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PRÁTICA CÍVEL SIMULADA Aula 06/02/2024: 1ª etapa: prova 30 pontos 2ª etapa: processo em 1ª instância—30 pontos 3ª etapa: prova 30 pontos * possibilidade – prova 20 pontos e recurso de 10 pontos. CASOS: 1. Demandante: Lucas 2. Demandado: Eduardo CASO 1: Sílvia dos Santos contraiu matrimônio com José Maria Ribeiro no dia 17 de abril de 2008, sob o regime de comunhão parcial de bens. Sílvia é empresária do ramo da moda e digital influencer, com 480 mil seguidores no Instagram. José Maria é advogado. O casal não tem filhos, mas tem quatro cachorros da raça Beagle. Durante o casamento, o casal adquiriu um imóvel residencial avaliado em 800 mil reais, um apartamento no litoral de São Paulo avaliado em 2 milhões, um Tigo avaliado em 200 mil reais, pertencente a Sílvia e uma caminhonete Hilux avaliada em 230 mil, pertencente a José Maria. No dia 18 de dezembro de 2022, José Maria avisa a esposa que fará uma viagem ao interior de Minas para fazer uma audiência. Dia 19/12/2022, uma amiga de Sílvia liga de manhã e informa ter visto José Maria deixando um hotel X, na zona sul de Belo Horizonte, na companhia de uma mulher. Sílvia, ao tomar conhecimento da informação, foi até o hotel e obteve imagens da câmera de segurança do local, confirmando que José Maria havia se hospedado do dia 18 para 19, com a advogada que trabalhava no mesmo escritório que ele. Sílvia conseguiu ainda, documentos na recepção do hotel, informando que o casal havia se hospedado no mesmo quarto. As imagens do café restaurante mostram uma mulher (advogada) tomando café da manhã com José Maria. Indignada, Sílvia liga para Heloísa Lamounier, que é a advogada que se hospedou com José Maria no hotel entre os dias 18 e 19 de dezembro. Na ligação, Heloísa confirma que já era amante de José Maria há mais de um ano. Heloísa, após a ligação, publica em suas redes sociais, fotos com José Maria, dizendo que se tratava do seu namorado e afirmando, publicamente que Sílvia era corna. Na publicação, Heloísa marca Sílvia e a digital influencer perde 200 mil seguidores. Desolada, Sílvia procura o escritório de Dra. Jade, para providências jurídicas. CASO 2: Luciano Santos, nasceu em 19/01/1990, na zona rural da cidade de Santa Maria do Suaçuí/MG. Alfredo Silva e Maria Santos são os pais biológicos de Luciano. Luciano nasceu com uma doença que o acometia com seis dedos nas mãos e pés (polidartinia). Preocupados os pais biológicos recorreram à Claudete Santos, irmã de Maria e tia de Luciano. Claudete trabalhava como empregada doméstica e morava na casa de Milton dos Reis, professor de filosofia e seminarista. Ao tomar conhecimento do caso clínico de Luciano, Milton dos Reis prontamente se colocou à disposição e permitiu que a criança viesse morar na sua casa, em Belo Horizonte/MG, sob os cuidados de Claudete, para então conseguir fazer o tratamento da doença polidartinia. Luciano fez a cirurgia, foi um sucesso e ficou curado, no ano de 1992. Após sua cura, Milton propõe à Claudete que Luciano permanecesse vivendo em Belo Horizonte/MG, pois ele o matricularia no colégio onde é professor. A partir de 1993, Luciano com consentimento de seus pais biológicos foi matriculado na escola onde Milton dos Reis lecionava. Luciano Santos permaneceu sob os cuidados de Milton dos Reis durante todo o ensino fundamental e médio. Mas, nunca perdeu o vínculo afetivo com os pais biológicos. Após a conclusão do ensino médio, Luciano passou no vestibular e foi custeado durante toda a graduação por Milton dos Reis. Na escola, na sociedade, na vizinhança, Milton sempre foi visto como pai de Luciano, que nunca perdei o vínculo com seus pais biológicos. Ao longo da vida, Milton adquiriu cinco imóveis, dentre eles, a casa onde sempre viveu, mais outros quatro apartamentos. Em 18 de julho de 2016, Luciano Santos se casa e Milton dos Reis o autoriza a morar na sua casa, em companhia da sua esposa. Luciano aceitou a proposta para estar mais perto de Milton, que já estava idoso e enfermo. Milton não tinha pais, filhos registrados, não era casado e não vivia em união estável, pois dedicou toda a sua vida ao trabalho, criação e cuidados de Luciano. Em 20 de janeiro de 2017, Milton falece. Em fevereiro de 2017, os irmãos de Milton, chamados Marieta dos Reis e Israel dos Reis, dão abertura no inventário e requerem judicialmente a nomeação de Marieta como inventariante. Marieta requer ao juiz do inventário uma liminar para desocupação imediata de Luciano da casa de Milton, já que, entre eles, não havia vínculo de parentesco. Desesperado, Luciano procura o escritório de advocacia de Dr. Lucas, para providências jurídico-legais. CASO 3: Joaquim Freitas casou-se com Carolina Garcia em 15 de janeiro de 2015. Desta união, nasceu Sofia Garcia Freitas em 19/04/2016. Após o nascimento de Sofia, Joaquim e Carolina começaram a brigar e se desentender muito, o que culminou no divórcio do casal em abril de 2019. Na ação de divórcio ficou estabelecido a Guarda compartilhada, com domicílio da criança na casa da genitora e direito de Visitas em finais de semana alternados. Permitindo-se que o pai pegasse a filha nas sextas-feiras às 18h e devolvesse no domingo às 18h. Em janeiro de 2020, no segundo final de semana do mês, Joaquim pegou a filha e passou com ela o final de semana. Ao devolver a filha no domingo à noite, Carolina, genitora, percebeu que a criança estava com o ânus avermelhado e sangrando. Desesperada, Carolina procura uma Autoridade Policial, a criança se submete a um exame de corpo de delito e é aberto um inquérito policial contra o pai. Carolina, após o episódio, vai às redes sociais, faz um depoimento doloroso afirmando e acusando Joaquim de ter abusado sexualmente de Sofia. O caso tomou repercussão na mídia, Joaquim foi demitido da empresa onde trabalhava, começou a ser perseguido e ameaçado de linchamento público. Após a conclusão das investigações em agosto de 2020, o inquérito policial foi arquivado por insuficiência probatória quanto à autoria dos fatos. O pedido de arquivamento foi ratificado pelo Ministério Público que entendeu que, embora comprovada a materialidade, não havia provas suficientes acerca da autoria. Ao tomar conhecimento do arquivamento do inquérito, Joaquim procura o escritório de Dr. Vitor para providências jurídico-legais. 20/02/2022: AUDIÊNCIAS: · O que é uma audiência? · Ato processual tipicamente conduzido pelo juiz, perante o poder judiciário. Não precisa ser exclusivamente conduzida pelo magistrado. Existem situações em que a lei que autoriza a condução da audiência por outras pessoas, sob supervisão do magistrado. EX: Conciliador no JESP, pode ser conciliador o estudante de direito, estagiário, que conduzirá a audiência, com todos os atos de supervisão direta e sob responsabilidade do juiz togado. EX: Juízes leigos do JESP, são bacharéis em Direito que poderão prestar concurso para atuar como juiz leigo, por dois anos. O juiz leigo tem mais autonomia que o conciliador, ele elabora sentença, faz audiências de conciliação e instrução e julgamento, TUDO SUPERVISIONADO E DE RESPONSABILIDADE DO JUIZ TOGADO. · Onde sentar em uma sala de audiência? · Justiça do trabalho reclamante senta do lado esquerdo do juiz e reclamado do lado direito. Ex: Trabalhador – Esquerda; Empregador – Direita. · Justiça comum cível o demandante senta do lado direito do juiz e o demandado ao lado esquerdo. · Estratégias para qualquer audiência: · O advogado deve conhecer detalhes do caso concreto/processo antes de ir à audiência. · Saber qual a finalidade de cada audiência. · Organização para chegar com antecedência à audiência presencial e estar preparado para audiência on-line. · Ter capacidade de improviso e estar sempre atento. · Nunca orientar testemunha a mentir ou omitir em juízo. · Na AIJ, fazer perguntas específicas, pontuais e relevantes necessárias ao esclarecimento do caso concreto. · Na AIJ, pode contraditar testemunhas (alegar a parcialidade da testemunha). Toda contradita de testemunhas deve ser comprovada. Se, durante o depoimento,surgir algum fato superveniente que embase o pedido de contradita, pode reiterar o pedido. 27/02/2024 · Audiência de conciliação e mediação: ambas são meios autocompositivos de resolução de conflitos. A autocomposição formalizada não é automaticamente homologada, ou seja, o acordo pode não ser homologado em caso de ele ser ilícito ou em caso de ser comprovadamente lesivo a uma das partes. EX de acordo ilícito: casal que se separa e um dos cônjuges abre mão da pensão dos filhos. EX de acordo comprovadamente lesivo a uma das partes: Justiça do trabalho, onde o trabalhador pede 30 mil e o empregado paga 1000 reais, sob promessa de contratar o funcionário novamente após determinado período de tempo. · DIFERENÇAS: · A conciliação resolve, consensualmente, a lide jurídica (1º ponto: ao resolver de foram consensual a lide jurídica, o conciliador não tem o dever de buscar e conhecer as raízes/origens do conflito. Assim, na conciliação, as partes não precisam ter um vínculo pessoal anterior; 2º ponto: poderá ocorrer conciliação entre partes sem vínculo pessoal pré constituído) e a mediação resolve, consensualmente, a lide sociológica. OBS: metáfora do iceberg. · Por outro lado, na mediação, o mediador resolve de forma consensual o conflito, mas diferentemente do conciliador, o mediador tem o compromisso de averiguar as raízes/origens do conflito. A resolução do conflito, na mediação, é por meio da lide sociológica. Destarte, o acordo realizado em uma mediação é formalizado após as partes compreenderem as causas do impasse. Para ter mediação as partes envolvidas no conflito necessitam de um vínculo pessoal anterior. *Existe a possibilidade de mediação na área empresarial, se for uma empresa familiar. Direitos de vizinhança. Conciliador: tem postura mais proativa, ele sugere, recomenda, opina. Tem uma participação ativa, na construção da decisão, ou seja, ele participa diretamente da construção do acordo e, consequentemente, da decisão. Mediador: é mais auditivo, é um facilitador do diálogo entre as partes para que elas, por conta própria, consigam encontrar diretamente a solução mais adequada para o caso concreto. Ele não tem uma postura ativa, ele não opina, não sugere, não recomenda. Sua postura é equidistante. · Audiência de justificação: é uma audiência realizada ainda na fase postulatória, com o objetivo de produzir provas orais aptas a evidenciarem o fumus boni iuris e o periculum in mora. Essas provas orais na fase postulatória objetivam comprovar o fumus boni iuris e o periculum in mora, ambos os requisitos que são indispensáveis para o deferimento de pedidos liminares. · Quando não se tem uma prova documental do fumus boni iuris e periculum in mora, se pode prová-lo por meio de testemunhas, que serão ouvidas na audiência de justificação. · Audiência de instrução e julgamento: · Audiência una: 12/03/2024: CUMULAÇÃO DOS PEDIDOS: também recebe o nome de cumulação objetiva, ou seja, cumulação de objetos. · Celeridade processual: Se houver dois pedidos dentro do mesmo processo, a possibilidade de julgá-los simultânea e mais rapidamente é maior do que se foram analisados em ações distintas. · Duração razoável do processo: A economia processual é de tempo e dinheiro. Dois ou mais pedidos cumulados dentro do mesmo processo, são julgados mais rapidamente e, por isso, geram economia de tempo. Da mesma forma, se existe a cumulação dos pedidos, há a economia de custas processuais. · Economia processual: A economia processual é de tempo e dinheiro. Dois ou mais pedidos cumulados dentro do mesmo processo, são julgados mais rapidamente e, por isso, gera economia de tempo. Da mesma forma, se existe a cumulação dos pedidos, há a economia de custas processuais. · Segurança jurídica: Dois pedidos cumulados e julgados pelo mesmo juiz, evita decisões contraditórias e conflitantes acerca dos pedidos conexos. · Efetividade processual: Este princípio tem relação direta ao resultado prático do processo, que atinge sua finalidade prática, dentro de um prazo razoável. Ruy Barbosa: “o judiciário deve analisar a pretensão/direito pretendido pelas partes, dentro de um prazo razoável, a evitar o perecimento deste direito”. EX: processo de idosos. Assim, a efetividade processual, no contexto da cumulação, é analisada quando se cumula pedidos, se garante a celeridade, economia (tempo e dinheiro) e, por isso, o processo tem maior probabilidade de ser efetivo, configurando o princípio da efetividade processual. Requisitos da cumulação de pedidos: · Pedidos conexos: Conexão dos pedidos são os pedidos que possuem identidade da causa de pedir, ou dos pedidos. São dois ou mais pedidos que decorrem de um mesmo contexto fático. · Identidade dos ritos: Os ritos dos pedidos também devem ser idênticos, senão os pedidos não podem ser cumulados. EX de pedidos conexos que não podem ter ritos conexos: Inventário, que tem rito especial de jurisdição contenciosa. O inventariante começa a agir de forma incompatível e outro herdeiro ajuíza ação de exigir contas. Embora o contexto fático seja o mesmo, o rito da ação de exigir contas é diferente do rito da ação de inventário. EX: em sucessões se tem duas espécies básicas – Legítima e testamentária. Legítima é regulada pelo CC, a testamentária precisa, previamente, da aprovação do testamento e, posteriormente, o inventário. A aprovação do testamento não pode ser cumulada/pedida dentro do processo de inventário, pois os pedidos não são conexos, já que o objeto do pedido de inventário é a partilha de bens e a aprovação testamentária é o mero reconhecimento da validade do testamento. · Mesmo juízo competente: O juízo deve ser competente para todos os pedidos cumulados. Não se pode cumular pedidos conexos que são julgados com pedidos distintos. Não se pode cumular um pedido da justiça cível estadual com a justiça cível federal, ou da justiça cível com a justiça trabalhista. Conforme determina o princípio da legalidade, a cumulação de ritos/cumulação objetiva exige a observância de requisitos legais obrigatórios e simultâneos. JUIZADOS ESPECIAIS: regidos pelo rito sumaríssimo. Foi criado para viabilizar julgamentos mais céleres e garantir maior acesso à justiça. O jesp resolve mais célere e dinamicamente as pretensões de menor valor e menor complexidade. JESP Estadual – Lei 9.099/95: Competência cível no jesp estadual é relativa (territorial). Demandas de até 40 salários-mínimos e de menor complexidade (que não necessitem de prova pericial, contudo, o perito pode ser ouvido como testemunha). Abarca matérias cível e penal. JESP Federal – Lei 10.256/2001: Competência cível no jesp federal é absoluta. Demandas de até 60 salários-mínimos que sejam de competência da justiça federal e demandas de menor complexidade, contudo, no jesp federal cabe perícia em demandas previdenciárias que exijam perícia médica. No jesp estadual cabe a ação de locupletamento ilícito. A ausência do demandado na audiência de conciliação, mesmo quando já apresentada a defesa, tem como consequência a decretação da revelia. IUS POSTULANDI, que vale tanto no jesp federal, quando estadual, em demandas de até 20 salários-mínimos, ou seja, o advogado é dispensável em 1ª instância. Sempre há a necessidade de advogado em 2ª instância. 19/03/2024: Competências. · Cível: já explanada. · Penal: contravenções penais e crimes de menor potencial ofensivo. Há possibilidade, no jesp estadual de transação penal, com todas as características que a seguem. Julga crimes de menor potencial ofensivo que seja de competência da justiça federal. Princípios: C.E.I.O.S · Celeridade processual: é princípio corolário ao princípio da duração razoável do processo. Processo célere é aquele que tem cumprimento dos atos processuais tanto pelas partes, quanto pelo magistrado e pela secretaria. Nesse sentido, a morosidade judicial é reflexo do tempo morto do processo, aquele tempo no qual ele fica parado na secretaria ou gabinete do juiz, sem o andamento adequado. O princípio é decorrente do cumprimento dos prazos próprios e impróprios, garantindoefetividade ao processo, ou seja, um resultado prático mais rápido, também chamada de justiça processual. Assim, conclui-se que não há justiça processual, quando a decisão proferida é ulterior ao perecimento do direito. · Economia processual: tem relação com economia de custo e tempo. O processo no jesp deve ser mais barato. Economia de custos por parte do jurisdicionado, ou seja, quem propõe uma ação no jesp não tem que pagar custas processuais e não pode ser condenado ao pagamento de honorários de sucumbência, justamente para garantir o acesso à justiça. · Informalidade: tem relação direta com a atermação. Assim, há uma flexibilização das regras formais para garantir maior acesso à justiça. Em demandas de até 20 salários-mínimos no jesp, o jurisdicionado poderá propô-la sem advogado. Ou seja, ele não precisa observar os requisitos formais da inicial, justamente para garantir maior acesso à justiça. Se alguém chega no jesp, sem advogado, e quer processar outrem, ele é direcionado para o setor de atermação, onde alguém vai reduzir a termo a pretensão narrada oralmente pelo jurisdicionado. · Oralidade: não tem relação direta com a celeridade. Tem finalidade distinta da celeridade. · Simplicidade: Gratuidade judiciária: · 1ª instância. Legitimidade processual: art. 8º: Não poderão ser partes, no processo instituído por esta Lei, o incapaz, o preso, as pessoas jurídicas de direito público, as empresas públicas da União, a massa falida e o insolvente civil. Por outro lado, podem ser partes: as pessoas físicas capazes, excluídos os cessionários de direito de pessoas jurídicas; as pessoas enquadradas como microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte; as pessoas jurídicas qualificadas como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público; s sociedades de crédito ao microempreendedor. Irrecorribilidade das decisões interlocutórias: Audiência de conciliação – Comparecimento obrigatório: Art. 20. Não comparecendo o demandado à sessão de conciliação ou à audiência de instrução e julgamento, reputar-se-ão verdadeiros os fatos alegados no pedido inicial, salvo se o contrário resultar da convicção do Juiz. Art. 23. Se o demandado não comparecer ou recusar-se a participar da tentativa de conciliação não presencial, o Juiz togado proferirá sentença. Não cabimento de Recurso Especial: súmula 203 STJ: Não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais. Não cabimento no JESP: · Ação monitória: · Ação de despejo: · Ações de família: Art. 3º O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas: I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo; II - as enumeradas no art. 275, inciso II, do Código de Processo Civil; III - a ação de despejo para uso próprio; IV - as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente ao fixado no inciso I deste artigo. §2º Ficam excluídas da competência do Juizado Especial as causas de natureza alimentar, falimentar, fiscal e de interesse da Fazenda Pública, e também as relativas a acidentes de trabalho, a resíduos e ao estado e capacidade das pessoas, ainda que de cunho patrimonial. 09/04/2024: CURATELA: Duas questões fundamentais: 1ª – diferenciar patrimônio material e direito existencial. Toda pessoa humana tem dois tipos de patrimônio protegidos juridicamente. Patrimônio material: bens de valor monetário. Patrimônio imaterial: direitos fundamentais, direitos da personalidade, que são, na verdade, indisponíveis, irrenunciáveis, personalíssimos. Eles não possuem natureza monetária, valor econômico. O patrimônio imaterial e um dos seus pilares é o direito à autodeterminação. Ele é corolário, tem relação direta ao direito fundamental de liberdade de escolha. Toda pessoa humana tem o direito de fazer suas escolhas individuais sem o Estado intervir, desde que não cause interferências no direito público. Exemplo: art. 15, CC. Toda pessoa tem o direito de escolher se quer ou não se submeter a um tratamento médico terapêutico. Toda pessoa que tem uma doença grave e precisa se submeter ao tratamento adequado, tem o direito de escolha, em submeter-se ou não. Exemplo: Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015). A referida legislação passou a tratar a pessoa com deficiência com mais dignidade, mais humanização. Tanto é verdade, que antes do estatuto, havia a ação de interdição. Depois dele, passou-se a adotar a ação de Curatela. Interdição: não é mais falada no CPC de 2015. Era o tipo de ação em que a pessoa interditada era declarada, pelo juiz, absolutamente incapaz de gerir o seu patrimônio material e imaterial. Na antiga ação de interdição a pessoa interditada virava uma coisa, a crítica é que a ação de interdição era um instrumento de coisificação da pessoa humana interditada. CURATELA: com o advento do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), não se fala mais em interdição. Fala-se, hoje, em Curatela. O curador é uma pessoa com legitimidade para gerir o patrimônio material, não o existencial, imaterial. Exemplo: pessoa com síndrome de down tem um curador nomeado judicialmente. Essa pessoa Curatelada pode se casar e ter filhos? SIM! Pois faz parte do patrimônio existencial. Uma pessoa com alto grau de autismo pode reivindicar o direito de ir à escola? SIM! Pois a escola é um patrimônio imaterial, existencial. *Excepcionalmente, o curador poderá gerir o patrimônio imaterial do curatelado, desde que seja para protegê-lo e desde que fique comprovado a impossibilidade do curatelado tomar alguma decisão a respeito disso. Exemplo: curatelado em coma que precisa de uma decisão para saber se vai ou não fazer uma cirurgia, é o curador quem vai decidir sua ocorrência ou não. Como o curatelado, comprovadamente não tem condições de tomar essa decisão, ela poderá efetivamente trazer benefícios. *O curador, no casamento da pessoa com síndrome de down, pode intervir no regime de bens. Ele pode requerer o regime de separação de bens. TODA CURATELA É JUDICIAL. Patrimônio material é composto por bens corpóreos e incorpóreos, móveis e imóveis e semoventes. Eles possuem valor econômico, monetário. Quando se nomeia um curador ele terá autonomia para gerir alguns bens do curatelado, via de regra, apenas os materiais. O curatelado em coma é uma exceção. 16/04/2024: Competência: é regida por regra de competência absoluta/exclusiva em razão da matéria ou da pessoa. JUSTIÇA FEDERAL NÃO TEM COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR AÇÕES DE CURATELA. A competência é da justiça estadual, do foro de domicílio do curatelando. Se na comarca houver vara especializada de família, a competência exclusiva (absoluta) será da vara de família, ou seja, ela é regida pela regra de competência absoluta em razão da matéria (vara especializada de família). Essa regra de competência é absoluta, ou em razão da pessoa do curatelando, ou da matéria. A justiça federal não tem competência para julgar curatela. Adota-se o rito especial de jurisdição contenciosa. Isso porque a ação de curatela é proposta em face do curatelando e ele tem o direito de contestar. Legitimidade: Quem pode propor e ser demandado em uma ação de curatela? · Ativa: normalmente são parentes. Filhos, pais, cônjuges. Quem não é parente pode requerer a curatela também, deve ser uma pessoa que tem interesse jurídico em requerer a curatela, ou seja, a necessidade de se nomear um curador que não é parente (interesse de agir). Isso é imprescindível para garantir a proteção do curatelando. Ex: Ministério Público. · Passiva: é o curatelando, a pessoa que se deseja interditar, a pessoa que se alega estar incapaz. O legitimado passivo tem direito de apresentar defesa, pois a curatela é um procedimento especial de jurisdição contenciosa. Um dos deveres do curador é o de cuidado. O segundo é o de prestar contas da gestão patrimonial do curatelado. Terceiro é o dever de pedir autorização judicial para requerer a alienação de bens do curatelado.*Deveres do curador: 1 – Cuidado; 2 – Prestação de contas da gestão patrimonial; 3 – Autorização judicial para alienação de bens do curatelado. Se o curador nomeado pelo juiz não cumprir com os deveres decorrentes da curatela, ele pode ser removido/substituído, sempre que deixar de cumprir com seus deveres legais. CURATELA PROVISÓRIA: é aquela determinada pelo juiz por meio da tutela antecipada (liminar). CURATELA DEFINITIVA: é aquela determinada pelo juiz por meio de uma sentença transitada em julgado. Toda curatela, provisória ou definitiva, será reversível. Porque a causa que acarretou a curatela pode deixar de existir. Uma curatela pode ser revertida quando a causa que a acarretou deixou de existir. Ex: pessoa que estava em coma durante quatro anos e acorda desse coma. A reversibilidade da curatela, provisória ou definitiva, depende de uma nova causa de pedir, de novos fatos, que ensejarão uma nova ação, que será distribuída por dependência. Com uma nova causa de pedir não se pode falar em relativização da coisa julgada. Se advier uma nova causa de pedir, novos fatos, há uma alteração no mundo fático e se pede a revogação da curatela, ou seja, sua desconstituição. O processo é distribuído por dependência. A relativização da coisa julgada é quando se faz uma alteração da causa de pedir DENTRO DOS MESMOS AUTOS. A morte do curatelado põe fim à curatela. Por sua vez, a morte do requerente ocasiona a substituição processual. *É ADMITIDO LITISCONSÓRCIO ATIVO FACULTATIVO NA CURATELA. É a chamada CURATELA COMPARTILHADA. Ex: dois filhos pedindo a curatela da mãe onde um cuida das questões patrimoniais e outro das questões pessoais. *Cabe litisconsórcio passivo facultativo, desde que haja fundamento para pedir a curatela de mais de uma pessoa. Ex: filho que pede a interdição do pai e da mãe. A curatela se divide em curatela provisória e definitiva. A provisória é via tutela antecipada e a definitiva é via sentença transitada em julgado. TODA CURATELA É REVERSÍVEL. O fato que ensejou a curatela poderá ser revertido a qualquer tempo. Se durante o processo de curatela o demandado (curatelando) morre, o processo perde o objeto e é extinto sem resolução do mérito. Contudo, se durante o processo o demandante morre, o processo não é extinto, mas sim ocorrerá a substituição processual. ***NÃO EXISTE CURATELA DE MENOR INCAPAZ. SÓ SE PEDE A CURATELA DE PESSOA MAIOR INCAPAZ. EM CASO DE SE TRATAR DE MENOR INCAPAZ SE PEDE A TUTELA. A tutela só pode ser pedida por quem não tem poder familiar. É uma ação proposta quando há destituição/perda ou extinção do poder familiar. A diferença da tutela para a guarda é que, na ação de guarda, os pais continuam a exercer o poder familiar e o guardião assume a responsabilidade pelos cuidados do menor, mas sem exercer o poder familiar. Na ação de tutela, o tutor assume o poder familiar, haja vista os pais não mais o exercerem. Em caso de morte dos pais, deve ser proposta a ação de tutela, haja vista não haver mais o exercício do poder familiar pelos genitores. · Causa de pedir: fatos e fundamento jurídicos que ensejam a ação. Fundamentos jurídicos estão previstos no Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015). Nos fundamentos fáticos deve-se provar a incapacidade civil do demandado. · Quem propõe a curatela deve provar os fatos constitutivos do seu direito. Deve-se provar a incapacidade civil do demandado através de prova documental (laudos médicos, prontuário do paciente em caso de coma) que deve atestar minimamente a incapacidade civil. · A incapacidade civil pode ser atestada por questões físicas e/ou psíquicas. · A inicial deve ser instruída com documentos que comprovem minimamente a incapacidade civil. · Se as provas documentais forem suficientemente robustas, o juiz julgará a lide só através das provas documentais e não precisará de perícia médica. A perícia médica só será necessária como prova complementar, quando os documentos não provarem, robustamente, a incapacidade, ou seja, a perícia médica é uma prova complementar das provas documentais. · Fase instrutória – perícia judicial: a audiência de interrogatório e a inspeção judicial integram a fase instrutória da ação de curatela, que tem relação com a causa de pedir. A distinção do rito especial da curatela é a obrigatoriedade de o juiz designar uma audiência de interrogatório. · Audiência de interrogatório: tendo em vista que a curatela é um procedimento especial de jurisdição contenciosa, há a obrigatoriedade de uma audiência de interrogatório. Nesta audiência de interrogatório, intima-se o curatelando para comparecer ao fórum, a fim de que possa interrogá-lo. Serve para o juiz apurar/atestar, presencialmente, se o curatelando tem ou não capacidade civil. · Inspeção judicial: se o demandado não puder ir ao fórum o juiz deverá fazer a inspeção judicial. A inspeção judicial é uma prova conduzida/realizada diretamente pelo magistrado, quando ele vai ao local dos fatos para constatar, in lócuo, se a pessoa demandada é ou não incapaz. SENTENÇA: Constitutiva – cria, modifica, ou extingue direitos. Na curatela ela modifica direitos. Efeito ex nunc. · Natureza jurídica: a sentença na ação de curatela tem natureza jurídica constitutiva (cria, modifica ou extingue direitos). Ela modifica direitos, modificando a capacidade civil do curatelado. · Efeitos: tem efeito ex nunc. Produz efeitos a partir do momento em que é proferida, não se limitando a declarar uma incapacidade preexistente da pessoa, mas, também, a constituir uma nova situação jurídica de sujeição do interditado à curatela. 30/04/2024: 1. Prova pericial (perícia médica): sua necessidade dependerá da demonstração, por meio das provas documentais, que instruíram a inicial e se demonstram a incapacidade civil. Só terá a necessidade de perícia se as provas documentais da inicial forem insuficientes para comprovar os fatos alegados. A perícia NÃO é prova absoluta. O juiz pode dispensar a perícia e substituí-la pela inspeção judicial, onde ele confirmará a existência e veracidade ou não dos documentos que instruíram a inicial. 2. Tutela Antecipada de Curatela Provisória: tutela provisória de urgência precisa da demonstração do fumus boni juris (juízo de plausibilidade) e periculum in mora (risco iminente de dano). Cognição sumária, baseada em prova indiciária e em juízo de probabilidade. Havendo indícios da incapacidade civil, há a evidência indiciária do direito e configuração do fumus boni juris. Por sua vez, comprovado o risco iminente de dano à interdição da pessoa, comprova-se o periculum in mora. Também deve-se comprovar a reversibilidade da tutela, ou seja, que é possível, após concedida, a sua reversão. Se ela é provisória, ela poderá ser revertida/revogada a qualquer tempo. *QUALQUER CURATELA, SEJA ELA DEFINITIVA OU PROVISÓRIA, É REVERSÍVEL, SE O FATO QUE A ORIGINOU DEIXAR DE EXISTIR (NOVA CAUSA DE PEDIR – ALTERAÇÃO NO MUNDO FÁTICO). 3. Pedidos e requerimentos: 1. deve-se pedir a citação do curatelando para apresentação de defesa no prazo legal. 2. Designação de audiência de interrogatório. 3. Prova pericial, se necessário. 4. Inspeção judicial. 5. Produção de outras provas consideradas necessárias aos esclarecimentos das questões controversas. 6. Em caso de haver pretensão resistida (lide) pode-se pedir condenação em honorários. 7. Gratuidade judiciária, desde que o demandante seja hipossuficiente. 4. Valor da causa: valor da causa será, via de regra, de um salário-mínimo, valor estimado, para fins de alçada, meramente fiscais. 5. Defesa: contestação é a defesa e a forma pela qual o curatelando tem de resistir à pretensão deduzida. Após apresentada a defesa, ela torna litigiosa a coisa. Havendo revelia será nomeado ao curatelando um curador especial, cuja linha de defesa será o requerimento de provas que comprovem ou não que o curatelando é incapaz. A revelia não gera, automaticamente, a procedência do pedido, apenas o fará se o autor provar os fatos por ele alegados. 14/05/2024: MANDADO DE SEGURANÇA: lei 12.016 – Rito especial:é uma ação constitucional, também considerada por alguns autores como uma garantia constitucional. É regulamentado pela lei 12.016/2009 e essa lei estabelece o rito especial da ação do mandado de segurança. · Objeto – direito líquido e certo: o objeto do mandado de segurança é a proteção de direito líquido e certo, não amparado por HC ou HD. Para caber mandado de segurança, o direito líquido e certo deve ser violado por um agente público, ou por um agente privado, que ocupe algum cargo de gestão em uma instituição que presta serviço de natureza pública. Só cabe mandado de segurança contra pessoa física, porque quem viola direito líquido e certo tem que ser uma autoridade coatora. NUNCA SE TEM NO POLO PASSIVO DO MANDADO DE SEGURANÇA UMA PESSOA JURÍDICA. O mandado de segurança será impetrado em face da autoridade coatora que violou o direito líquido e certo. Autoridade coatora deve ser uma autoridade pública ou um agente privado que exerça um cargo de gestão em uma instituição que presta serviços de natureza pública. O prazo para ser impetrado o mandado de segurança é de 120 dias, a contar da comprovação documental da violação do direito líquido e certo. NÃO CABE CUMULAÇÃO DE PEDIDOS no mandado de segurança, pois as perdas e danos exigiriam a produção de provas. Nesse sentido, para tanto, caberia ação de obrigação de fazer c/c perdas e danos e pedido de tutela antecipada. NÃO TEM DILAÇÃO PROBATÓRIA no mandado de segurança. · Liminar inaudita altera partes: liminar concedia antes da citação do impetrado. Não viola o princípio do contraditório, contudo, ele será exercido em momento posterior a citação e ao deferimento da liminar. No mandado de segurança pode ser concedida uma liminar considerada irreversível, se houver risco iminente de morte ou violação de direito fundamental. 21/05/2024: · Competência: a competência do MS é definida a partir da identificação de quem é a autoridade coatora. Se a autoridade coatora for uma pessoa da administração pública municipal ou estadual, a competência será da justiça estadual. Por outro lado, se a autoridade coatora estiver vinculada à União ou algum ente federal, a competência será da justiça federal. Também cabe MS na Justiça do Trabalho, se a autoridade coatora for alguém vinculado as questões trabalhistas. Também cabe MS na Justiça Eleitoral, desde que o direito líquido e certo violado envolva questões eleitorais. · Legitimidade: no polo ativo do MS pode-se ter tanto pessoa física, quanto pessoa jurídica. Cabe litisconsórcio ativo facultativo no MS. NÃO SE ADMITE LITISCONSÓRCIO ATIVO NECESSÁRIO, POIS VIOLA O PRINCÍPIO DO CONTROLE JURISDICIONAL. Só pode ter litisconsórcio ativo no MS se o direito líquido e certo violado pertencer a todos os litisconsortes. Legitimidade passiva: quem está no polo passivo do MS é a autoridade coatora. É aquela que violou o direito líquido e certo, que praticou o ato ilícito que culminou na violação do direito líquido e certo. A autoridade coatora não poderá ser uma pessoa jurídica, SEMPRE SERÁ UMA PESSOA FÍSICA. A autoridade coatora normalmente é um agente público, mas não só o servidor publico poderá ser a autoridade coatora. Equipara-se a agente público, para fins de MS, pessoas físicas que exercem cargos de gestão em instituições privadas que prestam serviços de natureza pública. Ex: instituições privadas de ensino, quando há cabível um MS contra diretor de uma faculdade quando há a violação de um direito líquido e certo. Ex: ONG’s, Hospitais privados. Cabe litisconsórcio passivo FACULTATIVO no MS. Os litisconsortes precisam ser solidariamente responsáveis pela violação do direito líquido e certo. · Causa de pedir – não tem dilação probatória: a causa de pedir do MS é a alegação e a comprovação da violação do direito líquido e certo. O direito líquido e certo violado OBRIGATORIAMENTE deve ser provado de forma documental. Assim, a prova da violação do direito líquido e certo deve ser pré-constituída, pois não se admite produção de provas no MS. Por ser um rito especial, previsto em legislação específica, uma das peculiaridades no MS é a necessidade de se ter a prova documental da violação do direito líquido e certo pré-constituída, haja vista o próprio rito específico não admitir a instrução probatória. *Pode-se pedir gratuidade judiciária, desde que se comprove a hipossuficiência. · Pedidos e requerimentos: Citação; Liminar; Procedência do pedido. · Não pede produção de provas, nem audiência. *Não tem condenação em honorários de advogado no mandado de segurança – SÚMULA 512/STF. *Tem que pagar as custas processuais no mandado de segurança. 28/05/2024: · Valor da causa: valor monetário utilizado como referencial para calcular custas e despesas processuais. O principal critério para definir o valor da causa é o valor específico do próprio processo. Esse valor determinado é utilizado como valor da causa. Existem demandas onde não se encontra o valor monetário específico, como, por exemplo, no mandado de segurança. A maioria dos mandados de segurança não tem um valor específico do direito líquido e certo violado. Quando não tem essa quantificação monetária do direito líquido e certo violado, o valor da causa será um valor estimado, também chamado prospectivo. Pode ser um valor que o impetrante estipula. Normalmente a doutrina e a jurisprudência recomendam ser um valor oficial, em regra, um salário-mínimo. · Defesa: o impetrado, autoridade coatora, é quem apresenta a defesa. As duas principais teses de defesa no MS são: · já passou o prazo de 120 dias da violação do direito líquido e certo, terá uma sentença de mérito improcedente; · a segunda matéria a ser alegada é a ausência de comprovação documental do direito líquido e certo violado. A prova do direito líquido e certo violado deve ser documentalmente pré-constituída e, se não for demonstrada, o MS deve ser julgado improcedente (NÃO CABE DILAÇÃO PROBATÓRIA NO RITO DO MANDADO DE SEGURANÇA, POIS A PROVA DA VIOLAÇÃO DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DEVE SER DOCUMENTAL E PRÉ-CONSTITUÍDA AO MOMENTO DO AJUIZAMENTO DO MS). AÇÕES POSSESSÓRIAS Propriedade é o direito real (fundamental) de usar, gozar, fruir e dispor da coisa. Uso; Gozo; Fruição e Disposição. Usufruto é outro direito real, onde o dono/proprietário transfere temporariamente ao usufrutuário três dos quatro elementos da propriedade, quais sejam uso, gozo e fruição da coisa. É possível que o proprietário dado em usufruto venda (disponha) a nua propriedade (propriedade apenas com o atributo da disposição). Usuário só tem uso e gozo, não há fruição e disposição. *O uso, como direito real, deve ser feito por escritura pública. · Posse e detenção: Posse não é um direito real. A posse é definida como um estado de fato, ou seja, o possuidor poderá usar, gozar, às vezes fruir do imóvel, sem ter o direito real sobre ele, se ele foi apenas possuidor. O possuidor não detém direito real pois, se esse possuir for um usufrutuário, ele tem um direito real. Estado de fato exercido por alguém possuidor que usará e gozará do bem, sem estar subordinado ao dono/proprietário. A característica básica da posse é que o possuidor usa e goza do bem, sem estar subordinado ao dono. A detenção ocorre quando o detentor usa e goza do bem, com subordinação ao dono/proprietário. Na posse, o possuidor usará e gozará do bem, sem estar subordinado ao dono, na detenção, o detentor usa e goza do bem, porém, subordinado ao dono/proprietário. 04/06/2024: · Espécies de posse: · Legítima e ilegítima: legítima é a posse exercida nos limites legais. Ex: posse ad usucapionem ou posse com animus damni. Pois o possuidor que age como se dono fosse está cumprindo a função social da propriedade. A função social da propriedade privada urbana e rural – rural: cumprir a legislação ambiental, combater o trabalho escravo, gerar emprego, movimentar a economia, fomentar a arrecadação tributária, ou seja, é um rompimento do caráter absoluto da propriedade privada. A função social da propriedade privada urbana é cumprir o plano diretor de cada município. Planodiretor é uma legislação municipal que define quais bairros serão comerciais, residenciais, onde será a área industrial. Não existe posse ad usucapionem quando há contrato de comodato, pois o detentor usa e goza da propriedade com subordinação ao dono/comodante/proprietário. POSSE ILEGÍTIMA: é exercida fora dos ditames legais. Ela pode ser considerada uma posse ilícita. · Violenta: é adquirida por meio de uso da força física. Exemplo: quando o MST usa força física para invadir uma propriedade produtiva. Invasão é o uso da força física para se tornar possuidor de uma propriedade produtiva, é ato ilícito. MST usa da força física para ocupar uma propriedade rural comprovadamente improdutiva, é ocupação e é ato lícito. Via de regra, o uso da violência na invasão da propriedade produtiva é ato ilícito, mas a força pode ser utilizada de forma lícita para ocupar uma propriedade improdutiva. · Clandestina: é exercida na surdina, na clandestinidade. É uma posse ilegítima, que não é adquirida por meio de força, é adquirida na clandestinidade, maliciosamente. · Precária: é uma posse ilícita, ilegítima. É decorrente da extinção do contrato de comodato, quando o comodatário, após a extinção do contrato de comodato, se recusa e não devolve a coisa emprestada ao comodante. *Dano moral é um ato ilícito doloso ou culposo, contrário a um direito fundamental ou direito da personalidade, cujos efeitos jurídicos se prolongam no tempo. *Mero aborrecimento 11/06/2024: · Esbulho (perda da posse) – reintegração de posse: é a perda da posse. Menos de ano e dia da prática do esbulho pode-se pedir a liminar – Posse nova – segue rito especial. Mais de ano e dia não se pede a liminar, segue o rito comum – posse velha. A sentença que julga procedente o pedido de reintegração de posse tem natureza mandamental. Se a ordem determinada na sentença for descumprida, deve ser acionada a força da Polícia Militar para efetivar seu devido cumprimento. · Turbação (perturbação da posse) – manutenção de posse: o objeto é a turbação, que é a perturbação/incômodo da posse. Não se perde a posse, mas é incomodado. Ex: igreja evangélica e bar na esquina do prédio com música ao vivo. Se a turbação for a menos de ano e dia cabe limiar e o rito é especial – turbação nova. Turbação a mais de ano e dia não cabe liminar, o rito é comum – turbação velha. *Se pedir liminar mais perdas e danos adota o rito comum. Se não for pedir a liminar, em qualquer hipótese, será rito comum. · Interdito proibitório (ameaça da posse): visa coibir uma ameaça concreta à posse, não uma ameaça abstrata. Objetiva a cessação da ameaça da posse. A ameaça sempre precisa ser recente. Cabe liminar e o rito, se cabe liminar, é especial. Mas se tiver perdas e danos vai para o rito comum. A sentença tem natureza mandamental, com obrigação de não fazer. *Legítima defesa da posse – desforço imediato. É o uso proporcional da força para proteger a posse. · Imissão de posse – torna-se possuidor: *Princípio da fungibilidade aplica-se às quatro ações possessórias acima mencionadas. · Dano infecto – saúde pública: SENTENÇA DECLARATÓRIA: o juiz declara a existência ou inexistência de uma relação jurídica. A falsidade ou autenticidade de um documento. A sentença declaratória é aquela, por meio da qual o juiz reconhece no âmbito jurídico algo que já existia no mundo dos fatos. É aquela que o juiz reconhece para o universo jurídico algo que já era reconhecido no mundo fático. Tem efeitos ex tunc (retroage a data dos fatos declarados). Sentença declaratória de paternidade. SENTENÇA CONSTITUTIVA: É aquela que cria, modifica ou extingue direitos. Altera uma situação jurídica pré-existente. Exemplo: sentença de divórcio, sentença de usucapião. Tem efeitos ex nunc (produz efeitos a partir do momento em que foi proferida). SENTENÇA CONDENATÓRIA: é aquela que determina o cumprimento de uma obrigação de pagar quantia certa. Se descumprida poderá ser executada e a execução permite a expropriação de bens do devedor como forma de satisfação do crédito. SENTENÇA MANDAMENTAL: Determina o cumprimento de uma obrigação de fazer ou não fazer. Normalmente vem acompanhada de uma multa, chamada de astreintes, as quais são multas de caráter coercitivo que determina o cumprimento de uma obrigação de fazer ou não fazer. Se a sentença mandamental não for cumprida e a pessoa não pagar a multa, se terá a chamada conversão em perdas e danos. Exemplo sentença que determina a retirada de nome do SPC. Exemplo: sentença que manda plano de saúde custear cirurgia. SENTENÇA EXECUTIVA LATO SENSU: É aquela sentença que determina o cumprimento de uma obrigação de entregar coisa (certa ou incerta). Se não cumprida o juiz poderá determinar a busca e apreensão da coisa. Se a coisa a ser apreendida tiver perecido converte-se em perdas e danos. SENTENÇA CITRA PETITA: é aquela sentença, a qual é julgado aquém do que foi pedido. O juiz deixa de julgar algo que foi pedido. Há a chamada “negativa da jurisdição”. O juiz de omite quanto ao julgamento de um dos pedidos. Recurso cabível é o de Embargos de Declaração, dirigido ao próprio juiz que julgou o caso e nesse recurso se pede que o juiz sane sua omissão, julgando o que deixou de ser julgado. SENTENÇA ULTRA PETITA: é aquela sentença, a qual tem um pedido certo, determinado e quantificado monetariamente, mas o juiz interpreta de forma extensiva o pedido feito. Recurso cabível é o de apelação. SENTENÇA EXTRA PETITA: é aquela sentença, a qual o juiz julga fora dos pedidos, reconhece algo que não foi pedido. O recurso cabível é o de Apelação para reformar a decisão.