Logo Passei Direto
Buscar

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1
CRÍTICAS AO USO DA CONSTELAÇÃO FAMILIAR NO SISTEMA DE JUSTIÇA BRASILEIRO
CRITICISM OF THE USE OF THE FAMILY CONSTELLATION IN THE BRAZILIAN JUSTICE SYSTEM
Andressa Cristovam Pereira[footnoteRef:1] [1: Graduada em Psicologia. Graduanda do Curso de Direito da Universidade Luterana do Brasil – Ulbra, Campus Torres. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/2960022770160682. Email:andressa.cristovam@rede.ulbra.br.] 
Ádamo Brasil Dias[footnoteRef:2] [2: Mestre e Doutor em Direito. Docente do Curso de Direito da Universidade Luterana do Brasil – Ulbra, Campus Torres. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9736623902243286. Email: adamo.dias@ulbra.br] 
RESUMO
O estudo examina a partir de um viés crítico o uso da constelação familiar no sistema de justiça brasileiro, destacando suas implicações para as pessoas envolvidas. O objetivo é investigar os riscos e as implicações dessa prática, questionando sua compatibilidade com os princípios do direito contemporâneo e dos direitos humanos. Busca-se através de uma pesquisa bibliográfica interdisciplinar, avaliar como a técnica pode afetar a saúde mental dos envolvidos e se realmente contribui para uma resolução justa dos conflitos ou se apenas proporciona uma solução rápida e superficial para aliviar a sobrecarga do sistema judicial. Evidencia-se que, apesar de reduzir rapidamente a fila de espera dos processos, a aplicação das Constelações Familiares apresenta sérios riscos e limitações, incluindo a falta de fundamentação científica robusta e regulamentação adequada, além de potenciais impactos psicológicos negativos para os indivíduos, especialmente em casos de violência doméstica. Conclui-se por fim, que a aplicação das Constelações Familiares no sistema de justiça brasileiro deve ser revista e reavaliada, assegurando que qualquer método alternativo de resolução de conflitos esteja fundamentado em princípios éticos sólidos e respaldado por evidências científicas, com prioridade à proteção dos direitos humanos e ao bem-estar dos envolvidos.
Palavras-chave: constelação familiar; meios consensuais de resolução de conflitos; direito sistêmico; interdiciplinariedade.
ABSTRACT
The study critically examines the use of family constellation therapy in the Brazilian justice system, highlighting its implications for the individuals involved. The objective is to investigate the risks and implications of this practice, questioning its compatibility with contemporary legal principles and human rights. Through an interdisciplinary bibliographic research, the study aims to evaluate how the technique may affect the mental health of those involved and whether it truly contributes to a fair resolution of conflicts or merely provides a quick and superficial solution to alleviate the judicial system's overload. It is evidenced that, despite quickly reducing the backlog of cases, the application of Family Constellations presents serious risks and limitations, including a lack of robust scientific basis and adequate regulation, as well as potential negative psychological impacts on individuals, especially in cases of domestic violence. The study concludes that the application of Family Constellations in the Brazilian justice system should be reviewed and re-evaluated, ensuring that any alternative conflict resolution method is grounded in solid ethical principles and supported by scientific evidence, with priority given to the protection of human rights and the well-being of those involved
Keywords: family constellation; consensual conflict resolution methods; systemic law; interdisciplinarity.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO. 2 CONSTELAÇÃO FAMILIAR: UM BREVE HISTÓRICO. 3 DIREITO SISTÊMICO. 3.1 DIREITO SISTÊMICO E A DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. 3.2 OS MEIOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS E CONSTELAÇÃO FAMILIAR. 4 A LEGISLAÇÃO VIGÊNTE E AS “LEIS” DA CONSTELAÇÃO FAMILIAR. 5 RISCOS DO USO DA CONSTELAÇÃO FAMILIAR NO SISTEMA DE JUSTIÇA: UMA PERSPECTIVA CRÍTICA INTERDISCIPLINAR. 5.1 TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA E CONSTELAÇÃO FAMILIAR SISTÊMICA: DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS. 5.2 A PSICOLOGIA APOIA A CONSTELAÇÃO FAMILIAR? 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS. REFERÊNCIAS.
1 INTRODUÇÃO
A crescente demanda no judiciário e o vasto tempo de espera para resolução de casos que por vezes entende-se como simples faz com que se busque por novas formas de atuação no campo jurídico. Em resposta a essa demanda, de forma crescente surgem os meios consensuais de resolução de conflitos, que buscam apoio em legislação específica e em posições de órgãos como o CNJ.
Nesse cenário, emergiu de forma rápida a utilização da constelação familiar, desenvolvida por Bert Hellinger, que os defensores classificam como um desses meios. No entanto, a adoção da constelação familiar no sistema judiciário, especialmente em varas de família e centros de mediação, tem gerado debates acalorados sobre sua eficácia e adequação.
O presente estudo visa a analisar criticamente a aplicação das Constelações Familiares no sistema de justiça brasileiro. A crítica central deste trabalho reside na análise das incongruências entre os pressupostos da constelação familiar e a legislação brasileira, especialmente no que se refere à proteção dos direitos das mulheres, crianças e novas configurações familiares.
O principal objetivo desta pesquisa é avaliar os riscos e as implicações da utilização das Constelações Familiares no sistema judiciário. Especificamente, busca-se entender como essa prática pode afetar a saúde mental dos indivíduos envolvidos e se suas bases teóricas e práticas são compatíveis com os princípios do direito contemporâneo e dos direitos humanos. Além disso, pretende-se investigar se a técnica, ao ser implementada, de fato contribui para uma resolução justa e equitativa dos conflitos ou se apenas oferece uma solução rápida, mas superficial e inadequada, para reduzir a sobrecarga do sistema judicial.
O estudo adota uma abordagem interdisciplinar, integrando conhecimentos da psicologia, sociologia e direito, pois entende-se que esta análise permitirá uma compreensão mais abrangente dos efeitos das Constelações Familiares, considerando tanto os aspectos emocionais e psicológicos dos participantes quanto as implicações éticas e legais da sua aplicação no sistema de justiça.
A técnica das Constelações Familiares propõe que os problemas e conflitos enfrentados pelos indivíduos estão profundamente enraizados nas dinâmicas familiares, algumas vezes transgeracionais. No contexto judicial, ela é apresentada como uma forma de facilitar a comunicação e a compreensão mútua entre as partes, promovendo, assim, a resolução dos conflitos. Embora a proposta inicial pareça promissora, um olhar um pouco mais crítico evidencia que essa abordagem pode ser inadequada ou até mesmo prejudicial quando aplicada em casos de alta complexidade ou envolvendo violência, uma vez que pode simplificar excessivamente as questões envolvidas e não abordar adequadamente as necessidades de proteção das partes vulneráveis.
Além disso, há uma preocupação significativa com a falta de regulamentação e supervisão dessa prática no contexto judicial. Sem diretrizes claras e baseadas em evidências, há o risco de aplicação danosa da técnica, potencializando o sofrimento emocional e psicológico dos indivíduos envolvidos. A ausência de treinamento formal e a falta de reconhecimento científico da eficácia das Constelações Familiares levantam questões sobre a ética e a responsabilidade dos profissionais que aplicam essa técnica no sistema de justiça.
Esta pesquisa pretende não apenas uma análise crítica da aplicação das Constelações Familiares no sistema judiciário, mas também propor alternativas baseadas em práticas restaurativas e terapêuticas que sejam eticamente responsáveis e fundamentadas em evidências científicas. Dessa forma, busca-se contribuir para um debate mais informado e equilibrado sobre o papel das terapias alternativas na resolução de conflitos judiciais, garantindo que a proteção dos direitos humanos e o bem-estar dos indivíduos sejam sempre prioritários.
2 CONSTELAÇÃO FAMILIAR:UM BREVE HISTÓRICO
A Constelação Sistêmica Familiar é um método fenomenológico desenvolvido por Bert Hellinger, que estudou filosofia, teologia, pedagogia, trabalhou como membro de uma ordem missionária católica entre os zulus na África do Sul e a partir disso, desenvolveu sua própria abordagem terapêutica. 
Apesar de Hellinger afirmar que todas essas referências foram fundamentais para a elaboração de sua prática, é notável que a influência religiosa em seu trabalho, talvez ainda seja, a mais evidente, como é possível identificar nos trechos a seguir:
Graças à expressão sexual do amor, homens e mulheres deixam pais e mães para se tornar, como diz a Bíblia, “uma só carne.” (...) O papel crucial que a sexualidade desempenha na união dos casais evidencia o primado da carne sobre o espírito, bem como a sabedoria da carne.[footnoteRef:3] [3: HELLINGER, Bert. A simetria oculta do amor. São Paulo: Cultrix, 2008. p.32.] 
Se lembramos nossas experiências como membros da família ampliada, poderemos nos ligar ao destino ou ao mistério além do mundo da mesma forma que nos ligamos aos membros de nossa família, como se fôssemos irmãos de sangue na companhia dos santos.[footnoteRef:4] [4: HELLINGER, Bert. A simetria oculta do amor. São Paulo: Cultrix, 2008. p.122.] 
Aqui, o nível da filosofia e da psicoterapia é substituído por um outro mais amplo. Nele nos experimentamos como entregues a um todo maior, que temos de reconhecer como último e abrangente. Esse nível poderia chamar-se religioso ou espiritual. Mesmo nele, contudo, mantenho a postura fenomenológica, livre de intenções, de medo e pressuposições, apenas presente ao que se manifesta. (grifou-se)[footnoteRef:5] [5: HELLINGER, Bert. Ordens do amor: um guia para o trabalho com Constelações Familiares. São Paulo: Cultrix. 2010 p.18.] 
Para a Constelação Familiar, todos somos influenciados pelo que o autor nomeia de “as ordens do amor”. São elas: a ordem do pertencimento, a do equilíbrio e a da hierarquia.[footnoteRef:6] O pertencimento refere-se a importância dos vínculos. O equilíbrio relaciona-se ao dar e receber, indicando que em todas as relações é necessário haver uma troca equitativa para manter o equilíbrio, evitando desajustes que podem afetar a continuidade das relações. Já a hierarquia estabelece que os membros mais antigos têm precedência sobre os mais novos e exercem direitos sobre eles, promovendo a hierarquia no sistema familiar. [6: HELLINGER, Bert. A simetria oculta do amor. São Paulo: Cultrix, 2008. p.17.] 
Segundo Hellinger[footnoteRef:7]: [7: HELLINGER, Bert. A simetria oculta do amor. São Paulo: Cultrix, 2008. p.17.] 
Sentimos essas três necessidades com a premência de impulsos ou reações instintivas. Elas nos subjugam a forças que nos desafiam, exigem obediência, coagem e controlam; elas limitam as nossas escolhas e nos impingem, queiramos ou não, objetivos que entram em conflito com os nossos desejos e prazeres pessoais.
Baseando-se nessas três ordens as constelações familiares se propõem a abordar e resolver os desequilíbrios interpessoais. As abordagens da prática são realizadas de forma individual ou em grupo, com condutas distintas. 
Nas sessões individuais, o constelador utiliza bonecos ou almofadas para simular dinâmicas familiares, guiando o processo com base em sua percepção da história do constelante. Em contrapartida, nas sessões em grupo, os participantes escolhem seu papel como constelante ou observador, sem entrevistas prévias; o constelador decide qual dinâmica familiar abordar, encerrando a sessão quando o problema do constelante é solucionado e o sistema familiar alcança harmonia.
A presente análise suscita a consideração de dois aspectos salientes concernentes à utilização da constelação familiar no âmbito judiciário. Em primeiro lugar, destaca-se a complexidade da dimensão religiosa, que frequentemente permeia essa prática, apresentando uma estrutura cultural que, em muitos casos, demonstra-se anacrônica em relação aos avanços do direito de família contemporâneo. Esta dimensão religiosa, por vezes, reflete valores e preceitos que divergem substancialmente das tendências jurídicas progressistas.
Além disso, outro ponto relevante a ser abordado é o caráter psicológico subjacente à técnica em questão, o qual se manifesta sem o respaldo de uma fundamentação científica robusta ou a supervisão de órgãos regulamentadores especializados. Tal ausência de embasamento científico e controle institucional deveria suscitar questionamentos significativos quanto à validade e eficácia da constelação familiar como instrumento legítimo no contexto judicial. 
3 DIREITO SISTÊMICO
O Direito Sistêmico é compreendido como um método sistêmico-fenomenológico para a resolução de conflitos, com um enfoque terapêutico. Este método promove a autocomposição de forma profunda e definitiva, por meio do conhecimento e da compreensão das causas ocultas que geram desavenças, e da aplicação das Leis ou Ordens do Amor, de Bert Hellinger, no campo jurídico. Como resultado, proporciona paz e equilíbrio aos sistemas envolvidos.[footnoteRef:8] [8: OLDONI, Fabiano; LIPPMANN, Márcia Sarubbi; GIRARDI, Maria Fernanda Gugelmin. Direito Sistêmico: Aplicação das Leis Sistêmicas de Bert Hellinger ao Direito de Família e ao Direito Penal. 2. ed. revisada e ampliada. Manuscritos Editora, 2018.] 
A expressão “Direito Sistêmico” é interpretada como uma abordagem inovadora para compreender, sentir e resolver conflitos judiciais, utilizando uma perspectiva terapêutica, responsabilizadora e reflexiva. Entende-se que esta abordagem permite explorar dinâmicas invisíveis que motivam os conflitos e influenciam comportamentos atuais, propondo medidas voltadas para a harmonização das relações familiares, sociais e empresariais através dos princípios de pertencimento, ordem e equilíbrio.[footnoteRef:9] Segundo Storch[footnoteRef:10] a técnica foi introduzida no intuito de auxiliar a resolução de conflitos nas varas de família e centros de solução de conflitos e cidadania. [9: STORCH, Sami; LACERDA, Sttela Maris Nerone. Direito Sistêmico e Direitos Humanos: A aplicação das constelações familiares para tratamento dos conflitos judiciais. Ponta Grossa, PR: Atena, 2020. p. 18. Disponível: https://www.atenaeditora.com.br/post-artigo/36073. Acesso: 20 abr. 2024.] [10: STORCH, Sami. A Origem Direito Sistêmico: Pioneiro do Movimento de Transformação da Justiça com as Constelações Familiares. Brasília, DF: Tagore, 2019. p. 140.] 
Sobre as formas de aplicação, Castro afirma que: 
Diversas são as formas de aplicação dessa filosofia na área jurídica: em audiências, mediante o olhar atento do magistrado incluindo, com respeito e sem prejulgamentos, todos os envolvidos no processo; nas conciliações, mediações e convenções de arbitragem; nas dependências das instituições públicas, buscando-se maior humanização nas relações, dentre tantas outras possibilidades.[footnoteRef:11] [11: CASTRO, Marcos Antônio Ferreira de. Constelação Familiar e Direito: o novo caminho rumo à paz social. Revista do tribunal Regional Federal da 3° Região, v. 28, n. 133, abr./jun. 2017. Disponível em: http://www.trf3.jus.br/documentos/revs/EDICOES_DA_REVISTA/revista_edicao_133.pdf. Acesso em: 06 mar. 2024.] 
	A constelação familiar tem sido aplicada com aceitação para resolver conflitos judicializados. No entanto, o Direito Sistêmico não precisa ser sinônimo de constelação familiar, pois abrange um conjunto de técnicas aplicáveis no campo jurídico, sendo a constelação familiar apenas uma dessas técnicas, entre outras possíveis.[footnoteRef:12] [12: ALENCAR, Júlio César Cardoso; WORM, Naima. O Direito Sistêmico como meio de ampliação do acesso à justiça pelo Poder Judiciário. Revista Humanidades e Inovação, Tendências e Perspectivas do Direito na Atualidade. v. 9, n. 18, 2022. Disponível em: https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/6364. Acesso em: 20 mai. 2024.] 
Apesar de Hellinger referir-se à constelação familiar como uma técnica sistêmica, os pressupostosdo pensamento sistêmico estão ausentes. O simples uso do termo "sistêmica" não é suficiente, pois é necessário adotar uma postura terapêutica que acompanhe os princípios sistêmicos.[footnoteRef:13] [13: MARINO, Sueli; MACEDO, Rosa Maria S.. A Constelação Familiar é sistêmica?. Nova perspect. sist., São Paulo , v. 27, n. 62, p. 24-33, dez. 2018 . Disponível em . acessos em 20 abr. 2024.] 
	Isto significa que apesar de o Direito Sistêmico se apresentar como uma disciplina emergente no panorama jurídico contemporâneo, por ampliar as possibilidades de resolução de conflitos ao propor uma transformação na percepção e na prática do direito, indo além dos tradicionais litígios judiciais, é necessário que, em sua implementação efetiva, exija-se a incorporação de seus princípios de forma consistente e ética, garantindo que as intervenções sejam adequadas às especificidades das situações apresentadas e não somente a pressupostos pré-determinados por uma única técnica.
3.1 DIREITO SISTÊMICO E A DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO
O inciso LXXVIII do artigo 5º da Constituição Federal estabelece o direito à razoável duração do processo como um dos princípios fundamentais do acesso à justiça no Brasil. Esse princípio visa garantir que os cidadãos tenham seus processos judiciais resolvidos de forma ágil, evitando a morosidade e garantindo uma resposta judicial eficiente e justa.[footnoteRef:14] [14: BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 20 abr. 2024.] 
Entretanto, a lentidão presente no sistema judiciário brasileiro é notória e reconhecida de maneira abrangente e difundida, não sendo necessário possuir expertise jurídica para ter ciência desse fato. Conforme dados extraídos do CNJ[footnoteRef:15] e apresentados por Brito[footnoteRef:16]: [15: Conselho Nacional de Justiça.] [16: BRITO, Alessandra Mizuta de. Meios adequados para o tratamento de conflitos: a conciliação e a mediação no CPC/2015 e o tratamento pelo estado do Rio Grande do Sul. In: Harzheim, Elaine Macedo, Damasceno Marina (org.). Sistema multiportas e métodos integrados de resolução de conflitos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2018. E-book. p. 11-28. p. 17.] 
O Judiciário Estadual do Rio Grande do Sul levou em média 1 ano e 6 meses na fase de conhecimento, enquanto a fase de execução durou 4 anos. Mas ainda mais surpreendente foi a Justiça Federal da 4ª região que teve processos de conhecimento com duração média de 10 meses e execução de tempo médio de 7 anos e 8 meses. Diante destes números, a observância ao princípio da duração razoável do processo parece cada vez mais distante. É inegável que o Judiciário não é capaz de recepcionar todas as demandas advindas da sociedade e oferecer acesso a uma ordem jurídica justa.
Portanto, é perfeitamente compreensível o empenho em buscar alternativas que possam acelerar os trâmites judiciais e promover a celeridade da justiça, conforme estipulado em nossa Constituição. Foi com esse propósito que surgiram os métodos alternativos de resolução de conflitos, respaldados pela Emenda Constitucional 45/2004[footnoteRef:17] e pela Resolução 125 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)[footnoteRef:18]. [17: BRASIL. Emenda Constitucional nº 45, de 30 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 2004. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc45.htm. Acesso em: 18 abr. 2024.] [18: BRASIL. CNJ. Resolução n.125/10 CNJ de 29 de novembro de 2010. Dispõe sobre a Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário. Disponível em https://atos.cnj.jus.br/files/resolucao_125_29112010_03042019145135.pdf Acesso em 18 abr. 2024.] 
Em 2014, foi veiculado no site do CNJ a primeira notícia que tem como título “Juiz consegue 100% de acordos usando técnica alemã antes das sessões de conciliação”[footnoteRef:19]. O juiz ao qual a matéria se refere é Sami Storch, um dos percussores do Direito Sistêmico. [19: BANDEIRA, R. Juiz consegue 100% de acordos usando técnica alemã antes das sessões de conciliação. CNJ, 17 nov. 2014. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/constelacao-familiar-ajuda-humanizar-praticas-de-conciliacao-no-judiciario-2. Acesso em: 15 abr.2024.] 
É notório que, ao introduzirmos uma teoria com potencial significativo para acelerar os processos no poder judiciário, essa teoria tende a se disseminar rapidamente no meio jurídico. Foi precisamente o que ocorreu com o surgimento do direito sistêmico, que se destacou por suas afirmações sobre uma resolutividade significativa, conforme apresentaremos a seguir. Um dos pontos altos da técnica, segundo seus defensores, seria o seu grande índice de resolutividade de conflitos, conforme nos apresenta:
O trabalho de Sami Storch reverberou positivamente e serviu de porta de entrada para muitos outros juízes e operadores do direito, que enxergaram nas constelações familiares uma forma de solucionar com efetividade a conflituosidade subjacente das demandas judiciais.[footnoteRef:20] [20: SCHMIDT, Cândice; NYS, Cristiane Pan; PASSOS, Lizandra dos. Justiça Sistêmica: um novo olhar do judiciário sobre as dinâmicas familiares e a resolução de conflitos, 2017. Disponível em: https://www.tjrs.jus.br/export/poder_judiciario/tribunal_de_justica/centro_de_estudos/horizontes/constelacoes_familiares_artigo.pdf. Acesso em: 22 abr. 2024. p.9.] 
Conforme dados obtidos no blog Direito Sistêmico, do magistrado Storch, as palestras de constelação familiar demonstraram impacto positivo na facilitação de acordos e na melhoria das relações familiares. Após as palestras, 71% dos participantes disseram melhora na comunicação sobre guarda e visitas dos filhos, e 59% observaram mudanças no comportamento do outro progenitor. Além disso, 94,5% notaram melhorias no relacionamento com os filhos, e 59% afirmaram que as palestras ajudaram a facilitar acordos em audiências de conciliação. Em processos onde pelo menos uma parte participou das constelações, o índice de conciliações foi de 91%, chegando a 100% quando ambas as partes participaram. Também foi observada uma mudança cultural na comarca de Castro Alves, com advogados e servidores adotando novas perspectivas sobre os conflitos.
Ocorre que, em contraponto, não existem dados que comprovem que esses acordos foram realmente justos para ambos os lados, nem mesmo a apresentação de dados que mostrem sobre natureza e peculiaridades desses conflitos e o que o acordo definiu em cada um, para que, além de uma análise de dados puramente quantitativa, possamos mensurar de alguma forma a qualidade da solução. Convém lembrar que se está lidando com vidas, com futuros, e é temerária a utilização de um método de resolução de conflitos pelo judiciário com base apenas em números, invocando agilidade como critério absoluto. Afinal, a título de ilustração, seria até mesmo mais ágil decidir causas por sorteio, o que resultaria também em números convincentes sobre a eficiência do método.
Cabe ressaltar ainda que grande parte da apresentação destes dados são dos anos de 2014 e 2015, sendo assim, de modo que dez anos é prazo suficiente para que um estudo fosse desenvolvido para dar um suporte legítimo à prática; porém, não há qualquer estudo. Existiu, entretanto, uma vasta produção apoiando a técnica enquanto meio de resolução de conflitos, com base em números puramente quantitativos.
Nesse contexto, surge uma consideração crucial ao discorrer sobre métodos alternativos de resolução de conflitos, particularmente no que concerne à aplicação da constelação familiar no âmbito judiciário. 
A indagação central é: há verdadeira busca pela resolução efetiva de casos, pautada nos princípios que resguardam os direitos humanos e no cumprimento de direitos fundamentais, ou se prioriza apenas a otimização de indicadores quantitativosde produtividade, negligenciando a abordagem substancial dos problemas sociais subjacentes?
3.2 OS MEIOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS E CONSTELAÇÃO FAMILIAR
A Lei 13.140/15[footnoteRef:21] instituiu a mediação judicial e extrajudicial, exigindo das partes conhecimento, consciência e maturidade. Este procedimento promove autoconhecimento, crescimento pessoal e melhor preparação para a vida e relacionamentos. O sucesso da mediação depende da habilidade do mediador em preparar as partes para dialogar e negociar. O Código de Processo Civil, em conformidade com a política do CNJ, orienta a realização de audiências de mediação e conciliação, priorizando a autocomposição como método preferencial na resolução de conflitos em qualquer fase do processo judicial. [21: BRASIL. Lei nº 13.140, de 26 de junho de 2015. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13140.htm Acesso em: 18 mai. 2024.] 
Os proponentes da implementação da constelação familiar no Sistema Judiciário defendem-na como uma abordagem alternativa para resolver conflitos, conforme estabelecido na Resolução nº 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No entanto, é importante observar que essa resolução não menciona, em nenhum momento, a constelação familiar, inclusive a matéria atualmente está em debate no CNJ após a abertura de pedido de providência junto ao Conselho Nacional de Justiça, registrado sob número de processo 0001888-67-2019-2-00-0000 em nome da Associação Brasileira de Consteladores Sistêmicos.
Em sessão plenária, que ocorreu no dia 17 de outubro de 2023[footnoteRef:22], o relator Marcio Luiz de Freitas votou pela proibição do uso da constelação familiar no Judiciário, argumentando que “a utilização desse tipo de prática, que tem estereótipo de família misógino e baseado em leis imutáveis, é algo que não pode ser adotado como política pública."[footnoteRef:23] [22: https://www.cnj.jus.br/pauta-de-julgamentos-de-17-de-outubro-de-2023-15a-sessao-ordinaria-de-2023/] [23: 15ª Sessão Ordinária de 2023 - 17 de outubro (Manhã). Publicado em 17 de outubro de 2023 pelo Conselho Nacional de Justiça [canal Youtube]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EHWkrYKW33s. Tempo 1:28:42 Acesso em 02 jun. 2024.] 
Márcio Freitas ressaltou a necessidade de cautela na utilização de terapias não convencionais, mencionando alguns princípios da constelação familiar, como o igual pertencimento à família e a hierarquia. Segundo o conselheiro, a técnica parte do pressuposto de que existe um modelo ideal de família que serviria como base para a resolução de todos os problemas, o que, em sua avaliação, é particularmente preocupante quando se trata de vítimas de crimes, especialmente mulheres e crianças. 
O relator destacou ainda que, embora as pessoas tenham o direito de acreditar no que desejarem, não é aceitável que práticas sem fundamentação científica sejam utilizadas no Judiciário para a resolução de conflitos. Especialmente em casos delicados, em que sua utilização pode levar à revitimização das partes envolvidas.[footnoteRef:24] [24: 15ª Sessão Ordinária de 2023 - 17 de outubro (Manhã). Publicado em 17 de outubro de 2023 pelo Conselho Nacional de Justiça [canal Youtube]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EHWkrYKW33s. Acesso em 02 jun. 2024.] 
Cabe elucidar a função do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão desempenha um papel administrativo “organizando a atuação dos tribunais e de seus integrantes e trazendo à discussão as condutas desses na administração da justiça”[footnoteRef:25]. Portanto, o CNJ estabelece diretrizes fundamentais para as práticas jurídicas no país, além de exercer a atribuição de controle disciplinar externo. [25: FRANCO, I. C. S.; Cunha, L. G. O CNJ e os discursos do Direito e Desenvolvimento. Revista Direito GV, v. 9, p. 515-534, 2013. P.516.] 
Vemos na constelação familiar, um afastamento significativo dos outros meios de resolução de conflitos propostos tanto na Lei 13.140/15 quanto na Resolução nº 125/2010 do CNJ. Podemos iniciar apontando a questão da (im)parcialidade, visto que tanto na mediação quanto na conciliação temos como fundamento a imparcialidade do sujeito que ocupa o lugar de facilitador.
Grinover[footnoteRef:26] afirma que a lei 13.140/15 dispõe sobre mediação e outros métodos de resolução de conflitos “definiu a mediação como a atividade técnica exercida por terceiro imparcial sem poder decisório, que, escolhido ou aceito pelas partes, as auxilia e estimula a identificar ou desenvolver soluções consensuais para a controvérsia(...)”. O mesmo texto normativo faz constar ainda elementos como terceiro imparcial, "sem poder decisório", que "auxilia e estimula" as partes "a identificar ou desenvolver soluções consensuais para a controvérsia" [26: GRINOVER, Ada Pellegrini et al. Lei de mediação comentada artigo por artigo. 3. ed. Indaiatuba: Foco, 2022. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 20 abr. 2024.] 
Enquanto isso, na intermediação realizada à luz da constelação familiar, não se pode falar em imparcialidade do facilitador visto que a própria teoria é baseada na escolha de um lado por parte do terapeuta. Ou seja, o intermediador escolhe um lado para ligar-se, o que pode ser evidenciado nas palavras de Hellinger fundador e mentor da teoria. 
Então eu lhe disse: “Agora posicione-se ao lado do pai malvado”. Todos no sistema respiraram aliviados e passaram a ter confiança nela. Através dessa constelação descobri que o terapeuta deve-se ligar ao agressor. Só fazendo isso ele pode restabelecer a ordem para os outros. Assim que o terapeuta se liga à vítima e fica indignado, provoca um efeito negativo em todos os membros do sistema, principalmente na vítima. Esse é o resultado das minhas experiências. Não é que eu ache que deva ser assim. Essas conclusões surgiram das constelações familiares.[footnoteRef:27] (grifou-se). [27: HELLINGER, Bert. Constelações Familiares: o reconhecimento das ordens do amor. 5.ed. São Paulo: Cultrix, 2006. p.25] 
A partir do trecho acima, nos aparenta que imparcialidade está distante da linha de trabalho da constelação familiar. Cabe ressaltar ainda que apesar de este ser um trecho de um caso específico, poderíamos trazer infinitos trechos que sustentam este mesmo pensamento retrogrado, e, por isso mesmo, entendemos que a técnica também deveria afastar-se dos meios de resolução de conflitos disponíveis no sistema judiciário.
4 A LEGISLAÇÃO VIGÊNTE E AS “LEIS” DA CONSTELAÇÃO FAMILIAR
O Código de Processo Civil (CPC) brasileiro, de 2015, trouxe várias mudanças significativas no tratamento das ações de família, destacando-se pela preferência por meios consensuais e autocompositivos. Esse enfoque é claramente expresso nos artigos 694, 696 e 697, que incentivam a resolução amigável dos conflitos.[footnoteRef:28] [28: BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015: Código de Processo Civil. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm Acesso em: 01 jun. 2024
Art. 694. Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para a solução consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras áreas de conhecimento para a mediação e conciliação. Parágrafo único: A requerimento das partes, o juiz pode determinar a suspensão do processo enquanto os litigantes se submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento multidisciplinar; art. 696. A audiência de mediação e conciliação poderá dividir-se em tantas sessões quantas sejam necessárias para viabilizar a solução consensual, sem prejuízo de providências jurisdicionais para evitar o perecimento do direito; art. 697. Não realizado o acordo, passarão a incidir, a partir de então, as normas do procedimento comum, observado o art. 335.] 
A preferência pelos meios consensuais e autocompositivos nas ações de família reflete uma mudança de paradigma no sistema judiciário brasileiro. Ao priorizar a conciliação e a mediação, o CPC busca reduzir o litígio, incentivandoacordos amigáveis para reduzir o número de processos judiciais e a sobrecarga do sistema judiciário, além de preservar relações, pois entende que em casos de família em que as partes geralmente têm um relacionamento contínuo (por exemplo, em casos de guarda de filhos). Soluções consensuais podem minimizar os conflitos futuros e principalmente proteger as crianças, já que em disputas que envolvem crianças ou adolescentes, a resolução amigável tende a ser menos traumática e a proteger melhor os interesses destas.[footnoteRef:29] [29: FERNANDES, Pedro Arthur Ribeiro. Meios Consensuais de Resolução de Conflitos no Novo Código de Processo Civil: a Conciliação e a Mediação. 2015. Monografia (Bacharelado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade de Brasília, Brasília, 2015.] 
Contudo, ao sugerir a utilização de meios consensuais de resolução de conflitos no judiciário, o legislador nunca teve a intenção de que esses acordos possam ser feitos à revelia da razoabilidade, principalmente num contexto em que o sistema normativo tem avançado significativamente para amparar as novas configurações familiares. E esse é o ponto central da inviabilidade do uso da constelação familiar, pois seu método de trabalho – e as crenças que lhe dão sustentação – estão em total desacordo com preceitos basilares do nosso ordenamento jurídico, especialmente aqueles que visam a proteger crianças, mulheres e famílias. O direito tem progredido rapidamente para atender às novas dinâmicas familiares, o que torna essencial que qualquer método de resolução de conflitos esteja em conformidade com esses avanços.
O trecho seguinte, da obra de Hellinger, permite identificar o problema:
A única relação em que é impossível haver equilíbrio entre o que se dá e o que se recebe é entre pais em filhos, já que o que os pais dão os filhos de nenhuma forma poderão recompensar, já que se trata da vida com tudo o que dela advém.[footnoteRef:30] (grifou-se) [30: HELLINGER, Bert. No centro sentimos leveza: conferências e histórias. 2006. pg. 65] 
Ou seja, apesar de a própria teoria ter como um de seus fundamentos centrais o equilíbrio, a mesma teoria apresenta um desequilíbrio necessário em determinadas relações, que se sustentaria pela “ordem da hierarquia”. Se partirmos do princípio de que a teoria tem sido usada principalmente no direito das famílias, isso vai de encontro ao melhor interesse da criança, direito fundamental previsto no art. 227 da CF[footnoteRef:31] e no artigo 3° do Estatuto da Criança e do Adolescente[footnoteRef:32]. [31: BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 20 abr. 2024.] [32: BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/crianca-e-adolescente/publicacoes/eca-2023.pdf. Acesso em: 21 abr. 2024.] 
Ainda em relação aos papéis de gênero, a Constelação Familiar delimita o que é melhor para o sistema familiar. Nas palavras de Hellinger, “o amor é, em geral, bem-servido quando a esposa segue o marido no seu linguajar, na sua família e cultura, e quando aceita que seus filhos o sigam também”[footnoteRef:33](grifo do autor). Além de se verificar neste trecho uma cultura totalmente patriarcal e retrógrada, pode-se perceber que essa “ordem” vai contra o que prevê o atual Código Civil, em seu artigo 1.511, o qual afirma que o casamento “estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges”[footnoteRef:34]. [33: HELLINGER, Bert. A simetria oculta do amor. São Paulo: Cultrix, 2008. p.43.] [34: _____. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Código Civil. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm Acesso em: 01 jun. 2024.] 
Outrossim, é de conhecimento público e geral que toda a legislação em vigor caminha para garantir a igualdade entre os gêneros, independente da área do direito, e novamente aqui vemos um ponto nevrálgico entre a legislação e a constelação familiar, visto que Hellinger afirma que:
Embora isso em muitos países esteja mudando, as famílias com as quais trabalhamos em geral funcionam melhor quando a mulher assume a responsabilidade principal pelo bem-estar interno da família e o homem se encarrega de sua segurança no mundo exterior, sendo seguido aonde quer que vá.[footnoteRef:35] [35: HELLINGER, Bert. A simetria oculta do amor. São Paulo: Cultrix, 2008. p.43.] 
	Ademais, há ainda um ponto que, apesar de nem versar sobre o direito de família, mostra-se uma afronta aos direitos humanos. É apresentado de forma clara em toda a teoria de Hellinger que ele e seus seguidores defendem que a culpa do abuso sexual/estupro é da mulher e da vítima. Hellinger defende que existem dois agressores: o pai, em um primeiro plano, e a mãe. Essa, sentindo-se culpada com relação ao marido, “oferece a filha como substituta”. Para Bert Hellinger, deve-se:
(...) simplesmente ver o quadro completo. Não bastaria para a criança ficar zangada com o pai; ela tem que ficar zangada também com a mãe. Pelo que pude observar até agora, os pais estão quase sempre em conluio, num pacto secreto, quando se trata do abuso de uma criança[footnoteRef:36] [36: HELLINGER, Bert; HÖVEL, Gabriele Ten. Constelações familiares: o reconhecimento das ordens do amor. Conversas sobre emaranhamentos e soluções. São Paulo: Cultrix, 2007. p.16.] 
Quanto ao estupro, refere Hellinger que a sexualidade “não perde a sua grandeza. Ela não se torna nefasta nem é afetada por esse ato. […] Se a mãe quiser colocar em ordem para o filho as consequências negativas de um estupro, ela deveria dizer ao homem: ‘Você é o pai do nosso filho. Eu o tomo e o respeito como o pai do nosso filho’”.[footnoteRef:37] [37: HELLINGER, Bert; HÖVEL, Gabriele Ten. Constelações familiares: o reconhecimento das ordens do amor. Conversas sobre emaranhamentos e soluções. São Paulo: Cultrix, 2007. p.66.] 
E quanto ao filho(a) do estupro, para Hellinger este deveria simplesmente perdoá-lo: 
Uma criança que é fruto de um estupro deveria dizer ao estuprador: "Você é meu pai e eu o tomo como pai". O que pode dizer se não isso? Não pode dizer: "Você não é meu pai" ou "Eu não o tomo como pai". Isso não teria sentido. Portanto: "Você é meu pai e é também a pessoa certa para ser meu pai. Não existe nenhum outro para mim".[footnoteRef:38] [38: HELLINGER, Bert; HÖVEL, Gabriele Ten. Constelações familiares: o reconhecimento das ordens do amor. Conversas sobre emaranhamentos e soluções. São Paulo: Cultrix, 2007. p.66.] 
Resta clara na teoria de Hellinger a oportunidade de despojar as vítimas (mães, filhas e filhos) dos últimos vestígios de sua dignidade humana, ampliando o sofrimento e a desumanização daqueles que já se encontram em situação vulnerável. Assim, é crucial questionar e avaliar a aplicação dos métodos de Hellinger, ponderando suas implicações éticas e humanas.
5 RISCOS DO USO DA CONSTELAÇÃO FAMILIAR NO SISTEMA DE JUSTIÇA: UMA PERSPECTIVA CRÍTICA INTERDISCIPLINAR
Além de a técnica contrariar diversas normas, incluindo os direitos humanos, conforme discutido anteriormente, há ainda outro risco significativo: o impacto psicológico decorrente da exposição dos usuários da justiça a esta prática.
Neste tópico, analisaremos a constelação familiar sob a perspectiva da psicologia, buscando compreender como esse ramo do saber interpreta o uso dessa técnica. Uma abordagem interdisciplinar permite avaliar os impactos da constelação familiar na saúde mental dos indivíduos que a utilizam – o que pode ser um golpe fatal para o uso do método. 
Ao integrar conhecimentos da psicologia, possibilita-se uma avaliação abrangente e fundamentada dos efeitos dessa prática, considerando os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos, o que conduz a debate mais informado sobre a viabilidade e as consequências do uso da constelação familiar no contexto jurídico e terapêutico.
5.1 TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICAE CONSTELAÇÃO FAMILIAR SISTÊMICA: DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS
Em diversos momentos nos livros escritos por Hellinger, o autor afirma basear seus conhecimentos em psicologia, sociologia e filosofia. Em um dos seus livros mais famosos, ele é apresentado da seguinte forma:
Depois de renunciar ao sacerdócio, estudou psicanálise e acabou se interessando pela Gestalt-Terapia e pela Análise Transacional. Foi graças ao envolvimento posterior com a terapia familiar que ele se deparou pela primeira vez com as constelações familiares, marca registrada de sua obra terapêutica.[footnoteRef:39] (grifo do autor) [39: HELLINGER, Bert. Ordens do Amor. São Paulo: Cultrix, 2010. p. 3.] 
Entretanto, aprofundando a análise da teoria torna-se evidente que, apesar da semelhança na nomenclatura com a psicologia, seus termos estão significativamente distantes desse campo. Na verdade, eles parecem quase opostos, uma vez que representam um pensamento rígido e imutável, muitas vezes associado a ideias retrógradas e ao pensamento patriarcal. Essa abordagem parece refletir mais um viés religioso inflexível do que conceitos embasados nas teorias que sustentam a Psicologia como um ramo científico.
As diferenças entre a Constelação Familiar Sistêmica e a Terapia Familiar Sistêmica são muitas, mas seu destaque reside em suas abordagens teóricas e práticas. A Terapia Sistêmica, originada a partir da terapia familiar, foi formulada por Ludwig von Bertalanffy, em 1968. Segundo essa perspectiva, a vida das pessoas é moldada pelas interações com familiares e pelos contextos nos quais estão inseridas. O indivíduo e a família interagem com o meio, trocando informações de forma contínua.
Por outro lado, a Constelação Familiar Sistêmica adota uma visão diferente. Nesse modelo, há uma crença de que as relações familiares devem obedecer a leis e regras pré-definidas. O sistema familiar é baseado em ordens consideradas naturais, cuja violação pode resultar em consequências significativas para o equilíbrio do sistema. Esta teoria naturaliza lugares fixos dos componentes familiares, estabelecendo uma hierarquia rígida. 
Contrapondo-se a essa visão, a análise histórico-social da psicologia compreende os fenômenos psíquicos e sociais como construções contextuais: a autonomia e a constituição sócio-histórico-cultural das famílias estão sempre sujeitas a transformações. A escuta psicológica na área da saúde, sob a perspectiva sistêmica, é uma estratégia que visa a compreender os seres humanos em seus contextos específicos.[footnoteRef:40] O profissional de Psicologia atua como mediador e catalisador das potencialidades e recursos individuais e comunitários, buscando satisfazer necessidades e melhorar a qualidade de vida. Em colaboração com outros profissionais da equipe de saúde, o psicólogo coordena ações que promovem a expansão das situações apresentadas, criando autonomia e favorecendo mudanças positivas.[footnoteRef:41] [40: BÖING, E., CREPALDI, M. A., & MORÉ, C. L. O. O. A epistemologia sistêmica como substrato à atuação do psicólogo na atenção básica. Psicologia: Ciência e Profissão, 29(4). 2009. p. 828-845.] [41: MORÉ, Carmen Lentina O. O., Macedo, Rosa Maria S. (2006). A psicologia na comunidade: Uma proposta de intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.] 
A partir dessa reflexão, podemos entender o que caracteriza a "verdadeira" terapia de origem sistêmica. Essa abordagem não se limita a analisar o indivíduo isoladamente; pelo contrário, ela considera o sujeito em uma perspectiva macro, examinando todo o contexto em que está inserido, incluindo as dinâmicas existentes e o contexto cultural. Essa visão ampla e integradora reconhece a importância das interações entre o indivíduo e seu ambiente social.
No entanto, essa concepção sistêmica contrasta fortemente com a perspectiva apresentada por Hellinger. Segundo Hellinger,[footnoteRef:42] independentemente do contexto, da cultura ou do momento histórico, o indivíduo deve obedecer rigidamente a certas leis predeterminadas. Essa abordagem inflexível desconsidera as complexidades e particularidades das circunstâncias individuais e sociais, ignorando a influência do ambiente sobre o comportamento e o bem-estar do sujeito. Assim, observamos uma oposição fundamental entre a abordagem sistêmica tradicional, que valoriza a contextualização e a adaptabilidade, e a visão de Hellinger, que preconiza uma obediência estrita a leis universais, desconsiderando a variabilidade humana. [42: HELLINGER, Bert. Ordens do Amor. São Paulo: Cultrix, 2010.] 
5.2 A PSICOLOGIA APOIA A CONSTELAÇÃO FAMILIAR?
Para responder a esta questão, necessária é a verificação da posição do Conselho Federal de Psicologia (CFP). De acordo com a Lei 5766/71, que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia, a função primordial destes Conselhos é orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão do psicólogo, bem como zelar pela fiel observância dos princípios éticos e disciplinares da classe.[footnoteRef:43] [43: BRASIL. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5766.htm Acesso em: 30 mai. 2024.] 
Conforme mencionado anteriormente, em muitos contextos a constelação familiar é apresentada como uma forma de terapia, frequentemente justificando sua base na psicologia. Assim, é imperativo esclarecer o posicionamento do órgão responsável pela regulamentação e supervisão da prática da psicologia, uma vez que, em última análise, zela pela saúde mental da população. O esclarecimento do CFP sobre a constelação familiar é crucial para assegurar que práticas terapêuticas sejam conduzidas de acordo com os padrões éticos e científicos estabelecidos, evitando a propagação de métodos não validados cientificamente como sendo parte da psicologia.
Para o criador da técnica de Constelação Familiar, o incesto seria um desses casos em que a diferença entre o “dar” e o “receber” demanda compensações entre ganhos e perdas na dinâmica do casal: 
O sistema passa a ser dominado por uma irresistível necessidade de compensação, e a maneira mais fácil de obtê-la é que a mulher leve a filha ao marido, para compensar. Esta é a dinâmica familiar que frequentemente está por trás de um incesto. Não é, porém, uma regra geral, pois também existem outras dinâmicas.[footnoteRef:44] [44: HELLINGER, Bert. Ordens do Amor. São Paulo: Cultrix, 2010. p. 152.] 
Conforme nota técnica da Psicologia [footnoteRef:45], essas concepções revelam uma profunda dissonância em relação às formas contemporâneas de entendimento sobre as famílias. Em essência, trata-se de visões fixas, naturais e imutáveis, que desconsideram a complexidade e a diversidade inerentes às estruturas familiares modernas. [45: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Nota técnica: constelação familiar. Brasília: CFP, 2023. 7 p. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2023/03/Nota-Tecnica_Constelacao-familiar-03-03-23.pdf. Acesso em 02 jun. 2024.] 
Os estudos contemporâneos em sociologia, psicologia e estudos de gênero ressaltam que as famílias são construções sociais dinâmicas, influenciadas por fatores culturais, históricos e individuais. Diferente das visões tradicionais, as pesquisas atuais valorizam a diversidade e adaptabilidade das configurações familiares, desafiando concepções rígidas que priorizam o vínculo biológico e o modelo monogâmico. A constelação familiar, ao naturalizar esses vínculos, ignora a pluralidade das relações baseadas em afeto e pertencimento, perpetuando a exclusão de novas formas familiares.
Além disso, a obra de Hellinger atribui papéis desiguais a homens e mulheres, reforçando a desigualdade de gênero e negligenciando a capacidade dos indivíduos de definirem sua própria identidade. Isso pode resultar em problemas psicológicos e, no contexto de violência doméstica, expor mulheres a riscos de revitimização, ao favorecer acordos que ignoram a desigualdade de gênero, em desrespeito à Lei Maria da Penha e à Constituição Federal. A prática da constelação também promove visõesconservadoras sobre infância e juventude, contrárias aos princípios orientadores do ECA e à psicologia.
Por fim, é crucial destacar um aspecto relevante no âmbito psicológico das sessões de constelação familiar: muitos processos são resolvidos em uma única sessão, o que é frequentemente apresentado como uma vantagem do método. No entanto, essa abordagem pode expor os indivíduos a traumas de forma abrupta, provocando o surgimento repentino de estados de sofrimento ou desorganização psíquica. O método não possui conhecimento técnico suficiente para manejar esses estados, o que é preocupante. Além disso, a Constelação Familiar pode trazer à tona conflitos emocionais e psicológicos, tanto individuais quanto familiares, exacerbando ou desencadeando estados de sofrimento ou desorganização psíquica. Isso evidencia a necessidade de um acompanhamento profissional psicológico e/ou psiquiátrico, que não é oferecido durante as sessões de constelação familiar.
Dessa forma, evidencia-se claramente que a psicologia não pode apoiar a prática da Constelação Familiar. Ao lidar com traumas e questões psicológicas de forma superficial e sem o devido embasamento científico, a prática contraria os princípios éticos e metodológicos da psicologia. O método em questão não fornece a estrutura necessária para manejar estados de sofrimento ou desorganização psíquica, colocando em risco a saúde mental dos indivíduos envolvidos.
Portanto, a utilização dessa prática no sistema judiciário deve ser cuidadosamente reconsiderada. É essencial garantir que as técnicas adotadas respeitem os direitos fundamentais dos indivíduos e promovam a verdadeira justiça, sem comprometer a integridade mental e emocional das partes envolvidas. A proteção da saúde mental deve ser prioridade, e soluções rápidas não devem ser buscadas em detrimento do bem-estar psicológico das pessoas.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da análise crítica realizada, é evidente que a utilização das Constelações Familiares no sistema de justiça brasileiro apresenta sérios riscos e problemas. Primeiramente, a prática carece de fundamentação científica robusta e de regulamentação adequada, o que levanta questionamentos sobre sua adequação e eficácia. Além disso, pode expor os indivíduos a impactos psicológicos negativos, especialmente em contextos de violência doméstica, nos quais a revitimização e a perpetuação de desigualdades de gênero são preocupações reais e fundadas. Além disso, por não considerar plenamente a complexidade das dinâmicas familiares modernas e os direitos fundamentais dos indivíduos, a constelação familiar pode resultar em abordagens superficiais e potencialmente prejudiciais.
Os dados existentes sobre a aplicação das Constelações Familiares no sistema judiciário indicam uma redução rápida na fila de espera dos processos, mas não fornecem evidências suficientes sobre a justiça e a qualidade dos acordos alcançados, tampouco sobre os impactos posteriores. Sem uma análise qualitativa que considere a equidade das resoluções e o bem-estar dos envolvidos, a prática não pode ser justificada apenas por sua eficiência estatística.
Portanto, entende-se ser crucial que a implementação das Constelações Familiares no sistema de justiça seja revista e reavaliada. Deve-se assegurar que qualquer método alternativo de resolução de conflitos esteja fundamentado em princípios éticos sólidos e respaldado por evidências científicas. A proteção dos direitos humanos e o bem-estar dos indivíduos devem ser prioridades incontestáveis em qualquer processo judicial.
A pesquisa identificou que a prática das Constelações Familiares no contexto jurídico brasileiro não é acompanhada por um corpo de evidências científicas que validem sua eficácia e segurança. Além disso, observou-se que a técnica pode induzir a uma compreensão simplista e reducionista dos conflitos, desconsiderando a complexidade das relações humanas e as particularidades de cada caso. Isso pode resultar em decisões judiciais que não refletem a verdadeira necessidade de justiça e proteção dos envolvidos.
Para garantir que o sistema de justiça brasileiro adote práticas que realmente contribuam para a resolução justa e eficaz dos conflitos, é necessário investir em métodos que sejam cientificamente validados e que promovam a saúde e o bem-estar dos indivíduos. Além disso, é fundamental que os profissionais do direito recebam treinamento adequado e contínuo sobre essas práticas, garantindo que sua aplicação seja ética e responsável.
O Direito Sistêmico pode oferecer novas perspectivas para a resolução de conflitos, porém sua aplicação deve ser conduzida com cautela e rigor. A adoção de práticas como as Constelações Familiares deve ser acompanhada de um debate crítico e informado, que leve em consideração todas as implicações éticas, legais e psicológicas envolvidas. Somente assim será possível assegurar que o sistema de justiça brasileiro realmente contribua para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, respeitando os direitos e a dignidade de todos os cidadãos.
REFERÊNCIAS
BANDEIRA, R. Juiz consegue 100% de acordos usando técnica alemã antes das sessões de conciliação. CNJ, 17 nov. 2014. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/constelacao-familiar-ajuda-humanizar-praticas-de-conciliacao-no-judiciario-2. Acesso em: 15 abr.2024.
BÖING, E., CREPALDI, M. A., & MORÉ, C. L. O. O. A epistemologia sistêmica como substrato à atuação do psicólogo na atenção básica. Psicologia: Ciência e Profissão, 29(4). 2009. p. 828-845. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 20 abr. 2024.
_____. Emenda Constitucional nº 45, de 30 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 2004. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc45.htm. Acesso em: 18 abr. 2024.
_____. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/crianca-e-adolescente/publicacoes/eca-2023.pdf. Acesso em: 21 abr. 2024.
_____. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5766.htm Acesso em: 30 mai. 2024.
_____. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Código Civil. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm Acesso em: 01 jun. 2024.
_____. Lei nº 13.140, de 26 de junho de 2015. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13140.htm Acesso em: 18 mai. 2024.
_____. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015: Código de Processo Cívil. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm Acesso em: 01 jun. 2024.
______. CNJ. Resolução n.125/10 CNJ de 29 de novembro de 2010. Dispõe sobre a Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário. Disponível em https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2011/02/Resolucao_n_125-GP.pdf. Acesso em 18 abr. 2024.
BRITO, Alessandra Mizuta de. Meios adequados para o tratamento de conflitos: a conciliação e a mediação no CPC/2015 e o tratamento pelo estado do Rio Grande do Sul. In: Harzheim, Elaine Macedo, Damasceno Marina (org.). Sistema multiportas e métodos integrados de resolução de conflitos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2018. E-book. p. 11-28. 
CASTRO, Marcos Antônio Ferreira de. Constelação Familiar e Direito: o novo caminho rumo à paz social. Revista do tribunal Regional Federal da 3° Região, v. 28, n. 133, abr./jun. 2017. Disponível em: http://www.trf3.jus.br/documentos/revs/EDICOES_DA_REVISTA/revista_edicao_133.pdf. Acesso em: 06 mar. 2024.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Nota técnica: constelação familiar. Brasília: CFP, 2023. 7 p. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2023/03/Nota-Tecnica_Constelacao-familiar-03-03-23.pdf. Acesso em 02 jun. 2024.
FERNANDES, Pedro Arthur Ribeiro. Meios Consensuais de Resolução de Conflitos noNovo Código de Processo Civil: a Conciliação e a Mediação. 2015. Monografia (Bacharelado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade de Brasília, Brasília, 2015. Disponível em: https://www.trt13.jus.br/institucional/cejusc/bibliografia/2015_pedroarthurribeirofernandes.pdf Acesso em: 02 jun. 2024.
FRANCO, I. C. S.; Cunha, L. G. O CNJ e os discursos do Direito e Desenvolvimento. Revista Direito GV, v. 9, p. 515-534, 2013.
GRINOVER, Ada Pellegrini et al. Lei de mediação comentada artigo por artigo. 3. ed. Indaiatuba: Foco, 2022. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 20 abr. 2024.
HELLINGER, Bert. A fonte não precisa perguntar pelo caminho. Patos de Minas, MG: Atman, 2005.
_________, Bert. A simetria oculta do amor. São Paulo: Cultrix, 2008. 
_________, Bert. Constelações Familiares: o reconhecimento das ordens do amor. 5.ed. São Paulo: Cultrix, 2006.
_________, Bert. Ordens do Amor. São Paulo: Cultrix, 2010.
HELLINGER, Bert; HÖVEL, Gabriele Ten. Constelações familiares: o reconhecimento das ordens do amor. Conversas sobre emaranhamentos e soluções. São Paulo: Cultrix, 2007.
MARINO, Sueli; MACEDO, Rosa Maria S.. A Constelação Familiar é sistêmica?. Nova perspect. sist., São Paulo , v. 27, n. 62, p. 24-33, dez. 2018 . Disponível em . acessos em 20 abr. 2024.
MORÉ, Carmen Lentina O. O., Macedo, Rosa Maria S. (2006). A psicologia na comunidade: Uma proposta de intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.
MOREIRA, Lisandra Espíndula; SOARES, Laura Cristina Eiras Coelho; BEIRAS, Adriano. Constelações familiares no judiciário: um tema para a Psicologia?. Estudos de Psicologia (Natal), [S. l.], v. 27, n. 1, p. 68–80, 2023. DOI: 10.22491/1678-4669.20220007. Disponível em: https://submission-pepsic.scielo.br/index.php/epsic/article/view/22744. Acesso em: 21 abr. 2024.
OLDONI, Fabiano; LIPPMANN, Márcia Sarubbi; GIRARDI, Maria Fernanda Gugelmin. Direito Sistêmico: Aplicação das Leis Sistêmicas de Bert Hellinger ao Direito de Família e ao Direito Penal. 2. ed. revisada e ampliada. Manuscritos Editora, 2018.
SCHMIDT, Cândice; NYS, Cristiane Pan; PASSOS, Lizandra dos. Justiça Sistêmica: um novo olhar do judiciário sobre as dinâmicas familiares e a resolução de conflitos, 2017. Disponível em: https://www.tjrs.jus.br/export/poder_judiciario/tribunal_de_justica/centro_de_estudos/horizontes/constelacoes_familiares_artigo.pdf. Acesso em: 22 abr. 2024.
STORCH, Sami. Direito sistêmico (blog).Disponível em: https://direitosistemico.wordpress.com>. Acesso em: 12 mai 2024.
_________, Sami. A Origem Direito Sistêmico: Pioneiro do Movimento de Transformação da Justiça com as Constelações Familiares. Brasília, DF: Tagore, 2019.
_________, Sami; LACERDA, Sttela Maris Nerone. Direito Sistêmico e Direitos Humanos: A aplicação das constelações familiares para tratamento dos conflitos judiciais. Ponta Grossa, PR: Atena, 2020. p. 18. Disponível: https://www.atenaeditora.com.br/post-artigo/36073. Acesso: 20 abr. 2024.

Mais conteúdos dessa disciplina