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Forças externas No livro "Carranza's Clinical Periodontology", as forças externas e sua relação com o periodonto são abordadas detalhadamente, especialmente no contexto de trauma oclusal e como o periodonto reage a essas forças aplicadas aos dentes. 1. Forças Oclusais Normais e Fisiológicas: Carranza explica que, em condições normais, o periodonto é capaz de suportar e responder de maneira saudável às forças oclusais fisiológicas que ocorrem durante a mastigação e outras funções habituais. O ligamento periodontal atua como um sistema de amortecimento, distribuindo a pressão exercida sobre o dente e protegendo o osso alveolar de danos excessivos. Essas forças estimulam o ligamento periodontal e o osso de maneira positiva, contribuindo para a manutenção da saúde dos tecidos periodontais. 2. Trauma Oclusal: Quando as forças aplicadas aos dentes excedem a capacidade adaptativa do periodonto, ocorre o que Carranza descreve como trauma oclusal. Essas forças excessivas ou anormais podem ser resultado de contatos prematuros durante a oclusão, bruxismo (ranger de dentes), hábitos parafuncionais, ou restaurações mal adaptadas. O trauma oclusal pode ser dividido em dois tipos: Primário: Ocorre quando forças excessivas são aplicadas a um dente com um periodonto saudável, resultando em alterações adaptativas, como aumento da mobilidade dentária. Secundário: Acontece quando um periodonto já comprometido por perda óssea ou outras condições é exposto a forças adicionais, agravando a destruição dos tecidos de suporte. 3. Resposta do Periodonto ao Trauma Oclusal: Carranza descreve a resposta dos diferentes componentes do periodonto às forças traumáticas: Ligamento Periodontal: Em resposta ao trauma, pode haver aumento do espaço do ligamento periodontal como uma tentativa de acomodar as forças aplicadas. Esse alargamento é uma adaptação que visa redistribuir a pressão de maneira mais uniforme. Osso Alveolar: O trauma oclusal pode causar alterações no osso alveolar, como reabsorção óssea para criar espaço e tentar reduzir a sobrecarga. O osso é reabsorvido nas áreas de maior pressão, e pode ocorrer deposição óssea em áreas onde a tensão é menor. Cemento: Pode haver uma deposição de cemento como uma tentativa do corpo de proteger a raiz do dente contra as forças aplicadas. 4. Efeitos Clínicos e Diagnóstico: Clinicamente, o trauma oclusal se manifesta como mobilidade dentária, dor à percussão, desgaste oclusal (facetas de atrito), e, em casos mais avançados, pode contribuir para a progressão da doença periodontal. No entanto, Carranza ressalta que o trauma oclusal, por si só, não causa perda de inserção periodontal. Ele pode, entretanto, agravar a destruição dos tecidos de suporte se a inflamação já estiver presente devido a gengivite ou periodontite. 5. Tratamento: O tratamento envolve a eliminação ou controle das forças excessivas que estão causando o trauma. Isso pode incluir ajustes oclusais, uso de aparelhos para proteger contra o bruxismo, ou a modificação de restaurações inadequadas. O objetivo é minimizar o impacto das forças traumáticas para permitir que o periodonto se adapte e se estabilize. Em resumo, no livro do Carranza, a relação entre forças externas e o periodonto é bem explicada em termos da capacidade adaptativa dos tecidos de suporte e da importância do controle das forças traumáticas para preservar a saúde periodontal. O trauma oclusal é um fator que pode exacerbar a destruição do periodonto, especialmente quando associado à inflamação