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Como podemos alcançar a equidade de
gênero nos serviços de saúde?
A equidade de gênero na saúde é um desafio constante, especialmente no Brasil. Apesar de avanços
significativos nas últimas décadas, a saúde do homem ainda enfrenta obstáculos relacionados à cultura,
à percepção de vulnerabilidade e à falta de acesso adequado aos serviços. Este cenário demanda uma
abordagem multifacetada que envolva não apenas os profissionais de saúde, mas também gestores,
educadores e a sociedade como um todo.
Percepção de invulnerabilidade: Muitos homens relutam em procurar ajuda médica, acreditando
serem fortes e capazes de lidar com problemas de saúde sozinhos. Essa atitude pode levar ao
diagnóstico tardio de doenças, piorando o prognóstico. Estudos mostram que homens procuram
atendimento médico em média 4 vezes menos que as mulheres, resultando em diagnósticos mais
tardios e tratamentos mais complexos.
Preconceito e discriminação: A masculinidade tradicional, associada à força e à independência,
pode impedir homens de expressarem fragilidades e buscarem suporte emocional. Isso impacta
negativamente a saúde mental e limita o acesso a serviços de apoio psicológico. O medo do
julgamento social e a pressão para manter uma imagem de "homem forte" contribuem para o
agravamento de condições psicológicas e emocionais.
Falta de atenção específica: Os serviços de saúde, muitas vezes, não atendem às necessidades
específicas dos homens, como doenças prevalentes, questões de saúde sexual e reprodutiva e
demandas de saúde mental. A falta de programas e ações direcionadas dificulta a prevenção e o
tratamento eficazes. É necessário desenvolver protocolos específicos e capacitar profissionais para
um atendimento mais direcionado às necessidades masculinas.
Horários e acessibilidade: A incompatibilidade entre os horários de funcionamento dos serviços de
saúde e a jornada de trabalho é outro obstáculo significativo. Muitos homens deixam de buscar
atendimento por não conseguirem conciliar suas atividades profissionais com os horários disponíveis
nas unidades de saúde.
Para promover a equidade de gênero em saúde, é fundamental quebrar estereótipos, incentivar a busca
por cuidados preventivos e desenvolver serviços de saúde sensíveis às necessidades masculinas. O
papel da enfermagem nesse contexto é crucial, com a implementação de ações educativas, de
acolhimento e de orientação, desmistificando a saúde do homem e contribuindo para uma abordagem
mais equitativa.
Algumas estratégias bem-sucedidas incluem a criação de horários alternativos de atendimento,
campanhas específicas como o "Novembro Azul", grupos de apoio voltados para homens e a
capacitação contínua dos profissionais de saúde para um atendimento mais humanizado e livre de
preconceitos. A educação em saúde também deve começar desde cedo, trabalhando com jovens e
adolescentes para desenvolver uma cultura de autocuidado e prevenção.
É importante ressaltar que a busca pela equidade de gênero na saúde beneficia não apenas os homens,
mas toda a sociedade. Homens mais saudáveis e conscientes de sua saúde contribuem para famílias
mais equilibradas, comunidades mais fortes e um sistema de saúde mais eficiente e sustentável. O
compromisso com essa mudança deve ser constante e envolver todos os níveis do sistema de saúde,
desde a atenção básica até os serviços especializados.

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