Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Anatomofisiologia
Modulo I: Organização e Homeostase do corpo humano
· Corpo humano em equilíbrio
O equilíbrio corpóreo é indispensável para a manutenção do corpo humano.
Durante o processo de envelhecimento ou doença, nosso corpo (ou parte dele) não consegue manter a homeostase de maneira adequada.
· Organização estrutural do corpo humano
Dependendo da dimensão das estruturas que são estudadas, a Anatomia pode ser considerada microscópica ou macroscópica.
A anatomia microscópica está relacionada ás estruturas invisíveis a “olho nu” e depende do uso de lupas, microscópios opticos e eletrônicos.
A anatomia macroscópica não depende de equipamentos para ampliação pois estuda estruturas que podem ser observadas a “olho nu”.
O principal método de estudo da anatomia é a dissecação.
O corpo humano é formado por 10 sistemas fisiológicos. São eles: sistema tegumentar, sistema musculoesquelético, sistema respiratório (pulmonar), sistema digestório (gastrintestinal), sistema urinário (renal), sistema reprodutor, sistema circulatório (cardiovascular), sistema nervoso, sistema endócrino e sistema imune.
ꟷ Células
▪ células procarióticas: são representadas pelas bactérias, não tem núcleo e são estruturalmente simples.
▪ células eucarióticas: tem núcleo, organelas, citoesqueleto (formado por filamentos de actina, filamentos intermediários e microtúbulos) e membrana plasmática.
Devido ás diferentes organelas e ás enzimas contidas nelas, as células podem realizar diferentes reações biológicas essenciais à vida.
O núcleo contém o DNA (Ácido Desoxirribonucleico), que contém informações para síntese de RNAs (Acido Ribonucleico) e proteínas do corpo humano.
Em resposta a uma sinalização extracelular, um trecho do material genético (gene) será lido e haverá a síntese de um tipo de RNA.
 Se for RNA mensageiro, poderá ser traduzido em proteína.
 Células musculares e osteoclastos e outras células tem múltiplo núcleos, enquanto as hemácias são anucleadas.
Existem regiões dentro do núcleo nas quais há um acumulo de proteínas que estão interagindo com um trecho do DNA (lendo o DNA), para formar um tipo de RNA, o RNA ribossômico.
O núcleo tem a sua membrana, o envelope nuclear (tem diversos poros por onde as moléculas passam para entrar e sair do núcleo). Esse envoltório é formado por duas membranas, cada uma constituída por uma bicamada fosfolipidica, que auxilia na manutenção da forma do núcleo e na organização do DNA.
As organelas citoplasmáticas são: reticulo endoplasmático liso e rugoso, complexo de Golgi, lisossomos, peroxissomos e mitocôndrias.
O Reticulo Endoplasmático (RE) liso: ausência de ribossomos na sua superfície. É especializado na síntese de lipídeos e seus derivados, entre eles, ácidos graxos e hormônios esteroidais.
O RE rugoso: tem ribossomos na sua superfície e é especializado na síntese, no dobramento e na glicosilaçao de proteínas.
ꟷ Tecidos
No corpo humano, há quatro tecidos básicos: tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido nervoso.
» Tecido epiteliais: revestimento e glandular
O epitélio de revestimento recobre toda a superfície externa do corpo, os tecidos epiteliais revestem o interior dos órgãos.
Suas funções são: proteção de tecidos adjacentes, transporte de moléculas, secreção e absorção de substancias, percepção de estímulos externos e controle do movimento de substancias entre os compartimentos do corpo.
O epitélio glandular é formado por células glandulares, responsável pela secreção de substancias.
» Tecido conjuntivo
Os tecidos conjuntivos tem as seguintes funções: suporte estrutural, meio para trocas de nutrientes ou resíduos, defesa e proteção do corpo e armazenamento de nutrientes.
Eles podem ser divididos em: tecido conjuntivo propriamente dito (frouxo, denso modelado e denso não modelado), tecido adiposo, tecido cartilaginoso, tecido ósseo e tecido sanguíneo.
» Tecido muscular
São responsáveis por desempenhar movimentos coordenados.
Existem três tipos: o tecido muscular estriado esquelético, o tecido muscular estriado cardíaco e o tecido muscular liso.
Se dá pela presença ou pela ausência de estrias transversais claras e escuras, que correspondem aos sarcomeros, que são unidades contrateis das células musculares.
O tecido estriado esquelético: caracteriza pela movimentação voluntaria do corpo humano.
O musculo estriado cardíaco: tem função involuntária impulsionar o sangue pelos vasos sanguíneos.
O tecido muscular liso: é outro tipo de tecido muscular involuntário. Localizado nas paredes de órgãos ocos, como vasos sanguíneos, vias respiratórias e intestino. Recebe esse nome porque seus sarcomeros se encontram desorganizados no citoplasma.
» Tecido nervoso
Funciona como uma rede de comunicação entre o corpo e o ambiente no qual ele está inserido.
É responsável pelo controle interno do corpo humano, contribuindo para a homeostasia.
É formado pelos: neurônios e pelas células da glia.
ꟷ Órgãos
Os órgãos são formados pela união dos diversos tecidos, cujas funções se complementam e permitem ao órgão desempenhar uma ou mais funções.
Os órgãos são observados a olho nu como uma unidade delimitada externamente, que tem forma, função e localização especifica.
ꟷ Sistemas
Compreendem um conjunto de órgãos relacionados, desempenhando uma função comum.
· A linguagem da anatomia
ꟷ Posição anatômica
A posição considerada anatômica é aquela na qual o individuo se encontra em pé, com os pés levemente afastados e apoiados no solo, com o pescoço ereto, o olhar dirigido para a frente, os braços levemente afastados do tronco e as palmas das mãos direcionadas para frente.
ꟷ Planos e secções
Os planos anatômicos são superfícies planas imaginarias que passam através do corpo em posição anatômica e se encontram em ângulos retos.
Os planos primários são: sagital, frontal e transversal.
»Plano Sagital: plano vertical que divide o corpo nos lados direito e esquerdo.
Caso divida o corpo em duas metades iguais ou simétricas, ele é chamado de plano sagital mediano. Se estiver deslocado para um dos lados, dividindo com o corpo em duas partes desiguais ou assimétricas, o plano de sagital paramediano.
»Plano frontal (Plano Coronal): divide o corpo em duas partes assimétricas chamadas de paquímeros. Uma secção através desse plano origina uma metade posterior ou dorsal e outra anterior ou ventral.
» Plano Transversal (ou Horizontal ou Seccional): divide o corpo em duas partes assimétricas conhecidas como metâmeros. Uma secção através do plano transversal dá origem a uma metade superior e outra inferior.
ꟷ Termos de direção e posição
A construção de planos anatômicos imaginários delimitando um corpo em posição anatômica permite a compreensão da direção e da posição que as estruturas anatômicas assumem em si.
Os termos direcionais a função é permitir a descrição sobre a posição e a orientação de uma estrutura, víscera ou parte do corpo de maneira precisa.
	Termo direcional
	Definição
	Exemplo de aplicação
	Superior ou cranial
	Acima do plano transversal
	O musculo diafragma é superior ao fígado
	Inferior ou caudal
	Abaixo do plano transversal
	A traqueia é inferior a laringe
	Anterior ou ventral
	A frente do plano frontal
	A traqueia é anterior ou ventral ao esôfago
	Posterior ou dorsal
	Atrás do plano frontal
	O coração é posterior ou dorsal ao osso esterno.
	Medial
	Mais próximo do plano mediano
	Os olhos são mediais em relação ás orelhas
	Lateral
	Mais distantes do plano mediano
	Os pulmões são laterais ao coração
Há termos que são utilizados somente para os membros superiores e inferiores como: proximal, distal, palmar e plantar.
	Termo direcional
	Definição
	Exemplo de aplicação
	Superficial ou externo
	Mais próximo da superfície do corpo
	A pele é superficial aos músculos
	Profundo ou interno
	Mais distante da superfície do corpo
	As artérias são profundas enquanto as veias são superficiais
	Proximal
	Mais próximo da origem do membro no tronco
	A coxa é proximal a perna
	Distal
	Mais distante da origem do membro do tronco
	O antebraço é distal ao úmero
	Palmar
	Face da mão voltadapara frente quando o indivíduo está em posição anatômica
	A superfície palmar está direcionada anteriormente e é oposta à superfície dorsal da mão
	Plantar
	Face do pé em contato com o solo quando o indivíduo está em posição anatômica
	A face plantar é oposta à fase dorsal do pé
Existem vários outros termos direcionais que podem ser aplicados em áreas especificas.
Na odontologia, por exemplo, são utilizados termos que descrevem as faces do dente, que dificilmente serão usados por um Fisioterapeuta.
ꟷ Cavidades do corpo
As cavidades corporais representam, em termos gerais, espaços ocos envolvidos internamente por membranas que separam e protegem os órgãos internos.
As paredes dessas cavidades e os tecidos de revestimento interno servem para conferir sustentação ás estruturas anatômicas que ocupam uma determinada cavidade.
As maiores cavidades corporais são: cavidade torácica ou tórax, a cavidade abdominal ou abdome e a cavidade pélvica ou pelve.
O tórax tem duas membranas serosas: a pleura, recobrindo os pulmões, e o pericárdio, recobrindo o coração. Na cavidade abdominal, essa membrana serosa recebe a denominação de peritônio.
A cavidade torácica inicia superiormente em um espaço do tecido conjuntivo do pescoço, através do qual passam estruturas dos sistemas respiratório, digestório, vascular e nervoso.
Ela termina inferiormente em um musculo chamado diafragma, que tem três aberturas para permitir a passagem de estruturas vasculares, nervosas e o esôfago, a partir do tórax para o abdome.
As vísceras abdominais e pélvicas estão localizadas em quadrantes, que consistem em compartimentos menores da cavidade abdominopélvica, delimitados por linhas imaginarias, duas horizontais e duas verticais, formando nove espaços, sendo três superiores, três intermediários e três inferiores.
Além dessas cavidades, há outras menores, mas de grande importância clinica, como cavidades oral, nasal, orbitais e timpânicas.
Há, ainda, a cavidade que protege o Sistema Nervoso Central, dividida em cavidades encefálica, limitada pelos ossos do crânio, e que contém o encéfalo, e o canal vertebral, formado pelas vertebras, que protege a medula espinhal.
· Homeostase: palavra-chave da fisiologia
A sobrevivência dos animais depende de sua capacidade de manter o ambiente interno do corpo em homeostase, ou seja, em equilíbrio.
ꟷ Definição
Manutenção das condições do meio interno, os trilhões de células do corpo humano que trabalham para manter a estabilidade do ambiente interno do corpo apesar das variações que ocorrem tanto externa quanto internamente.
O corpo tem dois compartimentos com fluidos, as células, com o Liquido Intracelular (LIC) e o fluido que envolve as células, o Liquido Extracelular (LEC).
O LEC está fora das células e serve como tampão entre as células e o meio externo do corpo, pois tudo que entra e sai da maioria das células passa através do LEC.
ꟷ Importância
O organismo está em constante adaptação ás variações fisiológicas.
A água é uma molécula que consegue se mover de maneira livre entre o LIC e o LEC.
Devido a esse movimento, o LIC e o LEC alcançam um estado de equilíbrio osmótico, no qual as concentrações são iguais entre os dois compartimentos.
IMPORTANTE: o LIC e o LEC está em um estado de equilíbrio osmótico e em um estado de desequilíbrio químico.
ꟷ Mecanismo de controle
O estado de equilíbrio depende da integração entre o sistema nervoso e o endócrino.
O sistema de controle da homeostasia, através do sistema nervoso, tem três componentes: componente sensorial ou aferentes, integradores e motores ou eferentes, ou seja, um sinal de entrada, um controlador (ou centro integrador) e um sinal de saída que produz resposta.
Pode-se dizer que o mecanismo de controle funciona por mecanismo de retroalimentação, vez que age de acordo com a informação recebida pelo sistema nervoso.
ꟷ Desequilíbrio homeostático
Uma condição ou estimulo que rompe o equilíbrio homeostático do corpo é considerada um agente estressor e pode resultar em um estado de desequilíbrio, evoluindo para uma situação de doença.
Compreende-se facilmente quando o agente estressor tem origem externa (calor, frio, umidade e claridade). Contundo, a compreensão passa a ser mais complexa quando a ameaça é interna (pressão arterial, volume e conteúdo química dos líquidos corporais).
· Nutrição e metabolismo
As substancias orgânicas e inorgânicas estão dispersas no LIC. As substancias orgânicas compreendem os aminoácidos, as proteínas, os carboidratos e os lipídeos.
Algumas substancias inorgânicas presentes no LIC são sódio (Na), potássio (K), cloro (Cl) e cálcio (Ca2+).
Esses componentes estão em constante movimentação através da membrana plasmática, uma vez que a célula necessita dessas substancias para seu metabolismo.
ꟷ Componentes inorgânicos
Os elementos sódio, fosforo, cobre, potássio, cálcio, ferro, zinco, magnésio e nitrogênio, entre outros, desempenham funções essenciais dentro e fora das células.
Os componentes inorgânicos, são fundamentais para manter a homeostasia do corpo humano e alguns deles são vitais. 
Os elementos em vermelho representam 99% do total do numero de atomos presentes no corpo humano. 
A falta desses atomos pode acarretar problemas de saude, como a deficiencia de ferro.
ꟷ Componentes organicos
Para manter o corpo e, consequentemente, os sistemas, orgaos, tecidos e as celulas saudaveis, é necessaria a ingestao balanceada de nutrientes organicos e vitaminas.
Carboidratos, proteinas e lipideos fazem parte do grupo desses componentes organicos essenciais para a sobrevivencia.
A glicose, um carboidrato, é a primeira fonte de enrgia para a celula e pode ser estocada na forma de glicogenio e utilizado durante os periodos de jejum.
Proteinas são fontes de aminoacidos que tambem podem ser utilizados como fonte de energia.
Os lipideos: armazenam energia.
Os acidos graxos: é uma fonte importante de energia para celulas e tecidos.
ꟷ Transporte celular
A membrana plasmática permite a passagem de solutos orgânicos e íons, principalmente, através de proteínas.
Os principais constituintes são os lipídeos (fosfolipídeos e colesterol), proteínas e carboidratos, unidos a proteinas e a lipídios (glicoproteínas e glicolipídios).
A variedade e composição das proteínas da membrana determinam a função da célula.
» Proteínas periféricas de membrana: estão inseridas na camada lipídica, mas não atravessam a bicamada.
» Proteínas integrais de membrana: atravessa inteiramente a bicamada, responsável pelo transporte de substancias entre o LIC e o LEC.
O transporte através da membrana pode ser dividido em duas categorias:
▪ Transporte passivo: não há gasto de energia. A difusão é simples, caracterizada pela movimentação de solutos lipossolúveis, pequenos e apolares através da membrana plasmática.
Os solutos passam do lado mais concentrado para o menos concentrado, sem auxílio de canais transmembranares.
 » Difusão facilitada: outras substancias polares não conseguem passar diretamente pela camada fosfolipidica. Elas precisam atravessar por canais, formados por proteínas.
▪ Transporte ativo: se caracteriza pela utilização de moléculas de Adenosina Trifosfato (ATP) para mover uma molécula de um lado para outro na membrana.
Necessita de uma proteína que funcione como canal de passagem.
Essas proteínas são chamadas de bombas, porque movem o soluto contra o gradiente de concentração. Um exemplo de bomba é a bomba de sódio e potássio (Na+/K+).
Durante o processo de transporte, mais de um elemento pode atravessar a membrana, por meio de canais proteicos.
Uniporte: quando um elemento é transportado através da membrana.
Sinporte: quando duas ou mais substancias são transportados pela membrana simultaneamente para o mesmo lado.
Antiporte: quando um composto é levado para um lado enquanto o outro é carregado no sentido oposto simultaneamente.
/
ꟷ Produção de energia
A energia, essencial para manter as células vivas, é produzida a partir da oxidação de nutrientes como carboidratos, proteínas e lipídios, em uma sequência de reações degradativa.
Essa fasede produção de energia é denominada catabolismo.
Outras vias metabólicas utilizam a energia liberada durante o catabolismo para produzir moléculas mais complexas.
Dessa forma, as células podem sintetizar suas próprias proteínas, peptídeos, aminoácidos, glicogênio e ácidos graxos.
Essa sequência de reações de síntese de moléculas maiores é chamada de anabolismo. Ambos, catabolismo e anabolismo, fazem parte do metabolismo celular e tem em comum um elo importante: o ATP.
Modulo II: Sustenção e movimento do corpo
· Sistema Esquelético
Além de função de sustentar e de movimentação, os ossos também desempenham um papel fisiológico importante na produção de células sanguíneas.
No interior de determinados ossos, há um tecido conjuntivo chamado de medula óssea, que é responsável pela produção de células sanguíneas.
Função: proteção, homeostasia mineral e armazenamento de triglicerídeos no tecido adiposo.
Não é uma estrutura inerte e estática.
O mineral que predomina na estrutura óssea é a hidroxiapatita, cuja formula é Ca10(PO4)6(OH)².
O cálcio e o fosfato depositado no tecido ósseo auxiliam em uma enorme quantidade de reações fisiológicas, como a contração muscular, a transmissão de impulsos nervosos e a coagulação sanguínea.
· Fisiologia do tecido ósseo
O tecido ósseo é dinâmico e muda constantemente de forma durante o crescimento e o desenvolvimento do esqueleto.
Os ossos são duros o suficiente para suportar pressões externas, mas, ao mesmo tempo, tem certa flexibilidade devido ás fibras de colágeno.
Entre as células encontradas no tecido ósseo, algumas merecem maior atenção devido a suas funções como os osteoblastos e osteoclastos.
	Células
	Função
	Osteoblastos
	Secreta fibras colágenas sobre as quais estão depositados os minerais, ou seja, formam a matriz óssea.
	Osteoclastos
	Reabsorvem e remodelam a matriz óssea.
Quando um osso é cortado, é possível identificar dois padrões de arranjo:
● o osso compacto, que tem uma camada densa e compacta na parte externa do osso;
● o osso esponjoso, que consiste em uma rede semelhante a uma esponja, que corresponde ás trabéculas visualizadas no interior do osso. Os espaços dentro das trabéculas são contínuos e são ocupados, no osso vivo, pela medula óssea.
> crescimento do tecido ósseo
O crescimento dos ossos requer hormônios apropriados, proteínas e cálcio. A matriz óssea é uma parte essencial do tecido ósseo, sendo constituída de uma matriz extracelular calcificada formada por cristais de fosfato de cálcio que se precipitam sobre uma rede constituída por colágeno.
· Classificação dos ossos
A classificação dos ossos é feita com base em sua forma. Eles podem ser classificados em: curtos, planos, sesamoides, longos e irregulares.
Ossos curtos: um centro de osso esponjoso recoberto por uma camada cortical fina de osso compacto. Ex. ossos do carpo (compõem a mão) e do tarso (que compõem o pé).
Ossos planos: são finos, e sai espessura compreende uma camada media de ossos esponjosos, chamada de díploe, revestida em ambos os lados por uma camada fina de osso compacto, que são as laminas interna e externa. Ex. osso do crânio.
Ossos sesamoides: tem a forma de gergelim (semestre do sésamo), desenvolvem-se no trajeto de tendões para impedir a fricção do tecido fibroso sobre proeminências ósseas.
Estruturalmente são divididos em duas extremidades chamadas de epífises. Há a diáfise que constitui o corpo do osso, sendo uma parte longa e cilíndrica.
Há as metáfises que são regiões entre a diáfise e as epífises. Externamente, as epífises apresentam acidentes anatômicos que se adaptam ás epífises de outros ossos para estabelecer as articulações.
Ossos irregulares: são os osso que não pertencem ás categorias citadas anteriormente. Ex. ossos da face e as vertebras.
O conjunto de ossos que formam nosso esqueleto, podem ser classificados em dois tipos: esqueleto axial e esqueleto apendicular.
· Esqueleto axial
É representado pelo conjunto de ossos que forma o eixo central do corpo. Portanto, os ossos que fazem parte do esqueleto axial são os ossos da cabeça, hioide, ossículos da audição, as vértebras, o esterno e as costelas.
As vertebras compõem a coluna vertebral, que se divide nos segmentos: cervical, torácico, lombar e sacral.
As vertebras são denominadas com letra do segmento em maiúscula, seguida de seu número.
A coluna vertebral adulta, normalmente, tem 26 vertebras, distribuídas da seguinte forma: 7 vertebras cervicais, 12 vertebras torácicas, 5 vertebras lombares, 1 sacro (consiste em 5 vertebras sacrais fundidas) e 1 cóccix (composto por 4 vertebras coccígeas fundidas).
· Esqueleto apendicular
Está representado pelos membros inferiores e superiores, além dos ossos do cíngulo pélvico e cíngulo escapular.
Os membros superiores se dividem em braço, antebraço e mão.
O esqueleto da mão humana é subdivido em três regiões: o carpo, com 8 ossos, o metacarpo, com 5, e as falanges, com 14 ossos.
Todos os dedos, com exceção do dedo I, conhecido popularmente como polegar, tem 3 falanges: falange proximal, falange media e falange distal.
Chegando aos membros inferiores, o cíngulo pélvico é formado pelos três ossos do quadril: ílio, púbis e ísquio.
O fêmur é o maior osso do corpo humano.
Os côndilos do fêmur são superfícies arredondados, os da tíbia são planos.
Essas superfícies articulares seriam incompatíveis se não houvesse os meniscos, que são discos de fibrocartilagem também classificados em lateral e medial.
Os ossos da perna são a tíbia (medial) e a fíbula (lateral). Na extremidade distal da tíbia, há uma projeção óssea denominada maléolo medial, facilmente palpável no tornozelo.
A fíbula, por sua vez, é um osso mais delgado, que garante sustentação á tíbia.
· Sistema articular
A despeito da fragilidade das articulações quando comparadas aos ossos, suas estruturas permitem movimentos complexos capazes de resistir a grande grau de tração e compreensão.
A resistência das articulações depende de vários fatores, sendo um deles o tecido que une as superfícies articulares, permitindo ou não a mobilidade entre elas.
 O sistema articular é classificado de acordo com a anatomia e a fisiologia. A classificação baseada em aspectos anatômicos considera a estrutura, ou seja, a classificação estrutura se baseia no tecido que se interpõe as superfícies articulares.
O sistema articular também pode ser classificado considerando o grau de mobilidade observado entre as superfícies articulares, abordagem que chamamos de classificação funcional ou fisiológica.
De acordo com os aspectos morfológicos, as superfícies articulares podem ser unidas por tecido fibroso, cartilaginoso ou liquido, também chamado de sinóvia.
Considerando essa classificação funcional, temos as articulações imóveis, semimóveis e moveis, respectivamente.
· Articulações fibrosas
O tecido que se interpõe ás superfícies articulares é conjuntivo fibroso e, por isso, confere pouco ou nenhum movimento ás articulações.
Sendo assim, as articulações fibrosas podem ser consideradas imóveis, com base em seu grau de mobilidade.
A restrição do movimento é determinada pelo comprimento das fibras de tecido conjuntivo que unem os ossos e dará origem a três tipos de articulações fibrosas: saturas, sindesmoses e gonfoses.
Suturas são observadas somente os osso do crânio e da face dos adultos.
Durante a vida fetal, os ossos do crânio e da face são ilhas de tecido ósseo unidos por ligamentos longos que permitem uma razoável mobilidade entre os ossos da cabeça para favorecer a passagem do feto pelo canal do parto.
Depois do nascimento, é possível, ainda, sentir a presença dos fontículos. Contundo, com o passar do tempo e com a ossificação intramembranosa, esses ligamentos se tornam cada vez mais curtos.
Passam a ser observadas como linhas suturais em um crânio que completou seu desenvolvimento.
As suturas recebem denominação especificas conforme sua localização, o formato das bordas dos ossos ou pela composição dos nomes dos ossos que se articulam.
Além das suturas, as articulações fibrosas também são representadas pelas sindesmoses,onde os ossos são unidos por feixes de fibras mais longas que aquelas observadas nas suturas.
· Articulações cartilaginosas
As articulações cartilaginosas são chamadas assim quando os ossos são unidos por cartilagem.
Essas articulações podem ossificar ao longo do desenvolvimento, sofrendo um processo conhecido como sinostose, ou podem permanecer durante toda a vida conferindo mobilidade parcial á articulação.
As articulações cartilaginosas dividem-se em sincondroses e sínfises.
As articulações cartilaginosas são conhecidas como semimóveis.
Sincondroses: são placas de cartilagem hialina que unem as epífises proximal e distal com a diáfise dos ossos longos.
Essas placas de cartilagem são chamadas de placas ou discos epifisários e promovem o crescimento dos ossos longos no sentido do seu comprimento.
O processo de sinostose inicia com a liberação dos hormônios sexuais na puberdade.
Sínfises: as superfícies articulares estão unidas por um disco de fibrocartilagem, cuja função é conferir resistência aliada à flexibilidade.
· Articulações sinoviais
Nas articulações sinoviais, as superfícies articulares estão separadas por um espaço chamado de cavidade articular, que se encontra preenchido por liquido sinovial ou sinóvia.
Essas articulações são denominadas moveis e as peças articulares são mantidas unidas por uma capsula articular, em alguns casos, por ligamentos.
Algumas articulações sinoviais contam com componentes considerados acessórios como ligamentos, meniscos, discos, bainhas e bolsas sinoviais.
· Movimentos articulares
Podem ser classificados de acordo com a morfologia das faces articulares ou de acordo com o numero de possibilidades de movimentos, determinado pelo eixo do movimento.
Podem ser classificadas em:
● articulações nas quais o movimento ocorre em volta de um eixo único;
● articulações cujo movimento ocorre em volta de dois eixos;
● articulações cujo movimento ocorre ao redor de três eixos de movimento.
Modulo III: Sistema muscular e estruturas associadas
· Sistema muscular
Os movimentos do esqueleto humano dependem essencialmente dos músculos. Há três tipos de tecido muscular: o musculo esquelético, o musculo liso e cardíaco.
Musculo esquelético: se encontram unidos aos ossos do esqueleto, possibilitando estes músculos controlarem os movimentos do corpo. Auxilia na manutenção da postura corporal, no retorno venoso ao coração e manutenção da temperatura corporal, considerado um musculo de contração voluntaria.
Musculo cardíaco: forma o miocárdio e é responsável pela contração do coração. Contração involuntária.
Musculo liso: é encontrado nos órgãos e estruturas tubulares internas, como vasos sanguíneos e estomago. Sua principal função é proporcionar a contração dessas estruturas, possibilitando a movimentação de substâncias no lúmen destes órgãos. Contração involuntária.
A principal característica das fibras musculares esqueléticas e cardíacas é a presença de estrias, que são faixas claras e escuras formadas por proteínas, chamada de sarcomeros. Essas estruturas são visíveis apenas no microscópio. Em contrapartida, o musculo liso não apresenta as bandas transversais evidentes nos músculos estriados.
· Organização estrutural dos músculos esqueléticos
Os músculos esqueléticos estão presos em, pelo menos, dois locais no esqueleto. Dessa forma, um desses locais é denominado origem do musculo e outro é chamado de inserção do musculo. A origem é o local de fixação do músculo no osso que não se movimenta durante a contração muscular. O local de inserção, ou seja, o ponto de fixação no osso que se movimenta durante a contração.
Durante a contração muscular o esqueleto pode ser movimentar, se os ossos estiverem fixados a um musculo, que estão conectados por uma articulação móvel. Dessa maneira, o musculo pode ser chamado de flexor, e o movimento de flexão, se a região central dos ossos se aproximam quando o musculo contrai. Em contrapartida, o musculo será chamado de extensor e o movimento de extenso, quando os ossos se afastam quando o musculo contrai.
O musculo esquelético trabalha como uma unidade, sendo formado por um conjunto de células musculares (fibras musculares). Uma fibra muscular esquelética corresponde a uma célula longa e cilíndrica, que possui vários núcleos na periferia da fibra. Essas células se originam da fusão de diversas células musculares embrionários, por isto são multinucleadas. Além das células musculares, há no tecido muscular células-tronco comprometidas, chamadas células satélites, dispostas paralelamente ás fibras musculares. As células satélites podem se diferenciar em células musculares, quando necessária, fornecendo crescimento e reparo muscular.
Cada fibra muscular é recoberto individualmente por tecido conjuntivo chamado endomísio. O conjunto de fibras musculares é separado pelo perimísio e, finalmente, o musculo é recoberto pelo epimísio. A parte cárnea do musculo, que fica entre os tendões de origem e de inserção, é denominada ventre muscular.
A fibra muscular é recoberta por uma membrana plasmática, chamada de sarcolema.
O citoplasma das fibras musculares é chamado de sarcoplasma, onde é possível observar feixes organizados de proteínas paralelas que são responsáveis pela contração, chamados de miofibrilas.
As miofibrilas são formadas por diversos tipos de proteínas que ocupam quase todo o volume do sarcoplasma. Essas proteínas estão organizadas em estruturas contrateis repetidas, chamada de sarcomeros. As proteínas que formam as miofibrilas são miosina (filamentos grossos), microfilamentos de actina (filamentos finos) e proteínas acessórias: titina e nebulina.
As moléculas de actina e miosina formam um arranjo de filamentos finos e grossos que estão paralelos e sobrepostos. A partir da linha Z, saem os filamentos finos (actina), que se estendem até o início da banda H. os filamentos grossos (miosina) estão na região central do sarcomero. Dessa maneira, a banda I é formada por filamentos finos; a banda A é formada por filamentos finos e grossos; e a banda H, somente por filamentos grossos.
· Fisiologia da contração e relaxamento muscular
O movimento de contração e relaxamento muscular é desempenhado individualmente pelas fibras musculares estimuladas por impulsos nervosos conduzidos por neurônios motores. O ponto de união entre o neurônio motor e todas as fibras musculares por ele inervada é denominado unidade motora. A região (sinapse) entre um neurônio motor somático e uma fibra muscular esquelética é chamada de junção neuromuscular. A junção neuromuscular tem três componentes: (1) o terminal axonal pré-sináptico do neurônio motor, contendo vesículas sinápticas; (2) a fenda sináptica; e (3) a membrana pós-sináptica da fibra muscular esquelética. A fenda sináptica, neurotransmissores, chamados de acetilcolina (Ach), são liberados e transmitem o impulso nervoso que culmina com a contração muscular.
Mecanismo de contração muscular: após um impulso nervoso (vindo do sistema nervoso), chega no terminal axônico, as vesículas contendo Ach se fundem com a membrana do terminal pré-sináptico do neurônio motor, liberando a Ach.
A acetilcolina na fenda sináptica se liga a receptores, chamados de receptor colinérgico nicotínico, abrindo um canal para cátions monovalentes (Na+ e K+). O influxo de Na+ leva a despolarização da fibra muscular, que é transmitida ao reticulo sarcoplasmático pelos túbulos T, provocando a abertura de canais de cálcio ao longo do reticulo sarcoplasmático. O cálcio se difunde para o sarcoplasma e se liga, reversivelmente, a proteína troponina C. A troponina C ligado ao cálcio desloca a tropomiosina, afastando-a dos sítios de ligação da miosina na actina G. as cabeças da miosina expostas ligam-se fortemente á actina e executam o movimento de força, puxando o filamento de actina.
· Músculos da cabeça e pescoço
Os músculos do pescoço atuam na manutenção da postura da cabeça e trabalha de tal forma que podem auxiliar na estabilização das vertebras cervicais e na estabilização da língua, por intermédio do osso hioide
· Músculo do tronco e membrosOs músculos do tronco podem ser subdivididos em músculos do abdome e músculos do tórax. Os músculos do tórax, inseridos nas costelas, estão envolvidos em seus movimentos coordenados de elevação e abaixamento, contribuindo para a respiração. Esse processo é auxiliado pelo diafragma, que é o musculo mais importante da inspiração e tem a função de ampliar a cavidade torácica, aumentando a capacidade respiratória, o que denominamos respiração abdominal.
Músculos profundos da coluna cervical auxiliam no correto posicionamento das vertebras e na fixação dos membros ao tronco. Os músculos dos membros, tanto superiores quanto inferiores, estão envolvidos em atividades de locomoção e sustentação do esqueleto.
· Estruturas associadas
ꟷ Elementos acessórios das articulações sinoviais
Auxiliam no movimento articular, tais como discos e meniscos articulares. Discos são constituídos de tecido conjuntivo denso e cartilagem e estão unidos á capsula articular dividindo a cavidade articular em um compartimento supradiscal e outro infradiscal. Suas funções principais são: absorver forças compressivas que incidam sobre a articulação e ajustar a articulação durante os movimentos.
Meniscos são encontrados na articulação do joelho, interpondo-se entre as faces ósseas articulares. A deformação fisiológica dos meniscos permite que dois ossos com formatos diferentes se encaixem perfeitamente, auxiliando na manutenção da estabilidade da articulação. Outro elemento acessório importante são os corpos adiposos, que permitem grandes movimentos articulares, uma vez que se movem para dentro e para fora das articulações, preenchendo espaços durante o movimento articular. Finalmente, a articulação sinovial é estabilizada por ligamentos que reforçam a estrutura da capsula e limitam os movimentos.
ꟷ Tendões e ligamentos
Os tendões são compostos por tecido fibroso denso que conecta fortemente músculos e ossos ou músculos e cartilagens. O conjunto de fibras musculares formam um fascículo muscular, envolvido pelo perimísio. Já o conjunto de fascículos formam o musculo, que envolvido pelo epimisio.
Alguns tendões são envolvidos por tubos de tecido conjuntivo fibroso, chamados de bainhas tendíneas, cujo objetivo é reduzir o atrito durante o movimento dos tendões.
Ligamentos são formados por fibras colágenas condensadas que participam da articulação e conexão entre os ossos. Podem ser classificados em: ligamentos intra-articulares, que fica no interior das articulações. Ligamentos extra articulares, que estão fora das articulações. 
Os ligamentos são responsáveis pelo reforço e contenção da articulação e pela limitação do movimento, contribuindo para preservar as articulações.
ꟷ Aponeuroses
Quando um tendão é plano, ele é denominado de aponeurose. Possui a mesma função de tendão, mas com forma diferente, pois os tendões são cilíndricos, enquanto que aponeuroses são laminares.
ꟷ Fáscias
O verdadeiro elemento de sustentação dos músculos são as fáscias.
Elas são membranas fibrosas e elásticas que envolvem os músculos esqueléticos e permitem a passagem de vasos e nervos. Fáscias auxiliam também na sustentação e manutenção dos órgãos em seus lugares.
Podem ser classificadas em: fáscias superficial, que é uma lamina de tecido fibroso que se comunica diretamente com a pele, isolando-a; fáscias profunda, envolve, separa e fixa os músculos esqueléticos nos ossos.
Modulo IV: Nutrição de células e tecidos
· Nutrição de células e tecidos – circulação sanguínea
As células que formam os tecidos do corpo humano exercem diversas funções complexas, as quais demandam consumo de energia, proveniente do metabolismo do oxigênio. Dessa maneira, para funcionamento ideal dos sistemas que formam nosso corpo, os nutrientes fornecidos após o processo de digestão devem chegar ás células.
O sistema cardiovascular, constituído pelo coração, sangue, vasos sanguíneos e suas ramificações, conectam as partes mais distantes do corpo. Esse sistema se encarrega de captar e distribuir os nutrientes e oxigênio que as células precisam, por meio do sangue. O sangue se mantem em movimento, numa rota circulatória entre os sistemas, pela ação bombeadora do coração.
· Sangue
A principal função do sistema circulatório é fazer o transporte de substancias para todas as partes do corpo. Os elementos são transportados através do sangue, podendo ser dividido em: (1) nutrientes, (2) moléculas que movem de uma células para outra e (3) resíduos que as células eliminam.
O sangue é um tipo de tecido conjuntivo, sendo composto de elementos celulares em suspensão e uma matriz fluida, chamada de plasma. O sangue conecta os órgãos, transportando e distribuindo substancia entre eles.
ꟷ Plasma e elementos figurados
O sangue é constituído pelo plasma, que é a parte liquida, e pelas células em suspenção, denominadas glóbulos sanguíneos (elementos figurados). Cerca de 45% do sangue corresponde aos elementos figurados e 55% ao plasma.
O plasma é incolor, ligeiramente amarelado e possui viscosidade e densidade maiores do que da água. Essa porção do sangue contem outros solutos, como nutrientes, eletrólitos, enzimas, hormônios e gases. Além dessas substancias, também é possível encontrar produtos residuais do metabolismo, que devem ser excretados pelos rins, como ureia, ácido úrico, creatinina e amônia.
As principais proteínas encontradas no sangue são produzidas pelos hepatócitos, que são as principais células do fígado. As proteínas plasmáticas sintetizadas pelos hepatócitos são as albuminas, globulinas e fibrinogênio. As albuminas são as menores e mais abundantes proteínas do plasma sanguíneo e exercem a função de transporte do hormônio esteroides e ácidos graxos. Já as globulinas podem se apresentar de duas formas: a primeira é como imunoglobulinas, também conhecidas como anticorpos, que atuam como parte de nosso sistema de defesa atacando vírus, bactérias e qualquer substancias consideradas como estranhas, chamadas de antígenos; a segunda é como globulinas de transporte, conduzindo lipídio, hormônios, ferro, íons e vitaminas lipossolúveis. O fibrinogênio é uma proteína encontrada em menor quantidade no plasma e está relacionada á coagulação sanguínea.
Os elementos figurados do sangue são as células vivas chamadas de hemácias ou eritrócitos (glóbulos vermelhos) e os leucócitos (ou glóbulos brancos).
ꟷ Série branca e vermelha
Os glóbulos vermelhos (hemácias) e os glóbulos brancos (leucócitos) formam as series vermelha e branca, respectivamente.
Os eritrócitos são células anucleadas, que perdem seus núcleos antes de deixarem a medula óssea e entrarem na circulação sanguínea. Os eritrócitos desempenham um papel central no transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos e de dióxido de carbono dos tecidos para os pulmões. Essas células recebem o nome de glóbulos vermelhos porque possuem grande quantidade de hemoglobina, que é a proteína transportadora de gases, cujo pigmento confere a cor vermelha ao sangue.
A porcentagem de hemácias no volume total de sangue é denominada hematócrito. O hematócrito normal de um homem adulto sadio é em torno de 40 a 54% e o de uma mulher fica entre 38 e 46%. Alterações nesse índice podem interferir no transporte de substancias, uma vez que um hematócrito muito baixo num volume sanguíneo normal pode significar anemia. Nesse quadro, haverá a redução da capacidade de transporte de oxigênio. Em contrapartida, um hematócrito muito alto indica policitemia, que pode causar obstrução de pequenos vasos sanguíneos.
Os glóbulos brancos (ou leucócitos) são encontrados em pequena quantidade no sangue e em grande quantidade nos tecidos. Eles agem durante processos infecciosos ou inflamatórios decorrente de alguma lesão. Os leucócitos podem agir fagocitando (captando e ingerindo) patógenos, células cancerosas e restos celulares ou desencadeando uma resposta imune. Dessa maneira, os leucócitos devem deixar a corrente sanguínea e emigram para os pontos de inflamação ou infecção (diapedese), sendo atraídos por substancias químicas (citocinas e quimiocinas) que podem ser liberadas porbactérias ou durante os processos inflamatórios.
Os leucócitos são divididos em duas categorias: granulócitos, que apresentam grânulos quando vistos ao microscópio óptico, e os agranulócitos, cujos grânulos citoplasmáticos são em pequena quantidade e não reagem aos corantes, por isso não aparecem numa imagem de microscopia óptica.
Os leucócitos granulócitos são de três tipos: neutrófilos são células moveis e fagocitárias; eosinófilos atuam em reações alérgicas e combatem vermes parasitas; basófilos também atuam nos processos alérgicos, mas liberando substancias que aumentam a resposta inflamatória.
Os agranulócitos são os monócitos e linfócitos. Os monócitos se desenvolvem na medula óssea, circulam na corrente sanguínea por alguns dias e depois se deslocam para os tecidos, onde recebem o nome de macrófagos e que, como os neutrófilos, agem fagocitando. Por fim, os linfócitos podem ser do tipo linfócitos T, que destroem patógenos, e os linfócitos B, que produzem anticorpos.
ꟷ Hemostasia
Lesões da parede vasos sanguíneos permitem o extravasamento e perda de volume circulante de sangue com consequências graves e até fatais. Para que isso não aconteça, o organismo desencadeia um conjunto de mecanismos fisiológicos para deter a hemorragia: a hemostasia.
Basicamente, três tipos respostas para minimizar a perda sanguínea são ativadas: vasoconstrição (diminuição do calibre do vaso), formação de tampão plaquetário e coagulação do sangue.
· Bomba cardíaca e vasos da base
ꟷ Morfologia externa do coração
Ele ocupa um espaço da cavidade torácica denominado mediastino médio, situado entre os dois pulmões, atrás do osso esterno e por cima do musculo diafragma. Além disto, o coração esta contido dentro de um saco fibroso que protege: o pericárdico.
O coração possui três camadas, são elas: epicárdio, miocárdio e endocárdico.
ꟷ Câmaras cardíacas
O coração é constituído de musculo estriado cardíaco, denominado miocárdio, com a capacidade de relaxar (diástole) para receber os volumes sanguíneos que chegam e de contrair (sístole), para impulsionar e ejetar esses volumes no sentido circulatório.
O coração é subdividido em quatro cavidades ou câmaras cardíacas. As duas câmaras superiores são o átrio direito (AD) e o átrio esquerdo (AE) atuam como captadoras de sangue. As duas câmaras inferiores são o ventrículo direito (VD) e o ventrículo esquerdo (VE) agem como ejetoras. Uma película chamada de endocárdico reveste internamente cada câmara e forma estruturas especiais chamadas de valvas.
ꟷ Valvas cardíacas e importância fisiológica
As valvas cardíacas, constituídas de endocárdico e formadas por pequenas partes denominadas válvulas, permitem que o sangue passe no sentido da circulação e impedem que haja retorno (refluxo), o que comprometeria a eficiência circulatória.
Duas valvas estão localizadas no septo que divide os átrios do ventrículos, por isso, são denominadas valvas atrioventriculares. O coração humano possui quatro valvas, são elas: valva atrioventricular direita, valva atrioventricular esquerda, valva pulmonar e valva aórtica.
ꟷ Vasos da base cardíaca
Os vasos da base cardíaca englobam as veias que trazem sangue do pulmão e de outras partes do corpo e as artérias da base, que realizam o caminho inverso.
As veias cavas superior e inferior desembocam o sangue das partes superiores e inferiores do corpo, respectivamente, no átrio direito do coração. Esse sangue tem baixo teor de oxigênio porque esse gás foi utilizado pelas células para realização de suas funções.
As veias pulmonares desembocam o sangue no átrio esquerdo, sendo que duas vem do pulmão direito e outras duas do esquerdo. Esse sangue é rico em oxigênio, que foi captado nos alvéolos durante a hematose, e por isso possui uma pressão parcial de oxigênio alta.
· Atividade intrínseca do coração
A inervação intrínseca é capaz de gerar os batimentos cardíacos, propaga-los e mantê-los sem intervenção externa do sistema nervoso. Dessa forma, o coração pode continuar batendo mesmo em situação de coma ou de morte cerebral.
Essa inervação é composta por um conjunto de estruturas, sendo elas: (1) o nó sinoatrial (AS) ou marcapasso, a partir de onde partem fibras de condução atrial; (2) o nó atrioventricular (AV); (3) o fascículo atrioventricular (ou feixe de His); (4) ramo direito e esquerdo do fascículo atrioventricular e (5) ramos subendocárdicos (fibras de Purkinje).
ꟷ Marcapasso cardíaco
Localizado no átrio direito, perto da desembocadura da veia cava superior, existe uma estrutura especial constituída de um grupo de células autoexcitáveis, denominada nó sinoatrial. Ele tem a capacidade de gerar o impulso eletroquímico ou potencial de ação que percorre os componentes da inervação intrínseca e determina os batimentos alternados dos átrios e ventrículos.
As células autoexcitáveis possuem uma capacidade de gerar potencial de ação espontaneamente, por causa do seu potencial de membrana instável.
A velocidade na qual as células marco-passo despolarizam determina a frequência com que o coração contrai (a frequência cardíaca). O intervalo entre os potenciais de ação pode ser modificado pela alteração da permeabilidade das células autoexcitaveis para diferentes íons, modificando a duração do potencial marca-passo.
ꟷ Atividade elétrica do musculo cardíaco
O potencial de ação gerado pelo nó sinoatrial é conduzido por fibras atriais. Posteriormente, o potencial se espalha pelos dois átrios, produzindo sua contração, e chega ao nó atrioventricular, situado no septo interatrial. Nesse local, sofre uma desaceleração que permite ao sangue dos átrios fluir para os ventrículos.
A condução de potenciais de ação pelas paredes do miocárdio, no sentindo dos átrios para os ventrículos, gera correntes elétricas que podem ser captadas por eletrodos colocados sobre a pele. O registro dessas correntes gera um traçado de ondas-padrão de normalidade.
ꟷ Controle neural do coração
Embora o coração consiga manter seus batimentos com sua inervação intrínseca, ele também está sob controle do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), que comanda o funcionamento de todos os órgãos do corpo humano. Essa inervação é chamada de extrínseca porque o controle é feito externamente ao coração.
Dois componentes da inervação extrínseca agem produzindo respostas geralmente opostas nos órgãos: o sistema nervoso parassimpático e o sistema nervoso simpático, que tem o papel de adequar os batimentos cardíacos ás circunstancias que o corpo humano passa. Situações que demandam gasto energético, como aumento da atividade física e respostas emocionais intensas, ativam o sistema nervoso simpático, liberando adrenalina ou noradrenalina, que aceleram os batimentos cardíacos (taquicardia) e aumenta a força de contração do miocárdio. Situações que favorecem a reposição energética, como digestão e repouso, ativam o sistema nervoso parassimpático, liberando acetilcolina, que diminui a frequência cardíaca (bradicardia).
· Rotas circulatórias
O sangue percorre nosso corpo por duas rotas circulatórias principais, que formam a circulação sistêmica (ou grande circulação) e circulação pulmonar (ou pequena circulação).
A circulação sistêmica tem como função conduzir sangue com alta pressão parcial de oxigênio para os tecidos, com o objetivo de oxigena-los.
A circulação pulmonar tem a função de conduzir o sangue aos pulmões para captar oxigênio e expelir o dióxido de carbono.
 
Mostra as rotas percorridas pelo sangue oxigenado (em vermelho) e desoxigenado (em azul).
ꟷ Aorta e principais ramos
A artéria aorta é a artéria de maior calibre do corpo humano e possui quatro porções:
Porção ascendente: originam-se as artérias coronárias (direita e esquerda) que irrigam o coração.
Arco (ou cajado): saem as artérias carótidas comuns (direita e esquerda), que irrigam a cabeça e artérias subclávias, responsáveis por mandar o sangue para os membros superiores e parte do encéfalo.
Porção descendente torácica: dá origem ás artérias brônquicas, esofágicas, pericárdicas e frênicas.
Porção descendente abdominal: derivam as artérias hepáticas, gástricas,esplênicas, mesentérica superior, renais, gonadais e mesentérica inferior.
Os principais ramos de algumas das artérias:
· Artéria coronária direita: ramo marginal direito e o descendente posterior ou interventricular posterior;
· Artéria coronária esquerda: ramos descendentes anterior, lateral, marginal esquerdo e circunflexo;
· Artéria coronária comum: artéria carótida externa (irriga a face) e artéria carótida interna (irriga parte do encéfalo);
· Artéria subclávia: artérias axilar, braquial, radial, ulnar, dos arcos palmares e digitais. Também origina a artéria vertebral, que irriga o encéfalo juntamente com a artéria carótida interna;
· Porção descendente abdominal da artéria aorta: artérias ilíacas comuns direita e esquerda, que se bifurcam em artérias ilíacas interna e externa (direita e esquerda);
· Artéria ilíaca interna: artérias que irrigam órgãos e paredes da pelve;
· Artéria ilíaca externa: artérias que irrigam os membros inferiores: artérias femoral, poplítea, tíbia anterior, tíbia posterior, fibular, artérias do arco do pé e artérias digitais.
Toda essa rede de ramificações da aorta transporta o sangue que foi bombeado até os capilares, onde ocorre a captação de oxigênio pelas células e de dióxido de carbono pelo sangue. Esse sangue deve, então retornar ao coração para ser novamente bombeado, o que acontece por meio das veias sistêmicas que vão se formando a partir da rede capilar.
ꟷ Retorno venoso
Três mecanismos influenciam o retorno venoso: as contrações ventriculares, principalmente do ventrículo esquerdo; as contrações dos músculos esqueléticos, que comprimem as veias periféricas; e a bomba respiratória.
As veias geralmente recebem o nome das artérias que as acompanham conduzindo o sangue no sentido contrário. As artérias conduzem o sangue oxigenado e as veias, desoxigenado.
O sangue da cabeça é drenado pelas veias jugulares e as veias cardíacas drenam o sangue do coração. O sangue dos membros superiores é transportado por veias que, em sua maioria, recebem o nome das artérias que as acompanham, com exceção das veias basílica, cefálica e mediana do cotovelo. As veias dos membros inferiores também são denominadas conforme as artérias, além das veias safena magna e safena parva.
ꟷ Pressão arterial
O sangue exerce uma pressão contra a parede dos vasos que o contem, conhecida como pressão sanguínea (PS) ou pressão arterial (PA), gerada pela contração dos ventrículos.
O volume médio de sangue num adulto é em torno de 5 litros de sangue. Qualquer fator que produza redução de mais de 10% desse volume, como hemorragias importantes, pode conduzir a hipovolemia. Dessa maneira, pode produzir uma crescente queda na pressão sanguínea, com consequências graves, incluindo parada cardíaca. Em contrapartida, aumentos significativos de volume, que acarretam hipervolemia, podem aumentar a pressão sanguínea. A hipervolemia pode ocorrer por alguma falha no mecanismo renal que elimina os excessos de liquido.
A resistência vascular é consequência do atrito pela passagem de sangue pelas paredes dos vasos, criando uma oposição ao fluxo sanguíneo. Quando maior a resistência vascular, maior a pressão sanguínea e quanto menor a resistência, menor a pressão. Alguns fatores interferem diretamente na resistência vascular, como o tamanho do vaso, a viscosidade do sangue e o comprimento total dos vasos sanguíneos.
ꟷ Perfusão sanguínea
O volume de sangue que flui dos capilares para as células dos tecidos, determinando a distribuição de oxigênio e nutrientes, é compreendida como perfusão tecidual. A principal função dos capilares é permitir as trocas de nutrientes e material a ser excretado entre o sangue e as células dos tecidos, por meio do liquido intersticial. Sendo assim, a distribuição dos capilares que são encontrados nas proximidades de quase todas as células do corpo varia de acordo com o grau de atividade metabólica das células. Quanto mais elevada a necessidade metabólica das células de um tecido, maior a distribuição da rede capilar.
Modulo V: Vias aéreas
· Hematose e oxigenação de células e tecidos
Um dos sistemas vitais para manter vivos e saudáveis é o sistema respiratório, formado por um conjunto de órgãos que contribuem para que ocorra a respiração. Além disso, esse sistema ajuda a regular o pH sanguíneo, permite a captação de odores para o sentido do olfato, auxilia na produção da voz num processo chamado de fonação e prepara o ar para que chegue aos alvéolos em condições adequadas.
IMPORTANTE: o pH sanguíneo é a medida da concentração de íons hidrogênio em uma solução. Sua escala vai de 0 a 14. O valor 7 significa neutralidade. Números superiores traduzem aumento de alcalinidade e índices inferiores significam aumento da acidez.
O processo de entrada e saída do ar nas vias aéreas sem troca gasosa é chamado de ventilação ou condução do ar. Quando ocorre troca gasosa, dizemos que há hematose.
· Vias aéreas
O caminho percorrido pelo ar, desde sua entrada ate a chegada aos pulmões, é constituído por vários órgãos que formam as vias aéreas.
As vias aéreas podem ser divididas em superiores e inferiores:
As vias superiores (VAS) são compostas pelo nariz, pelos seios paranasais e pela faringe.
As vias aéreas inferiores (VAI) englobam laringe, traqueia e brônquios, que se ramificam sucessivamente, diminuindo de tamanho (calibre) até originar os bronquíolos, que terminam conduzindo o ar inspirado até os alvéolos. Os alvéolos são espaços aéreos muito pequenos que constituem basicamente toda a estrutura dos pulmões.
As vias também podem ser classificadas conforme o aspecto funcional, isto é, se permitem ou não a passagem de gases através de suas paredes. Existem duas divisões: porção de condução do ar e porção respiratória.
· Vias aéreas condutoras
São formadas pelos órgãos que conduzem o ar sem que haja troca gasosa através de suas paredes, que são muito espessas para permitir essa passagem.
A porção de condução do ar das vias aéreas é composta por: nariz, cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e bronquíolos terminais. As principais funções da via aérea condutora são: filtrar, aquecer e umedecer o ar antes de conduzi-lo aos pulmões.
A cavidade nasal é formada pelas seguintes partes: narinas, região de condução e região olfatória. As aberturas de saída da cavidade nasal são chamadas de coanas ou cóanos e só podem ser vistas no crânio.
Há um conjunto de seios paranasais localizados no interior dos osso que contornam a região nasal. Os seios paranasais são: seios maxilares, seios etmoidais, seio esfenoidal e seio frontal. Todos eles possuem aberturas que os comunicam com a cavidade nasal e são revestidos internamente pelo mesmo tipo de mucosa dessa cavidade. Os seios são revestidos por células que produzem muco para evitar que o nariz seque durante a respiração. Processos patológicos na cavidade nasal podem se espalhar para a mucosa dos seios e desencadear sinusite.
Se respirarmos corretamente pelo nariz, o próximo órgão na passagem do ar será a faringe. Ela tem o formato de um tubo muscular situado logo atrás da cavidade nasal, da cavidade oral e da laringe, possuindo três porções relacionadas a elas. A primeira é a porção nasal da faringe (superior) ou nasofaringe, que continua logo após a cavidade nasal e permite a condução do ar. Neles ficam localizados as tonsilas faringenas.
A porção bucal da faringe (media) ou orofaringe é a porção que pertence tanto ao sistema respiratório quanto ao sistema digestório, uma vez que permitem a passagem de ar (função respiratória) e participa da deglutição (ingestão) de alimentos (função digestora). É nesse local que ficam as tonsilas palatinas (amigdalas).
A porção laríngea da faringe (inferior) ou laringofaringe é a ultima porção da faringe localizada atrás da laringe, pela qual passa apenas o ar e na qual ocorre a fonação (fala). Nessa porção, a faringe continua servindo como trajeto para o ar e para o alimento. A partir dela, o ar é conduzido para a traqueia e o bolo alimentar para o esôfago.
Após passar pela cavidade nasal e pelafaringe, o ar chega ate a laringe, um tubo cartilaginoso situado na frente do nosso pescoço, que pode ser palpado, ou seja, tocado com as mãos. Ela é constituída por um conjunto de cartilagens. São elas: cartilagem epiglote, cartilagem tireoide, cartilagem aritenóideo e cartilagem cricoide.
Abaixo da cartilagem cricoide da laringe esta a traqueia, constituída por dezoito a vinte anéis incompletos de cartilagem, cada um preso a outro pelos ligamentos anulares, constituídos por tecidos fibroso que confere mobilidade ao pescoço.
A traqueia termina numa cartilagem chamada de carina da traqueia.
Durante todo o trajeto do ar, desde a cavidade nasal ate os bronquíolos terminais da arvore brônquica, o ar foi apenas conduzido, sem captação de oxigênio para as células, o que acontecera somente na respiração pulmonar. Esse processo é executado pelas vias aéreas respiratórias.
· Vias aéreas respiratórias
As vias aéreas respiratórias são constituídas pelas estruturas que não apenas conduzem o ar, mas também realizam troca gasosa, ou seja, hematose.
Funções das vias aéreas:
● conduzir o ar da entrada da cavidade nasal pelas narinas ate o começo da faringe, que fica logo após as conchas nasais;
● filtrar partículas do ar por meio das vibrissas do vestíbulo nasal e partículas menores, que ficam aderidas no muco, porque não devem chegar aos pulmões, onde obstruíram os alvéolos;
● adequar a temperatura e da umidade do ar externo de acordo com a situação corporal, o que ocorre devido ao contato do ar com a mucosa úmida e aquecida que recobre as conchas nasais;
● realizar a olfação, por intermédio das fibras do nervo olfatório que atravessam o osso etmoide;
● ajudar na fonação, por atuar como uma câmara de ressonância que amplia, modifica ou prolonga o som.
A primeira via aérea que entra em contato com o ar é nosso nariz. O ar, então, segue seu trajeto pela faringe, que serve para passagem tanto do ar quanto de alimento, e pela laringe.
A faringe é uma via tanto respiratória quanto digestora, mas a laringe é exclusivamente respiratória. Qualquer corpo estranho que passar pela laringe ficará alojado no interior do pulmão, ocasionando distúrbios patológicos. Nesse sentindo, a epiglote, logo na entrada da laringe, desempenha um papel fundamental, agindo de forma reflexa para fechar a laringe quando engolimos um alimento, para que nenhum corpo estranho solido ou liquido entre nas vias áreas.
A laringe também está associada a outra importante função do nosso organismo: a produção da voz.
· Produção de voz
A elaboração da fala é chamada de fonação. Para articular uma simples palavras, varias estruturas anatômicas são recrutadas e trabalham de forma sincronizada e harmônica. Entre essas estruturas estão pequenos músculos que movem cartilagens, em que as cordas vocais estão fixadas.
Na cavidade da laringe ficam as pregas vocais (ou cordas vocais). Vários pequenos músculos movem essas cartilagens, fazendo com que as pregas vocais sejam tencionadas ou relaxadas. O grau de tensão ou relaxamento interfere na tonalidade dos sons. Se as pregas ficam tensas, o som produzido é agudo, e se ficam relaxados, o som é grave.
Existem dois tipos de pregas. O 1 é o das pregas vocais verdadeiras, também conhecidas como glote. Um pouco abaixo da entrada da laringe estão localizados as pregas vestibulares ou pregas vocais falsas, que não participam da produção de voz. Elas são responsáveis por manter uma pressão do ar na cavidade torácica, que pode aumentar quando fazemos força.
· Respiração pulmonar
ꟷ Mecânica da ventilação pulmonar
Vários músculos trabalham para produzir os movimentos respiratórios de inspiração e expiração que garantem, em conjunto, a mecânica da ventilação pulmonar. Esses músculos se dividem em dois grupos: os músculos respiratórios principais e os acessórios.
Os músculos respiratórios principais agem tanto na inspiração tranquila quanto na forçada, aumentando a caixa torácica para a entrada do ar nos pulmões.
Os músculos respiratórios acessórios atuam na inspiração ou na expiração forçada.
ꟷ Hilo, raiz e lobos pulmonares
O ar inalado pelo nariz entra nos pulmões por meio do hilo ou raiz pulmonar, uma região na face medial dos pulmões em que se encontra o ponto pelo qual estruturas entram ou saem dele. Nos hilos direito e esquerdo encontram-se os brônquios principais, a artéria pulmonar, as veias pulmonares, os vasos linfáticos e os nervos.
Os pulmões são compostos por lobos, que são separados pelas fissuras e formados por pequenas partes denominadas segmentos. O pulmão direito possui três lobos: superior, inferior e médio, separados pelas fissuras oblíqua e horizontal. O pulmão esquerdo possui apenas dois lobos: superior e inferior, separados pela fissura oblíqua.
ꟷ Segmentação dos brônquios
Os brônquios se originam a partir da traqueia e vão sofrendo varias ramificações.
A denominação de cada brônquio está relacionada com a parte para qual ele conduz o ar. Brônquios pulmonares ou principais: conduzem o ar para os pulmões direito e esquerdo. 
Os brônquios lobares: originam-se a partir da ramificação dos brônquios pulmonares e conduzem o ar para os lobos. 
Os brônquios segmentares: originam-se dos brônquios lobares e conduzem o ar para cada segmento dos lobos. Começam ramificações ainda menores, dando origem aos bronquíolos terminais (que não possuem alvéolos brotando das suas paredes) e, por fim, aos bronquíolos respiratórios. Esses últimos bronquíolos possuem alvéolos que realizam hematose, por isso, recebem o nome de respiratórios.
Assim como os bronquíolos respiratórios, os alvéolos também são vias aéreas respiratórias. Eles possuem células alveolares que formam suas finíssimas paredes e células secretoras que produzem um fluido alveolar, que contém uma substancia chamada de surfactante. Se um alvéolo esvazia, suas paredes tendem a colapsar, ou sejam, a grudar. A substancia surfactante tem a função de tentar reduzir essa tendência.
Pleura: é as membranas que revestem, envolvem e protegem os pulmões e a caixa torácica por dentro e estão distribuindo das seguintes maneira: pleura pulmonar, aderida diretamente aos pulmões e pleura parietal, que é uma continuidade da pleura pulmonar e se adere internamente a parede da caixa torácica.
Entre as pleuras, existe um espaço chamado de cavidade pleural, que contém o liquido pleural, com a função de lubrificação e redução de atrito entre as pleuras. Nesse espaço, deve haver apenas uma pequena quantidade de liquido pleural.
ꟷ Hematose
A respiração consiste na captação do gás oxigênio proveniente do ar atmosférico, que chega por meio da inspiração, pelas vias aéreas e sua ida até os alvéolos. Nesse processo, o oxigênio passa através da membrana respiratória para o sangue dos capilares. A troca de gases que ocorre entre os alvéolos e o sangue dos capilares pulmonares é chamada de hematose ou respiração externa. Esse processo também inclui a passagem de dióxido de carbono do sangue capilar para o alvéolo, de onde será eliminado durante a expiração, fazendo o caminho oposto ao do oxigênio.
A pressão de um gás em uma mistura é denominado pressão parcial. Na hematose, cada gás passa, por difusão, de uma área em que sua pressão parcial é maior para outra em que sua pressão parcial é menor. Desse modo, a hematose ocorre para transformar o sangue com pressão parcial baixa em oxigênio (sangue desoxigenado/venoso) em sangue com pressão alta de oxigênio (sangue oxigenado/arterial).
· Respiração tecidual
A troca de gases entre as células dos tecidos e o sangue, quando as células recebem o oxigênio e entregam o dióxido de carbono, é chamada de reparação tecidual ou respiração interna.
ꟷ Transporte de oxigênio para os tecidos
O sangue rico em oxigênio é distribuído para as células do corpo por toda a rede arterial para a realização de suas atividades metabólicas. Esse transporte ocorre com o auxílio da hemoglobina. O oxigênio é conduzido agregado á hemoglobina num conjunto denominado oxiemoglobina. Essa ligação é reversível de acordo com as necessidades celulares.
ꟷ Absorção de oxigêniopelas células
Nos capilares dos tecidos, em que a quantidade de oxigênio é pequena, a hemoglobina libera o oxigênio, que se difunde do plasma para o liquido intersticial e posteriormente para as células.
As células recebem e consomem o oxigênio trazido pelo sangue para produzir, em seu interior, reações metabólicas que geram ATP (adenosina trifosfato), que é um composto relacionado ao fornecimento de energia para o corpo. Esse processo é a respiração celular, e seu produto toxico é o dióxido de carbono.
ꟷ Difusão de dióxido de carbono para o liquido extracelular
Quantidades aumentadas de dióxido de carbono podem produzir uma condição patológica chamada de acidez, que pode ser toxica para as células. Por essa razão, ele precisa ser eliminado do organismo. Ele segue o seguinte trajeto: 1. É transportado pelo sangue até os alvéolos e atravessa a membrana respiratória por difusão, uma vez que a pressão parcial de dióxido de carbono será maior no sangue do que no alvéolo. Os alvéolos, então, recebem esse gás dos capilares e o elimina pelas vias aéreas no processo de expiração, que ocorre no sentido contrário ao da inspiração.
ꟷ Transporte de dióxido de carbono para os pulmões
O dióxido de carbono pode ser conduzido num percentual de 9% dissolvido no plasma, em 13% ligado á hemoglobina (constituindo a carboaminohemoglobina) e, em seu maior percentual, na forma de íons bicarbonato (HCO3). A pressão parcial de dióxido de carbono das células teciduais (45 mmHg) é maior do que a do sangue contido no capilar (40 mmHg), por isso, o gás passara das células para o sangue por difusao, através do liquido intersticial.
Tanto o sistema respiratório quanto o sistema circulatório contribuem para a captação de oxigênio e eliminação de dióxido de carbono. O trajeto que conduz o sangue do coração é chamado de pequena circulação ou circulação pulmonar, que faz o trajeto: coração-pulmão-coração. Depois, o sangue rico em oxigênio de que as células precisam é bombeado pelo coração para o corpo num trajeto maior, chamado de grande circulação ou circulação sistêmica, que compreende: coração-corpo-coração.
· Regulação da respiração
 O sistema nervoso controla todas as funções do nosso corpo por meio dos neurônios, incluindo nossos processos respiratórios, que são resultados das ações musculares. Esse processo deve ocorrer em ritmo e em frequência que precisam estar adequados ás demandas de oxigênio gerados pelas atividades que o corpo executa.
As partes que controlam os eventos respiratórios são formadas por grupos de neurônios ou núcleos localizados no encéfalo, que constituem o centro respiratório.
ꟷ Centro respiratório
É organizado em três pares de núcleos. A área dos bulbos, da ritmicidade ou o centro rítmico da respiração controla o ritmo básico da respiração e possui duas subáreas: área inspiratória ou grupo respiratório posterior (também conhecido como centro inspiratório) e grupo respiratório anterior (também conhecido como centro expiratório). Na ponte estão localizados dois centros: apneutico e pneumotaxico, que controlam a velocidade e a profundidade da respiração.
ꟷ Influência sobre o centro respiratório
O processo de respiração é complexo e envolve muitas variáveis, portanto, o sistema nervoso tem um papel primordial.
● controle voluntario: mesmo que o bulbo do tronco encefálico seja a principal área relacionada ao controle respiratório, nosso córtex pode modificar nossa respiração de acordo com nossa vontade;
● níveis de dióxido de carbono e oxigênio: os níveis dessas substancias nos fluidos corporais são controlados por quimiorreceptores, que são neurônios especiais sensíveis ás alterações dos níveis adequados dos gases;
● temperatura corporal: a frequência respiratória pode aumentar frente a situações de febre e exercícios físicos e diminuir em casos de hipotermias;
● impulsos dolorosos: dores intensas e súbitas podem produzir paradas respiratórias temporárias ou aumentar a frequência respiratória quando atingem pele, ossos, músculos e articulações;
● fatores emocionais: situações de ansiedade, alegria e tristeza extremas, depressão, medo; podem desencadear impulsos que poderão alterar a respiração;
● proprioceptores articulares e musculares: são estruturas neurológicas especiais que inspecionam os movimentos articulares e musculares e enviam impulsos nervosos ao centro respiratório do bulbo dependendo da intensidade das atividades físicas e da quantidade de oxigênio que demandarão.
ꟷ Controle dos músculos inspiratórios e expiratórios
O grupo respiratório posterior exerce controle sobre neurônios motores que produzem a contração dos principais músculos da inspiração (musculo diafragma e músculos intercostais), atuando tanto na respiração normal quanto na respiração forçada.
O grupo respiratório anterior atua somente durante a respiração forçada, exercendo controle sobre neurônios motores que inervam músculos acessórios que contraem na expiração ativa e na inspiração máxima.
· Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
A asma, a bronquite e o enfisema fazem parte desse grupo de enfermidades.
A eficácia e a adequação estrutural de cada sistema de nosso organismo dependem da quantidade e da qualidade do suprimento de oxigênio recebido e da prontidão com a qual o dióxido de carbono é eliminado.
image5.png
image6.png
image7.png
image8.png
image9.png
image10.png
image11.png
image12.png
image13.png
image14.png
image15.png
image16.png
image17.png
image18.png
image19.png
image20.png
image21.png
image22.png
image23.png
image24.png
image25.png
image26.png
image27.png
image28.png
image29.png
image30.png
image31.png
image32.png
image33.png
image34.png
image35.png
image36.png
image37.png
image38.png
image39.png
image40.png
image41.png
image42.png
image43.png
image44.png
image45.png
image1.png
image2.png
image3.png
image4.png

Mais conteúdos dessa disciplina