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Ministério da Educação Universidade Tecnológica Federal do Paraná Campus Curitiba Departamento Acadêmico de Construção Civil- DACOC Engenharia Civil Arthur Jacobs Beatriz Salabai de Souza Carlos Eduardo Vieira Eloy Hermann Bach Neto Pedro RELATÓRIO 2- ENSAIOS COM ARGAMASSAS E CONCRETOS Relatório apresentado para a disciplina de Argamassas e concretos do curso de engenharia civil da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR) Professora: Lidiane Fernanda Jochem CURITIBA 2024 Confidential C Confidential C PAGE 10 1. INTRODUÇÃO Os ensaios práticos de argamassas e concretos são fundamentais para a engenharia civil, pois permitem a avaliação detalhada das propriedades desses materiais essenciais para a construção. A argamassa e o concreto são utilizados em diversas aplicações, desde o assentamento de tijolos e revestimentos até a construção de estruturas de grande porte, como edifícios e pontes. A qualidade e a durabilidade dessas construções dependem diretamente das características mecânicas e físicas dos materiais utilizados. A argamassa é uma mistura de cimento, areia e água, podendo incluir aditivos que melhoram suas propriedades. É aplicada principalmente como camada de ligação entre elementos construtivos e como revestimento de superfícies. Os ensaios em argamassa, tanto no estado fresco quanto no endurecido, são realizados para garantir a consistência, a trabalhabilidade, a resistência e a durabilidade do material. Ensaios como a determinação do índice de consistência, a massa específica, a retenção de água e a absorção por imersão fornecem informações cruciais para o controle de qualidade e a adequação ao uso. O concreto, composto de cimento, agregados (areia e brita) e água, é o principal material utilizado em estruturas de concreto armado e pré-moldado. Suas propriedades, como trabalhabilidade no estado fresco e resistência mecânica no estado endurecido, são avaliadas por meio de ensaios específicos. O preparo adequado da mistura e a moldagem correta dos corpos de prova são etapas críticas para assegurar que o concreto atenda às exigências de projeto e desempenho. Ensaios como a determinação do abatimento (slump test), a massa específica e a resistência à compressão são fundamentais para garantir a qualidade e a segurança das estruturas construídas. Este relatório descreve detalhadamente os ensaios realizados em argamassas e concretos, seguindo as normas brasileiras (NBR). Os procedimentos, fórmulas e resultados obtidos são apresentados para fornecer uma compreensão completa das características desses materiais, destacando a importância da execução correta dos ensaios para o sucesso das obras de construção civil. 2. Ensaios Realizados 2.1 Argamassa 2.1.1 Preparo da Argamassa - NBR 16541 (Estado Fresco) O preparo da argamassa seguiu a NBR 16541, utilizando cimento, areia e água nas proporções determinadas em aula prática. O traço estabelecido foi de 1:3,5:0,7. A mistura foi realizada até alcançar uma consistência homogênea e trabalhabilidade adequada. A quantidade dos materiais foram 500g de cimento, 1750g de areia e 350g de água. Procedimento: 1. Pesar os materiais (cimento, areia e água) conforme a dosagem. 2. Misturar os materiais secos. 3. Adicionar água gradualmente e misturar até obter uma pasta homogênea (para esse processo foi utilizado uma argamassadeira). 2.1.2. Determinação do Índice de Consistência - NBR 13276 (Estado Fresco) A determinação do índice de consistência de uma argamassa é realizada através do ensaio de espalhamento (flow table test), conforme especificado pela NBR 13276. Este ensaio tem como objetivo avaliar a fluidez e a trabalhabilidade da argamassa fresca, aspectos cruciais para sua aplicação prática. Procedimento: 1. Colocar a argamassa no cone de Abrams como demonstrado na Figura 1 2. Erguer o cone e deixar a argamassa se espalhar. 3. Medir o diâmetro médio do espalhamento. Figura 1 – Colocação da argamassa na flow table para ensaio Fonte- Próprios autores Fórmula: IC= (1) · Onde D1 ,D2 e D3 são os diâmetros do espalhamento em 3 direções perpendiculares. Os resultados estão descritos na tabela a seguir: Tabela 1 – Medição do diâmetro de espalhamento D1 D2 D3 305 mm 314 mm 304 mm Fonte- Próprios autores Um índice de consistência médio foi de 307 mm indicando uma argamassa com alta trabalhabilidade, o que pode ser vantajoso para certas aplicações, mas também pode apresentar riscos de segregação. A interpretação e os ajustes necessários devem ser feitos considerando a aplicação específica e os requisitos de desempenho da argamassa em cada projeto. O controle rigoroso e contínuo da consistência é fundamental para garantir a qualidade e a durabilidade das construções que utilizam este material. 2.1.3. Preparo dos Corpos de Prova Prismáticos (Estado Fresco) Os corpos de prova prismáticos foram moldados conforme as dimensões 4 X 4 X 16 cm. Procedimento: 1. Encher os moldes prismáticos com argamassa em 2 camadas, após a aplicação do desmoldante. 2. Adensar cada camada com golpes de haste. 3. Nivelar a superfície e manter em câmara úmida para cura. O preparo adequado dos corpos de prova prismáticos é crucial para a avaliação das propriedades mecânicas e físicas das argamassas. Esses corpos de prova são usados principalmente para ensaios de resistência à compressão, flexão e outros testes que fornecem informações essenciais sobre a qualidade e o desempenho da argamassa em condições reais de uso. 2.1.4. Massa Específica no Estado Endurecido - NBR 13280 A massa específica da argamassa endurecida foi determinada medindo-se a massa e o volume dos 3 corpos de prova, segundo a Equação 2. ρ= (2) Procedimento: 1. Medir a massa seca (m). 2. Medir as dimensões com o paquímetro e calcular o volume (v). Os dados obtidos estão relacionados na Tabela 2. Tabela 2 – Medição da massa específica dos corpos de prova em estado endurecido CP’s Massa Largura Altura Comprimento Volume Massa Específica 1 533,61g 4,05 cm 4,05 cm 16,12cm 264,40 cm³ 2,01 g/cm³ 2 530,47g 4,06 cm 4,02 cm 16,16cm 263,75 cm³ 2,01 g/cm³ 3 530,43g 4,02 cm 4,03 cm 16,13cm 261,31 cm³ 2,02 g/cm³ Fonte- Próprios autores O ensaio de massa específica no estado endurecido resultou em um valor de 2,01 kg/dm³ (ou 2010 kg/m³). Esse resultado fornece informações importantes sobre a densidade e a compactação da argamassa endurecida, influenciando diretamente suas propriedades mecânicas e de durabilidade. A massa específica típica para argamassas varia dependendo dos materiais e proporções usados na mistura, mas geralmente está na faixa de 1,8 a 2,2 kg/dm³ (ou 1800 a 2200 kg/m³). Um valor de 2,01 kg/dm³ está dentro dessa faixa, indicando uma densidade adequada para a maioria das aplicações. Além disso, um valor de 2,01 kg/dm³ sugere que a argamassa possui uma boa compactação e uma quantidade de vazios aceitável. Isso é importante para garantir a resistência mecânica e a durabilidade da argamassa no ambiente de construção. 2.1.5. Massa Específica no Estado Fresco - NBR 13278 A massa específica da argamassa fresca foi medida utilizando-se um recipiente de volume conhecido, segundo a Equação 3. (3) Procedimento: 1. Encher o recipiente com argamassa fresca. 2. Nivelar a superfície e pesar o conjunto (mc). 3. Subtrair a massa do recipiente vazio (mv). 4. Dividir pelo volume do recipiente (Vr) Para os dados obtidos nesse ensaio, foi considerada uma massa específica final média que varia de 1,4 g/cm³ a 2,0 g/cm³ , pois não foi obtido no experimento o peso do recipiente com a argamassa. Os valores encontrados estão descritos na tabela 3. Tabela 3 – Valores para determinação da massa específica no estado fresco Massa vazio 16,32 g Massa com água 91,44 g Volume do recipiente 74,12 cm³ Massa com argamassa Entre 120,08 a 164,56 g Fonte- Próprios autores O ensaio de massa específica no estado fresco, com um resultado médio entre 1,4 g/cm³ a 2,0 g/cm³ , é um indicador importante da qualidadee das propriedades da argamassa recém-preparada. Ele permite ajustes imediatos na mistura, assegura a trabalhabilidade adequada e ajuda a prever o comportamento da argamassa no estado endurecido, garantindo a durabilidade e a resistência da construção. 2.1.6. Determinação da Retenção de Água - NBR 13277 A determinação da retenção de água na argamassa, conforme a NBR 13277, avalia a capacidade da argamassa fresca de manter a água em sua composição quando submetida à sucção capilar por uma base absorvente. Este ensaio mede a quantidade de água que a argamassa consegue reter durante o processo de secagem e cura, influenciando diretamente a trabalhabilidade e a adesão do material à superfície onde será aplicada. Através das Equações 4 e 5. (4) Sendo: (5) Procedimento: 1. Preparo da Amostra: A argamassa é preparada conforme a norma correspondente (NBR 16541). 2. Aplicação da Argamassa: Uma camada de argamassa é aplicada sobre uma base absorvente previamente preparada (ma). 3. Exposição à Sucção: A amostra é submetida a condições controladas de sucção por um período específico, em torno de 15 minutos. 4. Medição da Água Retida: Após o período de exposição, a quantidade de água retida na argamassa é medida (ms). Os dados foram determinados e estão descritos na Tabela 4. Tabela 4 – Valores para determinação da retenção de água no estado fresco Ma 2511,15 g Ms 2471,80 g Mv 1232,19 g Fonte- Próprios autores O fator água/argamassa ( AF) é a razão entre a quantidade de água total (mw) e a quantidade de cimento (ou material cimentício) em uma mistura de argamassa. Nesse experimento o AF teve um resultado de 0,039. Como resultado a retenção de água ficou em 92%. A retenção nesse valor é um indicativo positivo da qualidade da argamassa, sugerindo que ela tem uma boa capacidade de manter a água necessária para assegurar a trabalhabilidade, adesão, e desenvolvimento das propriedades mecânicas. Este valor está dentro da faixa considerada ideal para muitas aplicações na construção civil, garantindo um bom desempenho do material em termos de resistência e durabilidade. 2.1.7. Preparo dos Corpos de Prova Cilíndricos (Estado Fresco) Corpos de prova cilíndricos foram moldados para ensaios adicionais de resistência e absorção. Procedimento: 1. Encher os moldes cilíndricos com argamassa em 4 camadas após aplicação do desmoldante. 2. Adensar cada camada com 30 golpes de haste. 3. Nivelar a superfície e curar em condições controladas. O preparo adequado dos corpos de prova cilíndricos no estado fresco é crucial para garantir a precisão, reprodutibilidade e confiabilidade dos ensaios de resistência mecânica e outras propriedades da argamassa e do concreto. Seguir procedimentos padronizados assegura que os resultados dos ensaios sejam representativos e comparáveis, fornecendo informações essenciais para a avaliação da qualidade e desempenho dos materiais na construção civil. A diferença entre corpos de prova cilíndricos e prismáticos para argamassa no estado fresco está principalmente na forma geométrica dos corpos de prova e como essa forma pode afetar os resultados dos testes de resistência e propriedades da argamassa. 2.1.8. Absorção por Imersão (Estado Endurecido) A absorção por imersão no estado endurecido é um procedimento utilizado para determinar a porosidade e a absorção de água de materiais como concreto, argamassa, pedras naturais, entre outros. Esta prática é importante para avaliar a durabilidade e a resistência desses materiais à penetração de água, o que pode afetar sua estabilidade estrutural e estética ao longo do tempo. Esse ensaio segue a Equação 6. (6) Procedimento: 1. Secar os corpos de prova e determinar a massa da amostra (ms). 2. Imergir em água por um tempo determinado ( 72 horas ). 3. Secar a superfície e medir a massa saturada (msat). Os resultados dos 2 corpos de prova medidos estão descritos na Tabela 5. Tabela 5 – Valores para determinação de absorção por imersão AMOSTRA MASSA SECA MASSA SATURADA 1 402,74 g 403,24 g 2 404,05 g 404,78 g Fonte- Próprios autores A média dos resultados foi de 15%. Portanto segundo a classificação, essa argamassa é altamente resistente à penetração de água. Esta característica é muito desejável para aplicações em condições adversas ou onde a durabilidade a longo prazo é uma prioridade. Em suma, o resultado de absorção de água é crucial para entender as propriedades físicas e químicas do material, sua resistência ao ambiente e sua adequação para aplicações específicas. Isso não só influencia a seleção inicial de materiais, mas também impacta diretamente na durabilidade e na manutenção de estruturas e produtos ao longo de sua vida útil. 2.2 Concreto 2.2.1. Preparo do Concreto O preparo do concreto envolveu a mistura de cimento, agregados (areia e brita) e água Procedimento: 1. Pesar os materiais conforme a dosagem especificada. 2. Misturar os materiais secos. 3. Adicionar água e misturar até homogeneizar. Tabela 6 – Consumo dos materiais CA 205 Kg/m³ CC 292,85 Kg/m³ CB 1108 Kg/m³ CM 770,28 Kg/m³ TRAÇO = 1: 2,63: 3,78: 0,70 2. Determinação do Abatimento do Concreto - NBR 16889 O abatimento foi determinado pelo ensaio de slump test. Procedimento: 1. Encher o cone de Abrams com concreto em três camadas. 2. Adensar cada camada com 25 golpes de haste. 3. Erguer o cone e medir a diferença de altura do concreto. Fórmula: Abatimento=h1−h2Abatimento=h1−h2 Onde: · h1h1 é a altura do cone. · h2h2 é a altura do concreto após o abatimento. 3. Preparo dos Corpos de Prova - NBR 5738 Corpos de prova cilíndricos foram moldados para ensaios de resistência à compressão. Procedimento: 1. Encher os moldes cilíndricos com concreto em três camadas. 2. Adensar cada camada com 25 golpes de haste. 3. Nivelar a superfície e curar em ambiente úmido. 4. Massa Específica no Estado Endurecido A massa específica do concreto endurecido foi determinada pela relação entre massa seca e volume. Procedimento: 1. Secar os corpos de prova até massa constante (msms). 2. Medir o volume (VV). Fórmula: Massa Especıˊfica=msVMassa Especıˊfica=Vms 5. Cálculo do Consumo Real do Cimento O consumo real de cimento foi calculado com base nas proporções da mistura. Fórmula: Consumo Real de Cimento=Massa de Cimento UtilizadaVolume de Concreto ProduzidoConsumo Real de Cimento=Volume de Concreto ProduzidoMassa de Cimento Utilizada 3. Considerações Finais Os ensaios realizados permitiram uma avaliação abrangente das propriedades da argamassa e do concreto, tanto no estado fresco quanto no endurecido. As normas técnicas seguidas garantiram a confiabilidade dos resultados obtidos, essenciais para a aplicação prática dos materiais em obras de construção civil. A determinação precisa das propriedades como consistência, massa específica e absorção de água, entre outras, é crucial para a qualidade e durabilidade das construções. 4. Bibliografia · ABNT NBR 16541:2016. Argamassa — Preparo de argamassa. · ABNT NBR 13276:2005. Argamassa — Determinação do índice de consistência. · ABNT NBR 13280:2005. Argamassa — Determinação da massa específica no estado endurecido. · ABNT NBR 13278:2005. Argamassa — Determinação da massa específica no estado fresco. · ABNT NBR 13277:2005. Argamassa — Determinação da retenção de água. · ABNT NBR 5738:2015. Concreto — Preparo, controle e cura de corpos de prova. · ABNT NBR 16889:2020. Concreto — Determinação do abatimento image4.jpeg image1.jpg image2.jpeg image3.jpg