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DESCONTINUIDADES DE SOLDAGEM DEFEITOS EM SOLDAGEM -Ramón S. C. Paredes, Dr. Engº. http://ftp.demec.ufpr.br/ Descontinuidades (infosolda.com.br) Prof. Admilson Vieira da Costa – CEFET-MG-Araxá-MG. Designa-se como descontinuidade a interrupção que a falta de homogeneidade de características físicas, mecânicas ou metalúrgicas do material ou da solda. A existência de descontinuidades em uma junta não significa necessariamente que a mesma seja defeituosa. Esta condição depende da aplicação a que se destina o componente. Considera-se uma junta soldada com defeitos quando esta apresenta descontinuidades ou propriedades (neste caso, defeitos) que não atendam ao exigido, por exemplo, por um dado código (Norma). Juntas defeituosas precisam, em geral, ser reparadas ou, mesmo, substituídas. Existem quatro tipos gerais de descontinuidades: ➢ descontinuidades dimensionais, ➢ descontinuidades estruturais, ➢ descontinuidades relacionadas com propriedades indesejáveis da região da solda e ➢ descontinuidades relacionadas com as propriedades do metal de base. DESCONTINUIDADES DE SOLDAGEM 1. DESCONTINUIDADES DIMENSIONAIS Para a fabricação de uma estrutura soldada, é necessário que tanto a estrutura como as suas soldas tenham dimensões e formas similares (dentro das tolerâncias exigidas) às indicadas em desenhos, projetos ou contratos. Uma junta que não atenda a esta exigência pode ser considerada defeituosa, sendo necessário a sua correção antes da aceitação final da estrutura. As principais descontinuidades estruturais são: Problemas na dimensão da solda. Perna vertical insuficiente Neste caso, pode ter ocorrido um projeto inadequado da junta, ou seja, o tamanho da Raiz em (I) foi muito grande. Outra possibilidade é o ajuste de corrente abaixo da necessária para fundir toda a junta. 1.1 DISTORÇÃO: É a mudança de forma da peça soldada devido às deformações térmicas do material durante a soldagem. Problemas de distorção são controlados ou corrigidos por medidas como: ➢ projeto cuidadoso da peça ou estrutura; ➢ planejamento da sequência da deposição das soldas; ➢ projeto adequado do chanfro; ➢ adoção de técnicas especiais para a deposição da solda; ➢ desempeno, com ou sem a aplicação de calor, da junta soldada; ➢ remoção e correção de soldas problemáticas. A forma usada de correção depende do código (Norma) ou especificação considerados, de acordo entre o fabricante e cliente ou, mesmo, dos equipamentos disponíveis. Ref.: Tipos de distorção na soldagem (Masubuchi, 1980). | Download Scientific Diagram (researchgate.net) 1.2. PREPARAÇÃO INCORRETA DA JUNTA: Inclui a falha em produzir um chanfro com as dimensões ou forma especificadas. Falhas desta natureza pode aumentar a tendência para a formação de descontinuidades estruturais, como por exemplo a Falta de Penetração da junta. 1.3. DIMENSÃO INCORRETA DA SOLDA: As dimensões (figura 1) de uma solda são especificadas para atender algum requisito como um nível de resistência mecânica adequado. Soldas com dimensões fora do especificado podem ser consideradas como defeituosas uma vez que deixam de atender a estes requisitos ou, no caso de soldas, cujas dimensões ficam maiores que as especificadas, levam ao desperdício de material ou aumentam a chance de distorção e outros problemas. As dimensões de uma solda podem ser verificadas por meio de gabaritos. 1.4. PERFIL INCORRETO DA SOLDA: o perfil de uma solda é importante pois variações geométricas bruscas agem como concentradores de tensão, facilitando o aparecimento de trincas. O perfil do cordão pode também ser considerado como inadequado quando: ➢ facilitar o aprisionamento escória entre passes de soldagem; ➢ levar ao acúmulo de resíduos e, assim, prejudicar a resistência à corrosão da estrutura; ➢ fazer com que a solda tenha, em alguns locais, dimensões incorretas. Este tipo de descontinuidade está, em geral, associada com problemas operacionais (manipulação incorreta do eletrodo, parâmetros incorretos de soldagem, instabilidade do processo, etc.). 1.5. Formato Incorreto da Junta: O posicionamento ou o dimensionamento inadequado das peças pode levar a problemas como o desalinhamento em juntas de topo (figura 3). Problemas de distorção podem também ser um importante fator para a obtenção de juntas soldas com um formato incorreto Utilização de calibre para medição da junta de soldagem 2 - DESCONTINUIDADES ESTRUTURAIS EM SOLDAS POR FUSÃO ➢ Porosidades; ➢ Inclusões de Escória; ➢ Inclusão de Tungstênio; ➢ Falta de Fusão; ➢ Falta de Penetração; ➢ Mordedura; ➢ Reforço excessivo; ➢ Trincas. 2.1 POROSIDADES A porosidade é um dos defeitos mais comuns na soldagem. Essa falha é causada por uma contaminação do metal. De forma simplificada, os gases presos criam uma solda cheia de bolhas (cavidades). Como consequência, a porosidade reduz a integridade da solda e com o passar do tempo pode entrar em “colapso”. Esse defeito pode ficar invisível para o operador, fazendo com que não seja detectado. FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O SURGIMENTO DA POROSIDADE: • A porosidade pode ser causada por: • Contaminações de sujeira (tinta, graxa ou óleo), oxidação (ferrugem) e ppresença de umidade na superfície do metal de base, de consumíveis de soldagem ou no equipamento de soldagem (como no sistema de refrigeração e em roletes tracionadores de arames); • Gás de proteção impróprio; • Uso de um fluxo de gás muito alto (turbulência no gás proteção devido a uma vazão muito elevada ou a problemas no equipamento ou por efeito de correntes de ar); Ref.: Porosidade Ou Buraco De Minhoca No Defeito Das Soldaduras Do Processo De Soldadura De Arco De Fluxo Foto de Stock - Imagem de qualidade, técnico: 204492534 (dreamstime.com) Ref.: 6 defeitos comuns em soldas de eletrodo revestido e como evitá-los – O Calculista de Aço (calculistadeaco.com.br) https://pt.dreamstime.com/porosidade-ou-buraco-de-minhoca-no-defeito-das-soldaduras-do-processo-soldadura-arco-fluxo-image204492534#_ http://calculistadeaco.com.br/6-defeitos-comuns-em-soldas-de-eletrodo-revestido-e-como-evita-las/ ✓ Parâmetros inadequados de soldagem como corrente excessiva, velocidade de soldagem excessiva ou um arco muito longo (variação de tensão), principalmente na soldagem na soldagem SMAW (Eletrodo Revestido). Neste processo, estas condições favorecem a degradação do revestimento ou o consumo excessivo de desoxidantes, propiciando a evolução de CO (monóxido de carbono) na poça de fusão e a formação de porosidade ; ✓ Tratamento inadequado dos consumíveis de soldagem (umidade, oxidação etc.) FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O SURGIMENTO DA POROSIDADE Quanto à sua distribuição na solda, a porosidade pode ser dividida em: (a) uniformemente distribuída, (b) agrupada (associada, em geral, com pontos de abertura ou de interrupção do arco) e (c) alinhada (que ocorre, em geral, no passe de raiz), figura 4 do trabalho de Rogério de Luca, 2014. Figura 4 - Esquema dos tipos de distribuição de porosidade: (a) distribuída, (b) agrupada e (c) alinhada (radiografia esquemática), Rogério de Luca, 2014 2.2 INCLUSÕES DE ESCÓRIA A ocorrência de Inclusão da Escória normalmente acontece quando a soldagem é realizada pelos processos Eletrodo Revestido e Arame Tubular com ou sem gás. Estes processos têm em comum o fato de ambos gerarem escória sobre o cordão de solda, a qual não deve ficar retida no cordão de solda, pois pode gerar descontinuidades como Poros grandes, eventualmente Trincas e a própria Inclusão de Escória, sendo necessário portanto serem feitos reparos, causando custos adicionais, baixa produção e até um futuro problema caso não ser detectada a inclusão de escória. Ref.: Sumig Dicas: Inclusão de escória com eletrodo revestido e arame tubular | Sumig https://www.sumig.com/pt/blog/post/sumig-dicas--inclusao-de-escoria-com-eletrodo-revestido-e-arame-tubular A inclusão de escórias presentes nestes processos geralmente são causadaspor: 1. Procedimento ou parâmetros de solda incorretos 2. Consumível na polaridade incorreta (principalmente os tubulares sem gás) 3. Consumível com umidade 4. Tensão ou voltagem excessiva 5. Corrente de soldagem muito baixa 6. Velocidade de soldagem muito baixa 7. Consumível de qualidade ruim 8. Sentido de soldagem incorreto Ref.: Sumig Dicas: Inclusão de escória com eletrodo revestido e arame tubular | Sumig Ref.: 6 defeitos comuns em soldas de eletrodo revestido e como evitá-los – O Calculista de Aço (calculistadeaco.com.br) https://www.sumig.com/pt/blog/post/sumig-dicas--inclusao-de-escoria-com-eletrodo-revestido-e-arame-tubular http://calculistadeaco.com.br/6-defeitos-comuns-em-soldas-de-eletrodo-revestido-e-como-evita-las/ Uma causa de bastante incidência do elevado índice de inclusão de escória é o sentido incorreto de soldagem. Quando PUXANDO, a escória vai se formando sobre o cordão de solda e se solidifica. No sentido EMPURRANDO a escória é JOGADA na frente do arco, causando, portanto, a inclusão da escória pois ela fica retida sob o cordão de solda. Em alguns casos, no Processo Arame tubular com Gás, é necessário soldar EMPURRANDO devido a posição ou acesso a junta. Neste caso, o soldador(a) deve ter bastante habilidade para não permitir que a escória passe na frente da poça de fusão. Além disso, deve ter certeza de estar usando um arame de ótima qualidade. 2.3 - INCLUSÃO DE TUNGSTÊNIO Podem resultar de um contato acidental do eletrodo de tungstênio com a poça de fusão: a extremidade quente do eletrodo de tungstênio pode fundir-se (corrente excessiva), transformando-se numa gota de tungstênio que é transferida à poça de fusão, produzindo assim uma inclusão de tungstênio na solda. 2.4 - FALTA DE FUSÃO A fusão incompleta, ou FALTA DE FUSÃO, ocorre quando o metal de solda não se dilui completamente com o material de base durante a soldagem. Este tipo de defeito pode reduzir, drasticamente, a resistência da solda, pois não há, em determinados pontos da junta, uma ligação metalúrgica entre o metal de solda e o metal de base, configurando uma fusão incompleta da mesma. A falta de fusão pode ser causada por muitos fatores. Técnica de soldagem e parâmetros inadequados (ausência de procedimentos de soldagem) são alguns deles. FALTA DE FUSÃO Ref.: DEFEITOS EM SOLDAGEM -Ramón S. C. Paredes, Dr. Engº. http://ftp.demec.ufpr.br/ Ref.: Descontinuidades (infosolda.com.br) 2.5 - FALTA DE PENETRAÇÃO A falta de penetração é causada por diversos fatores, os quais destacam-se: ➢ Manipulação incorreta do eletrodo (Técnica de Soldagem); ➢ Projeto inadequado da junta (ângulo de chanfro ou abertura da raiz pequenos); ➢ Diâmetro do eletrodo muito grande para um dado chanfro (dificuldade de direcionar o arco para a raiz da junta); ➢ Parâmetros de soldagem (corrente baixa e, consequentemente uma baixa energia de soldagem). Falta de penetração causa uma redução da seção útil da solda além de ser um concentrador de tensões. Descontinuidades (infosolda.com.br) - Rogério de Luca, 2014. https://infosolda.com.br/wp-content/uploads/Downloads/Artigos/metal/Descontinuidadesnasoldagem.pdf 2.6 - MORDEDURA Mordedura (Undercut) São reentrâncias agudas formadas pela ação da fonte de calor do arco entre um passe de solda e o metal de base ou outro passe adjacente. Quando formada na última camada do cordão, a mordedura causa uma redução da espessura da junta e atuar como um concentrador de tensões. Quando formada no interior da solda, ela pode ocasionar a formação de uma falta de fusão ou de inclusão de escória. Mordeduras são causadas por manipulação inadequada do eletrodo, comprimento excessivo do arco e por corrente ou velocidade de soldagem elevadas. A tendência à formação desta descontinuidade depende também do tipo de consumível (eletrodo, fluxo ou gás de proteção) usado. Ref.: Terminologia da Soldagem: Descontinuidades (weldingland.com.br) Ref.: Descontinuidades (infosolda.com.br) - Rogério de Luca, 2014. https://www.weldingland.com.br/post/terminologia-da-soldagem-descontinuidades https://infosolda.com.br/wp-content/uploads/Downloads/Artigos/metal/Descontinuidadesnasoldagem.pdf 2.7 – REFORÇO EXCESSIVO 5-23.3 Soldas em Chanfros. O reforço de solda da ranhura deve estar em conformidade com as Tabelas 5.8 e 5.9 e com as disposições abaixo. As soldas devem ter uma transição gradual para o plano das superfícies do metal base. Nesta tabela, o “R máx” diz respeito ao reforço máximo permitido. Para um chapa de 19 mm de espessura, por exemplo, a altura do reforço máximo permitido é de 3 mm. Ora, nota-se que o código AWS (aliás, todos os demais, como por exemplo o ASME) limitam a altura deste reforço: caso os valores máximos sejam ultrapassados tem-se a ocorrência do que chamamos de “reforço excessivo” que é considerado um defeito de soldagem. Ref.: O reforço da solda aumenta a resistência da junta? (linkedin.com) https://pt.linkedin.com/pulse/o-refor%C3%A7o-da-solda-aumenta-resist%C3%AAncia-junta-marcello-ferrari 2.8 - TRINCAS São descontinuidades importantes em uma junta soldada por serem fortes concentradores de tensão. São resultantes da presença de tensões trativas que atuam em regiões da solda que passaram por um processo de fragilização. Há diferentes “tipos” de trinca, dependendo da temperatura: Trinca a quente: também conhecidas como trincas de solidificação, podem ocorrer com todos os metais, e acontece no centro da poça de fusão da solda. Ref.: Trincas de solidificação – Infosolda Ref.: 7 defeitos mais comuns na soldagem, causas e soluções (binzel-abicor.com) https://infosolda.com.br/128-trincas-de-solidificacao/ https://blog.binzel-abicor.com/pt/7-defeitos-mais-comuns-na-soldagem-causas-e-solu%C3%A7%C3%B5es Ref.: Fissuração pelo Hidrogênio – Trincas a frio – Infosolda Trinca a frio: Esse é um dos defeitos mais comuns na soldagem, e não é aceito pela maioria dos padrões na indústria. As trincas podem aparecer na superfície, no metal de solda ou na área afetada pelo calor intenso. Ela pode ocorrer depois da solda ter sido completada e a temperatura do metal ter caído. Elas podem se formar horas ou até dias depois da soldagem. A falha ocorre na zona termicamente afetada. Ref.: 7 defeitos mais comuns na soldagem, causas e soluções (binzel-abicor.com) https://infosolda.com.br/440-fissuracao-pelo-hidrogenio-trinca/ https://blog.binzel-abicor.com/pt/7-defeitos-mais-comuns-na-soldagem-causas-e-solu%C3%A7%C3%B5es Trinca de cratera: ocorrem no fim do processo de soldagem antes de o operador finalizar o passe na junta de solda. Elas normalmente se formam próximas do fim da solda, quando a poça de solda resfria e se solidifica - ela precisa ter volume suficiente para superar o encolhimento do metal de solda. Caso contrário, formará uma trinca na cratera. Descontinuidades e Defeitos na Soldagem 25/11/ PDF Free Download (docplayer.com.br) Ref.: 7 defeitos mais comuns na soldagem, causas e soluções (binzel-abicor.com) https://docplayer.com.br/32193366-Descontinuidades-e-defeitos-na-soldagem-25-11-2012-2.html https://blog.binzel-abicor.com/pt/7-defeitos-mais-comuns-na-soldagem-causas-e-solu%C3%A7%C3%B5es Causas: ✓ Uso de hidrogênio ao soldar metais ferrosos ✓ Tensão residual causada pelo encolhimento da solidificação ✓ Contaminação do metal base ✓ Alta velocidade de soldagem, mas corrente baixa ✓ Sem pré-aquecimento antes de começar a soldagem ✓ Alto teor de enxofre e carbono no metal Como prevenir? ➢ Pré-aqueça o metal como solicitado ➢ Garanta um resfriamento adequado da área de solda ➢ Remova as impurezas ➢ Use o metal apropriado ➢ Certifique-se de soldar uma área seccional suficiente. ➢ Utilize a velocidade de soldagem e a amperagem adequadas ➢ Para evitar trincas na cratera, verifique se a cratera está devidamente preenchida. EXEMPLOS DE DESCONTINUIDADES IDENTIFICADAS POR RADIOGRAFIA - Boaretto, Neury. 2017 REFERÊNCIAS: 1 - Descontinuidades (infosolda.com.br) - Rogério deLuca, 2014. 2 - http://ftp.demec.ufpr.br/ - Ramón S. C. Paredes, Dr. Engº. 3 – Boaretto, Neury. Classificação de defeitos de soldagem em imagens radiográficas PDVD de tubulações de petróleo: uma abordagem com ensemble de Extreme Learning Machines/Neury Boaretto. 2017. https://infosolda.com.br/wp-content/uploads/Downloads/Artigos/metal/Descontinuidadesnasoldagem.pdf http://ftp.demec.ufpr.br/