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CRUZEIRO DO SUL EDUCACIONAL ENGENHARIA AMBIENTAL PROJETO ATERRO ZERO, UMA NOVA GESTÃO DE RESÍDUOS E OS DESAFIOS PÓS IMPLEMENTAÇÃO André Luiz de Souza – RGM: 31980252 Daniela Daiane Cabral Caetano – RGM: 23357274 Deyze dos Santos Carvalho – RGM: 28019431 Érika Monteiro Dias Oliveira – RGM: 36883565 Flavio de Oliveira Gil Junior – RGM: 24980650 Helmut Werner Forster – RGM: 31214312 Jaison de Oliveira Santos – RGM: 24166561 Osnei Maciel de Oliveira – RGM: 23660121 Ricardo Moura Lima – RGM: 31587411 Vagner Rodrigues da Costa – RGM: 22963090 2024 ENGENHARIA AMBIENTAL TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO PROJETO ATERRO ZERO, UMA NOVA GESTÃO DE RESÍDUOS E OS DESAFIOS PÓS IMPLEMENTAÇÃO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para aprovação na disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso em Engenharia Ambiental. André Luiz de Souza – RGM: 31980252 Daniela Daiane Cabral Caetano – RGM: 23357274 Deyze dos Santos Carvalho – RGM: 28019431 Érika Monteiro Dias Oliveira – RGM: 36883565 Flavio de Oliveira Gil Junior – RGM: 24980650 Helmut Werner Forster – RGM: 31214312 Jaison de Oliveira Santos – RGM: 24166561 Osnei Maciel de Oliveira – RGM: 23660121 Ricardo Moura Lima – RGM: 31587411 Vagner Rodrigues da Costa – RGM: 22963090 Orientadora: Prof.ª Sheila Leal 2024 Projeto Aterro Zero, uma nova gestão de resíduos e os desafios pós implementação. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Engenharia Ambiental. Cruzeiro do Sul Edu- cacional, 2024. RESUMO A contribuição das indústrias para a degradação ambiental inicia-se desde a extração de matérias primas e recursos naturais até a disposição final dos resíduos gerados. Com o intuito de mitigar os impactos ambientais decorrentes da geração de resíduos nos processos industriais. Este estudo analisa alternativas sustentáveis para a destinação de resíduos em uma indústria dedicada ao armazenamento de granéis líquidos, com o objetivo de reduzir os impactos ambientais e promover a economia circular. A pesquisa foi baseada em um diagnóstico realizado por meio de análise gravimétrica e na avaliação dos métodos de destinação atualmente empregados. Com isso, foi desenvolvido um plano de gerenciamento que visa eliminar o envio de resíduos para aterros sanitários. O estudo também sugere novas parcerias para a reciclagem e o coprocessamento de resíduos sólidos, além de um plano de ações com metas definidas para o curto, médio e longo prazo. Espera-se que os resultados deste trabalho contribuam para a adoção de práticas sustentáveis, servindo como referência para o setor. Palavras-chave: Resíduos sólidos. Aterro Zero. Reciclagem. Sustentabilidade. Desenvolvimento Sustentável. Economia Circular. LISTA DE TABELAS Tabela 1: Levantamento de copos plásticos utilizados. ............................................ 14 Tabela 2: Composição gravimétrica – Resíduos Aratu ............................................... 14 Tabela 3: Etapas de gerenciamento de residuos ...................................................... 19 Tabela 4: Normas e demais legislações utilizadas .................................................... 22 Tabela 5: Visão geral dos objetivos e ações para atendimento da meta Aterro Zero (Fonte: Ultracargo)..................................................................................................... 23 file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172407 file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172407 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Localização Ultracargo Aratu ..................................................................... 10 Figura 2: Gráfico da composição do total dos resíduos classe II gerados no site. .... 15 Figura 3: Locais e coletores de resíduos ................................................................... 16 Figura 4: Locais e coletores de resíduos ................................................................... 16 Figura 5: Coletores de resíduos especificos adquiridos ............................................ 16 Figura 6: Locais de armazenamento ......................................................................... 16 Figura 7: Modelos de coletores de resíduos utilizados .............................................. 17 Figura 8 Indicador mensal de resíduos para aterro (Fonte: Ultracargo) ..................... 24 file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172422 file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172427 file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172428 file:///C:/Users/helmu/OneDrive/Área%20de%20Trabalho/ENTREGA_FINAL_TCC_GP36.docx%23_Toc182172429 LISTA DE SIGLAS, ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS BA Bahia CODEBA Companhia de Docas do Estado da Bahia ODS Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ONU Organização das Nações Unidas PNRS Política Nacional de Resíduos Sólidos RCC Resíduo de Construção Civil LISTA DE ANEXOS ANEXO 01 – Indicadores antes e depois da implantação do projeto ............................ 30 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 1 2. JUSTIFICATIVA ......................................................................................... 5 3. OBJETIVOS ............................................................................................... 7 3.1 Objetivo Geral ............................................................................................ 7 3.2 Objetivos Específicos ................................................................................. 7 4. METODOLOGIA ........................................................................................ 9 4.1 Área De Aplicação ..................................................................................... 9 4.2 Metodologia Aplicada .............................................................................. 10 4.3 Aterro Zero – Passos Da Implementação ................................................ 12 4.3.1 Educação ambiental ................................................................................ 12 4.3.2 Caracterização da Área e Identificação dos Cenários ............................. 13 4.3.3 Coleta de dados....................................................................................... 13 4.3.4 Caracterização dos resíduos ................................................................... 13 4.3.5 Instituir locais de armazenamento e formas e acondicionamento ........... 15 4.3.6 Desenvolvimento de novos parceiros de negócios .................................. 17 4.3.7 Estabelecer os tipos de tratamento ......................................................... 17 4.4 Início do Projeto ou Implementação ........................................................ 18 4.4.1 Resíduos ordinários ou não recicláveis ................................................... 19 4.4.2 Resíduo orgânico..................................................................................... 20 4.4.3 Fossa séptica ou lodo doméstico ............................................................ 20 4.4.4 RCC – Resíduo de Construção Civil ........................................................ 20 4.4.5 Poda e capina .......................................................................................... 21 4.5 Visão Geral das Ações Para Atingir a Meta Aterro Zero .......................... 21 4.6 Normas e LegislaçõesUtilizadas ............................................................. 22 5. RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................... 23 5.1. Desafios Pós Implementação ................................................................ 25 5.2. Conclusão .............................................................................................. 27 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS .......................................................................... 28 1 1. INTRODUÇÃO As sociedades urbanizadas, nas quais a maior parte da população reside em áreas urbanas, constituem uma fase nova e essencial na evolução social. Embora as primeiras cidades tenham surgido aproximadamente há 5.500 anos, eram pequenas e circundadas por uma população rural significativa, apresentando uma tendência a reverter à condição de vilas. No entanto, com o advento da Revolução Industrial, profundas transformações urbanas e ambientais ocorreram, destacando-se o crescimento desordenado das cidades e o aumento da geração de resíduos. Conforme destacado por Santos (1993), a Revolução Industrial modificou de maneira irreversível a relação do ser humano com o espaço geográfico. Segundo o autor, “o espaço habitado se tornou um meio geográfico completamente diverso do que fora na aurora dos tempos históricos [...] o uso do solo se torna especulativo e a determinação de seu valor vem de uma luta sem trégua entre os diversos tipos de capital que ocupam a cidade e o campo”. O impacto dessas transformações, que se estende até os dias atuais, inclui a geração desenfreada de resíduos sólidos, que se apresenta como um dos principais desafios ambientais contemporâneos. A expansão urbana desordenada e a falta de políticas adequadas de gestão de resíduos agravaram ainda mais essa situação, resultando na degradação das áreas urbanas e no aumento da pressão sobre os recursos naturais (RIBEIRO, 2004). A geração de resíduos sólidos, especialmente no setor industrial, é uma das maiores formas de degradação ambiental, afetando desde a extração de matérias- primas até a disposição final dos resíduos (ORTH et al., 2014). Atualmente, a gestão de resíduos sólidos é uma preocupação crescente nas grandes cidades brasileiras e no mundo, impulsionada pela busca por soluções mais sustentáveis e menos impactantes. Neste contexto, o conceito de "Aterro Zero" surge como uma alternativa inovadora, voltada para a destinação adequada dos resíduos e a eliminação do envio desses materiais para aterros sanitários. O objetivo é priorizar a reciclagem, a reutilização e a recuperação energética, como forma de reduzir os impactos ambientais e promover a sustentabilidade (BRASIL, 2010). A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, estabelece uma hierarquia de gestão de resíduos, em que a disposição final em aterros é a última opção a ser considerada. A ordem de prioridade proposta 2 pela PNRS inclui a não geração, a redução, a reutilização, a reciclagem, o tratamento de resíduos e, por fim, a disposição final adequada (GODECKE et al., 2012). Além disso, a Lei nº 9.605/1998 responsabiliza juridicamente as empresas e indivíduos que causam degradação ambiental, reforçando a importância de uma gestão de resíduos eficiente e sustentável. Dentro das prioridades estipuladas pela legislação, para promover a redução, reutilização ou reciclagem de resíduos, é necessário investigar métodos apropriados de tratamento e disposição final. As iniciativas de Aterro Zero ou Zero Waste têm ganhado destaque como soluções estratégicas para a promoção da sustentabilidade, alinhadas diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, sobretudo os ODS nº 9, 11 e 12. Essas práticas visam reduzir a dependência de aterros sanitários por meio da valorização dos resíduos, seja através da reciclagem, compostagem ou reaproveitamento de materiais. Além disso, fomentam o desenvolvimento de novas tecnologias e infraestruturas que suportam a economia circular, oferecendo oportunidades para a inovação industrial e a criação de sistemas mais sustentáveis de produção e consumo (Barros & Silva, 2020). Dessa forma, o estímulo ao reaproveitamento dos recursos se torna essencial para transformar o gerenciamento de resíduos em uma prática ambientalmente responsável e economicamente viável. A implementação dessas iniciativas é particularmente relevante no contexto industrial, onde a crescente geração de resíduos impõe desafios e impactos significativos. O ODS nº 11, que trata de tornar as cidades e comunidades mais sustentáveis, é diretamente impactado pela adoção de práticas de Aterro Zero, uma vez que elas melhoram a eficiência dos sistemas de gestão de resíduos, reduzem a poluição e promovem a qualidade de vida. Estudos indicam que a incorporação de políticas públicas que apoiam essas práticas nas cidades reduz significativamente os impactos ambientais e a pressão sobre os aterros sanitários, promovendo comunidades mais limpas, resilientes e saudáveis (Gomes et al., 2019). No entanto, o ODS nº 12, que trata de Consumo e Produção Responsáveis, é onde o impacto das iniciativas de Aterro Zero é mais evidente. Ao buscar a minimização do desperdício ao longo de toda a cadeia produtiva, essas iniciativas promovem uma mudança profunda nos padrões de consumo e produção. A responsabilidade compartilhada entre produtores e consumidores para a redução de resíduos, a reutilização e a reciclagem são princípios fundamentais que buscam não 3 apenas reduzir a geração de lixo, mas também otimizar o uso de recursos naturais e energia (Oliveira & Ferreira,2021). Essa abordagem é fundamental para a transição para uma economia de baixo carbono, mais eficiente e ambientalmente sustentável, contribuindo para o cumprimento das metas globais de sustentabilidade. O presente trabalho busca explorar a implementação do projeto "Aterro Zero", suas dificuldades, desafios e impactos, utilizando como estudo de caso a empresa Ultracargo Aratu, que, em 2023, implementou com sucesso essa política de gestão de resíduos. O estudo visa não apenas a análise técnica, mas também os impactos sociais e econômicos da destinação adequada dos resíduos. Neste cenário, a iniciativa "Aterro Zero", alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, em especial o ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis, destaca-se como uma prática cada vez mais relevante. A meta12.5 prevê a redução substancial da geração de resíduos até 2030, por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015). Esse alinhamento com os ODS reforça a urgência de soluções inovadoras e sustentáveis para a gestão de resíduos, garantindo a preservação dos recursos naturais e a qualidade de vida nas áreas urbanas. Evidencia-se que, quando se fala de Aterro Zero, cada medida implementada contribui com a Agenda 2030 como um todo, ao se relacionarem com o ODS 6 – Água Potável e Saneamento; ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico; ODS 9 – Indústria, inovação e infraestrutura; ODS 13 – Ação contra a mudança global do clima; ODS 14 – Vida na água e ODS 15 – Vida terrestre; destacando- se a relevância da conscientização e educação ambiental dos colaboradores da empresa para o êxito deste projeto e também para a formação de uma sociedade mais sustentável. Nesse cenário, diversas indústrias estão estabelecendo metas para assegurar que todos os seus resíduos sejam destinados de maneira ambientalmente correta, adotando técnicas que diminuam os impactos adversos ao meio ambiente. De maneira semelhante, a indústria em análise estabeleceu uma meta para 2030, visando à eliminação de todos os resíduos destinados a aterros sanitários, que, em 1 ano conseguiu atingir o tão sonhado Aterro Zero, basta agora vencer os desafios diários pós implementaçãodo projeto e manter sua jornada rumo ao desenvolvimento sustentável. O presente trabalho busca explorar a implementação do projeto "Aterro 4 Zero", suas dificuldades, desafios e impactos, utilizando como estudo de caso a empresa Ultracargo Aratu, que, em 2023, implementou com sucesso essa política de gestão de resíduos. O estudo visa não apenas a análise técnica, mas também os impactos sociais e econômicos da destinação adequada dos resíduos. 5 2. JUSTIFICATIVA O setor industrial tem sido cada vez mais pressionado a adotar processos produtivos menos agressivos ao meio ambiente. Essa pressão não vem apenas de órgãos públicos, mas também de consumidores, que buscam empresas com práticas mais sustentáveis. Esse movimento reflete a crescente conscientização sobre os impactos ambientais das atividades industriais e a necessidade de uma mudança nos processos produtivos para minimizar esses efeitos (Martins, 2015). Para lidar com essas demandas, políticas ambientais têm sido criadas, como metas e ações específicas para melhorar a gestão de resíduos e promover a sustentabilidade nas operações empresariais (Silva & Araújo, 2018). A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em conjunto com os órgãos federais, estaduais e municipais, estabeleceu um marco regulatório para orientar empresas públicas e privadas na busca por tecnologias mais limpas. Essas normas visam reduzir o uso de recursos naturais, diminuir a geração de resíduos e controlar a emissão de poluentes. O conceito de "Aterro Zero", que busca eliminar o envio de resíduos para aterros sanitários e reincorporá-los à cadeia produtiva, é uma das iniciativas fundamentais para alcançar a sustentabilidade operacional nas indústrias (Costa & Ribeiro, 2019). Entretanto, para que o projeto "Aterro Zero" seja sustentável a longo prazo, é necessário estabelecer um processo contínuo de melhoria, incluindo a educação ambiental como parte integrante. Isso implica em uma mudança cultural dentro das organizações, levando à conscientização sobre a importância da gestão de recursos e os impactos das práticas inadequadas de destinação de resíduos (Almeida & Santos, 2020). Além de adotar tecnologias apropriadas para o manejo de resíduos, a mudança de mentalidade é essencial para garantir a eficiência do projeto. Em 2015, a Assembleia Geral das Nações Unidas lançou a Agenda 2030, um plano global que promove o desenvolvimento sustentável. Composto por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas, o documento orienta governos, sociedade civil e setor privado a adotar práticas que visem o equilíbrio entre progresso econômico, social e ambiental. Esses objetivos são um importante referencial para guiar as ações em prol da sustentabilidade (ONU, 2015). As metas estabelecidas pela Agenda 2030 têm gerado mudanças no cenário industrial global e no Brasil. No caso da Ultracargo Aratu, localizada na Bahia, 6 a implementação do projeto "Aterro Zero" foi impulsionada pelas diretrizes da matriz da empresa em São Paulo, com uma meta ambiciosa de eliminar o envio de resíduos para aterros sanitários até 2030. O projeto foi concluído com sucesso em 2023, mas novos desafios surgiram na fase pós-implementação, incluindo a necessidade de reduzir custos e minimizar os impactos sociais das operações de retirada de resíduos (Ferreira & Almeida, 2021). Por fim, o projeto "Aterro Zero" se alinha diretamente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12, que visa garantir padrões de consumo e produção sustentáveis. A meta 12.5, em particular, busca reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso até 2030 (ONU, 2015). Isso reflete a interconexão dos ODS, reforçando a importância de estratégias como o "Aterro Zero" para atingir metas globais de sustentabilidade. 7 3. OBJETIVOS 3.1 Objetivo Geral O projeto “Aterro Zero” tem como objetivo minimizar/eliminar a quantidade de residuos gerados na Ultracargo com destinação para o aterro sanitário, contribuindo para a preservação dos recursos naturais, a elaboração deste trabalho visa compartilhar como o projeto foi implementado em uma unidade fabril de grande porte, e quais as principais dificuldades encontradas para que de fato a implementação fosse realizada. Isso envolve uma série de práticas, incluindo: • Redução na Fonte: Diminuir a produção de resíduos desde o início, promovendo um consumo consciente. • Reutilização: Incentivar a utilização de produtos várias vezes antes de serem descartados. • Reciclagem: Processar materiais recicláveis para transformá-los em novos produtos, reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais. • Compostagem: Transformar resíduos orgânicos em adubo, reduzindo o volume de lixo. • Educação e Conscientização: Informar a população sobre a importância da gestão de resíduos e como adotar práticas sustentáveis. Contudo, o aterro zero visa criar um sistema circular de gestão de resíduos, promovendo a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente. 3.2 Objetivos Específicos Esses objetivos específicos ajudam a estruturar um plano abrangente para alcançar a meta de aterro zero. • Mapear e gerenciar os resíduos sólidos para o aterro zero envolvendo a identificação, quantificação e análise dos diferentes tipos de resíduos gerados em uma determinada área ou setor da unidade para ser enviado ao aterro sanitário. • Realizar o diagnóstico dos resíduos gerados na unidade enviados para aterros sanitários; • Classificar os resíduos gerados na unidade por grupos (orgânicos, recicláveis, 8 perigosos etc.) e suas respectivas características a que se destina para possibilitar o potencial de reciclagem. • Introduzir a Educação Ambiental como parte integrante/obrigatória do processo deformação inicial dos colaboradores e reciclagem periódica; • Acondicionamento e armazenamento correto dos resíduos; • Estudar as distintas alternativas para disposição dos resíduos e sua viabilidade em substituição ao envio de resíduos para aterros sanitários; realizando um levantamento das instituições organizacionais que possam agregar na destinação dos materiais descartáveis; • Manter a rotina de auditorias e implementação de metas de redução de geração e de custos, e metas sócioambientais que sustentem a continuidade do projeto levantando estratégias para aproximar a empresa do modelo econômico circular mais sustentável. • Identificação de Oportunidades: Localizar áreas onde a redução, reutilização ou reciclagem podem ser aumentadas. • Colaborações Potenciais: Identificar possíveis parcerias com empresas ou organizações para promover a gestão sustentável de resíduos. 9 4. METODOLOGIA 4.1 Área De Aplicação A aplicação deste projeto foi realizada na Ultracargo Logística S.A., unidade localizada no municio de Candeias - BA, começou desde 1966 e hoje tem 7 unidades espalhadas pelo Brasil. É a maior empresa independente de armazenagem de granéis líquidos do Brasil A área de estudo, operada pela ULTRACARGO, se localiza no Porto de Aratu, também conhecido como Aratu Candeias, que foi inaugurado em 1975, sendo administrado, desde 1977, pela Companhia de Docas do Estado da Bahia (CODEBA). Este Porto é uma extensão descontinuada do Porto de Salvador. A ULTRACARGO opera com o armazenamento e a movimentação de produtos químicos e petroquímicos, com capacidade total de armazenamento de 218.190m3, contemplando carga e descarga de granéis líquidos, através de modais marítimos, rodoviário e dutoviário, recebimento e armazenamento de efluentes e fornecimento de utilidades a navios. No local, trabalham os operadorese os funcionários do administrativo da ULTRACARGO, além de trabalhadores de empresas de suporte e prestadoras de serviços, e ainda os motoristas de caminhão que carregam e descarregam produtos armazenados no Terminal. 10 4.2 Metodologia Aplicada Para conseguir atingir o objetivo definido, foi necessário montar um plano de gerenciamento integrado dos resíduos sólidos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010 em suas definições apresenta o conceito de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos como: “Conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável”. De acordo com MONTAGNA ET AL, 2012, as etapas de manejo a serem seguidas são basicamente: geração, segregação, acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte, tratamento e disposição final. Adaptando à Ultracargo teremos os processos envolvidos no manejo dos resíduos sólidos da seguinte forma: • Geração – Ato de gerar um resíduo. Neste item podem-se implantar ações de não geração ou de redução. Para a identificação das fontes de geração de resíduos, faz- se necessário percorrer os processos da empresa; • Segregação – é a separação na fonte geradora dos resíduos conforme suas características. A importância deste processo é a valorização dos resíduos e Figura 1: Localização Ultracargo Aratu 11 maior eficiência das demais etapas subsequentes de gerenciamento por evitar a contaminação de quantidades significativas de materiais reaproveitáveis em decorrência da mistura de resíduos (ZANTA e FERREIRA,2007). É também a etapa que exige a adesão dos usuários, com uma mudança de cultura no momento do descarte do resíduo. • Acondicionamento – Preparar o resíduo para a coleta de forma sanitariamente adequada, compatível com o tipo e a quantidade de resíduos, a frequência da coleta, o tipo de edificação e de recipientes de acondicionamento de resíduos como os sacos plásticos, contentores, caçambas estacionárias e contêineres, bombonas, tambores... Ainda o acondicionamento adequado evita acidentes, evita a proliferação de vetores, minimiza o impacto visual e olfativo, reduz a heterogeneidade dos resíduos (no caso de haver coleta seletiva) e facilita a realização da etapa da coleta. • Triagem (classificação, quantificação): processo de separação mais refinado dos materiais de acordo com suas características, ou seja, esta etapa irá separar os materiais recicláveis de acordo com o processo futuro de reciclagem. Neste momento é possível quantificar e classificar mais detalhadamente cada tipo de material. • Armazenamento: Estocagem do resíduo acondicionado. O processo de armazenamento dos resíduos tem como objetivo acumular os resíduos até que seja realizada a coleta e destinação do mesmo. A forma de armazenamento deve resguardar as características dos materiais, protegendo os mesmos de intempéries e do acesso não controlado de pessoas e animais. • Coleta e transporte: significa recolher o resíduo acondicionado por quem o produz para encaminhá-lo, mediante transporte adequado, a uma possível estação de transferência, a um eventual tratamento e à disposição final. • Tratamento: Define-se tratamento como uma série de procedimentos destinados a reduzir a quantidade ou o potencial poluidor dos resíduos sólidos, seja impedindo descarte de lixo em ambiente ou local inadequado, seja transformando-o em material inerte ou biologicamente estável. (MONTAGNA ET AL.,2012). Tratamento por reciclagem: a finalidade de trazer os materiais como o vidro, o papel o plástico e o metal de volta à indústria para serem beneficiados e serem novamente transformados em produtos comercializáveis no mercado de consumo (IBAM,2001). Tratamento da fração orgânica por processos biológicos: 12 • Compostagem: processo de conversão aeróbia da matéria orgânica tendo por produto final um condicionador do solo, denominado composto; • Digestão anaeróbia: estabilização da matéria orgânica e produção de biogás constituído, principalmente, por gás metano e dióxido de carbono. (ZANTA e FERREIRA,2007). Tratamento de blendagem para coprocessamento: É a descaracterização de lotes de resíduos sólidos ou líquidos que, depois de triturados e misturados, formam o “blend” – composto de alto poder calorífico que é utilizado como combustível alternativo para os fornos de produção de cimento. 4.3 Aterro Zero – Passos Da Implementação 4.3.1 Educação ambiental O processo de mudança começa pela transformação das formas de pensar e agir dos colaboradores. Para isso, torna-se fundamental o desenvolvimento de ações e práticas de educação ambiental no âmbito organizacional. Estas podem ser implementadas por meio de palestras e treinamentos voltados para a coleta seletiva, destacando a relevância da segregação correta dos materiais e fornecendo informações detalhadas sobre os tipos de resíduos, bem como as diversas tecnologias e métodos de tratamento disponíveis. Dessa forma, enfatiza-se o ganho ambiental associado ao correto manejo e disposição dos resíduos. Nesta fase, é oportuno salientar a integração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em particular o ODS 4, que visa assegurar uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem contínua para todos (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015). Ao oferecer treinamentos de qualidade e inclusivos aos funcionários, a empresa contribui para a capacitação de seus colaboradores, promovendo o desenvolvimento de competências que os tornam agentes ativos na promoção da sustentabilidade, tanto dentro quanto fora do ambiente de trabalho. Dentre os temas abordados nos treinamentos, destacam-se aqueles que tiveram maior impacto positivo, tais como: Aspectos e Impactos Ambientais, Sustentabilidade, Uso Eficiente de Recursos Naturais, Coleta Seletiva, Indicadores Ambientais, Projetos Socioambientais, Responsabilidade Legal, Economia Circular, Gestão de Produtos Químicos, Segregação Correta dos Resíduos, Aterro Zero e a 13 Agenda do Clima. Esses tópicos são cruciais para a formação de uma cultura organizacional comprometida com o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade ambiental. 4.3.2 Caracterização da Área e Identificação dos Cenários Esta etapa visa descrever o estado atual do gerenciamento de resíduos sólidos, realizando sua caracterização tanto qualitativa quanto quantitativa, na medida do possível. Para isso, torna-se necessário realizar a coleta de dados, seguida da execução de procedimentos técnicos específicos para a caracterização dos resíduos. 4.3.3 Coleta de dados A coleta de dados exigiu a realização de uma extensa pesquisa de campo, complementada por entrevistas, aplicação de questionários e consulta a dados relevantes previamente disponíveis. A pesquisa de campo foi conduzida com o objetivo de analisar e caracterizar o local de estudo, documentar visualmente os pontos críticos relacionados às diferentes etapas do manejo dos resíduos sólidos, bem como compreender a estrutura administrativa e identificar os agentes envolvidos no processo. Além disso, esta etapa detalha o sistema de gerenciamento atual, descrevendo as práticas implementadas em cada fase do manejo dos resíduos sólidos, desde a geração até o tratamento final de cada tipo de material. 4.3.4 Caracterização dos resíduos A classificação e quantificação dos resíduos foram realizadas com base no histórico levantado e nos dados coletados. Os resíduos foram subdivididos nas seguintes categorias: recicláveis (papel, plástico, vidro, metal), orgânicos (resíduos alimentares e borra de café), resíduos comuns (materiais contaminados, não recicláveis e provenientes de banheiros) e outros tipos de resíduos,como eletroeletrônicos, resíduos da construção civil (entulho), pilhas, baterias e lâmpadas. Além disso, foi conduzido um levantamento detalhado sobre a quantidade de copos plásticos utilizados mensalmente (tabela 1). 14 Tabela 1: Levantamento de copos plásticos utilizados. TERMINAL QUANT/MÊS Destinação REFEITÓRIO 5.000 Aterro Sanitário SETORES 20.000 A composição gravimétrica refere-se à determinação do percentual de cada componente em relação ao peso total da massa dos resíduos, sendo um parâmetro fundamental para a caracterização quantitativa e qualitativa dos resíduos sólidos (MONTAGNA et al., 2012). Essa análise é essencial para o planejamento e otimização das práticas de gerenciamento, desde a segregação adequada até o tratamento final, conforme discutido nas etapas de classificação e quantificação dos resíduos. Os componentes mais comumente avaliados na determinação da composição gravimétrica incluem materiais recicláveis, resíduos orgânicos, resíduos comuns e outros resíduos específicos, como eletroeletrônicos e resíduos da construção civil. Esta etapa segue apresentada na tabela 2 e figura 2. Tabela 2: Composição gravimétrica – Resíduos Aratu 15 Figura 2: Gráfico da composição do total dos resíduos classe II gerados no site. 4.3.5 Instituir locais de armazenamento e formas e acondicionamento Nesta etapa, realiza-se o mapeamento dos locais mais adequados para o armazenamento temporário dos resíduos, garantindo a conformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e a Resolução CONAMA. Isso envolve a implementação de medidas como a cobertura adequada das áreas de armazenamento, a impermeabilização do solo para evitar a contaminação do meio ambiente, e a instalação de diques de contenção para prevenir derramamentos e infiltrações. Além disso, é imprescindível adquirir contentores específicos para cada tipo de resíduo, com uma correta identificação de classe (resíduos perigosos, recicláveis, orgânicos, etc.) e sinalização clara e padronizada, de modo a facilitar o reconhecimento por todos os usuários, promovendo o descarte correto e seguro. 16 Figura 3: Locais e coletores de resíduos Figura 4: Locais e coletores de resíduos Figura 5: Coletores de resíduos especificos adquiridos Figura 6: Locais de armazenamento 17 4.3.6 Desenvolvimento de novos parceiros de negócios O último Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, o objetivo número 17, está diretamente relacionado ao fortalecimento de parcerias para promover o desenvolvimento sustentável. Esta etapa fundamentou- se nesse princípio, focando na busca por parceiros estratégicos, instituições e empresas capazes de colaborar na destinação ambientalmente adequada dos resíduos, visando a mitigação dos impactos ambientais. Para tal, foi realizado um levantamento, por meio de pesquisas e benchmarking, das melhores práticas adotadas no gerenciamento de resíduos sólidos. As pesquisas foram conduzidas por meio de plataformas online e em startups, com foco em artigos e notícias recentes de indústrias que já implementaram o conceito de "aterro zero" em suas operações. O objetivo foi identificar parceiros que estejam alinhados com as novas metas estabelecidas e com o compromisso assumido de transição da economia linear para a economia circular. Nesse modelo, os resíduos são reinseridos no ciclo produtivo, seja na própria unidade geradora ou em cadeias produtivas de novos parceiros, promovendo um sistema fechado de recursos e impulsionando a sustentabilidade. 4.3.7 Estabelecer os tipos de tratamento No planejamento para uma Economia Circular, um dos principais focos deve ser a reutilização de materiais sempre que possível, prolongando sua vida útil até o máximo limite. Essa prática é essencial para reduzir a geração de resíduos, contribuindo diretamente para a minimização dos impactos ambientais e oferecendo, ao mesmo tempo, uma vantagem financeira significativa durante a implementação do projeto. Quando a reutilização não for viável, a reciclagem surge como a próxima etapa, permitindo a reincorporação de materiais em novos ciclos produtivos, transformando-os em outros produtos. Essa prática não apenas reduz a quantidade de resíduos destinados a aterros, mas também gera impactos sociais positivos, Figura 7: Modelos de coletores de resíduos utilizados 18 promovendo a sustentabilidade de maneira ativa. Para os resíduos orgânicos, como podas, capinas e restos de madeira limpa, a compostagem se apresenta como uma solução eficaz. Ao serem compostados, esses materiais são transformados em um recurso valioso que, uma vez estabilizado, pode ser reinserido na natureza, oferecendo grandes benefícios ambientais. Outra estratégia importante é o coprocessamento, uma técnica que possibilita a valorização de resíduos ao destiná- los como combustível alternativo em fornos de cimento. Esse processo cria valor para ambas as partes envolvidas: de um lado, a empresa que precisa descartar seus resíduos de maneira adequada; de outro, a indústria que pode utilizá-los como fonte de energia, promovendo uma sinergia sustentável entre as operações. 4.4 Início do Projeto ou Implementação Após a aprovação inicial, o projeto foi oficialmente iniciado. Foram implementadas campanhas contínuas de conscientização ambiental, com ações focadas na redução de resíduos, na estratificação dos mesmos e na identificação de potenciais falhas no processo de segregação. Essas iniciativas permitiram a identificação de oportunidades de melhoria, com o objetivo de aprimorar os resultados, contribuindo para a preservação ambiental, prevenindo a poluição e evitando o acúmulo de resíduos desnecessários. Além disso, a implementação do projeto fortaleceu a imagem institucional da Ultracargo, destacando seu compromisso com a ética e a responsabilidade ambiental. O maior desafio enfrentado na implementação deste projeto foi a promoção da Educação Ambiental, que exigiu uma transformação gradual na cultura dos colaboradores e envolvidos. Outro obstáculo significativo foi a dificuldade em encontrar destinos economicamente viáveis para os resíduos, que também atendesse aos requisitos de tecnologia ambientalmente adequada para tratamento, com o menor impacto financeiro possível. Além disso, foram identificados problemas logísticos, que envolviam aspectos como autorizações, custos operacionais, entre outros. Diante desse cenário, foram realizados estudos técnicos e econômicos aprofundados com o intuito de identificar as melhores soluções e mitigar os impactos inerentes a qualquer processo de mudança. Após a validação das alternativas, foram selecionados os destinos adequados para os resíduos, e novos contratos foram firmados para garantir a destinação correta dos materiais. Os resíduos não recicláveis 19 passaram a ser destinados ao coprocessamento, enquanto os resíduos de lodo doméstico foram encaminhados para a estação de tratamento. Os resíduos orgânicos e de jardinagem foram direcionados para compostagem, e os resíduos da construção civil foram enviados para britagem e posterior reutilização. Os materiais recicláveis foram enviados a cooperativas parceiras, garantindo a continuidade do ciclo de gestão de resíduos de maneira sustentável. Tabela 3: Etapas de gerenciamento de residuos Etapa do gerenciamento Descrição Segregação A separação dos resíduos por classe ocorre no prório setor gerador e após segue para área de triagem, onde é avaliado e acondicionado nas contenções corretas Acondicionamento Os resíduos são colocados em contentores específicos e identificados por cor e adesivo Transporte interno Em sua maioria os sacos são carregados manualmente, exceto quando o peso exceder a capacidade física dos colaboradores. Neste caso os sacos mais pesadossão dispostos nos big-bags e levados para oarmazenamento temporário pelo caminhão munck. Armazenamento temporário Há uma espécie de depósito temporário num local externo ao terminal , onde possuem baias cobertas onde lá aguardam até a hora de serem dispostos para a coleta externa. Coleta e transporte externo A coleta e transporte externo dos resíduos é realizado com periodicidade pré-estabelecida a fim de evitar acúmulos e ploriferação de roedores, fungos e bactérias. Tratamento Enviado então para o tratamento pré-estabelecido em PGRS 4.4.1 Resíduos ordinários ou não recicláveis Os resíduos ordinários são gerados em diversas áreas da empresa e incluem materiais como guardanapos sujos, adesivos, papel plastificado, absorventes e resíduos sanitários. A geração anual deste tipo de resíduo é estimada em cerca de 17 toneladas. No processo de coprocessamento, esses resíduos são submetidos a um tratamento específico para a preparação de um composto com alto poder 20 calorífico, que pode ser utilizado como substituto parcial de matérias-primas e/ou como combustível alternativo durante a fabricação de cimento, contribuindo para a redução do impacto ambiental e otimização de processos industriais. 4.4.2 Resíduo orgânico Os resíduos orgânicos gerados pela empresa provêm principalmente do refeitório, incluindo os resíduos originados no processo de preparo dos alimentos, no descarte de alimentos não servidos e nas sobras de bandeja (restos de pratos dos colaboradores). A estimativa de geração anual desses resíduos é de aproximadamente 21 toneladas. Dentre as alternativas avaliadas para a destinação adequada desses resíduos, destacam-se a compostagem (internas ou externas) e o uso de biodigestores. Após a realização de estudos e experimentos, foi determinado que a solução mais viável seria a compostagem externa. O processo de compostagem envolve a decomposição biológica da matéria orgânica presente nos resíduos, transformando-os em um composto estabilizado, que pode ser reaproveitado como adubo, contribuindo para a economia circular e a redução de impactos ambientais. 4.4.3 Fossa séptica ou lodo doméstico O lodo doméstico é gerado a partir da estação de tratamento de efluentes anaeróbicos da empresa, e antes de sua destinação final, passa por um processo de centrifugação para reduzir seu volume e concentração de sólidos. A quantidade gerada anualmente deste resíduo é, em média, de 277 toneladas. Dentre as alternativas tecnológicas viáveis para o tratamento e destinação desse resíduo, destacam-se a utilização de estações de tratamento especializadas e o coprocessamento, que permite a valorização do lodo em processos industriais, como a fabricação de cimento, reduzindo seus impactos ambientais e promovendo a utilização de recursos de maneira mais sustentável. 4.4.4 RCC – Resíduo de Construção Civil Os resíduos da construção civil gerados pela Ultracargo são oriundos de reformas ou novas instalações e representam uma parte significativa do volume total de resíduos classe II gerados pela empresa, com uma estimativa de aproximadamente 21 339 toneladas por ano. A segregação e destinação desses resíduos eram realizadas de acordo com as seguintes diretrizes: a) Resíduos inertes como tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, argamassa e concretos eram encaminhados para o aterro destinado à disposição de resíduos da construção civil, sendo dispostos de maneira a possibilitar sua futura utilização ou reciclagem. b) Resíduos recicláveis, incluindo plásticos, papel/papelão, metais, vidros e madeiras, eram segregados adequadamente e encaminhados para processos de reciclagem, contribuindo para a redução de resíduos e a promoção da economia circular. c) Resíduos perigosos, como os que contêm amianto, tintas, solventes, óleos e outros materiais contaminados, eram encaminhados para o coprocessamento, garantindo sua destinação adequada e a minimização de impactos ambientais. 4.4.5 Poda e capina Os resíduos de jardinagem são gerados durante as atividades de conservação predial, incluindo processos como podas de árvores, corte de gramas, arbustos e varrição. A quantidade anual gerada desses resíduos é estimada em aproximadamente 51 toneladas. O destino adotado para esse material, após sua segregação, é a trituração, seguida pela compostagem, processo que transforma os resíduos orgânicos em composto orgânico estável, o qual pode ser reaproveitado como adubo, contribuindo para a sustentabilidade e a redução de resíduos enviados para aterros. 4.5 Visão Geral das Ações Para Atingir a Meta Aterro Zero Com o objetivo de alcançar a meta de aterro zero até o ano de 2030, as ações descritas nas seções anteriores foram organizadas de maneira estratégica, permitindo uma visão clara do horizonte temporal e dos objetivos a serem cumpridos. Essas ações foram segmentadas em períodos de curto, médio e longo prazo, conforme as metas estabelecidas pela matriz corporativa, e estão ilustradas na Figura 03, que apresenta a distribuição e os prazos para a implementação de cada uma delas, alinhando-se ao compromisso com a sustentabilidade e a redução do impacto 22 ambiental. Figura 03 – Visão geral dos objetivos para atendimento da meta Aterro Zero 4.6 Normas e Legislações Utilizadas Tabela 4: Normas e demais legislações utilizadas Normas Legais Regulamentação Lei nº 12.305/2010 Política Nacional dos Resíduos Sólidos NBR 10004/2004 Resíduos sólidos – Classificação NBR 11174/1990 Condições mínimas necessárias ao armazenamento dos resíduos classe II - não perigosos NBR 13221/2010 Transporte de resíduos – Procedimentos NBR 12235/1992 Armazenamento de resíduos sólidos perigosos NBR 13463/1995 Coleta de resíduos sólidos – Classificação NBR 11174/90 Armazenamento de resíduos classes II (não inertes) e III (inertes) Res. CONAMA 275/2008 Simbologia dos resíduos Res. CONAMA 401/2008 Dispõe sobre o gerenciamento adequado para as pilhas e baterias 23 5. RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS Para a efetivação das ações propostas, foi imprescindível o monitoramento contínuo das atividades, assegurando a qualidade e o desempenho das mesmas, alcançando os resultados esperados dentro do prazo estabelecido. A Gestão Ambiental foi responsável pela definição dos gestores encarregados de cada ação, e manteve uma rotina regular de acompanhamento, realizando a verificação do progresso das atividades em colaboração com os gestores das respectivas áreas envolvidas. Esse acompanhamento garantiu a execução eficaz e o alinhamento das ações com as metas estabelecidas. Tabela 5: Visão geral dos objetivos e ações para atendimento da meta Aterro Zero (Fonte: Ultracargo) 24 Figura 8 Indicador mensal de resíduos para aterro (Fonte: Ultracargo) 25 5.1. Desafios Pós Implementação Após a implementação do projeto e o alcance das metas inicialmente estabelecidas, o principal desafio passou a ser a gestão da geração de resíduos na unidade, os elevados custos associados ao tratamento desses resíduos e os impactos sociais, especialmente no que diz respeito à percepção das comunidades vizinhas, que dependiam do material anteriormente destinado ao aterro local. A redução da produção de resíduos na fonte geradora é uma estratégia crucial para enfrentar esses desafios. Para isso, é necessário adotar processos ecoeficientes, cujo objetivo é minimizar ao máximo a quantidade de resíduos gerados diretamente na origem. A efetividade desta abordagem depende de alterações tanto nas matérias-primas utilizadas quanto nas operações geradoras de resíduos. Dessa forma, é possível reduzir significativamente os resíduos, promovendo a sustentabilidade e diminuindo os impactos ambientais. A redução naorigem é uma alternativa viável que, apesar de exigir ajustes no processo produtivo, contribui para a mitigação dos impactos ambientais. Algumas estratégias para a redução de resíduos incluem: • Análise de Processos: Realizar uma avaliação detalhada dos processos de produção para identificar pontos críticos de geração de resíduos e oportunidades de otimização. Isso envolve a análise dos fluxos de materiais, identificação de desperdícios e busca por alternativas mais eficientes. • Prevenção na Fonte: Implementar medidas para prevenir a geração de resíduos desde o início do processo produtivo. Adoção de práticas limpas, minimização do uso de materiais e substâncias tóxicas, escolha de tecnologias mais eficientes e desenvolvimento de produtos com menor impacto ambiental são fundamentais. • Reutilização e Reciclagem Interna: Aproveitar as oportunidades para a reutilização de subprodutos e resíduos dentro do próprio processo produtivo. Resíduos que anteriormente seriam descartados podem ser reintegrados como matéria-prima ou utilizados em outros processos, reduzindo a necessidade de recursos adicionais. • Gestão Eficiente de Estoques: Um controle eficiente dos estoques contribui para a redução de materiais obsoletos ou vencidos, minimizando o desperdício e promovendo a utilização de materiais dentro de seu ciclo de vida útil. 26 • Treinamento e Conscientização: Capacitar os funcionários para que compreendam a importância da redução de resíduos e as práticas adequadas de gestão, incentivando sua participação ativa na identificação de oportunidades de melhoria e implementação das medidas. • Parcerias com Fornecedores: Estabelecer colaborações com fornecedores e parceiros, incentivando a redução de embalagens, o uso de materiais sustentáveis e a adoção de práticas de logística reversa. • Monitoramento e Medição: Implementar indicadores de desempenho para monitorar a geração de resíduos e acompanhar o progresso na redução ao longo do tempo. O Anexo I apresenta os resultados do monitoramento, comparando o período anterior à implementação do projeto com os resultados após sua execução, evidenciando o atingimento das metas, que visam a eliminação da destinação de resíduos para aterros. Esse processo permite identificar áreas que exigem melhorias contínuas e estabelecer metas claras para o futuro. A implementação dessas práticas como parte de uma rotina de melhoria contínua não só pode reduzir de forma significativa a geração de resíduos sólidos, mas também gerar economias de recursos naturais, reduzir custos operacionais e melhorar a imagem ambiental da empresa. Em relação aos aspectos financeiros, após a implementação do Programa Aterro Zero em 2023, observou-se um aumento nos custos de destinação de resíduos, uma vez que o tratamento de resíduos demanda investimentos superiores aos custos associados ao envio para aterros sanitários. Durante o monitoramento dos resultados do projeto, identificou-se a oportunidade de substituir alguns parceiros por outros com propostas mais vantajosas, que priorizem a valorização dos resíduos, especialmente os recicláveis e aqueles com poder calorífico que possam ser reutilizados nos fornos de cimenteiras parceiras. Essa otimização gerou reduções nos custos operacionais, mas, apesar dos avanços, os resultados ainda são elevados, e a busca por alternativas mais eficazes e econômicas é um processo contínuo. No que diz respeito aos aspectos sociais, a visão da empresa visa a minimização dos impactos ambientais nos recursos naturais locais, como solo, água, ar e ecossistemas em geral, além da promoção da conservação e recuperação desses 27 recursos. Contudo, a redução de grandes volumes de resíduos destinados ao aterro local gerou preocupações nas comunidades vizinhas, que anteriormente dependiam desses materiais para sua subsistência. Diante dessa realidade, a empresa se compromete a implementar programas de apoio social às comunidades, como a inclusão da mão de obra local em seus processos operacionais, oferta de cursos e treinamentos profissionalizantes, entre outras ações. A implementação de compensações socioambientais, por meio de benefícios diretos às comunidades, pode transformar a percepção desses grupos sobre os impactos gerados, promovendo uma visão mais positiva sobre o futuro sustentável e a relação da empresa com o entorno. Ainda referente aos resultados alcançados, o anexo 1 traz um comparativo entre os indicadores do ano de 2022 e 2023, ou seja, antes e depois da implementação das ações do Projeto Aterro Zero. 5.2. Conclusão Com base nos resultados obtidos, o processo de gerenciamento de resíduos na unidade evoluiu de forma contínua, com foco na eliminação do envio de resíduos para aterros sanitários. A principal meta agora é priorizar a redução na geração de resíduos na fonte, assim como promover a reutilização e valoração dos resíduos, a fim de equilibrar o aumento de custos associados ao tratamento e destinação. Esta abordagem está em total conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que incentivam práticas de Redução, Reciclagem e Reuso, por meio da Economia Circular. Os benefícios alcançados incluem a eliminação completa do envio de resíduos para aterros, a minimização dos impactos ambientais no solo, água, ar e ecossistemas, e a promoção da conservação e recuperação dos recursos naturais, contribuindo significativamente para o fortalecimento da economia circular e para a sustentabilidade global. Além das melhorias na destinação dos resíduos, os dados gerados ao longo do projeto oferecem informações valiosas que podem ser disseminadas em palestras e treinamentos para os colaboradores, reforçando a importância da prática correta da coleta seletiva e destacando as melhorias no gerenciamento de resíduos sólidos. Esses resultados também servem como uma referência e modelo de benchmarking para outras empresas do setor que buscam se adequar às exigências ambientais e atender às metas globais do desenvolvimento sustentável. 28 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS - ALMEIDA, T.; SANTOS, M. Educação ambiental e gestão de resíduos no contexto industrial. Revista de Gestão Sustentável, v. 8, n. 1, p. 45-58, 2020. - BARROS, R. A., & SILVA, M. G. (2020). Inovação e Sustentabilidade na Gestão de Resíduos Sólidos. Editora Verde. - BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. 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