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1 ESCOLA ESTADUAL ANTÔNIO CANELA 2º Bimestre de HISTÓRIA - 3º PERÍODO EJA – EM Professor: José Reinaldo Pereira O Golpe Militar de 1964 "A Ditadura Militar”, no Brasil, foi instaurada por meio de um golpe — organizado pelos militares, a partir de 31 de março de 1964, e concluído por meio do golpe parlamentar, que se deu em 2 de abril de 1964. Esse golpe, orquestrado não só por militares, mas também pelo grande empresariado do Brasil, com o apoio dos Estados Unidos, visava à derrubada de João Goulart e do projeto trabalhista — um projeto político voltado para o desenvolvimentismo e para a promoção de bem-estar social. João Goulart (Jango), vinculado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), assumiu a presidência do Brasil em setembro de 1961 após um processo tenso que ficou conhecido como “campanha da legalidade”. A posse de Jango aconteceu porque o então presidente Jânio Quadros renunciou à presidência em agosto de 1961. Pela Constituição de 1946, o vice-presidente (na ocasião, o Jango) deveria assumir, mas militares e conservadores em geral não aceitavam a posse de Jango, o que resultou na citada campanha da legalidade, a qual garantiu a posse de Jango. Após o risco de uma guerra civil, a solução encontrada foi permitir a posse de João Goulart em um regime parlamentarista, isto é, com poderes políticos reduzidos. A partir de janeiro de 1963, o sistema presidencialista retornou ao Brasil, e Jango deu início a sua agenda reformista. O projeto de reformas estruturais de seu governo ficou conhecido como Reformas de Base. As Reformas de Base organizavam reformas profundas em áreas essenciais do Brasil, tais como as áreas de habitação, bancária, agrária, educacional etc. Dentro das Reformas de Base, a única que foi amplamente debatida e que gerou grande desgaste para o governo de Jango foi a reforma agrária, principalmente porque ela mexia com os interesses dos grandes proprietários de terra. O debate pela reforma agrária foi crucial para o destino de Jango, uma vez que, a partir de setembro de 1963, os políticos do Partido Social Democrático (PSD) que faziam parte da base de governo começaram a se transferir para a oposição coordenada pela União Democrática Nacional (UDN). Mas não eram somente as Reformas de Base que se desgastavam. Uma lei de 1962, chamada Lei de Remessas de Lucro, também repercutiu fortemente e desagradava aos interesses americanos no Brasil, uma vez que proibia suas empresas de enviarem mais que 10% dos lucros obtidos para fora do país. Sendo assim, já temos um breve quadro para entendermos a raiz do golpe. João Goulart era um político que tinha um forte relacionamento com sindicalistas, e isso lhe dava a fama de comunista. Além disso, seus projetos para o Brasil visavam a transformações radicais que tinham como objetivo combater as desigualdades para gerar mais desenvolvimento ao país. Essas medidas de João Goulart desagradavam, primeiramente, ao grande empresariado, grupo que se beneficiava do estado do país e que via as reformas de Jango como prejudiciais aos seus interesses. Além disso, a política trabalhista de Jango, no auge da Guerra Fria, era entendida como parte da doutrina comunista, o que desagradava aos EUA (além da Lei de Remessas de Lucro). Por fim, em oposição ao trabalhismo no Brasil, a UDN buscava retomar o poder no Brasil de todas as formas. O caminho para o golpe consolidou-se por meio de uma decisão do presidente comunicada no comício da Central do Brasil. Nesse comício, o presidente afirmou que as Reformas de Base seriam realizadas João Goulart, presidente do Brasil a partir de 1961, foi deposto pelo Golpe de 1964. (Créditos: FGV/CPDOC) 2 de toda maneira, o que alarmou os grupos que conspiravam contra o presidente, que entenderam a ação dele como uma guinada definitiva à esquerda." "Em resposta à ação do presidente, foi organizado, para dias depois, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, realizada em São Paulo e que reuniu milhares de pessoas. Nesse momento, ficava patente que existia uma parcela considerável da população adepta à pauta conservadora. O desgaste do governo Jango, aliado à conspiração golpista, levou a uma rebelião militar iniciada em 31 de março de 1964. Essa rebelião foi iniciada na 4ª Região Militar, localizada em Juiz de Fora e comandada por Olímpio Mourão Filho. Nos dias seguintes, a rebelião cresceu e, como não houve reação do presidente, os parlamentares reuniram-se de forma extraordinária e consolidaram o golpe contra Jango, ao declararem vaga a presidência do Brasil, em 2 de abril de 1964." A interferência americana na política brasileira O papel dos Estados Unidos no golpe de 1964 é outro ponto extremamente importante. O grande interesse americano era desestabilizar o governo de João Goulart – enxergado como extremamente esquerdista. O envolvimento dos Estados Unidos na política brasileira aconteceu por meio do financiamento clandestino de grupos que atuavam na desestabilização do governo de Jango. Além disso, os americanos financiavam também campanhas eleitorais de políticos conservadores, com o objetivo de que barrassem os projetos de Jango. Como destaques, podemos citar o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (Ipes) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), ambos financiados pela CIA (Inteligência Americana). Nas eleições de 1962, por exemplo, candidaturas de mais de 800 políticos receberam financiamento do Ibad. É importante ressaltar que esse tipo de ação era proibido pelas leis brasileiras. Em relação ao Ipes, tratava-se de uma instituição de fachada que produzia publicamente estudos sobre a sociedade brasileira em forma de pequenos vídeos e livros. Secretamente, o Ipes foi o maior núcleo golpista na época e contou com o envolvimento de empresários de multinacionais, membros da cúpula militar e jornalistas que atuavam para derrubar o governo de Jango. Por fim, houve também o envolvimento direto do exército americano no golpe de 1964. O governo dos Estados Unidos já negociava com o núcleo golpista, encabeçado por Humberto Castello Branco, há muito Congressistas reunidos em 1º de abril de 1964, dia do golpe militar. (Créditos: Senado Federal). 3 tempo. Essas negociações levaram à Operação Brother Sam, na qual uma tropa americana ficaria responsável para invadir o país caso o golpe não desse certo. O golpe de 1964 A situação política no país agravava-se à medida que o governo Jango perdia apoio político e que os dois polos da nossa política radicalizavam-se. Entre os eventos que demonstravam o enfraquecimento do governo, destacam-se a rebelião dos sargentos em setembro de 1963 e a derrota da proposta do governo de impor Estado de Sítio no país em outubro de 1963. O enfraquecimento das bases de apoio a Jango levou-o a reforçar seu compromisso com o reformismo e com as esquerdas. No comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964, Jango discursou a favor das Reformas de Base e assumiu o compromisso de realizá-las a todo custo. Esse posicionamento foi enxergado como a guinada definitiva do governo à esquerda. A resposta conservadora veio de forma imediata por meio da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que aconteceu em São Paulo e mobilizou milhares de pessoas. O golpe em si foi iniciado em 31 de março de 1964 com uma rebelião liderada por Olímpio Mourão Filho, que liderava a 4ª Região Militar em Juiz de Fora. As tropas de Olímpio Mourão marcharam em direção ao Rio de Janeiro com o objetivo de destituir o governo. A rebelião de Olímpio não fazia parte dos preparativos organizados por Humberto Castello Branco e pelo Ipes – ambos foram pegos desprevenidos. De toda forma, esses dias do golpe também ficaram marcados pela inércia de Jango. Os acontecimentos dos dias seguintes levaram o presidente do Senado a convocar uma reunião extraordináriano dia 2 de abril de 1964. Nessa reunião, Auro de Moura decretou vaga à presidência do país, fato que consolidou, politicamente, o golpe no país. Além de Auro de Moura, o Golpe Militar contou com o apoio de nomes como Carlos Lacerda, Magalhães Pinto, Ademar de Barros, etc. Ranieri Mazzilli assumiu a presidência de maneira provisória. Enquanto isso, a Junta Militar que se formou começou a organizar as bases para o início da ditadura no país. Em 9 de abril de 1964, foi emitido o Ato Institucional nº 1. Dois dias depois, Humberto Castello Branco foi eleito indiretamente presidente do país. O AI-1 afirmava o seguinte a respeito daqueles que haviam realizado o golpe e tomado o poder no país: A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma. Ela destitui o governo anterior e tem a capacidade de constituir o novo governo1. Iniciava-se, assim, a Ditadura Militar, que se estendeu por 21 anos, encerrando-se somente em 1985. Golpes militares no Brasil e na América A segunda metade do século XX foi marcada pela deflagração de inúmeras ditaduras no continente americano. A existência de um governo militar e autoritário não foi, portanto, uma exclusividade brasileira. Vários países tiveram, em diferentes momentos, ditaduras militares iniciadas com golpes. No Brasil e na Bolívia, os golpes aconteceram em 1964; na Argentina, houve golpes em 1966 e 1976; no Uruguai, em 1973; no Chile, o golpe foi dado em 1973; no Peru, em 1968; e na Guatemala e no Paraguai, em 1954. Governos na Ditadura Militar Nos 21 anos da Ditadura Militar, o Brasil teve cinco presidentes militares e todos eles foram eleitos indiretamente, isto é, sem a participação da população no processo de escolha. O fato de a Ditadura Militar no Brasil ter tido “presidentes” e não apenas um ditador – como foi o caso chileno e o argentino – é sintomático da intenção original dos militares: eles queriam apresentar um ar de normalidade. A existência de cinco presidentes demonstra o interesse militar em demonstrar que o país seguia na normalidade de antes, pois éramos supostamente governados por presidentes e não ditadores. Mas é importante percebemos que, enquanto o país “demonstrava normalidade” com a nomeação de presidentes, a oposição era perseguida e a liberdade no país era cerceada. Sendo assim, a “normalidade” era apenas uma fachada para esconder a real faceta da ditadura: autoritária e violenta. 4 O jornalista Elio Gaspari inclusive chega a nomear a ditadura como uma “ditadura envergonhada”, uma vez que ela era autoritária, mas procurava mascarar seu autoritarismo para apresentar-se como democrática. De toda forma, os cinco presidentes do período foram: Humberto Castello Branco (1964-67); Artur Costa e Silva (1967-69); Emílio Médici (1969-74); Ernesto Geisel (1974-79); João Figueiredo (1979-85). Repressão e autoritarismo Ditadura Militar foi um período de exceção, isto é, foi um período de repressão dos direitos civis e políticos da população e de concentração de poder nos militares, o grupo que comandava o Brasil. Os militares justificaram todos os abusos cometidos com base na Doutrina de Segurança Nacional, utilizada para perseguir todos aqueles que supostamente ameaçavam a segurança nacional. Sendo assim, as prisões arbitrárias, os sequestros, as cassações, as invasões de propriedade, a tortura, os assassinatos de cidadãos, sumiços de cadáveres e até atentados à bomba foram realizados pelo Estado, sempre com a justificativa de combate aos subversivos, aqueles que supostamente ameaçavam o país. A legislação jurídica do Brasil foi imposta por meio dos atos institucionais, decretos com poder de lei, que permitiam os militares atuar de maneira autoritária. Ao longo da ditadura foram outorgados dezenove atos institucionais, o mais famoso deles foi o AI-5, o mais rígido e o responsável por iniciar o período mais rígido da ditadura. Os atos institucionais permitiram o regime militar a cassar mandatos de políticos – em 1964, isso foi realizado maciçamente –, a alterar a constituição, cassar direitos políticos de cidadãos, retirar o direito de voto da população brasileira, cassar todos os partidos políticos que existiam no país, fechar o Congresso, demitir funcionários públicos, intervir diretamente nos governos estaduais e municipais etc. A Ditadura Militar também reprimiu o livre pensar e centenas de publicações de livros foram proibidas, assim como a circulação desses livros. As universidades passaram a ser monitoradas, o movimento estudantil perseguido e agentes do governo foram infiltrados nos meios universitários para monitorar tudo que era dito nesses locais. Na política, instaurou-se uma grande restrição ao sistema político brasileiro, e todos os partidos que existiam na Quarta República foram substituídos pela Aliança Renovadora Nacional, a Arena, e o Movimento Democrático Brasileiro, o MDB. O Arena era o partido dos militares, enquanto que o MDB cumpriu o papel de oposição consentida. Tortura Um dos maiores horrores cometidos pela Ditadura Miliar, sem sombra de dúvidas, foi a tortura, que foi uma das formas de perseguir e combater os opositores do regime. A tortura também ocorreu com pessoas que não tinham relação direta com a ditadura, como o caso de filhos de presos políticos que eram torturados para que seus pais denunciassem aliados. A tortura acontecia de todas as formas possíveis e novos estudos sugerem que grande parte das técnicas de tortura foram exportadas do exército francês (que as usou nas guerras travadas na Indochina e Argélia). Entre as técnicas utilizadas estão o pau de arara, o uso de choques elétricos, o uso de palmatória etc. A tortura não era só física, mas também psicológica, pois os presos políticos eram deixados por dias em solitárias, sofriam ameaça de terem seus familiares lesados, além de seus filhos serem utilizados pelos Emílio Garrastazu Médici foi um dos presidentes militares do período da Ditadura Militar 5 militares como fonte de informação. Ao todo, especula-se que cerca de 20 mil pessoas foram torturadas pela ditadura no Brasil. Movimentos de resistência Apesar de 21 anos de ditadura, os militares sempre tiveram de enfrentar uma forte oposição na sociedade. Essa oposição manifestou-se na política, nas artes, no esporte etc. Desde o começo do regime, manifestações contra os militares aconteceram e foram violentamente reprimidas. O ciclo de 1964 a 1968 ficou marcado por manifestações gigantescas de estudantes e de trabalhadores. Esse período também ficou marcado por oposição política, sendo o caso mais notório o da Frente Ampla. Esse movimento foi criado por Carlos Lacerda, apoiador do golpe em 1964, que tinha se virado à oposição, quando seus interesses de se candidatar a presidente, em 1965, foram frustrados pelo endurecimento do regime. A Frente Ampla surgiu, em 1966, e contou com a adesão de Juscelino Kubitschek (senador em 1964 e foi conivente com o golpe) e João Goulart (derrubado pelo golpe). A Frente Ampla exigia o retorno da democracia no Brasil e acabou sendo proibida de funcionar por meio de uma determinação do Ministério de Justiça, em 1968. Os políticos também se recusaram de punir Márcio Moreira Alves, deputado que chamou as Forças Armadas de “valhacouto de torturadores”. Esse, supostamente, teria sido um dos fatores do endurecimento do regime – os militares não aceitaram oposição aberta dos políticos e, por isso, decidiu endurecer o regime. O endurecimento do regime também foi a causa do surgimento da guerrilha armada no Brasil. Com intensa repressão e autoritarismo, muitos opositores resolveram lançar-se na luta armada, pois não tinha abertura para manifestar sua insatisfação. Foi a formaencontrada por alguns grupos para resistir. Dois nomes destacam-se na luta armada: Carlos Marighella e Carlos Lamarca. A intensa repressão da ditadura aos movimentos armados fez com que eles desaparecessem em questão de poucos anos. AI-5 O Ato Institucional nº 5 foi o pior dos AIs decretados pela ditadura militar, isto é, o mais rígido e autoritário deles. Ele foi outorgado, em 13 de dezembro de 1968, e abriu o período mais sombrio da ditadura, sendo o resultado final da estratégia militar de estender a ditadura no Brasil. O AI-5 concluiu os interesses das Forças Armadas de promover o endurecimento da ditadura e a fase de aparente democracia (1964-68) Carlos Marighella Carlos Lamarca 6 foi finalizada. Essa fase de democracia aparente é a fase onde os militares estavam pouco a pouco organizando o aparato repressor e acostumando a população à nova realidade. O AI-5 e as condições para sua instituição foram elaboradas pela ditadura de maneira meticulosa e novos estudos sugerem que uma série de atentados à bomba foram realizados por agentes da ditadura, que acusavam os comunistas de terem sido os responsáveis pelos atentados. A ação dos militares, nesse sentido, iniciou-se em dezembro de 1967. O AI-5 tinha doze artigos e permitia os militares de intervir nos municípios e estados brasileiros e proibia-se que presos políticos tivessem direito a habeas corpus – a definição de crime político, lógico, era realizada pela própria ditadura. O presidente poderia confiscar bens privados, demitir pessoas e decretar estado de sítio quando quisesse. Por fim, o Congresso Nacional foi fechado por tempo indeterminado. Abertura da Ditadura A partir do governo de Ernesto Geisel foi iniciado um processo de abertura política do Brasil. Os militares, no entanto, não estavam promovendo uma abertura democrática plena no Brasil, mas sim realizando uma abertura que pudesse ser controlada. O intuito era que o governo realizasse algumas concessões e esperava consolidar governos que fossem fiéis aos militares e que atendessem seus interesses nos anos seguintes. A abertura democrática da ditadura falhou, porque as pequenas concessões realizadas incendiaram a população brasileira, e a luta por um regime verdadeiramente democrático tornou-se intensa em todo país. Além disso, a economia ruim do país, minou grande parte da base de apoio dos militares. Ainda assim, houve reação dos militares. Essa reação deu-se com grupos de militares que não aceitavam o abrandamento do regime. Um caso simbólico é o do Atentado do Riocentro, em 1981. Nessa ocasião, militares resolveram realizar um atentado à bomba em um centro de convenções onde estavam sendo realizados eventos em comemoração ao Dia do Trabalhador. Os militares estavam armando uma bomba em um carro quando ela acabou explodindo acidentalmente. Um dos envolvidos no atentado acabou morrendo. A abertura teve como primeiras medidas, a revogação do AI-5, o decreto de Anistia, que perdoava todos os crimes políticos cometidos durante a Ditadura Militar (até 1979), e foi permitida a criação de novos partidos políticos. Com isso, surgiram cinco novos partidos: Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) — conversão do MDB; Partido Democrático Social (PDS) — conversão do Arena; Partido dos Trabalhadores (PT); Partido Democrático Trabalhista (PDT); Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). O fracasso da abertura controlada dos militares consolidou-se durante o governo de João Figueiredo. A movimentação popular permitiu a conquista do direito para eleger governador em 1982. Entre 1983 e 1984, a população brasileira engajou-se na Campanha das Diretas Já. Nessa campanha, a população brasileira exigia o retorno do direito de escolher quem seria o presidente do país. A última vez que isso tinha acontecido havia sido em 1960. A campanha fracassou e a eleição indireta foi mantida. Em 1985, a eleição indireta para presidente aconteceu: o candidato dos militares era Paulo Maluf e o candidato da oposição era Tancredo Neves. A eleição de Tancredo Neves e seu vice, José Sarney, colocou fim à ditadura militar e deu início a um novo período democrático na história brasileira. Consequências Entre as grandes consequências de 21 anos de ditadura, podemos destacar: 434 mortos por conta do autoritarismo do regime, além de mais de 8 mil indígenas mortos pela política de ocupação da Amazônia; 20 mil torturados; Quase cinco mil pessoas com direitos políticos cassados; Aumento da corrupção, pois não havia liberdade para investigar os crimes dos militares; Redução nos direitos dos trabalhadores; Aumento da desigualdade social; Aumento do endividamento do Brasil; Inflação alta e crise econômica etc. https://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/desigualdade-social.htm 7 ATIVIDADES 01. No Brasil, a organização política implantada pelo Regime Militar, instalado em 64, caracterizou-se pela a) Ampliação dos poderes estaduais sustentada por acordos regionais entre chefes políticos conservadores e setores de vanguarda empresarial. b) Crescente concentração de poderes para o Executivo com os Atos Institucionais legitimando a manutenção de um Estado forte. c) Permanente utilização de instrumentos de exceção controlados pelos representantes do Congresso, que passou a ser autónomo e independente. d) Implantação de controle popular sobre os antigos caciques políticos municipais que ameaçavam a estabilidade do Regime. e) Estratégia de abertura e distensão política executada de forma lenta e gradual com o objetivo de fortalecer o poder dos partidos políticos. 02. Sobre os Atos Institucionais não podemos afirmar a) O Ato Institucional nº 1 outorga poderes ao presidente para processar o deputado Marcio Moreira Alves, acusado de insultar as Forças Armadas; b) O Ato Institucional nº 2 extingue os partidos políticos existentes e, através da Lei Orgânica dos Partidos, dois novos são criados: ARENA MDB. c) O Ato Institucional nº 3 decreta eleições indiretas para os governadores e vices; d) O Ato Institucional nº 4 estabelece processo e a forma de ser votada a nova Constituição para o País. e) O Ato Institucional nº 5 renova o direito de cassar o mandato político, instituição da pena de morte e prisão perpétua para crimes políticos 03. A vitória do golpe militar de 1954 foi fruto da: a) Decisão dos militares de implementar o programa nacionalista e reformista proposto pelo Governo Goulart, desde que o povo não participasse ativamente das decisões politicas. b) Crise do Estado Populista, da radicalização do movimento de massas exigindo reformas de base e da retirada do apoio ao Governo Goulart de significativos setores da burguesia nacional. c) Incapacidade do Governo Goulart de levar avante a luta anti-imperialista e do compromisso dos militares com o programa de nacionalização das empresas estrangeiras, defendido pela burguesia nacional. d) União dos interesses dos militares e do capital estrangeiro contra a totalidade dos interesses da burguesia nacional, defensores ferrenhos do nacionalismo econômico. e) Decisão da maioria absoluta do Congresso de votar as reformas de base e do descontentamento dos militares, que representavam as forças conservadoras e os interesses americanos. 04. O período da história do Brasil que vai de 1964 a 1985 foi consagrado pela historiógrafa como ditadura militar. Uma série de elementos serviu de subsídio para a atribuição desse nome. Dentre eles, o fato de o regime democrático ter sido substituído pelo autoritário. Em sua opinião, o que diferencia uma sociedade democrática de uma sociedade autoritária? _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 05. Que mudanças foram promovidas pelos militares que configuraram a chamada ditadura? _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________