Prévia do material em texto
Apostila de Prótese Total Curso de Odontologia Disciplina de Prótese Total São José dos Campos 2020 Apostila 'Prótese Total " – UNESP – ICT/São José dos Campos (Baseada em Cerveira Netto , H) Autores HENRIQUE CERVEIRA NETTO Prof. Emérito do Instituto de Ciência e Tecnologia de São José dos Campos - UNESP. Prof. Titular de Prótese Dentária da F.O. de Santos – UNIMES e UNIP-São Paulo 1ª ed. O presente trabalho tem por finalidade orientar o estudo teórico das Próteses Totais Mucosuportadas. Não se trata de um trabalho completo sobre o assunto, nem dispensa o estudo mais profundo nos livros didáticos. Queremos deixar bem claro que nossa intenção foi compilar um roteiro didático que oriente, cronologicamente, os diversos pontos de interesse no estudo da matéria. 2ª ed. (1996) Mantendo o mesmo espírito original, foi nossa intenção atualizar alguns conceitos e apresentar variações técnicas que se impuseram no transcorrer desses anos. Espero que esta compilação continue sendo útil e facilite o aprendizado da Prótese Total, despertando o prazer latente e o orgulho do trabalho bem executado. H.C.N. 3ª ed. (2012) Disciplina de Prótese Total - Depto de Materiais Odontológicos e Prótese FOCSJC - UNESP Atualizado pelo Prof. Tarcisio J A Paes Jr 4ª ed. (2015) Disciplina de Prótese Total - Depto de Materiais Odontológicos e Prótese ICT - UNESP 5ª ed. (2020) Disciplina de Prótese Total - Depto de Materiais Odontológicos e Prótese ICT - UNESP Professores: Alexandre Luiz Souto Borges Estevão Tomomitsu Kimpara Paula Carolina Komori de Carvalho Rubens Nisie Tango Tarcisio José de Arruda Paes Junior Alunos de Pós Graduação: Ana Beatriz Gomes de Carvalho Cristiane Mayumi Inagati Leonardo Jiro Nomura Nakano Natália Inês Gonçalves Natália Rivoli Rossi PREFÁCIO A 5ª Edição da “APOSTILA DE PRÓTESE TOTAL” é uma versão atualizada do conteúdo das edições anteriores, portanto, no que se refere aos conceitos propostos originariamente, na primeira edição, pelo “Prof. Emérito HENRIQUE CERVEIRA NETTO”, estão preservados. A equipe da Disciplina de Prótese Total do Curso de Odontologia, Instituto de Ciência e Tecnologia do Campus de São José dos Campos da UNESP (ICT-CSJC-UNESP), juntamente com os Pós Graduandos, se propuseram a realizar mais uma revisão, inserção de alguns dados atualizados do contexto e materiais ilustrativos, no sentido de tornar o aprendizado mais efetivo. A ideia da elaboração da “APOSTILA DE PRÓTESE TOTAL”, na época pelo Prof. Henrique, se deu para facilitar um acompanhamento lógico da sequência adotada pela disciplina não isentando da necessidade de buscar informações complementares em outros compêndios. Isto também está mantido. O exercício da atividade docente na disciplina de Prótese Total fez com que verificássemos a complexidade de um tratamento e a necessidade do conhecimento consistente para uma boa finalização do processo. Desta forma, temos a inteira convicção do grande auxílio que este material na sua 5ª. Edição irá proporcionar aos estudantes. Aos estimados alunos que iniciam no estudo da Prótese Total, queremos afirmar que estão diante de um grande desafio, mas temos a certeza que se o envolvimento de vocês for de forma séria, empenhada e dedicada obterão os resultados mais satisfatórios e gratificante que um tratamento pode proporcionar. Afinal de contas, tratar da saúde de um semelhante é privilégio de poucos, devemos fazê-lo com muita responsabilidade!!! UM BOM CURSO!!!!!! Prof. Tit. Estevão Tomomitsu Kimpara ÍNDICE Prefácio 1. Introdução ao Estudo da Prótese Total 1.1. Edentulismo no Brasil e no Mundo 1.2. Finalidades do tratamento 1.3. Desafios e índice de satisfação 2. Meios de Retenção e estabilidade em Prótese Total 2.1. Meios Físicos e Princípios biomecânicos 2.2. Planos Inclinados 3. Anamnese e Exame clínico 3.1. Ficha clínica 3.2. História médica 3.3. Exame extra-bucal 3.4. Exame da boca 3.5. Exames complementares 3.6. Exames do modelo de estudo 4. Estudo das moldagens 4.1. Limites da área chapeável 4.2. Músculos para-protéticos 4.3. Introdução ao Estudo das moldagens 4.4. Moldagem anatômica 4.5. Confecção da moldeira individual 4.6. Moldagem funcional 5. Planos de orientação 5.1. Base de Prova 5.2. Plano de orientação Superior (Corredor bucal, projeção dos incisivos, altura do sorriso, Planos de Frankfurt e Camper) 5.3. Plano de orientação Inferior (DV, técnicas de determinação) 6. Montagem em Articuladores 6.1. Articuladores 6.2. Montagem do modelo superior 6.3. Curva individual de compensação 6.4. Relação Central (manipulado, montagem, registro extra oral) 6.5. Montagem do modelo inferior 6.6. Individualização do articulador 7. Montagem de dentes 7.1. Escolha de dentes 7.2. Prova estética 7.3. Prova funcional 7.4. Ceroplastia 8. Fases Laboratoriais 8.1. Inclusão 8.2. Caracterização 8.3. Acrilização 8.4. Acabamento e polimento 9. Instalação e cuidados posteriores 9.1. Inspeção 9.2. Provas funcionais 9.3. Recomendações 9.4. Consultas de controle e alta clínica (consertos, questionamentos de satisfação) 10. Remontagem e moldagem de boca fechada 11. Prótese total imediata 12. Overdentures Índice remissivo 1. Introdução ao estudo da Prótese Total O que é prótese? Peça artificial que substitui um órgão ou parte do corpo que apresenta deficiência grave, assegurando suas respectivas funções, ou que ajuda ou proporciona melhora em uma função natural. (Dicionário Michaelis) “A prótese total é o ramo da Prótese que se propõe a restaurar de maneira total o paciente desprovido de dentes”. As próteses totais são uma necessidade terapêutica não só na reabilitação do sistema estomatognático, como também na reabilitação psicossocial. Atualmente, a aspiração estética tem sido uma das maiores motivações dos pacientes, e deve ser atendida com ponderação, coadjuvada com a compreensão do paciente. Nesta questão, o cirurgião-dentista deve ser um educador para seu paciente, explicando os detalhes que compõem o tratamento, tais como a forma e distribuição dos dentes, postura labial, forma do rosto, sorriso, idade, sexo, e muitos outros fatores que podem ser analisados, os quais juntos formarão um conjunto que ajudará a compor a personalidade do paciente, individualizando-o em seu meio. É necessário também que o profissional use de um vocabulário coerente e evite uma linguagem requintada ou termos técnicos que o paciente não consiga entender. O paciente idoso, nos dias atuais, participa coerentemente durante sua reabilitação, tentando colaborar com a sua melhoria estética e funcional com opiniões importantes. É papel do cirurgião-dentista ouví-lo e compreendê-lo o máximo que puder, pois quanto maior a ajuda, maior o sucesso de seu tratamento. Além disso, o profissional deve se apoiar em técnicas precisas e conhecimentos científicos plenos para traduzir clinicamente as informações recebidas e conseguir alcançar o sucesso esperado. 1.1 Edentulismo no Brasil e no mundo Há alguma décadas, os conceitos de higiene e prevenção oral não eram muito difundidos entre a população. É muito comum encontrarmos na clínica pacientes idosos relatando que tiveramuso do hidrocolóide irreversível foi impulsionado durante a segunda guerra mundial, pela escassez de ágar e expandido pela sua facilidade de manipulação, baixo custo, boa fidelidade de reprodução e boa aceitação pelo paciente. Após a Segunda Guerra Mundial, avanços na tecnologia dos polímeros trouxeram para o mercado um grupo de materiais à base de borracha sintética, chamados elastômeros, capazes de moldar tecidos macios e duros. O desenho de uma estrutura de forma digital e posterior confecção a partir de uma máquina de fresagem é designado por CAD/CAM, no qual, um software CAD (computer aided design/ design assistido por computador) define a geometria do objeto, enquanto o CAM (computer aided manufacturing/ manufatura assistida por computador) programa diretamente o processo de fabricação. Esta tecnologia começou a ser utilizada em 1960 pelas indústrias de automóvel e aeroespacial, contudo só em 1983 foi produzida, por François Duret, a primeira restauração dentária. Goodacre et al. em 2012, publicou o primeiro caso clínico do conceito de próteses totais fresadas em CAD-CAM de polimetilmetacrilato pré-polimerizado. 4.3.2 Definição de moldagem Vamos relembrar e diferenciar três definições importantes: ● MOLDAGEM: conjunto de atos clínicos que visam obter a impressão da área basal, por meio de materiais próprios e moldeiras adequadas. Ou seja, é o próprio ato de moldar o paciente. ● MOLDE: reprodução em negativo das estruturas moldadas. ● MODELO: réplica fiel em positivo das estruturas moldadas, oriunda do preenchimento do molde (gesso). 4.3.3 Classificação das técnicas de moldagem As técnicas de moldagem podem ser divididas em dois grandes grupos: (1) moldagem PRELIMINAR OU ANATÔMICA e (2) moldagem FUNCIONAL, que pode ser simples ou mista. Ambos os grupos serão explicados adiante. De acordo com a TÉCNICA, a moldagem pode, ainda, ser classificada em: ● Moldagem compressiva: busca-se, como o próprio nome diz, comprimir os tecidos, fazendo com que a mucosa fique em contato com os mesmos e simulando a pressão causada na prótese durante a mastigação. Entretanto, observou-se que as próteses feitas a partir dessa moldagem, não se adaptaram quando em repouso, pois os tecidos estavam tão deformados que tendiam ao recuo. Isso ocorre, porque é impossível comprimir os tecidos no ato da moldagem, pois, ao empurrá-los, eles desalojam e tendem sempre a voltar em posição primitiva. ● Moldagem com pressão seletiva: faz-se uma primeira camada de material mais denso e, posteriormente, leva-se a boca uma camada mais fluida, na segunda moldagem, que registrará as áreas aliviadas. Com um mínimo de pressão. ● Moldagem com mínima pressão: onde se utiliza o princípio mucostático, que diz que o material deve registar sem distorções, os detalhes da mucosa. ● Moldagem de boca fechada: moldagem em dinâmica, realizada em oclusão. É feita em caso de perda do modelo ou necessidade de reembasamento. Para isso, utiliza-se a própria prótese para a moldagem e é considerada um meio de efetuar pressão por aqueles que optam por realizar uma moldagem compressiva. ● Moldagem de boca aberta: é geralmente preferida, pois o operador pode ver se as inserções musculares estão sendo corretamente moldadas, em seus vários movimentos, que podem ser conseguidos mais facilmente. Koran e col. (1975) classificaram as moldagens de acordo com a realização de movimentos em: ● Funcionais: nas quais são realizados os movimentos de abertura e fechamento da boca mais os movimentos musculares; ● Semi-funcionais: o operador realiza os movimentos musculares; ● Mucostáticas: moldagem estática, sem nenhum movimento. O tipo ou técnica de moldagem será ditado pelas características do caso e pela fibromucosa de revestimento. Antes de executarmos o procedimento, devemos avaliar a tonicidade e resistência da fibromucosa, que pode ser classificada como: ● Aderida; ● Resiliente; ● Flácida. a) Mucosa resiliente; b) mucosa flácida; c e d) Mucosa lisa e aderida. 4.3.4 Elementos de moldagem 1) Moldeiras: são recipientes utilizados para conduzir o material de moldagem manipulado aos tecidos bucais e mantê-lo ali, em íntimo contato, até a presa final do material. Existem dois tipos de moldeiras: a) Moldeira de estoque: encontradas no mercado, em vários tamanhos e proporções, que são médias de medidas padrões dos arcos alveolares. Em geral, são produzidas em metal (alumínio ou ligas leves) ou plástico, com uma numeração que identifica seu tamanho, sendo apresentadas em 3 tamanhos padrões (pequeno, médio e grande). Esse tipo de moldeira varia, no seu desenho, de acordo com o tipo de material de moldagem de escolha. Assim sendo, para um material elástico, como o alginato, por exemplo, a moldeira apresentam bacia perfurada, ou com retenções internas (para reter o material de moldagem), enquanto que as moldeiras para materiais anelásticos, por exemplo godiva, apresentam a bacia lisa (sem retenções ou perfurações). As moldeiras de estoque para a maxila são constituídas por um corpo e um cabo. O corpo é formado pela base ou bacia e pelas paredes laterais. Enquanto as moldeiras de estoque para a mandíbula apresentam como diferença fundamental, a bacia dividida em duas porções ou canaletas com espaço para a língua. b) Moldeira individual: são confeccionadas especificamente para cada paciente/caso, geralmente em resina acrílica. 2) Materiais de moldagem Os materiais de moldagem são levados e mantidos em íntimo contato com os tecidos bucais para a obtenção de uma cópia fiel dos mesmos. De uma maneira geral os materiais de moldagem devem possuir as seguintes características: ● Bom tempo de trabalho; ● Grau de plasticidade deve ser tal que permita seu escoamento no momento da tomada da impressão – fluindo contra os tecidos, copiado-os sem deformá-los; ● Alteração dimensional e morfológica – o material não deve sofrer alterações dimensionais e nem morfológicas dentro de um certo limite de tempo, durante ou após a presa; ● Resistência ao rasgamento – após a presa, devem apresentar uma certa resistência à fratura, ao serem removidos da boca e também durante a confecção do modelo; ● Inocuidade aos tecidos bucais – não devem irritar a mucosa bucal e nem provocar sensação desagradável. Vamos fazer um rápido estudo dos materiais de moldagem mais empregados em prótese total. Os mesmos podem ser divididos quanto às suas propriedades físicas, como anelásticos, nos quais, uma vez obtido, o molde não apresenta elasticidade; e elásticos, que são aqueles que após a moldagem, apresentam alguma elasticidade, sem prejudicar a fidelidade do molde. Materiais de moldagem anelásticos: a) Godiva: devido às suas propriedades termoplásticas, a godiva permite requerimento e plastificações sucessivas, remoldagem e reparos sendo que, esses procedimentos podem ser realizados seccionalmente. O escoamento do material, durante a moldagem, pode ser sujeito acontrole. Sua principal qualidade consiste em uma gama de características que permitem, ao operador, levar em consideração as necessidades biomecânicas da moldagem. Outra vantagem reside na possibilidade de testarmos o molde durante as diversas fases de sua obtenção e sempre que alterações ou correções sejam necessárias elas podem ser feitas facilmente. Pelo estudo das características da godiva, notamos que sua melhor característica consiste em permitir moldagens sucessivas, pois permite requerimento totais, ou por áreas, com remoldagem de regiões determinadas. Devido a ser um material termoplástico, seu "endurecimento" é progressivo, o que nos permite moldar as estruturas de suporte em sua dinâmica. Podemos, enquanto moldamos, executar ou pedir ao paciente que execute, movimentos musculares com o fito de impressionar, em nosso molde, aquelas estruturas para-protéticas como músculos e bridas, freios e inserções musculares, em movimento. b) Pasta Zincoeugenólica (OZE): utilizadas para moldagens com moldeiras individuais (devido a sua fluidez e capacidade de copiar as estruturas). O tempo de trabalho desse material é grandemente afetado pelas condições climáticas (umidade e calor), pela proporção da mistura e pela maneira de espatular o material. Proporção incorreta, calor, umidade em excesso aceleram o tempo de presa do material. Sua apresentação comercial é feita em duas bisnagas, com bocas de diâmetros diferentes, de maneira que a proporção correta é obtida por comprimentos iguais de pasta sobre uma placa de vidro ou papel encerado. Geralmente a cor das pastas também é diferente conforme trata-se do agente catalisador ou da base (vermelho para o agente e branco para a base, embora possa variar de fabricante para fabricante). A mistura é feita espatulando-se comprimentos iguais de pasta até se obter uma cor uniforme. Devemos considerar, sempre, a temperatura ambiente quando usamos esse material. As principais vantagens da pasta OZE podem ser listadas: ● Facilidade de se obter uma adaptação correta; ● Escoamento uniforme, mesmo sob baixa pressão; ● Adesividade à moldeira mesmo quando reduzida a um filme de material facilidade de separação dos moldes vazados (por aquecimento em banho-maria). Materiais de moldagem elásticos: com o desenvolvimento crescente da Odontologia tornou-se necessário o uso dos materiais elásticos que permitissem moldagens de arcos dentais, portanto retentivos, de uma só vez. Esses materiais associam a fidelidade de impressão à fidelidade dimensional, permitindo rápida e facilmente, a moldagem de regiões retentivas, retornando à posição original após a retirada do molde da boca do paciente. Dentre o grande número de materiais elásticos existentes atualmente podemos citar: a) Hidrocolóide irreversível (alginato): apresentados como um pó que é adicionado à água e espatulado até obtermos uma mistura cremosa, que é levada à boca em uma moldeira e mantida em posição, até sua completa geleificação. A grande vantagem desses materiais reside em sua elasticidade que nos permite a retirada das impressões mesmo nos casos mais difíceis de arcadas retentivas ou guarnecidas de dentes. b) Silicones, polieteres e mercaptanas: o avanço das técnicas industriais permitiu o desenvolvimento de outros materiais, semelhantes aos colóides quanto à sua elasticidade, porém, cuja composição química característica lhes confere estabilidade dimensional, permitindo um tempo de trabalho maior. Questões: 1- Qual a diferença entre moldagem, molde e modelo? 2- Como são classificadas as técnicas de moldagem? 3- Quais fatores são considerados na indicação de determinada técnica e material para a realização das moldagens? 4- Quais são as características ideais dos materiais de moldagem? 4.4 Moldagem anatômica Conceito Também denominada PRIMEIRA MOLDAGEM, MOLDAGEM PRELIMINAR ou moldagem de estudo. Tem a finalidade de dar origem a um modelo que abranja o máximo de estruturas possíveis, possibilitando uma visão panorâmica do rebordo moldado. Ela reproduz fielmente os acidentes anatômicos da boca em seu estado atual. A configuração da superfície de moldagem rege as relações que a prótese vai manter com a superfície sobre a qual estará assentada. Essas circunstâncias determinam a sustentação, parte da retenção e parte da estabilidade do aparelho protético. A moldagem anatômica deve possibilitar: ● Delimitação correta da área chapeável; ● Verificação da tonicidade das inserções musculares que vem terminar na zona do selado periférico; ● Estudar a necessidade ou não de cirurgia pré-protética; ● Permitir a confecção da moldeira individual. Para isso, é necessário afastar os tecidos moles, utilizando materiais de moldagem densos, que “empurrem” os tecidos e propiciem condições para a visualização abrangente do rebordo. Como opções temos: godiva, alginato e as silicones de adição e condensação (massa densa). O primeiro passo no procedimento de moldagem é a escolha do material que será utilizado. A seguir, será explicado os passos clínicos tendo o alginato e a godiva como materiais de escolha. 1) Passos clínicos da moldagem utilizando alginato Além de suas propriedades satisfatórias, a utilização do alginato para esta fase do tratamento se deve ainda pelo aspecto da biossegurança, já que este não requer o uso de equipamento térmico, como é o caso da godiva, que possibilita maior chance de infecção cruzada em razão da possibilidade de reutilização do material por sua característica termoplástica. Posição do paciente e do operador ● Para maxila: a cadeira deve estar ligeiramente inclinada para trás e o paciente com a cabeça firmemente apoiada no encosto, em posição de repouso. A altura da cadeira deve ser tal que, a boca do paciente fique ao nível do cotovelo do operador. Posição do operador: 1ª fase à direita e à frente 2ª fase à direita e atrás Fonte: Turano e col. ● Para mandíbula: como na moldagem superior, a cadeira deve estar ligeiramente inclinada para trás e o paciente com a cabeça firmemente apoiada no encosto, em posição de repouso. A altura da cadeira deve ser tal que o mento do paciente fique ao nível do ombro do operador. Posição do operador: à direita e à frente. Fonte: Turano e col. Sequência clínica 1. Escolha do material de moldagem 2. Organização da bancada 3. Escolha da moldeira 4. Individualização da moldeira 5. Proporcionamento do material 6. Manipulação do material 7. Carregamento da moldeira 8. Moldagem arco superior e/ou inferior 9. Obtenção do molde 10. Desinfecção do molde Os materiais necessários para a organização da bancada são: ● Moldeira de estoque perfurada para maxila e/ou mandíbula ● Lamparina ● Cera utilidade ● Medidor de alginato ● Espátula Le Cron ● Grau de borracha ● Espátula plástica Posição do paciente e do operador ● Para maxila: a cadeira deve estar ligeiramente inclinada para trás e o paciente com a cabeça firmemente apoiada no encosto, em posição de repouso. A altura da cadeira deve ser tal que, a boca do paciente fique ao nível do cotovelodo operador. Posição do operador: 1ª fase à direita e à frente 2ª fase à direita e atrás ● Para mandíbula: como na moldagem superior, a cadeira deve estar ligeiramente inclinada para trás e o paciente com a cabeça firmemente apoiada no encosto, em posição de repouso. A altura da cadeira deve ser tal que o mento do paciente fique ao nível do ombro do operador. Posição do operador: à direita e à frente. Seleção da moldeira O exame clínico da boca do paciente nos dará uma indicação precisa da moldeira a utilizar. De um modo geral, as moldeiras devem: ● Possuir bordas não muito altas ● Ter bordas que acompanhem os sulcos gêngivo-labial e geniano. ● Em ambas maxila e mandíbula, o limite posterior da moldagem é de extrema importância, sendo que na primeira, a moldeira deve recobrir as tuberosidades maxilares, e na segunda, a região de papila piriforme. ● Ser suficientemente amplas para conter o material de moldagem, havendo sempre um espaço livre de 2 a 3 mm entre a moldeira e a fibromucosa do fundo de sulco (que será ocupado pelo material de moldagem). Pacientes que apresentam abóbada profunda, ogival, indicam uma moldeira de bacia alta. E se as vertentes do maxilar forem verticais, deve-se encurvar as bordas da moldeira ligeiramente para dentro. Já se as paredes do rebordo forem reentrantes ou salientes, as bordas da moldeira serão conservadas em ângulo reto com a base. Nos casos em que não se consegue, dentre as diversas moldeiras, uma que preencha esses requisitos, deve-se construir uma moldeira especial a partir de um modelo obtido, através da moldagem com a moldeira mais próxima do ideal que possuímos e remoldar. Devemos considerar o tamanho, especialmente a largura do rebordo, como principal critério para a seleção da moldeira. Iniciamos a prova pela moldeira média e a seleção é feita por tentativa, provando-se até achar a que melhor se ajusta ao caso. Como o tamanho da moldeira deve abranger todo o arco maxilar e mandibular afastamos os lábios e bochechas para examinarmos o apoio da região posterior e verificarmos o espaço na região anterior. Se não houver espaço adequado, troca-se por uma moldeira maior e, no contrário, se o espaço for excessivo, passa-se a uma série menor. Individualização da moldeira As moldeiras para alginato tem bordas finas e, muitas vezes, não propiciam boa moldagem na região de fundo de sulco. Assim, com auxílio de cera tipo "utilidade", adaptada às bordas da moldeira, conformamos essa região. Aquece-se, suavemente, a cera, com a lâmpada de Hannau e leva-se à boca do paciente e, por fim, adapta-se as bordas da moldeira à dinâmica da região do sulco. Esse procedimento diminui a ocorrência de bolhas e mantem o material em posição até sua completa geleificação. Pacientes que apresentam abóbada profunda, tipo ogival, requerem suporte para o alginato, nessa região, assim, adaptamos pequenas porções de cera, no centro da moldeira, para diminuir a espessura do alginato nela. Como o alginato é um material que apresenta alto escoamento, é importante vedar a porção posterior da moldeira, utilizando um rolete de cera, para limitar a saída de material por essa região (pode haver deformação e desajuste das porções mais altas do molde). Proporcionamento e manipulação do material O material deve ser proporcionado de acordo com as recomendações do fabricante, utilizando-se um medidor específico para a água e o pó. Sua manipulação se dá por meio da espatulação do alginato, sempre em movimentos em forma do número “8” e contra as paredes do grau de borracha, até se formar uma massa homogênea. Moldagem do arco superior O alginato é um material hidrófilo, portanto sujeito a contaminação pelos fluidos bucais. Recomenda-se que o paciente enxágue a boca, com uma solução adstringente, para remover o excesso de mucina da saliva. O material espatulado é inserido na moldeira e, então, é introduzida na boca do paciente. Novamente aqui, o operador se posiciona a frente do paciente e afasta um lado da comissura labial com a própria moldeira e o outro com o dedo indicador ou um espelho clínico, realizando-se uma pequena rotação da mesma. Então centraliza-se a moldeira para então, iniciar o aprofundamento dela na região posterior, adaptando-a nas tuberosidades maxilares e, progressivamente, na região anterior, o que possibilita o escoamento do alginato preferencialmente para frente, de modo a não levar o material para a região do palato mole, o que geralmente ocasiona náuseas. Então, o operador coloca-se à direita e atrás do paciente e apoia a moldeira com os dedos indicador e médio de ambas as mãos, ao nível de pré-molares, executando suave pressão sobre a moldeira a fim de terminar o aprofundamento. Não se deve empurrar a moldeira contra os rebordos e sim acompanhar o escoamento do material de moldagem. Orienta-se ao paciente que movimente a musculatura paraprotética com o movimento de sorriso forçado, seguido de “bico”, enquanto a moldeira é mantida em posição pelo operador. Este também deve auxiliar na movimentação da musculatura, tracionando as bochechas do paciente, tanto no lado direito, quanto esquerdo. Esta movimentação tem como finalidade ajudar a impressão no alginato das inserções musculares em dinâmica. Mantém-se a moldeira em posição segurando com os dois dedos indicadores até a geleificação do material. O molde é removido da boca, rompendo-se o selamento periférico vestibular, lavado em água corrente, seco e examinado. Moldagem do arco inferior A moldeira carregada com o material é inserida na boca da mesma forma que na moldagem superior: afastando-se um lado da comissura com a própria moldeira, o outro com o dedo indicador ou espelho clínico e realizando-se um ligeiro movimento de rotação da mesma. Porém, desta vez, o molde é pressionado pelo operador de modo homogêneo, ou seja, pressionando as partes anterior e posterior da moldeira ao mesmo tempo, o que possibilita o escoamento do material. Mantendo-se a pressão, o paciente é instruído a realizar movimentos com a musculatura paraprotética, posicionando a língua no palato duro e, em seguida, para fora e para o lado a fim de obter a impressão adequada da região de inserções musculares, com essas em dinâmica. Se houver excesso de material na região posterior e lateral, recorta-se com o auxílio da espátula Le Cron ou um estilete. Uma vez obtido o molde, devemos examiná-lo a fim se verificar: ● Todas as estruturas anatômicas da região moldada; pode-se fazer um exame comparativo olhando a boca e o molde, região por região. ● Se houve falta do material de moldagem; ● Presença de bolhas; ● Insuficiência de detalhes: indicando falta de adaptação, espatulação deficiente ou tempo de trabalho longo; ● Bordas arredondadas, marcando freios e bridas; ● Centralização; ● Espessura homogênea. Desinfecção do molde O molde de alginato deve ser vazado em até 30 minutos após a remoção da boca, esseprocedimento deve ser rápido para prevenir alterações dimensionais. É feita nos seguintes passos: ● Lavar com água gessada; ● Lavar com água corrente; ● Borrifar o molde com solução de hipoclorito de sódio 1% (solução de Milton); ● Descansar por 10 minutos. O alginato é um material em que ocorre sinérese e embebição, ou seja, perde e ganha água do ambiente. Então, o molde deve ser embalado em saco plástico com um papel toalha umedecido com água ao lado, nunca em cima, a fim de manter a umidade do ar em 100%; ● Lavar com água corrente; ● Secar. Acidentes que podem ocorrer durante a moldagem ● Falta de material: falhas por falta de material (bolhas de ar), comprometem irremediavelmente o molde de alginato. ● Excesso de material: remove-se com espátula Le Cron ou estilete. ● Insuficiência de detalhes: indica falta de adaptação, espatulação deficiente ou tempo de trabalho muito longo, permitindo o início da geleificação antes do aprofundamento do molde. Repete-se a moldagem. ● Não teste o molde de alginato: corre-se o risco de deslocar o material da moldeira. 2) Passos clínicos da moldagem utilizando godiva 1. Organização da bancada 2. Posição paciente/operador 3. Escolha da moldeira 4. Plastificação do material 5. Manipulação do material 6. Carregamento da moldeira 7. Moldagem arco superior e/ou inferior 8. Obtenção do molde 9. Desinfecção do molde Para a organização da bancada para moldagem com a godiva, os materiais necessários são: ● Moldeira de estoque lisa para maxila e/ou mandíbula; ● Lamparina; ● Plastificador de godiva; ● Espátula Le Cron; ● Placas de godiva de alta fusão; ● Bastão de godiva de baixa fusão. Introdução da moldeira Verificação apoio na região posterior Verificação do espaço na região anterior Plastificação, manipulação do material e carregamento da moldeira Colocamos a placa de godiva no plastificador na temperatura indicada pelo fabricante (54°C), e, uma vez obtida a plasticidade do material, manipulamos até obter uma massa homogênea. ● Para o arco superior: posicionamos a godiva plástica na moldeira selecionada, no seu centro, sob a forma de uma bola, e com os dedos umedecidos, distribuímos o material por toda a superfície da moldeira. ● Para o arco inferior: dá-se a forma de um rolete à godiva plástica e adapta-se na moldeira; com os dedos conforma-se a godiva de maneira que ela cubra toda a bacia da moldeira e suas bordas. Deve-se tomar o cuidado de se obter uma camada de espessura uniforme e com ligeiro excesso na periferia para proteger as bordas da moldeira. A seguir, flamba-se a godiva com a lamparina e leva-se ao plastificador para homogeneizar a temperatura, por alguns instantes, segurando a moldeira pelo cabo para plastificar a godiva uniformemente. Neste momento é importante não aquecer o metal da moldeira pois, haverá superaquecimento da godiva em contato com a moldeira, com excessiva plastificação e aderência à bacia da moldeira. Torna-se dificílima a sua remoção posterior. Esta, então, é levada à boca do paciente para a moldagem. Moldagem do arco superior Com o operador a frente do paciente, a moldeira carregada é levada à boca do mesmo, afastando-se um lado da comissura labial com a própria moldeira e o outro com o dedo indicador ou um espelho clínico. Introduz-se a moldeira, realizando-se uma ligeira rotação da mesma. Adapta-se primeiramente a parte final da moldeira nas tuberosidades maxilares e, em seguida, aprofunda-se a parte anterior, centralizando-a. Neste momento o operador coloca-se à direita e atrás do paciente e com os dedos indicador e médio de ambas as mãos apoiados na moldeira, ao nível de pré-molares, executa o aprofundamento. Deve-se executar uma pressão suave e uniforme de maneira que o aprofundamento se dê pelo escoamento do material de moldagem e não pela pressão exercida. Não se deve empurrar a moldeira contra os rebordos e sim acompanhar o escoamento do material de moldagem. Mantendo a moldeira em posição com uma das mãos, com a outra executamos movimentos de tração nos tecidos moles, dos lábios e bochechas, com a finalidade de imprimir, na godiva ainda plástica, as inserções musculares, freios e bridas. Movimentamos também, os lábios do paciente procurando impressionar a godiva com a anatomia do fórnice gengivo-labial. Executamos esses movimentos de um lado e do outro, tomando o cuidado de não movimentar a moldeira. Por fim, com jatos de água fria, contra o metal da moldeira, resfriamos a godiva até que perca a sua plasticidade e esteja rígida ao toque dos dedos. Passando para frente do paciente, tracionamos a moldeira pelo cabo para testarmos sua retenção em estática. Se houver deslocamento há a necessidade de repetirmos a moldagem. Remove-se o molde da boca, rompendo o selamento periférico vestibular. Lava-se, seca-se e examina-se o molde. Moldagem do arco inferior Nesse procedimento, o operador se mantém sempre à direita e à frente ao paciente. A moldeira carregada é levada à boca da mesma forma descrita para a maxila, afastando-se um lado da comissura labial com a moldeira e o outro com o dedo indicador ou um espelho clínico. Insere-se a moldeira, realizando-se uma ligeira rotação da mesma e centralizando-a. O que difere a moldagem inferior é que a moldeira é introduzida de modo homogêneo, ou seja, pressionando as partes anterior e posterior da moldeira ao mesmo tempo, possibilitando o escoamento do material. Então, pedimos ao paciente que feche, lenta e progressivamente a boca. Dessa maneira conseguimos um relaxamento dos músculos para-protéticos, notadamente o músculo bucinador, permitindo levar o material de moldagem até a linha oblíqua externa. Essa manobra nos permite aumentar, sobremaneira, a área chapeável. Pedimos também ao paciente que realize os mais amplos movimentos com a língua para copiar as posições mais altas do assoalho da boca (e suas implicações musculares). Removemos (da mesma forma explicada anteriormente) o molde obtido, lavamos e examinamos. Com auxílio da espátula Le Cron, removemos os excessos de material e levamos novamente à boca. Vamos agora remoldar as inserções vestibulares: com a lâmpada de Hannau, plastificamos um dos lados do molde, correspondente a sua borda vestibular e levamos a moldeira em posição. Apoiando firmemente o molde com uma das mãos, com a outra executaremos tração nos tecidos moles daquela região, com o fito de imprimir as inserções musculares, freios e bridas. Pela repetição da manobra, área por área, obtemos um molde bastante nítido da anatomia mandibular. Obtenção e avaliação do molde Uma vez obtido o molde, avaliamos a qualidade do mesmo. No exame preliminar procuraremos visualizar todas as estruturas anatômicas da região moldada; pode-se fazer um exame comparativo olhando a boca e o molde, região por região. Verificamos também se apresenta sua superfície fosca, bem distribuída e está centralizado. Com o auxílioda espátula Le Cron, recortamos os excessos de material da porção posterior e lateral. Levamos novamente à boca para testar a retenção e estabilidade do molde. Os testes são executados tracionando-se a moldeira pelo cabo, segundo um plano horizontal; segundo um plano vertical e para cima. Se algum detalhe não ficou registrado, poderemos, com auxílio de lâmpada de Hannau, plastificar a área em questão, levando novamente à boca para remoldar o detalhe que nos interessa. Se o molde apresenta resistência ao deslocamento durante os testes e verificamos a presença de todos os detalhes anatômicos, então será considerado satisfatório. Em caso de falta de material, pode ser realizada a correção com o acréscimo de godiva de baixa fusão. A desinfecção do molde é feita nos seguintes passos: ● Lavar com água gessada ● Lavar com água corrente ● Borrifar o molde com solução de gluconato de clorexidina 0,12% ● Descansar por 10 minutos ● Lavar com água corrente ● Secar Acidentes que podem ocorrer durante a moldagem ● Falta de material: quando a falha é pequena e restrita à zona secundária de suporte podemos acrescentar godiva (após o que, flambamos e remoldamos). Quando houver comprometimento do selamento periférico, zona principal de suporte ou da estabilidade da moldagem, esta deve ser totalmente repetida. ● Excesso de material: remove-se com espátula Le Cron e testa-se. ● Plastificação insuficiente: o material estando muito rijo o escoamento é prejudicado; há distensão dos tecidos e deformação do campo. Neste caso, é necessário repetir a moldagem. ● Super-plastificação: o material perde suas características, torna-se adesivo, podendo lesar o paciente. O tempo de trabalho é muito aumentado e há dificuldade no controle do escoamento. ● Insuficiência de detalhes: quando restrita a pequena área, pode-se reaquecer e remoldar. ● Dobras, rugas, impressões digitais: geralmente devidas a falta de material ou incorreta plastificação, indicam a necessidade de nova moldagem. 3) Modelo anatômico Também denominado modelo de estudo, tem como função: ● Complementar e auxiliar os exames clínicos; ● Servir de matriz na confecção da moldeira individual. Além de permitir a visualização: ● Do espaço protético; ● Das condições da área chapeável; ● As indicações de cirurgias pré-protéticas; ● O grau de interferência das inserções musculares; ● Tamanho, forma e espessura e altura do rebordo. Obtenção do modelo anatômico: Após os procedimentos desinfecção do molde deve-se proceder rapidamente o preenchimento deste com gesso que pode ser do tipo II (comum) ou do tipo III (pedra). Devem ser respeitados rigorosamente as proporções pó e líquido para cada tipo de gesso bem como a técnica de manipulação e de tempo de presa. Verte-se o gesso de modo gradual sobre o molde com auxílio de um vibrador de gesso tomando-se o cuidado de, ao final ter-se um volume de gesso aplicado que permita garantir resistência ao modelo e adequação de suas bordas mediante recorte. O modelo de gesso deve ser separado após no máximo uma hora do molde de alginato. No caso da godiva, após os procedimentos desinfecção do molde deve-se proceder rapidamente o preenchimento deste com gesso que pode ser do tipo II (comum) ou do tipo III (pedra). Devem ser respeitados rigorosamente as proporções pó e líquido para cada tipo de gesso bem como a técnica de manipulação e de tempo de presa. Verte-se o gesso de modo gradual sobre o molde com auxílio de um vibrador de gesso tomando-se o cuidado de, ao final ter-se um volume de gesso aplicado que permita garantir resistência ao modelo e adequação de suas bordas mediante recorte. Os gessos para tal finalidade são denominados de gessos "pedra" (os fabricantes americanos costumam usar o sufixo "stone", pedra em português, como indicativo da finalidade do gesso). Obtido a partir de um molde "funcional", deverá conter todas as características e acidentes anatômicos que serão reproduzidas pela dentadura. Da fidelidade do modelo funcional, depende o sucesso ou insucesso do trabalho protético. A técnica de obtenção dos modelos é mesma descrita para a obtenção do "modelo de estudo" (vide Capítulo IV), apenas relembrando que o gesso a ser utilizado será o gesso pedra. O modelo obtido será designado, por força de sua função: modelo de trabalho ou segundo modelo ou modelo definitivo, dando-se preferência à primeira denominação. O modelo vazado deve ser deixado em repouso até a completa cristalização do gesso. Dessa forma sua superfície atingirá a máxima dureza e consistência necessárias a continuação dos trabalhos de laboratório. No caso de pasta OZE, a separação molde/modelo é feita por imersão em água quente, durante cerca de 5 minutos; a pasta zincoeugenólica amolecerá e a remoção torna-se simples. O aquecimento excessivo ou prolongado pode acarretar a adesão da pasta ao gesso o que dificulta, enormemente a sua remoção. Quando o material utilizado foi silicona ou mercaptana, a separação é feita por tração simples. Questões: 1- Quais as finalidades da moldagem anatômica? O que ela deve possibilitar? 2- Quais os passos clínicos da moldagem dos arcos superior e inferior? 3- Como são realizados os processos de desinfecção dos materiais indicados para a moldagem anatômica? 4- Quais as funções do modelo anatômico? 4.5 Moldeira individual Conceito: "A moldeira individual é a reprodução precisa de toda a zona chapeável dos maxilares, em três dimensões: comprimento, largura e altura” (Cerveira Netto). Devido à variedade de tamanhos e formas dos rebordos desdentados, bem como as várias anomalias encontradas, é imprescindível o uso de moldeiras especialmente construídas e adaptadas para cada caso. A moldeira individual, será construída sobre o modelo de estudo obtido a partir da primeira moldagem. Limites das moldeiras individuais Os limites das moldeiras individuais são regidos pelas noções de área chapeável, tanto para a maxila, como para a mandíbula. Deve-se tomar especial cuidado quando do desenho das moldeiras: respeitar as bridas e inserções musculares a fim de que não hajam interferências que causam a compressão e consequente deformação dos tecidos. É importante que as bordas da moldeira se estendam até o limite do fórnice gengivo-labial e geniano, recobrindo dessa maneira, toda a área passível de fornecer retenção e suporte para a prótese. Importância: O objetivo da moldagem consiste, essencialmente, em reproduzir com a maior exatidão possível, a parte da boca que suportará a prótese e para que essa reprodução seja fiel, é necessário que o material de moldagem, desenvolva sobre a parte a ser moldada, a mesma pressão que ela desenvolverá. Com a moldeira de estoque, não poderemos obter os resultados desejados, uma vez que não teremos espessura uniforme do material de moldagem. Este fato acarreta em pressões diferentes pelas diferentes possibilidades de escoamento. Daí a necessidade da confecção de moldeiras individuais que, sendo uma cópia bastante fiel de toda a área chapeável, nos garante espessura e portanto, pressão uniforme do material de moldagem sobreos tecidos. Notadamente no que se refere a moldagem das bordas (zona de selamento periférico). Confecção das moldeiras individuais Há vários métodos e materiais para a construção de moldeiras individuais, desde a adaptação de moldeiras de estoque metálicas, que serão recortadas e brunidas sobre o modelo, (método difícil e antieconômico, hoje abandonado), moldeiras em placa-base (godiva), até as moldeiras em resina acrílica, que são as mais utilizadas. Materiais necessários: ● Lamparina ● Isolante para RAAQ ● Pincel ● RAAQ ● Cera 7 ● Duas placas de vidro ● Saco plástico ● Pote Paladon ● Espátula 31 ● Espátula Le Cron ● Pote dappen Bancada montada com os materiais necessários para a confecção de moldeira individual. Inicialmente, com o lápis cópia, desenhamos uma linha contínua, delimitando no modelo de estudo a área chapeável e determinamos as áreas onde serão necessárias a confecção do alívio. Deve-se respeitar os limites segundo a anatomia de cada arco. Delimitação da área chapeável no modelo de estudo com uma linha contínua. Então, em cerca de 2 a 3 mm abaixo da linha contínua desenhada, é feita uma linha tracejada, que indica os limites da borda da moldeira individual. Esta distância deve ser respeitada pois, no momento da moldagem, a fibromucosa foi moldada distendida, afastada da posição natural e, com ela, é possível atingir o fecho periférico. O material de escolha para a confecção da moldeira individual é a resina acrílica ativada quimicamente (RAAQ). Entre as vantagens dessa resina incluem sua transparência, que nos permite uma noção de extensão e fecho periférico, além de nos possibilitar a visualização de interferência das inserções musculares. Primeiramente, realiza-se o alívio nas áreas necessárias e, aplica-se, com um pincel, uma camada uniforme de isolante para resina acrílica sobre toda a extensão do modelo de estudo. Então, manipulamos a RAAQ com a proporção de monômero/polímero recomendada pelo fabricante e aguardamos até o material atingir a fase borrachóide. Deixamos previamente duas placas de vidro separadas e em uma delas, realizamos um stop com uma tira de lâmina de cera 7. Este passo permitirá a espessura correta da moldeira individual, como será explicado adiante. Quando a resina atingir a fase correta, despejamos a mesma sobre um saco plástico e utilizamos as duas placas de vidro para prensar o material, controlando-se sua espessura (para que fique com cerca de 2-3mm). A seguir o material prensado é adaptado sobre o modelo e são recortados os seus excessos. A maior vantagem desta técnica é a de conseguir uma uniformidade na espessura da moldeira. A seguir, realizamos a confecção do cabo, com 60º para a moldeira superior e 45º para a inferior. Este deve possuir espessura de 0,5cm, largura e comprimento de 1cm. Realizamos o acabamento e polimento da moldeira, com brocas maxi e minicut, pedras em formato de pera, lixas de acabamento montadas em adaptador e borrachas para polimento. Esse passo tem como objetivo deixar a superfície e bordas da moldeira lisas e arredondadas, para evitar incômodos ou injúrias ao paciente. Ao final, devemos obter as moldeiras de 2-3mm de espessura, contornando os limites da área chapeável, apresentando rigidez e transparência, adaptando-se ao modelo, com cabo e apresentando bordas lisas e arredondadas. Ajuste das moldeiras individuais Como foi explicado anteriormente, a moldeira individual tem a finalidade de levar o material de moldagem em íntimo contato com a fibromucosa, em toda a sua extensão. Por esse fato, ela recobre, apenas, aquelas áreas que foram eleitas como a base da dentadura. Ela deve ser planejada e desenhada levando em consideração todos os fatores necessários para a retenção e estabilidade da prótese total. Suas bordas deverão ser confeccionadas com o cuidado de contornar as inserções musculares, freios e bridas. O comprimento deve ser compatível com a tolerância normal do paciente. Porém, como sua delimitação é feita em laboratório, é possível que em determinadas situações de dinâmica haja interferências, tanto musculares quanto de tecidos moldes. Assim, devemos levá-la à boca do paciente para, em dinâmica muscular, executar ajustes onde forem necessários. Daí, a grande vantagem das moldeiras individuais em resina acrílica incolor, que nos permitem visualizar os tecidos, por transparência e verificar possíveis áreas de compressão ou distensão, mesmo quando essas áreas encontram-se recobertas pela própria moldeira. Nesse momento devemos verificar: ● Retenção e estabilidade: embora não possamos esperar uma retenção absoluta da moldeira individual, este fator é uma indicação do grau de adaptação da moldeira aos tecidos. Quanto à estabilidade, será uma indicação de que não existem zonas de compressão, notadamente ao nível dos rebordos alveolares. (Quando a moldeira for construída em resina acrílica incolor, podemos verificar zonas de compressão por visualização direta através da resina, pois o tecido comprimido se torna isquêmico). ● Delimitação posterior: verificamos se o comprimento da moldeira é suficiente ou se há sobre-extensão em tecido mole que não deve ser recoberto. ● Delimitação das bordas e contorno: é a região onde há maior necessidade de ajuste das moldeiras individuais: Mantendo a moldeira em posição, pedimos ao paciente que execute movimentos. Vamos verificar se não há interferência das bordas com os freios (labial e lingual); tecidos para-protéticos e músculos. Procuramos, obter um estado de equilíbrio em que não haja interferência dos tecidos para-protéticos com a moldeira, em nenhum estado de dinâmica muscular. Os ajustes são feitos com o auxílio de brocas e pedras montadas para resina, desgastando as áreas ou pontos de interferência. É necessário lembrar que devem ser feitos por remoção de material; sendo a adição de material difícil e geralmente, de consequências imprevisíveis quanto ao resultado final. Por essa razão recomenda-se o máximo cuidado na delimitação e confecção das moldeiras individuais. Após os ajustes e estando a moldeira em condições, devemos verificar as bordas, polindo novamente, se necessário. Prova da moldeira individual superior Prova da moldeira individual inferior Questões: 1- Por que são confeccionadas as moldeiras individuais e não utilizamos as moldeiras de estoque?2- Quais as características finais das moldeiras individuais? 3- Quais as funções das moldeiras individuais? 4- O que deve ser verificado no momento do ajuste mas moldeiras individuais em boca? 4.6 Moldagem funcional Conceito: Também denominada segunda moldagem ou moldagem definitiva. Em linhas gerais a tomada de impressões finais é similar, em muitos aspectos, à obtenção dos moldes anatômicos ou de estudo. Qualquer que seja a técnica ou o material utilizado, é imprescindível verificarmos se as moldeiras individuais se adaptam perfeitamente, à forma dos rebordos alveolares e à abóbada palatina, se não hánenhuma interferência com inserções musculares, movimento labial, lingual ou de tecidos moles. Toda e qualquer correção da moldeira individual deverá ser executada antes de qualquer manobra de moldagem. É importante que a moldagem das bordas seja sempre executada em função, em movimento dinâmico, nunca em estática. E a adaptação nessas áreas depende da exata reprodução das posições ocupadas pelos tecidos em sua dinâmica. Dentre os materiais utilizados nessa fase dos trabalhos, destacamos as pastas a base de óxido de zinco e eugenol (pasta OZE). Atualmente, com a crescente tendência de moldar com pouca pressão (sem compressão) dá-se preferência ao uso de pastas OZE que, pela sua fluidez e alto escoamento, permitem grande fidelidade de impressão, sem os inconvenientes de possíveis distensões de tecido, causadas pela pressão durante a moldagem. Convém lembrarmos que existem outros materiais que se prestam para a moldagem funcional, como as silicones (de adição e condensação) e mercaptanas, cujas características, como o escoamento, podem ser alteradas (viscosidade) de acordo com a necessidade do caso. Esses elastômeros permitem, também, uma película fina de material e em alguns casos, pequenos consertos com remoldagem. O único inconveniente desses materiais, ao nosso ver, reside no fato de não permitirem a moldagem da zona de selamento periférico em moldagens sucessivas. Passos clínicos para moldagem funcional 1. Escolha do material de moldagem 2. Organização da bancada 3. Proporcionamento do material 4. Manipulação do material 5. Carregamento da moldeira 6. Moldagem arco superior e/ou inferior 7. Obtenção do molde 8. Desinfecção do molde 9. Dicagem 10. Obtenção do modelo Escolha do material de moldagem Como já mencionado, o material de moldagem deve ser fluido. Para isso, podemos utilizar a pasta OZE, mercaptana, silicone de condensação e adição e poliéter. Nessa apostila, primeiramente, vamos explicar como será a moldagem com a pasta OZE, mercaptana e com a silicona de condensação. Materiais necessários para moldagem com pasta OZE ● Moldeira individual ● Placa de vidro ou bloco de espatulação ● Espátula nº 36 ● Espátula Le Cron ● Pincel fino ● Lamparina ● Cera de baixa fusão Posição do paciente e do operador As posições, tanto do paciente quanto do operador, na moldagem da maxila e na moldagem da mandíbula, são as mesmas que para a moldagem preliminar ou moldagem anatômica. Proporcionamento e manipulação do material Tanto a pasta base, quanto a catalizadora são dispensadas em proporções iguais. Para a manipulação do material, espatula-se as duas pastas por aproximadamente 1 minuto, até obter cor uniforme da mistura e, então, carregamos a moldeira com o material para ser levada a boca. Moldagem do arco superior Com o auxílio da espátula, leva-se a pasta à moldeira, espalhando, de maneira uniforme, em toda sua superfície interna. Procura-se obter uma camada de espessura uniforme recobrindo, inclusive, as bordas da moldeira. A moldeira carregada é levada à boca do paciente onde, após a introdução e centralização, procede-se ao aprofundamento da moldeira. Passando para a posição de moldagem para a maxila (à direita e atrás da cadeira), apoiam-se os dedos indicador e médio na moldeira executando suave pressão; apenas o suficiente para que o material escoe, naturalmente, sem esforço. É importante que não se faça pressão excessiva sobre a moldeira pois corremos o risco de aprofundamento exagerado, tocando a fibromucosa com a moldeira, o que iria causar compressão localizada, com todos os inconvenientes que conhecemos. Devido às características do material de moldagem, não devemos executar qualquer movimento com a moldeira, até que a pasta haja endurecido. Corre-se o risco de causar alterações ou distorções no molde. Mantida a moldeira em posição, firme, até a presa do material de moldagem; remove-se da boca em um único movimento, tomando o cuidado de, com os dedos, romper o selamento periférico por distensão dos tecidos. Lava-se o molde em água corrente e examina-se com o objetivo de verificar se todas as áreas foram perfeitamente moldadas e não houve falta de material (bolha de ar) em algum ponto do molde. Quando isso ocorrer, com o auxílio da espátula Le Cron, removemos a porção suspeita e adicionamos nova porção de pasta no local, procedendo a nova moldagem. Recortam-se os excessos de material, que tenham ultrapassado as bordas da moldeira e leva-se, novamente, à boca para verificar a adaptação e retenção do molde. Verificam-se a retenção horizontal e vertical e, se estiver tudo correto, passaremos à moldagem dos tecidos moles, fórnice e selamento periférico/posterior. É fundamental que a moldagem das bordas seja executada em função, em movimento dinâmico, nunca em estática. A adaptação nessas áreas depende, fundamentalmente, da nossa capacidade em reproduzir as posições ocupadas pelos tecidos em função; é a região conhecida como "selamento periférico". Com o auxílio de cera de baixa fusão, plastificada em chama, e com o pincel vamos adicionando cera (pincelando) às bordas do molde. Plastifica-se uma área com auxílio da lâmpada de Hannau e leva-se à boca. Com o molde em posição, executam-se os movimentos de lábios e bochechas, tendentes a movimentar os tecidos para-protéticos dessa região, com a finalidade de conformar a cera de acordo com as posições relativas desses tecidos, em dinâmica. Repete-se a manobra, região por região, até que tenhamos moldado todo o tecido móvel que constitui o fórnice gengivo-labial. Por esse processo, conseguiremos um selamento periférico que se mantém mesmo durante a movimentação do tecido circunvizinho à prótese. Faremos agora, os testes de retenção vertical. Se o selamento periférico rompe-se em determinado ponto podemos acrescentar cera e proceder a nova moldagem daquela área. É importante que a moldagem das bordas seja executada sempre em função, em movimento, nunca em estática. A adaptação nessas áreas depende, fundamentalmente, da exata reprodução das posições ocupadas pelo tecido, em sua dinâmica. Verifica-se o selamento posterior tracionando a moldeira, pelo cabo, para frente e para fora. Se necessário, acrescenta-se cera no limite posterior do molde, levando, com a cera ainda plástica, em posição, para remoldagem dessa área. Convém verificar se não se está invadindo a região do palato mole, o que, não contribui em nada para aumentar o selamento posterior. Sempre que for adicionada cera às bordas do molde, esta deverá ser aquecida, plastificada e levada à boca para nova moldagem. Caso a moldeira individual não apresenta suas bordas com comprimento ou espessuras adequadas pode se lançar mão do uso de godiva em bastão, que será aplicada nas bordas da moldeira e levada em boca para copiar a região de fundo de sulco, após este procedimento é então realizada a moldagem com pasta ZOE conforme citado anteriormente. Moldagem do arco inferior Os passos e a técnica são fundamentalmente os mesmos para a moldagem funcional da mandíbula. Limitaremos nossa exposição às diferençasexistentes: ● Posição do operador – paciente: como no caso da moldagem anatômica da mandíbula; ● Moldeira individual: para a mandíbula; ● Espatulação do material de moldagem: mesma técnica, menos material; ● Preenchimento da moldeira: idem; ● Introdução, centralização e aprofundamento: varia apenas na posição do operador que agora trabalhará à direita e à frente do paciente. Dedos indicador e médio de ambas as mãos apoiados na moldeira e polegares apoiados no mento do paciente. Manter a moldeira firmemente em posição. No caso da moldagem funcional da mandíbula é interessante moldarmos o assoalho da boca em sua posição mais alta. Para tanto pedimos ao paciente que movimente a língua colocando-a sucessivamente, para fora em toda a sua extensão; para fora e para a direita; para fora e para a esquerda e finalmente, a ponta da língua tocando o palato em sua porção mais posterior. Durante todas essas manobras devemos manter a moldeira firme em sua posição. Após a presa do material de moldagem, removemos o molde da boca, lavamos e examinamos. Recortam-se os excessos e procede-se aos testes de retenção: horizontal e vertical. Se o molde satisfaz as exigências de retenção e estabilidade procede-se à moldagem das bordas para a obtenção do selamento periférico. No caso da moldagem mandibular é de especial importância o selamento periférico lingual, dada a grande mobilidade dessa região. Procede-se da mesma maneira que para a moldagem funcional da maxila, acrescentando cera e pedindo ao paciente que execute movimentos com a língua, lábios e bochechas, sempre, área por área e em moldagens sucessivas. Aprovado nos testes, o molde estará pronto para a confecção do modelo funcional, ou modelo de trabalho ou modelo definitivo. Um molde, para ser considerado funcional, deve apresentar os seguintes requisitos: ● Deve estender-se por TODA A SUPERFÍCIE aproveitável do maxilar ou da mandíbula. ● Não deve comprimir zonas glandulares ou de emergência de vasos e nervos. ● O molde obtido, deve apresentar RECORTE MUSCULAR de modo a evitar interferências durante os movimentos naturais da musculatura. ● Deve apresentar ADAPTAÇÃO PERIFÉRICA, que resultará no "selamento periférico" imprescindível para a retenção do aparelho. Confecção da dicagem e selado posterior É realizada com cera utilidade e possui objetivo de preservar a anatomia do fundo de sulco e o selado posterior, respectivamente. Obtenção do modelo de gesso O modelo de gesso funcional deverá ser de gesso tipo IV e será utilizado para a confecção da base de prova. Ele também servirá de matriz da base da prótese total, na fase laboratorial da confecção da mesma. Moldagem funcional com elastômeros (mercaptana e silicone) Materiais necessários: ● Moldeira individual ● Adesivo para moldeira individual ● Placa de vidro ou bloco de espatulação ● Espátula nº 36 ● Espátula Le Cron Posição do paciente e do operador As posições, tanto do paciente quanto do operador, na moldagem da maxila e na moldagem da mandíbula, são as mesmas que para a moldagem preliminar ou moldagem anatômica. Proporção e manipulação do material Manipula-se o material da mesma forma que a pasta zincoeugenólica, em proporções iguais, e carrega-se a moldeira. a) b) c) a) Pastas de mercaptana proporcionadas igualmente; b) manipulação das pastas; c) carregamento da moldeira. Moldagem do arco superior e inferior Como em situações anteriores, não há necessidade de repetir toda a explicação. Vamos nos restringir a abordar os passos que se diferenciam de uma técnica para outra. Quando nos utilizamos de siliconas ou mercaptanas, como material de moldagem funcional, a moldagem das bordas (selamento periférico), será executada na maioria das vezes, antes da moldagem do corpo ou base. Com o auxílio da lamparina, plastificamos a godiva em bastão, que será aplicada sobre a borda da moldeira. É recomendável aplicar a godiva por partes (lado direito, p.ex.) para melhor controle das manobras de moldagem. Com a lâmpada de Hannau, replastifica-se a godiva aplicada à moldeira, tomando cuidado com o superaquecimento (cuidado para não queimar o paciente!). A moldeira será levada à boca, quando se executam todos os movimentos dos tecidos paraprotéticos naquela área. Com auxílio da espátula Le Cron, recortam-se os excessos de godiva que tenham escoado para a zona secundária de suporte. Repete-se a manobra de moldagem, a fim de obter uma borda uniforme. Examina-se com atenção: a moldagem da borda deve se apresentar lisa e arredondada, com a forma do sulco. Repete-se a manobra, para as outras regiões a serem moldadas, até contornar a totalidade da moldeira. Julgando satisfatória a moldagem das bordas, passaremos à moldagem do corpo. Aplica-se o adesivo (próprio do material que está sendo utilizado), tanto na face interna, quanto nas bordas da moldeira. O material de moldagem é manipulado e carregado na moldeira. Obtenção do molde A sequência de passos é repetitiva em relação às outras técnicas já abordadas. Pequenas falhas, que não comprometam a estabilidade do molde, podem ser corrigidas, acrescentando nova camada de material de moldagem sobre toda a superfície de moldagem. A remoldagem será feita sem pressão, para evitar a deformação do material base (não esquecer que estamos trabalhando com materiais elásticos). Não é possível remoldar a região de selamento periférico. Falhas nessa área, comprometem a totalidade do molde. Aprovado nos testes, o molde estará pronto para a confecção do modelo funcional, ou modelo de trabalho ou modelo definitivo. Questões: 1- Quais as finalidades da moldagem funcional? 2- Quais requisitos um molde funcional deve apresentar? 3- Quais as funções do modelo funcional? 5. Planos de orientação Introdução De posse dos moldes, tanto maxilar como mandibular, deve-se obter, no menor espaço de tempo possível, os modelos em gesso. Uma vez que será sobre esses modelos que iremos construir a prótese, devemos utilizar gessos especiais, de alta dureza e mínima, ou nenhuma, alteração dimensional. 5.1 Bases de prova A base de prova (chapa de prova) é a base provisória de uma dentadura, preparada sobre o modelo de trabalho, com material adequado e que permite a realização de todas as operações prévias para a confecção de uma prótese total, sem se deformar ou romper. A base de prova não possui cabo, diferentemente da moldeira individual. . Para maior facilidade de trabalho e maior rapidez, pode-se utilizar a resina acrílica quimicamente ativada, que é prensada (em mufla ou não) durante cerca de 15 minutos. Assim se economiza tempo necessário à ativação térmica. A base de prova, independentemente do material e técnica de confecção, tem como sua principal finalidade: permitir o registro das relações maxilo-mandibulares, na boca do paciente e transferir esses registros para um instrumento de laboratório. Técnica de confecção 1 - Resina acrílica quimicamente ativada adaptada: Seguem-se os mesmos passos da confecção da moldeira individual. É muito utilizada pela facilidade de construção e por não correr risco dedanificar o modelo. Quando são necessários alívios, estes podem ser feitos com cera, protegendo o modelo. Figuras: Confecção da base de prova superior e inferior. Técnica de confecção 2 - Materiais termoplásticos: Sob esse título, as "placas de polietileno" vieram substituir a placa base convencional. Trata-se de placas plásticas, termoplásticas, de espessura fina ou média, transparentes ou leitosas, que são adaptadas à vácuo, sobre o modelo. Seu uso tem se tornado corriqueiro, pela facilidade e rapidez de confecção. É necessário o uso de equipamento específico (sistema de aquecimento e vácuo). 5.2 Plano de orientação superior A região protética compreende o terço inferior da face do paciente, sendo que a plenitude da harmonia facial dá-se por meio da reconstituição dessa região por meio da prótese. Os planos de orientação são o conjunto formado pelas bases de prova e roletes de cera superior e inferior, que irão receber os registros prévios à confecção da prótese. Por esses conceitos verificamos a necessidade de se localizar a mandíbula em relação à maxila, segundo os três eixos ou planos do espaço. De posse dos modelos e das bases de prova, corretamente adaptadas, lançamos mãos de um recurso técnico, para transferir as relações maxilo-mandibulares do paciente, para um articulador. Para tal utilizamos arcos em cera, montados sobre as bases de prova, que irão figurar os futuros arcos dentais da prótese. A esses arcos em cera damos o nome de planos de orientação uma vez que será através deles que podemos visualizar o comportamento estético e funcional da prótese e neles serão registradas a dimensão vertical de oclusão (DVO) e a relação central (RC) do paciente. A denominação de "Planos de Orientação" deve-se a HANNAU. O plano de orientação superior é constituído pelo conjunto da base de prova e um arco (rolete) de cera. Destina-se a registrar os dados referentes às relações maxilo-mandibulares, necessários a confecção das próteses totais mucossuportadas, tendo como guia para sua confecção cinco parâmetros clínicos, sendo eles para o plano superior: 1- Suporte labial a) Limite vestibular do arco dental - projeção dos incisivos b) Forma do arco dental 2- Altura incisal Em média 2mm abaixo do tubérculo do lábio 3- Corredor bucal Relacionamento com linha intermaxilar 4- Plano de Camper (Trágus - asa do nariz) 5- Inclinação latero lateral Linha bipupilar O plano de orientação tem as seguintes utilidades: determinar a forma do arco, a disposição dos dentes, a forma dos dentes, ou seja, o posicionamento espacial tridimensional que os dentes selecionados ocuparão, tomando como referência inicial o posicionamento do incisivo central superior. Figura: Plano de orientação superior finalizado. Vista frontal e oclusal. Todas essas relações maxilo-mandibulares devem estar registradas no plano de orientação superior, tornando possível a confecção da futura prótese total superior com a estética e função adequadas. Para a confecção do rolete de cera do plano de orientação superior, são necessários os seguintes materiais: 1 e 1/2 lâminas de cera rosa nº 7 Espátula Le Cron Espátula para cera no 31 Lâmpada de Hannau ou similar Vaselina sólida Técnica de confecção: sequência laboratorial Plastificar 1 (ou 1 e meia) lâmina de cera sobre a chama / dobrar a lâmina em "sanfona" / obter um rolete de cera plástica / dobrar o rolete ao meio para aumentar a espessura e diminuir o comprimento / adaptar o rolete sobre a região do rebordo, na chapa de prova, dando a forma aproximada de um arco dental / fixar o rolete à chapa de prova por meio de cera fundida / ajustar o rolete, na sua porção oclusal, anterior e posterior, esboçando uma curva antero-posterior. Figura: Confecção do rolete de cera superior Figura: Rolete de cera superior finalizado Confeccionado o plano de cera e levado à boca do paciente verificaremos: 1- Suporte labial a) Limite vestibular do arco dental - projeção dos incisivos O reposicionamento correto dos músculos orbiculares é essencial para a recuperação estética do paciente edentado. Com esse objetivo, dois fatores igualmente importantes devem ser observados: (1) a compensação para a perda alveolar, na fase de moldagem, com o espessamento da flange labial da prótese; e (2) o contorno adequado do plano de cera para dar suporte à musculatura e facilitar a colocação dos dentes artificiais. Em alguns casos, a base da prótese deve ser engrossada para compensar uma reabsorção acentuada do rebordo remanescente. Por outro lado, a sobreextensão ou o excesso de espessura das bordas da prótese no flanco labial dá ao paciente a aparência de possuir um rolete de algodão por baixo do lábio. As inclinações dos dentes anteriores maxilares e mandibulares, em especial os incisivos centrais, são geralmente paralelas ao perfil do paciente devido às pressões que os lábios exercem sobre esses dentes durante o desenvolvimento. O suporte labial deve ser obtido com o objetivo de fazer com que os lábios acompanhem o perfil do paciente, o qual é determinado em tecido mole por três pontos: glabela, subnásio e mento. Assim, essa característica será trabalhada nos planos de cera fazendo-se acréscimos ou desgastes conforme a necessidade de projetar os lábios para frente ou para trás, para que fiquem harmônicos com o perfil do paciente. Fazendo essa projeção do plano de cera, os futuros dentes a serem montados, logicamente, se posicionarão de forma a ficarem mais projetados para vestibular, recuperando o suporte labial. É claro que essa projeção deve ater-se aos limites estéticos pois uma prótese com o plano de cera muito projetado a vestibular, resultará em uma prótese que trará ao paciente o aspecto não favorável esteticamente. Figura: Suporte labial dado pelo volume acrescentado de cera no plano de orientação b) Forma do arco dental A forma do arco dental, por sua vez, segue a forma facial do paciente, e também influencia no posicionamento do plano de cera. Arcos mais quadrangulares terão planos de cera que acompanhem essa disposição. O mesmo acontece para outros tipos de arco, sendo eles, triangulares e ovais. Figura: Forma de arcos dentais segundo Telles. 2- Altura incisal A altura incisal é a posição visível dos dentes com o lábio em repouso. É importante saber que, nos indivíduos dentados, o tubérculo do lábio superior pode ficar acima (20%), no nível (43,3%) ou abaixo (36%) da linha imaginária que passa pelas comissuras com os lábios em repouso. O tipo de lábio (respectivamente arqueado, reto ou caído) pode determinar diferenças no posicionamento e até na escolha do tamanho dos dentes artificiais. Em relação ao sexo, pode-se estimar que os homens apresentam uma média de 1,9 mm de exposição incisal, enquanto as mulheres esse valor é de 3,4 mm. Embora o posicionamento arbitrário do plano oclusal é de 1 a 2 mm abaixo do linha no lábioem repouso resulte num aspecto estético agradável, essa característica pode variar com a idade. Em pacientes mais idosos, o plano pode ficar um pouco mais alto, reproduzindo o desgaste natural dos dentes com a idade e acompanhando a flacidez do lábio. Isso faz com que o paciente mostre um pouco menos de incisivos ao sorrir, o que confere uma naturalidade ao sorriso. Figura: Altura do plano de orientação até o lábio inferior determina a altura incisal a) Linha alta do sorriso É dada pela altura máxima em que o lábio se dispõe em um sorriso forçado. Essa altura é então registrada no plano de orientação como uma linha reta, paralela ao plano oclusal. Em pacientes mais idoso, é comum dispor essa linha um pouco acima da altura máximo do lábio superior para evitar expor a área gengival da prótese quando o paciente sorrir com a prótese. Isso confere maior naturalidade ao sorriso, uma vez que pacientes idosos passam a exibir menos os dentes superiores e mais os dentes inferiores com o passar do tempo. Figura: Marcação a linha alta do sorriso no plano de orientação superior b) Linha do vermelhão do lábio inferior Os dentes naturais formam uma curva suavemente ascendente, que acompanha a borda superior do lábio inferior. Se por ventura o plano de orientação ficar maior na região posterior do que na região anterior, os dentes posteriores ficarão mais evidentes e os anteriores menos, causando prejuízos estéticos e funcionais ao paciente, sendo conhecido como sorriso invertido. Assim, o plano de cera deve acompanhar o lábio inferior do paciente quando ele sorri. Casos em que as tuberosidades maxilares estejam exageradamente aumentadas podem inviabilizar a obtenção de um resultado estético satisfatório. Se a queixa do paciente for referente ao aspecto estético desagradável que essa condição estabelece para a prótese, deve-se esclarecê-lo sobre essa limitação e a possibilidade de reduzir cirurgicamente as tuberosidades para conseguir o espaço necessário para posicionar os dentes com uma linha do sorriso adequada. Figura: Linha do vermelhão do lábio inferior, acompanha o lábio inferior e determina a curvatura do sorriso com ligeira ascendência para região posterior 3- Corredor bucal O corredor bucal é o espaço existente entre a superfície vestibular dos dentes posteriores e a mucosa interna da bochecha. É influenciado pela sombra da mesma, que altera progressivamente a iluminação dos dentes. É essencial para se criar um sorriso natural. É importante salientar que o corredor bucal é influenciado pela posição e inclinação dos caninos, mais precisamente a partir da distal, e só é visualizado posteriormente a estes. Figura: Marcação da linha dos caninos, que determina a posição da distal do canino superior e, também determina, no sentido posterior, o espaço chamado de corredor bucal. Figura: Linhas verticais determinando a linha dos caninos e setas determinando a localização do corredor bucal. a) Relacionamento com linha média Para se conseguir um arranjo harmônico dos dentes anteriores superiores com a face, devem-se posicionar os incisivos centrais superiores de forma a criar um ponto de apoio visual centralmente localizado dentro da fisiologia do ver. Esse ponto coincide com o contato proximal entre as faces mesiais dos incisivos centrais superiores. Em 70% dos indivíduos ocorre uma coincidência entre a linha média determinada pelos incisivos e uma linha imaginária que divide o filtro labial. Já a distância entre as comissuras, quando em dinâmica máxima é referência que permite situar a linha média centralizada em relação à cavidade bucal. É importante que a linha media seja traçada sempre vertical em relação ao plano oclusal para orientar o posicionamento dos longos eixos dos incisivos centrais superiores. Figura: Marcação da linha media no plano de orientação superior 4- Plano de Camper Orientamo-nos pelo plano de CAMPER, que uma linha estabelecida em tecido duro que passa bilateralmente pelo Pórium (borda superior do trágus) até a espinha nasal anterior (na altura da borda inferior da asa do nariz). Para o plano horizontal, a altura do arco, na região anterior, deve exceder o tubérculo do lábio em 2 mm. Já por posterior, dá-se uma inclinação arbitrária orientando a curva ântero-posterior em direção ao conduto auditivo do paciente. Obteremos uma curva totalmente arbitrária cuja única função será facilitar os desgastes posteriores (através do desgaste de Paterson). Assim, o plano oclusal da prótese a ser confeccionada deve ser paralelo ao plano de Camper. Somado a isso, o plano oclusal deve ser, no plano frontal, paralelo a linha bipupilar, também chamada de linha ou plano de Fox. A regra de fox é responsável por determinar esse posicionamento horizontal tanto do ponto de vista do plano sagital quanto do ponto de vista do plano frontal. O garfo central da regra de Fox deverá ser apoiado sobre o plano de cera dentro da boca para que as aletas laterais sirvam de orientação extrabucal para a inclinação do plano de referência. Esse plano deve ser paralelo ao plano de Camper, no ponto de vista sagital e, no ponto de vista frontal, paralelo a linha bipupilar. Figura: Plano de Camper (linha amarela pontilhada) paralelo a régua de Fox numa vista lateral 5- Inclinação latero lateral a) Linha bipupilar Figura: Linha bipupilar paralela ao plano de orientação b) Uso da régua de Fox Figura: Régua de Fox paralela a linha bipupilar, demonstrando o correto posicionamento latero lateral do plano de orientação em relação a face Resumo: Plano de orientação finalizado com marcação das linhas de referência:, Linha alta do sorriso, linha média, linha dos caninos , Corredor bucal. Figura: Plano de orientação superior finalizado com determinação das linhas de referência - média, alta do sorriso, caninos. 5.3 Plano de orientação inferior Para o plano de orientação inferior, devemos nos guiar através de um parâmetro fundamental para sua obtenção que é chamado de dimensão vertical. A dimensão vertical é dada pelo espaço inter-maxilar, em um indivíduo, no qual determina a posição da mandíbula, segundo o plano vertical. Há diversas dimensões verticais quanto as posições que a mandíbula ocupa, em relação à maxila, segundo um plano vertical. Figura: Planos de orientação superior e inferior relacionados Partindo do princípio que estamos construindo uma prótese total, portanto na ausência de dentes naturais, iremos determinar, dentro da variação ampla existente no espaço inter-maxilar, quanto desse espaço será ocupado pelos dentes artificiais e base da prótese. Para visualizar o problema, imaginemos que o paciente apresenta uma variação de espaço inter-maxilar, desde o contato dos rebordos alveolares até a abertura máxima, de 5 cm. Antes da perda dos dentes a variação desse espaço não era de 5 cm, mas sim dessa medida menos a longitude somada das coroas dentais. Por outro lado, devemos levar em consideração, que duranteseus dentes extraídos enquanto ainda eram jovens, por diversos motivos. Ao invés de tratamentos restauradores e conservadores, a extração dentária era o tratamento mais comum e acessível naquela época. Com o passar do tempo, houve uma grande difusão dos conceitos de higiene, preservação e prevenção, tanto pela ação governamental, bem como ações promovidas por organizações privadas, que, por meio de doações e recursos próprios, financiam trabalhos por todo o Brasil. Como exemplo temos o “Brasil Sorridente”, que é uma política do governo federal com o objetivo de ampliar o atendimento e melhorar as condições de saúde bucal da população brasileira. O “Instituto Sorrir Para a Vida” é uma organização não governamental criada para garantir o tratamento odontológico de pessoas com câncer e com deficiências, em situação de vulnerabilidade social. Já o “Dentista do Bem” é o principal projeto da TdB (Turma do Bem), e conta com o trabalho voluntário de cirurgiões-dentistas que atendem em seu próprio consultório crianças e jovens de baixa renda entre 11 e 17 anos, proporcionando-lhes tratamento odontológico gratuito até que completem 18 anos. Atualmente, é a maior rede de voluntariado especializado do mundo. De 1980 a 2010, no Brasil, houve expressiva redução no valor do CPOD da população. Nosso país apresentava uma prevalência muito alta de cárie dentária em 1980 (CPOD = 7,3), e passou para uma baixa prevalência (CPOD = 2,1) em 2010. As principais causas para esta redução foram o aumento no uso de compostos fluoretados na água de abastecimento, nos dentifrícios e na aplicação tópica dos dentes; maior acesso da população aos serviços odontológicos; aumento das ações de promoção de saúde e prevenção em saúde bucal. Gráfico retirado do artigo “Variação do índice CPOD do Brasil no período de 1980 a 2010” (Rev. bras. Odontol. 2015). Entretanto, mesmo com a redução do índice de CPOD, o edentulismo ainda afeta boa parte da população brasileira e mundial. Segundo o artigo “O edentulismo no Brasil: epidemiologia, rede assistencial e produção de próteses pelo Sistema Único de Saúde” publicado em 2016, 53,9% dos pacientes analisados entre 65 e 74 anos apresentam ausência total de dentes. Além disso, este artigo afirma que quanto maior a idade do paciente, maior sua perda dentária; e quanto menor sua escolaridade e sua renda, também há maior perda dentária. Porém, este índice de edentulismo considerável não ocorre apenas no Brasil, visto que um dado publicado em 2000 mostra que países considerados desenvolvidos como Finlândia e Inglaterra também apresentam uma quantidade considerável de indivíduos edêntulos, sendo 41 e 46%, respectivamente, para as mesmas faixas etárias (WHO Global Oral Health Data Bank and WHO Oral Health Country/Area Profile Programme, 2000). 1.2 Finalidades do tratamento "Na construção de próteses totais, o objetivo principal é a preservação dos rebordos alveolares; os objetivos secundários serão a eficiência mastigatória e a estética". TRAPOZZANO, V.R. (1959) "Devemos ter sempre em mente que o campo sobre o qual apoiamos nossos aparelhos protéticos, não é estável ou fixo, porém sujeito a contínuas alterações, no espaço e no tempo."- ALDROVANDI, C. (1960) As principais finalidades do tratamento com próteses totais são: 1- Restaurar a função mastigatória: sabe-se que, com a ausência dos dentes, a mastigação é prejudicada. Sendo assim, as próteses totais devem ter como finalidade devolver o conforto e a função mastigatória ao paciente, dentro das possibilidades e considerando as limitações do tratamento; 2- Restaurar as medidas e contornos da face segundo a estética: o paciente desdentado sofre algumas alterações no contorno facial, tais como redução da dimensão vertical, e consequentemente o aparecimento do chamado “perfil de polichinelo”. A confecção de próteses totais adequadas tem como finalidade restabelecer na medidas do possível as dimensões perdidas ao longo do tempo, e também melhorar outros contornos faciais, tais como o suporte labial e sulco naso-labial, por exemplo; 3- Corrigir os defeitos da fonética devido à perda dos dentes: além das outras condições já citadas, a perda dos dentes também causa alterações na fonética do paciente devido a dificuldade de pronunciar fonemas línguo-dentais e lábio-dentais. Uma prótese bem confeccionada conseguirá corrigir e melhorar este aspecto tão importante; 4- Restaurar sem produzir lesões ao paciente: este conceito é fundamentalmente biológico, pois é essencial que nossas próteses, ao restaurar algumas funções, não prejudiquem outras além de manter tecidos bucais saudáveis. 1.3 Desafios e índice de satisfação Um dos grandes desafios no tratamento com prótese total é a expectativa do paciente, pois muitas vezes o paciente associa o tratamento com prótese total a um artesanato: ele acredita que o dentista toma as medidas, prova e entrega a prótese. É dever do cirurgião-dentista desconstruir esta ideia dos pacientes, explicando com cautela e paciência as limitações, os procedimentos, e adequando suas expectativas ao tratamento. A adaptação de uma prótese é difícil, e o profissional deve ser claro e realista para explicar ao paciente que não é uma questão de material, mas sim, um tratamento biológico. Neste tratamento, várias modificações ocorrem e o paciente precisa entender que as próteses totais devem ser substituídas em um prazo médio de cinco anos. As causas mais frequentes de falhas das Próteses Totais são: 1- Comprometimento psíquico; 2- Estudo prévio insuficiente e/ou mau preparo da boca; 3- Pouco cuidado na tomada das impressões (moldagens); 4- Falha no estabelecimento da OC; 5- Pressões desequilibradas quando da tomada dos registros; 6- Falha na delimitação das bordas; 7- Nível oclusal incorreto; 8- Estética insuficiente; 9- Falhas no ajuste oclusal e desgastes. ROWE, A.T. (1935) Prognóstico Baseia-se na coleta de todos dados citados. O prognóstico deve ser informado ao paciente para que ele saiba das limitações da prótese, antes mesmo da confecção da mesma. "Como alguém pode esperar, preparar seu paciente psicologicamente e acompanhá-lo durante o período de sua volta à normalidade, sem o profundo conhecimento da anatomia, fisiologia e patologia envolvidas?".MONSON, G.S. (1922) O prognóstico está diretamente ligado ao perfil psicológico do paciente, que pode ser dividido em receptivo, cético, histérico, e indiferente. O paciente receptivo geralmente é calmo, equilibrado, motivado e confia no profissional. O prognóstico para este paciente tende a ser favorável, pois por mais que tenha uma certa dificuldade no caso, ele é colaborativo e entende as limitações do tratamento. O paciente cético é sistemático e de difícil satisfação, aquele que tenta comandar o tratamento. Neste caso, o prognóstico é duvidoso, pois o paciente geralmente não confia no profissional como deveria, subestimando seu conhecimento. Já o paciente histérico é inquieto e nervoso, geralmente tem saúde bucal precária e tem histórico de já tero tempo que mediou entre a avulsão dos dentes e a confecção da nova prótese, houve reabsorção óssea alveolar, em maior ou menor intensidade. O que ocorre, em realidade, não é o fato do paciente abrir mais a boca; ele fecha mais. Em outras palavras, a mandíbula ultrapassa aquela posição onde haveria os contatos dentais (dos dentes naturais) e continua em sua trajetória até o contato dos rebordos alveolares ou dos dentes artificiais da prótese. Havendo tantas dimensões verticais quanto as posições que a mandíbula possa assumir no plano vertical, podemos relacionar uma determinada dimensão vertical a um determinado espaço intermaxilar, ou espaço interoclusal. Será necessário determinar em que ponto (ou em que dimensão vertical) deverá haver o contato dos dentes artificiais; onde vamos limitar o fechamento. Como não se tem um padrão que englobe todos os indivíduos, mesmo por que as variações são amplas, lança-se mão de medidas de posições de equilíbrio muscular onde não haja variações em um mesmo indivíduo, embora variem de indivíduo para indivíduo. Assim sendo, baseando-se na Fisiologia, sabe-se que existe um estado (uma posição) em que os músculos elevadores e abaixadores da mandíbula se encontram em equilíbrio. Quando nessa situação diz-se que os músculos estão em "tônus". Quando os músculos elevadores e abaixadores da mandíbula, encontram-se relaxados e em equilíbrio, diz-se que estão em relação de tônus muscular. Essa é uma situação fisiológica que confere uma localização definida para a mandíbula, para uma determinada posição da cabeça. O tônus muscular manteria a mandíbula em equilíbrio, em uma determinada posição em relação a maxila, posição essa de mínimo esforço muscular, em que a contração dos músculos elevadores compensa a contração dos músculos abaixadores e o peso da mandíbula. Essa posição é conhecida como posição de repouso da mandíbula. A medida dessa posição em relação à maxila chamamos de dimensão vertical de repouso (DVR). A posição neuro-muscular dos músculos mastigadores é chamada de condição postural da mandíbula. Figura: Musculatura em repouso, determinando a dimensão vertical de repouso. A DVR diz respeito a uma medida em relação à maxila e segundo um plano vertical. Já a posição de repouso da mandíbula, diz respeito à sua posição espacial derivada do tônus muscular. A condição ou posição postural da mandíbula tem relação a atividade neuro-muscular, as articulações e ao esqueleto da face. Como vimos anteriormente, procuramos localizar, quando e onde os dentes artificiais devem se tocar, durante o arco de fechamento mandibular. Essa posição foi perdida quando ocorreu a avulsão dos dentes naturais. A subsequente reabsorção óssea alveolar alterou de tal forma os rebordos que qualquer medida se torna totalmente arbitrária. Para NISWONGER(1934) & GILLIS(1941), a verdadeira dimensão vertical da face existe quando os dentes estão separados e a mandíbula encontra-se em posição de repouso. Já SICHER(1954/65); BRODIE(1941) & THOMPSON (1946), concordam que "severa patologia, trismo muscular extremo ou diminuição geral do tônus muscular, podem ocasionar alterações na posição de repouso normal". Outros autores, MOYERS (1946/50/56); PRUZANSKY (1952); CARLSOO (1952); PERRY JR. & HARRIS (1954); PERRY JR (1955); SCHUPUNTOFF & SCHPUNTOFF (1956), acreditam que a posição de repouso ou equilíbrio mandibular é determinada somente pelos reflexos musculares e altamente resistente às alterações que ocorrem ao nível dos dentes. Segundo RICKETTS (1956), a função do sistema proprioceptivo (ATM, membrana periodontal e periósteo) são elementos coadjuvantes no estabelecimento e manutenção da posição de repouso mandibular. Já para HEARTWELL JR (1977), "a posição de repouso é estável e não pode ser alterada permanentemente por tratamentos protéticos". Independente da descrição dos autores perante a posição mandibular. a fisiologia fornece uma informação importantíssima: o conceito de espaço funcional livre (ou Espaço Interoclusal). Para facilitar a compreensão, analisa-se o indivíduo dentado. É possível notar que quando a mandíbula está na posição de DVR, os dentes antagonistas não se tocam. Quando se inicia a atividade muscular, a mandíbula se movimenta para cima, percorre esse espaço e há o contato dos dentes antagonistas. Após a dinâmica, há um retorno à posição de repouso e, novamente presenciamos um espaço entre os dentes. Assim, ao espaço presente entre os dentes antagonistas, quando a mandíbula está em repouso é dado o nome de espaço funcional livre (EFL). O espaço funcional livre mede, na altura dos incisivos, 1 a 5 mm. Segundo LANDA a média desse espaço é da ordem de 3,3 mm. Através dos conceitos de DVR e de EFL, é necessário determinar em que posição da DV os dentes se tocarão, quando entrarem em oclusão. Em outras palavras, é necessário determinar uma medida da altura das coroas dos dentes artificiais mais a espessura das bases das próteses totais, que se dá pela dimensão vertical de oclusão (DVO) do paciente em questão. Denomina-se DVO à relação maxilomandibular, segundo o plano vertical, quando há o contato entre os dentes antagonistas. Sabe-se que a DVR é dada exclusivamente pelo tônus muscular e, portanto, independe da presença de dentes. Medindo a relação inter-maxilar nessa situação e levando em conta que entre a posição de DVR e a posição de DVO existe o EFL (que mede cerca de 3 mm); subtraindo a medida obtida da DVR, a medida do EFL, obteremos a medida da DVO. Equacionando: DVO = DVR – EFL Figura a: EFL (seta pequena - músculos em tônus muscular) - a altura facial, nesse caso, determina a DVR (seta grande). Figura B: Dentes em oclusão (músculos em atividade muscular) - a altura facial, nesse caso, determina a DVO (seta grande). Assim, DVR – EFL = DVO. Evidentemente podem ocorrer variações no tônus muscular de um paciente com o correr do tempo. Essas variações de tonicidade muscular podem vir a afetar tanto o EFL quanto (e como consequência) a DVR. O valor que é utilizado para EFL é relativo, sendo uma média (portanto arbitrária). A determinação desse espaço tem sido objeto de inúmeras pesquisas, envolvendo eletromiografia dos músculos elevadores e abaixadores da mandíbula. No entanto, ainda carecem de praticidade para sua utilização na clínica. Porém, baseados nesses conceitos, pode-se determinar "in-loco", a posição espacial da mandíbula em relação a maxila, e por meio de uma série de testes a melhor posição para cada caso, naquele momento. "Apenas a musculatura com seu padrão de crescimento, em conjunto com o padrão de crescimento esquelético, pode ser responsabilizada pela manutenção da posição mandibular". Conclui-se, das investigações de BRODIE & SARNAT (1942) que os músculos inseridos na mandíbula e não os dentes, determinam a posição mandibular. Determinação da Dimensão Vertical THOMPSON (1946) realizou uma série de medidas faciais em pacientes, levando em consideração o desenvolvimento da face desdeo nascimento até a idade adulta. De seus trabalhos conclui-se que: 1- A DVR é imutável e independe da presença de dentes. 2- A DVO instala-se aos 3 meses de vida. Posteriormente DUNCAM e WILLIAMS, com auxílio de RX, procuraram demonstrar que com a perda dos dentes há uma variação na DVR. Segundo esses autores a DVR de um indivíduo desdentado é menor que quando dentado. Atualmente, é levado em consideração os fatores fundamentais da articulação temporomandibular, suas relações intrínsecas e o conjunto ATM / mandíbula / dentes, sendo considerado que a DVR é imutável em determinada faixa da vida do paciente embora possa sofrer alteração durante toda a vida do paciente. É preferível valer-se do conceito de condição postural da mandíbula ao de DVR, embora para a finalidade e com os recursos de que se pode dispor, a utilização da DVR é útil e propicia meios práticos (embora um tanto empíricos) de trabalho. THOMPSON (1946) afirmou que "tem sido aceito, por muitos anos, que o relacionamento da mandíbula com a maxila é inteiramente dependente do entrosamento dos dentes em oclusão (sic). O efeito desses ensinamentos resulta na aceitação universal de que os dentes contribuem para o comprimento da face." Métodos de determinação da DVR O registro da DV compreende: 1. Aspecto estético; 2. Conforto fonético - fonemas bilabiais, labiodentais e palatolabiais; 3. Capacidade funcional da PT; 4. Conservação do osso de sustentação; 5. Integridade das ATM - KLEIN, P (1962) Pode-se dividir as várias técnicas de determinação da DV em dois grupos principais: 1º grupo: determinação do DVO diretamente. 2º grupo: determinação da DVR e, a partir desta, a DVO. Dentre os métodos de determinação, pode-se citar COMO HISTÓRICO (Tamaki 1983): Diretos: Método de BOOS ou da potência muscular. Método de MONSON ou da deglutição. Método da máscara facial (ainda com dentes). Método fotográfico de WRIGHT (medidas fotográficas). Método do compasso de Willis (Harmonia Facial) Indiretos: Método fotográfico de WRIGHT (medidas fotográficas). Método de paralelismo dos rebordos de SEARS. Método da aparência facial ou de FOX. Método do repouso muscular de GERSON MARTINS. Método proporcional de BRODIE THOMPSON. Método fonético de SILVERMAN. Infelizmente não se pode utilizar apenas um método de determinação da DV como sendo único e definitivo. Todos os métodos têm suas falhas e baseiam-se ou em uma observação estritamente pessoal, sendo portanto, variável de profissional para profissional, ou através de medidas obtidas, usando referências altamente variáveis sobre a pele do paciente e assim, sujeitas a variações. Utiliza-se como observação primária o método direto de Willis ou do Compasso de Willis que, segundo esse autor, a partir da mensuração de uma distância que vai da comissura palpebral à comissura labial do indivíduo, a medida obtida seria próxima a DVO daquele indivíduo. Figura: Método direto de determinação da DVO através do uso do compasso de Willis A seguir utiliza-se um método indireto (deglutição e repouso) que mede a posição maxilomandibular do paciente imediatamente após executar uma deglutição vazia (momento em que a mandíbula alcança uma posição de repouso, ou seja, de tônus muscular), e faz-se sucessivas mensurações desta, a fim de obter-se uma média do que seria a DVR. Obtendo a DVR, subtrai-se o EFL e obtêm-se a DVO, conforme a equação explicada anteriormente. Após a determinação da DVO, o ajuste do plano de cera inferior deve ser feito em concordância com o plano maxilar, obtendo um contato constante em toda a extensão, entre ambos planos de cera. Posteriormente para refino desta determinação será utilizado o Método Fonético ou de Silverman onde o paciente irá praticar a fonética pronunciando fonemas que permitam a observação do Espaço Funcional de pronúncia EFP que é muito próximo do EFL, Usualmente os melhores fonemas para observação do EFP são os fonemas sibilantes , que possuam "S": Mississipi, Sapato, Sessenta e seis..... ASPECTOS IMPORTANTES: 1- Para a confecção do plano de orientação inferior é necessário que o plano superior esteja completamente finalizado. 2- A DVO inicial deve ter sido determinada pelos métodos anteriormente descritos. 3- Recomenda-se realizar o rolete na presença do paciente e, enquanto acera estiver ainda plástica inserir na boca pedindo ao paciente que feche lentamente a mandíbula até a medida de DVO pré determinada. 5.4 Questões: 1- Quais as características clínicas e laboratoriais do plano de orientação superior e inferior? 2- O que o plano de orientação superior e inferior determinam? 5.5 Referências 1. CERVEIRA NETTO, H. Prótese Total Imediata. São Paulo,Pancast Editorial, 1987. 2. TAMAKI T. Dentaduras Completas. 4ª ed. São Paulo: Sarvier, 1983. 3. Telles, T. Prótese Total Convencional. Rio de Janeiro: Editora Santos, 2013. 6. Montagem em Articuladores 6.1 Articuladores O articulador é um aparelho destinado à fixação dos modelos, a registrar as relações intermaxilares e a reproduzir os movimentos mandibulares de interesse protético (Tamaki, 1983). Consta, basicamente, de um corpo cuja função é manter o espaçamento entre duas hastes ou ramos horizontais, às quais serão fixados os modelos. As hastes ou ramos horizontais representam a maxila e a mandíbula do paciente que são articuladas entre si, por meio de um dispositivo, que representa a articulação temporomandibular (denominado de guia condilar). Há vários tipos de articuladores, cada qual baseado em um conceito ou Escola de Oclusão. Basicamente podemos dividir os articuladores em três tipos: 1- Articuladores não ajustáveis (charneiras) (fig. 1): são instrumentos que reproduzem exclusivamente o movimento de abertura e fechamento. São os instrumentos mais simples, no entanto, em muitos casos é necessária a realização de muitos ajustes, quando da prova das próteses no paciente. Figura 1: Articulador não ajustável (charneira). 2- Articuladores semi-ajustáveis (fig. 2): são instrumentos em que a articulação dos ramos com o corpo é feita por meio de um dispositivo que representa a articulação temporomandibular. Esses instrumentos permitem, além do movimento de abertura e fechamento, movimentos de lateralidade e protrusão. São instrumentos em que podemos regular as relações maxilo-mandibulares individuais, do paciente. O instrumento mais difundido é o articulador semi-ajustável, tipo arcon, com distância intercondilar regulável em três posições (pequena, média e grande); apresenta guias condilares ajustáveis (entre 0º e 60º quanto à trajetória sagital do côndilo e entre 0º e 25º quanto ao ângulo de Bennett), pino guia incisal graduado milimetricamente e plataforma incisal fixa. Figura 2: Elementos constituintes do articulador semi-ajustável. 3- Articuladores totalmente ajustáveis (fig. 3): Esses instrumentos permitem em maior grau a regulagem da inclinação do plano oclusal, distância intercondilar, inclinação da guia condilar, ângulo de Bennett e ângulo de Fischer. Figura 3: Articulador totalmente ajustável. 6.2 Montagem do modelo superior Os articuladoressemi-ajustáveis e totalmente ajustáveis possuem um dispositivo denominado arco facial (fig. 4) cuja finalidade é determinar e transferir o eixo intercondilar, a distância intercondilar e o ângulo do plano oclusal, do paciente para o articulador. O arco facial relaciona a maxila do paciente à "maxila" do articulador, transferindo o modelo maxilar, que será a referência de montagem do modelo mandibular. Figura 4: Elementos constituintes do arco facial. O arco facial possui as seguintes funções: ● Fornece o posicionamento da maxila em relação à base do crânio; ● Realiza a transferência do eixo de rotação da mandíbula para o articulador; ● Determinação da distância intercondilar; ● Suporte para a montagem do modelo superior; ● Determinação da distância côndilo/incisivo. Há várias técnicas de montagem dos modelos em articulador e cada articulador apresenta características específicas que dependem do número de registros disponíveis e acessórios incorporados. Entretanto, a maioria dos articuladores em uso atualmente, segue a teoria de eixo terminal de rotação, o que faz com que as técnicas de montagem sejam muito semelhantes entre si. De posse da base de prova superior com rolete de cera já montado, adapta-se a forquilha do arco facial ao rolete, utilizando cera 7 (fig. 5). Dessa forma, a forquilha fica unida temporariamente ao plano de orientação superior. O conjunto é levado à boca do paciente de modo que ele se encaixe sobre o rebordo alveolar (fig. 6). Figura 5: Adaptação do rolete de cera na forquilha. Figura 6: Posicionamento da forquilha e plano de orientação superior à boca do paciente. O paciente deve manter a forquilha na mesma posição, apoiando os polegares de encontro à maxila (fig. 7). Então, o arco facial é levado até o paciente e é introduzido o conjunto de fixação na haste da forquilha. Em seguida, com delicadeza, adapta-se as olivas do arco facial no conduto auditivo externo do paciente. Figura 7: Suporte da forquilha pelo paciente. O relator nazium é fixado na barra transversal do arco, de modo que o mesmo fique bem centrado e apoie-o na glabela do paciente. Neste momento, as olivas devem ser posicionadas o mais internamente possível no conduto auditivo do paciente e o relator nazium deve ser pressionado de encontro ao paciente e seu parafuso de fixação apertado (fig. 8). Em seguida, os três parafusos de fixação do arco facial devem ser apertados. Figura 8: Posicionamento do arco facial. A Distância Intercondilar (espaço entre os côndilos) do paciente é determinada observando-se as marcas situadas na porção anterior do arco facial. Há três números separados por riscos de referência (1, 2 e 3), que correspondem respectivamente às distâncias intercondilares pequena, média e grande (fig. 9). Quando um risco de referência ficar alinhado com o indicador da distância intercondilar, adote sempre a menor distância para este paciente. Esta informação deve ser anotada na ficha do paciente, para posterior ajuste do articulador. Figura 9: Distâncias intercondilares no arco facial. Com o relator nazium e o arco apertados, posiciona-se o arco para que coincida com o plano de Frankfurt (trágus – forame infraorbital). O plano de Frankfurt é uma linha que vai do ponto mais alto do meato acústico externo até o ponto mais baixo da margem infraorbitária (fig. 10). Ele forma com o plano de Camper um ângulo de aproximadamente 15 graus e serve para orientar quanto a montagem em articulador semi-ajustável. Figura 10: Ilustração do Plano de Frankfurt e Plano de Camper. Em seguida aperta-se o parafuso da haste vertical e depois o parafuso da articulação dupla (haste horizontal) de modo que a forquilha fique em um ponto onde haja menor indução de tensão sobre sua haste (fig. 11). Neste momento, para a verificação do acerto do registro, pede-se ao paciente que solte os polegares do garfo de mordida, devendo permanecer o mesmo sem báscula e o arco facial fixo. Figura 11: Posição final do arco facial. Feito isto, afrouxa-se os parafusos laterais e central da parte superior do arco e todo o conjunto é removido cuidadosamente do paciente, de modo a não alterar a posição registrada. O passo seguinte consiste em transferir ao articulador o plano de orientação com o modelo sobreposto à base de prova. Para montar o modelo superior no articulador, inicialmente ajusta-se a distância intercondilar do mesmo, bastando para isso que cada um dos elementos condilares seja adaptado na abertura correspondente, de acordo com a distância intercondilar do paciente, como registrado com o arco facial (fig. 12 e 13). Figura 12: Ajuste da distância intercondilar no ramo inferior do articulador. Figura 13: Ajuste da distância intercondilar no ramo superior do articulador. A seguir, deve-se ajustar as guias condilares em 30º e as guias para o movimento de lateralidade ( ângulo de Bennett ) em 15º (fig. 14). Figura 14: Inclinação da guia condilar e ângulo de Bennett. Posiciona-se o modelo de trabalho superior, com retenções e previamente hidratado, sobre o plano de orientação fixado ao garfo e verte-se o gesso para fixação do modelo com a placa de montagem do articulador (fig. 15 e 16). Aguarda-se a presa do gesso para remoção do arco facial. Figura 15: Aplicação do gesso sobre a base do modelo superior e na placa de montagem. Figura 16: Modelo superior montado em articulador. ** outra opção que antecede a aplicação do gesso sobre a placa e o modelo denomina-se método “Split-Cast”, neste método faz-se alguns desgastes na base do modelo de trabalho para servir de guia e isolamento na superfície do mesmo, com vaselina, previamente a aplicação do gesso, isto possibilitará que futuramente este possa ser removido do articulador sem prejuízo da posição determinada com o arco facial e possibilitará realizar ajustes oclusais na prótese acrilizada antes de ser instalada. 6.3 Curva individual de compensação Ao observar a disposição dos dentes nos arcos é possível notar a inclinação dos seus longos eixos que determinam uma curvatura para o plano oclusal e esta curvatura está intimamente relacionada à inclinação da fossa mandibular, de maneira que os dentes possam estar atuando de modo a preservar as estruturas e manter a função. Dessa maneira, nomeiam-se algumas curvas do plano oclusal. - Curva de Spee (fig. 17): curva ântero-posterior ascendente, que inicia na ponta de cúspide do canino e se estende às curvas vestibulares dos pré-molares e molares inferiores. Figura 17: Demonstração da curva de Curva de Spee. - Curva de Monson (fig. 18): observada pelo plano frontal, na qual estabelece uma projeção da calota de uma esfera com a concavidade voltada para cima. Figura 18: Demonstração da curva de Curva de Monson. - Curva de Avery ou Anti-Monson (fig. 19): curva inversa a de Monson. Figura 19: Demonstração da curva de Avery ou Anti-Monson. - Curva em zero ou neutra de Graty (fig. 20): curva com inclinação próxima a zero. Figura 20: Demonstração da curva em zero ou neutra de Graty. Cada paciente podepossuir algum tipo de curva de compensação, e independentemente de seu ângulo é possível concluir que ela está intimamente relacionada com as inclinações das paredes internas da fossa e com a amplitude do movimento de Bennett. Ao analisar a oclusão do indivíduo dentado, em um movimento protrusivo mandibular é possível verificar a ocorrência de um espaço entre os dentes posteriores, chamado Espaço de Christensen (fig. 21). E esse fenômeno em que ocorre o abaixamento da mandíbula em movimentos extrusivos, causado pela ATM, na qual há deslocamento da cabeça da mandíbula dentro da fossa mandibular para frente e para baixo, é chamado de Fenômeno de Christensen. Figura 21: Ilustração do Espaço de Christensen. Se esta situação ocorrer em um indivíduo desdentado portador de próteses totais a inexistência de contatos dentais posteriores durante a movimentação excêntrica mandibular cria uma alavanca que tende a deslocar a prótese levando à falha. Assim, estas inclinações devem ser compensadas para não criar esse espaço interoclusal (Espaço de Christensen) e para que os planos de orientação, e futuramente os dentes, estejam em íntimo contato durante a movimentação mandibular excêntrica (fig. 22). Para isso, podem ser usados alguns métodos em prótese total para se obter a curva individual de compensação. Figura 22: Ilustração de próteses totais em boca sem o Espaço de Christensen. Há, basicamente, dois métodos para a obtenção da curva individual de compensação: 1 - Método mecânico 2 - Método fisiológico 1 - Método mecânico: Como o próprio nome diz, baseia-se na utilização de um instrumento, no caso um articulador, com inclinações das guias condilares pré-fixadas em 33° (inclinação da trajetória sagital), para a montagem dos planos de cera e dos dentes. Esse método foi desenvolvido por GYSI e preconizado WALKER e HANNAU. 2 - Método fisiológico, introduzido por PATERSON (1923): Nesta técnica comumente conhecida como DESGASTE DE PATERSON, utiliza-se os planos de cera, colocados em posição na boca do paciente e recobertos em suas superfícies de contato com uma mistura abrasiva (fig. 23 e 24). Solicita-se, ao paciente, que execute os movimentos de lateralidade e protrusão, com os roletes em íntimo contato (fig. 25). Haverá um desgaste das superfícies dos roletes em contato, desgaste que fornecerá uma curva ântero-posterior e outra curva vestíbulo-lingual. O movimento (consequentemente o desgaste) continua até atingir a DVO própria do paciente (fig. 26). Por este método obtém-se as curvas individuais do paciente, que segundo o autor, são a realização material das diversas posições mandibulares no espaço. Figura 23: Abertura da canaleta para o material abrasivo. Figura 24: Aplicação do material abrasivo sobre o rolete de cera. Figura 25: Execução do desgaste de Paterson. Figura 26: Verificação da DVO após o desgaste. 6.4 Relação Central A Relação Central (RC) possui diversas definições dadas por filosofias distintas. A "Academia de Prótese Dental Americana" define a Relação Central com a posição mais retrusiva e não forçada ocupada pelas cabeças da mandíbula na fossa mandibular e a partir da qual a mandíbula pode descrever os movimentos de abertura e lateralidade livremente. Segundo DAWSON (1993): “É a relação da mandíbula com a maxila, quando conjunto côndilo disco estão alinhados numa posição mais superior contra a eminência articular, independente da posição de dentes”. Assim, a Relação Central diz respeito ao estudo da posição mandibular inicial e é relativa à posição ocupada pelos cabeças da mandíbula nas cavidades glenoides. Posição de Relação Central, ou simplesmente Relação Central da mandíbula, seria aquela posição ocupada pela mandíbula, em relação à maxila, quando os cabeças da mandíbula estiverem na posição retrusiva e não forçada, no interior das cavidades glenóides. Compreende-se que será a partir dessa posição que terão início os movimentos mandibulares e será a essa posição que a mandíbula retornará, ao término dos movimentos. A posição de Relação Central será, portanto, o ponto inicial e terminal dos movimentos excêntricos da mandíbula. Compreende-se que a situação de RC corresponde à posição de máximo equilíbrio articular. Não há tensões nem trações entre os componentes da ATM, havendo, concomitantemente, equilíbrio entre os músculos da mastigação. Seria uma posição de máximo equilíbrio do sistema, tanto neuromuscular, quanto articular. Como estudado anteriormente sobre a Dimensão Vertical, o intuito é posicionar a mandíbula em relação à maxila. A localização da mandíbula, segundo o plano vertical, é feita utilizando os conceitos já expressos de Dimensão Vertical. A localização e consequente posicionamento no plano horizontal será conseguido por meio dos métodos e conceitos relativos à Relação Central. Sendo a mandíbula um osso rígido, com dois pontos de apoio, as cabeças da mandíbula que se articulam com o crânio através das fossas mandibulares e componentes articulares, uma vez conhecidas e determinadas as posições iniciais e terminais das cabeças da mandíbula dentro das fossas mandibulares (ATM) teremos localizada a posição inicial da mandíbula, segundo o plano horizontal nos sentidos antero/posterior e latero/lateral. Da interação dessas posições relativas (DVR e RC) obteremos o posicionamento da mandíbula, em relação à maxila, no espaço. - Registro da posição de Relação Central: DAWSON (1993) descreveu a técnica da manipulação bilateral para obtenção da Relação Central. A cadeira deve ser posicionada com o encosto reclinado para permitir ao paciente ficar deitado de maneira confortável. 0 profissional deve se posicionar atrás do paciente. A cabeça não deve se movimentar durante a manipulação da mandíbula. O paciente deve ser orientado a inclinar sua cabeça para trás a fim de eliminar a tendência de protrusão da mandíbula e o profissional deve posicionar os polegares sobre a sínfise mentoniana e os demais dedos sob o ramo mandibular. Já RAMFJORD (1996) descreveu um método para obtenção da RC pela manipulação unimanual do mento. O paciente deve ser reclinado na cadeira numa angulação de 30° a 45°, então coloca-se a mão direita no queixo do paciente com os dedos indicador e médio sob a mandíbula e o polegar deve ser colocado sobre a sínfise mentoniana (fig. 27). Em ambas as técnicas (com duas ou uma mão), de maneira delicada, a mandíbula deve ser aberta e fechada alguns milímetros diversas vezes, com os planos de orientação superior e inferior em boca. Quando a mandíbula movimentar livremente, aplica-se uma pressão firme pelos polegares para baixo e os demais dedos para cima, deslocando os côndilos para cima e os mantendo nesta posição. Então, com o auxílio de uma pinça, deve-se aquecer levemente os grampos e fixá-los nos roletes de cera superior e inferior, tendo o cuidado para não alterar as suas posições (fig. 28 e 29). Esse registro deve ser feito tanto do lado direito como do lado esquerdo, próximo às comissuras labiais para promover estabilidadeno conjunto. Depois disso, cuidadosamente, remove-se todo o conjunto da boca (roletes de cera superior e inferior unidos com os grampos) (fig. 30), e posiciona-se no modelo superior já montado em articulador, para assim montar o modelo inferior. Figura 27: Manipulação unilateral em RC. Figura 28: Posicionamento do grampo metálico para fixação dos roletes de cera. Figura 29: Roletes superior e inferior fixados em RC. Figura 30: Registro da relação maxilo-mandibular. 6.5 Montagem do modelo inferior Após obter o registro da Relação Central, realiza-se a montagem do modelo de trabalho inferior em articulador, visto que nesta etapa já foi possível registrar a posição da mandíbula em relação à maxila tanto no sentido vertical, pela DV, quanto no sentido horizontal, pelo registro da RC. Dessa maneira, o pino guia do articulador deve ser regulado em 0 (fig. 31) e o articulador posicionado de forma inversa, ou seja, com o ramo superior voltado para baixo. Então, o conjunto dos roletes de cera registrado em RC deve ser posicionado no modelo superior, já montado em articulador, e o modelo inferior previamente hidratado e com retenções deve ser posicionado sobre o conjunto (fig. 32). Então deve-se manipular o gesso e verter sobre o modelo para fixação do mesmo com a placa de montagem do articulador (fig. 33 e 34). Aguarda-se o tempo de presa do gesso para seguir para a próxima etapa. Figura 31: Regulagem do pino guia em 0. Figura 32: Posicionamento dos planos de orientação fixados em RC no modelo superior do articulador. Figura 33: Aplicação do gesso sobre a base do modelo inferior. Figura 34: Modelo inferior montado em articulador. Em prótese total, utiliza-se o método desenvolvido por GYSI, também conhecido como método do ARCO GÓTICO DE GYSI COM O REGISTRO EXTRA-ORAL para conferir se a posição registrada da RC pelo método de manipulação foi correta. Esse método baseia-se no seguinte princípio: Sabe-se que toda a vez que a mandíbula executa um movimento de lateralidade, esse movimento tem início na posição de RC e retornará a essa posição. Então, fixa-se uma pua escritora no rolete maxilar (parte fixa do sistema) e uma placa de registro ao rolete mandibular (parte móvel do sistema) (fig. 35). Aplica-se uma cera azul sobre a placa (fig. 36) e solicita-se ao paciente, movimentos de lateralidade e protrusão, obtendo assim um traçado (da pua inscritora sobre a plataforma móvel) que representa as trajetórias mandibulares, de seu ponto inicial ao seu ponto terminal (fig. 37). Esse registro, por se apresentar em forma de ponta, recebeu o nome de: arco gótico. As vertentes do "arco gótico" são o resultado da inscrição dos movimentos laterais. A bissetriz do traçado, será o resultado da inscrição do movimento protrusivo (projeção) da mandíbula. O comprimento de cada traço, corresponde à extensão daquele movimento. O ângulo do registro corresponde ao raio do arco do movimento (distância ao côndilo de apoio). E o ponto em que os traços se cruzam, no vértice do arco gótico (fig. 38), corresponde à posição inicial e terminal dos movimentos, portanto: RELAÇÃO CENTRAL. Depois disso, semelhantemente ao procedimento realizado anteriormente, fixa-se grampos metálicos de acordo com a posição registrada pelo registro extra-oral e posiciona-se o conjunto novamente no articulador (fig. 39 e 40). Caso a posição seja semelhante à tomada anteriormente, a montagem está correta. Mas caso a posição não seja a mesma, deve-se remontar o modelo inferior de acordo com o registro extra-oral. Figura 35: Pua escritora posicionada no rolete superior e placa de registro no rolete inferior. Figura 36: Aplicação de cera azul na placa de registro. Figura 37: Traçados representando a trajetória mandibular. Figura 38: Vértice do arco gótico, relação central. Figura 39: Conjunto fixado de acordo com registro extra-oral. Figura 40: Reposicionamento dos planos de orientação no articulador para verificação da montagem. 6.6 Individualização do articulador Essa etapa tem por finalidade obter o máximo rendimento do articulador, facilitando a confecção de próteses com exatidão e diminuindo o tempo gasto para a realização dos ajustes oclusais na boca. As inclinações das guias condilares e os ângulos de Bennett devem se aproximar das articulações temporomandibulares do paciente, visto que o registro de protrusão e lateralidade do paciente foi feito pelo Registro extra-oral e a curva individual de compensação. - Preparo do articulador prévio às individualizações Afrouxa-se ligeiramente o par de parafusos mais centrais da parte superior do articulador (parafuso da inclinação condilar) e ajusta-se os dois guias condilares a 0° (fig. 41). Afrouxa-se os outros dois parafusos situados mais lateralmente (parafuso de Bennett) e ajusta-se a inclinação em sua posição mais aberta de 30° (fig. 42). O pino guia incisal deve ser posicionado de modo que não toque na mesa incisal (em torno de 1mm) evitando qualquer interferência. Figura 41: Inclinações das guias condilares em 0°. Figura 42: Ângulos de Bennett posicionados em 30°. - Ajuste da inclinação condilar (parede superior) Após deixar a guia lateral de Bennett em sua abertura máxima (30°) e a guia condilar em 0°, realiza-se a protrusão de acordo com o registro extra-oral e verifica-se que o elemento condilar poderá estar afastado da sua guia. Então, afrouxa-se os parafusos de fixação e rotaciona-se as guias condilares para baixo, até que a parede superior toque o elemento condilar de cada lado do articulador e aperta-se os parafusos da inclinação condilar (fig. 43). Deve-se observar a leitura existente nas laterais do ramo superior do articulador, verificando assim a respectiva guia condilar do paciente, que inicialmente foi calibrada em 30° e que agora deve estar individualizada. Anota-se na ficha do paciente o valor encontrado para a sua inclinação condilar. Figura 43: Individualização da inclinação da guia condilar. - Ajuste da parede mediana (ângulo de Bennett) Após a individualização da guia condilar, realiza-se a lateralidade esquerda de acordo com o registro extra-oral e solta-se o parafuso de Bennett do lado oposto (direito), liberando o guia do movimento lateral. Na sequência, rotaciona-se esse guia até que toque a superfície medial do elemento condilar e aperta-se o parafuso correspondente (fig. 44). Assim é registrado e individualizado o ângulo de Bennett direito. Então, para individualizar o lado esquerdo, realiza-se os procedimentos explicados anteriormente. Deve-se realizar a lateralidade direita, seguindo o registro extra-oral e soltar o parafuso de Bennett do lado esquerdo, liberando o guia do movimento lateral. Rotaciona-se esse guia até que toque a superfície medial do elemento condilar e aperta-se o parafuso correspondente, individualizado assim o ângulo de Bennett esquerdo. Anota-se na ficha do paciente os valores encontrados para os ângulos de Bennett. Figura 44: Individualização do ângulo de Bennett. Dessa maneira, obtém-seos modelos de trabalho do paciente montados corretamente e individualizados no articulador semi-ajustável. - Vamos recapitular todo o processo, para melhor entendimento: De posse das bases de prova, é confeccionado os roletes em cera e leva-se à boca do paciente. Verificadas a forma e posição, estes são ajustados em sua porção vestibular (estética da face e recuperação do perfil estético). Reconstrói-se a altura facial determinando a DVR e a DVO. Acrescentada a mistura abrasiva, solicita-se ao paciente, que execute os movimentos de lateralidade e protrusão com os planos em contato (desgaste de Paterson). Obtidas as curvas individuais de compensação, verifica-se, constantemente a DVO para evitar um desgaste excessivo. Essa verificação deve ser feita utilizando os vários métodos estudados. O passo seguinte é a determinação da RC: para tanto utiliza-se a manipulação do paciente em RC. Por meio de grampos metálicos, fixa-se os planos de orientação entre si. Dessa maneira são obtidas as bases de prova relacionadas tanto em DVO como em RC. A conferência dessa posição é realizada através do Registro Extra-Oral pelo método do arco gótico de Gysi. A posição de vértice do arco gótico, corresponde à RC. 6.7 Questões 1. Qual a importância da utilização do articulador para a confecção de próteses totais? 2. O arco facial é um item essencial para a montagem do modelo superior no articulador. Quais as consequências no resultado final podem ocorrer caso a tomada do arco facial seja executada de maneira incorreta? 3. O que é a curva individual de compensação? Explique quais os métodos para obtê-la. 4. Como se realiza a montagem do modelo inferior no articulador? 5. O que é a técnica de split-cast e quais as vantagens de utilizá-la? 6.8 Referências 4. TAMAKI T. Dentaduras Completas. 4ª ed. São Paulo: Sarvier, 1983. 5. PATERSON AH. Construction of artificial dentures. Dent Cosmos. 1923; 65:679-89. 6. DAWSON PE. Avaliação, diagnóstico e tratamento dos problemas oclusais. 2ª ed. São Paulo: Artes Médicas, 1993. p.33-62. 7. RAMFJORD, S. Oclusão. 4ª ed. São Paulo: Interamericana, 1996. p.50-55. 8. CERVEIRA NETTO, H. Prótese Total Imediata. São Paulo,Pancast Editorial, 1987. 7. Seleção e montagem de dentes artificiais Introdução Há 2.500 anos a.C., os fenícios e os egípcios utilizavam dentes humanos e de animais que, recortados, eram fixados, por meio de fios de ouro, aos dentes remanescentes. Durante séculos, os artesãos das cortes construíram "peças protéticas" utilizando marfim esculpido, procurando a forma e contorno de dentes naturais. Somente em 1597, GUILHERMEAU, tenta a confecção de dentes artificiais utilizando resinas naturais; no entanto, não obtêm resultados satisfatórios. Em 1774 um farmacêutico, DUCHATEAU, portador de dentadura artificial, tenta a confecção de dentes em porcelana, porém sua tentativa fracassa pela falta de conhecimentos anatômicos, na escultura e disposição dos elementos. Posteriormente Duchateau associa-se a um "dentista", DEBOIS CHEMANT, e dessa associação surgem as primeiras próteses totais artificiais em porcelana. Perseguido pela revolução francesa, Chemant refugia-se em Londres onde associa-se a ASH, criando uma indústria que subsiste até os nossos dias. Até então, os dentes artificiais eram apresentados em blocos sólidos de porcelana, sem nenhuma possibilidade de individualização. Somente em 1830, GUISEPPANGELO FONZI, dentista italiano, inventa os dentes isolados em porcelana, causando uma verdadeira revolução nas técnicas de construção de próteses. SAMUEL S. WHITE leva esses conhecimentos para os Estados Unidos da América, fundando, em 1844, a S.S.White e difundindo o uso de dentes artificiais em porcelana. Durante a 2ª guerra mundial, as pesquisas no campo dos plásticos deram origem à resina acrílica que passou a disputar, com a porcelana, o predomínio como material de confecção de dentes artificiais. Atualmente, graças ao desenvolvimento industrial, há um predomínio dos dentes em resina acrílica, frente aos dentes em porcelana. 7.1 Escolha de dentes (tipos de dentes) Podemos classificar os dentes artificiais segundo: 1- Material de confecção: a) Dentes em resina acrílica b) Dentes em porcelana 2- Desenho da face oclusal: a) Dentes anatômicos b) Dentes funcionais . 1- Material de confecção: Os dentes em porcelana têm, basicamente, em sua composição: quartzo, caulim e feldspato, além dos óxidos metálicos corantes. Esses componentes são fundidos, em camadas, formando o corpo do dente e posteriormente a porção incisal. A superfície externa recebe uma camada transparente, o "glaze", cuja finalidade é dar proteção e brilho ao dente. Os dentes em resina acrílica, são compostos por: polimetilmetacrilato (PMMA), cristais de quartzo e óxidos metálicos corantes. Da mesma forma que os dentes em porcelana, os dentes em resina acrílica são prensados em camadas, de forma que a coloração seja intrínseca. Segundo Telles (2013), os dentes em resina acrílica estão disponíveis para comércio em dois grupos principais: (1) dentes convencionais; (2) dentes de alta resistência. Os dentes artificiais convencionais foram mencionados acima. Já os dentes artificiais de alta resistência apresentam formulações químicas diferentes, de acordo com o artifício técnico utilizado para aperfeiçoar as propriedades da resina acrílica. A combinação dos vários artifícios técnicos durante a reação de polimerização da resina acrílica assegura a formação de diferentes subtipos de dentes artificiais de alta resistência. Vantagens e desvantagens dos dentes em resina acrílica e em porcelana: Resina acrílica: Vantagens: · Facilidade de montagem · Facilmente ajustáveis · Mesmo material da base da prótese Desvantagens: · Mudança de cor · Perda do brilho · Desgaste rápido · Sofrem abrasão fisiológica Figura: Dentes de resina acrílica Porcelana: Vantagens: · Resistência à abrasão · Eficiência mastigatória · Estabilidade de cor Desvantagens: · Ruído ao mastigar · Dificuldade na montagem · Dificuldade de ajustes oclusais · Friáveis · Não adesivos à base da prótese Verifica-se que nem sempre as vantagens de um dos tipos de dentes, contrabalançam as desvantagens do outro tipo. De um modo geral, dá-se preferência aos dentes em resina acrílica, sempre que houver dificuldade de montagem, necessidade de ajustes oclusais extensos, casos de próteses imediatas, ou quando desejamos diminuir o componente de força sobre o rebordo residual. Os dentes em porcelana seriam indicados naqueles casos em que a estabilidade de cor é fundamental (principalmente os 6 anteriores superiores). Sempre que forem indicados dentes em porcelana, é necessária uma verificação extremamente cuidadosa do equilíbrio oclusal. Se o exame dos rebordos indica avulsões recentes, ou em casos de prótese total imediata, ou quando o espaço interoclusal é limitado, a indicação é de dentes em resina acrílica. 2- Desenho da face oclusal: A classificação baseia-seem pesquisas, realizadas com a finalidade de verificar, se a melhor eficiência de mastigação das dentaduras, seria obtida às custas de uma superfície triturante, que copiasse os dentes naturais, ou seria preferível a modificação da plataforma oclusal, para adapta-la às novas condições orais do paciente. GYSI conclui que, a máxima eficiência seria obtida, com dentes cuja inclinação de vertentes, fosse da ordem de 45º. Porém esquemas oclusais desse tipo, geram componentes horizontais das forças mastigatória, que tendem a deslocar as próteses e acelerar a reabsorção óssea alveolar. Assim, foi desenvolvido dentes com inclinações de 33º, que se harmonizariam com o valor médio da inclinação da vertente anterior da fossa mandibular, diminuindo a componente horizontal de força. Surgiram os dentes "Anatom-form Trubite", cujo sucesso determinou a configuração dos dentes anatômicos. Figura: Dentes anatômicos Em 1930, HALL concluiu que a abrasão fisiológica dos dentes confere maior estabilidade às próteses totais, pois há a harmonização contínua entre a forma e inclinação da face oclusal dos dentes, com os movimentos mandibulares. Esse desgaste seria maior quanto maiores fossem os componentes horizontais do esforço da mastigação e a tendência a anulá-las. Os trabalhos de Hall dão origem à escola funcional, que preconiza a utilização de dentes artificiais com superfície oclusal plana, sendo chamados de dentes funcionais. Figura: Dentes funcionais Baseado nos trabalhos de Hall, SEARS (1928), admite a montagem de dentes 0º no arco superior e a eliminação das cúspides vestibulares dos dentes inferiores. Preconiza, também, a montagem dos dentes inferiores internamente à crista dos rebordos residual, como uma maneira de centralizar os esforços da dentadura mandibular. Dessa forma, os dentes funcionais são mais indicados para pacientes com alterações na ATM ou que apresentem grande discrepância entre RC e OC NAGLE, R.J. (1965). Os dentes anatômicos, por apresentarem altura cuspídea, irão articular com seus antagonistas em 3 dimensões; já os dentes funcionais, apresentando superfície oclusal plana, articulam em 2 dimensões. A eficiência mastigatória deve ser julgada sempre em relação à preservação dos rebordos alveolares. Por isso, os estudos relativos à forma da superfície oclusal dos dentes posteriores continuam. Procura-se o equilíbrio entre a anatomia oclusal e as trajetórias mandibulares, sua amplitude e inclinação. A reabsorção óssea, que interfere na retenção das próteses é um dos fatores determinantes na escolha do tipo de dente artificial a ser indicado. Trabalhos tem sido desenvolvidos, utilizando superfície oclusal metálica, desenhada para cada caso, no sentido de obter a máxima eficiência mastigatória, com um mínimo de componentes horizontais de força. Evidentemente, o resultado será tão mais satisfatório, quanto maiores os cuidados tomados no registro e transferência das relações maxilo-mandibulares, do paciente para o articulador. 3- Seleção dos dentes artificiais Os dentes artificiais são oferecidos em placas de seis dentes, para os dentes anteriores (superiores e/ou inferiores) e placas de oito dentes para a bateria posterior. Habitualmente, a seleção se baseia nos seis dentes anteriores superiores, que são os determinantes estéticos. Identificados por meio de um código de letras e números (largura, altura, forma e cor); em uma tabela, fornecida pelo fabricante, encontramos os correspondentes, inferiores e posteriores, cujo tamanho e forma são condizentes com os dentes anteriores selecionados. Há várias teorias e técnicas que auxiliam a seleção do tamanho, forma e cor dos dentes artificiais. Em 1880, surge a teoria dos temperamentos que relaciona a forma dos dentes ao tipo físico do paciente. Assim, os pacientes eram divididos em categorias: bilioso; sanguíneo; linfático e nervoso, sendo que, para cada tipo escolheríamos uma forma de dentes. Essa teoria não tem suporte científico e pode-se dizer que está em desuso. Frequentemente a expectativa do paciente (sua imagem mental), difere daquilo que seria seu "temperamento". Dentre as teorias que procuram ditar a forma do incisivo central superior, por meio de medidas faciais, a teoria de BERRY (1906), procurava a semelhança entre a forma do incisivo central superior com a forma do rosto. Seguindo essa linha de raciocínio, LEON WILLIAMS (1914), classifica as formas do rosto em: triangular; quadrado e ovóide, sendo que o incisivo central superior deve ser selecionado dentre uma dessas três formas. Embora não haja comprovação científica dessa coincidência, a divisão preconizada por Leon Williams, permanece como critério de apresentação de dentes artificiais. Figura: Forma dos incisivos centrais superiores relaciona-se a forma da face. Outro estudioso, NELSON (1925), procurou a coincidência entre a forma do arco dental e o incisivo central superior. Apresentou sua teoria como: triângulo estético de Nelson, que teve grande aceitação na época. Como não há uma lei científica que determine a forma dos dentes anteriores, baseia-se a escolha dos dentes através da teoria de Leon Williams, no senso crítico do clínico, bem como na opinião do paciente. Para a altura dos dentes superiores anteriores, BERRY e SAVAGE (1906), concluíram que a altura do incisivo central superior seria de 1/16 do comprimento facial. Já HOUSE (1939), estimou que a altura do incisivo central seria de 1/20 do comprimento facial. WOOD CLAPP (1914) seleciona a altura do incisivo superior, pela altura atingida pelo lábio, durante o sorriso: "linha alta" ou "linha alta do sorriso". O método preconizado por WOOD CLAPP, tornou-se de aceitação geral pois, além de muito simples e prático, permite escolher um comprimento de dente que esconda a base da prótese. Figura: Linha alta do sorriso Há casos em que o sorriso é excessivamente amplo, indicando dentes anteriores exageradamente longos. Nessas situações, de comum acordo com o paciente, procuramos selecionar dentes cujo comprimento seja aceitável, mesmo correndo o risco de expor parte da resina da base da dentadura. Pode-se lançar mão de recursos de caracterização da base da prótese como pigmentações; recortes simulando retração gengival e outros, na tentativa de tornar menos artificial a prótese. É importante ter em mente que o excesso de caracterização pode ter efeito oposto ao desejado, chamando a atenção para algo que queremos esconder. Quanto a largura dos dentes, ou largura mésio-distal, SEARS (1941), através de medidas craniométricas, conclui que a largura do incisivo central superior deve ser de 1/18 da distância bi-zigomática. Já TENCH & WOOD CLAPP, forneceram um método eficiente e prático de escolha no qual afirmavam que "a largura somada dos seis dentes anteriores superiores, corresponde a largura da boca em repouso". Essa medida nos leva à linha dos caninos (da distal de canino de um lado a distal de canino do lado oposto), que é o valorda distância entre as comissuras labiais com a boca em repouso, correspondendo a largura somada dos seis dentes anteriores superiores, devendo ser registrada no plano de orientação superior. Figura: Linha preta determina a linha dos caninos Resumo: 1-Baseamos a escolha dos dentes nas linhas de referência- a) A distância da borda do rolete de cera até a linha alta do sorriso, corresponde à altura (ou comprimento) do incisivo central superior. b) A distância da linha do canino à linha do canino do lado oposto, corresponde à largura somada dos seis dentes anteriores superiores. Figura: Linha a - altura do incisivo central superior Linha b - largura somada dos seis dentes anteriores superiores 2- Cor dos dentes e da gengiva: As diversas cores dos dentes artificiais são indicadas por meio de números (ou número + letra), em uma escala de cores e que variam de fabricante para fabricante. Deve-se utilizar a escala de cores do mesmo fabricante dos dentes que iremos selecionar; pois a tonalidade dos dentes artificiais varia conforme a sua composição. Dessa maneira, a cor 67 da escala Dentron não é igual à cor 2C da escala Vivodent, embora sejam muito semelhantes. A escolha da cor deve ser feita em ambiente iluminado com luz natural, preferivelmente na parte da manhã ou início da tarde. Cuidados especiais devem ser tomados para evitar que cores dominantes, do ambiente ou da vestimenta do paciente, possam interferir com nosso critério. Nunca utilizar o foco de luz do equipo, para iluminar a boca do paciente, quando da escolha da cor dos dentes artificiais. Além do componente de infravermelho, o foco de luz concentrado em uma pequena área, realça os dentes em detrimento da face, quebrando a harmonia do conjunto. Outros cuidados importantes são: umedecer o dente da escala de cores, para obter o mesmo brilho do dente na boca e não olhar durante muito tempo seguido, para não perder a noção das pequenas nuances de tonalidade dos dentes. É conveniente fornecer um espelho ao paciente (suficientemente grande para que possa ver toda a face), para que ele participe da escolha, dando sugestões. Não é desabonador para o profissional, se nossa escolha não agradar ao paciente. São relativamente frequentes os casos em que, nosso conceito de estética, não coincide com a imagem que o paciente idealiza para si próprio. Esse procedimento dá, ao paciente, a responsabilidade de participar e colaborar na confecção da prótese que, afinal de contas, é ele quem vai utilizá-la. É possível também selecionar a cor da gengiva. Figura: Escala de cor de dentes, de gengiva, e escolha de cor gengival. 4- Montagem e articulação dos dentes artificiais Feita a seleção dos dentes artificiais e de posse dos modelos montados em articulador, passaremos a montagem dos dentes. Como cuidado preliminar, deve-se FIXAR AS BASES DE PROVA AOS MODELOS, com cera fundida, a fim de evitar seu deslocamento durante as manobras de montagem. Separam-se os seis dentes anteriores superiores e com auxílio de uma espátula Le Cron, remove-se parte da cera vestibular do rolete superior, entre as linhas: mediana, alta do sorriso e linha do canino. A montagem pode ser feita de 11 para 13 e em seguida de 21 para 23 ou na sequência: 11-21; 12-22; 13-23. Plastificando o restante da cera, ajustamos sucessivamente os dentes anteriores, como segue: · 11 e 21: - Face mesial, tangenciando a linha mediana; - Borda cervical, tangenciando a linha alta do sorriso; - Borda incisal, tocando o rolete de cera inferior junto à sua borda vestibular; - Longo eixo do dente, ligeiramente inclinado para distal; - Face vestibular, acompanhando o plano vestibular do arco de cera. · 12 e 22: - Face mesial, tangenciando a face distal do 11/21; - Borda cervical, tangenciando a linha alta do sorriso; - Face incisal, ligeiramente acima do rolete de cera inferior (cerca de 0.5 mm.); - Longo eixo do dente, ligeiramente inclinado para distal; - Face vestibular, acompanhando o plano vestibular do arco de cera. · 13 e 23: - Face mesial do canino, tangenciando a face distal do 12/22; - Borda cervical, ligeiramente acima da linha alta do sorriso (cerca de 0,5 mm.); - Ponta do canino, tocando o rolete de cera inferior, em sua borda vestibular; - Longo eixo, acompanha o longo eixo do 11/21; - Face vestibular do canino, pouco saliente em relação ao plano vestibular do arco de cera. Temos duas situações: 1- A opção foi de montagem de toda a bateria anterior superior. Podemos parar a montagem e proceder a uma prova estética no paciente. É uma atitude aconselhável, sempre que a estética foi a motivação primordial para a confecção ou substituição da prótese. Julgamos esse procedimento conveniente, pois é muito mais fácil alterar as posições dos dentes anteriores (ou até os dentes), antes da montagem dos dentes posteriores. 2- A opção foi de montagem por hemi-arco. Nessa situação, não cabem provas estéticas e a montagem continua (pelo hemi-arco de início) até o primeiro molar superior. Como a montagem dos dentes posteriores é mais fácil de ser executada por hemi-arco e se repete no hemi-arco oposto, descreveremos a seqüência por um dos hemi-arcos. · 14: - Face mesial, tocando a maior convexidade do canino, por sua face distal; - Cúspide vestibular, tocando o arco de cera inferior, em sua face oclusal; - Cúspide palatina, afastada do plano de cera inferior; - Face vestibular, tangenciando, em sua porção mais convexa, o plano de cera vestibular. · 15: - Face mesial, tocando a face distal do 14 em sua maior convexidade; - Cúspides vestibular e palatina, tocando o plano oclusal do arco de cera inferior; - Face vestibular, tangenciando, em sua porção mais convexa, o plano de cera vestibular. · 16: - Face mesial, tocando a face distal do 15 em sua maior convexidade; - Cúspides vestibulares e palatinas, tocando o plano oclusal do arco de cera inferior; - Face vestibular, acompanha o contorno do arco de cera posterior. O critério é montar o arco superior antes do inferior e sempre, até o 1º molar superior. A montagem do 2º molar superior será feita após a montagem dos 1º e 2º molares inferiores. Tendo terminado a montagem do arco superior (hemi-arcos direito e esquerdo), iniciaremos a montagem do arco inferior. Pelas mesmas razões abordadas anteriormente, descreveremos a montagem de um hemi-arco. A seqüência se repete no outro hemi-arco. · 36/46: Sendo o 1º molar, o dente "chave" da oclusão, tomamos o critério de iniciar a montagem dos arcos inferiores, por esse dente. A sua colocação no arco de cera deve ser feita de tal forma que: - Cúspide mesio-vestibular, encontra as cristas marginais: distais do 2º prémolar superior e mesial do 1º molar superior; - Cúspide disto-vestibular, encontra a fossa central e sulcos formados pelas vertentes das cúspides mesiais e distais do 1º molar superior; - Cúspides linguais, estão alinhadas pelas vertentes lisas das cúspides palatinas dos dentes superiores. Compreende-se que a oclusão do 1º molar inferior ocorre pelo toque de suas cúspides vestibulares(cúspides de parada cêntrica), nas vertentes triturantes (oclusais) das cúspides vestibular e palatina do 2º prémolar e 1º molar superior e pelo toque das vertentes triturantes (oclusais), de suas cúspides linguais, contra as vertentes lisas das cúspides palatinas, de seus antagonistas. Essa configuração confere grande estabilidade oclusal às próteses. Figura: Relação oclusal de molares superiores e inferiores em vista frontal. · 35/45: Basicamente, a montagem dos dentes posteriores, segue o mesmo esquema descrito para a montagem do 1º molar inferior. Procura-se, em Prótese Total, um esquema de oclusão do tipo 2:1, em que cada dente posterior oclui contra dois antagonistas. - Cúspide vestibular, ocluindo no triângulo formado pelas vertentes: mésio-palatina da cúspide vestibular do 2º prémolar superior e disto-palatina, da cúspide vestibular do 1º prémolar superior e vertente mésio-vestibular da cúspide palatina do 2º prémolar superior; - Cúspide lingual, mantendo contato, pelas suas vertentes triturantes, contra o antagonista. . 37/47: Após a montagem do 2º prémolar, montam-se os 2ºs molares. Dessa forma, pode-se obter um "bloco de oclusão" de seis dentes posteriores. - Cúspides vestibulares, ocluindo com a fossa distal (crista marginal) do 1º molar superior e face oclusal do 2º molar superior; - Cúspides linguais, mantendo contato, pelas suas vertentes triturantes, contra o antagonista. · 17/27: A montagem do 2º molar superior, segue a orientação oclusal do 2º molar inferior. Os 2ºs molares são o dente ideal para o equilíbrio das trajetórias protrusiva e latero-protrusiva das próteses totais. Não havendo a necessidade do contato em cêntrica, esses elementos podem ser montados de forma a garantir a oclusão em posições excêntricas. Nota: deve ter chamado a atenção o fato de que não montamos os 1ºs pré-molares inferiores. Devido à sua não participação na oclusão, deixamos a montagem desses elementos para o final (após a montagem da bateria anterior) para, às custas desse espaço, poder ajustar a posição dos dentes anteriores. Esse critério baseia-se em um fato simples: como podemos variar a inclinação dos dentes anteriores superiores, a fim de obter a melhor estética possível, há casos em que a posição do 1º prémolar, fica prejudicada. É de suma importância, para a estabilidade da prótese, que as relações oclusais dos dentes anteriores, seja absolutamente correta. Portanto, deixando para o fim a montagem desse elemento, cuja intercuspidação se dá exclusivamente às custas de sua cúspide vestibular, teremos uma tolerância de espaço para a montagem dos outros dentes. Montados todos os dentes superiores e os posteriores inferiores, temos garantidas a DVO e a OC. Até este momento estivemos trabalhando em movimentos de abertura e fechamento. Antes de continuar a montagem é conveniente verificar os movimentos excêntricos: propulsão e lateralidade. - Lateralidade direita e esquerda: partindo da posição de máxima intercuspidação (OC), deslocamos o articulador para um dos lados. Pretende-se contatos entre as cúspides vestibulares inferiores com as vertentes das cúspides vestibulares superiores, do lado de trabalho e contato das cúspides vestibulares inferiores com as vertentes das cúspides palatinas superiores, do lado de balanceio. Caso haja interferência ou falta de contato de um ou mais dentes, modificar a inclinação vestíbulo/bucal do(s) dente(s). Durante o movimento de lateralidade, o afastamento dos dentes anteriores depende, exclusivamente, da inclinação das vertentes cuspídeas dos dentes posteriores. Repetem-se os movimentos (trabalho e balanceio), a cada modificação. - Propulsão e retropulsão: partindo da posição de máxima intercuspidação (OC), desloca-se o articulador até a posição protrusiva (cerca de 3 mm. adiante da OC). Pretende-se contatos simultâneos e bilaterais entre os dentes posteriores, acompanhados de contatos entre a bateria anterior superior e o rolete de cera inferior. Caso haja interferência ou falta de contato de um ou mais dentes, modificar a inclinação mesio/distal do(s) dente(s). Quando da montagem dos 2ºs molares, estes elementos podem ser inclinados para garantir o contato em protrusivo, permitindo o aumento do trespasse vertical anterior. Essa manobra será efetuada após a montagem da bateria anterior inferior. O movimento retrusivo termina na posição de OC = RC (posição inicial de montagem no articulador), onde se verifica a máxima intercuspidação coincidente com o arco de abertura e fechamento. Para a montagem dos dentes anteriores inferiores, inicia-se a montagem pelos incisivos centrais inferiores, montando os dentes dois a dois. · 31/41: - Faces mesiais, coincidindo com a linha mediana ditada pelos incisivos centrais superiores; - Borda cervical, partindo da crista do rebordo residual inferior; - Longo eixo, inclinado no sentido buco/vestibular, formando um ângulo de 90º em relação ao eixo de rotação do articulador; - Borda incisal, com trespasse vertical de cerca de 0,5 mm. em relação à face palatina do incisivo central superior. O trespasse vertical depende do ângulo das trajetórias protrusiva e lateroprotrusiva. A cada dente da bateria anterior inferior montado, verificam-se os movimentos de lateralidade e propulsão. O deslocamento do dente (da cera) indica interferência e a posição do dente deve ser modificada. Em protrusivo, procura-se o contato da borda incisal do dente inferior, com a borda incisal do dente superior. Em lateralidade, procura-se o deslizamento das faces incisais, acompanhando o ângulo ditado pelos dentes posteriores. Uma das principais causas da reabsorção óssea do rebordo anterior e perda da retenção das próteses, é o trespasse excessivo dos dentes anteriores. No indivíduo dentado, o movimento protrusivo é equilibrado pela guia incisal que compensa o espaço de Christensen. No portador de próteses totais, não há percepção periodontal: cria-se um braço de alavanca que tende a deslocar as próteses em sua porção posterior, gerando uma sobrecarga ao nível da crista do rebordo alveolar anterior. · 32/42: - Os incisivos laterais seguem as mesmas normas dos incisivos centrais. · 33/43: - Superfície oclusal (constituída por duas vertentes): vertente mesial, em sua borda vestibular, ocluindo com o ângulo disto-incisal do incisivo lateral superior; vertente distal, em sua borda vestibular, ocluindo com a face palatina (mesial) do canino superior; - Longo eixo, inclinado para mesial: podemos aumentar ou diminuir essa inclinação, de forma a liberar os contatos excêntricos, sem a necessidade de desgastes nos dentes; - Borda cervical: acompanha os dentes anteriores inferiores. Pelas mesmas razões que o trespasse anterior pode causar interferência; em Prótese Total não montamos a guia canina. Durante os movimentos de lateralidade, ajustamos a posição dos caninos de forma a obter toque suave nas excursões excêntricas, com ampla liberdade de movimento. · 34/44: É o último dente aser montado. E utilizado o espaço remanescente, desgastando o dente, se necessário, ou permitindo um pequeno diastema se o espaço for maior. - Cúspide vestibular, vertente disto-vestibular, ocluindo com a vertente mesial do 1º pré-molar superior; vertente mesio-vestibular, ocluindo com a face disto-palatina do canino superior; - Longo eixo, inclinado conforme a necessidade da oclusão e do espaço presente. "Se, durante a anamnese, constatamos que o paciente apresentava problemas de mordida cruzada, deveremos montar os dentes anteriores em posição de borda a borda (topo a topo), sem tentar nenhum tipo de trespasse vertical anterior." "Na montagem de dentes em casos de mordida cruzada, monte os molares superiores direitos no arco inferior esquerdo e os molares superiores esquerdos, no arco inferior direito" (Mr.G.FINLAY "Anatomical Articulation" Aus.J.Den., Sept., 1914). Terminada a montagem dos dentes, em laboratório, o próximo passo será a verificação, ao vivo, na boca do paciente. Não é raro que, após uma montagem cuidadosa, ao levarmos as próteses em prova na boca, notar que houve algum erro no posicionamento dos modelos no articulador e consequentemente a montagem dos dentes está incorreta. Se achamos desagradável uma constatação desse tipo agora, seria muito pior se já tivéssemos as próteses polimerizadas e acabadas. Caso a montagem esteja incorreta nessa etapa, deve-se refazê-la de forma que traga função, estética e harmonia para o caso. 7.2 Prova estética Levadas as próteses à boca do paciente, iremos verificar, do ponto de vista estético, as seguintes considerações: 1- Estética da prótese Do ponto de vista estético, procuramos o equilíbrio entre a escultura do enceramento com as expressões faciais do paciente. Principalmente durante o sorriso forçado, procuramos verificar se a escultura cervical dos dentes anteriores superiores, acompanha a "linha alta do sorriso"; enquanto a borda incisal acompanha a "linha do sorriso" representada pela posição do lábio inferior. Outro ponto a se verificar diz respeito ao chamado "corredor bucal". Essa área é representada pelo espaço existente entre as faces vestibulares dos dentes posteriores (de prémolar para trás) e as comissuras labiais, durante o sorriso forçado. A abertura do arco dental, elimina (ou diminui) esse espaço, realçando os dentes posteriores, em detrimento dos dentes anteriores - a prótese "parece" mais larga – o que diminui a dominância dos dentes anteriores em relação aos posteriores. Já a criação do "corredor bucal" faz com que os dentes anteriores sejam realçados em relação aos dentes posteriores - os dentes anteriores "parecem" mais salientes. "Um dos requisitos fundamentais é que os seis dentes anteriores sejam suficientemente largos para que os caninos assumam a sua posição normal no arco" (ROWE, A.T, 1935). Evidentemente, essas modificações, quando necessárias, devem ser realizadas no articulador pois envolvem alteração no relacionamento oclusal dos dentes posteriores. Figura: Prova da montagem de dentes em cera. 2- Estética da face: Este item está relacionado com o anterior; porém agora verificaremos as modificações ocorridas na face em repouso, tais como: levantamento de rugas e sulcos; reconstituição do perfil estético. "A ação dos músculos labiais é tal que a forma e expressão faciais serão totalmente dependentes desse suporte e os lábios se auto-moldam ao desenho que os dentes anteriores pré determinaram" (ROWE, AT, (1935). Notamos, logo à primeira vista, que o indivíduo desdentado apresenta os lábios mais finos e os sulcos faciais mais pronunciados. Essa aparente flacidez se deve à modificação da tonicidade da musculatura da face. Com a perda dos dentes e consequente reabsorção óssea, notadamente da vertente vestibular do rebordo alveolar superior, há perda de suporte para a musculatura facial, o que gera a invaginação dos lábios e bochechas. Esse aspecto persiste e pode se tornar permanente (com o aparecimento de rugas e sulcos profundos), se as alterações da base óssea não forem compensadas pela prótese. Quando da confecção de nova prótese, podemos promover o levantamento dos lábios, notadamente do sulco naso-labial; reconstruir o filtro labial, dando suporte para o aparecimento do tubérculo labial, enfim, reconstruir o perfil estético. "Se as linhas de força que passam pelos rebordos e pelo longo eixo dos dentes fossem visíveis, veríamos um cone com seu ápice ao nível da linha dos olhos; quanto mais próximos ao rebordo forem posicionados os dentes superiores, mais o arco será reduzido em largura" (ROWE, AT, 1935). Acrescentar cera à face vestibular da prótese superior e criar as bossas dos incisivos e caninos, é possível devolver o suporte perdido pela reabsorção óssea. Evidentemente não existe uma "medida" a ser seguida. Deve-se valer de conhecimentos da Anatomia da cavidade oral e de senso estético. É de fundamental importância a opinião do paciente, nessa fase de trabalho. A reconstrução estética deve ser dirigida em função das aspirações do paciente e não, necessariamente, em função das aspirações do clínico. O aumento excessivo da espessura da face vestibular da prótese superior, pode interferir com a movimentação dos lábios e deslocar a prótese. Figura: Prova da montagem de dentes em cera 7.3 Prova funcional Quanto a prova funcional das próteses na boca do paciente, iremos verificar, do ponto de vista funcional, as seguintes considerações: 1. Articulação dental em oclusão Praticamente repetimos as manobras executadas em articulador. Com o auxílio de tiras de papel carbono, verificamos os contatos dentais, em abertura e fechamento. A intenção é verificar a justeza da montagem e não remontar as próteses. Se houverem pequenas alterações, estas serão corrigidas "in loco". É muito mais difícil e sujeito a erros, tentar a correção da oclusão na boca do que no articulador. Há a tendência, por parte do paciente, de procurar a posição de máxima intercuspidação, apertando os dentes. Isso pode deslocar os dentes montados em cera, por isso, o ajuste é realizado no articulador. Caso haja posicionamento inadequado, altera-se a posição do dente em cera até a posição adequada. Após a acrilização, a tendência do paciente de apertar os dentes mascara as possíveis interferências resultantes de erro na montagem das próteses. A mobilidade própria da fibromucosa de revestimento, permite a movimentação das bases, criando uma imagem falsa da oclusão. Assim, a verificação dos contatos deve ser feita com movimentos suaves, procurando os contatos ao primeiro toque e não sob pressão. Solicitam-se uma série de deglutições, com o carbono interposto entre os arcos dentais, para verificar a oclusão habitual do paciente. Se houver dúvida quanto à montagem, tomam-se registros em cera, da posição de deglutição e procede-se à remontagem das próteses em articulador. Figura: Conferência da oclusão em articulador semi-ajustável 2- Ajuste oclusal em lateralidade e propulsão Solicita-sefeito diversos tratamentos mal-sucedidos. O prognóstico tende a ser desfavorável pelo mesmo motivo do paciente anterior. Por fim, o paciente indiferente normalmente é despreocupado com sua aparência e é levado ao tratamento por insistência de outros (como familiares, por exemplo). Não se incomoda com a ausência de dentes, e o prognóstico é duvidoso. O prognóstico também é dependente da motivação do paciente, que funciona como um índice da cooperação que poderemos esperar de sua parte. Costuma-se classificar as diversas motivações como sendo por familiares e amigos, estética, dor e saúde, sendo a estética e a dor as principais motivações da grande maioria dos pacientes. Segundo José Ceratti Turano, no livro Fundamentos de Prótese Total (2010), estas são as motivações que levam o paciente a procurar o tratamento com próteses: 1) Por dor: os pacientes que procuram o dentista apenas em caso de dor são, geralmente, aqueles que cuidam mal de seus dentes e que, desesperados correm ao consultório porque a dor escolhe sempre o pior momento para aparecer. Estes pacientes possuem uma ideia errônea do que é a prótese total, porque o paciente sofre bastante, inevitavelmente, em todo o processo de adaptação da prótese total. Não devemos aceitar a dor como motivação para adaptação de uma prótese total. Exemplo: paciente que chega ao consultório com dor e pede para o cirurgião-dentista extrair todos os dentes e fazer uma prótese total. 2) Por outro indivíduo: pacientes que são motivados por outros pacientes. Neste caso, devemos fazer o paciente assumir a responsabilidade de instalar a prótese total, sem que esta responsabilidade seja passada a pessoa a qual o levou ao consultório, como a/o esposa/o, por exemplo. 3) Por estética: já é um caso mais favorável, pois demonstra que o paciente se importa mais com sua aparência. Porém, existe uma diferença entre a aspiração estética do paciente e as limitações dentro da possibilidade do tratamento com prótese total. 4) Por prevenção: são os pacientes que sempre procuraram tratar seus dentes, e que agora, necessitam de prótese total. Mesmo assim, é necessário que o profissional saiba orientá-lo frente ao seu novo comportamento, diante das dificuldades e limitações que envolvem este tipo de prótese. 5) Fatores socioeconômicos: independente da condição socioeconômica do paciente, ele necessita repor seus dentes perdidos. "A construção de próteses totais se inicia no momento em que o paciente se apresenta. O protesista imediatamente, estima ou classifica por análise criteriosa, o tipo, caráter e atitude mental do indivíduo". PATERSON (1923). Questões: 1- Quais são as finalidades do tratamento por próteses totais? Explique. 2- Quais são as causas mais frequentes de falhas no tratamento com próteses totais, e como evitá-las? 3- Qual o papel do cirurgião-dentista no sucesso do tratamento com próteses totais? Princípios Biomecânicos que regem as Próteses Totais 2. Meios de Retenção e Estabilidade RETENÇÃO é a capacidade da prótese de resistir às forças extrusivas que tendem a deslocá-la de sua posição. Como fator de retenção podemos citar a atividade muscular exercida inconscientemente pelo próprio paciente, mantendo a adaptação dos tecidos circunjacentes às bordas da prótese. É evidente que não poderemos contar com esta capacidade do paciente ao confeccionarmos próteses, e sim devemos criar as condições necessárias para que isso ocorra. Portanto, vamos utilizar meios físicos de retenção: a) Gravidade: força que age de maneira positiva para a mandíbula e negativa para a maxila. Houve uma época em que se utilizava a gravidade como um auxiliar para a retenção de próteses mandibulares, aumentando o peso das próteses totais mandibulares. Mesmo não levando em consideração o desconforto causado ao paciente, o simples conhecimento das leis de reabsorção já contraindicam o uso da gravidade como fator auxiliar na retenção de próteses totais mandibulares. b) Adesão: podemos conceituar a adesão como a força de atração física entre moléculas diferentes entre si, quando em íntimo contato. Por exemplo, quando a saliva molha e se adere à superfície da área basal da prótese e à membrana mucosa da superfície de assento. Para melhor compreendermos a adesão devemos estudar outra força intermolecular que é a coesão. → Coesão: força inter-molecular existente entre as moléculas de um mesmo corpo, força esta que mantém a unidade da substância como um corpo. As forças de coesão que são responsáveis pela TENSÃO SUPERFICIAL nos líquidos. Podemos entender o mecanismo da adesão com um esquema: Há coesão entre as moléculas da fibromucosa e coesão entre as moléculas da saliva. Se tivermos um íntimo contato entre a saliva e a fibromucosa, rompendo a tensão superficial da saliva, essa força se exercerá, em forma de adesão tendendo a manter unidas a película de saliva e a fibromucosa, como um corpo único. Por outro lado temos coesão entre as pérolas de resina da base da prótese total e coesão entre as moléculas da saliva; se mantivermos um íntimo contato entre as duas, rompendo a tensão superficial da película de saliva; as forças de tensão superficial da saliva exercerão adesão sobre a resina da base da prótese total. Seguindo esse raciocínio, se tivermos um íntimo contato entre a base da prótese total e a fibromucosa de maneira que reste apenas um filme de saliva interposto, as forças de tensão de saliva agirão tanto sobre a base da prótese como sobre a fibromucosa mantendo-as em contato e impedindo sua separação. A resistência à penetração do ar entre a mucosa e a base da prótese é dada pela película de saliva que existe entre elas, denominada lâmina interfacial. Quando se retira uma prótese total da boca, verifica-se que há uma lâmina de saliva na superfície interna da prótese e uma lâmina de saliva na mucosa que estava recoberta pela prótese. Isso se dá porque, ao se romper a lamina de saliva interposta entre a mucosa e a prótese, a força de adesão da saliva com a prótese e a saliva com a mucosa é maior do que a de coesão das suas moléculas. “Quanto melhor for a adesão, quanto menor for a película de saliva e quanto maior a área basal, maior será o efeito retentivo proporcionado pela coesão.” JOSÉ CERATTI TURANO – FUNDAMENTOS DE PRÓTESE TOTAL 2010 Podemos visualizar esse fenômeno, por exemplo, quando unimos duas placas de vidro com água interposta: quanto menor for a película de líquido mais difícil será a separação das placas. STANITZ estudou esse aspecto da retenção elaborando a fórmula: F = força de retenção A = área de contato C = coeficiente de tensão superficial E = espessura do líquido F= 2A x C/ E Verifica-se que a força de retenção é diretamente proporcional a 2 vezes a área recoberta e ao coeficiente de tensão superficial da saliva; indiretamente proporcional à espessura da película líquida interposta. c) Pressão atmosférica: É do conhecimento geral que se retirarmos o ar contido entre dois hemisférios em contato será difícil a suaao paciente que movimente a mandíbula para a frente (propulsão) até a posição de "topo a topo". Durante essa excursão, procuramos verificar possíveis interferências, entre as vertentes mesiais e distais, das cúspides dos dentes posteriores e/ou a borda incisal dos dentes anteriores inferiores e a face palatina dos dentes anteriores superiores. Na presença de pequenas interferências, altera-se a posição dos dentes em cera. Após a acrilização, se houver dúvidas quanto à montagem, tomam-se registros em cera, das posições protrusiva e latero-protrusiva, para nova regulagem e remontagem das próteses em articulador. Uma área comum de interferência é a região de caninos. No indivíduo dentado há toque e desoclusão pela guia canina, do lado de trabalho. Em próteses totais, esse contato funciona como um fulcro de apoio que desloca as próteses nos movimentos excêntricos. Quando em cera, movimenta-se os caninos a posição favorável, e após acrilizada a prótese, desgasta-se os caninos de tal forma que haja o toque, sem desoclusão desses dentes. Figura: Ajuste oclusal em lateralidade 3- Estabilidade da prótese em função Como última das provas, solicitamos ao paciente que execute a totalidade dos movimentos mandibulares e faciais. Verificamos a ausência de interferências oclusais e a relação das bordas e face vestibular com os tecidos moles e músculos. Neste momento temos as melhores condições possíveis, para realizar o teste fonético, uma vez que a prótese se apresenta em sua forma definitiva, quer quanto à montagem e disposição dos dentes, quer quanto ao desenho de sua face vestibular e palatina. Solicita-se, ao paciente, a emissão de fonemas labiais, linguo-dentais e linguo-palatais, verificando a facilidade e clareza da dicção. Falar com o paciente, pedindo que ele expresse sua opinião a respeito do trabalho, fazendo perguntas e solicitando respostas, é a maneira mais prática e rápida de se realizar esse teste. A verificação das bordas e sua relação com os tecidos para-protéticos, em dinâmica, é fundamental nesta fase. Sempre que houver interferência, modifica-se a borda da prótese até eliminar a interferência. “O conceito popular de que "dentadura nova machuca" não encontra fundamento científico nenhum.” Figura: Teste fonético 7.4 Ceroplastia A gengiva artificial é a porção de resina acrílica que prende os dentes artificiais à base da prótese, formando com esta um corpo único após a prótese concluída. Desempenha um papel fundamental na estética dos casos, mantendo o suporte labial e funcionando como uma moldura para os dentes artificiais. Por isso, características como o contorno, a textura e a cor da porção visível da gengiva artificial podem influenciar a percepção do arranjo dentário. Inicialmente a gengiva artificial é obtida acrescentando-se cera nas porções relativas às papilas e acima dos colos dentários, até o limite da área chapeável na base de prova, e esculpindo-se esta cera para obter um contorno gengival o mais natural possível. Então, o conjunto formado pela base de prova, pelos dentes artificiais e pela gengiva artificial ainda em cera deverá ser incluído em uma mufla para que a cera e, eventualmente, a base de prova sejam substituídas por resina acrílica nova. Os contornos gengivais devem permanecer naturais, com arquitetura gengival e proeminência radiculares devidamente esculpidos para não alterar a forma dos dentes e comprometer a estética. O conceito de individualização é fundamental para obter-se o maior realismo possível no arranjo dos dentes artificiais. Na fase de prova em cera, as superfícies interproximais dos dentes anteriores devem ser rotineiramente limpas para cada dente ser viso como uma entidade distinta e separada na prótese. Cera entre os dentes se transforma em resina após a acrilização da base da prótese e dificulta a percepção individual de cada dente (TELLES D, 2013). Telles D. Prótese total convencional. Editora Santos, 1 edição, 1 reimpressão, 2013) Desta forma, é importante realizar o procedimento conhecido como ceroplastia, que é uma técnica de enceramento ou escultura que segue certas normas, afim de imitar as formas anatômicas naturais, reproduzindo uma forma aceitável da base da prótese na qual não haja desarmonia com os lábios, bochechas, língua e dentes e, ainda, se restaurem os tecidos perdidos com a reabsorção óssea. Técnica de enceramento e escultura Materiais e instrumentos necessários à ceroplastia: Cera rosa número 7 Algodão ou gaze Fio dental Escova de dentes de cerdas duras Bico de Bunsen ou lamparina Espátula de cera número 7 Espátula de cera número 31 Espátula Le Cron Lamparina tipo Hannau Recipiente para fundir cera (colher de cera) Técnica · Colocar, com a espátula n 31, uma quantidade de cera fundida, preenchendo os espaços interproximais e os colos dentais · Colocar uma camada dessa cera em toda a vertente vestibular até a região do sulco gengivo-labial e gengivo-lateral do modelo · Fazer o mesmo na região palatina (isto é válido também para a prótese inferior) OBSERVAÇÃO: esta etapa deve ser cumprida com os modelos montados no articulador e em posição de oclusão, para que não haja mudanças na posição dos dentes pelo aquecimento da cera. · Concluído o enceramento, retirar do articulador os modelos com as bases de prova sem destacá-los, ainda, das bases de fixação, para futuras verificações que poderão ser necessárias · Colocar o conjunto (modelo+base) de prova em água fria para o endurecimento da cera · Utilizando a extremidade em colher da espátula número 7, fazer uma depressão no sentido anteroposterior, acompanhando a conformação do modelo na região da borda da dentadura, iniciando pelo freio labial, entre os incisivos centrais, e seguindo até a inserção do músculo bucinador entre os pré-molares e, daí, até a região posterior, tanto na maxila como na mandíbula · Recortar a cera, com a espátula Le Cron, delimitando o colo anatômico dos dentes OBSERVAÇÕES: 1- A espátula Le Cron deve ser inclinada em aproximadamente 45 graus com o dente, de forma a deixar a cera expulsiva nessa região, para evitar futuramente a retenção de alimentos. 2- A altura do colo de cada dente é ligeiramente diferente. Desse modo, recorta-se mais no canino do que no incisivo central e mais no central do que no lateral, dando-se assim três níveis de altura. Nos dentes posteriores, recorta-se de forma mais ou menos decrescente do canino para o segundo molar. · Usando a extremidade em colher de espátula Le Cron, fazer sulcos verticais partindo das regiões interproximais, logo abaixo das papilas interdentais, em direção a borda. OBSERVAÇÃO: esses sulcos devem ser feitos em forma de pirâmide, com a base voltada para a borda da prótese, Isso servirá para esboçar o formato das raízes dos dentes, de modo que, à medida que se vai aproximando do vértice, os sulcos vão se aprofundando ligeiramente. · Dar, com a espátula número 7, conformação mais adequada aos acidentesanatômicos, fossas e bossas, raspando a cera e uniformizando toda a escultura · Passar cuidadosamente a chama da lamparina Hannau por toda a escultura e, com uma gaze ou algodão umedecido em água e sabão, esfregar toda a superfície da cera, tornando-a lisa e brilhante · Criar uma estreita faixa (de 3 a 4 mm) de gengiva inserida, próxima à região do sulco gengival ou colo dos dentes, para obter um efeito visual bem natural da gengiva por vestibular (caracterização), da seguinte forma: a) Flambar ligeiramente essas regiões com lamparina de Hannau b) Com a cera ainda quente, dar batidas nessas regiões com as cerdas da escova de dentes indicada, promovendo pequenas perfurações c) Depois de resfriada a cera, flambar novamente essas regiões, com bastante cuidado para não fundí-la (apenas promover o arredondamento das bordas das perfurações, formando um pontilhado típico de uma gengiva inserida normal, que é semelhante à textura de casca de laranja) · Por palatino a escultura será mais suave: recortar o colo dos dentes, cuidando para não comprometer sua fixação à base da prótese OBSERVAÇÕES: 1- Os sulcos interproximais são bem mais discretos e dispõem-se paralelamente entre si. 2- A escultura das rugosidades palatinas é feita apenas no caso de estas constarem na prótese antiga do paciente. Caso contrário, deixa-se essa superfície lisa. 3- A escultura da prótese inferior deve obedecer à mesma sequência, maneira e aos mesmos cuidados da prótese superior, tanto por vestibular como por lingual. · Terminada a escultura, colocar novamente no articulador as bases de fixação contendo os modelos de trabalho · Encaixadas as bases de prova, já esculpidas, em seus respectivos modelos, promover o selamento das bordas com cera fundida (isso deve ser feito com o articulador fechado e com os dentes mantidos em oclusão, para que não ocorram alterações no posicionamento, tanto da base como dos dentes) (GALATI A, 1996) 7.5 Questões: 1- O que são as linhas de referência e qual a sua importância? 2- O que é dimensão vertical de oclusão e qual a sua importância na montagem das PTs? 7.6 Referências: 1- Galati A. Prótese total manual de fases laboratoriais. 1 edição. Editora Senac São Paulo, 1996 2- Telles, T. Prótese Total Convencional. Rio de Janeiro: Editora Santos, 2013. 9. Instalação e cuidados posteriores Na instalação da prótese total seja superior ou inferior, ou bimaxilar o profissional deve-se atentar na manutenção adequada, que provavelmente haverá a necessidade de ajustes oclusais interna ou externamente à prótese total, que podem constar pontos traumáticos, incômodos ao paciente e contatos oclusais, oriundos do processo de acrilização (Telles, 2010). A instalação é considerada uma etapa crítica, pois o profissional deverá observar o resultado final do trabalho desenvolvido e o paciente, por sua vez, carecem de uma perspectiva elevada com relação às novas próteses, pois este esperam a devolução da anatomia dentofacial e o convívio com a sociedade (Barbosa et al., 2006). Porém após a instalação das próteses totais o paciente estará sujeito a adaptação às novas condições bucais, sendo assim, de fundamental importância a manutenção e consultas de controle, assim como orientações com relação à alimentação, higienização e cuidados das próteses. Instalação da prótese total superior e inferior 9.1. Inspeção visual Durante a instalação das próteses, todos os procedimentos envolvidos para a confecção final destas necessitam ser revisadas e sujeitos a avaliação, devendo ser observadas quanto a escolha dos materiais, a técnica e a sua efetividade e a habilidade do profissional, assim como, ser examinadas em conjunto entre o profissional, paciente, familiares e amigos (Zarb, Bolender, 2006). O profissional deverá inspecionar a prótese total antes da entrega da mesma, analisando algumas falhas que poderão ter ocorrido durante as fases laboratoriais. Assim sendo, diversos aspectos devem ser cuidadosamente examinados antes da instalação das próteses, tais como: 1) Aspectos da resina: presença de bolhas positivas de resina na prótese, porosidades, nódulos ou manchas. Avaliação dos aspectos da resina 2) Acabamento e polimento: presença de superfície irregulares, trincas ou pequenas fraturas. Avaliação da qualidade de acabamento e polimento das próteses totais 3) Espessura da base ou bordas cortantes: o profissional deve eliminar os ângulos agudos, bordas cortantes, a sobreextensão aparente, resquícios de gesso ou materiais estranhos presentes nas superfícies externas à prótese total e devem ter uma espessura adequada. a) análise do acabamento e polimento e b) espessura da base de prótese 4) Relacionamento oclusal: São vários os fatores que devem acarretar alterações da oclusão durante a instalação da prótese total, tais como, modificação das articulações temporomandibulares, registro incerto na relação maxilomandibular, erros na transferência dos achados para o articulador, bases desadaptadas, montagem de dentes de forma incorreta, acrilização da resina acrílica na fase inadequada, entre outros fatores (Zarb, Bolender, 2006). Avaliação interoclusal da prótese acrilizada 5) Porção posterior da prótese inferior contra a porção da tuberosidade da prótese superior: nesta fase, a análise deve estar pautada na porção posterior superior e inferior que necessitam ser confeccionadas de acordo com o modelo de trabalho articulados entre eles, respeitando o limite entre o palato duro e mole na arcada superior. Avaliação da porção posterior da prótese superior e inferior 6) Posição dos dentes, cor da gengiva e ameias: deve-se avaliar se a posição dos dentes foi confeccionado de forma compatível com o trabalho encaminhado ao laboratório, a cor gengival e as ameias estão compatíveis, com a dentição natural. a)Prótese total superior e inferior e b) instrumentais necessários para a realização dos ajustes, acabamentos e polimento das próteses. 9.2. Provas funcionais Antes da entrega da prótese realiza-se a desinfecção da prótese com clorexidina 2%. Durante as provas funcionais o protesista deverá analisar: a) adaptação e estabilidade da prótese: A adaptação das próteses totais superiores e inferiores deve estar devidamente ajustado no tecido mucoso, a fim de, não haver pontos traumatizantes no mesmo, podendo causar hiperplasias e rejeição por parte do paciente com a sua utilização. A adequada confecção das próteses é um fator primordial para a sua estabilidade que deve ser obtido através da adequada relação entre a prótese e a mucosa e a associação com o seu antagonista. Adaptação das próteses totais inferior e superior no tecido mucoso b) dimensão vertical: As próteses são inseridas na cavidade oral do paciente e orientado para fechar levemente, com o intuito de, analisar o freio labial superior. Se a borda da prótese detém o freio, a incisura do lábio deverá ser aprofundado(Zarb, Bolender, 2006). A seguir avalia-se a oclusão em posição cêntrica manipulando a abertura e fechamento da mandíbula em relação cêntrica. A sua alteração poderá ocorrer erros na avaliação da dimensão vertical (Zarb, Bolender, 2006). Segundo Zarb, Bolender, 2006 para a avaliação da dimensão vertical é necessário ser avaliado: b.1) Registro pré-oclusal; b.2) A medida da distância interoclusal anteriormente e posteriormente à perda dos elementos dentários ou as próteses antigas; b.3) Fonética e estética; b.4) Distância interoclusal entre os dentes na posição de repouso; b.5) Dimensão do lábio em relação aos dentes; b.6) Distância interarcos e o paralelismo dos rebordos; b.7) Quantidade e qualidade dos rebordos. c) posição dos lábios: serve para avaliar a posição dos lábios com os dentes, se estão visualizados de forma natural, conforme a face do paciente Avaliação da dimensão vertical e da posição do lábio a) no sentido sagital e b) avaliação no sentido lateral d) estética: A estética para muitos pacientes é um fator essencial e avaliado durante todas as fases do processo até a entrega final da prótese. Durante a instalação o profissional deverá se atentar com a linha do sorriso, a cor dos dentes e o seu tamanho em acordo com a face da paciente, mas principalmente a opinião do mesmo durante a avaliação. Análise da estética e) oclusão: segundo Telles et al., 2011 para se obter uma oclusão adequada o profissional necessita ter o conhecimento prévio dos contatos dentários em condições normais. Para a avaliação dos contatos prematuros, será inserido o papel carbono (fino, médio ou grosso) entre as próteses, nas quais, na oclusão em cêntrica deverá ter um contato em cada cúspide com o seu antagonista correspondente. Em contrapartida, nos movimentos de lateralidade os contatos necessitam percorrer em todos os antagonistas a partir dos caninos. a) realização da análise oclusal b) Avaliação de possíveis contatos prematuros das próteses totais O ajuste oclusal será avaliado da seguinte forma: em caso de houver contato prematuro em cêntrica e contato prematuro em lateralidade a cúspide deve ser desgastada, porém se houver contato prematuro apenas em oclusão cêntrica o desgaste deve ser realizado na fossa antagonista. Portanto, caso a oclusão não esteja balanceada, esta deve ser ajustada, a fim de, não constar a presença de contatos prematuros, proporcionando assim, equilíbrio durante a mastigação (Telles, 2010). a) Materiais necessários para a análise e o ajuste oclusal b) realização do ajuste oclusal f) retenção: uma das grandes queixas dos pacientes após a instalação das próteses é a ausência de retenção, isso se deve ao fato de que o tecido mucoso pode sofrer alterações nos períodos diurnos ou a realização da moldagem funcional foi executada bem anteriormente à instalação da prótese total (Turano et al., 2014). Portanto, visando aumentar a retenção é necessário que haja o equilíbrio com a oclusão do paciente. Testes de retenção: a)sentido vertical; b)sentido horizontal; c) sentido lateral g) fonética: O profissional deve solicitar ao paciente que pronunciem palavras de difícil expressão, tais como mississipe, com o propósito de avaliar se há a presença de ruídos durante a fala ou se há espaço entre as próteses superiores e inferiores. 9.3. Recomendações Para que ocorra o sucesso clínico da prótese total, bem como a sua longevidade é fundamental que o cirurgião-dentista instrua o paciente com a técnica correta de higienização, os cuidados na ingestão de determinados tipos de alimentos e a importância da realização da manutenção em consultório odontológico. Todas as recomendações devem ser entregues ao paciente e devidamente explanados ao paciente durantes as consultas que deverão constar conforme os itens abaixo: 1) Período de adaptação: O período de adaptação varia de paciente para paciente, pois diversos fatores podem estar atrelados à rejeição por parte do mesmo, tais como fatores emocionais e a adaptação do tecido mucoso a nova condição (Turano et al., 2012). 2) Utilização: Em virtude da preservação da saúde dos tecidos bucais é recomendado que que às próteses sejam removidas da cavidade oral durante a noite, permitindo assim, um melhor restabelecimento dos tecidos (Telles, 2013). Algumas pessoas quando fazem a utilização das novas condições sentem um mal estar (enjoo e ânsia), nesses casos, aconselha-se o paciente a sua utilização ao maior tempo possível que em alguns dias esse mal estar cessará (Turano et al., 2012). 3) Alimentação: Necessita-se orientar o paciente que, preferencialmente, a mastigação deverá ser realizada dos dois lados; não sobrecarregar os dentes anteriores durante a ingestão de alimentos; a alimentação, em princípio, deverá ser pastosa e líquida, deixando objetiva ao paciente que com o passar do tempo, após a realização dos ajustes a alimentação será normalizada (Corrêa, 2005). Deve-se orientar também ao paciente para evitar a ingestão de café e cigarros, pois poderá provocar o manchamento das dentaduras. 4) Higienização: A higienização da prótese total pode ser realizada através da escovação, soluções químicos ou associação entre eles. A escovação pode ser realizada internamente e externamente com escova apropriada e sabão neutro, pois a pasta de dente não é recomendada por conter substância abrasiva (Telles, 2013). Existem várias alternativas para a limpeza com soluções químicas, mas uma alternativa de fácil manuseio é a dissolução de 15 ml de hipoclorito de sódio de 2 ou 3% em 300 ml de água, deixando a prótese durante a noite e escovando em água corrente no dia seguinte (Telles, 2013). Outra alternativa é a clorexidina 4% em imersão por 10 minutos. Além dos cuidados da prótese deve-se escovar a cavidade oral com uma escova macia para a eliminação de infecções (Telles, 2013). As imagens abaixo são instruções de higiene das próteses totais e da cavidade oral para a manutenção da prótese: a) escova indicada para prótese total; b) instrução de higiene; c) armazenamento; d) escova macia indicada para a cavidade oral 5) Ferimentos: a princípio há o período de adaptação da prótese, podendo causar ferimentos, por isso é de fundamental importância que o paciente retorne às consultas de retorno ou quando este notar qualquer alteração na cavidade oral para que o profissional realize os ajustes necessários. 6) Adesivos: em alguns casos há dificuldade por parte do paciente na adaptação da prótese total, principalmente na arcada inferior que houve uma maior perda óssea o rebordo residual, dificultando a retenção e a estabilidade da prótese, sendo necessário lançar mão, à curto prazo, dos adesivos. Atualmente existem comercialmente dois tipos básicos de adesivos que são os não solúveis e os solúveis. A aplicação do adesivo deve ser somente o suficiente para o correto assentamento da prótese, com variação do tipo do adesivo utilizado. Após a aplicação a prótese deve ser inserida e pressionada com amão por cerca de 10 minutos e, a seguir, fechar em oclusão cêntrica (Telles, 2010). Exemplos de adesivos encontrados no mercado 9.4. Consultas de controle e alta clínica As consultas referentes ao controle é de extrema importância e deve ser devidamente prescritas ao paciente da sua necessidade, pois próteses mal- adaptadas ou que lesionam o tecido mucoso podem ocorrer danos ao paciente, gerando insatisfação com a sua utilização. Uma grande dúvida dos alunos da graduação ou dos profissionais é de quanto em quanto tempo ou quantas vezes o paciente deve retornar ao consultório. Portanto esse tópico será explicado conforme os itens abaixo: 1) 1° Consulta: nesta consulta o profissional observará se há algum ponto de traumatização entre a prótese e o tecido mucoso. Mucosa jugal traumatizado pela prótese total inferior 2) 2° Consulta: na segunda consulta o profissional deverá analisar as queixas do paciente (perda de retenção, dor associado ao trauma, estética, sensação de “boca cheia”, dentre outros), identificação das mesmas e como solucioná-los, bem como, realizar os ajustes e reforço das instruções de higiene. 3) Alta clínica: Caso o paciente não possua nenhuma queixa com relação à retenção, dor associada ao trauma, sensação de “boca cheia” e a estética da prótese é dada a alta ao paciente. No dia da alta deve-se orientá-lo a comparecer anualmente para realizar o controle da prótese, pois devido o rebordo residual sofrer reabsorção óssea a prótese tende a perder a estabilidade; ou se houver algum incômodo anterior a esse período recomenda-se o retorno no profissional para a verificação do problema. Fatores importantes a serem considerados antes da alta clínica: Para elucidar melhor sobre a manutenção alguns questionamentos devem ser realizados: 1) O paciente compreendeu adequadamente de como realizar a higienização das próteses e dos tecidos moles? É imprescindível que o paciente tenha compreendido a instrução de higiene prescrito pelo clínico para evitar a presença de fungos e aumentar a durabilidade da prótese. 2) O paciente sente algum incômodo com a sua utilização? Muitos pacientes relatam que a prótese traumatiza a mucosa, causando lesões sobre a mesma. A solução para o problema é a realização de desgastes em várias sessões na região que há o trauma, sem perder a retenção e a estabilidade. 3) O paciente sente que a prótese está instável? Após a remoção dos elementos dentários o rebordo residual sofre reabsorção óssea gradativamente, podendo comprometer a estabilidade da prótese. 4) Há a necessidade de consertos? Por ter sido confeccionado em resina acrílica é permitido que ocorra o reparo por remoção e por acréscimos. 5) Há a necessidade de reembasamento? A avaliação da necessidade de reembasamento consiste em realizar moldagem com pasta zincoenólica em toda a sua extensão para verificar se há a presença de estabilidade. Questões 1) Quais são os fatores que devem ser avaliados durante a entrega da prótese total? 2) Quais são os cuidados que o paciente deve-se tomar para ter uma maior durabilidade da prótese? 3) Discorra sobre os fatores funcionais que devem ser analisados durante a instalação da prótese. 4) Há um limite mínimo de controles que devem ser realizados? 5) Quais as orientações que devem ser passadas ao paciente? BIBLIOGRAFIA GERAL 1. CERVEIRA NETTO, H. Prótese Total Imediata. São Paulo,Pancast Editorial, 1987. 2. CORRÊA GA. Prótese Total Passo-a-Passo. Ed.Santos, 1ªed., 2005, 195p. 3. Heartwell Junior, C.M., Rahn, A.O. Syllabus em Dentaduras Completas. SP: Santos, 1990, 523 p. 4. PRISCO VPC, MARCHINI L. Prótese Total. Procedimentos Clínicos Laboratoriais, ed. Maio, 2ªed., 2007, 268p. 5. SAIZAR, P. Prostodoncia total. Buenos Aires, Mundi.Progrental. 1972. 495p. ilus. 6. SCHLOSSER, R.O. - Protesis completa por Rudolph C. Schlosser y Daniel Gehl/ traducción de la 3.ed. americana por /Flora Apfelbaum; revisión por David Apfelbaum. Buenos Aires, Mundi /1957/ 525p. 7. SHARRY, J.J. Complete Denture Prosthodontics. 3ª.ed. NewYork, McGraw-Hill /1974/ 388p. 8. TELLES,D., HOLLWEG, H., CASTELUCCI, L. Prótese Total Convencional e sobre Implantes. 2ª ed. Ed. Santos, 2004, 324p. 9. TELLES,D. Prótese Total - Convencional – Livro do Estudante. 1ª ed. Ed. Santos, 2011, 346p. 10. TAMAKI, T. Dentaduras completas. 4ª.ed. rev. atualizada. São Paulo, Sarvier, 1988 ,286p. 11. TURANO JC, TURANO LM Fundamentos de Prótese Total, Ed.Santos, 9ªed., 2010, 569p. 12. ZARB G, HOBKIRK, ECKERT S, JACOB R, FENTON A, FINER Y,CHANG TL, SREENIVAS K Tratamento protético para pacientes edêntulos. Elservier, 13ª ed. Rio de janeiro, 2013, 464p. 13. WÖSTMANN, B., SCHULZ, H-H. Prótese Total - Atlas colorido. SP: Santos, 1991, 124p.separação. Isso se dá devido à pressão exercida pela atmosfera. Podemos nos utilizar dessa força auxiliar e realmente o fazemos, quando da construção de nossos aparelhos protéticos, procurando o ajuste perfeito entre a base e a fibromucosa, que reduza a película líquida a um filme e o "selamento periférico" das bordas da prótese com o intuito de impedir a permanência de bolhas de ar entre a base da dentadura e a fibromucosa. Depreende-se que quanto mais íntimo for o contato da base da prótese total com os tecidos de suporte, menor será a espessura da película de saliva e maior a força de adesão. Quanto mais íntimo for o contato das bordas da prótese total com os tecidos circunvizinhos, menor será a possibilidade de entrada de ar entre as partes e mais efetiva será a ação da adesão e da pressão atmosférica como meios de retenção. 2.1 Meios físicos e princípios biomecânicos 1. Adesão 2. Pressão atmosférica 3. Suporte 4. Selamento periférico 5. Biomecânica (fisiologia) dos músculos mastigatórios 1. Adesão: a adesão depende do contato íntimo entre as superfícies da fibromucosa e da base da prótese total. É o que denominamos "adesão por contato". A adesão é proporcional às superfícies de contato, sendo que, quanto maior for a área de contato maior será a adesão. 2. Pressão atmosférica: pressão é força atuando sobre superfície. Quanto maior a superfície, mais efetiva a ação da pressão atmosférica sobre a prótese total. 3. Suporte: representado pelas estruturas sobre as quais se assenta o aparelho protético. Essas estruturas receberão os esforços decorrentes da mastigação. 4. Selamento periférico: representado pela adaptação das bordas da prótese total aos tecidos moles e de suporte. O selamento periférico é devido à adaptação das bordas da prótese total aos tecidos circunvizinhos, na região do fundo de sulco e limite palato duro/mole. "A base da prótese total deve recobrir tanto a superfície de suporte e tecidos circunvizinhos quanto possível, sem interferir nos movimentos dos músculos e bridas susceptíveis de deslocar o aparelho protético de sua posição ou causar injúrias ao paciente." 2.2 Planos inclinados Uma prótese total promove boa distribuição de cargas axiais, ou seja, cargas resultantes em direção ao longo eixo do rebordo. Planos inclinados são cargas em quaisquer outras direções, que desviam forças e provocam instabilidade. O protesista deve procurar sempre forças que atuem em ângulo reto, e para isto deve considerar nove fatores (Turano 2010): 1) Direção das forças para o fechamento: tanto em dentição natural como artificial, o paciente leva a mandíbula à posição que lhe ofereça maior comodidade e eficiência, onde ele sinta maior resistência. De todas as relações excêntricas, a mandíbula tenderá sempre a voltar para sua posição cêntrica, e esses movimentos não verticais tenderão a desequilibrar as próteses totais, seja pela ação muscular não vertical, ou seja pelos planos inclinados das cúspides dentárias. Por isso, é preciso orientar os pacientes no sentido de se habituarem a executar movimentos simples de abertura e fechamento a fim de minimizar os planos inclinados. 2) Ação dos músculos sobre os dentes e superfícies das próteses totais: a disposição dos dentes e a superfície polida da prótese podem propiciar zonas que atuam como planos inclinados, estabilizando ou deslocando as próteses totais, de acordo com o desequilíbrio que há nestas superfícies. A pressão exercida pelas bochechas e lábios sobre a superfície vestibular das próteses pode atuar, também, melhorando ou não a estabilidade das mesmas. Dessa forma, a força centrífuga exercida pela língua e a força centrípeta exercida pelas bochechas e lábios para colocar e manter o bolo alimentar na superfície oclusal dos dentes sugere que a posição ideal dos dentes seria em ponto neutro em relação a estas forças. 3) Efeitos da terceira Lei de Newton: Para cada ação de uma força há uma reação igual e de sentido oposto. O sistema de oclusão das próteses totais deve ser orientado de tal modo que o paciente se sinta mais inclinado a mastigar com movimentos verticais do que horizontais (de lateralidade). A reação igual e oposta produzida como resultado dos movimentos de mastigação em lateralidade é mais prejudicial aos tecidos de suporte e favorece a instabilidade das próteses. 4) Superfície articular da ATM: estabelecer um padrão oclusal harmônico entre altura de cúspide e angulação da cavidade articular - (individualização) 5) Ângulo de abertura formado pelas superfícies de oclusão: quanto mais paralelas forem as superfícies oclusais superior e inferior, melhor será a estabilidade da prótese. Planos oclusais divergentes forçam as próteses a se deslocarem no sentido anteroposterior. 6) Ação de alavanca: a inclinação do plano oclusal pode determinar uma ação de alavanca, causando instabilidade na prótese total. Além disso, a magnitude das forças mastigatórias, quando há discrepância entre os lados direito e esquerdo, também pode ser um fator causador de ação de alavanca. 7) Ângulos formados pelos planos oclusais: as superfícies das cúspides no plano oclusal devem se engrenar de forma que possam estabelecer um “bloqueio” das próteses totais em função, impedindo seu deslocamento. 8) Compressão do tecido de suporte: o rebordo sobre o qual as próteses totais estão adaptadas não é rígido nem compressível de modo uniforme. Sua forma não é estável, e pela ação e pressão mastigatória intermitente ele muda de forma gerando, também, ações de alavanca. Estas ações são impossíveis de remover, uma vez que são características inerentes ao tecido, porém podemos controlá-las regularizando a área basal e propiciando maior extensão da área basal das próteses no sentido de aproveitar um melhor apoio ósseo. 9) Efeitos dos alívios: em algumas ocasiões o alívio não é conveniente e por isso não está indicado. É necessário que o cirurgião-dentista seja criterioso quanto a eleição das zonas de alívio para que não sejam criadas novas áreas de instabilidade. Questões: 1- O que são planos inclinados? Cite 3 formas de minimizá-los. 2- Explique o mecanismo de adesão e coesão que mantém a retenção da prótese total. 3. Anamnese e Exame clínico A anamnese e o exame da boca do paciente são de grande importância pois é a partir deles que o planejamento é feito, e consequentemente a determinação do prognóstico do caso. Também é de suma importância a avaliação do estado mental/psíquico do paciente, que também pode influenciar no tratamento. Logo na primeira consulta, o paciente geralmente demonstra estar preocupado com quatro aspectos do exame: a estética, a ausência de dor, a eficiência mastigatória e o baixo custo. Por isso, o profissional deve explicitar a importância da compreensão e colaboração do paciente durante e após o tratamento. Por exemplo, na fase de adaptação com a prótese total, o dentista deve explicar que o paciente deve usá-la a maior parte do tempo que puder, para promover acomodação e adaptação dos tecidosbucais; também que pode haver dor, e que ela é importante para orientar a conduta clínica nas consultas de ajuste após a instalação da prótese. Na anamnese, além dos dados pessoais do paciente devemos ficar atentos ao estado físico do mesmo, pois ele é importante na determinação do prognóstico do tratamento. A idade e o estado físico do paciente são fatores que podem influenciar a reação do organismo frente ao estímulo causado pela prótese. Sendo assim, a idade avançada associada a bom estado físico é uma indicação para o uso de próteses, da mesma forma que a senilidade, por si só, já é uma contraindicação. Algumas perguntas também podem ser feitas num primeiro momento, a fim de o profissional poder compreender mais a fundo quais são as expectativas do paciente, e como se encontra sua condição psicológica/emocional atual: 1- O paciente está insatisfeito com sua prótese atual? 2- O paciente compreendeu as possíveis limitações estéticas e funcionais do seu caso? 3- O paciente está informado dos custos envolvidos no tratamento? 4- O paciente está avisado que serão necessários ajustes subsequentes a instalação da prótese? 5- O paciente foi avisado que o sucesso da reabilitação depende do estabelecimento e do cumprimento de um programa de manutenção após a instalação da prótese? Seguindo para o exame clínico, podemos dividi-lo em exame intra e extra-oral, e também em visual, táctil, radiográfico e exame dos modelos de estudo. Todos estes exames se completam, e é assim que visualizamos todas as estruturas, palpamos os tecidos, e compomos sobre os modelos a realização prática do caso. 3.1 Ficha clínica A ficha clínica é onde o dentista vai anotar todos os dados do paciente, desde dados pessoais como endereço e telefone para contato, até dados sobre o tratamento. É de extrema importância para o seguimento do tratamento (desde o início até os controles posteriores), uma vez que deve conter as observações, limitações e etapas do caso clínico. A ficha clínica deve conter: a) local para anotar dados pessoais; b) local para registro dos dados obtidos no exame clínico; c) esquema de PENDLETON com descrição das áreas; d) local para diagnóstico e prognóstico; e) local para anotações durante o tratamento e controles posteriores. 3.2 História médica Com relação à história médica do paciente, há algumas alterações que são frequentes em pacientes idosos, e que devemos ter atenção. São elas: redução do fluxo salivar ou xerostomia, infecções fúngicas (como candidíase), osteoporose, edema causado pela retenção de líquido e hiperplasia fibrosa inflamatória. A saliva é fundamental tanto para indivíduos dentados quanto para desdentados. Suas principais funções são promover ação antibacteriana e antifúngica no meio bucal, iniciar a digestão, lubrificar e proteger a mucosa, entre outros. Além disso, em pacientes desdentados, promove a retenção das próteses totais por meio da força de adesão, em que uma fina película de saliva se interpõe entre a superfície da prótese e o rebordo. A secreção diária de saliva atinge normalmente 800mL a 1500mL, e a redução desse fluxo pode influenciar diretamente a reabilitação do paciente, causando perda de retenção, formação de ulcerações traumáticas devido ao contato direto da prótese com a mucosa, e dificuldades na mastigação. A redução do fluxo salivar ou a ausência de saliva podem ser causadas por doenças como a Síndrome de Sjörgren; tratamentos de radioterapia em região de cabeça/pescoço; pelo uso de alguns medicamentos (ansiolíticos, broncodilatadores, anticonvulsivantes, antidepressivos, entre outros); e pelo desequilíbrio hormonal comum na menopausa. Mais uma vez vê-se a importância da anamnese, em que o profissional deve perguntar quais os tipos de medicamentos usados pelo paciente, histórico de doenças anteriores e se notou alguma alteração no fluxo salivar no decorrer dos últimos anos. Nestes casos, recomenda-se que o paciente coloque pequenas quantidades de água na boca durante o dia (sem engolir), para promover hidratação da mucosa, e nos casos mais severos recomenda-se o uso de saliva artificial. Infecções fúngicas também são relativamente comuns em pacientes usuários de próteses totais, e isso se deve principalmente pela má higiene (que permite a proliferação de microorganismos), e uso contínuo da prótese (especialmente à noite, quando a produção de saliva diminui). A principal infecção fúngica que acomete estes pacientes é a candidíase eritematosa. Nestes casos, o tratamento mais eficaz é orientar o paciente para que consiga uma melhoria na higienização das próteses e reforçar a importância de permanecer um período sem utilizá-las, especialmente a noite. O uso tópico de substâncias antimicrobianas como nistatina e clorexidina 0,12% também pode colaborar, porém age como um coadjuvante uma vez que o paciente precisa seguir as medidas citadas anteriormente. Em casos graves ou persistentes indica-se o uso de medicação sistêmica. A osteoporose é uma alteração que pode influenciar significativamente a reabsorção do rebordo residual, e uma manifestação clínica importante dessa alteração é a diminuição da densidade óssea, observada através de exames por imagem, como a radiografia. A osteoporose pode ser dividida em dois tipos, sendo o tipo I consequência da redução hormonal causada pela menopausa e que afeta osso trabecular. Já o tipo II é resultante do processo de envelhecimento das funções intestinais, renais e hormonais, que afeta tanto osso trabecular quanto cortical. Mulheres são mais propensas a serem afetadas pela osteoporose, uma vez que estão sujeitas aos dois tipos. É válido ressaltar que a reabsorção óssea influencia a reabilitação pela instabilidade e falta de retenção das próteses, bem como pelo deslocamento de estruturas anatômicas importantes. Por fim, a hiperplasia fibrosa inflamatória é uma lesão que surge na mucosa como resposta à presença de uma irritação crônica associada a má adaptação da prótese ou pelas chamadas “câmaras de sucção”, recurso utilizado de forma errônea, na "tentativa" de se aumentar a retenção das próteses totais. O tratamento para esta alteração tecidual consiste na redução da região sobre estendida da base da prótese para melhor adaptação ou confecção de uma nova prótese, e em alguns casos remoção cirúrgica da lesão. Paciente com a prótese total em posição. Com a remoção da prótese total, é possível observar a hiperplasia na região da borda da prótese. Visão mais aproximada da lesão. Lesão no palato provocada por câmara de vácuo 3.3 Exame extra-bucal É de fundamental importância que o profissional tenha o conhecimento sobre a anatomia extra-oral e intra-oral, para assim, saber diagnosticar as alterações presentes no paciente e propor o melhor tratamento para o mesmo. Com relação a anatomia extra-oral devem ser analisados: - Lábios; - Bochechas; - Freio labial: músculo Orbicular dos lábios; - Articulação temporomandibular (ATM). Além disso, também devem ser observadas a dimensão vertical, o suporte labial,a linha do sorriso e a altura incisal (no caso do paciente já ser usuário de próteses totais). Estes quesitos podem ser observados ao longo da anamnese, enquanto o cirurgião-dentista está conversando com o paciente, a fim de perceber como estas estruturas e parâmetros se comportam em repouso, e enquanto o paciente fala. 3.4 Exame intra-bucal O exame da boca do paciente desdentado pode ser dividido em três seções: a anatomia do desdentado; o exame da fibromucosa e o exame do tecido ósseo, bem como a identificação da reabsorção óssea. 3.4.1 Anatomia do desdentado dental Maxila: - Rugosidades palatinas - Rafe palatina - Tórus maxilar - Forames palatinos (emergência de nervos) - Zona glandular do palato mole (não deve ser recoberta) - Arcos alveolares - Tuberosidades - Freio labial: músculo orbicular dos lábios - Inserção do músculo bucinador - Fossa pterigomaxilar - Ligamento pterigomaxilar Maxila edêntula Mandíbula: - Freio labial: músculo Quadrado do mento e músculo Orbicular dos lábios - Freio lingual: músculo Genioglosso - Forames mentonianos (emergência de nervos) - Inserção do músculo Bucinador - Linha oblíqua externa: inserção do músculo Bucinador e do músculo Masseter - Papila (trígono) retromolar - inserção de fibras profundas do músculo temporal - Músculo Constritor Superior da Faringe - Linha oblíqua interna: inserção dos músculos - Milohioideo, Geniohioideo, Pterigohideo medial - Língua Mandíbula edêntula 3.4.2 Fibromucosa A fibromucosa apresenta-se como uma camada de epitélio escamoso estratificado repousando sobre outra camada, a túnica própria. Este por sua vez divide-se histologicamente em camada papilar e camada reticular. Epitélio e Túnica constituem a MUCOSA que se apoia na SUB-MUCOSA. Esta é constituída por um retículo de fibras elásticas frouxas e vasos. O epitélio, por razões de sua função, apresenta-se recoberto por uma camada córnea de células estratificadas nas regiões do palato duro e gengivas. As propriedades da fibromucosa que têm interesse protético são: · Tonicidade: sua textura ao toque, sua resistência a deslocamentos. Pode sofrer alterações de acordo com o estado físico do paciente e/ou devidas a hiperplasias localizadas (edema - conteúdo histamínico). · Resiliência: propriedade de devolução de esforços. Capacidade da fibromucosa de voltar ao seu estado primitivo após ter sofrido certa deformação a uma carga localizada. Está intimamente ligada à tonicidade. As alterações que ocorrem, tanto em tecidos moles como em tecido ósseo de suporte, afetam as posições das bases das próteses e portanto a oclusão. Os tecidos moles respondem rapidamente aos estímulos externos como pressão, calor, frio e aos estímulos internos como a quantidade de fluidos que contêm nutrientes, sais e pressão sangüínea. Um estudo feito em 1967 avaliou 522 pacientes portadores de próteses e as conclusões obtidas foram (The Etiology of Mucosal Inflammation Associated with Dentures. LOVE, William D. et alii J.Pros.Dent.,18(6):515-27, 1967): 1- A adaptação da prótese tem a maior importância na condição da mucosa de revestimento, mais do que qualquer outro fator. 2- A remoção das próteses à noite reduz, drasticamente, a incidência de inflamação. Se combinada com a estimulação dos tecidos com uma escova macia, a inflamação pode ser totalmente eliminada. 3- A idade é um fator importante na etiologia da inflamação. O grupo MAIS JOVEM é o mais sujeito à inflamação devido ao alto potencial de resposta aos estímulos. 4- Inflamação severa e hiperplasia papilar, são relativamente menores na mandíbula do que na maxila. 5- Há necessidade de maior ênfase na educação dos pacientes quando da instalação de próteses. 6- A etiologia da inflamação é complexa e necessita de mais estudos; tanto para um tratamento efetivo, quanto para a sua prevenção. Os tecidos moles variam de espessura, resiliência e na sua tolerância à pressão, estando em contínua e constante adaptação e modificação de acordo com os estímulos a que são submetidos. ORTMAN, 1977. 3.4.3 Tecido ósseo O tecido ósseo é a base profunda de sustentação das próteses, sendo assim, nos interessa conhecer as alterações que este tecido pode sofrer, bem como as modificações nos rebordos alveolares quando ocorrem essas alterações. Dentre as alterações que o tecido ósseo pode sofrer, a reabsorção óssea alveolar afeta diretamente o funcionamento das próteses totais. Segundo Mc Call e Stilman o osso alveolar existe apenas como o elemento de fixação para os dentes. Assim sendo, a perda dos dentes resultaria no desaparecimento desse osso por falta de função, ou seja, ocorreria a reabsorção do mesmo. Mac Millan, em seus estudos, demonstra que o osso alveolar comporta-se como qualquer osso do organismo, sofrendo um rearranjo estrutural devido à perda dos dentes, com a finalidade de adaptação às novas condições do sistema. Quando existem rebordos planos, ou seja reabsorvidos, é difícil obter uma prótese total retentiva e estável. Por isso, a preservação do tecido ósseo é de suma importância em odontologia, considerando que toda terapêutica protética pode ter êxito, sempre e quando a base óssea permanecer intacta. · Reabsorção óssea É a eliminação dos componentes inorgânicos do osso pela circulação sangüínea e linfática. "A compressão dos tecidos determina uma hiperatividade circulatória, em determinados pontos do osso, com a consequente mobilização do cálcio, acompanhada de rarefação óssea." Aldrovandi, C. (1960) LEI DE LERICHE POLICARDE Na maxila a reabsorção dá-se, predominantemente, as custas da tábua óssea VESTIBULAR, assumindo uma forma delgada. A crista do rebordo residual como que caminha para cima e para o centro. Há uma diminuição em LARGURA que acompanha a diminuição em altura. Já na mandíbula, a reabsorção envolve tanto a vertente VESTIBULAR quanto a LINGUAL, havendo uma diminuição mais considerável na ALTURA do rebordo. Causas de reabsorção: a) Senilidade b) Perda de função c) Causas mecânicas d) Estados patológicos: gerais e locais a) Senilidade Consideramos três estágios na vida dos indivíduos, relacionados ao seu metabolismo: Ascensão: do nascimento até ao redor de 25 anos: é a fase do organismo em desenvolvimento. Portanto, seu anabolismo ultrapassa de muito seu catabolismo. Haveria maior formação e retenção do que eliminação. Estágio: dos 25 aos 45 anos: quando o organismo entraria em equilíbrio, conseguindo suprir perfeitamente às suas necessidades de reposição, mas com menor capacidade de neoformação. Declínio: dos 45 anos em diante: quando sua capacidade de reposição começa a diminuir, rompendo-se o equilíbrio anabolismo/catabolismo, de maneira cada vez maior. Notamos que quando o equilíbrio é rompido torna-se cada vez mais difícil para o organismo repor, com a mesma intensidade, as estruturas ósseas que vão sendo perdidas. Em nosso caso o catabolismo envolveria uma perda de cálcio dos ossos com sua consequente reabsorção. a) Perda de função Com a perda dos dentes e consequente perda de função do osso alveolar, ocorre a reabsorção dos rebordos alveolares. Essa reabsorçãoé progressiva, o processo alveolar torna-se mais arredondado e sua crista menos pronunciada. Na maxila a reabsorção dá-se, principalmente, às custas da tábua óssea (vertente) vestibular, persistindo uma forma delgada. Na mandíbula essa reabsorção dá-se às custas tanto da vertente vestibular como da lingual, havendo uma diminuição mais dramática na altura do rebordo. O último estágio da reabsorção óssea da maxila seria uma imagem plana do rebordo superior e em casos extremos, (geralmente ligados ao uso de prótese mal adaptada) a projeção do septo nasal (cartilaginoso) na altura do rebordo alveolar anterior. Essa situação confere ao paciente um perfil característico conhecido como "perfil de polichinelo". Foto exemplificando o "perfil de polichinelo" em paciente edêntulo c) Causas mecânicas "A compressão dos tecidos determina uma hiperatividade circulatória, em determinados pontos do osso, com a consequente mobilização do cálcio, acompanhada de rarefação óssea." Aldrovandi, C. (1960) "O osso se reabsorve em pontos de excessiva pressão; os tecidos moles atrofiam-se ou hipertrofiam-se, dependendo do estímulo a que são submetidos". Grohs (Aldrovandi, C.1960) "A pressão excessiva da base da dentadura sobre o osso do rebordo residual, pode gerar insuficiência circulatória que acelera a reabsorção. Um dos fatores dessa pressão é o tipo de oclusão criado pelo dentista". ORTMAN (1977) d) Estados patológicos: gerais e locais Segundo Page, a reabsorção é devida a influências orgânicas de ordem geral ligadas a insuficiência do estímulo local. Ele acredita que pode haver diminuição do processo de reabsorção pela correção de insuficiências endócrinas e o uso de uma dieta balanceada. Schour e Massler, em estudos sobre os efeitos das glândulas endócrinas no crescimento do esqueleto facial, confirmam os estudos deste autor. Já Key estabelece uma diferença entre ATROFIA, que afetaria todo um osso ou ossos e REABSORÇÃO óssea, que afetaria partes de um mesmo osso. Segundo Key, a atrofia é devida ao desuso, inflamação ou traumatismo enquanto a reabsorção seria devida à pressão, distúrbios neurotróficos ou atividade celular. Tecidos móveis e imóveis Tecidos móveis: fibromucosa e tecidos adjacentes; Tecidos imóveis: tecido ósseo de suporte. Esta classificação tem cunho exclusivamente didático pois a fibromucosa não consiste num tecido eminentemente móvel, assim como o osso não é absolutamente estável em suas dimensões. Ainda sobre os exames da boca, o cirurgião-dentista deve realizar dois exames que complementam o exame clínico, o método de Turner e o exame de sensibilidade bucal. MÉTODO DE TURNER - verificação do espaço inter-maxilar: com os dedos indicadores apoiados ao longo dos rebordos, peça ao paciente para fechar a boca, teremos a longitude somada das coroas dentais. As possibilidades encontradas nesse exame são: a) projeção da mandíbula em relação à maxila: dificuldade na montagem dos dentes (dentes anteriores montados topo a topo); b) contato das tuberosidades: geralmente devido a hipertrofias ósseas das tuberosidades; c) espaço normal. Sensibilidade bucal – a sensibilidade bucal ocorre devido a presença de exteroceptores na fibromucosa, responsáveis pelo limiar de sensibilidade local. Pode haver sensibilidade exagerada ao toque e náuseas, geralmente associada à porção mais posterior do palato e base da língua. Nestes casos indica-se o uso de anestésico tópico para moldagem e manuseio dos tecidos. 3.5 Exames complementares "Todo maxilar desdentado é clinicamente suspeito" ALDROVANDI, C. 1960” Esta frase sintetiza a necessidade do exame radiográfico como meio auxiliar, não apenas de diagnóstico, mas também, quanto à responsabilidade que o protesista assume ao iniciar o seu trabalho. Através das radiografias verificaremos: - focos de osteíte; - cistos residuais; - raízes residuais; - dentes inclusos; - instrumentos fraturados; - estado da reabsorção óssea; - trabeculado ósseo: disposição e orientação; - disposição dos foramens em relação à crista óssea residual. Tipos de radiografia: Periapical - visualização de pequena área suspeita (p.ex.: localização de raiz); Oclusal - visualização da área basal, no plano horizontal; Panorâmica - visualização de todo o terço inferior do crânio, incluindo articulações e seios maxilares. 3.6 Exames do modelo de estudo Exame mais apurado da altura, espessura e regularidade dos rebordos. Deve ser feita a delimitação prévia da área a ser recoberta pela futura prótese, e permite a visualização de detalhes que não podem ser bem visualizados no exame físico. O QUE DEVEMOS ANALISAR? a) rebordo: com relação ao volume: normal, alto ou reabsorvido; com relação a forma: afilado, paralelo ou retentivo; com relação a superfície: liso ou irregular; com relação ao formato do arco: ovóide, quadrangular ou triangular. Quando houver muita assimetria, devemos ficar atentos na etapa de montagem dos dentes, pois esse fator pode comprometer a estabilidade da prótese; b) espículas ósseas não reabsorvidas: podem indicar avulsões recentes, necessitando (ou não) cirurgia reparadora; c) áreas de grande reabsorção óssea: devidas a causas locais ou resultantes de tratamentos anteriores – nestes casos há maior dificuldade na retenção e estabilidade da prótese. O dentista deve comunicar o paciente no início do tratamento sobre as limitações do uso da prótese; d) freios e bridas: quando muito volumosos e extensos necessitam remoção cirúrgica pois podem prejudicar a retenção da prótese; e) grandes reabsorções/mucosa flácida: quando acompanhada de hipertrofia indica-se remoção cirúrgica e em alguns casos o "aprofundamento de sulco" cirúrgico; f) diferenças de densidade de estrutura óssea devidas à reabsorção: necessitam de exame de RX e em certos casos, exames histopatológicos com o intuito de determinar as causas dessa reabsorção; g) diferenças de reabsorção na maxila e na mandíbula: pela anamnese verifica-se o histórico do uso de prótese mono-maxilar ou outro tipo de aparelho removível. Foto de modelo de estudo maxilar evidenciando rebordo de formato ovóide. Foto de modelo de estudo evidenciando rebordo de formato quadrangular. Foto de modelo de estudo evidenciando rebordo de formato triangular. Questões: 1- Quais são as alterações frequentes que ocorrem em idosos, e que devemos nos atentar na história médica? 2- Quais são as principais informações que devem constar na ficha clínica do paciente? 3- Cite e explique as principais causas de reabsorção óssea em pacientes idosos. 4- Descreva os fatores que devem ser analisados no exame dos modelos de estudo. 4. Estudo das moldagens 4.1 Limites da área chapeável Introdução: Denominamos área chapeável ou área basal, as áreas da maxila e mandíbula que serão recobertas pela base da prótese total. Levando em consideração que cada paciente é um caso diferente, não podemos estabelecer medidas rígidas, mas somos obrigados a nos guiar por uma série de princípios biomecânicos e fisiológicos que nos orientarão no reconhecimento e delimitação dessa área. Limites gerais da área chapeável (basal) da maxila São os limites gerais que nos orientarão no desenho e confecção da base denossas próteses. ● Rebordo alveolar em toda a sua extensão (de tuberosidade a tuberosidade); ● Paredes vestibulares do rebordo alveolar até o sulco gengivo-labial e geniano; ● Abóbada palatina em toda a sua extensão até sua borda posterior, limite palato duro/palato mole; ● Contorno das inserções musculares e bridas vestibulares. Figura: visão oclusal do rebordo superior desdentado. Dentro desses limites e conforme a magnitude do esforço recebido pelo tecido de suporte nessas regiões, Pendleton (1928) as dividiu em zonas: 1. Zona principal de suporte 2. Zona secundária de suporte 3. Zona de selamento periférico 4. Zona de selamento posterior 5. Zona de alívio 1. Zona principal de suporte: é a zona de maxila que irá receber o maior esforço durante a mastigação. Ela compreende o rebordo alveolar em toda a sua extensão, incluindo as tuberosidades. Essa região é, também, a que sofre maiores alterações com o correr do tempo. Notamos intensas reabsorções ósseas nessa área, principalmente se não foram obedecidos os princípios biomecânicos que regem a confecção das próteses totais muco suportadas. 2. Zona secundária de suporte: estende-se por toda a vertente palatina do rebordo alveolar até a rafe mediana. Para posterior, até o limite do palato duro e início do véu do paladar. Essa área é de extrema importância pois contribui tanto na estabilidade da prótese total maxilar como em sua retenção. Sendo o osso dessa região um osso compacto, a sua reabsorção é muito mais lenta propiciando uma sobrevida maior a prótese maxilar. 3. Zona de selamento periférico: localizada vestibularmente aos rebordos alveolares, apresenta-se como uma zona de transição ou zona marginal neutra, que denominamos sulco gengivo-labial ou geniano. 4. Zona de selamento posterior: constituída pela faixa de tecido que se estende desde o fim da abóbada palatina propriamente dita e início do palato mole ou véu do paladar. Podemos situá-la em uma linha que ligue as tuberosidades passando ao nível das fóveas palatinas. A esse limite denominamos borda posterior ou região do post-daming. Determina-se, ao vivo, por palpação ou fonação, verificando onde se inicia a área vibrátil correspondente ao palato mole. 5. Zona de alívio: são pontos onde não desejamos executar pressões. Seriam para a maxila: ● Torus palatino, pois pode funcionar como um fulcro central deslocando a prótese de sua posição e rompendo o selamento periférico. Indica-se a remoção cirúrgica dessa estrutura óssea. ● Pontos de emergência de nervos e vasos que, devido a intensas reabsorções ósseas podem se encontrar situados na altura da crista do rebordo alveolar e, portanto, em zona de máxima pressão o que poderia causar desconforto e dor ao paciente. Limites gerais da área chapeável da mandíbula 1. Rebordo alveolar em toda a sua extensão (incluindo as papilas retromolares); 2. Linha oblíqua externa e seu prolongamento na porção montante até uma altura de aproximadamente 10 mm. 3. Dobra vestibular do músculo Bucinador. 4. Sulco gengivo-labial e geniano. 5. Limite do assoalho da boca em toda a sua extensão. Figura: visão oclusal do rebordo superior desdentado. Como na maxila, Pendleton dividiu a mandíbula em 5 zonas: 1. Zona principal de suporte: constituída pelos rebordos alveolares em toda a sua extensão, bem como, as suas vertentes vestibular e lingual, englobando o trígono retromolar. 2. Zona secundária de suporte: seriam as vertentes vestibular e lingual do rebordo alveolar. Convém notarmos que na mandíbula as zonas secundárias de suporte confundem-se com zona principal de suporte. Uma das zonas que nos oferece grande possibilidade de apoio, seria aquela situada na região da linha oblíqua externa, onde há osso compacto. Poderia estar classificada tanto como zona secundária de suporte, pela sua posição relativa, quanto como zona principal de suporte, pela sua função de apoio. 3. Zona de selamento periférico: aqui também há certa coincidência pois, na mandíbula, o selamento periférico dá-se tanto às custas de limite gengivo-labial (na região de fórnice gengivo-labial) como às custas da face do rebordo alveolar vestibular e lingual. 4. Zona de selamento posterior: segundo alguns autores seria a zona constituída pela área retromolar. Porém, não há limite nítido entre a zona de selamento posterior e a zona de selamento periférico nesta região. Para efeito didático vamos considerar a zona de selamento posterior, como sendo aquela região posterior à papila retromolar. 5. Zona de alívio: da mesma maneira, é discutida a sua conveniência (como para a maxila) poderíamos citar como zonas de alívio: ● Rebordo alveolar terminando em crista fina e alta, com possibilidade de lesões da fibromucosa; ● Pontos de emergência de nervos e vasos. Quando de grandes reabsorções ósseas na região dos forames mentonianos há a possibilidade de compressão dos filetes nervosos que daí emergem; ● Porção posterior da linha oblíqua interna, quando esta se apresenta afilada e cortante. Na maioria dos casos procura-se não atingir ou, pelo menos, não apoiar a base da prótese total nesta região; ● Tórus mandibular: limitar o bordo lingual da prótese à altura do torus quando discreto ou remover cirurgicamente o osso. Questões: 1- Quais os limites gerais da área chapeável da maxila? E da mandíbula? 2- Descreva as zonas de Pendleton para maxila e mandíbula. Meios de RETENÇÃO das Próteses Denominamos retenção ATIVA, aquela obtida por meio de técnica, como por exemplo, as moldagens. Já a retenção PASSIVA, é obtida pela eliminação dos fatores que criam as forças extrusivas, como o recorte muscular e a oclusão, por exemplo. Quando nos referimos ao selamento periférico, procuramos um ajuste o mais próximo possível entre a base da prótese total e os tecidos circunvizinhos. Sabemos que esses tecidos são móveis e que suas posições relativas variam de acordo com a tensão exercida por determinados músculos. Vemos a necessidade de conhecer quais os músculos que podem interferir com a base da prótese total e como se daria essa interferência, para que possamos usá-los em nosso proveito. 4.2 Músculos que interferem na estabilidade das próteses totais: músculos para-protéticos Os músculos para-protéticos se inserem na maxila e mandíbula e mantém relações direta ou indiretamente com a prótese. Sua importância se dá quando em função (dinâmica), podendo provocar o deslocamento da prótese, se suas bordas se estenderem além a zona de ação desses músculos. Os movimentos de dinâmica ocorrem, por exemplo, na mastigação, fonação, deglutição e mímica. De acordo com sua posição determina-se uma linha que contorna as inserções musculares, ligamentos e freios, que foi denominada LINHA DE INSERÇÃO, que, segundo Fournet, esta é uma linha imaginária, irregular, que determina até onde pode se estender a borda da prótese, para conseguirmos um selamento periférico perfeito, sem causar irritações nem perturbar a nutrição dos tecidos, sem alterar a fonação nem provocar traumas. Para seu estudo podemosdividir os músculos para-protéticos em: 1) Músculos de ação direta: quando interferem com a base da prótese total pela sua contração própria. Suas inserções ou seu trajeto coincidem com os limites da prótese. 2) Músculos de ação indireta: quando, pela sua contração, mobilizam outras massas musculares ou teciduais adjacentes que interferem com a base da prótese total. Músculos para-protéticos da maxila: a) Orbicular da boca: insere-se nas fóveas incisivas da maxila e mandíbula e estende-se até as comissuras labiais. Sua contração pode interferir com a borda vestibular anterior da prótese. b) Levantador do ângulo da boca: tem sua inserção ao nível da fossa canina estendendo-se até a comissura labial. É o responsável pelo movimento de elevação e depressão do sulco vestibular anterior; responsável, também, pelo aparecimento dos chamados freios laterais na altura de pré-molares. c) Bucinador: tem suas inserções nos rebordos alveolares ao nível dos molares de onde caminha para cima, para trás e, para baixo até a mandíbula, onde repete a inserção óssea (apresenta-se na forma aproximada de um C). Quando em contração, provoca um abaixamento do fórnice vestibular superior e levantamento do fórnice vestibular inferior. Músculos para-protéticos da mandíbula: a) Depressor do lábio inferior (Quadrado do mento) e Depressor do ângulo da boca (Triangular dos lábios): inserção na face externa da linha oblíqua externa dirigindo-se para as comissuras labiais e linha mediana respectivamente. Quando em contração exercem pressão sobre o bordo vestibular anterior da prótese total. b) Bucinador: insere-se na mandíbula ao nível da linha oblíqua externa na altura de molares. As suas fibras mais posteriores passam abaixo da papila piriforme estendo-se até o ligamento pterigomandibular ou aponeurose bucinato-faringea, onde se localiza sua inserção mais posterior. O conhecimento detalhado desse músculo é de importância quando da delimitação da região distal ou de selamento posterior da prótese total, pois nos movimentos de abertura da boca ou quando da dinâmica muscular, há uma projeção dos tecidos para diante, podendo deslocar uma prótese sobre-estendida. Na altura do trígono retromolar há um encontro das fibras do músculo Bucinador com o tendão terminal do músculo Temporal em sua porção mais inferior. Forma-se um coxim fibroso, a papila piriforme, que deve ser sempre incluída dentro da zona de suporte da prótese inferior. Logo atrás da papila piriforme temos a presença do ligamento Pterigomandibular. Quando do movimento de abertura da boca há a distensão desse ligamento e consequentemente deslocamento da borda posterior da prótese, se esta estiver sobre-estendida. Verificamos que a papila piriforme é o limite mais posterior da borda da prótese total mandibular. c) Constritor superior da faringe: tem suas ações principais quando da deglutição e na projeção da língua. d) Milo-hióideo: insere-se na linha oblíqua interna, ao nível dos molares. Sua ação, do ponto de vista protético, prende-se ao levantamento do assoalho da boca quando da movimentação da língua. e) Genioglosso: sua inserção se dá, na região anterior da mandíbula, lingual, logo abaixo do freio lingual, em pequenas saliências ósseas denominadas apófises geni. É de grande importância quando de grandes reabsorções ósseas mandibulares, pois sua inserção passa a ocupar a vertente lingual do rebordo alveolar, interferindo com o assoalho da boca. f) Língua: embora seja um grupo de músculos extrínsecos à mandíbula (genioglosso, hioglosso, estiloglosso, palatoglosso) e intrínsecos, é muitas vezes negligenciado quando do estudo da Prótese Total. Sua ação é de grande importância tanto na retenção como na estabilidade da prótese inferior, pois sua estreita intimidade com o assoalho da boca exerce grande influência na manutenção do selamento periférico lingual, em todas as fases da dinâmica mastigatória, bem como, em todos os atos que envolvam movimento. Compreende-se que é de suma importância o exame e estudo da língua, sua tonicidade, sua forma, seu volume, sua relação com os rebordos alveolares, sua liberdade de movimentos. É do conhecimento desses fatores que depende o sucesso ou o insucesso de uma prótese total mandibular que, sob todos os outros aspectos, pode ter um prognóstico favorável. Questões: 1- O que é a linha de inserção? 2- O que são músculos de ação direta e indireta? 3- Quais os músculos para-protéticos da maxila e mandíbula? 4.3 Introdução ao Estudo das moldagens A base da prótese total é a reprodução, em negativo, absolutamente fiel dos tecidos de suporte, a justeza a esses tecidos deverá ser perfeita e a retenção obtida em valores mais que satisfatórios. Para tanto, é necessário que possamos COPIAR essas estruturas de maneira exata. Isso é conseguido por intermédio de uma série de manobras a que denominamos MOLDAGENS. 4.3.1 Histórico O uso de aparelhos protéticos remonta à Antiguidade, quando ainda não se fazia o uso de moldagens e a base do aparelho era esculpida através de medidas que se tomavam com um compasso, diretamente no paciente. A primeira moldagem de que se tem informação é atribuída a Pfaff, dentista de "Frederico o Grande" (rei da Prússia), que, em 1750, empregou cera de abelhas para impressão bucal. A cera, embora copie as estruturas, é um material instável, que se deforma espontaneamente, e de difícil manuseio, pois altera-se ao simples toque. A demanda por próteses provocou um crescente interesse na procura de um material que apresentasse estabilidade dimensional associada à capacidade de moldar fielmente. Em 1844, Duning utiliza gesso como material de moldagem obtendo resultados animadores. Porém, a técnica de trabalho com gesso é bastante desconfortável, tanto para o paciente como para o profissional. Embora o material apresente boa estabilidade dimensional não permite correções e se fratura com facilidade, quando em contato com a saliva, além de ser difícil a separação do modelo em positivo. Por volta de 1857, Charles Stent aperfeiçoou um material resinoso, termoplástico, que seria o precursor da godiva. Os irmãos Greene (1900) aperfeiçoaram a godiva e aproveitando-se das características desse material introduziram a técnica das moldagens sucessivas, com fundamentos utilizados até hoje. Hupert Hall (1915-1920), em experiências com o novo material desenvolveu a godiva preta, dura, e apresentou uma técnica em que essa é utilizada como moldeira individual, baseada na necessidade de maior adaptação da moldeira e material de moldagem, aos tecidos a serem moldados. Entre 1919 e 1928, Campbell e Pendleton aperfeiçoaram os métodos existentes utilizando novos materiais: godiva em lâminas, placas, bastões, de maior ou menor plasticidade. Renato Prado (1933) apresenta sua técnica, na qual, emprega godiva em lâminas diretamente na moldeira individual. O hidrocolóide reversível foi patenteado em 1925 e começou a ser usado para moldagem nos Estados Unidos no fim da década de 20. O