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A água na atmosfera Vapord’água (H2O): Variável atmosférica que se origina da superfícieterrestre. O vapord’água é o principal elemento na formação das nuvens e das diversas formas de precipitação. Fonte: Evapotranspiração O teor de vapor d´água na atmosfera varia de 0 a 4% do volume de ar. Isso quer dizer que em uma dada massa de ar, o máximo de vapor d´água que ela pode reter é 4% de seu volume: • Caso a umidade corresponda a 0% do volume de ar AR SECO •Caso a umidade corresponda a um valor entre 0% e 4% do volume de ar AR ÚMIDO •Caso a umidade corresponda a 4% do volume de ar AR SATURADO Ar Saturado: quando a taxa de escape de moléculas de água de uma superfície líquida para o ar se iguala à taxa de retorno de moléculas de vapor d´água do ar para a superfície líquida. Essa taxa é dependente da temperatura do sistema, a qual determina a capacidade máxima de vapor d´água que o ar pode reter. Definições Manômetr o Ar seco Água Ar Saturado Ar Saturado 14 g de vapor/kg de ar úmido 26,5 g de vapor/kg de ar úmido A figura a seguir ilustra esse processo, mostrando um sistema fechado, a 20ºC, no qual em (a) têm- se o ar seco. À medida que a evaporação ocorre, a pressão exercida pelo vapor d´água aumenta (b = ar úmido), até se atingir a condição de saturação para essa temperatura (c). Caso haja o aumento da temperatura do sistema, a capacidade máxima de retenção de vapor do ar aumenta, como mostra a figura (d). De acordo com a lei de Dalton, a pressão atmosférica (Patm) é igual à soma das pressões parciais exercidas por todos os constituintes atmosféricos. Isso pode ser representado por: Patm = PN + PO + ... + PCO2 + PO3 + PH2Ov Resumindo: Patm = PAr Seco +PH2Ov Pressão de Vapor Umidade relativa Umidade relativa É a razão (para uma dada temperatura do ar, num dado momento e numa dada localidade) entre a quantidade de vapor d’água contida na atmosfera e a quantidade de vapor que o ar poderia suportar se estivesse saturado. É expressa emporcentagem. A umidade relativa expressa o quanto o ar está próximo da sua saturação para uma dada temperatura. A pressão parcial exercida pelo vapor d´água (PH2Ov) é simbolizada pela letra “e”. Para a condição de saturação, ou seja, para o máximo de vapor d´água que o ar pode reter, utilizamos o símbolo “es” e para a condição de ar úmido, ou seja, para a condição real de vapor d´água no ar, utilizamos o símbolo “ea”. Portanto, para chegarmos à umidade relativa (UR, em %), teremos a seguinte equação: UR = (ea / es) * 100 “ea” e “es” são expressos em unidade de pressão (atm, mmHg, mb, hPa ou kPa) 1 atm = 760 mmHg = 1013,3 mb = 1013,3 hPa = 101,33kPa Umidade Relativa Variação da umidade relativa do ar A variação da umidade relativa do ar pode ocorrer através de doisprocessos: Aumento ou diminuição da temperatura do ar, mantendo- se a quantidade de vapor d’água e a pressão do ar constantes. Aumento ou diminuição da quantidade de vapord’água, mantendo-se a temperatura do ar e a pressão do ar constantes. Temperatura do ponto de orvalho: Temperatura do ar para a qual a atmosfera atinge o ponto de saturação, sendo resfriada mantendo-se a quantidade de vapor d’água e a pressão do ar constantes O gráfico psicrométrico expressa a relação positiva entre a temperatura do ar e a pressão de vapor, mostrando quanto de vapor o ar pode reter para cada nível de temperatura do ar. A curva que mostra a relação entre Tar e “es” pode ser expressa pela seguinte equação: es = 0,611 * 10 [(7,5*Tar)/(237,3+Tar)] (kPa) Essa equação é denominada de Equação de Tetens e com ela pode-se determinar o valor de es para qualquer temperatura do ar. Caso se deseje calcular es em outras unidades, o valor 0,611 deve ser substituído por 4,58 para mmHg ou 6,11 para milibar (mb). O exemplo a seguir mostra a variação de es ao longo do dia, representado por dois horários (7h e 14h): 7h Tar = 16oC es = 0,611 * 10 [(7,5*16)/(237,3+16)] = 1,82 kPa 14h Tar = 28oC es = 0,611 * 10 [(7,5*28)/(237,3+28)] = 3,78 kPa Além da umidade relativa (UR), o conhecimento da pressão real e de saturação de vapor d´água no ar nos fornece outras informações bastante importantes: Déficit de saturação do ar e = es – ea (kPa) Temperatura do Ponto de Orvalho Td (ºC) = (237,3 * Log ea(kPa)/0,611) / (7,5 – Log ea(kPa)/0,611) Razão de Mistura w = (0,622 * ea(kPa)) / (Patm(kPa)– ea (kPa)) (g de vapor / g de ar) UmidadeAbsoluta UA = 2168 [ea(kPa) / (273 + Ts(ºC))] (g/m3) Umidade de Saturação US = 2168 [es(kPa) / (273 + Ts(ºC))] (g/m3) Exemplo: Em uma estação climatológica foram medidas a pressão atmosférica em 100 Kpa, a temperatura do ar em 20oC e a temperatura do ponto de orvalho em 16oC. Calcular a pressão de vapor de saturação, a pressão de vapor real, a umidade relativa do ar, o déficit de saturação, a razão de mistura e as umidades absoluta e relativa. Variação diurna da umidade do ar A umidade relativa do ar registra seus menores valores diurnos quando a temperatura é máxima. Isto ocorre porque o ar quente, expandido, está mais afastado da saturação, comportando mais vapor. Os maiores valores diurnos de umidade relativa são registrados quando a temperatura do ar é mínima, pois o ar frio, mesmo não retendo muito vapor d’água, mantêm a atmosfera próxima dasaturação. Variação temporal da umidade do ar - escala diária Piracicaba, 14/08/2004 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 101112131415161718192021222324 Horário T s ( o C ) 0 20 40 60 80 100 120 U R (% ) Ts UR Piracicaba, 14/08/2004 2,0 2,5 3,0 3,5 1,5 1,0 0,5 0,0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horário P re s s ã o d e v a p o r (k P a ) es ea Variação temporal da umidade do ar - escala anual J F M A M J J A S O N D Mês M é d ia m e n s a l d a U R (% ) Piracicaba, SP Manaus, AM Variação Anual da UR (%) 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 Brasília, DF 0 Na escala anual, a UR média mensal acompanha basicamente o regime de chuvas, pois havendo água na superfície haverá vapor d´água no ar. Observa-se na figura abaixo que nas três localidades analisadas, a UR média mensal é maior na estação chuvosa e menor na estação seca. No entanto, em Manaus a UR é sempre maior que nas duas outras localidades, devido à estação seca ser mais curta e menos intensa. Em Piracicaba e em Brasília, a UR média mensal é praticamente igual na estação chuvosa, porém menor em Brasília na estação seca, o que se deve ao fato da estiagem ser muito mais intensa e prolongada nessa região do que em Piracicaba. Massas de ar “... Porções de ar atmosférico que possuem razoável homogeneidade na distribuição das propriedades termodinâmicas, notadamente temperatura eumidade.” (Oliveira et al., 2001) PROPRIEDADES Temperatura Quente Fria Umidade Seca úmida OUTRAS CARACTERISTICAS Profundidade Rasa Profunda Estabilidade Estável Instável Massas de ar As massas de ar são formadas em regiões específicas denominadas de regiões fonte, de acordocom as característicasde suas superfícies. As principais regiões fontes são aquelas nas quais predominam circulações anticiclônicas. REGIÃO GEOGRÁFICA TIPO DE SUPERFÍCIE Polar Ártica ou Antártica Tropical Equatorial Marítima Continental Massas de ar As principais massas que atuam na América do Sul são: mE cE cT mT mP Equatorial marítima (quente e úmida)Equatorial continental (quente e úmida) Tropical marítima (amena e condicionadora de estabilidade e pouca precipitação) Tropical continental (quente e seca) Polar marítima (fria e seca) Massas de ar Quando ocorre o encontro de duas massas de ar, elas não se misturam imediatamente. A massa mais fria (mais densa) é sobreposta pela massa mais quente (menos densa), formando uma zona de transição, denominadade frente. Frentes Frente Fria Frente Quente Se a massa fria avança em direção à massa quente, a frente é denominada FRIA Se a massa quente avança em direção à massa fria, a frente é denominada QUENTE As frentes frias e quentes ocorrem concomitantemente, variando apenas no espaço. Frentes fria e quenteno Hemisfério Norte Frentes fria e quenteno Hemisfério Sul Ar Frio Ar Quente FF Ar Frio FQ Ar Frio Ar Quente Ar Frio FQ FF Ar Frio Ar Quente A América do Sul, devido ao seu formato, sofre a influência predominante das FFs. As FQs situam-se predominantemente sobre o OceanoAtlântico. A frente fria provoca a ocorrência de chuvas durante a passagem do sistema frontal e queda na temperatura. A frente quente promovem chuvas amenas antes da passagem do sistema frontal e logo após aumento da temperatura Frente fria e quente na Região Sul do Brasil Observe a FF no continente e a FQ no oceano Neste detalhe vemos as chuvas provocadas por esse sistema frontal A figura a seguir mostra uma frente fria e uma frente quente sobre a região S e SE do Brasil. A área branca corresponde à nebulosidade, formada devido à ação das frentes. Chuvas Frontais ou ciclônicas Características das chuvas frontais Distribuição: generalizada na região Intensidade: fraca a moderada, dependendo do tipo de frente Predominância: sem horário predominante Duração: média a longa (horas a dias), dependendo da velocidade de deslocamento da frente. Tipos de Precipitação Chuvas Orográficas Ocorrem em regiões onde barreiras orográficas forçam a elevação do ar úmido, provocando convecção forçada, resultando em resfriamento adiabático. Chuva Orográfica Exemplo do efeito orográfico na Serra do Mar, no Estado de São Paulo Santos – P = 2153 mm/ano Cubatão – P = 2530 mm/ano Serra a 350m – P = 3151mm/ano Serra a 500m – P = 3387mm/ano Serra a 850m – P = 3874mm/ano S.C. do Sul – P = 1289 mm/ano Tipos de Precipitação Precipitações Convectivas Precipitações resultantes da ascensão rápida de massas de ar na atmosfera. As elevação das massas de arocorre porcausa da convecção térmica. Pode formarnuvens de grande desenvolvimentovertical. Chuva Convectiva Características das chuvas convectivas Distribuição: localizada, com grande variabilidade espacial Intensidade: moderada a forte, dependendo do desenvolvimento vertical da nuvem Predominância: no período da tarde/início da noite Duração: curta a média (minutos a horas) Precipitação É a descarga líquida ou sólida que se abate sobre a superfície terrestre, resultante da condensação do vapor d’água atmosférico e coalescência. Formas da precipitação: Chuvisco/garoa (0,1