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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE – UFF Introdução a Meteorologia e Climatologia AVALIAÇÃO O POTENCIAL EÓLICO UTILIZANDO A LEI DE PAREDE Niterói 2022 Alunas: Camila Dos Santos Ferreira Costa 119056007 Mariana Silva Dantas dos Anjos 119056056 Trabalho apresentado à Universidade Federal Fluminense para à disciplina de Introdução a Meteorologia e Climatologia do Curso de Graduação em Eng. de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, Turma H1 ministrada pelo Prof. Marcio Cataldi Niterói 05/2022 1 Introdução A energia é um elemento essencial para a vida, ela é necessária para realizar desde as atividades mais básicas, como a alimentação, até o lazer e comodidades como uma viagem de carro ou avião. Essa energia é gerada a partir de fontes primárias ou secundárias que podem ser renováveis, recebendo essa nomenclatura por serem resultantes de recursos considerados inesgotáveis como luz solar, vento, água, etc, ou não renováveis produzidas a partir de combustíveis fósseis que se renovam, porém em um período de tempo que não garante o suprimento das necessidades do ser humano. Esse conjunto de fontes é o que constitui uma matriz energética e compreender a sua evolução e estabelecer cenários esperados são tarefas importantes para melhorar o desempenho desses sistemas considerando que a os padrões de desenvolvimento econômico e o nível de bem-estar da população estão significativamente ligados a matriz energética. A matriz energética mundial é o conjunto de todas as fontes energéticas oferecidas por todo o mundo e abastece setores comerciais, residenciais e industriais. É majoritariamente composta por energias não renováveis, sendo os combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás natural) a principal fonte primária de energia em uso atualmente no planeta e energias renováveis totalizam aproximadamente 14% como pode ser visto na figura 1 Figura 1: Matriz energética global em 2019 Por suas riquezas naturais e território extenso, o Brasil dispõe de alto potencial para fontes renováveis, com destaque para a energia eólica, que é obtida através da conversão da energia cinética dos ventos em energia elétrica, pelas turbinas eólicas/aerogeradores, pois além de ser uma energia mais pura, ela é barata. Algumas regiões do Brasil possuem ventos bastante favoráveis para implementação de parques eólicos como será demonstrado neste trabalho. Este trabalho objetiva analisar como os ventos se comportam nas 5 regiões do Brasil. Através dessa pesquisa, será possível analisar quais regiões são compatíveis com valores ideais para instalação de parques eólicos. Metodologia Para o presente estudo foram selecionadas 5 cidades, uma em cada região do Brasil, a partir de suas medições da velocidade do vento realizadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). As cidades selecionadas foram: Norte - Manaus (AM), Nordeste - Salvador (BA), Sudeste - São Carlos (SP), Centro-oeste - Posse (GO) e Sul - Campo Mourão (PR). Para o cálculo foi a Lei de Parede descrita como Na qual u(z) é𝑢(𝑧) 𝑢(𝑡) = 1 𝑘 𝑙𝑛 𝑧 𝑧 0 a velocidade paralela do ar ao chão em uma determinada altura, ut é a velocidade de atrito do ar e k é a constante de Von Karman, que descreve a distribuição da velocidade ao longo do percurso. Para chegar até esse cálculo, primeiro foi extraído do INMET os dados do u(10) que corresponde a intensidade do vento numa altura de 10m. Para saber a intensidade do vento numa altura de 30m será necessário saber os valores de u(10). Além disso, será preciso identificar os tipos de terrenos que cada cidade está representando utilizando o Google Earth. Depois de identificar basta olhar na tabela 1 qual será o valor do z(0) referente à cada cidade. Sabe-se que k e z são constantes fixas sendo k=0,41 e z=10. Dito isto, tem-se todos os dados necessários para descobrir o valor do u(130) Tabela 1 - Valores típicos de z0[10]. Nesse sentido, com essas informações coletadas é possível caracterizar o tipo de terreno das cinco cidades, como mostra a Figura 2 representando a cidade de São Carlos. Figura 2: Caracterização de São Carlos. Fonte: Google Earth São Carlos acabou tendo um tipo de terreno “Povoamento com subúrbio”, seu z0 ficou como 2. Na Figura 3, é possível observar que Salvador se caracteriza como “Terreno com árvores"e “Centro da cidade” e, portanto, seu z0 ficou como 4. Figura 3: Caracterização de Salvador(Ondina) Fonte: Google Earth A cidade de Campo Mourão, em PR, ficou classificada como “Centro da Cidade” e z0 ficou como 4, ilustrado na Figura 4. Figura 4: Caracterização de Campo Mourão Fonte:Google Earth Na Figura 5, Manaus assume características de terreno do tipo “Povoação dos Subúrbios”, classificando-se, portanto, com z0 igual a 2. Figura 5: Caracterização de Manaus Fonte:Google Earth Por fim, a última cidade a ser classificada é Posse(GO), e com isso, como pode ser visto na Figura 6 o seu z0 igual a 4 devido ao tipo de terreno estar inserido em “Centro da Cidade”. Figura 6: Caracterização de Posse. Fonte: Google Earth Resultados Após todos os cálculos citados acima terem sido feitos, os resultados finais de cada cidade serão ilustrados de acordo com as cidades de São Carlos,Salvador(Ondina),Campo Mourão,Manaus,Posse respectivamente nas Tabelas 2, 3, 4, 5 e 6. Tabela 2: Médias mensais para São Carlos Meses U(130) U(10) U(t) Janeiro 8,481374937 3,27 0,8330237468 Fevereiro 8,144194893 3,14 0,7999065948 Março 7,832951776 3,02 0,769336916 Abril 8,662933421 3,34 0,8508560594 Maio 7,936699482 3,06 0,7795268089 Junho 7,651393291 2,95 0,7515046033 Julho 8,636996495 3,33 0,8483085862 Agosto 9,259482729 3,57 0,9094479437 Setembro 9,959779742 3,84 0,978229721 Outubro 9,881968963 3,81 0,9705873013 Novembro 9,311356582 3,59 0,9145428902 Dezembro 8,922302686 3,44 0,8763307917 Tabela 3: Médias mensais para Salvador(Ondina) Meses U(130) U(10) U(t) Janeiro 10,78379884 2,03 0,9083361547 Fevereiro 10,78379884 2 0,9083361547 Março 10,62443236 1,92 0,8949124677 Abril 10,19945506 2,22 0,859115969 Maio 11,79311992 2,34 0,9933528392 Junho 12,43058586 2,36 1,047047587 Julho 12,53683018 2,64 1,055996712 Agosto 14,02425071 2,51 1,181284457 Setembro 13,33366261 2,46 1,123115147 Outubro 13,0680518 2,32 1,100742335 Novembro 12,32434154 2,35 1,038098463 Dezembro 12,48370802 2,17 1,05152215 Tabela 4: Médias mensais para Campo Mourão Meses U(130) U(10) U(t) Janeiro 9,004280765 2,42 1,020200213 Fevereiro 8,890302527 2,28 1,060471274 Março 8,13044761 2,37 1,047047587 Abril 8,624353306 2,34 0,9575563404 Maio 9,49818646 2,14 1,015725651 Junho 9,992092156 2,27 1,118640585 Julho 10,06807765 2,5 1,176809895 Agosto 10,14406314 2,63 1,18575902 Setembro 9,916106665 2,65 1,194708144 Outubro 9,650157444 2,67 1,16786077 Novembro 0 2,61 1,136538834 Dezembro 0 2,54 0 Tabela 5: Médias mensais para Manaus Meses U(130) U(10) U(t) Janeiro 6,172988486 2,38 0,6062986291 Fevereiro 6,06924078 2,34 0,5961087362 Março 6,198925412 2,39 0,6088461024 Abril 6,14705156 2,37 0,6037511559 Maio 5,887682295 2,27 0,5782764236 Junho 6,250799265 2,41 0,6139410488 Julho 6,406420824 2,47 0,6292258882 Agosto 7,028907058 2,71 0,6903652458 Setembro 7,236402469 2,79 0,7107450316 Outubro 7,028907058 2,71 0,6903652458 Novembro 6,873285499 2,65 0,6750804064 Dezembro 6,380483897 2,46 0,626678415 Tabela 6: Médias mensais para Posse Meses U(130) U(10) U(t) Janeiro 7,11836968 1,34 0,5995913534 Fevereiro 7,862079945 1,48 0,6622352261 Março 6,268415091 1,18 0,5279983559 Abril 7,755835621 1,46 0,6532861014 Maio 8,233935077 1,55 0,6935571625 Junho 9,933844255 1,87 0,8367431573 Julho 10,94316533 2,06 0,9217598417 Agosto 10,99628749 2,07 0,9262344041 Setembro 9,137011828 1,72 0,7696247222 Outubro 6,852758871 1,29 0,5772185417 Novembro 5,471582664 1,03 0,4608799209 Dezembro 5,790315635 1,09 0,4877272949 Conclusão Diante do exposto, a energia eólica apresenta-se como uma das fontes mais promissoras atualmente, mas se faz necessário um estudo prévio das condições do local das característicasambientais da região em que se deseja instalar o aerogerador real e possibilidades da implementação. Este estudo exclui de sua avaliação a viabilidade local e se o investimento seria economicamente viável sendo a melhor altura para posicionar um aerogerador a 130 metros por apresentar uma melhor eficiência. Referências bibliográficas BARROS, E. V. DE. A MATRIZ ENERGÉTICA MUNDIAL E A COMPETITIVIDADE DAS NAÇÕES: BASES DE UMA NOVA GEOPOLÍTICA. Engevista, v. 9, n. 1, 2 fev. 2010. CASTRO, R.M.G. Introdução à Energia Eólica: Energias Renováveis e Produção Descentralizada (Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2009), 4a ed. NOGUEIRA, Luiz Augusto Horta; CARDOSO, Rafael Balbino. Perspectivas da Matriz Energética mundial e no Brasil. 2007. TOLMASQUIM, Mauricio T.; GUERREIRO, Amilcar; GORINI, Ricardo. Matriz energética brasileira: uma prospectiva. Novos estudos CEBRAP, p. 47-69, 2007.