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PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA DIREITO DOS NEGÓCIOS | CAPÍTULO I DIREITO DOS NEGÓCIOS CAPÍTULO I PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA DIREITO DOS NEGÓCIOS | CAPÍTULO I OBSERVAÇÃO INICIAL Olá, aluno! Tudo bem? Hoje vamos iniciar nossa jornada pelo Direito dos Negócios, explorando os diferentes tipos de normas e regulamentações que regem essa área. Ao longo das próximas aulas, vamos aprofundar nosso conhecimento em cada um desses aspectos. Espero que, com a leitura do material, vocês encontrem o estudo do Direito dos Negócios claro e interessante. Embora o conteúdo seja extenso, ele é bastante completo e essencial para a compreensão dessa área do Direito. Lembrem-se: se vocês dominarem bem os fundamentos, o restante se tornará muito mais simples e lógico. Bons estudos! @prof.atilacallison ➢ TÍTULOS DE CRÉDITOS Os títulos de crédito são documentos essenciais para o exercício de um direito literal e autônomo, desde que preencham os requisitos legais. A partir disso, surgem três princípios fundamentais: cartularidade, literalidade e autonomia, que serão estudados em breve. Esses títulos são baseados na confiança e na boa-fé, pois representam um direito ao recebimento de uma prestação futura. A palavra "título" nos remete à ideia de um documento em papel: assim como o título de eleitor ou o título de um clube, temos o título de crédito, um documento que representa o crédito. Mas, o que é crédito? Crédito é a obtenção de um bem da vida, seja uma mercadoria ou um empréstimo. Em outras palavras, é uma antecipação de um bem, formalizada em papel para um pagamento futuro. Simplificando, é a troca de um bem no presente por dinheiro no futuro. Os títulos de crédito mais utilizados atualmente são a Nota Promissória, o Cheque e a Duplicata, mas temos também a Letra de Câmbio. Historicamente, cada principal título de crédito sempre teve suas próprias leis específicas, e isso continua até hoje. A Letra de Câmbio e a Nota Promissória são reguladas pelo Decreto 57.663/66, também conhecido como Lei Uniforme de Genebra (LU). Esse decreto surgiu após a Convenção de Genebra de 1964, onde vários países se reuniram para uniformizar as regras dos principais títulos de crédito. O Cheque é regulamentado pela Lei nº 7.357/85, e a Duplicata pela Lei nº 5.474/68. Os demais títulos de crédito derivam dessas normas. PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA DIREITO DOS NEGÓCIOS | CAPÍTULO I Se cada título é regido por uma lei especial própria, em quais situações devemos utilizar o Código Civil? De acordo com o Artigo 903 do Código Civil: "Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código." A resposta é clara: O Código Civil, no que diz respeito aos títulos de crédito, não é uma grande referência. O próprio artigo 903 demonstra isso. O Código Civil "tira o corpo fora" quando o assunto é a regulamentação dos principais títulos de crédito. O artigo 907 do Código Civil complementa dizendo que sua aplicação é apenas subsidiária. Isso significa que só devemos recorrer aos artigos 887 e seguintes do Código Civil nos casos em que a legislação especial não aborda a questão. O título de crédito é um documento formal que serve para representar e provar a existência de uma dívida, além de manifestar a vontade de assumir uma obrigação. Ele é crucial para que o credor possa exigir o pagamento da dívida mencionada. De acordo com o Código Civil, o título de crédito não é apenas um documento formal. Ele deve cumprir com a literalidade, ou seja, o documento precisa estar preenchido de acordo com os requisitos legais específicos. Literalidade significa que o título deve estar completo e corretamente preenchido, conforme as exigências legais. Por exemplo: Imagine que você está em um shopping e vê um aviso que diz: "Aceitamos cheque pré-datado e parcelamos qualquer produto em até 6 vezes." Você decide usar o cartão de crédito, mas descobre que não há limite disponível. Nesse momento, você decide pagar com um cheque. Embora o cheque seja um documento formal, é essencial preencher todos os requisitos legais, como o valor, o nome do beneficiário (a loja), a data, o local e a assinatura. Isso garante a literalidade do título e assegura que ele tenha validade como instrumento de crédito. Princípio da Cartularidade Definição: O princípio da cartularidade estabelece que o título de crédito é um documento essencial para o exercício do direito que ele representa. O documento deve ser apresentado fisicamente para que o direito seja exercido. • Conceito: O título de crédito é um documento necessário para o exercício do direito nele contido. A posse do título é indispensável para que o credor possa exercer o direito, seja principal ou acessório. • Requisitos Legais: Conforme o Art. 887 do Código Civil, o título de crédito só produz efeito quando cumpre todos os requisitos legais e é apresentado em sua forma original. • Exigências na Prática: o Cobrança Judicial: O título original deve ser apresentado junto com a petição inicial. o Requerimento de Falência: É necessário apresentar o título original para fundamentar o pedido de falência com base na impontualidade. Importância: A posse do título original é essencial para garantir a legitimidade do direito. A apresentação de fotocópias, mesmo autenticadas, não é suficiente, pois o original assegura que não houve circulação do título. O título de crédito é um documento escrito, ou seja, um papel que contém informações específicas e a identificação do signatário, tendo valor probatório em ações judiciais. Para que um escrito seja considerado um título de crédito, ele deve estar registrado em papel. Formatos digitais como gravações, filmagens, dispositivos de PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA DIREITO DOS NEGÓCIOS | CAPÍTULO I armazenamento digital como “pen drives” e similares não são aceitos. Além disso, não existe título de crédito oral; a formalidade e a validade do título dependem de sua forma física e escrita. Esses requisitos garantem a integridade e a segurança jurídica dos direitos e obrigações associados ao título. O princípio da literalidade Estabelece que o conteúdo, a extensão e as modalidades do direito cambial são definidos exclusivamente pelo que está escrito no título de crédito. Isso significa que apenas o que está efetivamente estampado no documento tem valor jurídico e produz efeitos legais. De acordo com Tomazette, o princípio da literalidade reforça que o título de crédito é um documento que confere e limita os direitos e obrigações com base exclusivamente no que está escrito no próprio título. Ele explica que, no contexto cambial, a eficácia de qualquer direito ou obrigação está restrita ao que é formalmente indicado no título. Isso significa que qualquer cláusula, direito ou responsabilidade que não esteja expressamente mencionado no título não tem efeito jurídico. Portanto, o título de crédito deve refletir de forma precisa e completa os direitos e deveres das partes, garantindo que todos os elementos essenciais estejam claramente documentados no próprio título. Tomazette destaca que, para assegurar a validade dos direitos e obrigações cambiais, é imprescindível que todas as informações pertinentes estejam explicitamente descritas no título de crédito, alinhando-se com a ideia de que o que está escrito no título é o que conta juridicamente. Esse princípio é crucial para a previsibilidade e a segurança nas transações comerciais e financeiras, evitandoambiguidades e disputas sobre direitos não claramente documentados. No entanto, há uma exceção notável a essa regra: a duplicata. Conforme o §1º do artigo 9º da Lei nº 5.474/1968, é permitido que a quitação da duplicata seja registrada em um documento separado, desde que realizado pelo legítimo possuidor do título. Isso representa uma exceção ao princípio da literalidade, permitindo maior flexibilidade na gestão das duplicatas e reconhecendo a validade de quitações documentadas fora do título em questão. O Art. 887 do Código Civil reforça essa ideia ao afirmar que o título de crédito só produz efeito quando preenche os requisitos legais e contém o direito literal e autônomo nele mencionado. Um exemplo desse princípio é o aval. Se o aval é lançado fora do título de crédito, mesmo que por escritura pública, ele não tem a natureza jurídica de aval. Nesse caso, o aval fora do título pode ser considerado como fiança, mas não como um aval cambial, pois o valor jurídico do aval está condicionado à sua inclusão no próprio título. Agora que você compreende Cartularidade (documento formal) e Literalidade (preenchimento do título), vamos discutir o último requisito: Autonomia. Segundo o princípio da autonomia, o título de crédito é um documento que cria um direito novo, autônomo, originário e totalmente desvinculado da relação que lhe deu origem. Isso significa que o direito representado pelo título é independente e não pode ser afetado por problemas ou vícios da relação anterior. Dois princípios decorrentes da autonomia são: 1. Princípio da Abstração: Este princípio afirma que, ao circular, o título se desvincula da relação que o originou. Enquanto o título está na relação original, há uma conexão entre o título e sua origem. No entanto, uma vez que o título é transferido (por exemplo, através de um endosse), a relação original não tem mais relevância para a validade do título. PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA DIREITO DOS NEGÓCIOS | CAPÍTULO I Deixa-me te exemplificar: Imagine que João compra um carro de Maria e, para pagar, emite uma Nota Promissória no valor de R$ 10.000,00. A Nota Promissória é um título de crédito que representa a dívida de João para com Maria. a) Relação Original: A Nota Promissória foi emitida com base na compra do carro. A relação entre João e Maria é a venda do carro, e a Nota Promissória é um reflexo dessa relação. b) Transferência do Título: João decide transferir a Nota Promissória para Carlos como forma de pagamento de uma dívida que João tem com Carlos. João faz isso através de um endosse. c) Desvinculação da Relação Original: Após o endosse, a Nota Promissória está agora em posse de Carlos. No momento da transferência, a Nota Promissória se desvincula da relação original de compra e venda do carro entre João e Maria. d) Nova Relação: Agora, Carlos é o novo credor e tem o direito de receber o pagamento de R$ 10.000,00 de João. Maria não pode mais questionar Carlos sobre a relação de compra e venda do carro, mesmo que houvesse algum problema nessa transação original. Carlos tem um direito autônomo e independente baseado no título de crédito. Portanto, no contexto do Princípio da Abstração, uma vez que o título de crédito é transferido, a relação que deu origem a esse título não influencia a validade ou o exercício do direito representado pelo título. O novo possuidor do título (Carlos) não precisa se preocupar com eventuais problemas na relação original entre João e Maria. 2. Princípio da Inoponibilidade das Exceções Pessoais ao Terceiro de Boa-Fé: O princípio da inoponibilidade estabelece que, no contexto de um título de crédito, o devedor não pode alegar defesas pessoais contra o portador do título. Isso significa que o devedor não pode utilizar defesas que teria contra os coobrigados anteriores para contestar a cobrança feita pelo novo portador de boa-fé. Exemplos de defesas pessoais incluem compensação, transação ou exceção do contrato não cumprido. De acordo com o subprincípio da inoponibilidade de exceções pessoais, o devedor não pode apresentar essas defesas contra o exequente, que é o portador do título de crédito. No entanto, essa regra não se aplica se o exequente recebeu o título de má-fé, ou seja, com conhecimento de vícios ou problemas associados ao título. Portanto, em geral, o princípio da inoponibilidade protege o portador de boa-fé contra defesas pessoais do devedor, mas permite exceções quando o portador age de forma desonesta. Exemplo 1: Compensação Situação: João é devedor de uma dívida representada por um título de crédito. Esse título foi originalmente emitido em favor de Ana. João pagou parte da dívida a Ana e ficou acordado que o restante seria quitado posteriormente. No entanto, Ana vendeu o título a Carla, que é uma terceira de boa-fé. Aplicação da Inoponibilidade: Quando Carla apresenta o título para cobrança, João não pode alegar que, por ter feito um pagamento a Ana (a credora original), ele tem direito a uma compensação parcial da dívida. Mesmo que João tivesse uma defesa de compensação que poderia usar contra Ana, ele não pode usá-la contra Carla, porque Carla é uma terceira de boa-fé que adquiriu o título sem conhecer os problemas do título. PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA DIREITO DOS NEGÓCIOS | CAPÍTULO I Exemplo 2: Exceção do Contrato Não Cumprido Situação: Maria comprou produtos de uma empresa e pagou com um título de crédito. Contudo, a empresa não entregou os produtos conforme prometido. Maria então apresentou uma defesa alegando exceção do contrato não cumprido para não pagar o título. Mais tarde, a empresa transferiu o título a João, que é um terceiro de boa-fé. Aplicação da Inoponibilidade: Quando João tenta cobrar o título de Maria, Maria não pode usar a defesa da exceção do contrato não cumprido contra João, pois ele é um terceiro de boa-fé que comprou o título. Apesar de Maria ter uma defesa válida contra a empresa original, ela não pode aplicá-la a João. Exemplo 3: Título de Má-Fé Situação: Lucas adquiriu um título de crédito de um amigo que sabia estar endividado com outra pessoa, Sofia, e que o título estava irregular. Sofia, ao receber o título, apresentou uma defesa alegando que a dívida já havia sido paga. Aplicação da Exceção: Se Lucas tenta cobrar Sofia, ela pode alegar que o título foi transferido para Lucas de má-fé e que a dívida já foi quitada. Nesse caso, a defesa pessoal de Sofia pode ser considerada, pois Lucas, ao adquirir o título, tinha conhecimento dos problemas associados a ele. Esses exemplos mostram como o princípio da inoponibilidade das exceções pessoais protege o portador de boa-fé do título de crédito, garantindo que ele não seja prejudicado por defesas que o devedor teria contra os credores anteriores. No entanto, permite que as defesas sejam alegadas se o portador do título agir de má-fé. Defesas Relacionadas ao Próprio Título: Se o título de crédito apresentar defeitos que afetam diretamente o próprio documento, como falsificação, vícios formais ou falta de requisitos essenciais do título, o devedor pode alegar essas defesas pessoais. Nessas situações, as defesas relacionadas ao título em si são admissíveis independentemente da boa-fé do portador. Por exemplo, se o título foi emitido com uma assinatura falsificada ou não preenche os requisitos legais necessários, o devedor pode contestar a validade do título com base nesses defeitos, mesmo que o portador seja uma terceira parte de boa-fé. Essas exceções ao princípio da inoponibilidade permitem que o devedor se proteja contra abusos e irregularidades, garantindo que a proteção conferida ao portador de boa-fé não seja usada para amparar práticas fraudulentas ou documentos defeituosos. Resumo das Exceções 1. TítuloAdquirido de Má-Fé: o Defesa: Alegar que o portador sabia dos vícios. o Exemplo: Pagamento já realizado. 2. Defesas Relacionadas ao Próprio Título: o Defesa: Alegar vícios formais ou falsificação. o Exemplo: Documento com erros ou assinaturas falsas. o ATOS CAMBIÁRIOS Os principais atos cambiários aplicáveis aos títulos de crédito são: endosso, aval, protesto, saque e aceite. É importante entender as características de cada um. PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA DIREITO DOS NEGÓCIOS | CAPÍTULO I Endosso O endosso é um ato essencial para a circulação de títulos de crédito nominais à ordem e tem dois efeitos principais: 1. Transferência da Titularidade: Passa a titularidade do crédito do endossante para o endossatário. 2. Responsabilidade: O endossante se torna devedor indireto do título. O endosso deve ser feito no verso do título e só precisa da assinatura do endossante. Se for feito no anverso, deve também mencionar expressamente que é um endosso. O endosso deve ser total, não sendo permitido o endosso parcial ou condicionado. Caso haja uma condição, ela será considerada nula conforme a Lei Uniforme de Genebra (LUG) e o Código Civil (art. 12 e art. 912). Endosso em Branco e Endosso em Preto • Endosso em Branco: Não especifica o beneficiário. O endossante apenas assina no verso do título, permitindo que ele circule como um título ao portador, ou seja, por mera tradição. • Endosso em Preto: Identifica claramente o beneficiário. O título não pode ser transferido por mera tradição. Para sua circulação, o endossatário deve realizar um novo endosso (em branco ou em preto) e assume a responsabilidade como codevedor da dívida constante no título. Endosso Impróprio O endosso impróprio não transfere a titularidade do crédito nem responsabiliza o endossante, servindo apenas para legitimar a posse do título por outra pessoa. Existem duas formas principais: 1. Endosso-Mandato: o Definição: Também conhecido como endosso-procuração, confere ao endossatário poderes para agir em nome do endossante. O endossatário pode cobrar, protestar ou executar o título, mas não se torna o titular do crédito. o Base Legal: Art. 18 da Lei Uniforme de Genebra (LUG) e Art. 917 do Código Civil (CC). 2. Endosso-Caução: o Definição: Também chamado de endosso-pignoratício ou endosso-garantia, é usado como garantia para uma dívida. O endossatário recebe o título como garantia, mas não adquire a titularidade do crédito. o Funcionamento: Se a dívida for paga, o título é devolvido ao endossante. Se a dívida não for quitada, o endossatário pode executar o título, assumindo a titularidade completa. o Base Legal: Art. 19 da LUG e Art. 918 do CC. Endosso Póstumo ou Tardio O endosso póstumo ou tardio é regulamentado pelo Art. 20 da Lei Uniforme de Genebra (LUG) e pelo Art. 920 do Código Civil (CC). Aqui estão suas principais características: 1. Endosso Após o Vencimento: o O endosso pode ser feito após o vencimento do título. Neste caso, ele transfere a titularidade do crédito e responsabiliza o endossante, como em um endosso normal. PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA DIREITO DOS NEGÓCIOS | CAPÍTULO I 2. Endosso Após Protesto: o Se o endosso ocorrer após o protesto do título ou depois do prazo para protesto, ele não transfere o crédito nem cria a responsabilidade do endossante. Nesse caso, o endosso é considerado apenas uma cessão civil de crédito. 3. Endosso Sem Data: o Se o endosso for realizado sem data, presume-se que foi feito antes do prazo para protesto do título. Aval O aval é um ato cambiário no qual um terceiro, denominado avalista, assume a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação constante no título de crédito. • Função: O avalista garante que a obrigação será cumprida, respondendo da mesma forma que o avalizado. • Base Legal: Art. 30 da Lei Uniforme de Genebra (LUG) e Art. 897 do Código Civil (CC). Em resumo, o avalista oferece uma garantia adicional para o pagamento do título, assumindo a responsabilidade pelo débito se o avalizado não cumprir a obrigação. • Local de Realização: o No anverso do título: Basta a assinatura do avalista. o No verso do título: Além da assinatura, deve constar uma menção expressa de que se trata de um aval. Modalidades de Aval 1. Aval Simultâneo (ou Coaval): o Descrição: Quando dois ou mais avalistas garantem a mesma obrigação no título. o Responsabilidade: Solidária. Se um avalista pagar a totalidade da dívida, ele tem direito de regresso contra os coavalistas apenas pela parte que pagou. Por exemplo, se dois avalistas garantem uma dívida e um paga o total, ele pode exigir do outro apenas metade da dívida. 2. Aval Sucessivo (ou Aval do Aval): o Descrição: Quando um avalista garante a obrigação de outro avalista. o Responsabilidade: Todos os avalistas dos avalistas têm a mesma responsabilidade que o avalizado. O avalista que pagar a dívida tem direito de regresso contra os demais avalistas pelo total da dívida. 3. Aval Parcial: o Descrição: O avalista assume a responsabilidade apenas por parte do valor do título. o Regra Geral: O aval parcial é proibido, conforme o Art. 897, parágrafo único, do Código Civil (CC). o Exceções: PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA DIREITO DOS NEGÓCIOS | CAPÍTULO I ▪ Lei Uniforme de Genebra (LUG): Permite aval parcial para letra de câmbio e nota promissória (Art. 30). ▪ Lei do Cheque: Permite aval parcial (Art. 29). ▪ Duplicata: A legislação específica (Lei nº 5.474/1968) é omissa, seguindo a regra geral do CC, portanto, o aval parcial não é permitido. Protesto O protesto é um ato formal que atesta um fato relevante em uma relação cambial. Esses fatos podem ser: a) Falta de Aceite: Quando o título é apresentado para aceite e não é aceito. b) Falta de Devolução: Quando o título não é devolvido após o aceite ou prazo legal. c) Falta de Pagamento: Quando o título não é pago na data de vencimento. Regras de Protesto: • Protesto por Falta de Aceite: Pode ser realizado antes do vencimento do título e após o prazo legal para aceite ou devolução. • Protesto por Falta de Pagamento: Pode ser realizado apenas após o vencimento do título. Base Legal: Art. 21 da Lei nº 9.492/1997. PROF.º. ÁTILA CALLISON PEREIRA DIREITO DOS NEGÓCIOS | CAPÍTULO I EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO Questão 1 - (0,20 pontos) Carlos é um empresário que possui um título de crédito, uma letra de câmbio, que foi endossada a ele por um antigo credor. Recentemente, um novo portador, João, tentou cobrar a dívida alegando ser o legítimo detentor do título. No entanto, Carlos sabe que João adquiriu o título com conhecimento de que a dívida já havia sido quitada e que o título continha uma assinatura falsificada. Considerando os princípios da literalidade, cartularidade e da inoponibilidade das exceções pessoais, bem como as exceções em que é possível alegar defesas pessoais, responda: 1. Qual é a natureza dos efeitos de um título de crédito adquirido por um terceiro de má-fé? João pode exigir o pagamento da dívida de Carlos com base no título de crédito? 2. Carlos pode alegar a defesa da quitação do pagamento e a falsificação da assinatura contra João? Explique com base nos princípios e exceções discutidos. Resposta: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20