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O Que É Recuperação Judicial

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Sabrina Neri

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Prévia do material em texto

O Que É Recuperação Judicial?
https://fia.com.br/blog/recuperacao-judicial/
Acesso 15/03/2024
A recuperação judicial é um instrumento jurídico que prevê o acordo com credores para o pagamento de dívidas e, como o nome indica, a recuperação da empresa de modo a evitar a falência.
Nós já vimos em diversos conteúdos aqui no blog da FIA como os contextos externo e interno impactam na gestão de negócios.
Gerir é fundamental, ainda mais quando a economia não vai bem, como é o caso da brasileira.
Sabemos também que, no Brasil, os índices de mortalidade de empresas é relativamente alto, embora estejam em queda, segundo o Sebrae. Um dos principais motivos para a mortalidade, segundo o próprio Sebrae, é deficiência na gestão.
É nesse contexto que emerge a recuperação judicial como uma medida drástica para as empresas em dificuldades mais agudas.
Ela funciona como uma espécie de acordo intermediado pela justiça.
Nesse pacto, as empresas podem negociar, com respaldo jurídico, condições mais suaves para quitar dívidas trabalhistas, fiscais, com fornecedores e demais parceiros; ou seja, a empresa deve repensar o seu negócio e de que forma diferente a mesma irá continuar a sua atividade.
Se não houvesse essa forma de amparo legal, o ambiente de negócios correria o risco de se tornar inviável.
Afinal, toda empresa, mais dia, menos dia, vai passar por um período menos próspero.
Imagine, então, se não houvesse alternativa que não fosse aceitar uma falência?
A empresa e seus sócios perderiam muito dinheiro, menos empregos seriam gerados e a própria economia seria desacelerada com a morte de empresas em sequência.
recuperação é um passo importante porque pode salvar empregos e negócios
Qual O Objetivo Da Recuperação Judicial?
É importante destacar que a recuperação judicial não é uma “mãozinha” para organizações que não sabem gerir suas atividades.
Seu objetivo principal tem mais a ver com a função social das pessoas jurídicas
Em um país cuja economia é pautada pela livre iniciativa, é nas empresas que está a base para o desenvolvimento da sociedade.
Sendo assim, o governo precisa dar garantias de que, em caso de dificuldades, essa mesma sociedade não sofra os efeitos negativos da má gestão das empresas.
Claro que, quanto maior o porte da empresa em recuperação, mais profundos serão os impactos.  Uma empresa em recuperação judicial é como um paciente que vai para a UTI. O paciente pode sair da UTI, ir para o quarto e receber alta ou não.
No Brasil, infelizmente, de cada 100 empresas que tem a recuperação judicial aprovada pelos credores e deferidas pelo juiz somente 5 conseguem êxito; ou seja, voltam a gerar valor para os acionistas, empregos e renda na economia (fonte – estudo SERASA).
Por isso, um processo de recuperação judicial é necessariamente orientado por regras, afinal, ele é sempre conduzido por um órgão do Poder Judiciário.
Após a recuperação judicial ainda há um longo caminho para a geração de valor
Como Funciona A Recuperação Judicial?
Por mais que uma empresa prestes a falir demande ações urgentes, não se pode esperar que uma recuperação aconteça em ritmo acelerado.
Isso porque há certa complexidade envolvida quando se chega a esse ponto.
Uma empresa que pede recuperação estará efetivamente em maus lençóis.
Se ela precisa de ajuda, é porque não consegue mais resolver suas pendências com os recursos que tem.
Sendo assim, é preciso muito cuidado para que a organização consiga saldar suas dívidas e, na sequência, dar continuidade aos negócios sem cometer os erros do passado.
Por esses e outros motivos, um processo de recuperação é dividido em três etapas:
Postulatória
Nessa fase preliminar, a empresa em dificuldades ingressa na justiça com o pedido de recuperação.
Portanto, essa solicitação deve informar:
1. Os motivos que a levaram a entrar em crise – diagnóstico – neste ponto, está um dos fatores mais importantes de êxito/fracasso do processo de recuperação judicial.
É sabido que um dos grandes motivos das empresas solicitarem a recuperação judicial é a questão da gestão. Porém, são muitos poucos planos que apresentam este diagnóstico e, portanto, não apresentam como uma das soluções a troca dos gestores (fonte – dissertação de Mestrado Michel Sarraff FIA 2019).
Outro fator importante – das 21 empresas estudadas na dissertação, 70% delas apresentava resultado operacional negativo, ou, seja desconsiderando a questão da estrutura de capital, a maioria já estava gerando prejuízo operacional.
Por outro lado, quando você analisa as causas apontadas pelas empresas no Plano de Recuperação, é observado que despesas financeiras e juros altos são normalmente apontados como os vilões, quando na verdade eles somente aumentam a dificuldade de gestão do negócio, que já era negativo, ficando mais negativo.
2. Seus resultados contábeis de pelo menos três anos
3. Dívidas em aberto
4. Relação dos bens de proprietários e sócios.
Deliberativa
Uma vez que a empresa ingressa na justiça solicitando recuperação, caberá ao órgão do judiciário avaliar se, de fato, ela tem direito a esse benefício.
Preliminarmente, é verificado se a empresa preenche os pré-requisitos indispensáveis para fazer jus à recuperação.
Satisfeitas todas as exigências, então, o juiz dá sequência no processo, cuja etapa seguinte é a nomeação de um administrador judicial, que pode ser uma empresa de consultoria ou mesmo um escritório especializado.
Nessa fase, são suspensas as ações em todas as esferas contra a empresa em recuperação.
Na continuidade, são convocados os credores da empresa, que deverão formar uma assembleia para análise do plano de recuperação judicial apresentado pela devedora.
Para sua aprovação, é exigida votação por unanimidade.
Caso ela seja obtida, o juiz concede a recuperação.
Do contrário, a empresa terá sua falência decretada.
Execução
Depois de aprovado o plano e da decisão favorável do juiz, começa a etapa na qual o plano é executado.
Será hora, portanto, de a empresa devedora cumprir com todas as obrigações nele previstas.
Atendidas as exigências nos prazos estipulados, caberá à Justiça, enfim, encerrar o processo de recuperação.
Deve se destacar que o descumprimento de qualquer uma das ações previstas no plano levará a empresa a ter sua falência decretada.
Há que seguir o plano da recuperação judicial porque a pena para o descumprimento será a falência
Qual A Importância Da Recuperação Judicial?
A recuperação judicial tem estreita ligação com um ramo do direito, o Direito Falimentar.
De acordo com a doutrina dessa matéria, nem sempre uma empresa acumula dívidas de má fé.
Isso também se enquadra em um princípio que norteia decisões de juízes na esfera cível e criminal, o da presunção de inocência.
Logo, toda empresa, até que se prove ao contrário, não entra em um processo de falência por má fé ou dolo, que é a intenção de lesar.
Nesse sentido, a recuperação judicial ganha ainda mais importância, já que serve como instrumento para se fazer justiça.
A recuperação também é um mecanismo de defesa não só dos interesses econômicos de particulares, como os da sociedade na qual está inserida.
Como já destacamos, uma empresa não quebra sozinha.
Quando encerra suas atividades, leva junto empregos e toda uma cadeia produtiva que se beneficia de sua atuação.
São motivos fortes o bastante para realçar a importância da recuperação judicial, concorda?
Quem Pode Pedir Recuperação Judicial?
Toda empresa que atenda às exigências dispostas na Lei 11.101/2005 pode pedir recuperação judicial, se entender que é necessário.
Nesse sentido, estão proibidas de solicitar o recurso cooperativas de crédito, planos de saúde, empresas cujo capital seja misto e estatais.
O pedido de recuperação deve vir acompanhado de toda informação possível, em um processo bastante transparente
Como É Feito O Pedido?
O pedido de recuperação judicial deve ser protocolado em uma Vara de Falências.
É nela que a empresa oficializa seu pleito, apresentando os documentos já citados no tópico sobre a fase postulatória e outros conforme o caso.
Além daqueles já destacados anteriormente,deverão compor a juntada a ser entregue outros comprovantes e registros.
Veja quais são.
· Demonstrativo de resultados acumulados
· Balanço patrimonial
· Relatório e projeção de fluxo de caixa
· Demonstrativo de resultados a partir do último exercício
· Certidões dos cartórios de protestos localizados na comarca do domicílio ou sede da PJ devedora e naquelas onde tiver filial, se for o caso.
E não para por aí.
Há documentos nos quais uma série de informações devem ser especificadas para que o juiz possa avaliar a real situação da empresa.
Os mais extensos deles são:
Relação Completa Dos Credores
Nesta lista, deverão constar os credores que ainda não estão com dívidas vencidas, assim como a natureza de cada débito e a classificação deles com valores atualizados.
Devem ser informados, ainda, os endereços dos credores, além dos registros contábeis relativos a cada débito informado.
Relação Dos Empregados
Funções e atividades exercidas, salários, benefícios e gratificações às quais os funcionários tenham direito devem ser declaradas na relação dos empregados.
Para cada débito, a empresa deverá informar também os meses de referência, discriminando os valores para cada funcionário listado.
Certidão De Regularidade
A empresa deverá apresentar também o respectivo certificado de situação regular junto ao Registro Público de Empresas.
Deverá anexar as atas de nomeação dos atuais administradores e o ato constitutivo atualizado.
Comprovantes Bancários
Em um pedido de recuperação, é necessário averiguar a situação financeira da empresa devedora.
Por isso, devem ser anexados ao pedido extratos atualizados das contas bancárias em nome da empresa.
Também devem ser incluídos comprovantes de aplicações financeiras de todos os tipos, tal como investimentos em ações ou em fundos de renda fixa ou variável.
Relação De Ações Judiciais
Devem ser informadas todas as ações que, porventura, tenham sido movidas contra a empresa, em especial as que figurem na Justiça Trabalhista.
Para cada ação, deve ser repassada uma projeção dos valores pleiteados pela parte autora.
Quais Os Requisitos Para A Recuperação Judicial?
Para fazer jus à recuperação judicial, é preciso observar o disposto em lei, que determina as exigências para ser elegível.
São elas:
· Não estar falido ou, se já teve falência decretada anteriormente, todas as responsabilidades deverão estar extintas por sentença que não caiba recurso, ou seja, transitada em julgado
· Não ter, nos últimos cinco anos, ingressado com outro processo de recuperação judicial
· A empresa deve estar ativa por, no mínimo, dois anos
· Não ter sido condenada por crimes previstos na Lei de Falências
· Não ter registrada concessão de plano especial de recuperação judicial nos últimos oito anos.
O plano de recuperação é claro e precisa ser seguido à risca
O Que Acontece Quando Uma Empresa Pede Recuperação Judicial?
Uma empresa em recuperação judicial deve seguir fielmente o plano aprovado pela assembleia de credores e pela justiça.
Enquanto estiver reestruturando suas dívidas, ela é obrigada a apresentar balanços mensais de suas atividades para o administrador judicial.
É ele quem fará o “meio de campo” entre empresa, credores e a Justiça, comunicando ao magistrado as medidas que estão sendo tomadas e orientando a empresa devedora.
Um processo de recuperação, como se pode inferir, leva tempo para ser concluído.
No estado de São Paulo, por exemplo, uma empresa pode levar até 3 anos para “limpar” o seu nome perante a Justiça e cerca de 517 dias para aprovar um plano de recuperação.
Portanto, assim que pede recuperação judicial, ela tem um árduo caminho pela frente.
Até que esteja novamente apta (ou não) a gerar lucro e valor para clientes, acionistas e colaboradores, um longo percurso deve ser percorrido.
É necessário ser claro e transparente com os colaboradores, além de ter a capacidade de motivá-los
Na Recuperação Judicial, Como Ficam Os Colaboradores?
A gestão de pessoas é profundamente afetada em empresas em recuperação.
Demissões, cortes de salários e bonificações, entre outras medidas de contenção, se fazem necessárias nesse difícil período.
Na verdade, a empresa deve reduzir ao mínimo a sua folha de pagamento, afinal, a prioridade é honrar compromissos passados.
Por isso, as lideranças nas empresas nessa situação precisam ser extremamente capazes de engajar colaboradores que, naturalmente, estarão preocupados e desmotivados.
Esse é um grande desafio que só pode ser superado quando todos estão unidos em torno de uma mesmo propósito: salvar a empresa da bancarrota.
Exemplos De Empresas Brasileiras Na Recuperação Judicial
Não são poucos os casos de grandes e aparentemente sólidas empresas que quase foram à lona em função de problemas diversos.
Na pesquisa de dissertação de Michel Sarraff, durante o período de 2005 a 2017, foram encontradas 21 grandes empresas de capital aberto que tiveram a sua recuperação judicial aprovada pelos credores e aprovada pelo juiz.
Quadro – Resumo das empresas que tiveram RJ aprovada pelos credores
	Nome
	Setor
	Mês do Pedido de Recuperação Judicial
	Sansuy
	Plástico
	Dezembro de 2005
	Cerâmica Chiarelli
	Cerâmica
	Dezembro de 2008
	Fiação Tecelagem São José
	Tecidos
	Julho de 2010
	Tecnosolo
	Construção e Engenharia
	Agosto de 2012
	Schlosser
	Tecidos
	Abril de 2011
	Buettner
	Tecidos, Vestuário e Calçados
	Maio de 2011
	Celpa
	Energia Elétrica
	Fevereiro de 2012
	Teka Têxtil
	Tecidos
	Dezembro de 2012
	Refinaria de Petróleo de Manguinhos
	Petróleo, Gás e Biocombustíveis
	Janeiro de 2013
	GPC Participações
	Setor Químicos
	Abril de 2013
	Lark Máquinas
	Montadora
	Maio de 2012
	Clarion
	Setor Alimentos
	Junho de 2013
	OGX Petróleo
	Petróleo, Gás e Biocombustíveis
	Outubro de 2013
	Mangels
	Siderurgia e Metalurgia
	Novembro de 2013
	Hermes
	Comércio
	Dezembro de 2013
	Fibam Cia Industrial
	Siderurgia e Metalurgia
	Outubro de 2014
	MMX Sudeste Mineração
	Setor Mineração
	Outubro de 2014
	Eneva
	Energia
	Dezembro de 2014
	Sultepa
	Construção Civil
	Julho de 2015
	Wetzel
	Material de Transporte
	Fevereiro de 2016
	Viver
	Construção Civil
	Setembro de 2016
	PDG
	Construção Civil
	Fevereiro de 2017
Fonte: Fundamentus (2018) compilado pelo autor.
Das empresas listadas no quadro acima, somente a CELPA conseguiu sair da Recuperação Judicial e gerar valor ao mesmo tempo; 77% das empresas estudadas apresentaram Ebit negativo até o sexto anos após o deferimento da RJ.
A recuperação judicial visa, justamente, evitar a falência, um trauma para empreendedores, funcionários e a economia
Qual A Diferença Entre Recuperação Judicial E Falência?
A recuperação judicial é frequentemente confundida com a falência.
Contudo, como vimos ao longo deste artigo, a primeira tem como objetivo evitar a segunda.
Quando uma empresa decreta falência, portanto, é obrigada a liquidar todo o seu patrimônio para honrar os compromissos em aberto.
Já a recuperação deve ser orientada não só para pagar essas dívidas como para manter a empresa ativa, preservar empregos e garantir o retorno de investidores e credores.
Conclusão
Definitivamente, não é nada fácil um processo de recuperação judicial.
Afinal, se até mesmo para empresas solventes gerar lucro e valor é um desafio dos grandes, imagine para uma que esteja atolada em dívidas e com problemas de gestão?
Contudo, é possível sair do buraco e voltar aos dias de glória.
Talvez um bom caminho para evitar a perigosa situação de ter que recorrer à recuperação judicial é investir em gestão de riscos e compliance.
Esse é um dos cursos de extensão oferecidos pela Fundação Instituto de Administração (FIA), instituição de Ensino Superior de excelência em graduação e pós-graduação em gestão de empresas.
Os 15 maiores pedidos de recuperação judicial do Brasil
https://www.jornalcontabil.com.br/noticia/75601/os-15-maiores-pedidos-de-recuperacao-judicial-do-brasil
Acesso: 15/03/2024
Mas o número de pedidos de falência de empresas também subiu neste ano no Brasil. Passou de 258, no primeiro quadrimestre de 2022, para 346no mesmo período de 2023, um aumento de 34%.  
Confira abaixo os 15 maiores pedidos de recuperação judicial no Brasil:
1 - Odebrecht 
Em junho de 2019, a empresa ingressou com pedido inicial, com dívidas totais estimadas em R$ 98,5 bilhões. A recuperação judicial segue em andamento.
Fundada em 1944, a Odebrecht se transformou em uma das maiores construtoras do Brasil nas décadas seguintes, até ser diretamente impactada pelo envolvimento em esquemas de corrupção revelados na Operação Lava-Jato, o que fez a empresa começar a ter dificuldades financeiras. Ainda em 2020, a companhia mudou de nome, passando a se chamar Novonor.
2 – Oi 
Resultado da fusão entre a Oi e a Brasil Telecom, a Oi entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro em junho de 2016. Na época, a companhia devia R$ 65,38 bilhões para cerca de 55 mil credores, e as renegociações para reestruturar os débitos haviam fracassado. Seis anos depois, a dívida bruta da Oi havia caído quase três vezes, somando cerca de R$ 21,92 bilhões no segundo semestre de 2022.
Em dezembro de 2017, os credores aprovaram o plano de recuperação judicial, que reduziu os passivos em 40% por meio da conversão das dívidas em participação acionária na companhia. Em 2022, o juiz Fernando Viana, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, decretou o encerramento do processo.
Leia também: Receita Federal Notifica Empresas Sobre Exclusão Do Simples Nacional
3 - Samarco
Fundada em 1977, a Samarco Mineração S/A entrou com pedido de recuperação judicial em abril de 2021, tendo deferido o processamento no mesmo mês, pelo Juízo da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte. As dívidas da empresa, que pertence às gigantes Vale e BHP Billiton, na época somavam cerca de R$ 50 bilhões.
A empresa começou a ter dificuldades financeiras após o rompimento em 2015 da barragem em Mariana, controlada pela empresa, que acabou tendo sua produção temporariamente suspensa. A recuperação judicial segue em andamento.
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4 - Americanas
A Americanas ingressou com pedido de recuperação judicial em janeiro de 2023, na Justiça do Rio de Janeiro. A empresa precisou recorrer à medida após a divulgação de inconsistências contábeis, que revelaram dívidas que somam cerca de R$ 43 bilhões.
Conforme o pedido, o Conselho de Administração da Americanas criou um comitê independente, formado por profissionais, que será responsável por investigar e apresentar suas conclusões aos acionistas, ao mercado e à sociedade em geral. O pedido foi deferido pela Justiça em 19 de janeiro de 2023, devendo a empresa nos próximos meses apresentar o plano de recuperação detalhado.
5 - Sete Brasil 
A Sete Brasil é uma empresa de investimentos formada em 2010, especializada em gestão de ativos voltados para a exploração na camada de pré-sal. A empresa, que seria responsável pela construção de dezenas de sondas para perfuração de poços, chegou a cerca de R$ 19 bilhões em dívidas em 2016, quando ingressou com pedido de recuperação judicial. O plano foi aprovado somente em 2018, e o processo segue em andamento.
6 – OGX 
A OGX, fundada em 2007, era uma empresa pertencente ao grupo EBX, do empresário Eike Batista. A companhia atuava com a exploração e produção de petróleo e gás natural. Em outubro de 2013, a OGX — que era a maior empresa do grupo de Eike na época — ingressou com pedido de recuperação judicial, somando dívidas de aproximadamente R$ 13 bilhões na época.
Em 2017, a recuperação judicial da empresa foi encerrada. Ainda no mesmo ano, após o encerramento do processo, a OGX mudou de nome, passando a se chamar Dommo Energia S.A, ainda em operação.
7 – OAS 
O Grupo OAS, fundado em 1976, era um conglomerado que atuava no ramo da engenharia civil. Assim como a Odebrecht, os negócios do grupo foram diretamente impactados pelo envolvimento em esquemas de corrupção revelados no âmbito da Lava-Jato, o que deu início aos problemas financeiros.
Em março de 2015, com dívidas de aproximadamente R$ 11 bilhões, apresentou pedido de recuperação judicial de nove de suas empresas à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo. Em 2020, quando as dívidas já somavam cerca de R$ 800 milhões, o processo de recuperação judicial foi encerrado. Em 2021, o grupo passou a se chamar Metha, e segue atualmente em operação.
8 - Grupo João Santos 
O Grupo João Santos é um conglomerado de empresas fundado pelo empresário pernambucano de mesmo nome. Entre as empresas do grupo, se destaca a Cimento Nassau, fundada em 1951.
Após a morte do empresário, em 2009, o grupo começou a enfrentar dificuldades administrativas, motivadas principalmente pelos problemas de relacionamento entre os herdeiros. Depois de investigações de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e outros crimes, as empresas do grupo começaram a enfrentar uma grave crise financeira, chegando a dívidas de aproximadamente R$ 11 bilhões — que levaram ao pedido de recuperação judicial, que foi ingressado em 2022 e segue em andamento.
9 – Ecovix 
A Ecovix é uma empresa criada em 2010 para atuar no setor de construção naval e offshore, sendo responsável pelo estaleiro de Rio Grande. Em 2014, após a descoberta de irregularidades em contratos envolvendo a empresa, a Ecovix começou a enfrentar dificuldades financeiras. Em 2016, ingressou com o pedido de recuperação judicial, com dívidas de aproximadamente R$ 8 bilhões. O plano de recuperação da empresa foi homologado em 2018 e segue em andamento.
10 - Grupo Schahin 
O Grupo Schahin era um conglomerado de empresas ligadas a diversos setores da engenharia que foi fundado em 1965. Após décadas de atuação, as empresas do grupo começaram a sofrer com problemas financeiros após envolvimento nas investigações da Operação Lava-Jato, em 2014. Em 2015, o grupo ingressou com pedido de recuperação judicial, somando dívidas de aproximadamente R$ 6,5 bilhões. Em 2018, diante do não cumprimento do plano de recuperação, as empresas do grupo tiveram a falência decretada pela Justiça de São Paulo.
11 - Grupo Petrópolis 
A fabricante da cerveja Itaipava seguiu o mesmo caminho e pediu recuperação judicial, além de uma medida cautelar que acelera o processo desse chamado por socorro.
Segundo a petição protocolada à Justiça, o Grupo Petrópolis precisa dessa ajuda imediata porque possui uma parcela de dívida no total de R$ 105 milhões que venceu na segunda-feira (27). Em caso de calote, o pagamento de todo o endividamento pode ser antecipado, o que comprometeria rapidamente as finanças da terceira maior cervejaria do país.
A dívida total da empresa chega a R$ 4,4 bilhões, sendo 48% em compromissos financeiros e 52% com fornecedores e terceiros.
De acordo com o pedido feito pelo grupo, há uma necessidade acumulada de capital de giro de R$ 360 milhões até o fim deste mês. Se considerado o dia 10 de abril como data limite, a cifra sobe para R$ 580 milhões.
A companhia ainda aponta que os juros altos e iniciativas da concorrência também dificultaram suas atividades.
12 – Amaro 
Outra varejista que precisou pedir ajuda foi a Amaro, que solicitou recuperação extrajudicial — processo em que a empresa chega a um acordo diretamente com os seus credores, com intermediação mínima da Justiça.
A companhia soma dívidas de cerca de R$ 244 milhões, sendo R$ 151,8 milhões em compromissos bancários e R$ 92,8 milhões com fornecedores. 
A rede quase conseguiu o aporte de um fundo em 2022, mas a piora do mercado com a alta dos juros e retração dos investimentos em empresas de tecnologia fez o futuro sócio desistir dos planos — uma decisão que piorou ainda mais a situação financeira da empresa.
13 - Livraria Cultura 
Um símbolo para os amantes de literatura, a Livraria Cultura se viu obrigada a entrar com pedido de falência no início deste ano, após uma recuperação judicial que começou em 2018. Naquele ano, outra livraria, a Saraiva (SLED4), também iniciou um processo semelhante.
Em meio à evasão de clientes, queda nas vendas, custos em alta e inúmeras questões trabalhistas,o setor como um todo entrou em colapso.
A decisão proferida pela Justiça de São Paulo cita os inúmeros descumprimentos, por parte da Livraria Cultura, dos acordos firmados com os credores no plano de recuperação. Da falta de prestação de contas ao não pagamento dos honorários da administradora judicial, há uma série de falhas no processo.
Hoje, a livraria permanece aberta graças a uma decisão provisória que suspendeu o decreto de falência, mas um renascimento das cinzas parece pouco provável.
14 – Pan 
Outra marca que mora no imaginário dos brasileiros, a fabricante de chocolates Pan também decretou falência há poucas semanas.
Responsável pelos clássicos cigarrinhos e moedas de chocolate, a empresa entrou com um pedido de autofalência após uma série de dificuldades dentro de seu processo de recuperação judicial, que começou em 2020.
O endividamento da Pan chega a R$ 126 milhões; além disso, ela também não recolhe impostos devidamente há mais de 20 anos. Esse quadro justifica o fim das atividades, com demissão dos poucos funcionários e venda de equipamentos e imóveis para pagar parte da dívida.
Segundo a própria empresa, a pandemia foi fator determinante para complicar ainda mais os negócios.
15 – IGHT 
A Light entrou com pedido de recuperação judicial, em maio deste ano, na 3ª Vara Empresarial do Estado do Rio de Janeiro. A companhia de energia alega que esforçou para equacionar a situação financeira, mas “pouquíssimos credores” aceitaram negociar com a empresa. Ela diz que enfrenta muitos problemas com furto de energia. Segundo a companhia, a energia roubada no Rio de Janeiro corresponde a R$ 2 bilhões por ano e equivale a todo o consumo do Estado do Espírito Santo. 
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O Que É Recuperação Judicial?
 
https://fia.com.br/blog/recuperacao
-
judicial/
 
Acesso
 
15
/
03
/
2024
 
A recuperação judicial é um instrumento jurídico que prevê o
 
acordo
 
com
 
credores
 
para o pagamento de dívidas e, como o nome indica, a recuperação da 
empresa de modo a evitar a falência.
 
Nós já vimos em diversos conteúdos aqui no
 
blog
 
da
 
FIA
 
como os contextos externo 
e interno impacta
m na
 
gestão
 
de
 
negócios
.
 
Gerir é fundamental, ainda mais quando a economia não vai bem, como é o caso da 
brasileira.
 
Sabemos também que, no Brasil, os índices de
 
mortalidade
 
de
 
empresa
s
 
é 
relativamente alto, embora estejam em queda,
 
segundo
 
o
 
Sebrae
. Um dos principais 
motivos para a mortalidade, segundo o pró
prio Sebrae, é deficiência na gestão.
 
É nesse contexto que emerge a recuperação judicial como uma medida drástica para 
as empresas em dificuldades mais agudas.
 
Ela funciona como uma espécie de
 
acordo
 
intermediado
 
pela
 
justiça
.
 
Nesse pacto, as empresas pode
m negociar, com respaldo jurídico, condições mais 
suaves para quitar dívidas trabalhistas, fiscais, com fornecedores e demais parceiros; 
ou seja, a empresa deve repensar o seu negócio e de que forma diferente a mesma 
irá continuar a sua atividade.
 
Se não h
ouvesse essa forma de amparo legal, o
 
ambiente
 
de
 
negócios
 
correria o 
risco de se tornar inviável.
 
Afinal, toda empresa, mais dia, menos dia, vai passar por um período menos próspero.
 
Imagine, então, se não houvesse alternativa que não fosse aceitar uma fa
lência?
 
A empresa e seus sócios perderiam muito dinheiro, menos
 
empregos
 
seriam gerados 
e a própria economia seria desacelerada com a
 
morte
 
de
 
empresas
 
em sequência.
 
 
recup
eração é um passo importante porque pode salvar empregos e negócios
 
O Que É Recuperação Judicial? 
https://fia.com.br/blog/recuperacao-judicial/ 
Acesso 15/03/2024 
A recuperação judicial é um instrumento jurídico que prevê o acordo com 
credores para o pagamento de dívidas e, como o nome indica, a recuperação da 
empresa de modo a evitar a falência. 
Nós já vimos em diversos conteúdos aqui no blog da FIA como os contextos externo 
e interno impactam na gestão de negócios. 
Gerir é fundamental, ainda mais quando a economia não vai bem, como é o caso da 
brasileira. 
Sabemos também que, no Brasil, os índices de mortalidade de empresas é 
relativamente alto, embora estejam em queda, segundo o Sebrae. Um dos principais 
motivos para a mortalidade, segundo o próprio Sebrae, é deficiência na gestão. 
É nesse contexto que emerge a recuperação judicial como uma medida drástica para 
as empresas em dificuldades mais agudas. 
Ela funciona como uma espécie de acordo intermediado pela justiça. 
Nesse pacto, as empresas podem negociar, com respaldo jurídico, condições mais 
suaves para quitar dívidas trabalhistas, fiscais, com fornecedores e demais parceiros; 
ou seja, a empresa deve repensar o seu negócio e de que forma diferente a mesma 
irá continuar a sua atividade. 
Se não houvesse essa forma de amparo legal, o ambiente de negócios correria o 
risco de se tornar inviável. 
Afinal, toda empresa, mais dia, menos dia, vai passar por um período menos próspero. 
Imagine, então, se não houvesse alternativa que não fosse aceitar uma falência? 
A empresa e seus sócios perderiam muito dinheiro, menos empregos seriam gerados 
e a própria economia seria desacelerada com a morte de empresas em sequência. 
 
recuperação é um passo importante porque pode salvar empregos e negócios

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