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ABORTAMENTO
Por: Jaqueline de Moura da Silva
Chefe Adjunta PCP Maringá
CONCEITO DE ABORTO
Aborto (de ab-ortus) é interrupção da gravidez com a morte do produto da concepção. Do ponto de vista médico, aborto é a interrupção da gravidez até 20ª ou 22ª semana, ou quando o feto pesa até 500 gramas ou, ainda, segundo alguns, quando o feto mede até 16,5 cm. 
Há uma corrente que defende que o termo correto seria “abortamento” que é a ação cujo resultado é o aborto.
O penalista Heleno Cláudio Fragoso (1986) ensina que “o aborto consiste na interrupção da gravidez com a morte do feto”.
 
ESPÉCIES DE ABORTO
 O aborto pode ser:
Natural: O aborto natural não é crime e ocorre quando há uma interrupção espontânea da gravidez
Acidental: O acidental, também não é crime, e pode ter por origem várias causas, como traumatismos, quedas etc.
Criminoso: O aborto criminoso é aquele vedado pelo ordenamento jurídico. 
Legal ou permitido: O aborto legal ou permitido se subdivide em: a) terapêutico ou necessário: utilizado para salvar a vida da gestante ou impedir riscos iminentes à sua saúde em razão de gravidez anormal; b) eugenésico ou eugênico: é o feito para interromper a gravidez em caso de vida extra-uterina inviável. O aborto honoris causa é feito para salvaguardar a honra no caso de uma gravidez adulterina ou outros motivos morais.
Diversas são as causas de abortamento, contudo, na maioria das vezes, a causa permanece indeterminada. Muitas gestações são interrompidas por decisão pessoal da mulher. Deve-se oferecer a todas as mulheres exames para classificação sangüínea, e administrar imunoglobulina anti-D naquelas Rh não sensibilizadas, teste sorológico para sífilis e pesquisa do HIV. 
Os abortamentos podem ser classificados em:
 Ameaça de abortamento;
Abortamento completo;
Abortamento inevitável/incompleto; 
 Abortamento retido; 
Abortamento infectado;
Abortamento habitual; 
Abortamento eletivo previsto em lei.
Classificação dos abortamentos
A seguir descreveremos a classificação adotada pelo Ministério da Saúde:
Ameaça de abortamento: A mulher, nesse caso, observa sangramento de pouca intensidade e cólicas também pouco intensas. O feto mantém-se vivo, e o colo do útero permanece fechado. Os médicos recomendam, nessa situação, que a mulher limite suas atividades ficando em repouso. Se a mulher sentir dores, febres ou sangramento deve procurar novamente ajuda médica.
Classificação dos abortamentos
A seguir descreveremos a classificação adotada pelo Ministério da Saúde:
Abortamento Completo: Geralmente, ocorre em gestações com menos de oito semanas. A perda sangüínea e as dores diminuem ou cessam após a expulsão do material ovular. O colo uterino (orifício interno) pode estar aberto e o tamanho uterino mostra-se menor que o esperado para a idade gestacional. No exame de ultra-som, encontra-se cavidade uterina vazia ou com imagens sugestivas de coágulos. A conduta nesse caso é de observação, com atenção ao sangramento e/ou à infecção uterina. Quando persiste o sangramento, ou a mulher deseja interromper a perda sangüínea, deve ser realizada aspiração manual intra-uterina (AMIU) e, na falta dessa, a curetagem uterina. 
Classificação dos abortamentos
A seguir descreveremos a classificação adotada pelo Ministério da Saúde:
Abortamento inevitável/incompleto: O sangramento é maior que na ameaça de abortamento, que diminui com a saída de coágulos ou de restos ovulares, as dores costumam ser de maior intensidade que na ameaça e o orifício cervical interno encontra-se aberto. O exame de ultra-som confirma a hipótese diagnóstica, embora não seja imprescindível. Em gestações com menos de 12 semanas, pelo tamanho uterino, indica-se a aspiração manual intra-uterina (AMIU), por ser mais segura e permitir o esvaziamento mais rápido.
Classificação dos abortamentos
A seguir descreveremos a classificação adotada pelo Ministério da Saúde:
Abortamento inevitável/incompleto: Quando não for possível empregar essa técnica, realiza-se a curetagem uterina. Em úteros compatíveis com gestação superior a 12 semanas, emprega-se o misoprostol na dose de 200mcg de 12 em 12 horas, via vaginal, em ciclos de 48 horas de tratamento, com três a cinco dias de intervalo, podendo ser associado à indução com ocitocina. Após a expulsão, estando o útero compatível com gestação com menos de 12 semanas, faz-se a AMIU ou realiza-se a curetagem uterina. Também é importante avaliar a perda sangüínea e, se extremamente necessário, far-se-á transfusão sangüínea. 
Classificação dos abortamentos
A seguir descreveremos a classificação adotada pelo Ministério da Saúde:
Abortamento retido: Nesse caso, o embrião permanece sem vida no interior do corpo da mulher. Ela não apresenta sangramentos e o colo do útero permanece fechado, sendo observado também uma regressão dos sintomas clássicos da gravidez. O exame de ultrasom revela ausência de sinais de vitalidade ou a presença de saco gestacional sem embrião (ovo anembrionado). Pode ocorrer o abortamento retido sem os sinais de ameaça. Pode ser tratado utilizando-se o misoprostol ou, quando o tamanho uterino corresponder à gestação com menos de 12 semanas, pode-se empregar a técnica de AMIU.
Classificação dos abortamentos
A seguir descreveremos a classificação adotada pelo Ministério da Saúde:
Abortamento infectado: Nesse tipo de abortamento, observa-se a presença de infecções. Ele ocorre geralmente em decorrência da realização de abortos ilegais com manipulação incorreta do útero, sendo observado frequentemente abortamento incompleto e infecções, principalmente, bacterianas. A mulher apresenta sangramentos, dores, febre e até mesmo eliminação de pus na região do colo uterino.
Classificação dos abortamentos
A seguir descreveremos a classificação adotada pelo Ministério da Saúde:
Abortamento habitual: Caracteriza-se pela perda espontânea e consecutiva de três ou mais gestações antes da 22ª semana. É primário quando a mulher jamais conseguiu levar a termo qualquer gestação, e secundário quando houve uma gravidez a termo. Estas mulheres devem ser encaminhadas para tratamento especializado, em que seja possível identificar as causas e realizar tratamentos específicos.
Classificação dos abortamentos
A seguir descreveremos a classificação adotada pelo Ministério da Saúde:
Abortamento eletivo previsto em lei: Esse abortamento é provocado, entretanto, a mulher está amparada por lei. Somente algumas situações permitem esse tipo de abortamento, sendo elas: caso de estupro, riscos de vida para a mulher ou confirmação de feto que não apresenta parte da calota craniana, ou ela inteira, e o cérebro (anencefalia).Nos casos em que exista indicação de interrupção da gestação, obedecida a legislação vigente, por solicitação da mulher ou de seu representante, deve ser oferecida à mulher a opção de escolha da técnica a ser empregada: abortamento farmacológico, procedimentos aspirativos (AMIU ou elétrica) ou dilatação e curetagem.
 
LEGISLAÇÕES SOBRE O ABORTO
No Reino Unido, leis promulgadas em 1967 e 1990 têm tentado elucidar quando um aborto pode ser considerado necessário, sem muito êxito. A mulher que reivindica autorização para o aborto precisa ser avaliada por dois médicos que devem chegar a um consenso e ratificar que há risco de vida para a mulher ou risco para a vida ou má formação do feto. O aborto deve ser realizado antes de completadas 24 semanas de gestação, mas pode ser realizado a qualquer momento se existir um grave risco à saúde física ou mental da mãe ou se existir um sério risco da criança desenvolver graves deficiências físicas ou mentais.
 
LEGISLAÇÕES SOBRE O ABORTO
Na Áustria, os abortos são permitidos após exame pré-natal que certifique anomalia congênita. O aborto é legal em todos os casos comprovados de dificuldades sócio-econômicas, podendo ser realizado com até 12 semanas de gestação. Depois deste limite, apenas se forem esperados sérios problemas físicos ou psicológicos para a mãe ou para o feto. Se não for diagnosticadaanomalia congênita letal, a maioria dos obstetras da Áustria segue o instinto maternal para permitir o aborto com mais de 24 semanas. Formas inviáveis de anomalias congênitas permitem a interrupção em qualquer estágio da gestação.
 
LEGISLAÇÕES SOBRE O ABORTO
Na Bélgica, os abortos são permitidos. O aborto é legal até 12 semanas de gestação. Se for diagnosticada anomalia congênita, o prazo limite para a interrupção é de aproximadamente 24 semanas após o início da gravidez. 
Na Bulgária, o aborto é legal, mas a interrupção deve ser feita em até 12 semanas se não houver permissão e em até 20 semanas com a permissão. Se diagnosticada anomalia congênita, o aborto pode ser realizado com até 27 semanas de gestação. 
Na Croácia, o aborto é permitido em todos os casos até as 24 semanas de gestação. Todas as induções ao aborto causadas por má-formação fetal são registradas. 
Na França, o aborto é permitido, podendo ser realizado a qualquer tempo, tanto nos casos de dificuldades sócio-econômicas como nos casos de diagnóstico de anomalias congênitas. Todos os abortos são devidamente registrados. 
 
LEGISLAÇÕES SOBRE O ABORTO
Na Alemanha, a indução ao aborto por razões sociais é legalizada. De acordo com as leis germânicas, os abortos por indicação médica não possuem prazo limite para sua realização. Desde 1987, são notificados abortos realizados depois que o exame pré-natal diagnosticou má-formação.
Na Espanha (Região Basca), o aborto é legal apenas quando descobertas severas anomalias durante o pré-natal. O prazo limite para a interrupção é de 22 semanas após o início da gestação (VERY..., 2004). 
Desde 1936, no México, o abortamento em caso de estupro é permitido por lei (GASMAN, 2003). O decreto sobre o direito da interrupção da gravidez (CETOP – sigla em inglês), homologado na África do Sul, em outubro de 1996, permite o aborto em qualquer circunstância independentemente de qualquer autorização legal. Prevalece a vontade da mulher (TRUEMAN, 2003).
 
LEGISLAÇÕES SOBRE O ABORTO
Na Alemanha, a indução ao aborto por razões sociais é legalizada. De acordo com as leis germânicas, os abortos por indicação médica não possuem prazo limite para sua realização. Desde 1987, são notificados abortos realizados depois que o exame pré-natal diagnosticou má-formação.
Na Espanha (Região Basca), o aborto é legal apenas quando descobertas severas anomalias durante o pré-natal. O prazo limite para a interrupção é de 22 semanas após o início da gestação (VERY..., 2004). 
Desde 1936, no México, o abortamento em caso de estupro é permitido por lei (GASMAN, 2003). O decreto sobre o direito da interrupção da gravidez (CETOP – sigla em inglês), homologado na África do Sul, em outubro de 1996, permite o aborto em qualquer circunstância independentemente de qualquer autorização legal. Prevalece a vontade da mulher (TRUEMAN, 2003).
 
LEGISLAÇÕES SOBRE O ABORTO
Em 2020, a Argentina aprovou uma lei que permite o aborto até a 14ª semana da gestação. 
Já em fevereiro de 2022, a Corte Constitucional da Colômbia descriminalizou o aborto até a 24ª semana de gestação.
No Brasil
No Brasil o aborto é crime previsto no Código Penal de 1940.
A prática do aborto ou abortamento vem sendo atualmente um dos temas mais tratados atualmente, tanto na área jurídica como na área religiosa e dos direitos humanos. Tal fato deve-se à discussão em torno da aprovação de lei que autoriza tal prática.
No Brasil
Segundo o Código Penal Brasileiro, o aborto é punível e encontra-se elencado em três artigos, são eles:
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena - detenção, de um a três anos.
Aborto provocado por terceiro
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos.
No Brasil
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência.
Além destes três tipos, nossa lei penal prevê o crime de aborto em sua forma qualificada no Art. 127. Segue sua leitura:
Forma qualificada
No Brasil
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
Muito embora a lei considere crime a prática de aborto, existe no Artigo seguinte a previsão legal de autorização em determinados casos concretos conforme se vê adiante:
No Brasil
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico:
Aborto necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
O legislador incluiu tais delitos no Título I, que trata dos Crimes contra a Pessoa, inserindo-os no Capítulo I, que abarca os Crimes contra a Vida, de tal forma que, mesmo o Código Civil considerando que os direitos civis somente são adquiridos pelo feto após seu nascimento com vida, existe a defesa daquela vida mesmo antes do nascimento e caracterização da pessoa natural.

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