Prévia do material em texto
GESTÃO DE RISCOS DANIELE MELO DE OLIVEIRA U N I D A D E 1 Desde os primórdios da civilização o homem sempre esteve sujeito a correr riscos físicos, psíquicos ou materiais para a sua sobrevivência. Os riscos sempre estiveram relacionados às atividades de execução, na busca e conservação de alimentos, segurança, moradia ou por status social, na detenção de terras na sobreposição de poder. UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO 1. Compreender como se deu a evolução do homem e seus conflitos. 2. Sintetizar os principais conceitos dos riscos e sua natureza. 3. Discutir a importância do gerenciamento de riscos. 4. Analisar os princípios gerais da gestão de riscos. UNIDADE 1 | OBJETIVOS É certo que desde os primórdios da civilização o homem sempre correu algum tipo de risco, normalmente inerentes a necessidade de sobrevivência voltadas à caça, pesca e até mesmo na garantia da sua moradia. EVOLUÇÃO DO HOMEM E SEUS CONFLITOS Ao longo do tempo o homem foi adquirindo novas habilidades físicas e intelectuais, sempre acompanhadas de conflitos. Mas foi nas disputas travadas pelas conquistas de terra, na detenção do poder que o homem mais se destacou em conflitos armados, correndo sempre riscos, ainda que tivesse situação militar privilegiada. Muitos momentos históricos que abalaram a humanidade, como as duas primeiras guerras mundiais, foram causados por conflitos de supremacia política e detenção de poder. O homem pré-histórico também passou por conflitos na gestão de equipes devido às necessidades de segurança e de sobrevivência. Um ambiente empresarial, por exemplo, é cercado de variáveis internas e externas que irão influenciar nos conflitos interpessoais de seus colaboradores. Isso acontece porque todo o homem possui características implícitas no seu processo de formação moral, originados da sua infância e alimentados pelas experiências ao longo da sua vida. CONFLITOS NO AMBIENTE EMPRESARIAL Todo homem traz consigo valores e normas originados da família, seja ela biológica ou adotiva. Com isso, traumas e violência, física e psíquica, causam muitos conflitos internos que influenciam toda a vida do cidadão, e isso pode gerar um caos organizacional. Para atender à crescente demanda do mercado globalizado foi necessário organizar os recursos humanos para obter o maior rendimento possível dos colaboradores, com os menores conflitos possíveis, pois toda a empresa visa à sobrevivência e obtenção de lucros, e isso só é possível com a participação de pessoas. Vale ressaltar que os conflitos são considerados situações normais na evolução do homem para a interface sadia do ambiente onde interage, mas o equilíbrio do conflito é de extrema importância para a restauração da comunicação e do relacionamento entre as pessoas. Por mais vantajosa que pareça ser a posição do homem frente a uma situação, sempre há riscos e conflitos que precisam ser gerenciados. Esse é um dos grandes desafios das organizações empresariais modernas. Os ambientes de trabalho, em seus diversos ramos de atuação e funções, podem conter inúmeros riscos à saúde do homem, e se não forem controlados com gestão eficaz, focada em responsabilidade, podem causar danos físicos e psicológicos irreversíveis a empregadores e empregados. PRINCIPAIS CONCEITOS E NATUREZA DOS RISCOS Os principais agentes nocivos são conhecidos como riscos ambientais, os quais exigem medidas preventivas e corretivas específicas no ambiente de organizacional de gestão e produção, para que não ocorram as tão temidas doenças do trabalho. No Brasil, a norma regulamentadora NR 9 dispõe do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, popularmente conhecido como PPRA. Essa norma objetiva antecipar, identificar e avaliar os fatores de risco no ambiente de trabalho, prejudiciais à vida do homem, pois os riscos ambientais podem causar acidentes com sequelas até mesmo irreversíveis ou levar o trabalhador à morte. Os riscos químicos podem estar presentes em diversas classificações de trabalho, mas normalmente encontram-se em ambientes de produção de classificação pesada ou de base, na transformação de matéria-prima bruta em matérias-primas processadas, indústrias de equipamentos, hospitais ou laboratórios. É por essa razão, muitas empresas são proibidas de ofertar refeições no ambiente de trabalho aos seus colaboradores. Visando minimizar os riscos à saúde, muitas organizações alocam o refeitório em ambiente externo aos serviços e à produção. Os riscos físicos referem-se às diferentes formas de energia, como calor ou frio, a que o homem está exposto em seu ambiente social ou de trabalho. O calor em excesso utilizado em sistemas de produção, por exemplo em fundições, indústrias siderúrgicas, de cerâmicas, manipulação de vidros dentre outros, podem ser extremamente danosos à saúde. Os riscos causados por pressões anormais são aqueles em que o homem é submetido a condições atmosféricas diferentes da normalidade. As atividades náuticas são submetidas a condições anormais de pressão, em trabalhos desenvolvidos, por exemplo, em submarinos, mergulhos, em tubulações e ambientes pneumáticos. Os riscos biológicos à saúde podem ser causados por diversos microrganismos tais como: vírus, bactérias, fungos, protozoários e bacilos. As principais atividades de trabalho inerentes aos riscos biológicos são: serviços de limpeza, alimentação, hospitalar e laboratoriais. Os riscos ergonômicos referem-se ao ajustamento físico inadequado do homem em seu ambiente. Normalmente, estão relacionados a aspectos como postura, ritmo de locomoção, transporte de peso, dentre outras situações que exigem esforço físico aplicado, em ambientes sociais e de trabalho, fora dos limites do corpo humano. RISCOS ERGONÔMICOS Ergonomia é um estudo que surgiu para alinhar corretamente o ser humano às necessidades de trabalho. As normas regulamentadoras dos riscos ergonômicos são regidas pela NR 17, objetivando respeitar os limites do corpo humano e o bem-estar do trabalhador. Os estudos ergonômicos dividem-se em: • Ergonomia física – Estuda as relações físicas e psicológicas do corpo humano e do ambiente físico de trabalho. Esses estudos contemplam materiais, layout, ritmo, repetição, vibração, força e postura. • Ergonomia cognitiva – Estuda as relações mentais do homem, reflexos, atenção, coordenação motora, memória e atenção. • Ergonomia organizacional – Estuda o planejamento das atividades organizacionais com foco na melhoria contínua pautada na ética das relações de trabalho. Essa divisão de estudo engloba o trabalho em turnos, a satisfação profissional, o trabalho à distância, em equipe, dentre outras formas de exercício profissional. A aplicação dos estudos ergonômicos nas empresas visa à qualidade tanto do empregador quanto do empregado. A legislação brasileira exige que as empresas implantem o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) na elaboração e divulgação aos trabalhadores, por meio de documentos, dos riscos existentes no ambiente em que atuam. GERENCIAMENTO DE RISCOS E SUA IMPORTÂNCIA Mapa de risco é o instrumento de maior propagação dentre as organizações, sendo obrigatória sua exposição. O gerenciamento de riscos empresariais no planejamento e o alcance de metas também são de extrema importância para a sobrevivência das empresas. Diariamente as pessoas correm algum tipo de risco. É muito comum nos envolvermos em situações arriscadas, então, pode-se entender que o risco é a probabilidade de que um evento ocorra com impactos. A todo o momento pode haver maior ou menor chance de o risco ocorrer. Então, podemos afirmar que, se não há probabilidade e impacto, não há risco. Se não houver impacto, não há risco, apenas um evento. Não havendo a probabilidade é possível somente ter noção do que pode acontecer. Com base no estudo das probabilidades há efetiva gestão de riscos visando à diminuição dos impactos que possam vir a ocorrer, sendo possível evitar os riscos. Na gestão empresarial o risco pode ter impacto positivo ou negativo. Negativo,também conhecido na administração como ameaça, é quando um evento pode impedir que objetivos e metas traçadas sejam alcançados. Positivos são os riscos que podem trazer novas oportunidades de negócio e parcerias. O RISCO PODE TER IMPACTO POSITIVO OU NEGATIVO NA GESTÃO EMPRESARIAL Contudo, a gestão de riscos pode ajudar o gestor empresarial a desenvolver melhor seu negócio, qualificar e quantificar os eventos de maior impacto, aumentar a produtividade e dar respostas para os riscos. Para a identificar os riscos empresariais o gestor pode utilizar diversas ferramentas da administração, entre elas a Análise de SWOT. Utilizada pelas empresas para análise tanto do ambiente interno quanto externo das organizações, o SWOT é uma ferramenta considerada pelos administradores como simples, mas com alto grau de assertividade para a tomada de decisões. O monitoramento e o controle de todas as áreas da empresa devem ser feitos por meio de outras ferramentas do conhecimento administrativo. Cronogramas, planilhas de custos e de qualidade são de extrema importância para que riscos empresariais sejam controlados, previstos, comunicados e se possível evitados. Quanto maior a previsibilidade, maior serão os índices de assertividade nas decisões empresariais. Em se tratando de riscos ambientais, o mapa de risco é um instrumento que possibilita o levantamento dos riscos nos diferentes setores físicos das empresas, objetivando identificar os locais de maior ou menor grau de possibilidades de acidentes de trabalho e do desenvolvimento de doenças. O elaborador do mapa de risco deve partir da planta baixa da empresa para analisar tecnicamente todos os ambientes físicos e as possibilidades de riscos, estipulando graus de intensidade. A gestão de riscos nas empresas deve ser um processo permanente, aplicada e direcionada a qualquer área organizacional e a todo tipo de organização objetivando comunicar, tratar e se possível evitar que os riscos aconteçam, considerando que toda empresa está permanentemente exposta a ameaças internas e externas. PRINCÍPIOS GERAIS DA GESTÃO DE RISCOS A gestão de riscos visa a apontar onde o risco está, analisar até que ponto a ameaça é relevante para a organização e se irá impactar nos processos primários ou secundários da empresa. Se o risco estiver nos processos primários os cuidados devem ser redobrados. O gerenciamento para a medição de riscos engloba a gestão das probabilidades de ocorrência, acrescida da expectativa de impactos, visando a minimizá-los. Dessa forma será possível medir os riscos. O programa 5” S”, também conhecido como cinco sensos, é considerado uma filosofia de boa prática utilizada por muitas empresas para prevenção, diminuição e até mesmo não ocorrência de riscos. PROGRAMA 5” S” Originado no Japão, na década de cinquenta e difundido no Brasil em meados da década de noventa, o programa parte de cinco premissas focadas na qualidade, as quais devem ser repetidas diariamente como se fosse uma filosofia de vida e trabalho. São elas: descarte, organização, limpeza, saúde e disciplina. O programa 5”S” parte do princípio de que, para funcionar, a idealização do projeto deve partir de cima para baixo, ou seja, da alta gestão para os demais colaboradores. O programa requer também a participação indiscriminada de todos os membros da organização, treinamento e trabalho em equipe. Dessa forma haverá melhoria contínua e diminuição de riscos. Com a aplicação efetiva do programa 5”S” haverá ganho no espaço físico, maior facilidade de localização de máquinas e equipamentos, eliminação de materiais velhos e obsoletos e a consequente diminuição de riscos. OBRIGADA!