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U N O PA R PRO G RA M A S D E PREV EN Ç Ã O , PRO TEÇ Ã O EM M Á Q U IN A S E EQ U IPA M EN TO S E PREV EN Ç Ã O E CO M B ATE A SIN ISTRO PROGRAMAS DE PREVENÇÃO, PROTEÇÃO EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E PREVENÇÃO E COMBATE A SINISTRO Programas de prevenção, proteção em máquinas e equipamentos e prevenção e combate a sinistro Claudiane Ribeiro Balan Flávio Augusto Carraro Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Carraro, Flavio Augusto C313p Programas de prevenção, proteção em máquinas e equipamentos e prevenção e combate a sinistro /Flavio Augusto Carraro, Claudiane Ribeiro Balan – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2015. 205 p. ISBN 978-85-8482-124-2 1. Legislação. 2. Prevenção. I. Balan, Claudiane Ribeiro. II. Título. CDD 614.852 © 2015 por Editora e Distribuidora Educacional S.A Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente: Rodrigo Galindo Vice-Presidente Acadêmico de Graduação: Rui Fava Diretor de Produção e Disponibilização de Material Didático: Mario Jungbeck Gerente de Produção: Emanuel Santana Gerente de Revisão: Cristiane Lisandra Danna Gerente de Disponibilização: Everson Matias de Morais Editoração e Diagramação: eGTB Editora Sumário Unidade 1 | O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Seção 1 - Segurança do trabalho em instalações industriais da construção civil 1.1 | História da segurança na construção civil 1.2 | A realidade brasileira e a legislação regulamentar 1.3 | Questões orçamentárias Seção 2 - PCMAT 2.1 | Obrigatoriedade 2.2 | Elaboração do PCMAT 2.3 | Outros documentos complementares Seção 3 - Métodos e processos de trabalho 3.1 | Aspectos políticos da construção civil 3.2 | Aspectos práticos da construção civil 3.3 | EPIs Unidade 2 |Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Seção 1 - Trabalhos em altura 1.1 | Objetivos das normas NR-18 e a NR-35 e aplicação nos ramos das atividades econômicas 1.2 | Determinação de responsabilidades 1.2.1 | Responsabilidade do empregador 1.2.2 | Responsabilidade do trabalhador 1.3 | Capacitação 1.4 | Planejamento, organização e execução do trabalho em altura 1.5 | Procedimentos para prevenção e o uso de Proteção Individual, Coletiva e seus acessórios para o trabalho em altura 1.6 | Situações de emergência e salvamento em trabalhos em altura Seção 2 - Introdução aos aspectos históricos das normativas referentes ao transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais e as normas relacionadas 2.1 | CLT, NR-11 E NR-18 2.2 | Riscos comuns no transporte e movimentação de carga e o suporte dado pela NR-11 E NR-18 2.3 | Outros cuidados especiais para operação de elevadores, guindastes, transportadores industriais e máquinas transportadoras 9 13 13 14 19 23 23 25 28 31 31 34 40 51 55 57 57 57 59 59 60 62 66 67 67 70 71 Seção 3 - Proteções coletivas em equipamentos em transporte, movimentação 3.1 | Plataformas de proteção 3.2 | Poço de elevador 3.3 | Abertura do piso 3.4 | Periferia da obra 3.4.1 | Sistema do Guarda-Corpo e Rodapé (GCR) 3.4.2 | Sistema de proteção com estrutura metálica ou cabo de aço 3.5 | Talude de escavação 3.6 | Linhas de vida 3.7 | Andaimes 3.7.1 | Andaimes apoiados, fachadeiros e móveis 3.7.2 | Andaimes suspensos 3.8 | Elevadores 3.8.1 | Elevadores de material passageiro 3.8.2 | Elevadores de material 3.8.3 | Elevadores de passageiros 3.9 | Gruas Seção 4 - Proteções coletivas no canteiro e armazenagem e manuseio de materiais 4.1 | Instalações elétricas 4.2 | Organização do canteiro 4.3 | Uso de EPI 4.4 | Gerenciamento de terceiros 4.5 | Armazenagem e Estocagem de Materiais 73 73 74 75 76 76 77 78 80 81 82 83 84 84 87 87 88 93 94 96 96 97 97 Unidade 3 | Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Seção 1 - Legislação e Normas Seção 2 - Teoria do fogo, incêndio e explosivos 2.1 | O fogo e a sua influência nos hábitos humanos 2.1.1 | Do que é feito o fogo? 2.1.2 | Qual a relação entre ignição, comburente e combustível? 2.1.3 | Defininfo o que é fogo 2.1.4 | O que é incêndio 2.1.4.1 | Flashover 2.1.4.2 | Backdraft 2.1.4.3 |Ignição por fumaça 2.2 | Explosivos 2.2.1 | Explosivos e suas características peculiares 2.2.2 | Definindo explosão 2.2.3 | Profissionais de Segurança do Trabalho, sua atuação e gerenciamento em riscos associados a explosões 2.2.4 | Norma regulamentadora Nº 19 - Explosivos 2.2.5 | Classificações dos produtos perigosos e a segurança do trabalho Seção 3 - Classificação de fogo/incêndio e agentes de extinção 3.1 | Classes de incêndio/fogo 3.2 | O que são agentes extintores? 3.3 | Agentes extintores 109 113 117 117 118 118 119 120 120 121 121 122 122 123 124 124 126 131 131 131 132 Seção 4 - Programas de proteção contra incêndio e pânico/planos de emergência 4.1 | Plano de Emergência/Prevenção 4.1.1 | A identificação de risco em incêndios e prevenção 4.1.2 | Mitigação de riscos 4.1.3 | Responsabilidades 4.1.4 | Requisitos para elaboração do plano de prevenção à incêndio e pânico e aspectos a serem observados no desenvolvimento 4.1.5 | Divulgação, Reuniões, Treinamentos e Exercícios Simulados 4.1.6 | Manutenção, Revisão e Auditoria do Plano 4.1.7 | Procedimentos de Vistoria 4.1.8 | Plano de emergência ou plano de prevenção 4.2 | Brigada de incêndio 4.2.1 | Condições gerais dos edifícios 4.2.2 | Planejamento da brigada de incêndio Unidade 4 | equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Seção 1 - Equipamento de prevenção e combate a incêndio e pânico – iluminação e portas corta-fogo 1.1 | Considerações acerca das normas de prevenção e combate a incêndio e as Normativas de Segurança do Trabalho 1.2 | Iluminação de emergência 1.3 | Portas corta-fogo Seção 2 - Escada de emergência 2.1 | Escada de emergência e seus principais requisitos 1.2 | Iluminação de emergência 2.1.1 | O dimensionamento das saídas de emergência 2.1.2 | Escadas 2.1.3 | Tipos de escadas usadas em rotas de fuga 2.2 | Antecâmaras 2.3 | Dutos de ventilação 2.4 | Elevadores de emergência 2.5 | Áreas de refúgio 2.6 | Guardas e corrimões Seção 3 - Sistema de detecção e alarme 3.1 | Projetos de Sistemas de detecção de incêndio e alarme 3.2 | Quanto aos tipos de detecção Seção 4 - Equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio 4.1 | Sistema móvel 4.2 | O que é Capacidade extintora? 4.3 | Sistemas fixos 4.3.1 | Sistema de hidrantes 4.4 | Sprinklers 4.4.1 | Os componentes dos Chuveiros Automáticos - Sprinklers 4.4.2 | Posicionamento dos sprinklers 4.4.3 | Temperatura de funcionamento 4.5 | Sistema de espuma de extinção 4.5.1 | Características físicas: 4.5.2 | Expansão das espumas 4.5.3 | Extrato Formador de Espuma (EFE) 135 136 136 137 138 138 139 139 140 141 144 145 145 157 161 161 162 165 171 171 172 176 178 180 181 181 182 183 185 186 186 189 189 190 191 192 193 195 196 197 198 198 199 200 Apresentação A atuação do profissional de segurança do trabalho pauta-se na prevenção e no desenvolvimento de programas de prevenção, e muitos destes programas decorrem de exigências normativas e/ou derivadas de leis específicas. A definição de prevenção está diretamente ligada à ideia de antecipação a um resultado a algo que pode incorrer em injúria, lesão ou qualquer outra ação sobre algo que não se deseja como resultado. No caso de saúde e segurança do trabalho, a ideia de prevenção é ainda mais essencial, pois o resultado seria a doença e a lesão. Um sinônimo de prevenção adequadamente aplicada à área de segurança certamente seria “evitar”,uma vez que ajuda a entender a ideia que norteia os programas de prevenção abordados por esta unidade. Evitar, em segurança do trabalho, significa antecipar as consequências de uma ação, prevenir seus resultados indesejados e, sobretudo, permitir a correção e redirecionamento pelo caminho da segurança. O domínio de condições de risco, das condições ambientais do trabalho ou mesmo o ambiente que circunda o trabalhador fora do local de trabalho, pode contribuir substancialmente para práticas de prevenção à saúde e segurança do trabalhador. Pode, sobretudo, incorporar diretrizes à prevenção, matéria-prima importante dos planos de prevenção. Os programas de prevenção precisam ser documentados, e torná-los públicos a quem está sob as ações destes, precisam ser efetivamente aplicados pelas organizações, para antecipação dos eventuais problemas e dificuldades que as mesmas possam ter e ir contra a saúde e segurança do trabalhador, ao invés de ficarem engavetados ou apenas para cumprir formalidade perante os órgãos de fiscalização. A velha máxima “é melhor prevenir do que remediar” faz sentido em segurança do trabalho. Nos programas de prevenção ainda é embutido o cuidado ou cautela perante situações de risco, muitas em condições inesperadas, mas que facilmente podem ser suprimidas quando se desenvolve a cultura prevencionista ou que existe uma atividade organizacional e sistêmica de respostas a situações que colocam em risco a saúde e a segurança do trabalhador. Na Unidade 1 abordaremos o estudo de métodos e processos e a indústria da construção (NR 18), buscando expor como ocorre a segurança do trabalho em instalações industriais de construção civil, algumas peculiaridades da NR-18 do PCMAT - Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria de Construção, assim como o que deve estar descrito dentro do mesmo no que se refere aos métodos e processos de trabalho na construção civil, quanto ao uso de Equipamento de Proteção Individual e Equipamento de Proteção Coletiva. A Unidade 2 abordará Movimentação de pessoas e cargas, buscando detalhar o que o profissional de segurança do trabalho precisa possuir de conhecimento em relação a trabalho em altura, transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais e suas respectivas normas regulamentadoras. A Unidade 3 abordará Legislação e prevenção ao incêndio e pânico, buscando relacionar o exercício do profissional de segurança do trabalho e a necessidade de seu conhecimento das legislações e normas brasileiras relativas à proteção contra incêndio, Teoria do fogo, classes de fogo, agentes extintores, métodos de extinção e explosões e expor alguns conceitos relacionados aos explosivos. Esta unidade buscará elucidar as principais dúvidas quanto à formulação de um programa de proteção contra incêndio e tudo o que o mesmo deve possuir para ser efetivamente aplicado na realidade das organizações. Na Unidade 4 buscou-se demonstrar a importância do profissional de segurança do trabalho em conhecer equipamentos e sistemas de proteção contra incêndio, principalmente pelo fato de serem exigências normativas e dos códigos de prevenção de incêndio e pânico. Nenhum plano de prevenção será efetivamente aplicável se nele não forem consideradas exigências quanto a iluminação de emergência, portas corta-fogo, escada de emergência. Para algumas situações mais específicas, em que o risco de incêndio seja elevado, o profissional de segurança poderá incorporar medidas preventivas e de combate mais efetivas, se tiver conhecimentos básicos sobre os sistemas de detecção e alarme, equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio e sua efetiva aplicação em situações mais específicas, assim como é válido ter conhecimento do sistema de hidrantes e chuveiros automáticos (Sprinklers), tendo claras as vantagens e desvantagens dos mesmos. Por fim, os planos de abandono e a formulação de uma brigada de incêndio. O ESTUDO DE MÉTODOS E PROCESSOS E A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL Objetivos de aprendizagem: Olá, prezados alunos, vamos, em mais este material, apresentar a vocês conteúdos muito importantes na realização das atividades que estão intimamente ligadas à segurança. Nosso objetivo nesta obra é levar até vocês não só a legislação existente no segmento específico da construção civil, mas a prática, como isso acontece de fato no canteiro de obras, como deve ser a preparação para que este segmento possa continuar em ascensão no mercado financeiro de nosso país sem prejudicar a vida dos trabalhadores, ou melhor, o que tem sido feito para que a conta deste segmento profissional não recaia sobre o INSS. Além disso, vamos saber como o profissional de segurança deve atuar, fazendo com que as responsabilidades sejam entendidas e, cada qual no segmento a que se destina, assuma as consequências das atitudes e ações corriqueiras na execução de suas funções. Claudiane Ribeiro Balan Unidade 1 Nesta seção teremos um breve descritivo sobre a construção civil, seguindo os passos percorridos ao longo da história e a construção das normas e diretrizes que profissionalizaram este segmento laboral. Seção 1 | Segurança do trabalho em instalações industriais da construção civil U1 12 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Na seção 3 descreveremos as condições práticas de um canteiro de obras, onde apontaremos os principais EPIs obrigatórios e EPCs, bem como a implantação de todos os procedimentos que envolvem as questões de saúde e segurança dos trabalhadores nesta atividade laborativa. Nesta seção explanaremos a elaboração do PCMAT e as condições que estão atreladas a este documento obrigatório para os canteiros de obras. Seção 3 | Métodos e processos de trabalho Seção 2 | PCMAT U1 13O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Introdução à unidade O objetivo geral desta seção é levar ao conhecimento do aluno a forma de como aplicar a NR-18 na prática do trabalho da construção civil, ou seja, como fazer com que as normas e procedimentos estabelecidos na norma sejam efetivamente implantados e seguidos por uma gama muito diversa de trabalhadores. Além disso, é fundamental que os trabalhadores sejam informados e orientados quanto aos procedimentos corretos de se trabalhar na construção civil, pois esta profissão, por mais rude que pareça, também já evoluiu e hoje opera com uma gama crescente de tecnologia. E assim construiremos mais um patamar de conhecimento junto a vocês, e o mais importante: daremos a você, aluno, a oportunidade de fazer parte de um processo de aperfeiçoamento dos trabalhadores na construção civil, uma condição muito gratificante, pois é um segmento que, embora venha passando por inúmeras evoluções, seus trabalhadores ainda são pessoas que necessitam de muita atenção e ensinamento. Mãos à obra e uma excelente leitura a todos. U1 14 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil U1 15O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Seção 1 Segurança do trabalho em instalações industriais da construção civil Neste primeiro momento levaremos até você o histórico da indústria da construção civil, todo o seu arcabouço teórico e as exigências e necessidades deste segmento laboral para que o mesmo atingisse esse nível de profissionalização. Atualmente este segmento requer profissionalização não só de atividades a serem desenvolvidas, mas também de conduta pessoal por parte dos trabalhadores. 1.1 História da segurança na construção civil Partiremos do princípio, onde a engenharia se confunde com a história da própria humanidade. O início foi há cerca de sete milhões de anos (bastante tempo, não é mesmo?), quando o homem deixa as frias e úmidas cavernas com vistas a um maior conforto para si e para sua família. Mais tarde foi a descoberta da agricultura e da pecuária, que impulsionou a busca por melhorias nas condições; aí o homem deixa de ser nômade, passandoassim a estabelecer-se em locais fixos. Estas construções eram, no princípio, muito rudes, tendas, aldeias e construções por demais primitivas. Mas este ser humano não caçador e não coletor foi responsável pela organização de comunidades grandes, que por sua vez seguiram uma evolução que permitiu o desenvolvimento de uma arquitetura de tijolos e pedras. Vamos agora esclarecer melhor em quais civilizações podemos perceber esse início da engenharia de forma a construir e mudar as primeiras civilizações. Os povos mesopotâmicos, que já tinham adquirido a prática da irrigação, apresentaram uma variação que lhes dava condições de, na ausência das pedras, usar uma argamassa de junco e barro, quando não, desenvolveram os tijolos de barro secos ao sol. Já os antigos egípcios dominavam várias técnicas, um povo astuto e criativo que inventou várias máquinas e equipamentos simples, como a rampa e a alavanca para auxiliar nos processos construtivos. Uma das construções que marcaram a história mundial em termos de edificação, e que de certa forma jamais foi superada, foi a utilização da pedra em obras, como nas construções das pirâmides. A engenharia dos incas até hoje causa espanto, quando, nos estudos das construções, em forma de nivelamento até hoje não há como explicar o alto U1 16 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil padrão de técnicas e meios adotados. Seu legado mais primoroso foram os cálculos de engenharia. Pasmem os senhores, mas foi na Índia antiga que constatou-se o pioneirismo da ciência da construção de forma tão completa. As técnicas de construção e arquitetura indianas incluem riquezas de detalhes, além de plantas baseadas em princípios científicos como a resistência dos materiais, como também a altura ideal da construção, a construção calculada de fontes de água adequadas, além de condições como luminosidade e higiene, fatores que se levados em consideração à época, são demasiadamente atemporais. A engenharia base sobre a qual a construção civil se expande é uma área de amplas definições. Várias são as possibilidades para definir esta ciência, por isso há possibilidade de inúmeras definições formais e informais, contudo todas tendem a um ponto central. Consideremos uma das definições como: arte, ciência e técnica, onde é possível parametrizar os conhecimentos científicos de uma situação e espaço com a sua viabilidade técnico-econômica, objetivando produzir novas utilidades e/ou transformar a natureza, utilizando-se de ideias bem estruturadas. Ainda assim é possível complementar este conceito, em relevante contexto e conformidade dos imperativos da preservação ambiental e da conservação ambiental. Ao analisarmos os termos como “arte”, “técnica”, “conhecimentos científicos”, nos remetemos então à ideia da abrangência da Engenharia. Não é imaturo nem leviano considerar que os cursos de Engenharia são os mais completos (e complexos) ofertados por qualquer faculdade, neles os alunos podem adquirir noções completas de física, química e matemática, aprender sobre os conceitos de meio ambiente, biologia, geografia, administração, economia, produção, direito, sociologia, programação de computadores e uma infinidade de outros assuntos, dependendo da vertente que se propõe estudar. Resumindo, a Engenharia está em tudo, desde objetos singelos como a caneta com a qual você escreve, o sapato que você usa, as ruas pelas quais seu carro trafega, os botões que fecham sua camisa, e até nos alimentos. Devemos lembrar que todos os avanços da humanidade, sem exceção, estão diretamente ligados à Engenharia: por primeiro o fogo, depois a escrita e a roda e, na atualidade, os eletroeletrônicos. Assim sendo, a Engenharia está presente em todas as áreas. A partir deste princípio conclui-se e espera-se que os engenheiros sejam profissionais treinados para organizar, avaliar e projetar esquemas de construção em todos os níveis e estruturas onde seja necessário criar ou modificar o que existe. 1.2 A realidade brasileira e a legislação regulamentar Na sociedade brasileira, e por que não dizer mundial, a construção civil é uma das atividades que, nas últimas décadas, obteve seu maior desenvolvimento. A necessidade de expansão das cidades e o crescimento da população puxaram a indústria da construção civil para seu grande progresso. A necessidade de suprir U1 17O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil as carências e atender às demandas por habitações e instalações comerciais, com vistas a uma sociedade significativamente urbana, deu o tom econômico deste segmento profissional. Toda essa nova fase econômica e social deu lugar ao crescente número de obras, com isso os problemas também surgiram, não somente com as construções desordenadas nos morros e periferias das grandes cidades, configurando uma desorganização urbana social, mas também pela falta da mão de obra especializada, somando-se a isto os acidentes de trabalho, que só têm aumentado. Dados que são comprovados estatisticamente preocupam os órgãos estatais como INSS e MTE, sendo que os acidentes que ocorrem na indústria da construção civil ultrapassam, em números, os da indústria em geral. Os indícios e fatores que contribuem para o elevado número de acidentes na construção civil se dão pelo fato da ausência de prevenção. Isso mesmo, é que a construção civil não é um processo homogêneo, neste segmento existe uma diversificação de obras que envolvem um grande número de atividades, e essas atividades são desenvolvidas por um grande número de trabalhadores com aptidões e ofícios distintos, se comparados com uma indústria geral. Todo o trabalho da construção civil é setorial e dividido, repercutindo num desenvolvimento de funções que sempre serão as mesmas atividades, onde máquinas, ferramentas e materiais em geral, disponíveis em locais comuns e de fácil acesso, poderiam ser usados como fator contribuinte para a redução dos riscos de acidentes, e não o contrário. Nos trabalhos da construção civil, o trabalho e as atividades se modificam com o decorrer e desenvolvimento da obra, aumentando a possibilidade de ocorrência das condições de risco. Podemos citar a construção de um edifício, onde, de acordo com a evolução da obra, crescem também os riscos de acidentes por quedas de altura. Situações similares a esta mostram a necessidade iminente de investimentos na segurança dos trabalhadores que executam suas atividades em situação de riscos de quedas de altura e nas demais atividades existentes na obra, sendo o treinamento uma das maneiras mais simples, porém eficazes, de transmitir informações ao trabalhador. Este tipo de ação pode ser facilmente mensurável quando é aplicado um questionário antes do treinamento, para identificar o grau de conhecimento dos trabalhadores em riscos de acidentes. O cenário atual apresenta mercado em franco aquecimento, redução de juros e impostos, escassez de mão de obra qualificada, melhoria dos salários e dos registros em carteira. Essas condições atuais, [...] induzem a propugnar pela ação mais efetiva dos gestores à elaboração de processos de ensino- aprendizagem que permitam qualificar mais e mais pessoas para entrar nesse mercado de trabalho (VARGAS et al., 2008, p. 7). U1 18 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil A segurança do trabalhador é uma conquista da sociedade moderna, dado o seu recente desenvolvimento, que data dos períodos entre as duas grandes guerras mundiais. Num contexto histórico em nível de América, temos no hemisfério norte a legislação sobre segurança introduzida pelos idos de 1908, porém apenas a partir dos anos 70 é que ela se tornou uma prática comum para todos os integrantes do setor produtivo. Até esta data o assunto segurança do trabalho era objeto de estudo apenas de especialistas, governos e grandes corporações. Já no Brasil, a segurança do trabalho enquanto assunto e objeto de estudo começou a mostrar seus indíciosno início dos anos 40. É também desta década a composição e implantação da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), precisamente em 1943, onde no Capítulo V do Título II, o assunto vai ser exatamente sobre as questões de segurança do trabalhador. Depois desta citação ocorrida na CLT, não houve nenhuma movimentação que demonstrasse evolução quanto à segurança do trabalho em uma sociedade que nunca deixou de crescer e evoluir. Somente em 1967 ocorreu a primeira grande reformulação deste assunto no país, quando foi destacada a necessidade de as empresas criarem e organizarem o SESMT (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho). Entretanto, o grande salto qualitativo da segurança do trabalho em termos legais somente ocorreu em 1978, com a introdução das 28 normas regulamentadoras, conhecidas como NRs do Ministério do Trabalho. Salientamos que de todas as 28 NR’s preparadas para dar ao trabalhador subsídios e padrões que lhe garantam a segurança no desenvolvimento de suas atividades, uma que vai de forma muito pontual contemplar a indústria da construção civil é a NR-18, visto que até os dias atuais é a única específica para o setor. Atualmente temos também a NR-35, que vai mensurar as regras e condições para trabalho em altura (BRASIL, 2014a), e além destas NRs, a segurança do trabalho na indústria da construção civil também é abordada em algumas normas da ABNT, tais como a NBR 5410 (Instalações Elétricas de Baixa Tensão) (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2008) e a NBR- 7678 (Segurança na execução de obras e serviços de construção) (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1983), NBR 6494 (Segurança nos andaimes) (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1991). Enfim, várias são as complementações que foram surgindo devido à crescente evolução deste segmento. A primeira alteração da NR-18 se deu em 1983, ampliando seus assuntos e dando mais aplicabilidade entre a regra descrita e a condição praticada in loco, tornando-a mais ampla e abrangente. Em 1995 a NR- 18 novamente teve alteração, onde entrou em cena a condição tripartite, que tem como objetivo estabelecer um aperfeiçoamento no sistema de segurança e saúde do trabalhador e ainda colocar o método existente de acordo com os padrões da Organização Internacional do Trabalho. Além disso, atende à proposta de ampliar a Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador, utilizando-se de recursos que vão definir os papéis e mecanismos dos processos laborais atuais. Para que isso U1 19O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil aconteça faz-se necessário o monitoramento, bem como revisões periódicas para a definição das competências e suas aplicabilidades. Na Portaria nº 383, de 21 de maio de 2013, mais uma vez está sob consulta pública a redação da NR-18, com vistas a fazer novas alterações. (HERKENHOFF FILHO, 2006). 2.2 Cenário nacional A indústria da construção civil é um ramo da economia que engloba várias estruturas, como: sociais, culturais e políticas. Uma marca notória da construção civil é o alto índice de acidentes de trabalho, que a coloca em segundo lugar neste aspecto diante do cenário nacional de acidentes de trabalho, perdendo apenas para o setor rural. Diante deste cenário negativo, o setor deixa de ser atrativo, e também sofre com algumas perdas de recursos humanos e financeiros, além de uma fonte de perdas para órgãos públicos como INSS e SUS. Como na indústria da construção civil existe a alta incidência de acidentes, estes tendem a ser também os mais graves, que levam à incapacidade e chegam a ser fatais, sendo os mais onerosos aos cofres públicos, motivo de preocupação e objeto de estudo para as políticas públicas. A construção civil é fonte geradora de empregos no país e, nos últimos anos, está havendo um crescimento acelerado no setor, por parte até mesmo dos incentivos financeiros lançados pelo poder público. Entretanto, este grande desenvolvimento traz consequências quanto ao aumento do número de acidentes de trabalho e de mortes de operários. De acordo com levantamentos, além da existência de muitas obras clandestinas, a famosa improvisação presente na construção civil e a necessidade de terceirização dos serviços agravam o problema. Essa problemática vai desde pequenas obras até as grandes que são geridas por empresas renomadas nacionalmente; parece mais como um vício do setor, algo enraizado culturalmente, e onde todos os esforços apresentados até hoje ainda não foram capazes de erradicar. De acordo com dados estatísticos de 2012 da Previdência Social, foram registrados mais de 62 mil acidentes de diferentes níveis de gravidade no setor da construção civil. Só no Estado de São Paulo, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, houve um aumento registrado de 24 casos de morte a mais que em 2012, cujo registro fora de apenas sete mortes. Fator que pode ter influenciado para este aumento é sem dúvida o ritmo de trabalho para cada trabalhador, devido à própria aceleração do mercado, o que pode ter tido como consequência a não adoção por parte das empresas de métodos e meios seguros de trabalho. Quanto mais longas as jornadas de trabalho, com menores intervalos de folga para descanso, maiores serão as possibilidades de acidentes. Outro fator bastante relevante é a qualificação dos trabalhadores deste segmento profissional. Ainda que seja evidente o emprego de inúmeras U1 20 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Quer saber se é possível, através de treinamento, reduzir o número de acidentes? Não deixe de acessar o link abaixo: <http://www. sindusconpe.com.br/prevencao.php>. inovações tecnológicas no setor, este fator também se tornou um problema, já que os trabalhadores, muitas vezes, não estão qualificados para operar equipamentos com seus avanços e tecnologias de ponta. O que é possível fazer para diminuir o número de acidentes? Mais normas regulamentadoras? As já existentes não conseguem abranger todas as situações existentes na prática? Ora, a atual legislação é ampla de regras de proteção que precisam ser respeitadas, normas que precisam ser aprendidas e procedimentos que precisam ser adotados. Tendo isso, falta-nos o quê? Fiscalização, digamos melhor, falta maior fiscalização aliada a uma atuação educativa por parte do Ministério do Trabalho e sindicatos da categoria. Embora estes órgãos existam, sua atuação mostra-se deficitária, ficando assim comprometida uma eficácia quanto à aplicabilidade de tudo o que é proposto na legislação. Nas Normas Regulamentares está explícito que a fiscalização é obrigatória. Entretanto, o número de agentes estaduais e municipais de saúde do trabalho é reduzido e compromete a qualidade e eficiência de todo o trabalho. Todavia, a fiscalização não é incumbência exclusiva destes órgãos já definidos, as empresas também devem estabelecer uma metodologia de fiscalização de suas próprias atividades, inclusive para reduzir seus custos e preservar a vida e a saúde de seus trabalhadores. As normas, leis e regulamentos não têm a competência para reverter o acidente e seus agravamentos, a presença fiscalizatória mais atuante nas empresas teria um resultado muito mais positivo, evitando as autuações e até mesmo os próprios acidentes. Devemos salientar que existe um número grande de empresas que são idôneas neste segmento e fazem uma gestão de segurança e prevenção de acidentes na indústria da construção civil com características e comprometimento, que proporcionam uma eficácia em relação aos índices de acidentes e também compensam a baixa qualificação dos profissionais no setor. Estas ações contemplam treinamentos e material educativo com o objetivo específico de reverter este cenário. O Ministério do Trabalho e Emprego também tem ações preventivas que auxiliam as empresas, como a celebração dos Termos de Ajustamento de Conduta junto U1 21O estudo de métodose processos e a indústria da construção civil às mesmas para que adotem medidas preventivas como ações efetivas. Porém, as fiscalizações ainda apresentam algumas situações controversas e que repercutem negativamente contra a própria legislação, ou seja, são abusivas. Essas ilegalidades devem ser combatidas, uma vez que podem gerar imensos prejuízos, por exemplo, com a interdição de uma máquina ou equipamento, ou até mesmo da obra. Podemos então avaliar e até mesmo concluir que o treinamento adequado, a segurança e a fiscalização frequentes ainda são os melhores meios para diminuir o número de acidentes no setor da construção civil. Tais procedimentos evitam os custos de previdência com aposentadorias precoces e minimizam a ausência de funcionários nas empresas, diminuindo o absenteísmo por conta de atestados médicos, o que na maioria das vezes acaba gerando prejuízo no processo produtivo, pois compromete os prazos contratuais. Além disso, não é difícil que ações pleiteando danos materiais e morais sejam representadas na justiça por conta de indenizações por este motivo. Sendo assim, o trabalhador bem treinado só terá benefícios, uma vez que, passando a conhecer as normas de segurança adequadas e como executá-las em sua atividade, poderá melhorar e aumentar sua capacidade produtiva. 1.3 Questões orçamentárias Quando o assunto é dinheiro, o cenário fica mais tenso e ríspido, prova disto são as ações regressivas que o INSS vem ajuizando já há alguns anos. Estas ações obrigam a empresa a custear pensões e indenizações que outrora eram de responsabilidade do INSS, mas que, por serem oriundas de acidentes de trabalho, o órgão está agora repassando estes custos. Nas discussões judiciais é comum surgirem acordos, mas diante do volume, poucos são firmados, diante da comprovação de que todas as ações possíveis foram adotadas, e se ainda assim evitar o acidente não foi possível, é por uma fatalidade. Vale ressaltar que algumas situações em que a condição do trabalhador pode ser similar ao trabalho escravo ou que as condições de conforto e higiene são degradantes podem ser classificadas como inadequadas e em não conformidade com a legislação, cabendo então aos órgãos fiscalizadores ações que podem até interditar a empresa, além de multas e indenizações (SCHIAVI, 2007). Essas condições de extrema vulnerabilidade a que o trabalhador da construção civil está exposto apresentam como primeiro colocado nos acidentes de trabalho as quedas, tanto de materiais que se desprendem, como do próprio trabalhador; em segundo vêm os choques elétricos e em terceiro lugar os soterramentos. Vejamos os números para termos uma ideia desta representatividade no cenário nacional, porém com dados de 10 anos atrás, o que preocupa, pois ainda hoje esses valores não tiveram grande mudança: U1 22 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Gráfico 1.1 | Apresentação de acidentes de trabalho Fonte: Elaborado pela autora a partir de Segurança... (2010) O número de acidentes de trabalho em todo o país cresceu sensivelmente entre 2004 e 2006, passando de 465.700 para 503.890. Os números que representam a construção civil no mesmo período são 28.875 e 31.529, respectivamente, estabelecendo um percentual de acidentes no setor da construção para os dois anos em 6,2%, se comparado a 2005. Percebam que no mundo inteiro ocorrem acidentes de trabalho, e no caso da construção civil, a maior causa de acidentes fatais fica por conta das quedas de trabalhadores e também das quedas de material sobre os funcionários, ficando em segundo fator os choques elétricos, e em terceiro lugar o soterramento (SEGURANÇA..., 2010). “O crescimento acentuado da construção civil, verificado nos últimos anos em todo o país, tem sido acompanhado pelo aumento do número de acidentes de trabalho e de mortes de operários, principalmente por soterramento, queda ou choque elétrico” (ALTAFIN, 2013). Com base nestas informações, os órgãos públicos demonstram preocupação com os trabalhadores. Será que esta preocupação realmente é por conta das condições de saúde e segurança ou os interesses econômicos referentes ao pagamento de benefícios é que estão sendo argumento para este tipo de levantamento? Vamos refletir e analisar este cenário. U1 23O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Há de se considerar que para reverter esse cenário é preciso que haja fiscalização suficiente e capacitada para coibir e punir efetivamente os representantes desta categoria que maquiam ou ignoram as ações preventivas, e valorizar e divulgar as ações que visam capacitar e informar todos os trabalhadores envolvidos na categoria da construção civil. Ressaltando, como anteriormente foi citado, os fatores que influenciam a construção civil são os sociais, culturais e políticos, onde, para reverter a situação de acidentes de trabalho neste segmento econômico, o governo tem que ser representado pela ação fiscalizatória e punitiva para aqueles que não cumprem o prescrito na lei; o empregador, como iniciativa privada, representa o social, que tem como responsabilidade informar e treinar, realizar a capacitação dos envolvidos; e a parte do trabalhador, que envolve a cultura de prevenção que é a assimilação, por parte dos mesmos, de sua responsabilidade e o porquê de seu comprometimento. Além disso, as disposições na legislação complementar complementam a ordem de adequações das condições ambientais e melhores e mais seguros equipamentos. Isso tudo ainda não é garantia de uma economia aos cofres públicos, pois somente esses fatores trabalhando em consonância é que garantirão a eficácia das ações (MARTINS, 2008). Embora as estatísticas apontem indicadores úteis para a avaliação do estado atual dos acidentes e mortes por trabalho, principalmente na construção civil, essa representação é por vezes relativa, sendo necessário inspecionar e processar quem não cumpre a legislação vigente, e também implantar ações para prevenir e informar, levar com afinco as ações punitivas para aqueles que não tenham realizado uma prevenção ou capacitação prévia. Este tipo de irregularidade leva a um maior número de infrações, representando uma maior penalização para as empresas e, também, para os próprios trabalhadores. Essa responsabilidade não é apenas dos empregadores, os trabalhadores têm sua parcela de responsabilidade na mesma medida que o empregador, bem como o governo e os parceiros sociais. Essa tomada de responsabilidade por parte de cada um economizaria aos cofres públicos grandes fortunas. Os empregadores têm a obrigação de garantir boas condições de trabalho a todos os trabalhadores, cumprir a legislação em vigor, conscientizar os trabalhadores e colocar à sua disposição os equipamentos e meios necessários para que possam desempenhar as suas funções em segurança. Já os trabalhadores devem conhecer melhor as normas e, se acaso não tiverem essas boas condições de trabalho, deveriam exigi-las, para isso é possível contar com os parceiros sociais (SEGURANÇA..., 2010). Para direcionar e dar subsídios aos órgãos estatais e garantias aos trabalhadores da construção civil, a legislação regulamentar que está em vigor é a NR-18, que foi regulamentada pela Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho. Nela, todas as principais orientações e principalmente as condições ideais estão descritas, facilitando assim as ações de implantação que vão servir de base e orientação para a elaboração do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na U1 24 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Indústria da Construção, que é comumente conhecido como PCMAT. Todas as condições e situações apontadas pela NR-18 têm o intuito e a função específica de regularizar e apontar as condições ideais a serem estabelecidas, o que vai significar uma diminuição considerável nas custas dos cofres públicos e também nas estatísticas de acidentes de trabalho. Conclui-seentão que a rede de assistência ao trabalhador também tenderá a ter diminuídos seus atendimentos. Atualmente temos uma legislação que foi pensada e regulamentada com vistas a atender à segurança e à saúde do trabalhador da área da construção civil. Seus princípios baseiam-se em normas regulamentadoras que estabelecem procedimentos em todos os níveis de uma indústria deste porte e operacionalidade, ela encontra-se descrita na Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), sob o título de NR-18, contempla diretrizes administrativas, de planejamento e de organização para controle nos sistemas preventivos de segurança dos processos, nas condições do meio ambiente de trabalho, além de determinar a elaboração do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, conhecido neste segmento por PCMAT. Toda esta estrutura visa a dar melhoras em todas as condições de trabalho para que repercuta em menor impacto nos órgãos públicos de assistência (SEGURANÇA..., 2010). 1. Qual é a principal legislação que atualmente rege e organiza a indústria da construção civil? 2. Através de qual mecanismo a construção civil vem conseguindo reduzir o número de acidentes de trabalho? U1 25O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Seção 2 PCMAT Nesta parte do texto saberemos da obrigatoriedade do PCMAT, como documento prévio à abertura de um canteiro de obras. Agregado a ele, a ART valida sua elaboração e a responsabilidade do gestor da obra em executar aquilo que o documento apontar e estabelecer. Pois toda esta documentação está passível de sanções fiscais de autuação por parte do MTE. 2.1 Obrigatoriedade Esta legislação está na Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, que regulamentou a Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que altera o Capítulo V, Título II da CLT (Consolidação das Leis de Trabalho). Traz em sua redação a padronização de como deve ser implantado e sob quais condições um canteiro de obras pode desenvolver-se. Em tempo: devemos lembrar que também é determinada pela legislação a responsabilidade de executar o que está disposto na referida lei (BRASIL, 1978), onde, de acordo com o art. 1º da Lei nº 6.496, de 5 de dezembro de 1977, todo contrato para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes a Engenharia, Arquitetura e Agronomia fica sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica – ART; esta está vinculada ao exercício da atividade do engenheiro de segurança do trabalho, como consta na legislação que define a abrangência (BRASIL, 1977). A ART é um documento fundamental que expõe o estudo, planejamento, ações, relatórios e laudos das atividades exercidas pelo Engenheiro de Segurança do Trabalho quando de sua competência enquanto responsável perante ao órgão competente, segundo o CREA (Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia). Os estudos, projetos, planos, relatórios, laudos e quaisquer outros trabalhos ou atividades relativas à Engenharia de Segurança do Trabalho, quer públicos, quer particulares, somente poderão ser submetidos ao julgamento das autoridades competentes, administrativas e judiciárias, e só terão valor jurídico quando seus autores forem engenheiros ou arquitetos, especializados em Engenharia de Segurança do U1 26 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Trabalho e registrados no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA. (CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA, 1999, p. 1). De acordo também com a legislação, quando se trata da indústria da construção civil, com 20 trabalhadores ou mais, é obrigatória a existência unicamente do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção – PCMAT, anotado no CREA de jurisdição da localização do empreendimento. Sendo assim, este documento fica submetido a uma categoria de especialistas em segurança e saúde do trabalho, bem como colocada em prática através de ARTs, que são meios de execução e aplicabilidade das normas e padrões legais. Sendo assim, com a obrigatoriedade de todos estes primeiros procedimentos a serem tomados para a implantação de um canteiro de obras, presume-se que todas as condições de segurança estejam sendo computadas e detalhadamente classificadas e regulamentadas. Bem, isso seria muito bom se a teoria se cumprisse na prática. O que ocorre é que, pelas falhas existentes no sistema de fiscalização, embora os documentos sejam feitos dentro do rigor da lei, a fiscalização não é eficiente e os acidentes ocorrem e continuam a aumentar os números de afastados e segurados da construção civil junto ao INSS. Também na NR-18 algumas prerrogativas são sempre observadas e seguidas sob pena de punição, tais como a caracterização da atividade onde fica definido o que é tal operação: são as “[...] atividades e serviços de demolição, reparo, pintura, limpeza e manutenção de edifícios em geral, de qualquer número de pavimentos ou qualquer tipo de construção, inclusive manutenção de obras de urbanização e paisagismo” (BRASIL, 2013a, p. 2). Além disso, estabelece o ingresso ou não de trabalhadores e sua permanência no canteiro de obras de acordo com as fases da mesma. Então a legislação é inoperante? Seria quase isso. A legislação é eficiente, é realizada com riqueza de detalhes, mas a operacionalidade destes documentos é comprometida por uma questão humana, social, e até por que não caracterizá-la como cultural, pois Fique por dentro da legislação e acesse o link sugerido: <http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.asp?idEmenta=48 5&idTipoEmenta=5&Numero=>. U1 27O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil onde os trabalhadores da indústria da construção civil têm um melhor nível cultural, eles melhor absorvem as indicações e padrões estabelecidos pela documentação legal. 2.2 Elaboração do PCMAT Este documento visa dar respaldo legal ao empregador, pois é um documento exigido pela legislação, entretanto tem uma função muito peculiar, que é dar ao trabalhador a garantia de condições seguras quanto à realização de suas atividades no canteiro de obras, ou seja, é um documento específico da indústria da construção civil. Para sua elaboração é necessário o conhecimento da NR-18, pois lá estão estabelecidos os padrões imutáveis das condições necessárias ao bom andamento da obra, as condições de conforto e higiene, bem como os riscos inerentes à atividade laboral da construção civil (BRASIL, 2013a). Também para a elaboração do PCMAT é preciso o conhecimento da NR-9 quanto às avaliações dos riscos e as ações necessárias quanto ao controle dos mesmos. É a partir destas informações que será possível traçar um controle eficiente quanto aos riscos pertinentes àquela operação que será ali desenvolvida. É fundamental que o PCMAT tenha sólida ligação com o PCMSO (Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional), uma vez que este programa, quando devidamente acompanhado e realizado, dará ao PCMAT uma melhor aplicação. São cinco as etapas para a elaboração do PCMAT: • Análise de Projetos: consiste em verificar sob quais condições os projetos foram elaborados e serão utilizados na construção em questão, tendo o intuito de conhecer os métodos construtivos, as instalações e os equipamentos que farão parte da execução da obra. • Vistoria local: esta vistoria no local da futura construção se dá para complementar a análise do projeto, tal visita fornecerá subsídio informativo quanto às condições de trabalho que efetivamente serão encontradas na execução da obra, por exemplo: verificar se no local haverá escavação, onde e em que condições, se há demolições a serem feitas, quais são as condições de acesso ao empreendimento, quais as características topográficas do terreno, e muitos outros aspectos de acordo com aquilo que foi apresentado no projeto. • Reconhecimento e avaliação dos riscos: nesta etapa é feito o diagnóstico das condiçõesde trabalho encontradas na obra, devem estar presentes neste momento as avaliações quantitativas e qualitativas dos riscos, bem como as estratégias e medidas de controle dos riscos. Aí consiste a importância do PPRA bem consolidado. • Elaboração do documento base: nesta fase é a elaboração propriamente do PCMAT, onde todos os levantamentos realizados serão devidamente ordenados e estruturados com a finalidade de apresentar medidas de controle e técnicas que mais terão eficácia no processo de eliminação e controle dos riscos. U1 28 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil • Implantação do programa: é a utilização e implantação das condições apresentadas pelo documento que serão adotadas nas práticas cotidianas no decorrer da obra. O desenvolvimento e aprimoramento do projeto deve ser através de programas de treinamento de pessoal com vistas a educar e orientar os trabalhadores, conscientizando-os sobre as questões de segurança, especificar quais os EPIs necessários e sua utilização adequada, bem como apontar os métodos que servirão de indicadores de desempenho, índices para auditorias administrativas e operacionais que definirão a eficiência do sistema de segurança do trabalho. O intuito de seguir estes passos e observar rigorosamente o definido pela legislação é de garantir, por ações preventivas, a integridade física e a saúde do trabalhador da construção civil, funcionários terceirizados, fornecedores, contratantes, visitantes. Enfim, todas as pessoas que atuam direta ou indiretamente na indústria da construção civil, quando na execução de uma obra ou serviço, e estabelecer um sistema de gestão em Segurança do Trabalho nas atividades relacionadas à construção, através da definição de atribuições e responsabilidades às equipes que fazem parte de todo o processo de execução da mesma, incluindo aí também a administração da obra. Como deve ser então este importante documento para que os envolvidos saibam como interpretá-lo e fazer com que seja eficaz? Vamos então passar os dados como devem ser registrados: Campo 1 - Comunicação prévia à DRT (Delegacia Regional do Trabalho), deve informar: Endereço correto da obra; Endereço correto e qualificação do contratante, empregador ou condomínio; Tipo de obra; Datas previstas de início e conclusão da obra; Número máximo previsto de trabalhadores na obra. Sempre emitida em duas vias, protocolar na DRT (Delegacia Regional do Trabalho) ou Apesar da redução do índice de acidentes, verifica-se que a maior parte dos programas apresentados pelas empresas da indústria da construção ainda apresenta dificuldades de implantação e, muitas vezes, não alcança os resultados esperados. O PCMAT veio ao encontro das necessidades das empresas e dos profissionais da área de Higiene e Segurança do Trabalho, ao estabelecer um programa permanente de controle dos riscos ambientais existentes nos diversos âmbitos de cada estabelecimento, e constitui parte integrante do conjunto mais amplo das iniciativas das empresas no campo da prevenção, da preservação e da proteção dos trabalhadores. U1 29O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil encaminhar via correio com AR (Aviso de Recebimento). Campo 2 - O local de entorno da obra, vizinhança, tráfego de veículos e trânsito de pedestres; Se há escolas, feiras, hospitais, indústrias e etc. Memorial descritivo da obra, contendo basicamente: Número de pavimentos; área total construída; área do terreno, tipo e sistema de escavação; fundações; estrutura; alvenaria e acabamentos; cobertura. Campo 3 – Área de convivência, aí devem estar descritos os tipos de instalações sanitárias, vestiários, refeitório, cozinha se houver, lavanderia se for o caso, alojamento, área de lazer e ambulatório; este item deve estar em conformidade com o padrão estabelecido pela NR-18 no item 18.4. Campo 4 - Aqui se fornecem as condições das máquinas e equipamentos, que devem ser criteriosamente descritas, definindo seu tipo de operação e seus mecanismos de segurança. Campo 5 – Todo e qualquer tipo de sinalizações, tanto verticais quanto horizontais, sua demarcação e necessidade. Campo 6 – Aqui cada fase pela qual avance a obra, os riscos deverão ser apontados em relação às atividades executadas e também os mecanismos de controle dos mesmos. Exemplo: na fase de limpeza do terreno, escavação, fundação, estrutura, alvenaria, acabamentos e cobertura. Campo 7 – Serão apontados neste campo os procedimentos de emergência para acidentes que possam ocorrer. Quais as devidas providências quanto ao registro de todos os acidentes ocorridos na obra, estabelecer índices indicadores de desempenho, construir rotas para os hospitais aptos a receber acidentados desta categoria, indicar e divulgar telefones de emergência. Campo 8 – Quanto aos treinamentos que devem ser ministrados na obra, que abordem temas considerados importantes que estejam no plano de ação do PPRA e que estejam de acordo com as necessidades específicas da obra em questão. Preparar a emissão das OS (ordens de serviço) quanto às funções existentes no canteiro de obras. E se necessário for, constituir CIPA, de acordo com o enquadramento estabelecido pela NR-5; se não for este o caso, designar um responsável na obra. Campo 9 – Aqui se darão as indicações quanto ao PCMSO, suas referências e indicações por parte do médico do trabalho. Campo 10 - Estabelece-se um cronograma para acompanhamento de fluxo evolutivo dos procedimentos a serem realizados; estimativa da quantidade de trabalhadores em cada etapa da obra; realização e execução das medidas de proteção coletivas; incorporação dos EPIs e sua aplicabilidade efetiva; cronograma das máquinas e equipamentos utilizados em cada etapa da obra. U1 30 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Campo 11 – Apresentação do croqui ilustrativo da obra, com o layout do canteiro de obras, a definição dos EPCs e EPIs implantados, além de medidas especiais de segurança que se fizerem necessárias, minúcias construtivas, materiais a serem usados e outras colocações que porventura se fizerem importantes na visão do profissional responsável pela execução do documento, que, segundo a legislação apresentada anteriormente, é de responsabilidade do Engenheiro de Segurança ou outro profissional segundo a autorização do CREA. Campo 12 - Assinatura do médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho que responde pelo documento, deve constar o respectivo número da ART, já liberado junto ao CREA. Campo 13 - Data de realização da avaliação e concretização do documento. 2.3 Outros documentos complementares Neste processo de definição e estabelecimento de critérios para que a indústria da construção civil seja implantada e a execução seja de acordo com aquilo que a legislação pede, existem também as legislações complementares, que individualmente não têm nenhum imperativo sobre o segmento e são de cunho amplo para todos os segmentos profissionais, mas são necessários para que o PCMAT seja eficiente. São eles a: NR-4; que define e rege os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, esta NR vai estabelecer a gradação do risco da atividade principal em relação ao número total de empregados do estabelecimento, estabelece em quadros anexos que valem para todos os segmentos, utiliza os padrões definidos para fins de dimensionamento de canteiros de obras e frentes de trabalho com menos de 1 (um) mil empregados e situados no mesmo estado. Nesta NR e em seus anexos, todo o dimensionamento em relação à obrigatoriedade de profissionais vinculados à segurança do trabalho está descrito (BRASIL, 2014c). NR-5; esta NR vai especificamente se dedicar à CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), que é responsável em administrar todas as questões que apresentem risco à atividade do trabalhador; está estabelecida nesta NR a obrigatoriedade de existência de CIPA em todas asempresas que tiverem Se o PCMAT tiver sido elaborado por profissional legalmente habilitado e não existir ART, deverá ser notificado por falta de ART, baseado no art. 1° da Lei n° 6.496, de 1977 (BRASIL, 1977). U1 31O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil trabalhadores em canteiro de obras, em condições especiais como: CIPA centralizada quando a empresa tem várias frentes de trabalho com menos de 70 trabalhadores em cada uma delas, dentro de um mesmo município; ou CIPA por canteiro quando o número ultrapassa os 70 trabalhadores, e ainda a possibilidade de CIPA provisória quando os serviços não ultrapassarão 180 dias (BRASIL, 2011). NR-6; esta discorre sobre os EPIs (Equipamento de Proteção Individual), sua obrigatoriedade no quesito neutralização ou minimização dos efeitos nocivos dos fatores de risco, sejam eles de qualquer dos grupos: físico, químico, biológico, de acidentes e ergonômicos. Os EPIs nesta NR definidos atendem a todos os tipos de funções de todos os segmentos, vai do gestor identificar os riscos e buscar a orientação adequada àquela função (BRASIL, 2014b). NR-7; nesta NR é o PCMSO (Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional) que vai tornar obrigatórios todos os cuidados necessários da parte da saúde do trabalhador, através da realização de exames e acompanhamento médico das condições clínicas do trabalhador, bem como aquilo que é necessário que seja estabelecido para manter os trabalhadores saudáveis (BRASIL, 2013b). NR-9; tem por definição o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais), onde são estabelecidos os riscos inerentes ao ambiente e é apontado o controle que deve ser assimilado para garantir a segurança dos trabalhadores. “Imagina-se que o acidente faz parte da produção, que é obra do acaso. Não, o acidente é principalmente obra do descaso, da falta da cultura de prevenção. [...] Entre as causas de tantos acidentes, [...] [está] a falta da cultura da prevenção e um ritmo de trabalho cada vez ‘mais denso, tenso e intenso’, [...] [soma-se as] dificuldades de fiscalização, seja pelo número insuficiente de auditores fiscais, seja pelas más condições de trabalho e riscos que enfrentam esses profissionais” (ALTAFIN, 2013). Você, como espectador desta realidade, acredita que a implantação de EPIs é a forma eficaz para combater esse tipo de fato? A implantação de EPI é garantia de redução de acidentes e estabelecimento de uma cultura de prevenção? Reflita como pode ser mudado este cenário atual. Pois bem, esta legislação complementar é tomada como fonte de pesquisa e direcionamento para a realização do PCMAT. Espera-se que todas as condições U1 32 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil sejam criteriosamente avaliadas e confrontadas com as condições in loco, pois o bom senso do gestor e sua criticidade devem ser pautados nas condições legais, e todas as situações e condições devem convergir para uma efetiva e eficiente estratégia do sistema de gestão de segurança. Continuando com a caracterização do PCMAT, este necessariamente deve ser elaborado antes do início das atividades. Como nele estão contemplados todos os riscos de todas as etapas da obra, não tem validade definida, embora periodicamente o PCMAT deve passar por uma reavaliação global. Neste processo deve ser reavaliado seu desenvolvimento, e as etapas a serem cumpridas, bem como se ele está atendendo plenamente ao objetivo para o qual foi elaborado. Se houver necessidade, podem ser feitos ajustes necessários para que se cumpram todas as prerrogativas legais e se estabeleça novas metas e prioridades de segurança. O PCMAT é elaborado com a única finalidade de proporcionar ações e medidas de segurança do trabalho em todas as fases da obra. Ele envolve em seu projeto uma proteção coletiva para atender àquela condição específica. Entretanto, a penalização da empresa que não apresentar documentação quanto aos riscos inerentes à atividade ali desenvolvida está prevista na Lei 8.213/1991, no artigo 133 (BRASIL, 1991). E o PCMAT não deve ser confundido com o PPRA, pois que o primeiro é muito mais completo e minucioso quanto aos riscos a que os trabalhadores estão expostos. Sabe a diferença entre um programa e um laudo? O Programa é uma instrução sobre o que se propõe a executar, e um Laudo é um parecer que contempla necessariamente a opinião do executor na forma de uma conclusão. 1. Quantas são as etapas de um PCMAT? Cite duas delas. 2. Quais são os documentos complementares na elaboração do PCMAT? U1 33O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Seção 3 MÉTODOS E PROCESSOS DE TRABALHO Chegou o momento para refletirmos quais os fatores que influenciam na indústria da construção civil, quais os órgãos e entidades públicas que estão envolvidos neste segmento que é essencialmente da iniciativa privada. O que por ora é uma garantia para o trabalhador pode se tornar um vício em alguns aspectos que barram o crescimento e a implantação de melhorias. Além disso, na prática, como acontece esse ciclo de atividades neste segmento profissional. 3.1 Aspectos políticos da construção civil Preocupado com um dos segmentos que mais geram emprego no país, a construção civil, o governo anunciou muito frequentemente pacotes para incentivar o setor. Com o levantamento feito recentemente foram 7,7 milhões de trabalhadores e 270 mil postos criados este ano, o que garante ao setor uma posição de oitavo lugar no ranking da geração de empregos. Estes números dão ao governo argumentos e justificam estas políticas de concessão de estímulos financeiros. O objetivo primaz destas políticas é incentivar a contratação de trabalhadores, diminuindo assim o nível de desemprego, implementar o comércio para que haja uma redução no custo da construção de novas moradias e aumentar o financiamento habitacional, para que mais pessoas possam adquirir sua casa própria. Para isso é necessário haver uma desoneração da folha de pagamento do setor, a redução dos tributos e a ampliação do acesso das empresas ao capital de giro. São estratégias políticas e econômicas que fomentam e movimentam a indústria da construção civil. Esse pacote de incremento e fomento para a construção civil prevê adequações na forma de recolhimento para a Previdência, que gira em torno de 20% sobre a folha de pagamento, passará a contribuir com 2% do faturamento, significativa alteração. Haverá também redução de 6% para 4% da alíquota do chamado RET, o Regime Especial de Tributação, este é um pacote que inclui vários tributos, como Imposto de Renda, PIS e Cofins. Além disso, será criada uma linha de capital de giro de R$ 2 bilhões para micro e pequenas empresas que estiverem interessadas em fazer parte deste segmento do mercado. U1 34 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Com a implantação de todos estes incentivos, o governo estima que vários são os setores da economia que serão beneficiados, não só a indústria da construção civil, neste macropropósito estão incluídos setores como a indústria automobilística e de eletrodomésticos da linha branca. Com os efeitos positivos destes incentivos, novos horizontes vão se delineando e dando ainda mais credibilidade ao programa lançado, pois há um aumento considerável da atividade econômica do setor, reafirmando que a indústria da construção civil é um setor que sozinho responde por quase metade dos investimentos realizados no país, e dar condições para que esse projeto continue a estimular o crescimento do país. Veremos também outra vertente da política atrelada à construção civil, que consiste numa ação que está diretamente relacionada com o desenvolvimento sustentável do país, devido à sua relevância na dimensão econômica, social e ambiental, apresentando, portanto, um papel dualístico: é um setor positivo nos aspectos sociais (empregabilidade) e econômico, porém negativo no aspecto ambiental, pois representa uma dasmaiores fontes geradoras de resíduos. Para se ter uma noção da importância da construção civil, em 2009 o IBGE elaborou uma pesquisa com dados da indústria da construção e o resultado foi que em 2008 as empresas de construção alcançaram um processo de fortalecimento da renda e os efeitos das medidas de incentivo realizadas pelo governo proporcionaram ao setor realizar incorporações, obras e serviços no valor de R$ 159,0 bilhões, com receita operacional líquida de R$ 149,6 bilhões. As construções executadas cresceram 22,3%. Com estes dados, estabelece-se que o mercado da construção civil brasileira é um ramo que absorve um considerável número de trabalhadores, por isso sua importância fundamental na economia do país, gerando empregos diretos e indiretos. Embora existam inúmeras dificuldades no mercado econômico e um longo caminho a ser percorrido, os interesses comuns são maiores e formam a base das ações de desenvolvimento, existindo então uma força conjuntural para fazer a construção civil se modernizar, aumentar sua produtividade, desenvolvendo inovações com racionalidade, padronização de procedimentos e preocupação com a sustentabilidade. Com vistas a alcançar o crescimento outrora almejado, as perspectivas foram sendo traçadas de acordo com as condições internacionais da economia e as perspectivas reafirmadas dos grandes eventos confirmados no país em 2014 e 2016. Com vistas a fazer jus a estes acontecimentos históricos para o país, o governo tratou de manter o principal investimento até hoje realizado para este setor, o Programa Minha Casa, Minha Vida, lançado em março de 2009, mas que tem sido reavaliado e relançado de tempos em tempos e que prevê a construção de um milhão de residências com a concessão de subsídios, cujos valores estimados somam cerca de R$ 34 bilhões. U1 35O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Com vistas a manter em alta este e outros programas de menor impacto, mas que incentivam igualmente o mercado da construção civil, o grande desafio passa a ser uma expansão tecnológica da indústria da construção civil, que precisa atender à nova dinâmica da construção industrializada tecnológica. O desenvolvimento tecnológico possui índices pontuais quanto à disponibilidade e a geração de mão de obra qualificada em diversos níveis do setor da construção civil, seja para o desenvolvimento de técnicas existentes, seja para novas demandas, inovações, segurança do trabalho e sustentabilidade. Esses fatores chamaram a atenção no segmento de edificações, principalmente se comparados a outros países. Dados do IBGE mostram que 91% do déficit habitacional se concentra na faixa de renda entre zero e três salários mínimos – para esse público o plano prevê a destinação de R$ 16 bilhões, para a construção de 400 mil moradias. Para as famílias com renda entre três a seis salários mínimos serão destinados R$ 10 bilhões, para a construção de mais 400 mil unidades, e as demais 200 mil moradias serão destinadas às famílias com renda entre seis e dez salários mínimos. Para essa faixa haverá estímulo à compra, com redução dos custos do seguro e acesso ao Fundo garantidos. Dentro do pacote, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou um programa de crédito, no montante inicial de R$ 1 bilhão, para dar suporte às empresas do setor da construção civil, especialmente pequenas construtoras e fabricantes de materiais de construção. Para que esse desenvolvimento tecnológico não fique estagnado, a construção civil é muito dependente do crédito, tanto para sua produção quanto para sua comercialização, crédito este que tende a acompanhar o crescimento dos financiamentos imobiliários. Porém, o Brasil ainda apresenta um volume de crédito pequeno para esta finalidade, se comparado a outros países. Na cultura brasileira existe a tendência de financiamento para imóveis mais caros, o que justifica o grande déficit habitacional nas classes de menor renda. Com relação à construção pesada, o que caracteriza seu baixo índice evolutivo e de crescimento é a pouca oferta de crédito, resultante da crise econômica mundial que tornou o crédito mais caro e mais reduzido. Para tentar amenizar este impacto, busca-se a queda dos juros no país, e para dar à indústria da construção civil em larga escala uma motivação, tenta-se atrelar a qualidade de vida e a prática do conhecimento sustentável. Dessa forma, tem-se o conceito de sustentabilidade U1 36 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil como entendido não apenas como uma questão ambiental, mas como uma questão do ser humano em sua totalidade, como o ente principal, fundamental e indispensável aos processos produtivos. O desenvolvimento sustentável requer uma visão sistêmica na íntegra do processo de produção na construção civil, é extremamente atual e considera as necessidades de trazer o menor impacto possível ao meio ambiente. Com este conceito e tendência a indústria da construção civil confunde-se com a própria sustentabilidade nos negócios. Buscando esta sustentabilidade nos negócios, as empresas que integram o setor estão sempre amarradas ao próprio conceito de sustentabilidade que engendra as dimensões socioeconômico-ambientais. São estas dimensões que, interdependentes e inter-relacionadas, constituem o enfoque de um crescimento do setor de forma consolidada. 3.2 Aspectos práticos da construção civil As urgências do mundo moderno nos direcionam para uma efetividade das ações de segurança e saúde do trabalho, que devem estar em perfeita interação com a gestão global da empresa. Deve haver um sistema integrado harmonicamente aos trabalhadores, enfim deve haver uma integração dos setores e dos trabalhadores em toda empresa. Quando falamos em segurança e saúde do trabalhador, em especial no segmento da construção civil, não podemos deixar de lembrar que neste setor é crítica a situação, por conta do alto índice de acidentes, que decorrem devido em grande parte pela condição intrínseca das atividades de risco, a grande alteração das rotinas e as alterações no cenário que são inevitavelmente distintos à medida que as obras avançam. Neste avanço a condição e o ambiente vão sendo alterados e há rotatividade das várias equipes, que vão sendo substituídas. Além disso, em muitos momentos existe uma multiplicidade de equipes que necessitam trabalhar concomitantemente, estas nem sempre pertencem ao mesmo grupo que coordena a obra, muitas vezes são trabalhadores terceirizados, dificultando a integração, pois não compartilham das mesmas informações e a mesma consciência de responsabilidade. As hostis e severas condições de trabalho neste segmento levam o trabalhador a uma grande exposição quanto aos riscos de acidentes e doenças originárias das condições de trabalho, pois o canteiro de obras esconde armadilhas e situações sui generis capazes de degenerar a qualidade de vida do cidadão. Para tentar minimizar esse tipo de situação é necessário adotar no canteiro de obras uma otimização dos trabalhos, para que cada atividade tenha seu espaço delimitado, cada atividade tenha suas ferramentas ao dispor e um local apropriado para sua armazenagem, sem que atrapalhe ou dificulte o fluxo; bem como o canteiro deve ser disposto de maneira que elimine a maior possibilidade de riscos possíveis. Vamos ver como U1 37O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil deve ser feita a organização do canteiro de obras para melhorar o fluxo de trabalho e garantir ideais condições de segurança na realização das tarefas: • Manter materiais armazenados em locais predefinidos de acordo com uma logística que permita o bom andamento da distribuição dos produtos e a boa circulação dos trabalhadores, bem como em local estratégico que viabilize a armazenagem de materiais de forma adequada, sem extrapolar o que foi previsto no dimensionamento da estrutura e sem a obstrução de portas, janelas e equipamentosde incêndio; • Manter desobstruídas vias de acesso, circulação, passagens e escadarias, bem como não manter materiais empilhados fora de padrão e que dificulte o manuseio; • Tubos e vergalhões, perfis e barras e demais materiais de grande extensão devem ser armazenados em camadas e com separadores e dispositivos de retenção; bem como cal virgem deve ser armazenado longe de umidade e em local arejado; • Se houver na obra a necessidade de utilização de materiais tóxicos, como solventes, inflamáveis e corrosivos, os mesmos devem ser mantidos armazenados em local isolado com acesso restrito a pessoas devidamente orientadas e autorizadas, e o local deve ser devidamente sinalizado; • As madeiras e escoras devem ser mantidas empilhadas, e pregos e arames devem ser rebatidos ou retirados; • Se houver recipientes de ar comprimido ou gases de solda, devem ser devidamente armazenados junto aos produtos inflamáveis e sinalizados; • Manter o canteiro limpo, organizado e livre de obstáculos é fundamental; • Coletar e remover regularmente entulhos e sobras de material, com o cuidado de não gerar poeira e riscos na remoção; inclusive das plataformas e de outras áreas de trabalho; para remoção de entulhos em diferentes níveis, utilizar equipamentos mecânicos ou calhas fechadas; • Para melhorar o trânsito de trabalhadores, deve-se providenciar rampas de acesso e escadas provisórias com vistas a atender à transposição de diferentes níveis que sejam com altura superior de 40 cm; • Instalar escadas, rampas e passarelas com madeiras de boa procedência e qualidade, construídas dentro dos padrões estabelecidos pela NR, com guarda- corpo e rodapé; • As máquinas de grande porte, como betoneiras, e áreas destinadas à carpintaria, devem ser instaladas sob cobertura, protegidas das intempéries climáticas; U1 38 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil • As áreas de produção e as áreas de vivência devem ser devidamente identificadas e sinalizadas quanto aos riscos, as condições de conforto quanto a refeitório e fornecimento de água devem respeitar o estabelecido na NR-24, com uma proporção de um bebedor a cada grupo de 25 trabalhadores; • A área destinada a refeição deve conter local destinado ao aquecimento da refeição e realização da mesma; • As instalações sanitárias devem ter lavatório, vaso, mictório na proporção de um para cada grupo de 20 trabalhadores, um chuveiro para cada grupo de 10 trabalhadores, área de chuveiro com no mínimo de 0,80 m², e vestiário com armário individual e cadeado, conter bancos com largura mínima de 0,30 cm. • As vias de acesso aos vestiários e a saída da obra devem ser sinalizadas e isoladas das atividades desenvolvidas no canteiro. Outros cuidados que devem ser tomados quando da instalação do canteiro de obras é quanto às construções vizinhas, a análise de tubulações hidráulicas, de gás e elétricas deve ser avaliada; se necessário for realizar demolições, é importante que muros e paredes sejam devidamente estacados. Um fator muito importante tanto quanto as medidas físicas de prevenção é o treinamento dos funcionários do canteiro de obras, devendo estes passar por uma integração que lhes dê condições de compreender todo o funcionamento da obra, seu papel enquanto trabalhador deste segmento profissional, suas responsabilidades tanto com sua vida como com a dos outros; este treinamento é previsto pela legislação e tem duração mínima de seis horas. Com estes cuidados, que não são vistos como circunstanciais ou opcionais em um canteiro de obras na indústria da construção civil, sendo o único meio de promover uma nova fase para a construção civil, este segmento passa a ter uma conotação mais comprometida com a produtividade e com a segurança, como fator agregador ao produto fabricado. Assim sendo, é esperado que alguns benefícios imediatos sejam percebidos, tais como: a diminuição dos riscos de acidentes; ambientes que proporcionam maior conforto ao trabalhador e geram satisfação ao mesmo ajudam-no a aumentar sua produtividade, ambientes organizados reduzem o desperdício de materiais, melhora do visual do canteiro traz maior credibilidade ao trabalho ali realizado. As condições de cada etapa da obra estão regulamentadas e são resumidas quando é possível estabelecer claramente as fases, como, por exemplo, a carpintaria: deve ser dotada com mesas estáveis, carcaça de motor aterrada e lâmpadas de iluminação protegidas contra ejeção de partículas, deve ter piso resistente, nivelado e antiderrapante, com cobertura para que o trabalhador não fique desprotegido. Os armadores devem realizar as dobragens em bancadas ou plataformas estáveis, a área de trabalho deve ser coberta para proteção dos U1 39O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil trabalhadores contra queda de materiais e intempéries. A colocação de pilares e vigas deve ser feita de modo que se executem a prumagem, mesmo que de forma suspensa com marcação e fixação de peças; já as operações de soldagem e corte a quente, o dispositivo sempre deverá ser utilizado para manusear eletrodos que devem ter isolamento adequado à corrente que será utilizada. Como medidas de proteção contra queda de altura, fica estabelecido que em todo o perímetro da construção de edifícios com mais de quatro pavimentos é obrigatória a instalação de uma plataforma principal na altura da primeira laje logo depois da concretagem, deve atender à seguinte metragem: ter no mínimo 2,50m de projeção horizontal, e acima dela devem ser instaladas plataformas secundárias em balanço a cada três lajes. Todas estas são medidas físicas, mas tem também as de nível humano, onde os trabalhadores que operam as máquinas e equipamentos de transporte devem ter no mínimo Ensino Fundamental completo, caso não possuam experiência registrada na CTPS anterior a maio de 2011, e devem passar por treinamento e atualizações anualmente; e aos que executam manutenção das instalações elétricas, estes devem ter qualificação específica. Estes fatores na construção civil não eram pontuados como agregadores de valor até há alguns anos, mas nessa economia contemporânea todos esses pontos são extremamente relevantes, uma vez que é notório que esta multiplicidade de fatores pode causar um grande efeito negativo na produtividade. E a construção civil brasileira tem evoluído como todo o processo industrial da modernidade, na busca pelas certificações nacionais e internacionais, como Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQ), como ISO 9001 e PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat). Descobriu-se que os fatores humanos neste segmento da economia, que outrora eram renegados, são um grande veio para alcançar um aumento na qualificação do trabalhador e na qualidade do serviço por ele executado. Esta qualificação trouxe um interesse e uma motivação a essa classe trabalhadora que repercute diretamente na produção por ela realizada. Em termos específicos, a diminuição dos acidentes de trabalho vem sendo alcançada por meio de uma percepção, da conscientização e da integração dos trabalhadores que se identificam como profissionais valorizados. “Mais de dois milhões de trabalhadores brasileiros morrem por ano em virtude de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, geralmente por conta das condições inseguras. [...] A redução U1 40 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Este programa, embora comprovadamente eficiente, ainda não atingiu a totalidade das empresas deste segmento econômico. Os resultados na construção civil referentes à diminuição nos acidentes de trabalho e profissionalização dos trabalhadores ainda têm números negativos, pois muitas empresas não se conscientizaram da importância desse fator e da necessidade da integração humana ao programa de higiene e segurança do trabalho como fundamentais ao crescimento da organização. A melhora das condições nos canteiros de obras está em vigor desde1995, através da NR-18, contudo a falta de fiscalização proporcionou uma certa inércia operacional em relação às adequações legais. Desde condições muito simples, como as de sanitários, refeitório e vestiário, até as mais complexas, quanto a EPI e equipamentos de grande porte, sempre foram relegadas e, assim, também o papel do trabalhador deste setor, que, desmotivado, não aderia a nenhum tipo de projeto e ação de segurança do trabalho. Assim sendo, como não havia entusiasmo no exercício da profissão, o trabalhador tinha no ambiente a expressão do desleixo e a ideia de desnecessário. Qualquer tipo de ação que viesse a contrariar a ordem natural que até então era seguida não tinha nenhuma repercussão e, desta forma, a caracterização da atividade como uma das mais onerosas ao INSS e MTE. Nesta evolução tecnológica e a necessidade de apresentar resultados que desonerassem a carga tributária da empresa, desenhou-se um novo cenário da construção civil, onde a integração e envolvimento de todos junto a uma legislação que propõe condições ideais alavancou este novo conceito de trabalhador da construção civil e das condições de conforto e higiene dos canteiros de obra. de acidentes é possível graças ao investimento em ações preventivas dentro dos canteiros [...] Entre as medidas adotadas pelas empresas, a distribuição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), [...] a capacitação de funcionários por meio de cursos e palestras; além de fiscalização constante pelos técnicos de segurança e mestres de obra [...], geram bons resultados nos canteiros de obra” (AÇÕES..., 2012). Essas ações práticas são assertivas, contudo ainda existe muita resistência. Você acredita que este tipo de resistência é maior por parte das empresas ou dos trabalhadores que não têm uma cultura de prevenção? Reflita se estas pré-noções frequentes atrapalham a implantação de novos conceitos; cabe aos órgãos públicos punições mais pesadas ao setor, ou cabe uma maior adesão por parte dos empregadores neste esforço de realizar uma transformação cultural nos canteiros de obras? U1 41O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Para que esse novo cenário continue a ser definido, é necessário que os treinamentos e as integrações sejam cumpridos e, assim, a cultura do trabalhador seja revista e este passe a se comportar e se entender como uma chave essencial ao crescimento da construção civil, que na atualidade é uma das responsáveis pelo crescimento da economia no país. Atualmente, para iniciar o canteiro de obras e para regê-lo, os responsáveis têm à mão a NR-18, que tem todas as normativas quanto à realização de cada etapa da construção. Lá também está definido como cada fase da obra deve preparar seu trabalho com vistas a complementar e a ser complementado pelas fases seguintes, nela também estão contemplados alguns serviços de alto risco, como a instalação de gruas, trabalho em altura, os anexos darão conta destes riscos em minúcias. Também em anexo estão os procedimentos quanto aos acidentes ocorridos neste setor em específico, pois um trabalho de investigação e acompanhamento deve ser registrado com vistas à não ocorrência do mesmo. Cada obra constitui-se num produto único, suas variáveis são quanto ao tamanho, quantidade de mão de obra, equipamentos, materiais utilizados, capital investido, conteúdo e complexidade de tarefas. A contratação dos trabalhadores se dá de acordo com as etapas da construção, não é possível uma ordem fixa na obra durante toda a sua execução. Baseadas nestas características, muitas empresas justificam o descumprimento da legislação trabalhista, quanto aos encargos sociais e às determinações da NR-18 (PCMAT). Mas, nos últimos anos, esforços têm sido feitos para introduzir na indústria da construção civil a Gestão da Qualidade Total, que já se incorporou no cenário da indústria nacional de outros ramos. Na construção civil brasileira, foi na década de 90 que os primeiros movimentos em direção à abordagem ampla do controle da qualidade surgiram de forma mais organizada, tendo os estudos voltados para cada etapa do processo do projeto, sincronia na execução de obras, realização de manutenção, desperdícios de material e de tempo, retrabalhos, entre outras atividades relacionadas à produção de edifícios. Como o setor de construção civil se divide em três campos: edificações, construção pesada e montagem industrial, vamos dar atenção às edificações, onde perceberemos que a realização de partes de obras por especialização constitui-se em fases, que vão desde o processo edificativo à execução de serviços complementares à edificação. Nesta linha teremos o subsetor de edificações marcado pela heterogeneidade no porte e na capacitação tecnológica e empresarial das empresas, onde estarão presentes empresas de grande porte, com estruturas administrativas complexas, juntamente com pequenas e microempresas sem organização empresarial. Neste subsetor de pequenas e microempresas não há padronização de processo de produção, sendo cada produto único e cada ambiente de trabalho se altera constantemente. A estrutura organizacional, de base manufatureira, define como as U1 42 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil tarefas serão alocadas dentro deste tipo de empresa, e quais os mecanismos formais de coordenação e interação serão utilizados. A dinâmica de trabalho é estruturada por funções, onde há uma hierarquia formada por mestres de obras, pedreiros e serventes, que estão divididos pela hierarquia do canteiro de obras, com rígido controle técnico exercido pelos engenheiros e técnicos, e outro rigoroso controle administrativo disciplinar exercido pelos apontadores e encarregados administrativos. Nesta visão, o canteiro de obras se constitui, na maioria das vezes, no local de aprendizagem do ofício, tendo um padrão ultrapassado de profissionalização, onde a formação do operário de construção se constrói no interior da sua própria força de trabalho. O principal problema com a mão de obra sendo contratada neste formato é, por parte do trabalhador, com relação ao uso dos EPI’s. Equipamento de Proteção Individual - EPI é destinado à proteção contra riscos identificados no ambiente capazes de ameaçar a segurança e a saúde do trabalhador. O EPI só será obrigatório nos termos legais se o EPC (Equipamento de Proteção Coletiva) não atenuar ou eliminar os riscos completamente, ou se oferecer proteção parcialmente que necessite ser complementada. No caso da construção civil, como o canteiro de obras é um espaço de constantes mudanças e com alternância de qualificações profissionais, embora haja EPCs que devem ser adotados e permaneçam até o final da obra, a adoção dos EPIs é incondicional. O uso do EPI atende à necessidade de proteção eficiente e suficiente para a atenuação dos riscos ali configurados, de modo que, mesmo existindo o EPC implantado, não há como dar Para se obter um CA, o fabricante ou importador deve enviar uma amostra do equipamento para um laboratório autorizado, o laboratório faz testes com esse equipamento e emite um laudo com as características do produto. Esse laudo é enviado ao MTE para emissão do CA, que garantirá o padrão dos equipamentos que devem obedecer às especificações presentes no laudo. 3.3 EPIs Figura 1.1 | EPI Fonte: Shutterstock (2015), U1 43O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil garantias de efetiva e total proteção enquanto na realização das atividades, quanto aos acidentes de trabalho e doenças profissionais e do trabalho. Quanto aos EPCs, eles podem ser adotados para, por exemplo: enclausuramento acústico para fontes de ruído, sistema de ventilação em locais de trabalho, a proteção de partes móveis de máquinas e equipamentos, a sinalização de segurança, corrimão de escadas e etc. O EPC tem uma característica muito peculiar, que é a não dependência da vontade do trabalhador para atender a suas finalidades,ele deve por si dar garantias de segurança somente por estar ali estabelecido, e sua eficácia independe da condição do trabalhador aderir à utilização. O princípio do EPI e do EPC é o mesmo, minimizando os efeitos negativos de um ambiente de trabalho que apresenta diversos riscos ao trabalhador. Para tanto, veremos que o EPI necessita que o trabalhador reconheça os riscos a que está exposto e decida-se em cuidar e zelar por sua integridade física, não há eficácia na implantação de um EPI se o trabalhador não entender que o maior beneficiário é ele. A legislação que regulamenta o estabelecimento do EPI está na NR-6. Nela está estabelecido que é a empresa a responsável em adotar as medidas de proteção individual e implantá-las, devendo para isso fornecer os EPIs e exigir seu uso. Esta NR também estabelece quais são os equipamentos e sua regulamentação para que atendam a necessidade do trabalhador, determina que apenas os EPIs que passarem por um processo de avaliação e estiverem certificados pelo Ministério do Trabalho e Emprego é que poderão ser adotados e terão as características necessárias para atender a necessidade do trabalhador (BRASIL, 2014b). Quer saber onde são realizados os testes que validam os EPIs concedendo a eles o CA? Acesse o link: <http://www3.mte.gov.br/seg_sau/epi_ ensaiados.pdf>. De acordo com cada atividade é que se estabelece os EPIs necessários, pois essa definição depende de fatores como: • riscos estabelecidos; • tempo de exposição; • atividade desenvolvida. Com base nestas informações e de acordo com o local onde é realizada a atividade, estabelece-se a forma mais eficiente de proteger a integridade física do U1 44 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Figura 1.2 | Placas indicativas de segurança Fonte: Shutterstock (2015), trabalhador. Atualmente já estão definidos, para quase todas as funções existentes, quais os EPIs são utilizados e como devem ser utilizados, porém nada impede de termos que avaliar os fatores e determinar para uma condição qualquer um EPI que ainda não tenha sido adotado, levando em consideração que pode ser uma condição especial, para uma tarefa especial, fato que é até corriqueiro para a segurança do trabalho. A distribuição do EPI está regulamentada pela NR-6, que determina a entrega do equipamento de proteção individual mediante treinamento realizado com os trabalhadores, com vistas a orientá-los e conscientizá-los quanto à obrigatoriedade de utilização, pois faz parte de uma exigência legal, quanto à utilização correta para os fins a que se destina, quanto à sua conservação, e que a responsabilidade de cuidar e zelar por este equipamento deixa de ser da empresa e é repassada ao trabalhador, já que é dele a necessidade de utilização (BRASIL, 2014b). Este treinamento deve ser devidamente registrado em lista de presença com a assinatura dos participantes e, quando da entrega do EPI ao trabalhador, o mesmo também deverá assinar um termo de recebimento, este deverá contemplar os dados da empresa, os dados do trabalhador, como nome e data de admissão e função, os termos legais de estabelecimento do EPI pela legislação contidos na CLT na NR-1 e NR-6, das responsabilidades do trabalhador, e campo para data e assinatura do trabalhador, bem como os dados do EPI, por exemplo: Quantidade; Descrição do EPI; CA; Data de entrega; Assinatura do trabalhador. Sem este documento, embora o empregador entregue o EPI ao trabalhador, ele não está em conformidade com a legislação. Toda a compra que for realizada de EPI, deve- se atentar para os CAs exigidos e suas validades; a compra de EPIs deve ser através de consulta também à NR-6, que já tem uma lista definida de EPI para cada membro do corpo que encontra- se no Anexo I, este direcionamento deve ser atrelado ao levantamento realizado in loco na atividade. U1 45O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Figura 1.3 | Trabalho em altura Fonte: Istock (2012). ser preso também em cabo-guia com as mesmas orientações de fixação. Neste caso ainda de movimentação periférica ou externa de edificações, o trava-quedas também é um equipamento de segurança que deve ser adotado para ser fixado no cabo-guia e ser assim um dispositivo a mais de segurança, para que no caso de queda não haja qualquer possibilidade de rompimento e a queda venha a ser fatal. Bem, quando se fala em altura, a partir de quantos metros estamos falando? Estamos falando que todo esse aparato deve ser empregado quando o trabalhador for executar uma tarefa acima de 2 m, até esta altura de 2 m não há necessidade de montar toda esta estrutura. Percebam que falamos de preparar o local para que seja instalado este tipo de estrutura para a fixação do cinto de segurança, mas para qualquer atividade que fique abaixo dos 2 Vamos dar exemplo de acordo com a atividade realizada na construção civil, armador: Capacete é fundamental, aliás para qualquer trabalhador que ingressar no canteiro de obras o capacete e o sapato são equipamentos essenciais; Luva de raspa, pois o material com o qual ele trabalha pode acometê-lo de um acidente com as mãos; Óculos transparente para os olhos, pois fagulhas podem espirrar e atingir seus olhos; Protetor auditivo, pois equipamentos podem ser utilizados no canteiro e isso afetará as condições ideais de audição do trabalhador. Ainda na construção civil, quando o trabalhador tem que realizar atividade em altura, o que deve ser utilizado? Bem, nesse caso existe um conjunto de equipamentos de segurança que devem ser adotados, começando pelo cinto de segurança modelo paraquedista, mas o trabalhador deve ser orientado a utilizá- lo prendendo-o a um cabo-guia que deve ser preso à estrutura ou em local fixo; aliado ao cinto vem o talabarte, que se faz necessário aos trabalhadores que se movimentam horizontalmente na parte externa da edificação, este talabarte deve U1 46 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil metros se deve também ter os mesmos cuidados quanto à segurança, só não com a obrigatoriedade deste EPI. Para os casos de adoção dos protetores auditivos plugs ou conchas associados à implantação do EPI, deve existir a consulta à NR-15 e seus anexos, que trazem informações quanto aos níveis de pressão sonora existentes em cada atividade, somando-se a isso as condições locais, e a própria condição pessoal do trabalhador deve ser considerada. Para os protetores faciais, as considerações estão disponíveis também no Anexo I da NR-6, porém conforme cada tipo de exposição. No caso da construção civil, pode acontecer de num canteiro de obras existir atividade com solda, e também poeira, e para cada um destes ofícios uma máscara é indicada (BRASIL, 2014b). Também está dividida a proteção do tronco, membros superiores e inferiores. Para o tronco é nas condições em que as atividades estão relacionadas à umidade, altas temperaturas e respingos e fagulhas que possam se desprender de equipamentos que estejam sendo manipulados. Para os membros superiores são as luvas as mais utilizadas no segmento da construção civil, embora os mangotes sejam obrigatórios quando da utilização da solda. Para os membros inferiores, o sapato é o primeiro a ser indicado e deve apresentar estrutura adequada para terrenos instáveis e com deformidades. Para os trabalhadores habilitados em trabalhar com rede energizada, todos os EPIs por eles utilizados estão dispostos na NR-10, pois estes apresentam características bem distintas dos demais EPIs, ainda lembrando que no caso da construção civil é muito comum o trabalho a céu aberto, para isso devem ser disponibilizados aos trabalhadores protetores solares, que também estão elencados como EPI e devem ser individuais e constar na ficha de entrega de EPI e assinado pelo trabalhador. Devemos estar sempre atentos e deixar claro que a condição de proteção coletiva é sempre racional e eficaz, pois advém a percepçãoda adoção do EPI, e esta é uma condição primária à garantia de salubridade no ambiente de trabalho, mas em situações fortuitas é o EPI que fornece a segurança quanto aos agentes agressivos à saúde do trabalhador. Outra característica que merece destaque é a troca periódica do EPI, necessária após um determinado período de uso, já que todo equipamento tem um período de vida útil, no qual ele tem a finalidade de neutralizar a insalubridade a que se destina. Neste ponto é que as empresas costumam pecar, pois ao entregarem, não mais atentam para a necessidade de fiscalizar este procedimento de troca, sendo comum os empregados utilizarem um protetor auricular do tipo plug por um ano, quando, de acordo com os peritos, a vida útil do mesmo é em média dois meses, mas pode ser aumentado ou diminuído de acordo com a situação em que é utilizado. U1 47O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Lembramos de forma oportuna que os EPIs, sua adoção, sua aplicabilidade, sua fiscalização devem ser uma situação que requer grande cuidado por parte das empresas. Devendo existir um setor ou pessoa específica para tal função, levando-se em conta o tamanho da organização, para que possa fiscalizar o uso do equipamento, a entrega, o treinamento e demais obrigações exigidas pela legislação. Os EPIs, quando devidamente estabelecidos e prescritos, utilizados e conservados, firmam-se como instrumentos de neutralização da insalubridade, descaracterizando assim adicional a ser pago ao trabalhador, pois de acordo com a CLT, em seus artigos 191 e 194, quando a insalubridade é eliminada ou neutralizada mediante as medidas de prevenção, ficando dentro dos padrões de tolerância determinados pela legislação, cessa-se o risco à saúde e à vida do trabalhador. Lembrando que o fornecimento do EPI ao trabalhador será em caráter obrigatório e gratuito por parte da empresa, ficando sob a responsabilidade do empregado sua guarda e conservação. 1. Qual é a NR específica que trata da descrição dos EPIs para as diversas finalidades e proteção do trabalhador? 2. O que é necessário para que o EPI seja adotado e qual a sua finalidade? Como vimos no decorrer desta unidade, a indústria da construção civil é atualmente um negócio da economia que tem dado muito retorno para o crescimento do país, é um segmento que tem deixado as características rudimentares e adotado um perfil muito mais próximo da evolução tecnológica do mundo contemporâneo. U1 48 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Com estes princípios, a legislação está sendo atrelada e construída para contribuir com os trabalhadores, visando torná-los mais qualificados e inseridos neste mercado moderno da economia, pois estabelece várias mudanças às quais estes trabalhadores têm que se adaptar para que continuem no mercado de trabalho. Tão importante quanto qualificar e tornar o trabalhador eficiente em seu ofício é garantir que as condições de vida e saúde do mesmo sejam preservadas. Num plano secundário, quando essa ideia é trabalhada e os acidentes e doenças ocupacionais ou do trabalho são reduzidos, para o governo é menos impactante, uma vez que quando estes índices são altos, os afastamentos e tratamentos médicos são custeados pelo poder público através do INSS. Com vistas neste custo altíssimo que o trabalhador passa a gerar no INSS é que as legislações e normativas são aprovadas e decretadas, cabe então às empresas acatá-las e cumpri-las. É evidente a importância de se ter uma legislação que determine e oriente todas as ações e condutas necessárias para a indústria da construção civil como um grande nicho no mercado financeiro. Mas, além dos fatores econômicos importantes, existe a condição do avanço tecnológico, que também este setor vem conquistando e assumindo. Como não considerar a indústria da construção civil como um grande mercado, onde ainda existem inúmeras situações a serem readequadas e configuradas? Essa nova tendência da construção civil engendra o lado humano com igual valor com o lado tecnológico, por isso medidas tão rígidas de controle dos canteiros de obras, onde a presença humana é o fator que move toda a logística da produção. Pessoas bem treinadas, conscientes, qualificadas e comprometidas possibilitam uma melhora na qualidade e quantidade de produto realizado, é essa a verdadeira meta, onde se possa consolidar a indústria da construção civil e a qualidade de vida dos trabalhadores, sem que haja o estigma de serviço de baixo valor e qualidade. U1 49O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Então, caros alunos, chegamos ao final desta unidade, espero que tenham gostado do conteúdo aqui discorrido. Vamos agora apontar o que mais nos é relevante, ou seja, de tudo o que aprendemos, o que nos será mais exigido enquanto profissionais da segurança do trabalho. Precisamos conhecer a NR-18 e todos os pontos que ela apresenta. Que fique claro: não é mister que decoremos, mesmo porque é uma legislação que pode ser alterada de tempos em tempos, entretanto precisamos conhecer sobre quais assuntos ela discorre. Também nos é muito importante a confecção do PCMAT, devemos conhecer as condições e a legislação para a elaboração do mesmo, que se dará em conjunto com os gestores da obra. E para finalizar, é fundamental que conheçamos os EPIs disponíveis e indicados e com uma análise in loco saibamos adotar as medidas mais assertivas quanto à segurança dos trabalhadores, pois dessa decisão muitas e muitas situações podem ser evitadas, desde as intrinsecamente práticas quanto à utilização dos mesmos, quanto aquelas que envolvem o fator econômico, seja por acidentes, seja por reclamatórias trabalhistas. Que vocês sejam excelentes profissionais e se mostrem muito comprometidos com a segurança dos trabalhadores. Boa sorte! 1. Qual é o documento obrigatório que deve ser elaborado segundo a legislação quando no segmento da indústria da construção civil? U1 50 O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil 2. Para a elaboração do PCMAT, quais são os programas necessários que dão subsídio de informações e sem os quais não tem como realizar o PCMAT? 3. Em qual NR está disposta a obrigatoriedade do PCMAT? 4. Além do EPI, qual outro método de proteção deve ser adotado na indústria da construção civil? 5. Aponte os EPIs destinados à proteção para trabalhadores que desenvolvem trabalhos em altura. U1 51O estudo de métodos e processos e a indústria da construção civil Referências AÇÕES preventivas contribuem para redução de acidentes na construção civil. SINDICAF-PR. 29 out. 2012. Disponível em: <http://www.fiepr.org.br/sindicatos/ sindicaf/News21531content197471.shtml>. Acesso em: 1 dez 2014. ALTAFIN, Iara Guimarães. Número de acidentes de trabalho na construção civil preocupa especialistas. Agência Senado, Brasília, 11 mar. 2013. Disponível em: <http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2013/03/11/numero-de-acidentes- de-trabalho-na-construcao-civil-preocupa-especialistas>. Acesso em: 1 dez. 2014. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7678:1983: instalações elétricas de baixa voltagem. Rio de Janeiro, 1983. ______. NBR 6494:1990: segurança nos andaimes. Rio de Janeiro, 1991. ______. NBR 5410:2004: instalações elétricas de baixa voltagem. Rio de Janeiro, 2008. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n. 6.496, de 7 de dezembro de 1977. Institui a “Anotação de Responsabilidade Técnica” na prestação de serviços de engenharia, de arquitetura e agronomia; autoriza a criação, pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CONFEA, de uma Mútua de Assistência Profissional; e dá outras providências. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6496.htm>. Acesso em: 17 dez. 2014. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. Portaria n. 3.214, 08 de junho de1978. Aprova as Normas Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/ FF8080812BE914E6012BE96DD3225597/p_19780608_3214.pdf>. Acesso em: 17 dez. 2014. ______. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm>. Acesso em: 17 dez. 2014. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 5 – Comissão interna de prevenção de acidentes. Atualizada pela Portaria SIT n. 247, de 12 de julho de 2011. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/ files/8A7C812D311909DC0131678641482340/nr_05.pdf>. Acesso em: 17 dez. 2014. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 18 - Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. 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Nova competência da Justiça do Trabalho: EC n. 45/04: e outros estudos de processo do trabalho. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006. SCHIAVI, Mauro. Competência material da Justiça do Trabalho brasileira: à luz da emenda constitucional n. 45/04. São Paulo: LTr, 2007. MARTINS, André Luiz. INSS na construção civil: discussões sobre a aferição indireta. São Paulo: Quartier Latin, 2008. SEGURANÇA no trabalho na construção civil – parte I. PET Engenharia Civil - UFJF. 28 out. 2010. Disponível em: <http://blogdopetcivil.com/2010/10/28/ seguranca-no-trabalho-na-construcao-civil-parte-i/>. Acesso em: 17 dez. 2014. VARGAS, Carlos Luciano Sant’Ana et al. Conscientização e treinamento dos trabalhadores da construção civil aplicando a Norma Regulamentadora 18 do MTE. 4., 2008, Ponta Grossa. Anais eletrônicos... Ponta Grossa: UEPG, 2008. Disponível em: <http://www.4eetcg.uepg.br/oral/22_1.pdf>. Acesso em: 1 dez. 2014. Unidade 2 TRABALHO EM ALTURA. TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE MATERIAIS Objetivos de aprendizagem: A presente unidade objetiva que ao final deste estudo o aluno seja capaz de conhecer normas que estabelecem diretrizes para o desenvolvimento de trabalho em altura e transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais. Também tem por objetivo demonstrar quais pontos das principais normas e legislações são relevantes aos ramos de atividade econômica que serão expostos nesta unidade. Demonstrar que é possível desenvolver práticas prevencionistas de maneira proativa, quando o profissional está dotado dos conhecimentos expostos nesta unidade. Objetiva-se expor ao futuro profissional de segurança do trabalho que, independente de cobranças por produtividade e agilidade de execução de atividades laborais, não é possível largar mão das normas e procedimentos de segurança, e sempre a condição de saúde e segurança do trabalhador deve prevalecer sobre qualquer outro aspecto. Flávio Augusto Carraro Nesta seção será abordado o conjunto de medidas que são obrigatórias para o desenvolvimento de trabalho em altura, a identificação de riscos Seção 1 | Trabalhos em altura 54 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Nesta seção serão introduzidos alguns aspectos da evolução da legislação para o desenvolvimento do transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais. Seção 2 | Introdução aos aspectos históricos das normativas referentes ao transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais e as normas relacionadas Nesta seção serão apresentados alguns possíveis riscos que podem estar associados ao transporte de cargas de materiais e pessoas. Serão indicadas soluções para uso de equipamentos na construção que possam atuar como proteções coletivas em equipamentos em transporte, movimentação. Nesta seção serão apresentados alguns possíveis riscos que podem estar associados aos equipamentos usados na construção civil, à estrutura da construção ou no canteiro de obras, e complementa a discussão iniciada na seção anterior quanto à armazenagem e manuseio de materiais e como atuar preventivamente na segurança do trabalhador. Seção 3 | Proteções coletivas em equipamentos em transporte, movimentação Seção 4 | Proteções coletivas no canteiro e armazenagem e manuseio de materiais para este tipo de trabalho. Também serão expostas as principais estratégias e medidas preventivas sugeridas normativamente para o desenvolvimento do trabalho seguro em altura. 55 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Introdução à unidade Quando se fala em prevenção em Segurança do Trabalho e gerenciamento dos riscos em trabalho em altura e o domínio dos riscos que estão envolvidos no transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais, estamos falando de um universo onde alguns ramos de atividades participam substancialmente para a evolução da economia de um país, como é o caso da construção, sistema energético, por exemplo, (para trabalho em altura) e os sistema de logística (no caso do transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais), e não restringindo somente a estes. Há também de considerar que são ramos de atividades de elevado potencial de empregabilidade, e que pela importância econômica, são cobrados para desenvolver a agilidade quanto à prestação dos seus serviços/trabalho, e por meio de metas e os prazos curtos, acabam submetendo seus trabalhadores a condições e exigências nem sempre seguras aos profissionais de um modo geral. 56 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 57 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Seção 1 Trabalhos em altura Para começar a discutirmos os assuntos pertinentes à segurança do trabalho em altura, primeiramente é necessário entender a qual tipo de trabalho a Norma Regulamentadora nº 35 - Trabalho em Altura faz referência. Segundo a NR- 35, considera-se trabalho toda atividade executadaacima de dois metros do piso de referência, seja em elevação ou em profundidade, onde haja risco de queda. Podem ser compreendidos como em elevação trabalhos em escada, andaimes, plataformas, em escalada (popularmente “rapel”), entre outros, e para a exemplificação por profundidade entram poços, escavação. Áreas mais comuns de fazerem uso do trabalho em altura: construção civil/manutenção predial, geração e transmissão de eletricidade, telecomunicações, ramos industrial em geral (instalações industriais), ramos da mineração/escavação (espaços confinados), extração florestal (extração em altura), resgates, usinas de produção de combustível, armazenagem de grãos, sistemas logísticos e de cargas em geral (BRASIL, 2014b). A norma NR-35 não é a única norma que fala em trabalho em altura, no entanto expõe objetivamente requisitos para a proteção dos trabalhadores quando existem diferenças de níveis, sobre os quais precisam ser considerados possíveis riscos de quedas. A NR-35 estabelece bem as responsabilidades tanto do empregado e do empregador, e dá direcionamento às ações de prevenção que as empresas precisam adotar, como os treinamentos, por exemplo, procedimentos, e instrui sobre o uso de equipamento de segurança individual e coletiva. A norma NR-35 vai mediar a relação entre empregado e empregador, determinando as devidas responsabilidades (BRASIL, 2014b). A complexidade e as configurações dos riscos sob os quais os trabalhadores estarão submetidos, ou seja, depende muito mais da análise de quem configurará a condição de trabalho, podendo ser solidária a responsabilidade do empregado e do empregador. A consulta à norma NR-35 é um início do procedimento, porém não é o único. Embora exista uma norma específica em trabalho em altura, o profissional de segurança do trabalho deve procurar a NR-35 como diretriz das ações para prevenção, no entanto existem outras normas de igual importância, como é o caso da NR-18 – Condições de Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção (BRASIL, 2013), que aborda de maneira mais especializada os 58 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais trabalhos em altura neste tipo de atividade em específico, e apresenta rica fonte de informações e em detalhes em seus anexos. E de uma forma complementar, a RTP 01 - Recomendação Técnica de Procedimentos N.º 01 (FUNDACENTRO, 2003) dá apoio à NR-18. Ainda fazendo referência à segurança do trabalho, não podem deixar de ser consultadas: • NR-6 – Equipamento de Proteção Individual (BRASIL, 2014a). • ABNT/NBR 15475/2007 – Acesso por corda e certificação de pessoas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2008b). • ABNT/NBR 15837/2010 – Equipamento de proteção individual contra queda de altura – conectores. Aplica-se a conectores utilizados em trava-quedas, sistemas de posicionamento, sistemas de retenção e sistemas de salvamento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011h). • Demais Normas Brasileiras Regulamentadoras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR/ABNT) - conforme o ramo de atividade. Em específico, a RTP 01 - Recomendação Técnica de Procedimentos nº 1, desenvolvida pela Fundacentro, objetiva complementar a NR-18, e é dotada de linguagem facilitada pela presença de esquemas e desenho de exemplos demonstrando aplicabilidade em várias circunstâncias da construção civil e do trabalho em altura (FUNDACENTRO, 2003). Estas normas partem da prerrogativa de que a intepretação da realidade é que determinará o gerenciamento do risco, já que existem diferentes condições de segurança em trabalhos em altura, em todos os ramos de atividade, exigindo condições muito específicas para que os riscos sejam suprimidos. Normas Regulamentadoras (Ministério do Trabalho e Emprego): <http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1. htm>. Recomendação Técnica de Procedimentos (Fundacentro): <http:// www.fundacentro.gov.br/biblioteca/recomendacao-tecnica-de- procedimento>. 59 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 1.1 Objetivos das normas NR-18 e a NR-35 e aplicação nos ramos das atividades econômicas Quando uma norma busca estabelecer os requisitos mínimos, como é o caso das NR-18 e a NR-35, o direcionamento da palavra mínimo será para que haja ao menos o que esteja na norma, para fins de fiscalização e auditorias, na qual a pessoa esteja minimamente assegurada ao risco de queda. Isto não impede que os empregadores adotem medidas protetivas que garantam a eliminação dos riscos por completo, de maneira mais preventiva do que está descrito na norma. 1.2 Determinação de responsabilidades A prevenção dos trabalhos em altura não se faz somente pelo uso de equipamentos, mas também por um conjunto de procedimentos e treinamentos, e a norma NR-35 determina primeiramente quais serão as responsabilidades a serem consideradas, independentemente de quem seja a pessoa que vai desenvolver o trabalho em altura. Pela NR-35, tem o empregador obrigação de presumir prevenção sempre, e grande parte das responsabilizações poderá recair sobre a empresa, e sobre seus representantes diretos, normalmente delegada aos profissionais de segurança do trabalho, e tal responsabilidade deve ser considerada quando existem terceirizados envolvidos também (BRASIL, 2014b). 1.2.1 Responsabilidade do empregador Ao empregador caberá sempre a obrigação de implementar medidas que contribuam para proteção, considerando as normas regulamentadoras citadas, que possuam por leis a obrigação do uso das mesmas. Não poderá nunca alegar desconhecimento da existência dessas exigências. Por meio de equipe especializada, seja pelo SESMT quando o dimensionamento da empresa permitir, ou por meio de contratação, a empresa deverá sempre garantir que existam procedimentos formatados, ordens de serviço que prevejam procedimentos que garantam a Análise de Risco (AR)/Análise Preliminar de Risco (APR). A CIPA deverá sempre estimular que tais procedimentos existam, porém diretamente só estarão aptos a fazer se estiverem amparados por profissional especializado em segurança. Análise de Risco – AR ou Análise Preliminar de Risco: “avaliação dos riscos potenciais, suas causas, consequências e medidas de controle”. (BRASIL, 2014b, p. 5). 60 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Em que consiste a APR? Trata-se de um procedimento prévio à execução do trabalho em altura que identifique todas as variáveis que possam interferir no trabalho e atentar à vida do trabalhador, que amparará a tomada de decisão para instalação dos devidos EPCs e uso de EPIs mais específicos durante a execução do trabalho. Cabe também, dentro da APR, avaliação da viabilidade da execução do serviço, bem como a experiência e estado físico, emocional e, mesmo, de formação do profissional. Todo este cuidado se faz necessário, pois segundo a NR-35, deve haver uma Permissão de Trabalho (PT), na qual há a descrição de um roteiro de trabalho para o preparo, como em um “checklist” de conferência para execução das diversas etapas, ou seja, procedimentos operacionais antes de efetivamente haver o trabalho em altura (BRASIL, 2014b). Ao empregador sempre caberá garantir aos trabalhadores informações atualizadas sobre os riscos e as medidas de controle, e somente permitir que Em situações onde são elevados os riscos de queda/acidente, muito em função da frequência e intensidade de trabalho, há de se fazer um estudo detalhado de adoção de técnicas definitivas de prevenção, como adoção dos famosos “cabos de vida” ou mesmo fixação de pontos de apoio fixos. O planejamento, a implementação e a adoção de medidas complementares devem ser feitos por profissional competente e habilitado, geralmente pessoas especializadas em trabalho em altura, e o profissional de segurança do trabalho pode ser um destes, desde que tenha cursos especializados no assunto que o habilitem.“Permissão de Trabalho - PT: documento escrito contendo conjunto de medidas de controle visando ao desenvolvimento de trabalho seguro, além de medidas de emergência e resgate.” (BRASIL, 2014b, p. 5). “Operação Assistida: atividade realizada sob supervisão permanente de profissional com conhecimentos para avaliar os riscos nas atividades e implantar medidas para controlar, minimizar ou neutralizar tais riscos.” (BRASIL, 2014b, p. 5). 61 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais qualquer trabalho em altura inicie-se somente após conferidas as medidas de proteção definidas na NR-35, e na NR-18 quando o trabalho em altura for na construção civil. O empregador é responsável de paralisar a atividade quando esta oferece risco iminente ou nenhuma das medidas previstas em normas for atendida. A atividade somente voltará a acontecer se houver a neutralização e eliminação total do risco de queda. O empregador deve adotar procedimentos por meio de documentos dos procedimentos de operações padrões (POPS), de modo a garantir a rastreabilidade das informações (antes, durante e depois) dos serviços, para possível investigação em caso de acidente (BRASIL, 2013, 2014b). 1.2.2 Responsabilidade do trabalhador Ao trabalhador cabe a si mesmo assegurar as suas condições ideais de trabalho para salvaguardar sua vida, segurança e saúde. Pode parecer redundante, mas na verdade, dentro das relações de trabalho, o trabalhador sempre se coloca submisso à condição de risco por necessidade de sobrevivência. No trabalho em altura, ao contrário do que se imagina, é mais preocupante em empresas de pequeno porte do que nas grandes. Nas primeiras, prestam serviços de diversas maneiras, sem que haja consideração dos requisitos essenciais de segurança para trabalho em altura, por conta da própria condição econômica em que se encontram, negligenciando a adoção de EPIs, EPCs, tampouco preocupados com procedimentos padrões de segurança e requisitos mínimos da norma NR-35. Para exemplificar, pequenas empresas cujo trabalho esteja envolvido em instalações elétricas, de pintura, de instalação de gesso, se enquadram com trabalho em altura, ao mesmo tempo em que “quarterizam” seus serviços a “autônomos”, gerando uma rede de “desinformação”, uma vez que estão pouco cientes tanto de seus direitos, de suas responsabilidades, quanto à possibilidade de exigir condições de segurança para o desenvolvimento dos trabalhos em altura. Cabe ao trabalhador cumprir sempre disposições legais (entram normas e leis em geral) associadas ao trabalho em altura, inclusive aqueles procedimentos que o empregador exige. É obrigado a cumprir todas as recomendações das normas, e em caso de rejeição, o empregador pode se documentar para que fiquem determinadas as responsabilidades, em caso de acidente. Ao trabalhador é reservado o direito de interromper, ou exercer o direito de recusa, quando constatado que as condições de trabalho em altura não lhe garantam o necessário para preservação de sua segurança e saúde a si mesmo e a outros trabalhadores (BRASIL, 2014b). 1.3 Capacitação A norma NR-35 garante um complemento às normas existentes que tratavam de trabalho em altura, como é o caso da NR-18, mas dá ênfase à formação dos 62 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais trabalhadores, e obriga o empregador a treiná-los com conhecimentos mais específicos em trabalho em altura. Para tanto, o tópico 35.3 da NR-35 prevê esta obrigatória necessidade de capacitação e treinamento, com carga horária mínima de oito horas, prevendo abordagem teórica e prática. Quanto ao conteúdo, o curso deve conter os seguintes tópicos (conteúdo programático), segundo o item 35.3.2 da NR-35 (BRASIL, 2014b): Reciclagem dos conhecimentos a cada dois anos é prevista, considerando também a carga horária mínima, e o conteúdo programático pode ter complementações, caso haja peculiaridade quando houver mudança das configurações de trabalho. É de responsabilidade do empregador providenciar novo treinamento quando houver substituição da mão de obra, afastamento por um período superior a 90 dias ou mudança das configurações espaciais da empresa. Os instrutores devem possuir comprovada proficiência, e se responsabilizarão pela assinatura dos certificados, e dando por verdadeiro a comprovação do conteúdo programático, carga horária mínima, data e local. O certificado é direcionado ao trabalhador, com cópia que deve ser mantida pela empresa, podendo a capacitação ser consignada no registro do empregado. 1.4 Planejamento, organização e execução do trabalho em altura Para o desenvolvimento do planejamento e organização dos procedimentos, as empresas precisam ter sempre à disposição um profissional capacitado habilitado, podendo ou não pertencer ao quadro das mesmas. Para execução propriamente dita do trabalho, o trabalhador que for desenvolver o trabalho em altura precisa estar com a saúde em dia, sendo inclusive avaliado pela medicina do trabalho e ser considerado apto com anuência formal (documentado) pela empresa para a execução do trabalho. É neste ponto que é necessário ressaltar a importância de um Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais - PPRA corretamente elaborado, inclusive identificando riscos do trabalho em altura, e um Programa de Controle Médico Sobre conteúdo programático de treinamento previsto pela NR-35 para trabalho em altura, consultar: Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/legislacao/norma- regulamentadora-n-35.htm>. 63 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais de Saúde Ocupacional - PCMSO corretamente desenvolvido e cumprido pelo setor de medicina do trabalho. Os programas são, para as empresas, uma maneira de comprovar que estão atuando de forma preventiva. Desta forma, o estado de saúde do trabalhador precisa ser garantido por: • Exames e avaliação sistemática prevista pelo Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO. • Periodicidade do exame e relações destes com as condições de riscos identificados pelo Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais – PPRA. • Como se trata de trabalho em altura, o exame precisa ter um direcionamento no sentido de indicar se o trabalhador está suscetível a mal súbito e queda de altura e também considerar fatores psicossociais. A emissão de um ASO – Atestado de Saúde Ocupacional é obrigatório para trabalhadores em altura e tem especial atenção, já que, como documento, tem dados que garantem suporte a investigações futuras em caso de acidente e para montar o histórico da atividade do trabalhador. Para o planejamento do trabalho em altura, a norma NR-35 sugere a adoção de uma hierarquia de procedimentos: 1. Buscar medidas para se evitar o trabalho em altura, sempre que existir meio alternativo de execução: ex.: adoção de equipamentos que substituam o trabalho do homem, colocar a condição de altura ao nível do piso e depois fazer o içamento, entre outras possibilidades. 2. Buscar medidas que eliminem o risco de queda de trabalhadores, na impossibilidade de substituir mão de obra do homem por qualquer outro meio. 3. Buscar medidas que garantam a minimização das consequências da queda de trabalhadores, quando este não puder ser extinto. 4. Indicação de pessoa que desenvolverá a supervisão, responsável também pela análise de risco, juntamente com o trabalhador que desenvolverá o trabalho em altura. 5. Identificar quais são as condições externas que possam exercer influência sobre as condições do local do trabalho em altura, inclusive buscando relacioná-las sempre que possível na análise preliminar de risco. As influências externas são variáveis que devem ser consideradas na definição e seleção das medidas de proteção, para segurança das pessoas, cujo controle não é possível implementar de forma antecipada (BRASIL, 2014b). Para o desenvolvimento da Análise Preliminar de Risco (APR) é interessante64 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais ser feita em conjunto entre trabalhador e supervisão, que é obrigatória, e em muitos casos é feita somente considerando condições avaliadas por meio empírico e não documental, tampouco amparada por um checklist. A adoção de Procedimentos operacionais padrões (Pop) garante uma evolução dos trabalhos considerando as peculiaridades de cada trabalho. Por Procedimentos Operacionais Padrões a norma NR-35 coloca a necessidade de elucidar as atividades rotineiras, diretrizes e requisitos de segurança, orientações administrativas, o detalhamento da tarefa e as medidas de controle dos riscos na rotina do trabalho em altura. Ressalta a necessidade de serem identificadas as condições impeditivas, listados os equipamentos de proteção individual e coletiva. Não devem deixar de ser listados os profissionais e as suas competências e responsabilidades dos envolvidos na atividade (BRASIL, 2014b). As atividades não rotineiras precisam ser igualmente anotadas, durante o procedimento de análise preliminar de risco e da permissão de trabalho, podendo o trabalhador assim exigir a anotação das mesmas. A Permissão de Trabalho emitida e aprovada deve estar disponibilizada e visível nas proximidades da execução da atividade, como uma instrução de trabalho, e após o uso, depois do trabalho executado, encerrada formalmente com assinatura dos envolvidos e ser devidamente arquivada. Permissão de trabalho: “a) os requisitos mínimos a serem atendidos para a execução dos trabalhos; b) as disposições e medidas estabelecidas na Análise de Risco; c) a relação de todos os envolvidos e suas autorizações.” (BRASIL, 2014b, p. 4). 1.5 Procedimentos para prevenção e o uso de Proteção Individual, Coletiva e seus acessórios para o trabalho em altura São requisitos essenciais para a escolha dos EPIs, EPCs e dos sistemas de ancoragem a eficiência, o conforto e a resistência à carga aplicada aos mesmos, levando-se em conta o fator de segurança, em caso de haver a queda do trabalhador. “Atividades rotineiras: atividades habituais, independente da frequência, que fazem parte do processo de trabalho da empresa.” (BRASIL, 2014b, p. 5). 65 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais A definição do EPI para o trabalho em altura só pode ocorrer quando os riscos forem submetidos aos responsáveis pelo planejamento da atividade, e devem levar em conta riscos adicionais ou influências externas. Para escolha dos EPIs, além da conferência do Certificado de Aprovação (CA) dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) fornecido pelo Ministério do Trabalho conforme descrito na NR-6, é necessário que se avalie a não presença de defeitos e jamais o trabalhador deve aceitar usar equipamentos que não estejam em condições ideais, sejam novos com defeitos, ou usados com desgastes. A mesma postura deve ser adotada para os sistemas de ancoragem, que devem ser previamente conferidos a cada novo trabalho. Recomenda-se sempre inspeções prévias e pré-programadas (BRASIL, 2014a). “Influências Externas: variáveis que devem ser consideradas na definição e seleção das medidas de proteção, para segurança das pessoas, cujo controle não é possível implementar de forma antecipada.” (BRASIL, 2014b, p. 5). Sobre EPI, consultar normas e suas respectivas atualizações: ABNT/NBR 15837:2010 – Equipamento de proteção individual contra queda de altura – Conectores. Aplica-se a conectores utilizados em trava-quedas, sistemas de posicionamento, sistemas de retenção e sistemas de salvamento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011h) ABNT/NBR 11370:2001 – Cinturão e talabarte de segurança – Substituída por NBR 15834:2010, NBR 15835:2010 e NBR 15836:2010 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011e, 2011f, 2011g) ABNT/NBR 14626:2010 – Trava-queda guiado em linha flexível (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011a) ABNT/NBR 14627:2010 – Trava-queda guiado em linha rígida (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011b) ABNT/NBR 14628:2010 – Trava-queda retrátil (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011c) ABNT/NBR 14629:2010 – Absorvedor de energia (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2011d) 66 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Se nestas inspeções dos EPIs, acessórios e sistemas de ancoragem houver defeitos, degradação, deformações ou sofrerem impactos de queda, precisam ser descartados de atividades de trabalhos em alturas. A restauração não é desejável, principalmente nos EPIs. A NR-35 estabelece alguns requisitos quanto à relação de EPI, acessórios e sistemas de ancoragem. Quanto às providências para o estabelecimento dos pontos de ancoragem, devem ser desenvolvidas por profissional legalmente habilitado (engenheiro ou arquiteto) com o supervisor do trabalho em altura, já que muitos destes pontos estão diretamente ligados à edificação, e como exigem esforços, esta interação precisa ser estudada, ao mesmo tempo em que seja garantido que ancoragem e equipamentos não se desgastem (BRASIL, 2014b). As principais definições dos EPI pela NR-35 são: Absorvedor de energia: dispositivo destinado a reduzir o impacto transmitido ao corpo do trabalhador e sistema de segurança durante a contenção da queda. Cinto de segurança tipo paraquedista: Equipamento de Proteção Individual utilizado para trabalhos em altura onde haja risco de queda, constituído de sustentação na parte inferior do peitoral, acima dos ombros e envolto nas coxas. Equipamentos auxiliares: equipamentos utilizados nos trabalhos de acesso por corda que completam o cinturão tipo paraquedista, talabarte, trava-quedas e corda, tais como: conectores, bloqueadores, anéis de cintas têxteis, polias, descensores, ascensores, dentre outros. (Inserido pela Portaria MTE n.º 593, de 28 de abril de 2014) Ponto de ancoragem: ponto destinado a suportar carga de pessoas para a conexão de dispositivos de segurança, tais como cordas, cabos de aço, trava-quedas e talabartes. Sistemas de ancoragem: componentes definitivos ou temporários, dimensionados para suportar impactos de queda, aos quais o trabalhador possa conectar seu Equipamento de Proteção Individual, diretamente ou através de outro dispositivo, de modo a que permaneça conectado em caso de perda de equilíbrio, desfalecimento ou queda. Trava-queda: dispositivo de segurança para proteção do usuário contra quedas em operações com movimentação vertical ou horizontal, quando conectado com cinturão de segurança para proteção contra quedas. Talabarte: dispositivo de conexão de um sistema de segurança, regulável ou não, para sustentar, posicionar e/ou limitar a movimentação do trabalhador. (BRASIL, 2014b, p. 5-6, grifo nosso). 67 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Existe um acessório denominado absorvedor de energia, que a norma NR-35 exige contra o fator queda, colocando como obrigatório quando nas situações em que haja: a) Fator de queda for maior que 1; b) Comprimento do talabarte for maior que 0,9m. (BRASIL, 2014b). Os pontos de ancoragem devem estar acima do usuário, de forma a minimizar o comprimento e o impacto de qualquer queda. Figura 2.1 | Comprimento do talabarte e altura de segurança Fonte: Disponível em: <http://www.drsergio.com.br/NR35/ NR35c.html>. Acesso em: 12 dez. 2014. “Fator de queda: razão entre a distância que o trabalhador percorreria na queda e o comprimento do equipamento que irá detê-lo. [...] Profissional legalmente habilitado: trabalhador previamente qualificado e com registro no competente conselho de classe. [...] Trabalhador qualificado: trabalhador que comprove conclusão de curso específico para sua atividade em instituição reconhecida pelo sistema oficial de ensino.” (BRASIL, 2014b, p. 5-6). Figura 2.2 | Fator de queda Altura de segurança Comprimento do talabarte (L1) (aprox.1 metro) Distância máxima entre o pé do usuário e os pontos de ancoragem (aprox. 1,5 metros) Fonte: Disponível em: <http://www.drsergio.com.br/NR35/NR35c.html>. Acesso em: 12 dez. 2014. Fator de queda O fator de queda exprime o grau de gravidade proporcional de uma queda. Trata-se da relação entre a altura da queda e o comprimento da corda disponível para repartir a força choque da queda. Calcula-se por meio da seguinte equação: Fator de queda = altura da queda comprimento da corda do sistema (talabarte) 68 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 1.6 Situações de emergência e salvamento em trabalhos em altura A norma NR-35 sugere que são de responsabilidade do empregador as respostas a quaisquer eventos que precisem de salvamento e atendimento em emergência em trabalho em altura. Pode ser equipe externa ou composta internamente, mas há de considerar que parte da equipe que cuida do trabalho em altura também possua treinamento em primeiros socorros, muito em função da intimidade destes com as condições ambientais do trabalho em altura. Além dos equipamentos de salvamento, a empresa precisa avaliar a aptidão física e mental, uma vez que o salvamento em altura também submete quem está salvando a condições muito próximas à vítima, exigindo bastante da pessoa que socorre, pois muitas vezes a vítima estará em suspensão inerte. O trabalhador tem o direito de saber de todos os riscos que envolvem suas atividades, e a empresa, a obrigação de expor segundo as normas regulamentadoras! Os trabalhadores então não deveriam ter, dentre os critérios para definição de salário, a variável risco a ser inserida logo na negociação de seu salário e benefícios, antes mesmo de entrar na empresa? E isto, no trabalho em altura, faria alguma diferença? Reflita sobre estas questões. 1. Em que consiste a Análise de Risco (AR)/Análise Preliminar de Risco (APR)? 2. Em que consiste a Permissão de Trabalho (PT)? “Suspensão inerte: situação em que um trabalhador permanece suspenso pelo sistema de segurança, até o momento do socorro.” (BRASIL, 2014b, p. 6). 69 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Seção 2 Introdução aos aspectos históricos das normativas referentes ao transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais e as normas relacionadas A Norma Regulamentadora n°11 faz referência a um conjunto de recomendações e normas de segurança para operação de elevadores, guindastes, transportadores, indústrias e máquinas transportadoras, cujo foco não necessariamente é nos maquinários e sim nos dispositivos e no comportamento, e estabelece os requisitos de segurança no trabalho que ajudem na prevenção de acidentes com estes tipos de equipamentos (BRASIL, 2004b). 2.1 – CLT, NR-11 E NR-18 Na época de sua redação, a norma encontrava-se diante de uma realidade em que a construção civil apresentava grande número de acidentes, principalmente decorrentes de içamento e transporte de materiais. Uma época na qual a mecanização nos canteiros de obras ainda era incipiente (rudimentar), para fins de atender com agilidade a demanda mercadológica. Mesmo estando previstas situações de segurança pela CLT, art. 182 e 183, foi necessário um reforço com o surgimento da NR-11 no sentido de esmiuçar mais a informação contida na CLT: Art. 182 - As janelas, claraboias ou coberturas iluminantes, horizontais ou em dente-de-serra, serão dispostas de maneira que não permita que o sol venha a incidir, diretamente, sobre o local de trabalho [...]. (BRASIL, 1943). Art. 183 - O Ministério do Trabalho estabelecerá normas sobre: I - as precauções de segurança na movimentação de materiais nos locais de trabalho, os equipamentos a serem obrigatoriamente utilizados e as condições especiais a que estão sujeitas a operação 70 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Desta forma, quando se faz a leitura isolada da norma, podem parecer desconexas suas observações pontuais, mas quando se amarra a NR-11 (1978 e depois suas revisões até 2004) à CLT, alguns tópicos começam a ter mais sentido. A leitura por si só da NR-11 e Anexo I da NR-11 não garante perfeita compreensão dos requisitos, direcionamento de parte dos procedimentos voltados à condição da construção civil, tanto que para isto outras normas surgiriam depois para melhorar a inteligibilidade, como foi o caso da NR-18 (BRASIL, 2013) e da RTP 02 – Recomendação Técnica de Procedimentos n° 02 (FUNDACENTRO, 2001). Como a construção civil veio se transformando ao longo dos últimos anos, acabou exigindo novas complementações, primeiramente pela NR-18, e depois muito em função do cumprimento ao item 18.35 da NR-18, a FUNDACENTRO - Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho desenvolveu a RTP 02 Recomendação Técnica de Procedimentos n° 02 (FUNDACENTRO, 2001), voltada para a área da construção, a qual busca subsidiar as empresas, profissionais, governo e trabalhadores nos procedimentos sobre movimentação e transporte de materiais e pessoas. Dessa forma, desenvolveu estudos para que houvesse a complementação por diversos anexos à NR-18. Assim, a NR-11, NR-18 e a RTP 02 se complementam e de uma forma mais clara. Uma vez expondo o contexto e relação com as demais normas, é possível perceber que o objetivo principal da NR-11 é minimizar riscos referentes ao uso de equipamentos e as proteções coletivas associados aos mesmos, para que haja garantias de resistência, segurança e conservados em perfeitas condições de trabalho para operação, sendo aplicável em: e a manutenção desses equipamentos, inclusive exigências de pessoal habilitado; II - as exigências similares relativas ao manuseio e à armazenagem de materiais, inclusive quanto às condições de segurança e higiene relativas aos recipientes e locais de armazenagem e os equipamentos de proteção individual; III - a obrigatoriedade de indicação de carga máxima permitida nos equipamentos de transporte, dos avisos de proibição de fumar e de advertência quanto à natureza perigosa ou nociva à saúde das substâncias em movimentação ou em depósito, bem como das recomendações de primeiros socorros e de atendimento médico e símbolo de perigo, segundo padronização internacional, nos rótulos dos materiais ou substâncias armazenados ou transportados. (BRASIL, 1977). 71 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais • Elevadores • Guindastes • Transportadores industriais • Máquinas transportadoras • Poços de elevadores • Monta-cargas, portas ou cancelas necessárias nos pavimentos • Ascensores de movimentação de materiais • Elevadores de carga • Guindastes • Monta-carga • Pontes-rolantes • Talhas • Empilhadeiras • Guinchos • Esteiras-rolantes • Transportadores de diferentes tipos • Acessórios (de obras: portas limitadoras, cancelas, corrimão ou outros dispositivos convenientes) (BRASIL, 2004b). • Especificamente para construção civil, são fundamentos para um Programa de Saúde e Segurança no Trabalho da Construção Civil – PSST a NR-11, NR-18 e a RTP 02, uma vez que conjuntamente especificam quais requisitos e procedimentos mínimos devem ser observados, desde a montagem, manutenção e até a operação de equipamentos nos canteiros de obras, além do enquadramento dos diversos procedimentos envolvendo os trabalhadores. 72 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Mas então, qual é a diferença básica entre a NR-11 e a NR-18? A NR-11 foi desenvolvida para dar amparo às soluções diretamente sobre riscos que possam estar instalados nos canteiros de obras e trabalhos com movimentação de carga em altura. Mais focada no nível operacional. A NR-18 abrange mais situações e problemas que podem incorrer no risco à saúde e segurança, porém prevê suportedocumental e procedimental para a evolução da saúde e segurança do trabalhador, muito em função dos procedimentos administrativos, que podem amparar legalmente as atividades. Para todos os efeitos, esta norma permite o desenvolvimento de uma capacidade gerencial e pode contribuir muito em nível estratégico para a evolução da saúde e segurança do trabalhador. Para saber mais sobre NTEP e desdobramentos: Disponível em: <http://www.sinaees-sp.org.br/arq/mntepfap.pdf>. Dentre os principais benefícios do uso conjunto destas duas normas (NR-11 e NR-18), está o cumprimento da legislação e da adequação do ambiente de trabalho na construção civil e movimentação de cargas, o que permite melhoria das condições de segurança em ambientes de trabalho no tocante à gestão de toda informação que envolve os trabalhos e a segurança dos trabalhos. Resguarda também o interesse do empregador, garantindo redução de custos diretos associados a acidentes, lhe assegura no aspecto estatístico influência sobre os gastos diretos com mão de obra (encargos, folha de pagamento etc.) em função da sua postura de prevenção (NTEP e seus desdobramentos). 2.2 - Riscos comuns no transporte e movimentação de carga e o suporte dado pela NR-11 E NR-18 O transporte e a movimentação de cargas já apresentam alguns riscos, como o ergonômico e de acidentes, porém em função dos equipamentos, seu estado de conservação e manutenção, mesmo das condições de instalação, existe uma 73 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais potencialização destes riscos. O local de trabalho em si, em obras, por exemplo, já possui riscos que podem estar camuflados, dificultando a percepção de riscos associados à movimentação de materiais e mesmo de comportamentos dos trabalhadores. O profissional de segurança do trabalho deve avaliar a melhor condição de prevenção da coletividade na movimentação de carga. 2.3 Outros cuidados especiais para operação de elevadores, guindastes, transportadores industriais e máquinas transportadoras A movimentação de materiais exige cuidados especiais quanto ao dimensionamento e comprovação da capacidade de carga de equipamentos como ascensores elevadores de carga, guindaste e monta-cargas, talhas e pontes- rolantes, guinchos, empilhadeiras e todos os tipos transportadores, seja na vertical ou na horizontal. Outra necessidade é a comprovação do treinamento, que habitualmente pode ser oferecido pelos próprios fabricantes, ou ministrado pela equipe do SESMT - Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho quando as empresas são dotadas deste conhecimento. A norma regulamentadora NR-11 tem especial atenção aos equipamentos e dá importância especial aos procedimentos que permitem avaliar o estado de conservação e atenção na manutenção dada aos cabos de aço, cordas, correntes, roldanas e ganchos. Especial preocupação quanto aos procedimentos de inspeção das partes componentes dos maquinários e de sua substituição (BRASIL, 2004b). Na movimentação de cargas de forma manual deve ser considerada a adequação ergonômica das ferramentas/equipamentos de transporte, de modo a não haver sobrecarga do peso sobre o organismo do trabalhador, especialmente sobre a coluna vertebral e articulações em geral (BRASIL, 2004b). Já no transporte por veículos motorizados, como empilhadeiras, escavadoras, entre outros equipamentos desta natureza, é necessário que os operadores apresentem o devido treinamento e a habilitação devidamente comprovada, e somente poderão fazer uso destes equipamentos na carga horária devidamente identificados por crachás (contendo foto e nome) em local visível (BRASIL, 2004b). Para os equipamentos de transporte motorizados, é necessário dotá-los de sinalizadores sonoros (buzinas), no sentido de advertir sobre risco iminente aos demais trabalhadores, podendo ser acionados pelo operador quando em manobras frontais e laterais, ou acionadas automaticamente quando estiverem operando em “ré” do equipamento (retrocesso) (BRASIL, 2004b). 74 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Quando se trabalha em construção, nem sempre as condições ambientais de ventilação podem ser garantidas, principalmente quando se trabalha em subsolos ou escavações, e a norma NR-11 tem alerta e cita que a operação de equipamentos de transporte a combustão pode interferir na qualidade do ar pela emissão de gases tóxicos, que em função da alteração da concentração de oxigênio, é proibida, e pode submeter as pessoas ao desmaio ou mesmo óbito quando ultrapassados os limites permissíveis (BRASIL, 2004b). Reflita se as normas regulamentadoras NR-11 e NR-18 conseguem atender todas as situações que um ambiente de construção possui, e quais outras normas precisam ser observadas para condições expostas nesta unidade. 1. Cite as diferenças contidas entre a NR-11 e NR-18 quanto à escala de aplicação e sua abrangência. 2. Qual é o objetivo da NPT 02 e qual o contexto de sua criação? É necessária a sua revisão considerando o nível tecnológico usado na construção? 75 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Seção 3 Proteções coletivas em equipamentos em transporte, movimentação As proteções coletivas podem estar relacionadas desde a instalação, operação, inspeção e manutenção dos equipamentos dos transportes de cargas que possam influir para o surgimento de novos riscos prevenção de acidentes no transporte de cargas, pessoal pelos mais diversos tipos de equipamentos. 3.1 Plataformas de proteção São consideradas plataformas de proteção as plataformas principais, as plataformas secundárias e as telas de proteção. Plataformas Principais: sua instalação normalmente é exigida na altura da 1ª laje e deve ser prevista em todo o perímetro da construção, em que a projeção horizontal máxima de 2,5 metros e um complemento de 0,8 metro com inclinação de 45 graus a partir da extremidade. Seu material deve ser feito compatível aos Figura 2.3 | Exemplos de plataformas principais e secundárias e associação com tela de proteção Fonte: Disponível em: <http://www.iw8.com.br/noticias/equipamentos-de-protecao-coletiva.html>. Acesso em: 12 dez. 2014; <http://ctstinaci2012.blogspot.com.br/2012_03_01_archive.html>. Acesso em: 12 dez. 2014. 76 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais esforços em termos de resistência a impactos e a intempéries. Normalmente feitas ou em madeira ou em estrutura metálica associada à madeira. Têm por função evitar que detritos ou projeções de materiais atinjam os andares inferiores, os trabalhadores que ficam nas imediações. Plataformas Secundárias: são instaladas de forma intercalada de três em três lajes a partir da plataforma principal, considerando todo o perímetro da construção, porém Figura 2.4 | Esquema de um edifício vertical e uso de plataformas principais, secundárias e telas de proteção Fonte: FUNDACENTRO (2003) diferenciam-se por ser menores, no máximo 1,40 metro de projeção horizontal e um complemento com inclinação de 45 graus a partir da extremidade. As plataformas precisam ser dimensionadas e amparadas por projeto quanto à capacidade máxima e detalhes de instalação. Telas de proteção: São normalmente instaladas em todo o perímetro da construção, e podem fazer uso das plataformas intermediárias com referências para sua instalação, porém não diretamente ligadas a estas plataformas, exigindo sistema de instalação e fixação específico. 3.2 Poço de elevador: Os poços dos elevadores podem ser internos ou externos à edificação, rigidamente fixados nas laterais da edificação, e ao longo do seu percurso precisa haver proteção em todo o seu perímetro, inclusive prevendo travessões e bloqueio por telas (com resistência), de modo que pessoas projetem partes do corpo para dentro do percurso do elevador. Consulte os itens18.13.6 a 18.13.11 da NR-18 e RTP 01 – Medidas de Proteção contra Quedas de Altura (BRASIL, 2013; FUNDACENTRO, 2003). 77 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Figura 2.5 | Sistema de proteção com com guarda-corpo e rodapé (GcR) com cancela Figura 2.7 | Proteção por meio de soalho de madeira e fixação com peças de madeira Figura 2.6 | Proteção com soalho de madeira fixado com peças metálicas Figura 2.8 |Sistema de proteção GcR de madeira e estruturas metálicas 3.3 Abertura do piso As aberturas nas lajes e piso em edificações verticais são importantes artifícios utilizados para a otimização dos transportes, e representam ganhos significativos na produção do edifício, e muitas destas são previstas para infraestrutura da edificação. Por este motivo nem sempre é possível fazer o fechamento definitivo das aberturas durante a obra. Para a segurança do trabalhador desatento representam risco, e para prevenção é necessário fazer uso de proteção coletiva como a sinalização, o bloqueio parcial quando em uso ou total quando em desuso. Para que tais aberturas no piso e nas lajes não representem risco, precisam ser datadas de sistema de proteção, sólidas e resistentes às cargas, na forma de fechamento provisório fixo (encaixe), que jamais possa deslizar, ou se adote sistemas de guarda- corpo e rodapé (GCR), quando as condições de risco de queda forem elevadas em função da dimensão do buraco. A seguir, alguns exemplos recomendados: Consulte a NR-18, item 18.3.3 e RTP 01 – Medidas de Proteção contra Quedas de Altura (BRASIL, 2013; FUNDACENTRO, 2003). Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003) 78 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais A RTP 01 – medidas de proteção contra quedas demonstra procedimentos e equipamentos que promovem o impedimento de quedas, principalmente por condicionantes horizontais, são denominados dispositivos protetores do plano horizontal. Observe que o nome é dado em função do plano em risco em que se encontra (FUNDACENTRO, 2003). 3.4 Periferia da obra A periferia da obra deve ser entendida tanto no nível do piso quanto no nível dos pavimentos, nas lajes que acontecerão em nível diferente do piso de referência (base da obra). O fato de estar em altura exige cuidados muito específicos no transporte de materiais e o trânsito de pessoas, e boa parte destas operações pode acontecer na periferia da laje (parte mais externa), onde o risco de queda se torna iminente. É importante salientar que a maioria dos dispositivos aqui colocadas se trata de dispositivos de proteção, e pelo fato do risco estar associado aos planos verticais, ou seja, este será o plano de referência, são denominados dispositivos protetores do plano vertical. 3.4.1 Sistema de Guarda-Corpo e Rodapé (GCR) Em todo início de obra, principalmente quando houver serviços de concretagem, principalmente em lajes, normalmente acontece a certa altura do chão da obra e é obrigatório o provisionamento de um sistema que conjugue Guarda-Corpo e rodapés (GCR), para que, durante a concretagem (procedimento que exige certa agilidade para o seu lançamento), os trabalhadores não fiquem sujeitos a quedas. Sobre dispositivos protetores do plano horizontal e vertical, consulte o item 18.13.2 da NR-18 e a RTP 01 - medidas de proteção contra quedas (BRASIL, 2013; FUNDACENTRO, 2003). Figura 2.9 | Sistema de guarda-corpo e rodapé (GCR) - Vista externa Figura 2.10 | Sistema de guarda-corpo e rodapé (GCR) – Vista interna Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003) 79 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais São sugeridas como dimensões mínimas de guarda-corpo a altura mínima de 1,20 e posicionamento de montantes verticais onde estas travessas horizontais não podem ultrapassar 1,50 metro de espaçamento uma da outra, e que deve estar associado a um sistema de rodapé devidamente ancorado. Além dos sistemas de rodapé, montantes verticais e travessões horizontais, é necessário que se preveja tela de proteção por toda a extensão deste conjunto guarda-corpo/rodapé (GcR) pelo perímetro da construção. 3.4.2 Sistema de proteção com estrutura metálica ou cabo de aço Há possibilidade de desenvolver um sistema parecido com o descrito anteriormente (CGR) em várias partes da obra, ou com materiais, havendo a substituição das travessas horizontais de madeira ou por metal ou por cabos de aços e/ou tubos metálicos. Nos locais nos quais haverá a fixação e junções, alguns cuidados precisam ser tomados para a fixação com o uso de presilhas, e ajustados com os tensores quando forem cabos de aço, e quando forem de estrutura metálica é necessária correta soldagem e fixação por parafuso, de modo a assegurar a resistência e a tensão desejada para a segurança para impactos transversais. Figura 2.11 | GcR combinado com estrutura metálica com montantes fixados por meio de parafusos Figura 2.12 | GcR combinado com estrutura metálica com montantes fixados com cavilhas deixadas ao se concretar ou após concretagem Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003) Sobre Sistema de proteção com estrutura metálica ou cabo de aço, consultar itens 18.13.1 a 18.13.5 da Norma Regulamentadora 18 e RTP 01 (BRASIL, 2013; FUNDACENTRO, 2003). 80 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 3.5 Talude de escavação A movimentação de terras para corte e aterro ou mesmo a escavação de valas para inserção de infraestrutura das edificações (estrutura, esgoto, água, entre outros sistemas que precisam deste tipo de trabalho), são pontos do canteiro de obras que podem agregar muitos riscos, primeiro pela própria movimentação de material, segundo pelo uso de equipamentos os mais variados, e terceiro pela necessidade de mão de obra direta dentro da escavação, que muitas vezes não possui os devidos cuidados. Devem ser consideradas variáveis, por exemplo, como peso da terra, árvores, rochas, construções, circulação de pessoas, deposição de material etc.: Escavações, corte e aterro e desenvolvimento de taludes são atividades que somente podem ser feitas mediante responsabilização técnica, como habilitação de um responsável confirmada por entidade de classe (CREA) e projeto devidamente detalhado, contendo todas as informações necessárias para execução da atividade. Tamanha a importância deste acompanhamento e projeto, que devem ser gerenciados e constar informações em relação ao solo, recomendações de condições climáticas para execução, informações de lençóis freáticos, memoriais de cálculos, condições de isolamento de risco e principais usos de EPI e EPC. Figura 2.13 | Configuração de forças externas sobre as escavações Figura 2.14 | Instalação de escada em valas com 1,25 m de profundidade Fonte: FUNDACENTRO (2002a) Fonte: FUNDACENTRO (2002a) 81 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais exemplo, sistemas de eletricidade (cabos elétricos, que podem desenvolver choques elétricos) ou hidráulicos (canos ou vazamento, que podem levar a encharcamento do solo, e por consequência ao soterramento). É necessário primeiro eliminar/ minimizar o risco para que o responsável autorize a execução da escavação. Quanto à deposição de material escavado, deve ser feita a uma distância que equivale à metade da profundidade escavada, e para a circulação de veículos, precisa ser observada uma distância da escavação na horizontal de no mínimo a mesma profundidade que está sendo escavada. Devem ser previstas sinalizações de advertência e barreiras de isolamento das condições de risco aos que não estão diretamente ligados a elas: No caso da obra estar sendo feita e interferindo em via pública, o código de trânsito deve ser consultado para as devidas verificações das sinalizações obrigatórias.• Cones • Fitas de isolamento (preto/amarelo) • Cavaletes • Pedestal com iluminação • Placas de advertência • Bandeirolas • Grades de proteção • Tapumes • Sinalizadores luminosos Figura 2.15 | Medidas de afastamento mínimo corretamente adotadas conforme RTP 03 Figura 2.15 | Exemplo de sinalização Fonte: FUNDACENTRO (2002a) Fonte: FUNDACENTRO (2002a) Acessos por escadas devem ser previstos, dimensionamento correto, fixação sólida entre os patamares e os pisos superiores e inferiores, de modo que permita a saída dos funcionários, e em condições de iminente risco e previstas em escavações que ultrapassem 1,25 m de profundidade. Quando as condições ambientais de manipulação do terreno estiverem associadas a infraestruturas que possam agregar riscos, carecem serem inspecionados, como, por 82 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Para outros tipos de escavação, sugere-se a adoção de medidas preventivas combinadas com o reforço das paredes (escavação taludada), o uso de mantas geotêxteis, entre outros artifícios que a construção civil possui. 3.6 Linhas de vida A linha de vida é um artifício em que se faz uso de um cabo de aço ou sistema de tubos, devidamente ancorados na edificação ou estrutura especialmente para este fim, podendo ser fixado permanentemente, e deve ser capaz, em caso de acidente em queda, de suportar o peso de uma pessoa em suspensão inerte, até que seja possível um resgate da pessoa que sofreu o acidente. a) Absorvedor de energia; b) Ponto intermediário; c) Shuttle; d) Trole Overhead (acima da cabeça): Sua utilização é obrigatória quando se faz uso de trabalho em altura acima de dois metros, e é mais comum de acontecer em trabalho em telhados, andaimes, periferia de obras; tem muita utilidade também no ramo da logística e armazenagem, quando a pessoa precisa se elevar em relação ao chão para o desenvolvimento de Figura 2.17 | Escavação taludada Figura 2.20 | Exemplo de linha de vida e acessórios mais comuns Figura 2.18 | Escavação com manta geotêxtil Figura 2.19 | Associação dos sistemas de escavação Fonte: FUNDACENTRO (2002a) Fonte: Disponível em: <http://www.honeywellsafety.com/BR/Training_and_Support/XENON%C2%AE_Sistemas_ de_Linha_de_Vida_horizontal_permanente_-_Perguntas_mais_frequentes.aspx>. Acesso em: 26 nov. 2014. Fonte: FUNDACENTRO (2002a) Fonte: FUNDACENTRO (2002a) 83 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Figura 2.21 | Aplicação de linha de vida e escalada Fonte: Disponível em: <http:// trabalhandonasalturas.blogspot.com.br/2012/11/ o-alpinismo-industrial-na-inspecao-de.html>. Acesso em: 26 nov. 2014. Fonte: Disponível em: <http://trabalhandonasalturas. blogspot.com.br/2012/11/o-alpinismo-industrial-na- inspecao-de.html>. Acesso em: 26 nov. 2014. inspeções mais específicas dentro destes ramos de atividade. Para atividade acima da altura de dois metros a partir do piso de referência é necessária fixação do cinto de segurança e dispositivo trava-quedas. Quanto à fixação à edificação, precisa estar amparada por profissional habilitado e devido projeto de dimensionamento, e controle de manutenção, sendo a linha de vida alvo de fiscalização. Nas linhas de vida, atenção especial deve ser dada aos sistemas de ancoragem e amarração (EPIs) entre o executor da tarefa e linha de vida. 3.7 Andaimes Os andaimes são instrumentos muito usados na construção civil e servem tanto para circulação vertical (quando adaptados para elevadores) e horizontal de pessoas, materiais e equipamentos, sendo utilizados como plataformas elevadas para execução de serviços mais específicos em altura. Figura 2.22 | Aplicação de linha de vida subida e descida Mais sobre equipamentos: <http://www.honeywellsafety.com/BR/Training_and_Support/ XENON%C2%AE_Sistemas_de_Linha_de_Vida_horizontal_permanente_-_ Perguntas_mais_frequentes.aspx>. Sobre linhas permanentes e flexíveis: <http://www.spelaion.com/portal/index.php/artigo-noticias/artigos/29- comparacao-entre-as-linhas-de-vida>. 84 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 3.7.1 Andaimes apoiados, fachadeiros e móveis O andaime precisa ser orientado por norma específica ABNT/NBR 6494:1990 - Segurança em Andaimes e suas atualizações, principalmente no que se refere ao dimensionamento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1991). Todo os andaimes devem ser montados sobre bases sólidas e seus elementos de contato com o piso devem possuir dispositivos que garantam a estabilidade de todo sistema, principalmente quando estiver sendo usado para o transporte de materiais, ferramentas e pessoas. Os pisos do próprio andaime (plataformas horizontais) precisam ter encaixe que permita intertravar o andaime e serem de materiais antiderrapantes, sem que haja ressaltos, para se evitar quedas dos ocupantes ao andar. Figura 2.23 | Andaimes apoiados Figura 2.25 | Exemplo de andaime fachadeiro Figura 2.24 | Andaimes com escada de acesso e guarda-corpo Fonte: Disponível em: <http://www.metalica.com.br/ images/stories/Id5284/andaimes_03.jpg>. Acesso em: 26 nov. 2014. Fonte: Disponível em: <http://www.urbe.com. br/produtos/andaime-fachadeiro/>. Acesso em: 26 nov. 2014. Fonte: Disponível em: http://www.nei.com.br/ produto/2010-03-andaime-multidirecional- andaimes-metax-equips-ltda?id=ee6d090c- 5ba7-11e4-8697-0e94104de12e>. Acesso em: 26 nov. 2014. O acesso a um andaime deve ser seguro, fazer uso de plataforma, escada e rampas com o devido guarda-corpo e rodapé sempre, sendo obrigatório a partir de 1,5 metro a partir do piso. Para se evitar a projeção de materiais, ferramentas ou mesmo pessoas para fora dos limites dos andaimes, é necessário o uso de telas de arame ou materiais equivalentes em termos de resistência às condições que se colocam, e sugere-se ao menos que esta tela esteja cobrindo dois metros de altura a partir da plataforma de trabalho. 85 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 3.7.2 Andaimes suspensos Os andaimes suspensos, via de regra, são andaimes que fazem uso das edificações para se apoiar ou fazem equipamentos de apoio, como guindastes, sistemas de roldanas, motores, e estes, por sua vez, podem possuir sistema de cabos associados com equipamentos de travamento (catracas), podendo ou não estar vinculados à edificação. Em alguns sistemas, como os guinchos de elevações, é necessário prever mecanismos que evitem o retrocesso, independentemente de quais falhas possam ocorrer, normalmente feito por um tambor com catraca, e, ainda mesmo depois de ter sido efetivado o efeito “freio”, conter dispositivo (alavanca ou manivela) que assegure o travamento. Para saber mais sobre andaimes fachadeiros, acesse: <http://www.urbe.com.br/is-passos-para-a-montagem-do-andaime- fachadeiro-mini-grua-e-guincho-de-coluna/>. Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003) Fonte: FUNDACENTRO (2003) Figura 2.26 | Configuração da mão francesa em andaimes suspensos e fixação interna Figura 2.27 | GcR em andaimes suspensos tipo “balancim” Figura 2.28 |GcR em andaimes suspensos por mão francesa Figura 2.29 |Sistema de metal com GcR e mão francesa 86 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 3.8 Elevadores Dentre os equipamentos usados no transporte de materiais e de pessoas, o elevador certamente está entre os mais populares, mas em nada se assemelha aos tradicionais elevadores que conhecemos (usados em edificações prontas). No contexto de uma obra, muitos dispositivos de segurança não existem, e por ser um equipamento de uso provisório, muitas empresas não atentam para a necessidade de investir em equipamento que pode agregar riscos consideráveis. 3.8.1 Elevadores de material e passageiro Os elevadores que conjugam transporte de passageiros e de cargas em obras precisamser dimensionados por profissional legalmente habilitado, e a anotação de responsabilidade técnica de modo a atestar que o equipamento possui todos os requisitos de segurança para operar. Este mesmo profissional precisa supervisionar o trabalho de montagem e desmontagem dos elevadores nas obras, assim como promover todas as inspeções necessárias, testes os mais variados dos elementos quanto à resistência de carga, para conhecimento dos limites de tolerância de carga. Estes procedimentos de supervisão são sugeridos pela RTP 02 e precisam ser anotados em um livro próprio do equipamento. Algum cuidado quanto à inspeção diária deve ser tomado, inclusive com a adoção de um checklist, e esta operação precisa ser feita com um trabalhador qualificado, e tal anotação deve ser reconhecida em carteira de trabalho. Pontos que devem minimamente ser observados segundo a RTP 2: Base da máquina de tração, Cabo de tração, Sistema de freios, Sistema elétrico, Torre, Cabine, Rampas de acesso, Aspectos administrativos (FUNDACENTRO, 2001). Figura 2.30 | Exemplos de proteção ao motor para transporte de materiais ao nível do solo (tração por transmissão e direto) Fonte: FUNDACENTRO (2001) 87 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais As torres não podem ultrapassar seis metros a partir da última laje. Como em obras a maioria dos elevadores normalmente é montada externamente à obra, faz-se uso de um sistema de fixação nas torres externas, é necessário estroncar (escorar) e amarrar todos os montantes em todos os pavimentos da estrutura, para manter a torre no prumo. Após é necessário fazer a fixação da estrutura à edificação usando cabos de aço e esticadores. Faz-se uso de estaio (estaiar) em angulações de 45 graus entre montantes da torre do elevador e a edificação para formação de travamentos com cabos de aço. Figura 2.32 | Fixação da caixa rolagem do elevador à edificação Figura 2.31 | Amarração da torre à construção Fonte: FUNDACENTRO (2001) Fonte: FUNDACENTRO (2001) Estronca: escora horizontal metálica ou de madeira que impede o deslocamento do terreno, garantindo a segurança nas escavações. Estaiar: fixação do guincho através de cabos de aço em uma obra vertical. 88 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Figura 2.33 | Parafusos e contra pinos Figura 2.35 | Ocorrências que determinam a substituição do cabo Figura 2.34 | Amarração de cabos Fonte: FUNDACENTRO (2001) Fonte: FUNDACENTRO (2001) Em relação aos cabos de aço, independente da função que exercem, sua amarração merece especial cuidado, principalmente quando está sendo exercida sobre ele uma tensão/esforço, e segundo a sua própria configuração de material (lisa), é necessário se fazer uso de presilhas. Existe também a necessidade de avaliação constante sobre os cabos, e dos “sintomas” (fadiga, amassamentos, ruptura, entre outros) que podem levar a acidentes nos equipamentos que dependem deste tipo de material. Fonte: FUNDACENTRO (2001) Fonte: FUNDACENTRO (2001) Figura 2.36 | Outras proteções relacionadas ao elevador Os modelos atuais de elevadores para obras já apresentam automação suficiente para não precisar de operadores, porém, para algumas situações, onde o custo acaba sendo critério para definição deste tipo de transporte, é necessário estabelecer condições para que o posto de trabalho, com isolamento do risco (outras proteções), quanto ao motor e cabos, da parte de fios energizados, com proteções e sinalizações que se fazem necessários, deve ser previsto 89 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Fonte: FUNDACENTRO (2001) Fonte: FUNDACENTRO (2001) Figura 2.37 | Cabines semifechadas Figura 2.38 | Cabines fechadas também extintor de incêndio de pó químico, e restrição de acesso às pessoas não autorizadas. 3.8.2 Elevadores de material Seguem todas as recomendações anteriores, mas os elevadores para transporte de materiais podem ser de cabines semifechadas e de uso exclusivo de materiais e cargas, e tais cabines precisam ser dotadas de coberturas, basculáveis ou de encaixe, para permitir o transporte de peças compridas. É desejável que as cabines dos elevadores sejam de materiais resistentes a impactos, até pelo menos a altura de 1,00 metro fixo, considerando a possibilidade de acima disto os materiais serem passíveis de serem removíveis. Dispositivos de segurança como travas de segurança para o elevador parado em altura, além de freio motor, interruptores de corrente, dispositivos que garantam que a cabine somente se movimente se as partes como porta e painéis estejam fechadas, sistemas de frenagem automática podem ser um dos requisitos de segurança que podem ser trabalhados, mesmo que o elevador seja rudimentar. 3.8.3 Elevadores de passageiros Quando se fala em elevadores em construção para transporte de pessoas, se tornam obrigatórios nos edifícios que contenham no mínimo 12 andares, alturas equivalentes ou mais, e seu percurso deve compreender toda a verticalidade da obra. Toma-se como critério de necessidade do mesmo quando a obra já tenha ultrapassado a sétima laje, e que contenha pelo menos 30 trabalhadores e adoção de guincho automático. No caso da cabine em específico para o transporte de passageiros, o transporte é feito por cabine 90 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais fechada. Um elevador de transporte de passageiros precisa sobretudo estar com sua manutenção e inspeções devidamente feitas, verificando principalmente os dispositivos de segurança, tais como: sistema de frenagem automática conjugado com freio mecânico (manual) em caso de falha, que por sua vez precisa estar conjugado com interruptor de corrente elétrica dentro da cabine, este último também pode auxiliar quando houver ruptura do cabo de tração. E quando o elevador também se destina a transporte de carga, é necessário que o comando seja externo. 3.9 Gruas Um dos elementos mais favoráveis à produtividade em construção civil certamente é a grua, mas parte do preço a ser pago muitas vezes envolve questões de segurança dos trabalhadores, já que os potenciais riscos são proporcionais ao tamanho deste equipamento e, da forma como é operado, conjuga risco em altura com transporte de cargas. Fonte: FUNDACENTRO (2001) Fonte: Disponível em: <http://www.metalica. com.br/a-seguranca-na-utilizacao-da-grua-na- construcao-do-edificio>. Acesso em: 26 nov. 2014. Figura 2.39 | Elevador de passageiros Figura 2.40 | Grua e suas partes A RTP 02 é dedicada à movimentação de cargas e apresenta grande parte de seus tópicos a exemplificação, e a Norma Regulamentadora 18, em seus itens 18.14.1 a 18.14.23 e seus subitens, descreve procedimentos na consideração da segurança em elevadores (FUNDACENTRO, 2001; BRASIL, 2013). 91 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Desta forma, é um dos equipamentos em que toda a documentação deve ser rigorosamente considerada nas fiscalizações, e a empresa deve comprovar todos os procedimentos, que vão desde a simples locação, sua montagem, sua operação e manutenção, responsáveis e tudo o que for necessário para determinar responsabilidade em caso de não conformidades em relação à saúde e segurança do trabalhador. Para se operar uma grua é necessário que estejam no canteiro de obras as seguintes documentações: • Contrato de locação, se houver. • Lista de Verificação de Conformidades (checklist) a cargo do operador da grua. • Lista de Verificação de Conformidades (checklist) a cargo do Sinaleiro/ Amarador de cargas referente aos materiais de içamento. • Livro de manutenção da grua. • Cópia da ART do engenheiro responsável pela instalação e manutenção. • Comprovantes de treinamento do operador e do sinaleiro. • Documentação sobre esforços atuantes na estrutura do edifícioconforme disposto na NR-18 (item 18.423) (BRASIL, 2013). • Atestado de aterramento elétrico com medição ômica (ABNT/NBR 5410 e 5419) elaborado por profissional habilitado (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005, 2008a). • Manual do fabricante e/ou operação contendo no mínimo as listas de verificação do operador e do sinaleiro, e principalmente as instruções de segurança no trabalho com este equipamento. • Plano de transporte de carga de materiais em que contenha: Sobre gruas, acesse: <http://www.camposmaciel.com.br/locacao-gruas/>. <http://www.estig.ipbeja.pt/~rasmi/seminarios/1_ciclo/SEGURANCA_ EM_GRUAS_TORRE_1_1.pdf>. 92 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais • Dados do local da instalação • Número de operadores Dados dos responsáveis da obra (detalhado, inclusive com as devidas anotações de responsabilidades técnicas e relações contratuais dos diversos agentes da obra), dos proprietários, locatários e locadores do equipamento, e tudo que possa contribuir para rastreabilidade das responsabilidades. Detalhamento do equipamento e toda a descrição de suas partes, e esquemas de montagem, peculiaridades do mesmo etc. Planos de instalação, manutenção e inspeção, assim como os instrumentos e metodologias usadas, com as devidas anotações de responsabilidades técnicas e dados dos responsáveis. Uma das principais preocupações da grua é quanto ao local de instalação e sua relação com as demais partes da obra. Nesta relação é necessário que se considere, por exemplo, a relação da grua e seu raio de ação com lugares onde existam trabalhadores. Ao se instalar uma grua deve-se levar em consideração o desenho dos canteiros, a localização dos principais pontos onde trabalhadores acessarão, áreas de vivência, áreas de estocagem de materiais, carga e descarga de materiais, a relação com outros equipamentos que possam interferir na operação desta e vice-versa, redes elétricas e outros tipos de infraestrutura urbana, edificações vizinhas, vias, trânsito, e tudo o mais que em caso de queda possa atentar contra a vida de seres humanos. Além disso, é necessário que haja constante discussão das modificações que ocorrem dentro do canteiro de obras que possam sofrer influência da grua em relação à edificação e desta em relação à grua, tanto verticais como horizontais. Quanto aos sistemas de segurança, não podem deixar de serem observados, minimamente, itens como, por exemplo: • Plataforma das áreas onde os operadores precisam acessar, diretamente no equipamento, ou que precisam ser previstos no canteiro para a pega do material, obrigatoriamente com guarda-corpo; • Sinalização advertindo para todos os riscos associados no próprio equipamento, para aqueles que podem acessar o equipamento, e também nos locais onde acontecerá o carregamento e descarregamento. E ao longo do trajeto da carga quando esse for o caso; • Uso de coletes refletivos para todos os funcionários que estejam relacionados com o transporte e içamento de materiais pelas gruas; • Como todo equipamento deste precisa ter um plano de carga, deve 93 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais ser previsto no mesmo tanto uso de equipamentos eletrônicos (rádio, por exemplo) que facilitem a comunicação entre operador e sinaleiro, assim como um sistema secundário que facilite a comunicação entre operador e sinaleiro em caso de falha do primeiro. No que se refere à formação técnica de quem se relacionará com o transporte por grua, deve ser prevista qualificação no plano de operação, assim como a manutenção dos treinamentos ao longo do desenvolvimento das obras, e no primeiro treinamento é necessário que se aborde o conteúdo programático e carga horária mínima definida pelo fabricante, locador ou responsável pela obra, que deve atestar que o conhecimento passado habilita os profissionais a trabalharem com este tipo de equipamento. Em relação ao operador de equipamento, este tem por principal atribuição fazer uso dos EPIs e EPCs de acesso à cabine e para operação, executar inspeções de qualquer natureza no que refere ao equipamento e condições ambientais de trabalho em grua/altura/transporte de carga com regularidade e periodicidade. Os profissionais treinados para operação da grua devem estar cientes do conteúdo do “plano de carga” e se responsabilizar principalmente em: • Operação do equipamento em acordo com as determinações do fabricante. • Realização de lista de verificação de conformidade (checklist) com a frequência determinada no plano de carga/manual do fabricante ou conforme responsável pelo equipamento. Quanto ao sinaleiro e o amarrador de carga, precisam ser treinados minimamente por oito horas, com conteúdo programático que se relacione à atividade que vão exercer, focando sempre a segurança dos trabalhadores segundo as mais diversas normas de segurança que se relacionam com seu ambiente de trabalho e transporte de carga por gruas. Devem ser capazes, assim como o operador, de desenvolver inspeções junto ao equipamento sob supervisão e um responsável técnico. Precisam estar cientes do “plano de carga” e possuir essencialmente as seguintes responsabilidades: • Amarração das cargas para içamento priorizando condições de segurança; • Escolha correta dos materiais para amarração de acordo com as peculiaridades de cada carga; • Direcionamento e orientação do operador da grua nos movimentos necessários para o transporte da carga; • Observação criteriosa ao plano de carga; • Sinalização e orientação de trajetos, pessoas e cargas que se relacionam 94 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais com o transporte de carga. Como o profissional de segurança do trabalho se relaciona com a segurança em transporte de cargas por grua e onde devem constar tais responsabilidades? A resposta é PCMAT (Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção). Em movimentação da pessoa sobre o equipamento, por se tratar de trabalho em altura é obrigatório que se preveja o uso da trava-queda, e disposição de linhas de vida e ancoragens para que seja usado até que se acesse a cabine. Áreas de cargas e descargas devem ser isoladas e devidamente sinalizadas quando em operação pelos responsáveis pela movimentação da carga. Sobre gruas e procedimentos de segurança na operação de gruas, consulte os itens de 18.14.24 e seus subitens da NR-18 e o Anexo III da NR-18 (BRASIL, 2013). Reflita se os equipamentos de proteção coletiva podem influir na conduta de segurança dos trabalhadores na construção civil e no trabalho em altura. 1. Quais as contribuições que a NR-11 e NR-18 oferecem para a prevenção de acidentes em canteiros? 2. Qual a importância de serem trabalhados procedimentos pré-formatados para inspeções de rotina em um canteiro de obras? 95 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Seção 4 Proteções coletivas no canteiro e armazenagem e manuseio de materiais O ramo da construção civil certamente está entre os ramos industriais mais sujeitos a acidentes, dado o volume de variáveis que o próprio processo produtivo impõe, seja pelo ritmo, pela formação da mão de obra (sem treinamento ou não consciente dos riscos da atividade), seja pelas condições ambientais e/ou mesmo pelos equipamentos. A modernização do processo produtivo da construção tem contribuído muito para prevenção, mas o esforço ainda é grande para deixar de ser um dos ramos mais impactantes sobre a saúde e segurança do trabalhador. Embora sejam imensas as possibilidades de riscos em uma obra, podemos destacar que as principais causas dos acidentes fatais ou que deixam o trabalhador com sequelas são: • Fogo • Andaimes sem segurança • Plataformas de trabalho sem segurança • Poços/Beiradas abertas • Equipamento elétrico e cabos sem segurança Fonte: Disponível em: <http://turmadopetroleo-mossoro.blogspot.com.br/2013/09/dezesseis-principais-riscos-em-um.html>. Acesso em: 26 nov. 2014. Figura 2.41 | Riscos na construção civil Fogo Uso de máquinas sem proteção Acessos inseguros Andaimes sem segurança Queda de objetos Atingidos por corpos estranhos Operações de elevação sem segurança Trabalho em alturas sem segurança Poços/beiradas abertas Plataformas de cargas sem segurança Plataformas de trabalho sem segurança Empilhadeiras sobrecarregadas Escoamento estrutural sem segurança Equipamento elétrico e cabos sem segurança Guindastes sem segurança Escavações sem segurança 96 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais • Escavações sem segurança • Plataforma de carga sem segurança • Atingidos por corpos estranhos • Queda de objetos • Escoramento do estrutural sem segurança • Empilhadeiras sobrecarregadas • Guindastes sem segurança • Operação de elevação sem segurança • Trabalho em alturas sem segurança • Uso de máquinas sem proteção • Acessos inseguros (BOLONHA, 2013). A seguir serão expostos os mais comuns. 4.1 Instalações elétricas Fonte: FUNDACENTRO (2007) Figura 2.42 | Interação do corpo humano com partes energizadas Quando se fala em instalações elétricas de qualquer natureza, o isolamento completo e a extinção dos riscos devem sempre ser priorizados, mesmo que a instalação seja temporária. As precauções tomadas devem ser tomadas como se fossem instalações definitivas, inclusive com projeto que dimensione corretamente o sistema, a anotação de responsabilidade técnica (ART) emitida por profissional legalmente habilitado. Há uma preocupação especial em instalações elétricas em obras, já que existem muitas adaptações possíveis dentro de um canteiro. Porém, o corpo humano nem sempre é tão resiliente aos choques elétricos e a resposta que o corpo do ser humano normalmente dá quando interagindo sobre partes energizadas de equipamentos pode potencializar os acidentes e riscos de morte, muito em função do trabalhador não suportar determinados efeitos que a corrente elétrica causa sobre seu corpo. 97 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Em todos os componentes do equipamento que forem energizados é preciso o isolamento completo, previsão de barreiras e invólucros, isolamento de partes vivas, previsão de obstáculos que dificultem o acesso a partes energizadas e que se mantenham fora de alcance pessoas que não estejam devidamente habilitadas para o desenvolvimento de trabalho com energia elétrica. O aterramento deve ser sempre previsto quando os equipamentos forem operados por meio da energia elétrica, assim como todos os sistemas de distribuição de energia elétrica dentro da obra (FUNDACENTRO, 2007). Fonte: FUNDACENTRO (2007) Fonte: FUNDACENTRO (2007) Figura 2.44 | Exemplo de placas Figura 2.45 | Exemplo de aplicação de placas e restrição de acesso Figura 2.43 | Intensidade da corrente e efeitos ao corpo A NR-18 em seus itens 18.21.1 a 18.21.20 e a RTP 05 são fontes de consulta essenciais para consideração de gerenciamento de risco associado à energia em obras (BRASIL, 2013; FUNDACENTRO, 2007). Fonte: FUNDACENTRO (2007) 98 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Sistema de sinalização é crucial, indicando condições de energia, e devem ser indicativos de restrição de pessoal não autorizado, já que a maioria dos equipamentos usados em obra é de elevada potência, e carente de correntes elétricas de elevada amperagem. Desejável que funcionários que ficarem responsabilizados pela manutenção elétrica do equipamento associado ao transporte de materiais estejam cientes dos riscos associados ao transporte de materiais e também todas as recomendações estabelecidas pela NR-10 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE (BRASIL, 2004a). 4.2 Organização do canteiro O PCMAT, como programa de Segurança do Trabalho, tem como objetivo, a exemplo do PPRA, identificar os riscos do ambiente de trabalho, especialmente em obras de construção, reformas e ampliações, serviços de manutenção e reparação, entre outros, a fim de prevenir acidentes e doenças decorrentes de suas atividades. Podem fazer parte da composição de um dos tópicos dos riscos específicos em transporte de cargas, de incêndio, já que em obras normalmente existe a armazenagem de potencial de incêndio, e também quanto à forma de armazenagem dos materiais, já que existem riscos associados. São importantes as consultas nas seguintes leis, normativas e portarias para o desenvolvimento do PCMAT: • Lei nº 6.514, de 22/12/1977 (BRASIL, 1977). • Portaria nº 3214, de 08/06/1978 (BRASIL, 1978). • Portaria nº 4, de 04/07/1995 (BRASIL, 1995). • Norma Regulamentadora NR-18 – PCMAT – Programa de Condições e Meio Ambiente na Indústria da Construção (BRASIL, 2013). Códigos dos Corpos de Bombeiros do Estado em que será desenvolvido precisam ser consultados e citados. 4.3 Uso de EPI O uso de EPI deve ser especificado a partir da avaliação dos riscos ambientais associados à atividade que se desenvolverá, prevendo treinamentos obrigatórios e específicos para seus usos, além da criação de procedimentos que garantam a substituição sempre como indicado pelo PCMAT. A sinalização para uso do mesmo nos ambientes indicando a obrigatoriedade é essencial, juntamente com outras formas de indicações em defesa da prevenção coletiva. Demais disposições acerca deste assunto podem ser observadas na NR-6 – Norma Regulamentadora 6 do Ministério do Trabalho - Equipamentos de Proteção Individual – EPI (BRASIL, 2014a). 99 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 4.4 Gerenciamento de terceiros Como o volume de trabalho que precisa ser desenvolvido para que uma edificação fique pronta é bastante grande, e demandas mercadológicas normalmente exigem cada vez mais agilidade e as construtoras buscando atender, buscam ampliar sua capacidade produtiva fazendo uso de mão de obra terceirizada, como complemento para que o nível de produtividade continue satisfatório. A prática da terceirização é comum em outros ramos industriais, como da metalurgia naval ou em agroindústrias em época de safra, por exemplo, mas na construção civil, deve-se acentuar, o fenômeno da terceirização da mão de obra não terceiriza a responsabilidade de gerenciamento de risco de quem contrata, ou seja, tem reponsabilidade solidária quando um acidente acontece. É por este motivo que o PCMAT precisa ser bem elaborado, pois precisa incorporar e prever procedimentos sobre os terceirizados, principalmente com a integração, treinamentos direcionados à realidade da empresa, que deixem pessoal terceirizado ciente de suas obrigações de uso de EPI nas condições citadas no PCMAT. Para tanto, a empresa que contrata o serviço pode usar de artifícios documentais para comprovar que os treinamentos e integração foram feitos. São previstos pela NR-18 treinamentos mínimos prevendo seis horas de capacitação, no horário de trabalho, que abordem condições de meio ambiente, os risco e meios de proteção. Reciclagem e manutenção dos conhecimentos devem ser constantes, o que fortalece a postura preventiva da empresa contratante (BRASIL, 2013). Uma das coisas que a empresa contratante precisa é informar às contratadas (terceirizadas) como os riscos ambientais foram levantados e compartilhar estas informações e auxiliar a empresa que foi contratada para que a mesma seja capaz de elaborar seu PCMSO. 4.5 Armazenagem e Estocagem de Materiais A armazenagem de materiais em obras carece de planejamento para a deposição dos mesmos, já que, antes de tudo, os materiais são insumos que devem ser usados durante a construção, e a estocagem deve ser feita considerando, além da circulação de materiais e posicionamento dos equipamentos de transporte (gruas, elevadores, entre outros), a presença de pessoas em constante circulação. A prevenção de incêndioé outra preocupação, que deve ser obrigatoriamente concebida conforme exigências dos códigos de prevenção do Corpo de Bombeiros. Outro cuidado que deve ser tomado é quanto à obstrução de portas ou saídas de emergência, e interferência de rotas de fugas, que também deve ser prevista. A armazenagem dos materiais precisa considerar sobrecargas sobre elementos da construção (piso, paredes, lajes) ou até mesmo da geometria da armazenagem (por exemplo, deposição de sacos de cimento) não contribuir para estabilidade da própria pilha e ruir. 100 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Estes tipos de riscos devem ser prevenidos e sinalizados quando não forem passíveis de deixar condições satisfatórias de armazenagem e o manuseio não atente contra a vida e segurança do trabalhador. A NR-18, em seu item 18.24.2.1, chega a manifestar que a altura de um empilhamento deve ter a mesma distância que esta pilha deverá ficar distante de qualquer parte da edificação ou mesmo de outros elementos armazenados sobre o mesmo ambiente (BRASIL, 2013). Alguns produtos, como a cal virgem e mesmo outros produtos, como materiais tóxicos, corrosivos, inflamáveis ou explosivos, devem ser armazenados em locais isolados, secos e arejados, atendendo suas respectivas FISPQS e instruções dos fabricantes, já que condições ambientais podem influir nestes produtos e gerar subprodutos que possam interferir na saúde e segurança do trabalhador. A armazenagem dos produtos perigosos precisa deve ser coordenada por pessoa devidamente treinada, o ambiente deve ter acesso restrito somente a pessoas autorizadas e o ambiente deve conter todas as sinalizações obrigatórias e previstas para este tipo de armazenagem, que veremos mais adiante neste livro. A FISPQ significa “Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos” e é tido como um documento que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) prevê conforme ABNT/NBR 14725- 2 como obrigatório para armazenagem e transporte. Tal ficha acompanha assim produtos que se enquadram como produtos perigosos (explosivos, gases, líquidos inflamáveis, sólidos inflamáveis, substâncias oxidantes e peróxidos, substâncias tóxicas e infectantes, materiais radioativos, corrosivos e substâncias perigosas diversas). (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010). Classes dos produtos perigosos: <http://www.unifal-mg.edu.br/riscosquimicos/produtos%20perigosos>. 101 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Desta forma, a deposição destes materiais também começa a fazer parte do planejamento de espaços para a sua correta separação dos resíduos, e de quebra os riscos ambientais que podem interferir na saúde e segurança do trabalhador. Para saber mais sobre Proteção Contra Incêndios, consultar Norma Regulamentadora n° 23 - Proteção Contra Incêndios: <http://portal.mte.gov.br/data/fi les/8A7C816A2E7311D1012FE 5B554845302/nr_23_atualizada_2011.pdf>. Para saber mais sobre Proteção Contra Incêndios, consultar Norma Regulamentadora n° 19 – Explosivos: <http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C812D302E6FAC013032FD75374 B5D/nr_19.pdf>. Pense em qual é a importância de se atender aos requisitos de segurança de cargas e pessoas para a confecção do PCMAT em canteiros de obras para edifícios verticais. 1. Quais são as principais causas dos acidentes fatais ou que deixam o trabalhador com sequelas no trabalho na construção civil? 2. Qual é a importância do PCMAT para prevenção em canteiros de obras? 102 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais O Brasil dos últimos anos tem melhorado muito em termos de legislação e mesmo da postura do setor em tentar desenvolver melhores estratégias para que haja a prevenção em segurança do trabalho em canteiros de obras de maneira mais efetiva. Na Seção 1 foram expostas as principais normas (NR-18, NR-35, entre outras) que podem relacionar ao trabalho em altura, buscando indicar as devidas responsabilidades de promoção do trabalho em altura, a importância da capacitação como estratégia de prevenção, e como deve ser desenvolvido o trabalho em altura, e aí entra uma grande quantidade de procedimentos documentais e de posturas no uso de EPI e EPC, até uma liberação formal e a gestão da crise em caso de acidente. Na Seção 2 buscou-se introduzir aspectos históricos das normativas referentes a transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais e as normas relacionadas, entender que o conteúdo de algumas normas, como é o caso da NR-11, está diretamente ligado aos artigos 182 e 183 da CLT e da importância da mesma para contexto da prevenção nos trabalhos de transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais, e como são necessários cuidados especiais para operação de elevadores, guindastes, transportadores industriais e máquinas transportadoras. Na Seção 3 foi dada ênfase às proteções coletivas (EPC), muito em função da apresentação dos equipamentos de proteção individual no capítulo anterior, dando preferência a um detalhamento tanto quanto ao uso, aos riscos associados e mesmo da configuração que normativamente é considerada correta para a prevenção em plataforma de proteção, poço de elevador, abertura do piso, periferia de obra, sistema guarda- corpo e rodapé (GcR) em diversas regiões da obra (e suas variações). Demonstrou-se também alguns aspectos de segurança a serem considerados em escavação. Em trabalhos em altura cuidou-se de expor principais configurações e cuidados favoráveis à segurança em EPCs quando da exposição das linhas de vida, andaimes (e suas variedades de uso) e elevadores. Em movimentação e planejamento foram demonstrados cuidados essenciais e requisitos mínimos para a operação de equipamentos do tipo grua. Na Seção 4 buscou-se discorrer sobre alguns riscos dentre a infinidade 103 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais possível que pode atentar contra a vida e saúde do trabalhador, e foram eleitos como representativos destes riscos as instalações elétricas, organização dos canteiros, uso de EPI, gerenciamento de terceiros, armazenagem e estocagem de materiais. Esta unidade tinha por fim alertar sobre situações e discorrer que falhas na prevenção podem ocorrer no canteiro, independentemente de haver vinculação ou não às normas regulamentadoras, cabendo ao profissional de segurança do trabalho estar atento. Muito se melhorou nas condições de trabalho em decorrência do avanço tecnológico da fabricação das edificações, verificou-se também o aumento do investimento por parte dos empregadores tanto em ferramentas, equipamentos que auxiliem sobretudo na facilitação da execução dos serviços, quanto na estrutura do canteiro de obras, e muitos dos quais foram apresentados nesta unidade. Mas ainda o setor carece de evolução significativa quando se fala de recursos humanos, principalmente quando a capacitação está diretamente relacionada à saúde e segurança do trabalho em canteiro de obras. 1. A norma que em sua essência trabalha integralmente para a prevenção do trabalho em altura: a) Norma Regulamentadora n° 11. b) Norma Regulamentadora n° 12. c) Norma Regulamentadora n° 35. d) Norma Regulamentadora n° 05. e) Norma Regulamentadora n° 06. 104 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 4. Correlacione os equipamentos com suas respectivas definições previstas pela NR-35. 2. Qual documento é previsto na NR-35 para Permissão de Trabalho, ele é: a) Escrito apenas para uso do EPC. b) Escrito para descrever simplesmente a postura do trabalhador, não fazendo referência a EPI e EPCs. c) Escrito contendo conjunto de medidas de controle visando o desenvolvimento de trabalho seguro, além de medidas de emergência e resgate. d) Tem por princípio exclusivo ser um manual de operação de uma máquina/equipamento que se pretendeutilizar no trabalho em altura. e) Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) já é uma permissão de trabalho. 3. Atividade realizada sob supervisão permanente de profissional com conhecimentos para avaliar os riscos nas atividades e implantar medidas para controlar, minimizar ou neutralizar tais riscos. Com base nesta definição, qual das alternativas melhor se enquadra: a) Operação Assistida. b) Assistência laboral. c) Supervisionamento. d) Imobilidade inerte. e) Permissão de trabalho. 1) O absorvedor de energia: ( ) dispositivo de segurança para proteção do usuário contra quedas em operações com movimentação vertical ou horizontal, quando conectado com cinturão de segurança para proteção contra quedas. 2) Cinto de segurança tipo paraquedista: ( ) ponto destinado a suportar carga de pessoas para a conexão de dispositivos de segurança, tais como cordas, cabos de aço, trava-queda e talabartes. 3) Equipamentos auxiliares: ( ) é o componente ou elemento de um sistema para dissipar a energia cinética desenvolvida durante uma queda, pode ser compreendido como um amortecedor antiqueda, desenhado durante uma queda de uma determinada altura (força de pico). 105 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 5. O PCMAT, como programa de Segurança do Trabalho, tem como objetivo, a exemplo do PPRA: I. Identificar os riscos do ambiente de trabalho, especialmente em obras de construção, reformas e ampliações, serviços de manutenção e reparação, entre outros, a fim de prevenir acidentes e doenças decorrentes de suas atividades. II. É documento que reserva o empregador de obrigações trabalhistas, e uma delas é deixar de adquirir o equipamento de proteção individual. III. É documento que reserva o empregado de obrigações trabalhistas, e uma delas é deixar de usar o equipamento de proteção individual. IV. Conjuga um conjunto de ações preventivas à saúde e à segurança do trabalhador e determina responsabilidades tanto do empregado como do empregador. V. É importante instrumento para implantação de políticas de prevenção para trabalho em altura e transporte, manuseio e armazenagem de cargas, assim como busca identificar os riscos que são inerentes a estas atividades. Estão corretas: a) Somente I. b) Somente III. c) Somente II e III. d) Somente I, II e IV. e) Somente I, IV e V. 4) Ponto de ancoragem: ( ) Equipamento de Proteção Individual utilizado para trabalhos em altura onde haja risco de queda, constituído de sustentação na parte inferior do peitoral, acima dos ombros e envolto nas coxas. 5) Sistemas de ancoragem: ( ) dispositivo de conexão de um sistema de segurança, regulável ou não, para sustentar, posicionar e/ou limitar a movimentação do trabalhador. 6) Trava- queda: ( ) equipamentos utilizados nos trabalhos de acesso por corda que completam o cinturão tipo paraquedista, talabarte, trava-quedas e corda, tais como: conectores, bloqueadores, anéis de cintas têxteis, polias, descensores, ascensores, dentre outros. 7) Talabarte: ( ) componentes definitivos ou temporários, dimensionados para suportar impactos de queda, aos quais o trabalhador possa conectar seu Equipamento de Proteção Individual, diretamente ou através de outro dispositivo, de modo a que permaneça conectado em caso de perda de equilíbrio, desfalecimento ou queda. 106 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais 107 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6494:1990: segurança nos andaimes. Rio de Janeiro, 1991. ______. NBR 5419:2005: proteção de estruturas contra descargas atmosféricas. Rio de Janeiro, 2005. ______. NBR 5410:2004: instalações elétricas de baixa voltagem. Rio de Janeiro, 2008a. ______. NBR 15475:2007: acesso por corda e certificação de pessoas. Rio de Janeiro, 2008b. ______. NBR 14725-2:2009: produtos químicos: informações sobre segurança, saúde e meio ambiente: parte 2: sistema de classificação de perigo. Rio de Janeiro, 2010. ______. NBR 14626:2010: equipamento de proteção individual contra queda de altura: trava-queda deslizante guiado em linha flexível. Rio de Janeiro, 2011a. ______. NBR 14627:2010: equipamento de proteção individual contra queda de altura: trava-queda guiado em linha rígida. Rio de Janeiro, 2011b. ______. NBR 14628:2010: equipamento de proteção individual contra queda de altura: trava-queda retrátil. Rio de Janeiro, 2011c. ______. NBR 14629:2010: equipamento de proteção individual contra queda de altura: absorvedor de energia. Rio de Janeiro, 2011d. ______. NBR 15834:2010: equipamento de proteção individual contra queda de altura: talabarte de segurança. Rio de Janeiro, 2011e. ______. NBR 15835:2010: equipamento de proteção individual contra queda de altura: cinturão de segurança tipo abdominal e talabarte de segurança para posicionamento e restrição. Rio de Janeiro, 2011f. ______. NBR 15836:2010: equipamento de proteção individual contra queda de altura: cinturão de segurança tipo para-quedista. Rio de Janeiro, 2011g. ______. NBR 15837:2010: equipamento de proteção individual contra queda de altura: conectores. Rio de Janeiro, 2011h. 108 U2 Trabalho em altura. Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis de Trabalho. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452. htm>. Acesso em: 15 dez. 2014. ______. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n. 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Altera o Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, relativo à segurança e medicina do trabalho e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l6514.htm>. Acesso em: 15 dez. 2014. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. Portaria n. 3.214, 08 de junho de 1978. Aprova as Normas Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/ files/FF8080812BE914E6012BE96DD3225597/p_19780608_3214.pdf>. Acesso em: 17 dez. 2014. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. Portaria n. 04, de 04 de julho de 1995. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/ data/files/8A7C812D36A2800001388116DDAC560D/Portaria%20n.%C2%BA%20 04%20(Novo%20texto%20NR-18).pdf>. Acesso em: 17 dez. 2014. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 10 - Segurança em instalações e serviços em eletricidade. Portaria n. 598, de 7 de dezembro de 2004a. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C812D308E216601310641F67629F4/ nr_10.pdf >. Acesso em: 15 dez. 2014. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 11 - Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais. Atualizada pela Portaria SIT n. 82, de 01 de junho de 2004b. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/ FF8080812BE914E6012BEF1FA6256B00/nr_11.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2014. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 18 - Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Atualizada pela Portaria MTE n. 644, de 09 de maio de 2013. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/ FF8080814295F16D0142ED4E86CE4DCB/NR-18%20(atualizada%202013)%20 (sem%2024%20meses).pdf>. Acesso em: 15 dez. 2014. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 6 - Equipamento de proteção individual – EPI. Atualizada pela Portaria MTE n. 1.134, de 23 de julho de 2014a. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/ files/8A7C816A47594D04014767F2933F5800/NR-06%20(atualizada)%202014.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2014. 109 U3 Legislação e prevenção ao incêndio epânico ______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR-35 - Trabalho em altura. Atualizada pela Portaria MTE n. 1.471, de 24 de setembro de 2014b. Disponível em: <http:// portal.mte.gov.br/data/files/FF80808148EC2E5E014961BFB192220B/NR-35%20 (Atualizada%202014)%202.1b%20(prorroga).pdf>. Acesso em: 15 dez. 2014. BOLONHA, Rafael de Oliveira. Dezesseis principais riscos em um canteiro de obras. Blog Construir. 14 ago. 2013. Disponível em: <http://blog.construir.arq.br/ riscos-na-obra/>. Acesso em: 16 dez. 2014. FUNDACENTRO - Fundação Jorge Duprat e Figueiredo. Recomendação Técnica de Procedimentos: movimentação e transporte de materiais e pessoas: elevadores de obra. São Paulo: FUNDACENTRO, 2001. Disponível em: <http:// www.fundacentro.gov.br/biblioteca/recomendacao-tecnica-de-procedimento/ publicacao/detalhe/2012/9/rtp-02-movimentacao-e-transporte-de-materiais-e- pessoas-elevadores-de-obra>. Acesso em: 15 dez. 2014. ______. Recomendação Técnica de Procedimentos: escavações, fundações e desmonte de rochas. São Paulo: FUNDACENTRO, 2002a. Disponível em: <http:// www.fundacentro.gov.br/biblioteca/recomendacao-tecnica-de-procedimento/ publicacao/detalhe/2012/9/rtp-03-escavacoes-fundacoes-e-desmonte-de- rochas>. Acesso em: 15 dez. 2014. ______. Recomendação Técnica de Procedimentos: medidas de proteção contra quedas de altura: NR-18 - Condições e meio ambiente do trabalho na indústria da construção. São Paulo: FUNDACENTRO, 2003. Disponível em: <http:// www.fundacentro.gov.br/biblioteca/recomendacao-tecnica-de-procedimento/ publicacao/detalhe/2012/9/rtp-01-medidas-de-protecao-contra-quedas-de- altura>. Acesso em: 15 dez. 2014. ______. Recomendação Técnica de Procedimentos: instalações elétricas temporárias em canteiros de obras: RTP 05. São Paulo: FUNDACENTRO, 2007. Disponível em: <http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/recomendacao- tecnica-de-procedimento/publicacao/detalhe/2012/9/rtp-05-instalacoes-eletricas- temporarias-em-canteiros-de-obras>. Acesso em: 15 dez. 2014. Unidade 3 LEGISLAÇÃO E PREVENÇÃO AO INCÊNDIO E PÂNICO Objetivos de aprendizagem: A presente unidade objetiva que o aluno seja capaz de identificar as principais normativas, legislações de apoio nas práticas prevencionistas e contribuir de maneira proativa para proteção contra incêndio e explosões e no controle do pânico. Para isso buscaremos, na exposição do conteúdo, que o aluno entenda sobre teoria do fogo e explosivos e fenômenos associados aos mesmos, agentes extintores e métodos. Por fim, demonstrar as classes de fogo, as quais poderão complementar os métodos de extinção, e assim aplicar este conhecimento no dia a dia da prevenção. Ao final desta unidade o aluno agregará conhecimentos sobre os conteúdos acerca da legislação e prevenção de incêndio. Flavio Augusto Carraro Na Seção 1, o aluno poderá conhecer os aspectos básicos sobre legislações e normas em prevenção e combate ao incêndio e pânico, permitindo ao aluno entender a organização e fontes principais de informação para evolução do conhecimento acerca do assunto abordado. Seção 1 | Legislação e Normas 112 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Na Seção 2, o aluno será introduzido à Teoria do Fogo, fenômenos associados ao incêndio e sua evolução, e suas principais características. Serão expostos também alguns conceitos relacionados aos explosivos, para que o aluno, ao se tornar um profissional, consiga identificar riscos potenciais. Seção 2 | Teoria do Fogo, Incêndio e Explosivos Na Seção 3 daremos continuidade às classificações de fogo, algum detalhamento quanto aos fenômenos ocasionados pelos diversos tipos de materiais que podem levar ao incêndio e também serão expostos os principais agentes de extinção usados no combate a incêndio. Para finalizar, a Seção 4 permitirá o entendimento de como funcionam os programas de proteção contra incêndio e pânico, bem como planos de emergência e principais pontos a serem abordados dentro dos programas e planos de prevenção de combate a incêndio e pânico. Seção 3 | Classificação de Fogo/Incêndio e Métodos de Extinção Seção 4 | Programas de proteção contra incêndio e pânico/Planos de emergência 113 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Introdução à unidade Quando se fala em prevenção em segurança do trabalho, abre-se um leque de possibilidades, e uma destas possíveis áreas de atuação profissional é o gerenciamento do risco em incêndio e pânico. Existe uma demanda permanente, por parte do mercado, por profissionais capazes de entender e gerenciar todos os aspectos de segurança que envolvem o fogo. Um profissional de segurança do trabalho especializado neste assunto é valorizado quando dotado de conhecimentos em prevenção e combate a incêndio, prevenção e gerenciamento do pânico e gerenciamento de riscos associados, principalmente na realidade brasileira, pois existe defasagem entre a realidade das empresas e as exigências normativas, e nível de exigência dos códigos de prevenção do Corpo de Bombeiros. O profissional de segurança do trabalho, para trabalhar em prevenção de incêndio e pânico, precisa aprofundar o conhecimento continuamente, pois necessita interpretar as normativas que estão sempre em atualização, possuir conhecimento e domínio sobre equipamentos, agentes extintores, métodos e procedimentos para fazer frente à dinâmica do fogo e fenômenos associados. 114 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 115 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Seção 1 Legislação e normas As Normas Regulamentadoras (NR), de uma maneira geral, contribuem timidamente para a discussão de segurança em prevenção de incêndio e pânico, pois pouco instrumentalizam estes acerca da abordagem do fogo, do incêndio, do pânico, entre outros assuntos igualmente relevantes a este assunto. Em uma análise comparativa entre o volume de informações relacionadas aos assuntos de prevenção e combate a incêndio das Normas Regulamentadoras (M.T.E. – Ministério do Trabalho e Emprego) e as demais normas do catálogo de Normas Brasileiras (NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e dos Códigos de prevenção e combate a incêndio e pânico dos Corpos de Bombeiros estaduais, estas últimas são mais específicas e detalham um volume maior de informação que as normas regulamentadoras não conseguem, e por este motivo são essenciais para o desenvolvimento do trabalho de segurança do trabalho em prevenção. CÓDIGOS DE PREVENÇÃO, NORMAS ABNT E NR O que se pretende aqui não é listar todas as normas, mas serão focados alguns pontos essenciais para desenvolvimento da prevenção a incêndio e pânico, e que genericamente são aplicáveis à realidade brasileira. De uma maneira mais aprofundada e direcionada, podemos encontrar hoje no Brasil um conjunto de Normativas, Instruções Normativas e Códigos de Prevenção emitidos pelos Corpos de Bombeiros dos estados. Além de mais especializados, tais códigos facilitam as informações contidas das normas ABNT/ NBR, principalmente aos leigos, e têm influência significativa sobre resoluções relacionadas ao incêndio e pânico. Quando se fala em segurança do trabalho é necessário citar a NR-23 - Proteção Contra Incêndios. Uma das últimas atualizações ocorreu com a redação da Portaria SIT n.º 221, de 06 de maio de 2011, e ainda não contempla de maneira consistente, com um texto resumido, todos os tópicos necessários para amparar o profissional de Segurança do Trabalho. Mas esta norma não deixa de ter importância, pois alerta sobre as responsabilidades dos empregadores em relação às condições de trabalho, e dos trabalhadores, e complementa as obrigações quanto ao apoio a procedimento de segurança tanto do plano de prevenção quanto na brigada de incêndio. Na NR-23 - Proteção Contra Incêndios consta: 116 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Sobre texto da NR-23: Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C816A2E7311D101 2FE5B554845302/nr_23_atualizada_2011.pdf>. Oprofissional de segurança do trabalho, para desenvolver a prevenção e combate a incêndio e pânico, precisa obrigatoriamente consultar as normas regulamentadoras, legislações municipais, estaduais e códigos de prevenção, além das normas regulamentadoras, ficando ciente de que o não atendimento às exigências dos mesmos o tornam passível de questionamento judicial, não pela norma diretamente, mas pela negligência de não ter seguido os devidos requisitos de prevenção quando da ocorrência de um incêndio. São as fontes de informações essenciais para o desenvolvimento de práticas de prevenção e combates a incêndio, dentro da realidade brasileira, válidas para efeitos legais: • Normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). • Normas Brasileiras (NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). • Códigos de Segurança de Prevenção a Incêndio e Pânico (CSCIP) dos Corpos de Bombeiros de cada estado, além de todas as suas revisões constantes, instruções normativas específicas. Dentro da realidade brasileira tem-se visto um empenho de autoridades e órgãos direcionado à prevenção e combate a incêndio e pânico, no sentido de aproximar as boas práticas de seus códigos ao que está ocorrendo ao redor mundo, e isto vem acontecendo por meio de consecutivas revisões dos códigos de prevenção. As revisões não podem ser vistas no sentido negativo, dado que novas tecnologias e métodos surgem todos os anos, relacionados às temáticas incêndio e pânico, obrigando o profissional de segurança, além das fontes citadas, a buscar constantemente conhecimentos mais específicos e atualizados. É relevante lembrar que ABNT não é um órgão governamental, é uma “associação” da qual participam sociedades civis organizadas, órgãos do governo, profissionais, técnicos e especialistas de várias áreas do conhecimento, empresas, instituições de ensino e pesquisa, entre outros. Para a produção das normas são desenvolvidas diversas discussões e reuniões, de forma ampla, de modo a contribuir no detalhamento de informações que precisam constar nas normas que chegam ao mercado. Como a maioria das normas decorre de consecutivas “falhas” das práticas laboratoriais, de mercado e de aplicação de teoria na prática, desse modo as normas reúnem informações que de certo modo foram testadas 117 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico e aprovadas pelos participantes da discussão, acabando assim por estabelecer “padrões” aceitáveis para a aplicação ou requisitos mínimos de qualidade. Muitas leis e códigos oficiais, provenientes dos municípios, estados, governos e órgãos oficiais como o Corpo de Bombeiros, por exemplo, acabam também citando tais normas, no intuito de demonstrar que tais padrões ou requisitos são aceitos como válidos ao que pretendem demonstrar. Desta forma, a adoção das normas da ABNT, por tais legislações, lhes confere, de certo modo, “força de lei”, sem necessariamente serem de fato. Sendo as ABNT/NBRs não elaboradas pelo Estado/governo, no que pode implicar sua não observação, principalmente na área de prevenção de incêndio e pânico, quando da instalação de equipamento de prevenção, por exemplo. 1. Quais devem ser as bases essenciais e obrigatórias de consulta para elaboração de qualquer trabalho em prevenção e combate a incêndio e pânico? 2. Todas as normas desenvolvidas pela ABNT/NBRs podem ser consideradas “leis”? Argumente. 118 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 119 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Seção 2 Teoria do fogo, incêndio e explosivos Quando se aborda a teoria do fogo e o estudo dos fenômenos associados ao incêndio e todas as variáveis que podem contribuir tanto para a sua evolução como para o seu controle e extinção, podemos denominar a este conjunto de conhecimentos como engenharia do fogo/incêndio. 2.1 O fogo e a sua influência nos hábitos humanos O fogo efetivamente é dominado pelo homem quando consegue torná-lo portátil e somente é possível no momento em que domina suas variáveis: a ignição, o combustível e o comburente. As pedras, os gravetos e o controle da ventilação/ oxigenação usados pelos homens pré-históricos são, respectivamente, a ignição, o combustível e o comburente. A técnica consiste em dispor gravetos e outros elementos de fácil queima, submetidos a faíscas decorrentes do atrito entre as pedras, de tal modo que permita a ignição. Uma vez sendo “dominado” o fogo, houve influência direta e significativa nos hábitos de alimentação (processamento) pelos seres humanos, no conforto ambiental (calor), na fabricação de utensílios (cerâmica, ferro, vidro, entre outros), já que pelo calor era possível a fundição/fusão de um ou mais elementos, algo que atualmente pode parecer comum, mas para o homem primitivo era uma evolução tecnológica significativa. A perda do controle sobre as fontes de ignição, ou da não percepção do risco da armazenagem de combustível, e a falta de controle sobre o comburente podem, na história do homem com o fogo, ter gerado alguns incêndios. Reflita sobre o quanto o fogo teve influência na história do homem e pense em pelo menos três contribuições positivas e três contribuições negativas que ele trouxe. 120 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 2.1.1 Do que é feito o fogo? Para que o fogo ocorra é necessário que exista conjuntamente a relação entre ignição, comburente e combustível, obrigatoriamente. Alguns teóricos e estudiosos do assunto entendem também que, em decorrência da existência do fogo, poderá haver também possíveis reações em cadeia, secundárias ao fogo, favorecendo a evolução para o estágio de um incêndio. O profissional de segurança do trabalho precisa, assim, entender as seguintes definições: • Ignição: é a condição para que o fogo se inicie, na qual exista mudança de temperatura de maneira abrupta/instantânea, a qual tem a capacidade de modificar relações energéticas entre o meio, o material e a condição molecular da atmosfera. Permite a reação química exotérmica com liberação luminosa e térmica (calor). • Comburente: associado a elementos químicos, normalmente gases disponíveis na atmosfera do ambiente, e o oxigênio, dentre os gases pode participar da reação química de óxido-redução (oxidação) que se estabelece após a inserção do calor (ignição). • Combustível: consiste em material propriamente dito que apresente potencial de queima e calorimétrico, o qual abastecerá o fogo devido às suas características peculiares, como, por exemplo, madeira, papel/papelão, plástico, líquidos inflamáveis, entre outros materiais cuja queima seja facilitada. 2.1.2 Qual a relação entre ignição, comburente e combustível? Para se entender a dinâmica do fogo, é necessário estudar a relação entre estas três condições: ignição, comburente e combustível, denominado triângulo do fogo. Este princípio é bastante importante, já que através da intervenção sobre o todo ou em parte deste triângulo é possível atuar efetivamente para a extinção do fogo. Fonte: O autor (2014) Fonte: O autor (2014) Figura 3.1 | Triângulo do fogo Figura 3.2 | Reação em cadeia 121 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Existe a presença de um conjunto de fenômenos derivados da existência do fogo e que contribuem diretamente para a ocorrência do incêndio. Para alguns estudiosos no assunto, existe ainda uma quarta variável, que na verdade aumentaria o potencial destrutivo do incêndio, que seriam as reações em cadeia. Estas reações em cadeia são na verdade fenômenos físicos. Essas reações em cadeia surgem após o aparecimento do fogo, e podem influenciar a propagação do fogo, sendo conhecidas como condução, convecção e radiação. • Condução do calor: é a energia transmitida por meio de material sólido. • Convecção do calor: é a energia transmitida por meio de fluidos. • Radiação do calor: é a energia transmitida por meio de ondas mecânicas ou eletromagnéticas. Fazendo o devido referenciamento da figura ao contextoem que ocorre o incêndio dominando os fenômenos físicos, é possível entender que a reação em cadeia é igualmente importante para que haja a efetiva prevenção dos incêndios e permita a boa atuação em momentos de emergência. Além de entender o bloqueio sobre o triângulo do fogo, é possível entender que bloqueando as possibilidades destes fenômenos acontecerem, poderá também controlar a propagação do incêndio. 2.1.3 Definindo o que é o fogo É a mudança abrupta do estado energético, iniciando uma reação química exotérmica (óxido-redução). Esta reação inicia-se quando é estabelecida uma fonte de ignição, diretamente sobre materiais combustíveis, com potencial de liberação Fonte: Disponível em: <http://wwwpesquiseaqui.blogspot.com.br/2010/11/propagacao-de-calor-por-irradiacao.html>. Acesso em: 15 dez. 2014 Figura 3.3 | Exemplificação de condução, convecção e radiação Condução: calor passa de partícula para partícula desde a extremidade quante até a extremidade fria Convecção: calor proveniente da chama é transferido pela circulação da água Radiação: calor se transfere pelo espaço sob a forma de radiação infravermelha. 122 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico energética e sobre os quais haverá interação com comburentes, normalmente gases que interagem e sustentam a chama. A evolução para um incêndio poderá acontecer quando houver condições ambientais propícias onde o fogo está inserido, e sua propagação dependerá da condução, convecção e radiação. O incêndio, para que aconteça, basta que ocorra o conjunto de condicionantes ambientais desfavoráveis e descontrole sobre alguns dos aspectos como ignição, comburente e combustível e a reação entre eles. 2.1.4 O que é incêndio? Basicamente, o fogo parte da interação entre fontes de ignição, comburente e combustível, o que pode nos levar a pensar que a reação de cadeia que deriva da associação destes três componentes pode originar o incêndio, que é o descontrole sobre qualquer um dos componentes e/ou das reações em cadeia decorrentes associadas. PENSA QUE ACABOU? Evento de incêndio pode gerar condições peculiares, que de certo modo reforçam a necessidade de se entender a dinâmica do mesmo. Alguns fenômenos que ocorrem durante o incêndio e que pouca gente conhece são cruciais para o combate ao incêndio e essenciais para se evitar fatalidades. Estes fenômenos são o Flashover, Backdraft e Ignição por Chamas. 2.1.4.1 Flashover: Consiste na expansão térmica sobre um determinado compartimento pela inserção de comburentes (gases) na qual a fumaça atua como vetor, pela disposição de gases e aumento da temperatura no ambiente. Esta fumaça, à medida que aumenta sua densidade e temperatura, é capaz de irradiar o calor aos objetos do ambiente e por ignição espontânea sobre materiais “combustíveis” presentes no ambiente. Uma vez que o incêndio se instala, há uma alteração da dinâmica térmica das massas de ar dentro do ambiente, na qual a fumaça quente fica contida na parte superior do ambiente, enquanto a parte inferior recebe reforço de ar exterior (com menor temperatura e rico em oxigênio), alimentando o fogo. Uma vez que haja a probabilidade do Flashover acontecer, deve ser trabalhado o esfriamento e abafamento das fontes de combustível, o esfriamento do conjunto de gases quentes derivados da queima, evitando que o “calor” movimente-se entre a fumaça quente da área dominada pela fumaça. Nem sempre existe o fogo se movimentando e a própria fumaça quente cria condição para a ignição em si. Quando acontece o Flashover é importante trabalhar sobre o suprimento de oxigênio disponível na atmosfera. Fechar o ambiente, quando possível, pois o abafamento barraria a inserção de oxigênio livre disponível. 123 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Fonte: O autor (2014) Fonte: O autor (2014) Figura 3.4 | Gráfico de evolução do Flashover Figura 3.5 | Gráfico de evolução do Flashover com a ocorrência de Backdraft A figura 3.4 demonstra a evolução do incêndio, suas fases e o ponto em que o combate ao incêndio (linha vermelha) teria maior possibilidade de sucesso, isso aconteceria quando o combate fosse antecipado ao Flashover (representada pela linha roxa). A interseção entre as linhas seria o ponto ideal tanto da evolução do incêndio quanto trabalhar o combate. pela simples expansão de um botijão com gás comburente (botijão de gás existente). O que faz com que isto ocorra, basicamente, é o fato de existir material com combustão incompleta, e a associação de gases aquecidos já nos limites de inflamabilidade, e com a inserção de ar, e condições ideais para que uma ignição fuja ao controle (fagulha), como é o caso. A dinâmica do incêndio não é determinada somente pelos combustíveis, mas 2.1.4.2 Backdraft É o fenômeno que se assemelha a uma explosão, mas neste caso é por conta da introdução de ar ou comburente se expandindo de maneira repentina, como, por exemplo, a abertura de uma porta (arrombamento comum durante incêndio), ou também pela dinâmica do ar dentro das edificações. Os pontos demarcados na figura 3.5 “backdraft” são momentos em que o incêndio foge à sua normalidade e existe um acréscimo substancial tanto em termos de carga de incêndio quanto o prolongamento do incêndio. 2.1.4.3 Ignição por fumaça Para alguns autores existe a possibilidade de haver a ignição por fumaça, que pode acontecer quando uma fonte de calor entra em contato com a fumaça (cuja composição de gases é favorável), em que a queima do combustível tem influência direta na composição da fumaça. A ignição por fumaça é uma transferência de energia de maneira repentina, normalmente estimulada pelas reações em cadeia, ou seja, diretamente ligada à evolução do incêndio. Ignição Ignição Flashover Flashover Brackdraft Brackdraft Inflamação crescente (reações cadeia) Inflamação crescente (reações cadeia) Pleno incêndio Pleno incêndio Declínio incêndio 124 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 2.2 Explosivos A pólvora é, dentre as substâncias explosivas, uma das mais antigas, inventada na China do século IX, em que o salitre (NaNO3), carvão e enxofre, em medidas específicas, permitiam um arranjo pirofórico (fogos de artificio), depois aperfeiçoado por europeus, com a adição de compostos químicos metálicos que garantiam uma possibilidade de cores, para uso nos fogos de artifício. A pólvora começou efetivamente a ser usada para fins bélicos após a invenção do canhão por Berthold Scwars (1310-1384). Desde então, o homem conhece e busca entender cada vez mais os explosivos e, de certo modo, garantir a expansão de seus domínios por meio do potencial de destruição de que os explosivos são capazes. 2.2.1 Explosivos e suas características peculiares Os explosivos são um conjunto de combinações entre elementos químicos que podem ser acionados (por ignição ou calor) para influir nas estruturas de outros elementos químicos e potencializar outras combinações químicas capazes de expansão súbita. Dentre as características essenciais dos explosivos estão a liberação de energia e calor repentinamente, o que permite a decomposição de materiais. A evolução dos explosivos esteve associada ao domínio do conhecimento sobre química, em especial a química orgânica, e da composição das substâncias dos materiais e interações entre estes. A nitroglicerina talvez seja a mais popular entre as substâncias, e pode exemplificar genericamente qual a dinâmica de uma explosão. Um dos elementos químicos encontrados na maioria dos explosivos atuais que faz parte da nitroglicerina é o nitrogênio (N). Flashover Backdraft Ignição por fumaça Ocorrência frequente Depende das condições ambientais Ocorrência frequente Não é explosão Explosão Pode ou não incorrer em explosão Sem ondas de choque Apresenta ondas de choque Pode ou não possuir ondas de choque Efeito se prolonga enquanto houver incêndio Efeito imediato Efeito imediato, com possibilidadede gerar reações em cadeia Calor irradiado pela fumaça Faz uso do oxigênio, normalmente pela abertura abrupta de portas e janelas, e/ou ser alimentado por fontes de combustíveis (gases, por exemplo) Contato entre fonte de calor e fumaça Quadro 3.1 | Diferença entre Flashover e Backdraft, Ignição por Fumaça Fonte: Disponível em: <http://bombeiroswaldo.blogspot.com.br/2012/10/comportamentos-extremos-do-fogo. html>. Acesso em: 16 dez. 2014. 125 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 2.2.2 Definindo explosão Entendendo o fogo como uma liberação de energia térmica e luminosa, a explosão pode ser caracterizada pela expansão substancial de energia e de volume de ar, causando ondas de choque/pressão, normalmente ocasionando possíveis expansões (térmica e lumínica) em menor espaço de tempo. Podem apresentar altas temperaturas, produção de gases decorrente da súbita reação após a ignição. O que diferencia o incêndio da explosão é que, além de apresentar ignição, comburente e combustível, a explosão decorre de reações em cadeia nas quais a química dos elementos envolvidos é capaz de potencializar energia cinética. A energia cinética é energia que uma determinada molécula usa para movimentar a si mesma, e a influência desta sobre as demais, e assim consecutivamente. Esta energia liberada pelos explosivos é capaz de interferir diretamente sobre as moléculas dos materiais envolvidos, e destas entre si, gerando a reação em cadeia (propagando para demais moléculas). A nitroglicerina é obtida através da nitração da glicerina, catalisada por ácido sulfúrico, esse tipo de reação faz parte das mais importantes onde o ácido nítrico, fornece o NO2, que substitui os hidrogênios das hidroxilas presentes na molécula ligando-se ao oxigênio, devido à característica oxidante e desidratante do ácido sulfúrico que apenas participa da reação, porém não é consumido. Obtenção da nitroglicerina ocorre segundo a reação: O efeito explosivo da nitroglicerina se deve à liberação dos gases N2, O2, e CO2, que são violentamente liberados no momento do choque ou no fornecimento de calor. Os gases apresentam este comportamento em razão de ocuparem um espaço superior ao ocupado pelos líquidos, e quando aquecidos ocupam ainda mais espaço, o que provoca a explosão; essa reação é exotérmica. (SANTOS, 2014). Para se ter uma ideia da capacidade explosiva da nitroglicerina, 900 gramas de nitroglicerina, por meio de reação química, são capazes de gerar aproximadamente 800 litros de gases quentes. Disponível em: http:// www.mundoeducacao.com/quimica/constituicao-quimica-historia-dos- explosivos.htm. 126 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 2.2.3 Profissionais de Segurança do Trabalho, sua atuação e gerenciamento em riscos associados a explosões A gestão de riscos de forma preventiva, quando se fala de explosivos, é mais barata, e a administração das variáveis derivadas da explosão é complexa. E mesmo que tenha havido treinamento, nem sempre o profissional está preparado para uma condição em que a explosão aconteça. Para se ter uma ideia, como consequências diretas a uma explosão o profissional precisará dar suporte a feridos, responder pelas fatalidades, além de precisar gerenciar a persistência e alastramento de incêndio secundário à explosão. E não para por aí, pois durante uma explosão poderá haver colapso de estruturas da edificação, reações em cadeia de produtos que possam alimentar a explosão/incêndio (combustíveis). Pensa que acabou? Ainda existem possíveis efeitos diretos sobre tubulações de gás e vasos de pressão e liberações de seus respectivos fluidos, tão comuns no ambiente industrial. Resumindo, o profissional se verá diante de um “efeito dominó” com múltiplas variáveis e com maior dificuldade de administração. Justifica-se assim a importância da elaboração dos planos de contenção/ prevenção/emergência para as empresas, pois assim trata-se preventivamente tanto causas (mitigando-as) como os efeitos (coordenando-os), já que nestes planos estão previstos todos os procedimentos, treinamentos e atualizações que se fazem necessários para todos os profissionais e população envolvida. 2.2.4 Norma regulamentadora Nº 19 - Explosivos É importante ressaltar que a Norma Regulamentadora Nº 19 - Explosivos busca definir o que são explosivos, chegando a propor uma classificação para os mesmos: Explosivos são substâncias capazes de rapidamente se transformarem em gases, produzindo calor intenso e pressões elevadas, se subdividindo em: a) explosivos iniciadores: aqueles que são empregados para excitação de cargas explosivas, sensíveis ao atrito, calor e choque. Sob efeito do calor, explodem sem se incendiar; b) explosivos reforçadores: os que servem como intermediários entre o iniciador e a carga explosiva propriamente dita; c) explosivos de rupturas: são os chamados altos explosivos, geralmente tóxicos; d) pólvoras: que são utilizadas para propulsão ou projeção, (BRASIL, 2011). 127 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Cabe observar que a NR-19 não instrui diretamente em procedimentos associados ao trabalhador individualmente, como, por exemplo, uso de EPIs e comportamentos a serem adotados em situações em que o trabalhador esteja sob risco iminente. Verifica-se, no entanto, que a norma leva em consideração alguns aspectos quanto à parte física das edificações e depósitos, principalmente quanto à deposição, armazenagem e transporte, que indiretamente salvaguardam os profissionais que possam estar envolvidos e a coletividade de um modo geral. Isto, de certo modo, ressalta uma postura que se assemelha à adoção do conceito de que a própria edificação deve ser considerada um “equipamento” visando à proteção coletiva. A ordenação dos tópicos dentro da NR-19 sugere que sejam observados aspectos específicos acerca da construção dos depósitos de explosivos, quantidade máxima de armazenagem, manuseio de explosivos, inspeção aos explosivos armazenados e transportes (rodoviário, ferroviário, marítimo e fluvial) de explosivos. Como uma das áreas em que o profissional de segurança do trabalho pode se envolver é a de gerenciamento de risco durante a logística de produtos perigosos, especificamente de explosivos e combustíveis, é relevante ter conhecimentos acerca da própria legislação de transporte, e da obrigatoriedade prevista no Regulamento para o Transporte de Produtos Perigosos (RTPP), aprovado pelo CONTRAN, por meio da Resolução Nº 168/04, por proposta do Ministério dos Transportes, em seu art. 15. Sendo necessário desenvolvimento de curso específico “MOPP – MOVIMENTAÇÃO OPERACIONAL DE PRODUTOS PERIGOSOS”. Dentre os aspectos contidos na NR-19, pense em quais estão diretamente direcionados ao trabalhador e quais estão ligados à estrutura de suporte a explosivos. A Resolução 168/04 do Contran estabelece: Normas e Procedimentos para a formação de condutores de veículos automotores e elétricos, a realização dos exames, a expedição de documentos de habilitação, os cursos de formação, especializados, de reciclagem [...] O Curso deverá ter a validade de 5 (cinco) anos, quando os condutores deverão realizar a atualização do respectivo curso, devendo o mesmo coincidir com a validade do exame de Aptidão Física e Mental do condutor. O Curso é previsto pelo art. 15 do RTPP [...] (CAFASSO, 2014). 128 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 2.2.5 Classificações dos produtos perigosos e a segurança do trabalho Todos os produtos perigosos, de certo modo, são capazes de influir na saúde e segurança dos trabalhadores. O comprometimento que o profissional de segurança do trabalho precisa ter não é somente para combustíveis e explosivos, mas também com os demais produtos perigosos. Inclusive da compatibilidade entre estes, que, quando associados a ambientes e atividades laborais, justifica o conhecimento pelo profissional de segurança do trabalho, já que a correta especificação de EPI e EPC depende disto.No Brasil, a Lei Federal 10.233 (BRASIL, 2001) dispõe sobre a reestruturação dos transportes aquaviários e terrestres, buscando melhorar o sistema de transporte, assim como estabeleceu a Agência Nacional de Transporte Terrestre, a qual tem a responsabilidade de regulamentar produtos perigosos em rodovias e ferrovias. As normativas do ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres derivam e amparam-se em normativas internacionais sugeridas pelos comitês especializados neste assunto dentro das Nações Unidas (ONU). A mesma sinalização usada no Brasil é também usada em outros países. A Resolução ANTT 420/04 atualiza o assunto e busca estabelecer parâmetros às recomendações internacionalmente praticadas. Outra fonte de informação para entender melhor as características dos produtos, em especial os explosivos e inflamáveis, é a Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico (FISPQ). Mas o que é uma FISPQ? Tais fichas são fundamentais para intervenções diretas em acidentes contendo estas substâncias, e para ações preventivas, tais como treinamentos direcionados à manipulação de produtos. Normalmente se encontram informações nas FISPQS: Quanto ao sistema de combate a explosões, acesse: <http://www.processos.eng.br/Portugues/PDFs/sistemas_de_ protecaoo.pdf>. 129 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico O profissional de segurança do trabalho, por meio das FISPQ, obtém conhecimentos técnicos, e utiliza-os para desenvolver avaliações de riscos, para desenvolvimento de programas de prevenção, para desenvolver os planos de contenção e procedimentos de intervenção direta ou preventiva nas condições que influirão na saúde e na segurança do trabalhador. 1. Identificação do produto e da empresa 2. Identificação de perigos 3. Composição e informações sobre os ingredientes 4. Medidas de primeiros socorros 5. Medidas de combate a incêndio 6. Medidas de controle para derramamento ou vazamento 7. Manuseio e armazenamento 8. Controle de exposição e proteção individual 9. Propriedades físicas e químicas 10. Estabilidade e reatividade 11. Informações toxicológicas 12. Informações ecológicas 13. Considerações sobre tratamento e disposição 14. Informações sobre o transporte 15. Regulamentações 16. Outras informações (peculiares a cada tipo de produto). (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2008, p. 6). Classificação Principais características Exemplos Explosivas Substâncias muito sensíveis ao fogo, ao calor e à fricção (choques, atritos). Gás natural (metano), gás de botijão (propano, butano), partículas de pó de sementes. Inflamáveis Substâncias que em temperatura ambiente podem entrar em combustão espontaneamente em contato com o ar. Em geral emitem gases e vapores. Hexano (solvente de extração), naftas, solventes de uso geral. Combustíveis Substâncias que originam, durante sua combustão, uma grande liberação de calor. Reagem com grande facilidade com as substâncias inflamáveis. Papel, madeira, panos, tapetes. Corrosivas Substâncias que em contato com os materiais de tubulações, equipamentos e com o tecido vivo (pele, mucosas), exercem uma ação destrutiva. Soda cáustica, ácido fosfórico, ácido sulfúrico, ácido clorídrico. Quadro 3.2 | Classificação dos produtos perigosos e principais peculiaridades (continua) 130 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Oxidantes Substâncias que em contato com compostos orgânicos ou qualquer substância oxidável, podem provocar incêndio ou explosão. Peróxido de hidrogênio (água oxigenada), ácido nítrico. Irritantes Substâncias não corrosivas que, por contato imediato, prolongado ou repetido com a pele ou com as mucosas, podem provocar uma reação inflamatória. Terras filtrantes, solventes de uso geral, tintas, pó, resinas epóxi. Nocivas Substâncias que por inalação, ingestão ou penetração através da pele, podem produzir doenças. Álcool etílico. Tóxicas Substâncias que têm a capacidade de produzir efeitos prejudiciais ou letais através da sua interação com a química do corpo. Combustíveis nucleares. Perigosas para o meio ambiente São aquelas substâncias químicas que podem produzir dano imediato, mediato ou retardado ao meio ambiente (que compreende comunidade e biodiversidade das espécies animais e vegetais). Todas que interferem nos elementos naturais e nos ciclos como do nitrogênio, por exemplo. Fonte: Disponível em: <http://hiq.lindegas.com.br/international/web/lg/br/like35lgspgbr.nsf/docbyalias/gas_classif>. http://www.antt.gov.br/index.php/content/view/4961/Produtos_Perigosos.html#lista>. Acesso em: 16 dez. 2014. O conhecimento acerca da classificação de substâncias perigosas pode capacitar o profissional na identificação dos produtos e seus riscos e algumas peculiaridades são traduzidas por um sistema de simbologias. Estas simbologias podem ser aplicadas em etiquetas colocadas diretamente sobre o produto, facilitando a mitigação de riscos imediatos, perigos e pelo simples fato de serem advertências na operação destes produtos perigosos. Esta mesma classificação pode contribuir, sobretudo, na busca e melhor entendimento de incompatibilidades, já que são produtos químicos, como, por exemplo: O quadro a seguir é uma exemplificação das classes dos produtos perigosos e simbologias utilizadas em cada uma das classes, e seu uso em sinalização é obrigatório, essenciais tanto na armazenagem quanto no transporte. Quadro 3.3 | Classe dos produtos químicos e simbologias utilizadas para sinalização Classe 1 Explosivos Classe 2 Gases (continua) 131 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Fonte: Disponível em: <http://www.craft.com.br/infos/produtosperigosos.php>. Acesso em: 16 dez. 2014. Classe 3 Líquidos inflamáveis Classe 4 Sólidos inflamáveis, Substância sujeitas a combustão espontânea, Substâncias que em conato com a água geram gases inflamáveis Classe 5 Substâncias oxidantes Peróxidos orgânicos Classe 6 Substâncias tóxicas Substâncias infecciosas Classe 7 Materiais radioativos Classe 8 Corrosivos Classe 9 Substâncias perigosas diversas De certo modo, estas simbologias não deixam de atuar análogas aos equipamentos de proteção coletiva. Os profissionais de segurança do trabalho, frequentemente, entram em contato com riscos associados aos produtos perigosos, e a leitura correta destas simbologias, além de proteger a si próprio no exercício de sua profissão, prevenirá também a coletividade. É possível fazer a adoção de uma simbologia que resumiria as principais características e risco dos produtos, em atividades industriais que envolvam diversos produtos, e denominada Quadro de Hummel ou Diamante de Hummel. O Quadro de Hummel é, na verdade, um gráfico que resume pelo menos 132 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Quadro de Hummel ou Diamante de Hummel. Disponível em: <http:// aspiracoesquimicas.net/wp/?p=119>. É possível verificar informações acerca de numerações usadas para o quadro de Hummel em: Disponível em: <http://www.moppbrasil. com.br/attachments/manual_produtos_quimicos_perigosos.pdf>. Existe um catálogo (formato livro) da Associação Brasileira de Indústrias Químicas que detalha várias FISPQ (s) de produtos químicos. O mesmo contém fichas FISPQ (Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico), também chamadas de fichas MSDS (Material Safety Data Sheet). 1. É possível afirmar que a NR-19 – Explosivos direciona o uso de equipamentos e posturas para proteção coletiva? Por qual motivo? 2. Qual é a relação deste tipo de informação contida nas FISPQs com a saúde e segurança do trabalhador? quatro riscos das substâncias químicas perigosas, que podem estar associados aos riscos à saúde, inflamabilidade, reatividade e/ou apresentar qualquer tipo de riscos específicos dos seus componentes químicos. 133 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Seção 3 Classificação de fogo/incêndio e agentes de extinção Nesta seção serão expostos os principais materiais,suas características diante do fogo e quais são os principais agentes extintores que podem ser usados em cada um destes materiais. 3.1 Classes de incêndio/fogo Quando falamos sobre classe de incêndio, estamos na verdade identificando o material sobre o qual a chama se desenvolverá de acordo com suas propriedades físico-químicas. 3.2 O que são agentes extintores? Agentes extintores atuam diretamente sobre o material e trabalham a relação do material com a fonte de ignição, ou com combustível e/ou com comburente. No total são cinco classes de incêndio e os agentes extintores seguirão especificidades do material combustível, conforme quadro abaixo. Quadro 3.4 | Compatibilidade de Classes de extintores e tipos de extintores Tipo de extintor Classes de incêndio Água Espuma CO2 BC ABC FE36 Unidade extintora classe K Unidade Extintora Classe D Madeira, Tecido, Papel, Fibras, Borracha sim sim não não sim sim não não Óleo, Querosene, Gasolina, Solventes, GLP não sim sim sim sim sim não não (continua) 134 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Equipamentos Elétricos, e Instalações Prediais Elétricas (energizados) conduz eletricidade conduz eletricidade sim sim sim sim não não Magnésio Pó de alumínio Potássio Titânio Zircônio provoca explosão provoca explosão não não não não não sim Óleo, Gordura não não não não não não sim não Incompatível Compatível Fonte: Disponível em <http://www.bucka.com.br/classes-de-incendio-e-seus-extintores/>. Acesso em: 16 dez. 2014. 3.3 Agentes extintores A classificação leva em consideração o comportamento do material em relação às chamas, e cada agente extintor atua de maneira específica para o material. Reflita sobre o método de extinção da chama. A explicação a seguir complementa o quadro anteriormente exposto. • Classe de fogo “A”: basicamente incorpora os materiais sólidos, tem como características básicas densidade de material, profundidade e extensão, que pode deixar resíduos de queima. Por conta da condição da densidade do material, exige que o elemento extintor seja capaz de penetrar nas camadas internas do material além de resfriá-lo. O agente extintor recomendado é a água. • Classe de fogo “B”: compreende os líquidos inflamáveis, tem características de queimar em sua superfície e não deixam resíduos sólidos, porém são potenciais emissores de gases. Por terem como característica queimar superficialmente, recomenda-se agentes extintores capazes de trabalhar o abafamento, separando 135 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico combustível de comburente. Os agentes extintores capazes de promover o abafamento são de pó químico seco BC ou ABC, extintores de gás carbônico (CO2) e ainda com extintores de espuma mecânica. • Classe de fogo “C”: compreende genericamente equipamentos elétricos e instalações elétricas energizadas em geral. Todos os equipamentos dos quais existem possibilidade de energizar poderão ser englobados nesta categoria, independentemente de serem equipamentos residenciais, comerciais e industriais. Os agentes extintores mais recomendados são principalmente aqueles que atuam sobre a ignição e na relação combustível e comburente. O pó químico (bicarbonato de sódio/potássio - classe BC) ou fosfato monomaníaco classe (ABC), lembrando que estes são compostos por partículas sólidas, que quando entram em contato com os equipamentos, mesmo que parcialmente, inviabilizam seu uso posterior. Pode ser feito uso do extintor de CO2, e a vantagem deste tipo de agente extintor para combater este tipo de incêndio se dá pelo fato principalmente de não deixar resíduo pó, ao mesmo tempo em que trabalha o abafamento. • Classe de fogo “D”: está enquadrada dentro desta classe de fogo toda substância metal pirofórica, de elevado potencial de inflamabilidade, tais como sódio, lítio, titânio, magnésio, potássio e cuja reação em cadeia apresente ação desproporcional à propagação do fogo e difícil extinção dos métodos das classes anteriores. Por serem metais, possuem facilidade de serem fundidos, divididos e associados com outros elementos químicos potencializando ainda mais o poder de ignição e combustão. Sugere aplicação com agente extintor pó químico especial, cujos componentes químicos são específicos para cada tipo de metal. • Classe de fogo “K”: trata-se de uma classificação na qual estão enquadrados produtos e determinadas técnicas de cozinhar que são usados normalmente em cozinhas industriais e comerciais, podendo ser de origem animal (gorduras) ou vegetal (óleo), ressaltando que a temperatura destes líquidos está sempre acima da temperatura ambiente, e quando associados a outras condições de risco (gás natural ou GLP) podem ainda mais ser potencializados. Dentre os agentes extintores, uns dos mais indicados são agentes espumas químicas (de base alcalina) que conseguem diminuir o potencial de queima. Para conhecer mais sobre métodos de extinção de incêndio, acessar: <http://naturezadofogo.com.br/metodos-de-extincao-de-incendio/>. 136 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 1. O material que está sob queima é que determinará o agente extintor? 2. Quais são as classes de incêndio e os materiais mais comuns de serem enquadrados dentro de cada classe? 137 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Seção 4 Programas de proteção contra incêndio e pânico/planos de emergência Um programa de proteção contra incêndio e pânico relaciona-se na verdade a um conjunto de procedimentos, equipamentos, recursos humanos, financeiros e materiais que devem ser coordenados por uma política prevencionista dentro das empresas, e busca sobretudo dar diretrizes objetivando salvaguardar vidas humanas. Os programas de prevenção/proteção contra incêndio e pânico e o profissional de segurança Todo plano de prevenção objetiva a proteção da vida e do patrimônio e justifica-se sua elaboração, independentemente do tipo de edificação, pois reduz as consequências sociais do sinistro sobre as pessoas, sobre as edificações, inclusive reduzindo danos ao meio ambiente. O plano deve ser concebido para buscar a melhor utilização de recursos materiais e humanos e minimizar danos. O profissional de segurança normalmente responsável pelo programa de prevenção entra como coordenador, divulgador de boas práticas de prevenção e precisa mergulhar na realidade das empresas para identificação dos riscos. Este trabalho deriva de um detalhado levantamento, coordenado pelo profissional de segurança do trabalho, e para que se consiga estabelecer as prioridades. É por meio do plano que se concebem os procedimentos (descritos no programa) que podem auxiliar na prevenção, na mitigação de qualquer possibilidade de ocorrer um incêndio. Quem concebe o plano de prevenção descreverá principais atitudes, os envolvidos e as responsabilidades, quais e como serão os usos de equipamentos. O escopo de conhecimento do profissional em prevenção deve ser suficiente para a promoção de treinamentos direcionados aos temas específicos relativos às temáticas do incêndio e pânico. Deve estar antenado e buscar novas tecnologias e suas atualizações, também ter amplo conhecimento das legislações e normativas específicas para estes temas. Consultas às Normas ABNT, embora não tenham a importância que existe em uma lei, podem ser tomadas com “regras” obrigatórias de serem consideradas nos planos de prevenção. É muito comum ver, nas empresas, planos de prevenção como um repositório de informações, literalmente “comprados” e não concebidos como o plano de prevenção efetivo, sendo apenas para “constar”. Preocupante é que quando colocados em prática talvez não sejam tão efetivos quanto como descritos no papel. 138 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico O plano de prevenção deve ser concebido amparado pela cultura preventiva, construído no dia a dia, com participação dos mais diversos agentes, principalmente daqueles que possam ser afetados em situaçãode emergência: os trabalhadores. Não havendo a manutenção constante desta cultura e apoio dos trabalhadores, o programa de prevenção não logrará êxito. Todas estas legislações podem servir de base para a formulação do plano de prevenção, mas podemos destacar que entre os temas, ou seja, os requisitos de segurança de prevenção a incêndio e pânico previstos na maioria dos códigos brasileiros, que precisam estar previstos em um Plano de Prevenção, são: • Plano de Emergência/Prevenção (objetivos, justificativas, estruturação do que comporá o plano); • Identificação dos riscos; • Mitigação de riscos; • Responsabilidades; • Requisitos para Elaboração e Aspectos a serem Observados; • Divulgação, Reuniões, Treinamentos e Exercícios Simulados; • Manutenção, Revisão e Auditoria do Plano; • Procedimentos de Vistoria; • Planilha de Informações Operacionais e Planta de Risco; • Brigada de Emergência, Ações da Brigada, sua gestão; • Composição e Critérios para Seleção da Brigada; • Organograma e Formação da Brigada; • Plano de evacuação e controle do pânico; • Tecnologia, uso e procedimentos de prevenção e combate a incêndio; • Implementação do plano de prevenção e combate a incêndio (PECI). 4.1 Plano de Emergência/Prevenção O plano de emergência deve ter redação clara e objetiva, fazer uso de informações de rápida captação, ser instrutivo, traduzir ao máximo a linguagem técnica e ser dotado de informações visuais sempre que possível, pois, antes de mais nada, é feito para ser divulgado dentro da empresa. 4.1.1 A identificação de risco em incêndios e prevenção 139 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico A identificação da condição que possa levar ao incêndio precisa ser observada diretamente na ambientação, por meio de Análises Preliminares de Riscos (APR), e este é um dos primeiros passos a serem executados para a elaboração de um plano de prevenção e combate a incêndio e pânico, normalmente envolvendo o profissional de segurança do trabalho. A APR pode ser entendida como um levantamento que identifica todas as condições que possam dar início a um incêndio, ou que possam em função deste gerar pânico, como, por exemplo: • Configuração espacial e condições/manutenção da construção; • Condição da infraestrutura (água, energia, sistemas hidráulicos de combate, entre outras, que esteja disponível e deficitária); • Recursos disponíveis (material, pessoal etc.); • Armazenagem de materiais combustíveis, inflamáveis, produtos perigosos; • Rotas de fugas. O profissional deve estar ciente de que pode ampliar esta busca de riscos sempre, e não se restringir aos que há pouco foram citados. Existem métodos consagrados, tais como: What if, HAZOP, Checklist, Diagrama Lógico de Falhas, Árvore de Falhas, Diagrama de Ishikawa, Matriz SWOT. Métodos consagrados de identificação de riscos: Disponível em: <http://professor.ucg.br/SiteDocente/admin/ arquivosUpload/13179/material/APP_e_HAZOP.pdf>. 4.1.2 Mitigação de riscos: Entende-se por mitigação qualquer intervenção que visa diminuir ou mesmo extinguir (fazer deixar de existir) qualquer risco que esteja na iminência de ocorrer. Se pararmos para pensar, um dos objetivos do profissional de segurança do trabalho é trabalhar sempre para mitigação dos riscos. Reflita sobre como podem ser mitigados o incêndio e o pânico. 140 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico No caso do incêndio, o profissional de segurança do trabalho precisa reconhecer as causas, conseguir intervir nas mesmas e, quando acontecer, minimizar a propagação. O domínio dos componentes que compõem o fogo (ignição, combustível e comburente) já é importante passo à mitigação. Possuir noções sobre os tipos de combustíveis (dos mais comuns até materiais perigosos) e os tipos de agentes extintores seria relevante para a mitigação. Dominar a dinâmica do fogo, seus fenômenos associados, como, por exemplo, o backdraft e o flashover, são, além de mitigação ao risco de vida ao combatente, essenciais para o gerenciamento de risco, mesmo durante o incêndio. Em situação de pânico, típica de incêndio, a desorientação é generalizada, logo, trabalhar treinamentos específicos simulando situações de pânico seria uma mitigação a este. No caso de mitigar o pânico, ter e promover a manutenção dos sistemas de sinalização previstos nas normativas, como, por exemplo, indicações das rotas e portas de fuga, luzes de emergência, uso de equipamentos reconhecidamente certificados e corretamente instalados, a barra antipânico em portas de saída, são importantes para mitigação do pânico. 4.1.3 Responsabilidades Um bom plano estabelece responsabilidades, seja para desenvolver treinamentos, seja para determinar qual o papel que cada pessoa exercerá diante de uma situação de emergência. O plano deve delegar responsabilidades para pessoas que atuarão sobre uma equipe ou sobre os instrumentos que se encontram disponíveis na edificação. Para exemplificar, o plano deve estabelecer, por exemplo, quem deve acionar alarme, quem acionará o apoio do combate interno ou externo, quem desenvolverá os primeiros socorros, entre outras atividades, considerando aptidões e limites dos agentes envolvidos com esta atividade. Definição das lideranças também é essencial, e um dos critérios essenciais de seleção destes é a capacidade de tomada de decisão. 4.1.4 Requisitos para elaboração do plano de prevenção à incêndio e pânico e aspectos a serem observados no desenvolvimento: Requisito, na área de segurança de trabalho, é um termo que faz referência ao atendimento de parâmetros aceitáveis para prevenção, e deve ser aceito para a normalidade e o propósito a que se aplica. Exemplificando, um extintor somente atenderá requisitos de segurança se estiver devidamente abastecido, e corretamente posicionado conforme determinam os códigos dos corpos de bombeiros, e o agente extintor estiver de acordo com o tipo específico de material que se encontra no ambiente ou localização da edificação. Pode-se entender que as exigências normativas em prevenção ao incêndio e pânico podem, assim, também ser consideradas como requisitos de segurança. Mas em que implica não atender requisitos de segurança? O não atendimento de requisitos de segurança pode implicar no aumento da responsabilidade de quem deixa de seguir, pois expõe desnecessariamente ao risco pessoas ou patrimônios. As normas são, na verdade, um conjunto de posturas tidas como corretas, devidamente negociadas e testadas para fins de resumir conjunto de conhecimentos, muito dos 141 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico quais baseados em “erros” verificados em outras situações. Boa parte dos requisitos normativos consta nas normas ABNT, que embora não sejam leis, são amplamente divulgadas dentro de algumas leis e códigos oficiais de condutas, e acabam indiretamente por ter força de lei. 4.1.5 Divulgação, Reuniões, Treinamentos e Exercícios Simulados: Um cronograma de atividades datando reuniões, treinamentos e exercícios simulados deve constar no plano e pode ser usado para fins de planejamento de recursos financeiros e disponibilização de recursos humanos, norteando ações e a formulação de novas políticas de prevenção. As reuniões devem ser usadas como instrumentos de avaliação de atividades que se pretende usar nos planos de prevenção a incêndio e pânico. Precisam ser breves, com objetivos e conteúdos bem definidos, e devem coordenar troca de informações entre participantes. Podem ser úteis para evoluir o plano e instruir quem vai executá-lo. Os treinamentos também previstos em cronograma possuem escopos de conteúdos predeterminados normativamente. Os profissionais responsáveis pelos treinamentos devem ser dotados de devida habilitação e experiência no assunto, e o profissional de segurança do trabalho está entre eles. Pense em quais são os bônus de se investir em treinamento do próprio pessoal dentro da empresa e em relação à contratação de mão de obra terceirizada parao desenvolvimento dos treinamentos. As simulações de evacuação e combate a incêndio objetivam demonstrar as dinâmicas em situações de emergência e pânico, muitas das quais são imitações da realidade, mas são ricas no sentido de identificar previamente dificuldades eventuais. Nas simulações é que são identificadas e corrigidas falhas de comunicação, de tomada de decisão e da fixação das premissas do plano, é o momento no qual as pessoas que nunca entraram em contato com o plano têm oportunidade de esclarecer dúvidas. 4.1.6 Manutenção, Revisão e Auditoria do Plano Todo plano deve ser produzido como um documento, e nele se prever revisões, delineadas a partir de um cronograma, e com a determinação das responsabilidades da revisão. A revisão entende-se por mudanças que possam ocorrer na totalidade do plano, ou de forma parcial, e esta revisão deve estar vinculada a acertos principalmente visando a aplicabilidade do plano. Revisões podem implicar em novos procedimentos, como treinamentos e simulações. Quanto ao conteúdo das reuniões, a ABNT/NBR15219 coloca: 142 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico A auditoria, na maioria das vezes um comparativo entre requisitos exigidos pelas normas e a situação real de uma determinada condição, pode ser executada por uma organização interna à empresa, ou externa. 4.1.7 Procedimentos de Vistoria Vistoria pode ser executada internamente à empresa, e normalmente busca as não conformidades referentes à prevenção de combate a incêndio e pânico. Quando feita externamente à empresa, o uso do termo vistoria denota atividade ou procedimento de caráter oficial, quando feita por órgãos fiscalizadores e regulamentadores, e objetiva confirmar a veracidade das informações colocadas nos projetos e planos de prevenção submetidos a estes órgãos pelas empresas. Uma vistoria normalmente é cercada de formalidades documentais, variando de estado para estado, e pode ser entendida como ação fiscalizatória prévia. Quando a iniciativa for por parte do Corpo de Bombeiros, possíveis pedidos de regularizações poderão ser sugeridos, eventuais multas podem ocorrer se configurar negligência, e antes que haja qualquer tipo de interdição poderão ser negociadas melhorias, tendo os códigos de prevenção por base. É importante ressaltar que dentre as competências que o Corpo de Bombeiros possui, uma delas é do “poder de polícia” no que tange à segurança e prevenção a incêndio. As vistorias podem também ser executadas por entidades de classes, órgãos da administração municipal, estadual e federal, isolados ou com associação com o Corpo de Bombeiros, mas cada qual focando nos assuntos que estejam relacionados às suas competências. São comuns as famosas “batidas” (formato blitz) de vários órgãos e instituições fiscalizatórias. Reunião ordinária (mensal): - Calendário dos exercícios de abandono; - Funções de cada pessoa dentro do plano de emergência contra incêndio; - Condições de uso dos equipamentos de combate a incêndio; - Apresentação dos problemas relacionados à prevenção de incêndios, encontrados nas inspeções, para que sejam feitas propostas corretivas; - Atualização de técnicas e táticas de combate a incêndios; o Outros assuntos de interesse. Reunião extraordinária: - Ocorrer um exercício simulado; - Ocorrer um sinistro; - For identificado um risco iminente; - Ocorrer uma alteração significativa dos processos industriais ou de serviços, de área ou leiaute; - Houver a previsão de execução de serviços que possam gerar algum risco. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005). 143 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 4.1.8 Plano de emergência ou plano de prevenção (Plano abandono, planta de evacuação e risco e informações operacionais) As informações operacionais que devem constar no plano de prevenção precisam estabelecer os procedimentos de plano de abandono, que objetiva determinar conjunto de rotinas para proteção à vida no esvaziamento das edificações quando da ocorrência de um incêndio. Deve ser acompanhado de projeto de evacuação, e para ser desenvolvido é necessário que a edificação possua um projeto e as plantas (desenhos técnicos da edificação) e para que se desenvolva uma planta denominada “rotas de fuga”. O objetivo de usar tanto as informações operacionais quanto a planta de evacuação é instruir os usuários da edificação durante o processo de evacuação, pois se indicam, além de partes da edificação, a sinalização de possíveis riscos à vida, e para isto existe um conjunto de simbologias e orientações que orientam os habitantes quanto à rota de fuga. Exemplo do uso informações operacionais/rotinas de emergência, consulte: Disponível em: <http://www.maferri.com.br/servicos/plano-de-abandono>. A norma ABNT/NBR15219 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005) estabelece os requisitos para o Plano de emergência contra incêndio, e seus requisitos levam em conta: • Localização da edificação • Construção (método construtivo) • Ocupação • População • Características de funcionamento • Identificação de riscos inerentes à especificidade daquela função que o edifício abriga • Disponibilização de: o recursos físicos para prevenção e combate a incêndio e pânico (por exemplo: extintores de incêndio, iluminação de emergência, sinalização, saídas de emergência, sistema de hidrantes, chuveiros automáticos, sistema de detecção e alarme de incêndio etc.); o recursos humanos (por exemplo: brigada de incêndio, bombeiros profissionais civis, grupos de apoio, etc...) para combate a incêndio e controle do pânico em situações de incêndio (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005). 144 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico O plano de prevenção e evacuação somente pode ser determinado a partir de uma planta da edificação, devidamente atualizada. Este projeto, comumente chamado de “planta”, é na verdade uma representação gráfica bidimensional em escala reduzida da edificação. Sobre este projeto é aplicada uma série de simbologias tanto para identificar os riscos existentes quanto para demonstrar a localização de equipamentos de prevenção, proteção e combate a incêndio citados há pouco, como recursos físicos (extintores de incêndio, iluminação de emergência, sinalização, sistemas de hidrantes etc.), além da determinação das rotas de fuga. Para se elaborar um projeto ou sinalizar qualquer edificação é obrigatória a observação dos códigos de prevenção do Corpo de Bombeiro de cada região. Rota de fuga, na verdade, é um conceito que se usa para determinar os caminhos pelos quais a população do edifício deverá se direcionar para sair da edificação, é mais do que uma simples indicação de saída graficamente representada em uma planta. As rotas de fuga conjugam o correto dimensionamento dos espaços de passagem para população que necessita deixar a edificação, um conjunto de sinalização (expostos nas imagens) e equipamentos que podem favorecer o gerenciamento do pânico e mesmo combate ao incêndio. Alguns exemplos de sinalização e seus respectivos usos, primeiramente determinados pela planta de risco, e depois em tamanhos reais para serem afixados nos locais listados no projeto. Acesse o link: Disponível em: <http://www.hyppofire.com.br/sinalizacao_produtos.php>. Para sinalização e sinalização complementar, consultar: NBR 13434:1995 – Sinalização de segurança contra incêndio e pânico Formas, dimensões e cores – Padronização • NBR 13435:1995 – Sinalização de segurança contra incêndio e pânico – Procedimento •NBR 13437:1995 – Símbolos gráficos para sinalização contra incêndio e pânico – Simbologia. Fonte: Disponivel em: <http://cirp-resgate. blogspot.com.br/2013/08/altura-e-largura- medidas-na-instalacao.html>. Acesso em: 17 dez. 2014. Figura 3.6 | Exemplificação de uso de sinalização em portas de emergência 145 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Fonte: Disponivel em: <http://cirp-resgate.blogspot.com. br/2013/08/altura-e-largura-medidas-na-instalacao.html>.Acesso em: 17 dez. 2014. Figura 3.7 | Exemplificação de uso de sinalização em extintores e hidrantes Cabe uma ressalva que o as normas dos corpos de bombeiro já estabelecem densidade máxima permitida conforme a função da edificação, e este tipo de informação estão contidos nos códigos dos corpos de bombeiro. As rotas de fuga são essenciais para os planos de evacuação, deve prever a atuação do Corpo de Bombeiro, sendo assim, é crucial que o mesmo reconheça como válido e atendendo a todos os requisitos de prevenção ao pânico. Para esta validação normalmente os corpos de bombeiros disponibilizam, departamentos especializados em engenharia e arquitetura, nos quais tanto os planos quanto os projetos de prevenção são observados quanto o atendimento de requisitos de prevenção previstos pelos códigos e normas da ABNT, e em especial observam se o edifício apresenta condição para composição das rotas de fuga. Fonte: Disponível em: <http://cirp-resgate.blogspot.com. br/2013/08/altura-e-largura-medidas-na-instalacao. html>. Acesso em: 17 dez. 2014. Fonte: Disponível em: <http://cirp-resgate.blogspot. com.br/2013/08/altura-e-largura-medidas-na- instalacao.html>. Acesso em: 17 dez. 2014. Figura 3.8 | Exemplificação de uso de sinalização em rotas de fuga com mudança de direção Figura 3.9 | Exemplificação de uso de sinalização em rotas de fuga com indicação de continuidade do fluxo Como se trata de um projeto de prevenção, deve apresentar o responsável tanto pelo plano quanto pelo projeto de prevenção. Quanto à exposição do plano, a ABNT NBR 15219 estimula que: A representação gráfica contida no plano de emergência contra incêndio, com destaque para as rotas de fuga e saídas de emergência, deve estar afixada na entrada principal e em locais estratégicos de cada edificação, de forma a divulgar o plano e facilitar o seu entendimento. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005). 146 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Os procedimentos básicos na emergência contra incêndio, descritos em 4.2.3.1 a 4.2.3.10 da ABNT NBR 15219:2005, estão relacionados numa sequência lógica, de forma a serem executados até por uma pessoa sem treinamento, se necessário. Para melhor entendimento dos procedimentos de emergência, deve-se consultar os anexos A e B desta mesma norma. O Corpo de Bombeiros, certamente, é o apoio externo mais indicado, no entanto, da ocorrência do início do incêndio até a chegada do Corpo de Bombeiro existe uma série de procedimentos que podem minimizar o impacto sobre as vidas e patrimônio, e um deles é que a pessoas que alertar a este apoio deve estar munida de informações suficientes sobre a ocorrência (e nisto o treinamento é essencial), de modo a deixar claro, na hora do chamado, algumas informações, como: população, vítimas, condições das vítimas e da edificação e qualquer outra que seja solicitada no momento. Os procedimentos de primeiros socorros precisam constar nos planos, assim como a responsabilidade de quem irá desenvolvê-los de forma mais especializada, e, na medida do possível, dotar todos os ocupantes da edificação com treinamentos específicos desta natureza. Os treinamentos previstos nos planos de prevenção são compostos pelo SBV - Suporte Básico da Vida (que envolve todos os cuidados em fraturas, queimaduras, lesões perfurocortantes etc.) e o RCP, ressuscitação cardiopulmonar, este último tentando garantir estas duas condições vitais (coração e pulmão). Durante o abandono da edificação deve haver um planejamento de grupo, com uma quantidade específica de pessoas, lideradas por uma pessoa ou cadeia de pessoas, direcionadas por uma cadeia de comando/tomada de decisão que apresenta maior intimidade com o plano e com os procedimentos de evacuação. Deve ser considerada a densidade e as características da população, para a elaboração de um plano de evacuação, e prever procedimentos considerando diversas faixas etárias, portadoras de necessidades especiais (PNE) ou cadeirantes, ou mesmo pessoas com mobilidade reduzida, gestante, idosos. Garantido o salvamento da vida, extinguido o fogo, é crucial que o plano estabeleça responsabilidades quanto à investigação identificando a real falha, para se criar conhecimento preventivo. Havendo vítimas, não fatais ou fatais, o Corpo de Bombeiros e a polícia podem entrar na investigação, cada qual com seu aparato técnico, e estes, sim, estabelecer sanções criminais, podendo levar à prisão, dependendo do que for concluído. Em casos em que exista controle sobre materiais perigosos, alguns órgãos específicos podem ser acionados para as averiguações que se relacionam a estes produtos (como, por exemplo, secretarias de meio ambiente ou vigilância sanitária etc.). 4.2 Brigada de incêndio A norma ABNT NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007) trata dos requisitos necessários para a composição da brigada de incêndio, 147 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico e esta norma considera basicamente duas situações para estabelecer os princípios básicos: o primeiro são as condições gerais dos edifícios e o segundo o próprio planejamento da brigada de incêndio. 4.2.1 Condições gerais dos edifícios A norma NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007) parte do pressuposto de que as edificações das empresas que iniciarão as atividades econômicas tenham passado por inspeções e aprovações dos órgãos de fiscalização. A norma ABNT/NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007), em seu item 4.1.2, sugere que seja disponibilizado, próximo à entrada, “resumo atualizado do programa de brigada de incêndio”, acessível e visível, na(s) entrada(s), tendo que estar sempre disponível 24 horas por dia e que contenha minimamente: 1. Os principais riscos (carga-incêndio e produtos perigosos). 2. Memorial complementar. a. Vizinhança: indicar a posição e a ocupação em croqui. b. Riscos em potencial: indicar os riscos existentes com sua localização e isolamento por distância ou material resistente ao fogo, quando houver. c. População: indicar a fixa, a flutuante e a total. d. Meios de escape: indicar todos os meios existentes (acessos, passarelas, elevadores de segurança, saídas comuns e de segurança), bem como sua localização. e. Meios de ajuda externa: indicar sistemas ou brigadas de edificações próximas, bem como Corpos de Bombeiros e hospitais e suas respectivas distâncias em quilômetros. 3. Meios de fuga e combate a incêndio. 4. A reserva de água para combate a incêndio. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007). Muitas empresas buscam incorporar em sua sinalização este tipo de informação, transformando em placas, já que a linguagem visual, além de facilitar a leitura, ajuda na manutenção e “lembrança” constante de informações cruciais para um momento de emergência. Disponibilizar esta informação junto a bebedouros, relógios-ponto, portas e saídas, refeitórios, fortalece a postura preventiva. 4.2.2 Planejamento da brigada de incêndio A norma ABNT/NBR14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007) pretende estabelecer parâmetros para recursos humanos, administrativos e de materiais, conforme requisitos que serão tratados a seguir: 148 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Para o planejamento da brigada de incêndio, o profissional de segurança do trabalho deverá acessar os anexos existentes na norma ABNT/NBR14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007), e diante das classificações apresentadas, necessitará desenvolver, por meio do cruzamento de informações, o perfil da brigada, quantidade, currículo de treinamento, em função do grau de risco, para que consiga implantar de maneira correta as etapas de implantação de uma brigada de incêndio. No quadro a seguir é exposto resumidamente o que cada anexo pode contribuir para o dimensionamento da brigada, fazendo parte da norma ABNT/NBR14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007), e muitos dos códigos do Corpode Bombeiros fazem uso destes anexos: 1) Composição da brigada de incêndio; 2) Organograma da brigada de incêndio; 3) Critérios básicos para a seleção de candidatos a brigadista; 4) Formação de brigada de incêndio; 5) Atribuições da brigada de incêndio; Implantação propriamente dita da brigada de incêndio. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007) Anexo A Trata da composição da brigada de incêndio por pavimento ou compartimento (para fazer uso do mesmo são informações cruciais descrição breve, grau de risco, população fixa por pavimento, e por estas informações pode-se ter entendimento de qual nível de treinamento é necessário ter esta população e com o nível da instalação conforme ABNT/NBR14277). Anexo B: Estabelece o currículo mínimo do curso de formação de brigada de incêndio. O anexo B determinará o treinamento conforme nível de risco em que a edificação se enquadra, poderá sugerir treinamentos específicos citados há pouco, podendo ser categorizado como “básico, intermediário e avançado”. Anexo C: Faz referência à Carga de incêndio específica por ocupação, e alerta para o fato da identificação de áreas de riscos específicos da edificação. Para tanto, leva em consideração ocupação/uso, descrição e suas subdivisões (carga de incêndio e o grau de risco). Anexo D: Demonstra método para levantamento de carga de incêndio específica, principalmente levando-se em conta valores de cargas específicas para as edificações, principalmente em se tratando de depósitos, explosivos e ocupações especiais. Anexo E: Resume literalmente as etapas para a implantação da brigada de incêndio, considerando os procedimentos (“o que”), meios para se fazer (“como”) e as responsabilidade (“quem”). Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2007) Quadro 3.5 | Dimensionamento da brigada de incêndio conforme ABNT/NBR14276/2007 e seus anexos Referente à composição de brigada de incêndio: primeiro distingue-se brigadas parciais conforme pavimento, setor ou compartimento, levando em consideração a população fixa, grau de risco e grupos de ocupação da planta. Leva-se também em consideração a configuração das edificações/pavimentos/ 149 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico quantas edificações e a relação que esta apresenta na quantidade de funcionários por cada setor/pavimento/turno. Depois, tendo a totalidade dos pavimentos, busca-se estabelecer um organograma da brigada de incêndio, que em resumo é uma cadeia de responsabilidades, e se necessário, estabelecendo uma hierarquia quanto à tomada de decisão. O organograma é uma representação gráfica e, por ter linguagem visual facilitada, é um bom recurso para ser exposto em locais onde pessoas possam ter maior apreensão, no entendimento dos agentes da cadeia de tomada de decisões quando da ocorrência das emergências, e à medida que se verticaliza ou se horizontaliza, pode haver a especialização da decisão a ser tomada, assim como da responsabilidade. Figura 3.10 | Exemplificação organograma de brigada de incêndio Exemplo 01 coordenador geral da brigada chefe edificação nº1 chefe edificação nº1 líder do setor nº2 (brigadista) brigadista brigadistabrigadista brigadista brigadista brigadista líder do setor nº4 (brigadista) líder do setor nº1 (brigadista) líder do setor nº3 (brigadista) Exemplo 02 Para a norma ABNT/NBR 14276, são critérios básicos para a seleção do brigadista: brigadista brigadista brigadista brigadista líder do setor nº1 (brigadista) líder do setor nº2 (brigadista) coordenador geral da brigada chefe 2º turno chefe 1º turno brigadista brigadista brigadista brigadista líder do setor nº1 (brigadista) líder do setor nº2 (brigadista) chefe 3º turno brigadista brigadista brigadista brigadista líder do setor nº1 (brigadista) líder do setor nº2 (brigadista) Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2007) • Permanecer na edificação durante o turno de trabalho; • Possuir boa condição física e boa saúde; • Possuir bons conhecimentos da instalação; • Possuir mais de 18 anos; • Ser alfabetizado. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007). 150 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico O brigadista, sobretudo, precisa saber identificar os riscos, antes, durante e depois de incêndio, quanto ter habilidade para conduzir o salvamento de pessoas da edificação. É por este motivo que são sugeridos consecutivos treinamentos e reciclagens. A formação da brigada de incêndio deve se basear nos anexos A e B da ABNT/NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007), cuja validade do treinamento é de um ano. Dentro da formação, consideram-se os tópicos e os nivelamentos “básico, intermediário e avançado” estabelecidos pelo anexo B. Tais treinamentos precisam ser avaliados, assim como os brigadistas devem demonstrar domínio de conteúdos de primeiros socorros e de combate a incêndio, e aproveitamento superior a setenta por cento, com aplicação de avaliação teórico-prática. As atribuições da brigada de incêndio consistem basicamente em dois tipos de ações ABNT/NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007), que são: • Ações de prevenção: enquadram-se nestas ações pleno domínio do plano contra incêndio e da planta da edificação; avaliar e minimizar riscos existentes, entender que deve haver a revisão permanente dos equipamentos de proteção, combate a incêndio, primeiros socorros, entre outros aspectos da edificação; desenvolver inspeção sobre as rotas de fuga, desenvolver relatórios e proposições de melhorias, dar encaminhamentos das melhorias a quem é responsável e sempre desenvolver atividades orientadoras para a população flutuante e fixa; • Ações de emergência: aplicação direta dos procedimentos básicos previstos no plano de emergência contra incêndio, podendo até chegar ao esgotamento dos recursos disponíveis para combate a incêndio, sem que haja perigo à vida humana. A norma ABNT NBR 15219 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005) e a ABNT/NBR 14276 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007) declaram a necessidade de que sejam descritas todas as informações acerca da brigada de incêndio dentro do plano de emergência, assim como os procedimentos que a brigada precisa desenvolver em caso das ações de prevenção e as de emergência. O anexo “E” fornece parâmetros para a implantação de brigada de incêndio. Os procedimentos básicos de emergência devem estar em conformidade com a ABNT NBR 15219 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005) dentro do plano de emergência, e como já foi mencionado anteriormente, tanto os treinamentos, quanto as simulações e as reuniões, são importantes momentos de revisão, e de certo modo, controle das ações da brigada de incêndio. Os procedimentos complementares devem ser previstos no plano de emergência contra incêndio para que os procedimentos básicos de emergência tenham sucesso, dentre eles podemos citar: 151 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico • Divulgação e identificação da brigada: identificação dos integrantes, sua contribuição para a composição da brigada, identificação de seu posto tanto na brigada quanto na estrutura da empresa, como contatar em caso de emergência (ramal, por exemplo, rádio etc.) e esta informação exposta em local de ampla circulação e visível a todos que ali passarem. • Equipamentos de proteção individual (EPI): a Norma Regulamentadora n° 06 prevê a obrigatoriedade do uso de EPIs especializados para situação de combate a incêndio para cada um dos brigadistas, e ainda especifica “os EPIs para proteção da cabeça, dos olhos, do tronco, dos membros superiores e inferiores e do corpo todo”. Comunicação interna e externa: quando houver, na organização, brigada de incêndio em mais de um setor, bloco ou edificação, a fim de melhorar as operações, estabelecer um sistema de comunicação específico entre os brigadistas, pode ser feito uso de equipamentos eletrônicos, alarmes, rádios e até alto-falantes.A ordem de abandono é uma tomada de decisão, e muitas pessoas podem sentir dificuldade de tomar, e por mais que exista uma cadeia de comando, existirão situações em que somente será possível haver um brigadista, diante de uma situação de extrema “pressão” com várias variáveis a serem analisadas, e a sua “não decisão” coloca em risco a vida de outras pessoas. É por este motivo que a ordem de abandono, segundo a norma ABNT/NBR 14276 coloca: O responsável máximo da brigada de incêndio (coordenador geral, chefe da brigada ou líder, conforme o caso) determina o início do abandono, devendo priorizar os locais sinistrados, os pavimentos superiores a estes, os setores próximos e os locais de maior risco. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2007). O que é sinistro? No contexto jurídico e dos seguros, um sinistro é um acidente que causa prejuízo em algum bem que está segurado. Termo do mercado de seguros utilizado para denominar a materialização concreta do risco previsto no contrato de seguro. Em incêndio o termo é usado quando da própria situação de perdas que o incêndio pode estar ocasionando. Disponível em: <http://www.significados.com.br/sinistro/>. Acesso em: 17 dez. 2014. 152 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico A norma também prevê a colocação de ponto de encontro tanto dos brigadistas, para evacuação do prédio, quanto para todos os ocupantes, ou mesmo para agrupar as pessoas que irão trabalhar no combate em si, e que esteja indicado diretamente sobre a planta da edificação. É por este motivo que é necessária a exposição de uma planta com simbologia simplificada que tenha ampla visualização. 1. Se tivesse que desenvolver seu primeiro plano de emergência de combate a incêndio e pânico, quais seriam os tópicos mais importantes a serem colocados? 2. Explique com suas palavras quais são as atribuições de uma brigada de incêndio e quais são os instrumentos de que pode fazer uso para desenvolver os trabalhos efetivos de prevenção de incêndio e combate a incêndio. Foram trabalhadas nesta unidade a apresentação da legislação e normas pertinentes à prevenção e combate a incêndio e pânico, a relação entre elas e a importância de considerar diversas fontes para se pensar a prevenção e combate a incêndio. Foram expostos conteúdos acerca da Teoria do Fogo, incêndio e explosivos, assim como foi trabalhada a construção do conhecimento dos fenômenos associados ao incêndio e sua evolução, e suas principais características. Para se trabalhar o combate e prevenção do incêndio foram expostas as principais classes de incêndio e quais são os agentes extintores mais indicados para cada tipo de material. E ao final da unidade foram trabalhados programas de proteção contra incêndio e pânico e planos de emergência e indicação dos principais pontos a serem abordados dentro dos programas e planos de prevenção de combate a incêndio e pânico. 153 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Quando iniciamos este capítulo, tínhamos por objetivo expor aspectos específicos acerca da aplicação da legislação e normas dentro da realidade brasileira para os profissionais de segurança, e demonstrar quais as possíveis implicações de não uso de alguns tipos de normas. Objetivou-se também demonstrar, de maneira bem resumida, tudo o que se relaciona ao fogo, sua teoria e fenômenos associados, sua evolução para o incêndio e introdução a explosivos, sempre que possível demonstrando em quais aspectos o profissional de segurança do trabalho precisa observar. Houve também oportunidade de mostrar a classificação de classes de fogo, e métodos de extinção associados. A exposição de conteúdos que devem conter os programas de proteção contra incêndio e pânico talvez seja umas das principais contribuições desta unidade, já que detalha conteúdos e usos de ferramentas que são de grande validade para combate e prevenção a incêndio e pânico. Como foi afirmado ao longo desta unidade, o investimento para a obtenção de conhecimento em prevenção e combate a incêndio e pânico é contínuo e seu aprofundamento virá à medida que se propõe investigar e conhecer tudo o que se relaciona aos assuntos expostos. Então, não fique parado apenas com o conhecimento exposto por esta unidade ou este livro, e tenha sempre fontes oficiais como referências para o desenvolvimento de trabalho que desenvolverá no futuro. 1. Quando se fala da atividade do profissional de segurança do trabalho nos últimos anos, no que tange à prevenção de incêndio e pânico, existe um comportamento de investigação essencial sobre algumas bases de informação na área de prevenção e combate a incêndio e pânico. Estas bases de informações que contribuem para o entendimento de “padrões” aceitáveis para a aplicação ou Requisitos 154 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico Mínimos de Qualidade em segurança e prevenção de combate a incêndio e pânico são: I. Normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). II. Normas Brasileiras (NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). III. Códigos de Segurança de Prevenção Incêndio e Pânico (CSCIP) dos Corpos de Bombeiros de cada estado, além de todas as suas revisões constantes, instruções normativas específicas. Quais alternativas representam a melhor resposta: a) Somente I está correta. b) Somente II está correta. c) Somente III está correta. d) I e II estão corretas. e) I, II e III estão corretas. 2. Quando se aborda a Teoria do Fogo e o estudo dos fenômenos associados ao incêndio e todas as variáveis que podem contribuir tanto para a sua evolução como o seu controle e extinção, podemos denominar a este conjunto de conhecimentos como: a) Engenharia de fluidos. b) Engenharia hidráulica. c) Engenharia do fogo e incêndio. d) Engenharia dos materiais. e) Engenharia de risco. 3. Fogo efetivamente é dominado pelo homem quando consegue torná-lo portátil e somente é possível no momento em que domina suas variáveis. A técnica consiste em dispor gravetos e outros elementos de fácil queima, para serem submetidos a faíscas decorrentes do atrito entre as pedras. As pedras, os gravetos e o controle da ventilação/ oxigenação (abanar) usados pelos homens pré-históricos são, respectivamente: a) A ignição, o combustível e o comburente. b) O combustível, a ignição e o comburente; c) O comburente, o combustível e a ignição; d) A reação química, o combustível e a ignição; e) A explosão, ignição e combustível. 155 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 4. Para se entender a dinâmica do fogo é necessário estudar uma relação entre estas três condições (ignição, comburente e combustível), denominada Triângulo do Fogo. Entretanto, alguns autores colocam que para a manutenção do incêndio existe o quadrilátero do fogo, onde seria inserida uma quarta variável, denominada “reação em cadeia”. São fenômenos físicos que podem acontecer dentro da reação em cadeia: I. Condução do calor: é energia transmitia por meio de material sólido; II. Convecção do calor: é energia transmitida por meio de fluidos; III. Radiação do calor: é a energia transmitida por meio de ondas. Quais alternativas representam a melhor resposta: a) Somente I está correta. b) Somente II está correta. c) II e III estão corretas. d) I e II estão corretas. e) I, II e III estão corretas. 5. Como uma das áreas em que o profissional de segurança do trabalho pode se envolver é a de gerenciamento de risco durante a logística de produtos perigosos, em específico de explosivos e combustíveis, é relevante ter conhecimentos acerca da legislação específica de transporte, e da obrigatoriedade prevista no Regulamento para o Transporte de Produtos Perigos (RTPP), aprovado pelo CONTRAN, por meio a Resolução Nº 168/04, por proposta do Ministério dos Transportes, especificamente no seu art. 15. Sendo necessário desenvolvimento de curso específico denominado: a) MOPP – movimentação operacional de produtos perigosos; b) FMOPP –ficha de movimento obrigatório de produtos perigosos; c) DOPP – diretrizes de movimento obrigatório de produtos perigosos; d) APR – análise preliminar de risco; e) PPRA – programa de prevenção de riscos ambientais. 156 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico 157 U3 Legislação e prevenção ao incêndio e pânico ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15219: plano de emergência contra incêndio-requisitos. Rio de Janeiro, 2005. ______. NBR CB-10: ficha de informação de segurança de produtos químicos (FISPQ): conteúdo e ordem das seções. Rio de Janeiro, jul. 2008. Disponível em: <http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl_1220294487.pdf>. Acesso em: 16 dez. 2014. ______. NBR 14276: brigada de incêndio-requisitos. Rio de Janeiro, 2007. 3p. BRASIL. Lei n.º 10233, de 5 de junho de 2001. Dispõe sobre a reestruturação dos transportes aquaviário e terrestre, cria o Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte, a Agência Nacional de Transportes Terrestres, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10233.htm>. Acesso em: 19 de nov. 2014. ______. Norma Regulamentadora n. 19: explosivos. Redação alterada pela Portaria Site 228/2011. Disponível em: <http://www.guiatrabalhista.com.br/ legislacao/nr/nr19.htm>. Acesso em: 16 dez. 2014. CAFASSO, Maria Aparecida. Movimento operacional de produtos. São Paulo: Consultoria Via Brasil. <http://www.viabrasilconsultoria.com.br/docs/mopp.pdf>. Acesso em: 16 dez. 2014. SANTOS, Luiz Ricardo dos. Nitroglicerina. Infoescola. Disponível em: <http://www. infoescola.com/compostos-quimicos/nitroglicerina/>. Acesso em: 16 dez. 2014. Referências Unidade 4 EQUIPAMENTOS PARA PREVENÇÃO, CONTROLE DO PÂNICO E COMBATE A INCÊNDIO Objetivos de aprendizagem: Esta unidade de estudo tem por objetivo demonstrar a aplicabilidade de equipamentos voltados à prevenção de combate a incêndio e pânico, assim como demonstrar pontos de maior relevância das normas que fazem referência a estes equipamentos. Objetiva- se também demonstrar principais aspectos para uso de iluminação de emergência e portas corta-fogo, e como estes equipamentos prediais são tão cruciais quanto saber que as rotas de fuga precisam estar devidamente dimensionadas. Propor rotas de fuga adequadas a um plano de abandono é um dos pontos que muitos profissionais de segurança acabam tendo dificuldades, em função do pouco domínio de conceitos essenciais embutidos dentro das normas, mas que fazem diferença quando na prevenção do pânico, em edificações cuja população é relativamente grande. Desta forma, objetiva- se também facilitar este tipo de informação aos futuros profissionais. Outro objetivo é facilitar informações contidas nas normas quanto a pontos a serem observados nas normas e diferenciar as principais características entre sistemas de combate direto ao incêndio, como é o caso de equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio, e dentre eles extintores, sistema de hidrantes, sprinkler, entre outros. O aluno, ao final desta unidade, no mínimo, será capaz de identificar os principais sistemas e como estes relacionam com o combate a incêndio e pânico em uma edificação. Flávio Augusto Carraro 160 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Serão explicitados nesta seção os principais tipos de alarmes e tipologias dos mesmos, buscando demonstrar a interação destes dispositivos com os demais equipamentos de prevenção e combate a incêndio e pânico. Esta seção finaliza a unidade demonstrando quais os principais tipos de equipamentos fixos existentes na edificação, como, por exemplo, hidrantes, mangotinhos, chuveiros automáticos e sistemas de espumas, e detalha ainda mais alguns requisitos para consideração de dispositivos móveis, como é o caso dos extintores. Seção 3 | Sistema de detecção e alarme Seção 4 | Equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio Na presente seção serão fornecidos os principais requisitos de segurança em prevenção de incêndio, mas em especial ao pânico, e por meio da explicação de itens tão essenciais para salvaguardar as vidas das pessoas na edificação, que são a iluminação e a porta corta-fogo. Nesta seção serão expostas as principais características de partes da edificação, e cujo desenho e execução devem considerar requisitos de segurança em prevenção de incêndio, para que o próprio edifício não permita a evolução do incêndio, além de contribuir para o gerenciamento do pânico, como é o caso das escadas de emergência. Serão também relacionados outros ambientes e equipamentos de prevenção e combate a incêndio e pânico associados à escada de incêndio. Seção 1 | Equipamento de prevenção e combate a incêndio e pânico – iluminação e portas corta-fogo Seção 2 | Escada de emergência 161 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Introdução à unidade Nesta unidade serão apresentados alguns equipamentos e sistemas dedicados à prevenção, controle do pânico e combate a incêndio, os quais podem auxiliar na gestão de emergência na atividade de segurança do trabalho em situações de incêndio, seus efeitos diretos e controle do pânico, sobretudo para preservação da vida. O conhecimento de equipamentos, dispositivos, ferramentas e demais considerações normativas será exposto indicando pontos em que as normas já estabelecem diretrizes para o desenvolvimento de projeto de prevenção, pânico e combate a incêndio, diretamente sobre a edificação e que podem diretamente ajudar o combate a incêndio e gestão do pânico. Serão expostos usos de iluminação de emergência, portas corta-fogo, rotas de fuga (escadas de emergência, corredores e rampas, tomando em conta os dimensionamentos corretos considerando a população habitante da edificação). Serão expostos os conceitos e princípios básicos de um sistema de detecção e alarme, de modo a permitir que o profissional de segurança do trabalho consiga entender como tais sistemas funcionam e se relacionam com a prevenção e combate a incêndio e pânico. Vamos estudar também os equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio, e buscar entender mais sobre o uso e especificação de extintores, sistema de hidrantes e sprinklers. 162 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio 163 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Seção 1 Equipamento de prevenção e combate a incêndio e pânico – iluminação e portas corta-fogo A maior parte dos equipamentos que serão abordados aqui, desde a sua fabricação, concepção, projeto e instalação, precisa estar amparada por normativas, como as normas ABNT/NBR (Associação Brasileira de Normas Técnicas/Normas Brasileiras), por exemplo, e boa parte delas já consta, de uma certa maneira, citada nos códigos de prevenção dos corpos de bombeiros. Os códigos dos corpos de bombeiros, por sua vez, buscam, sempre que necessário, emitir algumas instruções normativas, à medida que as tecnologias para prevenção ou combate evoluem ou não encontram amparo em legislações e normas. 1.1 Considerações acerca das normas de prevenção e combate a incêndio e as Normativas de Segurança do Trabalho O cuidado que o profissional de segurança do trabalho precisa ter é que, como está acostumado a basear suas atividades apenas nas normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), não poderá apenas contar exclusivamente com a Norma Regulamentadora NR-23 - Proteção Contra Incêndios (BRASIL, 1978), uma vez que a mesma não contempla de maneira significativa todos os aspectos necessários em equipamentos para proteção e prevenção de incêndio e pânico. Para o desenvolvimento de atividades especializadas em prevenção e combate a incêndio, o profissional de segurança deverá mergulhar e se aprofundar em pesquisas direcionadas aos temasespecíficos que pretende aplicar, tendo as normativas ABNT/ NBR e os códigos dos corpos de bombeiros como fontes para suporte ao que está envolvido, que é sua atribuição na área de prevenção e combate. As normas regulamentadoras, de uma maneira geral, não abordam de maneira detalhada e direta os equipamentos de prevenção e combate a incêndio. A Norma Regulamentadora NR-23 - Proteção Contra Incêndios (BRASIL, 1978), no texto atual na forma em que está, preocupa-se mais com procedimentos de evacuação. O presente material não tem a pretensão de esgotar o assunto, uma vez que os assuntos aqui abordados carecem de estudos mais específicos. Assim sendo, serão colocados os pontos de maior relevância contidos nas normas. Espera-se assim que a postura a ser sempre adotada por um profissional de segurança do trabalho será o estudo contínuo e busca de aprofundamento durante sua evolução profissional. O gerenciamento de riscos que estão associados ao incêndio e explosões, pânico e evacuação e mesmo de combate a incêndio pode garantir um vasto 164 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio campo de trabalho aos profissionais de segurança do trabalho. O profissional de segurança do trabalho, assim, agrega grande responsabilidade, principalmente quando exerce a habilidade de desenvolver treinamentos sobre os assuntos que estão sendo abordados neste material, como incêndio, explosão, pânico, evacuação, combate, entre tantos outros. E a informação que o mesmo repassa não pode deixar dúvidas, visto que informações incorretas podem influir erroneamente sobre o comportamento das pessoas em momentos de emergência. É por este motivo que justifica saber um pouco mais sobre os equipamentos, dispositivos, infraestrutura direcionada a combate a incêndio e prevenção do pânico. O tipo de conhecimento que começará a obter neste material é de grande valia e faz a diferença quando da elaboração de um plano de emergência, evacuação e combate a incêndio. As informações apresentadas aqui também são cruciais e podem auxiliar, sobretudo, para o planejamento de rotas de fuga, na salvaguarda da vida quando da ocorrência de incêndio. 1.2 Iluminação de emergência A iluminação de emergência, como genericamente chamada, consiste em um conjunto de elementos alimentados por energia e instalações elétricas que darão suporte à prevenção ao pânico, uma vez que auxiliam as pessoas a se situarem durante o processo de evacuação de uma edificação. A norma que trata do assunto é a ABNT/ NBR 10.898 - Sistema de Iluminação de Emergência (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013), que fixa as características mínimas exigíveis, considerando as funções para as quais se destinam; compreende o sistema de iluminação de emergência a ser instalado em outras áreas fechadas sem iluminação natural. Os tipos de sistemas mais usados, segundo a ABNT/NBR 10.898, são: Qual é a relevância de o profissional de segurança do trabalho entender a teoria, normativa e uso prático dos equipamentos de proteção e prevenção? • Conjunto de blocos autônomos (instalação fixa); • Sistema centralizado com baterias; • Sistema centralizado com grupo motogerador; • Equipamentos portáteis; • Sistema de iluminação fixa; • Sistemas fluorescentes. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013). 165 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio O conjunto de bloco autônomo, na verdade, pode ser entendido como sendo uma “luminária autossuficiente”, que, em condições sem energia, reaja com a emissão de luz, dado que no mesmo invólucro estejam contidos a bateria e sensores (sensor de falha) que permitem que o equipamento entenda que inexiste fonte de alimentação e, por si só, deve operar; além da lâmpada, que pode ser incandescente, fluorescente, e mais recentemente as lâmpadas do tipo LED (L.E.D = Light emitter diode), que é um diodo emissor de luz. O sistema centralizado com baterias é composto por circuito carregador, que autogerencia a sua recarga e que, de forma independente da instalação elétrica da edificação, alimenta todas as luminárias. Normalmente são equipamentos que contenham fontes acumuladoras de energia, exigindo cuidados quanto ao fornecimento da energia. O grupo motogerador pode ser compreendido como sendo um motor a combustão, muito parecido ao que existe em um carro/caminhão, capaz de gerar energia, em função das adaptações que são feitas para este fim. Normalmente está associado aos sistemas de energia da edificação e configurado para que, caso não tenha energia na instalação predial, entre em operação, e pela queima de combustível como diesel, gasolina, álcool ou mesmo queima de outros combustíveis, transforme a energia térmica/mecânica em energia elétrica. Para tanto, o grupo gerador deve garantir seu arranque automático, após a falta de energia, que nos dias atuais já se encontra automatizado, sem que haja a necessidade de alguém para acioná-lo. Este tipo de sistema exige normalmente espaço considerável da edificação, pois é comum ter que deixar espaço para que o mesmo seja abastecido, sem que haja restrições no caminho; é necessário que se vincule à parte externa da edificação este abastecimento, de modo a não se colocar em risco nem o pessoal nem a estrutura da edificação em função do transporte do material combustível. Como se trata de um motor e este, por sua vez, emite gases tóxicos provenientes da queima de combustível, e também por haver a necessidade de um resfriamento do motor, a norma sugere que se busque o correto dimensionamento das aberturas, sem que haja acesso indiscriminado de pessoas. Deve ser provisionado para o ambiente externo um sistema de escapamento (parecido com o escapamento de um carro) para extração dos gases tóxicos. Os equipamentos portáteis são equipamentos de transporte manual, de pequenas dimensões, que no caso de ser previsto no plano de emergência e na edificação, devem constar em um local fixo e devidamente sinalizado, no caminho da rota de fuga, para serem usados em caso de nenhum outro sistema funcionar. Seu acesso não pode ser dificultado, e pode ser usado ainda para indicação de saídas de emergência, balizamento ou simples iluminação do caminho quando operado por uma pessoa. São equipamentos de pequena dimensão, assim como suas baterias, mas estas precisam estar abastecidas com componentes que não sofram com o aumento da temperatura e com isto haja o rompimento e eventuais reações decorrentes do calor. Devem ter a alimentação compatível com o tempo de funcionamento garantido. 166 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Nos sistemas de iluminação fixa, o seu acionamento se dá por elementos químicos sem geração de calor, atuando a distância, normalmente desassociado do sistema de energia da edificação. Podem ou não ser automatizados. Sistemas fluorescentes à base de acumulação de energia de luz também podem ser ativados por energia elétrica externa. Um profissional habilitado em energia (engenheiro eletricista, técnico em eletricidade) deve ser consultado para a correta associação do sistema de iluminação de emergência, principalmente no que se refere às exigências da instalação predial. Quanto à localização dos pontos de iluminação de emergência, precisam ser instalados levando em consideração as fontes de energia de que se fará uso, centralizadas ou ponto a ponto, assim como considerar as condições para que seu comando atue adequadamente. São também importantes para a localização da iluminação de emergência, segundo a ABNT/NBR 10.898 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013): a) Seja de uso exclusivo, não se situe em compartimento acessível ao público e com risco de incêndio; b) Que o local seja protegido por paredes resistentes ao fogo de 2 h; c) Seja ventilado, de forma adequada para cada tipo de fonte de energia, e dotado de dispositivo para saída do ar para o exterior da edificação. Os gases da combustão,como da ventilação de resfriamento, não podem passar por locais ou compartimentos acessíveis ao público; d) Não ofereça riscos de acidentes aos usuários, como, por exemplo: explosão, fogo ou propagação de fumaça; acidentes em funcionamento, produzindo obstrução a uma saída da edificação ou dificultando a organização de socorro, etc.; e) Tenha fácil acesso e espaço de movimentação ao pessoal especializado para inspeção e manutenção; f) Os painéis de controle devem estar ao lado da entrada da sala do(s) gerador(es) para facilitar a comunicação entre pessoas com o equipamento em funcionamento. As luminárias para iluminação de emergência precisam ter características que garantam segurança, e estarem ativas até que sejam evacuadas todas as pessoas da edificação. São características desejadas: resistência ao calor, ausência de ofuscamento ao longo do percurso de evacuação, proteção quanto a fumaça, material resistente e que garanta que o fogo não utilize como combustível o invólucro da luminária. Os profissionais que desenvolvem projetos elétricos e de iluminação precisam considerar a iluminação de emergência e, por vezes, pedem apoio aos profissionais de segurança do trabalho, para determinação de quais os tipos. E algumas informações poderão ser exigidas acerca das lâmpadas e luminárias, como, por exemplo: • tipo de lâmpada; 167 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio • potência, em watts; • tensão, em volts; • fluxo luminoso nominal, em lúmens; • ângulo da dispersão da luz; • vida útil do elemento gerador de luz. Estes dados são cruciais para a determinação dos circuitos de alimentação da iluminação de emergência e da interação deste com o sistema convencional de iluminação. Mas um conceito que dever ser aplicado ao se conceber o projeto de iluminação de emergência é que o profissional de segurança do trabalho precisa direcionar os outros profissionais para que concebam a iluminação de emergência como sendo um sistema de iluminação autônoma. Este conceito é crucial para entendimento de que a função que a iluminação de emergência tem é diferente da iluminação que se usa no dia a dia das atividades na edificação. A iluminação de emergência “é obrigatória” em todos os locais que proporcionam uma circulação vertical ou horizontal, de saídas para o exterior da edificação, ou seja, rotas de saída e nos ambientes; a iluminação por sinalização (emergência) precisa assinalar as mudanças de direção, obstáculos, saídas, escadas e nunca estar escondida total ou parcialmente por elementos decorativos ou outros itens que porventura podem estar depositados à sua frente. Pense em como se pode fazer a alimentação de energia à iluminação de emergência em uma edificação, sendo que este tipo de infraestrutura pode ser uma das primeiras a ser afetadas com a presença do fogo. 1.3 Portas corta-fogo Existe a necessidade, em toda rota de fuga, quando configurada como um ambiente, de ser trabalhada de modo a resistir ao incêndio como se estivesse “encapsulando” e protegendo pessoas que por ali passam durante a emergência. Os materiais precisam ser resistentes ao fogo, por tempos determinados, e a porta corta-fogo está entre estes materiais. Os tempos de resistência ao fogo dependerão da função da edificação, condições de risco, configuração espacial, e levam em consideração a população da edificação. A norma que faz menção à porta corta-fogo para saída de emergência e dá 168 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Mas então, qual é a definição ideal para porta corta-fogo? Segundo a ABNT/ NBR 11.742: E aí? Você deve se perguntar: as demais portas que apresentam sua construção para resistência ao fogo, mas com mecanismos de abertura diferente do citado há pouco, não são? E aí respondendo: os demais tipos de porta são considerados também, porém a mecânica da abertura, tal como foi descrito na citação, entre as demais, pode ser considerada uma das mais eficientes, apresenta maior rapidez na hora da abertura e assim permite que o fluxo de pessoas seja o mais eficiente possível. O que precisa ser entendido como resistência ao fogo é a propriedade que tem a porta de, primeiramente, suportar, mas, sobretudo, proteger ambientes de maneira contínua pela capacidade de confinar o fogo e seus subprodutos (gases, fumaças, até o controle da transmissão térmica de um ambiente para o outro), e a estanqueidade a estes é a) antecâmaras e escadas de edifícios; b) entrada de escritórios e apartamentos; c) áreas de refúgio; d) paredes utilizadas na separação de riscos industriais e comerciais e compartimentos de áreas, desde que utilizadas exclusivamente para passagem de pessoal; e) locais de acesso restrito, que se comunicam diretamente com rotas de fuga; f) acesso às passarelas e intercomunicação entre edifícios; g) portas em corredores integrantes de rotas de fuga; h) acesso a recintos de medição, proteção e transformação de energia elétrica. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003). [...] porta corta-fogo para saída emergência com sendo porta do tipo de abrir com eixo vertical, constituída por folha(s), batente ou marco, ferragens e, eventualmente, mata-juntas e bandeira, que atende às características desta Norma, impedindo ou retardando a propagação do fogo, calor e gases, de um ambiente para o outro. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003). Fonte: Disponível em: <http://www. eq.ufrj.br/docentes/cavazjunior/nr23i. pdf>. Acesso em: 17 dez. 2014. Figura 4.1 | Porta corta-fogo com barra antipânico suporte à especificação nas edificações é a norma ABNT\NBR 11.742 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003). Esta norma fixa as condições exigíveis, que vão desde a sua fabricação, instalação e funcionamento. As portas corta-fogo têm usos recomendados pela norma ABNT/NBR 11.742: 169 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio imprescindível em uma porta corta-fogo. Além disso, deve apresentar estabilidade e resistência mecânica por períodos definidos em normas específicas, até que sejam salvas todas as pessoas da edificação. Situações de aplicação de porta corta-fogo. Disponível em: <http://linksservice.com/figura-9-escada-enclausurada- prova-de-fuma-a-elevador-de/>. As portas corta-fogo, segundo a norma ABNT/NBR 11.742 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003), complementada pela ABNT/NBR 6.479 - Portas e vedadores - Determinação da resistência ao fogo (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992a), são classificadas conforme o seu tempo de resistência ao fogo: • classe P-30: porta corta-fogo cujo tempo de resistência mínima ao fogo é de 30 min; • classe P-60: porta corta-fogo cujo tempo de resistência mínima ao fogo é de 60 min; • classe P-90: porta corta-fogo cujo tempo de resistência mínima ao fogo é de 90 min; • classe P-120: porta corta-fogo cujo tempo de resistência mínima ao fogo é de 120 min. Há uma exigência quanto à classificação de resistência ao fogo, e segundo a norma não é possível haver classificações intermediárias, tampouco haver a possibilidade de as portas para estas funções terem resistência ao incêndio, pelo menos do ponto de vista normativo, menor do que as que estão especificadas nesta norma. As certificações aos fabricantes de porta corta-fogo são bastante rigorosas, e a norma prevê um controle bastante grande da qualidade, e há ainda exigência normativa quanto à identificação. Os fabricantes devem prever, em cada uma, “identificação permanente, por gravação ou por plaqueta metálica, com as seguintes informações”: • porta corta-fogo conforme esta norma; • identificação do fabricante; • classificação (como visto em classificação anterior); • número de ordem de fabricação; 170 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio • mês e ano de fabricação. Algumas recomendações são: de resistência do material a deterioraçãoe compatibilidade com outros materiais da edificação. A norma ABNT/NBR 11.742 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003) recomenda cuidado em relação à presença de arestas vivas, já que, quando disponibilizadas em rotas de fuga não podem, em eventuais esbarrões, ferir aqueles que fazem uso da mesma. Referente ao funcionamento da porta corta-fogo, a norma estabelece que as portas precisam estar fechadas quando não em uso, sempre pela capacidade de isolamento que precisam exercer, e seu acionamento deve ser mecanicamente ágil, tanto que seu dispositivo de abertura (barra acionadora da abertura) é acionado tão logo o corpo de uma pessoa encoste na mesma. A esta barra acionadora da abertura, que deve estar posicionada no sentido da evasão (sentido do fluxo da rota de fuga), dá-se o nome de “barra antipânico”. E para que o profissional de segurança do trabalho saiba como usar e sob quais condições? Primeiramente como gerenciador de riscos, neste caso, o profissional estaria, sobretudo, gerenciando riscos associados ao pânico, controlando variáveis que possam interferir na evacuação da edificação, para tanto é necessário que siga algumas recomendações, segundo a ABNT/NBR 11.742 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2003): A norma recomenda que algumas inscrições, como, por exemplo, “PORTA CORTA-FOGO, É OBRIGATÓRIO MANTER FECHADA”, estejam inseridas na mesma. a) P-30: • Fechamento de aberturas em paredes corta-fogo de resistência 1 h (CF-60); • Proteção de apartamentos em edifícios residenciais; b) P-30 à prova de fumaça (PF-30): • Porta de acesso às escadas das saídas de emergência com antecâmara, ou com duas portas das antecâmaras de áreas de refúgio; • Corredores de circulação de saídas de emergência; c) P-60: • Fechamento de abertura em paredes corta-fogo de resistência 2 h (CF-120); • Fechamento do acesso à antecâmara das escadas de saídas de emergência; • Proteção de escritórios em edifícios comerciais e industriais; P-60 à prova de fumaça (PF-60); • Fechamento de aberturas de acesso a escadas de saídas de emergência sem antecâmara; NOTA - Esta recomendação somente se aplica aos casos onde não for possível a construção de antecâmara. Quadro 4.1 | Tipos e usos da porta corta-fogo (continua) 171 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio e) P-90: • Fechamento de aberturas em paredes corta-fogo de resistência 3 h (CF-180); • Substituição de porta corta-fogo de madeira revestida de metal exclusivamente com uma folha e em passagens para pessoas, nas interligações de escritórios com locais de industrialização, comercialização e armazenamento; • Fechamento do acesso a recintos de medição, proteção e transformação de energia elétrica; f) P-120: • Fechamento de aberturas em paredes corta-fogo de resistência 4 h (CF-240); • Substituição de porta corta-fogo de madeira revestida de metal exclusivamente com uma folha e em passagens para pessoas, nas interligações não previstas para P-90 e sempre nos casos de parede com resistências de 4 h. Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003) É possível ter uma porta corta-fogo em locais de circulação comum, aberta, entretanto a norma recomenda que, se permanecer aberta, deve estar associada a um sistema de detecção automático de incêndio e alarme de incêndio, mas que se preveja abertura manual no caso de pane elétrica. Neste caso, sob hipótese alguma é possível contar com calços e anteparos para mantê-la aberta, e que impeçam o seu livre fechamento/abertura nos casos de emergência. A norma prevê que as aberturas e fechamentos fiquem entre três e oito segundos. Pense por que, para não se ter preocupação em quais locais colocar porta-fogo, as construtoras não adotam como padrão este tipo de porta em uma edificação e por quais motivos e critérios são eleitos locais específicos para colocação desta porta. 1. Quais são os tipos de iluminação de emergência e suas principais aplicações? 2. Qual é o objetivo principal da iluminação de emergência? 172 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio 173 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Seção 2 Escada de emergência A escada de emergência, na verdade, é um dos pontos cruciais para efetivo planejamento das rotas de fuga, já que conjuga a função de deslocamento vertical das populações dos pavimentos, ao mesmo tempo em que é adequadamente construída para resistir ao fogo, cumprindo a função de “cápsula” de proteção dos habitantes de uma edificação durante o evento de incêndio. 2.1 Escada de emergência e seus principais requisitos A norma ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a): Saídas de emergência em edifícios estabelece os requisitos para a elaboração das saídas de emergência, e inclui nestes requisitos a escada de emergência. O fato é que, havendo população e risco de incêndio incorporado, sempre haverá a necessidade de planejar as rotas de fuga, e quando houver mais de um pavimento é necessário tomar cuidado com o desenho da escada. A norma ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a) não esgota todas as recomendações para a escada, porém tem grande importância para o Corpo de Bombeiros, tanto que estrutura recomendações e instruções técnicas contidas nos códigos de prevenção e combate a incêndio e pânico. Esta norma ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a) é também estruturante de todo o plano de evacuação de um edifício e por ela é possível, além de acessar (por citações diretas no texto da norma), complementar o planejamento das rotas de fuga. A norma ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a) objetiva desenvolver o planejamento da rota de fuga, sobretudo a fim de que a população possa abandonar a edificação, em caso de incêndio, completamente protegida em sua integridade física, e ainda tem que prever a possibilidade de permitir o fácil acesso de auxílio externo (do Corpo de Bombeiros), assim como deixar acessíveis equipamentos de combate ao fogo e a retirada da população. Embora concebida para desenvolvimento de edificações novas, pode ser tomada como referência para adaptações de edificações existentes. A norma leva em consideração para o seu dimensionamento a população e função (está muito em função dos riscos associados). Primeiramente, a norma coloca a necessidade de classificação da edificação, 174 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio e para que isto aconteça é necessário determinar o enquadramento funcional, quanto à ocupação. É necessário que para o planejamento das rotas de fuga, em específico da escada, tenha-se o cuidado de consultar os anexos 2, 3 e 4. Alguns códigos dos corpos de bombeiros, por serem regionalizados, têm buscado melhorar a metodologia de exposição e detalhamento das informações destes dados. Deve-se entender que os componentes das saídas de emergência estão inclusos, “[...] os acessos ou rotas de saídas horizontais, assim como acessos a escadas, quando houver as respectivas portas ou espaço livre exterior, nas edificações térreas [...], escada e rampas, descarga”. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a). Para o dimensionamento destes elementos de configuração do espaço de fuga é necessário o estabelecimento do Cálculo de População, que na verdade é uma estimativa ideal de uma população limite e aceitável para que a edificação tenha estas partes corretamente dimensionadas. Para tanto, primeiramente se classifica a edificação pelo Anexo 1 e toma-se por índice para cálculo da edificação o Anexo 5. É importante observar peculiaridades de cálculo para cada tipo de edificação. 2.1.1 - O dimensionamento das saídas de emergência A largura das saídas deve ser dimensionada levando em consideração o número de pessoas que por elas deva transitar, além de observar que os acessos são dimensionados em funçãodos pavimentos que servirem à população. Deve-se observar que escadas, rampas e descargas precisam ser dimensionadas em função do pavimento de maior população, uma vez que a situação mais restritiva (crítica) é que determinará as larguras mínimas para as escadas e os corredores correspondentes aos demais pavimentos, sempre buscando que este dimensionamento esteja adequado e direcionado no sentido da saída. Esta capacidade da unidade de passagem é um conceito que determina o fluxo de pessoas que escoarão pelas rotas de fuga, e assim sendo, dá subsídio para o planejamento das mesmas tanto em edificações existentes, quanto em edificações novas. A determinação da medida de uma rota/escada está em função da quantidade de unidades de passagem. Desta forma tendo a população e o índice do Anexo 5: 1 unidade de passagem = (índice do anexo 5) / 60 cm O que é a capacidade da unidade de passagem? Um índice que a norma ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a) estabelece em termos numéricos, de quantidade de pessoas que precisam passar em 60 centímetros, considerando 1 minuto (60 segundos), e é determinado pelo Anexo 5 desta norma. 175 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Em alguns casos, para estabelecer o índice derivado de densidade populacional (pessoas/m2, pessoas por unidade de leitos etc...) é obrigatório que se observe peculiaridades de cada função da edificação. Uma vez entendido que a unidade de passagem é de 55 centímetros livres, e os 5 centímetros (ou 0,55 + 0,05 metros) poderiam ser considerados para a colocação de eventuais corrimões, é importante comentar que a norma ABNT/ NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a) estabelece que o mínimo aceitável para qualquer situação de dimensionamento referente às saídas seria de duas unidades de passagem (2x 55 centímetros ou 2x 0,55 metros), totalizando 1,10 metro, mesmo que a população seja inferior ao exigido nos anexos. No caso de ambientes de saúde, trabalha-se a maca como referência de medida, e toma-se 2,20 metros como medida mínima (esta situação vale apenas para funções classificadas na categoria de hospitais). É comum nas construções que os corredores apresentem protuberâncias, em função das técnicas construtivas, ou mesmo pela disposição dos elementos estruturais da edificação, e para efeitos de planejamento de rotas de fuga estas devem ser consideradas. Segundo a ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a), estas condições não podem exceder a 0,10 metro ou 10 cm. Outra situação para a qual a norma chama atenção é que a rota de fuga não tenha a obstrução das portas, e nem que estas, em função do fluxo, se tornem obstrução para aqueles que estiverem em fluxo de fuga no corredor onde haverá a descarga de pessoas. Mas, como fazer para que uma porta que descarregará seu fluxo sobre outro fluxo não se torne obstáculo a um corredor de maior fluxo? Ou a porta tenha sua abertura majorada para 180 graus, ou seja, sendo prevista uma configuração espacial na qual ela não interfira diretamente sobre o fluxo. São requisitos básicos referentes aos acessos para rotas de fugas: • Acessível e identificável a todos os ocupantes da edificação; • Estar sempre desobstruído, independente de em qual pavimento esteja, mesmo naqueles onde não é efetiva a atividade laboral contínua; • Estar de acordo com os dimensionamentos mínimos ou previstos conforme enquadramento na ABNT/NBR 9.077 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a) • 2,5 metros de pé-direito (altura do ambiente), salvo quando houver presença de vigas, vergas cuja altura mínima aceitável é de 2,00 metros; • Apresentar sinalização e iluminação de emergência de modo claro e definindo claramente a saída, conforme normas que fazem referências às mesmas. Talvez em decorrência no não conhecimento normativo na configuração dos espaços destinados a emergência ou pelo negligenciamento de aspectos normativos, é comum verificar que muitos dos ambientes destinados à rota de fuga 176 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Tipo de edificação Grupo e divisão de ocupação (Anexo 1 - NBR 9.077) Saída única Mais de uma saída X Qualquer 10,00 m 20,00 m Y Qualquer 20,00 m 30,00 m Z C,D,E,F,G-3,G-4, H, I, L e M 30,00 m 40,00 m A,B,G-1,G-2 e J 40,00 m 50,00 m também são utilizados como depósitos, irregulares, ou apresentam obstáculos como mobiliário, divisões, espaços destinados para exposição de mercadorias, ou mesmo, em alguns casos, usados efetivamente como ambientes de trabalho. É irregular e perigosa esta postura. Logo, algo que aparentemente não teria nenhuma relação com o profissional de segurança do trabalho, que é a configuração do espaço, começa a ter a partir do momento em que ele assume como “certo” algo que não atende à norma, e que era exclusivamente destinado às rotas de fuga. Ao se planejar as rotas de fuga, deve-se levar em consideração as distâncias máximas a serem percorridas até que se atinja um local seguro, como, por exemplo, uma área exterior ou áreas internas (áreas de refúgio, escadas protegidas, enclausuradas ou à prova de fumaça) constituídas por elementos corta-fogo (paredes, portas e esquadrias). Toda rota de fuga segue basicamente o princípio do menor risco possível, tanto para o incêndio quanto para o pânico, e quanto menor for a rota, menor será a quantidade de riscos a submeter a população em processo de evacuação. Outro princípio é o do gerenciamento do risco quando submetido. Caso não haja outra opção, em que obrigatoriamente é necessário que a população e processo de evacuação da edificação passem sob uma condição de risco, haja uma ação direta sob a condição de risco, e minimize ou extingue esta condição. Esta última situação pode ser exemplificada pelos chuveiros automáticos sobre ambientes em chama. Para todos os efeitos, quem determina as condições de fuga e distâncias máximas a serem percorridas é o Anexo 6 da ABNT/NBR 9.077/2001. Existem na norma ABNT/NBR 9.077/2001 algumas recomendações sobre a configuração dos edifícios, referente a aberturas de um modo geral, sobre a composição dos materiais, porém, na prática, esta norma encontrou certa dificuldade de aplicabilidade das recomendações, já que, além de existirem novos processos construtivos na realidade brasileira desde a última revisão da norma, existe uma revisão da maioria dos códigos de prevenção no sentido de se basear muito mais nos princípios e filosofia de funcionamento, do que na especificação direta e Fonte: Adaptado de Negrisolo (2007) Quadro 4.2 | Distâncias máximas a serem percorridas 177 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio • 80 cm, valendo por uma unidade de passagem; • 1,00 m, valendo por duas unidades de passagem; • 1,50 m, em duas folhas, valendo por três unidades de passagem. • Nota: Acima de 2,20 m, exige-se coluna central. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a). fechada, como pretende a norma, principalmente para especificação de materiais. Referente ao número de saídas de emergência, primeiramente precisa ser proporcional à quantidade de unidades de passagem, logo, quem determina é a somatória da população de cada pavimento. Em resumo, decorrente da capacidade de ocupação máxima da edificação. Para a escada, em específico, é necessário considerar, além da função da edificação, as porções de áreas e levar em consideração também a altura da edificação para a qual a escada atenderá. Dependendo da edificação, haverá exigência quanto ao tipo de escada, que veremos mais adiante. O Anexo 7 da ABNT/NBR 9.077/2001 é responsável por determinar o tipo de escada, que será abordado ainda neste capítulo. Existem exigências específicas, não só para portas corta-fogo, mas também para portas comuns, quanto aos seus adequados dimensionamentos para as rotas de fuga, quando fizerem parte de ambiente considerando populaçõesacima de 50 pessoas. Para tanto, a ABNT/NBR 9.077/2001 entende: Para porta corta-fogo deve-se levar em consideração a ABNT/NBR 11.742/2003 - Porta Corta-fogo para Saída de Emergência (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013), uma vez que este tipo de porta normalmente está associado a partes da edificação mais específicas para prevenção e combate a incêndio e pânico. A aplicação de portas corta-fogo normalmente está associada a portas de antecâmaras, escadas e outros tipos de dispositivos mecânicos e automáticos. A diferenciação entre as portas comuns e as de corta-fogo vai além do material que as diferencia. Está na função. Enquanto as portas normais servem de passagem e seu dimensionamento se dá em vista desta função, as portas corta-fogo precisam prever a estanqueidade em relação a fumaça e fogo, além de resistir a este último, por isto precisam estar fechadas, porém destrancadas. O atendimento ao fluxo de fuga de saída, quanto à abertura, é inerente a estas duas tipologias de porta. O material usado nas partes que compõem as portas que se relacionam a portas em rotas de fuga não pode ser de material combustível, e permitir abertura pelo lado interno sem chave. Para algumas funções específicas, como as das áreas de saúde (hospitais, clínicas etc.), é obrigatória a presença de rampas, e o provisionamento de áreas de refúgios, na descarga e acessos, principalmente, e podem ser provisionados elevadores de emergência especializados para área hospitalar. A associação de rampas e escadas não é desejada, pelo fato de que parte da 178 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio população tem limitações de mobilidade, ou que precisam ser apoiados por outras pessoas em situações de emergência. A associação de rampa e escada, em uma situação intermediária, pode inserir risco de queda em momentos de emergência. Situações parecidas podem ser encontradas em edifícios educacionais. Para rampas em edificações é possível encontrar apoio normativo na ABNT/ NBR 9.050/2004, principalmente em relação ao seu desenho, porém seu dimensionamento segue o mesmo raciocínio de consideração do fluxo de pessoas que devem passar na rampa. Para o dimensionamento de rampas é necessário fazer os mesmos provisionamentos da população da edificação e das unidades de passagem conforme demonstrado anteriormente. Para o desenvolvimento geométrico da rampa no sentido de vencer as alturas é necessário prever patamares intermediários com 1,10 metro de comprimento no mínimo, planos, considerando o sentido do fluxo principalmente quando houver diferenças de nível de 3,70 ou de direção. O material usado no piso precisa ser antiderrapante, além de serem dotadas de guarda-corpos e corrimões. A rampa segue as mesmas recomendações da rota de fuga quanto a exigências de sinalização, iluminação e ausência de obstáculos. 2.1.2 Escadas O planejamento e previsão de escadas em edificações, com o intuito de prevenir o pânico, é uma das maneiras de gerenciamento de risco, e o conhecimento por parte dos profissionais de segurança do trabalho é necessário, podendo atuar no sentido de fiscalizar e propor mudanças para escadas já existentes e contribuir, sempre que possível, para a correta elaboração de novos projetos de engenharia e arquitetura. Em situações em que a edificação apresente desnível de seus pavimentos em relação à saída ou exterior, precisam ser dotados de escadas de emergência e, independente de sua configuração, como veremos mais adiante, é necessário que genericamente todas atendam a estes requisitos: • ser constituídas com material incombustível; • oferecer nos elementos estruturais resistência ao fogo de, no mínimo, 2 horas; • prever pisos dos degraus e patamares com materiais resistentes à propagação superficial de chama, isto é, com índice "A" da ABNT/NBR 9.442:1986: Portas e vedadores - Determinação da resistência ao fogo (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1988); • ser dotadas de guardas em seus lados abertos; • ser dotadas de corrimãos; • estar em contato com todos os pavimentos, tanto acima quanto abaixo da descarga, e que sua finalização aconteça diretamente na descarga. Não é recomendada a conexão direta com outros lanços de escadas, já que a compartimentação sempre é desejada para o combate a incêndio; 179 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio • Provisionar pisos antiderrapantes e que permaneçam antiderrapantes ao longo da vida útil da edificação. O dimensionamento da largura das larguras das escadas segue o raciocínio do cálculo da população em função da área do edifício e aplicação direta do princípio das unidades de passagem, que devem ser previstas independente da função da edificação. Outro cuidado que deve ser seguido em toda rota de fuga é que “protuberâncias” que porventura ocorrerão (pilares, por exemplo) não excedam 10 centímetros (ou 0,10 metro), que é o caso dos corrimões e guarda-corpos, sem que haja necessariamente o incremento da largura da mesma. Quando houver necessidade de colocar lances de escada em paralelo, precisa haver espaço suficiente para a previsão de corrimãos para cada porção de lances. Para o dimensionamento das alturas dos degraus das escadas é necessário entender a ergonomia do passo humano (andar), que tem em média entre 63 e 64 centímetros, e a fórmula que determina a composição da geometria da escada, denominada fórmula de Blondel, é, na verdade: Para saber mais sobre Geometria do degrau, consulte a ABNT 9.077. A fórmula de Blondel, também conhecida como cálculo de escadas, teve grande importância a partir do aumento na demanda de construções de edificações com dois ou mais andares nas metrópoles em geral. Disponível em: <http://portifolioarquiurbano.blogspot.com.br/2013/02/ escadas-formula-de-blondel.html>. Algumas escadas normalmente usadas para otimização de espaços, como as escadas do tipo “caracol” (helicoidal) ou curvas, não são desejadas, principalmente quando a menor porção do degrau conter medidas menores que 15 centímetros. É necessária a colocação de patamares intermediários (com medida equivalente a três patamares de degraus comuns), principalmente quando a altura a ser vencida seja de 3,70 entre um pavimento e outro. Caixas das escadas é o nome que se dá ao conjunto da estrutura, sistema de vedação (paredes) e escada propriamente dita. Devem ser de material resistente ao fogo, sempre planejadas para terem as suas paredes lisas, sem partes que interfiram no fluxo de pessoas. Em hipótese alguma podem ser usadas como depósitos, mesmo que temporários, e todas as portas devem estar fechadas, sem tranca. É desejável que se tenha iluminação e sinalização de emergência, conforme previsto nas respectivas normas. Não é aconselhável associar outros tipos de infraestruturas, como aberturas para despejo de lixo, rede elétrica elementar da edificação (salvo para iluminação 180 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio de emergência), centro de distribuição elétrica, sistemas de distribuição de gás GLP ou com potencial de inflamabilidade, medidores de quaisquer naturezas. A maioria das sugestões se dá para escadas enclausuradas. Quando da proposição de escadas em edificações que exijam escadas como rotas de fuga, os projetos, não só como de prevenção, como também de infraestrutura, podem ser solicitados pelos corpos de bombeiros e por meios normativos. Os mesmos podem sugerir mudanças inclusive de projetos de infraestruturas, citados há pouco. Em escadas não direcionadas a saídas de emergência, podem eventualmente ser utilizadas de maneira secundária as saídas de emergência, se assim for preciso, e por eventuais usos é recomendado também que as mesmas sigam pelo menos o uso de piso antiderrapante, dotar de corrimãos, guardas em suas laterais, que facilitem a visualização lateral, apresentar suas dimensões respeitando a fórmula de Blondel e atender ao dimensionamentodos patamares igual ao de uma escada de emergência. A norma ABNT/NBR 9.077/2001 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a) prevê situações de escadas em edificações em construção, recomenda seguir observação das populações dos pavimentos e observar o mesmo raciocínio do fluxo de pessoas que precisam ser evacuadas. Esta mesma norma prevê a ocorrência de edificações onde a população não ultrapasse 50 pessoas, e faz a mesma sugestão: seguir as mesmas etapas para dimensionamento da escada, porém estabelece requisito mínimo para a mesma com largura de 90 centímetros, cabendo observação para demandas específicas de cada função que a norma ABNT/NBR 9077/2001 prevê. Lances de escadas curvas não são sugeridos na norma como rota de fuga principal, e faz as mesmas recomendações de uma escada comum, caso seja usada como rota de fuga secundária. Escadas com lanços mistos também não são admitidas como rotas de fuga, mas as recomendações são as mesmas para um uso secundário em caso de emergência. 2.1.3 Tipos de escadas usadas em rotas de fuga As escadas exercem relevante papel em um sistema de prevenção de pânico, pois sua configuração deve atender à carga de fluxo de pessoas, e em termos de dimensão, ao mesmo tempo em que devem ser um envoltório do fluxo resistente ao fogo. Quais são os tipos de escadas mais comuns para uso em rotas de fuga? • Escadas não enclausuradas ou escada comum (NE) • Escadas enclausuradas protegidas (EP) • Escadas enclausuradas à prova de fumaça (PF) • Escadas à prova de fumaça pressurizada (PFP) • Escada Aberta Externa (AE) As escadas não enclausuradas ou escada comum (NE) é a escada, como o próprio nome diz, comum de uso, que pode ser de um simples acesso, tendo certa 181 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio liberdade no seu desenho, composição, material ou mesmo técnica construtiva. Normalmente há limitações de uso para saídas de emergência, e na maioria das vezes poderá haver exigências dos corpos de bombeiros na distinção entre esta escada e uma escada dedicada a rota de fuga. Este tipo de escada somente pode ser usado como rota de fuga se houver apoio normativo, ou seja, devidamente vistoriada pelo Corpo de Bombeiros. As escadas protegidas (EP): são dotadas de uma caixa de escada cuja técnica construtiva deve prever paredes resistentes a 120 minutos de fogo no mínimo, e, na medida do possível, buscar isolar do resto da edificação. Deve-se prever portas de acesso a esta caixa de escada do tipo corta-fogo (PCF), com resistência de 90 min de fogo. As Escadas enclausuradas à prova de fumaça (PF): do ponto de vista do material, devem ter suas caixas enclausuradas por paredes resistentes a 120 minutos de fogo no mínimo e ser providas de portas corta-fogo (PCF) com resistência de 60 min ao fogo. O que diferencia as Escadas enclausuradas à prova de fumaça (PF) das escadas protegidas (EP) é a existência de antecâmara (ambiente de conexão entre escada e corredor, e com duas portas corta-fogo entre os ambientes) devidamente ventilada. Mas qual o papel desta ventilação em um ambiente que conecta corredor e escada? Durante uma situação de emergência, em que haja um estágio avançado do incêndio e da emissão de fumaça, e toda a parte superior do ambiente já tenha sido tomada pela fumaça, pode ocorrer de, na mesma hora em que a pessoa adentrar na antecâmara, entrar a fumaça. Sendo a fumaça também um “vetor” de evolução do incêndio (temperatura e gases inflamáveis), é necessário que haja a inserção de ventilação para haver a diluição da mesma, assim como sua retirada após a diluição. As escadas enclausuradas à prova de fumaça, desta forma, devem, além de obedecer a todos os requisitos já citados, possuir antecâmara associada a dois dutos de ventilação (um de insuflação/sopro) e outro de exaustão. As Escadas à prova de fumaça pressurizada (PFP) ou escadas pressurizadas podem sempre substituir as escadas enclausuradas protegidas (EP) e as escadas enclausuradas à prova de fumaça (PF). É muito utilizada como estratégia de adaptação de escada existente, e utiliza o aumento da pressão de ar dentro da escada maior do que a exterior, de modo que a fumaça não consiga adentrar ao recinto da caixa de escada. O inconveniente é o de ter que trabalhar com uma central de insulamento de ar, podendo ser na parte superior ou inferior da edificação, e um conjunto de dutos, o que pode encarecer e muito, além de ter que contar com manutenção constante, podendo inviabilizar sua aplicação direta, dependendo da condição da edificação. Carece de projeto de infraestrutura bem específico. Alguns códigos de corpos de bombeiros apresentam recomendações específicas e podem exigir o atendimento de requisitos mais específicos para Pressurização de Escadas de Segurança. Escada Aberta Externa (AE): foi por muito tempo um tipo de escada que a maior parte dos planos de prevenção dos corpos de bombeiros não autorizava, 182 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio porém, com o advento das revisões das últimas décadas e diante da realidade em que as construções brasileiras se encontram irregulares quanto ao planejamento de rotas de fuga, é possível verificar uma maior adoção deste tipo de escada, principalmente quando a edificação é vertical, porém de pequeno porte. Por serem externas às edificações, normalmente conseguem ser produzidas com material pré-fabricado, de fácil construção, resistentes ao fogo, e ainda serem anexadas à estrutura da edificação sem prejuízo à mesma. Sobre a aplicação de janelas em escadas protegidas, escada à prova de fumaça e pressurizadas, o uso de janela para efeito de uso da iluminação natural é muito comum, porém existem exigências quanto ao uso de vidros e elementos na composição da esquadria que possam não resistir a temperaturas altas. As normativas dos corpos de bombeiros mais atuais discutem inclusive a influência da configuração geométrica das janelas, tamanho e distribuição em relação às demais aberturas, e como a ventilação pode influir para a propagação do incêndio. 2.2 Antecâmaras As Antecâmaras são ambientes cruciais para edificações que necessitam escadas à prova de fumaça, pois, de certo modo, retendo e diluindo a fumaça, contribuem para que haja o estancamento da propagação do incêndio em relação à escada, e assim liberando a escada como elemento construtivo importante para uso em rota de fuga. A norma ABNT/NBR 9.077/2001 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a) estabelece como requisitos mínimos para antecâmaras: • Apresentar comprimento mínimo de 1,80 m • Apresentar altura mínima de 2,50 m; • O comprimento é justificado pela existência da colocação de duas portas (uma interligando corredor e antecâmara, e outra interligando antecâmara e escada/rota de fuga), e estas portas devem estar de acordo com a ABNT/NBR 11.742, e tendo por premissa básica a estanqueidade à fumaça, principalmente no acesso à caixa de escada; • O comprimento mínimo se justifica para que haja área suficiente para que os dutos de entrada e saída consigam dar conta da diluição da ventilação; • Apresentar a abertura de entrada de ar do duto respectivo situada junto ao piso, ou, no máximo, a 15 cm deste, com área mínima de 0,84 m2 e, quando retangular, obedecendo à proporção máxima de 1:4 entre suas dimensões e ter a abertura de saída de ar do duto respectivo situada junto ao teto, ou, no máximo, a 15 cm deste, com área mínima de 0,84 m2 e, quando retangular, obedecendo à proporção máxima de 1:4 entre suas dimensões; • Ter, entre as aberturas de entrada e de saída de ar, a distância vertical mínima 183 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio de 2,00 m, medida eixo a eixo; a norma também prevê situações em que a abertura de saída de ar situada no máximo a uma distância horizontal de 3,00 m, quando visualizada em planta, tendo por referência da porta de entrada da antecâmara, eda mesma maneira a abertura de entrada de ar situada, no máximo, a uma distância horizontal de 3,00 m, medida em planta, da porta de entrada da escada. 2.3 Dutos de ventilação Os dutos de ventilação são essenciais em escadas à prova de fumaça, fazem uso do princípio do efeito chaminé, constando de dutos dedicados à insuflação e exaustão. A nomenclatura que a norma ABNT/NBR 9.077 utiliza os também define como sendo um sistema de “dutos de ventilação natural que devem formar um sistema integrado: o duto de entrada de ar (DE) e o duto de saída de ar (DS)” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a). A norma coloca que o duto não pode ter seção inferior a 0,84 m2, e quando de seção retangular, obedecer a proporções de 1:4. Quando houver a necessidade de dutos de ventilação nas edificações, cabem algumas observações quanto ao posicionamento, principalmente dos dutos de ventilação, para a captação de vento e extração da fumaça. A ABNT/NBR 9.077/2001 sugere que para os dutos de saídas de ar haja a construção das, digamos por assim dizer, “chaminés”, excedendo em altura em pelo menos um metro a altura dos demais elementos da edificação. Considerar que pelo menos do topo desta chaminé até a altura média (eixo horizontal) da antecâmara do último pavimento em três metros. Quando os dutos não forem totalmente abertos na parte superior, deve-se considerar 1,5 a área do duto para criação das aberturas nas laterais. A ABNT/NBR 9.077/2001 sugere que os dutos de entrada de ar, em sua abertura inferior, sejam capazes de capturar ar em condições de ser respirável (ar fresco), e para entrada deste considerar o posicionamento de uma portinhola, de material incombustível, além de uma configuração (tela ou veneziana) que permita aumentar a pressão do ar, ao mesmo tempo em que não diminua a área de efetiva ventilação. Também é necessário que as paredes dos dutos de entrada e de saídas de ar sejam feitas, assim como a caixa de escada e antecâmara, com materiais resistentes, no mínimo a 2 h de fogo. 2.4 Elevadores de emergência O Elevadores de emergência são somente exigidos em edificações cuja dimensão inviabilize o desenvolvimento de rotas de fuga em escadas enclausuradas, normalmente previstos somente em edificações com mais de 20 pavimentos, ainda sob enquadramento normativo segundo os corpos de bombeiros estaduais e 184 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio submetendo projetos específicos para este fim. Não basta apenas citar a colocação, é necessário que haja a anuência do Corpo de Bombeiros para a colocação dos mesmos. Algumas edificações com funções hospitalares, por exemplo, podem se valer deste tipo de solução, mas também dependerão da devida avaliação pelo Corpo de Bombeiros para colocação do mesmo. Algumas recomendações, para infraestrutura de apoio do elevador de emergência, são muito parecidas quanto ao tipo de material aplicado em caixas de escadas, dutos de ventilação e antecâmaras, e na configuração das caixas de rolagem e da casa de máquinas, estas devem ser enclausuradas e distintas dos demais elevadores de transporte normais. 2.5 Áreas de refúgio As áreas de refúgio podem ser conceituadas como a parte de um pavimento distinto das demais partes da edificação e que garantam plena segurança, devido ao fato de existirem paredes e portas corta-fogo, além de permitir suporte à vida, pelas condições ambientais (ar respirável), normalmente sendo acessadas por antecâmaras, escadas protegidas ou escadas à prova de fumaça. A estrutura dos prédios dotados de áreas de refúgio deve ter resistência a 4 h de fogo, devendo obedecer à NBR 5.627 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001b), e o material, embora esta norma sugira, sendo de concreto, existem novas técnicas construtivas que as estruturas podem receber tratamento a fogo quando sendo de materiais como aço, por exemplo. As edificações que apresentam elevada aglomeração de pessoas precisam, além do correto dimensionamento das rotas de fuga, contar com áreas de descarga bastante significativas, e em especial hospitais e escolas. Pode ser considerada como descarga (área de refúgio) a parte da edificação na qual é possível direcionar a população da edificação que fique entre a saída e a via pública, ou área externa em comunicação com a via pública. Para exemplificar, pode-se considerar área de descarga: corredor ou átrio enclausurado, área em pilotis (pilares sem fechamento) ou mesmo corredor a céu aberto. Em caso de ser considerados os corredores e átrios como áreas de refúgio precisam ser obrigatoriamente enclausurados em relação à área em que esteja ocorrendo incêndio, sendo assim é necessário considerar por tempo equivalente de resistência ao fogo, que já estão sendo consideradas nas escadas que conduzirão as pessoas a estes corredores e átrios. Esta regra do tempo de resistência ao fogo também deve ser seguida na especificação de pisos e paredes revestidos, ter portas corta-fogo, principalmente se a escada for à prova de fumaça. Para as situações de escada enclausurada protegida, deve ao menos considerar uma resistência ao fogo de pelo menos 30 min, para que a mesma consiga se isolar quando este compartimento esteja se comunicando com apartamentos ou condições que possam levar ao aumento do risco aos ocupantes desta área de descarga. 185 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio 2.6 Guardas e corrimões Quando é abordado o tema de rotas de fuga em uma edificação, mais especificamente por meio do plano de emergência, apresentará falhas se não for abordada qual a relação destas com o alarme de incêndio, e comunicação de emergência, iluminação de emergência e sinalização de saída. A norma que trata Alarme de incêndio e comunicação de emergência é a ABNT/ NBR 9.441/1998 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1998), e as instalações da edificação precisam minimamente atender a esta norma. Existem demandas mais específicas dentro da norma principalmente em relação a alarme, que na maioria das vezes deverá ser feita por empresa especializada, porém a norma pode servir como parâmetro para fiscalizar a instalação do alarme. A comunicação em si pode fazer uso da própria infraestrutura da edificação em casos em que seja possível. Esta norma recomenda que seja feita, por exemplo, por porteiro eletrônico, sistema de interfones, entre outros aparatos disponíveis na edificação. Já para as instalações que darão suporte à Iluminação de emergência e sinalização de saída, precisam atender para rotas de fuga a ABNT/NBR 5.413/1992 Iluminâncias de interiores – Procedimento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992c). E para execução é necessário ser executada obedecendo à ABNT/NBR 10.898/2013 Sistema de iluminação de emergência (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013). E mesmo a edificação dando suporte a atividades laborais diurnas, é necessário que se busquem os corretos requisitos para iluminação natural ou artificial, principalmente por se tratar de suporte à emergência, em que o entendimento da instalação predial é crucial. Em específico para iluminação em rotas de fuga, é obrigatório quando distâncias a serem percorridas excedam a 30 metros, em que há volume considerável de pessoas envolvidas, incluindo edificações residenciais verticais. Somente residências fogem a esta condição, uma vez que o dimensionamento de rotas de saída é pequeno se comparado a uma edificação multifamiliar do edifício vertical. É obrigatória quando a iluminação natural não der o devido suporte à rota de fuga às escadas enclausuradas e não enclausuradas. Referente à sinalização, é obrigatória independente da iluminação existir ou não, em quaisquer tipos de edificação, com exceção de residências unifamiliares. Deve ser provisionada em acesso e descargas obrigatoriamente, e nos demais locais deve- se perceber o sentido de fluxo da fuga, e como ordená-lo até as áreas de descarga. A sinalizaçãode saída ou iluminação de balizamento deve ser executada obedecendo ao prescrito na NBR 10.898, exceto quanto à seção 5.1.2.6.6 e à Tabela 3 da referida norma, que estabelece a cor Munsell 5R4/14 para os textos e símbolos de sinalização. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2001a). 186 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio A simples sinalização já é um meio de mitigar (diminuir) riscos ao ser humano em uma condição de incêndio? Sobre estabelecer a cor Munsell, consulte Disponível em: <http://aalquimiadacor.blogspot.com.br/2011/02/o- sistema-munsell.html>. Os textos e simbologia nas sinalizações de emergência precisam ser brancos e contrastando com um fundo verde, e devem quanto à sua tonalidade, permitir que sejam melhor visualizados através da fumaça. Admite-se o uso de vermelho, conforme ABNT/NBR 10.898/2013, em locais em que o verde não consiga ser visualizado, em especial devido a situações e ausência de iluminação. (Cinemas, laboratórios mais específicos que não possam receber luz) (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013). 1. Qual é a importância de se saber a densidade máxima da população de uma edificação e como pode influir para o dimensionamento das partes destinadas à rota de fuga? 2. O que é a capacidade da unidade de passagem? 187 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Seção 3 Sistema de detecção e alarme Existe hoje no mercado uma infinidade de novas tecnologias que permitem que o incêndio, além de detectado, seja combatido ao mesmo tempo em que permite que haja o acionamento das diversas formas de alarme. A norma que trata especificamente dos Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio - Projeto, instalação, comissionamento e manutenção de sistemas de detecção e alarme de incêndio, assim como estabelece seus requisitos, é a ABNT/NBR 17.240/2010 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2010). Qualquer profissional de segurança do trabalho que esteja envolvido com um plano de prevenção precisa nortear as decisões para que um sistema destes seja instalado, uma vez que erros podem implicar diretamente a segurança de pessoas, do patrimônio e do meio ambiente. A norma, logo em seu início, já pede a determinação das responsabilidades de todos os envolvidos, desde a concepção do sistema até a instalação em si, podendo inclusive constar a responsabilidade do “dono” da edificação e seus representantes legais que, de certa forma, precisam exercer a função de fiscalização quanto a exigências normativas e do Corpo de Bombeiros. O projeto e a instalação, na maioria das vezes, são feitos por empresas especializadas, que precisam apresentar portfólio de trabalhos, anotações de responsabilidades técnicas e toda a documentação que o Corpo de Bombeiros exigir quando submetido a estes o projeto de Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio. O Corpo de Bombeiros pode exigir, para apreciação, plantas das edificações, técnicas construtivas e materiais aplicados, atmosferas que apresentam materiais perigosos ou inflamáveis, laudos específicos das condições das instalações elétricas ou influências eletromagnéticas, número de aberturas/dimensão e quantidade de trocas de ar, até mesmo demonstrativo de qual a temperatura máxima o ambiente pode atingir em caso de incêndio, automação existente, população fixa e flutuante e qualquer outro tópico que possa ser descrito como “descrição da infraestrutura” ou “características específicas da ocupação”. E existência de sistemas que podem ser controlados e/ou supervisionados pelo sistema de detecção de alarme de incêndio (por exemplo, controle de acesso e supervisão predial). 188 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Os Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio podem ser considerados dentro dos planos de prevenção? E quais os benefícios de considerar os mesmos na elaboração de um plano de prevenção? 3.1 Projetos de Sistemas de detecção de incêndio e alarme O projeto de sistemas de detecção e alarme de incêndio precisa abordar de forma completa, por meio de todos os seus componentes, a detecção no menor tempo possível. Para tanto, é preciso um levantamento detalhado de todas as variáveis que envolvem os ambientes que podem contribuir para a propagação do incêndio na fase de planejamento, pois a partir disto é que são determinados o sistema e o tipo de detector, que por sua vez são especificados segundo sua sensibilidade e tempo de resposta. Juntamente com o projeto é elaborado um memorial descritivo, no qual devem constar: • Premissas de detecção; • A arquitetura do sistema (como está estruturado); • Interfaces com outros sistemas; • Lógica de funcionamento e seus componentes; • Ações para cenário previamente concebido. A formalidade de um documento ajuda sobretudo quanto à divulgação de eventuais buscas quanto à responsabilidade, tendo ou não a aplicação do mesmo nas situações de emergência. 3.2 Quanto aos tipos de detecção • Sistema de detecção convencional: são determinadas áreas específicas onde serão dedicados circuitos específicos de detecção, podendo ser um ou mais circuitos, e quando em ação por meio de um dispositivo no local, fazem comunicação a uma central, e esta ao alarme. Cada dispositivo é capaz de acionar o alarme, não sendo possível determinar em específico qual parte da edificação está em emergência. Não é possível ajustar o nível de alarme dos dispositivos de detecção via central de alarme; 189 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio • Sistema de detecção endereçável: por apresentar como característica básica a individualização dos pontos por um ou mais circuitos, facilita identificar exatamente o local onde está havendo ocorrência do incêndio/fumaça, e por meio de uma central é possível atuar em específico sobre o local onde está ocorrendo o evento. Não é possível ajustar o nível de alarme dos dispositivos de detecção via central; • Sistema de detecção analógico: sistema capaz de controlar por meio de uma central continuamente valores que mensuram fumaça e temperatura, por meio de dispositivos de detecção, e por um método comparativo com valores predeterminados (programados na central), faz o acionamento do alarme e permite ajustar o nível do alarme pela central; • Sistema de detecção algoritmo: a forma de envio de sinal tem semelhança com o sistema analógico; em se constando uma possibilidade de incêndio, o sistema primeiramente analisa a progressão com algoritmos (valores predeterminados por experimentos) armazenados em memória da central. Para a localização dos painéis de controle, no qual devem estar interligados os sistemas de detecção e de alarme, precisam considerar os sentidos de evacuação e se possível alocados nas proximidades das saídas de emergência. Normalmente, tal tipo de sistema demanda, pelos volumes de equipamento, fontes auxiliares, e deve estar com dimensionamento de acordo com cenários de emergência definidos no memorial descritivo. Os sistemas de detecção e de alarme atuais baseiam-se no princípio da autonomia, sem necessariamente ter a presença humana para que haja o acionamento. Podem ser encontrados alguns manuais técnicos, de fabricantes específicos, que podem considerar e serem classificados com base no escopo de fornecimento e atendimento de requisitos de projeto, instalação, comissionamento e manutenção dos sistemas manuais e automáticos de detecção e alarme de incêndio em e ao redor de edificações. NBR 17.240 DE ALARME DE INCÊNDIO: <http://ascea.com.br/wp-content/ uploads/2013/11/Treinamento-em-Criciuma.pdf>. Memorial Descritivo do Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio: <https://www.morley-ias.com.br/ae/Documents/MIAS-Memorial- Descritivo-2014.pdf >. Orientações para projeto e instalações: <http://www.renglan.com.br/ pdf/alarme_convencional/normas.pdf>. (Verificar possibilidade de lançar exemplificação de sistema de detecção de incêndio/fumaçae alarme). 190 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio 1. Qual é o princípio básico que rege os sistemas de detecção e combate a incêndio? 2. O projeto de sistemas de detecção e alarme de incêndio deve partir de quais premissas? 191 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Seção 4 Equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio Quando se faz referência a equipamentos fixos e móveis de combate a incêndio, estamos na verdade trabalhando o conjunto de equipamentos portáteis e infraestrutura da edificação direcionada ao combate ao incêndio, que em alguns códigos pode receber o nome de sistema móvel fixo de proteção. Podem ser considerados como equipamento móveis os extintores e toda a infraestrutura associada a este (sinalização, suportes etc.). Para os equipamentos fixos, todos os sistemas de hidrantes e/ou mangotinhos para combate a incêndio, o sistema de sprinklers, podem ser enquadrados dentro da condição de fixo. No caso dos equipamentos fixos, para concebê-los é necessário haver um planejamento de uma infraestrutura que, muitas vezes, pode interferir em alguns aspectos construtivos da edificação, como na própria estrutura. Exemplo seria o peso das caixas d´águas, sistema de prumadas (canos que direcionam as águas de consumo, de incêndio e mesmo o direcionamento dos esgotos), que podem causar interferências nos sistemas de combate a incêndio fixos, ou mesmo posicionamento das bombas de recalque ou motobombas que exigem configuração de ambientes específicos, entre outras situações, que podem ser modificados dependendo do sistema de proteção que se adota. 4.1 Sistema móvel O que é importante para o sistema móvel é que é aplicável a todas as edificações que apresentam o mínimo risco de ocorrência de incêndio, exceto residências unifamiliares. Para a instalação dos mesmos devem ser considerados os tipos de incêndio e o agente extintor, como já visto no capítulo anterior, mas, além disso é necessário que se observe a localização, para que não seja obstruído nem por chamas nem por materiais com potencial de pegar fogo. Para tanto é exigido um sistema de sinalização que deve ocorrer tanto no piso quanto na parede, de modo a alertar sua localização em caso de emergência. Utiliza-se como sinalização dos extintores um quadrado de borda amarela de 0,15 metro na faixa de seu perímetro e dimensões totais de (1,00m x 1,00m) com borda amarela que envolve um quadrado de fundo vermelho (0,70m x 0,70m). A altura recomendada é de 1,60 m, considerando o gatilho com referência, podendo ser diretamente na parede ou sobre tripé. Em locais de grande circulação de pessoas 192 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio em caso de emergência com, por exemplo, escadas, vestíbulos e antecâmaras, não se instalam. Em áreas externas é necessário prever abrigos contra intempéries. Para efeitos de controle de sua qualidade, devem constar selos de aprovação do Inmetro, selo de recarga válido, e tal recarga deve ser provisionada uma vez por ano. Empresas especializadas nestes tipos de equipamentos precisam fazer testes hidrostáticos a cada cinco anos. Deve estar clara a identificação do estabelecimento e dos proprietários para fins de identificação das responsabilidades. É necessário ter clara rotulagem para que se identifique o agente extintor. No dimensionamento dos sistemas móveis, ou extintores, em alguns códigos mais antigos, pode ainda constar um referenciamento por área no qual se faz uma pré- classificação do risco, para se estabelecer parâmetros de área: Como, por exemplo: área total / C* onde C* variável de acordo com o risco: risco leve RL = 500 m², risco moderado RM 250 m² e risco elevado RE=150 m².Sempre levando em consideração o tipo de incêndio e a referência do agente. Em códigos mais novos é possível visualizar um direcionamento da especificação dos extintores, que precisa levar em consideração para a seleção dos extintores: capacidade de extinção (segundo risco associado), distribuí-los e instalá-los conforme configuração do risco (segundo as classes de incêndio). Houve também por parte dos códigos facilitação das informações por meio de esquemas e tabelas de fácil leitura, considerando unidades mínimas extintoras: 4.2 O que é Capacidade extintora? A capacidade extintora, segundo NBR 12.693/2010, é medida do poder de extinção do fogo em um extintor de incêndio, obtida em ensaio prático normalizado. É por meio da rotulagem que se identifica a capacidade extintora, em que constará um número que é equivalente a um dos graus que se atribui a capacidade do agente extintor em acabar com o fogo. A letra que segue o número é correspondente à classe de incêndio a que o agente se destina, podendo ou não estar combinadas, dependendo do tipo de fogo que se pretender combater. Para o posicionamento dos extintores é necessário observar alguns espaçamentos entre as unidades extintoras, a fim de cobrir toda a área da edificação, porém é necessário observar que alguns códigos estaduais podem apresentar valores que compreendem os valores citados nas tabelas. Sobre testes de extinção: Disponível em: <http://www.kidde.com.br/Documents/ CapacidadeExtintora.pdf>. 193 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Em caso de dúvida é sempre bom adotar a situação mais restritiva, pois prevenção em excesso nunca é demais quando o assunto é incêndio. Alguns códigos poderão, cada qual considerando a sua realidade, apresentar valores diferentes dos colocados na tabela, e em algumas condições de risco específicas, podem ser feitas exigências para atendimento de casos particulares. Para situação de extintores sobre rodas é possível considerar um acréscimo de pelo menos 50% da distância dos fixos, mas considerando o percurso e não o raio de ação, cabe salientar que os extintores sobre rodas devem obrigatoriamente estar associados a extintores portáteis. Os valores devem ser tomados para efeito didático para o desenvolvimento de um pré-dimensionamento. É exigido com obrigatoriedade que haja extintores nos locais com riscos bem específicos, independentemente de haver um sistema geral de proteção da edificação, e entram nesta relação: • Casa de caldeiras • Casa de bombas • Casa de força elétrica • Casa de máquinas • Galerias de transmissão • Incinerador • Casa de máquinas do elevador e escada rolante • Quadros de energia (baixa tensão) • Transformadores • Contêiner de telefonia • Locais onde haja gases líquidos combustíveis e inflamáveis, entre outros produtos químicos de igual grau de risco a incêndio. 4.3 Sistemas fixos Entende-se por sistema fixo todo e qualquer sistema de prevenção e combate a incêndio que tenha vinculação direta à edificação, demandando infraestruturas específicas devidamente dimensionadas para o fim que se pretende usar. Por serem sistemas fixos, é ideal que sejam concebidos juntamente com outros projetos de engenharia, para compatibilização de seu uso com as demais infraestruturas. São dimensionados em função do risco de incêndio apresentado pela edificação, e sua adaptação em função de modificações na edificação pode inviabilizar seu uso 194 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio tanto do ponto de vista técnico como financeiro. Demandam investimentos elevados, porém apresentam alto grau de eficiência no combate a incêndio. Têm por premissa a autonomia no combate a incêndio, já que a maioria dispensa a presença do homem para seu acionamento, sendo assim, não colocam em risco as pessoas que eventualmente seriam necessárias para os sistemas móveis. 4.3.1 Sistema de hidrantes Quanto ao sistema fixo de extinção, tem-se como premissa de sua concepção a Carga de Incêndio da edificação, e com base nisso irá especificar qual o tipo de sistema será cobrado. Existe uma subclassificação em que constam como 01 os mangotinhose os sistemas tipo 2, 3, 4 e 5 (hidrantes), e esta classificação toma por base a vazão mínima. Existe uma relação direta entre o tipo de função, grau de risco e vazão mínima exigida, que de certo modo permite entender que, quanto maior o grau de risco, maior será a vazão de esguicho, porém cabe a especialista em dimensionamento de sistemas hidráulicos fazer os cálculos em legislações e normas mais específicas para tal dimensionamento. E nestes cálculos, cada função que ocupam dos edifícios apresenta parâmetros de carga de incêndios diferenciados e precisam ser consideradas caso a caso. O que é mangotinho e qual a diferença em relação aos hidrantes? O mangotinho tem a mesma função que um hidrante dentro de uma faixa de vazão menor, logo trabalha em jatos de menor pressão, e permite que pessoas sem muito treinamento consigam operar e atuar de forma eficiente no princípio de combate a incêndio de pequenas proporções. Os mangotinhos são feitos de mangueiras semirrígidas (se assemelham a mangueiras das bombas dos postos de gasolina), e por sempre estarem conectadas ao seu esguicho, têm facilidade de uso tão logo sejam acessados, diferente dos hidrantes, que carecem de uma montagem prévia ao seu uso. Os hidrantes possuem vazões maiores e maior capacidade de extinção de incêndio, normalmente o diâmetro da mangueira e a força para movimentá-la em operação podem exigir mais de uma pessoa para operar, além de um treinamento específico para seu uso. Qual é a vantagem dos mangotinhos? Mangueira menor, vazão menor, logo, peso menor e facilidade de manuseio. Qual é a vantagem dos hidrantes? Maior capacidade de extinção, maior área de ação, maior eficiência sobre focos de incêndio. Como normalmente as edificações que usam hidrantes têm elevado nível de risco e considerável extensão em termos de área, é necessário o provisionamento de uma reserva específica para o combate a incêndio, que dentro da reserva de água potável seja destinado por volta de a 30% a 35% da água reservada especificamente para combate a incêndio. 195 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio Em situações em que os bombeiros exijam os hidrantes de recalque, que nada mais são do que a condição em que a água de combate a incêndio vá diretamente de um reservatório destinado a combate a incêndio, estes podem estar posicionados no passeio público, com tampa articulada com a palavra hidrante nominada nesta tampa. Existe uma condição, principalmente em edificações que apresentam considerável altura, na qual é necessário colocar em associação um conjunto de reservatórios que é dividido em duas porções, uma na chegada da água via concessionária/poço artesiano e outra que deve estar elevada em relação à edificação. A conexão entre estes dois grandes reservatórios se dá por meio de bombas de recalque, que devem ser previstas em sistema de redundância (com mais de uma bomba d’água, caso uma falhe a outra entra em operação), e também contar com uma motobomba, devidamente abastecida com combustível para atuar no caso de inexistir energia elétrica para acionar as bombas anteriormente citadas. Localização da casa de bombas: deve estar posicionada junto ao reservatório inferior em ambiente específico e devidamente protegido das condições de incêndio. Mesmo dentro dos reservatórios, tanto no inferior quanto no superior, recomenda- se trabalhar com subdivisões internas que facilitem a manutenção parcial quando não estando em operação, sem deixar que a edificação fique sem água. Quais são as vantagens e desvantagens de sistemas de extinção fixa e móvel? 4.4. Sprinklers O sprinkler pode ser entendido como sendo um equipamento que, em caso de incêndio, tem a capacidade de controlar ou extinguir o incêndio, no qual a água presente em uma instalação hidráulica seja liberada assim que o dispositivo devidamente dimensionado para identificar a sua temperatura limite seja acionado. A água desta instalação terá a sua distribuição por meio de um jato de água que atua nas fases iniciais do fogo, antes que ele se espalhe e chegue na fase do flashover. O dispositivo ao final da linha responsável pela distribuição do jato tem um elemento termossensível que, quando atinge a temperatura de operação, rompe- se um bulbo com líquido termosensível e/ou sua solda derretida (depende do modelo, porém o mais utilizado é com bulbo), permitindo que o sprinkler entre em ação. É necessária a existência de uma rede antes do “bocal” de saída devidamente 196 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio abastecida e pressurizada, que quando liberada a passagem da água, esta seja descarregada pelo orifício do sprinkler, espalhando-se em formato de guarda- chuva sobre o(s) foco(s). Os sprinklers e a rede que abastece o mesmo devem ser concebidos de modo que não necessitem da ação do homem durante o evento do incêndio. Em relação aos magotinhos e hidrantes, e até mesmo em relação aos extintores, apresentam grande vantagem no combate a incêndio, principalmente por não colocar em risco a vida de combatentes. Esta vantagem em relação aos demais sistemas se dá em função dos problemas diretamente relacionados ao combate propriamente dito, pelo fato de que, quando o fogo acontece e se transforma incêndio, há a geração de grandes temperaturas, em curto espaço de tempo. Esta dinâmica evolução de um foco para um incêndio ocorre justamente pela não intervenção tão logo identificado o incêndio, e com a geração de fumaça, normalmente escura e vetora de propagação, pode influir tanto para machucar os combatentes quanto influir negativamente sobre alguns aspectos da respiração. Juntam-se a esta situação uma atmosfera com baixo índice de oxigênio e elevação de monóxido de carbono. A fumaça também pode ser considerada um vetor para evolução do incêndio. O sprinkler é tomado como um dos sistemas mais eficientes em termos de combate a incêndio em sua fase inicial. Com a evolução do incêndio, somente com a brigada do Corpo de Bombeiros. Para especificação dos bocais de saída, e dos bulbos, é necessário que haja um levantamento minucioso não dos riscos, mas também da quantidade de risco e o potencial de queima de todas as partes da edificação, por profissionais especialistas para instalação dos sprinkler e sua infraestrutura. E o profissional (normalmente engenheiros e técnicos de hidráulica) precisa ter cuidado, não só com a especificação por meio de um projeto e detalhamento do mesmo, mas também considerar variáveis de instalação, desde a fase da concepção da edificação e do prolongamento da vida útil da edificação, como a previsão e instrução de manutenção preventiva. Algumas observações devem ser feitas que podem inviabilizar a eficácia e aplicabilidade de uma rede sprinkler, necessitando-se fazer uma revisão desde o projeto, da instalação propriamente dita e manutenção. O projeto de sprinkler não pode sofrer adaptações de última hora, nem deixar de ser instalado por profissionais comprovadamente competentes, e que tenham plena consciência de instalar tal como o projeto foi previsto, já que, via de regra, este projeto é precedido por uma análise de riscos. Não se recomenda a instalação de sprinklers que não tenham certificação de qualidade dentro dos padrões estabelecidos pelas normas (ABNT) e códigos e prevenção brasileiros. Havendo sprinklers, não é desejável que haja mudanças quanto à forma de 197 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio ocupação e/ou layouts, pois mudando esta mudam também os riscos, e sempre que houver, é necessário que se readéque o projeto e se refaçam os cálculos para que o projetista consiga deixar o sistema atendendo de maneira eficaz. Um dos princípios em que os sprinklers se baseiam é o da descarga automática de água, cuja densidade seja suficiente no controle e extinção dos focos de incêndios. O tipo de risco determinará a configuração do sistema, mas, independentementedo tipo de instalação, algumas regras são seguidas pelos projetistas: • Tem que ser provisionado para que haja sprinklers e seus jatos distribuídos por toda a área protegida; • A área determinada a ser protegida, de acordo com o risco a proteger, não pode exceder ao que está previsto em norma; • As configurações das partes que compõem os sprinklers devem ter comprovação de eficiência e seguir as normas brasileiras, ao ponto de ser exigido que a interferência à descarga de água por obstruções deve ser mínima; • A dinâmica do incêndio e das zonas de calor dentro dos ambientes deve ser cuidadosamente estudada, pois a determinação da localização em relação ao teto ou ao telhado faz com que o mesmo seja acionado por termossensibilidade indicada para o seu acionamento, em função de acúmulo mais rápido de calor junto ao sprinkler; • O dimensionamento das tubulações deve seguir padrões normativos previstos nas normas e códigos de incêndio, e os cálculos precisam apresentar acordo com a precisão requerida pelo risco a proteger, recomendada pelas normas. Outros cuidados são recomendados, desde a instalação até a manutenção durante a vida útil do sistema, sempre adotar equipamentos certificados que compõem o sistema, usar ferramentas específicas para a instalação e manutenção dos sprinklers (as comuns podem danificar), não proceder com nenhum tipo de acabamento senão aquele previsto desde a sua fabricação, nem pendurar qualquer tipo de adereço (infelizmente um comportamento normal em empresas para datas comemorativas), possuir pessoa no quadro da manutenção que tenha conhecimentos para poder desenvolver inspeções periódicas quanto à integridade dos sprinklers, sempre manter peças de reposição adequadamente guardadas e derivadas da primeira compra, pois compras de última hora podem gerar incompatibilidades quanto a novos modelos etc. 4.4.1 Os componentes dos Chuveiros Automáticos - Sprinklers Nos chuveiros automáticos precisa constar a Marca de Conformidade ABNT à norma ABNT/NBR 6.135/1992 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992b), que tem por objetivo assegurar a qualidade por um processo de certificação independente e de supervisão contínua. Dentro da norma é possível visualizar a definição do sprinkler como sendo: 198 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio 4.4.2 Posicionamento dos sprinklers Os chuveiros automáticos ou sprinklers podem ter variação quanto ao posicionamento. Os chuveiros automáticos ou sprinklers podem apresentar configurações/ formato em seu corpo que podem sugerir o direcionamento do jato em função do defletor e podem receber as classificações: 1. Pendente: o defletor é configurado para que o chuveiro seja projetado de modo que o jato é direcionado para baixo, tão logo a água entre em contato com o mesmo para atingir o defletor e espalhar o jato; 2. Para Cima (UpRight): nesta situação, por ser muito comum a colocação de canalizações expostas, em alguns lugares podem ser exigidas alturas livres, alguns modelos de sprinklers são posicionados de modo que o jato de água suba Os chuveiros automáticos ou sprinklers são compostos basicamente pelos seguintes componentes: Os chuveiros automáticos são dispositivos com elemento termossensível projetados para serem acionados em temperaturas pré-determinadas, lançando automaticamente água sob a forma de aspersão sobre determinada área, com vazão e pressão especificados, para controlar ou extinguir um foco de incêndio. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992b). Corpo: parte do chuveiro automático que contém rosca, para fixação na tubulação, braços e orifícios de descarga, e serve como suporte dos demais componentes; Defletor: componente destinado a quebrar o jato sólido, de modo a distribuir a água, segundo padrões estabelecidos nas normas brasileiras; Obturador: componente destinado à vedação do orifício de descarga nos chuveiros automáticos e que também atua como base para o elemento termo-sensível tipo bulbo de vidro; Elemento Termo-Sensível: componente destinado a liberar o obturador por efeito da elevação da temperatura de operação e com isso fazer a água fluir contra o foco de incêndio. Os elementos termossensíveis podem ser do tipo ampola de vidro ou fusíveis de liga metálica. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992b). 199 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio verticalmente, e o defletor, em função de sua forma, direciona o jato na direção oposta, ou seja, para baixo. 3. Lateral (Sidewall): normalmente este tipo de sprinkler é colocado nas paredes laterais dos ambientes, cuja colocação depende de análises específicas da configuração dos riscos, e o modelo apresenta um defletor especial em que parte da água vai para frente e para os lados, quase como formando jato de forma esférica, porém é possível que uma parte mínima para trás, contra a parede, não seja atendida. 4.4.3 Temperatura de funcionamento: Em relação às temperaturas é necessário que os chuveiros automáticos, em seu processo de certificação, sejam aprovados segundo graus nominais de temperatura, que determinarão seu acionamento, e existem normativas durante a fase de projeto que estabelecerão as temperaturas máximas, ou temperatura limites de acionamento, nos ambientes, segundo os riscos que apresentam. Esta temperatura pode variar de 57˚C a 343˚C. Para tanto, é necessário que a especificação e recomendações dos fabricantes sejam seguidas à risca, e mesmo assim ter observação e adoção de critérios quanto à configuração da edificação no que diz respeito a: 1. A altura do pé-direito: quanto maior a altura, maior o tempo de acionamento; 2. O afastamento do chuveiro em relação ao teto: quanto maior a distância, maior o tempo de acionamento. Como as temperaturas são determinantes para o acionamento dos sprinklers que possuem bulbo, segundo a NBR 6.135 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992b), é necessário que o acionamento dos mesmos seja de acordo com os valores das temperaturas abaixo. Estas temperaturas, assim como o líquido que está contido dentro do bulbo, seguem o padrão internacional, e são identificadas da seguinte forma: Temperatura Nominal (˚C ) Coloração do Líquido 57 Laranja 68 Vermelha 79 Amarela 93 Verde 141 Azul 182 Roxa 183 a 260 Preta Quadro 4.3 | Sistema sprinklers - temperatura de acionamento - cores de referência Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (1992b) A norma ABNT NBR 6.135 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992) é exigente quanto à identificação e caracterização dos sprinklers, ao ponto de exigir que estejam de maneira clara e visível estampadas no corpo ou no defletor informações de identificação do fabricante, como, por exemplo: Marca do fabricante e modelo do sprinkler, Temperatura nominal de operação, Diâmetro nominal do orifício, Letra código da posição, Cores corretas dos elementos termossensíveis e Ano de fabricação. Estas duas normas também são exigentes quanto à presença de 200 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio 4.5. Sistema de espuma de extinção A espuma que se destina a extinção e combate a incêndio é, na verdade, uma solução de base aquosa (água), que por meio de equipamento misturador é misturada juntamente com o ar e um extrato formador. É usada sobre líquidos combustíveis cuja densidade seja pequena, mas que a extensão do incêndio aconteça superficialmente. Para que seja eficiente no combate a incêndio, deve ter por: 4.5.1 - Características físicas: • Fluidez: a espuma deve cobrir toda a superfície em chamas com rapidez; • Resistência ao calor: o volume de espuma aplicado tem que ser capaz de resistir aos efeitos destrutivos do calor irradiado pelo fogo remanescente do vapor de líquidos inflamáveis ou de qualquer tipo de material metálico; • Resistência ao combustível: a espuma deve resistir às ações dos combustíveis, não se desfazendo ou perdendosua capacidade extintora; • Contenção de vapores: a cobertura produzida deve ser capaz de conter os vapores inflamáveis, provocando uma selagem do combustível, minimizando os riscos de um novo incêndio; • Densidade baixa: a espuma deve flutuar sobre o combustível formando uma cobertura; • Dupla ação de combate a incêndio:a extinção do incêndio por meio da espuma é feita por isolamento do combustível do ar (abafamento) e resfriamento. Consta neste link toda a história dos sprinklers e outras curiosidades sobre o assunto: Disponível em: <http://revista.fundacaoaprender.org.br/index. php?id=141>. Marca de Conformidade ABNT, somente colocadas em produtos certificados, cujo processo produtivo do sprinkler também é qualificado e certificado. Não cabe ao profissional de segurança do trabalho saber calcular a vazão dos sprinklers, mas entender o método como os calculistas de hidráulica pode ajudar principalmente a apoiar na identificação dos riscos específicos. 201 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio O método de extinção com que a espuma submete o líquido se dá por meio superficial ao líquido inflamável, de modo que, ao ser jogada sobre o líquido, haverá a flutuação da mesma, bloqueando a captura de oxigênio (agente comburente) e assim permitindo a extinção do incêndio, abafando-o. É inviável o uso de água para a extinção de incêndio em reservatório de combustível, primeiro que fisicamente o impacto da água sobre o mesmo poderia haver “espirros” de combustível já inflamado, e do ponto de vista do consumo de água, exigiria volumes substanciais, principalmente sobre hidrocarbonetos (alto potencial de inflamabilidade), além de serem menos densos que a água (flutuam sobre a água). Alguns solventes, como o álcool, acetona e metanol, por serem mais compatíveis com a água, podem ter potencial de inflamabilidade, em teoria, expandido pelo aumento de volume, e assim alastrando o incêndio. Cabe salientar que os sistemas de combate a incêndio por espuma são muito usados em usinas e reservatórios de líquidos inflamáveis. Por isto, em incêndios de líquidos inflamáveis o uso de espuma mecânica é indispensável. O esquema a seguir demonstra como o baixo peso específico da espuma pode permitir que flutue sobre o combustível e assim isolando o combustível do acesso à atmosfera rica em oxigênio. Em todo incêndio com líquidos inflamáveis existe liberação de gases secundários das reações de combustão, igualmente inflamáveis, que precisam ser contidos pela espuma, e as espumas extintoras devem apresentar densidade e serem compactas de modo que não permitam a passagem destes gases para a atmosfera, evitando que haja reações em cadeia associadas. Água que compõe a espuma trabalhará como reguladora térmica, e esfriando-se o líquido conseguirá também diminuir o potencial de haver ignições espontâneas. Para o uso de espumas extintoras é necessário que se observe as limitações que apresentam. Não se recomenda que seja usada em condições em que o produto combustível esteja liquefeito sob condições de pressão e em forma de gases quando em contato do ambiente, tais como o GLP (gás liquefeito de petróleo), o butano, o propano, o butadieno, etc. Existe também o inconveniente de conduzir eletricidade, e sendo assim, não deve ser usada em equipamentos elétricos energizados. Alguns agentes extintores não podem ser misturados, mesmo que haja o objetivo de complementar a ação extintora, quando se utiliza a espuma, pois podem desenvolver produtos secundários prejudiciais à saúde. Por apresentarem em geral alta expansão, em particular, não devem ser usadas para combate de incêndios em materiais oxidantes, pois liberam significativa quantidade de oxigênio para sustentar a combustão, como, por exemplo, o nitrato de celulose. Não se recomenda o uso em incêndio em locais cujos produtos inflamáveis sejam usados para a produção de comida (óleos comestíveis e de fritura), ou que tenham proximidade com o armazenamento da mesma, pois nem sempre é possível controlar seus efeitos e muitos materiais podem se estragar. 4.5.2 - Expansão das espumas Expansão é a taxa que compreende a razão do volume de solução utilizado 202 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio para a formação da espuma e o volume de espuma formada. A solução (ou pré- mistura) pode gerar espuma de baixa, média ou alta expansão. Quanto maior a taxa de expansão, mais leve será a espuma, menor será sua capacidade de resfriamento, e menor será sua resistência. 4.5.3 Extrato Formador de Espuma (EFE) O extrato formador de substâncias químicas com concentração que permite atuar como agente espumante pode ser entendido como líquido gerador da espuma. Sua composição é que determina a sua classificação, e podem fazer parte deste líquido gerador de espuma tanto água doce como salgada, mas somente especialistas podem fazer esta determinação, em função das características locais e outros sistemas de incêndio. É desejável que o EFE tenha sua armazenagem cuidadosamente pensada, para que as temperaturas de armazenagem não recebam nem raios solares nem excedam a temperatura de 45 graus Celsius. Recomenda-se seu uso em temperatura ambiente de no máximo 27 graus, pois temperaturas mais altas podem influir negativamente sobre a concentração dos misturados, e desta forma não permitindo a formação da espuma e tampouco podendo ser garantida a qualidade da mesma. Expansão Solução Caraterística Baixa expansão Quando um 1 litro de solução produz até 20 litros de espuma. Espuma pesada e resistente, para incêndios intensos e para locais não confinados. Média expansão Quando 1 litro de solução produz de 20 a 200 litros de espuma. Espuma mais leve que a de baixa expansão e mais resistente que a de alta expansão. Pode ser usada para abafar a vaporização de produtos químicos perigosos. Alta expansão Quando 1 litro de solução produz de 200 a 1.0 litros de espuma. Sua textura é suave e uniforme e proporciona um ótimo preenchimento, permitindo que ela supere os obstáculos com facilidade. Quadro 4.4 | Expansão e principais características Fonte: Adaptado e disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAqCsAH/emprego-espuma-mecanica-no- combate-a-incendios?part=2>. Acesso em: 17 dez. 2014. 1. O que é capacidade extintora? 2. Para atuar um sprinkler é necessária a ação do homem durante o evento do incêndio? 203 U4 Equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate a incêndio A área de prevenção e combate a incêndio e pânico compreende uma das grandes áreas em que o profissional de segurança do trabalho pode atuar, como consultor, logo ao se formar, e à medida que vai ganhando experiência é capaz de desenvolver sistemas, projetos e planos preventivos. A atuação do profissional no mercado brasileiro vem encontrando terreno favorável, tanto em termos de legislação como em termos de ações fiscalizatórias. Os órgãos que regulam as atividades nas temáticas relacionadas à prevenção a combate a incêndio e pânico, nos últimos anos, estão permitindo “maturar” tanto procedimentos como legislações, aumentando o grau de exigência sobre as instituições de um modo geral. Quando se fala em combate a incêndio e pânico, é também necessário ressaltar a necessidade de continuidade de atualização da formação do profissional de segurança do trabalho, já que tem peculiaridade de atualização das tecnologias, dos procedimentos e das legislações, fazendo com que uma das principais atribuições do profissional de segurança do trabalho seja ser um investigador nato. A presente unidade tratou de uma maneira introdutória conteúdos dos equipamentos para prevenção, controle do pânico e combate incêndio mais comuns, com que o profissional de segurança do trabalho pode entrar em contato no seu dia a dia do exercício da profissão. Algumas temáticas que foram abordadas, como iluminação e portas corta-fogo, além de complementares