta!</p><p>3. FUNDAMENTOS DOS DIREITOS HUMANOS</p><p>1 Caso queira aprofundar, recomenda-se a leitura do texto de Ingo Sarlet, publicado do site Conjur em 23 de janeiro de 2015</p><p>(https://www.conjur.com.br/2015-jan-23/direitos-fundamentais-aproximacoes-tensoes-existentes-entre-direitos-humanos-fundamentais)</p><p>https://www.conjur.com.br/2015-jan-23/direitos-fundamentais-aproximacoes-tensoes-existentes-entre-direitos-humanos-fundamentais</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 11</p><p>Estão relacionados à razão justificadora dos direitos humanos. Há uma série de teorias que</p><p>visam justificar os direitos humanos, algumas até com sub-ramos, abordaremos as três principais:</p><p>negacionista, jusnaturalista e positivistas.</p><p>3.1. NEGACIONISTA</p><p>Norberto Bobbio é seu maior defensor.</p><p>Nega qualquer possibilidade de encontrar um fundamento único ou absoluto para os direitos</p><p>humanos, uma vez que há a expressão “direitos humanos” é muito vaga (não há consenso),</p><p>ademais o conteúdo é muito variado (direitos políticos, civis, econômicos, sociais, culturais) e, por</p><p>fim, são dotados de heterogeneidade (cada região possui seu bloco de direitos humanos).</p><p>3.2. JUSNATURALISTA</p><p>Sustenta que o ser humano possui direitos naturais anteriores e superiores ao Estado.</p><p>Divide-se em:</p><p>a) Escola de Direito Natural de Razão Divina – os direitos humanos são advindos de Deus.</p><p>b) Escola de Direito Natural Moderno – os direitos humanos são inerentes à condição de</p><p>ser humano. A Declaração Universal de Direitos Humanos possui inspiração</p><p>jusnaturalista.</p><p>Há alguns pontos frágeis na Teoria Jusnaturalistas:</p><p>• Impossibilidade de comprovação empírica das escolas vistas acima;</p><p>• Dificuldade em explicar a imutabilidade dos direitos naturais em razão da constante</p><p>alteração do conteúdo de direitos essenciais ao indivíduo ao longo dos séculos</p><p>3.3. POSITIVISTA</p><p>A fundamentação dos direitos humanos somente pode ser encontrada no ordenamento</p><p>jurídico internacional, a exemplo de tratados, convenções.</p><p>É criticada, tendo em vista que possui dificuldade de promover a observância aos direitos</p><p>humanos em Estados que tenham se recusado a assinar, ratificar e incorporar na ordem jurídica</p><p>interna os tratados que os preveem.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>TJM (2022) A expressão “direitos do homem” caracteriza-se pela falta de</p><p>positivação interna e internacional cuja existência se justifica no plano do</p><p>Direito Natural. Correta!</p><p>4. FONTES</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 12</p><p>O tema “fontes de direitos humanos” está relacionado à origem do instituto, é tema reservado</p><p>mais ao Direito Internacional Público, tanto que é encontrado no art. 38 do Estatuto da Corte</p><p>Internacional de Justiça, são as mesmas fontes do Direito Internacional.</p><p>Artigo 38</p><p>1. A Corte, cuja função seja decidir conforme o direito internacional as</p><p>controvérsias que sejam submetidas, deverão aplicar;</p><p>2. As convenções internacionais, sejam gerais ou particulares, que</p><p>estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes;</p><p>3. O costume internacional como prova de uma prática geralmente aceita</p><p>como direito;</p><p>4. Os princípios gerais do direito reconhecidos pelas nações civilizadas;</p><p>5. As decisões judiciais e as doutrinas dos publicitários de maior competência</p><p>das diversas nações, como meio auxiliar para a determinação das regras de</p><p>direito, sem prejuízo do disposto no Artigo 59.</p><p>6. A presente disposição não restringe a faculdade da Corte para decidir um</p><p>litígio ex aequo et bono, se convier às partes</p><p>Segundo André de Carvalho Ramos, são fontes do Direito Internacional, apesar de não</p><p>mencionadas no artigo 38, os atos unilaterais e as resoluções vinculantes das organizações</p><p>internacionais.</p><p>Importante ressaltar que, embora seja mais fácil e prático aplicar um tratado internacional,</p><p>pois está escrito, do que um costume internacional, algo “invisível”, não existe hierarquia entre as</p><p>fontes principais.</p><p>4.1. CONVENÇÕES INTERNACIONAIS</p><p>Tratados são acordos juridicamente obrigatórios e vinculantes, firmados entre sujeitos de</p><p>Direito Internacional, também chamados de Convenções, Pactos, Protocolo (documento adicional,</p><p>tratado anexo a um tratado). Não se confundem com as declarações (DUDH e a Declaração</p><p>Americana dos Direitos e Deveres do Homem, por exemplo) que, por não gerarem efeitos jurídicos</p><p>(direitos e obrigações), não podem ser entendidas como tratados, constituindo categoria diversa.</p><p>A Convenção de Viena, em ser art. 2.1 traz o seguinte conceito de tratado:</p><p>Art. 2.1 - tratado significa um acordo internacional concluído por escrito entre</p><p>Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de um instrumento</p><p>único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua</p><p>denominação específica</p><p>Entende-se por regime objetivo dos tratados internacionais de direitos humanos, a</p><p>ausência de caráter sinalagmático presente nos tratados ordinários do direito internacional. Ou seja,</p><p>não há acordo de vontades entre os Estados Contratantes, o Estado ao aderir o tratado internacional</p><p>de direitos humanos contrai obrigações, não há nenhum benefício subjetivo, por isso é considerado</p><p>um regime objetivo.</p><p>Nesse sentido, a Opinião Consultiva nº 2 da Corte Interamericana de Direitos Humanos:</p><p>“29. A Corte deve enfatizar, porém, que os tratados modernos sobre direitos</p><p>humanos, em geral, e, em particular, a Convenção Americana, não são</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 13</p><p>tratados multilaterais do tipo tradicional, concluídos em função de um</p><p>intercâmbio recíproco de direitos, para o benefício mútuo dos Estados</p><p>contratantes. Seu objeto e fim são a proteção dos direitos fundamentais dos</p><p>seres humanos, independentemente de sua nacionalidade, tanto frente a seu</p><p>próprio Estado como frente aos outros Estados contratantes. Ao aprovar</p><p>esses tratados sobre direitos humanos, os Estados se submetem a uma</p><p>ordem geral dentro da qual eles, pelo bem comum, assumem várias</p><p>obrigações, não em relação aos outros Estados, mas sim em relação aos</p><p>indivíduos sob a sua jurisdição”.</p><p>4.2. COSTUME INTERNACIONAL</p><p>O costume internacional resulta da prática geral e consistente dos Estados de reconhecer</p><p>como válida e juridicamente exigível determinada obrigação.</p><p>Os costumes aplicam-se a todos os Estados, até àqueles que deliberadamente recusaram-</p><p>se a ratificação de um tratado internacional de direitos humanos, ou que tentaram liberar-se de uma</p><p>das suas disposições por meio de reservas.</p><p>O costume internacional é formado por dois elementos, quais sejam:</p><p>a) Elemento objetivo: é a prática geral, ou seja, a conduta oficial de órgãos estatais;</p><p>referem-se aos fatos interestaduais, e, por isso, podem ter relevância para a formação do novo</p><p>Direito Internacional Público.</p><p>b) Elemento subjetivo: é a opinião jurídica dos Estados. Determina que os atos praticados</p><p>pelos Estados sejam uma obrigação jurídica, por isso surgem novos direitos.</p><p>A Corte Internacional de Justiça decidiu expressamente pelo caráter de norma costumeira</p><p>da Declaração Universal de Direitos Humanos, considerada como elemento de interpretação do</p><p>conceito de direitos fundamentais insculpido na Carta da ONU.</p><p>Por fim, salienta-se que um Estado somente pode deixar de cumprir um costume</p><p>internacional quando tiver se comportado como um objetor persistente, que deve ocorrer durante o</p><p>processo de formação do costume internacional, mediante manifestações permanentes e</p><p>inequívocas de sua objeção a serem obrigados pelo respectivo costume. Tal figura não se aplica</p><p>às normas de jus cogens, também conhecidas como normas imperativas ou cogentes, a exemplo</p><p>do acesso à justiça.</p><p>4.3. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO</p><p>Prevalece a posição de que os princípios gerais de direito internacional são aqueles aceitos</p><p>por (quase) todos os ordenamentos jurídicos, a exemplo da boa-fé, do respeito à coisa julgada, do</p><p>direito adquirido e do pacta sunt servanda.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>DPE/PI (2022) Os tratados de direitos humanos incorporam obrigações de</p><p>caráter objetivo que transcendem o primado do pacta sunt servanda e da</p><p>reciprocidade estatal para incorporar a noção de garantia coletiva e interesse</p><p>público superior. Correta!</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS</p><p>2024.1 14</p><p>4.4. DECISÕES JUDICIAIS E DOUTRINA</p><p>São consideradas fontes auxiliares do Direito Internacional dos Direitos Humanos.</p><p>a) Decisões judiciais: são as chamadas jurisprudências internacionais. São reiteradas</p><p>decisões no mesmo sentido. Nota-se que é chamada de fonte auxiliar, pois não criam</p><p>novos direitos, mas sim determinam o modo como devem ser interpretados.</p><p>b) Doutrina: refere-se aos autores de renome. Além disso, inclui-se aqui a Comissão de</p><p>Direito Internacional da ONU, criada pelas Nações Unidas para “incentivar o</p><p>desenvolvimento progressivo do direito internacional e a sua codificação”.</p><p>4.5. OUTRAS FONTES</p><p>Conforme mencionado, embora não constem no rol do art. 38 do Estatuto da CIJ, são</p><p>considerados como fonte de DIDH:</p><p>a) Atos unilaterais dos Estados: são atos que não possuem normatividade. Contudo, criam</p><p>obrigações aos Estados que os proclamam. Assim, quando assumir unilateralmente um</p><p>compromisso publicamente, mesmo quando não efetuado no contexto das negociações</p><p>internacionais, o Estado deverá cumpri-lo obrigatoriamente, em respeito à boa-fé.</p><p>b) Decisões de organizações internacionais: a partir do momento que um Estado é parte</p><p>em uma organização internacional, ele assume obrigações para com ela, dentre as quais a de</p><p>cumprir aquilo que vier a ser decidido em suas assembleias ou órgãos deliberativos.</p><p>c) Analogia e equidade: são soluções eficientes para enfrentar o problema da falta de</p><p>norma jurídica regulamentadora a determinado caso concreto, ou ainda para suprir a inutilidade da</p><p>norma existente, a fim de que se possa solucionar, com um mínimo de justiça, o conflito de</p><p>interesses.</p><p>5. CLASSIFICAÇÃO</p><p>5.1. CLASSIFICAÇÃO CLÁSSICA – GERAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS</p><p>Primeiramente, destaca-se que a doutrina moderna prefere a expressão “dimensões” e não</p><p>“gerações”, pois esta traz a ideia de sucessão, contrariando o caráter complementar dos direitos</p><p>humanos. Assim, com o surgimento de uma nova dimensão a anterior não deixa de existir.</p><p>Bonavides afirma que a melhor expressão é “dimensão”, que se justifica tanto pelo fato de</p><p>não existir realmente uma sucessão ou desaparecimento de uma geração por outra, mas também</p><p>quando novo direito é reconhecido, os anteriores assumem uma nova dimensão, de modo a melhor</p><p>interpretá-los e realizá-los.</p><p>5.1.1. 1ª Geração/Dimensão</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 15</p><p>Surgiu com as revoluções burguesas dos séculos XVI e XIX. Englobam os direitos de</p><p>liberdade, chamados de prestações negativas, nas quais o Estado deve proteger a esfera de</p><p>autonomia do indivíduo. Assim, o Estado não poderia interferir na órbita individual, salvo para</p><p>garantir a prevalência do máximo de liberdade possível para todos.</p><p>Exemplos: direito à liberdade, igualdade perante a lei, propriedade, intimidade e segurança,</p><p>traduzindo o valor de liberdade.</p><p>Obs.: Na concepção contemporânea dos Direitos Humanos, os</p><p>direitos de 1ª Geração não envolvem apenas condutas negativas do</p><p>Estado. Por exemplo, o direito de não ser torturado envolve uma</p><p>conduta negativa do Estado (não torturar), mas quando o Estado deixa</p><p>de fornecer condições dignas aos presos (água potável, ambiente</p><p>adequado) também está torturando. Portanto, perceba que este direito</p><p>demanda sim prestações positivas dos Estados.</p><p>5.1.2. 2ª Geração/Dimensão</p><p>Surgiu em decorrência da deplorável situação da população pobre das cidades</p><p>industrializadas. Englobam os chamados direitos de igualdade. Impõe aos Estados obrigações</p><p>positivas, defendendo a intervenção estatal, como forma de reparar a iniquidade vigente.</p><p>Exemplos: direito à saúde, educação, previdência social, habitação.</p><p>5.1.3. 3ª Geração/Dimensão</p><p>Englobam os chamados direitos de solidariedade.</p><p>Exemplos: direito ao desenvolvimento, direito à paz (5ª Geração para Bonavides), direito à</p><p>autodeterminação e, em especial, o direito ao meio ambiente equilibrado.</p><p>5.1.4. 4ª Geração/Dimensão</p><p>Além disso, segundo Paulo Bonavides, há os direitos de quarta geração, decorrentes do</p><p>desenvolvimento da globalização política, correspondente à derradeira fase de institucionalização</p><p>do Estado Social. Exemplos: direito à democracia, direito à informação.</p><p>5.1.5. 5ª Geração/Dimensão</p><p>Como mencionado acima, Paulo Bonavides entende que o direito à paz corresponde uma</p><p>5ª dimensão dos direitos humanos, uma categoria autônoma.</p><p>Como o tema foi cobrado em concurso?</p><p>Procurador da República (2022) Os direitos humanos de terceira geração,</p><p>tipicamente de titularidade coletiva, são também denominados direitos de</p><p>solidariedade. Correta!</p><p>Procurador da República (2022) Atualmente acha-se descartada a</p><p>possibilidade de falar-se em direitos humanos de quarta geração, diante da</p><p>teoria da inexauribilidade dos direitos humanos. Correta!</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 16</p><p>MPE/MS (2015) para alguns autores, a segunda geração ou dimensão de</p><p>direitos humanos fundamentais ficou exemplificada no art. 6º da Constituição</p><p>Federal de 1988 através dos direitos a educação e ao transporte. Correta!</p><p>5.2. CLASSIFICAÇÃO CONFORME O DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS</p><p>HUMANOS</p><p>5.2.1. Direitos Civis</p><p>São os direitos de autonomia do indivíduo contra interferências indevidas do Estado ou de</p><p>terceiros. Assim, o conteúdo de tais direitos é relativo à proteção dos atributos da personalidade e</p><p>dignidade da pessoa humana. Liberdade-autonomia.</p><p>O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos prevê, expressamente, os seguintes</p><p>direitos civis:</p><p>a) Direito à vida (art. 6º), estabelecendo restrições à prática da pena de morte;</p><p>Art. 6º</p><p>1. O direito à vida é inerente à pessoa humana. Este direito deverá ser</p><p>protegido pela lei. Ninguém poderá ser arbitrariamente privado de sua vida.</p><p>2. nos Países em que a pena de morte não tenha sido abolida, esta poderá</p><p>ser imposta apenas nos casos de crimes mais graves, em conformidade com</p><p>legislação vigente na época em que o crime foi cometido e que não esteja em</p><p>conflito com as disposições do presente pacto, nem com a Convenção sobre</p><p>a Prevenção e a Punição do Crime de Genocídio. Poder-se-á aplicar essa</p><p>pena apenas em decorrência de uma sentença transitada em julgado e</p><p>proferida por tribunal competente.</p><p>3. Quando a privação da vida constituir um crime de genocídio, entende-se</p><p>que nenhuma disposição do presente artigo autorizará qualquer Estado Parte</p><p>do presente pacto a eximir-se, de modo algum, do cumprimento de quaisquer</p><p>das obrigações que tenham assumido em virtude das disposições da</p><p>Convenção sobre a Prevenção e a Punição do Crime de Genocídio.</p><p>4. Qualquer condenado à morte terá o direito de pedir indulto ou comutação</p><p>da pena. A anistia, o indulto ou a comutação de pena poderão ser concedidos</p><p>em todos os casos.</p><p>5. A pena de morte não deverá ser imposta em casos de crimes cometidos</p><p>por pessoas menores de 18 anos, nem aplicada a mulheres em estado de</p><p>gravidez. (O Pacto de San José da Costa Rica inclui o maior de 70 anos).</p><p>6. Não se poderá invocar disposição alguma do presente artigo para retardar</p><p>ou impedir a abolição da pena de morte por um Estado Parte do presente</p><p>pacto.</p><p>b) Direito à integridade física, abolindo os tratamentos cruéis, degradantes e desumanos</p><p>(art. 7º);</p><p>Art. 7º ninguém poderá ser submetido à tortura, nem a penas ou tratamentos</p><p>cruéis, desumanos ou degradantes. Será proibido, sobretudo, submeter uma</p><p>pessoa, sem seu livre consentimento, a experiências médicas ou científicas.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 17</p><p>c) Direito à liberdade (art. 11), admitindo-se os trabalhos forçados como pena, mas</p><p>proibindo-se expressamente a prisão por descumprimento de obrigação contratual;</p><p>Art. 11 Ninguém poderá ser preso apenas por não poder cumprir com uma</p><p>obrigação contratual.</p><p>d) Direito ao devido processo legal (art. 9º);</p><p>Art. 9º</p><p>1. Toda</p><p>pessoa tem à liberdade e a segurança pessoais. Ninguém poderá</p><p>ser preso ou encarcerado arbitrariamente. Ninguém poderá ser privado de</p><p>sua liberdade, salvo pelos motivos previstos em lei e em conformidade com</p><p>os procedimentos.</p><p>2. Qualquer pessoa, ao ser presa, deverá ser informada das razões da prisão</p><p>e notificada, sem demora, das acusações formuladas contra ela.</p><p>3. Qualquer pessoa presa ou encerrada em virtude de infração penal deverá</p><p>ser conduzida, sem demora, à presença do juiz ou de outra autoridade</p><p>habilitada por lei a exercer funções e terá o direito de ser julgada em prazo</p><p>razoável ou de ser posta em liberdade. A prisão preventiva de pessoas que</p><p>aguardam julgamento não deverá constituir a regra geral, mas a soltura</p><p>poderá estar condicionada a garantias que assegurem o comparecimento da</p><p>pessoa em questão à audiência, a todos os atos do processo e, se necessário</p><p>for, para a execução da sentença.</p><p>4. Qualquer pessoa que seja privada de sua liberdade por prisão ou</p><p>encarceramento terá de recorrer a um tribunal para que este decida sobre a</p><p>legalidade de seu encarceramento e ordene sua soltura, caso a prisão tenha</p><p>sido ilegal.</p><p>5. Qualquer pessoa vítima de prisão ou encarceramento ilegais terá direito à</p><p>reparação.</p><p>e) Direito de locomoção e direito de intimidade (art. 12);</p><p>Art. 12</p><p>1. Toda pessoa que se ache legalmente no território de um Estado terá o</p><p>direito de nele livremente circular e escolher sua residência.</p><p>2. Toda pessoa terá o direito de sair livremente de qualquer país, inclusive</p><p>de seu próprio país.</p><p>3. Os direitos supracitados não poderão constituir objeto de restrição, a</p><p>menos que estejam previstas em lei e no intuito de proteger a segurança</p><p>nacional e a ordem, a saúde ou a moral pública, bem como os direitos e</p><p>liberdades das demais pessoas, e que sejam compatíveis com os outros</p><p>direitos reconhecidos no presente pacto.</p><p>4. Ninguém poderá ser privado do direito de entrar em seu próprio país.</p><p>f) Direito à igualdade perante a lei (art. 26);</p><p>Art. 26 Todas as pessoas são iguais perante a lei e têm direito, sem</p><p>discriminação alguma, a igual proteção da lei. A este respeito, a lei deverá</p><p>proibir qualquer forma de discriminação e garantir a todas as pessoas</p><p>proteção igual e eficaz contra qualquer discriminação por motivo de raça, cor,</p><p>sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional</p><p>ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra situação.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 18</p><p>g) Garantias de um julgamento justo, o que inclui o direito ao duplo grau de jurisdição (art.</p><p>14);</p><p>Art. 14</p><p>1. Todas as pessoas são iguais perante os tribunais e as cortes de justiça.</p><p>Toda pessoa terá o direito de ser ouvida publicamente e com as devidas</p><p>garantias por um tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido</p><p>por lei, na apuração de qualquer acusação de caráter penal formulada contra</p><p>ela ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil. A</p><p>imprensa e o público poderão ser excluídos de parte ou da totalidade de um</p><p>julgamento, que por motivo de moral pública, de ordem pública ou de</p><p>segurança nacional em uma sociedade democrática, quer quando o interesse</p><p>da vida privada das partes o exija, quer na medida em que isso seja</p><p>estritamente necessário na opinião da justiça, em circunstâncias específicas,</p><p>nas quais a publicidade venha a prejudicar os interesses da justiça;</p><p>entretanto, qualquer sentença proferida em matéria penal ou civil deverá</p><p>tornar-se pública, a menos que o interesse de menores exija procedimento</p><p>oposto, ou o processo diga respeito à controvérsia matrimoniais ou a tutela</p><p>de menores.</p><p>2. Toda pessoa acusada de um delito terá direito a que se presuma sua</p><p>inocência enquanto não for legalmente comprovada sua culpa.</p><p>3. Toda pessoa acusada de um delito terá direito, em plena igualdade, a,</p><p>pelo menos, as seguintes garantias:</p><p>a) de ser informado, sem demora, numa língua que compreenda e de forma</p><p>minuciosa, da natureza e dos motivos da acusação contra ela formulada;</p><p>b) de dispor do tempo e dos meios necessários à preparação de sua defesa</p><p>e a comunicar-se com defensor de sua escolha;</p><p>c) de ser julgado sem dilações indevidas;</p><p>d) de estar presente no julgamento e de defender-se pessoalmente ou por</p><p>intermédio de defender de sua escolha; de ser informado, caso não tenha</p><p>defensor, do direito que lhe assiste de tê-lo e, sempre que o interesse da</p><p>justiça assim exija, de ter um defensor designado "ex officio" gratuitamente,</p><p>se não tiver meios para remunerá-lo;</p><p>e) de interrogar ou fazer interrogar as testemunhas da acusação e de obter o</p><p>comparecimento e o interrogatório das testemunhas de defesa nas mesmas</p><p>condições de que dispõe as de acusação;</p><p>f) de ser assistida gratuitamente por um intérprete, caso não compreenda ou</p><p>não fale a língua empregada durante o julgamento;</p><p>g) de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada.</p><p>4. O processo aplicável a jovens que não sejam maiores nos termos da</p><p>legislação penal levará em conta a idade dos menores e a importância de</p><p>promover sua reintegração social.</p><p>5. Toda pessoa declarada culpada por um delito terá o direito de recorrer da</p><p>sentença condenatória e da pena a uma instância, em conformidade com a</p><p>lei.</p><p>6. Se uma sentença condenatória passada em julgado for posteriormente</p><p>anulada ou se indulto for concedido, pela ocorrência ou descoberta de fatos</p><p>novos que provem cabalmente a existência de erro judicial, a pessoa que</p><p>sofreu a pena decorrente dessa condenação deverá ser indenizada, de</p><p>acordo com a lei, a menos que fique provado que se lhe pode imputar, total</p><p>ou parcialmente, não-revelação dos fatos desconhecidos em tempo útil.</p><p>http://www.iceni.com/infix.htm</p><p>.</p><p>CS – DIREITOS HUMANOS 2024.1 19</p><p>7. Ninguém poderá ser processado ou punido por um delito pelo qual já foi</p><p>absolvido ou condenado por sentença passada em julgado, em conformidade</p><p>com a lei e os procedimentos penais de cada país.</p><p>h) Direito à liberdade religiosa e seus consectários (art. 18);</p><p>Art. 18</p><p>1. Toda pessoa terá direito à liberdade de pensamento, de consciência e de</p><p>religião. Esse direito implicará a liberdade de ter ou adotar uma religião ou</p><p>uma crença de sua escolha e a liberdade de professar sua religião ou crença,</p><p>individual ou coletivamente, tanto pública como privadamente, por meio do</p><p>culto, da celebração de ritos, de práticas e do ensino.</p><p>2. Ninguém poderá ser submetido a medidas coercitivas que possam</p><p>restringir sua liberdade de ter ou de adotar uma religião ou crença de sua</p><p>escolha.</p><p>3. A liberdade de manifestar a própria religião ou crença estará sujeita</p><p>apenas a limitações previstas em lei e que se façam necessárias para</p><p>proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral pública ou os direitos e</p><p>as liberdades das demais pessoas.</p><p>4. Os Estados partes do presente Pacto comprometem-se a respeitar a</p><p>liberdade dos pais - e, quando for o caso, dos tutores legais - de assegurar a</p><p>educação religiosa e moral dos filhos que esteja de acordo com suas próprias</p><p>convicções.</p><p>i) Direito à liberdade de expressão (art. 19 e 20);</p><p>Art. 19</p><p>1. Ninguém poderá ser molestado por suas opiniões.</p><p>2. Toda pessoa terá direito à liberdade de expressão; esse direito incluirá a</p><p>liberdade de procurar, receber e difundir informações e ideias de qualquer</p><p>natureza, independentemente de considerações de fronteiras, verbalmente</p><p>ou por escrito, em forma impressa ou artística, ou qualquer outro meio de sua</p><p>escolha.</p><p>3. O exercício do direito previsto no § 2º do presente artigo implicará deveres</p><p>e responsabilidades especiais.</p><p>Consequentemente, poderá estar sujeito a certas restrições, que devem,</p><p>entretanto, ser expressamente previstas em lei e que se façam necessárias</p><p>para:</p><p>a) assegurar o respeito dos direitos e</p>

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