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RESUMO METODOLOGIA PRÁTICA DO ENSINO DE LINGUA PORTUGUESA 4º SEMESTRE 2021/ Prof. ANA PAULA SOUZA BRITO Ensinar a ler e a escrever demanda Incorporar TODOS os alunos à cultura do escrito, favorecendo que todos se tornem membros plenos da comunidade leitora e escritora. Compreender que a escrita não é um código. Entender que ler não é decodificar. A ESCOLA E O PROFESSOR: Ser um local propício para formação de uma comunidades de leitores. Preservar práticas que promovam o pensar, repensar, reorganizar, dando sentido ao mundo. Assumir as práticas sociais de leitura e escrita por meio de propósitos didáticos claros. É papel da escola ensinar o aluno a ler e escrever para além da codificação; seu objetivo é que ele desenvolva competência leitora e escritora. Sendo assim, cabe ao professor buscar meios para garantir aos seus alunos o desenvolvimento de tais competências. Formar leitores que interpretem, critiquem, leiam entrelinhas e desenvolvam um pensamento autônomo, e não apenas decodifiquem. Deve-se pensar em formar o aluno para além da simples codificação e decodificação do nosso sistema de escrita. Permitir aos alunos que discutam sobre as suas interpretações e estabelecer conexões entre elas e as informações contidas no texto. As trocas de experiência entre os alunos favorecem a ampliação do que eles sabem sobre o material veiculado no texto. A leitura inclui o cidadão em uma cultura letrada e o induz a analisar criticamente uma situação. É preciso que tenhamos clareza de que os alunos chegam à escola com muitos conhecimentos acerca de diferentes assuntos. E o conhecimento que possuem varia muito de criança para criança. Isso porque eles são constituídos também nas experiências vivenciadas pelos alunos e, como a experiência de cada um é única, também os saberes prévios devem considerar essa perspectiva. As discussões que antecedem a abordagem de um tema, as considerações iniciais antes da leitura de um determinado texto, as hipóteses levantadas e as antecipações com base nas informações contidas num livro, por exemplo, são formas de mobilizar os conhecimentos prévios dos alunos, de modo que eles contribuam para a compreensão do que será lido. Para tanto, o professor é quem deve promover essas discussões com os alunos. Por exemplo, se o professor escolhe realizar a leitura de um clássico conto de fadas, precisa mostrar a capa do livro aos alunos antes da leitura, perguntar se conhecem a história, deixar que eles falem sobre as informações apresentadas na capa (o que está escrito, o que sugere a ilustração, se houver) e permitir que levantem hipóteses que podem ou não ser confirmadas ao final da leitura. Algumas impressões ou informações, trazidas pelas crianças nessas oportunidades podem não fazer muito sentido no contexto da discussão. Caberá ao professor avaliar se aquilo que trazem os alunos é pertinente ao que está sendo tratado e, com habilidade, mostrar que outras informações podem consideradas em outras situações, mas não são adequadas àquele momento. As condições didáticas devem garantir: Formar leitores e escritores competentes. Articular os propósitos didáticos com propósitos comunicativos. Estabelecer garantia do tempo necessário a uma boa produção (escrita/revisão). Favorecer a autonomia diante de situações-problema. Equilíbrio entre ensino e controle, tendo sempre como foco a aprendizagem. Desafios: Formar praticantes de leitura e escrita (não sujeitos decodificadores). Desenvolver o gosto pela leitura e escrita (não por mera obrigação). Formar alunos que dominem a linguagem escrita em diferentes esferas comunicativas. Tornar a escrita e a leitura objeto de ensino e não somente de avaliação. Fomentar o uso da escrita para desenvolver o pensamento e compreender o mundo. A leitura e seu proposito As propostas de trabalhos com leitura na escola devem sempre ser significativas, partindo de situações práticas. Propor situações didáticas nas quais ler e escrever façam sentido, em que fique claras as seguintes questões: Para quem escrever? O que escrever? Como escrever? As práticas de leitura escrita devem: Preservar o sentido dos conteúdos. Propiciar momentos em que as crianças possam vivenciar situações de leitura com diferentes propósitos: (ler para se emocionar, lembrar, estudar, se informar, se divertir). Construir práticas pedagógicas que favoreçam o gosto pela leitura e leitura por meio de condições didáticas favoráveis. Criar situações variadas de produção textual (individual, grupal, coletivas). Propor leituras com propósitos comunicativos reais, que envolvam decidir, assim como nas propostas de produção escrita. Preservar o sentido dos comportamentos do leitor e do escritor. Modalidades de leitura: a) Leitura colaborativa: leitura que professor e alunos realizam paulatinamente, em conjunto, prática fundamental para a explicitação das estratégias e procedimentos que um leitor proficiente utiliza. b) Leitura programada: leitura que serve para a ampliação da proficiência leitora, sobretudo no que se refere à extensão dos textos trabalhados ou à seleção de textos/livros mais complexos. Nela, o professor divide o texto em trechos que serão lidos um a um, autonomamente, e depois comentados em classe, em discussão coletiva. c) Leitura em voz alta feita pelo professor: é a leitura recomendada, sobretudo, para as classes de alunos não alfabetizados, como possibilidade de aprendizagem da linguagem escrita antes mesmo que tenham compreendido o sistema. d) Leitura autônoma: é aquela que o aluno realiza individualmente, a partir de indicação de texto do professor. É uma modalidade didática que possibilita ao professor verificar qual a aprendizagem já realizada pelo aluno. e) Leitura de escolha pessoal: é a leitura de livre escolha. O aluno seleciona o que quer ler, realiza a leitura individualmente e depois apresenta sua apreciação para os demais colegas. É uma leitura que possibilita a construção de critérios de seleção e de apreciação estética pessoais. f) Projetos de leitura: trata-se de uma forma de organizar o trabalho que prevê a elaboração de um produto final voltado, necessariamente, para um público externo à sala de aula. As demais modalidades citadas costumam estar articuladas em projetos de leitura. Estratégias de leitura: Uma estratégia de leitura é um amplo esquema para obter, avaliar e utilizar informação. As estratégias são: Seleção, Antecipação, Inferência, Decodificação, Verificação. Seleção: Permite que o leitor se atenha aos índices úteis, desprezando os irrelevantes. Ao ler, fazemos isso o tempo todo: nosso cérebro “sabe”, por exemplo, que não precisa se deter na letra que vem após o “q”, pois certamente será “u”; ou que nem sempre é o caso de se fixar nos artigos, pois o gênero está definido pelo substantivo. (Cabo de guerra) Antecipação: Torna possível prever o que ainda está por vir, com base em informações explícitas e em suposições. Se a linguagem não for muito rebuscada e o conteúdo não for muito novo, nem muito difícil, é possível eliminar letras em cada uma das palavras escritas em um texto, e até mesmo uma palavra a cada cinco outras, sem que a falta de informações prejudique a compreensão. Além das letras, sílabas e palavras, antecipamos significados. O gênero, o autor, o título e muitos outros índices nos informam o que é possível que encontremos em um texto. Assim, se formos ler uma história de Monteiro Lobato chamada “Viagem ao céu”, é previsível que encontraremos determinados personagens, certas palavras do campo da astronomia e que, certamente, alguma travessura acontecerá. Inferência: Permite captar o que não está dito no texto de forma explícita. A inferência é aquilo que “lemos”, mas não está escrito. São adivinhações baseadas tanto em pistas dadas pelo próprio texto, como em conhecimentos que o leitor possui. Às vezes, essas inferências se confirmam e, às vezes, não; de qualquer forma, não são adivinhações aleatórias. Além do significado, inferimos também palavras, sílabas ou letras. Boa parte do conteúdo de um texto pode ser antecipada ou inferidaem função do contexto: portadores, circunstâncias de aparição ou propriedades do texto. O contexto, na verdade, contribui decisivamente para a interpretação do texto e, com frequência, até mesmo para inferir a intenção do autor. Decodificação: Processo de decifração das letras, possível de ser mobilizado quando compreendemos as propriedades do sistema de escrita alfabética. (Exemplo: Fusilli ai 4 formaggi) Verificação : Torna possível o controle da eficácia ou não das demais estratégias, permitindo confirmar, ou não, as especulações realizadas. Esse tipo de checagem para confirmar – ou não – a compreensão é inerente à leitura. Utilizamos todas as estratégias de leitura mais ou menos ao mesmo tempo, sem ter consciência disso. Só nos damos conta do que estamos fazendo se formos analisar com cuidado nosso processo de leitura, como estamos fazendo ao longo deste texto. Como trabalhar estratégias de leitura e intertextualidade? O trabalho com esse conteúdo exige do professor assegurar um conjunto de atitudes pedagógicas antes, durante e depois da leitura. · Antes: informações sobre o gênero textual, autor, ilustrações, editora, portador textual e antecipação de significados que podem comprometer a compreensão do texto. · Durante: favorecer antecipações que permitam mobilizar todas as demais estratégias de leitura e o estabelecimento de relações que pode ser que os estudantes não consigam sem a ajuda do professor. · Depois: proposição de atividades que o estudante consegue fazer sozinho ou em pequenos grupos. Produção de textos O professor deve ensinar os alunos a: Pensarem, a partir de um gênero textual específico, o que escrever, para quem e como. Recorrerem a fontes de consulta, porque quem escreve também consulta para organizar seus textos. Planejarem e usarem roteiros a fim de definir previamente os assuntos a serem abordados. Textualizarem uma ideia, ou seja, aprenderem a transformar em texto uma ideia. Revisarem. Não se pode solicitar uma produção de textos em gêneros textuais desconhecidos pelos alunos. Por isso, é muito importante recuperar as características de cada texto, sempre que solicitarmos uma produção textual. Segundo os PCNs (1997), o ensino da leitura e da escrita forma seres humanos críticos. Para tanto, é necessário trabalhar com os diversos gêneros textuais. CONCEPÇÃO DE LEITURA – JOLIBERT, 1994 • Ler é atribuir sentido a algo escrito (não é decifração, nem oralização); • Ler é questionar (levantar e verificar hipóteses a partir de indícios) algo escrito, a partir de uma expectativa real, numa verdadeira situação; CONCEPÇÃO DE LEITURA – NASPOLINI, 2009 • Ler é o processo de construir significados a partir do texto, através da interação entre os elementos textuais e os conhecimentos do leitor; LER: · Todo o tratamento que a escola dá à leitura é fictício, começando pela imposição de uma única interpretação possível. · Ler é entrar em outros mundos possíveis. ... é se distanciar do texto e assumir uma postura crítica frente ao que se diz e ao que se quer dizer... · Percebe-se uma “desnaturalização” da leitura na escola. Porque a leitura virou um OBJETO de ensino. (a interpretação está no texto e não no leitor) · Dois fatores que contribuem para que a escola não obtenha sucesso é: 1. A tendência de supor que existe uma única interpretação possível a cada texto. 2. Há textos específicos para ensinar, diferentes dos usados na vida. · O escrito é parcelado em seus componentes mínimos – sílabas, letras ou, na melhor das hipóteses, palavras; Somente depois que esses componentes tiverem sido assimilados, se inicia o trabalho com frases ou textos. · Formar praticantes da leitura e da escrita e não apenas decifradores do Sistema de Escrita Alfabético. · Fazer da escola uma comunidade de leitores que recorrem aos textos buscando a solução de problemas e compreensão do mundo. Por motivos reais e importantes. · A leitura na escola deve TER um propósito específico e não meramente didático. · Na escola é necessário trabalhar a leitura com duplo propósito: o propósito didático (professor) e o propósito comunicativo (aluno). Como trabalhar os dois propósitos? Através de projetos que aliam a aprendizagem a uma função real para os alunos. MODALIDADES DIDÁTICAS: · Projetos · Atividades permanentes · Sequência de atividades · Situações independentes Projetos: Os projetos favorecem contextos em que a escrita e a leitura se fazem necessárias. Problemas práticos: fazer uma receita, montar um móvel, usar um equipamento, produzir um livro. Sequência didática: São dirigidas para se ler com crianças diversos exemplares de um mesmo gênero OU diferentes obras de um mesmo autor OU diferentes textos sobre um mesmo tema; Atividades Permanentes: Repetem-se de forma metódica e previsível uma vez por semana ou por quinzena, durante vários meses ou ao longo de todo ano escolar. Ex. A hora da notícia, do conto, novidades. Baú de indicações. Situações independentes: Dividem-se em situações: ✓ OCASIONAIS ✓ DE SISTEMATIZAÇÃO (tem relação direta com os objetivos didáticos) AVALIAÇÃO DA LEITURA: Função da avaliação; Não é privativo do/a docente; Compartilhar os processos; Colaborar para o desenvolvimento da autonomia leitora; Linguagem inscrita – instrumento da cultura humana METACOGNIÇÃO - conhecimento sobre o processo do pensar. Ensino centrado em um conjunto de estratégias de leitura: · 1.conhecimento prévio – “guarda-chuva” · 2. conexão (texto-leitor; texto-texto; texto mundo) · 3. inferência · 4. visualização · 5. perguntas ao texto · 6. sumarização · 7.síntese São estratégias de leitura: · Objetivos de leitura e conhecimentos prévios (antes da leitura e durante); · Inferências de diferentes tipos, rever e comprovar a compreensão (durante a leitura); · Recapitulação do conteúdo, resumo e ampliação de conhecimentos (durante e depois da leitura). image1.jpeg image2.jpg