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Fotojornalismo
Os gêneros fotojornalísticos: Conceitos e aplicações
Apresentação
Nesta aula, estudaremos o Fotojornalismo em seus diversos gêneros, entendendo seu conceito como formas intertextuais
voltadas ao atendimento das expectativas da fonte enunciativa e de seu interlocutor quanto ao que se propõem.
Serão abordados o conceito de gênero de forma geral e as características dos seguintes gêneros fotojornalísticos:
Reportagem fotográ�ca, ensaio fotográ�co, fotogra�a editorial, fotogra�a de notícias (spot news e notícias em geral),
fotogra�a feature e ilustrações fotográ�cas, além do retrato e da paisagem.
A classi�cação apresentada nesta aula segue o modelo proposto pelo pesquisador Jorge Pedro Sousa.
Objetivos
Esclarecer os conceitos de gêneros e de gêneros fotojornalísticos;
Examinar os gêneros reportagem fotográ�ca, fotogra�a de notícias e fotogra�a feature;
Examinar os gêneros ilustrações fotográ�cas, ensaio fotográ�co e fotogra�a editorial.
Os conceitos de gêneros e de gêneros fotojornalísticos
O desenvolvimento criativo em um determinado campo de conhecimento expressa-se de diferentes maneiras. Conforme vão
se solidi�cando, essas formas adquirem características próprias que as separam das demais.
 No campo da música, por exemplo, podemos citar diversas formas criativas, como o samba, o reggae, o bolero, o blues.
Técnicas de composição e arranjo, compassos, escalas, ritmos: Cada um desses formatos tem seu próprio arcabouço, e nem
sempre um músico especialista em um deles o será em outro, exatamente por conta das peculiaridades de cada estilo.
 É nesse sentido que podemos compreender a noção de gêneros. Trata-se das diferentes formas de criação em um mesmo
campo de conhecimento. Além do exemplo da música, podemos elencar outras áreas que são desenvolvidas em diferentes
gêneros:
Área Principais gêneros
Cinema Comédia, drama, suspense, musical, documentário, ficção, romance, terror etc.
Literatura Crônica, conto, poesia, prosa, novela, romance, saga, ensaio etc.
Direito Petição, sentença, habeas corpus, recurso, ação etc.
Ciência Artigo, monografia, resenha crítica, paper, resumo etc.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Os gêneros se referem, portanto, às diferentes tipologias de discurso que compõem um conjunto maior que é a própria área do
conhecimento. No dizer de Dominique Maingueneau (2007), são dispositivos de comunicação associados aos discursos em
que orbitam. A vinheta é um gênero do radialismo, assim como o slogan é um gênero da publicidade, e a oração é um gênero
do campo religioso.
 Os gêneros se referem então a esquemas de ordenamentos e classi�cações. Para Felipe Pena (2006), a teoria dos gêneros foi
desenvolvida como forma de agrupamento de obras por convenções estéticas ou como normatizadora das relações entre
autor, obra e leitor.
 Tzvetan Todorov (1980) acrescenta que, ao se desenvolverem, os gêneros se transformam em modelos para os autores e de
expectativa para os leitores. Com a proposta de produzir uma comédia, um diretor de cinema precisa fazê-la de tal forma que o
espectador seja convencido de que realmente se trata de uma comédia. Os gêneros só são bem-sucedidos à medida que se
manifestam como expressão intencional do autor e como elemento de reconhecimento por parte do público.
 No jornalismo, os gêneros costumam ser divididos em função da �nalidade. José Marques de Melo (1994) limita em duas tais
�nalidades: Informação e opinião. Dessa forma, ele classi�ca assim os gêneros jornalísticos.
Gêneros informativos
Nota, notícia, reportagem e
entrevista.
Gêneros opinativos
Editorial, comentário, artigo, crítica,
resenha, crônica, coluna, caricatura
e opinião do leitor.
Os gêneros informativos têm a função de informar, isto é, de apresentar dados objetivos sobre os fatos, relatá-los e abordá-los
de forma distanciada, sem a intervenção manifesta da subjetividade do autor. Já os opinativos têm a função de apresentar
pontos de vista e juízos de valor sobre determinados fatos, através da intervenção proposital do autor em fazer a sua avaliação.
Gêneros do Fotojornalismo
Assim como nos gêneros jornalísticos como um todo, relacionados às características da produção textual, o Fotojornalismo
desenvolveu suas próprias classi�cações de gêneros. Segundo Ana Nascimento (2016), no percurso de pro�ssionalização da
atividade, o Fotojornalismo foi dividido em estruturas de linguagem e segmentos e, por isso, classi�cado em divisões
temáticas.
No entanto, Sousa (2002) aponta a di�culdade em se estabelecer um consenso nessas classi�cações. O concurso World Press
Photo criou um modelo próprio, em função da quantidade de fotos (única ou várias) e dos temas abordados (notícias, arte,
pessoas, moda, ciência e tecnologia, esportes e natureza, e ambiente). Além disso, algumas fotogra�as podem pertencer a
mais de uma categoria, dependendo de seu contexto e da ancoragem textual que as suporta.
Sousa (2002) opta por uma classi�cação baseada na literatura em torno do Fotojornalismo, que classi�ca os gêneros
fotojornalísticos em notícias (com os subgêneros spot news e notícias em geral); histórias em fotogra�as (reportagem
fotográ�ca e ensaio fotográ�co); features; e ilustrações fotográ�cas. Nessa classi�cação, são acrescentados os gêneros
retrato e paisagem. Por �m, podemos incluir entre os gêneros fotojornalísticos a fotogra�a editorial.
 É nesse sentido que podemos compreender a noção de gêneros. Trata-se das diferentes formas de criação em um mesmo
campo de conhecimento. Além do exemplo da música, podemos elencar outras áreas que são desenvolvidas em diferentes
gêneros:
 Os gêneros reportagem fotográ�ca e fotogra�a de notícias
 Clique no botão acima.
Os gêneros reportagem fotográ�ca e fotogra�a de notícias
Reportagem fotográ�ca
A reportagem fotográ�ca também é conhecida como fotorreportagem e, na classi�cação de Sousa (2002), pertence
ao universo das histórias em fotogra�as (picture stories). Nesse gênero, uma série de imagens se integra para relatar
um tema. Jorge Pedro Sousa (2002) o considera o gênero nobre do Fotojornalismo.
É necessário que as imagens, nesse modelo, mostrem os diversos aspectos do assunto retratado. Elas levam certo
tempo para ser produzidas, pois o fotojornalista deve entender os pormenores do tema, fazer um prévio planejamento
de como cobri-lo e produzir um grande número de imagens, para ter possibilidade de escolha na montagem do
produto �nal. Os principais temas das histórias em fotogra�as são problemas sociais, acontecimentos marcantes e
histórias de vida.
No contexto das histórias em fotogra�as, a reportagem fotográ�ca é o gênero fotojornalístico que desenvolve a
narrativa jornalística através de imagens articuladas com o texto. Ela une em uma mesma linguagem dois conceitos
complementares: O de reportagem e o de fotogra�a jornalística. No entanto, deve haver predomínio das imagens sobre
o conteúdo textual. A fotorreportagem deve destacar as imagens em detrimento do texto, sendo fundamental a
articulação entre eles.
Do gênero reportagem, a fotorreportagem herda a necessidade de contar uma história real de modo aprofundado. O
objetivo essencial é situar, documentar, mostrar a evolução e caracterizar a situação e as pessoas envolvidas. A pauta
da fotorreportagem deve surgir de situações do cotidiano, pois trata-se de um gênero jornalístico voltado para a
atualidade.
Importante
A construção imagético-textual deve ser desenvolvida levando em consideração as causas do fenômeno, suas
consequências e impactos na sociedade. A narrativa textual deve ser acompanhada por imagens com potencial
igualmente narrativo. As fotogra�as também precisam contar a história, não apenas registrar em imagens.
São elementos fundamentais da reportagem fotográ�ca, além das imagens e do texto, o contexto histórico, a
valorização das personagens e a identi�cação dos pontos de con�ito relacionados ao assunto. Abaixo,
fotorreportagem sobre as manifestações de 2013: Fotorreportagem sobre as manifestações de 2013. (Fonte: Revista Veja, nº 2326, de 19/06/2013, imagens digitalizadas pelo autor).
O caráter informativo da fotorreportagem
Apesar da profundidade da abordagem e da inevitável intervenção do pro�ssional na construção do discurso, através da
escolha de palavras e imagens, a fotorreportagem mantém-se como gênero informativo. Isso signi�ca que não prioriza as
opiniões de seus autores, não marca pontos de vista, mas oferece informações e elementos que podem suscitar re�exão do
leitor.
O formato das picture stories, entre as quais a reportagem fotográ�ca,
geralmente tem como imagem inicial uma fotogra�a em plano geral ou
aberto, que contextualiza o ambiente junto ao leitor. As demais imagens
podem ter planos variados, incluindo partes de ambientes, detalhes de
objetos, rostos etc. É importante haver uma fotogra�a de encerramento, que
resume a essência da narrativa. Jorge Pedro Sousa (2002) ressalta que as
histórias em fotogra�as devem ter princípio, meio e �m.
Por sua natureza autoral, é atribuição do fotojornalista a escolha prévia das imagens que vão compor a fotorreportagem,
cabendo ao editor a palavra �nal sobre a publicação. Da mesma forma, a redação do texto da reportagem fotográ�ca também
deve ser tarefa do fotojornalista, e não de outro pro�ssional. Em reportagens feitas em parceria (repórter e fotógrafo), é
possível que haja divisão de tarefas entre redação (para o repórter) e fotogra�as (para o fotógrafo).
De modo geral, as reportagens fotográ�cas contêm uma série de imagens interligadas, que formam um todo narrativo, mas
Sousa (2002) admite que até mesmo uma fotogra�a única pode con�gurar uma fotorreportagem, desde que ela consiga
sintetizar, em um único clique, o signi�cado do acontecimento.
Fotogra�a de notícias
Para cumprir a função informativa, situando visualmente o leitor sobre o ocorrido, a fotogra�a de notícias é aquela que
acompanha o texto noticioso. Segue, portanto, a velocidade da notícia: Do mesmo modo que o repórter deve ter presteza para
captar a informação, apurá-la e publicá-la o quanto antes, o fotojornalista deve registar as imagens no mesmo ritmo, sob pena
de perder o timing e prejudicar o produto �nal.
A maior parte das fotogra�as publicadas em jornais ou postadas nos portais de notícias se refere à fotogra�a de notícias.
Sousa (2002) distingue essa categoria em dois subgêneros.
No primeiro caso, estão as notícias que surgem de fatos imprevistos ou inesperados. Acidentes aéreos, incêndios, sequestros,
ataques terroristas e fatos similares de caráter negativo fazem parte desse conjunto de fatos. Mas também são notícias
imprevisíveis um humilde lavrador ganhar na loteria, ou um jogador fazer um gol do meio de campo, en�m, acontecimentos de
viés positivo.
Abaixo, foto da queimada na Amazônia em 2019, de Daniel Beltra/Greenpeace:
 Queimada na Amazônia em 2019, de Daniel Beltra/Greenpeace. (Fonte: Notícias
UOL).
Saiba mais
As fotogra�as de notícias inesperadas são denominadas spot news. Em uma tradução livre, signi�ca “notícias de destaque” ou
“informação destacada”. São as fotogra�as tidas como únicas de acontecimentos imprevistos ou hard news. Essas situações
exigem do fotojornalista domínio do equipamento, senso de observação e velocidade de disparo.
Às vezes, o ápice da informação dura frações de segundos. Não há tempo para planejamentos, e sim a necessidade de
registrar o fato da forma mais precisa possível, praticamente sem chances para erros. É a capacidade de reação do fotógrafo
diante da situação que vai determinar o valor jornalístico da fotogra�a.
Manifestação dos “coletes amarelos” na França, em 2018. Foto de Christophe Petit Tesson:
 Manifestação dos “coletes amarelos” na França, em 2018. Foto de Christophe Petit
Tesson. (Fonte: SIC Notícias).
Podemos incluir na categoria de spot new:
Por exemplo, imagens de destroços de um prédio que
desabou ou de carros dani�cados após um acidente
con�guram fotogra�as do pós-acontecido.
 Destroços do avião da TAM que caiu em São Paulo em 1996. Foto de Maurilo Clareto
(Fonte: Arquivo Estadão Conteúdo/ Globo G1).
Atenção
Sousa (2002) salienta que o aguçamento para captar imagens tão instantâneas quanto de alto valor jornalístico vem da
experiência pro�ssional. As fotogra�as spot news não devem ser somente tecnicamente e�cientes, mas devem tornar a cena
imediatamente reconhecível.
Por �m, as fotogra�as spot news podem surgir ao acaso. Para isso, cabe ao fotojornalista olhar além da pauta e descobrir no
caminho da cobertura prevista se há eventos imprevistos dignos de registro.
As pautas previamente marcadas também são objeto de cobertura fotográ�ca no gênero fotogra�a de notícias. No entanto, vão
pertencer a uma segunda categoria: As notícias em geral ou general news.
As fotogra�as de notícias em geral permitem ao repórter fotográ�co o planejamento prévio da cobertura. De acordo com a
pauta, ele deverá saber qual modelo de câmera levar, quais tipos de objetivas, se vai levar �ash externo e até mesmo pré-de�nir
enquadramentos e tipos de planos.
São exemplos de situações que serão coberturas por general news: Entrevistas coletivas, eventos, reuniões, simpósios,
congressos, visitas de chefe de estado, pronunciamentos, competições esportivas, des�les de moda, apresentações artísticas
etc.
 Foto de Fabrizio Bensch/Reuters. (Fonte: Exame).
Encontro entre a chanceler alemã Angela Merkel e o
presidente francês Emmanuel Macron, em 2017.
Dica
Esses tipos de pautas são previamente marcadas, obedecendo a calendários pré-de�nidos. São geralmente objeto de releases,
que chegam à redação com informações úteis para a produção da pauta, como o resumo do assunto, os protagonistas que
devem ser entrevistados, e a data, hora e local do evento.
Em alguns casos, as personagens principais posam para os fotógrafos antes da abertura dos trabalhos. Essas imagens recebem
o nome de photo opportunities ou photo ops, e são consideradas por Sousa (2002) o exemplo mais rotineiro da forma fotográ�ca
das notícias em geral.
Uma preocupação pertinente dos fotógrafos nas coberturas das notícias em geral é chegar com antecedência ao local para
encontrar o melhor posicionamento. Além disso, o repórter fotográ�co deve investir na originalidade da imagem.
Em um cenário em que todos os fotógrafos estão vendo a mesma cena, vai se destacar aquele que apostar no diferencial da
imagem, que pode vir nas expressões de alegria ou enfado, nos gestos exagerados ou na postura demasiadamente relaxada
dos protagonistas, por exemplo.
 É importante ressaltar que, diferentemente do que ocorre com as reportagens fotográ�cas, os veículos de comunicação
costumam publicar uma única fotogra�a de notícias por pauta. Portanto, essa imagem precisa representar o essencial do
acontecimento.
 Os gêneros fotogra�a feature e ilustrações fotográ�cas
 Clique no botão acima.
Os gêneros fotogra�a feature e ilustrações fotográ�cas
Fotogra�a feature
O gênero fotogra�a feature corresponde às imagens jornalísticas de situações pontuais, imprevistas em pauta, mas
sem a carga noticiosa que caracteriza as spot news. São fotogra�as de instantes fugazes, como a da celebridade que
desce do carro para tirar uma sel�e com um fã, ou a do político que beija uma criança durante uma caminhada.
Enquanto o fato noticioso é registrado por uma imagem spot news, o fato prosaico é objeto de uma fotogra�a feature.
As imagens do dia a dia de pessoas andando no parque, levando o cachorro para passear, tomando sol na praia ou
conversando na praça também podem con�gurar fotogra�as feature, desde que fujam da mesmice usual desses
momentos. O que interessa ao fotógrafo é a imagem incomum, cheia de força visual, capaz de atrair o leitor.
Alguns jornais criam a sessão “Imagem do dia” para exibir esses registros. No dizer de Sousa (2002), as imagens
pertencentes ao gênero feature encontram seu sentido em si mesmas, reduzindo o texto à função complementar de
informar data e localdo acontecimento.
 A cantora Beyoncé abraçando crianças de uma ONG de Fortaleza (CE). Foto da Veja São Paulo. (Fonte: Veja SP).
Apesar de não primarem pelo valor noticioso, as fotos feature exigem do repórter fotográ�co a mesma atenção e
senso de observação das fotogra�as de notícias, no sentido de encontrar o “instante decisivo” para que a fotogra�a
ganhe riqueza de signi�cado e seja atraente ao leitor.
Por vezes, é necessário tempo e paciência para captar, na dinâmica da realidade, o feature ideal. Dessa forma, as
fotogra�as de �agrante também podem con�gurar imagens feature, se a captação em tempo real �zer referência a
momentos curiosos e pitorescos, mesmo não noticiosos.
Sousa (2002) classi�ca os features em:
Features de interesse humano – Pessoas em momentos espontâneos, triviais, bem-humorados;
Features de interesse pictográ�co – Pessoas em cenários visualmente chamativos, como o pôr do sol, por
exemplo;
Features de animais – Animais em situações engraçadas, que despertam nas pessoas riso ou ternura.
 Foto do site Olhar Animal. (Fonte: Olhar Animal).
Crônica visual
Não há pauta prévia para fotogra�as feature. É o fotógrafo que deve perceber que pode estar diante de um cenário
propício e estar pronto para o disparo. A exploração do humor é um recurso comum para esse gênero, uma vez que o
feature frequentemente intenciona valorizar o lado leve da vida, como se fosse uma crônica visual.
Por se tratar de imagens de pessoas em seu cotidiano, recomenda-se que, no caso das features, o fotógrafo se
identi�que às pessoas e explique o objetivo das fotos, além de solicitar autorização para publicação. Essa ressalva se
dá por não se tratar de fato noticioso ou envolvendo pessoas públicas em exercício da atividade pela qual são
reconhecidas.
No entanto, Jorge Pedro Sousa (2002) dá uma dica: O fotógrafo deve primeiro fazer as fotos, depois pedir a
autorização – e, evidentemente, apagar as imagens em caso de autorização negada. Isso porque, se solicitar antes, o
risco de não ser atendido é maior. Além do mais, di�cilmente conseguirá fotos espontâneas.
 Dia dos Pais em parque de Presidente Prudente (SP). Foto de Ariane Viana/G1. (Fonte: Globo G1).
Ilustrações fotográ�cas
O gênero ilustrações fotográ�cas (também denominado fotogra�a ilustrativa ou photo illustration) se refere à produção de
imagens ilustrativas a partir de fotogra�as. Podem surgir de montagem entre fotogra�as ou de montagem entre fotogra�as e
imagens digitais. Também podem ser uma única fotogra�a, porém tratada por softwares de edição que a tornam mais
brilhante e chamativa.
Esse caráter manipulatório frequentemente põe em questão o pertencimento das ilustrações fotográ�cas ao conjunto de
gêneros fotojornalísticos, mas pelo fato de efetivamente serem usadas no jornalismo, elas continuam sendo consideradas
como tal.
Saiba mais
Alguns exemplos de imagens pertencentes ao gênero ilustrações fotográ�cas são a fotogra�a, tratada em Photoshop, de um
delicioso prato no caderno de culinária do jornal; a fusão da imagem real de um guitarrista com o fundo produzido digitalmente
simulando um grande palco; a montagem de fotogra�as com várias cédulas para ilustrar uma determinada matéria sobre
economia etc.
 Talharim ao molho parisiense. Foto do site Ana Maria Braga. (Fonte: Globo | Ana
Maria Braga).
 Fotomontagem usada para matéria sobre a ida da cantora Elba Ramalho à procissão
de São Sebastião, na Bahia. Foto do site O Fuxico. (Fonte: O Fuxico).
Dessa forma, as ilustrações fotográ�cas são previamente pensadas e produzidas. Ao domínio da câmera deve-se somar o
conhecimento das principais ferramentas dos softwares de edição e tratamento de imagem e das técnicas de iluminação em
estúdio.
Fotos produzidas em estúdio para ilustrar matérias especiais geralmente são testadas em diversas variações de luz, para dar
mais luminosidade, realçar detalhes, ou, inversamente, torná-las mais escuras e misteriosas, dependendo da proposta da
pauta.
 A escritora e atriz Fernanda Young posando como Frida Kahlo. Fotos de Bob
Wolfenson e Paulo Ferreira. (Fonte: Revista Embarque).
Retrato
Um gênero especí�co de fotogra�a produzida é o retrato.
Fotogra�as de rostos também são comuns em matérias
especiais, como per�s de personalidades ou histórias de
vida.
Via de regra, deve-se valorizar a expressão facial, pois ela
deve ser coerente com a pauta. O retrato do empresário
bem-sucedido apresenta uma expressão vencedora, assim
como a vítima de um golpe será retratada com expressão
preocupada, de revolta. A pose é opcional: É possível pedir
para o retratado posar para a câmera como também deixá-
lo à vontade enquanto se fotografa.
 A empresária Leila Pereira, proprietária de uma das maiores financeiras do Brasil.
Foto de Amanda Perobelli/Estadão. (Fonte: Gazeta Digital).
Fotogra�a de paisagem
Outro exemplo de fotogra�a por vezes presente em matérias especiais é o gênero fotogra�a de paisagem. Geralmente em
plano geral, aborda temas naturais como campos, selvas, �orestas, rios, praias e mares, mas também grandes cenários
urbanos. É frequentemente utilizado para contextualizar a reportagem, localizando o leitor no cenário em que o fato se
desenrolou.
 A cidade de São Paulo. Foto de Pablo Moraes. (Fonte: Globo G1).
 Os gêneros ensaio fotográ�co e fotogra�a editorial
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Os gêneros ensaio fotográ�co e fotogra�a editorial
Ensaio fotográ�co
O ensaio fotográ�co ou fotoensaio pertence ao gênero histórias em fotogra�as (picture stories), consistindo, desta
forma, em uma série de imagens integradas que buscam contar uma narrativa.
Por geralmente abordarem problemas sociais, histórias de vida ou acontecimentos marcantes, as histórias em
fotogra�a costumam ser iniciadas a partir da perspectiva de uma personagem (sua rotina, seu dia a dia e suas
di�culdades), para depois ampliar o foco para uma situação geral, cujo impacto afeta a pessoa retratada.
Assim como ocorre com as reportagens fotográ�cas, que também constituem picture stories, a produção de um
ensaio fotográ�co requer tempo e planejamento prévio. O fotógrafo precisa pesquisar sobre o tema e fazer um grande
número de imagens, para poder selecionar as que comporão o produto �nal.
No entanto, o ensaio fotográ�co diferencia-se da reportagem fotográ�ca por apresentar o ponto de vista do fotógrafo
sobre determinado tema. É um gênero que retrata a realidade para analisá-la e opinar sobre ela.
Ana Nascimento (2016) conceitua o ensaio fotográ�co como uma união de fotogra�as sobre o mesmo tema ou
realizadas por um mesmo autor, porém apresentando experimentos técnicos e estéticos.
O fotoensaio é um espaço para a criação autoral, com valorização da sensibilidade do fotógrafo no registro dos traços
das personagens. Ele conta uma história com imagens que devem ter unidade entre si, mas não serem redundantes.
Cada foto deve se encerrar em si mesma, com poses diferentes e reveladoras de novas facetas da personagem.
O ensaio deve consistir em narrativa que envolva personagens e contexto. Em função da preocupação estética e da
impressão de marcas autorais na produção das imagens, muitos fotoensaístas preferem publicar seus ensaios
fotográ�cos em livros ou apresentá-los em exposições, em vez de utilizar páginas de jornais ou revistas.
 Fotos de Sebastião Salgado no ensaio fotográfico Êxodos (2000), sobre a emigração massiva de pessoas no mundo todo. As fotos foram tiradas entre 1993 e 1999.
(Fonte: Blog Emania e Intermídias).
 A atriz Viola Davis em ensaio fotográfico de Annie Leibovitz. (Fonte: Capricho).
Além disso, os ensaios fotográ�cos têm sido objeto de formas alternativas de expressão, como a utilização de
cenários montados, poses pré-programadas, combinação de imagens e manipulação digital, recursos usados para
ressaltar a intenção analítica da narrativa.
 Ensaio fotográfico de Bob Wolfenson com mulheres negras famosas. (Fonte: Rede Tiradentes e Área Vip).
Deadline
Sousa (2002) alerta para a importânciade se estabelecer um cronograma para a construção do ensaio fotográ�co. Os
objetos de abordagem dos ensaios costumam ser mais “frios” do que os da reportagem fotográ�ca, então a falta de
um deadline (momento de fechamento do trabalho) pode tornar o ensaio uma tarefa relativamente sem �m.
Além disso, o deadline evita que o fotojornalista se sinta exageradamente tocado pelas histórias das personagens e
queira prolongar demasiadamente o trabalho.
 Ensaio fotográfico de Bob Wolfenson com mulheres negras famosas. (Fonte: Rede Tiradentes e Área Vip).
 Ensaio fotográfico de Bob Wolfenson com mulheres negras famosas. (Fonte: Rede Tiradentes e Área Vip).
É recomendável um contato prévio com as pessoas que serão fotografadas, de preferência sem a presença da câmera,
para explicar-lhes a proposta do fotoensaio e por que serão personagens do trabalho. Para realizar o ensaio
fotográ�co, é comum que o fotógrafo precise entrar nas casas ou locais de trabalho das pessoas.
Fotogra�a editorial
A partir do conceito de editorial enquanto gênero textual do jornalismo, que se refere à opinião da empresa de comunicação
sobre determinado tema relevante e atual da sociedade, desenvolveu-se a ideia de fotogra�a editorial. Trata-se de uma
sequência de imagens que a empresa quer mostrar. No entanto, ela possui características mais ilustrativas do que jornalísticas:
São fotogra�as de coleções, produtos ou de momentos do fotografado.
 Fotografia editorial com a atriz Maria Casadevall, lançando coleção de Dudu
Bertholini. Fotos de Rogério Mesquita. (Fonte: Lilian Pacce).
 Fotografia editorial com a atriz Maria Casadevall, lançando coleção de Dudu
Bertholini. Fotos de Rogério Mesquita. (Fonte: Lilian Pacce).
 Fotografia editorial com a atriz Maria Casadevall, lançando coleção de Dudu
Bertholini. Fotos de Rogério Mesquita. (Fonte: Lilian Pacce).
Saiba mais
A fotogra�a editorial é geralmente utilizada em revistas de moda, catálogos e encartes de jornais, no caderno de cultura. São
imagens previamente produzidas, obedecendo a um brie�ng semelhante ao da fotogra�a publicitária, mas com mais liberdade do
fotógrafo na escolha das poses, enquadramentos e planos.
Diferentemente da fotogra�a publicitária, a fotogra�a editorial não tem objetivo de vender um produto, mas de apresentar
informações visuais sobre ele, pois trata-se de um gênero fotojornalístico.
Atividade
1. São funções dos gêneros informativos e opinativos no Jornalismo, respectivamente:
a) Interpretar as notícias e manifestar juízo de valor.
b) Relatar os fatos e selecionar informações.
c) Corrigir equívocos e reescrever pontos de vista.
d) Relatar os fatos e manifestar juízos de valor.
e) Reescrever pontos de vista e corrigir equívocos.
2. O registro fotográ�co de um terremoto, no instante em que acontece, pertence a qual gênero fotojornalístico?
a) Fotografia editorial.
b) Fotografia de paisagem.
c) General news.
d) Spot news.
e) Ensaio fotográfico.
3. Quais são os subgêneros pertencentes ao gênero histórias em fotogra�a ou picture stories?
a) Reportagem fotográfica e ensaio fotográfico.
b) Fotografia de notícias e fotografia editorial.
c) Reportagem fotográfica e fotografia de notícias.
d) Fotografia editorial e ensaio fotográfico.
e) Ensaio fotográfico e ilustrações fotográficas.
Notas
Título modal 1
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Referências
MAINGUENEAU, D. Análise de textos de comunicação. São Paulo: Contexto, 2007.
MELO, J. M. A opinião no jornalismo brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1994.
___________________. Jornalismo opinativo: Gêneros opinativos no jornalismo brasileiro. São Paulo: Mantiqueira, 2003.
NASCIMENTO, A. C. Fotojornalismo. Rio de Janeiro: Seses, 2016.
PENA, F. Teoria do Jornalismo. São Paulo: Contexto, 2006.
SOUSA, J. P. Fotojornalismo: Uma introdução à história, às técnicas e à linguagem da fotogra�a na imprensa. Porto: Letras
Contemporâneas, 2002.
TODOROV, T. Os gêneros do discurso. São Paulo: Unesp, 1980.
Próxima aula
Legislação em torno do Fotojornalismo;
Direitos autorais;
Direitos de imagem.
Explore mais
Leia o artigo O futuro do Fotojornalismo, de Fred Ritchin, sobre a in�uência da fotogra�a editorial no fotojornalismo
contemporâneo. Acesso em: 16 Jan. 2020;
Leia os artigos sobre a trajetória do repórter fotográ�co José Medeiros, da revista O Cruzeiro. Revista Desvio Blog e
UFRGS. Acesso em: 16 Jan. 2020;
Assista ao documentário Annie Leibovitz: A vida através das lentes. Acesso em: 16 Jan. 2020.
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