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CENTRO UNIVERSITÁRIO RUY BARBOSA – WYDEN
CAMPUS IMBUÍ PARALELA
FICHAMENTO
“Avaliação psicológica no Brasil: Fundamentos, Situação atual e direções para o futuro.”
Discente
Anny Hellen Marques Neves
Professor Orientador 
Matheus Santana 
A avaliação psicológica desempenha um papel essencial no crescimento e consolidação da psicologia como ciência, sendo uma de suas áreas mais antigas (PRIMI, 2010). Sua importância é tamanha que o marco da psicologia científica é amplamente reconhecido como o desenvolvimento dos testes psicológicos e da psicometria, realizados pelo filósofo e psicólogo Wilhelm Wundt em laboratórios na Alemanha.
O campo da avaliação psicológica continuou a se expandir durante o século XX. A criação de novos instrumentos, como os testes de personalidade, possibilitou uma abordagem mais ampla e aprofundada da psique humana. Entre os mais importantes, destacam-se o Teste de Rorschach, desenvolvido na década de 1920, que introduziu uma abordagem projetiva para a avaliação da personalidade, e o Inventário Multifásico de Personalidade de Minnesota (MMPI), que consolidou o uso de testes psicométricos para o diagnóstico de transtornos mentais (PRIMI, 2010).
Entretanto, embora os testes tenham sido fundamentais para a consolidação da psicologia enquanto ciência, eles também fomentaram a ideia equivocada de que esses instrumentos resumem a avaliação psicológica, que, na verdade, é uma área muito mais ampla e complexa. Ao fazer uma análise epistemológica, é possível perceber que essa confusão contribuiu significativamente para muitos dos desafios enfrentados pela avaliação psicológica, além da má qualidade de alguns testes (BUENO & PEIXOTO, 2018).
Nas últimas quatro décadas do século XX, a história da avaliação psicológica foi marcada tanto por avanços quanto por críticas. No entanto, essas críticas contribuíram significativamente para o seu crescimento, gerando muitas mudanças tanto no cenário brasileiro quanto ao redor do mundo.
Avaliação Psicológica no Brasil: Estruturação e Crescimento
O desenvolvimento da avaliação psicológica no Brasil está diretamente relacionado à regulamentação da profissão de psicólogo e à institucionalização de procedimentos científicos para garantir a validade e confiabilidade dos testes aplicados. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) desempenha um papel central na definição de normas e diretrizes para a prática da avaliação psicológica, sendo o órgão responsável pela criação e gestão do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI). Pode-se dizer que o Brasil foi pioneiro na implementação de um sistema de certificação baseado em critérios internacionais de qualidade de testes, abrangendo todos os testes utilizados profissionalmente no país e impactando diretamente a prática do psicólogo (PRIMI, 2010).
Assim como outras mudanças que ocorreram posteriormente na área da avaliação psicológica, a criação do SATEPSI foi um reflexo de movimentos observados ao redor do mundo. Em resposta às críticas que apontavam que os psicólogos que utilizavam técnicas psicométricas estariam se afastando das correntes centrais da Psicologia, surgiram entidades atuantes até o presente, como a Associação Brasileira de Orientação Profissional (ABOP), a Associação Brasileira de Rorschach e Métodos Projetivos (ASBRo) e o Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP) (CARDOSO & SILVA-FILHO, 2018).
Essas entidades influenciaram diretamente o fortalecimento da área junto ao CFP, além de auxiliar na edição da Resolução nº 002/2003 e na criação do SATEPSI. No entanto, apenas a criação do SATEPSI não foi suficiente para atender às demandas judiciais de pessoas que alegavam ter sido prejudicadas pelos testes psicológicos, sendo necessária a confirmação do CFP como instância máxima de avaliação dos testes psicológicos, regulamentando essa prática no Brasil e restringindo seu uso exclusivo aos psicólogos (CARDOSO & SILVA-FILHO, 2018).
O SATEPSI tem como principal objetivo garantir que os testes psicológicos utilizados no Brasil sejam cientificamente validados e adequados à realidade sociocultural do país. O sistema também permite a criação de uma base de dados que reúne informações sobre todos os testes psicológicos aprovados para uso no Brasil, promovendo maior transparência e padronização nas práticas avaliativas (PRIMI, 2010).
Desde sua criação até os dias atuais, o sistema passou por inúmeras alterações e aprimoramentos, resultando em melhorias na qualidade dos testes e de seus manuais. Entretanto, ainda existem críticas quanto à sua aplicabilidade. Entre muitos psicólogos, persiste a ideia de que a avaliação psicológica limita o indivíduo ao diagnóstico, quando, na realidade, a avaliação psicológica visa construir pontos de referência que facilitem o entendimento das potencialidades e dificuldades das pessoas, proporcionando a intervenção mais adequada para cada situação. (CARDOSO & SILVA-FILHO, 2018)
A avaliação psicológica pode impactar positiva ou negativamente a vida das pessoas, dependendo de como esses procedimentos são realizados (KOOCHER & KEITH-SPIEGEL, 2016). Por isso, é necessária uma formação adequada e responsável que abranja todos os aspectos do processo de avaliação, desde os construtos teóricos da psicologia até raciocínios matemáticos e métodos de pesquisa para uma análise adequada dos resultados obtidos.
No que diz respeito aos raciocínios matemáticos, os recursos tecnológicos podem ser grandes facilitadores no processo (PRIMI, 2010). A inteligência artificial, por exemplo, pode desempenhar um papel importante na análise de grandes volumes de dados gerados pelas avaliações psicológicas. No entanto, isso exige do psicólogo o desenvolvimento de um raciocínio crítico para integrar os resultados analisados com a vida prática na clínica.
Apesar dos avanços significativos no campo da avaliação psicológica, ainda há desafios a serem enfrentados. A constante evolução da sociedade e das demandas profissionais exige que os testes sejam continuamente revisados e adaptados para se manterem relevantes. Para isso, é necessária a compreensão da magnitude da avaliação psicológica, um campo próprio com conhecimentos específicos, que favorece a atuação do psicólogo de maneira mais assertiva em todas as áreas da atividade humana.
REFERÊNCIAS BIBLIÓGRAFICAS 
BUENO, José; PEIXOTO, Evandro. Avaliação psicológica no Brasil e no mundo. Psicologia: Ciência e profissão. Jun/Set. 2018. v.38, nº3. Disponível em: .
PRIMI, Ricardo. Avaliação psicológica no Brasil: Fundamentos, Situação atual e direções para o futuro. Psicologia: teoria e pesquisa. 2010. v.26. Disponível em: .
CARDOSO, Lucila Moraes; SILVA-FILHO, José Humberto. Satepsi e a qualidade técnica dos testes psicológicos no Brasil. Psicologia: ciência e profissão. 2018. v.38. Disponível em: .

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