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CONCEITOS FUNDAMENTAIS • METALURGIA: ciência que estuda um conjunto de procedimentos e técnicas para extração, fabricação, fundição e tratamento dos metais e suas ligas; • PIROMETALURGIA: processos de obtenção dos metais por meio de calor, tais como calcinação, fusão e refino. É a área mais antiga e tradicional da produção de metais (ex: pirometalurgia do ferro); • HIDROMETALURGIA: o metal é extraído de seus minérios por meio de reações em meio aquoso (ex: hidrometalurgia do alumínio, processo Bayer); • ELETROMETALURGIA: engloba os processos de redução de minerais através de eletrólise. Empregados para obtenção de metais como sódio, magnésio e alumínio (ex: processo Hall-Héroult, alumínio primário). CONCEITOS FUNDAMENTAIS • ETAPAS DA SIDERURGIA: - Redução do minério; - Refino do aço; - Processos de transformação mecânica (laminação). • Precedidas por operações de mineração e beneficiamento (aglomeração e mistura) por processos de pelotização e sinterização; • MATÉRIAS PRIMAS DA SIDERURGIA: - minérios de ferro; - carvão vegetal; - carvões minerais; - fundentes (calcário-CaCO3, dolomita-CaCO3.MgCO3); - sucatas; - oxigênio; - ferros-liga (Fe-Si, Fe-Mn, Fe-Mo, Fe-Cr, etc.). CONCEITOS FUNDAMENTAIS • ÁREA DE REDUÇÃO: produção de ferro gusa (ou ferro esponja); • Considera-se que a fase de redução é compreendida pelos seguintes setores básicos: - pátios de matérias primas ou minérios; - coqueria (no caso de uso de carvão mineral); - processos de aglomeração de finos de minério e/ou carvão (sinterização e/ou pelotização); - fornos de obtenção de ferro primário (alto forno, redução direta e fusão redutora). • Antes do processo de sinterização é necessária a homogeneização da carga de minério de ferro, pois os depósitos minerais não são homogêneos. Carga com qualidade adequada e relativamente constante; • Homogeneização e “blending” (composição química, granulometria e propriedades físicas). CONCEITOS FUNDAMENTAIS Fluxograma típico de matérias primas na siderurgia. CONCEITOS FUNDAMENTAIS Pátios primários e de mistura (“blending”) de matérias primas. CONCEITOS FUNDAMENTAIS • ÁREA DE REDUÇÃO: produção de ferro gusa (ou ferro esponja); • O processo de produção de ferro gusa nos altos fornos consiste em carregar carga sólida pelo topo do alto forno, enquanto o ar, enriquecido ou não com oxigênio ou carvão pulverizado é insuflado pelas ventaneiras na parte inferior do forno; • A carga sólida é composta por minério de ferro (granulado e/ou sínter e/ou pelota), coque ou carvão vegetal e fundentes (calcário); • O coque (ou carvão vegetal) é queimado gerando gases redutores em alta temperatura. Os gases sobem entrando em contato com a carga descendente, reagindo, reduzindo e fundindo o minério; • As matérias primas sólidas levam cerca de 6 a 8 horas para descer até a região inferior (casas de corrida), na forma de ferro gusa e escória. CONCEITOS FUNDAMENTAIS Esquema simplificado de produção do ferro gusa no alto forno. file:///C:/Users/CCE/Desktop/PMM-1-2018/Alto Forno/1 - Animação do funcionamento do Alto-forno 1.exe CLASSIFICAÇÃO DAS MATÉRIAS PRIMAS • MINÉRIO DE FERRO: portador do principal elemento que é o ferro, normalmente aparece na forma de óxido. Esta combinação pode ocorrer de várias formas, originando minérios de composição química e características diferentes. Destacam-se a hematita (Fe2O3) e a magnetita ( Fe3O4); • FUNDENTES: matérias primas cujas substâncias agem em determinado meio escorificando (separando) as impurezas (ganga) introduzidas pelos minérios e criando condições adequadas para a retirada do gusa; • CARVÃO MINERAL: costuma ser submetido a uma etapa de beneficiamento (coqueificação). O coque metalúrgico é empregado como combustível, redutor, fornecedor de carbono e permeabilizador de carga. Os finos de carvão são usados para injeção direta; CLASSIFICAÇÃO DAS MATÉRIAS PRIMAS • ADIÇÕES: matérias primas portadoras de elementos que, em menores proporções, contribuem positivamente para o produto ou processo. Exemplos: minério de manganês (dessulfurante – MnS) e ilmenita (titânio para a proteção do cadinho refratário). • MATERIAIS DE GERAÇÃO INTERNA: são originados dentro da própria usina e seu aproveitamento traz benefícios econômicos e ambientais. Merecem destaque: pó de minério, pó de coque, pó de carvão e escória de alto forno. MINÉRIOS DE FERRO • HEMATITA: é o tipo mais comum de minério de ferro, constituído essencialmente pelo óxido Fe2O3. Apresenta um teor nominal de 69,5% de ferro, mas pode variar de 45 a 68% devido à presença de impurezas (ganga); • MAGNETITA: constituída essencialmente do óxido Fe3O4 (peróxido), com teor nominal de ferro de 72,4%, variando na prática entre 50 e 70%. Possui coloração cinza escuro e propriedades magnéticas que facilitam a sua concentração nas operações de beneficiamento; • LIMONITA: consiste essencialmente em hematita hidratada com fórmula Fe2O3.nH2O, com proporção de moléculas de água variando de 1 a 3. Em conseqüência o teor nominal de ferro também varia e normalmente não ultrapassa 65%. Possui coloração marrom ou amarelada; MINÉRIOS DE FERRO • SIDERITA: é um tipo pouco frequente de minérios, ocorrendo normalmente como componente de mistura da hematita e em pequenas proporções. Possui fórmula FeCO3 (carbonato) e seu teor de ferro varia de 10 a 40%. A coloração é cinza esverdeado; • PIRITA: também de pouca importância, normalmente aparece como componente de mistura de minérios de outros metais (minérios de cobre, por exemplo). Sua fórmula básica é FeS2; • ILMENITA: apresenta a fórmula química FeTiO3, correspondendo a 36,80% de ferro, 31,57% de titânio e 31,63% de oxigênio. Geralmente está associado com a magnetita e é extraído para a obtenção do titânio, sendo o ferro um produto secundário. CARACTERÍTICAS DO MINÉRIO PARA SINTERIZAÇÃO • O minério de ferro para sinterização é comumente chamado de “SINTER FEED”, que é uma mistura padrão de diferentes minérios; • CARACTERÍSTICAS FÍSICAS: - distribuição granulométrica adequada; - 0% de fração > 10,0 mm; - 45% a 60% da fração de 1 a 10,0 mm; - menos de 15% da fraçãoque provocaram modificações em suas propriedades físicas e químicas; • HULHAS: as hulhas são o resultado da decomposição de florestas que existiram em épocas de condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento. Foram posteriormente soterradas durante os ciclos geológicos; • Transformações por ação de pressão e calor nos depósitos minerais (histórico geológico): perda de umidade, redução dos teores de oxigênio e hidrogênio e aumento do teor de carbono. • Carvão nacional (Santa Catarina e Rio Grande do Sul) não é adequado para a produção do coque siderúrgico. MATÉRIAS PRIMAS DE GERAÇÃO INTERNA • São matérias primas originadas dentro da usina siderúrgica, decorrentes de outros processos. Por suas características podem ser utilizadas na sinterização. Os aspectos ambientais tornaram fundamental a reciclagem de resíduos; • As principais matérias primas de geração interna são: - carepa (laminação a quente); - pó de alto forno (sistema de coleta de pós); - lixo industrial (minérios e fundentes); - geração da calcinação (cal peneirada e britada); - pó originário do apagamento a seco do coque. COQUERIA • Coqueria é a unidade industrial que transforma mistura de carvões minerais em coque. O coque metalúrgico é empregado nos altos fornos, onde pode atuar como combustível, redutor, fornecedor de carbono ao gusa e permeabilizador da carga; • Os melhores carvões minerais usados na produção de coque metalúrgico são as hulhas, que são constituídas de carbono fixo, matérias voláteis e cinzas; • Para a produção de um bom coque metalúrgico, deve ser preparado uma mistura de carvões com cerca de 25% de matérias voláteis e abaixo de 8% de cinzas. COQUERIA Fluxograma típico de uma coqueria. COQUERIA Imagens de uma bateria de fornos da coqueria da CST, Vitória-ES. Coqueria Fluxograma esquemático típico de uma coqueria. Processo de coqueificação • Processo desenvolvido na Inglaterra, século XVI; • Fornos a carvão vegetal versus demanda local; • Grande contribuição de Abraham Darby (1700); • Evolução pra duas concepções básicas: ➢ fornos de câmaras ou retortas (subprodutos); ➢ fornos de colméias (sem recuperação). • Ciclo operacional: 1. preparação de misturas; 2. enfornamento; 3. aquecimento/coqueificação; 4. desenfornamento; 5. apagamento; 6. preparação do coque; 7. tratamento de subprodutos (matérias voláteis). Características do coque • O coque é caracterizado por sua resistência a compressão e elevada porosidade; • Alta resistência ao esmagamento é necessária para que o coque suporte as camadas de minério, calcário e do próprio coque; • O coque deve queimar com relativa facilidade, apresentar elevado poder calorífico e ter grande reatividade com o CO2 para a produção de CO, responsável pela redução do óxido de ferro; • Propriedades antagônicas:densidade X porosidade; • O coque metalúrgico deve apresentar baixa umidade e baixos teores de cinzas, fósforo e enxofre, que são impurezas no processo de produção dos aços; • Aquecimento em ambiente fechado → decomposição térmica do carvão → desprendimento das matérias voláteis→ resíduo fixo (carbono). Processo de coqueificação • Cada carga de carvão “cozinha” durante 16 a 24 h, com pouco oxigênio, entre 1000°C a 1100°C, para: - gaseificar os hidrocarbonetos voláteis e parte do enxofre; -“concentrar” o carbono no combustível sólido (coque); • coqueificação interrompida por “abafamento” final com água (ou N2); • os gases deste cozimento são direcionados para uma planta carboquímica; • a parte volátil condensável é recuperada como alcatrão: - no período 1989 a 2004 foram produzidos 0,27 a 0,36 Mm3/ano; - dos quais, até 42 mil m3/ano usados para gerar eletricidade; - as partes mais pesadas vão para “piche” e “negro de fumo”; • a parte mais “seca”, ( composta de N2, H2, CO e hidrocarbonetos leves), conhecida como gás de coqueria→ gasômetro principal da usina siderúrgica → coqueria, sinterização, alto forno, lingotamento e laminação, fornos de tratamento térmico. Características da coqueria da USIMINAS Parâmetros Unidade Coqueria n°1 Coqueria n°2 Fabricante - Nippon Steel Nippon Steel Início de operação - 1962 1974 Número de fornos n0 100 110 Produção de coque t/d 1730 3190 Altura dos fornos m 4,0 6,0 Largura dos fornos m 0,4 0,02 0,450 0,03 Comprimento dos fornos m 13,200 15,700 Volume interno m3 19,8 40,0 Volume útil m3 18,35 37,60 Carga do forno t 13,2 27,3 Bocas de enfornar n0 4 5 Câmaras de combustão n0 26 x 102 30 x 112 Etapas da produção do coque 1. Mistura de carvões: os carvões fósseis são os combustíveis sólidos mais importantes na siderurgia. Rochas orgânicas combustíveis, cuja origem é de vegetais submetidos a carbonização. • Baixo poder calorífico; • Altos teores de cinza (entre 47% e 58%); • Altos teores de enxofre (1,0% a 4,7%); • Baixa recuperação, processo de beneficiamento (