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B
ATE A
 SIN
ISTRO
PROGRAMAS DE PREVENÇÃO, 
PROTEÇÃO EM MÁQUINAS E 
EQUIPAMENTOS E PREVENÇÃO E 
COMBATE A SINISTRO
Programas de prevenção, 
proteção em máquinas 
e equipamentos e 
prevenção e combate a 
sinistro
Claudiane Ribeiro Balan
Flávio Augusto Carraro
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 Carraro, Flavio Augusto
C313p Programas de prevenção, proteção em máquinas 
 e equipamentos e prevenção e combate a sinistro /Flavio 
 Augusto Carraro, Claudiane Ribeiro Balan – Londrina: 
 Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2015.
 205 p.
 ISBN 978-85-8482-124-2
1. Legislação. 2. Prevenção. I. Balan, Claudiane Ribeiro. 
II. Título.
 CDD 614.852
© 2015 por Editora e Distribuidora Educacional S.A
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida 
ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, 
incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e 
transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora 
Educacional S.A.
Presidente: Rodrigo Galindo
Vice-Presidente Acadêmico de Graduação: Rui Fava
Diretor de Produção e Disponibilização de Material Didático: Mario Jungbeck
Gerente de Produção: Emanuel Santana
Gerente de Revisão: Cristiane Lisandra Danna
Gerente de Disponibilização: Everson Matias de Morais
Editoração e Diagramação: eGTB Editora
Sumário
Unidade 1 | O estudo de métodos e processos e a indústria da construção 
civil
Seção 1 - Segurança do trabalho em instalações industriais da 
construção civil 
1.1 | História da segurança na construção civil 
1.2 | A realidade brasileira e a legislação regulamentar
1.3 | Questões orçamentárias
Seção 2 - PCMAT
2.1 | Obrigatoriedade
2.2 | Elaboração do PCMAT
2.3 | Outros documentos complementares 
Seção 3 - Métodos e processos de trabalho
3.1 | Aspectos políticos da construção civil
3.2 | Aspectos práticos da construção civil
3.3 | EPIs
Unidade 2 |Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem 
e manuseio de materiais
Seção 1 - Trabalhos em altura 
1.1 | Objetivos das normas NR-18 e a NR-35 e aplicação nos ramos das atividades 
econômicas 
1.2 | Determinação de responsabilidades
 1.2.1 | Responsabilidade do empregador
 1.2.2 | Responsabilidade do trabalhador
1.3 | Capacitação 
1.4 | Planejamento, organização e execução do trabalho em altura
1.5 | Procedimentos para prevenção e o uso de Proteção Individual, Coletiva e 
seus acessórios para o trabalho em altura
1.6 | Situações de emergência e salvamento em trabalhos em altura
Seção 2 - Introdução aos aspectos históricos das normativas 
referentes ao transporte, movimentação, armazenagem e manuseio 
de materiais e as normas relacionadas
2.1 | CLT, NR-11 E NR-18
2.2 | Riscos comuns no transporte e movimentação de carga e o suporte dado 
pela NR-11 E NR-18
2.3 | Outros cuidados especiais para operação de elevadores, guindastes, 
transportadores industriais e máquinas transportadoras 
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Seção 3 - Proteções coletivas em equipamentos em transporte, 
movimentação 
3.1 | Plataformas de proteção 
3.2 | Poço de elevador
3.3 | Abertura do piso 
3.4 | Periferia da obra
 3.4.1 | Sistema do Guarda-Corpo e Rodapé (GCR)
 3.4.2 | Sistema de proteção com estrutura metálica ou cabo de aço
3.5 | Talude de escavação 
3.6 | Linhas de vida
3.7 | Andaimes 
 3.7.1 | Andaimes apoiados, fachadeiros e móveis
 3.7.2 | Andaimes suspensos
3.8 | Elevadores 
 3.8.1 | Elevadores de material passageiro
 3.8.2 | Elevadores de material
 3.8.3 | Elevadores de passageiros
3.9 | Gruas
Seção 4 - Proteções coletivas no canteiro e armazenagem e 
manuseio de materiais
4.1 | Instalações elétricas
4.2 | Organização do canteiro
4.3 | Uso de EPI
4.4 | Gerenciamento de terceiros
4.5 | Armazenagem e Estocagem de Materiais
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Unidade 3 | Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Seção 1 - Legislação e Normas 
Seção 2 - Teoria do fogo, incêndio e explosivos
2.1 | O fogo e a sua influência nos hábitos humanos 
 2.1.1 | Do que é feito o fogo?
 2.1.2 | Qual a relação entre ignição, comburente e combustível?
 2.1.3 | Defininfo o que é fogo
 2.1.4 | O que é incêndio
 2.1.4.1 | Flashover
 2.1.4.2 | Backdraft
 2.1.4.3 |Ignição por fumaça
2.2 | Explosivos
 2.2.1 | Explosivos e suas características peculiares
 2.2.2 | Definindo explosão
 2.2.3 | Profissionais de Segurança do Trabalho, sua atuação e gerenciamento 
em riscos associados a explosões
 2.2.4 | Norma regulamentadora Nº 19 - Explosivos
 2.2.5 | Classificações dos produtos perigosos e a segurança do trabalho 
Seção 3 - Classificação de fogo/incêndio e agentes de extinção
3.1 | Classes de incêndio/fogo
3.2 | O que são agentes extintores? 
3.3 | Agentes extintores
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Seção 4 - Programas de proteção contra incêndio e pânico/planos 
de emergência
4.1 | Plano de Emergência/Prevenção
 4.1.1 | A identificação de risco em incêndios e prevenção
 4.1.2 | Mitigação de riscos
 4.1.3 | Responsabilidades
 4.1.4 | Requisitos para elaboração do plano de prevenção à incêndio e pânico e 
aspectos a serem observados no desenvolvimento
 4.1.5 | Divulgação, Reuniões, Treinamentos e Exercícios Simulados
 4.1.6 | Manutenção, Revisão e Auditoria do Plano
 4.1.7 | Procedimentos de Vistoria
 4.1.8 | Plano de emergência ou plano de prevenção
 4.2 | Brigada de incêndio
 4.2.1 | Condições gerais dos edifícios
 4.2.2 | Planejamento da brigada de incêndio
Unidade 4 | equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate 
a incêndio
Seção 1 - Equipamento de prevenção e combate a incêndio e pânico 
– iluminação e portas corta-fogo 
1.1 | Considerações acerca das normas de prevenção e combate a incêndio e as 
Normativas de Segurança do Trabalho
1.2 | Iluminação de emergência
1.3 | Portas corta-fogo
Seção 2 - Escada de emergência
2.1 | Escada de emergência e seus principais requisitos 1.2 | Iluminação de 
emergência
 2.1.1 | O dimensionamento das saídas de emergência
 2.1.2 | Escadas 
 2.1.3 | Tipos de escadas usadas em rotas de fuga
2.2 | Antecâmaras
2.3 | Dutos de ventilação
2.4 | Elevadores de emergência
2.5 | Áreas de refúgio 
2.6 | Guardas e corrimões 
Seção 3 - Sistema de detecção e alarme
3.1 | Projetos de Sistemas de detecção de incêndio e alarme
3.2 | Quanto aos tipos de detecção
Seção 4 - Equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio 
4.1 | Sistema móvel 
4.2 | O que é Capacidade extintora? 
4.3 | Sistemas fixos
 4.3.1 | Sistema de hidrantes 
4.4 | Sprinklers
 4.4.1 | Os componentes dos Chuveiros Automáticos - Sprinklers
 4.4.2 | Posicionamento dos sprinklers
 4.4.3 | Temperatura de funcionamento
4.5 | Sistema de espuma de extinção
 4.5.1 | Características físicas:
 4.5.2 | Expansão das espumas
 4.5.3 | Extrato Formador de Espuma (EFE)
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200
Apresentação
A atuação do profissional de segurança do trabalho pauta-se na prevenção 
e no desenvolvimento de programas de prevenção, e muitos destes programas 
decorrem de exigências normativas e/ou derivadas de leis específicas. A definição 
de prevenção está diretamente ligada à ideia de antecipação a um resultado a algo 
que pode incorrer em injúria, lesão ou qualquer outra ação sobre algo que não 
se deseja como resultado. No caso de saúde e segurança do trabalho, a ideia de 
prevenção é ainda mais essencial, pois o resultado seria a doença e a lesão.
Um sinônimo de prevenção adequadamente aplicada à área de segurança 
certamente seria “evitar”,uma vez que ajuda a entender a ideia que norteia os 
programas de prevenção abordados por esta unidade. Evitar, em segurança 
do trabalho, significa antecipar as consequências de uma ação, prevenir seus 
resultados indesejados e, sobretudo, permitir a correção e redirecionamento pelo 
caminho da segurança.
O domínio de condições de risco, das condições ambientais do trabalho ou 
mesmo o ambiente que circunda o trabalhador fora do local de trabalho, pode 
contribuir substancialmente para práticas de prevenção à saúde e segurança do 
trabalhador. Pode, sobretudo, incorporar diretrizes à prevenção, matéria-prima 
importante dos planos de prevenção.
Os programas de prevenção precisam ser documentados, e torná-los públicos a 
quem está sob as ações destes, precisam ser efetivamente aplicados pelas organizações, 
para antecipação dos eventuais problemas e dificuldades que as mesmas possam ter 
e ir contra a saúde e segurança do trabalhador, ao invés de ficarem engavetados ou 
apenas para cumprir formalidade perante os órgãos de fiscalização.
A velha máxima “é melhor prevenir do que remediar” faz sentido em segurança 
do trabalho. Nos programas de prevenção ainda é embutido o cuidado ou cautela 
perante situações de risco, muitas em condições inesperadas, mas que facilmente 
podem ser suprimidas quando se desenvolve a cultura prevencionista ou que existe 
uma atividade organizacional e sistêmica de respostas a situações que colocam 
em risco a saúde e a segurança do trabalhador.
Na Unidade 1 abordaremos o estudo de métodos e processos e a indústria 
da construção (NR 18), buscando expor como ocorre a segurança do trabalho 
em instalações industriais de construção civil, algumas peculiaridades da NR-18 do 
PCMAT - Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria de 
Construção, assim como o que deve estar descrito dentro do mesmo no que se 
refere aos métodos e processos de trabalho na construção civil, quanto ao uso de 
Equipamento de Proteção Individual e Equipamento de Proteção Coletiva. 
A Unidade 2 abordará Movimentação de pessoas e cargas, buscando detalhar 
o que o profissional de segurança do trabalho precisa possuir de conhecimento 
em relação a trabalho em altura, transporte, movimentação, armazenagem e 
manuseio de materiais e suas respectivas normas regulamentadoras.
A Unidade 3 abordará Legislação e prevenção ao incêndio e pânico, buscando 
relacionar o exercício do profissional de segurança do trabalho e a necessidade 
de seu conhecimento das legislações e normas brasileiras relativas à proteção 
contra incêndio, Teoria do fogo, classes de fogo, agentes extintores, métodos 
de extinção e explosões e expor alguns conceitos relacionados aos explosivos. 
Esta unidade buscará elucidar as principais dúvidas quanto à formulação de um 
programa de proteção contra incêndio e tudo o que o mesmo deve possuir para 
ser efetivamente aplicado na realidade das organizações.
Na Unidade 4 buscou-se demonstrar a importância do profissional de 
segurança do trabalho em conhecer equipamentos e sistemas de proteção 
contra incêndio, principalmente pelo fato de serem exigências normativas e 
dos códigos de prevenção de incêndio e pânico. Nenhum plano de prevenção 
será efetivamente aplicável se nele não forem consideradas exigências quanto 
a iluminação de emergência, portas corta-fogo, escada de emergência. Para 
algumas situações mais específicas, em que o risco de incêndio seja elevado, o 
profissional de segurança poderá incorporar medidas preventivas e de combate 
mais efetivas, se tiver conhecimentos básicos sobre os sistemas de detecção e 
alarme, equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio e sua efetiva aplicação 
em situações mais específicas, assim como é válido ter conhecimento do sistema 
de hidrantes e chuveiros automáticos (Sprinklers), tendo claras as vantagens e 
desvantagens dos mesmos. Por fim, os planos de abandono e a formulação de 
uma brigada de incêndio.
O ESTUDO DE MÉTODOS E 
PROCESSOS E A INDÚSTRIA 
DA CONSTRUÇÃO CIVIL
Objetivos de aprendizagem: Olá, prezados alunos, vamos, em mais este 
material, apresentar a vocês conteúdos muito importantes na realização 
das atividades que estão intimamente ligadas à segurança. Nosso objetivo 
nesta obra é levar até vocês não só a legislação existente no segmento 
específico da construção civil, mas a prática, como isso acontece de fato 
no canteiro de obras, como deve ser a preparação para que este segmento 
possa continuar em ascensão no mercado financeiro de nosso país sem 
prejudicar a vida dos trabalhadores, ou melhor, o que tem sido feito para 
que a conta deste segmento profissional não recaia sobre o INSS.
Além disso, vamos saber como o profissional de segurança deve atuar, 
fazendo com que as responsabilidades sejam entendidas e, cada qual no 
segmento a que se destina, assuma as consequências das atitudes e ações 
corriqueiras na execução de suas funções.
Claudiane Ribeiro Balan
Unidade 1
Nesta seção teremos um breve descritivo sobre a construção civil, 
seguindo os passos percorridos ao longo da história e a construção das 
normas e diretrizes que profissionalizaram este segmento laboral. 
Seção 1 | Segurança do trabalho em instalações industriais 
da construção civil 
U1
12 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Na seção 3 descreveremos as condições práticas de um canteiro de 
obras, onde apontaremos os principais EPIs obrigatórios e EPCs, bem como 
a implantação de todos os procedimentos que envolvem as questões de 
saúde e segurança dos trabalhadores nesta atividade laborativa.
Nesta seção explanaremos a elaboração do PCMAT e as condições que 
estão atreladas a este documento obrigatório para os canteiros de obras.
Seção 3 | Métodos e processos de trabalho
Seção 2 | PCMAT
U1
13O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Introdução à unidade
O objetivo geral desta seção é levar ao conhecimento do aluno a forma de 
como aplicar a NR-18 na prática do trabalho da construção civil, ou seja, como fazer 
com que as normas e procedimentos estabelecidos na norma sejam efetivamente 
implantados e seguidos por uma gama muito diversa de trabalhadores. Além disso, 
é fundamental que os trabalhadores sejam informados e orientados quanto aos 
procedimentos corretos de se trabalhar na construção civil, pois esta profissão, por 
mais rude que pareça, também já evoluiu e hoje opera com uma gama crescente 
de tecnologia.
E assim construiremos mais um patamar de conhecimento junto a vocês, 
e o mais importante: daremos a você, aluno, a oportunidade de fazer parte de 
um processo de aperfeiçoamento dos trabalhadores na construção civil, uma 
condição muito gratificante, pois é um segmento que, embora venha passando 
por inúmeras evoluções, seus trabalhadores ainda são pessoas que necessitam de 
muita atenção e ensinamento.
Mãos à obra e uma excelente leitura a todos.
U1
14 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
U1
15O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Seção 1
Segurança do trabalho em instalações 
industriais da construção civil 
Neste primeiro momento levaremos até você o histórico da indústria da 
construção civil, todo o seu arcabouço teórico e as exigências e necessidades deste 
segmento laboral para que o mesmo atingisse esse nível de profissionalização.
Atualmente este segmento requer profissionalização não só de atividades a 
serem desenvolvidas, mas também de conduta pessoal por parte dos trabalhadores.
1.1 História da segurança na construção civil 
Partiremos do princípio, onde a engenharia se confunde com a história da própria 
humanidade. O início foi há cerca de sete milhões de anos (bastante tempo, não é 
mesmo?), quando o homem deixa as frias e úmidas cavernas com vistas a um maior 
conforto para si e para sua família. Mais tarde foi a descoberta da agricultura e da 
pecuária, que impulsionou a busca por melhorias nas condições; aí o homem deixa 
de ser nômade, passandoassim a estabelecer-se em locais fixos. Estas construções 
eram, no princípio, muito rudes, tendas, aldeias e construções por demais primitivas. 
Mas este ser humano não caçador e não coletor foi responsável pela organização 
de comunidades grandes, que por sua vez seguiram uma evolução que permitiu o 
desenvolvimento de uma arquitetura de tijolos e pedras. 
Vamos agora esclarecer melhor em quais civilizações podemos perceber esse 
início da engenharia de forma a construir e mudar as primeiras civilizações. Os povos 
mesopotâmicos, que já tinham adquirido a prática da irrigação, apresentaram uma 
variação que lhes dava condições de, na ausência das pedras, usar uma argamassa 
de junco e barro, quando não, desenvolveram os tijolos de barro secos ao sol. 
Já os antigos egípcios dominavam várias técnicas, um povo astuto e criativo que 
inventou várias máquinas e equipamentos simples, como a rampa e a alavanca para 
auxiliar nos processos construtivos. Uma das construções que marcaram a história 
mundial em termos de edificação, e que de certa forma jamais foi superada, foi a 
utilização da pedra em obras, como nas construções das pirâmides. 
A engenharia dos incas até hoje causa espanto, quando, nos estudos das 
construções, em forma de nivelamento até hoje não há como explicar o alto 
U1
16 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
padrão de técnicas e meios adotados. Seu legado mais primoroso foram os 
cálculos de engenharia. Pasmem os senhores, mas foi na Índia antiga que 
constatou-se o pioneirismo da ciência da construção de forma tão completa. As 
técnicas de construção e arquitetura indianas incluem riquezas de detalhes, além 
de plantas baseadas em princípios científicos como a resistência dos materiais, 
como também a altura ideal da construção, a construção calculada de fontes de 
água adequadas, além de condições como luminosidade e higiene, fatores que se 
levados em consideração à época, são demasiadamente atemporais.
 A engenharia base sobre a qual a construção civil se expande é uma área de 
amplas definições. Várias são as possibilidades para definir esta ciência, por isso há 
possibilidade de inúmeras definições formais e informais, contudo todas tendem a 
um ponto central. Consideremos uma das definições como: arte, ciência e técnica, 
onde é possível parametrizar os conhecimentos científicos de uma situação e 
espaço com a sua viabilidade técnico-econômica, objetivando produzir novas 
utilidades e/ou transformar a natureza, utilizando-se de ideias bem estruturadas. 
Ainda assim é possível complementar este conceito, em relevante contexto 
e conformidade dos imperativos da preservação ambiental e da conservação 
ambiental. Ao analisarmos os termos como “arte”, “técnica”, “conhecimentos 
científicos”, nos remetemos então à ideia da abrangência da Engenharia. 
Não é imaturo nem leviano considerar que os cursos de Engenharia são os 
mais completos (e complexos) ofertados por qualquer faculdade, neles os alunos 
podem adquirir noções completas de física, química e matemática, aprender sobre 
os conceitos de meio ambiente, biologia, geografia, administração, economia, 
produção, direito, sociologia, programação de computadores e uma infinidade 
de outros assuntos, dependendo da vertente que se propõe estudar. Resumindo, 
a Engenharia está em tudo, desde objetos singelos como a caneta com a qual 
você escreve, o sapato que você usa, as ruas pelas quais seu carro trafega, os 
botões que fecham sua camisa, e até nos alimentos. Devemos lembrar que todos 
os avanços da humanidade, sem exceção, estão diretamente ligados à Engenharia: 
por primeiro o fogo, depois a escrita e a roda e, na atualidade, os eletroeletrônicos. 
Assim sendo, a Engenharia está presente em todas as áreas. A partir deste princípio 
conclui-se e espera-se que os engenheiros sejam profissionais treinados para 
organizar, avaliar e projetar esquemas de construção em todos os níveis e estruturas 
onde seja necessário criar ou modificar o que existe.
1.2 A realidade brasileira e a legislação regulamentar
Na sociedade brasileira, e por que não dizer mundial, a construção civil é uma 
das atividades que, nas últimas décadas, obteve seu maior desenvolvimento. A 
necessidade de expansão das cidades e o crescimento da população puxaram a 
indústria da construção civil para seu grande progresso. A necessidade de suprir 
U1
17O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
as carências e atender às demandas por habitações e instalações comerciais, 
com vistas a uma sociedade significativamente urbana, deu o tom econômico 
deste segmento profissional. Toda essa nova fase econômica e social deu lugar 
ao crescente número de obras, com isso os problemas também surgiram, não 
somente com as construções desordenadas nos morros e periferias das grandes 
cidades, configurando uma desorganização urbana social, mas também pela falta 
da mão de obra especializada, somando-se a isto os acidentes de trabalho, que 
só têm aumentado. Dados que são comprovados estatisticamente preocupam 
os órgãos estatais como INSS e MTE, sendo que os acidentes que ocorrem na 
indústria da construção civil ultrapassam, em números, os da indústria em geral.
Os indícios e fatores que contribuem para o elevado número de acidentes na 
construção civil se dão pelo fato da ausência de prevenção. Isso mesmo, é que 
a construção civil não é um processo homogêneo, neste segmento existe uma 
diversificação de obras que envolvem um grande número de atividades, e essas 
atividades são desenvolvidas por um grande número de trabalhadores com aptidões 
e ofícios distintos, se comparados com uma indústria geral. Todo o trabalho da 
construção civil é setorial e dividido, repercutindo num desenvolvimento de funções 
que sempre serão as mesmas atividades, onde máquinas, ferramentas e materiais 
em geral, disponíveis em locais comuns e de fácil acesso, poderiam ser usados 
como fator contribuinte para a redução dos riscos de acidentes, e não o contrário.
Nos trabalhos da construção civil, o trabalho e as atividades se modificam com 
o decorrer e desenvolvimento da obra, aumentando a possibilidade de ocorrência 
das condições de risco. Podemos citar a construção de um edifício, onde, de 
acordo com a evolução da obra, crescem também os riscos de acidentes por 
quedas de altura. Situações similares a esta mostram a necessidade iminente de 
investimentos na segurança dos trabalhadores que executam suas atividades em 
situação de riscos de quedas de altura e nas demais atividades existentes na obra, 
sendo o treinamento uma das maneiras mais simples, porém eficazes, de transmitir 
informações ao trabalhador. Este tipo de ação pode ser facilmente mensurável 
quando é aplicado um questionário antes do treinamento, para identificar o grau 
de conhecimento dos trabalhadores em riscos de acidentes.
O cenário atual apresenta mercado em franco aquecimento, 
redução de juros e impostos, escassez de mão de obra 
qualificada, melhoria dos salários e dos registros em carteira. 
Essas condições atuais, [...] induzem a propugnar pela ação 
mais efetiva dos gestores à elaboração de processos de ensino-
aprendizagem que permitam qualificar mais e mais pessoas para 
entrar nesse mercado de trabalho (VARGAS et al., 2008, p. 7). 
U1
18 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
A segurança do trabalhador é uma conquista da sociedade moderna, dado o 
seu recente desenvolvimento, que data dos períodos entre as duas grandes guerras 
mundiais. Num contexto histórico em nível de América, temos no hemisfério norte 
a legislação sobre segurança introduzida pelos idos de 1908, porém apenas a partir 
dos anos 70 é que ela se tornou uma prática comum para todos os integrantes 
do setor produtivo. Até esta data o assunto segurança do trabalho era objeto de 
estudo apenas de especialistas, governos e grandes corporações. Já no Brasil, a 
segurança do trabalho enquanto assunto e objeto de estudo começou a mostrar 
seus indíciosno início dos anos 40. É também desta década a composição e 
implantação da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), precisamente em 1943, 
onde no Capítulo V do Título II, o assunto vai ser exatamente sobre as questões de 
segurança do trabalhador. 
Depois desta citação ocorrida na CLT, não houve nenhuma movimentação que 
demonstrasse evolução quanto à segurança do trabalho em uma sociedade que 
nunca deixou de crescer e evoluir. Somente em 1967 ocorreu a primeira grande 
reformulação deste assunto no país, quando foi destacada a necessidade de as 
empresas criarem e organizarem o SESMT (Serviços Especializados em Engenharia 
de Segurança e em Medicina do Trabalho). Entretanto, o grande salto qualitativo da 
segurança do trabalho em termos legais somente ocorreu em 1978, com a introdução 
das 28 normas regulamentadoras, conhecidas como NRs do Ministério do Trabalho. 
Salientamos que de todas as 28 NR’s preparadas para dar ao trabalhador subsídios e 
padrões que lhe garantam a segurança no desenvolvimento de suas atividades, uma 
que vai de forma muito pontual contemplar a indústria da construção civil é a NR-18, 
visto que até os dias atuais é a única específica para o setor. 
Atualmente temos também a NR-35, que vai mensurar as regras e condições para 
trabalho em altura (BRASIL, 2014a), e além destas NRs, a segurança do trabalho na 
indústria da construção civil também é abordada em algumas normas da ABNT, tais 
como a NBR 5410 (Instalações Elétricas de Baixa Tensão) (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA 
DE NORMAS TÉCNICAS, 2008) e a NBR- 7678 (Segurança na execução de obras e 
serviços de construção) (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1983), 
NBR 6494 (Segurança nos andaimes) (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 1991). Enfim, várias são as complementações que foram surgindo devido 
à crescente evolução deste segmento. A primeira alteração da NR-18 se deu em 
1983, ampliando seus assuntos e dando mais aplicabilidade entre a regra descrita e 
a condição praticada in loco, tornando-a mais ampla e abrangente. Em 1995 a NR-
18 novamente teve alteração, onde entrou em cena a condição tripartite, que tem 
como objetivo estabelecer um aperfeiçoamento no sistema de segurança e saúde 
do trabalhador e ainda colocar o método existente de acordo com os padrões da 
Organização Internacional do Trabalho. Além disso, atende à proposta de ampliar a 
Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador, utilizando-se de recursos 
que vão definir os papéis e mecanismos dos processos laborais atuais. Para que isso 
U1
19O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
aconteça faz-se necessário o monitoramento, bem como revisões periódicas para a 
definição das competências e suas aplicabilidades. Na Portaria nº 383, de 21 de maio 
de 2013, mais uma vez está sob consulta pública a redação da NR-18, com vistas a 
fazer novas alterações. (HERKENHOFF FILHO, 2006).
2.2 Cenário nacional
A indústria da construção civil é um ramo da economia que engloba várias 
estruturas, como: sociais, culturais e políticas. Uma marca notória da construção 
civil é o alto índice de acidentes de trabalho, que a coloca em segundo lugar neste 
aspecto diante do cenário nacional de acidentes de trabalho, perdendo apenas para 
o setor rural. Diante deste cenário negativo, o setor deixa de ser atrativo, e também 
sofre com algumas perdas de recursos humanos e financeiros, além de uma fonte 
de perdas para órgãos públicos como INSS e SUS. Como na indústria da construção 
civil existe a alta incidência de acidentes, estes tendem a ser também os mais graves, 
que levam à incapacidade e chegam a ser fatais, sendo os mais onerosos aos cofres 
públicos, motivo de preocupação e objeto de estudo para as políticas públicas.
A construção civil é fonte geradora de empregos no país e, nos últimos 
anos, está havendo um crescimento acelerado no setor, por parte até mesmo 
dos incentivos financeiros lançados pelo poder público. Entretanto, este grande 
desenvolvimento traz consequências quanto ao aumento do número de acidentes 
de trabalho e de mortes de operários. De acordo com levantamentos, além da 
existência de muitas obras clandestinas, a famosa improvisação presente na 
construção civil e a necessidade de terceirização dos serviços agravam o problema. 
Essa problemática vai desde pequenas obras até as grandes que são geridas por 
empresas renomadas nacionalmente; parece mais como um vício do setor, algo 
enraizado culturalmente, e onde todos os esforços apresentados até hoje ainda 
não foram capazes de erradicar.
De acordo com dados estatísticos de 2012 da Previdência Social, foram 
registrados mais de 62 mil acidentes de diferentes níveis de gravidade no setor 
da construção civil. Só no Estado de São Paulo, de acordo com o Sindicato dos 
Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, houve um aumento registrado 
de 24 casos de morte a mais que em 2012, cujo registro fora de apenas sete 
mortes. Fator que pode ter influenciado para este aumento é sem dúvida o ritmo 
de trabalho para cada trabalhador, devido à própria aceleração do mercado, o 
que pode ter tido como consequência a não adoção por parte das empresas de 
métodos e meios seguros de trabalho. Quanto mais longas as jornadas de trabalho, 
com menores intervalos de folga para descanso, maiores serão as possibilidades 
de acidentes. Outro fator bastante relevante é a qualificação dos trabalhadores 
deste segmento profissional. Ainda que seja evidente o emprego de inúmeras 
U1
20 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Quer saber se é possível, através de treinamento, reduzir o número 
de acidentes? Não deixe de acessar o link abaixo: <http://www.
sindusconpe.com.br/prevencao.php>. 
inovações tecnológicas no setor, este fator também se tornou um problema, já que 
os trabalhadores, muitas vezes, não estão qualificados para operar equipamentos 
com seus avanços e tecnologias de ponta.
O que é possível fazer para diminuir o número de acidentes? Mais normas 
regulamentadoras? As já existentes não conseguem abranger todas as situações 
existentes na prática? Ora, a atual legislação é ampla de regras de proteção que 
precisam ser respeitadas, normas que precisam ser aprendidas e procedimentos 
que precisam ser adotados. Tendo isso, falta-nos o quê? Fiscalização, digamos 
melhor, falta maior fiscalização aliada a uma atuação educativa por parte do 
Ministério do Trabalho e sindicatos da categoria. Embora estes órgãos existam, sua 
atuação mostra-se deficitária, ficando assim comprometida uma eficácia quanto à 
aplicabilidade de tudo o que é proposto na legislação.
Nas Normas Regulamentares está explícito que a fiscalização é obrigatória. 
Entretanto, o número de agentes estaduais e municipais de saúde do trabalho é 
reduzido e compromete a qualidade e eficiência de todo o trabalho. Todavia, a 
fiscalização não é incumbência exclusiva destes órgãos já definidos, as empresas 
também devem estabelecer uma metodologia de fiscalização de suas próprias 
atividades, inclusive para reduzir seus custos e preservar a vida e a saúde de 
seus trabalhadores. As normas, leis e regulamentos não têm a competência para 
reverter o acidente e seus agravamentos, a presença fiscalizatória mais atuante 
nas empresas teria um resultado muito mais positivo, evitando as autuações e até 
mesmo os próprios acidentes.
Devemos salientar que existe um número grande de empresas que são idôneas 
neste segmento e fazem uma gestão de segurança e prevenção de acidentes 
na indústria da construção civil com características e comprometimento, que 
proporcionam uma eficácia em relação aos índices de acidentes e também 
compensam a baixa qualificação dos profissionais no setor. Estas ações contemplam 
treinamentos e material educativo com o objetivo específico de reverter este cenário. 
O Ministério do Trabalho e Emprego também tem ações preventivas que auxiliam 
as empresas, como a celebração dos Termos de Ajustamento de Conduta junto 
U1
21O estudo de métodose processos e a indústria da construção civil
às mesmas para que adotem medidas preventivas como ações efetivas. Porém, as 
fiscalizações ainda apresentam algumas situações controversas e que repercutem 
negativamente contra a própria legislação, ou seja, são abusivas. Essas ilegalidades 
devem ser combatidas, uma vez que podem gerar imensos prejuízos, por exemplo, 
com a interdição de uma máquina ou equipamento, ou até mesmo da obra. 
Podemos então avaliar e até mesmo concluir que o treinamento adequado, a 
segurança e a fiscalização frequentes ainda são os melhores meios para diminuir 
o número de acidentes no setor da construção civil. Tais procedimentos evitam 
os custos de previdência com aposentadorias precoces e minimizam a ausência 
de funcionários nas empresas, diminuindo o absenteísmo por conta de atestados 
médicos, o que na maioria das vezes acaba gerando prejuízo no processo 
produtivo, pois compromete os prazos contratuais. Além disso, não é difícil que 
ações pleiteando danos materiais e morais sejam representadas na justiça por 
conta de indenizações por este motivo. Sendo assim, o trabalhador bem treinado 
só terá benefícios, uma vez que, passando a conhecer as normas de segurança 
adequadas e como executá-las em sua atividade, poderá melhorar e aumentar sua 
capacidade produtiva.
1.3 Questões orçamentárias
Quando o assunto é dinheiro, o cenário fica mais tenso e ríspido, prova disto 
são as ações regressivas que o INSS vem ajuizando já há alguns anos. Estas 
ações obrigam a empresa a custear pensões e indenizações que outrora eram 
de responsabilidade do INSS, mas que, por serem oriundas de acidentes de 
trabalho, o órgão está agora repassando estes custos. Nas discussões judiciais é 
comum surgirem acordos, mas diante do volume, poucos são firmados, diante da 
comprovação de que todas as ações possíveis foram adotadas, e se ainda assim 
evitar o acidente não foi possível, é por uma fatalidade. Vale ressaltar que algumas 
situações em que a condição do trabalhador pode ser similar ao trabalho escravo 
ou que as condições de conforto e higiene são degradantes podem ser classificadas 
como inadequadas e em não conformidade com a legislação, cabendo então aos 
órgãos fiscalizadores ações que podem até interditar a empresa, além de multas e 
indenizações (SCHIAVI, 2007).
Essas condições de extrema vulnerabilidade a que o trabalhador da construção 
civil está exposto apresentam como primeiro colocado nos acidentes de trabalho 
as quedas, tanto de materiais que se desprendem, como do próprio trabalhador; 
em segundo vêm os choques elétricos e em terceiro lugar os soterramentos. 
Vejamos os números para termos uma ideia desta representatividade no cenário 
nacional, porém com dados de 10 anos atrás, o que preocupa, pois ainda hoje 
esses valores não tiveram grande mudança:
U1
22 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Gráfico 1.1 | Apresentação de acidentes de trabalho
Fonte: Elaborado pela autora a partir de Segurança... (2010)
O número de acidentes de trabalho em todo o país cresceu sensivelmente entre 
2004 e 2006, passando de 465.700 para 503.890. Os números que representam 
a construção civil no mesmo período são 28.875 e 31.529, respectivamente, 
estabelecendo um percentual de acidentes no setor da construção para os dois 
anos em 6,2%, se comparado a 2005. Percebam que no mundo inteiro ocorrem 
acidentes de trabalho, e no caso da construção civil, a maior causa de acidentes 
fatais fica por conta das quedas de trabalhadores e também das quedas de material 
sobre os funcionários, ficando em segundo fator os choques elétricos, e em terceiro 
lugar o soterramento (SEGURANÇA..., 2010).
“O crescimento acentuado da construção civil, verificado nos 
últimos anos em todo o país, tem sido acompanhado pelo 
aumento do número de acidentes de trabalho e de mortes de 
operários, principalmente por soterramento, queda ou choque 
elétrico” (ALTAFIN, 2013).
Com base nestas informações, os órgãos públicos demonstram 
preocupação com os trabalhadores. Será que esta preocupação 
realmente é por conta das condições de saúde e segurança ou 
os interesses econômicos referentes ao pagamento de benefícios 
é que estão sendo argumento para este tipo de levantamento? 
Vamos refletir e analisar este cenário.
U1
23O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Há de se considerar que para reverter esse cenário é preciso que haja fiscalização 
suficiente e capacitada para coibir e punir efetivamente os representantes desta 
categoria que maquiam ou ignoram as ações preventivas, e valorizar e divulgar 
as ações que visam capacitar e informar todos os trabalhadores envolvidos na 
categoria da construção civil. Ressaltando, como anteriormente foi citado, os 
fatores que influenciam a construção civil são os sociais, culturais e políticos, onde, 
para reverter a situação de acidentes de trabalho neste segmento econômico, o 
governo tem que ser representado pela ação fiscalizatória e punitiva para aqueles 
que não cumprem o prescrito na lei; o empregador, como iniciativa privada, 
representa o social, que tem como responsabilidade informar e treinar, realizar 
a capacitação dos envolvidos; e a parte do trabalhador, que envolve a cultura de 
prevenção que é a assimilação, por parte dos mesmos, de sua responsabilidade 
e o porquê de seu comprometimento. Além disso, as disposições na legislação 
complementar complementam a ordem de adequações das condições ambientais 
e melhores e mais seguros equipamentos. Isso tudo ainda não é garantia de 
uma economia aos cofres públicos, pois somente esses fatores trabalhando em 
consonância é que garantirão a eficácia das ações (MARTINS, 2008).
Embora as estatísticas apontem indicadores úteis para a avaliação do estado 
atual dos acidentes e mortes por trabalho, principalmente na construção civil, 
essa representação é por vezes relativa, sendo necessário inspecionar e processar 
quem não cumpre a legislação vigente, e também implantar ações para prevenir 
e informar, levar com afinco as ações punitivas para aqueles que não tenham 
realizado uma prevenção ou capacitação prévia. Este tipo de irregularidade leva 
a um maior número de infrações, representando uma maior penalização para as 
empresas e, também, para os próprios trabalhadores. Essa responsabilidade não é 
apenas dos empregadores, os trabalhadores têm sua parcela de responsabilidade 
na mesma medida que o empregador, bem como o governo e os parceiros sociais. 
Essa tomada de responsabilidade por parte de cada um economizaria aos cofres 
públicos grandes fortunas. Os empregadores têm a obrigação de garantir boas 
condições de trabalho a todos os trabalhadores, cumprir a legislação em vigor, 
conscientizar os trabalhadores e colocar à sua disposição os equipamentos e 
meios necessários para que possam desempenhar as suas funções em segurança. 
Já os trabalhadores devem conhecer melhor as normas e, se acaso não tiverem 
essas boas condições de trabalho, deveriam exigi-las, para isso é possível contar 
com os parceiros sociais (SEGURANÇA..., 2010). 
Para direcionar e dar subsídios aos órgãos estatais e garantias aos trabalhadores 
da construção civil, a legislação regulamentar que está em vigor é a NR-18, que 
foi regulamentada pela Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho. Nela, todas 
as principais orientações e principalmente as condições ideais estão descritas, 
facilitando assim as ações de implantação que vão servir de base e orientação 
para a elaboração do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na 
U1
24 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Indústria da Construção, que é comumente conhecido como PCMAT. Todas as 
condições e situações apontadas pela NR-18 têm o intuito e a função específica de 
regularizar e apontar as condições ideais a serem estabelecidas, o que vai significar 
uma diminuição considerável nas custas dos cofres públicos e também nas 
estatísticas de acidentes de trabalho. Conclui-seentão que a rede de assistência 
ao trabalhador também tenderá a ter diminuídos seus atendimentos. 
Atualmente temos uma legislação que foi pensada e regulamentada com 
vistas a atender à segurança e à saúde do trabalhador da área da construção 
civil. Seus princípios baseiam-se em normas regulamentadoras que estabelecem 
procedimentos em todos os níveis de uma indústria deste porte e operacionalidade, 
ela encontra-se descrita na Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego 
(MTE), sob o título de NR-18, contempla diretrizes administrativas, de planejamento 
e de organização para controle nos sistemas preventivos de segurança dos 
processos, nas condições do meio ambiente de trabalho, além de determinar a 
elaboração do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria 
da Construção, conhecido neste segmento por PCMAT. Toda esta estrutura visa 
a dar melhoras em todas as condições de trabalho para que repercuta em menor 
impacto nos órgãos públicos de assistência (SEGURANÇA..., 2010).
1. Qual é a principal legislação que atualmente rege e organiza 
a indústria da construção civil?
2. Através de qual mecanismo a construção civil vem 
conseguindo reduzir o número de acidentes de trabalho?
U1
25O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Seção 2
PCMAT
Nesta parte do texto saberemos da obrigatoriedade do PCMAT, como 
documento prévio à abertura de um canteiro de obras. Agregado a ele, a ART valida 
sua elaboração e a responsabilidade do gestor da obra em executar aquilo que o 
documento apontar e estabelecer. Pois toda esta documentação está passível de 
sanções fiscais de autuação por parte do MTE.
2.1 Obrigatoriedade
Esta legislação está na Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, que regulamentou 
a Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que altera o Capítulo V, Título II da 
CLT (Consolidação das Leis de Trabalho). Traz em sua redação a padronização 
de como deve ser implantado e sob quais condições um canteiro de obras pode 
desenvolver-se. Em tempo: devemos lembrar que também é determinada pela 
legislação a responsabilidade de executar o que está disposto na referida lei 
(BRASIL, 1978), onde, de acordo com o art. 1º da Lei nº 6.496, de 5 de dezembro 
de 1977, todo contrato para a execução de obras ou prestação de quaisquer 
serviços profissionais referentes a Engenharia, Arquitetura e Agronomia fica sujeito 
à Anotação de Responsabilidade Técnica – ART; esta está vinculada ao exercício 
da atividade do engenheiro de segurança do trabalho, como consta na legislação 
que define a abrangência (BRASIL, 1977). A ART é um documento fundamental que 
expõe o estudo, planejamento, ações, relatórios e laudos das atividades exercidas 
pelo Engenheiro de Segurança do Trabalho quando de sua competência enquanto 
responsável perante ao órgão competente, segundo o CREA (Conselho Regional 
de Engenharia Arquitetura e Agronomia).
Os estudos, projetos, planos, relatórios, laudos e quaisquer 
outros trabalhos ou atividades relativas à Engenharia de 
Segurança do Trabalho, quer públicos, quer particulares, 
somente poderão ser submetidos ao julgamento das 
autoridades competentes, administrativas e judiciárias, e só 
terão valor jurídico quando seus autores forem engenheiros 
ou arquitetos, especializados em Engenharia de Segurança do 
U1
26 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Trabalho e registrados no Conselho Regional de Engenharia, 
Arquitetura e Agronomia – CREA. (CONSELHO FEDERAL DE 
ENGENHARIA E AGRONOMIA, 1999, p. 1). 
De acordo também com a legislação, quando se trata da indústria da construção 
civil, com 20 trabalhadores ou mais, é obrigatória a existência unicamente do 
Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção 
– PCMAT, anotado no CREA de jurisdição da localização do empreendimento. 
Sendo assim, este documento fica submetido a uma categoria de especialistas em 
segurança e saúde do trabalho, bem como colocada em prática através de ARTs, 
que são meios de execução e aplicabilidade das normas e padrões legais.
Sendo assim, com a obrigatoriedade de todos estes primeiros procedimentos 
a serem tomados para a implantação de um canteiro de obras, presume-se que 
todas as condições de segurança estejam sendo computadas e detalhadamente 
classificadas e regulamentadas. Bem, isso seria muito bom se a teoria se cumprisse 
na prática. O que ocorre é que, pelas falhas existentes no sistema de fiscalização, 
embora os documentos sejam feitos dentro do rigor da lei, a fiscalização não é 
eficiente e os acidentes ocorrem e continuam a aumentar os números de afastados 
e segurados da construção civil junto ao INSS.
Também na NR-18 algumas prerrogativas são sempre observadas e seguidas sob 
pena de punição, tais como a caracterização da atividade onde fica definido o que é 
tal operação: são as “[...] atividades e serviços de demolição, reparo, pintura, limpeza e 
manutenção de edifícios em geral, de qualquer número de pavimentos ou qualquer 
tipo de construção, inclusive manutenção de obras de urbanização e paisagismo” 
(BRASIL, 2013a, p. 2). Além disso, estabelece o ingresso ou não de trabalhadores e 
sua permanência no canteiro de obras de acordo com as fases da mesma. 
Então a legislação é inoperante? Seria quase isso. A legislação é eficiente, é realizada 
com riqueza de detalhes, mas a operacionalidade destes documentos é comprometida 
por uma questão humana, social, e até por que não caracterizá-la como cultural, pois 
Fique por dentro da legislação e acesse o link sugerido:
<http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.asp?idEmenta=48
5&idTipoEmenta=5&Numero=>. 
U1
27O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
onde os trabalhadores da indústria da construção civil têm um melhor nível cultural, eles 
melhor absorvem as indicações e padrões estabelecidos pela documentação legal.
2.2 Elaboração do PCMAT
Este documento visa dar respaldo legal ao empregador, pois é um documento 
exigido pela legislação, entretanto tem uma função muito peculiar, que é dar ao 
trabalhador a garantia de condições seguras quanto à realização de suas atividades 
no canteiro de obras, ou seja, é um documento específico da indústria da construção 
civil. Para sua elaboração é necessário o conhecimento da NR-18, pois lá estão 
estabelecidos os padrões imutáveis das condições necessárias ao bom andamento 
da obra, as condições de conforto e higiene, bem como os riscos inerentes à 
atividade laboral da construção civil (BRASIL, 2013a). Também para a elaboração 
do PCMAT é preciso o conhecimento da NR-9 quanto às avaliações dos riscos e as 
ações necessárias quanto ao controle dos mesmos. É a partir destas informações 
que será possível traçar um controle eficiente quanto aos riscos pertinentes àquela 
operação que será ali desenvolvida. É fundamental que o PCMAT tenha sólida 
ligação com o PCMSO (Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional), uma 
vez que este programa, quando devidamente acompanhado e realizado, dará ao 
PCMAT uma melhor aplicação. São cinco as etapas para a elaboração do PCMAT:
• Análise de Projetos: consiste em verificar sob quais condições os projetos 
foram elaborados e serão utilizados na construção em questão, tendo o intuito de 
conhecer os métodos construtivos, as instalações e os equipamentos que farão 
parte da execução da obra. 
• Vistoria local: esta vistoria no local da futura construção se dá para 
complementar a análise do projeto, tal visita fornecerá subsídio informativo quanto 
às condições de trabalho que efetivamente serão encontradas na execução 
da obra, por exemplo: verificar se no local haverá escavação, onde e em que 
condições, se há demolições a serem feitas, quais são as condições de acesso ao 
empreendimento, quais as características topográficas do terreno, e muitos outros 
aspectos de acordo com aquilo que foi apresentado no projeto.
• Reconhecimento e avaliação dos riscos: nesta etapa é feito o diagnóstico 
das condiçõesde trabalho encontradas na obra, devem estar presentes neste 
momento as avaliações quantitativas e qualitativas dos riscos, bem como as 
estratégias e medidas de controle dos riscos. Aí consiste a importância do PPRA 
bem consolidado.
• Elaboração do documento base: nesta fase é a elaboração propriamente 
do PCMAT, onde todos os levantamentos realizados serão devidamente ordenados 
e estruturados com a finalidade de apresentar medidas de controle e técnicas que 
mais terão eficácia no processo de eliminação e controle dos riscos.
U1
28 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
• Implantação do programa: é a utilização e implantação das condições 
apresentadas pelo documento que serão adotadas nas práticas cotidianas no 
decorrer da obra. O desenvolvimento e aprimoramento do projeto deve ser 
através de programas de treinamento de pessoal com vistas a educar e orientar 
os trabalhadores, conscientizando-os sobre as questões de segurança, especificar 
quais os EPIs necessários e sua utilização adequada, bem como apontar os métodos 
que servirão de indicadores de desempenho, índices para auditorias administrativas e 
operacionais que definirão a eficiência do sistema de segurança do trabalho.
O intuito de seguir estes passos e observar rigorosamente o definido pela 
legislação é de garantir, por ações preventivas, a integridade física e a saúde 
do trabalhador da construção civil, funcionários terceirizados, fornecedores, 
contratantes, visitantes. Enfim, todas as pessoas que atuam direta ou indiretamente 
na indústria da construção civil, quando na execução de uma obra ou serviço, 
e estabelecer um sistema de gestão em Segurança do Trabalho nas atividades 
relacionadas à construção, através da definição de atribuições e responsabilidades 
às equipes que fazem parte de todo o processo de execução da mesma, incluindo 
aí também a administração da obra.
Como deve ser então este importante documento para que os envolvidos 
saibam como interpretá-lo e fazer com que seja eficaz? Vamos então passar os 
dados como devem ser registrados: 
Campo 1 - Comunicação prévia à DRT (Delegacia Regional do Trabalho), 
deve informar: Endereço correto da obra; Endereço correto e qualificação do 
contratante, empregador ou condomínio; Tipo de obra; Datas previstas de início 
e conclusão da obra; Número máximo previsto de trabalhadores na obra. Sempre 
emitida em duas vias, protocolar na DRT (Delegacia Regional do Trabalho) ou 
Apesar da redução do índice de acidentes, verifica-se que a maior 
parte dos programas apresentados pelas empresas da indústria da 
construção ainda apresenta dificuldades de implantação e, muitas vezes, 
não alcança os resultados esperados. O PCMAT veio ao encontro das 
necessidades das empresas e dos profissionais da área de Higiene e 
Segurança do Trabalho, ao estabelecer um programa permanente de 
controle dos riscos ambientais existentes nos diversos âmbitos de cada 
estabelecimento, e constitui parte integrante do conjunto mais amplo 
das iniciativas das empresas no campo da prevenção, da preservação e 
da proteção dos trabalhadores. 
U1
29O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
encaminhar via correio com AR (Aviso de Recebimento). 
Campo 2 - O local de entorno da obra, vizinhança, tráfego de veículos e trânsito de 
pedestres; Se há escolas, feiras, hospitais, indústrias e etc. Memorial descritivo da obra, 
contendo basicamente: Número de pavimentos; área total construída; área do terreno, 
tipo e sistema de escavação; fundações; estrutura; alvenaria e acabamentos; cobertura.
Campo 3 – Área de convivência, aí devem estar descritos os tipos de instalações 
sanitárias, vestiários, refeitório, cozinha se houver, lavanderia se for o caso, 
alojamento, área de lazer e ambulatório; este item deve estar em conformidade 
com o padrão estabelecido pela NR-18 no item 18.4.
Campo 4 - Aqui se fornecem as condições das máquinas e equipamentos, 
que devem ser criteriosamente descritas, definindo seu tipo de operação e seus 
mecanismos de segurança.
Campo 5 – Todo e qualquer tipo de sinalizações, tanto verticais quanto 
horizontais, sua demarcação e necessidade.
Campo 6 – Aqui cada fase pela qual avance a obra, os riscos deverão ser 
apontados em relação às atividades executadas e também os mecanismos 
de controle dos mesmos. Exemplo: na fase de limpeza do terreno, escavação, 
fundação, estrutura, alvenaria, acabamentos e cobertura.
Campo 7 – Serão apontados neste campo os procedimentos de emergência 
para acidentes que possam ocorrer. Quais as devidas providências quanto ao 
registro de todos os acidentes ocorridos na obra, estabelecer índices indicadores 
de desempenho, construir rotas para os hospitais aptos a receber acidentados 
desta categoria, indicar e divulgar telefones de emergência.
Campo 8 – Quanto aos treinamentos que devem ser ministrados na obra, 
que abordem temas considerados importantes que estejam no plano de ação 
do PPRA e que estejam de acordo com as necessidades específicas da obra 
em questão. Preparar a emissão das OS (ordens de serviço) quanto às funções 
existentes no canteiro de obras. E se necessário for, constituir CIPA, de acordo 
com o enquadramento estabelecido pela NR-5; se não for este o caso, designar 
um responsável na obra.
Campo 9 – Aqui se darão as indicações quanto ao PCMSO, suas referências e 
indicações por parte do médico do trabalho.
Campo 10 - Estabelece-se um cronograma para acompanhamento de fluxo 
evolutivo dos procedimentos a serem realizados; estimativa da quantidade de 
trabalhadores em cada etapa da obra; realização e execução das medidas de 
proteção coletivas; incorporação dos EPIs e sua aplicabilidade efetiva; cronograma 
das máquinas e equipamentos utilizados em cada etapa da obra.
U1
30 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Campo 11 – Apresentação do croqui ilustrativo da obra, com o layout do canteiro 
de obras, a definição dos EPCs e EPIs implantados, além de medidas especiais de 
segurança que se fizerem necessárias, minúcias construtivas, materiais a serem 
usados e outras colocações que porventura se fizerem importantes na visão do 
profissional responsável pela execução do documento, que, segundo a legislação 
apresentada anteriormente, é de responsabilidade do Engenheiro de Segurança ou 
outro profissional segundo a autorização do CREA.
Campo 12 - Assinatura do médico do trabalho ou engenheiro de segurança do 
trabalho que responde pelo documento, deve constar o respectivo número da 
ART, já liberado junto ao CREA. 
Campo 13 - Data de realização da avaliação e concretização do documento. 
2.3 Outros documentos complementares 
Neste processo de definição e estabelecimento de critérios para que a indústria 
da construção civil seja implantada e a execução seja de acordo com aquilo 
que a legislação pede, existem também as legislações complementares, que 
individualmente não têm nenhum imperativo sobre o segmento e são de cunho 
amplo para todos os segmentos profissionais, mas são necessários para que o 
PCMAT seja eficiente. São eles a:
NR-4; que define e rege os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança 
e em Medicina do Trabalho, esta NR vai estabelecer a gradação do risco da atividade 
principal em relação ao número total de empregados do estabelecimento, estabelece 
em quadros anexos que valem para todos os segmentos, utiliza os padrões definidos 
para fins de dimensionamento de canteiros de obras e frentes de trabalho com 
menos de 1 (um) mil empregados e situados no mesmo estado. Nesta NR e em seus 
anexos, todo o dimensionamento em relação à obrigatoriedade de profissionais 
vinculados à segurança do trabalho está descrito (BRASIL, 2014c).
NR-5; esta NR vai especificamente se dedicar à CIPA (Comissão Interna de 
Prevenção de Acidentes), que é responsável em administrar todas as questões 
que apresentem risco à atividade do trabalhador; está estabelecida nesta NR 
a obrigatoriedade de existência de CIPA em todas asempresas que tiverem 
Se o PCMAT tiver sido elaborado por profissional legalmente habilitado e 
não existir ART, deverá ser notificado por falta de ART, baseado no art. 1° 
da Lei n° 6.496, de 1977 (BRASIL, 1977).
U1
31O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
trabalhadores em canteiro de obras, em condições especiais como: CIPA 
centralizada quando a empresa tem várias frentes de trabalho com menos de 70 
trabalhadores em cada uma delas, dentro de um mesmo município; ou CIPA por 
canteiro quando o número ultrapassa os 70 trabalhadores, e ainda a possibilidade 
de CIPA provisória quando os serviços não ultrapassarão 180 dias (BRASIL, 2011).
NR-6; esta discorre sobre os EPIs (Equipamento de Proteção Individual), sua 
obrigatoriedade no quesito neutralização ou minimização dos efeitos nocivos dos 
fatores de risco, sejam eles de qualquer dos grupos: físico, químico, biológico, de 
acidentes e ergonômicos. Os EPIs nesta NR definidos atendem a todos os tipos 
de funções de todos os segmentos, vai do gestor identificar os riscos e buscar a 
orientação adequada àquela função (BRASIL, 2014b).
NR-7; nesta NR é o PCMSO (Programa de Controle Médico e Saúde 
Ocupacional) que vai tornar obrigatórios todos os cuidados necessários da parte 
da saúde do trabalhador, através da realização de exames e acompanhamento 
médico das condições clínicas do trabalhador, bem como aquilo que é necessário 
que seja estabelecido para manter os trabalhadores saudáveis (BRASIL, 2013b).
NR-9; tem por definição o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais), 
onde são estabelecidos os riscos inerentes ao ambiente e é apontado o controle 
que deve ser assimilado para garantir a segurança dos trabalhadores.
“Imagina-se que o acidente faz parte da produção, que é obra 
do acaso. Não, o acidente é principalmente obra do descaso, 
da falta da cultura de prevenção. [...] Entre as causas de tantos 
acidentes, [...] [está] a falta da cultura da prevenção e um ritmo 
de trabalho cada vez ‘mais denso, tenso e intenso’, [...] [soma-se 
as] dificuldades de fiscalização, seja pelo número insuficiente 
de auditores fiscais, seja pelas más condições de trabalho e 
riscos que enfrentam esses profissionais” (ALTAFIN, 2013).
Você, como espectador desta realidade, acredita que a 
implantação de EPIs é a forma eficaz para combater esse tipo de 
fato? A implantação de EPI é garantia de redução de acidentes 
e estabelecimento de uma cultura de prevenção? Reflita como 
pode ser mudado este cenário atual.
Pois bem, esta legislação complementar é tomada como fonte de pesquisa e 
direcionamento para a realização do PCMAT. Espera-se que todas as condições 
U1
32 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
sejam criteriosamente avaliadas e confrontadas com as condições in loco, pois o 
bom senso do gestor e sua criticidade devem ser pautados nas condições legais, 
e todas as situações e condições devem convergir para uma efetiva e eficiente 
estratégia do sistema de gestão de segurança.
Continuando com a caracterização do PCMAT, este necessariamente deve 
ser elaborado antes do início das atividades. Como nele estão contemplados 
todos os riscos de todas as etapas da obra, não tem validade definida, embora 
periodicamente o PCMAT deve passar por uma reavaliação global. Neste processo 
deve ser reavaliado seu desenvolvimento, e as etapas a serem cumpridas, bem 
como se ele está atendendo plenamente ao objetivo para o qual foi elaborado. Se 
houver necessidade, podem ser feitos ajustes necessários para que se cumpram 
todas as prerrogativas legais e se estabeleça novas metas e prioridades de 
segurança. O PCMAT é elaborado com a única finalidade de proporcionar ações 
e medidas de segurança do trabalho em todas as fases da obra. Ele envolve em 
seu projeto uma proteção coletiva para atender àquela condição específica. 
Entretanto, a penalização da empresa que não apresentar documentação quanto 
aos riscos inerentes à atividade ali desenvolvida está prevista na Lei 8.213/1991, no 
artigo 133 (BRASIL, 1991). E o PCMAT não deve ser confundido com o PPRA, pois 
que o primeiro é muito mais completo e minucioso quanto aos riscos a que os 
trabalhadores estão expostos. 
Sabe a diferença entre um programa e um laudo? 
O Programa é uma instrução sobre o que se propõe a executar, e um 
Laudo é um parecer que contempla necessariamente a opinião do 
executor na forma de uma conclusão.
1. Quantas são as etapas de um PCMAT? Cite duas delas.
2. Quais são os documentos complementares na elaboração 
do PCMAT?
U1
33O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Seção 3
MÉTODOS E PROCESSOS DE TRABALHO
Chegou o momento para refletirmos quais os fatores que influenciam na 
indústria da construção civil, quais os órgãos e entidades públicas que estão 
envolvidos neste segmento que é essencialmente da iniciativa privada. O que por 
ora é uma garantia para o trabalhador pode se tornar um vício em alguns aspectos 
que barram o crescimento e a implantação de melhorias. Além disso, na prática, 
como acontece esse ciclo de atividades neste segmento profissional. 
3.1 Aspectos políticos da construção civil
Preocupado com um dos segmentos que mais geram emprego no país, 
a construção civil, o governo anunciou muito frequentemente pacotes para 
incentivar o setor. Com o levantamento feito recentemente foram 7,7 milhões de 
trabalhadores e 270 mil postos criados este ano, o que garante ao setor uma posição 
de oitavo lugar no ranking da geração de empregos. Estes números dão ao governo 
argumentos e justificam estas políticas de concessão de estímulos financeiros.
O objetivo primaz destas políticas é incentivar a contratação de trabalhadores, 
diminuindo assim o nível de desemprego, implementar o comércio para que 
haja uma redução no custo da construção de novas moradias e aumentar o 
financiamento habitacional, para que mais pessoas possam adquirir sua casa 
própria. Para isso é necessário haver uma desoneração da folha de pagamento 
do setor, a redução dos tributos e a ampliação do acesso das empresas ao capital 
de giro. São estratégias políticas e econômicas que fomentam e movimentam a 
indústria da construção civil.
Esse pacote de incremento e fomento para a construção civil prevê adequações 
na forma de recolhimento para a Previdência, que gira em torno de 20% sobre a 
folha de pagamento, passará a contribuir com 2% do faturamento, significativa 
alteração. Haverá também redução de 6% para 4% da alíquota do chamado RET, o 
Regime Especial de Tributação, este é um pacote que inclui vários tributos, como 
Imposto de Renda, PIS e Cofins. Além disso, será criada uma linha de capital de giro 
de R$ 2 bilhões para micro e pequenas empresas que estiverem interessadas em 
fazer parte deste segmento do mercado.
U1
34 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Com a implantação de todos estes incentivos, o governo estima que vários são 
os setores da economia que serão beneficiados, não só a indústria da construção 
civil, neste macropropósito estão incluídos setores como a indústria automobilística 
e de eletrodomésticos da linha branca.
Com os efeitos positivos destes incentivos, novos horizontes vão se delineando 
e dando ainda mais credibilidade ao programa lançado, pois há um aumento 
considerável da atividade econômica do setor, reafirmando que a indústria 
da construção civil é um setor que sozinho responde por quase metade dos 
investimentos realizados no país, e dar condições para que esse projeto continue 
a estimular o crescimento do país.
Veremos também outra vertente da política atrelada à construção civil, que consiste 
numa ação que está diretamente relacionada com o desenvolvimento sustentável 
do país, devido à sua relevância na dimensão econômica, social e ambiental, 
apresentando, portanto, um papel dualístico: é um setor positivo nos aspectos 
sociais (empregabilidade) e econômico, porém negativo no aspecto ambiental, pois 
representa uma dasmaiores fontes geradoras de resíduos. Para se ter uma noção da 
importância da construção civil, em 2009 o IBGE elaborou uma pesquisa com dados 
da indústria da construção e o resultado foi que em 2008 as empresas de construção 
alcançaram um processo de fortalecimento da renda e os efeitos das medidas de 
incentivo realizadas pelo governo proporcionaram ao setor realizar incorporações, 
obras e serviços no valor de R$ 159,0 bilhões, com receita operacional líquida de R$ 
149,6 bilhões. As construções executadas cresceram 22,3%. 
Com estes dados, estabelece-se que o mercado da construção civil brasileira 
é um ramo que absorve um considerável número de trabalhadores, por isso sua 
importância fundamental na economia do país, gerando empregos diretos e indiretos. 
Embora existam inúmeras dificuldades no mercado econômico e um longo caminho 
a ser percorrido, os interesses comuns são maiores e formam a base das ações de 
desenvolvimento, existindo então uma força conjuntural para fazer a construção 
civil se modernizar, aumentar sua produtividade, desenvolvendo inovações com 
racionalidade, padronização de procedimentos e preocupação com a sustentabilidade.
Com vistas a alcançar o crescimento outrora almejado, as perspectivas foram 
sendo traçadas de acordo com as condições internacionais da economia e as 
perspectivas reafirmadas dos grandes eventos confirmados no país em 2014 e 2016. 
Com vistas a fazer jus a estes acontecimentos históricos para o país, o governo 
tratou de manter o principal investimento até hoje realizado para este setor, o 
Programa Minha Casa, Minha Vida, lançado em março de 2009, mas que tem 
sido reavaliado e relançado de tempos em tempos e que prevê a construção de 
um milhão de residências com a concessão de subsídios, cujos valores estimados 
somam cerca de R$ 34 bilhões.
U1
35O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Com vistas a manter em alta este e outros programas de menor impacto, mas 
que incentivam igualmente o mercado da construção civil, o grande desafio passa a 
ser uma expansão tecnológica da indústria da construção civil, que precisa atender 
à nova dinâmica da construção industrializada tecnológica. O desenvolvimento 
tecnológico possui índices pontuais quanto à disponibilidade e a geração de mão 
de obra qualificada em diversos níveis do setor da construção civil, seja para o 
desenvolvimento de técnicas existentes, seja para novas demandas, inovações, 
segurança do trabalho e sustentabilidade. Esses fatores chamaram a atenção no 
segmento de edificações, principalmente se comparados a outros países. 
Dados do IBGE mostram que 91% do déficit habitacional se concentra na 
faixa de renda entre zero e três salários mínimos – para esse público o 
plano prevê a destinação de R$ 16 bilhões, para a construção de 400 mil 
moradias. Para as famílias com renda entre três a seis salários mínimos 
serão destinados R$ 10 bilhões, para a construção de mais 400 mil 
unidades, e as demais 200 mil moradias serão destinadas às famílias com 
renda entre seis e dez salários mínimos. Para essa faixa haverá estímulo 
à compra, com redução dos custos do seguro e acesso ao Fundo 
garantidos. Dentro do pacote, o Banco Nacional de Desenvolvimento 
Econômico e Social (BNDES) lançou um programa de crédito, no 
montante inicial de R$ 1 bilhão, para dar suporte às empresas do setor da 
construção civil, especialmente pequenas construtoras e fabricantes de 
materiais de construção.
Para que esse desenvolvimento tecnológico não fique estagnado, a construção 
civil é muito dependente do crédito, tanto para sua produção quanto para sua 
comercialização, crédito este que tende a acompanhar o crescimento dos 
financiamentos imobiliários. Porém, o Brasil ainda apresenta um volume de crédito 
pequeno para esta finalidade, se comparado a outros países. Na cultura brasileira 
existe a tendência de financiamento para imóveis mais caros, o que justifica o 
grande déficit habitacional nas classes de menor renda.
Com relação à construção pesada, o que caracteriza seu baixo índice evolutivo 
e de crescimento é a pouca oferta de crédito, resultante da crise econômica 
mundial que tornou o crédito mais caro e mais reduzido. Para tentar amenizar este 
impacto, busca-se a queda dos juros no país, e para dar à indústria da construção 
civil em larga escala uma motivação, tenta-se atrelar a qualidade de vida e a prática 
do conhecimento sustentável. Dessa forma, tem-se o conceito de sustentabilidade 
U1
36 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
como entendido não apenas como uma questão ambiental, mas como uma 
questão do ser humano em sua totalidade, como o ente principal, fundamental e 
indispensável aos processos produtivos. 
O desenvolvimento sustentável requer uma visão sistêmica na íntegra do 
processo de produção na construção civil, é extremamente atual e considera as 
necessidades de trazer o menor impacto possível ao meio ambiente. Com este 
conceito e tendência a indústria da construção civil confunde-se com a própria 
sustentabilidade nos negócios. Buscando esta sustentabilidade nos negócios, 
as empresas que integram o setor estão sempre amarradas ao próprio conceito 
de sustentabilidade que engendra as dimensões socioeconômico-ambientais. 
São estas dimensões que, interdependentes e inter-relacionadas, constituem o 
enfoque de um crescimento do setor de forma consolidada.
3.2 Aspectos práticos da construção civil
As urgências do mundo moderno nos direcionam para uma efetividade das ações 
de segurança e saúde do trabalho, que devem estar em perfeita interação com a 
gestão global da empresa. Deve haver um sistema integrado harmonicamente aos 
trabalhadores, enfim deve haver uma integração dos setores e dos trabalhadores 
em toda empresa. Quando falamos em segurança e saúde do trabalhador, em 
especial no segmento da construção civil, não podemos deixar de lembrar que 
neste setor é crítica a situação, por conta do alto índice de acidentes, que decorrem 
devido em grande parte pela condição intrínseca das atividades de risco, a grande 
alteração das rotinas e as alterações no cenário que são inevitavelmente distintos à 
medida que as obras avançam. Neste avanço a condição e o ambiente vão sendo 
alterados e há rotatividade das várias equipes, que vão sendo substituídas. Além 
disso, em muitos momentos existe uma multiplicidade de equipes que necessitam 
trabalhar concomitantemente, estas nem sempre pertencem ao mesmo grupo 
que coordena a obra, muitas vezes são trabalhadores terceirizados, dificultando 
a integração, pois não compartilham das mesmas informações e a mesma 
consciência de responsabilidade.
As hostis e severas condições de trabalho neste segmento levam o trabalhador 
a uma grande exposição quanto aos riscos de acidentes e doenças originárias das 
condições de trabalho, pois o canteiro de obras esconde armadilhas e situações sui 
generis capazes de degenerar a qualidade de vida do cidadão. Para tentar minimizar 
esse tipo de situação é necessário adotar no canteiro de obras uma otimização 
dos trabalhos, para que cada atividade tenha seu espaço delimitado, cada atividade 
tenha suas ferramentas ao dispor e um local apropriado para sua armazenagem, 
sem que atrapalhe ou dificulte o fluxo; bem como o canteiro deve ser disposto de 
maneira que elimine a maior possibilidade de riscos possíveis. Vamos ver como 
U1
37O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
deve ser feita a organização do canteiro de obras para melhorar o fluxo de trabalho 
e garantir ideais condições de segurança na realização das tarefas:
• Manter materiais armazenados em locais predefinidos de acordo com 
uma logística que permita o bom andamento da distribuição dos produtos e a 
boa circulação dos trabalhadores, bem como em local estratégico que viabilize 
a armazenagem de materiais de forma adequada, sem extrapolar o que foi 
previsto no dimensionamento da estrutura e sem a obstrução de portas, janelas e 
equipamentosde incêndio;
• Manter desobstruídas vias de acesso, circulação, passagens e escadarias, bem 
como não manter materiais empilhados fora de padrão e que dificulte o manuseio;
• Tubos e vergalhões, perfis e barras e demais materiais de grande extensão 
devem ser armazenados em camadas e com separadores e dispositivos de 
retenção; bem como cal virgem deve ser armazenado longe de umidade e em 
local arejado;
• Se houver na obra a necessidade de utilização de materiais tóxicos, como 
solventes, inflamáveis e corrosivos, os mesmos devem ser mantidos armazenados 
em local isolado com acesso restrito a pessoas devidamente orientadas e 
autorizadas, e o local deve ser devidamente sinalizado;
• As madeiras e escoras devem ser mantidas empilhadas, e pregos e arames 
devem ser rebatidos ou retirados;
• Se houver recipientes de ar comprimido ou gases de solda, devem ser 
devidamente armazenados junto aos produtos inflamáveis e sinalizados;
• Manter o canteiro limpo, organizado e livre de obstáculos é fundamental;
• Coletar e remover regularmente entulhos e sobras de material, com o 
cuidado de não gerar poeira e riscos na remoção; inclusive das plataformas e de 
outras áreas de trabalho; para remoção de entulhos em diferentes níveis, utilizar 
equipamentos mecânicos ou calhas fechadas;
• Para melhorar o trânsito de trabalhadores, deve-se providenciar rampas 
de acesso e escadas provisórias com vistas a atender à transposição de diferentes 
níveis que sejam com altura superior de 40 cm;
• Instalar escadas, rampas e passarelas com madeiras de boa procedência 
e qualidade, construídas dentro dos padrões estabelecidos pela NR, com guarda-
corpo e rodapé;
• As máquinas de grande porte, como betoneiras, e áreas destinadas à 
carpintaria, devem ser instaladas sob cobertura, protegidas das intempéries climáticas;
U1
38 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
• As áreas de produção e as áreas de vivência devem ser devidamente 
identificadas e sinalizadas quanto aos riscos, as condições de conforto quanto a 
refeitório e fornecimento de água devem respeitar o estabelecido na NR-24, com 
uma proporção de um bebedor a cada grupo de 25 trabalhadores;
• A área destinada a refeição deve conter local destinado ao aquecimento 
da refeição e realização da mesma;
• As instalações sanitárias devem ter lavatório, vaso, mictório na proporção 
de um para cada grupo de 20 trabalhadores, um chuveiro para cada grupo de 
10 trabalhadores, área de chuveiro com no mínimo de 0,80 m², e vestiário com 
armário individual e cadeado, conter bancos com largura mínima de 0,30 cm.
• As vias de acesso aos vestiários e a saída da obra devem ser sinalizadas e 
isoladas das atividades desenvolvidas no canteiro. 
Outros cuidados que devem ser tomados quando da instalação do canteiro de 
obras é quanto às construções vizinhas, a análise de tubulações hidráulicas, de gás 
e elétricas deve ser avaliada; se necessário for realizar demolições, é importante 
que muros e paredes sejam devidamente estacados.
Um fator muito importante tanto quanto as medidas físicas de prevenção é 
o treinamento dos funcionários do canteiro de obras, devendo estes passar por 
uma integração que lhes dê condições de compreender todo o funcionamento 
da obra, seu papel enquanto trabalhador deste segmento profissional, suas 
responsabilidades tanto com sua vida como com a dos outros; este treinamento é 
previsto pela legislação e tem duração mínima de seis horas.
Com estes cuidados, que não são vistos como circunstanciais ou opcionais 
em um canteiro de obras na indústria da construção civil, sendo o único meio 
de promover uma nova fase para a construção civil, este segmento passa a ter 
uma conotação mais comprometida com a produtividade e com a segurança, 
como fator agregador ao produto fabricado. Assim sendo, é esperado que alguns 
benefícios imediatos sejam percebidos, tais como: a diminuição dos riscos de 
acidentes; ambientes que proporcionam maior conforto ao trabalhador e geram 
satisfação ao mesmo ajudam-no a aumentar sua produtividade, ambientes 
organizados reduzem o desperdício de materiais, melhora do visual do canteiro 
traz maior credibilidade ao trabalho ali realizado.
As condições de cada etapa da obra estão regulamentadas e são resumidas 
quando é possível estabelecer claramente as fases, como, por exemplo, a 
carpintaria: deve ser dotada com mesas estáveis, carcaça de motor aterrada 
e lâmpadas de iluminação protegidas contra ejeção de partículas, deve ter piso 
resistente, nivelado e antiderrapante, com cobertura para que o trabalhador não 
fique desprotegido. Os armadores devem realizar as dobragens em bancadas 
ou plataformas estáveis, a área de trabalho deve ser coberta para proteção dos 
U1
39O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
trabalhadores contra queda de materiais e intempéries. A colocação de pilares e 
vigas deve ser feita de modo que se executem a prumagem, mesmo que de forma 
suspensa com marcação e fixação de peças; já as operações de soldagem e corte 
a quente, o dispositivo sempre deverá ser utilizado para manusear eletrodos que 
devem ter isolamento adequado à corrente que será utilizada. 
Como medidas de proteção contra queda de altura, fica estabelecido que em 
todo o perímetro da construção de edifícios com mais de quatro pavimentos é 
obrigatória a instalação de uma plataforma principal na altura da primeira laje logo 
depois da concretagem, deve atender à seguinte metragem: ter no mínimo 2,50m 
de projeção horizontal, e acima dela devem ser instaladas plataformas secundárias 
em balanço a cada três lajes. Todas estas são medidas físicas, mas tem também as 
de nível humano, onde os trabalhadores que operam as máquinas e equipamentos 
de transporte devem ter no mínimo Ensino Fundamental completo, caso não 
possuam experiência registrada na CTPS anterior a maio de 2011, e devem passar 
por treinamento e atualizações anualmente; e aos que executam manutenção das 
instalações elétricas, estes devem ter qualificação específica.
Estes fatores na construção civil não eram pontuados como agregadores de 
valor até há alguns anos, mas nessa economia contemporânea todos esses pontos 
são extremamente relevantes, uma vez que é notório que esta multiplicidade de 
fatores pode causar um grande efeito negativo na produtividade. E a construção 
civil brasileira tem evoluído como todo o processo industrial da modernidade, na 
busca pelas certificações nacionais e internacionais, como Sistemas de Gestão da 
Qualidade (SGQ), como ISO 9001 e PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e 
Produtividade no Habitat).
Descobriu-se que os fatores humanos neste segmento da economia, que outrora 
eram renegados, são um grande veio para alcançar um aumento na qualificação 
do trabalhador e na qualidade do serviço por ele executado. Esta qualificação 
trouxe um interesse e uma motivação a essa classe trabalhadora que repercute 
diretamente na produção por ela realizada. Em termos específicos, a diminuição 
dos acidentes de trabalho vem sendo alcançada por meio de uma percepção, 
da conscientização e da integração dos trabalhadores que se identificam como 
profissionais valorizados.
“Mais de dois milhões de trabalhadores brasileiros morrem por 
ano em virtude de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, 
geralmente por conta das condições inseguras. [...] A redução 
U1
40 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Este programa, embora comprovadamente eficiente, ainda não atingiu a 
totalidade das empresas deste segmento econômico. Os resultados na construção 
civil referentes à diminuição nos acidentes de trabalho e profissionalização dos 
trabalhadores ainda têm números negativos, pois muitas empresas não se 
conscientizaram da importância desse fator e da necessidade da integração 
humana ao programa de higiene e segurança do trabalho como fundamentais 
ao crescimento da organização. A melhora das condições nos canteiros de 
obras está em vigor desde1995, através da NR-18, contudo a falta de fiscalização 
proporcionou uma certa inércia operacional em relação às adequações legais. 
Desde condições muito simples, como as de sanitários, refeitório e vestiário, até 
as mais complexas, quanto a EPI e equipamentos de grande porte, sempre foram 
relegadas e, assim, também o papel do trabalhador deste setor, que, desmotivado, 
não aderia a nenhum tipo de projeto e ação de segurança do trabalho.
Assim sendo, como não havia entusiasmo no exercício da profissão, o 
trabalhador tinha no ambiente a expressão do desleixo e a ideia de desnecessário. 
Qualquer tipo de ação que viesse a contrariar a ordem natural que até então 
era seguida não tinha nenhuma repercussão e, desta forma, a caracterização da 
atividade como uma das mais onerosas ao INSS e MTE. Nesta evolução tecnológica 
e a necessidade de apresentar resultados que desonerassem a carga tributária da 
empresa, desenhou-se um novo cenário da construção civil, onde a integração 
e envolvimento de todos junto a uma legislação que propõe condições ideais 
alavancou este novo conceito de trabalhador da construção civil e das condições 
de conforto e higiene dos canteiros de obra.
de acidentes é possível graças ao investimento em ações 
preventivas dentro dos canteiros [...] Entre as medidas adotadas 
pelas empresas, a distribuição de Equipamentos de Proteção 
Individual (EPIs), [...] a capacitação de funcionários por meio de 
cursos e palestras; além de fiscalização constante pelos técnicos 
de segurança e mestres de obra [...], geram bons resultados nos 
canteiros de obra” (AÇÕES..., 2012).
Essas ações práticas são assertivas, contudo ainda existe muita 
resistência. Você acredita que este tipo de resistência é maior 
por parte das empresas ou dos trabalhadores que não têm uma 
cultura de prevenção? Reflita se estas pré-noções frequentes 
atrapalham a implantação de novos conceitos; cabe aos órgãos 
públicos punições mais pesadas ao setor, ou cabe uma maior 
adesão por parte dos empregadores neste esforço de realizar 
uma transformação cultural nos canteiros de obras?
U1
41O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Para que esse novo cenário continue a ser definido, é necessário que os 
treinamentos e as integrações sejam cumpridos e, assim, a cultura do trabalhador 
seja revista e este passe a se comportar e se entender como uma chave essencial 
ao crescimento da construção civil, que na atualidade é uma das responsáveis pelo 
crescimento da economia no país.
Atualmente, para iniciar o canteiro de obras e para regê-lo, os responsáveis têm 
à mão a NR-18, que tem todas as normativas quanto à realização de cada etapa da 
construção. Lá também está definido como cada fase da obra deve preparar seu 
trabalho com vistas a complementar e a ser complementado pelas fases seguintes, 
nela também estão contemplados alguns serviços de alto risco, como a instalação 
de gruas, trabalho em altura, os anexos darão conta destes riscos em minúcias. 
Também em anexo estão os procedimentos quanto aos acidentes ocorridos neste 
setor em específico, pois um trabalho de investigação e acompanhamento deve 
ser registrado com vistas à não ocorrência do mesmo.
Cada obra constitui-se num produto único, suas variáveis são quanto ao 
tamanho, quantidade de mão de obra, equipamentos, materiais utilizados, capital 
investido, conteúdo e complexidade de tarefas. A contratação dos trabalhadores se 
dá de acordo com as etapas da construção, não é possível uma ordem fixa na obra 
durante toda a sua execução. Baseadas nestas características, muitas empresas 
justificam o descumprimento da legislação trabalhista, quanto aos encargos sociais 
e às determinações da NR-18 (PCMAT). Mas, nos últimos anos, esforços têm 
sido feitos para introduzir na indústria da construção civil a Gestão da Qualidade 
Total, que já se incorporou no cenário da indústria nacional de outros ramos. Na 
construção civil brasileira, foi na década de 90 que os primeiros movimentos em 
direção à abordagem ampla do controle da qualidade surgiram de forma mais 
organizada, tendo os estudos voltados para cada etapa do processo do projeto, 
sincronia na execução de obras, realização de manutenção, desperdícios de 
material e de tempo, retrabalhos, entre outras atividades relacionadas à produção de 
edifícios. Como o setor de construção civil se divide em três campos: edificações, 
construção pesada e montagem industrial, vamos dar atenção às edificações, 
onde perceberemos que a realização de partes de obras por especialização 
constitui-se em fases, que vão desde o processo edificativo à execução de serviços 
complementares à edificação. 
Nesta linha teremos o subsetor de edificações marcado pela heterogeneidade 
no porte e na capacitação tecnológica e empresarial das empresas, onde estarão 
presentes empresas de grande porte, com estruturas administrativas complexas, 
juntamente com pequenas e microempresas sem organização empresarial. 
Neste subsetor de pequenas e microempresas não há padronização de processo 
de produção, sendo cada produto único e cada ambiente de trabalho se altera 
constantemente. A estrutura organizacional, de base manufatureira, define como as 
U1
42 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
tarefas serão alocadas dentro deste tipo de empresa, e quais os mecanismos formais 
de coordenação e interação serão utilizados. A dinâmica de trabalho é estruturada 
por funções, onde há uma hierarquia formada por mestres de obras, pedreiros e 
serventes, que estão divididos pela hierarquia do canteiro de obras, com rígido 
controle técnico exercido pelos engenheiros e técnicos, e outro rigoroso controle 
administrativo disciplinar exercido pelos apontadores e encarregados administrativos. 
Nesta visão, o canteiro de obras se constitui, na maioria das vezes, no local de 
aprendizagem do ofício, tendo um padrão ultrapassado de profissionalização, onde 
a formação do operário de construção se constrói no interior da sua própria força 
de trabalho. O principal problema com a mão de obra sendo contratada neste 
formato é, por parte do trabalhador, com relação ao uso dos EPI’s.
Equipamento de Proteção Individual - EPI é 
destinado à proteção contra riscos identificados 
no ambiente capazes de ameaçar a segurança e 
a saúde do trabalhador. O EPI só será obrigatório 
nos termos legais se o EPC (Equipamento de 
Proteção Coletiva) não atenuar ou eliminar os 
riscos completamente, ou se oferecer proteção 
parcialmente que necessite ser complementada. 
No caso da construção civil, como o canteiro de 
obras é um espaço de constantes mudanças e 
com alternância de qualificações profissionais, 
embora haja EPCs que devem ser adotados e 
permaneçam até o final da obra, a adoção dos 
EPIs é incondicional. 
O uso do EPI atende à necessidade de 
proteção eficiente e suficiente para a atenuação 
dos riscos ali configurados, de modo que, mesmo 
existindo o EPC implantado, não há como dar 
Para se obter um CA, o fabricante ou importador deve enviar 
uma amostra do equipamento para um laboratório autorizado, o 
laboratório faz testes com esse equipamento e emite um laudo com as 
características do produto. Esse laudo é enviado ao MTE para emissão 
do CA, que garantirá o padrão dos equipamentos que devem obedecer 
às especificações presentes no laudo.
3.3 EPIs
Figura 1.1 | EPI
Fonte: Shutterstock (2015),
U1
43O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
garantias de efetiva e total proteção enquanto na realização das atividades, quanto 
aos acidentes de trabalho e doenças profissionais e do trabalho.
Quanto aos EPCs, eles podem ser adotados para, por exemplo: enclausuramento 
acústico para fontes de ruído, sistema de ventilação em locais de trabalho, a 
proteção de partes móveis de máquinas e equipamentos, a sinalização de segurança, 
corrimão de escadas e etc. O EPC tem uma característica muito peculiar, que é 
a não dependência da vontade do trabalhador para atender a suas finalidades,ele 
deve por si dar garantias de segurança somente por estar ali estabelecido, e sua 
eficácia independe da condição do trabalhador aderir à utilização. O princípio do 
EPI e do EPC é o mesmo, minimizando os efeitos negativos de um ambiente de 
trabalho que apresenta diversos riscos ao trabalhador. 
Para tanto, veremos que o EPI necessita que o trabalhador reconheça os riscos 
a que está exposto e decida-se em cuidar e zelar por sua integridade física, não 
há eficácia na implantação de um EPI se o trabalhador não entender que o maior 
beneficiário é ele. A legislação que regulamenta o estabelecimento do EPI está na 
NR-6. Nela está estabelecido que é a empresa a responsável em adotar as medidas 
de proteção individual e implantá-las, devendo para isso fornecer os EPIs e exigir seu 
uso. Esta NR também estabelece quais são os equipamentos e sua regulamentação 
para que atendam a necessidade do trabalhador, determina que apenas os EPIs que 
passarem por um processo de avaliação e estiverem certificados pelo Ministério 
do Trabalho e Emprego é que poderão ser adotados e terão as características 
necessárias para atender a necessidade do trabalhador (BRASIL, 2014b).
Quer saber onde são realizados os testes que validam os EPIs concedendo 
a eles o CA? Acesse o link: <http://www3.mte.gov.br/seg_sau/epi_
ensaiados.pdf>. 
De acordo com cada atividade é que se estabelece os EPIs necessários, pois 
essa definição depende de fatores como:
• riscos estabelecidos; 
• tempo de exposição;
• atividade desenvolvida. 
Com base nestas informações e de acordo com o local onde é realizada a 
atividade, estabelece-se a forma mais eficiente de proteger a integridade física do 
U1
44 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Figura 1.2 | Placas indicativas de segurança 
Fonte: Shutterstock (2015),
trabalhador. Atualmente já estão definidos, para quase todas as funções existentes, 
quais os EPIs são utilizados e como devem ser utilizados, porém nada impede 
de termos que avaliar os fatores e determinar para uma condição qualquer um 
EPI que ainda não tenha sido adotado, levando em consideração que pode ser 
uma condição especial, para uma tarefa especial, fato que é até corriqueiro para a 
segurança do trabalho.
A distribuição do EPI está regulamentada pela NR-6, que determina a entrega 
do equipamento de proteção individual mediante treinamento realizado com os 
trabalhadores, com vistas a orientá-los e conscientizá-los quanto à obrigatoriedade 
de utilização, pois faz parte de uma exigência legal, quanto à utilização correta 
para os fins a que se destina, quanto à sua conservação, e que a responsabilidade 
de cuidar e zelar por este equipamento deixa de ser da empresa e é repassada ao 
trabalhador, já que é dele a necessidade de utilização (BRASIL, 2014b).
Este treinamento deve ser devidamente registrado em lista de presença com a 
assinatura dos participantes e, quando da entrega do EPI ao trabalhador, o mesmo 
também deverá assinar um termo de recebimento, este deverá contemplar os 
dados da empresa, os dados do trabalhador, como nome e data de admissão e 
função, os termos legais de estabelecimento do EPI pela legislação contidos na 
CLT na NR-1 e NR-6, das responsabilidades do trabalhador, e campo para data e 
assinatura do trabalhador, bem como os dados do EPI, por exemplo:
Quantidade;
Descrição do EPI;
CA;
Data de entrega;
Assinatura do trabalhador.
Sem este documento, embora 
o empregador entregue o EPI 
ao trabalhador, ele não está em 
conformidade com a legislação. Toda a 
compra que for realizada de EPI, deve-
se atentar para os CAs exigidos e suas 
validades; a compra de EPIs deve ser 
através de consulta também à NR-6, 
que já tem uma lista definida de EPI para 
cada membro do corpo que encontra-
se no Anexo I, este direcionamento deve 
ser atrelado ao levantamento realizado 
in loco na atividade.
U1
45O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Figura 1.3 | Trabalho em altura
Fonte: Istock (2012).
ser preso também em cabo-guia com as 
mesmas orientações de fixação. Neste 
caso ainda de movimentação periférica 
ou externa de edificações, o trava-quedas 
também é um equipamento de segurança 
que deve ser adotado para ser fixado no 
cabo-guia e ser assim um dispositivo a 
mais de segurança, para que no caso de 
queda não haja qualquer possibilidade de 
rompimento e a queda venha a ser fatal.
Bem, quando se fala em altura, a partir 
de quantos metros estamos falando? 
Estamos falando que todo esse aparato 
deve ser empregado quando o trabalhador 
for executar uma tarefa acima de 2 m, até 
esta altura de 2 m não há necessidade 
de montar toda esta estrutura. Percebam 
que falamos de preparar o local para que 
seja instalado este tipo de estrutura para a 
fixação do cinto de segurança, mas para 
qualquer atividade que fique abaixo dos 2 
Vamos dar exemplo de acordo com a atividade realizada na construção civil, 
armador:
Capacete é fundamental, aliás para qualquer trabalhador que ingressar no 
canteiro de obras o capacete e o sapato são equipamentos essenciais;
Luva de raspa, pois o material com o qual ele trabalha pode acometê-lo de um 
acidente com as mãos;
Óculos transparente para os olhos, pois fagulhas podem espirrar e atingir seus 
olhos;
Protetor auditivo, pois equipamentos podem ser utilizados no canteiro e isso 
afetará as condições ideais de audição do trabalhador.
Ainda na construção civil, quando o trabalhador tem que realizar atividade 
em altura, o que deve ser utilizado? Bem, nesse caso existe um conjunto de 
equipamentos de segurança que devem ser adotados, começando pelo cinto de 
segurança modelo paraquedista, mas o trabalhador deve ser orientado a utilizá-
lo prendendo-o a um cabo-guia que deve ser preso à estrutura ou em local fixo; 
aliado ao cinto vem o talabarte, que se faz necessário aos trabalhadores que se 
movimentam horizontalmente na parte externa da edificação, este talabarte deve 
U1
46 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
metros se deve também ter os mesmos cuidados quanto à segurança, só não com 
a obrigatoriedade deste EPI.
Para os casos de adoção dos protetores auditivos plugs ou conchas associados 
à implantação do EPI, deve existir a consulta à NR-15 e seus anexos, que trazem 
informações quanto aos níveis de pressão sonora existentes em cada atividade, 
somando-se a isso as condições locais, e a própria condição pessoal do trabalhador 
deve ser considerada.
Para os protetores faciais, as considerações estão disponíveis também no Anexo 
I da NR-6, porém conforme cada tipo de exposição. No caso da construção civil, 
pode acontecer de num canteiro de obras existir atividade com solda, e também 
poeira, e para cada um destes ofícios uma máscara é indicada (BRASIL, 2014b).
Também está dividida a proteção do tronco, membros superiores e inferiores. 
Para o tronco é nas condições em que as atividades estão relacionadas à 
umidade, altas temperaturas e respingos e fagulhas que possam se desprender de 
equipamentos que estejam sendo manipulados. Para os membros superiores são 
as luvas as mais utilizadas no segmento da construção civil, embora os mangotes 
sejam obrigatórios quando da utilização da solda. Para os membros inferiores, 
o sapato é o primeiro a ser indicado e deve apresentar estrutura adequada para 
terrenos instáveis e com deformidades.
Para os trabalhadores habilitados em trabalhar com rede energizada, todos os EPIs 
por eles utilizados estão dispostos na NR-10, pois estes apresentam características 
bem distintas dos demais EPIs, ainda lembrando que no caso da construção civil 
é muito comum o trabalho a céu aberto, para isso devem ser disponibilizados aos 
trabalhadores protetores solares, que também estão elencados como EPI e devem 
ser individuais e constar na ficha de entrega de EPI e assinado pelo trabalhador.
Devemos estar sempre atentos e deixar claro que a condição de proteção 
coletiva é sempre racional e eficaz, pois advém a percepçãoda adoção do EPI, e 
esta é uma condição primária à garantia de salubridade no ambiente de trabalho, 
mas em situações fortuitas é o EPI que fornece a segurança quanto aos agentes 
agressivos à saúde do trabalhador.
Outra característica que merece destaque é a troca periódica do EPI, necessária 
após um determinado período de uso, já que todo equipamento tem um período de 
vida útil, no qual ele tem a finalidade de neutralizar a insalubridade a que se destina. 
Neste ponto é que as empresas costumam pecar, pois ao entregarem, não mais 
atentam para a necessidade de fiscalizar este procedimento de troca, sendo comum 
os empregados utilizarem um protetor auricular do tipo plug por um ano, quando, 
de acordo com os peritos, a vida útil do mesmo é em média dois meses, mas pode 
ser aumentado ou diminuído de acordo com a situação em que é utilizado.
U1
47O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Lembramos de forma oportuna que os EPIs, sua adoção, sua aplicabilidade, 
sua fiscalização devem ser uma situação que requer grande cuidado por parte das 
empresas. Devendo existir um setor ou pessoa específica para tal função, levando-se 
em conta o tamanho da organização, para que possa fiscalizar o uso do equipamento, 
a entrega, o treinamento e demais obrigações exigidas pela legislação. 
Os EPIs, quando devidamente estabelecidos e prescritos, utilizados e 
conservados, firmam-se como instrumentos de neutralização da insalubridade, 
descaracterizando assim adicional a ser pago ao trabalhador, pois de acordo com a 
CLT, em seus artigos 191 e 194, quando a insalubridade é eliminada ou neutralizada 
mediante as medidas de prevenção, ficando dentro dos padrões de tolerância 
determinados pela legislação, cessa-se o risco à saúde e à vida do trabalhador. 
Lembrando que o fornecimento do EPI ao trabalhador será em caráter obrigatório 
e gratuito por parte da empresa, ficando sob a responsabilidade do empregado sua 
guarda e conservação. 
1. Qual é a NR específica que trata da descrição dos EPIs para 
as diversas finalidades e proteção do trabalhador?
2. O que é necessário para que o EPI seja adotado e qual a sua 
finalidade?
Como vimos no decorrer desta unidade, a indústria da 
construção civil é atualmente um negócio da economia que 
tem dado muito retorno para o crescimento do país, é um 
segmento que tem deixado as características rudimentares e 
adotado um perfil muito mais próximo da evolução tecnológica 
do mundo contemporâneo.
U1
48 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Com estes princípios, a legislação está sendo atrelada e 
construída para contribuir com os trabalhadores, visando 
torná-los mais qualificados e inseridos neste mercado moderno 
da economia, pois estabelece várias mudanças às quais estes 
trabalhadores têm que se adaptar para que continuem no 
mercado de trabalho. 
Tão importante quanto qualificar e tornar o trabalhador eficiente 
em seu ofício é garantir que as condições de vida e saúde do 
mesmo sejam preservadas. Num plano secundário, quando essa 
ideia é trabalhada e os acidentes e doenças ocupacionais ou do 
trabalho são reduzidos, para o governo é menos impactante, 
uma vez que quando estes índices são altos, os afastamentos e 
tratamentos médicos são custeados pelo poder público através 
do INSS. Com vistas neste custo altíssimo que o trabalhador passa 
a gerar no INSS é que as legislações e normativas são aprovadas 
e decretadas, cabe então às empresas acatá-las e cumpri-las.
É evidente a importância de se ter uma legislação que determine 
e oriente todas as ações e condutas necessárias para a indústria 
da construção civil como um grande nicho no mercado 
financeiro. Mas, além dos fatores econômicos importantes, existe 
a condição do avanço tecnológico, que também este setor vem 
conquistando e assumindo. Como não considerar a indústria da 
construção civil como um grande mercado, onde ainda existem 
inúmeras situações a serem readequadas e configuradas?
Essa nova tendência da construção civil engendra o lado 
humano com igual valor com o lado tecnológico, por isso 
medidas tão rígidas de controle dos canteiros de obras, onde 
a presença humana é o fator que move toda a logística da 
produção. Pessoas bem treinadas, conscientes, qualificadas 
e comprometidas possibilitam uma melhora na qualidade e 
quantidade de produto realizado, é essa a verdadeira meta, 
onde se possa consolidar a indústria da construção civil e a 
qualidade de vida dos trabalhadores, sem que haja o estigma 
de serviço de baixo valor e qualidade.
U1
49O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Então, caros alunos, chegamos ao final desta unidade, espero 
que tenham gostado do conteúdo aqui discorrido. Vamos agora 
apontar o que mais nos é relevante, ou seja, de tudo o que 
aprendemos, o que nos será mais exigido enquanto profissionais 
da segurança do trabalho.
Precisamos conhecer a NR-18 e todos os pontos que ela apresenta. 
Que fique claro: não é mister que decoremos, mesmo porque é 
uma legislação que pode ser alterada de tempos em tempos, 
entretanto precisamos conhecer sobre quais assuntos ela discorre.
Também nos é muito importante a confecção do PCMAT, 
devemos conhecer as condições e a legislação para a elaboração 
do mesmo, que se dará em conjunto com os gestores da obra.
E para finalizar, é fundamental que conheçamos os EPIs disponíveis 
e indicados e com uma análise in loco saibamos adotar as medidas 
mais assertivas quanto à segurança dos trabalhadores, pois dessa 
decisão muitas e muitas situações podem ser evitadas, desde as 
intrinsecamente práticas quanto à utilização dos mesmos, quanto 
aquelas que envolvem o fator econômico, seja por acidentes, seja 
por reclamatórias trabalhistas.
Que vocês sejam excelentes profissionais e se mostrem muito 
comprometidos com a segurança dos trabalhadores. Boa sorte!
1. Qual é o documento obrigatório que deve ser elaborado 
segundo a legislação quando no segmento da indústria da 
construção civil?
U1
50 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
2. Para a elaboração do PCMAT, quais são os programas 
necessários que dão subsídio de informações e sem os quais 
não tem como realizar o PCMAT?
3. Em qual NR está disposta a obrigatoriedade do PCMAT?
4. Além do EPI, qual outro método de proteção deve ser 
adotado na indústria da construção civil?
5. Aponte os EPIs destinados à proteção para trabalhadores 
que desenvolvem trabalhos em altura.
U1
51O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
Referências
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52
U1
O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil
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(atualizada)%202014.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2014.
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CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Resolução n° 437, de 27 de 
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HERKENHOFF FILHO, Helio Estellita. Nova competência da Justiça do Trabalho: EC n. 
45/04: e outros estudos de processo do trabalho. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006.
SCHIAVI, Mauro. Competência material da Justiça do Trabalho brasileira: à luz 
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VARGAS, Carlos Luciano Sant’Ana et al. Conscientização e treinamento dos 
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4., 2008, Ponta Grossa. Anais eletrônicos... Ponta Grossa: UEPG, 2008. Disponível 
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Unidade 2
TRABALHO EM 
ALTURA. TRANSPORTE, 
MOVIMENTAÇÃO, 
ARMAZENAGEM E MANUSEIO 
DE MATERIAIS
Objetivos de aprendizagem: A presente unidade objetiva que ao final deste 
estudo o aluno seja capaz de conhecer normas que estabelecem diretrizes 
para o desenvolvimento de trabalho em altura e transporte, movimentação, 
armazenagem e manuseio de materiais. Também tem por objetivo demonstrar 
quais pontos das principais normas e legislações são relevantes aos ramos de 
atividade econômica que serão expostos nesta unidade.
Demonstrar que é possível desenvolver práticas prevencionistas de 
maneira proativa, quando o profissional está dotado dos conhecimentos 
expostos nesta unidade.
Objetiva-se expor ao futuro profissional de segurança do trabalho que, 
independente de cobranças por produtividade e agilidade de execução de 
atividades laborais, não é possível largar mão das normas e procedimentos 
de segurança, e sempre a condição de saúde e segurança do trabalhador 
deve prevalecer sobre qualquer outro aspecto. 
Flávio Augusto Carraro
Nesta seção será abordado o conjunto de medidas que são obrigatórias 
para o desenvolvimento de trabalho em altura, a identificação de riscos 
Seção 1 | Trabalhos em altura 
54
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Nesta seção serão introduzidos alguns aspectos da evolução da legislação 
para o desenvolvimento do transporte, movimentação, armazenagem e 
manuseio de materiais. 
Seção 2 | Introdução aos aspectos históricos das 
normativas referentes ao transporte, movimentação, 
armazenagem e manuseio de materiais e as normas 
relacionadas
Nesta seção serão apresentados alguns possíveis riscos que podem estar 
associados ao transporte de cargas de materiais e pessoas. Serão indicadas 
soluções para uso de equipamentos na construção que possam atuar como 
proteções coletivas em equipamentos em transporte, movimentação.
Nesta seção serão apresentados alguns possíveis riscos que podem 
estar associados aos equipamentos usados na construção civil, à 
estrutura da construção ou no canteiro de obras, e complementa a 
discussão iniciada na seção anterior quanto à armazenagem e manuseio 
de materiais e como atuar preventivamente na segurança do trabalhador.
Seção 3 | Proteções coletivas em equipamentos em 
transporte, movimentação 
Seção 4 | Proteções coletivas no canteiro e armazenagem 
e manuseio de materiais 
para este tipo de trabalho. Também serão expostas as principais estratégias 
e medidas preventivas sugeridas normativamente para o desenvolvimento 
do trabalho seguro em altura. 
55
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Introdução à unidade
Quando se fala em prevenção em Segurança do Trabalho e gerenciamento 
dos riscos em trabalho em altura e o domínio dos riscos que estão envolvidos no 
transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais, estamos falando 
de um universo onde alguns ramos de atividades participam substancialmente 
para a evolução da economia de um país, como é o caso da construção, sistema 
energético, por exemplo, (para trabalho em altura) e os sistema de logística (no 
caso do transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais), e não 
restringindo somente a estes.
Há também de considerar que são ramos de atividades de elevado potencial 
de empregabilidade, e que pela importância econômica, são cobrados para 
desenvolver a agilidade quanto à prestação dos seus serviços/trabalho, e por meio 
de metas e os prazos curtos, acabam submetendo seus trabalhadores a condições 
e exigências nem sempre seguras aos profissionais de um modo geral.
56
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
57
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Seção 1
Trabalhos em altura 
Para começar a discutirmos os assuntos pertinentes à segurança do trabalho 
em altura, primeiramente é necessário entender a qual tipo de trabalho a Norma 
Regulamentadora nº 35 - Trabalho em Altura faz referência. Segundo a NR-
35, considera-se trabalho toda atividade executadaacima de dois metros do 
piso de referência, seja em elevação ou em profundidade, onde haja risco de 
queda. Podem ser compreendidos como em elevação trabalhos em escada, 
andaimes, plataformas, em escalada (popularmente “rapel”), entre outros, e 
para a exemplificação por profundidade entram poços, escavação. Áreas mais 
comuns de fazerem uso do trabalho em altura: construção civil/manutenção 
predial, geração e transmissão de eletricidade, telecomunicações, ramos 
industrial em geral (instalações industriais), ramos da mineração/escavação 
(espaços confinados), extração florestal (extração em altura), resgates, usinas 
de produção de combustível, armazenagem de grãos, sistemas logísticos e de 
cargas em geral (BRASIL, 2014b). 
A norma NR-35 não é a única norma que fala em trabalho em altura, no 
entanto expõe objetivamente requisitos para a proteção dos trabalhadores 
quando existem diferenças de níveis, sobre os quais precisam ser considerados 
possíveis riscos de quedas. A NR-35 estabelece bem as responsabilidades tanto 
do empregado e do empregador, e dá direcionamento às ações de prevenção 
que as empresas precisam adotar, como os treinamentos, por exemplo, 
procedimentos, e instrui sobre o uso de equipamento de segurança individual e 
coletiva. A norma NR-35 vai mediar a relação entre empregado e empregador, 
determinando as devidas responsabilidades (BRASIL, 2014b).
A complexidade e as configurações dos riscos sob os quais os trabalhadores 
estarão submetidos, ou seja, depende muito mais da análise de quem 
configurará a condição de trabalho, podendo ser solidária a responsabilidade 
do empregado e do empregador. A consulta à norma NR-35 é um início do 
procedimento, porém não é o único.
Embora exista uma norma específica em trabalho em altura, o profissional 
de segurança do trabalho deve procurar a NR-35 como diretriz das ações para 
prevenção, no entanto existem outras normas de igual importância, como 
é o caso da NR-18 – Condições de Meio Ambiente do Trabalho na Indústria 
da Construção (BRASIL, 2013), que aborda de maneira mais especializada os 
58
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
trabalhos em altura neste tipo de atividade em específico, e apresenta rica fonte 
de informações e em detalhes em seus anexos. E de uma forma complementar, 
a RTP 01 - Recomendação Técnica de Procedimentos N.º 01 (FUNDACENTRO, 
2003) dá apoio à NR-18.
 Ainda fazendo referência à segurança do trabalho, não podem deixar de 
ser consultadas:
• NR-6 – Equipamento de Proteção Individual (BRASIL, 2014a).
• ABNT/NBR 15475/2007 – Acesso por corda e certificação de pessoas 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2008b).
• ABNT/NBR 15837/2010 – Equipamento de proteção individual contra 
queda de altura – conectores. Aplica-se a conectores utilizados em trava-quedas, 
sistemas de posicionamento, sistemas de retenção e sistemas de salvamento 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011h).
• Demais Normas Brasileiras Regulamentadoras da Associação Brasileira de 
Normas Técnicas (NBR/ABNT) - conforme o ramo de atividade. 
Em específico, a RTP 01 - Recomendação Técnica de Procedimentos nº 1, 
desenvolvida pela Fundacentro, objetiva complementar a NR-18, e é dotada 
de linguagem facilitada pela presença de esquemas e desenho de exemplos 
demonstrando aplicabilidade em várias circunstâncias da construção civil e do 
trabalho em altura (FUNDACENTRO, 2003).
Estas normas partem da prerrogativa de que a intepretação da realidade é 
que determinará o gerenciamento do risco, já que existem diferentes condições 
de segurança em trabalhos em altura, em todos os ramos de atividade, exigindo 
condições muito específicas para que os riscos sejam suprimidos.
Normas Regulamentadoras (Ministério do Trabalho e Emprego): 
<http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.
htm>. 
Recomendação Técnica de Procedimentos (Fundacentro): <http://
www.fundacentro.gov.br/biblioteca/recomendacao-tecnica-de-
procedimento>. 
59
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
1.1 Objetivos das normas NR-18 e a NR-35 e aplicação nos ramos das 
atividades econômicas 
Quando uma norma busca estabelecer os requisitos mínimos, como é o caso 
das NR-18 e a NR-35, o direcionamento da palavra mínimo será para que haja ao 
menos o que esteja na norma, para fins de fiscalização e auditorias, na qual a 
pessoa esteja minimamente assegurada ao risco de queda. Isto não impede que os 
empregadores adotem medidas protetivas que garantam a eliminação dos riscos 
por completo, de maneira mais preventiva do que está descrito na norma.
1.2 Determinação de responsabilidades
A prevenção dos trabalhos em altura não se faz somente pelo uso de 
equipamentos, mas também por um conjunto de procedimentos e treinamentos, 
e a norma NR-35 determina primeiramente quais serão as responsabilidades 
a serem consideradas, independentemente de quem seja a pessoa que vai 
desenvolver o trabalho em altura. Pela NR-35, tem o empregador obrigação de 
presumir prevenção sempre, e grande parte das responsabilizações poderá recair 
sobre a empresa, e sobre seus representantes diretos, normalmente delegada aos 
profissionais de segurança do trabalho, e tal responsabilidade deve ser considerada 
quando existem terceirizados envolvidos também (BRASIL, 2014b).
1.2.1 Responsabilidade do empregador
Ao empregador caberá sempre a obrigação de implementar medidas que 
contribuam para proteção, considerando as normas regulamentadoras citadas, 
que possuam por leis a obrigação do uso das mesmas. Não poderá nunca alegar 
desconhecimento da existência dessas exigências.
Por meio de equipe especializada, seja pelo SESMT quando o dimensionamento 
da empresa permitir, ou por meio de contratação, a empresa deverá sempre 
garantir que existam procedimentos formatados, ordens de serviço que prevejam 
procedimentos que garantam a Análise de Risco (AR)/Análise Preliminar de Risco 
(APR). A CIPA deverá sempre estimular que tais procedimentos existam, porém 
diretamente só estarão aptos a fazer se estiverem amparados por profissional 
especializado em segurança.
Análise de Risco – AR ou Análise Preliminar de Risco: “avaliação dos riscos 
potenciais, suas causas, consequências e medidas de controle”. (BRASIL, 
2014b, p. 5).
60
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Em que consiste a APR? Trata-se de um procedimento prévio à execução do 
trabalho em altura que identifique todas as variáveis que possam interferir no 
trabalho e atentar à vida do trabalhador, que amparará a tomada de decisão para 
instalação dos devidos EPCs e uso de EPIs mais específicos durante a execução 
do trabalho. Cabe também, dentro da APR, avaliação da viabilidade da execução 
do serviço, bem como a experiência e estado físico, emocional e, mesmo, de 
formação do profissional.
Todo este cuidado se faz necessário, pois segundo a NR-35, deve haver uma 
Permissão de Trabalho (PT), na qual há a descrição de um roteiro de trabalho para 
o preparo, como em um “checklist” de conferência para execução das diversas 
etapas, ou seja, procedimentos operacionais antes de efetivamente haver o 
trabalho em altura (BRASIL, 2014b).
Ao empregador sempre caberá garantir aos trabalhadores informações 
atualizadas sobre os riscos e as medidas de controle, e somente permitir que 
Em situações onde são elevados os riscos de queda/acidente, muito em função 
da frequência e intensidade de trabalho, há de se fazer um estudo detalhado 
de adoção de técnicas definitivas de prevenção, como adoção dos famosos 
“cabos de vida” ou mesmo fixação de pontos de apoio fixos. O planejamento, a 
implementação e a adoção de medidas complementares devem ser feitos por 
profissional competente e habilitado, geralmente pessoas especializadas em 
trabalho em altura, e o profissional de segurança do trabalho pode ser um destes, 
desde que tenha cursos especializados no assunto que o habilitem.“Permissão de Trabalho - PT: documento escrito contendo conjunto de 
medidas de controle visando ao desenvolvimento de trabalho seguro, 
além de medidas de emergência e resgate.” (BRASIL, 2014b, p. 5). 
“Operação Assistida: atividade realizada sob supervisão permanente de 
profissional com conhecimentos para avaliar os riscos nas atividades e 
implantar medidas para controlar, minimizar ou neutralizar tais riscos.” 
(BRASIL, 2014b, p. 5).
61
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
qualquer trabalho em altura inicie-se somente após conferidas as medidas de 
proteção definidas na NR-35, e na NR-18 quando o trabalho em altura for na 
construção civil. O empregador é responsável de paralisar a atividade quando 
esta oferece risco iminente ou nenhuma das medidas previstas em normas for 
atendida. A atividade somente voltará a acontecer se houver a neutralização e 
eliminação total do risco de queda. O empregador deve adotar procedimentos por 
meio de documentos dos procedimentos de operações padrões (POPS), de modo 
a garantir a rastreabilidade das informações (antes, durante e depois) dos serviços, 
para possível investigação em caso de acidente (BRASIL, 2013, 2014b).
1.2.2 Responsabilidade do trabalhador
Ao trabalhador cabe a si mesmo assegurar as suas condições ideais de trabalho 
para salvaguardar sua vida, segurança e saúde. Pode parecer redundante, mas na 
verdade, dentro das relações de trabalho, o trabalhador sempre se coloca submisso 
à condição de risco por necessidade de sobrevivência.
No trabalho em altura, ao contrário do que se imagina, é mais preocupante em 
empresas de pequeno porte do que nas grandes. Nas primeiras, prestam serviços 
de diversas maneiras, sem que haja consideração dos requisitos essenciais de 
segurança para trabalho em altura, por conta da própria condição econômica 
em que se encontram, negligenciando a adoção de EPIs, EPCs, tampouco 
preocupados com procedimentos padrões de segurança e requisitos mínimos da 
norma NR-35. Para exemplificar, pequenas empresas cujo trabalho esteja envolvido 
em instalações elétricas, de pintura, de instalação de gesso, se enquadram com 
trabalho em altura, ao mesmo tempo em que “quarterizam” seus serviços a 
“autônomos”, gerando uma rede de “desinformação”, uma vez que estão pouco 
cientes tanto de seus direitos, de suas responsabilidades, quanto à possibilidade de 
exigir condições de segurança para o desenvolvimento dos trabalhos em altura.
Cabe ao trabalhador cumprir sempre disposições legais (entram normas e leis 
em geral) associadas ao trabalho em altura, inclusive aqueles procedimentos que o 
empregador exige. É obrigado a cumprir todas as recomendações das normas, e em 
caso de rejeição, o empregador pode se documentar para que fiquem determinadas 
as responsabilidades, em caso de acidente. Ao trabalhador é reservado o direito de 
interromper, ou exercer o direito de recusa, quando constatado que as condições 
de trabalho em altura não lhe garantam o necessário para preservação de sua 
segurança e saúde a si mesmo e a outros trabalhadores (BRASIL, 2014b).
1.3 Capacitação 
A norma NR-35 garante um complemento às normas existentes que tratavam 
de trabalho em altura, como é o caso da NR-18, mas dá ênfase à formação dos 
62
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
trabalhadores, e obriga o empregador a treiná-los com conhecimentos mais 
específicos em trabalho em altura. Para tanto, o tópico 35.3 da NR-35 prevê esta 
obrigatória necessidade de capacitação e treinamento, com carga horária mínima 
de oito horas, prevendo abordagem teórica e prática. Quanto ao conteúdo, o 
curso deve conter os seguintes tópicos (conteúdo programático), segundo o item 
35.3.2 da NR-35 (BRASIL, 2014b):
Reciclagem dos conhecimentos a cada dois anos é prevista, considerando também 
a carga horária mínima, e o conteúdo programático pode ter complementações, 
caso haja peculiaridade quando houver mudança das configurações de trabalho. É 
de responsabilidade do empregador providenciar novo treinamento quando houver 
substituição da mão de obra, afastamento por um período superior a 90 dias ou 
mudança das configurações espaciais da empresa.
Os instrutores devem possuir comprovada proficiência, e se responsabilizarão 
pela assinatura dos certificados, e dando por verdadeiro a comprovação do 
conteúdo programático, carga horária mínima, data e local. O certificado é 
direcionado ao trabalhador, com cópia que deve ser mantida pela empresa, 
podendo a capacitação ser consignada no registro do empregado.
1.4 Planejamento, organização e execução do trabalho em altura
Para o desenvolvimento do planejamento e organização dos procedimentos, as 
empresas precisam ter sempre à disposição um profissional capacitado habilitado, 
podendo ou não pertencer ao quadro das mesmas. Para execução propriamente dita 
do trabalho, o trabalhador que for desenvolver o trabalho em altura precisa estar com 
a saúde em dia, sendo inclusive avaliado pela medicina do trabalho e ser considerado 
apto com anuência formal (documentado) pela empresa para a execução do trabalho.
É neste ponto que é necessário ressaltar a importância de um Programa de 
Prevenção dos Riscos Ambientais - PPRA corretamente elaborado, inclusive 
identificando riscos do trabalho em altura, e um Programa de Controle Médico 
Sobre conteúdo programático de treinamento previsto pela NR-35 para 
trabalho em altura, consultar:
Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/legislacao/norma-
regulamentadora-n-35.htm>. 
63
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
de Saúde Ocupacional - PCMSO corretamente desenvolvido e cumprido pelo 
setor de medicina do trabalho. Os programas são, para as empresas, uma 
maneira de comprovar que estão atuando de forma preventiva.
Desta forma, o estado de saúde do trabalhador precisa ser garantido por:
• Exames e avaliação sistemática prevista pelo Programa de Controle 
Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO.
• Periodicidade do exame e relações destes com as condições de riscos 
identificados pelo Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais – PPRA.
• Como se trata de trabalho em altura, o exame precisa ter um 
direcionamento no sentido de indicar se o trabalhador está suscetível a mal 
súbito e queda de altura e também considerar fatores psicossociais.
A emissão de um ASO – Atestado de Saúde Ocupacional é obrigatório para 
trabalhadores em altura e tem especial atenção, já que, como documento, tem 
dados que garantem suporte a investigações futuras em caso de acidente e 
para montar o histórico da atividade do trabalhador. 
Para o planejamento do trabalho em altura, a norma NR-35 sugere a adoção 
de uma hierarquia de procedimentos:
1. Buscar medidas para se evitar o trabalho em altura, sempre que existir 
meio alternativo de execução: ex.: adoção de equipamentos que substituam 
o trabalho do homem, colocar a condição de altura ao nível do piso e depois 
fazer o içamento, entre outras possibilidades.
2. Buscar medidas que eliminem o risco de queda de trabalhadores, na 
impossibilidade de substituir mão de obra do homem por qualquer outro meio.
3. Buscar medidas que garantam a minimização das consequências da 
queda de trabalhadores, quando este não puder ser extinto.
4. Indicação de pessoa que desenvolverá a supervisão, responsável 
também pela análise de risco, juntamente com o trabalhador que desenvolverá 
o trabalho em altura.
5. Identificar quais são as condições externas que possam exercer 
influência sobre as condições do local do trabalho em altura, inclusive 
buscando relacioná-las sempre que possível na análise preliminar de risco. As 
influências externas são variáveis que devem ser consideradas na definição e 
seleção das medidas de proteção, para segurança das pessoas, cujo controle 
não é possível implementar de forma antecipada (BRASIL, 2014b). 
Para o desenvolvimento da Análise Preliminar de Risco (APR) é interessante64
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
ser feita em conjunto entre trabalhador e supervisão, que é obrigatória, e em muitos 
casos é feita somente considerando condições avaliadas por meio empírico e não 
documental, tampouco amparada por um checklist. A adoção de Procedimentos 
operacionais padrões (Pop) garante uma evolução dos trabalhos considerando as 
peculiaridades de cada trabalho.
Por Procedimentos Operacionais Padrões a norma NR-35 coloca a necessidade 
de elucidar as atividades rotineiras, diretrizes e requisitos de segurança, orientações 
administrativas, o detalhamento da tarefa e as medidas de controle dos riscos 
na rotina do trabalho em altura. Ressalta a necessidade de serem identificadas 
as condições impeditivas, listados os equipamentos de proteção individual e 
coletiva. Não devem deixar de ser listados os profissionais e as suas competências 
e responsabilidades dos envolvidos na atividade (BRASIL, 2014b).
As atividades não rotineiras precisam ser igualmente anotadas, durante o 
procedimento de análise preliminar de risco e da permissão de trabalho, podendo 
o trabalhador assim exigir a anotação das mesmas. A Permissão de Trabalho 
emitida e aprovada deve estar disponibilizada e visível nas proximidades da 
execução da atividade, como uma instrução de trabalho, e após o uso, depois do 
trabalho executado, encerrada formalmente com assinatura dos envolvidos e ser 
devidamente arquivada.
Permissão de trabalho:
“a) os requisitos mínimos a serem atendidos para a execução dos trabalhos; 
b) as disposições e medidas estabelecidas na Análise de Risco; 
c) a relação de todos os envolvidos e suas autorizações.” (BRASIL, 2014b, p. 4).
1.5 Procedimentos para prevenção e o uso de Proteção Individual, Coletiva e 
seus acessórios para o trabalho em altura
São requisitos essenciais para a escolha dos EPIs, EPCs e dos sistemas de 
ancoragem a eficiência, o conforto e a resistência à carga aplicada aos mesmos, 
levando-se em conta o fator de segurança, em caso de haver a queda do trabalhador. 
“Atividades rotineiras: atividades habituais, independente da 
frequência, que fazem parte do processo de trabalho da empresa.” 
(BRASIL, 2014b, p. 5). 
65
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
A definição do EPI para o trabalho em altura só pode ocorrer quando os riscos 
forem submetidos aos responsáveis pelo planejamento da atividade, e devem levar 
em conta riscos adicionais ou influências externas. 
Para escolha dos EPIs, além da conferência do Certificado de Aprovação 
(CA) dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) fornecido pelo Ministério do 
Trabalho conforme descrito na NR-6, é necessário que se avalie a não presença de 
defeitos e jamais o trabalhador deve aceitar usar equipamentos que não estejam 
em condições ideais, sejam novos com defeitos, ou usados com desgastes. A 
mesma postura deve ser adotada para os sistemas de ancoragem, que devem ser 
previamente conferidos a cada novo trabalho. Recomenda-se sempre inspeções 
prévias e pré-programadas (BRASIL, 2014a). 
“Influências Externas: variáveis que devem ser consideradas na definição 
e seleção das medidas de proteção, para segurança das pessoas, cujo 
controle não é possível implementar de forma antecipada.” (BRASIL, 
2014b, p. 5).
Sobre EPI, consultar normas e suas respectivas atualizações:
ABNT/NBR 15837:2010 – Equipamento de proteção individual contra 
queda de altura – Conectores. Aplica-se a conectores utilizados em 
trava-quedas, sistemas de posicionamento, sistemas de retenção 
e sistemas de salvamento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2011h)
ABNT/NBR 11370:2001 – Cinturão e talabarte de segurança – 
Substituída por NBR 15834:2010, NBR 15835:2010 e NBR 15836:2010 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011e, 2011f, 
2011g)
ABNT/NBR 14626:2010 – Trava-queda guiado em linha flexível 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011a)
ABNT/NBR 14627:2010 – Trava-queda guiado em linha rígida 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011b)
ABNT/NBR 14628:2010 – Trava-queda retrátil (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011c)
ABNT/NBR 14629:2010 – Absorvedor de energia (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011d)
66
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Se nestas inspeções dos EPIs, acessórios e sistemas de ancoragem houver 
defeitos, degradação, deformações ou sofrerem impactos de queda, precisam ser 
descartados de atividades de trabalhos em alturas. A restauração não é desejável, 
principalmente nos EPIs. A NR-35 estabelece alguns requisitos quanto à relação de 
EPI, acessórios e sistemas de ancoragem.
Quanto às providências para o estabelecimento dos pontos de ancoragem, 
devem ser desenvolvidas por profissional legalmente habilitado (engenheiro ou 
arquiteto) com o supervisor do trabalho em altura, já que muitos destes pontos 
estão diretamente ligados à edificação, e como exigem esforços, esta interação 
precisa ser estudada, ao mesmo tempo em que seja garantido que ancoragem e 
equipamentos não se desgastem (BRASIL, 2014b).
As principais definições dos EPI pela NR-35 são:
Absorvedor de energia: dispositivo destinado a reduzir o impacto 
transmitido ao corpo do trabalhador e sistema de segurança 
durante a contenção da queda. 
Cinto de segurança tipo paraquedista: Equipamento de Proteção 
Individual utilizado para trabalhos em altura onde haja risco de 
queda, constituído de sustentação na parte inferior do peitoral, 
acima dos ombros e envolto nas coxas. 
Equipamentos auxiliares: equipamentos utilizados nos trabalhos 
de acesso por corda que completam o cinturão tipo paraquedista, 
talabarte, trava-quedas e corda, tais como: conectores, 
bloqueadores, anéis de cintas têxteis, polias, descensores, 
ascensores, dentre outros. (Inserido pela Portaria MTE n.º 593, de 
28 de abril de 2014)
Ponto de ancoragem: ponto destinado a suportar carga de 
pessoas para a conexão de dispositivos de segurança, tais como 
cordas, cabos de aço, trava-quedas e talabartes. 
Sistemas de ancoragem: componentes definitivos ou temporários, 
dimensionados para suportar impactos de queda, aos quais 
o trabalhador possa conectar seu Equipamento de Proteção 
Individual, diretamente ou através de outro dispositivo, de modo 
a que permaneça conectado em caso de perda de equilíbrio, 
desfalecimento ou queda. 
Trava-queda: dispositivo de segurança para proteção do usuário 
contra quedas em operações com movimentação vertical ou 
horizontal, quando conectado com cinturão de segurança para 
proteção contra quedas.
Talabarte: dispositivo de conexão de um sistema de segurança, 
regulável ou não, para sustentar, posicionar e/ou limitar a 
movimentação do trabalhador. (BRASIL, 2014b, p. 5-6, grifo nosso).
67
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Existe um acessório 
denominado absorvedor de 
energia, que a norma NR-35 exige 
contra o fator queda, colocando 
como obrigatório quando nas 
situações em que haja:
a) Fator de queda for maior 
que 1; 
b) Comprimento do 
talabarte for maior que 0,9m. 
(BRASIL, 2014b).
Os pontos de ancoragem 
devem estar acima do usuário, de 
forma a minimizar o comprimento 
e o impacto de qualquer queda.
Figura 2.1 | Comprimento do talabarte e altura 
de segurança
Fonte: Disponível em: <http://www.drsergio.com.br/NR35/
NR35c.html>. Acesso em: 12 dez. 2014.
“Fator de queda: razão entre a distância que o trabalhador percorreria 
na queda e o comprimento do equipamento que irá detê-lo. [...]
Profissional legalmente habilitado: trabalhador previamente 
qualificado e com registro no competente conselho de classe. [...]
Trabalhador qualificado: trabalhador que comprove conclusão de 
curso específico para sua atividade em instituição reconhecida pelo 
sistema oficial de ensino.” (BRASIL, 2014b, p. 5-6). 
Figura 2.2 | Fator de queda
Altura de segurança
Comprimento do talabarte (L1)
(aprox.1 metro)
Distância máxima entre o 
pé do usuário e os pontos 
de ancoragem (aprox. 1,5 
metros)
Fonte: Disponível em: <http://www.drsergio.com.br/NR35/NR35c.html>. Acesso em: 12 dez. 2014.
Fator de queda
O fator de queda exprime o grau de gravidade proporcional de uma 
queda. Trata-se da relação entre a altura da queda e o comprimento 
da corda disponível para repartir a força choque da queda. Calcula-se 
por meio da seguinte equação:
Fator de queda = altura da queda
 comprimento da corda do sistema
 (talabarte)
68
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
1.6 Situações de emergência e salvamento em trabalhos em altura
A norma NR-35 sugere que são de responsabilidade do empregador as respostas 
a quaisquer eventos que precisem de salvamento e atendimento em emergência 
em trabalho em altura.
Pode ser equipe externa ou composta internamente, mas há de considerar 
que parte da equipe que cuida do trabalho em altura também possua treinamento 
em primeiros socorros, muito em função da intimidade destes com as condições 
ambientais do trabalho em altura. Além dos equipamentos de salvamento, a empresa 
precisa avaliar a aptidão física e mental, uma vez que o salvamento em altura também 
submete quem está salvando a condições muito próximas à vítima, exigindo bastante 
da pessoa que socorre, pois muitas vezes a vítima estará em suspensão inerte. 
O trabalhador tem o direito de saber de todos os riscos que 
envolvem suas atividades, e a empresa, a obrigação de expor 
segundo as normas regulamentadoras! Os trabalhadores então 
não deveriam ter, dentre os critérios para definição de salário, a 
variável risco a ser inserida logo na negociação de seu salário e 
benefícios, antes mesmo de entrar na empresa? E isto, no trabalho 
em altura, faria alguma diferença? Reflita sobre estas questões.
1. Em que consiste a Análise de Risco (AR)/Análise Preliminar 
de Risco (APR)?
2. Em que consiste a Permissão de Trabalho (PT)?
“Suspensão inerte: situação em que um trabalhador permanece 
suspenso pelo sistema de segurança, até o momento do socorro.” 
(BRASIL, 2014b, p. 6).
69
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Seção 2
Introdução aos aspectos históricos das 
normativas referentes ao transporte, 
movimentação, armazenagem e manuseio de 
materiais e as normas relacionadas
A Norma Regulamentadora n°11 faz referência a um conjunto de recomendações 
e normas de segurança para operação de elevadores, guindastes, transportadores, 
indústrias e máquinas transportadoras, cujo foco não necessariamente é nos 
maquinários e sim nos dispositivos e no comportamento, e estabelece os requisitos 
de segurança no trabalho que ajudem na prevenção de acidentes com estes tipos 
de equipamentos (BRASIL, 2004b).
2.1 – CLT, NR-11 E NR-18
Na época de sua redação, a norma encontrava-se diante de uma realidade em 
que a construção civil apresentava grande número de acidentes, principalmente 
decorrentes de içamento e transporte de materiais. Uma época na qual a 
mecanização nos canteiros de obras ainda era incipiente (rudimentar), para fins 
de atender com agilidade a demanda mercadológica. Mesmo estando previstas 
situações de segurança pela CLT, art. 182 e 183, foi necessário um reforço com o 
surgimento da NR-11 no sentido de esmiuçar mais a informação contida na CLT:
Art. 182 - As janelas, claraboias ou coberturas iluminantes, 
horizontais ou em dente-de-serra, serão dispostas de maneira que 
não permita que o sol venha a incidir, diretamente, sobre o local de 
trabalho [...]. (BRASIL, 1943).
Art. 183 - O Ministério do Trabalho estabelecerá normas sobre: 
I - as precauções de segurança na movimentação de materiais nos 
locais de trabalho, os equipamentos a serem obrigatoriamente 
utilizados e as condições especiais a que estão sujeitas a operação 
70
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Desta forma, quando se faz a leitura isolada da norma, podem parecer 
desconexas suas observações pontuais, mas quando se amarra a NR-11 (1978 e 
depois suas revisões até 2004) à CLT, alguns tópicos começam a ter mais sentido. 
A leitura por si só da NR-11 e Anexo I da NR-11 não garante perfeita compreensão 
dos requisitos, direcionamento de parte dos procedimentos voltados à condição 
da construção civil, tanto que para isto outras normas surgiriam depois para 
melhorar a inteligibilidade, como foi o caso da NR-18 (BRASIL, 2013) e da RTP 02 – 
Recomendação Técnica de Procedimentos n° 02 (FUNDACENTRO, 2001).
Como a construção civil veio se transformando ao longo dos últimos anos, 
acabou exigindo novas complementações, primeiramente pela NR-18, e depois 
muito em função do cumprimento ao item 18.35 da NR-18, a FUNDACENTRO 
- Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho 
desenvolveu a RTP 02 Recomendação Técnica de Procedimentos n° 02 
(FUNDACENTRO, 2001), voltada para a área da construção, a qual busca subsidiar 
as empresas, profissionais, governo e trabalhadores nos procedimentos sobre 
movimentação e transporte de materiais e pessoas. Dessa forma, desenvolveu 
estudos para que houvesse a complementação por diversos anexos à NR-18. 
Assim, a NR-11, NR-18 e a RTP 02 se complementam e de uma forma mais clara.
Uma vez expondo o contexto e relação com as demais normas, é possível 
perceber que o objetivo principal da NR-11 é minimizar riscos referentes ao uso 
de equipamentos e as proteções coletivas associados aos mesmos, para que 
haja garantias de resistência, segurança e conservados em perfeitas condições de 
trabalho para operação, sendo aplicável em:
e a manutenção desses equipamentos, inclusive exigências de 
pessoal habilitado; 
II - as exigências similares relativas ao manuseio e à armazenagem 
de materiais, inclusive quanto às condições de segurança e higiene 
relativas aos recipientes e locais de armazenagem e os equipamentos 
de proteção individual;
III - a obrigatoriedade de indicação de carga máxima permitida nos 
equipamentos de transporte, dos avisos de proibição de fumar e 
de advertência quanto à natureza perigosa ou nociva à saúde das 
substâncias em movimentação ou em depósito, bem como das 
recomendações de primeiros socorros e de atendimento médico e 
símbolo de perigo, segundo padronização internacional, nos rótulos 
dos materiais ou substâncias armazenados ou transportados. 
(BRASIL, 1977).
71
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
• Elevadores
• Guindastes
• Transportadores industriais 
• Máquinas transportadoras 
• Poços de elevadores 
• Monta-cargas, portas ou cancelas necessárias nos pavimentos
• Ascensores de movimentação de materiais 
• Elevadores de carga
• Guindastes
• Monta-carga
• Pontes-rolantes
• Talhas 
• Empilhadeiras 
• Guinchos 
• Esteiras-rolantes
• Transportadores de diferentes tipos
• Acessórios (de obras: portas limitadoras, cancelas, corrimão ou outros 
dispositivos convenientes) (BRASIL, 2004b).
• Especificamente para construção civil, são fundamentos para um Programa 
de Saúde e Segurança no Trabalho da Construção Civil – PSST a NR-11, NR-18 e a 
RTP 02, uma vez que conjuntamente especificam quais requisitos e procedimentos 
mínimos devem ser observados, desde a montagem, manutenção e até a operação 
de equipamentos nos canteiros de obras, além do enquadramento dos diversos 
procedimentos envolvendo os trabalhadores. 
72
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Mas então, qual é a diferença básica entre a NR-11 e a NR-18?
A NR-11 foi desenvolvida para dar amparo às soluções diretamente 
sobre riscos que possam estar instalados nos canteiros de obras e 
trabalhos com movimentação de carga em altura. Mais focada no 
nível operacional.
A NR-18 abrange mais situações e problemas que podem incorrer 
no risco à saúde e segurança, porém prevê suportedocumental e 
procedimental para a evolução da saúde e segurança do trabalhador, 
muito em função dos procedimentos administrativos, que podem 
amparar legalmente as atividades. Para todos os efeitos, esta norma 
permite o desenvolvimento de uma capacidade gerencial e pode 
contribuir muito em nível estratégico para a evolução da saúde e 
segurança do trabalhador.
Para saber mais sobre NTEP e desdobramentos:
Disponível em: <http://www.sinaees-sp.org.br/arq/mntepfap.pdf>. 
Dentre os principais benefícios do uso conjunto destas duas normas (NR-11 
e NR-18), está o cumprimento da legislação e da adequação do ambiente de 
trabalho na construção civil e movimentação de cargas, o que permite melhoria 
das condições de segurança em ambientes de trabalho no tocante à gestão de 
toda informação que envolve os trabalhos e a segurança dos trabalhos. Resguarda 
também o interesse do empregador, garantindo redução de custos diretos 
associados a acidentes, lhe assegura no aspecto estatístico influência sobre os 
gastos diretos com mão de obra (encargos, folha de pagamento etc.) em função 
da sua postura de prevenção (NTEP e seus desdobramentos). 
2.2 - Riscos comuns no transporte e movimentação de carga e o suporte 
dado pela NR-11 E NR-18
O transporte e a movimentação de cargas já apresentam alguns riscos, como 
o ergonômico e de acidentes, porém em função dos equipamentos, seu estado 
de conservação e manutenção, mesmo das condições de instalação, existe uma 
73
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
potencialização destes riscos. O local de trabalho em si, em obras, por exemplo, 
já possui riscos que podem estar camuflados, dificultando a percepção de riscos 
associados à movimentação de materiais e mesmo de comportamentos dos 
trabalhadores.
O profissional de segurança do trabalho deve avaliar a melhor condição de 
prevenção da coletividade na movimentação de carga.
2.3 Outros cuidados especiais para operação de elevadores, guindastes, 
transportadores industriais e máquinas transportadoras 
A movimentação de materiais exige cuidados especiais quanto ao 
dimensionamento e comprovação da capacidade de carga de equipamentos 
como ascensores elevadores de carga, guindaste e monta-cargas, talhas e pontes-
rolantes, guinchos, empilhadeiras e todos os tipos transportadores, seja na vertical 
ou na horizontal. 
Outra necessidade é a comprovação do treinamento, que habitualmente pode 
ser oferecido pelos próprios fabricantes, ou ministrado pela equipe do SESMT 
- Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho 
quando as empresas são dotadas deste conhecimento.
A norma regulamentadora NR-11 tem especial atenção aos equipamentos e 
dá importância especial aos procedimentos que permitem avaliar o estado de 
conservação e atenção na manutenção dada aos cabos de aço, cordas, correntes, 
roldanas e ganchos. Especial preocupação quanto aos procedimentos de inspeção 
das partes componentes dos maquinários e de sua substituição (BRASIL, 2004b).
Na movimentação de cargas de forma manual deve ser considerada a 
adequação ergonômica das ferramentas/equipamentos de transporte, de modo a 
não haver sobrecarga do peso sobre o organismo do trabalhador, especialmente 
sobre a coluna vertebral e articulações em geral (BRASIL, 2004b).
Já no transporte por veículos motorizados, como empilhadeiras, escavadoras, 
entre outros equipamentos desta natureza, é necessário que os operadores 
apresentem o devido treinamento e a habilitação devidamente comprovada, e 
somente poderão fazer uso destes equipamentos na carga horária devidamente 
identificados por crachás (contendo foto e nome) em local visível (BRASIL, 2004b).
Para os equipamentos de transporte motorizados, é necessário dotá-los de 
sinalizadores sonoros (buzinas), no sentido de advertir sobre risco iminente aos 
demais trabalhadores, podendo ser acionados pelo operador quando em manobras 
frontais e laterais, ou acionadas automaticamente quando estiverem operando em 
“ré” do equipamento (retrocesso) (BRASIL, 2004b). 
74
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Quando se trabalha em construção, nem sempre as condições ambientais de 
ventilação podem ser garantidas, principalmente quando se trabalha em subsolos 
ou escavações, e a norma NR-11 tem alerta e cita que a operação de equipamentos 
de transporte a combustão pode interferir na qualidade do ar pela emissão de gases 
tóxicos, que em função da alteração da concentração de oxigênio, é proibida, e 
pode submeter as pessoas ao desmaio ou mesmo óbito quando ultrapassados os 
limites permissíveis (BRASIL, 2004b). 
Reflita se as normas regulamentadoras NR-11 e NR-18 
conseguem atender todas as situações que um ambiente 
de construção possui, e quais outras normas precisam ser 
observadas para condições expostas nesta unidade.
1. Cite as diferenças contidas entre a NR-11 e NR-18 
quanto à escala de aplicação e sua abrangência.
2. Qual é o objetivo da NPT 02 e qual o contexto de sua 
criação? É necessária a sua revisão considerando o nível 
tecnológico usado na construção?
75
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Seção 3
Proteções coletivas em equipamentos em 
transporte, movimentação 
As proteções coletivas podem estar relacionadas desde a instalação, operação, 
inspeção e manutenção dos equipamentos dos transportes de cargas que possam 
influir para o surgimento de novos riscos prevenção de acidentes no transporte de 
cargas, pessoal pelos mais diversos tipos de equipamentos.
3.1 Plataformas de proteção 
São consideradas plataformas de proteção as plataformas principais, as 
plataformas secundárias e as telas de proteção.
Plataformas Principais: sua instalação normalmente é exigida na altura da 1ª 
laje e deve ser prevista em todo o perímetro da construção, em que a projeção 
horizontal máxima de 2,5 metros e um complemento de 0,8 metro com inclinação 
de 45 graus a partir da extremidade. Seu material deve ser feito compatível aos 
Figura 2.3 | Exemplos de plataformas principais e secundárias e associação com tela de proteção
Fonte: Disponível em: <http://www.iw8.com.br/noticias/equipamentos-de-protecao-coletiva.html>. Acesso em: 12 
dez. 2014; <http://ctstinaci2012.blogspot.com.br/2012_03_01_archive.html>. Acesso em: 12 dez. 2014.
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U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
esforços em termos de resistência a 
impactos e a intempéries. Normalmente 
feitas ou em madeira ou em estrutura 
metálica associada à madeira. Têm por 
função evitar que detritos ou projeções 
de materiais atinjam os andares 
inferiores, os trabalhadores que ficam 
nas imediações. 
Plataformas Secundárias: são 
instaladas de forma intercalada de três 
em três lajes a partir da plataforma 
principal, considerando todo o 
perímetro da construção, porém 
Figura 2.4 | Esquema de um edifício vertical 
e uso de plataformas principais, secundárias 
e telas de proteção
Fonte: FUNDACENTRO (2003)
diferenciam-se por ser menores, no máximo 1,40 metro de projeção horizontal e 
um complemento com inclinação de 45 graus a partir da extremidade. 
As plataformas precisam ser dimensionadas e amparadas por projeto quanto à 
capacidade máxima e detalhes de instalação. 
Telas de proteção: São normalmente instaladas em todo o perímetro da 
construção, e podem fazer uso das plataformas intermediárias com referências 
para sua instalação, porém não diretamente ligadas a estas plataformas, exigindo 
sistema de instalação e fixação específico. 
3.2 Poço de elevador:
Os poços dos elevadores podem ser internos ou externos à edificação, 
rigidamente fixados nas laterais da edificação, e ao longo do seu percurso precisa 
haver proteção em todo o seu perímetro, inclusive prevendo travessões e bloqueio 
por telas (com resistência), de modo que pessoas projetem partes do corpo para 
dentro do percurso do elevador.
Consulte os itens18.13.6 a 18.13.11 da NR-18 e RTP 01 – Medidas de 
Proteção contra Quedas de Altura (BRASIL, 2013; FUNDACENTRO, 2003).
77
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Figura 2.5 | Sistema de proteção com com 
guarda-corpo e rodapé (GcR) com cancela
Figura 2.7 | Proteção por meio de soalho de 
madeira e fixação com peças de madeira
Figura 2.6 | Proteção com soalho de madeira 
fixado com peças metálicas
Figura 2.8 |Sistema de proteção GcR de 
madeira e estruturas metálicas
3.3 Abertura do piso
As aberturas nas lajes e piso em edificações verticais são importantes artifícios 
utilizados para a otimização dos transportes, e representam ganhos significativos na 
produção do edifício, e muitas destas são previstas para infraestrutura da edificação. 
Por este motivo nem sempre é possível fazer o fechamento definitivo das aberturas 
durante a obra. Para a segurança do trabalhador desatento representam risco, e 
para prevenção é necessário fazer uso de proteção coletiva como a sinalização, o 
bloqueio parcial quando em uso ou total quando em desuso. 
Para que tais aberturas no piso e nas lajes não representem risco, precisam ser 
datadas de sistema de proteção, sólidas e resistentes às cargas, na forma de fechamento 
provisório fixo (encaixe), que jamais possa deslizar, ou se adote sistemas de guarda-
corpo e rodapé (GCR), quando as condições de risco de queda forem elevadas em 
função da dimensão do buraco. A seguir, alguns exemplos recomendados:
Consulte a NR-18, item 18.3.3 e RTP 01 – Medidas de Proteção contra 
Quedas de Altura (BRASIL, 2013; FUNDACENTRO, 2003).
Fonte: FUNDACENTRO (2003)
Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003)
Fonte: FUNDACENTRO (2003)
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U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
A RTP 01 – medidas de proteção contra quedas demonstra procedimentos 
e equipamentos que promovem o impedimento de quedas, principalmente por 
condicionantes horizontais, são denominados dispositivos protetores do plano 
horizontal. Observe que o nome é dado em função do plano em risco em que se 
encontra (FUNDACENTRO, 2003).
3.4 Periferia da obra
A periferia da obra deve ser entendida tanto no nível do piso quanto no nível dos 
pavimentos, nas lajes que acontecerão em nível diferente do piso de referência 
(base da obra). O fato de estar em altura exige cuidados muito específicos no 
transporte de materiais e o trânsito de pessoas, e boa parte destas operações pode 
acontecer na periferia da laje (parte mais externa), onde o risco de queda se torna 
iminente. É importante salientar que a maioria dos dispositivos aqui colocadas se 
trata de dispositivos de proteção, e pelo fato do risco estar associado aos planos 
verticais, ou seja, este será o plano de referência, são denominados dispositivos 
protetores do plano vertical.
3.4.1 Sistema de Guarda-Corpo e Rodapé (GCR)
Em todo início de obra, principalmente quando houver serviços de concretagem, 
principalmente em lajes, normalmente acontece a certa altura do chão da obra e 
é obrigatório o provisionamento de um sistema que conjugue Guarda-Corpo e 
rodapés (GCR), para que, durante a concretagem (procedimento que exige certa 
agilidade para o seu lançamento), os trabalhadores não fiquem sujeitos a quedas. 
Sobre dispositivos protetores do plano horizontal e vertical, consulte 
o item 18.13.2 da NR-18 e a RTP 01 - medidas de proteção contra 
quedas (BRASIL, 2013; FUNDACENTRO, 2003).
Figura 2.9 | Sistema de guarda-corpo e 
rodapé (GCR) - Vista externa
Figura 2.10 | Sistema de guarda-corpo e 
rodapé (GCR) – Vista interna
Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003)
79
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
São sugeridas como dimensões mínimas de guarda-corpo a altura mínima de 
1,20 e posicionamento de montantes verticais onde estas travessas horizontais não 
podem ultrapassar 1,50 metro de espaçamento uma da outra, e que deve estar 
associado a um sistema de rodapé devidamente ancorado. Além dos sistemas de 
rodapé, montantes verticais e travessões horizontais, é necessário que se preveja 
tela de proteção por toda a extensão deste conjunto guarda-corpo/rodapé (GcR) 
pelo perímetro da construção.
3.4.2 Sistema de proteção com estrutura metálica ou cabo de aço
Há possibilidade de desenvolver um sistema parecido com o descrito 
anteriormente (CGR) em várias partes da obra, ou com materiais, havendo a 
substituição das travessas horizontais de madeira ou por metal ou por cabos de 
aços e/ou tubos metálicos. Nos locais nos quais haverá a fixação e junções, alguns 
cuidados precisam ser tomados para a fixação com o uso de presilhas, e ajustados 
com os tensores quando forem cabos de aço, e quando forem de estrutura metálica 
é necessária correta soldagem e fixação por parafuso, de modo a assegurar a 
resistência e a tensão desejada para a segurança para impactos transversais. 
Figura 2.11 | GcR combinado com estrutura 
metálica com montantes fixados por meio 
de parafusos
Figura 2.12 | GcR combinado com estrutura 
metálica com montantes fixados com 
cavilhas deixadas ao se concretar ou após 
concretagem
Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003)
Sobre Sistema de proteção com estrutura metálica ou cabo de aço, 
consultar itens 18.13.1 a 18.13.5 da Norma Regulamentadora 18 e RTP 
01 (BRASIL, 2013; FUNDACENTRO, 2003).
80
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
3.5 Talude de escavação 
A movimentação de terras para corte e aterro ou mesmo a escavação de 
valas para inserção de infraestrutura das edificações (estrutura, esgoto, água, 
entre outros sistemas que precisam deste tipo de trabalho), são pontos do 
canteiro de obras que podem 
agregar muitos riscos, primeiro 
pela própria movimentação de 
material, segundo pelo uso de 
equipamentos os mais variados, e 
terceiro pela necessidade de mão 
de obra direta dentro da escavação, 
que muitas vezes não possui os 
devidos cuidados.
Devem ser consideradas 
variáveis, por exemplo, como 
peso da terra, árvores, rochas, 
construções, circulação de 
pessoas, deposição de material 
etc.:
Escavações, corte e aterro e 
desenvolvimento de taludes são 
atividades que somente podem ser 
feitas mediante responsabilização 
técnica, como habilitação de 
um responsável confirmada por 
entidade de classe (CREA) e projeto 
devidamente detalhado, contendo 
todas as informações necessárias 
para execução da atividade. 
Tamanha a importância deste 
acompanhamento e projeto, que 
devem ser gerenciados e constar 
informações em relação ao solo, 
recomendações de condições 
climáticas para execução, 
informações de lençóis freáticos, 
memoriais de cálculos, condições 
de isolamento de risco e principais 
usos de EPI e EPC.
Figura 2.13 | Configuração de forças externas 
sobre as escavações
Figura 2.14 | Instalação de escada em valas 
com 1,25 m de profundidade
Fonte: FUNDACENTRO (2002a)
Fonte: FUNDACENTRO (2002a)
81
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
exemplo, sistemas de eletricidade (cabos elétricos, que podem desenvolver choques 
elétricos) ou hidráulicos (canos ou vazamento, que podem levar a encharcamento 
do solo, e por consequência ao soterramento). É necessário primeiro eliminar/
minimizar o risco para que o responsável autorize a execução da escavação.
Quanto à deposição de material escavado, deve ser feita a uma distância que 
equivale à metade da profundidade escavada, e para a circulação de veículos, 
precisa ser observada uma distância da escavação na horizontal de no mínimo a 
mesma profundidade que está sendo escavada. Devem ser previstas sinalizações 
de advertência e barreiras de isolamento das condições de risco aos que não estão 
diretamente ligados a elas: No caso da obra estar sendo feita e interferindo em via 
pública, o código de trânsito deve ser consultado para as devidas verificações das 
sinalizações obrigatórias.• Cones
• Fitas de isolamento (preto/amarelo)
• Cavaletes
• Pedestal com iluminação
• Placas de advertência
• Bandeirolas
• Grades de proteção
• Tapumes
• Sinalizadores luminosos
Figura 2.15 | Medidas de afastamento mínimo 
corretamente adotadas conforme RTP 03
Figura 2.15 | Exemplo de sinalização
Fonte: FUNDACENTRO (2002a)
Fonte: FUNDACENTRO (2002a)
Acessos por escadas devem ser 
previstos, dimensionamento correto, 
fixação sólida entre os patamares 
e os pisos superiores e inferiores, 
de modo que permita a saída dos 
funcionários, e em condições 
de iminente risco e previstas em 
escavações que ultrapassem 1,25 m 
de profundidade.
Quando as condições ambientais 
de manipulação do terreno estiverem 
associadas a infraestruturas que 
possam agregar riscos, carecem 
serem inspecionados, como, por 
82
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Para outros tipos de escavação, sugere-se a adoção de medidas preventivas 
combinadas com o reforço das paredes (escavação taludada), o uso de mantas 
geotêxteis, entre outros artifícios que a construção civil possui.
3.6 Linhas de vida
A linha de vida é um artifício em que se faz uso de um cabo de aço ou sistema 
de tubos, devidamente ancorados na edificação ou estrutura especialmente para 
este fim, podendo ser fixado permanentemente, e deve ser capaz, em caso de 
acidente em queda, de suportar o peso de uma pessoa em suspensão inerte, até 
que seja possível um resgate da pessoa que sofreu o acidente.
a) Absorvedor de energia; b) Ponto intermediário; c) Shuttle; d) Trole Overhead 
(acima da cabeça):
Sua utilização é obrigatória quando se faz uso de trabalho em altura acima de 
dois metros, e é mais comum de acontecer em trabalho em telhados, andaimes, 
periferia de obras; tem muita utilidade também no ramo da logística e armazenagem, 
quando a pessoa precisa se elevar em relação ao chão para o desenvolvimento de 
Figura 2.17 | Escavação 
taludada
Figura 2.20 | Exemplo de linha de vida e acessórios mais comuns
Figura 2.18 | Escavação 
com manta geotêxtil
Figura 2.19 | Associação 
dos sistemas de escavação
Fonte: FUNDACENTRO (2002a)
Fonte: Disponível em: <http://www.honeywellsafety.com/BR/Training_and_Support/XENON%C2%AE_Sistemas_
de_Linha_de_Vida_horizontal_permanente_-_Perguntas_mais_frequentes.aspx>. Acesso em: 26 nov. 2014.
Fonte: FUNDACENTRO (2002a)
Fonte: FUNDACENTRO (2002a)
83
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Figura 2.21 | Aplicação de linha de vida e 
escalada
Fonte: Disponível em: <http://
trabalhandonasalturas.blogspot.com.br/2012/11/
o-alpinismo-industrial-na-inspecao-de.html>. 
Acesso em: 26 nov. 2014.
Fonte: Disponível em: <http://trabalhandonasalturas.
blogspot.com.br/2012/11/o-alpinismo-industrial-na-
inspecao-de.html>. Acesso em: 26 nov. 2014.
inspeções mais específicas dentro destes ramos de atividade. Para atividade acima 
da altura de dois metros a partir do piso de referência é necessária fixação do cinto 
de segurança e dispositivo trava-quedas.
Quanto à fixação à edificação, precisa estar amparada por profissional habilitado 
e devido projeto de dimensionamento, e controle de manutenção, sendo a linha 
de vida alvo de fiscalização. Nas linhas de vida, atenção especial deve ser dada aos 
sistemas de ancoragem e amarração (EPIs) entre o executor da tarefa e linha de vida.
3.7 Andaimes 
Os andaimes são instrumentos muito usados na construção civil e servem 
tanto para circulação vertical (quando adaptados para elevadores) e horizontal de 
pessoas, materiais e equipamentos, sendo utilizados como plataformas elevadas 
para execução de serviços mais específicos em altura. 
Figura 2.22 | Aplicação de linha de vida 
subida e descida
Mais sobre equipamentos:
<http://www.honeywellsafety.com/BR/Training_and_Support/
XENON%C2%AE_Sistemas_de_Linha_de_Vida_horizontal_permanente_-_
Perguntas_mais_frequentes.aspx>. 
Sobre linhas permanentes e flexíveis:
<http://www.spelaion.com/portal/index.php/artigo-noticias/artigos/29-
comparacao-entre-as-linhas-de-vida>. 
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U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
3.7.1 Andaimes apoiados, fachadeiros e móveis
O andaime precisa ser orientado por norma específica ABNT/NBR 6494:1990 
- Segurança em Andaimes e suas atualizações, principalmente no que se refere ao 
dimensionamento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1991).
Todo os andaimes devem ser montados sobre bases sólidas e seus elementos de 
contato com o piso devem possuir dispositivos que garantam a estabilidade de todo 
sistema, principalmente quando estiver sendo usado para o transporte de materiais, 
ferramentas e pessoas.
Os pisos do próprio andaime (plataformas horizontais) precisam ter encaixe que 
permita intertravar o andaime e serem de materiais antiderrapantes, sem que haja 
ressaltos, para se evitar quedas dos ocupantes ao andar.
Figura 2.23 | Andaimes apoiados
Figura 2.25 | Exemplo de andaime 
fachadeiro
Figura 2.24 | Andaimes com escada 
de acesso e guarda-corpo
Fonte: Disponível em: <http://www.metalica.com.br/
images/stories/Id5284/andaimes_03.jpg>. Acesso em: 26 
nov. 2014.
Fonte: Disponível em: <http://www.urbe.com.
br/produtos/andaime-fachadeiro/>. Acesso 
em: 26 nov. 2014.
Fonte: Disponível em: http://www.nei.com.br/
produto/2010-03-andaime-multidirecional-
andaimes-metax-equips-ltda?id=ee6d090c-
5ba7-11e4-8697-0e94104de12e>. Acesso em: 
26 nov. 2014.
O acesso a um andaime deve ser seguro, 
fazer uso de plataforma, escada e rampas 
com o devido guarda-corpo e rodapé 
sempre, sendo obrigatório a partir de 1,5 
metro a partir do piso.
Para se evitar a projeção de materiais, 
ferramentas ou mesmo pessoas para fora 
dos limites dos andaimes, é necessário o uso 
de telas de arame ou materiais equivalentes 
em termos de resistência às condições que 
se colocam, e sugere-se ao menos que esta 
tela esteja cobrindo dois metros de altura a 
partir da plataforma de trabalho.
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U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
 3.7.2 Andaimes suspensos 
Os andaimes suspensos, via de regra, são andaimes que fazem uso das 
edificações para se apoiar ou fazem equipamentos de apoio, como guindastes, 
sistemas de roldanas, motores, e estes, por sua vez, podem possuir sistema de 
cabos associados com equipamentos de travamento (catracas), podendo ou não 
estar vinculados à edificação. 
Em alguns sistemas, como os guinchos de elevações, é necessário prever 
mecanismos que evitem o retrocesso, independentemente de quais falhas possam 
ocorrer, normalmente feito por um tambor com catraca, e, ainda mesmo depois 
de ter sido efetivado o efeito “freio”, conter dispositivo (alavanca ou manivela) que 
assegure o travamento. 
Para saber mais sobre andaimes fachadeiros, acesse:
<http://www.urbe.com.br/is-passos-para-a-montagem-do-andaime-
fachadeiro-mini-grua-e-guincho-de-coluna/>. 
Fonte: FUNDACENTRO (2003)
Fonte: FUNDACENTRO (2003)
Fonte: FUNDACENTRO (2003)
Fonte: FUNDACENTRO (2003)
Figura 2.26 | Configuração da mão francesa em andaimes suspensos e fixação interna
Figura 2.27 | GcR em andaimes 
suspensos tipo “balancim”
Figura 2.28 |GcR em andaimes 
suspensos por mão francesa
Figura 2.29 |Sistema de 
metal com GcR e mão 
francesa
86
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
3.8 Elevadores 
Dentre os equipamentos usados no transporte de materiais e de pessoas, o 
elevador certamente está entre os mais populares, mas em nada se assemelha 
aos tradicionais elevadores que conhecemos (usados em edificações prontas). No 
contexto de uma obra, muitos dispositivos de segurança não existem, e por ser um 
equipamento de uso provisório, muitas empresas não atentam para a necessidade 
de investir em equipamento que pode agregar riscos consideráveis.
3.8.1 Elevadores de material e passageiro 
Os elevadores que conjugam transporte de passageiros e de cargas em obras 
precisamser dimensionados por profissional legalmente habilitado, e a anotação 
de responsabilidade técnica de modo a atestar que o equipamento possui todos 
os requisitos de segurança para operar. 
Este mesmo profissional precisa supervisionar o trabalho de montagem e 
desmontagem dos elevadores nas obras, assim como promover todas as inspeções 
necessárias, testes os mais variados dos elementos quanto à resistência de carga, para 
conhecimento dos limites de tolerância de carga. Estes procedimentos de supervisão 
são sugeridos pela RTP 02 e precisam ser anotados em um livro próprio do equipamento.
Algum cuidado quanto à inspeção diária deve ser tomado, inclusive com a 
adoção de um checklist, e esta operação precisa ser feita com um trabalhador 
qualificado, e tal anotação deve ser reconhecida em carteira de trabalho. Pontos 
que devem minimamente ser observados segundo a RTP 2: Base da máquina de 
tração, Cabo de tração, Sistema de freios, Sistema elétrico, Torre, Cabine, Rampas 
de acesso, Aspectos administrativos (FUNDACENTRO, 2001).
Figura 2.30 | Exemplos de proteção ao motor para transporte de materiais ao nível do solo 
(tração por transmissão e direto)
Fonte: FUNDACENTRO (2001)
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U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
As torres não podem ultrapassar seis 
metros a partir da última laje. Como 
em obras a maioria dos elevadores 
normalmente é montada externamente 
à obra, faz-se uso de um sistema de 
fixação nas torres externas, é necessário 
estroncar (escorar) e amarrar todos os 
montantes em todos os pavimentos da 
estrutura, para manter a torre no prumo. 
Após é necessário fazer a fixação da 
estrutura à edificação usando cabos de 
aço e esticadores.
Faz-se uso de estaio (estaiar) em angulações de 45 graus entre montantes da 
torre do elevador e a edificação para formação de travamentos com cabos de aço. 
Figura 2.32 | Fixação da caixa rolagem do elevador à edificação
Figura 2.31 | Amarração da torre à 
construção
Fonte: FUNDACENTRO (2001)
Fonte: FUNDACENTRO (2001)
Estronca: escora horizontal metálica ou de madeira que impede o 
deslocamento do terreno, garantindo a segurança nas escavações.
Estaiar: fixação do guincho através de cabos de aço em uma obra vertical. 
88
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Figura 2.33 | Parafusos e contra pinos
Figura 2.35 | Ocorrências que determinam a substituição do cabo
Figura 2.34 | Amarração de cabos
Fonte: FUNDACENTRO (2001) Fonte: FUNDACENTRO (2001)
Em relação aos cabos de aço, independente da função que exercem, sua 
amarração merece especial cuidado, principalmente quando está sendo exercida 
sobre ele uma tensão/esforço, e segundo a sua própria configuração de material 
(lisa), é necessário se fazer uso de presilhas. 
Existe também a necessidade de avaliação constante sobre os cabos, e dos 
“sintomas” (fadiga, amassamentos, ruptura, entre outros) que podem levar a 
acidentes nos equipamentos que dependem deste tipo de material.
Fonte: FUNDACENTRO (2001)
Fonte: FUNDACENTRO (2001)
Figura 2.36 | Outras proteções relacionadas 
ao elevador
Os modelos atuais de elevadores 
para obras já apresentam automação 
suficiente para não precisar de 
operadores, porém, para algumas 
situações, onde o custo acaba sendo 
critério para definição deste tipo de 
transporte, é necessário estabelecer 
condições para que o posto de 
trabalho, com isolamento do risco 
(outras proteções), quanto ao motor 
e cabos, da parte de fios energizados, 
com proteções e sinalizações que se 
fazem necessários, deve ser previsto 
89
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Fonte: FUNDACENTRO (2001)
Fonte: FUNDACENTRO (2001)
Figura 2.37 | Cabines semifechadas
Figura 2.38 | Cabines fechadas
também extintor de incêndio de pó químico, e restrição de acesso às pessoas 
não autorizadas.
3.8.2 Elevadores de material
Seguem todas as recomendações anteriores, mas os elevadores para 
transporte de materiais podem ser de cabines semifechadas e de uso exclusivo 
de materiais e cargas, e tais cabines precisam ser dotadas de coberturas, 
basculáveis ou de encaixe, para permitir o transporte de peças compridas.
É desejável que as cabines dos elevadores sejam de materiais resistentes 
a impactos, até pelo menos a altura 
de 1,00 metro fixo, considerando 
a possibilidade de acima disto os 
materiais serem passíveis de serem 
removíveis. 
Dispositivos de segurança como 
travas de segurança para o elevador 
parado em altura, além de freio motor, 
interruptores de corrente, dispositivos 
que garantam que a cabine somente 
se movimente se as partes como 
porta e painéis estejam fechadas, 
sistemas de frenagem automática podem ser um dos requisitos de segurança 
que podem ser trabalhados, mesmo que o elevador seja rudimentar.
3.8.3 Elevadores de passageiros 
Quando se fala em elevadores em construção para transporte de pessoas, 
se tornam obrigatórios nos edifícios que contenham no mínimo 12 andares, 
alturas equivalentes ou mais, e seu 
percurso deve compreender toda a 
verticalidade da obra. Toma-se como 
critério de necessidade do mesmo 
quando a obra já tenha ultrapassado 
a sétima laje, e que contenha pelo 
menos 30 trabalhadores e adoção de 
guincho automático.
No caso da cabine em específico 
para o transporte de passageiros, 
o transporte é feito por cabine 
90
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
fechada. Um elevador de transporte de 
passageiros precisa sobretudo estar com sua 
manutenção e inspeções devidamente feitas, 
verificando principalmente os dispositivos de 
segurança, tais como: sistema de frenagem 
automática conjugado com freio mecânico 
(manual) em caso de falha, que por sua vez 
precisa estar conjugado com interruptor 
de corrente elétrica dentro da cabine, este 
último também pode auxiliar quando houver 
ruptura do cabo de tração.
E quando o elevador também se destina 
a transporte de carga, é necessário que o 
comando seja externo.
3.9 Gruas
Um dos elementos mais favoráveis 
à produtividade em construção civil 
certamente é a grua, mas parte do preço 
a ser pago muitas vezes envolve questões 
de segurança dos trabalhadores, já que 
os potenciais riscos são proporcionais ao 
tamanho deste equipamento e, da forma 
como é operado, conjuga risco em altura 
com transporte de cargas.
Fonte: FUNDACENTRO (2001)
Fonte: Disponível em: <http://www.metalica.
com.br/a-seguranca-na-utilizacao-da-grua-na-
construcao-do-edificio>. Acesso em: 26 nov. 2014.
Figura 2.39 | Elevador de passageiros
Figura 2.40 | Grua e suas partes
A RTP 02 é dedicada à movimentação de cargas e apresenta grande 
parte de seus tópicos a exemplificação, e a Norma Regulamentadora 
18, em seus itens 18.14.1 a 18.14.23 e seus subitens, descreve 
procedimentos na consideração da segurança em elevadores 
(FUNDACENTRO, 2001; BRASIL, 2013).
91
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Desta forma, é um dos equipamentos em que toda a documentação deve 
ser rigorosamente considerada nas fiscalizações, e a empresa deve comprovar 
todos os procedimentos, que vão desde a simples locação, sua montagem, sua 
operação e manutenção, responsáveis e tudo o que for necessário para determinar 
responsabilidade em caso de não conformidades em relação à saúde e segurança 
do trabalhador.
Para se operar uma grua é necessário que estejam no canteiro de obras as 
seguintes documentações:
• Contrato de locação, se houver. 
• Lista de Verificação de Conformidades (checklist) a cargo do operador da grua.
• Lista de Verificação de Conformidades (checklist) a cargo do Sinaleiro/
Amarador de cargas referente aos materiais de içamento.
• Livro de manutenção da grua.
• Cópia da ART do engenheiro responsável pela instalação e manutenção. 
• Comprovantes de treinamento do operador e do sinaleiro.
• Documentação sobre esforços atuantes na estrutura do edifícioconforme 
disposto na NR-18 (item 18.423) (BRASIL, 2013).
• Atestado de aterramento elétrico com medição ômica (ABNT/NBR 5410 e 
5419) elaborado por profissional habilitado (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2005, 2008a).
• Manual do fabricante e/ou operação contendo no mínimo as listas de 
verificação do operador e do sinaleiro, e principalmente as instruções de segurança 
no trabalho com este equipamento.
• Plano de transporte de carga de materiais em que contenha:
Sobre gruas, acesse:
<http://www.camposmaciel.com.br/locacao-gruas/>. 
<http://www.estig.ipbeja.pt/~rasmi/seminarios/1_ciclo/SEGURANCA_
EM_GRUAS_TORRE_1_1.pdf>. 
92
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
• Dados do local da instalação 
• Número de operadores 
Dados dos responsáveis da obra (detalhado, inclusive com as devidas anotações 
de responsabilidades técnicas e relações contratuais dos diversos agentes da 
obra), dos proprietários, locatários e locadores do equipamento, e tudo que possa 
contribuir para rastreabilidade das responsabilidades.
Detalhamento do equipamento e toda a descrição de suas partes, e esquemas 
de montagem, peculiaridades do mesmo etc.
Planos de instalação, manutenção e inspeção, assim como os instrumentos e 
metodologias usadas, com as devidas anotações de responsabilidades técnicas e 
dados dos responsáveis. 
Uma das principais preocupações da grua é quanto ao local de instalação e 
sua relação com as demais partes da obra. Nesta relação é necessário que se 
considere, por exemplo, a relação da grua e seu raio de ação com lugares onde 
existam trabalhadores. 
Ao se instalar uma grua deve-se levar em consideração o desenho dos canteiros, 
a localização dos principais pontos onde trabalhadores acessarão, áreas de 
vivência, áreas de estocagem de materiais, carga e descarga de materiais, a relação 
com outros equipamentos que possam interferir na operação desta e vice-versa, 
redes elétricas e outros tipos de infraestrutura urbana, edificações vizinhas, vias, 
trânsito, e tudo o mais que em caso de queda possa atentar contra a vida de seres 
humanos. Além disso, é necessário que haja constante discussão das modificações 
que ocorrem dentro do canteiro de obras que possam sofrer influência da grua em 
relação à edificação e desta em relação à grua, tanto verticais como horizontais.
Quanto aos sistemas de segurança, não podem deixar de serem observados, 
minimamente, itens como, por exemplo:
• Plataforma das áreas onde os operadores precisam acessar, diretamente 
no equipamento, ou que precisam ser previstos no canteiro para a pega do material, 
obrigatoriamente com guarda-corpo;
• Sinalização advertindo para todos os riscos associados no próprio 
equipamento, para aqueles que podem acessar o equipamento, e também nos 
locais onde acontecerá o carregamento e descarregamento. E ao longo do trajeto 
da carga quando esse for o caso;
• Uso de coletes refletivos para todos os funcionários que estejam 
relacionados com o transporte e içamento de materiais pelas gruas;
• Como todo equipamento deste precisa ter um plano de carga, deve 
93
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
ser previsto no mesmo tanto uso de equipamentos eletrônicos (rádio, por 
exemplo) que facilitem a comunicação entre operador e sinaleiro, assim como 
um sistema secundário que facilite a comunicação entre operador e sinaleiro 
em caso de falha do primeiro.
No que se refere à formação técnica de quem se relacionará com o transporte 
por grua, deve ser prevista qualificação no plano de operação, assim como a 
manutenção dos treinamentos ao longo do desenvolvimento das obras, e no 
primeiro treinamento é necessário que se aborde o conteúdo programático 
e carga horária mínima definida pelo fabricante, locador ou responsável pela 
obra, que deve atestar que o conhecimento passado habilita os profissionais a 
trabalharem com este tipo de equipamento. 
Em relação ao operador de equipamento, este tem por principal atribuição 
fazer uso dos EPIs e EPCs de acesso à cabine e para operação, executar inspeções 
de qualquer natureza no que refere ao equipamento e condições ambientais de 
trabalho em grua/altura/transporte de carga com regularidade e periodicidade. Os 
profissionais treinados para operação da grua devem estar cientes do conteúdo 
do “plano de carga” e se responsabilizar principalmente em:
• Operação do equipamento em acordo com as determinações do 
fabricante.
• Realização de lista de verificação de conformidade (checklist) com a 
frequência determinada no plano de carga/manual do fabricante ou conforme 
responsável pelo equipamento.
Quanto ao sinaleiro e o amarrador de carga, precisam ser treinados 
minimamente por oito horas, com conteúdo programático que se relacione 
à atividade que vão exercer, focando sempre a segurança dos trabalhadores 
segundo as mais diversas normas de segurança que se relacionam com seu 
ambiente de trabalho e transporte de carga por gruas. Devem ser capazes, 
assim como o operador, de desenvolver inspeções junto ao equipamento sob 
supervisão e um responsável técnico. Precisam estar cientes do “plano de 
carga” e possuir essencialmente as seguintes responsabilidades:
• Amarração das cargas para içamento priorizando condições de segurança;
• Escolha correta dos materiais para amarração de acordo com as 
peculiaridades de cada carga;
• Direcionamento e orientação do operador da grua nos movimentos 
necessários para o transporte da carga;
• Observação criteriosa ao plano de carga;
• Sinalização e orientação de trajetos, pessoas e cargas que se relacionam 
94
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
com o transporte de carga.
Como o profissional de segurança do trabalho se relaciona com a segurança 
em transporte de cargas por grua e onde devem constar tais responsabilidades? 
A resposta é PCMAT (Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na 
Indústria da Construção). 
Em movimentação da pessoa sobre o equipamento, por se tratar de trabalho 
em altura é obrigatório que se preveja o uso da trava-queda, e disposição de linhas 
de vida e ancoragens para que seja usado até que se acesse a cabine. Áreas de 
cargas e descargas devem ser isoladas e devidamente sinalizadas quando em 
operação pelos responsáveis pela movimentação da carga.
Sobre gruas e procedimentos de segurança na operação de gruas, 
consulte os itens de 18.14.24 e seus subitens da NR-18 e o Anexo III 
da NR-18 (BRASIL, 2013).
Reflita se os equipamentos de proteção coletiva podem influir 
na conduta de segurança dos trabalhadores na construção civil 
e no trabalho em altura.
1. Quais as contribuições que a NR-11 e NR-18 oferecem 
para a prevenção de acidentes em canteiros?
2. Qual a importância de serem trabalhados procedimentos 
pré-formatados para inspeções de rotina em um canteiro 
de obras?
95
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Seção 4
Proteções coletivas no canteiro e armazenagem 
e manuseio de materiais 
O ramo da construção civil certamente está entre os ramos industriais mais 
sujeitos a acidentes, dado o volume de variáveis que o próprio processo produtivo 
impõe, seja pelo ritmo, pela formação da mão de obra (sem treinamento ou não 
consciente dos riscos da atividade), seja pelas condições ambientais e/ou mesmo 
pelos equipamentos. A modernização do processo produtivo da construção tem 
contribuído muito para prevenção, mas o esforço ainda é grande para deixar de ser 
um dos ramos mais impactantes sobre a saúde e segurança do trabalhador. 
Embora sejam imensas as possibilidades de riscos em uma obra, podemos 
destacar que as principais causas dos acidentes fatais ou que deixam o trabalhador 
com sequelas são:
• Fogo
• Andaimes sem segurança
• Plataformas de trabalho sem segurança 
• Poços/Beiradas abertas 
• Equipamento elétrico e cabos sem segurança 
Fonte: Disponível em: <http://turmadopetroleo-mossoro.blogspot.com.br/2013/09/dezesseis-principais-riscos-em-um.html>. Acesso em: 26 nov. 2014.
Figura 2.41 | Riscos na construção civil
Fogo
Uso de 
máquinas sem 
proteção
Acessos 
inseguros
Andaimes sem 
segurança
Queda de 
objetos
Atingidos 
por corpos 
estranhos
Operações de 
elevação sem 
segurança
Trabalho em 
alturas sem 
segurança
Poços/beiradas 
abertas
Plataformas 
de cargas sem 
segurança
Plataformas de 
trabalho sem 
segurança
Empilhadeiras 
sobrecarregadas
Escoamento 
estrutural sem 
segurança
Equipamento 
elétrico e cabos 
sem segurança
Guindastes sem 
segurança
Escavações sem 
segurança
96
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
• Escavações sem segurança 
• Plataforma de carga sem segurança 
• Atingidos por corpos estranhos 
• Queda de objetos 
• Escoramento do estrutural sem segurança 
• Empilhadeiras sobrecarregadas 
• Guindastes sem segurança 
• Operação de elevação sem segurança 
• Trabalho em alturas sem segurança 
• Uso de máquinas sem proteção 
• Acessos inseguros (BOLONHA, 2013).
A seguir serão expostos os mais comuns.
4.1 Instalações elétricas
Fonte: FUNDACENTRO (2007)
Figura 2.42 | Interação 
do corpo humano com 
partes energizadas
Quando se fala em instalações elétricas de qualquer 
natureza, o isolamento completo e a extinção dos riscos 
devem sempre ser priorizados, mesmo que a instalação 
seja temporária. As precauções tomadas devem ser 
tomadas como se fossem instalações definitivas, inclusive 
com projeto que dimensione corretamente o sistema, a 
anotação de responsabilidade técnica (ART) emitida por 
profissional legalmente habilitado.
Há uma preocupação especial em instalações 
elétricas em obras, já que existem muitas adaptações 
possíveis dentro de um canteiro. Porém, o corpo 
humano nem sempre é tão resiliente aos choques 
elétricos e a resposta que o corpo do ser humano 
normalmente dá quando interagindo sobre partes 
energizadas de equipamentos pode potencializar 
os acidentes e riscos de morte, muito em função do 
trabalhador não suportar determinados efeitos que a 
corrente elétrica causa sobre seu corpo. 
97
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Em todos os componentes do equipamento que forem energizados é preciso 
o isolamento completo, previsão de barreiras e invólucros, isolamento de partes 
vivas, previsão de obstáculos que dificultem o acesso a partes energizadas e que 
se mantenham fora de alcance pessoas que não estejam devidamente habilitadas 
para o desenvolvimento de trabalho com energia elétrica. O aterramento deve ser 
sempre previsto quando os equipamentos forem operados por meio da energia 
elétrica, assim como todos os sistemas de distribuição de energia elétrica dentro 
da obra (FUNDACENTRO, 2007). 
Fonte: FUNDACENTRO (2007)
Fonte: FUNDACENTRO (2007)
Figura 2.44 | Exemplo de placas Figura 2.45 | Exemplo de 
aplicação de placas e restrição 
de acesso
Figura 2.43 | Intensidade da corrente e efeitos ao corpo
A NR-18 em seus itens 18.21.1 a 
18.21.20 e a RTP 05 são fontes de 
consulta essenciais para consideração 
de gerenciamento de risco associado 
à energia em obras (BRASIL, 2013; 
FUNDACENTRO, 2007). 
Fonte: FUNDACENTRO (2007)
98
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Sistema de sinalização é crucial, indicando condições de energia, e devem 
ser indicativos de restrição de pessoal não autorizado, já que a maioria dos 
equipamentos usados em obra é de elevada potência, e carente de correntes 
elétricas de elevada amperagem.
Desejável que funcionários que ficarem responsabilizados pela manutenção 
elétrica do equipamento associado ao transporte de materiais estejam cientes dos 
riscos associados ao transporte de materiais e também todas as recomendações 
estabelecidas pela NR-10 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM 
ELETRICIDADE (BRASIL, 2004a). 
4.2 Organização do canteiro
O PCMAT, como programa de Segurança do Trabalho, tem como objetivo, a 
exemplo do PPRA, identificar os riscos do ambiente de trabalho, especialmente em 
obras de construção, reformas e ampliações, serviços de manutenção e reparação, 
entre outros, a fim de prevenir acidentes e doenças decorrentes de suas atividades. 
Podem fazer parte da composição de um dos tópicos dos riscos específicos 
em transporte de cargas, de incêndio, já que em obras normalmente existe a 
armazenagem de potencial de incêndio, e também quanto à forma de armazenagem 
dos materiais, já que existem riscos associados. São importantes as consultas nas 
seguintes leis, normativas e portarias para o desenvolvimento do PCMAT:
• Lei nº 6.514, de 22/12/1977 (BRASIL, 1977).
• Portaria nº 3214, de 08/06/1978 (BRASIL, 1978).
• Portaria nº 4, de 04/07/1995 (BRASIL, 1995).
• Norma Regulamentadora NR-18 – PCMAT – Programa de Condições e 
Meio Ambiente na Indústria da Construção (BRASIL, 2013).
Códigos dos Corpos de Bombeiros do Estado em que será desenvolvido 
precisam ser consultados e citados. 
4.3 Uso de EPI
O uso de EPI deve ser especificado a partir da avaliação dos riscos ambientais 
associados à atividade que se desenvolverá, prevendo treinamentos obrigatórios 
e específicos para seus usos, além da criação de procedimentos que garantam a 
substituição sempre como indicado pelo PCMAT. A sinalização para uso do mesmo 
nos ambientes indicando a obrigatoriedade é essencial, juntamente com outras 
formas de indicações em defesa da prevenção coletiva. Demais disposições acerca 
deste assunto podem ser observadas na NR-6 – Norma Regulamentadora 6 do 
Ministério do Trabalho - Equipamentos de Proteção Individual – EPI (BRASIL, 2014a).
99
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
4.4 Gerenciamento de terceiros
Como o volume de trabalho que precisa ser desenvolvido para que uma 
edificação fique pronta é bastante grande, e demandas mercadológicas 
normalmente exigem cada vez mais agilidade e as construtoras buscando atender, 
buscam ampliar sua capacidade produtiva fazendo uso de mão de obra terceirizada, 
como complemento para que o nível de produtividade continue satisfatório.
A prática da terceirização é comum em outros ramos industriais, como da 
metalurgia naval ou em agroindústrias em época de safra, por exemplo, mas na 
construção civil, deve-se acentuar, o fenômeno da terceirização da mão de obra 
não terceiriza a responsabilidade de gerenciamento de risco de quem contrata, 
ou seja, tem reponsabilidade solidária quando um acidente acontece. 
É por este motivo que o PCMAT precisa ser bem elaborado, pois precisa 
incorporar e prever procedimentos sobre os terceirizados, principalmente com 
a integração, treinamentos direcionados à realidade da empresa, que deixem 
pessoal terceirizado ciente de suas obrigações de uso de EPI nas condições citadas 
no PCMAT. Para tanto, a empresa que contrata o serviço pode usar de artifícios 
documentais para comprovar que os treinamentos e integração foram feitos. São 
previstos pela NR-18 treinamentos mínimos prevendo seis horas de capacitação, no 
horário de trabalho, que abordem condições de meio ambiente, os risco e meios de 
proteção. Reciclagem e manutenção dos conhecimentos devem ser constantes, o 
que fortalece a postura preventiva da empresa contratante (BRASIL, 2013).
Uma das coisas que a empresa contratante precisa é informar às contratadas 
(terceirizadas) como os riscos ambientais foram levantados e compartilhar estas 
informações e auxiliar a empresa que foi contratada para que a mesma seja capaz 
de elaborar seu PCMSO.
4.5 Armazenagem e Estocagem de Materiais
A armazenagem de materiais em obras carece de planejamento para a deposição 
dos mesmos, já que, antes de tudo, os materiais são insumos que devem ser usados 
durante a construção, e a estocagem deve ser feita considerando, além da circulação 
de materiais e posicionamento dos equipamentos de transporte (gruas, elevadores, 
entre outros), a presença de pessoas em constante circulação. A prevenção de 
incêndioé outra preocupação, que deve ser obrigatoriamente concebida conforme 
exigências dos códigos de prevenção do Corpo de Bombeiros.
Outro cuidado que deve ser tomado é quanto à obstrução de portas ou saídas 
de emergência, e interferência de rotas de fugas, que também deve ser prevista. 
A armazenagem dos materiais precisa considerar sobrecargas sobre elementos da 
construção (piso, paredes, lajes) ou até mesmo da geometria da armazenagem 
(por exemplo, deposição de sacos de cimento) não contribuir para estabilidade da 
própria pilha e ruir. 
100
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Estes tipos de riscos devem ser prevenidos e sinalizados quando não forem 
passíveis de deixar condições satisfatórias de armazenagem e o manuseio não 
atente contra a vida e segurança do trabalhador. A NR-18, em seu item 18.24.2.1, 
chega a manifestar que a altura de um empilhamento deve ter a mesma distância 
que esta pilha deverá ficar distante de qualquer parte da edificação ou mesmo de 
outros elementos armazenados sobre o mesmo ambiente (BRASIL, 2013).
Alguns produtos, como a cal virgem e mesmo outros produtos, como materiais 
tóxicos, corrosivos, inflamáveis ou explosivos, devem ser armazenados em locais 
isolados, secos e arejados, atendendo suas respectivas FISPQS e instruções dos 
fabricantes, já que condições ambientais podem influir nestes produtos e gerar 
subprodutos que possam interferir na saúde e segurança do trabalhador.
A armazenagem dos produtos perigosos precisa deve ser coordenada por pessoa 
devidamente treinada, o ambiente deve ter acesso restrito somente a pessoas 
autorizadas e o ambiente deve conter todas as sinalizações obrigatórias e previstas 
para este tipo de armazenagem, que veremos mais adiante neste livro.
A FISPQ significa “Ficha de Informações de Segurança de Produtos 
Químicos” e é tido como um documento que a Associação Brasileira 
de Normas Técnicas (ABNT) prevê conforme ABNT/NBR 14725-
2 como obrigatório para armazenagem e transporte. Tal ficha 
acompanha assim produtos que se enquadram como produtos 
perigosos (explosivos, gases, líquidos inflamáveis, sólidos inflamáveis, 
substâncias oxidantes e peróxidos, substâncias tóxicas e infectantes, 
materiais radioativos, corrosivos e substâncias perigosas diversas). 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010). 
Classes dos produtos perigosos:
<http://www.unifal-mg.edu.br/riscosquimicos/produtos%20perigosos>. 
101
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Desta forma, a deposição destes materiais também começa a fazer parte do 
planejamento de espaços para a sua correta separação dos resíduos, e de quebra os 
riscos ambientais que podem interferir na saúde e segurança do trabalhador.
Para saber mais sobre Proteção Contra Incêndios, consultar Norma 
Regulamentadora n° 23 - Proteção Contra Incêndios: 
<http://portal.mte.gov.br/data/fi les/8A7C816A2E7311D1012FE
5B554845302/nr_23_atualizada_2011.pdf>. 
Para saber mais sobre Proteção Contra Incêndios, consultar Norma 
Regulamentadora n° 19 – Explosivos: 
<http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C812D302E6FAC013032FD75374
B5D/nr_19.pdf>. 
Pense em qual é a importância de se atender aos requisitos de 
segurança de cargas e pessoas para a confecção do PCMAT em 
canteiros de obras para edifícios verticais.
1. Quais são as principais causas dos acidentes fatais ou 
que deixam o trabalhador com sequelas no trabalho na 
construção civil?
2. Qual é a importância do PCMAT para prevenção em 
canteiros de obras?
102
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
O Brasil dos últimos anos tem melhorado muito em termos de 
legislação e mesmo da postura do setor em tentar desenvolver 
melhores estratégias para que haja a prevenção em segurança do 
trabalho em canteiros de obras de maneira mais efetiva.
Na Seção 1 foram expostas as principais normas (NR-18, NR-35, 
entre outras) que podem relacionar ao trabalho em altura, buscando 
indicar as devidas responsabilidades de promoção do trabalho em 
altura, a importância da capacitação como estratégia de prevenção, 
e como deve ser desenvolvido o trabalho em altura, e aí entra uma 
grande quantidade de procedimentos documentais e de posturas 
no uso de EPI e EPC, até uma liberação formal e a gestão da crise 
em caso de acidente.
Na Seção 2 buscou-se introduzir aspectos históricos das normativas 
referentes a transporte, movimentação, armazenagem e manuseio 
de materiais e as normas relacionadas, entender que o conteúdo 
de algumas normas, como é o caso da NR-11, está diretamente 
ligado aos artigos 182 e 183 da CLT e da importância da mesma para 
contexto da prevenção nos trabalhos de transporte, movimentação, 
armazenagem e manuseio de materiais, e como são necessários 
cuidados especiais para operação de elevadores, guindastes, 
transportadores industriais e máquinas transportadoras. 
Na Seção 3 foi dada ênfase às proteções coletivas (EPC), muito em função 
da apresentação dos equipamentos de proteção individual no capítulo 
anterior, dando preferência a um detalhamento tanto quanto ao uso, 
aos riscos associados e mesmo da configuração que normativamente 
é considerada correta para a prevenção em plataforma de proteção, 
poço de elevador, abertura do piso, periferia de obra, sistema guarda-
corpo e rodapé (GcR) em diversas regiões da obra (e suas variações). 
Demonstrou-se também alguns aspectos de segurança a serem 
considerados em escavação. Em trabalhos em altura cuidou-se de 
expor principais configurações e cuidados favoráveis à segurança 
em EPCs quando da exposição das linhas de vida, andaimes (e suas 
variedades de uso) e elevadores. Em movimentação e planejamento 
foram demonstrados cuidados essenciais e requisitos mínimos para a 
operação de equipamentos do tipo grua.
Na Seção 4 buscou-se discorrer sobre alguns riscos dentre a infinidade 
103
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
possível que pode atentar contra a vida e saúde do trabalhador, 
e foram eleitos como representativos destes riscos as instalações 
elétricas, organização dos canteiros, uso de EPI, gerenciamento de 
terceiros, armazenagem e estocagem de materiais. 
Esta unidade tinha por fim alertar sobre situações e discorrer que 
falhas na prevenção podem ocorrer no canteiro, independentemente 
de haver vinculação ou não às normas regulamentadoras, cabendo 
ao profissional de segurança do trabalho estar atento.
Muito se melhorou nas condições de trabalho em decorrência do 
avanço tecnológico da fabricação das edificações, verificou-se 
também o aumento do investimento por parte dos empregadores 
tanto em ferramentas, equipamentos que auxiliem sobretudo 
na facilitação da execução dos serviços, quanto na estrutura do 
canteiro de obras, e muitos dos quais foram apresentados nesta 
unidade. Mas ainda o setor carece de evolução significativa 
quando se fala de recursos humanos, principalmente quando a 
capacitação está diretamente relacionada à saúde e segurança do 
trabalho em canteiro de obras.
1. A norma que em sua essência trabalha integralmente para a 
prevenção do trabalho em altura:
a) Norma Regulamentadora n° 11.
b) Norma Regulamentadora n° 12.
c) Norma Regulamentadora n° 35.
d) Norma Regulamentadora n° 05.
e) Norma Regulamentadora n° 06.
104
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
4. Correlacione os equipamentos com suas respectivas 
definições previstas pela NR-35. 
2. Qual documento é previsto na NR-35 para Permissão de 
Trabalho, ele é:
a) Escrito apenas para uso do EPC.
b) Escrito para descrever simplesmente a postura do 
trabalhador, não fazendo referência a EPI e EPCs.
c) Escrito contendo conjunto de medidas de controle 
visando o desenvolvimento de trabalho seguro, além de 
medidas de emergência e resgate. 
d) Tem por princípio exclusivo ser um manual de operação 
de uma máquina/equipamento que se pretendeutilizar no 
trabalho em altura. 
e) Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) já é uma 
permissão de trabalho.
3. Atividade realizada sob supervisão permanente de 
profissional com conhecimentos para avaliar os riscos nas 
atividades e implantar medidas para controlar, minimizar ou 
neutralizar tais riscos. Com base nesta definição, qual das 
alternativas melhor se enquadra:
a) Operação Assistida.
b) Assistência laboral. 
c) Supervisionamento.
d) Imobilidade inerte.
e) Permissão de trabalho.
1) O 
absorvedor de 
energia:
( ) dispositivo de segurança para proteção do usuário 
contra quedas em operações com movimentação vertical ou 
horizontal, quando conectado com cinturão de segurança 
para proteção contra quedas.
2) Cinto 
de segurança tipo 
paraquedista: 
( ) ponto destinado a suportar carga de pessoas para a 
conexão de dispositivos de segurança, tais como cordas, 
cabos de aço, trava-queda e talabartes.
3) 
Equipamentos 
auxiliares: 
( ) é o componente ou elemento de um sistema para 
dissipar a energia cinética desenvolvida durante uma queda, 
pode ser compreendido como um amortecedor antiqueda, 
desenhado durante uma queda de uma determinada altura 
(força de pico). 
105
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
5. O PCMAT, como programa de Segurança do Trabalho, tem 
como objetivo, a exemplo do PPRA: 
I. Identificar os riscos do ambiente de trabalho, 
especialmente em obras de construção, reformas e ampliações, 
serviços de manutenção e reparação, entre outros, a fim de 
prevenir acidentes e doenças decorrentes de suas atividades. 
II. É documento que reserva o empregador de obrigações 
trabalhistas, e uma delas é deixar de adquirir o equipamento 
de proteção individual.
III. É documento que reserva o empregado de obrigações 
trabalhistas, e uma delas é deixar de usar o equipamento de 
proteção individual.
IV. Conjuga um conjunto de ações preventivas à saúde 
e à segurança do trabalhador e determina responsabilidades 
tanto do empregado como do empregador.
V. É importante instrumento para implantação de políticas 
de prevenção para trabalho em altura e transporte, manuseio 
e armazenagem de cargas, assim como busca identificar os 
riscos que são inerentes a estas atividades.
Estão corretas:
a) Somente I.
b) Somente III.
c) Somente II e III.
d) Somente I, II e IV.
e) Somente I, IV e V.
4) Ponto de 
ancoragem: 
( ) Equipamento de Proteção Individual utilizado para 
trabalhos em altura onde haja risco de queda, constituído de 
sustentação na parte inferior do peitoral, acima dos ombros e 
envolto nas coxas. 
5) Sistemas 
de ancoragem: 
( ) dispositivo de conexão de um sistema de segurança, 
regulável ou não, para sustentar, posicionar e/ou limitar a 
movimentação do trabalhador.
6) Trava-
queda: 
( ) equipamentos utilizados nos trabalhos de acesso por 
corda que completam o cinturão tipo paraquedista, talabarte, 
trava-quedas e corda, tais como: conectores, bloqueadores, 
anéis de cintas têxteis, polias, descensores, ascensores, dentre 
outros.
7) Talabarte: 
( ) componentes definitivos ou temporários, dimensionados 
para suportar impactos de queda, aos quais o trabalhador 
possa conectar seu Equipamento de Proteção Individual, 
diretamente ou através de outro dispositivo, de modo a 
que permaneça conectado em caso de perda de equilíbrio, 
desfalecimento ou queda.
106
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
107
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
Referências
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nos andaimes. Rio de Janeiro, 1991. 
______. NBR 5419:2005: proteção de estruturas contra descargas atmosféricas. 
Rio de Janeiro, 2005. 
______. NBR 5410:2004: instalações elétricas de baixa voltagem. Rio de Janeiro, 
2008a.
______. NBR 15475:2007: acesso por corda e certificação de pessoas. Rio de 
Janeiro, 2008b. 
______. NBR 14725-2:2009: produtos químicos: informações sobre segurança, 
saúde e meio ambiente: parte 2: sistema de classificação de perigo. Rio de Janeiro, 
2010. 
______. NBR 14626:2010: equipamento de proteção individual contra queda de 
altura: trava-queda deslizante guiado em linha flexível. Rio de Janeiro, 2011a.
______. NBR 14627:2010: equipamento de proteção individual contra queda de 
altura: trava-queda guiado em linha rígida. Rio de Janeiro, 2011b. 
______. NBR 14628:2010: equipamento de proteção individual contra queda de 
altura: trava-queda retrátil. Rio de Janeiro, 2011c.
______. NBR 14629:2010: equipamento de proteção individual contra queda de 
altura: absorvedor de energia. Rio de Janeiro, 2011d.
______. NBR 15834:2010: equipamento de proteção individual contra queda de 
altura: talabarte de segurança. Rio de Janeiro, 2011e. 
______. NBR 15835:2010: equipamento de proteção individual contra queda 
de altura: cinturão de segurança tipo abdominal e talabarte de segurança para 
posicionamento e restrição. Rio de Janeiro, 2011f.
______. NBR 15836:2010: equipamento de proteção individual contra queda de 
altura: cinturão de segurança tipo para-quedista. Rio de Janeiro, 2011g.
______. NBR 15837:2010: equipamento de proteção individual contra queda de 
altura: conectores. Rio de Janeiro, 2011h.
108
U2
Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. 
Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis de 
Trabalho. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.
htm>. Acesso em: 15 dez. 2014.
______. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. 
Lei n. 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Altera o Capítulo V do Título II da 
Consolidação das Leis do Trabalho, relativo à segurança e medicina do trabalho e 
dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l6514.htm>. Acesso em: 15 dez. 2014.
______. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. 
Portaria n. 3.214, 08 de junho de 1978. Aprova as Normas Regulamentadoras - 
NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à 
Segurança e Medicina do Trabalho. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/
files/FF8080812BE914E6012BE96DD3225597/p_19780608_3214.pdf>. Acesso em: 
17 dez. 2014.
______. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. 
Portaria n. 04, de 04 de julho de 1995. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/
data/files/8A7C812D36A2800001388116DDAC560D/Portaria%20n.%C2%BA%20
04%20(Novo%20texto%20NR-18).pdf>. Acesso em: 17 dez. 2014.
______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 10 - Segurança em instalações e 
serviços em eletricidade. Portaria n. 598, de 7 de dezembro de 2004a. Disponível 
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nr_10.pdf >. Acesso em: 15 dez. 2014.
______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 11 - Transporte, movimentação, 
armazenagem e manuseio de materiais. Atualizada pela Portaria SIT n. 82, 
de 01 de junho de 2004b. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/
FF8080812BE914E6012BEF1FA6256B00/nr_11.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2014.
______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 18 - Condições e meio ambiente 
de trabalho na indústria da construção. Atualizada pela Portaria MTE n. 644, 
de 09 de maio de 2013. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/
FF8080814295F16D0142ED4E86CE4DCB/NR-18%20(atualizada%202013)%20
(sem%2024%20meses).pdf>. Acesso em: 15 dez. 2014.
______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 6 - Equipamento de 
proteção individual – EPI. Atualizada pela Portaria MTE n. 1.134, de 
23 de julho de 2014a. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/
files/8A7C816A47594D04014767F2933F5800/NR-06%20(atualizada)%202014.pdf>. 
Acesso em: 15 dez. 2014.
109
U3
Legislação e prevenção ao incêndio epânico
______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR-35 - Trabalho em altura. Atualizada 
pela Portaria MTE n. 1.471, de 24 de setembro de 2014b. Disponível em: <http://
portal.mte.gov.br/data/files/FF80808148EC2E5E014961BFB192220B/NR-35%20
(Atualizada%202014)%202.1b%20(prorroga).pdf>. Acesso em: 15 dez. 2014.
BOLONHA, Rafael de Oliveira. Dezesseis principais riscos em um canteiro de 
obras. Blog Construir. 14 ago. 2013. Disponível em: <http://blog.construir.arq.br/
riscos-na-obra/>. Acesso em: 16 dez. 2014.
FUNDACENTRO - Fundação Jorge Duprat e Figueiredo. Recomendação 
Técnica de Procedimentos: movimentação e transporte de materiais e pessoas: 
elevadores de obra. São Paulo: FUNDACENTRO, 2001. Disponível em: <http://
www.fundacentro.gov.br/biblioteca/recomendacao-tecnica-de-procedimento/
publicacao/detalhe/2012/9/rtp-02-movimentacao-e-transporte-de-materiais-e-
pessoas-elevadores-de-obra>. Acesso em: 15 dez. 2014. 
______. Recomendação Técnica de Procedimentos: escavações, fundações e 
desmonte de rochas. São Paulo: FUNDACENTRO, 2002a. Disponível em: <http://
www.fundacentro.gov.br/biblioteca/recomendacao-tecnica-de-procedimento/
publicacao/detalhe/2012/9/rtp-03-escavacoes-fundacoes-e-desmonte-de-
rochas>. Acesso em: 15 dez. 2014. 
______. Recomendação Técnica de Procedimentos: medidas de proteção 
contra quedas de altura: NR-18 - Condições e meio ambiente do trabalho na 
indústria da construção. São Paulo: FUNDACENTRO, 2003. Disponível em: <http://
www.fundacentro.gov.br/biblioteca/recomendacao-tecnica-de-procedimento/
publicacao/detalhe/2012/9/rtp-01-medidas-de-protecao-contra-quedas-de-
altura>. Acesso em: 15 dez. 2014. 
______. Recomendação Técnica de Procedimentos: instalações elétricas 
temporárias em canteiros de obras: RTP 05. São Paulo: FUNDACENTRO, 2007. 
Disponível em: <http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/recomendacao-
tecnica-de-procedimento/publicacao/detalhe/2012/9/rtp-05-instalacoes-eletricas-
temporarias-em-canteiros-de-obras>. Acesso em: 15 dez. 2014.
Unidade 3
LEGISLAÇÃO E PREVENÇÃO 
AO INCÊNDIO E PÂNICO
Objetivos de aprendizagem: A presente unidade objetiva que o aluno 
seja capaz de identificar as principais normativas, legislações de apoio nas 
práticas prevencionistas e contribuir de maneira proativa para proteção 
contra incêndio e explosões e no controle do pânico.
Para isso buscaremos, na exposição do conteúdo, que o aluno entenda 
sobre teoria do fogo e explosivos e fenômenos associados aos mesmos, 
agentes extintores e métodos. Por fim, demonstrar as classes de fogo, as 
quais poderão complementar os métodos de extinção, e assim aplicar este 
conhecimento no dia a dia da prevenção.
Ao final desta unidade o aluno agregará conhecimentos sobre os 
conteúdos acerca da legislação e prevenção de incêndio. 
Flavio Augusto Carraro 
Na Seção 1, o aluno poderá conhecer os aspectos básicos sobre 
legislações e normas em prevenção e combate ao incêndio e pânico, 
permitindo ao aluno entender a organização e fontes principais de 
informação para evolução do conhecimento acerca do assunto 
abordado. 
Seção 1 | Legislação e Normas
112
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Na Seção 2, o aluno será introduzido à Teoria do Fogo, fenômenos 
associados ao incêndio e sua evolução, e suas principais características. 
Serão expostos também alguns conceitos relacionados aos explosivos, para 
que o aluno, ao se tornar um profissional, consiga identificar riscos potenciais.
Seção 2 | Teoria do Fogo, Incêndio e Explosivos
Na Seção 3 daremos continuidade às classificações de fogo, algum 
detalhamento quanto aos fenômenos ocasionados pelos diversos tipos 
de materiais que podem levar ao incêndio e também serão expostos os 
principais agentes de extinção usados no combate a incêndio. 
Para finalizar, a Seção 4 permitirá o entendimento de como funcionam 
os programas de proteção contra incêndio e pânico, bem como planos 
de emergência e principais pontos a serem abordados dentro dos 
programas e planos de prevenção de combate a incêndio e pânico.
Seção 3 | Classificação de Fogo/Incêndio e Métodos de 
Extinção
Seção 4 | Programas de proteção contra incêndio e 
pânico/Planos de emergência
113
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Introdução à unidade
Quando se fala em prevenção em segurança do trabalho, abre-se um leque 
de possibilidades, e uma destas possíveis áreas de atuação profissional é o 
gerenciamento do risco em incêndio e pânico. Existe uma demanda permanente, 
por parte do mercado, por profissionais capazes de entender e gerenciar todos os 
aspectos de segurança que envolvem o fogo.
Um profissional de segurança do trabalho especializado neste assunto é 
valorizado quando dotado de conhecimentos em prevenção e combate a 
incêndio, prevenção e gerenciamento do pânico e gerenciamento de riscos 
associados, principalmente na realidade brasileira, pois existe defasagem entre 
a realidade das empresas e as exigências normativas, e nível de exigência dos 
códigos de prevenção do Corpo de Bombeiros. O profissional de segurança do 
trabalho, para trabalhar em prevenção de incêndio e pânico, precisa aprofundar o 
conhecimento continuamente, pois necessita interpretar as normativas que estão 
sempre em atualização, possuir conhecimento e domínio sobre equipamentos, 
agentes extintores, métodos e procedimentos para fazer frente à dinâmica do fogo 
e fenômenos associados.
114
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
115
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Seção 1
Legislação e normas
As Normas Regulamentadoras (NR), de uma maneira geral, contribuem 
timidamente para a discussão de segurança em prevenção de incêndio e pânico, 
pois pouco instrumentalizam estes acerca da abordagem do fogo, do incêndio, 
do pânico, entre outros assuntos igualmente relevantes a este assunto. Em uma 
análise comparativa entre o volume de informações relacionadas aos assuntos de 
prevenção e combate a incêndio das Normas Regulamentadoras (M.T.E. – Ministério 
do Trabalho e Emprego) e as demais normas do catálogo de Normas Brasileiras 
(NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e dos Códigos de 
prevenção e combate a incêndio e pânico dos Corpos de Bombeiros estaduais, 
estas últimas são mais específicas e detalham um volume maior de informação que 
as normas regulamentadoras não conseguem, e por este motivo são essenciais para 
o desenvolvimento do trabalho de segurança do trabalho em prevenção.
CÓDIGOS DE PREVENÇÃO, NORMAS ABNT E NR 
O que se pretende aqui não é listar todas as normas, mas serão focados alguns 
pontos essenciais para desenvolvimento da prevenção a incêndio e pânico, e que 
genericamente são aplicáveis à realidade brasileira.
De uma maneira mais aprofundada e direcionada, podemos encontrar hoje 
no Brasil um conjunto de Normativas, Instruções Normativas e Códigos de 
Prevenção emitidos pelos Corpos de Bombeiros dos estados. Além de mais 
especializados, tais códigos facilitam as informações contidas das normas ABNT/
NBR, principalmente aos leigos, e têm influência significativa sobre resoluções 
relacionadas ao incêndio e pânico.
Quando se fala em segurança do trabalho é necessário citar a NR-23 - Proteção 
Contra Incêndios. Uma das últimas atualizações ocorreu com a redação da Portaria 
SIT n.º 221, de 06 de maio de 2011, e ainda não contempla de maneira consistente, 
com um texto resumido, todos os tópicos necessários para amparar o profissional 
de Segurança do Trabalho. Mas esta norma não deixa de ter importância, pois 
alerta sobre as responsabilidades dos empregadores em relação às condições de 
trabalho, e dos trabalhadores, e complementa as obrigações quanto ao apoio a 
procedimento de segurança tanto do plano de prevenção quanto na brigada de 
incêndio. Na NR-23 - Proteção Contra Incêndios consta:
116
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Sobre texto da NR-23:
Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C816A2E7311D101
2FE5B554845302/nr_23_atualizada_2011.pdf>. 
Oprofissional de segurança do trabalho, para desenvolver a prevenção e 
combate a incêndio e pânico, precisa obrigatoriamente consultar as normas 
regulamentadoras, legislações municipais, estaduais e códigos de prevenção, 
além das normas regulamentadoras, ficando ciente de que o não atendimento 
às exigências dos mesmos o tornam passível de questionamento judicial, não 
pela norma diretamente, mas pela negligência de não ter seguido os devidos 
requisitos de prevenção quando da ocorrência de um incêndio. São as fontes 
de informações essenciais para o desenvolvimento de práticas de prevenção e 
combates a incêndio, dentro da realidade brasileira, válidas para efeitos legais: 
• Normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 
• Normas Brasileiras (NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT). 
• Códigos de Segurança de Prevenção a Incêndio e Pânico (CSCIP) dos 
Corpos de Bombeiros de cada estado, além de todas as suas revisões constantes, 
instruções normativas específicas. 
Dentro da realidade brasileira tem-se visto um empenho de autoridades 
e órgãos direcionado à prevenção e combate a incêndio e pânico, no sentido 
de aproximar as boas práticas de seus códigos ao que está ocorrendo ao redor 
mundo, e isto vem acontecendo por meio de consecutivas revisões dos códigos 
de prevenção. As revisões não podem ser vistas no sentido negativo, dado que 
novas tecnologias e métodos surgem todos os anos, relacionados às temáticas 
incêndio e pânico, obrigando o profissional de segurança, além das fontes citadas, 
a buscar constantemente conhecimentos mais específicos e atualizados.
É relevante lembrar que ABNT não é um órgão governamental, é uma 
“associação” da qual participam sociedades civis organizadas, órgãos do governo, 
profissionais, técnicos e especialistas de várias áreas do conhecimento, empresas, 
instituições de ensino e pesquisa, entre outros. Para a produção das normas 
são desenvolvidas diversas discussões e reuniões, de forma ampla, de modo a 
contribuir no detalhamento de informações que precisam constar nas normas 
que chegam ao mercado. Como a maioria das normas decorre de consecutivas 
“falhas” das práticas laboratoriais, de mercado e de aplicação de teoria na prática, 
desse modo as normas reúnem informações que de certo modo foram testadas 
117
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
e aprovadas pelos participantes da discussão, acabando assim por estabelecer 
“padrões” aceitáveis para a aplicação ou requisitos mínimos de qualidade.
Muitas leis e códigos oficiais, provenientes dos municípios, estados, governos 
e órgãos oficiais como o Corpo de Bombeiros, por exemplo, acabam também 
citando tais normas, no intuito de demonstrar que tais padrões ou requisitos são 
aceitos como válidos ao que pretendem demonstrar. Desta forma, a adoção das 
normas da ABNT, por tais legislações, lhes confere, de certo modo, “força de lei”, 
sem necessariamente serem de fato. 
Sendo as ABNT/NBRs não elaboradas pelo Estado/governo, no 
que pode implicar sua não observação, principalmente na área 
de prevenção de incêndio e pânico, quando da instalação de 
equipamento de prevenção, por exemplo.
1. Quais devem ser as bases essenciais e obrigatórias de 
consulta para elaboração de qualquer trabalho em prevenção 
e combate a incêndio e pânico?
2. Todas as normas desenvolvidas pela ABNT/NBRs podem 
ser consideradas “leis”? Argumente.
118
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
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U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Seção 2
Teoria do fogo, incêndio e explosivos
Quando se aborda a teoria do fogo e o estudo dos fenômenos associados 
ao incêndio e todas as variáveis que podem contribuir tanto para a sua evolução 
como para o seu controle e extinção, podemos denominar a este conjunto de 
conhecimentos como engenharia do fogo/incêndio. 
2.1 O fogo e a sua influência nos hábitos humanos 
O fogo efetivamente é dominado pelo homem quando consegue torná-lo 
portátil e somente é possível no momento em que domina suas variáveis: a ignição, 
o combustível e o comburente. As pedras, os gravetos e o controle da ventilação/
oxigenação usados pelos homens pré-históricos são, respectivamente, a ignição, 
o combustível e o comburente. A técnica consiste em dispor gravetos e outros 
elementos de fácil queima, submetidos a faíscas decorrentes do atrito entre as 
pedras, de tal modo que permita a ignição.
Uma vez sendo “dominado” o fogo, houve influência direta e significativa nos 
hábitos de alimentação (processamento) pelos seres humanos, no conforto ambiental 
(calor), na fabricação de utensílios (cerâmica, ferro, vidro, entre outros), já que pelo 
calor era possível a fundição/fusão de um ou mais elementos, algo que atualmente 
pode parecer comum, mas para o homem primitivo era uma evolução tecnológica 
significativa. A perda do controle sobre as fontes de ignição, ou da não percepção 
do risco da armazenagem de combustível, e a falta de controle sobre o comburente 
podem, na história do homem com o fogo, ter gerado alguns incêndios. 
Reflita sobre o quanto o fogo teve influência na história do 
homem e pense em pelo menos três contribuições positivas e 
três contribuições negativas que ele trouxe.
120
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
2.1.1 Do que é feito o fogo?
Para que o fogo ocorra é necessário que exista conjuntamente a relação entre 
ignição, comburente e combustível, obrigatoriamente. Alguns teóricos e estudiosos 
do assunto entendem também que, em decorrência da existência do fogo, poderá 
haver também possíveis reações em cadeia, secundárias ao fogo, favorecendo a 
evolução para o estágio de um incêndio. 
O profissional de segurança do trabalho precisa, assim, entender as seguintes 
definições:
• Ignição: é a condição para que o fogo se inicie, na qual exista mudança de 
temperatura de maneira abrupta/instantânea, a qual tem a capacidade de modificar 
relações energéticas entre o meio, o material e a condição molecular da atmosfera. 
Permite a reação química exotérmica com liberação luminosa e térmica (calor). 
• Comburente: associado a elementos químicos, normalmente gases 
disponíveis na atmosfera do ambiente, e o oxigênio, dentre os gases pode participar 
da reação química de óxido-redução (oxidação) que se estabelece após a inserção 
do calor (ignição). 
• Combustível: consiste em material propriamente dito que apresente 
potencial de queima e calorimétrico, o qual abastecerá o fogo devido às suas 
características peculiares, como, por exemplo, madeira, papel/papelão, plástico, 
líquidos inflamáveis, entre outros materiais cuja queima seja facilitada.
2.1.2 Qual a relação entre ignição, comburente e combustível?
Para se entender a dinâmica do fogo, é necessário estudar a relação entre estas 
três condições: ignição, comburente e combustível, denominado triângulo do fogo. 
Este princípio é bastante importante, já que através da intervenção sobre o todo ou 
em parte deste triângulo é possível atuar efetivamente para a extinção do fogo.
Fonte: O autor (2014) Fonte: O autor (2014)
Figura 3.1 | Triângulo do fogo Figura 3.2 | Reação em cadeia
121
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Existe a presença de um conjunto de fenômenos derivados da existência do 
fogo e que contribuem diretamente para a ocorrência do incêndio. Para alguns 
estudiosos no assunto, existe ainda uma quarta variável, que na verdade aumentaria 
o potencial destrutivo do incêndio, que seriam as reações em cadeia. Estas reações 
em cadeia são na verdade fenômenos físicos. Essas reações em cadeia surgem 
após o aparecimento do fogo, e podem influenciar a propagação do fogo, sendo 
conhecidas como condução, convecção e radiação.
• Condução do calor: é a energia transmitida por meio de material sólido.
• Convecção do calor: é a energia transmitida por meio de fluidos.
• Radiação do calor: é a energia transmitida por meio de ondas mecânicas ou 
eletromagnéticas.
Fazendo o devido referenciamento da figura ao contextoem que ocorre o incêndio 
dominando os fenômenos físicos, é possível entender que a reação em cadeia é 
igualmente importante para que haja a efetiva prevenção dos incêndios e permita 
a boa atuação em momentos de emergência. Além de entender o bloqueio sobre 
o triângulo do fogo, é possível entender que bloqueando as possibilidades destes 
fenômenos acontecerem, poderá também controlar a propagação do incêndio.
2.1.3 Definindo o que é o fogo 
É a mudança abrupta do estado energético, iniciando uma reação química 
exotérmica (óxido-redução). Esta reação inicia-se quando é estabelecida uma fonte 
de ignição, diretamente sobre materiais combustíveis, com potencial de liberação 
Fonte: Disponível em: <http://wwwpesquiseaqui.blogspot.com.br/2010/11/propagacao-de-calor-por-irradiacao.html>. 
Acesso em: 15 dez. 2014 
Figura 3.3 | Exemplificação de condução, convecção e radiação
Condução: calor passa 
de partícula para partícula 
desde a extremidade quante 
até a extremidade fria
Convecção: calor 
proveniente da chama é 
transferido pela circulação 
da água
Radiação: calor se transfere 
pelo espaço sob a forma de 
radiação infravermelha.
122
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
energética e sobre os quais haverá interação com comburentes, normalmente 
gases que interagem e sustentam a chama. A evolução para um incêndio poderá 
acontecer quando houver condições ambientais propícias onde o fogo está 
inserido, e sua propagação dependerá da condução, convecção e radiação.
O incêndio, para que aconteça, basta que ocorra o conjunto de condicionantes 
ambientais desfavoráveis e descontrole sobre alguns dos aspectos como ignição, 
comburente e combustível e a reação entre eles. 
2.1.4 O que é incêndio? 
Basicamente, o fogo parte da interação entre fontes de ignição, comburente e 
combustível, o que pode nos levar a pensar que a reação de cadeia que deriva da 
associação destes três componentes pode originar o incêndio, que é o descontrole 
sobre qualquer um dos componentes e/ou das reações em cadeia decorrentes 
associadas.
PENSA QUE ACABOU?
Evento de incêndio pode gerar condições peculiares, que de certo modo 
reforçam a necessidade de se entender a dinâmica do mesmo. Alguns fenômenos 
que ocorrem durante o incêndio e que pouca gente conhece são cruciais para o 
combate ao incêndio e essenciais para se evitar fatalidades. Estes fenômenos são 
o Flashover, Backdraft e Ignição por Chamas. 
2.1.4.1 Flashover: 
Consiste na expansão térmica sobre um determinado compartimento pela inserção 
de comburentes (gases) na qual a fumaça atua como vetor, pela disposição de gases 
e aumento da temperatura no ambiente. Esta fumaça, à medida que aumenta sua 
densidade e temperatura, é capaz de irradiar o calor aos objetos do ambiente e por 
ignição espontânea sobre materiais “combustíveis” presentes no ambiente.
Uma vez que o incêndio se instala, há uma alteração da dinâmica térmica das 
massas de ar dentro do ambiente, na qual a fumaça quente fica contida na parte 
superior do ambiente, enquanto a parte inferior recebe reforço de ar exterior (com 
menor temperatura e rico em oxigênio), alimentando o fogo. 
Uma vez que haja a probabilidade do Flashover acontecer, deve ser trabalhado 
o esfriamento e abafamento das fontes de combustível, o esfriamento do conjunto 
de gases quentes derivados da queima, evitando que o “calor” movimente-se entre 
a fumaça quente da área dominada pela fumaça. Nem sempre existe o fogo se 
movimentando e a própria fumaça quente cria condição para a ignição em si. 
Quando acontece o Flashover é importante trabalhar sobre o suprimento de 
oxigênio disponível na atmosfera. Fechar o ambiente, quando possível, pois o 
abafamento barraria a inserção de oxigênio livre disponível. 
123
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Fonte: O autor (2014)
Fonte: O autor (2014)
Figura 3.4 | Gráfico de evolução do Flashover
Figura 3.5 | Gráfico de evolução do Flashover 
com a ocorrência de Backdraft
A figura 3.4 demonstra a evolução 
do incêndio, suas fases e o ponto em 
que o combate ao incêndio (linha 
vermelha) teria maior possibilidade 
de sucesso, isso aconteceria quando 
o combate fosse antecipado ao 
Flashover (representada pela linha 
roxa). A interseção entre as linhas seria 
o ponto ideal tanto da evolução do 
incêndio quanto trabalhar o combate. 
pela simples expansão de um botijão 
com gás comburente (botijão de gás 
existente). O que faz com que isto 
ocorra, basicamente, é o fato de existir 
material com combustão incompleta, 
e a associação de gases aquecidos já 
nos limites de inflamabilidade, e com 
a inserção de ar, e condições ideais 
para que uma ignição fuja ao controle 
(fagulha), como é o caso. A dinâmica 
do incêndio não é determinada 
somente pelos combustíveis, mas 
2.1.4.2 Backdraft 
É o fenômeno que se assemelha a uma explosão, mas neste caso é por conta da 
introdução de ar ou comburente se expandindo de maneira repentina, como, por 
exemplo, a abertura de uma porta (arrombamento comum durante incêndio), ou 
também pela dinâmica do ar dentro das edificações. Os pontos demarcados na 
figura 3.5 “backdraft” são momentos em que o incêndio foge à sua normalidade e 
existe um acréscimo substancial tanto em termos de carga de incêndio quanto o 
prolongamento do incêndio.
2.1.4.3 Ignição por fumaça
Para alguns autores existe a possibilidade de haver a ignição por fumaça, que 
pode acontecer quando uma fonte de calor entra em contato com a fumaça (cuja 
composição de gases é favorável), em que a queima do combustível tem influência 
direta na composição da fumaça. A ignição por fumaça é uma transferência de 
energia de maneira repentina, normalmente estimulada pelas reações em cadeia, 
ou seja, diretamente ligada à evolução do incêndio.
Ignição
Ignição
Flashover
Flashover
Brackdraft Brackdraft
Inflamação 
crescente 
(reações cadeia)
Inflamação 
crescente 
(reações cadeia)
Pleno 
incêndio
Pleno 
incêndio
Declínio 
incêndio
124
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
2.2 Explosivos 
A pólvora é, dentre as substâncias explosivas, uma das mais antigas, inventada 
na China do século IX, em que o salitre (NaNO3), carvão e enxofre, em medidas 
específicas, permitiam um arranjo pirofórico (fogos de artificio), depois aperfeiçoado 
por europeus, com a adição de compostos químicos metálicos que garantiam 
uma possibilidade de cores, para uso nos fogos de artifício. A pólvora começou 
efetivamente a ser usada para fins bélicos após a invenção do canhão por Berthold 
Scwars (1310-1384). Desde então, o homem conhece e busca entender cada vez 
mais os explosivos e, de certo modo, garantir a expansão de seus domínios por 
meio do potencial de destruição de que os explosivos são capazes. 
2.2.1 Explosivos e suas características peculiares 
Os explosivos são um conjunto de combinações entre elementos químicos que 
podem ser acionados (por ignição ou calor) para influir nas estruturas de outros 
elementos químicos e potencializar outras combinações químicas capazes de 
expansão súbita. Dentre as características essenciais dos explosivos estão a liberação 
de energia e calor repentinamente, o que permite a decomposição de materiais. 
A evolução dos explosivos esteve associada ao domínio do conhecimento 
sobre química, em especial a química orgânica, e da composição das substâncias 
dos materiais e interações entre estes. A nitroglicerina talvez seja a mais popular 
entre as substâncias, e pode exemplificar genericamente qual a dinâmica de uma 
explosão. Um dos elementos químicos encontrados na maioria dos explosivos 
atuais que faz parte da nitroglicerina é o nitrogênio (N).
Flashover Backdraft Ignição por fumaça
Ocorrência 
frequente
Depende das condições ambientais Ocorrência frequente
Não é explosão Explosão
Pode ou não incorrer em 
explosão
Sem ondas de 
choque
Apresenta ondas de choque
Pode ou não possuir ondas de 
choque
Efeito se prolonga 
enquanto houver 
incêndio
Efeito imediato
Efeito imediato, com 
possibilidadede gerar reações 
em cadeia
Calor irradiado pela 
fumaça
Faz uso do oxigênio, normalmente pela 
abertura abrupta de portas e janelas, e/ou 
ser alimentado por fontes de combustíveis 
(gases, por exemplo)
Contato entre fonte de calor e 
fumaça
Quadro 3.1 | Diferença entre Flashover e Backdraft, Ignição por Fumaça
Fonte: Disponível em: <http://bombeiroswaldo.blogspot.com.br/2012/10/comportamentos-extremos-do-fogo.
html>. Acesso em: 16 dez. 2014. 
125
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
2.2.2 Definindo explosão
Entendendo o fogo como uma liberação de energia térmica e luminosa, a 
explosão pode ser caracterizada pela expansão substancial de energia e de volume 
de ar, causando ondas de choque/pressão, normalmente ocasionando possíveis 
expansões (térmica e lumínica) em menor espaço de tempo. Podem apresentar 
altas temperaturas, produção de gases decorrente da súbita reação após a ignição.
O que diferencia o incêndio da explosão é que, além de apresentar ignição, 
comburente e combustível, a explosão decorre de reações em cadeia nas quais 
a química dos elementos envolvidos é capaz de potencializar energia cinética. A 
energia cinética é energia que uma determinada molécula usa para movimentar a 
si mesma, e a influência desta sobre as demais, e assim consecutivamente.
Esta energia liberada pelos explosivos é capaz de interferir diretamente sobre as 
moléculas dos materiais envolvidos, e destas entre si, gerando a reação em cadeia 
(propagando para demais moléculas). 
A nitroglicerina é obtida através da nitração da glicerina, catalisada 
por ácido sulfúrico, esse tipo de reação faz parte das mais importantes 
onde o ácido nítrico, fornece o NO2, que substitui os hidrogênios 
das hidroxilas presentes na molécula ligando-se ao oxigênio, devido 
à característica oxidante e desidratante do ácido sulfúrico que 
apenas participa da reação, porém não é consumido. Obtenção da 
nitroglicerina ocorre segundo a reação:
O efeito explosivo da nitroglicerina se deve à liberação dos gases N2, 
O2, e CO2, que são violentamente liberados no momento do choque ou 
no fornecimento de calor. Os gases apresentam este comportamento 
em razão de ocuparem um espaço superior ao ocupado pelos líquidos, 
e quando aquecidos ocupam ainda mais espaço, o que provoca a 
explosão; essa reação é exotérmica. (SANTOS, 2014). 
Para se ter uma ideia da capacidade explosiva da nitroglicerina, 900 
gramas de nitroglicerina, por meio de reação química, são capazes de 
gerar aproximadamente 800 litros de gases quentes. Disponível em: http://
www.mundoeducacao.com/quimica/constituicao-quimica-historia-dos-
explosivos.htm.
126
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
2.2.3 Profissionais de Segurança do Trabalho, sua atuação e gerenciamento em 
riscos associados a explosões
A gestão de riscos de forma preventiva, quando se fala de explosivos, é mais 
barata, e a administração das variáveis derivadas da explosão é complexa. E mesmo 
que tenha havido treinamento, nem sempre o profissional está preparado para uma 
condição em que a explosão aconteça. Para se ter uma ideia, como consequências 
diretas a uma explosão o profissional precisará dar suporte a feridos, responder pelas 
fatalidades, além de precisar gerenciar a persistência e alastramento de incêndio 
secundário à explosão. E não para por aí, pois durante uma explosão poderá haver 
colapso de estruturas da edificação, reações em cadeia de produtos que possam 
alimentar a explosão/incêndio (combustíveis). Pensa que acabou? Ainda existem 
possíveis efeitos diretos sobre tubulações de gás e vasos de pressão e liberações 
de seus respectivos fluidos, tão comuns no ambiente industrial. Resumindo, o 
profissional se verá diante de um “efeito dominó” com múltiplas variáveis e com 
maior dificuldade de administração.
Justifica-se assim a importância da elaboração dos planos de contenção/
prevenção/emergência para as empresas, pois assim trata-se preventivamente tanto 
causas (mitigando-as) como os efeitos (coordenando-os), já que nestes planos 
estão previstos todos os procedimentos, treinamentos e atualizações que se fazem 
necessários para todos os profissionais e população envolvida.
2.2.4 Norma regulamentadora Nº 19 - Explosivos
É importante ressaltar que a Norma Regulamentadora Nº 19 - Explosivos busca 
definir o que são explosivos, chegando a propor uma classificação para os mesmos:
Explosivos são substâncias capazes de rapidamente se transformarem 
em gases, produzindo calor intenso e pressões elevadas, se 
subdividindo em:
a) explosivos iniciadores: aqueles que são empregados para 
excitação de cargas explosivas, sensíveis ao atrito, calor e choque. Sob 
efeito do calor, explodem sem se incendiar;
b) explosivos reforçadores: os que servem como intermediários 
entre o iniciador e a carga explosiva propriamente dita;
c) explosivos de rupturas: são os chamados altos explosivos, 
geralmente tóxicos;
d) pólvoras: que são utilizadas para propulsão ou projeção, 
(BRASIL, 2011).
127
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Cabe observar que a NR-19 não instrui diretamente em procedimentos associados 
ao trabalhador individualmente, como, por exemplo, uso de EPIs e comportamentos 
a serem adotados em situações em que o trabalhador esteja sob risco iminente. 
Verifica-se, no entanto, que a norma leva em consideração alguns aspectos quanto 
à parte física das edificações e depósitos, principalmente quanto à deposição, 
armazenagem e transporte, que indiretamente salvaguardam os profissionais que 
possam estar envolvidos e a coletividade de um modo geral. Isto, de certo modo, 
ressalta uma postura que se assemelha à adoção do conceito de que a própria 
edificação deve ser considerada um “equipamento” visando à proteção coletiva.
A ordenação dos tópicos dentro da NR-19 sugere que sejam observados aspectos 
específicos acerca da construção dos depósitos de explosivos, quantidade máxima 
de armazenagem, manuseio de explosivos, inspeção aos explosivos armazenados 
e transportes (rodoviário, ferroviário, marítimo e fluvial) de explosivos.
Como uma das áreas em que o profissional de segurança do trabalho pode se 
envolver é a de gerenciamento de risco durante a logística de produtos perigosos, 
especificamente de explosivos e combustíveis, é relevante ter conhecimentos acerca 
da própria legislação de transporte, e da obrigatoriedade prevista no Regulamento 
para o Transporte de Produtos Perigosos (RTPP), aprovado pelo CONTRAN, por meio 
da Resolução Nº 168/04, por proposta do Ministério dos Transportes, em seu art. 15. 
Sendo necessário desenvolvimento de curso específico “MOPP – MOVIMENTAÇÃO 
OPERACIONAL DE PRODUTOS PERIGOSOS”. 
Dentre os aspectos contidos na NR-19, pense em quais estão 
diretamente direcionados ao trabalhador e quais estão ligados à 
estrutura de suporte a explosivos.
A Resolução 168/04 do Contran estabelece: 
Normas e Procedimentos para a formação de condutores de veículos 
automotores e elétricos, a realização dos exames, a expedição de 
documentos de habilitação, os cursos de formação, especializados, 
de reciclagem [...] O Curso deverá ter a validade de 5 (cinco) anos, 
quando os condutores deverão realizar a atualização do respectivo 
curso, devendo o mesmo coincidir com a validade do exame de 
Aptidão Física e Mental do condutor. O Curso é previsto pelo art. 15 
do RTPP [...] (CAFASSO, 2014). 
128
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
2.2.5 Classificações dos produtos perigosos e a segurança do trabalho 
Todos os produtos perigosos, de certo modo, são capazes de influir na saúde 
e segurança dos trabalhadores. O comprometimento que o profissional de 
segurança do trabalho precisa ter não é somente para combustíveis e explosivos, 
mas também com os demais produtos perigosos. Inclusive da compatibilidade 
entre estes, que, quando associados a ambientes e atividades laborais, justifica 
o conhecimento pelo profissional de segurança do trabalho, já que a correta 
especificação de EPI e EPC depende disto.No Brasil, a Lei Federal 10.233 (BRASIL, 2001) dispõe sobre a reestruturação dos 
transportes aquaviários e terrestres, buscando melhorar o sistema de transporte, 
assim como estabeleceu a Agência Nacional de Transporte Terrestre, a qual tem 
a responsabilidade de regulamentar produtos perigosos em rodovias e ferrovias. 
As normativas do ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres derivam e 
amparam-se em normativas internacionais sugeridas pelos comitês especializados 
neste assunto dentro das Nações Unidas (ONU). A mesma sinalização usada no Brasil 
é também usada em outros países. A Resolução ANTT 420/04 atualiza o assunto e 
busca estabelecer parâmetros às recomendações internacionalmente praticadas.
Outra fonte de informação para entender melhor as características dos 
produtos, em especial os explosivos e inflamáveis, é a Ficha de Informações de 
Segurança de Produto Químico (FISPQ). Mas o que é uma FISPQ? 
Tais fichas são fundamentais para intervenções diretas em acidentes contendo 
estas substâncias, e para ações preventivas, tais como treinamentos direcionados 
à manipulação de produtos. Normalmente se encontram informações nas FISPQS:
Quanto ao sistema de combate a explosões, acesse:
<http://www.processos.eng.br/Portugues/PDFs/sistemas_de_
protecaoo.pdf>.
129
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
O profissional de segurança do trabalho, por meio das FISPQ, obtém 
conhecimentos técnicos, e utiliza-os para desenvolver avaliações de riscos, para 
desenvolvimento de programas de prevenção, para desenvolver os planos de 
contenção e procedimentos de intervenção direta ou preventiva nas condições que 
influirão na saúde e na segurança do trabalhador. 
1. Identificação do produto e da empresa
2. Identificação de perigos
3. Composição e informações sobre os ingredientes
4. Medidas de primeiros socorros
5. Medidas de combate a incêndio
6. Medidas de controle para derramamento ou vazamento
7. Manuseio e armazenamento
8. Controle de exposição e proteção individual
9. Propriedades físicas e químicas
10. Estabilidade e reatividade 
11. Informações toxicológicas
12. Informações ecológicas
13. Considerações sobre tratamento e disposição 
14. Informações sobre o transporte 
15. Regulamentações 
16. Outras informações (peculiares a cada tipo de produto). 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2008, p. 6).
Classificação Principais características Exemplos
Explosivas
Substâncias muito sensíveis ao fogo, ao calor 
e à fricção (choques, atritos).
Gás natural (metano), gás de 
botijão (propano, butano), 
partículas de pó de sementes.
Inflamáveis
Substâncias que em temperatura 
ambiente podem entrar em combustão 
espontaneamente em contato com o ar. Em 
geral emitem gases e vapores.
Hexano (solvente de extração), 
naftas, solventes de uso geral.
Combustíveis
Substâncias que originam, durante sua 
combustão, uma grande liberação de calor. 
Reagem com grande facilidade com as 
substâncias inflamáveis.
Papel, madeira, panos, tapetes.
Corrosivas
Substâncias que em contato com os 
materiais de tubulações, equipamentos e 
com o tecido vivo (pele, mucosas), exercem 
uma ação destrutiva.
Soda cáustica, ácido fosfórico, 
ácido sulfúrico, ácido clorídrico.
Quadro 3.2 | Classificação dos produtos perigosos e principais peculiaridades
(continua)
130
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Oxidantes
Substâncias que em contato com compostos 
orgânicos ou qualquer substância oxidável, 
podem provocar incêndio ou explosão.
Peróxido de hidrogênio (água 
oxigenada), ácido nítrico. 
Irritantes
Substâncias não corrosivas que, por contato 
imediato, prolongado ou repetido com a pele 
ou com as mucosas, podem provocar uma 
reação inflamatória.
Terras filtrantes, solventes de 
uso geral, tintas, pó, resinas 
epóxi.
Nocivas
Substâncias que por inalação, ingestão ou 
penetração através da pele, podem produzir 
doenças.
Álcool etílico.
Tóxicas
Substâncias que têm a capacidade de 
produzir efeitos prejudiciais ou letais através 
da sua interação com a química do corpo.
Combustíveis nucleares.
Perigosas para o 
meio ambiente
São aquelas substâncias químicas que 
podem produzir dano imediato, mediato 
ou retardado ao meio ambiente (que 
compreende comunidade e biodiversidade 
das espécies animais e vegetais).
Todas que interferem nos 
elementos naturais e nos 
ciclos como do nitrogênio, por 
exemplo.
Fonte: Disponível em:
<http://hiq.lindegas.com.br/international/web/lg/br/like35lgspgbr.nsf/docbyalias/gas_classif>. 
http://www.antt.gov.br/index.php/content/view/4961/Produtos_Perigosos.html#lista>. Acesso em: 16 dez. 2014.
O conhecimento acerca da classificação de substâncias perigosas pode 
capacitar o profissional na identificação dos produtos e seus riscos e algumas 
peculiaridades são traduzidas por um sistema de simbologias. Estas simbologias 
podem ser aplicadas em etiquetas colocadas diretamente sobre o produto, 
facilitando a mitigação de riscos imediatos, perigos e pelo simples fato de serem 
advertências na operação destes produtos perigosos. 
Esta mesma classificação pode contribuir, sobretudo, na busca e melhor entendimento 
de incompatibilidades, já que são produtos químicos, como, por exemplo:
O quadro a seguir é uma exemplificação das classes dos produtos perigosos 
e simbologias utilizadas em cada uma das classes, e seu uso em sinalização é 
obrigatório, essenciais tanto na armazenagem quanto no transporte. 
Quadro 3.3 | Classe dos produtos químicos e simbologias utilizadas para sinalização
Classe 1 
Explosivos
Classe 2 
Gases
(continua)
131
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Fonte: Disponível em: <http://www.craft.com.br/infos/produtosperigosos.php>. Acesso em: 16 dez. 2014. 
Classe 3
Líquidos 
inflamáveis 
Classe 4 
Sólidos 
inflamáveis, 
Substância 
sujeitas a 
combustão 
espontânea, 
Substâncias que 
em conato com a 
água geram gases 
inflamáveis 
Classe 5 
Substâncias 
oxidantes
Peróxidos 
orgânicos
Classe 6 
Substâncias 
tóxicas
Substâncias 
infecciosas
Classe 7 
Materiais 
radioativos 
Classe 8 
Corrosivos 
Classe 9 
Substâncias 
perigosas diversas
De certo modo, estas simbologias não deixam de atuar análogas aos 
equipamentos de proteção coletiva. Os profissionais de segurança do trabalho, 
frequentemente, entram em contato com riscos associados aos produtos 
perigosos, e a leitura correta destas simbologias, além de proteger a si próprio no 
exercício de sua profissão, prevenirá também a coletividade.
É possível fazer a adoção de uma simbologia que resumiria as principais 
características e risco dos produtos, em atividades industriais que envolvam 
diversos produtos, e denominada Quadro de Hummel ou Diamante de Hummel.
O Quadro de Hummel é, na verdade, um gráfico que resume pelo menos 
132
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Quadro de Hummel ou Diamante de Hummel. Disponível em: <http://
aspiracoesquimicas.net/wp/?p=119>. 
É possível verificar informações acerca de numerações usadas para 
o quadro de Hummel em: Disponível em: <http://www.moppbrasil.
com.br/attachments/manual_produtos_quimicos_perigosos.pdf>. 
Existe um catálogo (formato livro) da Associação Brasileira de Indústrias 
Químicas que detalha várias FISPQ (s) de produtos químicos. O mesmo 
contém fichas FISPQ (Ficha de Informação de Segurança de Produto 
Químico), também chamadas de fichas MSDS (Material Safety Data Sheet).
1. É possível afirmar que a NR-19 – Explosivos direciona o 
uso de equipamentos e posturas para proteção coletiva? 
Por qual motivo?
2. Qual é a relação deste tipo de informação contida nas 
FISPQs com a saúde e segurança do trabalhador?
quatro riscos das substâncias químicas perigosas, que podem estar associados 
aos riscos à saúde, inflamabilidade, reatividade e/ou apresentar qualquer tipo de 
riscos específicos dos seus componentes químicos.
133
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Seção 3
Classificação de fogo/incêndio e agentes de 
extinção
Nesta seção serão expostos os principais materiais,suas características diante do 
fogo e quais são os principais agentes extintores que podem ser usados em cada 
um destes materiais. 
3.1 Classes de incêndio/fogo
Quando falamos sobre classe de incêndio, estamos na verdade identificando o 
material sobre o qual a chama se desenvolverá de acordo com suas propriedades 
físico-químicas.
3.2 O que são agentes extintores? 
Agentes extintores atuam diretamente sobre o material e trabalham a relação do 
material com a fonte de ignição, ou com combustível e/ou com comburente. No 
total são cinco classes de incêndio e os agentes extintores seguirão especificidades 
do material combustível, conforme quadro abaixo. 
Quadro 3.4 | Compatibilidade de Classes de extintores e tipos de extintores
Tipo de extintor
Classes de incêndio Água Espuma CO2 BC ABC FE36
Unidade 
extintora 
classe K
Unidade 
Extintora 
Classe D
Madeira, 
Tecido, Papel,
Fibras, 
Borracha
sim sim não não sim sim não não
Óleo, 
Querosene,
Gasolina,
Solventes, GLP
não sim sim sim sim sim não não
(continua)
134
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Equipamentos 
Elétricos,
e Instalações 
Prediais 
Elétricas 
(energizados)
conduz 
eletricidade
conduz 
eletricidade
sim sim sim sim não não
Magnésio
Pó de 
alumínio 
Potássio
Titânio 
Zircônio
provoca 
explosão
provoca 
explosão
não não não não não sim
Óleo, 
Gordura
não não não não não não sim não
Incompatível 
Compatível
Fonte: Disponível em <http://www.bucka.com.br/classes-de-incendio-e-seus-extintores/>. Acesso em: 16 dez. 2014.
3.3 Agentes extintores
A classificação leva em consideração o comportamento do 
material em relação às chamas, e cada agente extintor atua de 
maneira específica para o material. Reflita sobre o método de 
extinção da chama. 
A explicação a seguir complementa o quadro anteriormente exposto.
• Classe de fogo “A”: basicamente incorpora os materiais sólidos, tem 
como características básicas densidade de material, profundidade e extensão, que 
pode deixar resíduos de queima. Por conta da condição da densidade do material, 
exige que o elemento extintor seja capaz de penetrar nas camadas internas do 
material além de resfriá-lo. O agente extintor recomendado é a água.
• Classe de fogo “B”: compreende os líquidos inflamáveis, tem características 
de queimar em sua superfície e não deixam resíduos sólidos, porém são potenciais 
emissores de gases. Por terem como característica queimar superficialmente, 
recomenda-se agentes extintores capazes de trabalhar o abafamento, separando 
135
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
combustível de comburente. Os agentes extintores capazes de promover o 
abafamento são de pó químico seco BC ou ABC, extintores de gás carbônico 
(CO2) e ainda com extintores de espuma mecânica.
• Classe de fogo “C”: compreende genericamente equipamentos elétricos 
e instalações elétricas energizadas em geral. Todos os equipamentos dos quais 
existem possibilidade de energizar poderão ser englobados nesta categoria, 
independentemente de serem equipamentos residenciais, comerciais e industriais. 
Os agentes extintores mais recomendados são principalmente aqueles que 
atuam sobre a ignição e na relação combustível e comburente. O pó químico 
(bicarbonato de sódio/potássio - classe BC) ou fosfato monomaníaco classe (ABC), 
lembrando que estes são compostos por partículas sólidas, que quando entram 
em contato com os equipamentos, mesmo que parcialmente, inviabilizam seu 
uso posterior. Pode ser feito uso do extintor de CO2, e a vantagem deste tipo de 
agente extintor para combater este tipo de incêndio se dá pelo fato principalmente 
de não deixar resíduo pó, ao mesmo tempo em que trabalha o abafamento. 
• Classe de fogo “D”: está enquadrada dentro desta classe de fogo toda 
substância metal pirofórica, de elevado potencial de inflamabilidade, tais como 
sódio, lítio, titânio, magnésio, potássio e cuja reação em cadeia apresente ação 
desproporcional à propagação do fogo e difícil extinção dos métodos das classes 
anteriores. Por serem metais, possuem facilidade de serem fundidos, divididos e 
associados com outros elementos químicos potencializando ainda mais o poder de 
ignição e combustão. Sugere aplicação com agente extintor pó químico especial, 
cujos componentes químicos são específicos para cada tipo de metal. 
• Classe de fogo “K”: trata-se de uma classificação na qual estão enquadrados 
produtos e determinadas técnicas de cozinhar que são usados normalmente em 
cozinhas industriais e comerciais, podendo ser de origem animal (gorduras) ou 
vegetal (óleo), ressaltando que a temperatura destes líquidos está sempre acima 
da temperatura ambiente, e quando associados a outras condições de risco 
(gás natural ou GLP) podem ainda mais ser potencializados. Dentre os agentes 
extintores, uns dos mais indicados são agentes espumas químicas (de base alcalina) 
que conseguem diminuir o potencial de queima. 
Para conhecer mais sobre métodos de extinção de incêndio, acessar:
<http://naturezadofogo.com.br/metodos-de-extincao-de-incendio/>.
136
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
1. O material que está sob queima é que determinará o agente 
extintor? 
2. Quais são as classes de incêndio e os materiais mais comuns 
de serem enquadrados dentro de cada classe?
137
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Seção 4
Programas de proteção contra incêndio e 
pânico/planos de emergência
Um programa de proteção contra incêndio e pânico relaciona-se na verdade 
a um conjunto de procedimentos, equipamentos, recursos humanos, financeiros e 
materiais que devem ser coordenados por uma política prevencionista dentro das 
empresas, e busca sobretudo dar diretrizes objetivando salvaguardar vidas humanas.
Os programas de prevenção/proteção contra incêndio e pânico e o profissional 
de segurança
Todo plano de prevenção objetiva a proteção da vida e do patrimônio e 
justifica-se sua elaboração, independentemente do tipo de edificação, pois reduz as 
consequências sociais do sinistro sobre as pessoas, sobre as edificações, inclusive 
reduzindo danos ao meio ambiente. O plano deve ser concebido para buscar a 
melhor utilização de recursos materiais e humanos e minimizar danos. 
O profissional de segurança normalmente responsável pelo programa de 
prevenção entra como coordenador, divulgador de boas práticas de prevenção 
e precisa mergulhar na realidade das empresas para identificação dos riscos. Este 
trabalho deriva de um detalhado levantamento, coordenado pelo profissional de 
segurança do trabalho, e para que se consiga estabelecer as prioridades. É por meio 
do plano que se concebem os procedimentos (descritos no programa) que podem 
auxiliar na prevenção, na mitigação de qualquer possibilidade de ocorrer um incêndio. 
Quem concebe o plano de prevenção descreverá principais atitudes, os 
envolvidos e as responsabilidades, quais e como serão os usos de equipamentos. 
O escopo de conhecimento do profissional em prevenção deve ser suficiente 
para a promoção de treinamentos direcionados aos temas específicos relativos às 
temáticas do incêndio e pânico. Deve estar antenado e buscar novas tecnologias e 
suas atualizações, também ter amplo conhecimento das legislações e normativas 
específicas para estes temas. Consultas às Normas ABNT, embora não tenham a 
importância que existe em uma lei, podem ser tomadas com “regras” obrigatórias de 
serem consideradas nos planos de prevenção.
É muito comum ver, nas empresas, planos de prevenção como um repositório 
de informações, literalmente “comprados” e não concebidos como o plano de 
prevenção efetivo, sendo apenas para “constar”. Preocupante é que quando 
colocados em prática talvez não sejam tão efetivos quanto como descritos no papel.
138
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
O plano de prevenção deve ser concebido amparado pela cultura preventiva, 
construído no dia a dia, com participação dos mais diversos agentes, principalmente 
daqueles que possam ser afetados em situaçãode emergência: os trabalhadores. 
Não havendo a manutenção constante desta cultura e apoio dos trabalhadores, o 
programa de prevenção não logrará êxito. 
Todas estas legislações podem servir de base para a formulação do plano de 
prevenção, mas podemos destacar que entre os temas, ou seja, os requisitos de 
segurança de prevenção a incêndio e pânico previstos na maioria dos códigos 
brasileiros, que precisam estar previstos em um Plano de Prevenção, são:
• Plano de Emergência/Prevenção (objetivos, justificativas, estruturação do 
que comporá o plano);
• Identificação dos riscos; 
• Mitigação de riscos;
• Responsabilidades;
• Requisitos para Elaboração e Aspectos a serem Observados;
• Divulgação, Reuniões, Treinamentos e Exercícios Simulados;
• Manutenção, Revisão e Auditoria do Plano;
• Procedimentos de Vistoria;
• Planilha de Informações Operacionais e Planta de Risco;
• Brigada de Emergência, Ações da Brigada, sua gestão;
• Composição e Critérios para Seleção da Brigada;
• Organograma e Formação da Brigada;
• Plano de evacuação e controle do pânico;
• Tecnologia, uso e procedimentos de prevenção e combate a incêndio;
• Implementação do plano de prevenção e combate a incêndio (PECI). 
4.1 Plano de Emergência/Prevenção
O plano de emergência deve ter redação clara e objetiva, fazer uso de informações 
de rápida captação, ser instrutivo, traduzir ao máximo a linguagem técnica e ser 
dotado de informações visuais sempre que possível, pois, antes de mais nada, é feito 
para ser divulgado dentro da empresa. 
4.1.1 A identificação de risco em incêndios e prevenção
139
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
A identificação da condição que possa levar ao incêndio precisa ser observada 
diretamente na ambientação, por meio de Análises Preliminares de Riscos (APR), e 
este é um dos primeiros passos a serem executados para a elaboração de um plano de 
prevenção e combate a incêndio e pânico, normalmente envolvendo o profissional 
de segurança do trabalho. A APR pode ser entendida como um levantamento que 
identifica todas as condições que possam dar início a um incêndio, ou que possam 
em função deste gerar pânico, como, por exemplo:
• Configuração espacial e condições/manutenção da construção;
• Condição da infraestrutura (água, energia, sistemas hidráulicos de combate, 
entre outras, que esteja disponível e deficitária);
• Recursos disponíveis (material, pessoal etc.);
• Armazenagem de materiais combustíveis, inflamáveis, produtos perigosos;
• Rotas de fugas. 
O profissional deve estar ciente de que pode ampliar esta busca de riscos sempre, 
e não se restringir aos que há pouco foram citados. Existem métodos consagrados, 
tais como: What if, HAZOP, Checklist, Diagrama Lógico de Falhas, Árvore de Falhas, 
Diagrama de Ishikawa, Matriz SWOT.
Métodos consagrados de identificação de riscos:
Disponível em: <http://professor.ucg.br/SiteDocente/admin/
arquivosUpload/13179/material/APP_e_HAZOP.pdf>. 
4.1.2 Mitigação de riscos:
Entende-se por mitigação qualquer intervenção que visa diminuir ou mesmo 
extinguir (fazer deixar de existir) qualquer risco que esteja na iminência de ocorrer. 
Se pararmos para pensar, um dos objetivos do profissional de segurança do trabalho 
é trabalhar sempre para mitigação dos riscos.
Reflita sobre como podem ser mitigados o incêndio e o pânico. 
140
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
No caso do incêndio, o profissional de segurança do trabalho precisa reconhecer 
as causas, conseguir intervir nas mesmas e, quando acontecer, minimizar a 
propagação. O domínio dos componentes que compõem o fogo (ignição, 
combustível e comburente) já é importante passo à mitigação. Possuir noções sobre 
os tipos de combustíveis (dos mais comuns até materiais perigosos) e os tipos de 
agentes extintores seria relevante para a mitigação. Dominar a dinâmica do fogo, 
seus fenômenos associados, como, por exemplo, o backdraft e o flashover, são, 
além de mitigação ao risco de vida ao combatente, essenciais para o gerenciamento 
de risco, mesmo durante o incêndio. Em situação de pânico, típica de incêndio, a 
desorientação é generalizada, logo, trabalhar treinamentos específicos simulando 
situações de pânico seria uma mitigação a este.
No caso de mitigar o pânico, ter e promover a manutenção dos sistemas de 
sinalização previstos nas normativas, como, por exemplo, indicações das rotas e 
portas de fuga, luzes de emergência, uso de equipamentos reconhecidamente 
certificados e corretamente instalados, a barra antipânico em portas de saída, são 
importantes para mitigação do pânico.
4.1.3 Responsabilidades
Um bom plano estabelece responsabilidades, seja para desenvolver treinamentos, 
seja para determinar qual o papel que cada pessoa exercerá diante de uma situação 
de emergência. O plano deve delegar responsabilidades para pessoas que atuarão 
sobre uma equipe ou sobre os instrumentos que se encontram disponíveis na 
edificação. Para exemplificar, o plano deve estabelecer, por exemplo, quem deve 
acionar alarme, quem acionará o apoio do combate interno ou externo, quem 
desenvolverá os primeiros socorros, entre outras atividades, considerando aptidões 
e limites dos agentes envolvidos com esta atividade. Definição das lideranças 
também é essencial, e um dos critérios essenciais de seleção destes é a capacidade 
de tomada de decisão.
4.1.4 Requisitos para elaboração do plano de prevenção à incêndio e pânico e 
aspectos a serem observados no desenvolvimento:
Requisito, na área de segurança de trabalho, é um termo que faz referência ao 
atendimento de parâmetros aceitáveis para prevenção, e deve ser aceito para a 
normalidade e o propósito a que se aplica. Exemplificando, um extintor somente 
atenderá requisitos de segurança se estiver devidamente abastecido, e corretamente 
posicionado conforme determinam os códigos dos corpos de bombeiros, e o 
agente extintor estiver de acordo com o tipo específico de material que se encontra 
no ambiente ou localização da edificação.
Pode-se entender que as exigências normativas em prevenção ao incêndio e 
pânico podem, assim, também ser consideradas como requisitos de segurança. 
Mas em que implica não atender requisitos de segurança? O não atendimento de 
requisitos de segurança pode implicar no aumento da responsabilidade de quem 
deixa de seguir, pois expõe desnecessariamente ao risco pessoas ou patrimônios. As 
normas são, na verdade, um conjunto de posturas tidas como corretas, devidamente 
negociadas e testadas para fins de resumir conjunto de conhecimentos, muito dos 
141
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
quais baseados em “erros” verificados em outras situações. 
Boa parte dos requisitos normativos consta nas normas ABNT, que embora não 
sejam leis, são amplamente divulgadas dentro de algumas leis e códigos oficiais de 
condutas, e acabam indiretamente por ter força de lei. 
4.1.5 Divulgação, Reuniões, Treinamentos e Exercícios Simulados:
Um cronograma de atividades datando reuniões, treinamentos e exercícios 
simulados deve constar no plano e pode ser usado para fins de planejamento de 
recursos financeiros e disponibilização de recursos humanos, norteando ações e a 
formulação de novas políticas de prevenção. 
As reuniões devem ser usadas como instrumentos de avaliação de atividades que 
se pretende usar nos planos de prevenção a incêndio e pânico. Precisam ser breves, 
com objetivos e conteúdos bem definidos, e devem coordenar troca de informações 
entre participantes. Podem ser úteis para evoluir o plano e instruir quem vai executá-lo.
Os treinamentos também previstos em cronograma possuem escopos de 
conteúdos predeterminados normativamente. Os profissionais responsáveis pelos 
treinamentos devem ser dotados de devida habilitação e experiência no assunto, e o 
profissional de segurança do trabalho está entre eles.
Pense em quais são os bônus de se investir em treinamento do 
próprio pessoal dentro da empresa e em relação à contratação de 
mão de obra terceirizada parao desenvolvimento dos treinamentos. 
As simulações de evacuação e combate a incêndio objetivam demonstrar as 
dinâmicas em situações de emergência e pânico, muitas das quais são imitações da 
realidade, mas são ricas no sentido de identificar previamente dificuldades eventuais. 
Nas simulações é que são identificadas e corrigidas falhas de comunicação, de 
tomada de decisão e da fixação das premissas do plano, é o momento no qual 
as pessoas que nunca entraram em contato com o plano têm oportunidade de 
esclarecer dúvidas. 
4.1.6 Manutenção, Revisão e Auditoria do Plano 
Todo plano deve ser produzido como um documento, e nele se prever revisões, 
delineadas a partir de um cronograma, e com a determinação das responsabilidades 
da revisão. A revisão entende-se por mudanças que possam ocorrer na totalidade 
do plano, ou de forma parcial, e esta revisão deve estar vinculada a acertos 
principalmente visando a aplicabilidade do plano. Revisões podem implicar em 
novos procedimentos, como treinamentos e simulações. 
Quanto ao conteúdo das reuniões, a ABNT/NBR15219 coloca:
142
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
A auditoria, na maioria das vezes um comparativo entre requisitos exigidos 
pelas normas e a situação real de uma determinada condição, pode ser executada 
por uma organização interna à empresa, ou externa.
4.1.7 Procedimentos de Vistoria
Vistoria pode ser executada internamente à empresa, e normalmente busca 
as não conformidades referentes à prevenção de combate a incêndio e pânico. 
Quando feita externamente à empresa, o uso do termo vistoria denota atividade 
ou procedimento de caráter oficial, quando feita por órgãos fiscalizadores e 
regulamentadores, e objetiva confirmar a veracidade das informações colocadas 
nos projetos e planos de prevenção submetidos a estes órgãos pelas empresas. 
Uma vistoria normalmente é cercada de formalidades documentais, variando de 
estado para estado, e pode ser entendida como ação fiscalizatória prévia. Quando a 
iniciativa for por parte do Corpo de Bombeiros, possíveis pedidos de regularizações 
poderão ser sugeridos, eventuais multas podem ocorrer se configurar negligência, 
e antes que haja qualquer tipo de interdição poderão ser negociadas melhorias, 
tendo os códigos de prevenção por base. É importante ressaltar que dentre as 
competências que o Corpo de Bombeiros possui, uma delas é do “poder de polícia” 
no que tange à segurança e prevenção a incêndio. As vistorias podem também ser 
executadas por entidades de classes, órgãos da administração municipal, estadual 
e federal, isolados ou com associação com o Corpo de Bombeiros, mas cada qual 
focando nos assuntos que estejam relacionados às suas competências. São comuns 
as famosas “batidas” (formato blitz) de vários órgãos e instituições fiscalizatórias.
Reunião ordinária (mensal):
- Calendário dos exercícios de abandono;
- Funções de cada pessoa dentro do plano de emergência contra 
incêndio;
- Condições de uso dos equipamentos de combate a incêndio;
- Apresentação dos problemas relacionados à prevenção de incêndios, 
encontrados nas inspeções, para que sejam feitas propostas corretivas;
- Atualização de técnicas e táticas de combate a incêndios;
o Outros assuntos de interesse.
Reunião extraordinária:
- Ocorrer um exercício simulado;
- Ocorrer um sinistro;
- For identificado um risco iminente;
- Ocorrer uma alteração significativa dos processos industriais ou de 
serviços, de área ou leiaute;
- Houver a previsão de execução de serviços que possam gerar algum 
risco. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005).
143
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
4.1.8 Plano de emergência ou plano de prevenção 
(Plano abandono, planta de evacuação e risco e informações operacionais)
As informações operacionais que devem constar no plano de prevenção 
precisam estabelecer os procedimentos de plano de abandono, que objetiva 
determinar conjunto de rotinas para proteção à vida no esvaziamento das 
edificações quando da ocorrência de um incêndio. Deve ser acompanhado de 
projeto de evacuação, e para ser desenvolvido é necessário que a edificação 
possua um projeto e as plantas (desenhos técnicos da edificação) e para que se 
desenvolva uma planta denominada “rotas de fuga”.
O objetivo de usar tanto as informações operacionais quanto a planta de 
evacuação é instruir os usuários da edificação durante o processo de evacuação, 
pois se indicam, além de partes da edificação, a sinalização de possíveis riscos à 
vida, e para isto existe um conjunto de simbologias e orientações que orientam os 
habitantes quanto à rota de fuga.
Exemplo do uso informações operacionais/rotinas de emergência, 
consulte:
Disponível em: <http://www.maferri.com.br/servicos/plano-de-abandono>. 
A norma ABNT/NBR15219 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
2005) estabelece os requisitos para o Plano de emergência contra incêndio, e seus 
requisitos levam em conta:
• Localização da edificação
• Construção (método construtivo)
• Ocupação 
• População 
• Características de funcionamento 
• Identificação de riscos inerentes à especificidade daquela 
função que o edifício abriga
• Disponibilização de: 
o recursos físicos para prevenção e combate a incêndio e pânico 
(por exemplo: extintores de incêndio, iluminação de emergência, 
sinalização, saídas de emergência, sistema de hidrantes, chuveiros 
automáticos, sistema de detecção e alarme de incêndio etc.); 
o recursos humanos (por exemplo: brigada de incêndio, 
bombeiros profissionais civis, grupos de apoio, etc...) para combate a 
incêndio e controle do pânico em situações de incêndio (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005). 
144
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
O plano de prevenção e evacuação somente pode ser determinado a partir 
de uma planta da edificação, devidamente atualizada. Este projeto, comumente 
chamado de “planta”, é na verdade uma representação gráfica bidimensional em 
escala reduzida da edificação. 
Sobre este projeto é aplicada uma série de simbologias tanto para identificar 
os riscos existentes quanto para demonstrar a localização de equipamentos de 
prevenção, proteção e combate a incêndio citados há pouco, como recursos 
físicos (extintores de incêndio, iluminação de emergência, sinalização, sistemas de 
hidrantes etc.), além da determinação das rotas de fuga.
Para se elaborar um projeto ou sinalizar qualquer edificação é obrigatória a 
observação dos códigos de prevenção do Corpo de Bombeiro de cada região. 
Rota de fuga, na verdade, é um conceito 
que se usa para determinar os caminhos 
pelos quais a população do edifício deverá se 
direcionar para sair da edificação, é mais do que 
uma simples indicação de saída graficamente 
representada em uma planta. As rotas de fuga 
conjugam o correto dimensionamento dos 
espaços de passagem para população que 
necessita deixar a edificação, um conjunto 
de sinalização (expostos nas imagens) e 
equipamentos que podem favorecer o 
gerenciamento do pânico e mesmo combate 
ao incêndio. 
Alguns exemplos de sinalização e seus respectivos usos, primeiramente 
determinados pela planta de risco, e depois em tamanhos reais para 
serem afixados nos locais listados no projeto. Acesse o link: Disponível em: 
<http://www.hyppofire.com.br/sinalizacao_produtos.php>. 
Para sinalização e sinalização complementar, consultar:
NBR 13434:1995 – Sinalização de segurança contra incêndio e pânico
Formas, dimensões e cores – Padronização • NBR 13435:1995 – Sinalização 
de segurança contra incêndio e pânico – Procedimento •NBR 13437:1995 
– Símbolos gráficos para sinalização contra incêndio e pânico –
Simbologia.
Fonte: Disponivel em: <http://cirp-resgate.
blogspot.com.br/2013/08/altura-e-largura-
medidas-na-instalacao.html>. Acesso em: 17 
dez. 2014. 
Figura 3.6 | Exemplificação de uso de 
sinalização em portas de emergência
145
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Fonte: Disponivel em: <http://cirp-resgate.blogspot.com.
br/2013/08/altura-e-largura-medidas-na-instalacao.html>.Acesso em: 17 dez. 2014. 
Figura 3.7 | Exemplificação de uso de sinalização 
em extintores e hidrantes
Cabe uma ressalva que o as 
normas dos corpos de bombeiro 
já estabelecem densidade máxima 
permitida conforme a função 
da edificação, e este tipo de 
informação estão contidos nos 
códigos dos corpos de bombeiro.
As rotas de fuga são essenciais 
para os planos de evacuação, 
deve prever a atuação do Corpo 
de Bombeiro, sendo assim, é 
crucial que o mesmo reconheça 
como válido e atendendo a todos 
os requisitos de prevenção ao 
pânico. Para esta validação normalmente os corpos de bombeiros disponibilizam, 
departamentos especializados em engenharia e arquitetura, nos quais tanto os 
planos quanto os projetos de prevenção são observados quanto o atendimento de 
requisitos de prevenção previstos pelos códigos e normas da ABNT, e em especial 
observam se o edifício apresenta condição para composição das rotas de fuga.
Fonte: Disponível em: <http://cirp-resgate.blogspot.com.
br/2013/08/altura-e-largura-medidas-na-instalacao.
html>. Acesso em: 17 dez. 2014.
Fonte: Disponível em: <http://cirp-resgate.blogspot.
com.br/2013/08/altura-e-largura-medidas-na-
instalacao.html>. Acesso em: 17 dez. 2014.
Figura 3.8 | Exemplificação de uso de 
sinalização em rotas de fuga com mudança 
de direção
Figura 3.9 | Exemplificação de uso 
de sinalização em rotas de fuga com 
indicação de continuidade do fluxo
Como se trata de um projeto de prevenção, deve apresentar o responsável 
tanto pelo plano quanto pelo projeto de prevenção. Quanto à exposição do plano, 
a ABNT NBR 15219 estimula que:
A representação gráfica contida no plano de emergência contra 
incêndio, com destaque para as rotas de fuga e saídas de emergência, 
deve estar afixada na entrada principal e em locais estratégicos de cada 
edificação, de forma a divulgar o plano e facilitar o seu entendimento. 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005).
146
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Os procedimentos básicos na emergência contra incêndio, descritos em 4.2.3.1 
a 4.2.3.10 da ABNT NBR 15219:2005, estão relacionados numa sequência lógica, 
de forma a serem executados até por uma pessoa sem treinamento, se necessário. 
Para melhor entendimento dos procedimentos de emergência, deve-se consultar 
os anexos A e B desta mesma norma.
O Corpo de Bombeiros, certamente, é o apoio externo mais indicado, no 
entanto, da ocorrência do início do incêndio até a chegada do Corpo de Bombeiro 
existe uma série de procedimentos que podem minimizar o impacto sobre as vidas 
e patrimônio, e um deles é que a pessoas que alertar a este apoio deve estar 
munida de informações suficientes sobre a ocorrência (e nisto o treinamento é 
essencial), de modo a deixar claro, na hora do chamado, algumas informações, 
como: população, vítimas, condições das vítimas e da edificação e qualquer outra 
que seja solicitada no momento.
Os procedimentos de primeiros socorros precisam constar nos planos, assim como a 
responsabilidade de quem irá desenvolvê-los de forma mais especializada, e, na medida 
do possível, dotar todos os ocupantes da edificação com treinamentos específicos desta 
natureza. Os treinamentos previstos nos planos de prevenção são compostos pelo SBV 
- Suporte Básico da Vida (que envolve todos os cuidados em fraturas, queimaduras, 
lesões perfurocortantes etc.) e o RCP, ressuscitação cardiopulmonar, este último 
tentando garantir estas duas condições vitais (coração e pulmão). 
Durante o abandono da edificação deve haver um planejamento de grupo, 
com uma quantidade específica de pessoas, lideradas por uma pessoa ou cadeia 
de pessoas, direcionadas por uma cadeia de comando/tomada de decisão que 
apresenta maior intimidade com o plano e com os procedimentos de evacuação. 
Deve ser considerada a densidade e as características da população, para a 
elaboração de um plano de evacuação, e prever procedimentos considerando 
diversas faixas etárias, portadoras de necessidades especiais (PNE) ou cadeirantes, 
ou mesmo pessoas com mobilidade reduzida, gestante, idosos.
Garantido o salvamento da vida, extinguido o fogo, é crucial que o plano 
estabeleça responsabilidades quanto à investigação identificando a real falha, 
para se criar conhecimento preventivo. Havendo vítimas, não fatais ou fatais, o 
Corpo de Bombeiros e a polícia podem entrar na investigação, cada qual com 
seu aparato técnico, e estes, sim, estabelecer sanções criminais, podendo levar 
à prisão, dependendo do que for concluído. Em casos em que exista controle 
sobre materiais perigosos, alguns órgãos específicos podem ser acionados para as 
averiguações que se relacionam a estes produtos (como, por exemplo, secretarias 
de meio ambiente ou vigilância sanitária etc.).
4.2 Brigada de incêndio 
A norma ABNT NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
2007) trata dos requisitos necessários para a composição da brigada de incêndio, 
147
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
e esta norma considera basicamente duas situações para estabelecer os princípios 
básicos: o primeiro são as condições gerais dos edifícios e o segundo o próprio 
planejamento da brigada de incêndio. 
4.2.1 Condições gerais dos edifícios 
A norma NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007) 
parte do pressuposto de que as edificações das empresas que iniciarão as atividades 
econômicas tenham passado por inspeções e aprovações dos órgãos de fiscalização. 
A norma ABNT/NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
2007), em seu item 4.1.2, sugere que seja disponibilizado, próximo à entrada, “resumo 
atualizado do programa de brigada de incêndio”, acessível e visível, na(s) entrada(s), 
tendo que estar sempre disponível 24 horas por dia e que contenha minimamente:
1. Os principais riscos (carga-incêndio e produtos perigosos). 
2. Memorial complementar.
a. Vizinhança: indicar a posição e a ocupação em croqui.
b. Riscos em potencial: indicar os riscos existentes com sua 
localização e isolamento por distância ou material resistente ao fogo, 
quando houver.
c. População: indicar a fixa, a flutuante e a total.
d. Meios de escape: indicar todos os meios existentes (acessos, 
passarelas, elevadores de segurança, saídas comuns e de segurança), 
bem como sua localização.
e. Meios de ajuda externa: indicar sistemas ou brigadas de 
edificações próximas, bem como Corpos de Bombeiros e hospitais e 
suas respectivas distâncias em quilômetros.
3. Meios de fuga e combate a incêndio. 
4. A reserva de água para combate a incêndio. (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007).
Muitas empresas buscam incorporar em sua sinalização este tipo de informação, 
transformando em placas, já que a linguagem visual, além de facilitar a leitura, 
ajuda na manutenção e “lembrança” constante de informações cruciais para um 
momento de emergência. Disponibilizar esta informação junto a bebedouros, 
relógios-ponto, portas e saídas, refeitórios, fortalece a postura preventiva.
4.2.2 Planejamento da brigada de incêndio 
A norma ABNT/NBR14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
2007) pretende estabelecer parâmetros para recursos humanos, administrativos 
e de materiais, conforme requisitos que serão tratados a seguir:
148
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Para o planejamento da brigada de incêndio, o profissional de segurança 
do trabalho deverá acessar os anexos existentes na norma ABNT/NBR14276 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007), e diante das 
classificações apresentadas, necessitará desenvolver, por meio do cruzamento 
de informações, o perfil da brigada, quantidade, currículo de treinamento, em 
função do grau de risco, para que consiga implantar de maneira correta as 
etapas de implantação de uma brigada de incêndio. No quadro a seguir é exposto 
resumidamente o que cada anexo pode contribuir para o dimensionamento da 
brigada, fazendo parte da norma ABNT/NBR14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE 
NORMAS TÉCNICAS, 2007), e muitos dos códigos do Corpode Bombeiros fazem 
uso destes anexos: 
1) Composição da brigada de incêndio;
2) Organograma da brigada de incêndio; 
3) Critérios básicos para a seleção de candidatos a brigadista;
4) Formação de brigada de incêndio; 
5) Atribuições da brigada de incêndio; Implantação propriamente 
dita da brigada de incêndio. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2007)
Anexo A
Trata da composição da brigada de incêndio por pavimento ou compartimento (para 
fazer uso do mesmo são informações cruciais descrição breve, grau de risco, população 
fixa por pavimento, e por estas informações pode-se ter entendimento de qual nível 
de treinamento é necessário ter esta população e com o nível da instalação conforme 
ABNT/NBR14277). 
Anexo B:
Estabelece o currículo mínimo do curso de formação de brigada de incêndio. O anexo 
B determinará o treinamento conforme nível de risco em que a edificação se enquadra, 
poderá sugerir treinamentos específicos citados há pouco, podendo ser categorizado 
como “básico, intermediário e avançado”. 
Anexo C:
Faz referência à Carga de incêndio específica por ocupação, e alerta para o fato 
da identificação de áreas de riscos específicos da edificação. Para tanto, leva em 
consideração ocupação/uso, descrição e suas subdivisões (carga de incêndio e o grau 
de risco).
Anexo D:
Demonstra método para levantamento de carga de incêndio específica, principalmente 
levando-se em conta valores de cargas específicas para as edificações, principalmente 
em se tratando de depósitos, explosivos e ocupações especiais.
Anexo E:
Resume literalmente as etapas para a implantação da brigada de incêndio, considerando 
os procedimentos (“o que”), meios para se fazer (“como”) e as responsabilidade (“quem”). 
Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2007) 
Quadro 3.5 | Dimensionamento da brigada de incêndio conforme ABNT/NBR14276/2007 
e seus anexos
Referente à composição de brigada de incêndio: primeiro distingue-se 
brigadas parciais conforme pavimento, setor ou compartimento, levando em 
consideração a população fixa, grau de risco e grupos de ocupação da planta. 
Leva-se também em consideração a configuração das edificações/pavimentos/
149
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
quantas edificações e a relação que esta apresenta na quantidade de funcionários 
por cada setor/pavimento/turno. Depois, tendo a totalidade dos pavimentos, 
busca-se estabelecer um organograma da brigada de incêndio, que em resumo é 
uma cadeia de responsabilidades, e se necessário, estabelecendo uma hierarquia 
quanto à tomada de decisão.
O organograma é uma representação gráfica e, por ter linguagem visual facilitada, 
é um bom recurso para ser exposto em locais onde pessoas possam ter maior 
apreensão, no entendimento dos agentes da cadeia de tomada de decisões quando 
da ocorrência das emergências, e à medida que se verticaliza ou se horizontaliza, pode 
haver a especialização da decisão a ser tomada, assim como da responsabilidade. 
Figura 3.10 | Exemplificação organograma de brigada de incêndio
Exemplo 01
coordenador geral da brigada
chefe 
edificação nº1
chefe 
edificação nº1
líder do setor nº2 
(brigadista)
brigadista brigadistabrigadista brigadista brigadista brigadista
líder do setor nº4
(brigadista)
líder do setor nº1 
(brigadista)
líder do setor nº3
(brigadista)
Exemplo 02
Para a norma ABNT/NBR 14276, são critérios básicos para a seleção do 
brigadista:
brigadista
brigadista
brigadista
brigadista
líder do setor nº1 
(brigadista)
líder do setor nº2 
(brigadista)
coordenador geral da brigada
chefe 
2º turno
chefe 
1º turno
brigadista
brigadista
brigadista
brigadista
líder do setor nº1 
(brigadista)
líder do setor nº2 
(brigadista)
chefe 
3º turno
brigadista
brigadista
brigadista
brigadista
líder do setor nº1 
(brigadista)
líder do setor nº2 
(brigadista)
Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2007)
• Permanecer na edificação durante o turno de trabalho; 
• Possuir boa condição física e boa saúde;
• Possuir bons conhecimentos da instalação;
• Possuir mais de 18 anos;
• Ser alfabetizado. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2007).
150
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
O brigadista, sobretudo, precisa saber identificar os riscos, antes, durante e depois de 
incêndio, quanto ter habilidade para conduzir o salvamento de pessoas da edificação. 
É por este motivo que são sugeridos consecutivos treinamentos e reciclagens.
A formação da brigada de incêndio deve se basear nos anexos A e B da 
ABNT/NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007), cuja 
validade do treinamento é de um ano. Dentro da formação, consideram-se os 
tópicos e os nivelamentos “básico, intermediário e avançado” estabelecidos 
pelo anexo B. Tais treinamentos precisam ser avaliados, assim como os brigadistas 
devem demonstrar domínio de conteúdos de primeiros socorros e de combate 
a incêndio, e aproveitamento superior a setenta por cento, com aplicação de 
avaliação teórico-prática. 
As atribuições da brigada de incêndio consistem basicamente em dois tipos 
de ações ABNT/NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
2007), que são:
• Ações de prevenção: enquadram-se nestas ações pleno domínio do plano 
contra incêndio e da planta da edificação; avaliar e minimizar riscos existentes, 
entender que deve haver a revisão permanente dos equipamentos de proteção, 
combate a incêndio, primeiros socorros, entre outros aspectos da edificação; 
desenvolver inspeção sobre as rotas de fuga, desenvolver relatórios e proposições 
de melhorias, dar encaminhamentos das melhorias a quem é responsável e sempre 
desenvolver atividades orientadoras para a população flutuante e fixa;
• Ações de emergência: aplicação direta dos procedimentos básicos 
previstos no plano de emergência contra incêndio, podendo até chegar ao 
esgotamento dos recursos disponíveis para combate a incêndio, sem que haja 
perigo à vida humana.
A norma ABNT NBR 15219 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
2005) e a ABNT/NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
2007) declaram a necessidade de que sejam descritas todas as informações 
acerca da brigada de incêndio dentro do plano de emergência, assim como os 
procedimentos que a brigada precisa desenvolver em caso das ações de prevenção 
e as de emergência. O anexo “E” fornece parâmetros para a implantação de 
brigada de incêndio.
Os procedimentos básicos de emergência devem estar em conformidade 
com a ABNT NBR 15219 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005) 
dentro do plano de emergência, e como já foi mencionado anteriormente, tanto 
os treinamentos, quanto as simulações e as reuniões, são importantes momentos 
de revisão, e de certo modo, controle das ações da brigada de incêndio. 
Os procedimentos complementares devem ser previstos no plano de 
emergência contra incêndio para que os procedimentos básicos de emergência 
tenham sucesso, dentre eles podemos citar: 
151
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
• Divulgação e identificação da brigada: identificação dos integrantes, sua 
contribuição para a composição da brigada, identificação de seu posto tanto na 
brigada quanto na estrutura da empresa, como contatar em caso de emergência 
(ramal, por exemplo, rádio etc.) e esta informação exposta em local de ampla 
circulação e visível a todos que ali passarem.
• Equipamentos de proteção individual (EPI): a Norma Regulamentadora 
n° 06 prevê a obrigatoriedade do uso de EPIs especializados para situação de 
combate a incêndio para cada um dos brigadistas, e ainda especifica “os EPIs para 
proteção da cabeça, dos olhos, do tronco, dos membros superiores e inferiores e 
do corpo todo”.
Comunicação interna e externa: quando houver, na organização, brigada de 
incêndio em mais de um setor, bloco ou edificação, a fim de melhorar as operações, 
estabelecer um sistema de comunicação específico entre os brigadistas, pode ser 
feito uso de equipamentos eletrônicos, alarmes, rádios e até alto-falantes.A ordem 
de abandono é uma tomada de decisão, e muitas pessoas podem sentir dificuldade 
de tomar, e por mais que exista uma cadeia de comando, existirão situações em 
que somente será possível haver um brigadista, diante de uma situação de extrema 
“pressão” com várias variáveis a serem analisadas, e a sua “não decisão” coloca 
em risco a vida de outras pessoas. É por este motivo que a ordem de abandono, 
segundo a norma ABNT/NBR 14276 coloca:
O responsável máximo da brigada de incêndio (coordenador geral, 
chefe da brigada ou líder, conforme o caso) determina o início do 
abandono, devendo priorizar os locais sinistrados, os pavimentos 
superiores a estes, os setores próximos e os locais de maior risco. 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007).
O que é sinistro?
No contexto jurídico e dos seguros, um sinistro é um acidente que causa 
prejuízo em algum bem que está segurado. Termo do mercado de seguros 
utilizado para denominar a materialização concreta do risco previsto no 
contrato de seguro. Em incêndio o termo é usado quando da própria 
situação de perdas que o incêndio pode estar ocasionando.
Disponível em: <http://www.significados.com.br/sinistro/>. Acesso em: 17 
dez. 2014. 
152
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
A norma também prevê a colocação de ponto de encontro tanto dos brigadistas, 
para evacuação do prédio, quanto para todos os ocupantes, ou mesmo para agrupar 
as pessoas que irão trabalhar no combate em si, e que esteja indicado diretamente 
sobre a planta da edificação. É por este motivo que é necessária a exposição de 
uma planta com simbologia simplificada que tenha ampla visualização. 
1. Se tivesse que desenvolver seu primeiro plano de emergência 
de combate a incêndio e pânico, quais seriam os tópicos mais 
importantes a serem colocados?
2. Explique com suas palavras quais são as atribuições de uma 
brigada de incêndio e quais são os instrumentos de que pode 
fazer uso para desenvolver os trabalhos efetivos de prevenção 
de incêndio e combate a incêndio.
Foram trabalhadas nesta unidade a apresentação da legislação e 
normas pertinentes à prevenção e combate a incêndio e pânico, a 
relação entre elas e a importância de considerar diversas fontes para 
se pensar a prevenção e combate a incêndio.
Foram expostos conteúdos acerca da Teoria do Fogo, incêndio e 
explosivos, assim como foi trabalhada a construção do conhecimento 
dos fenômenos associados ao incêndio e sua evolução, e suas 
principais características.
Para se trabalhar o combate e prevenção do incêndio foram expostas 
as principais classes de incêndio e quais são os agentes extintores 
mais indicados para cada tipo de material.
E ao final da unidade foram trabalhados programas de proteção 
contra incêndio e pânico e planos de emergência e indicação dos 
principais pontos a serem abordados dentro dos programas e planos 
de prevenção de combate a incêndio e pânico.
153
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Quando iniciamos este capítulo, tínhamos por objetivo expor 
aspectos específicos acerca da aplicação da legislação e normas 
dentro da realidade brasileira para os profissionais de segurança, 
e demonstrar quais as possíveis implicações de não uso de 
alguns tipos de normas. Objetivou-se também demonstrar, de 
maneira bem resumida, tudo o que se relaciona ao fogo, sua 
teoria e fenômenos associados, sua evolução para o incêndio e 
introdução a explosivos, sempre que possível demonstrando em 
quais aspectos o profissional de segurança do trabalho precisa 
observar. Houve também oportunidade de mostrar a classificação 
de classes de fogo, e métodos de extinção associados. 
A exposição de conteúdos que devem conter os programas de 
proteção contra incêndio e pânico talvez seja umas das principais 
contribuições desta unidade, já que detalha conteúdos e usos de 
ferramentas que são de grande validade para combate e prevenção 
a incêndio e pânico. 
Como foi afirmado ao longo desta unidade, o investimento para a 
obtenção de conhecimento em prevenção e combate a incêndio 
e pânico é contínuo e seu aprofundamento virá à medida que se 
propõe investigar e conhecer tudo o que se relaciona aos assuntos 
expostos. Então, não fique parado apenas com o conhecimento 
exposto por esta unidade ou este livro, e tenha sempre fontes 
oficiais como referências para o desenvolvimento de trabalho que 
desenvolverá no futuro.
1. Quando se fala da atividade do profissional de segurança 
do trabalho nos últimos anos, no que tange à prevenção 
de incêndio e pânico, existe um comportamento de 
investigação essencial sobre algumas bases de informação 
na área de prevenção e combate a incêndio e pânico. Estas 
bases de informações que contribuem para o entendimento 
de “padrões” aceitáveis para a aplicação ou Requisitos 
154
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
Mínimos de Qualidade em segurança e prevenção de 
combate a incêndio e pânico são:
I. Normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho 
e Emprego (MTE).
II. Normas Brasileiras (NBR) da Associação Brasileira de 
Normas Técnicas (ABNT). 
III. Códigos de Segurança de Prevenção Incêndio e 
Pânico (CSCIP) dos Corpos de Bombeiros de cada estado, 
além de todas as suas revisões constantes, instruções 
normativas específicas. 
Quais alternativas representam a melhor resposta:
a) Somente I está correta. 
b) Somente II está correta. 
c) Somente III está correta. 
d) I e II estão corretas.
e) I, II e III estão corretas. 
2. Quando se aborda a Teoria do Fogo e o estudo dos 
fenômenos associados ao incêndio e todas as variáveis que 
podem contribuir tanto para a sua evolução como o seu 
controle e extinção, podemos denominar a este conjunto 
de conhecimentos como:
a) Engenharia de fluidos. 
b) Engenharia hidráulica. 
c) Engenharia do fogo e incêndio.
d) Engenharia dos materiais. 
e) Engenharia de risco. 
3. Fogo efetivamente é dominado pelo homem quando 
consegue torná-lo portátil e somente é possível no 
momento em que domina suas variáveis. A técnica consiste 
em dispor gravetos e outros elementos de fácil queima, para 
serem submetidos a faíscas decorrentes do atrito entre as 
pedras. As pedras, os gravetos e o controle da ventilação/
oxigenação (abanar) usados pelos homens pré-históricos 
são, respectivamente: 
a) A ignição, o combustível e o comburente.
b) O combustível, a ignição e o comburente;
c) O comburente, o combustível e a ignição;
d) A reação química, o combustível e a ignição;
e) A explosão, ignição e combustível. 
155
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
4. Para se entender a dinâmica do fogo é necessário 
estudar uma relação entre estas três condições (ignição, 
comburente e combustível), denominada Triângulo do 
Fogo. Entretanto, alguns autores colocam que para a 
manutenção do incêndio existe o quadrilátero do fogo, 
onde seria inserida uma quarta variável, denominada “reação 
em cadeia”. São fenômenos físicos que podem acontecer 
dentro da reação em cadeia:
I. Condução do calor: é energia transmitia por meio 
de material sólido; 
II. Convecção do calor: é energia transmitida por meio 
de fluidos;
III. Radiação do calor: é a energia transmitida por meio 
de ondas. 
Quais alternativas representam a melhor resposta:
a) Somente I está correta. 
b) Somente II está correta. 
c) II e III estão corretas. 
d) I e II estão corretas.
e) I, II e III estão corretas. 
5. Como uma das áreas em que o profissional de segurança 
do trabalho pode se envolver é a de gerenciamento 
de risco durante a logística de produtos perigosos, em 
específico de explosivos e combustíveis, é relevante 
ter conhecimentos acerca da legislação específica de 
transporte, e da obrigatoriedade prevista no Regulamento 
para o Transporte de Produtos Perigos (RTPP), aprovado 
pelo CONTRAN, por meio a Resolução Nº 168/04, por 
proposta do Ministério dos Transportes, especificamente 
no seu art. 15. Sendo necessário desenvolvimento de curso 
específico denominado:
a) MOPP – movimentação operacional de produtos 
perigosos;
b) FMOPP –ficha de movimento obrigatório de 
produtos perigosos;
c) DOPP – diretrizes de movimento obrigatório de 
produtos perigosos;
d) APR – análise preliminar de risco;
e) PPRA – programa de prevenção de riscos ambientais. 
156
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
157
U3
Legislação e prevenção ao incêndio e pânico
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15219: plano de 
emergência contra incêndio-requisitos. Rio de Janeiro, 2005.
______. NBR CB-10: ficha de informação de segurança de produtos químicos 
(FISPQ): conteúdo e ordem das seções. Rio de Janeiro, jul. 2008. Disponível em: 
<http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl_1220294487.pdf>. Acesso em: 
16 dez. 2014. 
______. NBR 14276: brigada de incêndio-requisitos. Rio de Janeiro, 2007. 3p. 
BRASIL. Lei n.º 10233, de 5 de junho de 2001. Dispõe sobre a reestruturação dos 
transportes aquaviário e terrestre, cria o Conselho Nacional de Integração de 
Políticas de Transporte, a Agência Nacional de Transportes Terrestres, a Agência 
Nacional de Transportes Aquaviários e o Departamento Nacional de Infraestrutura 
de Transportes, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10233.htm>. Acesso em: 19 de nov. 2014.
______. Norma Regulamentadora n. 19: explosivos. Redação alterada pela 
Portaria Site 228/2011. Disponível em: <http://www.guiatrabalhista.com.br/
legislacao/nr/nr19.htm>. Acesso em: 16 dez. 2014. 
CAFASSO, Maria Aparecida. Movimento operacional de produtos. São Paulo: 
Consultoria Via Brasil. <http://www.viabrasilconsultoria.com.br/docs/mopp.pdf>. 
Acesso em: 16 dez. 2014. 
SANTOS, Luiz Ricardo dos. Nitroglicerina. Infoescola. Disponível em: <http://www.
infoescola.com/compostos-quimicos/nitroglicerina/>. Acesso em: 16 dez. 2014. 
Referências
Unidade 4
EQUIPAMENTOS PARA 
PREVENÇÃO, CONTROLE 
DO PÂNICO E COMBATE A 
INCÊNDIO
Objetivos de aprendizagem: Esta unidade de estudo tem por objetivo 
demonstrar a aplicabilidade de equipamentos voltados à prevenção de 
combate a incêndio e pânico, assim como demonstrar pontos de maior 
relevância das normas que fazem referência a estes equipamentos. Objetiva-
se também demonstrar principais aspectos para uso de iluminação de 
emergência e portas corta-fogo, e como estes equipamentos prediais são 
tão cruciais quanto saber que as rotas de fuga precisam estar devidamente 
dimensionadas. 
Propor rotas de fuga adequadas a um plano de abandono é um dos 
pontos que muitos profissionais de segurança acabam tendo dificuldades, 
em função do pouco domínio de conceitos essenciais embutidos dentro 
das normas, mas que fazem diferença quando na prevenção do pânico, em 
edificações cuja população é relativamente grande. Desta forma, objetiva-
se também facilitar este tipo de informação aos futuros profissionais.
Outro objetivo é facilitar informações contidas nas normas quanto 
a pontos a serem observados nas normas e diferenciar as principais 
características entre sistemas de combate direto ao incêndio, como é o 
caso de equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio, e dentre eles 
extintores, sistema de hidrantes, sprinkler, entre outros. 
O aluno, ao final desta unidade, no mínimo, será capaz de identificar os 
principais sistemas e como estes relacionam com o combate a incêndio e 
pânico em uma edificação.
Flávio Augusto Carraro
160
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Serão explicitados nesta seção os principais tipos de alarmes e tipologias 
dos mesmos, buscando demonstrar a interação destes dispositivos com os 
demais equipamentos de prevenção e combate a incêndio e pânico.
Esta seção finaliza a unidade demonstrando quais os principais tipos 
de equipamentos fixos existentes na edificação, como, por exemplo, 
hidrantes, mangotinhos, chuveiros automáticos e sistemas de espumas, 
e detalha ainda mais alguns requisitos para consideração de dispositivos 
móveis, como é o caso dos extintores.
Seção 3 | Sistema de detecção e alarme
Seção 4 | Equipamentos fixos e móveis de combate a 
incêndio 
Na presente seção serão fornecidos os principais requisitos de 
segurança em prevenção de incêndio, mas em especial ao pânico, e por 
meio da explicação de itens tão essenciais para salvaguardar as vidas das 
pessoas na edificação, que são a iluminação e a porta corta-fogo.
Nesta seção serão expostas as principais características de partes da 
edificação, e cujo desenho e execução devem considerar requisitos de 
segurança em prevenção de incêndio, para que o próprio edifício não 
permita a evolução do incêndio, além de contribuir para o gerenciamento 
do pânico, como é o caso das escadas de emergência. Serão também 
relacionados outros ambientes e equipamentos de prevenção e combate 
a incêndio e pânico associados à escada de incêndio.
Seção 1 | Equipamento de prevenção e combate a 
incêndio e pânico – iluminação e portas corta-fogo
Seção 2 | Escada de emergência
161
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Introdução à unidade
Nesta unidade serão apresentados alguns equipamentos e sistemas dedicados 
à prevenção, controle do pânico e combate a incêndio, os quais podem auxiliar 
na gestão de emergência na atividade de segurança do trabalho em situações de 
incêndio, seus efeitos diretos e controle do pânico, sobretudo para preservação 
da vida.
O conhecimento de equipamentos, dispositivos, ferramentas e demais 
considerações normativas será exposto indicando pontos em que as normas já 
estabelecem diretrizes para o desenvolvimento de projeto de prevenção, pânico e 
combate a incêndio, diretamente sobre a edificação e que podem diretamente ajudar 
o combate a incêndio e gestão do pânico. Serão expostos usos de iluminação de 
emergência, portas corta-fogo, rotas de fuga (escadas de emergência, corredores 
e rampas, tomando em conta os dimensionamentos corretos considerando a 
população habitante da edificação). 
Serão expostos os conceitos e princípios básicos de um sistema de detecção 
e alarme, de modo a permitir que o profissional de segurança do trabalho consiga 
entender como tais sistemas funcionam e se relacionam com a prevenção e 
combate a incêndio e pânico.
Vamos estudar também os equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio, 
e buscar entender mais sobre o uso e especificação de extintores, sistema de 
hidrantes e sprinklers.
162
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
163
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Seção 1
Equipamento de prevenção e combate a incêndio 
e pânico – iluminação e portas corta-fogo
A maior parte dos equipamentos que serão abordados aqui, desde a sua 
fabricação, concepção, projeto e instalação, precisa estar amparada por normativas, 
como as normas ABNT/NBR (Associação Brasileira de Normas Técnicas/Normas 
Brasileiras), por exemplo, e boa parte delas já consta, de uma certa maneira, citada 
nos códigos de prevenção dos corpos de bombeiros. Os códigos dos corpos de 
bombeiros, por sua vez, buscam, sempre que necessário, emitir algumas instruções 
normativas, à medida que as tecnologias para prevenção ou combate evoluem ou 
não encontram amparo em legislações e normas.
1.1 Considerações acerca das normas de prevenção e combate a incêndio e 
as Normativas de Segurança do Trabalho
O cuidado que o profissional de segurança do trabalho precisa ter é que, como 
está acostumado a basear suas atividades apenas nas normas regulamentadoras do 
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), não poderá apenas contar exclusivamente 
com a Norma Regulamentadora NR-23 - Proteção Contra Incêndios (BRASIL, 1978), 
uma vez que a mesma não contempla de maneira significativa todos os aspectos 
necessários em equipamentos para proteção e prevenção de incêndio e pânico. 
Para o desenvolvimento de atividades especializadas em prevenção e combate a 
incêndio, o profissional de segurança deverá mergulhar e se aprofundar em pesquisas 
direcionadas aos temasespecíficos que pretende aplicar, tendo as normativas ABNT/
NBR e os códigos dos corpos de bombeiros como fontes para suporte ao que está 
envolvido, que é sua atribuição na área de prevenção e combate. 
As normas regulamentadoras, de uma maneira geral, não abordam de maneira 
detalhada e direta os equipamentos de prevenção e combate a incêndio. A Norma 
Regulamentadora NR-23 - Proteção Contra Incêndios (BRASIL, 1978), no texto 
atual na forma em que está, preocupa-se mais com procedimentos de evacuação.
O presente material não tem a pretensão de esgotar o assunto, uma vez que os 
assuntos aqui abordados carecem de estudos mais específicos. Assim sendo, serão 
colocados os pontos de maior relevância contidos nas normas. Espera-se assim que 
a postura a ser sempre adotada por um profissional de segurança do trabalho será 
o estudo contínuo e busca de aprofundamento durante sua evolução profissional.
O gerenciamento de riscos que estão associados ao incêndio e explosões, 
pânico e evacuação e mesmo de combate a incêndio pode garantir um vasto 
164
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
campo de trabalho aos profissionais de segurança do trabalho.
O profissional de segurança do trabalho, assim, agrega grande responsabilidade, 
principalmente quando exerce a habilidade de desenvolver treinamentos sobre os 
assuntos que estão sendo abordados neste material, como incêndio, explosão, 
pânico, evacuação, combate, entre tantos outros. E a informação que o mesmo 
repassa não pode deixar dúvidas, visto que informações incorretas podem influir 
erroneamente sobre o comportamento das pessoas em momentos de emergência.
É por este motivo que justifica saber um pouco mais sobre os equipamentos, 
dispositivos, infraestrutura direcionada a combate a incêndio e prevenção do 
pânico. O tipo de conhecimento que começará a obter neste material é de 
grande valia e faz a diferença quando da elaboração de um plano de emergência, 
evacuação e combate a incêndio. As informações apresentadas aqui também são 
cruciais e podem auxiliar, sobretudo, para o planejamento de rotas de fuga, na 
salvaguarda da vida quando da ocorrência de incêndio.
1.2 Iluminação de emergência
A iluminação de emergência, como genericamente chamada, consiste em um 
conjunto de elementos alimentados por energia e instalações elétricas que darão 
suporte à prevenção ao pânico, uma vez que auxiliam as pessoas a se situarem durante 
o processo de evacuação de uma edificação. A norma que trata do assunto é a ABNT/
NBR 10.898 - Sistema de Iluminação de Emergência (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE 
NORMAS TÉCNICAS, 2013), que fixa as características mínimas exigíveis, considerando 
as funções para as quais se destinam; compreende o sistema de iluminação de 
emergência a ser instalado em outras áreas fechadas sem iluminação natural. Os tipos 
de sistemas mais usados, segundo a ABNT/NBR 10.898, são:
Qual é a relevância de o profissional de segurança do trabalho 
entender a teoria, normativa e uso prático dos equipamentos 
de proteção e prevenção? 
• Conjunto de blocos autônomos (instalação fixa);
• Sistema centralizado com baterias;
• Sistema centralizado com grupo motogerador;
• Equipamentos portáteis; 
• Sistema de iluminação fixa; 
• Sistemas fluorescentes. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE 
NORMAS TÉCNICAS, 2013).
165
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
O conjunto de bloco autônomo, na verdade, pode ser entendido como sendo 
uma “luminária autossuficiente”, que, em condições sem energia, reaja com 
a emissão de luz, dado que no mesmo invólucro estejam contidos a bateria e 
sensores (sensor de falha) que permitem que o equipamento entenda que inexiste 
fonte de alimentação e, por si só, deve operar; além da lâmpada, que pode ser 
incandescente, fluorescente, e mais recentemente as lâmpadas do tipo LED (L.E.D 
= Light emitter diode), que é um diodo emissor de luz. 
O sistema centralizado com baterias é composto por circuito carregador, que 
autogerencia a sua recarga e que, de forma independente da instalação elétrica 
da edificação, alimenta todas as luminárias. Normalmente são equipamentos 
que contenham fontes acumuladoras de energia, exigindo cuidados quanto ao 
fornecimento da energia.
O grupo motogerador pode ser compreendido como sendo um motor a 
combustão, muito parecido ao que existe em um carro/caminhão, capaz de gerar 
energia, em função das adaptações que são feitas para este fim. Normalmente 
está associado aos sistemas de energia da edificação e configurado para que, 
caso não tenha energia na instalação predial, entre em operação, e pela queima 
de combustível como diesel, gasolina, álcool ou mesmo queima de outros 
combustíveis, transforme a energia térmica/mecânica em energia elétrica. Para 
tanto, o grupo gerador deve garantir seu arranque automático, após a falta 
de energia, que nos dias atuais já se encontra automatizado, sem que haja a 
necessidade de alguém para acioná-lo. Este tipo de sistema exige normalmente 
espaço considerável da edificação, pois é comum ter que deixar espaço para que 
o mesmo seja abastecido, sem que haja restrições no caminho; é necessário que 
se vincule à parte externa da edificação este abastecimento, de modo a não se 
colocar em risco nem o pessoal nem a estrutura da edificação em função do 
transporte do material combustível.
Como se trata de um motor e este, por sua vez, emite gases tóxicos provenientes 
da queima de combustível, e também por haver a necessidade de um resfriamento 
do motor, a norma sugere que se busque o correto dimensionamento das aberturas, 
sem que haja acesso indiscriminado de pessoas. Deve ser provisionado para o 
ambiente externo um sistema de escapamento (parecido com o escapamento de 
um carro) para extração dos gases tóxicos.
Os equipamentos portáteis são equipamentos de transporte manual, de 
pequenas dimensões, que no caso de ser previsto no plano de emergência e na 
edificação, devem constar em um local fixo e devidamente sinalizado, no caminho 
da rota de fuga, para serem usados em caso de nenhum outro sistema funcionar. 
Seu acesso não pode ser dificultado, e pode ser usado ainda para indicação de 
saídas de emergência, balizamento ou simples iluminação do caminho quando 
operado por uma pessoa. São equipamentos de pequena dimensão, assim como 
suas baterias, mas estas precisam estar abastecidas com componentes que não 
sofram com o aumento da temperatura e com isto haja o rompimento e eventuais 
reações decorrentes do calor. Devem ter a alimentação compatível com o tempo 
de funcionamento garantido. 
166
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Nos sistemas de iluminação fixa, o seu acionamento se dá por elementos 
químicos sem geração de calor, atuando a distância, normalmente desassociado 
do sistema de energia da edificação. Podem ou não ser automatizados.
Sistemas fluorescentes à base de acumulação de energia de luz também 
podem ser ativados por energia elétrica externa.
Um profissional habilitado em energia (engenheiro eletricista, técnico em 
eletricidade) deve ser consultado para a correta associação do sistema de iluminação 
de emergência, principalmente no que se refere às exigências da instalação predial.
Quanto à localização dos pontos de iluminação de emergência, precisam 
ser instalados levando em consideração as fontes de energia de que se fará uso, 
centralizadas ou ponto a ponto, assim como considerar as condições para que 
seu comando atue adequadamente. São também importantes para a localização 
da iluminação de emergência, segundo a ABNT/NBR 10.898 (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013):
a) Seja de uso exclusivo, não se situe em compartimento acessível ao público 
e com risco de incêndio;
b) Que o local seja protegido por paredes resistentes ao fogo de 2 h;
c) Seja ventilado, de forma adequada para cada tipo de fonte de energia, e 
dotado de dispositivo para saída do ar para o exterior da edificação. Os gases da 
combustão,como da ventilação de resfriamento, não podem passar por locais ou 
compartimentos acessíveis ao público;
d) Não ofereça riscos de acidentes aos usuários, como, por exemplo: explosão, 
fogo ou propagação de fumaça; acidentes em funcionamento, produzindo 
obstrução a uma saída da edificação ou dificultando a organização de socorro, etc.;
e) Tenha fácil acesso e espaço de movimentação ao pessoal especializado 
para inspeção e manutenção;
f) Os painéis de controle devem estar ao lado da entrada da sala do(s) gerador(es) 
para facilitar a comunicação entre pessoas com o equipamento em funcionamento.
As luminárias para iluminação de emergência precisam ter características que 
garantam segurança, e estarem ativas até que sejam evacuadas todas as pessoas da 
edificação. São características desejadas: resistência ao calor, ausência de ofuscamento 
ao longo do percurso de evacuação, proteção quanto a fumaça, material resistente e 
que garanta que o fogo não utilize como combustível o invólucro da luminária.
Os profissionais que desenvolvem projetos elétricos e de iluminação precisam 
considerar a iluminação de emergência e, por vezes, pedem apoio aos profissionais de 
segurança do trabalho, para determinação de quais os tipos. E algumas informações 
poderão ser exigidas acerca das lâmpadas e luminárias, como, por exemplo: 
• tipo de lâmpada;
167
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
• potência, em watts;
• tensão, em volts;
• fluxo luminoso nominal, em lúmens;
• ângulo da dispersão da luz;
• vida útil do elemento gerador de luz. 
Estes dados são cruciais para a determinação dos circuitos de alimentação da 
iluminação de emergência e da interação deste com o sistema convencional de 
iluminação. Mas um conceito que dever ser aplicado ao se conceber o projeto de 
iluminação de emergência é que o profissional de segurança do trabalho precisa 
direcionar os outros profissionais para que concebam a iluminação de emergência 
como sendo um sistema de iluminação autônoma.
Este conceito é crucial para entendimento de que a função que a iluminação 
de emergência tem é diferente da iluminação que se usa no dia a dia das atividades 
na edificação.
A iluminação de emergência “é obrigatória” em todos os locais que proporcionam 
uma circulação vertical ou horizontal, de saídas para o exterior da edificação, ou 
seja, rotas de saída e nos ambientes; a iluminação por sinalização (emergência) 
precisa assinalar as mudanças de direção, obstáculos, saídas, escadas e nunca 
estar escondida total ou parcialmente por elementos decorativos ou outros itens 
que porventura podem estar depositados à sua frente.
Pense em como se pode fazer a alimentação de energia à 
iluminação de emergência em uma edificação, sendo que este 
tipo de infraestrutura pode ser uma das primeiras a ser afetadas 
com a presença do fogo.
1.3 Portas corta-fogo
Existe a necessidade, em toda rota de fuga, quando configurada como um 
ambiente, de ser trabalhada de modo a resistir ao incêndio como se estivesse 
“encapsulando” e protegendo pessoas que por ali passam durante a emergência. 
Os materiais precisam ser resistentes ao fogo, por tempos determinados, e a porta 
corta-fogo está entre estes materiais. Os tempos de resistência ao fogo dependerão 
da função da edificação, condições de risco, configuração espacial, e levam em 
consideração a população da edificação.
A norma que faz menção à porta corta-fogo para saída de emergência e dá 
168
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Mas então, qual é a definição ideal para porta corta-fogo? Segundo a ABNT/
NBR 11.742: 
E aí? Você deve se perguntar: as demais portas 
que apresentam sua construção para resistência ao 
fogo, mas com mecanismos de abertura diferente 
do citado há pouco, não são? E aí respondendo: os 
demais tipos de porta são considerados também, 
porém a mecânica da abertura, tal como foi descrito 
na citação, entre as demais, pode ser considerada uma 
das mais eficientes, apresenta maior rapidez na hora 
da abertura e assim permite que o fluxo de pessoas 
seja o mais eficiente possível.
O que precisa ser entendido como resistência 
ao fogo é a propriedade que tem a porta de, 
primeiramente, suportar, mas, sobretudo, proteger 
ambientes de maneira contínua pela capacidade de 
confinar o fogo e seus subprodutos (gases, fumaças, 
até o controle da transmissão térmica de um 
ambiente para o outro), e a estanqueidade a estes é 
a) antecâmaras e escadas de edifícios; 
b) entrada de escritórios e apartamentos; 
c) áreas de refúgio; 
d) paredes utilizadas na separação de riscos industriais e comerciais e 
compartimentos de áreas, desde que utilizadas exclusivamente para 
passagem de pessoal;
e) locais de acesso restrito, que se comunicam diretamente com rotas 
de fuga; 
f) acesso às passarelas e intercomunicação entre edifícios; 
g) portas em corredores integrantes de rotas de fuga; 
h) acesso a recintos de medição, proteção e transformação de energia 
elétrica. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003).
[...] porta corta-fogo para saída emergência com sendo porta do tipo 
de abrir com eixo vertical, constituída por folha(s), batente ou marco, 
ferragens e, eventualmente, mata-juntas e bandeira, que atende às 
características desta Norma, impedindo ou retardando a propagação 
do fogo, calor e gases, de um ambiente para o outro. (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003).
Fonte: Disponível em: <http://www.
eq.ufrj.br/docentes/cavazjunior/nr23i.
pdf>. Acesso em: 17 dez. 2014. 
Figura 4.1 | Porta corta-fogo 
com barra antipânico
suporte à especificação nas edificações é a norma ABNT\NBR 11.742 (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003). Esta norma fixa as condições exigíveis, 
que vão desde a sua fabricação, instalação e funcionamento. As portas corta-fogo 
têm usos recomendados pela norma ABNT/NBR 11.742: 
169
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
imprescindível em uma porta corta-fogo. Além disso, deve apresentar estabilidade 
e resistência mecânica por períodos definidos em normas específicas, até que 
sejam salvas todas as pessoas da edificação. 
Situações de aplicação de porta corta-fogo. 
Disponível em: <http://linksservice.com/figura-9-escada-enclausurada-
prova-de-fuma-a-elevador-de/>. 
As portas corta-fogo, segundo a norma ABNT/NBR 11.742 (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003), complementada pela ABNT/NBR 
6.479 - Portas e vedadores - Determinação da resistência ao fogo (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992a), são classificadas conforme o seu 
tempo de resistência ao fogo:
• classe P-30: porta corta-fogo cujo tempo de resistência 
mínima ao fogo é de 30 min; 
• classe P-60: porta corta-fogo cujo tempo de resistência 
mínima ao fogo é de 60 min;
• classe P-90: porta corta-fogo cujo tempo de resistência 
mínima ao fogo é de 90 min; 
• classe P-120: porta corta-fogo cujo tempo de resistência 
mínima ao fogo é de 120 min.
Há uma exigência quanto à classificação de resistência ao fogo, e segundo 
a norma não é possível haver classificações intermediárias, tampouco haver a 
possibilidade de as portas para estas funções terem resistência ao incêndio, pelo 
menos do ponto de vista normativo, menor do que as que estão especificadas 
nesta norma. As certificações aos fabricantes de porta corta-fogo são bastante 
rigorosas, e a norma prevê um controle bastante grande da qualidade, e há ainda 
exigência normativa quanto à identificação.
Os fabricantes devem prever, em cada uma, “identificação permanente, por 
gravação ou por plaqueta metálica, com as seguintes informações”: 
• porta corta-fogo conforme esta norma; 
• identificação do fabricante; 
• classificação (como visto em classificação anterior); 
• número de ordem de fabricação; 
170
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
• mês e ano de fabricação. 
Algumas recomendações são: de resistência do material a deterioraçãoe 
compatibilidade com outros materiais da edificação. A norma ABNT/NBR 11.742 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003) recomenda cuidado 
em relação à presença de arestas vivas, já que, quando disponibilizadas em rotas de 
fuga não podem, em eventuais esbarrões, ferir aqueles que fazem uso da mesma.
Referente ao funcionamento da porta corta-fogo, a norma estabelece que as 
portas precisam estar fechadas quando não em uso, sempre pela capacidade de 
isolamento que precisam exercer, e seu acionamento deve ser mecanicamente 
ágil, tanto que seu dispositivo de abertura (barra acionadora da abertura) é acionado 
tão logo o corpo de uma pessoa encoste na mesma. A esta barra acionadora da 
abertura, que deve estar posicionada no sentido da evasão (sentido do fluxo da 
rota de fuga), dá-se o nome de “barra antipânico”.
E para que o profissional de segurança do trabalho saiba como usar e sob quais 
condições? Primeiramente como gerenciador de riscos, neste caso, o profissional 
estaria, sobretudo, gerenciando riscos associados ao pânico, controlando variáveis 
que possam interferir na evacuação da edificação, para tanto é necessário que siga 
algumas recomendações, segundo a ABNT/NBR 11.742 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA 
DE NORMAS TÉCNICAS, 2003):
A norma recomenda que algumas inscrições, como, por exemplo, “PORTA 
CORTA-FOGO, É OBRIGATÓRIO MANTER FECHADA”, estejam inseridas 
na mesma.
a) P-30:
• Fechamento de aberturas em paredes corta-fogo de resistência 1 h (CF-60); 
• Proteção de apartamentos em edifícios residenciais;
b) P-30 à 
prova de 
fumaça 
(PF-30):
• Porta de acesso às escadas das saídas de emergência com antecâmara, ou 
com duas portas das antecâmaras de áreas de refúgio; 
• Corredores de circulação de saídas de emergência;
c) P-60:
• Fechamento de abertura em paredes corta-fogo de resistência 2 h (CF-120); 
• Fechamento do acesso à antecâmara das escadas de saídas de emergência; 
• Proteção de escritórios em edifícios comerciais e industriais;
P-60 à 
prova de 
fumaça 
(PF-60); 
• Fechamento de aberturas de acesso a escadas de saídas de emergência sem 
antecâmara; 
NOTA - Esta recomendação somente se aplica aos casos onde não for possível a 
construção de antecâmara.
Quadro 4.1 | Tipos e usos da porta corta-fogo
(continua)
171
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
e) P-90: 
• Fechamento de aberturas em paredes corta-fogo de resistência 3 h (CF-180);
• Substituição de porta corta-fogo de madeira revestida de metal 
exclusivamente com uma folha e em passagens para pessoas, nas interligações de 
escritórios com locais de industrialização, comercialização e armazenamento; 
• Fechamento do acesso a recintos de medição, proteção e transformação de 
energia elétrica;
f) P-120:
• Fechamento de aberturas em paredes corta-fogo de resistência 4 h (CF-240);
• Substituição de porta corta-fogo de madeira revestida de metal 
exclusivamente com uma folha e em passagens para pessoas, nas interligações não 
previstas para P-90 e sempre nos casos de parede com resistências de 4 h.
Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003)
É possível ter uma porta corta-fogo em locais de circulação comum, aberta, 
entretanto a norma recomenda que, se permanecer aberta, deve estar associada a 
um sistema de detecção automático de incêndio e alarme de incêndio, mas que se 
preveja abertura manual no caso de pane elétrica. Neste caso, sob hipótese alguma 
é possível contar com calços e anteparos para mantê-la aberta, e que impeçam 
o seu livre fechamento/abertura nos casos de emergência. A norma prevê que as 
aberturas e fechamentos fiquem entre três e oito segundos.
Pense por que, para não se ter preocupação em quais locais colocar 
porta-fogo, as construtoras não adotam como padrão este tipo de 
porta em uma edificação e por quais motivos e critérios são eleitos 
locais específicos para colocação desta porta.
1. Quais são os tipos de iluminação de emergência e suas 
principais aplicações?
2. Qual é o objetivo principal da iluminação de emergência?
172
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
173
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Seção 2
Escada de emergência
A escada de emergência, na verdade, é um dos pontos cruciais para efetivo 
planejamento das rotas de fuga, já que conjuga a função de deslocamento vertical 
das populações dos pavimentos, ao mesmo tempo em que é adequadamente 
construída para resistir ao fogo, cumprindo a função de “cápsula” de proteção dos 
habitantes de uma edificação durante o evento de incêndio.
2.1 Escada de emergência e seus principais requisitos 
A norma ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
2001a): Saídas de emergência em edifícios estabelece os requisitos para a 
elaboração das saídas de emergência, e inclui nestes requisitos a escada de 
emergência. O fato é que, havendo população e risco de incêndio incorporado, 
sempre haverá a necessidade de planejar as rotas de fuga, e quando houver mais 
de um pavimento é necessário tomar cuidado com o desenho da escada.
A norma ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a) 
não esgota todas as recomendações para a escada, porém tem grande importância 
para o Corpo de Bombeiros, tanto que estrutura recomendações e instruções técnicas 
contidas nos códigos de prevenção e combate a incêndio e pânico.
Esta norma ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2001a) é também estruturante de todo o plano de evacuação de um 
edifício e por ela é possível, além de acessar (por citações diretas no texto da 
norma), complementar o planejamento das rotas de fuga. 
A norma ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
2001a) objetiva desenvolver o planejamento da rota de fuga, sobretudo a fim de que 
a população possa abandonar a edificação, em caso de incêndio, completamente 
protegida em sua integridade física, e ainda tem que prever a possibilidade de 
permitir o fácil acesso de auxílio externo (do Corpo de Bombeiros), assim como 
deixar acessíveis equipamentos de combate ao fogo e a retirada da população.
Embora concebida para desenvolvimento de edificações novas, pode ser 
tomada como referência para adaptações de edificações existentes. A norma leva 
em consideração para o seu dimensionamento a população e função (está muito 
em função dos riscos associados).
Primeiramente, a norma coloca a necessidade de classificação da edificação, 
174
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
e para que isto aconteça é necessário determinar o enquadramento funcional, 
quanto à ocupação.
É necessário que para o planejamento das rotas de fuga, em específico da 
escada, tenha-se o cuidado de consultar os anexos 2, 3 e 4. Alguns códigos 
dos corpos de bombeiros, por serem regionalizados, têm buscado melhorar a 
metodologia de exposição e detalhamento das informações destes dados.
Deve-se entender que os componentes das saídas de emergência estão 
inclusos, “[...] os acessos ou rotas de saídas horizontais, assim como acessos a 
escadas, quando houver as respectivas portas ou espaço livre exterior, nas 
edificações térreas [...], escada e rampas, descarga”. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE 
NORMAS TÉCNICAS, 2001a).
Para o dimensionamento destes elementos de configuração do espaço de fuga 
é necessário o estabelecimento do Cálculo de População, que na verdade é uma 
estimativa ideal de uma população limite e aceitável para que a edificação tenha 
estas partes corretamente dimensionadas. Para tanto, primeiramente se classifica 
a edificação pelo Anexo 1 e toma-se por índice para cálculo da edificação o Anexo 
5. É importante observar peculiaridades de cálculo para cada tipo de edificação.
2.1.1 - O dimensionamento das saídas de emergência 
A largura das saídas deve ser dimensionada levando em consideração o 
número de pessoas que por elas deva transitar, além de observar que os acessos 
são dimensionados em funçãodos pavimentos que servirem à população. 
Deve-se observar que escadas, rampas e descargas precisam ser dimensionadas 
em função do pavimento de maior população, uma vez que a situação mais 
restritiva (crítica) é que determinará as larguras mínimas para as escadas e os 
corredores correspondentes aos demais pavimentos, sempre buscando que este 
dimensionamento esteja adequado e direcionado no sentido da saída.
Esta capacidade da unidade de passagem é um conceito que determina o fluxo 
de pessoas que escoarão pelas rotas de fuga, e assim sendo, dá subsídio para o 
planejamento das mesmas tanto em edificações existentes, quanto em edificações 
novas. A determinação da medida de uma rota/escada está em função da quantidade 
de unidades de passagem. Desta forma tendo a população e o índice do Anexo 5:
1 unidade de passagem = (índice do anexo 5) / 60 cm
O que é a capacidade da unidade de passagem?
Um índice que a norma ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE 
NORMAS TÉCNICAS, 2001a) estabelece em termos numéricos, de quantidade 
de pessoas que precisam passar em 60 centímetros, considerando 1 minuto 
(60 segundos), e é determinado pelo Anexo 5 desta norma.
175
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Em alguns casos, para estabelecer o índice derivado de densidade populacional 
(pessoas/m2, pessoas por unidade de leitos etc...) é obrigatório que se observe 
peculiaridades de cada função da edificação. 
Uma vez entendido que a unidade de passagem é de 55 centímetros livres, 
e os 5 centímetros (ou 0,55 + 0,05 metros) poderiam ser considerados para a 
colocação de eventuais corrimões, é importante comentar que a norma ABNT/
NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a) estabelece 
que o mínimo aceitável para qualquer situação de dimensionamento referente às 
saídas seria de duas unidades de passagem (2x 55 centímetros ou 2x 0,55 metros), 
totalizando 1,10 metro, mesmo que a população seja inferior ao exigido nos anexos. 
No caso de ambientes de saúde, trabalha-se a maca como referência de 
medida, e toma-se 2,20 metros como medida mínima (esta situação vale apenas 
para funções classificadas na categoria de hospitais). 
É comum nas construções que os corredores apresentem protuberâncias, em 
função das técnicas construtivas, ou mesmo pela disposição dos elementos estruturais 
da edificação, e para efeitos de planejamento de rotas de fuga estas devem ser 
consideradas. Segundo a ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2001a), estas condições não podem exceder a 0,10 metro ou 10 cm.
Outra situação para a qual a norma chama atenção é que a rota de fuga não 
tenha a obstrução das portas, e nem que estas, em função do fluxo, se tornem 
obstrução para aqueles que estiverem em fluxo de fuga no corredor onde haverá 
a descarga de pessoas. Mas, como fazer para que uma porta que descarregará seu 
fluxo sobre outro fluxo não se torne obstáculo a um corredor de maior fluxo? Ou 
a porta tenha sua abertura majorada para 180 graus, ou seja, sendo prevista uma 
configuração espacial na qual ela não interfira diretamente sobre o fluxo.
São requisitos básicos referentes aos acessos para rotas de fugas: 
• Acessível e identificável a todos os ocupantes da edificação; 
• Estar sempre desobstruído, independente de em qual pavimento esteja, 
mesmo naqueles onde não é efetiva a atividade laboral contínua;
• Estar de acordo com os dimensionamentos mínimos ou previstos 
conforme enquadramento na ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE 
NORMAS TÉCNICAS, 2001a)
• 2,5 metros de pé-direito (altura do ambiente), salvo quando houver 
presença de vigas, vergas cuja altura mínima aceitável é de 2,00 metros;
• Apresentar sinalização e iluminação de emergência de modo claro e 
definindo claramente a saída, conforme normas que fazem referências às mesmas. 
Talvez em decorrência no não conhecimento normativo na configuração 
dos espaços destinados a emergência ou pelo negligenciamento de aspectos 
normativos, é comum verificar que muitos dos ambientes destinados à rota de fuga 
176
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Tipo de 
edificação
Grupo e divisão de ocupação
(Anexo 1 - NBR 9.077)
Saída única Mais de uma saída
X Qualquer 10,00 m 20,00 m
Y Qualquer 20,00 m 30,00 m
Z
C,D,E,F,G-3,G-4, H, I, L e M 30,00 m 40,00 m
A,B,G-1,G-2 e J 40,00 m 50,00 m
também são utilizados como depósitos, irregulares, ou apresentam obstáculos 
como mobiliário, divisões, espaços destinados para exposição de mercadorias, ou 
mesmo, em alguns casos, usados efetivamente como ambientes de trabalho. É 
irregular e perigosa esta postura. 
Logo, algo que aparentemente não teria nenhuma relação com o profissional 
de segurança do trabalho, que é a configuração do espaço, começa a ter a partir 
do momento em que ele assume como “certo” algo que não atende à norma, e 
que era exclusivamente destinado às rotas de fuga.
Ao se planejar as rotas de fuga, deve-se levar em consideração as distâncias 
máximas a serem percorridas até que se atinja um local seguro, como, por 
exemplo, uma área exterior ou áreas internas (áreas de refúgio, escadas protegidas, 
enclausuradas ou à prova de fumaça) constituídas por elementos corta-fogo 
(paredes, portas e esquadrias).
Toda rota de fuga segue basicamente o princípio do menor risco possível, 
tanto para o incêndio quanto para o pânico, e quanto menor for a rota, menor será 
a quantidade de riscos a submeter a população em processo de evacuação. 
Outro princípio é o do gerenciamento do risco quando submetido. Caso 
não haja outra opção, em que obrigatoriamente é necessário que a população 
e processo de evacuação da edificação passem sob uma condição de risco, haja 
uma ação direta sob a condição de risco, e minimize ou extingue esta condição. 
Esta última situação pode ser exemplificada pelos chuveiros automáticos sobre 
ambientes em chama.
Para todos os efeitos, quem determina as condições de fuga e distâncias 
máximas a serem percorridas é o Anexo 6 da ABNT/NBR 9.077/2001.
Existem na norma ABNT/NBR 9.077/2001 algumas recomendações sobre 
a configuração dos edifícios, referente a aberturas de um modo geral, sobre 
a composição dos materiais, porém, na prática, esta norma encontrou certa 
dificuldade de aplicabilidade das recomendações, já que, além de existirem novos 
processos construtivos na realidade brasileira desde a última revisão da norma, existe 
uma revisão da maioria dos códigos de prevenção no sentido de se basear muito 
mais nos princípios e filosofia de funcionamento, do que na especificação direta e 
Fonte: Adaptado de Negrisolo (2007)
Quadro 4.2 | Distâncias máximas a serem percorridas
177
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
• 80 cm, valendo por uma unidade de passagem;
• 1,00 m, valendo por duas unidades de passagem;
• 1,50 m, em duas folhas, valendo por três unidades de passagem.
• Nota: Acima de 2,20 m, exige-se coluna central. (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a).
fechada, como pretende a norma, principalmente para especificação de materiais.
Referente ao número de saídas de emergência, primeiramente precisa ser 
proporcional à quantidade de unidades de passagem, logo, quem determina 
é a somatória da população de cada pavimento. Em resumo, decorrente da 
capacidade de ocupação máxima da edificação. Para a escada, em específico, é 
necessário considerar, além da função da edificação, as porções de áreas e levar 
em consideração também a altura da edificação para a qual a escada atenderá. 
Dependendo da edificação, haverá exigência quanto ao tipo de escada, que 
veremos mais adiante. O Anexo 7 da ABNT/NBR 9.077/2001 é responsável por 
determinar o tipo de escada, que será abordado ainda neste capítulo.
Existem exigências específicas, não só para portas corta-fogo, mas também 
para portas comuns, quanto aos seus adequados dimensionamentos para as rotas 
de fuga, quando fizerem parte de ambiente considerando populaçõesacima de 50 
pessoas. Para tanto, a ABNT/NBR 9.077/2001 entende:
Para porta corta-fogo deve-se levar em consideração a ABNT/NBR 11.742/2003 - 
Porta Corta-fogo para Saída de Emergência (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2013), uma vez que este tipo de porta normalmente está associado 
a partes da edificação mais específicas para prevenção e combate a incêndio e 
pânico. A aplicação de portas corta-fogo normalmente está associada a portas de 
antecâmaras, escadas e outros tipos de dispositivos mecânicos e automáticos. 
A diferenciação entre as portas comuns e as de corta-fogo vai além do material 
que as diferencia. Está na função. Enquanto as portas normais servem de passagem 
e seu dimensionamento se dá em vista desta função, as portas corta-fogo precisam 
prever a estanqueidade em relação a fumaça e fogo, além de resistir a este último, 
por isto precisam estar fechadas, porém destrancadas.
O atendimento ao fluxo de fuga de saída, quanto à abertura, é inerente a estas 
duas tipologias de porta. O material usado nas partes que compõem as portas que 
se relacionam a portas em rotas de fuga não pode ser de material combustível, e 
permitir abertura pelo lado interno sem chave.
Para algumas funções específicas, como as das áreas de saúde (hospitais, 
clínicas etc.), é obrigatória a presença de rampas, e o provisionamento de áreas 
de refúgios, na descarga e acessos, principalmente, e podem ser provisionados 
elevadores de emergência especializados para área hospitalar. 
A associação de rampas e escadas não é desejada, pelo fato de que parte da 
178
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
população tem limitações de mobilidade, ou que precisam ser apoiados por outras 
pessoas em situações de emergência. A associação de rampa e escada, em uma 
situação intermediária, pode inserir risco de queda em momentos de emergência.
Situações parecidas podem ser encontradas em edifícios educacionais. 
Para rampas em edificações é possível encontrar apoio normativo na ABNT/
NBR 9.050/2004, principalmente em relação ao seu desenho, porém seu 
dimensionamento segue o mesmo raciocínio de consideração do fluxo de pessoas 
que devem passar na rampa.
Para o dimensionamento de rampas é necessário fazer os mesmos 
provisionamentos da população da edificação e das unidades de passagem 
conforme demonstrado anteriormente. Para o desenvolvimento geométrico da 
rampa no sentido de vencer as alturas é necessário prever patamares intermediários 
com 1,10 metro de comprimento no mínimo, planos, considerando o sentido do 
fluxo principalmente quando houver diferenças de nível de 3,70 ou de direção. 
O material usado no piso precisa ser antiderrapante, além de serem dotadas de 
guarda-corpos e corrimões. A rampa segue as mesmas recomendações da rota 
de fuga quanto a exigências de sinalização, iluminação e ausência de obstáculos.
2.1.2 Escadas
O planejamento e previsão de escadas em edificações, com o intuito de prevenir o 
pânico, é uma das maneiras de gerenciamento de risco, e o conhecimento por parte 
dos profissionais de segurança do trabalho é necessário, podendo atuar no sentido 
de fiscalizar e propor mudanças para escadas já existentes e contribuir, sempre que 
possível, para a correta elaboração de novos projetos de engenharia e arquitetura.
Em situações em que a edificação apresente desnível de seus pavimentos em 
relação à saída ou exterior, precisam ser dotados de escadas de emergência e, 
independente de sua configuração, como veremos mais adiante, é necessário que 
genericamente todas atendam a estes requisitos:
• ser constituídas com material incombustível;
• oferecer nos elementos estruturais resistência ao fogo de, no mínimo, 2 horas;
• prever pisos dos degraus e patamares com materiais resistentes à 
propagação superficial de chama, isto é, com índice "A" da ABNT/NBR 9.442:1986: 
Portas e vedadores - Determinação da resistência ao fogo (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1988);
• ser dotadas de guardas em seus lados abertos;
• ser dotadas de corrimãos;
• estar em contato com todos os pavimentos, tanto acima quanto 
abaixo da descarga, e que sua finalização aconteça diretamente na descarga. 
Não é recomendada a conexão direta com outros lanços de escadas, já que a 
compartimentação sempre é desejada para o combate a incêndio; 
179
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
• Provisionar pisos antiderrapantes e que permaneçam antiderrapantes ao 
longo da vida útil da edificação. 
O dimensionamento da largura das larguras das escadas segue o raciocínio do 
cálculo da população em função da área do edifício e aplicação direta do princípio 
das unidades de passagem, que devem ser previstas independente da função 
da edificação. Outro cuidado que deve ser seguido em toda rota de fuga é que 
“protuberâncias” que porventura ocorrerão (pilares, por exemplo) não excedam 10 
centímetros (ou 0,10 metro), que é o caso dos corrimões e guarda-corpos, sem 
que haja necessariamente o incremento da largura da mesma. 
Quando houver necessidade de colocar lances de escada em paralelo, precisa 
haver espaço suficiente para a previsão de corrimãos para cada porção de lances.
Para o dimensionamento das alturas dos degraus das escadas é necessário 
entender a ergonomia do passo humano (andar), que tem em média entre 63 e 64 
centímetros, e a fórmula que determina a composição da geometria da escada, 
denominada fórmula de Blondel, é, na verdade: 
Para saber mais sobre Geometria do degrau, consulte a ABNT 9.077. 
A fórmula de Blondel, também conhecida como cálculo de escadas, teve 
grande importância a partir do aumento na demanda de construções de 
edificações com dois ou mais andares nas metrópoles em geral.
Disponível em: <http://portifolioarquiurbano.blogspot.com.br/2013/02/
escadas-formula-de-blondel.html>. 
Algumas escadas normalmente usadas para otimização de espaços, como as 
escadas do tipo “caracol” (helicoidal) ou curvas, não são desejadas, principalmente 
quando a menor porção do degrau conter medidas menores que 15 centímetros.
É necessária a colocação de patamares intermediários (com medida equivalente 
a três patamares de degraus comuns), principalmente quando a altura a ser vencida 
seja de 3,70 entre um pavimento e outro. 
Caixas das escadas é o nome que se dá ao conjunto da estrutura, sistema de 
vedação (paredes) e escada propriamente dita. Devem ser de material resistente ao 
fogo, sempre planejadas para terem as suas paredes lisas, sem partes que interfiram 
no fluxo de pessoas. Em hipótese alguma podem ser usadas como depósitos, 
mesmo que temporários, e todas as portas devem estar fechadas, sem tranca. É 
desejável que se tenha iluminação e sinalização de emergência, conforme previsto 
nas respectivas normas.
Não é aconselhável associar outros tipos de infraestruturas, como aberturas 
para despejo de lixo, rede elétrica elementar da edificação (salvo para iluminação 
180
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
de emergência), centro de distribuição elétrica, sistemas de distribuição de gás 
GLP ou com potencial de inflamabilidade, medidores de quaisquer naturezas. A 
maioria das sugestões se dá para escadas enclausuradas. Quando da proposição de 
escadas em edificações que exijam escadas como rotas de fuga, os projetos, não 
só como de prevenção, como também de infraestrutura, podem ser solicitados 
pelos corpos de bombeiros e por meios normativos. Os mesmos podem sugerir 
mudanças inclusive de projetos de infraestruturas, citados há pouco.
Em escadas não direcionadas a saídas de emergência, podem eventualmente ser 
utilizadas de maneira secundária as saídas de emergência, se assim for preciso, e por 
eventuais usos é recomendado também que as mesmas sigam pelo menos o uso 
de piso antiderrapante, dotar de corrimãos, guardas em suas laterais, que facilitem a 
visualização lateral, apresentar suas dimensões respeitando a fórmula de Blondel e 
atender ao dimensionamentodos patamares igual ao de uma escada de emergência.
A norma ABNT/NBR 9.077/2001 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2001a) prevê situações de escadas em edificações em construção, 
recomenda seguir observação das populações dos pavimentos e observar o 
mesmo raciocínio do fluxo de pessoas que precisam ser evacuadas. Esta mesma 
norma prevê a ocorrência de edificações onde a população não ultrapasse 50 
pessoas, e faz a mesma sugestão: seguir as mesmas etapas para dimensionamento 
da escada, porém estabelece requisito mínimo para a mesma com largura de 90 
centímetros, cabendo observação para demandas específicas de cada função que 
a norma ABNT/NBR 9077/2001 prevê.
Lances de escadas curvas não são sugeridos na norma como rota de fuga 
principal, e faz as mesmas recomendações de uma escada comum, caso seja 
usada como rota de fuga secundária. Escadas com lanços mistos também não são 
admitidas como rotas de fuga, mas as recomendações são as mesmas para um 
uso secundário em caso de emergência.
2.1.3 Tipos de escadas usadas em rotas de fuga
As escadas exercem relevante papel em um sistema de prevenção de pânico, pois 
sua configuração deve atender à carga de fluxo de pessoas, e em termos de dimensão, 
ao mesmo tempo em que devem ser um envoltório do fluxo resistente ao fogo. 
Quais são os tipos de escadas mais comuns para uso em rotas de fuga?
• Escadas não enclausuradas ou escada comum (NE)
• Escadas enclausuradas protegidas (EP)
• Escadas enclausuradas à prova de fumaça (PF)
• Escadas à prova de fumaça pressurizada (PFP)
• Escada Aberta Externa (AE)
As escadas não enclausuradas ou escada comum (NE) é a escada, como o 
próprio nome diz, comum de uso, que pode ser de um simples acesso, tendo certa 
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
liberdade no seu desenho, composição, material ou mesmo técnica construtiva. 
Normalmente há limitações de uso para saídas de emergência, e na maioria das 
vezes poderá haver exigências dos corpos de bombeiros na distinção entre esta 
escada e uma escada dedicada a rota de fuga. Este tipo de escada somente pode 
ser usado como rota de fuga se houver apoio normativo, ou seja, devidamente 
vistoriada pelo Corpo de Bombeiros. 
As escadas protegidas (EP): são dotadas de uma caixa de escada cuja técnica 
construtiva deve prever paredes resistentes a 120 minutos de fogo no mínimo, e, 
na medida do possível, buscar isolar do resto da edificação. Deve-se prever portas 
de acesso a esta caixa de escada do tipo corta-fogo (PCF), com resistência de 90 
min de fogo.
As Escadas enclausuradas à prova de fumaça (PF): do ponto de vista do material, 
devem ter suas caixas enclausuradas por paredes resistentes a 120 minutos de 
fogo no mínimo e ser providas de portas corta-fogo (PCF) com resistência de 60 
min ao fogo. O que diferencia as Escadas enclausuradas à prova de fumaça (PF) 
das escadas protegidas (EP) é a existência de antecâmara (ambiente de conexão 
entre escada e corredor, e com duas portas corta-fogo entre os ambientes) 
devidamente ventilada. Mas qual o papel desta ventilação em um ambiente que 
conecta corredor e escada?
Durante uma situação de emergência, em que haja um estágio avançado do 
incêndio e da emissão de fumaça, e toda a parte superior do ambiente já tenha sido 
tomada pela fumaça, pode ocorrer de, na mesma hora em que a pessoa adentrar 
na antecâmara, entrar a fumaça. Sendo a fumaça também um “vetor” de evolução 
do incêndio (temperatura e gases inflamáveis), é necessário que haja a inserção de 
ventilação para haver a diluição da mesma, assim como sua retirada após a diluição. 
As escadas enclausuradas à prova de fumaça, desta forma, devem, além de 
obedecer a todos os requisitos já citados, possuir antecâmara associada a dois 
dutos de ventilação (um de insuflação/sopro) e outro de exaustão.
As Escadas à prova de fumaça pressurizada (PFP) ou escadas pressurizadas 
podem sempre substituir as escadas enclausuradas protegidas (EP) e as escadas 
enclausuradas à prova de fumaça (PF). É muito utilizada como estratégia de 
adaptação de escada existente, e utiliza o aumento da pressão de ar dentro da 
escada maior do que a exterior, de modo que a fumaça não consiga adentrar ao 
recinto da caixa de escada. 
O inconveniente é o de ter que trabalhar com uma central de insulamento de ar, 
podendo ser na parte superior ou inferior da edificação, e um conjunto de dutos, o 
que pode encarecer e muito, além de ter que contar com manutenção constante, 
podendo inviabilizar sua aplicação direta, dependendo da condição da edificação. 
Carece de projeto de infraestrutura bem específico. Alguns códigos de corpos de 
bombeiros apresentam recomendações específicas e podem exigir o atendimento 
de requisitos mais específicos para Pressurização de Escadas de Segurança.
Escada Aberta Externa (AE): foi por muito tempo um tipo de escada que a 
maior parte dos planos de prevenção dos corpos de bombeiros não autorizava, 
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
porém, com o advento das revisões das últimas décadas e diante da realidade em 
que as construções brasileiras se encontram irregulares quanto ao planejamento 
de rotas de fuga, é possível verificar uma maior adoção deste tipo de escada, 
principalmente quando a edificação é vertical, porém de pequeno porte. 
Por serem externas às edificações, normalmente conseguem ser produzidas 
com material pré-fabricado, de fácil construção, resistentes ao fogo, e ainda serem 
anexadas à estrutura da edificação sem prejuízo à mesma.
Sobre a aplicação de janelas em escadas protegidas, escada à prova de 
fumaça e pressurizadas, o uso de janela para efeito de uso da iluminação natural 
é muito comum, porém existem exigências quanto ao uso de vidros e elementos 
na composição da esquadria que possam não resistir a temperaturas altas. As 
normativas dos corpos de bombeiros mais atuais discutem inclusive a influência 
da configuração geométrica das janelas, tamanho e distribuição em relação às 
demais aberturas, e como a ventilação pode influir para a propagação do incêndio.
2.2 Antecâmaras 
As Antecâmaras são ambientes cruciais para edificações que necessitam 
escadas à prova de fumaça, pois, de certo modo, retendo e diluindo a fumaça, 
contribuem para que haja o estancamento da propagação do incêndio em relação 
à escada, e assim liberando a escada como elemento construtivo importante para 
uso em rota de fuga. 
A norma ABNT/NBR 9.077/2001 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2001a) estabelece como requisitos mínimos para antecâmaras:
• Apresentar comprimento mínimo de 1,80 m
• Apresentar altura mínima de 2,50 m;
• O comprimento é justificado pela existência da colocação de duas portas 
(uma interligando corredor e antecâmara, e outra interligando antecâmara e 
escada/rota de fuga), e estas portas devem estar de acordo com a ABNT/NBR 
11.742, e tendo por premissa básica a estanqueidade à fumaça, principalmente no 
acesso à caixa de escada;
• O comprimento mínimo se justifica para que haja área suficiente para que 
os dutos de entrada e saída consigam dar conta da diluição da ventilação;
• Apresentar a abertura de entrada de ar do duto respectivo situada junto 
ao piso, ou, no máximo, a 15 cm deste, com área mínima de 0,84 m2 e, quando 
retangular, obedecendo à proporção máxima de 1:4 entre suas dimensões e ter a 
abertura de saída de ar do duto respectivo situada junto ao teto, ou, no máximo, 
a 15 cm deste, com área mínima de 0,84 m2 e, quando retangular, obedecendo à 
proporção máxima de 1:4 entre suas dimensões; 
• Ter, entre as aberturas de entrada e de saída de ar, a distância vertical mínima 
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
de 2,00 m, medida eixo a eixo; a norma também prevê situações em que a abertura 
de saída de ar situada no máximo a uma distância horizontal de 3,00 m, quando 
visualizada em planta, tendo por referência da porta de entrada da antecâmara, eda mesma maneira a abertura de entrada de ar situada, no máximo, a uma distância 
horizontal de 3,00 m, medida em planta, da porta de entrada da escada.
2.3 Dutos de ventilação
Os dutos de ventilação são essenciais em escadas à prova de fumaça, fazem 
uso do princípio do efeito chaminé, constando de dutos dedicados à insuflação e 
exaustão. A nomenclatura que a norma ABNT/NBR 9.077 utiliza os também define 
como sendo um sistema de “dutos de ventilação natural que devem formar um 
sistema integrado: o duto de entrada de ar (DE) e o duto de saída de ar (DS)” 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a).
A norma coloca que o duto não pode ter seção inferior a 0,84 m2, e quando de 
seção retangular, obedecer a proporções de 1:4.
Quando houver a necessidade de dutos de ventilação nas edificações, cabem 
algumas observações quanto ao posicionamento, principalmente dos dutos de 
ventilação, para a captação de vento e extração da fumaça. 
A ABNT/NBR 9.077/2001 sugere que para os dutos de saídas de ar haja a 
construção das, digamos por assim dizer, “chaminés”, excedendo em altura em 
pelo menos um metro a altura dos demais elementos da edificação. Considerar 
que pelo menos do topo desta chaminé até a altura média (eixo horizontal) da 
antecâmara do último pavimento em três metros. Quando os dutos não forem 
totalmente abertos na parte superior, deve-se considerar 1,5 a área do duto para 
criação das aberturas nas laterais. 
A ABNT/NBR 9.077/2001 sugere que os dutos de entrada de ar, em sua abertura 
inferior, sejam capazes de capturar ar em condições de ser respirável (ar fresco), 
e para entrada deste considerar o posicionamento de uma portinhola, de material 
incombustível, além de uma configuração (tela ou veneziana) que permita aumentar 
a pressão do ar, ao mesmo tempo em que não diminua a área de efetiva ventilação.
Também é necessário que as paredes dos dutos de entrada e de saídas de 
ar sejam feitas, assim como a caixa de escada e antecâmara, com materiais 
resistentes, no mínimo a 2 h de fogo.
2.4 Elevadores de emergência
O Elevadores de emergência são somente exigidos em edificações cuja 
dimensão inviabilize o desenvolvimento de rotas de fuga em escadas enclausuradas, 
normalmente previstos somente em edificações com mais de 20 pavimentos, 
ainda sob enquadramento normativo segundo os corpos de bombeiros estaduais e 
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
submetendo projetos específicos para este fim. Não basta apenas citar a colocação, 
é necessário que haja a anuência do Corpo de Bombeiros para a colocação dos 
mesmos. Algumas edificações com funções hospitalares, por exemplo, podem se 
valer deste tipo de solução, mas também dependerão da devida avaliação pelo 
Corpo de Bombeiros para colocação do mesmo.
Algumas recomendações, para infraestrutura de apoio do elevador de emergência, 
são muito parecidas quanto ao tipo de material aplicado em caixas de escadas, dutos de 
ventilação e antecâmaras, e na configuração das caixas de rolagem e da casa de máquinas, 
estas devem ser enclausuradas e distintas dos demais elevadores de transporte normais.
2.5 Áreas de refúgio
As áreas de refúgio podem ser conceituadas como a parte de um pavimento 
distinto das demais partes da edificação e que garantam plena segurança, devido 
ao fato de existirem paredes e portas corta-fogo, além de permitir suporte à vida, 
pelas condições ambientais (ar respirável), normalmente sendo acessadas por 
antecâmaras, escadas protegidas ou escadas à prova de fumaça. 
A estrutura dos prédios dotados de áreas de refúgio deve ter resistência a 4 h 
de fogo, devendo obedecer à NBR 5.627 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2001b), e o material, embora esta norma sugira, sendo de concreto, 
existem novas técnicas construtivas que as estruturas podem receber tratamento a 
fogo quando sendo de materiais como aço, por exemplo.
As edificações que apresentam elevada aglomeração de pessoas precisam, além 
do correto dimensionamento das rotas de fuga, contar com áreas de descarga 
bastante significativas, e em especial hospitais e escolas.
Pode ser considerada como descarga (área de refúgio) a parte da edificação 
na qual é possível direcionar a população da edificação que fique entre a saída e a 
via pública, ou área externa em comunicação com a via pública. Para exemplificar, 
pode-se considerar área de descarga: corredor ou átrio enclausurado, área em 
pilotis (pilares sem fechamento) ou mesmo corredor a céu aberto. 
Em caso de ser considerados os corredores e átrios como áreas de refúgio 
precisam ser obrigatoriamente enclausurados em relação à área em que esteja 
ocorrendo incêndio, sendo assim é necessário considerar por tempo equivalente de 
resistência ao fogo, que já estão sendo consideradas nas escadas que conduzirão 
as pessoas a estes corredores e átrios. 
Esta regra do tempo de resistência ao fogo também deve ser seguida na 
especificação de pisos e paredes revestidos, ter portas corta-fogo, principalmente 
se a escada for à prova de fumaça. Para as situações de escada enclausurada 
protegida, deve ao menos considerar uma resistência ao fogo de pelo menos 30 
min, para que a mesma consiga se isolar quando este compartimento esteja se 
comunicando com apartamentos ou condições que possam levar ao aumento do 
risco aos ocupantes desta área de descarga.
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2.6 Guardas e corrimões
Quando é abordado o tema de rotas de fuga em uma edificação, mais 
especificamente por meio do plano de emergência, apresentará falhas se não for 
abordada qual a relação destas com o alarme de incêndio, e comunicação de 
emergência, iluminação de emergência e sinalização de saída.
A norma que trata Alarme de incêndio e comunicação de emergência é a ABNT/
NBR 9.441/1998 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1998), e as 
instalações da edificação precisam minimamente atender a esta norma. Existem 
demandas mais específicas dentro da norma principalmente em relação a alarme, 
que na maioria das vezes deverá ser feita por empresa especializada, porém a norma 
pode servir como parâmetro para fiscalizar a instalação do alarme. A comunicação 
em si pode fazer uso da própria infraestrutura da edificação em casos em que seja 
possível. Esta norma recomenda que seja feita, por exemplo, por porteiro eletrônico, 
sistema de interfones, entre outros aparatos disponíveis na edificação.
Já para as instalações que darão suporte à Iluminação de emergência e 
sinalização de saída, precisam atender para rotas de fuga a ABNT/NBR 5.413/1992 
Iluminâncias de interiores – Procedimento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 1992c). E para execução é necessário ser executada obedecendo à 
ABNT/NBR 10.898/2013 Sistema de iluminação de emergência (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013). E mesmo a edificação dando suporte 
a atividades laborais diurnas, é necessário que se busquem os corretos requisitos 
para iluminação natural ou artificial, principalmente por se tratar de suporte à 
emergência, em que o entendimento da instalação predial é crucial.
Em específico para iluminação em rotas de fuga, é obrigatório quando distâncias 
a serem percorridas excedam a 30 metros, em que há volume considerável 
de pessoas envolvidas, incluindo edificações residenciais verticais. Somente 
residências fogem a esta condição, uma vez que o dimensionamento de rotas de 
saída é pequeno se comparado a uma edificação multifamiliar do edifício vertical.
É obrigatória quando a iluminação natural não der o devido suporte à rota de 
fuga às escadas enclausuradas e não enclausuradas.
Referente à sinalização, é obrigatória independente da iluminação existir ou não, 
em quaisquer tipos de edificação, com exceção de residências unifamiliares. Deve 
ser provisionada em acesso e descargas obrigatoriamente, e nos demais locais deve-
se perceber o sentido de fluxo da fuga, e como ordená-lo até as áreas de descarga.
A sinalizaçãode saída ou iluminação de balizamento deve ser 
executada obedecendo ao prescrito na NBR 10.898, exceto quanto 
à seção 5.1.2.6.6 e à Tabela 3 da referida norma, que estabelece a cor 
Munsell 5R4/14 para os textos e símbolos de sinalização. (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a).
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A simples sinalização já é um meio de mitigar (diminuir) riscos ao 
ser humano em uma condição de incêndio?
Sobre estabelecer a cor Munsell, consulte 
Disponível em: <http://aalquimiadacor.blogspot.com.br/2011/02/o-
sistema-munsell.html>. 
Os textos e simbologia nas sinalizações de emergência precisam ser brancos 
e contrastando com um fundo verde, e devem quanto à sua tonalidade, permitir 
que sejam melhor visualizados através da fumaça. Admite-se o uso de vermelho, 
conforme ABNT/NBR 10.898/2013, em locais em que o verde não consiga ser 
visualizado, em especial devido a situações e ausência de iluminação. (Cinemas, 
laboratórios mais específicos que não possam receber luz) (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013).
1. Qual é a importância de se saber a densidade máxima da 
população de uma edificação e como pode influir para o 
dimensionamento das partes destinadas à rota de fuga?
2. O que é a capacidade da unidade de passagem?
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Seção 3
Sistema de detecção e alarme
Existe hoje no mercado uma infinidade de novas tecnologias que permitem 
que o incêndio, além de detectado, seja combatido ao mesmo tempo em que 
permite que haja o acionamento das diversas formas de alarme. A norma que 
trata especificamente dos Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio - Projeto, 
instalação, comissionamento e manutenção de sistemas de detecção e alarme 
de incêndio, assim como estabelece seus requisitos, é a ABNT/NBR 17.240/2010 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010).
Qualquer profissional de segurança do trabalho que esteja envolvido com um 
plano de prevenção precisa nortear as decisões para que um sistema destes seja 
instalado, uma vez que erros podem implicar diretamente a segurança de pessoas, do 
patrimônio e do meio ambiente. A norma, logo em seu início, já pede a determinação 
das responsabilidades de todos os envolvidos, desde a concepção do sistema até 
a instalação em si, podendo inclusive constar a responsabilidade do “dono” da 
edificação e seus representantes legais que, de certa forma, precisam exercer a 
função de fiscalização quanto a exigências normativas e do Corpo de Bombeiros. 
O projeto e a instalação, na maioria das vezes, são feitos por empresas especializadas, 
que precisam apresentar portfólio de trabalhos, anotações de responsabilidades 
técnicas e toda a documentação que o Corpo de Bombeiros exigir quando submetido 
a estes o projeto de Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio.
O Corpo de Bombeiros pode exigir, para apreciação, plantas das edificações, 
técnicas construtivas e materiais aplicados, atmosferas que apresentam materiais 
perigosos ou inflamáveis, laudos específicos das condições das instalações elétricas 
ou influências eletromagnéticas, número de aberturas/dimensão e quantidade de 
trocas de ar, até mesmo demonstrativo de qual a temperatura máxima o ambiente 
pode atingir em caso de incêndio, automação existente, população fixa e flutuante 
e qualquer outro tópico que possa ser descrito como “descrição da infraestrutura” 
ou “características específicas da ocupação”. E existência de sistemas que podem 
ser controlados e/ou supervisionados pelo sistema de detecção de alarme de 
incêndio (por exemplo, controle de acesso e supervisão predial). 
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U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Os Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio podem ser 
considerados dentro dos planos de prevenção? E quais os 
benefícios de considerar os mesmos na elaboração de um plano 
de prevenção?
3.1 Projetos de Sistemas de detecção de incêndio e alarme 
O projeto de sistemas de detecção e alarme de incêndio precisa abordar de 
forma completa, por meio de todos os seus componentes, a detecção no menor 
tempo possível. Para tanto, é preciso um levantamento detalhado de todas as 
variáveis que envolvem os ambientes que podem contribuir para a propagação 
do incêndio na fase de planejamento, pois a partir disto é que são determinados 
o sistema e o tipo de detector, que por sua vez são especificados segundo sua 
sensibilidade e tempo de resposta. Juntamente com o projeto é elaborado um 
memorial descritivo, no qual devem constar:
• Premissas de detecção;
• A arquitetura do sistema (como está estruturado);
• Interfaces com outros sistemas;
• Lógica de funcionamento e seus componentes;
• Ações para cenário previamente concebido. 
A formalidade de um documento ajuda sobretudo quanto à divulgação de 
eventuais buscas quanto à responsabilidade, tendo ou não a aplicação do mesmo 
nas situações de emergência.
3.2 Quanto aos tipos de detecção
• Sistema de detecção convencional: são determinadas áreas específicas 
onde serão dedicados circuitos específicos de detecção, podendo ser um ou 
mais circuitos, e quando em ação por meio de um dispositivo no local, fazem 
comunicação a uma central, e esta ao alarme. Cada dispositivo é capaz de acionar 
o alarme, não sendo possível determinar em específico qual parte da edificação 
está em emergência. Não é possível ajustar o nível de alarme dos dispositivos de 
detecção via central de alarme;
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U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
• Sistema de detecção endereçável: por apresentar como característica básica 
a individualização dos pontos por um ou mais circuitos, facilita identificar exatamente 
o local onde está havendo ocorrência do incêndio/fumaça, e por meio de uma central 
é possível atuar em específico sobre o local onde está ocorrendo o evento. Não é 
possível ajustar o nível de alarme dos dispositivos de detecção via central;
• Sistema de detecção analógico: sistema capaz de controlar por meio de 
uma central continuamente valores que mensuram fumaça e temperatura, por 
meio de dispositivos de detecção, e por um método comparativo com valores 
predeterminados (programados na central), faz o acionamento do alarme e permite 
ajustar o nível do alarme pela central;
• Sistema de detecção algoritmo: a forma de envio de sinal tem 
semelhança com o sistema analógico; em se constando uma possibilidade de 
incêndio, o sistema primeiramente analisa a progressão com algoritmos (valores 
predeterminados por experimentos) armazenados em memória da central. Para a 
localização dos painéis de controle, no qual devem estar interligados os sistemas 
de detecção e de alarme, precisam considerar os sentidos de evacuação e se 
possível alocados nas proximidades das saídas de emergência. Normalmente, tal 
tipo de sistema demanda, pelos volumes de equipamento, fontes auxiliares, e deve 
estar com dimensionamento de acordo com cenários de emergência definidos no 
memorial descritivo.
Os sistemas de detecção e de alarme atuais baseiam-se no princípio da 
autonomia, sem necessariamente ter a presença humana para que haja o 
acionamento. Podem ser encontrados alguns manuais técnicos, de fabricantes 
específicos, que podem considerar e serem classificados com base no escopo de 
fornecimento e atendimento de requisitos de projeto, instalação, comissionamento 
e manutenção dos sistemas manuais e automáticos de detecção e alarme de 
incêndio em e ao redor de edificações. 
NBR 17.240 DE ALARME DE INCÊNDIO: <http://ascea.com.br/wp-content/
uploads/2013/11/Treinamento-em-Criciuma.pdf>.
Memorial Descritivo do Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio: 
<https://www.morley-ias.com.br/ae/Documents/MIAS-Memorial-
Descritivo-2014.pdf >.
Orientações para projeto e instalações: <http://www.renglan.com.br/
pdf/alarme_convencional/normas.pdf>. (Verificar possibilidade de lançar 
exemplificação de sistema de detecção de incêndio/fumaçae alarme).
190
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
1. Qual é o princípio básico que rege os sistemas de detecção 
e combate a incêndio?
2. O projeto de sistemas de detecção e alarme de incêndio 
deve partir de quais premissas?
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Seção 4
Equipamentos fixos e móveis de combate a 
incêndio 
Quando se faz referência a equipamentos fixos e móveis de combate a 
incêndio, estamos na verdade trabalhando o conjunto de equipamentos portáteis 
e infraestrutura da edificação direcionada ao combate ao incêndio, que em alguns 
códigos pode receber o nome de sistema móvel fixo de proteção.
Podem ser considerados como equipamento móveis os extintores e toda a 
infraestrutura associada a este (sinalização, suportes etc.). Para os equipamentos 
fixos, todos os sistemas de hidrantes e/ou mangotinhos para combate a incêndio, 
o sistema de sprinklers, podem ser enquadrados dentro da condição de fixo. 
No caso dos equipamentos fixos, para concebê-los é necessário haver 
um planejamento de uma infraestrutura que, muitas vezes, pode interferir em 
alguns aspectos construtivos da edificação, como na própria estrutura. Exemplo 
seria o peso das caixas d´águas, sistema de prumadas (canos que direcionam 
as águas de consumo, de incêndio e mesmo o direcionamento dos esgotos), 
que podem causar interferências nos sistemas de combate a incêndio fixos, ou 
mesmo posicionamento das bombas de recalque ou motobombas que exigem 
configuração de ambientes específicos, entre outras situações, que podem ser 
modificados dependendo do sistema de proteção que se adota. 
4.1 Sistema móvel 
O que é importante para o sistema móvel é que é aplicável a todas as edificações 
que apresentam o mínimo risco de ocorrência de incêndio, exceto residências 
unifamiliares. Para a instalação dos mesmos devem ser considerados os tipos de 
incêndio e o agente extintor, como já visto no capítulo anterior, mas, além disso 
é necessário que se observe a localização, para que não seja obstruído nem por 
chamas nem por materiais com potencial de pegar fogo. 
Para tanto é exigido um sistema de sinalização que deve ocorrer tanto no piso 
quanto na parede, de modo a alertar sua localização em caso de emergência. 
Utiliza-se como sinalização dos extintores um quadrado de borda amarela de 0,15 
metro na faixa de seu perímetro e dimensões totais de (1,00m x 1,00m) com borda 
amarela que envolve um quadrado de fundo vermelho (0,70m x 0,70m). A altura 
recomendada é de 1,60 m, considerando o gatilho com referência, podendo ser 
diretamente na parede ou sobre tripé. Em locais de grande circulação de pessoas 
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
em caso de emergência com, por exemplo, escadas, vestíbulos e antecâmaras, 
não se instalam. Em áreas externas é necessário prever abrigos contra intempéries.
Para efeitos de controle de sua qualidade, devem constar selos de aprovação 
do Inmetro, selo de recarga válido, e tal recarga deve ser provisionada uma vez por 
ano. Empresas especializadas nestes tipos de equipamentos precisam fazer testes 
hidrostáticos a cada cinco anos. Deve estar clara a identificação do estabelecimento 
e dos proprietários para fins de identificação das responsabilidades.
É necessário ter clara rotulagem para que se identifique o agente extintor. No 
dimensionamento dos sistemas móveis, ou extintores, em alguns códigos mais 
antigos, pode ainda constar um referenciamento por área no qual se faz uma pré-
classificação do risco, para se estabelecer parâmetros de área:
Como, por exemplo: área total / C* onde C* variável de acordo com o risco: 
risco leve RL = 500 m², risco moderado RM 250 m² e risco elevado RE=150 
m².Sempre levando em consideração o tipo de incêndio e a referência do agente. 
Em códigos mais novos é possível visualizar um direcionamento da especificação 
dos extintores, que precisa levar em consideração para a seleção dos extintores: 
capacidade de extinção (segundo risco associado), distribuí-los e instalá-los 
conforme configuração do risco (segundo as classes de incêndio).
Houve também por parte dos códigos facilitação das informações por meio 
de esquemas e tabelas de fácil leitura, considerando unidades mínimas extintoras:
4.2 O que é Capacidade extintora?
A capacidade extintora, segundo NBR 12.693/2010, é medida do poder 
de extinção do fogo em um extintor de incêndio, obtida em ensaio prático 
normalizado. É por meio da rotulagem que se identifica a capacidade extintora, 
em que constará um número que é equivalente a um dos graus que se atribui a 
capacidade do agente extintor em acabar com o fogo. A letra que segue o número 
é correspondente à classe de incêndio a que o agente se destina, podendo ou não 
estar combinadas, dependendo do tipo de fogo que se pretender combater.
Para o posicionamento dos extintores é necessário observar alguns 
espaçamentos entre as unidades extintoras, a fim de cobrir toda a área da 
edificação, porém é necessário observar que alguns códigos estaduais podem 
apresentar valores que compreendem os valores citados nas tabelas.
Sobre testes de extinção:
Disponível em: <http://www.kidde.com.br/Documents/
CapacidadeExtintora.pdf>. 
193
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Em caso de dúvida é sempre bom adotar a situação mais restritiva, pois 
prevenção em excesso nunca é demais quando o assunto é incêndio. Alguns 
códigos poderão, cada qual considerando a sua realidade, apresentar valores 
diferentes dos colocados na tabela, e em algumas condições de risco específicas, 
podem ser feitas exigências para atendimento de casos particulares. 
Para situação de extintores sobre rodas é possível considerar um acréscimo 
de pelo menos 50% da distância dos fixos, mas considerando o percurso e não o 
raio de ação, cabe salientar que os extintores sobre rodas devem obrigatoriamente 
estar associados a extintores portáteis. Os valores devem ser tomados para efeito 
didático para o desenvolvimento de um pré-dimensionamento.
É exigido com obrigatoriedade que haja extintores nos locais com riscos 
bem específicos, independentemente de haver um sistema geral de proteção da 
edificação, e entram nesta relação:
 
• Casa de caldeiras
• Casa de bombas
• Casa de força elétrica 
• Casa de máquinas
• Galerias de transmissão
• Incinerador
• Casa de máquinas do elevador e escada rolante
• Quadros de energia (baixa tensão)
• Transformadores 
• Contêiner de telefonia
• Locais onde haja gases líquidos combustíveis e inflamáveis, entre outros 
produtos químicos de igual grau de risco a incêndio.
 
4.3 Sistemas fixos
Entende-se por sistema fixo todo e qualquer sistema de prevenção e combate 
a incêndio que tenha vinculação direta à edificação, demandando infraestruturas 
específicas devidamente dimensionadas para o fim que se pretende usar. Por serem 
sistemas fixos, é ideal que sejam concebidos juntamente com outros projetos de 
engenharia, para compatibilização de seu uso com as demais infraestruturas. São 
dimensionados em função do risco de incêndio apresentado pela edificação, e 
sua adaptação em função de modificações na edificação pode inviabilizar seu uso 
194
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
tanto do ponto de vista técnico como financeiro.
Demandam investimentos elevados, porém apresentam alto grau de eficiência 
no combate a incêndio. Têm por premissa a autonomia no combate a incêndio, já 
que a maioria dispensa a presença do homem para seu acionamento, sendo assim, 
não colocam em risco as pessoas que eventualmente seriam necessárias para os 
sistemas móveis.
4.3.1 Sistema de hidrantes 
Quanto ao sistema fixo de extinção, tem-se como premissa de sua concepção 
a Carga de Incêndio da edificação, e com base nisso irá especificar qual o tipo de 
sistema será cobrado. Existe uma subclassificação em que constam como 01 os 
mangotinhose os sistemas tipo 2, 3, 4 e 5 (hidrantes), e esta classificação toma por 
base a vazão mínima.
Existe uma relação direta entre o tipo de função, grau de risco e vazão mínima 
exigida, que de certo modo permite entender que, quanto maior o grau de risco, 
maior será a vazão de esguicho, porém cabe a especialista em dimensionamento 
de sistemas hidráulicos fazer os cálculos em legislações e normas mais específicas 
para tal dimensionamento. E nestes cálculos, cada função que ocupam dos 
edifícios apresenta parâmetros de carga de incêndios diferenciados e precisam ser 
consideradas caso a caso.
O que é mangotinho e qual a diferença em relação aos hidrantes?
O mangotinho tem a mesma função que um hidrante dentro de uma faixa de 
vazão menor, logo trabalha em jatos de menor pressão, e permite que pessoas 
sem muito treinamento consigam operar e atuar de forma eficiente no princípio 
de combate a incêndio de pequenas proporções. 
Os mangotinhos são feitos de mangueiras semirrígidas (se assemelham a 
mangueiras das bombas dos postos de gasolina), e por sempre estarem conectadas 
ao seu esguicho, têm facilidade de uso tão logo sejam acessados, diferente dos 
hidrantes, que carecem de uma montagem prévia ao seu uso. 
Os hidrantes possuem vazões maiores e maior capacidade de extinção de 
incêndio, normalmente o diâmetro da mangueira e a força para movimentá-la em 
operação podem exigir mais de uma pessoa para operar, além de um treinamento 
específico para seu uso. Qual é a vantagem dos mangotinhos? Mangueira menor, 
vazão menor, logo, peso menor e facilidade de manuseio. Qual é a vantagem dos 
hidrantes? Maior capacidade de extinção, maior área de ação, maior eficiência 
sobre focos de incêndio.
Como normalmente as edificações que usam hidrantes têm elevado nível de 
risco e considerável extensão em termos de área, é necessário o provisionamento 
de uma reserva específica para o combate a incêndio, que dentro da reserva de água 
potável seja destinado por volta de a 30% a 35% da água reservada especificamente 
para combate a incêndio.
195
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
Em situações em que os bombeiros exijam os hidrantes de recalque, que nada 
mais são do que a condição em que a água de combate a incêndio vá diretamente de 
um reservatório destinado a combate a incêndio, estes podem estar posicionados no 
passeio público, com tampa articulada com a palavra hidrante nominada nesta tampa.
Existe uma condição, principalmente em edificações que apresentam 
considerável altura, na qual é necessário colocar em associação um conjunto 
de reservatórios que é dividido em duas porções, uma na chegada da água via 
concessionária/poço artesiano e outra que deve estar elevada em relação à 
edificação.
A conexão entre estes dois grandes reservatórios se dá por meio de bombas de 
recalque, que devem ser previstas em sistema de redundância (com mais de uma 
bomba d’água, caso uma falhe a outra entra em operação), e também contar com 
uma motobomba, devidamente abastecida com combustível para atuar no caso de 
inexistir energia elétrica para acionar as bombas anteriormente citadas. Localização 
da casa de bombas: deve estar posicionada junto ao reservatório inferior em 
ambiente específico e devidamente protegido das condições de incêndio.
Mesmo dentro dos reservatórios, tanto no inferior quanto no superior, recomenda-
se trabalhar com subdivisões internas que facilitem a manutenção parcial quando 
não estando em operação, sem deixar que a edificação fique sem água.
Quais são as vantagens e desvantagens de sistemas de extinção 
fixa e móvel?
4.4. Sprinklers
O sprinkler pode ser entendido como sendo um equipamento que, em caso 
de incêndio, tem a capacidade de controlar ou extinguir o incêndio, no qual a 
água presente em uma instalação hidráulica seja liberada assim que o dispositivo 
devidamente dimensionado para identificar a sua temperatura limite seja acionado. 
A água desta instalação terá a sua distribuição por meio de um jato de água que 
atua nas fases iniciais do fogo, antes que ele se espalhe e chegue na fase do flashover.
O dispositivo ao final da linha responsável pela distribuição do jato tem um 
elemento termossensível que, quando atinge a temperatura de operação, rompe-
se um bulbo com líquido termosensível e/ou sua solda derretida (depende do 
modelo, porém o mais utilizado é com bulbo), permitindo que o sprinkler entre em 
ação. É necessária a existência de uma rede antes do “bocal” de saída devidamente 
196
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
abastecida e pressurizada, que quando liberada a passagem da água, esta seja 
descarregada pelo orifício do sprinkler, espalhando-se em formato de guarda-
chuva sobre o(s) foco(s).
Os sprinklers e a rede que abastece o mesmo devem ser concebidos de modo 
que não necessitem da ação do homem durante o evento do incêndio. Em relação 
aos magotinhos e hidrantes, e até mesmo em relação aos extintores, apresentam 
grande vantagem no combate a incêndio, principalmente por não colocar em 
risco a vida de combatentes. 
Esta vantagem em relação aos demais sistemas se dá em função dos problemas 
diretamente relacionados ao combate propriamente dito, pelo fato de que, quando 
o fogo acontece e se transforma incêndio, há a geração de grandes temperaturas, 
em curto espaço de tempo. 
Esta dinâmica evolução de um foco para um incêndio ocorre justamente pela 
não intervenção tão logo identificado o incêndio, e com a geração de fumaça, 
normalmente escura e vetora de propagação, pode influir tanto para machucar os 
combatentes quanto influir negativamente sobre alguns aspectos da respiração. 
Juntam-se a esta situação uma atmosfera com baixo índice de oxigênio e elevação 
de monóxido de carbono. A fumaça também pode ser considerada um vetor para 
evolução do incêndio. 
O sprinkler é tomado como um dos sistemas mais eficientes em termos de 
combate a incêndio em sua fase inicial. Com a evolução do incêndio, somente 
com a brigada do Corpo de Bombeiros.
Para especificação dos bocais de saída, e dos bulbos, é necessário que haja 
um levantamento minucioso não dos riscos, mas também da quantidade de 
risco e o potencial de queima de todas as partes da edificação, por profissionais 
especialistas para instalação dos sprinkler e sua infraestrutura. E o profissional 
(normalmente engenheiros e técnicos de hidráulica) precisa ter cuidado, não 
só com a especificação por meio de um projeto e detalhamento do mesmo, 
mas também considerar variáveis de instalação, desde a fase da concepção da 
edificação e do prolongamento da vida útil da edificação, como a previsão e 
instrução de manutenção preventiva. 
Algumas observações devem ser feitas que podem inviabilizar a eficácia e 
aplicabilidade de uma rede sprinkler, necessitando-se fazer uma revisão desde o 
projeto, da instalação propriamente dita e manutenção. O projeto de sprinkler não 
pode sofrer adaptações de última hora, nem deixar de ser instalado por profissionais 
comprovadamente competentes, e que tenham plena consciência de instalar tal 
como o projeto foi previsto, já que, via de regra, este projeto é precedido por uma 
análise de riscos. Não se recomenda a instalação de sprinklers que não tenham 
certificação de qualidade dentro dos padrões estabelecidos pelas normas (ABNT) e 
códigos e prevenção brasileiros.
Havendo sprinklers, não é desejável que haja mudanças quanto à forma de 
197
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
ocupação e/ou layouts, pois mudando esta mudam também os riscos, e sempre 
que houver, é necessário que se readéque o projeto e se refaçam os cálculos para 
que o projetista consiga deixar o sistema atendendo de maneira eficaz.
Um dos princípios em que os sprinklers se baseiam é o da descarga automática de 
água, cuja densidade seja suficiente no controle e extinção dos focos de incêndios. 
O tipo de risco determinará a configuração do sistema, mas, independentementedo tipo de instalação, algumas regras são seguidas pelos projetistas:
• Tem que ser provisionado para que haja sprinklers e seus jatos distribuídos 
por toda a área protegida;
• A área determinada a ser protegida, de acordo com o risco a proteger, não 
pode exceder ao que está previsto em norma;
• As configurações das partes que compõem os sprinklers devem ter 
comprovação de eficiência e seguir as normas brasileiras, ao ponto de ser exigido 
que a interferência à descarga de água por obstruções deve ser mínima;
• A dinâmica do incêndio e das zonas de calor dentro dos ambientes deve 
ser cuidadosamente estudada, pois a determinação da localização em relação ao 
teto ou ao telhado faz com que o mesmo seja acionado por termossensibilidade 
indicada para o seu acionamento, em função de acúmulo mais rápido de calor 
junto ao sprinkler;
• O dimensionamento das tubulações deve seguir padrões normativos 
previstos nas normas e códigos de incêndio, e os cálculos precisam apresentar 
acordo com a precisão requerida pelo risco a proteger, recomendada pelas normas.
Outros cuidados são recomendados, desde a instalação até a manutenção 
durante a vida útil do sistema, sempre adotar equipamentos certificados que 
compõem o sistema, usar ferramentas específicas para a instalação e manutenção 
dos sprinklers (as comuns podem danificar), não proceder com nenhum tipo 
de acabamento senão aquele previsto desde a sua fabricação, nem pendurar 
qualquer tipo de adereço (infelizmente um comportamento normal em empresas 
para datas comemorativas), possuir pessoa no quadro da manutenção que tenha 
conhecimentos para poder desenvolver inspeções periódicas quanto à integridade 
dos sprinklers, sempre manter peças de reposição adequadamente guardadas 
e derivadas da primeira compra, pois compras de última hora podem gerar 
incompatibilidades quanto a novos modelos etc.
4.4.1 Os componentes dos Chuveiros Automáticos - Sprinklers
Nos chuveiros automáticos precisa constar a Marca de Conformidade ABNT à 
norma ABNT/NBR 6.135/1992 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
1992b), que tem por objetivo assegurar a qualidade por um processo de certificação 
independente e de supervisão contínua.
Dentro da norma é possível visualizar a definição do sprinkler como sendo:
198
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
4.4.2 Posicionamento dos sprinklers
Os chuveiros automáticos ou sprinklers podem ter variação quanto ao 
posicionamento.
Os chuveiros automáticos ou sprinklers podem apresentar configurações/
formato em seu corpo que podem sugerir o direcionamento do jato em função do 
defletor e podem receber as classificações:
1. Pendente: o defletor é configurado para que o chuveiro seja projetado de 
modo que o jato é direcionado para baixo, tão logo a água entre em contato com o 
mesmo para atingir o defletor e espalhar o jato;
2. Para Cima (UpRight): nesta situação, por ser muito comum a colocação 
de canalizações expostas, em alguns lugares podem ser exigidas alturas livres, 
alguns modelos de sprinklers são posicionados de modo que o jato de água suba 
Os chuveiros automáticos ou sprinklers são compostos basicamente pelos 
seguintes componentes:
Os chuveiros automáticos são dispositivos com elemento 
termossensível projetados para serem acionados em temperaturas 
pré-determinadas, lançando automaticamente água sob a forma de 
aspersão sobre determinada área, com vazão e pressão especificados, 
para controlar ou extinguir um foco de incêndio. (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992b).
Corpo: parte do chuveiro automático que contém rosca, para fixação 
na tubulação, braços e orifícios de descarga, e serve como suporte 
dos demais componentes;
Defletor: componente destinado a quebrar o jato sólido, de modo 
a distribuir a água, segundo padrões estabelecidos nas normas 
brasileiras;
Obturador: componente destinado à vedação do orifício de 
descarga nos chuveiros automáticos e que também atua como base 
para o elemento termo-sensível tipo bulbo de vidro;
Elemento Termo-Sensível: componente destinado a liberar o 
obturador por efeito da elevação da temperatura de operação e 
com isso fazer a água fluir contra o foco de incêndio. Os elementos 
termossensíveis podem ser do tipo ampola de vidro ou fusíveis de liga 
metálica. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992b).
199
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
verticalmente, e o defletor, em função de sua forma, direciona o jato na direção 
oposta, ou seja, para baixo. 
3. Lateral (Sidewall): normalmente este tipo de sprinkler é colocado nas 
paredes laterais dos ambientes, cuja colocação depende de análises específicas da 
configuração dos riscos, e o modelo apresenta um defletor especial em que parte da 
água vai para frente e para os lados, quase como formando jato de forma esférica, 
porém é possível que uma parte mínima para trás, contra a parede, não seja atendida.
4.4.3 Temperatura de funcionamento:
Em relação às temperaturas é necessário que os chuveiros automáticos, 
em seu processo de certificação, sejam aprovados segundo graus nominais de 
temperatura, que determinarão seu acionamento, e existem normativas durante 
a fase de projeto que estabelecerão as temperaturas máximas, ou temperatura 
limites de acionamento, nos ambientes, segundo os riscos que apresentam. 
Esta temperatura pode variar de 57˚C a 343˚C. Para tanto, é necessário que a 
especificação e recomendações dos fabricantes sejam seguidas à risca, e mesmo 
assim ter observação e adoção de critérios quanto à configuração da edificação no 
que diz respeito a:
1. A altura do pé-direito: quanto maior a altura, maior o tempo de acionamento;
2. O afastamento do chuveiro em relação ao teto: quanto maior a distância, 
maior o tempo de acionamento.
Como as temperaturas são determinantes para o acionamento dos sprinklers 
que possuem bulbo, segundo a NBR 6.135 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 1992b), é necessário que o acionamento dos mesmos seja de acordo 
com os valores das temperaturas abaixo. Estas temperaturas, assim como o líquido 
que está contido dentro do bulbo, seguem o padrão internacional, e são identificadas 
da seguinte forma:
Temperatura 
Nominal (˚C )
Coloração do Líquido
57 Laranja
68 Vermelha
79 Amarela
93 Verde
141 Azul
182 Roxa
183 a 260 Preta
Quadro 4.3 | Sistema sprinklers - 
temperatura de acionamento - cores de 
referência
Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (1992b)
A norma ABNT NBR 6.135 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 1992) é exigente quanto 
à identificação e caracterização dos 
sprinklers, ao ponto de exigir que estejam 
de maneira clara e visível estampadas no 
corpo ou no defletor informações de 
identificação do fabricante, como, por 
exemplo: Marca do fabricante e modelo 
do sprinkler, Temperatura nominal de 
operação, Diâmetro nominal do orifício, 
Letra código da posição, Cores corretas 
dos elementos termossensíveis e Ano de 
fabricação. Estas duas normas também 
são exigentes quanto à presença de 
200
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
4.5. Sistema de espuma de extinção 
A espuma que se destina a extinção e combate a incêndio é, na verdade, 
uma solução de base aquosa (água), que por meio de equipamento misturador 
é misturada juntamente com o ar e um extrato formador. É usada sobre líquidos 
combustíveis cuja densidade seja pequena, mas que a extensão do incêndio 
aconteça superficialmente. 
Para que seja eficiente no combate a incêndio, deve ter por: 
4.5.1 - Características físicas:
• Fluidez: a espuma deve cobrir toda a superfície em chamas com rapidez;
• Resistência ao calor: o volume de espuma aplicado tem que ser capaz de 
resistir aos efeitos destrutivos do calor irradiado pelo fogo remanescente do vapor 
de líquidos inflamáveis ou de qualquer tipo de material metálico;
• Resistência ao combustível: a espuma deve resistir às ações dos combustíveis, 
não se desfazendo ou perdendosua capacidade extintora;
• Contenção de vapores: a cobertura produzida deve ser capaz de conter os 
vapores inflamáveis, provocando uma selagem do combustível, minimizando os 
riscos de um novo incêndio;
• Densidade baixa: a espuma deve flutuar sobre o combustível formando uma 
cobertura;
• Dupla ação de combate a incêndio:a extinção do incêndio por meio da espuma 
é feita por isolamento do combustível do ar (abafamento) e resfriamento.
Consta neste link toda a história dos sprinklers e outras curiosidades 
sobre o assunto:
Disponível em: <http://revista.fundacaoaprender.org.br/index.
php?id=141>. 
Marca de Conformidade ABNT, somente colocadas em produtos certificados, cujo 
processo produtivo do sprinkler também é qualificado e certificado.
Não cabe ao profissional de segurança do trabalho saber calcular a vazão dos 
sprinklers, mas entender o método como os calculistas de hidráulica pode ajudar 
principalmente a apoiar na identificação dos riscos específicos. 
201
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
O método de extinção com que a espuma submete o líquido se dá por meio 
superficial ao líquido inflamável, de modo que, ao ser jogada sobre o líquido, haverá 
a flutuação da mesma, bloqueando a captura de oxigênio (agente comburente) e 
assim permitindo a extinção do incêndio, abafando-o. É inviável o uso de água para 
a extinção de incêndio em reservatório de combustível, primeiro que fisicamente 
o impacto da água sobre o mesmo poderia haver “espirros” de combustível já 
inflamado, e do ponto de vista do consumo de água, exigiria volumes substanciais, 
principalmente sobre hidrocarbonetos (alto potencial de inflamabilidade), além de 
serem menos densos que a água (flutuam sobre a água). Alguns solventes, como 
o álcool, acetona e metanol, por serem mais compatíveis com a água, podem ter 
potencial de inflamabilidade, em teoria, expandido pelo aumento de volume, e assim 
alastrando o incêndio. Cabe salientar que os sistemas de combate a incêndio por 
espuma são muito usados em usinas e reservatórios de líquidos inflamáveis. 
Por isto, em incêndios de líquidos inflamáveis o uso de espuma mecânica é 
indispensável. O esquema a seguir demonstra como o baixo peso específico da 
espuma pode permitir que flutue sobre o combustível e assim isolando o combustível 
do acesso à atmosfera rica em oxigênio.
Em todo incêndio com líquidos inflamáveis existe liberação de gases secundários 
das reações de combustão, igualmente inflamáveis, que precisam ser contidos pela 
espuma, e as espumas extintoras devem apresentar densidade e serem compactas 
de modo que não permitam a passagem destes gases para a atmosfera, evitando 
que haja reações em cadeia associadas. Água que compõe a espuma trabalhará 
como reguladora térmica, e esfriando-se o líquido conseguirá também diminuir o 
potencial de haver ignições espontâneas. 
Para o uso de espumas extintoras é necessário que se observe as limitações que 
apresentam. Não se recomenda que seja usada em condições em que o produto 
combustível esteja liquefeito sob condições de pressão e em forma de gases quando 
em contato do ambiente, tais como o GLP (gás liquefeito de petróleo), o butano, o 
propano, o butadieno, etc. Existe também o inconveniente de conduzir eletricidade, 
e sendo assim, não deve ser usada em equipamentos elétricos energizados. 
Alguns agentes extintores não podem ser misturados, mesmo que haja o 
objetivo de complementar a ação extintora, quando se utiliza a espuma, pois podem 
desenvolver produtos secundários prejudiciais à saúde. Por apresentarem em geral 
alta expansão, em particular, não devem ser usadas para combate de incêndios em 
materiais oxidantes, pois liberam significativa quantidade de oxigênio para sustentar 
a combustão, como, por exemplo, o nitrato de celulose. Não se recomenda o uso 
em incêndio em locais cujos produtos inflamáveis sejam usados para a produção 
de comida (óleos comestíveis e de fritura), ou que tenham proximidade com o 
armazenamento da mesma, pois nem sempre é possível controlar seus efeitos e 
muitos materiais podem se estragar.
4.5.2 - Expansão das espumas
Expansão é a taxa que compreende a razão do volume de solução utilizado 
202
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Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
para a formação da espuma e o volume de espuma formada. A solução (ou pré-
mistura) pode gerar espuma de baixa, média ou alta expansão. Quanto maior a taxa 
de expansão, mais leve será a espuma, menor será sua capacidade de resfriamento, 
e menor será sua resistência.
4.5.3 Extrato Formador de Espuma (EFE)
O extrato formador de substâncias químicas com concentração que permite 
atuar como agente espumante pode ser entendido como líquido gerador da 
espuma. Sua composição é que determina a sua classificação, e podem fazer parte 
deste líquido gerador de espuma tanto água doce como salgada, mas somente 
especialistas podem fazer esta determinação, em função das características locais e 
outros sistemas de incêndio. 
É desejável que o EFE tenha sua armazenagem cuidadosamente pensada, para 
que as temperaturas de armazenagem não recebam nem raios solares nem excedam 
a temperatura de 45 graus Celsius. Recomenda-se seu uso em temperatura ambiente 
de no máximo 27 graus, pois temperaturas mais altas podem influir negativamente 
sobre a concentração dos misturados, e desta forma não permitindo a formação da 
espuma e tampouco podendo ser garantida a qualidade da mesma.
Expansão Solução Caraterística
Baixa 
expansão
Quando um 1 litro de solução 
produz até 20 litros de espuma. 
Espuma pesada e resistente, para incêndios intensos 
e para locais não confinados.
Média 
expansão
Quando 1 litro de solução 
produz de 20 a 200 litros de 
espuma. 
Espuma mais leve que a de baixa expansão e mais 
resistente que a de alta expansão. Pode ser usada 
para abafar a vaporização de produtos químicos 
perigosos.
Alta 
expansão
Quando 1 litro de solução 
produz de 200 a 1.0 litros de 
espuma.
Sua textura é suave e uniforme e proporciona um 
ótimo preenchimento, permitindo que ela supere os 
obstáculos com facilidade.
Quadro 4.4 | Expansão e principais características
Fonte: Adaptado e disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAqCsAH/emprego-espuma-mecanica-no-
combate-a-incendios?part=2>. Acesso em: 17 dez. 2014. 
1. O que é capacidade extintora?
2. Para atuar um sprinkler é necessária a ação do homem 
durante o evento do incêndio?
203
U4
Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio
A área de prevenção e combate a incêndio e pânico compreende 
uma das grandes áreas em que o profissional de segurança 
do trabalho pode atuar, como consultor, logo ao se formar, e à 
medida que vai ganhando experiência é capaz de desenvolver 
sistemas, projetos e planos preventivos.
A atuação do profissional no mercado brasileiro vem encontrando 
terreno favorável, tanto em termos de legislação como em 
termos de ações fiscalizatórias. Os órgãos que regulam as 
atividades nas temáticas relacionadas à prevenção a combate a 
incêndio e pânico, nos últimos anos, estão permitindo “maturar” 
tanto procedimentos como legislações, aumentando o grau de 
exigência sobre as instituições de um modo geral. 
Quando se fala em combate a incêndio e pânico, é também 
necessário ressaltar a necessidade de continuidade de atualização 
da formação do profissional de segurança do trabalho, já que tem 
peculiaridade de atualização das tecnologias, dos procedimentos e 
das legislações, fazendo com que uma das principais atribuições do 
profissional de segurança do trabalho seja ser um investigador nato.
A presente unidade tratou de uma maneira introdutória 
conteúdos dos equipamentos para prevenção, controle do 
pânico e combate incêndio mais comuns, com que o profissional 
de segurança do trabalho pode entrar em contato no seu dia a 
dia do exercício da profissão. Algumas temáticas que foram 
abordadas, como iluminação e portas corta-fogo, além de 
complementares

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