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CRUZEIRO DO SUL EDUCACIONAL 
ENGENHARIA AMBIENTAL 
 
 
 
 
 
 
PROJETO ATERRO ZERO, UMA NOVA GESTÃO DE 
RESÍDUOS E OS DESAFIOS PÓS IMPLEMENTAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
André Luiz de Souza – RGM: 31980252 
Daniela Daiane Cabral Caetano – RGM: 23357274 
Deyze dos Santos Carvalho – RGM: 28019431 
Érika Monteiro Dias Oliveira – RGM: 36883565 
Flavio de Oliveira Gil Junior – RGM: 24980650 
Helmut Werner Forster – RGM: 31214312 
Jaison de Oliveira Santos – RGM: 24166561 
Osnei Maciel de Oliveira – RGM: 23660121 
Ricardo Moura Lima – RGM: 31587411 
Vagner Rodrigues da Costa – RGM: 22963090 
 
 
 
 
 
 
 
2024 
 
 
ENGENHARIA AMBIENTAL 
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO 
 
 
 
 
 
 
 
PROJETO ATERRO ZERO, UMA NOVA GESTÃO DE 
RESÍDUOS E OS DESAFIOS PÓS IMPLEMENTAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como 
requisito para aprovação na disciplina de Trabalho de 
Conclusão de Curso em Engenharia Ambiental. 
 
 
 
 
André Luiz de Souza – RGM: 31980252 
Daniela Daiane Cabral Caetano – RGM: 23357274 
Deyze dos Santos Carvalho – RGM: 28019431 
Érika Monteiro Dias Oliveira – RGM: 36883565 
Flavio de Oliveira Gil Junior – RGM: 24980650 
Helmut Werner Forster – RGM: 31214312 
Jaison de Oliveira Santos – RGM: 24166561 
Osnei Maciel de Oliveira – RGM: 23660121 
Ricardo Moura Lima – RGM: 31587411 
Vagner Rodrigues da Costa – RGM: 22963090 
 
Orientadora: Prof.ª Sheila Leal 
 
 
 
 
 
2024 
 
 
Projeto Aterro Zero, uma nova gestão de resíduos e os desafios pós 
implementação. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Engenharia Ambiental. 
Cruzeiro do Sul Edu- cacional, 2024. 
 
 
RESUMO 
 
A contribuição das indústrias para a degradação ambiental inicia-se desde a extração 
de matérias primas e recursos naturais até a disposição final dos resíduos gerados. 
Com o intuito de mitigar os impactos ambientais decorrentes da geração de resíduos 
nos processos industriais. Este estudo analisa alternativas sustentáveis para a 
destinação de resíduos em uma indústria dedicada ao armazenamento de granéis 
líquidos, com o objetivo de reduzir os impactos ambientais e promover a economia 
circular. A pesquisa foi baseada em um diagnóstico realizado por meio de análise 
gravimétrica e na avaliação dos métodos de destinação atualmente empregados. Com 
isso, foi desenvolvido um plano de gerenciamento que visa eliminar o envio de 
resíduos para aterros sanitários. O estudo também sugere novas parcerias para a 
reciclagem e o coprocessamento de resíduos sólidos, além de um plano de ações com 
metas definidas para o curto, médio e longo prazo. Espera-se que os resultados deste 
trabalho contribuam para a adoção de práticas sustentáveis, servindo como referência 
para o setor. 
 
Palavras-chave: Resíduos sólidos. Aterro Zero. Reciclagem. Sustentabilidade. 
Desenvolvimento Sustentável. Economia Circular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1: Levantamento de copos plásticos utilizados. ............................................ 14 
Tabela 2: Composição gravimétrica – Resíduos Aratu ............................................... 14 
Tabela 3: Etapas de gerenciamento de residuos ...................................................... 19 
Tabela 4: Normas e demais legislações utilizadas .................................................... 22 
Tabela 5: Visão geral dos objetivos e ações para atendimento da meta Aterro Zero 
(Fonte: Ultracargo)..................................................................................................... 23 
file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172407
file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172407
 
LISTA DE FIGURAS 
 
 
Figura 1: Localização Ultracargo Aratu ..................................................................... 10 
Figura 2: Gráfico da composição do total dos resíduos classe II gerados no site. .... 15 
Figura 3: Locais e coletores de resíduos ................................................................... 16 
Figura 4: Locais e coletores de resíduos ................................................................... 16 
Figura 5: Coletores de resíduos especificos adquiridos ............................................ 16 
Figura 6: Locais de armazenamento ......................................................................... 16 
Figura 7: Modelos de coletores de resíduos utilizados .............................................. 17 
Figura 8 Indicador mensal de resíduos para aterro (Fonte: Ultracargo) ..................... 24 
 
file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172422
file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172427
file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172428
file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172429
 
LISTA DE SIGLAS, ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS 
 
 
BA Bahia 
CODEBA Companhia de Docas do Estado da Bahia 
ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 
ONU Organização das Nações Unidas 
PNRS Política Nacional de Resíduos Sólidos 
RCC Resíduo de Construção Civil 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ANEXOS 
 
 
 
 
 
 
ANEXO 01 – Indicadores antes e depois da implantação do projeto ............................ 30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 1 
2. JUSTIFICATIVA ......................................................................................... 5 
3. OBJETIVOS ............................................................................................... 7 
3.1 Objetivo Geral ............................................................................................ 7 
3.2 Objetivos Específicos ................................................................................. 7 
4. METODOLOGIA ........................................................................................ 9 
4.1 Área De Aplicação ..................................................................................... 9 
4.2 Metodologia Aplicada .............................................................................. 10 
4.3 Aterro Zero – Passos Da Implementação ................................................ 12 
4.3.1 Educação ambiental ................................................................................ 12 
4.3.2 Caracterização da Área e Identificação dos Cenários ............................. 13 
4.3.3 Coleta de dados....................................................................................... 13 
4.3.4 Caracterização dos resíduos ................................................................... 13 
4.3.5 Instituir locais de armazenamento e formas e acondicionamento ........... 15 
4.3.6 Desenvolvimento de novos parceiros de negócios .................................. 17 
4.3.7 Estabelecer os tipos de tratamento ......................................................... 17 
4.4 Início do Projeto ou Implementação ........................................................ 18 
4.4.1 Resíduos ordinários ou não recicláveis ................................................... 19 
4.4.2 Resíduo orgânico..................................................................................... 20 
4.4.3 Fossa séptica ou lodo doméstico ............................................................ 20 
4.4.4 RCC – Resíduo de Construção Civil ........................................................ 20 
4.4.5 Poda e capina .......................................................................................... 21 
4.5 Visão Geral das Ações Para Atingir a Meta Aterro Zero .......................... 21 
4.6 Normas e LegislaçõesUtilizadas ............................................................. 22 
5. RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................... 23 
5.1. Desafios Pós Implementação ................................................................ 25 
5.2. Conclusão .............................................................................................. 27 
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS .......................................................................... 28 
 
1 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
As sociedades urbanizadas, nas quais a maior parte da população reside 
em áreas urbanas, constituem uma fase nova e essencial na evolução social. Embora 
as primeiras cidades tenham surgido aproximadamente há 5.500 anos, eram 
pequenas e circundadas por uma população rural significativa, apresentando uma 
tendência a reverter à condição de vilas. No entanto, com o advento da Revolução 
Industrial, profundas transformações urbanas e ambientais ocorreram, destacando-se 
o crescimento desordenado das cidades e o aumento da geração de resíduos. 
Conforme destacado por Santos (1993), a Revolução Industrial 
modificou de maneira irreversível a relação do ser humano com o espaço geográfico. 
Segundo o autor, “o espaço habitado se tornou um meio geográfico completamente 
diverso do que fora na aurora dos tempos históricos [...] o uso do solo se torna 
especulativo e a determinação de seu valor vem de uma luta sem trégua entre os 
diversos tipos de capital que ocupam a cidade e o campo”. O impacto dessas 
transformações, que se estende até os dias atuais, inclui a geração desenfreada de 
resíduos sólidos, que se apresenta como um dos principais desafios ambientais 
contemporâneos. 
A expansão urbana desordenada e a falta de políticas adequadas de 
gestão de resíduos agravaram ainda mais essa situação, resultando na degradação 
das áreas urbanas e no aumento da pressão sobre os recursos naturais (RIBEIRO, 
2004). A geração de resíduos sólidos, especialmente no setor industrial, é uma das 
maiores formas de degradação ambiental, afetando desde a extração de matérias-
primas até a disposição final dos resíduos (ORTH et al., 2014). 
Atualmente, a gestão de resíduos sólidos é uma preocupação crescente 
nas grandes cidades brasileiras e no mundo, impulsionada pela busca por soluções 
mais sustentáveis e menos impactantes. Neste contexto, o conceito de "Aterro Zero" 
surge como uma alternativa inovadora, voltada para a destinação adequada dos 
resíduos e a eliminação do envio desses materiais para aterros sanitários. O objetivo 
é priorizar a reciclagem, a reutilização e a recuperação energética, como forma de 
reduzir os impactos ambientais e promover a sustentabilidade (BRASIL, 2010). 
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 
12.305/2010, estabelece uma hierarquia de gestão de resíduos, em que a disposição 
final em aterros é a última opção a ser considerada. A ordem de prioridade proposta 
2 
 
 
pela PNRS inclui a não geração, a redução, a reutilização, a reciclagem, o tratamento 
de resíduos e, por fim, a disposição final adequada (GODECKE et al., 2012). Além 
disso, a Lei nº 9.605/1998 responsabiliza juridicamente as empresas e indivíduos que 
causam degradação ambiental, reforçando a importância de uma gestão de resíduos 
eficiente e sustentável. Dentro das prioridades estipuladas pela legislação, para 
promover a redução, reutilização ou reciclagem de resíduos, é necessário investigar 
métodos apropriados de tratamento e disposição final. 
As iniciativas de Aterro Zero ou Zero Waste têm ganhado destaque como 
soluções estratégicas para a promoção da sustentabilidade, alinhadas diretamente 
com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, sobretudo os ODS 
nº 9, 11 e 12. Essas práticas visam reduzir a dependência de aterros sanitários por 
meio da valorização dos resíduos, seja através da reciclagem, compostagem ou 
reaproveitamento de materiais. Além disso, fomentam o desenvolvimento de novas 
tecnologias e infraestruturas que suportam a economia circular, oferecendo 
oportunidades para a inovação industrial e a criação de sistemas mais sustentáveis 
de produção e consumo (Barros & Silva, 2020). Dessa forma, o estímulo ao 
reaproveitamento dos recursos se torna essencial para transformar o gerenciamento 
de resíduos em uma prática ambientalmente responsável e economicamente viável. 
A implementação dessas iniciativas é particularmente relevante no 
contexto industrial, onde a crescente geração de resíduos impõe desafios e impactos 
significativos. O ODS nº 11, que trata de tornar as cidades e comunidades mais 
sustentáveis, é diretamente impactado pela adoção de práticas de Aterro Zero, uma 
vez que elas melhoram a eficiência dos sistemas de gestão de resíduos, reduzem a 
poluição e promovem a qualidade de vida. Estudos indicam que a incorporação de 
políticas públicas que apoiam essas práticas nas cidades reduz significativamente os 
impactos ambientais e a pressão sobre os aterros sanitários, promovendo 
comunidades mais limpas, resilientes e saudáveis (Gomes et al., 2019). 
No entanto, o ODS nº 12, que trata de Consumo e Produção 
Responsáveis, é onde o impacto das iniciativas de Aterro Zero é mais evidente. Ao 
buscar a minimização do desperdício ao longo de toda a cadeia produtiva, essas 
iniciativas promovem uma mudança profunda nos padrões de consumo e produção. A 
responsabilidade compartilhada entre produtores e consumidores para a redução de 
resíduos, a reutilização e a reciclagem são princípios fundamentais que buscam não 
3 
 
 
apenas reduzir a geração de lixo, mas também otimizar o uso de recursos naturais 
e energia (Oliveira & Ferreira,2021). Essa abordagem é fundamental para a transição 
para uma economia de baixo carbono, mais eficiente e ambientalmente sustentável, 
contribuindo para o cumprimento das metas globais de sustentabilidade. O presente 
trabalho busca explorar a implementação do projeto "Aterro Zero", suas dificuldades, 
desafios e impactos, utilizando como estudo de caso a empresa Ultracargo Aratu, que, 
em 2023, implementou com sucesso essa política de gestão de resíduos. O estudo 
visa não apenas a análise técnica, mas também os impactos sociais e econômicos da 
destinação adequada dos resíduos. 
Neste cenário, a iniciativa "Aterro Zero", alinhada com os Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, em especial o ODS 12 – 
Consumo e Produção Responsáveis, destaca-se como uma prática cada vez mais 
relevante. A meta12.5 prevê a redução substancial da geração de resíduos até 2030, 
por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES 
UNIDAS, 2015). Esse alinhamento com os ODS reforça a urgência de soluções 
inovadoras e sustentáveis para a gestão de resíduos, garantindo a preservação dos 
recursos naturais e a qualidade de vida nas áreas urbanas. Evidencia-se que, quando 
se fala de Aterro Zero, cada medida implementada contribui com a Agenda 2030 
como um todo, ao se relacionarem com o ODS 6 – Água Potável e Saneamento; 
ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico; ODS 9 – Indústria, inovação 
e infraestrutura; ODS 13 – Ação contra a mudança global do clima; ODS 14 – Vida 
na água e ODS 15 – Vida terrestre; destacando- se a relevância da conscientização e 
educação ambiental dos colaboradores da empresa para o êxito deste projeto e 
também para a formação de uma sociedade mais sustentável. 
Nesse cenário, diversas indústrias estão estabelecendo metas para 
assegurar que todos os seus resíduos sejam destinados de maneira ambientalmente 
correta, adotando técnicas que diminuam os impactos adversos ao meio ambiente. De 
maneira semelhante, a indústria em análise estabeleceu uma meta para 2030, visando 
à eliminação de todos os resíduos destinados a aterros sanitários, que, em 1 ano 
conseguiu atingir o tão sonhado Aterro Zero, basta agora vencer os desafios diários 
pós implementaçãodo projeto e manter sua jornada rumo ao desenvolvimento 
sustentável. 
O presente trabalho busca explorar a implementação do projeto "Aterro 
4 
 
 
Zero", suas dificuldades, desafios e impactos, utilizando como estudo de caso a 
empresa Ultracargo Aratu, que, em 2023, implementou com sucesso essa política de 
gestão de resíduos. O estudo visa não apenas a análise técnica, mas também os 
impactos sociais e econômicos da destinação adequada dos resíduos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
 
2. JUSTIFICATIVA 
O setor industrial tem sido cada vez mais pressionado a adotar 
processos produtivos menos agressivos ao meio ambiente. Essa pressão não vem 
apenas de órgãos públicos, mas também de consumidores, que buscam empresas 
com práticas mais sustentáveis. Esse movimento reflete a crescente conscientização 
sobre os impactos ambientais das atividades industriais e a necessidade de uma 
mudança nos processos produtivos para minimizar esses efeitos (Martins, 2015). Para 
lidar com essas demandas, políticas ambientais têm sido criadas, como metas e ações 
específicas para melhorar a gestão de resíduos e promover a sustentabilidade nas 
operações empresariais (Silva & Araújo, 2018). 
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em conjunto com os 
órgãos federais, estaduais e municipais, estabeleceu um marco regulatório para 
orientar empresas públicas e privadas na busca por tecnologias mais limpas. Essas 
normas visam reduzir o uso de recursos naturais, diminuir a geração de resíduos e 
controlar a emissão de poluentes. O conceito de "Aterro Zero", que busca eliminar o 
envio de resíduos para aterros sanitários e reincorporá-los à cadeia produtiva, é uma 
das iniciativas fundamentais para alcançar a sustentabilidade operacional nas 
indústrias (Costa & Ribeiro, 2019). 
Entretanto, para que o projeto "Aterro Zero" seja sustentável a longo 
prazo, é necessário estabelecer um processo contínuo de melhoria, incluindo a 
educação ambiental como parte integrante. Isso implica em uma mudança cultural 
dentro das organizações, levando à conscientização sobre a importância da gestão 
de recursos e os impactos das práticas inadequadas de destinação de resíduos 
(Almeida & Santos, 2020). Além de adotar tecnologias apropriadas para o manejo de 
resíduos, a mudança de mentalidade é essencial para garantir a eficiência do projeto. 
Em 2015, a Assembleia Geral das Nações Unidas lançou a Agenda 
2030, um plano global que promove o desenvolvimento sustentável. Composto por 17 
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas, o documento orienta 
governos, sociedade civil e setor privado a adotar práticas que visem o equilíbrio entre 
progresso econômico, social e ambiental. Esses objetivos são um importante 
referencial para guiar as ações em prol da sustentabilidade (ONU, 2015). 
As metas estabelecidas pela Agenda 2030 têm gerado mudanças no 
cenário industrial global e no Brasil. No caso da Ultracargo Aratu, localizada na Bahia, 
6 
 
 
a implementação do projeto "Aterro Zero" foi impulsionada pelas diretrizes da matriz 
da empresa em São Paulo, com uma meta ambiciosa de eliminar o envio de resíduos 
para aterros sanitários até 2030. O projeto foi concluído com sucesso em 2023, mas 
novos desafios surgiram na fase pós-implementação, incluindo a necessidade de 
reduzir custos e minimizar os impactos sociais das operações de retirada de resíduos 
(Ferreira & Almeida, 2021). 
Por fim, o projeto "Aterro Zero" se alinha diretamente ao Objetivo de 
Desenvolvimento Sustentável 12, que visa garantir padrões de consumo e produção 
sustentáveis. A meta 12.5, em particular, busca reduzir substancialmente a geração 
de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso até 2030 (ONU, 
2015). Isso reflete a interconexão dos ODS, reforçando a importância de estratégias 
como o "Aterro Zero" para atingir metas globais de sustentabilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
 
3. OBJETIVOS 
3.1 Objetivo Geral 
O projeto “Aterro Zero” tem como objetivo minimizar/eliminar a 
quantidade de residuos gerados na Ultracargo com destinação para o aterro sanitário, 
contribuindo para a preservação dos recursos naturais, a elaboração deste trabalho 
visa compartilhar como o projeto foi implementado em uma unidade fabril de grande 
porte, e quais as principais dificuldades encontradas para que de fato a implementação 
fosse realizada. Isso envolve uma série de práticas, incluindo: 
• Redução na Fonte: Diminuir a produção de resíduos desde o início, promovendo 
um consumo consciente. 
• Reutilização: Incentivar a utilização de produtos várias vezes antes de serem 
descartados. 
• Reciclagem: Processar materiais recicláveis para transformá-los em novos 
produtos, reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais. 
• Compostagem: Transformar resíduos orgânicos em adubo, reduzindo o volume 
de lixo. 
• Educação e Conscientização: Informar a população sobre a importância da 
gestão de resíduos e como adotar práticas sustentáveis. 
Contudo, o aterro zero visa criar um sistema circular de gestão de 
resíduos, promovendo a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente. 
 
3.2 Objetivos Específicos 
Esses objetivos específicos ajudam a estruturar um plano abrangente 
para alcançar a meta de aterro zero. 
• Mapear e gerenciar os resíduos sólidos para o aterro zero envolvendo a 
identificação, quantificação e análise dos diferentes tipos de resíduos gerados 
em uma determinada área ou setor da unidade para ser enviado ao aterro 
sanitário. 
• Realizar o diagnóstico dos resíduos gerados na unidade enviados para aterros 
sanitários; 
• Classificar os resíduos gerados na unidade por grupos (orgânicos, recicláveis, 
8 
 
 
perigosos etc.) e suas respectivas características a que se destina para 
possibilitar o potencial de reciclagem. 
• Introduzir a Educação Ambiental como parte integrante/obrigatória do processo 
deformação inicial dos colaboradores e reciclagem periódica; 
• Acondicionamento e armazenamento correto dos resíduos; 
• Estudar as distintas alternativas para disposição dos resíduos e sua viabilidade 
em substituição ao envio de resíduos para aterros sanitários; realizando um 
levantamento das instituições organizacionais que possam agregar na 
destinação dos materiais descartáveis; 
• Manter a rotina de auditorias e implementação de metas de redução de geração 
e de custos, e metas sócioambientais que sustentem a continuidade do projeto 
levantando estratégias para aproximar a empresa do modelo econômico circular 
mais sustentável. 
• Identificação de Oportunidades: Localizar áreas onde a redução, reutilização ou 
reciclagem podem ser aumentadas. 
• Colaborações Potenciais: Identificar possíveis parcerias com empresas ou 
organizações para promover a gestão sustentável de resíduos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
 
4. METODOLOGIA 
4.1 Área De Aplicação 
A aplicação deste projeto foi realizada na Ultracargo Logística S.A., 
unidade localizada no municio de Candeias - BA, começou desde 1966 e hoje tem 7 
unidades espalhadas pelo Brasil. É a maior empresa independente de armazenagem 
de granéis líquidos do Brasil 
A área de estudo, operada pela ULTRACARGO, se localiza no Porto de 
Aratu, também conhecido como Aratu Candeias, que foi inaugurado em 1975, sendo 
administrado, desde 1977, pela Companhia de Docas do Estado da Bahia (CODEBA). 
Este Porto é uma extensão descontinuada do Porto de Salvador. 
A ULTRACARGO opera com o armazenamento e a movimentação de 
produtos químicos e petroquímicos, com capacidade total de armazenamento de 
218.190m3, contemplando carga e descarga de granéis líquidos, através de modais 
marítimos, rodoviário e dutoviário, recebimento e armazenamento de efluentes e 
fornecimento de utilidades a navios. 
No local, trabalham os operadorese os funcionários do administrativo da 
ULTRACARGO, além de trabalhadores de empresas de suporte e prestadoras de 
serviços, e ainda os motoristas de caminhão que carregam e descarregam produtos 
armazenados no Terminal. 
 
10 
 
 
 
4.2 Metodologia Aplicada 
Para conseguir atingir o objetivo definido, foi necessário montar um plano 
de gerenciamento integrado dos resíduos sólidos. A Política Nacional de Resíduos 
Sólidos de 2010 em suas definições apresenta o conceito de Gestão Integrada de 
Resíduos Sólidos como: “Conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para 
os resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões política, econômica, 
ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento 
sustentável”. 
De acordo com MONTAGNA ET AL, 2012, as etapas de manejo a serem 
seguidas são basicamente: geração, segregação, acondicionamento, coleta, 
armazenamento, transporte, tratamento e disposição final. 
Adaptando à Ultracargo teremos os processos envolvidos no manejo dos 
resíduos sólidos da seguinte forma: 
• Geração – Ato de gerar um resíduo. Neste item podem-se implantar ações de 
não geração ou de redução. Para a identificação das fontes de geração de 
resíduos, faz- se necessário percorrer os processos da empresa; 
• Segregação – é a separação na fonte geradora dos resíduos conforme suas 
características. A importância deste processo é a valorização dos resíduos e 
Figura 1: Localização Ultracargo Aratu 
 
11 
 
 
maior eficiência das demais etapas subsequentes de gerenciamento por evitar a 
contaminação de quantidades significativas de materiais reaproveitáveis em 
decorrência da mistura de resíduos (ZANTA e FERREIRA,2007). É também a 
etapa que exige a adesão dos usuários, com uma mudança de cultura no 
momento do descarte do resíduo. 
• Acondicionamento – Preparar o resíduo para a coleta de forma sanitariamente 
adequada, compatível com o tipo e a quantidade de resíduos, a frequência da 
coleta, o tipo de edificação e de recipientes de acondicionamento de resíduos 
como os sacos plásticos, contentores, caçambas estacionárias e contêineres, 
bombonas, tambores... Ainda o acondicionamento adequado evita acidentes, 
evita a proliferação de vetores, minimiza o impacto visual e olfativo, reduz a 
heterogeneidade dos resíduos (no caso de haver coleta seletiva) e facilita a 
realização da etapa da coleta. 
• Triagem (classificação, quantificação): processo de separação mais refinado 
dos materiais de acordo com suas características, ou seja, esta etapa irá 
separar os materiais recicláveis de acordo com o processo futuro de reciclagem. Neste 
momento é possível quantificar e classificar mais detalhadamente cada tipo de material. 
• Armazenamento: Estocagem do resíduo acondicionado. O processo de 
armazenamento dos resíduos tem como objetivo acumular os resíduos até que 
seja realizada a coleta e destinação do mesmo. A forma de armazenamento deve 
resguardar as características dos materiais, protegendo os mesmos de 
intempéries e do acesso não controlado de pessoas e animais. 
• Coleta e transporte: significa recolher o resíduo acondicionado por quem o 
produz para encaminhá-lo, mediante transporte adequado, a uma possível 
estação de transferência, a um eventual tratamento e à disposição final. 
• Tratamento: Define-se tratamento como uma série de procedimentos destinados 
a reduzir a quantidade ou o potencial poluidor dos resíduos sólidos, seja 
impedindo descarte de lixo em ambiente ou local inadequado, seja 
transformando-o em material inerte ou biologicamente estável. (MONTAGNA ET 
AL.,2012). Tratamento por reciclagem: a finalidade de trazer os materiais como o 
vidro, o papel o plástico e o metal de volta à indústria para serem beneficiados e 
serem novamente transformados em produtos comercializáveis no mercado de 
consumo (IBAM,2001). Tratamento da fração orgânica por processos biológicos: 
12 
 
 
• Compostagem: processo de conversão aeróbia da matéria orgânica tendo por 
produto final um condicionador do solo, denominado composto; 
• Digestão anaeróbia: estabilização da matéria orgânica e produção de biogás 
constituído, principalmente, por gás metano e dióxido de carbono. (ZANTA e 
FERREIRA,2007). Tratamento de blendagem para coprocessamento: É a 
descaracterização de lotes de resíduos sólidos ou líquidos que, depois de 
triturados e misturados, formam o “blend” – composto de alto poder calorífico que 
é utilizado como combustível alternativo para os fornos de produção de cimento. 
 
4.3 Aterro Zero – Passos Da Implementação 
4.3.1 Educação ambiental 
O processo de mudança começa pela transformação das formas de 
pensar e agir dos colaboradores. Para isso, torna-se fundamental o desenvolvimento 
de ações e práticas de educação ambiental no âmbito organizacional. Estas podem 
ser implementadas por meio de palestras e treinamentos voltados para a coleta 
seletiva, destacando a relevância da segregação correta dos materiais e fornecendo 
informações detalhadas sobre os tipos de resíduos, bem como as diversas tecnologias 
e métodos de tratamento disponíveis. Dessa forma, enfatiza-se o ganho ambiental 
associado ao correto manejo e disposição dos resíduos. 
Nesta fase, é oportuno salientar a integração dos Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em particular o ODS 4, que visa 
assegurar uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo 
oportunidades de aprendizagem contínua para todos (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES 
UNIDAS, 2015). Ao oferecer treinamentos de qualidade e inclusivos aos funcionários, 
a empresa contribui para a capacitação de seus colaboradores, promovendo o 
desenvolvimento de competências que os tornam agentes ativos na promoção da 
sustentabilidade, tanto dentro quanto fora do ambiente de trabalho. 
Dentre os temas abordados nos treinamentos, destacam-se aqueles que 
tiveram maior impacto positivo, tais como: Aspectos e Impactos Ambientais, 
Sustentabilidade, Uso Eficiente de Recursos Naturais, Coleta Seletiva, Indicadores 
Ambientais, Projetos Socioambientais, Responsabilidade Legal, Economia Circular, 
Gestão de Produtos Químicos, Segregação Correta dos Resíduos, Aterro Zero e a 
13 
 
 
Agenda do Clima. Esses tópicos são cruciais para a formação de uma cultura 
organizacional comprometida com o desenvolvimento sustentável e a 
responsabilidade ambiental. 
 
4.3.2 Caracterização da Área e Identificação dos Cenários 
Esta etapa visa descrever o estado atual do gerenciamento de resíduos 
sólidos, realizando sua caracterização tanto qualitativa quanto quantitativa, na medida 
do possível. Para isso, torna-se necessário realizar a coleta de dados, seguida da 
execução de procedimentos técnicos específicos para a caracterização dos resíduos. 
 
4.3.3 Coleta de dados 
A coleta de dados exigiu a realização de uma extensa pesquisa de 
campo, complementada por entrevistas, aplicação de questionários e consulta a 
dados relevantes previamente disponíveis. A pesquisa de campo foi conduzida com o 
objetivo de analisar e caracterizar o local de estudo, documentar visualmente os 
pontos críticos relacionados às diferentes etapas do manejo dos resíduos sólidos, bem 
como compreender a estrutura administrativa e identificar os agentes envolvidos no 
processo. Além disso, esta etapa detalha o sistema de gerenciamento atual, 
descrevendo as práticas implementadas em cada fase do manejo dos resíduos 
sólidos, desde a geração até o tratamento final de cada tipo de material. 
 
4.3.4 Caracterização dos resíduos 
A classificação e quantificação dos resíduos foram realizadas com base 
no histórico levantado e nos dados coletados. Os resíduos foram subdivididos nas 
seguintes categorias: recicláveis (papel, plástico, vidro, metal), orgânicos (resíduos 
alimentares e borra de café), resíduos comuns (materiais contaminados, não 
recicláveis e provenientes de banheiros) e outros tipos de resíduos,como 
eletroeletrônicos, resíduos da construção civil (entulho), pilhas, baterias e lâmpadas. 
Além disso, foi conduzido um levantamento detalhado sobre a quantidade de copos 
plásticos utilizados mensalmente (tabela 1). 
14 
 
 
Tabela 1: Levantamento de copos plásticos utilizados. 
TERMINAL QUANT/MÊS Destinação 
REFEITÓRIO 5.000 Aterro 
Sanitário SETORES 20.000 
 
A composição gravimétrica refere-se à determinação do percentual de 
cada componente em relação ao peso total da massa dos resíduos, sendo um 
parâmetro fundamental para a caracterização quantitativa e qualitativa dos resíduos 
sólidos (MONTAGNA et al., 2012). Essa análise é essencial para o planejamento e 
otimização das práticas de gerenciamento, desde a segregação adequada até o 
tratamento final, conforme discutido nas etapas de classificação e quantificação dos 
resíduos. Os componentes mais comumente avaliados na determinação da 
composição gravimétrica incluem materiais recicláveis, resíduos orgânicos, resíduos 
comuns e outros resíduos específicos, como eletroeletrônicos e resíduos da 
construção civil. Esta etapa segue apresentada na tabela 2 e figura 2. 
 
Tabela 2: Composição gravimétrica – Resíduos Aratu 
 
 
15 
 
 
 
Figura 2: Gráfico da composição do total dos resíduos classe II gerados no site. 
 
4.3.5 Instituir locais de armazenamento e formas e acondicionamento 
Nesta etapa, realiza-se o mapeamento dos locais mais adequados para 
o armazenamento temporário dos resíduos, garantindo a conformidade com a Política 
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e a Resolução CONAMA. Isso envolve a 
implementação de medidas como a cobertura adequada das áreas de 
armazenamento, a impermeabilização do solo para evitar a contaminação do meio 
ambiente, e a instalação de diques de contenção para prevenir derramamentos e 
infiltrações. Além disso, é imprescindível adquirir contentores específicos para cada 
tipo de resíduo, com uma correta identificação de classe (resíduos perigosos, 
recicláveis, orgânicos, etc.) e sinalização clara e padronizada, de modo a facilitar o 
reconhecimento por todos os usuários, promovendo o descarte correto e seguro. 
16 
 
 
 
Figura 3: Locais e coletores de resíduos 
 
 
Figura 4: Locais e coletores de resíduos 
 
 
Figura 5: Coletores de resíduos especificos adquiridos 
 
 
 
 
 
 
Figura 6: Locais de armazenamento 
17 
 
 
 
4.3.6 Desenvolvimento de novos parceiros de negócios 
O último Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 
2030 da ONU, o objetivo número 17, está diretamente relacionado ao fortalecimento 
de parcerias para promover o desenvolvimento sustentável. Esta etapa fundamentou-
se nesse princípio, focando na busca por parceiros estratégicos, instituições e 
empresas capazes de colaborar na destinação ambientalmente adequada dos 
resíduos, visando a mitigação dos impactos ambientais. Para tal, foi realizado um 
levantamento, por meio de pesquisas e benchmarking, das melhores práticas 
adotadas no gerenciamento de resíduos sólidos. As pesquisas foram conduzidas por 
meio de plataformas online e em startups, com foco em artigos e notícias recentes de 
indústrias que já implementaram o conceito de "aterro zero" em suas operações. O 
objetivo foi identificar parceiros que estejam alinhados com as novas metas 
estabelecidas e com o compromisso assumido de transição da economia linear para 
a economia circular. Nesse modelo, os resíduos são reinseridos no ciclo produtivo, 
seja na própria unidade geradora ou em cadeias produtivas de novos parceiros, 
promovendo um sistema fechado de recursos e impulsionando a sustentabilidade. 
 
4.3.7 Estabelecer os tipos de tratamento 
No planejamento para uma Economia Circular, um dos principais focos 
deve ser a reutilização de materiais sempre que possível, prolongando sua vida útil 
até o máximo limite. Essa prática é essencial para reduzir a geração de resíduos, 
contribuindo diretamente para a minimização dos impactos ambientais e oferecendo, 
ao mesmo tempo, uma vantagem financeira significativa durante a implementação do 
projeto. Quando a reutilização não for viável, a reciclagem surge como a próxima 
etapa, permitindo a reincorporação de materiais em novos ciclos produtivos, 
transformando-os em outros produtos. Essa prática não apenas reduz a quantidade 
de resíduos destinados a aterros, mas também gera impactos sociais positivos, 
Figura 7: Modelos de coletores de resíduos utilizados 
18 
 
 
promovendo a sustentabilidade de maneira ativa. Para os resíduos orgânicos, como 
podas, capinas e restos de madeira limpa, a compostagem se apresenta como uma 
solução eficaz. Ao serem compostados, esses materiais são transformados em um 
recurso valioso que, uma vez estabilizado, pode ser reinserido na natureza, 
oferecendo grandes benefícios ambientais. Outra estratégia importante é o 
coprocessamento, uma técnica que possibilita a valorização de resíduos ao destiná-
los como combustível alternativo em fornos de cimento. Esse processo cria valor para 
ambas as partes envolvidas: de um lado, a empresa que precisa descartar seus 
resíduos de maneira adequada; de outro, a indústria que pode utilizá-los como fonte 
de energia, promovendo uma sinergia sustentável entre as operações. 
 
4.4 Início do Projeto ou Implementação 
Após a aprovação inicial, o projeto foi oficialmente iniciado. Foram 
implementadas campanhas contínuas de conscientização ambiental, com ações 
focadas na redução de resíduos, na estratificação dos mesmos e na identificação de 
potenciais falhas no processo de segregação. Essas iniciativas permitiram a 
identificação de oportunidades de melhoria, com o objetivo de aprimorar os resultados, 
contribuindo para a preservação ambiental, prevenindo a poluição e evitando o 
acúmulo de resíduos desnecessários. Além disso, a implementação do projeto 
fortaleceu a imagem institucional da Ultracargo, destacando seu compromisso com a 
ética e a responsabilidade ambiental. 
O maior desafio enfrentado na implementação deste projeto foi a 
promoção da Educação Ambiental, que exigiu uma transformação gradual na cultura 
dos colaboradores e envolvidos. Outro obstáculo significativo foi a dificuldade em 
encontrar destinos economicamente viáveis para os resíduos, que também atendesse 
aos requisitos de tecnologia ambientalmente adequada para tratamento, com o menor 
impacto financeiro possível. Além disso, foram identificados problemas logísticos, que 
envolviam aspectos como autorizações, custos operacionais, entre outros. 
Diante desse cenário, foram realizados estudos técnicos e econômicos 
aprofundados com o intuito de identificar as melhores soluções e mitigar os impactos 
inerentes a qualquer processo de mudança. Após a validação das alternativas, foram 
selecionados os destinos adequados para os resíduos, e novos contratos foram 
firmados para garantir a destinação correta dos materiais. Os resíduos não recicláveis 
19 
 
 
passaram a ser destinados ao coprocessamento, enquanto os resíduos de lodo 
doméstico foram encaminhados para a estação de tratamento. Os resíduos orgânicos 
e de jardinagem foram direcionados para compostagem, e os resíduos da construção 
civil foram enviados para britagem e posterior reutilização. Os materiais recicláveis 
foram enviados a cooperativas parceiras, garantindo a continuidade do ciclo de gestão 
de resíduos de maneira sustentável. 
 
Tabela 3: Etapas de gerenciamento de residuos 
Etapa do 
gerenciamento 
Descrição 
Segregação 
A separação dos resíduos por classe ocorre no prório 
setor gerador e após segue para área de triagem, onde 
é avaliado e acondicionado nas contenções corretas 
Acondicionamento 
Os resíduos são colocados em contentores específicos 
e identificados por cor e adesivo 
Transporte interno 
Em sua maioria os sacos são carregados 
manualmente, exceto quando o peso exceder a 
capacidade física dos colaboradores. Neste caso os 
sacos mais pesadossão dispostos nos big-bags e 
levados para oarmazenamento temporário pelo 
caminhão munck. 
Armazenamento 
temporário 
Há uma espécie de depósito temporário num local 
externo ao terminal , onde possuem baias cobertas 
onde lá aguardam até a hora de serem dispostos para 
a coleta externa. 
Coleta e transporte 
externo 
A coleta e transporte externo dos resíduos é realizado 
com periodicidade pré-estabelecida a fim de evitar 
acúmulos e ploriferação de roedores, fungos e 
bactérias. 
Tratamento 
Enviado então para o tratamento pré-estabelecido em 
PGRS 
 
 
4.4.1 Resíduos ordinários ou não recicláveis 
Os resíduos ordinários são gerados em diversas áreas da empresa e 
incluem materiais como guardanapos sujos, adesivos, papel plastificado, absorventes 
e resíduos sanitários. A geração anual deste tipo de resíduo é estimada em cerca de 
17 toneladas. No processo de coprocessamento, esses resíduos são submetidos a 
um tratamento específico para a preparação de um composto com alto poder 
20 
 
 
calorífico, que pode ser utilizado como substituto parcial de matérias-primas e/ou 
como combustível alternativo durante a fabricação de cimento, contribuindo para a 
redução do impacto ambiental e otimização de processos industriais. 
 
4.4.2 Resíduo orgânico 
Os resíduos orgânicos gerados pela empresa provêm principalmente do 
refeitório, incluindo os resíduos originados no processo de preparo dos alimentos, no 
descarte de alimentos não servidos e nas sobras de bandeja (restos de pratos dos 
colaboradores). A estimativa de geração anual desses resíduos é de 
aproximadamente 21 toneladas. Dentre as alternativas avaliadas para a destinação 
adequada desses resíduos, destacam-se a compostagem (internas ou externas) e o 
uso de biodigestores. Após a realização de estudos e experimentos, foi determinado 
que a solução mais viável seria a compostagem externa. O processo de compostagem 
envolve a decomposição biológica da matéria orgânica presente nos resíduos, 
transformando-os em um composto estabilizado, que pode ser reaproveitado como 
adubo, contribuindo para a economia circular e a redução de impactos ambientais. 
 
4.4.3 Fossa séptica ou lodo doméstico 
O lodo doméstico é gerado a partir da estação de tratamento de efluentes 
anaeróbicos da empresa, e antes de sua destinação final, passa por um processo de 
centrifugação para reduzir seu volume e concentração de sólidos. A quantidade 
gerada anualmente deste resíduo é, em média, de 277 toneladas. Dentre as 
alternativas tecnológicas viáveis para o tratamento e destinação desse resíduo, 
destacam-se a utilização de estações de tratamento especializadas e o 
coprocessamento, que permite a valorização do lodo em processos industriais, como 
a fabricação de cimento, reduzindo seus impactos ambientais e promovendo a 
utilização de recursos de maneira mais sustentável. 
 
4.4.4 RCC – Resíduo de Construção Civil 
Os resíduos da construção civil gerados pela Ultracargo são oriundos de 
reformas ou novas instalações e representam uma parte significativa do volume total 
de resíduos classe II gerados pela empresa, com uma estimativa de aproximadamente 
21 
 
 
339 toneladas por ano. A segregação e destinação desses resíduos eram realizadas 
de acordo com as seguintes diretrizes: 
a) Resíduos inertes como tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, 
argamassa e concretos eram encaminhados para o aterro destinado à 
disposição de resíduos da construção civil, sendo dispostos de maneira a 
possibilitar sua futura utilização ou reciclagem. 
b) Resíduos recicláveis, incluindo plásticos, papel/papelão, metais, vidros e 
madeiras, eram segregados adequadamente e encaminhados para processos 
de reciclagem, contribuindo para a redução de resíduos e a promoção da 
economia circular. 
c) Resíduos perigosos, como os que contêm amianto, tintas, solventes, óleos e 
outros materiais contaminados, eram encaminhados para o coprocessamento, 
garantindo sua destinação adequada e a minimização de impactos ambientais. 
 
4.4.5 Poda e capina 
Os resíduos de jardinagem são gerados durante as atividades de 
conservação predial, incluindo processos como podas de árvores, corte de gramas, 
arbustos e varrição. A quantidade anual gerada desses resíduos é estimada em 
aproximadamente 51 toneladas. O destino adotado para esse material, após sua 
segregação, é a trituração, seguida pela compostagem, processo que transforma os 
resíduos orgânicos em composto orgânico estável, o qual pode ser reaproveitado 
como adubo, contribuindo para a sustentabilidade e a redução de resíduos enviados 
para aterros. 
 
4.5 Visão Geral das Ações Para Atingir a Meta Aterro Zero 
Com o objetivo de alcançar a meta de aterro zero até o ano de 2030, as 
ações descritas nas seções anteriores foram organizadas de maneira estratégica, 
permitindo uma visão clara do horizonte temporal e dos objetivos a serem cumpridos. 
Essas ações foram segmentadas em períodos de curto, médio e longo prazo, 
conforme as metas estabelecidas pela matriz corporativa, e estão ilustradas na Figura 
03, que apresenta a distribuição e os prazos para a implementação de cada uma 
delas, alinhando-se ao compromisso com a sustentabilidade e a redução do impacto 
22 
 
 
ambiental. 
 
 
Figura 03 – Visão geral dos objetivos para atendimento da meta Aterro Zero 
 
 
 
4.6 Normas e Legislações Utilizadas 
Tabela 4: Normas e demais legislações utilizadas 
Normas Legais 
Regulamentação 
Lei nº 12.305/2010 Política Nacional dos Resíduos Sólidos 
NBR 10004/2004 Resíduos sólidos – Classificação 
NBR 11174/1990 
Condições mínimas necessárias ao 
armazenamento dos resíduos classe II - não 
perigosos 
NBR 13221/2010 Transporte de resíduos – Procedimentos 
NBR 12235/1992 Armazenamento de resíduos sólidos perigosos 
NBR 13463/1995 Coleta de resíduos sólidos – Classificação 
NBR 11174/90 
Armazenamento de resíduos classes II (não 
inertes) e III (inertes) 
Res. CONAMA 275/2008 Simbologia dos resíduos 
Res. CONAMA 401/2008 
Dispõe sobre o gerenciamento adequado 
para as pilhas e baterias 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 
 
5. RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Para a efetivação das ações propostas, foi imprescindível o 
monitoramento contínuo das atividades, assegurando a qualidade e o desempenho 
das mesmas, alcançando os resultados esperados dentro do prazo estabelecido. A 
Gestão Ambiental foi responsável pela definição dos gestores encarregados de cada 
ação, e manteve uma rotina regular de acompanhamento, realizando a verificação do 
progresso das atividades em colaboração com os gestores das respectivas áreas 
envolvidas. Esse acompanhamento garantiu a execução eficaz e o alinhamento das 
ações com as metas estabelecidas. 
 
Tabela 5: Visão geral dos objetivos e ações para atendimento da meta Aterro Zero (Fonte: 
Ultracargo) 
24 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 Indicador mensal de resíduos para aterro (Fonte: Ultracargo) 
 
25 
 
 
5.1. Desafios Pós Implementação 
Após a implementação do projeto e o alcance das metas inicialmente 
estabelecidas, o principal desafio passou a ser a gestão da geração de resíduos na 
unidade, os elevados custos associados ao tratamento desses resíduos e os impactos 
sociais, especialmente no que diz respeito à percepção das comunidades vizinhas, 
que dependiam do material anteriormente destinado ao aterro local. A redução da 
produção de resíduos na fonte geradora é uma estratégia crucial para enfrentar esses 
desafios. Para isso, é necessário adotar processos ecoeficientes, cujo objetivo é 
minimizar ao máximo a quantidade de resíduos gerados diretamente na origem. 
A efetividade desta abordagem depende de alterações tanto nas 
matérias-primas utilizadas quanto nas operações geradoras de resíduos. Dessa 
forma, é possível reduzir significativamente os resíduos, promovendo a 
sustentabilidade e diminuindo os impactos ambientais. A redução naorigem é uma 
alternativa viável que, apesar de exigir ajustes no processo produtivo, contribui para a 
mitigação dos impactos ambientais. 
Algumas estratégias para a redução de resíduos incluem: 
• Análise de Processos: Realizar uma avaliação detalhada dos processos de 
produção para identificar pontos críticos de geração de resíduos e 
oportunidades de otimização. Isso envolve a análise dos fluxos de materiais, 
identificação de desperdícios e busca por alternativas mais eficientes. 
• Prevenção na Fonte: Implementar medidas para prevenir a geração de 
resíduos desde o início do processo produtivo. Adoção de práticas limpas, 
minimização do uso de materiais e substâncias tóxicas, escolha de tecnologias 
mais eficientes e desenvolvimento de produtos com menor impacto ambiental 
são fundamentais. 
• Reutilização e Reciclagem Interna: Aproveitar as oportunidades para a 
reutilização de subprodutos e resíduos dentro do próprio processo produtivo. 
Resíduos que anteriormente seriam descartados podem ser reintegrados como 
matéria-prima ou utilizados em outros processos, reduzindo a necessidade de 
recursos adicionais. 
• Gestão Eficiente de Estoques: Um controle eficiente dos estoques contribui 
para a redução de materiais obsoletos ou vencidos, minimizando o desperdício 
e promovendo a utilização de materiais dentro de seu ciclo de vida útil. 
26 
 
 
• Treinamento e Conscientização: Capacitar os funcionários para que 
compreendam a importância da redução de resíduos e as práticas adequadas 
de gestão, incentivando sua participação ativa na identificação de 
oportunidades de melhoria e implementação das medidas. 
• Parcerias com Fornecedores: Estabelecer colaborações com fornecedores e 
parceiros, incentivando a redução de embalagens, o uso de materiais 
sustentáveis e a adoção de práticas de logística reversa. 
• Monitoramento e Medição: Implementar indicadores de desempenho para 
monitorar a geração de resíduos e acompanhar o progresso na redução ao 
longo do tempo. O Anexo I apresenta os resultados do monitoramento, 
comparando o período anterior à implementação do projeto com os resultados 
após sua execução, evidenciando o atingimento das metas, que visam a 
eliminação da destinação de resíduos para aterros. Esse processo permite 
identificar áreas que exigem melhorias contínuas e estabelecer metas claras 
para o futuro. 
A implementação dessas práticas como parte de uma rotina de melhoria 
contínua não só pode reduzir de forma significativa a geração de resíduos sólidos, 
mas também gerar economias de recursos naturais, reduzir custos operacionais e 
melhorar a imagem ambiental da empresa. 
Em relação aos aspectos financeiros, após a implementação do 
Programa Aterro Zero em 2023, observou-se um aumento nos custos de destinação 
de resíduos, uma vez que o tratamento de resíduos demanda investimentos 
superiores aos custos associados ao envio para aterros sanitários. Durante o 
monitoramento dos resultados do projeto, identificou-se a oportunidade de substituir 
alguns parceiros por outros com propostas mais vantajosas, que priorizem a 
valorização dos resíduos, especialmente os recicláveis e aqueles com poder calorífico 
que possam ser reutilizados nos fornos de cimenteiras parceiras. Essa otimização 
gerou reduções nos custos operacionais, mas, apesar dos avanços, os resultados 
ainda são elevados, e a busca por alternativas mais eficazes e econômicas é um 
processo contínuo. 
No que diz respeito aos aspectos sociais, a visão da empresa visa a 
minimização dos impactos ambientais nos recursos naturais locais, como solo, água, 
ar e ecossistemas em geral, além da promoção da conservação e recuperação desses 
27 
 
 
recursos. Contudo, a redução de grandes volumes de resíduos destinados ao aterro 
local gerou preocupações nas comunidades vizinhas, que anteriormente dependiam 
desses materiais para sua subsistência. Diante dessa realidade, a empresa se 
compromete a implementar programas de apoio social às comunidades, como a 
inclusão da mão de obra local em seus processos operacionais, oferta de cursos e 
treinamentos profissionalizantes, entre outras ações. A implementação de 
compensações socioambientais, por meio de benefícios diretos às comunidades, pode 
transformar a percepção desses grupos sobre os impactos gerados, promovendo uma 
visão mais positiva sobre o futuro sustentável e a relação da empresa com o entorno. 
Ainda referente aos resultados alcançados, o anexo 1 traz um 
comparativo entre os indicadores do ano de 2022 e 2023, ou seja, antes e depois da 
implementação das ações do Projeto Aterro Zero. 
 
5.2. Conclusão 
Com base nos resultados obtidos, o processo de gerenciamento de 
resíduos na unidade evoluiu de forma contínua, com foco na eliminação do envio de 
resíduos para aterros sanitários. A principal meta agora é priorizar a redução na 
geração de resíduos na fonte, assim como promover a reutilização e valoração dos 
resíduos, a fim de equilibrar o aumento de custos associados ao tratamento e 
destinação. Esta abordagem está em total conformidade com os Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que incentivam práticas de Redução, 
Reciclagem e Reuso, por meio da Economia Circular. Os benefícios alcançados 
incluem a eliminação completa do envio de resíduos para aterros, a minimização dos 
impactos ambientais no solo, água, ar e ecossistemas, e a promoção da conservação 
e recuperação dos recursos naturais, contribuindo significativamente para o 
fortalecimento da economia circular e para a sustentabilidade global. 
Além das melhorias na destinação dos resíduos, os dados gerados ao 
longo do projeto oferecem informações valiosas que podem ser disseminadas em 
palestras e treinamentos para os colaboradores, reforçando a importância da prática 
correta da coleta seletiva e destacando as melhorias no gerenciamento de resíduos 
sólidos. Esses resultados também servem como uma referência e modelo de 
benchmarking para outras empresas do setor que buscam se adequar às exigências 
ambientais e atender às metas globais do desenvolvimento sustentável. 
28 
 
 
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS 
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oportunidades para a indústria brasileira. Caderno de Direito Ambiental, v. 14, n. 
3, p. 125-140, 2018. 
 
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ANEXOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Anexo I – Indicadores antes e depois da implantação do projeto 
 
 
 
❖ Antes da implementação do Projeto Aterro Zero: 
 
 
 
 
❖ Após implementação do Projeto Aterro Zero

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